Última atualização: 07/03/2019

Prólogo

A história que estou prestes a contar não envolve um grupo de adolescentes normais de uma cidade grande. Não se trata de uma análise profunda sobre os jovens nem explica como o mundo funciona. Essa é apenas parte da história de Greyson Hills. Estamos no Norte dos Estados Unidos, um dia antes do final das férias e como toda boa história, temos quatro meninas no Ensino Médio. Mas não se engane! Elas não são meras personagens a procura de um príncipe encantado. Estão a procura apenas do encantado. Acredite ou não, a magia existe e se esconde nos lugares mais inesperados. Como eu sei disso? Ah meus caros... Prazer, meu nome é Davina.


Capítulo 1

A rua Duncan estava completamente iluminada nessa noite.

A festa da fundação de Greyson Hills sempre envolvia barracas de comida, brinquedos e um palco com música ao vivo. Todos na cidade se reuniam para aproveitar o último dia de verão e as famílias dos fundadores trabalhavam, como de costume. No final da rua, onde estavam montadas barracas de brincadeiras, , , e olhavam para o céu a espera dos fogos de artifício.

- Não acredito que as férias já passaram. – suspirando, colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- Não acredito que o Ensino Médio já acabou. – completou.

O som de estouro vindo da floresta fez as quatro levantarem os olhares. Atrás das casas coloridas, luzes explodiam no ar, tocando o céu e rasgando a noite. Distante das meninas, as famílias brindavam com champanhe e as crianças gritavam de alegria, aquele era mais um ano de sucesso para a cidade. pegou sua câmera e tirou fotos da feira, dos sorrisos e das amigas olhando para cima.

- Não acredito que sobrevivemos todos esses anos... – ela guardou as polaroides. – Mal posso esperar para a formatura!
- Isso porque você já tem seu futuro todo planejado... – respirou fundo, sem tirar os olhos da lua. – Todas vocês têm e eu ainda estarei aqui... O que eu vou fazer sem vocês comigo?
- Você deveria tentar sair da zona de conforto, . – sorriu, abraçando a amiga. – A adolescência não dura para sempre e nós precisamos sobreviver no mundo de alguma forma. Faculdade é só uma porta, mas você não precisa escolhê-la agora. Tome tempo para entender quem você é e o que deseja ser...
- Mas não demore muito. – interrompeu. – Greyson Hills é um lugar de partida. Ficar aqui por muito tempo é o mesmo que não existir no mundo real.

Elas se entreolharam. O barulho dos fogos e dos risos no fundo não se comparava ao silêncio que se instalou entre as quatro. Faculdade, cidade grande e mudanças. Tudo isso e um pouco mais as aguardavam no fim daquele ano. abraçou as amigas e disse:
- Não sejam tolas. Temos tempo para pensar, viver e fazer todas as besteiras que nossa juventude precisa! Quando tudo estiver acabando, faremos a promessa de continuarmos unidas, mesmo estando em lugares diferentes. - Ela sabia que suas palavras não eram garantia. As outras também tinham noção disso. respirou fundo e decidiu não pensar no futuro, apenas viver.
- Acabamos por hoje?
- Acabamos. – saiu do abraço e foi apagar as lâmpadas da barraca. – Mudando totalmente de assunto, vocês não acham que a noite foi meio parada? Onde estão os casais à moda antiga que tentam ganhar pelúcias de presente para suas namoradas? E as crianças que disputam entre si pela melhor arma de água? O que está acontecendo com nossa cidade interiorana? – dramaticamente pegou os ursos que sobraram na tenda e jogou um para cada.
- Com essas pelúcias nem um bebê iria querer. – riu segurando seu urso deformado. – Além do mais, amor à moda antiga não existe. – colocou-o de volta na mesa.
- A meu ver, Brisbane parece ser a exceção... – a menina rapidamente encarou , os olhos cheios de fúria.
- Não mencione esse embuste em forma de Tom Brady com o cérebro de Steve Jobs.
- Isso foi um elogio ou um insulto? – sussurrou para , que apenas revirou os olhos.
- Ele está mais para presidente dos Estados Unidos do que jogador da NFL. Mas isso não importa, o que nós realmente temos que lembrar é que todos estão na festa de Melanie e Cassidy. – bufou. – Menos nós.

As festas de Melanie Perales e Cassidy Chang eram as mais agitadas da cidade. Sempre, no último dia de férias, as duas sediavam a festa de boas-vindas que seria assunto durante o primeiro semestre inteiro. Apenas os populares eram convidados. Às vezes o evento era aberto, mas nunca para as quatro. A verdade era que festas não faziam parte da vida das meninas, muito menos popularidade.

- Quem liga para isso? – balançou a cabeça. – Nós já temos nossa tradição. Não precisamos ser estereótipos de adolescente. - ela entrelaçou o braço no de e a puxou. e fizeram o mesmo e seguiram do lado.

Descendo a rua Duncan, as quatro observaram as casas vazias. Todos estavam aproveitando a noite, provavelmente reunidos na prefeitura para o grande jantar. Assim que passaram pela casa amarela, a última da sequência, não pode deixar de olhar para a janela no alto do canto esquerdo.
- Os Brooks ainda não voltaram? – seguindo o olhar, perguntou e recebeu um balançar de cabeça como resposta.
- Deveriam ter voltado a dois verões atrás.

deu de ombros e seguiu sem olhar para trás. As quatro costumavam caminhar pela cidade no silêncio, aproveitando a natureza calma que rodeava. Em eventos grandes, quando todos os moradores se reuniam, elas gostavam de ter as ruas só para elas. Era uma sensação inexplicável de liberdade. O caminho era simples: passaram pelo colégio fechado, atravessaram a estrada que ligava Greyson Hills até Virginia e chegaram no centro da cidade.

- Será que o Rei do Hambúrguer ainda está aberto? Queria tanto aquela batata frita gordurosa... – colocou a mão na barriga. Elas trabalharam o tempo todo e não tiveram tempo de jantar.
- Pelas horas eu duvido. – apontou para o relógio da praça principal marcando 23 horas. – Mas tem sempre o Lucy’s.

sabia que a amiga falaria isso e logo tratou de pegar a chave da lanchonete na mochila. Lucy’s era a única lanchonete da cidade que estava sempre aberta para as meninas.

- Vocês quem vão cozinhar dessa vez! – ela resmungou, liderando o caminho. costumava trabalhar lá nas férias e era amiga da dona, por isso tinha passe livre para usar o lugar.

Destrancando a porta, as quatro entraram sem delongas. acendeu as luzes e a decoração dos anos cinquenta se iluminou: chão com ladrilhos preto e branco, luzes fluorescentes rosas, bancos vermelhos estofados e é claro, o balcão azul esverdeado com a assinatura de todos os moradores da cidade. correu para a cozinha e jogou a mochila no balcão, colocando uma moeda no jukebox. Tudo normal como sempre... Exceto pela projeção violeta que atravessava a janela até os pés de . Brilhando do outro lado da rua, a placa de luz roxa atraiu a atenção da menina.

- Clarividência, adivinhação e tarot.

Aquilo era novo, mas, em Greyson Hills, novo não era comum.

- Nunca tinha notado essa casa antes. – surgindo do lado de , franziu o cenho.
- Será que tem alguém lá? – se aproximou, analisando o carro na entrada da casa, um fusca marrom com placa de outra cidade. O sobrado era iluminado apenas pela placa na entrada e, nas janelas, cortinas pesadas escondiam o interior.
- Acho que nós deveríamos conhecer o lugar. – com um sanduíche na mão e a boca cheia, chegou suavemente. – Quero saber se vou virar capa de revista em Paris!

Todas sabiam que a cidade era famosa por seus mistérios envolvendo o sobrenatural, por isso tinham certo receio de se aventurar nesse mundo desconhecido. Apesar das brincadeiras, era a que mais acreditava nas histórias que rodeavam Greyson Hills, sua irmã sempre contava casos de dar arrepios. As meninas se entreolharam, estavam com pé atrás, mas compartilhavam a curiosidade. Enquanto as quatro observavam a casa, uma luz na entrada se acendeu, como se estivesse convidando-as a entrar. Em Greyson Hills, as aventuras eram raras, mas quando apareciam, eram memoráveis.

- Vamos.



Do lado de fora tudo parecia normal. A rua estava deserta e a noite em seu ápice. A casa número nove se destacava apenas por sua placa neon. Na entrada, a porta de mogno tinha um olho mágico que reluzia, indicando que havia alguém na casa. As quatro meninas se colocaram lado a lado, pensamentos a mil. Tinham perguntas demais e coragem de menos. A primeira a ameaçar a tocar a campainha foi .

- Espera! – segurou o braço da amiga. – Nós temos certeza disso? Não sei se acredito nessas coisas de adivinhação, mas também não quero brincar com espíritos... Vocês sabem como os filmes sempre acabam e eu tenho certeza que eu não sairia dessa viva. Olhem para mim, sou a personificação da primeira a desaparecer!

colocou as mãos no rosto, dramática como gostava de ser. revirou os olhos, impaciente, e tocou a campainha.

-NÃO! – a mais nova gritou.
- Deixa de ser boba, - puxou os braços de para baixo. – duvido que seja de verdade. – Mentira, mas ela realmente era a mais cética das quatro. – Depois que essa besteira acabar temos que voltar correndo. Amanhã começam as aulas e quero ter uma boa noite de sono...
- Um segundo! – uma voz feminina cantarolou do outro lado da porta, fazendo se calar.

Sons de passos soaram na casa, pisadas secas no chão como se a mulher estivesse descalça. O silêncio da rua foi quebrado pelo tilintar das chaves e o rangido da porta se entreabrindo. Para a surpresa das meninas, uma mulher de uns trinta anos surgiu, revelando os pés descalços e os dedos pintados de esmalte azul. Os longos cabelos ruivos e o anel de serpente no dedo indicador eram apenas algumas partes que se destacavam na mulher e seu sorriso simpático estampado no rosto convidava as quatro a entrarem.

- Não esperava receber clientes tão cedo! – ela riu, balançando levemente a cabeça – Não cedo temporalmente já que está de noite, mas cedo no sentido de tão logo... Bem, vocês me entenderam. Certo?

Juntas, elas balançaram a cabeça.

- Entrem por favor! – a mulher adentrou a casa primeiro. – Sejam bem vindas ao meu santuário! - sentiu um frio na espinha, como se estivesse em um lugar errado. deu um passo a frente, querendo acabar com aquela experiência o mais cedo possível. – Me chamo Davina, com que posso ajudá-las?
- Minhas amigas e eu queríamos conhecer seu trabalho... – seguindo o caminho da mulher, disse sem fraquejar. A imagem das quatro refletia nos espelhos das mais diferentes molduras, pendurados no corredor que levava à sala principal da casa. – Isso seria possível?

As meninas se reuniram na sala de Davina enquanto ela se sentava em sua cadeira de veludo vermelho atrás da mesa redonda, coberta por uma toalha branca com desenhos bordados. A luz vinha de velas espalhadas pelo quarto e do lustre de cristal pendurado sobre as cinco. Pensativa, Davina brincava com um baralho enquanto olhava para as meninas a sua frente. A mulher analisou cada uma, percebendo logo suas personalidades distintas e algo a mais.

- Não acho que seja uma boa ideia. – sussurrou para que prontamente assentiu. As duas tinham a respiração pesada. A primeira por estar preenchida de medo e a segunda por não estar se sentindo confortável na situação. Davina, percebendo a insegurança das duas disse:
- Sentem-se, por favor. – espalhando o baralho na mesa com as faces para baixo, a mulher prendeu o cabelo – Quero que vocês estendam as mãos e sob as cartas sintam a energia delas. Selecione uma de sua preferência e direi o que os astros comunicam através delas.

As meninas se sentaram, , , e , nessa ordem, e fizeram o que a mulher aconselhou. estava determinada a acabar com a brincadeira logo e não demorou para pegar sua carta, escolheu a primeira que seus olhos avistaram. , nervosa, respirou fundo e pegou a carta no meio de um amontoado, virando uma das cartas para cima sem querer. A face descoberta atraiu atenção de todas. O desenho em aquarela revelava duas máscaras, uma branca e outra escura como a noite.

- Esse não é um tarot comum... – intrigada pela imagem, olhou desconfiada para Davina.
- Eu mesma confeccionei! – a mulher riu da expressão assustada de . – Não se preocupe querida, essa carta não lhe pertence, mas é um presságio. Tome cuidado com pessoas que invejam sua arte. Vamos lá, continuando!

, confiante, puxou a carta que repousava no topo de uma das pilhas no centro da mesa. , por sua vez, pensou antes de escolher a sua. Seus dedos estavam secos e quando passou a palma da mão por cima da carta mais distante das outras sentiu as pontas dos dedos formigarem. A mulher não tirava os olhos das cartas, cada movimento era analisado e estudado. Ela não precisava saber o nome das meninas, muito menos o motivo delas estarem ali, a única coisa que realmente importava é que elas estavam destinadas a viver esse momento e Davina seria responsável por introduzi-las nesse mundo. A mulher tinha certeza do que sentia nas meninas e aquele tipo de sensação só poderia significar uma coisa: magia pura.


Capítulo 2


- E então, o que acontece agora? – batucou os pés no chão de madeira, ansiosa pelo que estava por vir.
- Virem as cartas e deixem sob a mesa.

As quatro prontamente revelaram suas cartas, curiosamente, todas tinham um elemento da natureza desenhado em cores pastel. Davina sorriu ao vislumbrar aquela sequência inédita. As cartas nunca mentiam e aquela era a primeira vez que a mulher vira os elementos juntos em uma leitura.

- Isso é incrível... Quem são vocês? – ela levantou o olhar para as meninas, os olhos brilhando como as estrelas.

olhou a carta em tons verdes e notou que o desenho da árvore no centro lhe era familiar. O tronco retorcido e encravado com jóias, as folhas emaranhadas com flores brancas. Onde ela teria visto essa imagem antes?

- O brasão da família... – ela sussurrou quando a lembrança da mesma árvore no broche de sua vó saltou em sua memória. – Somos os Lockwood. – disse firmemente. - Esse símbolo, eu já o vi em nossa casa. O que está acontecendo? – a menina, assustada com a coincidência, encarou Davina.

A mulher se levantou e correu para a estante do outro lado do quarto. tocou no braço de , tirando-a do transe. As quatro trocaram olhares cúmplices, os símbolos nas cartas não eram mistério para elas. Cada carta tinha o brasão das famílias fundadoras, suas famílias. Lockwood e sua árvore milenar, Firestone e a chama flamejante, White com o furacão dentro de um vaso transparente e Marin com as ondas do oceano. Davina abriu um livro de bolso com capa de couro e começou a folhear rapidamente.

- Vocês vêm de uma linhagem muito antiga e rara... Achei! Lockwood, White, Firestone e Marin. Os cinco iniciadores. – animada, a mulher correu de volta para seu lugar e colocou o livro aberto em cima da mesa. – Eu sempre esperei por esse momento!
- Será que dá pra explicar o que está acontecendo? – puxou o livro para perto e encarou os símbolos espalhados pelas folhas. Pareciam runas desenhadas a tinta. – Isso é um culto? chama o 911!
- Eu sabia que não devia ter entrado aqui. – se levantou, arranhando o chão com a cadeira.
- Esperem! – Davina se levantou e em um só movimento, todas as velas da casa se apagaram, deixando apenas o lustre iluminar a noite. prendeu a respiração e deixou um palavrão escapar. Aquilo não era normal. – Deixem eu explicar.
- Por favor. – passou a mão pelo rosto. – Nossas famílias não são apenas fundadoras dessa cidade, certo? – disse, começando a juntar os pontos.
- Não. – a mulher respirou e com um balanço das mãos, todas as velas do salão se acenderam. As quatro olharam perplexas. Se isso fosse um programa de televisão, definitivamente seria a hora dos apresentadores se entregarem, mas ninguém apareceu. – Suas famílias são fundadoras do convento de bruxas dos Estados Unidos. Vocês fazem parte da linhagem mais nobre de todas. Meninas, pelo que os astros me dizem, vocês têm o dom de seus familiares. Vocês são bruxas!

O tempo pareceu estagnar em um piscar de olhos. Nenhuma delas acreditava no que acabara de escutar. Como poderiam acreditar em uma história dessas? Greyson Hills não tinha bruxas. Era impossível, não era? se recostou na cadeira, reunindo todas as memórias que tinha para justificar o que acabara de ouvir. Ela não sabia muito sobre sua família e o único parente que tinha contato era sua prima. Talvez ela pudesse engolir aquela revelação. Mas as outras? Elas sempre tiveram laços fortes com suas famílias, se fosse verdade provavelmente teriam descoberto mais cedo. piscou três vezes, passou a mão pelo rosto duas e olhou para o horário em seu celular. Na tela bloqueada, a foto dela com seu irmão no jardim da casa fez seu coração apertar. “Nós não somos bruxos, somos normais”, pensou. apenas segurou a risada, sentindo uma alegria correr pelo corpo. Ela já sabia que essa possibilidade poderia ser real, sua irmã sempre lhe deu dicas e sua família não era exatamente comum. A revelação foi apenas uma confirmação de que ela era especial. E , ela estava indignada. Sua mãe teria de abrir o jogo se isso realmente fosse verdade. Ela não iria acreditar em uma mulher que conhecera a apenas alguns minutos, tinha de ouvir essas palavras saírem da boca de sua própria mãe. “Bruxas” a voz de Davina ressoou na cabeça das quatro.

- E como isso funciona? – quebrou o silêncio. – Temos poderes como nos filmes?
- Não exatamente. – Davina limpou a garganta – Nós fazemos parte do convento de magia branca, magia conectada ao universo. Os poderes que nós temos são simples, a natureza tem um padrão e nós conseguimos moldá-la da nossa maneira. Mas, como vocês são de linhagens especiais, seus poderes são específicos e concentrados nos elementos da natureza que cada família foi designada.
- E o que nós fazemos com isso? Não é como se fosse acontecer outra guerra mundial. – riu – Não existem bandidos em Greyson Hills.
- Os poderes são parte de vocês, o que acontecerá com eles é por conta de cada uma. Essa noite vocês devem conversar com suas famílias. Descobrir o que puderem e então começarem o treino. Se seus poderes ainda não se manifestaram é porque eles não fizeram sua iniciação.
- Isso tudo está parecendo muito doido. – balançou a cabeça. – Muito Hitchcock para meu gosto. Vocês já viram American Horror Story? – ela se virou para as amigas – ser bruxa só traz problemas. Eu não quero isso.
- O que você assiste é um exemplo de magia negra. – Davina riu, não pretendia contar tudo hoje, mas queria ter certeza de que elas se manteriam no caminho da luz. – O poder tem duas faces realmente, mas com a orientação correta vocês não serão corrompidas. Seu sangue não permitirá. Apenas um bruxo de sangue nobre se converteu para o lado negro, mas essa história não vem ao caso. O que importa é que vocês compreendam quem realmente são e o que acontecer depois depende de vocês.

Assim que Davina calou-se, um som ensurdecedor invadiu o quarto e todas as luzes se apagaram na casa.

- Que merda é essa? – gritou antes de sentir seu corpo pesar e seus olhos se fecharem.
- Nos vemos em breve garotas! - a imagem dos dentes de Davina alinhados em um sorriso seria a última coisa que as quatro lembrariam daquela noite.


Capítulo 3

No dia seguinte, acordou em seu quarto, o corpo pesando contra os lençóis gelados. Um raio fino de sol brilhava no chão e o seu despertador tocava, dizendo que mais um ano letivo iria iniciar. Do outro lado da porta fechada, o tilintar de panelas indicava que sua irmã acordara mais cedo para preparar o café. A menina tocou os pés descalços no chão de madeira e uma corrente percorreu seu corpo, junto com flashes da noite passada.

- Isso foi real?

passou as mãos no rosto e analisou seus braços, a procura de qualquer evidência que confirmasse a loucura que havia acontecido há algumas horas. Nada. Ela pegou seu celular e olhou as notificações – nem um sinal de suas amigas. Jogando o aparelho longe, ela se levantou correndo para a frente do espelho. Apesar dos cabelos bagunçados, nada de novo em seu reflexo. Se ela realmente tinha poderes e tudo fora revelado na noite anterior, por que parecia que nada havia mudado?

“Seus poderes são específicos e concentrados nos elementos da natureza que cada família foi designada...”, a voz de Davina ecoou em sua memória.

Talvez a mudança estivesse em sua relação com a natureza, mas, se sua família tinha uma conexão com o fogo, como ela iria testar seu dom sem se machucar? Vasculhando seu quarto por algo que pudesse experimentar, parou o olhar sob algumas velas dispostas sob sua mesa. A imagem de uma chama queimando o pavio lhe veio à cabeça, mas nem uma faísca brilhou na vela. Ela franziu o cenho e pensando em labaredas, ergueu sua mão imaginando que iria ajudar, mas em vão. Perdendo a paciência, trouxe a vela para perto de seus olhos, mas o estrondo de sua maçaneta se abrindo e batendo na parede a fez pular.

- Algum problema com a vela? – Ava, sua irmã, ergueu a sobrancelha perfeitamente desenhada
- Muitos. – A mais nova bufou, batendo com o objeto na mesa. – Queria testar meus poderes. – disse sem pensar.

Assim que terminou de falar, sua irmã arregalou os olhos por alguns milésimos de segundo. Estaria na hora delas terem a grande conversa? Ava afastou o pensamento e apenas sorriu, puxando para a cozinha.

- Vamos bruxinha, não quero que você se atrase para o melhor dia do ano!
- Bruxinha... – suspirou e afastou aquela ideia ridícula do pensamento.



Do outro lado da rua, no lar dos Lockwood, terminava de se olhar no espelho quando sua mãe entrou no quarto. Ambas se assemelhavam de aparência. Os cabelos longos, as maçãs do rosto bem definidas e o olhar determinado eram marca das mulheres da família. Tessa, em seu conjunto azul escuro e seu famoso colar de pérolas, vislumbrou o reflexo de sua filha com orgulho.

- Preparada para o último ano?
- Como nunca. – A menina respirou fundo e se virou para a mãe. – Antes, tenho que lhe perguntar algo.
- Pode ser no carro? Temos que chegar cedo, você sabe...
- O assunto é delicado demais para se tratar no caminho.
As duas se sentaram na beira da cama. não se lembrava como havia chegado em casa, nem tinha certeza se o que ouvira na noite passada poderia ser real, mas ela sentia-se no dever de perguntar. Naquela casa não haviam segredos, desde que seu pai fora embora, eram só as duas contra o mundo. Descobrir algo que sua mãe ainda não havia lhe contado através de uma desconhecida fazia seu estômago revirar. Tessa percebeu a inquietação de sua filha e o olhar inquisidor.

- Mãe, os Lockwood são mais do que fundadores de Greyson Hills, não são?
- São uma das primeiras famílias a colonizar o país. – A mulher se fez desentendida. – Assim como as de suas amigas.
- E quem eram nossos parentes antes de serem expulsos da Inglaterra?
- Não foram expulsos! Nossos familiares buscaram refúgio na esperança de encontrar terras onde seus descendentes poderiam viver em segurança. Pensei ter lhe ensinado isso desde pequena.

respirou fundo, se acalmando. O tom de voz de sua mãe dizia que ela não estava muito satisfeita com aquela insinuação. Desviando o olhar, a menina percebeu o brilho do anel no dedo anelar de Tessa, a árvore do brasão da família.

- Que é isso em seu anel? – ela indagou, apenas para ter base para sua próxima pergunta.
- O símbolo dos Lockwood. – Tessa falou sem dar importância e encarou seu relógio de pulso. – Olhe filha, vá logo ao ponto antes que nos atrasemos mais ainda.

A menina levantou o anel para a mãe e limpou a garganta:
- Por acaso eles queriam garantir a segurança da linhagem pura de bruxos?



Batendo a porta do carro de Kade, checou os bolsos de sua mochila para garantir se realmente havia perdido a chave de seu Jeep. Provavelmente deveria ter esquecido na lanchonete ou talvez na caminhada na noite anterior. Uma noite de horrores, de fato. Ela fez questão de não pensar sobre o que havia acontecido com Davina e com toda aquela história de magia. Ainda que fosse adepta às fantasias em livros, ser algo além de humana estava fora de cogitação!

- Obrigada por me dar carona. – falou, assim que o irmão se sentou ao seu lado, ligando o carro. – Não faço ideia de onde deixei as chaves.
- Tá brincando? – Kade riu e encarou a irmã incrédulo – Essa já é a terceira chave que você perde. Acho que é de propósito só para que eu te leve ao colégio e faça todas as meninas suspirarem por mim. Você quer ter a fama de irmã do galã da rua Duncan, não é?
- A única fama que eu quero é na peça anual da cidade, pena que seu sorriso não pode me dar isso. Vamos logo que eu já estou atrasada!
- , para estrear na peça de fim de ano você precisa estar em um grupo de teatro. Quem está no comando da Companhia de Greyson High?

Seguindo a rua em direção ao único colégio da cidade, olhou para a janela triste ao lembrar de como era impossível entrar no grupo de teatro da escola. A Companhia era o clube mais disputado devido seu nível elevado e por constantemente se apresentar em outras cidades, inclusive na Broadway.

- Fletcher, - revirou os olhos - quem mais poderia ser.
- O pequeno Fletcher! – Kade riu sozinho. – Joguei lacrosse com o irmão mais velho dele. Eu o conheço desde que tinha bochechas rosadas e cabelo de porco espinho!
- Sua animação contagiaria se não fosse pelo fato desse garoto ser o mais exigente de toda a cidade! Sem contar com a estrela que é a namorada dele, o que faz as coisas ficarem triplamente difíceis.
- Sabe, o segredo está na confiança. Enfrente os populares! Mostre o dedo para eles, ria na cara do perigo. Quando eles perdem a autoridade, são só mais um bando de jovens com espinhas, você vai ver.
- Kade, sabe que como responsável você não deveria dar conselhos desse tipo.

Chegando no prédio, Kade embicou o carro no meio fio, alguns metros distante da entrada e, destrancando as portas, olhou para irmã. Ao dar um aperto na bochecha de , a tatuagem de furacão em seu antebraço fez a menina prender a respiração. Ela não conseguiria evitar a inquietação no fundo de sua mente para sempre.

- Quando você estiver na faculdade o papo vai ser outro. Te vejo no jantar!



Dentro do auditório, logo na primeira fileira, encarava impaciente a tela de seu celular. No reflexo do aparelho, ela observava seu reflexo cansado, consequências da noite anterior. Depois da sessão com Davina, ela acordou apoiada em uma das mesas do Lucy’s por volta da meia noite, sozinha. não sabia como, nem se o que havia acontecido era real, mas ela tinha certeza de que a casa do outro lado da lanchonete estava escura e sem o carro que antes estava estacionado.

- Pensei que seria a primeira a chegar. - falou ao seu lado, tirando-a de seus devaneios.
- Será que você pode me explicar o que houve ontem? – sussurrou para a amiga, conferindo se estava tudo certo com ela. – Como você chegou em casa? Voltou com as outras?
- Bom dia também. – A menina se acomodou na cadeira e arrumou a saia - Pelo que eu entendi, Davina nos levou para casa em seu fusca. Minha mãe me deixou em minha cama e imagino que com as outras foi o mesmo. Você também esteve inconsciente?
- Sim, acordei na lanchonete... Espera, você disse algo para sua mãe?

O palco, preenchido pelos professores, completou-se com a chegada de Tessa Lockwood, diretora do colégio. observou a mulher, elegante como sempre e aparentemente em seu estado natural.

- Quem disse o que?

A voz cortante de fez as duas se virarem. Ao seu lado, franziu o cenho e tombou levemente a cabeça:
- Já vamos começar com isso logo de manhã?
- Com um assunto bombástico desses, seria inevitável! Mas quero começar dizendo que eu tentei fazer a natureza ser minha subjugada e não deu certo. Nem uma faísca.
- Não é assim que funciona. – sussurrou, atraindo a atenção das três. – Nossos familiares precisam fazer a iniciação. Sem a transição ainda somos normais.
- E se eu não quiser ser anormal? – a voz fina de soou como uma confissão.
- É nossa obrigação. Depois da cerimônia temos uma aula vaga para a apresentação dos times e dos clubes na quadra externa, explico melhor assim que estivermos nas arquibancadas.

O som oco de duas batidas no microfone fez as meninas se calarem. Todo o auditório se silenciou para escutar as palavras de sua diretora e em seguida o hino nacional. Assim que ficou de pé, sentiu o bolso se sua calça jeans pesar. Discretamente ela colocou a mão e sentiu o pequeno volume de cartas. Quatro cartas para ser exato – a prova concreta de que o incidente da noite passada foi real.


Ao final da reunião, a maioria dos alunos saiu direto para as aulas, mas os do último ano se direcionaram à quadra externa. O sol começava a aparecer quando os chefes dos grupos da escola se posicionaram em frente das arquibancadas. Todo o time de futebol, sempre acompanhado das líderes de torcida, conversava e ria escandalosamente. As quatro subiam as escadas quando observou-os. Logo na ponta do banco, Melanie Perales e Cassidy Chang fofocavam sobre a festa da noite anterior, mas pararam ao perceber o olhar cortante de . , percebendo o que poderia acontecer, parou ao lado da amiga.

- Perdeu algo? – Melanie encarou de volta com mesma intensidade. – E você Lockwood, está se escondendo de mim? Soube que está relutante em relação ao debate para presidência do comitê estudantil.
- Não estou com medo, se é isso que quer saber. – cruzou os braços.
- E não é como se você fosse vencê-la. – completou, começando a ficar irritada.
- Meninas... – uma voz rouca soou atrás de .

Iluminado pelo sol, Connor St. Germain, um dos queridinhos do colégio, olhava diretamente para :
- Sem brigas, por favor. – Ele bagunçou os cabelos loiros – O dia nem começou!
- Jogue seu charme para cima dela longe de nós Connor! – Cassidy esbravejou.
- Com certeza. – O loiro piscou para e virou-se, caminhando em direção ao gramado, onde encarava-o intrigado.
- O que vocês ainda estão fazendo aqui?

Revirando os olhos, as duas subiram as escadas, ignorando o comentário de Melanie. e balançavam a cabeça em negação quando e se sentaram na fileira abaixo. A intriga entre as meninas e a dupla era antiga. Desde a infância, as meninas das famílias fundadoras sempre foram um grupo fechado, mas conhecidas em toda a cidade. Quando Melanie e Cassidy perceberam a atenção que era dada às quatro, a disputa entre os grupos se iniciou.

- Vocês não deveriam cair no jogo delas. – analisou o campo, notando que e Connor conversavam entre si enquanto olhavam para . – Isso só piora a situação.
- Eu pretendo ganhar esse ano. – Decidida, encarava o topo da cabeça de Melanie.
- Podemos falar sobre algo que realmente importa? – balançou a cabeça e se virou para as amigas, ficando de costas para o campo.
- Por favor. – Com a respiração pesada, encarou a amiga.

“ Em 1620, no ápice das Guerras de Religião e durante a perseguição que acontecia na Inglaterra, o navio Mayflower trouxe os primeiros colonos que procuravam liberdade para os Estados Unidos. Dentre os puritanos a bordo, cinco famílias entraram no navio com nomes falsos para sua proteção – nossas famílias. Assim que os colonos se estabeleceram na terra e criaram a colônia de Plymouth, as famílias precisavam desenvolver a sociedade, mas as condições eram difíceis, faltava alimento e infraestrutura. Os homens partiam em longas jornadas para explorar a terra, deixando as mulheres cuidando das casas e dos filhos. Durante uma noite quente de verão, uma das maiores tempestades atingiu o vilarejo. As casas estavam sendo destruídas quando as matriarcas de nossas famílias se reuniram e decidiram proteger a vila, sem se preocupar com as consequências que viriam ao expor seus dons.

Marin interrompeu a chuva pesada que caia, evitando que o rio alagasse a vila. Firestone cessou o incêndio nas casas, provocado pelos raios. White afastou as nuvens negras que se aproximavam no céu. Lockwood fez o solo absorver a água excedente, protegendo a plantação, única fonte de alimento da colônia.

Assim que a situação se estabilizou, as mulheres das famílias foram isoladas pelos outros colonos que tinham medo por não compreender o que havia ocorrido, enquanto a quinta família de bruxos que não se revelou no dia da tempestade fugiu, sem avisar as outras. Quando os homens que retornaram de mãos vazia souberam do ocorrido, os chefes da colônia se reuniram para decidir o que fazer com as quatro famílias de dons incomuns. Como os puritanos não tinham conhecimento dos dons dados pela natureza, determinaram que os hereges deveriam ser expulsos de Plymouth, mas poupados por salvarem os outros cidadãos. E foi assim que nossas famílias partiram em busca de outra terra, fundando mais tarde, Greyson Hills.

Sendo uma cidade fundada pelas linhagens puras de bruxos, outras famílias com dons se instalaram aqui ao desembarcarem no país. É por isso que histórias sobrenaturais sempre envolvem esse lugar. A magia que Greyson Hills abriga é uma das mais fortes e puras do mundo, porque partiu das mulheres mais poderosas de todas as gerações. Desde então, as famílias fundadoras fizeram a promessa de proteger o centro de magia. A cada geração, apenas um membro da família conserva os poderes de seu elemento, sendo atribuído o cargo de guardião. A magia possui duas faces, por isso os guardiões de Greyson Hills devem proteger a pureza que a cidade conserva desde sua fundação.”


- Quem é a quinta família? É dela que Davina se referiu na noite passada? – perguntou, tirando todas do transe.
- Onde fica o centro da magia? – acompanhou.
- E quando nós vamos assumir o papel de guardiãs? – perguntou por último.
- Eu ainda não tenho todas respostas. Minha mãe fez questão de contar o mínimo. Imagino que ela seja a guardiã da minha família, assim como Ava e Kade. – limpou a garganta. – Não tenho certeza quanto a sua família , mas imagino que seja sua prima, apesar dela ter saído da cidade.
- Sua mãe conhecia Davina? – com a mão na testa, indagou. – Como ela sabia onde cada uma mora?
- Minha mãe só sabe que ela é nova na cidade e que Davina controla o tempo, tem visões do futuro. Ela conhecia nossos endereços porque a cidade é pequena. – respirou fundo e deu de ombros. – Não precisamos nos preocupar ainda. Até que nossos familiares façam a iniciação não temos poderes.
- Mas do que precisamos proteger o centro de magia? – mordendo o lábio, voltou a olhar os outros alunos, todos agindo normalmente.
- Da magia negra.

As quatro se entreolharam aflitas. ia voltar a falar quando um grito a fez levar um susto:
- Lockwood! Tem algo mais interessante a compartilhar com o resto de nós?

As três meninas riram em silêncio da cara de , que se virou lentamente para o campo com todos os olhos em cima dela. A menina reconhecia perfeitamente aquela voz, o que a fez ficar mais irritada ainda. No meio da quadra estava Brisbane, encarando-a diretamente nos olhos apesar da distância. Ele era o capitão do time de lacrosse e do decatlo acadêmico, por isso fazia parte do elenco favorito da escola ao lado de , capitão do time de futebol.

- De maneira alguma. – respondeu cínica e cruzou os braços, ignorando o olhar falso de Melanie, também à frente dos outros alunos. – Pode continuar.
- Como eu ia dizendo, - assumindo a atenção, Fletcher, líder do grupo de teatro, falou – em nosso último ano, todos estão convidados a participar dos clubes extracurriculares. Para a Companhia, apenas uma vaga está livre. – O menino encarou sua namorada, Cassidy, com tristeza. - Testes começaram na próxima semana.

não podia acreditar no que acabara de escutar. Finalmente ela teria uma chance! Sabendo disso, abraçou-a de lado. Na primeira arquibancada, Cassidy observou a cena irritada. Ela não admitiria perder sua vaga para White.

- O mesmo vai para os Vikings. – assumiu o discurso. – Mas nada de novos quarterbacks! – arrancou a risada da maioria dos alunos.
- Para as Sirenas, somente as convidadas. – Melanie piscou para , claramente mostrando que a menina não seria uma delas. – E para o comitê estudantil, aceitaremos apenas aqueles com média acima de B.
- Ela fala como se fosse a rainha da escola. – revirou os olhos, apoiando os braços em seus joelhos dobrados. – Escutem minhas palavras meninas, esse ano eu vou assumir esse papel.
- Eu te ajudo. – manteve o olhar fulminante em direção a , que ria de algo que um dos meninos do time falou.
- Então eu vou conseguir a vaga da Companhia. – sorriu, evitando olhar diretamente para Cassidy.
- Desde quando o foco da nossa conversa voltou a ser dramas do Ensino Médio? – balançando a cabeça, respirou fundo. – Pelo visto eu vou ter que desvendar toda essa história de magia sozinha.

Assim que ela terminou de falar, o sinal tocou, indicando que o tempo livre havia acabado. Os grupos foram se direcionando de volta para o colégio, quando o som do escapamento de moto soou por todo o lugar. As quatro desceram rapidamente as arquibancadas e olharam o estacionamento. Desmontando da Harley Davidson preta, o garoto de capacete pegou a mochila e se virou para os alunos que ficaram na quadra. Ao retirar o capacete, as tatuagens de seu pescoço se revelaram, fazendo prender a respiração.

- Não é possível... – sussurrou ao seu lado.
- É ele. – acompanhou, segurando a mão da amiga.
- Os Brooks estão de volta? – estreitou os olhos em dúvida.
- ? – sussurrou, atraindo a atenção do menino da moto.


Capítulo 4

3 anos atrás

No jardim da casa amarela, e conversavam no balanço de madeira. A menina mexia seu corpo, tocando as pontas dos dedos na grama recém cortada, enquanto ele a olhava furtivamente, evitando pensar demais no que o burburinho em seu peito queria dizer. Era uma tarde morna de primavera, todas as flores inebriando o ar, quando o menino segurou a mão dela e a puxou para um beijo inocente e singelo.

2 anos atrás

Sentados no meio fio da Rua Duncan, segurava em seus braços pela última vez. Ela tentava desviar o olhar do carro lotado de malas e ele memorizava cada parte de sua namorada. passou a ponta do dedo sob a tatuagem recém feita de , uma rosa entrelaçada em uma adaga na lateral de seu pescoço, que segundo ele representava sensibilidade e força – tudo que eles precisavam para manter o relacionamento durante o tempo necessário, segundo a interpretação dela.


Hoje, o que menos esperava ver era de volta na cidade. O silêncio entre os dois era cortante, assim como as lembranças de sua história. Depois que os Brooks se mudaram para Nova Iorque, deixou de responder suas mensagens e nunca mais ligou para . Foram exatamente dois anos e cinco dias à espera, apesar de ele ter prometido que seria por apenas um verão.

Com o punho fortemente cerrado ao redor da alça da mochila, o menino caminhou em direção à quadra, onde todos o observavam. A cada passo dado, o pensamento dela acelerava. O tempo havia os distanciado demais, ela sentia que não deveria correr para abraçá-lo, por isso, apenas cruzou os braços tentando tranquilizar sua respiração e esperou que ele a alcançasse. Observando-o cuidadosamente, notou que estava muito diferente. Suas roupas mais escuras, o ar sério e novas tatuagens se revelavam a cada movimento. Aquele não parecia com o garoto que tinha se apaixonado e ele sabia disso.

- Sentiu minha falta? – disse irônico, observando-a dos pés a cabeça.

Em um ato reflexo, segurou o braço de . Ela engoliu em seco, sentindo as antigas feridas se reabrirem, e ele esperou.

- Não se faz isso com alguém que se ama. – Sussurrou, apenas para ele ouvir. sentiu um calafrio percorrer por seu corpo, realmente fazia tempo que não escutava essa voz. – Por que fez isso comigo? Onde você estava quando eu mais precisei?
- Você não vai gostar do que vai ouvir.
- Vai dizer que nunca me amou?

pronunciou essas palavras de maneira tão natural que se espantou.

- Sabe qual parte foi pior? – Ela precisava desabafar. – Foi imaginar. Criar milhares de motivos pelos quais você me deixou. A cabeça pode ser sua pior inimiga, sabia?

Os olhares trocados entre eles eram tão intensos que as pessoas ao redor começaram a se dispersar para deixá-los a sós. A menina respirou fundo e deu de ombros. Ela tinha feito uma lista de coisas a falar com quando o reencontrasse e não queria que ele assumisse o controle da situação ou fugisse dela, como sempre fazia.

- Eu pensei em desistir de você, . Mas quanto mais velha eu fico, mais entendo como é difícil viver em um mundo sem amor. Sozinha. Por isso eu vou continuar te esperando, mesmo quando você me afastar, eu estarei aqui, porque sei que você não é assim. Todo mundo merece amor, inclusive nós dois.

Assim que ela terminou, soltou a mão do menino. Antes que ela se afastasse demais, a puxou para perto, trazendo memórias antigas entre os dois.

- Pode ser que não seja isso que você queira ouvir, , mas eu voltei por você.
- Por que agora?
- Porque está na hora.

Em um piscar de olhos, revelou uma margarida branca em sua mão e a colocou na orelha de .

- Te vejo lá dentro.

Tomada pela surpresa, ela não sentia seu corpo e esperou a sombra de sumir para retomar o fôlego. A reação dele fora diferente do que imaginara. Caminhando para a piscina, onde poderia ter um momento sozinha para pensar, a menina balançou a cabeça e riu sozinha, pensando alto:
- E eu achei que sairia ilesa dos dramas.



- Vocês acham que foi uma boa ideia deixá-la sozinha? – abrindo o armário para retirar os livros, tamborilou os dedos na parede de metal. – Ainda mais com aquela versão gótica de ...
- Eles precisavam conversar. – deu de ombros.
- Não sei vocês, mas eu achei que ele ficou mais bonito, apesar daquelas tatuagens horríveis. – aprumou seu rabo de cavalo e olhou para o relógio no pulso, aguardando o sinal. – Nos encontramos no almoço e então vemos como está. Perfeito?

As outras duas assentiram e seguiu o caminho oposto de e . O colégio era consideravelmente grande para uma cidade como Greyson Hills, mas a pequena Lockwood tinha o mapa do local decorado desde a primeira vez em que pisara lá. Ela tinha o desejo de orgulhar sua mãe, por isso se empenhava em ser sempre a melhor. Sua meta era palpável, até ela conhecer .

Na entrada da sala de aula, e conversavam animados sobre os Vikings.

- Nós precisamos de você nessa temporada. Ninguém sabe jogar tanto na defesa quanto no ataque como você!
- , eu já expliquei que é impossível treinar todos os dias com os Vikings e manter minha média nas matérias...
- Mas você é o melhor em tudo, cara. Deve ter alguma maneira de conciliar o esporte e os estudos.

Revirando os olhos, pigarreou, pedindo passagem. Atraindo a atenção dos meninos, ela ergueu a sobrancelha e não pode evitar soltar um comentário na conversa dos dois.

- Ele não é o melhor em tudo.

, envergonhada, passou a mão pelo rosto e seguiu reto, deixando a amiga confrontar os meninos.

- Desculpe, mas a conversa é entre nós. – apontou o dedo para e ele.
- Lockwood! – deu um tapinha nas costas do amigo. – Essa é a garota de quem tanto falo!
- Hm... – trocou olhares cúmplices com o outro. - Vou entrando então. – O menino desapareceu na sala.
- O que quis dizer antes? – apoiou o braço na parede, analisando a menina de braços cruzados a sua frente – Quer disputar pela vaga no time?
- Se isso fizer seu ego diminuir, sim.

arregalou os olhos surpreso e sorriu:
- Então, que os jogos comecem.

deu de ombros e entrou na sala a passos largos. Ela sentia o olhar do menino em suas costas, por isso, virou-se para encará-lo, desafiadora. ergueu as mãos em rendição e entrou em seguida, acomodando-se na primeira fileira. A maioria das bancadas estavam ocupadas. sentava-se no fundo e mordia o lábio como se pedisse desculpa. Ao seu lado, onde deveria ser seu lugar, Fletcher acenava para ela com um pequeno sorriso cínico. “Esses idiotas!”, pensou enquanto respirava fundo e jogava sua mochila no único lugar disponível na sala – bem ao lado de Brisbane.

- Que surpresa! – ele riu, apoiando a cabeça na mão direita e olhando diretamente para o rosto da menina. – Bom dia, dupla!
- Cala a boca.
- , nós seremos parceiros durante o ano inteiro. Seria muito bom um pouco de educação mútua. Ou civilidade...
- ...

A menina não terminou sua frase ao notar que o professor entrou na sala. A mal gosto, ela se sentou na cadeira, puxando-a o mais longe possível dele. Poderia ser infantilidade sua, mas foi criada para ser a melhor e estava ali atrapalhando seus planos. Não tinha como eles se darem bem. Pelo menos não por parte dela.

- Quer parar de olhar para mim? – ela esbravejou, sem se virar para o menino.
- Desculpe, é que você é uma gracinha quando tenta me vencer... Você anota tudo o que o professor fala? – riu ao se aproximar do caderno de .
- Como eu faço para não matar esse ser humano com a minha caneta? – ela olhou para cima, arrancando uma risada silenciosa do menino.



No fundo da sala, estava prestes a virar a página de seu livro quando notou que alguém a observava de pé, ao lado da bancada. Erguendo o olhar percebeu que a encarava despreocupado. Com apenas o livro de Biologia na mão, ele apontou para a cadeira vazia ao seu lado.

- Posso?

A menina mal teve tempo de responder antes de perceber que aquilo não fora uma pergunta, mas sim uma constatação de que ele seria seu parceiro de laboratório. Seu rosto começou a esquentar ao ver que ainda estava fora da sala. Ela iria matá-la por não ter guardado lugar! fechou seu livro e mordeu o lábio, considerando se deveria iniciar uma conversa com ele. Para seu alívio, quebrou o silêncio.

- Você é a irmã de Kade... – ele não olhou para ela, provavelmente tentando lembrar seu nome
- .
- . – O menino se virou para ela e sorriu. – Vejo que gosta de poesia. – Analisou a capa.
- Honestamente, esse livro é horrível. – Os dois riram. – Kade me deu de Natal, mas não consigo passar da quinta página.
- E se eu disser que a autora é minha sogra?

Por um segundo, havia esquecido que e Cassidy eram um casal. De relance, a menina percebeu o sobrenome da autora – o mesmo de Cassidy – e sorriu desconfortável. Ela não podia acreditar que tinha falado isso.

- Desculpe.
- Não se preocupe. – acenou para , como havia prometido ao amigo, e prendeu a respiração ao perceber como a amiga estava irritada. – Tenho todas as cópias na minha casa e não li nenhuma delas. Não diga isso à Cassidy!
- Não há com que se preocupar. – Balançou a cabeça. - Não somos próximas.
- Eu sei. Tudo que Cassidy fala é sobre vocês. E não da melhor maneira...
- É o que eu digo para , não é saudável essa rixa, mas acaba sendo inevitável. – Suspirou, não acreditando que ela realmente estava conversando com .
- Marin, a ex-namorada de ? – se arrumando na cadeira, o menino se interessou pelo assunto. – É verdade que ele voltou?
- Você não o viu chegar?
- Não. Tive uma emergência maior. – Pigarreou, sinal de que não queria falar sobre isso.
- Suponho que você terá uma surpresa no almoço, então.

O menino se virou para frente, pensativo, e finalmente pode respirar. a encarava do outro lado da sala, como se quisesse entender o que estava acontecendo. Assim que a menina deu de ombros para a amiga, o professor chegou, atraindo a atenção dos alunos, exceto . Olhando de soslaio, ela percebeu que ele rabiscava algo na folha de seu livro. Em cima da bancada, seu celular piscava, indicando duas mensagens de Kade. Imeditamente, entendeu o que estava acontecendo. Não demorou para que o garoto ao seu lado rasgasse o pedaço de papel e passasse para ela.

“Sexta-feira, auditório, 18 horas”

- Antecipei seu teste por ser pedido especial. – Balançou o celular antes de guardá-lo no bolso.
- Você não precisava fazer isso. – Ela brincou com a caneta a sua frente. – Não quero favorecimento por termos um conhecido em comum.
- Quem disse isso? – levemente ofendido, sussurrou. – Eu sou o diretor, escolho quem eu quiser de acordo com o talento que estou buscando.
- Então porque me deu um horário diferente das audições abertas?
- A Companhia envia convites nas férias para os interessados dos anos anteriores, com audições em dias e horários diferentes, para que um não copie o outro. Como seu nome surgiu agora, tive que adaptar o procedimento. Geralmente os candidatos se preparam durante o ano para os testes.
- Tudo bem. – Ela engoliu em seco, sentindo a pressão aumentar sob suas costas. – Estarei lá.

encarou o papel a sua frente, envergonhada por seu irmão ter pedido ajuda à , mas guardou-o na agenda. Aquela seria sua única chance de mudar seu futuro. E ela não poderia desperdiçar essa oportunidade por nada. Principalmente agora que havia aberto uma exceção especialmente para ela.



Sentada na parte de trás das arquibancadas da quadra externa, observou o céu azulado. Sua ansiedade estava atacando, fazendo com que sua respiração saísse entrecortada. Apesar dela se mostrar forte para o mundo, muitos pensamentos costumavam fazê-la perder a cabeça. E o principal motivo agora era a sua ausência de poderes.

- Ei, quer companhia?

A menina fechou os olhos, soltando uma rajada de ar pela boca para tentar acalmar as batidas de seu coração. Ela nunca teve um ataque de pânico na escola, por isso não sabia como reagir. O menino, também com a respiração cansada, sentou-se ao lado de e colocou a mão em seu ombro.

- Está tudo bem?

Ela reconhecia aquela voz serena. Mordendo o interior da bochecha, a menina abriu os olhos, se deparando com um par azul bem a sua frente. Connor St. Germain a encarava preocupado, sem se importar com a gota de suor descendo em seu rosto.

- Se você conseguir me distrair dos problemas aqui, - apontou para sua cabeça. – ajudaria. – sorriu sem graça.
- Você tem o cara certo, então! – se ajeitando, Connor encostou-se na barra de metal ao lado da menina. – Tenho muitas histórias para contar, você prefere a do meu primeiro beijo ou da minha viagem para o acampamento no Maine?
- Primeiro beijo. – a menina percebeu que ele estava com a roupa de treino. – Não estou te interrompendo?

O loiro olhou para baixo e deu de ombros.

- Finalizo o treino depois. Está preparada para uma história mais trágica que Romeu e Julieta?
- Com certeza.
- Tudo começou quando tinha quatorze anos. Eu tinha marcado com uma menina, não direi o nome para manter a integridade dos envolvidos, de me encontrar no lago Pioty, na entrada da floresta de Greyson Hills. Perto das pedras, tem um lugar perfeito para se montar piquenique, por isso levei uma toalha, alguns salgadinhos e velas. – arregalou os olhos, imaginando como aquela história iria terminar. Connor sorriu, notando que ela estava se acalmando, e continuou. – A ideia original era só levar comida, mas eu tinha visto um filme romântico em que o homem colocou velas, então me convenci de que seria a melhor ideia! Tudo estava perfeito, ela estava caidinha por mim e eu encantado com o sorriso dela, quando chegou o momento. Eu me inclinei para beijá-la, mas acabei me atrapalhando e quando eu fui me apoiar melhor, acabei chutando uma das velas. O pior foi que eu joguei tudo no lago para apagar o fogo. Na toalha estava o celular da menina. Então, digamos que até hoje estou devendo uma toalha para minha mãe e um celular para ela... Mal comecei a trabalhar e já tenho dívidas em meu nome.

gargalhou, fazendo com que Connor a observasse aliviado. Ele sabia que essa história era a perfeita distração.

- Isso foi horrível!
- Ei, não teve graça na hora. – Ele mordeu o lábio e encarou-a. - Como você está? – perguntou mais sério.
- Bem melhor, obrigada. – Ela respirou fundo. – Achei que ninguém me encontraria aqui. Espero que isso fique só entre nós...
- , esse é um dos lugares mais movimentados. – Ele apontou para as inscrições nas barras de metal, iniciais de casais do colégio. – Mas não se preocupe. Segredo nosso. – Piscou para a menina e se levantou. – Vem, eu te pago o almoço.

Sentindo uma onda de calor percorrer pelo corpo, ela segurou a mão de Connor e o deixou guia-la para fora. Os dois caminhavam em direção ao prédio principal quando escutaram um grito vindo da quadra, onde outros garotos treinavam.

- St. Germain! - observava com as sobrancelhas franzidas, pedindo explicação de seu sumiço.
- Pensei em terminar mais cedo. – Bagunçou os cabelos e soltou a mão de rapidamente. – Faço tempo extra no final da tarde!

Connor se virou para com um sorriso amigável e voltou a andar a seu lado. riu confuso, compreendendo que tinha flagrado os dois saindo de baixo das arquibancadas, e voltou a dar os comandos para o time. “Essa é uma informação interessante para ser estudada mais tarde”, pensou o capitão antes de voltar a arremessar as bolas para sua dupla.


Capítulo 5

Afundando o corpo na água fria da piscina, Lana fechou os olhos na tentativa de acalmar-se. Desde pequena, ela se sentia protegida perto da água, como se fizesse parte dela. Agora, ela sabia o real motivo da conexão. Liberando todo ar de seu pulmão, a menina esperou a sensação de queimação surgir, mas obteve algo diferente como resposta.

- ?

Um sussurro surgiu à distância, um som peculiar que parecia vir de dentro da água. A menina estreitou os olhos, conferindo se estava sozinha de baixo d’água. Não havia mais ninguém além dela.

- , sou eu – o timbre feminino da voz de sua prima se fez mais próximo, como se viesse por trás de seus ouvidos. – Preciso que você preste atenção no que vou falar.

A menina não sabia ao certo no que pensar. Sua cabeça já estava ocupada com as memórias de e todas as revelações do dia. Ela aguentaria mais notícias, vindo de sua prima que um dia simplesmente desapareceu?

- Estou ouvindo – ela murmurou, incerta se aquela forma de comunicação realmente funcionava.
- Eu sei que está – a mulher respondeu com um tom divertido na voz. – Você deve estar se sentindo perdida nesse instante e eu sinto muito por não poder estar ao seu lado nesse momento. , eu não tenho muito tempo, então não conseguirei responder todas suas perguntas, por isso quero que apenas escute. No momento que deixei Greyson Hills, concedi os poderes de nossa família a você. Sua iniciação estará completa no momento em que você ler a epígrafe do livro dos Marin. Eu o deixei escondido no mármore de nossa lareira. Cuide muito bem desse livro, pois nele você encontrará tudo que precisa para aprender sobre o mundo da magia. A partir de hoje você deve ter muito cuidado com as pessoas ao seu redor, não confie piamente em todos. Há pessoas boas e más em todos os lugares, com ou sem magia. Seu papel como guardiã é evitar ao máximo cair na tentação do poder obscuro e sempre proteger suas amigas. Vocês quatro são as únicas responsáveis pelo equilíbrio da cidade e, indiretamente, do mundo como um todo. Sei que é complicado absorver tudo isso, mas, prima, todas as histórias são reais.
- Eu devo sentir medo? – mordendo o lábio, tentou não sentir saudade do abraço de sua prima e da proteção que ela lhe proporcionava quando moravam juntas.
- Não tema o desconhecido, tema apenas àqueles que o manipulam ao seu favor.
- Prima, - sentiu sua voz fraquejar – eu a verei novamente?

As águas ficaram silenciosas por alguns instantes e pensou que a conexão havia sido interrompida. Mas, antes que ela perdesse a esperança, o som se fez audível à distância:
- Se assim for o desejo das estrelas, sim, nos veremos novamente!

E então, a piscina ficou muda. fechou os olhos, absorvendo todas as informações e, assim que a última mensagem de sua prima foi guardada em sua memória, seu corpo tomou consciência e seus pulmões arranharam por ar. Impulsionando o corpo, ela se permitiu flutuar até a superfície, inspirando uma grande quantidade de ar. O dia mal começou e ela já estava planejando sair daquele lugar o mais cedo possível. Se havia algo escondido em sua casa que poderia ajuda-las a entender melhor o que aconteceria dali em diante ela não podia perder tempo. tinha que encontrar aquele livro, nem que isso significasse perder logo o seu primeiro dia de aula.

Correndo para o vestiário, ela pegou seu celular e enviou uma mensagem para as meninas. Enquanto secava seu corpo, a tela do aparelho acendeu, indicando uma notificação de um número desconhecido.

“Quer dar o fora daqui? - Brooks”

Seu estômago revirou ao ler o texto. Aquela mensagem era conveniente demais para um momento como esse, em que estava sem carro e precisava chegar em casa o mais rápido possível. Talvez a melhor solução para seus problemas seria subir na garupa de uma Harley, mas essa decisão também significaria passar o dia inteiro com o garoto que partiu seu coração. O que ela deveria escolher? agarrou o celular e saiu em direção ao estacionamento.


Parada ao lado da moto, a menina esperava impaciente. Assim que o sinal para o almoço tocou, a primeira pessoa a sair pela porta dos fundos foi . Andando a passos largos, ele abriu um sorriso presunçoso e balançou as chaves em seu dedo indicador.

- Olhe só para você! Nem parece aquela menina descontrolada que encontrei mais cedo! – riu sarcasticamente ao analisar os cabelos molhados e bagunçados de . – Você veio para a escola só para nadar?
- Eu vim porque achei que seria mais um dia normal – ela pegou o capacete que estendia e o colocou. – Mas por sua culpa tive que mudar os planos.
- Minha culpa? – o garoto se fez surpreso. – Se eu bem me lembro, essa cidade também é minha. Não preciso mandar um comunicado para cada cidadão dizendo que minha família e eu estamos de volta. – passou as pernas pela moto e ligou o motor.
- Poderia ter enviado um só para mim – sussurrou, subindo na moto, e segurou o menino pelos ombros.
- É sério? – ele se virou rindo e bateu no topo do capacete da menina. – Você diz que me ama de manhã e que sempre vai esperar por mim, mas não quer segurar em minha cintura algumas horas depois?

estreitou os olhos, sem cortar a conexão com . Seus olhos escuros desafiavam a menina. No passado, eles costumavam rir quando se encaravam por muito tempo, mas, hoje, isso não era possível - não quando os dois haviam mudado tanto.

- Eu vou segurar seu corpo, mas isso não significa nada – ela entrelaçou seus braços ao redor dele e então a moto começou a andar. – Só me leve para casa.
- Não quer ir para um lugar mais distante? – um tom de desapontamento soou em sua voz - Não é sempre que se tem uma Harley para andar.
- Minha casa .

O ronco do motor invadiu a rua. Algumas pessoas viraram as cabeças para ver quem estava dirigindo. Não demorou muito para a moto pegar velocidade e tudo ao redor virar um borrão na visão. Ao observar o retrovisor, analisou a expressão de . Ele estava concentrado na estrada, mas seus pensamentos pareciam estar em outro lugar. Ela direcionou seu olhar para o pescoço do menino, onde notou a tatuagem da adaga acompanhada de algumas marcas. Pareciam arranhões antigos, cicatrizados com o tempo.

- O que fizeram com você? – sem pensar duas vezes, ela perguntou, passando a ponta do dedo sobre as cicatrizes. se encolheu levemente, tanto por vergonha quanto por ter se esquecido de como era carinhosa em seu toque.
- Não interessa – seu lado rude retornou.

Ela engoliu em seco. Por mais que amasse e estivesse disposta a esperar por ele, sua vontade de ouvir desaforo era mínima, principalmente quando havia assuntos mais importantes para tomar sua atenção. Por isso, o restante do caminho para sua casa foi silencioso. Ao virar na última rua de Greyson Hills, o menino reduziu a velocidade e analisou a paisagem ao seu redor - a rua dos Marin era a mais tranquila de toda cidade, com casas menores e vista para o lago Pioty - era um de seus lugares favoritos no passado. Os dois costumavam ficar no deque na beira da água, jogando pedras na superfície e conversando sobre a vida. Ao parar em frente a casa azul, desceu da moto e tirou o capacete. O garoto relembrava cada detalhe da entrada da casa, abismado ao perceber que nada havia mudado.

- Quer entrar?
- Não sei se deveria.
- Só estou lhe convidando para o almoço, nada além disso – destrancou a porta. – Podemos conversar com calma, começando pelo motivo de você dizer que voltou para Greyson Hills por mim e por estar na hora – fez aspas com os dedos, repetindo a fala do menino no início do dia.

desligou a moto e bagunçou os cabelos. As explicações para todas dúvidas de estavam na ponta de sua língua, mas ele não tinha certeza de que ela estava pronta para ouvi-las.

-Espero que você tenha algumas cervejas na geladeira, porque vamos precisar.



não sabia dizer o que ela estava fazendo na mesa do time de futebol. Quando Connor havia dito que lhe pagaria o almoço, ela imaginava que se sentariam em uma mesa para dois, comendo um prato delicioso, não dividindo a bancada com uma caixa de som, batatas fritas perdidas e casacos dos Vikings. Vasculhando a cafeteria, ela não encontrou nem .

- Espero que não tenha demorado muito – chegando com duas bandejas, o loiro sorriu sem graça.
- Nem um pouco! – aliviada, deu espaço para que ele se sentasse ao seu lado.
- Como você está? – Connor perguntou enquanto abria a tampa de seu suco.
- Ficarei melhor quando der uma garfada nesse macarrão – a menina riu, enquanto girava o garfo. – De qualquer maneira, você não precisa se preocupar tanto.
- Claro que preciso, - ele fez uma careta, indignado – se pretendo ser um bom médico, devo me preocupar com todos.
- Não sabia que você queria seguir essa profissão.
- Imaginou que eu jogaria futebol para sempre? – ela sorriu envergonhada, enquanto ele balançava os ombros despreocupado - Escuto isso o tempo todo. Eu preciso do esporte para garantir minha bolsa de estudos para o próximo ano, mas não pretendo ir para a Liga como os outros.
- E para onde você pretende ir? Sei que sua família inteira estudou apenas na Ivy League, deve haver muita pressão em sua casa.
- Gostaria de aplicar para todas do grupo, mas minha principal é Harvard. Meus irmãos estudam lá, então não vejo motivos para não fazer o mesmo.
- Jogador de futebol semiprofissional e futuro aluno de Medicina em Harvard. Isso é o que eu chamo de ascensão. O sobrenome St. Germain não é fácil de se carregar! – a menina se arrumou na cadeira, aproximando-se do garoto.
- Não é apenas quem tem cérebro e habilidade na quadra! – ele fez o mesmo, tocando sua perna na de .
- Você tem uma vantagem sobre ele – ela susteve o olhar de Connor, flertando abertamente.
- Qual seria? – St. Germain sorriu, entretido.
- Você tem jeito com as garotas, - a menina mordeu o lábio, fazendo o loiro respirar fundo – agradeça às suas covinhas.

Connor gargalhou, fazendo algumas líderes de torcida revirarem os olhos. Ela ainda não acreditava que aquele garoto estava dando tanta atenção para ela. Tudo parecia perfeito demais, até que os dois lugares vazios a sua frente foram ocupados.

- Divida a piada conosco Connor! – Melanie apoiou a cabeça em sua mão esquerda, sem sequer olhar para . – Tenho certeza que sua companhia já é um grande motivo para rir!
- Bem que eu imaginei que vocês dois estariam começando um romance – falou em voz alta, segurando a risada.
- Aster me contou que viu você saindo das arquibancadas durante o treino. Desse jeito não vamos ganhar as nacionais St. Germain! – um garoto do time soltou do outro lado da mesa, arrancando risadas de todos presentes.

Respirando fundo, não baixou o olhar. O loiro a encarava, pensativo, e então a menina decidiu responder à altura:
- Se estamos juntos ou não é problema nosso, mas garanto que caso Connor tire a sorte grande comigo, ele vai se sair melhor nos jogos que qualquer um de vocês.

Melanie riu, descrente do que escutou, e o time inteiro ficou em silêncio. Ao seu lado, Connor sorriu grato e segurou sua mão por baixo da mesa. Ela não tinha paciência para as brincadeiras do time de futebol, mas queria estar ali para conversar com St. Germain. Assim que Melanie abriu a boca para soltar um comentário para , seu telefone começou a tocar, indicando que estava ligando. A menina soltou a mão de Connor e se retirou da cafeteria para conseguir ouvir sua amiga. Na mesa, o burburinho retornou aos poucos e, enquanto o loiro terminava seu almoço, o casal a frente sussurrava, jogando olhares desconfiados sobre o garoto.

- Soube que Brooks voltou – para quebrar o gelo, Connor falou.
- Eu o vi, - encarou o menino a sua frente – o garoto ganhou corpo. Poderia servir de Running Back nessa temporada.

Connor engoliu em seco. Melanie fulminava , enquanto o capitão fazia o mesmo com o menino a sua frente. Aster era o mais popular da escola, tanto amado quanto odiado. Ele e St. Germain se tornaram melhores amigos quando deixou a cidade, mas, mesmo sendo muito próximos, Connor não deixava de sentir-se como um criado – apenas com um olhar, impunha uma ordem, por isso, o loiro estava compreendendo aonde aquela conversa iria chegar.

- Essa é minha posição, Aster.
- Por enquanto sim, mas não se esqueça que era dele antes de você entrar para o time – dando uma mordida em sua maçã, o capitão sorriu para a namorada. – Mas podemos discutir melhor sobre isso mais tarde.
- Sim, capitão – cabisbaixo, Connor seguiu o olhar maldoso do casal em direção à , do lado de fora das paredes de vidro.

Ao desligar o telefone, a menina voltou para pegar suas coisas. Na mesa, Connor era o único restante. Diferentemente de quando tinha o deixado ali, o menino parecia desapontado. Ela sorriu para o loiro assim que os olhos azuis encontraram os seus e então ele se levantou:
- Eu gostei muito de te conhecer, - os dois caminharam para fora da cafeteria – por isso queria saber se você gostaria de sair comigo algum dia desses.
- Claro! – surpresa, ela conteve a onda de felicidade que percorreu por seu corpo e sorriu animada.
- Sábado a noite?
- Combinado!

Com um sorriso contido, mas que ainda revelava suas covinhas, o menino beijou o topo da cabeça de e saiu caminhando com as mãos nos bolsos. Ela precisou recuperar o fôlego antes de correr até seu carro. Estava tão feliz que mal se lembrava da ligação de sua amiga, só sabia que deveria encontrá-la antes do último período. Mordendo o lábio, a menina ligou o motor e colocou sua playlist favorita para tocar. Nada mais naquele dia poderia surpreendê-la a ponto de superar o convite de Connor.


Estacionando na frente da casa de azul, notou que a moto de estava na garagem. Sem compreender ao certo o que estava acontecendo, a menina desceu do carro e caminhou em direção à porta da frente. Movendo a maçaneta, ela entrou na casa silenciosa. Tudo parecia normal, a mesa estava com pratos recém utilizados e a televisão ligada. Ela escutou passos ocos em cima de sua cabeça, o que só poderia significar que os dois estavam no andar de cima. Subindo as escadas rapidamente, a menina encontrou todos os recintos abertos e então, ao virar para entrar no quarto de , esbarrou com o garoto alto.

- O que você está fazendo aqui? – ele esbravejou, atraindo a atenção de , sentada no chão do outro lado do quarto.
- Eu é quem te pergunto – com o mesmo tom, a menina cruzou os braços. – Desde quando você tem o direito de aparecer na cidade e ter frieza de provocar minha melhor amiga depois de todo o sofrimento que causou?
- Por que vocês acham que que devo satisfação a todos? – resmungou. - Não acredito que das três amigas, você convidou justamente a mais raivosa – se jogou na cama, ignorando o olhar de .
- Nós já tivemos essa conversa – se levantando para apaziguar a tensão, sorriu para a amiga, agradecendo o apoio. – Basicamente, foi para Nova York para tratar de negócios de família e no final, foi obrigado a estudar em um internato.
- Credo, que antiquado – a menina riu. – Apesar de eu me entreter com a história dramática de vocês, eu preciso saber o que nós estamos fazendo aqui.

Sem delongas, revelou um pequeno livro de couro escuro e mostrou para :
- Esse é o motivo para todos nós estarmos aqui.



Ao final do período, arrumou seu material rapidamente e correu para a bancada de . Durante a aula de Química, ela recebera uma mensagem de texto de sua mãe, dizendo que precisava conversar com as quatro imediatamente.

- Você acha que vai ser alguma notícia boa? – ajeitando os livros, se levantou e seguiu para fora da sala acompanhada da amiga.
- Imagino que esteja relacionado ao que aconteceu ontem – estava tão ansiosa que mal se lembrou das importunações de durante a aula. – Talvez ela nos explique como será a iniciação. Antes de chegarmos no colégio, ela havia me dito que o procedimento deveria ser feito o mais cedo possível agora que estamos cientes de nosso futuro.
- Como você consegue aceitar tudo isso tão facilmente? – a mais nova reduziu a velocidade de seus passos, observando os colegas andarem tranquilamente pelo corredor – Eu não entendo como tudo isso pode ser possível. Somos apenas adolescentes! A única preocupação que deveríamos ter é com o vestibular ou o baile de formatura – passou a sussurrar para que ninguém além de a escutasse. - Não vejo como quatro meninas podem ser a chave para a proteção do equilíbrio entre o bem e o mal!
- , respira – a amiga enlaçou o braço na outra e a guiou para a sala da diretora. – Pense que tudo isso é uma grande aventura que nem todos têm o privilégio de viver!
- Mas você não considera as consequências que podem vir? É muita responsabilidade para nós.
- Uma hora nós temos que crescer. Não há como fugir dos planos do destino, mas nós podemos aprender maneiras de lidar com ele. Por isso quero entender completamente como tudo isso funciona - ela gesticulou aos ares.

Dando duas batidas na porta, se soltou de e girou a maçaneta. Para o espanto das duas, a sala estava mais cheia do que o esperado. Sentados no sofá, Kade e Ava conversavam, um tanto nervosos, enquanto Tessa terminava de fechar as persianas de suas janelas. Franzindo o cenho, encarou seu irmão que segurava um livro de couro – como o de Davina – e pigarreou:
- A senhora nos chamou?
- Sim , sente-se por favor – a diretora caminhou até a porta e a trancou. – e virão? – perguntou para sua filha.
- Não, mas podemos conversar com elas depois – acomodou-se ao lado da amiga.
- Eu sinto muito por vocês terem descoberto tudo isso desse modo – Ava balançou a cabeça. – Nós imaginávamos que demorariam alguns anos até que fosse necessário realizar a iniciação...
- Há uma idade específica para se tornar guardião? – a mais nova suspirou, desejando que tivesse mais tempo para viver tranquilamente.
- Comigo aconteceu aos vinte e dois anos – seu irmão respondeu, batucando o pé direito no chão de leve. – A tendência é acontecer nessa faixa etária. Quanto mais jovem for o guardião, mais poderes ele concentra.

As meninas se entreolharam surpresas. As quatro estavam prestes a completar dezoito anos, indicando que o quarteto era mais poderoso do que imaginavam.

- E é por esse motivo que estamos preocupados – dessa vez, Tessa se pronunciou. – Vocês quatro são uma combinação rara de guardiãs. Uma geração tão poderosa quanto à dos fundadores.
- As matriarcas... – sussurrou e recebeu balançar de cabeça de Ava.
– Isso significa que teremos algum problema com a magia negra? – concluiu.
- Infelizmente, cremos que sim – sua mãe continuou. – Atualmente, sabe-se que a magia negra é atraída pelo poder. É uma forma que se apossa dos praticantes de magia branca que ainda não têm total controle sobre seus dons. Vocês meninas, além de possuírem o dever de proteger o equilíbrio, terão de aprender a se fortalecer contra a obscuridade. Por isso queremos iniciá-las o quanto antes para poder começar o treinamento.
- Para isso, precisamos das quatro unidas e desses livros – Kade ergueu o objeto. – Estes cadernos são essenciais para qualquer bruxo. Nele, cada família escreve seus encantamentos e características específicas de práticas de acordo com seu elemento. O primeiro encantamento em todos os livros é o que permite a transferência de poderes.
- E o que acontece quando vocês concederem os poderes a nós? – a menina encarou seu irmão, preocupada.
- Nós detemos uma pequena parcela de poder, apenas o necessário para a vida cotidiana! – Ava mexeu os cabelos ruivos. – O trabalho durante esses anos foi simples, não há vilões como nas décadas passadas. Minha avó me contava histórias em que ela e os outros guardiões lutavam contra todos os tipos de seres sobrenaturais...
- Eu tenho uma dúvida – atraindo a atenção de todos, se pronunciou. – Na noite passada, Davina nos contou de um bruxo puro sangue que se converteu a magia negra. Ele seria membro da quinta família dos fundadores?

Abismado com a conclusão de sua irmã, Kade olhou para Tessa, esperando sua resposta. A mulher mais velha tirou os óculos do rosto e começou a limpá-lo, enquanto organizava as melhores palavras a serem ditas. A Firestone mais velha, pelo contrário, sorriu para as duas na tentativa de amenizar o clima e se prontificou a falar:
- Você está certa pequena White! A quinta família cujo sobrenome nos é desconhecido fugiu na noite do incêndio e permaneceu desaparecida durante séculos. Apenas há algumas gerações, um de seus bruxos ressurgiu em Greyson Hills, mas ele não era praticante da magia pura. Nenhum de nós sabe como ele se aliou ao lado negro, porém, segundo registros, o bruxo foi um dos piores seres a ser derrotado pelos guardiões da época.
- Ava – Tessa ergueu a sobrancelha, sondando-a. – Essa história ainda não vem ao caso. Primeiro precisamos que vocês pratiquem seus dons, depois podemos contar outras curiosidades sobre o mundo.

sentia medo. Sua imaginação não queria voar longe, muito menos ilustrar as supostas histórias que Ava havia revelado. Ela mal conseguia aceitar que era uma bruxa e já teria de começar seu treinamento. Kade, pelo contrário, parecia muito mais apto a esse trabalho. Seu irmão sempre fora destemido e confiante, ele era o White certo para proteger o mundo. , do outro lado, estava se acostumando com a ideia. Agora que sua mãe havia aberto o jogo, ela desejava desvendar todos os mistérios daquela cidade, começando pelo centro de magia que deveria proteger. Além disso, ela sabia que não havia orgulho maior do que herdar e dominar os poderes de sua família, por isso queria começar o quanto antes.

- Não se preocupem meninas, - Kade se levantou – por enquanto não há nada a temer. Faz anos que essa história aconteceu.
- Vocês só precisam permanecer unidas e se lembrar do lado em que estão. – Tessa completou, passando confiança para sua filha.
- Então estamos resolvidos! Podemos realizar a iniciação hoje a noite, no jardim dos White – Ava bateu palmas, animada. – Estejam prontas!

As duas meninas se entreolharam e então sentiram seus celulares vibrarem com uma mensagem de texto de :
“Tudo está começando.”


Continua...



Nota da autora: Primeiramente, queria agradecer do fundo do meu coração à todas bruxinhas que estão acompanhando a história. Graças a vocês, Black Magic entrou no Top Fictions de fevereiro! Não tem sensação mais gostosa do que ver seu trabalho dando certo e recebendo um apoio tão grande! Segundo, espero que gostem dessa atualização, pois fiz um capítulo mais extenso como presente para vocês. Por último, me diz ai embaixo o que acham que irá acontecer após a iniciação das meninas. Será que elas vão conseguir lidar com seus dons? O quão poderoso pode ser esse quarteto? E quando será que a magia negra e os seres sobrenaturais irão aparecer?
Queria agradecer todos os comentários positivos e dizer que, para quem gosta de escutar música enquanto lê, a playlist da história está aqui embaixo, no ícone do Spotify! Caso seu coração não aguente esperar pela próxima atualização, a página do Tumblr de Black Magic pode te entreter no meio tempo, minha dica é acessar pelo computador, é lá que a mágica se esconde! Muito obrigada por escolherem a história, prometo que a aventura está prestes a começar!


Outras Fanfics:
Centineo (Atores - Noah Centineo)
Satellite (Outros – Shortfic)
04. Why Try (Ficstape Ariana Grande)
02. Spaghetti (Ficstape Emblem3)

Qualquer erro no layout dessa fanfic, notifique-me somente por e-mail.


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