Are You The One, por T Contador:
Última atualização: 09/06/2020

Prólogo

Nada melhor que conhecer um pouco das 20 pessoas que formarão os dez pares ideais, ou pelo menos irão tentar. Como em todo programa, esse também terá uma pequena descrição dos personagens para já descobrir aqueles que iremos gostar e os que não iremos. Abaixo está a lista das dez meninas que estão em busca do seu par ideal.

: 22 anos, aquariana, mora em Miami, Flórida e é conhecida pelo corpo definido devido ao surf e a dança, que praticou até o fim da adolescência. É conhecida pelo jeito leal e original de lidar com as coisas. Descreve-se como uma pessoa sincera, livre e simpática, que adora emoções e surpresas.
Aparência: branca, porém sempre bronzeada, cabelo preto com as pontas encaracoladas e olhos castanhos.

Camille Duval: 23 anos, geminiana, mora em Denver, Colorado e é conhecida pelos enormes olhos azuis que conseguem tudo o que quer. Camille considera-se um anjo, com os grandes olhos azuis, o longo cabelo loiro e o rosto de boneca. Descreve-se como inteligente e carinhosa, ler e passar o tempo em casa assistindo filmes.
Aparência: branca, cabelo loiro encaracolado e de olhos azuis.

Chelsey Jacobs: 24 anos, taurina, mora em Virgínia Beach, Virgínia e é conhecida pela aparência semelhante à de uma japonesa. Descreve-se como paciente e decidida, acredita que saberá logo quem será seu par ideal e acredita que pode acabar sendo um pouco possessiva.
Aparência: branca, cabelo preto liso e olhos castanhos puxados.

Chloe Hoeffel: 22 anos, sagitariana, mora em Miami, Flórida e é conhecida pelo seu jeito extravagante e suas roupas caras, porém descrevem-na como uma pessoa bem do bem. Descreve-se como simpática e otimista, porém bastante sincera. Não gosta do próprio corpo, pois se intitula gorda.
Aparência: branca, cabelo loiro liso e olhos azuis.

Holly Brown: 25 anos, pisciana, mora em Orlando, Flórida e é conhecida como a sonhadora, sempre perdida nos assuntos. Descreve-se como amável, intuitiva e imaginativa. Acredita que não conseguirá achar seu par ideal e por isto entrou para o programa.
Aparência: negra, cabelo preto liso e olhos pretos.

Jasmine Yardley: 23 anos, capricorniana, mora em Washington, D.C. e é conhecida por sua ironia e sua expressão sempre séria. Descreve-se como reservada, prática, ambiciosa e bastante pessimista, porém alega ter um bom senso de humor.
Aparência: negra, cabelos pretos e cacheados, olhos pretos.

Lydia Perkins: 22 anos, leonina, mora em Nova Orleans, Louisiana e é conhecida pelo jeito excêntrico e pelas cores vibrantes do cabelo. Descreve-se como generosa, fiel e criativa, mas confirma ser meio prepotente e intolerante.
Aparência: branca, olhos azuis e cabelo verde liso.

Marnie Palmer: 24 anos, virgiana, mora em Austin, Texas e é conhecida pelo jeito nerd e tímido que possui. Descreve-se como perfeccionista, modesta e tímida. Além de ser reservada e preferir ler um livro ao jogar alguma coisa do que sair com os amigos.
Aparência: branca, cabelo castanho acobreado liso e olhos azuis.

Riley Jones: 21 anos, canceriana, mora em Phoenix, Arizona e é conhecida pelo sorriso doce que sempre está presente. Descreve-se como emotiva, carinhosa e protetora. Acredita que irá reconhecer seu par ideal de cara, pois saberá quem é a pessoa que lhe completa apenas de olhar.
Aparência: negra, dreads castanhos e olhos verdes.

Simone Lee: 24 anos, escorpiana, mora no Brooklyn, Nova Iorque e é conhecida pelo jeito diferente e pelas tatuagens que possui por todo o corpo. Descreve-se como positiva, decidida e teimosa, adora a verdade e odeia a falsidade que algumas pessoas possuem.
Aparência: branca, cabelo preto liso com franjinha, olhos castanhos claros e diversas tatuagens.

Agora que já conhecemos as meninas, está na hora de conhecer os dez meninos que serão, ou não, o par ideal delas.

: 22 anos, libriano, mora em Toronto, Canadá e é conhecido pelo rosto de garoto que consegue conquistar todas as mulheres, principalmente quando ele tira a blusa. Descreve-se como sociável, pacífico e romântico.
Aparência: branco, cabelos castanhos em um topete, covinhas e olhos castanhos.

: 24 anos, ariano, mora no Brooklyn, Nova Iorque e é conhecido pelas tatuagens de símbolos que ocupam seu corpo. Descreve-se como aventureiro, valente e espontâneo, porém considera-se impulsivo e sem paciência.
Aparência: branco, cabelos pretos em um topete, barba rala e olhos verdes.

: 23 anos, sagitariano, mora em Las Vegas, Nevada e é conhecido pelo seu jeito natural e espontâneo, que sempre o deixa rodeado de pessoas. Descreve-se como sincero, simpático e bem humorado. Mas admite ser irresponsável e descuidado em alguns momentos.
Aparência: branco, cabelos loiros bagunçados e olhos azuis esverdeados.

Fred Kuhn: 23 anos, aquariano, mora em Sterling, Virgínia e é conhecido pelo jeito brincalhão e leve que leva a vida. Descreve-se como um típico aquariano, simpático, original e independente.
Aparência: negro, cabeça raspada e olhos castanhos.

Grant Puckett: 24 anos, geminiano, mora em Denver, Colorado e é conhecido pela inteligência e o dom com aparelhos eletrônicos. Descreve-se como intelectual, comunicativo, adaptável e inteligente.
Aparência: branco, cabelos castanhos lisos até o ombro e olhos castanhos.

Hunter Medrano: 25 anos, capricorniano, mora em Chicago, Illinois e é conhecido pela praticidade e pelo sorriso sincero que sempre carrega nos lábios. Descreve-se como ambicioso, paciente e prático.
Aparência: branco, cabelo castanho ondulado e curto, olhos mel.

Isaac Baldin: 23 anos, leonino, mora em Las Vegas, Nevada e é conhecido pelos dreads e tatuagens que ocupam praticamente todo o seu corpo. Descreve-se como compreensivo, vaidoso e carinhoso.
Aparência: negro, dreads pretos, olhos mel e tatuagens.

Mike Gurnevich: 24 anos, escorpiano, mora em Bronx, Nova Iorque e é conhecido pelas tatuagens que cobrem seus braços inteiros e pelos olhos verdes. Descreve-se como decidido, emotivo e atraente.
Aparência: negro, cabelo preto ralo, olhos verdes e tatuagens.

Nathan Turner: 26 anos, taurino, mora em Washington, D.C. e é conhecido pelo cabelo que vai até os ombros e pela barba um pouco cheia. Descreve-se como decidido, natural e persistente.
Aparência: branco, cabelo preto preso em coque, barba preta e olhos castanhos.

Ryan Peters: 23 anos, pisciano, mora em Maui, Havaí e é conhecido pelo jeito despojado e pelo fascínio por skate. Descreve-se como imaginativo, intuitivo, despojado e idealista, está sempre de bem com tudo e todos.
Aparência: branco, cabelo castanho um pouco acima do ombro e olhos castanhos.

Agora que conhecemos um pouco todos os participantes, só precisamos escolher um casal e torcer para que eles sejam os pares ideais. Boa sorte com a escolha de casais, vocês irão precisar.


Capítulo 01 – Day One

O apresentador estava parado no meio do grande jardim observando os participantes chegar e se alinharem a sua frente. Do seu lado esquerdo os rapazes estavam em duas fileiras, contendo cinco em cada, já do seu lado direito, as mulheres se encontravam na mesma posição.

- Bem-vindos ao Are You The One. - Terrence, o apresentador, falou sorrindo, fazendo com o que os jovens gritassem em aprovação. - Eu sou Terrence e eu serei o guia de vocês nessa viagem para achar o seu par ideal. - os participantes lhe olhavam com expectativa, fazendo com o que o apresentador se sentisse animado por estar ali. - E todos vocês precisam de ajuda, pois vocês são o quê? - o apresentador deu uma pausa, voltando a falar logo em seguida e sendo acompanhado por todos os vinte jovens ali presentes. - Péssimos em arrumar relacionamentos.
- Fizemos um processo intenso para combinar os pares, filtramos milhares de pessoas, compilamos todos os tipos de informações para namoro e inserimos tudo em um algoritmo que já identificou qual é o seu par ideal. - as exclamações de felicidade quando Terrence anunciou isso foram grandes, causando risadas no apresentador. - Mas se o seu par ideal estivesse bem na sua frente, você iria saber?
- É óbvio que não, se eu soubesse eu não estaria aqui. - falou imediatamente, arrependendo-se em seguida quando todos olharam em sua direção.
- Bem colocado. - o apresentador comentou sorrindo, arrancando risada de alguns participantes. - Vocês acreditam em amor à primeira vista?

Praticamente todas as mãos do lado das mulheres foram levantadas, três ou quatro continuaram com a mão abaixada, incluindo . Já do lado masculino, boa parte permaneceu com a mão abaixada, enquanto no máximo seis homens levantaram suas mãos.

- Vejo que você levantou a mão sem nem pestanejar, Camille. - Terrence encarou a loira que mantinha um sorriso amplo nos lábios. - Já que você acredita, quem você acha que seria o seu par ideal?
- Aquele de cabelos castanhos da segunda fileira, o que tem covinhas. - murmurou enquanto apontava para o homem que a encarava timidamente.
- ?! - Terrence questionou e o homem o encarou, fazendo o apresentador abrir um sorriso. - Você também levantou a mão, então você acredita em primeiras conexões. - afirmou e o moreno apenas concordou com a cabeça. - Você acha que Camille possa ser o seu par ideal?
- Sim, ela tem tudo o que normalmente me atrai e que eu gosto.
- É exatamente por isso que ela não é o seu par ideal. - falou mais alto do que desejava, fazendo com o que todos a encarassem.
- E qual o motivo que faz você achar isso? - o tom de voz de Camille era magoado, como se tivesse acabado de falar algum absurdo. Coisa que na cabeça de Camille aconteceu, pois ela tinha certeza que era o seu par ideal, a loira não tinha dúvidas.
- Estamos aqui, pois sempre escolhemos o que queremos, e não o que precisamos. - falou como se explicasse algo a uma criança. - E o bonitinho ali, acabou de fazer isso.
- Ela está certa. - Terrence se pronunciou assim que notou que Camille estava prestes a responder. - Nós analisamos todos vocês e o par ideal de vocês, é alguém que vocês precisem, que lhes ajude a crescer.
- Se você quer ficar com alguém igual a você, com os mesmos gostos e tudo mais, cria um clone. - falou em um tom divertido, causando risada em alguns participantes.
- Depois dessa eu até poderia parar de papo e liberar a casa pra vocês, acho que vocês estão precisando se refrescar um pouco. - Terrence foi interrompido pelos gritos de comemoração, o fazendo sorrir maroto para os participante. - Pena que isto não vai acontecer, já que o primeiro desafio vai rolar agora.

Terrence caminhou até uma televisão com o logo do programa. Ela estava apoiada em uma coluna que a deixava na direção do rosto de todos os vinte jovens ali presentes, que olhavam com atenção para o aparelho.

- Para achar o par ideal de vocês, não basta só olhar para a aparência, vocês terão que ir bem mais fundo. E esse desafio vai além disso, por isso vou chamá-lo de “O que você vê, é o que você leva”. - todos ali começaram a comentar, dizendo que apoiavam e aquele era um ótimo jeito. - Meninas, vamos começar com vocês. Neste monitor vão ter fotos de coisas que esses caras guardam no fundo do coração deles, se vocês de identificarem com alguma coisa, ou se ela for especial para vocês, levantem a mão. A primeira a levantar a mão, vai sair com o cara da foto, os primeiros três casais vão para um passeio incrível.

As garotas estavam nervosas, tudo ali iria depender delas. O que elas fariam se o cara curtisse algo igual a elas, mas ele não fosse o tipo delas, seria estranho.

- E aqui temos a primeira foto. - uma prancha de surf apareceu e levantou sua mão de imediato. - Vejo que você levantou a mão no mesmo instante, .
- Sim, surf é minha paixão desde os treze anos. - falou recebendo alguns comentários idiotas, que ela preferiu ignorar.
- E você, Chloé, por qual motivo levantou a mão? - Terrence questionou a loira que apenas deu de ombros.
- Eu curto um surfista, não moro em Miami atoa. - comentou rindo.
- Certo. - Terrence riu e então pigarreou, fazendo com o que o silêncio se instalasse ali. - Bom, levantou primeiro a mão, vamos ver quem é o seu parceiro para um encontro.

A foto passou para o lado assim que Terrence falou, tirando a foto da prancha e aparecendo a foto de um homem com os cabelos castanhos um pouco acima do ombro, que saía do mar com a prancha em seu braço. Uma típica foto de modelo, fazendo as mulheres babarem.

- Ryan e , vocês são o primeiro casal. - Terrence sorriu e bateu palmas, sendo acompanhado pelos outros participantes. - Venham aqui para frente.

Os dois saíram da fila que estavam e se cumprimentaram assim que estavam próximos. abriu um sorriso na direção do homem e ele lhe abraçou, passando os braços por sua cintura e juntando seus corpos, aproximaram os rostos e deu dois beijos em seu rosto, um de cada lado. Afastaram-se sutilmente e Ryan segurou a mão de , caminhando de mãos dadas até Terrence e parando ao lado do entrevistador.

- E a nossa segunda foto é... - uma máquina de tatuagem apareceu na tela, fazendo com o que apenas uma mulher levantasse a mão. - Devo dizer que não estou surpreso por você levantar a mão, Simone?
- Sério? Jurava que seria uma surpresa. - a morena riu irônica, enquanto alisava seus braços com algumas tatuagens. - Acho que eu só levantei a mão pelo fato de que eu quero um passeio, eu nem curto tatuagens.
- Essa foto não nos deixa noção de quem é, já que temos três rapazes que possuem algumas tatuagens. - Terrence falou.
- Os três são maravilhosos. - Lydia comentou distraída enquanto enrolava uma mecha de seu cabelo verde no dedo.
- Sem mais enrolações. - Terrence falou e a foto passou, dando lugar para um moreno de olhos verdes que olhava fixamente para a câmera enquanto segurava a máquina de tatuagem. - , nos diga o motivo pelo qual você escolheu esse objeto.
- Eu sou tatuador, esse é o meu trabalho, não tem nada que eu ame mais do que tatuar as pessoas. - ele falou e então sorriu, enquanto encarava as garotas uma por uma.
- Muito bem, venham para cá também. - Terrence chamou o casal que apenas acenaram um para o outro e andaram lado a lado até ali. - Vamos para a próxima foto então.

A foto de um programa do Word aberto no notebook com uma xícara de café do lado apareceu, causando algumas risadas nas mulheres e fazendo com que apenas uma levantasse a mão.

- Marnie, diga o motivo pelo qual você levantou a mão. - Terrence encarou a menina que sorriu timidamente.
- Eu não sou boa para me relacionar com as pessoas em geral, então boa parte do meu tempo eu gasto no computador escrevendo ou lendo algo. - seu tom de voz era baixo, como se ela não quisesse que todos ali a escutassem.
- Certo, e o rapaz centrado é... - a foto logo mudou para um homem com os cabelos castanhos bagunçados segurando uma xícara de café enquanto um óculos de grau estava em seu rosto. - Hunter, vejo que está sem os óculos hoje, espero que esteja conseguindo apreciar a beldade que acabou de ganhar um passeio com você.
- O óculos não me atrapalha. - comentou com descaso.
- Certo. - Terrence pigarrou. - Então, venham até nós já que vocês são o último casal.
- O encontro vai ser hoje? - Chloé questionou Terrence.
- Não, hoje o dia é especial para vocês se conhecerem melhor. O passeio ocorrerá amanhã e enquanto os três casais estarão em um passeio pela praia, vocês ficarão encarregados de escolher um casal para mandar para cabine da verdade. - o apresentador deu uma pausa dramática. - E como vocês já devem saber, a cabine da verdade é o único local que confirma se vocês são realmente um par ideal.
- Que pressão. - Riley comentou assustada.
- Se vocês forem um par ideal, vocês sairão imediatamente da casa e irão para a lua de mel, voltando apenas nas cerimônia das luzes, onde um faixo já estará ascendido, e ele representará vocês. - o apresentador calou-se e sorriu para todos ali presentes, observando suas comemorações. - Mas se vocês não forem um par ideal, vocês voltarão para casa e terão que começar a busca pelo seu par ideal tudo de novo.
- A pressão acabou de aumentar. - comentou rindo na direção de Riley.
- Por hoje vocês estão dispensados, vão conhecer a nova casa de vocês.

Os vinte participantes saíram correndo, seguindo o caminho de pedras que marcava o gramado. A casa era enorme, com as paredes externas de vidro, fazendo com o que eles já pudessem ver boa parte da casa sem ao menos entrar.
A sala era espaçosa o suficiente para que os dez casais se acomodassem e ainda sobrasse espaço. Uma televisão de plasma de mais de cinquenta polegadas estava presa na parede, ficando de frente para um grande sofá em formato de ‘l’ que aconchegaria mais da metade dos participantes. Um tapete grande e felpudo ficava entre a televisão e o sofá. Do lado do sofá possuíam alguns puffs, enquanto atrás do sofá tinham três bancos altos.
A cozinha era maior ainda, com eletrodomésticos de última geração, uma grande ilha no meio da cozinha com alguns bancos para que o pessoal ficasse ali na hora das refeições, mesmo tendo uma ampla mesa de jantar posicionada não muito longe dali.

- ISSO É UM SONHO. - o grito vinha do segundo andar da casa, e isso logo despertou a curiosidades das outras pessoas, que correram na direção do grito que os levou até o quarto. - Olha que coisa maravilhosa.

comentava pulando de uma cama para a outra. Aquele era o quarto onde todos dormiriam, e eles estavam achando maravilhoso. O quarto era enorme, contendo dez camas boxes de casais, uma colada na outra, formando uma única e enorme cama.

- Esse colchão é mais macio que o da rainha da Inglaterra. - foi até a ponta da cama e puxou o homem que estava parado ali, fazendo com o que os dois caíssem na cama.
- E você já dormiu no colchão da rainha? - perguntou enquanto encarava com um sorriso lateral nos lábios.
- Não, mas isso não importa. - comentou rindo.
- Como nós vamos ver onde cada um vai dormir? - Camille questionou.
- Hoje nós vamos beber até cair, eu não estou me importando com a cama. - Simone encarou Camille, que apenas revirou os olhos, fazendo a outra rir.
- Se eu conseguir subir as escadas já é um milagre. - comentou divertida enquanto cutucava diversas vezes.
- Que foi mulher? - o loiro perguntou, já não aguentando mais os dedos nervosos de o cutucando.
- Nada, eu só estou entediada. - comentou fazendo pouco caso e o loiro bufou.
- Vamos descer, pois as bebidas dessa casa não vão acabar sozinhas. - Fred gritou em comemoração e seguiu até a cozinha, sendo acompanhado pelos outros.
- Um brinde, para os melhores participantes de Are You The One. - gritou ao levantar seu shoot de tequila, sendo acompanhada por todos ali, e então virando-o logo em seguida.

Os participantes estavam espalhados pela cozinha, alguns homens já conversavam com algumas mulheres, como e Camille, mas a maior parte estava conversando com pessoas do mesmo gênero.

- Quem chamou a atenção de vocês? - Chelsey encarou as três garotas que estavam a sua volta. - O Hunter parece tão centrado, eu acho isso sexy.
- Minha atenção foi totalmente para o Ryan. - Chloé respondeu animada. - Surfistas me atraem muito fácil.
- Devo me preocupar com a sua atração por surfistas, já que eu sou uma? - questionou divertida, fazendo as meninas rirem.
- Todo cuidado é pouco. - Chloé piscou para enquanto mantinha um sorriso divertido nos lábios. - Quem chamou sua atenção?
- Não sei, ainda não reparei em todos para poder afirmar isso. - comentou distraída enquanto passava os olhos pela cozinha. - Mas o chamou a minha atenção.
- Bem, todos aqui chamaram minha atenção. - o tom de Lydia era brincalhão, mas era possível ver que ela falava sério. - Até mesmo você, , cuidado.
- Você sabe que a mulher é um mulherão da porra, quando ela chama a atenção dos dois gêneros. - Chelsey riu, sendo seguida pelas outras.
- Desculpa interromper vocês, mas eu preciso roubar a de vocês um pouquinho. - surgiu do nada, apoiando os braços em Lydia e Chloé enquanto encarava com um sorriso.
- Sabe, estávamos falando de você. - Lydia comentou divertida enquanto encarava .
- E o que as senhoritas falavam?
- dizia que por enquanto você foi a única pessoa que chamou a atenção dela. - Chloé falou baixo, como se estivesse contando um segredo, o que acabou causando algumas risadas.
- Me sinto honrado, querida dama. - segurou a mão de e depositou um beijo ali. - Saiba que foi recíproco.
- E qual o motivo pelo qual o cavalheiro deseja minha atenção? - caminhou até o homem e colocou seu braço na cintura do mesmo.
- Preparei algumas bebidas e gostaria que você desse a sua humilde opinião. - falou enquanto se afastava com , indo para o lado de fora da casa.

A cozinha era separada do lado exterior por uma grande parede de vidro, possibilitando que eles observassem tudo o que ocorria do lado de fora. Uma grande piscina pegava boa parte da área externa, na sua borda algumas espreguiçadeiras estavam posicionadas ali e do lado da piscina, uma banheira de hidromassagem grande o suficiente para caber mais de cinco ali.
Após a piscina, um gramado com alguns bancos, poltronas e uns sofás redondos ocupavam a área. Mas não desceu as escadas levando até lá, ele levou ela até o tipo de bar que tinha ali.
- Vejo que você fez bastante bebidas. - constatou rindo ao sentar-se no banco que ficava de frente para o balcão do bar, olhando para os cinco shoots com bebidas diferentes ali.
- A intenção é que ninguém fique bem. - murmurou rindo e empurrou o primeiro copo na direção de , observando a mulher virar um após o outro, em um intervalo de tempo pequeno. - Uau!
- Deus, onde você aprendeu fazer isso? - perguntou enquanto passava a língua nos lábios, saboreando o gosto das bebidas.
- Na boate onde eu trabalho. - respondeu prontamente, com os olhos vidrados na boca da mulher a sua frente.
- Você trabalha como barman? - o tom de voz da mulher saiu animado, fazendo-o rir.
- Não, eu sou Gogo Boy.- respondeu na maior tranquilidade, vendo a morena rir com a feição incrédula.
- Só acredito se você dançar depois ‘pra mim. - sorriu marota, vendo retribuir na mesma intensidade. - Mas por que você me chamou aqui?
- Queria alguém para provar as bebidas e me dar a opinião antes de distribuir pela casa. - colocou as cinco garrafas no balcão e pegou três, sorrindo para . - Poderia me ajudar a levar lá para dentro e distribuir para o pessoal?
- Só se eu for recompensada por isso depois. - comentou rindo e pegou as duas garrafas, caminhando em direção a casa sem esperar resposta.
- É claro que vai. - falou alto quando a mulher já cruzava a porta, seguindo seus passos logo em seguida.
- Tem umas pessoas tão secas aqui. - comentou após ter servido quase todos ali, se encontrando no momento parada na frente de , que segurava seu copo vazio.
- Acho que é o jeito das pessoas. - comentou sorrindo vendo a mulher despejar a bebida em seu copo. - Algumas pessoas são mais introvertidas, como por exemplo o Hunter e a Marnie. Outros são só tímidos, como a Riley ou o Nathan.
- Nossa, você já sabe o nome de mais de duas pessoas, isso para mim, é demais só para o primeiro dia. - riu, fazendo rir também.
- Eu gravo as coisas de um modo muito fácil, eu preciso disso na minha profissão.
- E qual a sua profissão? - perguntou interessada. amava ouvir as pessoas falando de suas profissões, principalmente se elas demonstravam amar o que faziam.
- Eu sou ator lá no Canadá, agora que estou começando a fazer alguns papéis maiores. - comentou orgulhoso de si mesmo.
- Isso é o máximo. - respondeu animada, realmente interessada no assunto. - O programa ainda pode te promover, você vai ganhar imagem.
- Sim, mas eu não entrei com essa intenção. - deu um gole de copo, sendo acompanhado por , que bebia direto da garrafa. - Minha irmã que me colou nisso.
- Ela deve ser louquinha.
- Você me lembra ela um pouco.
- Então ela é uma ótima pessoa. - falou entre as goladas que dava na bebida. - Sabe, já que você é ator, você vai praticar isso dentro da casa?
- Como assim? - perguntou visivelmente confuso.
- Usar seus dons de encenação para enganar alguém aqui dentro? - o típico sorriso bêbado já estava presente no rosto de .
- Não faço isso. - ele comentou divertido, vendo o olhar desconfiada, com uma sobrancelha levemente arqueada.
- Estou interrompendo alguma coisa? - Camille parou ao lado dos dois, encarando de um modo nem um pouco amigável.
- Nadinha, todo seu amiga. - riu na direção de Camille, que apenas revirou os olhos, fazendo a outra olhar sem entender para .
- Eu não sou sua amiga. - a loira disse entredentes, aumentando ainda mais a expressão perdida de .
- Tá, tanto faz. - deu de ombros e sorriu na direção de , virando o resto da bebida presente na garrafa de uma vez enquanto se afastava dali.

caminhou seguindo o som das risadas, encontrando boa parte dos participantes ali fora, espalhados pelas espreguiçadeiras e até mesmo jogados na beira da piscina. Seguiu até a espreguiçadeira que estava e se jogou lá, assustando o homem que parecia dormir.

- Sério que você já estava dormindo? - perguntou indignada encarando o homem que a encarava assustado. - Eu pensei que você que iria animar isso, devido a sua experiência.
- Que experiência? - Chloé, que estava na espreguiçadeira ao lado, se intrometeu, encarando os dois atentamente.
- Ele é Gogo Boy. - falou como se contasse um segredo, coisa que fez rir.
- Por isso que ele é tão gostoso. - Chloé murmurou antes de virar sua atenção para a piscina.
- Eu não acredito que você fez isso. - Lydia gritou chamando a atenção de todos presentes, todos encarando o exato momento que ela limpava o rosto com a maquiagem borrada dentro da piscina. - Agora eu vou ficar toda molhada nesse caralho.
- Hoje está tão entediante que você já estava dormindo? - perguntou, voltando sua atenção para .
- Que nada, eu só apaguei porque eu estava cansado. - confessou encarando a mulher que lhe olhava atentamente. - Eu não consegui dormir as noites que antecederam nossa chegada aqui, eu estava ansioso para saber como seria.
- Eu não consigo parar de te olhar. - falou enquanto acariciava a bochecha dele. - Acho que eu exagerei um pouquinho nas suas bebidas.
- Eu não estou bêbado, mas eu também não consigo tirar minha atenção de você.
- Eu estou com vontade de te beijar. - a mulher praticamente sussurrou, encarando fixamente a boca do homem.

sorriu para , direcionando sua mão para a nuca dela e diminuindo a distância entre eles. Ele olhou nos olhos dela, querendo ver se ela realmente queria aquilo, mas não estava com paciência. o segurou pelos ombros e acabou com a distância, colando seus lábios nos dele de uma maneira desajeitada. O selinho desajeitado logo se tornou um beijo profundo, que de desajeitado não tinha nada.

- EU NÃO ACREDITO. - o grito de Chloé chamou a atenção de todos ali, que a olharam, mas logo mudaram o foco para e , que rompiam o beijo.
- Você não devia beijar ele, você vai sair em um encontro amanhã. - a voz do homem soou indignada perto do ‘casal’.
- , certo? - perguntou encarando o homem tatuado que agora se encontrava de frente para ela e , vendo-o concordar com a cabeça. - Acho que você devia se preocupar com a sua busca pelo par ideal, e não com a minha.
- Tanto faz, só estou dizendo que agora vai ser estranho para o Ryan sair com você amanhã. - a encarou irônico, enquanto revirava os olhos.
- Se vai ser estranho para ele, - frisou e sorriu irônica.- qual o motivo de você estar aqui?
- Touché. - levantou as mãos em sinal de rendição, como se tivesse ganhado, fazendo-a abrir um sorriso, porém ele não durou muito tempo, pois logo sentiu dois braços fortes a segurando pela cintura.
- Me solta. - gritou se debatendo contra .
- Com todo prazer. - ele riu irônico, mas fazendo o que ela pediu. Porém soltando-a dentro da piscina.
- Pelo menos a água está fresca. - falou rindo assim que emergiu, nadando até a borda e estendendo a mão da direção de , que a olhou desconfiado. - Me ajuda a sair logo, eu não sou infantil igual a você para te jogar aqui dentro.

a encarou desconfiado por mais alguns segundos, mas logo cedeu aos olhar da mulher a sua frente, estendendo sua mão na direção dela, e segurando seu pulso firmemente para lhe puxar da piscina, mas sorriu marota e o puxou para dentro da piscina, fazendo soltar um palavrão antes de mergulhar.

- Eu sou pior que você. - sorriu marota assim que emergiu, a encarando revoltado. - Direitos iguais, docinho.


Capítulo 02 – Day One II

Por
- Pelo menos a água está fresca. - falei rindo segundos após emergir.
Minha mente deu um estalo e eu ri internamente, adorando a ideia que minha mente criara. Nadei até a borda da piscina e estendi a mão na direção de , que me lançou um olhar desconfiado.
- Me ajuda a sair logo, eu não sou infantil igual você para te jogar aqui dentro. - sorri com a melhor expressão inocente que eu podia.
me encarou desconfiado por mais alguns segundos, mas logo cedeu ao olhar minha cara, supostamente, indefesa, estendendo sua mão em minha direção e segurando meu pulso firmemente para poder me tirar da água. Sorri marota e antes que pudesse fazer força, o puxei para dentro da piscina, fazendo o homem soltar um palavrão antes de submergir.
- Eu sou pior que você. - sorri marota assim que emergiu, encarando-me revoltado. - Direitos iguais, docinho.
- Aqui se faz, aqui se paga. - Chloé disse após nadar e parar ao meu lado.
olhou indignado para nós duas e nos deu as costas, saindo da piscina logo em seguida e adentrando a casa. Nesse momento, boa parte do pessoal já se encontrava dentro da piscina ou próximo à borda.
- Estressadinho ele. - Chelsey comentou distraída, referindo-se a .
- Claro, ele é ariano. - falei com o tom de obviedade para as mulheres ali.
- E você acredita nessas coisas de signo e astrologia? - a negra que estava quieta próxima da conversa falou, pela primeira vez.
- Mas é claro, eu acredito em tudo. - falei dando de ombros e abrindo um sorriso maroto. - Menos em homens.
- Lindíssima, falou tudo. - Lydia falou enquanto ria e me jogava água com os pés.
Encarei-a com a sobrancelha arqueada e direcionei meu olhar para os seus pés que continuavam balançando. Segurei-os rapidamente e puxei a mulher para dentro da piscina, fazendo com o que as outras rissem.
- Não tivemos nem dez minutos de conversa e você já me deixou molhada, assim eu me apaixono. - Lydia sorriu maliciosamente ao emergir e me encarar, fazendo-me rir.
- Eu estou acostumada a causar esse tipo de euforia nas pessoas. - falei enquanto jogava os cabelos para trás e ria. - Podíamos fazer algo.
- Já estamos fazendo, se chama conversar. - Chloé falou em um tom embolado, causando risos em todas ali, deixando-a confusa.
- Algo que fizesse com o que nos conhecêssemos melhor. - falei enquanto olhava ao redor vendo alguns homens espalhados por ali. - Garotos, venham cá.
Expliquei para as garotas o que eu queria fazer e elas assentiram em concordância, com alguns sorrisos no rosto. Saímos da piscina e ficamos em pé, até que todos estivessem ali.
- Então, que tal um jogo para que possamos nos conhecer melhor? - sugeri com um sorriso no rosto, sendo acompanhada pelas garotas.
- Como seria isso? - o negro questionou.
- Nós estaríamos sentados em forma de roda e no meio uma garrafa giraria, quando a garrafa parasse apontando para uma pessoa, ela teria que contar um fato ou uma pequena história, nós teríamos que dizer se é verdade ou mentira, quem errar bebe. - expliquei encarando cada um ali presente. - Só me falem o nome de vocês, eu ainda não gravei todos.
- Eu sou Fred. - o mesmo homem de antes falou, dessa vez com um sorriso nos lábios. - E aqui, respectivamente, temos , Isaac, Ryan, Mike e Nathan.
- Certo, acho que gravei. - ri olhando cada um dos homens ali presente. - Vocês devem saber, mas são Simone, Lydia, Chelsey e Chloé.
- Vocês já podem sentar, eu vou buscar as bebidas e adoraria se alguém viesse comigo. - Simone falou enquanto olhava diretamente para Fred, que foi com ela até o bar.
- Muito animado para sair comigo? - falei assim que parei ao lado de Ryan, fazendo com que ele me encarasse com um sorriso nos lábios.
- Só não estou mais animado do que quando apostarmos e eu ganhar de você no mar. - piscou e eu ri, negando com a cabeça levemente.
- Então o senhor acha que consegue me ganhar? - questionei sorrindo e Ryan apenas deu de ombros. - Isso é injusto, eu não trouxe minha prancha.
- Você vem pra Maui e não traz uma única prancha? - questionou com um tom acusador enquanto me encarava com os olhos semicerrados. - Você não pertence mais a nação dos surfistas.
- Alô produção, me manda uma prancha. – comentei, encarando diretamente a câmera presa na parede ali perto.
- Vamos começar isso? - Lydia questionou assim que a morena chegou com a garrafa vazia.
Sentei ao lado de Ryan e observei os outros a minha volta fazerem o mesmo. Passei os olhos pelos arredores do lado de fora da casa, não encontrando mais ninguém. Voltei a observar os outros participantes, frustrada por não estar ali fora. O círculo estava feito, com todos nós sentados, enquanto no meio consistia a garrafa vazia deitada no chão e duas garrafas de bebidas no colo de Simone.
- Vamos começar. - a morena murmurou e girou a garrafa, que parou em Lydia.
- Bem, eu gosto um pouco de chamar atenção, e por isso já pintei meu cabelo com cinco cores ao mesmo tempo. - falou sorrindo.
- É verdade. - falei após alguns segundos, fazendo com o que Chelsey, e Isaac concordassem comigo, enquanto os outros negavam.
- Bem, é verdade. - Lydia deu de ombros rindo e Simone deu um gole da garrafa, passando para os outros que erraram logo em seguida. - Você nem cogitou a ideia de que fosse mentira, .
- Fazer o que né, aquilo era a cara da sua personalidade extravagante. - dei de ombros e sorri, observando Lydia logo em seguida girar a garrafa, que parou em Isaac.
- Eu nunca tive um relacionamento sério. - arqueei as sobrancelhas, duvidando daquilo ao notar a beleza daquele homem. Quem negaria? Nem a própria Afrodite.
- Isso é mentira. - Simone falou com tom de obviedade e eu e as outras meninas concordamos, provavelmente todas tendo a mesma linha de pensamentos.
- Então, é verdade. - ele deu de ombros e eu encarei-o chocada.
- Mas como? Você é tipo o filho de Afrodite. - murmurei inconformada. - Se Afrodite fosse homem, você seria a personificação perfeita.
- Minha beleza sempre me ajudou, mas a minha fama não. - Isaac deu de ombros e eu peguei a garrafa, dando um gole e passando para Chelsey. - Como eu sempre fui solteiro, eu ficava com muitas garotas, então eu acabei ficando conhecido como mulherengo, aí elas ficavam e sumiam, provavelmente temendo que eu que fizesse isso.
- Ei, nenhum de vocês duvidou disso. - Chloé falou acusatoriamente enquanto apontava para os homens.
- É porque ele já tinha comentado isso anteriormente. - Nathan explicou.
- Isso vale? - a loira me encarou enquanto eu apenas concordava com a cabeça. - Certo, vamos voltar ao jogo.
Senti minha vista pesar e fechei os olhos, ficando por assim alguns minutos. Senti um beliscão em minha perna e abri os olhos assustada, vendo Ryan com uma cara de culpada e os outros rindo.
- Foi mal, não estava conseguindo dormir devido a ansiedade. - expliquei. - E então, quem é agora?
- Você? - me questionou com um sorriso, enquanto apontava para a garrafa.
- Ah, parou em mim. - constatei assim que observei a garrafa apontando em minha direção. - Eu já mostrei meus seios em uma competição de surf.
- Isso é um jeito muito injusto de ganhar. - Ryan sussurrou em meu ouvido e eu ri. - Mas não me incomodaria se fizesse isso quando apostássemos.
- Eu não duvido nada disso, é verdade. - Lydia comentou rindo, enquanto Isaac, Fred e Chloé concordavam.
- É verdade. - admiti rindo ao lembrar da cena. - Mas não foi proposital.
- Então não tem graça. - Simone murmurou e eu ri.
- Foi o seguinte, eu acordei atrasada para a competição e eu nunca separo um biquíni, porque eu não vejo necessidade. Vesti-o rápido e peguei a prancha, saí de casa correndo e cheguei lá minutos antes de começar. Deu tudo certo, estava faltando poucos minutos para a competição acabar, então eu fiquei em pé na prancha, para fazer as manobras finais, mas acabei levando caixote. Quando eu levantei, eu sentei rapidamente na prancha e me preparei para a próxima manobra, até que um surfista parou do meu lado e falou , seu peito tá de fora”. - gargalhei ao terminar de contar a cena, enquanto a imagem do acontecimento repetia em minha cabeça.
- O que você fez? - Chelsey perguntou.
- Arrumei o biquíni e continuei como se nada tivesse acontecido. - dei de ombros. - Isso foi um bom assunto por um longo tempo.
- Como aconteceu? - Mike questionou em tom risonho.
- Eu vestia um modelo cortininha, é um tipo de modelo que é móvel o triângulo que tampa o peito. - tentei explicar. - Como eu estava de lado na hora que a onda quebrou em mim, a força da água acabou tirando ele do lugar.
- Certo, vamos continuar? - Simone questionou após todos que erraram terem bebido.
- Eu vou subir para ir dormir, senão o sono vai acabar me fazendo dormir aqui sentada. - admiti me levantando da roda. - Boa noite pessoal.
- Também vou subir, tchau galera. - se despediu e caminhou até minha direção. - Vamos?
Concordei com a cabeça, evitando falar. Vai que se eu abrisse a boca para falar com ele a loira louca não apareceria novamente em minha frente exigindo posse de seu par ideal. Ri sozinha com o pensamento e encarou-me.
- Você sentiu vergonha? - sua voz tirou-me de meus devaneios logo após passarmos pela porta da cozinha, fazendo-me encará-lo confusa, sem entender ao que ele falava. - O que você falou na brincadeira, a história do biquíni.
- Não, isso acontece com toda mulher que vai a um mar agitado com esse tipo de biquíni. - dei de ombros e ri ao lembrar da cena. - Hoje em dia eu não consigo lembrar dessa história toda sem rir.
- Acho que se isso acontecesse comigo eu ficaria roxo de vergonha. - seu tom de voz saiu tímido e eu dei um risada baixa.
- Eu sigo a linha do ditado “o que é bonito, é pra se mostrar. - comentei encarando , atraindo seu olhar para o meu. - Se não for bonito, você tem todo o direito de sentir vergonha, mas ainda pode ter seu amor próprio e não sentir, até porque beleza é algo relativo.
- Você é toda descontraída, né? - questionou com um tom risonho e eu arqueei a sobrancelha em sua direção. - Você demonstra achar quase tudo normal ou divertido.
- E qual o motivo que lhe faz achar isso? - sorri novamente, esperando pela explicação.
- O te jogou na piscina e você levou muito de boa, não surtou igual à Chloé. - explicou enquanto tinha o sorriso tímido em seus lábios, voltando a encarar o chão a nossa frente enquanto andávamos. - Você ficou com os seios de fora em plena competição de surf, na frente de uma praia inteira, e levou isso de boa.
- Eu sou desencanada e bem resolvida com tudo. - dei de ombros e sorri. - A vida pra mim é uma grande diversão, nada mais justo que eu me divertir totalmente.
- Acho que você não é bem resolvida com relacionamentos. - riu da careta que eu fiz e apoiou-se na parede ao lado da porta, cruzando os braços e me encarando, fazendo-me parar a sua frente.
- Eu sou ótima, ok? - questionei retoricamente e deu uma risada, evidenciando perfeitamente suas covinhas. - Vocês homens que não estão aptos a conviver com toda essa minha aura maravilhosa.
- Tudo bem, Afrodite, acredito plenamente em você. - falou zombeteiro e eu dei um tapa fraco em seu braço. - Sem agressões, eu sou um ator, tenho sempre que estar lindo.
- Então não requer nenhum esforço. - admiti com um tom risonho e encarei seu rosto por longos segundos, admirando as covinhas que sempre apareciam quando sorria.
- Não sei reagir a elogios. - ele murmurou sem graça e eu ri.
- Só concorde e agradeça, pois nenhum deles é mentira. - sorri marota, fazendo sorrir. - Sei que eu sou o máximo e você está adorando esta conversa, mas preciso dirigir-me até os meus aposentos, que por acaso, é o mesmo que o seu, gentil cavalheiro.
- Poderia ceder-me a honra de acompanha-la até nossos aposentos, bela dama? - fez uma reverência exagerada e eu ri.
- Hm, não. - falei séria e ri da cara de confusa que Alex fez. - Não quero ser atacada pela sua parceira louca, preciso estar plena para o meu encontro amanhã.
- Moleza pra você então. - abaixou o olhar e eu ri.
Droga, homens tímidos eram meu ponto fraco. Acho que toda vez que meu cérebro observava a timidez e o jeito acanhado dos homens, ele apertava um botão para que eu caísse de amores por ele. Encarei novamente, com o olhar baixo e um sorriso de canto, e belisquei-me internamente. Nada de apertar o botão.
- Espero que possamos conversar mais qualquer dia desses. - sorriu abertamente, fazendo suas covinhas aparecerem novamente e encarando-me com a timidez explícita no olhar.
Cérebro, não aperte o botão.
- Você terá que me aguentar por mais dez semanas. - pisquei em sua direção e pude observa-lo rindo. - Boa noite ator, sonhe com seus futuros projetos.

Day Two

Estava prestes a pegar a maior onda de toda minha vida, até que escutei meu nome ser chamado e me distraí, sendo engolida pela onda. Abri os olhos, totalmente afobada, enquanto respirava rapidamente com o coração acelerado.
- Foi mal, não queria te assustar. - murmurou tímido enquanto coçava a nuca com uma das mãos.
- Você me fez perder a maior onda da minha vida. - cocei os olhos e sentei-me na cama, encarando o físico invejável de . - Eu nunca mais vou pegar uma onda daquelas.
Abençoados sejam os gogo boys, nunca critiquei!
- Pra que pegar uma onda enorme no sonho, se você pode me pegar na vida real? - um sorriso malicioso estava estampado nos lábios de enquanto ele me encarava com uma de suas sobrancelhas arqueadas.
- Você é ridículo. - ri balançando levemente a cabeça em negação.
- Eu sou maravilhoso, isso sim. - piscou em minha direção e estendeu-me a mão. - Vamos, você é a única que continua dormindo.
- Não sei qual a necessidade de acordar cedo aqui, não temos nada para fazer. - murmurei aceitando a mão de para levantar-me. - Só vou escovar os dentes e já desço, vai na frente e guarda minha comida.
- Abusada. - murmurou rindo e dirigiu-se até a porta do quarto.
- Você que quis me acordar, agora lide com as consequências, querido. - aumentei o tom de voz para que o homem conseguisse me ouvir, já que o mesmo cruzava a porta do quarto.
Caminhei até o quarto das roupas e abri a pequena nécessaire, tirei minha escova de dente e fui até o banheiro do quarto, escovei os dentes e prendi o cabelo de um jeito qualquer só para não precisar pentear. Voltei ao quarto das malas e guardei a escova, saindo de lá e dirigindo-me ao primeiro andar.
- Bom dia, família. - comentei divertida ao chegar na cozinha e ver todos ali, sentados nos bancos da ilha ou nas cadeiras da mesa.
- A bela adormecida finalmente acordou. - Lydia falou com seu usual tom brincalhão.
- Deve ter sido o beijo do príncipe encantado. - murmurou irônico encarando-me de cara fechada.
- Ai bonitinho, acho que se você dormisse mais, não estaria com todo esse mau humor. - ri e caminhei até , sentando no banco que ele estava em pé ao lado. - Não são nem onze da manhã e você está assim.
- Na verdade, são quase meio-dia. - Chloé falou, rindo em seguida da cara de perdida que eu fiz.
- Ignora minha última fala então. - girei o banco na direção de e pisquei, girando novamente o banco para a frente e pegando uma panqueca dali.
Terminei o café da manhã por último, ficando na cozinha apenas com Simone e Chelsey, vendo-as lavar e guardar a louça. Ajudei-as a arrumar a cozinha, já que eu não ajudei a fazer o café da manhã.
- Animada para o seu encontro? - Chelsey virou-se em minha direção, observando-me, sendo seguida por Simone.
- Não sei o que esperar, mas fico feliz de ser uma das primeiras a ir ao passeio. - dei de ombros e encarei Simone.- E você? Acha que consegue tirar a carranca do nosso querido tatuador?
- Acredita que durante as poucas conversas que tivemos ontem e hoje, ele não foi assim? - Simone falou e eu encarei-a confusa. - Acho que você mexe com ele, por isso que ele age daquele jeito.
- Quem mexe com quem? - Chloé entrou afobada na cozinha olhando para todos os lados, como se a pessoa de quem estávamos falando fosse sair dali.
- mexe com . - Simone comentou distraída, dando pouca importância ao assunto.
- Mas ele não é grosso com elas? - a loira perguntou visivelmente confusa, causando risos em mim e em Chelsey devido a cara entediada de Simone.
- Exatamente por ele agir assim que eu acho isso. - a tatuada deu de ombros.
- Pensei que eles paravam de se comportarem assim quando saíam da adolescência.- Chloé deu de ombros.

(...)

Terrence veio até a casa logo após o meio-dia e avisou que os encontros seriam na praia, onde os três casais iriam pilotar os quadriciclos até a trilha que nos levaria para uma praia mais afastada, ali poderíamos escolher onde ficaríamos.
Após o comunicado fui até o quarto e separei um maiô asa delta e um short qualquer, deixando um par de sapatilhas do lado de fora da bolsa. Abri a nécessaire e peguei novamente a escova de dente. Peguei uma toalha em um dos nichos que tinha meu nome e segui até o banheiro do quarto, arrumando-me para o primeiro encontro do programa.
- Já está pronta? - Simone enfiou a cabeça para dentro do banheiro, enquanto eu terminava de prender o cabelo em um rabo de cavalo.
- Prontíssima. - bati continência, virando de frente para Simone que apenas revirou os olhos, com um sorriso nos lábios. - E a outra menina, cadê?
- Marnie está sentada na cama, ela é um pouco tímida. - a morena usou um tom mais baixo e eu apenas concordei com a cabeça.
- Marnie, né? - questionei sorrindo ao pisar fora do banheiro e recebendo o olhar tímido da menina, que apenas concordou com a cabeça. - Vamos descer então.
Estendi a mão para Marnie e após alguns segundos, a menina segurou firmemente. Já Simone enlaçou seu braço no meu, fazendo com o que nós três andássemos juntas até a sala, onde todos estavam.
- Vamos? - Ryan apareceu na minha frente e eu sorri, soltando-me das mulheres e segurando em seu braço.
- Bom passeio. - Fred gritou enquanto cruzávamos a porta principal.
- Não façam nada que eu não faria. - Lydia falou rindo, fazendo-me rir, pois ela faria qualquer coisa.
- Você sabe pilotar essa coisa? - questionei enquanto colocava o capacete e Ryan me encarava com um sorriso irônico. - Que foi? Segurança em primeiro lugar.
- Certo. - o homem riu e colocou o capacete no braço. - Bom, eu digiro um troço desse desde os meus 16 anos.
- Todos prontos? - uma voz grossa chamou minha atenção e só agora eu percebia a existência de mais um quadriciclo ali. - Eu serei o guia de vocês, os levarei até o caminho da outra praia e os esperarei na trilha, para que não se percam.
Esperei Ryan sentar naquele projeto de moto de quatro rodas para areia e sentei atrás dele, agarrando-me em seu corpo assim que Ryan arrancou, seguindo o guia. Agradeci aos céus por ter feito um rabo de cavalo e não estar com tanto cabelo na boca. A paisagem era simplesmente linda. De um lado podíamos ver todo o horizonte azul, por estarmos andando em uma parte mais elevada que o nível do mar. Já do outro lado, eu tinha a visão de árvores e mais árvores enfeitando a paisagem.
Após dez minutos, perdi a vista da praia assim que entramos em um tipo de bosque. Agora estávamos cercados por árvores, andando pelo meio da floresta. As árvores altas tampavam o céu, fazendo com que poucos raios de luz chegassem ali. O guia logo parou e desceu de seu quadricilo.
- Virando a direita vocês encontram a praia, seguindo um pouco adiante tem uma cachoeira. - o homem falou apontando para os dois caminhos. - Quando estiver na hora de vocês voltarem para cá, o veículo vai emitir um barulho parecido com uma buzina, então vocês me encontram aqui. Tudo certo?
- Certíssimo. - fiz um joinha na direção do homem e Ryan logo acelerou, pegando o caminho da praia, enquanto Simone e vinham atrás de nós.
Pulei do veículo assim que Ryan parou na praia e tirei o capacete, colocando-o no banco. Ryan fez o mesmo com o capacete que estava em seu braço e enlaçou nossas mãos, levando-me na direção do mar, enquanto Cam e Simone ficavam na área mais próxima as árvores. Sentamos próximos da água e eu retirei minha sandália, deixando que meu pé entrasse em contato com a água sempre que uma onda ousava quebrar mais próximos a nós dois.
- Me conte mais sobre você. - Ryan apoiou o cotovelo em sua perna, usando sua mão de apoio para sua cabeça enquanto me observava.
- Meu nome é , tenho vinte e dois anos, acredito totalmente em astrologia e sou do signo de aquário. Moro em Miami desde que me entendo por gente e não sou o exemplo da família. - ri ao ver a cara de confuso em Ryan. - Eu sei que você deve estar se perguntando como alguém tão maravilhosa como eu, não sou exemplo.
- Adoro sua modéstia. - ele piscou, abrindo um sorriso em seguida.
- Uma das minhas melhores qualidades. - ri e dei de ombros. - Mas voltando, meu pai é um dono de um escritório de advocacia enquanto minha mãe é uma design de interiores bem famosa por lá. Eles queriam que eu seguisse a área de um dos dois. Fosse pra faculdade e estudasse advocacia ou design de interiores, continuasse com o legado deles.
- E eu acredito que você não foi. - Ryan riu divertido e eu concordei com um aceno de cabeça.
- Eu peguei minha prancha e saí de casa, deixando a responsabilidade do legado para minhas duas irmãs mais novas. - dei de ombros. - Pelo menos, como tem duas, elas podem continuar os dois legados.
- E o que você mais gosta de fazer?
- Surfar, apoiar causas sociais. - ri ao lembrar de todas as passeatas que participei. - Se você assistir o clipe da Demi Lovato de “Really Don’t Care”, você consegue me ver ali.
- Sério? - Ryan riu e eu concordei com a cabeça.
- Mas e você? Conte-me sua história. - cruzei minhas pernas e apoiei meu cotovelo ali, encarando o rosto de Ryan.
- Eu não me rebelei contra minha família, ou algo do tipo, minha história não tem muita graça. - tombei minha cabeça para o lado e ri, negando levemente com a cabeça. - Minha família sempre morou no Havaí, sempre tivemos a necessidade de viver perto do mar.
- Você sempre surfou? - questionei e o homem concordou com a cabeça.
- Acho que no exato momento em que eu consegui ficar de pé, com total equilíbrio, eu ganhei uma prancha. - o homem riu encarando o mar. - Minha mãe conheceu meu pai enquanto eles surfavam, acho que está no meu dna estar ligado ao oceano.
- E o que você gosta de fazer? - Ryan voltou seu olhar para o meu rosto e sorriu.
- Eu gosto de acordar todas as manhãs e sentir o sol abraçando meu corpo, de sentir a maresia me chamando e de estar em contato com o mar.


Capítulo 03 – Day Two II

No canto próximo as árvores, totalmente desligados do mundo ao seu redor, e Simone conversavam entusiasmados, percebendo que tatuagem não era o único fator em comum entre os dois.
- Mentira que você fez sua primeira tatuagem aos quinze anos. - a morena riu, vendo o homem apenas dar de ombros. - E você não se arrepende? Todo mundo que faz tatuagem na adolescência se arrepende depois.
- Eu tatuei a constelação de áries, não é uma coisa que eu me arrependa. - sorriu na direção da mulher, que tinha os pensamentos em e em seu fascínio por signos. - Que foi?
- Nada, só lembrei-me de uma amiga que é viciada em signos, astrologia e tudo mais. - Simone deu de ombros, voltando a focar sua atenção somente no homem maravilhoso a sua frente.
- E você? Não fez nenhuma tatuagem que se arrependa? - questionou a morena, que riu ao ouvir a pergunta dele.
- Fiz uma estrela na minha nuca, e olha que eu nem posso culpar a adolescência, pois eu já era maior de idade quando fiz. - Simone ficou de costas para o rapaz e afastou os cabelos da nuca, mostrando a tatuagem para o rapaz.
- Ficou bonita. - levou seus dedos até a tatuagem, contornando o desenho da estrela e vendo Simone se arrepiar ao seu toque. - Pelo menos você fez com o traçado fino.
- Eu às vezes até evito prender o cabelo, só para que ela não apareça. - a morena confessou rindo fraco.
- Não precisa se envergonhar por causa de uma tatuagem. - sentou-se atrás de Simone, deixando a mulher no meio de suas pernas, e aproximou seus lábios do pescoço da morena, dando um beijo em sua tatuagem e afastando-se, vendo a mulher se arrepiar novamente. - Seu corpo é um templo, onde você é um artista e suas tatuagens são suas obras de arte.
- Depois de hoje, não sei se quero ir para a cabine da verdade. - Simone apoiou o rosto em seu ombro e encarou , a poucos centímetros de distância.
- Qual o motivo disso? - perguntou virando a mulher em sua direção.
- Eu estou adorando o dia de hoje, adorando o passeio, adorando nossa conversa e principalmente adorando você. - Simone levou uma de suas mãos até o rosto de , acariciando-o levemente. - Eu estou me iludindo achando que, talvez, sejamos um par ideal. Eu nunca tive uma conexão assim com qualquer um antes.
- Eu acho do fundo do meu coração, que nós somos um par ideal. Mais ninguém daquela casa prendeu minha atenção igual você fez. - o homem pegou a mão de Simone e depositou um beijo ali. - É melhor descobrirmos logo que somos o par ideal e irmos para a nossa lua de mel.
- Você acha que podemos ser um par ideal mesmo? - a morena questionou olhando atentamente os olhos do homem que sorria em sua direção.
- Eu tenho absoluta certeza. - alargou ainda mais seu sorriso e direcionou sua mão ao pescoço da mulher, aproximando seus rostos e colando seus lábios logo em seguida.

Já no caminho para outra trilha, Marnie e Hunter conversavam entrosados em seus próprios mundos, compartilhando histórias e tudo mais. Sem nem um traço da timidez que os dois aparentavam dentro da casa junto com os outros.
- Você é bem tímida né? - Hunter questionou olhando profundamente nos olhos da mulher, fazendo com o que a mesma sorrisse tímida e corasse. - Você não precisa ficar com vergonha de mim. Achei que já tínhamos passado dessa fase.
- É difícil que eu não core ou fique tímida, eu sou muito envergonhada desde que eu me entendo por gente. - Marnie riu sem graça, colocando o cabelo atrás da orelha. - Mas você também não se comunica com facilidade.
- Eu sou muito introvertido, prefiro muitas vezes ficar sozinho ou quieto na minha. - o moreno deu de ombros. - Muitas vezes eu não sei como chegar nas pessoas ou até mesmo como manter uma conversa, eu nunca fiz o tipo sociável.
- Se você não é meu par ideal, eu não sei quem seria. - Marnie riu, encarando Hunter com um sorriso tímido nos lábios. - Acho que você é minha versão masculina.
- A única diferença é que eu não coro quando as pessoas falam algo. - Hunter comentou risonho e Marnie riu fraco, abaixando a cabeça. - Me diz que você não ficou corada.
- Talvez. - Marnie murmurou e Hunter riu, levantando o rosto da mulher delicadamente com as mãos, fazendo com o que se encarassem.
- Eu quero te fazer uma pergunta, mas tenho certeza que você vai corar. - Hunter riu, vendo Marnie dar de ombros.
- Já é normal para você me ver com as bochechas coradas. - a mulher sorriu fraco, fazendo com o que seu parceiro lhe acompanha-se.
- Certo. Marnie, eu posso te beijar? - Hunter encarava fixamente o rosto da mulher a sua frente, o qual ele ainda usava sua mão para apoiar o rosto da mulher, impossibilitando-a de abaixar a cabeça.
Marnie abaixou o olhar, focando sua atenção ao chão a sua frente, ponderando a pergunta do homem. Hunter mordeu o lábio, nervoso achando que tinha se precipitado. Marnie levantou o olhar, encarando um Hunter um tanto quanto apreensivo que lhe encarava. A mulher abriu um sorriso fraco e sorriu na direção do homem, acenando positivamente com a cabeça.
A mão que segurava o rosto de Marnie trouxe o rosto da mulher próximo ao de Hunter, fazendo o mesmo sorrir e acariciar a bochecha da mulher com a mão livre, selando seus lábios logo em seguida.

(...)

- Então, galerinha, daqui a pouco nossos três casais estão de volta do passeio, mas antes que eles voltem, eu preciso que vocês votem em um casal para ir para a cabine da verdade. - o apresentador encarou rapidamente cada um dos participantes sentados na sala. - Como vocês sabem, a cabine da verdade é o único jeito de saber se vocês são realmente um par ideal. Se vocês forem o par ideal, irão sair imediatamente da casa e irem para a lua de mel. Um faixo de luz estará ligado em toda cerimônia das luzes, representando vocês, e em todas cerimônias, vocês estarão presentes. Agora, se vocês não forem um par ideal, terão que recomeçar a busca de vocês toda novamente.
- Ótimo, sem pressão nenhuma. - Lydia sorriu forçada, causando alguns risos.
- Moleza pra vocês. - Terrence riu, piscando para Lydia. - Aqui na televisão, estão os três casais que foram ao passeio hoje, cabe a vocês decidir qual deles vai para a cabine da verdade.
Terrence saiu da casa, deixando os quatorzes participantes na sala sem saber qual padrão eles fariam para escolher um casal para ir à cabine da verdade.
- Eu acho devíamos mandar aquele casal que nós realmente tenhamos certeza que possa ser um casal da verdade. Para não desperdiçar essa cabine. - Jasmine falou, atraindo todos os olhares da sala.
- Eu acho que deveríamos mandar um casal onde algum de nós, que estamos aqui nesse momento, ache que o homem ou a mulher que foi ao encontro, possa ser seu par ideal. - deu de ombros, fazendo algumas pessoas murmurarem em concordância.
- Aí vocês estarão votando nas pessoas para descobrir se elas, supostamente, são o par ideal ou não. - Camille rebateu, enquanto encarava com uma cara de poucos amigos. - Se deve votar em um casal pelo nível de atração entre eles.
- Certo, mas esse é o nosso segundo dia aqui. - falou com o tom de voz transbordando obviedade. - O único nível de atração que eu tenho noção, é o meu.
- Certo, ainda é muito cedo para chegarmos a uma tática de como escolher um casal para a cabine da verdade. - se pronunciou antes que Camille falasse novamente. - Cada um vota no casal que quiser e pronto, mais tarde veremos o resultado.
As pessoas foram saindo aos poucos da sala, resolvendo votarem um pouco mais tarde e principalmente sozinhos, não querendo que seus parceiros vissem em quem votavam. Após a pequena conversa, só restou , Chloé e Holly na sala.
- Já pode votar, . - Chloé falou rindo após notar que só sobrou os três na sala. - Todo mundo sabe que seu voto vai para e Ryan.
- Eu sei que eles não são um par ideal, mas quero tirar a dúvida que fica rondando minha cabeça. - o homem deu de ombros e foi até a televisão, encostando levemente o dedo na foto de e Ryan, fazendo com que a foto dos dois ocupasse toda a tela por alguns segundos. - E quanto a vocês?
- Não faço a mínima ideia de em quem votar. - Holly deu de ombros, enquanto encarava as três fotos que voltaram a aparecer na tela. - Mais tarde eu resolvo isso.
- E você? - questionou a loira que caminhou até a televisão e clicou na foto de e Simone.
- Simone hoje de manhã estava muito certa de que estava interessado em outra pessoa da casa. - a loira deu ombros, saindo da sala e seguida por . - Seria engraçado se ela estivesse errada e no final das contas Simone e fossem um par ideal.
- Você acha que tem chances deles serem um par ideal? - o homem questionou, observando loira balançar levemente a cabeça em concordância.
- Entre os três casais que saíram hoje, Simone e foram os que mais se entrosaram e conversaram ontem e hoje. - Chloé sorriu. - Marnie não trocou nenhuma palavra com seu par, preferiu atracar-se com você, minhas esperanças estão depositadas em Simone e .
- Tenho certeza que se eles forem um par ideal e se eles casarem, a cerimônia de casamento ocorrerá em um estúdio de tatuagem. - comentou em seu tom brincalhão, fazendo Chloé rir.
Minutos depois, após mais alguns votos computados pela televisão, e Camille se dirigiram juntos para a sala, encarando a tela com as fotos dos três casais. Camille foi rapidamente até a tela e apertou na foto de e Ryan, virando-se para com um sorriso nos lábios.
- Espero que eles sejam um par ideal, assim ela sai logo da casa. - a loira comentou, não conseguindo conter a animação em sua voz.
- Boa ideia, vou fazer isso. - falou vendo Camille sorrir.
O homem caminhou até a televisão e clicou na foto de , observando por alguns segundos a foto da mulher. suspirou e viu o aviso de que o voto foi salvo. Camille tagarelava sem parar ao seu lado, falando que aquilo foi certo, que se tudo desse certo, e Ryan seriam um par ideal e sairiam da casa. Porém ao votar na mulher, não queria que ela saísse da casa, muito pelo contrário, ele queria que ela continuasse ali e que eles pudessem se conhecer melhor que na noite passada.
(...)

Um barulho chamou a atenção dos casais, o quadriciclo soltou um barulho parecido com uma buzina e a luz vermelha começou a piscar. Era o sinal que o guia os indicou. O sol já começava a se pôr e os casais subiram em seus veículos. Logo, todos os três se encontraram com o guia no caminho marcado e começaram a fazer seu caminho de volta. O quadriciclo de Simone e ultrapassou o de e a mesma retirou o capacete, segurando-o no braço assim como Ryan. cutucou o homem a sua frente e Ryan murmurou.
- Para isso, eu quero dirigir. - a mulher praticamente gritou e Ryan imediatamente desacelerou e desceu, fazendo com o que assumisse o controle.
Ryan logo subiu novamente e segurou as mãos de , ensinando-a a como andar com aquilo. deixou com que o automóvel morresse algumas vezes, causando algumas risadas em Ryan e até mesmo nos outros casais quando estavam perto. Quase chegando na casa, pegou o jeito e acelerou totalmente, passando até mesmo o guia e adentrando a enorme casa, parando com o quadriciclo no mesmo lugar que estava durante o começo da tarde.
O sol agora terminava de se pôr e os outros casais chegavam ao jardim, logo todos estavam fora dos quadriciclos e caminhando em direção à casa. O guia tinha lhes avisado que assim que chegassem, deveriam tomar um banho e irem para a sala, pois Terrence revelaria qual dos três casais iria para a cabine da verdade aquela noite.
- Boa noite, família. - comentou assim que cruzou o arco que lhe permitia entrar na sala, vendo todos os quatorze participantes ali.
- Como foi o passeio? - Mike questionou.
- Aparentemente para o e a Simone foi ótimo. - Chloé comentou com um risinho, fazendo todos encararem o casal que estava de mãos dadas e sussurrando um ao outro.
- Acho que vocês devem se trocar, Terrence daqui a pouco está chegando. - Jasmine comentou, fazendo os três casais concordarem com a cabeça e saírem da sala, direcionando-se para os banheiros livres ou para o quarto das malas.

(...)

- Como foi o encontro? - encarou pelo espelho da penteadeira onde a mesma penteava o cabelo.
- Foi legal, nós fomos para a praia. - deu de ombros, voltando sua atenção para seu cabelo.
- Você gostou de sair com ele? - perguntou, tentando esconder seus ciúmes e levantou da cadeira, virando-se de frente para ele.
- Sim, Ryan é uma pessoa muito legal e que eu me identifico bastante. - a mulher comentou com um sorriso nos lábios, observando soltar um muxoxo e cruzar os braços.
- E você, hum, acha que ele possa ser seu par ideal? - o homem questionou e riu, deixando visivelmente confuso.
- Eu me identifiquei com Ryan, até demais. - a mulher comentou dando de ombros e observando o homem a sua frente fechar a expressão que até então estava suave. - E é exatamente por isso que eu tenho absoluta certeza que nós dois não somos um par ideal.
- Como assim? - questionou visivelmente confuso e ela riu.
- Eu falei isso ontem, para o e a Camille. Estamos aqui, pois sempre escolhemos errados, escolhemos quem queremos e não quem realmente precisamos. - caminhou até e passou seu braço pelo do homem, saindo assim do cômodo com ele. - Eu não estou aqui para achar alguém ao qual sejamos iguais, estou aqui para achar alguém que eu nunca escolheria lá fora, que vá balançar minhas certezas e me tirar de todo comodidade.
- Então Ryan não é seu par ideal? - questionou, já com um leve sorriso nos lábios e negou com a cabeça. - Desperdicei meu voto da cabine então, pois votei em você.
riu e negou novamente com a cabeça. Os dois seguiram até a sala de braços dados, atravessaram o arco e notaram que boa parte dos participantes já estavam ali. retirou seu braço do de e caminhou para trás do sofá, sentando no banco que Ryan estava parado em pé ao lado. cumprimentou o homem com um sorriso e um beijo na bochecha, sentando no banco e vendo que Marnie e Hunter já estavam ali, os dois de mãos dadas.
e Simone chegaram logo depois, ambos sorrindo e de mãos dadas. Os dois se dirigiram para o banco do meio e Simone sentou-se, deixando atrás dela com os braços envolta do corpo da morena, apoiando sua cabeça no ombro da mesma. Poucos segundos depois Terrence adentrou a sala com um tablet em mãos, parando na frente da televisão e sorrindo para cada um dos participantes.
- Vejo que o passeio foi ótimo e até mesmo já montou um casal. - Terrence riu divertido e encarou o casal abraçado. - Simone, , vocês acreditam que possam ser um par ideal?
- Totalmente. - o homem encarou Terrence sorrindo e o mesmo sorriu.
- Certo, e quanto aos outros dois casais, como foram o passeio de vocês? - o apresentador sorriu e Marnie deu de ombros. - Eu sei que você não ficou tão tímida assim durante a tarde toda com Hunter, Marnie.
- Eu consegui tirar a timidez dela. - o moreno riu, abraçando de lado a mulher que estava com as bochechas totalmente vermelhas.
- E quanto a vocês dois? - Terrence questionou encarando o último casal.
- A tarde foi maravilhosa e eu descobri que eu tenho muitos aspectos, gostos e pensamentos iguais aos de Ryan. - comentou sorrindo, deitando a cabeça no ombro do homem ao seu lado.
- E como você se sente em relação a tudo isso, ? Sabemos que você e se beijaram noite passada. - o apresentador sorriu maroto, encarando que apenas sorria de lado.
- Eu estou super de boa. - o homem riu e o apresentador lhe encarou confuso. - Estamos aqui para encontrar pessoas que não escolheríamos lá fora, Ryan é exatamente o tipo de cara que sempre procurava lá fora.
- Boa constatação. - Terrence sorriu e encarou o tablet. - Sem mais delongas e enrolação, vamos falar da cabine. Durante a tarde os três casais saíram para o passeio e seus colegas de casa ficaram encarregados de escolher apenas um casal para ir até a cabine da verdade. Como eu já disse antes, a cabine da verdade é o único jeito de vocês descobrirem se são ou não um par ideal. Prontos para descobrirem qual o primeiro casal a usar a cabine da verdade?
Terrence clicou na tela de seu tablet e a foto de Simone e ocupou toda a tela. Simone levantou do banco e apertou fortemente a mão de , que encarou a mulher, visivelmente nervoso também. Os dois saíram de casa e seguiram o caminho de pedras até um local mais afastado do caminho da casa. Poucos passos antes de chegarem à cabine, Simone parou, fazendo com o que parasse também.
- Que foi? - o homem perguntou ao parar de frente para a mulher.
- Eu estou nervosa, não quero entrar ali dentro. - Simone aproximou-se de e encostou a cabeça no peitoral do homem, que beijou os cabelos da mulher. - Todas as nossas certezas podem mudar no exato momento que entrarmos ali.
- Vai dar tudo certo e nós sairemos dali direto para a lua de mel. - segurou o rosto de Simone com as duas mãos e fez com o que a mulher lhe encarasse, selando seus lábios em um selinho.
Os dois se separaram e voltaram a caminhar juntos até a cabine. abriu a porta e adentrou ao local totalmente branco, puxando Simone levemente pela mão. Os dois pararam no meio do círculo que ficava de frente para a televisão, onde uma foto dos dois aparecia. As luzes da cabine logo se apagaram e uma luz verde começou a passear pelo corpo dos dois, enquanto o círculo em seus pés fazia com que os dois girassem. Após o poucos segundos, que mais pareceram uma eternidade, o círculo parou de frente para a televisão e uma última vez a luz verde descia pelo corpo do casal, chegando até seus pés. Os dois encaravam a televisão atentos, e ao aparecer a listra no meio da tela, passou os braços pela cintura de Simone, colando seus corpos rapidamente e selando seus lábios ao da morena.


Capítulo 04 – Day Two III

Por
O corpo magro de Simone ainda estava agarrado ao meu, enquanto eu apoiava meu queixo em sua cabeça, olhando nossa foto na televisão com a faixa no meio da foto “par incompatível”. Eu estava tão certo de que ela era meu par ideal. Porra!
- Acho que nos enganamos. - a morena riu sem vontade, separando seu corpo do meu. - Mas foi ótimo passar esse dia com você e poder te conhecer melhor.
- Espero que possamos continuar amigos. - propus e sorri em sua direção e ela retribuiu.
- Vamos voltar pra casa antes que venham nos buscar. - enlacei nossos dedos e saímos da cabine, fazendo o caminho de volta até a casa. - Sabe, acho que no fundo eu sabia que você não era o meu par.
- Sério? - encarei-a com o semblante duvidoso e ela deu de ombros. - E qual o motivo?
- Você tem essa cara de quem está puto da vida e é todo tatuado, tem toda uma áurea de bad boy ao seu redor, mas você é uma pessoa ótima quando temos a chance de te conhecer. - ri de sua explicação e ela acompanhou-me na risada. - Você poderia deixar mais pessoas se aproximarem de você.
- Eu sou receptivo com todos. - murmurei e encarei Simone, que encarava-me com a sobrancelha arqueada. - Eu não estou entendendo essa sua expressão.
- Bom, deixe-me resumir pra você. - a morena voltou o olhar para frente e eu fiz o mesmo. - Você age como um adolescente de dezesseis anos perto da .
- Não ajo, não. - exclamei ofendido.
- Fala sério, . - Simone me deu um soco fraco com a sua mão livre e eu encarei-a com a sobrancelha arqueada. - Ela não fez nada contra você.
- Tá, aonde você quer chegar? - revirei os olhos e voltei o olhar pra frente, já vendo os fundos da casa.
- Você poderia dar uma chance pra ela, parar de implicar com tudo. Isso não é legal. - Simone falou como quem não quer nada e eu ri. - Tudo bem que ela tem uns parafusos a menos na cabeça, mas ela é uma pessoa legal.
- Às vezes eu nem falo por mal, quando eu vejo já saiu. - dei de ombros e abri a porta da cozinha, adentrando no cômodo com Simone atrás de mim. - Eu fico fora de mim quando estou perto dela.
- Você está sendo idiota, . - murmurou divertida e eu soltei um muxoxo ofendido. - Você está perdendo tempo ficando fora de si, quando podia estar dentro dela.
- Simone! - arregalei os olhos assustados, vendo a mulher sorrir arteira e afastar-se, caminhando para a sala.
- A gente tinha certeza de que vocês eram um par ideal. - Isaac falou, envolvendo o braço em meu pescoço e puxando-me para a roda que os homens faziam.
- Pelo menos agora sei a Simone está livre. - o tom malicioso era palpável na voz de Mike.
- E você, vai tentar a sorte com que garota agora? - Fred encarou-me e eu dei de ombros, encarando minuciosamente cada mulher daquela sala. - Eu preciso saber, cara. Não posso tentar a mesma que você, sabemos que eu não tenho chance.
- Para de drama, Kuhn. - murmurei enquanto fixava meu olhar no rosto de , que ria de modo infantil. - Ainda não sei.
Os homens ao meu redor continuavam falando, mas eu não prestava mais atenção no assunto. Meu olhar e minha atenção estavam na mulher que sorria debilmente até para os objetos a sua frente. afastou-se das outras mulheres e caminhou até o sofá vazio, ficando em pé no estofado.
- Gente. Ei, pessoal, me deem atenção! - exclamou semelhante a uma criança mimada, coisa que eu não duvidava que ela fosse, porém o ar risonho e descontraído de sempre, ainda estava presente. - Acho que após essa revelação da cabine, nós devemos comemorar.
- Você está de brincadeira, né, garota? - o tom irônico fez com o que eu parasse de encarar e virasse o rosto na direção da loira de braços cruzados e expressão debochada. - Foi um resultado negativo, não tem nada para comemorar.
- Tem, mas é claro que tem. - o tom de voz malicioso de me fez encará-la, fixando meus olhos no seu olhar indecifrável. - e Simone não são um par ideal, significa que qualquer um pode usufruir deles. Eu já acho isso motivo o suficiente para comemorar.
- Eu acho que nós devíamos pensar em quem será nosso par no dia da cerimônia. - a loira rebateu mais uma vez e tombou a cabeça para o lado, encarando-a com uma feição de tédio no rosto.
- Como o gostosão ali não é o meu par - Simone falou alto enquanto apontava o dedo em minha direção. - eu estou disposta a curtir bastante hoje e achar alguém que me agrade para a cerimônia das luzes.
Após alguns minutos, quase todos nós tínhamos concordado com a ideia de colocar a música no último volume, dançar até as pernas doerem, beber até não lembrar o nome e beijar até sentir uma conexão com alguém. Na verdade, todos só concordamos com a música e a bebida, mas insistia que todos os estágios deviam ocorrer.
Era o nosso segundo dia naquela casa, e eu já tinha ido para a cabine da verdade. Eu adoraria que Simone fosse meu par e que fôssemos logo para a lua de mel, mas também queria poder curtir a praia, a casa e as mulheres. Ninguém merece chegar nesse paraíso em um dia e já ir embora no outro.
- Você vai ficar com essa cara de quem comeu e não gostou, ao invés de estar conversando com as garotas? - Simone parou de braços cruzados na minha frente. - Eu sei que você está muito triste por nós dois não sermos um par ideal, mas é dia de aproveitar, garoto.
- Acho que podíamos tentar nos conhecer melhor, invés de fazermos uma festa. - Simone bufou. - É o nosso segundo dia aqui, e nós arrumamos qualquer desculpa para fazer uma festa.
- , meu querido, nós só conhecemos as pessoas de verdade, quando elas estão bêbadas. - Simone enlaçou seu braço no meu e caminhamos até o centro da sala, onde as pessoas dançavam animadamente, contagiando-me no mesmo instante.

(...)


Minha visão já estava embaçada e eu ria de qualquer coisa que falavam. Maldita bebida que circulava pelo meu sangue e me fazia ser sociável. Afastei-me do pessoal e tirei o tênis, deixando-o próximo à beira da piscina e sentando ao seu lado. Emergi os pés na água e encarei o céu límpido.
- Acho que eu deveria me vingar de você, por ter me jogado na piscina. - o tom risonho me fez virar a cabeça para o lado, vendo sentada ali.
- Não seria justo, você me puxou quando eu fui te ajudar a sair da água. - rebati vendo a mulher apenas dar de ombros.
- Acho que avançamos aqui, pessoal. - riu da minha cara de confusão e logo emendou a frase. - Primeira vez que você não é sarcástico ou irônico enquanto fala comigo. - explicou com um sorriso de lado e eu dei de ombros.
- Se quiser, eu começo, princesa. - vi seu sorriso sumir e sua careta ao me ouvir pronunciando o apelido.
- Não me obrigue a te jogar dentro d’água, . - flexionou os braços em minha direção e eu ri. - Fiz você rir, estamos realmente avançando.
- Não se ilude, princesa, é só o álcool circulando em meu corpo que me impede de ser irônico. - frisei o apelido, causando uma careta na mulher.
- Acho que só vou me aproximar de você, quando o álcool estiver na sua corrente sanguínea.
- Pode se aproximar quando quiser. - falei sem pensar, me arrependendo assim que vi a feição confusa e risonha de . - Acho que podemos esquecer que eu falei isso.
- Falou o quê? - questionou agindo como se não soubesse e eu ri fraco. - Você é bem mais fácil de lidar, estando bêbado.
- Obrigado? - questionei confuso fazendo rir. - Não sei se isso foi uma ofensa ou um elogio.
- Foi um elogio ao seu ‘eu’ bêbado. - piscou enquanto adquiria um sorriso brincalhão nos lábios. - Sabe, sem ser irônico e sarcástico o tempo todo, você até que é atraente.
- , eu sou atraente o tempo todo. - sorri de lado.
- Isso é verdade. - falou com um tom de voz mais baixo e com o olhar fixo ao meu.
Apoiei meu braço no chão, usando-o como suporte e tombei meu corpo na direção do de , ficando a centímetros de distância. O ar quente da respiração da mulher batia em meus lábios e seus olhos se fechavam conforme ela diminua a distância. Estávamos quase lá, a milímetros de distância.
- , te procurei pela casa toda. - o tom de voz afobado de e os passos apressados fizeram-me recuar, voltando a minha posição inicial. - Preciso de você para provar minhas bebidas.
- Certo. - murmurou desconcertada e levantou-se. - Até depois, .
Balancei a cabeça levemente, xingando de todos os nomes possíveis enquanto o encarava andando até o bar, com o braço envolto nos ombros de . Um pouco mais próximos, e eu teria beijado seus lábios. Maldito !
Peguei meu tênis e levantei, andando na direção da casa e evitando olhar para e no bar. Cruzei a porta de vidro e passei pela sala, vendo Simone aos beijos com Mike, o bastardo se deu bem.
Subi as escadas, pronto para me jogar na cama e esquecer o fim da noite.


Day Three


- Está acordado? - Simone praticamente gritou no meu ouvido, após longos minutos me balançando.
- E tem como não estar? - resmunguei, virando o corpo para cima e encarando a morena.
- Soube que você conversou a ontem, sem nenhuma piadinha ou ironia. - revirei os olhos. Como eu odiava a amizade feminina.
- Culpe a bebida. - sorri irônico e foi a vez de Simone revirar os olhos.
- Vai viver bêbado então? - questionou fingindo um olhar surpreso.
- Agora eu sei o motivo de não sermos um par ideal, você é um saco. - joguei a coberta para o lado e sentei.
- Se eu me importasse com o que você fala, eu estaria ofendida. - sorriu irônica e deu de ombros.
- Você me acordou só para encher meu saco? - analisei o quarto, notando que boa parte das pessoas ainda dormia. - Metade da casa está dormindo.
- Queria que eu falasse sobre você e quando todos estivessem acordados? - arqueou a sobrancelha, fazendo-me dar de ombros.
- Não tem o que falar sobre nós dois. - sorri sem mostrar os dentes, encarando a expressão desacreditada de Simone.
- Quer dizer que vocês ficaram lá fora, sozinhos, e não se beijaram? - questionou incrédula e eu concordei com a cabeça.
- nos atrapalhou quando estávamos quase nos beijando. - Simone arregalou os olhos e revezou o olhar entre eu e , que ainda dormia abraçada a .
- Ela não me falou que vocês quase se beijaram. - resmungou com o tom de voz mais alto, fazendo algumas pessoas que estavam próximas a nós, resmungarem.
- Acho que eu não devia ter falado também. - resmunguei. - Esquece isso, vamos fingir que nunca aconteceu.
- Só não seja babaca. - pediu enquanto eu me afastava.

(...)


O café da manhã já estava pronto, a mesa estava posta e a cozinha começava a encher a cada minuto que passava. Sentei na cadeira e coloquei algumas panquecas no meu prato, jogando o molho por cima e sorrindo em agradecimento após Chloé encher meu copo com suco.
- está sorrindo, é um milagre. - o tom de voz divertido de me fez levantar o olhar e encará-la se aproximando da mesa, com novamente ao seu encalço.
Voltei o olhar para o prato e concentrei-me na minha refeição. Se ela não tinha comentado com Simone sobre o quase beijo, era porque ela não achava importante, certo? Certo!
- Podem deixar que hoje eu lavo a louça. - virei o rosto para o pessoal ainda sentado, após lavar meu parto.
- Eu seco, então. - foi a primeira a se propor, fazendo-me revirar os olhos e voltar a atenção para a pia.
- Você já ajudou ontem. - Chloé rebateu.
- Mas não era função dela, ela ajuda o agora e tudo certo. - Simone falou e eu senti vontade de calar a boca dela, e não seria com um beijo. Apoiei meu corpo na bancada da pia, observando o pessoal comendo e conversando.
- Depois você pode me agradecer. - Simone falou baixo enquanto colocava seu prato na pia.
- Eu quero é te bater. - resmunguei e a morena riu.
- , a relação entre tapas e beijos eu deixo exclusivamente para você e a . - piscou marota e afastou-se, enquanto caminhava em minha direção com o restante da louça.
- Bom dia. - sorriu animada e colocou a louça dentro da pia, prendendo o cabelo logo em seguida.
- Bom. - murmurei começando a ensaboar a louça.
- Acho que vou te dar uma cerveja para que possamos conversar decentemente. - riu novamente e eu apenas bufei.
- Ou você pode ficar na sua e secar a louça. - rebati seco, não ouvindo mais nenhuma palavra vindo de .


Day Six


- Já que todos estão aqui, é uma ótima hora para botarmos em prática qual será nossa estratégia para a cerimônia das luzes amanhã. - a negra falou após encarar cada um de nós.
- Eu e precisamos mesmo estar aqui? - Camille, a loira que sempre implicava com , questionou.
- Sim. - a negra falou em tom de obviedade.
- Mas nós já sabemos que somos o par um do outro. - a loira rebateu, fazendo boa parte das pessoas revirarem os olhos.
- Ora, se vocês são mesmo o par ideal um do outro, acho que podemos chamar o programa e mandar vocês para a lua de mel. - rebateu irônica, fazendo Camille bufar. - Pode continuar, Jasmine. - tombou a cabeça na direção da negra, que apenas sorriu em agradecimento.
- Nós estamos há pouco tempo aqui, então não é como se conhecêssemos todo mundo aqui e soubéssemos de cara quem é nosso par ideal. Se bobear, muitos de vocês ainda nem falaram com seu par ideal. - analisou cada um sentado ali. - Não é como se já pudéssemos identificar nosso par ideal.
- Certo, e o que faremos? - Fred questionou.
- A melhor hipótese é vermos quem mais combina e deixar que eles formem um par. - deu de ombros. - Alguém é contra essa opção? - prontamente levantou a mão, sendo acompanhada por mais três pessoas.
- Sério que vocês querem seguir a linha de raciocínio de que o par ideal é alguém semelhante a você? - riu com escárnio enquanto encarava todos os participantes. - Esse foi o motivo de vocês terem mandado a Simone e o para a cabine.
- Essa é a nossa melhor chance, . - Jasmine rebateu e riu irônica.
- Certo, se dois feixes ascenderem hoje, vocês já podem agradecer, pois é o máximo que vocês irão conseguir com essa estratégia. - sorriu sínica e saiu da sala.
- Vai falar com ela. - Simone sussurrou. - Vai logo.
Levantei do sofá e segui até a cozinha, fazendo o caminho de antes que chegasse até ela. Observei a mulher que encarava a vista proporcionada pela janela, com as mãos apoiadas no balcão e me aproximei, apoiando as mãos no balcão igual a ela, porém encurralando-a entre meu corpo e a bancada, atraindo sua atenção e fazendo virar, ficando de frente para mim.
- Você não pode sair igual uma adolescente revoltada, só porque discordamos de vocês. - falei calmo e revirou os olhos. - Todo mundo aceitou que essa é a melhor estratégia, .
- Melhor estratégia? - riu irônica enquanto negava com a cabeça. - Qual a porra do problema de vocês?
- E por acaso a senhorita tem uma ideia melhor? - encarei-a dos pés a cabeça e cruzei os braços na frente do corpo.
- Claro, qualquer porra de estratégia é melhor que essa. - desdenhou, com um tom de voz elevado e fazendo-me começar a perder a paciência. Péssima ideia ter escutado Simone e seguido até aqui. – Nós precisamos formar casais com quem nos identificamos, com quem sentimos atração. E não um cara tatuado com uma mulher tatuada, só porque os dois possuem rabiscos pelo corpo. - o tom irônico e debochado me fez trincar o maxilar, mas ao escutar o modo que se referiu ao meu trabalho, eu perdi a pouca paciência que me restava.
- Nós precisamos formar os casais com quem nos identificamos. - afinei minha voz, tentando imitar o tom de . - Não temos tempo para isso, acorde.
- Acordar? Você é que precisa acordar, nós temos dez semanas, porra. - se aproximou ainda mais, levantando o pescoço e fixando seu olhar irritado nos meus. - Essa estratégia de vocês é tão idiota, que não devia nem ser chamada de estratégia.
- A única coisa idiota nessa porra de cozinha é você. - apoiei as mãos na bancada, deixando nossos rostos na mesma altura.
- Se eu sou idiota, a porra dessa estratégia é dez vezes mais que eu. - rebateu com o tom de voz mais baixo, fazendo-me encarar seus lábios. - Qual a merda do seu problema?
- Você. - admiti em um sussurro, vendo a expressão incrédula de .
- Eu sou o seu problema? – riu incrédula, balançando negativamente a cabeça. - Você está me ignorando desde o dia que quase nos beijamos.
- Por sua culpa. - cruzei os braços novamente e riu outra vez.
- Minha culpa? - aumentou o tom de voz. - Eu tentei me aproximar nos últimos três dias e tudo que você fez foi me afastar e me ignorar, e você ainda diz que a culpa é minha?!
- Sim. - falei simplesmente e revirou os olhos.
- Você é ridículo, tão ridículo quanto a estratégia de vocês. - aumentou o tom de voz novamente, apontando o dedo em riste na direção do meu rosto. - Você tem sérios problemas.
- Tenho mesmo. - rebati e segurei seu pulso, tirando seu dedo do meu rosto e puxando-a na minha direção. - Você é um deles.
Larguei o pulso de e segurei em sua cintura, diminuindo a distância entre nossos corpos e selando os lábios. Passei a língua pelos lábios da mulher, sentindo entreabrí-los e aprofundar o beijo. Prensei seu corpo contra a bancada e embrenhei meus dedos em seu cabelo, puxando-os levemente e fazendo arfar.
- Simone me mandou aqui para garantir que vocês não estavam se matando. - Fred adentrou a cozinha, fazendo-me soltar e virar para frente. - Acho que ninguém morre por beijar.


Capítulo 05 – Day Seven

A primeira semana estava finalmente chegando ao fim, porém a casa inteira estava nervosa e ansiosa para primeira cerimônia das luzes. Eles não sabiam se tinham seguido uma boa linha de raciocínio ou se já tinham posto tudo a perder na primeira chance.
Terrence já estava no pequeno palco em forma de ‘x’, com os dois tablets a sua frente e os dez feixes de luzes desligados em suas costas. O primeiro grupo a entrar no campo de visão do apresentador foi o das mulheres, onde todas estavam bem arrumadas.
- Vocês estão bonitas assim para confundi-los na hora de escolher? - Terrence comentou após todas as mulheres já estarem sentadas nos sofás de frente para ele, fazendo-as rir.
- Nós já temos um esquema para hoje. - Jasmine sorriu para o apresentador que apenas concordou com a cabeça, enquanto revirava os olhos.
- Espero que seja uma boa estratégia. - Terrence sorriu verdadeiramente olhando para cada mulher sentada ali. - Acho que alguém não concorda com a estratégia. - falou após pousar os olhos em . - Acho que a senhorita não concorda.
- Eu acho uma perda de tempo essa ‘estratégia’. - falou sem rodeios e fez aspas com os dedos ao falar a última palavras.
- E a sua escolha de roupas tem algo relacionado a isto? - questionou após reparar que todas s outras mulheres usavam uma cor viva enquanto usava um vestido preto colado ao corpo.
- Claro que sim. - sorriu. - Estou de preto para já demonstrar minha tristeza com o resultado dessa cerimônia.
- Você é tão desnecessária. - Camille falou de modo afetado.
- Seu par não acha isso. - virou-se em seu pequeno sofá, ficando de frente para Camille e sorrindo de modo irônico para a loira.
- Certo, acho que os homens já podem entrar. - Terrence falou assim que viu Camille abrir a boca para rebater.
Segundos após a frase do apresentador, os homens chegaram tão bem arrumados quanto às mulheres. Parando do lado direto do apresentador, enquanto as mulheres estavam no esquerdo, e ficaram em pé em filas similares aos pequenos sofás onde as mulheres estavam.
- Boa noite senhoras e senhores. - Terrence falou e os vinte participantes bateram palmas. - Sejam muito bem vindos a primeira cerimônia dos pares dessa edição do Are You The One. - os participantes gritaram e bateram palma. - Além de encontrarem o par ideal, vocês darão o primeiro passo para o grande prêmio de um milhão de dólares.
Os participantes estavam apreensivos, rezando internamente para que a estratégia funcionasse e eles dessem realmente um passo em direção ao prêmio, em vez de retrocederem um passo que eles ainda nem tinham dado.
- E não se esqueçam, vocês não podem zerar. - falou encarando cada um ali presente. - Ou seja, em cada cerimônia vocês precisam formar, pelo menos, um par ideal. Se isso não acontecer, vocês perdem automaticamente trezentos mil dólares do prêmio final. - os participantes apenas concordaram rapidamente com a cabeça, sabendo que não poderiam errar os pares. - Se nenhum feixe de luz ascender, será considerado um blackout e vocês vão perder o dinheiro imediatamente.
Os participantes se encararam aflitos enquanto questionavam silenciosamente se aquela era uma boa estratégia, enquanto apostava que se conseguissem dois feixes de luz naquela noite, já deveriam comemorar.
- Bom, como as mulheres escolheram na prova, hoje é dia dos homens escolherem. - Terrence sorriu para os homens. - Vamos começar com você, Ryan. - o surfista saiu da fila onde estava e andou de modo calmo até o apresentador, o cumprimentando assim que parou a sua frente. - Nos diga quem você vai chamar essa noite e o por quê.
- Meu par dessa noite é a Chloé. - Ryan sorriu na direção da mulher que caminhava até ele. - Na primeira prova eu saí com a , mas a Chloé também levantou a mão ao ver a foto.
- Então você está ignorando a possibilidade da ser seu par ideal? - o apresentador questionou e Ryan apenas concordou com a cabeça. - E eu achando que essa cerimônia seria uma bagunça, pois a já beijou três pessoas dessa casa.
Os participantes começaram a murmurar sobre quem seria a outra pessoa que a mulher tinha beijado, enquanto encarava Simone e encarava Fred, como se pedissem de modo silencioso para que eles não comentassem nada.
- Ryan, Chloé, podem colocar suas mãos no tablet. - Terrence voltou a atenção para o casal a frente. - Par registrado, podem sentar. - sorriu na direção dos dois e esperou que eles se acomodassem no sofá de Chloé. - Já que estamos falando da primeira prova e de , vem aqui, . - o apresentador sorriu para o homem que apenas deu um sorriso forçado. Maldito apresentador que vi tudo o que acontecia dentro da casa. - Ao que tudo indica, essa foi uma boa semana para você.
- Foi sim, Terrence. - concordou com a cabeça e sorriu novamente.
- Seu par ideal vai ser a mulher que você beijou? - o apresentador questionou com uma sobrancelha arqueada e sorriu ao ver engolindo em seco e balançando a cabeça negativamente. - Já sabíamos que você não escolheria a Simone após a cabine. - o apresentador sorriu novamente ao ver a cara de aliviado que o homem a sua frente fez. - Então, nos diga quem será o seu par essa noite.
- Meu par será a Chelsey. - sorriu na direção da mulher que caminhava em sua direção.
- Eu não vi interação entre vocês dois, vocês não acham que é arriscado? - o apresentador questionou ao ver os dois parados a sua frente.
- Nós traçamos nossas personalidades ontem e escolhemos as pessoas que nós achamos que mais se identificam conosco. - o moreno falou e passou o braço pela cintura da mulher, sorrindo juntos para Terrence.
- Até que vocês ficam bonitos juntos. - sorriu. - Podem colocar as mãos. - apontou com a cabeça para os tablets e o casal colocou a mão. - Registrados, podem sentar. - sorriu novamente. - Ainda sobre , pode vir para cá, . - o loiro sorriu e caminhou apressado até o apresentador. - Acho que eu não preciso nem te perguntar quem será o seu par ideal essa noite. - o apresentador murmurou e o outro apenas riu. - , pode vir para cá.
- Você está linda. - murmurou assim que a mulher parou ao seu lado, selando seus lábios de modo rápido logo em seguida.
- Isso sim é um casal, pessoal. - Terrence falou enquanto abraçava pela cintura. - Agora só basta saber se vocês são um par ideal. - o apresentador sorriu misterioso e apontou com a cabeça para os tablets, fazendo o casal colocar a mão ali. - Casal registrado.
e caminharam abraçados até o sofá onde a morena estava sentada antes, soltando-se apenas na hora que foram sentar. arrumou o vestido e olhou para o lado, vendo o olhar de fixo ao seu, fazendo-a morder o lábio e sentar-se rapidamente, cortando a troca de olhares.
- Aproveitando ainda os casais que a primeira prova proporcionou, é sua vez, Hunter. - o apresentador falou e o homem logo parou a sua frente. - Por mais que a gente já saiba quem será seu par, você precisa chamá-la.
- Marnie? - Hunter abriu um sorriso de lado e a mulher levantou, arrumando o cabelo atrás das orelhas enquanto caminhava até o centro do local.
- Vocês acreditam que são o par ideal um do outro? - Terrence questionou assim que os dois estavam parados a sua frente, vendo-os apenas concordar com a cabeça e colocarem as mãos nos tablets. - Podem sentar. - o casal saiu de mãos dadas enquanto o apresentador encarava os homens ainda em pé. - , faça as honras e venha até aqui nos dizer quem é o seu par ideal.
- Meu par ideal é a doce Camille. - falou com um sorriso nos lábios assim que estava de frente para Terrence.
- Você é um anjo. - Camille praticamente jogou-se nos braços do homem, beijando-o intensamente.
- Certo, que tal vocês registrarem o par de vocês? - Terrence falou após coçar a garganta para atrair a atenção do casal. Os dois colocaram a mão no tablet, enquanto a loira continuava agarrada em . - Registrado! - o casal saiu e Terrence sorriu novamente. - Agora é com você, Fred, pode vir. - o negro arrumou a jaqueta que vestia e fez pose antes de descer e caminhar até o apresentador, causando riso nos outros participantes. - Nos diga quem é a bela dama que lhe acompanhará essa noite.
- A mulher que terá a chance de ficar ao meu lado hoje, é a Simone. - piscou maroto para a mulher que já andava em sua direção, beijando sua bochecha assim que ela parou do seu lado.
- Me digam, o fato de vocês estarem como um par essa noite, é porque vocês sabem de coisas que os outros participantes ainda desconhecem? - arqueou uma sobrancelha enquanto encarava os dois participantes parados a sua frente.
- Talvez sim, talvez não. - Simone respondeu rindo.
- Muito bem, podem colocar as mãos aqui. - os dois colocaram as mãos nos tablets e saíram assim que leram a confirmação na tela pequena. - Mike, sua vez de vir aqui e dizer quem será seu par.
- Meu par essa noite é a Lydia. - apontou na direção da mulher que andava em sua direção com um sorriso nos lábios.
- Vocês já tiveram alguma interação ou é apenas a estratégia que vocês montaram? - Terrence perguntou assim que a mulher chegou até eles.
- Ainda é a primeira semana, nós não temos uma intimidade com as pessoas para já podermos definir se são nossos pares ideais ou não. - Lydia falou enquanto arrumava o cabelo verde.
- Certo, já podem registrar. - Terrence sorriu sem mostrar os dentes e o casal saiu após a afirmação aparecer no tablet. - Continuando com os participantes que possuem uma melanina de dar inveja, pode vir, Isaac. - o negro colocou as tranças para trás e caminhou até o apresentador, cumprimentando-o com um aperto de mão. - Nós praticamente não te vimos essa semana, esperamos que você seja mais presente nos próximos dias.
- Claro. - murmurou com um sorriso no rosto.
- Por causa da sua falta de presença, acredito que seja um pouco difícil para você descobrir quem é o seu par ideal. - o apresentador falou e Isaac apenas concordou com a cabeça. - Então nos diga, quem será a mulher que ficará do seu lado hoje?
- A Holly. - sorriu para a negra que andava até ele após ouvir seu nome.
- Muita melanina junta para essa casa. - Terrence brincou fazendo os dois rirem enquanto colocavam as mãos no tablet. - Podem se sentar. - falou e encarou os dois últimos homens que continuavam em pé. - Grant, pode descer. - sorriu. - Qual das duas últimas damas será seu par essa noite?
- Meu par essa noite é a Jasmine. - falou com um sorriso mínimo nos lábios enquanto a negra caminhava em sua direção.
- Acho que é a primeira vez que vejo Jasmine sorrindo. - Terrence falou quando viu a negra parar a sua frente com um sorriso nos lábios. - Isto é por causa do seu par ou pela estratégia?
- Acredito que é um pouco dos dois. - sorriu de lado e colocou a mão no tablet junto com Grant.
- Vamos rezar para que continue assim, então. - o apresentador sorriu. - Podem se sentar. - encarou Nathan, o último homem que continuava de pé e sorriu. - Vem cá, Nathan, lembre-se que quem ri por último, ri melhor.
- Pode apostar que eu estou rindo muito bem. - o homem falou assim que ficou de frente para o apresentador, porém com os olhos presos em Riley, a última mulher.
- Riley, também quase não te vi ao longo dessa semana. - Terrence falou assim que Riley parou a sua frente. - Sei que você é tímida, mas aqui você vai precisar se soltar para que conheça os outros participantes. - a negra apenas concordou com um sorriso tímido. - Bem, podem colocar as mão.
Riley e Nathan esperaram o tablet registrar e caminharam juntos até o sofá onde a negra estava sentada. Terrence encarou todos os dez casais sentados juntos e sorriu ao ver o nervosismo estampado na cara de todos os participantes.
- Temos todos os dez pares registrados e chegou a hora de sabermos quantos pares ideais vocês formaram. - Terrence falou. - Aqui atrás de mim eu tenho dez feixes de luz, onde cada feixe de luz representa um par ideal. - ficou de costas para os participantes, apontando para as luzes. - Um feixe de luz, um par ideal. Dez feixes de luz, dez pares ideais e um milhão de dólares no bolso de vocês. - Terrence deu a volta, ficando de frente para os dois tablets e de costas para os participantes. - Então chegou o momento de vocês saberem quantos pares ideais vocês formaram.
A iluminação diminuiu e os dez feixes de luz que estavam acesos, apagaram. Terrence colocou uma mão em cada tablet e os feixes de luz subiram e desceram por alguns segundos até que pararam apontados para o céu.
Os participantes se abraçavam fortemente enquanto os que possuíam menos intimidade seguravam as mãos uns dos outros e olhavam atentamente para Terrence e os feixes, porém já sabia o resultado daquela cerimônia e ela achava o esmalte descascando em sua unha algo mais importante.
Os segundos pareciam longos minutos torturantes que não passavam de modo algum, até que o primeiro feixe se ascendeu e os participantes gritaram animados, felizes por não terem sofrido um blackout.
- Bom, será que tem mais algum? - Terrence questionou após todos se acomodarem novamente.
Os participantes focaram novamente a atenção nos feixes e ficaram ainda mais nervosos após a pergunta de Terrence. Eles tinham criado uma ótima estratégia, então qual era o motivo dos outros feixes demorarem tanto para ascender?!
A iluminação de onde ocorria a cerimônia ascendeu novamente e o único feixe aceso apagou, causando um nervosismo em quase todos os participantes ali. Era a primeira cerimônia deles e ela tinha sido uma vergonha.
- Eu preciso dizer que avisei? - falou com o tom carregado de deboche com o olhar fixo em suas unhas. - Vocês precisam agradecer por pelo menos não ter sido um blackout.
- Devo dizer que estou bem chateado pelo desempenho de vocês. - Terrence falou enquanto ficava de frente para os participantes novamente. - O lado positivo é que vocês estão a nove semanas da última cerimônia, porém vocês também estão a nove casais para o prêmio. - os participantes apenas concordaram com a cabeça enquanto ainda tentavam achar onde erraram. - Espero que semana que vem vocês mantenham essa luz acesa e ascendam mais. Podem ir.
Os participantes saíram mudos do local da cerimônia, permanecendo assim até quase chegarem a casa.
- É isso o que acontece quando planejam uma estratégia que não combina com esse estilo de jogo. - foi a primeira se pronunciar e quebrar o silêncio que lhes acompanhava.
- Eu não me importo com a estratégia, pois eu e o somos o par ideal daquele feixe que ascendeu essa noite. - Camille murmurou em tom de obviedade e revirou os olhos.
- Primeiro que você não sabe se vocês são um par ideal de verdade ou não. - a morena parou de andar e ficou de frente para a loira. - Segundo que se vocês dois forem um par ideal, você ainda precisa da nossa estratégia para que todo mundo ache um par ideal. - sorriu cinicamente. - Então, querida, eu acho que você precisa se importar com a estratégia.
- Certo, então qual vai ser nossa próxima estratégia? - Jasmine questionou e sorriu.
- Vamos entrar e sentar na sala que eu falo. - enlaçou seu braço no de e voltou a caminhar para a casa junto com os outros.
Os vinte participantes foram direto para a sala e sentaram no sofá e no tapete. sentou no sofá e puxou para o seu colo, fazendo a morena acomodar-se em seu colo enquanto ignorava o olhar de em sua direção.
- Eu entendo que é a primeira semana e que é difícil para algumas pessoas aqui se entrosarem, mas nós precisamos conhecer todas as pessoas da casa que nós achamos que possam ser nossos pares. - falou enquanto encarava todos ali presente. - Nós precisamos achar aquela pessoa que nos tira da zona de conforto e que nós nunca procuraríamos lá fora, mas que de algum modo nos completa.
- Vamos começar por quem vocês acham que é o par ideal que ascendeu aquele feixe aquela noite. - Chloé propôs e alguns participantes concordaram.
- Muitos casais dos quais estavam juntos ali não eram realmente casais, pois não houve interação entre a maioria deles e um deles pode ser o verdadeiro par ideal enquanto nós nem desconfiamos. - Riley falou rapidamente.
- Riley está certa, podemos acabar apostando no casal errado. - ponderou.
- Mas se apostarmos em um suposto casal que está junto e o mandarmos para a cabine e descobrirmos que eles não são um par ideal pode ser bom, pois os dois vão poder conhecer outras pessoas. - falou enquanto encarava a morena fixamente causando um desconforto em que fixou o olhar em um ponto fixo qualquer da casa.
- Nós só temos três casais para apostar. - Holly murmurou. - e , Camille e ou Marnie e Hunter.
- Certo. Qual deles nós vamos mandar para a cabine na próxima semana? - Fred questionou.


Capítulo 06 – Day Eight

Por
Após a conversa do dia anterior, a intenção era mandar um dos três casais ‘fortes’ da casa. Um dos três casais que supomos ser o dono do feixe de luz precisava ganhar a prova, e eu estava no meio deles. Eu queria ganhar a prova e ir para a cabine com , não veria problema algum em ser seu par ideal, ou melhor, não via até me beijar. Eu reclamei com ele por me ignorar depois de quase me beijar e agora eu estava o ignorando após me beijar. O carma é uma vadia.
Chegamos ao local onde ocorreria a prova, todos vestidos com roupas confortáveis ou de ginástica, pois não sabíamos se a prova seria igual à última ou algo que precisássemos fazer com o corpo. Paramos de frente para Terrence na grama dentro do perímetro roxo que cercava o local da prova.
- Hora do próximo desafio desta semana, estão prontos? - questionou animado após todos já estarem ali. - Um jeito de entrar em uma relação de longo sucesso, é saber seus objetivos e encontrar alguém que se conecte com você. E dito isso, temos um desafio hoje do qual eu gosto de chamar de “o tiro certo”.
A área quadrada que nos cercava tinha um quadrado bem menor no centro e próximo a borda roxa que nos cercava tinham dez tubos com flechas e um arco na frente de cada tubo.
- O desafio hoje é para os rapazes. Aqui atrás de mim eu tenho vários alvos de balões. - apontou para mais de dez estruturas de madeira com enormes balões presos nelas. - Cada balão com um objetivo de vida específico de cada mulher dessa casa. Mirem no objetivo de vida que for compatível com o seu e sentem o dedo nas flechas.
Mordi o lábio nervosa, rezando para acertar o balão que continha meu objetivo. Quando planejamos que os três casais suspeitos deveriam ganhar a prova, imaginamos qualquer coisa mais fácil que essa prova.
- Quando o balão estourar, vai revelar a foto da garota que possui esse objetivo. - Terrence continuou a explicar enquanto os homens apenas concordavam com a cabeça. - Os três primeiros a acertarem um balão vão para um passeio de casais fantástico com a garota que a foto mostrar. - os homens se entreolharam apreensivos. – Vamos, rapazes, hora de atirar.
Os homens caminharam até os tubos com flechas, pegando os arcos no chão e parando atrás da linha que indicava o limite deles. Com os arcos em mãos, os dez participantes ficaram por um bom tempo encarando todos os alvos espalhados, tentando adivinhar qual pertencia a quem.
Passei o olhar em algumas das frases que estavam acima do alvo; ser uma coelhinha da playboy, ter filhos depois dos 30, ensinar pole dance, morar de frente para a praia e mais alguns outros, fazendo-me rir.
- Prontos, rapazes? - Terrence questionou, mas antes de qualquer um responder o apresentador emendou. - Podem atirar.
O primeiro a atirar foi Mike, falhando quando a flecha encostou no balão sobre a coelhinha da playboy e caiu no chão. Fred foi o segundo, porém antes mesmo de sair do arco, a flecha caiu no chão, fazendo-me rir junto com Simone. Perdi a conta de quantas flechas caíram no chão ou chegaram só até o meio do campo, o máximo que acontecia era a flecha passar do lado dos balões.
- PORRA, , QUER QUE EU VÁ ATÉ AÍ PARA TE MOSTRAR COMO FAZ ISSO? - gritei atraindo a atenção de todos. - Desculpa, é que ele é muito ruim nisso.
- Talvez seja porque ele não é o seu par ideal. - falou com um sorriso de lado e o olhar preso ao meu.
- Então você também não é, pois nenhum dos dois acertou a merda de um balão. - sorri irônica e virou-se para frente enquanto focava em um balão.
Eu escolhi um objetivo bem óbvio, então qualquer um que lembrasse ou soubesse que eu era surfista, logo perceberia que um dos meus objetivos era morar de frente para a praia. Arregalei os olhos ao ver o balão estourar e a minha foto aparecer, olhando rapidamente na direção de e e vendo que nenhum dos dois possuía uma flecha no arco.
- O primeiro a acertar uma flecha foi ! - Terrence falou enquanto o homem soltava o arco e flecha e vinha para perto do apresentador. - Já temos nosso primeiro casal, espero que curta o seu passeio com a .
Eu esperava que acertasse o meu balão para que nós dois pudéssemos ir para a cabine, e outra parte, bem menor, esperava que acertasse e que nós dois fôssemos para o passeio e que ele me beijasse novamente. Mas eu não esperava nada de , provavelmente ele pensou que aquele era o objetivo de Camille.
O segundo balão foi estourado, enquanto Mike comemorava e abaixo do desejo de ser uma coelhinha da playboy aparecia a foto de Lydia.
- Olha o destino agindo e juntando um casal da cerimônia das luzes. - Terrence falou com um sorriso nos lábios enquanto Mike se aproximava. - Você sabia que esse era um desejo da Lydia?
- Não, mas eu suspeitava. - deu de ombros.
- Então sua intenção era conseguir o passeio com ela? - Mike apenas concordou com a cabeça e Terrence sorriu. - Você acha que vocês dois podem ser o casal que é dono daquele feixe de luz?
- Quem sabe? - sorriu de lado e Terrence concordou.
- Muito bem, vamos voltar ao jogo. - falou e todos voltamos a prestar atenção nos homens que começaram a atirar novamente.
Hunter foi o terceiro e último a atirar, comemorando quando conseguiu acertar o balão abaixo do objetivo de se tornar escritora e abriu um sorriso ao ver a foto de Marnie ali. Eu tinha certeza que ele sabia que aquele ali era o objetivo dela, pelo menos um dos nossos casais suspeitos de ser o par ideal conseguiu ganhar a prova. Eles seriam estúpidos se mandassem outro no lugar de Marnie e Hunter.
- Antes de mais nada, parabéns a todos os casais. - Terrence sorriu assim que ficou de frente para nós seis. - Vocês vão sair para um passeio romântico pela cidade, além de conhecer os melhores bares e pontos históricos da cidade. - sorri, extremamente feliz por ter a chance de conhecer o Havaí e não ficar apenas nos arredores da casa. - O pessoal que vai ficar em casa tem uma importante missão, vocês tem que votar em um dos casais que vão ao passeio, para ir para a cabine da verdade. Como a cabine é o único jeito de vocês saberem se são um par ideal, espero que escolham sabiamente. Vejo vocês amanhã, para o resultado.
- Você não vai nesse passeio. - tombei a cabeça para o lado e encarei Camille me encarando de braços cruzados.
- Posso saber o motivo? - cruzei os braços imitando sua posição.
- Eu não vou deixar você sair dessa casa para ir a um encontro com o meu par. - ri descrente enquanto balançava a cabeça negativamente, não acreditando na idiotice da loira.
- Que bom que você não manda em porra nenhuma aqui. - pisquei, rindo ao ver Camille perder o controle que eu sequer acreditava que ela possuía. - Acho que se ele fosse realmente o seu par, ele saberia qual o seu objetivo de vida.
- QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA FALAR UMA COISA DESSAS?! - o descontrole da loira estava evidente e apareceu, afastando Camille com uma mão e segurando em meu pulso, tirando-me dali. - EU QUERO SABER O MOTIVO DE VOCÊ ESTAR DANDO ATENÇÃO PARA ELA E NÃO PARA MIM, É TUDO CULPA DELE.
- Camille, só cala a porra da boca. - escutei a voz de e virei a cabeça para trás, sorrindo na direção do moreno.
- É incrível como todo mundo fica do lado dela, ela que está errada. - rebateu.
- A única pessoa errada aqui é você. - respondeu e eu ri. - Se você estivesse certa, estaria saindo daqui com você.
Voltei a olhar para frente, seguindo o caminho que nos levava. Logo vi os fundos da casa, mas franzi o cenho ao ver que não seguiu para lá, e sim para um caminho próximo dali, deixando-me confusa.
- Pra onde nós estamos indo? - murmurei enquanto nos afastávamos ainda mais da casa.
- Você nunca veio aqui?
- Não se responde uma pergunta com outra pergunta. - falei em tom de obviedade enquanto encarava , rindo ao ver seu sorriso tímido.
- Tem um lago aqui, é muito bonito. - respondeu minha pergunta e eu sorri. - Quase ninguém vem aqui, mas é muito lindo.
- Realmente. - murmurei ao ver o pequeno lago a nossa frente.
- Eu sempre venho aqui quando quero pensar. - sentou na grama, ficando de frente para o lago e me encarou com um sorriso nos lábios, batendo na grama ao seu lado.
- Acho que vou começar a fazer isso também. - ri fraco após sentar-me no chão, olhando fixamente para o lago.
- Me desculpe pelo comportamento da Camille. - falou após suspirar fundo.
- Você não tem que se desculpar por ela. - virei o rosto para lado, fixando meu olhar no de . - Não é como se você soubesse que aquele balão era o meu objetivo. - sorri de lado e o homem virou o rosto para frente, concordando com um aceno de cabeça. - Camille sabe que você vem aqui para relaxar?
- Sabe sim. - respondeu e voltou a me encarar.
- Vou indo então. - sorri sem mostrar os dentes e levantei. - Até amanhã.
Voltei para o pequeno caminho de pedras e logo avistei os fundos da casa. Aumentei meu ritmo e voltei ao caminho da casa, seguindo para o quintal e sentando em uma das espreguiçadeiras para poder tirar o meu tênis. Deixei o calçado ao lado da espreguiçadeira e levantei, tirando a calça de ginástica que eu usava e pulando na piscina, ficando submersa por longos minutos.
- Pensei que tivesse morrido. - escutei o tom de voz debochado assim que levantei da água e encarei Simone deitada na espreguiçadeira.
- Acho que esse seria o sonho da Camille. - ri ao ver a careta de Simone após ouvir o nome da loira.
- Não fale o nome dela, senão ela aparece aqui e surta outra vez. - Simone fingiu que sussurrava. - Que tal uma festa hoje?
- Quem deu a ideia? Eu que sempre dou as ideias para festa. - nadei até a beirada da piscina e me apoiei ali, encarando a morena.
- A casa. - arregalei os olhos e Simone riu. - Festa neon, gata.
- Eu não acho que tenha um look para isso. - falei enquanto pensava em todas as roupas que tinha levado.
- Não se preocupa, gata, a produção vai mandar algumas araras com roupas. - sorri e apenas concordei com a cabeça. - A gente só precisa prestar atenção e ir logo para o quarto.
- Hoje eu vou causar. - sorri animada e Simone riu.
- Isso você sempre faz, querida. - rolou os olhos teatralmente. - Só me responda uma coisa.
- Claro. - deitei a cabeça em meus braços e Simone abriu um sorriso malicioso.
- Qual dos dois você vai pegar hoje? - riu ao ver minha expressão e eu engoli em seco. - ou ?
- Nenhum dos dois. - murmurei e a morena riu outra vez.
- Hm, então vai ser o garoto do passeio de amanhã? - questionou e eu rolei os olhos.
- Você é um porre. - resmunguei e Simone apenas deu de ombros.
- me fala isso todo dia. - piscou marota e eu bufei. - Se eu fosse você, eu pegava os três.
- Na festa? - murmurei e Simone apenas concordou com a cabeça. - A casa iria pegar fogo.
- Achei que esse era o motivo pelo qual nos colocaram aqui. - sorriu de lado e deu de ombros.
- Acho que você está confundindo os reality shows.

(...)

- Não sei como esse tipo de roupa não te incomoda. - Chlóe falou assim que eu adentrei ao quarto onde nos maquiávamos.
- Eu sempre uso, então já acostumei. - dei de ombros e caminhei até a minha penteadeira, sentando ali e encarando meu reflexo. - Eu me sinto mais poderosa usando roupa de látex.
- Igual uma dominatrix. - Simone arqueou uma das sobrancelhas e riu, sendo acompanhada pelas outras mulheres.
- Ou uma prostituta. - Camille levantou da sua penteadeira, ficando de frente para mim e sorrindo de modo debochado.
- não parece se importar com o que eu sou ou o que pareço ser. - repeti seu sorriso e a loira fechou a expressão, apoiando-se na penteadeira e aproximando seu corpo do meu rosto.
- Eu não quero ouvir você falando o nome dele. - apontou o dedo em riste, fazendo-me dar um tapa em sua mão.
- Recomendo então que você não esteja em casa quando nós dois chegarmos do passeio. - sorri ironicamente e voltei minha atenção para o espelho.
- Puta. - murmurou entredentes.
- Obrigada. - sorri enquanto continuava apenas encarando meu reflexo. - Aproveita enquanto o ainda te dá atenção, pois a partir de amanhã, pode ser que isso mude. - ouvi a loira bufar, fazendo-me rir enquanto eu separava as maquiagens que eu ia usar. Rímel e batom, nada diferente do que eu estava acostumada a usar no dia a dia.
- Você está interessada no ? - Chelsey questionou assim que Camille saiu do quarto e eu apenas dei de ombros.
- Alguém consegue não estar interessada nele? - Lydia questionou em tom risonho, fazendo-me concordar com um aceno de cabeça.
- Achei que você já estivesse satisfeita por estar ficando com dois dessa casa. - Simone murmurou indiferente e eu taquei minha espuma de maquiagem no rosto da morena.
- Aliás, quem foi a terceira pessoa dessa casa que você pegou? - Chloé piscou os cílios repetidas vezes enquanto os olhos azuis me olhavam de modo inquisidor.
- Eu não vou falar disso. - murmurei após passar o batom rosado.
- Ela vai pegar ele novamente essa noite, vocês irão ver. - Simone sorriu de modo debochado e jogou a espuma em minha direção.
- Eu não vou ficar com ele hoje, já disse isso. - murmurei enquanto guardava as maquiagens na nécessaire.
- Eu duvido disso. - rolei os olhos, disposta a ignorar a morena e levantei do banco.
- Vocês focaram que ela disse hoje, né? - Lydia riu e eu a encarei com cara de tédio.
- Vocês são um porre. - murmurei com um sorriso no canto dos lábios.
- Vamos descer logo, os caras já começaram a festa há muito tempo. - Chloé falou de modo afobado enquanto arrumava o vestido no corpo.
- Quero ver de camarote o babando ao te ver assim. - Simone falou após enlaçar seu braço no meu.
Saímos juntas do quarto de maquiagem e ali do corredor já era possível ouvir a batida animada da música que tocava. Seguimos pelo corredor e descemos a escada devagar, evitando que caíssemos, já que a luz negra dificultava nossas visões. Simone rapidamente encontrou a mesa com as bebidas e me arrastou até lá, fazendo-me franzir o cenho ao não encontrar ali.
- Cadê o seu loirinho? - Simone questionou enquanto me entregava um copo.
- Não sei. - murmurei após beber o líquido do copo. - Vodka pura?
- É bom que sem ele por aqui, você não precisa escolher, é só beijar o . - Simone riu de modo arteiro e eu engoli em seco ao ver o moreno virar em nossa direção.
- Me beijar? - sorriu de lado e eu engoli em seco, virando o copo praticamente cheio de uma vez só.
- É hora de dar tchau. - Simone sorriu enquanto revezava o olhar entre eu e .
- Então você quer me beijar? - o moreno questionou enquanto se aproximava.
- Simone quem disse isso. - murmurei.
- Simone não mente. - deu um sorriso e fixou o olhar em meus lábios. - Então você não quer me beijar?
- Não. - mordi o lábio inferior e aproximou-se ainda mais, pousando sua mão em minha cintura.
- Mas eu quero te beijar. - mordi o lábio novamente e sorri, cruzando os braços no pescoço do homem e deixando nossos lábios a poucos centímetros de distância.
- Eu não devo te beijar, vou sair em um encontro amanhã. - soprei as palavras contra o lábio de e me afastei, rindo da sua expressão fechada.
- Você não devia usar minhas palavras contra mim. - murmurou descontente e eu dei de ombros.
- E você não deveria me dizer o que fazer. - pisquei marota e peguei o copo que estava em sua mão.
- Que tal você me dizer o motivo para não ter beijado o ? - Simone murmurou assim que eu me aproximei e eu apenas dei de ombros. - Eu sei que ele beija bem, então nem tente dizer que o beijo é um problema.
- É uma festa, Simone, eu quero dançar, beber e me divertir. - virei o resto do conteúdo do copo de e fiz uma careta ao sentir a tequila descer queimando.
- Você pode dançar, beber e se divertir com o , acho que é um pacote bem melhor. - respondeu após rir da minha careta.
- Quem sabe depois não role uns beijos. - murmurei e pisquei na direção da mulher, que apenas abriu um sorriso maroto. - Agora se me der licença, eu vou pegar outra coisa para beber.
Comecei a andar na direção da mesa com bebidas quando o ritmo animado voltou a ser produzido pelas caixas de som. Soltei um grito em comemoração e refiz o caminho, subindo na mesa vazia que estava próxima a Simone. Fechei os olhos e deixei que meu corpo sentisse a música, enquanto eu rebolava no ritmo do som e mexia minhas mãos, ora fazendo movimentos abstratos, ora passeando por meu corpo.

(...)

Sentei na beirada da mesa de bebidas e peguei a garrafa de vodka, bebendo o resto do líquido que tinha. Coloquei a garrafa na mesa e encarei a sala escura, vendo boa parte das pessoas juntas como casal.
- Sabe, nós podíamos estar nos beijando igual a Simone e o Mike. - falou ao posar as mãos em minha coxa.
- Mike? - murmurei confusa, eu não podia estar bêbada ao ponto de estar confundindo os homens. - Pensei que ela estava ficando com o Fred.
- E ela estava. - o moreno deu de ombros e eu ri, afastando um pouco as pernas para que ele se acomodasse entre elas, coisa que ele fez rapidamente. - Acho que eu não tive a chance de falar, mas você está gostosa para caralho nessa roupa.
- Sabe, eu fico ainda melhor sem elas. - sorri maliciosamente e segurei nos ombros de , aproximando ainda mais nossos corpos.
- Você não devia falar essas coisas se não vai nem me beijar. - murmurou e eu ri.
- Eu já falei que você não deveria dizer o que eu devo ou não fazer. - aproximei ainda mais nossos rostos. - Você disse que eu não deveria beijar o , pois eu iria ter um encontro com Ryan.
- E mesmo assim você beijou. - murmurou e eu concordei com a cabeça, colando nossas testas e fixando meu olhar em seus lábios.
- Então não vejo motivos para não te beijar. - sorri maliciosamente e enlacei meus braços em seu pescoço, selando nossos lábios em um beijo afobado.
Embrenhei uma das mãos no cabelo do moreno e direcionei a outra para seu abdômen, arranhando-o suavemente enquanto segurava minha cintura com uma das mãos e a outra passeava pelo meu corpo. Rompi o beijo após longos minutos e começou a distribuir beijos pela área nua do meu pescoço.
- Você tinha mesmo que estar usando esse troço no pescoço? - murmurou com os lábios colados em meu lóbulo, eriçando todos os pelos do meu corpo.
- Não fala assim da minha chocker. - trouxe o rosto de na minha direção e selei nossos lábios rapidamente. - Se você quiser, eu tiro.
- Eu quero que você tire tudo. - falou com os lábios quase colados aos meus.
- Eu posso fazer isso, é só nós irmos para o quartinho. - sorri e arqueou uma das sobrancelhas enquanto me encarava.
- Sério? - apenas concordei com a cabeça e o moreno me ajudou a descer da mesa. - Vou subir primeiro, depois você sobe.
Concordei com a cabeça novamente e selei nossos lábios mais uma vez. O moreno se afastou rapidamente e eu não contive uma risada ao observar que ele subiu as escadas praticamente correndo. Dei uma última olhada pela sala, notando que todos continuavam muito ocupados com seus pares e comecei a subir as escadas. Se ele for bom de cama igual é irônico e debochado, eu transo com ele pelo resto do programa.
Caminhei pelo corredor, estranhando ao não ver ninguém por ali e dei uma batidinha na porta do quarto individual, conhecido por todos como o quartinho do amor, e abri a porta logo em seguida, sorrindo ao ver sentado na ponta da cama apenas com a calça jeans. Adentrei ao quarto e fechei a porta, tirando com os pés o salto e caminhando na direção do homem.
Parei de frente para e abri o fecho da gargantilha, deixando-a cair no chão. Retirei o cropped de látex, sorrindo ao ver o olhar vidrado de nos meus seios expostos e nus, e joguei-o no chão também, retirando em seguida a saia, ficando apenas com a pequena calcinha preta de renda.
- Você é ainda mais gostosa sem roupa, puta que pariu. - puxou-me em sua direção, fazendo-me sentar em seu colo.
Acomodei-me no colo do moreno, sentando sobre seu membro e cruzando minhas pernas em suas costas. embrenhou a mão em meus cabelos puxou-os para baixo, deixando-me com o pescoço exposto. Gemi baixo ao sentir a boca do homem entrar em contato com meu pescoço e rebolei em seu colo, fazendo grunhir e segurar fortemente minha cintura.
- Não faz isso, , senão eu vou te foder agora mesmo. - falou com os lábios próximos ao meu lóbulo e o mordeu, fazendo-me rebolar involuntariamente em seu colo.
- Eu quero que você faça isso desde o dia que me beijou na cozinha. - rebolei novamente e puxou novamente meu cabelo, fazendo-me gemer.
Apoiou as duas mãos em minha bunda e levantou da cama, virando-se e deitando-me na cama, ficando por cima. Tirou minhas pernas de sua cintura e ajoelhou-se na cama, tirando a calça, fazendo-me morder o lábio ao encarar seu membro já duro.
- Se você soubesse o quanto tira minha sanidade quando morde os lábios, você pararia de fazer isso. - falou com o olhar preso em meus lábios e eu sorri.
- Ou eu faria mais ainda. - mordi o lábio novamente, sorrindo satisfeita ao ver o homem respirar fundo após praguejar.
- Então você precisaria arcar com as consequências. - murmurou e abriu uma gaveta do criado mudo, tirando uma camisinha dali e balançando-a em minha direção.
- Não veria problemas. - mordi o lábio e ri ao ver o homem cobrir seu corpo com o meu, deixando o preservativo do nosso lado.
Enlacei novamente minhas pernas ao redor da cintura de e arqueei meu corpo para cima, causando um pequeno atrito em nossas intimidades. embrenhou uma mão em meu cabelo e apertou meu peito com a outra, beijando-me intensamente quando abri a boca para gemer. Desci a mão até sua cueca e comecei a fazer movimentos por cima do pano, escutando xingar baixo após romper o beijo, começando a beijar meu pescoço e colo dos seios.
Arregalei os olhos ao escutar um barulho na porta e puxou o edredom, cobrindo-me completamente e ficando com a cabeça de fora. O barulho da porta aberta me fez morder os lábios.
- Pensei que estava vazio, desculpa aí. - escutei a voz de Mike.
- Sem problemas. - falou e eu percebi que ele já não estava excitado como antes. Maldita hora que eu não fechei a porra da porta.
- Se você ver a por aí, fala que eu estou procurando. - o tom de voz embriagado de Simone adentrou ao quarto e eu mordi o interior da bochecha, tendo certeza de que a morena sabia que eu estava ali.
- Não sei se vou achá-la. - murmurou e Simone riu.
- Tá bom. Boa noite para você e sua parceira misteriosa. - riu novamente antes de fechar a porta.
cobriu sua cabeça também e ficamos em silêncio por algum tempo, enquanto apenas nos encarávamos. O moreno coçou a nuca e mordeu o lábio inferior, olhando para os meus seios e logo em seguida fixando o olhar no meu.
- É um golpe baixo você morder os lábios também. - falei para quebrar o silêncio e riu.
- Acho que Simone quebrou o clima. - murmurou enquanto bagunçava os cabelos.
- O engraçado é que ela me encheu o saco o dia inteiro para que eu ficasse com você. - deitou do meu lado e descobriu nossas cabeças. - Quando a gente estava ficando, ela vai e atrapalha.
- Temos muitas noites para fazer isso acontecer. - segurou meu rosto com uma das mãos e selou nossos lábios rapidamente.
- Acho que a gente deve se vestir e sair daqui, antes que outro casal apareça. - murmurei e concordou com a cabeça.
Levantei da cama e vesti-me novamente, sentindo o olhar de preso ao meu corpo enquanto eu colocava as roupas de modo vagaroso. Tanto pelo trabalho que era vestir uma roupa de látex, como também para provocá-lo.
- Dá próxima vez tranque a porta. - o moreno falou risonho após eu terminar de me vestir e eu arqueei a sobrancelha, jogando uma das almofadas em seu rosto. - Boa noite para você também. - escutei pouco antes de fechar a porta.


Capítulo 07 – Day Nine

Por
Já fazia um bom tempo que estávamos no carro, mas o céu lá fora ainda estava escuro, sem nenhum resquício do sol ao qual estávamos acostumados ver por ali. O motorista dirigia em silêncio e eu encarava pela janela a paisagem do parque nacional que tínhamos entrado minutos atrás, enquanto dormia ao meu lado com a cabeça apoiada em meu ombro.
- A gente devia mesmo estar subindo um morro? - escutei a voz feminina soar baixa ao meu lado e encarei , que mantinha o olhar preso no suposto morro a nossa frente.
- Sim, iremos para o topo. - respondi e a mulher resmungou palavras desconexas. - E não é um morro, é um vulcão.
- VULCÃO? - gritou e eu prendi o riso, apenas concordando com a cabeça. - POR QUE CARALHOS NÓS ESTAMOS SUBINDO NA MERDA DE UM VULCÃO?
- É o destino do nosso passeio. - respondi simplesmente e virou o rosto em minha direção, encarando-me com os olhos arregalados.
- Pensei que a intenção era que fosse um passeio romântico, não um passeio em direção a minha própria morte. - voltou a usar se tom normal enquanto gesticulava nervosamente as mãos.
- O vulcão está adormecido, . - mordi o lábio inferior nervosamente ao perceber que tinha a chamado pelo apelido, rezando para que ela não tivesse percebido.
- Você fica adormecido para sempre? - piscou os olhos repetidas vezes enquanto me encarava, fazendo-me apenas negar com a cabeça. - ENTÃO ME DIGA O MOTIVO PARA ACHAR QUE ELE VAI FICAR! É UM VULCÃO, E NÃO A BELA ADORMECIDA.
- Ele já está adormecido por anos, senhorita. - o motorista resolveu falar pela primeira vez, olhando para pelo retrovisor, em uma tentativa de acalmar a mulher.
- Exatamente por ele estar adormecido há anos que não é seguro subir, vai que ele já cansou de tirar uma soneca? - se enfiou no espaço entre os dois bancos da frente, tombando a cabeça para o lado e encarando o motorista que ficou em silêncio. - EXATO! - gritou após alguns segundos. - Não é seguro subir. - acomodou-se no banco novamente e cruzou os braços, fazendo-me rir baixo de suas atitudes. - Não tem graça, ok. Se ele acordar e me matar, você também morrerá.
- Ninguém vai morrer hoje, pois o vulcão não vai acordar. - afirmei e apenas negou com a cabeça enquanto formava um bico em seus lábios, deixando meu olhar preso em sua boca por alguns segundos.
- Você não tem certeza disso. - rebateu e eu dei de ombros, desistindo de argumentar com a mulher.
- Agora não podemos fazer mais nada, senhorita. - o motorista falou enquanto parava o carro. - Nós chegamos.
- , posso te pedir uma coisa? - questionou com a voz séria ao segurar minha mão, fazendo-me apenas concordar com a cabeça. - Se eu morrer hoje, quero ser enterrada de biquíni para que todo mundo veja o quanto eu sou gostosa.
- Eu pensei que você fosse falar algo sério. - a mulher apenas deu de ombros e eu ri fraco, balançando a cabeça levemente enquanto observava o sorriso maroto em seus lábios. - Você não tem jeito.
- Eu sei, obrigada. - piscou os olhos repetidas vezes e soltou minha mão. - O motorista está nos esperando lá fora.
Saí do carro e fechei a porta, sorrindo de lado para assim que ela parou ao meu lado. O motorista nos entregou uma cesta de piquenique e avisou que mais tarde voltaria para nos buscar.
- Será que os outros já chegaram? - questionou enquanto caminhávamos até achar um local plano para sentarmos.
- Acredito que sim, o nosso carro era o último. - ela apenas concordou com a cabeça. - Creio que você não deve estar se sentindo muito confortável, já que possui relações com outros participantes.
- Se formos analisar por esse lado, então você também não está. - concordei com a cabeça, lembrando de Camille. - Sendo sincera, eu não estou desconfortável, apenas com frio. Estar acima das nuvens não é algo exatamente quente, se é que me entende.
Parei de andar e me encarou com o semblante confuso. Coloquei a cesta no chão, feliz por finalmente achar um bom lugar, e tirei meu suéter, entregando para a mulher parada a minha frente.
- Você não vai ficar com frio? - perguntou descrente enquanto me encarava com a sobrancelha arqueada, fazendo-me apenas negar com a cabeça. - Se ficar, é só me abraçar. O casaco é seu.
Forrei a malha quadriculada no chão e tirei as comidas da cesta enquanto as arrumava no pano. A mulher colocou tudo próximo à borda da malha, sentando-se no meio do pano, virada para a direção onde o sol nasceria.
- Sente logo, o sol já vai nascer. - me encarou com os olhos brilhando enquanto batia com a mão suavemente no espaço ao seu lado.
- Sabe, nunca parei para comtemplar o nascer do sol. - murmurei após me sentar, já notando a mudança de cores que ocorria no céu.
- Como assim?! - questionou nervosamente e eu apenas dei de ombros. - Antes de vir para cá, eu ia quase todos os dias para a praia e deitava na areia, sentindo-me abençoada por cada nascer de dia que eu via, grata por estar ali mais um dia.
- Acho que vou começar a ir assistir o nascer do sol mais vezes. - sorri de lado e retribuiu o sorriso, entregando-me um dos óculos escuros que vieram na cesta.
- Até que eles combinaram com você. - falou assim que eu coloquei o óculos, fazendo-me sorrir sinceramente.
- Obrigado. Você está linda com os seus. - sorriu em agradecimento e deitou a cabeça em meu ombro, aconchegando-se perto de mim enquanto os primeiros raios de sol começavam a aparecer. - Eu não imaginava que seria assim, tão lindo. - murmurei com um sorriso nos lábios enquanto admirava o nascer do sol.
Ficamos os dois em silêncio, apenas observando os raios solares aparecendo aos poucos, colorindo o céu que minutos antes era um breu completo. O sol logo nasceu por completo, ficando por cima das nuvens, dando-nos a impressão de que estávamos quase o alcançando-o.
- Parece que eu estou no topo do mundo. - falou após longos minutos em silêncio, enquanto esticava a mão na direção do sol e sorriu debilmente. - Vamos comer? Já estou morrendo de fome, parece que eu subi esse monte a pé.
- Você sabe que isso não é um monte, . - falei enquanto prendia o óculos escuro na gola da minha blusa.
- Eu estou tentando me enganar, será que você pode me deixar acreditar que isso não é a merda de um vulcão prestes a explodir? - questionou ironicamente entredentes, fazendo-me soltar uma risada baixa e concordar com a cabeça. - Então já podemos comer.
tirou meu casaco, alegando que os raios solares havaianos não lhe permitiam sentir calor, e eu coloquei-o sobre minhas pernas, para não esquecê-lo ali. Comi uma ou duas comidas que estavam sobre a toalha, observando comer tudo o que tinha ali.
- Sabe, eu me surpreendi ao ver que foi você quem acertou o meu objetivo ontem no jogo. - comentou distraída após parar de mastigar, fazendo-me engolir em seco.
- Foi pura sorte, achei que poderia ser o da Camille. - menti descaradamente, usufruindo da minha boa atuação. não precisava saber que eu tinha acertado aquele balão de propósito enquanto rezava para que aquele fosse seu objetivo.
- Não consigo imaginar ela morando na praia, ia viver reclamando que tem areia no cabelo dela. - falou risonha, fazendo-me rir e concordar com a cabeça.

(...)

O relógio do carro marcava um pouco mais de meio-dia quando o carro parou de frente para um restaurante. Saí do carro e mantive a porta aberta, estendendo a mão na direção de e a ajudando a sair do carro.
Adentramos no Halfway to Hana, sendo acompanhados pelos outros dois casais, e seguimos a recepcionista, que nos levou até as portas traseiras do restaurante.
- Eu preciso que vocês tirem seus sapatos e os coloquem encostados na parede. - a recepcionista falou, sorrindo assim que começamos a fazer o que nos foi instruído. - Agora podemos continuar. - falou contente após ver nós seis descalços.
A mulher voltou a andar e abriu a porta dupla, fazendo-me arregalar os olhos ao passar pela porta. A parte traseira do restaurante dava para o oceano cristalino da Havaí, enquanto a parte de baixo consistia em três mesas espalhadas dentro de uma pequena piscina natural.
Terminei de descer a escada, soltando um palavrão em baixo tom ao sentir a água gelada entrar de contato com a minha pele, e estendi a mão para a , ajudando-a a descer, enquanto a mulher possuía um sorriso maravilhado no rosto.
- Caralho, isso é muito lindo. - comentou com os olhos brilhando enquanto olhava ao redor. - Eu já estava morrendo de saudades de sentir a água do mar entrando em contato com o meu corpo.
- Você sabe que nós estamos hospedados em uma casa de frente para o mar, né? - questionei irônico, rindo em seguida da cara ofendida que me encarou enquanto jogava água em minha direção com os pés.
- Não sabia, senhor sabichão, muito obrigada por me esclarecer isso. - sorriu de modo debochado, fazendo-me apenas retribuir o sorriso. - Não faço ideia do que pedir.
- Talvez peixe. - sugeri enquanto lia o cardápio, percebendo que mais da metade das comidas escritas ali tinham peixe.
- Eu não como peixe, sou peixofóbica. - abaixei o cardápio, direcionando meu olhar até , notando que a mulher me encarava séria, como se julgasse o sorriso em meus lábios. - Eu estou falando sério.
- Você sabe que essa palavra não existe, né? - ri da cara indignada que a mulher fez enquanto dava de ombros. - O termo correto seria ictiofobia, e ele está relacionado ao medo e a fobia de peixes.
- Então peixofobia pode existir, significa que eu não gosto de peixes. - sorriu de modo vitorioso, como se tivesse certa desde o princípio.
- Mas você não gosta de peixe ou apenas não gosta de comer?
- Eu nunca fui muito chegada a comer peixe, independente de qual fosse, mas conforme eu passava mais tempo no mar, mais eu perdia o apetite por peixe e por qualquer outro animal aquático, sabe? Acho que o fato de eu estar sempre na água, sempre em contato com o habitat deles, me fez perder o interesse. - sorriu minimamente, encarando-me atentamente enquanto eu continuava a encará-la com um sorriso bobo nos lábios. - Sabe, isso é muito estranho.
- Você ter parado de comer peixe? Eu não acho, na verdade, acho legal da sua parte. - falei rapidamente, vendo negar com a cabeça.
- Não estava falando disso, mas obrigada. - sorriu de lado, fazendo-me entender sobre o que ela falava.
- Ah sim, você está falando sobre nós dois estarmos juntos aqui. - falei rapidamente, fazendo gargalhar. - Foi apenas coincidência eu ter acertado o seu balão, só coincidência mesmo. Não acho que seja estranho.
- Eu não estava falando disso, . - rindo, fazendo-me fechar a boca no mesmo instante, encarando de olhos arregalados a mulher a minha frente. - Estou falando do Mike e da Lydia.
- Como assim? - questionei confuso, sem entender o motivo pelo qual falou aquilo.
- Ontem o Mike estava ficando com a Simone, eles até mesmo tentaram entrar no quartinho. - falou baixo, mesmo estando distante da outra mesa.
- Ele pode ter acertado o balão dela por engano, ou até mesmo ter achado que aquele desejo era o de Simone. - dei de ombros.
- Sim, eu pensei nisso. As duas são bem parecidas quando o assunto é sexual. - tombou a cabeça para o lado, deixando-a apoiada em sua mão. - Mas Mike comemorou quando viu a foto de Lydia.
- Isso já está parecendo uma teoria de conspiração. - murmurei e riu.
- Talvez seja. - deu de ombros, sorrindo de lado. - Eu só acho estranho pelo fato de que Simone falou que ele disse gostar de estar ficando com ela, mas ele aparenta estar gostando de ficar com a Lydia também.
- Lydia foi o par dele na cerimônia, e apenas um feixe ascendeu. - falei e assentiu rapidamente com a cabeça, como se acabasse de lembrar desse fato.
- Você está colaborando com a minha teoria. - apontou o dedo em riste para mim, mantendo o sorriso de lado. - Talvez o feixe de luz que ascendeu seja dele e de Lydia e eles estão cogitando isso.
- Você acha que eles podem ser o casal dono daquele feixe de luz? - questionei e deu de ombros.
- Não sei. - respondeu de modo frustrado. - Se eles forem um par ideal, então vamos desperdiçar mais uma cabine, pois a casa hoje irá mandar a Marnie e o Hunter.
- Você acha que eles são um par ideal?
- Sinceramente, eu não sei. - bufou enquanto encarava o casal que conversava de mãos dadas. - Eu queria muito que eles fossem, só para que a gente não ficasse tão perdido no jogo.
- Você acha que estamos perdidos?
- Sim. Completamente. - falou em tom de obviedade. - Eu mesma sou um exemplo vivo disso.
- Como assim? - questionei franzindo as sobrancelhas.
- Eu não acredito que ou possam ser meu par ideal, por mais que eu adore eles. - pisquei algumas vezes, tentando absorver a frase de . - Você acha que você e Camille são um par ideal?
- Não sei. - dei de ombros. - Por enquanto não tenho a mínima noção de quem possa ser meu verdadeiro par ideal, por mais que eu ache que uma ou duas pessoas se encaixem no meu perfil.
- Estou no mesmo barco que você. - esticou-se sobre a mesa, dando duas batinhas em meu ombro e sentando-se novamente em seu lugar, após olhar ao redor. - Todo mundo já terminou de comer, e nós nem pedimos algo.
- Podemos pedir uma sobremesa. - sugeri com um sorriso nos lábios. - Não estou a fim de comer peixe.
- O ser peixofóbico que habita em mim, saúda o ser peixofóbico que nasce em você. - imitou um cumprimento de monges, fazendo-me rir. - Acho que um sorvete ia bem, ou até mesmo um bolo gelado.
- Você pode comer os dois, nós não almoçamos. - pisquei na direção de , que sorriu animada enquanto balançava um de seus braços de modo frenético no ar, tentando chamar a atenção da garçonete. - Bom dia, ou boa tarde, não sei.
- Boa tarde, senhorita. - a garçonete respondeu sorrindo.
- Boa tarde. - retribuiu o sorriso. - Me vê por favor um sorvete de flocos, uma pedaço de torta de limão, um pedaço de torta alemã, um mousse de maracujá e uma fatia de bolo gelado de ninho com morango.
- Um pudim de coco com calda de frutas vermelhas, por favor. - falei enquanto observava a garçonete encarar com os olhos arregalados.
- Certo, eu volto daqui a pouco com os pedidos. - a mulher saiu rapidamente, fazendo-me rir da situação.
- É isso o que acontece quando descobrem que eu sou uma draga comendo. - deu de ombros, provavelmente já era acostumada com esse tipo de reação.
- Tadinho de quem for seu par ideal, vai gastar todo o dinheiro que ganharmos no programa para saciar sua fome. - ri da cara indignada que fez, jogando o corpo levemente para o lado, fugindo da bola de guardanapo que a mulher tentou me acertar.

(...)

Mexi no ombro de , fazendo seu corpo balançar levemente, despertando-a da soneca. desencostou a cabeça de meu ombro e olhou ao redor, notando que o carro já estava parado no quintal da casa.
- Nossa, nós já chegamos? - questionou após um bocejo, enquanto esticava os braços, vendo apenas meu balançar de cabeça em concordância. - O caminho na volta é sempre mais curto.
- Você diz isso, pois veio mais da metade do caminho dormindo. - murmurei de modo acusatório enquanto saía do quarto.
- Eu dormi no meio do assunto, né? Tenho certeza que sim. - falou de modo sonolento enquanto segurava em minha mão, aceitando minha ajuda para sair do carro. - Deixei você vir a viagem toda sozinho.
- Eu não vim sozinho, tinha um homem dirigindo o carro. - murmurei em tom de obviedade enquanto andávamos em direção a casa.
- Nossa, , você é tão engraçado. - a mulher revirou os olhos ao falar de modo debochado.
- Mas falando sério, eu dormi logo após de vocês. - abri a porta de casa e dei passagem para que entrasse primeiro.
- Me sinto menos culpada agora. - sorriu de lado enquanto caminhava até a cozinha. - Porra, eu estou morrendo de fome.
- Não comeu no seu encontro não? - Camille questionou ironicamente. - Parece que não foi muito bom, ao julgar pela sua cara.
- Não, Camille, não almocei no meu encontro com o pelo fato da minha boca estar muito bem ocupada com outra coisa. - virou na direção de Camille, encarando-a de modo debochado enquanto mantinha os braços cruzados na frente do corpo. - Minha cara está assim, pois eu vim boa parte do caminho dormindo. Você sabe né, às vezes o corpo fica muito cansado após certos “exercícios”.
- Você está insinuando que vocês transaram? - Camille elevou o tom de voz, enquanto revezava o olhar entre eu e .
- Eu estou insinuando, ou melhor, eu estou deixando claro que você deve tomar conta da sua vida. - sorriu de modo debochado e saiu da cozinha. - Até perdi a porra da fome.
- E você, ? Não tem nada para me falar? - questionou de modo autoritário.
- Tchau, Camille, irei dormir. - saí da cozinha ouvindo os protestos da loira para que eu voltasse.

(...)

Cheguei à sala, notando que boa parte dos participantes estavam ali, e vi Camille me encarando com uma expressão pouco amigável. Caminhei até a parte de trás do sofá, parando ao lado de que se encontrava sentada em um dos bancos.
- Descansou bem após toda a energia perdida? - murmurou risonha ao me encarar.
- Assim a casa toda vai acreditar que nós transamos. - respondi com o mesmo tom de voz e apenas deu de ombros.
- Camille já acredita. - apontou sutilmente com a cabeça na direção da loira, fazendo-me seguir o olhar e ver Camille nos encarando com cara de poucos amigos.
- Boa noite, pessoal. - Terrence falou assim que eu abri a boca para responder , fazendo-me virar a cabeça para frente e arrumar-se no banco. - Marnie e Hunter, vocês acreditam que são o par ideal?
- Sim. - os dois responderam em uníssono, sorrindo entre si após isso. - Eu e ele ficamos juntos na cerimônia, se aquela luz não for do Hunter e da Marnie, ela pode ser minha e do Mike. - Lydia explicou e Terrence apenas concordou com a cabeça, mexendo no tablet em sua mão.
- , como foi a sua experiência com o quarto homem? - o apresentador questionou encarando a mulher fixamente.
- Foi ótima. - respondeu simplesmente. - Estou no jogo para conhecer as pessoas, não é mesmo? Preciso me relacionar com todas elas, independente de ser no sentido amoroso ou não.
- Parece que certa participante não gostou do fato de você ter saído com o parceiro dela, . - Terrence comentou enquanto revezava o olhar entre e Camille.
- Ela deve estar com o medo de perder . - sorriu ironicamente. - Se eu fosse ela, eu também estaria.
- O que você quis dizer com isso, garota? - Camille levantou do sofá com o rosto vermelho, cruzando os braços na frente do corpo e encarando de modo raivoso a mulher sentada na minha frente.
- Camille, apenas senta e relaxa. - respondi antes que falasse alguma coisa e a sala virasse um ringue.
- Vamos espantar esse clima tenso e falar sobre o verdadeiro motivo de vocês estarem aqui. - Terrence mexeu no tablet, fazendo as fotos dos três casais que foram ao passeio aparecerem na tela da televisão. - Como vocês sabem, a cabine da verdade é o único jeito de vocês saberem se são um par ideal ou não. Se vocês forem um par ideal, deixarão a casa imediatamente e irão para a lua de mel, voltando para a casa apenas no dia da cerimônia das luzes, onde um feixe de luz já estará aceso, representando o par ideal. Prontos para saberem quem foi o casal que recebeu mais votos?
Terrence tocou a tela do tablet mais uma vez e a foto de Marnie e Hunter ocupou toda a tela da TV. Os dois deram as mãos e saíram da sala, seguindo o caminho que os levaria até a cabine da verdade.
- O caminho até essa merda deve ser muito longe, eles estão demorando uma década. - murmurou nervosa enquanto batia o pé repetidas vezes no chão.
- Eu já roí todas as minhas unhas. - Lydia resmungou causando risadas.
- Eles já estão na cabine, pessoal. - Terrence falou com um sorriso no rosto, provavelmente adorando ver o desespero de alguns participantes.
apertou minhas mãos fortemente, aumentando o ritmo que seu pé batia no chão. A sala estava em total silêncio, exceto pelos barulhos produzidos por que pareciam deixar todos ali mais nervosos.
Assim que a faixa apareceu no meio da tela, até os barulhos de cessaram. O aperto em minha mão sumiu ao mesmo tempo em que a mulher murmura um “o que” baixo o suficiente para que apenas eu escutasse, sendo seguida por vários gritos e xingamentos dos outros participantes que encaravam o “par imcompatível” que piscava na tela.



Capítulo 08 – Day Nine II

Por
- Isso só pode estar errado, essa porra está quebrada. - a voz de Chloé saiu alta e esganiçada, fazendo-me apenas mexer a cabeça em concordância, enquanto meus olhos continuavam presos na tela da televisão.
Ninguém sabia o que fazer ou como agir, estávamos todos parados na mesma posição, com olhos ainda fixos no “par incompatível” que ficaria ali até o fim da noite. Eu poderia dizer que estava quase, ou tão abalada quanto Marnie, assim que a vi entrar na sala. Eu não tinha muita intimidade com Marnie, seu jeito fechado e tímido não me dava muitas oportunidades de aproximação, porém eu não pensei duas vezes antes de seguir a garota cabisbaixa que andava rapidamente em direção ao quarto.
- Imagino como você deve estar se sentindo. - murmurei ao encostar-me no batente da porta, fixando os olhos em Marnie.
- Acho que no final das contas, nem eu sei. - riu de modo irônico e limpou com as mãos os resquícios de lágrimas que estavam em seu rosto. - Não sei se é pior o fato do Hunter não ser meu par ideal ou se é porque voltamos a estaca zero de saber quem é o casal dono do único feixe de luz na cerimônia.
- Você está mais triste por não saber quem são os donos do feixe de luz em vez de estar triste por não ser a dona dele? - Marnie deu de ombros e eu ri. - Você não é normal, menina, nos daremos muito bem.
- Não posso sofrer por Hunter não ser meu par ideal, por mais que tenha sido um pequeno choque. - falou simplesmente. - Eu preciso achar meu verdadeiro par ideal, ficar inconformada por não ter acertado de primeira e me apegar a Hunter não só me atrasaria no jogo, como atrasaria todos vocês.
- Odeio a praticidade que vocês virginianos têm. - fiz careta ao falar e Marnie riu. - O que você quer fazer?
- É muito cedo para eu falar ‘planejar a estratégia da cerimônia’? - questionou risonha e eu arregalei os olhos. - O jogo continua, .
- Acho que estou mais arrasada do que você pelo resultado da cabine. - murmurei fraco e Marnie riu. - E eu crente que ia te consolar.
- Acho que você é quem precisa ser consolada. - fiz uma cara de ofendida e Marnie riu. - Vamos descer, preciso começar a socializar mais.
- Céus, você é um robô. - falei de olhos arregalados, observando Marnie rir e a acompanhando. - Deus me livre de você e Jasmine planejando uma estratégia juntas.
- Isso é uma ótima ideia, . - Marnie falou animadamente enquanto abraçava-me. - Agora é sério, vamos descer.
- Espero que eles não tenham bebido tudo. - resmunguei enquanto entrelaçava meu braço ao de Marnie, descendo juntas as escadas e caminhando assim até a área da piscina.

Chegamos à área exterior e eu passei os olhos rapidamente por ali, encontrando no bar. Segui com Marnie até o local onde ele preparava as bebidas e sorri abertamente assim que seus olhos focaram no meu rosto.
- Já estava preocupado achando que teria de arrumar outra pessoa para provar minhas bebidas. - falou enquanto sorria de lado, entregando-me um copo com a bebida.
- Você seria um homem morto se fizesse isso. - sibilei para ele enquanto levava o copo até a boca. - Está ótimo, você nunca me decepciona.
- Vou dar uma volta por aí. - Marnie separou-se de mim e eu a encarei com uma sobrancelha arqueada. - Preciso achar alguém para ser meu par na cerimônia.
- Nem todo mundo é como você, , que tem três homens lindos a sua disposição. - Simone falou abraçando-me pelos ombros.
- Da onde você saiu, mulher? - murmurei observando-a apenas dar de ombros. - Você fica me vigiando, não é possível.
- É para te impedir de não fazer nada estúpido. - piscou marota e eu revirei os olhos.
- Na verdade, você me motiva a fazer coisas estúpidas. - sorri sem mostrar os dentes e Simone fingiu estar ofendida com o meu comentário.
- Depois dessa eu vou até me retirar, sua ingrata. - forçou um tom magoado e tirou meu copo da minha mão.
- Três homens a sua disposição, hm? - falou assim que Simone já estava longe e eu voltei meu olhar para ele.
- Você sabe que é o primeiro deles. - pisquei fazendo graça e apenas balançou os ombros.
- Você sabe que nós podemos ser o casal dono daquele feixe de luz, né? - questionou entregando outro copo.
- Uhum. - murmurei e virei a bebida de uma só vez, deixando o copo apoiado no balcão e saindo dali.

(...)

Se alguém me perguntasse o quanto eu já tinha bebido, eu apenas balançaria os ombros e diria que não sei, pois eu realmente não fazia ideia. Boa parte dos participantes já tinham se recolhido, porém alguns ainda estavam jogados pelas espreguiçadeiras.
Forcei a vista tentando enxergar as coisas um pouco menos embaçadas, falhando miseravelmente, enquanto passava os olhos pela parte exterior, tentando encontrar e falhando miseravelmente outra vez. Caminhei até Marnie, que estava deitada em uma espreguiçadeira junto a Nathan, e balancei seu ombro sutilmente, acordando-a.
- Que foi, ? - murmurou de modo manhoso enquanto afastava-se de Nathan.
- Eu preciso conversar, botar tudo o que eu estou pensando para fora. - falei embolado e Marnie apenas concordou com a cabeça, levantando-se da espreguiçadeira e caminhando comigo até uma parte mais afastada.
- O que está perturbando sua cabecinha? - falou ainda de modo sonolento enquanto sentava-se na grama.
- Na festa de ontem eu fui para o quartinho com o . - mordi os lábios ao terminar de falar e encarei Marnie com os olhos levemente arregalados. - Nós não fizemos nada, fomos interrompidos.
- Seu nervosismo é por conta disso? Você está com medo de que os outros participantes descubram que você foi para lá com ele? - questionou confusa e eu neguei com a cabeça.
- O problema é que eu achava que era meu par ideal e era apenas um idiota que gostava de me provocar e me tirar do sério. - suspirei fundo.
- E agora você está confusa, pois não acredita mais com tanta certeza que é seu par ideal e mostrou-se ser uma pessoa completamente diferente. - falou de uma vez e eu apenas suspirei mais vez. - É compreensível sua confusão, .
- O problema é que aquele feixe de luz da primeira cerimônia pode ser meu e de . - falei lembrando-me do homem falando isso mais cedo.
- E qual o problema nisso? - Marnie questionou visivelmente confusa.
- O problema é que eu não quero ser o par ideal de , pois eu quero terminar com o que começamos ontem. - falei de modo frustrado.
- Então você acha que pode ser seu par ideal?
- Acho que é apenas uma tensão sexual por não terminarmos o que começamos ontem. - dei de ombros e Marnie assentiu com a cabeça. - Não sei o que eu devo fazer.
- Ninguém aqui vai te julgar por ficar com eles, . - Marnie sorriu de lado. - Até porque você já fez isso.
- Bem, Camille vai. - sorri de modo falso e Marnie fez uma careta. - Desculpe-me por todo esse drama, sempre fico sentimental nessa época.
- Camille não merecia nem estar aqui. - murmurou revirando os olhos. - Pode contar comigo, sempre estarei aqui.
- Sorte a minha. - sorri verdadeiramente e Marnie retribuiu o sorriso. - Se eu fosse falar com a Simone, ela me mandaria ficar com os três.
- Três?! - Marnie questionou visivelmente confusa e eu mordi minha bochecha, praguejando mentalmente.
- é totalmente o tipo de cara por quem eu sempre tive uma queda, então o encontro de hoje só me deixou com mais dúvidas. - dei de ombros. - Mas só o fato dele aturar a Camille já me faz perder todo o tesão.
- Eu acho que não tem nenhum problema você estar interessada nos três, afinal, você está aqui para achar o seu par ideal. - piscou de modo maroto. - Você já beijou os dois, não custa nada beijar mais um.
- Parece até a Simone falando. - murmurei e Marnie riu.
- Uma versão mais centrada e permitida para menores de dezoito anos. - Marnie rebateu fazendo-me rir.
- Acho que você está certa. - ponderei e Marnie sorriu. - Eu já fiquei até com o Ryan.
- Se joga, gata. - Marnie falou, bocejando logo em seguida. - Mas agora eu acho que é bom a gente se jogar na cama.
- Se joga novamente ao lado de Nathan. - falei de modo risonho enquanto ajudava Marnie a levantar.
- É por isso que o te irritava no início. - Marnie resmungou, fazendo-me encará-la com uma sobrancelha arqueada. - ‘Tu é muito chata! Ou você irrita a pessoa ou a pessoa te irrita.
- Fiquei magoada depois dessa. - fingi estar chateada enquanto secava as lágrimas imaginárias.
- Seu mal é excesso de bebida e tesão reprimido. - falou entrelaçando nossos braços e começando a caminhar para a casa.
- Meu mal foi ter te dado toda essa liberdade. - resmunguei fazendo Marnie rir.

Day Eleven


- Acho que a porta da dispensa está entreaberta. - Riley falou em tom de dúvida enquanto descia a escada.
- Da dispensa? - Chelsey questionou demonstrando toda sua confusão, recebendo como resposta apenas um balançar de cabeça afirmativo da negra.
- Alguém me diz que isso é o que eu estou pensando, por favor. - supliquei aleatoriamente.
- A DISPENSA ESTÁ CHEIA DE FANTASIAS ESTRANHAS. - Lydia gritou enquanto descia a escada correndo, sendo acompanhada por Simone.
- Sabem o que isso significa? - a morena questionou, emendando a fala logo em seguida e respondendo antes que alguém falasse. - FESTA!
Levantei rapidamente do sofá, seguindo escada acima junto com as outras meninas. A semana estava sendo um porre e nada de interessante acontecia, nem mesmo Camille resolveu implicar ou testar minha paciência.
- ‘Tá de sacanagem que essas são as fantasias estranhas?! - encarei Lydia que apenas deu de ombros. - Isso são roupas de pirata.
- Não é da minha época, é estranha! - respondeu igual criança, fazendo-me rir enquanto balançava a cabeça levemente.
- Se as madames me dão licença, eu já vou me arrumar. - falei enquanto conferia as roupas em minha mão.
- Não esquece o chapéu. - Simone falou enquanto jogava o objeto em minha direção.
- Prefiro a bandana. - falei ao colocar o chapéu no pequeno móvel que tinha ali, pegando uma bandana. - O chapéu pode me atrapalhar em certos momentos.
- VAI DANADA! - escutei o grito de Simone enquanto saía do quarto. - Só cuidado com a porta. - parei de andar no mesmo instante em que entendi o significado das palavras da morena, virando em sua direção com os olhos arregalados. - Depois a gente fala sobre isso.
Pisquei os olhos algumas vezes, ainda parada no mesmo lugar, até conseguir andar. Se ontem à noite eu tinha a dúvida de que Simone sabia que era eu quem estava debaixo do edredom, hoje eu tinha total certeza. Saí do quarto rapidamente, ouvindo a risada de Simone e fui até a metade da escada, avistando alguns homens pela sala.
- Tem fantasias na dispensa, acho bom vocês começarem a se arrumar. - sorri de lado e subi as escadas, indo tomar um banho antes que os banheiros ficassem um inferno.

Fui uma das primeiras mulheres a começar a se arrumar, consequentemente fui uma das primeiras a acabar. Eu tinha certeza que todos os caras já estavam lá embaixo, enquanto algumas de nós começavam a se maquiar agora.
Parei de frente para o espelho, sorrindo satisfeita ao encarar meu reflexo. Um corpete preto e vermelho afinava minha cintura, saia vermelha de couro extremamente curta, meia-calça arrastão preta e a ankle boot também preta era o meu look da noite.
- Esqueceu um detalhe. - Marnie apareceu do meu lado, entregando-me minha bandana vermelha de caveiras.
- Tinha esquecido completamente. - falei enquanto amarrava-a na minha cabeça.
- Muito gata. - Marnie falou com um sorriso nos lábios.
- Digo o mesmo de você. - pisquei para ela.
- Porra, , você ‘tá muito gostosa. - Simone falou me encarando ao entrar no quarto. - Se ele não quiser, eu quero.
- Hm, parece uma meretriz. - Camille murmurou enquanto se maquiava.
- Ufa! - sorri de modo irônico ao encarar a loira. - Antes meretriz do que você.
Agarrei no braço de Marnie e saí do quarto, deixando Camille falar sozinha. Como minha boa e velha vó sempre dizia “não bata palma para maluco dançar.” Desci a escada junto com Marnie e sorri ao ver a pequena arrumação que tinha por ali.
- Vê se não bebe igual no dia da cabine. - Marnie falou enquanto soltava meu braço. - Não quero ninguém me acordando hoje.
- Pode deixar que a última coisa que eu vou fazer hoje, é te procurar. - sorri de modo malicioso e Marnie fez uma careta.
- Informação demais. - resmungou enquanto se afastava com as mãos tampando os ouvidos.
Caminhei rebolando no ritmo da música enquanto seguia na direção do pequeno bar improvisado na sala. Minha boca seca implorava por bebida, enquanto minha mente pedia para que eu bebesse antes de fazer o que eu pensava.
- Uma bebida, marujo. - pedi assim que parei na frente de .
- Acho que eu merecia ao menos ser o capitão. - resmungou enquanto me entregava o copo cheio.
- Acho bom que isso seja um rum dos bons. - brinquei e dei um gole em seguida, agradecendo mentalmente por não ser rum.

(...)

Bufei ao ver a pequena fila que tinha para usar o banheiro e subi as escadas rapidamente, quase chorando de felicidade ao ver o banheiro vazio. Praticamente joguei-me dentro do cômodo e sorrindo debilmente após esvaziar a bexiga. Dei descarga e parei de frente para o espelho, abrindo a torneira e lavando as mãos.
- Você e o seu problema em não trancar portas. - o tom de voz rouco junto com a sua respiração batendo em minha nuca fez com que todos os meus pelos arrepiassem, não passando despercebido pelo homem, que apertou fortemente minha cintura.
- Se bem que agora não foi um problema. - fechei a torneira e fiquei de costas para a pia, levantei o olhar e encarei fitando-me com os olhos brilhando.
- Você está gostosa ‘pra caralho nessa roupa. - murmurou enquanto seus olhos passeavam por todo o seu corpo.
- Acho que acabei de ter um déjà vu. - falei rindo. - Você sabe que eu fico mais gostosa ainda sem ela. - adotei o tom de voz sensual e aproximei ainda mais nossos corpos. - Eu já te falei isso, e você já viu.
- Se você não está disposta a terminar, é bom você nem começar. - falou sério, colocando suas mãos na pia, deixando-me presa entre seus braços. - Não deixarei você ir embora tão fácil como da última vez.
- E quem disse que eu quero ir? - questionei lentamente, prendendo o ar ao sentir prensando-me contra o balcão da pia.
- Não brinca comigo, . - murmurou baixo próximo ao meu ouvido, apertando fortemente minha cintura, fazendo-me suspirar.
- Única coisa que eu quero brincar essa noite, é com o seu mastro. - mordisquei o queixo de ao senti-lo embrenhar a mão em meu cabelo, controlando um gemido quando ele o puxou, fazendo-me encará-lo.
- Eu só vou perdoar essa sua péssima piadinha, pelo fato de que eu estou cheio de tesão. - falou sério, colando nossos lábios logo em seguida.
Agarrei em sua nuca, juntando ainda mais os nossos corpos, e desci a mão por suas costas, arranhando-o levemente por cima da blusa. segurou minha perna, levantando-a na altura de seu quadril, fazendo-me romper o beijo e apoiar a mão em seu ombro, impulsionando-me para cima, envolvendo minhas pernas sem sua cintura.
- Acho melhor a gente ir para o quartinho, antes que eu te foda aqui mesmo. - o tom de voz de saiu abafado, devido aos beijos que ele distribuía por meu pescoço.
empurrou a porta com uma mão, abraçando-me pela cintura com a outra, impedindo-me de cair e colando ainda mais nossos corpos. Caminhou apressado pelo corredor, distribuindo diversos beijos pelo meu colo enquanto eu apenas segurava fortemente em seus ombros, com a cabeça impulsionada para trás.
- Acho bom trancar a porta dessa vez. - murmurei entre suspiros, fazendo rir contra minha pele, arrepiando todo o meu corpo.
Desci de seu colo e tirei a bota, aproveitando que fora fechar a porta, tirei a meia-calça, deixando-a embolada perto da bota e comecei a desamarrar o corpete, parando antes de chegar à metade, sentindo as mãos de passeando outra vez por todo o meu corpo.
- Se eu já não estivesse tão duro, iria postergar isso para que você fizesse um strip. - soprou em meu ouvido enquanto suas mãos desamarravam o corpete. - Mas a única coisa que eu consigo pensar agora, é em como eu quero te foder até suas pernas falharem.
Ao terminar a frase o corpete folgou em meu corpo, descendo direto para o chão, causando arrepios em meu corpo devido ao ar gelado que encontrou minha pele. Virei de frente para que possuía um sorriso sujo em seus lábios enquanto seus olhos passeavam pelo meu corpo, fazendo-me morder os lábios.
colou nossos corpos ao selar nossos lábios em um beijo que demonstrava nossa situação, desesperados. Embrenhei os dedos em seu cabelo escuro, juntando ainda mais nossos corpos e gemendo ao meio do beijo ao sentir a excitação de roçando em minha coxa.
Caminhamos apressados até a cama, do melhor jeito que nossos corpos colados permitiam, e prendi a respiração ao sentir meu corpo ser jogado de modo bruto na cama. rompeu o beijo e afastou nossos corpos o mínimo, tirando minha saia e jogando-a para o chão, cobrindo nossos corpos com o edredom.
- É injusto eu estar praticamente pelada e você ainda estar todo vestido. - murmurei de modo manhoso ao sentir seus beijos serem direcionados aos meu seios. Puxei a blusa de botões e sorri satisfeita ao ver o abdômen definido e tatuado de . - Não me responsabilizo de deixar marcas. - cravei as unhas em seu braço ao sentir sua língua brincando com a auréola, já dura, de meu seio.
- Digo o mesmo. - afastou a boca do bico, deixando uma pequena marca roxa no mesmo seio.
afastou-se enquanto jogava a blusa no chão, rindo do modo afobado que eu abaixava sua calça. Mordi o lábio inferior ao ver o volume na boxer e impulsionei meu quadril para cima, sorrindo de modo malicioso ao ouvir xingando devido ao contato de nossas intimidades.
- Você ‘tá brincando com fogo, . - sussurrou roçando as lábios no meu lóbulo.
- Então me queima. - sussurrei no mesmo tom que , segurando um gemido ao sentir sua mão passeando por minha intimidade por cima da calcinha.
- Acho difícil eu conseguir. - murmurou colocando a calcinha para o lado, escorregando um dedo para dentro de mim, fazendo morder o lábio inferior. - Você ‘tá molhada ‘pra porra.
- E você está duro ‘pra caralho. - rebati frisando a última palavra, sorrindo marota enquanto envolvia seu membro com a mão, começando um movimento de vai e vem vagaroso.
- Suas piadas sobre pau são péssimas. - respondeu fazendo uma careta, retirando o dedo de dentro de mim, fazendo-me soltar um muxoxo. - Quero ver se você vai conseguir fazer alguma enquanto eu estiver dentro de você.
- Então me fode logo. - mordisquei o seu queixo e apertei levemente seu pau, sorrindo ao ver fechar os olhos enquanto praguejava baixo.
- Já que você insiste em pular as preliminares. - murmurou como se estivesse contrariado, porém sua expressão mostrava completamente o contrário. Afastou nossos corpos e debruçou-se na direção do criado-mudo, logo voltando para a posição anterior com um pacote de camisinha na mão.
- Poderemos ir com calma nas próximas vezes, mas agora eu preciso de você dentro de mim. - piscou os olhos na minha direção, provavelmente tentando absorver o que eu tinha acabado de falar, voltando segundo depois a atenção para o preservativo que desenrolava-se em seu membro.
- Próximas vezes, uh? - questionou com um sorriso nos lábios e acomodou-se entre minhas pernas, apoiando uma mão no colchão enquanto a outra tirava minha calcinha.
- Para quem estava morrendo de tesão, você está prolongando muito isso. - praticamente ronronei, cruzando minhas pernas ao redor de sua cintura, sentindo meu corpo inteiro arrepiar-se com o pequeno contato entre a cabeça do seu membro e minha intimidade molhada.
- Desculpe-me então. - mal terminou de falar e senti seu membro entrando de uma vez, fazendo-me gemer alto e fincar as unhas em seus ombros. - Melhor assim?
- Melhor assim. - rebati ao rebolar contra seu membro. - Você é irritante até transando.
- E mesmo assim você falou que vai ter próximas vezes. - soprou em meu ouvido, aumentando a velocidade de seus movimentos. - Hoje ninguém vai nos atrapalhar.
Eu queria rebater , mas a única coisa que eu consegui fazer foi fincar ainda mais minhas unhas, arranhando-o fortemente enquanto as estocadas tornavam-se cada vez mais rápidas e fundas, impossibilitando-me de controlar meus gemidos que saíam altos de minha garganta.
- Assim a casa inteira vai te escutar, gata. - sussurrou de modo risonho ao estocar o mais fundo que conseguia, fazendo-me arranhar suas costas fortemente e deitar a cabeça para trás, deixando um suspiro alto sair de meus lábios entreabertos, sendo acompanhado por um gemido.
- Eu não me importo. - respondi com a voz rouca.
- Acho que já tem alguém usando o quarto. - o tom de voz bêbado e risonho feminino soou abafado do lado de fora.
- Que bom que você trancou a porta. - ri fraco ao encarar , mordendo o lábio fortemente ao senti-lo voltar a estocar rapidamente. - Porra, tem gente lá fora.
- Então vamos mostrar que estamos aqui dentro. - sorriu malicioso e selou nossos lábios em um beijo desajeitado, aumentando o sorriso conforme meus gemidos ficavam mais altos.
A movimentação e o barulho lá fora cessaram, fazendo-me sorrir de modo inebriado apreciando nossos movimentos. direcionou o polegar até meu ponto inchado de prazer, fazendo movimentos circulares e causando espasmos por todo o meu corpo.
- Goza ‘pra mim, . - seus lábios brincavam com meu lóbulo ao falar aquela frase, fazendo-me apertar ainda mais minhas pernas em seu quadril, arqueando as costas e sentindo ir mais fundo do que sequer tinha ido, aumentando a fricção entre seu dedo e o meu clitóris.
Minha garganta ardia enquanto os gemidos saíam cada vez mais altos, o nó tornava-se cada vez maior em meu ventre, fazendo-me arranhar cada vez mais. O gemido alto acompanhado por um suspiro escapou de meus lábios e ecoou pelo quarto assim que atingi meu ápice. As pernas trêmulas continuavam ao redor de , enquanto ele estocava rápido, chegando ao seu próprio ápice. Sorri fraco ao sentir o corpo suado de cair sobre o meu, enquanto seu membro saía de dentro de mim.
- Porra, você não sabe como eu queria fazer isso desde o primeiro dia em que eu te vi. - sussurrou com os lábios próximos aos meus, juntando nossos lábios em um selinho rápido após terminar de falar.
- Então toda nossa implicância era tensão sexual? - questionei risonha deitando a cabeça em seu peito.


Capítulo 09 – Day Fourteen

Mais uma semana de jogo chegava ao fim, deixando os participantes apenas a oito semanas da cerimônia final. Eles continuavam com o mesmo pensamento da cerimônia anterior, porém dessa vez eles rezavam para que conseguissem mais do que apenas um feixe de luz.
Terrence já estava no pequeno palco em forma de ‘x’, com os dois tablets a sua frente e os dez feixes de luzes desligados em suas costas. O apresentador sorriu ao ver os homens chegando e sentando nos sofás, como as mulheres tinham feito da última vez.
- Boa noite, rapazes. - Terrence falou assim que visualizou todos os homens acomodados. - Parece que a semana de vocês foram muito boa. - continuou a falar com o tom animado enquanto seu olhar passava por todos os participantes, fixando seu olhar apenas em um. - Mas parece que a sua semana foi melhor do que a de qualquer um, .
O homem engoliu em seco ao ver os olhos do apresentador e dos outros participantes presos nele, esperando por qualquer que fosse a resposta dele. apenas deu de ombros, não é como se ele aquela noite tivesse mudado seus pensamentos ou qualquer coisa no jogo, pelo menos não nessa semana.
- Já que vocês estão muito calmos e parados, vamos chamar as mulheres. - Terrence virou o rosto para o lado, sorrindo quando a primeira participante apareceu em seu campo de visão, segundos depois de terminar sua fala. - Vejo que não está de preto, .
- Até pensei em usar preto hoje, mas seria pelo enterro da antiga estratégia que era horrível. - respondeu com um sorriso debochado nos lábios enquanto arrumava o vestido amarelo no corpo.
- Pensei que o look em cor vibrante era por causa de certo acontecimento dessa semana. - o apresentador sorriu ao encarar sem respostas. - Mas já que você diz que é pela estratégia, eu acredito.
Camille encarou com um semblante fechado, achando que a indireta do apresentador era sobre o encontro de e . Se a loira ao menos soubesse que não tinha intenções de fazer nada com o , pelo menos por agora, ela estaria bem mais tranquila.
- Sejam muito bem-vindos a segunda cerimônia dos pares dessa edição de Are You The One. - os participantes gritaram e bateram palma. - Além de encontrarem o par ideal, vocês darão o segundo passo para o grande prêmio de um milhão de dólares.
Os vinte participantes não sabiam dizer se estavam mais ansiosos e apreensivos do que na primeira vez. A primeira cerimônia só não tinha sido um fracasso total, pois acabou não dando blackout, mas depois de todas as mudanças que fizeram nos pares, eles apenas rezavam para que não acontecesse um blackout.
- E não se esqueçam, vocês não podem zerar. - Terrence falou encarando cada um ali presente, como se soubesse que aquele era o único pensamento que os participantes possuíam. - Ou seja, em cada cerimônia vocês precisam formar, pelo menos, um par ideal. Se isso não acontecer, vocês perdem automaticamente trezentos mil dólares do prêmio final. - os participantes apenas concordaram rapidamente com a cabeça, sabendo que não poderiam errar os pares. - Se nenhum feixe de luz ascender, será considerado um blackout e vocês vão perder o dinheiro imediatamente. Espero que vocês tenham mais sorte do que na cerimônia passada.
Eles não podiam ter o azar de não formar nenhum par essa noite e ainda ter desfeito o único par ideal, ainda desconhecido, da última cerimônia. Eles também sabiam que não poderiam continuar no mesmo número, eles precisavam ao menos ter mais um par nessa noite.
- Semana passada eles escolheram, então nada mais justo do que elas escolherem. - Terrence falou com um sorriso nos lábios. - Como no início da semana deu casal incompatível, nada mais justo do que começar com ela. Pode vir, Marnie. - a morena foi até o apresentador, parando de frente para um dos tablets. - Está chateada pelo resultado da cabine?
- Eu diria que eu fiquei mais surpresa do que chateada. - Marnie respondeu ao dar de ombros. - Fiquei até um pouco chateada por Hunter não ser o meu par ideal, pois ele é maravilhoso, mas o jogo não pode parar.
- Está certíssima. - Terrence falou com um sorriso sincero nos lábios. - Então como o jogo não parou, quem será seu par nessa cerimônia?
- Nathan. - Marnie sorriu ao falar o nome do homem que já andava em sua direção.
- Vejo que a pequena festa após o resultado da cabine foi bem proveitosa. - o apresentador comentou em tom risonho ao ver Nathan abraçando Marnie pelos ombros. - Podem registrar.
- Toda festa é bem proveitosa para algum casal. - Marnie murmurou enquanto colocava a mão no tablet, rindo baixo ao ver a expressão ofendida de .
- Par registrado, podem sentar. - Terrence passou os olhos pelo local, não precisando pensar muito antes de saber quem chamaria. - Falando em festas proveitosas, pode vir para cá, . - o apresentador aumentou o sorriso ao ver o sorriso debochado que a mulher tinha em lábios. - Quem será o seu par essa noite?
- Acho que não é uma surpresa, mas é o . - sorriu sem mostrar os dentes enquanto aproximava-se, selando seus lábios rapidamente ao parar do lado da mulher, fazendo mexer-se desconfortável na cadeira enquanto observava o mínimo toque entre os dois.
- Podem colocar as mãos. - Terrence meneou a cabeça em direção aos tablets. - Par computado. - observou o casal se afastando e voltou a olhar para as mulheres. - Bom, não podemos falar de sem lembrar de Camille, independentemente de qual seja o motivo pelo qual associamos.
- Meu par hoje é o meu par ideal. - a loira disse antes mesmo de Terrence perguntar, causando uma careta no apresentador e nos outros participantes. - !
caminhou até os tablets, dando um sorriso fraco para Terrence, como um pedido mudo de desculpas pelas ações de Camille, sorriso esse o qual ele vivia distribuindo pela casa, sempre que a loira falava algo sem noção.
- Agora basta saber se ele realmente é seu par ideal. - Terrence sorriu para Camille ao indicar os tablets com um movimento de cabeça. - Par registrado. - esperou que o casal se acomodasse antes de chamar a próxima. - Continuando com as loiras, pode vir, Chloé.
- Não precisa dizer que eu sumi durante essa semana. - Chloé murmurou fazendo uma careta ao parar de frente para Terrence. - Eu sei que ninguém me viu.
- Eu não ia falar isso. - Terrence rebateu na defensiva, fazendo os participantes rirem. - Mas como a senhorita sumiu a semana inteira, você pode ao menos me dizer quem é o seu par?
- Claro. - Chloé sorriu de modo cínico. - Mike.
- Admito que eu estou completamente surpreso com essa escolha. - Terrence falou ao ver Mike a sua frente. - Esperava te ver essa noite com a Lydia, até mesmo com Simone.
- Acreditamos que a estratégia de Jasmine esteja certa dessa vez. - Mike deu de ombros enquanto registrava o par junto a Chloé.
- Tudo certo, então. Podem se sentar. - Terrence sorriu. - Falando em pessoa sumida, pode vir, Riley.
- Você vai acreditar se eu disser que vou tentar me enturmar mais? - a negra questionou e Terrence apenas negou com a cabeça. - Droga!
- Bom, a única coisa que eu quero de você essa noite, é saber quem é o seu par. - o apresentador falou assim que Riley se aproximou.
- O meu par essa noite é o Grant. - Riley sorriu sem mostrar os dentes enquanto observava o homem caminhar em sua direção.
- Vocês têm alguma aproximação ou é apenas estratégia? - Terrence questionou enquanto indicava os tablets com um movimento de cabeça.
- Um pouco dos dois. - Grant sorriu ao falar.
- Muito bem, podem sentar. - Terrence sorriu para o casal. - Já que o assunto é estratégia, pode vir, Jasmine.
- Vocês colocam todo o peso da estratégia sobre mim, depois dá errado e eu me sinto culpada. - a negra murmurou enquanto caminhava até os tablets.
- Sem culpar a Jas depois, galera. - Terrence falou com um sorriso nos lábios ao encarar os participantes sentados. - Mas diga-me, querida estrategista, quem é o seu par essa noite?
- Isaac. - Jasmine respondeu simplesmente.
- Aparentemente Isaac admira bastante a melanina. - Terrence disse em tom divertido ao ver o negro parando a sua frente. - Novamente apenas estratégia? - questionou enquanto observava o casal registrar o par, recebendo um balançar de cabeça afirmativo de Jasmine como resposta. - Podem sentar.
não gostava de como o jogo estava ainda, muito menos gostava das estratégias que eles criavam para as cerimônias. Seria tudo tão mais simples se eles tentassem achar a conexão com o par ideal em vez de ficarem fazendo um rodízio de pares até ascenderem os dez feixes.
- Continuando na melanina, pode vir, Holly. - Terrence chamou a negra que já se encaminhava na direção dos tablets. - Seu par essa noite?
- Ryan. - Holly respondeu com um sorriso singelo nos lábios, registrando o voto assim que o homem parou ao seu lado.
- Muito bem, podem se sentar. - Terrence meneou a cabeça. - Falando outra vez em participante sumida, venha cá, Chelsey.
- Você sabe o meu motivo. - a morena respondeu com a voz fanha enquanto mexia o nariz. - Acho que entrar de madruga na piscina e dormir com a roupa molhada não é uma boa ideia.
- Você apenas acha? - Terrence questionou risonho, recebendo como resposta um simples abanar de mão. - E quem é o seu par gripado dessa noite?
- Hunter. - Chelsey falou após um espirro. - Aliás, a gripe dele não é minha culpa.
- Claro, Chelsey, nós acreditamos nisso. - Terrence murmurou de modo cínico. - Pode colocar as mãos ali, só evitem distribuir o vírus.
- Vou te processar, homem. - Chelsey resmungou enquanto colocava a mão no tablet.
- Par registrado. - Terrence sorriu. - Venha para cá, Simone. - a morena caminhou rapidamente em direção ao apresentador, ficar em pé aquele tempo todo naqueles saltos enormes estavam matando-a. - Seu par essa noite?
- O mesmo da noite passada. - Simone respondeu simplesmente debruçando-se na estrutura que segurava o tablet, dando um selinho em Fred assim que o homem parou ao seu lado.
- Vejo que as coisas evoluíram desde a semana passada. - Terrence falou enquanto encarava os dois. - Podem se registrar.
- Já devíamos estar aí devido a última vez. - Simone murmurou e Terrence riu.
- Infelizmente, não é assim que ele funciona. - o apresentador respondeu risonho. - Podem sentar. - Simone soltou um muxoxo, agradecendo por finalmente poder sentar. - Então, Lydia e , só sobraram vocês.
- Como diz o ditado, os últimos serão os primeiros. - o homem falou em um tom divertido ao se aproximar dos tablets.
- Já sei que o caso de vocês é apenas estratégia, podem registrar. - Terrence meneou a cabeça. - Par registrado.
caminhou rapidamente até o sofá, sendo acompanhado por Lydia, eles queriam adiantar o resultado o máximo que podiam, já não aguentavam mais a ansiedade para saber se tinham melhorado a situação ou se continuavam na mesma, já que não cogitam a ideia de piorar a situação, que no caso, seria um blackout.
- Temos todos os dez pares registrados e chegou a hora de sabermos quantos pares ideais vocês formaram. - Terrence falou. - Aqui atrás de mim eu tenho dez feixes de luz, onde cada feixe de luz representa um par ideal. - ficou de costas para os participantes, apontando para as luzes. - Um feixe de luz, um par ideal. Dez feixes de luz, dez pares ideais e um milhão de dólares no bolso de vocês. - Terrence deu a volta, ficando de frente para os dois tablets e de costas para os participantes. - Então chegou o momento de vocês saberem quantos pares ideais vocês formaram.
A iluminação diminuiu e os dez feixes de luz que estavam acesos, apagaram. Terrence colocou uma mão em cada tablet e os feixes de luz subiram e desceram por alguns segundos até que pararam apontados para o céu.
Alguns casais se abraçavam fortemente, como era o caso de Fred e Simone, outros apenas se contentavam com um aperto de mão esmagador, como e Lydia, porém todos ali possuíam o mesmo nervosismo, até mesmo . Motivo pelo qual todos possuíam os olhares presos em Terrence e nos feixes.
A demora parecia maior do que da outra vez, fazendo os participantes ficarem cada vez mais apreensivos. Eles não podiam ter um blackout, eles no mínimo, precisavam continuar com um feixe aceso. O alívio apareceu assim que o primeiro feixe se ascendeu. Pelo menos não era um blackout.
- Será que tem mais um? - Terrence questionou e o segundo feixe ascendeu, fazendo os participantes gritarem ao ver que ao menos tinham ido um pouco mais longe do que na outra prova.
Tão rápido quanto o segundo feixe, veio o terceiro, causando ainda mais gritos e animação entre os participantes. Boa parte deles já se encontravam de pé, agarrados aos seus pares ou em volta de Jasmine, implorando para que mais um feixe ascendesse. Porém os feixes apagaram e a iluminação voltou ao normal.
- Esse ainda não é o desempenho que eu quero, mas lhes devo parabenizar por vocês terem se saído melhor do que na primeira cerimônia. - Terrence voltou para a sua antiga posição enquanto encarava os participantes. - Vocês estão a oito semanas da cerimônia final, e estão a sete pares ideais do prêmio. - os participantes apenas concordaram com a cabeça, satisfeitos por terem aumentado o número de feixes, porém eles esperavam mais. - Continuem assim! Podem ir.
- Nós precisamos pensar em outra estratégia. - Jasmine resmungou enquanto caminhava.
- Uma que faça sentido, por favor. - rebateu de modo debochado. - Vocês mudaram praticamente a estratégia inteira e conseguiram ascender três feixes de luz, parabéns. Mas como vocês vão relacionar os feixes que foram acesos aos casais?
- Vamos continuar na aposta dos supostos casais. - Holly respondeu. - Você e ou e Camille precisam ir para a cabine na próxima semana.
- Simone e Fred também podem ser. - Riley falou baixo, atraindo a atenção para si. - Eles estavam juntos na semana passada.
- Verdade. - Holly ponderou. - Porém ainda acho mais sensato mandar ou Camille.
- Sem contar que estamos supondo que eles eram os donos do feixe, quando na verdade pode ser de um casal que não ficou junto nessa cerimônia, o que teria nos feito ter quatro feixes. - Marnie falou seu ponto de pista.
- A única certeza que eu tenho, é que até a cerimônia final eu já vou ter fritado todos os meus neurônios pensando nisso.


Capítulo 10 – Day Fifteen

Por
Resmunguei alto ao sentir meu corpo ser levemente empurrado e virei para o lado, dando espaço para que Simone levantasse da cama sem me acordar no processo. Senti o empurrão novamente, dessa vez mais forte, e abri os olhos enquanto praguejava a mulher. Franzi o cenho ao perceber que a pessoa não era Simone.
- Espero que você tenha um motivo muito bom para estar me acordando essa hora da manhã. - resmunguei enquanto sentava na cama e encarava o homem a minha frente.
- Você nem sabe que horas são, . - rebateu de modo divertido e eu apenas dei de ombros.
- Sei que é cedo. - Resmunguei e ele apenas riu. - Também sei que você não me acordou só para ficar de conversa furada.
- Eu estou há um tempo querendo conversar com você, pedir desculpas pelo modo infantil que eu vinha te tratando ao longo dessas duas semanas. - falou de modo calmo, enquanto mantinha o olhar preso ao meu. - Acho que desde o primeiro momento em que eu te vi, eu já fiquei atraído por você, mas meu ego ficou balançado ao perceber que você estava interessada em .
- ...
- Eu sei que o modo como eu agi não foi certo, , eu parecia um adolescente imaturo sempre que eu te via. - coçou a nuca enquanto abaixava o olhar, fixando-o em qualquer ponto do quarto que não fosse eu. - Eu sei que isso não é desculpa, mas você me impede de raciocinar direito.
Pisquei os olhos repetidas vezes enquanto as palavras de continuavam em um looping dentro da minha cabeça. Eu não estava esperando que se desculpasse por seu comportamento, mas ouvir aquilo foi bom.
- Então você não vai mais implicar comigo igual um adolescente de dezesseis anos? - questionei de modo risonho e rolou os olhos, enquanto sorria de lado.
- Eu não prometi isso, princesa. - frisou o apelido me fazendo revirar os olhos e aproximou seu rosto do meu, deixando um espaço quase nulo entre nós. - Eu perco todo o meu controle quando eu estou perto de você, , e isto é assustador, pois eu nunca mais me permiti sentir isso, mas com você simplesmente acontece. E eu gosto disso.
Um grito animado no corredor fez com que nos separássemos e eu encarei , que me encarou uma última vez antes de sair do quarto. Deitei novamente na cama, enquanto as palavras de martelavam na minha cabeça. Sua última frase me causava arrepios e eu não sabia dizer se isso era algo positivo ou negativo. Afinal, o que caralhos quis dizer com aquilo?
- ACORDEM SEUS PREGUIÇOSOS, TERRENCE JÁ ESTÁ NA SALA ESPERANDO POR TODOS NÓS. - Lydia começou a gritar assim que entrou no quarto, acordando todos que ainda estavam por ali. - Podem vestindo umas roupas bem confortáveis, ele falou que essa prova vai ser bem diferente das duas primeiras.

(...)


- Bom dia galera, é hora do primeiro desafio de casais. - Terrence falou assim que todos chegamos ao gramado, fazendo-me bater as mãos de modo animado, eu estava ansiosa por um desafio de casais há décadas. - Atualmente os maiores obstáculos dentro de um relacionamento são medo de compromisso, medo de intimidade, mentiras e traições, falta de reciprocidade e os vingativos e controladores, seja ex ou atual. - o apresentador deu uma pausa na fala, levantando um coro de concordância.
- Sem contar os extremamente possessivos, quase psicóticos. - Holly murmurou.
- Essas coisas podem estragar qualquer relacionamento, mas independente do obstáculo, o primeiro passo é identificá-los e lidar com eles para finalmente superá-los. - Terrence deu um sorriso de lado enquanto começava a caminhar conosco para o local onde realmente aconteceria a prova. - Bom, para começar eu quero que vocês formem duplas com a pessoa que vocês querem ir em um encontro e juntos vocês terão que superar os desafios de um relacionamento.
Passei meu olhar pelo aglomerado de pessoas e travei assim que notei o olhar de preso ao meu. Engoli em seco e mordi o lábio inferior levemente, vendo dar um passo em minha direção, porém parando no exato momento em que fui abraçada pela cintura.
- Espero que não esteja procurando outro par. - a voz de soou perto da minha nuca, levando-me apenas a balançar a minha cabeça levemente enquanto observava olhar-me uma última vez antes de ir atrás de um par.
sabia da suspeita da casa de que e eu éramos um par ideal, ele sabia que a intenção era que nós ganhássemos a prova para que pudéssemos ir para a cabine. Não é como se eu simplesmente pudesse ignorar isto e formar um par com ele na prova, principalmente só por causa do que ele tinha me falado durante a manhã.
- Bom, vamos começar. - Terrence falou assim que todos já estávamos com nossas duplas, fazendo-me encarar rapidamente ao lado de Lydia e ao lado de Camille, não é como se eu pudesse dizer que estava surpresa. - A primeira parte desse desafio são os obstáculos de um relacionamento. Os obstáculos que já enfrentaram, vocês vão passar por cima deles, o que nunca enfrentaram, por baixo deles.
Dei uma olhada rápida nos obstáculos similares aos de corrida, sendo a única diferença as frases presas neles e eu respirei fundo ao identificar certas frases. Sorte a minha que eu precisava apenas pular o obstáculo do qual eu já enfrentei e não quantas vezes eu tinha enfrentado, senão eu passaria um bom tempo apenas pulando os mesmos obstáculos.
- Depois, tem a bagagem do relacionamento. Quero que peguem três sacos de areia que representam os traumas que carregam de antigos relacionamentos. Vocês vão tirar eles do ponto A e vão carregá-los até o ponto B.
Os sacos de areia eram praticamente o triplo dos obstáculos, tombei a cabeça para o lado enquanto analisava as plaquinhas presas aos sacos, já sabendo que boa parte da prova seria perdida ali.
- No estágio final vocês vão ter que andar juntos, usando aqueles andadores pelo campo minado dos relacionamentos. - Terrence apontou para o pequeno campo onde várias plaquinhas que citavam os problemas de relacionamento estavam espalhadas. - Os três casais que terminarem primeiro vão ter direito a um lindo passeio com o seu par.
Passei o olhar pela fila horizontal que fazíamos e fixei meu olhar em , que conversava de modo animado com Lydia. Mordi o lábio inferior ao observá-lo rir de algo que a mulher tinha falado e virei o rosto rapidamente assim que seu olhar caiu em mim. Aparentemente o fato deles estarem juntos na última cerimônia foi o suficiente para eles começarem a se aproximar.
- Bom, vamos começar então. - Terrence falou animado, atraindo minha atenção para si. - e Lydia, vocês são o primeiro casal.
Os dois se entreolharam rapidamente e começaram a correr assim que Terrence assoprou um apito que até então eu não tinha reparado. pulou por cima de criar uma barreira enquanto Lydia apenas passava por baixo, os dois passaram por baixo e quase juntos no drama de um relacionamento, fazendo a mesma coisa em ficadas de uma noite só, Lydia pulou em intimidação e continuou passando por baixo, porém os dois pularam nos dois últimos obstáculos, medo de compromisso e medo de ser vulnerável.
Seguiram rápido até o ponto A, onde pegou mentiras e Lydia controlador, jogando-os de qualquer jeito no ponto B e repetindo o ritual, dessa vez pegando respectivamente desconfiança e problemas de confiança, e por último traição e insensível.
Ignorei o modo que e Lydia caminhavam juntos em perfeita sincronia sem esbarrar nos obstáculos do campo minado, e foquei minha atenção nos sacos de areia que tinha escolhido, ouvindo sua voz repetir as palavras de mais cedo incontáveis vezes dentro da minha cabeça. Eu perco todo o meu controle quando eu estou perto de você, , e isto é assustador, pois eu nunca mais me permiti sentir isso, mas com você simplesmente acontece. E eu gosto disso.
Os sacos de areia que foram escolhidos faziam-me ter certeza que alguém de seu passado lhe machucou muito e isso era o que ele queria dizer quando falou que nunca mais tinha se permitido sentir o que eu lhe fazia sentir. Então isso significava que gostava de mim? Puta que pariu, simplesmente não pode ser.
- e , é a vez de vocês. - a voz de Terrence me trouxe de volta a realidade, fazendo-me perceber que boa parte dos casais já tinham feito a prova.
Alonguei meu corpo rapidamente e saí correndo ao lado de assim que o som estridente do apito soou. Passei por cima de criar uma barreira enquanto passava por baixo, fizemos o contrário em dramas de relacionamento e passamos juntos por baixo de medos de ficadas de uma noite só, fazendo o mesmo em intimidação e em medo de compromisso, mudando apenas em medo de ser vulnerável, onde eu pulei e passou por baixo.
Corremos até o ponto A, e minha primeira escolha foi falta de comunicação, enquanto já carregava problemas de confiança. Joguei o saco de qualquer jeito assim que cheguei ao ponto B e notei que já corria novamente nessa direção, segurando ciúmes. Apressei-me e peguei ficar na defensiva rapidamente, tentando acompanhar o ritmo acelerado de . Por último peguei desconfiança, e traição. Aparentemente todo mundo realmente era péssimos em arrumar relacionamentos.
Seguimos até a última parte da prova, deixando na frente do andador enquanto eu prendia meus pés na parte de trás. O homem balançou a cabeça levemente antes de começar a andar, falando a direção sempre antes de dar um passo. Chegamos rapidamente na linha final e soltei-me da madeira que estava presa em meu pé, abraçando que já tinha se soltado do andador. Ele passou um braço pela minha cintura e tirou-me do chão enquanto me dava um selinho.
A prova seguiu de modo veloz, já que os casais que fizessem o percurso mais rápido seriam os ganhadores. Observei alguns casais, que eu considerava completamente sem lógica juntos, como Mike com Simone e Ryan com Jasmine, eles estavam simplesmente fodendo a casa com essa troca de casais super aleatória e sem noção. Sorri ao ver Marnie e Nathan fazendo a prova juntos e torci para que eles conseguissem ir nesse passeio. Desde o momento em que Marnie começou a conversar com Nathan ela vinha se mostrando uma pessoa bem diferente do começo do programa. Se eu pudesse apostar em apenas um casal para mandar ‘pra cabine, esse casal ser Marnie e Nathan.
Observei mais alguns casais fazendo a prova, notando que boa parte dos participantes passavam por cima do medo de compromisso, enquanto mentiras, problema de confiança e traição eram os pesos mais carregados.
Voltei a prestar completamente atenção na prova assim que e Camille começaram a prova. Os dois passaram por baixo de criar uma barreira, pularam juntos por cima de drama de relacionamento, passaram por baixo de medo de ficadas de uma noite só, Camille pulou intimidação enquanto passava por baixo, passaram por baixo de medo de compromisso e Camille pulou em medo de ser vulnerável, enquanto passava por baixo.
Camille pegou primeiro problemas de confiança e pegou insensível, na segunda vez a loira escolheu ficar na defensiva e foi em mentiras, já na última Camille carregou controlador e levou problemas de confiança.
De todos os homens que eu tive uma aproximação na casa, era sem sombra de dúvidas o mais fofo e carinhoso, e só o fato dele aturar Camille dizia muito sobre o homem. Então assim que eu vi os seus traumas que vinham de relacionamentos antigos, eu senti meu coração apertar. Eu conhecia há pouco tempo e nem tínhamos tanto contato, mas o homem era tão atencioso que só de pensar em alguém insensível junto a ele meu estômago já embrulhava.
Ignorei o resto da prova, por mais que meus olhos estivessem presos ao campo onde ocorria o desafio, minha mente vagava nos traumas carregados por , e . Eles eram completamente o oposto um do outro, mas minha mente cismava em correlaciona-los e pensar em como todos sofreram com alguém do passado.
O que não era diferente no meu caso, meus traumas do meu último e único relacionamento me seguiam como fantasmas, sempre presos em mim. E ter uma prova onde me fazia admitir como eu me sentia em relação a alguém que eu levei um bom tempo para superar não era algo bom.
- Beleza, vamos aos resultados. - a voz de Terrence chamou minha atenção e eu balancei a cabeça levemente, percebendo que todos os casais já tinham feito a prova. - Em primeiro lugar, Jasmine e Ryan. - senti vontade de rir ao ouvir o casal anunciado, e lá vamos nós ficar mais uma semana no escuro. - E em segundo lugar, e Lydia. - mordi o lábio inferior ao ver abraçar Lydia enquanto ela ria e segurava-o pela nuca.
Apertei fortemente a mão de , não sabendo se era pelo motivo de que se nós fôssemos o terceiro casal ganhador aquele passeio seria super estranho já que estaria lá, ou se era pelo fato de que se nós ou e Camille não ganhasse, nós não mandaríamos nenhum suposto casal para a cabine.
- E por último, mas não menos importante, Marnie e Nathan. - Terrence anunciou e eu bati palmas de modo animado. Foda-se que nenhum suposto casal forte da casa tinha ganhado, o meu casal tinha. - Agora, o resto de vocês têm um trabalho muito importante que é votar em qual desses casais tem que ir para a cabine da verdade. E como vocês já sabem, a cabine é a única forma de descobrir se o casal é realmente um par ideal.
- Ansiosa para votar pela primeira voz? - sussurrou em meu ouvido.
- Nah, prefiro ir para o passeio e deixar essa decisão com vocês. - respondi virando de frente para e selando nossos lábios rapidamente no final da frase.
Eu precisava focar nele e somente nele. Estávamos nessa desde a primeira semana, fomos para todas as cerimônias juntos e era um cara legal, além de todas as bebidas maravilhosas que ele fazia. No fundo eu sabia que ele podia realmente ser meu par ideal, e em vez de tentar conhecê-lo melhor, eu estava transando com e deixando-o completamente de lado. Acho que já posso me considerar a rainha da hipocrisia.
Eu e podíamos ter ganhado essa prova, eu sabia que se eu estivesse um pouco menos distraída, se minha mente não fizesse questão de ficar relembrando tudo que tinha me dito mais cedo, meu rendimento na prova teria sido bem melhor e e eu finalmente poderíamos ir para um encontro.
- No passeio de amanhã vocês vão sair de barco durante a tarde e vão fazer uma parada para descerem do barco e nadarem com os peixes numa área especializada nisso. - bufei em frustração ao ouvir Terrence, eu realmente devia ter me esforçado mais nesse desafio. - Agora todos vocês estão dispensados, podem ir.

Day Sixteen


O final do dia anterior e o início desse dia não foram nada mais do que monótonos. Desde a prova eu não tive nenhuma chance de conversar com , já que o mesmo estava sempre com Lydia ou simplesmente não o achava.
O sol estava começando a se pôr assim que os seis casais saíram da casa para o passeio. Era a terceira semana ali, porém era a minha vez ficando na casa em vez de ir para o encontro, e eu não sabia como funcionava o esquema deles para escolher quem seria mandado para a cabine.
- Como vocês fazem para escolher qual casal vão mandar para a cabine? - questionei assim que juntou todos os participantes na sala.
- Está fazendo isso para esfregar na nossa cara que você não sabe como isso funciona, pois sempre esteve muito ocupada beijando os homens dos outros nesses encontros? - a voz de Camille saiu de modo debochado e eu respirei fundo, tentando ignorar a loira. - É bem simples, é só ir até a tela e clicar na foto do casal. Ou isso é difícil demais para o seu entendimento?
Pisquei lentamente e encarei o sorriso debochado de Camille, mandando minha paciência para a puta que pariu. Levantei rapidamente do sofá e caminhei até a loira que perdia o sorriso debochado conforme eu me aproximava.
- , não vale a pena. - a mão de segurou meu pulso me impossibilitando de seguir o caminho.
- Não vou bater nela, Norman, por mais que ela mereça- revirei os olhos enquanto fixava meu olhar na loira. - Agradeça que eu ainda me importo muito com sororidade, mas se você continuar assim, eu vou ser obrigada a mandar minha sororidade ‘pra casa do caralho e te bater até que você aprenda a ser gente.
- Eu não tenho medo de você. - a loira resmungou enquanto cruzava os braços na frente do corpo.
- Então continue do jeitinho que você está, para ver se rapidinho você não vai ficar com medo. - sorri de modo debochado, voltando a me sentar no lugar que eu estava antes. - Aliás, não abra a boca para falar porra nenhuma antes de pensar duas vezes no que caralhos você vai dizer.
- Não vou fazer algo apenas para te agradar. - Camille retrucou igual uma criança de cinco anos e eu contentei-me apenas em revirar os olhos. Já estava sem um pingo de paciência, não ia deixar com que Camille tirasse o pouco que restava.
- Não é o fato de agradar a ou não, é o fato de tentar ser sensata. - falou de modo seco com a loira, fazendo-me arregalar os olhos levemente.
- Não acredito que novamente você vai ficar do lado dela. - Camille falou de modo descrente e soltou um risinho nervoso.
- Camille, só cala a boca já que você não está falando nada produtivo. - soltou sem paciência e deixou tanto eu quanto a loira atônitas. - Pode continuar, , tenho certeza que Camille não vai mais implicar com você.
- Bom, como eu estava falando antes, eu queria saber se vocês seguem alguma tática para escolher o casal que vão mandar para a cabine. - falei ignorando Camille e passando o olhar rapidamente pelos outros participantes.
- Nunca conversamos sobre isso, cada um escolhia o seu próprio casal e pronto. - Riley deu de ombros ao falar.
- Parando ‘pra analisar, isso não é algo sensato. - Holly murmurou com uma careta no rosto.
- Precisamos começar a criar uma tática, conversar sobre quem achamos ser o melhor casal para ir ‘pra cabine. - falei encarando o pessoal. - Nossa única chance de descobrir quem são os pares ideais, é a cabine.
- Consequentemente, não podemos estar mandar um casal fraco só pelo fato de que os votos estavam espalhados. - Fred continuou minha linha de raciocínio e eu dei um sorriso em sua direção.
- É exatamente isso. - exclamei ao levantar do sofá. - Nós planejamos de mandar eu e ou Camille e , já que somos as expectativas da casa.
- Mas nenhum de nós ganhou a prova. - murmurou e eu balancei a cabeça em concordância.
- Não podemos desperdiçar a chance mandando um casal que temos quase certeza de que não é um par ideal. - mordi o lábio inferior levemente ao terminar a frase, pensando em e Lydia.
- Como Jasmine e Ryan. - Isaac resmungou de modo emburrado, desde a última cerimônia no qual Jasmine tinha sido seu par, os dois se aproximaram bastante, mas aparentemente não o suficiente para fazerem a prova juntos. Como se eu pudesse julgar a aproximação de alguém ali, já que a pessoa que eu era mais próxima era , e eu continuava a seguir com .
- Ou até mesmo Lydia e . - Simone falou de modo simples, mas seus olhos fixos em mim conseguiam entender que o casal que eu havia citado indiretamente era realmente e Lydia.
- Eles podem ser um par ideal, estavam juntos na última cerimônia e eles são bem parecidos. - Chelsey rebateu e apenas tombei a cabeça para o lado enquanto observava a morena.
- Exatamente pelo fato de que eles são bem parecidos que eu acho que eles não são um par ideal. - sorri sem mostrar os dentes, focando o olhar em Chelsey, porém conseguia sentir o olhar de Simone preso em mim.
- Então suas apostas são Marnie e Nathan? - Chloé questionou e eu balancei a cabeça rapidamente em concordância.
- Já erramos uma vez com ela. - Grant falou e eu apenas dei de ombros.
- Nós erramos pelo fato de que mandamos praticamente duas pessoas iguais para a cabine. - revirei os olhos ao terminar de falar de modo apressado. - Marnie e Hunter eram praticamente a mesma pessoa, mesma personalidade, mesmo gosto. Nada contra você, Hunter.
- Entendo, . - Hunter piscou de modo humorado e eu apontei de modo exagerado para o homem.
- Vocês estão vendo? É disso que eu estou falando. - praticamente gritei enquanto os outros participantes me encaravam confusos. - Marnie e Hunter juntos eram fofos? Sim. Mas eles viviam em um mundo próprio, eles praticamente não interagiam com os outros.
- Hunter ainda é péssimo com isso. - Chelsey brincou, recebendo um olhar debochado do homem.
- Marnie é totalmente na dela, mas desde que ela começou a se aproximar de Nathan, ele faz com o que ela se sinta mais à vontade. - expliquei o motivo pelo qual eu confiava cegamente que Marnie e Nathan era nossa melhor, ou se não única, opção sensata para ir ‘pra cabine.
- Desde que ela e Nathan começaram a se aproximar eu até conversei com ela sem que ela ficasse completamente tímida e apenas respondendo com um balançar de cabeça. - Fred murmurou de modo brincalhão.
- Sem contar a performance incrível deles na prova, era como se eles fossem um só. - Chloé falou de modo animado e eu praguejei mentalmente por estar tão perdida em meus pensamentos ao ponto não prestar atenção em praticamente nenhuma prova.
- O desempenho deles foi o melhor, sem dúvidas. - Grant falou sendo acompanhados por alguns sons de concordância.
- e Lydia só perderam ‘pra eles, mas a conexão deles foi foda também. - Holly comentou e o pessoal concordou novamente.
- Será que ela e estavam tendo algo esse tempo todo? - Chelsey questionou de modo curioso enquanto encarava Simone. - Você é amiga dele, pode nos dizer.
- Que tal focarmos no casal da cabine e deixarmos de lado? - perguntei de modo rápido, soando um pouco ignorante. - Todos concordam em mandar Nathan e Marnie para a cabine dessa noite? - questionei com um sorriso no rosto enquanto encarava todos os participantes que apenas concordaram com a cabeça. - Ótimo, está fechado então.
Saí da sala antes de qualquer um e segui até a cozinha, bebendo rapidamente um copo d’água e tentando focar minha mente em qualquer coisa que não fosse e Lydia, mas independentemente do que eu passava pela minha mente, ela sempre terminava em e Lydia.
- Você não pode ficar com ciúmes de algo que não é seu. - dei um pulo e encarei Simone parada ao meu lado.
- Não sei do que você está falando. - abri um sorriso para a morena que me encarava com a sobrancelha arqueada.
- Bom, pelo menos você sabe como ele se sente quando te vê com o . - Simone cruzou os braços na frente do corpo e continuou me encarando com a sobrancelha arqueada.
- Eu já me relacionava com quando me beijou. - murmurei simplesmente.
- Só não fique usando os dois, . - Simone aproximou-se e passou a mão de forma carinhosa pelo meu braço. - Eu estou te dizendo isso como sua amiga, pois eu realmente gosto de você.
- Eu não tenho a intenção de usar nenhum dos dois. - resmunguei de modo frustrado enquanto encarava a morena. - Eu tenho uma ligação com desde o primeiro momento que a gente se viu, tanto que ele foi a primeira pessoa que eu me relacionei aqui dentro.
- E então veio o . - Simone tombou a cabeça para o lado após citar o nome do homem.
- E então veio o . - repeti sua fala e seu movimento. - No início era apenas aquela implicância sem sentido e sem noção, até que o idiota me beijou na cozinha. - relembrei o fato com um sorriso nos lábios. - E ele beija muito bem.
- Sei disso, querida. - Simone piscou o olho após terminar a frase, fazendo-me rir.
- E depois desse beijo as coisas foram simplesmente acontecendo, sabe?! - questionei de modo retórico. - Não parei realmente para pensar que eu estava me envolvendo com os dois e isso poderia acabar sendo ruim, por mais que eu não tivesse compromisso com nenhum dos dois.
- E acabou? - Simone questionou e eu balancei a cabeça em concordância.
- Aparentemente sim. - dei de ombros. - Ontem antes da prova ele me disse que eu o faço perder o controle e que ele gosta disso. - Simone arregalou os olhos e eu mordi o interior da bochecha tentando não deixar a reação dela me assustar. - E então chegou a prova e eu tinha que ser o par do , nós somos um casal nas provas e nas cerimônias, além de um suposto par ideal pela casa.
- E então? - Simone me incentivou a continuar e eu suspirei fundo.
- Quando eu passei o olhar pela multidão, me encarava de um modo estranho, como se ele estivesse chateado por eu estar com . - mordi o lábio ao lembrar do olhar de preso ao meu. - E após isso é como se ele estivesse me ignorando, não tivemos nenhum contato após isso.
- E eu entendo totalmente ele, . - Simone deu um sorriso fraco. - Você vem tendo essa coisa de vocês já faz mais de uma semana, vocês foram para o quartinho juntos e ele praticamente disse que está gostando de você.
- Não joga na minha cara. - resmunguei e Simone riu.
- Não estou jogando, amiga. - sorriu fraco novamente. - Até porque eu te entendo, também consigo ver o seu lado. Apesar de tudo o que você teve com o , você precisa esclarecer se é realmente seu par ideal ou não.
- Quando ele chegar, eu vou conversar com ele. - murmurei decidida e Simone arqueou uma sobrancelha.
- E o que a senhorita vai falar? - questionou.
- Pedir desculpas por tudo que vem acontecendo, eu quero que ele entenda que eu não estive usando ele como segunda opção. - dei de ombros. - Que eu realmente gosto do que acontece entre a gente, mas que eu também gosto do que tem entre eu e , e antes de qualquer coisa eu tenho que ir para a cabine com .

(...)


Acomodei-me no sofá ao lado de assim que eu ouvi a voz de Terrence na sala e passei o olhar rapidamente pelo local, vendo que praticamente todos os participantes já estavam ali. Esperamos por mais um tempo até que todos estivessem ali e Terrence sorriu.
- E então casais, gostaram do passeio? - o apresentador questionou ao fixar o olhar nos três casais sentados nos bancos.
- Foi muito bom poder conhecer o Ryan melhor. - Jasmine respondeu simplesmente com um sorriso nos lábios.
- Porra, foi foda. - Lydia comentou animada e riu, sendo acompanhado por outros participantes.
- Foi realmente muito bom. - afirmou e encarou Lydia, que o encarava com um sorriso nos lábios. - Lydia foi meu par na última cerimônia e a gente nem tinha muita intimidade, era apenas estratégia, mas esse passeio fez com o que nos aproximássemos bastante.
- Marnie e eu curtimos muito. - Nathan sorriu ao encarar Marnie, que fez o mesmo. Porra eles eram totalmente o meu casal. - Nós já estávamos próximos nesses últimos dias e esse encontro foi muito bom para a gente.
- E para o resto da casa, foi fácil escolher quem seria o casal escolhido da noite? - Terrence questionou com um sorriso.
- Criamos uma tática ‘pra escolher o casal. - Chlóe exclamou de modo animado enquanto me encarava.
- Na verdade, criou. - falou enquanto me abraçava de lado.
- E você acha que essa tática dará certo, ? - Terrence questionou e eu dei ombros.
- Espero que sim né. - sorri de modo nervoso.
- Sem mais delongas e enrolação, vamos falar da cabine. Durante a tarde os três casais saíram para o passeio e seus colegas de casa ficaram encarregados de escolher apenas um casal para ir até a cabine da verdade. Como vocês sabem, a cabine da verdade é o único modo de vocês descobrirem se são ou não um par ideal. Prontos para descobrirem se a escolhas de vocês está correta?
Terrence clicou na tela de seu tablet e a foto de Marnie e Nathan ocupou a tela, fazendo a mulher me encarar de modo nervoso ao levantar do banco. Sorri sincera em sua direção e pisquei, enquanto fazia um sinal de joinha com a mão.
- Você acha que eles são realmente um par ideal? - questionou assim que Marnie e Nathan saíram da casa, estendendo a mão sobre o meu colo.
- Sim. - segurei sua mão. - Eu acredito e espero, pois se eles não forem, eu estarei completamente perdida nesse jogo.
Eu não sabia se o tempo estava demorando a passar ou se a distância até a cabine era realmente grande. Poderia ser os dois juntos, ou apenas meu nervosismo distorcendo a real velocidade.
Conforme o tempo passava, eu apertava cada vez mais forte a mão de . Meus dedos já doíam pela força que eu fazia e minha garganta já estava seca. Era como se eu estivesse dentro da cabine. Pisquei os olhos rapidamente assim que a imagem presente na televisão mudou, soltando a mão de e levantando rapidamente do sofá.
- VAI SE FODER, CARALHO. - gritei com os olhos fixos na nova faixa presente na imagem.
rapidamente levantou do sofá e me abraçou, fazendo-me prender as pernas ao redor da sua cintura enquanto ele me rodava pela sala. Desci do colo do homem e encarei a televisão novamente, sorrindo ao ler o par ideal presente na tela.
Marnie entrou correndo na sala, fazendo-me correr ao seu encontro e abraçá-la fortemente, logo sentindo outras pessoas se juntando ao abraço. Beijei seu rosto rosado pelo choro e sorri antes de me afastar.
- Você vai para a lua de mel, porra. - exclamei de modo animado e Marnie abriu um sorriso.
- Como você sabia que éramos um par ideal? - ela questionou e eu dei de ombros.
- Querida, eu sei disso desde o dia que te vi dormindo do lado dele na espreguiçadeira. - pisquei marota e Marnie rolou os olhos. - Aproveita a lua de mel por mim, okay.


Capítulo 11 – Day Sixteen II

Por
- Nós conseguimos acertar um casal, isso merece ser comemorado. - resmunguei ao ver os participantes se dissipando pela sala.
- Eles é quem vão comemorar com aquela casa só 'pra eles. - Simone falou de modo malicioso enquanto observava Marnie e Nathan subindo as escadas.
- Mas nós precisamos comemorar também, afinal de contas, já temos um feixe de luz fixo em todas as cerimônias. - dei de ombros enquanto tentava convencer a morena. Ninguém ia tirar da minha cabeça a ideia de comemorar, nem que no final das contas apenas eu e enchermos a cara, mas iríamos comemorar.
- Você só quer uma desculpa para beber e se manter longe do . - revirei os olhos ao ouvir a frase de Simone, porém não neguei.
- Olha quem fala, a pessoa que fica pulando entre Fred e Mike. - sorri sem mostrar os dentes e Simone ficou séria.
- Okay, vamos beber. - a morena saiu em disparada, anunciando para todos que a meta hoje era encher a cara até esquecer o próprio nome.
- Incrível como você sempre é a dona das ideias de encher a cara. - falou enquanto colava seu corpo ao meu, enlaçando seus braços em minha cintura e deixando-me encostar a cabeça em seu peitoral.
- Eu apenas acho que devemos comemorar as pequenas vitórias. - falei simplesmente, causando-o uma risada.
- E já deixou bem claro que as pequenas derrotas também. - comentou risonho, fazendo-me virar de frente para ele.
- Vocês apenas não compreendem meu ponto de vista. - resmunguei empinando o nariz e riu.
- Pode admitir que tudo isso é apenas desculpas para beber meus drinks maravilhosos. - fingiu um modo presunçoso, fazendo-me rir.
- Isso não tem nem como negar. - dei um selinho rápido em seus lábios. - Vou ver se Marnie precisa de ajuda. - encarei-o, recebendo apenas um sorriso em reposta. - Aliás, já pode começar a preparar minhas bebidas.
- Você é muito abusada, . - falou enquanto eu me afastava.
- Você que me acostumou mal, . - pisquei em sua direção.
Virei o corpo rapidamente e meu olhar se prendeu no de . Dei um passo em sua direção, ainda mantendo o contato visual, disposta a conversar com ele, porém assim que eu dei outro passo Lydia parou ao lado do homem, abraçando-o. Cortei o contato visual e subi as escadas rapidamente, seguindo até o quarto.
- Ansiosa? - questionei Marnie ao apoiar-me no batente da porta, vendo a mulher dar um pulinho devido a minha entrada não anunciada.
- Se você não me matar antes. - resmungou com uma mão sobre o peito, virando o rosto na minha direção. - Acho que eu estou mais nervosa, para ser sincera.
- E qual o motivo desse nervosismo? - adentrei no quarto e sentei na cama próxima a mala de Marnie.
- Eu e Nathan realmente nos aproximamos, mas hoje no encontro foi a primeira vez que nós nos beijamos. - Marnie confessou ao sentar do meu lado na cama. - E agora eu estou indo para uma casa desconhecida ficar quase sete semanas sozinha com ele.
- Sua falta de crença em acreditar que não iremos adivinhar mais nenhum casal na cabine me magoa. - brinquei e Marnie riu. - Mas não vai ser tão diferente daqui, só não vai ter mais esse tanto de câmeras e outras dezoito pessoas andando pela casa.
- Você ajudou muito, . - Marnie resmungou de modo irônico, fazendo-me rir ao perceber que eu provavelmente só tinha feito com o que ela ficasse um pouco mais nervosa.
- Mas falando completamente sério, você não tem motivos para ficar nervosa. - sorri sincera em sua direção. - Nathan é um cara muito legal e vocês se dão bem, além de serem super fofos. Vocês vão passar o resto dos dias em um paraíso tropical apenas apreciando a companhia um do outro. Eu sei que você ainda é bem reservada, e você não precisa parar de ser, apenas faça as coisas no seu tempo.
- Você é um anjo, . - Marnie tombou a cabeça, deixando-a apoiada em meu ombro.
- Nah, estou bem longe disso. - murmurei apoiando minha cabeça na sua, ficando assim por um bom tempo. - Agora vamos arrumar sua mala, essas coisas não vão ser guardadas sozinhas.
- Achei que você já estaria bebendo, quero dizer, comemorando. - Marnie sorriu de lado enquanto levantava.
- Do jeito que vocês falam até parece que eu sou quase uma alcoólatra. - resmunguei ao levantar da cama.
- Qualquer dia desses, você vai tomar café da manhã com cereal e vodka. - a morena rebateu e eu ri enquanto caminhava em sua direção.
- Boa ideia, não tinha pensado nisto antes. - murmurei de modo risonho ao guardar uma blusa na mala. - Vamos arrumar isso aqui que eu quero beber.
- Bêbada. - Marnie murmurou rindo ao me empurrar levemente com o ombro.
- Culpe o por fazer aquelas bebidas viciantes.

(...)


Fazia pouco mais de meia hora desde que descemos quando fomos informados que o carro já estava pronto para levar Marnie e Nathan para a lua de mel. Acompanhei o casal até o lado de fora da casa junto com mais alguns participantes e paramos próximos ao carro.
- Boa lua de mel para vocês. - abracei Nathan ao falar. - Cuide bem da Marnie, ou eu serei obrigada a ir andando até a nova casa de vocês e te bater.
- Pode deixar, . - Nathan afastou nossos corpos e sorriu.
- Eu não sei onde é a casa, mas eu descubro se for necessário. - estreitei os olhos e apontei na direção de Nathan, fazendo-o rir.
- Pare de perder seu tempo ameaçando ele e vem logo me abraçar. - Marnie apareceu ao lado do seu par, sorrindo na minha direção.
- Estou tão feliz que adivinhamos um casal e que esse casal é você e ele. - joguei-me em seus braços, fazendo-a dar alguns passos para trás. - Isso diz tanto sobre a lógica que devemos seguir nesse programa.
- Será que a próxima a ir para a lua de mel é você? - Marnie encarou-me com expectativa e eu apenas dei de ombros.
- Sinceramente, eu não faço ideia. - murmurei enquanto revezava o olhar entre e . - E é exatamente por isso que você vai aproveitar cada minuto que passar naquela casa, você vai estar aproveitando por você e por mim.
- Vou sentir falta do seu jeito maluco. - Marnie falou ao nos separarmos.
- Você ainda vai me ver lindíssima em todas as cerimônias das luzes. - sorri. - Mas eu também vou sentir muito a sua falta.
Afastei-me dos dois, observando-os se despedirem dos outros participantes que estavam ali. Nathan ajudou Marnie a colocar seus pertences no porta-malas e adentraram ao carro de mãos dadas, separando-as apenas quando o carro começou a andar, dando tchau pela janela.
- Eu preciso conversar com você. - a frase que eu queria ouvir finalmente tinha sido dita, porém não por quem eu esperava. - Será que podemos ir até o lago?
Confirmei com a cabeça e segui até o lago, a caminhada curta foi feita em silêncio. sentou no banco de frente para o lago e indicou o lugar vazio ao seu lado com um balançar de cabeça.
- Não tinha reparado que tinha um banco aqui. - murmurei enquanto me sentava, virando o rosto na direção do homem.
- Do local onde sentamos na outra vez não dá para ver ele. - explicou com um sorriso nos lábios.
- Entendi. - cruzei as pernas em cima do banco e apoiei o cotovelo na minha coxa, usando a palma da mão como apoio para meu rosto. - Mas acredito que não é sobre isso que você precisa conversar comigo.
- Não sei como falar isso para você. - abaixou o olhar, fixando o olhar na grama.
- É sobre a Camille? - questionei tentando ser atenciosa. Por mais que eu não gostasse dela, eu me dava bem com , então mesmo que o assunto fosse ela, eu tentaria ajudá-lo.
- Em partes. - murmurou.
- Não precisa ficar receoso de falar sobre ela comigo, nós duas não nos damos bem, mas você pode contar comigo. - acariciei o braço de , sorrindo em sua direção assim que ele virou o rosto na minha direção.
- Na verdade, eu te chamei aqui hoje pelo fato de que eu acredito que a Camille não é meu par ideal. - falou simplesmente, fazendo-me encará-lo confusa.
- E por qual motivo você acha isso? - questionei de modo cuidadoso e quebrou o contato visual, voltando a encarar a grama.
- Porque ela não pode ser meu par ideal, se eu desejo te beijar desde o dia que tivemos aquele encontro. - o tom de voz apressado me fez piscar os olhos repetidas vezes, enquanto voltava o seu olhar ao meu, encarando-me sério após meu silêncio.
- Então por que você ainda não beijou? - questionei com a única frase que rondava minha cabeça.
No momento eu não queria pensar em e muito menos em , minha única vontade era beijar e descobrir se sua boca era tão macia quanto aparentava. Eu não me importava se Camille iria descobrir ou muito menos se ela iria surtar quando soubesse. Eu só precisava acabar com a minha dúvida de se a boca dele era tão macia quanto aparentava.
E ao ter os lábios de pressionados contra o meu em um simples selinho, eu já não me importava com qualquer outra coisa que não fosse continuar beijando-o. Depositei minha mão livre em sua nuca e colei ainda mais nossos rostos, aprofundando o beijo.
Eu não conseguia descrever o beijo de , ao mesmo tempo em que era calmo, também era necessitado. O encaixe entre nossas bocas acontecia de maneira natural e eu sem dúvidas podia passar o resto da noite sentada naquele banco beijando aquele homem.
- Seu desejo foi realizado? - questionei ao romper o beijo, porém sem afastar-me de .
- Acho que preciso de mais alguns beijos para perceber que é realidade. - o tom de voz saiu em um sussurro, enquanto um sorriso de lado ocupava os lábios vermelhos de . - Eu queria tanto fazer isso.
- Agora que você pode, que tal aproveitar? - sorri de modo malicioso e juntei nossos lábios novamente, sem deixar que respondesse.
- A ideia era só que vocês conversassem. - a voz de Simone atraiu minha atenção, fazendo-me romper o beijo rapidamente e encarar a morena parada na minha frente, que mantinha uma expressão confusa na minha direção e na de . - Hm, , preciso conversar com você.
- Depois a gente se fala. - virei na direção de e dei um beijo no canto de sua boca, saindo de lá praticamente arrastada por Simone.
- Puta que pariu, o que você estava fazendo? - Simone praticamente gritou quando nos afastamos de . Abri a boca para responder e fui interrompida pela parada brusca de Simone, parando na minha frente e apontando o dedo em riste na minha direção. - Não venha me falar que você estava beijando o , pois isso eu vi muito bem.
- Você viu o que eu estava fazendo, não tem como eu lhe dar outra resposta. - dei de ombros e Simone revirou os olhos. - Não estou entendo o motivo desse show todo.
- O motivo é bem simples. - a morena falou de modo sarcástico e sorriu. - Eu finalmente tinha posto dentro da cabeça de que ele precisava conversar com você sobre o que ele tinha falado e tudo mais.
- Certo, e onde você quer chegar? - cruzei os braços na frente do corpo e Simone imitou minha posição.
- Que eu te vi indo para a porra do lago e achei que era a hora perfeita para vocês dois se entenderem, mandei ir até você para explicar tudo, até a aproximação dele com a Lydia. Mas tudo que eu consegui foi ele voltando puto da vida e dizendo para eu ir te ver. - revirei os olhos e respirei fundo, tudo que eu não precisava no momento era me desentender novamente com .
- Simone, não é nenhuma criancinha que precisa de um adulto lhe dizendo o que fazer, quem devia ter tomado a iniciativa de conversar sobre isso comigo era ele. Não estou chateada com você, mas precisa lidar com as próprias escolhas. - voltei a andar em direção a casa, pensando apenas em encher a cara. - Eu não vou, e nem posso, parar minha vida e ficar esperando uma posição dele.
- Mas você entende, . - Simone resmungou. - O cara praticamente se declarou para você e mesmo assim você não foi com ele para a cerimônia.
- Eu não posso ignorar o fato de que talvez eu e somos um par ideal só pelo fato de que disse que eu mexo com ele. - argumentei frustrada. - Eu entendo ele, mas não acho correto o jeito que ele lida com as coisas.
- Esse é o jeito dele, .
- Simone, eu aceito ele ficar chateado comigo, mesmo isso estando errado, até porque isso aqui continua sendo um jogo, mas custava ele vir falar comigo? - parei próxima a porta, virando de frente para Simone.
- Quando ele foi, você estava beijando o . - ela falou de modo acusatório e eu dei de ombros.
- Ele só foi falar porque você, provavelmente, ficou enchendo o saco dele. Ele quem devia ter tomado a iniciativa. - Simone revirou os olhos e antes que ela pensasse em responder eu continuei. - E quer saber? Eu não me sinto arrependida de ter beijado o .
- E você o beijaria novamente? - ela questionou de modo curioso e eu sorri.
- Estaria beijando até agora se você não tivesse interrompido. - murmurei em falso tom acusatório.
- Pelo menos fui eu quem interrompi, imagina se fosse a Camille. - Simone falou de modo debochado e eu revirei os olhos.
- Eu não quero nem pensar nisso. - resmunguei massageando as têmporas. - Vamos beber por favor, estou precisando muito, só o álcool para me ajudar a digerir tudo o que aconteceu hoje.
- Você precisa é parar de beijar outras pessoas já que você e podem ser um par ideal. - soltei um resmungo baixo ao final da frase.
Eu sabia que Simone estava certa, eu não podia manter uma pseudo-relação com e ficar beijando e enquanto tentava descobrir se eu e realmente somos um par ideal. Eu precisava conversar com os outros dois e focar só em . Eu gostava de , curtia o que nós tínhamos, então por qual motivo parecia tão difícil focar nele e parar o que quer que fosse que eu tivesse com os outros dois?! Será que isso que eu estou fazendo é considerado traição?
- Preciso conversar com , sabe onde ele está? - Simone negou com um balançar de cabeça. - Se você ver ele, me avisa. - pedi enquanto me afastava dela.
Refiz o caminho de volta para o lago e encontrei sentado no mesmo lugar, com os olhos fixos no lago a sua frente. Caminhei devagar até o banco, tentando prolongar ao máximo o curto caminho enquanto minha mente trabalhava em como eu diria o que acabara sendo decidido. Sentei ao lado de , atraindo sua atenção para mim.
- Você foi rápida. - a frase curta foi acompanhada de um sorriso, fazendo-me retribuir com um sorriso pequeno.
- Não podemos nos beijar novamente. - soltei de uma vez e vi o sorriso desaparecer dos lábios de . - Foi ótimo, eu adorei e por mim eu estaria te beijando novamente nesse exato momento, mas não é o certo. - suspirei fundo e voltou a atenção para o lago. - Eu e temos a probabilidade de sermos um casal ideal, igual você e Camille. Naquela cerimônia onde só um feixe de luz ascendeu, a chance de ele ser destinado a um de nós dois é enorme.
- Eu compreendo, , mas eu já não acho que Camille seja ser meu par ideal. - encarou-me e eu me aproximei, acariciando levemente seu rosto com uma de minhas mãos.
- Mas nós precisamos ter a certeza do programa, o próximo casal a ser mandando para a cabine precisa ser um de nós dois. - dei um sorriso fraco. - Nós não podemos ferrar com o jogo.
- Espero que seja você. - murmurou e eu o encarei confusa. - Acho que eu não aguentaria saber que não sou o par ideal da Camille e continuar sem poder te beijar, porque você ainda pode ser o par ideal do .
- Ainda temos muitas semanas pela frente. - pisquei e sorriu. - Um último beijo.
Selei meus lábios no de e ficamos assim por longos segundos, apenas com as bocas coladas, aproveitando o momento. Levantei do banco e comecei fazer o caminho de volta para a casa, parando apenas quando ouvi meu nome sendo chamado. Olhei para trás e sorria em minha direção.
- Sabe aquela prova que proporcionou nosso encontro? - apenas concordei com um balançar de cabeça. - A minha intenção era realmente acertar o seu objetivo.
Arregalei os olhos e balancei levemente a cabeça em sinal de negação, abrindo um sorriso e encarando , voltando rapidamente em sua direção e jogando-me em seus braços, beijando-lhe com todo o desejo que havia dentro de mim. Se for 'pra ser o último beijo, que ele pelo menos ficasse marcado como o melhor.
- Vai ser difícil me manter longe sempre que eu lembrar desse beijo. - sussurrou com os lábios a milímetros afastados dos meus.
- Estou indo, antes que eu resolva te beijar novamente. - afastei-me dele, escutando sua risada.
- Olha, não seria uma má ideia. - comentou risonho e eu balancei a cabeça negativamente.
- Tchau, .

(...)


- Achou o ? - questionei Simone ao parar ao lado dela.
- Ele subiu. - sorri em sua direção agradecendo pela resposta e peguei o copo de sua mão, bebendo o líquido de uma vez só.
- Estava precisando. - lhe entreguei o copo vazio e subi rapidamente as escadas, encontrando deitado em uma das camas. - Precisamos conversar.
- Não precisamos não. - respondeu sem ao menos me olhar.
- Para de graça, nós precisamos ter uma conversa desde que você falou aquelas coisas 'pra mim antes da prova. - sentei na ponta do colchão onde estava deitado.
- Ah, você realmente escutou o que eu falei? - o tom de voz pingando sarcasmo me fez revirar os olhos. - Achei que você estava ocupada demais com o .
- Você está agindo como se eu tivesse te trocado pelo , mas desde o dia que você me beijou, eu já estava com ele. - riu ironicamente e eu cruzei os braços na frente do corpo, a frieza que ele demonstrava me deixava incomodada.
- Claro, vocês estão juntos desde o primeiro dia. - rolou os olhos e eu mordi o lábio inferior, sabia que ele estava certo.
- Mas você sabe que eu não posso ignorar o fato de que eu e somos um suposto casal só por causa do que você me falou. - o tom rude fez com o que levantasse o tronco, encarando-me pela primeira vez desde que eu entrara no quarto.
- Mas você pode ignorar o fato de que talvez nós dois sejamos um por ideal? - o tom seco acompanhado da pergunta fez meu corpo gelar, fazendo-me encarar em silêncio. - Vai dizer que você nunca pensou nisso?
- Eu não... - a risada de escárnio me interrompeu.
- Me poupe, . - continuou antes que eu pudesse falar qualquer coisa. - O que nós temos é maior do que qualquer coisa que você tenha com .
- Eu estou com ele desde o começo, eu preciso saber se somos um par ideal, a casa depende da gente. - tentei soar calma e apenas negou com um balançar de cabeça.
- Você está com o desde o começo porque é o que você quer, você podia muito bem ter feito a prova comigo. - o tom de voz elevado e o rosto avermelhado de mostravam toda a exaltação que ele tentava esconder desde o início da conversa.
- Eu não posso largá-lo, eu preciso descobrir se somos um par ideal. - resmunguei e riu. Encarei-o confusa enquanto ele ria de modo exagerado.
- Claro, , você acha tanto que pode ser seu par ideal, que você transou comigo. - o sorriso de lado junto com o tom de voz debochado me fez sentir uma vontade enorme de socar a cara dele.
- Isso foi errado, , eu não devia ter começado a ter algo com você sabendo que eu e podemos ser um par ideal. Minha ideia nunca foi te usar como segunda opção ou algo do tipo, mas quando eu reparei a gente já estava nesse rolo. - falei baixo, recebendo apenas um balançar de cabeça negativo como resposta. - Eu sei que o que você me disse significa muito para você e eu ainda estou com as palavras presas na minha mente, mas eu não podia largar o .
- Claro, os sentimentos dele importam mais né. - o sorriso de continuava em seus lábios e eu sentia uma imensa vontade de gritar.
- Você sabe que não é isso. - meu tom de voz frustrado fez o sorriso de sumir, sobrando apenas os olhos inexpressivos me encarando. - Eu me importo muito com você e eu gosto dos nossos beijos e eu adorei a nossa noite juntos, mas eu não posso fazer isso com vocês dois. Parece que eu estou usando vocês.
- E você percebeu isso quando? Foi antes ou depois de beijar o ? - o sorriso debochado parecia brilhar em seus lábios e eu engoli em seco.
- VOCÊ BEIJOU O ? - o tom de voz alto e estridente de Camille me fez virar o rosto em sua direção, encontrando-a parada na porta com o rosto avermelhado.
É como diz o ditado, nada é tão ruim que não possa piorar.
- Quem você pensa que é para beijar o meu par? - Camille adentrou o quarto, parando de frente para mim.
- Eu não vou falar disso com você. - revirei os olhos e levantei da cama, pronta para sair do quarto e deixar Camille falando com as paredes.
- Você vai me responder sim! - senti o aperto da mão de Camille em meu braço assim que passei do seu lado, fazendo-me parar e dar um tampa em sua mão.
- Não ouse tocar em mim novamente, ou eu vou ser obrigada a te dar a surra que você merece. - falei entredentes observando a loira acariciar o local atingido.
- Então fique longe do . - rebateu de modo emburrado e eu controlei a vontade de revirar os olhos.
- Se você não fosse tão ridícula, não precisaria estar correndo atrás de alguém que já nem te aguenta mais. - olhei-a com desprezo e voltei a caminhar em direção a porta.
- O que você quis dizer com isso?
- Que se você fosse um pouco menos patética e não tratasse o como sua propriedade, talvez ele ainda possuísse algum interesse em você. - virei na direção de Camille e sorri em sua direção, recebendo apenas um olhar irritadiço como resposta.
Desci as escadas e encontrei o pessoal arrumando a sala. Bufei frustrada por não ter conseguido aproveitar a comemoração e me joguei no sofá, passando os olhos pela sala enquanto tentava encontrar . Tombei a cabeça para trás, deitando-a no encosto no sofá ao ter falhado na minha pequena busca e fechei os olhos. Eu me sentia completamente exausta.
- Você sumiu. - abri os olhos assim que ouvi a voz de e sorri minimamente ao encontrá-lo sentado ao meu lado.
- Estive resolvendo umas coisas, estou acabada. - tombei a cabeça para o lado, deixando-a apoiada no ombro de .
- Senti sua falta como degustadora oficial das minhas bebidas. - soltei um resmungo baixo ao lembrar que eu perdi as bebidas de .
- Pode deixar que isso não vai mais acontecer, vou ser toda sua. - senti um gosto amargo na boca ao terminar de pronunciar a frase.
A quem eu queria enganar? Por mais que eu estivesse com , eu não seria completamente dele. Não enquanto e continuassem rondando minha mente.


Capítulo 12 – Day Seventeen

Por
- Você poderia ao menos disfarçar. - Simone falou após longos minutos sentada em silêncio ao meu lado.
- Não sei do que você está falando. - retruquei, mantendo a atenção nas espreguiçadeiras do outro lado da piscina.
- Ah, claro. - o tom de voz irônico me fez encarar a mulher ao meu lado, fazendo-me revirar os olhos ao encontrar sua expressão debochada. - Vai dizer que você fica olhando com essa cara de maníaco psicopata para todos os casais?
- Eles não são um casal. - murmurei entre dentes, voltando a encarar e , que dividiam uma espreguiçadeira.
- Agora que não tem mais você no meio, eles são um casal. - bufei contrariado e Simone riu. - Certo, já pode parar de encarar eles assim. A única pessoa que fica bonita com essa cara é o Adam Levine, você só parece um maluco.
- A última coisa que eu preciso hoje é de você enchendo o meu saco. - falei sério e voltei a encará-la, vendo o sorriso sumir dos lábios de Simone. - Eu não quero te tratar mal ou ser um idiota com você, então, sem piadinhas.
- Olha, se eu pudesse, eu iria lá agora mesmo e batia na cara da até ela acordar e perceber que o não é o par ideal dela. - Simone sorriu e eu retribui o sorriso, empurrando-a levemente com meu ombro.
- Espero que você não esteja falando isso só para me agradar.
- Você sabe que eu não faço essas coisas. - Simone fez uma careta após falar, fazendo-me rir. - Se a achasse que realmente é o par ideal dela, ela nunca teria te beijado, muito menos ido para o quartinho com você.
- Mas ela também beijou o . - murmurei a contragosto.
Eu sabia que o que eu sentia e o jeito que eu me comportava ao ver com outros não era certo, pois não tínhamos nada. E era aí, onde o problema começava. Se ao menos eu estivesse no lugar de , que sempre a teve, mesmo que não por completo, eu já me sentiria melhor. Pois era melhor não a ter completamente, do que o simples fato de não poder beijá-la.
- Mas ela não considerava que estava com você. E antes que você diga algo, isso não é ruim. - franzi o cenho e antes que pudesse perguntar o motivo pelo qual Simone achava aquilo bom, a mulher continuou. - Ela considerava que estava com o , então só prova ainda mais que ela não acha que o é o par ideal dela.
- Eu não teria tanta certeza disso, olhe eles agora. - meneei a cabeça em direção ao suposto casal que trocava carícias e voltei a encarar Simone, que agora retribuía meu olhar com uma careta no rosto.
- Eu não acho que eles dois são um casal, mas eu entendo o ponto da . - revirei os olhos ao ouvir o final da frase e Simone riu. - Eu acredito que no final das contas, ela não acha que é realmente o par ideal dela, mas ela prefere ter a certeza do que começar outro romance. Afinal de contas, isso ainda é um jogo, não podemos esquecer isso.
- Não tem como esquecer isto, com o tanto de câmera nos observando o tempo todo. - sorri de modo irônico.
- Eu não estava falando neste sentido, idiota. - Simone deu um tapa na minha nuca. - Eu quis dizer que você não pode ficar parado, pois nem ao menos sabemos se seria seu par.
- Eu não ficaria parado esperando o resultado da cabine deles. - resmunguei e Simone me encarou de modo debochado. - Aliás, eu vou procurar a Lydia, o ar aqui fora não está me fazendo bem.
- O ciúme deve estar impossibilitando que você consiga respirar bem. - Simone respondeu risonha e eu apenas levantei o dedo médio em sua direção, fazendo-a rir. - Quem cala, consente.
Encarei novamente antes de entrar na casa e suspirei baixo ao ver que a mesma continuava abraçada a . Continuei andando sem rumo pela casa, qualquer coisa era melhor do que ter tão perto e tão distante ao mesmo tempo. Eu não iria procurar Lydia, não queria usá-la como uma distração.
Subi as escadas e caminhei até o quarto, jogando-me na cama que eu costumava ocupar durante a noite e suspirei frustrado. Duas semanas e meia de confinamento, e eu já sentia por algo muito maior do que por qualquer outra mulher daquela casa. Lydia era ótima, era animada e divertida o tempo inteiro, possuía um senso de humor engraçado e era uma excelente ouvinte, mas mesmo com tamanhas qualidades, minha mente me traía e na menor brecha, voltava a tomar conta dos meus pensamentos.
Com Lydia as coisas eram boas, pois eram mais fáceis, não tínhamos um real envolvimento além da amizade e das parcerias nas cerimônias, não existiam sentimentos ali, não existia concorrência, ficar próximo de Lydia era fácil, pois não conhecia seus defeitos.
Com , o controle que eu tanto temia perder, sumia de vista e eu não me sentia realmente assustado. Ela era maravilhosa, em todos os sentidos da palavra. Sua animação era capaz de contagiar qualquer um, era divertida sem precisar forçar e seu senso de humor era único. Ou melhor, era completamente única. Não era o melhor ser humano da casa, era mimada, decidida além do necessário e possuía um pavio curto, além de milhares de outros defeitos, mas eu simplesmente não conseguia gostar menos dela por causa de nenhum defeito.
Fechei os olhos fortemente ao constatar que Lydia era sim maravilhosa, mas que minha aproximação com a mulher foi exclusivamente pelo fato que inconscientemente eu a relacionava com . E então eu me senti o maior otário de todos os tempos.
- Você parece estar em um monólogo muito interessante. - a voz sonolenta de Holly me fez piscar os olhos algumas vezes, voltando a realidade e encarando em seguida a mulher a duas camas de distância.
- Eu o classificaria mais como revelador. - sorri sem mostrar os dentes e levantei da cama. - Espero que eu não tenha te acordado.
- Nah, pode ficar calmo. - Holly murmurou e retribuiu meu sorriso. - Você não falou nada em voz alta.
- Mas vou falar. - acabei pronunciando a frase que mentalizei e Holly franziu o cenho, demonstrando sua dúvida. - Obrigado, Holly, até mais.
Encarei o relógio na parede, sabendo que naquele horário Lydia estaria na cozinha. Dei um sorriso breve na direção de Holly e saí do quarto, caminhando na direção da cozinha, sentindo um cheiro que fez meu estômago roncar assim que adentrei ao cômodo. Passei os olhos rapidamente pela cozinha e encontrei Lydia parada próxima ao fogão, conversando animada com , que mexia em uma panela. Ah, as ironias da vida. Caminhei na direção das mulheres e Lydia logo captou meus movimentos, sorrindo em minha direção e abraçando-me de lado assim que parei próximo a ela.
- Bom dia, não tinha te visto hoje. - falou após sentir minha mão pousar em sua cintura, mantendo o sorriso no rosto. - está fazendo uma comida tipicamente havaiana.
- É muito difícil fazer uma comida típica daqui que não contenha porco ou peixe, e isso é extremamente frustrante. Estou fazendo toda uma reeducação alimentar enquanto começo o processo de virar vegana, não era justo que eu continuasse sentindo pena dos peixes e apoiando o sofrimento dos outros animais. - falou de modo rápido, fazendo-me notar que estava animada com esse novo fato e eu até mesmo fui capaz de notar sua frustração no início da frase. - Eu já vim aqui antes por causa de um campeonato de surf, então lembro um pouco de algumas receitas daqui. Essa que eu estou fazendo eu só precisei tirar o presunto, e ele nem interfere realmente no sabor.
- Quando ela me falou que ia fazer isso, eu não consegui conter uma careta. Parecia uma mistura bem nojenta. - Lydia riu, fazendo com que a acompanhasse na risada e balançasse a cabeça levemente em negação. - Qual o nome mesmo?
- Eu chamo de laiki¹, e não é uma mistura nojenta, ela é apenas diferenciada. - falou de modo divertido, virando em nossa direção e encarando-nos com um sorriso leve nos lábios, que sumiu conforme seus olhos continuavam me encarando. - Bom, como eu dizia, ele é mais leve e mais gostoso do que o american fried race².
- Podemos conversar lá fora? - questionei próximo a orelha de Lydia, recebendo apenas um balançar positivo de cabeça como resposta.
Lydia saiu da cozinha, caminhando na direção da varanda, virei o rosto, notando o olhar de fixo ao meu, fazendo-me arquear a sobrancelha antes de seguir Lydia até a parte externa da casa. Ela acomodava-se em um dos bancos e indicou com um balançar de cabeça o lugar vago ao seu lado.
- Então, você quer falar sobre a reação estranha da na cozinha? - Lydia questionou e eu encostei-me no sofá, apoiando a cabeça ali e encarando o teto. - Ou aquilo é apenas um efeito colateral, já que vocês ficavam?
- É, hm, sim. - respirei fundo e encarei Lydia, notando que seu olhar estava preso no meu. - Não sei o exato motivo de estar assim, já que ela mesmo escolheu ficar com , mas o que eu quero falar tem relação com ela.
- Diga-me, pode falar.
- Eu me envolvi com , percebi que isso você já sabe, mas a gente vem se envolvendo praticamente desde que ela começou a se envolver com o também, e mesmo com ela achando que é o par ideal dela, eu acho que ela pode ser meu par ideal. - analisei as expressões de Lydia, constatando que ela mantinha a mesma calma de antes. - Isso aqui é um jogo, mas eu não quero usar ninguém.
- Certo, mas acho que não estou entendendo. - Lydia murmurou confusa.
- Por mais que eu ache que é meu par ideal, eu não posso parar meu jogo enquanto espero o resultado dela e de sair. - Lydia tombou a cabeça para o lado e revirou os olhos, fazendo-me franzir o cenho.
- Eu não sou retardada, , isso eu entendi. - murmurou risonha.
- Como eu estava falando, eu não posso ficar esperando pela , e é exatamente aí que você entra. - Lydia arqueou a sobrancelha, fazendo-me voltar a falar ao vê-la abrindo a boca. - Eu te achava o máximo, mas não entendi quando colocaram a gente juntos na cerimônia, ‘pra mim, isso não tinha a mínima lógica, até que a gente começou a conversar e eu cogitei a ideia de que, talvez você poderia ser meu par ideal.
- Você chegou a cogitar? - o tom de voz desconfiado de Lydia e a expressão debochada me fizeram rir, sendo acompanhado por ela.
- Sim, mas hoje eu entendi o motivo pelo qual eu cogitei que você pudesse ser meu par ideal, e eu não me orgulho disto. - Lydia franziu o cenho e eu suspirei baixo. - Eu entendi que era pelo fato de que eu buscava te comparar com a . O jeito irônico e engraçado de vocês, as palhaçadas, sendo que você é uma pessoa maravilhosa e não merece que eu esteja aqui apenas comparando você com a .
- Vai ver as mulheres com alguns parafusos a menos, sinceras, determinadas e engraçadas são o seu tipo. - Lydia comentou de modo risonho, fazendo-me rir. - Mas falando sério, você não precisava ter me falado isto.
- Claro que precisava. Se vamos continuar nos aproximando, eu quero ser extremamente sincero com você. - sorri abertamente e Lydia retribuiu o sorriso. - Eu quero me relacionar com você por causa de quem você é, e não pelo fato de que você me lembra alguém.
- Já que você quer ser extremamente sincero, diga-me, o que você sente pela ? - Lydia questionou com um sorriso de lado, fazendo-me suspirar.
- Ainda é muito cedo para eu dizer algo com propriedade, mas eu sei que gosto dela e ela mexe comigo de um jeito que eu não consigo controlar. - Lydia sorriu fraco. - E isso é um problema?
- Não, , nenhum problema. - sorriu sincera. - Eu acho que Mike é meu par ideal, se não for ele, pode ser você. Estamos basicamente só testando as opções.
- Assim eu me sinto usado. - murmurei risonho, recebendo um tapa fraco de Lydia no braço.
- Com um físico desses, eu faço questão de fazer você se sentir outras coisas. - Lydia falou com um sorriso nos lábios, fazendo-me rir e balançar a cabeça levemente.
- Hm, Lyd, a comida está pronta. - falou ao parar a nossa frente, porém com o olhar preso em Lydia. - É bom comer logo após o prato ser preparado.
- Você quer nos acompanhar? - Lydia questionou ao levantar-se, encarando-me com a sobrancelha arqueada e um sorriso irônico nos lábios.
- Vou dispensar esse convite, preciso encontrar a Simone. - levantei-me do sofá e Lydia concordou com um balançar de cabeça, aproximando-se rapidamente e selando nossos lábios levemente.
- Nos vemos depois, . - Lydia piscou e segurou-se ao braço de , que encarava-me seriamente. - Vamos, ?

Day Nineteen
- Você não vai passar o luau inteiro sentado, encarando todo mundo se divertir. - Lydia parou a minha frente e estendeu a mão em minha direção. - Vamos dançar, que hoje é dia de festa.
Finalizei a bebida de meu copo, colocando-o no sofá e estendendo a mão para Lydia, que enlaçou seus dedos nos meus. Seguimos até o meio do quintal, onde outros participantes também dançavam.
- Aqui fora podia ser assim todo dia. - soprei próximo a nuca de Lydia, conforme encarava a decoração com luzes e tochas que estendiam-se por toda a parte externa.
- Menos papo e mais dança, bonitinho. - Lydia virou-se, ficando de frente para mim e rebolando no ritmo da música. - conversou com você?
- Achei que era para cortar o papo. - falei de modo sacana ao segurar na cintura de Lydia, acompanhando-a na dança. - Mas, respondendo a sua pergunta, não.
- Ela me perguntou se estávamos juntos. - Lydia aproximou-se, deixando nossos corpos quase colados e abaixando o tom de voz ao continuar a frase. - Parecia bastante ansiosa para saber minha resposta.
- Não sei que diferença isto faria na vida dela, ela acha que é o par ideal. - resmunguei e ouvi risada baixa de Lydia.
- Ah, , você não conhece as mulheres. - murmurou risonha. - Depois continuamos a conversa, sua amiga está vindo aí.
Lydia afastou nossos corpos e virei-me na direção que a mulher encarava, observando Simone caminhar animada em nossa direção. Simone apoiou-se em meu ombro assim que parou ao meu lado e sorriu na direção de Lydia, que saiu alegando ir buscar mais bebidas.
- Achei que vocês apenas ficavam próximos por causa da cerimônia. - Simone virou-se em minha direção, começando a falar quando Lydia já estava afastada.
- Lydia é uma mulher atraente, se nós hipoteticamente podemos ser um par ideal, eu gostaria de conhecê-la melhor. - dei de ombros e cruzei o braço a frente do corpo. - Isso aqui continua sendo um jogo, não posso colocar minha expectativa em apenas uma pessoa.
- Se estivesse com você, suas expectativas estariam em alguém além dela? - o tom de voz debochado e o arquear de sobrancelhas me vez revirar o olhos.
- Bem, eu não estou com ela, então não vejo motivos para responder a esta pergunta. - murmurei de modo indiferente, por mais que a resposta fosse extremamente óbvia e clara em minha mente. - Aliás, tem tanta certeza de que ela e são um par ideal, que eu acho que vou até esquecer que considerava eu e ela um par ideal.
- Eu tenho vontade de socar essa sua cara bonitinha quando você age como um adolescente com um amor não correspondido. - ri de sua comparação, observando-a completamente séria a minha frente. - Eu e você sabemos que ela não tem tanta certeza, principalmente depois da conversa de vocês.
- A conversa onde ela disse que nunca me considerou o par ideal? - questionei irônico e Simone revirou os olhos. - Era apenas tesão, ela só queria transar comigo e ponto.
- Acho que se fosse só isto, ela não estaria me perguntando se eu sei de algo sobre você e Lydia. - Simone arqueou a sobrancelha e sorriu de lado.
- Então me diga o motivo dela agir igual uma adolescente e ignorar minha presença?
- Você ficou implicando com ela até conseguir beijá-la, e agora você quer falar de como ela deve agir? Não estou bêbada o suficiente para aguentar a sua hipocrisia. - Simone falou rapidamente e afastou-se, deixando-me ali sozinho.
Respirei fundo e bufei frustrado, sabia que Simone estava certa, mas ter ignorando minha presença não era algo que animava meu humor. Fui até o bar e peguei a garrafa de vodca que estava aberta, saindo da parte onde a festa de fato acontecia e indo para a piscina.
Tirei o chinelo que usava ao me aproximar da piscina e sentei na borda, molhando as pernas e sentindo o arrepio ao contato da água gelada com minha pele. Levei a garrafa até a boca e senti o líquido descer queimando, logo ignorando o frio que sentia pela água.
- Ainda acho que deveria jogar você nessa piscina como vingança. - ouvi o tom de voz hesitante sobressair a música que ecoava baixo e não precisei virar-me para ver quem era, tomando outro gole generoso. - Déjà-vu.
- Decidiu parar de ignorar minha presença, princesa? - questionei irônico, frisando o apelido que ela odiava.
- Eu precisava pensar em tudo o que você falou. - sentou do meu lado, roubando a garrafa de minha mão e bebendo rapidamente.
- Certeza que você pensou bastante enquanto estava grudada no . - o tom de voz ácido saiu sem que eu pudesse controlar, fazendo-me pegar a garrafa de volta e beber, ouvindo um suspiro.
- Se formos julgarmos assim, então devo considerar que você não acredita mais que somos um par ideal, já que está com a Lydia. - falou de modo irônico, fazendo-me soltar uma risada debochada e virar o rosto em sua direção.
- Você só pode estar brincando. - murmurei descrente, mantendo atenção em seu rosto e dei outro gole na bebida. - Você sequer cogitava a ideia de que fossemos um par ideal e agora está aqui falando disso. Isso aqui é um jogo, , não posso ficar parado esperando por você.
- Você disse certo, não cogitava. - respondeu calmamente, virando o rosto em minha direção e mantendo o olhar preso ao meu, fazendo-me respirar profundamente enquanto os diversos significados daquela frase brincavam em minha mente.
inclinou-se na minha direção e pegou outra vez a bebida, virando-a por longos segundos enquanto encarava o céu. Devolveu-me a bebida e apoiou a mão no chão, sustentando seu corpo e tombou a cabeça, praticamente apoiando-a em seu ombro, diminuindo consideravelmente a distância entre nós dois.
- Você está me devendo um beijo aqui desde o segundo dia. - murmurou com o olhar preso em meus lábios, fazendo-me dar um gole na bebida.
- Dezessete dias esperando um beijo é bastante tempo. - rebati, observando seu sorriso capturar toda minha atenção.
- Então não me faça esperar mais. - falou após aproximar-se de olhos fechados, soprando as palavras contra meus lábios.
- O que você quis dizer ao falar que não cogitava? - levantei meu olhar, encarando seus olhos e sorri fraco ao ouvir a risada fraca.
- Você sabe o que eu quis dizer, . - sustentou meu olhar e abriu um sorriso de lado. - Eu acredito que você possa ser meu par ideal.
Abri um sorriso instantâneo e pousei a mão na nuca de , trazendo seu rosto em direção ao meu. Seus olhos estavam fixos aos meus e um sorriso estampava seus lábios, o que deixava-me com vontade de aumentar meu sorriso. Mordisquei seu lábio e observei fechando os olhos e suspirando.
- Estava ansioso para ouvir isto. - sussurrei com os lábios quase colado aos de , vendo-a sorrir novamente.
- Agora que ouviu, você já poderia me beijar. - o tom de voz manhoso fez com o que eu fechasse os olhos, logo sentindo os lábios de colados aos meus.
Embrenhei minha mão no cabelo de , puxando levemente sua cabeça para trás e aprofundando o beijo, sentindo sua mão segurar forte em meu ombro. O beijo calmo contrastava com toda a agitação que eu sentia, mas eu precisava de controle.
- Acho que você deve procurar o . - murmurei contrariado após romper o beijo, tirando a mão de sua nuca.
Era difícil manter-me firme enquanto encarava completamente entregue a mim, com os olhos fechados e os lábios avermelhados entreabertos, com o corpo perigosamente perto do meu. Observei conforme seus olhos abriam e o descontentamento ficava evidente em seu rosto, observando o bico infantil que formava em seus lábios e a tornava mais irresistível.
- Pensei que você quisesse me beijar. - sua voz saiu em um simples sussurro e se minha atenção não estivesse presa em seus lábios, teria que pedir para ela repetir a frase.
- Eu queria, Boo, e ainda quero. - respondi com um sorriso fraco nos lábios. - Mas eu sei que por mais que você cogite que eu possa ser seu par ideal, você vai continuar com o até ter total certeza de que ele não é, e eu não aguentaria ter algo com você enquanto você continua com ele.
apenas concordou com um balançar fraco de cabeça e levantou-se sorrindo com os lábios fechados, logo seguindo seu caminho de volta para a festa e deixando-me ali sozinho. Encarei a garrafa quase vazia ao meu lado e bebi até esvaziá-la, disposto a ignorar a vontade de levantar dali e beijar o resto da noite.

Day Twenty-One
O local da cerimônia estava praticamente igual, exceto pelo pequeno fato de que Marnie e Nathan já se encontravam sentados nas poltronas que ficavam de frente para os dez feixes acesos que representavam cada par ideal.
Conforme o revezamento semanal, agora era os homens que escolhiam seus pares para a cerimônia de hoje. Apenas Fred, Isaac, Mike e Ryan mudaram de pares após a cerimônia anterior, numa suposta melhoria de estratégia, que deveria nos trazer mais feixes do que apenas os três passados.
Encarei ao notar que o mesmo voltava acompanhado de para sentar-se na poltrona próxima a minha, observando com a postura tensa ao encarar o suposto casal caminhando. Suspirei frustrado, tudo o que eu não precisava era de mais alguém para disputar a atenção de , ele que continuasse com Camille.
- Todos os nove pares já estão registrados e agora chegou a hora da verdade. - Terrence falou ao encarar todos os dez casais presentes ali: e Camille, eu e Lydia, e , Fred e Chloé, Grant e Riley, Hunter e Chelsey, Isaac e Holly, Mike e Simone, Ryan e Jasmine, e por enquanto nosso único acerto, Nathan e Marnie. - Como vocês sabem, cada feixe de luz corresponde a um de vocês, então quando os dez estiverem acesos simultaneamente, teremos dez pares ideais e um milhão de dólares no bolso de vocês. - caminhou até ficar de frente para os tablets, parando ali com as mãos próximas ao aparelho. - Um feixe de luz vai permanecer aceso e ele representa Marnie e Nathan, agora chegou o momento de vocês saberem se formaram mais pares.
A iluminação diminuiu e os dez feixes de luz apagaram no mesmo momento. Terrence repetiu o ritual de cerimônia, e assim que suas mãos encostaram na tela do tablet, o primeiro feixe imediatamente acendeu, representando Marnie e Nathan. Os segundos pareciam passar arrastados, aumentando a tensão presente ali e fazendo com o que eu abraçasse fortemente Lydia com o braço que estava em sua volta. Após o que pareceram longos minutos, o segundo feixe acendeu, fazendo-me soltar o ar que eu ao menos tinha percebido que prendia enquanto alguns dos outros participantes gritavam animados. O terceiro feixe não tardou em aparecer, aumentando a animação de todos ali.
- Será que tem mais um? - Terrence questionou, fazendo-me sentir tenso novamente ao notar que os segundos passavam rapidamente e o quarto feixe não acendia.
Lydia fincou as unhas em minha coxa conforme murmurava baixinho “mais um, por favor” praticamente inaudível enquanto outros gritavam. Encarei rapidamente , que balançou a cabeça levemente em um gesto negativo e piscou um olho. Voltei a atenção para os feixes de luzes e bufei frustrado ao ver a iluminação voltar ao normal.
- Três feixes, apenas três. - Terrence falou ao virar-se novamente de frente para nós. - Desses três feixes, um já estava certo, o que nos leva ao fato de que vocês acertaram apenas dois casais nessa cerimônia. Vocês não podem deixar o número de feixes cair, vocês precisam se esforçar mais se querem achar o par ideal e sair daqui um ganhador. - o tom de voz sério fazia com o que apenas balançássemos a cabeça em concordância, não tínhamos o que falar e sabíamos que Terrence estava certo. - Se vocês querem ganhar, vocês precisam se empenhar mais e descobrir uma nova estratégia, pois essa de vocês não está funcionando. Espero que vocês melhorem. Nos vemos na prova dos pares.
- Não me digam que vocês estão surpresos por essa droga de estratégia não estar funcionando. - a voz de se sobressaiu sobre os murmúrios enquanto caminhávamos de volta para a casa. - Essa porra só vai dar certo quando vocês saírem da zona de conforto de vocês, é para isto que estamos aqui.
- Não tem ninguém aqui que me faça sair da zona de conforto. - Lydia murmurou, fazendo-me rir baixo, porém não baixo o suficiente para escapar do olhar matador que me direcionou.
- No seu caso pode ser alguém que não te faça sair da sua zona de conforto, mas que seja diferente do seu usual e do que você costuma escolher lá fora, às vezes você vai continuar na sua zona de conforto, porém sua vida irá virar de cabeça para baixo e fará com o que você veja por outra perspectiva. - o tom de outrora debochado e irônico de deu lugar para uma voz calma, porém toda a intensidade encontrava-se em seus olhos que encaravam-me fixamente.

Laiki ou arroz havaiano: é uma receita que consiste em cebola, pimentão, abacaxi, gengibre, molho de soja, ervilhas e presunto, misturados ao arroz.
American fried race ou arroz frito americano: é um prato chinês tailandês, com ingredientes secundários americanos como frango frito, presunto, passa, ketchup e ingredientes opcionais como abacaxi e croutons.



Capítulo 13 – Day Twenty-Two

Por
- E então, o que você vai fazer? - Chloé questionou ao sentar do meu lado.
- Passar o dia deitada no sofá. - resmunguei ao tentar me acomodar melhor.
- Hoje é dia de prova, . - gemi baixinho em frustração, ouvindo a risada da loira. - Eles já terminaram o almoço, mas Camille fez carne.
- Tudo bem, depois eu preparo algo para comer. - sorri para ela, recebendo um leve balançar de cabeça como resposta.
Observei Chloé voltar para a cozinha e suspirei fundo, sem vontade nenhuma de ir para a cozinha. Aceitei a ideia de comer apenas salada, já que a preguiça me impedia de cogitar o preparo de algo que demandasse tempo. Levantei contrariada do sofá e segui até a cozinha, eu precisava comer algo antes que Terrence chegasse. Sentei no banco próximo a bancada e observei as poucas pessoas que estavam espalhadas por ali.
- Achei todo mundo já tinha comido. - falou ao sentar do meu lado.
- Acredito que todos já comeram. - murmurei e recebi um levantar de sobrancelha como resposta. - Bem, todos que comem carne.
- Você é vegetariana? - questionou com um sorriso nos lábios.
- Estou tentando virar já faz alguns dias, e sendo sincera, eu ainda confundi com o veganismo. Jasmine me explicou a diferença entre os dois, e eu espero ser vegana um dia, mas ainda estou me acostumando a ser vegetariana e preciso aprender muitas coisas. - retribui o sorriso. - Cortar carne não foi um problema, mas preciso me atentar mais aos outros produtos de origem animal e pesquisar sobre as empresas que consumo.
- Você já tinha meio caminho andado, não gostava de peixes. - sorri abertamente, surpresa e feliz por lembrar daquele detalhe, e concordei com a cabeça. - Lá fora fica mais fácil de você virar vegana, se quiser, eu te falo algumas marcas muito boas que substituem os alimentos derivados.
- Eu adoraria. - sorriu. - Mas você não é vegano, né?
- Não, por mais que eu conheça e coma alguns produtos eu não abandonei a carne, não é algo extremamente fácil para quem está no começo da carreira de ator. - deu de ombros. - Minha irmã vive reclamando disso, mas quem sabe agora eu finalmente pare.
- Eu até te convidaria para comer algo vegetariano comigo, mas eu estou com preguiça de cozinhar. - murmurei e riu. - Mas se você quiser me acompanhar na salada, deve ter sobrado algum arroz.
- Nós temos prova hoje, , pode requer esforço físico. - revirei os olhos, não precisava de outra pessoa me lembrando que logo mais teria prova enquanto eu sentia zero disposição. - Você precisa estar preparada para a prova.
- Eu sei.
- O arroz que sobrou não é o suficiente para uma boa refeição e você pode comer muito mais do que só uma salada para tapear a fome. - sorriu e eu arqueei a sobrancelha. - E é por isso que hoje eu vou cozinhar para você.
Observei o sorriso tímido de , enquanto seus olhos permaneciam atentos em mim, como se esperasse que a qualquer momento eu fosse negar o seu pseudo pedido, o que eu não era nem um pouco capaz. Primeiro pelo fato de que a companhia de era completamente agradável e ele era um doce, e segundo, eu estava morrendo de fome.
- Bom, acho que vamos almoçar juntos então. - sorri abertamente e levantei do banco, parando de frente para o armário. - Certo, do que você precisa?
- Eu preciso que você fique sentada no banco quietinha e que descanse para a prova, já que um certo passarinho loiro comentou que você está com preguiça. - a voz de soou próxima a minha nuca, fazendo-me respirar fundo ao sentir sua respiração eriçando meus pelos. - Eu te disse que eu vou cozinhar para você.
- Olha, eu não vou protestar. - resmunguei risonha, prendendo o riso em seguida ao sentir as mãos de meus ombros, virando-me de frente para ele e notando o quão próximo estávamos. - Hm, eu vou sentar.
afastou-se rapidamente e pouco antes de virar-se de costas, eu pude notar o leve rubor em seu rosto enquanto ele mordia os lábios, fazendo-me praguejar mentalmente ao lembrar o quão bom era ter seus lábios juntos ao meu e como sua timidez era algo que me deixava interessada, eu não podia negar que sua aura tímida era o meu ponto fraco. Foco, , você precisa focar em apenas um, repeti mentalmente diversas vezes até sentar-me no banco.
- Então, o que vamos comer? - questionei ao encarar mexendo nos armários.
- Uma comida boa e prática que minha irmã sempre faz quando vai me visitar, acabei aprendendo a receita. - respondeu ao separar os alimentos. - Panqueca rosa com brócolis e cogumelos.
- Acho que nunca vi cogumelos por essa cozinha. - murmurei concentrada nos desenhos abstratos que minha unha fazia na bancada e ouvi o riso baixo. - É tão bom conversar com você sem os outros por perto e sem insinuações da Camille sobre mim.
- Camille é... complicada, mas ela não é de fato uma má pessoa. - falou após longos segundos procurando uma palavra que pudesse classificar a loira.
- Compreendo isto, mas todos nós possuímos algumas complicações e não é certo que ela se alivie me atacando. - dei de ombros. - Eu entendo que ela acha que vocês dois são um par ideal e que eu estou estragando a relação de vocês, mas vocês não possuem a confirmação e isto aqui é um jogo. Vocês precisam ter outras opções e Camille não pode ficar focada apenas em você, e também não pode ficar puta pelo fato de que nós dois estamos nos conhecendo.
- Eu já conversei sobre isso com ela. Ela diz que entende, até que acontece algo entre nós dois e ela esquece tudo o que conversamos e começa com as ofensas. - bufou ao se dirigir para o fogão. - Eu parei de acreditar que eu e Camille somos um par ideal exatamente por isso, não gosto do jeito que ela age com você e muito menos acho certo. Tive problemas assim em meus relacionamentos passados, tenho certeza que os especialistas não me colocariam com alguém tão parecido com as minhas ex’s.
- Eu sou completamente contra a rivalidade feminina, mas infelizmente isso é algo que sempre está presente em todas as temporadas desse programa. - resmunguei frustrada ao lembrar que eu acreditava piamente que não teríamos aquele problema. - Eu realmente achei que não teria algum problema ficar com você, já que vocês não possuem de fato um relacionamento, mas Camille não pensa do mesmo jeito que eu, e eu não posso julgá-la por isso.
- Como assim? - virou-se de frente para mim, apoiando a cintura ao lado do fogão e encarando meu rosto atentamente.
- Eu e estamos tentando descobrir se somos um par ideal, e por mais que a gente se beije, nós não estamos juntos. - balançou a cabeça em um aceno, demonstrando que tinha compreendido. - Eu já beijei outras pessoas e também, mas eu não fico xingando as garotas ou criando rivalidade com elas. Se eu e ele formos um par ideal, a partir do momento que a gente sair daqui e formos para a lua-de-mel, esqueceremos o que aconteceu na casa e tentaremos levar esse relacionamento do jeito mais sério possível. Por outro lado, se não formos um par ideal, saberemos com quem criar uma intimidade, pois não ficamos presos apenas a nós mesmos, por mais que agora eu só esteja ficando com o .
- Acho que você é a primeira pessoa, dentre todos os participantes de todas as temporadas, que vê isto como um jogo, mas que joga com o coração e a razão. - sorriu abertamente e eu retribui o sorriso. - Sabe, acho que todo dia você me surpreende.
- Espero que seja de um jeito positivo. - arqueei a sobrancelha, mordendo os lábios para conter o sorriso ao ver corar e virar-se de volta para o fogão. - Bom, acho que já tenho minha resposta.
- Sim, , você sempre me surpreende positivamente e é em diversos aspectos. - falou voltando a me encarar com um sorriso nos lábios. - Agora que a massa já está pronta, vou preparar o recheio.

(...)

- Falei que você precisaria estar bem alimentada. - murmurou próximo ao meu ouvido assim que chegamos na área aberta onde ocorriam as provas.
- Muito obrigada. - sorri abertamente em sua direção. - Depois você precisa me passar aquela receita, eu adorei.
- Claro que passo, percebi que você adorou na terceira vez que você falou isso. - o tom risonho me fez rir baixo enquanto eu o encarava fingindo estar brava. - Mas o segredo não é a receita, é o cozinheiro.
Pisquei os olhos lentamente e continuei com o olhar fixo em , ainda tentando acreditar que tinha escutado corretamente, mas o tom avermelhado nas bochechas e o contato visual nulo confirmava que sim, eu tinha escutado perfeitamente.
- Então o cozinheiro terá que ir cozinhar para mim. - comentei séria e arregalou os olhos, fazendo-me rir e cortar o contato visual. - Isso se ele estiver a fim.
- Hm, sim, é, está. - mordi os lábios contendo o riso ao ouvir o tom de voz envergonhado de .
Eu estava fixa na ideia de ficar somente com , mas se continuar com seus sorrisos de lado, o rubor nas bochechas e seu jeito leve e envergonhado, não demoraria para que eu simplesmente ignorasse a ideia e ficasse novamente com .
- Certo, vamos começar? - Terrence questionou ao ver que estávamos todos ali. - O desafio de hoje dará um passeio maravilhoso aos casais vencedores, então antes de começar, eu quero que todos formem os casais agora.
Caminhei calmamente até com um sorriso de lado, parando a sua frente e observando Terrence. O apresentador esperou até que todos estivéssemos com nossos devidos pares e afastou-se do objeto em forma de árvore que possuía bexigas por quase toda a sua superfície. Mantive o olhar fixo em Terrence, observando ir até uma estrutura que possuía dez corações, colando os nomes dos pares ali.
- Quantos aqui já estiveram em bolhas do amor? Sabe, quando você está tão apaixonado por alguém que só consegue ver o lado bom, sem ver nenhuma das falhas. - Terrence refez o caminho, dessa vez vindo até nós e nos entregando pulseiras coloridas, onde cada par possuía uma cor. - E então quando encaramos a realidade do relacionamento, pronto, a bolha estoura e todas as falhas do outro vem à tona. - retornou ao seu lugar próximo as bexigas. - Esse é o objetivo de hoje, e o nome da prova é “Estourando a Bolha”.
- Oh porra. - murmurei baixo enquanto ouvia exclamações dos outros participantes.
- Vocês e seus parceiros vão correr até essas palmeiras e estourar os balões das suas cores, representadas pelas pulseiras que entreguei. - Terrence nos encarou atentamente, recebendo apenas alguns acenos de cabeça como resposta. - Parece fácil, mas tem um porém, vocês não podem usar as mãos.
- SEM AS MÃOS? - Lydia praticamente gritou, arrancando algumas risadas.
- Vocês têm que usar o corpo de forma bem criativa para estourar os balões. - Terrence piscou, nos fazendo rir. - Ao estourar, vocês vão encontrar números dentro de cada balão. Uma vez que tiverem esses números, vocês terão que usá-los para descobrir a combinação e abrir a fechadura dos corações. Os três primeiros casais a finalizarem o desafio, irão para o passeio dos casais. Prontos para começar?
- SIM. - gritamos em uníssono.
- Em suas marcas. - Terrence falou ao afastar das palmeiras com os balões. - Vão.
Corri rapidamente até a árvore, pegando o balão azul e segurando-o rente a minha barriga. abraçou-me pelos ombros e colou nossos corpos, apertando-me fortemente e estourando a bexiga. Abaixei na grama e peguei a forma redonda, observando um asterisco ali e bufando frustrada. Levantei e vi aproximando-se com outro balão azul, não pensei duas vezes antes de ir até ele e jogar-me contra seu corpo, sentindo a bexiga escorregar e ir para o chão.
- Odeio não poder estourar isso com a unha. - murmurei para que voltava a se aproximar com o balão recém-recuperado.
- Precisamos ser rápidos, alguns casais já estão indo para o cadeado. - balancei a cabeça afirmativamente e peguei o balão da mão de .
- Deita no chão. - apontei para a grama e vi as sobrancelhas do meu par se arquearem em sinal de confusão. - Só deita, , precisamos recuperar o tempo.
Observei deitar e antes mesmo que ele se acomodasse completamente eu já estava pressionando a bola em sua barriga e sentando em cima. Estouramos de primeira e eu levantei correndo enquanto pegava o objeto redondo. Repetimos a mesma tática mais três vezes, até que tivéssemos estourado todas as bolas com nossas cores. Saímos correndo com os números em mãos, já que tinham alguns casais a nossa frente. Sentei na grama, ficando de frente para o coração destinado a mim e , e peguei o cadeado.
- Temos o primeiro casal ganhador. - virei o rosto na direção de Terrence e vi Fred e Chloé comemorando.
- Vamos, , precisamos ganhar esse desafio para ir para a cabine. - chamou minha atenção, fazendo com o que eu voltasse a atenção para o cadeado. - Coloca 913.
- E o segundo casal ganhador é Isaac e Holly. - Terrence falou animado e eu bufei.
Foquei a atenção no cadeado, tentando ignorar a frustração que crescia em mim. Eu sabia que Terrence não tinha culpa, mas Isaac e Holly sequer são um casal. Entendo que todos querem ganhar a prova e sair um pouco da casa, mas os outros participantes acreditam que eu e ou Camille e somos um par ideal. Nenhum de nós dois ganhando a prova, é um grande desperdício de cabine.
- E o último casal é e Lydia. - bufei frustrada, levantando-me do chão e abraçando . - Acabou o tempo.
Estava feliz pelos casais que ganharam, até mesmo por e Lydia, ele precisava criar outras conexões enquanto não tenho confirmação sobre . Mas não negaria que estava puta, principalmente comigo mesma. Eu preciso ganhar as provas se quero saber se e eu somos um par ideal, e preciso ganhar por esforço próprio.
- Parabéns aos três casais vencedores. O passeio de amanhã será um tour de caiaque na praia de Makena, após isso, vocês assistirão ao pôr do sol e terão um tempo para se conhecerem melhor. - Terrence explicava com um sorriso aberto. - Enquanto os três casais estiverem no passeio, vocês da casa ficarão encarregados de escolher um casal para mandar para a cabine da verdade. E como vocês já sabem, a cabine da verdade é o único local que confirma se vocês são realmente um par ideal. Vejo vocês amanhã na cabine da verdade.
- Não fique com essa cara, . - sussurrou em meu ouvido ao me abraçar. - Não é como se pudéssemos ganhar todas as provas.
- Mas a casa estava contando com a nossa vitória para podermos ir para a cabine. - resmunguei ao desfazer o abraço, encarando o rosto do meu parceiro. - Agora nenhum dos supostos pares ideias vão para a cabine.
- Isso acontece, , e pode ter certeza que nenhum deles irá reclamar conosco, eles sabem que isto acontece. - apertou minha mão, um gesto para que eu acreditasse nele, me fazendo sorrir. - Não se preocupe, ainda temos a prova da semana que vem, sem contar que um desses casais pode acabar sendo um casal ideal sem a gente nem suspeitar, você sabe que isto acontece e que geralmente é bem comum no programa. Igual Marnie e Nathan, foi uma surpresa para a maioria de nós.
- Uma parte de mim queria que os outros casais facilitasse as coisas para a gente, mas eu sei o quanto isso seria errado e que eu preciso me esforçar para poder ganhar a prova. - confidenciei baixo para , pois eu mesma me julgava por ter aquele tipo de pensamento. - E eu acreditava que Marnie e Nathan eram um par ideal.
- Eu te entendo, , uma parte minha também pensava assim. - parou de andar, fazendo com o que eu fizesse o mesmo, e parou na minha frente. - Eu quero muito, muito mesmo, saber se somos um par ideal, mas nós precisamos fazer por merecer para descobrir.
Abri um sorriso sincero e abracei pela cintura, aproximando nossos rostos e encarando-o atentamente. Sua expressão serena não demonstrava qualquer sinal de emoção negativa por termos perdido a prova, motivo pelo qual aumentei meu sorriso. Em todos os dias confinada com , não tinha sequer um dia que o encontrei triste ou raivoso.
- Devo ficar assustado por você ficar me encarando assim? - questionou risonho e eu rolei os olhos.
- Ridículo. - murmurei e dei um tapa fraco em seu peito, recebendo um selinho de em seguida.
Ali, naquele momento de intimidade com , eu me sentia completamente perdida e confusa. Agora eu já não possuía mais a vontade de não ser o par ideal de , igual confidenciei a Marnie noites atrás, seria ótimo sermos um casal, mas agora tinham pessoas demais envolvidas, como e .
Agora eu compreendia que a tensão sexual que pairava sobre eu e era imensa, mas era muito mais do que só tesão, mesmo que eu ainda não saiba identificar o que sinto por ele, o importante é que eu já sei que eu sinto. O problema era que com , eu me sentia em um campo minado, sem saber onde pisar, o que não acontecia com , e muito menos com .
Eu não poderia me enganar, o tipo de era um ao qual eu nunca fui imune, e eu sabia que aqui não seria diferente. Enquanto com foi tudo muito rápido e com foi muito intenso, as coisas com eram quase naturais, e não possuiriam nenhum problema se Camille não fosse tão... Camille.
Era complicado, pois eu não podia simplesmente compará-los. Enquanto era brisa, era ventania e era, sem sombra de dúvidas, furacão. A presença de era leve, agradável e sempre reconfortante; a de já era mais intensa ao mesmo modo que era amena, além de constante, e a de era forte e devastadora, incapaz de sair sem deixar uma marca.
- , está tudo bem? - escutei o tom de voz cauteloso de e pisquei os olhos, voltando a encará-lo e engolindo minhas dúvidas.
- Sim, só estava pensando em como seria bom ir para esse passeio com você. - sorri de lábios fechados.
Não era de fato uma mentira, seria bom ir para o passeio com o , porém pelo outro lado, eu não me sentia preparada para descobrir o resultado da cabine da verdade. No fundo eu sabia que independentemente do resultado, compatíveis ou não, eu ficaria feliz e triste ao mesmo tempo. Mas o que me fez ficar mal foi a certeza que me atingiu no momento em que constatei que eu estava feliz por não ter ganho a prova, assim eu não podia tentar me preparar para a cabine.
- Teremos outros passeios tão legais quanto esse e iremos aproveitar bastante. - selou nossos lábios após finalizar a frase. - Agora vamos logo para a casa.

(...)

Me debrucei na parte aberta do guarda-roupa e me estiquei o máximo que eu conseguia, tentando inutilmente alcançar a mala em cima do guarda-roupa. Praguejei mentalmente, pela centésima vez por ter deixado a mala inalcançável para mim e bufei frustrada, desistindo de tentar pegá-la.
- Com problemas, princesa? - rolei os olhos ao ouvir o apelido, mas não consegui conter o sorriso de lado e virei na direção de .
- Você estava vendo minha tentativa frustrada esse tempo todo e não falou nada? - arqueei a sobrancelha e falei séria, porém o sorriso permanecia em meus lábios.
- Eu cheguei aqui quase agora. - levantou as mãos em sinal de rendição, mas o sorriso aberto e irônico contradizia sua fala. - Na verdade, eu queria ver até onde você iria antes de desistir.
- Ridículo. - ouvi sua risada, ele sabia que eu não estava falando sério, e virei-me novamente de frente para o guarda-roupa.
- Deixa que eu te ajudo com isso. - soprou as palavras calmamente em minha nuca, eriçando meus pelos devido ao contato repentino.
esticou-se atrás de mim ao tentar alcançar minha mala, roçando seu corpo no meu e fazendo-me respirar fundo. Eu não sabia se estava movimentando-se devagar e tentando me provocar ou se era minha mente masoquista que estava desacelerando o tempo e aumentando o tempo de contato entre nossos corpos.
- Pronto. - ouvi a voz de após torturantes segundos, ou minutos, e então seu corpo já estava distante o suficiente do meu. Infelizmente.
- Obrigada. Se não fosse por você, eu teria que dormir assim. - agachei próxima a mala. - Esqueci de botar o pijama mais cedo na máquina e não tinha nenhum outro no armário.
- Sempre bom ter mais de uma opção a sua disposição, . - levantei a cabeça e encarei , sabendo que já não estávamos mais falando sobre roupas. - Quando um não estiver lá, o outro vai estar.
- Mas eu tenho mais de uma opção, só não acho necessário que isso fique na cara. - dei de ombros e me levantei com o pijama em mãos. - Desde que eu saiba que eu tenho outro, está tudo certo para mim.
- Preciso admitir que estou surpreso por você possuir mais de uma opção. - falou de modo calmo conforme se aproximava.
- Eu só preciso saber se minha opção não se importa de saber que eu tenho mais de uma. - parou de se aproximar e me encarou com os lábios pressionados em linha. - Você se importa?
franziu o cenho e mordeu o lábio inferior, piscando diversas vezes enquanto parecia tentar entender o que eu lhe tinha dito. Abriu um sorriso de lado e cortou a pouca distância entre nós, me prensando contra as portas do guarda-roupa, com uma mão firme em minha cintura e olhar preso ao meu.
- Não. - respondeu simplesmente, inclinando o rosto em minha direção e mantendo nossas bocas afastadas por míseros milímetros.
- Você não deveria beijar alguém já que vai sair em um encontro com outra pessoa amanhã. - falei baixo, completamente ciente de que nem se eu quisesse iria conseguir aumentar o tom de voz, não com seu corpo tão próximo do meu e do aperto que sua mão fazia em minha cintura. - E você sabe que nós não deveríamos estar fazendo isso.
- Eu não me importo. - falou pausadamente, atacando meus lábios poucos segundos depois, sem toda a calmaria que estava presente em suas palavras.
Larguei o pijama, já que agora possuía coisas muito melhores para segurar, e enlacei os braços pelo pescoço de , arranhando sua nuca com uma das mãos. O aperto em minha cintura se intensificou e seu corpo prensou-me ainda mais contra a madeira, fazendo-me gemer entre o beijo. Embrenhei a mão nos cabelos de e levantei minha perna, rompendo o beijo ao sorrir quando suas mãos me apoiaram pela cintura e levantaram-me até que minhas pernas estivessem ao seu redor. Uma mão de pousou em minha bunda e a outra continuava firme em minha cintura, mordi seu lábio inferior, tentando provocá-lo e falhando ao deixar que aprofundasse o beijo.
Ouvi o barulho da porta e foi como se um choque tivesse nos atingido. Soltei-me de e permaneci colada no armário, enquanto ele estava do outro lado. Abaixei-me para pegar o pijama do chão e empurrei a mala para a frente do meu guarda-roupa.
- Tudo bem? - escutei a voz de Jasmine e me levantei, dando um sorriso para a mulher.
- Sim, estava me ajudando com a minha mala, não conseguia pegar. - dei de ombros.
- Vai precisar que eu guarde, ? - o tom de voz rouco e os lábios avermelhados de fizeram-me morder os lábios enquanto considerava mentalmente a ideia de expulsar Jasmine dali.
- Não. - sorri sem mostrar os dentes e arqueou a sobrancelha. - Muito obrigada pela sua ajuda.
- Pode me chamar sempre que precisar. - piscou e saiu dali, fazendo-me suspirar baixo.
- estava te procurando. - Jasmine falou e eu concordei com a cabeça.
Peguei uma toalha limpa no armário e uma calcinha, seguindo para o banheiro com o pijama na outra mão. Eu estava tensa. Completamente tensa, e duvidava muito de que a água quente me ajudaria. Minha cabeça trabalha a mil conforme reprisava os beijos com . Eu não estava arrependida de beijar ele, estava arrependida de ter beijado ele enquanto prometi que me manteria focada em .
Eu não podia mais ficar com enquanto não possuo a certeza de se é meu par ideal, principalmente pelo fato de que pode muito bem sair da casa amanhã se for para a cabine da verdade com Lydia e eles forem um par ideal. Bufei frustrada, tentando não me preocupar com o futuro, mas era algo impossível naquele reality. Eu sentia minha sanidade mental e meus conceitos assistindo tudo o que eu fazia e me julgando, isso claro, junto ao público que assistiria o programa.
- Você sumiu. - falou ao sair do banheiro e parar na minha frente.
- Não conseguia pegar a mala, você colocou ela longe da beirada do armário. - falei o que de fato não era uma mentira, apenas uma omissão.
Por favor espectadores, não me odeiem ao assistir isso, pedi internamente ao entrar no banheiro.

Day Twenty-Three

- Sinceramente, odiei as opções de voto para a cabine. - Simone resmungou após longos segundos inquieta ao meu lado. - Não tem um casal que eu acredite que seja um par ideal.
- Você deveria votar no e na Lydia, seu amigo acredita que eles possam ser um par ideal. - respondi de modo despreocupado. - E como me disse, o par ideal pode ser um casal que sequer cogitamos, algum dos que está no passeio pode ser.
- Sem chances, Lydia é muito parecida com o , sem contar que nós duas sabemos que ele gosta de você. - Simone deu de ombros. - Eu até acredito que já podemos ter um casal que é par ideal e nós ainda nem desconfiamos, mas não acredito que qualquer um dos três disponíveis para a cabine de hoje sejam.
- Simone, não começa. - resmunguei chorosa e Simone riu. - Eu acho que eles podem ser um par ideal. Sabe, eles se entendem bem, possuem uma boa comunicação e nunca brigaram.
- Talvez o motivo seja o fato de que eles começaram isso praticamente ontem e estão só usando um ao outro enquanto não conseguem ficar com a pessoa que realmente lhes interessa. - pisquei os olhos atônita e Simone deu de ombros. - Você realmente acha que eles podem ser um par ideal ou você só quer ter a certeza de que eles não são um par ideal?
- Eu não vou responder isso, Simone. - resmunguei e me arrumei no sofá.
- E nem precisa, , eu já sei a resposta. - Simone piscou, fazendo-me revirar os olhos.
Eu tinha pleno conhecimento de que Simone realmente sabia a resposta, estava escrito na minha testa que eu não queria que e Lydia fossem um par ideal, por mais que eu me sentisse mesquinha por isso. Eu não sentia ciúmes de e Lydia juntos, mesmo que tenha sido uma surpresa quando os vi tão próximos. A verdade é que eu não tinha o direito de sentir ciúmes, afinal de contas, nós não tínhamos nada. Mas a vontade de que os dois não fossem um par ideal era algo que eu não podia controlar, e eu não me orgulhava por isso, mas minhas mãos estavam atadas.
- Mas e você, eu sei que irá votar no Fred e na Chloé. - dessa vez Simone revirou os olhos, e eu ri.
- Apenas pelo fato de que eles sentaram juntos na última cerimônia e eles podem ser um casal. - deu de ombros e eu gargalhei. - O que foi, ?
- Nada, apenas o fato de que e Lydia também sentaram juntos na última cerimônia e você sequer considera mandar eles para a cabine. - Simone bufou. - Você poderia ter arrumado uma desculpa melhor.
- Está bem, , eu vou votar no Fred pelo fato de que mesmo estando com o Mike, eu não quero que o Fred vá para a lua-de-mel. - sorri abertamente. - Pelo menos eu consigo admitir isto.
- Ridícula. - resmunguei rindo. - Eu só queria que as coisas não fossem tão complicadas, esse jogo está acabando com a minha mente.
- Acho que a verdadeira finalidade desse programa é acabar com a nossa sanidade mental, e não a de achar nosso par ideal. - Simone sussurrou como se o microfone não fosse captar, fazendo rir. - Bom, acho que já podemos votar.
Levantei do sofá acompanhada de Simone e nos dirigimos até a sala, cumprimentei com um aceno Chelsey e Riley que saíam do cômodo e engoli minha vontade de perguntar em qual casal elas votaram. Aproximei-me da tela e encarei as fotos dos três casais, escolhendo e Lydia sem pensar duas vezes. Eu precisava saber se eles eram um casal ou não, e esperava que os outros participantes também votassem neles, pelo menos teria menos um assunto para me preocupar. Afastei-me da televisão e Simone votou em Fred e Chloé.
- Eu preciso ter essa confirmação. - murmurou ao afastar-se.
Te entendo, Simone, respondi mentalmente enquanto voltávamos para o local que estávamos antes, porém precisamos de confirmações diferentes.

(...)

- Vamos chegando galera. - a voz de Terrence soou alta e eu terminei de beber a água em uma só golada.
Deixei o copo na pia e corri para a sala, notando que os casais do passeio já estavam sentados nos bancos atrás do sofá, sentei no sofá no espaço vago ao lado de Simone e virei minha atenção para Terrence, que estava parado de na frente da televisão e possuía a atenção em nós.
- Já estão todos aqui? Podemos começar. - balancei minha cabeça em afirmação, por mais que soubesse que a pergunta era retórica. - Lydia e , como foi o passeio de vocês?
- Foi ótimo. - Lydia falou com um sorriso nos lábios e entrelaçou sua mão na de . - Nós nos divertimos bastante e nos conhecemos melhor.
- Mesmo com certa pessoa sendo péssima ao remar e sempre nos derrubando do caiaque. - rebateu risonho e Lydia gargalhou.
- Podíamos pelo menos ter sentado de costas, me sinto estranha por ter beijado o ontem, vai que eles são um par ideal. - resmunguei e Simone riu baixo.
- Fred e Chloé, como foi para vocês? - questionou encarando o outro casal.
- Foi muito bom. Fred é muito engraçado e a companhia dele é ótima, eu ri basicamente o passeio todo. - Chloé sorriu e encarou Fred, que também possuía um sorriso nos lábios.
- Chloé é uma pessoa maravilhosa e eu adorei poder conhecer ela melhor e descobrir que temos algumas coisas em comum. - Fred dirigiu-se ao apresentador conforme falava.
- Isaac e Holly, gostaram do passeio? - Terrence questionou o último casal.
- Sim, foi ótimo poder conhecer ainda mais a Holly e ter esse tempo fora da casa. - Isaac sorriu e Holly confirmou com um balançar de cabeça.
- Faço das palavras dele, as minhas. - Holly deitou a cabeça no ombro do homem e sorriu.
- Bem, então vamos saber em quem vocês votaram. - Terrence sorriu ao encarar todos nós. - E o casal que vai para a cabine hoje é... Fred e Chloé.
Contive o suspiro de frustração por não ser e Lydia e segurei na mão de Simone ao deitar a cabeça em seu ombro, sabia que a situação de Simone não era muito diferente da minha com , e que independentemente do resultado da cabine, ela seria afetada.
- Eu sei que isso pode ferrar a gente no jogo, mas eu estou torcendo para eles não serem um par ideal. - Simone confidenciou baixo em meu ouvido, fazendo-me rir. - Não ri, , isso é sério.
- Eu sei, compreendo sua situação. - sorri sem mostrar os dentes mesmo sabendo que Simone não veria já que sua atenção estava presa na televisão com a foto de Fred e Chloé na tela.
- Estou tão nervosa, que parece que sou eu quem está na cabine. - Simone murmurou.
A sala ficou em um completo silêncio, todos estavam tensos para saber a resposta da cabine, mesmo que por motivos diferentes. Simone estava inquieta ao meu lado, indecisa se roía as unhas, apertava minha mão ou se fincava as próprias unhas na palma da mão.
- Se depois desse nervosismo todo o Fed aparecer por aquela porta sem ter um par ideal e você não for ficar com ele, eu te afogo na piscina. - falei séria ao tirar a mão de Simone de sua boca, entrelaçando nossas mãos.
- Não é tão fácil assim. - Simone murmurou com a voz fraca.
- Se você estava com o Fred antes do Mike e continua querendo que ele seja seu par ideal, é muito fácil para mim notar que o Mike nem devia ter sido cogitado. - Simone encarou-me rapidamente e notou que eu minha expressão estava realmente séria devido a minha fala.
- Outch, essa doeu. - murmurou risonha e voltou a atenção para a televisão. - Olha onde eu cheguei, sendo aconselhada pela mulher que está em dúvida entre três participantes.
- Ridícula, foque sua atenção apenas em Fred e Chloé. - bati levemente em sua coxa ao falar com um tom risonho.
- Isso demora tanto. - Hunter resmungou e eu fui obrigada a concordar, mesmo que silenciosamente.
A espera era insuportável e a curiosidade escapava por cada poro do meu corpo enquanto eu encarava a televisão que continuava com a imagem fixa sem nenhuma mudança, mas que a qualquer segundo teria uma frase que poderia mudar todo o jogo.
Fechei os olhos e contei até dez, ou tentei, já que ao chegar na metade da contagem senti um cutucão de Simone, que parecia estática ao meu lado. Abri os olhos rapidamente e encarei a televisão, observando o par incompatível que agora aparecia no meio da tela a nossa frente.
- Meu Deus. - Simone sussurrou atônita.
- Eu não acredito. - Camille resmungou.
- Eu sinceramente não sei o que nós estamos fazendo de errado. - Jasmine deu um suspiro.
- Vocês precisam se desprender dessas estratégias, vocês já viram as outras temporadas, sabem que isso não dá certo. - e para minha surpresa, pronunciou uma frase que podia muito bem ter sido falada por mim, fazendo-me sorrir de lado em sua direção.


Capítulo 14 – Day Twenty-Four

Por
Não sabia quanto tempo eu estava deitada naquele colchão inflável aproveitando a calmaria peculiar que estava por toda a casa, mas eu estava extremamente confortável e não me importava com o que quer que estivesse acontecendo por ali. Convenhamos que morar com mais dezenoves pessoas semi desconhecidas e completamente diferentes de você não era a coisa mais fácil do mundo.
- Você está torrando no sol. - ouvi a voz de Simone e virei o rosto em sua direção, encontrando-a apoiada na beira da piscina.
- Sol é o que me fortalece para eu não surtar dentro dessa casa. - respondi rindo e Simone apenas concordou com um balançar de cabeça. - O que foi?
- Precisamos conversar. - franzi o cenho ao ouvir o tom sério e balancei a cabeça em sinal de concordância. - Estou com medo de você e foderem com o jogo.
- Oi? - foi a única coisa que eu consegui falar enquanto encarava Simone, eu estava completamente confusa. - Não entendi o que você quer dizer com isso.
- Eu sei que vocês estão se pegando pelos cantos da casa. - arregalei os olhos e praguejei mentalmente, era óbvio que ele tinha contado para Simone.
- E isto seria o motivo pelo qual nós estaríamos fodendo o jogo?. - questionei e Simone negou com um balançar de cabeça.
- Você me contou sobre sua conversa com o , disse que percebeu que ficar com ele enquanto a Camille também estava envolvida não era a coisa mais sensata a se fazer, principalmente pelo fato de que concordamos que ela pode possuir algum sentimento por ele. - concordei com a cabeça e engoli em seco. - Aí você vai e me faz a mesma coisa com o .
- É diferente. - respondi simplesmente e ouvi o riso irônico de Simone.
- Diferente? O que é diferente, ? - mordi o lábio inferior fortemente, eu não possuía uma resposta pronta para aquilo. - Você sabe que se envolver desse jeito com alguém que não é seu par pode estragar toda a harmonia do jogo, já aconteceu nas temporadas passadas.
- Eu entendo que ele está com a Lydia e eu estou com o , mas nós não temos certeza de nada. - murmurei e ouvi o suspiro da morena.
- E é exatamente pelo fato de que não temos nenhuma certeza, que isso pode dar errado. A casa acredita que você e são um par ideal, você deveria estar conhecendo ainda mais ele. - Simone suspirou. - está disposto a ter algo com a Lydia, eles estão se conhecendo, mas ele nunca vai se entregar completamente para ela, se ele continuar preso em você.
- Eu não quero prender ele, Simone. - admiti. Eu não queria ver ficando com outras pessoas, mas não era algo que eu pudesse exigir já que eu mesma ficava com o tempo todo. - Eu acho que você deveria conversar sobre isso com ele, não comigo.
- Eu preciso conversar com os dois, . Acredito que ele não te beije sozinho. - murmurou irônica e eu ri fraco. - Eu só não quero que você arrume problemas futuros com a Lydia, igual acabou acontecendo com a Camille. Compreendo que é extremamente gostoso e beija bem, mas vocês dois precisam respeitar seus devidos pares.
- Eu sei. - murmurei e Simone sorriu de lado.
- Só estou falando isso pois eu realmente me importo com vocês dois, e com o jogo também. - admitiu rindo ao final da frase. - Você pode ser o par ideal de e o pode ser o par ideal da Lydia, só não quero que você cometa os erros que você cometeria lá fora. Afinal de contas, precisamos pensar como os especialistas.
- Exatamente pelo fato de que eu tenho que pensar como os especialistas, que eu atualmente me encontro em dúvida entre os três. - admiti e sorri fraco, observando o sorriso solidário de Simone. - Não me encare assim.
- Você realmente acha que os três possuem grandes chances de ser seu par ideal? - engoli em seco, eu sabia muito bem a resposta para aquela pergunta. - Você sabe que pode ser sincera comigo, .
- Dois. Eu acho que só um dos dois podem ser meu par ideal. - admiti o que eu vinha tentando negar a mim mesma.
- Parece que os três mosqueteiros perderam um participante. - Simone murmurou risonha e eu ri. - Mas diga-me, qual deles você acredita que não é seu par ideal?
- Eu ainda gosto dele, mas eu tenho certeza que ele seria uma pessoa que eu escolheria lá fora. E é exatamente esse o motivo pelo qual eu estou aqui. - confidenciei antes de pronunciar o nome para a morena.

(...)

- Você que não precisa fugir de mim, né? - ouvi o tom de voz rouco de soar próximo a minha nuca e prendi a respiração conforme virava em sua direção. - Imagino que Simone tenha falado com você.
- Eu não estou fugindo. - menti descaradamente, era óbvio que eu estava evitando-o o dia todo. - Sim, ela falou.
- Não tem motivo para a gente se afastar mais uma vez, . - senti o carinho do polegar de em minha bochecha e sorri abertamente conforme fechava os olhos. - Você sabe que eu não vou pular em cima de você e te agarrar.
O problema é que você tem controle o suficiente para isso, eu não, respondi mentalmente. Manter distância de era complicado, principalmente pelo fato de estarmos convivendo na mesma casa. Mas permanecer ao seu lado sem ceder a vontade de beijar aqueles lábios era ainda mais difícil.
- Então, você realmente está disposto a tentar as coisas com a Lydia? - afastei-me de seu toque e mudei de assunto – as palavras de Simone ainda soavam em minha mente –, observando atentamente a expressão neutra em seu rosto.
- Você está tentando com o desde o começo. - respondeu simplesmente e eu rolei os olhos.
- Não vamos brigar novamente por isso, né? - cruzei os braços na frente do corpo e mantive o olhar preso em .
- Não quero brigar, apenas constatei um fato. - deu de ombros e sorriu irônico.
E até mesmo ali, com a postura superior, o olhar desafiante e o sorriso irônico, eu não conseguia ignorar a vontade que eu tinha de agarrar aquele homem e beijá-lo. Pelo menos durante o beijo, não estava disposto a me tirar do sério.
- Achei que já tínhamos resolvido isso. - murmurei. - Aliás, foi você quem disse que é sempre bom ter uma segunda opção.
- E foi você quem disse que meu par ideal precisa ser alguém que me tire da minha zona de conforto. - cortou a pouca distância entre nós, ignorando o fato de que estávamos no jardim e qualquer pessoa poderia nos ver. - Sabe quem é a única pessoa que faz isso comigo, ?
- Quem? - questionei fraco encarando os lábios – extremamente beijáveis – de .
- Você. - soprou contra os meus lábios segundos antes de juntar nossas bocas em um rápido selinho. - Se você quiser mais do que isso, vai precisar começar a se posicionar mais sobre o que você quer.
Pisquei os olhos atônita e permaneci ali, parada no mesmo lugar, e extremamente perplexa enquanto observava quem ir embora. E por mais que eu não conhecesse o homem por mais do que algumas semanas, eu tinha total certeza de que ele caminhava com um sorriso aberto nos lábios.
Bufei frustrada e segui o caminho que fez, o céu já começava a escurecer e eu ainda precisava arrumar a cozinha para que pudessem fazer a janta. Encontrei Chelsey no caminho e consegui fazer com que ela concordasse de lavar a louça hoje, enquanto eu só precisaria arrumar a cozinha amanhã. Tudo o que eu precisava era de um bom e relaxante banho, para expulsar todos os sentimentos que despertou em meu corpo em poucos segundos.
- Fiz um lanche para você, já que você não tomou café da tarde. - ouvi a voz de assim que passei pela cozinha e sorri abertamente para o homem.
- Não precisava. - respondi com um sorriso no rosto e caminhei em sua direção.
- Você não pode ficar pulando as refeições assim, . - empurrou o prato que estava sobre a bancada em minha direção. - Seu corpo já está se adaptando a diversas mudanças.
- Muito obrigada. - agradeci de modo sincero e selei nossos lábios em um mero selinho. - Eu só vou tomar um banho.
E tirar o toque de que parece estar impregnado em mim, completei mentalmente. Era oficial, até o final daquele programa eu terminaria completamente pirada.
Simone estava certa, era um homem maravilhoso e estava ali ao meu lado desde o começo do jogo. Possuíamos uma grande chance de sermos um par ideal e eu estava desperdiçando toda a chance que eu tinha de conhecê-lo melhor já que ocupava meu tempo focando em e às vezes em .
Estava decidido, a partir daquele momento eu focaria novamente em , e dessa vez eu realmente cumpriria aquele acordo mental. Não importava o quão tentador beijar e me parecesse, eu permaneceria firme sem cair nas tentações.

Day Twenty-Six

- Eu não quero ofender ninguém, mas essa estratégia é completamente estúpida. - resmungou e eu concordei com a cabeça. - A cerimônia passada foi a que mais obtivemos feixes de luz e agora vocês resolvem que devemos mudar completamente os pares.
- Nós precisamos ter algumas respostas, ela é uma boa estratégia para sanar minhas dúvidas. - revirei os olhos ao ouvir a explicação de Jasmine, aquilo era simplesmente ridículo.
- É uma ótima estratégia se a função dela é causar um blackout. - o tom de voz debochado de Simone me fez rir.
- Concordo com a Simone, estaremos nos arriscando completamente se seguirmos essa estratégia. - admiti encarando a negra. - Nós podemos ferrar o jogo todo com isso, Jas.
- Não vamos, acredite em mim. - suspirei fraco, era extremamente desgastante tentar compreender aquilo. - Vamos manter os três casais que eu considero mais forte e vamos sair completamente da nossa zona de conforto, não têm como dar blackout.
- Mas não precisamos sair completamente, você me interpretou mal. - bufei frustrada. - Estamos juntando um casal que não tem exatamente nada em comum, não é assim que deve ser. Precisamos parar de repetir os padrões que repetíamos lá fora, mas precisamos pelo menos ter alguma coisa em comum com a pessoa.
- Só vamos tentar nessa cerimônia, por favor. - Jasmine suplicou. - As chances de possuirmos um número baixo de feixes ou a de podermos superar todas as outras cerimônias são iguais.
- Eu acho que a gente deveria tentar. - Chloé deu de ombros ao concordar com Jas.
- Ainda estamos na quarta cerimônia, é melhor a gente tentar isso agora do que quando estivermos na sétima ou oitava. - ponderei ao escutar Holly.
- Concordo com a Holly, por mais que eu ache que estamos dando um tiro no nosso próprio pé, é melhor tentar enquanto ainda estamos no início do jogo. - falei mesmo sem acreditar naquela estratégia, eu sabia que era a maior burrice que estávamos fazendo.
- Então estamos todos de acordo com a estratégia? - Jasmine questionou e recebeu alguns murmúrios e acenos de cabeça como resposta. - Então sigam essa estratégia na cerimônia, escolham o par que nós deixamos premeditados aqui.
- Eu acho que é uma perda de tempo não deixar eu e Lydia sentarmos juntos nessa cerimônia, aquele feixe pode ser nosso. - murmurou e eu revirei os olhos.
Se você tivesse esperança daquele feixe ser seu, não estaria me beijando pela casa pensei em responder, mas notei o quão hipócrita eu seria ao dizer aquilo. Eu tinha , eu possuía a esperança de que um feixe era nosso, e mesmo assim eu continuava beijando tanto como . No final do programa eu poderia ganhar a coroa da rainha da hipocrisia.
- Sim, , aquele feixe pode ser de vocês. Mas também pode ser de qualquer um dos outros casais que sentaram juntos na cerimônia passada. - Camille respondeu de modo seco e eu sorri abertamente, concordando mentalmente com a loira pela primeira vez.
- Depois dessa estratégia você pode sentar com quem quiser, , até com o Papa. - Simone falou e eu não contive o riso, recebendo um olhar atravessado do homem. - Só segue a porra da estratégia, você já seguiu ela outras vezes, tanto que é por isso que hoje você chega a cogitar que Lydia possa ser seu par ideal.
- Eu acho que é uma boa ideia, como Jasmine disse, nós temos metade da chance de isso nos trazer novos feixes. - se pronunciou pela primeira vez desde que começamos o debate.
- Claro que você acha uma boa ideia, você vai continuar colado na . - arregalei os olhos na direção e notei o silêncio que se formou. - Você não se importa com a estratégia desde que possa continuar agarrado na .
- E isso é um problema para você? - questionou irônico e arqueou uma das sobrancelhas ao manter o olhar fixo no de . - Nós possuímos uma real chance de ser um par ideal, diferente de você que está reclamando sobre não se sentar com o seu possível par que é apenas baseado em achismos.
- A porra daquele feixe estar aceso quando vocês estão sentados juntos não significa porra nenhuma, vocês não são o único casal sentado ali. Eu possuo a mesma possibilidade do que vocês de já ter encontrado meu par ideal. - o tom alterado de me fez morder o lábio superior fortemente, eu sabia que quando ele perdia a paciência não era algo bonito de se ver.
- Beleza, só me tira uma dúvida. A revolta toda é por você não sentar com a Lydia nessa cerimônia ou o real problema é que sou eu quem continuo sentado com a , e não você?. - soou extremamente irônico.
- PAREM COM ESSA PORRA. - gritei me levantando do sofá no exato momento que vi levantando do chão.
- Você vai ter que continuar com essa dúvida, . - falou conforme caminhava em nossa direção.
- Medo de compartilhar a resposta e passar vergonha? - o riso debochado de me causou uma careta, mas continuava impassível.
- Não respondo perguntas de idiotas como você. - murmurou e parou de frente para , que já se encontrava de pé. - E se eu fosse você, pensaria bem antes de sair pela casa falando merda. Eu não pensarei duas vezes antes de socar a sua cara.
trombou no ombro de e saiu da sala, mas o silêncio incômodo permanecia no local. Encarei Simone e a morena se levantou, caminhando em minha direção. Voltei a atenção para que permanecia no mesmo local, com os braços cruzados e com a expressão fechada.
- Não entendi o motivo dessa discussão, foi totalmente desnecessário, . - falei e atraí sua atenção, recebendo um revirar de olhos como resposta.
- Ele estava duvidando de que somos um par ideal, . - resmungou como se aquilo fosse motivo o suficiente.
- Nós não temos a certeza, , é apenas uma possibilidade. - respondi em tom óbvio. - Eu também duvido às vezes de que somos um par ideal, isso vai fazer com que você discuta comigo também?
- Você não está raciocinando direito, . - rolei os olhos. - E você está exagerando.
- Eu não estou exagerando, aquilo foi ridículo. - respondi séria e bufou. - Pelo menos foi mais maduro do que você.
Notei que Simone já estava parada ali perto e caminhei em sua direção, não queria mais conversar com naquele momento. Ignorei os chamados de e saí da casa acompanhada da morena. Sabíamos onde estava, qualquer um que o conhecesse sabia que ele sempre recorria a academia para descontar tudo o que sentia.
- Você estava completamente certa, eu já estou fodendo o jogo. - admiti para Simone ao sairmos da casa. - Isso não teria acontecido se eu ficasse apenas com o .
- O sente uma atração por você desde o primeiro dia, , mesmo se você não tivesse ficado com ele, chegaria um determinado momento que ele sentiria a mesma vontade que sente atualmente. - Simone falou e abriu um sorriso sincero. - Você pode ter adiantado o ritmo das coisas, mas a briga de hoje não foi inteiramente sua culpa. Se tivesse tanta certeza de que vocês são um par ideal, ele não precisaria afirmar isso para todos.
- Ele e Camille dariam um ótimo casal. - murmurei irônica e Simone riu. - Eu só me sinto mal, principalmente pelo . Eu não queria que ele se sentisse como uma opção apenas se as coisas com o dessem errado.
- E eu sei que no começo ele se sentia assim, mas da última vez foi ele quem falou que você deveria ter mais de uma opção. - Simone pontuou. - Não acredito mais que ele se sinta apenas como um estepe, e o modo como ele agiu hoje na sala me demonstra ainda mais isso.
- Não quero companhia. - a voz de soou assim que pisamos na entrada do local.
- . - Simone resmungou em protesto, mas continuou socando impiedosamente o saco de pancadas.
- Pode ir, eu converso com ele. - sussurrei baixo para que apenas Simone me escutasse. Observei a morena se afastar e suspirei baixo. - Saiba que eu não vou a lugar nenhum.
- Então eu vou. - parou os movimentos e me encarou.
Mantive o olhar preso nele. O cabelo estava completamente bagunçado e alguns fios estavam colados em sua testa, a expressão indiferente permanecia em seu rosto, mas os músculos tensionados e os punhos vermelhos entregavam como estava realmente se sentindo.
- Você não vai sair daqui, prefiro que continue socando isso aí. - murmurei e ouvi o riso irônico de .
- Com medo de que eu machuque o rostinho do seu par? - questionou debochado conforme voltava a socar o objeto a sua frente com força.
- Não, apenas prefiro que você se livre de toda essa raiva. - respondi simplesmente e observei quando parou os movimentos, segurando o saco de pancadas com uma das mãos para que não batesse em seu corpo.
- Eu não estou com raiva. - murmurou e eu não contive o riso debochado. - Não estou achando graça.
- Claro que você não está achando graça, você está com raiva. - dei de ombros e observei rolar os olhos. - O que custa admitir isso?
- Está bom, , eu estou com raiva. - resmungou. - Feliz agora?
- Não. - bufei frustrada e caminhei em sua direção. - Que tal falarmos sobre isso?
- Não quero conversar. - respondeu grosso e eu dei um soco em seu braço. - Vai partir para a agressão por causa disso?
- Idiota. - murmurei com um sorriso de lado. - É sério, eu quero conversar sobre isso.
- Conversar sobre o que, ? - sorriu de modo irônico com o olhar preso ao meu. - Sobre o quão idiota eu sou?
- Eu não acho que você seja idiota. - falei séria e arqueou a sobrancelha.
- Você acabou de me chamar de idiota, . - revirei os olhos e ri fraco.
- Você entendeu o que eu quis dizer. - resmunguei contrariada e cruzei os braços à frente do corpo. - Para de querer mudar de assunto.
- É claro que eu quero mudar de assunto. - falou seco e sentou-se no tatame.
- Fugir do assunto não adianta em nada, precisamos resolver com diálogo. - rebati sentando-me ao seu lado.
- É claro que adianta. - resmungou. - Não quero admitir que está certo.
- Como assim? - questionei e me ajeitei de modo que pudesse encarar .
- O meu verdadeiro problema não é que eu não vou sentar com a Lydia, mas sim o fato de que é ele que continua sentando com você. - suspirou baixo ao falar e encarou meus olhos. - Eu sei que conversamos sobre você ter mais do que uma opção, mas eu não gosto de te ver junto com ele.
- Mas ele pode ser meu par ideal. - murmurei baixo e cortei o contato visual.
- E é exatamente esse o problema. - riu fraco. - Eu não quero que ele seja seu par ideal, não quero que você saia da casa.
- Eu também não quero sair da casa. - confidenciei. - Sabe, eu me sinto em uma constante mudança pessoal dentro dessa casa. Já questionei diversas ações e pensamentos meus, aprendi diversas coisas novas que eu não fazia ideia, como a diferença do vegetariano para o vegano. Até estou aprendendo a compreender melhor meus sentimentos.
- Sim, eu sinto como se estivéssemos em uma evolução pessoal. - sorriu sincero. - Se o episódio de hoje acontecesse logo que chegamos na casa, eu não teria agido desse jeito.
- Aprecio bastante essa sua mudança, admito que fica mais fácil conviver com você sem que pareça que você vai surtar e me jogar na piscina novamente. - comentei risonha e revirou os olhos, porém manteve o sorriso em seu rosto.
- Está engraçadinha demais, princesa. - frisou o apelido me causando uma careta. - Acho que você precisa de um banho de piscina para relaxar.
- Se você fizer isso, eu nunca mais falo com você. - falei em tom ameaçador e riu abertamente. - Eu estou falando sério, .
- Nem você mesma acredita nisso, . Sabemos que você não resiste a mim. - falou em alta soberba e eu gargalhei.
- Bom, já que você já se acalmou, eu estou indo. - falei ao levantar do chão.
- Quem disse que eu me acalmei? - questionou irônico.
- Só tenta deixar o saco inteiro para a próxima pessoa que quiser usar. - falei alto conforme saía da academia.
Caminhei na direção contrária a da casa, não estava com a mínima vontade de voltar para lá e ter que lidar com sem que eu mesma perdesse a paciência e gritasse. Era óbvio que a calmaria que estava durante aquela semana não duraria por muito tempo. Segui até o lago, aquele era o único lugar que eu poderia ficar sozinha. Parei próxima ao banco ao notar que estava ali.
- Foi mal, imaginei que não teria ninguém aqui. - falei ao ter a atenção de em mim.
- Sem problemas, . Pode sentar. - ofereceu o lugar ao seu lado com um sorriso no rosto. - Se quiser ficar sozinha, eu vou embora.
- Não tem problema. - sorri abertamente ao sentar no banco. - Eu gosto da sua companhia, geralmente você me acalma. Me sinto confortável.
- Não sabia disso. - admitiu com um sorriso de lado e as bochechas levemente coradas.
- Você não precisa corar quase toda a vez que eu falo com você. - murmurei e ri ao ver o tom avermelhado se acentuar. - É brincadeira, eu acho bonitinho.
- Não está ajudando muito, . - resmungou contrariado e eu ri novamente. - Você me deixa sem jeito, eu não consigo conter o nervosismo que eu sinto quando você está por perto.
- Eu te deixo nervosa? - questionei com a sobrancelha arqueada e balançou a cabeça em sinal de concordância. - E por qual motivo?
- Eu não sei agir perto de você, é como se meu corpo ganhasse autossuficiência e parasse de me obedecer. - deu de ombros. - Acho que é por causa da sua personalidade e tudo mais que me atrai.
- Você não pode me falar uma coisa dessas e esperar que eu não te beije, . - gemi frustrada e riu. - Saiba que se tudo isso não estivesse acontecendo, eu te beijaria nesse exato momento.
- Não tem problema, eu posso receber esse beijo depois. - deu de ombros e eu ri. Eu poderia me acostumar facilmente com aquela personalidade de .

Day Twenty-Eight

Eu não podia negar toda o nervosismo presente em meu corpo. Era finalmente o dia da quarta cerimônia das luzes e nós realmente iríamos colocar em prática a estratégia da Jasmine. Eu esperava que além de trazer as respostas que ela esperava, essa cerimônia também nos trouxesse ao menos um feixe de luz. Ou significaria que nenhum dos dez casais sentados juntos eram um par ideal, o que incluía eu e , e Camille e , que éramos a aposta de toda a casa.
- E por último, mas não menos importante, . - Terrence falou e eu caminhei em sua direção sendo acompanhada de que vinha da direção contrária. - Essa semana foi um pouco complicada para vocês, mas vejo que já se entenderam.
- Sim, eu conversei com a e pedi desculpa pelo modo que eu agi. - falou e abraçou-me de lado.
- E você se sente arrependido do que falou para o ? - Terrence questionou.
- Não, ainda concordo sobre o que eu falei. - contive a vontade de revirar os olhos, afinal de contas, eu sabia que estava certo sobre os motivos de .
- Certo. Podem registrar o par. - estendi minha mão na direção do tablet. - Par computado, podem se sentar.
Caminhamos até os puffs que ficavam ali e eu encarei todos os casais que já estavam sentados: e Camille, Holly e , Fred e Simone, Grant e Riley, Jasmine e Hunter, Isaac e Chelsey, Mike e Chloé, Marnie e Nathan, e Ryan e Lydia. Para impedirmos um blackout, precisávamos de ao menos, um feixe de luz além do de Marnie e Nathan que já era confirmado. Sentei próxima no local onde estava anteriormente e me acomodei próxima a .
- Todos os nossos pares já estão computados, agora chegou a hora da diversão. - Terrence falou conforme nos encarava. - Como vocês já sabem, acredito eu, cada feixe de luz aqui representa um par ideal. Então dez feixes de luz acesos e vocês possuem dez pares ideais e um milhão de dólares. - caminhou até os tablets e colocou as mãos ali. - O feixe aceso corresponde a Marnie e Nathan, agora chegou o momento de saber se vocês irão conseguir mais feixes.
As luzes diminuíram de intensidade e os dez feixes desligaram. O primeiro reacendeu menos de cinco segundos depois, aquela era a única parte rápida de toda a cerimônia. Acomodei-me ainda mais ao corpo de . Mesmo após um mês naquela casa, eu não me sentia preparada para lidar com todo o nervosismo que a cerimônia proporcionava. Aquilo era tudo ou nada.
Os minutos pareciam se arrastar, eu sentia o nervosismo consumir cada parte do meu corpo. Apertei fortemente a mão de que estava repousando em minha coxa, a cada segundo a mais que o feixe demorava para acender, mas eu tinha certeza de que teríamos um blackout.
Vi o primeiro feixe da noite acender – segundo, se levarmos em conta que o de Marnie e Nathan já estava aceso –, e não consegui conter o grito. Aquilo era bom, não ter um apagão era maravilhoso.
- Será que tem mais um? - Terrence questionou e eu suspirei fundo, rezando mentalmente para que sim.
Senti apertar fortemente minha coxa, era inegável que todos nós estávamos extremamente nervosos com o resto da cerimônia. Supliquei por mais um feixe – pelo menos –, esperando que conseguisse respostas o suficiente para o jogo, mas não aconteceu. Senti meu estômago gelar ao ver os feixes apagando e as luzes voltando ao normal.
- Um par ideal, vocês só formaram um par ideal. - Terrence falou de modo que me parecia atônito. - Espero que isso tenha sido algo proposital, ou eu precisarei dizer que vocês estão completamente sem noção do jogo. Nós estamos na quarta cerimônia, na próxima já estaremos na metade do jogo e vocês não parecem nem um pouco próximos de ganhar esse jogo. Espero que vocês analisem o que estão fazendo. Vejo vocês amanhã na prova dos pares.
Bufei frustrada, eu sabia que aquela estratégia era uma péssima ideia, mas eu não era a única participante dali e eu sabia que seria extremamente difícil. Levantei do sofá e afastei-me de , caminhando até Jasmine.
- Não venha falar que você me avisou, . - Jasmine resmungou e eu ri fraco.
- Não vou fazer isso, eu acho que compreendi que respostas você queria. - empurrei-a levemente pelo ombro. - Espero que após isso a gente consiga compreender melhor o jogo.
Caminhamos em silêncio até a casa, cada uma presa em seus próprios pensamentos e as possíveis hipóteses sobre o jogo. Por mais que o resultado da cerimônia tivesse sido negativo, eu não estava triste ou com raiva. O único sentimento habitante em meu corpo era a confusão.
- Vamos, todos para cozinha. - escutei Jasmine dizer assim que entramos na casa. - Precisamos conversar sobre o resultado de hoje.
- O resultado que foi claramente a sua culpa. - Fred falou e Jasmine revirou os olhos.
- Foda-se. - Jas respondeu de modo curto e grosso e eu não contive o riso baixo. - Eu sei muito bem dos meus erros, não preciso que falem ou apontem.
- Então estamos fazendo o que aqui? Discutindo sua nova estratégia que vai dar errado? - Fred questionou irônico e resmungou após o tapa que Simone deu em sua nuca.
- Pode falar, Jas. Fred vai ficar de boca fechada. - Simone falou com o olhar matador fixo em Fred.
- Estamos aqui para falar da resposta que a cerimônia nos deu. - murmurou e parou ao lado de Hunter. - Isso estava na nossa cara o tempo todo e nós não percebemos.
- O que estava na nossa cara? - Ryan questionou confuso, não muito diferente do resto de nós.
- Juntem-se com os pares que vocês formaram hoje. - falou e eu parei próxima a . - Agora permaneçam aqui se esse foi o par de vocês da primeira cerimônia. Se não, fiquem atrás da bancada.
Permaneci parada ao lado de e observei os outros dois casais que continuavam ali: e Camille e ao lado Fred e Simone. Naquele momento eu compreendi exatamente o que Jasmine queria fazer. Sua principal vontade não era garantir que conseguíssemos mais feixes, mas sim o casal que era dono de um.
- Então o tempo todo foi sobre isso? - questionei e Jasmine concordou com um balançar de cabeça.
- Eu precisava ter uma certeza, e agora eu tenho. - sorriu abertamente.
- Você poderia compartilhar com a gente. - murmurou e eu sorri.
- Eu acredito que o feixe de luz que acendeu essa noite representa o mesmo do casal da primeira semana. - Jasmine começou a explicação. - Por mais que nós tenhamos feito novos casais essa noite, todos nós possuímos total certeza de que nos casais criados hoje não são um par ideal.
- Ainda estou levemente confuso. - falou e Jasmine riu.
- O que eu estou tentando dizer é que de vocês três, apenas um casal é nosso par ideal.


Capítulo 15 – Day Twenty-Nine

Por
Três dias – exatas setenta e duas horas – que praticamente não se dirigia a mim e aquilo era horrível. Bufei frustrado, revoltado por estar pensando novamente nela em um espaço tão curto de tempo, mas era impossível não pensar na mulher que vinha sendo a pessoa mais presente na minha vivência dentro daquela casa. dizia que estava tudo bem, que meu desentendimento com não era motivo para que nos desentendêssemos. Mas ali estava ela, sentada do outro lado do quintal e rindo abertamente com enquanto eles dividiam o mesmo guarda-sol.
Revirei os olhos ao notar o sorriso de . Era óbvio que ele sentia algo por e era impossível que ela não tivesse notado. Fala sério, ele nem tentava disfarçar todo o interesse que tinha nela. Até mesmo uma criança poderia reparar aquilo. Levantei da espreguiçadeira que eu estava sentado e comecei a caminhar na direção dos dois, mas fui interrompido por Simone logo em seguida.
- Terrence já está nos esperando para a prova. - a morena falou e sumiu tão rápido quanto apareceu.
Observei Simone caminhar até e e bufei, aquilo era extremamente ridículo. Eu não entendia a necessidade que ele sentia de passar um tempo com , já que ele dizia com todas as letras que era provável que Lydia fosse seu par ideal. Se Lydia era seu par ideal, o que caralhos ele fazia com o meu?
Caminhei a frente com os participantes que já seguiam na direção do local externo onde as provas ocorrem. Terrence estava parado em uma pequena estrutura que o deixava a centímetros do chão, de frente para diversos retângulos pequenos e coloridos que eram similares a tijolos. Nas duas laterais tinham nove painéis – divididas entre quatro e cinco – e na frente deles uma pequena base no chão com duas hastes em cada.
- Sejam muito bem-vindos ao desafio semanal. Essa prova será disputada por casais, portanto formem suas duplas. - Terrence falou e eu logo me vi procurando pelo gramado. Não tive problemas para encontrá-la – já que ela caminhava em minha direção –, mas o olhar de preso nela me incomodava. - Um problema bastante usual em alguns relacionamentos é a incompatibilidade de objetivos e prioridades. Quantas vezes vocês já abandonaram um relacionamento após enorme dedicação, pois os planos não casavam? É por isso que a prova de hoje se chama “Procurando o elo”.
Balancei a cabeça em concordância e os outros participantes também concordaram. Já perdi as contas de quantas vezes abri mão de me relacionar com uma pessoa maravilhosa, já que nossos objetivos eram completamente distintos e não conseguíamos entrar em um acordo sobre o que faríamos no futuro.
- Vou pedir que vocês peguem as etiquetas com o nome de vocês e colem nos painéis que representem vocês. - peguei a minha e a de e entreguei para ela, sorrindo abertamente em sua direção e sendo completamente ignorado. - Como vocês podem ver, o nome de vocês ficou de frente para uma das hastes de seus painéis. Vocês terão que correr, individualmente, até o cercadinho e pegar um dos blocos de cada vez. Cada bloco possui uma palavra que representa a prioridade de vocês em questões de relacionamento. Vocês vão voltar com o bloco e colocar na haste que representa vocês. Cada pessoa vai pegar no máximo cinco blocos. Os três primeiros casais que empilharem os blocos serão analisados e os dois que tiverem mais objetivos parecidos ganharão o passeio. Preparados? Vão!
Saí correndo, afinal de contas o tempo era algo importante naquela prova, e vi um dos meus objetivos “ter filhos”. Peguei rapidamente o bloco e corri de volta para o local de início da prova, colocando meu objetivo na haste. Repeti o mesmo percurso mais três vezes e encarei meus quatro objetivos, era basicamente aquilo que eu planejava. Observei que ainda pegava um bloco e comecei a pedir mentalmente para que conseguíssemos aquele passeio. A dúvida de sabermos se éramos ou não um casal estava me deixando agoniado a cada dia que passava. Eu precisava daquela resposta.
- E temos o primeiro casal a finalizar a prova. - ouvi a voz de Terrence e olhei na direção do apresentador, observando-o parado próximo a Camille e . - Bom, vamos ver se vocês possuem objetivos similares. pegou filhos, carreira, fidelidade, viagens e casamento. Já Camille escolheu filhos, casamento, fidelidade e religião. O que nos deixa com três prioridades iguais.
veio correndo em minha direção e colocou o último bloco. Encarou nossas hastes e franziu o cenho, fazendo-me encarar sua fileira de prioridades pela primeira vez. Estávamos fodidos. Levantei o braço e gritou, atraindo a atenção de Terrence para nós.
- O segundo casal a terminar foi e , vamos analisar. escolheu carreira, viagens, fidelidade, sexo e confiança. Já escolheu carreira, dinheiro, beleza e confiança.- mordi o lábio inferior ao notar que provavelmente não iríamos ao passeio. Eu estava tão focado em mim que nem espiei os objetivos de . - Duas prioridades, agora é rezar para o terceiro casal conseguir menos que vocês.
bufou ao meu lado, eu sabia o quanto ela estava puta por perder outra prova. Eu mesmo não me encontrava em uma situação diferente. Prova passada eu tinha dito a que faria de tudo para que vencêssemos o próximo desafio, mas aqui estávamos nós correndo o risco de perder outra prova. E dessa vez a culpa era unicamente minha por pensar individualmente e focar em como era ridículo, em vez de focar na prova.
Segui o conselho de Terrence e pedi para todos os deuses havaianos que o terceiro casal não possuísse nada em comum ou apenas um a prioridade, mas notei que fui ignorado ao ouvir Terrence falando que Chelsey e Hunter conseguiram quatro. Aquilo era extremamente frustrante.
- Bom, então nós já temos nossos dois casais que irão para o passeio amanhã. - Terrence falou ao apontar para e Camille e em seguida para Hunter e Chelsey. - O passeio vai ser no Maui Ocean Center e vocês poderão aproveitar o pôr do sol em uma praia. Enquanto os casais estiverem no passeio, os participantes restantes da casa deverão escolher um casal para mandar para a cabine. E como vocês sabem, a cabine é o único jeito de descobrir se eles são ou não um par ideal.
- Você não olhou uma única vez para o meu lado para ver quais prioridades eu tinha pego. - reclamou assim que Terrence se afastou. - Nós perdemos a prova por bobeira.
- Eu não pensei nisso na hora, eu só queria terminar logo essa prova para que a gente fosse para o encontro. - bufei e virei em sua direção, observando o sorriso de escárnio nos lábios de .
- Parabéns. Você conseguiu terminar a prova rápido. - riu irônica. - Eu tive mais prioridades em comum com o do que com você.
- Então você devia ter feito a porra da prova com ele, é isso mesmo que vocês queriam. - falei seco e comecei a caminha de volta para a casa.
- Eu queria fazer com você. - ouvi a voz de soar alta e eu parei de andar, virando para trás e notando que ela continuava parada no mesmo lugar.
- Queria mesmo? Eu não acredito nisso. - questionei irônico e cruzei os braços na frente do corpo. - Você não fala direito comigo há dias, , como quer que eu acredite nisso?! Eu estou sendo jogado para escanteio.
- Você que está me afastando, . Eu não gosto que façam isso. - falou conforme se aproximava. - Me diz qual é o problema, podemos resolver isso juntos.
- Eu estou te afastando? - questionei e não contive o sorriso de escárnio. - Se você não tivesse dando tanta atenção para o , conseguiria notar que eu estou tentando deixar tudo bem entre a gente.
- Qual a necessidade de citar ele em nossos assuntos? - questionou. - Eu estou falando apenas de nós dois.
- Você sabe que o gosta de você, né? - questionei diretamente e parou de andar.
- Eu não acho isso. - murmurou.
- Você pode não achar, mas não pode negar. - dei de ombros. - Pergunte para qualquer pessoa dessa casa, você vai obter a mesma resposta.
- E esse é o problema?
- O problema é que eu não concordo mais em ficarmos com outras pessoas enquanto não sabemos a resposta da cabine. - admiti e encarei a expressão neutra de . - Eu não consigo me sentir bem vendo vocês dois tão íntimos enquanto acredito que você pode ser meu par ideal.
Eu me sentia mal por estar falando aquilo para , não era como se eu nutrisse um sentimento romântico por ela, mas eu não conseguia digerir a ideia de ter meu provável par ideal em um rolo onde a outra pessoa está possuindo sentimentos e pode estragar tudo.
Estar perto de e não se sentir atraído por toda a sua beleza e por sua personalidade eletrizante era algo surreal, tanto que eu não era o único da casa que era afetado por seus trejeitos. A única coisa que me impedia de gostar amorosamente de , era a bendita cabine. Eu não iria me entregar completamente até que tivesse a confirmação de que a pessoa é meu par ideal. Eu não estava disposto a quebrar a cara.
- Então vamos ficar só nós dois, até que a gente descubra se somos um par ideal ou não. - sorriu e diminuiu a distância entre nós, abraçando-me pela cintura e mantendo a cabeça levantada para que continuasse me encarando. - Mas você precisa saber que é meu amigo.
- Vocês já ficaram e ele gosta de você, . - chiei baixo e arqueou uma sobrancelha.
- Mas eu não vou ficar com ele, . Eu estou com você. - sorri ao ouvir suas palavras e lhe dei um selinho. - Porém eu não vou me afastar do , nós nos tornamos amigos e eu gosto da companhia dele.
- Sem problemas. - dei de ombros, afinal de contas eu não tinha nenhum direito de ditar com quem deveria falar e com quem não. - Mas você não vai ficar com ele né? Não seria a primeira vez que isso acontece.
- Não vou, eu prometo. - sorriu e selou nossos lábios novamente. - Agora vamos, somos os únicos que continuam aqui fora.
- Sabe, eu estou nervoso para a cabine de amanhã. - falei ao afastar-me de . Enlacei sua cintura com um de meus braços e começamos a caminhar juntos para a casa.
- Eu também. - suspirou fundo. - Se Camille e forem um par ideal, isso quer dizer que nós dois não somos.
- Acho que estou mais ansioso para essa cabine do que eles. - murmurei e gargalhou.
- Posso afirmar que deve estar morrendo de ansiedade para ir ‘pra cabine amanhã.
- Sério? - questionei ao notar que não falava apenas da ansiedade normal.
- Sim. acredita que Camille não é o par ideal dele, e ela só vai partir para outro participante quando tiver certeza que ela e não são os donos daquele único feixe que acendeu. - explicou de modo agitado.
- E como você sabe de tudo isto?
- Eu sou basicamente a confidente do . - deu de ombros. - Posso afirmar que ele está extremamente ansioso para a cabine e que ele está rezando para que eles dois não sejam um par ideal.
- Estou chocado. - murmurei e riu. - Eu ainda possuía a visão da primeira semana de jogo.
- Meu amigo, então você está completamente perdido. - respondeu risonha.
- Eu vou estar ainda mais perdido se nós dois não formos um par ideal. - admiti.
Por mais que eu estivesse me policiando para não sentir algo mais forte por , era praticamente impossível controlar minhas emoções perto dela. Ela possuía um poder tão forte sobre mim, e não devia nem fazer ideia.
Meu jogo estava rodando em volta de desde o começo. Ela era a única que eu considerava como meu par ideal, a única que eu conseguia cogitar em um relacionamento futuro. E se tivermos uma confirmação da cabine com e Camille, eu realmente vou estar completamente perdido.
- Eu odeio esse jogo, pois eu sinto que não tenho nenhum controle. - falou baixo como se me confidenciasse um segredo. - Estou assustada ‘pra porra com essa cabine.
- Essa cabine vai definir nossa vida no jogo. - falei ao suspirar fundo. Possuíamos metade da probabilidade de recebermos um resultado positivo, o que seria ótimo para o jogo, porém péssimo para mim.

(...)

Por
- Viu o modo como estava olhando hoje para você e ‘pra ? - Simone questionou e eu concordei com a cabeça.
- Sim, estava bizarro. - murmurei e a morena gargalhou.
- Você sabe que era o mesmo modo que você estava olhando para a e ‘pra ele a alguns dias atrás, né? - Simone questionou risonha e eu revirei os olhos. - Agora que você está de fora, consegue ver o quão ridículo é.
- Você não deveria estar perturbando o Fred, não? - arqueei a sobrancelha e Simone apenas me direcionou o dedo do meio. - Então vocês dois podem ser um par ideal? Quem diria.
- Nós somos uma hipótese. - deu de ombros. - Igual Camille e , e e .
- Não acho que e sejam um par ideal. - murmurei.
- Isso já está ficando repetitivo. - Simone riu.
- Mas é sério. - falei e recebi um arquear de sobrancelha como resposta, aquele era um claro sinal de que Simone não acreditava no que eu estava falando. - Eles foram um dos piores casais na prova de hoje e estão juntos desde o começo do programa. Pouco mais de um mês e eles nem mesmo conseguiram se classificar para o encontro, isso é vergonhoso
- E você queria que eles fossem para o encontro? - Simone questionou de modo irônico. - Sabe, às vezes as pessoas não possuem muitos objetivos em comum, mas mesmo assim elas dão certo.
- Claro que eu queria, pois seria óbvio que eles iriam para a cabine. - ouvi a risada debochada de Simone e franzi o cenho. - Não entendi o motivo da graça.
- Apenas a sua absoluta certeza de que se e forem para a cabine eles não serão um par ideal. - Simone respondeu ao levantar-se do sofá. - A coisas não são verdades só pelo fato de que nós queremos, . Quem te garante que eles não são um par ideal?
- Nem você acredita que eles possam realmente ser um par ideal. - resmunguei ao acusar Simone. - Você mesma já disse isso diversas vezes.
- Infelizmente isso aqui é um jogo e eu não sei como os especialistas pensam. - meneei com a cabeça, aquilo era um fato que eu não podia discordar. - Após esses últimos dias, eu nem sei mais no que acreditar.
Aquilo era um fato que eu era obrigado a concordar com Simone, após os últimos dias a única certeza que eu possuía naquela casa era a de que eu não tinha nenhuma certeza. Eu me sentia completamente perdido após nossas supostas descobertas e nossos achismos.
Eu queria mais do que tudo que fosse para a cabine com o , mas como eu me sentiria se eles fossem comprovados um par ideal? A única certeza que estava crescendo a cada dia era a de que eu possuía uma chance mínima de sair são ao final do programa.
- Mas eu estou torcendo para que você e Fred sejam um par ideal. - falei e ouvi a risada de Simone.
- Você está torcendo para que eu e Fred sejamos um par ou está torcendo apenas para que saia a confirmação de que está livre?
Uma das coisas que eu mais odiava na Simone era o fato de que ela sempre captava o que eu dizia entre linhas. Esconder qualquer coisa dela era uma missão impossível ao considerar que ela me analisava como se seus olhos pudessem descobrir toda a verdade que eu escondia por trás das minhas frases e de minhas ações.
Motivo pelo qual ela não precisou de pouco mais do que alguns minutos para descobrir que eu estava ficando escondido com alguns dias atrás. A minha maior dúvida era se eu deixava as coisas completamente na cara ou se Simone possuía algum dom paranormal para me ler tão bem.
- A primeira opção, com um pouquinho da segunda. - admiti rindo fraco – tanto para a pergunta da morena, quanto para a minha – e sendo acompanhado por Simone.
- Mas é aquilo, se eu e Fred formos um par ideal, fica sem o . - Simone falou e eu sorri abertamente, era exatamente aquilo que eu queria. - Mas no exato momento em que ele sair da jogada, entra no mesmo instante.
- Porra, não tinha pensado nisto. - resmunguei contrariado. - Depois dessa eu vou é malhar.
- Claro. Você está indo malhar apenas por causa do que eu falei e não pelo fato de que você e estão se encontrando todo dia na academia. - Simone murmurou debochada. - Cria vergonha na cara, homem.
- Não sei do que você está falando. - neguei na cara dura e ri ao ouvir a gargalhada de Simone.
- Nem falo mais nada para vocês dois. - Simone falou alto para que eu pudesse lhe escutar e eu me contentei em apenas levantar o polegar.
Segui o caminho que já tinha se tornado um hábito diário para mim. Desde o começo do programa eu frequentava a pequena academia que tinha na casa, mas não era nada fixo. Até três dias atrás, quando me encontrou na academia descontando toda a raiva que eu sentia. A partir dali nós nos encontrávamos todo o dia na academia
Eu tinha total conhecimento de que eu não era uma pessoa tão fácil de lidar, mas não tinha notado que eu era tão temperamental e estourado até que eu entrasse na casa. Um mês naquele local e eu já conseguia notar as sutis mudanças que eu tive. Continuava completamente temperamental e pavio curto? Sim, era inegável. Mas consegui notar o quanto aquilo afetava as pessoas a minha volta e estava conseguindo mudar aos poucos.
Não nego que senti uma vontade exorbitante de socar a cara de quando ele soltou todas as verdades que eu tentava negar para mim mesmo, mas eu tinha total certeza de que se eu agisse pelo calor do momento, ficaria extremamente puta da vida comigo. E esse foi o principal motivo para que eu não tivesse socado aquele rosto com expressão tão soberba.
- Está atrasado hoje. - acordei dos meus devaneios ao ouvir a voz de próxima a mim. - Disperso?
- Completamente. - murmurei e encarei a mulher a minha frente.
Eu não conseguia dizer se eu tinha caído completamente nos encantos de e achava tudo relacionado a ela lindo, ou se ela era realmente maravilhosa com as roupas de academia, a expressão séria e focada no saco de pancadas a sua frente e com alguns fios de cabelo grudados a sua testa devido ao suor. Eu não conseguia achá-la menos atraente em nenhum momento e aquilo era frustrante. Extremamente frustrante se levarmos em conta que além da beleza, a personalidade de também era atraente. Era impossível ter contato com ela uma vez e não desejar por mais.
- ? - murmurou confusa e com uma das sobrancelhas arqueadas conforme me encarava. - Está tudo bem?
- É, sim. Só estava pensando em algumas coisas. - respondi simplesmente.
- Você estava me olhando estranho. - murmurou risonha.
- Eu só me perdi nos pensamentos. - sorri abertamente e deu de ombros. - Ainda não colocou as luvas? Espero que você não tenha socado sem proteção.
- Certo, isso soou estranho. - murmurou e não conteve o riso.
- Você é péssima, eu nem tinha pensado em outro sentido. - respondi rindo.
- Foi mais forte que eu. - deu de ombros. - Mas respondendo a sua pergunta, não. Eu só estava na esteira, vim para cá pouco antes de você chegar.
- Muito bem. - peguei as luvas bate saco e estendi para . - Pode colocar.
- Isso é injusto, você treina sem luvas. - resmungou ao pegar uma luva e colocar, fechando-a com facilidade.
- Eu treino há anos e sei todas as técnicas para conseguir socar sem luvas e por causa dos alongamentos que eu sempre faço quando nós treinamos. - falei e bufou, estendendo a mão em minha direção para que eu fechasse a outra luva.
- Isso é injusto, queria poder treinar sem as luvas. - reclamou ao aproximar-se do saco.
- Treinar sem luvas pode causar sérias lesões nas suas mãos e punhos. - falei sério e concordou com um balançar de cabeça. - Bater em saco de pancada não é só desferir socos e extravasar a raiva, existem técnicas específicas para isso.
- Deve doer horrores. - murmurou e eu concordei com um balançar de cabeça.
- Você não imagina o quanto. - respondi. - E é por isso que a senhorita deve treinar de luvas. O menor movimento errado já pode causar problemas e eu não quero que você sinta dor.
- Isso foi fofo. - sorriu abertamente.
Virei de costas, aproveitando para ir pegar as ataduras e enrolar em minhas mãos. Xinguei mentalmente e contive o suspiro frustrado por ter deixado aquilo sair. Era fato que a presença de me deixava aéreo e que eu tinha um total de zero controle sempre que ela estava próxima de mim. Era impossível negar que eu sentia muito mais do que só uma atração por , eu não queria que fossemos apenas bons amigos.
- não gosta da nossa aproximação, ele acha que você gosta de mim. - ouvi o tom de voz incerto de , provavelmente em dúvida se devia tocar naquele assunto, e a encarei sobre meu ombro.
Então ele está certo, eu realmente gosto de você. Respondi mentalmente.
- E você vai se afastar? - questionei mesmo sabendo que aquilo não era do feitio de , mas precisava ouvir sua resposta.
- Não, nem se ele me pedisse. - murmurou e eu voltei a atenção para as ataduras. - Ele está com ciúmes de você.
- Tudo bem. Se eu fosse ele, eu também estaria. - terminei de enfaixar minha mão e virei na direção de , observando seu sorriso fechado e a sobrancelha arqueada. - O que foi? São apenas fatos. Eu sei como eu sou bonito e você sabe como eu sou bom em tudo o que eu faço.
- ! - o tom de voz de soou repreensor, mas ouvi sua risada segundos depois. - Você é o pior.
- A culpa é toda sua e da Simone. - falei ao me aproximar do saco.
- Mas agora vamos treinar, preciso ignorar a ansiedade da cabine de amanhã. - falou conforme mexia os ombros e os pulsos.
- Você é péssima até se alongando. - murmurei implicante e rolou os olhos. - Ansiosa pelo resultado?
- A ansiedade é pelo fato de que a cabine vai mudar completamente o jogo. - falou simplesmente. - E eu vou ser diretamente afetada com qualquer resultado daquela cabine.
- O melhor que você pode fazer no momento é treinar. - me aproximei de , parando ao seu lado. - Você lembra das técnicas da aula passada? As posições e as dicas?
- Sim, professor. - respondeu irônica com um sorriso de lado nos lábios.
- Então pode começar. - falei e observei arrumar sua postura enquanto se preparava para o ataque.
Enquanto eu analisava os movimentos que desferia, eu não conseguia deixar de impedir que meus pensamentos voassem para longe. Não muito tempo atrás, eu tinha a total certeza que era melhor não ter algo com – independentemente do que fosse – se eu não fosse o único. Mas na situação atual, eu sequer conseguia cogitar essa ideia.
Preso naquela casa por pouco mais de um mês, descobri que vinha se tornando aos poucos a minha segunda válvula de escape para que eu não enlouquecesse de vez naquela casa. Sua personalidade e seu carisma conseguiam me ajudar quase sempre que eu precisava, e aquilo a tornava ainda mais extraordinária para mim.
- Parabéns, . Você estava atacando, mas manteve a defensiva. - elogiei a mulher por seu desempenho que vinha melhorando mais a cada vez que nos encontrávamos.
Ali, encarando-a exercer os motivos de algo que eu amava e que era a minha primeira válvula de escape, eu tinha a certeza de que estava indo contra todas as minhas ideias e sobre tudo o que eu pensava em relação ao jogo e em relação a nós. Eu estava nutrindo sentimentos românticos por .
Eu nunca me apaixonei rapidamente, principalmente em um mês. Mas ali estava , disposta a mais uma vez girar meu mundo de cabeça para baixo. Transformando todas as minhas certezas em achismos.
Céus, eu estou fodido.

Day Thirty

Por
A ansiedade parecia percorrer cada mínima parte do meu ser, eu me sentia extremamente ansioso desde ontem, quando eu e Camille conseguimos o encontro. A casa possuía uma forte dúvida entre nós dois e e , agora era a hora de descobrir se estávamos certos ou não. Enquanto eu estava no encontro com Camille, a única certeza que eu tinha era que iríamos para a cabine hoje à noite.
No começo do programa, principalmente nas duas primeiras semanas, eu estaria em uma animação surreal para ir ‘pra cabine com a mulher que eu jurava ser meu par ideal naquela casa. Mas agora, pouco mais de um mês, eu só conseguia me sentir extremamente ansioso.
O passeio de hoje foi maravilhoso e em momentos a sós com a loira, eu podia acreditar piamente que nós dois éramos um par ideal. Camille era engraçada, inteligente, bonita e fazia eu me sentir extremamente bem, era aquilo que eu procurava em uma parceira. Mas após seus diversos desentendimentos com e as alfinetadas que que ela fazia questão de falar para que afetasse , eu vi um lado da Camille que era algo que eu fugia.
Apesar dos beijos, e eu éramos amigos. E eu não me envolveria novamente com alguém que não respeitasse minhas amizades. Como eu poderia acreditar que Camille seria diferente das minhas ex’s, se mesmo antes que eu ficasse com ela já não gostava da mulher?
- E então, como foi o encontro? - escutei a voz de e olhei ao redor, encontrando-a parada na entrada do quarto.
- Foi bom, longe de tudo isso aqui é bem mais fácil de lidar com a Camille. - arqueou as sobrancelhas como se duvidasse de minha fala e eu ri. - É sério.
- Se você diz, quem sou eu para discordar. - sorriu marota.
- Sabe, você ia gostar desse passeio. - apoiei-me no armário e fiquei de frente para , observando o sorriso aberto que surgiu em seus lábios após minha frase.
No pouco tempo de convívio com , eu já tinha notado o quão ela ficava feliz por alguém lembrar de algo que ela falou e principalmente quando diziam lembrar dela por algo. Independentemente do motivo pelo qual a pessoa associou sua imagem, ficava feliz só por ser lembrada.
- Sério? - questionou ainda com o sorriso pintando os lábios.
- Sim, a diversidade marítima era absurda. Você ia ficar apaixonada. - sorri abertamente, conseguindo mentalizar perfeitamente a imagem de naquele túnel cercado por água e peixes.
- Espero que você tenha gravado todos os detalhes para me contar depois. - falou, mas o sorriso que estava em seus lábios logo sumiu. - Isso se você continuar na casa.
- Não me lembre disso. - murmurei e sorriu fraco.
- Eu sei como é a ansiedade e o nervosismo para descobrir logo a resposta. - falou, fazendo-me lembrar que ela já tinha ido para uma cabine. - Mas não se preocupe, isso piora.
- Muito obrigada pelo seu otimismo, . - murmurei irônico e ouvi a gargalhada da mulher, não conseguindo conter a vontade de sorrir junto.
Estar perto de era estranho. Enquanto eu possuía completa certeza no início do jogo de que Camille era meu par ideal, com eu não conseguia ter nenhuma certeza. Exceto a de que ela mexia comigo de jeitos que ninguém tinha mexido. Afinal de contas, tinha sido a única mulher para a qual eu já cozinhei se ignorarmos minha família.
Perto de eu me tornava completamente tímido e era impossível conter o rubor em minhas bochechas sempre que flertava comigo, era como se eu estivesse de volta à escola. Porém ao mesmo tempo que me tornava um adolescente, também conseguia fazer com o que eu retribuísse o flerte como se fosse algo extremamente usual para mim.
- Vamos descer? - questionou e eu balancei a cabeça em concordância.
- Essa cerimônia vai mudar tudo. - murmurei e suspirou.
- Não sei se eu estou preparada para isto. - admitiu fraco.
Caminhamos até a sala em silêncio. Eu estava tão nervoso que acreditava até mesmo ser impossível ficar corado independentemente de qualquer coisa que falasse. Adentramos a sala e foi impossível não notar o olhar cruzado que Camille me direcionou ao notar que estava ao meu lado.
- Boa sorte. - sussurrou próximo ao meu ouvido e seguiu até o sofá, sentando-se ao lado de .
Segui na direção dos bancos que ficavam atrás do sofá e sentei ao lado de Camille. Virei meu rosto em sua direção e notei que ela estava tão ansiosa quanto eu, por mais que tivesse passado o dia negando. Camille dizia não estar nervosa, pois já sabia qual seria o resultado da cabine. Porém sua perna balançando freneticamente e suas unhas batendo sobre a perna entregavam o verdadeiro estado da loira.
- Tudo certo, galera? - Terrence questionou conforme adentrava a sala. - Está na hora, da quinta cabine da verdade. Estamos praticamente na metade do programa.
O fato de pensar que estávamos na quinta semana do programa e possuíamos apenas um par ideal, era complicado. Nós estávamos na metade do jogo e parecíamos completamente perdidos. A cabine de hoje seria um divisor de águas.
- Como vocês já sabem, essa é a única maneira de ter certeza de que um casal é um par ideal ou não. Se o casal for confirmado, irá para a lua de mel, como Marnie e Nathan já foram. Lá vocês terão um bom tempo para ficarem a sós e se conhecerem melhor. Mas é claro que se não forem confirmados pela cabine, vão voltar para cá e continuar a busca pelo par ideal. - Terrence explicou a mesma coisa de sempre e eu me questionei se ele não se sentia cansado pelas frases repetitivas. - Como foi o encontro?
- Foi bom, gostei de poder passar esse tempo com o Hunter. - Chelsey falou e sorriu para o homem ao seu lado.
- Sim. Foi ótimo conhecer ela melhor além de só sentar com ela nas cerimônias. - Hunter murmurou risonho. - Foi ótimo ter um tempo a sós com ela longe da casa.
- Foi lindo, tanto o passeio quanto a minha companhia. - Camille falou e eu sorri abertamente, sentindo-me lisonjeado.
- É sempre bom poder passar um tempo fora da casa e a Camille é uma ótima companheira. - pousei a mão na coxa da loira.
- Beleza, o resultado está aqui. - Terrence aproximou-se da televisão. - E o casal que vocês mandaram para a cabine da verdade é... e Camille. A dúvida é, vocês são um par ideal?
- Com certeza! - Camille exclamou animada, mas tudo o que eu consegui fazer foi dar um sorriso frouxo. Se a loira possuía total certeza, eu claramente não possuía nenhuma.
- Bom, boa sorte então. - Terrence falou e deixou a casa.
Sequei as mãos na calça que eu usava e levantei do banco, estendendo a mão para Camille e a auxiliando a descer do banco. Enlacei nossos dedos e saímos da casa, seguindo pela trilha que nos levaria até a cabine. A cada passo que eu dava, eu sentia meu coração bater mais forte. Eu estava assustado para um caralho.
- Não estou mais confiante. - ouvi a voz de Camille soar fraca em um sussurro e eu parei de andar, observando-a fazer o mesmo.
- Independente do resultado, saiba que eu sempre vou ser seu amigo e que você sempre vai poder contar comigo. - sorri e Camille balançou a cabeça em concordância.
- Estou nervosa demais para sorrir. - Camille murmurou e eu gargalhei.
- E eu estou gargalhando de nervoso. - resmunguei. - Estamos ótimos.
Voltamos a caminhar, já que quanto mais rápidos chegássemos a cabine, mais rápido teríamos uma resposta. Praguejei mentalmente ao dobrar na terceira curva. O que custava fazer uma cabine mais perto? Resmunguei mentalmente, mas logo vi a estrutura da cabine mais à frente. Senti Camille apertar minha mão e eu suspirei fundo. Estávamos na entrada da cabine.
Me separei de Camille e abri a porta, deixando que a loira entrasse e seguindo-a logo depois. Caminhamos até ficarmos lado a lado, de frente para a televisão que possuía nossas fotos. Segurei novamente a mão de Camille e senti a pressão assim que a luz diminuiu e as luzes coloridas pareciam nos analisar dos pés à cabeça. Mordi o lábio inferior, aquilo parecia durar uma eternidade.
- Eu estou com medo. - Camille murmurou.
- Não precisa ter. - respondi no mesmo tom.
Mas no momento que a frase saiu da minha boca, as luzes pararam e a tão temida e esperada faixa ocupou o meio da tela. Ouvi o suspiro acompanhado de um grito fino e curto de Camille ecoar pela cabine, mas eu ainda continuava parado e sem conseguir mexer um músculo enquanto meus olhos continuavam presos no “par incompatível” que ocupava metade da tela.
Pisquei os olhos, disposto a ter certeza que o que eu via era real, e suspirei fundo ao notar que sim. Saí do meu pequeno estado de choque ao ouvir o choramingo baixo de Camille. Virei rapidamente em sua direção e a puxei para um abraço apertado, sem me importar se minha camisa ficaria suja.
- Sabe, eu realmente acreditava que nós dois éramos um par ideal. - a voz saiu abafada devido ao contato com meu peito.
- Eu também acreditei por um tempo. - admiti e Camille se afastou até que conseguisse encarar meus olhos.
- Eu fui irracional e possessiva diversas vezes em relação a você e a , né?! - questionou retoricamente após uma fungada. - Eu me sinto completamente insegura em relação as outras mulheres e acabo agindo na defensiva.
- Mas isso não é bom para você. - murmurei e afaguei seus cabelos loiros. - Você precisa saber expressar suas frustrações e suas inseguranças, você já é uma mulher.
- Eu sei. - resmunguei. - Acredito que esse seja o meu problema em relacionamentos passados.
- Então está na hora de mudar isso. - sequei suas lágrimas com uma das mãos. - Vai tentando aos poucos, você ainda possui cinco semanas. Aproveite esse tempo para ser uma melhor versão de si mesma.
- Você é maravilhoso. - murmurou e abraçou-me novamente.
Permanecemos por alguns segundos parados naquele abraço, digerindo o resultado da cabine enquanto caía a ficha de que teríamos que seguir em frente no jogo e conhecermos novas pessoas. Nos afastamos, mas permanecemos de mãos dadas enquanto fazíamos o caminho de volta para a casa. Agora precisávamos que e ou Simone e Fred fossem para a cabine, aquela era a nossa esperança.
Afastei-me de Camille assim que nos aproximamos da casa e segui até o lago, eu precisava pensar. Segui pelo caminho que eu sempre fazia quando queria me afastar de todos os outros participantes e ao chegar no local, encontrei sentada no banco.
- Imaginei que você viria para cá dependendo do que acontecesse. - falou cautelosa. - Eu cheguei aqui logo depois que o resultado apareceu na televisão. Como você está se sentindo?
- Confuso, mas um pouco feliz. - admiti. - Eu estou me sentindo perdido.
- Você possui alguma outra direção? Alguém que você ache que possa ser o seu par ideal? - questionou e eu concordei com um balançar de cabeça conforme sentava no espaço vazio ao seu lado.
- Você. - murmurei e vi a confusão explícita no rosto de .
Mas mesmo levemente feliz pelo resultado da cabine, eu não conseguia dizer como eu me sentia. Pela primeira vez, eu estava perdido no jogo. Eu não tinha mais um suposto par e a única outra pessoa que me despertava interesse na casa era , mas ali as coisas eram complicadas. Além de , que poderia ser seu par ideal, ainda tinha . E ali estava eu, perdido entre os dois.




Continua...



Nota da autora: Estou mandando essa atualização antes do prazo por motivos de = AYTO ficou no Top5 do site, então planejei isso aqui haha Muito obrigada por todos os comentários e por terem colocado AYTO no Top Fics. Espero que vocês tenham gostado desse capítulo com o ponto de vista dos três principais, admito que estou completamente receosa sobre ele por ser algo um pouco diferente do habitual. Esse capítulo possui extrema importância para que possamos ver como cada principal se sente a respeito da principal.

Eu criei um grupo para podermos interagir, além de que eu sempre estarei postando spoilers e novidades sobre minhas histórias. Entrem lá:


Outras fanfics:
Adiós Colombia
O Namorado da Minha Namorada
MV: Last Friday Night
MV: Give Me Love
MV: Criminal
MV: The One That Go Away
MV: We Belong Together
10. Home
13. Runaway Love
Águas Traiçoeiras
01. Rolling In The Deep
02. Se Liga
03. U Got Nothin' On Me
05. Quiet
06. How Come You're Not Here
07. Slut Like You
09. Cry Baby
13. This Is Why We Can't Have Nice Things
14. So Far, So Great
De Férias Com O Ex




Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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