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Última atualização: 25/10/2020

Prólogo

O professor caminhava à frente dos dois, com pressa, sua capa preta esvoaçante parou ao abrir a sala onde ela e Malfoy cumpririam a detenção, adentrando a mesma. Maldita hora que fora bater boca com Draco durante a aula de Poções.
- Agora - disse ele chamando a atenção do par - irei me ausentar até o fim da detenção. Quando eu voltar, espero ver todos os troféus dessa parede brilhando. Quanto mais rápido terminarem, mais rápido poderão sair daqui - disse ríspido - E, por favor, parem de desperdiçar o meu precioso tempo com suas intrigas idiotas.
Severo Snape, então, caminhou até a porta de saída da sala de troféus enquanto os dois alunos ali presentes seguiam ele com seus olhares entediados, vendo o mesmo parar e olhá-los com certo desdém.
- Ah! - sibilou sem ânimo algum - Não tentem usar magia. Acreditem, eu saberei. - finalizou e saiu pela porta.
bufou. Prêmios, troféus, taças, escudos, estátuas e medalhas eram mantidos e exibidos naquela sala. Aquilo levaria uma eternidade. Bom, pelo menos era só aquela parede, poderia ser pior. A garota observava em silêncio o retrato de Brutus Scrimgeour pendurado em uma das paredes, escondendo uma passagem para o corredor do quarto andar, ponderando se valeria a pena atravessar o mesmo correndo e fugir dali. Concluiu que provavelmente seria pega na metade do caminho e ela certamente não poderia ter o luxo de dar mais motivos para Severo Snape odiá-la. Ser uma grifinória e namorada de Harry Potter, O Eleito, já eram motivos demais. , então, levantou irritada e pegou a flanela que estava repousada em cima da grande e amadeirada mesa, jogando-a sobre o garoto, que a olhou de maneira indecifrável.
- Anda logo, Malfoy. Não tenho o dia todo. - dissera ela arrogantemente.
Antes que o loiro pudesse responder, no entanto, a porta abriu novamente revelando a garota com cabelos pretos repicados e expressão dura. Pansy Parkinson. A sonserina fechou a porta atrás de si e olhou cúmplice para Draco, que lhe lançou um olhar malicioso.
- Você faz isso, . - lhe lançou a flanela de volta - Eu tenho outros planos.
, sem acreditar no que acontecia bem a sua frente, arregalou os olhos e piscou algumas vezes.
- Vocês não vão fazer o que eu estou pensando, né?
- Isso não é da sua conta, garota! - Pansy tomou as dores, guinchando em resposta. não respondeu, tornou a limpar o primeiro troféu que via pela frente. Que eles se atracassem então, ela limparia sua parte e saíria, Malfoy que lidasse com Snape depois.
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estava imersa em sua irritação enquanto limpava a primeira prateleira de troféus, no topo de uma escada, quando escutou um barulho curioso vindo do canto da sala. Olhando para trás, pode notar que o menino Malfoy e a sonserina estavam aos beijos, o que, instantaneamente, a fez revirar os olhos enquanto voltava sua atenção para o troféu à sua frente.
Cada vez mais os gemidos de Parkinson preenchiam a sala. Em um misto de raiva e curiosidade, ergueu um pouco mais o troféu que segurava para poder observar pelo reflexo o que o casal fazia ao fundo.
Malfoy trilhava beijos pelo pescoço e colo de Pansy e, enquanto segurava na cintura da garota com uma das mãos, a outra massageava o seio dela através dos primeiros botões abertos na camisa do uniforme.
deixou um suspiro frustrado escapar.
e Harry namoravam desde o final do terceiro ano, talvez por esse motivo o namoro não conseguira evoluir como gostaria. Eram mais amigos do que um casal em si. Raras eram as carícias, os beijos em público e tudo aquilo que casais normais fazem, quem dirá algo além disso... Ela sentia que dia após dia, eles se tornavam cada vez mais distantes e que, pouco a pouco, seu relacionamento ia pelo ralo.
O suspiro da garota, entretanto, despertara algo além de seus pensamentos conflituosos. Draco, ainda dando atenção ao pescoço de Pansy, direcionou seus olhos acinzentados para a taça que a garota segurava.
Malfoy não parou o que estava fazendo. Pelo contrário, continuou e piscou na direção de , sorrindo meio torto por ter seus lábios ocupados demais.
E não desviara o olhar, congelada e um tanto quanto desconfortável pelo que havia acabado de presenciar.
- Mas o quê… - Snape olhou aterrorizado para o casal que se separou em um susto - Que pouca vergonha é essa, senhorita Parkinson?
Pansy teve seu rosto de todas as cores possíveis, enquanto Draco olhava para o professor de maneira impassível. por outro lado, mantinha um sorriso satisfeito enquanto ouvia a bronca que os sonserinos levavam.
- Você ficará responsável pela limpeza das escadarias do segundo andar senhorita Parkinson, enquanto o senhor Malfoy e a senhorita permanecerão aqui, limpando a sala por mais 10 detenções.
- Desculpe professor… - desceu da escada com a sobrancelha arqueada, ela só podia ter escutado errado. Malfoy a encarava, segurando o riso. - O que?
- É isso mesmo, . Ao invés de ir me chamar imediatamente, continuou dando cobertura para os dois, logo, é tão culpada quanto.
- Mas professor…
- Sem mais, quero vocês aqui todas as terças e quintas às 5:30pm. - Snape disse entredentes - Agora terminem de limpar isso!
E então, o professor saiu carregando Pansy pelo braço, deixando e Malfoy a sós. O garoto deu-se por vencido, indo atrás da flanela que tinha deixado pendurada na escada e logo em seguida começando a limpar os troféus do lado oposto onde ela se encontrava.  O silêncio reinou na sala por muitos minutos, até que pode ouvir o riso baixo do garoto. Ela se virou, qualquer suspiro de Draco Malfoy a irritava profundamente.
- Qual a graça? - questionou impaciente.
- Estive pensando…
- Uau, isso é mesmo engraçado. - foi a vez da garota gargalhar.
- Ha ha ha! - Malfoy rolou os olhos, mas logo sua expressão tomava o ar sarcástico e debochado de sempre e agora ele se aproximava dela - Estive pensando em como você pareceu curiosa com o que aconteceu entre Pansy e eu agora pouco…
arregalou os olhos, virando-se da prateleira para encará-lo. Sua expressão era fechada, mas o ar assustado abrigava sua face.
- Como é?
- É, você pareceu bem curiosa… O Potter não faz coisas assim com você?
A ruiva até queria rebater, mas Malfoy não estava errado, Harry não fazia coisa alguma com ela. Mas Malfoy não precisava saber disso. bufou e voltou seu olhar para a prateleira, tornando a limpar um troféu qualquer de quadribol.
- Isso não é da sua conta, Malfoy.
Draco riu abertamente, se aproximou mais ainda dela erguendo o braço entre o pescoço da garota para alcançar a prateleira.
- Sabe… - ele disse baixo, perto do ouvido da garota - Você não deveria se submeter a isso, .
E então, como se o contato entre eles fosse algo rotineiro ou como se nada tivesse acontecido, Malfoy voltou para onde estava anteriormente, e permaneceu calado até que Snape os liberasse. Muito diferente dos pensamentos de , que pareciam ferver como água em chaleira.
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pretendia enviar uma carta para os pais antes de ir para a aula de Aritmancia naquela manhã de quarta-feira, quando se deparou com uma cena que fez seu sangue gelar. Harry e Cho conversavam animadamente na entrada do corujal. A garota parecia bem à vontade na presença dele, já que estava cheia de sorrisos, de toques nos braços, nos ombros… E, por mais errado que fosse, se sentiu dominada pela insegurança e curiosidade, então, discretamente, chegou mais perto e passou a observá-los.
Harry trocava olhares nervosos com Cho, que agora tinha uma expressão pesarosa.  A ruiva tentava afastar os pensamentos negativos, porém, a tensão entre o grifinório e a corvina era quase que como palpável. Pareciam extremamente atraídos um pelo outro. pode observar quando Cho fez a menção de sair - o que a deixou, de certa forma, aliviada - porém, logo seu estômago revirou novamente a perceber que Harry impedira a garota, tocando em seu ombro e a puxando para perto de si em um longo e apertado abraço. Ambos tinham os olhos fechados e assim permaneceram pelo que pareceram horas. Por fim, ao se separarem, a corvina se aproveitou da curta distância para depositar um beijo demorado no rosto de Harry - não tão longe da boca quanto gostaria. - Desacreditada, a garota semicerrou os olhos para enxergar melhor. Só podia ser uma piada! Estava perdendo Harry, ela sentia. Mas não deixaria que isso acontecesse sem antes fazer de tudo ao seu alcance para que o garoto a visse como tudo novamente.

A grifinória saiu dali em passos apressados, pisava forte no chão e seus cabelos voavam com o vento provocado pela rapidez que ela andava. Encontrou Malfoy sentado em uma mureta, na companhia de seus amigos idiotas. bufou parando na frente do garoto, com os braços cruzados.
- Preciso falar com você. - declarou com a voz trêmula, sob os olhares confusos e curiosos de Crabbe e Goyle. - A sós, saiam daqui, AGORA!
Os garotos reclamaram, mas assim que Malfoy assentiu com a cabeça, sinalizando que eles deviam ir, saíram rapidamente. Patéticos… Pensou .
- O que te trás aqui, ? - questionou o sonserino, de maneira ríspida.
- Quero que me ensine tudo o que sabe fazer. - disse ela, de uma vez. Malfoy franziu o cenho em confusão. - Como fez com Pansy na sala de troféus e mais…
Malfoy arregalou os olhos, chocado com o pedido da garota. Ela só podia ter enlouquecido, não é?
- E por que eu faria isso? - ele saltou da mureta, cruzando os braços como ela fazia.
- Porque eu preciso reconquistar o Harry e estou disposta a tudo para isso. - o mediu com o olhar, fechou os olhos e suspirou pesarosa. - Até mesmo dever algo a você.
O garoto gargalhou abertamente. Enquanto ela dizia a si mesma o quanto aquilo tinha sido uma ideia ruim, beirando a loucura. Malfoy tinha que ser tão - ou até mais - louco que ela para aceitar algo como aquilo. E então, quando a garota bufou e virou-se para sair apressada dali e fingir que aquilo nunca tinha acontecido ela ouviu a voz de Draco.
- Ei ! - ela se virou, pronta para ouvir qualquer que fosse a piada que ele contaria - Tá legal, eu te ensino.


Capítulo 1 - Aquele da confiança

Eram 5h30 da tarde e eu caminhava apressadamente para a sala de troféus, onde cumpriria a primeira de minhas detenções, cortesia de Draco. Por falar neste, me sentia nervosa como nunca ao lembrar do acordo que havíamos feito no dia anterior. Não sabia o que seria de mim caso Malfoy estivesse apenas me caçoando e espalhasse o mesmo para alguém ao me ver tão desesperada e submissa a seus ensinamentos. Suspirei ao adentrar o cômodo e ver o loiro sentado em frente ao professor Snape. Agora já era tarde demais, eu tinha que fazer isso.
- Está atrasada, senhorita . - disse Severo - Menos dez pontos para a Grifinória.
- Mas eu não…- me cortou.
- Gostaria de perder mais 5 pontos, garotinha insolente?
Bufei. Não queria nem imaginar a reação dos meus colegas ao perceberem que eu lhe causara mais uma perda naquela semana. Estava me metendo em encrencas demais e, por mais irônico que fosse, a razão de todas elas se sentava bem ao meu lado tentando controlar um sorriso debochado.
- Vocês já conhecem as regras. Limpem tudo, sem magia. - desviou seu olhar ao garoto - Espero não encontrar a senhorita Parkinson aqui novamente, Draco. Odiaria ter que tirar pontos de minha própria casa.
- Seu pedido é uma ordem, professor Snape. - o loiro sibilou sorrindo - Não tem por que se preocupar comigo.
- Suponho que não. Não imaginaria você se envolvendo com . - disse sarcástico me olhando pelo canto dos olhos, o que me fez revirar os meus. Como ele conseguia ser tão desagradável?
Alguns segundos depois, Snape arrastou dramaticamente sua enorme e preta capa até a saída da sala de troféus e, por fim, nos deixou a sós, o que fez meu estômago novamente revirar em nervosismo e ansiedade. Eu mal conseguia acreditar que ainda persistia nessa história. Aulas de sedução com o Draco? Simplesmente o maior inimigo do meu namorado. Era loucura. E se ele fizesse algo para sabotar nossa relação? E se Harry descobrisse? Ele nunca me perdoaria.
- Está tendo dúvidas, ? - disse Draco me olhando de maneira maliciosa. - Pensei que não quisesse perder seu namorado pra uma corvina qualquer.
- Cala a boca, Malfoy. Você não sabe do que está falando. - fechei a expressão. - Tenho certeza da minha decisão.
- Se você diz…
- Ótimo. E então, vai ficar enchendo o meu saco o dia todo ou vai, de fato, me ensinar alguma coisa? - ralhei tentando mudar o assunto.
Pensar em Harry me deixando por Cho parecia extremamente palpável. Como se fosse, de fato, acontecer. E isso me deixava desesperadamente triste.
- Tá, tá. Vamos começar então. - sorriu de canto - Há cinco pilares importantíssimos para a arte da sedução.
- Você viu isso aonde, em um livro ou algo do tipo? - comentei, segurando o riso. Ele me lançou um olhar impaciente e eu ergui as mãos, em sinal de rendição. - Tá, foi mal, pode continuar.
- Como eu ia dizendo… O funcionamento dos cinco é de extrema importância, assim, se qualquer um desses pilares falhar, todo o jogo de sedução pode ser considerado como perdido e, então, poderá dar adeus ao seu namoradinho.
- E quais são esses pilares? - disse tentando ignorar seu comentário idiota, o que o fez alargar mais ainda o sorriso.
- Você não precisa saber de todos agora. Iremos com calma, um por vez, até você estar dominando esse assunto.
- Tudo bem. - concordei.
- O primeiro pilar e também a nossa primeira aula é a Atitude. - esticou seus pés pela mesa. - A atitude é a primeira coisa que se destaca nos sedutores bem sucedidos. Eles são pessoas ativas e que sempre tomam a iniciativa. - completou.
- Assim como quando eu lhe procurei com a proposta de acordo? - questionei.
- Exatamente, você já tem atitude. O que nos leva ao nosso segundo pilar e, consequentemente, tema da aula: Confiança. Para alguém com tanta atitude você não exibe tanta confiança como deveria, . Anda sempre com a cabeça baixa, não olha ninguém nos olhos, não sorri, parece estar sempre estressada e ranzinza… Arriscaria dizer que é filha perdida do Snape, mas até ele tem mais confiança do que você.
- Em nome de Merlin! Aí eu já poderia me atirar da torre de Astronomia! - exclamei desesperada. - E quando foi que você notou isso tudo? - juntei as sobrancelhas.
- Não é algo que passa despercebido, , as pessoas comentam, sabe?
- Isso é uma grande mentira. - disse fechando a cara e cruzando os braços ao redor de meu peito. O garoto riu. - Não sabia que para parecer confiante eu tinha que dormir com um cabide na boca e viver sempre de bem com a vida, Malfoy. - argumentei.
- Viu? Foi só eu falar algo que você não gostou e já provou que meu ponto está certo. - balançou a cabeça negativamente - Tenha calma, afinal, estou aqui para te ajudar, não é? Enfim, continuando o que eu estava tentando dizer… Ninguém parece confiante, as pessoas simplesmente são, .
- E como posso simplesmente ser confiante?
- Seja uma pessoa destemida e que acredita no que tem a oferecer. Simples. - arqueei a sobrancelha como se esperasse por uma resposta melhor - Para isso, vou te ensinar alguns truques básicos, mas que funcionam. Primeira coisa, por Merlin, , sorria mais! Você tem um belo sorriso, creio que não preciso te ensinar isso, então vamos começar com o andar.
Assenti, ainda desconcertada com a fala do loiro. Ele começou a andar pela sala, porém não como fazia habitualmente. Draco tinha o olhar cravado no chão, os ombros curvados e completamente encolhidos, dava passos curtos e apressados, como se estivesse apavorado, incomodado e louco para sair dali.
- Consegue compreender o que estou fazendo aqui? - disse enquanto dava mais uma volta pela sala.
- Está tentando imitar alguém? - questionei confusa. - Parece até o Neville…
- Bravo, , exatamente! Estava imitando o otário do Longbottom. - Draco sorriu, enquanto eu o fuzilava com o olhar. Ele não ia falar mal do meu amigo na minha frente, ia? Visto que ele não se desculparia, eu rolei os olhos impaciente.
- Tá, mas como isso vai influenciar na minha relação com o Harry?
- Acho que percebeu quando imitei o Longbottom… O jeito de andar diz muito sobre as pessoas, . - ele murmurou, era verdade. Parei para pensar o que meu andar dizia sobre mim, certamente não dizia coisas boas, se não obviamente eu não teria pedido a ajuda de Draco Malfoy. - Agora é sua vez, vá até o final da sala e volte. - ordenou.
Fiz o que ele dissera, andando normalmente, mas logo Draco pediu que eu parasse.
- Não sei como você não tem dor nas costas, ou é corcunda... - reclamou, se aproximando de mim.
Draco ergueu uma de suas mãos até minhas costas enquanto a outra repousou sobre meus seios, o susto com o contato inesperado foi inevitável, lancei um olhar enfurecido para o sonserino, que deu de ombros. 
- Se me pediu essas aulas terá que se acostumar com meu toque, .
Prendi a respiração assentindo e logo senti as mãos de Draco empurrando levemente meu ombro para trás com a mão que estava em meus seios e também levando minhas costas para frente com a outra, ajeitando minha postura. Fez o mesmo com o meu quadril e, então, se colocou atrás de mim.
- Não se assuste, eu só quero ajudar. - Ele sussurrou antes de dar um passo para frente e colar nossos corpos. Novamente, prendi minha respiração, desconfortável - Eu vou empurrar com o meu joelho a sua perna, e você vai andar seguindo esse comando. Tudo bem?
Fiz que sim com a cabeça, e então ele pressionou com a própria perna direita a minha e eu segui o comando dando um passo longo e certeiro. As mãos dele novamente me auxiliaram na quebra do quadril e logo eu estava andando por toda a sala rebolando na medida certa. Os murmúrios em aprovação de Draco me faziam acreditar que a lição estava sendo aprendida com êxito, ainda que a proximidade dos nossos corpos fosse desconcertante para nós dois. O leve rebolar que eu, inocentemente, provocava, acabava fazendo Draco se animar sem querer e também com que eu perdesse o ar, isso somado as instruções murmuradas diretamente no meu ouvido não ajudavam. Algum tempo depois, tropecei nos meus próprios pés de nervosismo e ele secou o suor que escorria por sua nuca, então, coincidentemente, achamos melhor nos afastarmos para que eu tentasse sozinha.
Depois da primeira lição, gastamos a última hora limpando os troféus, pois, era graças as detenções que estávamos ali e, infelizmenteainda estávamos longe de nos livrarmos dela.
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No salão comunal da Grifinória, Harry e Ron observavam o placar da pontuação de sua casa, menor do que havia estado antes de descerem para o café.
- Menos 10 pontos? Você só pode estar de brincadeira. - exasperou Rony, indignado. - Se continuarmos perdendo pontos assim, a Sonserina acabará sendo a campeã deste ano.
- Fique tranquilo, ainda podemos recuperar - disse Harry colocando a mão no ombro do amigo - Além do mais, aposto que foi algum primeiranista quebrando o toque de recolher. E não os culpo. Hogwarts ficou bem menos divertida com a presença de Umbridge aqui. - suspirou.
A ruiva, que ouvia a conversa enquanto passava pelo quadro da mulher gorda, adentrando a aconchegante sala comunal, não pode deixar de encolher os ombros por um instante - Sabia que não havia sido os primeiranistas, mas sim ela. Graças a Severo Snape e sua rixa com grifinórios. - mas logo se lembrou da aula de Malfoy.
"A postura do seu andar diz muito sobre quem você é, ".
E, então, arrumou suas costas e caminhou graciosamente até Harry, não esquecendo-se de valorizar seus quadris a cada passo que dava, o que fez com que, pela primeira vez, os alunos que estavam ali notassem sua presença e a acompanhassem com o olhar.
se sentia confiante.
A ruiva se aproximou de Harry, tomando-lhe o ombro de maneira carinhosa, o que fez com que o moreno se virasse em sua direção, arrancando um sorriso apaixonado da garota.
- Ah. Oi, . - sorriu com os lábios fechados. - Como foi a detenção?
- Boa. - sorriu - Digo, péssima, é claro. Pelo menos Malfoy não me encheu o saco. - suspirou ao ver o namorado balançar a cabeça concordando.
- Que bom então.
A garota, numa tentativa de praticar atitude e confiança com o moreno, avançou lentamente em sua direção, a fim de depositar um beijo carinhoso em seus lábios para mostrar que havia sentido falta do mesmo no período em que esteve fora, porém, ao perceber a aproximação da ruiva, Harry deu um passo para o lado, afastando-se da mesma imediatamente.
- , o que está fazendo? Estamos no meio do salão comunal. - indagou - Todos podem nos ver.
A garota murchou instantaneamente. De repente, toda confiança que havia adquirido durante a aula pareceu fugir de seu corpo, como se nunca tivesse passado por ali. Frustrada e envergonhada, passou as mãos pelas suas vestes, alisando as mesmas.
- Oh, sim. Você está certo. - abaixou a cabeça - Me desculpe, Harry. Não irá se repetir.


Capítulo 2 - Aquele da provocação

Suas mãos passeavam pelas minhas costas nuas com certa agressividade, era quase como se ele quisesse, de alguma forma, que nosso corpo se tornasse um só apenas com aquele contato. Seus lábios — agora inchados pela urgência que tinha em nosso beijo — passaram a deixar carícias molhadas pelo meu pescoço, fazendo com que eu vacilasse momentaneamente e deixasse um gemido escapar entre os meus lábios.
— Harry…
— Shhh… Não quero que ninguém nos interrompa. — sussurrou — Hoje eu te farei minha.
Apertei mais ainda minhas pernas, que estavam entrelaçadas na cintura de Harry. Eu podia sentir o volume presente apertando as calças dele, o que gerava certo calor na minha intimidade, desproporcionalmente coberta, enquanto seus lábios desciam para o meu colo. As mãos, que antes apertavam minha cintura, se dirigiram até as minhas coxas, ainda cobertas pela calça, deixando um aperto ali e, logo em seguida, trilhando seu caminho até o meu zíper, abrindo lentamente o mesmo e invadindo o interior de minha calça com sua mão quente. 
— Tão molhada. — arfou enquanto as pontas de seus dedos exploravam minha intimidade por cima da calcinha. 
Remexi meu corpo contra seus dedos, a fim de incentivar seu toque e, então, senti a ansiedade tomar conta de mim quando eles finalmente adentraram minha calcinha de tecido fino. Era incrível como o mínimo contato com ele poderia me enlouquecer. Mas foi só quando Harry começou a massagear minha intimidade, que eu pude sentir a vontade de gemer alto presa em minha garganta. Afinal, não podíamos chamar atenção.
Eu estava tão imersa naquela atmosfera de prazer que mal pude perceber quando ele me deitou, ainda com sua atenção voltada em massagear meu clitóris.
— Quero tentar algo novo com você, … — ele murmurou baixinho, depositando um beijo em minha intimidade e logo em seguida sugando a região devagar. — O que acha?
Contive-me mordendo os lábios e acariciei sua nuca, incentivando-o a continuar. Enquanto cada centímetro de minha parte íntima era explorado, meus dedos se enroscavam cada vez mais em seus cabelos, em uma forma de trazê-lo mais para perto, se é que aquilo era possível. Meus gemidos baixos iam se intensificando na medida que a língua dele fazia seu trabalho. Hora ou outra Potter parava, com um sorriso malicioso murmurando um "shh", fazendo-me gemer em reprovação.
— Não precisa se preocupar, amor… — sorriu maroto — Vou te fazer minha de qualquer maneira, basta você pedir.
— Harry… Por favor. — arfei e pude observar o sorriso crescer no rosto do moreno.
Eu me sentia desejada, como nunca antes ao notar o olhar que meu namorado lançava sobre meu corpo. Harry Potter me queria e, nessa noite, ele teria tudo de mim.

— Harry. — gemi.
… — sussurrou — Acorda, .
Abri os olhos assustada, meu pijama estava colado ao meu corpo devido ao suor e minha respiração era ofegante. Pisquei algumas vezes até minha visão se adaptar a claridade antes desconhecida e só então pude notar um par de olhos curiosos me observando.
, o que… — Hermione me encarava encabulada e nitidamente assustada.
— E-eu tive um pesadelo.
— Um pesadelo intenso, eu diria… — minha amiga agora tinha a voz carregada de escárnio.
Godric, será que eu havia verbalizado toda aquela agonia alto demais?
— Ande, se apresse, os meninos estão nos esperando para tomarmos café. — disse balançando a cabeça rindo enquanto se virava para o espelho ajeitando sua gravata.
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— Por que demoraram tanto?
Andávamos em um quarteto em direção ao salão principal, Rony estava levemente impaciente pela espera. Afinal, digamos que quando se trata de comida, Ronald Weasley não é uma pessoa um tanto que amigável. Harry, no entanto, estava com uma expressão serena — bem diferente daquela que tivera no meu sonho naquela manhã — e caminhava silenciosamente, prestando atenção apenas quando algum de nós passava a falar.
teve um… Pesadelo. — Hermione me olhou cúmplice, segurando um risinho.
— O subconsciente da gente é engraçado, né… Pareceu tão real. — murmurei, sorrindo fraco, com as bochechas ligeiramente coradas. — Bem que podia, aliás.
— Você quer que um pesadelo seja real? — Rony questionou, confuso.
— Às vezes até os pesadelos são melhores que a realidade. — dei de ombros, abaixando a cabeça. Mas nem aquilo parecia surtir efeito no meu namorado, pelo contrário, ele parecia completamente alheio a minha presença ali.
Ultimamente, era sempre assim: ele me tratava de maneira fria na maior parte das vezes, não percebia e quando percebia, ainda assim, algo em mim dizia que aquilo não partia dele. Às vezes um toque de Hermione ou de Rony bastavam para que ele viesse me pedir desculpas. E então, ele tentava me dar mais atenção por um dia, mas no outro tudo voltava ao “normal.
Adentramos o salão, indo em direção a mesa da Grifinória, quando Cho Chang passou por nós, sorrindo em direção a Harry. Céus, ela não tinha nem a decência de disfarçar?
— Bom dia, Harry. — acenou a corvina — Nos vemos mais tarde?
— Ahn, b-bom dia, Cho. — sorriu abertamente — Claro, espero por você.
A corvina apenas retribuiu o sorriso e voltou a trilhar o caminho até a mesa de sua casa. Patético. Será mesmo que ela era cega ao ponto de só ver o Harry aqui? Ou pior, será que ele realmente não percebia que eu estava vendo a forma com a qual eles se olhavam? Alheia em meus pensamentos, fui tirada de minha frustração apenas quando vi o dono dos cabelos platinados adentrando o Salão Principal, o que levou meus pensamentos automaticamente para o compromisso que tínhamos pela tarde.
— É uma pena que não possa participar da AD hoje, . — disse Hermione.
— Ahn?
— Hoje é quinta-feira. — lembrou-me — Terá que passar a tarde com o asqueroso do Draco, lembra?
— Ah, sim. Uma pena. — murmurei sem dar muita atenção. 
O garoto seguiu seu caminho para a mesa da Sonserina, enquanto era acompanhado pelo meu olhar. A postura de Malfoy demonstrava confiança, sarcasmo e um certo ar de superioridade, como se ele soubesse que, enquanto estivesse ali, ninguém mais importava. Por um instante, acabei me perdendo nas memórias da aula passada e pude jurar que em certa fração de segundos, senti meu corpo se arrepiar ao lembrar do toque de Draco em minhas costas e o calor de seu corpo próximo ao meu. Chacoalhei a cabeça tentando me livrar dos pensamentos. O que diabos estava pensando? Ele era Draco Malfoy, meu inimigo e um completo babaca. E eu tinha Harry que, apesar de distante agora, continuava sendo meu namorado e meu melhor amigo. E era ele quem eu queria.
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— A aula de hoje é sobre atração e provocação. — Malfoy dizia enquanto andava pela sala de troféus gesticulando com as mãos conforme falava, já tinha reparado que aquele era um hábito comum dele — É como se fosse uma sequência, : a provocação leva a atração, que leva a sedução e então ao sex… — pigarreou interrompendo-se — E, bem, assim sucessivamente. Agora me conta, como foi o processo com o Potter até vocês começarem a namorar?
— Nós dois confessamos que gostávamos um do outro e bem… Começamos a namorar. — dei de ombros, Malfoy fez um sinal para que eu prosseguisse e eu o encarei confusa. — Que é, inferno? Foi isso.
— Não teve uma troca de olhares, sorrisos… Mordidinha no lábio? — Draco arriscou.
— Até teve, eu acho, mas nós já éramos amigos então isso tudo era meio estranho no começo, e tínhamos treze anos, o que esperava?
— Tanto faz, vamos começar. — Malfoy deu de ombros. — A atração é parte vital da arte da sedução, . Uma pessoa pode ser bonita, mas não ser atraente, entende?
— Não? — respondi com uma pergunta o encarando de maneira óbvia. Quis completar que se eu soubesse, talvez não estaria aqui, passando essa vergonha. Mas eu não podia arriscar irritá-lo, sua ajuda era praticamente minha única chance, então pigarreei e deixei o tom de voz mais brando — Não entendo, Draco.
— São coisas extremamente diferentes, . Se pessoas bonitas não usam a atração ao seu favor elas são apenas um rostinho bonito... — Malfoy explicou com um sorriso no canto dos lábios e então completou — E sonso!
Ele puxou uma cadeira e se sentou perto de mim.
— Te digo com toda tranquilidade e segurança do mundo que, uma garota atraente consegue o homem que ela quiser. — seus olhos acinzentados se encontraram com os meus e permaneceram ali por alguns segundos, assim como o silêncio instaurado do nada.
— E o que eu preciso fazer para ser atraente? — questionei, desconcertada.
— Primeiro de tudo, o olhar. — ele pareceu se lembrar do que fazia ali, se levantando em um pulo e voltando a caminhar pela sala. — Os olhos dizem muito , arrisco dizer que são a parte principal. Manter o contato visual deixa explícito o interesse que você tem na pessoa. As garotas, no geral, têm a mania de olhar e desviar, mas se lembre da lição anterior, mantenha-se confiante sobre suas ações. Isso mostra que você é das que se mantém firme e estão determinadas a conseguirem o que querem.
— Certo… — murmurei meio incerta.
— Próximo passo, o sorriso. Sorrisos quebram qualquer barreira entre duas pessoas, inclusive o gelo. Mostra que você se sente confortável ali e que quer continuar na provocação. Quando se sentir segura o suficiente depois dos passos iniciais, pode piscar, mas só quando os anteriores não funcionarem, e uma vez só, para não parecer que levou um choque ou que tem algum distúrbio. — rimos juntos, nunca tinha visto Malfoy daquela forma leve e descontraída. — Mordidas leves e até umedecer os lábios com a língua também funcionam. Mas não passando a língua por toda a extensão dos lábios, a intenção é ser sutil e natural, como quando fazemos sem perceber, sabe?
Assenti enquanto Malfoy dobrava as mangas da camisa branca que vestia até a altura dos cotovelos.
— E a última técnica antes que eu demonstre… — ergueu o indicador e se aproximou de mim — Consiste em formar um triângulo invertido conforme você olha entre, olho direito, olho esquerdo e boca da pessoa. Só isso costuma bastar, mas se quiser morder os lábios e umedecê-los como eu disse anteriormente, também dá certo.
— Já fez isso com muitas, Malfoy? — questionei séria, mantendo o contato visual e seu rosto tomou uma expressão debochada.
— Fique quietinha e ouça a voz da experiência, . — ele cravou seus olhos nos meus, de uma maneira muito mais intensa que quando fizera acidentalmente minutos atrás e então sorriu.
Diferente de todos os sorrisos debochados que ele costumava dar para toda e qualquer pessoa existente na Terra, aquele tinha um ar espontâneo, leve, sedutor e até mesmo um pouco brincalhão. Combinava com ele.
Ele tombou a cabeça levemente para o lado, ainda me observando, e passou a língua pelos lábios de maneira quase que espontânea, voltando a sorrir. Engoli em seco, enrijecendo a postura enquanto ele se aproximava mais de mim.
— O que me diz, ? — direcionou seus olhos aos meus, primeiro o direito, depois o esquerdo e então fixou-os em meus lábios, mordendo os seus. Senti uma pontada no baixo ventre e todos os meus pelos pareciam ter se arrepiado.
Nem sei dizer por quantos minutos ficamos absortos naquela atmosfera, sua respiração batia em meu rosto e eu me sentia completamente desesperada por estar naquela situação, mas parte de mim queria continuar ali e avançar alguns passos.
Mas então me lembrei de Harry e do principal motivo pelo qual eu estava ali.
— Eu… — levei a mão até o ombro de Malfoy, o afastando levemente — Acho que entendi.
— Certo. — pigarreou, arrumando a postura e se afastando mais ainda. — É basicamente isso, . Creio que fizemos um ótimo avanço hoje, mas ainda precisamos, ahn, limpar os troféus.
⚡️⚡️⚡️

Draco's P.O.V

Faltavam cinco minutos para que a aula de DCAT começasse. Naquela manhã, em particular, acabei caminhando sozinho para a sala e chegando apenas quando a maior parte dos lugares bons já haviam sido ocupados. Fiz um lembrete mental para reclamar com Crabbe e Goyle, eles eram inúteis até para colocar a porra de um livro na cadeira pra guardar meu lugar?
Mas quando me dei conta de que a única bancada vaga era ao lado de e Potter quase gargalhei pela coincidência. Aquilo seria divertido.
Pude observar a ruiva acariciando a mão do namorado em cima da bancada, o garoto parecia completamente alheio e indiferente frente a demonstração de afeto. Mas não tirou a mão dali o que, provavelmente, foi o motivo que precisava para se sentir mais segura em seguir com o que havíamos aprendido.
E então ela sorriu, ainda fazendo carícias em movimentos circulares no dorso do grifinório e logo em seguida direcionou seu olhar com destreza aos olhos, seguido dos lábios e então deu um risinho baixo e piscou um dos olhos.
aprendia rápido, aquilo fora de fato muito atraente. Inclinei melhor minha postura, para que pudesse entender melhor o que se passava ao meu lado, mas tudo o que vi fora Potter, lerdo como um cágado, a encarando de maneira confusa.
havia, aparentemente se desesperado e aquilo jogou toda a pose que ela carregava por água abaixo, visto que ela piscava o olho repetidas vezes com uma expressão impaciente e os lábios cerrados formando uma linha fina.
, está tudo bem com seu olho? – perguntou Potter, estranhando o tique nervoso da pálpebra da namorada.
– Ahn… – engasgou-se – Como assim? – disse voltando a postura ereta e abrindo um de seus livros, começando a folhear o mesmo.
– Você só… – Potter tentou erguer o dedo em direção ao seu próprio olho, para sinalizar, mas desistiu no meio do caminho visto que a ruiva passou a folha com mais força, ainda sem manter contato visual – Deixa pra lá.
Potter ajeitou seus óculos para cima, enquanto insistia em fingir que seu livro estava realmente interessante, muito embora eu soubesse que ela estava apenas tentando disfarçar todo o constrangimento que sentia naquele momento. O que me fez gargalhar alto, chamando a atenção do casal.
bufou audivelmente deixando para trás o livro que tinha em mãos e saindo da sala com passos fortes. Potter pareceu não dar a mínima, voltando a encarar o nada e pensar em qualquer que fosse seu problema extremamente mais importante para resolver.
Patético!
Levantei-me da cadeira devagar, tentando não chamar atenção de ninguém. A professora não havia chegado, então as conversas entre os alunos da Sonserina e Grifinória foram suficientes para que ninguém reparasse que eu havia saído correndo da sala de aula.
Procurei por alguns minutos pelos corredores, até que senti as mãos de me empurrando contra a parede numa velocidade e força tão grandes que eu pensaria ser impossível para alguém de seu tamanho.
— Você está me fazendo de palhaça, Malfoy! — berrou.
Seu corpo prensava o meu contra o hall do corredor e, com uma mão espalmada na parede em cada lado do meu peito, ela me deixava preso contra si. Eu podia ver fúria em seu olhar, suas pupilas estavam dilatadas e seus lábios comprimiam um ao outro o suficiente para que perdesse sua bela cor rosada, cor essa que, no entanto, dava tom as maçãs de seu rosto. me olhou por muitos segundos em silêncio, que era quebrado somente pela sua respiração pesada — e frustrada, eu diria — enquanto eu observava atentamente cada parte de seu rosto.
— EU TENHO FEITO TUDO QUE VOCÊ ME DISSE...
… — tentei começar, mas ela me lançou um olhar que, se pudesse, teria me fatiado em dez pedaços.
— MAS NADA, NADA FUNCIONA!
...
— CALA A BOCA, MALFOY. — suspirou — Você está brincan…
— OLÍVIA! — exclamei, fazendo-a se assustar e ficar em silêncio — Desculpe, não quis te assustar. É só que você não me deixava falar e…
— Eu sou um fracasso. — fungou me interrompendo enquanto abaixava a cabeça — Nunca vou conseguir fazer com que o Harry me olhe como ele olha pra ela.
Meu sangue ferveu. Torci o nariz em uma careta e suspirei fundo antes de, suavemente, descer os seus braços de volta ao seu corpo e levar minha mão a maçã de seu rosto, traçando um carinho com meu polegar, o que fez com que a grifinória se surpreendesse, levantando seu olhar ao encontro do meu.
— Faça comigo.
— O quê? — disse surpresa.
— Faça comigo. — reafirmei ainda acariciando seu rosto.
me encarou de forma desafiadora, fechou os olhos respirando fundo e tornou a me olhar, mantendo-se ali, como se prestasse atenção em cada parte de meu rosto e então ela sorriu.
Não era nem de perto o sorriso mais sincero do mundo, mas ainda assim era lindo. Então ela se perdeu em sua pose forçada e voltou a sorrir, verdadeiramente dessa vez, e puta que pariu. Ela mordeu os lábios timidamente enquanto mantinha seus olhos fixos nos meus. Vagou seus olhos no meu olho direito, no esquerdo e então em meus lábios.
Céus, ela havia aprendido! E como havia…
Desci uma de minhas mãos para sua nuca, enquanto a outra ainda repousava sobre seu rosto. Os olhos da ruiva agora estavam profundamente cravados nos meus e eu o retribuía com veemência. Aos poucos fui me aproximando lentamente, com medo de que qualquer movimento brusco demais fosse quebrar e acabar com aquele momento e isso era a última coisa que eu queria. Fechei os meus olhos quando finalmente pude sentir seu hálito fresco contra minha boca, fazendo com que a vontade crescente de a beijar se aflorasse ainda mais dentro do meu peito.
E foi o que eu fiz.
Um arrepio percorreu minha espinha quando senti os lábios macios de se chocarem com os meus, o beijo começou tímido — tanto por mim, quanto por ela — mas, aos poucos, fomos permitindo um ao outro que explorássemos aquelas sensações desconhecidas até então. , timidamente, subiu uma de suas mãos até o meu peito, repousando a mesma ali, fazendo com que o local que sua palma tocava queimasse como brasa. Nossas línguas brincavam entre si e muito embora estivéssemos quase sem fôlego, eu acho que poderia falar por nós dois quando dizia que desejávamos nunca acabar com aquele momento. Mordi levemente seus lábios quando senti minhas calças ficarem mais apertadas, declarando que aquele era o momento de nos afastarmos.
— Você tem feito tudo certo, … Potter que é um idiota.
Por fim, depositei um selinho carinhoso por cima do lugar que eu mordi e então a afastei, caminhando o mais rápido que eu podia para longe dali e deixando uma confusa e ofegante para trás.


Capítulo 3 - Aquele dos toques

— A aula de hoje será sobre toques. — começou Malfoy, pigarreando logo em seguida.
— Toques? — sussurrei assustada e pude jurar que as maçãs de meu rosto estavam rosadas. — Você diz…
— Não, . — interrompeu-me, rindo constrangido. — Toques leves.
Levantei meu olhar para o seu e notei que Draco virou sua atenção para o lado oposto desconcertado e afrouxando a gravata verde e prata como se ela o sufocasse.
— Toques leves podem ser mais eróticos, pois são inesperados e altamente íntimos...
Era como se uma bola estivesse presa em minha garganta. Já era estranho o suficiente ter que encará-lo depois de tudo que havia acontecido entre nós da última vez, agora tocá-lo de forma inesperada e íntima? Parecia dez vezes mais desconfortável!
Tão desconfortável que mesmo na friagem noturna eu sentia como se estivesse em meio a um incêndio. Respirei fundo, assenti e continuei canalizando todas as minhas energias em prestar atenção no que o sonserino me ensinava.
— A maior parte dos toques é algo individual de homem para homem, afinal, cada um sabe do que mais gosta, do que mais o excita… — o platinado dizia ainda sem me encarar. — Mas existem alguns lugares que são praticamente unânimes.
— Entendi, quais seriam?
O garoto finalmente me olhou, parecendo constrangido, coloquei as mechas de cabelo que caiam em meu rosto atrás da orelha, para disfarçar que a sensação era recíproca.
— Ahn… Certo. Vamos começar então. — ele andou até mim, parando há alguns poucos passos de distância e sorrindo de canto. — Vem , não vou te morder. Pelo menos não hoje.
Malfoy parecia receoso se a sua tentativa de quebrar a tensão havia funcionado, então, eu apenas ri e me levantei seguindo até ele, indicando que estava tudo bem. De repente tudo parecia mais leve e descontraído novamente.
— Os lábios, por mais simples que pareçam, carregam muitos significados. Não parece ser algo ousado ou excitante, mas não é todo mundo que sai tocando nossos lábios por aí, não é?
Sem pensar muito, levei a minha mão direita até a altura de sua boca, usando a ponta do meu polegar para contornar seus lábios, encarando os mesmos e tive a impressão de sentir que a respiração dele parou por alguns segundos.
— Assim? — perguntei inebriada pela sua boca rosada em contraste com sua pele pálida, sem conseguir cortar o carinho nos mesmos.
Draco assentiu ainda sem dizer nenhuma palavra e então segurou meu pulso gentilmente, trazendo minha mão até sua nuca.
— A nuca é o segundo lugar. Você vai notar que geralmente os pelos da região se arrepiam quando…
Não esperei que o sonserino terminasse, apenas comecei a realizar movimentos circulares entre o final da extensão de seus cabelos ralos e sua nuca, revezando entre a ponta de minhas unhas longas e a polpa de meus dedos.
— Muito bem, … — comentou de olhos fechados, ainda apreciando o toque.
— E depois?
— Os braços… Não precisa gastar tanto tempo ou tanta atenção nisso. Geralmente isso é feito durante uma conversa ou outros momentos de descontração…
— Tipo esse? — o interrompi mais uma vez, segurando-o no antebraço e acariciando o local de forma leve. Ele sorriu.
— Exatamente. Você está se saindo muito bem, . — sorri como forma de agradecimento. — Agora, por último, as costas. Nas costas você pode… — saltei os olhos em animação enquanto mordia a ponta de meus lábios — O que foi?
— Tive uma ideia. — disse um pouco tímida. — Posso tentar?
Malfoy apenas deu de ombros, concordando. Levei minha mão até a barra de sua camisa, escorregando a mesma para dentro dela e subi até a altura de seus ombros, onde depositei levemente minhas unhas e fui trilhando o caminho para baixo, arranhando as costas dele lentamente, enquanto a outra mão, também por dentro da camisa, explorava todo seu peito com carícias. Eu podia sentir o corpo de Draco totalmente arrepiado pelos meus toques e seu olhar carregava um misto de surpresa e luxúria.
— Droga, . — resmungou, fazendo com que eu me assustasse e me afastasse.
Draco suspirou, arrumando suas calças, só então fazendo com que eu notasse que um volume grande se fazia presente ali. Senti minhas bochechas queimarem, porém, meu interior gritava em orgulho.
Ele havia ficado assim por mim. Sorri.
Involuntariamente, peguei tanto a Draco quanto a mim mesma de surpresa quando repousei minha mão sobre seu volume. O platinado me olhou assustado, mas não se mexeu. Sem saber o que fazer, fiquei parada durante alguns segundos, apenas sentindo seu membro rígido coberto pela calça embaixo da minha mão.
Malfoy estava prestes a se pronunciar quando que, por um impulso, eu o apertei e ele fechou os olhos instantaneamente. Dominada pela minha curiosidade, repeti o movimento, apalpando o membro do garoto por cima das calças, dessa vez com mais firmeza. Draco, que mantinha os olhos fechados, tombou a cabeça para trás e abriu levemente a boca, soltando um gemido.
Fiz novamente.
. — sua voz era rouca e sua respiração entrecortada.
Senti um arrepio surgindo pelo meu corpo e subi minhas mãos até o zíper da calça de Malfoy, porém, ele me segurou pelo pulso, impedindo. Levantei meu olhar até o seu, com uma cara confusa e uma sobrancelha arqueada.
— Eu pensei que estivesse gostando. — sussurrei, insegura — Desculpe, eu não deveria… — deixei no ar enquanto abaixava a cabeça.
— Ah, . — colocou seus dedos sobre meu queixo, levantando minha cabeça — Eu estava. — suspirou pesaroso e então sorriu malicioso — Mas se eu deixasse você continuar, eu não acho que seria capaz de parar e explicar. E eu sei que você gosta de entender, mas isso é lição para outra aula.
Senti um leve formigamento no baixo ventre e retribui com um sorriso envergonhado, me afastando dele. Afinal, ainda tínhamos alguns troféus para limpar e, tirando o meu súbito de “queimar a largada” das aulas tocando-o daquela forma, ele havia dito que as costas seriam o último dos locais estipulados.
Quando alcancei o pano, senti o olhar de Draco queimando em minhas costas e me virei, dirigindo-lhe um olhar intrigado.
— E você, ? — questionou com a voz branda e rouca.
— E-eu o que?
— Onde você gosta de ser tocada? — Malfoy soltou como quem pergunta que dia é hoje e eu arregalei os olhos, surpresa.
— E isso importa? — sorri sem graça, não foi minha intenção ser grossa ou algo assim, eu só não queria falar sobre aquilo, sempre me sentia uma estúpida quando ele perguntava sendo que era óbvio que eu nunca tinha feito nada.
— É claro que importa. — disse como se fosse óbvio — É muito excitante para nós sabermos que estamos dando prazer pra nossa parceira também. Isso tudo tem que ser bom para ambos, … Ou vai me dizer que nunca foi tocada?
Abaixei o olhar para o troféu em minhas mãos e soltei um suspiro frustrado. Aquilo foi o suficiente para que ele entendesse o recado.
— Espera, isso é sério? — ele riu, parecia desconcertado e, de certa maneira, indignado.
— Já conversamos sobre isso, Malfoy... — falei baixo, finalmente deixando o troféu de canto para encará-lo. — Quando eu te digo que não sei nada, é literal.
— Potter não tem noção do pecado que comete… — murmurou com os olhos fechados e então ele os abriu e se aproximou novamente. — Mas ainda bem que posso te ajudar com isso.
Draco se posicionou atrás de mim, eu podia sentir sua respiração sobre o meu pescoço e a proximidade entre nossos corpos era perigosamente excitante.
— Diga-me do que você gosta, . — sussurrou, aproximando os lábios do meu ouvido. — Que tal aqui? — ele colocou uma mão sobre cada lado da minha cintura, apertando a mesma.
Não me mexi.
Logo em seguida, o platinado subiu lentamente as suas mãos pelas laterais do meu corpo, contornando o molde do mesmo e repousando elas sobre os meus seios, ainda cobertos pela camisa.
— Ou talvez aqui.
Malfoy apertou meus seios, os massageando lentamente, fazendo com que um arrepio percorresse pelo meu corpo e que meus mamilos ficassem instantaneamente enrijecidos. Fechei brevemente os meus olhos enquanto me inebriava em suas carícias e pude sentir minha boca descontraidamente se abrir, sem emitir som algum.
Draco desceu suas mãos pelo meu corpo, parando a mesma na linha abaixo do meu umbigo, onde usou a ponta do seu dedo indicador para trilhar uma linha reta de uma ponta até a outra, fazendo com que meu ventre se contorcesse e ansiasse pelo que viria a seguir. O loiro espalmou sua mão sobre o mesmo lugar, trazendo minha cintura um pouco mais para trás e colando ainda mais os nossos corpos. Eu podia sentir um volume surgindo em suas calças e se pressionando contra minha bunda.
Antes que eu pudesse raciocinar, suas mãos subiram minha saia até a altura de minha cintura e o seus dedos contornaram a barra da minha calcinha, brincando com a mesma, mas sem tirá-la. A respiração quente de Malfoy contra meu pescoço, combinada com a proximidade de nossos corpos e a incerteza do que ele faria, fizeram meu coração acelerar e minha respiração ficar entrecortada, eu sentia que a qualquer momento minhas pernas poderiam vacilar e eu cederia ali mesmo no chão.
Uma umidade na região da minha calcinha me assustou, fazendo com que eu me sentisse constrangida e tentasse cruzar as pernas, ato que não passou despercebido por Malfoy, que impediu que eu o fizesse e, em seguida, passou a ponta de seus dedos sobre a região, sentindo a mesma molhada.
— Oh. — Exclamou. Eu podia sentir seu sorriso contra meu pescoço. — Certamente você gosta de ser tocada por aqui, .
E, então, retirou a mão dali, voltando minha saia ao lugar e se afastando do meu corpo. Virei-me brava e envergonhada, pronta para exclamar algumas azarações, mas acabei ficando perto demais do seu rosto. E lá estávamos nós, novamente inebriados em nossos olhares, como naquele maldito corredor.
— Hey Draco, estava pensando se você gostaria de… Mas que porra é essa? — Parkinson adentrou a sala, fazendo com que eu e Draco nos afastássemos rapidamente.
Voltei minha atenção para os troféus de antes, ainda com a respiração falha e os batimentos rápidos. Dois problemas haviam sido instaurados ali: Pansy, que com certeza daria com a língua nos dentes e eu, que estava prestes a cometer o mesmo erro de beijar Draco novamente. Automaticamente, suspirei passando a mão pelos cabelos, sentindo-me péssima.
Aquilo estava errado. Muito errado!
O propósito não era aprender tudo para ter Harry novamente? Por que parecia que eu havia me perdido no meio do caminho? Por que Draco e eu sempre acabávamos inebriados em uma tensão diferente?
— Eu estou esperando uma explicação. O que diabos é isso? — exclamou Pansy tirando-me de meus pensamentos conflituosos.
— Oras, uma sala de troféus. Nunca viu? — disse Malfoy irônico.
— Não se faz de idiota. Vocês iam se beijar, eu vi!
Meu corpo tremeu, eu estava acabada. Pansy iria contar tudo para Harry e ele nunca me perdoaria. Eu perderia tudo. E por quê? Por um mero momento de luxúria e confusão ao lado de Draco Malfoy.
— Eu tenho que ir. — disse e sai correndo da sala, deixando uma Pansy furiosa e um Draco confuso para trás.
Sai da sala em passos firmes e rápidos, ainda ouvindo o sonserino me chamar preocupado.
— Ei, . — Draco disse ofegante quando finalmente conseguira me alcançar. — Espera aí, não precisa se preocupar!
— Preciso sim, Malfoy. Isso foi um erro… — comecei com os olhos marejados. — Acho melhor pararmos com essas aulas e fingirmos que nada disso aconteceu.
— Olha, , se o problema for a Pansy eu posso falar com ela e… — ele tocou meu braço, tentando se aproximar novamente, mas o interrompi de falar me afastando.
— Não, Malfoy… Isso não é sobre a Pansy. É sobre o que eu estou fazendo com meu namorado. Isso… Isso não é certo! Eu o amo e não posso continuar com isso. — apontei para mim e para ele.
A boca de Draco abriu e fechou algumas vezes até ele prensar os lábios em uma linha fina, assentindo. Com as lágrimas teimando em descer por meu rosto eu passei a parte posterior da mão no rosto e saí dali, deixando-o parado no corredor e correndo o mais rápido que podia para a Torre da Grifinória.
Eu precisava fazer algo antes que Pansy ferrasse com tudo.
Parei na frente do quadro da Mulher Gorda que me olhou confusa enquanto eu me concentrava em me acalmar.
, querida… Está tudo bem? — perguntou o retrato, eu apenas abanei a mão e assenti com a cabeça.
Mimbulus Mimbletonia. — murmurei a senha apressada e adentrei a passagem. Já era tarde, logo o local era iluminado apenas pela luz da lareira acesa, nem mesmo as cores quentes e aconchegantes do salão pareciam me confortar. Senti todo o nervosismo me tomar novamente quando me deparei justamente com quem eu procurava.
Harry estava sentado no sofá ao lado de Rony e Hermione. Eles conversaram animadamente, provavelmente sobre algo relacionado a armada. A primeira a notar minha presença fora Hermione, que se levantou lançando-me um olhar preocupado, seguida pelos meninos.
, o que aconteceu? — questionou Ron confuso, enquanto eu só conseguia soluçar.
— Malfoy te fez algo na detenção? — Mione verbalizou, claramente já irritada com a possibilidade.
— Não... Quer dizer… — balancei a cabeça irritada e então a abaixei novamente cobrindo os olhos com as mãos. Surpreendi-me com os braços de Harry envolvendo-me em um abraço carinhoso e preocupado.
— Quer me contar o que aconteceu, ? — questionou com a voz baixa, acariciando meus cabelos a fim de me passar confiança. Apenas assenti em meio aos soluços e Harry entendeu o recado de que não me sentia confortável em falar com Rony e Mione ali. — Podem nos deixar à sós um pouquinho?
Não consegui ver a reação de meus amigos, mas alguns segundos depois, quando Harry tocou meu queixo levantando a minha cabeça carinhosamente e passando o seu polegar tentando secar as lágrimas que escorriam pelo meu rosto, percebi que só nós dois estávamos ali.
— Eu… Me desculpa. — foi o que consegui dizer. — Eu errei, por favor, me perdoa… Eu amo você… Eu não sei o que eu estava pensando...
— O que… ? — ele arqueou uma das sobrancelhas e então segurou uma de minhas mãos, acariciando-a de leve e então firmou seus olhos nos meus. — Preciso que se acalme, . Seja o que for que tem para me falar, lembre-se que antes de ser seu namorado, sou seu amigo. Não precisa ter receio em me contar nada, estamos aqui um pelo outro, lembra?
Ouvi-lo dizer tudo aquilo, mesmo que nossa relação já estivesse estremecida antes, só me fez sentir um aperto ainda mais forte no peito.
— Eu e Malfoy nos beijamos… Naquele dia, quando saí da aula da Umbridge. — o choque fez com que Harry soltasse minha mão e arregalasse os olhos.
— Você… V-você e o Malfoy… — ele me olhava confuso — O quê? Como? Por quê?
— Me perdoa, Harry. — as lágrimas voltaram a cair descontroladamente — Eu… Eu não sei o que aconteceu. Eu só estava sensível e ele foi carinhoso e me beijou… E eu retribui.
Minhas mãos agora estavam em minha boca, tentando controlar os soluços que tentavam escapar da mesma. Harry me olhava com uma expressão de indignação. O garoto tentou abrir a boca para falar por diversas vezes, mas em nenhuma conseguia.
— Diz alguma coisa, por favor. — implorei.
Harry chacoalhou a cabeça, como se tentasse afastar os pensamentos conflituosos que provavelmente estava tendo e respirou fundo antes de me responder.
— Eu não consigo fazer isso agora, .
E então saiu, me deixando a sós com minhas lágrimas e um coração conturbado para trás. Se a minha intenção ao procurar Malfoy era salvar meu relacionamento, aquilo era a confirmação que eu só havia estragado tudo desde o começo.
⚡️⚡️⚡️

Harry's POV
Não sabia que horas eram, mas sabia que já estávamos em alguma parte da manhã e que, em breve, eu teria de me levantar e ir para o salão principal tomar o café da manhã, tendo que lidar com a notícia que recebi de minha namorada na noite anterior e as consequências que a mesma traria para mim. Eu me sentia confuso. Sabia que estava sendo um péssimo namorado para , não a culpava por aquilo. Mas não podia dizer que meu sono fora o melhor da vida. E o culpado de tudo isso era Malfoy. Era sempre Draco Malfoy. Desde o primeiro ano, o loiro sempre dava um jeito de me prejudicar.
Era óbvio que ele havia notado o quão fragilizada estava, claramente a sondando como uma cascavel, pronta para dar o bote no momento apropriado. E havia dado um jeito de se aproveitar disso.
Se ele queria me desestabilizar no meu ponto mais fraco, usando minha namorada para tal, havia conseguido. Mas eu não o daria o gosto da vitória, de forma alguma. Para mim o beijo não importava, era óbvio que não havia significado nada para .
Ela era minha no final das contas, aquilo não mudava nada.
Resolvi descer um pouco mais cedo para o Salão Principal. Não queria ter que lidar com as perguntas de Rony ou Hermione sobre o que havia acontecido na noite anterior.
Caminhava lentamente pelo corredor quando pude ver o sonserino adentrando o banheiro masculino e antes que eu pudesse tomar consciência de meus atos, meus pés já estavam o seguindo. Ao chegar no espaço, o loiro estava com a cabeça abaixada lavando o rosto mas levantou-se rapidamente ao notar meu reflexo pelo espelho, secando o rosto e abrindo um sorriso sarcástico.
— Perdido, Potter? — disse com escárnio, fazendo meu peito tremer de ódio.
— Como você ousa usar desse jeito? — exclamei.
O sorriso do garoto vacilou por alguns segundos, mas logo voltou com ainda mais força.
— O que é, Potter? — debochou encostando-se no mármore da pia. — Só estive fazendo por ela o que você não faz.
Meus dedos apertaram minha varinha com força por dentro das vestes, eu podia sentir minha boca se comprimindo ao tentar controlar toda raiva que queimava dentro do meu peito.
— Que foi? Não consegue se defender sem os seus amiguinhos por perto? — provocou novamente, fazendo com que meu sangue fervesse e minhas mãos se fechassem em punho.
E então, avancei sobre ele lhe desferindo um soco nos lábios. O sonserino levou a mão ao local atingido, parecendo incrédulo com o que havia acontecido, alternando seu olhar entre os dedos ensanguentados e em mim.
— Você achou que poderia se aproveitar da só porque ela tem um coração bom… — fora a minha vez de rir com escárnio, enquanto Malfoy me encarava surpreso pela atitude. — Mas o que você não esperava era que ela sempre fosse preferir a mim, Malfoy.
— Não foi isso que me pareceu quando ela me beijou até ficar sem fôlego e me deixar duro. — disse sorrindo novamente enquanto limpava o sangue que escorria de seu lábio com o polegar.
Fiz menção de avançar mais uma vez contra ele, já com meu punho fechado, quando o garoto levantou os braços em forma de rendição e riu.
— Uh, calma lá, Potter. Não se preocupe, não vou atrás da sua garota. — andou em direção a saída do banheiro, parando na porta e virando-se para mim — Mas isso não significa que quando você estragar tudo novamente, ela não virá atrás de mim. — e saiu.
Caminhei em direção a pia abanando a cabeça, fervilhando em ódio. Tirei todo o sangue que impregnava os nós de meus dedos, secando-os na calça em seguida. Malfoy havia conseguido a guerra que tanto queria, mas ele se enganava ao pensar que havia ganhado. Ele iria pagar.
Ao adentrar o Salão Principal, pude perceber remexendo seus ovos com bacon de maneira abatida enquanto Ron e Hermione encaravam um ao outro sem entender muito bem o que estava acontecendo. Do outro lado do Salão, Malfoy estava ao lado de Crabbe e Goyle na mesa da Sonserina conversando animadamente e, ao me ver, levantou as mãos em sinal de redenção com um sorriso sarcástico, como havia feito mais cedo, fazendo meu sangue ferver mais uma vez.
Entretanto me segurei, retribui o sorriso, apontando com a cabeça para a ruiva sentada a poucos metros de distância e então caminhei confiante até a mesma, sentando ao seu lado ainda virado na direção de Malfoy, que assistia a cena vidrado. levantou um olhar triste para mim e abaixou a cabeça envergonhada. A toquei pelo ombro, virando seu tronco em direção ao meu e coloquei minha mão direita no seu rosto, fazendo um carinho na sua bochecha com o polegar. Ela me olhava de maneira confusa, como se analisasse minhas ações.
— Esquece o que aconteceu, ok? Vamos fazer isso dar certo, eu prometo.
— Mas Harry…
— Shhh… — Interrompi. — Um pelo outro, lembra?
Ela assentiu, ainda receosa. Lancei um último olhar maldoso a mesa da Sonserina e então a beijei, como nunca. Suas mãos envolveram-me pelo pescoço, deixando ali carícias leves com as unhas, o que fez com que eu me arrepiasse e a envolvesse pela cintura, trazendo-a para mais perto. Nossas línguas se mexiam de forma sincronizada, e até saudosa eu diria. Quando o ar faltou em nossos pulmões, nos afastamos sorrindo um para o outro enquanto eu ainda depositava pequenos selinhos nos lábios de , que sorria surpresa.
— Senti sua falta. — ela murmurou com a voz baixa e foi inevitável não sorrir também. E então, selou nossos lábios novamente.
Nem eu sabia que também sentia tanto assim a falta dela.
Após alguns minutos de distração enquanto aproveitava o momento com minha namorada, levei novamente meu olhar para a mesa da Sonserina apenas a tempo de ver um loiro furioso saindo pela porta e, meu sorriso crescendo ainda mais.


Continua...



Nota da autora: Bom, meu Deus… Olá?
Honestamente nem sabemos como começar essa nota! Estamos sem fôlego por aqui até agora, e vocês? Quem diria que Winter, Malfoy e Potter poderiam nos dar tantas emoções em um capítulo só, não é mesmo? Será que Malfoy dará com a língua nos dentes e contará sobre as aulas? Será que dessa vez o Harry aprenderá a valorizar seu relacionamento? Será que Winter vai conseguir evitar mais momentos de tensão com o Malfoy nas detenções?
São tantas perguntas deixadas por aqui… Mas, nos digam, quais são as teorias de vocês? Hahahaha. Nós vemos na próxima! E não esqueçam de seguir nossos instagrams de autora @aluadawriting e @juscairp, lá vocês encontram todas as novidades sobre essas e nossas outras histórias. Beijos e abraços, Marotas.




Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber se a história tem atualização pendente, clique aqui


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