FFOBS - Cartão Amarelo, por Nanda M.

Última atualização: 13/04/2018
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Prólogo

Era mais um domingo de futebol e eu iria ao estádio com meu pai, o que não era nenhuma novidade, porque costumo ir muito aos jogos torcer para o meu time de coração. Hoje era dia de com o seu maior rival, mais conhecido como “o clássico”. Eles são simplesmente os maiores rivais de toda a cidade.

- Filha, vamos logo, daqui a pouco o estádio começa a lotar – meu pai disse com a camisa e com a bandeira do time nas costas.

- Vamos, pai – disse animada, indo até a ele, que me abraçou.

Eu estava com a camisa do e também com duas tirinhas com a cor do em meu rosto.

- Hoje vamos ganhar, filhota, vamos mostrar o time que manda nessa cidade – Meu pai falou beijando a sua camisa.

Meu pai é o torcedor mais fanático que eu conheço. Ele vai em todos os jogos, até os jogos fora da cidade ele dava um jeito de ir.

Como esperado, o caminho até o estádio teve um pouco de trânsito, mas nada tão grande. Meu pai parou o carro no estacionamento mais próximo do estádio e fomos andando. Fomos até o setor norte, que era onde ficaríamos. Sempre ficávamos no setor norte, por ser onde as torcidas organizadas ficam, então era o setor mais animado.

40 minutos do segundo tempo, o placar estava 1x1, já estávamos prontos para ir pra casa com a tristeza de um empate. Foi aí que um jogador do pegou a bola que já estava perto do gol e marcou. Começamos a gritar, os jogadores vieram abraçar a torcida. O estádio estava uma festa.

⚽️


Eu simplesmente odeio a segunda feira, eu sei que essa é a frase mais clichê que existe, mas eu realmente odeio. Nem mesmo meu time tendo ganhado ontem tira um pouco do meu ódio pela segunda.

Assim que sai da escola, na qual eu estava cursando o último ano, fui direto para casa para almoçar.

- Boa tarde, Maria – falei assim que entrei em casa e dei de cara com a mulher que trabalhava lá e a abracei.

- Boa tarde, – Maria disse, retribuindo meu abraço.

- Meu pai já chegou? – perguntei.

- Ainda não, , mas já deve estar chegando – Maria respondeu.

Maria trabalha aqui em casa desde que me conheço por gente, gostava muito dela.

As horas foram passando e nada do meu pai chegar.

- , eu já acabei de arrumar tudo e já deixei o jantar de vocês pronto. Eu já estou indo, tá? – Maria disse, com sua bolsa pendurada em seu ombro.

- Tudo bem, Maria, manda um beijo para o seu filho – falei com uma voz desanimada

- Ei, que voz é essa? – ela perguntou preocupada, percebendo a minha voz.

- Não é nada, Maria, só estou um pouco preocupada com meu pai.

- Não precisa ficar assim não, , provavelmente ele ficou preso em uma reunião, daqui a pouco ele chega – Maria disse me abraçando e logo depois foi embora.

Foram horas de preocupação até que o telefone finalmente tocou, eu fui correndo atender, já achando que era o meu pai me dando a explicação do porquê de estar tão atrasado e por que não atendia o celular.

- Alô? – falei assim que tirei o telefone do gancho.

- Olá, gostaríamos de falar com Mendes? – a voz do outro lado da linha falou.

- Sim, é ela – respondi

- A senhorita pode vir até o hospital copastar? – nessa hora meu coração gelou.

- E qual o motivo? – lágrimas já estavam saindo de meu rosto, pensando no pior.

- É sobre o seu pai, preferimos falar pessoalmente, te esperamos aqui.

Peguei minha bolsa, chamei um táxi e fui para o hospital.

Chegando lá, fui correndo para recepção, sendo chamada atenção por muitos enfermeiros para “não correr nos corredores”.

- Gostaria de me informar sobre meu pai – falei com a voz toda embolada devido a rapidez que corri.

- Certo, e qual o nome do seu pai? – a atendente perguntou. Certo, tinha me esquecido de falar o nome

- Pietro Mendes, e eu .

- Certo, é só aguardar um pouco e já o doutor vem falar com a senhorita – disse. Foi o que eu fiz, cada segundo dentro daquela sala de espera parecia uma eternidade.

- Mendes? – um rapaz, provavelmente o médico, falou aparecendo na sala de espera em que eu estava.

- Sou eu – falei levantando.

- Seu pai sofreu um acidente de carro hoje por volta das 15:00 e foi levado para a emergência. Pelo carro ter capotado, demoraram a achar os documentos, então só conseguimos ligar agora.

- COMO ESTÁ O MEU PAI? – falei em prantos, meus olhos já ardiam pela quantidade de lágrimas que saiam do meu rosto.

- Ele tinha perdido muito sangue, levamos ele para sala de emergência e fizemos tudo que podíamos, mas infelizmente seu pai não resistiu. Sentimos muito.

Foi ali que meu mundo acabou, eu chorava e gritava, sentia que todo mundo estava me olhando, eu sentia meu corpo todo doer. Aquilo tinha que ser um pesadelo, eu só queria acordar e ver meu pai bem, eu só queria abraçar o meu pai. Eu não podia ficar sem ele, ele é tudo o que eu tenho. Desde sempre foi apenas eu e ele. Foi ele que estava lá nos meus primeiros passos, primeiras palavras... Eu não era nada sem meu pai, sem ele minha vida realmente vai acabar.

- Tem alguém que poderia vir aqui ficar com você? – o médico que ainda estava lá perguntou.

- Não... eu só tenho meu pai.

⚽️


Exatamente 2 dias que meu pai se foi. Esses 2 dias foram os piores da minha vida. Eu simplesmente me negava a acreditar que meu pai realmente não iria mais voltar, eu não queria acreditar que nunca mais iria abraçar meu pai. Eu nunca iria em um jogo com ele, que era a coisa que ele mais gostava nesse mundo, ele não iria mais ver ser campeão. Hoje foi o enterro dele, eu coloquei com ele uma bandeira do , a mesma que ele estava usando nas costas no último jogo que fomos juntos. Lembro que ele falava que o dia mais feliz da vida dele foi quando eu cheguei pra ele e falei “papai me leva em um jogo do ”, ele realmente amava esse time, e eu vou seguir os mesmos passos, eu tenho certeza que é isso que ele iria querer.

- , está me ouvindo? – a assistente social, que tinha esquecido completamente que estava comigo, falou.

- Desculpa, pode repetir? – falei. A assistente social foi em minha casa depois do velório, provavelmente pra conversar sobre o que aconteceria comigo

- Então, primeiramente gostaria de deixar meus pêsames pelo seu pai – a assistente falou e eu abaixei a cabeça – Infelizmente você não tem família nenhuma aqui no brasil, certo?

- Certo, era só eu e meu pai.

- Nós conversamos com uma Tia sua, por parte de mãe, conhece?

- A Tia Chloe? Nós nos falamos apenas algumas vezes – falei.

- Por você ainda ser ter dezessete anos e precisar de um tutor, falamos com ela, e ela poderá receber você.

- Mas ela mora na Alemanha, não é? – a assistente assentiu – Eu não posso ir para Alemanha, tem que ter outra pessoa que possa ficar...

- Nós procuramos em tudo, , seus avós paternos e maternos já faleceram, seu pai não tinha irmãos, a única que te restou foi sua tia Chloe. Pode não ser por muito tempo, você faz 18 anos em outubro, então você poderá voltar e viver com os pertences que seu pai deixou para você.




Capítulo 1

Dois anos depois

Já faz dois anos que vim morar na Alemanha, dois anos que estou sem meu pai.

Apesar de sentir muita falta do Brasil, tinha me acostumado com a rotina alemã, já tinha até ficado fluente na língua. Tia Chloe era um doce de mulher, quando eu cheguei aqui há dois anos, ela me acolheu de uma forma muito carinhosa, e eu sou extremamente grata a ela por isso. Já tinha 19 anos, voltei para o Brasil apenas uma vez depois de tudo, o apartamento com todas as coisas que meu pai deixou para mim ainda estava lá. Tia Chloe fala pra eu vender o apartamento e ir morar de vez na Alemanha, mas eu simplesmente não posso fazer isso. O meu esquema é trabalhar bastante e no final de 2018 voltar para o Brasil e finalmente começar a faculdade.

Eu tenho um emprego aqui na Alemanha, o marido de tia Chloe conseguiu para mim. Não era muita coisa, mas eu gostava muito, eu era a responsável das crianças que entravam junto com os jogadores do Bayern München, ajudava as crianças a se organizarem com os jogadores, acalmava as que choravam querendo os pais ou as que ficavam com vergonha de entrar em campo. Eu amava esse trabalho, afinal, eu amo futebol e também amo crianças.

- Tia, acho que escolhi pra qual faculdade no Brasil eu vou – falei animada, com meu celular na mão.

- , tem certeza que você não quer fazer faculdade aqui na Alemanha?

- Tia, a senhora sabe o quanto eu amo a Alemanha, mas eu não posso simplesmente largar tudo que meu pai me deixou pra trás, entende?

- Você não iria deixar nada para trás, , eu sei que você odeia quando eu te pergunto isso, mas por que você não vende?

- Porque é a lembrança que eu tenho do meu pai, tia. Eu sei que ele me deixou outras coisas além do apartamento, eu sei que ele deixou dinheiro, mas o apartamento é onde estão nossas memórias, sabe? Eu não posso deixar essa lembrança ir – falei já sentindo as lágrimas vindo novamente.

- Ei, não chora, seu pai vai estar sempre com você, assim como sua mãe também sempre vai estar – Tia Chloe falou, me abraçando.

- Será que minha mãe gostaria de mim? Eu sempre fico pensando se teríamos uma relação amigável que nem eu tinha com o meu pai – perguntei.

- Claro que vocês teriam, minha querida, quem não gostaria de você? Eu que sou sua tia me arrependo muito de não ter acompanhado seu crescimento – ela falou e eu a abracei.

- O que importa é que você está aqui agora – falei, ainda abraçando minha tia.

⚽️


- Tia, , eu posso entrar com o Manuel Neur? – uma menininha que ia entrar em campo perguntou.

- Clar... – ia responder, mas um menino me cortou.

- NÃO – até me assustei com o grito que ele deu – Quem vai entrar com o goleiro sou eu.

- EU QUE VOU – a menina falou, já aumentando a voz pro menino.

- Crianças, se acalmem, Manuel tem duas mãos, ele pode muito bem entrar com os dois, certo?

- Certo – as crianças me responderam e eu sorri vitoriosa. Era sempre assim, sempre tinha uma briguinha pra saber quem entraria com quem, e mês que vem isso vai piorar mais ainda, o jogador vira para o Bayern, não quero nem pensar como vai ser a briga de quem entrará em campo com o ex jogador do Real Madrid.

- As crianças tão dando muito trabalho? – Joshua Kimmich perguntou, enquanto caminhava em minha direção.

- Como sempre – eu ri e ele também –, mas eu amo trabalhar com elas.

- Você parece gostar muito de crianças.

- E eu gosto – falei sorrindo para Joshua – Vai ser titular hoje?

- Infelizmente não – ele disse – Vou ficar no banco, mas quem sabe me colocam pra jogar?

- Vou ficar torcendo por você - ele sorriu pra mim.

Joshua mostrou ser um grande amigo nesse tempo que estava trabalhando com o Bayern, sempre falava comigo e me fazia rir.

Assim que deu à hora da entrada no campo, eu organizei as crianças direitinho com cada jogador, é claro que teve crianças reclamando porque queria outro jogador, mas eu conversava com elas e resolvia. Eu ficava esperando as crianças no cantinho do campo. Elas ficavam com o jogador até acabar o hino, depois tiravam a foto e vinham até a mim e eu as levava de volta para os pais. É basicamente esse o meu trabalho, parece fácil, mas não é. Imagina só ter crianças chorando, gritando, correndo por todos os cantos faltando pouco tempo para entrarem no campo e se alguma coisa desse errado quem leva a bronca é você! Já tive que enfrentar de tudo com aquelas crianças, claro que tinha crianças que eram uns amores, mas tinha umas crianças mimadas que eu poderia ser mandada diretamente para o céu só por aguentar elas.

Mas sabe o lado bom disso tudo? Eu posso ver todos os jogos de perto, e isso era maravilhoso, a energia era maravilhosa, me trazia muitas saudades de quando ia aos jogos do com o meu pai.

⚽️


Hoje era a estreia de , como de esperado a maioria das crianças quiseram ficar com ele.

- Meus amores, hoje, por ser sua estreia, ele vai entrar com a filhinha dele – falei olhando para menininha que parecia ainda assustada, então eu fui falar com ela, falei espanhol é claro, imaginei que ela ainda não soubesse falar alemão – Oi, lindona, qual seu nome?

- – ela falou tímida e eu sorri –, mas todo mundo me chama de .

- Você tá gostando daqui, ? – perguntei e ela balançou a cabeça afirmando.

- Você é a tia que organiza pra gente entrar em campo? – perguntou, já se soltando um pouquinho.

- Sou sim, meu nome é – falei e ela sorriu – Você vai entrar em campo com o seu pai, né?

- Vou – ela disse bem alegre.

- Então vem – disse pegando a mãozinha dela e levando até o pai, que já estava se preparando.

- Obrigado, tia – ela disse me abraçando e depois pegando a mão do pai.

- Obrigado – disse , o pai de e também o novo jogador do Bayern – Alguma outra criança vai entrar comigo?

- Eu achei que já que esse é o seu primeiro jogo você entraria só com sua filha.

- Que isso, podemos levar outra criança também, não é, ? – perguntou amigavelmente para sua filha, que balançou a cabeça como um “sim”.

- Ai que bom, as crianças vão adorar saber disso – falei sorrindo e indo até as outras crianças que gritaram e pularam muito quando contei a notícia. Mas teve a clássica briga de quem seria o escolhido, então eu fiz eles brincarem de pedra papel e tesoura, quem ganhasse entraria em campo com . Meio infantil, eu sei, mas assim eles entenderiam melhor.

O jogo acabou e fui direto para casa, Joshua tinha me convidado para sair com ele e uma parte do time, mas eu neguei. Apesar de gostar muito de Joshua, eu fico meio desconfortável saindo com os amigos dele do time, até porque a maioria levava suas namoradas. Agora imagina só, todas as mulheres arrumadas, de salto e eu aqui com blusa de time e tênis. Minha autoestima ficava lá em baixo.

- Tia? Cheguei – falei entrando em casa.

- Oi, querida – minha tia apareceu me cumprimentando – Achei que fosse sair depois do jogo hoje.

- Eu ia, tia, mas você sabe como eu fico mal saindo com as namoradas dos jogadores.

- Deixa de besteira, querida, pra que isso?

- Elas são todas modelos, tia, olha pra mim, me sinto muito mal

- , você tem que melhorar essa sua autoestima, você é uma menina linda. Não é porque fulana é modelo que você deixa de ser bonita. Cada um tem sua beleza e são bonitos do jeito que são. Não deixa de se divertir por causa disso, querida – minha tia disse, beijando a minha testa.

Tia Chloe sabe exatamente como dar conselhos. Eu sabia que tinha que melhorar a minha autoestima, só não sabia como.

⚽️


Tinha acabado de chegar no estádio, para mais um dia de trabalho, só espero que hoje não tenham as crianças mimadas. Peguei a bolsinha em que ficam as tintas das crianças que gostam de pintar o rosto nas cores do Bayern e fui organizando, porque daqui a pouco as crianças chegariam.

- Er... – o jogador falou olhando pra mim, provavelmente tentando lembrar o meu nome.

- – lembrei ele.

- Isso, – ele sorriu – Eu tenho uma proposta pra você.

- Proposta? – falei, estranhando.

- Bom, eu te vi falando com minha filha no meu jogo de estreia, você fala espanhol, né?

- Sim, meu pai me ensinou, mas o que isso tem a...

- Queria te contratar como babá da – ele falou, me interrompendo.

- Quê? – falei não acreditando no que tinha ouvido.

- Bem, a vai passar dois meses aqui comigo, eu preciso de uma babá, mas como ela só fala em espanhol, pensei em você.

- Mas eu não posso deixar esse trabalho...

- Você não precisa deixar, você só trabalha quando tem jogo na cidade, certo? – ele perguntou e eu afirmei – Sempre quando o jogo for aqui, a vai vir junto, então não vai ter problema.

- Olha, eu não sei... – eu ia continuar a falar, mas me interrompeu.

- Eu te pago 3.000 euros por semana – eu gelei.

- O que... – eu tentava responder alguma coisa, mas só gaguejava.

- Isso que você ouviu, 3.000 euros por semana – isso era muito dinheiro, não era nem o que eu ganhava por mês.

- E quando eu começaria? – perguntei e ele sorriu, por ver que eu já estava aceitando.

- Depois de amanhã – ele falou.

- Mas já?

- Briga com a ex, e outras coisas ai, uma longa história... Enfim, você aceita?

- Como funcionaria isso? – perguntei.

- Você ficaria com a gente por dois meses, cuidaria da em tempo integral, você pode continuar trabalhando aqui, já que você só trabalha quando o jogo é na cidade, e como já falei, quando o jogo for aqui, a também virá.

- Ok, eu aceito – falei.

- Ótimo, me passa seu número para eu te mandar meu endereço certinho.

⚽️


- Tem certeza do que está fazendo? – minha tia perguntou, preocupada, quando eu descia as escadas com a mala na mão.

- Tia, isso vai ser perfeito para eu construir a minha vida – falei tentando a deixar menos preocupada.

- , você promete que em qualquer desconforto, se alguém te tratar mal, você vai voltar?

- Pode deixar, tia – falei e ela me abraçou.

Depois de me despedir da minha tia e do seu marido, chamei o uber e fui até a casa de .

- É aqui – falei pra mim mesma, assim que sai do uber, quando vi o número da casa de .

Suspirei tentando não ficar nervosa e toquei a campainha.

- – disse , sorridente, assim que abriu a porta.

- Olá – eu disse retribuindo o sorriso.

- Entra, vou te mostrar a casa – ele disse, dando espaço para eu entrar, e segurou minha mala.

- Não precisa, pode deixar que eu levo.

- Que tipo de cavalheiro eu seria se deixasse você carregando seus pertences sozinha? - ele disse em tom de brincadeira e eu apenas sorri e deixei que continuasse levando a minha mala – Bom, esse vai ser seu quarto – ele disse colocando a minha mala lá. - Mesmo sendo por apenas dois meses, você pode decorar como quiser, para se sentir o mais confortável possível.

E então ele me mostrou o resto da casa, me explicou tudo que ainda não tinha me explicado pelo telefone ontem e foi pegar a no aeroporto, que vinha acompanhada por uma comissária de bordo, que pagou para supervisionar por todo o voo. Enquanto ele estava no aeroporto, fui arrumar minhas coisas, desfazer minhas malas, e não demorou muito e ele chegou. Me direcionei para sala e vi a menina toda animada com sua mochila rosa e uma mala da barbie que era carregada pelo pai.

- Então, filha, você lembra da tia ? – perguntou para a filha.

- Lembroo, ela é a tia que cuida das crianças que vão entrar em campo – falou toda animada e pulando, sorri ao ver essa reação da menina.

- Isso mesmo, agora ela vai tomar conta de você enquanto estiver aqui com o papai.

- Eba – veio correndo me abraçar e quase me derrubou, gargalhou da situação.

- A tia é pequena filha, assim você derruba ela.

nem parecia aquela menina que estava tão tímida no jogo de estreia do pai, hoje ela estava totalmente extrovertida, conversando, perguntando sobre tudo, me contando sobre as amiguinhas dela.

⚽️


Duas semanas que estava cuidando de , ela era um doce de menina, engraçada e que amava conversar.

- Tia , vamos fazer biscoitos – falou se jogando em cima de mim, que estava sentada no sofá.

- , eu não sei fazer biscoitos – falei e a menina fez biquinho.

- Você consegue, tia, por favor, por favor – falou ainda no meu colo e me abraçando, como resistir a isso?

- Tudo bem, eu procuro na internet como fazer, vem – falei me levantando e indo em direção à cozinha.

- Ebaaa – a menina falou animada, me seguindo.

Estávamos sozinhas em casa, foi viajar com o resto do time do bayern, pois o jogo de ontem não foi na cidade, mas ele deve chegar hoje ainda. Quase não vejo em casa, mas mesmo quando ele está, quase não nos falamos. As raras vezes que nos falamos sempre foram para falar sobre .

Fiz os biscoitos com a ajuda de , mas é claro que ela só me ajudou com a massa, na hora de colocar no forno eu que coloquei

- , olha a bagunça que a gente fez – falei fingindo espanto para a menina, que gargalhou.

- Vem, tia , vamos limpar – a menina falou e eu ria da empolgação dela.

me ajudou a lavar a louça e ficamos esperando o forno apitar para tirar os biscoitos do forno. O que aconteceu depois de uns 15 minutos.

- , espera esfriar, assim você vai queimar seus dedinhos – falei para a menina, que estava ansiosa pelos biscoitos.

- É que tá com um cheiro muitooo bom – ela estava sentando na bancada da sozinha e deu um pulo ao ouvir o barulho da porta – PAPAAAAI – a menina correu até o pai, que a pegou no colo.

- Meu amor, papai estava com saudade – disse abraçando sua filha ainda em seu colo – Que cheiro bom é esse?

- É o biscoito que eu e a tia fizemos, quer provar? – disse saindo do colo do pai.

- Biscoitos que minha filhota fez? Hm... – fingiu que iria pensar para brincar com – Claro que sim! – então pegou a mão do pai e o levou até a mim, que estava com os biscoitos.

- Tia disse que tem que esperar um pouco porque está muito quente – então pareceu perceber que estava lá e acenou com a cabeça para mim, que respondi.

- Tia está certa – disse – Papai vai tomar banho e depois nos comemos, ok?

- E você também tem que tomar um banho mocinha – falei pra , que saiu correndo dando risada – Volta aqui, sua porquinha - corri atrás dela e a peguei no colo enquanto gargalhava, e pude ver que também ria da situação.

- Vai tomar banho rápido, filha, pra gente comer os biscoitos – falou para filha e subiu as escadas, indo em direção ao seu quarto.

Levei até o banheiro da menina, que ficava no quarto e dei banho nela, é claro que ficou mais tempo brincando que outra coisa, ela descobriu uma brincadeira que parecia muito legal para ela, que era jogar água em mim. Sempre que dava banho na menina, saía completamente molhada, como se quem tivesse acabado de tomar banho fosse eu, e de roupa, ainda por cima.

Depois do banho de , coloquei uma roupa nela e penteei seus cabelos. Depois de terminar, saímos do quarto encontrando logo no corredor.

- Quem tomou banho foi você ou a ? – disse em tom de brincadeira, assim que saiu.

- Pode se dizer que foi as duas – falei e riu junto com .

- Filha, vamos indo lá pra baixo enquanto a tia troca de roupa - falou pegando a mão da filha e desceu as escadas – Pode tomar um banho se quiser, , eu fico com ela – falou lá de baixo para mim.

- Ok, obrigada – respondi e fui até o meu quarto.

Apesar de estar amando cuidar de , era muito cansativo, eu trabalhava muito mais do que estava acostumada. Mas não podia reclamar, estava ganhando muito pra isso e ainda por cima é uma criança maravilhosa.

Tomei meu banho, troquei de roupa e desci, encontrando os dois na sala.

- Tia , vem provar os biscoitos – falou quando me viu.

- Realmente está muito bom, , não sabia que você cozinhava – falou.

- E não cozinho, achei a receita na internet – ri sendo acompanhada de .

⚽️


- Ela nunca vai cansar de ver esse filme? – disse, se referindo ao filme frozen que estava assistindo e cantando animadamente junto com os personagens.

- Ela adora – disse sorrindo, olhando para .

Estava eu, e na sala fazendo maratona de filmes, estava amando ter a companhia do pai.

- Vamos brincar de boneca? – perguntou, mas não esperou nem a resposta e já subiu para o seu quarto, provavelmente para pegar a boneca.

- Pensa pelo lado bom, pelo menos ela cansou de ver frozen – falou e eu dei risada.

- Aqui ô – apareceu na escada, arrastando com dificuldade seu baú de bonecas barbie.

- Tudo isso de Barbie, ? – perguntei para a pequena

- Sim, é para gente arrumar elas – ela falou e finalmente conseguiu levar a caixa até nós, depois de muita dificuldade.

Então nos fez sentar no chão e arrumar todas as suas bonecas, devia ter umas quinze barbies espalhadas pelo chão, sem contar nos acessórios das barbies que tinha muito mais.

- Acho que alguém tá com sono – falei quando vi os olhinhos de quase fechando.

- Não tô, quero continuar brincando – falou e eu ri.

- Vem, amanhã quando você acordar eu brinco mais com você – então ela se deu por vencida, pegou a minha mão e então subimos as escadas e fomos até seu quarto.

Coloquei o pijama na , arrumei a cama da menina, que se jogou assim que terminei de arrumar.

- Boa noite, tia – falou.

- Boa noite, – falei cobrindo a menina. Dei um beijo em sua testa e depois sai para deixar dormir.

Desci as escadas novamente para arrumar a bagunça que tinha deixado na sala.

- Ela dormiu? – , que ainda estava na sala, me perguntou

- Sim, ela estava realmente muito cansada – falei sentando no chão e começando a juntar as barbies que estavam espalhadas.

- Ela tá dando muito trabalho a você? – perguntou, enquanto me olhava arrumando a bagunça.

- Claro que não, eu adoro ela – respondi.

- Ela também gosta muito de você – ele falou e eu sorri – Mudando de assunto, eu ouvi falar que você é brasileira, é verdade?

- Sim, eu vim para Alemanha tem 2 anos.

- Veio por intercâmbio? – perguntou.

- Não, eu vim morar com a minha tia depois que meu pai morreu.

- Nossa, eu sinto muito – ele falou e eu sorri – Deve ter sido muito difícil pra você.

- E foi, eu só tinha ele – falei.

- Só ele? Nenhum outro parente?

- Não, sempre foi eu e meu pai. Minha mãe morreu quando eu ainda era muito pequena, meus avós paternos e maternos não cheguei nem a conhecer, morreram muito antes de eu nascer. Então só me restou a minha tia, que nesses últimos dois anos me ajudou muito.

- E você tinha quantos anos? Quando seu pai faleceu.

- Dezessete, então por ser menor de idade tive que vir direto pra cá.

- Agora você tem dezenove, certo? – eu assenti – Pensa em voltar para o Brasil?

- Sim, na verdade pretendia voltar assim que fiz dezoito, mas eu me apeguei tanto a minha tia, e ela me convenceu a ficar. Eu pretendo voltar no final de 2018, eu quero fazer a minha vida no brasil, eu sinto muita falta. Mas apesar de meu pai ter me deixado tudo, eu não posso depender só dessa herança, sabe? Quero sair daqui tendo dinheiro o suficiente para fazer uma boa faculdade e conseguir me manter lá.

- Você e seu pai parecem ter sido muito próximos – disse.

- E nós éramos, fazíamos tudo juntos. Mas a minha melhor memória é de quando íamos ao estádio.

- Estádio? Então você é mesmo fã de futebol?

- Sim – eu sorri – Meu pai sempre foi apaixonado pelo futebol, então ele me passou essa paixão. Ele me levava sempre aos estádios, desde pequena. Ele até falava que o melhor dia da vida dele foi quando eu tinha 5 anos e pedi uma camisa do .

- ? Puxa, que legal, adoro esse time – falou, me surpreendendo.

- Você conhece? – perguntei.

- Claro, é um dos melhores times do Brasil – ele disse – Eu adoro a torcida de vocês.

- Eu amo aquela torcida, sinto muita falta – falei.

- Você nunca mais foi ver o jogar?

- Eu voltei para o Brasil uma vez depois que vim pra cá, mas não fui ao estádio.

- Poxa, mas por que você não foi?

- Porque apesar de amar o , acho que não seria a mesma coisa sem o meu pai lá.

- Pode não ser a mesma coisa, , mas vai ser muito bom também, e pode te trazer memórias ótimas de seu pai. Ele iria gostar de ver você na torcida.

- Eu sei que ele iria, eu também quero muito ir. Quem sabe quando eu voltar para o Brasil? - falei e sorri.

- Você deve ter amado ter conseguido um emprego na equipe do Bayern, né?

- Sim eu surtei quando o marido da minha tia conseguiu esse emprego pra mim, até porque envolve duas coisas que eu adoro: futebol e crianças.




Capítulo 2

Exatamente 1 mês que estava na casa de cuidando de .

E eu estava adorando, já tinha me apegado muito à menina.

Mas devo confessar que estou bastante cansada, até porque meus únicos descansos são as terças e sextas quando tem curso de alemão, ou quando a menina vai dormir.



Tem vezes que a menina vai até o meu quarto com medo de alguma coisa, ou com saudade da mãe.

Apesar de falar todo dia com a mãe pelo skype, ela sentia muita falta.

E algo me diz que quando voltar para casa com a mãe, ela vai sentir muita falta do pai, a menina não está acostumada com os pais separados, já que o divórcio é algo muito recente.

Ela tem apenas 5 anos, isso pode ser muito difícil para ela.





Hoje era dia de jogo na cidade, o que significa trabalho em dobro para mim.

- Tia , pinta meu rosto também? – um menino pediu, me vendo pintar o rosto de .

- Claro, vem cá. – falei pro menino, que sorriu animadamente, vindo até a mim para pintar seu rosto com duas listrinhas vermelhas.

Não demorou muito para que aparecesse uma fila de crianças que também se animaram em pintar o rosto com as cores do bayern.



Depois eu comecei a organizar as crianças com os jogadores. Por incrível que pareça, hoje foi fácil, na maioria das vezes as crianças queriam todos entrar com o mesmo jogador, mas hoje aceitaram de boa.



- Todo mundo resolveu pintar o rosto hoje? – ouvi a voz de falar enquanto ele olhava para as crianças.

- Sim – eu ri – Fui fazer na e as crianças se animaram em fazer também.

- Até você se animou! – falou rindo, apontando para o meu rosto, que também tinha uma listrinha vermelha pequena pintada.

- Isso foi obra da . – falei olhando para a menina, que deu uma risada sapeca.

- Ah, então isso explica porque está tudo torto! – Disse implicando com a filha.

- Ei. – falou e nós rimos.



Logo depois foi a hora de entrar no campo, era muito legal ver a animação das crianças, o sorriso no rosto delas, todas tão felizes de estarem lá.

Para uma criança, isso sem dúvida é uma experiência incrível.



Depois de tirar a foto, as crianças correram até a mim e eu as levei de volta para dentro, onde elas encontrariam seus pais.

, é claro, ficou comigo, ficamos no cantinho vendo o jogo.

Eu ria muito da menina torcendo, principalmente na hora que ela gritou “real madrid” sem querer, logo depois que se tocou e gritou “Ops, Vai Bayern”, nessa hora eu realmente tive uma crise de riso.

Mas pensando bem, eu até entendo o lado dela, o pai jogou por muito tempo no real madrid, então a menina já estava acostumada, o bayern era novidade para ela.

⚽️


- Gostaram do jogo, meninas? – perguntou enquanto entrávamos em casa.

- Siiiiim – falou , correndo e se jogando no sofá.

- E você, ? – ele perguntou olhando para mim.

- Eu adorei. – falei sorrindo.

- Só isso? Cadê o “siiim” – brincou imitando , arrancando uma risada nossa.



- Vamos tomar banho, ? – perguntei para a menina, que logo pulou em meu colo.

- Depois que eu tomar banho podemos ver a Bela e a Fera, papai? – perguntou para o pai.

- Vamos, filha.

- Você jura? – perguntou e o homem assentiu fazendo carinho na cabeça da menina, que ainda estava em meu colo.



Então subi e dei banho em , que de novo me molhou toda, acho que se tomar banho e não me molhar ela não vai ficar completamente feliz.



Depois do banho de , a levei até o meu quarto e dei meu celular para a menina ficar jogando nele enquanto eu tomava o meu banho.



Já de banho tomado, eu e descemos para a sala, a menina descia animadamente com o DVD de a bela e a fera nas mãos.

- Cadê papai? – perguntou pelo homem, que não estava na sala.

- Serve esse aqui? – veio por trás de e a pegou no colo, a menina gargalhava no colo do pai.

- Você veio, papai.

- Claro que eu vim, não prometi que veria um filme com você? – ele falou dando um beijo na testa da filha.

- Tia , coloca pra gente? – a menina que ainda estava no colo do pai me deu o DVD.

- Claro, . – peguei o DVD, fui até o aparelho e coloquei.



O filme começou e eu comecei a prestar atenção, sim, eu amava esses filmes, amava filmes infantis, principalmente os filmes da disney.

Mas os filmes que eu mais amava eram os de heróis, eu era completamente viciada em filmes de heróis.



Quando o filme acabou, eu olhei para o outro lado do sofá e não vi nem e nem na sala.

Não acredito que fiquei tão entretida com o filme que nem percebi eles saindo.



Desliguei o DVD e fui na cozinha pegar um copo de água para mim.



- Acabou o filme? – ouvi a voz de entrando na cozinha.

- Sim, acabou de acabar. – falei – Eu nem vi vocês saindo.

- dormiu no sofá, não queria te chamar, pois você parecia tão interessada no filme, então eu mesmo levei ela para o quarto.

- Ai que vergonha.

- Mas por que vergonha?

- Nem sei. – falei e ele riu – É que eu realmente gosto muito desses filmes, não acredito que fiquei tão interessada no filme que nem vi vocês saindo.

- Não precisa ficar com vergonha, provavelmente se fosse

algum filme que gostasse também faria a mesma coisa.

- Eu sempre gostei desse tipo de filme – disse – Mas principalmente os de heróis.

- Gosta de heróis? Que legal, acho que nunca viu um filme desses.

- Eu vou apresentar para ela, tenho certeza que ela vai amar, e ainda vai querer ir em uma comiccon – eu falei rindo.

- Comiccon? Sempre achei esses lugares muito interessantes.

- E são, apesar de ter ido só uma vez à do Brasil, eu me diverti muito.

- Ouvi falar que a do Brasil é uma das maiores, é verdade? – Perguntou.

- Sim, é verdade. Mas quando eu fui ainda não era tão grande, depois que começou a expandir e ficar melhor.

- Sente vontade de ir novamente?

- Claro que sinto, quando eu voltar para o Brasil, as únicas coisas que tenho certeza é que vou nos jogos do e na comiccom.

- Deve ter sido muito difícil pra você – falou mudando de assunto.

- O quê? – perguntei.

- Você sabe, sendo tão nova e tendo que mudar completamente sua vida, deve ter sido difícil.

- E foi.

- O que foi o mais difícil?

- Além de ter perdido o meu pai?

- Não, claro, sinto muito – ele disse nervoso – Quis dizer, qual foi a sua maior dificuldade aqui na alemanha, além de longe do seu pai, é claro.

- Acho que foi ter que continuar o último ano da escola, não sabia nada da língua, tive que aprender muito rápido, fazer muitos cursos para conseguir passar no ultimo ano.

- Você realmente não sabia nada da língua? – perguntou e eu neguei.

- As únicas línguas que sabia era Português, é claro, Espanhol e Inglês.

- E foi seu pai que te ensinou Espanhol e Inglês?

- O espanhol sim, desde pequena ele falava um pouco de espanhol comigo, por isso fiquei fluente, já o inglês eu aprendi sozinha.

- Sozinha? – perguntou parecendo impressionado.

- Sempre assisti muitas séries e filmes, então acabei aprendendo a língua.

- Você me surpreende muito, .

- Como assim? – eu perguntei tímida.

- Você é tão nova, e já tão independente. Sua vida mudou drasticamente e você permaneceu de pé, continuou a pensar nos seus sonhos – ele disse se aproximando de mim – Seu pai teria orgulho de você! – então ele começou a se aproximar mais ainda de mim, eu sabia o podia estar pra acontecer. Eu olhei para ele, que estava me olhando nos olhos, já com a cabeça muito próxima da minha.

- Er... É melhor eu ir dormir, porque acorda cedo – falei me afastando dele – Boa noite – Eu disse e sem esperar a resposta fui até o meu quarto.

O que poderia ter realmente acontecido se eu tivesse ficado?

⚽️


Três dias se passaram desde o momento constrangedor com na cozinha. Via sempre nesses dias, mas conversamos normalmente em todos esses momentos.

Talvez o “momento constrangedor” pode ter sido apenas alguma coisa da minha cabeça, afinal, ele é um jogador de futebol, pode ter todas as modelos que ele quiser, a ex mulher dele é linda e tem um corpo maravilhoso, por que ele iria querer olhar para mim?

- Tia ? – falou , me acordando do “transe”.

- Oi, lindona – falei.

- Ouviu o que meu pai disse? – eu neguei – Ele vai levar a gente pro cinema.

- Sério? – perguntei a , que afirmou animadamente, abraçando o pai.

- Vamos ver mulher maravilha, você gosta desses filmes, né? – disse.

- Sim, eu estava doida pra ver esse filme.

- Pois é, lembrei que você gostava de heróis e que você queria mostrar para a – ele sorriu – Fiquem prontas às 19:00, a sessão é às 20:00.



- Você vai querer ir com o rosa ou o azul? – falei mostrando os vestidos para .

- Azul, porque quero ir da mesma cor que você.

Eu estava com uma calça jeans e uma blusa azul.

- Então tá, vem aqui – ajudei a colocar o vestido e depois ela escolheu a sapatilha.



- Estamos prontas, papai – falou enquanto descia as escadas saltitando.

- Então vamos? – perguntou e fomos até o carro.



Então fomos para o cinema, o filme foi ótimo, teve uma cena inapropriada para idade de , então fechou os olhos da menina, que começou a rir querendo fechar os meus também, eu adorava a inocência de uma criança.

Depois do filme fomos comer alguma coisa na praça de alimentação, porque mesmo tento comido pipoca, alegou que ainda estava morrendo de fome.

Fomos até o McDonald's e depois de comermos fomos para casa.



- Quer que eu leve ela até o quarto? – perguntei para .

Estávamos entrando em casa e ele estava com a menina, que dormiu no carro nos seus braços.

- Não precisa, só me ajuda a colocar o pijama nela? – perguntou e eu afirmei, seguindo ele até o quarto de .

Peguei o pijama da menina e com cuidado fui tirando seu vestidinho, tenho sorte de ter sono pesado, porque a menina não acordou enquanto colocava o pijama nela.

- Gostou do filme? - me perguntou quando saímos do quarto de .

- Sim, eu adorei, realmente a Gal Gadot fez uma ótima atuação.

- Também gostei bastante, tenho que começar a assistir mais filmes de heróis.

- Já viu a Guerra Civil? – perguntei.

- Não – ele riu – Digamos que eu não sei nada sobre essas coisas, mal sei a diferença entre marvel e dc.

- Olha, o filme que vimos hoje é da dc, mas eu meio que prefiro os filmes da marvel – falei – Porém adoro as séries da dc.

- ? – falou e eu olhei – Eu não faço a mínima ideia do que você esteja falando – Ele disse e eu ri junto com ele – Mas eu ia adorar se um dia você me mostrasse. – disse se aproximando e meu coração começou a bater mais forte

- É... eu ia gostar de te mostrar também – falei e ele sorriu, já estava bastante próximo de mim – Eu vou dormir, boa noite. – falei e riu? – O que foi? – perguntei querendo saber o motivo da risada dele.

- Por que você fica fugindo de mim? – ele perguntou.

- Eu não to fugindo... – disse gaguejando, já muito nervosa.

- Tem certeza? – ele disse se aproximando novamente – Pelo que eu to vendo, você tá fugindo sim!

- Não to fugindo, só estou realmente cansada. – falei.

Eu podia sentir a respiração de , ele estava muito próximo de mim.

- Consegue aguentar mais 5 minutos? – ele perguntou e eu fiquei calada, apenas olhando para os seus olhos, não sabia o que estava acontecendo comigo.

Parecia que eu estava completamente hipnotizada.

Olhei para os lábios de , que tinha um sorriso no rosto, via seus lábios cada vez se aproximando mais dos meus.

Pensei em sair de lá, mas quando me dei conta seus lábios já estavam nos meus, suas mãos estavam em minha cintura, e eu sem ter controle de mim mesma, coloquei minhas mãos em seu pescoço.

Ficamos lá um tempo até que foi aprofundando o beijo e me guiando até o seu quarto, abrindo a porta e entrando, mas não desgrudou seus lábios dos meus em nenhum momento.

Ele foi passando as mãos por baixo de minha blusa, até que eu me dei conta do que estava fazendo.

- ... – Falei enquanto ele beijava meu pescoço.

- Hm – ele falou, mas continuava os beijos em meu pescoço.

- É melhor pararmos! – eu disse e ele me olhou.

- Mas por quê?

- Não é certo – falei.

- E quem liga pro certo? – falou, voltando para perto de mim, mas eu desviei.

- Não posso, desculpa. – Falei saindo do quarto de e indo para o meu.



O que tinha acabado de acontecer? Por que me beijou tendo milhares de modelos maravilhosas aos pés dele?

Talvez seja porque eu estava ao lado dele, ele deve ter achado que seria mais fácil. Claro, essa era a única explicação de alguém como se ele querer algo comigo, afinal, olha pra mim.



Assim que acordei no dia seguinte, os acontecimentos da noite anterior vieram em minha mente.

Como eu ia olhar para depois disso? Não, como eu ia olhar para o meu CHEFE depois da noite anterior?

Essa era uma ótima oportunidade, esse emprego estava sendo ótimo para mim e agora provavelmente eu estraguei tudo.

Mas agora não tinha mais o que fazer, certo?

A única coisa que podia fazer é encarar a responsabilidade, continuar trabalhando, continuar falando com como se nada tivesse acontecido, o que tenho certeza que vai ser muito constrangedor.



Peguei meu celular para ver a hora, 8:30 da manhã, quase na hora de acordar .

Então eu suspirei, tomando coragem, e levantei da cama.

Tomei um banho rápido, coloquei um vestido simples e fui até o quarto da menina.



- ? – falei com uma voz calma.

- Tia ? – respondeu com uma voz ainda sonolenta.

- Bom dia, meu amor.

- Bom dia, tia, já está na hora de acordar? – a menina perguntou, já sentando na cama.

- Já, lindona, daqui a pouco você tem curso de alemão, você gosta, né?

- Gosto – respondeu, coçando os olhinhos.

- Então vem tomar banho, depois vamos tomar o café da manhã e eu te levo para a aula.

- Ok – a menina disse levantando, mas antes parou para me dar um abraço.

provavelmente é a única pessoa que tem bom humor de manhã, sempre era carinhosa, e eu adorava isso.



Depois do banho, coloquei um vestido amarelo em e fiz uma trança em seus cabelos.

- To morrendooo de fome! – disse, enquanto eu a ajudava a colocar a sandália.

- Vamos. – eu disse e a menina pegou a minha mão e descemos para cozinha.



- Bom dia, filha. – ouvi a voz de assim que entramos na cozinha, e soltou a minha mão e foi correndo abraçar o pai, que a pegou no colo.

- Bom dia, papai. – disse dando um abraço no pai e em seguida um beijinho na bochecha – Hoje eu tenho aula de alemão!

- É mesmo, filha? Que legal! Então come logo pra não se atrasar. – disse dando um beijo na cabeça da filha e a deixando no chão – Hoje eu irei para concentração, volto no começo da semana. Vai ficar bem com a Tia , filha?

- Vou – disse a menina com a boca cheia de torrada.

- Então tá! , qualquer coisa você me liga, ok? – Ele perguntou, direcionando o olhar para mim. Eu apenas afirmei com a cabeça.

- Sem problemas.

- Então tá tudo certo!

se despediu do pai, que não estaria mais lá quando ela chegasse do curso, e a levei para aula.



Eu evitei da melhor maneira possível olhar para , mas não consegui, eu tive que olhar. Eu achei que seria pior, achei que teria aquelas olhadas constrangedoras, mas não foi assim, pelo menos não da parte dele, ele olhou para mim apenas para falar “qualquer coisa você me liga”. Eu só espero que ele não tenha notado as minhas encaradas.

É melhor esquecer que tudo isso aconteceu!




Capítulo 3

Já estava indo buscar no curso de Alemão e percebi que meu celular acendeu, mostrando uma notificação:



?”



Era uma mensagem de .



“Olá,



“Só pra avisar que já estou no avião!”



“Ok, boa viagem! Estou indo buscar no curso agora”



“Ah! Outra coisa, irão deixar um presente para aí em casa, ok?!”



“Presente?”



“Sim, é uma lembrancinha que estão deixando para os filhos dos jogadores”



Certo, quando chegar eu entrego a ela.”



Mandei a última mensagem e bloqueei meu celular, guardando no bolso.



- Eu to amando esse curso, tia , eu tenho muitas amigas que também falam espanhol, igual a mim. – disse animada, segurando minha mão, enquanto saíamos do curso dela.

- É mesmo, ?

- Sim, cada turma eles falam uma língua, tem uma turma que fala francês, mas eu não entendo nada, então só falo com as crianças da minha turma.

- Quando vocês aprenderem a falar alemão, vão poder ser amigas então.

- Isso, quando eu aprender alemão eu vou ser amiga de todos. – disse, pulando, e eu ri da reação da menina.

- Sente falta dos seus amiguinhos da escola?

- Sinto muita falta, mas depois que voltar para a casa da mamãe, já vai ter acabado as minhas férias, então vou ver todos os meus amigos.

⚽️


- , olha o que chegou para você – falei mostrando o pacote que estava na caixa de correios – Seu pai deixou avisado que chegaria.

- O QUE É? – a menina gritou animadamente, pegando o pacote.

- Não sei, seu pai apenas falou que chegaria pra você, abre pra ver... – nem precisei falar mais nada que a menina começou a rasgar o pacote.

- O ÁLBUM DA COPA. - disse , pulando e me mostrando o que tinha acabado de ganhar. – E VEIO CHEIO DE PACOTINHO DE FIGURINHAS.

- Que legal, você quer colar? – perguntei pra menina, que afirmou e já se sentou no tapete, abrindo o primeiro pacotinho de muitas figurinhas que tinha.

- Será que vai vir a figurinha do papai?

- Deve vir, tem muita figurinha ai!

- Papai também estava na copa de 2014, mas eu era muito pequena ainda.

- Então essa será praticamente sua primeira copa, tá animada?

- Muito, um tantão assim – disse abrindo os braços - E o papai vai ganhar a copa! – disse confiante, abrindo outro pacotinho de figurinha.

- Poxa e o brasil? – falei fingindo que estava triste, para brincar com a menina.

- Tia , eu vou torcer pro Brasil ficar em segundo lugar só por sua causa, ok? -disse me abraçando – Mas a Colômbia vai ganhar porque tem o meu papai.

- Então tá! – sorri e abracei a pequena que estava pendurada em mim. – Volta a abrir os pacotinhos pra ver se sai o seu pai.

- Me ajuda a abrir? – perguntou fazendo biquinho.

- Claro, lindona.

Sentei no tapete junto com e comecei a abrir com ela.

- Olha, Tia, eu tirei um jogador do Brasil – a menina disse me mostrando uma figurinha com a foto do Marcelo, jogador da seleção brasileira.

- Ele jogava com seu pai no Real Madrid, não lembra dele?

- Lembro – respondeu e voltou a atenção para as suas figurinhas.

- Você não sabe quem eu tirei nesse pacotinho – eu disse, fazendo a menina me olhar.

- Quem, quem, quem? – engatinhou até mim, tentando ver a figurinha que está comigo.

- Não sei se eu te mostro... – disse levantando, brincando com , que logo veio atrás de mim.

- Mostra, por favor, tia – falou rindo.

- Ok então, fecha os olhos – falei e a menina fechou, então eu coloquei a figurinha na mão dela – pode abrir.

- É O PAPAAAAI – a menina gritou assim que abriu os olhos e viu a figurinha com a foto do pai em suas mãos. – Tia tirou o papai.

- Deixa eu tirar uma foto pra mandar pro seu pai – peguei meu celular e tirei uma foto da menina que sorria encantada com a figurinha do pai.



“A felicidade de ter uma figurinha do próprio pai no álbum da copa❤️”



Digitei e mandei para , que logo respondeu:



“hahaha que linda! Morrendo de saudades dela.”



Passamos o resto do tempo colando o resto das figurinhas, se divertiu muito vendo os jogadores, e eu também, quando se trata de copa do mundo eu pareço uma criança querendo colecionar o álbum.





Eram 22:00 da noite quando disse que não estava com sono e queria ver o filme Moana, tentei convencer a menina a dormir, pois já estava tarde, mas a mesma me olhou com aqueles olhinhos que são impossíveis de resistir, então me rendi e fui assistir o filme com a menina.

- Moana é legal, tia , mas eu prefiro muito mais frozen – disse –Você quer brincar na neve? – completou cantando uma parte da musica do filme frozen.

- Tá vendo Moana e tá cantando frozen? – eu disse rindo.

- É porque frozen é bem mais legal. Vamos mudar de filme, tia?

- O filme já tá acabando, vamos acabar de ver esse e amanhã nós vemos frozen, pode ser?

- Por que não podemos ver hoje depois que acabar o filme? – ela disse fazendo biquinho.

- Porque já passou da hora da senhorita dormir – disse passando a mão no cabelo da menina, que estava deitada em meu colo e com o resto do corpo no sofá.

- Mas eu não to com sono. – ela disse, mas logo em seguida bocejou, me fazendo rir.

- Tem certeza? Porque acho que acabei de ver você bocejando.

- Só to com um pouquinho, mas eu consigo ver outro filme.

- Amanhã, ok? Dorme direitinho hoje, que amanhã vemos frozen.

- Podemos ver duas vezes?

- Duas vezes? Você não cansa desse filme? – eu falei e a menina sorriu negando - Ok, vamos ver frozen duas vezes então.

Não demorou muito para o filme acabar, quando eu percebi, já estava dormindo. Peguei a menina com cuidado e a levei para o seu quarto, a coloquei na cama e a cobri. Sai com cuidado do quarto de para ela não acordar.

Depois fui para o meu quarto, para finalmente fazer as minhas coisas.

O trabalho estava sendo extremamente cansativo, isso eu não posso negar! Eu nunca trabalhei tanto assim, mas eu coloquei na minha cabaça que eu precisava disso, depois que todo esse trabalho acabar, vai resultar em ter uma vida no Brasil, junto com o dinheiro que meu pai me deixou, eu realmente vou conseguir ter uma vida boa no brasil.

Quem estava mais preocupada com toda essa história era minha tia, ela me ligava sempre, e sempre insistia em falar que todo esse trabalho pode estar fazendo mal a mim. E de uma certa forma, ela está certa, realmente podia estar fazendo mal a mim, mas eu preciso disso. Com esse trabalho talvez eu nem precise esperar até o final do ano para voltar ao Brasil, já vou conseguir me virar completamente lá com o que eu tenho.



Aproveitei que ainda estava cedo e fui ver um filme pelo netflix no celular, uma coisa que amava fazer, mas infelizmente não estava com tanto tempo.

- TIAAAAA – eu levei um susto com a voz de me chamando.

Imediatamente larguei meu celular com o filme ainda passando e corri para o quarto de .

- ? O que aconteceu?

- Dói tia, tá doendo – ela disse se remexendo inteira na cama.

- Onde está doendo? Fala pra mim – eu perguntei preocupada.

- Minha cabeça, tá doendo muito – ela disse e eu coloquei a mão em sua cabeça, que estava muito quente. Aparentemente estava com muita febre.

- Vem, vamos pro hospital.

Coloquei uma roupa em e depois levei ela pro meu quarto, para que pudesse colocar uma roupa também.

Peguei o plano de saúde de , que tinha deixado comigo para alguma emergência, e logo pedi um uber.



Já dentro do uber, a caminho do hospital com a menina em meu colo,

eu tentava ligar para , mas ele não atendia, não sabia o que fazer.

Eu tinha comigo o plano de saúde da menina, mas nada mais!

Precisava saber se ela tinha alergia a algum medicamento, se por acaso precisasse.

Sem notícias de , resolvi mandar mensagem para Daniella, mãe de . Não tenho nenhuma intimidade com ela, só a vi uma vez quando estava falando com ela pelo skype, mas tinha o número dela exatamente para se tivesse alguma emergência.



“Daniella? Quem fala é a , babá da



Enviei e pouco tempo depois recebi a resposta.



Ah sim, olá ! Aconteceu alguma coisa?”



“Então, agora pouco a acordou chorando de dor de cabeça, e estava com muita febre. Estou a levando para o hospital, queria saber se ela tem alergia a algum medicamento!”



“Ela não tem alergia a nada não, ! Mas pode ficar tranquila, tem muita dor de cabeça, pode ser sinusite, ela costuma ter bastante”



“Ah sim, entendi! Muito obrigada, e desculpa estar te incomodando a essa hora, é que não estava atentando o telefone”



“Quê isso, querida, me mantenha informada ok? Beijos”



Daniella, mãe de , parece ser uma mulher muito calma e simpática.



Cheguei com no hospital, aguardamos por pouco tempo, beneficio de ter um bom plano de saúde.

- ? – Uma enfermeira falou aparecendo na sala de espera.

- É ela – Falei e despertei a menina que estava dormindo em meu colo – Vem , o medico vai te atender agora.

A enfermeira nos levou até a sala do médico e fechou a porta logo em seguida.

- O que está acontecendo com essa menininha? – perguntou o médico amigavelmente, sorrindo para .

- Ela acordou chorando de dor e estava com febre.

- Ela sentiu alguma coisa durante o dia?

- Não, ela passou o dia todo bem, né ? – perguntei olhando para a menina, que afirmou. - Começou agora à noite mesmo.

- Bom, então vamos examinar para ver o que esta acontecendo. – o médico disse se levantando e indo até a maca que tinha na sala - Sente aqui, .

obedeceu e se levantou, indo até a maca.

- Ela tem alergia a algum medicamento? – perguntou o medico.

- Não, eu liguei para a mãe dela quando estava vindo pra cá. Mas disse que ela tem bastante dores de cabeça e pode até ser sinusite.

- Sinusite, pode ser isso mesmo, pelos sintomas que ela está sentindo. Só iremos precisar fazer mais alguns exames para termos certeza.



Então o médico deu um remédio para melhorar um pouquinho e a levou para fazer alguns exames. Estava me doendo o coração ver passando por aquilo.

Depois de fazer os exames, ficamos esperando novamente na sala de espera, e a menina, que já estava um pouco melhor, dormia em meu colo.

- Já estamos com os resultados dela – disse o médico, que tinha acabado de aparecer na sala de espera.

- E então, o que ela tem, doutor?

- Como a mãe da menina falou, é realmente sinusite. Estou receitando alguns remédios para ela, mas não há nada com que se preocupar.

- Isso vai durar por quanto tempo?

- Pouco tempo, sinusite dura pouco tempo, principalmente em crianças. Mas se por acaso passar uma semana e ela ainda não tiver melhorado, você volta pra cá. Mas acredito que não será necessário, é só fazer repouso e tomar os remédios tudo certinho.

- Ok então, muito obrigada, doutor!

Então mandei uma mensagem para a mãe de , falando que realmente era sinusite, e depois chamei o uber novamente e levei a menina para casa.

No meio do caminho passamos por uma farmácia e eu pedi para o motorista dar uma parada, para poder comprar os remédios de .

Para minha sorte, tinha tudo que precisava naquela farmácia, então fui até o caixa e comprei todos os remédios que ela teria que tomar, com o dinheiro que deixou comigo pra alguma emergência como essa.

Foi meio difícil fazer tudo isso com dormindo no meu colo, ela era pesada, mas não tinha outro jeito, não ia deixar a menina sozinha dentro do uber que estava nos esperando, e também não tinha coragem de a acordar, então carregar ela no colo foi o que me restou.

Chegando em casa, levei a menina novamente para o seu quarto, colocando o pijama na mesma, que nem se mexeu de tão cansada que estava.

Ainda bem que ela só vai precisar começar a tomar os remédios amanhã, então não precisarei a acordar.

Fechei a porta do quarto da menina com cuidado e fui até meu quarto. Não conseguiria voltar a ver o filme, mesmo sabendo que não era nada pra se preocupar, eu fico muito preocupada com ! Já tinha me apegado muito a essa menina.

Fiquei deitada por um tempo, esperando o sono vir, até que escutei meu celular apitar, indicando que tinha chegado uma notificação.



“Oi , estou me sentindo péssimo, fui sair com o pessoal do time e não vi suas mensagens e ligações. Daniella chegou a ligar pra um colega de time meu, foi aí que conseguiu falar comigo”



, desculpa ter falado com mãe de , não sabia o que fazer”



“Sem problemas, foi ótimo você ter feito isso. Daniella disse que é sinusite, como está?”



“Ela está dormindo agora, já comprei os remédios e ela começa a tomar amanhã”



“Muito obrigada, , e desculpa novamente não ter atendido”



Pov



Eu estou me sentindo péssimo, por muitas coisas, na realidade. A primeira delas foi por que raios eu beijei a do nada? Aquilo foi a coisa mais aleatória que eu já fiz; sim, ela é muito bonita, mas isso não justifica eu ter a beijado. E ainda por cima eu nem tive a coragem de pedir desculpas para ela, agi como se nada tivesse acontecido. Não sei se fiz isso por estar completamente confuso com meu recente divórcio com Daniella, ou se fiz por ser um tremendo idiota... Pensando bem, pode ser os dois.

Tenho me sentindo péssimo também por estar trabalhando tanto, Bayern está em primeiro na bundesliga, então estamos treinando mais que o normal para conseguirmos ganhar esse título. E com isso quase não estou passando tempo com a minha filha, e isso tá me doendo muito, ainda mais que não moro mais com ela, não sei o que vai ser de mim quando voltar para casa da mãe e eu continuar aqui na Alemanha. era o motivo de eu me arrepender amargamente de ter assinado os papéis do divórcio.

Terceiro motivo, estava passando mal e eu não ouvi a ligação de , que ligava para contar. Só fui ver quando Daniella ligou para o meu colega de time, que também já jogou no Real Madrid, e pediu pra falar comigo. Eu ouvi tanto de Daniella, mais tanto, que fez eu me sentir um péssimo pai. É claro que mandei mensagem para logo depois, mas isso não tira nem um pouco da minha culpa.



- Cara, você não tem a mínima ideia do quão mal eu estou me sentindo com tudo isso. – Disse pra Joshua, um jogador do bayern, que pelo que eu sei também é um amigo de .

- Não esquenta, a entende, , ela sabe que você é um bom pai e não fez de propósito.

- Acha mesmo? – Perguntei. Nós estávamos nos preparando para entrar em campo, para mais uma partida.

- Claro, eu conheço a , ela é super compreensiva, vai entender que você estava com os caras, por isso não atendeu. – Joshua disse tentando me acalmar. Mal sabia ele que meu problema não era só eu não ter atendido a ligação, tinha outros problemas além desse.



O jogo começou até que bom, nós estávamos indo bem, mas parecia que a bola não queria entrar de jeito nenhum, e nós precisávamos desse ponto, já que borussia dortmund estava quase nos alcançando na tabela do campeonato.

Thomas Müller passou a bola pra mim e eu corri, cheguei até a grande área e joguei a bola pro gol. GOL! Fui comemorar, até que eu ouvi o maldito apito do impedimento, gol anulado. Simplesmente não dava para acreditar, com muita raiva, fui reclamar com o juiz, junto com o resto do time do bayern, o que não adiantou nada. Gol realmente anulado. Perdemos um gol que precisávamos.

O jogo terminou 0 a 0, não ganhamos os pontos que precisávamos, o que nos restava era torcer para que borussia dortmund também não ganhasse, porque se eles ganhassem, pegariam nosso primeiro lugar na tabela.

Eu quero muito ganhar esse campeonato pelo Bayern, e eu faria o possível para isso acontecer.

⚽️


No dia seguinte, pegamos o avião cedo e voltamos para munique. Fomos recebidos por alguns torcedores do bayern, que não estavam muito satisfeitos com o jogo de ontem, e eu não tiro a razão deles, nós podíamos ter jogado melhor.

O que precisava agora era ver a minha filha, ela sim me faria sentir melhor.



Abri a porta de casa e fui recebido pela minha pequena logo em seguida.

- PAPAI – correu até mim e pulou no meu colo.

- Oi, meu amor – Eu disse dando um beijo em sua cabeça. – Eu estava morrendo de saudade de você.

- Eu também estava com saudade, papai.

- Soube que você ficou dodói, melhorou?

- Eu to melhor, papai, mas a tia disse que eu tenho que fazer repouso. – disse saindo do meu colo e indo até a .

- Tem mesmo, vai indo lá pra cima deitar, que daqui a pouco papai vai ficar lá com você. – a menina balançou a cabeça afirmando e subiu até seu quarto.

- Como ela está? – perguntei para .

- Está bem melhor, tá tomando os remédios tudo certinho, daqui a alguns dias ela vai melhorar completamente.

- Muito bom saber disso – sorri para , que sorriu de volta.

- Ela estava morrendo de saudade de você.

- É, eu vou subir pra ficar um pouco com ela.



- Oi, meu amor – eu disse entrando no quarto de minha filha, que estava deitada na cama com muitas bonecas em volta dela e sorriu para mim.

- Oi, papai. Eu to penteando o cabelo das minhas bonecas, quer me ajudar? – Ela disse pegando uma boneca e me dando.

Sorri e me sentei com ela em sua cama, e comecei a pentear o cabelo da boneca, ou pelo menos tentei pentear.

- Você tá fazendo errado, papai – ela disse pegando a boneca da minha mão – É assim oh – disse passando a escova no cabelo da boneca – Entendeu?

- Entendi – Eu falei rindo, porque o jeito que ela tinha feito foi exatamente como eu fiz. –, obrigada por me ensinar.

- De nada, papai – ela me abraçou.

Eu amo demais o abraço da minha filha.

- Como foi o final de semana com a tia ?

- Foi muito bom, papai, nós colamos figurinhas do álbum, vimos Moana. Só que eu passei mal, mas a tia cuidou muito bem de mim, me deu todos os remédios e assistiu frozen duas vezes comigo.

- E essa foi a melhor parte pra você, né? Assistir Frozen duas vezes – perguntei, já sabendo da resposta, e minha filha afirmou, sorrindo.

- Eu amo frozen, papai.

- Eu sei que você ama.

- Sabia que a tia sabe cantar quase todas as músicas de frozen?

- É mesmo, filha? Daqui a pouco até eu vou aprender de tantas vezes que eu assisto esse filme com você.

- Você quer ver comigo, papai? Eu vejo de novo com você. – ela disse animada e já ia se levando da cama.

- Calma, filha, depois papai vê e você me ensina todas as letras, ok?

- Ok, papai.

- Me diz uma coisa, o que você acha da vovó vir visitar a gente?

- Vovó? Eu quero, to morrendo de saudades da vovó.

- Que bom então, porque eu falei com ela e ela chega essa semana.

- Sério? Que legaaal, to doida pra ver vovó logo.



Fiquei mais um pouco deitado com minha filha, eu amava esses momentos com ela, apesar de serem raros, gosto de aproveitar o máximo possível.

Ela acabou dormindo nos meus braços, e eu com cuidado a coloquei no travesseiro e a cobri.



- Ela já dormiu, vai precisar tomar mais algum remédio hoje? – perguntei descendo as escadas, já dando de cara com .

- Não, ela já tomou todos hoje, só vai precisar amanhã mesmo.

- Que bom então, não vamos precisar acordar ela.

- Sim, pelo jeito vai dormir até amanhã, está muito cansada. – disse sorrindo para mim – Sinto muito pelo jogo.

- Você viu o jogo?

- Sim, sinto muito por aquilo.

- Da pra acreditar? Eu não acredito que anularam aquele gol – eu disse irritado, lembrando do acontecimento. – Não quero nem ver a cara daquele juiz.

- Mas ... – percebi que ela estava com medo de falar.

- Pode falar.

- Você realmente estava em uma posição irregular.

- Vai defender aquele juiz agora?

- Eu não estou defendendo ninguém, são as regras do impedimento.

- Mas nós precisávamos daquele gol, .

- , o gol foi irregular, ainda dá tempo de vocês recuperarem esses pontos no próximo jogo.

- Você está certa, desculpa ter sido grosso com você – Falei e ela riu.

- , eu sou torcedora, eu sei como um gol impedido consegue deixar uma pessoa irritada.

- É realmente horrível. – eu disse. – É... ?

- Oi.

- Então, eu acho que te devo uma explicação.

- Você não precisa...

- Eu preciso sim – eu disse, a interrompendo – Eu te devo desculpas, eu não devia ter te beijado assim. Eu fui um idiota. Eu estou solteiro pela primeira vez em muitos anos, eu fui casado por 6 anos, e ter você por perto...

- , eu entendo, não tenho problema nenhum – ela disse – Eu correspondi o seu beijo, também tive culpa nisso.

- Você não teve culpa nenhuma, . – disse a ela – Podemos esquecer desse acontecimento?

- Claro que sim.

- Que bom então, esse é o melhor a se fazer.

- Eu também acho que é o melhor, foi um erro.

- Erro meu, essa separação... Eu realmente não sei o que está se passando na minha cabeça.

- Tudo bem, , sério, vamos esquecer disso. – ela sorriu pra mim.

- Então, eu tenho percebido que você está trabalhando demais – eu disse mudando de assunto –, realmente não tinha percebido, nunca contratei ninguém antes, era sempre Daniella que fazia essas coisas. Então não percebi o quanto você trabalhava, até que falei com a minha mãe e ela quase me matou quando contei suas horas de trabalho.

- Não tem problema, , eu estou ganhando muito para isso.

- Mas , você é nova, precisa de uma folga, você precisa se divertir. – eu disse – Minha mãe vai vir passar um tempo com a gente. Você cuida de de dia e ela cuidará à noite, para que você possa ter uma folga. E pode ficar tranquila, nada vai ser descontado do seu salário.

- Tem certeza?

- Absoluta, . – disse sorrindo para ela – Você merece se divertir com pessoas da sua idade, com o Joshua, por exemplo.



Na minha conversa ontem com Joshua, ele me falou que não saía muito, ele falou que sempre a chamava pra sair, mas ela não aceitava.

Isso de dar uma folga nas noites para ela seria uma ótima coisa. Minha mãe estava adorando a ideia de poder ficar um tempo com a neta.








Continua...





Nota da autora: Espero que tenham gostado do capítulo ⚽️❤️

Eu to simplesmente amando escrever Cartão Amarelo.

No próximo capítulo vamos ver mais da amizade da pp com o Joshua, e com a tia dela tb! Vamos ver mais da vida da pp, fora do trabalho.

Beijos e até a próxima! ❤️







Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.

Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.




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