Última atualização: 06/11/2017

Prólogo

Todos nós temos marcas, marcas físicas, psicológicas ou do coração. Não que essa garota em especial ligasse muito para o coração, já que para ela, o coração tinha uma única função, bombear sangue, só não entendia o porquê tanta gente falava que o coração dela era frio, ou feito de pedra. Ela simplesmente não via motivo aparente pra acreditar em coisas do tal coração. Para ela amor não passava de uma afeição e alguns traços de ilusão. Era como se o amor fosse uma ilusão, assim como Papai Noel e Fada do Dente. Pelo contrário do amor, ela acreditava no ódio, mas esse assunto é algo que deveria ser tratado com mais tempo.

Liverpool - Terça Feira - 6:29 PM 3 ºC

O frio abundante de Liverpool não era novidade, ia a caminho da faculdade completamente contra sua vontade, enquanto ajeitava o cachecol e colocava os cabelos para fora. Entrou no prédio de psicologia que ela fazia pela vontade da mãe de mantê-la perfeita aos olhos do resto da família. Aliás, tudo que ela fazia era para se manter perfeita aos olhos da família e do resto da sociedade. Não existia exatamente um escape, um momento de paz, tudo sempre parecia uma bagunça, dentro e fora de si. E com todos esses problemas ela precisava procurar algo que lhe deixava livre de tudo aquilo, pelo menos por alguns minutos. Bebida não estava sendo suficiente
O sexo não lhe fazia mais bem, se sentia suja por ter tentando com tantas pessoas e não lhe causar sensação nenhuma além de alguns orgasmos momentâneos.
Então achou algo que fizesse isso, por minutos que fossem, mas ela se sentia livre para ser quem ela é por alguns momentos do dia.
Olhou para o céu observando o clima pesado. Gostava de dias assim, eles se pareciam com ela. Nublados, carregados, guardando dentro de si uma chuva forte que causaria estragos. Ela era assim, mas não desde sempre.
Há exatos cinco meses havia perdido as duas pessoas mais importantes da sua vida em um acidente.
Claire era como uma irmã, era um trio inseparável: Yasmin, Claire e ela, mas em um dia ensolarado voltando de Woolacombe Beach com o Pai e Claire, já que Yasmin preferiu ficar com o namorado em casa, um mísero acidente havia acabado com tudo, com toda sua felicidade. Nunca havia se dado bem com a mãe, seus familiares não moravam em Liverpool e então ela se viu somente sobre o amparo de Yasmin.


Flashback - Cinco meses atrás. - Woolacombe Beach


Devido a onda de calor recebida especialmente aquele dia no Reino Unido, seu pai quis aproveitar o calor quase "impossível", então convidou e sua amiga para irem até Stoke, era uma simples viagem de carro. Aproveitaram completamente e no fim do dia estavam voltando para Liverpool, com o som alto tocando Somebody To You - The vamps. cantava gargalhando com Yasmin e o pai entoava Yeah, you! em alguns solos. Era situação quase natural ver feliz quando se tratava do pai.

- Precisamos fazer isso mais vezes. - comentou respirando fundo após acabar Somebody to You.
- Sempre que quiser, filha.
- 'Really don't care. - Claire gritou vendo que era a próxima música e juntou-se a amiga que desconectou o cinto para juntar-se a ela e começaram a cantar animadamente. Parecia o dia mais feliz das vidas delas em um segundo.



(...)


E em outro só conseguia ver o escuro, a batida, a gritaria, e o sangue.
Não tinha visto o que havia acontecido certamente, mas viu que Claire não a respondia e sangrava descontroladamente. Começou a chamar o pai descontroladamente e o sacudia, nenhuma resposta também. Devido a rota onde estavam ser muito bem conhecida, logo chegaram os médicos e a polícia que tentavam a todo custo tirar do automóvel no qual ela disse que não sairia sem eles.
Não podia perdê-los...
Não podia ficar sem o pai.
Não podia perder uma das melhores amigas. E então quando ouviu uma voz de longe enquanto era atendida dos ferimentos que tinham sido causados.

- Liam Phillips, Hora do Óbito 7:54 PM.
- Claire Evans, Hora do Óbito 7:57 PM.

E ela preferia ter morrido no sentido literal ali, do que seguir morta dentro de si e continuar vivendo.


Fim do flashback


Não gostava de se lembrar desse assunto, não gostava de ter que se levantar todos os dias sem motivo algum de felicidade, não gostava de ir para a maldita faculdade sendo que poderia estar fazendo qualquer coisa que lhe renderia dinheiro para que ela fosse embora daquele lugar o mais rápido possível. Apertou o botão do elevador para o décimo segundo andar do prédio, indo até a sua sala. Estranhou quando adentrou a sala e encontrou um professor diferente do que estava ali antes do feriado.
Observou ele escrever em letras de forma enquanto se sentava.
Mr



Capítulo 1

Sofrimento - substantivo masculino
1. Dor física ou moral; padecimento, amargura.
2. Desgraça, desastre.

Dizem que o pior sentimento do mundo é a perda e/ou morte de alguém, mas há acasos por aí que pior do que perder alguém, é se perder de si mesmo. As pessoas nunca dizem o quanto é difícil perder a si mesmo. Não dizem o quanto é ruim não se reconhecer mais, não sentir as mesmas coisas e nem ver o mundo da mesma forma. Talvez isso seja uma parte da vida. Uma parte dolorosa. Sentir que perdeu a essência pode parecer o inicio de um grande desastre.
Teoricamente todos têm demônios dentro de si, às vezes eles ficam bem escondidos, mas em dias frios e sombrios, não só no céu, mas dentro de si mesmo, eles aparecem. Em , os dias têm sido assim. E não mudariam tão cedo. Depois de algumas tragadas no cigarro, a garota se escorou na mesa da sala. Sabia que aquilo não há fazia bem e sabia de tudo que aquilo estava lhe causando, mas não encontrava iniciativa o suficiente pra se erguer do fundo do precipício que havia se afundado. As gotas fortes de chuva batendo na janela do apartamento que havia criado coragem de frequentá-lo depois de tanto tempo, só a deixava mais agoniada. Aquele ambiente, as lembranças e o quarto do pai que nunca mais teve coragem de abrir. Naquele dia em especial, decidiu caminhar até a porta do apartamento disposta a tentar se livrar de ao menos um dos demônios dentro de si. Encostou-se na maçaneta e sentiu todas as lembranças virem a milhão. Sentiu o peso das palavras da mãe logo cedo e tentou travar uma batalha com si mesma pra ignorar, mas não adiantava, ouvir que seria a decepção do pai e que sempre fora, não a fazia bem. Sabia que ouvir aquilo e absorver para seu interior só lhe causaria mais danos psicológicos. Sabia que tinha que sair dali, que tinha que ir enfrentar a bendita faculdade de Psicologia, o que parecia irônico, não? Precisava de um psicólogo, não tinha nada dentro da sua cabeça e alma, que normalmente estavam um desastre. Mas de alguma forma a mãe tê-la obrigado a fazer psicologia havia lhe aberto novos ares e novas oportunidades, ela tinha o porquê sair de casa e algum motivo para se preocupar além dos surtos intensos que vinham lhe incomodando recentemente. Caminhou até a porta do quarto antigo e entrou vendo os tons de verde marinho e rosa se destacarem nas paredes. A escrivaninha rosa com objetos decorativos de Paris e Londres. As placas na parede de algumas rotas, seu banner de quinze anos e seu abajur rosa na mesinha de canto. Arriscou ir até o closet observando as peças antigas, que foram completamente trocadas pelo escuro no corpo. Aquilo era de longe sua realidade atual, na verdade, aquilo fazia parte de um passado maravilhoso. Mas que não fazia mais parte de si mesma, não conseguia voltar a ser quem era antes, não conseguia encontrar o arco íris depois da chuva contínua que encontrava dentro de si. Não conseguia achar o sol pra que aí sim o arco íris aparecesse deixando transparecer todas as cores da felicidade pra si.
Observou a prateleira com alguns porta-retratos e observou todas as fotos que tinha com o pai, Claire e , eles sempre foram seu ponto de paz. As férias, a formatura, a festa de quinze anos... Se não tivesse eles, estava incompleta e agora mais do que nunca só restava um pedaço de si. era como uma irmã, ou talvez, as vezes era como uma mãe. Lhe acalmava e aparecia na sua casa madrugadas em que os sintomas da depressão psicótica eram intensos demais. Puxava-lhe a orelha sempre que acontecia algo errado, o que era teoricamente a maioria das vezes nos últimos meses. Sentiu o telefone vibrar vendo uma mensagem de surgir na tela.

"Minha casa depois da faculdade?"
"De ônibus?"
"Meu tio começou a dar aula na sua faculdade, eu pedi e ele vai lhe trazer."
"Não começa com essa."
"Você vai gostar dele."
"Claro, porque geralmente tenho demonstrado afeição por alguém... principalmente por tios das minhas melhores amigas."
"Sem essa, ele te espera na saída, qual sua última aula?"
"Antropologia, ."
"Coincidência ou não, ele é professor de Antropologia, espero você."

Precisava deixar mais uma vez seu passado trancado ali e seguir pra faculdade. Pegou a bolsa na mesa central, a caixa de cigarros e colocou na bolsa de camurça e couro, se juntando aos livros de Psicologia ali dentro. Apertou os botões do elevador e saiu pela porta do prédio em passos largos, a faculdade não era longe dali. O pai havia comprado exatamente com tal intuito. Quando entrou no prédio notou seu breve atraso e se sentou na cadeira entrando no universo da psicologia.
Os dois horários de neurologia passaram rápido, dando inicio a aula de teoria psicanalítica que foi recheada de slides e explicações.
A aula de antropologia foi dada início e ela viajou para o universo paralelo em um segundo quando começou a observar o Mr .
Ele parecia ser certinho, mas transparecia ser quente como o inferno. Era impossível aceitar que um puta homem daquele tivesse vinte e seis anos.

- Antropologia é um substantivo feminino, é a ciência do homem no sentido mais lato que engloba origens, evolução, desenvolvimentos físico, material e cultural, fisiologia, psicologia, características raciais, costumes sociais, crenças, etc. - E por mais infantil ou precipitado que aquilo fosse, ela não conseguiu focar os olhos em mais nada além do maldito homem. E foi assim que não sabia sequer o restante das palavras ditas por ele. E aquilo era no mínimo interessante, já que há um bom tempo nada a distraia assim. A voz do homem já era divina e conseguia nitidamente ouvir ele a chamando. Malditos pensamentos, mas aquilo parecia real demais. Saiu dos devaneios observando a sala só havia sobrado ela, outra aluna, e o Mr Hot caminhava pra perto de si. - ?



Capítulo 2

Eu tinha outro futuro para mim, outras projeções de autoimagem, eu tinha normas de conduta que acabaram capotando em alguma curva antes do pórtico de entrada na vida adulta. Com um pouco de sorte, tudo isso não passa de um sonho ruim, e daqui a pouco vou acordar todo suado e atrasado para a primeira aula, na velha cama de solteiro da casa dos meus pais, de frente para meu pôster da Legião Urbana. Se não for possível mudar tudo que eu fiz, só peço então para esquecer, ou então não ficar me lembrando disso o tempo todo.


Não parecia novidade pra ninguém que por ora, ou há muito tempo, a vida tinha tomado um sentido chulo para . Dizem por aí que nosso semblante demonstra até as coisas mais escondidas dentro de si. Particularmente, não acho que seja assim. Já que a garota vivia escondendo diversas coisas de todo mundo e somente seus demônios internos sabiam o que ela andava sentindo.
Graça? Era tudo que ela não via em tal mundo. O professor de antropologia tentou fazer uma piada enquanto dava aula para distração e ela observou todos soltarem gargalhadas, alguns forçaram para agradar o professor. Típico. Ela pensou.
Mas se tinha algo que estava por ora lhe irritando, eram os olhares incessantes que o Professor de antropologia, vulgo , tio de , considerada sua amiga, insistia em dar diante a ela. Desde a tal carona, desde a pouca conversa que tiveram e de como ela soou intrigante, segundo ele.


Flashback.

- Você e se conhecem há quanto tempo? - Ele perguntou tentando pela terceira vez iniciar uma conversa com a garota que respondia apenas o necessário sem tirar o semblante sério do rosto.
- Muito tempo.
- Você sempre foi assim?
- Assim...?
- Intrigante, diria eu.
- Eu desperto curiosidade em você, Mr ?
- Por favor, fora da universidade eu sou apenas .
- Prefiro de tratar como professor.
- Não podemos ser amigos?
- Digamos que eu não tenha amigos direito, de tal verdade eles não aguentariam minha vida.
- E isso só me faz querer te entender cada vez mais. - Ele disse e a garota cerrou os olhos como se pensasse no quão sem nexo aquilo era. - Intrigante, como eu disse.


//Flashback.


E ele a olhava como se quisesse desvendar um mistério, algo no qual despertou interesse, curiosidade, que o fez querer entender qual vida a garota citava com tão pouco caso. Ele era diferente. O sentido da vida pra ele era diferente, talvez por isso tivesse cursado psicologia. Considerava a vida de fato agradável, algo na qual ele queria aprender cada vez mais. Só que felizmente, ou não, aquela garota em especial lhe fez querer descobrir mais do que já despertou interesse sobre alguém. E de mera aluna e amiga de sua sobrinha, ela se tornou um mistério. E ele era instigado por natureza a resolver mistérios. Ou talvez, porque aquilo lhe soasse proibido demais. O olhar dele despertou surpresa quando viu que a garota lhe encarava com a mesma cara do dia da carona.
Olhos abertos destacando os olhos ora azuis outrora verdes, lhe encarando com a sobrancelha erguida como se quisesse entender o motivo daquilo. E com o fim da aula e os alunos saindo, ele não conseguiu desgrudar o olhar do dela. Aquilo seria interessante, de fato. Ele caminhou até onde ela ainda estava sentada com um sorriso que não soube definir se achava irritantemente animado demais, ou se considerava a porra de um sorriso lindo que ela sabia que derretia qualquer aluna de merda daquela faculdade. Incluindo ela. Mas não no sentido amoroso, nem de longe ela se apaixonaria, mas ele poderia fazer parte dos desejos insanos que ela tinha, guardados no fundo de si, mas tinha.

- Tudo bem com você? - Ele perguntou enquanto cruzava os braços e se escorava na parede ao lado da mesa.
- E existe algum motivo específico pra que eu esteja bem?
- Existe algum pra que esteja mal?
- Sugiro que nossa conversa seja uma anedota.
- Não acho, te acho interessante e quis conversar.
- Já se perguntou se isso é recíproco?
- Não, mas posso fazer virar. - E mais uma vez cravou os olhos naquele homem. Era ele que estava se tornando intrigante, desde quando um puta homem de vinte e seis anos, bem resolvido, estava prestando atenção nela. Mera aluna que não dava a mínima pra nada do que estivesse acontecendo, de somente dezenove anos. - Deve estar se perguntando o que eu ganho te procurando, se bem estou certo?
- Seria anedota pensar isso?
- Vi você. Essas alunas são falsas demais, tentam ser outra pessoa pra chamarem minha atenção ou de qualquer pessoa que esteja acima delas e você, não. Você é só você mesma. Ao mesmo tempo em que é transparente demais, tem algo que é intrigante em você e eu estou disposto a descobrir.
- Tentado a me descobrir, professor?
- Me permite?
- O que exatamente?
- Ser meu novo mistério, quero descobrir mais sobre você.
- Você desistiria em uma semana.
- Sou mais forte do que pensa, garota problema.
- Tá aí, você disse algo que eu concordo em alguma hora.
- Tudo que eu disser você vai passar a concordar, pode perceber isso.

E aquilo tomaria um rumo desconhecido para ambos, nada seria como eles imaginavam. Intrigante tornaria aquilo. Aquele novo laço, aquela nova ligação. Podia ser muito e transformar a vida de ambos, ou poderia tomar um sentido contrário e afundar mais a vida de , a fazendo levar dessa vez o Professor também. Só restava deixar aquilo nas mãos de qualquer força acima deles. Seja a vida, o destino, ou quem sabe Deus.
Bastava agora pagar pra ver.
E naquele dia voltou pra casa pensando em outra coisa além de quão desgraçada era sua vida. Ou na verdade era 'a vida' com ela. Voltou pensando se seria ele. O seu novo rumo, ou a ajuda pra tirá-la do abismo na qual tinha se enfiado.



Capítulo 3

Às vezes tudo que se precisa é se afastar para enxergar as coisas com outra perspectiva. Quando você se encontra em um circulo, no qual se fechou, por algum tipo de problema. Você só enxerga coisas que te levam ao problema, mas quando você começa a olhar de fora, tudo parece mais claro. E a perspectiva muda fazendo com que você encontre soluções. Ou um caminho para chegar até elas.

Destino
Substantivo masculino

1. Tudo que é determinado pela providência ou pelas leis naturais; sorte, fado, fortuna.

Maktub
Substantivo masculino

1. É uma palavra em árabe que significa "já estava escrito" ou "tinha que acontecer".

Geralmente não acreditava em destino, sorte ou tinha fé em alguma coisa, não encontrava motivo para isso. Se existia alguma força divina acima de si e ela fosse tão boa como costumavam dizer, tal força não deixaria que o pai tivesse falecido e juntamente a melhor amiga. Não deixaria que ela tivesse se afundado no abismo em que estava. Ou talvez a tal força não soubesse da existência dela. Não é como se fizesse diferença. Ela girou os olhos ao ouvir a palestra que estava sendo apresentada no auditório da faculdade sobre alguma questão filosófica que retratava o poder de alguma força divina que zelava por todos. Ela havia sentado na última cadeira e os professores estavam perto dali e existia uma outra coisa que estava à incomodando: não parava de olhar para ela. E ela sabia que existia um motivo, que o homem nutria um tipo de curiosidade sobre ela e ela havia permitido ser o novo mistério do homem. Quando ouviu os aplausos, ela se levantou pronta para sair do lugar. Detestava alguns professores metidos a filósofos.

– Está com pressa?
– Não tenho motivos para ficar.
– Eu não sou um bom motivo?
– Já tentou me desvendar demais por hoje.
– Por que diz isso?
– Olhar arranca pedaço, não sabia, Mr ?
– Em minha defesa, só queria entender sua cara de tédio.
– Destino, fé, sorte. Não acredito nisso
– Destino existe.
– Quem te garante?
– Veja bem, eu conheci você e quero te desvendar, você não me parece alguém que vê muita graça na vida. E eu posso estar disposto a te mostrar a graça da vida. Destino. – não sabia o por quê riu daquilo, mas tinha que rir. Ele estava tentando mostrar que existiam coisas boas na vida? Não na dela, mas se ele estava disposto, ela não tinha mais nada a perder.
– E está disposto a perder seu emprego também? Não é típico os professores tão próximos fisicamente de alunas assim.
– Eu só estou tirando uma duvida de uma aluna minha.
– Eles não pensariam isso. – Ela ergueu a sobrancelha olhando para o professor pouco mais alto.
– Eles não precisam pensar, eu sei bem o que eu quero. – E saiu dali. Era a segunda vez que ele fazia isso, falava o que queria, e a deixava curiosa e saia em seguida. Aquilo seria no mínimo, interessante.

(...)

Encontrava basicamente todos os dias. Gostava de vê-la e essa era uma das poucas coisas que ainda gostava. Então, duas horas depois de sair da faculdade, chegou a casa de e tocou a campainha. O que não esperava encontrar era parado na porta com um sorriso de lado e um olhar questionador.

- Seria vontade de me ver? - O homem questionou intrigado.
- Vim ver . - Ela disse com a sobrancelha erguida também.
- Uma pena. Pensei que fosse me ver, mas não estou tão errado.
- E poderia me dizer o por quê?
- Desde que abriu a porta não para de encarar os pontos descobertos do meu corpo. Exceto meu rosto.
- Você, pelo contrário, anda focado demais nos meus olhos, existe algo em específico que queira descobrir?
- Acho que é um bom modo de descobrir você.
- A má ideia já começa quando você quer me descobrir, mal sabe o caos que te espera.
- Eu sei bem e tenho total noção de como lidar com isso. Mal posso esperar pra despi-la, .
- Dependendo do sentido, mais cedo do que pensa.
- Vou começar pela sua alma, a roupa eu tiro depois. - Ela não conseguiu responder. Ele simplesmente deu espaço para ela entrar e acenou para o andar de cima, ela sabia que estaria lá. O que era estranho, era a falta de resposta na ponta da língua que ela sempre continha. Mas ali não. Mr estava conseguindo fazer coisas que ninguém era capaz há tempos. Mas não seria tão fácil assim. Afinal, ela não era daquela forma por um motivo banal. Tinha sua realidade e ela não era boa. Na verdade, era horrível. Então simplesmente entrou no quarto de e sentou-se na cama bufando.
- Vejo que tem alguém de mal humor.
- Não.
- TPM?
- Não.
- Quem estressou você?
- Mr , ou seu tio. Como preferir.
- sabe ser irritante, mas irritar você? Essa é nova.
- Ele não foi bem irritante. Foi intrigante, ou na verdade. Quer me desvendar.
- Explica direito, babyblue. Não entendo isso.
- Ele é estranho sempre?
- Não, é bem na dele. Aliás.
- Ele é pegador?
- Só namorou uma vez e raramente pega alguém.
- Ele é ruim de cama?
- Ele é meu tio, .
- Ele me disse algo sobre querer me desvendar, de alguma forma. E isso não incluía somente meu comportamento.
- Seria você minha futura titia?
- Deus me livre e guarde, você sabe meu pensamento sobre relacionamentos. Ainda mais com um professor que é tio da minha amiga por qual eu tenho afeto.
- Afeto... blef! Ele é bonito.
- Gostoso. Mas ainda é seu tio.
- E você é uma otária.
- Você devia parar de me encher o saco.
- E você devia dar entrada para ele mostrar quem é pra você e talvez, você mostrar para ele quem é .

Talvez eu poderia, talvez eu até deveria. Mas o medo de tudo ainda era mais forte. Eu sabia o quanto podia parecer interessante. Mas ainda não parecia ser o ponto de paz que eu precisava.

- Vamos sair pra comer alguma coisa?
- Não, obrigada!
- , eu já te disse sobre parar com isso.
- , sossegue. Eu só não estou com fome.
- Você nunca está.
- Não me venha com essa. Vou descer, pegar uma maçã e subir novamente. Ok?
- Maçã... sei.
- Não enche.

Desci as escadas indo em direção à cozinha e vi sentado na mesa da sala de jantar com vários livros e o notebook aberto.

- Pensando em como vai ferrar os alunos esse semestre?
- Não exatamente.
- Provas?
- Não.
- Pensando em quê? A tela do wordpad está aberta sem nada escrito.
- Em você.
- Mentiroso.
- Sincero.
- Não estava nem lembrando de mim.
- , se me permite lembrá-la. Eu não sei se lhe disse o quanto você é bonita e chama minha atenção. Além de ser interessante, então nos últimos dias não me lembrar de você tem sido impossível.
- , pode ser sido charmoso e até "bonitinho” - Fiz sinal de aspas. - Mas eu não sou as garotas da faculdade que são loucas por você. Eu não sou tão simples assim, querido professor.
- Eu nunca disse que era.
- Mas age como se eu fosse. Não sou fácil de lidar. Não sou um simples mistério. Toda essa capa que você vê não é à toa, eu tenho motivos e motivos sérios. Então antes de tentar me desvendar, pense se você quer entrar na confusão que sou eu. - E me virei pra subir novamente.
- .
- Sim? - Me virei e vi ele caminhando em minha direção e dei passos para trás até me encostar na parede. Ele aproximou-se e esticou os braços ao meu lado apoiando-os na parede e abaixando até altura do meu ouvido.
- Eu não quero que você seja simples, eu tenho noção de que você tem seus mistérios e eu estou disposto à descobri-los. Então simplesmente continue sendo você. Eu me interessei assim.
- Não sou um jogo, .
- Eu nunca quis jogar, .
- Então o que você quer, agora? Me diz agora de onde surgiu tanto interesse? - E sem pronunciar nenhuma palavra, ele colou a boca na minha. E me mostrou um beijo diferente de todos que eu já tinha conhecido. Um beijo calmo e que demonstrava no mínimo. Respeito.





Continua...



Nota da autora: Sem nota.





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