Última atualização: 04/01/2019

Prólogo



Eu nunca pensei que um rápido encontro com um cara que há alguns anos era apenas o irmãozinho do meu melhor amigo poderia mudar minha vida. Vê-lo naquela noite, tão diferente do garoto de 16 anos que eu vi pela última vez antes de me mudar para Londres, foi como respirar ar puro depois de ficar presa em um quarto com fumantes.
Lembro-me de comentar com minha amiga o quão atraente aquele cara de ombros largos e cabelos loiros parecia de costas. Lembro também da minha amiga me incentivando a ir conversar com ele, ignorando completamente o fato de eu estar em uma relação séria que já era difícil de manter por causa da distancia. E ainda lembro mais ainda de quando ele finalmente se virou, sua familiaridade me atingindo como uma faca no estomago. Ele não se parecia nada com o Luke de antes e mesmo assim ele estava exatamente igual.
Estávamos ambos retornando à Austrália, ainda tentando nos readaptar. Ele vindo de uma longa turnê mundial e eu animada para redescobrir a minha cidade natal, aproveitar o maravilhoso clima australiano e, acima de tudo, rever meus antigos amigos. Isso até um garoto de 19 anos virar a minha vida de cabeça para baixo e me fazer questionar se voltar para a Austrália havia mesmo sido uma boa ideia.


01.


Verão 2016
O avião finalmente parou por completo e uma onda de alivio passou por meu corpo. Depois de voar por tanto tempo era bom saber que eu finalmente estava segura no chão. Saber que esse chão é o solo Australiano me faz ainda mais feliz.
Todo o processo de imigração e coleta de bagagem sempre fora um verdadeiro pesadelo para mim. Eu sempre havia odiado essa parte da viagem. Aeroportos eu amo, mas não conte comigo para aguardar em longas filas e responder perguntas de um agente federal.
Assim que as portas automáticas da área de chegada se abriram eu vi os rostos sorridentes dos meus pais. Apesar de eu ter os avisado que eles não precisavam me buscar, minha mãe nunca perderia a oportunidade de ser a primeira a me desejar as boas vindas de volta para casa.
“Como foi o seu voo?” Ela perguntou, me puxando para um abraço.
Suspirei sentindo seu perfume familiar.
“Longo. A Austrália sempre parece estar localizada em uma galáxia muito, muito distante.”
Papai riu da minha piadinha e me deu um beijo antes de seu abraço sempre um pouco desajeitado. Ele nunca fora de demonstrar muita afeição em público, mesmo que ainda me trate como sua garotinha.
Quando ele me soltou eu olho ao redor e me surpreendi com outro rosto familiar ali perto. Um que eu até havia visto algumas vezes em Londres, mas que ainda assim eu havia sentido muita falta. Jack Hemmings.
“Não acredito que você está aqui!” Falei, - provavelmente alto demais - enquanto corria para abraçá-lo.
“Você achou mesmo que eu não viesse?” Jack riu, seus braços já abertos para me receber.
Jack e eu havíamos estudado na mesma escola e éramos amigos desde que tínhamos uns 11 anos. Nós tínhamos um ótimo relacionamento, ele esteve lá para mim em tantos momentos e as nossas famílias viraram realmente amigas. Nunca houvera um momento em nossa amizade em que eu o havia visto ou pensado nele como mais que um amigo, apesar de que em um determinado período da nossa adolescência as nossas famílias pareciam torcer para que namorássemos. Isso nunca aconteceu, o que foi bom já que foi por volta dessa época que Jack conheceu Celeste e eles estão juntos desde então.
“Senti tanto sua falta! Você não vai me visitar há quase um ano, seu merda!”
“Eu sei, me desculpe. Mas agora não preciso mais, você está finalmente aqui.”
Eu me afastei dele e observei seu rosto por alguns segundos. Era tão estranho vê-lo tão adulto e com um rosto tão másculo. Quando nos conhecemos ele era apenas um garoto meio estranho, a puberdade só o encontrou alguns anos mais tarde.
“E Celeste?” Perguntei, olhando em volta.
“Trabalhando. Ela me pediu pra dizer que sente muito por não estar aqui hoje, mas que está animada para te ver no Domingo.”
Arquei minha sobrancelha. “O que tem Domingo?”
“Nós ainda não falamos para ela,” mamãe comentou, olhando para Jack.
Meu pai pegou minha mochila e Jack começou a arrastar minha mala enquanto caminhávamos para o estacionamento.
“Liz está organizando um churrasco de boas vindas para você no Domingo.”
“Fala sério,” ri, incrédula. “Sua mãe é um amorzinho. Ela realmente não precisava fazer isso.” Comentei com meu melhor amigo.
“Tente falar isso para ela!” Ele brincou.
“Sinto falta dela. Como ela está? E Andy?”
“Estão bem. As cosas estão um pouco doidas no momento porque Luke acabou de chegar de uma turnê de quase um ano.”
“Meu Deus, é verdade. Hemmo agora é um rockstar!” Brinquei, apesar de ter um fundo de verdade no que eu disse. A quantidade de vezes que eu ouvi a banda de Luke nas rádios de Londres era incrível. Todo lugar que eu ia havia alguém falando sobre 5 Seconds of Summer.
“Sim, é bem inacreditável.”
“Não consigo nem imaginar. Ele havia acabado de sair das fraldas quando eu me mudei. Como as coisas mudaram.”
“Você não faz ideia. Está uma loucura. Havia fãs do lado de fora da nossa casa algumas vezes. Meus pais ficaram um pouco assustados.”
Minha mãe nos interrompeu ao chegarmos ao estacionamento do aeroporto. “Jack, nós vamos levar para almoçar. Gostaria de se juntar a nós?”
“Eu adoraria, Sra. , mas tenho que voltar para o trabalho.”
“Ah, que pena. Tenho certeza que você e tem bastante assunto para botar em dia.”
“Com certeza.” Concordei, rindo com Jack. “No Domingo conversaremos até ficarmos sem voz, certo?”
“Certo!”
Após nos despedirmos de Jack, mamãe e papai me levaram para a casa deles. Eu já havia alugado um apartamento há algumas semanas, mas só de pensar em ter que organizar as coisas estando tão cansada da viagem me fazia querer chorar. Tomei apenas um banho rápido e me troquei antes de sairmos para o almoço. Pela janela do carro eu podia ver que Sydney não havia mudado muito nos últimos três anos. O clima ainda estava tão agradável quanto eu me lembrava e eu mal podia esperar para aproveitar o calor e a praia. Estávamos no verão e eu pretendia pegar um bom bronzeado o mais breve possível.
Até aquele momento eu não havia percebido o quanto eu havia sentido saudades de casa. Eu sempre acreditei que lar era mais um sentimento do que um lugar, mas nesse momento eu sentia que a Austrália era mesmo o lugar onde eu pertencia.

02.


A música estava nas alturas, o lugar lotado e eu podia sentir o suor escorrendo por minhas costas. Arrumei o boné na minha cabeça com cuidado para não mostrar o quão bagunçado o meu cabelo estava. Dei apenas dois passos antes se sentir uma mão em meu ombro.
“Luke,” Ashton chamou atrás de mim.
Olhei para trás e o vi apontando para o andar de cima. Segui seus passos pelas escadas e nós dois entramos em uma área bem mais vazia. Era impossível negar que estar em uma banda famosa nos dava alguns privilégios, alguns deles, como nesse caso, eram muito bem vindos. Algumas pessoas estavam ao redor do bar e eu e Ashton esperamos para pedir nossas cervejas. Eu podia sentir alguns olhares em cima de nós, a maioria femininos, mas alguns caras também nos olhavam com curiosidade.
“Duas cervejas,” pedi quando um cara atrás do balcão olhou para mim. Ele concordou e rapidamente nos trouxe duas garrafas geladas.
Sentei em um dos bancos vazios do bar e Ashton continuou de pé em minha frente olhando ao redor e mexendo a cabeça na batida da música que o DJ tocava.
“Isso também lhe parece estranho?” perguntou.
Dei de ombros. “O quê?”
“Estar aqui. Em casa. Não sei.”
“É. Um pouco,” concordei.
Ter voltado de uma turnê apenas alguns dias antes, depois de viajar por quase um ano, fez com que as coisas não parecessem muito normais. Estar em casa era ótimo, mas amávamos estar em turnê e trocar de cidade ou, às vezes, de país quase todos os dias. Pudemos experimentar diferentes clubes em diversos lugares, com pessoas e músicas diferentes. A Austrália quase não era mais familiar.
Eu tinha apenas 16 anos quando saí pela primeira vez em turnê com a One Direction, eu ainda nem podia entrar em clubes na Austrália. Agora poder entrar aonde eu queria era uma experiência diferente. Quando completei 18 anos eu estava longe de casa, na estrada, experimentando um novo mundo onde eu não precisava beber escondido por ser menor de idade.
Mais uma vez eu tirei o boné e puxei meu cabelo para trás. A temperatura parecia estar uns 40 graus. Dei um grande gole na cerveja gelada, quase terminando a bebida de uma vez.
“Comecei a escrever uma música ontem a noite,” Ashton comentou, sua voz um pouco mais alta para ser ouvido por cima da música.
“Boa?”
“Eh, precisa de mais atenção,” deu de ombros.
“Michael disse que vai nos encontrar amanhã, leva a música e damos uma olhada juntos. Mas acho que Calum vai visitar alguns parentes na Nova Zelandia.”
“Estou sabendo. Ele me ligou.”
Terminei a cerveja com um último gole e olhei ao redor, pela primeira vez realmente reparando nas pessoas naquela área reservada. Meus olhos passaram por algumas garotas dançando ao som da música e foram até uma mesa onde três garotas conversavam animadas. A única que estava de frente pra mim arregalou os olhos e sorri. Reconheci seu rosto familiar e sorri de volta.
“Já volto,” avisei a Ashton antes de andar em direção à ela.
Enquanto caminhava eu reparei no quão diferente ela estava. Seu cabelo estava mais escuro e seu corpo – delineado pelo vestido justo – ainda mais incrível do que eu lembrava.
“Hemmo!” Ela sorriu, jogando seus braços ao redor do meu pescoço e me abraçando com força.
“E aí, ?”
era a melhor amiga de Jack desde que eu conseguia lembrar. Eu ainda era um pirralho gordinho quando ela estava sempre em minha casa brincando com Jack e seus outros amigos. Até meu irmão conhecer Celeste eu achava que ele e acabariam juntos, o que era ótimo, pois sempre gostei dela.
Quando eu tinha uns 13 anos, cheio de hormônios adolescentes e achando a palavra “peitinhos” a coisa mais engraçada do mundo, eu comecei a enxergar de uma forma completamente diferente. Ela devia ter uns 17 anos e já era vista como a filha que meus pais nunca tiveram, mas pra mim ela era simplesmente a melhor amiga gostosa do meu irmão mais velho. Perdi as contas de quantas vezes tive que colocar uma almofada no colo ao vê-la pela casa usando apenas um biquíni.
“Você sabe que seu irmão é o único que me chama de , não é?”
“Bom, você é a única que ainda me chama de Hemmo,” rimos.
Observei seu rosto familiar com mais atenção e agora mais de perto e controlei o impulso de descer os olhos por seu corpo novamente.
“Olha só você todo crescido,” comentou e, ironicamente, seus olhos percorrem meu corpo de cima a baixo. “Qual a sua altura agora e desde quando você tem um piercing no lábio?”
Toquei o piercing com a ponta da língua e sorri. “Desde que eu tinha 17.”
“Ah, nossa, faz tanto tempo, não é mesmo?” Ela brincou. “Seu irmão me disse que você acabou de voltar de turnê.”
“Sim, há alguns dias. Ainda estou tentando me reacostumar com tudo.”
Ela suspirou. “Sei como se sente.”
Vi o flash de uma câmera explodir à minha esquerda e olhei para encontrar duas garotas – que eu podia apostar que eram menores de idade – com as mãos nas bocas e dando risadinhas enquanto se afastavam e sumiam no meio da multidão de corpos dançantes.
“Opa. Isso não foi legal,” comentou.
Dei de ombros, mesmo estando incomodado com a situação. “Não ligo muito.”
“Está de volta para umas férias merecidas ou apenas por alguns dias antes de voltar a dominar o mundo?”
Dei risada e balancei a cabeça negativamente. “Dois meses de férias. Nem sei o que fazer com todo o tempo que tenho em minhas mãos.”
“Ah, por favor,” riu. “Vá ser um adolescente normal, Hemmo.”
“Então eu não sou um adolescente normal?” Perguntei, confuso.
Ela fingiu pensar por alguns instantes e me deu um empurrão fraco de brincadeira.
“Da última vez que chequei adolescentes normais não tem garotas e fotógrafos os seguindo em todos os lugares. Ah, e acho também que eu se eu colocar o nome de um adolescente normal no Google eu não encontrarei milhares de resultados.”
“Isso significa que você jogou meu nome no Google?” Arqueei minha sobrancelha e observei sua feição mudar de divertida para embaraçada.
“Talvez eu tenha feito isso uma ou duas vezes quando estava em Londres. Mas em minha defesa She Looks So Perfect estava o tempo inteiro nas rádios e eu fiquei um pouco curiosa.”
“Então, você quer um autógrafo? Talvez uma foto?” Brinquei.
riu alto. “Ah, cala boca, Hemmo.”
Ouvi Ashton chamar meu nome mais uma vez e me virei , vendo ele caminhar ao meu encontro.
“E aí?”
Ele olhou de mim para e sorriu. Encarei isso como uma indireta e os apresentei.
“Essa é , amiga de Jack,” apontei para ela e depois para Ashton. “Ashton, colega de banda.”
“É um prazer conhece-lo,” ela disse apertando sua mão.
“Prazer,” Ashton respondeu antes de se virar para mim e sussurrar. “Precisamos ir.”
Balancei a cabeça concordando, sabendo por que ele havia sussurrado aquilo.
Garotas. Ou melhor, uma em particular que Ashton já havia ficado algumas vezes, mas era difícil fugir dos flashes e manter qualquer tipo de relacionamento às escuras.
Não é como se garotas fossem o único motivo para irmos aos clubes, mas estar no centro das atenções, por incrível que pareça, faz com que seja mais difícil conhecermos garotas. As que convivemos diariamente fazem parte da produção ou são as fãs que conhecemos do lado de fora dos hotéis e aeroportos. Então preferíamos aproveitar lugares onde podíamos apoveitar com certa liberdade e menos riscos de acabar com fotos nossas nas capas de todas as revistas de fofocas.
, temos que ir,” disse.
“Sim, claro. Foi bom te encontrar, Hemmo.”
Abracei novamente, dessa vez tirando-a do chão um pouco e ouvindo sua risada divertida em meu ouvido.
“Te vejo Domingo, certo?”
Ela concordou e acenou antes de se virar de volta para suas amigas.
Aproveitei a oportunidade para finalmente descer meus olhos por seu corpo, agora de costas para mim, e sorri comigo mesmo. Como eu imaginava, ainda melhor do que há três anos.
Antes de sair do clube, a olhei novamente e acenei rapidamente uma última vez.


03.


Eu sempre amei o verão na Austrália, mas depois de três longos anos na gélida e chuvosa Inglaterra, poder torrar no sol enquanto curtia um churrasco com meus amigos era uma experiência completamente diferente.
O céu estava completamente limpo e azul, as árvores estavam cheias e bem verdes e a temperatura elevada estava ideal para um dia fora de casa. O quintal dos Hemmings estava recebendo todas as minhas pessoas favoritas. Não que elas fossem muitas, mas eu sabia que as que realmente importavam estavam ali comigo.
Eu estava sentada na beira da piscina com Jack e Celeste, falando sobre a última vez que eles estiveram em Londres e nós saímos juntos, quando Luke apareceu. Observei ele caminhar até o isopor cheio de cervejas e pegar uma latinha. Ashton e um garoto do cabelo colorido fizeram o mesmo. De acordo com o Google, aquele era Michael Clifford, lembrei vagamente de vê-lo algumas vezes com Luke, antes mesmo de eu ir embora da Austrália, mas, assim como Luke, ele parecia uma pessoa completamente diferente agora.
“Não consigo acreditar no quanto Luke cresceu,” comentei com Jack e Celeste.
Celeste suspirou, desanimada. “Me sinto tão velha quando olho para ele.”
“Você se sente velha?” Jack riu. “Eu vi esse merda nascer e agora ele tem garotas o perseguindo e gritando seu nome aonde quer que vá.”
“Algumas delas perseguem até você,” Celeste comentou e eu percebi uma pontinha de ciúme em sua voz.
“Sério?”
Ela riu e confirmou. “Algumas pedem até foto com ele.”
“Isso é só porque elas acham Luke parecido comigo,” Jack deu de ombros.
Celeste me olhou de lado e nós rimos. Apesar disso, notei como as fãs tem razão, Luke parecia muito com Jack.
Luke e seus amigos se aproximaram e eu apontei para suas calças pretas.
“Não acredito que esteja usando calça preta, Hemmo.”
Ele olhou para as próprias calças e pareceu confuso. “O que tem de errado com elas?”
“Está calor demais para usar essas calças, Luke.” Celeste pontuou, antes que eu o fizesse.
“E meu Deus, como elas são apertadas,” brinquei.
Até mesmo Ashton e Michael deram risada.
“Está sugerindo que eu tire as minhas calças, ?” Luke não disfarçou o flerte em seu tom de voz e eu fiquei sem reação por alguns segundos.
“Está mesmo dando em cima dela? Vai procurar alguém da sua idade, pirralho.” Jack riu.
“Michael, gostei da nova cor,” Celeste apontou para o cabelo dele e eu fiquei aliviada pela mudança de assunto. Lancei um olhar para ela e percebi que ela notou o quão sem graça eu estava.
“É, estava precisando mudar um pouco,” Michael comentou, passando a mão pelo cabelo. “Acho que não fomos apresentados, sou Michael.”
Michael me olhou e sorriu, estendendo a mão para eu apertar.
,” me apresentei. “É um prazer conhece-lo, Michael.”
“É um prazer também, apesar de parecer que eu já te conheço bastante.”
Michael riu e olhou para Luke. Por um segundo achei que fosse uma brincadeira, mas não pude deixar de notar que Luke não pareceu confortável com esse comentário.
“O que isso quer dizer?” Perguntei, curiosa.
“Nada!” Luke se adiantou antes que Michael pudesse dizer qualquer outra coisa. “Michael não sai muito de casa, então o sol pode estar afetando seu cérebro um pouco.”
Ashton riu. “Hm, claro. O sol...”
Jack começou a fazer perguntas aos garotos sobre o que eles andavam fazendo nas férias e quais eram os planos para o verão e eu observei Luke que parecia focado demais no próprio pé, mas não escondia um sorriso no canto dos lábios. Tomei um gole da cerveja e mergulhei minha cabeça na piscina para me livrar da sensação de que o sol podia estar afetando o meu cérebro também.
Algumas horas – e cervejas – depois a casa estava praticamente vazia. Celeste precisou ir embora mais cedo para terminar algum trabalho então estava só eu e Jack na sala dos Hemmings, assistindo algum filme aleatório que eu não lembrava o nome. Meus olhos começavam a ficar pesados quando escutei o ronco de Jack. Sorri para mim mesma, lembrando que essa cena já acontecera infinitas vezes antes, Jack dificilmente conseguia chegar ao final de um filme sem dormir.
Levantei do sofá, na intenção de jogar uma água gelada no rosto antes de pegar um táxi para casa. Caminhei até o banheiro e me espantei com a quietude dentro da casa, meus passos quase silenciosos se tornaram altos demais. Por estar olhando a tela do celular me assustei ao dar de frente com alguém.
Luke.
“Foi mal, .” Levantei meus olhos para encará-lo e, sabe-se lá por qual motivo, não o respondi de imediato. Ele ainda estava usando a calça skinny preta, mas não vestia mais a camisa, revelando seu torso magro e ombros largos. Algumas sardas subiam por seu peito até o pescoço e eu odiei o fato de meus olhos seguirem esse caminho até encontrar suas órbitas azuis.
“Minha culpa,” admiti. “Estava olhando para o celular. Desculpa, Hemmo.”
Ele sorriu e uma de suas mãos foi até o cabelo bagunçado.
“Já está indo?”
“Hm, sim, daqui a pouco. Jack está apagado no sofá e eu não quero acordá-lo.”
Vi Luke hesitar por alguns segundos e então apontar para seu quarto. “Posso te mostrar uma coisa antes de você ir?”
Concordei e o segui até seu quarto. Era difícil não notar o quão pouco o cômodo havia mudado desde a última vez que eu estive naquela casa. Apesar de não ser o quarto que eu costumava frequentar – esse seria o de Jack - passei muitas vezes pela porta e sempre reparava nos pôsteres nas paredes. Ver que todos eles continuavam no mesmo lugar me fez sorrir.
“Whoa! Estou no quarto de Luke Hemmings. Eu devia postar isso no Instagram e deixar as garotas com inveja,” brinquei.
Luke riu, mas percebi que ficou um pouco sem graça com a insinuação.
“Eu achei uma foto,” ele disse, abrindo uma gaveta. “Aqui.”
Ele estendeu a mão e eu peguei a foto. Quando olhei a imagem precisei cobrir minha boca para abafar uma risada. Era uma foto antiga de todos nós. Eu, Luke, Jack e Celeste. Nós tínhamos por volta de 16 anos e Luke uns 12, ainda gordinho antes de atingir a puberdade.
“Esse foi um ótimo Halloween,” comentei, o olhando.
“Esse Halloween foi uma merda,” Luke respondeu, sorrindo. “Vocês me sacanearam umas cinco vezes. Acho que nem dormi aquela noite.”
Ri de novo. Não podia evitar as memórias que invadiram minha mente.
Sentei ao seu lado na cama, ainda admirando a foto em minha mão. Jack e Celeste estavam fantasiados de policiais, eu era a versão feminina do Coringa e Luke era uma das tartarugas ninja. De fato nós havíamos o atormentado naquele dia, o tempo todo pregando peças e o assustando e quase fazendo ele voltar correndo para casa.
Quando olhei para o lado percebi Luke me observando, seu piercing preso entre os dentes.
“Por que está me encarando?” Perguntei, empurrando-o de brincadeira com meu ombro.
Ele sorriu e balançou a cabeça. “Por nada.”
“Você está agindo de forma estranha, Hemmo.”
“Não estou. Só estava lembrando algumas coisas,” ele comentou.
Ele mordeu a parte do lábio onde estava o piercing e eu percebi que ele fazia isso o tempo todo, especialmente quando parecia nervoso. Quando notei que estava encarando seus lábios, voltei minha atenção para a foto.
“Está lembrando de como era o menininho da mamãe?” Brinquei.
“Eu nã-”
“Era sim,” interrompi.
Ele deu de ombros e riu. “Que seja. Não era isso que eu estava lembrando.”
Coloquei a foto na cama entre nós dois e olhei para ele.
“Então me conte. O que você estava lembrando, Hemmo?”
Por alguns segundos ele ficou quieto, parecendo entretido demais com o buraco no joelho de sua calça. O quarto estava um pouco mais escuro, provavelmente por causa de alguma nuvem encobrindo o sol que ainda brilhava no céu, mas eu conseguia ver que suas bochechas estavam um pouco ruborizadas. Ele limpou a garganta e apontou para a foto ainda na cama.
“Acho que foi por volta dessa época que eu meio que...” ele pareceu pensar em como dizer o que vinha a seguir e, mais uma vez, seus dentes prenderam seu lábio inferior. “Não sei, meio que comecei a ter uma quedinha por você.”
Sorri - um pouco mais do que deveria. “Aw, você tinha uma quedinha por mim, Hemmo? Que fofo.”
Ele riu e me olhou. “Você acha fofo?”
“Claro que sim. Você tinha 12 anos e era só o irmão mais novo do Jack.”
“Isso quer dizer que eu não sou mais o irmão mais novo dele?”
E lá estava o tom de voz sugestivo novamente, me pegando de surpresa e me deixando sem palavras. Limpei a garganta enquanto pensava em algo inteligente ou alguma piadinha que quebrasse a tensão no quarto.
“N-não foi isso que eu quis dizer,” gaguejei e me odiei por isso.
“Então me diga, . O que exatamente você quis dizer?”
Balancei a cabeça e prendi uma mecha de cabelo atrás da orelha, sentindo a tensão entre nós crescer a cada segundo que passava. Precisei abrir minha boca três vezes antes de finalmente encontrar minha voz.
“Eu quis dizer que-”
?”
A voz de Jack veio da sala e eu me levantei apressada.
Ouvi Luke suspirar alto, mas ignorei e caminhei até a porta do quarto.
“Estou no quarto de Luke,” respondi.
“Foi mal, peguei no sono,” Jack riu, entrando no quarto. “O que estão fazendo?”
“Nada,” respondi, me sentindo mais culpada do que deveria. “Hemmo estava me mostrando uma foto nossa daquele Halloween em que o assustamos várias vezes.”
Jack riu. “Bons tempos.”
“Eu já estava indo. Estou cansada.”
“É, acho que também vou. Te acompanho até a porta,” Jack ofereceu.
Olhei para Luke, reparando que seus olhos azuis e intensos acompanhavam meus movimentos.
“Tchau, Hemmo. Foi bom te ver novamente.”
“Sempre bom te ver, ,” ele piscou.
Saí do quarto sentindo que algo muito maior que somente nossa conversa sobre o passado acontecera ali. Minhas mãos estavam suando e eu as limpei no short jeans.
Me despedi rapidamente de Jack quando o táxi chegou e entrei no carro com minha cabeça trabalhando a mil por hora. Respirei fundo, descansando a cabeça no encosto do carro, mas todo o caminho até em casa não foi o suficiente para me livrar da estranha sensação que pesava em meu peito.

04.


Era um daqueles dias em que minha mãe queria a família toda reunida para um almoço. Eu estava sentado entre minha mãe e Celeste, comendo distraidamente, sem prestar atenção em uma história que Ben estava contando sobre algo que acontecera no trabalho dele naquela semana. Estava mais preocupado em olhar o celular, esperando Ashton me ligar para irmos olhar o apartamento que eu estava pensando em comprar.
“Quais são os planos para hoje?” Minha mãe perguntou, olhando de Jack para Celeste.
“Vamos sair para jantar com ,” meu irmão respondeu e eu imediatamente comecei a prestar atenção na conversa.
Minha mãe sorriu. “Que ótimo. Como ela está? Não pode ser fácil se readaptar depois de três anos longe.”
“Está bem, na medida do possível” Celeste deu de ombros, demonstrando que não tinha tanta certeza. “Acho o maior problema para ela é a saudade de Tom.”
“Quem é Tom?” Perguntei, tão abruptamente que Celeste se assustou.
Olhei para meu prato e fingi estar mais interessado na comida.
“O namorado dela,” Jack respondeu.
Olhei para meu irmão, sem compreender direito o que ele tinha acabado de dizer. Jack me encarou de volta e eu balancei a cabeça lentamente.
“Não sabia que ela tinha namorado.”
De repente a comida no meu prato era a última coisa em minha mente. Afastei o prato, sentindo meu estomago embrulhar e o olhei mais uma vez a tela do meu celular. Nenhuma mensagem de Ashton.
“Nós o conhecemos em Londres quando estivemos lá. É um cara gente boa. Eles já estão juntos há algum tempo, não é, amor?”
Jack concordou. “Acho que um ano mais ou menos.”
“Eles são corajosos por tentarem namorar a distancia. É uma merda.” Ben opinou de forma sábia. Ele já havia tido a mesma experiência e vivia falando que nunca dá certo.
“Foi o que eu falei pra ela.” Jack replicou.
Enrolei por alguns minutos, minhas pernas já inquietas debaixo da mesa. Quando a mensagem de Ash finalmente chegou, eu pedi licença e me retirei da mesa, levando meu prato até a cozinha. Por sorte todos também já haviam terminado de comer ou eu seria obrigado a ouvir um sermão sobre como não é educado deixar a mesa antes de todos terminarem. Minha mãe podia ser um pouco tradicional demais quando se tratava de reuniões familiares.
“Vai olhar o apartamento?” Jack perguntou, enquanto eu me despedia de todos.
Dei um longo suspiro. “Sim, ainda estou na dúvida.”
“É um puta apartamento, Luke. Difícil conseguir algo melhor nessa parte de Sydney.” Ele opinou.
“Eu sei,” concordei. “Mas estou realmente indeciso.”
Me despedi com um último aceno e me apressei para encontrar Ashton no carro do lado de fora.
“E aí, cara? Estou animado para ver esse apartamento.” Ele comentou, dando partida no carro.
Eu já havia visitado o apartamento algumas vezes, mas Ashton ainda não havia tido a chance de vê-lo pessoalmente. Eu queria a opinião de todas as pessoas mais próximas. Eu sabia que a opinião dos meus pais seria diferente da de Ash, Mike e Cal. Jack havia sido o que mais pareceu gostar do lugar e, como ele tinha seu próprio apartamento com Celeste, a opinião dele com certeza era valiosa.
No caminho até o apartamento conversamos sobre algumas ideias para o próximo álbum e a próxima turnê. Mesmo estando de férias, o assunto que mais conversávamos era sobre trabalho. Não conseguíamos evitar. Amávamos o que fazíamos. Estar em uma banda com meus três melhores amigos não parecia trabalho, fazer música era o que mais gostávamos e poderíamos fazer pelo resto de nossas vidas.
Quando chegamos ao prédio, eu peguei a chave com o porteiro, que já me conhecia, e levei Ashton até o apartamento. Ele olhou em volta, animado, apontando alguns detalhes e falando do que gostava no lugar.
“Cara, essa varanda é incrível!” Ele comentou.
Eu sorri e confirmei. A varanda era definitivamente a minha parte preferida daquele apartamento. Nenhum dos outros que eu havia visitado oferecia a incrível vista para o mar que podíamos ver dali. Fora que o espaço era realmente grande, o que era incomum para apartamentos mais novos.
“Se você não comprar esse apartamento, então eu vou comprar.” Ashton desafiou e, apesar do seu tom de voz brincalhão, pelo jeito que ele havia amado o lugar, eu não duvidava que ele realmente comprasse.
Observamos o mar azul à nossa frente por alguns instantes, contemplando a forma como o céu se fundia com o oceano, dois tons de azuis distintos e intensos.
“Você está mais quieto que o normal hoje.” Ashton falou me olhando. “O que está acontecendo?”
Dei de ombros. “Nada. É só uma grande decisão que preciso tomar. Quer dizer, é o meu primeiro apartamento, não quero fazer a escolha errada.”
“Você gostou desse?”
“Eu amei esse apartamento,” respondi com sinceridade.
“Você analisou as outras opções também?”
Ashton sabia a resposta para aquelas perguntas, mas ainda assim eu entrei no seu jogo.
“Sim, claro.”
“Então qual é o problema?”
Suspirei. “Eu não sei.”
“Não é o apartamento, não é?”
Soltei uma risada nasalada e balancei a cabeça. Eu não sabia se era por ele ser mais velho, mas Ashton simplesmente sabia certas coisas, ele era especialmente bom em ler pessoas, enxergar através de suas máscaras. Para mim ele era como um irmão mais velho. Como outro irmão mais velho. Ou ele sabia sentir no ar que havia algo errado, ou eu era muito ruim em esconder minhas emoções.
“O que te leva a achar que há algo errado?” Perguntei, curioso.
“Você não está sendo seu eu irritante hoje.” Respondeu de forma séria.
Nos entreolhamos e rimos. Era uma tarefa difícil ser o membro irritante da banda.
“É sobre a ?”
Isso é o que mais me assustava sobre Ashton. Não era a primeira vez que ele parecia simplesmente saber de algo. E não era só comigo. Acontecia com Michael e Calum também. Nós odiávamos isso, mas ao mesmo tempo agradecíamos por ter alguém como Ashton do nosso lado.
Soltei uma risada um pouco forçada e esquisita. “O quê?”
“Você está obcecado por essa mulher, Luke.”
Não consegui evitar a expressão de surpresa e ofensa.
“Claro que não!”
“Uhum, tá bom.” Ele debochou.
Balancei minha cabeça novamente, ainda chocado com o que ele havia dito. Eu havia falado sobre com ele pouquíssimas vezes, não havia obsessão alguma.
Não demoramos muito mais no apartamento. Decidimos matar tempo na casa de Ashton, tocando alguns instrumentos e tentando criar novas ideias e algumas músicas para o próximo álbum. Algumas horas depois nós tínhamos duas músicas que ainda precisavam de alguns – ou vários – ajustes e Michael havia se juntado à nós para uma sessão de música que incluía algumas das nossas bandas favoritas.
“Vocês estão com fome?” Perguntei, sentindo meu estomago começar a protestar a falta de comida.
Ashton deu de ombros. “Não me importaria de comer agora.”
“Estou sempre com fome.” Michael falou, guardando sua guitarra.
“Nando’s?” Sugeri um dos nossos restaurantes favoritos.
“Que merda, Luke. Toda vez que você fala Nando’s eu me sinto faminto.” Ashton protestou, já se levantando com suas baquetas na mão. “Vamos logo.”
Entramos no carro, conversando animados sobre as músicas que havíamos conseguido escrever durante a tarde. As letras eram realmente interessantes e Michael havia criado um riff na guitarra para uma delas que soava incrível. Lamentamos o fato de Calum ainda estar na Nova Zelândia já que ele era realmente bom com letras de música, mas sabíamos que ele ficaria animado para trabalhar com as que havíamos começado assim que voltasse para Sydney.
Quando chegamos ao restaurante a atendente rapidamente veio ao nosso encontro e perguntou quantas pessoas estavam em nosso grupo.
“Nosso grupo já está aqui. Obrigada.” Respondi rapidamente com um sorriso e entrei no restaurante.
“Que grupo já está aqui, Hemmings?” Michael perguntou, me seguindo.
“Ali estão eles,” respondi, apontando para a mesa onde estavam meu irmão, Celeste e .
Antes de sair de casa mais cedo eu havia perguntado para Jack onde ele pretendia jantar e, quando ele perguntou o motivo, eu apenas comentei que estava procurando por recomendações de bons restaurantes na área.
“Luke...” Ouvi o aviso na voz de Ashton, mas resolvi ignorá-lo.
Toquei o ombro de Jack e sorri. “E ai, irmão. Esqueci que você vinha jantar aqui.”
“Que coincidência, Luke.” Celeste me olhou, desconfiada e, diferente de meu irmão, não parecendo acreditar que aquilo era realmente uma coincidência.
Eu ri. “Pois é. E aí, ?”
“Hemmo,” Ele fez um pequeno aceno com a cabeça e ofereceu um sorriso amigável.
“Eu não sabia que vocês viriam para cá. Sempre bom encontrar meus irmãozinhos.” Jack comentou de forma afetiva, cumprimentando meus amigos de banda.
“É, Luke de repente ficou com vontade de comer frango.” Ashton comentou, dando ênfase na última palavra e apertando meu ombro com mais força do que eu esperava.
Michael riu do sarcasmo na voz de Ash.
“Bom te ver de novo, .” Ele cumprimentou.
“Digo o mesmo, Michael.”
“Por que vocês não sentam com a gente?” Jack ofereceu.
Reparei que, ironicamente, a mesa era exatamente para seis pessoas.
“Tem certeza? Não queremos nos intrometer.” Ashton falou ao mesmo tempo em que eu já fui sentando ao lado de .
“De forma alguma. Fiquem a vontade.” Ela mesma respondeu.
Ashton sentou com Jack e Celeste e eu fiquei entre e Michael. Aproveitei o momento em que Ashton começou a falar sobre a nossa tarde criativa e me virei para , diminuindo o tom da minha voz.
“Como estão as coisas, . Como está Tom?” Perguntei, tentando não soar muito interessado.
me olhou, estreitando os olhos, claramente confusa com o meu interesse, especialmente em seu namorado.
“As coisas estão normais e Tom está ótimo. Obrigada por perguntar... Eu acho.” Ela sussurrou a ultima parte e eu tive que controlar o riso.
“Ele vai vir te visitar? Eu adoraria conhece-lo.” Comentei.
Mais uma vez me olhou confusa e, apesar da sua desconfiança, eu estava mesmo falando sério.
“Eu não sei ainda. Ele está um pouco ocupado com o trabalho.” Sussurrou.
Eu podia estar errado, mas, a julgar pela sua entonação, ela não estava nem um pouco feliz com aquela conclusão. Havia um pouco de ressentimento em sua voz, mas, quando busquei seu olhar, ela rapidamente desviou sua atenção para Ashton que ainda descrevia o nosso dia.
Não conversamos muito depois disso. parecia distante e quieta, respondia apenas quando alguém a mencionava na conversa. Pensei em perguntar se estava tudo bem, ou se ela estava sentindo algo, mas não consegui encontrar a minha voz e preferi também permanecer calado.
Foi apenas quando terminamos de jantar que eu resolvi fazer alguma coisa. Como eu não queria chamar a atenção de ninguém, mexi o meu joelho debaixo da mesa, cutucando o dela de leve. Os olhos de não se desviaram do celular em sua mão, mas vi um sorriso comedido surgir no canto da sua boca e senti o seu joelho me cutucar de volta.
Não demorou muito para que deixássemos o restaurante. Nos despedimos de Jack e Celeste, já que o carro deles estava do outro lado do estacionamento, e seguimos para o carro de Ashton. Coincidentemente o de estava para o mesmo lado que o dele. Caminhei em silencio e um pouco mais devagar que os meus amigos e, coincidentemente – ou não – caminhou no mesmo passo.
“Está tudo bem?” Perguntei num tom baixo, enquanto observava meus amigos logo à nossa frente.
balançou a cabeça, concordando, mas não me olhou, seus olhos estavam fixos no chão. Suspirei e me aproximei um pouco mais dela.
“Você não parece estar bem.” Tentei novamente, dessa vez observando seus movimentos.
Ela me olhou por alguns segundos, um sorriso fraco brincava em seus lábios, mas ele não chegava até seus olhos que ainda pareciam melancólicos.
“Não se preocupe comigo, Hemmo. Eu ficarei bem.”
Ela tentou apressar um pouco o passo, mas eu a acompanhei. Puxei um pouco a barra da camisa que ela usava, apenas para ganhar sua atenção novamente.
“Você quer ir para algum lugar?”
me olhou, desconfiada. “Eu estou indo para um lugar. Minha casa.”
“E se eu souber de um lugar onde você pode escapar um pouco de tudo isso?”
Seus olhos procuraram por algo em meu rosto, talvez uma expressão que demonstrasse que eu estava apenas brincando ou curtindo com a cara dela. Mantive meus olhos nos seus e esperei até que ela respondesse.
“Por quê?” Ela perguntou, me surpreendendo um pouco.
“Por que o quê?”
“Por que você se importa?” Ela sussurrou. “Por que você se importa comigo?”
Mordi meu lábio e olhei para Ashton e Michael por alguns segundos. Eles ainda conversavam distraídos e alheios ao que se passava entre mim e .
“Eu não sei,” respondi com sinceridade. “Eu sou um bom amigo, eu acho.”
“Nós não somos exatamente amigos, Hemmo. Eu sou amiga do Jack.” Ela deu um meio sorriso e me encarou.
“Nossa,” respondi, dramaticamente colocando uma das minhas mãos no meu peito. “Por que você está tentando magoar os meus sentimentos, ?” Perguntei em um tom divertido e ela finalmente riu, me empurrando para longe.
Quando ela ficou quieta novamente eu mordi o meu piercing, minhas mãos tão inquietas que eu precisei escondê-las nos bolsos da calça.
“Então, quer ir?” Tentei novamente.
parou de andar e eu fiz o mesmo. Ela colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e olhou ao redor, parecendo um pouco nervosa. Ela suspirou pesarosamente antes de me olhar com um sorriso discreto nos lábios.
“Ok, Hemmo. Vamos escapar um pouco disso tudo.”

5.

O caminho até o lugar onde Luke estava me levando foi feito quase todo em silêncio. Exceto pelas direções que ela me dava, nós permanecemos quietos. Cheguei a perguntar para ele onde estávamos indo, mas ele apenas sorriu e deu de ombros, então eu não insisti.
“Você pode estacionar em qualquer lugar por aqui,” ele finalmente falou, quando chegamos em uma rua pouco movimentada.
Olhei a nossa volta, notando que aquele era uma área residencial e, pela janela aberta do carro, eu podia ouvir o barulho do mar. Concordei e estacionei na primeira vaga que consegui encontrar, atenta para alguma placa que dissesse que aquele local era ilegal para parar carros.
Quando saímos do carro, eu segui Luke pela rua vazia. O sol já havia há muito dado espaço à lua que brilhava no céu e a brisa que soprava fez com que eu me abraçasse, para me manter aquecida. Eu podia sentir os olhos de Luke em mim e pensei que ele fosse dizer algo, mas não o fez.
Luke entrou em um prédio imponente e muito bonito e eu segui logo atrás, vendo-o trocar algumas palavras com o porteiro. A minha cabeça girava com todas as informações que tentava processar, por isso acabei nem prestando atenção ao que eles falavam. Olhei ao redor do saguão em que nos encontrávamos, reparando nas plantas bem cuidadas e espelhos que revestiam as paredes. Por alguns segundos deixei que meu cérebro começasse a pensar demais no que estava acontecendo e comecei a me arrepender de ter aceitado o convite de Luke.
,” ele me chamou, desviando a minha atenção.
Ele indicou a direção do elevador e caminhamos juntos.
“Onde estamos?” Tentei novamente, vendo que ele tinha uma chave nas mãos.
Luke pressionou o botão do décimo andar e sorriu. “Você vai ver em alguns instantes.”
Balancei a cabeça e soltei um suspiro pesaroso. A subida até o andar foi rápida e silenciosa. Luke brincava com a chave em suas mãos enquanto mordia seu lábio inferior, brincando com o piercing. Eu não gostava do fato de conseguir apontar alguns de seus hábitos nervosos, especialmente porque isso significava que ele estava sempre nervoso quando eu estava por perto e isso não podia ser uma coisa boa.
Quando chegamos ao décimo andar ele caminhou até uma porta de madeira marrom clara e a destrancou. O apartamento estava vazio e escuro, mas, assim que Luke acendeu as luzes, eu pude ver o quão espaçoso o lugar era. O chão de mármore brilhava e a cada passo que dávamos o barulho ecoava pelo espaço vazio.
“É seu?” Perguntei, andando pelo apartamento.
Ele olhou ao redor colocando as mãos nos bolsos da calça. “Ainda não.”
“Por que não?”
Luke suspirou. “Eu não sei. O que você acha?”
Ri. “Eu acho que ele faz o meu apartamento parecer absurdamente pequeno.”
Ele gargalhou e caminhou até a varanda, abrindo a porta de vidro. Arfei, surpresa ao ouvir o barulho alto do oceano. Por estar escuro, eu não conseguia ver bem o mar, mas a brisa que entrava foi o suficiente para me fazer fechar os olhos e sorrir.
Quando eu abri os olhos, encontrei Luke me observando.
“O que foi?”
Ele balançou a cabeça e, mais uma vez, prendeu o piercing entre os dentes.
“Você faz muito isso, sabia?” Apontei.
Ele deu risada, sabendo do que eu estava falando. “Eu sei.”
Voltei minha atenção para o céu escuro e sentei no chão, sentindo o mármore gelado em minha pele. Luke pareceu inquieto por alguns segundos, mas então sentou ao meu lado.
“Você gostou?” Ele perguntou num tom de voz baixo, apontando para dentro do apartamento.
“Não sou eu que vou comprá-lo, Hemmo.”
Ele sorriu. “Eu gosto de considerar a opinião de outras pessoas.”
“É mesmo?” Perguntei e ele concordou. “Então eu achei ele incrível. Eu adoraria acordar com essa vista todos os dias. Ah, eu provavelmente colocaria uma rede nessa varanda e dormiria aqui mesmo.
Com um riso infantil, Luke concordou. “É, eu senti falta desse clima.”
“Eu senti falta de tudo relacionado a esse lugar. A Inglaterra foi boa pra mim, mas nunca considerei um lar de verdade.”
“Você não sente saudade de Londres?” Luke perguntou.
“Claro que sinto,” suspirei. “Algumas vezes. Na maioria das vezes eu sinto falta das pessoas que conheci lá.”
“Como seu namorado.” Ele afirmou.
Olhei para Luke ao meu lado, mas seus olhos estavam fixos em um ponto à nossa frente e sua expressão não revelava suas emoções.
“Sim, como meu namorado.”
“É por isso que você parece um pouco triste hoje?”
Encostei a cabeça no vidro atrás de mim e suspirei longamente.
“Relacionamentos a distancia são uma merda, Hemmo.”
Ele me ofereceu um sorriso educado. “É o que me disseram.”
Senti uma tristeza se acumular em meu peito e querer me sufocar. Algumas lágrimas se acumularem em meus olhos, mas eu pisquei rapidamente para me livrar delas. Aquele não era o momento ideal para isso. Quando levei um de minhas mãos para coçar o olho e impedir qualquer lágrima de cair eu vi que Luke me olhava com compreensão, era óbvio – para ele - que eu estava controlando minhas lágrimas.
Balancei a cabeça antes que ele pudesse dizer qualquer coisa. “Eu estou bem.”
“Nós temos diferentes definições de estar bem então.”
“Eu estou,” insisti, me assustando quando ainda mais lágrimas começaram a se acumular e eu tive que respirar fundo para controlá-las. Fechei os olhos por alguns segundos e senti uma lágrima solitária escapar, mas rapidamente a limpei.
Luke tocou a minha mão que ainda descansava em minha coxa.
“Vocês brigaram?”
Bufei, frustrada. “Eu já nem sei mais. Está tudo muito confuso e nós só estamos separados há duas semanas!”
Luke me olhou atentamente, seus olhos azuis revelando sua preocupação e suas sobrancelhas franzidas. Balancei a cabeça, tentando fazer com que a angustia dele se esvaísse.
“Desculpe. Não quero te encher com os meus problemas. Você está de férias, deveria estar em alguma festa com seus amigos.”
, eu te trouxe até aqui, lembra? Estou aqui por quero e não me arrependo da minha decisão.”
Ele encostou seu ombro no meu, empurrando-me um pouco de forma amigável, da mesma forma que havia feito no restaurante com o joelho. Eu o empurrei de volta da mesma forma, deixando que um sorriso contido se formasse em meu rosto.
“Céus, minha vida está uma loucura mesmo.”
“A de todos nós está.” Ele apontou sabiamente.
Olhei para o garoto ao meu lado e sorri agradecida. Ele piscou e relaxou, seus ombros encostando também no vidro atrás de nós e se alinhando aos meus. Por causa da nossa proximidade eu podia sentir o calor de sua pele viajar para a minha.
Puxei os meus joelhos para meu peito e abracei minhas pernas. O som das ondas quebrando era o único som que eu nunca me cansava de ouvir admirar. Os poucos carros passando na rua lá embaixo não era suficiente para quebrar a quietude daquela varanda.
“Esse é um ótimo apartamento, Hemmo.” Interrompi o silencio.
Luke sorriu. “Eu sei.”
“Dá para fazer umas sessões de músicas ótimas nessa varanda. Você já trouxe os garotos aqui?” Perguntei, me referindo aos seus amigos de banda.
“Ashton esteve aqui hoje mais cedo e pareceu muito animado. Michael e Calum virão na próxima semana.”
“Eu não lembro de Calum,” revelei. “Nem de Ashton. Só de Michael.”
“É meio difícil não lembrar de Michael Clifford. Ele chama atenção.”
“Vocês não se cansam uns dos outros?” Perguntei, deixando minha curiosidade levar a melhor.
Luke gargalhou. “Na verdade não. Quer dizer, nós brigamos de vez em quando, mas estamos vivendo o nosso sonho, sabe? Nós nos ajudamos a manter os pés no chão. Sempre chamamos atenção uns dos outros quando começamos a fazer alguma merda.”
Não pude segurar uma risada imaginando a bagunça que aquelas quatro crianças deveriam fazer na estrada. Eu nem conseguia imaginá-los brigando já que eles pareciam ter uma relação tão boa.
“Nós respeitamos os espaços de cada um. Esse é o ponto mais importante.”
Concordei. “Posso imaginar.”
Cruzando os braços em meus joelhos, eu encostei a testa neles e fechei os olhos. Por algum motivo me vi respirando fundo algumas vezes, inspirando uma grande quantidade de ar pelo nariz e soltando lentamente pela boca. Senti uma das mãos de Luke nas minhas costas, os movimentos circulares ajudando a acalmar a minha inquietude.
“Se sentindo melhor?”
Virei para ele e sorri. “Estou agora. Obrigada, Hemmo.”
“Estou aqui pra isso.” Respondeu.
Sua mão não parou de fazer o carinho em minhas costas e eu não consegui me obrigar a pedir para ele parar, estava realmente me acalmando.
“Você é realmente um bom amigo, sabia?” Sussurrei.
Luke riu. “Então agora eu sou seu amigo?”
“Não foi o que eu quis dizer,” apontei, balançando a cabeça. “Você é um bom garoto, Hemmo.”
Encostei minha cabeça também no vidro e Luke fez o mesmo. Quando olhei para ele vi seus olhos azuis intensos me observando. Ele não estava mais sorrindo, sua feição era séria e seus olhos estavam atentos aos meus. Pisquei algumas vezes, mas não desviei o olhar.
“Não sou mais um garoto.” Ele murmurou.
Várias respostas passaram por minha cabeça, mas no final eu só sorri e concordei com a cabeça. “Eu sei.”
Eu não sei explicar por que não lhe dei uma resposta irônica ou até mesmo engraçada. Talvez fosse por causa do jeito que ele me olhava, demonstrava que ele sabia muito mais do que parecia.
Só quando uma buzina alta quebrou o silencio que eu percebi o quão hipnotizada por sua íris azul eu estava. Ele também pareceu voltar para a realidade depois de piscar algumas vezes e pescar o celular no bolso para conferir a hora.
“Que droga, já está tarde,” comentei, olhando a tela acesa do celular dele. “Vamos, eu ainda preciso te levar em casa.”
Luke se levantou rapidamente e ofereceu as duas mãos para me ajudar a levantar.
O caminho até a casa dele não foi diferente da ia até o apartamento. O som tocando músicas aleatórias era o único barulho dentro do carro. Luke fitou a paisagem pela janela o tempo todo enquanto eu me concentrei nas ruas.
Quando eu parei em frente à sua casa, ele finalmente me olhou.
“Obrigado por ir comigo até o apartamento.”
“Obrigada por me convidar. Eu estava precisando fugir um pouco da minha realidade, Hemmo.”
Luke abriu a porta, mas antes de sair se virou novamente para mim. “Fico feliz em ser sua válvula de escape, .”
Com uma piscada e um sorriso galanteador ele saiu do carro, fechando a porta atrás de si.
Observei ele caminhar até a porta de casa e suspirei longamente. Antes de ir embora fiz questão de aumentar bastante o som do carro para evitar que o meu cérebro começasse a pensar demais no que havia acabado de acontecer.

6.

(esse capítulo também é do POV da )
O som do alarme preencheu o então silêncio do quarto, me fazendo despertar com um muxoxo. Desliguei o despertador e chequei o horário, apenas para me certificar de que, na minha confusão sonolenta, eu não havia apertado o botão de soneca como tantas vezes antes.
Eram sete da manhã de um Domingo. Acordar cedo no fim de semana nunca havia feito parte da minha agenda, mas quando se está nove horas à frente do seu namorado, é preciso se adaptar um pouco.
Escovei os dentes e limpei o rosto, na tentativa de despertar completamente e não parecer um zumbi na frente do meu namorado. De volta no conforto da minha cama, eu peguei o tablet e sentei em uma posição cômoda, mas não confortável o suficiente para correr o risco de eu pegar no sono novamente.
Assim que eu apertei o botão para a ligação de vídeo, Tom já atendeu.
“Oi, amor,” tentei soar animada, mas a minha voz ainda estava rouca e soou estranha e não familiar.
Tom riu. “Oi, meu amor. Bom dia.”
“Ugh, é cedo demais para bom dias e você ainda nem dormiu. Você saiu?” Perguntei, observando a camisa que ele usava.
“Sim, os caras do trabalho decidiram ir em um bar novo em Covent. Erin estava lá, ela sente sua falta.”
Erin era uma colega de trabalho. O namorado dela trabalhava com Tom, então estávamos sempre fazendo programas de casais.
“Aw, também sinto saudade dela. E sinto saudade sua,” comentei, vendo-o sorrir sincero como resposta.
“Você sempre pode voltar,” sugeriu. “Tenho certeza que consegue seu trabalho de volta facilmente. Todos te adoravam por lá.”
Rolei os olhos. “Ai, amor. Por favor, não começa.”
Tom nunca concordou totalmente com a minha decisão de voltar para a Austrália, mesmo depois de eu conseguir um ótimo trabalho em Sydney, com um salário muito melhor do que o de Londres. Ele também nunca fez questão de esconder como se sentia em relação a isso, então não perdia a oportunidade de falar como Londres é maravilhosa e o incrível futuro que poderíamos ter por lá.
“Não estou começando nada,” ele se defender. “Estou apenas mostrando que você tem opções.”
“É, você já deixou isso bem claro,” apontei, sem paciência para aquela conversa tão cedo em pleno Domingo.
Olhei para as minhas próprias mãos para tentar disfarçar o quão chateada eu estava. Mal tínhamos conversado por dois minutos e ele já conseguiu estragar o meu bom humor. Se eu fosse bem honesta, eu já queria desligar aquela ligação e voltar para o meu sono, que definitivamente estava bem mais agradável que aquela conversa.
“Não fica assim, linda. Desculpa, tá? Por favor, não me culpe por só querer você de volta aqui do meu lado.”
Suspirei. “Não estou te culpando, só gostaria que você fosse mais solidário.”
Tom ficou quieto por alguns instantes e eu o observei pela tela. Ele passou a mão por seu cabelo escuro e eu sabia que ele sempre fazia isso quando estava ansioso. Por ele ter saído com os amigos, seus óculos haviam sido substituídos pelas lentes de contato e eu conseguia ver seus olhos azuis com clareza.
“Desculpe, meu amor. Tem sido muito difícil para mim ficar aqui sem você. Seu cheiro está em todo canto nesse apartamento,” confessou.
Mordi meu lábio inferior, pela primeira vez naquela conversa desejando poder estar com ele e abraçá-lo com força. Sentir seus braços fortes me abraçando era o que eu mais tinha saudade. Apesar de não ser a intenção dele ao dizer isso, não conseguia deixar de me sentir um pouco culpada por tê-lo deixado em Londres.
“Eu sei que é difícil, mas não é como se você fosse o único a se sentir assim,” apontei. “Nós sabíamos que não seria fácil, certo?”
“Eu não acho que é pra ser tão difícil assim também,” ele sussurrou, me pegando um pouco de surpresa.
Respirei fundo e enxuguei uma lágrima teimosa que conseguiu escapar do meu olho. Pela proximidade com que ele segurava o seu celular do seu rosto, eu podia ver que seus olhos também estavam marejados, mas ele era muito bom em controlar suas emoções e segurar as lágrimas. Abracei os meus joelhos e permaneci em silêncio notando que aquela quietude entre a gente não era nem um pouco familiar, mas estava se tornando cada vez mais constante.
“Por que todas as nossas conversas ultimamente tem sido tão difíceis? Esse é para ser o nosso momento juntos,” falei com honestidade.
Ele deu de ombros. “Acho que é difícil ir de um casal que se vê todos os dias para um que se fala de vez em quando por chamada de vídeo.”
“Bom, é assim que tem que ser por agora, amor.”
Ele concordou, mais uma vez passando a mão pelo cabelo. A frustração agora estava bem clara em sua expressão, algo que eu já havia visto bastante desde que mudara de volta para a Austrália.
“Mas quanto tempo vai durar esse agora?”
Antes que eu pudesse respondê-lo, ouvi meu celular vibrar com uma nova mensagem e o peguei no criado mudo. Confusa, por estar recebendo uma mensagem tão cedo no Domingo, eu abri o aplicativo e li o que haviam mandado.
Oi, . Adivinha quem é?
Balancei a cabeça e dei um risinho espontâneo.
“Quem é?” Tom perguntou, notando o celular em minha mão.
“A Celeste,” respondi, automaticamente.
Rapidamente eu escrevi uma resposta.
Como conseguiu meu número, Hemmo?

“A namorada do Jack?”
“Sim,” respondi com um sorriso, mas a culpa por mentir me incomodou mais do que eu gostaria. “Ela acordou cedo e queria saber se eu também já estou acordada.”
Tom concordou e mudou de assunto, começando a falar sobre trabalho e a chance de uma ótima promoção que ele vinha querendo há algum tempo.
Quando o celular vibrou novamente eu li a mensagem discretamente.
Droga! Sabia que não deveria ter te chamado de .
Mordi meu lábio inferior para controlar um sorriso.
Você não respondeu a minha pergunta...

?”
Olhei para a tela do computador e rapidamente deixei o celular cair na cama.
“Desculpe, ela só queria saber se eu tenho planos para mais tarde.”
“Você chegou a ouvir o que eu estava falando?” Seu tom acusatório não passou despercebido.
“Claro que sim. Você estava falando sobre a promoção e a última reunião que teve com seu chefe.”
Em minha defesa, eu estava mesmo ouvindo o que ele estava dizendo. O problema é que eu não deveria estar dividindo a minha atenção entre meu namorado e o cara do outro lado do celular. Eu sabia que a culpa em algum momento iria me consumir e me causar muitos problemas.
Outra mensagem de Luke chegou, fazendo com que a tela do celular acendesse.
Eu tenho amigos influentes.
Apesar de querer gargalhar com a sua resposta, controlei o riso. Eu sabia que ele muito provavelmente havia pegado o meu contato no celular de Jack e eu não me importava com isso. Eu apenas não entendia seu interesse repentino em querer ser meu amigo e realmente esperava que ele não quisesse nada mais que a minha amizade.
Dessa vez eu não respondi, apenas voltei a prestar atenção em Tom e na nossa conversa que durou aproximadamente 40 minutos. Quando ele começou a bocejar e demonstrar todo o seu cansaço, achamos melhor desligar.
Ao voltar a deitar na cama, percebi que o sono tinha ido embora e eu me encontrava completamente acordada antes das oito da manhã. Decidi então que iria preparar algo para comer e assistir o que quer que estivesse passando na programação do Domingo de manhã.
Enquanto eu preparava algumas panquecas, lembrei da mensagem de Luke que ficara sem resposta. Fui até o quarto resgatar meu celular e, quando debloqueei a tela, vi que ele havia mandado mais uma mensagem.
Vou assumir que você pegou no sono.
Depois de colocar as panquecas no prato e derramar maple syrup por cima delas, eu me sentei no sofá e digitei uma resposta rápida.
Não peguei no sono.

Então você só estava me ignorando mesmo? Tudo bem. Não estou magoado.
Ri do seu jeito dramático e considerei se deveria explicar o motivo de eu tê-lo ignorado.
Eu tive que ignorá-lo. Acredite, foi por uma boa causa.

Dessa vez sua resposta não foi imediata. Chequei o telefone três vezes antes de finalmente senti-lo vibrar com uma nova mensagem.
Vou acreditar em você então.
Que bom. O que faz acordado tão cedo em pleno Domingo?

Antes de ver a sua resposta eu rapidamente limpei as coisas que havia sujado para fazer e comer o café da manhã. Odiava acumular esse tipo de tarefa. Voltei a sentar no sofá, na televisão algum episódio antigo de Grey’s Anatomy estava passando, mas não dei muita atenção.
Às vezes eu acordo cedo e atordoado achando que estou atrasado para alguma entrevista ou um show. E você, por que acordou tão cedo?
Suspirei, deixando que meus dedos ficassem suspensos sobre o teclado enquanto eu pensava em como responder a mensagem.
Relacionamentos a distância necessitam de certos reajustes, Hemmo.

Hm, isso responde muitas perguntas.
Levei cinco minutos pensando em uma boa resposta, mas, quando decidi que eu simplesmente não tinha uma, resolvi mudar o rumo da conversa.
Já tomou uma decisão sobre o apartamento?

Vou encontrar o corretor amanhã para dar a minha resposta final.
E a sua resposta final é...

Você saberá amanhã
Diga logo e não me provoque assim, Hemmo.

Por que não? Já ouvi falarem que eu sou bom nisso...
Tive que ler a mensagem algumas vezes para ter certeza de que ele realmente quis dizer aquilo, mas o emoji com uma piscadinha e as reticencias não deixava negar o tom de provocação da sua mensagem.
Eu não preciso saber disso.

Sua resposta foi confusa.
Jwjelelk
????

Deixei o celular cair no meu rosto.
Gargalhei imaginando a cena.
Parabéns, Hemmo. Você foi de galanteador para perdedor em tempo recorde!

Esse é o meu charme.
Balancei a cabeça, deixando o celular em cima do sofá e resolvi tomar um banho já que meu sono seria impossível de resgatar.
No final do dia eu fiquei surpresa ao notar a quantidade de mensagens que eu e Luke havíamos trocado. Nossas conversas foram desde 5 Seconds of Summer até meu novo trabalho.
Com o céu já escuro e depois de colocar o pijama, eu chequei o meu e-mail para ver se Tom havia enviado alguma mensagem, mas não havia nada na caixa de entrada. Não podia negar que estava esperando pelo menos uma mensagem me desejando boa sorte no novo trabalho, então não encontrar nada havia sido uma decepção e tanto.
Notei que já estava tarde e eu teria pouco menos que sete horas de sono e eu precisava dormir bem para ter um ótimo primeiro dia em uma empresa completamente nova para mim. Ajeitei-me debaixo dos lençóis depois de apagar o abajur ao lado da cama e rapidamente caí no sono.

7.

Ouvi gritos animados vindos da sala e peguei a cerveja na geladeira, antes de voltar para o cômodo onde meus amigos estavam. Calum já estava sem camisa, fazendo uma dancinha ridícula, que me dizia que ele havia ganhado outra partida.
“Ganhou de novo?” Perguntei, já sabendo a resposta.
Calum confirmou e demos um high five, enquanto Michael parecia bem mau humorado, tomando um gole de sua cerveja. Sentei no sofá ao lado de Ashton e peguei o controle das mãos de Michael.
“Prepare-se para perder, Hemmings. Hoje ninguém me derrota!” Calum ameaçou, já sentando no chão, olhos grudados na televisão.
Jogar vídeo game em um apartamento praticamente vazio era a nossa ideia de uma festa de casa nova, nesse caso, apartamento novo. Na verdade, meus pais e irmãos já haviam estado no novo apartamento mais cedo, mas agora já era quase meia noite e só restávamos nós quatro, o vídeo game e as cervejas.
Eu tentava me concentrar no jogo que estava disputando com Calum, uma partida de FIFA que normalmente eu jogava muito bem, mas minha mente estava um pouco agitada demais e o fato de eu estar esperando uma resposta ou uma ligação de uma certa garota não estava ajudando.
Eu havia contado a sobre a compra do apartamento na Segunda e na Quarta a havia convidado para a “festa” que agora já estava praticamente no fim. Ela visou que apesar de já ter planos com alguns amigos, tentaria passar aqui depois. Agora eu me encontrava ansiosamente desejando que ela não tivesse esquecido e me sentindo um completo idiota por deixar que meus sentimentos por ela fossem além da quedinha estupida que eu sentia desde os 13 anos de idade.
Como esperado, Calum facilmente me venceu no jogo e começou a fazer sua dancinha da vitória novamente. Antes que eu pudesse dizer o quão patética aquela dancinha era, meu celular vibrou no bolso.
E ai, Hemmo? Estou saindo do restaurante agora com meus amigos. Assumo que a sua festinha já tenha acabado?
Olhei para meus amigos que ainda discutiam sobre o vídeo game e balancei a cabeça.
Ainda estamos aqui. Junte-se a nós.



Hm, não sei. Acho que seria um pouco estranho já que Jack e Celeste não estão aí.
Não vai ser. Prometo. Só uma cerveja e então você pode ir embora se quiser.



A resposta dela não chegou imediatamente depois e a espera pareceu levar horas.
Ok, só uma cerveja.
Sorri para a tela do celular e Ashton me cutucou.
“Por que está feliz se acabou de perder?”
Dei de ombros. “Nada.”
Guardei o celular no bolso novamente, enquanto sentia Ashton me observar, seus olhos estreitos como quem suspeita de alguma coisa. Virei o resto da garrafa de cerveja para esvaziá-la e fui até a cozinha pegar outra.
Aproveitei que Michael e Calum ainda disputavam uma partida enquanto gritavam um com o outro e fui até a varanda observar a rua silenciosa lá embaixo. O barulho do mar era definitivamente o melhor calmante que existia. O céu estava estrelado, e a lua brilhava forte.
“Sua garota está vindo?” Ouvi a voz de Ashton atrás de mim e me virei.
O encarei, arqueando as sobrancelhas, sem saber do que ele estava falando. Um segundo depois eu entendi o que ele quis dizer. Ou melhor, de quem ele estava falando.
?” Perguntei, vendo-o concordar. “Sim, ela está vindo.”
“Você quer que a gente libere o apartamento pra vocês?”
Ri, incrédulo. “Ela tem namorado, Ash.”
“Ainda? Vamos lá, Luke, você costumava ser melhor nisso.” Ele comentou com um sorriso sacana no rosto, mas então seu rosto ficou sério. “Você está gostando mesmo dela, não é?”
Tomei um gole da cerveja enquanto encarava meus pés, tentando formular alguma resposta convincente em minha cabeça. Antes que eu pudesse responder ouvi a campainha soar pelo apartamento. Dei um tapinha nas costas de Ashton e caminhei até a porta avisando à Calum que tínhamos companhia e ele deveria vestir a camisa. Ele me ignorou, claro.
!” Falei, abrindo a porta.
me olhou de forma estranha e imitou meu tom de voz. “Luke Hemmings.”
Eu a puxei para um abraço e senti ela corresponder. Fiz um gesto para ela entrar no apartamento.
“Bem vinda!”
olhou ao redor e balançou a cabeça lentamente, provavelmente absorvendo a bagunça em que o apartamento já se encontrava.
“Bela decoração.”
“Oi, !” Michael gritou com um sorriso no rosto, seus olhos ainda grudados na televisão à sua frente.
“Oi, Michael. Oi, Ashton.”
Ashton, que ainda estava na varanda, acenou educadamente.
Fechei a porta, observando caminhar até onde Calum estava e meus olhos – quase sem querer – desceram até sua bunda, que estava muito bem valorizada pela saia longa e justa que ela vestia.
“Você deve ser a !” Calum comentou, se levantando do sofá.
,” ela corrigiu, lançando-me um olhar engraçado. “Você é Calum, certo?”
“Estou feliz por finalmente te conhecer!” Ele abriu os braços e a abraçou, ainda sem camisa.
“Oh,” me olhou, quase gritando por socorro, pega de surpresa pela recepção calorosa do meu colega de banda. “Esse é o membro afetuoso, pelo visto.”
Ashton, Michael e eu rimos enquanto Calum seguia a esmagando em seus braços.
“Eu ouvi muito sobre você,” Cal disse, finalmente a soltando.
“É, eu aposto que Michael e Ashton não param de falar sobre mim,” brincou.
Dessa vez fui eu quem ficou sem graça enquanto todos riam. Observei sentar no sofá e senti meu rosto esquentar um pouco.
“Quer uma cerveja?” Ofereci.
concordou e me seguiu até a cozinha.
“Pensei que você tinha dito que a festa ainda estava acontecendo,” comentou um pouco sem graça enquanto eu pegava a cerveja na geladeira.
Ri e apontei para sala onde meus amigos estavam. “E está.”
“Você poderia ter me dito que a sua ideia de festa envolvia apenas você e seus amigos de banda.”
“Mas aí você não teria vindo, certo?”
Ela observou o balcão onde descansava as mãos e sorriu.
“Não, não teria.”
“Tá vendo? Uma mentira inocente por uma boa causa.” Respondi, tocando a garrafa dela com a minha.
me encarou enquanto tomava um gole da cerveja e eu a encarei de volta.
, você joga FIFA?” Calum perguntou da sala, sua voz muito mais alta do que o necessário.
“Eles estão bêbados?” Ela sussurrou, enquanto voltávamos para sala.
“Sóbrios eles não estão.” Respondi, no mesmo tom.
Ela sorriu para Cal. “Eu amo FIFA!”
“Ótimo. Michael perdeu de novo. Agora é sua vez.” Ele disse, já entregando o controle para ela.
“Não precisa jogar se não quiser,” falei baixo, apenas para ela ouvir.
“Deixa comigo, Hemmo,” Ela sorriu enquanto tirava o salto que usava e se ajeitava no sofá.

**


Depois de ganhar de Calum três vezes seguidas, estávamos todos a olhando sem acreditar enquanto sorria convencida e terminava sua segunda garrafa de cerveja.
“Mas que merda,” Cal falou, inconformado. “Você tem um irmão mais velho ou algo assim?”
“Na verdade, sim, eu tenho.” Ela piscou para Calum. “E ainda cresci com Jack Hemmings. Ah, e eu sempre ganhava dos dois.”
“Porra, Luke, por que não me falou?” Calum me olhou.
Levantei as mãos, num sinal de inocência. “Eu não sabia do irmão!”
“Você não sabia que eu tenho um irmão?” me olhou, sua mão no peito, fingindo estar ofendida. “Que tipo de amigo é você, Hemmo?”
“Até onde eu sei você é amiga do Jack, não minha.” Brinquei.
Ela abriu a boca na intenção de falar algo, mas ou ela desistiu, ou não tinha uma resposta boa o suficiente. Gargalhei e ela se juntou a mim.
“Caras, vou chamar um táxi.” Ashton anunciou.
“É, eu vou indo também,” concordou, já se levantando.
Concordei enquanto minha mente trabalhava desesperadamente, na tentativa de achar algum motivo para manter ali comigo só por mais algum tempo. Pensei em alguma desculpa convincente que não envolvesse as duas cervejas que ela havia bebido, mas não consegui nada.
Enquanto esperávamos o táxi chegar, nós cinco arrumamos o apartamento, recolhendo o lixo e as garrafas espalhadas. Foi a primeira vez que reparei a quantidade de cerveja que havíamos tomado. Nós realmente gostávamos de beber.
Depois de se despedir de Michael, Ashton e Calum, caminhou até mim e me abraçou.
“Parabéns pelo novo apartamento, Hemmo. Ele é mesmo incrível.”
Sorri. “Obrigado.”
“Ah, já ia me esquecendo. Comprei um presente para você. Algo novo para a casa nova.”
Fui pego de surpresa já que ninguém havia comprado nenhum presente para mim, mesmo que fosse para o apartamento.
Rapidamente me despedi dos meus companheiros de banda e fechei a porta quando eles entraram no elevador. No sofá procurava algo dentro da bolsa. Sentei ao lado dela e ela me ofereceu uma caixinha.
“O que é?” Perguntei, curioso.
rolou os olhos. “Abre logo, Hemmo.”
Dei risada e abri a caixa em minhas mãos. Tirei de dentro uma caneca com um pinguim estranho e quando virei vi que havia uma frase.
Ah, não. Achou mesmo que eu me importava?

Dei uma risada alta e balançou a cabeça.
“É ridícula, eu sei, mas quando eu vi eu pensei em você e não pude deixar de comprar.”
“Eu amei. Obrigado, .”
“Por nada, Hemmo. Obrigada por ter me convidado. Eu realmente me diverti essa noite.”
Eu sabia que agora ela iria mesmo embora, não havia nenhum outro motivo para ela ficar. Sem saber o que fazer eu apontei para a caneca em minha mão.
“Eu tenho uma máquina de café e você não deveria dirigir depois de beber. Que tal uma xícara antes de ir?”
Ela olhou o relógio no pulso. “Já está tarde, Hemmo.”
“Só uma xícara. Vai te ajudar a dirigir de volta pra casa.”
Ela suspirou, mas então sorriu. “Certo.”
Ela me seguiu novamente até a cozinha e sentou enquanto eu pegava uma xícara e colocava na máquina. Enquanto esperávamos o café, eu sentei no banco ao seu lado.
“Em algum momento você vai decorar esse apartamento ou vai mesmo apostar nessa decoração minimalista?” Perguntou.
Eu ri, olhando o apartamento quase vazio. Eu gostava dele com poucos móveis, mas em algum momento eu acabaria comprando mais e tentando decorar algumas partes.
“Se eu conheço bem minha mãe, ela vai me fazer comprar um monte de coisas.”
Coloquei a xícara cheia de café na frente dela e peguei uma para mim também antes de sentar ao seu lado novamente. soprou o liquido quente antes de tomar um gole. Caímos em um silencio confortável enquanto bebíamos nossos cafés.
“Por que tenho a impressão de que ultimamente eu tenho passado mais tempo com você do que com Jack?” Ela perguntou, repentinamente.
Sorri. “Talvez você finalmente tenha percebido que fez amizade com o Hemmings errado.”
“Ah, é?”
“Claro. Quem é o Hemmings que tem uma banda?”
Ela riu e me olhou. “Por que garotas gostam tanto de caras em bandas?”
“Você não gosta?” Questionei.
“Está brincando? Me leve em uma turnê e eu sou sua.”
Concordei. “Bom saber.”
sorriu timidamente e encarou a xícara de café. Pude ver que ela ficou um pouco sem graça pela forma como ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, algo que eu notei que ela fazia quando estava nervosa.
Ela virou para mim e por um segundo ficou séria.
“Para de me olhar assim, Hemmo.”
“Assim como?”
“Não sei, dessa forma, com esses olhos azuis. Não gosto deles.”
“Não?” Perguntei, um pouco ofendido, mas também curioso.
Ela suspirou. “Não é que eu não goste,” comentou, brincando com a manga da blusa que usava.
Meus olhos focaram na sua boca quando ela mordeu o lábio inferior e eu imediatamente imaginei como seria a sensação de ter o lábio dela preso entre meus dentes.
“Qual o problema então?” Questionei, sentindo minha garganta seca.
Me mexi desconfortável no banco, suspendendo um pouco a perna para disfarçar o que estava acontecendo dentro da minha calça.
deu de ombros e balançou a cabeça, finalmente seus olhos encontrando os meus novamente. “Eu não sei, mas você não deveria me olhar dessa forma.”
Por um segundo achei que ela estivesse brincando, mas sua feição permaneceu séria, seus olhos me encarando fixamente. Pela primeira vez reparei na cor das suas íris. Eu sempre pensara que eram castanhas escuras, mas agora podia perceber que eram um pouco mel e um pouco esverdeadas.
“Você está me olhando daquela forma de novo, Hemmo.” A voz dela me chamou de volta para a realidade.
Tomei um gole do café e evitei olhá-la.
“Então, você tem um irmão?” Falei, a primeira coisa que veio na minha cabeça.
Ela concordou, parecendo aliviada pela mudança de assunto.
“Sim, o nome dele é Chris.”
“Ele mora aqui?”
“Não, ele casou com uma americana e se mudou para Nova York há alguns anos.”
“Ele também é amigo de Jack?”
relaxou um pouco, sentindo a tensão entre nós se esvair lentamente.
“Eles se conhecem, mas não são amigos. Chris é mais velho que a gente.”
Depois de dar um último gole no café, ela se levantou.
“Eu preciso ir mesmo agora, Hemmo.”
Concordei, sem mais argumentos para mantê-la ali comigo.
“Tem certeza que está bem para dirigir?” Perguntei, pegando a xícara de sua mão e levando-a até a pia. “Se quiser sabe que pode dormir aqui e dirigir pra casa amanhã.”
“Estou bem. Obrigada, Hemmo.”
Acompanhei até a porta e ela me abraçou novamente, um abraço mais longo que o da outra vez, eu devo dizer.
“Obrigado pela caneca,” falei quando ela caminhou até o elevador.
“Boa noite, Hemmo.”
“Boa noite, .”
Quando ela entrou no elevador eu fechei a porta do apartamento. No caminho até o meu quarto eu fui tirando a minha roupa, cansado demais para terminar de arrumar a bagunça que havíamos feito mais cedo. Naquele momento eu só precisava de um banho frio.
E talvez a minha mão.

8.

Eu estava tremendo. Minhas mãos no volante estavam fracas e as lágrimas se acumulando tanto em meus olhos que eu mal podia enxergar. Estacionei de qualquer jeito na primeira vaga que consegui achar e respirei fundo algumas vezes, mas nem assim consegui me acalmar.
O dia estava destinado a ser ruim. Acordei atrasada, fiquei presa em um engarrafamento sem fim, cheguei atrasada no trabalho e quase estraguei uma reunião importante. Depois da reunião, é claro que minha chefe chamou a minha atenção e deixou claro que não tolera atrasos. Eu nunca havia me atrasado para qualquer trabalho antes. Eu sempre fui pontual, a primeira a chegar aos lugares. Depois disso, a minha ansiedade acabou terminando de estragar meu dia e me deixando com uma baita enxaqueca. E então, tudo só pareceu piorar ainda mais.
Quando saí do trabalho, completamente frustrada comigo mesma e sentindo que uma mão invisível estava esmagando meu cérebro pouco a pouco, recebi uma ligação de Tom. Eu só queria chegar em casa, tomar um remédio e apagar na cama, mas ao invés disso terminei em uma discussão com meu namorado que me levou a bater em outro carro. Tudo que aconteceu depois, aparece apenas como flashes em minha mente. Lembro de sair do carro, já a beira de uma crise de choro e pedir mil desculpas ao motorista do outro carro, apenas para ouvir dele que eu era uma péssima motorista e completamente inconsequente. Na hora fiquei tão chocada que não consegui reagir a suas duras palavras. O carro dele estava inteirinho, já que a batida havia sido fraca, mas ainda assim ele estava histérico.
Agora, eu não fazia nem ideia de onde estava e o misto de emoções dentro de mim, só fazia com que eu chorasse mais e mais. Claro que em cima de tudo isso, o meu celular apitava sem parar com novas mensagens de Tom. Eu sentia que poderia desmaiar a qualquer momento.
Eu nunca fora uma pessoa chorona, meus amigos estavam acostumados com a minha personalidade mais dura. Controlar as minhas emoções não era difícil, mas nesse dia eu não parecia ter qualquer controle sobre as minhas reações ou o que estava acontecendo. O fato de eu ter deixado que um cara, que nem me conhece, falasse merdas sobre mim, sem ter uma mínima reação – como, por exemplo, chutá-lo nas bolas – só provava que eu não estava sendo eu mesma.
Pesquei meu celular dentro da bolsa, ignorando todas as mensagens do meu namorado, e disquei um numero que eu já havia gravado há anos.
“Atende, Jack. Atende,” sussurrei, mas a ligação foi para a caixa postal.
Passei a mão por meu rosto, que era um misto de lágrimas já secas e as que ainda escapavam dos meus olhos. Tentei novamente, mas a mensagem de caixa postal foi a única voz do outro lado da linha.
Deixei o celular em meu colo e encostei a testa no volante. Eu ainda podia sentir meu corpo tremendo e tive que, mais uma vez, respirar fundo algumas vezes para tentar me controlar. O celular apitou e eu peguei rápido, imaginando que poderia ser Jack, mas era mais uma mensagem de Tom.
Sem paciência, abri a mensagem de uma vez.
Se você estivesse aqui nada disso estaria acontecendo.
Era o que a mensagem dizia. Não ousei olhar as outras que ele havia mandado. Aquela já havia sido suficiente para quase me fazer jogar o celular pela janela.
Com algumas lágrimas ainda escapando, fui até a minha lista de contatos e passei os olhos por todos eles. Eu estava tão acostumada a sempre pedir ajuda à Jack em situações como essa, que eu estava completamente perdida.
Um nome familiar na lista de contatos chamou a minha atenção e eu deixei que meu dedo pairasse sobre ele por alguns segundos, tentando decidir se eu deveria ou não fazer aquilo. Com um longo suspiro, toquei o nome e deixei que a ligação completasse, parte de mim ainda desejando que, assim como a ligação para Jack, essa caísse na caixa postal.
“Oi, ,” a voz de Luke veio do outro lado da linha e eu congelei.
Abri a boca na tentativa de falar alguma coisa, mas nenhum som saiu dela.
?” Ele tentou novamente, sua voz agora já com uma pontada de preocupação.
“O-oi,” consegui falar, minha garganta tão seca que minha voz não passou de um mero sussurro.
Mordi meu lábio, uma onda de emoções querendo me afogar novamente. Inspirei uma grande quantidade de ar e soltei aos poucos pela boca.
“Está tudo bem?”
“Eu...” Fechei os olhos, ainda tentando controlar a minha respiração. “Eu precisava falar com Jack, mas ele não atende o telefone.”
, por que você está respirando fundo? Aconteceu alguma coisa?” A voz dele já estava um pouco mais alta, o que me fez querer chorar ainda mais. “Você está machucada?”
Balancei a cabeça. “Não.”
Deixei escapar um pequeno soluço e percebi que agora a respiração dele é que estava descompassada.
“Onde você está?”
Coloquei a minha mão sobre a boca para evitar que ele ouvisse outro soluço e contei até cinco encarando o teto do carro. Eu estava fazendo ele se preocupar a toa e isso só fazia com que eu quisesse chorar ainda mais. Odiava ser um peso para outras pessoas. Eu só queria conseguir explicar pra ele que aquilo era, provavelmente, uma crise de ansiedade e eu estava sem o menor controle sobre as minhas ações.
“Honestamente, eu não sei,” respondi, finalmente.
Abri a janela do carro e olhei ao redor. O sol estava começando a se por e não havia nada naquela área remotamente familiar. Vi uma placa com o nome da rua onde eu estava e repeti o nome para Luke.
“Está vendo um prédio amarelo desbotado?” Ele perguntou.
Saí do carro e olhei ao redor, facilmente achando o prédio que ele havia citado. “Sim.”
“Certo, sei onde você está. Chego aí em uns dez minutos.”
Luke desligou antes que eu pudesse responder. Fiquei olhando para a tela por alguns segundos, ainda sem entender nada. Voltei para o carro e peguei a minha bolsa antes de trancá-lo. Sentei em um banco ali perto e, pela primeira vez, notei que de onde estava eu conseguia ouvir o barulho do mar.
Desbloqueei o celular novamente e respirei fundo, antes de abrir o aplicativo de mensagem e começar a ler as que Tom havia enviado mais cedo.
Por que você desligou na minha cara? Não podemos nem mais conversar sobre nós? Não era assim que as coisas eram quando estava aqui em Londres.
Por que você não tira uma semana de folga e vem pra cá para podermos conversar?
, pare de ignorar minhas mensagens. Como podemos resolver isso dessa forma?
Tá legal. Não responda então. Estar em Sydney pelo visto está fazendo você tomar decisões imaturas. Isso não acontecia antes.

“Vá para merda, Tom,” sussurrei para mim mesma, deletando todas as mensagens e jogando o celular de volta na bolsa.
Como se bater o carro, estar com enxaqueca e levar uma bronca da minha chefe não fossem o suficiente, agora eu estava furiosa com o imbecil do meu namorado.
Permaneci sentada em silencio, apenas observando os carros na rua e as pessoas passarem pela calçada. Ocasionalmente ainda limpava uma lágrima ou outra que escapava e me deixava ainda mais frustrada. Tentei ligar novamente para Jack, mas ele devia estar em uma reunião, já que ainda não atendia o celular.
Senti uma mão em meu ombro e pulei do banco, assustada. Olhei para trás e vi Luke, com um sorriso sincero no rosto.
“Vem aqui,” ele falou, me puxando pela mão e me abraçando com força.
No estado em que eu me encontrava, minha única reação foi abraçá-lo de volta, sentindo-me extremamente reconfortada por ele. Luke beijou meus cabelos e sua mão pousou em meu pescoço, fazendo um carinho gostoso e relaxante.
Senti ele relaxar o abraço e tocar em meu queixo, me fazendo olhar em seus olhos.
“O que aconteceu?” Perguntou, seus olhos analisando meu rosto, vendo os rastros das lágrimas secas em minha bochecha.
Por algum motivo me senti extremamente incomodada por ter seus olhos me fitando tão de perto e com tanta preocupação. Com Jack eu me sentia confortável o suficiente para chorar em seus braços até soluçar. Já havia acontecido algumas vezes na adolescência, uma delas quando um idiota partiu meu coração e meu melhor amigo estava pronto para partir a cara dele. Mas com Luke era diferente, toda vez que eu estava com ele um sentimento estranho me invadia. Demorei um tempo para perceber que esse sentimento era culpa.
“Você está bem?” Ele questionou, sem esperar que eu respondesse sua outra pergunta.
“Eu vou ficar bem, Hemmo. Como você sabia onde eu estava?”
Luke sorriu. “, você está a dois quarteirões do meu prédio.”
Olhei ao redor mais uma vez, mas, por só ter estado no prédio de Luke duas vezes, aquela vizinhança ainda não era familiar para mim.
“Desculpa ter feito você vir até aqui. Eu só...” Suspirei.
Por que eu havia ligado para Luke?
“Eu acho que vou pra casa.” Completei.
Antes que eu pudesse voltar para o carro, Luke tocou meu braço.
, é óbvio que você não está bem. Vem, vamos lá pra casa, eu posso fazer um chá pra você. Quando você estiver mais calma, então pode dirigir de volta pra casa.”
Apesar de querer desesperadamente sair dali, eu não podia negar que ele estava certo. Ainda não me sentia segura para voltar a dirigir, já que meu corpo ainda tremia um pouco e a mão invisível que esmagava meu cérebro agora tinha a ajuda de um martelo.
Concordei em silêncio e caminhamos lado a lado até o seu apartamento.
Já no conforto do sofá de Luke eu sentei e encostei a cabeça no recosto, tentando relaxar um pouco.
Luke foi até a cozinha e voltou pouco depois com uma caneca de chá. “De erva cidreira, para você se acalmar,” ele apontou.
Arqueei uma sobrancelha, achando graça que ele soubesse qual o melhor tipo de chá para a situação.
“Você sabe que minha mãe adora chás,” deu de ombros.
Tomei alguns goles do chá enquanto permanecíamos em silencio. Luke parecia concentrado na televisão desligada, enquanto eu soprava o liquido quente e tentava ignorar a situação embaraçosa.
Sentar naquele sofá, me trouxe lembranças da noite em que joguei vídeo game com Luke e os garotos da banda. Eles eram divertidos e fáceis de conversar, mesmo sendo mais novos do que eu.
Luke se mexeu no sofá, automaticamente se aproximando um pouco de onde eu estava e me encarou com uma feição séria.
“Está se sentindo melhor?”
Balancei a cabeça. “Sim, muito melhor. Obrigada, Hemmo. Você realmente não precisava ter ido me resgatar,” comentei.
Luke riu, baixinho. “Não é isso que Jack teria feito?”
Concordei. “Ah, sim. Além disso, ele também teria me dado um sermão por dirigir enquanto tinha uma crise de ansiedade e colocar a minha vida e a de outras pessoas em perigo.”
“Você quer um?” Perguntou, se referindo ao sermão.
“Não mesmo,” ri.
“Eu imaginei.”
A sala caiu em silencio novamente, nenhum de nós sabendo exatamente o que dizer naquela situação. Luke era muito mais quieto que Jack seria naquele momento. Se fosse com ele, a essa hora, Jack já saberia de toda a história e estaria xingando Tom de todos os nomes possíveis. Fora que com certeza estaria dizendo que iria até Londres dar uma surra em meu namorado. Mas com Luke, eu estava em um território desconhecido. Olhei meu celular rapidamente para checar a hora e ver se havia alguma ligação ou mensagem perdida, mas não havia nada de novo. Eu estava tão chateada com Tom por ter usados palavras tão duras, mas ao mesmo tempo desejava que ele tivesse ao menos ligado, alguma demonstração de ele sabia que havia me magoado.
“Quer conversar sobre o que aconteceu?” Luke perguntou, quebrando o silencio.
Ofereci um sorriso sincero, mas balancei a cabeça. “Eu acho que nem conseguiria.”
“Tão ruim assim?”
“Meu dia inteiro foi uma porcaria, Hemmo.”
Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, o celular em minha mão tocou, o nome de Tom na tela me pegou de surpresa. Luke me lançou um olhar de compreensão e se levantou, saindo da sala e me dando um pouco de privacidade, apesar de eu saber que onde quer que ele estivesse na casa, ele ainda conseguiria me ouvir.
Caminhei até a varanda e respirei fundo antes de atender a ligação.
“A não ser que você esteja ligando para se desculpar, eu realmente não quero conversar com você agora.”
A conversa definitivamente não precisava de cumprimentos.
, você não pode fugir dessa discussão para sempre,” Tom respondeu, tão seco quanto eu mesma.
“Você só pode estar brincando. Uma hora atrás você literalmente me disse que não esperaria por mim pra sempre, Thomas! Tem noção do quão escroto isso foi?”
, me ouça,”
“Não!” Interrompi. “Você que precisa ouvir agora. Estou cansada de suas constantes tiradas sobre Sydney e das suas piadinhas sobre eu voltar para Londres. Eu estava contando com você para me ajudar nesse período de transição e eu sabia que não seria fácil para nós, mas você está tornando tudo isso impossível de lidar. A Austrália é onde eu moro agora. Aqui eu estou em casa. Se você não consegue fazer o mínimo esforço para compreender isso e me oferecer o suporte que eu preciso e espero de você, então essa relação não faz mais o menor sentido.”
Terminei de falar ofegante, mas sentindo que eu havia colocado para fora tudo que estava preso em minha garganta há dias. Tom ficou em silencio por alguns instantes, mas então sua voz veio baixa e contida.
“Eu sei que fui um babaca nas mensagens e que não tenho sido o namorado perfeito, eu só sinto a sua falta. Desculpe por descontar a minha frustração em você, mas não tem sido fácil pra mim.”
Ri, sem humor. “E acha que tem sido para mim? Caralho, Tom, eu sinto a sua falta todos os dias, mas ao mesmo tempo percebo você se distanciar de mim e tratar a nossa relação como se só os seus sentimentos importassem.”
Ouvi uma voz masculina que não era de Tom do outro lado da linha, mas não consegui entender o que foi dito.
, preciso desligar. Tem algo importante que preciso resolver.”
Suspirei. “Achei que você já estivesse tentando resolver algo importante.”
, não torne essa conversa mais difícil do que ela já está sendo.”
Com um riso sarcástico eu juntei toda a minha raiva acumulada de um dia inteiro de puro estresse e ansiedade. “Quer saber? Vai se foder, Tom.”
Desliguei antes que ele pudesse responder e senti minha garganta fechar e as malditas lágrimas começarem a cair novamente. Por um descuido, o celular em minha mão caiu no chão, o que me fez chorar ainda mais e mais alto.
Sentei no chão ao lado do celular caído e escondi o rosto em minhas mãos quando ouvi os passos de Luke se aproximando. O fato de eu desejar que ele fosse Jack fez com que o choro só aumentasse e eu me sentisse uma sacana.
Meus soluços estavam altos e descontrolados quando Luke se ajoelhou ao meu lado e me puxou para perto de si. Tentei me afastar e dizer alguma coisa, mas ele apenas me abraçou com mais força e se movimentou lentamente de um lado para o outro. Sua mão estava em minhas costas, fazendo movimentos circulares, ao mesmo tempo em que eu soluçava contra seu peito e encharcava sua camisa.
Pouco a pouco meu choro foi cessando e eu pude ouvir as batidas aceleradas do coração de Luke. O som me acalmou mais do que eu poderia imaginar. Ele depositava beijos em meu cabelo, enquanto murmurava uma musica que eu não fui capaz de reconhecer, mas que fazia meu corpo todo relaxar em seus braços.

**


Abri os olhos lentamente, tentando me acostumar com a escuridão do cômodo. Minha mente confusa e meu senso de preservação trabalharam rapidamente para identificar onde eu estava, então me dei conta que eu só podia estar no apartamento de Luke, já que depois da ligação de Tom e a minha crise de choro, eu não lembrava mais nada.
Olhei ao redor, identificando a cama onde eu estava e alguns moveis no quarto. Tateei a cama e cheguei à conclusão de que eu estava sozinha, mas localizei meu celular ao alcance da minha mão. Acendi a lanterna e conferi a hora, me assustando ao perceber que já passavam das 11 da noite.
Levantei-me, com cuidado para não fazer muito barulho e caminhei até a sala. Apesar de a televisão estar ligada, Luke estava adormecido no sofá. Sua feição serena fez com que eu sorrisse comigo mesma. Sua respiração era calma e sonora e suas pernas longas estavam espalhadas de qualquer jeito.
Procurei algum papel por perto, mas claro que não havia nada por ali. Fiz uma nota mental para lembrar-me de mandar uma mensagem para ele pela manhã e, silenciosamente, saí do apartamento.
O silencio nas ruas contrastava com a bagunça em minha cabeça. Havia tantos pensamentos e sentimentos bagunçados que eu só queria chegar logo em casa e dormir, de preferência um sono sem qualquer interrupção.



Continua...



Nota da autora: : Olá! Nunca sei o que dizer aqui. Se você está acompanhando essa fanfic, deixo meu muito obrigada e o meu sincero pedido de um feedback em forma de comentário para eu saber o que vocês estão achando. Não canso de dizer que essa história é o amor da minha vida em forma de fanfic e esse casal é o meu favorito de todos os tempos. Em breve postarei alguns spoilers lá no meu grupo no Facebook, então não deixe de participar. Para conhecer as minhas outras histórias, basta acessar a minha página de autora, link logo aí embaixo. Beijo.



Outras Fanfics:
2030 (Outros - Finalizada)
Addicted (Mcfly - Finalizada)
All She Dreams (Mcfly - Finalizada)
Closer (Outros - Finalizada)
Colisão (Originais - Em Andamento)
You're Still The One (Parte 2 de Addicted)


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus