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Última atualização: 05/10/2020

Prólogo

Era um dia nublado em Wiltshire, mas o interior da mansão Malfoy parecia não se importar com isso, pelo contrário, o ambiente se encontrava festivo e seus residentes encontravam-se ansiosos e animados – sentimentos esses que geraram certa desconfiança vinda do unigênito da família. Objetos enfeitiçados limpavam incessantemente a casa e a mesa de jantar era preenchida pelo couvert mais caro da mansão, o que o fazia entender que o que quer que fosse acontecer ali, seria de extrema importância. Não muito tempo depois, o menino Malfoy pode avistar seus pais adentrando o espaço com suas melhores vestes bruxas e expressões receptivas – o que era, no mínimo, estranho – olhou para sua mãe com a testa franzida esperando alguma explicação, porém, tudo que recebeu foi um sorriso singelo e empolgado.

- Venha, filho. Eles estão chegando! Fique ao nosso meio e seja simpático. – dissera Narcisa balançando os braços o chamando – anda, se apresse, estão quase aqui!

* * *


No quarto da nova casa dos Roux, passava a mão pela saia do vestido de cetim pela milésima vez naquele início de noite. Verificou as ondas dos cabelos alinhadas e o batom vermelho desenhando seus lábios perfeitamente.

Perfeita.

A garota riu com ironia e rolou os olhos.

Era como Camille Roux, vulgo sua mãe, queria que aquela noite fosse: perfeita! Nada podia sair do caminho que ela havia traçado. sabia que sua mãe nunca estava satisfeita com nada, então se esforçava para não dar motivos para reclamações.

- Mademoiselle? - a governanta dos Roux, Marie, apareceu na porta do quarto tirando a garota de seus devaneios. - Seus pais aguardam na sala, já está na hora de ir.

- Certo, Marie. Merci. - ela sorriu para a mais velha.

pegou o casaco que estava repousado na cadeira da penteadeira e saiu dali, em direção a sala, encontrando sua mãe arrumando a gravata do pai enquanto comentava algo com voz baixa. Bernard notou a presença da filha e logo pigarreou chamando a atenção da esposa.

- Ma chérie… Você está encantadora! - o homem sorriu de forma acolhedora para a filha.

Seus pais estavam muito nervosos para um simples jantar na mansão dos Malfoy. Não era como se fosse a primeira vez que eles fizessem aquele tipo de programa, pelo contrário, desde que se entendia por gente sabia que as famílias eram velhas aliadas e seus progenitores viviam fazendo esses jantares, algumas vezes na antiga casa dos Roux e outras na dos Malfoy. Por mera coincidência do acaso ou o que quer que fosse, nunca conseguia estar nesses jantares. Ainda que fosse o primeiro jantar depois que haviam se mudado para Londres e o primeiro com presente, toda aquela agitação e ansiedade em torno do acontecimento estavam deixando-a curiosa. Nem ela, que não os conhecia, estava tão nervosa.

- Poderia ter feito um penteado mais sofisticado, … - Camille foi em direção a filha, para arrumar o colar que ela usava. - Mas está bom assim, vamos logo. Não podemos nos atrasar hoje.

Bernard ofereceu um braço para a esposa e o outro para a mais nova que segurou a mão do pai e logo os três aparataram no jardim da casa dos Malfoy.

- Seja simpática. - disse Camille para a filha, que sorriu amigavelmente.

Ela sempre se comportava e agia como eles queriam mesmo.

- Claro, mamãe.

* * *


Ao lado de fora da mansão, a jovem bruxa desaparatava de braços dados com seus pais. Os três direcionaram olhares carregados de emoções ao lugar – cada olhar abrangendo um sentimento diferente.

Caminharam em direção da enorme e luxuosa mansão e foram recebidos pela família Malfoy, que coincidentemente carregavam em seu olhar a mesma misteriosa empolgação que seus pais.

- Bernard, Camille! Que prazer tê-los aqui. – exclamou Narcisa com seu melhor sorriso – e essa é a pequena ? Puxou os traços da mãe, eu vejo. Está linda!

A garota sorriu gentilmente como forma de agradecimento, seu vestido vermelho sangue fazia com que sua pele brilhasse e a moldava em uma das mais preciosas jóias. Estava, de fato, linda.

- Esse é nosso filho, Draco. – dissera Narcisa vendo o garoto dar um passo à frente.

- É um prazer te conhecer, . - e então, de maneira inesperada, o jovem Malfoy deu um beijo no dorso de sua mão, o que gerou leve surpresa na garota, afinal, já ouvira falar sobre a personalidade inexpressiva do garoto.

- Igualmente. - sorriu de maneira tímida.

- Vamos, sentem-se e fiquem à vontade... O jantar já será servido. - Narcisa apontou os lugares na mesa.

* * *
Estavam a mesa de jantar há algum tempo, Narcisa e Camille conversavam de forma animada, enquanto Lúcio e Bernard conversavam sérios, como se estivessem tratando de um negócio. Nada era possível se ouvir, no entanto, o que fizera com que a jovem desconfiasse que estivessem usando o feitiço Abaffiato. Por falar na jovem, essa olhava de maneira curiosa para o garoto de cabelos platinados, esse, por outro lado, parecia não se importar muito com sua presença e demonstrava uma postura de mera obrigação. Havia sido anunciado em sua chegada que aquele era um jantar de comemoração e desde então a ansiedade se instalou no peito dos mais novos. E então, quando o elfo trouxe a sobremesa, junto de uma garrafa de hidromel e seis taças de ouro, ambos tiveram a certeza de que algo estaria acontecendo ali.

- Nós iremos beber também? - Draco pronunciou em tom de surpresa ao observar o elfo servindo igualmente os dois mais novos.

- Hoje é um dia especial. - Narcisa sorriu depois de confirmar com a cabeça.

Fez-se, por fim, um silêncio ao fim das refeições – silêncio esse que fora quebrado por Lúcio ao dar leves batidas em uma das taças douradas, tomando toda a atenção do lugar para si.

- Gostaria de agradecer, primeiramente, pela presença de vocês. – dissera o loiro mais velho. – é de extrema importância que nossas famílias possam ter momentos agradáveis como esse, considerando que precisaremos estar mais unidos do que nunca e que nos veremos com frequência a partir de agora.

- O que ele quis dizer com isso, papai? - a garota perguntou dentre sussurros ao pai que apenas sorriu e fez um sinal com a mão para que ela esperasse.

- É sempre um prazer estar com vocês, Malfoy. – dissera o pai da garota com sua voz carregada de seu sotaque francês.

- Está empolgada para ir para Hogwarts, ? - perguntou Lúcio com uma expressão desafiadora.

- Sentirei falta de Beauxbatons, porém, estou otimista. Papai me contou muitas histórias do tempo de vocês lá. - ela sorriu simpática.

- Você vai adorar Hogwarts, querida. - Narcisa encorajou.

- É… Mesmo que existam vários sangues ruins, se você se manter com as pessoas certas não terá problemas. - Lúcio aconselhou com um sorriso debochado, a garota gostaria de retrucar, porém, se conteve em sorrir sem mostrar os dentes, odiava aquele termo.

– Tenho certeza de que ela se saíra bem, afinal, terá Draco ao seu lado. Ele cuidará de sua futura esposa. E logo nossos filhos estarão nos dando esse prazer de nós nos reunirmos em sua própria casa.

- O quê? – exclamaram juntos, olhando uns aos outros com confusão.

- Pelas barbas de Merlim. Enfim, o esperado motivo desse jantar! É uma honra ser escolhido para anunciar a união de nossas famílias. Nessa noite te entrego, minha filha, como noiva do jovem Draco. - Bernard anunciou animado.

Antes que o jovem Malfoy pudesse formular qualquer frase, Lúcio o olhou de maneira fria e cautelosa, e então, sentenciou de uma vez.

- Vocês estão prometidos um ao outro.

e Draco trocaram – quase que imediatamente – olhares desesperados e arfavam em descontentamento. Pensaram em contestar, porém, sabiam que seria em vão. Os Malfoy eram rigorosos, autoritários e nunca faziam nada sem ter uma perversa intenção, Draco sabia disso. Já os Roux precisavam de uma forte aliança e não ousaria envergonhar seus pais e perder seu posto de filha perfeita. As mães soltavam exclamações animadas enquanto os pais discutiam - dessa vez aberto a todos – os detalhes do casamento arranjado. Já os jovens, no entanto, nada ouviam. Seus pensamentos bagunçados já faziam barulho demais.


Capítulo Um

Em um dos luxuosos quartos da mansão Malfoy, a jovem tentava, sem sucesso, descansar. A mesma podia ouvir as batidas descompassadas de seu coração e ao tentar fechar os olhos sua mente repassava os acontecimentos da noite de novo e de novo. E então, dando-se por vencida e ciente de que não conseguiria nenhum sono naquela noite, resolveu levantar e tentar se distrair de seus pensamentos enquanto caminhava pelos corredores.

-Lumos. - sussurrou e pode observar quando a luz amarelo-limão alcançou a ponta de sua varinha.

A garota trilhou seu caminho pela casa até encontrar uma porta de vidro que dava acesso a um grande e extenso jardim, respirando profundamente ao adentrar o mesmo. Após alguns segundos com seus olhos fechados apenas sentindo a brisa da noite gélida batendo em sua face, a garota despertou e correu os olhos pelo lugar, parando imediatamente ao encontrar o garoto de cabelos platinados.

Não muito longe da jovem, estava o menino Malfoy, que por mera coincidência - ou não - também havia falhado em conseguir dormir naquela noite. O garoto olhava pro horizonte a sua frente que era preenchido pela escuridão azulada da madrugada, sendo iluminado somente pela luz da lua. Seu corpo estava ali mas, sua mente o levava para bem longe, mais especificamente ao seu futuro, o mesmo se perguntava se algum dia conheceria a verdadeira felicidade e, com sorte, o amor. No entanto, antes que pudesse concluir seus pensamentos, foi trazido de volta a realidade ao ouvir leves passos andando em sua direção. A garota nada dissera, apenas sentou-se ao seu lado e passou a observar a vista com o mesmo.

- Desculpe pela reação que tive mais cedo, fui pega de surpresa. - confessou a garota baixinho, ainda sem manter contato visual.

- Acredite, eu também. Mas sei bem que quando meu pai decreta algo, tudo que posso fazer é obedecer. - dissera o garoto tristemente.

- Casamento arranjado, por Merlin! É tão medieval, como ousam decidir a MINHA vida assim? É frustrante. - riu a garota sem humor algum.

O silêncio pairou sobre o ar, a diferença é que dessa vez, os jovens já não encaravam mais o horizonte, mas sim um ao outro de maneira profunda, como se pudessem - numa tentativa falha - encontrarem em seus olhares todo o conforto que precisavam naquele momento.

- Não temos que tornar isso mais difícil do que já é. Sabe, não conheço bem seus pais mas tenho certeza de que isso significa algo importante pra eles, assim como para os meus. - dissera Draco, quebrando o silêncio. - Podemos ser amigos.

- Você não é tão mal quanto dizem - sorriu descontraída acompanhada do garoto - Podemos tentar, afinal, estamos no mesmo barco agora. Mas e quanto a Hogwarts? Imagino que não queira que seus colegas saibam que está noivo tão cedo.

- De fato, não quero. Nenhum deles tem que saber sobre minha vida. Imagino também que seria difícil pra você se adaptar. Intercambistas são raros e já chamam atenção o suficiente por si só, quem dirá sendo a prometida de um Malfoy.

- Então concordamos que isso fica só entre nós? - perguntou .

- Será o nosso segredo. Nosso primeiro segredo.

Ambos sustentaram o olhar - que fora quebrado pela jovem Roux segundos depois - voltando a encarar o horizonte diante de si. “Vai ficar tudo bem” dissera ela baixinho e pode jurar ter escutado um longo suspiro do garoto ao seu lado. Daqui algumas semanas, uma nova história começaria.

* * *


parou de prestar atenção na Cerimônia de Seleção dos alunos primeiranistas, ela seria a última de qualquer forma, não aguentava mais estar ali em pé. Seus olhos, então, passaram a analisar os detalhes do Salão Principal, o céu estrelado no teto, a decoração acolhedora de boas vindas e os alunos empolgados por estarem de volta ao castelo.

- CORVINAL! - o Chapéu Seletor disse, mais alto do que com os outros alunos que haviam passado por ali, fazendo com que desse um pulinho assustado, chamando a atenção do garoto ruivo, que ela se lembrava muito bem de ter conhecido no ano anterior quando veio assistir o Torneio Tribruxo sentado na mesa mais próxima de onde a aglomeração de alunos novos se encontrava. O garoto, da Grifinória ria baixinho enquanto olhava para ela.

Ela fez uma careta que não se sustentou por muito tempo e logo se transformou em um sorriso que foi claramente correspondido pelo Weasley. Era bom ter conhecidos próximos ali.

Mais uns cinco nomes foram chamados e respectivamente selecionados até que a professora Minerva bradou o último nome daquela noite: o da aluna transferida.

- ROUX.

No outro extremo do salão, Draco a observava sem se esquecer dos acontecimentos em sua casa dias atrás e da conversa breve que tiveram no jardim. Ela caminhava confiante até o banco e certamente não se intimidava com os olhares indiscretos em sua direção. Draco se questionava se ela sequer tinha reparado na atenção que chamava sem fazer esforço algum. Estava começando a se sentir irritado com os comentários dos colegas da Sonserina. E algo, lá no fundo de si, dizia com veemência que nas outras mesas não era diferente.

- Mate, quanto tempo faz que não chegam garotas assim em Hogwarts… - o batedor do time da Sonserina comentou com a voz carregada de malícia para Blásio, que assentiu.

- Seria meu sonho uma gostosa dessas na Sonserina? - Zabini cochichou, não tão baixo como Draco queria que tivesse sido. Ele fechou os olhos tentando disfarçar o desconforto.

- Caralho, como vocês são insuportáveis. - Daphne Greengrass murmurou irritada, dando voz – de uma maneira bem mais sutil do que ele planejava expressar, claro – aos pensamentos de Draco.

Ele não podia negar como a Roux era bonita. tinha um rosto delicado, olhos curiosos e desafiadores e um belíssimo sorriso. Seus cabelos dançavam enquanto ela andava, parecia até mesmo um vídeo em câmera lenta. Se mesmo com a capa do uniforme escondendo seu corpo os garotos dali pareciam interessados nela, Draco mal conseguia pensar o que achariam se tivessem a visto naquela droga de vestido vermelho.

Malfoy arregalou os olhos só de lembrar, ato que não passou despercebido por Pansy Parkinson, que o olhava atentamente.

- Tudo bem, Draquinho? - ele fingiu não ouvir e voltou a atenção para a frente do salão.

sentiu o velho chapéu sendo depositado sobre seus cabelos e não demorou muito para que ouvisse a voz grave soando em sua mente.

- Vejo uma mente imprevisível e analítica… - começou o chapéu parecendo pensar por alguns minutos, o que fez a garota se perguntar se era possível que chapéus pensassem. - Eu penso, senhorita Roux, inclusive é o que estou tentando fazer agora. - respondeu fazendo a garota sentir o rosto queimando de vergonha - Você se daria bem na Grifinória, tem coragem e ousadia, mas sua determinação, ambição e astúcia serão claramente aproveitadas melhor na… SONSERINA!

sorriu, se sentindo certamente aliviada. Os Roux não tinham deixado aquilo claro, mas sabia que agradaria os pais sendo selecionada para a Sonserina. E bem, agradaria ainda mais sua mãe por estar perto de Draco. Ela não conseguia não achar aquilo tudo patético.

Mas era aquilo que sempre fazia: seguia as orientações e os planos dos pais.

Ela caminhou para a mesa da Sonserina em meio aos aplausos dos colegas de casa em uma recepção acalorada. Em meio aos alunos desconhecidos, que ela apenas acenou ou meneou a cabeça em cumprimento, encontrou os olhos acinzentados de Draco sobre ela. E então, sentindo-se mais confortável por ver um rosto “conhecido”, ela sorriu pra ele, indo em direção ao espaço vago ao seu lado.

Draco acabou sorrindo também, de maneira mais discreta. Mas não podia negar que soltava fogos de artifício por dentro ao ver os olhares confusos e até mesmo envergonhados dos colegas que antes falavam sobre ela.

- Bem-vinda, Roux. - dissera o garoto com um sorriso de canto.

- Bem que você disse que intercambistas chamavam atenção o suficiente, sinto que todos estão me encarando. - sussurrou a garota.

- Eles não estão te olhando porque é intercambista, . Estão te olhando porque você é linda.

A garota pode jurar que suas bochechas estavam vermelhas, afinal, sentia as mesmas arderem intensamente e seu coração acelerou com as palavras do garoto, naquele momento, inerte em sua vergonha - e animação - observou o par de olhos cinzas ao seu lado e pensou que talvez não fosse tão ruim assim ser a prometida de Draco.


Capítulo Dois

Depois que o jantar havia terminado e todos os pratos e travessas haviam desaparecido da mesa, o diretor deu algumas breves orientações.

- Bem, agora que estamos todos digerindo mais um magnífico banquete, peço alguns minutos de sua atenção para os habituais avisos de início de trimestre – anunciou o diretor. – Os alunos do primeiro ano precisam saber que o acesso à floresta em nossa propriedade é proibido aos estudantes... E a esta altura alguns dos nossos antigos estudantes já devem ter aprendido isso também. - ele pareceu pensativo, mas continuou o discurso - O Sr. Filch, o zelador, me pediu, segundo ele pela quadricentésima sexagésima segunda vez, para lembrar a todos que não é permitido praticar magia nos corredores durante os intervalos das aulas, nem fazer outras tantas coisas, que podem ser lidas na extensa lista afixada à porta da sala dele.

riu baixinho, se perguntando se havia algum idiota que perdia tempo conferindo uma lista dessas. Draco, como se lesse seus pensamentos, bufou e murmurou:

- Ninguém lê essa merda, o Filch viaja.

- Houve duas mudanças em nosso corpo docente este ano. Temos o grande prazer de dar as boas-vindas à Professora Grubbly-Plank, que retomará a direção das aulas de Trato das Criaturas Mágicas. E estamos também encantados em apresentar a Professora Umbridge, nossa nova responsável pela Defesa Contra as Artes das Trevas. - os alunos aplaudiram educadamente, completamente entediados com toda aquela falação. E então o diretor prosseguiu, começaria a falar sobre os testes para os times de quadribol, mas se interrompeu ao ver a mulher anteriormente citada de pé, pigarreando logo em seguida.

Dumbledore apenas se sentou educadamente e atentou-se ao que a mulher completamente vestida de rosa diria. Os professores ao redor, entretanto, tiveram reações mais alarmadas, não conseguindo conter a surpresa e confusão. Logo entendeu que não era comum os professores discursarem.

Constrangedor, pensou ela com uma careta.

- Obrigada, diretor, pelas bondosas palavras de boas vindas. - Umbridge disse com a voz fina e infantil, - e todos os outros presentes no salão - concluíram que aquilo seria algo chato e irritante. E então ela tornou a falar - Bem, devo dizer que é um prazer voltar a Hogwarts! E ver rostinhos tão felizes voltados para mim!

Tamanha era a vontade de rir, mas Roux se conteve. Absolutamente ninguém parecia feliz em estar ali, escutando-a.

- O ministro da Magia sempre considerou a educação dos jovens bruxos de vital importância. Os dons raros com que vocês nasceram talvez não frutifiquem se não forem nutridos e aprimorados por cuidadosa instrução. As habilidades antigas, um privilégio da comunidade bruxa, devem ser transmitidas às novas gerações ou se perderão para sempre. O tesouro oculto de conhecimentos mágicos acumulados pelos nossos antepassados deve ser preservado, suplementado e polido por aqueles que foram chamados a nobre missão de ensinar. Todo diretor e diretora de Hogwarts trouxe algo novo à pesada tarefa de dirigir esta escola histórica, e assim deve ser, pois sem progresso haverá estagnação e decadência. Por outro lado, o progresso pelo progresso não deve ser estimulado, pois as nossas tradições comprovadas raramente exigem remendos. Então um equilíbrio entre o velho e o novo, entre a permanência e a mudança, entre a tradição e a inovação…

- Puta que pariu, que saco! - Draco pareceu dar voz aos pensamentos dos colegas de mesa, visto que todos riram baixinho com o murmúrio impaciente dele.

- Ela falou, falou, falou… E eu não entendi palavra alguma. - Daphne sussurrou.

- O que eu perdi? - começou Zabini - É que eu estava cochilando com os olhos abertos…

E mais uma onda de risos discretos se instaurou na mesa.

- Ela parece uma sapa cor-de-rosa coaxando, que inferno… - murmurou , fazendo o grupinho ouvindo a conversa na mesa explodir em risadas, - até mesmo Pansy, que parecia não ter ido com a cara dela - chamando a atenção de algumas pessoas para a mesa da Sonserina. A nova professora no entanto, estava tão entretida falando, que pareceu nem perceber o deslize deles, que logo voltaram a postura inicial, fingindo que nada tinha acontecido ali.

- … porque algumas mudanças serão para melhor, enquanto outras virão, na plenitude do tempo, a ser reconhecidas como erros de julgamento. Entrementes, alguns velhos hábitos serão conservados, e muito acertadamente, enquanto outros, antigos e desgastados, precisarão ser abandonados. Vamos caminhar para a frente, então, para uma nova era de abertura, eficiência e responsabilidade, visando a preservar o que deve ser preservado, aperfeiçoando o que precisa ser aperfeiçoado e cortando, sempre que encontrarmos, práticas que devem ser proibidas.

Ao término do monólogo de Umbridge e das devidas boas vindas dadas pelo diretor, a francesa se levantou para prosseguir para o salão comunal de sua casa com Draco e os demais sonserinos, porém, eles se desencontraram devido à enorme quantidade de pessoas tentando sair ao mesmo tempo e então optou por deixar que os colegas fossem à frente e os seguisse assim que o salão esvaziasse. Ao notar que restavam apenas ela e alguns alunos da Corvinal, a garota concluiu que era o momento certo e então começou a caminhar em direção a saída do salão principal.

A nova sonserina refletia e repassava mentalmente as cenas daquela noite, a seleção, tudo que o chapéu havia lhe dito e… Bem, o elogio de Malfoy. Andava distraída quando ouviu um assobio divertido e levantou seu olhar assustado para o dono do mesmo, que se encontrava escorado de lado na parede do corredor.

- Eu sabia que não conseguiria ficar tanto tempo longe de mim, . - dissera o ruivo.

Fred Weasley era, de fato, encantador. Um sorriso divertido brincava em seus lábios e seus olhos continham um brilho apaixonante. pode sentir a euforia em cada parte de seu corpo ao vê-lo ali, a esperando. Suas batidas estavam descompassadas e seu interior parecia estar em festa. Como fogos de artifício. Um sorriso tomou-lhe os lábios, era tão contagiante quanto o de Weasley.

As lembranças da noite mágica que tiveram durante o Baile do Torneio Tribruxo e de todos os outros momentos que passaram juntos meses atrás invadiram sua mente como um flash e, naquele momento, era como se não existisse mais ninguém ali ao redor dos dois. correu de encontro ao garoto, prendendo seus braços ao redor de seu pescoço. Esse, por sua vez, segurou a mais nova pela cintura e a girou enquanto lhe apertava em um abraço. Ambos tinham os olhos fechados, apreciando o momento depois de meses sem se ver. A francesa inalava o delicioso cheiro doce e amadeirado de canela que Fred exalava e, de repente, seu coração se sentia em casa.

- Sentiu minha falta? - Weasley começou, ainda com um sorriso brincalhão no rosto ao colocar a garota no chão.

- Mon Dieu! Você não tem noção do quanto! - Ela disse em tom de falsa ironia. Mas o ruivo sabia que era verdade. Os olhos brilhando e o sorriso nos lábios dela a denunciavam.

Fred sorriu e segurou delicadamente a mão dela, assegurou-se que ninguém estava por perto para vê-los e a puxou até as escadarias que levavam para o único lugar que ela se lembrava com exatidão no castelo: a Torre de Astronomia, onde tudo havia começado no ano anterior.

Ele a levou para a janela onde se beijaram pela primeira vez. Estavam parados, naquele mesmo “x” que Roux havia marcado no chão, as respirações descompassadas devido a corrida breve que os levara até ali. Tamanha era a familiaridade que sentiam na presença um do outro, tudo parecia descomplicado, fácil e certo. A luz do luar iluminava o rosto dos dois e a brisa gélida da primeira noite de setembro batia em seus corpos, os deixando arrepiados. Fred passou, delicadamente, seu polegar pela maçã do rosto da mais nova. Ambos olharam intensamente um para o outro e assim permanecerem pelo que pareceram minutos. pode observar que ele estava diferente da última vez que o vira, tinha os cabelos mais curtos, embora o sorriso malicioso e divertido fosse sempre o mesmo. O ruivo, então, desceu seu olhar para os lábios rosados da francesa e junto com ele, levou seu polegar, que lentamente contornou todo o local. De repente, e Fred já não se lembravam mais como era respirar. Seus peitos batiam em sincronia e a distância entre eles era mínima.

- . - sussurrou ele com os olhos cravados nos lábios dela, a tensão ali era palpável.

A garota sentia seu estômago revirar, não só pela excitação de estar próxima ao Weasley, mas também pelo o que aquilo significaria para o platinado. Seu noivo. NOIVO! Aquilo era tão errado!

Agora ela era noiva, estava prometida a Draco Malfoy.

, por um momento, hesitou, mas ao sentir o hálito fresco de Fred cada vez mais próximo de seus lábios, decidiu por manter seu casamento arranjado em segredo e se entregou ao momento, quebrando o que restava de distância entre eles. Ela não podia simplesmente contar tudo para Fred ali. Ao sentir os lábios do ruivo nos seus, todas as sensações do ano anterior renasceram em seu peito. Era incrível estar nos braços dele outra vez e mesmo que com toda a culpa, intensificou o beijo, em uma tentativa de esquecer-se daquilo e aproveitar o momento. Conversariam depois, a prioridade ali era matar a saudade que sentiam um do outro.

Fred empurrou a francesa, fazendo com o corpo dela ficasse pressionado contra a parede. Seus lábios deixavam um rastro quente por cada lugar que passavam, dos lábios para o lóbulo da orelha, pescoço e colo, enquanto arfava com o contato que era, até então, uma novidade para ela. O garoto afastou os cabelos compridos da francesa para trás e voltou a investir sua atenção pescoço da garota, beijando e mordendo enquanto sua mão direita invadia delicadamente o suéter dela, trilhando, com a ponta dos dedos, o caminho até seu busto, onde começou a massagear os seios da garota por cima do sutiã.

- Fred. - gemeu involuntariamente, arqueando suas costas. A voz da garota pareceu anestesiá-lo.

Ela queria mais, seu corpo, agora febril, implorava pelo corpo de Fred Weasley. Mas a voz filiforme, lá no fundo de sua consciência, fazia questão de lembrá-la o quão errado era tudo aquilo. Fred soltou os seios da garota apenas para fazer menção em brincar com o elástico do suéter, com a intenção de tirá-lo, fazendo , em um súbito, parar o beijo e respirar fundo tentando controlar seus ânimos.

- Acho melhor pararmos por aqui… - ela sussurrou, com a voz fraca devido o efeito que tudo aquilo, em tão pouco tempo, havia lhe causado.

Fred, que sentia suas calças apertadas como nunca de tanta excitação, mordeu os lábios frustrado, pendendo a cabeça para trás.

- Não aguento mais sentir vontade de você, Roux. - sua voz baixa e levemente rouca causou arrepios na mais nova.

- Não pense que eu não quero isso também. Eu só… Não me sinto preparada agora. - declarou Roux, baixinho, parecia tímida.

Fred estava eufórico, desde a última vez que se viram, antes de a francesa retornar a Beauxbatons, queria muito que acontecesse, mas pareceu entender o que sentia. Era a primeira vez dela, tinha que ser algo especial e no momento que ela se sentisse à vontade.

- Desculpe,

lhe deu um sorriso carinhoso, se aproximando novamente dele, levou os braços ao pescoço de Weasley, deixando carícias leves ali.

- Sei que é difícil pra você. Obrigada por ser tão compreensível. - e então, lhe deu um selinho.

- Digamos que por você vale a pena a espera. - ele deu de ombros descontraído, piscando para ela com um sorriso leve que a tranquilizou, aquilo significava que estava tudo bem entre eles. - Vem, vou te levar pra sua sala comunal. Nem comentei o fato de que você é muito sonserina, o chapéu fez uma boa escolha, por mais que eu quisesse você na Grifinória, sabe?

- Não tivemos muito tempo para tagarelar, Weasley. - Roux comentou sugestiva, causando-lhe risos. - Merlin tá vendo isso aí… Querendo que eu fosse da mesma casa pra ser mais fácil de me agarrar, não é?

Weasley gargalhou, por mais que estivesse brincando, ambos sabiam que estava certa.

Fred entrelaçou seus dedos no de de maneira carinhosa, levando-a em direção às escadas que davam saída a torre. Após descerem todos os degraus, Fred espiou atentamente os dois lados do corredor. Pela primeira vez em seus anos na escola, não queria esbarrar com Filch e gerar desentendimento que levaria a detenções.

- Acho melhor fazermos o feitiço de desilusão. - disse ao ver o garoto olhando preocupado para o caminho. Ele assentiu brevemente e Roux pegou a varinha, realizando o feitiço neles.

Eles caminharam pelos corredores de mãos dadas, até chegarem a entrada das masmorras.

- Bom, eu só posso vir até aqui. - disse o ruivo.

- Tudo bem. - assentiu - Obrigada por hoje, Fred. Significa muito pra mim. - sorriu.

- Você é especial, . Eu realmente gosto de você e esperarei quanto tempo for necessário para que possamos ficar juntos. - confessou retribuindo o sorriso e acariciando o rosto da mais nova.

Ao conhecê-lo, imaginou que Fred seria um grande problema, mas foi somente quando o ruivo se aproximou ainda mais, acabando com parte da distância entre eles ao puxá-la pela cintura, que se lembrou que as coisas não eram tão simples como na última vez que estiveram ali e, que nesse contexto atual de sua vida, Fred Weasley e o que quer que fosse que eles dois tivessem, era o último de seus problemas.

- Bem, te vejo depois, boa noite! - ela disse, recebendo um aceno de cabeça e um sorriso como resposta. Fred se virou, para seguir em direção ao salão comunal da Grifinória. se lembrou da conversa de mais cedo, no jantar, e da senha que tinha que falar para entrar nas masmorras.

- Pele de serpente. - disse e observou a parede revelar uma porta.

Ela desfez o feitiço, ao concluir que não corria mais perigo no salão comunal. A noite havia sido adorável, mas mal via a hora de se jogar na cama e ao percorrer pela passagem, não pode conter um suspiro de alívio. Seus olhos correram pelo ambiente e então a garota gritou assustada.

Iluminado pelo reflexo esverdeado das águas do Lago Negro vindo das janelas, Draco estava sentado sozinho em um dos sofás ali dispostos e a encarava de maneira curiosa.


Capítulo Três

Porque diabos, de todos os alunos da Sonserina, justamente Draco estava ali, ainda mais logo depois de tudo que ela havia feito naquela noite. A garota engoliu seco.

— Que susto, Draco! — levou as mãos ao peito enquanto tentava se acalmar.

— Não foi a intenção, . Perdão. — ele começou, se levantando. — Mas fiquei preocupado quando percebi que não estava nos seguindo. Onde estava?

— E-eu me perdi. Sabe como é, teve a multidão… Acabei ficando para trás. — sorriu amarelo se aproximando de onde o loiro estava.

— Eu realmente demorei pra perceber que não nos acompanhava, peço perdão.

— Está tudo bem, Draco. Não tem problema! Acho que é bom evitar essas coisas às vezes, para, sabe, não ficar tão evidente que nós… — começou , meio incerta. Era estranho estar noiva de alguém que ela não conhecia. Não sabia o que podia ofendê-lo ou magoá-lo. Era como pisar em ovos o tempo inteiro.

Mas, diferente da reação que Roux imaginava que ele teria, ele sorriu sem mostrar os dentes, assentiu e a interrompeu.

— Eu também acho, . Mas você é nova aqui, eu… Nós, deveríamos ter te esperado. — abanou a mão, dando o assunto como encerrado com um sorriso dócil, Malfoy pigarreou desconcertado, mas logo sua expressão dava lugar a um sorriso presunçoso — Mas, bem, já que sou seu monitor, sou responsável em te levar ao seu dormitório.

— Ah, claro. Por favor, excelentíssimo monitor! — caçoou a garota, com um sorriso brincalhão nos lábios, fazendo uma reverência e logo o seguindo pelas escadas.

— Engraçadinha você, Roux…

— A vida já é séria e problemática demais, Malfoy.

Aquilo deixou o sonserino pensativo, mal se lembrava qual fora a última vez que havia realmente se divertido, se sentido jovem. estava mais certa do que imaginava. Draco não a conhecia tanto, mas já podia dizer que admirava aquilo na francesa, ela vivia em uma realidade extremamente parecida com a dele e, mesmo assim, sempre tinha um sorriso gentil nos lábios e levava a vida de maneira leve e diria até, otimista, às vezes. Os dois caminharam por mais alguns minutos pelo corredor, até pararem na porta do novo quarto de Roux.

— Bem, é aqui.

— Muito obrigada, monitor. — disse, frisando bem a última palavra e então mordeu os lábios, ato que não passou despercebido aos olhos do loiro, e então sorriu, em seguida. — Que bom que conhece bem o castelo, afinal, é o requisito mínimo para tal cargo, não é?

Roux era tão educada que trocava as palavras até para um simples “obrigada por fazer o mínimo”. A francesa o encarava desafiadora agora, com os braços cruzados, escorada na porta.

A cabeça de Malfoy parecia um caldeirão com a mistura em ponto de ebulição, não conseguia parar de se questionar. Por que é que tinha que ser tão bonita? Por que ele sentia tanta vontade de conhecê-la melhor, ir com calma e ao mesmo tempo, de sair dizendo por aí que ela era sua, mesmo depois de prometerem não levantar suspeitas sobre o noivado ou sobre qualquer envolvimento a mais que pudessem ter? E esse era o ponto, eles sequer tinham algum envolvimento.

Odiava o fato dos pais escolherem cada detalhe de sua vida por ele, odiava mais ainda não poder fazer nada para mudar aquilo. Mas ele não sabia se queria, de fato mudar aquilo, era uma garota bonita, gentil, sangue puro, de uma família nobre e ainda tinha todos os atributos que sua família achava que uma esposa deveria ter. Draco sabia que queria mais dela, mas não podia se desesperar.

Ele iria se casar com , eventualmente, não sairiam dizendo isso pelos corredores, mas podiam se divertir nesse meio tempo, certo?

— Realmente, Roux, é o mínimo. Posso ajudar nisso se quiser, há muitos outros lugares que eu posso te mostrar… — Malfoy tirou a mão do bolso e apoiou-a na porta, no espaço entre o ombro e o pescoço de , aproximando seu rosto do dela, o hálito fresco e a voz baixa. Malfoy era cheiroso demais para o próprio bem, aquele mínimo contato fora o suficiente para deixar a garota com as pernas bambas. — Como o meu quarto, por exemplo, adoraria te ver por lá algum dia desses.

O sonserino se aproximou ainda mais do rosto dela, sentindo a respiração da garota falhar levemente. Roux estava com a cabeça atribulada demais para dizer algo, só conseguia se concentrar nos olhos acinzentados tão perto e com tantos detalhes que, de longe, não se podia observar. Só despertou de seu transe quando sentiu os lábios de Draco encostando-se delicadamente no canto de sua boca, depositando um breve beijo ali.

Breve, mas suficiente para fazer com que a garota fechasse os olhos e se perdesse completamente no momento. Malfoy separou seus lábios da pele dela, mas não o necessário para se separar completamente da garota, soprando as palavras sobre seus lábios rosados.

— Tenha uma boa noite, . — E como se nada tivesse acontecido, Draco virou as costas voltando a caminhar para o lado oposto do corredor, em direção ao dormitório masculino.

A francesa demorou alguns segundos para assimilar o que havia acontecido na última hora e bem, o que havia acontecido agora. E então, finalmente entrou no quarto para que pudesse ao menos se deitar, já que dormir com certeza ela não iria.

⚡️⚡️⚡️


No dia seguinte, levantou-se bem cedo e trilhou seu caminho para o corujal do castelo, onde encontrou sua coruja, Hope, a qual fez um carinho por cima das macias penas brancas e a despachou com um bilhete ao seus pais, informando sobre sua seleção e como as coisas estavam indo bem até agora. Após Hope abrir voo, encostou-se no parapeito do local e observou a ave até que a mesma sumisse de sua vista dentre os fios laranjas que preenchiam o céu, dando início ao nascer do sol daquela manhã de verão. Seria um lindo dia, pensou.

De volta ao salão comunal da Sonserina, notou que a sua colega de quarto, Daphne Greengrass, ainda dormia profundamente, o que a levou a entender que ainda havia algum tempo antes do café da manhã. A francesa aproveitou o momento para tomar um relaxante banho quente e, logo em seguida, experimentar suas novas vestes verdes. Posicionou-se de frente ao espelho enquanto desenhava os lábios com um ousado batom vermelho, lembrando-se dos dois garotos que deixaram seus traços ali na noite passada. A garota, então, passou a ponta de seus dedos sobre o lindo brasão de cobra em seu peito, dando um sorriso satisfeito ao ver o resultado. Estava radiante.

– Parece que alguém caiu da cama hoje. – murmurou Daphne ao se levantar, bocejando logo em seguida – Não tivemos muita chance de conversar ontem. Prazer, Daphne. – estendeu a mão.

a observou através do reflexo do espelho por alguns segundos antes de respondê-la. Daphne era uma loira de olhos azuis e traços aristocráticos delicados.

– Ainda estou tentando me acostumar com o horário daqui – sorriu a francesa se virando – Prazer, Daphne. Me chamo , Roux. – disse apertando a mão da loira.

– Bom, , que tal me esperar para podermos ir juntas para o Salão Principal? Não devo demorar muito.

A francesa sorriu ao ouvir o apelido saindo tão naturalmente da loira. Não pensou que faria amizades nem tão cedo.

– Tudo bem, Daph. – arriscou, recebendo um sorriso de aprovação da loira – Te espero aqui.

As garotas desceram para o Salão Principal conversando animadamente entre si, ambas tinham mais em comum do que poderiam imaginar e sentia certo conforto em pensar que se adaptaria rápido a sua nova realidade. Os sonserinos estavam sendo mais gentis do que ela esperava. Ao adentrar o grande espaço, a francesa percorreu o mesmo com os olhos, a fim de encontrar algum dos que lhe tiraram o sono na noite passada e, imediatamente, pode ver o menino Malfoy sentado à mesa da Sonserina enquanto conversava com Crabbe e Goyle. A francesa caminhou até o garoto, sentindo seu estômago revirar ao ver que o platinado lhe olhou travesso, provavelmente lembrando da conversa que tiveram na noite anterior e sentou-se ao seu lado, ainda assim mantendo uma certa distância.

– Bom dia, Malfoy. – disse sem manter contato visual.

– Bom dia, Roux. – piscou – Não precisa ficar tão longe, eu não mordo. – disse aproximando seu corpo da menina no banco – A não ser que me peçam, é claro. – sussurrou.

balançou a cabeça a fim de se distrair do arrepio que percorreu o seu corpo ao ouvir as palavras de Draco e, então, deu uma leve cotovelada nele, enquanto um sorriso brincalhão tomava conta de seu rosto.

– Cala a boca e me passa o suco de abóbora, Draco.

O garoto apenas sorriu sarcástico, pegando a jarra e entregando a mesma a francesa e, então, passaram a comer. mastigava sua torrada quando com um forte deslocamento de ar e ruídos de batidas, centenas de corujas entraram voando pelas janelas superiores. Desceram por todo o salão, trazendo cartas e pacotes para seus donos, e deixando cair uma verdadeira chuva de pingos sobre as pessoas que tomavam café; sem a menor dúvida estava chovendo forte lá fora, o que surpreendeu a francesa, considerando que o dia havia começado limpo. Dentre as corujas estava Hope, que passou pela dona soltando um piado e lhe entregou uma carta, juntando-se as outras corujas logo em seguida. A francesa pegou o pergaminho, desenrolando o mesmo e pode notar a caligrafia de sua mãe, Camille.

“Querida .
Fico feliz que foi escolhida para a Sonserina, sabia que não iria nos decepcionar. É tudo que menos precisamos no momento.
Imagino como o castelo deve ser lindo, deve estar encantada, mesmo já o conhecendo do ano anterior.
Seu pai e eu estamos demasiadamente orgulhosos de você.
Creio que fará bons amigos em Hogwarts, soubemos que está no mesmo ano que o famoso Harry Potter, acho que ele seria um ótimo amigo para você, .
Estamos com visita aqui em casa, poderá saber quem é no feriado.
Se cuide e cuide de nós, nunca sabemos o que nossas ações podem causar nos tempos sombrios que vivemos.
Tenha um bom começo de ano letivo, até breve filha.”


Em circunstâncias diferentes teria se incomodado pelo fato da mãe sequer perguntar se ela estava bem, por mais que fosse sempre assim. Mas alguns pontos chamaram a atenção da jovem Roux. Primeiramente, a carta parecia não fazer sentido, o que levava a crer que ou algo perturbava sua mãe, ou ela havia escrito aquilo em estado de embriaguez, o que definitivamente não era uma opção.

A caligrafia de Camille – que costumava ser perfeitamente desenhada – parecia ter urgência, visto que estava mais inclinada e torta, algumas letras pareciam ter destaque devido o excesso de força que ela havia aplicado sobre a pena.

Foi então que em um estalo, os músculos de se tencionaram de forma imediata e tudo parecia fazer sentido em sua mente. A mãe sugeria que ela deveria ser amiga de Harry Potter, pedia para que ela cuidasse dela e de seu pai e as letras, quando juntas, formavam uma frase esclarecedora:

“O Lorde está aqui”


Potter estava falando a verdade, o Lorde das Trevas havia retornado. E, no momento, se escondia na casa dos Roux. não demorou a entender que aquela era sua missão, se aproximar do menino que sobreviveu a fim de descobrir se ele tramava algo e passar as possíveis informações para o Lorde durante o natal ou seus pais sofreriam as consequências.

Capítulo Quatro

passou a manhã inteira perturbada. Após receber a carta de sua mãe avisando que o Lorde das Trevas estava escondido em sua casa, tudo que a garota conseguia pensar era que a vida de seus pais dependia dela e, naquele momento, se perguntava como havia chegado ali. Em uma semana estava feliz e segura na França, prestes a voltar para Beauxbatons e, na outra, estava prometida a casamento para um estranho, frequentando uma escola completamente diferente e, responsável por ajudar o lado das trevas.

A francesa estava encolhida em sua cama — tinha o período livre — enquanto permitia se debulhar em lágrimas, vez ou outra fungando baixinho, quando ouviu leves batidas em sua porta.

?

Rapidamente, a garota levantou-se, secando as lágrimas e correndo para o espelho para checar seu estado. Deplorável. Suas vestes estavam amassadas, seus cabelos desgrenhados e seus olhos — que eram sempre cheios de vida — estavam apenas vazios e inchados. suspirou tristemente passando as mãos para secar os novos vestígios de lágrimas que escorriam por ali.

— Só um minuto. — exclamou.

A pessoa não a respondeu, então, aproveitou o momento para ajustar o máximo que podia de sua aparência desajeitada. Em seguida, pegou sua varinha, colocando-a em seu bolso e abriu a porta, encontrando um loiro com expressões entediadas encostado na parede do corredor. O garoto, por sua vez, levantou a cabeça em direção à francesa ao ouvir a porta se abrir e lhe lançou um sorriso singelo.

— Vim te buscar para a aula de Poções. Daphne me disse que estava se sentindo um pouco indisposta e que havia voltado para o quarto. Está tudo bem? — olhou-a preocupado.

— Ah, sim. Obrigada, Draco. É muito gentil de sua parte. — sorriu fraco — Estou melhor sim.

— Devo cuidar de minha noiva, certo? — sussurrou enquanto se aproximava da garota — Agora vamos. Snape não gosta de atrasos.

O jovem estendeu o braço a francesa, que o aceitou, e então, trilharam seu caminho para a sala das masmorras. Ao chegarem na porta, notaram que não havia mais ninguém ali e que provavelmente estavam adiantados, então, desvencilhando-se um do outro, entraram na sala e ajeitaram-se em seus lugares e ficaram em silêncio até que o local fosse preenchido pelo barulho da entrada de seus colegas.

– Quietos – Snape irrompeu friamente, fechando a porta da sala ao passar.

A mera presença de Snape era, em geral, suficiente para garantir que o silêncio se instalasse e então, todos observavam o professor caminhar com suas vestes esvoaçantes para sua mesa enquanto corria os olhos pelos alunos, o achou assustador.

— Antes de começarmos a aula de hoje, acho oportuno lembrar a todos que em junho prestarão um importante exame, no qual irão provar o quanto aprenderam sobre a composição e o uso das poções mágicas. Por mais debilóides que sejam alguns alunos desta turma, eu espero que obtenham no mínimo um “Aceitável” nos seus N.O.M.s, ou terão de enfrentar o meu... Desagrado. — O seu olhar recaiu desta vez sobre Neville, que engoliu em seco. — Quando terminar este ano, naturalmente, muitos de vocês deixarão de estudar comigo — continuou Snape. — Só aceito os melhores na minha turma de Poções preparatória para o N.I.E.M., o que significa que alguns de nós certamente vamos dizer adeus.

Seu olhar pousou em Harry e seu lábio se crispou. O garoto encarou-o de volta, não precisava conhecer o garoto para deduzir que se pudesse, ele soltaria fogos agora mesmo depois da recente descoberta.

— Mas ainda teremos um ano antes do feliz momento das despedidas — disse Snape suavemente — portanto, pretendam ou não tentar os exames dos N.I.E.M.s, aconselho a todos que se concentrem em obter a nota alta que sempre espero dos meus alunos de N.O.M.

fechou os olhos incomodada. Aquele ano seria intenso, além de sair por aí como uma espiã atrás de informações para o Lorde das Trevas, ainda teria que se matar de estudar para os N.O.Ms.

Brilhante. Pensou ela, bufando em seguida.

— Hoje vamos aprender a misturar uma poção que sempre é pedida no exame dos Níveis Ordinários em Magia: a Poção da Paz, serve para acalmar a ansiedade e abrandar a agitação. Mas fiquem avisados, se pesarem muito a mão nos ingredientes, vão mergulhar quem a beber em um sono pesado e por vezes irreversível, por isso prestem muita atenção no que vão fazer.

Uma poção da paz, que ironia. Era tudo que precisava no momento.

— Os ingredientes e o método estão no quadro-negro — Snape fez um gesto rápido com a varinha e então as informações apareceram ali —, encontrarão tudo de que precisam no armário do estoque — ele tornou a agitar a varinha e a porta do armário se abriu —, e vocês têm uma hora e meia... Podem começar.

esperou os colegas saírem de cima do armário para que pudesse ir calmamente pegar os ingredientes para o preparo, a sonserina viu os frascos para armazenar e acabou pegando dois, levaria um pouco consigo para tentar manter toda aquela ansiedade longe dela durante o resto do dia.

Os ingredientes tinham de ser acrescentados ao caldeirão na ordem e quantidade precisas, a mistura tinha de ser mexida o número exato de vezes, primeiro no sentido horário, depois no anti-horário. O calor e as chamas em que a poção ia cozinhar tinham de ser reduzidos a um nível exato, por um número específico de minutos antes do último ingrediente ser adicionado. A francesa não se não se considerava uma verdadeira fã da matéria de poções, mas se virava como podia e até que era boa, então ter que realizar uma poção difícil e demorada não parecia um grande problema para ela.

Nem mesmo o calor da sala por conta dos caldeirões parecia incomodá-la naquele dia, só conseguia pensar nos acontecimentos recentes e em como lidaria com todos os problemas que tinha para resolver. Observou a bruma leve e prateada subindo do caldeirão e continuou mexendo como indicado no quadro.

— Um vapor claro e prateado deve se desprender da poção dez minutos antes de ficar pronta. — avisou Snape, começando a andar pela sala, parando na bancada onde e Daphne se encontravam. — Isso não está completamente inútil Roux, dez pontos para a Sonserina. Deixe ferver pelos próximos minutos em fogo baixo e tente não estragar o bom trabalho que fez.

assentiu, sabia que aquilo seria o mais próximo de um elogio que conseguiria. Já estava no caminho certo, a garota se escorou na bancada atrás de si e se permitiu observar como os colegas estavam se saindo.

Harry suava profusamente, com um olhar desesperado preso no caldeirão que liberava uma enorme quantidade de vapor cinza escuro, o de Rony cuspia fagulhas verdes. Outros caldeirões tinham fumaças pretas e até mesmo biséis com as chamas apagadas, o que não permitia que a temperatura se mantivesse constante como o preparo exigia. A de Hermione, assim como a dela, apresentava uma névoa prateada de vapor, Snape passou por ela olhando-a com desprezo, sem fazer comentários, sabia que o diretor de sua casa não ia muito com a cara nem dos sonserinos, quem dirá dos alunos de outras casas, o que significava que ele nunca iria elogiar ou sequer reconhecer que a grifinória havia feito um excelente preparo, entretanto parecia não ter conseguido encontrar nada para criticar. Junto ao caldeirão de Harry, porém, o professor parou, e olhou-o com um sorriso de debochado no rosto.

— Potter, que é que você acha que isto é?

Os colegas da Sonserina perto de ergueram a cabeça, felizes, era claro que adoravam ouvir Snape implicar com Harry.

— A Poção da Paz – respondeu ele, tenso.

— Diga-me, Potter – perguntou Snape baixinho –, você sabe ler?

achou aquilo tremendamente ofensivo e desrespeitoso para vir de um professor, Draco, entretanto, deu uma risada, fazendo-a rolar os olhos. Humilhar os alunos na frente de toda a classe era o método de ensino adotado no colégio ou a implicância era só com Harry Potter mesmo?

— Sei, sim senhor – disse Harry, os dedos apertando a varinha suficientemente para que seus nós ficassem mais claros que o normal, mesmo assim, a calma na voz do grifinório era invejável, e claramente irritava o professor.

— Leia a terceira linha das instruções para mim, Potter.

O garoto apertou os olhos para ver o quadro-negro, mas falhou devido a dificuldade de se enxergar algo além da névoa de vapor multicolorido que enchia a masmorra.

— Acrescente a pedra da lua moída, mexa três vezes no sentido anti-horário, deixe cozinhar durante sete minutos, depois junte duas gotas de xarope de heléboro. — o garoto leu e em seguida engoliu a seco, provavelmente havia encontrado seu erro.

— Você fez tudo que estava na terceira linha, Potter?

— Não, senhor – respondeu Harry baixinho.

— Como disse?

— Não — repetiu o garoto mais alto e claramente impaciente. — Esqueci o heléboro.

— Eu sei que esqueceu, Potter, o que significa que essa porcaria não serve para nada. Evanesco!

O conteúdo do caldeirão de Harry desapareceu e ele ficou parado como um tolo ao lado do caldeirão vazio. viu os colegas de casa segurando o riso, não sabia que a implicância entre Sonserina e Grifinória era tão pesada a ponto dos alunos apoiarem aquele exemplo claríssimo de bullying. A garota se sentiu determinada a ajudá-lo, não só para dar andamento a sua missão, mas porque não achava justo que o garoto tirasse zero quando havia muitas outras poções (inclusive de seus colegas) que estavam piores do que a que antes ocupava o caldeirão de Potter e teriam chances de serem sequer avaliadas.

— Para os alunos que conseguiram ler as instruções encham um frasco com uma amostra de sua poção, colem uma etiqueta com o seu nome escrito com clareza e tragam-no à minha escrivaninha para verificação — ordenou o professor. — Dever de casa: trinta centímetros de pergaminho sobre as propriedades da pedra da lua e seus usos no preparo de poções, a ser entregue na terça-feira.

encheu seus dois frascos, etiquetou um e acrescentou mais água para diluir o heléboro no restante do conteúdo do caldeirão, para que a coloração se parecesse com a do garoto.

Harry bufou irritado, sua poção não estava pior do que a de Rony, que agora exalava um cheiro horrível de ovo podre, ou que a de Neville, que atingira a consistência de cimento recém-misturado, e agora ele tentava extrair do caldeirão, mas era apenas ele, Harry, que iria receber zero no trabalho do dia.

— Potter. — ouviu a garota chamando da bancada ao lado. — Me dá seu frasco.

— O que?

— Anda logo, não temos tempo.

— Roux, muito obrigado, mas… — começou, irritando a garota ainda mais.

— Para de ser idiota e me dá logo a porra do frasco. — murmurou entredentes, ela só estava tentando ajudar, não estava pouco se importando onde Potter enfiaria o orgulho dele.

O garoto não viu outra opção senão entregar o frasco para a aluna nova, que o encheu com um pouco do conteúdo de seu próprio caldeirão, que, agora, tinha a cor exata da que antes abrigava o dele.

— Mas… O que? — Harry franziu o cenho, ela havia feito uma poção perfeita, o que era aquilo?

A garota entregou o frasco para Potter e colocou seu frasco não etiquetado no bolso sob os olhares do garoto confuso. Ela se levantou, com o frasco etiquetado nas mãos, para entregar, mas sem antes parar ao lado da bancada de Potter, fingindo arrumar a alça da mochila nos ombros.

— Finja que não viu nada e estamos quites, Potter.

E então Roux caminhou até a mesa do professor, deixando o frasco ali e saindo das masmorras com os cabelos esvoaçantes, deixando um Potter confuso para trás.

Ainda atribulado, Harry etiquetou o frasco e deixou-o em cima da mesa do professor, não parando para olhar sua expressão confusa ou indignada e saindo dali antes que a bomba explodisse.

⚡️⚡️⚡️


O teto se transformara em um cinza ainda mais sujo durante a manhã. A chuva fustigava as janelas por todo o castelo. andava acompanhada de Daphne para o Salão Principal, onde almoçariam. A garota estava perdida em pensamentos e sentia o vidro com a poção pesando no bolso de suas vestes. Em sua mente, ponderava se deveria tomar a mesma ou se esperaria por uma ocasião ainda pior, se é que isso era possível.

E era.

Ao adentrar o grande espaço, observou ao longe o ruivo em pé em frente a mesa da Grifinória, o garoto gargalhava ao lado de seu irmão enquanto fazia gestos engraçados para uma garota negra e alta com cabelos longos e negros, ela usava tranças e seus olhos eram castanhos, ela era linda. Ao escutar de longe a risada de Fred, a francesa sentiu certo conforto com a familiaridade e segurança que a presença dele a trazia e, considerando que isso era o que ela precisava naquele momento, decidiu continuar observando o ruivo por mais alguns instantes — que não podia vê-la por estar de costas — enquanto um sorriso carinhoso tomava conta de seus lábios. Pela primeira vez desde aquela manhã, ela sentia que tudo ficaria bem. Bom, isso até ver o que aconteceria na cena seguinte.

— Mas o quê… — deixou escapar baixinho.

A garota de tranças — a qual Roux desconhecia o nome — havia, em um súbito, passado suas mãos ao redor do rosto de Fred e o beijado. Os grifinórios, então, passaram a assobiar, alguns batiam palmas, outros gritavam. George tinha uma mão na boca enquanto dava risada surpreso. Já … Bem, essa sentia seu estômago revirar em inúmeras partes.

— Ah, sim. — riu Daphne, só então fazendo se lembrar de que ela ainda estava ali — Aquela é Angelina Johnson. Ela é a Capitã do time da Grifinória.

, agora enjoada, continuou observando a cena. Parte de si esperava que Fred fosse afastar a morena e dizer que tinha alguém. Mas ele não tinha, certo? A francesa apenas havia se precipitado ao pensar que tudo seria como antes. Como poderia? Havia voltado para a França, até a semana anterior achava que iria para Beauxbatons, o tempo havia passado.

Mas ele prometeu que a esperaria.

Disse que ela valia a espera.


Seus pensamentos eram conflituosos.

— Ouvi boatos de que eles têm um rolo desde o Torneio Tribruxo. — disse Daph. — Não sabia se era verdade. Bem… Até agora.

A francesa encarou a loira. Tentava, ao máximo, manter a expressão de dor e choque fora de sua face, seus olhos intercalavam entre o casal e a amiga. Por fim, balançou a cabeça tentando sair do transe e se virou para a sonserina.

— Ei, Daph. Vai indo na frente. Tem uma coisa que eu preciso fazer.

A loira apenas assentiu e saiu do seu campo de visão. saiu apressadamente do Salão Principal, dessa vez, deixando a adrenalina tomar conta de seu corpo. A garota correu pelo extenso corredor e, só ao perceber que estava sozinha, tateou suas vestes a procura do vidro, pegando-o e desenroscando sua tampa. As mãos da garota tremiam quando ela finalmente se viu livre da tampa e, então, virou o frasco da poção mágica de uma vez em sua boca, fechando os olhos ao engoli-la.

Vai ficar tudo bem. Pensou.

De repente, por todo o corpo da garota, era possível sentir seus músculos relaxando. Sua respiração, antes descontrolada, agora era calma. E, seu coração, de batida em batida voltava ao seu ritmo normal. Sua mente, que segundos atrás estava cheia de preocupações, simplesmente ficou vazia. Tudo que a garota conseguia sentir era paz. A mais bela e pura paz.

⚡️⚡️⚡️


estava… Distante. O efeito da poção havia lhe acertado em cheio, deixando-a num estado semelhante ao de embriaguez. Tudo que ela precisava. A francesa se encontrava deitada na gelada grama verde em frente ao Lago Negro, suas mãos estavam apoiadas em seu ventre e a garota tinha seus olhos fechados enquanto a brisa gélida do dia cinza batia em seu rosto, deixando-lhe arrepiada.

— Matando aula na primeira semana em Hogwarts. — a garota abriu os olhos — Você deve gostar mesmo de problemas.

A garota virou levemente seu rosto para o lado, encontrando o sorriso divertido do ruivo, que a encarava em pé. Ela, entretanto, voltou-se para a sua posição inicial e tornou a fechar os olhos novamente.

— Eu vi você beijando a Angelina. — murmurou somente e então abriu novamente os olhos apenas para encontrar a expressão assustada de Weasley.


Continua...



Nota da autora: Olá, Marotas. Tudo bem? Estamos de volta com mais um capítulo e, bom… Parece que nossa querida Roux está passando por uma barra nesses últimos dias. Afinal, nem só de magia se vive em Hogwarts, não é mesmo? Novamente, gostaríamos de agradecê-las por todo reconhecimento que temos recebido com essa história. Foi uma surpresa e tanto. Continuem nos acompanhando e nos incentivando, isso faz toda a diferença e é muito importante para nós! Ah, e não se esqueçam de nos seguir nos nossos instagrams de autora, lá vocês poderão encontrar informações sobre atualizações, spoilers, trailers e muito mais. Até a próxima, francesas!



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