CAPÍTULOS: [01] [02] [03]





As 7 Notas da Vida


Última atualização: 31/07/2017

Parte 1 - Dó


Capítulo 1


, uma garota alta de aproximadamente 1,70 de altura, cabelos longos e morenos que batiam na sua cintura, a pele parda e delicada como a de um véu que realçava suas íris cor de mel e eram tão hipnotizantes quanto seus lábios carnudos e perfeitamente desenhados. encontrava-se rumo ao aeroporto de Cleveland, com destino à Cidade da Rainha: Londres.
Antes mesmo de começar a faculdade, passou por volta de um ano longe de casa para estudar música em um dos melhores conservatórios de Cleveland onde teve a oportunidade de entrar assim que terminou o colegial e tornou-se maior de idade. Um ano afastada de sua família, a qual era composta apenas pelo seu pai, que beirava nos seus cinquenta anos, e seu irmão mais velho, pareceu uma eternidade a ela. A garota sentia seu coração inflar de ansiedade a cada momento em que esperava para vê-los novamente.
Faltavam minutos para que seu voo fosse anunciado. Enquanto aguardava, estava entretida ao ler um dos livros que o conservatório havia lhe proporcionado, cujo contava a história e longo progresso de um pianista famoso. desde muito pequena é apaixonada pela música clássica e foi graças a um antigo professor do primário que ela descobriu essa paixão por notas musicais, piano e tudo que fosse relacionado à música clássica. Não que ela seja uma espécie de conservadora da música, mas ela parecia se "divertir" muito mais ouvindo um Beethoven a ter que ouvir um rock ou uma eletrônica barulhenta, por exemplo. O que era totalmente contraditório ao estilo de seu irmão, , o qual formava uma minibanda com os dois melhores amigos dele. Apesar de opostos, um dava total apoio ao outro, mesmo revirando os olhos com os estilos musicais de ambos.
, enquanto lia, tomava um café "barato" do aeroporto, sentada em uma das mesinhas da pequena lanchonete. Ela olhou para seu relógio de pulso e arregalou os olhos ao ver quanto tempo havia passado. O gole que havia dado do café quente desceu com tudo pela sua garganta. Estava tão desligada da realidade, que nem percebera que faltava menos de cinco minutos para o portão de embarque fechar. Colocou o livro de qualquer forma dentro da bolsa de couro e, apertando-a contra seu corpo por debaixo dos braços e o copo de café firme na mão, correu numa velocidade absurda e tentava desviar de todos que aparecia na frente, pedindo desculpas em quem acabava esbarrando.
Chegando ao portão de embarque, avistou a funcionária pegando a passagem de uma mulher negra que segurava o filho pequeno pela mão. Suspirou aliviada e andou com passos apressados até as duas mulheres, logo entregou sua passagem à mulher, que aparentava beirar entre seus 30 anos.
– Tenha uma boa viagem! – desejou a funcionária.
tomou o último gole do café, que já não se encontrava com um bom sabor, e embarcou.
Respirou fundo e suspirou pela milésima vez, sentindo-se exausta por ter corrido tanto. Já em seu devido lugar no avião, encostou sua cabeça na janelinha, vendo a cidade ficar cada vez mais pequena conforme o avião subia. Por uma grande coincidência, sentou-se ao lado da mulher que havia visto minutos atrás com o filho. O menino, de mais ou menos oito anos de idade, estava sentado na poltrona do meio e ele brincava com dois bonecos, simulando, com a voz, sons de socos e chutes, o que fez achar graça e rir.
O voo demoraria horas até chegar em Londres, então a garota apenas colocou os fones de ouvido e deixou que Gustav Holst preenchesse sua mente com mais um clássico. Ela fechou os olhos e sorriu ao apreciar cada nota tocada.

[...]


Mais de três horas se passaram e enfim pés em Londres. já se encontrava no banco do carona do carro de seu pai e o caminho inteiro ele e , irmão de , a bombardeavam de perguntas sobre como é em Cleveland, como era a academia, o que aprendeu e sobre as pessoas com quem conviveu no tempo que passou por lá. Ela contou sobre tudo... a não ser um pequeno detalhe.

Capítulo 2


Um ano antes...
Seis meses que havia chegado em Cleveland, nos primeiros dias na cidade e na academia a garota se sentiu totalmente deslocada, não conhecia ninguém ao redor e nada daquela cidade. Não demorou muito para que fizesse amizades, apesar dela ser considerada uma adolescente diferente dos outros, ela sabia muito bem se enturmar, ainda mais num lugar em que pelo menos 90% de estudantes que estava com ela compartilhava do mesmo gosto musical.
estava sentada embaixo de uma árvore e vendo várias pessoas com instrumentos nas mãos, estudando ou simplesmente descontraindo enquanto a aula não começava, e ela era uma dessas. Sonata ao Luar soava em seus ouvidos até que , uma das amigas que havia feito e colega de quarto, sentou ao seu lado e tirou os fones de ouvido da amiga para que desse total atenção a ela. segurava algum tipo de panfleto nas mãos e sorria abertamente.
– Vamos? – perguntou esperançosa.
– Festival de fogos? – pegou o panfleto da amiga para olhar.
– Esse festival não acontece sempre, é bem raro e quando tem... é imperdível! – explicava animada – Parece que muita gente aqui vai e como você é teoricamente nova, é teoricamente obrigada a ir comigo.
olhou irônica para a amiga e não conteve a risada ao ver a cara dela.
– Vou pensar no seu caso – disse, rindo – não vejo motivos suficientes para eu ir.
– Ah, qual é? Você precisa ir, se distrair um pouco. Vai se arrepender se não for... acredite.
continuou a encarar a amiga pensando na possibilidade de ir ou não ao tal festival. tinha razão e sabia disso, talvez seria bom se distrair um pouco e aproveitar o tempo que ainda tinha naquela cidade, então a garota se deu por vencida e cedeu ao convite de , que estava praticamente insistindo.
, sem hesitar, agarrou sentindo-se feliz por ela ter aceitado o convite. Logo depois que se afastou para ir à aula, colocou novamente os fones de ouvido e antes que abrisse o livro de teoria da música, três garotos passaram por ela, mais adiante. Um deles ela reconheceu por fazer a mesma aula de piano com ela, mas havia um que segurava uma guitarra e olhou diretamente para onde ela estava, chegou a olhar para trás... talvez ele estivesse olhando para outra pessoa? Quando ela voltou a olhar para frente, viu que ele ria alto e para confirmar a dúvida de , ele mandou um "tchauzinho" nada discreto à ela o que a fez ficar sem reação. A garota ignorou o suposto guitarrista e abriu o livro em suas mãos revirando os olhos, vez e outra olhando na direção dele que agora estava sentado numa mureta com os amigos.
Aqueles 10% que faltava para compor as pessoas da academia... certamente ele fazia parte desse grupo.
aumentou o volume da música em seu celular ao perceber que quase não conseguia ouvir quando o garoto da guitarra começou a tocar e cantar em alto som. Ela não sabia se ficava nervosa por não conseguir estudar ou por saber que é impossível disputar um "simples" piano com uma guitarra barulhenta, odiava admitir essa posição. Muitas pessoas estavam ao redor dele, sem contar os amigos que já faziam companhia a ele antes do "show", a música que ele tocava... não era estranha para , ela conhecia. No exato momento, sorriu ao lembrar do irmão e das várias vezes em que tentou a convencer a ouvir as músicas dele e ela sempre se recusava.
– Isso é só barulho... – reclamou sozinha ao fechar o livro em suas mãos e levantar para sair daquele meio.
– Quem é aquela? – , o guitarrista, perguntou ao amigo sentado ao seu lado na mureta.
Ele continuava a tocar músicas conhecidas, especificamente alguns rock's, mas permaneceu seu olhar em que guardava seus livros na bolsa com uma expressão não muito agradável em seu rosto. deduziu que, assim como muitos naquele instituto, talvez ela fosse mais uma "obsoleto da música" e isso não era algo que o incomodava, porém ele não conseguia ver sentido algum nesse conceito de que o clássico é música verdadeira e os novos ritmos não passassem de algo "inovador" e sem sentido, isso para muitos que ele conhecia e pensava assim.
, ela é da minha turma de piano. – o amigo, Ben, respondeu, agora, também olhando a garota se afastar da árvore onde estava. – Esquece, cara, você não vai conseguir ficar com ela.
desceu da mureta onde estava sentado e seguiu em direção ao prédio do instituto acompanhado pelos amigos e com a guitarra em suas costas. As pessoas que assistiam a performance dos garotos, algumas foram cada uma para o seu canto e outras continuaram no encalço dos rapazes, conversando entre si ou apenas ouvindo sobre o que falavam.
– Eu não conversei muito com ela, mas pelo pouco que interagimos... – Ben continuou o assunto enquanto apenas ouvia. – Você é o tipo de gente que ela não gosta, digamos assim.
esboçou um breve sorriso no rosto, achando graça.
– Eu não ligo. – disse ao chegar nos corredores da academia. – E isso me pareceu um desafio.

[...]


, após sua aula teórica sobre ritmos e tempos musicais, se encontrava na companhia de em uma das salas disponíveis para os alunos praticarem. As teclas pesadas do piano eram tocadas pela garota fazendo com que sons leves e suaves soassem pela sala com a performance de Gustav Holst, Jupiter; Ela, vez e outra, fechava os olhos a fim de conseguir prestar atenção nas notas tocadas e sentir a música. Cada vez que tocava algo e fechava os olhos, era como se tentasse visualizar algum sentido para aquelas notas, a ordem a qual elas seguem ou o porquê da composição dela, acreditava que os compositores, Beethoven ou Chopin, por exemplo, não criavam e determinavam um ritmo por simplesmente parecer algo "sentimental" ou "tocante", mas que poderia ter alguma história por trás delas. Uma história ou mensagem que teria o intuito de fazer aquele que ouve, pensar.
Como um autor qualquer, seja de um livro ou poema, nenhuma história é apenas escrita. Pode ser o livro menos valorizado em quesito de "literariedade", mas o autor vai buscar um meio de lhe fazer pensar por meio das palavras dele. Acontece o mesmo com a música clássica... você se emociona ou se arrepia ao ouvir determinadas notas, mas não sabe o porquê, e é exatamente esse ponto que faz se aprofundar cada vez mais em teorias e música.
, enquanto ouvia a amiga tocar, estava sentada num dos bancos da sala mexendo no celular. Apesar de ela não ser tão dedicada como , ela entendia perfeitamente a paixão que a amiga tinha pela música e respeitava seu momento. Ela sentia o mesmo quando tocava seu violino. A garota tirou sua atenção do celular quando ouviu seu nome ser chamado, pensou ser , mas ela continuava a tocar atenciosa, olhou então para a porta da sala e, pela vidraça, viu que Ben fazia sinais para que ela fosse até ele.
Olhou mais uma vez para , a música continuava a soar.
– O que fazem aqui? – perguntou ao fechar a porta atrás de si, olhou para encostado na parede e sorriu.
– Seremos rápidos, só nos responda uma pergunta. – Ben pronunciou. Os amigos se entreolharam e soltou a pergunta.
– Qual é a da pianista?
sem saber como reagir, apenas olhou para trás e viu que a amiga trocava as partituras, talvez nem tenha percebido sua ausência. Apenas achou graça e riu. Voltou sua atenção ao que segurava sua guitarra pelo braço e ao Ben com os braços cruzados.
? Seja lá o que querem com ela, esqueçam.
– Em que acha que estamos pensando? Só queremos conhecê-la – defendeu-se mostrando indignação.
Ela namora.

Capítulo 3


Sim, tem um namorado.
Matthew Stanford, um dos melhores amigos de e melhor amigo de infância de , tornou-se namorado da garota há mais de um ano. Ele é mais velho que ela e , atualmente tem seus 21 anos e já está na faculdade. Matt, como é chamado pelos amigos, é totalmente o oposto de , música clássica não faz o seu tipo, é o típico garoto clichê de filmes americanos, a diferença é que ele joga Rugby. E isto é o que nos faz questionar como começaram a namorar e por quê? Por ele ser amigo de infância, isto fez com que Matt compreendesse as diferenças entre ele e a garota e ter um contato mais íntimo, o que o fez despertar o interesse por ela e o mesmo aconteceu com por ele. Difícil acreditar que , a conservadora musical e crítica à tudo, poderia amar alguém tão diferente dela? Talvez sim, porém... o que por fora aparenta ser uma garota difícil, por dentro é apenas uma garota como qualquer outra.
soube sobre Matthew por acaso. Passados os seis meses em que estava no instituto, acabou ouvindo sem querer uma suposta discussão entre ela e o namorado... ela chorava, e isto fez com que sentisse que devia consolá-la e foi aí que contou sobre seu namorado. Ultimamente eles têm discutido a cada ligação que um fazia para o outro, talvez fosse pelo desafio de ter que manter um namoro a distância e talvez fosse por isso que insistia em fazer sair junto dela.
— Então o nome dele é Matthew, uh? – pensou alto após o que contou, coisa que ela não devia ter feito e sabia que iria se arrepender. Ela conhecia muito bem .
— Parece que perdeu o desafio, . – Ben riu ao ver a expressão no rosto do amigo que olhava pela vidraça, diretamente para que tocava ao piano. Por conta da sala ter abafador de som, ele não conseguia distinguir a música.
— Então parece que temos um outro desafio em cima deste. – sorriu.
sem entender nada, virou-se para voltar a sala, mas assim que pegou na maçaneta, a porta se abriu e deu de cara com segurando sua bolsa e algumas partituras na mão. franziu o cenho ao ver os garotos que havia visto no pátio do instituto.
— Terminou de praticar? – perguntou sem saber como reagir.
— Sim, logo vai anoitecer e se você quer que eu vá nesse festival, vou precisar de tempo para achar uma roupa. – respondeu sem dar atenção aos dois garotos. Ben não sabia o que falar e ... bom, ele apenas sorria ao colocar a guitarra nas costas.
— Tudo bem, vai na frente. Eu vou pegar minha bolsa e encontro você depois. – a amiga sugeriu e concordou com a cabeça.
Ela olhou brevemente para e mandou um sorriso simpático para Ben já que ela o conhecia, e então foi andando pelos corredores deixando os três para trás.
— Vocês vão ao festival de fogos? – perguntou.
— Sim – foi até o canto da sala de piano e voltou com sua bolsa no ombro – E digo mais uma vez para que não esqueçam: ela namora!
trancou a sala e seguiu o mesmo caminho que para encontrá-la.
Ben e foram para o caminho contrário ao delas e logo o guitarrista pronunciou-se:
— Quem ela pensa que nós somos?
— Vamos neste festival? – Ben o ignorou com outra pergunta, virando a cabeça para olhar uma garota que passou por eles com um violão nas costas.
— Com certeza, meu amigo!

[• • •]


A noite fria que cai sobre Cleveland faz com que o corpo de se arrepie no instante em que o vento a atinge. Ela aperta o sobretudo marrom sobre si a fim de que o frio que sentia diminuísse e então pede a , que estava ao seu lado assoprando e esfregando as mãos, para que fossem numa barraca que vendesse algo quente a elas e assim fizeram. Aquele lugar onde ocorria o tal festival de fogos estava mais cheio do que pudesse imaginar. As barracas eram bem iluminadas e não havia uma que não estivesse aglomerada e com filas. Enquanto as duas esperavam sua vez na fila para comprar alguma bebida quente, olhava para todos os detalhes que decorava aquele lugar; era como uma noite de natal... só que em época errada, era tudo tão colorido e iluminado que ela podia se sentir como criança novamente, estava maravilhada. Havia muitas pessoas do instituto por ali e mais uma vez sorriu. Não perdeu a oportunidade de pegar o celular em seu bolso e tirar foto do lugar para mostrar ao pai e ao irmão onde estava.
— Dois Café Irlandês. – pediu quando chegou a vez delas. – Beba e não diga nada. – Entregou o copo quente para que olhou desconfiada.
— O que tem aqui dentro, ?
não disse nada, apenas deu um gole da bebida dela e esperou com que fizesse o mesmo e quando o fez, não sabia distinguir e dizer se o sabor era bom ou forte demais.
— Café, creme e um toque de uísque para esquentar a noite. – Por fim respondeu o que havia na bebida e riu ao dar mais um gole. Realmente estava esquentando, mas era uma boa bebida.
As duas tornaram a andar pelo festival e vez e outra uma comentava sobre alguma coisa daquele lugar ou sobre as pessoas, até que ouviu som de violão e teve a ideia de chamar para ver o que era. Geralmente nestes festivais sempre tem alguma atração, imaginaram que talvez fosse uma. Se aproximaram da aglomeração e então as meninas viram que não era uma atração própria do festival, era apenas com seus amigos tocando algumas músicas, elas se entreolharam e continuaram por ali mesmo, ouvindo o que tocavam.
tocava animadamente I Wanna Hold Your Hand de Beatles até que sentiu seu ombro ser tocado. Era Ben. O amigo apontou para as pessoas que o assistiam tocar e cantar até que viu a quem Ben se referia, era acompanhada por . A duas conversavam entre si enquanto tomavam algo que não sabia o que era, mas achava que poderia ser algo quente por ver a fumaça sair do copo que seguravam.
— O que vai fazer agora? – Ben perguntou sem tirar os olhos das garotas que ele admitia estarem muito bonitas para ele, achava o mesmo.
, assim como , usava um sobretudo preto que cobria um belo vestido coral por baixo, deixando exposta suas finas pernas revestidas por uma meia-calça também preta e nos pés um simples coturno. , ao invés de optar por um vestido como , achou que seria melhor usar apenas uma camisa branca e uma calça com uma "cor nude" por baixo do seu sobretudo marrom. Visual simples, mas que realçava o ar calmo de e mesmo assim ela conseguia atrair olhares para si. As duas conversavam entre si enquanto a música não começava, foi aí que lembrou-se do pouco que havia contado a ele e então teve sua brilhante ideia.
— Vou improvisar.
Ben saiu de perto e foi para junto do público para assistir o que viria a seguir.
— Essa música eu acabei de criá-la, espero que gostem. – disse em alto som às pessoas e elas aplaudiram, inclusive e que olhavam atentas para o rapaz com o violão apoiado no colo.
Ele começou a tocar acordes aleatórios no violão e olhou diretamente para que não percebera este ato, até que ele começou a cantar.

Ana Bolena guardava uma lata Em que estavam todas suas esperanças e sonhos Ela planeja fugir com ele para sempre Pode sentir o nó que está em sua garganta Está chovendo e ela deixa seu casaco em silêncio Desculpe-nos, mas nós discordamos O garoto é um verme, você não vê? Nós iremos arrancá-lo da história


, incomodada com as palavras e o olhar do garoto sobre si, dirige-se à que também não sabia o que fazer. Ela só pensava em como era idiota a ponto disto.
— Por que parece que ele está cantando para mim? – Perguntou, segurando o braço da amiga sem tirar os olhos do rapaz que continuava a cantar.
— Não sei... impressão talvez? – Disse o que queria que fosse, apenas uma impressão. – Quer ir para outro lugar? – Ofereceu.
disse que sim e as duas saíram daquele meio. A garota ainda estava incomodada e na hora lembrou de Matt. Ela sabia que manter uma relação à distância não seria nada fácil, ela confiava no namorado, mas ele não confiava nela, o que tornava o que já era difícil cada vez mais complicado para ela. Já passou milhares de vezes pela cabeça dela a opção de terminar com o rapaz, ela não suportava o cargo de ter que aguentar e "superar" as brigas e discussões com ele, mas como um coração cego, ela acreditava gostar de verdade dele e tinha esperanças de tudo voltar ao normal assim que voltasse a Londres. Só mais alguns meses! Era o que ela repetia a si mesma sempre que Matthew vinha a sua cabeça.
sacudiu a cabeça a fim de dispersar o desconforto que estava começando a sentir e virou-se para .
— Podemos sentar um pouco? Não aguento mais ficar em pé e no meio de toda essa gente. – pediu enquanto jogava o copo que estava em suas mãos em um lixo.
— Claro, tem um bar aqui perto. Podemos ficar por lá enquanto os fogos não começam, lá não passamos frio.
seguiu os passos de a caminho desse tal bar. O festival estava tão cheio, mas tão cheio que foi um desafio conseguir andar ou dar um único passo sem esbarrar em alguém. Chegando ao bar, olhou relutante para a amiga, assim como todo o evento, aquele lugar também estava aglomerado e bem movimentado, só queria descansar um pouco e sem dar resposta alguma a amiga, a puxou pela mão e entrou no meio daquela multidão.
Ben dá um tapa tão forte na cabeça de que o guitarrista deixa o líquido que bebia cair um pouco no violão pousado em seu colo. Os olhos do garoto estão fixados no pobre instrumento molhado, quando sua ficha cai do ocorrido, vira-se extremamente nervoso e confuso para Ben. Quer deixar totalmente fora de si? Mexa nas coisas dele, especialmente nos amados instrumentos do rapaz. Antes que ele pudesse xingar o amigo e revidar o tapa, o guitarrista finalmente percebe as duas meninas logo na entrada do bar. Ben é salvo pelo gongo.
— Só não quebro esse violão na sua cabeça porque ele é muito especial para isso! – diz enquanto seca o violão e então procura as madeixas cor de fogo de .
O bar tem um estilo rústico e antigo, várias garrafas de uísque, vinho e outras bebidas alcoólicas são postas sobre um balcão como forma decorativa. Nas paredes, quadros de pinturas e jurou ter visto uma cabeça de algum animal próxima a entrada. As duas amigas por sorte encontraram dois lugares vagos ao lado do balcão com as bebidas e perto do banheiro. Havia tantas pessoas juntas num lugar só que tirou o sobretudo do corpo, sentido o calor começar a surgir.
— Vou ao banheiro, está bem? – precisou gritar para que a amiga ouvisse. assentiu e logo ficou sozinha, mas não por muito tempo.
, entre sorrisos e sussurros com Ben, encaminhou-se até a pianista. Quando parou atrás da garota, sem que ela visse, ele piscou de um olhou para o amigo e este caminhou em direção aos banheiros. com o violão nas costas, senta-se no banco onde estava, surpreendendo .
— Procura alguma coisa? – pergunta tentando parecer rude.
A garota desde que entrara para o instituto, não gostou de . Nunca se falaram diretamente, evitava sempre que podia algum contato com o guitarrista. Ele a irritava. Ela não conseguia estudar em paz sem que ele e os amigos começassem a tocar e cantar em alto som, o que a incomodava, mas atraia os olhares de outros. lembra muito o estilo de , a forma de falar, cantar, se vestir... se ela não conhecesse , diria que ele e o guitarrista seriam irmãos de tanta semelhança.
— Apenas um lugar para sentar – tira o violão das costas e o apoia sobre o balcão. – Mas se quiser, posso sair. Não quero incomodar ninguém.
Ele e seu maldito sorriso galanteador.
— Então saia, por favor.
Não era uma resposta que esperava, o que o faz ficar sem reação precisa. Com uma risada descontraída e sem jeito, ignora o que a garota disse, tornando a conversar com ela.
— Então – Ele pigarreia e se ajeita no banco. – Soube que você faz aula com o Ben, piano, certo?
nada responde, tenta ignorá-lo de todas as formas possíveis. desceu pela privada?! Onde ela se meteu? , com muita paciência, tenta mais uma vez algum diálogo com a garota e torce para que desta vez funcione.
— Por que piano? – O guitarrista pergunta e enfim olha para o garoto. Sabia que se perguntasse sobre algo que ela gostasse, surtiria efeito. Tão previsível.
— O piano é um dos instrumentos mais bonitos que eu conheço. – percebe o brilho nos olhos da garota e sorri. – O som, a história, o arrepio quando uma nota é tocada, tudo. Quando toco... é como se tudo ao meu redor parasse, é um meio para eu colocar tudo o que sinto em cada tecla tocada e... – ao perceber com quem estava falando e ver que este sorria furtivamente, retomou sua posição. – Esquece, você não deve entender nada do que falei.
— Como assim? – sentiu-se verdadeiramente ofendido com o comentário da garota. – Eu sinto a mesma coisa quando toco meu violão ou guitarra... sabe, música não se define apenas à Beethoven ou qualquer outro compositor famoso.
— Eu não vejo sentido em rock, pop ou qualquer outro som popular. – rebate virando seu corpo para ficar de frente ao guitarrista. – é só barulho e mal entendo o que falam.
poderia muito bem estar ofendido com as palavras que usa, pois assim como ela, o garoto é apaixonado pela música e pelo o que faz, mas ele apenas se diverte com o debate que acaba de surgir. O guitarrista fica na mesma posição que a garota, ficando de frente a ela.
— Pode emprestar seu celular, por favor? – pede mudando o rumo da discussão.
— Para quê?
— Não vou roubá-lo, quero provar que você está errada.
, relutante, tira seu celular do bolso do sobretudo e entrega ao garoto que o pega sorrindo.
— Ben, quer sair da minha frente? – empurra o garoto alto e magro parado a sua frente e impedindo sua passagem.
— Desculpe, mas tenho que mantê-la aqui.
Assim que deixou sozinha para ir ao banheiro, antes que pudesse voltar, encontrou com Ben parado em frente a porta do banheiro bloqueando sua passagem, como um segurança só que alto e sem estrutura de segurança, mas forte o bastante para não deixar com que a ruiva passasse. Ela sabia que tinha na história.
— Eu juro que se vocês fizerem alguma coisa a , vou furar os olhos dos dois. – exclama irada tentando em vão empurrar o garoto.
— Você não tem altura para isso. – Ben ri.
comparada aos dois rapazes, era extremamente pequena. Mal batia no peito deles. A garota sentindo-se mais irritada ainda, usa toda a sua força para pisar com seu coturno em um dos pés de Ben. A pisada foi tão forte que ela pode sentir a dor nela mesma enquanto Ben xingava e se contraía. Mais um pouco e ela chutava outros lugares.
Ao se libertar de Ben, seguiu em direção ao hall do bar a fim de encontrar , mas antes que fosse até a amiga, a garota estacou no lugar surpresa por ver o que não queria e o que não esperava.
— Olha aqui, não precisava de toda aquela força – Ben aparece atrás da ruiva mancando. – Ei, o que foi?
Ben segue o olhar fixo de e por um momento também se surpreende, mas logo um sorriso surge em seu rosto. saindo acompanhada por para fora do Bar.

Continua...



Nota da autora: Sem nota.




comments powered by Disqus




Qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.



TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO SITE FANFIC OBSESSION.