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Última atualização: 31/12/2020

Ato I


Prólogo

“Olhou-se no espelho, tendo certeza de que estava sozinha [...]


Inglaterra, Sullivanbrooke

Sullivanbrooke era aconchegante. Situada a um pouco mais de uma hora da capital britânica, Sulli era sútil, encantada e recheada de acontecimentos marcantes. Um deles, é claro, aconteceria naquela noite.
Diferentemente das noites “normais”, aquela premeditava alguma coisa. Naquela noite, a propósito, você não se preocuparia em dormir calmamente sem a baderna adolescente de sempre. Porque por mais incrível que pareça, naquele dia, era apenas um agonizante silêncio. Como se a vida conspirasse e premeditasse algo, então você saberia instantaneamente que alguma coisa não cheirava bem, nem um pouco bem.
E, naquele exato momento, acomodada sobre o set de filmagens da mais prestigiada faculdade local, se encontrava a garota que descobriria o quanto a palavra “pacata” não era o melhor adjetivo a ser utilizado para esta cidade e, mais do que isso, descobriria que ensaiar até tarde tinha consequências e, em seu caso, a consequência seria trágica.
Liv, como todos a chamavam, ajeitava os lírios amarelos que recém havia posto sobre a mesa central de seu camarim. Havia recebido aquele presente um pouco mais cedo naquele dia, o qual o no cartão não continha dados de remetente, apenas uma bela frase que dizia “que essas simples flores sejam de seu agrado e que possas aproveitar cada segundo possível ao lado delas”.
De início, estranhou o fato da pessoa que lhe enviou ser um desconhecido, mas deixou aquele pensamento de lado quando associou a escolha de flores com o papel que interpretava. Teve a certeza de que aquele “mimo” lhe havia sido entregue por alguém que conhecia, admirava o seu trabalho e por isso resolveu agraciá-la.
A garota sorriu, lendo mais uma vez o cartãozinho contendo a frase e então o deixou de lado para dar uma boa analisada em si mesma. Começou a achar que o loiro da peruca lhe caía bem e por uma fração de segundos até cogitou a possibilidade de pintar suas madeixas quando todo a aquele trabalho terminasse.
Tirou a peruca loura que achou já fazer parte de seu corpo de tanto que usava e ao se sentar frente ao espelho, pegou as folhas de roteiro que havia separado...
— “Seus cabelos claros caíam pelos seus ombros como cascatas, cobrindo as alças da pequena camisola cor-de-rosa e o meio sorriso escondido. Ah, o sorriso. Aquele sorriso o qual não via há muito tempo e que, de uma hora pra outra, voltou a habitar o seu rosto. Ela sabia que devia aquele sorriso a ele. Sim, ela o amava, e a partir daquele dia estariam juntos para sempre.” — lia o roteiro de forma esplendorosa e por saber o que viria a seguir, o colocou sobre a bancada de maquiagem e se voltou para o espelho, no intuito de aproveitar e testar a melhor feição que utilizaria para interpretar Ivane.
E foi nesse momento que, refletido no espelho, Liv percebeu não estar mais sozinha em seu camarim.

— O que você está fazendo aqui? — disse, juntando as sobrancelhas enquanto olhava para a pessoa que a encarava. A surpresa transparência em sua voz, entretanto, foi o que a pessoa em sua frente segurava que a fez sentir calafrios passarem por toda a sua espinha. — O que você pensa que..
Não teve forças de terminar a frase, tudo aquilo lhe parecia insano. Sentiu-se envolta de uma piada cruel, mas a feição da pessoa em sua frente dizia que aquilo não se tratava nem um pouco de uma piada. Liv sabia que aquilo não seria bom. Nada bom.
E como em um despertar de uma hipnose o barulho fatal foi notado, aterrorizando toda a vizinha que até então, estava tranquila. Não precisavam ver o que ocorrerá naquele momento para saber que alguém havia se machucado, e muito.

Imediatamente, luzes da vizinhança uma a uma se acendiam. Moradores saíam de suas casas para tentar vivenciar o que ocorrerá e há quilômetros de distância ouvia-se sirenes amedrontadoras. Alguém havia ligado para emergência e ela ia direto de encontro com para a faculdade. E, à espreita de tudo e todos, um sorriso satisfeito observava todo o “show”, sentindo puro ecstasy por seu desejo mais obscuro finalmente estar sendo concretizado.
Era hora do espetáculo.


Capítulo I

“Aqueles que não aprendem com o passado estão condenados a repeti-lo.” — Stephen King



Inglaterra, estrada para Sullivanbrooke — 02:45 p.m


A tarde estava mais fria do que a garota costumava se lembrar. Já fazia algum tempo que não voltada à sua cidade natal e se não fosse o fatídico acontecimento que a trouxe de volta, talvez ela jamais tivesse retornado a Sullivanbrooke. O motivo daquilo era simples, preferia deixar todos os momentos que viveu naquela cidade, em seu passado e apenas nele. Os segredos que envolviam essa fase de sua vida eram guardados a sete chaves até das pessoas mais próximas e, se pudesse, queria que permanecessem assim, trancados eternamente.
O único problema desse plano era o curioso fato de que, por mais que garota tentasse fugir de seu passado, não podia negar que estava fadada a permanecer nele. No fim das contas, era apenas isso, inútil.
Sua tentativa de viver longe de todo aquele caos era apenas um círculo vicioso ao qual ela estava presa e fadada a voltar, sempre. E, infelizmente, quando recebeu a ligação na noite anterior, soube que não teria mais como postergar sua volta. Foi naquele instante que a garota, sentada ao banco carona do Civic prateado, enclausurada e usando seus fones de ouvido que tocavam uma música baixa e calma, permitiu-se devagar entre o momento que tirou totalmente sua paz.

Flashback on
sentia prazer com pequenas coisas.
Aromas, sons e até mesmo coisas simples e rotineiras deixavam seu espírito em total estado de paz. Uma dessas coisas era um bom banho depois de um dia agitado e, naquele momento, era o que pretendia fazer.
Despiu-se com agilidade enquanto ouvia de outro cômodo da casa uma melodia cantarolada de uma das músicas que ela já sabia de cor. A voz masculina, acompanhada do som dedilhado de um violão, a fazia se sentir em casa, mesmo que aquilo não fosse o caso. Ainda assim, trazia-lhe conforto e paz...
não tardou em se sentir à vontade. Ligou o chuveiro, ajustando-o para sua temperatura favorita, enrolando o cabelo longo em um coque simples e então, prestes a adentrar ao banho e sentir as primeiras gotas relaxantes caírem sobre seu corpo, ouviu seu celular tocar.
— Será que eu não tenho um minuto de paz? — resmungou de forma baixa e desligou o chuveiro. Levou poucos segundos para se enrolar na toalha e ir em direção à bancada da pia, onde estava o celular que tocava incessantemente. O seu número era particular e apesar de não tê-lo mudado desde sua partida, poucas pessoas o conheciam.
Aquilo significava apenas duas coisas: ou seu passado vinha assombrá-la, ou seu antigo empresário viria com mais uma proposta para ela recusar.
Porém o número que marcava no visor de seu celular superou total às suas expectativas. Não era desconhecido, pelo contrário, ela o sabia de cor e ver aquele número fez os pelos de sua nuca arrepiarem como nunca. Mas aquilo não era nem um pouco bom.
“Celular da , quem fala?” — tentou permanecer firme, sem demonstrar surpresa, e fingir que aquela reação anterior não era nada demais. Mas, ao ouvir a resposta do outro lado da linha, estremeceu.
“Você tem que voltar” — A voz era inconfundível e a garota sabia. Não houve reação de imediato, apenas silêncio. Em parte, porque nunca pensou que receberia aquela ligação e em parte porque a pessoa quem a fez nunca pensou que precisaria. Foi nesse momento que, parada em frente ao espelho, sem saber o que fazer, sem saber como agir, que a garota percebeu ser inacreditável como uma notícia poderia mudar totalmente o seu rumo.
Flashback off


Prestes a chegar ao seu destino, fechou os olhos, impaciente com aquela viagem. A garota queria um banho refrescante, sua cama e dormir com a voz de cantarolando Iris, como antes.

🎤🎭🔪


Cemitério central de Sullivanbrooke — 3:03 p.m

observou atento o exato momento em que o Civic prateado, sem a placa da região, chegava ao local do enterro e, como imaginou que aconteceria, sentiu seu corpo inteiro congelar.
Era como um devaneio, uma realidade alternativa que ele sequer cogitou que um dia iria ver. Mas o que diabos esperava? Sabia que independentemente de a garota ter se afastado de todos, Liv ainda era sua melhor amiga e ela não deixaria de vir ao seu enterro. Não se ainda fosse a garota que ele conhecera.
— Ela está linda, não está? — A voz veio repentina e fez com que desviasse seu olhar de para a garota parada ao seu lado. mal havia notado o momento em que a amiga se aproximou. Ela não o culpava e nem se surpreendia, afinal, seu olhos estavam fixos em algo muito mais interessante do que ela. Os olhos de estavam presos à sua ex namorada.
— Mais do que nunca — murmurou baixo, ainda assim, sabia que Lan conseguiria ouvir. Ela tinha esse dom, não precisava ouvir as coisas em som alto e claro, pois era boa demais em decifrar os sinais que as pessoas ao seu redor davam. E no caso de , o sinal era claro: os olhos focados em diziam muito mais do que ele admitiria.
— Não deixe Trixei ouvir isso — advertiu o amigo e esse tornou a sorrir fraco, lembrando-se do quanto a namorada odiaria saber que retornara a Sullibrooke, graças a ele.
Após uma troca de olhares com , Lan tornou sua atenção para o carro estacionado um pouco mais adiante que eles. De longe, reconheceu a velha amiga. Apesar dos anos sem vê-la, não era difícil reconhecer , até mesmo se ela não estampasse a capa de muitos os tabloides, e apesar do cabelo estar mais longo do antes, a genética nunca falha e os traços característicos de sua família permaneciam evidentes. Sobre isso, Lan Nicols sempre soube que, por mais que tentasse, não podia negar seu passado, tampouco sua descendência.
— Que seja, ela está acompanhada mesmo — proferiu, tirando Lan de seus devaneios e, para a surpresa da garota, realmente não estava sozinha. A dupla fixou seu olhar para o cara que descia do Civic prateado no lado do motorista, logo em seguida de . Ele era mais alto que a garota, mas ainda mais baixo que e algo lhe dizia que já o conhecia. Franziu o cenho por alguns segundos, até que sentiu uma lembrança repentina surgir. Evidente. Assim como , o garoto ao seu lado havia tido seu momento de fama e Lan lembrou-se quase que instantemente de quem ele era e qual banda participava.
Sabia dos boatos que ele e a ex estrela, assim como a sua amiga, haviam se tornado próximos desde o último Grammy que participaram, competindo por ele entre si e, consequentemente, por suas bandas. Mais que isso, lembrou de ler em algum site de fofoca (como gostava de chamar), que ambos surpreenderam os demais por não serem os estereótipo “cão e gato” ao qual todos pensavam que seriam, pelo contrário, provaram-se ser bons amigos durante a festa pós Grammy. Talvez daquela premiação tenha ganhado algo muito mais interessante que um troféu para a Sublime Lumps.
— Bem, você não esperava que ela fosse voltar e ser sua pra sempre, não é? — ironizou sem se importar se estava sendo maldosa ou não com o amigo. já conhecia o seu humor ácido, até porque ele mesmo a ensinara e quase se arrependeu por aquilo, quase. Em vez disso, sorriu, passando o braço direito por cima dos ombros da garota e a trouxe para mais perto de si. — Ótima ideia, já estava me perguntando quanto tempo ia levar.
— Quanto tempo levaria para o que, Nicols? — arqueou uma sobrancelha. Será que a garota pensava o mesmo que ele? Não poderia ser. Apesar disso, ele ainda se perguntava quanto tempo levaria para descobrir o que estava acontecendo por ali e pelo quanto a conhecia, sabia que, de fato, quando soubesse, aquilo não ia prestar.
— Garoto, me respeita. — Rolou os olhos, tirando-o de seus devaneios. — Até parece que você não sabe. Estava me perguntando quanto tempo levaria para morrer congelada aqui, é claro. — O garoto gargalhou. Deveria agradecê-la mais tarde por fazê-lo rir em um funeral, mas por hora não, pois estava ocupado demais desviando seu olhar de para a ruiva que vinha em sua direção. Trixie. Seu problema número dois.
Em um ponto distante o suficiente para não perceber o trio, estava , acostumando-se inutilmente com o clima.
O vento gélido característico veio de encontro imediato ao seu rosto e fez com que se encolhesse dentro do sobretudo preto que vestia. A saudade da Califórnia já começava por ali, pensou a garota.
— Ainda temos tempo de desistir — anunciou , próximo ao ouvido da garota. Ela sorriu e balançou a cabeça em negação, por mais que seu corpo inteiro dissesse o contrário. compreendeu e retribuiu o sorriso, depositando um beijo na testa da garota. Ela não havia pedido que ele viesse junto, mas não era como se precisasse. Apenas ao olhar para ela enquanto explicava o que ocorrera na noite anterior ele já soube decifrar o que os olhos da garota diziam. Precisaria dele e ele estaria ali por ela. Sempre. — Vamos?
Proferindo aquela palavra foi que abraçou pela cintura e guiou para que seguissem juntos ao enterro, que já havia começado para a sorte de , já que assim, com a atenção de todos voltada para a cerimônia, a atenção sobre si diminuiria e, quem sabe, com muita sorte, talvez até passasse despercebida naquele dia.
Seguiram a passos curtos até a última fileira de cadeiras brancas, onde se sentaram em duas vagas. ajustou os óculos escuros e observou atenta cada detalhe do lugar. Havia aproximadamente a metade da cidade no local, todos vestiam preto como o costume e mantinham os olhos presos ao padre. Apesar de melancólicos, sabia que, no fundo, Liv estaria se remexendo no caixão por toda aquela gente. Ela duvidava muito de que todos ali presente conheciam a amiga, ou melhor, se eles gostavam dela ou vice-versa. Balançou a cabeça em negação por saber que o real motivo da metade daquelas pessoas ali presentes, era uma boa fofoca para partilhar pela cidade tempos depois. Aquilo era típico de Sullivanbrooke.
Seus olhos procuraram atentamente por algo que tirasse aquele pensamento de sua cabeça e pousaram exatamente sobre a foto da garota falecida. Ao redor, havia uma coroa de repleta de rosas azuis, o que fez sorrir lembrando-se de que aquelas flores eram as peculiaridades favoritas de Olivia. Ao apertar mais os olhos, pôde vislumbrar o nome de quem as havia escolhido. “Em nome da família , em homenagem a todos os entes queridos de Olivia Black”. Mas é claro que seu pai daria flores e não a sua digníssima presença.
Irritou-se o suficiente para desviar o seu olhar e esse foi seu erro. Seus olhos a golpearam no momento em que eles pousaram sobre um grupo de adolescentes levantados à direita do pedestal de madeira ocupado por uma bíblia. Haviam duas garotas e dois rapazes, ambos prendiam sua atenção à cerimônia. agradeceu novamente. Não precisa estar mais próxima ou ver com mais claridade para saber quem eram aquelas quatro pessoas.
Uma das garotas era alta e morena, com um corpo de dar inveja e cabelos curtos, lisos, preenchidos com leves mechas loiras. Nicols. Lembrou-se. Já a outra, mais baixa e extraordinariamente ruiva, com a pele tão branca quanto a neve era a Johnson. Essa última conversava discretamente com o primeiro garoto de pele negra, físico atlético e cabelo levemente raspado. Tyler. O que a levava a crer que o último seria nada mais nada menos...
Engoliu em seco.
Cedo demais. Resmungou, mas não tinha como negar, ela o conheceria mesmo que estivesse há quilômetros de distância. Era ele. Era seu . Surpreendeu-se apenas quando viu Johnson se aproximar dele e selar seus lábios, o choque foi imediato assim como o desvio de o olhar. Suas maçãs do rosto ficarem quentes. Como poderia sentir aquilo? Limitou-se apenas a pensar que foi o repentino acontecimento, que foi apenas pega de surpresa e nada mais existia ali, mas seus pensamentos foram ofuscados quando ouviu uma voz chamá-la. Talvez aquela havia sido a segunda vez que a chamara.
Whinsky? — franziu a testa para a mulher sentada ao seu lado. Nada como chamá-la daquela forma para piorar o dia. Como se não bastasse o fato de sua melhor amiga estar morta. A garota viu se virar para mulher junto a ela e de forma gentil, pousou a mão sobre o ombro deste, em um sinal clássico de que estaria tudo bem.
— Não utilizo esse sobrenome há algum tempo. Por favor, me chame de ou . — respondeu cordialmente, tirando seus óculos. A mulher em sua frente certamente era mais velha do que ela. Tinha a pele clara típica da região e seus cabelos caíam como uma cascata encaracolada por cima de seu sobretudo cor marrom tabaco. Seus olhos, apesar de estarem ocultos sobre uns óculos escuros, sabia que eles exalavam determinação.
— Como preferir — respondeu sem muito gosto e algo dizia a que ela não levaria suas palavras anteriores a sério. Movendo a mão sobre um bolso interno na parte superior do sobretudo, a mulher pegou um objeto brilhante o qual mostrou para a garota. Um distintivo. Merda. — Me chamo Stephanie Parrish. Detetive Parrish, senhorita Whinsky, e preciso que você me acompanhe.
Aquilo cheirava a problema. Um grande problema.

🎤🎭🔪


Delegacia de Sullivanbrooke, sala de interrogatório. 04:40 p.m

Uma hora se passou desde que a garota estava ali. Tempo exato para um término de um funeral e tempo demais para ela ainda estar na cidade, ainda mais na circunstância a qual se encontrava. Custava a acreditar. Havia programado tudo para aquela viagem: chegaria despercebida ao local, esperaria o momento ideal para falar com os Black e prestar seus sentimentos, teria a sorte de não encontrar seu pai e, por fim, adentraria novamente o Civic prateado e retornaria com para o hotel que se hospedaram. Bem longe de Sullivanbrooke.
O plano inteiro foi por água abaixo quando aquela mulher apareceu, desprevenindo-a.
Agora estava ali. Em uma sala alá “claustrofobia”, rodeada por espelhos, sentada em uma cadeira desconfortavelmente dura e gélida, com os braços apoiados sobre uma mesa de metal sem graça posta ao centro da sala. Sabia muito bem o que aquele lugar significava, o próprio nome denunciava “sala de interrogatório” e ao olhar para a câmera ao lado superior esquerdo do canto da sala, torceu mentalmente para que já tivesse ido e não permanecido naquele local repugnante.
Forçou-se a pensar depois em uma saída, quando ouviu a porta do local se abrir, revelando a detetive de mais cedo, com um envelope amarelo sobre o braço. Ela se sentou em frente a e colocou o envelope sobre a mesa. passou o olho rapidamente por ele. Stephanie apoiou os cotovelos sobre a mesa e cruzou os dedos.
— Vai me dizer de uma vez o porquê estou aqui? — proferiu severamente e a detetive riu.
— Eu fico incrivelmente surpreendida com a educação que o jovens dessa cidade tem. De verdade, cheguei até cogitar ser surto coletivo. — Riu. — No fim das contas, descobri ser apenas falta de controle dos pais e um ego incrivelmente inflado por seus sobrenomes.
— Acho que a você não está em posição de pedir muito aos jovens daqui, detetive — ironizou. — Afinal, não é como se você tivesse falado muito sobre o motivo pelo qual estou e ainda permaneço aqui.
— Muito bem, muito bem. Está certa e se você quer tanto saber, senhorita Whinsky... — mexeu-se pela primeira vez sobre a cadeira ao qual torcia para que fosse tão desconfortável quanto a dela. —— Então, me diga, por algum acaso você sabe as circunstâncias que Olivia Black morreu? — forçou a mente para tentar se recordar de algo que dissera no telefonema, mas lembrou-se que o garoto se limitou em suas palavras. Mas o que diabos estava acontecendo ali?
— Não faço ideia — respondeu sincera enquanto a detetive permanecia com os olhos fixos aos dela.
— Um tiro bem no meio do peito. A senhorita Black foi assassinada — disse simplesmente e pela segunda vez naquele dia havia se surpreendido. Assassinada?
Então viu a mulher mexer no envelope e tirar alguma coisa. Era uma foto de um corpo sobre o chão e por mais que estivesse coberto por um pano preto, sentiu vontade de vomitar. Mas foi o objeto posto sobre a cômoda de maquiagem que chamou realmente sua atenção. Eram lírios amarelos. Merda.
— Vejo que percebeu também. — Parrish pigarreou e limitou-se a ficar quieta. A essa altura do campeonato, permanecer em silêncio seria sua melhor opção. — Veja bem, Whinsky, as flores amarelas ali representam muito...
— São lírios — corrigiu-a sem perceber e aquilo foi perfeito para a detetive.
— Um belo reconhecimento, eu diria — ironizou, apanhando mais uma folha do envelope amarelo. Empurrou-o para . Era uma espécie de relatório de clientes de uma floricultura. — Observe a linha vinte e três.
Por mais que a intuição falasse para não o fazer, a curiosidade da jovem falava mais alto e esse foi mais um erro cometido por ela. Seus olhos percorreram rapidamente a extensão da folha até pararem sobre o número ao qual a detetive indicara e naquela linha continha apenas um nome:
Whinsky
— Isso só pode ser brincadeira! — respondeu enfurecida, levantando-se. A detetive permanecia calma.
— Veja bem, senhorita. Evidências sempre serão evidências e essa aqui prova que, de alguma forma, você está conectada com o que aconteceu com Olivia Black — seu tom era paciente, o que deixou ainda mais irritada.
— Está me acusando de um absurdo desses, baseado em um nome de uma lista? — Bateu forte sobre a mesa. — Qualquer um poderia simplesmente comprar flores em nome de outra pessoa, você sabe muito bem disso. Sabe mais ainda que todos conhecem meu nome e sobrenome.
— Você está certa, mais uma vez. Porém, não diria que está sendo acusada — respondeu a detetive. — Mas, ainda assim, o fato é curioso, não acha?
— Ah, então se não estou sendo acusada, o que o cara simpático ali — apontou com a cabeça para o musculoso escorado sobre a porta. Não havia visto a hora que este entrara, mas não foi difícil notar sua presença mais tarde, já que ele não era imperceptível. — Está fazendo? Devo considerar que é apenas mais um fã?
Parrish gargalhou.
— Você é igualzinha ao seu pai — disse de forma irônica o suficiente para que atingisse . — Acha que a cidade inteira gira em torno de vocês, os .
sorriu. Reação a qual Parrish não esperava.
— Não sei o que é mais patético — começou de forma calma. — Você dizer que sou parecida com ele ou considerar que eu poderia fazer mal a alguém, ainda mais a Olivia. Eu nunca faria mal a Liv, nunca.
— Muito bem, senhorita Whinsky. Eu quero acreditar em você, de verdade. Mas para nossa e sua própria segurança, já que parece de algum jeito estar ligada diretamente a esse crime, sugiro que não saia da cidade — falou formalmente e franziu o cenho pela insistência da mulher em chamá-la assim, ainda pior, franziu por saber o que viria a seguir... Era pessoal, tinha certeza. — Parabéns, Whinsky, acaba de ganhar uma estadia prolongada em Sullivanbrooke, a cidade onde segredos fazem parte do seu cotidiano e que gosta muito de trazer problemas a você.
não podia acreditar no que estava acontecendo.

🎤🎭🔪


Capítulo II — Parte 1

“Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre.”
Charles Chaplin


The Lux — Nightclub — 11:17 p.m

O brilho do Aston Martin vermelho estacionado em frente à boate “Lux” refletia a luz incandescente vinda dos postes que cercavam aquela rua. O dono do automóvel não se preocupava que alguém reconhecesse seu carro, o que de fato sempre acontecia, já que eram raras as pessoas em Sullivanbrooke que possuíam um carro daquele porte, e após uma olhada certeira sobre o carro, era tão fácil associá-lo a Bill Skarsgard, o dono de fato. Certamente, o povo preferia não se meter em confusão por ficar se preocupando demais com um dos herdeiros da cidade e viviam utilizando aquele ditado “não se meta onde não é chamado”.
Por bem ou por mal, todos permaneciam seguindo aquele conselho.
Dentro da Lux, por outro lado, olhos curiosos caíam sobre o garoto de íris estupidamente verdes, alguns desejando-o cada vez mais, enquanto outros apenas se questionavam o quanto a morte da jovem Olivia o havia afetado, afinal, por mais que os dois agissem com descrição ao se encontrarem, nada passava despercebido naquela cidade.
Nada.
Ainda assim, ninguém ousou questionar qualquer coisa quando o rapaz se esgueirou pelo local, na companhia da morena asiática que bebia um martini no bar momentos antes. Candice era seu nome e Bill tinha a leve impressão de que a conhecia, o que de fato era verdade, já que ambos estudavam na mesma faculdade, mas aquilo não fazia a menor diferença para ele. Fosse quem fosse a garota, sua intenção era apenas se divertir naquela noite e se “enroscar” com alguém que não se importava de ser só aquilo.
E após enviar um olhar recíproco para a garota no bar, não demorou muito para os dois andarem de mãos dadas, com Bill conduzindo-a para um espaço mais “reservado” do local, e rapidamente foi a vez dos dois corpos suados atrás da boate refletirem os feixes de luz vindos de qualquer lugar e finalmente ambos estavam prontos para dar início a um dos seus desejos obscuros se a interrupção não aparecesse.
— Merda — o garoto praguejou ao passo que seu celular vibrava incansavelmente dentro do bolso.
Bill abriu os olhos e desgrudou o lábio do pescoço de Candice, tirando os braços da mesma que estavam envoltos sobre o seu pescoço, e a fez descer de seu colo no instante seguinte, fazendo com que a garota resmungasse pelo ato.
— Qual é, docinho, atenda depois — exclamou de forma manhosa e viu o rapaz lhe lançar um olhar de repreensão para que permanecesse em silêncio.
Não podia negar que a garota era uma ótima distração, de fato, mas por mais gostosa que fosse, ele odiava quando se achavam no direito de exigir coisas a ele, pois isso remetia a apenas uma coisa, “posse”, e Bill Skarsgard não pertencia a ninguém.
— Acabamos por aqui — Bill advertiu, acenando com a cabeça para que a garota desse o fora dali e recebeu um olhar descrente como resposta, mas logo o mesmo olhar se transformou em indiferença com uma pitadinha de raiva.
— Que seja, Skarsgard, você nem é tudo isso mesmo — respondeu, dando de ombros e ajeitou o vestido justo ao corpo, dando o fora dali no momento seguinte.
Bill pegou o celular no bolso traseiro e retornou a última ligação, que no primeiro toque foi aceita, e mesmo que Bill ainda não soubesse o conteúdo das palavras a serem proferidas do outro lado da linha, não havia dúvidas de que iriam afetá-lo, afinal, por mais que não admitisse para si mesmo, a morte de Olivia não era nem de longe um problema tão grande quanto a chegada de outro alguém. A rainha estava de volta.

🎤🎭🔪


’s House

remexia em sua bolsa em uma tentativa inútil de achar algo que fosse confortável o suficiente para uma boa noite de sono, ou pelo menos para fingir uma, e quando encontrou uma mísera camiseta limpa, jogou a mala para longe por ser lembrar das circunstâncias que a fizeram estar ali. Havia se preparado para apenas uma noite em Sullivanbrooke e agora ali estava ela, fadada a permanecer no último lugar em que gostaria de estar.
Jogou-se de costas sobre a cama e, após proferir o que deduziu ser seu décimo palavrão naquele dia, fechou os olhos e respirou fundo, tentando vislumbrar qual a melhor saída para toda aquela desventura. E não estava se referindo ao simples traje de dormir, pelo contrário, esse parecia o menor de seus problemas.
Seu pai não estava presente naquele momento e nem no seguinte. não se surpreendeu nem um pouco com aquela notícia. Seu pai era um homem de negócios e não foi nada surpreendente ouvir do outro lado da linha que ele não estaria em casa naquela noite e ficar sozinha talvez fosse o ponto alto de tudo.
Bom, pelo menos achava que seria assim.
Uma movimentação estranha no andar de baixo chamou sua atenção e se viu obrigada a despertar de seus pensamentos.
Fazia um bom tempo que não voltava para SullivanBrooke, mas, ainda assim, sabia que o expediente dos criados da mansão já havia terminado e tinha certeza de que naquele momento eles não estavam mais em sua antiga casa. Será que havia se enganado? Quando a dúvida que surgiu em sua cabeça falou mais alto, desceu as escadas de mármore negro pé ante pé, com extrema cautela e um abajur preso em suas mãos.
Fosse quem fosse no andar de baixo, sentiria todo o peso do péssimo dia que tivera e ela não teria um pingo de piedade com invasores. Porém, ao chegar ao final da escada e ir até o cômodo principal, uma silhueta masculina próxima ao sofá chamou a atenção da garota. Ela agarrou o objeto em mãos com mais força e preparou-se para acertar o intruso em cheio, mas ponderou quando a pessoa à sua frente se virou e ela pôde pela primeira vez notar que ele não se assemelhava nem de longe a um intruso. Pelo contrário, parecia-lhe estar bem familiarizado com o lugar.
Ficou observando o rapaz por alguns segundos, então o viu se movimentar de forma cansada até o outro extremo do sofá. Foi nesse momento que resolveu agir.
— Quem é você? — proferiu com extrema surpresa na voz e vislumbrou o indivíduo depositar algo sobre o criado mudo e virar-se repentinamente quando ouviu a garota.
— Você não pensou mesmo em me acertar com isso, não é? — O garoto de pele clara e olhos verdes olhava diretamente para o objeto sobre as mãos de .
A curiosidade lhe falava mais alto e apesar de ele já estar esperando encontrá-la, deveria confessar que nada o havia preparado para estar cara a cara com . Havia visto inúmeras fotos da garota espalhadas pela casa ou na antiga escola e também não podia deixar de mencionar as vezes em que a viu ao vivo em programas. Mas ali, pessoalmente, observando suas íris de perto, ele só podia pensar em uma coisa: aqueles idiotas estavam certos. Enquanto todos eram vento, realmente era como um furacão.
A garota rolou os olhos e colocou o abajur no chão.
— Ainda estou pensando em fazer isso, na verdade — respondeu sincera e o garoto sorriu se aproximando e quanto mais próximo ele estava, mais ela se interessava em saber quem era. Havia algo estranhamente familiar naquele sorriso, mas ela não conseguia distinguir o que de fato era. — E se não me disser quem é e o que está fazendo na minha casa...
Sua casa? — o rapaz interrompeu de forma irônica e cruzou os braços. — Não sei se você percebeu, mas tenho as chaves dela — falou, olhando diretamente para o criado mudo. — Mas antes que você crie uma teoria mirabolante em sua cabeça, já vou me adiantar... Eu sou o Bill, Bill Skarsgard, e podemos dizer que... — ele ponderou, avaliando melhor as próximas palavras antes de sorrir de forma suspeita. — Sou seu meio-irmão.
sorriu sarcasticamente.
— Ok, você pode até não ser um intruso, mas com certeza está delirando. — pegou o smartphone no bolso traseiro da calça e começou a digitar.
— Ok, CSI, o que está fazendo agora?
— Hum, eu? Absolutamente nada — ironizou antes de fixar o olhar em Bill e, se não estivesse tão incomodada com os fatos daquele dia, talvez houvesse percebido o quanto Bill era familiar. — Estou apenas ligando para o hospital. Acho que você está precisando de ajuda.
Bill gargalhou.
— Qual é? Você quer mesmo que eu desenhe ou seja mais claro em dizer que nossos pais vêm se “enroscando” nos últimos meses?
franziu o nariz com o comentário e se perguntou se aquilo realmente era possível, então se lembrou que se tratava de seu pai e quando ele estava envolvido, tudo era possível.
Na verdade, aquilo não era de se espantar, afinal, a cada novo dia, era uma nova chance de seu patriarca fazer uma nova grandíssima merda e talvez ter duas novas pessoas em sua antiga casa não fosse a pior delas. não duvidou sequer por um segundo que o rapaz em sua frente falava a verdade.
A garota rolou os olhos, tentando imaginar quantas surpresas Sullivanbrooke ainda apresentaria a ela e, mais que isso, se perguntava quem havia sido a nova vítima de seu pai. Foi aí que se lembrou da íris verdes do rapaz, que estampavam um olhar que ela já conhecera antes, assim como o sobrenome que lhe era familiar e que ela apenas não havia prestado atenção o suficiente para associar a outra pessoa, a pessoa com quem seu pai estava e a pessoa que ela conhecia muito bem.
A sensação de familiaridade. Os olhos, o sorriso.
— Espere aí, como você disse que se chamava mesmo? — perguntou, chegando o mais próximo possível do rapaz, próximo o suficiente para ouvir com total clareza e poder sentir o cheiro de whisky caro exalando do cara em sua frente.
Bill, por outro lado, levantou uma sobrancelha, surpreso pela aproximação repentina e então permaneceu estático em seu lugar, apenas observando o próximo passo da garota, se questionando o porquê daquela pergunta, afinal, curiosamente ela demonstrava muito mais interesse em seu nome agora do que antes.
— Skarsgard, Bill Skarsgard — respondeu e observou a garota se calar.
Pela primeira vez, ela olhou com mais destreza para rapaz e algo lhe acertou em cheio, como se tudo começasse a fazer sentido. E então decidiu lhe virar as costas.
— O quê? Vai mesmo embora sem ouvir os detalhes sortidos? — provocou, travou os pés onde estava e virou-se para trás e antes mesmo que pudesse fazer qualquer coisa a respeito da intromissão do garoto e lhe dizer que “sim, ela iria embora sem ouvir qualquer tipo de detalhe”, gargalhou repentinamente.
— Qual foi a graça?
— Qual foi a graça? — repetiu em tom de ironia, levantando as mãos sobre a cabeça em sinal de “rendição”. Bill franziu o cenho e viu a garota o ultrapassar e se jogar sobre o sofá. Quem havia bebido demais naquela noite mesmo? — Por onde devo começar, hum? — ponderou ainda deitada. — Que tal mencionar que uma das minhas melhores amigas morreu, ou que estou sendo acusada de tê-la assassinado e por isso fiquei presa no último lugar em que gostaria de estar na face da terra. Oh, não, melhor... Talvez começasse anunciando o prêmio de notícia mais chocante do dia, que vai para o “meu pai e a ex assistente dele que virou sua nova namorada”.
falava de forma rápida e, por mais que parecesse que a qualquer momento ela fosse se atropelar nas palavras, não o fez. Ainda assim, por alguma razão, estava furiosa.
Assassinato de Liv? Do que raios estava falando?
Bill não conseguia pensar direito e, por um momento, sentiu as pernas fraquejarem. Nada daquilo fazia sentido. Sua Olívia não havia sido assassinada, mas, se aquilo realmente fosse verdade, haviam omitido aquilo dele e de quem mais? Se perguntou o que mais aquela cidade suja escondia e agradeceu por não ter ido ao funeral da garota, pois, se o fizesse e descobrisse o que de fato aconteceu, ninguém ficaria impune.
Quando se recompôs e andou até a garota, que agora se encontrava sentada. Bill respirou fundo e percebeu que o olhar que ela transmitia era uma mistura de raiva e confusão e algo em seu tom de voz anterior lhe dizia que ela estava tão surpresa e atordoada quanto ele, então ajoelhou-se em frente a ela e pela primeira vez naquela noite ficaram na mesma altura.
— Você comeu algum tipo de cogumelo hoje? — tentou soar indiferente, pois no fundo custou acreditar no que havia dito e ela novamente lhe lançou um olhar descrente.
— Não, mas com certeza preciso da porra de uma bebida. — Levantou-se bruscamente e seguiu em direção ao bar da casa e, apesar de já fazer um bom tempo desde a última vez em que esteve ali, seus pés ainda estavam familiarizados com todo o percurso, portanto a guiaram com facilidade até o local.
Bill levantou-se e percorreu os mesmo passos que a garota.
O bar ficava no mesmo cômodo em que estavam e se localizava ao canto extremo direito daquela sala, feito completamente de madeira escura. Com um ar rústico, o bar continha uma vasta quantidade de licores, vinhos e destilados. abaixou-se atrás do balcão e retirou uma garrafa transparente, com o líquido de cor âmbar.
— Envelhecido em nosso estoque particular. — Levantou a garrafa em sinal de "vitória" e retirou a tampa. — Esse você deve conhecer, não é? Meu pai é particularmente irritante com a sua coleção e se sente veementemente orgulhoso por causa dessa garrafinha que compartilha só com pessoas seletas. Pura idiotice, não acha? Que tal se sua filhinha amada acabar com o restante para ele?
Bill levantou uma sobrancelha enquanto tomava um gole do whisky diretamente da garrafa. A garota fez uma careta e Skarsgard apressou-se para pegar a garrafa de sua mão. reclamou pelo gesto e tentou apanhar a garrafa novamente, mas como era mais baixa que Bill, fracassou.
— Se for para tomar o whisky caro de Harold, tome isso da forma certa. Pegue o gelo — proferiu, servindo dois copos com formato mais baixo e largo, perfeito para realçar o sabor da bebida.

ϟϟϟ


O cheiro familiar de cafeína brincava com o olfato da garota e fazia um jogo sujo para que ela finalmente despertasse. Lentamente, ela abriu seus olhos para evitar que a claridade os atingisse de forma repentina e com os mesmos seguiu a direção do aroma que vinha da cozinha. sentou-se e percebeu que estava no mesmo cômodo da noite anterior e surpreendeu-se por não sentir seu corpo dolorido após a noite de sono naquele sofá, já que seu pai sempre preferiu o luxo do que o conforto.
Ela e o companheiro da noite haviam bebido durante horas e estranhamente a conversa fluiu entre os dois, afinal, tinham muitas coisas em comum e isso incluía Olivia. Falando em Black, se surpreendeu pelo garoto conhecer Olivia tão bem quanto ela e algo lhe dizia que havia algo muito maior que amizade entre eles.
O toque de um celular chamou sua atenção e a fez despertar de seus pensamentos. Quando procurou seguir o som, ela descobriu que vinha de seu próprio smartphone, que se encontrava em cima da mesa pequena a qual reconheceu ser a mesma em que Bill havia colocado as chaves da casa na noite anterior.
Massageou as têmporas e levantou-se. Quando finalmente o alcançou, verificou que havia uma quantidade de ligações.
Merda.
Havia esquecido completamente de e se amaldiçoou pelo ato, porém tinha certeza de que ele a compreenderia. sabia que o dia havia sido agitado, caótico para dizer o mínimo, e conhecendo-o como ela o conhecia, apesar da clara preocupação que transmitiu quando saiu da cidade no dia anterior, ele a compreenderia.
Demorou apenas alguns meses para perceber que sempre esteve e permaneceria ali por ela. Não havia dúvidas.
Após uma mensagem rápida anunciando que tudo estava bem, deixou que seus pés novamente traçassem o caminho conhecido até a cozinha. Os olhos de percorreram toda a extensão do lugar e atrás da ilha de mármore ela vislumbrou o rapaz da noite anterior. Bill seu nome era. Bill e ele era seu meio irmão.
— Você me surpreendeu ontem à noite, tem um fígado de ouro — Bill anunciou enquanto servia duas xícaras brancas com o líquido escuro. O vapor que subia de ambas foi o suficiente para preencher automaticamente as narinas da garota à sua frente com o aroma da cafeína e sentiu sua barriga roncar sutilmente, indicando de forma clara que precisava de comer algo. — Pegue.
— Obrigada — agradeceu, pegando a xícara da mão esticada de Bill e não tardou em dar um gole generoso do líquido e mais que nunca o café lhe parecia algo genuíno.
— Não me agradeça ainda — ponderou. — Apenas o café não acabará com a sensação de vazio que o whisky de ontem a noite deixou e não sei quanto a você, mas eu preciso de comida de verdade.
Ele estava certo. Após mais um gole generoso no café, fixou o olhar em Bill e concordou com suas palavras em um aceno de cabeça.
— Eu concordo com você e sei exatamente aonde devemos ir.
Ela realmente sabia.
Existia um único lugar aconchegante o suficiente em meio ao caos daquela cidade e esse lugar era a hamburgueria da Joy.

Joy’s burguer — 12:15 p.m

As primeiras gotas de chuva começaram a cair do lado de fora e rapidamente o aroma de terra molhada surpreendeu . Existia muito mais que lembranças vindas daquele simples aroma. Sempre que o sentia, o sentimento de nostalgia preenchia seu corpo e alma e rapidamente a recordação de momentos que passou com um certo alguém aparecia de forma instantânea.
De repente, sentado no banco vermelho estofado da lanchonete, na companhia de seus amigos, pegou-se distraído olhando para as primeiras gotículas de chuva que apareciam na janela do local, pensando no rumo de sua vida, no quanto era incrível o rumo que levou. Suspirou frustrado quando sentiu uma mão sobre seu ombro e antes que pudesse perguntar o que estava acontecendo, seguiu o olhar da pessoa que havia lhe tocado e sentiu o calafrio subir-lhe a espinha.
Era .
Achou que seu problema havia ido embora, mas, pelo jeito, estava miseravelmente errado.
— Pensei que ela havia ido embora — retrucou Trixie nada satisfeita com a presença da garota e agradeceu por ela não ter notado a sua reação anterior.
Tyler, por outro lado, segurou o riso já que adorava desfrutar de momentos constrangedores vividos pelos amigos, mas, assim como todos os outros três presentes na mesa, o riso se desfez assim que notou quem estava acompanhando .

Quando adentrou no ambiente, tudo lhe parecia familiar e a sensação de conforto preencheu seu singelo coração, porém aquela sensação durou por poucos segundos. Espiou de canto de olho a figura ao seu lado, o viu observar com um olhar feroz outra figura conhecida sentada à mesa poucos centímetros à sua frente e surpreendeu por ver devolver o olhar a Bill com tanta intensidade quanto ele o olhara. Piscou algumas vezes, sem entender a situação, e, mesmo que não soubesse, lá estava ela, no meio de um fogo cruzado entre ônix e esmeralda.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



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