Caçados

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Última atualização: 13/10/2020

Prólogo

ELE

Um dos maiores prazeres da minha vida era dirigir pela madrugada. A cidade deserta, as cores que compunham aquele horário e o silêncio me traziam paz em uma vida repleta de acontecimentos. Observava a longa avenida principal sem movimento algum, fazendo com que meu trajeto até o meu destino fosse muito mais rápido do que o normal, no entanto, eu estava focado em meu objetivo.
Meu celular estava apoiado no painel do automóvel e iluminou todo o ambiente quando começou a tocar. Não tinha nenhuma melodia, apenas a tela acendeu anunciando uma nova ligação. Não atendi, ignorei e continuei com os meus pensamentos. Eu não a amava, então o que teria que fazer daqui a alguns minutos seria fácil.
Estacionei no local indicado e saí ansiosamente do carro. Eu já havia feito aquilo muitas vezes, mas aquela vez era diferente. Suspirei ao tentar tirar aqueles pensamentos da minha mente. Minha calça e camisa preta faziam com que eu praticamente andasse camuflado na madrugada. Peguei a minha arma favorita, uma pistola silenciosa e a coloquei na barra da calça atrás na minha cintura. Arrumei as minhas vestes e afrouxei a manga da camisa até o meu cotovelo.
Em passos largos e contando com a ajuda de um amigo que trabalhava na recepção do hotel, entrei após a porta automática abrir e caminhei sem maiores problemas em direção ao elevador. Apertei o botão e ao olhar para cima percebi que a enorme caixa metálica suspensa estava em um andar alto. Meus pensamentos foram levados para um mês atrás. Um mês quando estava tudo bem. Ou será que era puro fingimento? Eu havia me casado com há um ano e estávamos apaixonados. Sim, no passado.
Desde então, eu não conseguia considerar tirar a aliança de ouro do meu dedo. Como um simples objeto tinha tanta importância e significado? Olhei para a minha mão e respirei fundo, percebendo o elevador fazer um barulho e abrir as portas. Ao entrar, notei como era luxuoso aquele cubículo. Apertei o botão do andar aonde deveria ir e torci para que o processo fosse o mais rápido possível, levando em conta que o andar era o mais alto.
Virei de costas para a porta e pela primeira vez notei um espelho, percebi que os primeiros botões da minha camisa social preta estavam abertos e decidi mantê-los daquela forma. Passei a mão pelos meus cabelos, como se quisesse ajeitá-los, mas aquilo não era importante no momento. Ouvi o barulho de que havia chego ao andar, as portas se abriram e saí com o coração batendo mais forte. A partir dali não tinha volta.
O corredor era enorme, entretanto as portas eram longe uma da outra, dando a entender que os quartos eram espaçosos. Me aproximei do 16A e peguei o cartão, o qual meu amigo que trabalhava no hotel me dera para entrar em qualquer lugar do prédio que eu quisesse, quase sorri com aquilo. Coloquei no lugar indicado e uma luz verde liberou a minha entrada. Tentando ser o mais silencioso possível, abri a porta e reparei que ali era a sala. Fechei a porta atrás de mim e coloquei o cartão novamente em meu bolso. O local não estava em um breu completo, porém algumas luzes fracas davam pouca, mas necessária iluminação aos ambientes.
Com a minha arma em punho, caminhei em passos lentos até o quarto. Ao passar pela porta que estava aberta, meus olhos percorreram o ambiente e não a encontrei. Ouvi um barulho de arma sendo destravada e minha espinha gelou.
— Você é muito burro, meu bem. — Eu conhecia aquela voz do mesmo jeito que me conhecia. Fechei os olhos rapidamente e comecei a repassar o que havíamos passado juntos e todas as mentiras.
Me virei lentamente e ergui ambas as mãos em sinal de rendimento. Contemplei que ela usava uma camisola e a posição que estava com os braços fazia com que seus seios ficassem realçados.
— Agora você coloca essa arma no chão e nós vamos conversar. — Seu tom de voz era frio.
— Ok — concordei prontamente e lentamente me curvei para colocar a arma no chão, não tirava os olhos dela e ela não parava de olhar o meu ato. Quando o fiz, me levantei com as mãos erguidas e, em um gesto rápido, empurrei a porta pra trás de um jeito forte em direção a , fazendo-a derrubar a arma que estava em suas mãos e gemer de dor. Me abaixei para pegar a minha arma, que eu colocara no chão instantes atrás, no entanto, ela foi mais ligeira e eu senti um chute no nariz que doeu imediatamente. Eu levei uma das minhas mãos até o local e o senti molhado. Era sangue.
Notei que ela estava próxima das minhas pernas e dei uma rasteira, fazendo com que a mulher caísse de costas no chão e gemesse de dor. Eu fui virar para trás, com o intuito de procurar a minha arma e acabar definitivamente com aquilo, quando montou em cima de mim e me jogou no chão, dando um soco de esquerda que fiquei desconsertado por alguns segundos. Que esquerda aquela mulher tinha! Quando a olhei novamente, percebi que ela fechava o punho para me dar outro soco que eu evitei. Coloquei os braços em meu rosto e senti ela me bater de um jeito nada dolorido. Notei que ela havia cansado e eu não sabia de onde tirava forças, me coloquei de pé com ela nos meus braços e a joguei na cama, fazendo-a cair do outro lado do cômodo.
Nesse meio de tempo, olhei para o chão em busca da arma e não a encontrei. Olhei para trás e próxima da porta estava a arma que segurava nas mãos instantes atrás, então pensei que seria aquela mesma.
.
Ouvi meu nome e olhei. Eu não deveria ter olhado. Estava ali para matá-la. Apenas isso. A mulher segurava um vaso de vidro enorme nas mãos, que provavelmente pertencia ao hotel, e ela tinha um sorriso triunfante nos lábios. Jogou o objeto em mim e eu usei meu braço para poder proteger o meu rosto quando o vidro espatifou e cortou a minha pele. Não tinha tempo para sentir dor, pois pulou em mim, mantendo as pernas em volta da minha cintura e me batia sem piedade usando o cotovelo. Fechei o meu punho e mirei em suas costas, ela gemeu e caiu do meu colo. Vi a minha arma próxima ao banheiro e ligeiramente dei uma cambalhota e a peguei, logo virando o rosto e apontando para ela. Vi que fazia o mesmo.
— Você é a minha missão, . Eu preciso te matar. — Estava ofegante e eu sentia o gosto de sangue na minha boca.
— Eu digo o mesmo, . Você não pode sair vivo daqui. — Ela estava como eu, com o rosto um pouco machucado e os cabelos bagunçados, além da respiração ofegante.
Ficamos nos olhando por algum tempo, mas parecia séculos. Me lembrei de quando nos conhecemos no parque e eu estava jogando frisbee com o meu cachorro, a cachorra dela roubou o objeto em forma de disco e saiu correndo em disparada.
Um sentimento de felicidade invadiu meu corpo e eu distingui que queria aquilo por mais tempo. Pra sempre. E com ela. Me levantei devagar, sentindo o meu corpo doer e a vi fazer o mesmo. Nossas armas apontadas um para o outro mostravam que éramos, ainda, fiéis ao nosso trabalho. Abaixei o braço e vi que ela acompanhou o meu movimento.
— NÃO! — ela gritou entre os dentes e continuou com a arma apontada para mim. — Luta como um homem. LUTA! — gritou.
— Eu não posso fazer isso. — Minha voz exalava cansaço.
— Não! — ela gritou entre os dentes e eu notei que lágrimas insistiam em cair de seus olhos.
O barulho da minha arma caindo no chão foi ouvido por nós dois. Permanecemos nos olhando e as lágrimas já escorriam pelas bochechas de . Me aproximei em passos lentos e ela ainda estava com o braço levantado apontando para mim, mas não me importava. Toquei o seu rosto com as pontas dos dedos, secando as lágrimas e a vi fechar os olhos.

ELA


Minha arma encontrava-se no chão e eu sentia os dedos de em meu rosto. Minha vontade era de gritar. Aquilo não deveria estar acontecendo. O meu objetivo de trabalho era matá-lo. Apenas isso.
— POR QUÊ? — gritei novamente e o empurrei, todavia ele não saiu do lugar, pois eu não usava força alguma. Eu não tinha força alguma naquele momento. Tentei lhe dar um tapa no rosto, mas ele segurou o meu punho fortemente e ficamos nos encarando. Aqueles olhos claros foram a primeira coisa que notei quando nos conhecemos. Depois de tanto tempo, ainda não tinha me acostumado com aquele par de olhos presos em mim.
Ele soltou o meu pulso lentamente e eu aproximei ainda mais os nossos corpos. Mãos trêmulas abriram os botões da camisa preta que ele usava e após chegar ao último botão acariciei o peitoral dele de cima até embaixo, o vendo fechar os olhos com aquele ato. Uni nossos lábios em um beijo que começou delicado, mas tornou-se forte e cheio de urgência quando ele desceu as mãos pelo meu corpo e foi para a parte de trás, apertando a minha bunda com força. Parti o beijo, o mordendo no lábio inferior e desci os meus lábios e a minha língua pelo seu pescoço, dando mordidas enquanto deixava a pele dele molhada. Senti as mãos dele subirem até a minha cintura e apertarem fortemente na medida em que minhas provocações variavam de intensidade.
Desci pelo peitoral e a barriga, deixando para trás um rastro da minha saliva e já sentindo em minha boca o gosto de sua pele que não sentia há tanto tempo. Ao chegar ao cós da sua calça, abri o botão e o zíper ansiosa pelos próximos acontecimentos. Deixei que a peça de roupa caísse em seus pés e observei que por baixo de sua cueca a excitação dele crescia. O olhei e passei a língua por cima do tecido. Fiz de novo. E de novo. Não aguentando aquele tecido entre os nossos corpos, puxei a roupa pra baixo, o deixando completamente à vontade. Minha língua percorreu a extensão de seu órgão por diversas vezes e entre elas eu ouvia um gemido escapar entre seus lábios.
Ele me puxou pelo braço quando ofegou e gemeu o meu nome. Aquilo me excitou e eu senti um arrepio me percorrer o corpo, assim como a excitação crescer no meio das minhas pernas. Unimos nossos lábios e as mãos ágeis de tiraram a minha camisola e logo os lábios dele estavam em meus seios descobertos. Gemi, tentando morder o lábio inferior e não fazê-lo muito alto, mas era praticamente impossível.
Meu corpo foi guiado até a cama e nela eu deitei em pouco tempo, sentindo o corpo dele sobre o meu. Nos beijamos na boca novamente e não demorou muito para ele me beijar no pescoço e fazer a mesma coisa que fiz com ele. Desceu os lábios pelo meu corpo e eu não conseguia evitar as ofegadas. Com os dentes e a minha ajuda, já que mexi as pernas, ele tirou a única peça que não me deixava completamente nua. Passou a língua por toda a minha intimidade e eu joguei a cabeça para trás e gemi alto. O calor tomava conta do meu corpo enquanto sentia ele me proporcionar tanto prazer.
Certo tempo depois, o sentindo passar a língua por toda a minha intimidade e se concentrando por alguns deliciosos minutos no local mais sensível, eu começava a mover o meu quadril, entrando em sincronia com o que ele fazia. O prazer só crescia e eu achava que, a qualquer momento, fosse explodir.
— Porra, ! — gemi.
Ele voltou, fazendo o mesmo caminho de anteriormente e se livrou das últimas peças que estavam em seu corpo. Colocou-se entre as minhas pernas e quando nos beijamos o senti encaixar-se e assim deslizar pra dentro de mim. Gemi mesmo com os nossos lábios grudados.
Mantínhamos as nossas testas grudadas e as bocas abertas durante as investidas e eu tentava de todas as formas mexer o meu quadril para que pudesse entrar em sincronia com o dele. Não nos beijávamos levando em conta que estávamos com outra parte dos nossos corpos conectadas e nos dando prazer.
Alcançamos o prazer juntos algum tempo depois e gememos. Nossos corpos se conheciam perfeitamente e a conexão na cama era imensa. Senti ele me beijar delicadamente nos lábios e mesmo ofegante retribuí. Nos aconchegamos na cama, debaixo dos edredons e com os travesseiros confortáveis. O acariciei no rosto quando percebi que ele olhava para o teto.
— Que foi? — perguntei num sussurro.
— Eu tenho até às 5h da manhã pra completar o serviço. — Ele me olhou.
— Idem.
— E o seu soco de esquerda é muito forte. — riu e eu sorri apenas por ouvir aquele som que tocou o meu coração de um jeito que não sentia há meses. Fiquei olhando ele apontar para a própria bochecha, fazer um bico triste e me olhar.
— Eu te amo — falei de um jeito sério e percebi ele se surpreender, não porque não sabia ou não acreditava, mas por não ouvir aquilo há muito tempo.
— Eu te amo — o ouvi dizer e meu coração quase parou, tamanha era a felicidade que eu sentia.
Aqueles últimos meses haviam sido horríveis. Minha agência e meu trabalho não faziam o menor sentido quando estava próxima dele e podia ser eu mesma. A . Sem mais mentiras ou delongas dali em diante. Ele se levantou da cama, colocou a cueca, pegou a arma do chão e eu acompanhei os seus movimentos.
— Aonde você vai? — indaguei curiosa.
— Nós vamos. — Ele me olhou e sorriu. Eu amava aquele sorriso, ele me quebrava.
— Nós? Aonde? — Estava sem entender.
— Nós vamos acabar com a raça de quem quer nos matar.


Capítulo 1

ELES


Enquanto ouvia o barulho do chuveiro ligado, levando em conta que tomava banho, caminhou pelo quarto em que estavam e se aproximou da janela. Puxou a cortina branca de leve apenas para olhar por uma fresta e observar que o dia já nascia na capital da Dinamarca. Sentiu o cansaço se instalar em seu corpo e ele sabia que era por todo o estresse do dia anterior.

Dia anterior 22h.


estava sentado no capô da sua Mercedes conversível enquanto comia salada caesar, que era apenas alface, frango grelhado em tiras, cenoura ralada e queijo. Ele sempre pedia para tirar os croutons. Foi para dar mais uma garfada e sentiu seu celular vibrar no bolso do casaco e uma melodia anunciando uma nova mensagem. Segurou o garfo com os dentes e pegou o aparelho.

“Ela está aqui. Acabou de dar entrada.”


Colocou o pote com a salada no colo e deixou o garfo dentro dele, queria ter mais mobilidade para poder responder a mensagem. Sorriu. Finalmente tinha a encontrado.

“Estarei aí de madrugada. Obrigado, Mike!”


Deixou o aparelho sob o capô do automóvel e voltou ao seu jantar enquanto observava o céu estrelado em pleno verão dinamarquês. Notou que havia parado próximo ao Palácio de Amalienborg, que era a residência principal da família real dinamarquesa há séculos e atualmente era um ponto turístico e local de visitas.
Ouviu seu celular vibrar novamente e apenas olhou para onde ele estava colocado.

“Vocês precisam conversar, Luke. E ela está no 16A. Já te dei o cartão, ele abre todas as portas.”


Mike Collins era gerente do Royal Hotel e amigo íntimo de desde a época do colegial. Quando começou a namorar , logo se tornou amigo de Mike também, no entanto, o bom rapaz não sabia das verdadeiras identidades do casal de amigos e desejava, pensando ser algo simples, que eles se acertassem.
se aproximou da porta do banheiro e viu desligando a ducha e se enrolando em uma toalha branca. Sorriram um para o outro.
— Você vai tomar banho? — Trocaram um selinho rápido.
— Sim. — Ele rapidamente se despiu das peças de roupa que usava e entrou no box. passou a mão no espelho, com a intenção de poder ver o seu reflexo. Sentia-se exausta e achou que dormiria a qualquer momento.
— Estou com fome — murmurou mais alto para que ele ouvisse.
— O quê? — Ele colocou a cabeça para fora do box, tentando ouvi-la melhor.
o olhou e riu quando percebeu que ele estava com o cabelo cheio de espuma por conta do shampoo.
— F o m e.
— Ah!
Ela caminhou para o quarto e lá pegou a sua mochila que estava no chão, a colocando sob a cama. Além da roupa íntima, pegou uma calça jeans, que sempre usava, e uma blusa de alcinha cinza. Era Verão e o dia seria quente.
— Fome do que, ? — ouviu perguntar de dentro do banheiro enquanto se vestia.
— Você sabe.
Meia hora depois, estavam saindo do elevador no hall de entrada do hotel, indo em direção à porta, quando ouviram o pigarro de Mike no balcão. Estavam de mãos dadas e se viraram.
— Mike! Achei que não estivesse mais aqui. — riu ao vê-lo se aproximar.
— Casalzinho do mal — os chamou daquela forma, nem sabendo que suas palavras eram um pouco verídicas. Riu. — Deu tudo certo?
— Deu tudo certo — a mulher respondeu sorrindo. — Nada como uma conversa e sexo de reconciliação. — A segunda parte ela não estava mentindo.
— Toca aqui, Mike. — esticou o punho fechado para que o amigo fizesse o mesmo e de um jeito desconsertado ele o fez, os dois riram de leve.
— Cuida dela senão eu te mato — ameaçou e gargalhou no fim. Deu um beijo na bochecha de antes de voltar ao seu posto.
Os dois voltaram a andar e passaram pela porta automática em direção ao carro. Apertando o botão da chave, ele acionou o alarme e abriu as portas.
— Vamos então satisfazer os seus desejos. — Deu a partida após colocar o cinto.
— Você é meu marido. Tem que satisfazer os meus desejos. — Riu ela ao falar daquele jeito e fazer o mesmo que ele.
— Isso vale pra mim também, certo? — Ele ligou o rádio e tocava “Smells Like Teen Spirit” do Nirvana. Ela o olhou com o cenho franzido e se virou para trás, com o intuito de encontrar algo no banco de trás. — Amor — a chamou quando a mulher se esticou para pegar algo.
— Não fica olhando pra minha bunda. Olha o trânsito — ofegou ao esticar um dos braços.
— Não tem trânsito e eu prefiro a sua bunda.
Ela alcançou uma enorme pasta preta e voltou à posição normal, sentada no banco de carona.
— Pronto.
Abriu a pasta platisficada com cuidado e a primeira informação que viu foi de um mafioso que a agência dela havia encomendado a morte, no entanto, ele morrera antes dela viajar para a Suécia.
— Sério que você acabou com o Nolan? — perguntou já sabendo a resposta. o olhou enquanto ele dirigia e notou como gostava de como a tonalidade do cabelo dele mudava de cor com os poucos raios de sol entrando pelo vidro do para-brisa. — ! — o chamou em um tom de voz mais alto.
— O quê? — O rapaz a olhou.
— Você conseguiu o Nolan? — investigou novamente.
— Sim, um mês e meio atrás.
Ela passou por algumas páginas antes de finalmente chegarem ao destino final. Era uma hamburgueria não muito famosa na cidade, mas ficava aberta 24 horas por dia, ou seja, todo momento era hora de hambúrguer, como dizia o slogan. Deixou a pasta sob o banco do carro ao abrir a porta, saiu pegando uma das mãos de e assim adentraram o local. Algumas mesas compunham o ambiente e a parede era branca com tijolos sem pintar, além dos quadros com as fotos de hambúrgueres, fritas e milkshakes.
— Olá, bom dia. Sejam bem vindos ao hambúrguer 24! — uma simpática senhora falou atrás do balcão e da máquina registradora.
— Bom dia. — Ele riu. Pegou uma das mãos de e a puxou de leve, já que ela estava distraída olhando os detalhes. — Aquilo mesmo?
— Sim! — ela respondeu sorrindo e depois olhou para a senhora do caixa. — Bom dia!
— Bom dia, querida — a senhora replicou. — Vocês são tão novinhos e já são casados? — Enxergou a aliança de ouro no dedo de ambos.
— Fez um ano recentemente — a garota respondeu sorridente.
— Vivendo um sonho — o rapaz completou e os dois riram. — Você poderia me ver uma porção de fritas da maior e dois milkshakes de chocolate?
A mulher de idade acenou com a cabeça e apertou as teclas da máquina antiga, então cobrou o pedido falando que ficaria pronto em alguns minutos e que era para os dois ficarem à vontade. O casal olhou para as mesas e viu duas de todas elas ocupadas por pessoas que estavam mais entretidas no celular do que na própria comida.
— Então, — estava sentado na cadeira com os pés em outra para esticar as pernas e viu sentar-se ao seu lado após colocar a bandeja sob a mesa — podemos ir ao bunker depois daqui. O que acha? Não dá pra voltar ao apartamento...
— Ótima ideia. Acho que não temos segurança nenhuma indo ao nosso antigo apartamento. — Limpou as mãos com um guardanapo antes de pegar uma batata frita, levar à boca e fechar os olhos com as sensações de sabores. Viveria comendo, se pudesse. — É tão bom. Como tem gente que não gosta disso?
— Acho que não existe pessoa no mundo que não goste de fritas. — O rapaz riu e pegou o milkshake, tomando um pouco.
— Há um mês, quando você descobriu tudo, eu... — ela suspirou e meneou a cabeça negativamente, como se quisesse tirar aqueles pensamentos da sua mente. — Eu pensava em te contar. Pode ser que você nunca acredite mais em mim ou confie em mim, mas nunca foi a minha intenção mentir em relação ao meu trabalho. — O olhava profundamente nos olhos.
— E por que você mentiu? — Tomou mais um gole do líquido doce.
— Talvez pelo mesmo motivo que você — rebateu e se sentiu um pouco mal por estar falando daquele jeito. — Você me conhece há dois anos e desde que nos conhecemos faço o que faço. Fui chamada pelo homem que me ajudou a vingar a morte dos meus pais e até os meus 16 anos achava que havia sido um acidente de carro.
— Mas por que você não me contou? — ele insistiu.
, ia te contar. Juro. No dia que tudo aquilo aconteceu, eu estava em casa pronta pra te contar tudo isso — pausa. — No entanto, de alguma forma, ele descobriu e eu tive que fazer o que fiz e fugir.
Ele colocou o copo de milkshake na mesa e ficou encarando o líquido e o suor que escorria pelo canto.
— Fala alguma coisa, por favor — suplicou.
— Você me machucou de todas as formas, . — A olhou. — Mas eu sou tão podre quanto você.
Ela sabia que ele tinha que continuar falando, por isso ficou em silêncio, apenas aguardando o tempo dele.
— Faço isso desde que terminei o colegial e saí da casa dos meus pais porque eles queriam que eu fizesse uma faculdade e não me via encaixado em nada, sabe? — Voltou a encarar o copo enquanto falava. — Aí tinha uns 17 amos quando morei com meu tio um tempo e lá conheci um amigo dele e me interessei pelas coisas que ele contava sobre ganhar dinheiro fácil. Quando vi, já estava completamente envolvido...
— E como você recebe os nomes das pessoas?
— Eles simplesmente chegam a mim. Eu nunca faço perguntas e logo tenho a quantidade certa na minha conta. — A olhou.
— E te faço a mesma pergunta: por que você não me contou?
— Porque eu fui idiota. — passou a mão pelo rosto. — Você foi a primeira garota que eu amei na vida e a única. Toda vez que mentia pra você, me sentia uma merda, mas não dava, tinha que te proteger. Se eu te contasse... — negou com a cabeça. — De madrugada, eu estava certo em te matar — o rapaz falou e ela sentiu o seu coração doer. — A pessoa pra quem trabalho me deu uma ordem. Ou eu fazia ou ele vai fazer.
— Mesma coisa — acrescentou pensativa.
... — se sentou normalmente na cadeira e com a ajuda dos pés a puxou para mais próximo de si.
, e se trabalhamos para a mesma pessoa? — ela sussurrou com medo e sentindo seus olhos arderem.
Ele ia abrir a boca para falar alguma coisa, quando a mulher continuou.
— E se a nossa vida toda foi manipulada para no final termos que matar um ao outro?


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

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