Última atualização: 14/08/2020

Capítulo Um

Sabe aqueles dias que você sai da cama com a sensação de que não devia ter saído? se levantou se sentindo exatamente assim. Não que ela tivesse escolha, é claro. Tinha que chamar o Henry, seu filho, se arrumar, chamá-lo de novo, arrumar o café da manhã e o lanche, tirá-lo da cama a força, deixá-lo na escola e ir trabalhar. Talvez não fosse lá uma boa ideia colocar uma criança de oito anos para estudar de manhã, principalmente com o trabalho que ele dava para acordar cedo, mas desde o divórcio era o melhor que ela conseguia fazer, mesmo que por vezes ele tivesse que ficar com a irmã dela ou até mesmo seu cunhado.
não se considerava uma pessoa muito sensitiva, vez ou outra tinha um pressentimento sobre alguma coisa, mas nesse dia ela sentia que alguma bomba explodiria e colocaria seu dia de cabeça para baixo. Ela só esperava que não fosse demitida.
Assim como todos os outros dias, a rotina de manhã foi a mesma. Bray não tinha muito trânsito nunca e pontualmente às sete Henry estava na escola. Se despediu dele com um beijo no topo da cabeça, ele resmungou e fez uma careta, o que também não era novidade. Desde o divórcio ele tinha se tornado uma criança mais difícil.
Assim que entrou no carro novamente, pegou sua agenda no banco do passageiro e conferiu o primeiro compromisso do dia, visita na casa de um casal de clientes às oito. Ela não gastaria mais que dez minutos para chegar lá, estava tranquila, tinha preparado todas as sugestões que poderiam agradá-los para decorar a casa. Respondeu algumas mensagens e alguns e-mails no próprio telefone enquanto esperava o tempo passar. Deu partida novamente no carro e iniciou o caminho para a casa deles.
Mal tinha dobrado a primeira esquina e seu telefone começou a tocar dentro da bolsa. Deixou tocar já que odiava mexer no celular enquanto dirigia. A chamada foi encerrada, mas logo o toque recomeçou e, da terceira vez que começou a tocar, sua preocupação falou mais alto e ela tateou dentro da bolsa até achá-lo. Soltou um riso irônico ao ler o nome do ex-marido na tela, deveria estar morrendo para estar ligando tanto e tão cedo.
- Alô. - atendeu demonstrando a vontade inexistente de manter contato com ele.
- , é o . - rolou os olhos, era óbvio que ela sabia quem era, reconheceria a voz mesmo se não tivesse o número.
- Eu sei, o que foi? Estou ocupada. - queria que ele falasse de uma vez.
- O jogo do Henry é amanhã, não é? - estranhou que ele lembrasse, geralmente ela precisava mandar uma mensagem ou Henry mesmo ligava para o pai.
- É sim, às cinco da tarde. - confirmou e por um momento pensou que pudesse estar mais interessado na vida do filho.
- Eu não vou poder levá-lo. - óbvio que ela estava enganada, mas não era nenhuma surpresa.
- Não tem problema. Eu levo e fico lá até você aparecer, você passa um tempo com ele e deixa ele em casa depois. - não era um sacrifício tão grande assim.
- Você não entendeu, . Eu não vou. - e o autocontrole dela deixou de existir.
- Como é que é? - falou alguns tons acima no telefone. Ele era inacreditável. - Henry está morrendo de saudade de você. Ele risca os dias no calendário esperando o dia de ver você no jogo de futebol dele, já que você não foi nos dois últimos.
- Eu tenho que trabalhar, sabia? - um riso irônico escapou.
- Só você, né? Eu não tenho. - ele a ignorou.
- Olha, , eu não tenho tempo para o seu drama. Só avise o Henry.
- Não vai ter nem a decência de ligar para o seu próprio filho e contar? - voltou a elevar o tom de voz. - É claro que não, quem fica de malvada na história sou sempre eu. - desligou o telefone na cara dela e a raiva já tinha tomado conta. Jogou o aparelho com força no banco do passageiro e quando olhou para frente era tarde demais.
O semáforo estava fechado e mesmo pisando no freio com toda a força fechou os olhos e esperou o impacto da batida. Merda!
- Eu te odeio! - gritou com raiva batendo com as duas mãos no volante e se segurando para não chorar.
Ela não tinha machucado, a batida não tinha sido forte, se forçou a sair do carro quando o motorista do carro da frente saiu também.
- Olha, foi tudo minha culpa, eu vou pagar tudo, eu tenho seguro, eu sinto muito. - despejou tudo de uma vez só, ela estava desesperada, pois nunca havia se envolvido em uma batida antes.
- Ei, fica calma. - ele falou num tom tão calmo que ela se assustou. - Você se machucou?
- Não. - respondeu achando a situação estranha, como ele podia estar tranquilo quando alguém tinha batido no carro dele? - Você não está… bravo? - ele riu fraco.
- Bravo? Não. Acidentes acontecem. - ele deu de ombros e foi se acalmando aos poucos. - Além disso, pela forma como você saiu do carro deixou bem claro que você não estava bem. Não levaria a lugar nenhum eu ficar bravo ou brigar com você. - novamente ela havia ficado sem palavras.
- Vou ligar para o seguro. - disse e entrou no carro novamente para pegar o telefone.
O pessoal da seguradora não demorou a chegar, para o alívio dela e o outro motorista não tinha se alterado em nenhum momento. Tudo foi resolvido entre eles, afinal ela sempre dizia que era para isso que ela pagava o seguro.
Andar com o carro amassado não era a melhor coisa do mundo, ainda mais para alguém que era constantemente o assunto da cidade, mas já havia se atrasado para a casa dos primeiros clientes e teria que resolver sobre o conserto do carro depois. Saiu do local logo depois do outro motorista e, apesar de todo o estresse, disfarçou bem e trabalhou normalmente no restante do dia. O que ela não sabia ainda era que tinha mais surpresa por vir.

Estacionou um pouco afastado do portão da escola, a rua estava lotada de carros e pais buscando seus filhos. caminhou apressada até a entrada, ela tinha se atrasado um pouco e ainda tinha que se encontrar com sua irmã no horário do almoço. Ficou surpresa ao não ver Henry por ali com os outros da turma dele.
- Olá, senhor Giles. - cumprimentei o senhor de idade que ficava no portão controlando a saída dos alunos. - Eu não vi o Henry por aqui, o senhor sabe onde ele está?
- Senhorita . Como está? - ele sorriu, simpático como sempre. - Ele está com a coordenadora . Ela pediu para você ir até a sala dela quando chegasse. - aquilo não tinha cara de boas notícias.
- Aconteceu alguma coisa? - perguntou tentando antecipar o que estava por vir.
- Eu não sei dizer. - ele sorriu solidário. - Quer que alguém te acompanhe até lá? - pegou o rádio pronto a chamar alguém.
- Não precisa, obrigada. - sorriu e cruzou a entrada.
O caminho não era muito longo, a sala dela ficava no segundo andar. já tinha a chamado outras vezes para conversar sobre Henry, já que ele não era a criança mais tranquila do mundo, mas nunca na presença dele. entrou na recepção e parou em frente ao balcão. A secretária estava em uma ligação e a interrompeu quando a notou ali.
- Você é a mãe do Henry? - concordou com a cabeça. - Pode sentar e aguardar que já ela chama vocês. - indicou as cadeiras com a mão e voltou a sua ligação.
Só então ela notou o rapaz sentado, ele parecia bastante com o cara do carro que ela batera naquela manhã. E como se ele escutasse os pensamentos dela, ele virou o rosto em sua direção, confirmando ser a mesma pessoa.
- Você de novo. - tentou descontrair a fim de causar uma impressão melhor. - Já me perdoou pelo estrago no carro? - vasculhou em sua mente tentando lembrar o nome dele e não conseguiu. Se sentiu mal ao constatar que ela provavelmente nem tinha se apresentado.
- Foi um acidente, não há o que perdoar. - ele bloqueou o telefone e o guardou no bolso, voltando a olhá-la em seguida. - Você parece mais calma.
- Eu estou, mas talvez isso mude quando eu entender por que fui chamada pela coordenadora. - ele riu fraco e só então ela percebeu que ele também estava ali por algum motivo. - Seu filho também é agitado? - escolheu uma palavra mais sutil para descrever o próprio filho.
- Na verdade eu tenho uma filha. - aquilo a pegou desprevenida. - E pelo que me disseram ao telefone um colega bateu nela na aula de artes. - ele disse de uma forma cautelosa, provavelmente não querendo outro surto da parte dela.
- Ah, ótimo! - levou as mãos ao rosto e fechou os olhos. - Como se não bastasse o pai dele, agora ele bate também. - desabafou e só então se tocou que aquilo não era algo a ser compartilhado, muito menos com alguém que ela não conhecia. Por sua vez ele fingiu que nada ouviu e ela ficou grata por aquilo. - Espera aí, eu achei que conhecesse todos os pais da sala do Henry.
- Nós somos novos aqui, viemos de Galway. - ele explicou. - April começou a estudar aqui esse semestre.
- Acho que devo me apresentar… - foi interrompida pela secretária.
- , , podem entrar, por favor. - ela indicou a porta com a mão.
- Muito prazer. - ele estendeu a mão dele e ela retribuiu o cumprimento.
- O prazer é meu. - foi na frente dele e depois de três batidinhas na porta da sala da coordenação, a abriu.
Henry e a garotinha que agora ela sabia que era April estavam sentados lado a lado em cadeirinhas de crianças. April era uma criança linda, de cabelos ruivos e olhos claros como os do pai.
- Oi, . - a abraçou. As duas eram amigas desde a adolescência, se separaram apenas nos anos de faculdade, pois havia estudado em outra cidade.
- Oi, . - ela retribuiu ao abraço. - Senhor . - se cumprimentaram com um aperto de mão. - Sentem-se, por favor. - pediu e eles se sentaram. - Bom, eu chamei vocês aqui por causa de um incidente na aula de artes. April estava usando um material coletivo que tinha o nome do Henry, uma cola especificamente. Ele queria usar e ela não emprestou porque ainda não tinha terminado e então ele deu um tapa nas costas dela. - contou sem rodeios. - Pelo menos foi a versão deles. - ela os indicou com a cabeça e sorriu. - Não foi nada realmente muito grave, April não chorou, mas não podia deixar sem falar com vocês.
- Claro que não, . - falou prontamente. - Henry tem que aprender que existem regras e que vai ser punido por desrespeitá-las.
- Não o puni, . Ele se desculpou, April aceitou as desculpas. Foi apenas uma advertência oral. - ela explicou e concordou com um aceno. - Henry, April, podem vir para cá. - os chamou.
- Oi, papai. - ela veio correndo e o abraçou. O completo oposto de Henry que veio de braços cruzados e uma cara emburrada.
- Oi, Henry. - tentou ganhar a atenção dele.
- Oi. - foi tudo o que disse.
- Oi, April. - estendeu a mão para ela que apertou com um sorriso. - Henry, diga oi para o pai da April. - ele olhou para e já estava se arrependendo daquilo quando ele murmurou um “oi”.
- Nós já conversamos e está tudo resolvido, certo? - olhou para as crianças que concordaram com a cabeça. - Então podem ir. - Henry correu até a porta e a abriu, sumindo da vista da mãe em seguida. - Calma, . É só uma fase. - ela sorriu e respirou fundo.
- Tchau, . - se despediram e saiu da sala. Na recepção ajudava April a guardar as coisas na mochila e os dois saíram de mãos dadas. Era aquilo que ela tinha em mente quando pensava em ser mãe, e não em ter um furacão em casa.
- Mais uma vez, me desculpe. - falou primeiro para e depois repetiu para April, se abaixou para ficar da altura dela. - Me desculpe pelo Henry, ele não fez de propósito.
- Eu já desculpei. - ela sorriu e depois olhou para o pai que sorria para ela. não demorou a sair dali e encontrou o filho no portão, tentando passar pelo senhor Giles.
- Vamos? - pegou na mão dele mesmo a contragosto e foram até o carro. Henry não disse nada por um bom tempo e mesmo que tivesse resolvido tudo na fala, sabia que não podia deixar apenas nisso.
- O que foi que aconteceu na aula de artes, Henry? - olhou-o pelo retrovisor e ele olhava para fora do carro.
- O que a tia falou. - continuou na mesma posição.
- Filho, a gente não consegue as coisas batendo nos outros. - manteve o tom de voz natural, gritar costumava ter o efeito contrário.
- Tinha meu nome na cola, mãe! - ele reclamou e a olhou de volta pelo retrovisor. - Como eu ia saber que era da escola? - cruzou os braços, visivelmente emburrado.
- Mesmo que fosse sua, Henry. Violência nunca é a resposta para se conseguir alguma coisa.
- Tá, tá, eu não vou fazer de novo. - voltou a olhar pela janela e ela respirou fundo. - Para onde a gente está indo? - a olhou novamente.
- Para a casa da tia , ela vai ficar com você hoje à tarde. - explicou esperando a bronca que viria a seguir.
- Mas e o meu futebol? - perguntou desconfiado.
- Talvez você não vá. - disse já estacionando o carro e ele saiu, batendo a porta com força. - Para com isso, Henry! - gritou, pois era impossível correr atrás dele de salto.
Ele devia ter tocado a campainha sem que ela visse, pois abriu a porta do nada e provavelmente tinha ouvido o grito já que olhava assustada para a irmã.
- Oi?! - ela olhou para ele e depois para .
- Você faz de propósito! - ele continuou gritando e só deu de ombros e voltou para a cozinha. o puxou pela mão e o fez sentar no sofá ao seu lado.
- Não estou fazendo nada de propósito. - afrouxou o aperto.
- Está sim, sempre que vou encontrar meu pai você dá um jeito de dar errado. - ele puxou o braço e os cruzou novamente.
- Henry, não sou eu que estou fazendo dar errado, foi o seu pai que disse que não vai poder ir. - tentou explicar, mas ele não via o pai como ele realmente era.
- Mentira! Para de mentir! - ele queria parecer bravo, mas sabia que por trás daquilo era tristeza que ele sentia. - Ele me prometeu que iria me levar a esse jogo. - falou com voz de choro e por mais que aquilo destruísse seu interior ela sabia que precisava ser forte.
- Não é mentira, Henry. Seu pai me ligou hoje de manhã, quando você estava na escola e só disse que não poderia ir. - ele a olhou com lágrimas nos olhos, mas não deixou que nenhuma delas caísse. - Eu sinto muito, filho. - o puxou para um abraço e ele não resistiu. - Vou ver com a sua tia se ela pode te levar, ok? - ele assentiu com a cabeça. - Mas você tem que se comportar e fazer todas as suas tarefas antes do jogo.
- Eu faço tudo, faço agora. - ele pegou a mochila no chão.
- Agora você vai lavar as mãos para almoçar. - disse saindo da cozinha e ele correu para o lavabo.
- Dia difícil? - as duas se abraçaram.
- Tenho medo do que ainda pode acontecer até ele acabar. - confessou e ela riu.

O almoço estava maravilhoso, era ótima cozinheira, completo oposto de que fugia da cozinha sempre que podia. Deixou que Henry visse um pouco de televisão antes de fazer as tarefas para que ela pudesse conversar com a irmã e contar o que havia acontecido.
- Meu Deus, ! Vai se benzer! - riu e apesar de ter falado na brincadeira até considerou.
- Estou precisando mesmo, por que o que mais falta acontecer? - apoiou a cabeça nos braços em cima da mesa.
- Não pensa assim. As coisas vão melhorar. - ela a confortou.
- Me mata ver o fazer isso com ele. Não faço questão de empatia comigo, mas o Henry ainda o vê como herói e ao invés de aproveitar isso ele parece que faz questão de destruir e sobra sempre para mim. - suspirou.
- Infelizmente não tem nada que você possa fazer sobre isso, . Você tem que continuar ao lado do Henry, mesmo que ele tenha essas crises. Aos poucos ele vai entender quem é o pai dele e que não é sua culpa. - sempre acertava nas palavras. - Agora me conta sobre esse cara aí? Ele deve estar morrendo de medo de cruzar seu caminho de novo. - começou a rir.
- Coitado, levava uma vida tranquila em Bray até que cruzou o caminho de Muad. - negou com a cabeça. - Você pode imaginar a bela impressão que passei logo de cara.
- Desde quando você se preocupa com a primeira impressão que passa para alguém? - a olhou desconfiada e logo abriu um sorriso com segundas intenções. - Bonito, interessante ou as duas coisas? - a expressão curiosa tomou conta de seu rosto.
- ! - reclamou tentando mudar de assunto.
- Qual é, , você está divorciada, mas não está morta. Achar alguém bonito não é nada demais. - ela rolou os olhos.
- Você sabe que eu já sou falada por aqui, a última coisa que preciso é que pensem que eu estou dando em cima de um homem de família, porque ele claramente é um. - se levantou para pegar um copo de água.
- Para de fugir e me conta. Não me deixa curiosa. - reclamou e fez uma cara que ninguém conseguia resistir.
- Não precisa apelar para essa carinha aí, eu o achei interessante sim e bonito também. Ele foi tão educado e tão tranquilo que fui pega de surpresa. E ver ele com a filha, nossa… - notou que continuava a encarando, esperando que ela concluísse. - Era tudo que eu queria quando sonhei em me casar e ser mãe. - confessou.
- Não foi falta de conselho, né? Te falei mil vezes para não casar com o primeiro namorado e para não casar com 18 anos, mas você não me ouviu. - ela deu de ombros.
- Ah, . Mas eu estava apaixonada, eu o amava, ele já estava na faculdade, era praticamente tudo o que eu queria com 16 anos, não ia imaginar que ia dar tão errado. - odiava se sentir culpada pelas escolhas que havia tomado.
- , com 16 anos meio mundo te queria na escola. - tentou interromper, mas ela não deixou. - Você sabe que é verdade, não me venha com essas desculpas suas.
- Eu sei que era verdade, que alguns garotos eram interessados em mim, mas era isso que eles eram, garotos! Eu não queria ninguém da minha idade e muito menos mais novo! - reclamou.
- Porque você é preconceituosa! Olha eu e o , ele é mais novo que eu e a gente se dá super bem, estamos juntos há anos e não nos casamos ainda. - não podia discordar.
- Ficar falando disso não vai mudar nada, melhor nem gastar energia com isso. - o tom de voz dela foi de mau humor e ela se arrependeu na mesma hora.
- Deixa de ser amargurada, . Você é nova ainda, fica falando como se fosse o final da vida. - ela não respondeu, sabia que no fundo ela não acreditava que outra pessoa fosse entrar em sua vida. Ainda mais com o Henry e esse temperamento.
- Você tenta levar o Henry no jogo, por favor? A última coisa que preciso é que ele fique com mais raiva de mim. - pegou a bolsa no encosto da cadeira e foi até a sala.
- Pode deixar, . - ela sorriu. - Henry, preparado para ir jogar com a sua tia na arquibancada? - ela falou mais alto chamando a atenção dele.
- Eba! - ele veio correndo e a abraçou. - Você é a melhor! - segurou um riso irônico. Não era nada fácil ser mãe.
- , não vai emburrar. - ela disse quando Henry já estava de volta ao sofá.
- Não estou emburrada. - soltou a típica resposta e acabou rindo com ela. - Ele só me vê com a ruim da história, . É cansativo.
- Você é a mãe dele, . É quem coloca ordem, a tia serve para estragar mesmo. - se despediram e entrou no carro.
- Venho buscar ele depois do jogo. - avisou ao dar partida no carro e seguiu para o trabalho.

- O que aconteceu com o carro? - April perguntou rindo ao vê-lo amassado.
- Te conto se você me contar realmente o que aconteceu na sua aula. - pegou a mochila das costas dela para que ela entrasse no carro.
- Tudo bem. Mas só se a gente tomar sorvete. - ela o olhou da forma que ele não conseguiria dizer não.
- Hoje não é dia do sorvete, April. Só no fim de semana e você sabe. - ele deu partida no carro e voltou a estacionar cerca de quatro quadras dali, num restaurante novo para experimentarem já que estavam um pouco enjoados da comida do outro.
- Mas é que eu estou com tanta vontade. - fez uma carinha triste e ele riu. - Se você me levar lá eu tenho uma surpresa para você.
- Você venceu, vamos logo almoçar que ainda tenho que te deixar em casa antes de resolver isso do carro e voltar para o estúdio. - ela segurou na mão dele para atravessarem a rua e logo entraram no restaurante.

- Pronto, você já ganhou o seu sorvete, agora me conta o que realmente aconteceu na escola. - sempre era uma pessoa tranquila, mas dependendo do que tivesse acontecido providências deveriam ser tomar.
- Aconteceu o que a tia falou, pai. - ela colocou uma colher com sorvete na boca. - Eu estava usando uma cola com o nome dele e ele achou que era a dele, quando ele pediu, eu não entreguei porque eu precisava usar e aí ele bateu nas minhas costas. - levantou a blusa da filha, mas realmente não tinha marca nenhuma ali, talvez não tivesse sido forte.
- Olha, April, eu sei que eu te ensinei a nunca bater e nunca brigar, mas não quero que você deixe os outros fazerem essas coisas com você, ok? - ela assentiu ainda tomando seu sorvete. - Não quero que você comece brigas, mas quero que se defenda se for preciso.
- Não foi culpa dele na verdade. - ela falou depois de um tempo e ele ficou calado esperando o que ela tinha a dizer, mas ela não disse nada.
- April, por que disse que não é culpa dele? Se não foi ele, por que deixou ele levar a culpa? - ela não era uma criança injusta, sabia disso.
- Ele me bateu, mas foi só porque os meninos pegaram no pé dele. - terminou o sorvete antes de continuar. - A gente estava fazendo colagem para os pais na aula de arte e os meninos implicaram com ele, dizendo que ele não tinha pai para entregar a colagem. - cruzou os braços. - Viu, me fez estragar a surpresa. - reclamou, mas tinha um sorriso no rosto.
- Não estraguei nada, eu nem vi e nem sei o que é uma colagem. - ele se fez de desentendido e ela riu alto. - Termina de me contar, April. Você viu os meninos implicando e não fez nada?
- Não, papai. Foi a Lili que me contou depois. Ela me disse que o pai do Henry separou da mãe dele e sumiu. - ela deu de ombros como se não fizesse muito sentido, afinal eles não tinham contato com ninguém que fosse divorciado e ele nunca tinha falado sobre isso com ela. - Ela me disse que Henry ficou com muita raiva e quando eu não emprestei a cola ele acabou me batendo. Por isso eu desculpei ele, eu ia ficar triste se falassem da mamãe assim. - ela abaixou o olhar para o pote de sorvete vazio e sentiu seu peito apertar.
- Eu entendi errado ou tinha uma surpresa para mim? - mudou de assunto.
- Está na minha mochila e ela está no carro. E é a sua vez de contar o que aconteceu com o carro. - ela parecia se divertir muito com a ideia de seu pai ter batido o carro.
- Você está esperando uma super aventura, mas foi uma coisa boba. A mãe do Henry bateu no meu carro quando estava parado no semáforo. - April começou a gargalhar e ele não entendeu o motivo. - Do que você está rindo?
- Do destino. - ela respondeu como uma adulta e duvidava muito que ela soubesse o significado daquilo.
- Destino? - repetiu com a sobrancelha arqueada.
- A Kimmy vive lendo sobre isso. - continuou no tom de pessoa madura. - E falando no telefone também. - talvez fosse hora de procurar outra babá. - Eu a ouvi dizendo que quando coisas inesperadas assim acontecem é o destino. - ela afirmou com a cabeça e segurou um riso.
- E o que é esse destino? - se fez de desentendido.
- Não sei, ela não me contou. - deu de ombros.
- Vamos logo, já enrolamos tempo demais. E não pense que esqueci da minha surpresa. - bagunçou os cabelos da filha.
- Quando você voltar a noite eu te dou. - correu na frente dele, chegando rapidamente no carro.

Durante o caminho até em casa foram cantando as músicas dos desenhos que ela gostava. Kimmy já estava em casa quando chegaram e logo saiu novamente. Durante o caminho se lembrou das palavras dela sobre destino, se lembrou também da batida, de como saiu nervosa e de certa forma perturbada do carro, das coisas que os coleguinhas tinham dito em sala. Talvez ele prestasse mais atenção quando April fosse lhe contar sobre o dia na escola.



Capítulo Dois

- Ué. - Henry estranhou a televisão ter desligado sozinha bem quando o desenho acabou. - Tia ! - gritou e viu que ela estava parada atrás do sofá com o controle na mão. - Ah…
- Você lembra do que sua mãe disse, né? - ele balançou a cabeça concordando com ela. - Tarefa de casa pronta e eu posso te levar ao futebol, então mãos à obra.
Ele se levantou do sofá e foi até a mesa grande que ficava na sala. levou a mochila dele e pegou a agenda conferindo as tarefas.
- Você tem tarefa de matemática e de inglês. - ela pegou o livro de inglês e mostrou as páginas. - Quando acabar essas páginas você tem essa folha de exercícios de matemática.
- Você vai me ajudar? - Henry pegou seu lápis e borracha no estojo.
- Depois que você tentar, se não conseguir aí eu venho te ajudar, combinado? - ele balançou a cabeça de novo.
- Tia , o tio vai me ver jogar? - ela já estava quase saindo da sala, parou e o olhou.
- Vou mandar uma mensagem convidando-o. - pegou o celular assim que ele começou a tarefa.
Henry queria terminar rápido para irem logo ao jogo. E a tarefa não era difícil, afinal ele gostava dessas duas matérias porque eram matérias que ele conseguia entender. Se pegou pensando que se a tarefa fosse de geografia ele provavelmente nem terminaria a tempo de jogar.
Ele guardou todo material e foi logo colocar o uniforme de futebol. Estava terminando de calçar as chuteiras quando apareceu na porta do quarto.
- Você já fez tudo? - ela perguntou, surpresa e ele assenti sorrindo. - Tem um sanduíche esperando você na cozinha. Vai lanchar enquanto eu tomo um banho e aí nós vamos.
- Combinado. - terminou de amarrar e correu para a cozinha.

Chegaram quase na hora do jogo, então Henry correu para o campo para o aquecimento com os outros colegas. O treinador tinha pedido para dar cinco voltas no campo e enquanto corria Henry olhou nas arquibancadas, procurando por seu pai, afinal ele tinha prometido a Henry da última vez que não perderia esse jogo. Mas ele não estava ali. Viu sentada no segundo degrau e correu até lá.
- Eu quero ir embora. - pediu, puxando a mão dela.
- Henry, o jogo nem começou. Como assim? - ela o olhava com a testa franzida.
- Os meninos vão ficar fazendo piadinhas comigo, eu não quero ficar aqui. - tentou puxá-la de novo, mas ela não se levantou.
- Do que você está falando, Henry? - o colocou sentado ao lado dela.
- Os meninos mais velhos ficam falando que eu não tenho pai. - ele cruzou os braços, visivelmente emburrado. - E eu falei que todos iam ver que eu tinha um pai aqui no jogo e agora meu pai não está aqui.
- Hum… Entendi. Mas me conta uma coisa, você veio aqui para mostrar o seu pai ou para jogar futebol? Porque eu tinha a impressão que você realmente gostava de jogar.
- Eu amo futebol! - Henry respondeu de pé.
- Então esquece esses meninos e vai lá jogar, querido. - ela deu um beijo no topo da cabeça dele. - E seu pai pode não estar aqui, mas eles não tem nem uma tia e nem um tio torcendo por eles. - ela piscou daquele jeito que indicava um segredo entre os dois e ele correu de volta para o campo, bem a tempo do início da partida.

- Tio ! - Henry abraçou as pernas dele quando o jogo acabou. - Você viu os meus gols?
- Hey, campeão! Perdi seu primeiro gol, tive que dar uma carona e acabei chegando um pouquinho atrasado, mas sua tia me contou que foi um gol espetacular. - ele olhou para que confirmou com a cabeça.
- Foi mesmo? - Henry olhou sério para saber se ela tinha mentido.
- Claro que foi! Imagina se você não tivesse jogado, seu time não ia ter ganhado. - ele sorriu, achava sua tia muito inteligente. - Agora vamos embora, alguém precisa de um banho urgente. - ela passou a mão pelo nariz dizendo que ele estava fedido e ele a abraçou por pirraça.
- Vamos mesmo, sua mãe não deve demorar a chegar. - destravou o carro e Henry se sentou no banco de trás.
tinha mencionado sem nem mesmo saber tudo que tinha se passado entre os dois, mas o pensamento de Henry foi direto para a mãe e ele se sentiu triste, ela não tinha mentido.
- Você não parece muito feliz para quem ganhou o jogo. - falou com o sobrinho e ele se assustou. Se sentia em um dos seus desenhos onde o vilão adivinhava o que ele estava pensando. - O que foi, hein? - ele cutucou Henry, fazendo cócegas e o mais novo tentava afastar a mão dele.
- Eu deixei a mamãe triste. - Henry falou baixinho, agora olhando para o chão.
- Ah, é? O que aconteceu? - voltou a olhar para frente e Henry olhou pela janela.
- Eu briguei na escola hoje e depois eu briguei com ela.
- Realmente não foi muito legal chamar sua mãe de mentirosa. - sentiu que era hora de defender a irmã e entrou na conversa.
- Eu sei…
- E mesmo assim ela te deixou jogar? - riu e Henry ficou confuso. - Quando eu brigava na escola minha mãe me colocava de castigo.
- Eu vou ficar de castigo? - ele perguntou com medo, afinal só tinha ficado de castigo poucas vezes, em que considerava que tinha deixado a mãe muito triste.
- Eu não sei, Henry. - os dois falaram ao mesmo tempo e riram.
- Se eu pedir desculpas, será que ainda fico de castigo?
- Se desculpar é uma boa ideia. - sorriu para o sobrinho quando saíram do carro.
- E se com esse pedido de desculpas tiver um jantar, hein? - apontou o dedo para Henry. - Que tal me ajudar a fazer o jantar? Aposto que ela iria gostar.
- Sim! Vamos! - ele puxou o tio pela mão para a cozinha.
- E se o tio começasse o jantar enquanto você toma um banho e depois você me ajudasse a fazer uns cupcakes? - deu outra ideia e Henry gostava tanto dos cupcakes dela que não pensou duas vezes antes de concordar.
- Cupcakes! Vamos fazer… - ele contou nos dedos. - Seis cupcakes!
- Por que seis? - perguntou curioso e Henry riu da expressão no rosto dele.
- Um para mim, um para você, um para tia , um para mamãe, um para professora e um para April.
- April, hum? - fez outra expressão e Henry achou ainda mais engraçada.
- Tenho que pedir desculpa para ela também. Eu nem queria ter batido nela, foi sem querer.
- Então vem cá, vamos pegar uma toalha para você. Você tem que estar limpo antes da sua mãe chegar ou ela vai brigar com nós dois. - ele a seguiu.
- Ela não pode brigar com você, você é a irmã mais velha. Se eu tivesse um irmão mais novo ele nunca ia poder brigar comigo.
- Até parece que não conhece a sua mãe. - ela lhe entregou a toalha e saiu do banheiro.
Henry tomou um banho rápido, não gostava de tanto banho num dia só, mas isso só o fez ter que repetir o banho quando entrou no banheiro e viu que ele não estava limpo de verdade. ficou esperando na porta do banheiro para garantir um banho bem tomado. Henry não gostava que as pessoas ficassem esperando ele sair do chuveiro, mas pelo menos o tio não esfregava suas orelhas ou sua cabeça como a sua mãe fazia. Depois que ele conferiu o segundo banho, voltou para a cozinha e Henry se secou e se vestiu sozinho.
- Pronto, tia . - gritou assim que entrou na cozinha e viu ela e se beijando.
Henry achava beijos nojentos e sempre limpava o rosto quando ganhava um. e se soltaram.
- Estava só te esperando. - ela respondeu e apontou para os ingredientes em cima da mesa.
Enquanto ela lia a receita ele ia ajudando, mas ele gostava mesmo era de rechear os bolinhos e também de colocar a cobertura, porque ele sempre podia lamber o que sobrava. O jantar estava quase pronto quando chegou, assim como os cupcakes. E para que ela não visse a surpresa, Henry foi correndo para a entrada, tentando distraí-la e a impedindo de entrar na cozinha.
- Alguém já está de banho tomado. - ela disse ao abraçá-lo.
- Duas vezes. - ele fez uma careta e ela riu.
- E como foi o jogo? - perguntou enquanto era empurrada para o sofá.
- Foi legal, a gente ganhou! - ele contou feliz. - E eu fiz dois gols, mãe! Dois! - pulou no sofá.
- Desce, Henry. - ela o puxou para baixo, o fazendo sentar no sofá de novo. - Não acredito que perdi o seu gol. - ela fez uma cara triste e ele ficou em dúvida se ela realmente estava triste.
- Eu faço mais um no próximo para você. - Henry falou convencido, fazendo graça, mas acabou se lembrando do pai.
- Eu vou cobrar esse gol, hein? - começou a fazer cócegas no filho que ria e tentava escapar das mãos dela.
gritou que o jantar estava pronto e Henry foi correndo lavar as mãos, pois estava morrendo de fome. Aproveitou para tentar ver como os cupcakes tinham ficado depois de prontos, mas já tinha guardado e ele teria que esperar. Henry estava feliz por ver a mãe sorrindo, achava que ela ainda estaria chateada com ele. Mas ainda estava determinado a se desculpar.
A comida de era muito boa e Henry só não comeu mais porque sabia da sobremesa. No entanto, estava com pressa para ir embora e pediu para ele buscar as coisas dele enquanto ela organizava o restante. Logo que Henry voltou para a sala com a mochila, o chamou na cozinha, dizendo que precisava de ajuda. Ela tinha colocado todos os cupcakes em uma bandeja e deixou que ele os levasse para a mesa de jantar.
- Tcharam! - Henry gritou chamando a atenção de todos.
- Tem até sobremesa? - perguntou, surpresa.
- Eu ajudei a tia a fazer, não foi tia? - Henry a olhou, vendo que ela confirmava com a cabeça.
- E esses cupcakes são especiais, não são, Henry? - ela o olhou de volta e ele concordou com a cabeça. Pegou um que tinha cobertura lilás e entregou para a mãe.
- Desculpa, mãe. Eu não briguei de propósito na escola e nem com você. - Henry não tinha o hábito de se desculpar e o fato de ele ter tentando agradá-la e ainda se desculpado tinha levado todo o sentimento negativo para longe e ela o abraçou. - Prometo que não vou brigar mais. - riu. - Tá bom, prometo que vou tentar não brigar mais.
- Acho bom, até porque cupcakes da sua tia não vão te livrar sempre do castigo, mocinho! - ela deu um tapa no bumbum dele e ele saiu correndo.
Henry entregou o bolinho verde para e o rosa para a , porque eles diziam que eram seus padrinhos mágicos. E comeu o dele que era o azul. ajudou a organizar o restante quando ele contou que o vermelho era para a professora e o alaranjado era para April porque combinava com o cabelo dela e que ele também pediria desculpas a elas. disse que ele merecia mais um e entregou um amarelo para ele levar de lanche para a escola no dia seguinte.
Henry dormiu no carro no caminho de volta para casa e só acordou no dia seguinte quando o acordou para ir para a escola. Ele estava gostando da aula, principalmente porque ele tinha acertado o dever de casa e isso sempre o deixava feliz, gostava de aprender as coisas. Mas o que ele queria era que a hora do recreio chegasse logo.
Quando o sinal tocou, ele passou correndo pela mesa de April e pediu para que ela não saísse da sala ainda. Ele sabia que não era legal deixar outras pessoas com vontade de comer alguma coisa, e o cupcake era tão pequeno que ele não queria ter que dividir. Pegou sua lancheira quando todos os outros alunos saíram da sala e fez um sinal para que April o seguisse até a mesa da professora.
- O que foi, Henry? Não quer ir para o recreio? - ela o olhou sorridente.
- Quero sim, mas é que eu tenho uma surpresa. - falou fazendo um suspense enquanto abria sua lancheira.
- Uma surpresa? - April perguntou chegando mais perto dele.
- Esse é para você. - entregou o doce com cobertura vermelha para a professora. - Desculpa por ter brigado na aula ontem.
- Oh, Henry. Você está desculpado! - ela o abraçou. - Muito obrigada pela surpresa!
- De nada. - respondeu saindo do abraço dela.
- Só me prometa que quando tiver um problema aqui na sala você vai falar comigo primeiro. - ela pediu e ele balançou a cabeça concordando.
- E esse é para você. - entregou com cuidado o de April. - Desculpa ter te batido.
- Mas eu já te desculpei ontem. - ela sorriu. - Mas quero comer isso mesmo assim. - ela começou a correr com o bolinho na mão e ele correu atrás dela com o dele.
- Aonde você está indo? - Henry perguntou quando ela passou pelo pátio onde as crianças geralmente ficavam durante o recreio.
- É uma surpresa. - ela respondeu e ele continuou a seguindo.
- Mas aqui é a quadra dos alunos maiores. - Henry comentou quando percebeu onde estava.
- É, mas vem aqui. - April começou a subir os degraus da arquibancada e ele a seguiu. Se sentaram no último, mas de costas para a quadra. - Surpresa! - ela falou alto e ele não entendeu.
- Você vem aqui todo dia no intervalo? - ele achou estranho já que todo mundo passava o intervalo brincando.
- Não, só quando eu era novata e não tinha nenhum amigo. - ela disse dando uma mordida no lanche.
- Mas por que aqui? - Henry a imitou, mordendo um pedaço do próprio bolo.
- Não sei, acho que vim aqui sem querer, mas dá para ver o pátio todo, achei muito legal. - só então ele reparou que realmente dava para ver tudo ali de cima.
- Isso é legal!
- E isso está muito gostoso! - ela sorriu colocando o resto do doce dentro da boca e quando suas bochechas ficaram bem redondas Henry começou a rir. April então empurrou o bolinho dele na direção do seu rosto e seu nariz ficou sujo de amarelo.

- April, quando terminar o seu dever de casa venha aqui. - estava na cozinha e April estava na mesa de trabalho dele.
- Oi! - falou atrás dele tentando assustá-lo.
- Já terminou de estudar? - ele a olhou desconfiado e ela gargalhou.
- Não, mas fiquei curiosa, então estou aqui. - ela fez graça, mas ele estava sério e então ela parou de sorrir.
- Por que você não lanchou na escola hoje? - a olhou com os braços cruzados.
- Mas eu lanchei. - respondeu voltando a sorrir.
- Então posso saber porque a sua lancheira voltou exatamente como eu arrumei hoje de manhã? - ele continuou sério.
- Aaaaah! - exagerou. - É esse o problema. É que eu ganhei um cupcake do Henry hoje, como pedido de desculpa e aí eu lanchei ele. - continuou na mesma posição e com o mesmo olhar. - Estou falando sério! Estava muito bom!
- Vou ter que conversar com a mãe do Henry. A senhorita não pode ficar comendo doces quando quiser. - ele reclamou, mas não estava bravo.
- Pai, se você quer conversar com a mãe do Henry, converse, mas deixe meus doces fora disso. - ela falou e mesmo tendo aberto a boca para dizer algo ele não disse nada. Fechou a boca e sorriu, negando com a cabeça.
- Bela tentativa, April. Mas não vai continuar comendo esse tanto de açúcar.
- Valeu a pena tentar. - ela deu de ombros e voltou a colorir sua tarefa de casa.
Poucos minutos depois foi atrás dela e ficou encostado no portal, esperando que ela o notasse ali.
- Hum, April? - ele a chamou, fazendo-a soltar o lápis de cor e olhá-lo.
- O que foi, pai? - ele puxou a cadeira de rodinhas em que ela estava sentada até ficar de frente para ele que sentou na poltrona.
- Você acha que eu devo conversar com a , digo, a mãe do Henry? - ele perguntou sério e April achou engraçado.
- Não sei, papai. Se você quiser, por que não? - deu de ombros. - Não foi você mesmo que disse quando a gente se mudou para cá que eu deveria conversar com as pessoas e fazer amigos?
- Sim…
- Os únicos adultos que você conhece são nossos vizinhos, os da minha escola e os do seu trabalho. Você também precisa de amigos. - April se sentia bem adulta quando seu pai fazia perguntas assim, mesmo que ela não fizesse ideia do que responder ou porque ele perguntava para ela. - Eu não tenho mamãe, Henry não tem pai, pelo menos não na casa dele, vocês já têm alguma coisa em comum. - ela fez uma cara sapeca.
- Que maldade, April! Você tem mãe sim!
- Eu sei, papai. Você entendeu.
- Vai estudar, vai. - ele empurrou a cadeira de volta para mesa e saiu do quarto de estudos a deixando sozinha.

- Mãe, vamos ver esse filme! - Henry pediu apontando para o cartaz do filme na parede do cinema. - Por favor!
- Hoje não, Henry. - tentou tirá-lo de lá.
- Eu achei que você não estava mais brava comigo. - ele resmungou e cruzou os braços.
- E não estou, Henry. - ela respirou fundo. - Mas eu preciso trabalhar. Outro dia a gente vem.
- Mas, mãe, hoje é domingo! - reclamou. - Domingo não é dia de descansar e fazer o que a gente gosta? O papai sempre falava isso.
- Eu sei, filho. - reprimiu uma careta. Por mais que a desagradasse, ela não gostava de demonstrar o desgosto com relação ao ex na frente dele. - Mas é que eu prometi para a sua tia e o só pode hoje.
- Que droga! - ele xingou.
- O que foi que você disse, Henry? - olhou feio para ele, ele sabia que palavrões não deveriam ser ditos.
- Olha! A April! - ele apontou para a fila do cinema e antes que ela pudesse fazer qualquer coisa ele havia se soltado da mão dela e corrido.
- Henry, volte aqui! - reclamou em vão. Recolocou a bolsa no ombro, passou a mão no cabelo na tentativa de ficar mais apresentável e foi até o lugar da fila em que eles estavam.
- Olá, April! - estendeu a mão para ela, que retribuiu. - Oi, . Tudo bem? - o cumprimentou em seguida.
- Tudo ótimo e vocês? Passeando? - ela voltou a segurar a mão de Henry evitando que ele corresse para algum outro lugar.
- Sim, viemos almoçar e… - Henry a cortou.
- Mãe! Eles vão ver o filme que eu queria. - falou emburrado.
- Filho, eu já te falei que hoje não dá. - repetiu mais séria.
- Deixa eu ver com eles, mãe! Por favor! Eu prometo que me comporto! - já tinha pedido para ele não fazer isso várias vezes, mas ali estava Henry, a deixando mais uma vez em saia justa.
- Deixa, tia! - April pediu também. - Ele pode, né, papai? - ela encarou o pai com uma carinha fofa e sentiu um alívio por ver que não era a única manipulável ali.
- Pode. - respondeu rindo, mas assim que viu a expressão no rosto de ele reconsiderou. - Se a mãe dele disser que ele pode, nós não sabemos o compromisso deles.
- Eu posso, né, mãe? - Henry tentou replicar a cara que April tinha usado com o pai e riu.
- Pode, Henry. Eu dou um jeito. - se deu por vencida.
- Eba! - ele comemorou e juntamente com April correram para a fila da pipoca.
- Tem certeza que não tem problema? - insistiu com . - Eu vou encontrar minha irmã e meu cunhado, estamos planejando os móveis do apartamento novo deles e você não tem nada a ver com isso. - riu fraco ao notar que estava falando demais.
- Não tem problema. - ele riu também. - Eu posso deixá-lo em casa depois, se precisar.
- Não precisa se incomodar, .
- Não é incomodo nenhum, . Nós vamos voltar para casa de qualquer jeito, eu posso deixá-lo. - dois totens de atendimento foram liberados ao mesmo tempo e comprou a entrada de Henry.
- Ah, coloca seu número, por favor! - entregou o celular a ele. - Assim te mando a localização quando estiverem indo.
- Pronto. - ele devolveu o aparelho. - É impressão minha ou você nunca deixou o Henry sair sem você? - tinha um sorriso no rosto.
- Basicamente isso. - ela confessou um pouco sem graça. - Eu sou geralmente a mãe que leva o filho dos outros. Ou era, antes de me divorciar.
- Entendo bem. April nunca saiu sem mim também. Acho que o fato de sermos só nós dois me deixa mais apegado a ela. - ele continuava sorrindo.
- Eles são um aprendizado constante. - caminharam juntos até a fila da pipoca e então ela recebeu uma mensagem de . - Henry, eu já vou. Aqui está um dinheiro para a sua pipoca e caso decidam lanchar depois. - separou algumas notas da carteira. - Você quer ficar com ele ou prefere que o guarde para você?
- Pode entregar para ele. - voltou a encarar os doces através do vidro e entregou a .
- Obrigada mais uma vez! - agradeceu e se despediu dos três.
Andou até o elevador, indo à loja de decoração onde e a esperavam.
- Ih, não me diga que esqueceu o Henry em alguma loja. - a zoou assim que se cumprimentaram.
- Engraçadinha. Estou bem e você? - devolveu irônica e apenas ria das irmãs.
- Eu estou maravilhosa, como sempre.
- E convencida. - tossiu falsamente para encobrir sua fala, o que fez todos rirem.
- Henry encontrou a coleguinha de sala e acabou ficando com eles para ir ao cinema. - não escondeu a frustração.
- A mamãe coruja está triste. Mas veja pelo lado bom, pelo menos vamos poder olhar nossos futuros móveis tranquilamente. - ponderou, os puxando para a loja.
- Ai, quase me esqueci. Preciso mandar uma mensagem para o . - pegou o celular no bolso.
- Mensagem para o , hum? - a olhou sugestivamente.
- Não seja idiota, ele me passou o número dele, mas não tem o meu ainda. Se algo acontecer com o Henry ele vai precisar falar comigo. - justificou mesmo sabendo que não precisava.
- Ué, o Henry está com o e você está aqui? Claramente você está fazendo isso errado.
- Não, eu estou trabalhando e ele está com April e Henry. Agora vamos logo! - foi a vez de puxar a irmã.
- Espere aí. - falou sério, atraindo os olhares das duas. - e April, como meu sócio da gravadora e April a filha dele? - ele continuou encarando as duas.
- Não! - levou a mão à boca. - Eu bati no carro do seu sócio? - fez uma careta e riu mais alto do que antes.
- Isso acaba de ficar ainda melhor. - disse baixo, mas ainda sim audível.
- Como assim? - e questionaram ao mesmo tempo.
- Nada não, estava pensando alto. Vamos? - ela desconversou e entrou na loja.
Passaram quase duas horas dentro da loja, para o tempo passava voando já que era apaixonada no seu trabalho. Tinha montado três versões diferentes para a decoração da nova casa deles no computador, mas incrivelmente eles não conseguiam concordar em um estilo, por isso tinham decidido ir a uma loja, para que eles pudessem ter uma visão mais realista dos ambientes que estavam decorando.
parecia demais com uma criança depois da primeira hora, parecia já ter cansado e queria ir embora, mas voltou a se animar quando falaram da sala de jogos e videogames. Sala essa que provavelmente Henry aprovaria e pôde ver o sorriso no rosto da irmã ao perceber um progresso na sua futura casa. De quando em quando checava o celular para ver se havia mandado alguma coisa, já que o filme não deveria ser tão longo, mas ainda não tinha nem mesmo respondido a mensagem enviada mais cedo.

já estava em casa a algum tempo quando enfim recebeu uma mensagem. dizia que depois do filme tinha levado as crianças para a loja de jogos eletrônicos e só depois tinham lanchado, mas que já estavam pagando o estacionamento e iriam para casa. Mandou a localização do prédio e alguns minutos depois desceu para esperá-lo na portaria.
Agradeceu mais uma vez a ele e se despediu dos dois.
- E aí, como foi o passeio, filho? - perguntou entrando no elevador depois dele.
- Foi tão legal, mãe! - ele tirou um dinheiro do bolso e a entregou. - Aqui o que sobrou. O tio é muito legal, brincou bastante com a gente e disse que vai me chamar da próxima vez! - contou empolgado e ela acabou rindo.
- Que bom! Mas acho que da próxima vez sou eu quem vou levar vocês e seus amigos, que tal? - sugeriu.
- É, você também sabe ser divertida de vez em quando.
- De vez em quando? - ela se fez de ofendida e Henry gargalhou.
- É, quando não está brava ou nervosa. - ele respondeu e saiu correndo para o quarto. foi atrás dele.
- Já que aproveitou bastante o seu dia, agora é banho, pijama e já para cama! - pegou um pijama no armário e colocou na pia do banheiro. - Daqui a pouco venho ver se você já está na cama.



Capítulo 3

Os dias que se seguiram foram tranquilos e isso de certa forma deixava assustada. Henry não estava dando trabalho algum e isso a deixou tão em alerta que mais de uma vez chegou a mandar mensagem para para se certificar que realmente estava tudo certo na escola. Até no trabalho as coisas pareciam estar caminhando melhor, clientes satisfeitos e que não se importavam em pagar os valores orçados para que as casas ficassem como o sonhado, até mesmo no caso de e .
- Mamãe, acho que isso queimou. - Henry apontou para a panela na frente dela e só então ela percebeu como estava longe em pensamentos.
desligou o fogo rapidamente e tirou da panela o macarrão com queijo, evitando as partes grudadas e queimadas.
- Acho que ainda dá para comer. - ela fez uma careta enquanto servia o prato do filho e ele riu. Henry passou o jantar todo sem dizer nada e isso a incomodou, ele não era calado assim.
- Até que estava gostoso. - ele sorriu e levou o prato para a pia, levando o dela em seguida. Ok, agora era oficial, algo estava muito estranho.
- Henry, está tudo bem? - ela perguntou analisando sua expressão, tentando adivinhar o que ele estava escondendo.
- Está sim. - ele respondeu levando um banquinho até a pia para alcançá-la.
- E desde quando você lava a louça sem eu pedir? - o encarou com a sobrancelha erguida. Ele apenas deu de ombros e foi ajudá-lo. - Acho que você está sendo legal assim porque quer me pedir alguma coisa. - ele a olhou surpreso. - Acertei?
- Sim… - ele respondeu baixinho.
- E o que é? - insistiu já um pouco agoniada, nunca tinha presenciado isso.
- Posso passar o final de semana na casa nova do papai? - ele falou de uma vez só, mas ela havia entendido perfeitamente.
havia sido pega desprevenida, várias perguntas surgiram em sua mente de uma vez só. “ tinha uma casa nova?”, “Como Henry sabia disso?”, “Que tipo de monstro ela era por deixar o próprio filho com medo de pedir as coisas?”, “Será que o desgosto dela pelo era tão forte que estava afetando o Henry?”.
- Mãe? - Henry balançava as mãos em frente ao rosto dela. - Eu posso? - ele repetiu a pergunta.
- Precisamos conversar sobre algumas coisas primeiro. O seu pai falou com você? - era óbvio que sim, e não queria admitir que tinha sido pelas suas costas.
- Sim, ele foi na escola ontem na hora do recreio. - ela se controlou para não expressar nada de forma exagerada. - Me contou que mudou para uma casa nova que tem casa na árvore e piscina e perguntou se eu queria passar o final de semana lá. Ele disse que eu posso fazer até minha festa de aniversário lá.
- Opa! Uma coisa de cada vez. - o cortou, não queria continuar pensando que estava comprando Henry na cara dura. - Você quer passar o final de semana com ele? - perguntou cautelosa, já que nas últimas tentativas ele tinha desapontado o filho.
- Quero. Eu sinto saudade dele. - ouvir aquilo causou um aperto no coração dela.
- Tudo bem então, eu vou ligar para o seu pai e combinar com ele. - o sorriso de satisfação no rosto dele causou um aperto ainda maior. - E o aniversário do tio ?
- Ah, eu compro um presente para ele depois! - respondeu com simplicidade e gargalhou. - Posso ligar para o papai? Ele disse que me busca na escola depois da aula amanhã.
- Pelo visto vocês já tem tudo combinado. Ligue e me deixe falar com ele depois. - pediu. Isso não a agradava, e o risco de ele dar outro bolo no filho a deixava ainda mais apreensiva. Mas como e já haviam lhe dito várias vezes, ela sabia que precisava dar a oportunidade e a responsabilidade a de ser o pai de Henry.
- Vou arrumar minha mochila! - ele gritou empolgado e entregou o telefone para a mãe.
- Oi, , como vai? - tentou soar o mais educada possível.
- , tudo bem e com você?
- Melhor impossível. Você realmente vai buscá-lo amanhã na escola? - era melhor deixar tudo esclarecido nos mínimos detalhes.
- Sim, e domingo no final da tarde eu o deixo no seu prédio. Pode ser?
- Sim. Henry ainda não nada muito bem, por favor, fique de olho nele se ele for para a piscina que ele disse que tem aí. - a imagem de numa mansão a incomodava.
- Pode deixar, . Eu ainda sei cuidar de uma criança e por mais que você não acredite eu tenho responsabilidades.
- Não foi isso que eu disse. - tentou se explicar, mas seria em vão. - Vou ajudá-lo a arrumar as coisas então. Até mais. - desligou antes que entrasse em mais uma briga com ele.

Acordou quando sentiu que tinha dormido o suficiente para descansar todo o seu corpo e mente. nem sequer se lembrava da última vez que tivera um fim de semana só para ela, sem ter que se preocupar com horário ou qualquer outra coisa. Saiu do banho e, enquanto escolhia uma roupa, ouviu o celular tocando. Revirou a colcha procurando pelo aparelho até que viu o rosto de na tela.
- Bom dia! - saudou com um bom humor excessivo e raramente presente em sua voz.
- Meu Deus, desculpa, moça, acho que é engano. - a zoou e ela gargalhou. - Inclusive, você sabe que já são duas horas da tarde, né?
- O quê? - tirou o aparelho da orelha e notou que ela estava falando a verdade. - Achei que eu tinha dormido muito, mas não desse tanto.
- Ué, cadê o Henry? Deve estar morrendo de fome, coitado!
- Ele foi para a casa do ontem. - contou já mudando o tom de voz. - Mas não vamos falar disso, né? Qual o motivo dessa ligação? - perguntou sentindo seu estômago dar sinal de vida.
- Vamos falar disso sim, mas realmente em outro momento porque essa ligação tem um motivo mais importante.
- O que foi? - colocou o celular no viva-voz para poder trocar de roupa.
- Preciso de uma roupa nova. - riu alto ironicamente. - É sério, ! Eu não te ligaria se não fosse uma emergência.
- Qual o evento? - perguntou repassando o guarda-roupas dela em sua mente.
- O aniversário do . - ela respondeu num tom de obviedade.
- Fala sério, ! É uma comemoraçãozinha simples pelo que a me falou, você tem tanta roupa bonita… E outra, aposto que o seu irmão não vai nem ligar para a sua roupa. - na verdade estava com preguiça de sair de casa.
- , acorda! Roupa nova para o , tá louca? - ela ficou em silêncio tentando perceber a parte da conversa que tinha perdido. - Eu literalmente acabei de ficar sabendo que o vai na festa do meu irmão e isso sim é uma emergência.
- Ah sim, agora tudo faz sentido. Não sabia que ele tinha voltado a morar aqui.
- Pois é, então vá se arrumar logo. Te encontro no shopping em trinta minutos. - ela a cortou e desligou antes mesmo que pudesse responder alguma coisa.
e eram o clássico casal de irmã e melhor amigo do irmão, que começou com uma paixão platônica adolescente, deixou de ser platônica por um tempo quando eles ficaram no final do último ano dele na escola e depois deixou de ser qualquer coisa quando ele se mudou, ou era o que achava até essa ligação.
Já estava com a bolsa no ombro quando a campainha tocou. Estranhou, pois o porteiro não havia interfonado. Checou as horas no relógio de parede, torcendo para não ser uma visita longa de algum vizinho ou a mataria. Abriu a porta dando de cara com sua irmã.
- Ah, que bom que você está pronta. - disparou assim que a olhou e buscou na memória se tinha marcado algum compromisso e não se lembrava. - Precisamos comprar uma roupa nova para você.
- Qual é o problema de vocês e roupas novas? Eu não estou precisando de nada não. - respondeu trancando a porta. - E você não precisava ter vindo aqui para isso, podia só ter mandado uma mensagem.
- Eu sabia que você daria um jeito de escapar se eu só mandasse uma mensagem. - não estava errada.
- Mas eu ia encontrar a agora... - tentou fugir da irmã. Não queria ser a Barbie dela e menos ainda comprovar o que sua mente dizia que era o objetivo dela.
- Eu sei, já combinei com ela também. - se deu por vencida e entrou no carro dela. Pontualmente se encontraram com na entrada do shopping.

- Pronto, agora que já estou com meu sanduíche em mãos podem me contar qual é o complô. - encarou as duas que a encararam de volta.
- Que complô, ? Você bateu com a cabeça? - tinha cara de desentendida, mas o sorriso discreto no rosto de mostrava que ela não estava tão errada assim. - Eu já te disse, o vai hoje.
- Sim, eu sei. - concordou com a amiga. - É dessa aqui que eu tenho medo. - apontou para a irmã. - O que você aprontou? - mordeu mais um pedaço do almoço.
- Eu não aprontei nada. - se defendeu. - Só fiquei sabendo que o vai e pensei que você poderia causar uma impressão diferente depois de ter batido no carro dele.
- Você transformou o aniversário do em um encontro de casais por acaso, ? - lançou um olhar acusador na direção dela.
- Claro que não! - ela se defendeu mais uma vez. - chamou os amigos dele, isso foi uma coincidência do destino. - ela sorriu. - E outra, ele chamou alguns familiares também.
- Espera aí. - interrompeu a . - Você bateu não foi no carro do pai da April? - apontou para . - Ele é amigo do meu irmão desde quando? - encarou a cunhada. - E o pior, por que eu só estou sabendo agora que você está interessada nele? - cruzou os braços e olhou séria para a amiga.
- Olha só a bagunça que você fez na cabeça dessa pessoa! - reclamou com a irmã. - E sim, é o mesmo , ele é sócio do seu irmão por algum motivo bizarro do universo, é o pai da April e eu não estou interessada nele. - ela explicou, mas a olhou desconfiada. - Eu estou falando sério! A que coloca umas coisas nada a ver na cabeça. - rolou os olhos.
- Ele é novo na cidade, é viúvo, tem uma filha da idade do seu filho e você é solteira. Você precisa aprender a aproveitar as oportunidades que a vida te dá, . - enumerou e deu um gole no refrigerante dela.
- Sou divorciada, é diferente. - pegou o copo de volta.
- E por causa disso você não vai viver nunca mais? - devolveu. - Pelo amor de Deus, . Vou fingir que nem ouvi esse absurdo.
- Alguém sensata. Obrigada! - abraçou de lado.
- Até o traste do refez a vida dele, por que você acha que não tem direito de refazer a sua? - a encarou séria.
- Ele refez a vida dele enquanto ainda estava comigo você quer dizer. - disse um pouco amargurada.
- Indiferente, . Você sabe que não foi isso que eu quis dizer. - odiava quando decidia tratá-la como se fosse sua psicóloga.
- Esquece, . Para a só existe isso de desculpa, ou então que a vida dela no momento só tem espaço para o Henry. - revirou os olhos.
- Credo, com essas caras tristes aí vocês vão me causar indigestão. - tentou descontrair o clima tenso que tinha acabado de se instalar.
- Eu só queria entender por que você acha que não merece as mesmas coisas que qualquer uma de nós merece. - disse, deixando claro que nem tocaria mais naquele assunto.
- E eu não estou mandando você casar com o , nós sabemos tudo o que você passou e como essa cidadezinha pode ser um inferno, mas ele parece ser uma pessoa legal, pode ser um bom amigo, mas você já criou uma barreira em volta de você para ninguém se aproximar. - as palavras de pesaram por saber que ela falava a verdade.
- Agora chega de falar da . - falou. - Termina logo esse sanduíche porque diferentemente de você, eu tenho um homem para impressionar.

Algumas lojas e horas depois todas estavam satisfeitas com as compras tanto das roupas, quanto dos presentes.

- Obrigado por ter vindo e por ficar com ela essa noite, . - agradeceu sua irmã pela décima vez pegando a carteira, o celular e as chaves em cima da mesa. - Prometo que te recompenso amanhã.
- Imagina, . Eu já estava precisando mesmo fazer uma visita a vocês. Vai ser ótimo passar a noite com a April, não é mesmo? - as duas fizeram um hi-five.
- Vai ter festa do pijama! - April gritou empolgada e pulou do sofá para o chão.
- Não vão dormir tarde, hein? - avisou sabendo que nenhuma das duas o obedeceria.
- Claro que não. - falou e deu uma piscadinha discreta para April que tentou segurar um riso.
- Agora vai logo aproveitar a sua festa que nós vamos fazer a nossa. - April tentou lhe empurrar até a porta.
- April, escolhe seu melhor pijama e vai tomando banho que eu já vou. - April lhe deu um beijo e saiu correndo para o próprio quarto. - E você, relaxa e aproveita a sua noite! - o cutucou algumas vezes enquanto falava. - Conheça uma garota, talvez… - sorriu sugestiva. - E nem me venha com esse papo de que não tem cabeça para relacionamento.
- Mas é a verdade. Você é testemunha de que eu tentei duas vezes e não deu certo. - se defendeu.
- E é isso? Duas vezes e nunca mais vai tentar na vida? Não vou nem discutir. - e ela sim o empurrou porta afora. - Divirta-se. - beijou o rosto dele assim como a sobrinha havia feito e fechou a porta logo atrás dele.

Aparentemente só os homens chegavam na hora marcada, essa foi a conclusão de já que por cerca de vinte minutos, , e ele eram os únicos ali. Os três passaram o tempo conversando sobre música, já que todos viviam disso. E então os primos de chegaram juntamente com alguns outros parentes que foram devidamente apresentados e por último a irmã dele que tinha descoberto a pouco tempo que era a psicóloga e coordenadora da escola de April. Logo atrás dela entraram e a noiva de . Até então as três eram as mais produzidas no pub na visão dele.
- Que bom que você já chegou! - sorriu e se sentou ao lado dele depois de cumprimentar a todos.
- Achei que você conhecesse essas pessoas. - disse um pouco confuso.
- E é justamente esse o problema. - fez uma cara engraçada e logo pediu um suco.
- Não, senhorita! - gritou do outro lado da mesa. - Hoje é sua noite de folga, não aceito você bebendo nada que não tenha álcool!
- Mas, … - ela tentou contestar, mas foi uma batalha perdida.
- Traga três do seu melhor drink. - pediu ao garçom.
- Depois não reclamem se tiver uma bêbada para vocês cuidarem. - deu de ombros e sorriu discretamente.
- Então você está de folga? - resolveu puxar assunto depois de alguns segundos de silêncio. era a atração da noite e tinha ido sentar ao lado de assim que ela chegou, pelo que ele entendeu eram amigos de longa data.
- E você também, pelo visto. - ela sorriu.
- Minha irmã veio nos visitar esse final de semana e ela ficou com a April. Fui expulso de casa porque elas teriam uma noite do pijama ou algo assim. - ele fez uma careta involuntária imaginando quando ao invés de sua irmã fossem as amigas dela.
- Henry foi passar o final de semana na casa do pai. - ela declarou sem muito ânimo.
- É por isso que toda hora você olha o celular? - perguntou percebendo logo que não era de sua conta. - Me desculpa, eu…
- Tudo bem. - ela abanou a mão mostrando que não tinha problema. - É sim. É a primeira vez que ele vai para a casa nova do pai e fica o final de semana todo. Fico a todo instante esperando que algo dê errado e ele me ligue para buscá-lo. - declarou.
- Eu acho que vocês dois tinham que se proibir de falar de filhos por essa noite. - colocou a cabeça entre os dois, os assustando. - Cada vez que um falar vai ter que beber. E só por hoje esqueçam que sou a psicóloga da escola dos filhos de vocês.
- Sinto muito, eu estou dirigindo hoje. Nada de álcool para mim. - se livrou.
- Então a vai beber pelos dois, ela está precisando! - deu as costas e os deixou. a olhava atônita ainda e não sabia de onde tinha saído aquilo.
- Como é aquela frase mesmo? - perguntou e fez uma cara confusa. - Dê dinheiro, mas não dê intimidade. Você acha que é sua amiga e olha o que ela faz. - ele riu.
- Mas talvez seja uma boa ideia. Aposto que não consigo ficar tanto tempo assim sem falar nela. - foi a vez de rir.
- Então se controle, meu limite para o álcool diminuiu consideravelmente nos últimos anos! - pediu.
estava achando divertido vê-la como ela estava ali, era como se fosse outra pessoa, uma mais leve, sem tantas cobranças e responsabilidades. Ou talvez fosse o fato de já estar no seu terceiro ou quarto drink.
A noite estava sendo melhor do que ele pensava, não o deixou se sentir deslocado e estava agradecido por isso. Em certo momento ela havia dado a entender que era melhor ficar na companhia dele do que ter que conversar com os outros conhecidos, já que passar por um divórcio em uma cidade pequena como aquela dava dor de cabeça demais. Ele apenas ouviu, não se sentiu no direito de perguntar sobre a vida dela, eventualmente ele acabaria sabendo.
As meninas estavam dançando há algum tempo e tentaram arrastar que já havia negado. Na segunda tentativa, no entanto, ela disse que iria desde que também fosse e aquilo não era bom para ele, já que ele só sabia dançar valsa e outras coisas parecidas, mas nada como música moderna.
No entanto ele não conseguiu dizer não para que já estava de pé, mas assim que ele se levantou um dos garçons entrou carregando uma torta com uma vela em formato de ponto de interrogação em cima e ele nunca se sentiu tão sortudo.
Depois dos parabéns algumas pessoas começaram a se despedir para ir embora e apesar de estar bem agradável, decidiu ir também, afinal tinha certeza que o domingo seria recheado com e April, já que elas tinham planos para um piquenique. No mesmo instante recebeu uma mensagem de .

“April já dormiu, aproveite sua noite!”

“Já estava indo embora.”

Respondeu e desviou o olhar do aparelho ao ver pedindo para ficar mais.

- Vocês ainda vão ficar muito, . Eu realmente estou precisando dormir.
- Mas eu não quero que você vá sozinha. - respondeu preocupada com a amiga.
- Eu posso te dar uma carona se você quiser. - ofereceu e aceitou prontamente.

“Só vou dar uma carona antes.”

Enviou outra mensagem a .

A casa de não era muito longe do pub e no trajeto conversaram sobre algumas músicas que tocavam na rádio, e foi suficiente para se convencer de que ela tinha um bom gosto musical.
- Obrigada pela carona. - ela agradeceu quando ele estacionou em frente à entrada do edifício.
- Sem problemas, te vejo na quarta. - se despediu e já estava com metade do corpo para fora do carro quando o olhou, confusa.
- Quarta? O que tem quarta?
- Reunião para entrega de notas lá na escola. O Henry não te mostrou o bilhete?
- Ele foi direto para a casa do pai dele ontem. - explicou. - Então até quarta. - se despediram e seguiu para casa.
entrou tentando ser o mais silencioso possível, colocou suas coisas na mesa de centro com cuidado, pois não queria acordar April, mas ela o viu passar pelo corredor e o chamou. chegou ao quarto dela logo atrás do irmão.
- Pai, você dançou? - ele segurou o riso, percebendo que ela estava sonhando.
- Não, filha.
- Ah… - ela disse um tanto desapontada. - Sonhei que você e a dançaram juntos. - coçou os olhos.
- Foi um sonho, April. Volte a dormir. - beijou a testa da filha.
- Ela e o Henry podiam ir ao parque amanhã com a gente, né? - ela disse já com os olhos fechados.
- Vou chamá-los. - ajeitou a coberta e tirou o cabelo dela do rosto. Saiu do quarto e fechou a porta.
- como a que acabou de te mandar uma mensagem? - deu um sorriso sugestivo balançando o celular do irmão como uma criança.
- Me dê isso aqui. - pediu estendendo sua mão e ela fez menção de colocar o aparelho ali, mas o puxou de volta.
- Só se me contar quem é ela e o que tem na mensagem! - ela sorriu.
- Larga de ser pentelha, ! Não preciso te contar nada. - respondeu tentando pegar o celular das mãos dela.
- Então por que April está sonhando que vocês dois dançaram? - ergueu as sobrancelhas e conseguiu pegá-lo.
- Porque ela é uma criança e crianças têm imaginação fértil. - respondeu e deu um sorriso falso.
- Aham… - disse irônica. - Leia logo que eu estou curiosa. - ele se deu por vencido e desbloqueou a tela, abrindo o aplicativo em seguida.

“Me avise quando chegar em casa. Morro de medo de acidente!”

- Satisfeita? - perguntou virando o aparelho na direção dela para que ela visse que era a verdade.
- Muito. - assentiu. - Agora me conta quem é ela. - se sentou no sofá e sentou ao lado dele.
- É mãe de um colega da April, chamado Henry.
- E ela é solteira? - perguntou totalmente empolgada.
- É divorciada. - respondeu sem se dar conta, talvez pelo cansaço, de onde ela queria chegar com aquelas perguntas.
- Tá, mas ela tem namorado? - rolou os olhos como se o irmão fosse retardado.
- Não faço ideia. - deu de ombros. - Mas acho que não.
- Ela gosta de você. - declarou simplesmente e se levantou, o deixando sozinho.
- Como é que é? - ele se levantou e a seguiu até a cozinha.
- Ela mandou mensagem pedindo para você avisar quando chegasse em casa. Isso demonstra cuidado.
- E o que uma coisa tem a ver com outra? - negou com a cabeça. - Você é louca!
- Ou você é cego! - ela riu. - Me conta como vocês se conheceram!
- Ela bateu no meu carro. - disse simplesmente.
- Então foi ela! - gritou empolgada.
- Fala baixo! - deu um tapa no braço dela. - Você vai acordar a April.
- E ela estava na festa? - perguntou na mesma empolgação, mas com a voz baixa.
- Sim, , obviamente se eu dei carona a ela. - respondeu um tanto cansado daquela conversa que para ele era sem pé nem cabeça.
- Ai, meu Deus! - ela deu um gritinho animado.
- Você está parecendo que tem a idade da sua sobrinha, será que dá para se comportar como adulta? - implicou com a irmã mais nova.
- Como você não percebe? - ele ficou em silêncio apenas esperando ela terminar de falar. - Ela bateu no seu carro, os filhos de vocês estudam juntos, ela conhece o seu chefe…
- É cunhada dele. - acrescentou não vendo o que ela via de tão genial nisso tudo. - E essa cidade é um ovo, . Não é tão absurdo assim. Aqui não é Londres.
- Então por que você está tão na defensiva? - e foi a pergunta que o pegou desprevenido.
- E-eu… - ele sabia? - Eu estou? - ela apenas assentiu. - Não sei, acho que estou traumatizado por você querer me juntar com as pessoas.
- Eu não quero juntar você com as pessoas. - ela imitou o tom de voz dele. - Eu só acho que você está muito fechado para relacionamentos e que deveria se abrir mais. Se não der certo, pelo menos você ganha uma amiga. April parece gostar dela.
- April gosta de todo mundo.
- E aí está você na defensiva de novo. - e então entendeu o que ela queria dizer.
- Eu só quero que você seja mais leve como era antes. - e para isso ele não tinha uma resposta pronta. - Boa noite! - beijou o rosto dele e o deixou sozinho.
- Boa noite. - desejou e voltou para o sofá.
Se perdeu nos próprios pensamentos imaginando se ele poderia gostar de de alguma outra forma no futuro. Grande parte das vezes sentia que ele nem mesmo sabia como era gostar de alguém depois de tudo. Principalmente considerando as duas últimas tentativas que não deram certo basicamente porque nenhuma das duas entendia que a prioridade da vida dele era April. Com certeza entendia isso. Se pegou com um sorriso no rosto. Talvez não estivesse tão errada quanto ele pensava.

já estava quase pegando no sono quando o celular vibrou ao seu lado na cama. Sorriu vendo as mensagem de .

“Cheguei bem. Desculpa a demora, estava conversando com a minha irmã.”
“April pediu para convidar você e o Henry para o nosso piquenique amanhã!”
Digitou e enviou as respostas.

“Que bom!”
“Poxa! Adoraríamos ir com vocês, mas o Henry só chega no final do dia.”
“Podemos marcar outro depois, o que acha?”

De repente se pegou ansiosa esperando por uma resposta dele. Mas claro que era o só o álcool.

“Uma ótima ideia.”



Capítulo Quatro

acordou quase tão tarde quanto no dia anterior e finalmente se sentia descansada e de bom humor. Colocou um daqueles pratos prontos congelados no micro-ondas e enquanto esperava dar o tempo, ligou a televisão e procurou por um filme. Tinha se dado o direito de um dia inútil, e teve que se policiar para não começar a lavar roupas ou algo do tipo. Levou o estrogonofe agora descongelado para a sala e voltando em seguida com um copo de suco na mão, fez o que sempre proibia Henry de fazer, comer no sofá.
Depois do filme, começou a assistir uma série que estava tendo maratona, era algo de investigação criminal que prendeu a atenção dela de tal forma que ela se assustou com o toque do celular em cima de uma das almofadas. Era uma mensagem de , avisando que já estava a caminho do prédio. Levou as coisas para a pia ainda com a televisão ligada, queria muito saber quem era o culpado daquele crime. Apertou o botão do elevador e ficou vendo ainda da porta o episódio, até o apito do mesmo avisar que ele estava no andar. Trancou a porta do apartamento e desceu, teria que procurar pela reprise depois.
Estava há pouco conversando com o porteiro quando a caminhonete de parou rente à calçada. Henry abriu logo a porta e foi correndo na direção da mãe e lhe deu um abraço muito forte. Aquilo foi suficiente para que ela olhasse para o ex-marido sem o gosto amargo de sempre. estava parado à sua frente e se cumprimentaram com um aperto de mãos.
- Está entregue. - sorriu para o filho, e entregou as duas mochilas dele para .
- Obrigada. - agradeceu verdadeiramente e ele ficou sem ação. - Até mais. - acenou junto a Henry.
- Tchau, papai, obrigado!
Desejaram boa noite ao porteiro novamente e no trajeto do elevador Henry bocejou, seus olhos piscavam miúdos e sabia que ele não demoraria muito a dormir.
- Foi bom, filho? Você se divertiu? - perguntou curiosa quando ele não falou nada.
- Foi sim, mamãe. Nós brincamos bastante, foi bem legal. - bocejou novamente.
- Que bom. - sorriu. - Fiquei morrendo de saudade de você, sabia?
- Eu também fiquei. A Jane ficou tentando ser você, mas ela é muito ruim nisso. - ele fez uma careta e os dois riram juntos.
- Você quer comer alguma coisa? - Henry apenas negou com a cabeça.
- Posso ver um desenho antes de ir para cama? - perguntou já no sofá e com o controle nas mãos.
confirmou com um aceno e levou a mochila de roupas para a área de serviço, separando o que estava limpo do que precisava ser lavado. Aproveitou para lavar as coisas que tinha levado para a pia antes e quando voltou para a sala viu que Henry tinha dormido no sofá. Desligou o aparelho e o carregou até a cama dele, o que era cada dia mais difícil. O cobriu e depositou um beijo na testa dele, saindo do quarto em seguida.
Pegou a outra mochila e tirou a agenda com as tarefas de casa para conferir se ele tinha realmente feito todo o dever, e além das tarefas tinha um comunicado sobre a entrega de notas do terceiro bimestre, que como havia dito, seria na quarta-feira.

A reunião na escola era só às sete da noite, mas usou de desculpa para sair mais cedo do trabalho mesmo assim. Queria tomar um banho e não ter o ar exausto de quem trabalhou o dia todo, afinal de contas a maioria das outras mães não trabalhavam fora e pareciam sempre impecáveis e a última coisa que ela queria era o olhar julgador delas mais uma vez. E também tinha o fator , não queria estar arrumada por ele, mas não faria mal se ele a visse bem.
Passou na casa de , apenas para buscar Henry e seguiram para a escola. Henry não havia comentado nada sobre as notas e também não tinha perguntado, já que logo ela as teria nas mãos. Assim que entraram na escola ele correu para o parquinho, onde outras crianças já corriam e brincavam e ela fez o caminho até a sala dele. Todas as salas estavam com uma pequena fila do lado de fora, pois as professoras atendiam cada pai individualmente.
Havia cinco pessoas na frente de , entre elas, três das mais fofoqueiras da cidade e responsáveis por espalhar tudo sobre a traição de e a consequente separação do casal. Ela respirou fundo e manteve uma expressão serena no rosto, apenas esperando pelo momento em que falariam algo, porque elas nunca conseguiam ficar caladas.
- Oh, . Boa noite! - Margareth disse num falso entusiasmo como se tivesse acabado de notá-la ali.
- Boa noite, Margareth. - devolveu o cumprimento. - Boa noite, meninas. - estendeu o cumprimento às outras duas.
- Que bom que você conseguiu vir. - falou no mesmo tom de antes e a encarou esperando para ver aonde ela queria chegar. - Conciliar trabalho com a vida escolar não é fácil. Matthew mesmo nunca consegue vir nas reuniões escolares, trabalha demais.
- Eu nunca deixei de vir a um evento sequer, Margareth. Consigo me organizar muito bem. - esclareceu mesmo que não houvesse necessidade.
- Menos nos jogos, não é mesmo? - Penélope se intrometeu e mordeu a bochecha para não ser grossa.
- Os jogos são responsabilidade do pai dele. - respondeu na maior cara de paisagem que conseguiu.
- Oh, e como o está? - Margareth voltou a perguntar.
- Fiquei sabendo que ele está morando numa mansão enorme com a nova esposa. - Penélope respondeu.
- Não seja indelicada, Penélope! - Lory a olhou pela primeira vez até então. - É verdade? - perguntou curiosa.
- Eu não saberia dizer.

chegou um pouco mais tarde na escola do que pretendia. Era a primeira entrega de notas dela nessa escola e por não saber se April teria com quem ficar ele havia optado por não levá-la. No entanto, Kimmy o avisou em cima da hora que não poderia ficar de babá naquela noite e então ele teve que esperar a filha tomar banho e lanchar para então irem para a escola.
Logo que reconheceu os amigos no parquinho April saiu correndo sem se importar em deixar o pai para trás. só tinha ido até a sala de aula dela uma única vez, no primeiro dia de aula dela, e não se lembrava ao certo qual era, mas não foi difícil achar, pois logo avistou no final da fila.
Não foi nada difícil também reconhecer as outras três que falavam fazendo questão de chamar a atenção. No primeiro dia de April elas tinham o cercado querendo fazer as boas-vindas e saber bastante da vida dele. A sorte foi que havia ligado bem na hora e pode sair sem falar nada com elas. Ouviu perguntarem de uma pessoa e pela expressão de percebeu como ela estava desconfortável, então se intrometeu.
- ! - as quatro o olharam e ele tentou pensar rápido em alguma coisa para justificar tê-la chamado daquele jeito. - Que bom que te encontrei. O pediu para você ligar para a , ela está tentando falar com você o dia todo e não conseguiu. - inventou alguma coisa que imaginou que ela entenderia que era mentira.
- Nossa, vou ligar agora. - ela deu um sorriso discreto e pegou o celular, virando-se de frente para ele e dando as costas para as três fofoqueiras. - Não atendeu. - deu de ombros e guardou o celular na bolsa de novo.
- Oi, ! - Penélope chegou mais perto e tinha um sorriso tão grande que chegava a assustar.
- O-oi. - ele gaguejou um pouco e segurou o riso pela cara de pânico que ele estava.
- Olha, é a sua vez! - forçou uma simpatia e foi a vez de segurar o riso.
Penélope fechou a cara e deu as costas aos dois, entrando na sala em seguida. respirou fundo, estava aliviado, afinal as outras duas pareciam não estar interessadas na vida dele. Mas foi só fazer menção de falar algo baixo para ele que as duas entregaram seus disfarces deixando claro que queriam escutar tudo.
- E então, como passou de sábado? - perguntou deixando que elas escutassem.
- Bem… - respondeu incerto e ela o olhou feio. Logo entendeu o que ela queria. - Foi uma noite ótima. - disse com entusiasmo.
- Foi mesmo. - ela concordou e se virou discretamente para ver a reação das duas.

Continuaram conversando, até que chegou a vez de entrar e se sentiu desconfortável com a possibilidade de Penélope voltar e querer conversar com ele, mas nada aconteceu. Assim que as três se juntaram, já com os boletins em mãos, elas foram embora. não conhecia nenhum dos outros pais ali e como eles não puxaram assunto, ele também não puxou. Ficou mexendo no celular até que chegasse a vez dele. não demorou a sair, mas, para ele, ela parecia outra pessoa, estava séria e parecia preocupada. Teria falado com ela se não tivesse uma fila atrás dele, então entrou torcendo para que ela ainda estivesse ali quando ele saísse.

- Senhor ! - a professora estendeu a mão e ele retribuiu o cumprimento.
- Como vai? Como foram esses meses para a April? - perguntou um pouco ansioso.
- Estou bem, obrigada. - sorriu simpática. - Foram ótimos! - pegou o boletim de April e lhe entregou. - Como pode ver, ela se saiu muito bem em todas as matérias, em todas as atividades, ela é muito participativa.
- Que bom. - confessou aliviado. - Não sabia como ia ser para ela toda essa mudança.
- Pode ficar tranquilo. Ela só conversa demais às vezes, e aí preciso chamar a atenção. Fora isso ela é uma aluna excelente.
- Fico feliz. Muito obrigado! - repetiram o aperto de mãos e ele saiu andando mais rápido, mas não estava de fora da sala.
Olhou nos dois corredores e não a encontrou, ia buscar April no parquinho quando notou sentada em um dos bancos na entrada, ela ainda estava com a expressão de antes e encarava o que deveria ser o boletim de Henry. Caminhou até lá e se sentou em silêncio, então ela o olhou e sorriu fraco, mas era um sorriso triste.
- O que houve?
- Henry se saiu muito mal em história. - ela passou a mão livre pelo rosto e mostrou as notas dele a . - A professora disse que vai ter uma atividade na semana que vem que pode melhorar essa nota que já foi, mas que ele precisa melhorar muito para as próximas ou vai ficar de recuperação.
- Não fica assim. - falou a primeira coisa que surgiu em sua cabeça. - Ele está com notas boas em todo o restante. É só ele estudar mais e ele vai conseguir.
- O pior é que a culpa nem é dele. - falou e ele a encarou tentando entender. - Eu sempre fui péssima em história, é a única matéria que eu não consigo sentar e ajudar ele, porque eu mesma nunca entendi. Mas ele nunca me falou que não estava entendendo.
- Tive uma ideia. - falou de supetão e se arrependeu no instante seguinte, era a segunda vez nessa noite que ele falava as coisas para sem pensar direito.
- Qual ideia? - ela finalmente parou de olhar o papel e virou o corpo na direção dele.
- E se eu estudasse com ele? - sugeriu.
- Não, . Claro que não. - ela balançou a cabeça negando.
- Eu já estudo com a April normalmente, . Não custa nada eu ajudar o Henry. - mordeu o lábio em sinal de apreensão. - Não precisa decidir agora.
- Também não tenho todo o tempo do mundo, a atividade deles é na semana que vem. - ela suspirou. - Não sei nem como conversar isso com ele sem que ele fique emburrado.
- Isso eu também não sei, mas vocês podem ir lá para casa no sábado, nós estudamos e eles podem brincar depois no quintal.
- Tenho medo de ele focar só na parte do brincar e você gastar seu tempo.
- Relaxa, . Pode ser uma dificuldade em um tópico específico e você está sofrendo. - ela riu.
- Não seria a primeira vez que isso acontece. - confessou. - Vou conversar com o Henry quando chegarmos em casa e eu te aviso. - se levantou e também.
- Tudo bem. - sorriu e a acompanhou até o parquinho. Henry e April foram apostando corrida até os pais.
- Pai, eu ganhei? - ela perguntou.
- Ganhou o quê? - se fez de desentendido.
- A corrida. - ela respondeu como se fosse óbvio.
- Eu nem sabia que era uma corrida, mas acho que deu empate. - ela fez um bico.
- Oi, ! - ela abraçou a cintura de , que retribuiu.
- Oi! - Henry sorriu para , que bagunçou o cabelo dele.
- Eu te aviso. - repetiu, agora dando um abraço em . - Muito obrigada! - agradeceu sincera.
- Não há de quê. - se despediu de Henry, assim como April e então seguiram até o carro.
- E como estão as minhas notas? - April perguntou já dentro do carro.
- Lindas. - respondeu brincando com ela.
- Lindas igual a ? - ela falou e gargalhou em seguida.
- Não sei, você acha? - não entendia porque April parecia gostar tanto de , afinal elas não tinham passado nenhum tempo juntas de verdade.
- Sim. Ela não tem a cara estranha e nem cabelos duros com cheiros esquisitos, tem outras mães que são assim. - April fez uma careta e segurou o riso.
- Espero muito que você nunca tenha falado isso para ninguém, é falta de educação, April. - falou sério.
- Só falei com o Henry. - ela riu. - Mas foi ele que me contou que elas usam coisas no cabelo e eles nem se mexem com o vento, e eu vi que é mesmo verdade. - continuou rindo.

- Henry, você pode vir aqui um pouquinho. - o chamou antes que ele fosse para o quarto.
Ele foi até a sala e se sentou, e colocou o boletim dele em cima da mesa.
- Por que não me contou que estava com dificuldade em história? - manteve o tom calmo.
- Porque eu achei que ela não era grande, mas no dia da prova eu não consegui fazer quase nada.
- E por que eu nunca vi essa prova? - Henry fez uma careta. - Eu não preciso assinar quando tem uma nota baixa?
- Eu não queria que você brigasse… - ele falou com a voz baixinha. - Então eu pedi para o papai assinar.
fechou os olhos para não expressar nenhuma reação ruim na frente do filho, mas ela estava incrédula com o fato de não ter mencionado algo como aquilo. Só não se sentiu pior por perceber que copiar uma assinatura dela nem tinha passado pela cabeça dele.
- Você sabe que não precisa ter medo de eu brigar, a não ser que tenha feito algo errado. Tirar notas baixas não é algo errado, Henry. - ele voltou a olhá-la. - Mas a gente precisa de ajuda quando não está entendendo alguma matéria.
- Mas eu não sou burro! - ele falou mais alto.
- E quem disse isso?
- Ninguém, mas todo mundo que não entende alguma coisa é. - ele explicou do jeito dele.
- Henry, você acha a mamãe burra? - ele balançou a cabeça em não. - Pois é. E tem um tantão de coisas que eu não sei ou que não entendo.
- De verdade? - ele parecia surpreso com aquilo.
- De verdade. História é uma delas, e é por isso que tem uma pessoa que pode te ajudar.
- Quem? - ele perguntou extremamente desconfiado.
- O pai da April.
- Não. - ele me interrompeu.
- Isso não é uma negociação, Henry. A sua professora disse que você tem uma atividade na semana que vem, e o se ofereceu para estudar com você no sábado na casa dele. - viu que ele estava emburrado e fez o que não queria ter feito. - E, se você fizer tudo direitinho, pode brincar depois na casa dele com a April.
- Mas e se ele contar para alguém, mãe? Os meninos da escola vão ficar implicando comigo! - reclamou.
- Eu vou pedir para ele guardar segredo. Combinado? - ele concordou com a cabeça. - Então pode ir colocar seu pijama.

acordou Henry sábado de manhã, pois tinha sugerido que fossem para a casa dele por volta de dez horas. Como meio de recompensar, ela havia combinado que levaria o almoço e ele acabou aceitando. Então depois de deixar Henry lá, ela seguiu para o supermercado e depois para o apartamento, faria uma lasanha.
Quando chegou na casa de , foram direto para a cozinha para colocar a travessa no forno. April e Henry brincavam de desenhar no quintal e a levou para conhecer a casa. A decoração foi a primeira coisa que reparou, afinal ela vivia disso. Os móveis e a maioria da decoração eram em tons de marrom e tinha achado bem bonita.
Estavam passando pelo corredor quando ela notou as várias fotos emolduradas na parede. Iam desde April bebê até algumas que pareciam ser bem recentes. Em muitas delas tinha uma moça que ela deduziu ser a mãe de April, mas uma em especial chamou a atenção dela. Os dois sorriam com a filha no colo lambuzada de bolo de chocolate. encarou a foto por bastante tempo e só percebeu isso quando começou a falar.
- Essa era minha esposa. - explicou o óbvio.
- Ela era linda. - disse com um sorriso, tirando os olhos que com certeza April herdara do pai, todo o restante dela parecia demais com a mãe.
- Era mesmo. - ele concordou também com um sorriso. - Foi um acidente de carro. - continuou mesmo que ela não tivesse falado nada.
- Eu sinto muito. - e quando o clima estava se tornando pesado o forno apitou e as crianças foram correndo atrás dos dois para almoçarem.

April e Henry voltaram a brincar enquanto ajudava a colocar as coisas na lava-louças e conversavam sobre os trabalhos. contou que quando comprou a casa ela já estava decorada, pois os antigos donos não quiseram levar nada antigo para a casa nova e também contou como era o trabalho dele com o , que era bastante diferente do que imaginava. Contou que estava com planos de ficar um tempo com eles no estúdio, e isso ela precisava contar para .

Henry e voltaram para a sala de estudos e April levou para conhecer o quarto dela, que, diferente do restante da casa, era em tons de lilás. April pediu para se sentar na cama e apresentou todas as suas bonecas, guardando uma a uma de volta.
- Você não quer brincar? - ofereceu e ela negou com a cabeça.
- Brincar é coisa de criança, vamos fazer coisas de mulher. - ela falou séria, mas sorria e sorriu em resposta não sabendo o que esperar.
Foi até outro armário e voltou com uma caixinha colorida.
- A tia me deu de presente no dia da festa do pijama, mas não deu tempo de usar. - ela abriu a tampa e colocou os cinco vidrinhos de esmalte nas mãos de . - E o papai não sabe passar em mim. - explicou passando os dedos sobre as unhas pintadas da mais velha.
- E qual desses você quer passar? - April a olhou com um sorriso enorme.
- O cor-de-rosa. - escolheu, colocando todos os outros de volta na caixinha.
Não foi algo que demorou muito, mesmo assim April contou o que estava achando da escola e da cidade nova e também sobre a tia que morava em Londres.
- Quem é ? - ela perguntou enquanto guardava a caixa para que ela não estragasse as unhas.
- Minha irmã.
- Ela está te ligando. - mostrou a tela com o aparelho em mãos.

- Oi, . Tudo bem? - atendeu sob os olhos atentos de April.
- Tudo, . E você?
- Também…
- Passei no seu prédio, mas não tinha ninguém em casa. Onde você está? - foi direta.
- Estou na casa da April. - respondeu e a pequena sorriu. - O Henry veio estudar com o . - explicou antes que a irmã tirasse conclusões precipitadas.
- Uhum… Sei. - falou num tom provocativo e rolou os olhos, fazendo April rir mais ainda.
- Eu estou falando sério. - se defendeu.
- E vai demorar aí ainda? - perguntou curiosa.
- Não sei. Por quê?
- Eu e o estamos querendo ir naquela pizzaria que tem os brinquedos que o Henry adora, íamos convidar vocês para irem também.
- Tudo bem. Te mando uma mensagem mais tarde. - se despediram e desligou.

- , você sabe fazer uma trança? - April perguntou já com suas liguinhas coloridas em mãos.
- Acho que ainda sei. - deu tapinhas na cama para que April se sentasse de costas para ela.
- Tipo a da Elsa? - ela se virou e fez uma careta.
- Não sei se vai ser igual a dela, mas posso tentar. - ela assentiu e voltou a olhar para a frente.
- Você tem mais irmãos? - ela perguntou depois de um tempo.
- Não. Somos só eu e a .
- Quem é mais velha?
- Ela, mas acho que eu pareço mais velha. - ela me olhava pelo espelho e riu.
- Você não parece velha.
- Obrigada! - agradeceu e ficaram em silêncio novamente.
- Eu queria ter uma irmã ou um irmão. - ela voltou a falar quando já terminava a trança.
- Acabei! - falou empolgada torcendo para que ela não voltasse ao assunto anterior, pois não saberia o que dizer a ela. - Vem, deixa eu tirar uma foto para você ver como ficou atrás.
- Ficou tão linda! - ela disse revezando o olhar entre o rosto de e a tela do celular. - Obrigada! - April deu um beijo no rosto dela e então ouviram um pigarro e notaram encostado no portal do quarto dela.
- O que as senhoritas estão aprontando? - ele falou fazendo uma cara engraçada para April que correu para cima da cama e se escondeu atrás de .
- Não deixa ele fazer cócegas em mim, ! Me protege! - ela gritava e ria ao mesmo tempo.
- Vou precisar do meu ajudante. - falou pensativo e Henry apareceu na porta com as mãos preparadas para fazer cócegas também.
- Acho que estamos encurraladas, April! - ela passou os braços e pernas em volta do tronco de .
- Corre! - ela gritou e deixou que elas escapassem.
conseguiu correr mais rápido que Henry e, quando chegaram ao quintal, desceu April de suas costas.
- Acho que agora são só vocês. - disse respirando fundo e apareceu rindo com um copo de água. - Obrigada. - bebeu tudo de uma só vez. - E como foi? - perguntou receosa.
- Ele não é fã da matéria. - ele deixou claro e ela riu. - Mas não é nada de outro mundo também. Acho que ele vai se sair bem na atividade da semana que vem.
- Que bom! - estava aliviada.
- Só um instante, é o . - ele falou e saiu com o telefone no ouvido. E algo na cabeça de dizia que aquela ligação logo após a da não era coincidência.



Capítulo Cinco

- Mãe, é a April e o pai dela. - Henry disse apontando no vidro do banco de trás enquanto estacionava em uma das vagas da pizzaria. - Você sabia? - ela negou e segurou um riso.
- Não, filho, não fui eu quem chamou.
- Mas é legal, porque a gente pode continuar a brincadeira de mais cedo. - ele soltou o cinto de segurança quando ela abriu a porta de trás para ele descer.
- E do que vocês estavam brincando?
- Eu era um pirata e ela estava me ajudando a encontrar o tesouro.
- E o que a April era?
- Existe pirata mulher? - ele a olhou curioso.
- Claro que sim.
- Então ela era uma pirata também. - respondeu olhando April sair do carro. - April! April! - gritou e tentou se soltar da mão de para correr até ela, mas ela segurou mais forte.
- Henry, a gente nunca corre em um estacionamento. Um motorista pode não ver a gente e causar um acidente, certo? - olhou bem nos olhos dele, que apenas concordou com a cabeça e começou a puxá-la.
e April os viram quando Henry a chamou e estavam esperando na calçada.
- Eu deveria ter imaginado que vocês viriam. - ele sorriu ao se cumprimentarem novamente.
- Eu também não sabia que vocês viriam. - quis deixar claro que não tinha sido um plano dela. No entanto se lembrou das palavras de , ela estava fugindo sem nem mesmo ter um motivo para fugir.
- Tia , meu pai desmanchou meu cabelo. - April fez um biquinho.
- Vocês dois correram demais, não tinha como não lavar o cabelo para sair, mocinha. - a olhou e ela riu.
- Você faz de novo depois? - pediu e concordou com um aceno.
- Faço, mas está lindo assim.
- April, você já veio aqui? - Henry a pegou pela mão e foram entrando na frente. - É a melhor pizzaria do mundo todo. Tem o melhor parquinho. - falou entusiasmado.
- Henry. - a mãe o chamou e ele a olhou um pouco impaciente. - Primeiro vamos cumprimentar seus tios, depois você pode ir brincar.
- Ah, é. Tinha esquecido. - ele riu e continuou indo na frente.

tinha se oferecido para levar as crianças ao parquinho e lançou um olhar persuasivo na direção de para que ela fosse junto, afinal não queria que ela ficasse forçando situações entre e ela.
- Eu juro que não é o que você está pensando. - disse assim que Henry e April entraram.
- Ah não? - questionou divertida. - Porque para mim parece que você e o armaram sim para que parecessem dois casais jantando. Mas o não teria essa ideia, ou seja, ele só fez o que você pediu.
- Mas você está errada. Eu e o temos outras intenções com esse jantar. - explicou. - Mas sim, a ideia só surgiu quando soube que você estava na casa dele. Que por sinal, você nem me contou!
- Não foi nada demais, e sabia que se te contasse você veria coisas muito além. - continuou olhando a irmã, esperando-a contar. - Henry está indo mal em história, você sabe como eu sempre fui péssima. E o estava lá na entrega de notas e se ofereceu para estudar com ele, foi só isso.
- E você não pensou em só deixar o Henry e buscar depois? - era só uma provocação de irmã mais velha, mas não conseguia não responder.
- Claro que pensei, só que a filha dele ia ficar sozinha enquanto eles estudavam, não achei justo.
- Eu sinceramente queria que você visse o que eu vejo quando você me conta essas coisas ou quando eu vejo vocês dois juntos, tipo quando entraram aqui. - negou com a cabeça, mas como já estavam chegando na mesa, encerraram o assunto.

tinha pedido um vinho e apesar de não gostar de beber quando dirigia, aceitou uma taça já que insistiu que eles tinham um anúncio a fazer e que precisariam brindar.
- Bom, como vocês dois sabem, nós estamos noivos há algum tempo. - começou a falar calmamente.
- E finalmente marcamos a data do casamento! - soltou tudo de uma vez. - Não aguentava mais não contar isso para as pessoas. - confessou, fazendo os três rirem.
- Parabéns! - e falaram ao mesmo tempo.
- Que seja uma fase ainda melhor na vida de vocês! - desejou e levantou a taça, puxando para o brinde que ela sabia que sua irmã queria.
Somente nesse instante é que se lembrou que seria madrinha, assim como havia sido madrinha do casamento dela e sentiu uma sensação engraçada na barriga ao pensar que ela convidaria para ser o padrinho a entrar com ela.
- Obrigada! - tinha um sorriso enorme no rosto e estava feliz por ela. - Então resolvemos chamar vocês para virem jantar conosco porque queremos convidar April e Henry para serem nossa daminha e nosso pajem.
meio que já esperava algo assim, pois não tinha tantas opções de crianças na família e o sobrinho do ainda era muito pequeno, mas não tinha passado na cabeça dela que convidariam April.
- Claro que sim. - sorriu. - Mas você mesma pode perguntar a ela, . Ela vai adorar.

As pizzas não demoraram a chegar e antes que se levantasse, foi até o parquinho e voltou com as crianças de mãos lavadas.
- . - April chamou e ela a olhou. - O papai disse que você tinha uma coisa legal para me falar, o que é? - tinha um sorriso sapeca no rosto.
- Você sabe que eu vou me casar?
- Sim, o Henry me contou na escola. - e sua resposta pegou a todos de surpresa.
- Então, eu gostaria de te convidar para ser a daminha do casamento. - sorriu.
- De verdade? Verdade mesmo? - ela parecia fascinada com aquelas palavras e imaginou como ela seria uma graça entrando na igreja. - Igual a tia , papai? - se virou para olhá-lo e ele concordou com a cabeça.
April desceu de onde estava sentada e correu até , a abraçando como conseguiu.
- Obrigada! Esse é um dos dias mais felizes da minha vida. - arrancou risos de todos ao voltar a se sentar ao lado de Henry.

estava adorando a noite e a pizzaria. Ele achava companhia dos três bastante agradável, a de principalmente. Sempre que ela estava nos lugares ele sentia uma sensação engraçada, era como se o ambiente ficasse mais leve ou confortável. Tinha sido assim no aniversário do e também na entrega de notas e para um novato e uma cidade pequena, não se sentir deslocado era bom.
April sonhava em ser dama de honra de algum casamento desde que sua tia tinha lhe mostrado fotos de quando ela tinha sido uma e, apesar de não ter certeza nenhuma de como estariam até a data do casamento, não recusaria o convite de . April estava verdadeiramente feliz aquele dia e ele se sentia aliviado pelo fato de ela estar se adaptando tão bem à nova vida.
ficou um pouco alheio às conversas da mesa enquanto April tentava convencê-lo a deixá-la comer algum doce do cardápio. Ele acabou cedendo e acenou para o garçom, fez o pedido de tortinhas de chocolate para ela e Henry. Estava terminando seu pedaço de pizza quando Henry se levantou rapidamente, fazendo um barulho alto por arrastar a cadeira.
- É o papai! - ele disse alto e saiu correndo em direção a um homem que acabava de entrar no restaurante. - Pai! - ele pulou e foi segurado no colo.
Imediatamente sentiu tensa ao seu lado. A postura dela havia mudado e a respiração também.
Então ele teve a certeza de que aquele era o ex-marido que ele já havia ouvido falar porque as pessoas realmente conversavam em Bray. Sabia que se chamava e que era influente, pois era dono de quase metade do comércio da cidade e também que ele havia traído com a mulher que agora era esposa dele, Jane. Ele vestia um blazer por cima de uma camisa social e era como se um ar de superioridade o acompanhasse aonde ele fosse.
Ele se aproximou ainda com Henry em seu colo e a mulher ficou para trás, pelo menos bom senso para isso ela teve. imaginou que para aquela situação seria sempre desconfortável, o sorriso não estava mais no rosto dela e já estava desejando que aquele cara nem tivesse aparecido.
- Olá, . . - cumprimentou os dois com um aceno. - . Oh, você está acompanhada! - falou num tom excessivamente surpreso e ao mesmo tempo descrente.
- . - deu um sorriso falso puramente por educação e estendeu sua mão para cumprimentá-lo. ficou ainda mais tensa.
- Vem, Henry! - April o chamou e quis parabenizar o garçom pelo timing perfeito da sobremesa.
- É para mim? - ele pareceu surpreso e desceu do colo do pai.
- Claro que sim, April não ia comer sozinha. - sorriu para ele que voltou a se sentar.
pigarreou e ainda se perguntava o que ele ainda estava fazendo ali.
- Eu não sabia que você estava saindo com alguém. - insistiu na frente de todos e, para a surpresa de , não discordou dele.
- As únicas coisas que tenho a tratar com você são relacionadas ao Henry, . - sorriu sem mostrar os dentes. - E sua esposa está de esperando. - ela se virou para , ficando de costas para o ex-marido e rolou os olhos, fazendo com que segurasse um riso.
- Ele saiu. - avisou e os dois voltaram a se sentar corretamente.
- , você foi genial! - esticou a mão para um high-five e ele retribuiu mesmo sem entender. - A cara de bosta dele quando você deu a entender que estava acompanhando a foi ótima!
desviou os olhos para baixo, mas sorria.
- Sério, é a coisa mais patética para ex fazer, querer marcar território. Patético. - repetiu.
- Mas ele está com outra, não faz sentido. - parecia tão confuso quanto .
- Amor, homens escrotos nunca vão fazer sentido. - ele apenas deu de ombros.
- Pai, podemos voltar para o parquinho? - April voltou a atrair a atenção dos adultos, ela e Henry já tinham comido o doce todo.
- Vem, vamos lavar essas bocas e eu levo vocês de volta. - se levantou e os dois correram até ela.

Não demoraram a ir embora e no restante do tempo ninguém mencionou a situação com . Henry foi o único a se despedir dele. só percebeu como April estava cansada quando a viu dormindo pelo retrovisor. Não teve coragem de acordá-la e apesar de ela merecer um banho, a carregou direto para a cama. Colocou o pijama com certa dificuldade e a cobriu.
- Boa noite, filha. - beijou sua testa e saiu do quarto.
Olhou-a mais uma vez antes de apagar a luz e puxar a porta. Como não estava com sono, foi para a sala e ligou a televisão, se tivesse sorte encontraria algum filme legal. Tirou o celular do bolso e se surpreendeu com as notificações de ligações perdidas e mensagens.
As ligações eram de , abriu as mensagens antes de retornar a ligação.

“Posso saber o que está fazendo que não atendeu sua linda irmã?”
“Relaxa, não é nada urgente.”

“Fomos a uma pizzaria com o .”
“Nem lembrei de olhar meu celular.”
“Foi mal.”

“Relaxa, já disse que era coisa à toa.”
“A estava lá?”

sabia onde a irmã queria chegar, mas não se importou em respondê-la, afinal ele fazia mesmo coisas por impulso perto de e talvez isso realmente significasse algo.

“Estava.”

“Foi um jantar de casais então?”

Riu sozinho e negou com a cabeça. Era estranho conversar sobre isso com a irmã, mas ao mesmo tempo ele não tinha contato com outra pessoa que se sentisse à vontade assim. não tinha mais contato com quase nenhum amigo antigo.

“Não mesmo!”
“Mas…”

Fez de propósito. Sabia como ficava curiosa fácil.

“Mas o que, ?”
“Conta logo!”

“O ex-marido dela apareceu lá.
E eu meio que dei a entender que ela estava acompanhada.”
“Mas não foi nada demais!”


Acrescentou ou ela criaria mil planos para os dois.

“Se você diz…”

“É sério, .
Ela é uma boa companhia, mas eu não sinto nada além de amizade.”
“Mas o que você queria comigo?”

“Estava pensando de você e April virem passar as férias aqui em Londres. O que acha?”

“Acho que é algo que não consigo pensar agora.”

“Imaginei, por isso falei com meses de antecedência.”
“Preciso ir, minha carona chegou!
Beijos para você e para a minha sobrinha linda!”

estava quase indo dormir e estava saindo de casa. A ideia de não ter ido para Londres lhe soava melhor nesses momentos. Bray era um bom lugar para April crescer.
Voltou para o aplicativo de mensagens e notou que tinham algumas de .

“Espero que tenha chegado bem em casa.”
“Obrigada mais uma vez por hoje.”
“Boa noite!”

“Cheguei sim.
Não precisa agradecer. Não foi nada demais.”
“Boa noite, .”

Outra vez o sorriso bobo estava em seu rosto, mesmo que ele não admitisse, adorava chamá-la pelo apelido.

- Tá bom, April. Eu vou perguntar para o . - riu fraco ao responder a filha pelo telefone. - Termine de fazer a tarefa de casa, daqui a pouco eu chego. Tchau.
- Perguntar o que para mim? - perguntou curioso ao ouvir seu nome na ligação.
- Besteira. - terminou de encher o copo de água. - April só sabe falar do seu casamento agora, falou disso o domingo todo. E ficou brava comigo porque eu não sabia como você e tinham se conhecido.
- Ah. - percebeu que realmente não conversavam sobre outras coisas que não fossem a música mesmo quando não estavam trabalhando.
- Segundo ela eu só posso voltar para a casa hoje depois de saber a história de vocês. - negou com a cabeça e bebeu um gole de água.
- Sua filha é uma graça. - sorriu. - A gente se conheceu em Dublin. - começou a contar e se encostou na bancada da copa. - Não sei se você sabe, mas a organizava eventos, tipo casamento e formaturas. - não sabia. - Mas a empresa não reconhecia o trabalho dela e ela acabou pedindo demissão e como era referência, muitas pessoas queriam o trabalho dela, mesmo por fora da empresa, e ela começou a aceitar propostas. Um dos casamentos que ela organizou foi de um casal bem rico e foi como a gente se conheceu.
estava prestando atenção ao mesmo tempo que pensava o quão diferente era da história do próprio casamento.
- Eu já tinha o estúdio lá em Dublin e esse casal quis que eu indicasse cantores para a cerimônia. E foi basicamente isso.
- Entendido. Poderei voltar para casa hoje. - riu.
- Nessa época me mudar para Bray nem passaria pela minha cabeça. - se lembrou.
- Acho que nem eu sei por que você veio. - sabia que era um estúdio novo quando aceitou a proposta e que tinha nome em Dublin, mas o motivo da mudança nunca tinha sido assunto.
- Na verdade foi por causa da . - ficou surpreso, mas não expressou. - Na época da separação ela ficou muito mal, além de ter sido traída a cidade só sabia falar disso por meses e acabou vindo para cá por um tempo para apoiá-la, ajudar com a mudança e tudo mais. Ela saiu da casa dela no mesmo dia em que descobriu, foi para um hotel com o Henry. - balançou a cabeça percebendo que estava divagando. - acabou aceitando propostas de casamentos aqui e em outras cidades próximas e nosso tempo juntos estava diminuindo muito.
- Você se mudou por ela. - concluiu.
- Não exatamente. - riu. - Vários artistas comentavam como gostariam de um lugar mais tranquilo para compor e bem, Bray é um lugar tranquilo. Achei que valia a pena tentar e desde então tem dado certo.
- E assim nós dois viemos parar numa cidade que nunca imaginamos que moraríamos um dia. - concluiu e deu de ombros.
- Às vezes a vida se encarrega de te levar para o lugar onde você precisa estar. - sentiu um certo impacto com essa frase, mesmo que tenha dito sem outras intenções. - Minha família não estava em Dublin e além disso no início foi muito complicado para o Henry, não me imagino saindo daqui e deixando-o.
- Eu pensei muito antes de aceitar vir para cá. Minha irmã queria muito que tivéssemos ido para Londres morar com ela, mas não quis uma mudança tão brusca na vida da April.
- Ela parece estar gostando daqui. Além de ser uma boa influência para o Henry.
- Está sim, ela se adaptou melhor do que eu esperava.
- Então chega de conversa e vá para casa aproveitar enquanto ela ainda quer a sua companhia. - o empurrou para fora da copa.

tinha revisado o conteúdo de história com Henry todas as noites até o dia da atividade dele e, na opinião dela, ele estava preparado. Esperava que ele se lembrasse de tudo, mas já estava lidando melhor com o fato de que mesmo assim ele podia não conseguir.
Ele não quis comentar muito sobre a atividade, disse apenas que não tinha certeza se não tinha confundido as informações. O que podiam fazer era aguardar a correção.



Capítulo Seis

- Mãe! Mãe! - Henry correu até o portão da escola gritando e balançando o papel em sua mão. - Eu consegui! - soltou a mochila e pulou no colo da mãe, que o segurou com dificuldade.
- Parabéns, filho! Eu sabia que você ia conseguir. - beijou o rosto dele.
- Até ganhei uma estrelinha, olha. - esticou o papel para ela.
- Viu como é bom ter seu esforço recompensado? Você estudou e conseguiu.
- Mas história ainda é chato. - riu puxando sua mochila novamente a caminho do carro.
- Eu sei. - fez uma careta e ele riu mais ainda.
Estavam na metade do caminho quando viu um outdoor divulgando a feira de exposições de Bray e cidades vizinhas. Henry amava ir, mas desde o divórcio ela não tinha ido mais. Do mesmo jeito que era dono de quase metade do comércio da cidade, ele representava metade da feira e ela evitava a todo custo encontrá-lo.
- Eu tive uma ideia. - olhou para o filho no banco de trás quando estavam parados no semáforo.
- Qual ideia? Comer sanduíche? - perguntou piscando repetidamente os olhos, tentando convencê-la.
- Que tal irmos à feira de exposição amanhã? - voltou a olhar para frente e o olhou pelo retrovisor.
- De verdade? - perguntou dando pulinhos sentado. - Eu vou poder ir nos brinquedos?
- Em todos que você quiser.
- E comer tudo o que eu quiser? - ela riu, afinal ele não comia muito.
- Claro. Vai ser o seu dia de comemoração.
- A gente pode convidar o Timothy? - se esticou para alcançar o banco do motorista.
- Eu vou ligar para a avó dele quando a gente chegar em casa e ver se ele pode.
- Eba! A feira é o melhor lugar do mundo.
- Não era a pizzaria? - o provocou.
- Não existe só um melhor lugar do mundo. - se defendeu entrando no elevador.
- Ah… Eu acho que você deveria convidar mais alguém para ir amanhã, não acha? - sugeriu.
Queria que Henry desse valor à ajuda que teve, mas no fundo sabia que queria encontrar novamente. Tinha pensado nele algumas vezes durante a semana, mas nem mensagens haviam trocado. Apesar de lembrar-se constantemente da fala da irmã sobre a possibilidade de existir algo a mais entre eles, estava se forçando a ficar com os pés no chão.
- Quem? - Henry franziu a testa e correu para o sofá.
- Quem te ajudou a estudar.
- Ah, é. A April nunca deve ter ido lá também. Vai ser legal! Você vai ligar para a avó do Tim?
- Vou. - pegou o telefone na bolsa. - Agora vá tomar banho enquanto eu preparo a janta.
A avó de Timothy acabou usando a ligação para desabafar. Os pais do garoto trabalhavam em Liverpool, mas achavam que era melhor para ele crescer na Irlanda. E cada vez as visitas estavam mais escassas e ela estava exausta. Aceitou de bom grado que levasse o seu neto para se divertir um pouco.
- Tudo combinado. - ela sorriu e Henry pulou no sofá. - Quantas vezes eu preciso pedir para você não fazer isso?
- Ops! - pulou uma última vez.
- Anda, pega aqui que já está chamando. - estendeu o celular para ele.
demorou a ouvir o toque do celular, pois o mesmo estava embaixo de uma almofada e o som estava abafado. Leu o nome de na tela e deslizou o dedo na tela.
- Oi? Alô? ? - balançou a cabeça.
Tinha sido pego de surpresa pela ligação já que ela nunca havia ligado e nem mesmo sabia de onde o nervosismo em atender tinha saído e April gargalhando dele não ajudava.
- Não, é o Henry.
- Henry? - imediatamente pensou que algo pudesse ter acontecido. - Está tudo bem?
- Está sim. A mamãe pediu para te ligar e chamar você e a April para ir na feira amanhã. - imediatamente negou com a cabeça, mas ele continuava falando.
- Feira?
- É, de exposição. Espera aí. - entregou o celular para que não sabia onde enfiar a cara.
Sentia seu rosto quente, Henry tinha dado a entender que ela queria convidá-lo, mas pediu para ele ligar, como se ela tivesse vergonha de ela mesma fazer.
- Oi, ! - cumprimentou animada, fingindo o oposto do que sentia.
- Oi, . Que feira é essa?
- Henry não explicou nada direito. - fez uma careta para o filho. - Era para ele ter te contado que tirou nota máxima na atividade de história e que por isso vamos à feira amanhã.
- Sério? Que bom que ele conseguiu!
- Pois é, e a intenção era convidar vocês em agradecimento. Se vocês não tiverem planos, é claro.
- Não temos, mas o que é essa feira?
- Ah, é uma feira de exposição normal, alguns comerciantes levam seus produtos, tanto daqui quanto das cidades vizinhas. Mas a parte boa são as comidas e tem muitos brinquedos.
- Entendi. E que horas vocês vão? Posso dar uma carona se vocês quiserem.
- Não precisa. - negou rápido demais. - Eu combinei de levar mais um colega da escola e vou passar na casa dele. Eu te mando a localização. Vamos às sete.
- Combinado. Até amanhã.
- Até. – desligou e soltou a cabeça no encosto do sofá.
Como tanta coisa podia sair errado em uma ligação? com certeza a mataria se soubesse que ela recusou a carona.
- A te deixa nervoso, a te deixa nervoso… - April cantarolou saltitando pela sala.
- Continua fazendo isso que não te faço o convite que ela ligou para fazer.
- Convite? De quê? - ela segurou as mãos do pai. - Me conta! - pediu sacudindo as mãos dele.
- Uma feira de exposições com brinquedos e comida.
- Eba! A é tão legal.
- Pois trate de se comportar ou não vamos.
April imediatamente se sentou no sofá e voltou a ver o desenho na televisão.

Ainda faltava três horas para saírem de casa, mas enquanto Henry fazia o dever de casa, andava em círculos no próprio quarto analisando cada peça de roupa do guarda-roupa. Nada parecia bom o suficiente e pela primeira vez ela queria ser notada de outra forma por .
Claro que ou ficariam mais do que felizes em ajudá-la nisso, mas ela não estava pronta para a conversa que teriam assim que ela praticamente confessasse seu interesse nele.
- Alô. - Henry atendeu o telefone da mãe que estava na mesa ao lado dele.
- Oi, Henry! Tudo bem?
- Oi, tia ! Tudo, menos a tarefa.
- E falta muito? Tio queria saber se você quer vir jogar videogame com ele hoje à noite.
- Hoje eu não posso, a mamãe vai me levar na feira.
- A feira de exposições? - repetiu alguns tons mais altos devido a surpresa. - Você tem certeza?
- Tenho sim.
- Me deixa falar com ela, querido. - correu até o quarto dela.
- Mãe, a tia quer falar com você. - saiu da mesma forma.
- Oi, .
- , é isso mesmo? Você vai na feira? - perguntou ainda espantada.
- Vou, . - ela riu. - Acho que já passou tempo suficiente, cansei de evitar os lugares que o Henry gosta por causa do . Preciso criar memórias com meu filho antes que seja tarde demais.
- Estou em choque. - riu. - É claro que eu esperava por esse dia, mas achei que ainda ia demorar.
- Achei que o Henry merecia por ter se esforçado em estudar essa semana.
- E ele conseguiu?
- Conseguiu sim, saiu todo feliz da escola ontem.
- Que bom, você deve estar aliviada.
- Bastante.
- Você bem que podia chamar o para ir com vocês, né? - riu fraco e sentou na cama, coçando a cabeça.
- O Henry chamou, em agradecimento pelo dia de estudo.
- E ele vai? - voltou a perguntar animada.
- Acho que sim.
- Meu Deus, o que aconteceu com você essa semana?
- Nada. - riu.
- Tomara que o veja vocês juntos.
- !
- Nem vou te atrapalhar mais, vai lá ficar linda. E me conte tudo depois, ouviu? Tudo!
- Como se eu tivesse outra opção.

A temperatura caiu nas horas que se seguiram e ela logo percebeu que não faria diferença a escolha da roupa, pois ficaria de jaqueta a noite toda. Bray era sempre fria, mas aparentemente uma frente fria tinha chegado. Agasalhou bastante o filho, mesmo sabendo que ele se livraria do casaco quando fosse ao primeiro brinquedo.
costumava ser pontual, mas olhando as horas no painel do carro ela se sentia agoniada. A avó de Timothy tinha repetido toda a conversa que tinham tido ao telefone no dia anterior nos mínimos detalhes e isso fez com que eles demorassem pouco mais de vinte minutos lá. Sentia que parte da agonia podia ter a ver com o fato de se encontrar com , não entendia bem como do nada o fato de pensar nele a deixava inquieta.
- Vamos, meninos. e April estão na fila para comprar fichas para os brinquedos. - disse ao conferir a mensagem recebida.
Segurando a mão dos dois, caminhou até a cabine de fichas. Estava um pouco surpresa com a mudança na feira nesses anos em que ela não tinha frequentado. Parecia mais profissional do que antes, uma melhor organização e muito mais pessoas também.
Não foi difícil encontrá-los, eram os últimos da fila. As crianças se cumprimentaram assim que se viram, do jeito delas e e se abraçaram de lado. April estava maravilhada com tantos brinquedos e tentava convencer os outros dois a irem primeiro no barco do vikings.
- E então, qual brinquedo vai ser? - perguntou encarando os três.
- O barco! - April e Timothy responderam felizes e Henry respondeu sem a menor emoção.
se abaixou na altura do filho.
- Henry, o que nós conversamos sobre isso? - repetiu num tom brando. - Nem sempre seus amigos vão querer as mesmas coisas que você, mas é mais legal ter companhia do que ir sozinho em outro, não acha?
- É. - ele deu de ombros e correu atrás dos outros.
Esperaram pouco tempo e assim que outras crianças desceram, eles puderam subir no brinquedo. Sentaram-se lado a lado e depois que os cintos foram presos, tirou uma foto. O brinquedo começou a se movimentar, aumentando a velocidade aos poucos e e os acompanhavam com os olhos. À medida que balançavam mais alto, os gritos e gargalhadas eram mais altos e os dois acabaram rindo do lado de fora.
- Eu nunca tinha ouvido falar desse lugar. - puxou assunto.
- Não é algo comentado fora da época. - ela confessou. - Eu mesma não vinha há alguns anos. - se condenou, pois não queria tocar no assunto do ex-marido com ele.
- April ficou maravilhada com as luzes e os brinquedos.
- Está mesmo muito bonita esse ano. Henry vem pensando nos brinquedos e nas comidas.
- April já me fez prometer comprar pipoca para ela, viu o carrinho na entrada.
- Antes eram apenas comidas típicas. - contou lembrando das primeiras edições da feira. - Mas a verdade é que cachorro-quente e batata frita combinam muito mais.
- Imagino que atraia gente para o comércio daqui. - comentou enquanto olhava algumas pessoas passando com sacolas nas mãos.
- Ah sim, dá uma movimentada. E geralmente no último dia tem alguma apresentação musical, é o dia mais cheio.
- Quanto tempo dura? - tinha tido a impressão de que era coisa para um final de semana só.
- Geralmente uma semana toda, deve encerrar no próximo sábado.
- Agora é o carrinho bate-bate! - Henry gritou logo que os quatro minutos no barco acabaram.
- Sim! - os outros dois gritaram e correram juntos.
- Estou me perguntando onde April estava guardando essa energia. - balançou a cabeça, achando graça. - Ela nunca tinha comentado desse colega.
Entregaram as fichas e logo cada um escolheu seu carro, de uma cor diferente.
- Timothy mora com a avó, e ela não dirige então ele não sai muito. Eu costumava levá-lo mais para passear com o Henry, mas os pais dele não estavam gostando muito e pediram para eu parar. A avó dele nem participa dos eventos da escola.
- Falando nisso temos outra reunião de pais essa semana? April comentou sobre um aviso na agenda.
- Ah, não é reunião. Nessa época do ano eles reúnem os pais para se dividirem na organização da apresentação de final de semestre.
- E o que nós temos que fazer?
- Depende, eu geralmente fico com a decoração que é o que ninguém quer e posso fazer sozinha. - ela riu. - Ok, isso foi muito antissocial. - ele riu também.
- Bom, conhecendo as outras mães, eu acho que entendo seus motivos. - se virou para o controlador do brinquedo. - Quanto tempo eles ficam nos carrinhos?
- Dez minutos, às vezes mais se não tiver mais ninguém querendo entrar.
- Certo, nós já voltamos. Não libere aqueles três nos carros azul, rosa e amarelo.
- O quê? Onde vamos? - o olhou surpresa quando ele a guiou voltando para a barca.
- Nós vamos brincar. - respondeu entregando algumas fichas ao rapaz da barraca.
- Dardos?! Eu sou horrível nisso! - ela negou com a cabeça.
- Eu também, mas vamos dar umas risadas, pelo menos. - pegou os dardos em cima da bancada e atirou o primeiro. - Comecei bem. - riu ao ver que não acertou o alvo.
- Vamos lá. - pegou os três dardos e mirou. - Eu sou muito boa. - riu ao ver que tinha errado também.
- Segunda tentativa. - mirou e jogou. - Isso! - comemorou.
- Você só ganha o prêmio se acertar o de maior pontuação. - o rapaz avisou.
- Mesmo?
- Sim, se acertar a zona de fora você ganha um dardo extra e se acertar a intermediária você ganha os três dardos de volta.
- Minha vez. - se preparou e errou o segundo. - Achei que ia conseguir.
- É assim mesmo. - sorriu e ela se pegou presa nos olhos dele.
tinha visto aquela barraca logo que chegaram e, por mais brega que pudesse ser, ele tinha gostado da ideia de ganhar um dos bichos de pelúcia para dar para ela. Era um gesto simples, mas ele poderia sondar se havia o mínimo de interesse da parte dela.
- Nós somos muito ruins! - reclamou ao perderem novamente.
- A última vez. - entregou mais fichas e pegou os dardos. E finalmente acertou o alvo.
- Finalmente. - o rapaz fez uma cara de alívio ao recolher os alvos. - Qual prêmio você quer?
- Aquele urso. - apontou para a pelúcia caramelo na prateleira. - Obrigado.
se virou para e pela primeira vez na noite ela teve a impressão de que ele estava sem jeito, o que automaticamente a colocou em alerta, sentia sua respiração pesada e um certo nervosismo.
- É para vo-
- Pai! Para quem é esse urso? - April apareceu com os olhos brilhando e engoliu em seco. Lançou um sorriso sem graça a , que desviou o olhar para o próprio filho.
- Para você, filha.
- Eba! - ela gritou feliz puxando o urso para os próprios braços e ele soltou o ar, disfarçando a frustração.
- Como vocês saíram sem a gente lá? - perguntou a fim de não lidar com o que sentira naquele momento.
- Sei lá. - Henry deu de ombros. - Podemos comer? Eu estou com fome. - passou a mão na barriga.
- Claro. Vamos achar um lugar para sentar. - caminharam até a área das comidas e se sentaram em uma mesa de seis lugares.
Demoraram um pouco até todos escolherem o que queriam comer. April abriu mão da pipoca para comer frango frito quando disse que era sua comida preferida dali, Timothy quis batata frita e e Henry quiseram cachorro quente. deixou com eles na mesa e foi buscar as comidas. Quando se sentou foi buscar bebidas.
Estava voltando para a mesa com os copos de suco quando o viu olhando na direção da mesa. Tinha certeza que era o ex-marido de , a imagem dele na pizzaria ainda estava clara em sua mente. Colocou os copos na mesa e permaneceu atrás de , apoiando as mãos nos ombros dela, esperando que o tal não se aproximasse.
surpreendeu-se com o toque em seus ombros e olhou para cima, encarando docemente, que a encarou de volta. Ela fez um carinho sutil na mão dele com uma das mãos e só quando deu as costas foi que voltou a se sentar.
A noite tinha sido divertida, as crianças foram em mais brinquedos depois de comerem e estavam tão cansados que Timothy e Henry cochilaram no caminho de volta. Depois de colocar o filho na cama, pegou o celular, pensou em mandar uma mensagem para ou , ela estava confusa com o que tinha acontecido e, principalmente, com como ela se sentia. Ela não tinha entendido errado, daria aquele ursinho para ela e ela tinha achado fofo. Tinha ficado decepcionada por não tê-lo ganhado, mas entendia a situação dele e admirava muito a relação com a filha. Suspirou ainda no corredor.
- O que está acontecendo com você, ? - murmurou ao entrar no próprio quarto.

tinha trabalhado bastante a semana toda, mas estava feliz por isso, pois não tinha tido tempo de conversar muito com a irmã e por isso não precisou contar nada sobre o fim de semana. Tinha percebido, depois de tanto analisar a própria vida, que ela precisava agir por si mesma e não pelos conselhos ou indiretas da mais velha. E foi ainda com esse pensamento que ela aceitou o convite para que Henry ficasse na casa dele com April e a babá enquanto os dois iam juntos para a reunião na escola.
Sabia que as fofoqueiras que tanto amavam falar da vida dela não deixariam passar despercebido o fato de os dois chegarem juntos, mas estava disposta a deixar tudo isso de lado e apenas viver o momento.

Depois do dia na feira se sentia mais confuso sobre seus próprios sentimentos. Nem mesmo havia conversado com sobre isso, pois acabaria mais confuso ainda. Não entendia porque sentiu a necessidade de intimidar daquela forma. Aquilo significava que ele tinha sentimentos mais reais do que considerava? Por outro lado April ter impedido que ele desse o urso de pelúcia a ela o fazia pensar se não era um sinal de que aquele não era o caminho.
havia sido muito sutil e não tinha tocado no assunto, nem deixado o clima ficar desconfortável e por mais que não tivessem se falado mais, não houve um dia em que ele não pensasse nela. De certa forma coisas bobas em seu dia o remetiam a ela ou a Henry ou aos dois. E foi pensando neles e na reunião, que ele havia oferecido para irem juntos. Por mensagem. Se sentia um adolescente nervoso enquanto esperava a resposta, pois ao mesmo tempo que não significava nada demais, poderia ser mais um passinho de algo que ele mesmo não sabia explicar.

A reunião aconteceu na mesma sala de aula da entrega de notas. Sentaram-se lado a lado e continuaram conversando enquanto mais pais chegavam. Margareth, Penélope e Lory estavam na frente e de pé, recepcionando a todos, afinal de contas, essa apresentação tinha sido criada ano após ano por causa delas e elas eram responsáveis por toda a organização.
Quando as duas últimas mães chegaram, as três começaram o discurso muito bem ensaiado sobre o quanto elas tinham sido brilhantes e geniais nas ideias para esse ano e de canto pôde ver não só como outras mães rolando os olhos. Acabou segurando o riso, não queria se tornar o centro daquilo ali. E foi então que ambos foram pegos de surpresa quando entrou na sala.
- Desculpe, estou atrasado. - disse com o sorriso galanteador na direção das três e se sentou na primeira cadeira.
- Oh, ! Que bom que pode vir. - Lory piscava repetidamente e fez um som que interpretou como incredulidade, pois era exatamente como ele se sentia.
- Quero ser mais presente na vida do meu filho. - continuou como um pai orgulhoso e olhou na direção da ex-esposa, notando ali em seguida.
- Relaxa, . - murmurou para que ninguém além dela ouvisse, assim que a viu cruzando os braços e virando o rosto.
- Podemos continuar com isso, ainda tenho muito trabalho para hoje. - outra mãe que não conhecia pediu.
- Claro! - Penélope se ajeitou e voltou a falar. - Esse ano vai nos patrocinar, então não precisaremos da vaquinha de sempre.
- Só melhora. - murmurou de volta.
Ela nem estava chateada de fato com ele estar ali ou estar dando o dinheiro, e sim com o fato de que ela não queria se aproximar de outra pessoa sentindo que estava sendo vigiada.
Depois de mais alguns minutos de falas e algumas dúvidas tiradas, começaram a dividir as pessoas com as tarefas e foi exatamente como havia dito a antes. Ninguém queria a decoração e por isso ela aceitava de bom grado. Ele não demorou a se oferecer para fazer parte da decoração e isso foi como um incentivo a que parecia alheio à tudo até ouvir aquilo.
- Eu também vou ajudar na decoração. - disse depressa.
“Ele está marcando território.” Essas haviam sido as palavras de na pizzaria e nesse instante elas ecoavam tanto na cabeça de como na de .
- Tem coisas mais legais, . - Lory voltou a dizer, dando em cima dele descaradamente.
- Já estou acostumado a trabalhar com a . - ela travou o maxilar ao ouvir aquilo, sentia vontade de dar um tapa na cara dele.
- Então tá. - Lory parecia frustrada pelo que percebeu, mas já estava de saco cheio dali e só queria ir embora.
- Então os grupos podem se juntar para se organizar como acharem melhor. - Margareth falou como encerramento e, assim que duas mães se levantaram, fez o mesmo, puxando pelo braço.
- , não vamos nos reunir? - disse num tom fingido.
- Depois a gente combina, não estou me sentindo bem. - mentiu, só queria ir embora.
- Eu posso te levar.
- Não precisa, eu vim com o . - ela sorriu ao ver que ele não esperava aquela resposta. - Até mais.
Andaram em silêncio até saírem da escola.
- Você não está mesmo passando mal, né? - ele perguntou um pouco preocupado.
- Não. - ela sorriu. - Só não queria falar com ele. Nada disso é ele. - entraram no carro e não falou nada, mesmo assim ela continuou. - Sabe quantas vezes ele veio na escola? - não esperou que ele respondesse. - Nenhuma. Em todos esses anos que Henry estuda ele nunca veio e agora ele quer ser prestativo. Não engulo isso. Mas não quero falar disso, desculpa por despejar tudo em você, inclusive.
- Não tem problema, . De verdade.
- Prefiro mil vezes sair com você. - congelou no lugar e ela percebeu que sua frase tinha saído com outro significado. - Digo, buscar os meninos na sua casa e irmos comer alguma coisa. - consertou rapidamente, sentindo o rosto corar.
- Se Kimmy ainda não tiver feito nada para eles comerem, tudo bem.
Claro que preferia que fosse só os dois, só tinham tido um tempo sem os filhos na festa de , mas era ele mesmo que sempre dizia que nunca conhecia alguém que entendia a prioridade na vida dele ser a filha e era exatamente isso que tinha acabado de fazer.
- Nossa, algum acidente feio aconteceu. - comentou, assustada. - Dois carros de bombeiros juntos assim.
- Estão indo para a mesma rua que a gente. - comentou e congelou novamente. Mas dessa vez por um motivo totalmente diferente, conseguia ver sua casa em chamas.
- Aquela é a sua casa? - perguntou alarmada ao perceber o pânico no rosto dele.





Continua...



Nota da autora: Olá, lindezas! O que acharam do capítulo?
Estava tudo indo muito bem, não é? Nada como um incêndio para virar as coisas de cabeça para baixo! Ou seria isso “obra do destino” como April ouviu Kimmy dizer?
Teorias sobre o que acontecerá a seguir?
Beijos e até a o capítulo 7!

Grupo do facebook
Insta da PP



Nota da beta: Ah, meu Deus, eu estava aqui com um sorrisinho no rosto o capítulo inteiro com a aproximação deles de forma tão leve, sentindo vários sentimentos negativos desse escroto do ex marido, mas eu não estava preparada para isso... Lari, você me destruiu com esse final, socorrooo! Continue, pelo amor de Deus! <3

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


comments powered by Disqus