A Song About You

Última atualização: 27/09/2020

Prólogo

estava em êxtase.
Pela primeira vez, depois de tantos anos investido seu tempo e dinheiro em sua carreira musical, tudo parecia estar caminhando para o lugar onde ele sempre quis estar desde que havia aprendido a tocar sua primeira música na guitarra: The Orpheum Theatre.
Ele encarava o palco vazio enquanto as pessoas da staff terminavam os últimos detalhes para o show que ocorreria dali duas horas. Duas horas para que o seu maior sonho acontecesse e ele finalmente provasse para os seus pais que sua carreira musical teria um futuro e que nada havia sido em vão.
— Finalmente, huh? – ‘ cutucou sua costela com o cotovelo, tirando sua atenção do palco iluminado onde seus instrumentos se encontravam.
— Eu ainda não consigo acreditar que daqui duas horas nós vamos estar em cima daquele palco, é inacreditável. – ele sorriu, encarando os três melhores amigos.
— Nós trabalhamos duro para que isso acontecesse, cara. – murmurou. – Mas agora, eu estou morrendo de fome, será que podemos comer algo?
— Eu vou ficar por aqui para me certificar de que tudo vai dar certo, sim? – Bobby sorriu, abraçando os colegas de banda. – Me tragam algo sem carne.
— Você comeu um hamburguer hoje de manhã, cara. – franziu o cenho, soltando uma risadinha quando o guitarrista fez uma cara feia. – Ok, ok, você quem sabe. – levantou as mãos em rendição.
Ele pegou sua mochila, que repousava em cima da pequena banqueta em que eles se encontravam, colocando-a sobre seus ombros enquanto ele andava em direção à porta dos fundos do Orpheum. Puxou as chaves do chevette em que havia morado por alguns meses, abrindo a porta e jogando seus pertences no banco traseiro, esperando que e entrassem no veículo. Quando o fizeram, ele apenas se sentou no banco estofado e ligou a chave na ignição, tomando a Boulevard Street em direção à Domino’s da Sunset Boulevard.
O que aconteceu em seguida foi tão rápido que não conseguiu acompanhar ou processar a tempo. Tudo havia se tornado um borrão. Barulhos de sirenes e buzinas. E a sensação de algo empapado em seu rosto antes que tudo ficasse preto.

TRAGÉDIA: BANDA PROMISSORA SE ENVOLVE EM ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO, RESULTANDO EM QUATRO MORTOS E TRÊS FERIDOS.

Capítulo Um - Me & Ur Ghost

Los Angeles, Califórnia
Três anos depois



Eu estava em pedaços.
Ainda não sabia sequer o porquê de ter insistido tanto em finalmente voltar para Los Angeles depois de tanto tempo longe do lugar que me trazia péssimas lembranças. O fato de eu estar lá apenas um mês depois do acidente que tirou a vida dos meus pais ainda não ajudava nesse quesito.
A realidade era que eu havia partido daquela cidade quando resolvi cursar música em Nova York cinco anos antes, deixando escorrer por água abaixo o relacionamento com meus pais. Meu pai odiava o fato de eu não ter escolhido algo melhor, e minha mãe... Ela apenas aceitou que sua filha seguiria as mesmas aspirações que ela um dia tanto sonhou. E, por um curto período, eu realmente fiz. Até receber a ligação que me faria voltar às pressas para LA e encarar meu irmão em prantos.
Eu preciso de ajuda para começar a limpar as coisas na antiga casa, a menos que você tenha interesse em ficar com ela. Você vem?
Foram as exatas palavras de Carlos quando o advogado leu o inventário que declarava que, agora, os imóveis que um dia foram de nossos pais, estavam em nossos nomes. Eu demorei um tempo considerável para finalmente lhe dar uma resposta, e, depois de um mês, eu estava parada em minha antiga casa, com um coração quebrado e uma terrível sensação de tristeza. Senti o celular vibrar em meu bolso e o peguei, ligando a tela somente para encontrar uma mensagem de Flynn.
“Quer um abraço?”

As palavras eram simples, sem muitos emojis como costumávamos fazer anos antes. Me permiti finalmente levantar meu olhar, encontrando a garota em uma distância razoável de mim. Balancei a cabeça positivamente, sendo envolvida pelos braços curtos de Flynn enquanto eu me permitia esconder o rosto em seus cabelos cacheados e volumosos, sentindo as lágrimas descerem por meus olhos.
Flynn era minha amiga desde o berçário. Ela foi a primeira garota a falar comigo enquanto eu brincava com um piano de brinquedo, e desde então, havíamos nos tornado inseparáveis. Chegamos até a montar uma banda durante a adolescência com Nick e Carrie, a Double Trouble, que só acabou porque eu tive que me mudar para Nova York. Nossa amizade, entretanto, nunca sequer enfraqueceu. Principalmente por ela me visitar pelo menos uma vez ao ano, por todos os anos, desde o primeiro momento.
— Você não está sozinha, tá? – ela sussurrou, acariciando meus cabelos com carinho. – Eu estou aqui.
— Eu não pude me despedir, Flynn. – fechei os olhos. – Eu ao menos consegui consertar as coisas entre nós.
— Eu sinto muito, . – ela me apertou com mais força, como se aquilo fosse fazer com que todos os sentimentos ruins escorressem por meu corpo. – Você tem certeza de que está preparada para isso?
— Carlos está com a titia, acho que eles não conseguem lidar com isso agora. – limpei as lagrimas insistentes de minha bochecha.
— Você quer que eu vá com você? – Flynn arqueou uma sobrancelha e eu apenas balancei a cabeça em negativa.
— Isso é algo que eu tenho que fazer sozinha. – suspirei, encarando a entrada da casa. – Eu vou até a sua casa depois, ok?
— Se precisar de algo, você pode me chamar. – minha melhor amiga apertou meus ombros, me dando um sorriso tranquilizador antes de dar suas costas para mim e andar em direção à sua casa.
Respirei fundo e me virei em direção à casa onde havia passado boa parte da minha vida. Agora, sem meus pais ou meu irmão, a casa apenas parecia mórbida. Respirei fundo e andei em direção à porta de entrada da casa, procurando as chaves que havia pego horas mais cedo em meus bolsos. Não tardou para que eu as achasse, colocando-as na fechadura e girando-a, finalmente entrando no imóvel. Os móveis se encontravam intocados e limpos, denunciando que titia havia passado por lá como o velho furacão de limpeza que ela costumava ser.
Subi as escadas em passos rápidos, entrando em meu antigo quarto somente para encontrá-lo do mesmo jeito que havia deixado anos atrás: cuidadosamente arrumado, com o antigo baú de roupas de minha mãe descansando em frente à minha cama cheia de travesseiros e ursinhos de pelúcia. Me aproximei do closet, parando em frente da pequena prateleira onde minha caixinha dos sonhos ficava. A pequena caixa branca com diversos desenhos costumava ser meu pequeno segredo, o lugar onde eu guardava todos os sentimentos e composições. Me sentei na cama, abrindo a caixinha cuidadosamente para ler as letras e anotações que se encontravam ali. Pequenas lembranças de uma realidade distante onde eu ainda conseguia compor músicas e tocá-las. Uma realidade onde meu hiato já não perdurava pelos últimos dois anos.
— Você não estaria orgulhosa de si mesma, do passado. – balancei minha cabeça negativamente, fechando a caixinha e me levantando da cama, ao menos me preocupando em voltar a caixa no lugar.
Desci as escadarias mais uma vez, franzindo o cenho ao perceber as persianas abertas na sala. Dei de ombros, desenhando meu caminho pela cozinha onde a porta para o antigo estúdio de minha mãe se encontrava. Destranquei-a, parando em frente à porta de madeira, hesitante. Havia mais lembranças naquele estúdio do que em qualquer outro lugar naquela casa, o que repentinamente fazia com que eu me tornasse um poço de tristeza e nostalgia. Respirei fundo pelo o que parecia a décima vez naquele dia, pegando a chave de meus bolsos para destrancar o cadeado que impedia a porta de ser aberta. Deslizei-a pelo trilho, abrindo somente o suficiente para que eu passasse sem dificuldade.
O estúdio só não se encontrava do mesmo jeito que anos atrás devido à uma quantidade considerável de pôsteres colados na parede. Bandas como Nirvana, All Time Low, Breaking Benjamin e Linkin Park tomavam conta das paredes. Um piano descansava nos fundos do cômodo, um sofá de couro preto se encontrava no canto esquerdo de frente à uma pequena mesa de centro. O set de bateria montado no lado contrário do estúdio e alguns instrumentos musicais, junto de caixas amplificadoras, estavam intocados. Quase como se não tivessem visto um bom afinador durante anos.
Desenhei meu caminho em direção ao piano, coloquei a caixinha em cima da tampa superior, sentando-me em frente a ele. Levantei a tampa do teclado, tocando algumas notas aleatoriamente, tentando me lembrar da sensação de liberdade que há muito não conseguia sentir ao sentar-me em frente à um piano. Balancei a cabeça negativamente, me levantando para subir até o andar de cima do estúdio. Algumas sacolas e mochilas estavam espalhadas de forma desorganizada ali. Me permiti mexer nos objetos, achando algumas camisetas e uma pequena caixinha branca com os dizeres “Sunset Curve”.
Franzi o cenho, descendo as escadas até o tocador de CD’s que descasava próximo do sofá de couro. Liguei-o na tomada e abri a caixa do CD, colocando o pequeno disco branco dentro do tocador e apertando um botão para que ele começasse a tocar. Um conjunto de acordes começou a tocar, logo sendo acompanhado por um som de bateria que logo preencheu o cômodo.
Decolando, última parada! Contagem regressiva até explodirmos o teto, mete a cara, força total, uma marreta elétrica no coração.
Eu balançava a cabeça divertidamente à medida em que a música contagiante explodia o ambiente que há muito havia se tornado monótono. A voz dos vocalistas em perfeita harmonia, me fazia balançar a cabeça com diversão, algo que eu não sentia em eras.
— É uma música bem legal, se quer saber. – escutei uma voz gritando.
— QUE MERDA? – gritei, quando três garotos me encaravam com curiosidade. – Quem são vocês? – apertei o botão para que o rádio parasse de tocar.
Os três rapazes eram lindos, isso era algo que eu não poderia ao menos negar. Um deles vestia roupas pretas dos pés à cabeça, com exceção da camisa branca por baixo de uma jaqueta de couro, em plenos trinta graus do verão californiano. O do meio, também o mais alto, vestia um moletom rosa por baixo de uma jaqueta jeans e calças pretas, além de uma pochete em diagonal em seu peito. O último, usava um sobretudo jeans totalmente destruído, combinando com um colete, de gorro azul, calças pretas com rasgos nos joelhos e um par de vans. Seus cabelos eram muito parecidos com os de Zac Efron em High School Musical.
— Quem é você e o que você está fazendo no nosso estúdio? – o Zac Efron disse, arqueando uma de suas sobrancelhas. – Isso é meio que um crime, sabe?
Vocês estão na minha casa. – franzi o cenho. – Como vocês entraram aqui, de qualquer forma?
— O quê? – o garoto de jaqueta de couro indagou. – Nós sempre estivemos aqui.
— Não, não estavam. – me movimentei lentamente em direção ao piano, arrastando minha mão em direção à caixinha que repousava em cima da tampa.
— Ela sabe que a gente consegue ver ela se mexendo, né? – o loiro de moletom rosa sussurrou para o Zac Efron ao seu lado.
— Eu vou perguntar uma vez: quem são vocês e o que estão fazendo no estúdio da minha mãe? – indaguei, franzindo o cenho.
— Olha... seja lá qual for o seu nome. – Zac suspirou, me encarando com seus grandes olhos verdes. – Nós estávamos dormindo e você simplesmente invadiu a nossa casa, então você poderia, por favor, sair?
. – corrigi. – Olha, eu realmente não estou com paciência para lidar com isso, então, se vocês puderem simplesmente pegar essa ideia maluca e sair, eu ficaria extremamente grata. – cruzei os braços – A porta é ali.
— Reunião da banda? – o mais alto sugeriu, fazendo com que eles assentissem positivamente antes que eles se afastassem e formassem um círculo, debatendo algo de forma inaudível. Não levaram muito tempo conversando antes que o loiro se virasse em minha direção novamente. – Olha, Julien...
— É . – pontuei.
— Certo, . – ele sorriu. – Olha, eu sou . – ele apontou para si mesmo, soando como se estivesse falando com uma criança de cinco anos. – Esses são . – apontou para o de jaqueta de couro, que acenou com a mão. – E . – apontou para o Zac Efron. – Nós moramos aqui pelos últimos quatro anos e essa noite nós temos um show muito importante que precisamos ensaiar. É meio que o show das nossa vidas, então se você pudesse sair, eu ficaria imensamente grato.
—Isso é impossível. – ri, balançando a cabeça. – A casa está vazia faz três anos, não existe a possibilidade de isso ter acontecido.
— Nós podemos ligar para Ray, ele é o proprietário. – se aproximou e suas palavras acertaram meu peito como uma facada.
— Eu sou a filha dele, ele morreu tem um mês. – cruzei os braços, tentando não chorar.
— Isso é impossível, nós falamos com ele ontem e isso não poderia ter acontecido a menos que... – o que se chamava se intrometeu, apontando antes de ficar em completo silêncio. – Não tivesse sido um sonho.
— Não, isso não pode ter acontecido. – Reggiu riu. – Eu sonhei que tínhamos sofrido um acidente e então tudo mudou e nós ficamos naquele quarto onde o chorou.
— Eu não chorei. – o loiro se defendeu. - Você tem um telefone? – pediu, eu apenas assenti e retirei o aparelho do meu bolso.
— Vocês precisam que eu chame um Uber?
— Não. – negou. – Preciso que você pesquise por Sunset Curve no Google. – franzi o cenho. – Você poderia fazer isso, por favor?
— Se vai fazer com que vocês saiam mais cedo, tudo bem por mim. – desbloqueei a tela do aparelho, entrando no aplicativo para pesquisar pelo nome da banda. – Sunset Swerve?
— Sunset CURVE! – eles gritaram em uníssono, me assustando.
— Ok, ok. – levantei as mãos em rendição. – Sunset Curve, ok, entendi. – pesquisei pelo nome da banda, esperando os resultados no Google. Não tardou muito para que eles chegassem. Eu só não contava com o tipo de coisa que encontraria. – Não. Vocês têm certeza que esse é o nome da banda? Todas as manchetes dizem que essa banda se envolveu em um acidente de carro três anos atrás, que resultou em quatro mortos e três gravemente feridos no cruzamento entre a Sunset Boulevard, Figeroa Street e a Avenida Cesar Estrada.
— Claro que temos, não existe a possibilidade de não ser. – murmurou. – Não era um sonho.
— O acidente realmente aconteceu. – olhou para o chão. – Eu estou...
— Nós três estamos mortos. – balançou a cabeça. – E EU CHOREI POR TRÊS ANOS EM UM QUARTO? COMO ISSO É POSSÍVEL?
— Eu estou ficando maluca. – eu ri, nervosa. – Isso definitivamente deve ser uma alucinação causada por cansaço e luto, eu realmente estou alucinando. Não existe nada parecido com fantasmas bonitinhos, eu definitivamente estou ficando maluca. – me virei, fechando os olhos. – Eu vou fechar meus olhos e tudo isso vai sumir.
— Ela acha a gente bonitinho. – soou em meus ouvidos, me fazendo virar em sua direção. – Você também é bem bonita, obrigado. – ele sorriu.
— Eu não tenho como lidar com isso agora, definitivamente. – bufei, correndo porta a fora, sem ao menos dar atenção aos três garotos no estúdio.
— Wow, wow, wow! – Flynn gritou quando eu trombei contra seu ombro. – O que aconteceu? – ela me encarou de cima à baixo. – Parece até que você viu um fantasma.
— É, eu meio que vi. – ri nervosa. – O que você tá fazendo aqui? Achei que iria me esperar na sua casa.
— Imaginei que estivesse com fome e que as coisas estivessem complicadas por aqui. – Flynn levantou as sacolas. – Eu trouxe sorvete também.
— O que seria da minha vida sem você? – balancei a cabeça, olhando para trás, suspirando aliviada quando não enxerguei nenhum dos meninos. – Podemos ir até a cozinha, vamos.
A chamei, andando em direção à cozinha com um dos meus braços apoiados sobre os seus ombros enquanto Flynn tagarelava sobre o quão feliz ela estava por eu ter voltado a Los Angeles e que faria o possível para que eu não me sentisse sozinha durante o processo.
— Então, o que você pretende fazer agora que a casa é sua? – Flynn indagou, enquanto eu puxava uma das banquetas para me sentar. – Quero dizer, por piores que sejam, existem muitas memórias aqui.
— Sim. – encarei meu prato com os hambúrgueres intocados. – Eu ainda não sei, as coisas com meus pais não foram realmente resolvidas e eu sinto que se eu me livrar de tudo, vou estar apenas jogando tudo para baixo do tapete.
— Eu compreendo. – Flynn sorriu de canto. – Acho que é uma forma de ficar próxima deles, não é?
— Também, acho que devo isso a eles depois de tudo o que aconteceu entre a gente. – peguei um dos hambúrgueres, dando uma mordida. – Além disso, eu estava pensando em voltar para Los Angeles de vez.
— O quê? – minha melhor amiga sorriu. – E sua carreira em Nova York? Você não tinha meio que uma vida lá?
— É, sobre isso... – eu ri fraco. – Eu tenho estado em hiato por dois anos, como você bem sabe, então acho que preciso ficar um tempo afastada até conseguir voltar tudo nos trilhos.
— Sair de uma grande cidade para vir até o epicentro da arte nos Estados Unidos? Entendi. – ela foi irônica.
— Eu só estou tentando me encontrar de novo, entende? Muita coisa aconteceu durante esses cinco anos e eu sinto que não me reconheço mais. Além disso, Carlos está no último ano do colégio e eu não acho que ele vai querer ficar com a titia.
— Realmente, minha melhor amiga nunca ficaria mais que uma semana tocar. – Flynn levantou os braços. – Entendo que as circunstâncias sejam péssimas, mas eu fico feliz por você ter tomado uma iniciativa ao invés de fugir, estamos crescidas afinal.
— Eu sei, não é? – ri fraco, balançando a cabeça. – Eu vou precisar de uma ajuda para conseguir organizar tudo aqui, você acredita que eles nunca mexeram no meu quarto? Tudo está lá, do jeitinho que deixei.
— E o estúdio? – senti meus pelos se eriçarem. – Eles alugaram para uma banda alguns anos atrás, eles sofreram um acidente e os pais deles nunca vieram recolher as coisas, imagino que deva estar uma bagunça.
— É, quanto a isso... – murmurei, dando um gole em meu chá gelado. – Por incrível que pareça, está tudo bem organizado, o piano continua lá e tem alguns outros instrumentos também, acho que conseguiríamos fazer algo com aquilo.
— Você está pensando em vender tudo?
— Estava pensando em juntar os membros da Double Trouble de novo, na real. – ri fraco, dando mais um mordida no hambúrguer. – Quero dizer, faz um tempo que nós não tocamos juntos e acho que seria legal.
— É... Exceto que Carrie já não é uma figura presente na minha vida desde que você se mudou. – Flynn desviou seu olhar, encarando o próprio copo com refrigerante. – Nós meio que brigamos e a Double Trouble acabou, ela falou algumas coisas horríveis e eu não consegui ficar quieta.
— Como assim?
— Algo sobre você nunca ter gostado se importado de verdade com a DT. Também disse que se você se importasse, nunca teria nos deixado, em primeiro lugar. Honestamente? Eu achei que foi meio babaca, e sabendo de como as coisas aqui estavam terríveis, eu disse algumas coisas desagradáveis para ela.
— E Nick?
— Eles estão juntos. – Flynn riu. – Eles têm uma banda juntos, Dirty Candy. São os favoritos dos bares, as pessoas gostam bastante.
— Ao menos eles conseguiram o que sempre sonharam, fico feliz por eles. – dei de ombros, aquilo não era mentira. Carrie merecia seguir com seus sonhos.
— Ela só poderia ter continuado do mesmo jeito ao invés de deixar a fama subir pela cabeça a ponto de soar como uma pessoa egocêntrica sempre que tenta ter um diálogo com alguém.
— Eu não falo com ela desde que me mudei, ela meio que sumiu totalmente e me ignorava quando eu tentava falar com ela e explicar as coisas. – dei de ombros. – Acho que posso tentar ir até a mansão dela depois. – me levantei, desenhando meu caminho até a porta da geladeira para pegar os dois potes de Ben & Jerry’s do congelador e lançar um para Flynn. Senti meu celular vibrar em meu bolso e franzi o cenho, tirando-o de meu bolso para ler a mensagem na tela. – Tia disse que vai passar aqui para deixar minhas malas e Carlos daqui a pouco.
— Ela aprendeu a enviar mensagens de texto antes de simplesmente aparecer? Agora, isso é o que eu chamo de evolução. – riu, abrindo o pote de sorvete enquanto eu pegava duas colheres na gaveta ao lado da geladeira, voltando a me sentar em frente à Flynn. – Valeu. – pegou uma das colheres.
— Realmente, isso é algo que eu nunca sequer imaginei que seria possível. – balancei minha cabeça, tirando a tampa do potinho para pegar uma colherada generosa. – Mas, ela disse que já estava a caminho daqui, então não foi uma mudança tão drástica.
— Voltamos aos velhos hábitos, não é?
— Acho que é uma forma de ver isso. – ri fraco, olhando em direção à porta quando Tia Victoria passou pela porta com minhas malas e Carlos ao seu lado. – Oi, tia! Você deveria ter me dito que estava aqui, eu teria saído para te ajudar. – deixei o sorvete na mesa, andando em direção à mulher para abraçá-la. – Carlos.
Sorri de canto em direção ao meu irmão. O garotinho que antes chegava em meus ombros, agora estava cerca de uma cabeça mais alto que eu. Seus cabelos ainda escuros caiam por seu rosto de forma bagunçada em leves ondas, denunciando a falta de corte. Deus, como eu havia sentido falta dele.
— Vem cá, sua maluca. – ele riu, abrindo seus braços e andando em minha direção, me envolvendo com seus braços com força. – É tão bom te ver aqui de novo.
— É ótimo te ver também. – ri fraco, me distanciando. – Tia, obrigado por cuidar dele durante esse tempo. – sorri de canto, encarando meu irmão quando ele parou ao meu lado com um de seus braços em meus ombros.
— Não precisa agradecer, mija. – sorriu. – Você vai precisar de ajuda para fazer a limpeza da casa?
— É, sobre isso... – suspirei, coçando minha nuca. – Eu vou ficar em Los Angeles por um tempo indeterminado e eu pretendo ficar aqui. – sorri fraco. – São muitas lembranças para simplesmente jogar fora, então eu resolvi ficar com a casa e tudo o que tem nela.
— Oh... Você decidiu? – minha tia sorriu. – É ótimo saber disso, , assim posso ficar mais próxima de vocês e continuar te ajudando com Carlos. – ela sorriu animada e eu senti Carlos apertando levemente meu ombro em um pedido de socorro.
— Você não precisa se preocupar, tia, eu consigo lidar com isso sozinha. – dei meu melhor sorriso confiante. – Além do mais, você passou boa parte da sua vida cuidando da gente, você precisa viver também, sim? Por favor, não se preocupe. Eu sou uma adulta e consigo lidar com um adolescente.
— Eu insisto.
— Está tudo bem, tia, acredite. – sorri fraco. – Bom, eu vou levar minhas coisas até o quarto, fique à vontade.
Me separei de Carlos, puxando as malas de rodinha pelo hall de entrada em direção às escadarias de madeira que costumavam ranger sob o peso de meus pés sempre que eu as subia. Coloquei minha cabeça no portal da cozinha, chamando a atenção de Flynn.
— Você poderia... – apontei com a cabeça para meu irmão e minha tia, que agora sentavam-se na sala.
— Claro, me agradeça depois. – me deu uma piscadinha, jogando o pote de sorvete vazio no lixo antes de ir em direção à sala.
Peguei as malas pelas alças laterais, e com certa dificuldade, comecei a subir as escadas. Demorei um bom tempo para finalmente deixar as três malas, necessitando de três viagens para fazê-lo. Limpei as gotas de suor que se acumularam em minha testa, subindo a alça das malas para puxá-las em direção ao meu antigo quarto. Abri a porta e aos poucos fui colocando-as dentro do cômodo, fechando a porta atrás de mim antes de finalmente me virar para o resto do quarto.
— AAAAAAAAH!! ¬— gritei, sentindo meu coração disparar devido ao susto enquanto as três figuras espalhadas pelo quarto me encaravam. – Que droga! O que vocês estão fazendo aqui?
, está tudo bem? – escutei titia gritar do andar debaixo. – Ouvimos você gritar. – apontei para os garotos antes que eles respondessem, abrindo porta somente para que ela me escutasse.
— Está tudo bem, tia, eu só pensei ter visto uma aranha. – menti.
Ok. – ela respondeu, esperei mais alguns segundos para uma possível resposta, e, quando ela não veio, fechei a porta.
— O que vocês estão fazendo no meu quarto.
— Nós ficamos lá embaixo esperando você voltar, quando isso não aconteceu, nós resolvemos te procurar. – sorriu, mexendo em minha penteadeira. – Ei, eu consegui pegar! – ele pegou um porta-retrato entre os dedos indicadores, andando lentamente até a cama antes que ele caísse no colchão. – E eu derrubei.
— Sério mesmo? – grunhi, andando em direção à cama, o que fez com que se virasse para me encarar. – Vocês poderiam não mexer nas minhas coisas? – peguei o pequeno quadrinho, voltando-o no lugar de origem. – É realmente rude.
— Nós viemos porque você esqueceu isso aqui. – apontou em direção à caixinha branca que repousava em uma das prateleiras. – O que é isso, afinal?
— Nada que realmente importe, já que vocês vão sair daqui. – sorri, irônica, apontando para a porta.
— Agora eu quero saber o que tem nessa caixa, você instigou minha curiosidade. – fez um biquinho, o que teria sido adorável se eu não estivesse zangada.
Agora. – disse séria.
— Sim, senhora. – o loiro desapareceu no ar.
— Não precisa pedir duas vezes. – seguiu o outro, deixando somente no quarto.
— O que você ainda está fazendo aqui?
— Rude. – ele deu uma risadinha antes de sumir no ar.
Balancei a cabeça negativamente, passando a mão por meu rosto enquanto puxava as malas para o outro canto do quarto. Me joguei na cama fofa e fechei meus olhos, rezando para que tudo aquilo fosse uma alucinação de uma mente cansada.



Continua...



Nota do autor: Sem nota.





Outras Fanfics:

The Heir (Longfic - Em Andamento)
The Roadie(Longfic - Em Andamento)



Nota da beta: EU TÔ SURTANDOOOOOOOOOOOOOOOOO! Olha, você vai abrir essa categoria de JATP com classe, viu? Eu já tô completamente ansiosa por mais dessa história, eu não tenho condições de ficar normal lendo isso! O surto pela série tá grande, tô preocupada que cada vez que eu ler um capítulo, eu vou ter que reassistir a série toda HAHAHAAH Você é incríveeeeeeeeeel, tô amando demais! Manda maissss <3

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