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Última atualização: 21/05/2020

Capítulo 1



Todos saúdam a querida Califórnia, pensei comigo mesmo levantando a garrafa de cerveja brindando com o Sol que ia se pondo aos poucos me presenteando com aquele céu alaranjado. Coloquei os pés de volta a areia da praia que tanto sentia falta.
A viagem de Portland à Califórnia havia me custado doze sofridas horas dentro de um ônibus pela estrada quente que a qualquer momento me torraria vivo. Mas o perrengue valeu a pena, pois agora estou de volta ao lugar que mais amo no mundo, com a pessoa mais gay que este planeta já viu.
Era ele, Austin Forbes, meu melhor amigo de longas datas que me trouxe de volta para a Califórnia me dando uma segunda chance para dar um novo rumo a minha vida, ele sempre fez questão de preencher nossas noites com o melhor que a noite californiana podia nos oferecer. No tempo que eu morava aqui íamos de bar em bar bebendo e fazendo amizades novas, íamos a festas privadas de gente muito rica que não fazia ideia de quem nós éramos, organizamos um luau no meio da semana em uma parte da praia que durou até o dia amanhecer e não fomos pegos, tudo na minha vida ia muito bem por aqui até o dever me chamar em Portland e eu ter que voltar para a realidade.
Joguei a garrafa de cerveja no lixo mais próximo e ajeitei a mochila em minhas costas pegando minha outra mala no chão, chamando um taxi ao sair da orla para tomar rumo em direção ao apartamento de Austin, cheguei lá em menos de quinze minutos, me sentindo um completo preguiçoso em não ter aproveitado para andar até o prédio e esticar o meu corpo cansado.
Austin me esperava encostado em frente à entrada do prédio, fumando seu cigarro e conversando empolgadamente com alguém no celular.
Paguei o taxista deixando-o ficar com o troco da corrida, que não tinha dado nem oito dólares, e andei em direção a Austin que retirou os óculos escuros para me encarar de um jeito safado e se abanar, fazendo-me rir.
– Você fica mais gostoso a cada ano que passa – Austin disse antes de me dar um abraço bem apertado. – Como é bom tê-lo de volta.
– Eu voltei para ficar, parceiro de crime – baguncei os cabelos de Austin, igual fazia quando éramos crianças e Austin soltou um grito se afastando de mim, ele odiava aquilo.
– Vamos subir antes que as mulheres desse prédio comecem a cair matando em cima de você – Austin olhou para uma mulher que passeava com o cachorro atrás de nós e me olhava como se eu fosse um pedaço de carne, pisquei para a mesma e olhei para Austin que arregalou os olhos abrindo a porta do hall para que eu pudesse passar com a minha mala. – Você não toma jeito não é mesmo?
– Eu passei todo esse tempo sossegado – dei de ombros subindo as escadas atrás de Austin, ele morava no quinto andar então eram alguns belos lances de escada para subirmos.
– Mas é claro que ficou sossegado, comeu toda a população feminina de Portland quando era adolescente, quando voltou não tinha mais nenhuma carne nova no pedaço.
– Tinha as garotas do colegial – comentei o fazendo me olhar. – Mas são muito novas. – ficar sem sexo era melhor do que ser preso por causa dele.
Depois de subir até o quinto andar, Austin falou para que eu ficasse a vontade no seu apartamento e que eu poderia ficar por quanto tempo fosse preciso, eu não iria demorar, mesmo de Portland eu pagava o aluguel de duzentos dólares por mês do meu pequeno apartamento mofado do outro lado da cidade.
Nós bebemos algumas cervejas e jogamos conversa fora, Austin me contou sobre o fim do seu último relacionamento e como aquilo quase o fez jogar tudo para o alto e voltar para Portland, contou sobre até ficar tarde da noite, foi quando eu decidi que já estava na minha hora, ainda precisava limpar o apartamento para não dormir acompanhado de baratas ou qualquer outro tipo de animal peçonhento que poderia encontrar por lá.
Peguei minha mochila e joguei sobre o ombro esquerdo, peguei a minha carteira e um moinho de chaves em cima da estante ao lado da televisão, Austin que estava concentrado em suas mensagens de textos no celular me olhou franzindo o cenho.
– Aonde pensa que vai? – Austin perguntou.
– Vou para o meu apartamento – disse parecendo óbvio.
– Que? Hoje? Agora? Qual é estou arranjando um ménage para você com as gêmeas mais desejadas dessa cidade inteira como presente de boas-vindas e você quer me agradecer indo se enfiar na favela no apartamento mofado?
Aquela bicha era má, muito má.
– Foi mal, foi mal, eu sei que o mofo de estimação é o seu lar – continuei o olhando sem dizer uma palavra e virei abrindo a porta e quando ameacei a sair ele gritou – TÁ BOM DESCULPA, AMANHA EU AJUDO VOCÊ A LIMPAR AQUELE MARAVILHOSO APARTAMENTO.
Pronto, havia conseguido um motivo para ficar, bati a porta, larguei a mochila no chão de imediato e me atirei no sofá ao seu lado pegando o celular em suas mãos, queria conhecer quem eram as gêmeas desejadas da cidade inteira.
– Essas são as irmãs Ross. Astrid a ruiva mais velha e como pode diferenciá-las ela tem uma tatuagem em meio a toneladas de silicone e essa aqui é a Ariella toda trabalhada na naturalidade não tem uma cirurgia plástica e dizem que é mega difícil de ser conquistada.
Ele estava louco que eu realmente conseguiria levar as duas para cama. Era uma missão impossível.
– Quais são minhas chances com elas? – perguntei levantando-me do sofá e indo até a cozinha buscar mais uma cerveja.
– Olha para você, seu corpo, suas tatuagens o seu jeito estranhamente conquistador que nenhuma mulher é imune, sem contar o tamanho do seu...
– Onde temos que ir para eu me encontrar com essas garotas, e qual é o seu interesse? – o interrompi antes que ele falasse mais que a boca.
Quando Austin me dizia com qual mulher ficar, é por que ele queria algo em troca que ela podia lhe oferecer e vai por mim, ninguém nega um favor depois de uma noite comigo.
Eu era realmente bom no que fazia, pelo menos era o que dizem por ai.
– Sabe o quanto de mimos essas duas recebem em uma semana? TUDO que o meu salário de três meses nem poderia imaginar em comprar eu quero é ser aquela pessoa iluminada que está do lado delas e que elas se lembrem de mim na hora e falem “oh babe fica com esse mimo pra você”.
Então era por isso, ele queria ser mimado.
– Agora, coloque aquela sua calça preta skinny, uma regata branca e a jaqueta jeans e deixe os cabelos bagunçados ao natural, nada de acessórios, touca ou qualquer outra coisa que você invente.  
– Aonde vamos? – perguntei pegando minha mochila atrás do look que ele havia escolhido, eu precisava urgentemente de um banho então andei em direção ao banheiro.
– Em um show, de camarote – enfatizou o camarote e passou por mim colocando uma toalha em meus ombros antes de seguir para o seu quarto se arrumar.
Como pode imaginar eu fui o primeiro a ficar pronto e esperar por longos minutos até meu amigo aparecer na sala, parecendo que havia saído agora mesmo do pet shop, seu cabelo louro brilhava de uma forma que eu não sabia se ele tinha brigado com o pote de glitter ou se aquilo era normal.
– Você dirige – Austin jogou a chave do carro no meu colo e saiu do apartamento pulando escada a baixo.
– Lá vamos nós – ri terminando a minha cerveja e deixando a garrafa em cima do móvel indo em direção a porta.
Descemos as escadas e fomos ao terreno ao lado dos prédios onde o carro de Austin passava a maior tempo da sua vida útil.  
– Aonde é esse tal show? – perguntei.
Austin mostrou o celular com a localização, coloquei sobre o console do carro e fui seguindo as coordenadas do GPS, não demorou nem cerca de vinte minutos para chegarmos ao local e nos depararmos com uma fila que virava o quarteirão.
Sem gêmeas e mimos por hoje, pelo menos não tem fila para entrar no meu apartamento mofado.
– Para aqui – parei o carro na mesma hora – Vai deixa o carro no estacionamento me encontra na entrada.
– Mas espera ai... – Austin bateu a porta e saiu desfilando no meio da rua em direção a entrada da casa de shows, bufei manobrando o carro em direção ao estacionamento e parei na porta entregando as chaves na mão do manobrista.
A vida é muito curta para gastar ela estacionando o carro. Andei entre as pessoas na fila a procura daquele pote de glitter rosa ambulante e o encontrei parado em frente a um dos seguranças e assim que me avistou começou a me chamar com a mão, me aproximei recebendo alguns olhares raivosos por estar furando a fila descaradamente e Austin colocou uma pulseira dourada no meu pulso e passamos para adentro da casa de shows.
– Da onde você tirou essas pulseiras?
– Já fiquei com aquele segurança.
O local estava lotado e eu me perguntava como todo aquele pessoal do lado de fora iria conseguir entrar. Andamos até a área do camarote que era em uma parte elevada com uma vista maravilhosa para o palco. Não fazia ideia de quem era o show, mas a banda devia ser muito boa para lotar tanto assim, andei entre as pessoas e assim que avistei o bar corri atrás de uma cerveja.
– Duas cervejas, por favor. – pedi ao me aproximar.
– Duas cervejas nada, uma cerveja só e uma batida com vodca – Austin refez o pedido, me fazendo rolar os olhos. – Não vem com essa cara, preciso me alegrar bastante hoje e você sabe cerveja me dá sono. 
– Você se alegrou a semana toda – ri fraco lembrando dos vídeos que recebia por whatsapp – Não quero cuidar de ninguém no fim da noite, então vai com calma ainda são – olhei para o meu relógio de pulso – meia noite.
O garçom voltou com a minha cerveja e uma batida da cor verde para Austin, aquilo não me parecia nada agradável. 
– Isso aqui é o que? O xixi do Hulk? Eu hein... – Austin como eu imaginei, reclamou ao colocar o canudo na bebida e beber um gole, arregalou os olhos para o garçom o puxando pela camisa social – Isso aqui é dos deuses. – o garçom lhe lançou um sorriso e no mesmo momento imaginei que eles jogassem no mesmo time e balancei a cabeça em negação imaginando que meu amigo acabaria a noite atrás do balcão. 
Resolvi dar uma volta, precisava dar uma circulada para avaliar o local e cheguei à conclusão que era o de sempre, tudo em seu devido lugar, tinha mais seguranças ali do que no resto de toda casa de shows e pessoas bem selecionadas. Não cheguei a achar a tal das gêmeas Ross, por nenhum lugar daquele camarote, mas ao invés delas, eu havia achado alguém muito mais interessante, os cabelos volumosos o rosto com pouca maquiagem extremamente angelical e aquele sorriso era um paraíso na Terra, desci os olhos por seu corpo devidamente esculpido, a pequena blusa branca terminava na altura do seu umbigo deixando a sua cintura amostra a calça jeans rasgadas me fazia ter uma perfeita visão de suas coxas, e que belo par de coxas!
Eu tinha que chegar nela.
– Não pense nisso – Austin brotou na minha frente me empurrando pelo peito.
– O quê? – perguntei sem tirar os olhos daquela morena.
– As Ross estão ali - apontou nada discretamente. – Já sabe o plano?
– Nós não temos um plano, Forbes - rolei os olhos dando um gole na minha bebida.
– Somos como Neymar e Messi prontos para fazer um gol na final de um campeonato mega importante.
– Você tá' muito hétero hoje - me surpreendi com as suas citações futebolísticas.
– Obrigado, você quer um beijo na boca para começar a sua noite? - Austin pôs a sua mão em minha nuca e fez bico fechando os olhos.
– Retiro o que eu disse - digo me afastando e olhando para os lados, com certeza quem nos observasse por mais de cinco minutos, tinham a completa certeza de que éramos um casal gay.
– Foi o que eu pensei, nunca mais me xingue desta maneira, seu atrevido. Até parece que não sabe que eu acompanho aquele moreno sarado do Neymar pra todo lado.
– Sabe que ele não está mais no Barcelona, não é?
– Ele está no PSG, mas eu não sei com quem ele joga lá, passa mais tempo machucado do que em campo.
– Não tiro a sua razão - dei de ombros. - Quem é aquela? – apontei com o olhar para a garota que tirou minha concentração.
– Ela não é pro seu bico. A não ser que tenha aberto uma creche.
– Não me parece tão criança assim – ponderei a ideia de ir até ela.
– Acorda! Você tem vinte e cinco anos ela deve ter lá seus dezessete, quer acabar na cadeia?
– Proibido é tão mais gostoso – passei a língua pelo lábio inferior, mas no mesmo momento me lembrando das líderes de torcida e da possível cadeia.
, não. – Austin enfatizou o “não” e tem noção o quanto ele me deixou com vontade de agarrar aquela garota? Pelo menos em Portland ninguém ficava me atiçando falando “não” na minha cara – As gêmeas, foco nas gêmeas.
– Eu a perdi de vista - reparei que a morena não estava mais no mesmo lugar. - Para onde será que ela foi?
– Para a área infantil talvez, huh? – Austin bufou, apoie-me na grade do camarote tentando em uma tentativa falha entre as várias pessoas de encontrá-la pela área vip e a pista. – Esquece . – colocou a mão sobre o meu ombro me puxando para o outro lado do camarote.

***

Quando o show acabou por volta das duas da manhã, um DJ subiu no palco e desde então comandava uma balada, ele estava tocando de tudo um pouco e eu bebia tudo que podia depois que Austin pegou o garçom e ele nos prometeu bebida de graça pelo resto da noite.
Sobre as irmãs Ross? Elas gostaram de mim! Afinal, quem não gostaria de um homem como eu?
Conversamos por um bom tempo até que elas resolveram me levar para o backstage, um lugar mais reservado sabe? E foi ai que Ariella me contou o motivo de serem tão difíceis, algo que nunca tinham contado para nenhum outro pretendente canalha - como elas mesmo disseram -  Astrid e Ariella mantinham namoros a distância com dois alemães que eram melhores amigos, mas como eles não eram pessoas públicas e não queriam ser expostos de nenhuma maneira, elas acharam melhor manterem a pose de solteironas felizes, enquanto na verdade vivem seu conto de fadas por trás dos holofotes. 
Eu não as julgo, no lugar delas, eu faria a mesma coisa e me divertiria com babacas, assim como eu, que tentavam lhe conquistar todas as noites, mas sempre acabaria com a única sortuda em fisgar o meu coração.
– Eu percebi seus olhares sobre a pequena garota ali... – Ariella a gêmea natural me deu leve empurrão com o ombro. – Por que não vai até ela e sei lá... Conversam? Você é bom de papo. – admitiu dando uma piscadinha.
– Fui altamente proibido de chegar perto dela, pelo meu amigo Austin – disse sem graça e acho que ela acabou percebendo que foi pela tal piscada.
– Acho que Austin está muito ocupado disputando quem bebe mais tequila com a Astrid – apontou em direção ao bar onde os mesmos realmente disputavam para ver quem aguentava mais doses de tequila rodeados de pessoas gravando com os celulares.
Eu ganharia aquela disputa fácil, fácil. 
Quando voltei a olhar para a morena, ela virou-se de costas indo para o backstage, olhei para Ariella que me incentivou a ir atrás e não pensei duas vezes, andei entre as pessoas até chegar à porta que o segurança liberou minha passagem, para minha sorte os corredores àquela hora da madrugada estavam vazios, então seria fácil encontrá-la, vi um vulto passar correndo no final do corredor e o barulho de uma porta se abrindo e sendo fechada.
Estávamos brincando de esconde-esconde?
Fui me aproximando e abri a porta que dava acesso a um camarim, tinha uma mesa com frutas e muita comida, devia ter sido aquele camarim que a banda que se apresentou na noite havia usado, ouvi um barulho vindo do banheiro e acabei entendendo tudo.
Ela estava tendo um PT.
Andei silenciosamente e abri um pouco a porta a encontrando de costas para mim ajoelhada ao lado da privada, seus cabelos pareciam lhe atrapalhar e sem pensar duas vezes me aproximei os puxando para trás e antes que ela pudesse dizer algo, voltou a vomitar novamente.
– Me ajuda Carter, colocaram algo na minha bebida! O que estou sentindo não é normal – Ela dizia com as mãos firmes segurando a privada ainda sem olhar pra trás.
– Bom, eu não sei quem é Carter. – disse baixo com medo da sua reação, em um pulo a garota bateu a tampa da privada e deu descarga tentando levantar, mas acabou caindo sentada no chão e foi se arrastando para longe de mim.
– S-sai daqui, por favor, eu quero a Carter, chame ela, p-or favor – a morena tinha a feição apavorada com os olhos arregalados – Por que seu rosto está assim? Meu Deus.
– Calma, eu não vou te machucar, só quero te ajudar – digo demonstrando calma e estendo as mãos em sua direção, mas a garota me deu um tapa na mão na intenção de me afastar para longe de si.
– Fica longe de mim, você é estranho – encolheu-se toda no canto novamente. – Olha seu rosto no espelho... – antes que pudesse terminar de falar a garota voltou a se aproximar da privada e abriu a tampa vomitando de novo.
E no mesmo instante eu entendia tudo que estava acontecendo, além de bêbada e vomitando todo álcool em seu corpo, alguém sem que ela percebesse, a fez ingerir LSD e era notável que ela estava tendo uma “bad trip”.
E eu sabia muito bem quem havia feito isso, no camarote dois rapazes andavam se achando donos do mundo dando em cima de toda garota que via pela frente, e quando um deles ficou de graça com a morena a mesma se afastou chamando por um amiga que deveria ser essa tal de Carter que deu uma dura neles e os baniu do camarote.
– Eu vou cuidar de você – disse decidido, mais para mim do que para ela – Mas temos que sair daqui. - respirei fundo e a ajudei a levantar passando o seu braço por cima dos meus ombros e passando a minha mão em sua cintura –Vou te levar para o meu apartamento, de lá vamos ligar para essa sua amiga Carter. – e antes que a mesma pudesse protestar algo contra ou a favor da minha ideia, ela voltou a vomitar, vomitando mais em mim do que na privada.


Capítulo 2

Nunca pensei que ao ver um banheiro incrivelmente limpo sentiria uma sensação de alivio tão grande, mas aquilo era o que eu sentia no momento, com um balde e um rodo em mãos e uma das minhas bandanas amarrado no rosto tampando o meu nariz, eu tinha limpado todo o vomito que tinha por ali.
Andei até a área de serviço deixando os utensílios de limpeza nos seus devidos lugares, joguei a regata branca e toda minha roupa dentro da máquina junto com a outra roupa vomitada, liguei para começar a lavar tudo, fiquei apenas de cueca azul marinho indo atrás da caixa de pizza dentro do forno para matar a minha fome, um pedaço de pizza e uma garrafa de cerveja era tudo que eu precisava no momento.
Assim que me sentei no sofá colocando a caixa de pizza e cerveja sobre a mesa de centro da sala, verifiquei minhas mensagens no celular para ter notícias de Austin, e até agora nada.
A última vez que eu o vi, disputava com Astrid quem tomava o maior número de tequilas, e pelo visto, Austin havia ganhado a disputa e de quebra ganhou um passeio de ambulância em pleno coma alcoólico para o hospital. Ele voltaria bem para casa, caso ao contrário, eu poderia muito bem contar o segredinho das irmãs Ross por uma boa grana.
Deixei o celular de lado após responder uma gostosa chamada Layla que queria transar após uma corrida matinal na praia, comecei a comer um pedaço de pizza enquanto mudava os canais de televisão a procura de algo bom para assistir, foi quando ela apareceu.
Mais desnorteada que tudo, cambaleando como um zumbi da tal série lá. 
— Quem é você? – Ela perguntou e logo tampou o rosto com as mãos – Você poderia se cobrir? – pediu virando-se de costas, larguei o pedaço de pizza colocando uma almofada sobre o meu colo.
Um homem seminu na sua frente deveria ser novidade, aquilo me parecia mais divertido do que assistir televisão então a desliguei.
— Eu sou quem te trouxe pra cá e cuidou de você - disse parecendo óbvio dando um gole na cerveja cerveja.
— Mas o que aconteceu? Como eu vim parar aqui? E onde estão as minhas roupas?
Ah perdoa-me, eu esqueci de contar, como a princesinha vomitou em toda roupa, eu acabei tendo que dar um banho, agora ela usava uma camisa rosa com estampa de ursinho de Austin e meias brancas, se ele visse a cena com toda certeza me mataria.
— Não se lembra de nada? – perguntei arqueando a sobrancelha, ela negou colocando as mãos sobre a cabeça, com certeza doía.
— Minha cabeça dói, estou com um gosto ruim na boca – comentou – Meu cabelo está horrível e meio molhado. 
— Tive que te dar um banho – disse mordendo mais um pedaço da pizza.
— Oh meu Deus... V-você me viu nua? – arregalou os olhos. Não era bem nua, ela ainda usava suas roupas intimas.
Em minha frente tinha uma garota que levou um porre sem querer por conta de um idiota mimado que nunca aprendeu a levar um fora. Estava totalmente perdida e seus olhos, aqueles olhos me mostravam que ela tinha medo de saber até o que aconteceu na noite passada.
— Fica calma – pedi e apontei para o sofá – Você quer se sentar?
Contra gosto ela sentou-se ao meu lado fazendo a camisa cobrir totalmente suas pernas.
— Ontem, eu te vi naquele show, fiquei olhando para você por um bom tempo na verdade...
— Eu sei. Você é mais um dos idiotas que tentou ficar com uma das gêmeas - ela disse como se uma luz tivesse acendido em sua cabeça – Ariella teve ter dito que elas namoram por isso que você colocou algo na minha bebida e me trouxe até aqui é tudo uma armadilha!
— Que? - perguntei tentando entender a linha de raciocínio daquela doida, ela conhecia as gêmeas e sabia dos namorados, elas eram amigas ou inimigas?
— Cadê as fotos que você tirou seu pervertido? - Ela deu um soco forte no meu braço. – Você me dopou para tirar vantagem de mim e me vender na internet... - pegou a almofada atrás de suas costas começando a me bater, distribuiu tapas em minha cabeça até que alcançou o meu celular saindo de cima de mim.
— Me dá a senha AGORA - ela gritou parada em minha frente. — Cadê o meu celular e onde estão as minhas roupas? Eu vou chamar a POLÍCIA.
— Não, você não vai. Você nem deixou eu terminar de falar garota. Qual é o seu problema hein? Eu não fiz NADA do que você falou. Eu não fazia ideia de quem eram as irmãs Ross muito menos de quem é você.
— Então o que aconteceu? – ela disse se dando por vencida e devolvendo o celular. – Me diz a verdade caralho.
— A verdade é uma só: Você abusou do álcool, ficou bêbada, o cara que você deu um fora foi e colocou droga na sua bebida você teve uma má reação, apagou no banheiro do backstage, eu te achei, te trouxe pra cá você vomitou o banheiro todo, te dei banho e você dormiu até agora.
— Nós... – apontou o dedo na direção do peito dela e no meu – Fizemos algo?
Neguei com a cabeça e meu estomago embrulhou, como ela poderia pensar algo assim de mim? Tudo bem que nem ao menos me conhecia, mas minhas intenções não eram essas.
— Eu não sou um monstro. – me defendi.
— Quem é você então? – perguntou.
— Um cara normal, tenho vinte cinco anos, voltei ontem para Califórnia. E você?
Perguntei a olhando, eu sabia muito bem quem ela era, tinha uma pesquisa aberta em meu celular com o seu nome, mas não daria esse gostinho a ela.
E só para constar; ela tinha recém feitos dezoito anos, não que mude alguma coisa, continua sendo nova demais.
— Você não me conhece? – discordei com a cabeça – Bom... Eu sou , igual às gêmeas Ross eu faço sucesso no Youtube e nas redes sociais e sou atriz. 
— Legal – disse tomando o ultimo gole de cerveja e vejo pelo canto de olho ela fazer uma careta. – Aceita um pouco?
— Não. Obrigado. – riu fraco. – Mas eu aceito saber o seu nome.
.
Agora seria a hora que a estrela teen, piraria em mim.
Peguei a caixa da pizza e a garrafa de cerveja levantando-me deixando a almofada que estava por cima do meu colo cair no chão, junto com a boca aberta dela que analisava meu corpo sem pudor, andei até a cozinha jogando tudo no lixo sendo acompanhado por seus olhos e vir-me-ei rapidamente a pegando no flagra.
— Gostou do que viu? – perguntei vendo suas bochechas corarem.
— Nada mal. - Ela me avaliou como um "nada mal", isso significava que ela queria, mas não daria o braço a torcer. – E você gostou do que viu ontem à noite? – perguntou vindo em minha direção.
A cinco minutos atrás eu era o pervertido que queria fotos dela para vender e ganhar uma boa grana, agora eu sou o herói com quem ela estava flertando?
— Não foi legal todo aquele vomito – fiz-me de desentendido.
— Digo da parte do banho – mordeu os lábios incerta, ela queria mesmo dizer aquilo?
Estreitei os olhos a olhando para dar a entender que eu não entendia qual era o seu jogo. 
— Nada mal.- usei a sua mesma avaliação, não iria cair aos seus pés.
— Você é um desperdício sabia? – riu jogando a cabeça para o lado na intenção de tirar a franja dos olhos e debruçou sobre o balcão apoiando a cabeça sobre as mãos.
— Como assim um desperdício?
— Eu já saquei tudo, você é gay – riu fraco – Essa camisa rosa de ursinho, meias três por quatro tentei achar o meu celular no quarto, acabei dando de cara com alguns preservativos, lubrificante e um enorme vibrador... Sem contar no banheiro, escova rosa?
— Não, não, você entendeu tudo errado.
— Calma, calma sem preconceito, no ramo em que eu trabalho é suuuper normal.
— Este apartamento não é meu. – a cortei revirando os olhos, sério que ela estava achando que jogávamos no mesmo time?
— Eu não tenho preconceito, relaxa...
— Meu melhor amigo gay, era o que estava pendurado na Astrid Ross, ele é o dono deste apartamento. – a cortei novamente tentando me explicar. – Um vibrador enorme? – perguntei curioso.
— Olha é bem grande e grosso – balançou a cabeça ficando vermelha como se a imagem do vibrador estivesse passando por sua mente.
— Já viu algum daquele tamanho? - perguntei na intenção de deixá-la mais constrangida. – Por que eu já, garotaaaaa! – imitei Austin por alguns segundos a fazendo rir.
— Eu sei que você não é gay.
— Graças a Deus – levantei as mãos para cima, demonstrando alivio.
— Nenhum gay passaria a noite toda me olhando, sem contar que tinha mulheres fazendo fila para se jogar em seu colo. – comentou olhando para as próprias unhas, quer dizer então que a troca de olhares foi reciproca.
Eu precisava jogar um dos meus galanteios.
— Quando estou interessado em uma mulher, as outras para mim não existem.
— Bom saber. Quando eu estou interessada em um homem, sou eu que dou em cima dele.
— Eu sei, você está fazendo isso agora – dei de ombros. – Estou em dúvida se você ainda está testando minha sexualidade ou se está interessada mesmo em mim.
— Ótimo, você é esperto, estou fazendo os dois – mordeu os lábios saindo detrás do balcão e se aproximando mais de mim. – Mas tem algo que eu ainda não entendi.
— O que você não entendeu? – perguntei me aproximando dela.
— Por que não me beijou?
Touché. tinha me pego de surpresa.
Não tive nem tempo de arregalar os olhos ou mostrar algum tipo de indignação, ela se aproximou de mim e na ponta dos pés segurou meu rosto entre suas mãos e me beijou sem nenhum tipo de provação.
Ela estava testando a minha sexualidade, ou ainda pensava com o álcool que lhe restava no organismo? Eu não iria negá-la, passei as mãos por seu corpo invertendo nossas posições a prensando na parede, levantei uma de suas pernas a encaixando na minha cintura, ela entendeu o recado dando um impulso com a outra para subir no meu colo deixando minhas mãos sobre sua bunda.
E que bunda gostosa.
Mordi seu lábio inferior entre o beijo a fazendo soltar um gemido baixinho, ela puxou meus cabelos passando as unhas por minha nuca. Caralho, aquela dor me fez pirar.
Subi uma mão por sua coxa e passei para dentro da camisa na intenção de subir até seus peitos...
Eu teria feito se não fosse o maldito do Austin.
A campainha tocou nos fazendo olhar para a porta de imediato, ofegantes. A soltei no chão, se recompôs arrumando a roupa em seu corpo e olhou para o meu pau e mordeu os lábios.
Uma ereção. Ótimo!
Austin agora gritava o meu nome socando a porta tocando a campainha junto.
Respirei fundo, eu teria que atender daquela forma.
— Morreu ai dentro porra? – Austin gritou enquanto eu abria a porta – você é um péssimo amigo... Você está com uma ereção matinal na minha frente já reparou nisso? – Coloquei as mãos sobre a minha cueca, Austin me empurrou pelo peito passando para longe de mim, quando finalmente parou de olhar para o meu corpo, encontrou-se com em sua cozinha. – .
No momento seguinte Austin me puxou para fora do apartamento pelo braço batendo a porta com tudo.
— O que faz na minha cozinha usando a MINHA camisa de ursinho? – perguntou irritado. Isso deixava sua voz mais fina que o normal.
— Ela tomou um porre eu a trouxe pra cá – dei de ombros.
— Você não cuida nem de mim – Começou com o maior drama desnecessário – Vocês pelo menos transaram?
— Não. E a culpa é toda sua.
— Antes de me culpar por alguma coisa, saiba que eu estava no hospital, tomei um porre daqueles junto com a Astrid, fizemos a festa na hora do soro está tudo no Instagram, se quiser ver... – pegou o celular me entregando – Meus seguidores não param de subir.
— Eu imaginei mesmo que você estivesse no hospital – ri vendo alguns vídeos. – Tem como você sumir por uma hora? – pedi sorrindo amarelo.
— Só uma hora? – Austin arqueou a sobrancelha. – Você aguenta muito mais que isso.
E na mesma hora abriu a porta com uma cara não muito boa, talvez desconfiada com aquela ideia que a gente ainda poderia vender suas fotos na internet.
— Então é você o novo mascote das Ross – olhou Austin de cima a baixo deixando bem claro que tinha ouvido toda a nossa conversa por trás da porta.
— Da Astrid Ross. – Austin corrigiu colocando as mãos sobre a cintura. – Não gostei muito da natureba da Ariella. – fez uma careta.
— Mas é claro que não gostou dela – riu - Você quer os seus quinze minutos de fama, por isso não gosta da Ari, ela é quieta na dela não ia receber muita atenção andando com ela.
Austin ficou sem palavras, piscava os olhos rápido demais quase fazendo seus cílios postiços descolarem.
— Garota, você me respeita – foi a única coisa que Austin disse antes de empurrá-la para entrar no próprio apartamento nos deixando para fora. – Eu não quero a fama de ninguém sua invejosa, eu sempre fui fã delas e agora que minha estrela tá’ brilhando não vem colocar defeito.
— Ele quer os mimos delas – disse baixo para que riu.
– Sabia que eu recebo muito mais “mimos” que elas? – comentou fazendo Austin a olhar serio de braços cruzados. 
— Impossível. Você é uma só, elas são duas e tem mais seguidores que você.
— Por eu ser uma só, ganho mais por não precisar dividir... E além do mais você está muito enganado eu tenho dois milhões e meio de seguidores, juntando as duas contas dela dá um milhão só.
— Você pode ter dois milhões de seguidores, mas... – Austin estava sem nenhum argumento bom para usar contra , foi ai que ele me puxou para o seu lado – Eu tenho esse homem maravilhoso do meu lado então acho melhor dividirmos as coisas garotinha.
— Podemos negociar – estreitou os olhos e Austin fez o mesmo me passando para o lado da garota. – Mas fazemos isso a caminho do meu apartamento.
— Seu apartamento? - perguntei sem entender.
— Acha mesmo que eu vou voltar sozinha pra casa? Carter e Florence nunca vão acreditar em mim.
— Tá' a gente vai, manda seus pais prepararem o café da manhã estou com fome... E ah pode aproveitar a mercadoria, enquanto eu tomo um belo banho depois devolve. – Austin deixou finalmente eu e entrarmos no seu apartamento.
Fechei a porta, no mesmo momento que Austin bateu a porta do quarto nos deixando a sós.
— Onde foi que paramos? – perguntei ao puxá-la pela cintura, mas quando fui beijá-la, ela desviou me fazendo beijar seu rosto.
Broxante, lá se foi o resto da minha ereção.
— Eu preciso das minhas roupas – riu.
— Seus pais vão estar no apartamento? E quem é Carter? Você falou dela a noite toda quando estava bêbada.
— Meus mais moram no Arizona – explicou-se. – Eu divido o apartamento com a minha prima mais velha Florence. E Carter e só a minha assessora, ela que cuida de mim e da minha carreira.
Menos mal, pensei comigo ao perceber que a barra estava limpa sem os pais dela no apartamento.
Andei até a área de serviço tirando a roupa de da máquina seca e pronta para usar, lhe entregando ela meias três por quatro e jogou em cima da máquina vestindo a calça preta ali em minha frente mesmo, depois se livrou da camisa de ursinhos rosa de Austin, deixando seus peitos amostra.
Mordi os lábios observando a cena, os seus cabelos morenos caindo sobre os peitos, era uma cena que poderia me causar outra ereção, mas logo vestiu o cropped branco.
— Você provoca bem para uma garotinha – disse entre dentes.
— Posso te mostrar que não sou tão garotinha assim – segurou meu queixo com uma de suas mãos aproximando-se dos meus lábios fechei os olhos esperando o contato.
— Você vai dirigir de cueca para o apartamento dela ? – Austin perguntou jogando sua toalha molhada em mim. – Coloque pra lavar, você lava a roupa dela e não lava a minha isso é um absurdo.
se afastou indo em direção a sala, vestindo suas botas perto da porta da sacada, bufei olhando para Austin que me lançou um sorrisinho cínico.
Peguei minha mochila com roupas, vestindo uma calça jeans de lavagem clara toda rasgada, camiseta preta, coloquei os tênis, Austin apontou para as chaves do carro juntamente com o meu celular e eu respondi a mensagem tentadora de Layla com um “sem tempo”, bati a porta seguindo ambos escada a baixo.

***

Estávamos no mega apartamento de , sentados na mesa desfrutando de um enorme banquete de café da manhã a pedido de Austin.
Assim que chegamos Florence a prima mais velha de nos recebeu timidamente mas com uma preocupação nítida para saber o motivo pelo qual a prima mais nova não voltou para casa no horário combinado. 
Por um outro lado, Carter a assessora pessoal de não economizou nos gritos quando nos viu, mas não tinha culpa ela era a vítima de algum idiota. Acabei interferindo na briga das duas e tenho a absoluta certeza de que Carter me quer morto por tê-la retrucado de forma tão grosseira.
— Pode ter certeza que eu irei atrás daquele babaca hoje mesmo - Carter tomou um gole do seu café tentando manter a calma. – você poderia ter morrido.
— Não seria melhor ir ao hospital fazer um check up? - Florence perguntou preocupada.
— Pra que isso? Todo mundo já tomou droga por engano uma vez na vida, não mata não relaxa – Austin se intrometeu.
— Eu nunca usei nada por engano – Carter disse respirando fundo, era oficial aquela mulher iria nos matar a qualquer momento.
— O que você acha ? - perguntou tocando meu braço, pronto agora eu era Walter White especialista em drogas.
— Se você achar melhor e for aliviar a tensão de todas, estou de acordo. – Incentivei-a como se a minha opinião valesse de algo para elas.
O meu celular começou a vibrar, percebi que era uma ligação de Dacotta, uma das passageiras gatas de ontem, ignorei a ligação olhando rapidamente suas mensagens arregalando os olhos ao carregar a imagem que ela havia me mandando, cutuquei Austin mostrando para ele que quase vomitou o seu croissant.
— Ligue para o Dr. Jordan, marque uma consulta.
Florence assentiu com a cabeça levantou-se da mesa indo ligar para o hospital marcar uma consulta, Carter continuava uma pilha de nervos por ter que cancelar mais compromissos, me olhava encantada com um sorriso maroto nos lábios aquilo era estranho, mas me causava um certo arrepio.
Um arrepio que eu nunca tinha sentido antes.

***

Acabei tirando o domingo todo para arrumar meu antigo apartamento, dispensei a ajuda de Austin já que ele havia saído ontem à noite com o barman de sexta, acabou voltando tão bêbado que dormiu no chão da cozinha.
Quando voltei ao apartamento após jogar o lixo, olhei a minha volta e acabei gostando da arrumação, não era lá grande coisa, mas estava habitável, o sofá de couro preto limpo a televisão funcionava e meu antigo vídeo game ainda estava inteiro, uma mesa de quatro lugares dividia a sala da cozinha, a geladeira e armário continuavam vazios, mas agora pelo menos não tinha restos mortais de nenhum animal, ou poeira, no meu quarto – nada luxuoso – posicionei a cama embaixo da janela e arrumei as peças de roupa que trouxe no armário, acabei achando algumas peças a mais que larguei para trás e o meu violão com cordas rompidas.
Eu o arrumaria para poder passar meu tempo tocando igual antigamente.
Deitei-me no sofá respirando fundo ao contemplar o silencio por estar sozinho sem nenhum Austin gritando de mau humor de ressaca.
Pela primeira vez lembrei-me de .
Bastou apenas um dia para a garota mexer comigo e conseguir tirar a minha paz.
Saquei o celular do bolso procurando pelo seu número até me lembrar que eu nem sequer tinha pedido.
Como você é idiota !
Aproveitei para responder uma amiga de Austin, Nikki que tinha me mandado mil mensagens perguntando se podia me encontrar na casa de Austin mais tarde, respondi ponderando a ideia e foi ai que uma lâmpada se acendeu em minha mente.
Entrei no aplicativo do Instagram procurando pelo seu perfil, sem fotos novas desde ontem, mas com alguns stories.
Bom dia pessoal, estão com saudades? Acabei tirando o dia de ontem para ficar um pouco off depois do show que fui na sexta, tenho muitas novidades e essa semana irei dividir tudo com vocês.
Rolei os olhos, é claro que ela não iria contar aos seguidores que tomou o primeiro porre.
Próximo story: Foto no espelho do hall do apartamento com a Florence.
usava um vestidinho branco de renda com botas na cor rosa, Deus como ela estava incrivelmente gata.
Mais alguns cliques no elevador, vídeos cantando músicas aleatórias no carro até que chegou a uma lanchonete que eu conhecia bem, era a melhor da Califórnia, estreitei os olhos olhando o horário, tinha sido postado há poucos minutos.
Talvez, bem talvez, pudéssemos nos encontrar por, acaso.
Olhei para as chaves em cima da mesa, o carro de Austin tinha ficado comigo...
Sem pensar duas vezes me mandei para baixo do chuveiro depois vesti rapidamente, uma calça jeans qualquer, camisa branca três números maior da Supreme, perfume, chaves, celular, carteira e estava pronto, bati a porta da sala antes de sair.
Quando estacionei do outro lado da rua, fiquei surpreso com uma baita movimentação, um monte de garotas formavam uma fila que dobrava o quarteirão, tinha seguranças por todos os lados, por um momento pensei que naquele domingo, os lanches eram de graça, desci do carro ainda incerto do que fazer, só sabia que eu queria vê-la mais uma vez. Como não tinha Austin para dar em cima de algum segurança, entrei no estacionamento lotado indo até a porta dos fundos.
Aberta.  
Por um momento ri de como aquelas garotas são bobas, poderiam entrar facilmente por aqui. Entrei tendo acesso a um corredor estreito, sem ao menos saber aonde ir, dei de ombros seguindo aquela barulheira e gritaria que me levou para frente da lanchonete, que não tinha mais onde enfiar gente. Todas as mesas lotadas, o balcão forrado de garotas, todas olhavam apenas em uma direção com os celulares gravando em suas mãos.
de pé em frente à parte mais legal da lanchonete a parede que tinha uma lousa verde, na qual os clientes usavam para escrever seus nomes ou apenas uma frase legal, uma marca de que passaram por ali. Mas naquele momento, uma boa parte das escritas tinha sido apagada para dar espaço ao nome da estrela teen em giz branco e rosa. Ela sorria alegremente para a jornalista que a entrevistava e parecia estar se divertindo.
Soltei um sorriso bobo, mas logo o desmanchei.
  Qual era o meu problema?
Eu poderia estar bebendo em algum pub assistindo ao jogo de futebol e paquerando uma mulher bonita bem mais velha, mas ao invés disso estou aqui em uma lanchonete famosa lotada de pré adolescentes atrás de uma estrela teen que com certeza não me daria à mínima atenção no meio de todo esse caos.
Naquele momento eu me senti um completo idiota. A olhei mais uma vez, agora ela estava baixada no chão abraçando duas garotinhas de três ou quatro anos enquanto uma chuva de clicks acontecia.
Obviamente ela estava fora do meu alcance.

***

A semana parecia estar se arrastando para passar, meus dias eram corridos, fazendo compras para casa, tentando manter Austin fora de um coma alcoólico, procurando um emprego por toda cidade e principalmente fugindo da minha vizinha gata.
Quando voltei da lanchonete no domingo à tarde, acabei conhecendo Charlotte a minha vizinha do prédio ao lado, nossas janelas do quarto eram de frente uma para outra.
Ela andava de um lado para o outro vestindo apenas roupas intimas e ficou surpresa em saber que agora o apartamento estava locado, após uma conversa rápida acabamos dormindo algumas noites juntos.
Era quinta-feira à noite, eu estava dedilhando algumas notas no violão que tinha consertado, sentado no chão da sala com um caderno com alguns trechos autorais com garrafas de cerveja já vazias.
Tudo normal, até a campainha tocar, estranhei olhando por de baixo da porta, realmente tinha alguém ali. Poderia ser Charlotte, ou até mesmo Austin pronto para me fazer uma proposta irrecusável de ir a alguma balada. Antes que eu pudesse levantar para atender novamente a companhia foi tocada.
— Já vai – gritei levando as duas garrafas de cerveja as deixando sobre a pia, levantei a minha calça de moletom cinza que estava caindo abrindo a porta.
Eu não podia acreditar no que estava vendo com os meus próprios olhos.
... O-oi! – ela disse dando um breve aceno com a mão.
estava na porta do meu apartamento no pior bairro daquela cidade, em uma quinta-feira à noite.
. Você pode me chamar apenas por . – disse piscando mais que o normal a olhando... Encantando?
Para de ser gay, muito tempo com o Austin e já começou a pegar as manias dele. Meu subconsciente gritou comigo mesmo.
— Está bem – ela deu ênfases ao falar e me presenteou com um lindo sorriso formando em seus lábios.
— O que está fazendo aqui? – perguntei.
Estúpido, você foi grosso, seu merda!
— Fui até o apartamento do Austin a sua procura, ele me disse que você não estava mais morando lá e me passou o endereço daqui – explicou mexendo as mãos... Ela estava nervosa? Nervosa em me ver?
Como sou um idiota apenas murmurei um “hum”, caindo em um silencio gritante encarando o outro, ela pode ter a visão de como sou um lixo e usava apenas uma calça de moletom e eu pude olhá-la vestindo roupas caras que custam mais do que mobiliar todo o meu apartamento, um tênis branco de cano alto um shorts escuro de cintura alta e suspensórios com uma blusa rosa por dentro do shorts, seus cabelos divididos em duas tranças.
— Quer entrar? – perguntei apontando para dentro e ela entrou passando por mim, pude sentir o seu perfume doce que ficou impregnado na minha roupa de sexta – A que lhe devo a honra da sua visita?
— No domingo eu fiz um evento na Burger Baker, uma tarde de fotos para a estreia do hambúrguer e da sobremesa com o meu nome – comentou.
Agora sim, fazia sentido aquela euforia toda na lanchonete.
— E teve uma hora que eu jurei que vi um cara igual você entre as garotas.
Puta merda, ela tinha me visto.
Sorri nervoso, sentando-me novamente no chão e sentou-se no sofá.
— Estranho. No domingo eu fiquei aqui terminando de arrumar tudo. – menti.
— É pode ter sido algo da minha cabeça – deu de ombros – Mas mesmo assim eu sabia que queria te ver.
— P-Por que? – perguntei temendo a sua resposta.
— Por que preciso te agradecer por ter sido tão gentil e cuidadoso comigo naquele dia, eu sei que deveria ter vindo antes, mas a minha semana foi um caos! Essa semana só tive um tempo livre hoje mesmo.
— E você quer gastar o seu único tempo livre comigo? – perguntei agora a olhando.
— Se você aceitar o convite de ir jantar comigo, sim eu vou gastar meu único tempo livre com você – fez o convite com um sorriso nos lábios.
— Desculpe – comecei dizendo e pude ver o seu sorriso começar a desmanchar esperando uma resposta negativa – Mas você terá que gastar seu tempo livre comigo, pois estou morto de fome. 

***

Eu teria imaginado que me levaria a Burguer Baker se não estivesse tão ocupado o trajeto todo babando em sua beleza e a forma como ela fazia as coisas.
O seu lanche agora tinha virado o meu preferido, com toda certeza voltaria mais vezes para come-lo, aquela sobremesa, para uma pessoa que não é muito chegada em doces, era para mim o céu instalado na terra em uma mera lanchonete na Califórnia.
Céus, parece que tudo que aquela garota faz é maravilhoso.
Imagina o sexo, meu subconsciente pervertido pensou.
— Você está muito bonita – a elogiei enquanto andávamos sem rumo à espera do seu motorista particular.
Só para constar, estávamos de mãos dadas e eu com um sorriso BABACA no rosto que poderia ser visto a quilômetros de distância.
— A personagem agradece – disse mexendo com a mão livre na trança.
— Que personagem? – perguntei sem entender.
— Eu esqueci de contar – riu fraco – Antes de ir ao seu apartamento, estava em uma sessão de fotos e essa roupa – apontou para o próprio corpo – É da personagem que darei vida.
— Teatro? - chutei mordendo os lábios.
– Não, mas eu já fiz isso quando era criança. - Todo mundo já fez uma peça de teatro na vida, pensei comigo mesmo lembrando do meu tempo do colégio.
— Hum... Filme? - ela iria me bater a qualquer momento.
— Também não, meu maior sonho é esse. - estreitei os olhos pensando no que mais poderia dizer, até que se rendeu cansada das minhas tentativas frustradas em acertar.
— Uma série, . – me senti um idiota por não ter chutado essa opção.
— Como não pensei nisso antes? – bati a mão em minha própria testa. – Me fale mais sobre.
— É a regravação de uma série norueguesa, se chama “Skam”, cada temporada é focada em um personagem especifico e abortam vários temas diferentes, é uma serie só de jovens, não tem adultos.
— Se parece com “Skins” – comentei e ela concordou com a cabeça – Você é a personagem principal?
— Não tem um personagem principal, por que como eu disse cada temporada vai ter o seu foco, na primeira temporada que vamos começar a gravar o foco é na apresentação dos personagens, essas coisas – deu de ombros – Mas na segunda temporada o foco será a minha personagem.
— Entendi, espero que se divirta, vou assistir a versão norueguesa quando tiver um tempo.
— NÃO. – gritou e tampou a boca com a mão envergonhada, arqueei a sobrancelha a olhando – É que... Se você quiser assistir, já podia começar com a versão californiana mesmo, evita tempo lendo as legendas e...
— E também vejo a gatinha na televisão.
Eu só fui perceber o que eu disse quando vi as bochechas de corar, paramos de andar ficando de frente um para o outro, não fazia ideia do que fazer.
Droga de garota que me deixava sem reação.
— Eu gostei de você – disse com o olhar fixo em meus lábios.
— Sou irresistível, eu sei...– dei de ombros e ri de nervoso, passando a mão livre em meus cabelos.
— Você não é irresistível, você é lerdo. – rebateu ao continuar me olhando daquele jeito.
E antes que eu pudesse interrogá-la, seus lábios tomaram conta dos meus – expressão totalmente melosa eu sei – e pela segunda vez, tinha tomado a iniciativa e me beijado.

2
0.


Capítulo 3

“A nossa querida youtuber californiana foi vista aos beijos na noite passada com um boy maravilhoso e desconhecido, confira” – Austin lia a matéria no celular enquanto tomava café escorado a pia da cozinha rolei os olhos, aquilo não podia ser verdade, ele havia inventado só por que eu tinha lhe contado que tinha realmente ido atrás de mim e ainda me pagou um jantar no Burguer Baker's.
– Fala sério Austin quem faria uma matéria sobre um beijo? - perguntei em negação com a cabeça.
“Em clima de romance; a youtuber e agora atriz, curte noite de quinta-feira ao lado de um incrível badboy” – Austin terminou de ler, mostrando o celular, larguei minha torrada pegando-o de sua mão. - Olha o badboy da garotinha.
– Sou eu – arregalei os olhos mostrando o celular para Austin, fotógrafos haviam nos perseguidos após sair do BB — Cara eu estou em todos esses sites teen na internet? – ele apenas concordou com a cabeça.
– Então, é isso que acontece quando se namora uma pessoa famosa, acostume-se – piscou pegando o celular de volta – E me deve vinte dólares. Eu avisei. – deu um tapinha em minhas costas antes de ir para o seu quarto.
Fiz uma careta tirando vinte dólares da minha carteira colocando sobre a mesa, peguei meu moletom indo em direção à porta saindo do apartamento de Austin, precisava respirar, aquilo tudo era muita loucura para um só.
Alcancei meu celular no bolso da calça, antes de discar o mais novo número da minha agenda, li algumas mensagens de mulheres que me perseguiam.
“Quando podemos nos ver novamente?” – Nikki a loira gostosa amiga de Austin perguntava.
“Que tal um jantar?” – Dakota, minha companheira de viagem, sugeria.
“Ainda me deve uma corrida pela orla, baby” – Era Layla a doida dos exercícios, sua boa forma me cansava.
Disquei o número de e eu já não tinha mais esperanças esperando pela mensagem de voz da caixa postal.
? – ouvi sua voz do outro lado da linha mesmo com um barulho a sua volta.
– Eu mesmo, está podendo falar? - perguntei chutando uma pedra enquanto andava de cabeça baixa.
Olha se é por causa das notícias, eu sinto muito eu não queria te expor desta forma, sei que você deve estar bem bravo comigo, mas eu não tenho...
– Você não tem culpa. Relaxa, eu vou sobreviver a essa exposição se você aceitar sair comigo hoje à noite.
Wow finalmente! Achei que ia ter que apelar para o Austin me ajudar - ria, aquilo fazia um sorriso bobo brotar em meus lábios, pude ouvir os passarinhos cantando e porque o dia ficou mais ensolarado?
Não, as borboletas não estão por aqui... ainda.

***

Eu estava prestes a dormir quando me ligou dizendo que finalmente o seu trabalho tinha se encerrado por hoje e poderíamos nos encontrar, eu tive tempo de me vestir correndo para ir a casa de Austin pegar seu carro - as chaves já estavam comigo mesmo – De lá percorri a cidade o mais rápido possível para o apartamento da minha donzela.
Não podia levá-la de novo ao BB, já era tarde tudo estava fechado, menos uma pizzaria. Tive a brilhante ideia comprando duas pizzas, porções de batatas com cheddar no McDonald's e refrigerante.
Busquei em seu apartamento, por incrível que pareça ela não estava encarnada na sua personagem de Skam, nem com uma mega produção para ser presença vip em algum evento, ela estava com os cabelos meio úmidos o rosto sem uma gota de maquiagem o que revelava vários pontinhos de sardas em seu rosto, um shorts de cintura alta uma blusa fina de alça branca, jaqueta jeans bem grande.
Seguimos para a praia, andamos pelo píer de mãos dadas, as luzes da roda gigante sempre conseguiam me encantar como se eu fosse uma criança. Descemos na areia em uma parte bem deserta onde nós sentamos para comer observando as ondas do mar.
– Isto é injusto - disse em protesto por não saber muita coisa sobre mim. – Você pode saber tudo sobre a minha vida com uma simples pesquisa no google e eu não sei nada sobre você.
– Eu não fico pesquisando sobre a sua vida, isso seria bizarro - me defendi dando uma mordida no meu pedaço de pizza.
- disse com aquela carinha linda de brava. – Se você não pesquisasse sobre mim, não iria saber das nossas fotos se beijando na quinta.
– Assim você ofende o lado velha fofoqueira do meu melhor amigo. Acha mesmo que ele não está ligado nesses sites?
– Tem razão – lembrou-se deste pequeno detalhe. – Mas .. – fez bico insistindo no assunto.
– Tudo bem então superestrela, manda a ver - Me dei por vencido, só para satisfazê-la.
– Qual é o seu signo? - fez a sua primeira pergunta, respondi com uma careta que dizia claramente; REALLY? – Sim, eu estou falando sério – completou como se pudesse ter lido os meus pensamentos.
– Só estou surpreso, você poderia ter me perguntado qualquer coisa e acabou me perguntando sobre signo? Eu posso ser um mafioso perigoso daqueles de filme, posso ser um serial killer doido que está te perseguindo e a qualquer momento posso te apagar, sumir com o seu corpo, posso ser um segurança particular disfarçado que a sua família no Arizona colocou na sua cola. - criei mil e uma teorias enquanto tomava tranquilamente o seu refrigerante com uma cara de tédio.
– Só responde .
– Leão - respondi contra gosto e ela soltou um gritinho animado, aquilo era bom?
– Leão e escorpião combinam – olhava animada mexendo no celular.
– Nossos signos podem combinar, mas eu ainda posso ser um psicopata. – voltei as minhas teorias malucas tentando diverti-la.
a quem você está querendo enganar? Você é inofensivo.
– Nunca se sabe – dei de ombros comendo algumas batatas.
– Você já teve a chance de me sequestrar e me apagar e sumir com o meu corpo e não fez nada disso, ao contrário até cuidou de mim muito bem.
– Eu posso ter gostado da cara da vítima – lhe roubei um selinho. - É bem bonita.
– Eu sou mesmo. Mas isso não justifica. E também não acho que você seja nenhum segurança disfarçado. Até porque eu não tenho contato com os meus pais.
– Não tem contato porque eles estão longe?
– Não muito - deu de ombros - Acho que é melhor assim cada um no seu canto. Eu falo com a minha mãe as vezes, mas meu pai é um velho machista e bem ignorante e diz que eu "me vendo", nunca acreditou no meu sucesso por ser quem eu sou e sim porque eu faço algo a mais para patrocinadores e para conseguir trabalhos.
– Isso é um absurdo! Como ele tem coragem de falar isso da própria filha? - fiquei chocado com suas palavras.
Como o próprio pai poderia achar que a filha se prostitui para ganhar a vida?
– Quando eu fazia teatro no Arizona "só está lá por causa que fulano deve estar dando em cima de você e você alimenta as esperanças do pobre rapaz", quando comecei a fazer sucesso no Youtube "você deve fazer alguma pornografia em outros sites", agora que eu consegui sair finalmente da casa dele e viver por conta própria "tem homens por trás de você que te bancam".
– Sua mãe não fala absolutamente nada? - perguntei pasmo.
– Minha mãe por um outro lado é muito religiosa então diz que as coisas que eu faço agradam o diabo. Que eu deveria me converter e seguir o caminho de Deus.
, eu imagino o quão foda deve ter sido para você correr atrás do seu sonho, sem seus pais te dando o apoio necessário.
– Eu não precisei deles. A família de Florence sempre acreditou em mim desde pequena, ela era o crânio da família e eu era a artista, enquanto ela ganhava olimpíadas de matemática eu corria atrás de entrar em desfiles.
– Isso é ótimo. Você ainda mantem contato com eles?
Ninguém merecia pais como aqueles, mas pelo menos os tios faziam um bom papel na vida da garota.
– O pai dela faleceu poucos dias antes da nosso baile de formatura em um acidente com um trator, a minha tia ficou muito abalada com toda a situação e entrou em depressão.
– Mas ela se cuida tomando remédios e indo ao psicólogo? Creio que deve ser difícil para Florence estar aqui fazendo faculdade, sabendo que a mãe está sozinha com uma doença tão grave no Arizona.
– Hum... Florence até ficaria mal pela mãe, se ela estivesse viva.
– Ta’ de brincadeira? – Puta merda o que mais aquela garota passou de ruim?
– Quando eu e Florence estávamos fazendo a nossa mudança para o apartamento, ela nos ligou dizendo que estava feliz com o nosso começo e então se suicidou com um tiro.
brincava com o canudo do refrigerante, olhou para o céu respirando fundo, pude perceber que ela fazia aquilo para segurar as lágrimas, engoli a seco tratando de fechar a caixa de pizza para me sentar perto dela para poder lhe aconchegar em um abraço, ela colocou a cabeça sobre o meu peito e largou o copo agarrando a minha mão segurando com força.
– Minha vida não tem um meio termo, ou as coisas acontecem tudo de uma vez, ou não acontece nada.
– Creio que tudo que você passou foi um aprendizado e lhe fez amadurecer mais rápido e forte. – dei minha singela opinião sobre seus pensamentos.
– Às vezes eu acho que o meu pai tem razão, eu sou só um rostinho bonito que deu sorte na vida por fazer uns vídeos sem graça e sou sem talento - chorava - Sinto que vou fracassar nesse remake da série, todos vão me odiar, tirar sarro de mim por ser uma péssima atriz.
– Ei, ei olha aqui - levantei sua cabeça segurando seu rosto em minhas mãos, seus olhos azuis marejados de lágrimas, fez sentir-me como se alguém apertasse o meu coração com as mãos me faltando ar.– Se você foi chamada para fazer essa série foi porque você foi escolhida entre várias outras se destacando a melhor. Foi porque você mereceu estar ali então não deixa ninguém dizer que você não pode, não deixa ninguém dizer que você está viajando e que não vai dar certo, porque já deu certo, você vai fazer muito mais sucesso.
– Obrigado pelas palavras . - secou as próprias lagrimas – Era para falarmos de você e acabou que a noite se resumiu a mim de novo. - rolou os olhos envergonhada afastando-se do meu corpo. – Eu sou péssima, no nosso segundo encontro já te dei mil motivos para desistir de mim.
– Você não me deu mil motivos para desistir. Todos nós temos problemas , você me contando sua história só me mostra o quão humana você é.
– As pessoas não gostam de saber sobre nossos problemas e cicatrizes na maioria das vezes.
– Pessoas egoístas são assim mesmo, não deve se deixar abater por causa delas.
– Pode deixar, vou sempre me lembrar deste conselho – murmurou comendo batatas ainda pensativa.
– Agora se procurar no google por " boy", vai achar algo bem interessante. - disse mordendo os lábios, aquilo iria animá-la.
pegou o celular do bolso da jaqueta jeans fazendo uma pesquisa rápida e arregalou os olhos me olhando em seguida.
– Você era modelo infantil? - me mostrou uma foto, na qual eu estava de pijama em um pequena passarela, concordei com a cabeça.
– Teria durado até os dias de hoje se a dona da agencia infantil não tivesse acabado com a minha carreira - ri sem graça.
– O que aconteceu? Por que você parou? Você não gostava? - o foco de mudou de triste para curiosa, era uma história triste mas ela tinha que ver que todos nós tínhamos cicatrizes.
– Eu vim de uma família pobre e minha mãe viu em mim uma forma de ganhar uma grana, comecei a desfilar ainda criança, ganhava no máximo uns cem dólares e era com aquela grana e uma ajuda da minha vó, que minha mãe mantinha a nossa casa. Quando eu estava com uns doze anos rolou esse desfile de pijamas e a assessora que nos organizava era filha da dona da agencia infantil. Ela acabou se interessando mais do que deveria por mim, vivia me dando presentes caros me tratando como filho até o dia que ela tentou me tocar e a minha mãe viu tudo... Depois de desfilar e pegar o que era nosso, a minha mãe me tirou da agência e a processou. Ganhamos a causa, foi com essa grana que minha mãe comprou a casa onde moramos. Eu nunca mais consegui nenhum desfile porque os que pagavam bem eram todos daquela agencia. Depois acabei crescendo e perdi totalmente o interesse, eu sofria bullying no colégio e tive a minha fase rebelde na adolescência.
– Sua fase rebelde resultou nas tatuagens? - perguntou passando a mão pelo meu braço.
– Não. Eu as fiz porque gosto - ri sem humor.
– Mas na sua adolescência você parou de sofrer bullying? Como foi?
– Aos dezesseis eu comecei a beber e a fumar, tive minha primeira namorada, que por ironia do destino era da mesma família que a mulher que tentou abusar de mim, ela engravidou meses depois.
– O que? você é pai e não me contou?
– Quando o bebe nasceu, eu pedi um teste de DNA e resultou que o filho não era meu. - murmurou um “ufa” – Ela só me enganou porque gostava muito de mim, me queria ao lado dela dando apoio algo que o outro com quem ela me traia não ia fazer. - meu corpo ferveu ao lembrar da sensação de ter sido enganado por tanto tempo, eu era tão jovem e ingênuo.
, se você quiser parar por aqui eu vou entender.
– Com dezessete anos eu larguei o colégio, vim para Santa Monica com a família do Austin eles me acolheram e o pai dele me arranjou um emprego onde ele trabalhava, tudo que eu ganhava, mandava para a minha mãe. A minha irmã mais velha também começou a trabalhar e nós dois conseguimos mantê-la bem de vida.
– E o seu pai? – perguntou, receosa.
– Minha mãe nunca falou dele, se ele não quis a gente, porque ir à sua procura?
– Faz sentido... – disse pensativa – A mulher, ela chegou a tocar em você?
– Não. Só foi aquele dia do desfile, ela alegou que estava bêbada.
– O que fez você voltar para cá?
– Quando eu fui embora, foi por causa do casamento da minha irmã, ela se casou com um advogado chamado John com quem teve uma linda filha, ele me deu um emprego em seu escritório, fiquei lá até pouco tempo só que cansei, quero um rumo melhor na minha vida e ser o faz tudo do meu cunhado não é o caminho que eu quero.
— Você vai encontrar o seu caminho , eu acredito em você. 
— Sabe , eu nunca contei essa história da minha família para ninguém, vivi todos esses anos carregando esse fardo dentro de mim, nenhuma mulher nunca quis saber, sempre estão mais interessadas em me usar, ou falar baixarias. Nunca senti meu peito tão aliviado em ter compartilhado minhas cicatrizes com alguém, fico feliz que tenha sido com você – fui sincero em minhas palavras, aquilo soava estranho, espero que não tenha achado tão estranho como eu achei.
Falar da minha adolescência me fazia tremer como um adolescente bobo de novo, céus eu era péssimo.
— Eu não queria te assustar, mas também estou sentindo o mesmo . Obrigado por estar aqui, por ter me encontrado e estar sendo uma pessoa tão incrível em tão pouco tempo. 
E foi naquele momento, ali sentado na areia da praia com aquela garota incrível sentada no meu colo entre meus braços, a luz do luar e ao som do mar, que eu pude sentir a presença das tão famosas borboletas no estômago – eu nem sabia que elas podiam voar de noite – o meu coração batia forte e cheio de esperanças, então eu percebi que estava gostando de
Ei, eu disse gostando, não tem ninguém bobo apaixonado por aqui.

***

Ao entrar no meu apartamento com o sorriso mais besta tomando conta dos meus lábios, fui logo tirando a minha roupa para tomar um banho rápido, precisava me livrar de toda aquela areia que tinha pelo meu corpo.
achou mesmo que me ganharia na corrida de volta para o carro, quando viu que estava perdendo jogou-se no chão me fazendo tropeçar e cair por cima dela. Começamos uma estupida guerra de areia e acabamos sujando todo o carro de Austin.
Lembrete mental: Aspirar o carro pela manhã.
Sai do banho todo molhado e sem toalha andando até a pequena lavanderia a procura de toalhas limpas, me sequei amarrando a toalha na cintura e abri a geladeira. Vazia.
Eu deveria começar a tornar a minha casa um verdadeiro lar, começando pela compra mensais, as vezes ter comida na geladeira não seria nada mal, até as minhas cervejas tinham acabado.
Segui para o meu quarto, a porta entre aberta, uma música tocava no mínimo volume e eu pude ver algumas velas espalhadas pelo chão, arregalei os olhos e abri a porta com tudo.
Fala sério, aquilo não poderia ser verdade!
Charlotte estava deitada na minha cama e vestia apenas uma lingerie vermelha rendada, havia velas por toda parte. Ela fumava um e me ofereceu levantando e vindo em minha direção, agarrou o meu pescoço na tentativa de me beijar e eu recuei batendo as costas na parede atrás de mim.
– O que você está fazendo aqui? – perguntei batendo a mão na parede até achar o interruptor e acender a luz do quarto, começando a acabar com o clima. – Como você entrou aqui?
– Bom, eu vim procurar por você mais cedo e só encontrei aquele seu amiguinho gay, ele me disse que você saiu e então eu perguntei se não podia ficar aqui esperando, ele deixou só que depois foi embora correndo... – Charlotte foi descendo passando suas mãos em meu abdômen e chegou a barra da minha toalha. – Então eu resolvi fazer uma – sussurrou contra a pele da minha barriga onde depositou um beijo demorado, aquilo me gerou um rápido arrepio e ela riu do efeito causado tragando mais uma vez jogando a fumaça para cima em minha direção, eu peguei de sua mão e resolvi experimentar.
Era dos bons, ao soltar a fumaça para cima o meu corpo se arrepiou, olhei para baixo e Charlotte se livrara da minha toalha a deixando cair no chão sobre os meus pés.
Ela me olhou, com aquele olhar sedutor que poderia levar a minha alma para o inferno e queimaríamos por lá, mordeu os lábios e veio se aproximando lentamente.
– Pare. E-eu acho melhor, hum, você ir embora. – coloquei a mão na frente me cobrindo e devolvi o seu cigarro, Charlotte me olhou sem entender e bateu na minha mão derrubando-o no chão, com a mão livre continuei me cobrindo.
– O que? – perguntou piscando mais rápido que o normal, como se estivesse acordando de um transe e tentasse entender o que eu dizia.
– Eu mandei você ir embora, Charlotte – repeti tentando ser duro, eu particularmente odiava ser duro com as pessoas.
Não duro naquele sentido.
– O que aconteceu? – ela perguntou sem entender olhando a sua volta. – Você não gostou da surpresa? Das velas? A música? Fui muito melosa para você?
– Não, não é isso, você realmente me surpreendeu mas...
– Eu não sou boa o suficiente?
– Pelo amor de Deus, eu não falei isso. Charlotte, você não pode ter esse tipo de pensamento achando que não é suficiente para alguém.
– Então o que há de errado comigo? – perguntou sentando-se na cama e cruzando os braços olhando para o chão, tentando escconder o próprio corpo.
Era como se ela não tivesse ouvido uma palavra do que eu disse, agora começaríamos uma briga clichê na qual eu usaria frases clichês.
– O problema não é você, sou eu. – vomitei a primeira frase clichê, ela me olhou balançando a cabeça em negação, deveria estar me achando um babaca.
Porra , você poderia ser muito melhor que isso! Sempre ganhou todas as brigas pós-negação-de-sexo.
Não que eu negasse muitas, mas quando as garotas começavam a exigir demais como Charlotte, que só faltou enfiar uma aliança no meu dedo agora, era necessário.
– Tem outra na jogada. – Charlotte afirmou. – É aquela garota dos sites de fofoca? Você está apaixonado por aquela garota?
Estou gostando, não apaixonado, pensei comigo mesmo.
Continuei em silencio baixando-me para pegar a toalha em meus pés, eu não precisava dizer mais nada, ela havia entendido o recado.
Andei até o meu armário pegando uma boxer e a vesti rapidamente, Charlotte apagou todas as velas recolhendo uma por uma e desligou a música que tocava no celular, calçou o seu salto vestindo um shorts jeans, saiu do meu quarto, pensei em ir atrás dela, mas ouvi a porta de entrada sendo batida com força.
Suspirei fundo e andei até a porta da sala e a tranquei por precaução.
Peguei meu celular entre minhas roupas antes de me deitar na cama, olhei pela janela Charlotte jogando tudo pelos ares e chorando falando com alguém no celular, senti um aperto no peito, eu tinha feito alguém sofrer, mas era melhor ela sofrer agora do que ficar prolongando algo que tinha que acabar.
Quem sabe pela manhã não conversamos com clareza, talvez ela entenda o meu lado.
Deitei na cama e olhei a última mensagem em meu celular, entre as outras mulheres que eu ignorava.

“Eu gosto de você . Durma bem, sonhe comigo... xx.”

Sorri para a tela do celular e respondi da maneira mais melosa possível.

“Com você eu sonho até acordado. Xx”

Esse lance de gostar de alguém fazia ter sensações diferentes a cada momento, agora eu estava deitado olhando para o teto imaginado um futuro ao lado de e repensando toda a minha vida.


Capítulo 4

Dois meses depois.
Segunda feira, 23 de Maio, 14h.


Hey! Que bom que está de volta, puxa ai uma cadeira e deixa eu te contar as novidades!
Já passou uns dois mês desde que virei notícia em todos os sites teen. E nesse meio tempo eu e estávamos mais próximos.
Próximos, em um nível que as mulheres da minha lista de contato já não eram mais interessante aos meus olhos, é sério, esse belo par de olhos verdes, só conseguiam enxergar a beleza fascinante de .
E você não vai acreditar!
e Austin viraram melhores amigos, juro não foi porque ele está interessado na fama, eles realmente se deram bem! E Astrid Ross ficou morrendo de ciúmes dele a ponto de até postar indiretas.
Florence, a prima de , me ajudou a arranjar um emprego, agora trabalho de atendente em uma loja de roupas enorme, a loja é tão grande que temos um estúdio de tatuagens e uma barbearia em diferentes andares. Ela me contou que ela e o dono são melhores amigos do ensino médio, mas eu já saquei que rola uns beijos por ali pra colorir a amizade, eu sou a favor do casal.
Eu estava dobrando as novas roupas que haviam chego pela manhã para colocá-las em seus devidos lugares quando chegou seguida por uma Cárter mau humorada.
Minha relação com Carter? Bom, ela era obrigada a me aturar.
— Boa tarde , eu não aguento mais essa garota - Carter rolou os olhos quando pulou em meu colo e beijou meus lábios, um final de semana longe, causou muitas saudades por aqui — Pessoas apaixonadas são um saco.
Pessoas apaixonadas? Quem estava apaixonado por aqui?
Engoli a seco e meus olhos piscavam mais que o normal. Eu estava apaixonado? Era tão evidente o nome de escrito na minha testa?
— Vai me deixar cair protestou trazendo-me de volta a orbita.
E se não sentisse o mesmo?
Senti meu corpo travar em reação das palavras de Carter e percebeu a minha indiferença. Descruzou suas pernas do meu tronco descendo do meu colo com um olhar diferente de todos que eu já tinha visto desde que eu havia conhecido.
— Está tudo bem com você? - perguntei meio aéreo.
— Por qual motivo eu não estaria bem? - foi ríspida e cruzou os braços dando um passo para trás, eu estranhei a sua ação passando a mão pelos meus cabelos, Carter percebeu o clima e se afastou andando para o outro lado da loja mexendo no celular. 
— Só perguntei, você chegou toda animada e de repente ficou desse jeito.
— Normal? - completou arqueando a sobrancelha.
Era oficial, estávamos tendo o nosso primeiro desentendimento porque eu fui um tapado assustado com as palavras de Carter que está rindo de mim do outro lado da loja neste exato momento, ela tem prazer e felicidade em ver o sofrimento alheio só pode, travei o maxilar voltando a minha atenção para .
— Você não está normal, você está assim...
— Eu vim aqui te pedir um favor, você pode me ajudar, huh? - mudou de assunto rapidamente, ela estava se esquivando da briga mas vai me pegar na curva quando eu menos esperar. Concordei com a cabeça e ela me lançou um sorriso como se quisesse dizer "foi o que eu pensei" — Preciso aprender a tocar uma música no violão para uma cena da minha personagem.
— Qual é a música? - perguntei voltando a dobrar as peças de roupa para parecer normal sob o acontecimento de minutos atrás.
More than words. — O meu corpo estava prestes a travar no lugar novamente quando o meu cérebro foi mais rápido mandando um aviso de "não seja idiota de novo", aquela música e aquela letra... É por esse motivo que ela quer deixar a briga para depois. 
— Quando você está de folga? — perguntei, torcendo para que não fosse hoje.
Hoje, estou indo gravar minhas últimas cenas, quando for liberada vou gravar uns vídeos para o meu canal, depois passo no seu apartamento quando sair do trabalho.
Em alguns momentos eu esquecia que ainda era uma youtuber e fazia todos aqueles vídeos clichês, aquela era a única parte bizarra de seu trabalho.
— Tudo bem? - ela perguntou me olhando.
— Tudo bem - respondi meio automático o que a fez revirar os olhos.
— Tchau - se aproximou selando nossos lábios em um beijo sem língua. Antes de sair Carter acenou falsamente, rosnei amassando a camisa que estava prestes a dobrar. Idiota. Olhei para os lados me certificando que não tinha nenhum cliente por perto ou precisando de ajuda aproveitando para sentar em cima do balcão com o celular em mãos prestes a ligar para Austin, eu precisava de conselhos, torcia para ele estar sóbrio no escritório onde trabalhava.
— É uma emergência! - disse assim que ele atendeu.

***

— Você tem noção que a sua emergência é mais falsa que minha TPM? - Austin perguntou sentando-se nas escadas do estoque da loja.
— Você não entende? Eu travei! Foi ridículo, ela percebeu na hora que eu fiquei com cara de panaca que não sabe o que quer.
, são seus sentimentos se você não consegue entendê-los, como que eu vou? - retrucou de maneira óbvia.
— Somos melhores amigos! - o lembrei desse pequeno detalhe - Não é seu dever me entender melhor do que eu mesmo?
— Devo ter vindo com defeito de fábrica - brincou me mostrando a língua. — Já faz dois meses que vocês se conhecem e tão juntos dando uns beijinhos as mil maravilhas, você já tentou avançar o sinal? Para ver se é isso mesmo que ela realmente quer?
— Eu não vou pressioná-la para transar... - revirei os olhos e levei um tapa na cabeça.
, pensa com a cabeça de cima idiota!
— Estou pensando, mas não entendi o que você está querendo dizer...
— Estou falando sobre relacionamento sério.
Relacionamento sério, engoli a seco, eu nunca tinha dito um relacionamento sério na minha vida.
— Você sabe se ela já namorou? - perguntei com medo da resposta.
Sim, por seis meses com um modelo um ano mais velho chamado Alex Moore o motivo do termino não foi relevado, disseram que foi por conta do trabalho. - Austin deu de ombros me mostrando a foto de abraçada no tal de Alex. – Eu acho que você deveria jogar um verde para colher maduro.
– Quer que eu pergunte à ela sobre esse modelinho chamado Alex? - perguntei confuso e enjoado, Deus estar apaixonado causa tantas náuseas assim?
— Não seu tapado, eu to’ falando pra você abrir o jogo falando dos seus sentimentos, não perguntando do último namoro dela.
— Como eu faço isso? – perguntei com medo da resposta.
— Eu falei grego? Se joga , vai fundo, você gosta dela, está escrito na sua testa, se importa com ela, tem que conhecê-la melhor - Austin levantou-se batendo a calça – Vocês se conhecendo melhor pode evitar a primeira briga também.
Austin tinha razão, estávamos "juntos" há dois meses, não posso jogar tudo para o alto só porque estou com medo de um relacionamento sério que eu nunca vivi em meus vinte e cinco anos!
É, está na hora de se abrir a novas experiências .
Não é só de sexo causal que vive o homem.
— Eu já sei o que vou fazer. – disse decidido já planejando tudo em minha mente.
— Ótimo, amanhã passo no seu apartamento e vamos tomar café juntos, não se atrase e nada de ficar transando a noite toda, precisa descansar para trabalhar. – Austin tagarelava enquanto saia da loja.

***

Aquele apartamento nunca esteve tão bem arrumado como naquela noite, assim que sai do trabalho passei no mercado, um corredor aqui e ali e uma passada rápida na sessão de congelados me fez montar um cardápio bem a dama e o vagabundo.
Era simples, mas cheio de... amor?
Após um banho eu estava novo em folha, vesti uma roupa confortável, passei bastante perfume, ela chegaria a qualquer momento e eu queria lhe passar importância diferente das outras vezes em que ela veio no meu apartamento que só ficamos jogados no sofá comendo pizza, bebendo cerveja assistindo a qualquer filme que estivesse passando na televisão.
A campainha tocou, fazendo-me passar a mão no violão em cima do sofá indo em direção a porta onde abri com um sorriso nos lábios, mas acabou sendo desmanchado pela vizinha.
— O que você está fazendo aqui Charlotte? – perguntei de maneira grossa, iria chegar a qualquer momento e me encontrar com a vizinha não era uma das minhas surpresas da noite.
— Eu vim em buscar da minha jaqueta jeans que deixei aqui outro dia – ela respondeu grossa da mesma maneira e me empurrou passando para dentro do apartamento seguindo para o quarto.
Eu me senti um babaca por ter sido grosso, fui até o quarto onde ela estava parada de braços cruzados esperando eu pegar a jaqueta, coloquei o meu violão para trás, andei até o guarda roupas onde estava dobrada a sua roupa, andei em sua direção lhe entreguei soltando um sorriso tímido.
— Aqui está, eu até lavei para você – disse tentando amenizar o clima, ninguém resistia a um dos meus sorrisos.
— Está todo arrumado, casa arrumada, comida feita e esse violão... Acho que estou atrapalhando um encontro. – Charlotte disse sem expressar emoção alguma, passou a jaqueta jeans por cima dos ombros a pendurou soltando um sorriso de lado. – Obrigado.
Charlotte saiu do quarto andando em passos firmes para a porta.
Eu torcia para que não chegasse naquele momento, mas também meu coração se apertava em saber que tinha magoado Charlotte de alguma forma ou outra. Ela parecia gostar de mim, nossa aproximação em noites carentes e frias nos fez criar um vínculo de sexo e segredo e eu entendo o fato dela se sentir usada e trocada, eu me sentiria da mesmo jeito, mas...
Char, nós ainda podemos ser amigos? – foi o que saiu da minha boca quando segurei a porta e a olhava prestes a descer as escadas.
Ela me olhou arqueando a sobrancelha como se não esperasse o meu pedido e apenas concordou com a cabeça descendo as escadas em seguida.
Me deixando ali, parado sem saber o que fazer.
Agora os meus pensamentos diziam que eu deveria ter sido mais sincero com Charlotte e que não posso cometer o mesmo erro com . Mas a quem eu estou querendo enganar? Eu estava com e transava com Charlotte sem compromisso aos fins de noite, para saciar a minha vontade estupida e inflar o meu ego ridículo.
O primeiro passo para um relacionamento sério, era ser sincero e dizer sempre a verdade e era o que eu iria fazer.
Fechei a porta e dei uma volta pela casa dedilhando algumas notas enquanto esperava o celular tocar em cima da bancada anunciando uma mensagem de .
Olhei de relance a nossa conversa, minha última mensagem visualizada era um soco no estomago em não ter sido respondida com ela online.
Quem seria mais importante do que eu? Quem havia desviado a sua atenção a tal ponto que ela tinha que me ignorar?
E pela segunda vez na noite a campainha tocou, no mesmo momento que não aparecia mais online, ela estava na minha porta por isso resolveu ignorar a mensagem, respirei aliviado, segui dedilhando algumas notas que formavam uma melodia perfeita para recebe-la.
— Entra – disse me afastando da porta, começando a tocar - Shut the door, turn the light off...
— O que? – perguntou sem entender, apontei para o interruptor na intenção que ela apagasse a luz para que eu pudesse prosseguir com o meu roteiro.
I wanna be with you... – cantei e balançava a cabeça em negação, era para ela estar gostando, Florence disse que essa era sua música preferida.
.... – tentou me cortar, eu estava errando a maldita letra?
I wanna feel your love, I wanna lay beside you…
pegou o celular do bolso e começou a gravar com o flash ligado.
Gente, acho que ele está tentando me conquistar cantando Moments do One Direction, alguém pode dizer para ele que a nossa querida banda entrou em pausa e as músicas se tornaram depressivas? Eu to’ quase chorando e não é por ele. - parei de cantar e tocar na mesma hora. A olhei bravo, ela continuou gravando rindo da minha cara aproximou-se de mim colocando a mão sobre o meu rosto.
Primeiro que; eu estava tentando ser romântico e segundo; ela nunca tinha me filmado antes para postar em seu Instagram.
Foi uma graça a sua intenção, babe. – depositou um beijo em meus lábios que foi gravado.
Gravado, sério?
me soltou, sentando-se no sofá com o celular em mãos editando o tal vídeo, eu continuei em pé perplexo pelo que acabou de acontecer. Afinal o que tinha sido aquilo?
Ela tinha tirado sarro de mim por tentar ser romântico. Ela não poderia pelo menos assistir e me elogiar?
Andei para o quarto tirando o violão, eu tinha ficado enjoado com a sua atitude, me olhei no espelho, minha aparência não era a das melhores, eu estava todo engomado.
— Você está todo estranho – disse entrando no quarto e sentando-se na cama procurando algo em sua bolsa, ela provavelmente iria trocar de roupa. – Aconteceu alguma coisa que eu deva saber?
– Como assim? – perguntei agora a olhando pelo reflexo do espelho. Ela deu de ombros.
Ela estava jogando comigo? Franzi o cenho.
Ora , eu sou o mestre dos magos dos jogos.
– Não sei , estou apenas perguntando, me recebendo com serenata eu vi que tem uma mesa arrumada na cozinha e você está parecendo que a sua mãe veio lhe vestir, o que aconteceu? — virei-me ficando de frente para que tirava sua maquiagem olhando em um pequeno espelho em suas mãos.
— Eu quis te fazer uma surpresa, ser romântico, mas vejo que não deu certo, já que até vídeo tirando sarro de mim para o mundo inteiro ver, você fez — sorri forçado e desabotoei a camisa xadrez vermelha que usava a tirei jogando no chão, baguncei meus cabelos louros enquanto andava em direção à sala, ela tinha me tirado do sério e o meu coração doía.
Eu já estava começando a ficar arrependido em querer demostrar meus sentimentos.
— Não estava tirando sarro de você ok? Só achei incrível o fato de você ter ido atrás de uma música do One Direction para cantar para mim.
— Você nem me deixou cantar, .
— Já passou , supera, vamos comer, huh? – parou em minha frente, estendeu a mão para me ajudar a levantar do sofá.
Superar? – ri irônico – Vai lá, coma sozinha — saiu da minha frente e seguiu até a cozinha com o celular em mãos gravando a comida colocada na mesa e disse em alto bom tom.
As surpresas não param por aí, além do babe cantar One Direction para mim, nosso jantar é baseado em A Dama e o Vagabundo e não existe comparação melhor a nós dois, eu a dama e ele o vagabundo que transa com a vizinha.

Congela

Charlotte desceu as escadas magoada, acabou encontrando com no hall do prédio, com certeza as duas trocaram farpas antes de subir, ela ignorou minha mensagem quando as duas se encontraram, ela subiu já achando toda a minha surpresa uma grande babaquice por culpa de Charlotte.
Em outros tempos você se safaria dessa emboscada com um piscar de olhos, é só persuadi-la.
Mas nos tempos em que se quer um relacionamento sério: dê sua cara a tapa!

Descongela

– Você encontrou a Charlotte quando foi subir? – perguntei tentando manter a calma, naquele momento milhões de ovos e ratoeiras tomavam conta do apartamento, eu tinha que saber bem aonde pisar. – O que tanto ela lhe disse?
– O suficiente para abrir os meus olhos e perceber que você é igual aos outros rapazes, você estava comigo e com ela todo esse tempo, eu achei que era especial que tínhamos algo importante, mas você só me usou .
— Ei, ei, depois da praia, eu só fiquei com você até hoje.
— Eu duvido, olha o tanto de vezes que eu viajei nesse pouco tempo, com certeza você correu para cama dela atrás de sexo...
— Seja lá o que a Charlotte disse, é mentira, Austin está de prova. – me defendi.
— E como eu vou acreditar em você? Como vou acreditar no Austin que é o seu melhor amigo? — perguntou.
— Em quem você prefere acreditar, em quem você conhece a mais tempo, ou na mulher revoltada porque foi trocada por você? – joguei revirando os olhos.
— Eu só sei que você me usou todo esse tempo , você não presta, você é um escroto... — Não consegui conter o riso da sua inocência, levantei calmamente andando em sua direção e parei a sua frente ela mantinha a cabeça erguida, o nariz empinado olhando para cima, ela não iria cair tão fácil e creio que isso tem a ver com o seu signo escorpião.
— Quem foi usada em toda essa história foi claramente a Charlotte, a conquistei facilmente porque queria suprir a minha necessidade idiota por sexo, mas eu nunca a tratei como deveria, nunca fui atrás dela em uma lanchonete lotada de um bando de adolescentes e crianças em um domingo à tarde e me senti um insuficiente por ela ser boa demais, ou aceitei que ela me pagasse um jantar só para ter o pretexto de conhece-la melhor, nunca fiquei tão nervoso sem saber como consolá-la em uma noite na praia, não parei de sair por ela, não aceitei um emprego da prima dela só para ficar próximo e muito menos fiz um jantarzinho estilo “A Dama e o Vagabundo” e me arrumei a ponto de nem me reconhecer. Não estou na frente dela agora abrindo o meu coração, então não, eu não te usei.

Saiu.

Era como se agora eu pudesse respirar e o ar conseguisse passar pelos meus pulmões, a garganta estava livre, tudo que estava ali acumulado tinha saído como um remédio acaba com a inflamação.
Os ovos e ratoeiras do chão tinham sumido mais rápido do que eu pensei. Mas o silêncio dela levava a minha alma para fora do corpo, ela poderia compartilhar comigo as suas emoções e seus sentimentos, como Austin disse que ela provavelmente iria fazer, mas ao invés disso ela apenas correu, ela correu para o quarto alcançando a sua bolsa em cima da cama, correu para a porta olhando pela última vez aquela noite.
Desculpa.
Saiu sem dizer mais nem menos, levando o presente mais valioso que eu já havia dado para alguém...
O meu coração.

***

— Pelo menos você tentou – Austin disse dando de ombros e acabando com toda comida do meu jantar romântico. – O que fica é o aprendizado.
Austin Forbes – chamei sua atenção e assim que ele me olhou eu neguei com a cabeça. – Eu gosto dela.
— Isso é de verdade? – perguntou deixando o garfo bater no prato. – Achei que tudo que você estivesse me contando tinha sido apenas um plano para leva-la para cama.
— Jesus! Não Austin, eu fiz de... Coração sabe? - tentei me explicar bagunçando meus próprios cabelos.
Esse misto de emoções não poderia ser normal. Eu sou um desastre no amor!
— Eu sei o que é estar apaixonado. Já tive três relacionamentos sérios esqueceu? – discordei com a cabeça. – Só estou surpreso, por você ter finalmente se aberto para aceitar alguém dentro do seu coração.
— Isso soa como um clichê horrível. – disse me deitando no sofá.
— Mas é um clichê. Você pobre que não tem onde cair morto apaixonado pela estrela teen que se estalar os dedos pode viajar para qualquer lugar do mundo e ter qualquer homem que desejar, não que pra você isso não seja fácil... Espera, espera isso torna tudo mais comedia romântica ainda, porque você pode ter qualquer uma, mas quer ELA.
As palavras de Austin caiam como uma bomba sobre mim, erámos totalmente opostos.
Mas e o lance dos opostos se atraem?
— Austin? – o chamei e ele respondeu um simples “huh” com a boca cheia de comida. — Se a minha vida está seguindo o roteiro de uma comedia romântica – fiz uma me levantando do sofá em um pulo – Eu vou ter um final feliz? – disse meio incerto mas afirmando que teria um final feliz com .
Austin riu e concordou com a cabeça levantando-se da mesa com o seu prato e o colocando na pia, me olhou pensativo.
—Tudo depende de você.
Entrei na conversa do Whatsapp com , ela estava online, arrisquei-me em mandar uma mensagem perguntando se poderíamos conversar, mas na mesma hora uma notificação do Instagram avisando que ela tinha postado um novo story apareceu para mim, cliquei abrindo a foto que tinha sido postada a poucos segundos e gelei.
— Quem é esse? – perguntei para Austin sem ao menos pensar duas vezes.
Austin pegou o celular de minhas mãos e arregalou os olhos, já podia sentir minha pressão caindo - sente o drama de comedia romântica – quem era aquele diabo jovem?
Why Don’t We – Austin disse me devolvendo o celular.
— Que porra é essa? – perguntei novamente.
— Ele é um integrante da banda Why Don’t We, eles são amigos, relaxa! – deu de ombros.
Entrei no perfil de Jonah Marais e para minha surpresa sua última foto postada, tinha sido a cinco minutos e era com com a legenda “bastidores da nossa nova campanha”. Ele a segurava pela cintura, com sorrisos estampados nos lábios e os olhos brilhando, era o típico casal midiático que todos amavam.
Nos comentários, todos perguntavam porque ela ainda estava comigo, tendo ele ao seu lado. Talvez o fato dela ter saído correndo quando me declarei, foi justamente por causa dele.
— Qual o rolê para hoje? – perguntei a Austin ao bloquear o celular largando-o em cima da mesa.
— Quê? Você não vai sair. – negou com a cabeça.
— Se ela pode se divertir, eu também posso. – dei de ombros.
— Não pode não.
— Não era você que lutava por direitos iguais? – especulei.
— Ela está trabalhando, não se divertindo – retrucou.
— Austin, de qual lado você está? – o encurralei.
— Não vou deixar você voltar a ser aquele cafajeste que vai pular de cama em cama só porque está aborrecido.
Eu não era nenhum cafajeste.
— Eu não estou nenhum pouco aborrecido. – disse convicto, ou pelo menos fingindo isso.
— Consigo ouvir seus pensamentos sobre dar um soco na cara de Jonah Marais daqui! - Austin disse com os dedos sobre as têmporas.
— Aquela mão na cintura dela foi desnecessário, você sabe disso – revirei os olhos, meio que admitindo o meu ciúmes.
— Jonah é realmente muito amigo da , quem tem um crush nela e o Corby.
— Quem é Corby? – perguntei arqueando a sobrancelha e Austin fez uma pesquisa rápida no Instagram me mostrando o perfil do outro cantor da mesma banda.
Ele era bem mais novo, branquelo e bem magrelo, feio, mas famoso e com dinheiro.
— Que horas nós vamos sair? – perguntei ignorando o perfil de Corby.
— Nós não vamos sair .
— Se você não sair comigo, eu vou sair com as gêmeas Ross.
Austin me lançou um olhar que dizia “se ousar fazer isso, eu te mato com minhas próprias mãos”, sabia que as gêmeas organizavam um pool party durante o dia e que Austin estava se contorcendo para não ir e dar na cara da Astrid... Depois de beijá-la.
— Eu vou fingir que não ouvi essa baixaria. – rosnou como um cão ferroz, mas parecia um chihuahua.
— Vou adorar perguntar a Astrid quem transa melhor, eu ou você... – zombei.
— VAI TOMA NO CU, EU FALEI PARA VOCÊ NUNCA TOCAR NESSE ASSUNTO. – e ele acabou explodindo.
Comecei a gargalhar do histerismo de Austin, eu não perderia a chance de jogar o seu segredinho sujo em sua cara uma hora ou outra para virar motivo de piada entre nós, ele me atacou uma almofada e seu rosto queimava de raiva de tão vermelho que Austin ficou.
— Vai me levar para sair ou não? – insisti no meu propósito.
— Vai pro inferno, capeta! – disse mudando os canais da televisão de maneira nervosa e rápida.
You’ve got the devil in your eyes – cantarolei com a voz baixa olhando para Austin que cruzou os braços, eu sabia que ele não resistia quando eu cantava para ele. — You went and took by surprise...
— Eu sou fiel a . – virou a cara, na tentativa falha de me ignorar.
— Você disse o mesmo com as Ross. – soltei um sorriso malicioso. — Não esqueça que a é minha.
— Exatamente por ela ser sua que eu não vou te levar para lugar nenhum, para ela não tomar um belo par de chifres.
— Eu sou fiel a – repeti suas palavras.
— Como pode dizer que é fiel a alguem sendo que nunca na sua vida você chegou a manter uma “ficada” séria?
— Não sentindo a mínima vontade de ficar com outras mulheres – dei de ombros — Agora é sério levanta esse rabo do sofá e vamos pelo menos tomar uma cerveja em qualquer esquina por aí.
— To’ sem grana – mentiu apenas para que eu pagasse o role.
— Eu pago – vi um sorriso se formar em seus lábios.
— Ótimo! Porque me fazer sair de casa para gastar com o que já estou bebendo aqui, é desperdício – Austin comentou indo para o banheiro.
— Pelo menos no bar tem gente – disse parecendo obvio.
— Se por obra do satanás eu me encontrar com Astrid eu vou matar você...
— O único problema, é que você quer e não admite!
— Eu quero porra. Mas você como meu melhor amigo não pode deixar, caralho aquela mulher é uma diaba que só quer se aproveitar do meu corpo, você poderia ter a compaixão de me lembrar sempre que puder que eu gosto de pau, nem que tenha que esfregar o seu na minha cara.
Austin falou tudo muito rápido levantando-se do sofá e eu apenas arqueei a sobrancelha, abri o cinto e desci o zíper da minha calça e Austin arregalou os olhos.
— Santa mãe de Deus, eu falei brincando , não faça isso! – Austin correu para o quarto imediatamente e eu não me aguentei de rir fechando a calça e indo até o quarto. — Já sei onde nós vamos ir. – Austin disse escolhendo uma roupa. — Você vai ter que me perdoar, mas eu preciso fazer isto.
— Onde vamos? – perguntei passando a mão entre meus cabelos.
— Só dirige , só dirige.

***

Nota mental: Nunca mais me deixar levar pelo aborrecimento e ciúmes do momento, muito menos acreditar que Austin pudesse me levar para um role tranquilo mesmo eu estando quase namorando sem nada estar oficializado.
Lá estávamos nós, na cobertura de Astrid Ross que ficava de frente para a praia, em uma pool party. Toda aquela raiva de Austin por Astrid na verdade era um tesão acumulado, ao chegar na festa a ruiva o agarrou o beijando e o mesmo correspondendo e eles sumiram por um dos corredores do apartamento.
E aqui estou eu, bebendo a minha cerveja, a qual eu queria ter saído para beber, olhando para a piscina lotada de modelos em seus micros biquínis se divertindo como se o mundo fosse acabar amanhã, torcendo para que nenhuma notasse a minha existência.
Mas isso parecia uma missão impossível.
Resolvi ignorar a piscina lotada de modelos andando até a sala e sentando-me em uma das poltronas ao lado do sofá.
— Olha só quem resolveu aparecer – Ariella disse parando em minha frente, ela usava um biquíni tomara que caia neon rosa com a parte debaixo neon verde, sorri sem graça dando um breve aceno torcendo para que ela não viesse sentar ao meu lado.
Mas foi exatamente o que aquela diaba fez.
— Tenho que admitir que estou chateada com você. – Ariella fez bico.
— Por que? – perguntei sem entender. Não havia motivos para Ariella Ross estar chateada comigo, nos falamos apenas uma vez.
— Eu te ajudei com a e você nem ao menos me agradeceu aquela noite. – revirou os olhos.
— Como assim me ajudou? Você apenas me aconselhou a falar com ela – engoli a seco.
— Eu paguei um amigo meu para sabotar a bebidinha da , na hora que ela foi correndo para o backstage eu já sabia que ela podia estar possivelmente passando mal – Ariella aproximou-se desbloqueando o celular, foi até a galeria do seu celular mostrando as fotos daquela noite, que ela tinha tirado minha e de saindo pelos fundos da casa de show. — Eu sabia que uma hora outra você iria aparecer para me agradecer. – sorriu vitoriosa passando o seu braço por cima de meus ombros e apontando o celular para um possível selfie.
— Qual é o seu problema? – perguntei levantando-me da poltrona, Ariella arqueou a sobrancelha sem entender, sentando no lugar que antes eu ocupava e cruzando suas longas pernas.
— O que? Não entendi.
— Você drogou a – a interrompi dizendo. — Qual é o seu problema com ela para ter feito isso?
— Eu fiz porque eu gostei de você. – Ariella deu de ombros — Como eu estava namorando e não podia ir pra cama com você eu deixei você ir para cama com outra. Eai me conta, valeu a pena? Ou ela nem é tudo isso?
— Ela poderia ter parado no hospital e até mesmo morrido, tem noção do que uma bad trip pode fazer com uma pessoa? Você não lê jornais? Não vê notícias? – comecei a falar rápido e indignado e ignorando suas perguntas sem cabimentos.
— Sim eu leio jornais e vejo as notícias, mas não gosto de saber que meu nome não está em evidência no momento. – Ariella mordeu os lábios me olhando de cima a baixo. — E é você, como forma de me agradecer, que vai colocar meu nome em alta nos trending topcis.
Ri negando com a cabeça, aquela garota queria causar polêmica apenas para ficar em evidência, terminei a minha cerveja deixando em cima da mesa de centro de mármore.
— Eu vou procurar o Austin e nós vamos embora desse seu circo – disse antes de me afastar de Ariella que para o meu azar levantou-se vindo atrás de mim.
— Você não vai escapar tão fácil de mim . – Ariella pulou em minhas costas passando suas pernas pelo meu abdômen com o celular em mãos na tentativa de gravar um vídeo nosso de nós nos “divertindo” escondi meu rosto entre as mãos e travei no lugar a fazendo cair no chão e derrubar o celular.
Antes que ela pudesse levantar, peguei o seu celular apagando o vídeo e o bloqueei e tentei desbloquear, deixando o celular inativo por alguns minutos, eram os minutos que eu tinha para sair de dentro daquele apartamento.
Todos os convidados da pool party, assim como eu e Austin tivemos que deixar nossos celulares na recepção, mas já sabendo como funciona esse esquema de festa dos ricos, acabamos deixando nossos celulares dentro do próprio carro de Austin.
Subi as escadas para o segundo andar, ignorando o tanto de garotas pelas escadas e por todo andar, eu só precisava achar o quarto de Astrid o que foi extremamente fácil já que a inicial do nome da garota brilhava na porta.
Sem ao menos pedir licença entrei no quarto encontrando Austin apagado na cama com as mãos amarradas na cabeceira enquanto Astrid tirava fotos e vídeos dele daquela maneira.
— O que você está fazendo? – perguntei entrando no quarto, indo em direção a cama desamarrando Austin.
— Estou apenas me divertindo com essa bichinha que destruiu o meu relacionamento – Astrid ria olhando para o próprio celular.
— Qual é a porra do seu problema? – perguntei indignado, aquelas gêmeas eram malucas com esse lance de vingança.
— Graças a Austin o meu maravilhoso namorado alemão terminou comigo.
— A culpa de ter traído o seu namorado foi toda sua, querida! – disse o óbvio.
— Ele descobriu que eu o trai, graças a uma das empregadas que transava com ele. – revirou os olhos.
— Chifre trocado não deveria doer.
— Mas dói, sabe por que? – perguntou retoricamente. — Austin não quer nada sério comigo e foi ser amigo da pessoa que eu mais odeio no mundo, .
— E por qual motivo ela é a pessoa que você mais odeia no mundo? – perguntei cruzando os braços.
— Olha só para ela, ela tá’ com contratos milionários enquanto eu e a minha irmã ficamos aqui aceitando qualquer publicidade pra ganhar uma grana, a carreira de atriz dela está nas alturas com aquele remake, único lugar que eu atuo é no TikTok, fazendo uns vídeos sem graça e umas dublagens sem noção.
— Você não odeia a pessoa que a é. Você odeia a fama dela. – constatei. — Olha Astrid, pelo que eu percebo em tão pouco tempo com é que ela simplesmente posta o que os seguidores dela pedem, sempre está atrás de tudo do melhor para agregar valor as pessoas... Agora me diz, o que tem no seu perfil de interessante? Fotos na farra? Story’s zombando de uma pessoa desacordada? Afinal, o que você deu para ele?
— Sei lá, um remédio natural que a nossa mãe usa para poder dormir, isso derruba ela por horas – deu de ombros cruzando os braços.
Ótimo! Como se não bastasse sempre levar Austin embora arrastado de bêbado das festas, agora eu o levaria desacordado com algo que eu nem imagino o que seja e por quantas horas aquilo vai deixa-lo apagado.
Péssima ideia ter saído de causa , péssima ideia.
— Você ao menos já chegou a conversar com , pessoalmente? – perguntei curioso tentando entender o motivo pelo qual as três não vão com a cara uma da outra, Astrid negou com a cabeça. — Por que? – insisti.
— Por que nunca houve oportunidade, porque ela sempre ta’ rodeada dos amigos dela que não gostam da gente, porque ela ta’ sempre feliz e animada aquilo irrita qualquer ser humano.
— Vocês não tem amigos famosos? – eu tinha acabado de virar um psicólogo de araque.
— Não, ninguém quer fazer amizade comigo e com Ariella – negou sentando-se na beirada da cama fechando o roupão.
— E toda essa gente na sua casa? – perguntei apontando para a porta aberta onde se passavam várias pessoas.
— Se você reparar bem a maioria são modelos. A minha assessoria escolhe uma agência e manda todas as contratadas para as nossas festas.
— Isso é realmente péssimo! – digo surpreso com tanta falsidade por detrás dos bastidores.
— Chega de falar do meu fracasso. E você? Se divertindo com Ariella?
— Mas é claro que não. Da mesma maneira que você quer polemizar às custas de Austin, ela quer criar polêmicas me usando, e isso é uma péssima imagem.
— Ariella teve o mesmo desejo que o meu – riu fraco – Ela gostou de você, mas ao invés de trair o namorado, ela teve coragem de terminar com ele, ela vem acompanhando você desde então.
— Mas é uma pena, pois estou com .
— Ela quer você só para ser mais uma conquista de sua cama – Astrid deu de ombros — E não podemos esquecer, quem queria nos levar para a cama era você.
— O culpado foi ele – aponto para Austin — Ele queria isso, não eu.
— Você iria transar com o pau dele por acaso? – zombou.
— Eu não, você sim.
— Não tenho nada a reclamar, Austin da conta do recado, mas é estranho.
Fiz uma careta, não podia acreditar que Astrid queria comentar sobre a sua relação sexual com Austin logo comigo, quanto menos detalhes para mim era muito melhor.
— E você era bem canalha, queria eu e a minha irmã.
— Se vocês tivessem me dado mole e aceitado naquela noite, que mal tinha? – dei de ombros — E sobre o Austin, ele só queria seus minutos de fama.
— Todos nós temos os nossos minutos de fama, o foda é transformar esses minutos em horas. – Astrid filosofou me fazendo a olhar com uma cara estranha.
Pensei comigo mesmo.
— Bom, eu vou indo embora – disse me aproximando da cama e chacoalhando Austin constatando que realmente ele não iria acordar, olhei para Astrid que jogou em minha direção o vidro do remédio natural que tinha dado para ele tomar, guardei no bolso da minha calça e o puxei pelos braços jogando por cima dos meus ombros.
— Acho que esqueci de avisar... – Astrid chamou minha atenção fazendo-me olha-la. — Aqui os convidados só vão embora, quando eu mando.
— Uma pena eu ter entrado de penetra – disse antes de virar-me e dar de cara com Ariella.
— Você acha mesmo que vai se safar da gente? – Ariella disse ao aparecer na porta do quarto com os braços cruzados, um belo sorriso malicioso nos lábios. — Obrigada por me fazer ganhar tempo irmãzinha. – disse para Astrid sobre meus ombros e a garota comemorava dando pulinhos.
— Me dê licença Ariella – pedi dando um passo para frente e ao olhar para trás da gêmea, haviam quatro seguranças atrás dela.
— Como eu ia dizendo Christtofer, vamos nos divertir.


Capítulo 5

Ao olhar em minha frente com o celular em mãos e os olhos marejados, eu me sentia como se tivesse posto em julgamento. Eu sei que sou o acusado e tenho muito a me explicar, Carter permanecia ao lado de observado cada detalhe, daqueles malditos story’s e Florence cuidava de Austin que permanecia deitado no sofá ao meu lado com uma toalha molhada sobre a sua cabeça reclamando de dor.
A minha garganta estava seca, eu e não tínhamos nos visto desde o dia que acabei me declarando, logo ela partiu em uma viagem voltando apenas hoje depois que o circo pegou fogo, as diabas gêmeas foram parar nos trending topics, como sua meta, e que a minha imagem já era.
Os vídeos que percorreram toda a internet, me mostrava amarrado com os braços para cima e vendado enquanto Ariella brincava com um chicote e posava para fotos e rebolava sua bunda seca em mim, todos me reconheceram por causa das tatuagens, Austin também pela sua tatuagem nada discreta de Lhama no abdômen.
— Mas que porra foi essa? – Carter perguntou bloqueando o celular e o deixando ao seu lado no sofá, virou de lado olhando para Carter, ela não queria me olhar.
— Eu posso explicar... Não é nada disso que você está pensando , não e nada disso que nenhuma de vocês esteja pensando... – disse rápido por conta do nervosismo e comecei a mexer as mãos enquanto falava. — Nós realmente fomos a pool party das irmãs Ross, mas quando Austin viu a Astrid eles começaram a se pegar e depois sumiram – dei uma olhada rápida pra Austin que apenas fez um joia confirmando.
— Você não é gay, filho da puta? – Carter perguntou atacando uma almofada em Austin.
— Eu não sei o que deu em mim, tá bom? E eu não quero falar sobre isso, podemos focar na parte que a diaba me dopou?
— Dopou? – perguntou olhando para Austin, ela estava ignorando minha presença.
— Sim! – fui mais rápido que Austin, respondendo e ele apenas deu de ombros apontando para mim, deixando claro que quem iria contar tudo era eu. — Astrid levou Austin para o quarto e acabou colocando esse remédio no copo dele - levantei-me pegando o remédio no bolso da calça e entregando a Carter já que me ignorava.
— E como você chegou ao quarto delas? – Florence perguntou não deixando barato nenhum fio da história.
— Eu estava na sala quando a diaba da Ariella veio falar comigo e ficou no meu pé dizendo umas coisas sem sentido, eu achei melhor vir embora fui atrás de Austin, ele já estava apagado no quarto da Astrid, ela começou a surtar dizendo que queria vingança porque o namorado alemão dela acabou terminando o relacionamento porque ficou sabendo pela empregada que Astrid o traiu com Austin.
— Mas o alemão traia ela com a empregada – Austin pontuou a parte mais importante da história que deixou as três de queixo caído.
— E como você, que não tem NADA a ver com a história acabou amarrado e vendado no quarto delas ? – perguntou apertando com força as próprias mãos.
— Depois do discurso de ódio sobre Austin, ela começou com o discurso de ódio contra você, disse que odiava o fato de você ter uma carreira melhor que ela e da irmã, um puta de um drama, disse que a festa estava lotada de modelos em começo de carreira que toparam estar lá porque são pagas e que precisam de polêmicas para pagar as contas.
— Queriam os trending topics – Austin murmurou.
— Quando peguei Austin, Ariella entrou no quarto com quatro seguranças e não me deixaram sair, dois me seguraram tiraram minhas roupas me prenderam, fazendo o mesmo com o Austin, as vendas foi porque Austin estava desacordado ninguém podia saber.
Contando toda aquela história para as garotas, eu me sentia um completo babaca, além de ter que contar toda a verdade – que era humilhante – eu não me preocupava com a minha imagem para o resto do mundo, me preocupava com a minha imagem perante a , eu podia sentir o quão estava magoada com a situação.
Mas eu era novo demais nesse mundo da mídia, não sabia que as pessoas jogavam baixo por fama.
— Por que ? – perguntou agora me olhando pela primeira vez de braços cruzados.
— Se você tá’ achando que rolou alguma coisa depois dessas filmangens não, não rolou, os seguranças nos soltaram levando a gente CARREGADOS para fora do apartamento. Pode perguntar para qualquer modelo daquela agência, todas estão de provas.
— Eu não estou achando nada.
— Como vocês foram parar lá? – Carter perguntou.
— Culpado – Austin levantou a mão. — queria sair e eu não me aguentei em ficar de fora da festinha, sendo que a Astrid estava me mandando mensagens no direct do Instagram a todo momento, mas era só uma isca pro peixinho dourado aqui cair nas suas garras venenosas e infelizmente acabei levando o peixinho tatuado pra outras garras.
— Eu acabei indo porque estava chateado – admiti passando a mão pelos meus cabelos. — Vi sua foto com aquele tal de Jonah e me senti mal ao ler comentários do tipo que você seria muito feliz ao lado dele.
Naquele momento Florence cutucou Austin para que ele se levantasse do sofá saindo da sala, Carter acompanhou os dois pelo corredor que levaria a cozinha, deixando eu e a sós finalmente. Engoli a seco, seria mais um round sobre o nosso “relacionamento”.
— Sempre disse a você que tenho muitos amigos – esclareceu soltando um suspiro pesado — E os garotos do Why Don’t We são meus amigos, a maioria namora! E sobre os comentários... Meus seguidores podem decidir sobre muitas coisas na minha vida, mas não com quem eu me relaciono.
— Você me deixou inseguro.
— Inseguro? – perguntou sem entender.
eu me declarei para você e você simplesmente virou as costas e foi embora sem ao menos me dizer se é reciproco ou não. – disse na lata, aquela sensação me estressava.
...
— Eu nunca me declarei para ninguém em toda a minha vida. A primeira vez que eu resolvo fazer isso, você reagiu da pior forma possível.
— Desculpa não ter seguido o seu roteiro. Mas não e assim que as coisas funcionam, já tentou ver o meu lado?
— O seu lado? – ri fraco a fazendo revirar os olhos e cruzar as pernas.
— É o meu lado. Fui te visitar no trabalho e você se faz de besta quando a Carter diz que você estava apaixonado e agiu de uma maneira fria, como se tivesse vendo um espirito na sua frente. De noite chego no seu apartamento, descubro que você tem um caso com a vizinha...
— Eu transei com ela duas vezes, três no máximo...
— Descubro que você tem um caso com a vizinha – me interrompeu aumentando o tom de voz enumerando tudo dedo a dedo — Como se não bastasse fez todo aquele circo com a maior cara de cão arrependido se declarando, ainda quer que eu diga o mesmo?
— E você riu de mim me gravando – rebati.
— Você viu algum daqueles vídeos na internet ? – perguntou arqueando a sobrancelha.
— Não – neguei com a cabeça engolindo a seco, ela apenas me olhou com uma expressão que dizia exatamente “preciso dizer mais alguma coisa?”
Ela só precisava dizer que me ama, não era nessa parte da comédia romântica que o babaca ganhava a mocinha para sempre?
é só você acreditar em mim. – voltei a dizer — Acreditar na minha palavra, acreditar em tudo que eu estou de falando porra! – nem preciso pontuar o meu desespero, certo?
— Olha que engraçado, você me pede confiança sendo que não tem a mínima confiança em mim quando posto foto com um amigo de trabalho – rebateu sendo grossa, ela pisava no meu coração de todas as formas que podia, aquilo devia estar lhe fazendo bem, pois não demonstrava tristeza.
— É uma troca. Confia em mim que eu confio em você.
Antes que pudesse me responder, Carter voltou para sala com o celular em mãos ao lado de Florence e Austin veio atrás e silabou para mim “Fodeu”, fazendo-me engolir a seco, lá vinha mais uma bomba.

“Love and drogs? teria usado da ajuda de uma droga sintética chamada LSD para ganhar o coração da amada lhe colocando no papel de herói? As imagens abaixo mostram a nossa estrela teen em um péssimo momento enquanto passava mal em um show meses atrás, onde a mesma confirma ter conhecido o seu novo parceiro Grittin.”

Carter leu a notícia e levantou-se do sofá ficando-se frente a frente comigo.
— Eu posso explicar – digo de imediato — Isso foi uma outra armação da Ariella.
— Você armou me drogar com a Ariella Ross? – me empurrou pelo peito. — Cadê a confiança seu traste, cadê a confiança?
— NÃO, você entendeu errado, no dia da pool party essa louca da Ariella veio me contar que foi ela quem pagou para um dos “amigos” dela fazer isso com você – fui sincero e novamente as três mulheres me olhavam como se eu fosse um alienígena, Austin estava em negação ao lado da porta abraçando o próprio corpo e a cada segundo que se passava, eu podia ver escorrendo entre minhas próprias mãos.
— Por que ela faria isso seu canalha? – me empurrou novamente, seus olhos marejados, apertando o meu coração, meus olhos também se encheram de lágrimas.
— A culpa foi toda minha, ela contou que fez isso porque eu estava te olhando a noite toda. Ariella disse que gostou muito de mim, mas que nunca iria trair o namorado dela, não tinha a mesma coragem que Astrid – apontei para Austin –E foi por isso que ela te drogou, disse que queria me agradar de alguma forma e que sabia que uma hora ou outra eu iria parecer na vida dela, para ela cobrar o favor.
, eu não quero te ver nunca mais na minha vida. – disse decidida de olhos fixos aos meus.
— Foi ela, a culpa é toda da Ariella Ross, . – disse chorando, eu estava chorando na frente de , dane-se o que ela, Carter, Florence, Austin e todos vocês estão pensando, eu nunca soube lidar com sentimentos, muito menos posto contra a parede, minhas lagrimas corriam livremente pelo meu rosto. — Eu estou sendo verdadeiro e lhe contando tudo que está acontecendo sem mentir, to’ dando minha cara a tapa pra assumir a merda que foi feita por minha culpa querendo ou não. – bati no meu próprio rosto enquanto dizia.
apenas negou com a cabeça engolindo o choro e deu-me as costas.
Mais uma vez, ela partiu me deixando com o coração doendo.
Afinal, aquilo era amor?

***

Eu não sabia dizer se era minha culpa ou não, mas o movimento na loja acabou caindo de uma forma que nem promoções como três camisetas pelo preço de uma e ainda ganhando brinde, animava a clientela. O estúdio de tatuagem e a barbearia permanecia com os horários cheios, mas todos me olhavam com cara feia, podia ser apenas coisa da minha própria cabeça atormentada, ou realmente todos estavam contra ao meu favor.
O meu celular vibrou sobre o balcão anunciando mais uma mensagem.
Era da minha mãe, sorri fraco, passando para o lado abrindo o teclado e a respondendo com um emoji de coração.
Nos últimos dias o meu contato mais frequente era a minha mãe, depois de ter acabado com a vida da única pessoa com quem eu me importava.
Talvez o amor deixasse a gente um pouco mais dramático que o normal.
Acabei descobrindo também que o fato de eu ser leonino acrescentava bastante drama ao meu momento de bad.
— Achei isso aqui dentro do banheiro, devo me preocupar? – o meu chefe disse com uma revista teen de fofocas onde e as irmãs Ross eram capa.
— Só quero ficar por dentro das notícias – disse sem graça pegando a revista.
— Eu realmente espero que seja suas lágrimas que molhou essa revista – ele comentou fazendo cara de nojo.
— Pelo amor de Deus eu não tenho mais quinze anos - exclamei o fazendo rir.
— Era só para descontrair, você anda muito morto esses dias. – deu de ombros. — Ela ainda não voltou a falar com você?
— Não. E acho que nem vai voltar... A Florence disse alguma coisa?
— Não, ela está ocupada demais com os trabalhos da faculdade, não tem acompanhado a no trabalho, só a Carter mesmo.
— A Carter e o amiguinho integrante da banda lá - comentei revirando os olhos.
— Jonah? – perguntou e eu concordei com a cabeça. — Ontem ele estava no apartamento de junto com os amigos de banda dele.
Aquilo para mim foi como um soco no estômago, logo ele percebeu que tinha falado demais sorrindo sem graça.
— Desculpe. Eu vou voltar para o meu escritório. – se retirou me deixando novamente sozinho na loja. Bufei jogando a revista em baixo do balcão sentando-me em cima dele.
O meu celular tocou anunciando uma ligação e de imediato o peguei atendendo.
? – disse ao atender, mas do outro lado da linha só consegui ouvir uma risada alta.
Foi só passar alguns meses na Califórnia que já se esqueceu completamente da sua irmã querida? Você é um péssimo irmão .
Cristina, minha irmã mais velha dizia do outro lado da linha, ouvir sua voz, fez por um instante o meu coração se sentir completo novamente, no final das contas eu sempre tinha minha própria família como porto seguro.
— Desculpe Tina, são dias difíceis – disse soltando um suspiro pesado.
Eu imagino, dessa vez você se meteu em um problemão daqueles – Cristina riu fraco, podia imaginar que ela estava prendendo a vontade de rir da minha cara, com certeza ela viu aquele vídeo.
— Eu não sei o que eu faço, eu gosto dela de verdade, mas pelo visto ela não gosta tanto assim de mim – choraminguei para a minha irmã.
Eu realmente tinha voltado a ter meus quinze anos novamente.
Quer um conselho de irmã? – Cristina perguntou e eu apenas murmurei um “uhum” para que ela continuasse. — Dá um tempo para ela. Deixa ela focar no trabalho dela e você foque no seu trabalho, volte para a academia... Você tá mais magro que o normal – zombou segurando a risada. — Desculpe eu não me aguentei!
— Engraçadinha – disse entre dentes.
Desculpe, mas a mamãe também ficou preocupada em ver o quão magro você está.
— Tina, você mostrou o vídeo para a mamãe? – perguntei sem acreditar e ela caiu na gargalhada e pude ouvir Joseph gritando de fundo imitando um chicote. — Você realmente não ligou para me ajudar, e sim, para rir da minha cara.
Não é isso , agora é sério – Cristina parou de rir de imediato e limpou a garganta — Olha o tanto de coisa que aconteceu com ela nesses últimos dias, ela precisa dar uma limpada na imagem dela, então se afastar agora é necessário, ela ainda vai bater na sua porta, você é , o homem com quem as garotas se matariam por uma noite na sua cama.
Ela com certeza vai sentir saudades do seu colchão – Joseph, o meu cunhado completou.
— Ela até poderia sentir, mas digamos que, hum... Eu não a levei para cama. – contei fazendo um silêncio reinar do outro lado da linha e depois o casal caiu na gargalhada novamente, fazendo-me revirar os olhos.
Caralho irmãozinho, o assunto é mais sério do que eu imaginava! Ela é virgem? – Cristina perguntou indelicadamente.
— Não sei, eu apenas não avancei o sinal – dei de ombros.
Puta que pariu! “Avancei o sinal” quem é você e o que você fez com o meu irmão? – Cristina perguntou em meio a sua crise de riso.
Eu gostaria muito de poder responder que aquele canalha, ainda estava por aqui seja lá onde ele estivesse, mas não. Ele tinha se aposentado mais cedo que o normal dando espaço para um romantizado que só sabia fazer merda.
— Eu só quero deixar bem claro, que você não está me ajudando em porra nenhuma – comentei.
Desculpa mais uma vez, mas pensa no meu lado. É novidade para mim saber que o meu irmãozinho está apaixonado pela primeira vez na sua vida, para completar além de estar apaixonado escolheu uma garota mais nova e famosa o que complica tudo umas dez vezes mais... Bom eu ainda acredito que ela volta, você a conquistou pelo coração, não pela cama.
— Se é que eu a conquistei – digo ainda desanimado com todo aquele assunto.
Mas é claro que a conquistou, deixa de ser pessimista . – Cristina ralhou comigo.
— Desculpa, é coisa do meu signo... –zombei a fazendo rir.
A não... Se isso não é amor eu não sei mais o que é, Josh a garota fez ele aprender sobre signos – comentou com o marido. — Qual o signo dela?
— Escorpião. Diz ela que escorpião e leão combinam...
Se até os signos combinam, não tem como dar errado bro! – Josh disse de fundo.
Escute, Josh, ele sabe o que fala – Cristina disse — E dê um tempo a ela, como se chama mesmo?
. – lhe disse o nome dela e Austin entrou na loja com dois cafés do Starbucks em mãos, estar na fossa tinha lá suas regalias.
Isso dê um tempo à e quando estiverem juntos, traga ela à Portland quero conhecer pessoalmente e ver com os meus próprios olhos a garota que conquistou o coração intocável do meu irmãozinho.
— Está bem Tina, vou desligar o Austin chegou aqui na loja.
— Mande um beijo para essa gostosa – Austin disse indo para trás do balcão e puxando uma cadeira para se sentar.
— Austin te mandou um beijo.
Tudo bem , qualquer coisa é só me mandar mensagem. A tampinha está com saudades do tio babão – Cristina disse se referindo a própria filha que era a única até então que tinha um lugar todo dela em meu coração. —Mande um outro beijo a Austin, diga a ele vir com você a Portland quando voltar com .
— Pode deixar que ele vai sim, até depois – digo rindo.
Acabo a ligação e deixo o meu celular sobre o balcão, Austin o pega vendo que a foto de plano de fundo era uma foto minha e de deitados na areia, eu sem camisa e uma bermuda preta, ela usava um biquíni verde escuro, aquela foto era da nossa primeira vez na praia pela manhã.
— Eu, particularmente, me sinto culpado – Austin disse ainda olhando para a foto no meu celular.
— Pelo que se sente culpado?
— Se não fosse pela minha vontade idiota de ir atrás da Astrid, nada disso tinha acontecido – Austin largou o celular encostando-se na cadeira com as mãos sobre o rosto.
Arqueei a sobrancelha, não era algo para Austin estar magoado.
— Foster, você não foi lá sozinho. Não lembra o quanto eu insisti para poder sair? – o lembrei tentando amenizar sua culpa.
— Eu lembro, claro que lembro, mas também você lembra o quanto eu te implorei para passarmos naquela festa? – perguntou me lembrando.
Realmente, Austin tinha feito um escândalo tão grande que fiquei com medo de não leva-lo naquela festa e ele acabar se jogando da primeira ponte que visse.
— Lembro, afinal qual é o seu lance com a Astrid? – perguntei curioso.
— O mesmo que o lance seu com a Charlotte – disse dando de ombros —Transamos umas duas ou três vezes, a primeira vez foi bem estranho admito, eu me senti um virgem, na verdade eu era né – riu me fazendo rir também, não tinha como me manter sério sobre aquele assunto – Mas depois foi ficando bom e quando o alemão descobriu ela ficou surtada da cabeça me culpando por tudo.
— Mas foi sempre ela que provocava você pra começar tudo...
— Sim – Austin não esperou nem eu terminar de falar concordando comigo. —E você sabe, eu sou criado com , nenhuma cama me prende por muito tempo.
Austin disse me fazendo rir e negar com a cabeça.
Bons tempos...
— Quando comecei a ignorar as mensagens de Astrid, por estar andando com a passando mais tempo com ela, começamos a brigar, Astrid me cobrava atenção como se tivéssemos algo sério, entende?
— Igual Charlotte tentou fazer? – perguntei.
— Exatamente, mas Graças a Deus ela não foi no meu apartamento com velas e de lingerie vermelha – não perdeu a chance de me zombar.
— Você gosta da Astrid, Austin? – peguei o meu café em cima do balcão e tomei um gole, ele sempre acertava o meu pedido.
— Eu não sei, não me considerava nem bissexual antes dela aparecer. Agora saio e pondero ficar com as mulheres que me dão mole – deu de ombros pegando o seu próprio café para me acompanhar. — Admito que até agora já peguei umas quatro mulheres diferentes.
— Estou mais chocado com isso, do que pelo fato de ter sido amarrado pelas gêmeas – digo fazendo Austin revirar os olhos.
Mas o que eu poderia dizer? Sempre vi o Austin desde garoto se interessar por outros garotos, não por garotas, ele nunca foi daqueles gays que vive rodeado de garotas e que elas se trocavam em sua frente, pediam dicas sobre seus corpos e essas coisas que se vê em filmes e na maioria dos casos, Austin era quieto e na dele, na adolescência sempre atraia as garotas, mas nunca dava moral, mas se você tivesse um pau no meio das pernas, ele caia matando.
— O que eu faço ? Como eu resolvo toda essa merda que está acontecendo?
— Você não tem o dever de resolver nada entre eu e a , a culpa não é sua. – disse tentando aliviar sua pressão.
— Mas eu quero me resolver com Astrid, só que não quero que isso abale a minha amizade com que já está abaladíssima.
— Como eu disse, você não tem culpa alguma pelo que aconteceu comigo e com , quem tem culpa é a víbora da Ariella.
— Já contei que ela parou de me responder no Whatsapp? - neguei com a cabeça, ela também não me respondia, se parou de responder Austin, não era tão surpreendente.
— Austin, vamos seguir o conselho da minha irmã – disse me lembrando do conselho de Cristina há minutos atrás na ligação.
— Qual era o conselho daquela gostosa?
— Ihhhhhh, não vai querer pegar a minha irmã também né? – zombei pulando do balcão para fugir do tapa que Austin queria me dar, ele quase derrubou o seu café em cima das roupas por ali.
Logo além de coração partido, eu ia ter a conta bancária quebrada.
— Você não vale a porra do chão que pisa .
— Eu sei, mas você me ama mesmo assim – mostrei a língua.
— Fala logo o que a Cristina – frisou o nome da minha irmã – Disse para você.
— Vamos dar tempo ao tempo, no final, elas vão voltar.
— Você quer realmente que eu sente e espere? – perguntou dando a volta no balcão, concordei com a cabeça o seguindo com os olhos até a porta da loja. — Beleza, eu vou esperar, mas vai ser sentando em outro.

***

Bem, mas uma semana estava prestes a começar no trabalho, o meu desânimo andando pelas ruas da minha querida Califórnia era evidente, eu ia para o trabalho a pé nos poucos dias que Austin usava o carro.
Peguei o último cigarro da cartela, eu tinha voltado a fumar, graças ao meu coração partido, porque além do coração ferrado eu tinha que me acabar mais ainda aos poucos, acabando com os meus pulmões.
Mas assim que fui o acender para fumá-lo acabei levando um tapa na mão, o que o fez cair no chão e ser pisado o estragando.
— Era o último porra... – disse indignado e subi o olhar para a dona daquele maldito pé. — C-Carter? – perguntei a olhando em pé em minha frente com os braços cruzados, levantei-me com rapidez olhando para os lados a sua procura.
— Eu vim sozinha. A deixei na gravação agora pouco. Eu e você precisamos conversar. – foi ríspida como sempre.
— Você me odeia, não temos nada para conversar – dei de ombros e ameacei andar para a frente da loja que eu esperava abrir para trabalhar. Carter segurou o meu braço, com aquele olhar que pedia por compreensão, eu não estava nos meus melhores dias, mas descontar nela não seria a opção mais viável, respirei fundo concordando com a cabeça voltando a me sentar na escada de emergência.
— Você já ouviu falar de Alex Moore? – Carter perguntou como quem não queria nada, mas me atingiu em cheiro.
— Um modelinho – disse entre dentes.
Qual é? Ela tinha que jogar na minha cara que eu era um nada.
— O “modelinho” que é ex namorado de , deixando bem claro. – continuei olhando para Carter, onde ela queria chegar com isso? — Bem, eles terminaram depois de uns seis meses de namoro, a mídia nunca soube o motivo do fim, mas você quer saber ? - ela iria me contar de qualquer jeito, olhei o meu relógio de pulso torcendo para que já tivesse dado o horário para eu entrar na loja.
Mas ainda faltava meia hora, droga de maré de má sorte.
– Não – respondi sem interesse.
— Ele a traiu com a modelo com quem fazia um job, que nem muito famosa é, eu entrei em acordo com a assessora de Alex para esconder isso e foi divulgado que eles terminaram por causa do trabalho. foi traída e quando soube de Charlotte ela sentiu que você tinha feito a mesma coisa que Alex.
— Eu fiquei com a Charlotte quando eu nem pensava em conhecer melhor a , qualquer outra coisa que ela tenha dito a é mentira. – rolei os olhos.
— Mas ao invés de perguntar, você se declarou, do mesmo jeito que ele fez. – Carter ralhou comigo.
– Ele cantou One Direction também? – perguntei discordando com a cabeça, eu não podia ser tão clichê assim.
Justin Bieber. E ela nem é fã do Justin – Carter fez uma careta, provavelmente lembrando do ocorrido. –Você foi original apenas nisto.
– Como eu iria adivinhar? – perguntei gesticulando com as mãos. Eu não tinha uma bola de cristal como Carter imaginava. – Agora já foi. Além de ter feito igual o ex idiota dela, eu ainda caguei com tudo com o lance das gêmeas.
— Eu tenho que admitir que no lugar dela, eu realmente nunca mais olharia na sua cara, principalmente depois do ocorrido com as irmãs Ross, tem noção do quanto isso ainda está repercutindo?
— Mas eu não a trai, não fiz nada de errado, eu e o Austin somos culpados em partes, mas também somos vítimas. – Carter não aguentou e começou a rir.
— Me desculpe perguntar, mas como você foi amarrado lá por aquelas duas magricelas? – Carter perguntou e eu fechei a cara.
— Quatro seguranças com o dobro do meu tamanho – rolei os olhos explicando.
Eu estava fadado a levar aquela humilhação pro resto da minha vida.
Obrigado .
— Não quero mais falar sobre isso, eu já fui chutado, estou lidando bem com esse fato...
— Pela sua fama, eu imaginaria que você estivesse lidando com esse fato transando...
— Não – neguei com a cabeça – São sete da manhã e está na hora de trabalhar.
— Mas você voltou a fumar. – constatou.
— Carter, manda a real, o que você veio fazer aqui além de jogar na minha cara que eu sou um bosta? Está me avaliando para ver o quão dentro do fundo do poço eu estou?
— Exatamente, nem está em um estágio muito avançado, suas roupas ainda cheiram limpas, admito que esperava você fedendo a cerveja.
— Ok, agora se me der licença eu vou trabalhar – disse ao me levantar, mas Carter colocou a mão sobre o meu peito me impedindo de passar. — Qual é a sua Carter?
Carter respirou fundo juntando as duas mãos fechando os olhos, respirou fundo murmurando algo que eu nem fazia ideia do que poderia ser, quando abriu os olhos me olhou forçando um sorriso de orelha a orelha.
— Eu decidi, que vou ajudar você a conquistar a do jeito certo. – disse rápido demais como se alguém estivesse enfiando um faca em seu peito, fiquei parando no lugar, era a minha vez de piscar várias vezes, a olhando sem entender absolutamente nada. — ’ me olhando com essa cara por que? Quer que eu desista de ajudar? Tudo bem... – ela virou-se rápido fazendo-me a segurar pelo braço.
— Ei, ei! – disse após soltar o seu braço tendo ela frente a frente comigo novamente — Quer dizer que agora do nada você resolveu gostar de mim e me ajudar? – arqueei a sobrancelha desconfiado.
— Eu nunca disse que não gostava, você que tirou suas próprias conclusões. Eu sou mau humorada e estressada com todo mundo! – deu de ombros cruzando os braços. — Agora vai aceitar a minha ajuda ou não?
— Eu tenho que abrir a loja – disse tirando o moinho de chaves do bolso, Carter o pegou das minhas mãos subindo as escadas de emergência, deixando a chave em baixo do carpete em frente a porta. — Ah claro, ninguém vai perceber.
— Eu já falei com a Florence, ela está a caminho para abrir a loja, ela vai avisar o amigo dela que você vai ficar fora pela manhã, eu já tenho tudo planejado , você só precisa aceitar. – Carter revirou os olhos.
Encarei Carter por alguns segundos fazendo um falso suspense, é claro que eu aceitaria, tudo o que eu mais queria naquele momento era em meus braços, mas se eu fosse chutado de novo pela terceira vez, eu juro que dessa vez o único lugar para qual eu iria volta seria para a vida que eu levava, não para o fundo do poço.
— E você ainda tem alguma dúvida que eu preciso e QUERO a sua ajuda Carter?
— Não, mas eu esperava que você se jogasse no chão chorando que nem um bebe chorão daquele dia agarrado a minha perna, agradecendo aos céus por eu vir te salvar lhe ajudando a ganhar o coração da sua amada mocinha.
— Você tem talento para ser roteirista – digo ironicamente.
— O meu roteiro de conquista-la vai ser melhor que o seu – piscou mandando-me segui-la até o carro.


Capítulo 6

A série que protagonizava, Skam era uma série de televisão norueguesa que retrata a vida cotidiana dos adolescentes, em um colégio bem conceituado em um dos bairros mais nobres da cidade. Cada temporada muda de protagonista com um ponto de vista diferente. A primeira temporada acompanha a vida de Eva, que mostra sua amizade com Noora - a minha - Vilde, Sana e - sim tem uma na história e não é a única - essa temporada pelo que me contava mostra o conturbado relacionamento de Eva com Jonas. 
A segunda temporada acompanha a vida da personagem de , Noora. Contando sobre o começo do relacionamento com o bad boy William Magnusson e todas as dificuldades que ambos em ficarem juntos. A terceira e sobre Isak e sua descoberta da orientação sexual e a última e contada pelo ponto de vista de Sana apresentando o polêmico preconceito em torno da sua religião islâmica. 
Atualmente, a equipe gravava a segunda temporada enquanto a primeira ia ao ar pela MTV da Califórnia. 
O set de gravações que passava a maior parte de seus dias era em uma sala de aula, pelo que Carter disse ela permaneceria o dia todo gravando por todo colégio cenas internas e as externas, para que amanhã ela pudesse ter sua folga de gravações para focar em seus outros compromissos antes de realmente tirar sua folga de quatro dias voltando a sua rotina normal apenas na próxima segunda feira para finalizar os episódios da temporada de Noora e começar a de Isak.
Eu estava impaciente devo admitir, mas ao mesmo tempo ansioso sentado ao canto em uma carteira, os olhares curiosos do resto do elenco e a produção me deixavam um pouco nervoso também.
Podiam ouvir os cochichos vindo por todos os lados.

“Ele é um novo figurante?” “O que ele faz aqui?” “Quem o deixou entrar no set?” “Ele veio nos trazer problemas” 

Esse último comentário com certeza havia vindo da intérprete de Eva e também amiga próxima de Noora, no caso a minha , que sentou-se emburrada na primeira carteira da minha fileira deixando que a maquiadora retocasse sua maquiagem. 
Enquanto a sala ia enchendo aos poucos, o elenco prestava bastante atenção na caixa de chocolate e o buquê de rosas em minhas mãos, recebia alguns sorrisos satisfeitos em ver que em pleno século vinte um o romantismo não tinha sido totalmente extinto, mas eu apenas queria dizer que me sentia um otário por estar levando presentes a apenas quando brigávamos. Isso me tornava um clichê terrível, ela merecia rosas e chocolates todos os dias e se eu queria ser um bom namorado, tinha que começar a me atentar nos pequenos detalhes. 
Mas os olhares voltados a mim, também poderiam significar como um marmanjo tatuado foi babaca ao ponto de ter sido amarrado pelas gêmeas Ross e rindo ao tweetarem sobre o ocorrido no Twitter. 
Eu faria questão de stalkear cada um do elenco, mais tarde. 
apareceu quinze minutos depois de todo o elenco estar devidamente posicionado em seus lugares prontos para atuar, entrou na sala de aula espalhando o batom vermelho com os próprios lábios olhando no celular, o batom vermelho era uma marca registrada da sua personagem que retirava o excesso com um papel para que ficasse com os lábios contornados, andava desfilando em direção a sua carreira tomando um susto ao me olhar não passando nem um pouco despercebido dos seus colegas de cena que riram da sua reação baixinho e já apontavam seus celulares em nossa direção afim de gravar seja lá o que fosse acontecer. 
Seus cabelos presos em um rabo de cavalo no alto de sua cabeça com apenas alguns fios soltos caindo pelo seu rosto, a camisa rosa para dentro do jeans todo rasgado, ela parou encarando-me como se tivesse perdido o fôlego naquele mesmo momento. 
Agora era comigo.
Lhe lancei o meu melhor sorriso, o mesmo que lhe dei ao vê-la com a camisa de risinho rodas no apartamento do Austin no primeiro dia em que nos conhecemos. 
Levantei andando em eu direção estendendo primeiro as rosas que pegou boquiaberta, me aproximei lhe dando um beijo em sua cabeça com cuidado para não desmanchar seu penteado lhe entregando a caixa de chocolates em seguida. 
... O que está fazendo aqui? – perguntou em um tom de voz baixo olhando para os presentes em suas mãos. 
Depois seus olhos se encontraram aos meus, sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo olhou para Carter juntamente com todo o elenco. 
— Bom, eu vim me declarar publicamente para ver se dessa vez você não sai correndo me abandonando - fui sincero, corou levemente, Carter cruzou os braços mandando eu continuar o que tínhamos ensaiado, limpei a garganta o clima tenso daquela sala de aula me fazia soar frio, mas agora não tinha mais volta, eu tinha que me concentrar unicamente em , por isso olhei dentro de seus olhos. 
— Lembra que há algumas semanas atrás eu te fiz uma serenata? Com um jantar no maior estilo a dama e o vagabundo, expressei os meus sentimentos mais profundos? – apenas concordou com a cabeça. – Você saiu correndo como se estivesse vendo um fantasma em sua frente. Eu sei que errei, aquele não era o momento certo, sei que não deveria ter lhe escondido nada, por isso lhe peço desculpas por toda confusão daquela noite. – tentou se pronunciar, mas eu a interrompi continuando com o meu belo discurso. – Eu sei o quão errado foi também eu ter ficado chateado por conta do seu trabalho e acabar me metendo em uma enorme confusão que manchou até o seu nome. 
Naquele momento, pude ouvir rodadas por toda a sala de aula e até mesmo vindo da Carter e por incrível que pareça de
Respirei fundo revirando os olhos, uma hora ou outra eu superaria aquela tragédia. 
— Quando você chegou na minha vida tudo mudou, tive os melhores dias ao seu lado descobrindo esse novo sentimento que crescia todo dia um pouco mais em meu peito... E ter você longe me fez ter os piores dias, não durmo direito, não como direito, voltei a fumar por que é a única coisa que acaba me distraindo. Só penso em você e no que você pode estar fazendo, não paro de ver o seu perfil o dia todo.... E você sabe estou sendo o sincero em uso que eu digo, você sabe que foi a primeira a ganhar o meu coração, então por favor, para de jogar ele no lixo. 
, você não pode acabar com a sua saúde por minha causa....
— Desculpe, eu ando muito ocupado tentando achar maneiras de ter você de volta pra mim para me preocupar com qualquer outra coisa da minha vida.
Pude ouvir um coro de suspiro das garotas dentro da sala, aquilo aquecia o meu corpo por completo, era algo brega porém romântico. 
— Tudo que eu te digo , vem do fundo do meu coração, são os sentimentos reais e verdadeiros – peguei tudo que tinha em sua mais colocando sobre a carreira ao nosso lado, estiquei o seu braço encostando sua mão sobre o meu peito. – Desde o dia em que eu coloquei os meus olhos em você, o meu coração bate mais forte e esperançoso sinto que depois de tudo que passei em minha vida, fui abençoado com uma pessoa tão incrível como você. 
— Puta que pariu... , eu...
— Se você não sentir o mesmo, eu vou entender.
— Deixa eu falar – interrompeu-me colocando o dedo sobre meus lábios. – Você fala demais, segura sua emoção! 
— Desculpe – murmurei assustado.
riu retirando sua mão de cima do meu peito, fazendo meu coração bater mais rápido, ela pegou minha mão entrelaçando nossos dedos, olhou-me com um sorriso tímido nos lábios. 
Era essa a cara que ela faria ao quebrar meu coração me contando que estava com aquele tal de Jonah Marais? Assumindo não só para mim, mas também para todos do seu elenco e produção? Pegando até mesmo a Carter desprevenida? 
Ou talvez, Carter fosse cúmplice, tudo fosse um plano para que novamente tivesse seu nome em frente a mais uma polêmica. 
Era oficial, eu iria desmaiar a qualquer momento. 
— Eu realmente fiquei muito mal com tudo que acabou acontecendo com a gente durante essas últimas semanas. Nem posso acreditar que tive a coragem de dizer que nunca mais queria te ver, me desculpe por aquele dia, eu estava de cabeça quente... agradeço aos céus por você ser teimoso e não levar a sério tudo que eu disse. 
— Agradeça aos céus e a Cárter - sorri fraco fazendo agradecer a sua amiga-assessora. 
— Bem, só ela sabe realmente o que se passa na minha pele - Carter concordou com a cabeça, virou-se novamente em minha direção. — Mas o que seria das nossas vidas sem um pouco de drama e confusão pelo caminho? 
Aquilo era uma pergunta retórica? 
Céus eu estava tão nervoso, ela poderia me chutar logo para eu ir embora pra casa chorar feito um garotinho em ligação com a minha irmã mais velha? 
— Olha - comecei a dizer já desesperado - Eu não posso te obrigar a corresponder meus sentimentos, mas pelo menos vou sair daqui de cabeça erguida e de consciência limpa, em saber que eu tentei ganhar o seu coração - respirei fundo fechando os olhos, era agora, era tudo ou nada. — Você quer ser minha? 
Como resposta os lábios de vieram de encontro com os meus.
E é nesse momento que posso comparar o beijo de com uma corrente elétrica que tomou conta de todo meu corpo apenas com um toque. Tudo bem, eu nunca tomei uma descarga elétrica - e nem ao menos pretendo - mas era esse tipo de expressões que eu vi em livros românticos. A sensação do meu corpo, queimando de dentro para fora era a mesma, meu corpo queimava de felicidade, meus braços a abraçavam trazendo o seu corpo para mais perto do meu.
E quando nos separamos, com os olhos fixos em meus lábios avermelhados pelo seu batom dias em sílaba por sílaba.
Eu quero ser sua. 
Abençoados sejam o Arctic Monkeys e suas referências musicais românticas que me fizeram ganhar a minha garota hoje.
— Tudo bem, tudo bem, chega! – A diretora disse batendo palmas. — Já que finalmente se acertaram... Senhor você vai querer acompanhar as gravações ou vai ir embora? Precisamos começar nossos trabalhos por aqui...
— Posso ficar? – Pergunto a que concorda com a cabeça soltando-se de mim, logo uma maquiadora vem ao seu encontro para ajeitar deu batom. — Vou ficar.
— Ótimo, venha para cá, vamos começar todos em seus lugares... 

***

Não imaginava o quão....Tedioso era atuar.
Passamos mais de duas horas dentro daquela sala de aula para gravar uma simples cena que não deve conter nem cinco minutos, algumas cenas externas no pátio com as garotas e os discursos ponderosos da personagem de aqui e ali, havíamos chego em uma cena com o par romântico de , admito que estava nervoso para qualquer tipo de contato, mas Carter adiantou que era uma cena com bastante tensão, porém, tosca.
— Gravando...– a diretora anunciou.

“A cena começava com Noora falando com Eva e suas outras amigas em frente ao armário no corredor das salas de aula, após Vilde falar que precisava correr para a sala terminar seu dever, Eva a seguiu para ajudá-la deixando Noora sozinha entretida com seus livros.
— Oi. — William diz ao aproximar-se de Noora enquanto a mesma ainda está distraída mexendo em seus livros para acerta-los de acordo o horário de aulas.
— Oi – Noora o responde por educação lhe lançando um sorriso tímido, mas sem olhá-lo.  
— Caralho, é muito bom ver você. – O rapaz dispara seus sentimentos de forma um tanto grosseira que atraí a atenção de Noora a fazendo rolar os olhos. — Sentiu minha falta? – Pergunta sorrindo estufando o peito de ar.
— Não – Noora diz com simplicidade. 
A negação de Noora não faz com que William mude sua postura, pelo contrário o fascina fazendo encostar-se no armário para admirar sua beleza.
— Vi seu evento no Facebook. – Noora começa dizendo — Muito elegante. 
— Obrigado. – William sorri abertamente.
— Mas um leilão? – Dispara arqueando a sobrancelha — Sério? 
— Está com ciúmes? – William pergunta ao cruzar os braços.
— O que? – Noora pergunta sem entender.
— Por que vou ficar com outra pessoa?
— Não posso acreditar no que estou ouvindo.... –Noora diz, desacreditada de tamanha tolice de William jogando um dos seus livros dentro do armário demonstrando nervosismo.
— Por isso está tão mal-humorada. – Ele constata ao se afastar um pouco.
— Não estou mal-humorada, muito menos com ciúmes William.
— Então porque age de maneira tão arisca para cima de mim, huh? – Retrucou conseguindo atingir seu objetivo em tirar Noora do sério. — Sabe, se aceitasse o que sente por mim tudo se tornaria mais fácil.
— Só acho que todo esse evento é horrível. Vocês destruíram uma cabana por 300 mil, enquanto o mundo passa fome! – Noora bate à porta do armário, assustando William com a sua ação que se afasta surpreso.
William fica parado no lugar até que seu amigo que estava andando em direção a ele presenciando toda cena lhe de um tapinha sobre o ombro, seguindo assim os dois para sala de aula.” 


— Corta!! – A diretora gritou ao anunciar o final de mais uma cena. 
— Esse William e um pé no saco. – comento para Carter ao meu lado.
— Consegue acreditar que ele é o estereótipo que as garotas se apaixonam? – Carter perguntou negando com a cabeça.
— Sério? – me surpreendo com sua resposta.
— Sim , sabe por que? – a diretora entrou na nossa conversa me olhando eu apenas dei de ombros, dando margem para que ela continuasse a falar. –Ele e bonito, fica com todas com facilidade, mas nenhuma consegue ficar com ele por muito tempo, por que ele é frio demais para se envolver emocionalmente com alguma delas.
Nesse ponto, engoli a seco, me identificando com o personagem.
— Ele é problemático, egoísta, briguento, abusivo... mas ao lado dela, da Noora ele se torna vulnerável. Por que ela não o quer, William é exatamente tudo que ela mais abomina. Ele a vê como um desafio, ela o vê como um abominável, mas cada vez que ela se aproxima, ele vai abrindo-se mostrando seus sentimentos e suas emoções, ela vai percebendo que ele não é como ela pensa... E assim que a química vai acontecendo até um dos dois acabar se admitindo seus sentimentos.
— Qual dos dois vai acabar cedendo primeiro? – pergunto fazendo a diretora sorrir misteriosamente deixando a minha pergunta sem uma resposta ao se afastar.  
Ela sabia que eu poderia muito bem descobrir essa resposta procurando um vídeo no Youtube?
Mas eu não procuraria, assistiria episódio por episódio, só para ver a garotinha que ganhou meu coração.
E falando nela, se aproximava com o celular em mãos vindo de braços abertos me abraçar.
— Chega por hoje? – pergunto selando nossos lábios.
— Pausa pro almoço, voltamos em uma hora. – fez bico. — O que achou de todo esse meu mundo? – apontou para tudo à nossa volta.
— Fiquei impressionado com o tamanho da produção por detrás das cenas. E você atua muito bem, a diretora chamava atenção de todos, mas pra cima de você só elogios.
— Achei que fosse perder a concentração com você aqui me olhando, mas creio que foi o meu melhor dia de gravação.
— Tenho que concordar – Carter comentou. — Onde as minhas crianças querem almoçar? – perguntou mexendo no celular.
Olhei para os lados, fazendo ficar sem entender o que eu procurava.
— Sei que uma criança está aqui - aponto para –Mas cadê sua outra criança? 
— Você entendeu... Vamos meu casal? Está bom para você esse termo ?
— Ótimo, Carter - pisco para ela, entrelaçando meus dedos nos de

***

Após ter ganho a minha garota, voltei do almoço para o trabalho feliz da vida. Florence e seu amigo - meu chefe - me parabenizaram por finalmente ter voltado com , agora eu pararia de jogar no estoque e comprar revistas teens. 
Eu estava tão emocionado como disse, que poderia até colocar no Facebook relacionamento sério ainda por cima com a legenda “e meus caros amigos e familiares, finalmente aconteceu!”
Fiquei tão feliz ao ponto de passar uns quinze minutos no banheiro fofocando com a minha mãe e irmã contando tudo como aconteceu com riqueza de detalhes, eu estava a pior versão de Austin apaixonado.
AUSTIN!!
Eu tinha que contar para Austin o meu novo status de relacionamento.
Acabei lhe mandando algumas mensagens de texto que estranhamente foram ignoradas.
Liguei para o seu celular e só dava caixa postal.
Resolvi dar um tempo a Austin, levando em conta que no seu horário de trabalho poderia estar atarefado demais. 
Depois de fechar a loja e estralar um beijo no topo da cabeça do meu chefe, sai cantarolando pelas ruas sem ao menos me importar com o fato de estar andando a pé, eu precisava ir para casa e contar a novidade para o meu melhor amigo.
Psiu gatinho, você ‘tá’ solteiro? – ouvi uma voz me chamar de dentro de um carro que estava estacionado enquanto eu passava, sorri de imediato com aquela voz.
— Opa, gostaria de uma companhia, gatinha? – pisquei e ela abriu a porta do carro para que eu entrasse, olhei para os lados antes de entrar fechando a porta, indo de encontro aos seus lábios, mas ela me negou um beijo.
— Você é muito fácil – disse rindo.
— Pra você eu sou o homem mais fácil do mundo – disse lhe roubando um selinho antes de me ajeitar no banco, mas me segurou para que eu ficasse deitado em seu colo.
O carro começou a andar enquanto acariciava meus cabelos com a mão e a outra entrelaçava nossos dedos. — Onde estamos indo? – perguntei curioso.
— Buscar Austin, para comemorar a nossa volta no BB – respondeu animada.
— Já contou para ele? – pergunto na intenção de descobrir se meu amigo deu sinal de vida.
— Não, mas com certeza ele já deve saber – parou de fazer carinho no meu cabelo estendendo a mão para Carter que estava sentada no banco da frente, que virou de costas para me olhar enquanto entregava o celular.
— Caramba, todos do seu elenco, postaram em suas contas eu me cagando de medo de levar mais um fora, que irado – digo de forma irônica fazendo também rir me dando um leve tapa no ombro.
— Calunia. Eu nunca te dei um fora.
você saiu correndo do meu apartamento, acho que nem se eu tivesse falado que tinha uma doença terminal você teria essa reação. – parou de rir engolindo a seco, peguei mal em falar sobre doença.
— O importante é que estamos juntos. – abaixou-se selando nossos lábios, eu a segurei pela nuca um pouco desajeitado lhe dando um beijo de verdade.
— Estava com saudades – murmurei contra seus lábios, sentindo o carro parar de andar.
— E você acha que eu não? – dei de ombros, ainda não entendia muito bem seus sentimentos. — Eu também estava com saudades – admitiu me fazendo sorrir.
— Pronto! Chegamos no apartamento do Austin, parem de melação.
Levantei-me do colo de , ficando no meio do banco da frente me inclinei dando um beijo na bochecha de Carter que limpou de imediato.
— Enlouqueceu garoto? – disse brava.
— O que seria da minha vida sem você mulher? – disse pulando para fora do carro antes que ela me batesse.
já me esperava do lado de fora gravando com o celular, não aguentava de tanto rir da amiga, fiz bico para o seu vídeo, então ela selou nossos lábios postando sem ao menos perguntar se podia ou não, arqueei a sobrancelha a fazendo ficar sem entender. — Eu deixei você expor meu amor por você assim?
— Pra quem já apareceu quase pelado, expor o seu amor não é nada – mostrou a língua dando me as costas em direção ao apartamento de Austin.
A alcancei entrelaçando nossos dedos, depois de alguns andares cansativos de escadas, paramos em frente ao apartamento do meu amigo.
— Ele não vai entender nadinha – disse baixinho, girou a maçaneta constatando que estava destrancada como de costume abriu a porta devagar, espiamos pelo vão da porta, ele estava sentado no sofá todo bagunçado, ao subir os olhos, havia uma pessoa no colo de Austin, ficou boquiaberta pegando o celular gravando um vídeo, mas antes que ela pudesse fazer algo, peguei o celular de suas mãos abrindo a porta com tudo.
Flagrando o meu melhor amigo, beijando Astrid Ross.
Austin assustou-se com o barulho, arregalando os olhos segurando Astrid com as mãos espalmadas por sua bunda e coxa. A loira por sua vez escondia os peitos da maneira que podia entre o pescoço de Austin.
permanecia ao meu lado de braços cruzados, provavelmente brava por ter pego o seu celular.
Fooooorbes, finalmente achei, seu quarto está uma bagunça... Você convidou mais gente pra festinha? – um moreno usando apenas samba canção disse ao me ver parado entre o corredor do quarto e a sala, com um enorme vibrador em mãos e lubrificante. — Ai meu Deus, esse é o seu melhor amigo que havia me falado? Ai minha nossa senhora ela é a .
Apontou para ao meu lado que agora escondia seu rosto entre as mãos indo para trás do meu corpo.
Astrid puxou rapidamente uma camisa rosa – a mesma que usou quando estava bêbada - no braço do sofá a vestindo antes de sair do colo de Austin sentando ao lado do mesmo, o moreno percebendo o clima tenso pegou sua camiseta branca com estampa floral em cima da mesa de centro se vestindo antes de sentar do outro lado de Austin.
— C-, qual é a nossa regra principal sobre privacidade?
— Não tinha nenhuma meia na porta, muito menos um cardápio de comida japonesa – mandei na lata antes que ele arranjasse mais desculpas para fugir do assunto.
— Droga – murmurou derrotado. — Mesmo assim, não se vai entrando no apartamento...
— Você quer realmente jogar isso pra cima de mim agora? – o interrompi cruzando os braços.
Austin engoliu a seco, estava nítido em seu olhar o quão magoado ele estava com toda a situação, por um momento eu queria poder estar na pele dele, para ajudá-lo a se safar de mim mesmo, ele não teria respostas boas como eu.
— Chris, esse é Justin – apontou para o moreno que soltou um sorriso sem graça. — Essa é Astrid Ross, acho que vocês já se conhecem.
— Nós conhecemos – eu e ela dissemos juntos, com obviedade. — O que faz aqui Astrid? – perguntei a encarando com os olhos semicerrados.
— Não é da sua conta magrelo, o que você faz aqui? – Astrid atacou-me como um pinscher bravo.
— Que eu saiba, esse apartamento é do Austin, não seu – disse saindo de trás do meu corpo e ficando à frente dele. — Quem não é bem-vinda é você.
— Aaaa minha querida, se tem uma coisa que eu sou aqui é bem-vinda, não é mesmo Austinho? – Astrid apertou as bochechas de Austin virando seu rosto e selando seus lábios.
— Então é por esse motivo que você está estranho comigo o final de semana todo – digo a Austin sem acreditar em como ele podia esconder esse rolo todo de mim. — E não respondeu as minhas mensagens nem as minhas ligações.
— Chris eu não sabia como te contar, eu não consegui seguir o conselho da sua irmã em ficar parado esperando um milagre cair do céu, isso não ia funcionar...
— Eu só fui atrás da , porque a Carter foi atrás de mim – expliquei abraçando pela cintura.
— Você sabe que eu sou ansioso.
— Não é uma boa justificativa – discordou.
— Não se mete garota – Astrid defendeu Austin.
— Quem não tem direito de fala aqui é você, intrusa – defendi .
E antes que Astrid que levantou-se vindo atrás de briga, Austin a segurou a fazendo sentar de volta ao seu lado, então ele mesmo se levantou vindo em nossa direção.
, me desculpa, mas eu não sei como te explicar tudo que está acontecendo, tem muita coisa acumulada na minha cabeça, eu ‘to a ponto de explodir, mas quando eu me acertar, eu te conto tudo que estou passando... fico feliz que vocês tenham se acertado, você precisa cuidar do garotão por mim. – colocou a mão sobre o ombro de e sorriu ternamente.
— Austin, você não precisa esconder, eu sei que você gosta da diaba da Astrid e está querendo tentar algo sério com ela.
— Não é tão fácil como você pensa que é – Astrid levantou-se parando na nossa frente e estendeu a mão em direção a . — Nós nunca fomos apresentadas da forma certa. Eu sou Astrid Ross prazer.
— Olha eu sei que eu tenho essa carinha de criança, mas na minha certidão de nascimento consta que eu não nasci ontem. – atacou .
— Quê? – Astrid ficou sem entender.
— ‘Ta achando mesmo que eu vou cair nesse papinho de boa samaritana? – retrucou com unhas e dentes.
! –Austin a reprendeu – Seja mais compreensiva.
— Austin? – perguntou de forma retorica – Ela e a irmã dela amarraram vocês dois pra bombarem na internet com um vídeo sem noção, vai deixar por isso mesmo?
— Foi ideia da Ariella.
— Mas você ajudou – novamente atacou.
Austin me olhou pedindo ajuda com , eu fiz uma careta colocando a mão no ombro de chamando sua atenção.
— O que acha de deixarmos esse assunto pra uma outra hora? – pergunto com medo da resposta, mas apenas fica em silencio de braços cruzados.
— Estou mudando meus princípios – Astrid começou a dizer — Estou seguindo o que você falou, percebeu? – apontou para ela e concordei com a cabeça.
— Vocês são tão íntimos a ponto de trocarem conselhos? — implicou.
, por favor – peço respirando fundo – Conversamos antes dela me amarrar.
... – Austin bateu a mão na própria testa, aquilo causaria ainda mais desavenças entre as duas.
— Você é péssimo – Astrid rolou os olhos.
— Péssima é você garota! – retrucou mais uma vez me olhando brava. — Vamos embora Chris, já percebemos que o Austin está bem acompanhado e não precisa de nós.
— Não é assim, . – Austin começou a se explicar – Você pode deixar a Astrid se explicar por um minuto? Por mim?
olhou para Austin e para mim, dando-se por vencida em toda aquela discussão.
— A família do meu ex namorado alemão, me ofereceu um contrato milionário para voltar com ele e me casar.
— E você vai aceitar? – perguntei sem entender.
— Eu não quero aceitar – olhou para Austin — Eu quero ficar com Austin, mas escolher ficar com ele coloca em risco o bem-estar de toda a nossa família.
— Como assim? – foi a vez de perguntar sem entender. — A família do alemão é barra pesada?
— Não , eu e a minha irmã não temos conseguido grana o suficiente com a internet para sustentar a nossa família.
— Eles estão a pressionando para aceitar logo a proposta do alemão – Austin explicou passando a mão pelos próprios cabelos.
— É isso que você quer? – perguntou deitando sua cabeça no meu peito, senti seu corpo amolecer um pouco, ela deveria estar cansada do dia corrido de gravações.
— Não, ele foi bem especifico dizendo que eu teria que largar a minha carreira e ir morar na Alemanha na casa dele, não seria pagamento a vista e sim uma generosa mesada para a minha família aqui na Califórnia uma vez por mês.
— Isso não é vida – comentei assustado.
— Não mesmo – Astrid negou secando as lagrimas teimosas que insistiam em cair e olhou para cima. — Eu não quero me casar com um homem que eu nunca amei, só por conta da grana dele.
— Então o que você quer Astrid?
— Eu quero ficar na Califórnia, mesmo que eu for perder tudo, a fama, a grana, a minha família, quero ficar aqui e tentar algo sério com Austin.... – Astrid não conseguiu mais falar e abraçou Austin com força. — Eu sei que somos totalmente errados, não combinamos nenhum pouco, mas eu quero ficar ao lado dele custe o que custar, nem que seja como uma mera amiga ridícula cheia de plástica e surtada.
arregalou os olhos ao ver Astrid chorando virando sua cabeça para cima me olhando e olhando para o casal, como quem tinha em mente se podíamos ir abraça-los, acenei brevemente andando na direção deles.
Então presenciei uma cena que eu nunca imaginei, Astrid agarrou em um abraço chorando em seu ombro desesperada, estiquei o braço puxando Austin que também chorava sem saber o que fazer, eu lhe acalmei passando a mão por seus cabelos.
— Desculpa, por todo mal que eu te fiz, desculpa – Astrid dizia a . — Eu nunca quis te machucar eu só fui na onda da frustrada da minha irmã sem noção louca com sede de vingança só porque também foi chutada pelo namorado, me desculpa por todas as vezes que eu te xinguei no Twitter, ou em qualquer outra entrevista boba.
— Relaxa, já passou, já passou – continuava abraçada em Astrid olhando para Justin no sofá que observava tudo atentamente, chorando abraçado a uma almofada. — Onde você se encaixa em toda essa história?
— Eu sou o P.A do Austin, quando ele me contou todo esse rolo eu me apeguei demais a essa diaba de garota que a Astrid é, desde então nunca mais larguei os dois.
P.A? perguntou sem entender.
Pau amigo – todos nós dissemos juntos. — Eu também sei de toda a sua história com o , ainda bem que vocês dois se acertaram, estava torcendo para isso acontecer.
— Obrigado por torcer por nós – disse sorrindo sem graça e Astrid a soltou fungando o nariz.
O celular de começou a tocar, era Carter, tínhamos esquecido completamente que ela estava nos esperando no carro, olhei no relógio e a hora tinha voado.
— Afinal o que vieram fazer aqui? – Austin perguntou olhando para o celular de .
— Contar a novidade, chamar você para um jantar, temos ainda que resolver os detalhes sobre a nossa viagem a Portland lembra? – disse a Austin o lembrando da nossa viagem programada para o feriado.
— Eu tinha me esquecido – Austin mordeu os lábios.
— Eu nem imagino qual seja o motivo – lancei um olhar rápido para Astrid que riu sem graça.
— Você não perdoa nada, não é mesmo ? – Astrid comentou.
— Você não pensou em me perdoar antes de me amarrar...
— Jesus! Esquece isso... – escondeu o rosto entre as mãos, Austin voltou a abraça-la, aproveitei a deixa e puxei de volta para os meus braços, sentindo o seu doce perfume.
— O que acha de todos nós saímos jantar? – deu a ideia, de novo como uma criança pedindo a permissão para os pais me olhou com os olhos brilhando como se pedisse incentivo para a sua ideia.
Aquela garota era perfeita.
— Eu topo – levantei a mão, dando um beijo em sua testa.
— Eu ‘to dentro – Justin pulou do sofá levantando a mão.
Quando Austin resolve desencalhar, ele ainda consegue desencalhar com dois.
— Por mim, tudo bem... Astrid? – Austin perguntou.
— Não tem medo do que podem falar da gente? – Astrid perguntou para que deu de ombros.
— Isso são águas passadas.

***

Não imaginava que o fato de termos convidado Austin para jantar conosco no Burger Baker, fosse afetar Carter de uma forma tão bizarra a ponto de fazer a mesma ter que tomar um calmante após gritar centenas de vezes durante todo o caminho até a lanchonete.
— Tem noção de como pode repercutir isso? — Carter dizia a ao descer do carro puta da vida batendo a porta com toda a sua força.
— De uma maneira bem estranha, eu acho... – disse incerta agora sentindo-se culpada por ter convidado Astrid.
— Ela pode estar fingindo , igual fingiu para enganar o – Carter rolou os olhos nervosa.
— Um voto de confiança as vezes Carter, cai bem – digo na intenção de amenizar a situação.
— Voto de confiança? Ela amarrou você, já se esqueceu disso? Quem muda tão rápido assim da noite pro dia?
— A Carter tem razão ... Astrid pode estar nos engando, e se ela convenceu Austin a entrar em todo esse teatrinho dela?
Olhei para me sentindo ofendido por ela falar de Austin.
Austin não era uma pessoa ruim.
— Eu conheço Austin desde criança, ele nunca mudaria seus princípios por uma mulher, ainda mais uma MULHER – frisei bem negando com a cabeça.
— Como pode ter tanta certeza? Você só o viu sendo atraindo por homem – Carter jogou na intenção de me confundir.
— Olha Carter, independente do gênero da pessoa na qual o meu amigo esteja interessado, eu tenho certeza que ele continua certo dos seus princípios.
tem razão – Austin disse ao se aproximar do nosso carro, ele havia ouvido toda a nossa conversa. — Eu nunca me juntaria com Astrid para enganar o meu melhor amigo só para acabar com a carreira da primeira namorada dele.
Carter olhou para Austin mantendo a pose de brava, olhou para Astrid e para Justin com a mesma indiferença.
— Vocês duas, não podem aparecer juntas – disse decidida, faltando apenas bater o pé.
— Por que não? – Astrid perguntou sem entender nada olhando para que apenas abaixou o rosto.
— Sua imagem não é boa para ela. – Carter continuou dizendo.
— Mas eu já pedi desculpas para a , a gente se acertou no apartamento de Austin – Astrid defendeu-se.
— Eu expliquei isso para ela – comentou.
— Espera aí – Justin entrou no meio do assunto separando ambas as partes cada um para um lado – Está me dizendo que ela – apontou para – Não pode ser amiga dela – apontou para Astrid – Só porque erraram no passado?
— Astrid tem uma imagem perante a mídia muito negativa.
— Foda-se ela pode se redimir a qualquer momento, se ela tweetar agora que esta mudada e que entrou em contato com , tudo pode mudar para melhor, podemos fazer nos mesmos o trabalho de flagrá-las aqui e agora.
— Continua sendo ruim, afinal quem é você? – Carter perguntou nervosa.
— Não importa quem eu sou. Mas acredite a sua visão de toda essa situação está sendo muito limitada minha querida.
— Já chega de todo esse papinho, vamos embora e .
— Olha só para essa história, inimigas que estão se acertando em nome do amor. – Justin começou a dizer antes que Carter lhe desse as costas, e a mesma parou no lugar.
— Somos dois melhores amigos, que nos apaixonamos por garotas completamente diferentes – digo apontando para mim e , Austin e Astrid.
— Tem noção da notícia que isso pode causar? – Justin deu um leve empurrãozinho em Carter com o ombro. — As notícias pela manhã, bombaram o nome de nas redes sócias com a declaração de amor que fez para ela nas gravações, podemos fazer o mesmo com Astrid, dela abrindo o seu coração para Austin de maneira inusitada, ninguém nunca a viu dessa maneira.
— Se fizermos isso hoje, vão achar que é tudo armação. – Carter ponderou.
— Por isso hoje, apenas o jantar no restaurante e os tweets de cão arrependido da Astrid, elas acabam se seguindo nas redes sociais e todo mundo vai querer acompanhar os próximos capítulos dessa novela.
— Pode realmente dar certo – Austin comentou – É algo que todo mundo vai querer acompanhar.
— Bom, eu pelo menos seguiria as duas na mesma hora e já ativaria as notificações em tudo, pra não perder nenhum post.
— O que acha Carter? – perguntou olhando para a mesma.
Carter olhava para a rua pensativa.
, você comentou comigo pela manhã que iria fazer uma viagem a Portland, quando é essa viagem? – Carter mudou de assunto da agua pro vinho.
— Eu e Austin ainda estamos acertando os detalhes, mas pretendemos viajar o quanto antes. – digo olhando para Austin que concordou com a cabeça. — Porque?
— É ISSO – Astrid gritou dando pulinhos ao lado de Austin. — Os próximos capítulos da nossa novela como Justin disse – apontou para Justin – Serão em Portland, nos quatro vamos viajar juntos.
— O que? – arregalou os olhos sem entender. — ‘Ta falando sério?
— Vocês não querem ser amigas em nome dos namorados de vocês? – Carter perguntou para e Astrid que ficaram sem acreditar. — Agora vão viajar juntas.
— Eu ‘to chocada – Justin disse cobrindo a boca com as mãos comemorando com Astrid.
— E você vai junto – Carter disse dando o mesmo empurrãozinho pelo ombro em Justin. — Como a ideia foi sua é você que vai comandar tudo que acontece e me mandar.
— Mas e você Carter? Vai viajar junto com a gente? – pergunto abraçando de lado animado com a ideia da nossa viagem em grupo.
— Mas é claro... que não! – Carter negou com a cabeça. — Eu não vou participar dessa loucura, ficarei curtindo a minha folga fazendo home office.
— Realmente isso é uma loucura – Astrid constatou sem acreditar. — Bom, eu tenho que começar a postar alguns tweets certo? – Carter confirmou com a cabeça.
— Gente podemos fazer isso lá dentro? – sugiro apontando para a lanchonete. — Viemos aqui para comer, ou se esqueceram disso?
— Vamos comer , eu preciso de um suco para me acalmar – Carter concordou sendo a primeira se afastar andando em direção a lanchonete.
— Cara, dá pra acreditar? – Austin perguntou para mim ainda em choque.
— Não – nego com a cabeça passando a mão pelos meus cabelos. — Mal posso esperar pra contar isso tudo para a Cristina, ela vai surtar.
— O mundo todo vai surtar meu querido – Justin constatou — Acho bom as duas começarem a me dar @ porque eu quero seguidores, a ideia foi toda minha nada mais justo. – disse e saiu saltitante tirando selfies.
— Demos asas a cobra – riu.
— Relaxa, ele é inofensivo – Austin defendeu o parceiro.
— Bom, vamos estou morrendo de fome. – puxo pela mão, andando assim nos quatro em direção a lanchonete.
— Vamos ser rápidos porque ainda tenho que arrumar minha mala para poder viajar – Astrid disse enquanto tweetava. — Assim tá bom?
— MEU DEUS! – gritou me assustando – Eu preciso fazer minha mala, eu vou conhecer a minha sogra – arregalou os olhos.
— Calma, a minha mãe não é brava nem...
— Espera, eu também vou conhecer a mãe do Austin, significa que precisamos...
— IR AS COMPRASSS! – e Astrid gritaram juntas entrando na lanchonete atraindo a atenção dos demais clientes.
E ali na entrada do Burger Baker, com as duas rindo olhando para todos a sua volta morrendo de vergonha indo em direção a mesa mais reservada que Carter conseguiu, começava a mais improvável amizade de todos os tempos.
e Astrid Ross.


Capítulo 7

Portland, Oregon.

Após dirigir por doze horas seguidas até chegar em Portland em Oregon, acordei que dormia ao meu lado no banco do passageiro toda torta, avancei em sua direção lhe acordando com beijos por todo o rosto, riu ao acordar abrindo os olhos devagar virando para beijar meus lábios em um selinho.
— Vamos? – perguntei animado virando o retrovisor para arrumar meus cabelos, olhei para o banco detrás, Austin estava espremido no meio enquanto Astrid dormia com a boca aberta encostada em seu ombro atrás de e Justin dormia encostado no vidro atrás de mim.
Austin surtaria a qualquer momento.
Desci do carro dando a volta para abrir a porta do outro lado para .
— Já chegamos? – arregalou os olhos, olhando ao seu redor e percebendo aonde estávamos.
— Sim, bela adormecida – Austin respondeu cutucando Justin para que o mesmo acordasse. —Acorda viado – disse com voz grossa acordando Astrid do seu outro lado.
— Não faz essa voz de hetero que eu me apaixono – Astrid disse com a voz rouca espreguiçando-se como podia ali dentro.
— Santa mãe de Deus, você acabou de acordar e já está dando em cima de mim – Austin disse negando com a cabeça ao abrir a porta do carro empurrando Justin com toda sua força, fazendo ele acordar na mesma hora.
— Aí, pra quê toda essa agressividade? – Justin perguntou sem entender nada.
Ri sozinho enquanto esperava calçar seus sapatos para poder descer do carro, abri a porta para ela segurando sua mão para ajudá-la.
— E se por acaso sua mãe não gostar de mim? – perguntou mordendo os lábios, ri da sua preocupação com a minha mãe.
— Ela tem motivos para te odiar? – perguntei antes de beijar seus lábios mais uma vez.
— Austin me ajuda aqui – Astrid gritou por Austin que deu a volta no carro abrindo a porta ajudando-a. — Acho que vou vomitar com tanto mel desses dois – zombou de nós fazendo Austin revirar os olhos.
— Eu nem falo nada, antes ele abria a porta do carro pra quem? Pra mim, agora é só pra ela – Austin disse cruzando os braços fazendo bico.
Ele tinha razão, normalmente eu abria a porta para ele, mas antes eu não namorava.
— Não faz nem vinte e quatro horas que você começou a namorar e já está me deixando de lado – continuou choramingando. — Você é um péssimo amigo .
— Olha quem fala, não e mesmo – rebati olhando para Astrid que ficou com as bochechas coradas.
— Vocês são um saco e eu preciso usar logo o banheiro – Justin negou com a cabeça andando até a varanda da casa da minha mãe.
Olhei para a casa sorrindo, era bom estar de volta a minha cidade, a minha família. Corinne minha sobrinha estava na janela da sala nos olhando, quando me viu sorriu de orelha a orelha saindo correndo provavelmente para chamar minha irmã.
— Mas e aquela regra que toda mãe tem que odiar a namorada do filho. — chamou minha atenção novamente falando de suas inseguranças mordendo o lábio inferior.
não...
— Mamãe, mamãe o príncipe chegou – fomos interrompidos pelos gritos estridentes de Corinne que abriu a porta puxando Cristina pela mão.
Príncipe? e Astrid repetiram segurando o riso, eu rolei os olhos.
— SIM! O príncipe voltou para o castelo – Austin zombou fazendo uma voz fina na intenção de imitar Corinne.
— Não começa Austin... – disse lhe lançando um olhar bravo que o fez rir pegando na mão de Astrid andando em direção a casa.
Corinne soltou a mão de Cristina, vindo correndo ao meu encontro, soltei da mão de abaixando para pegar a pequena garotinha em meus braços, a mesma me apertou distribuindo inúmeros beijos em minha bochecha.
A ajeitei em meu colo, para poder segurar a mão de novamente, seguindo até Cristina que nos esperava com um sorriso nos lábios.
— Olha só quem temos por aqui – Cristina disse olhando para de cima a baixo fazendo a mesma corar. – Como é que você foi parar nos braços do meu irmão? Você é bonita demais para esse magrelo feio.
— Ei Cristina – chamei sua atenção e ela apenas deu de ombros abraçando .
— Príncipe tem uma princesa feia – Corinne disse com o rosto colado no meu, mostrando a língua para .
Austin e Astrid gargalharam.
Ciúmes de criança era a coisa mais fofa do mundo não podia negar.
— Essa pestinha não para de crescer um segundo não? – Austin perguntou ao abraçar Cristina. — Gata, essa aqui é a minha outra gata Astrid Ross. – apresentou-a para minha irmã.
— Quem é você e o que fez com o meu Austin Forbes? – Cristina olhou arqueando a sobrancelha para Austin que revirou os olhos, apontando para Astrid. — Desculpe Astrid, pra mim é novidade ele me apresentar uma mulher.
— Posso dizer que somos amigos coloridos – Astrid deu de ombros.
— Certo, certo seja bem-vinda – Cristina disse ainda meio pensativa.
— Não precisa estranhar, temos também o Justin – Austin apontou para o rapaz sentado na varanda com as pernas cruzadas mexendo no celular, Justin levantou-se de braços abertos para abraçar Cristina.
— Então espera, você e ele estão com o Austin? – Cristina perguntou olhando para os três.
— Isso – Astrid e Justin disseram uníssono.
— Meu Deus, Austin você é muito galinha! – Cristina negou com a cabeça. — Entrem, entrem... quero ver explicar isso para a mamãe!
— Não creio que a Senhora esteja fazendo aquele maravilhoso bolo de chocolate – Austin puxou Astrid pela mão casa a dentro e Justin os acompanhou indo a procura do banheiro.
— Eu sou a única princesa da vida dele. – Corinne olhava para com os olhos semicerrados.
Da onde aquela criança tirou tanta braveza?
— Corinne! – eu e Cristina chamamos a atenção da garotinha que abriu um berreiro pedindo o colo da mãe.
— Peça desculpas a namorada do príncipe. – ralhou a mais velha.
— Não, não precisa – disse sem graça.
— Bom, vamos entrar, a mamãe está na cozinha fazendo a cobertura do bolo – Cristina disse, concordei com cabeça entrando sendo seguido por a minha irmã fechou a porta subindo as escadas com a filha chorando em seu colo.
— Desculpe por isso – sussurrei em seu ouvido antes de entrar na cozinha encontrando minha mãe cantarolando uma música que tocava no rádio enquanto mexia a panela no fogo alto junto com Austin, Astrid brincava com Olivia a labradora da minha mãe.
— Mas você não sai do fogão! – disse em tom brincalhão com a senhora que deu um pulo ao olhar para trás, mas sorriu de orelha a orelha vindo me abraçar.
— Meu garotinho, lindo como sempre – distribuiu beijos em minha bochecha. me olhou com um olhar sapeca como quem me dizia “já descobri da onde vem o meu apelido”. — E essa garotinha aqui quem é?
— Eu sou – ela mesmo se apresentou abraçando minha mãe, muito mais rápido do que eu imaginei começaram a conversar, então olhei a panela no fogão e logo corri socorrer aquela cobertura, já que Austin e Astrid tinha se entretido com o meu cachorro.
Tudo para mim era uma grande novidade, nunca me imaginei apresentando uma nova namorada para a minha mãe, pelo simples fato de nunca ter me imaginado namorando novamente na vida. Mas a felicidade tomava conta do meu peito contagiando a minha família toda.
Assim que terminei a cobertura de chocolate a despejando por completo em cima do bolo, Austin me ajudou pegando o pote de granulado e jogando por cima de toda a cobertura, passou o dedo na lateral roubando um pouco do doce, indo até a mesa sentar-se ao lado de Astrid, coloquei o bolo no centro da mesa sentando ao lado de que conversava animadamente com a minha mãe e Astrid, pelo que peguei a conversa andando ela senhora tentava entender como era o relacionamento de Austin e Astrid com Justin no meio.
— Vocês são bem modernos – minha mãe disse chegando a essa conclusão fazendo todos em volta da mesa rirem.
Cristina entrou na cozinha com a pequena Corinne nos braços sendo seguida pelo seu marido Joseph.
— Não pensei que chegaria tão cedo – Joseph disse ao olhar o seu relógio de pulso vindo me cumprimentar com um abraço
— Peguei a estrada ontem à noite – retribui o abraço. — este é o marido da minha irmã, Joseph.
— Então foi você que fez a minha pequena chorar – Joseph disse ao cumprimenta-la dizendo baixinho em seu ouvido que estava brincando, vi suas bochechas corarem. Corinne correu para o colo da vovó olhando para com um semblante bravo, mas logo se desmanchou.
— O seu nariz tá’ vermelho – Corinne disse, fazendo pegar o celular para olhar o reflexo, levantou-se rapidamente da mesa com a mão no rosto, após perceber que todos a sua volta prestavam atenção nela.
— Droga – disse baixo – Onde é o banheiro? – perguntou envergonhada.
— Vem, eu te ajudo – arregalei os olhos percebendo que o seu nariz estava sangrando, peguei em sua mão a levando para o banheiro onde antes que eu pudesse dizer algo, ela entrou batendo a porta.
Cocei a cabeça sem entender o que lhe passava resolvendo voltar para a cozinha onde me sentei a mesa junto a todos.
Logo estava de volta agora com as mangas da camisa dobrados até a altura dos cotovelos, os cabelos presos em um coque alto, sentou ao meu lado me lançando um sorriso de despreocupada pegando um copo para se servir de leite.
— O que aconteceu com o seu braço? – foi a vez de Joseph perguntar, então olhei para o braço dela onde tinha um roxo enorme no antebraço.
— Também quero saber, eu percebi esse roxo enquanto estávamos fazendo as malas – Astrid comentou pegando um pedaço de bolo para servir Austin.
— Machuquei entre as gravações, teve uma cena onde um grupo de garotas tinha que brigar, acabamos brigando de verdade, uma puxando o cabelo da outra, tapas e tudo mais – contou animada revezando seu olhar de Joseph para Astrid, bem nervosa ao mesmo tempo.
Eu a olhei estreitando os olhos, a cena das garotas brigando tinha sido gravada semanas atrás aquele roxo já era para ter sumido faz tempo.

***

Logo após de tomarmos café descarregando o carro com todas as nossas malas, voltei para o meu antigo quarto e Austin foi com Astrid e Justin para o quarto de hospedes montado no porão, lá com certeza eles iriam tocar o terror de madrugada sem ninguém acabar os interrompendo como da última vez.
Depois de toda acomodação, resolvermos dar uma volta pelo parque aproveitando os últimos momentos de sol, estava sentado encostado em uma arvore olhando para Austin e Astrid que gravavam vídeos engraçados para o TikTok da garota enquanto Justin os ajudava.
já tinha aproveitado o caminho até o parque para gravar alguns story’s, promovendo sua série que logo teria vídeos exclusivos em seu canal no Youtube e gravar alguns vídeos nossos para compartilhar com seus seguidores.
Agora ela brincava com Corinne no playground sem ao menos lembrar-se do seu próprio celular em meu bolso.
Haviam se tornado melhores amigas em pouco tempo e já poderia ver Cristina agradecendo mais tarde, por cansar a garotinha que provavelmente dormiria cedo demais, dando um tempo livre para os papais aproveitarem.
Eu e também aproveitaríamos bem a noite.
Assobiei chamando Austin que deixou Astrid e Justin gravando, vindo ao meu encontro.
— O que foi ? – perguntou ao sentar-se ao meu lado.
— Quero fazer uma surpresa para a , mas não tenho muita ideia do que fazer... – digo sem enrolações, pedindo sua ajuda.
— Sabe que eu sempre tenho as melhores ideias – gabou-se.
— Sim, eu sei, por isso preciso de você.
— Porem agora eu namoro, então tenho que usar minhas ideias para aquelas duas pessoas ali – apontou para nossa frente fazendo-me o olhar sem graça. — Eu to’ brincando, você sempre será o meu preferido!
— Bom, eu sei que você tem um plano bom para surpreender Astrid para o lance que a Carter pediu – disse pensativo.
— Nós vamos jantar no restaurante Lockhart hoje.
— Eu tinha pensado nisso – revelei com os olhos arregalados.
— Já é meu – levantou as mãos para o alto – Fiz a reserva antes de viajarmos.
—Droga, o que eu faço agora? – pergunto ficando sem a minha única opção.
— Bom, pelo que eu já fiquei sabendo, Cristina e Joseph vão sair hoje à noite, já que a baixinha ali vai capotar quando chegarmos em casa.
— Mas ainda tem a minha mãe e a Corinne...
— Já sei, já sei – Austin interrompeu-me ao levantar ficando em pé na minha frente. — Confia em mim?
— Eu tenho outra opção? – mordi os lábios na intenção de zombá-lo.
— Tudo bem, vou usar a minha ideia com Astrid.
— NÃO – grito e tampo a boca – Qual é Austin, estou apenas brincando! – defendo-me.
— Eu sei – deu de ombros sem ao menos fazer drama. — Vou precisar do seu cartão de credito.
— O que vai fazer?
— Vai confiar ou não? – perguntou arqueando a sobrancelha.
— Confio, Foster.
— Você quer um fofo tipo Cinquenta Tons de Cinza onde o Sr. Grey compra uma casa pra Anastásia ou quer um fofo tipo High School Musical Troy Bolton no telhado?
Apenas puxei a minha carteira com o celular do bolso da calça, peguei meu cartão de credito lhe entregando, ele sorriu satisfeito dando-me as costas voltando para o lado de Astrid e Justin, onde reuniu os dois saindo andando do parque, constatei que ele já ia começar os preparativos da surpresa seja lá o que ela for.
Aproveitei para olhar o celular para ver o horário, arregalando os olhos ao perceber que havia uma mensagem de Charlotte.
, quando voltar de viagem precisamos conversar.”
Engoli a seco lembrando-me de um dos nossos últimos encontros.

FLASHBACK ON

Mais um dia de trabalho tinha chego ao fim, o meu desanimo era notável por todos e quando despedi-me do meu chefe junto com os demais funcionários segui para o meu apartamento apenas desejando mais do que tudo, uma cerveja e o meu sofá para relaxar.
Passei na conveniência perto do meu prédio, para comprar um engradado de cerveja e uma cartela de cigarro e andei fumando um até chegar ao meu prédio, onde encontrei-me com Charlotte discutindo com um homem que aparentava ser bem mais velho do que ela, estreitei os olhos percebendo que a mesma estava vermelha e chorando empurrando o homem pelo peito.
Apertei o passo deixando minha cerveja em cima de um banco próximo ao prédio pisei no meu cigarro o apagando indo em direção os dois sem pensar duas vezes.
— Algum problema por aqui? – pergunto olhando para Charlotte que fica surpresa ao me ver.
O homem em minha frente vira-se em minha direção, encara-me por alguns segundos.
— Não estamos tendo nenhum tipo de problema por aqui, meu jovem – forçou um sorriso.
— Não é o que parece – rebato.
— Nem tudo é o que parece ser – olho para Charlotte ainda aflita com toda aquela situação, podia ouvir-se o seu coração acelerado á quarteirões de distância. — Peço perdão pelo meu mau comportamento que perturbou a sua paz.
— Está tudo bem mesmo Charlotte? – ignoro a desculpa fajuta do homem em minha frente focando na mesma.
— Está... Estávamos só conversando , esse é o...
— Deixa-me que eu mesmo me apresento – interrompeu Charlotte estendendo a mão em minha direção. — Sylas Ritchie, dono da empresa R.Ortiz. e pai do filho dessa vadia.
— Eu acho melhor você ter respeito pela mãe do seu flho – digo apertando sua mão com certa forma olhando dentro de seus olhos.
— Por que se não o quê? Acredite rapaz você não é o primeiro que tenta me peitar por causa dela... Deixa eu adivinhar, vocês estão ficando? Foda fixa? Amizade colorida ou são apenas vizinhos? – olhou para os prédios a nossa volta. — Já coloquei uns dois para correr daqui, com você não será diferente...
— Já chega Sylas, vá embora. – Charlotte segura Sylas pelo braço na intenção que o mesmo solte a minha mão.
— Foi um prazer conhece-lo – digo soltando de sua mão sem perder o contato físico, aquilo o deixaria irado.
— Vá embora daqui Sylas, você não vai tirar o meu filho de mim.
— Não se esqueça que ele é NOSSO filho. – gritou fazendo Charlotte desesperar-se novamente – Se você não arranjar um novo emprego em um mês, eu volto aqui para busca-lo e dou um jeito de você nunca mais o vê-lo.
Sylas puxou seu próprio braço livrando-se das mãos de Charlotte, passou por mim desviando do meu corpo andou até seu carro saindo cantando pneus para finalizar o seu showzinho de maneira digna.
Digna de um homem escroto que nem ele.
Olho para Charlotte com pena e sem ao menos dizer algo me aproximo lhe dando um abraço, como esperado a mesma se desaba em lagrimas me abraçando com força, passamos alguns minutos na mesma posição até que Charlotte simplesmente para de chorar afastando-se do meu corpo cobrindo o rosto com as mãos.
— Me desculpa por isso – Charlotte diz claramente envergonhada.
— Ei, ei – seguro suas mãos afastando de seu rosto a fazendo me olhar. —Você não tem culpa de nada ok?
— Claro que eu tenho culpa, olha o tipo de homem nojento que eu fui me envolver – revoltou-se apontando para o lado que o carro saiu.
— Talvez você tenha uma pequena porcentagem de culpa – pondero pensativo — Credo Charlotte que mal gosto, ainda bem que eu sou bem melhor – digo na intenção de lhe arrancar um sorriso.
— Você é impossível – negou com a cabeça soltando um sorriso e eu a acompanhei rindo.
— Impossível e irresistível.
— Chega! Antes que seu ego comece a me sufocar – levou as duas mãos ao pescoço como se estivesse sendo sufocada. — E-eu preciso entrar, Cayden deve estar apavorado.
— Ele chegou a subir? – pergunto me referindo ao pai da criança.
— Infelizmente sim, subiu dizendo para Cayden arrumar suas coisas que ele iria leva-lo embora e nunca mais voltaria a me ver.
— Que cara ridículo! – digo sem acreditar.
— V-você, hum, quer entrar? – Charlotte perguntou um pouco receosa.
— Hum... – afastei-me indo até o banco onde deixei meu engradado de cerveja — Podemos beber lá em cima?
— Vamos subir – Charlotte concordou com a cabeça, então subimos os cinco lances de escada até chegarmos em seu apartamento que dava de frente para o meu, a porta estava entreaberta o que me fez acreditar que Charlotte e Sylas saíram como um furacão.
A televisão estava ligada no Cartoon Network, algumas folhas com desenhos espalhados pelo chão junto a lápis e canetas.
— Cayden – Charlotte chamou — Querido cadê você? Pode deixar a cerveja na cozinha – apontou para a mesma antes de sair atrás do próprio filho pelo apartamento.
Tomei a liberdade de guardar as cervejas na geladeira, assustei-me ao vê-la quase toda vazia, realmente como Sylas disse, Charlotte e o filho deveriam estar passando dificuldades.
Engoli a seco guardando a cerveja no congelador, peguei meu celular entrando no Ifood pedindo duas pizzas para podermos comer depois de conversar.
Charlotte apareceu na sala com o filho em seus braços, o mesmo me olhou surpreso.
— Quem é você? Você vai me levar embora daqui? – perguntou assustado.
— Eu? Não. Sou apenas um amigo da sua mãe, não vou te levar embora – digo com calma me aproximando. — Qual o seu nome garotão? – pergunto mesmo já sabendo.
— Cayden, mas pode me chamar de Cay e o seu?
, mas pode me chamar apenas por .
— Nossa , voce tem muitas tatuagens! – constatou descendo do colo de sua mão e pegando no meu braço.
— Ah eu sou bem viciado em desenhos – rio olhando para Charlotte que me olhava encantada ao perceber que eu estava distraindo seu filho. — E você pelo visto gosta de assistir e também de desenhar.
— Sim, eu estava desenhando antes do meu pai chegar – disse cabisbaixo.
— Me mostra seu desenho, vai que vira minha próxima tatuagem – brinco e o garoto me puxa para sala, sento-me no sofá e ele me traz o desenho que estava fazendo. — Olha só você desenhou o Gumball!
— Bom, eu vou ver o que faço para o jantar... – Charlotte comentou dando as costas.
Esqueci de mencionar um pequeno detalhe, como Charlotte estava possivelmente desempregada e tinha passado o dia todo em casa, ela usava apenas pijama com um shorts bem curto, tão curto a ponto de deixar a polpa da sua bunda pra fora.
— Ei Char, relaxa, eu pedi pizza no Ifood, vem ficar com a gente. – pisco a chamando para se sentar com a gente.
Não posso negar que sou apaixonado por crianças e meu maior sonho e ser pai algum dia. Cayden era um garoto incrível, desenhava perfeitamente bem além de ser educado, comeu a pizza sem fazer sujeira e quando Charlotte disse que estava na hora de ir para cama, recolheu toda bagunça, despediu-se de mim me convidando para voltar uma próxima vez indo para cama.
Quando Charlotte voltou para a sala, com uma cerveja para mim e outra para ela, percebi que chegamos naquele momento chato que ela contaria sobre o acontecimento de mais cedo.
Dei o primeiro gole na cerveja então a mesma começou mudando do Cartoon para a MTV que passava clipes.
— O meu primeiro emprego foi na empresa de Sylas – começou a dizer – Eu trabalhei como secretaria na portaria, nos conhecemos no meu terceiro mês de trabalho, quando ele voltou de uma longa viagem a negócios, ele bateu seus olhos negros em mim e pediu para que eu subisse com ele. Eu sem entender nada o acompanhei e ele simplesmente demitiu a secretaria do seu andar me colocando no lugar dela. Ficamos bem próximos, até que ele me chamou para jantar, eu aceitei, foi o nosso primeiro e último encontro.
— Creio que esse encontro rendeu frutos – comento.
— Sim – riu sem graça – Trabalhei para ele por mais dois anos, foi quando ele se casou e a sua esposa me mandou embora por puro ciúmes, éramos muito próximos devido a Cayden.
— Ela nunca ficou sabendo? – perguntei curioso.
— Ficou. Ela acabou com a festa de três anos de Cayden, fez o maior show. – revirou os olhos provavelmente lembrando-se da cena.
— Meu Deus, que mulher desequilibrada.
— Pois é.
— Mas e agora, o que houve?
— Houve um corte na empresa em que eu trabalhava, faz duas semanas, não sei como ele descobriu e veio aqui, viu que não estava em boas condições de ficar com Cayden e quis leva-lo.
A ideia de ficar sem o filho fez com que Charlotte começasse a chorar.
— Não posso perde-lo, , ele é tudo que eu tenho, tudo de mais importante em minha vida, se ele for embora, pra mim acabou tudo!
— Ei, ei você não vai perde-lo, tudo vai dar certo, você vai dar a volta por cima...”


FLASHBACK OFF

Acabei mandando apenas um “OK”, antes de apagar a conversa e guarda-lo novamente ao bolso.
Voltei a olhar para o playground, e Corinne tinham acabado de escorregar, a pequena cochichou algo no ouvido da mais velhas e na mesma hora as duas saíram correndo em minha direção, sorri animado com aquela disputa, levantando-me para esperar a chegada.
— Príncipe eu quero ir pra casa – Corinne disse ao se aproximar seguida de . — Minha barriga esta roncando de fome quero mais aquele bolo de chocolate da vovó.
— Meu Deus, você vai acabar com todo aquele bolo ainda hoje – comento ao me levantar a pegando no colo, espero se aproximar beijando o topo de sua cabeça.
— Aquele bolo cairia bem agora, onde o Austin foi? – perguntou olhando para os lados.
— Austin tirou seu tempo para ser guia turístico. – disfarço.
— Hum, perdi de ir conhecer Portland. – fez bico.
— Ei, eu posso te levar conhecer tudo amanhã – digo para que ela não fique triste.
— Eu sei bobo, estou apenas fazendo um drama, vamos tirar uma foto nos três – pegou o seu celular em meu bolso da calça desbloqueou se aproximando mais, Corinne sorriu encostando seu rosto ao meu de um lado e fez o mesmo do outro lado tirando a foto todos nos sorrindo.
— Família feliz – Corinne disse ao ver a foto.
postou olhando para mim com sua famosa cara de apaixonada que eu conhecia bem.
— Você está bem? – perguntou passando a mão pelo seu rosto.
— Estou bem e um pouco cansada – admitiu beijando a palma da minha mão.

***

Austin era um homem morto!
Austin havia gasto quinhentos dólares no meu cartão de credito, além de gastar tudo isso, apenas me mandou por mensagem de texto com um endereço que eu não fazia ideia da onde era com o horário para estar pronto as oito horas.
Como eu não sabia absolutamente nada da surpresa que Austin havia preparado, apenas falei para que íamos jantar em um lugar bem reservado e com essa única informação ela começou a se arrumar assim que eu sai para tomar um banho rápido.
Quando voltei, terminava de passar a máscara de cílios em seus olhos, girou a cadeira giratória para me olhar com um sorriso nos lábios, ela ainda estava apenas vestindo suas roupas intimas ao terminar de se maquiar.
Sentindo aquele clima malicioso no ar, fechei a porta atrás de mim andando em sua direção apenas com a toalha sendo a minha única peça de roupa, estendi a mão para que a segurou levantando-se ficando próxima ao meu corpo.
— Vamos acabar nos atrasando... – digo em tom baixo olhando fixo em seus lábios.
— Não ligo para atrasos – deu de ombros.
Ela me beijou como quem não queria nada, eu fiz o meu papel a guiando delicadamente até a cama, mas ela inverteu os papeis antes que eu a deitasse na cama.
Ela queria comandar e ficar por cima.
Sorri satisfeito com a sua escolha deitando-me confortavelmente e a deixei vir por cima, envergonhada mas ciente dos seus atos ela sentou por cima do meu membro curvando o corpo em direção ao meu, me beijando com desejo, o clima estava esquentando...
Ela finalizou sua série de beijos com um selinho molhado descendo pela extensão da minha barriga até que parou bufando.
Droga! disse saindo de cima, sentando-se na cama de costas para mim.
Sentei-me na cama meio atordoado, encostei a mão no seu ombro na intenção de entender o que estava acontecendo mas ela se esquivou levantando-se da cama com a mão sobre o rosto, pegou um lenço dentro do seu estojo de maquiagem.
O seu nariz estava sangrando novamente, olhei para o abdômen, entre uma das minhas tatuagens haviam gotas de sangue, se aproximou e limpou com o lenço lançando-me um olhar sem graça.
— Desculpa – murmurou ainda com as mãos sobre o rosto.
— Vira a cabeça para cima – segurei seu rosto entre minhas mãos virando sua cabeça para cima na intenção de parar o sangramento.
— Logo já para.
— O que está acontecendo com você? – perguntei receoso, mais uma vez ela deu de ombros. — Você sabe que não é normal esse sangramento, não é? – ela concordou com a cabeça. — Então, você precisa ir ao médico. – constatei.
, não se preocupe comigo, vamos curtir a nossa viagem em paz.
— Não é normal ...
— Narizes sangram a toda hora – deu de ombros fazendo-me dar por vencido, ela levantou-se da cama voltando a sentar-se na cadeira para se maquiar, respirei fundo cobrindo o meu rosto com o travesseiro.
Aquela garota tinha o poder de me enlouquecer.
Ouvi algumas batidas na porta, apenas olhei para o meu corpo constatando que a toalha ainda estava no mesmo lugar, parecia olhar o mesmo antes de vestir a camisa que eu usava antes de tomar banho e atender a porta.
— Astrid? – disse sem entender quando a gêmea cheia de plástica entrou no quarto apenas de roupão com dois vestidos em mãos.
— Estou em apuros, qual desses dois vestidos eu devo usar? – olhou para mim e para – Santo Cristo vá vestir uma cueca.
— Eu to’ dentro do meu próprio quarto na casa da minha mãe, se toca Ross.
— E também, não é nada do que voce já tenha visto – revirou os olhos fazendo com que eu e Astrid bufassem.
— Esquece isso – dissemos uníssono.
— Qual eu devo usar? – Astrid insistiu fazendo bico. – Desculpa não sou acostumada a fazer as coisas sozinha, normalmente sempre sou eu e Ariella pra tudo.
— Afinal, não querendo me intrometer na sua vida, mas como ficou o seu lance com o alemão? – pergunto ao me sentar na cama colocando o travesseiro por cima do meu corpo na intenção de me cobrir mais um pouco.
percebendo que a conversa demoraria tempo, fechou a porta sentando-se a beirada da cama.
— Depois do jantar no BB, eu voltei para a minha casa e coloquei as cartas na mesa, disse a Ariella que não somos mais uma dupla e que não quero minha imagem mais tão associada a ela e que a partir de agora era cada uma por si.
— Ela entendeu numa boa? – perguntou.
— Claro que não. Ela surtou. Quebrou alguns vasos tentando me atingir, disse que se não fosse por ela não ia ter dinheiro para nenhuma das minhas plásticas.
— Pegou pesado! – comento fazendo careta.
— O pior foi quando eu disse que mandei mensagem pro alemão negando o contrato. Além de Ariella, os meus pais surtaram dizendo que eu tinha levado a família a falência.
— Seus pais ficaram do lado de Ariella – constatou e Astrid concordou com a cabeça.
— Agora eu realmente não sei o que vai ser de mim – dei de ombros – Usei essa viagem como uma válvula de escape dos meus problemas.
— Como válvula de escape, mas também uma possível solução! – digo tentando anima-la – Se você mudar a sua imagem, talvez dê certo, apareçam novos trabalhos.
— Encare essa viagem como uma segunda chance, tudo pode mudar, estamos juntas nessa – disse levantando para abraçar Astrid que a envolveu no abraço com os vestidos.
— Eu nunca vou esquecer desse apoio que você está me dando , bem que dizem que a ajuda vem de quem você menos espera.
— ASTRID, TEMOS HORA – Austin gritou do corredor atrapalhando totalmente o momento fofo de e Astrid estavam tendo ali na minha frente.
— Acho que as vezes ele se esquece de quem a gente é – Astrid comenta negando com a cabeça ao estender os dois vestidos em cima da cama. — Agora qual desses dois é mais bonito?
— Eu realmente tenho que concordar com isso, ainda bem que o não está me apressando – disse olhando para mim. — Eu gosto bastante desse vermelho, combina com você.
Tinha sempre que sobrar pra mim!
Como eu poderia apressá-la sem ao menos saber onde Austin havia nos metido?


Capítulo 8

Austin Forbes

A ella le gasta cuando bajo downtown...
Astrid pegou meu celular conectando o Spotify no rádio do carro, colocando a música da nossa cantora preferida para tocar, Downtown da Anitta com o maravilhoso J Balvin.
O meu sonho de vida era um ménage com aquelas duas beldades.
En su cuerpo puedo ver la definición, se ve que lo trabaja, eres motivación...
Ela e Justin se remexiam no carro ao som da música latina enquanto arranhavam o melhor do seu espanhol para acompanhar a letra e cantar, eu apenas os observava um pouco tenso por estar indo a caminho da casa dos meus pais.
Minha relação com meus pais sempre foi a melhor possível, eles me apoiam em todas as situações e me deram o maior apoio quando terminei com o meu último namorado que era um tanto abusivo e detestava a minha proximidade com meus pais.
Mas dessa vez a tensão era diferente apenas por um motivo: eu tinha me apaixonado por duas pessoas de uma vez só.
Justin Yillow já estava na minha vida um bom tempo antes do furação Astrid Ross chegar, nós ficávamos faziam alguns meses, uns seis se não me falha a memória – sou péssimo com datas - mas com a chegada de e Califórnia nos afastamos, ele sabia que eu queria curtir o meu melhor amigo indo para as baladas e bares e não queria ser estraga prazeres, quando a festa toda passou – mais rápido do que imaginava – lá estava eu nos braços de Justin, porém com uma certa mulher no meu pé.
Minha amizade com a Astrid começou de pernas pro ar, com ela indo para o hospital por conta das inúmeras tequilas que tomamos naquela noite, ela pediu meu número de celular, passamos muitos dias conversando por WhatsApp, ela me contou tudo o que eu precisava saber sobre ela, tomando a liberdade e confiança para me contar sobre o seu namoro com o alemão, me apeguei muito a Astrid pois sabia que ela estava vivendo o mesmo tipo de relacionamento que vivi com o meu último namoro e senti-me na obrigação de ajuda-la, só que com essa ajuda, ficamos muito próximos, ela estava carente e eu meio curioso, quando ela me beijou, parecia como um beijo do Justin...
Era bom e me excitava...
O resto vocês podem imaginar, foi uma experiência única.
Mas ela insistiu no alemão, me deixando de lado após uma briga, aquilo me deixou extremamente puto.
Meu lado hetero puto nunca foi tão aflorado.
Aquela mulher me levava aos meus extremos.
Pelo outro lado, Justin entendia perfeitamente minhas novas experiências e sempre foi paciente comigo, aquele carinho e “colo” nos momentos que eu mais precisava, fez com que meu coração começasse a nutrir sentimentos por Justin da forma mais verdadeira possível, tínhamos uma troca tão boa...
Quando Justin conheceu Astrid, com ambos não foi diferente, pareciam que se conheciam de outras vidas, a conexão batia em perfeita sincronia, mas ela continua sendo cabeça dura em nos negar.
Negar nosso amor.
Até o dia em que fui com o no apartamento dela e da víbora da irmã.
Ela iria me ouvir, ela iria ter que entender o que eu lhe dizia, nem que pra isso eu fosse obrigado a abrir a cabeça oca daquela vadia.
Ela acabou ouvindo, porém jogando baixo, atingindo a mim e a .
Milhares de mensagens foram enviadas, meu celular não parou de tocar um minuto depois daquele dia. Astrid tinha aprendido a lição porem acabado com o relacionamento do meu melhor amigo com a nova namorada dele.
Magoar , me machucava profundamente.
Mas ela veio atrás de mim, no mesmo dia que foi atrás de . Me contou tudo que o seu namorado queria pedindo minha ajuda para poder se livrar dele.
Eu senti verdade em suas palavras, Justin tinha o mesmo sentimento. E por ironia do destino, ou ajuda do mesmo, a visita inusitada de e no meu apartamento tornou tudo mais fácil e aqui estamos nós.
Virei a rua parando em frente a cancela do condomínio dos meus pais, o segurança olhou para mim sorrindo ao liberar a minha entrada.
— Onde vamos Austin? – Astrid perguntou enquanto tirava algumas selfies para atualizar seus story’s no Instagram.
— Vou apresentar vocês aos meus pais. – disse sorrindo para Astrid.
A mesma olhou para Justin no banco detrás.
— QUÊ? – gritaram uníssono me assustando.
— Você enlouqueceu? – Justin perguntou.
— Só pode bêbado, olha o estado que eu estou – Astrid apontou para o próprio corpo – Eu to’ horrível!
— Eu nem passei o meu melhor perfume...
— Olha o drama Yillow e Ross – digo segurando para não rir do desespero dos dois.
— Você poderia ter nos avisado antes, achei que íamos somente ao restaurante, que eu só ia bancar o fotografo para Carter – Justin tagarelou enfiando-se no meio de nos usando o espelho retrovisor para arrumar seus cabelos.
— Vocês estão perfeitos – digo ao estacionar o carro em frente à casa dos meus pais. — Meus pais vão amar vocês.
— Wow, seus pais moram em uma fortaleza – Astrid comentou ao ver os muros altos que cercavam a casa dos meus pais. — Se é lindo por fora, imagino por dentro.
— Logo os rotwailers começam a latir – Justin zombou. — Sempre soube que você era riquinho Forbes, mas não sabia o quanto...
— Não temos cães de guarda – riu – E bom, meus pais prezam muito pela privacidade deles e os muros foram consequências de alguns incidentes que aconteceram aqui no condomínio... Adolescentes invadiam a nossa casa de madrugada para usar a piscina.
— Como se esse os adolescentes que moram aqui não tivessem sua própria piscina na casa deles – Justin revirou os olhos.
— Austin... Tem certeza que é uma boa ideia? – Astrid perguntou mordendo o lábio inferior incerta. —Seus pais esperam que você apresentem apenas alguém como o Justin, não alguém como eu.
— Você confia em mim? – perguntei pegando em sua mão, ela apenas concordou com a cabeça. — Eu tenho a certeza que meus pais vão amar vocês dois da mesma forma que eu amo.
Desci do carro dando a volta até a porta de Astrid, mas antes abri a porta detrás para que Justin pudesse sair, queria tratar os dois igualmente bem o segurei por uma mão e com a outra, abri a porta para Astrid, ela sorriu ao apertar minha mão livre confiante, bateu a porta do carro seguindo os três para o portão da casa dos meus pais.
Justin tocou a campainha, podia sentir a tensão de ambos no ar, Astrid respirava fundo e eu podia ouvir seu coração acelerado de longe, Justin soava frio.
Quando minha mãe abriu a porta, uma senhora já na casa dos seus quase setenta anos, sorriu abertamente para mim, levando seus olhos castanhos escuros brilhantes em direção a Justin e Astrid. Minha mãe não era uma senhora de idade que esperava sua morte curtindo sua velhice fazendo tricô com seus numerosos gatos que viviam pela casa, pelo contrário ela bem atlética e antenada a internet.
— Achei que não fosse vir mais, já estava prestes a te ligar meu bem – ela veio segurando meu rosto entre suas mãos beijando minha testa. — Venha, vamos todos entrar seu pai está na sala jogando aquele bendito FIFA. – nos chamou com a mão para que passássemos para dentro do portão, sorri entrando na casa sendo muito bem acompanhado, andamos pelo caminho pequeno de pedras entre as flores azuis mais bonita que minha mãe cultivava, soltei a mão de Astrid empurrando a porta sentindo o ar quente bater em meu rosto.
A casa permanecia aconchegante do jeitinho que sempre foi, o ar quente esquentava os cômodos da casa tornando um ambiente leve e gostoso.
Meu pai pausou o jogo ao ver a movimentação atrás de si, levantando-se para colocar o controle sobre a mesa de centro que estava forrada por salgadinhos que com certeza ele mesmo derrubou em algum momento da partida.
— Mãe, pai – digo observando minha mãe encostar a porta e nos olhar – Essa é Astrid Ross ela é modelo e faz sucesso no Instagram – apresento Astrid primeiro.
Primeiro as damas.
Tenho que mostrar todo o meu cavalheirismo barato, sou um aprendiz de .
— Eu a conheço – minha mãe alegou vindo a cumprimentar – Você faz aqueles vídeos de dancinha – imitou uma dancinha fazendo Astrid rir ao abraça-la. — É um prazer conhece-la.
— Podemos gravar uns vídeos desse – meu pai disse entrando no clima dando a volta no sofá para cumprimenta-la também.
— Este é Justin Yillow, nos conhecemos pelas ruas da Califórnia, ele é o melhor designer gráfico que existe – exaltei Justin o deixando com as bochechas coradas.
— Você também canta “baby baby baby oh”? – a senhora disse o abraçando.
— Eu tinha até franjinha quando era mais novo – assumiu Justin.
— O Austin também tinha uma franja que ficava jogando pro lado assim – foi a vez do meu pai imitar uma jogada de franja igual o Justin Bieber fazendo todos nos rirmos. — Tem fotos na parede da escada – apontou para a escada atrás de nos.
— Vou querer dar uma olhada depois – Astrid disse balançando o celular.
— Olhe mesmo querida, tem fotos ali prontas para viralizarem na internet! – minha mãe a incentivou.
— Ou até mesmo aquelas figurinhas do WhatsApp – meu pai deu a ideia.
— Vocês não valem nada mesmo, não é? – cruzei os braços fingindo estar bravo.
— Cadê o essas horas para te defender? – minha mãe perguntou lembrando-se da existência do meu melhor amigo, já estanha estranhando ela não ter perguntado dele ao abrir o portão.
— O não veio porque estava se arrumando para sair com a namorada nova – comentou fazendo minha mãe arregalar os olhos.
— Não acredito! Ele está namorando aquela atriz? Vejo ele muito nos sites de fofoca.
– meu pai disse, me surpreendendo ao saber o nome dela.
— Essa mesmo, ela veio conhecer a família do .
— Quero amanhã todos almoçando aqui em casa! Adoro uma família reunida, ainda mais com novos integrantes, não é mesmo Astrid... Justin?
Os mesmo se entreolharam surpresos pela inclusão concordando na mesma hora com o convite para o almoço.
— Que tal uma pool party? Uma ótima oportunidade para estrearmos aquele monte de boias coloridas que compramos para a nossa piscina – meu pai comentou olhando para minha mãe – E podemos gravar vídeos dançando – apontou para a Astrid – As músicas do Justin Bieber.
— Eu achei o MÁXIMO – Justin concordou – Eu topo, mil vezes topo!
— Eu também, eu adoro piscina já estou até pensando nas fotos...
— Vou mandar mensagem para a mãe do avisando sobre a nossa festinha – minha mãe foi atrás do seu celular dela pelo sofá da sala.
— Enquanto você conversa com ela, eu vou ir jantar com essas duas belezuras aqui, vou dormir aqui, mas não precisa me esperar, vamos acabar voltando muito tarde... – aviso a minha mãe andando em direção a porta.
— Eu falaria pra você ter juízo, mas você nunca teve mesmo, leve a chave – meu pai pegou a chave atrás de si jogando em minha direção.
— Sou o mais ajuizado dos três, eu cuido – Justin comentou ao passar pelo meu pai.
— Sem comentários, até amanhã – Astrid negou com a cabeça vindo ao meu encontro.

***

O Lockhart era um dos restaurantes mais antigos da cidade, era concorrido e tradicional. Sua estrutura toda amadeirado e rochosa junto com a pouca luz trazia um ambiente romântico e elegante ao mesmo tempo.
Astrid roubou a cena com aquele vestido vermelho, seus cabelos louros soltos enrolados graças as longas horas de baby liss, mas por incrível que pareça a maquiagem não era tão carregada, era apenas o básico da pele porem com um batom vermelho que realçava seus lábios.
Eu estava bem bonito, modesta a parte, uma calça preta combinava perfeitamente com a minha camisa social azul, minha barba por fazer do jeito que eu gostava, meus cabelos alinhados para um lado só.
Havia reservado uma mesa ao lado da janela ao final do restaurante, queríamos ser discretos porem nem tanto, afinal Justin era o nosso falso paparazzi pronto para registrar nosso jantar romântico e mandar para Carter nos ajudar com uma boa mídia para Astrid.
Ela estava nervosa, eu sentia aquilo somente pelo seu olhar, perdido. Enquanto analisava cada detalhe do restaurante pensativa.
— Sabia que eu consigo ler mentes? – apoie-me na mesa encarando seus olhos.
— A é? – ganhei a atenção de Astrid, ela apoiou o rosto sobre uma das mãos, pegando a minha mão livre.
— Atrás de nós – apontei discretamente para o casal de namorados – Sexo – Astrid riu, apontei para outro lado, uma bela mulher com um homem na casa dos quarenta anos – Dinheiro e sexo – era obvio – Mais sexo – apontei para a outra mesa um casal que se provocava suavemente por de baixo da mesa.
— E aquele ali? – apontou para o jovem japonês no caixa com cara de paisagem.
— Gato. – dei de ombros.
Astrid riu negando com a cabeça.
— Um fã de carteirinha da saga Crepúsculo. – comentou.
— Achei que não tinha pego a referência. – dou uma piscada.
— Como posso me esquecer do dia que fui para o seu apartamento e você quase me amarrou no sofá para poder assistir todos os filmes?
— Não foi tããão ruim assim...
— Não foi mesmo – riu sem graça – Eu amo cada momento ao seu lado Austin.
Wow, tinha pego desprevenido, droga, pensei comigo mesmo, ela percebeu o meu desconforto ao ajeitar-me na cadeira.
Astrid não tinha medo de expressar seus sentimentos quando estava certa deles, mas as vezes eu não sabia como corresponde-los, me sentia traindo Justin mesmo sabendo que ambos aceitaram entrar na situação desse relacionamento.
E lá estava ele, andando devagar quase parando com o meu carro, para tirar fotos discretas minha e de Astrid, olhei para a mesma sorrindo ao perceber as fotos.
— Você acha que esse plano todo vai dar certo? – perguntou. — Acha mesmo que vou conseguir dar a volta por cima?
— Eu vejo o quanto você se esforça cada dia – começo a dizer – O primeiro passo foi ter saído do seu apartamento com Ariella, desvincular a sua imagem com a dela é difícil por serem irmãs, mas não impossível, logo as pessoas vão perceber que vocês são sim diferentes...
— Fico muito receosa com isso – confessou.
— Pensa o Dylan e o Cole Sprouse, são pessoas totalmente diferentes, bom pelo que eu vejo, não acompanho muito eles, mas um é moreno por causa de Riverdale e outro tá’ fazendo o filme After, totalmente opostos.
— No caso Ross, eu sou a gêmea convertida ao bem e cheia de plásticas e a irmã natureba hippie é a capeta desmiolada? – ponderou mordendo os lábios incerta.
— Exatamente isso e você o cordeiro pelo qual me apaixonei.
— Oh meu Deus, para de bancar o Edward Cullen, eu não levo jeito algum para a Bella. – revirou os olhos ao rir.
— Só estou fazendo isso para te ver sorrir – sorri lhe contagiando a sorrir também.
— Devo começar a postar sobre o nosso encontro? – perguntou mudando de assunto.
— Com aquelas fotos misteriosas – digo ao concordar com a cabeça.
Tínhamos que estar entre os assuntos mais comentados do Twitter aquela noite.

***

— Tem certeza que seus pais estão dormindo Austin? – Justin sussurrou em meu ouvindo andando na ponta do pé com medo de fazer um barulho sequer.
— Não acho isso uma boa ideia, não é melhor voltamos para a casa do ? – sussurrou Astrid.
— Ei, relaxa, meus pais já foram dormir a um tempão – mostro o meu celular para que Justin veja o horário em que minha mãe me avisou que iria dormir. — E não vamos fazer barulho lá em cima agora.
— Onde vamos? – Astrid perguntou ao sentar-se no sofá para tirar os saltos. — Nossa que alivio, esse salto estava me matando!
— Para o jardim – pisquei andando até a cozinha sendo seguido pelos dois.
Abri a geladeira sorrindo ao ver o fardo de cerveja que comprei com o cartão de mais cedo trincado de gelado junto com mais algumas bebidinhas para alegrar a nossa madrugada.
— Loira já viu que seu nome está em segundo nos trends topics? – Justin comentou ao mostrar o celular para Astrid.
— Quem está em primeiro? – a loira perguntou segurando o celular para ver melhor – e ... Olha só a cidade de vocês está em terceiro lugar.
Portland? – pergunto surpreso.
— Sim! – Justin concordou – Isso significa que já sabem que vocês estão na mesma cidade.
— E amanhã com essa pool party que minha mãe inventou, vão saber que estão passando um tempo juntas... – digo lembrando a festa que minha mãe organizou mais cedo.
— É o cenário perfeito! – Justin deu um pulinho ao guardar o celular. — Pela manhã vou ligar para Carter ver o que ela acha sobre isso.
Dei o fardo de cerveja a Justin, a vodca com algumas latas de energéticos a Astrid e peguei a garrafa de mais valia: Tequila.
— Você não brinca em serviço – Astrid riu.
— Não mesmo baby – lhe roubei um selinho empurrando a porta da geladeira, andando para a porta da cozinha que nos levaria ao jardim. — Pega a taça naquele armário – apontei para que Astrid pegasse antes de sair.
Eles me seguiram ficando deslumbrados com o tamanho do nosso jardim principalmente a piscina.
— Meu Deus Austin, eu quero que seus pais me adotem. – Justin disse boquiaberto.
— Eu não sabia que queria ser da família do Austin, até eu querer ser da família do Austin.
— Olha só quem fala, vive em um apartamento luxuoso com piscina. – revirei os olhos para Astrid.
— Amiga, dá o golpe da barriga nesse viado, faça o que eu não posso fazer! – Justin disse com um sorrisinho malicioso nos lábios.
— Não seria uma má ideia.
Ri ao colocar a garrafa de tequila em cima das almofadas do bangalô que tínhamos ao lado da piscina. Aproveitei que eles se acomodavam fechando a uma parte para que meus pais não nós viessem caso resolvessem dar uma voltinha noturna pela casa devido ao barulho que provavelmente iriamos fazer.
Peguei meu celular o conectando na caixa que deixávamos em uma das figas do bangalô.
— Não vai acordar seus pais? – Astrid perguntou apenas neguei com a cabeça colocando a minha playlist para tocar. – Não deixe muito alto.
— Não. Relaxa – murmurei deixando meu celular ali por perto.
Tirei meu sapatos e as meias sentindo a grama gelada entre meus dedos, Justin abriu uma cerveja para mim e pegou outra para ele, Astrid negou preparando sua vodca com energético para podermos brindar.
— Ao que vamos brindar? – Justin perguntou levantando sua garrafa.
— A vida. – Astrid levantou seu copo. — Por essa oportunidade.
— A nós – levanto minha cerveja – Por estarmos juntos nessa.
E assim brindamos, cada um deu o seu primeiro gole em sua bebida.
Sentei-me entre os dois, olhando para os lábios do Justin fixamente.
Ta’ olhando o quê? Gostou de mim? – Justin bebeu sua cerveja.
— Gostei. – digo mordendo os lábios – Me dá um beijo vai. – peço manhoso.
— Eu não sou fácil não — Justin riu ao segurar meu rosto entre suas mãos me dando um beijo sem língua, abro os olhos arqueando a sobrancelha.
— Vem loira – Justin chama por Astrid.
Olho para mesma que já havia tomado boa parte da bebida em seu copo para que o álcool subisse mais rápido, deixou o mesmo de lado se aproximando mais de nós.
Astrid beijou Justin por primeiro, de um jeito bem provocante e urgente, eles tinham um fogo e tanto. Mas logo ela me puxou entrelaçando seus dedos entre meus cabelos colando nossas bocas em perfeita sincronia.
Nunca um beijo triplo encaixou tão bem quanto aquele, ambos sabiam distribuir suas vontades.
— Vamos esquentar um pouquinho? – Astrid cessou o beijo olhando para meus lábio, aponto para a minha garrafa de cerveja primeiro. — Não, não, vamos de tequila.
Body shot? – Justin sugeriu.
— Por que não? – Astrid lançou um sorriso malicioso para nos.
Justin logo tratou-se de livrar da camisa branca que usava a jogando na grama, comecei a desabotoar a minha camisa social azul até tirá-la por completo.
— Está na desvantagem – comento ao apontar para Justin e eu.
Astrid tira o lacre da garrafa de tequila a abrindo ignorando o que eu falei jogando tequila em meu corpo sem nem pensar duas vezes.
Deitei-me rindo ao ser atacado por Justin e Astrid de uma vez só, sentindo a língua da loira chegar até a minha calça.
— O que acha de ficar sem as calças?
— O que acha de ficar sem o vestido?
— Uma boa ideia – concordou ao levantar-se. — Mas eu preciso de uma ajudinha aqui.
Olhei para Justin que levantou-se parando em pé atrás da loira abrindo o seu vestido pelo fecho na parte detrás, ele se afastou para observar o vestido vermelho caindo aos seus pés.
Nesta mesma hora, o meu celular começou a tocar Veneno da Anitta, Justin comemorou voltando a deitar ao meu lado, Astrid nos olhou por cima dos ombros, olhei cumplice para Justin já imaginando o que ela faria.
— Que quede claro, si tú te portas bien, yo te lo voy a dar...
Ela abaixou-se no ritmo da música, antes de virar-se para nos revelando seu belíssimo corpo, por ser um vestido com um decote que realçava seus peitos, Astrid não estava usando sutiã, sua única peça de roupa era sua pequena calcinha de linho branco para não marcar no vestido.
Como nunca te lo han dado, no te equivoques...
Sorri ao ver que ela estava perfomando a música para mim, abaixou-se novamente para dar um gole em sua bebida, antes de subir sobre meu corpo com uma perna em cada lado jogando seus cabelos louros para um lado só.
Cuida el terreno, no sabes en lo que te estás metiéndo...
Olhei para Justin que observava a cena atentamente e antes que eu pudesse dizer algo ele foi mais rápido.
— Eu quero ver essa diaba em ação! – deitou-se um pouco afastado piscando para nós.
— Una vez que tú siembres en otro suelo...
Astrid mordeu os lábios ao piscar de volta antes de deitar seu corpo todo sobre o meu ficando perto dos meus lábios, olhou fixamente em meus olhos que olhavam para sua boca, ela sorriu ao fingir beijar minha boca, mas trilhar com a sua respiração até o meu pescoço, onde beijou lentamente deixando uma marca do seu batom.
— Porque yo soy tu veneno, controlando tu cuerpo...
Ao fazer meu corpo arrepiar com seu beijo, sorriu satisfeita descendo mais beijos por toda a extensão do meu corpo me marcando até chegar a minha calça, onde começou a abrir o meu cinto lentamente percebendo que já estava ficando com o meu membro duro o que começava a dificultar.
Tú me das lo que quiero, soy tu veneno...
A ajudei ficando apenas de cueca boxer, Justin também começou a ficar excitado com toda a nossa brincadeira e Astrid pediu para que ele também tirasse sua calça já que estava em desvantagem ainda todo vestido daquele jeito. Ela voltou a ficar por cima, fazendo movimentos de vai e vem bem lentamente com o seu corpo deitado sobre o meu, com a minha mão livre enfiei dentro da cueca de Justin sentindo já seu membro duro e latejante em minha mão, ele soltou um gemido baixo ao se aproximar mais ainda deitando-se de volta ao meu lado. Astrid pegou minha outra mão livre, levando ao seu peito para que eu apertasse na intenção de excita-la.
Estás jugando con fuego, cuidao', que te quemo...
Astrid repetiu o refrão baixo em meu ouvido, antes de levantar-se atacando novamente minha cueca a jogando no chão junto com toda minha roupa.
Ajoelhou-se em minha frente, abocanhando o meu membro todo de uma vez, enquanto acariciava minhas bolas, tomei a liberdade para começar a masturbar e beijar Justin, enquanto Astrid me fazia um maravilhoso oral.
Que pienses más en m, de lo que pienso en ti...
Justin percebeu que a língua ágil de Astrid poderia me fazer gozar rapidamente quando meus movimentos em seu membro começaram a diminuir.
Tratas de mantenerte en el juego, y te dejo seguir...
— Minha vez, loira, vem pra cá – Justin e Astrid levantaram-se no mesmo instante e quando o moreno se posicionou atrás dela, tomou a liberdade de puxar sua calcinha para baixo, a loira levantou os pés para tirar deixando-se ao meu lado. – Acho que não é ai que você tem que ficar para receber um oral.
Aún no tienes claro, que soy la que controla..
— Austin nunca me fez um oral – Astrid riu beijando meus lábios, senti um arrepio ao perceber que Justin começou a sugar minhas bolas, aquilo era maravilhoso.
Pero dale, vamos, paso a paso que me va elevando el calor
— Você não quer? – perguntei sem entender passando minha mão pelo seu corpo ao aproximá-la mais de mim, Astrid mordeu os lábios incerta, ela sabia muito bem que era novidade minha experiência com mulheres. — Eu quero que você sinta prazer da mesma forma que eu... Estou com vontade. – confessei contra seus lábios.
— Eu quero Austin. – beijou novamente meus lábios passando sua mão entre meus cabelos dando leves puxões.
— Porque yo soy tu veneno, controlando tu cuerpo, tú me das lo que quiero...

***



Quando Astrid saiu do meu quarto após tê-la ajudado a escolher o seu vestido para o jantar com Austin, pude me vestir tranquilamente enquanto minha namorada terminava de se maquiar, assim que comecei a arrumar meus cabelos passando uma tomada para deixa-lo do jeito que eu queria, revirava sua mala de roupas enquanto cantarolava alguma canção que eu desconhecia.
If all it is is eight letters, why is it so hard to say? – Cantarolou chamando minha atenção, arqueei a sobrancelha, não conhecia aquela musica.
— Que música é essa? – pergunto curioso ajeitando meus cabelos.
— Se chama “8 Letters” acho bem provável que voce não conheça – riu sem graça.
— Realmente, não me é nenhum pouco familiar, quem canta? – insisto em saber.
Why Don’t We. – reviro os olhos continuando a arrumar o meu cabelo.
A curiosidade matou o gato, .
— Eu vi, eu vi – alegou. — Eu vi essa reviradinha de olho, .
— Hum... – respondo dando de ombros, prestando total atenção em meus cabelos louros.
respirou fundo, puxando um vestido branco frente única da sua mala, tirou o sutiã o jogando em cima da cama o vestindo de costas para mim, fazendo-me perder a concentração.
Não iriamos sair daquele quarto tão cedo se continuássemos assim.
— Ficou bom? – perguntou me olhando dando uma voltinha.
— Você está maravilhosa . – digo deslumbrado com a sua beleza.
— Você merecia um beijo se não estivesse bravo de ciúmes. – piscou andando até o outro lado do quarto onde guardamos os nossos sapatos em busca do que usar. — Salto alto ou baixo?
— Qual combina mais com o seu vestido? – pergunto a olhando. — E eu não estou com ciúmes.
— Acho que um baixo – ponderou colocando uma sandália prateada no pé – Se não tivesse ciúmes da banda não teria caído na lábia das Ross.
— Realmente combinou – concordei a olhando – E normal um namorado sentir ciúmes da namorada, . – rebati.
I’ve said those words before, but it was a lie, and you deserve to hear them a thousand times voltou a cantarolar a tal musica da banda de seus amigos.
, nao ouse dizer essas oito letras antes que eu as diga para você.
— A música não fala quais são essas oito letras, voce sabe quais são? – perguntou sapeca mordendo os lábios.
— Não sei, talvez na hora certa você saiba – lhe dei um beijo rápido a puxando pela mão para sairmos do quarto.
Para a surpresa de ninguém, estávamos atrasados mais de uma hora e meia, seja lá o que Austin havia aprontado, se não houver reembolso eu voltarei para Califórnia chorando para pagar a fatura do meu cartão de credito.
Descemos as escadas, a casa estava toda apagada, com apenas uma luz acessa apenas na cozinha revelando a chave do carro em cima do balcão com um bilhete de Austin.
O bilhete tinha apenas uma bandeira dos Estados Unidos desenhada com o giz de cera de Corinne.
Que porra é essa?” Pensei comigo mesmo, pegando o bilhete o colocando no bolso.
Seguimos até o carro, conversando sobre a família Ross, éramos namorados a apenas alguns dias mas fofocávamos mais que as velhinhas do parque em pleno domingo de manhã.
Dentro do carro mais um bilhete jogado em meu banco, o peguei vendo uma casa desenhada com giz preto e pintada de branco.
— Corinne esteve aqui? – perguntou sem entender nada.
— Não digo a Corinne, mas sim o Austin – ri mostrando o bilhete assinado apenas com um “A” no verso.
— Ele é fã de Pretty Little Liars certeza – ela disse querendo pegar o bilhete, mas eu esquivei – Não posso ver, por que?
— Porque creio eu que é o local da nossa surpresa. – pisco ligando o carro após guardar o bilhete no quebra sol do carro seguindo para o endereço informado.
— Como assim ? Pediu ajuda ao Austin para nosso encontro?
— Talvez...
! – repreendeu-me com um tapa no braço.
— Qual é? A primeira vez foi um fiasco eu te cantei uma música velha de uma banda em hiatus.
— Não ouse falar mal do meu One Direction. – ganhei mais um tapa no braço. — A sua surpresa não foi um fiasco. O que foi um fiasco foi saber que você agarrava sua vizinha.
Gelei ao saber que lembrava-se de Charlotte, apertando minhas mãos ao volante, ela poderia ter esquecido, não é mesmo?
— Foi difícil para ter você de volta sabia? – rebato ao dirigir me encolhendo para não levar outro tapa.
— Você não existe – negou com a cabeça – Então se é uma surpresa para nós dois, deixa eu ver se ajudo você a entender as pistas.
— Faz sentido – dou de ombros pegando os dois bilhetes entregando a .
— A bandeira dos Estados Unidos e uma casa branca... O que isso quer dizer?
— Não faço a mínima ideia – dou de ombros.
— Se for o que estou pensando, estamos bem longe.
— O que você pensou?
— O obvio – juntou os dois papeis – Casa Branca.
Bati na minha própria testa, entendendo perfeitamente onde era o nosso encontro.
Eu já tinha matado as pistas. Acelerei ao ligar o rádio do carro.
Animado para onde estávamos indo ao hotel White House, Austin era um gênio aquele lugar era magnifico para uma noite romântica, era um lugar que várias pessoas usavam como palco para seus casamentos.
A música False Alarm do The Weeknd me contagiava.
So obsessed with the camera lights, she loves...
— Já sabe onde vamos? – perguntou em um tom de voz alto animada com a música que tocava.
— Você vai adorar – lhe roubou um beijo segurando sua mão balançando no ritmo da música.
Cantamos a música do canadense em alto bom tom, nos divertindo enquanto fazia o caminho até o hotel onde passaríamos a noite, ao chegar na entrada desacelerei para contemplarmos a beleza do lindo jardim, mesmo estando de noite a beleza e o cheiro das flores era agradável.
— Nossa – disse ao olhar para frente boquiaberta – É uma réplica da Casa Branca.
— Sim – riu ao concordar.
— Portland tem a sua própria Casa Branca – comentou assim que parei o carro em frente à entrada, antes que eu pudesse exercer o meu cavalheirismo ao sair do carro a abrir a porta para a minha namorada, ela mesmo já estava em pé olhando tudo ao seu redor. — É incrível, . – beijou meus lábios ao segurar minha mão.
— Vem, vamos entrar – murmuro contra seus lábios.
O local estava calmo, ao entrarmos além de um charmoso vaso de planta em cima de uma mesa rustica com uma linda placa de boas-vindas, logo uma senhora loira venho nos recepcionar.
e , sejam muito bem vindos a White House de Portland, eu me chamo Ivone e vou recepciona-los esta noite.
— Olá Ivone – dissemos uníssono, nós olhamos rindo da coincidência. — Bom, quem planejou tudo foi um amigo meu...
— Austin Forbes – concluiu Ivone – Ele esteve aqui mais cedo, conheceu nossas acomodações, escolheu para vocês uma das nossas melhores suítes.
— Austin não brinca em serviço – comentou.
— Nunca erra – concordo.
— Mas antes de acompanha-los até a suíte, vamos ao nosso jantar. – Ivone apontou com sua mão para o lado esquerdo indicando onde era o restaurante antes de a seguirmos. — Ele pediu para que o jantar do casal fosse bem reservado graças a senhorita , então adiantamos o nosso jantar para nossos outros hospedes, reservando todo esse salão para vocês.
Assim que Ivone abriu a porta, nos deparamos com um enorme salão, pétalas de rosa formavam o nosso caminho até a única mesa ao centro do salão, a iluminação era toda feita a luz de velas.
— O Senhor Forbes, fez questão de montar um cardápio especial para vocês.
— Já até imagino o que ele falou... –reviro os olhos rindo ao pegar o cardápio das mãos de Ivone.
— Ele com certeza disse que temos paladar infantil – disse olhando para Ivone que riu sem graça ao concordar com a cabeça.
Fizemos rapidamente o nosso pedido e Ivone nos deixou a sós curtindo todo o clima romântico do nosso jantar.
Estava deslumbrado com a beleza de e como mesmo sem saber onde seria o nosso encontro acertou tão bem na sua escolha de roupa, aquela garota era perfeita. O que me fazia constantemente perguntar o que diabos ela estava fazendo namorando comigo?
Não posso negar que eu estava, como Austin diria, um arraso!
Deixei de lado minhas inseparáveis calças com qualquer tipo de rasgo pelas minhas pernas, usando apenas uma calça jeans azul escura lisa que combinava perfeitamente – pra mim estava combinando – com a minha camisa social preta com listras brancas verticais.
— Não consigo parar de te olhar – disse atraindo minha atenção.
— Tem algo de errado comigo? – pergunto ao olhar meu reflexo na tela do celular em cima da mesa.
— Não . Você está maravilhoso – disse sorrindo – Como sempre – não deixou de enfatizar.
Sorri ao sentir minhas bochechas ficarem vermelhas, droga!
Olha só eu voltando a usar expressões de pessoas apaixonadas.
Mas o que mais eu poderia fazer? Eu estou literalmente de quatro por essa garota.
Enquanto nosso jantar não ficava pronto, engatamos a falar como foi o nosso dia, ela contou sobre suas primeiras impressões sobre a minha família e sua insegurança total com Corinne no parque, revelando que não leva muito jeito com crianças.
— Eu sou apaixonado por crianças – confesso empolgado com o assunto – Quando minha irmã me contou que estava gravida eu pulei de felicidade, comprei um bolo para comemorarmos e tudo mais... quem compra um bolo para comemorar uma gravidez?
— Não sabia sobre essa sua paixão – comentou – E realmente um bolo é bem diferente.
E nesse momento acabei me lembrando do pequeno Cayden, o filho de Charlotte e como nos demos bem quando nos conhecemos, ele era um garoto incrível.
— Fui eu quem acompanhei Cristina na hora do parto – disse balançando a cabeça para afastar tais pensamentos – Joseph tinha ido visitar um cliente de última hora na cidade vizinha e Cristina entrou em trabalho de parto, não quis entrar sozinha e acabou pedindo para que eu lhe acompanhasse, foi um dos dias mais marcantes da minha vida.
ouvia atentamente com seus olhos brilhando para mim.
— Então imagino, que seu sonho seja ter filhos? – perguntou soltando um sorriso.
— Com toda certeza do mundo – concordei com a cabeça – É clichê eu sei, mas quero ser o pai que infelizmente nunca pude ter. – engulo a seco.
— Já está treinando com Corinne.
— Tento ser o melhor tio do mundo para ela, mimo aquela garotinha tanto que minha irmã e o Joseph até ficam bravos.
— Pelo tanto que ela me falou de você hoje no parque, acredite ela já te considera o melhor tio do mundo – contou deixando o meu coração sentindo aquela famosa sensação de dever cumprido.
— E você ? – ela fez a famosa cara de interrogação sem entender a minha pergunta –Quero saber quantos filhos nós vamos ter... Sua opinião sobre crianças.
— Bom – engoliu a seco – Sobre crianças, tenho muitos fãs mirim, eu os trato muito bem, bom, nunca saiu em nenhum lugar que eu maltratei algum deles, mas eu não sei... – ela estava nervosa?
— Entendo... – começo a entender que não é crianças mão são muito a praia de .
— Sobre ter filhos eu acho que... – olhou em meus olhos ao respirar fundo. – Não está nos meus planos agora, na verdade, isso nunca ao menos passou pela minha cabeça. Eu sendo mãe? – negou com a cabeça – Eu preciso da Carter para cuidar de mim, se eu tiver um bebe vou precisar de duas Carter.
E naquele momento, toda minha empolgação foi pelo ralo.
Eu e não tínhamos os mesmos planos.
E antes mesmo que pudéssemos discutir sobre isso, Ivone voltou ao salão sendo seguida por dois cozinheiros com o nosso jantar.

***

Tentei manter o clima do nosso jantar o mais harmonioso possível, depois do balde de água fria que havia recebido de , na minha singela opinião pensar em um futuro era um ponto essencial dentro de um relacionamento e saber que minha namorada não era a fã número um de crianças, por não sentir-se tão responsável assim me cansou um desanimo tremendo!
Após a nossa sobremesa, Ivone disse que nos acompanharia até a suíte escolhida por Austin, sorri para ao levantar-me estendendo a mão para que seguíssemos de mãos dadas Ivone que andava na nossa frente abrindo a porta do salão.
Subimos a escada principal indo para a escada ao lado direito, observando lindas pinturas e toda decoração do corredor, seguindo até o final do corredor em silencio, Ivone destrancou o quarto virando em minha direção me entregando a chave.
— Tenham uma boa noite e . – Ivone disse antes de se afastar da porta esperando para que entrássemos no quarto para poder se retirar.
E assim fizemos.
Abri a porta para que entrasse por primeiro a seguindo fechando a porta atrás de mim, o quarto era realmente rustico, a parede atrás da nossa cama tinha um lindo tom de azul escuro ornando com a enorme cama com detalhes de madeira, uma televisão em na parede e na frente da cama a porta do nosso banheiro, abri a porta me surpreendendo até com o banheiro daquele hotel, diferente do quarto rustico com acabamentos de madeira, o banheiro era todo de azulejos brancos lisos, havia uma banheira e um boxer com chuveiro a bancada da pia havia dois espelhos e tudo separado.
Quando voltei para o quarto, estava sentada do lado esquerdo da cama tirando suas sandálias, assim que terminou deitou-se me chamando com a mão.
Sorri ao andar até o lado oposto, onde desabotoei os primeiros botões da minha camisa fazendo o mesmo com as mangas para poder ficar mais relaxado, tirei os sapatos, deitando o meu corpo ficando de frente para .
Ela passou a mão por todo meu rosto levando até os fios dos meus cabelos.
— Desculpa – murmurou em tom baixo.
— Pelo quê? – perguntei sem entender.
— Sinto que você ficou chateado com a conversa que tivemos no jantar – começou a dizer.
eu...
— Não – interrompeu o que eu ia dizer, levando seu polegar aos meus lábios. – Eu primeiro – pediu gentilmente fazendo eu conceder. — Eu já suspeitava da sua paixão por crianças, sabia que uma hora ou outra iriamos ter essa conversa, mas não sabia que seria tão cedo... Antes de você chegar em minha vida, o meu foco sempre foi unicamente o meu trabalho e a minha carreira.
— Eu entendo – murmuro colocando a minha mão sobre a sua.
— Na minha vida a parte “família” não é muito explorada, digamos assim. Mas está começando a ser com você. – sorri com suas palavras — Para mim, você e Austin já são como pessoas da minha família. Família que antes era apenas composta por Carter e Florence, agora conhecendo a sua família eu já consigo sentir que estou me encaixando aos poucos.
— Mas , você tem os seus pais – a lembro vendo ela engolir a seco negando com a cabeça.
— Para mim eles não existem – disse seria – Não são como sua família.
— Nenhuma família é igual.
— O que eu estou querendo dizer retomou o assunto – Durante nosso jantar eu pensei muito sobre essa questão familiar e quero que você me mostre esse lado, para que assim possamos pensar sobre o nosso futuro.
— Bom... Você veio até aqui em Portland conhecer a minha família, nada mais justo do que irmos ao Arizona na sua próxima folga para você me apresentar aos seus pais. – pondero a ideia e discorda na hora.
— Não – riu sem graça sentando-se na cama – Não vou gastar uma das minhas preciosas folgas parar me meter no Arizona pros meus pais serem cruéis comigo e tratarem você mal.
— Austin pode nos acompanhar também...
— Você acha mesmo que o meu pai conservador do jeito que é vai entender que o melhor amigo do meu namorado e gay e está se relacionando com duas pessoas de ambos os sexos? – perguntou arqueando a sobrancelha.
— Péssima ideia, desculpa.
— Eu só quero que você entenda os meus medos . – disse segurando minha mão entre as suas. — E que me desculpe por te decepcionar.
— Desculpe , por ter ficado chateado no jantar e ter pensado só em mim. Fiquei tão empolgado com nossa viagem que esqueci que você não tem uma boa relação com a sua família e que isso te machuca, então quem tem que pedir desculpas sou eu.
— Não se culpe, está sendo uma viagem e uma experiência incrível.
voltou a deitar-se novamente em minha frente e eu a puxei para os meus braços lhe dando um caloroso abraço.
— Sabe de uma coisa?
— O quê? – perguntei sem entender.
— Um dia, ainda vou agradecer a Ariella.
— Ariella? O que? Por que? – absolutamente do nada estávamos falando sobre a nossa relação familiar e ela mete uma das gêmeas Ross no meio.
— Por ela ter feito você ir atrás de mim no backstage daquele show. – disse me olhando nos olhos. – Você foi a melhor pessoa que entrou na minha vida.
— Ir atrás de você foi a melhor decisão que eu já tomei na minha vida mesmo estando bêbado – murmuro contra seus lábios lhe arrancando um sorriso. — Você é tudo para mim.
— Você deixaria eu registrar esse momento? – perguntou baixinho provavelmente com medo da minha resposta.
— Meu celular está no bolso da calça – murmurei de olhos fechados sentindo o perfume gostoso de seus cabelos.
Senti suas mãos passearem pelo meu corpo, antes de pegar o celular no meu bolso, deu uma leve apertada em meu membro que me fez abrir os olhos rapidamente, que provocação mais descarada era aquela?
Pegou meu celular abrindo a câmera frontal apontando para nós, ela quase não aparecia por estar envolvida entre meus braços, meu cabelo já estava todo caído com a franja em minha testa, mas mesmo assim era a foto mais perfeita do mundo.
— O que acha de tomarmos um banho de banheira? – sugiro, já imaginando sua resposta.
— Uma ótima ideia – respondeu atendendo as minhas expectativas.
YES YES YES!!!
—Vou ir preparar o nosso banho então... –ameaço levantar.
— Você tem que sair daqui para isso? – murmurou entre o meu peito. agarrou-me tão forte que não queria me largar, eu ri do seu jeito manhoso.
— Podemos gritar a Ivone e acordar todos os hospedes desse andar...
— Sem mais Ivone por hoje. Ela ficou te olhando muito durante o jantar.
? – perguntei incrédulo – Ela deve ter uns cinquenta e poucos anos!
— Cristina mandou eu tomar bastante cuidado com mulheres mais velhas.
— A minha irmã é louca e não sabe o que está dizendo – nego com a cabeça.
— Por via das dúvidas, vá você mesmo preparar o nosso banho – me soltou empurrando-me da cama.
— Mandona – reclamo ao levantar virando de frente para ela.
Desabotoando minha camisa social por inteiro sendo muito bem observado antes de seguir para o banheiro apenas de calça jeans.
Para minha surpresa, me seguiu até o banheiro, colocando o meu celular para tocar em cima da pia, uma música que até então eu não conhecia, o Spotify e suas playlists aleatórias.
Encostei-me na beirada da banheira abrindo os registros e acompanhando atentamente cada movimento de , ela prendia seus cabelos para o alto em um coque que a deixava parecendo muito com a Corinne quando Cristina ia lhe dar banho mas não podia molhar as madeixas.
me olhou pelo espelho levando suas mãos até a alça do seu vestido deixando ele escorrer pelo seu corpo caindo aos seus pés.
Levei minhas mãos ao cinto da calça, o tirei o jogando ao chão do meu lado aproveitando para desabotoar o zíper da minha calça e descê-la pelas minhas pernas revelando minha cueca boxer preta.
mordeu os lábios ao virar-se de frente para mim encarando-me fixamente nos olhos, andou praticamente em câmera lenta em minha direção aproximando-se do meu rosto, antes que eu pudesse puxá-la para um beijo, ela abaixou-se retirando sua última peça de roupa entrando na banheira.
A música seguinte que começou a tocar no aleatório era perfeita para aquele momento, I Feel Coming de The Weeknd.
Abençoado seja este homem e suas músicas perfeitas para transar.
— Tell me what you really like, baby, I can take my time…
Fiz o mesmo ao livrar-me da minha cueca entrando na banheira a trazendo para mais perto do meu corpo, ela montou em meu colo enquanto eu olhava atentamente para os seus peitos, ela sorriu puxando pela nuca me aproximando me dando a liberdade para fazer o que tanto eu queria fazer:
Chupá-los.
— We don't ever have to fight, just take it step-by-step…
Os seus suspiros e arrepios era o sinal perfeito para eu entender que as minhas caricias tinham um bom resultado, sua mão agarrando forte a minha nuca e suas unhas se afincando junto com a outra mão em meu ombro deixariam algumas marcas no dia seguinte, lentamente ela fez um vai e vem no meu colo me deixando louco a ponto de mordiscá-la até ela soltar um gemido baixo.
— I can see it in your eyes, 'cause they never tell me lies…
— V-você só vai me provocar ou...
— Eu vou te foder como nunca – disse antes que ela terminasse de falar.
— I can feel that body shake, and the heat between your legs…
— Eu quero ver do que você é capaz – sussurrou contra meus lábios antes de morder meu lábio inferior com força e se levantar do meu colo ficando em pé na banheira, beijei suas coxas até parar em frente ao paraíso, suavemente subi sua perna para trás do meu ombro trilhando beijos até chegar onde queria, comecei lambendo por toda a extensão com a ajuda dos dedos fui estimulando cada parte.
You've been scared of love and what it did to you…
me segurava pela nuca agarrada em meus cabelos e suplicava baixinho para que eu não parasse o que estava fazendo, comecei a aumentar a intensidade da língua revezando com os dedos e suas pernas começaram a tremer e então eu parei de repente.
— You don't have to run, I know what you've been through…
! — disse com os olhos arregalados me olhando como se eu tivesse acabado de matar alguém.
— Just a simple touch and it can set you free, we don't have to rush when you're alone with me…
— Calma sweetheart, se eu chupasse mais um pouco você gozaria... E não queremos isso não é mesmo? – disse tentando puxá-la para voltar a se sentar, mas ela negou balançando a cabeça então me levantei ficando frente a frente e ela sorriu com o meu feito me dando um leve empurrão fazendo-me sentar na borda da banheira.
— I feel it coming, I feel it coming, babe...
Quando me sentei segurou o meu pau com uma das mãos e o colocou na boca lentamente fazendo movimento circulares com a língua, era obvio que ela iria me torturar antes de cair de boca e foi quando ela sugou as minhas bolas que eu soltei um gemido e agarrei seus cabelos na intenção que ela continuasse.
— Caralho – sussurrei e riu me olhando lá de baixo com um sorriso nos lábios, aquela garota estava me enlouquecendo.
— I feel it coming, I feel it coming, babe
Admito que achei que não mandasse tão bem quanto as outras, mas ela tinha entrado para a lista das melhores e da mesma forma que eu parei de repente com ela, logo ela se afastou de mim e subiu selar mais uma vez os nossos lábios antes de sair da banheira indo para o quarto.
Fiquei impressionado com o fato dela não ter me chamado então fui atrás rapidamente, ela estava parada em pé de costas para mim e de frente para cama e quando me olhou por cima dos ombros, deitou-se de quatro com a bunda empinada em minha direção.
Abri um sorrisinho sacana, ela teria a melhor noite de sua vida.


Capítulo 9

Tropecei nos meus próprios pés enquanto atravessava a rua sendo quase atropelado por um carro que freou bruscamente buzinando alto, se eu estivesse com algum resquício de sono tinha ido pelos ares no mesmo instante.
Após o meu primeiro encontro oficial com , voltamos para a casa da minha mãe após um belo café da manhã, ela nos avisou que iriamos almoçar na casa de Austin, então pensei que teria a manha toda para dormir mais um pouco com .
Errado.
Acabei passando a manha toda limpando o jardim com o meu cunhado, minha mãe resolveu aproveitar o filho mais velho para ir até o mercado fazer a compra da semana com uma enorme lista de tudo que precisava.
deu a brilhante ideia que fossemos andando, afinal o dia ensolarado pedia por uma caminhada....
Caminhada para quem não iria carregar um monte de sacolas na volta, foi o que pensei comigo mesmo.
E lá está ela, saltitante em minha frente segurando algumas sacolas com verduras com o celular em mãos onde gravava para seus seguidores contando um pouquinho sobre Portland.
Solto um sorriso bobo ao perceber que ela está feliz com a nossa viagem e se dando bem com a minha família, era importante acolher fazendo ela sentir-se parte da família. O tipo de relação que a garota não era muito fã.
— Carter disse que tem uma surpresa para mim quando voltarmos – comentou mostrando a conversa das duas no celular.
— Hum... O que será que pode ser? – pergunto sem fazer a mínima ideia do que poderia chutar de opções.
— Eu chuto que seja um trabalho novo, mas não sei em qual área, sabia que fiz um teste para um filme novo da Netflix? – ela disse me surpreendendo.
— Netflix, wow, quando foi esse teste? – aproveito para pegar as correspondências dentro da caixa de correio todo desajeitado torcendo para que nenhuma sacola caia das minhas mãos.
— Muito antes da gente se conhecer, mas já faz vários meses, então não imagino que seja algo relacionado a isso, ainda mais com Skam acontecendo...
— Mas esse é seu último mês de gravação de Skam – a lembro – A Netflix pode estar ciente disso.
— Ai , será? – disse ao morder os lábios andando em direção a minha casa. — Será que logo menos sou a mais nova contratada da Netflix?
— Acho bem provável, você é uma ótima atriz , eu confio no seu potencial – digo a olhando andando em direção a porta, sorri com as minhas palavras se aproximando de mim me dando um beijo na bochecha.
— Vamos torcer para que seja um filme vindo por ai – cruzou os dedos ao abrir a porta para mim.
Seguimos até a cozinha deixando sobre o balcão toda a compra que a senhora minha mãe havia pedido, Corinne logo apareceu correndo usando seu lindo biquíni de algum desenho que eu ainda não conhecia.
— Desenho novo? – a peguei no colo olhando melhor o desenho do seu novo biquíni rosa, uma cachorrinha com roupa rosa.
— É a Sky da Patrulha Canina – apontou para a estampa.
— A Sky! Como pude me esquecer dela? – disse me lembrando do desenho.
— Por que você é lerdo tio – Corinne revirou os olhos fazendo rir.
— É lerdo mesmo – concordou – Corinne quer subir comigo me ajudar a escolher o meu biquíni? – perguntou me surpreendendo ao já vir pegando a pequena dos meus braços.
— Oba, eu quero, eu quero! – Corinne respondeu animada.
— Enquanto isso o tio guarda toda a compra e deixa a cozinha toda arrumada.
Joseph riu ao entrar na cozinha a procura de Corinne a achando nos braços de , mudou sua rota para a geladeira a atacando atrás de um suco de laranja.
— Isso mesmo , mantenha na rédea curta.
— Amor, logo você querendo zoar o meu irmão? – Cristina disse arrumando a bagunça de Corinne na sala recolhendo alguns brinquedos.
— Poderia ter me dado uma moralzinha, né amor? – fez bico ao ser zombado.
— Não quero. E pode tratar de ajudar o a arrumar a cozinha. – Cristina mandou fazendo Joseph revirar os olhos.
— Eu vou subir escolher meu biquíni – anunciou beijando meus lábios antes de sair da cozinha com Corinne. — Cristina? – chamou a minha irmã antes de subir as escadas. — Pode me ajudar também?
— Claro , vamos lá – Cristina disse animada e as garotas subiram as escadas conversando animadamente sobre biquínis.
Enquanto eu guardava as compras em seus devidos lugares, Joseph aproveitou para lavar a louça enquanto conversávamos sobre as novidades de nossas vidas, ele acabou me contando que está quase tudo certo para ele e Cristina se mudarem para uma casa nova em uma cidade vizinha o que facilita muito a sua vida no trabalho.
— Como é ter uma namorada famosa? – meu cunhado me perguntou. — Eu estava olhando o perfil do Instagram da ontem e cara ela tem MUITOS seguidores.
Ri sem humor, eu não me importava com os números de .
— Pra mim até agora está sendo normal – dou de ombros passando a mão entre meus cabelos. – No trabalho as vezes algumas fãs aparecem lá pra tirar foto de mim escondidas e perguntar se por um acaso ela não vai aparecer por lá...
— E as matérias com seu nome? Não te incomodam? – Joseph parecia um entrevistador, será que ele escondia algum gravador em sua roupa?
— Não, nem um pouco – nego com a cabeça – Quem costuma a ler e me falar normalmente é o Austin.
— Sabe que agora você e o Austin vão conhecer muitos famosos... – onde ele queria chegar?
— Acho que sim. – respondo incerto.
— Isso parece ser bem interessante, quem você tem vontade de conhecer? –insistiu no assunto me fazendo arquear a sobrancelha.
— Joseph – dou risada já entendendo tudo, o mesmo engole a seco ficando sem graça. — O que acha de falar com sobre isso?
— Será que ela conhece algum jogador dos Dodgers? Qualquer um! Seria um sonho tirar onda com algo oficial do time... Autografado. – confessou animado.
— Sério! Ela vai adorar conversar com você sobre isso – o incentivo lhe dando um tapinha no ombro. — Vai se sentir mais próxima de toda a família.
— Ora ora, chegou a pessoa mais importante de nossas vidas – Joseph disparou ao ver minha mãe entrando pela porta da cozinha vindo do jardim.
A mesma arqueou a sobrancelha em ar de desconfiança.
— Não adianta me pedir nenhum favor, estou de folga hoje. – a mais velha já alegou nos fazendo rir. — E deixe de ser falso comigo Josh. – minha mãe errava o nome de Joseph de proposito por pura implicância.
— Não vou pedir nada, calma – defendeu-se – E não estou sendo falso, se não fosse por você eu provavelmente não estaria casado e teria uma bela família.
— Você provavelmente seria só mais um solteirão largado por ai. – minha mãe rebateu rindo e olhou para mim – Fez as compras? – cobrou.
— Fiz e já guardei tudo. – mostro as sacolas em cima do balcão.
— Eu lavei a louça – Joseph prontificou-se a dizer para ganhar um mérito recolhendo as mesmas sacolas guardando em uma gaveta em baixo do balcão.
— Muito bem. Fez nada mais nada menos que a sua obrigação.
— Precisa de mais alguma coisa mamãe? – perguntei segurando para não rir.
— Não, obrigado . Quero saber é aonde estão as mulheres desta casa? – perguntou olhando para sala não encontrando ninguém por ali.
— Provando biqui... – senti o celular vibrar em meu bolso da calça, quem poderia estar me ligando a uma hora dessas? Olhei para a tela engolindo a seco.

“Charlotte”.

Fiquei olhando para o celular tocando até a ligação cair na caixa postal, limpei o histórico guardando novamente no bolso da calça, Joseph ficou sem entender o porquê de eu não ter atendido, mas antes que pudesse dizer algo, Corinne começou a gritar.
— Papai, tio, papai, tio – Corinne nos chamou descendo a escada a milhão.
Joseph ouviu os gritos da garota correndo para a escada para evitar um acidente, a garota apenas se jogou em seus braços gargalhando por ter assustado o pai.
— O que foi? Aconteceu alguma coisa? Cadê a sua mãe? – Joseph disparou a perguntar sem entender.
— Não aconteceu nada papai...
— Pra que gritar assim Corinne, quase me mata do coração! – Joseph levou a mão ao peito sentindo o acelerado.
— A mamãe e a tia vão fazer um desfile com os biquínis que escolhi pra você e pro tio – Corinne explicou olhei para o topo de escada e Cristina estavam a olhando escondidas, sorri ao piscar olhando para minha namorada. — A vovó está aqui – gritou.
— Tudo bem – Cristina e responderam uníssono.
— Ah um desfile filha... – Joseph comentou.
— Então vamos assistir – disse encostando-me na parede ao lado da porta da cozinha com os braços cruzados.
Joseph colocou Corinne no chão e a mesma ficou no primeiro degrau da escada sorrindo, minha mãe se juntou a nossa pequena plateia observando a garotinha.
— Na passarela, usando o biquíni azul da cor do Chase... Mamãe! – Corinne anunciou a própria mãe batendo palmas e nós a acompanhamos.
Chase era o cachorro da Patrulha Canina que tinha a roupa verde.
— Ela tá’ falando o nome dos cachorros do desenho – Joseph disse baixinho fazendo eu e minha mão acabarmos rindo.
Cristina fez posse no começo da escada descendo os degraus com cuidado passando os cabelos como se estivesse realmente em uma passarela, chegou perto de nos dando uma voltinha Joseph assobiou a abraçando pela cintura e lhe dando um beijo em seus lábios.
— E agora, usando um biquíni verde da cor do Rocky, vem a ! – Corinne anunciou e mais uma vez nos batemos palmas a observando descer as escadas.
A cor do Rocky, era azul.
A beleza de me deixava de queixo caído a qualquer momento, se aquela garota usasse a roupa mais feia do mundo ela conseguiria transformar na mais bonita, somente por ser ela usando a peça.
Chegou ao último degrau da escada com as bochechas vermelhas de vergonha por estar sendo olhada por todos da família, correndo me abraçar enquanto batíamos palmas.
Olhei sorrindo para beijando sua testa.
— Vocês todas estão maravilhosas – minha mãe disse ao pegar Corinne nos braços. — Mas precisam tomar um Sol urgentemente! Estão muito brancas.
— Então vamos logo para a casa do tio Austin oras! – Corinne disse fazendo com que todos nos concordássemos.

***

— Está deitado bem aonde eu fiz um ménage com a Astrid e o Justin ontem – Austin disse ao se aproximar com uma cerveja em mãos para mim.
Austin não me dava um minuto de paz e sossego, mas não podia negar que ficar longe por uma noite, me deixou morrendo de saudade da minha pessoa preferida do mundo.
— Caralho Austin, não perdoou nem o bangalô? – me levanto com rapidez pegando a cerveja de suas mãos – É o lugar que mais gosto de dormir quando venho aqui.
— Pode usar hoje com a se quiser, dou um jeito de levar todos para dentro da casa no final do dia – Austin elaborou todo o plano para que eu usasse o bangalô igual ele fez na noite anterior.
Não seria má ideia, ainda mais após uns amassos dentro da piscina, no final de tarde.
— Não... Enlouqueceu? – balanço a cabeça em negação, mandando para longe tais pensamentos – Esse namoro a três está te deixando louco. – o ataquei.
— Louco? – riu — Eu to’ na minha melhor fase! – deitou-se no bangalô — Mas vou te poupar dos detalhes
— Eu agradeço – suspiro aliviado sentando-me na grama em sua frente.
— Mas te poupar dos meus detalhes não quer dizer que eu não queria saber sobre os seus detalhes – Austin disse me olhando – Pode falar, mandei bem?
Arregalei os olhos ao lembrar-me que foi Austin que havia planejado tudo.
— Puta merda! – digo ao lembrar que a noite de ontem – Eu esqueci totalmente de te agradecer, me desculpa? – peço sem graça. — Você mandou bem pra caralho, nunca ia me passar pela cabeça aquele lugar.
— Eu sei, você ainda não está acostumado com o romantismo meu caro amigo.
— Não mesmo, mas isso vai mudar... eu espero – dou um gole na minha cerveja procurando por pelo jardim.
A encontro distraída falando algo com a mãe de Austin com um protetor solar em mãos.
— Está acostumado a pagar a cerveja da mais barata para as mulheres juntamente com o quarto de motel mais estragado de algum lugar da cidade que o taxista conseguiu te deixar lá por vinte dólares. — olho para Austin e acabo rindo sendo acompanhado por ele.
Não posso negar que minhas farras eram as melhores.
— Você é péssimo Forbes – o repreendo. — Os tempos mudaram.
— Obrigado eu amo ser uma péssima pessoa. – ele agradeceu piscando – Mas chega de enrolação como foi a foda?
— Austin! Eu vou ser obrigado a chamar sua mãe. – apontei para a mesma e ele me atacou com um almofada.
— Qual é ? Você sempre me contou tudo! Porque agora com vai ser diferente? – insistiu novamente.
— Porque ela é diferente das outras – digo o obvio, acho que realmente o amor estava me tornando uma pessoa melhor e mais intensa?
— Clichê. – zombou novamente. Deus! Acho que no meio desse ménage, Austin pegou a personalidade da Astrid misturada com a insistência de Justin. — Nem quando você perdeu a virgindade foi tão melodramático.
— Ela é a minha namorada.
Eu sabia que a curiosidade de Austin para saber como havia sido a minha noite com era justamente para saber como deveria agir com Astrid, não posso me esquecer que ele é novo nesse “meio” e precisa de alguns conselhos do seu velho amigo aqui.
— Acho que a sua namorada está precisando de ajuda com aquela enorme boia de melancia – aponto para Astrid do outro lado da piscina tentando terminar de encher a boia que tinha uma aparência bem murcha.
— Ela está arrumando a piscina para tirarmos foto – Austin disse ao se levantar – Se prepara, você também vai fazer parte dessas fotos.
— Por que? – pergunto sem entender estendendo a mão para que ele me ajudasse a levantar.
— O nosso plano e Astrid está em andamento, se esqueceu? – pegou em minha mão me ajudando com facilidade.
Lembrei-me do nosso plano em andamento, uma boa mídia a uma modelo plastificada com a carreira rolando ladeira a baixo. Sempre quando pensava nessa situação a voz de Carter ecoava pelo meu consciente dizendo que era uma má ideia e tudo aquilo não passava de fingimento.
Mas ao ver Astrid esforçando-se para ser amiga de , confundia tudo.
— Desculpa, tinha me esquecido – sorrio sem graça.
— Olha você não quer me contar detalhes, mas eu imagino que o a botou fogo no parquinho, está se esquecendo de praticamente tudo que está acontecendo a sua volta! – Austin disse novamente me zombando.
é incrível Austin. – comento não me aguentando guardar segredo com um sorrisinho nos lábios.
— Incrível, huh? – sorriu malicioso.
–Incrível – repito — Agora vai ajudar a sua namorada – o empurro para que ele ande rápido ajudar Astrid que surtava do outro lado do jardim como uma criança mimada.
— Ai seu estupido – reclamou antes de sair de perto.
Termino de beber minha cerveja, andando em direção a mesa em que Cristina havia colocado Corinne sentada e emplastava a mesma com protetor solar que a criança chegava a ficar branca, minha mãe observava a cena com uma cerveja em mãos segurando para não rir.
Joseph ajudava o pai de Austin com as carnes na churrasqueira, já Justin aproveitava para ajudar a sogra com o nó na parte detrás do biquíni.
veio ao meu encontro com um pouco de protetor solar nos dedos e passou de um lado do meu rosto fazendo dois risquinhos e um pontinho no meu nariz antes de fazer o mesmo processo do outro lado.
— Se ficar marcado assim, eu to’ ferrado – dou risada ao percebê-la se afastando um pouco para tirar foto.
Depois da foto, aproximou-se ficando na ponta dos pés, espalhando todo protetor solar pelo meu rosto.
— Não vai ficar marcado, porque eu cuido muito bem do meu namorado – disse contra meus lábios antes de me dar um beijo rápido.
— Que bom saber disso, porque eu também cuido muito bem da minha namorada...
— Chega de melação , vamos ao trabalho – Astrid gritou do outro lado da piscina jogando a boia de melancia na água junto com as demais boias.
— Aposto dez dólares que as duas vão cair na agua antes da primeira foto e estragar tudo. – grito para Astrid.
— Vinte dólares – o pai de Austin entrou no jogo gritando da churrasqueira.
— Que calunia – retrucou boquiaberta me dando um tapa no ombro.
— Trinta dólares – foi a vez de Joseph aumentar a aposta.
— Vou lembrar disso quando estiver com os ingressos do Dodgers em mãos cunhadinho! – disse com os olhos semicerrados para Joseph que arregalou os olhos retirando sua aposta na mesma hora.
— Ele te pediu mesmo isso? – pergunto não aguentando segurar a risada.
— Qual é? Você falou que eu podia – Joseph defendeu-se.
— Na verdade, ele pediu para a sua irmã pedir – apontou para Cristina que fez um joia com a mão sorrindo deixando Joseph ainda mais sem graça.
— Chega de conversa – Justin bateu palmas vindo ao nosso encontro – Pra piscina, todos vocês.
Justin pegou o celular das mãos de que seria utilizado para tirar as fotos, então andamos para o outro lado da piscina nos juntando a Astrid e Austin combinando como seriam as fotos.
— Primeiro vai ser assim, prestem bastante atenção porque qualquer deslize acaba com tudo – Justin começou a dizer, dramatizando o fato de que se caírem da boia antes da hora perdemos as tão esperadas fotos – Uma por vez, escolhe uma boia para tirar uma foto sozinha, depois uma foto das duas juntas na mesma boia e pôr fim a foto com seus respectivos boys.
Austin não nos contou que o seu namorado era praticamente um fotografo profissional.
— Acha mesmo que vai caber todos em uma mesma boia? – pergunto arqueando a sobrancelha, Justin apenas me lança um olhar de como quem diz “é sério essa pergunta?”
Eu quero essa boia aqui – apontou Astrid para a boia em formato de um abacaxi gigante, o seu biquíni era branco então as cores sofreriam um contraste bonito para foto.
Com bastante cuidado Astrid foi deitando-se na boia e Austin foi a empurrando lentamente para longe da borda da piscina, Justin começou os cliques pedindo para que a loira arrumasse os cabelos fazendo o mínimo de movimentos bruscos possíveis.
— Sua vez – Justin disse para assim que Astrid já havia saído do abacaxi gigante.
— Quero o flamingo – apontou para o mesmo.
Dei a volta na piscina levando o enorme flamingo rosa para o lado que estávamos tirando as fotos, ela teria que ficar de joelhos e torcer para não cair.
— Primeiro de joelhos – Justin disse segurando o flamingo enquanto a ajudava subir na boia – Depois o que acha de deitar?
— Pode ser.
— Depois a Astrid sobe atrás dela para tirarmos uma, antes de mudar de boia. – Austin deu a ideia e concordou com a cabeça concentrada para não cair na água.
— Oh meu Deus, isso vai ter que ser muito rápido – Astrid disse dando pulinhos na borda da piscina.
Empurrei a boia de para o meio da piscina, ela se equilibrava de joelhos fazendo o mínimo de movimentos possíveis, arrumou os cabelos para um lado só, Justin começou a tirar uma sequência de fotos enquanto se divertia fazendo centenas de pose.
Ousou trocar de posição deitando-se sem esperar que eu a puxasse para a beirada da piscina, colocando as pontas dos dedos na água cruzando as pernas.
Assim que Justin terminou de tirar as fotos de de todos os ângulos possíveis, a puxei de volta, ela sentou-se com as pernas uma de cada lado do flamingo, enquanto Astrid posicionava-se atrás de joelhos.
você olha para cima sorrindo para Astrid e Astrid olhe para baixo sorrindo para – Justin disse ao se afastar enquanto eu empurrava a boia lentamente as levando para o centro da piscina novamente.
Elas sorriam uma para a outra em meio a piadinhas achando que iam cair a qualquer momento, ao meu ver as fotos saiam mais espontâneas do que estávamos esperando.
— Agora foto com os boys – Justin apontou para mim e para Austin. — Inicialmente para você e Astrid eu pensei em algo não tão meloso, talvez você em uma boia e ela na outra, o que acham?
Senti uma pontada de ciúmes de Justin.
— Precisam passar a imagem que estão juntos, mas ainda não e oficial – comentei tentando entender a ideia de Justin, mesmo estando boiando em todo aquele assunto.
— Exatamente isso .
Austin apenas concordou, ajudando a sair da boia de flamingo.
— Vamos para as boias menores? – Astrid perguntou.
— Essa de Donuts são perfeitas – Justin apontou para as boias do outro lado da piscina.
Astrid saiu da boia de flamingo correndo para o outro lado para pegar o Donuts morango primeiro que Austin que bufou ao pegar o Donuts chocolate.
— Enquanto tiro as fotos deles daquele outro lado, já vão se posicionando nessa melancia gigante – Justin apontou para a maior boia da piscina. — Não caiam na água! – alertou ao sair andando.
— Você primeiro – disse ao me dar um leve empurrão. — Não quero que você se mexa tanto quando eu estiver ali em cima e a gente acabe caindo...
— Eu não vou te derrubar – dou risada puxando a boia para perto de mim.
Antes de deitar sobre a boia, arrumei minha bermuda preta deixando aparecer apenas uma faixa da minha cueca da Calvin Klein, se ficasse muito caída provavelmente deixaria a foto estranha, deitei-me sobre a boia esperando deitar-se ao meu lado lentamente morrendo de medo de cair.
— Vem sempre aqui? – digo ao deitar-me de lado enquanto permanecia de barriga pra cima ajeitando seus cabelos pela boia, ela segura para não rir.
— Agora Austin e Astrid vocês esperam para pular na piscina quando eu estiver na última foto deles – Justin veio para o nosso lado junto de Cristina. – Preciso pegar essas fotos de dois ângulos, vocês dois sendo molhados e eles pulando do outro lado.
Eu e apenas concordamos, Justin tirou as fotos na posição que eu estava, depois pediu para que ficasse na mesma posição e me desse um beijo, depois do nosso beijo ela ficou de joelhos enquanto me levantei um pouco equilibrando-se sobre meus cotovelos.
— Agora fiquem parados nessa posição – Justin nos disse e apontou para Austin e Astrid – Pulem... Agora.
Quando eles pularam deu um grito ao desequilibrar-se dos joelhos caindo na boia de barriga, deitei-me fazendo a boia se balançar mais ainda, mas permanecíamos intactos e secos.
— Acho que uma foto que ficaria legal com os quatro é a famosa briga de galo – Cristina sugeriu ao entregar o celular de Astrid para Justin.
— Verdade! – Justin comentou – empurra o pra água e monte em cima dele, Astrid e Austin o mesmo go, go!
me olhou com um sorriso sacana nos lábios ao me empurrar para dentro da piscina.
A água não estava tão gelada quanto imaginei, dei a volta na boia, ela voltou a se equilibrar de joelhos passando um de cada vez para o meu ombro, conseguindo a proeza de ainda ficar sem se molhar.
Posamos mais uma vez para a tal foto em grupo, elas se divertiam de verdade tentando uma derrubar a outra em quem permaneceu invencível sem se molhar novamente foi ao empurrar Astrid na água.
— Pronto pessoal terminamos a nossa sessão de fotos por hoje – Justin anunciou – A piscina está liberada!
Andei para a borda da piscina, deu um impulso saindo dos meus ombros sentando-se na borda, virei-me de frente para ela ficando no meio de suas pernas.
— Espero que Carter goste das nossas fotos – comenta passando as mãos pelos meus cabelos molhados.
— Ela vai gostar – concordei – Eu estou nelas, devem estar maravilhosas. – estufo o peito fazendo cara de metido.
riu revirando os olhos.
Corinne logo se aproximou de nós com boias amarela de braço.
já que você está na agua, ela é toda sua! – Cristina disse fazendo um coração com as mãos ao deitar-se em uma das espreguiçadeiras para tomar Sol ao lado de nossa mãe.
— Vamos brincar tia – Corinne disse ao sentar-se do lado da mesma colocando os pês dentro da agua.
— A-arh- eu já venho, vou ver como ficaram as fotos e depois eu venho, prometo Corinne – disse sem graça ao se levantar juntando-se ao trisal que viam as fotos sentados em baixo da arvore.
Corinne ficou sem entender nada, mas eu a distrai no momento seguinte a puxando para dentro da piscina.
Seus braços envolveram meu pescoço colando nossos rostos, sorri ao sentir seu corpo todo quentinho pelo tempo que ela havia ficado brincando sentada na grava e agora tomava um pequeno choque térmico.
— Está gelada – ela diz baixinho. — Não deixa minha mãe saber disso tio.
— Hum que água quente e gostosa, né Corinne? – digo alto andando pela piscina até puxar uma boia para coloca-la sentada.
— Muito gostosa – começou a bater as mãos sobre a agua.
— Vocês não me enganam – Cristina disse – Consigo ver essa pestinha batendo os dentes daqui – apontou para a filha que fechou a boca na mesma hora.
— Ainda está muito cedo a agua fica melhor mais tarde – a mãe de Austin comentou.
— Eu sei disso, mas tenta colocar isso na cabecinha daquele ser humano persistente – Cristina disse.
— Persistente igual a mãe – Joseph disse sorrindo para Cristina antes de lhe mandar um beijo no ar.
Minha irmã não fazia muito do tipo sentimental, então o modo dela agradecer o elogio do marido era revirando os olhos ficando com as bochechas coradas.
— Vai pegar sua filha, antes que ela pegue um resfriado. – ordenou colocando os óculos de sol voltando a se deitar.

***

Não demorou muito para o almoço ficar pronto acabando com a minha farra e a de Corinne na piscina, a mesma abriu um berreiro por não querer sair para comer, mas depois que comeu capotou dormindo tranquilamente em uma das espreguiçadeiras, deixando momentos livres para Cristina e Joseph curtirem um pouco a piscina junto com Austin e Justin jogando um vôlei aquático.
Astrid estava deitada ao lado de Corinne porem fora do guarda-sol para pegar um bronzeado. A minha mãe e a de Austin conversavam animadamente sobre algo que eu não fazia ideia deitadas no bangalô.
Aquele bangalô...
O pai de Austin havia saído para comprar sorvete e disse que me voltaria com uma surpresa das boas.
Eu tinha medo do que poderia estar por vir e antes que pudesse tocar no assunto. levantou-se do meu colo me encarando com um olhar estranho.
— O que foi? – pergunto sem entender o que estava acontecendo para ela levar tão rápido do meu colo.
— Cadê seu celular? – respondeu minha pergunta com outra pergunta.
— Está aqui, mas porquê? – pego meu celular na grama ao nosso lado.
— Carter acabou de me avisar que chegou uma proposta de uma marca para nós, graças as fotos na piscina. –disse animada.
— Wow isso é ótimo! – digo surpreso –Mas como assim nós?
— Eu e você, derr – disse parecendo obvio apalpando os meus bolsos a procura do celular, sendo que o aparelho estava em minhas mãos. — Seu celular?
— Pra quê você quer o meu celular, huh? – pergunto novamente sem esconder a minha curiosidade.
— Quero ver seu Instagram – disse pegando o meu celular em mãos tomando a liberdade para mexer em tudo que podia.
— Não tem nada no meu Instagram – digo engolindo a seco torcendo para ter excluído qualquer tipo existente de mensagem no Direct.
— Vamos precisar arrumar esse seu perfil, posso fazer isso? – pediu sentando-se ao meu lado para que eu pudesse ver tudo que ela fosse fazer, apenas concordei com a cabeça. — Você só tem duas fotos?
— Uhum, não sou muito ativo nas redes sociais, não tenho Facebook nem muito menos Twitter – comento vendo ela começar editando a minha biografia.
— Então além de ser um conquistador de primeira, ainda era difícil de ser encontrado pelas suas conquistas? – zombou do meu passado.
— Muito engraçadinha você. – agradeci mentalmente por Austin estar na piscina, porque senão ele concordaria com ela no mesmo instante. — O que vai colocar ai ?
— Que você é da Califórnia e o e-mail da Carter para contato.
E-mail para contato? Contato do que?
— Meu Deus, eu acabei de perceber que eu não sigo o meu próprio namorado – ignorou minhas perguntas deixando por um segundo o meu celular de lado pegando o dela para me seguir no Instagram como se fosse a cosia mais importante do mundo a se fazer naquele momento. — Agora posso te marcar em minhas fotos.
— Isso é bom – comento ao vê-la me marcando na foto que estamos na piscina. — Vão perceber que está comprometida. – me aproximo beijando sua bochecha.
— Bom e ruim. – respondeu me beijando nos lábios.
— É ruim saberem que namoramos? – pergunto me sentindo ofendido levando a mão ao peito.
— NÃO – disse assustada. — É bom porque caso alguém te procure, ruim por causa das mulheres que vão dar em cima de você.
— Elas podem dar em cima de mim a vontade – digo e antes mesmo de terminar o que ia dizer me olha com cara de brava – Eu sou todo seu.
— Posso postar uma foto nossa no seu perfil? – perguntou mordendo os lábios.
— Não – nego com a cabeça a fazendo arregalar os olhos achando um absurdo – Porque sou eu quem vou tirar e postar uma foto com você. – emendo a dizer.
— Bobo – me dá um tapa de leve sobre o peito.
— Deita – peço a ela, enquanto me ajeito – Para eu tirar uma foto dos nossos corpos.
concorda com a cabeça deitando-se com o seu corpo virado ao lado oposto do meu, sua bunda encostada na minha perna sua mão sobre a minha coxa enquanto a minha permanecia pousada sobre a sua barriga.
Era a foto perfeita.
Tirei com a câmera do Instagram mesmo e sem nenhum tratamento com filtro ou edições igual as fotos da piscina postei com a legenda.

She is my girl”

E entreguei o celular nas mãos de novamente, ela sorriu virando o seu corpo novamente na direção do meu encaixando sua perna em meu quadril.
— Está perfeito, agora vou mandar seu perfil para Carter.
— Porque vai mandar o meu perfil para ela? – pergunto tentando entender o que ela estava aprontando. — O que quis dizer com “nós” para um trabalho você e a Astrid, certo?
— Que Astrid o que – riu da minha inocência — Graças a essa sua linda cueca – puxou a minha cueca pelo elástico e soltou de leve — A Calvin Klein já estão nos procurando para a sua próxima campanha.
— Espera, deixa eu ver se eu entendi bem. Está dizendo que a marca da minha cueca está a nossa procura justamente porque você postou uma foto na qual eu apareço usando ela?
— Sim , isto não é um máximo? – disse animada.
— Caralho é incrível pra caralho – digo totalmente animado com a novidade. — Quase todas as minhas cuecas são da Calvin...– comentei sem saber muito bem o que dizer a ela.
— Eu sei – riu — E um trabalho e tanto. Você realmente topa fazer esse trabalho comigo? – perguntou um pouco receosa com a minha resposta.
Que mal teria posar para algumas fotos se faria bem a carreira de ?
— Vão ser apenas algumas fotos – deu de ombros – Igual agora na piscina, só que vai ter toda uma equipe, fotógrafos, maquiadores, um monte de peças de roupa para ficar trocando para fotos essas coisas... — O que me diz? – mordeu os lábios juntando as duas mãos esperando a minha resposta.
— Eu digo à você que isso é loucura – dou risada abrindo novamente o Instagram e ver o exorbitante número de curtidas que começava a crescer por ter marcado na foto, os fãs dela não brincavam em serviço.
Eu? Na fucking Calvin Klein? Já parou para pensar? Para era absolutamente normal estampar capas de revistas e outdoors agora...
Eu? O que diabos alguém da Calvin Klein viu em mim? Um branquelo, magrelo, cheio de tatuagem, zero à esquerda.
, se quiser não precisa responder agora – disse passando a mão sobre meu rosto. – E não precisa fazer nada para querer me agradar.
— Vou pensar um pouco... – suspiro. – Ver o que Austin acha – deu de ombros.
Olhei para trás de encontrando o pai de Austin voltando para o quintal com duas sacolas com potes de sorvete com o que fez o jogo de vôlei parar na mesma hora e todos irem parar em volta da mesa.
levantou-se estendendo a mão para me ajudar, apenas disse para ir na frente permanecendo no mesmo lugar a observando ir saltitante para buscar o sorvete.
Enquanto mexia no celular vendo os likes da foto e meus seguidores aumentarem, o aparelho começou a vibrar em minhas mãos, era uma nova ligação de Charlotte.
Bufei irritado com toda aquela perseguição, eu havia sido gentil apenas uma vez e ela queria acabar com a minha viagem me ligando a todo momento?
Mas e se tivesse acontecido algo com ela? Ou até mesmo com seu filho Cayden?
Só de pensar, um arrepio percorreu todo o meu corpo. E antes que a ligação acabasse tomando o rumo da caixa postal resolvi atende-la ao ver que todos estavam entretidos com o sorvete.
? – Charlotte disse do outro lado da linha, podia perceber claramente que ela estava em prantos.
— O que você quer que não para de me ligar? – fui rude pedindo para que ela apressasse os fatos.
Quando você volta de viagem? – ignorou minha estupidez perguntando entre soluços.
— Amanhã. Porque? – insisto em saber o motivo pelo qual ela me ligava.
Assim que estiver de volta, venha ao meu apartamento, eu imploro.
— Porque? Tá’ tudo bem com você? Como está Cayden? – pergunto ao me levantar da grama começando a ficar desesperado.
E como se eu tivesse tocado em uma ferida aberta, pude ouvir o choro de Charlotte aumentar-se do outro lado da linha.
Sylas o levou. Ele levou o meu filho ...
— Não... – entro em estado de negação. – Como assim? Não pode ser! – digo um pouco mais alto.
E-eu preciso de ajuda, por favor, me ajuda.
— Calma. Tenta manter a calma – tento uma inútil tentativa de tranquiliza-la, mesmo sabendo que seria em vão enquanto ando até o bangalô que estava vazio para me sentar. — Eu te procuro assim que chegar ai, tudo bem?
Você promete pra mim ? Por favor, eu estou de mãos atadas, não sei mais para onde correr, com quem falar, por favor. – ela diz enquanto eu sento torcendo para não estar sendo observado.
— Eu prometo – disse demonstrando confiança em meu tom de voz.
Muito obrigado. – foi o que Charlotte disse antes de desligar a ligação.
Respirei fundo fechando os olhos, ao deixar o celular ao meu lado.
Olha o problemão que eu tinha me metido! Como ajudaria Charlotte em um problema familiar que eu não fazia a menor ideia em que pé a situação se encontrava.
E como se não bastasse um problema.
— O que você prometeu ? – perguntou parada em minha frente com duas taças de sorvete com um semblante sério.
Eu tinha conseguido outro muito maior.


Continua...



Nota da autora: Primeiramente quero anunciar que o nosso queridíssimo maior canalha da Califórnia acabou de chegar ao Instagram real oficial! Lá ele vai postar mais sobre a sua rotina, sobre a família, os amigos e é claro sobre seu relacionamento com a nossa queridíssima Bessie. O user dele é @anobrainaccount
O link que vai direto para o perfil dele, está logo abaixo dessa nota.
Agora vamos falar um pouco desse capitulo...
E essa pool party que os pais do Austin resolveram fazer? Achei muito arraso! A amizade entre a pp e a Astrid ainda estava meio fria né? PP vive desconfiada dessa mudança radical da “amiga”, certa ela? Ou paranoica? O que vocês realmente acham?




Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.


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