Bffs before u go

Última atualização: 10/11/2017

Prólogo

Na agitada cidade de Boston, com seus 645.966 habitantes, cada um corria para não se atrasar para suas vidas: pessoas agarravam-se aos seus trabalhos, outras a seus amores, e algumas ao seu velho patriotismo pela Nova Inglaterra. Em meio a todo aquele sol de verão, duas crianças corriam pela baia de Massashussets, como se o tempo não lhes fosse um problema; e de fato não era. Como se toda a suas vidas só dependessem de uma escolha: do que iriam brincar no dia seguinte.

Era mais um dia frio, estávamos no inverno de 2002. Andy era meu melhor amigo desde que eu me conhecia por gente, a irmã dele era legal, mas eu preferia o Andrew. Seus pais eram amigos dos meus desde... sempre.
E vivíamos um na casa do outro, sempre tinha pizza na casa dos Edwards, ou a mamãe simplesmente ia lá para conversar com a tia Meg. Eu e Andy éramos exploradores, nós corríamos pelo parque, brincávamos de montar coisas e até adotamos um pato de estimação por dois dias, mas depois quando a mamãe descobriu que estávamos escondendo o senhor Pattinson (o pato) no porão de casa e os nossos pais nos acobertando, ela ficou bem brava, e mandou o pato de volta para a fazenda. Éramos uma ótima dupla, Andy sempre foi mais velho que eu, dois anos, e sempre tinha ideias muuuito maneiras.
era mais chata, às vezes ela brincava conosco, mas na maioria das vezes preferia assistir algum filme da Barbie enquanto nossas mães tagarelavam no sofá. Eu até a chamei para brincar uma vez, mas ela fez um bico e depois me chamou para assistir com ela seus filmes de princesa, não me importava de assistir, mas entre ficar na sala e ir correr pela baia da cidade com o Andy, com certeza eu iria para a baia. A casa dos Edwards tinha um tobogã irado, ele era azul e era enorme, no verão eu e Andy não saiamos de lá, ainda mais pelo fato do mesmo acabar na piscina.

Ela nunca costumava descer aos sábados para brincar com nós no parquinho, na verdade, ela nunca descia para nada: ficava com um bico enorme, resmungando que Andy era seu irmão. Até que num domingo, ela desceu. Os cabelos claros balançando atrás das costas enquanto descia aos pulinhos, todos os degraus da escadaria da minha casa. O tio George e a tia Meg, tinham ido até em casa para o almoço: morávamos no mesmo condomínio em Back Bay, no East Village, obviamente, em Boston. Mas o condomínio era enorme, e a casa deles era do outro lado do mesmo, sendo distante da minha. Provavelmente tinha se cansado de tagarelar algo com a minha mãe e desceu para brincar: primeiro ela olhou com desdém, mas quando viu o balanço em meio a toda aquela areia saiu correndo em direção do brinquedo.

- Andrew, me balança! – ela gritou para o irmão mais velho que não dava a mínima atenção.
- Não mesmo. – disse o herdeiro do mesmo sobrenome da garotinha que reclamava enquanto continuava a resmungar pedindo que ele a balançasse. Andrew rodava sem parar no roda-roda, a toda velocidade. Minha mãe já encostada na porta de vidro dos fundos de casa, o alertava que se continuasse iria acabar vomitando, mas ele não parecia se importar.
- Eu te balanço. – Sorri indo em direção a garota que ainda tinha um enorme bico estampado em seu rosto, levemente rosado pelo vento frio.
- Aff, eu queria que o Andy me balançasse. – continuei mesmo assim, me direcionei atrás do seu banco a empurrando com força para frente.
- Mas o Andy não quer te balançar. – retruquei, mas ela ainda parecia dar de ombros.
- Mas deveria. – ela resmungou enquanto o balanço voltava, recebendo um empurrão novamente para que voltasse a balançar.
- Mas não vai. – revirei os olhos vendo a cadeira que continha a garota com os cabelos loiros, tomar sua altura.
- Aposto que se fosse você, ele balançaria. – a garota disse por fim, enquanto sentia o vento bater em seus cabelos os levando para frente e para trás.

{...}


Fazíamos aniversario um dia seguido do outro, e naquele verão tínhamos feito onze, nos sentíamos adolescentes, era como se tudo fosse mais irado. era minha melhor amiga desde o dia do balanço, Andy também era, mas ultimamente eu estava mais grudado a garota. A Kingsley Montessori School era extremamente rígida com seus conteúdos, e exigia o máximo de cada um de seus alunos, nós estudávamos na mesma sala, ela se sentava em minha frente, e direto eu me pegava a cutucando com a lapiseira preta para fazer alguma piadinha de Dakota Collins ou de algum professor que entrava, mas no geral, de Dakota: era uma ruiva, bonita, mas desengonçada da nossa sala, ela não gostava muito da desde o dia que ela tacou uma borracha no professor e acusou minha amiga de ter o feito. Cada aluno deveria apresentar sua versão de um livro que leria no mês, podia ser cantada, feito um resumo, um mini teatro: o que quisesse. E o meu livro, era o pequeno príncipe.
Estávamos no telhado da casa dos Edwards, Andy não tinha se juntado a nós, o traidor tinha ido à sorveteria com seus amigos da sua sala, afinal, era dois anos mais velho, igualmente dois anos avançado na escolaridade. A garota tagarelava como sempre, por Deus aquela garota adorava falar, e ela falava, e muito! Dessa vez o assunto era o livro que lia, enquanto me questionava do que seria melhor: um teatro ou uma poesia.

- Olha, , eu não tenho a mínima idéia, faz o que você gostar mais. – eu dei de ombros me deitando sobre a parte plana do telhado, ali já era ponto comum para apreciar as estrelas, as vezes até a tia Meg subia lá.
- Você nunca sabe de nada, . – ela bufou largando seu livro ao lado do seu corpo, no chão. – Como está sendo ler o pequeno príncipe? Ouvi dizer que é bom.
- Está sendo legal. – folhei algumas folhas do livro que eu tinha em mãos, encontrando a parte levemente grifada do mesmo. – Tem uma parte que eu gostei muito, às vezes penso que é como a nossa amizade. É bem assim: ” Tu não és para mim senão uma pessoa inteiramente igual a cem mil outras pessoas.” – a garota me encarou com certo receio e curiosidade, e assim ela sinalizou que era para mim continuar. – “E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim.”
- Ok, , agora eu preciso mesmo terminar de ler... – eu a cortei, era óbvio que ela não queria ouvir o restante, pois achava que era como todo o início. Ela era assim desde sempre, nunca tinha paciência para ver o final, acabava agindo as pressas e de forma insensata, metia os pés pelas mãos e acabava indo embora sem nem dar tchau.
- Eu vou terminar. – disse a interrompendo, ela permaneceu em silêncio, com aqueles olhos levemente acinzentados me encarando de forma como se estivesse me analisando. – “Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim um único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo.” Às vezes tenho a certeza que nunca vou encontrar alguém como você, e também não quero, porque não faz sentido, ainda se fosse parecida não seria a Banana, não é?

{...}


pov’

[N/a: Se achar legal, e quiser, colocar para tocar This Town. – Niall Horan, durante o capítulo será citado trechos da música.]

era o tipo de criança que toda mãe adoraria ter, e que qualquer outra garota queria casar: Ele era incrível, não como Andy, de forma que se acha foda. era tranquilo, assim como o significado do seu nome, ele era inteligente e dificilmente agia com infantilidade, e isso desde que éramos pequenos e corríamos pela neve, se esponjando na mesma para fazer anjos. era centrado e parecia sempre saber o que queria, o tipo perfeito de good guy, o tipo que quando saiamos juntos algumas velhinhas depois de ser ajudadas por ele – sim ele era tão incrível que o seu maior prazer era ajudar senhorinhas! – resmungavam “vocês formam um lindo casal!”, ele também era o tipo que minha mãe adorava jogar na cara do Andy: afinal, Andrew é que levava para o mau caminho. E minha mãe odiava saber que seu filho, levava o filho da sua amiga para as farras. Ela sempre dizia nos jantares de família: “você deveria ser mais educado, como ”, “Como eu queria ter o filho da Holly substituindo você, Andy. Você tem que parar de causar arruaça!” E “Aposto que se você seguisse o exemplo de , essa multa caríssima não tinha chegado na caixa de correio de casa.”
Passando pela escadaria de casa, as paredes estavam cheia de quadros como sempre, e lá estava eles, vários de nós três: Andy, eu e . Éramos inseparáveis, até Andy começar se afastar um pouco. Eu e em questão de pouco tempo já sabíamos absolutamente tudo um sobre o outro, os medos, as alegrias e angústias. Era como se ele sempre me ajudasse a superar meus medos, desde o acontecimento das estrelas.

It’s funny how things never change in this old town, so far from the stars.
(É engraçado como as coisas nunca mudam nessa velha cidade, tão longe das estrelas.)

Um dos quadros mais próximos ao teto tinha a foto da festa escolar, nós dançamos a noite inteira, e tudo com a formalidade que nem era necessária para aquela festa do quinto ano: ele me levou flores quando foi me buscar, dizia até que o tio Charlie era seu motorista. Ganhamos para príncipe e princesa do baile mirim da Kingsley Montessori School.
Podia dizer que conhecia , como conhecia Andy, se não o conhecesse até mais que Andy, e como diria o garoto se ainda estivesse na fase em que lia e recitava o pequeno príncipe, aposto que ele diria: “A gente só conhece bem as coisas que cativou.” E de fato, era verdade. Provavelmente eu o tinha cativado, afinal, ele permanecia ao meu lado, depois de tantos anos juntos, ele era quem ficava. E de uma coisa eu sabia, ele sim, tinha me cativado.
Nós corríamos pela baia de Massashussets aos sete anos, nos encobríamos de lama aos três, criávamos desenhos horrendos dizendo ser a Dakota aos seis, e ao cinco tínhamos diálogos sobre coisas que descobrimos na última semana. Dividimos tanto as nossas vidas um com o outro que dificilmente eu poderia ter uma lembrança de toda minha infância sem lembrar do garoto: a pele branquinha, os cabelos e as pequenas sardas que saltitavam bem discretas e espalhadas pelo nariz e bochecha do meu melhor amigo.
Mais embaixo, num quadro pequeno e levemente apagado, tinha uma foto do tio Charlie e do meu pai, porém com um detalhe, cada um carregava seus retrospectivos filhos, que ainda que no colo de cada um dos seus pais, mantinham-se de mãos dadas. Foi quando eles foram nos buscar no parquinho e ainda que gritássemos que não queríamos ir, eles nos levaram.

Os quadros retratavam toda nossa infância, na verdade, parte dela. Tinha uma foto na parede que estampava nós três cobertos por lama, enquanto pulávamos numa espécie de barro, provavelmente no quintal dos .

And I want to tell you everything, the words I never got you say the first time around. And I remember everything from when we were children playing in this fairground, wish I was there with you now.
(E eu quero te dizer tudo, as palavras que eu nunca disse da primeira vez. E eu me lembro de tudo, desde quando éramos crianças brincando nesse parque de diversões, queria estar com você lá agora.)

tinha um cachorro, Enxofre, ele disse que o nome era porque na época para ele era uma palavra legal, bom, não questionamos os pensamentos de quando éramos crianças, portanto era válido. Andy era terrível, ele sempre nos incentivava a fazer coisas, ele tinha ideias mirabolantes. Naquela tarde, Enxofre, o Boston Terrier branquíssimo dos dormia tranquilamente no carpete da sala, quando meu irmão teve a brilhante ideia de desenhar sobre o cão, e claro que nós dois achamos o máximo, só não foi tão máximo quando nossas mães descobriram: acho que elas brigaram mais conosco do que a vez que brigaram com e Andy por terem escondido um pato por dois dias no porão da minha casa. Nós desenhamos com canetinhas hidrográficas com as pontas bem gordinhas e macias, Enxofre parecia não ligar enquanto dávamos uma nova tonalidade para seu branco incrível. No fim, o cachorro desfilava pela casa com inúmeras caveirinhas desenhadas por Andy em seu corpo; Alguns arco-íris feitos por mim e dinossauros verdes que havia carinhosamente “tatuado” na pele do seu amigo cão. A foto no quadro da mamãe era clara: Andy segurando Enxofre com um sorriso maquiavélico no rosto, enquanto eu e estávamos sentados no chão emburrados depois da enorme bronca que levamos.

If the whole words was watching I’d still dance with you. Drive highways and byways to be there with you.
(Mesmo se o mundo inteiro estivesse assistindo, eu ainda dançaria com você. Dirigiria por rodovias e cruzaria atalhos para estar com você.)

Aos quatorze fomos para casa do lago do , uma semana só nós três, comendo porcaria e dormindo muito tarde, tinha a Eida, que era uma moça que cuidava da casa, consequentemente acabava cuidando da gente para tia Holly. No nosso aniversário de quinze fomos para Disney, mas o incrível mesmo era como tudo ficava muito melhor quando eu tinha comigo, a viagem para Disney de fato era algo divertido por si só, mas com , enquanto relembrávamos da vez que tínhamos vindo com nossos pais aos cinco anos, era simplesmente icônica.

You still make me nervous when you walk in the room. Them butterflies they come alive when I’m next to you. Over and over the only truth, everything comes back to you.
(você ainda me deixa nervoso quando entra na sala. Então borboletas no estomago voltam quando estou perto de você. E, mais uma vez, a única verdade é que tudo se resume a você.)

Andy estava no terceirão da Kingsley, ele era um típico garoto popular, sempre conseguia superar as expectativas: das garotas e dos seus seguidores no colégio. Era como se lá fosse seu reinado, não que ele já não se achasse desde pequeno, pois sempre achava-se o rei de tudo, mas agora era realmente seu reinado: Ele era o capitão do time de futebol americano do colégio, e isso já despertava certa curiosidade alheia sobre ele, afinal, era até mais fácil ele conseguir uma bolsa ou só a entrada em uma ótima faculdade. As garotas do colégio babavam enquanto ele passava, até Paige, minha amiga. Andrew estava namorando a um ano a nojenta da Dakota, sim aquela desengonçada que eu tinha falado, mas agora a garota era um puta mulherão, líder do time das torcedoras e dona da vaga tão disputada pelas garotas daquele colégio, a de namorada do Andy. Ele de fato nunca tinha mudado tanto, era o mesmo garoto com uma marra de bad boy, mas Andrew sempre foi completamente fiel a suas amizades, isso incluindo exclusivamente : meu melhor amigo, e também dele, que acabou tendo sua popularidade ganhada pelo rosto bonito e por ser melhor amigo de Andy, todos costumavam dizer que Andrew levava para o mau caminho, e de fato, levava. Mas não era tão influenciável, o que fazia com que ele se mantivesse o mesmo de sempre, ainda que Andy o apresentasse garotas, farras e cervejadas aos montes.

- Meu Deus, Andy é tipo um crush eterno... – Paige, a morena suspirou ao meu lado, sentada numa mesa do refeitório, seus olhos estavam focados num lugar que, não era nossa mesa: Andy e entravam pela porta principal da cantina, o cabelo do Andy assim como o meu, porém cortado num daqueles novos cortes modernos balançavam levemente enquanto ele andava, seu sorriso sacana estava estampado em seu rosto enquanto seus olhos varriam o local, provavelmente fazendo várias garotas suspirarem. Ao lado dele, com a mesma postura, dividindo o mesmo trono, estava ele, não com o sorriso sacana como o do amigo, mas com um breve sorriso, enquanto procurava algo pelo refeitório. – , também não fica atrás de ser um eterno crush, mas ainda prefiro seu irmão, mas esse ego dele é muito inflado, !

- Para de babar, Paige. – resmunguei encarando minha mini garrafa de coca-cola em minha frente, foi quando senti os braços ao redor dos meus ombros e o queixo escorando-se no topo da minha cabeça.
- Bom dia, Paige. – a voz soou macia e eu sabia quem era, o dono das mãos que estavam em mim, . Ele depositou um beijo no topo da minha cabeça, onde estava com o queixo levemente escorado e se sentou ao meu lado. – Oi, .
- Bom dia, . – minha amiga disse distraidamente enquanto arrumava seus enormes cachos negros, meu melhor amigo por sua vez tomava o restante da coca-cola na garrafa pet que estava anteriormente em minhas mãos.

A conversa soou animada sobre a festa que teria no próximo final de semana, enquanto o tempo voava. Andy apenas passou pela nossa mesa para chamar , o que fez apenas dar um “oi”, Louise ao meu lado parecia levemente derretida, com um sorriso no rosto quando Andy e já caminhavam até a porta. As calças caqui junto a blusa clara social e gravata, terminando com o casaco com o emblema estampado no peito da Kingsley, as vestimentas obrigatórias do colégio caiam muito bem neles, principalmente em . Louise e Paige tagarelavam ao meu lado enquanto eu ainda estava alheia de tudo. Naquela tarde eu tinha vários projetos para terminar no colégio, mas principalmente o de artes que eu fazia par com Matty, eu não ia continuar aquela maldita escultura em papel machê na minha casa sozinha, eu ia é colocar aquele garoto para trabalhar. Depois de terminar, larguei a escultura num dos armários extras que eu tinha alugado na escola, enquanto Matty me seguia falando de algo que eu estava levemente alheia. Hoje não era meu dia, eu definitivamente estava sentindo que tinha algo errado.

- , a tia Holly já fez o café da tarde? – questionei assim que o garoto atendeu ao telefone, torcendo para que ela já tivesse feito.
- Ela está no escritório, . – ele disse com a voz mais preguiçosa do mundo, provavelmente estava cochilando no sofá.
- Ok, então faz você o café. – resmunguei dando de ombros. – estou chegando em dez minutos e estou com fome.
- ... – ele resmungou em contragosto. estava morando um pouco longe desde o ano passado, seus pais tinham comprado uma casa beeem maior do que a antiga no condomínio, mas infelizmente era longe da minha, então eu acabava dependendo dele vir para minha casa ou de alguém para me levar para lá.
- Anda logo, ! – eu gritei, ouvindo o barulho de inúmeros carros que cruzavam aquela rua. - agora você só tem oito minutos, eu tô chegando! – o garoto desligou o telefone, provavelmente indo fazer meu café da tarde. Ficamos parados na frente do colégio enquanto falávamos sobre o trabalho de arte, até que o carro do Andy parou na nossa frente, buzinando para que eu entrasse logo.
- Tchau, Matty, até amanhã. – eu sorri breve, estalando um beijo na bochecha do garoto que parecia acenar para o meu irmão que estava dentro do carro. Corri até lá entrando no banco do passageiro. – Me leva pra casa da tia Holly.

Entrei pelo pequeno portão, empurrando a enorme porta branca dos fundos da casa num rompante, pegando distraído enquanto abria os armários da cozinha.

- Você tem que parar de entrar na casa dos outros sem bater na porta. – Ele deu de ombros, enquanto largava o pacote de torradas sobre a mesa e vinha para me dar um beijo na testa como cumprimento. – Quem te trouxe até aqui?
- Andy. – joguei os ombros pra trás, me sentando numa das cadeiras ao redor da mesa. Estreitei o olhar para meu melhor amigo, o mesmo fez uma cara meio feia como se fosse errado Andy me trazer até ali. – Que foi? Ele ta na casa da Dakota, é aqui perto!
- Bom mesmo, porque se ele estivesse vindo até aqui só para te trazer e ir embora, eu ia xingar até a décima geração dos antepassados dele. – o garoto resmungou enfiando uma fatia de queijo cheddar na boca. – Eu já te contei? – O fitei ainda em duvida, afinal, ele não tinha me contado nada, que eu me lembre. O mesmo dizia com uma naturalidade, como se fosse ganhar uma viagem para a praia no verão ou tivesse ganhado um novo cachorrinho.
- Contou o quê? – ele sorriu breve puxando da bancada da cozinha um envelope branco com o ‘’’’ escrito em negrito.

- Estou indo embora, vou fazer intercambio por dezoito meses. – foi quando o leite que eu bebia anteriormente entalou na minha garganta e parecia não descer, meu estômago embrulhou e por uma obra divina eu não cuspi o líquido que ainda estava em minha boca. Minha mente vagou por um momento, não conseguindo pensar em mais nada, foi quando Enxofre latiu ao meu lado, me tirando do meu devaneio e me mostrando um sorridente e animado.
- Uau... – foi a única coisa que consegui pronunciar por um tempo enquanto encarava-o sorrindo. – Que bom, ! Você sempre quis tanto isso... – sorri breve contente pela felicidade do meu melhor amigo, mas ainda assim, triste por ter que vê-lo partir.
- Sim, ! – ele continuou animado. – Vão ser três continentes diferente e seis meses em cada um deles. Provavelmente vou começar com a Irlanda, depois vou para a Rússia e então Austrália. Também todos eles têm um mês de férias que vai dar para eu visitar países próximos ou coisas do tipo.
- Quando você vai? – questionei-o enfiando uma torrada cheia de nutella por cima, na esperança que o doce quebrasse o amargo que se instalou em mim depois da notícia.
- Em um mês. – ele sorriu enquanto apertava o cachorro em seu colo.



Capítulo 01

‘’Então, eu me sinto feliz. E todas as estrelas riem docemente. – O pequeno príncipe.’’

A semana passou rápido e lá estávamos nós de novo, tinha ganhado o titulo de capitão do time assim que Andy se formasse, meu irmão fez questão de ir avisar o amigo que o trono era todo dele. Enquanto estávamos nós três sentadas na arquibancada, observando alguns gatos pingados espalhados pelo gramado da quadra, quando um barulho de porta batendo com força retumbou e nossos olhares foram em direção a saída do vestiário do local, lá estava os cabelos ruivos em prantos, ainda vestida em seu uniforme curto, azul e branco das torcedoras. Em sua frente Andy parecia imbatível, ela mais nova que ele, e estudava comigo e com desde o pré, a garota se achava por namorar o capitão e ainda ele ser do ultimo ano do colégio.

- Você é uma vagabunda, Dakota, é isso que você é! – ele dizia com a voz grosseira no qual a raiva estava transparecendo, o mesmo apontava para a garota com ódio. Quando um dos seus amigos, que ele dizia ser “super parceiro” apareceu atrás da Dakota, e a ira do meu irmão parecia ter triplicado.
- Cara, não é isso que você estava pensando – O amigo do meu irmão disse desesperado.
- E o que estou pensando, Sullivan? – ele riu de uma forma irônica enquanto eu me aproximava aos poucos ao lado do . – A única coisa que eu pensei antes disso era que você pelo menos tinha a capacidade de pagar um motel, agora num banheiro fedorento próximo as arquibancadas... isso é baixo até para alguém como você.
- Andy... Andy, me deixa explicar... – Dakota chorava e tentava encostar no braço do Andy que logo foi afastado do tato da mulher. – Ele me obrigou!
- O QUÊ? – Dessa vez a voz irada e extremamente decepcionada veio do garoto ao lado, o antigo amigo de ambos. – Você está sugerindo isso mesmo, Dakota? VOCÊ TAMBÉM QUIS! Desde o início dos jogos interestaduais do mês passado, você mesmo que sugeriu que...
- CALA A BOCA, CALA A BOCA. – a garota começou ter um ataque histérico. – Eu estava te usando, seu otário! Eu sempre amei o Andy, SOMENTE O ANDY, você é só mais um que eu estava usando para conseguir a vaga de modelo que sua mãe está oferecendo para a linha de roupa delas e...
- Vocês são patéticos, você, Dakota... – e então o riso saiu tão cruel da boca do garoto que dividia a mesma herança comigo. - Não esperava nada de você. Mas, Sullivan, eu achei que você era alguém melhor, achei mesmo, cara, sinto muito, nem para ela ter te usado porque gostava não foi, tudo por uma vaga de modelo... – ele riu alto.
- ANDY! Eu te imploro, eu te amo desde a quarta série, você sabe! Fui eu que colocava aquelas cartinhas no seu armário, e era eu também que convenci o treinador de te colocar oficialmente no time... – ela dizia em meio a lágrimas e respiração descompassada, agachada na frente do meu irmão.
- Você está insinuando que eu só entrei no time por você? – a sua risada permaneceu irônica e ele deu um passo para trás quando a garota abraçou sua perna, se desvencilhando da mesma.
- MAS FOI! – ele negou com a cabeça, confiante.
- Eu acho que vocês devem ficar mesmo juntos, dois fracassados, podem facilmente se levarem para o buraco junto, estou indo para Columbia. – ele sorriu de forma superior, e então encarou o casal de amigos a sua frente. – E estou indo para lá com bolsa esportiva, o treinador Gonzales me colocou no time depois de ter me visto jogar na liga infantil do Boston Club, isso talvez até antes de você se mudar para Boston. Ele me acompanhou em times pequenos até me trazer para cá, minta menos, Dakota. E você, cara, eu sinto muito. Isso é para você aprender que não se trai seus amigos. – Andy em um momento de apatia atingiu um soco na bochecha de Sullivan, limpou suas mãos e se virou de costas para os dois, Dakota que tinha o espanto em seu rosto e Sullivan o sangue, e caminhou até a saída do estádio, saindo orgulhoso.

A vida caminhava por seu destino, levando cada um de seus pertences para seus retrospectivos caminhos. se preparava todos os dias para sua ida, Andy, aproveitava todos seus últimos minutos na cidade e com aqueles que ele realmente amava e sabia que valia a pena. Tudo acontecia rápido demais, Andrew esqueceu, ou pelo menos dizia e parecia, o acontecimento com Dakota e Sullivan e voltou ser o mesmo que sempre foi, como se aquilo nunca tivesse o afetado. estava orgulhoso, tinha sua vaga de capitão quando voltasse do exterior e sabia que estava indo para uma aventura que por tantos anos planejou e agora iria se concretizar. Meus pais pareciam transbordar de orgulho do Andy ter ganhado a bolsa na universidade de direito, todos pareciam seguir suas vidas, se preparar para ir, e eu, me preparar para ficar. Enquanto parecia que todos ao meu redor contavam os dias, dormiam carregando a ansiedade e adicionando algo à mala, eu parecia não querer dormir, como se isso fosse impedir do dia acabar. Toda noite eu me esforçava, ainda que inutilmente, para ficar acordada, como se impedisse o dia de finalizar, mesmo que tinha a consciência que o sol a algumas horas ia chegar.
E então o dia amanheceu mais uma vez, a claridade fez meus olhos se abrirem e encararem o teto branco do meu quarto, mais uma vez, ainda tinha algumas estrelas grudadas no teto, aquelas que brilhavam no escuro, mas eu não ligava mais para elas.

Droga, é dia outra vez.

POV.

Flashback’on

“Mas se tu vens a qualquer momento, eu nunca saberei a hora de preparar o coração.” – O pequeno Príncipe.
A noite dos garotos era como um rito mensal: toda ultima sexta feira do mês eu ia para casa do Andy, ou o contrário, para nos entupirmos de coca cola e salgadinhos enquanto gritamos em frente à TV do vídeo game. Eu sempre acabava esquecendo que morava na mesma casa, afinal, ela nunca aparecia na noite dos garotos. As horas passavam com facilidade enquanto riamos de alguma piada interna, ou sobre alguns vídeos da internet que Andy insistia que tinha que me mostrar. Quando a porta se abriu, nosso riso foi cessado, e nossos olhos correram para o local a procura de alguém, e lá estava: O cabelo bagunçado, como se ventasse em seu rosto levemente, enquanto os mesmos se balançavam sutilmente, e alguns fios grudados em sua bochecha por causa das lágrimas. O pijama rosa do que parecia ser soft, parecia quente e aconchegante, junto a sua pantufa de unicórnio branquíssima, e por fim ela tinha um macaco de pelúcia em seus braços, ao qual ela estava agarrada.

- Andy... – ela ia dizer quando seus olhos levemente nublados percorreu o quarto do irmão todo iluminado, se surpreendendo levemente com a minha presença, mas tentando não deixar transparecer. – Oi, , esqueci que era o ultima sexta do mês.
- O que você quer, ? – o irmão questionou sem largar os olhos do vídeo game.
- Posso dormir aqui com você? Eu tive um pesadelo, a luz de fora que ilumina meu quarto provavelmente queimou. – a loira disse manhosa, como se houvesse acabado de parar de chorar. Fiz sinal para que ela entrasse. E então ela entrou, com seu inseparável macaco de pelúcia, o mesmo que ela tinha dado o nome de “macaco louco” por causa do seu desenho favorito: as meninas super poderosas. E com seu pijama e pantufas ela veio em nossa direção, apenas podia se ouvir o barulho da sola de suas pantufas entrando em contato com o chão. E, quando me virei e olhei para ela que se sentava ao meu lado no carpete do quarto, a luz refletiu sobre seu lindo cabelo e iluminando seus olhos verdes. Eu nunca tinha a visto assim... tão bonita. Ela realmente havia me pegado desprevenido e toda a minha atenção foi dispersa em segundos, do vídeo game para ela. A garota me olhou fixo e senti meu coração acelerar, meu rosto queimar e ao mesmo tempo a sensação de leveza. Apenas sorri para ela, envergonhado, a partir daquele momento surgiu algo que eu nunca havia sentido por ela: algo que me deixasse tão disperso, nervoso, envergonhado e... apaixonado.
O sorriso da garota desapertava vontades novas: viajar o mundo ao seu lado ou encontrar a cura para o câncer. Ela era motivadora, e passar todos esses anos ao seu lado era algo que eu nunca pedi, nunca pensei que seria tão legal: meu foco era na amizade com Andy, mas a garota veio de mancinho e tomou um enorme espaço em meu peito, como se estar com , fosse uma parte da minha vida que não tinha como passar dias sem vê-la. De uma coisa eu sabia: sortudo seria o cara que quem ela gostaria.

- GANHEI! – o grito do Andy ecoou pelo quarto, ele havia zerado o jogo e me derrotado, eu estava completamente distraído. Enquanto ele me zombava por ter perdido, seu olhar simplesmente parou e olhou novamente para sua irmã, fixou seu olhar no bicho de pelúcia dela, assim o agarrando em suas mãos e fazendo graça com o macaco. - Oi, sou o senhor macaco louco. HAHAHA VOU DESTRUIR O MUNDO! – Andrew zombava andando pelo quarto com o macaco pelo ar.
- Me devolve, Andy! – seus braços já estavam cruzados e seu bico quase em três metros. Ela olhava o irmão seriamente, enquanto o garoto continuava andando e rindo. - Me devolve, Andy, é sério, para!
- Olha, senhor macaco louco, a Banana quer você de volta. Você gostaria de voltar para ela? – o herdeiro da família Edwards dizia fazendo um dialógo com o macaco de pelúcia e o colocando em seu ouvido, como se estivesse ouvindo sua decisão.
- , sinto lhe informar, o senhor macaco louco não quer voltar para você, ele me disse que você o obriga a tomar chá com as suas bonecas. – Andy deu de ombros dizendo para a garota.
- Para seu babaca, me devolve logo ele. – Andy a olhou, lê lançando um sorriso maléfico.
- Vem pegar! – e então ela pulou em sua direção, tentando agarrar seu macaco, o que fez com que os dois ficassem correndo por alguns cinco minutos, enquanto eu apenas os observava. se cansou, começando chorar vendo que ele não devolveria, aquilo partiu meu coração. Andy então decidiu fazê-la de bobinho, e jogou a pelúcia para mim, esperando que eu continuasse a brincadeira, mas assim que o macaco caiu em minhas mãos a entreguei, ela abriu um sorriso breve, agarrando o bichinho. Andy revirou os olhos enquanto xingava baixo, e então puxou seu edredom para sua cama e se enfiou lá.
- Eu vou dormir. – ele disse de uma forma um tanto grosseira, se preparando para dormir e consequentemente se desligar do que acontecia pelo quarto. Assim ficamos só eu e ela ali, sentados num puff que tinha virado para a enorme janela do quarto do meu amigo. Levou algum tempo para eu acalmá-la. Da janela, podíamos facilmente ver o lindo céu estrelado.
- Obrigada, , você foi um ótimo amigo em me devolver o senhor macaco, Andy não devolveria. – ela abriu um enorme sorriso, e então seus braços rodearam meu corpo em forma de um abraço, ficamos ali por alguns instantes, os quais eu não queria que acabassem. Ela me contava que não gostava do escuro e também como foi seu pesadelo. Me levantei apagando as luzes, largando apenas um abajur no canto do quarto aceso. O breu da escuridão a fez se encolher um pouco, me sentei ao seu lado.
- Feche os olhos. – eu disse a encarando, que pareceu não querer concordar em fechar.
- Para quê? – ela questionou com um breve riso.
- Fecha os olhos. – eu repeti com mais firmeza e um leve sorriso brotando em meus lábios.
- Ei, só me fala o porquê – a garota me encarou em dúvida.
- Feche os olhos que vai saber. – abri um sorriso em direção da garota, que ainda receosa fechou. - Ok, me diz o que vê.
- Não vejo nada, está como a noite, tudo escuro. – ela riu quando me respondeu.
- Agora, abra seus olhos. – os abriu sorrindo. – Olhe para o céu e veja as estrelas que iluminam o céu, elas são incríveis. – ela se inclinou um pouco, se aproximando mais da janela imensa de vidro, observando cada estrela. Reparei como seus olhos acompanhavam a cada astro. – Viu? A escuridão não é tão ruim assim. A escuridão é o mistério, é a beleza daquilo que só se pode ter quando ta tudo escuro. Você não precisa ter medo, porque só dá para ver as estrelas quando se tem a escuridão.
- Obrigada, , você é meu herói. – ela sorria de forma tão larga, que eu jurava que depois suas bochechas iriam doer, a garota segurou em minha mão, enquanto senti seus lábios mornos encostarem em minha bochecha direita, como um leve beijo. Ficamos ali por horas a fio, observando aquela lua minguante que iluminava todo o restante do céu, junto com suas companheiras estrelas.





Capítulo 02

"Sua tarefa não é de prever o futuro, mas sim de o permitir. – O pequeno príncipe."

Era meu último dia em Boston, e por um momento eu podia jurar que sentiria uma puta falta daquele barulho desgraçado de navios às cinco da manhã de sábado. Já havia me despedido de toda minha família, avós, tios, parentes e até cachorros. Me despedir de pessoas era difícil, mas ter que me despedir do Enxofre era terrível, o Boston Terrier insistia em me olhar com uma carinha como se pedisse para que eu o levasse comigo, e de fato, eu queria, queria muito. Tinha falado com mais cedo mas a garota estava nervosa com alguma coisa e não parava de xingar Andy pela casa enquanto falava comigo, um tempo depois liguei para Andy, e ele parecia tão estressado quanto a irmã mais nova. Meu quarto estava limpo, tinha sobrado as paredes azuis claras, e alguns brinquedos espalhados pelo chão, os mesmos que antes estavam encaixotados e empoeirados em cima do guarda roupa. A cama só tinha o lençol branco e apático, e ver todo meu quarto daquela forma, dava a leve sensação de que eu nunca tivesse estado ali.
Partir era uma palavra que eu não gostava de usar, preferia: viajar. Estava completamente empolgado com a viagem e com as diferenças culturais e até locais do meu percurso. Seriam três continentes diferentes, em apenas um ano e meio, e os três, sendo bem diferentes um do outro. Teria a Irlanda úmida, a Rússia congelada e o eterno verão da Austrália, e nenhuma Baia com uma loira tão irritante quanto uma Edwards. Às dez da noite a buzina do carro do Andrew soou estrondosa em frente de casa, ele disse algumas palavras com a minha mãe, já que ela logo começou gritar para que eu descesse.

- Ei, cara, vamos pedir uma pizza lá em casa, a última em um bom tempo todos juntos, você sabe, eu vou para NY no fim do ano... - Meu melhor amigo de infância disse sorrindo breve. Ele estava um pouco penteado demais para comer pizza, mas tudo bem.
- A propósito adorei sua jaqueta de couro, querido. – minha mãe disse sorrindo passando a mão sobre o rosto do Andy. – Ai, meu Deus, olha como meus meninos cresceram, parece que foi ontem que vocês trancavam animais no porão e nomeavam patos com o nome Pattinson.
- Mãe... – eu resmunguei fazendo uma careta breve, a risada nasalada saiu da boca de Andrew que se divertia com a situação toda, talvez relembrando cada uma das coisas que fizemos quando pequenos.
- Mas é, , olhando para sua cara de menino direito eu nunca diria que é o mesmo que me ajudava a zoar os estrangeiros e colocar medo nas crianças menores na Disney. – ele riu, indo em direção ao seu carro que estava estacionado em frente de casa. – Beijo, tia Holly!
- Manda um beijo pros seus pais, querido! – minha mãe gritou da porta, enquanto eu caminhava junto a Andy. Conversávamos sobre o ultimo jogo do colégio enquanto o carro acelerava pelas ruas de Boston. Assim que ele adentrou o meu antigo condomínio seguindo até sua casa, a mesma estava toda apagada. Descemos e seguimos até a porta, mas a mesma se abriu no exato momento em que eu iria puxar o trinco, me surpreendendo por completo.
- Olá, bem vindo a despedida do , tem nome na lista, senhor? – disse com um sorriso malicioso em minha direção. O vestido branquíssimo com a alça fina e justo em seu tronco delineava bem seu corpo: os seios esculturais e a cintura fina, depois o vestido se soltava mais até o meio da coxa da minha melhor amiga. Observei o salto nude e a maquiagem mais pesada do que o usual.
- É serio? – eu ri nasalado, agarrando minha melhor amiga que estava muito gostosa, em um abraço. Ela passou seus braços pela minha nuca, retribuindo o abraço. Andy reclamava de algo, provavelmente de nós.
- E parece que não é sério, por acaso? – ela retrucou, recebendo meu olhar de negação, com um breve riso.
- Dá pra entrar logo?! Parecem um casalzinho. – Andrew disse com uma cara de poucos amigos. Quando eu e nos viramos para entrar o local, ela passou a mão direita sobre meu braço pisando para dentro do hall que estava infestado de gente. Ela balançou a cabeça positivamente para alguém que eu não enxergava em meio a todo breu e a casa tomou vida: A música alta eletrônica, algo como Charli XCX soava alta demais e as luzes coloridas e frenéticas dando uma sensação de tudo estar em câmera lenta foram acionadas. – Cheers, meu casalzinho, cheers! – Andy surgiu em nossa frente com dois copos próprios de tequila com a mesma e um sorriso totalmente sugestivo e sacana para nós dois.
- Cheers, coisinha chata! – ela resmungou ao meu lado, imitando meu gesto e pegando o copo, os três copos brindaram no alto e viramos ao mesmo tempo, sentindo a bebida rasgar nossas gargantas.
- Sinto que você vai ser expulsa desse condomínio depois que acabar essa festa de arromba. – sussurrei no ouvido da minha amiga cuja visão se perdia em algum lugar da escuridão, e ela deu um pulinho provavelmente se surpreendendo com a proximidade.
- Então faça minha expulsão valer a pena, golden boy. – A voz da garota soou rouca e próxima demais, ainda mais com todo o barulho. A mesma disse e saiu em direção ao que parecia um bar, observei sua silhueta caminhar com aquele pedaço de vestido e de mau caminho. Durante toda minha vida, minha mãe tinha me ensinado a não levar as coisas para malícia e ser um cavalheiro. Mas estava impossível com daquele jeito, com aquele sorriso malicioso mesmo que não tivesse toda a intenção que eu gostaria que tivesse e com a voz rouca próxima ao meu ouvido entre uma dose ou outra.
- , QUANTO TEMPO, DUDE! – Um cara segurou meu braço rindo, me puxando para o meio da muvuca que se acabava de dançar, sobre o strobo de led que parecia tudo tomar um efeito de câmera lenta. Perdi de vista por um momento, mas ainda teria todo o restante da noite para a encontrá-la.
- GEORGE? DO CRICKET? – nossas vozes soavam altas pela batida que retumbava sobre todo local. O riso brotou em meus lábios me questionando de onde Andy tinha reencontrado aquele cara, a ultima vez que o vi tinha sido aos doze anos. – Você não tinha se mudado pro Texas?
- Ainda moro lá, cara! – ele dizia rindo, enquanto bebericava o copo. – Mas você sabe, já não se recusa um convite vindo de Andy Edwards, agora quando vem da irmã gostosa dele, é uma convocação, impossível de recusar. – ele disse malicioso, me fazendo entortar o nariz levemente incomodado, enquanto ria e se remexia na batida do som.
- Você precisa ver quem tá aqui bro. – Andy surgiu animado, me puxando para o jardim todo iluminado, e enfiando um dos copos vermelhos cheios de algo alcoólico em minha mão.
- Gunterton? – Eu disse caindo na gargalhada, observando o ruivo no meio do jardim lotado por iluminação e gente. Ele era um garoto escocês, que conhecemos no acampamento de férias de quando tínhamos oito anos, no primeiro ano ele delatou Andy por roubar doce do refeitório de madrugada e subornar umas crianças para trocar de quarto porque o delas era mais espaçoso, o fato dele ter sido vacilo - e o Andy super inteligente: porque conseguimos os melhores e maiores chalés do acampamento inteiro, sem contar o tanto de doces que tínhamos. – acarretou no verão seguinte, o nosso plano maligno entrar em ação: colocar Gunterton preso no nosso banheiro do chalé, por um dia inteiro, com algumas barrinhas de kit kat e uma garrafa de chá velho por um dia inteiro. Eu sei, maldade, mas pensa assim, se Andy não fizesse o furto anual dos doces, nem kit kat ele teria. No verão seguinte viramos amigos e nos encontrávamos no Camp Hill. A ultima vez que tínhamos nos visto era no ultimo verão que tínhamos ido para lá, talvez uns dois anos atrás.
- Você sabe, esse demônio Bostoniano sempre encontra suas presas. – Gunt já dizia se justificando antes que eu perguntasse como. O riso preencheria o local se não fosse pelo barulho, segui para o mesmo que me abraçou entre risos.
- Como é bom te ter aqui, cara, agora que estou finalmente indo para longe das ameaças do Andy... – indiquei para meu amigo ao meu lado com o dedo enquanto ria. – Posso confessar, ele me obrigou fazer tudo aquilo com você no verão da terceira série.
- Verdade. sempre foi o orgulho da mamãe. – Andy dizia rindo, enquanto eu virava o copo em minha boca. Virei meu olhar para onde Andy encarava indignado. Dakota, mesmo depois de ter o traído, estava lá.
- Eu não acredito que aquela cachorra no cio está aqui! – ninguém tinha dito uma palavra, mas a loira com seu maldito vestido apareceu no meio de mim e de Andy. Ela estava furiosa. – Gunterton? O do camp Hill? – ela perguntou rindo enquanto o garoto o abraçava em cumprimento. - Bom te ter por aqui, agora tenho que expulsar algumas cadelas, porque a minha casa não é um canil. E os dois, comigo, agora!
- Eu poderia dizer que nossa casa é uma selva por causa de você, maninha, mas como estou super apoiando seus atos essa noite, isso aqui é um castelo. – revirou os olhos em direção o irmão e então passou o braço esquerdo pelo braço do loiro e em seguida o direito pelo meu braço, enquanto caminhávamos os três, assim como caminhávamos quando éramos pequenos, em direção ao bar. O olhar da era de retaliação, e eu não esperava que ela fizesse menos que isso.
- Pois não... – ela disse prudente fazendo uma cara de desentendida, com uma breve mordida no lábio e o dedo indicador na bochecha indicando sua dúvida. –Se eu não me engano, o canil é do outro lado da rua.
- E por que você não está lá? – a ruiva revirou os olhos se debruçando sobre a mesa do “bar” com o copo meio cheio em sua mão.
- Desculpa me confundi, seu lugar é mesmo no galinheiro, o seu namoradinho fracassado deve estar a te esperar. – ela fez sinal de que a outra saísse, mas Dakota a ignorou dando uma risada debochada, o que fez a pele da minha melhor amiga se avermelhar, num rompante ela se soltou de mim e de Andrew, partindo para mais perto e virando o copo anteriormente na mão de Dakota sobre seu vestido azul bebê, o líquido vermelho fazia uns rastros, assim como todos que viravam e encaravam a cena, boquiabertos. Ela sabia deixar rastros por onde passava: vestidos bem manchados, homens animados, e Dakota’s com o semblante de derrotada. – Sullivan limpa essa mancha para você... no galinheiro. – ela sussurrou a ultima parte próximo a garota. – Agora sai daqui, Dakota! – a garota saiu andando até a porta enquanto ia logo atrás para confirmar que a mulher sairia de seu portão.
- Eu ouvi um uau? – eu ri nasalado próximo a ela que por um momento ao ouvir minha voz pareceu sentir seu corpo aliviar.
- Acho que isso merece uma dose dupla de tequila! – Andrew comemorou chegando com a garrafa que só ele tinha em mãos, já que o restante da festa se contentava com vodka e cerveja. Nos sentamos de frente para o balcão, que Andy estava do outro lado enchendo nossos copos. Viramos juntos o primeiro copo, que logo foi preenchido novamente por Andy, sendo virados em seguida. – Eu sei que falei dose dupla, mas isso ta soando tão certo que merece uma bônus.
- Você não vale nada, Andrew. – eu resmunguei sorrindo e erguendo o ultimo copo enchido como um brinde e virando em seguida. O garoto deu de ombros, saindo de perto de nós. – Vem.
- ... – ela resmungou rindo enquanto ia de bom grado atrás de mim, que lhe puxava levemente pela mão pelo meio da multidão. Ela puxou dois copos já cheios de bebida da mão de uma garota que havia visto recém pegado no bar, me entregando um deles. Nossos corpos já dançavam no ritmo da bebida mais leves do que antes.

- Smile gon’ take yoy places, and I know you wanna see some places. Just stop lookin’ for love. – (esse sorriso aí vai te levar a vários lugares, e eu sei que você vai ver outros rostos. Apenas pare de procurar pelo amor). Cantarolei próximo a garota que sorria amplo, enquanto fechava os olhos e se deixava levar pelo som. Terminei meu copo virando inteiro e puxando o segundo do balcão, a bebida começava subir e a luz negra surtir mais efeito de câmera lenta, eu só conseguia vê-la dançando em meio a toda multidão.
- A feeling that we both feel, something that is so real. But I gost to let you know slowly, well, it may be truthfully, but you just gotta stop looking for ir. – (um sentimento que nós dois compartilhamos, uma coisa que é tão real. Mas eu tenho que te contar aos poucos, bem, pode ser verdadeiro, mas você precisa parar de procurar por ele). A garota sussurrou junto a música próximo ao meu ouvido, fazendo os pelos do meu pescoço eriçarem , sua mão ficava em meu ombro enquanto ela se movia.
- Come give it to me, yea, ah, yea .– (venha se entregar para mim.) continuei a parte que prosseguia a qual ela havia cantarolado. Toda aquela música era tão sugestiva, a parte que ela havia esperado para cantarolar, podia facilmente significar algo, mas depois de vários copos de álcool e algumas doses de tequila nada mais era certo.

- , tem mais algumas pessoas que querem te ver. – Andrew chegou me puxando, me tirando dos meus devaneios, se virou encontrando uma amiga logo atrás de si e continuou a dançar. O restante da noite seguiu daquela forma, inúmeras pessoas falando dos bons momentos que tinha passado comigo e como desejavam que eu aproveitasse em cada continente que passasse, bebida, mais bebida e mais uma velha história da corrida de sacos da sétima série que Lizzye Izzie caiu no chão e seu nariz sangrou, e eu fui o único a ajudá-la, mais bebida, câmera lenta e uma já muito bêbada, mais meia dúzia de pessoas me abraçando e dizendo que iria sentir minha falta no clube do livro, aquele que eu frequentei apenas algumas vezes, encontrei um pessoal que conheci num bar quando Andy fez 17, e Andrew voltou com algo que ele chamava de novo drink que tinha preparado.
- Espero que goste da Austrália, tenho saudade de lá. – uma garota bronzeada dos cabelos longos castanhos, lindíssima dizia com o sotaque arrastado de outro local.
- Puta que pariu, cara, sai da minha casa! - Andy berrou, jogando um cara porta a fora, minha visão já parecia me trair e minha mente vacilar. Conforme o tempo as pessoas bêbadas começavam a vazar do local, Andrew já puto voltou em minha direção. Há algum tempo eu já tinha percebido o quão mal eu estava e decidi ficar escorado no bar. - Dude, leva a para o meu quarto, o dela ta trancado e eu não sei onde ela enfiou a chave, e muito menos ela bêbada desse jeito sabe. - Eu estava prestes a perguntar o porquê, mas me vi cortando a sala dos Edwards em seguida e indo para cima do garoto que insistia em agarrar minha melhor amiga enquanto ela se debatia e gritava para que parasse.
- Ei, tira a mão dela, filho da puta! – empurrei o cara que cambaleou para trás. – Andy, tira esse desgraçado daqui.
- É pra já bro. – Ele puxou o cara o arrastando forçadamente pelo braço até a porta. Enquanto eu subia as escadas com a em meu alcance. Seguimos para o quarto do Andrew, puxei a chave de dentro do vaso de planta do corredor e destranquei o mesmo, a garota entrou se sentando cambaleando até a janela de vidro do quarto do irmão, me sentei ao seu lado.
- Você ainda se lembra do acontecimento das estrelas? – ela questionou, me encarando nos olhos e ela estava tão linda, os olhos brilhantes e o sorriso sereno. Ajeitei-me perto dela, me encostando ao vidro.
- Como esquecer? Você estava tão linda, acho que aquele dia comecei a me apaixonar. – eu ri nasalado, as palavras fluíam tão bem, que mesmo que minha mente alertasse que estava falando demais, eu não parecia ligar.
- E depois continuou se apaixonando? Por quem? – ela parecia tão bêbada quanto eu. – Aquele dia das estrelas eu descobri que iria ser zoada pro resto da minha vida pelo meu irmão se ele descobrisse que eu gosto de você. – ela riu junto a mim, as palavras se embaralhavam.
- Depois comecei me apaixonar em grandes proporções, eu acho. – eu continuei falando enquanto meus olhos percorriam pelos lábios da garota, que mordia o mesmo levemente.
- Isso é uma loucura. – ela disse num sorriso brevemente sacana e se aproximou. – Tem um cisco no seu olho, fecha. – ela ordenou e eu o fiz, os dedos macios da garota percorreram minha pálpebra levemente e assim que tirou o mesmo, deslizou pela minha bochecha, senti sua respiração bater sobre meu rosto, o cheiro de La vie es belle misturado com o cheiro de álcool parecia me entorpecer, foi quando grudei nossos lábios, que logo se tornou um beijo voraz, sua mão percorria sobre minha nuca, puxando meu cabelo sem certo cuidado, mas eu não me importava, enquanto minha mão passava por sua cintura. Depois de algum tempo que foi passado entre alguns beijos e conversas curtas, ela encostou a cabeça em meu ombro, enquanto seu olho parecia querer fechar. Minha mente parecia rodar e eu tentava fechar os olhos com força pra ser se passava, mas era em vão. Então fechei meus olhos, e cochilei.
- Puta que pariu, eu apoio vocês tudo bem, mas no meu quarto não. – a voz do Andrew parecia super distante, e meus olhos pesados, foi então que percebi, ele ainda não tinha adentrado o quarto direito. – Vocês estão bebassos. , acorda, brother. ! Acho que sobrou pra mim. – foi quando senti o peso da ser retirado do meu ombro, e senti meu corpo cair sobre o estofado macio da cama do meu melhor amigo. – Oi, tia Holly, não, não, que isso! Ele ficou sem bateria e acabou dormindo, mas ele ta bem, falo pra ele ligar quando acordar. Ok, tia, eu digo. Boa noite. Igualmente, que Deus te abençoe, tia.



Capítulo 03

“O que nos salva é dar um passo e outro ainda. – O pequeno Príncipe.”

POV’

[N/a: é citada como trilha sonora dessa parte a música da Alessia Cara com Zeed. – Stay, se quiserem colocar para tocar eu super recomendo!]

Depois que se foi, o céu se escureceu, se recolhendo para seu choro, assim como eu havia feito. As enormes paredes de vidro do aeroporto davam a visão do avião partindo, partindo junto a sua partida, meu coração. era o que eu tinha de ouro em minha vida, era as partes ensolaradas de dias nublados. Mas então quando ele se foi, entrando naquele avião e mandando um ultimo aceno foi quando tudo começou: eu já não entendia nada e minha visão estava embaçada: dirigi para casa daquela mesma forma que cheguei ao local, mesmo que o caminho fosse o mesmo, as roupas que eu vestia e as ações tomadas no trânsito, tinham uma diferença gritante: Quando cheguei ao aeroporto, levei meu melhor amigo, meu parceiro de todas as brigas, as poucas que eu arrumei na vida. Levei o cara que me fazia rir às sete da manhã, e gargalhar ainda antes do almoço, quando o bom humor é precário e o sono dominante. As sardinhas que tinham voando pelo seu nariz e bochechas, dessa vez, voaram para longe de mim. As mesmas que costumavam estar tão perto dos meus olhos, igual àqueles enormes cílios negros que decoravam seus olhos brilhantes enquanto ria comigo. E por um momento, perto demais, despertando coisas que um dia eu achei que havia esquecido no fundo do baú, o mesmo que eu guardei o Macaco Louco e minhas Barbies, o mesmo que o garoto me ajudou a catar os brinquedos espalhados pelo chão e enfiar no recipiente. Da mesma forma que o voo levou quem eu queria que ficasse, trouxe junto a ele algo que estava perdido, mas nunca de fato morto: aquelas malditas borboletas no estômago que faziam cosquinhas por todo meu ser, quando estava perto. Eu as havia esquecido, de fato, que maldade, eu não sei onde elas tinham se enfiado em meio a toda aquela confusão, mas a ironia era tão grande, que as malditas decidiram reaparecer, mas justo quando a personificação de quem as fazia aparecer, sumiu de vez.

Waiting for the time to pass you by, hope the winds of change will change your mind.(Esperando o tempo passar para você, espero que os ventos da mudança te façam mudar de idéia.)

Flashback on’
- Meu avião chegou. – disse baixinho próximo a mim, eu estava agarrada ao garoto que sorria breve, porém visivelmente com dor no coração por partir. Eu o encarei nos olhos como se pedisse para não ir, mas de fato eu não era tão egoísta assim, ele tinha que ir. – Você vai ficar bem?
- Temo que sim. – eu sorri fraco o encarando, ele passou as malas em direção a um funcionário que iria fazer o despache das mesmas até o carrinho que as levaria até o transporte final. O garoto sorriu de forma que me partiu o coração, então ele passou suas mãos por toda a extensão do meu rosto levemente, como se fosse memorizar cada pedacinho de pele do mesmo.
- Aposto que os duendes e enormes canecas de Chopp verde estarão me recebendo de braços abertos. – o moreno riu com um breve humor referido ao seu novo país, ele me encarou nos olhos de forma fixa e séria.

I could give a thousand reasons why, and I know you, and you’ve got to make it on your own, but we don’t have to grow up.( Eu poderia te dar mil motivos, e eu te conheço, e você tem que fazer isso sozinho, mas não temos que crescer.)

- Não mais que eu, quando você voltar. – dei o meu melhor sorriso, e ele riu baixo mexendo a cabeça lentamente. O aeroporto todo iluminado, algumas pessoas espalhadas carregando suas malas para sabe se lá quais eram seus destinos finais, eu não queria saber, eu não queria saber de mais nada além de: qual seria o meu, destino final, sem por aqui. O garoto permanecia levemente abraçado comigo enquanto tudo tomava movimento, aviões decolavam e outros pousavam, assim como nós deveríamos fazer, ele finalmente voar e eu, quem sabe repousar em minha cama e não sair de lá. estar indo de fato não era o fim do mundo, ele voltaria, eu tinha certeza. Ainda nos falaríamos enquanto ele estivesse lá, e ele ainda poderia me alegrar pela manhã, não todas elas, mas quem sabe algumas. Mas o fato de passar um ano e meio sem ele, e todo o restante depois sem Andy estava me desanimando de uma forma que eu não podia explicar.
- Eu quero só ver o escândalo que você vai aprontar, quando esse mesmo avião for pousar. – ele gargalhou leve, com os braços ao meu redor.
- Você nem imagina o que eu estou preparando, golden boy. – acompanhei a risada dele, enquanto meus olhos estavam fixos em toda a extensão de seu rosto, tentando memorizar como era cada uma de suas sardas, ou como seu sorriso de lado podia ser mais encantador de como eu me lembrava. - Tem horas que eu acabo achando, que vou realmente te prender na dispensa, e não te deixar escapar de lá, até esse voo decolar.
- Eu logo vou voltar você vai ver, quando menos esperar vou estar aqui do seu lado de novo – o garoto piscou galanteador para mim me fazendo rir breve, sua mão direita seguiu pela bochecha acariciando-a. Nossos rostos próximos demais, seus profundos olhos azuis que pareciam me examinar estavam fixos aos meus, me sentia apática de qualquer sensação. – Eu realmente tenho que ir agora, meu anjo. – Sua voz foi como um sussurro, seguido por um suspiro, por inúmeras vezes pensei o quão aquilo era impossível, que iria estragar nossa amizade e era só uma mera atração. Foi quando seus lábios ternos e apreensivos grudaram nos meus, na mesma calma daquele beijo da sexta série, quando jogávamos sete minutos no paraíso: apenas um encostar de lábios, um selinho terno e que parecia ter sido dado com todo o amor do mundo. Quando seus lábios desencostaram dos meus o vi fechar os olhos com força, e então se virar para se distanciar de mim, agora já com seus olhos abertos e fixos no ponto final em direção ao avião. O observei caminhar, estando estática ali, como se meus músculos depois de tal ação houvessem congelado por completo, se revoltaram contra mim e não queriam mais exercer seus retrospectivos serviços. O vi por fim, no ultimo trecho, antes que saísse da área coberta e não tivesse mais volta, o único rumo que ele teria que seguir seria o enorme avião.

We can stay forever Young, living on my sofa, drinking rum and cola, underneath the rising Sun. I could give a thousand reasons why, but you’re going, and you know that.
(Podemos ficar jovens para sempre, vivendo no meu sofá, bebendo rum e coca cola, de baixo do sol nascente. Eu poderia te dar mil motivos, mas você esta indo, e você sabe que.)

- ! – Eu gritei, fazendo alguns funcionários se virarem em minha direção, o garoto virou-se vagarosamente com medo do que eu fosse fazer, ou então reclamar. Meus passos cortaram todo o enorme corredor de pisos branquíssimos, com toda a velocidade que eu nem ao menos tinha pensado em ir até o garoto. Ele abriu um sorriso surpreso ao me ver correndo para seus braços. Pulei no colo do garoto, que passou os braços por baixo das minhas coxas me dando suporte, minhas pernas se prenderam ao redor da cintura do garoto que por anos vi crescer, minhas mãos seguiram por seu rosto, finalmente tateando cada partezinha dali, e sem mais esperar, depois de mais de dez anos e alguns sonhos que um dia deveria fazer isso, eu o beijei, não como o tocar de lábios que ele havia me dado há alguns minutos, um beijo. O qual seus lábios macios percorreram pelos meus com uma calma e necessidade inigualável, minha mão se perdeu pela curva do seu pescoço enquanto meus dedos da outra mão se perdiam em meio ao cabelo do garoto, quando nossas línguas se chocaram lentamente, tomando seu ritmo e forma, meu corpo parecia agradecer, as borboletas tinham voltado a invadir um espaço que eu nem sabia mais que ainda lhes pertencia.
- Assim vou me sentir culpado de ter que ir. – o garoto riu breve, ainda com nossos lábios próximos e respirações levemente descompassadas, ele beijou o topo da minha testa, finalmente me colocando no chão. – Queria poder te levar comigo.
- Tá achando que sou fácil assim, senhor ? – eu fiz careta o que o fez rir. Eu tinha que deixa-lo ir, eu iria parar de fazer gracinhas e finalmente enfrentar sua partida.

All you have to do is stay a minute, just take your time, the clock is ticking, so stay. All you have to do is wait a second, your hands on mine. The clock is ticking, so stay.( Tudo o que voce tem que fazer é ficar um minute, leve o tempo que precisar, o relógio está correndo, então fique. Tudo o que você precisa é esperar um segundo, suas mãos nas minhas. O relógio está correndo, então fique.)

- Se cuida, ok? Eu queria estar para fazer isso, mas como não vai dar, por favor, se cuida! – ele sorriu enquanto eu concordava com a cabeça, o garoto grudou nossos lábios mais uma vez, antes de desaparecer pelos próximos um ano e meio. O corredor se tornou vazio, e em breve eu o enxergava pelo vidro, caminhar até o avião, que foi só ele entrar, para decolar.

Flashback off’

Em uma cidade costeira, num enorme país do continente americano, com seus 645.966 habitantes, Boston ainda estava agitada, sua população ainda corria para não se atrasar, ou para os braços de seu amor, e eu, corria para os braços da solidão. agora não era mais um dos 645.966, Boston tinha um -1. O meu protagonista favorito do acontecimento das estrelas, agora não era só meu, ele era também do mundo, talvez estivesse indo contar estrelas marinhas na Oceania, depois de dançar seis meses por todos os pubs que devem ter pelo percurso das ruas estreitas e cheias de curvas de Galway, aposto que depois de muitas Guiness várias garotas vão querer o chamar para dançar. É o que eu faria se eu estivesse lá, é o que eu faria se eu tivesse me tocado há apenas um ano, e eu nem precisaria ir para a Irlanda para fazer tal proeza se concretizar.

All you have to do is stay. Won’t admit what I already know, I’ve never been the best at letting go. I don’t wanna spend the night alone, guess I need you, and I need to.

(Tudo o que você tem que fazer é ficar. Não vou admitir o que eu já sei, nunca fui a melhor em desapegar. Não quero passar a noite sozinha, acho que preciso de você, e eu preciso.)



Capítulo 04

"Preparar o futuro, significa fundamentar o presente. - O pequeno Príncipe."

POV.

Partir de fato nunca era fácil, ainda que fosse por um bem maior me sentia um traidor da pátria, largando pais e "irmãos" para trás. Mas por fim, não estava. Desde o início minha mãe se animou com a ideia de que eu fosse viajar, viver minha vida, conhecer lugares e culturas diferentes. Ela sempre dizia com o sorriso enorme estampado em seu rosto: "Boston é um lugar bom, mas existem outros a serem conhecidos, explorados e vividos, um dia você vai poder finalmente concluir que; Boston é um bom lugar para voltar. Mas, antes quero que você conheça um novo lugar, essa cidade, e eu é claro, ainda estarei aqui pra te acolher, daqui um ano e meio. Algumas coisas vão mudar, elas sempre mudam, mas isso faz parte da vida, faz parte do "se adaptar". Então, , querido, saiba aproveitar cada lugar que você pisar." E por fim, eu fui. Sempre quis viajar, mas na prática é algo um pouco mais dolorido do que parece. Um ano e meio e três países, seis meses em cada um deles. Três vezes seis meses longe daqueles que eu amo.
O avião decolou, e enquanto as nuvens pareciam todas cheias de si, como se soubessem todas as respostas, em mim, tinha todas as dúvidas. E por um momento em meio a tantas outras que gritavam por ser ouvidas estava o nome dela, . Depois de anos compartilhados, amores superados e namoros acabados, estávamos de volta à estaca zero, no qual eu ainda tinha dez anos, descobria poesias, recitava pequeno príncipe e descobria meu enorme amor pela minha melhor amiga. É claro que antes eu já gostava dela, mas era tudo tão recente e tão confuso para um garoto daquela idade, que por vezes me peguei pensando "deve ser amor de irmão", mas isso, realmente não era. E no último minuto a garota me beijou, me fazendo por fim, querer ficar. As outras perguntas, você sabe, aquelas... Como vai ser na Irlanda? Onde vou morar? Quem vou encontrar? Como vou me adaptar? Eram todas banais, porque meu pensamento me enlouquecia ao pensar que podia ter a beijado antes, que podia ter sido seu primeiro namorado e não o babaca do Brian, eu podia ter evitado tanta coisa se tudo fosse diferente. Essa é a questão, talvez se tudo fosse diferente outra vez, talvez não teríamos mais nossa amizade inabalável.
As horas passaram rapidamente, o avião desceu em Dublin, para fazer conexão e seguir para Galway.
Assim que o segundo avião decolou me vi entrando num sono profundo, mas até nos meus sonhos as perguntas ainda me rondavam. Fui acordado pela aeromoça anunciando o pouso. A confusão em minha mente era tanta, que assim que desci do avião e encontrei minha mala na esteira nem me dei conta do que me esperava: uma família sorridente com uma plaquinha com as letras do meu nome estampado em colorido me aguardava.

- Que bom que chegou para o café dá tarde, filhão! - o ruivo disse sorridente me puxando para um abraço fraternal, como se fosse realmente seu filho, eu ri meio atordoado pelo sono. - Sou Callum.
- Prazer... pai. - a palavra soou meio estranha ainda com um breve senso de humor.
- , querido, estou tão contente por te receber em casa, conheci sua mãe, ela me ligou preocupada dizendo que o baby dela tinha embarcado e perguntando se ele estaria em boas mãos, e é claro que vai estar! - A loira disse sorridente me puxando para um abraço apertado. - Meu nome é Irina, mas se quiser me chamar de mãe tudo bem. E essa é nossa filha Briana...
- Prazer. - eu sorri abraçando a garota um pouco mais baixa que eu, que continha os cabelos levemente alaranjados como o do pai e os olhos castanhos da mãe.

O caminho até a casa dos Fohan foi tranquilo, eles iriam falando sobre Galway e suas tradições, contavam sobre os parques de diversões e acampamentos próximos a cidade. Por fim, chegamos. A casa era grande e no estilo clássico irlandês.

- Vou subir com a sua mala, fique à vontade, Johana já deixou a mesa do café pronta. - Callum dizia enquanto subia a escadaria do sobrado. Minha mãe seguiu ao meu lado me levando até a mesa farta do café enquanto tagarelava.
- Café, ? - a mulher que eu ainda não conhecia se pronunciou, parecia ser a responsável pelas refeições da casa, ela tinha um sorriso amável e maternal, e os cabelos loiros presos num rabo. - Ainda não nos conhecemos, mas prazer, sou Johana.
- O prazer é todo meu. - eu sorri a agradecendo pela xícara brevemente servida. Levei o líquido até a boca, bebericando-o. Acho que acabei arregalando os olhos ou fazendo uma careta ao beber, porque o riso de Briana preencheu o cômodo. - Isso é café mesmo?
- O tradicional irlandês. - a garota disse com um sorriso malicioso nos lábios, que eu não compreendia. - Tem Whisky, todos cafés irlandeses, digo, os tradicionais, são feitos com whisky do país, geralmente os de Waterford.
- Não é um pouco forte para as três da tarde? - questionei-a e minha "mãe" se virou sorrindo em minha direção.
- Bem vindo a Irlanda. - ela sorriu abertamente. - nunca tem hora para beber.
- E nada melhor pra começar o dia que o café tradicional. - Johana completou me fitando nos olhos e sorrindo como uma boa matriarca. - Imagino como seria sua reação se tivesse experimentado no café dá manhã.
- É gostoso, eu só não esperava encontrar álcool no café. - eu ri acompanhando minha mãe.
- Você se acostuma com o tempo, querido. - ela deu de ombros cortando um pão redondo e de semblante fofinho, assim que cortou saiu algumas frutas como cereja e uva passas do meio dele.- Mas se não quiser, temos o café que você é acostumado também.
- Experimente o Fruit Scone, aposto que vai gostar. - Briana disse sutilmente apontando para o pão recém cortado.

xx


Adentrei o quarto espaçoso com a sacada que dava para a rua calma e levemente bem iluminada de Galway, peguei o celular pra ligar para minha mãe que tagarelava no viva voz enquanto eu desfazia toda minha mala, sentindo o quarto adquirir um pouco mais minha personalidade. As fotos já tinham um local na parede, o Notebook já tocava uma música do The Neighbourhood, e eu parecia mais tranquilo quanto as coisas.
Depois de algum tempo minha mãe desligou, dando espaço para a foto do meu wallpaper; Andy, e eu. Tinha assuntos pendentes com a garota, disso eu sabia, e talvez fosse melhor agora à tardar. Disquei os números que tão bem conhecia e logo sua foto do contato, sorridente e abraçada comigo surgiu na tela.

- Alô? - a voz soou distante e distraída.
- , oi. - eu disse levemente incomodado. - Queria dizer que cheguei bem aqui na Irlanda, como está tudo aí?
- Acho melhor você perguntar daqui uma semana, ainda está tudo como esteve ontem, . - ela riu breve e levemente no telefone. Obviamente porque eu havia saído de lá a apenas um dia, certamente não tinha muito o que mudar.
- ... Nós temos algo para resolver? - questionei meio incerto do que dizia.
- Você quer dizer sobre o nosso beijo? - ela soou tranquila do outro lado da linha enquanto eu me via levemente pressionado. Murmurei para que ela continuasse, o que logo ela o fez. - Sinceramente? Eu gosto mesmo de você, , acho que sempre gostei, mas você está do outro lado do oceano, eu não tenho muito o que fazer ou pedir, é um ano e meio, acho que a única coisa que podemos fazer é ver o que vai acontecer.
- Você poderia estar aqui. - eu murmurei ainda que em outro continente, queria fazer dar certo, o sorriso torto brotou em meus lábios só de imaginar a garota do outro lado, andando de um lado para o outro como sempre fazia.
- ... - a garota suspirou antes de dar continuidade. - Se esse sentimento é mútuo...
- Você tem alguma dúvida que é? - eu ri nasalado, contente por ouvir a breve risada da garota do outro lado da linha, como se negasse com a cabeça. - Talvez se eu soubesse que você compartilhava do mesmo sentimento que eu antes, podíamos ter tido mais tempo de estarmos juntos sem essa interrupção de mais de um ano...
- Não tinha dúvidas, mas também não tinha nenhuma certeza, poderia ser só um beijo... - provavelmente a garota sorria enquanto dizia.
- Não foi só um beijo. Na verdade eu queria ter tomado coragem há anos, mas o medo de estragar nossa amizade sempre foi maior. - conclui, observando as luzes da vizinhança se apagarem. - Como vamos fazer agora?
- Não quero te prender, , é tão injusto te privar de uma nova oportunidade, de uma nova aventura. - ela parecia concluir depois de pensar algum tempo em silêncio. - Eu tenho consciência que é errado, é ruim para você também, estar aí amarrado em algo que está do outro lado do oceano. Aproveita cada lugarzinho que passar, conheça garotas novas, saia para beber e aproveite mesmo, quando voltar vemos o que fazemos quanto a nós. Eu só quero que você aproveite tudo que esteja a seu alcance...
- Eu vou aproveitar. - eu sorri voltando a fitar meu quarto. - Manda o Andy ir a merda por mim e um beijo pros seus pais.
- Eu vou descer para o jantar, falo com você amanhã? - com o barulho que fazia ela parecia remexer algo.
- Claro, até amanhã. - respondi.
- Aproveita viu, senhor ? - ela riu nasalado. - Estou começando a contagem regressiva para te ver, agora só faltam mais... 546 dias, querido.
- Bobinha, se cuida viu, senhorita Edwards?! Amanhã só faltarão 545. - minha risada soou calma.
- Tchau, ! - ela riu breve desligando o celular e provavelmente descendo para o jantar, naquela mesa dos Edwards que eu tão bem lembrava de ter almoçado, jantado e tomado café milhares de vezes.

Na manhã seguinte, acordei às nove indo para a Yeats College, seria meu primeiro dia de aula na Irlanda, segui o caminho com Briana tagarelando e as vezes soltando algumas perguntas como: "é verdade que nos Estados Unidos a população é muito obesa?

xx






Continua...




Nota da autora: Sem nota.





Nota da beta: Volta logo pra ela, , não aguento ver meu OTP separados, que dor no peito! Continuem <3

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.


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