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Última atualização: 27/10/2020

Ato I


Prólogo

“Olhou-se no espelho, tendo certeza de que estava sozinha [...]


Inglaterra, Sullivanbrooke

Sullivanbrooke era aconchegante. Situada a um pouco mais de uma hora da capital britânica, Sulli era sútil, encantada e recheada de acontecimentos marcantes. Um deles, é claro, aconteceria naquela noite.
Diferentemente das noites “normais”, aquela premeditava alguma coisa. Naquela noite, a propósito, você não se preocuparia em dormir calmamente sem a baderna adolescente de sempre. Porque por mais incrível que pareça, naquele dia, era apenas um agonizante silêncio. Como se a vida conspirasse e premeditasse algo, então você saberia instantaneamente que alguma coisa não cheirava bem, nem um pouco bem.
E, naquele exato momento, acomodada sobre o set de filmagens da mais prestigiada faculdade local, se encontrava a garota que descobriria o quanto a palavra “pacata” não era o melhor adjetivo a ser utilizado para esta cidade e, mais do que isso, descobriria que ensaiar até tarde tinha consequências e, em seu caso, a consequência seria trágica.
Liv, como todos a chamavam, ajeitava os lírios amarelos que recém havia posto sobre a mesa central de seu camarim. Havia recebido aquele presente um pouco mais cedo naquele dia, o qual o no cartão não continha dados de remetente, apenas uma bela frase que dizia “que essas simples flores sejam de seu agrado e que possas aproveitar cada segundo possível ao lado delas”.
De início, estranhou o fato da pessoa que lhe enviou ser um desconhecido, mas deixou aquele pensamento de lado quando associou a escolha de flores com o papel que interpretava. Teve a certeza de que aquele “mimo” lhe havia sido entregue por alguém que conhecia, admirava o seu trabalho e por isso resolveu agraciá-la.
A garota sorriu, lendo mais uma vez o cartãozinho contendo a frase e então o deixou de lado para dar uma boa analisada em si mesma. Começou a achar que o loiro da peruca lhe caía bem e por uma fração de segundos até cogitou a possibilidade de pintar suas madeixas quando todo a aquele trabalho terminasse.
Tirou a peruca loura que achou já fazer parte de seu corpo de tanto que usava e ao se sentar frente ao espelho, pegou as folhas de roteiro que havia separado...
— “Seus cabelos claros caíam pelos seus ombros como cascatas, cobrindo as alças da pequena camisola cor-de-rosa e o meio sorriso escondido. Ah, o sorriso. Aquele sorriso o qual não via há muito tempo e que, de uma hora pra outra, voltou a habitar o seu rosto. Ela sabia que devia aquele sorriso a ele. Sim, ela o amava, e a partir daquele dia estariam juntos para sempre.” — lia o roteiro de forma esplendorosa e por saber o que viria a seguir, o colocou sobre a bancada de maquiagem e se voltou para o espelho, no intuito de aproveitar e testar a melhor feição que utilizaria para interpretar Ivane.
E foi nesse momento que, refletido no espelho, Liv percebeu não estar mais sozinha em seu camarim.

— O que você está fazendo aqui? — disse, juntando as sobrancelhas enquanto olhava para a pessoa que a encarava. A surpresa transparência em sua voz, entretanto, foi o que a pessoa em sua frente segurava que a fez sentir calafrios passarem por toda a sua espinha. — O que você pensa que..
Não teve forças de terminar a frase, tudo aquilo lhe parecia insano. Sentiu-se envolta de uma piada cruel, mas a feição da pessoa em sua frente dizia que aquilo não se tratava nem um pouco de uma piada. Liv sabia que aquilo não seria bom. Nada bom.
E como em um despertar de uma hipnose o barulho fatal foi notado, aterrorizando toda a vizinha que até então, estava tranquila. Não precisavam ver o que ocorrerá naquele momento para saber que alguém havia se machucado, e muito.

Imediatamente, luzes da vizinhança uma a uma se acendiam. Moradores saíam de suas casas para tentar vivenciar o que ocorrerá e há quilômetros de distância ouvia-se sirenes amedrontadoras. Alguém havia ligado para emergência e ela ia direto de encontro com para a faculdade. E, à espreita de tudo e todos, um sorriso satisfeito observava todo o “show”, sentindo puro ecstasy por seu desejo mais obscuro finalmente estar sendo concretizado.
Era hora do espetáculo.


Capítulo I

“Aqueles que não aprendem com o passado estão condenados a repeti-lo.” — Stephen King



Inglaterra, estrada para Sullivanbrooke — 02:45 p.m


A tarde estava mais fria do que a garota costumava se lembrar. Já fazia algum tempo que não voltada à sua cidade natal e se não fosse o fatídico acontecimento que a trouxe de volta, talvez ela jamais tivesse retornado a Sullivanbrooke. O motivo daquilo era simples, preferia deixar todos os momentos que viveu naquela cidade, em seu passado e apenas nele. Os segredos que envolviam essa fase de sua vida eram guardados a sete chaves até das pessoas mais próximas e, se pudesse, queria que permanecessem assim, trancados eternamente.
O único problema desse plano era o curioso fato de que, por mais que garota tentasse fugir de seu passado, não podia negar que estava fadada a permanecer nele. No fim das contas, era apenas isso, inútil.
Sua tentativa de viver longe de todo aquele caos era apenas um círculo vicioso ao qual ela estava presa e fadada a voltar, sempre. E, infelizmente, quando recebeu a ligação na noite anterior, soube que não teria mais como postergar sua volta. Foi naquele instante que a garota, sentada ao banco carona do Civic prateado, enclausurada e usando seus fones de ouvido que tocavam uma música baixa e calma, permitiu-se devagar entre o momento que tirou totalmente sua paz.

Flashback on
sentia prazer com pequenas coisas.
Aromas, sons e até mesmo coisas simples e rotineiras deixavam seu espírito em total estado de paz. Uma dessas coisas era um bom banho depois de um dia agitado e, naquele momento, era o que pretendia fazer.
Despiu-se com agilidade enquanto ouvia de outro cômodo da casa uma melodia cantarolada de uma das músicas que ela já sabia de cor. A voz masculina, acompanhada do som dedilhado de um violão, a fazia se sentir em casa, mesmo que aquilo não fosse o caso. Ainda assim, trazia-lhe conforto e paz...
não tardou em se sentir à vontade. Ligou o chuveiro, ajustando-o para sua temperatura favorita, enrolando o cabelo longo em um coque simples e então, prestes a adentrar ao banho e sentir as primeiras gotas relaxantes caírem sobre seu corpo, ouviu seu celular tocar.
— Será que eu não tenho um minuto de paz? — resmungou de forma baixa e desligou o chuveiro. Levou poucos segundos para se enrolar na toalha e ir em direção à bancada da pia, onde estava o celular que tocava incessantemente. O seu número era particular e apesar de não tê-lo mudado desde sua partida, poucas pessoas o conheciam.
Aquilo significava apenas duas coisas: ou seu passado vinha assombrá-la, ou seu antigo empresário viria com mais uma proposta para ela recusar.
Porém o número que marcava no visor de seu celular superou total às suas expectativas. Não era desconhecido, pelo contrário, ela o sabia de cor e ver aquele número fez os pelos de sua nuca arrepiarem como nunca. Mas aquilo não era nem um pouco bom.
“Celular da , quem fala?” — tentou permanecer firme, sem demonstrar surpresa, e fingir que aquela reação anterior não era nada demais. Mas, ao ouvir a resposta do outro lado da linha, estremeceu.
“Você tem que voltar” — A voz era inconfundível e a garota sabia. Não houve reação de imediato, apenas silêncio. Em parte, porque nunca pensou que receberia aquela ligação e em parte porque a pessoa quem a fez nunca pensou que precisaria. Foi nesse momento que, parada em frente ao espelho, sem saber o que fazer, sem saber como agir, que a garota percebeu ser inacreditável como uma notícia poderia mudar totalmente o seu rumo.
Flashback off


Prestes a chegar ao seu destino, fechou os olhos, impaciente com aquela viagem. A garota queria um banho refrescante, sua cama e dormir com a voz de cantarolando Iris, como antes.

🎤🎭🔪


Cemitério central de Sullivanbrooke — 3:03 p.m

observou atento o exato momento em que o Civic prateado, sem a placa da região, chegava ao local do enterro e, como imaginou que aconteceria, sentiu seu corpo inteiro congelar.
Era como um devaneio, uma realidade alternativa que ele sequer cogitou que um dia iria ver. Mas o que diabos esperava? Sabia que independentemente de a garota ter se afastado de todos, Liv ainda era sua melhor amiga e ela não deixaria de vir ao seu enterro. Não se ainda fosse a garota que ele conhecera.
— Ela está linda, não está? — A voz veio repentina e fez com que desviasse seu olhar de para a garota parada ao seu lado. mal havia notado o momento em que a amiga se aproximou. Ela não o culpava e nem se surpreendia, afinal, seu olhos estavam fixos em algo muito mais interessante do que ela. Os olhos de estavam presos à sua ex namorada.
— Mais do que nunca — murmurou baixo, ainda assim, sabia que Lan conseguiria ouvir. Ela tinha esse dom, não precisava ouvir as coisas em som alto e claro, pois era boa demais em decifrar os sinais que as pessoas ao seu redor davam. E no caso de , o sinal era claro: os olhos focados em diziam muito mais do que ele admitiria.
— Não deixe Trixei ouvir isso — advertiu o amigo e esse tornou a sorrir fraco, lembrando-se do quanto a namorada odiaria saber que retornara a Sullibrooke, graças a ele.
Após uma troca de olhares com , Lan tornou sua atenção para o carro estacionado um pouco mais adiante que eles. De longe, reconheceu a velha amiga. Apesar dos anos sem vê-la, não era difícil reconhecer , até mesmo se ela não estampasse a capa de muitos os tabloides, e apesar do cabelo estar mais longo do antes, a genética nunca falha e os traços característicos de sua família permaneciam evidentes. Sobre isso, Lan Nicols sempre soube que, por mais que tentasse, não podia negar seu passado, tampouco sua descendência.
— Que seja, ela está acompanhada mesmo — proferiu, tirando Lan de seus devaneios e, para a surpresa da garota, realmente não estava sozinha. A dupla fixou seu olhar para o cara que descia do Civic prateado no lado do motorista, logo em seguida de . Ele era mais alto que a garota, mas ainda mais baixo que e algo lhe dizia que já o conhecia. Franziu o cenho por alguns segundos, até que sentiu uma lembrança repentina surgir. Evidente. Assim como , o garoto ao seu lado havia tido seu momento de fama e Lan lembrou-se quase que instantemente de quem ele era e qual banda participava.
Sabia dos boatos que ele e a ex estrela, assim como a sua amiga, haviam se tornado próximos desde o último Grammy que participaram, competindo por ele entre si e, consequentemente, por suas bandas. Mais que isso, lembrou de ler em algum site de fofoca (como gostava de chamar), que ambos surpreenderam os demais por não serem os estereótipo “cão e gato” ao qual todos pensavam que seriam, pelo contrário, provaram-se ser bons amigos durante a festa pós Grammy. Talvez daquela premiação tenha ganhado algo muito mais interessante que um troféu para a Sublime Lumps.
— Bem, você não esperava que ela fosse voltar e ser sua pra sempre, não é? — ironizou sem se importar se estava sendo maldosa ou não com o amigo. já conhecia o seu humor ácido, até porque ele mesmo a ensinara e quase se arrependeu por aquilo, quase. Em vez disso, sorriu, passando o braço direito por cima dos ombros da garota e a trouxe para mais perto de si. — Ótima ideia, já estava me perguntando quanto tempo ia levar.
— Quanto tempo levaria para o que, Nicols? — arqueou uma sobrancelha. Será que a garota pensava o mesmo que ele? Não poderia ser. Apesar disso, ele ainda se perguntava quanto tempo levaria para descobrir o que estava acontecendo por ali e pelo quanto a conhecia, sabia que, de fato, quando soubesse, aquilo não ia prestar.
— Garoto, me respeita. — Rolou os olhos, tirando-o de seus devaneios. — Até parece que você não sabe. Estava me perguntando quanto tempo levaria para morrer congelada aqui, é claro. — O garoto gargalhou. Deveria agradecê-la mais tarde por fazê-lo rir em um funeral, mas por hora não, pois estava ocupado demais desviando seu olhar de para a ruiva que vinha em sua direção. Trixie. Seu problema número dois.
Em um ponto distante o suficiente para não perceber o trio, estava , acostumando-se inutilmente com o clima.
O vento gélido característico veio de encontro imediato ao seu rosto e fez com que se encolhesse dentro do sobretudo preto que vestia. A saudade da Califórnia já começava por ali, pensou a garota.
— Ainda temos tempo de desistir — anunciou , próximo ao ouvido da garota. Ela sorriu e balançou a cabeça em negação, por mais que seu corpo inteiro dissesse o contrário. compreendeu e retribuiu o sorriso, depositando um beijo na testa da garota. Ela não havia pedido que ele viesse junto, mas não era como se precisasse. Apenas ao olhar para ela enquanto explicava o que ocorrera na noite anterior ele já soube decifrar o que os olhos da garota diziam. Precisaria dele e ele estaria ali por ela. Sempre. — Vamos?
Proferindo aquela palavra foi que abraçou pela cintura e guiou para que seguissem juntos ao enterro, que já havia começado para a sorte de , já que assim, com a atenção de todos voltada para a cerimônia, a atenção sobre si diminuiria e, quem sabe, com muita sorte, talvez até passasse despercebida naquele dia.
Seguiram a passos curtos até a última fileira de cadeiras brancas, onde se sentaram em duas vagas. ajustou os óculos escuros e observou atenta cada detalhe do lugar. Havia aproximadamente a metade da cidade no local, todos vestiam preto como o costume e mantinham os olhos presos ao padre. Apesar de melancólicos, sabia que, no fundo, Liv estaria se remexendo no caixão por toda aquela gente. Ela duvidava muito de que todos ali presente conheciam a amiga, ou melhor, se eles gostavam dela ou vice-versa. Balançou a cabeça em negação por saber que o real motivo da metade daquelas pessoas ali presentes, era uma boa fofoca para partilhar pela cidade tempos depois. Aquilo era típico de Sullivanbrooke.
Seus olhos procuraram atentamente por algo que tirasse aquele pensamento de sua cabeça e pousaram exatamente sobre a foto da garota falecida. Ao redor, havia uma coroa de repleta de rosas azuis, o que fez sorrir lembrando-se de que aquelas flores eram as peculiaridades favoritas de Olivia. Ao apertar mais os olhos, pôde vislumbrar o nome de quem as havia escolhido. “Em nome da família , em homenagem a todos os entes queridos de Olivia Black”. Mas é claro que seu pai daria flores e não a sua digníssima presença.
Irritou-se o suficiente para desviar o seu olhar e esse foi seu erro. Seus olhos a golpearam no momento em que eles pousaram sobre um grupo de adolescentes levantados à direita do pedestal de madeira ocupado por uma bíblia. Haviam duas garotas e dois rapazes, ambos prendiam sua atenção à cerimônia. agradeceu novamente. Não precisa estar mais próxima ou ver com mais claridade para saber quem eram aquelas quatro pessoas.
Uma das garotas era alta e morena, com um corpo de dar inveja e cabelos curtos, lisos, preenchidos com leves mechas loiras. Nicols. Lembrou-se. Já a outra, mais baixa e extraordinariamente ruiva, com a pele tão branca quanto a neve era a Johnson. Essa última conversava discretamente com o primeiro garoto de pele negra, físico atlético e cabelo levemente raspado. Tyler. O que a levava a crer que o último seria nada mais nada menos...
Engoliu em seco.
Cedo demais. Resmungou, mas não tinha como negar, ela o conheceria mesmo que estivesse há quilômetros de distância. Era ele. Era seu . Surpreendeu-se apenas quando viu Johnson se aproximar dele e selar seus lábios, o choque foi imediato assim como o desvio de o olhar. Suas maçãs do rosto ficarem quentes. Como poderia sentir aquilo? Limitou-se apenas a pensar que foi o repentino acontecimento, que foi apenas pega de surpresa e nada mais existia ali, mas seus pensamentos foram ofuscados quando ouviu uma voz chamá-la. Talvez aquela havia sido a segunda vez que a chamara.
Whinsky? — franziu a testa para a mulher sentada ao seu lado. Nada como chamá-la daquela forma para piorar o dia. Como se não bastasse o fato de sua melhor amiga estar morta. A garota viu se virar para mulher junto a ela e de forma gentil, pousou a mão sobre o ombro deste, em um sinal clássico de que estaria tudo bem.
— Não utilizo esse sobrenome há algum tempo. Por favor, me chame de ou . — respondeu cordialmente, tirando seus óculos. A mulher em sua frente certamente era mais velha do que ela. Tinha a pele clara típica da região e seus cabelos caíam como uma cascata encaracolada por cima de seu sobretudo cor marrom tabaco. Seus olhos, apesar de estarem ocultos sobre uns óculos escuros, sabia que eles exalavam determinação.
— Como preferir — respondeu sem muito gosto e algo dizia a que ela não levaria suas palavras anteriores a sério. Movendo a mão sobre um bolso interno na parte superior do sobretudo, a mulher pegou um objeto brilhante o qual mostrou para a garota. Um distintivo. Merda. — Me chamo Stephanie Parrish. Detetive Parrish, senhorita Whinsky, e preciso que você me acompanhe.
Aquilo cheirava a problema. Um grande problema.

🎤🎭🔪


Delegacia de Sullivanbrooke, sala de interrogatório. 04:40 p.m

Uma hora se passou desde que a garota estava ali. Tempo exato para um término de um funeral e tempo demais para ela ainda estar na cidade, ainda mais na circunstância a qual se encontrava. Custava a acreditar. Havia programado tudo para aquela viagem: chegaria despercebida ao local, esperaria o momento ideal para falar com os Black e prestar seus sentimentos, teria a sorte de não encontrar seu pai e, por fim, adentraria novamente o Civic prateado e retornaria com para o hotel que se hospedaram. Bem longe de Sullivanbrooke.
O plano inteiro foi por água abaixo quando aquela mulher apareceu, desprevenindo-a.
Agora estava ali. Em uma sala alá “claustrofobia”, rodeada por espelhos, sentada em uma cadeira desconfortavelmente dura e gélida, com os braços apoiados sobre uma mesa de metal sem graça posta ao centro da sala. Sabia muito bem o que aquele lugar significava, o próprio nome denunciava “sala de interrogatório” e ao olhar para a câmera ao lado superior esquerdo do canto da sala, torceu mentalmente para que já tivesse ido e não permanecido naquele local repugnante.
Forçou-se a pensar depois em uma saída, quando ouviu a porta do local se abrir, revelando a detetive de mais cedo, com um envelope amarelo sobre o braço. Ela se sentou em frente a e colocou o envelope sobre a mesa. passou o olho rapidamente por ele. Stephanie apoiou os cotovelos sobre a mesa e cruzou os dedos.
— Vai me dizer de uma vez o porquê estou aqui? — proferiu severamente e a detetive riu.
— Eu fico incrivelmente surpreendida com a educação que o jovens dessa cidade tem. De verdade, cheguei até cogitar ser surto coletivo. — Riu. — No fim das contas, descobri ser apenas falta de controle dos pais e um ego incrivelmente inflado por seus sobrenomes.
— Acho que a você não está em posição de pedir muito aos jovens daqui, detetive — ironizou. — Afinal, não é como se você tivesse falado muito sobre o motivo pelo qual estou e ainda permaneço aqui.
— Muito bem, muito bem. Está certa e se você quer tanto saber, senhorita Whinsky... — mexeu-se pela primeira vez sobre a cadeira ao qual torcia para que fosse tão desconfortável quanto a dela. —— Então, me diga, por algum acaso você sabe as circunstâncias que Olivia Black morreu? — forçou a mente para tentar se recordar de algo que dissera no telefonema, mas lembrou-se que o garoto se limitou em suas palavras. Mas o que diabos estava acontecendo ali?
— Não faço ideia — respondeu sincera enquanto a detetive permanecia com os olhos fixos aos dela.
— Um tiro bem no meio do peito. A senhorita Black foi assassinada — disse simplesmente e pela segunda vez naquele dia havia se surpreendido. Assassinada?
Então viu a mulher mexer no envelope e tirar alguma coisa. Era uma foto de um corpo sobre o chão e por mais que estivesse coberto por um pano preto, sentiu vontade de vomitar. Mas foi o objeto posto sobre a cômoda de maquiagem que chamou realmente sua atenção. Eram lírios amarelos. Merda.
— Vejo que percebeu também. — Parrish pigarreou e limitou-se a ficar quieta. A essa altura do campeonato, permanecer em silêncio seria sua melhor opção. — Veja bem, Whinsky, as flores amarelas ali representam muito...
— São lírios — corrigiu-a sem perceber e aquilo foi perfeito para a detetive.
— Um belo reconhecimento, eu diria — ironizou, apanhando mais uma folha do envelope amarelo. Empurrou-o para . Era uma espécie de relatório de clientes de uma floricultura. — Observe a linha vinte e três.
Por mais que a intuição falasse para não o fazer, a curiosidade da jovem falava mais alto e esse foi mais um erro cometido por ela. Seus olhos percorreram rapidamente a extensão da folha até pararem sobre o número ao qual a detetive indicara e naquela linha continha apenas um nome:
Whinsky
— Isso só pode ser brincadeira! — respondeu enfurecida, levantando-se. A detetive permanecia calma.
— Veja bem, senhorita. Evidências sempre serão evidências e essa aqui prova que, de alguma forma, você está conectada com o que aconteceu com Olivia Black — seu tom era paciente, o que deixou ainda mais irritada.
— Está me acusando de um absurdo desses, baseado em um nome de uma lista? — Bateu forte sobre a mesa. — Qualquer um poderia simplesmente comprar flores em nome de outra pessoa, você sabe muito bem disso. Sabe mais ainda que todos conhecem meu nome e sobrenome.
— Você está certa, mais uma vez. Porém, não diria que está sendo acusada — respondeu a detetive. — Mas, ainda assim, o fato é curioso, não acha?
— Ah, então se não estou sendo acusada, o que o cara simpático ali — apontou com a cabeça para o musculoso escorado sobre a porta. Não havia visto a hora que este entrara, mas não foi difícil notar sua presença mais tarde, já que ele não era imperceptível. — Está fazendo? Devo considerar que é apenas mais um fã?
Parrish gargalhou.
— Você é igualzinha ao seu pai — disse de forma irônica o suficiente para que atingisse . — Acha que a cidade inteira gira em torno de vocês, os .
sorriu. Reação a qual Parrish não esperava.
— Não sei o que é mais patético — começou de forma calma. — Você dizer que sou parecida com ele ou considerar que eu poderia fazer mal a alguém, ainda mais a Olivia. Eu nunca faria mal a Liv, nunca.
— Muito bem, senhorita Whinsky. Eu quero acreditar em você, de verdade. Mas para nossa e sua própria segurança, já que parece de algum jeito estar ligada diretamente a esse crime, sugiro que não saia da cidade — falou formalmente e franziu o cenho pela insistência da mulher em chamá-la assim, ainda pior, franziu por saber o que viria a seguir... Era pessoal, tinha certeza. — Parabéns, Whinsky, acaba de ganhar uma estadia prolongada em Sullivanbrooke, a cidade onde segredos fazem parte do seu cotidiano e que gosta muito de trazer problemas a você.
não podia acreditar no que estava acontecendo.

🎤🎭🔪


Continua...



Nota da autora: Olá, amantes de Ópera, como estão?
Espero que tenham gostado do primeiro capítulo de AUO, mas a pergunta que não quer calar é: qual será a trama que envolve ? Bom, o peso do sobrenome já diz tudo.
Lembrem-se, essa fanfic é autorizada, mas não tem qualquer vínculo com Ópera e tem um enredo próprio. Ainda assim, os personagens da trama foram criados baseados nos personagens e acontecimentos da fanfic, como uma forma de homenagem.
Espero que tenham gostado e sentido seus coraçãozinhos tão quentes quanto o meu ficou!
Por favor, comentem. Isso incentiva muito a autora aqui.
E, se quiserem, leiam as outras fics!

Nos vemos em breve.
All the Love,
G.K.



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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.


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