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Última atualização: 24/10/2020

Capítulo 1

Ripon, Inglaterra – 1530.

A corte era um lugar movimentado e disputado. Todos queriam estar na presença do rei da Inglaterra. Até mesmo para mim, filha dele, uma das princesas, tive que esperar sua permissão para retornar à corte. Eu era filha de uma rainha decapitada, acusada de ter sido infiel ao rei, tramando até a morte dele, o que era uma blasfêmia. O rei me manteve exilada até que eu completasse dezoito anos e só então permitiu meu retorno ao castelo. Porém, pelo que tinha ouvido, foi por pedido de sua nova esposa, que queria manter a família perto e o convenceu de que eu já tinha idade para ter um casamento vantajoso para ele. Mesmo sendo a princesa, a filha mais velha do rei, todos ainda me olhavam e viam minha mãe, a rainha traidora, que foi executada. Meu pai tratava-me com amor e respeito, da maneira que ele achava melhor, mas eu não conseguia ficar com ele por muito tempo. Ele era o rei, e tudo que ele pensava ou agia éramos obrigados a concordar. Eu nunca havia aprendido a como disfarçar o que sentia.
– Lady , seu pai, o rei, lhe mandou o convite para o começo das comemorações de final do ano. Todos ficarão no castelo e comemorarão aqui. – Margaret, uma das minhas damas de companhia, lia o bilhete do meu pai enquanto eu terminava de bordar outra camisa para ele.
– O ano passou tão depressa que até tinha me esquecido de que o Natal já está chegando. – comentei, observando o movimento da agulha atravessando o pano macio e branco como a nuvem. Percebi uma movimentação pelo quarto das minhas outras damas. Algumas riam e comentavam algumas coisas.
– Sobre quem elas estão conversando? – perguntei a Margaret. Ela sorriu meio tímida e sentou-se ao meu lado, mas antes pediu minha permissão e licença para isso.
– Essas festas são boas para conhecer pessoas novas, a senhorita sabe, conseguir um bom casamento. Seu pai convidou duques de muitos reinos, então elas já estão comentando sobre os possíveis pretendentes ao cortejo. – balancei a cabeça positivamente, sorrindo de lado e olhando para as meninas, que riam ainda.
– Peço permissão para contar-lhe algo que ouvi pelos arredores, Lady . – parei de bordar e coloquei as coisas em meu colo. Virei meu rosto para ela e esperei que ela falasse.
– O rei está pensando em colocá-la de volta na linha de sucessão. – ela abriu um sorriso, e pude sentir meus olhos encherem d’água. Aquilo tinha sido a melhor notícia que eu poderia ter recebido.
– Não conte isso a mais ninguém, por favor. – pedi, abaixando o tom da minha voz. Ela assentiu, ainda sorrindo, fazendo-me sorrir junto e, depois, olhar para minhas outras damas, que agora estavam de pé e vinham até mim.
– Lady , o dia está tão lindo lá fora. – estreitei meus olhos para Eliza, que tinha aquela expressão de que estava me implorando para fazer tal coisa. Olhei para a varanda e vi o gigantesco e estupendo jardim do castelo. Sorri de lado e assenti, fazendo as meninas pularem.
– Perdoe-nos, Lady. – elas pediram assim que viram que estava exagerando. Neguei com a cabeça e levantei-me. Ajeitei meu vestido caramelado, joguei meus cabelos cacheados para trás e caminhei lentamente pelo quarto. Elas pegaram as sombrinhas, tirando Margaret, que seguraria a minha e poderia aproveitar da sombra junto comigo.
Saímos do quarto, recebendo cumprimentos dos inúmeros guardas que tinham na porta e nos corredores do castelo. Todos se curvavam assim que passávamos. Agora, sorrir estava fácil, depois da notícia que Margaret tinha me dado. Chegando ao lado de fora do castelo, senti o calor do dia bater em minha pele. Segurei meu vestido e o levantei um pouco para poder caminhar mais confortavelmente. Margaret cobriu-me com a sombrinha, e eu dispensei, querendo caminhar um pouco afastada delas, observando o lago e os cisnes que ali tinha.
Pensando sobre o que ela tinha dito, talvez o povo gostasse tanto de mim que o próprio rei tinha conseguido ver isso e tivesse finalmente aceitado que eu também era da realeza, que tinha o direito de estar na sucessão do trono logo após meu irmão, que era bem mais novo. Tinha apenas nove anos de idade, mas ele seria rei após meu pai e antes de mim.
Assim que acordei de meus devaneios, escutei as meninas começarem a cochichar e Margaret pedir para elas se controlarem. Franzi o cenho e olhei mais à frente. Podia ver Henry, o melhor amigo de papai, o braço direito do rei e o duque mais poderoso que tinha. Meu pai o adorava e praticamente o considerava um irmão, mas eu odiava ter pensamentos absurdos com ele. Henry era um homem bem mais velho que eu, casado e com um filho. Mesmo assim, eu não conseguia não ficar nervosa em sua presença, como eu estava ficando naquele momento. Podia sentir minhas mãos suarem, meu coração se acelerar, minha respiração ficar descontrolada e falhada até me faltar ar. Tive que colocar uma mão em meu peito, tentando regularizar meu estado enquanto ele não chegava mais perto.
Engoli em seco e endireitei a coluna, fazendo um sinal para as meninas ficarem mais afastadas logo atrás e se controlarem, pois não era só eu que ficava nervosa daquela maneira em sua presença. Parei de andar quando vi que ele caminhava em nossa direção, já com um sorriso no rosto. Apertei minha mão em minha barriga, sentindo mais nervoso ainda. Devolvi o sorriso quando ele parou a minha frente e se curvou.
– Lady , a senhorita está radiante, como sempre. – alarguei o sorriso automaticamente e fiz meu cumprimento, abaixando-me um pouco e segurando a lateral do meu vestido.
– Sempre tão gentil. Fico lisonjeada pelas palavras, Vossa Alteza. – respondi, tentando controlar meu sorriso. Perto dele, eu não conseguia parar de sorrir. Parecia até uma boba da corte.
– Não devo lhe dizer isso, mas pode me chamar só de Henry. – ele estendeu a mão para mim. – Posso pedir sua companhia até a porta?
Assenti com a cabeça, ainda sorrindo. Encaixei meu braço no dele e segurei meu vestido com a outra mão. Minhas damas nos seguiram, mantendo uma distância pequena.
– Passará as festividades conosco também? – perguntei, tentando não o olhar novamente, porque seria um erro enorme.
– Mesmo se eu quisesse, não poderia recusar um convite do rei, ainda mais quando é feito pessoalmente. – dei uma risadinha e concordei com ele, olhando para as escadarias mais próximas. Então, deixei ser levada, e meu olhar foi em suas mãos. Eram grandes e fortes, fazendo minha mente viajar por elas. Umedeci meus lábios quando as imaginei segurando minha cintura com a força que elas pareciam ter.
Meu olhar ousou subir mais um pouco, e me peguei mordendo o lábio assim que cheguei em sua boca, que ainda sorria. Puxei o ar e o prendi um pouco, depois soltei-o lentamente e pude sentir meu corpo estremecer por tal ato.
– Se a senhorita me permitir, fico feliz que agora esteja na corte conosco e mais próxima do seu pai. – pisquei meus olhos antes de encarar os seus. Deixei meu sorriso se estender mais para o lado, demonstrando como tinha ficado feliz em ouvir o que ele tinha dito.
Não consegui desviar dos seus olhos extremamente azuis, que me encaravam de volta. Seus cabelos negros realçavam ainda mais a cor intensa de seus olhos e me faziam querer me perder ali e nunca mais ser achada.
– Muito obrigado, Lady . Foi ótimo ter a companhia da senhorita, mesmo que por alguns minutinhos. Posso tratar de negócios com seu pai com mais tranquilidade. – ele disse, se afastando em seguida, segurando minha mão e dando um beijinho nas costas dela. Abaixei minha cabeça em cumprimento.
– Fico feliz em ter lhe acompanhado e espero vê-lo nas festanças. – ele soltou minha mão com um sorriso ainda mais gentil no rosto. – Tenha um bom dia, Henry.
Ele alargou o sorriso, vendo que eu tinha aceitado chamá-lo pelo seu primeiro nome, mesmo que eu tenha praticamente sussurrado. Não falariam bem se me ouvissem o tratando pelo primeiro nome. Assim que ele desapareceu pelo castelo, soltei todo o ar que eu tinha segurado e coloquei as duas mãos em meu peito, controlando minha respiração.
– Definitivamente, ele é o homem mais bonito da corte! – ouvi uma das minhas damas dizer e tive que concordar, mesmo que só para mim.

Feriados e festanças.

Um vestido vermelho, mas não tão chamativo, pois só a rainha podia usar um vestido chamativo e ousado. No caso, da cor vinho ou roxo, como um exemplo. Optei por usar um penteado deixando meu pescoço à mostra, o que estava me incomodando já. Mas Margaret insistiu, dizendo que eu tinha ficado estupenda. Meu pai não gostou muito da minha escolha e me obrigou a usar um colar de diamantes extremamente pesado, mas digno de alguém da realeza mesmo. Era um colar da rainha, o qual ele mesmo o ofereceu para que eu usasse e ainda me deu de presente de Natal.
A parte chata das festas era que todos que tinham sido convidados se apresentavam ao rei e davam-lhe presentes. Eu me sentava ao seu lado o tempo todo e a rainha do outro lado. Fiquei prestando atenção nos detalhes dourados do meu vestido. Eram linhas bem finas, que faziam flores quase imperceptíveis pela longa saia. Dessa parte, eu tinha gostado bastante. O decote tinha sido outra coisa exagerada. Quando eu respirava, conseguia ver o movimento dos meus seios. Isso deixava-me um pouco constrangida.
– Majestade, o Duque de Suffolk. – parei de respirar naquele momento. Apertei os braços da cadeira e levantei minha cabeça, o vendo fazer sua reverência perante ao rei e, depois, nos cumprimentando e sorrindo gentilmente para mim. Acabei retribuindo seu sorriso e pude ver a felicidade no rosto do meu pai ao ver seu amigo. Ele até tinha se levantado e havia ido abraçá-lo. Olhei para a rainha, que sorria também. Eu até gostava dela, sempre tinha sido muito boa comigo. Isso era uma tremenda sorte, porque, se não fosse por ela, talvez nem aqui eu estaria. Provavelmente, estaria passando o Natal com minhas damas de companhia naquela mansão tão fria e solitária.
– Chega de tantas formalidades, e que a festa finalmente comece. – o rei anunciou, batendo algumas palmas. – Música! – ele ordenou, então logo os músicos começaram uma melodia alegre e contagiante, fazendo todos começarem a dançar pelo salão. Então, a festa realmente começar. A pior e melhor parte era que, em todas as festas, o lugar ao meu lado pertencia ao duque. Ter sua presença era minha alegria, mas também o meu nervosismo, e eu tinha medo dele acabar percebendo o que causava em mim.
– Lady . – Henry me cumprimentou antes de sentar-se ao meu lado. Abri o sorriso para ele e virei-me um pouco de lado.
– Duque. – antes que eu fizesse meu cumprimento com a cabeça, ele estreitou os olhos, em um tom brincalhão por eu não ter o chamado com seu primeiro nome. – Henry, perdoe-me.
Ele sorriu e abanou o ar, não dando importância. Um servo se aproximou e o serviu de vinho. Acabei pegando uma taça também. Afinal, que mal poderia ter?
– Permita-me perguntar, mas cadê sua família? Sua esposa, seu filho, não vieram junto? – perguntei, segurando a taça dourada com uma de minhas mãos, mas a apertando enquanto sentia meu corpo se enfraquecer por estar olhando aqueles olhos tão pertos. Contudo, de repente, tinham ficado tristes.
– Não tenho respostas muito alegres para essas perguntas. Minha esposa e eu não vivemos mais juntos. Ela deixou-me já faz algum tempo e, consequentemente, levou nosso filho. – ele respondeu, abaixando a cabeça e bebendo um pouco do vinho. Tirei o sorriso do rosto e segurei em sua mão, o que o fez encarar a minha mão sobre a dele.
– Sinto muito em ouvir tais tristes notícias, Henry. Rezarei por vocês se reconciliarem e serem felizes novamente. – disse. Poderia parecer mentira, mas eu faria exatamente isso. Henry era bom demais para sofrer assim. Ele merecia ser feliz, e ter sua família de volta era a forma de trazer a felicidade.
– Muito obrigado por sua gentileza, Lady . Não mereço tal bondade e muito menos ser o motivo de suas orações. – ele colocou sua outra mão sobre a minha. – Receio que não adiantará, então lhe peço para que reze pelo bem de seu pai, nosso rei, para que ele tenha vida longa.
Mordi o canto da boca e assenti, sorrindo quando ele levou minha mão até seus lábios, a beijando. Não consegui me controlar e soltei o ar, que saiu em um tom de suspiro, o fazendo franzir o cenho. Tirei minha mão das suas e virei-me para frente, pegando meu leque e me abanando. Observei minhas damas de longe e onde a atenção delas se encontravam: o irmão da rainha, outro duque. , loiro e alto, musculoso e até bronzeado. Ele era extremamente belo como a sua irmã, a rainha. Não tinha nem como negar. Porém, também era casado. Sua esposa não tinha uma boa reputação, pelo que diziam, mas não parecia incomodá-lo. Eram um casal infiel um com o outro, conforme o que o povo costumava falar. Terminei de beber o vinho e decidi tomar mais um pouco. O doce da bebida estava me ajudando a festejar, mas não o bastante para fazer-me ir dançar.
– Henry, leve minha bela filha para dançar! – quase engasguei com o vinho ao ouvir a ordem de meu pai. Encarei-o, e ele dava risada enquanto bebia. A rainha ao seu lado também se divertia. Ainda confusa, percebi Henry se levantar e vir à minha frente, oferecendo sua mão. – Vá se divertir. Você é jovem e merece dançar muito. – mais uma vez, o rei disse, e eu não podia nem pensar em negar. Sorri para ele em agradecimento e, depois, voltei a minha atenção para o duque à minha frente, segurando sua mão e entregando a minha taça de vinho para o servo, que já se punha ali para recebê-la.
– Seu pai está certo, não dançar em uma festa como essa é quase um insulto. – acabei dando risada do que ele disse, o que o fez sorrir divertido.
– Gosto quando consigo te fazer rir desse jeito, senhorita. – senti minhas bochechas corarem, até as cocei com a outra mão que não segurava a dele.
– O senhor é muito gentil mesmo. – respondi, pigarreando e sorrindo brevemente. Ele sorria de uma maneira diferente, como se visse que minhas bochechas tomaram outra cor, pelo jeito.
Nos afastamos assim que chegamos no salão, ficando um de frente para o outro. Homens de um lado e damas do outro. Depois que eles fizeram o cumprimento, fizemos a nossa reverência. Então, levantei meu braço direito, e Henry fez o mesmo, quase nos tocamos, mas apenas deixando as palmas das nossas mãos uma em frente à outra enquanto girávamos em sintonia. Eu segurava meu vestido e o balançava conforme a batida divertida e alegre da música, mesmo que ela parecesse ficar um pouco lenta em algumas notas. Fizemos o mesmo movimento com nossas mãos esquerdas. Voltando à posição inicial, coloquei um de meus braços para trás e, com o outro, segurei o ombro de Henry, quando ele deu um passo à frente e quase se colou a mim.
Senti sua mão segurar minha cintura, mas com delicadeza. Eu quase nem a sentia ali, e isso tinha me deixado até um pouco frustrada. Isso só confirmava que ele me via como uma menininha. Desviei um pouco meu olhar do dele e respirei fundo, deixando-o me guiar na dança. Soltei seu ombro, deixando meu braço ao lado do meu corpo, e ele puxou-me para mais perto. Prendi a respiração, sentindo a dele bater contra meu rosto, não conseguindo evitar e encarando seus lábios.
Ele se inclinou mais para frente, me fazendo declinar. Deixei-o me segurar em seus braços enquanto ele abaixava meu tronco e dava a volta. Ele me segurava com apenas um braço, mostrando como era extremamente fácil fazer aquilo. Então, com leveza, me levantou de volta, sorrindo de lado. Pude ver que, em seu sorriso, havia malícia, e isso fez com que aquele calor que eu sentia quando o via crescesse ainda mais por dentro de mim, que acabava me molhando em partes íntimas. Eu sabia o quanto aquilo era errado, mas não conseguia evitar, até que reparei que seu olhar não era para mim. Acompanhei seu olhar até uma mulher muito elegante e muito mais velha do que eu. Ela devolvia seu olhar com uma piscada. Senti minha garganta secar e afastei-me dele, o fazendo me encarar, sem entender o que tinha feito.
– Eu preciso de ar. – disse, então saí correndo dali para os corredores, me jogando contra uma parede qualquer e tentando me esfriar no mármore gelado. Fechei meus olhos, pedindo a Deus forças, porque eu precisava, e talvez ar também, porque estava faltando. Assim como dizem que o coração é traiçoeiro, a mente também é. A minha, por exemplo, estava me traindo naquele exato momento, colocando imagens de Henry, do seu sorriso único e contagiante, além de extremamente excitante, se era essa a palavra certa. Quando ele sorria, sua covinha no queixo aparecia, deixando-o ainda mais bonito, e eu nem sabia se era possível. Sem falar dos olhos, tão azuis quanto o próprio oceano ou o céu no dia mais claro e sem nuvens. Sua voz grossa e rouca… Toda vez que ele dizia “Lady ”, eu conseguia sentir vibrações desconhecidas dentro de mim, mas que agora se tornavam constantes com a presença dele.
– Lady . – abri meus olhos e dei um pulo, quase gritando junto com o susto que eu tinha tomado. Era o Duque , irmão da rainha. – A senhorita está bem? Seu pai ficou preocupado com a maneira que a senhorita saiu do salão.
Engoli em seco e respirei fundo algumas vezes, dando risada do susto que ele tinha me dado. Ele ficou sem entender, mas tinha um sorriso no rosto.
– Estou ótima, só precisava de um ar. O vinho deixou-me com… – comecei a me abanar. – Calor! – soltei o ar que eu tinha segurado.
– Quer que eu a acompanhe até a varanda para tomar ar fresco? Admito que lá dentro está muito quente mesmo. – observei-o estender sua mão. Segurei-a e comecei a caminhar ao seu lado para uma das varandas mais próximas, não vendo a hora de sentir o vento gelado esfriar o fogo intenso que eu estava sentindo. Ele abriu caminho assim que chegamos para eu fosse primeiro. Estava tão abatida comigo mesma que esqueci até de agradecer. Fui direto para a bancada e apoiei meus braços ali, respirando fundo o ar frio, sentindo todo aquele calor ir embora aos poucos.
– Obrigada pela preocupação, Vossa Alteza. – virei meu rosto para encarar o loiro parado perto de mim. Ele sorria, mas não tinha entendido o porquê do meu agradecimento. – Eu sei que não foi meu pai que o mandou vir até mim. Ele é o rei e está preocupado se seus convidados de reinos rivais estão bem acomodados para talvez um possível tratado.
Apoiei minha cabeça em minha mão e parei de encará-lo, levando meu olhar para o céu, que não estava tão estrelado, mas estava perfeito. Ele estava escuro, só com alguns pontinhos brilhantes, e aparentava até estar triste, mas essa era a beleza, definitivamente.
– Seu pai se preocupa com a senhorita, mas não vou dizer que a senhorita esteja errada. O duque lhe fez algo durante a dança? – parei de encarar o céu assim que ouvi a pergunta e engoli em seco. Encarei-o e neguei com a cabeça.
– Não, muito pelo contrário, Henry… O duque não fez nada. Ele foi muito gentil em dançar comigo. Só estava sentindo calor mesmo, e ele não tem culpa alguma disso. – pelo calor, ele tinha toda a culpa do mundo, mas nem ele sabia disso. sorriu, assentindo com a cabeça.
– O seu pai nunca permitiria que ninguém nessa corte lhe faça nada que não a agrade, a senhorita sabe. – balancei a cabeça positivamente, abrindo um sorriso agradecido.
– Muito obrigada mesmo pela preocupação, Vossa Alteza. – fiz uma breve reverência e me afastei dele, segurando meu vestido e indo para a porta da varanda. – Com licença, mas acho que já estou melhor para voltar para a festa antes que meu pai dê minha falta realmente. – ele concordou comigo, e, assim que eu virei, o senti segurar meu braço. Arregalei os olhos com aquela atitude.
– Perdoe-me por isso, mas a senhorita me concederia uma dança? – olhei para sua mão em meu braço, e só aí ele a soltou. Engoli em seco e tentei não pensar em nada.
– Claro, Vossa Alteza. – sorri de lado e voltei para a festa sem esperá-lo. Saí da festa sem ar e voltei mais ainda. O que tinha de errado comigo? Peguei uma taça de vinho, bebendo de uma vez só e deixando o líquido me refrescar. Olhei pelo salão e notei Henry me olhar do outro lado. Seu olhar era preocupado. Desviei imediatamente, pousando a mão em meu peito e sentindo minha respiração se estabilizar.
Começou uma nova melodia, e posicionei-me ao no meio de outras duas ladies. estava na minha frente já, sorrindo gentil para mim enquanto fazia o cumprimento, assim como todos os outros. Segurei os dois lados do meu vestido e abaixei-me como reverência, então levantei meu braço direito com delicadeza com o toque da música. Ele deu um passo para frente e tocou minha mão com sua direita. Mordi meu lábio ao encontrar seu olhar em mim, sem nem sequer piscar. Giramos de um lado para o outro, e sorri gentilmente para ele ao ver que dançávamos em perfeita sintonia. Paramos um em frente ao outro e senti suas mãos em minha cintura, conduzindo-me de um lado para o outro. Um dos meus braços estava para trás e, o outro, ao lado do meu corpo. Balançava a cabeça conforme o lado para que íamos.
– A senhorita dança muito bem, Lady . – abri mais o sorriso ao escutar seu elogio, fazendo um meneio com cabeça.
– Obrigada, Vossa Alteza. – nos separamos e, então, nos cumprimentamos. Bati palmas junto com os outros e fiz outra reverência para ele ao seguir meu caminho.
Dei um beijo na rainha, desejando bons feriados e boa noite. Não tinha achado meu pai, então prossegui seguindo sozinha para o meu quarto. Os corredores estavam escuros e vazios, frios também. Comecei a subir as escadas para o meu quarto, mas, em dos corredores que ela levava, escutei murmúrios, gemidos, sussurros e respirações ofegantes. Já era o bastante para que eu nem me aproximasse, apenas seguisse o meu caminho. Entretanto, se tinha algo que eu era, com certeza era curiosa. Dei lentos passos por aquele corredor, vendo sombras. Mantive o silêncio para que eles nem reparassem em mim.
Então, reconheci Margaret, minha dama de companhia, jogada contra a parede, praticamente quase sem roupa, seus olhos fechados e gemidos saindo de sua boca. Um homem encontrava-se por baixo de suas roupas, fazendo exatamente o que se passava pela minha cabeça. Engoli em seco e mandei a mim mesma sair dali, mas algo me prendeu mais, querendo ver até o fim, sentindo minha pele se esquentar e meu corpo reagir ao pecado.
Ela gemia cada vez mais alto, dando-me prazer, até. Deslizei minha mão pelo meu vestido, sentindo o tecido macio estimular-me mais. Umedeci meus lábios e senti o vestido esquentar mais o meu corpo, que pegava fogo. Eu sabia o que estava sentindo, queria estar no lugar dela. Parecia que ela estava sendo transportada para outro lugar, e o que ela sentia parecia ser a melhor sensação que eu nunca pude ter.
Então, o homem saiu debaixo dela quando ela segurou um grito estridente. Arregalei meus olhos ao ver que era meu pai. Abri a boca surpresa, colocando a mão nela e vendo-os se beijarem tão selvagemente. Dei alguns passos para trás e voltei para as escadas, subindo-as rapidamente e correndo o mais rápido que conseguia até os meus aposentos. Chegando lá, pude finalmente me sentir mais aliviada, porém ainda estava com aquelas imagens na cabeça e me sentindo tão culpada quanto. O que estava acontecendo comigo?


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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