Contador:
Última atualização: 01/09/2020

Prólogo

A atmosfera era estranha. Tudo ao redor da garota parecia frio e sem vida, assim como a figura que se encontrava em sua frente, figura essa que a olhava com indiferença, porém, com um certo ar de curiosidade. O homem – ou o vestígio de o que já fora um homem um dia – a observava, tirando da mesma todo o fôlego. Podia sentir suas batidas cada vez mais descompassadas e tentava se distrair do fato de que todos ali poderiam escutá-las. Após o que pareceram horas, por fim, decidiu se pronunciar.
- Eu posso ser útil. – dissera a garota.
- O que te faz pensar que eu precisaria de sua ajuda, minha cara? – rebateu de maneira calma e em um tom sombrio.
- Harry Potter. Ele não sabe sobre mim, ninguém sabe. Eu poderia ser uma vantagem, uma infiltrada. A aliada que garantirá seu legado.
Voldemort examinara a garota em sua frente – fruto de uma noite planejada, porém, que acabara sendo inútil. Planejara ter um herdeiro que pudesse se tornar sua arma pessoal contra Harry Potter, porém, decepcionou-se ao ver que o herdeiro na verdade era uma menina, o que considerava fraqueza, assim, a abandonou e a desprezou, deixando-a a mercê da escória do mundo bruxo.
A garota se via em completo desespero. Tentava ao máximo não se mostrar fraca diante dele. Queria que a visse como capaz. Precisava que a visse. Não teve tempo, no entanto, de formular nenhuma frase, pois sentiu sua mente sendo invadida e seus sentidos cada vez mais confusos, procurara entender o que estava acontecendo. Ele invadira seus pensamentos com Legilimência. Ignorando todas lembranças e sentimentos até chegar onde queria: o plano da garota. Podia ver com clareza todas suas ideias e ficara atordoado com a magnitude de sentimentos que a mesma nutria pela sua causa. Pensara, até então, que a bruxa era apenas uma farsante em um grito de socorro pela sua vida. Enganou-se. Libertou a mesma do feitiço, fitando-a como uma expressão indecifrável, até que resolvera se pronunciar.
- Interessante, – disse com um meio sorriso enquanto acariciava Nagini – arriscado, porém interessante.
- Provarei que sou digna, Milorde. Faça de mim uma horcrux. A última horcrux. – dissera a garota esbanjando confiança pela primeira vez naquela noite.
E naquela mesma noite, nascera a arma secreta de Lord Voldemort, sua oitava e última horcrux. E Harry Potter nunca a veria vindo.


Hogwarts

Na estação de Hogsmeade, uma jovem bruxa desaparatava com a ajuda de seu Elfo-doméstico, trazendo consigo sua coruja, Hollow, e um malão com seus pertences. Após alguns segundos para se recuperar, pode enfim observar o ambiente ao seu redor. O mesmo era escuro e a ventania da noite já se fazia presente ricocheteando seus cabelos e suas vestes.
- Muito obrigada, monstro. Volte para sua casa, devo seguir sozinha a partir daqui. - dissera a jovem. O elfo apenas balançou a cabeça e em uma fração de segundos desapareceu novamente.
A jovem bruxa, então, começou a trilhar seu caminho pela larga e extensa estrada, seguindo marcas que pareciam terem sido deixadas por carruagens não muito tempo antes dela passar por ali. A garota havia usado o feitiço de levitação em seu malão e coruja para que os mesmos acompanhassem seu ritmo. Após alguns minutos de caminhada, sentiu uma forte dor em seu peito, fazendo com que a mesma - momentaneamente - perdesse seus sentidos e caísse de joelhos, a cicatriz recém-feita ardia intensamente e então, ela soube do que se tratava. Não precisou se virar para ver o dono dos passos vindo em sua direção para saber que se tratava dele: O Eleito. Harry Potter, seu inimigo e sua missão. Imediatamente a garota tratou de levantar e lançar um feitiço-mudo de desilusão em si mesma, em sua coruja e seu malão para que passassem despercebidos por ele ou quem mais estivesse ali e pudesse segui-los.

***

Harry caminhava em direção à escola quando pode sentir um leve incômodo em sua cicatriz. Passava - freneticamente - a mão sobre a mesma, na esperança de que isso fosse fazer com que a dor que começava a aparecer, sumisse. Enquanto isso, Tonks o observava, o garoto parecia preocupado e estava completamente imerso em seus próprios pensamentos, além disso, sangue escorria através do seu nariz, pingando em sua camiseta e a manchando. Preferiu não se envolver, sabia que a mente do garoto estava bem longe dali.


***


O caminho era extenso, tentava controlar a respiração ruidosa e ofegante para não chamar a atenção dos outros dois, que caminhavam logo à frente. Ela não pode evitar de comemorar internamente quando avistou o enorme portão que dava início às propriedades do castelo. A bruxa mais nova observou o eleito ir em direção ao mesmo, tentando abri-lo.
Sem sucesso.
- Alohomora. - arriscou ele baixinho, mas nada aconteceu.
- Não vai funcionar. - Tonks disse como se fosse óbvio - Dumbledore os trancou pessoalmente.
- Eu poderia tentar pular o muro…
- Não, não poderia. - interrompeu ela com a voz fria, antes que Potter terminasse de falar. - Há feitiços anti-intrusos em todos eles, a segurança aumentou muito nesse verão.
- Bem, então suponho que terei que dormir aqui fora e esperar pela manhã. - Harry parecia irritado com a impaciência da mulher.
- Alguém pode vir aqui para você. Olhe! - dissera a bruxa mais velha ao ver que uma lanterna se acendeu na porta do castelo.
observava o par quando notou a chegada do homem de expressão pálida, nariz comprido e torto e cabelos negros e sebosos. Severo Snape. Já havia o visto antes. Ele era um comensal.
- Bem - começou ele com a voz carregada de escárnio enquanto destrancava os portões. - Gentil da sua parte nos dar a honra de sua presença, Potter. Achou que as carruagens destoariam de sua aparência?
- Eu…
- Pode ir Ninfadora, Potter está bem seguro em minhas mãos. - dissera Severo enquanto dava um passo para trás abrindo espaço para que o menino passasse.
não tinha necessidade de ficar ouvindo a conversa, sabia que nada de útil seria dito entre Tonks e Potter enquanto Snape estivesse ali, então a jovem bruxa não pensou duas vezes antes de caminhar rapidamente e passar com cuidado dentre eles e o grande portão, assim, adentrando o castelo. Se apressou para sair de perto de Severo e Harry - já havia corrido riscos demais naquela noite - mas não sem antes ouvir quando o Professor selou novamente os portões. A emoção da garota fora tanta que não pode perceber que seu feitiço de desilusão havia sido desfeito no momento em que passou pelo portão. Tremenda foi sua sorte de não ter sido pega. Até então.
Foi quando ouviu um gato miando e junto com ele, um velho corcunda com o rosto extremamente magro, cabelo comprido com uma careca no topo da cabeça e papada trêmula apareceu em seu encalço.
- Ora, o que temos aqui, Madame Nora? - começou dizendo o que assustou a mais nova.
- Senhor, eu…
O velho não deixou que a garota terminasse de se explicar, segurou-a pelo braço e saiu arrastando-a até o castelo, ela tentava falar, mas era em vão. Ele parecia nem escutar, tamanha era sua animação. deduziu que aquele provavelmente era seu dever ali e encontrar alguém burlando as regras certamente seria o auge de sua noite.
- Já que não vai me ouvir poderia pelo menos não apertar tanto meu braço? ISSO DÓI! - a garota perdeu a paciência e deixou de falar com a educação de antes.
Nada.
Esse maldito só pode ser surdo. Pensou ela irritada.
Enquanto era arrastada corredor a dentro, ela pensou em reclamar novamente ou gritar com aquele velho insolente. Mas as palavras sumiram de sua mente quando a porta se abriu revelando o Salão Principal lotado.
- Mas agora, suas camas os esperam, quentes e confortáveis como vocês podem desejar, e eu sei que sua maior prioridade é estar bem descansados para suas lições amanhã. E vamos tod.. - Dumbledore fora interrompido pela chegada de Filch.
Todos no local encaravam a cena confusos, desviando seus olhares de Filch a , procurando entender o que acontecia ali. Draco a encarava com os olhos arregalados e completamente pálido naquele momento. E então o silêncio foi quebrado ao passo que Filch a arrastava pelo corredor bradando em plenos pulmões.
- INTRUSA, INTRUSA! INTRUSA EM HOGWARTS. - gritou o velho como se aquele fosse o ponto mais alto de sua vida.
- Mas o que está acontecendo, Argo? - Dumbledore perguntou ao zelador com a voz comedida.
- Eu a peguei pelos corredores, veja! Não é uma de nossas alunas, nem sequer tem idade para ser uma primeira anista. - proclamou Filch sorrindo de maneira orgulhosa - há de ser enviada pelas trevas para invadir e desestruturar a ordem do castelo.
sorriu, o velho não fazia ideia do quanto estava certo mas, é claro que ninguém precisava saber disso. Não agora, pelo menos. Aproveitou o momento de distração para - agressivamente - chacoalhar o seu braço a fim de se desvencilhar de quem agora conhecia como Argo. E antes que o mesmo pudesse impedi-la, a garota resolveu se pronunciar.
- Diretor, peço perdão pela chegada estrondosa! Planejava encontrá-lo em particular para termos essa conversa mas como pode ver, fui interrompida no meio do caminho. - dissera a garota de maneira calma, porém, lançando um olhar de desdém ao zelador. - Tenho em mãos um comunicado do Ministério da Magia.
E então, com um simples feitiço de levitação, a garota levou a carta até o diretor, parando a mesma em cima de seu púlpito com velas douradas. O diretor demorou alguns minutos para processar o que havia lido, sua expressão misturava surpresa e certo espanto.
- Senhorita… Lestrange? - O olhar de Dumbledore foi da carta em suas mãos até a garota, por cima dos óculos de meia lua. A bruxa se remexeu desconfortável. Sentia que o olhar lançado sobre si pelo diretor poderia enxergar até mesmo sua alma, como se fizesse uma varredura de seus mais profundos pensamentos e emoções. Mas meneou a cabeça concordando. - Minerva, traga o chapéu novamente. - Ordenou o diretor ainda perplexo, mas com voz firme.
Aquilo foi suficiente para o Salão irromper em burburinhos. Os alunos a encaravam confusos, e teorizando sobre o que tinha naquela carta. varreu o Salão com o olhar, sentiu novamente o ardor no peito e encontrou o olhar - extremamente indiscreto e perdido - de Potter em si, queimando como brasa. O efeito pareceu ter surtido nele também, pois depois de segundos mantendo o contato visual, o garoto abaixou a cabeça cobrindo a cicatriz com as mãos. A professora Minerva voltou com o chapéu e despertou a garota de seus devaneios ao chamá-la.
- Lestrange.
A jovem bruxa caminhou tranquilamente até o local indicado, sentou-se e enrijeceu sua musculatura quando o chapéu foi colocado em sua cabeça e começava a falar.
- Hmm, ambiciosa, eu vejo. - dissera o chapéu seletor - Extremamente corajosa, inteligente e valoriza trabalho duro, você poderia se dar muito bem na Sonserina.
Sonserina não. Pensou a garota.
- Sonserina não? - repetiu o chapéu em voz alta, novamente aumentando os cochichos pelo grande salão. - Sua alma bruxa parece pertencer a algo muito grande. Está tudo aqui, na sua cabeça. E Sonserina iria ajudá-la a alcançar essa grandeza. Não há dúvida sobre isso.
- Sonserina não! - afirmou novamente a garota, dessa vez aumentando seu tom de voz para que todos pudessem ouvir.
- Bom, se tem certeza... é melhor que seja... GRIFINÓRIA! - anunciou o chapéu seletor.
Muito embora a jovem bruxa ouvira falar sobre as calorosas e alegres recepções dos Grifinórios, sua realidade fora bem diferente disso. Ao ter sido anunciada como nova membro da casa, os alunos apenas a aplaudiram - ainda sentados - de maneira sem graça. Palmas leves e secas e expressões indecifráveis, provavelmente causadas pelo choque e imaginação de seu grau de parentesco com a recém fugitiva de Azkaban.

***


- Draco – gritou a garota – Draco! – sem resposta.
Correu dentre a grande multidão e, finalmente, alcançara o garoto de cabelos platinados. “Draco”, dissera a garota com entusiasmo, suavemente tocando o ombro de seu primo. O loiro, então, virou e a olhou com desdém e não demorou a continuar seu caminho. A garota – sem entender o que acontecera ali – exclamou, mais uma vez.
- Draco! Primo!
- Oras, por Merlim! Não me chame assim, sua traidora de sangue. – exclamou o garoto a repreendendo.
A garota ficou pasma. Podia sentir tamanho desprezo na entonação de seu primo – que até então, era também seu melhor e único amigo.
- D-do q-que v-você está falando? – dissera gaguejando, ainda incrédula.
- “Sonserina não” – imitou o garoto as palavras que sua prima havia dito mais cedo – Como ousa dar essa vergonha a nossa família? – balançou a cabeça negativamente - Sempre soube que você era patética mas nunca esperei que fosse uma traidora de sangue.
- D, eu... – tentou, porém, logo foi cortada.
- Não me chame assim. – repreendeu o loiro – aliás, não me chame de mais nada. Você morreu para mim essa noite.
Estática. Era assim que Lestrange se encontrava. Podia sentir seus olhos arderem mas seu orgulho era grande demais para demonstrar qualquer fraqueza em frente a todos. A garota, então, começou a dar passos largos em direção contrária a grande massa. Não conhecia o castelo e sabia que já estava próximo do toque de recolher, porém, não se importou.





Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Nota da beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus