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Última atualização: 10/09/2018
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Capítulo 1

Fazia tempo que ela estava sentada em um dos bancos de madeira envernizados. escutava música enquanto lia um livro de sua amiga, seus olhos desviaram do enredo e passearam por todo o parque. No fundo de seu coração, sentia falta daquilo, da criança que brincava com seu pai, dos casais debaixo da árvore fazendo piquenique, os vôzinhos — como ela chama educadamente — juntos. Enfim, sentia falta de uma família; não que ela não teve uma, mas a sua não era lá do jeitinho Disney.
Ainda nova — aos dezessete anos, para ser mais precisa —, sua mãe, Selena, engravidou da garota. Nos primeiros três meses seus pais a apoiaram, ao contrário de seu namorado, pai de , que rejeitou a gravidez e, principalmente, assumi-la como filha. Ao saber da gestação, ele sumiu da cidade, deixando-a com uma criança em seu ventre para cuidar sozinha. Não era culpa de por sentir falta dele, já que o mesmo nunca se manifestou em procurá-la. Claro que não se irritou ao saber da história toda e do que aconteceu com sua mãe na adolescência, nem brigou ou gritou, foi para o parque Ibirapuera refletir. Era lá que sempre se mantinha calma.
Seus olhos marejaram ao imaginar como seria se tudo tivesse acontecido certinho, seu pai, sua mãe e ela naquele parque conversando, comendo e brincando. A morena balançou suavemente sua cabeça para espantar seus devaneios, pegou seu livro e guardou na bolsa azul claro, pegou seu celular e aumentou um pouco mais o som e, ouvindo Ed Sheeran, andou até a confeitaria onde sua mãe trabalhava.
tinha terminado sua faculdade de confeitaria faziam dois anos, e durante esse tempo trabalhava com sua mãe. Na verdade, desde pequena ela gostava de confeitar e fazer doces, isso veio de mãe para filha, o que sempre a cativou na adolescência e na fase adulta, quando precisou escolher uma profissão para seguir. Mesmo o curso sendo por pouco tempo — apenas um ano e meio —, ela investiu com todo o coração e amor. E, claro, ela quem escolheu o nome da confeitaria, Doce Encanto. O motivo? A garota sempre achava os doces de sua avó extremamente encantadores, porque, de uma hora para outra, doces e mais doces apareciam na cozinha de casa, como mágica.
Ao chegar, colocou seu avental rosa claro com detalhes de flores, prendeu seu cabelo em um coque frouxo e colocou sua touca de confeiteira. Deu um beijo em sua avó, que estava atendendo algumas garotas, e foi para a cozinha daquele pequeno lote.
— Boa tarde, pessoal — cumprimentou alguns ajudantes de sua mãe.
— Oi, — Beca respondeu, segurando um bico de confeiteiro. A outra menina lhe retribuiu com um sorriso.
— Oi, mãe, desculpa a demora, eu estava no Ibirapuera. — Deu um beijo na bochecha da mulher. — O que temos para hoje?
— Oi, filha, não precisa se desculpar, ainda mais que hoje é seu dia de folga — Ela disse olhando para sua filha, que revirou os olhos. — Não muitos pedidos, infelizmente. Temos só dois, esse que estou finalizando é para duas horas, e o outro é para ser entregado às cinco horas da tarde.
— Se importa de eu começar a fazer o segundo pedido, então?
— Não, filha, pode fazer. Ele está anotado lá naquele caderninho que você comprou.
— Ok, mãe.
O pedido era até que fácil, já que era um Naked Cake. As únicas exigências eram deixá-lo perfeito, com o recheio de chocolate preto e branco não sobrando para fora do bolo, e apenas amoras e cerejas na decoração, desejando os parabéns para a mãe da pessoa que encomendou. Era um bolo simples e até que rápido de se fazer.
pegou o pedido e anotou em um papel, assim ela não teria que levar o caderno para a cozinha. Separou as quatro formas e todos os ingredientes da massa e dos recheios, começando então a fazê-lo. Mesmo não gostando muito daquele estilo em si, por ser simples e com poucos detalhes, ela gostava de fazer. Pegou uma folha de papel manteiga e escreveu o Parabéns com chocolate branco e esperou secar um pouco para colocar no bolo. Depois disso, ela o levou para a geladeira, deixando lá até a pessoa que encomendou chegar.
Durante o tempo em que ela estava à espera do cliente, ajudou a fazer alguns cupcakes que sempre saiam mais do que os pedaços de bolos e cannolis da sua avó, que ela sempre comia desde que se entendia por gente, com vários tipos de recheio, até mesmo de morango. Feito isso, teve a ideia de colocar os doces em uma bandeja rosa e marrom, com uma tampa transparente e uma cordinha rosa. Pendurou em seu pescoço e, com seus patins azuis, ela saia andando pelos quarteirões distribuindo-os junto com o cartão da sua confeitaria. Era uma ótima jogada de marketing.

♥♥


Cinco horas. atendia um casal de noivos que terminava de fazer um pedido de casamento. Eles despediram e saíram com um sorriso no rosto. A garota voltou para o caixa e, quando se agachou para guardar o caderno, um homem de terno — que aparentava ser de grife — tocou o sininho que ficava em cima do balcão. O som do objeto assustou a garota, fazendo a mesma bater a cabeça e se levantar rapidamente, ainda massageando o local dolorido.
— Boa tarde — falou ele.
— Boa tarde, seja bem-vindo a Confeitaria Doce Encanto. — Ela tentava esconder a expressão de dor.
— Obrigado, vim retirar o meu pedido e desculpe o atraso.
— Ah sim, sem problemas. Não íamos fechar sem entregar o seu pedido, poderia falar o seu nome, por favor?
.
Puxou no registro do computador e foi retirar o pedido.
— Aqui. — Terminou o laço da caixa. — Poderia assinar aqui? É apenas para dar baixa do pedido.
— É claro. — Assinou. — Obrigado.
— Ah, espera, leva um cartão daqui, quando precisar sabe onde procurar. — A garota deu um sorriso meigo.
— Pode deixar, e é melhor colocar um gelo.
— Ok. — Ela riu pelo nariz.
Depois que o executivo saiu da confeitaria, fechou o estabelecimento e foi para a cozinha, pegou um saquinho com gelo e colocou no lugar em que bateu. Ela e sua mãe somaram as entradas e saídas da confeitaria do fim do mês, era de se preocupar, as contas não supriam as despesas que elas tinham que pagar, e pior, o medo maior de e de sua mãe era que com a única renda, elas fossem obrigadas a fechar, já que o aluguel da confeitaria tinha que ser pago.

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colocou o bolo no banco de passageiro com todo cuidado para não deixar que ele virasse durante todo o trajeto da confeitaria até sua casa. Morava no lado ímpar da Avenida Paulista, no Jardim Paulista, para ser mais preciso. A confeitaria e seu trabalho não eram tão longes, apenas três quarteirões de distância.
Ele dirigia com todo cuidado pelas estradas desniveladas de São Paulo. Fazer o que?! Ou era isso ou ter o bolo no assoalho do carro. Depois que sua carreira de investidor e arquiteto urbano teve um rumo inusitado, dando várias oportunidades, ele comprou uma casa onde sua mãe tanto queria, quase perto do parque Ibirapuera, mas infelizmente longe de sua casa e escritório, o que às vezes dificultava ele ajudá-la ou render seus irmãos quando sua mãe estava doente.
parou no semáforo, olhou para seu relógio de pulso e bufou ao ver que já estava atrasado para a festa de aniversário, ainda mais por ele estar encarregado do bolo. Aquele sinal parecia uma eternidade para abrir, nesse meio tempo, seu celular que estava acoplado no painel de seu carro tocou, era Melane querendo saber onde o mesmo estava. Avisando que não estava tão longe da casa de sua mãe e que ia chegar logo, desligou o celular pelo comando de voz, não demorando muito para chegar à casa de sua mãe. Estacionou na frente da garagem, saiu rapidamente com o bolo em suas mãos e foi rumo ao portão.
— Melane? — chamou ao entrar na casa. — Eu trouxe o bolo.
. — Ela o abraçou.
— Desculpe a demora, estava um trânsito dos infernos.
— Tudo bem, vem, a mãe não chegou ainda. — A menina pegou o bolo.
— É do jeito que você pediu, amora e cereja com chocolate preto e branco, mas esses parabéns vieram por vir. — Ele deu os ombros.
— Está ótimo, você não reclamou né? — Lançou um olhar sério para seu irmão.
— Não, apenas agradeci depois que eu a assustei.
— Você assustou a garota? Evers!
— Eu só bati no sininho que estava em cima do balcão, era para isso que ele estava lá. Como eu ia imaginar que ela estava mexendo embaixo do balcão? — Riu.
— Você deveria ter perguntado se ela estava bem.
— Ela está bem, Melane, você se preocupa demais.
— Ok, não discutiremos hoje, me ajuda, amarra aquelas fitinhas nos balões.
— Você encheu com gás hélio?
— Sim, anda logo. Para de fazer isso devagar, daqui a pouco Sara chega com nossa mãe.
— Sempre mandona. — Ele sorriu.
Os irmãos terminaram de arrumar com alguns preciosos minutos sobrando para poderem descansar. se trocou no quarto de visitas, onde sempre deixava uma muda de roupas mais casual. Desceu com o celular em mãos, respondendo sobre os problemas de uma de suas clientes exigentes, um padrão americano, o que nunca cairia bem para um padrão brasileiro. Ele passou um bom tempo no celular, não percebendo a chegada de seus sobrinhos, Ethan e Miles — filhos de Melane —, e só os viu quando sua irmã o chamou.
, a mamãe está chegando. Se você vai ficar mexendo no celular que não seja aqui na cozinha, né.
— Já guardei.
— SURPRESA! — As crianças gritaram.
Lisa, que completava sessenta anos, ria e chorava ao mesmo tempo. Ela amou a surpresa, os detalhes e principalmente os desenhos de seus netos. Se abaixou e os abraçou, dando um beijo no topo da testa de cada um e logo abraçou seus quatro filhos, agradecendo cada um deles pela humilde festa surpresa. O bolo encheu os olhos da mulher, era do jeito que ela gostava, com tudo que mais adorava. Se encaminhou rapidamente até a mesa, todos cantaram parabéns com uma extrema alegria.
Todos acabaram dormindo na sala depois de assistir a um filme qualquer, menos . Seus devaneios estavam mais agitados do que antes, porém não era relacionado aos seus serviços, tanto de arquiteto ambiental quanto de investidor, mas sim seu lado amoroso. Já estava no auge dos trinta anos, desejava ter uma família, escutar as risadas suaves e o papai soando no seu ouvido. Seus relacionamentos nunca deram certo, sempre terminavam em um prazo de seis meses, e a causa era sempre o fato delas não aceitarem o serviço corrido do investidor ou por se relacionarem com o banco dele. Ele entendia, sabia que isso poderia acontecer nas duas situações, contudo, não podia negar que sempre tentava escolher uma mulher única, a mulher perfeita. Não que seja impossível, mas a questão é que não tinha mais tempo para isso, pensava em como poderia fazer para que todos esses seus desejos acontecessem um pouco mais rápido, entretanto, foi pensando em seus desejos que embalou no sono, ali mesmo, deitado no chão da sala.

♥♥


estava sentada perto da janela com uma xícara de chá em sua mão. A preocupação com a única renda da família era tão grande que ela não conseguiu dormir. Sua preocupação sempre foi sua avó e sua mãe, principalmente depois que seu avô faleceu quando tinha quinze anos de idade, e elas também dependiam da aposentadoria do homem. Colocou a xícara em cima da escrivaninha, deitou-se em sua cama e esperou o sono chegar; ela ficou pensando em tantas possibilidades que este não veio e então a garota passou a noite em claro, se revirando na cama milhares de vezes.
O sol já entrava pelas frestas da cortina de tecido fino e claro, ela tinha acabado de embalar no sono e já precisava acordar. Durante a madrugada em claro, decidiu procurar um emprego, tanto na área de confeitaria quanto em qualquer outra área, um emprego que ela tivesse a certeza que ia conseguir suprir todas as necessidades de sua casa. separou uma blusa social rosa clara e uma calça flare preta, colocou em cima da cama e desceu para tomar o café da manhã. Não ia comunicar à família, só ia avisar que ia sair com sua amiga, , para um evento de livros já que ambas amavam ler um livro atrás do outro.
— Bom dia! — disse empolgada.
— Bom dia, filha, que empolgação é essa? Quer ovos mexidos?
— Ah, eu vou sair com a , vamos a um evento onde estão expondo livros de autores novos. Quero sim, mãe.
— Ah sim, sabe que horas volta? — a mulher indagou, abrindo a geladeira.
— Mais ou menos às três horas, eu sei que vocês precisam de mim na confeitaria, mas tento chegar o quanto antes.
— Filha, pode ir tranquila, não vamos abrir hoje.
— Ué? Por quê?
— Sua avó não passou muito bem de madrugada, eu precisei chamar uma ambulância para levá-la ao hospital.
— E por que vocês não me chamaram?! Mãe, eu ajudava vocês — reclamou inconformada.
— Você estava dormindo, não queria acordá-la.
— Isso não faz a menor diferença, devia ter me avisado, sim.
— Filha, não vamos discutir. — Ela colocou o café da manhã na mesa. — Eu vou sair para ir ver sua avó e ver o resultado dos exames dela. Quer ir junto?
— Não, me avisa o que deu, por favor, eu não posso deixar de ir nesse evento —mentiu.
— Tudo bem, eu mando mensagem para você. Até, filha, se cuida. — Selena deu um beijo de despedida.
— Pode deixar, te amo!
terminou de tomar seu café da manhã, colocou a louça na pia e lavou, aproveitando que estava na cozinha e verificando se a porta estava trancada. Depois foi para seu quarto, pegou a caixinha que deixava todas suas maquiagens e passou em tons leves, logo se vestindo. Ela imprimiu todas às paginas de seu currículo e colocou em uma pasta transparente, enviando uma mensagem para sua amiga antes de sair, avisando que precisaria de um chofer para levá-la até a Avenida Paulista. Sua amiga não recusou em ajudá-la, já que tinha contado brevemente a história. Quando estacionou o carro na frente da casa de sua amiga, a mesma já a esperava no lado de fora do portão.
— Oi — cumprimentou, entrando no carro.
— Olá, desculpa o atraso.
— Sem problemas.
— Qual é a primeira parada da Avenida Paulista? — perguntou, acelerando.
— Deixe-me ver. — Pegou o celular. — Primeiro lugar é uma confeitaria, depois o Starbucks e, por último, uma agência de arquitetura ambiental.
— O que você vai fazer em uma agência ambiental?
— Ser recepcionista.
— Hm, então ‘tá, quem sou eu para falar não.
— Achou que eu ia ficar lá desenhando? Ou quando eles recebessem algum e-mail em letra maiúscula eu iria ficar lendo gritando?
As amigas riram.
— Conte mais sobre a situação lá na confeitaria.
— Aí, amiga, está horrível, mamãe mostrou as despesas e com nossa renda não dá para comprar nada, nem sei como estamos com tudo em ordem nesse mês.
— Meu Odin, não imaginava que estava assim.
— E ainda tem mais, hoje de manhã eu descobri que minha avó passou mal e foi parar no médico. Eu não sei como vão ficar as despesas dos remédios dela, tipo, não sei como ajudar. A confeitaria pode ser fechada por conta do aluguel, não consigo só com os doces que fazemos, então, depois de ter passado a noite em claro, resolvi procurar um emprego que junto a aposentadoria da minha avó, dá certinho.
estacionou o carro, soltou o cinto e virou-se para sua amiga, confortando a mesma com suas palavras mais sinceras.
— Eu não consigo entender o que você está passando, mas sei que vai conseguir. Você sempre foi aquela que levantava tudo e ia em frente e, quando eu piscava, voltava com todos os desejos realizados, isso no prézinho. Sem falar que durante todo o tempo que estudamos juntas não foi diferente, eu sei que agora não vai mudar. Seu sonho de confeiteira aconteceu, você está nessa profissão, sei que vai conseguir tocar para frente sua confeitaria, com ou sem um segundo emprego. Tudo voltará ao normal, eu sinto isso, sinto que... Você vai ter uma das maiores surpresas, com a intuição de melhor amiga não se deve discutir. — Riu.
— Por que você é a melhor mesmo?! Obrigada, eu não sei o que dizer, agradeço de verdade. Você é a melhor, obrigada por sempre me apoiar e me ajudar nessas horas. Agora eu vou indo, não posso perder o horário.
— Vai lá, espero aqui fora ok? Boa sorte, amiga.
— Obrigada.
saiu do carro pedindo para Deus que tudo desse certo, e que nessa confeitaria ela fosse aceita e contratada logo de início, por conta de seu currículo e seu portfólio com fotos dos bolos e doces que fez. Os minutos de espera foram eternos, ela batia as unhas contra a pasta transparente, cruzava e descruzava as pernas de dois em dois minutos, até que escutou seu nome ecoar na sala de espera. Rapidamente, pegou sua bolsa e se levantou, entrou na sala contando até três para poder ficar mais calma. Longas conversas, assuntos e perguntas, tudo que respondia na maior tranquilidade, porém, no final da entrevista, um não com total e completa educação veio acompanhado com a devolução do portfólio.
A garota agradeceu, saindo com os olhos marejados. Era sua profissão, a profissão que ela amava. Confeitar. Ela amava igual aos clichês dos livros românticos. Saindo e foi em direção do carro de sua amiga, que estava encostada no carro tomando algum líquido quente.
— E então? — perguntou.
— Próximo. — respondeu com a voz trêmula, abrindo a porta. Doía mais que ler The notebook. Não queria chorar e não ia, sendo a única desculpa para isso a falta de sua maquiagem para retocar, o que era verdade.
— Respira fundo e solta, não se esquece de transpirar. — riu junto à amiga, lembrando do vídeo do respira e transpira.
— Idiota — falou com a voz de choro. — Vamos, não podemos perder tempo, .
— E quem disse que vamos perder tempo? — retrucou, acelerando o carro e indo em direção ao Starbucks. Ambas pediam que pelo menos lá as coisas dessem certo. A cada segundo, sua mente a fazia ter os devaneios mais surreais que poderia sonhar ter, sentir coisas que ela nunca sentiu, ter medo do que ela nunca teve. Será que ela não ia conseguir ajudar sua família?
Era isso e era a única coisa que ela queria, ajudar sua família, e foi isso que a fez entrar determinada dentro do estabelecimento. Pediu para chamar o gerente da cafeteria e esperou alguns segundos — não muito longos. Depois de uma breve conversa, ela entregou o currículo a ele. O homem folheou o mesmo tão rápido que assustou a garota. Em seguida, entrou, agradecendo pela disponibilidade, mas não estavam precisando de funcionária para nenhum cargo. A morena agradeceu e se retirou, apertando a pasta contra seu peito para tentar fazer a dor sumir. Sabia que não ia ser fácil achar um emprego, contudo, nas circunstâncias, era o necessário achar o mais rápido possível.
No meio do caminho para o escritório de arquitetura ambiental, disse que, ao olhar em um dos aplicativos de emprego, achou um perto da avenida e que iria levá-la até lá para, pelo menos, deixar o currículo. Era uma agência de viagem, não uma das mais famosas, porém estava procurando garotas para ser as atendentes. tentou, deixou seu currículo com eles e saiu de lá com um pouco mais de esperança. A próxima — e última — parada era o escritório, ela chegou tão calma que pareceria ter tomado uns cem sucos de maracujá.

♥♥


O lugar era o dobro da sua casa, sem contar com o andar de cima. Milimetricamente perfeito, podia se dizer por passagem. Um ambiente em que apenas pessoas diplomatas trabalhavam, com suas únicas secretárias, o que a deixou um pouco para baixo. Andou até o balcão oval da recepção e, com um sorriso no rosto, chamou a recepcionista. Conversaram diretamente sobre o assunto pela qual ela estava ali, e logo já estava sendo encaminhada para uma sala de reuniões.
— Quer um café ou uma água?
— Não, obrigada.
— Ok, o senhor Diego já vem.
Quando a recepcionista saiu da sala, Diego e desciam as escadas. Jessica, a recepcionista, educadamente chamou Diego, avisando sobre a garota da sala ao lado.
— Jessica, eu disse que não estamos contratando ninguém. — disse nervoso.
— Eu não pude a deixar ir embora, ela está precisando muito de um emprego. — A garota deu ênfase na palavra. — A vó dela está no hospital.
— Mas agora você acha que aqui é a central dos coitados e oprimidos? A não ser que você deseja que nós a colocamos no seu lugar. — O homem bufou.
— Diego, mantenha a calma, pode ir para a sua sala, eu converso com a senhorita. — Evers falou pacificamente. — Ela deixou alguma coisa? — O arquiteto falou indo em direção da sala, com a recepcionista em seu encalço.
— Na verdade, ela falou diretamente do assunto, explicou tudo, disse que não tem conhecimento pela área, mas está à procura de um emprego por conta da avó dela. Eu falei que não estamos precisando de nenhuma secretária ou recepcionista, porém ela insistiu mesmo assim. Eu não quis falar para ir embora, até porque eu senti a dor e o desespero na voz dela.
— Ela trabalha com o que?
— Com confeitaria, acho que agora você está vendo a situação.
— Sim, fazemos assim... — O homem se apoiou no balcão. — Não temos como contratá-la, contudo, podemos investir no serviço dela. Peça para a Sara investir como sempre fizemos, entretanto, você sabe que não posso deixar que meu pai descubra que estou fazendo isso por fora dos acordos da empresa. Preciso que deixe isso em segredo, e não envolva o meu nome, sabe que prometi não fazer isso novamente.
Jessica riu acompanhada de seu chefe.
— Entendo, vou coletar todas as informações e passo para sua irmã. E, chefe?
— Sim?
— Eu não irei tomar advertência pelo fato, né?
— Não, não está errado em querer ajudar as pessoas, está errado em não querer ajudá-las. Com licença. — Sorriu.
A mulher respirou fundo. Depois de organizar todos os papéis para anotar sobre a , foi conversar com a mesma, tendo certeza que a notícia ia ser uma das melhores para a garota.
— Oi — Jessica disse com um sorriso amigável.
— Oi.
— Vim dar duas notícias.
— Pode dizer. — A mão dela suava frio.
— Como eu falei, não estamos contratando, mas depois de conversar com meu chefe, ele disse que podemos investir em seu serviço. Aqui, além de ser um escritório de Arquitetura Urbana, nós também somos investidores.
— Aqueles que investem um pouco do capital próprio em lojas e serviços das pessoas que não tem condição para dar continuidade?
— Isso. — Ela riu pelo nariz. — Porém, temos uma política um pouquinho diferente que vou entregar para você. Antes, poderia passar seus dados e um falar um pouco sobre sua profissão?
— É claro. — Os olhos dela brilhavam.
Mesmo aparentando ser uma mulher de nariz empinado, a recepcionista era um amor. Foi atenciosa, amorosa e simpática. Pegou todas as informações que precisava para eles começarem a investir na confeitaria de , mesmo com todos os problemas de finanças. Só podia ser um sonho, tudo estava correndo de uma forma tão maravilhosa, tão filme, que até chegou a desconfiar um pouco da ação da empresa, mas, de qualquer forma, agradeceu pelo atendimento doce. A garota saiu mais saltitante da sala que um filhotinho do Bambi.
! — Jessica a chamou.
— Oi. — A morena se virou.
— Eu esqueci, qual o número de contato?
Aquela voz era familiar para os ouvidos de , doce, suave e calma. Ele se virou para trás e olhou para baixo, já que estava no segundo andar. Apoiando suas mãos no corrimão de alumínio e vidros escuros, ele pôde ter se enganado ou ter apenas um momento de vontade, mas seu coração palpitou extremamente rápido ao escutar a voz.
Maldita hora em que ela se virou, e ele apreciou a beleza da pele morena da garota. O inesperado aconteceu.




Capítulo 2 - O Cooper e os Patins

Bianca, a secretária de Sara, veio na direção dele. Seus saltos batiam no piso de porcelanato branco. O som do salto agulha vinha acompanhado de sua fina e um pouco — educadamente, por — irritante voz. A ruiva tinha voltado das férias de Malibu, e consigo trouxe seu álter ego mais elevado do que antes. A mulher esbanjava a marquinha do biquíni com o seu vestido tomara que caia. Evers fingiu estar feliz ao ver a garota com um sorriso nos lábios, e ela o abraçou, entrelaçando seus braços no pescoço do rapaz, que só a abraçou com um braço, já que o outro estava ocupado.
, a viagem foi incrível. Nossa, eu fui para a praia, as festas de lá são incríveis. Quase liguei para você, assim poderíamos nos divertir juntos. Quer dizer, eu te liguei, mas na verdade você não me atendeu. — Cruzou os braços.
— Eu estava ocupado, não podia atender. — Ele mantinha a calma e andava para seu escritório.
— Mas era eu, não acha que devia ter atendido? Você não ia se arrepender. — Bianca fechou a porta e se encostou a ela.
A sala tinha sido reformada, o piso laminado tinha dado o lugar para o porcelanato preto; o grande sofá que estava de frente para a grande janela agora era de tecido em tom verde esmeralda. A larga estante tinha sido restaurada com uma madeira branca, que combinava perfeitamente com a nova mesa da mesma cor com tampão de vidro. Bianca não reconheceu o ambiente, era um ambiente clean e ao mesmo tempo frio. Ficou apenas um mês fora e já encontrou um novo Evers; um homem mais centrado, mais calmo, com trajes mais finos e o cabelo penteado tomara seu lugar. Bianca jurou que pôde sentir um calor abaixo da bainha do vestido.
— Se quiser eu posso trazer um pouco de Malibu para você. — Ela deu a volta na mesa e sentou perto do homem.
— Não precisa.
— Eu sei que você quer. Você gosta de lá. — Subiu um pouco seu vestido.
Evers olhou as coxas desnudas da mulher. Não pôde negar, era homem e solteiro, afinal, não tinha mal algum a isso. Ao mesmo tempo em que olhava, ele se lembrava dos tempos em que eles ficavam ali mesmo naquela sala.
Sem mesmo protestar, eles ficavam ali, literalmente juntos. Faziam mais de dois meses que eles não se relacionavam. Melhor dizendo, seu relacionamento era mais por momentos: quando o homem queria passar um tempo com alguma garota, sempre ficava com ela, o que na verdade era apenas quando ele queria. Apesar de que Bianca sempre quis — e ainda quer — se tornar a senhora Evers. A garota passou a mão sobre o bíceps de , que a segurou com um pouco de força e a tirou de seu bíceps. olhou-a nos olhos, sem demostrar algum desejo ou segunda intenção.
— Bianca, por favor... pare com isso. Não temos mais nada e você sabe muito bem disso, já deixei claro.
— Mas você gosta, eu sei que gosta. — Ela se aproximou. — Era isso que fazíamos várias vezes aqui, dentro dessa sala. — Bianca começava a se estressar.
— Eu gostava, no passado. Agora eu tenho outros planos e não pretendo me relacionar com nenhuma mulher. — O homem se levantou e foi até a janela.
— Mas eu te amo! — Ela o abraçou por trás. — Você sabe disso, sua irmã falou que está pretendendo se casar. Nós podemos ter uma família juntos.
Seu timbre demostrava um por cento de sinceridade, os outros noventa e nove demostravam falsidade, não só em seu tom, mas em seu olhar também. Ele sabia que isso ia causar dor de cabeça para si, se não tomasse uma atitude logo.
— Bianca, para! — Ele tirou as mãos dela de seu corpo. — Você não deve ter entendido, e vou tentar realmente ser educado e bem claro. O que tivemos ficou no passado, foram bons nossos momentos juntos, mas não sou mais o mesmo. Tenho outros planos, planos que inclui decisões. Entenda de uma vez, você não está inclusa neles.
— Você tem outra garota né? É mais nova? — Os olhos dela estavam vermelhos e marejados. — Não, é mais velha, tenho certeza, quantos anos? Vinte? Vinte e quatro?
— Bianca, escuta.
— Não, , escute você. Você deve ter a conhecido durante minhas férias, mas você vai ver, eu vou te conquistar. Vou ser a senhora Evers, vamos nos casar e seremos felizes juntos, você vai ver. Não ache que eu vou desistir de você, não ACHE!
A mulher gritou a última palavra, estava passando dos limites em achar que tinha o direito de exigir um casamento com a pessoa que nem sequer sentia atração por ela, nem amorosa e muito menos sexual. havia se irritado demais, não tinha mais cabeça para ficar no escritório. Ele pegou sua maleta e a guardou na estante. Ao sair, avisou Jessica, sua outra secretária, que iria voltar entre duas horas e não era para deixar ninguém entrar em seu escritório. A garota não questionou, apenas concordou e pediu para que tomasse cuidado, já que a raiva e o nervosismo tomavam conta dele, principalmente das expressões.
Evers foi para o Trianon, já que era o mais perto de seu escritório. Lá, poderia refletir sobre tudo que estava acontecendo em sua volta, principalmente sobre o que dizer a Bianca depois daqueles minutos em sua sala. Não queria assumir para si mesmo, porém ela era a única que sentia um pouco de “sentimento” por ele. Isso poderia ser loucura, mas iria falar com sua mãe sobre casar com a ruiva, mesmo já sabendo a resposta. Bianca era uma garota muito nova, estava entre seus dezenove e vinte anos; apesar de ter um corpo de modelo, os fios ruivos e um rosto fino, porém delicado, ela não era e nunca foi o tipo e mulher que ele queria ter ao lado até seu último suspiro.

♥♥


— Então é isso, você conseguiu um investimento? — falou toda alegre e dirigindo.
— Pois bem, o Diego, que é chefe da Jessica, falou que vai investir na confeitaria. Estou nas nuvens e mais calma, você não sabe o quão feliz estou. — tinha um sorriso gigante nos lábios.
— Ele é um amor então, mas isso merece uma comemoração, vamos passar em um restaurante!
— Não precisa, sua doida.
— Claro que precisa. — Ela parou o carro no encostamento. — Vamos ver no aplicativo onde podemos almoçar.
, não precisa.
, precisa sim. Quer comer onde, no Capim Santo São Paulo ou no Spot?
— Deixo você escolher — a garota falou, olhando para o celular.
— Ok, vamos para o Spot, eu amo aquele lugar.
— Minha vó está bem, só vai ficar de observação por vinte e quatro horas.
— Graças a Odin que ela está melhor. Quer que eu te leve para o hospital? — Ela deu a partida no carro.
— Se não for atrapalhar você, tenho que ir para casa e arrumar minhas coisas para amanhã, porque, querendo ou não, vou ter que levar algumas coisinhas para elas.
— Entendo, mas não vai atrapalhar.
— Menos mal. Eu estou com fome, sabe. — Ela riu.
— Imagina se não estivesse, já ia estranhar.
— Olha aqui, eu não como sempre, está legal?
— Ah, sim, sei o seu sempre. Eu me lembro daquele áudio que você dizia sobre a agenda, e falou que não tem horário para comer porque é o que você sempre faz. — riu.
— O que eu fiz para ter uma amiga como você? — A morena riu.
— Chegamos.
Chegando ao restaurante, deixou o carro na pequena fila onde os manobristas estacionavam os automóveis. O lugar era lindo por dentro, uma decoração simples, porém elegante. As duas se encaminharam até o balcão, informaram que não tinha uma reserva. A mulher pediu um momento e analisou no tablet prata se tinha uma mesa vaga para as duas. Após alguns minutinhos, a mulher acompanhou as amigas até a mesa. Depois de pedir os respectivos pratos, fez um sinal para o garçom, que anotou os pedidos no celular e se retirou, deixando uma taça de vinho para elas.
— Com licença — disse ele momentos depois, parando o carrinho do lado da mesa.
— À vontade — deu a permissão.
O homem colocou os respectivos pratos — sendo de uma massa vegana — e mais uma garrafa de vinho em cima da mesa. Entre conversas, as duas já organizavam a nova “cara” da confeitaria, tinham até um novo logo para o estabelecimento. Pensavam em todos os mínimos detalhes; com o dinheiro do investimento, tudo sairia extremamente perfeito — ou não, tudo dependia dela, já que sabia que sua mãe teria que tirar um tempo para cuidar da avó. Ao término do almoço, levou sua amiga para casa.

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— Obrigada, amiga, se não fosse por você, quem seria meu Uber particular?
— Engraçadinha, por nada, quando precisar é só chamar, sabe disso.
, oi, como você está?
— Oi, dona Selena, eu estou bem e você?
— Estou indo, como foi o evento?
— Ah, foi maravilhoso mãe. Conhecer autores novos é maravilhoso. — disparou. — Não é, ?
— Sim, nem fale.
— Que bom, eu vou ir para o banho, voltarei daqui a pouco para o hospital.
— A vó está sozinha?
— Sim, mas só até eu voltar.
— Quer que eu te rende, mãe? A me leva até o hospital.
— Não precisa, filha.
— Então eu levo você, dona Selena, assim não precisa se preocupar com o ônibus ou Uber — ofereceu.
— Não precisa, pode ir para casa ou ficar aqui.
— Eu já ia embora mesmo, eu espero a senhora e a levo — insistiu.
— Está bem, então. Não demoro.
— Ok — as amigas falaram em um coro.

♥♥


“Encantado”, era essa palavra e característica que faltava em sua confeitaria, já que ela aproveitava que não tinha aberto o estabelecimento hoje, anotou e analisou cada parte que precisava de uma mudança. Ela anotou até mesmo a nova decoração da chave do lugar, tudo precisava de uma mudança, até os eletrônicos precisavam ser renovados. A listinha estava lá para poder passar para Jessica, que iria pegá-la em dois dias. Mesmo não avisando sua mãe e avó que a confeitaria iria passar por mudanças, ela ia fazer mesmo assim, sem a autorização das duas. queria que fosse uma surpresa e seria, só não sabia qual seria a reação das mulheres.
Mandou uma foto para sua amiga, que falou algumas coisas que poderiam ter — já que conhecia tudo por lá — e, com isso, ela acrescentou. Graças ao hábito de escrever receitas, descreveu o que a confeitaria precisava em forma da mesma forma. Era só, ou ela achava que era, depois de andar para todos os lados verificando se tudo que precisava arrumar estava na lista. Sentou-se em uma cadeira que estava por perto, olhou para aquele lugar, lembrando-se de cada felicidade e conquista que teve com ele, daquele jeitinho todo chocho. Respirou fundo e secou a lágrima que teimou a sair, pegando sua bolsa e guardando o caderninho, logo voltando para a casa.
Os dois dias se passaram, estava na confeitaria com sua mãe e a avó. Dona Madalena terminava de fechar um potinho de isopor com o Cupcake dentro para um casal de namorados, sorrindo ao ver Jessica — sem saber quem ela era — entrar com uma mulher loira ao seu lado. As duas foram até o balcão e perguntaram sobre sua neta, a mulher, sem entender bem a situação, foi chamá-la.
— Oi, Jessica. — Ela enxugava as mãos.
— Oi, , tudo bom? — cumprimentou. — Essa é a Sara, ela que está tomando conta de todo investimento de sua confeitaria. Meu chefe aprovou, mas pediu que ela tomasse conta, espero que entenda.
— Entendo sim, sem problemas. — Sorriu.
— Prazer, sou Sara.
— Oi, Sara, sente-se aqui, por favor. — Ela as guiou até uma mesa afastada.
— Vocês não têm escritório? — a loira indagou.
— Não, queríamos muito ter, não é agradável atender aos pedidos aqui.
— Bem, agora vamos colocar, tudo bem? — Ela pegava seu tablet. Abriu o aplicativo com as medidas do estabelecimento que já tinha passado. — Esse é a planta digital de como é hoje. — Mostrou.
— Sim, parece ser menor do que é aqui. — Ela riu.
— Sim. — Acompanhou na risada. — Todos os clientes com que investimos dizem isso, mas enfim, vamos expandir mais para o fundo. Eu pesquisei e vi que tem um terreno vazio atrás e que pertence a esse estabelecimento. Vamos deixar a cozinha mais dinâmica para você e os funcionários se locomoverem, automaticamente aqui crescerá. Vamos mudar de lugar o balcão, tirando-o do lado esquerdo e colocando de frente para a porta de entrada, assim as pessoas que passam do lado de fora irão também ter uma boa visualidade do produto de vocês. As cadeiras vão ser de sua escolha, assim como todo o resto, porém, será distribuído de uma forma mais aconchegante para os clientes. A porta de entrada da cozinha para a ala do balcão eu pensei em fazer de em estilo faroeste, mas apenas com uma aba, pois assim não terá problema da outra bater nos doces e afins. O desenho da mesma deixo para que vocês escolham e avise a Jessica, vocês têm que se sentir em casa, só faço do jeito mais prático e moderno para vocês.
— Estou sem palavras, está do jeito que eu sempre sonhei. — A voz de estava trêmula.
— Nós vamos começar amanhã, como a Jess já tinha te avisado — Sara a lembrou.
— Ok, sem problemas. Aqui está a listinha que foi pedida, coloquei tudo que foi pedido, mas sobre o balcão e a vitrine, pode escolher o tamanho não só aqui, mas da cozinha também. Deixei algumas informações básicas para vocês terem um pouco de noção e tudo mais, as cores também estão aí.
— Eu agradeço, muitos não exemplificam e quando vão ver depois da reforma, falam que não era desse jeito que queria. Também está no gosto de sua família?
— Sim, está eu conheço bem as duas, vão amar.
— Agradeço, , por ter acreditado no nosso investimento e cuidado.
— Eu que tenho que agradecer por terem acreditado no meu serviço.
— Até amanhã. — Sara se levantou.
— Até e obrigada.
respirou fundo, teria que dar a notícia para sua família ainda hoje e não queria que fosse na confeitaria. Ela esperou o tempo certinho de fecharem o lugar e irem para casa para dar a notícia. No fundo, sabia que iria ser loucura e que sua mãe ia lhe falar muitas coisas, mas ao mesmo tempo, ela ia receber um agradecimento gigante da parte das duas, principalmente de sua avó. No caminho, enviou uma mensagem para os dois ajudantes, pedindo que fossem até a frente da Livraria da Avenida Paulista, pois iria dar o recado para eles.

♥♥


Ela enxugava o último prato e o guardava no armário. Foi até a sala e se sentou na poltrona que ficava um pouco de lado, para dar um ar de proximidade entre os outros sofás. Ela olhou para televisão, que passava um programa de culinária e fitou Dona Madalena e Selena. Era uma tarefa tão fácil, tão simples, que não sabia como começar ou se falava disparadamente.
Mamis, vó, tenho uma notícia para dar a vocês.
— Diga! — Madalena falou animada.
— É sobre a confeitaria.
— Você conseguiu fechar um pacote com um cliente, filha? — Ela deu ênfase na palavra.
— Não é isso, mãe, é algo melhor. Eu consegui um investidor para nossa confeitaria.
— Um investidor? Como assim? Em troca do que? — Selena arqueou a sobrancelha.
— Se esse “em troca” se refere a mim, pode ficar calma, não teve troca nenhuma. Eu fui procurar emprego depois daquele dia que fechamos, eu vi que não dá para aguentar só com a confeitaria, que também corria o risco de fechar... Enfim, eu sei, é estranho e complicado, e ele vai ter o retorno dele, é claro, mas pense comigo, isso é um...
— Minha neta, você fez tudo isso para manter o seu sonho de pé? — Madalena a interrompeu.
— Não só o meu sonho, vó. — Ela se levantou se se ajoelhou perto de sua avó segurando a mão quente da senhora. — O nosso sonho, o que nós três gostamos de fazer. Eu nunca deixaria acabar sem tentar todos os meios possíveis para mantê-lo de pé.
— Eu agradeço. Você é o segundo melhor presente que Deus me deu. — A senhora chorava.
— Segundo?
— Sim, pois o primeiro foi sua mãe, e depois essa neta maravilhosa que eu tenho. Não que seu avô não esteja incluso nessa. — A senhora riu.
— Ah, mãe, só você mesma. Porém, filha, isso não pode ser preocupante? Não temos muitos clientes, não tem muita saída de entrega, você sabe bem disso.
— Sim, eu sei, mas é isso mesmo que eles vão fazer. Uma das partes eles vão ajudar a gente, não se preocupe, ok? Vai dar tudo certo, você vai ver.
— E como vai ser?
— Bem, eles vão começar a reformar a confeitaria. Eu dei uma listinha de tudo que precisa com todos os nossos gostos, eles não vão fugir do tema, só arrumar tudo. Pode ser que mexa no sistema de fluxo de caixa, alguma coisa assim, mas para o bem dele, que precisa de retorno, e para o nosso, que temos que ter nosso dinheiro. Confie em mim, vai sair melhor do que nós sonhamos.
Selena olhou para sua mãe que a mesma sorriu.
— Nós confiamos, filha.
Longas horas conversando sobre o caso, foram dormir tarde — menos sua avó, que já tinha se retirado. As duas estavam mega empolgadas, mesmo com Selena com um pé atrás com o investidor.
foi para o banho antes de dormir, mesmo sendo quase duas horas da madrugada, precisava relaxar para ver se o sono chegava logo.
Em seu quarto, com a televisão ligada em um canal de desenho, imaginava como seria seu chefe. Diego. Não, não estava apaixonada, só queria agradecer aquele coração nobre, entretanto, não deixou de pensar na possibilidade de se apaixonarem, igual nos livros que leu. Era apenas uma possibilidade que ela estava levando muito a sério, e talvez — apenas talvez — não teria ninguém que tirasse esse pensamento dela.
O som da chuva embalava aquela vontade de ficar mais alguns minutinhos na cama, contudo, ela precisava levantar mesmo com toda aquela preguiça a fazendo querer sua cama. Mas não fazia mal, o dia de hoje era só de alegrias e felicidade. Quem sabe Diego estaria lá quando ela chegasse? Quem sabe ela ia olhar para ele e sentir as borboletas na barriga e poder levantar seu pé ao beijá-lo pela primeira vez? Ok, ela já estava entrando em um nível extremo com sua imaginação e tinha que parar com isso, entretanto, nem ela própria sabia o porquê daqueles pensamentos naquela ocasião.
Se trocou, tomou seu café e foi de encontro com os outros dois confeiteiros ajudantes na livraria. Ao chegar, os dois conversavam, e Beca, ao avistar , acenou.
— Oi, gente.
— Oi, , tudo bom? — Beca perguntou.
— Tudo maravilhoso.
— Aconteceu alguma coisa? — Lucas indagou.
— Sim, mas é coisa boa, não se assustem. A confeitaria vai passar por reforma, ainda não sei por quanto tempo, porém quando me falarem eu aviso. Para resumir, consegui um investidor e ele vai ajudar nossa confeitaria.
— E o nosso emprego? Eu não quero ser chato, mas eu tenho uma filinha para alimentar e tudo mais — o homem falou.
— Não se preocupe, Lucas, aproveite esse tempo para curtir sua pequena Clara. Nós não vamos demitir vocês. Também não vou descontar das férias, eu nunca faria isso.
— Obrigado, .
— Eu nunca duvidaria de vocês. Lá foi onde tudo começou, minha carreira. Vocês me aceitaram de bom grado, estou muito feliz por isso. — Beca foi sincera.
— Enfim, eu mando mensagem para vocês, e o pagamento vai ser normal, ok?
— Ok — falaram juntos.
— Até mais, tenho que ver a confeitaria.
— Até.
saiu da pequena reuniãozinha toda alegre, feliz por Lucas ter um tempinho com sua filha; o garoto se tornou pai no auge da idade. Ele e sua esposa tinham planejado tudo para o enxoval da pequenina, entretanto, no dia do nascimento sua esposa teve complicações, o que custou ficar internada. Mesmo a pequena tendo apenas seis meses de vida, ele trabalha incansavelmente para manter tudo para as duas mulheres da vida dele, deixando sua pequena na casa da avó materna.

♥♥


chegou junto de Jessica, Sara e um homem de terno que poderia ser Diego. Eles conversavam com sua família calmamente, o que era maravilhoso, assim não teria que ficar sendo a ponte de tudo. Jessica viu a garota se aproximar delas, abrindo um sorriso de orelha a orelha e entregando um copo de café para ela.
— Oi, gente.
— Oi, — Jess saudou.
— Esse aqui é o Diego — Sara apresentou. — Diego essa é a .
Ele não falou, apenas fez um sinal com a cabeça, deixando a menina com a mão estendida para cumprimentá-lo. Era nítido, ele não era como ela imaginava. Foi aí que sua ficha caiu, ela sempre se empolgava onde não devia. Todos entraram no encalço de Sara, que explicava atentamente cada parte do que ia ser mudado. Realmente tinha feito mais mudanças que as três poderiam imaginar. A confeiteira foi para fora junto de Jessica, já que agora as outras mulheres conversavam o prazo e entre outras coisas. Jessica ficou no celular enquanto apenas observava a movimentação da rua. Ao olhar para o lado, viu Diego encostado na porta de seu carro mexendo no celular. Se aproximou dele mais devagar, mesmo assim ele não desviou o olhar do eletrônico.
— Oi — falou meiga e um pouco tímida.
— Oi — saudou seco.
— Eu queria agradecer.
— Pelo o que?
— Por investir na minha confeitaria — respondeu em um tom óbvio.
— Eu apenas vim acompanhar a Sara, ela que está na frente de tudo.
— Mas não foi você que...
— Não, eu não ia perder meu tempo e meu dinheiro investindo nisso aí — disse com desgosto e pouco caso.
— Sem problemas, senhor Diego. Eu só vim agradecer, mas vejo que só estou agradecendo a pessoa errada.
era respeitosa demais para ser áspera igual Diego, mesmo sendo de Áries, um gênio forte, sabia moderar, afinal, nem todos são iguais a astrologia impõe. Mas também é o que dá imaginar mil e uma coisas e não manter os pés no chão. Ela voltou até onde estava e esperou sua avó e sua mãe sair junto de Sara. A garota se informou do tempo da duração da reforma e automaticamente se assustou com apenas duas semanas de reforma total e duas semanas de descanso. Foi para casa, enviou uma mensagem para seus ajudantes e outra para sua amiga. Elas iam se encontrar depois que voltasse de viagem, que também seria por duas semanas. Agora a única coisa que ela tinha a fazer era ficar em casa ou ir para o Ibirapuera.

Capítulo 3 - A Entrega da Confeitaria

andava tranquilamente de patins pelo parque, ajeitando seu macacãozinho jeans com o cropped com desenho de morango e escutando Thinking Out Loud, aquela música que, na verdade, era de Ed Sheeran, mas estava gravada pelo Boyce Avenue; ele era um dos motivos totais para músicas se tornarem perfeitas. Contudo, era diferente o que ela estava sentindo com aquela música, não sabia explicar, só sabia que não tinha essa sensação há anos. Porém, a faixa não cairia bem com a situação, a não ser que ela tivesse uma quedinha — no modo literalmente literário — pelo chão.
A garota sentiu seus patins tremerem um pouquinho, a fazendo estranhar. Ela não estava passando pelo caminho de pedregulho, muito menos em lugares que poderiam ter restos de pedrinhas. A sensação só piorava, e muito, sentia que ia cair a qualquer momento e junto vinha o medo de se machucar toda, justo hoje, que não usou nenhuma proteção. Mentalmente, se xingou com todas as palavras possíveis. Foi no exato momento em que ela pegou uma leve descida, que sentiu a rodinha dos patins soltar. O som do ferro raspando com velocidade no chão se tornou irritante. Logo, fechou os olhos se preparando para a queda, quando sentiu duas mãos grandes a segurar e cair junto com ela, amortecendo o baque de seu corpo. Ela olhou para o lado e viu o homem sentado ao lado dela.
— Você está bem? — perguntou, a imobilizando no chão. estava em choque, não por vergonha, mas pela situação. — Não se mexe, calma.
— Não sei, estou sentindo meu joelho arder muito e estou com dor na canela, calcanhar... não sei, esqueci o nome. — Ela mantinha a voz firme para não chorar e ignorava a dor.
— Só isso?
— Sim, acho que só, seria besteira falar isso? Ai, não acredito que caí, andei de patins minha vida toda.
— Não, não é besteira. — Sorriu. — Vou ajudar você a sentar ok? Se sentir alguma dor me avisa.
— Aviso, você é médico? — Olhou nos olhos .
— Não, mas aprendi muito com minha mãe cuidando dos meus avôs. Ela era enfermeira.
— Compreensível.
— Vem devagar, está sentindo alguma dor? — questionou, enquanto sustentava as costas da garota.
— Não, nenhuma. Só a do calcanhar, olha o estado do meu joelho. — riu. — Eu machuquei você?
— Não, estou bem. — Evers riu. — Eu vou levá-la ao médico.
— Não precisa se preocupar, eu vou sozinha.
— Nesse estado? Não, faço questão em te levar ao hospital, você tem convênio? — perguntou meio acanhado, já que ter convênio hoje em dia era complicado. — O que não é complicado hoje em dia? — Pensou alto.
— Tenho sim, conhece o hospital São Carlo?
— Sim, conheço, vou levá-la até lá. Vem, eu te ajudo a levantar.
— Está bem, só me deixe tirar os patins.
fez um gesto com a cabeça como quem não se importasse com o ato — claro, no bom sentido. tirou a bolsa da Nike, aquelas que parecem um saquinho, pegou seu tênis, calçou e guardou os patins junto com a rodinha que fugiu. O homem a ajudou a se levantar, segurando suas costas com uma de suas mãos. A aproximação dos dois foi um tanto que constrangedora; não se conheciam, muito menos sabiam o nome um do outro, mas aquele contato, aquele calor, aqueles lábios da menina e aquele olhar marcante de ... Odin, isso só piorava as coisas. Era para ser um momento de ajuda, de solidariedade — por que não? —, e não um momento de “estou me apaixonando você” com um abraço.
se afastou dele, mantendo uma distância maior; mesmo assim era possível sentir o toque e o compasso da respiração do rapaz. Os dois andaram até o carro dele que estava em um estacionamento perto do parque. Ele tinha colocado o nome do hospital no GPS, o que o ajudava caso tivesse trânsito por conta de um acidente ou algo assim. Não conversaram muito, pouca coisa, porém, o principal eles não conversaram, talvez por receio ou então por medo; não falaram seus respectivos nomes.
— Chegamos, só tire o cinto, não sai do carro — ele praticamente ordenou.
— Está bem.
— Vem, se apoie em mim — pediu depois de abrir a porta do carro.
— Obrigada.
— Precisam de ajuda? — uma médica indagou.
— Ela caiu dos patins e machucou o joelho e está sentindo dor no calcanhar.
— Me sigam, por favor. A senhorita tem convênio com o hospital?
— Sim.
— Ok, preciso que o seu namorado espere você aqui, desculpe o transtorno, o hospital está atendendo algumas pessoas envolvidas em um acidente.
— Eu espero. — Sentou-se na cadeira cor de creme.
entrou no consultório e foi examinada dedicadamente pela médica, que concluiu, depois de exames, que a garota só teve uma luxação e que teria que passar uma semana em repouso e fazer três semanas de fisioterapia. Era quase o tempo certo da reforma. Apesar de que não foi isso que a preocupou, e sim seu trabalho. Eles eram quatro — contando com ela —, e teria que ficar no caixa enquanto poderia estar fazendo um bolo. A médica receitou um remédio para ajudar na recuperação e outro para tomar via intravenoso. A confeiteira não gostou muito, afinal, não gosta nem um pouco de agulha, entretanto, se for para melhorar rápido, não teria como negar. Encaminhou-se com certa dificuldade para a ala de medicação, esperou por um curto prazo pela sua vez e, ao mesmo tempo que a enfermeira passava-lhe as instruções, permanecia sentado, a esperando.
— Os efeitos colaterais do remédio são só uma leve tontura e a visão turva, quando terminar pode apertar esse botão — A senhora apontou —, que eu ou algum enfermeiro vem atendê-la.
— Está bem. — Sorriu.
ficou mexendo no celular, acessou suas redes sociais, contou sobre o acidente para a sua amiga — que mantinha a sanidade para não rir da mesma dentro do salão do casamento; era incrível como as coisas mais cômicas aconteciam quando estava longe. Mesmo sabendo que tinha que tomar todo cuidado com o seu braço, se ajeitou na poltrona creme, aquele ar condicionado do ambiente a fez encolher — mesmo estando calor — de uma forma confortável. Fechou os olhos e esperou que seu medicamento terminasse o mais rápido possível.
De fundo, ela pôde escutar uma voz masculina falando sobre ela. abriu os olhos, escondendo o mesmo por conta da luz clara, olhou para o lado, procurando o tubinho do soro, mas já estava sem ele, um sinal que seu remédio tinha terminado.
— Oi, está se sentindo bem? — o homem da voz questionou.
— Sim, só um pouco sonolenta.
— Eu já tinha tirado seu soro, um homem veio aqui perguntar sobre você — informou o enfermeiro.
— Ele está aqui ainda?
— Sim, está esperando por você lá fora, precisa de ajuda?
— Não, obrigada.
— Melhoras — desejou, vendo-a agradecer com um sorriso. Como na outra vez, andou devagar, parou um pouco para localizar —ainda sem saber o nome dele — e indo em sua direção. Ao perceber que a garota estava se aproximando, sorriu e riu dela; até que estava engraçada andando igual a uma pata, e a cara de sono entregava que estava dopada. Carregando a bagpack e a ajudando, entraram no Audi A5. Evers pediu para que ela colocasse o endereço no GPS do seu celular — que tinha entregado desbloqueado. Sua sorte era que sua amiga tinha um Iphone e isso ajudava muito a mexer no aparelho. Podia não parecer, mas a mulher se perdia muito mais que outra pessoa em “aparelhos novos”.
Não que fosse xereta, porém não era impossível não notar a quantidade de mensagem de uma única pessoa. Cuidadosamente, abaixou a aba de notificações... Ele era comprometido?! respirou fundo, sem dar muitos alertas; se ele fosse namorado ou marido da tal garota das mensagens, nem queria saber o porquê dele ter evitado as duzentas mensagens. Com muito cuidado, leu apenas a última mensagem, pois só queria saber se era ou não algo dessa garota, apesar de que a mensagem não ajudou muito, já que as três que leu deu a entender que sim. Aquela garota, que cujo nome era Bianca, era, sim, a namorada dele — e tinham brigado seriamente.
a olhava de soslaio; a menina estava há um tempinho no celular dele e não tinha entregado com a rota. Ao demonstrar que iria questioná-la, a jovem foi mais rápida.
— Aqui está, desculpe a demora, não sei mexer em iPhone. — Ela sorriu amarelo e corada. Entregou o eletrônico.
— Eu me esqueci de perguntar se você precisava de ajuda. Sei que não é um celular muito acessível... não quis dizer isso, eu sei que você deve ter seus motivos para não ter, não quis mencionar que você não tem dinheiro para comprar um — falou em meio ao desespero, apertando o volante.
— Calma. — Riu. — Eu sei, eu entendi, mas só vê se está certinho, não sei se teria outro lugar para colocar, então coloquei no Maps.
— Está sim, eu me guio por ele, mesmo tendo outro aplicativo. E desculpe mais uma vez.
— Está tudo bem, de verdade. E se eu falar alguma coisa estranha, ignore, é efeito do remédio — pediu constrangida.
— Não irei reparar.
Era para ser um sorriso mais normal, um sorriso qualquer, mas aqueles lábios desenhados milimetricamente e os olhos eram a combinação mais perfeita que ela tinha visto em toda a sua vida. Isso era sinal que ela poderia estar gostando dele, contudo, sabia que estava errada; aparentemente, ele estava comprometido, tinha uma vida feita e não podia se apaixonar. Não tinha sentido nada que era descrito nos livros e sobre o amor: seu estômago estava calmo, sua mente não planejava um futuro e seu coração tocava no ritmo sutil de Echoes of Love, será que era isso? O amor não causar sensações, mas apenas momentos?
Apenas olhar para ele e aquele sorriso, o homem que ela nem sequer fez esforço para saber o nome tinha tomado conta do seu coração, com um sorriso minuciosamente inocente. Sim! Era isso, e ia ficar por isso, tinha uma cônjuge, ela não tinha certeza, mas às vezes é melhor não arriscar e voltar com o coração partido, se imaginando em um parque tranquilo, conversando como se não houvesse realidade.
Ao parar no semáforo, Evers a olhou e a admirou enquanto dormia. A garota estava encolhida, a brisa que entrava pela janela a deixava com frio, afinal, já estava de noite, no começo da noite, para ser mais específica. Esticou o braço, prestando atenção no semáforo e na rua, e apalpou o assento traseiro, em busca de uma jaqueta que tinha certeza que estava lá. Ao achar, cobriu a garota. A olhou temporariamente, não podia demorar. A merda de semáforo tinha que abrir justo aquela hora que teve a vontade de acariciar o rosto dela. seguiu o caminho que o aplicativo indicava a casa dela, até que bem “longe” do hospital e ainda bem que ele permaneceu ao lado da... Ele não sabia o nome dela, nem prestou atenção quando a enfermeira a chamou. Bianca o infernizava com as milhares de mensagens, que nem para um simples nome se tocou.
Estacionou o carro na frente da suposta casa da garota, soltou seu cinto olhando para ela, como a acordar? Era uma incógnita que não saía de sua mente, poderia tocar a campainha e chamar os pais dela, explicar o que houve e depois deixar o pai da garota levá-la para dentro, ou apenas acordá-la. O homem se ajeitou no assento, entretanto, virado para . colocou um fio de cabelo que estava sobre o rosto dela e acariciou o local, a apreciando. Era cômico como tudo aconteceu e como ele acabou sentindo um intenso sentimento — se é assim que poderia nomear — por ela, um leve acidente. Ele a chamava, porém, ela não acordava. Era o efeito do remédio, afinal de contas, ela já tinha o alertado. Se aproximou mais da garota depois de soltar o cinto dela e guiar o mesmo para não machucá-la; quando estava prestes a terminar de guiá-lo, estando bem perto dela, se mexeu, ficando há poucos centímetros do rosto de . Sua respiração falhou, um frio que era para ser só na barriga tomou conta de seu corpo todo... ela não podia acordar agora, pois ia pensar coisas inadequadas que nem sequer ele se atreveu.
Rapidamente, se afastou, evitando que suas respirações misturassem mais e tivessem seus pensamentos desnorteados pelo perfume gracioso que a menina usava. Parecia que ela sabia, porque ao se afastar, ela despertou.
— Eu estava soltando seu cinto, ia tocar a campainha da sua casa.
— Eu dormi o percurso todo? — Sua voz estava sonolenta.
— Sim. — Ela sorriu acanhada.
— Eu vou indo, obrigada pela ajuda. — Pegou suas coisas.
— Eu te ajudo a descer.
— Não precisa, de verdade, você foi muito gentil comigo hoje. — Foi sincera.
A garota saiu do carro rapidamente, pegando a chave em sua bagpack. Sabia que teria que falar para sua mãe o ocorrido, ainda mais porque tinha demorado. Mancando, entrou na sala, colocando os patins quebrados no cantinho da porta e sentando-se no sofá, pondo o tornozelo para cima. Seus olhos estavam pesados, porém, mesmo assim, se forçou a tatear sua bolsa em busca de seu celular. Seu desânimo veio ao sentir a tela cheia de risquinhos, torceu para ser somente a película e não o celular por inteiro. Estava bom demais para ser verdade.
— Eu não acredito que perdi meu celular. — Esfregou a mão em seu rosto. — Terei que comprar outro, adeus meu amor, foi bom enquanto durou — despediu-se, olhando para o aparelho.
— Filha, o que aconteceu?! — Selena disse, enxugando suas mãos no pano de prato e indo cuidar da garota.
— Eu caí dos patins, na verdade, a rodinha soltou ou quebrou, não parei para ver direito, aí um moço me ajudou, me levou até o hospital e depois me trouxe até aqui.
— Um moço? — brincou.
— Sim, mãe, não é nenhum namorado ou ficante, além do mais, ele tem namorada — lembrou.
— Sabe pelo menos o nome dele?
pensou rapidamente, tentando puxar em sua memória o nome do rapaz, contudo, não se lembrava; na verdade, se lembrou que nem sequer perguntou o nome dele.
— Não.
— Filha! — Ela parou de mexer no curativo.
— Mãe! Desculpa, não perguntei o nome dele, nem sei da onde ele é. Ele só foi gentil.
— E se fosse o homem da sua vida?
— Eu leio livros românticos e vejo filmes românticos, porém tenho certeza que isso não existe — emitiu.
— Não sei como você não acha que isso pode acontecer. — A senhora tirou a faixa. — Mas não vamos discutir, vai para o seu quarto, toma um banho e me chame, vou refazer seu curativo.
— Ok, mãe.
— Precisa de ajuda? — Se direcionava para a cozinha.
— Não, mas obrigada. Ah, mãe, você poderia emprestar seu celular?
— Sim, o seu quebrou?
— Não, eu deixei no hospital, amanhã passo lá e pego, vou ter que pegar a guia da fisioterapia.
— Sim, pode pegar.
Selena entregou para sua filha e voltou a fazer o jantar para elas. Queria agradecer tal anjo da guarda por ter cuidado de sua filha, nem que ela fosse até o hospital e visse se ele tinha passado dados de contato dele ou se ficaria apenas na “vontade” de agradecê-lo. A mais velha terminou o jantar, colocou à mesa, avisou sua mãe que estava pronto e foi até o quarto de sua filha para vê-la.
A mulher bateu na porta e a viu terminando de se ajeitar na cama, como ela já tinha passado em seu quarto e pegou os itens de curativos, refez a faixa, passando uma pomada e o curativo do joelho da menina. Avisou que iria trazer o jantar dela e ver se tinha os remédios que a médica havia passado, assim, já se livrava dessa despesa.
Logo após de uma boa janta, ela ligou para sua melhor amiga — — para contar a única novidade, e também que estava sem celular; seria a pior parte, já que dependia do aparelho para mil e uma coisas.

— Então, é isso? Você nem sequer perguntou o nome dele?
— Não, como eu ia poder imaginar que tinha que decorar a frase “Qual o seu nome?”?
— Menina, você tem problemas.
— Eu sei, um deles se chama sem celular.
— Não isso, estou falando de você não saber o nome dele, já parou para pensar que vocês poderiam ficar juntos?
— Então, isso é outra coisa que não lhe contei.
— VOCÊS SE BEIJARAM?
gritou do outro lado da linha.
— Não, nem chega perto disso.
— O que, então?
— Quando ele pediu para colocar o percurso até minha casa, vi as mensagens dele e, bem, ele tem namorada ou esposa, não sei.
— Você viu aliança no dedo dele?
— Não.
— Então não é esposa.
— Mas eram mil mensagens, e ela estava muito puta com ele.
— Então pode ser que ele tirou
concluiu.
— Foi o que eu pensei também.
— Eu não sei o que faço com você. Enfim, amiga, eu vou dormir, prometo que essa semana passa rápido e que eu volto para você.
— Elas riram.
— Vai lá, eu também vou, tomei os remédios e eles me deram sono, até daqui alguns dias.
— Até, vê se não cai de novo.
— Tentarei. Boa noite, amiga.
— Boa noite.


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Sua cabeça explodia, suas têmporas doíam mais que qualquer dia e, para piorar, aquela voz fina e irritante não parava de falar atrás dele. queria que ela saísse logo de sua casa por bem, senão iria sair por mal. Ele ia sim mandá-la embora, contudo, ia fazer algo para ela parar de perturbá-lo por um bom e, talvez, longo tempo. Respirou fundo e a beijou, um beijo calmo, porém indesejado, apenas da parte dele. Já Bianca, estava amando cada milésimo de segundo.
— Por favor, amanhã nós conversamos. Vá para sua casa, envio uma mensagem para você, está bem?
— Está — respondeu como se estivesse hipnotizada, como se ele tivesse controle cem por cento de Bianca. A garota pegou sua bolsa e, antes de sair, deu um selinho em seu amado, que a acompanhou até a porta, se certificando que ela realmente foi embora.
Um banho morno, pensamentos em ordem, agora sua única coisa em mente era a garota que tinha feito sua tarde a mais surreal que pudesse imaginar. Queria encontrar com ela novamente, faria isso independente se tivesse que ir ao Ibirapuera, ou então até a casa dela. Por que não? Era fácil, ele tinha o endereço dela em seu celular. Levantou rapidamente da cama, pegou o mesmo e procurou o endereço. Maldito aplicativo que não salvou, por que teve que dar problema bem na hora de salvar?! Não lembrava como fazia para ir até o local, e então restava a primeira e única opção. Voltou para a cama pensando nela, e unicamente nela, adormeceu com aquele sorriso doce.
As duas semanas se passaram rápidas e devagar ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo em que queria que passasse o mais rápido possível, para ter a sua confeitaria pronta e conseguir disfarçar para sua mãe que ela estava sem celular, queria que a semana passasse devagar, para, assim, poder ter mais tempo até seu pai chegar da viagem e falar sobre o Casamento Arranjado.

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Segunda-feira. Entrega da “nova” confeitaria e, claro, não teria um mês mais amável e comemorativo do que dezembro, tão doce e frio. O dia estava lindo, com um sol tímido e algumas nuvens cinzentas, uma leve garoa caía sobre São Paulo. A garota terminava de passar o batom rosa quando seu telefone fixo tocou; se levantou rapidamente e correu para atender. No outro lado da linha, era ninguém mais que sua amiga, anunciando que iria passar daqui algumas horas e estava levando um presentinho que tinha recebido da noiva, afinal, foi que tinha feito o bolo e levado para a festa. Em quinze minutos ela chegaria, nesse meio tempo, a mulher terminou de se arrumar e colocou sua sapatilha rosa clara.
Ficou deitada em sua cama, esperando chegar,sem fazer nada e com muita preguiça de ligar seu notebook. Ela apenas ficou pensando alto em tudo que aconteceu no ano todo, desde as dificuldades até as vitórias, mesmo sendo poucas. A campainha soou fazendo-a despertar de seus pensamentos. Se levantou, amarrando o cabelo, e abriu o portão para uma garota com duas caixas grandes.
— Oi, meu amor, só não te abraço porque estou ocupada.
— Oi, . — Deu um beijo no rosto. — Sem problemas, coloca tudo no sofá.
— Colocarei.
— E como foram as festas?
— Foram tranquilas e maravilhosas. A primeira festa, a que você fez o bolo, saiu tudo certinho do jeitinho certo: o bolo chegou lá sã e salvo, sem nenhum defeito; a segunda festa só teve um probleminha, o noivo não quis entregar a aliança para nós, e aí, na hora da troca, ele não sabia onde estava. Por fim, ele tinha deixado no quarto e tivemos que ir até lá. Não foi por falta de aviso. — Ela estava se arrumando no sofá, com as caixas entre ela e sua amiga.
— Tapado. — Riu. — Deveria ter deixado com vocês. — Ajeitou os óculos.
— Resolveu criar vergonha na cara e está usando ele agora?
— É, agora que eu estou sem celular, vou usá-lo.
— Percebe-se. O que sua mãe falou sobre o celular?
— Ela não sabe ainda, mas acha que estou com ele, apesar de que tenho que comprar um.
— Isso não é problema, acredite. Vamos abrir essa caixa, porque estou ansiosa, ela entregou e nem tive tempo de abrir. Segundo ela, o que tem um adesivo de bolo é seu e o sem adesivo é meu, vai entender a lógica.
— É porque sou confeiteira. — Gargalharam. Abriram a caixa e tiveram uma surpresa indescritível. Cada uma ganhou um par de botas de veludo, lindas demais. As duas amaram e calçaram sem delongas. Ambas serviram direitinho, não iam precisar trocar muito menos perguntar para a noiva onde ela comprou.
— Amiga, combinou com seu vestido, você está linda, não muda nada nesse look, entendeu?
— Ok, pode deixar, não mudarei. — Sorriu. — Não quero ser estraga prazer, mas temos que ir para a confeitaria.
— Eu levo você e depois vamos passar no shopping, ok?
— Ok, sem discussão, vou pegar minha bolsa e já volto.

♥♥


Evers terminava de analisar a confeitaria e como tudo tinha ficado no estabelecimento. Conversava alegremente com dona Madalena e sua filha, pareciam ter se conhecido há anos, já que a conversa fluía docemente. Ela explicava a arte da confeitaria, o amor que sempre era passado com o doce, uma lição de vida e o que ele precisava para sua decisão.
— Então, você e seu marido não se amavam e não se conheciam — refletiu.
— Sim, entretanto, nem por isso deixei de ter a melhor história de amor. Aprendi a amá-lo cada dia que se passava. Minha mãe sabia que eu não queria casar, eu não tinha um outro amor igual o livro Cartas para Julieta, só queria fazer todos os cursos e abrir minha confeitaria. Achei que sozinha tudo ia ficar mais fácil, que o amor era só besteira, mas não foi tudo que eu planejei. — Ela se sentou em uma das cadeiras cor de creme. — Sente-se. — Ela o convidou. — Depois que abri minha pequena confeitaria na Itália, vi que, com o tempo, não me sentia completa. Fazia o que eu amava, mas meu coração não estava bem sozinho. Minha mãe percebeu e aí me levou para dar uma volta; nós conversamos tanto, até ela arrancar algumas informações minhas, do modo discreto que ela sempre foi, porém conseguiu, digamos, montar um garoto que eu queria namorar, apenas namorar, como deixei bem claro. E, então, no mês seguinte, me apresentou meu falecido marido, o Rafael; disse que ele era meu mais novo pretendente e não tinha tudo que eu queria em um namorado, contudo, pelo menos era de pele morena. Eu ri tanto e chorei tanto quando minha mãe falou isso, fiquei duas semanas sem falar com ela. Acabou que ele me parou quando eu estava voltando para casa, dizendo que não queria casar também, que queria dar a volta no mundo todo e só depois voltar para seu país de origem, o Brasil. Que ia casar forçado, porque a família dele não aceitava a ideia dele. Isso despertou meu interesse e, já que ele estava com a família dele lá, as coisas acabaram acontecendo.
— Mas, mesmo assim, vocês casaram. — Ele sorriu.
— Sim, porém juramos que não íamos nos relacionar como marido e mulher, seríamos melhores amigos e viajaríamos pelo mundo. Quando nos casamos, ele me trouxe pra cá. — Se referiu ao Brasil. — Me apaixonei por esse país tropical. Ficamos morando aqui por quatro lindos anos, até que um dia eu e Rafael ficamos, como vocês jovens falam. — Os dois riram. — E, alguns dias depois, descobri que estava grávida de Selena, foi aí que começamos a nos amar. Se eu soubesse que sentir o amor verdadeiro e puro é a maior gratificação, teria ido atrás de Rafael a anos. — Ela sorriu olhando para a aliança que ainda usava.
— A senhora é maravilhosa. — segurou a mão dela. — Obrigado por compartilhar sua história comigo, você não sabe o quanto a senhora abriu meus olhos e meu coração. — Seus olhos brilhavam mais por conta das lágrimas.
— Você tem um coração puro, . Não deixe o seu serviço ou o capricho consumir seu tempo, o que mais temos de mais precioso é o amor, e não queira perder isso por um capricho.
se levantou e deu um beijo na bochecha da senhora. Saiu determinado em ir direto para a casa de sua mãe e falar sobre o casamento arranjado, porém ele não contava com seu pai chegando e que já estava em casa. Ele entrou e olhou para a garagem, notando que o carro estava brilhando e o chão molhado. O chofer de seu pai saía da garagem, o cumprimentou com um aceno com a cabeça e entrou na casa. Olhou a sala à procura de seus pais e pôde ouvir a voz dele vindo do escritório. Como a porta estava entreaberta, apenas empurrou-a e entrou com um sorriso amigável nos lábios.
— Oi, pai. — Foi em direção para abraçá-lo.
— Meu filho! Como está a minha empresa? — perguntou sem delongas durante o abraço.
— Bem, pai, muito bem.
Era esse um dos fatores que não gostava: seu pai se preocupava primeiro com a reputação da empresa e só depois com a família. Um dos momentos mais desprazerosos que ele passou foi quando sua mãe recebeu o diagnóstico, Anemia Hemolítica. No caso dela, a doença era autoimune — anticorpos atacavam as hemácias — e haviam momentos em que Lisa sentia fadiga, fraqueza e até mesmo ficava pálida, e, nesses dias, largava tudo para poder cuidar da mulher da sua vida.
— E como foi a viagem? — indagou, tentando manter a calma.
— Foi excepcional, fechei contrato com uma vinícola lá na Itália — contou calmamente.
— O que?! Pai, não temos nem condição de pagar a cirurgia da mamãe e você fecha um contrato com uma vinícola? Não acredito que estou escutando isso do senhor. — Ele se controlava.
— Mas com que dinheiro? — Lisa disse, aflita.
— O que ia dar entrada para sua cirurgia — falou, pegando a garrafa que trouxe consigo e colocando na taça. — Prove, filho.
— Não, obrigado. — Respirou fundo e apoiou uma de suas mãos na cintura. — Entendo que queira investir em algo que nossa família gosta, contudo, agora, nesse exato momento, nós só devemos nos preocupar com a saúde da mamãe.
, meu filho. — A voz doce de Lisa ecoou no escritório. — Não se preocupe, entendo o seu pai.
Ele sabia que ela entendia, mas não aceitava as atitudes dele.
— Tudo bem. — Não queria mais discussão. — Eu, na verdade, vim aqui para dar uma notícia.
— E qual seria? — Arthur deu um gole farto.
— Eu estava pensando e formulei uma ideia, como os senhores sabem. — Parecia que ele estava apresentando um seminário. — Eu venho com certas complicações relacionadas a relacionamento, então pesquisei e cheguei na conclusão que quero um casamento arranjado. Vocês escolhem a noiva, claro, ela tem que ser ideal para mim e não posso conhecê-la até o dia do casamento.
— Mas, ... — Sua mãe foi interrompida.
— Lisa — Arthur falou em um tom reprovador. — Nós aprovamos a ideia, vamos escolher a mulher ideal para você e nossa empresa. — O homem, mais uma vez, pensava no dinheiro.
— É isso mesmo que você deseja, meu filho? — questionou a mulher.
— Sim, mãe, e confio na sua escolha. — Enfatizou o final.
— Está bem.
— Vou indo, tenho que terminar umas papeladas e então ir à festa de um amigo.
— Se cuida, vai com Deus — sua mãe desejou e abençoou.
— Até mais, pai — Evers despediu seco e ainda revoltado.
— Mande os números ao chegar lá.
Não respondeu, mas fez um sinal com a cabeça, que estava a mil e inconformada com o que aconteceu. Arthur não tinha direito de fazer isso com sua mãe, usar o dinheiro da cirurgia e deixar por isso, como se fosse algo mais normal. Estacionou na vaga adequada e entrou, furioso. Precisava se restabelecer antes do seu próximo cliente; passou as mãos em seus olhos, os pressionando levemente. Pensou em sair dali e ir para um outro lugar, entretanto, não podia. Pediu à Jessica que lhe desse cinco minutos, pois ia descansar um pouco.
— Senhor ? Senhor , acorde, anda. — Jessica o balançava delicadamente. — , não me faça jogar um pouco de água em você — falou um pouco mais alto. — Ok, você quem pediu.
A secretária pegou o copo de plástico que tinha levado até o escritório, molhou os dedos e de uma distância, jogou água no amigo. Ela riu escandalosamente; junto de sua risada, era possível escutar o som do impacto da cadeira e o homem no chão. Ele olhava seriamente para ela, que gargalhava a ponto de não omitir nenhum som.
— Você vai ficar rindo e não vai me ajudar?
— É lógico, o seu tombo foi hilário. — Recuperava o fôlego.
— Péssima amiga você, Jessica — brincou. — Ao invés de ser gentil e me acordar com carinho, você joga água em mim. — Segurava a risada.
— Sem drama, por favor. Eu vim aqui, o acordei como uma boa amiga acorda, você que não despregava o olho, parecia que estava hibernando.
— Problemas — admitiu, ajeitando o terno. — Fecha a porta, eu conto tudo. — Puxava uma cadeira para perto dele.
— Diga-me — falou, voltando para perto dele. — O que deixa esse coração aflito?
— Minha mãe, com a doença dela, precisava de um tratamento. Você acredita que meu pai usou o dinheiro para comprar uma vinícola? — perguntou, servindo café para a amiga.
— Eu não posso acreditar, como ele teve a coragem? — Estava incrédula.
— Minha mãe disse que estava tudo bem. — Se sentou. — Mas sei que falou isso para eu ficar mais calmo e não discutir com meu pai.
— E já sabe o que vai fazer? Incomoda-se se eu tirar o salto?
— À vontade. Eu tenho uma economia guardada, pode ser que eu a use para a cirurgia da minha mãe.
— Pode contar comigo para o que for preciso, porém, , sei que não é só isso. Nós estudamos juntos e trabalhamos juntos, te conheço desde ensino médio, algo mais está atrapalhando você. — Deu um gole no café.
— Estou com medo.
com medo? Me belisca se for um sonho — zombou o amigo, entretanto, não conseguiu tirar um riso dele. — Fala logo, quem sabe eu posso te ajudar.
— Tenho medo de ficar sozinho. Estou com trinta e quatro anos já e não tenho uma família, muito menos uma mulher que me ame e apoie em todas as minhas escolhas. Olha para você, já é casada a quatro anos, está tentando ficar grávida... você me entende?
— É claro que entendo. Eu fiquei à procura do Caio a anos até achá-lo e quando achei, nossa, foi a melhor sensação que tive em toda a minha vida. A gente sente isso só de ouvir a voz da pessoa, quando lemos ou vemos algo que faz ligação a ela é fácil saber, eu soube na hora que era ele. — Foi extremamente sincera.
Evers pensou um pouco enquanto ela falava, e sem querer lembrou-se de e da garota do parque; podia ter se apaixonado por duas garotas e não ter percebido isso antes, e só agora o tapado percebeu que seu coração poderia ter dona.
— Você o conheceu como?
Queria ter a certeza dos seus sentimentos, e só ela poderia falar de uma forma indireta, mas, bem no momento que ela ia começar a contar, Bianca abriu a porta e não acreditava que Jessica estava na mesma sala que ele e do outro lado da mesa.
— Então é ela! Eu não estou acreditando no que estou vendo, você me trocou por uma secretária? — Quase fazia um escândalo.
Os dois se entreolharam, aquele olhar que só amigo entende, e, claro, não ia deixar de passar aquele momento, não com a Bianca fazendo todo aquele drama.
— Nossa. — Ele tentava segurar a risada. — Como você descobriu? Eu disfarcei tão bem. — fingia está surpreso.
— Eu disse para você que aqui iam descobrir tudo se a gente ficasse aqui na sua sala. — Escondeu o rosto em suas mãos e fingiu estar chorando.
— EU SABIA, COMO VOCÊ PÔDE? ME TROCOU POR UMA SECRETÁRIA! — gritou.
— Bianca, e você é o que? — Sara perguntou. Seus braços estavam cruzados na altura do busto. — Dona daqui que não é.
Sara tinha entendido o que seu irmão estava fazendo e, como ela não gostava da sua secretária forçando um romance com seu irmão, não quis fazer parte da brincadeira. Mas não ia julgar ele, já que a ruiva sempre forçava para ter algo com seu irmão.
— Secretária, mas é diferente.
— Não existe nível de diferença, Bianca.
— Bianca, é sério mesmo que você acha que eu e o temos alguma coisa? — Jess se levantou. — Claro que não né? Eu e ele somos amigos há muito tempo, e quer saber, Bianca... Ele não deve satisfação para você, se enxerga, garota, se ele quisesse ser seu namorado, noivo, marido, sei lá o que mais, ele já seria, ok? Deixa-o em Paz!
Jessica falou tudo que estava desejando a um bom tempo, e ver a garota boquiaberta foi a melhor sensação do mundo. Não importava se Sara ira brigar com ela ou mandá-la voltar para o lugar de sempre, a única coisa que estava importando era que seu amigo não ia ter a ruiva azeda — palavras da própria Jess — o perturbando por um longo tempo.
— Agora que você já sabe a verdade, pode voltar ao que estava fazendo — Evers falou curto.
— Como pôde me enganar?
— Não enganei, você que vê coisas onde não existe — retrucou.
— Vamos, Bianca, temos muito que fazer. — Sara a puxava pelo braço.
— Jess. — Evers foi fechar a porta. — Obrigado. — Gargalhava. — Já falei que você é a melhor amiga que eu tenho?
— Sou a única amiga que você tem. — Recuperava o fôlego. — E por nada, independente do que precisar, pode contar comigo.
— Eu vou casar — contou disparado.
— Mas o que?!
— Um casamento arranjado, conversei com os meus pais já, tenho que falar com meus irmãos, contudo, precisei falar para você. — Ele segurou a mão alheia. — Eu não quero saber que meu pai tomou uma atitude dele e você sabe do que estou falando, mas quero que ajude minha mãe e seja a madrinha do meu casamento — suplicou.
. — O abraçou. — Eu não vou deixar ele fazer um casamento por dinheiro, e nem deixar atrapalhar seus planos, se é assim que você vai achar a felicidade, vou te apoiar e ajudar.

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admirava cada cantinho dentro daquela loja, tinha ficado tão lindo que era inevitável não se apaixonar pela confeitaria. O logo no tapete de entrada tinha ficado tão fofo, a luminária central era de cristal, o que dava um toque de luxo para o local; a bancada de atendimento estava de frente para a porta, com os tons rosa quartzo e tom de chocolate em alguns detalhes. O branco também predominava o local. Em uma das janelas, uma grande poltrona na cor rosa, onde duas mesinhas e cadeiras brancas ficavam de frente, dando um contraste perfeito. Já ao lado da parede, duas poltronas, uma de frente para outra, cor de chocolate, davam um toque a mais, já que lembravam um tablete do doce. O assoalho de piso laminado combinava com tudo; era realmente maravilhoso.
O mais novo escritório carregava consigo a foto de família, , sua mãe e seus avós. Uma mesa redonda e branca com duas cadeiras rosas decorava o ambiente; a parede azul carregava consigo o logo da confeitaria. Uma mesa branca com o tampão de vidro, a cadeira de couro sintético macio, combinava perfeitamente com o restante da sala. Não tinha como ficar mais perfeito.
— Não tem outro adjetivo que define sua confeitaria, amiga.
— Está perfeito, não é? Nem parece que era aquele lugar de antes.
— Eles fizeram um trabalho incrível. Já sabe como vai ser o novo cartão?
— Novo cartão? — arqueou a sobrancelha.
— Sim, seu novo cartão — Sara disse, adentrando no escritório. — Você agora tem um novo cartão de visita. — Pegou o pacotinho com todos os cartões de visita e a entregou.
A menina abriu e pegou o primeiro cartão, tinha ficado a coisa mais linda, melhor que aqueles que tinha feito. O tom azul, rosa e chocolate; as bordas superior e inferior tinham uma textura que lembrava glacê azul. O fundo era rosa e com bolinhas cor de chocolate. O nome da confeitaria também estava na cor rosa, porém em um tom mais escuro e com um bolo no final.
— Eu não sei o que dizer. — Chorava. — Eu agradeço do fundo do coração por vocês terem confiado nos meus doces, não sei o que seria do sonho da minha família sem vocês. — Segurou a mão de Sara e Jess. — E sei que deveria agradecer também ao chefe de vocês, mas as duas foram espetaculares comigo. Então, me dei ao trabalho de fazer esses minis suspiros e cupcakes. Ah, e leve para o senhor Diego também.
Selena entregou a bandeja para Jessica, que agradeceu com um sorriso largo. Posteriormente, se despediram das garotas, que saíram com satisfação por ter agradado a confeiteira e sua família. permaneceu no mais novo escritório com sua amiga, enquanto Selena, Madalena e os funcionários iam para seus lugares para dar início aos preparativos para a abertura.


Capítulo 04 - A Festa Socialite


— Eu tenho uma oferta e um convite a fazer. —
— Pode falar. — A confeiteira sentou-se na poltrona.
— Mas eu mereço, agora está se achando a dona do mundo. — sentou-se na frente da amiga, rindo.
— Sou um amor viu. — Riu.
— Ah, não falo nada. A oferta é... Trabalhar comigo, mas calma, não ache que vou tirar você da confeitaria. Como você sabe, foi difícil eu chegar onde eu cheguei e eu sempre tive a sua ajuda. Eu não vou dizer que você não me ajudou porque vou estar negando, mas agora queria algo bem mais profissional e por favor, não ache que é pela nova estética da confeitaria. Mas agora... — Tirou o contrato da bolsa. — Eu tenho uma própria organização de casamento!
— Eu não acredito! A prefeitura aprovou?! — Ela deu pulinhos de alegria na cadeira e bateu palmas suavemente. Estava radiante pela amiga de infância.
— Sim, eu recebi a notícia quando voltava para casa, aí já sabe né, fechei contrato com o lugar que vai ser meu escritório já e com todos os lugares que vou precisar de afiliação, e eu não podia deixar esses doces de fora, então, eu vim aqui também saber se você quer fazer parte da Sonhos de Noiva — Assessoria de Casamentos? Não pensei direito no nome.
— Mas é claro, só me fala onde eu assino. E o nome assim está bom, eu gostei amiga.
— Não vai querer ler? Obrigada, quem sabe fica esse mesmo. — Entregou o contrato e sorriu.
você é a minha melhor amiga, e eu acredito em você desde pequena. — Disse assinando. — Aqui, é um prazer trabalhar com você. — Sorriu.
— Obrigada , agora o convite. — Se ajeitou na cadeira. — Na verdade são dois. Um, é o presente de aniversário bem adiantado. Nós vamos ao shopping, você escolhe e eu pago. O segundo convite é, vamos em uma festa? Vai ser bem legal eu prometo. Uma amiga me chamou, são as famosas festas de fim de ano e aí como só você sabe que vou abrir à assessoria, poderíamos ir para comemorar.
— Podemos ir ao shopping, mas quanto a festa eu não sei. Você sabe que não gosto de sair. — Ajeitava algumas papeladas.
— Por favor, você vai gostar. Também não sou de sair assim, porém, a ocasião pede não acha? — Fez cara de cachorro abandonado.
— O que você não pede chorando que eu faço sorrindo?
— A festa é de uma socialite. Eu a conheci enquanto eu trabalhava para as meninas. Ela e o marido romperam, mas logo voltaram e quando falei que planejava abrir uma assessoria de casamentos, ela topou fazer comigo.
— Eu não tenho roupa para ir.
— Empresto uma das minhas.
— Eu tenho mais corpo que você. — Segurou a risada. — Sabe, sou mais abundante e mulher de peito. — Gargalhou.
— Você vai achar algo que sirva, vai por mim. — Ria junto. — Leva uma blusa, acho que as saias servem em você. — Disse o óbvio enquanto guardava o contrato.
— Está bem, que dia e que horas vai ser?
— Aqui sua cópia. — entregou à mulher. — Vai ser hoje, acho que começa nove horas, mas podemos ir às dez e meia o que acha?
— Acho bom, eu vou fechar a loja as seis horas, mas posso ver se minha mãe fecha e eu vou para casa.
— Gostei, passo na sua casa, ok?
— Ok.
— Bom. — Se levantou. — Eu vou indo, tenho que correr atrás de algumas coisas ainda.
— Vai lá amiga. — Se levantou e foi até ela. — Até mais. Se cuida viu. — A abraçou.
— Pode deixar, e vê se não fica namorando a confeitaria. — Disse se soltando do abraço.
deixou sua amiga na confeitaria cuidando das papeladas e dos doces, se despediu da sua “mãe” e “avó”. Ela poderia considerar, já que conhecia desde pequena. Saiu de lá com um cupcake de cenoura vegano que Selena tinha feito especialmente para ela, e que ficou de passar a receita na versão bolo, mas enquanto ela saia, recebeu uma mensagem de sua amiga avisando que talvez não pudesse ir, na verdade, sabia que sua best estava com receio de ir e não era “preguiça” de sair de casa.
Ela não respondeu, começou a dirigir e passou nos lugares que precisava, logo, ela foi para casa. Agora seu medo, que tinha escondido muito bem de sua amiga, era contar para seus pais que ela iria abrir uma assessoria de casamentos. Respirou fundo e entrou no quarto. Sua mãe estava sentada na cadeira em frente da penteadeira, enquanto uma mulher fazia hidratação em seu cabelo e outra, as unhas da mulher.
— Oi mãe. — Sentou na cama.
— Oi filha. — Sophia disse normalmente. — Chegou de viagem, como foi lá com aquela sua amiga? — Se referiu à .
— Foi tranquilo, nós gostamos. — Continuou com a mentira. — O pai vai demorar?
— E ela pagou a parte dela? Daqui a pouco ele chega.
não respondeu, apenas ficou sentada na cama enquanto esperava seu pai chegar. Fazia tempo que ela tinha saído da casa de seus pais e havia ido morar em um apartamento, tudo por um único motivo: ser independente, sem ter que viver sempre com o dinheiro de seus pais, tanto que, ela omitiu sobre o trabalho e as viagens que ela fazia, afinal, os mesmos eram ricos. Sua mãe não era tão a favor da amizade dela com , pelo fato de ela ser de baixa classe. Não demorou muito e seu pai chegou.
— Pai, mãe, tenho uma coisa para contar a vocês.
— Você vai casar? — Sophia questionou alegre.
— Não mãe, eu vou abrir uma assessoria de casamentos. Já está tudo pronto e já estou trabalhando no ramo, até tenho clientes.
— Como? Nós te damos dinheiro e você vai trabalhar? — Alberto se controlava. — O que você fez com todo esse dinheiro?
— Depositei em uma poupança, e pedi para o gerente da minha conta colocar na sua conta, não se preocupem, eu sei me cuidar muito bem. Eu sobrevivi todo esse tempo com o dinheiro que eu ganhei do meu trabalho.
— Eu não acredito que você fez isso com sua família. — Sophia chorava. — Foi a sua amiga que te incentivou a isso, não é?
— Não mãe, eu mesma escolhi isso. — Abriu a porta. — Mas eu agradeço do fundo do coração tudo que vocês fizeram para mim.
Foi difícil, mesmo sendo algo “banal”, mas para ela, foi o maior passo que deu depois de sair da casa deles. Mostrar que era mais independente do que eles imaginavam. ♡ ♡
tinha se despedido de sua mãe e sua avó. Correu rapidamente para sua casa, tomou um banho e colocou a roupa de confeiteira na máquina para lavar. Separou as melhores blusas e camisas que ela tinha, colocou na mala juntamente de seu pijama, afinal, sabia que iria voltar tarde e pelo menos iria dormir na casa da garota.
Ela ficou andando de um lado para o outro esperando a amiga, até que estava animada para a festa. chegou e mal terminou de buzinar quando já estava no lado de fora da casa. Entrou no carro e ambas foram cantarolando músicas e mais músicas. O caminho foi curto por conta de tanta animação para a festa. Eram seis e meia ainda, então dava muito tempo para se prepararem.
As amigas foram ao shopping, como tinham combinado. Desceram as escadas rolantes e foram para a loja da Motorola. estranhou, já que tinha comprado seu celular a alguns meses, então não teria como e nem motivo para ela trocar o mesmo, até porque, o dela era de outra marca. conversou com um vendedor enquanto as duas ficavam esperando na pequena mesinha do atendente.
— Lembra que eu falei que tinha algo para lhe dar?
— Sim. — respondeu.
— É seu presente de aniversário adiantado. — Apontou para as três caixinhas na mão do vendedor.
— Eu não posso aceitar.
— Não só pode, como deve, ok? Você já fez muito por mim e não digo só com a ajuda, quando eu precisei de uma casa e não queria usar o dinheiro dos meus pais, você me ajudou a mobiliar ela todinha.
— Não tem como eu dizer não?
— Claro que não. — Sorriu.
— Eu vou aceitar. — Sorriu de volta.
— Esses são os modelos, tem no Ouro Rose, Azul Topázio e o Platinum. Sua amiga disse que você estava só na dúvida da cor e que já tinha o modelo definido.
— É, todos são lindos. — Ela admirava o Ouro Rose. — Mas esse é o escolhido. — Entregou para o vendedor.
— Eu vou lá no caixa e então passamos na operadora. — se levantou com sua amiga no encalço.
Depois de acertar tudo do celular, até mesmo com a operadora, elas compraram um sorvete. pegou um de fruta, nada com leite ou derivados do mesmo e como uma boa amiga, acompanhou a garota.
Elas passaram no supermercado para comprar ingredientes para fazer um jantar light e vegano. As duas chegaram em casa, trocaram de roupa e foram preparar o jantar.. apenas fazia o que a assessora pedia, e não é que no final a comida ficou excepcional?
— Meu Odin, isso aqui está maravilhoso! — disse depois de uma garfada.
— Eu sei, fui eu quem fiz.
— Hei, não vai ficar assim não, eu ajudei viu. Sério, nunca comi uma comida vegana tão boa, e imaginar que o Salpicão ficaria assim.
— É, a culinária vegana tem lá suas mágicas. — Riu.
— Só não como mais porque temos uma festa, e pretendo comer ou beber algo lá, não quero ser a antissocial.
— Eu vou lavar a louça, você seca e guarda ok? — se levantou.
— Está bom, mãe. — Riu.
e terminaram de lavar a louça e foram assistir a um filme de comédia na Netflix, enquanto a hora não passava. Depois de um tempo, elas começaram a se arrumar para ir à festa. Enquanto Andrade refrescava-se em uma ducha, — Dezembro realmente estava quente —, realçava os cachos com o creme que dividia com sua amiga, que na verdade, pegava emprestado sem pedir.
Sombra clara nos olhos em um tom perolado, o delineador preto como sempre não podia faltar. Passou o blush e um batom rosa claro. Não era de passar muita maquiagem e também não sabia muito sobre a mesma, então, colocou o cropped azul escuro, com alças largas e com um zíper decorativo, sentou-se na cama e ficou sapeando os canais enquanto esperava sair e se arrumar.
Carol saiu do banho com um vestido vinho colado e com manga comprida, o mesmo tinha alguns detalhes de pedra na parte da gola. A vegana abriu seu closet e pegou um salto preto e o colocou ao lado da cama. Logo se sentou em frente a penteadeira, pegou suas maquiagens e as deixou aberta na ordem em que iria usar. Nos olhos, passou um marrom médio e um delineador — que ficou perfeito. Um batom cor de vinho, quase próximo ao tom do vestido. E por fim, amarrou o cabelo em um coque rosquinha.
— Eu já falei que você está incrível? — comentou.
— Eu sei que sou. Vem comigo, vamos escolher a saia para você.
Segurou na mão de e a levou para o closet onde ela deixava as saias. Pegou todas que havia gostado e que também que combinasse com o cropped dela. provou todas as saias fazendo poses engraçadas, o que fazia as duas rirem. Quando a confeiteira vestiu uma saia longa com uma fenda no lado direito até o meio da coxa dela, ela se olhou no espelho que tinha dentro do closet e ficou apaixonada pelo todo.
— O que acha? — Disse saindo de dentro do local.
— Acho que você vai achar um namorado hoje. — Arremessou uma almofada na amiga.
Besta. — Pegou o objeto. — Eu não vou lá para achar um namorado, vou lá para fazer companhia a você. — Arremessou de volta.
— Eu não falo nada, vamos logo, não quero voltar tarde. — Disse prendendo o salto.
— E eu vou descalça? — Apontou para os pés.
— Me esqueci, perdoe-me. — Entrou no closet. — Olha, prova esse. Por sorte usamos o mesmo tamanho.
— Agradecida. — Disse colocando o salto dourado. — Podemos ir.
As amigas pegaram suas respectivas bolsas e foram para o carro. Antes de ir até o local da festa, passou no posto para abastecer, ou melhor, para colocar ouro no carro, já que o preço estava muito alto. Logo, elas saíram e foram para a festa.

♡ ♡

Era uma casa, a mais linda que ela já tinha visto e achou que superava a casa dos pais de . A casa estava toda decorada com dourado e prata. No primeiro andar, os garçons circulavam com traje prata, segurando a bandeja de comes e bebes — com um pano branco no braço. No centro da sala, havia uma grande e luxuosa fonte de água, com leds iluminando a mesma. Os convidados estavam elegantes demais a ponto de fazer olhar para seu reflexo no grande espelho e achar que não estava adequada para aquela festa.
viu lhe chamando logo a mais com um sinal airoso. A garota seguiu graciosamente até a amiga, esperou a mesma terminar de conversar com a mulher — que diga—se de passagem era a mulher mais elegante da festa. Ao término, a mulher saiu e pegou três taças de bebidas — não alcoólicas — e entregou para as meninas.
eu queria apresentar a você minha amiga, Maethe Paiva Bernardes. Ma, essa é a , minha melhor amiga de infância.
— Prazer em conhecê—la. — Cumprimentaram—se. — A disse muito de você, principalmente por ser uma ótima confeiteira.
— Obrigada. — Disse acanhada. — Mas não sou tudo isso.
— Claro que é, você tem que experimentar os doces dela. Ah, eu nem falei, Maethe e eu nos conhecemos em um evento de casamento, então ficamos amigas e acho que essas taças são para confirmar uma coisinha. — disse com um sorriso nos lábios.
— Sim, eu vou me casar no religioso agora. — Seus olhos brilhavam. — Eu estava conversando com sua amiga, sobre ela fazer o meu casamento, e ela comentou que você quem faz os bolos e doces.
— Sim, nós duas agora trabalhamos juntas. — Sorriu honrada.
— Tudo bem você ir na minha casa e acertarmos sobre os mesmos?
— Sim, mas pode ser que eu demore para chegar.
— Eu levo você, . — falou.
— Bom, então é isso. — Maethe levantou a taça. Vamos brindar o meu casamento.
— Ao casamento! — Andrade disse em comemoração.
As três levantaram as respectivas taças e brindaram. Andrade deixou se divertir enquanto ela conversava com alguns amigos de família e de faculdade, e depois as duas iriam ficar juntas. andou até o bar revestido de mármore preto e com uma iluminação mediana. O bartender estava com a vestimenta despojada, aparentava ter seus vinte e três anos. A garota se aproximou do mesmo e pediu o cardápio de drinks.
— E o que a senhorita deseja? — Disse colocando um porta copo na frente da moça.
— Um Tropicalíssimo, por favor. — Entregou o cardápio.
— Só vai demorar apenas cinco minutos. — Sorriu galanteador.
— Com licença. — Um homem parou ao lado de . — Um Drink Manhattan, por favor. — Pediu em um tom extremamente alto. — Perdoa—me por gritar perto de você, a música ficou alta.
— Sem problemas, não vou culpar você. — Sorriu.
— Amiga da noiva? Ou do noivo?
— De nenhum dos dois. — Soltou a bolsa no colo.
Penetra? — Arqueou a sobrancelha.
— Não. — Riu colocando a mão na boca. — Eu vim com uma amiga, que é amiga da noiva.
— Achei que teria que chamar os seguranças.
— Não precisa. — Gargalhou junto do rapaz. — Eu nem sei porque aceitei vim aqui.
— Aqui está senhorita. — O bartender entregou a bebida. — E o do senhor.
— Obrigada.
O homem apenas agradeceu com um singelo gesto, logo, bebericou o drink.
— Não gosta de festas fechadas?
— Não é isso, eu não sou muito de sair.
“Mais que raios estou fazendo? Conversando com um estranho sobre o que eu gosto e não gosto?! É sério isso ?” — Pensou.
O homem balançou a cabeça demonstrando que entendia. Os dois conversavam aleatoriamente sobre a festa, as músicas que tocavam, os donos das festas, tudo. Eles achavam assuntos para falar de qualquer coisa, mesmo sendo algumas brincadeiras com as decorações.
— Você quer mais uma bebida? — Indagou para a moça.
— O que? — Se aproximou dele.
— Você quer mais um drink? — Disse mais alto.
— Desculpa, eu realmente não estou entendendo, a música está alta.
Então, ele desceu da banqueta e se aproximou dela, e logo falou em um tom razoável ao pé do ouvido dela. O perfume dele era tão suave e ao mesmo tempo instigante — em todos os sentidos —, e aquela voz que saiu um pouco rouca de tanto falar alto a fez se arrepiar toda. concordou com a cabeça. O moço segurou na mão da jovem e pediu dois coquetéis de morango. Entregou para ela e a guiou para uma porta vermelha. Eles subiram dois lances de escadas até chegarem ao terraço da casa de festa. A vista era maravilhosa. São Paulo à noite com as luzes dos prédios acesas era uma bela visão para se ter. estava encantada e mancando.
— Aqui dá para a gente conversar melhor. — Ele disse. — Está tudo bem?
— Sim, só o salto que está incomodando um pouquinho.
— Sente—se. — Apontou para um banco de concreto que ficava perto do para peito.
— Como conhece esse lugar? — Questionou ao se sentar.
— Eu trabalhei aqui. — Riu. — E quando era do expediente, eu almoçava aqui.
— Compreendo. — Deu um gole no coquetel, desviando o seu olhar dele.
Ele se levantou e acendeu as luzes do terraço do local. A luz era fraca, mas iluminava bem os dois. Ambos sustentaram aquele silêncio por um longo tempo. olhava a cidade acesa enquanto bebericava seu drink. Já ele, o dono do perfume suave e instigante, ficava a admirá—la enquanto o vento soprava de leve os fios soltos. Ele deu o último gole em seu drink e umedeceu os lábios.
— É lindo não é? — Comentou .
— Sim, eu já fui para New York, mas nada ganha da beleza de São Paulo.
— E lá é como? — Virou—se com curiosidade. — Eu sempre quis ir, mas nunca consegui.
— É muito bonito. A cidade nunca dorme mesmo e é agitado demais e a noite muito acesa. Mas te digo, você pode ir até lá, mas no fundo, vai sentir falta dessa vista. — Olhou para os prédios.
— Quero poder ir lá um dia. — Suspirou e mexeu em seu tornozelo soltando o salto e deixando o mesmo em um cantinho.
— Está tudo bem? — Se referiu ao tornozelo.
— Sim, só uma dorzinha. Eu torci ele e não era para estar usando salto.
— Compreendo.
Ele a olhava. Depois que a garota disse do tornozelo, tudo fazia sentido. Estava ótimo bom demais e não podia ser verdade. Seu coração acelerou de uma forma que nunca jamais sentiu. O que aquela noite lhe guardava para trazer a jovem até ali? Respirou fundo, não acreditava que era possível.
— Eu nem apresentei, sou , mas pode chamar de Chris. — Estendeu a mão.
, mas pode chamar de . — Apertou a mão do jovem, tirando uma mecha da frente de seu rosto.
Ele a fitava enquanto acariciava delicadamente a mão da garota. Era um sonho ou um sentimento parecido, mas no fundo, ele sentia que a conhecia de algum lugar de um momento não tão distante. Com flores, sol... Do patins.
— Desculpa a pergunta, mas você é a garota que eu ajudei com o patins?
— Acho que sou. — Ruborizou. Estava sem jeito até para confirmar que era ela.
— Você está bem? — Se preocupou.
— Sim, se não fosse por você, acho que não estaria aqui e sim em casa de molho. — Sorriu acanhada. — Obrigada. — Se ajeitou esticando a perna.
— Pelo menos eu pude ajudar você. — Se aproximou dela. — Não imaginei encontrar com você outra vez. — Mentiu. Ele desejava perdidamente vê—la novamente.
— E aqui estamos, na festa que cogitei inúmeras vezes em não vir.
“Agora, justo agora, depois que decidi meu casamento você me aparece, !” — Pensou.
Era como se todos os assuntos que eles tinham, houvessem se acabado no exato momento em que eles se conheceram, ou melhor, lembraram quem era quem. Ele estava perto demais, ela apenas se afastou um pouco, tirou o outro salto e colocou as duas pernas em cima do banco de cimento — sem deixar que sua saia subisse ou algo parecido — e apoiou no parapeito para poder admirar mais a vista. Já ele, permanecia a admirá—la, era como se estivesse hipnotizado por ela.
— Eu não quero mais sair daqui. — Ela se manifestou.
— Pode ficar aqui por quanto tempo quiser, ou quando precisar fugir dos problemas.
— Você vem aqui também? — Olhou para ele.
— As vezes, quando eu mais preciso. Se não estou aqui, estou no Ibirapuera.
— Você invade aqui e vem para o terraço? — Ela disse em um tom brincalhão.
— Não. — Riu. — Eu trabalhei aqui, então digamos que, eles me deixam entrar. — Tirou o cabelo do rosto dela. — Mas se quiser, eu ajudo você a vir aqui. Eu posso passar meu número para você e, bom. — Aproveitou a deixa. Entretanto, hesitou, ela se lembrou das mensagens.
— Não precisa, de verdade. — Não queria confusão com a mulher, namorada, ou seja lá o que fosse dele.
— Você tem certeza? — Chris insistiu.
— Sim, quando tiver outra festa aqui e minha amiga vir, pode ter certeza que vou me auto convidar. — Riu.
— Então darei um jeito de vir também. — Sorriu.
— Eu não quero ser estraga prazeres, mas tenho que voltar para a festa, já está tarde e tenho que ver se minha amiga já quer ir embora. — Disse colocando o salto.
— Sem problemas, vamos descer então. Quer ajuda?
— Se eu precisar na hora das escadas, eu vou agradecer.
Os dois desceram as escadas sem dizer uma palavra sequer. Ele desceu atento, já que ela estava com o tornozelo dolorido, mas a mesma fez questão de não pedir ajuda a ele. Seu receio era grande demais, não sabia se a “esposa” dele estava na festa ou pior, se a “esposa” era a dona da festa, — mesmo com ele lhe perguntando de quem ela era conhecida, nunca se sabe quando um homem quer fingir que não conhece e quer dar em cima —. Agradeceu por ter levado ela para o terraço e se despediu, mas não queria que ela saísse e fosse de encontro a amiga.
— Eu sei que você precisa ir, mas aceita um último drink? — A fitava com aqueles olhos .
Ela sorriu e colocou o cabelo para o lado, não tinha como dizer não para ele.
— Sim eu aceito, mas traga algo sem álcool, por favor. Eu vou ficar sentada nos banquinhos de Glitter. — Lembrou da conversa.
— Ok, eu já volto.
Saiu rapidamente para pegar os drinks e deixou a menina sentada no banco de Glitter. Queria que o bartender fosse mais rápido que qualquer outro, só para voltar e ficar mais alguns segundos com ela ou até mesmo levá—la até a amiga dela. Era tanta vontade de passar mais tempo com a ela que até mesmo esqueceu da garota da confeitaria. Quando recebeu os drinks sem álcool, ele foi rapidamente até , mas parou no exato momento que viu ela gargalhando com outro homem, um homem que ele conhecia muito bem.
— Aqui. — Disse estupidamente e entregando—lhe a bebida.
— Obrigada Chris. — Pegou e estranhou a atitude dele.
— Vocês se conhecem?
— Sim. — Chris puxou uma cadeira. — A um bom tempo. — Encarava.
— Eu e nos conhecemos em um dia desses, não é ?
— Sim, é verdade. Apesar de que o Diego não foi muito amigável no dia. — Deu uma indireta que não estava gostando dele ali. Porém Evans não compreendeu.
— Foi um prazer te reencontrar, Diego. — Mentiu descaradamente. — Eu tenho que ir Chris. — Levantou. — Gostaria de ficar mais, mas não posso, até qualquer dia.
Segurou na mão dele acariciando a mesma de uma forma suave e deu um beijo na bochecha do mesmo.
— Obrigada por hoje, por tudo, foi um dos melhores dias da minha vida. — Foi sincera.
Ele sorriu. O sorriso mais lindo que ela tinha visto em toda sua vida. Era como se ela estivesse lendo os livros de romances e aquela bendita parte do livro fizesse com que ela sorrisse pelo casal. foi calmamente até sua amiga, que dançava com um rapaz bonito e elegante. Fez um gesto para ela, que a mesma pediu licença para o rapaz que dançava. A confeiteira explicou brevemente a ocasião e apressou a menina para ir embora da festa. entregou a chave do carro para sua amiga, assim ela já saia da festa, que a mesma parecia a Cinderela correndo para a carruagem antes da meia noite. se despediu de Maethe e do garoto com quem dançava. Saiu olhando para o bar e viu e Diego juntos, porém não trocavam nenhuma palavra.
— Cheguei baby, está mais calma?
— Sim, eu achei que os dois iam brigar no meio da festa. — Bloqueava o celular.
— Quem diria, conquistando o coração de dois príncipes. — Cutucou a amiga, a fazendo rir e pegou a chave.
— Calma ai, um até pode se dizer que é príncipe e outro é um ogro. — Riu. — Eu parecia a Cinderela correndo para não saberem que sou uma borralheira. — Ainda ria.
— Amiga, eu sou um dos camundongos? Quero não. — Gargalhou. — O Diego pediu desculpas por aquele dia? — Parou no semáforo.
— Acredita que não? Ele não fez nada, nem falou daquele dia. Quando o Chris chegou, eles praticamente disputaram quem me conhecia a mais tempo.
— Chris? — Olhou para a amiga com um sorriso nos lábios.
— Eu conheço esse olhar, não vem com essa de que eu gostei dele.
— Mas não falei nada. — Riu.
— Mas eu conheço minha amiga. — Acompanhou a risada.
As amigas chegaram no apartamento, se despiram em seus respectivos quartos e foram tomar um chá antes de dormir. O assunto não foi os meninos, muito menos o jovem que dançou com , o único assunto foi o casamento da Maethe. explicou como a garota desejava a festa e tudo mais, mas não saiba como auxiliar o gosto do noivo com os doces, já que ele era alérgico e intolerante à lactose. Era mais fácil avisar sua nova sócia antes do casamento do que avisar quase que em cima da hora. As amigas se despediram e foram dormir.
Não tinha como não lembrar dos dois, mas principalmente de . Ela fez algo errado na festa, não devia ter feito aquilo, se ela tinha mais do que certeza que ele tinha alguém. dormiu depois de tanto esforço, estava com sono, mas sua ansiedade estava a mil. Será que ele iria fazer o que ela pensava?
♡ ♡
Evans terminou de enxugar seus fios castanhos claros, jogou a toalha no box e foi para a janela. Aquela noite tinha ficado mais do que marcada. Era como um enredo escrito pelo melhor escritor de romances, e que sempre acaba com uma notícia ruim ou saía do encanto do amor. Durante a festa, o homem recebeu uma mensagem de seu pai, pedindo para que ele fosse à casa dele para conversar sobre o Casamento Arranjado.
Sentou—se no chão encostando—se na cama e pegou o pedaço de papel da carteira que estava no criado mudo. A letra desenhada, os números bem apostos simetricamente um do lado do outro, o pequeno pedacinho sem nenhuma linha mostrava o quanto ela era perfeccionista até para recortar o papel sem uma tesoura. Gravou o número no eletrônico, mas a verdade é que nem o papelzinho ele queria jogar fora, ele queria deixar guardado ali por um bom tempo — muito tempo —. Pegou o mesmo e entrou no aplicativo, onde clicou na foto dela. Por sorte ela não tinha deixado visível apenas para seus contatos. Pensou inúmeras vezes se a chamava ou não e então se deu conta que já se passava das três horas da madrugada, então ignorou sua vontade e deitou—se.
No dia seguinte, Evans já estava pronto para ir até a casa de seus pais. Terminava de passar seu perfume e pegou as chaves do carro. Antes de ir para a casa deles, Chris passou em uma floricultura e comprou um pequeno buquê para sua mãe. Ao chegar, entregou o carro para o chofer de seu pai que insistiu em estacionar o automóvel.
— Oi mãe. — Deu um beijo no topo da testa da senhora. — Como a senhora está?
— Oi meu filho, estou bem, estou até bordando. — Mostrou a pequena toalha.
— Isso é ótimo, aqui está... São para você. — Entregou.
— Obrigada, vou colocar em um vaso. — Se levantava.
— Porque não pede para a Rosa? Temos empregada para isso. — Arthur saia da área de lazer. — Entrega para a empregada e vamos conversar sobre o casamento do . — Fez um sinal chamando os dois.
Lisa entregou o buquê para Rosa e seguiu seu marido até o escritório, acompanhada de seu filho. Eles esperaram uma hora para começar a conversar sobre o casamento, já que ele tinha pedido a presença de todos aqueles que eram importante para ele, seus irmãos e sua amiga, Jess. Nem todos, ou melhor, nenhum deles aprovaram a ideia de ter um casamento arranjado, mas também não deixaram de apoiar ele na sua decisão. Já o mesmo agradeceu seus irmãos e sua amiga, que bateu de frente todas às vezes necessárias e no posto de madrinha — já que Arthur queria fazer apenas e unicamente do jeito dele.
Jessica se impôs, avisou e alertou como teria que ser o casamento de seu amigo. Não se importou com os cortes e tentativas de dizer o que era certo do pai do mesmo, apenas mostrou que a escolha e a última pessoa que iria decidir seria — e é — a mãe do Chris.
— Então vai ficar por isso, mesmo vocês escolhendo a noiva e eu, a Mela e Sara e é claro a dona Lisa, vamos organizar a festa e a decoração e fornecer o vestido. Tenho certeza que isso o senhor não vai conseguir deixar bem organizadinho. — Alfinetou.
— Vai ficar lindo Chris, pode ter certeza. — Sara disse alegre.
— Lindo? Vai ficar deslumbrante com elas organizando. — Thiego falou.
— Eu poderia conversar a sós com o meu filho? — Arthur pediu.
Todos se retiraram e foram para a área de lazer, já que a mesa estava posta para o almoço em família e amigos. Apenas os dois ficaram ali. Evans mantinha sua respiração tranquila e serenidade naquele ambiente. Arthur rodou até ao assunto que ele tanto queria conversar.
— Filho. — Colocou o charuto no canto. — Você realmente quer que aquelas mulheres cuidem do seu casamento? Você sabe que eu vou fazer um bom casamento.
Evans entendeu onde ele quis chegar.
— Sim pai. — Respirou fundo. — A mamãe e as meninas vão fazer um bom casamento, eu confio nelas.
— Bom, para que você saiba, a sua futura noiva vai ser a altura do nosso sobrenome.
— Está bem. — Sabia que não teria como e nem porquê dele discutir com o mais velho. — O que o senhor achar que é melhor, para a família é claro. — Alfinetou. — Eu estou de acordo.
— Está amadurecendo filho. — Se ajeitou na cadeira. — Estou orgulhoso de você, está se tornando um homem de negócios.
respirou fundo, não queria mais discutir com seu pai sobre o mesmo assunto mais uma vez.
— Obrigado pai, estou aprendendo com o senhor. Agora vamos, não vamos deixar todos esperando nós para o almoço.
A família Evans e seus amigos, sentaram—se à mesa depois que os dois adentraram o ambiente. Fizeram uma prece, mesmo sendo algo que Arthur não gostasse muito. Tradição da família da Lisa, na verdade, depois de um tempo, Arthur já não se importava com nada — o que já foi ressaltado inúmeras vezes por . Não tinha explicações para as atitudes do senhor, muito menos para o que ele se tornou. O único medo da família era o que poderia acontecer mais para frente, tanto com eles quanto a mãe, dona Lisa.
Rosa terminou de servir a sobremesa e retirava a louça usada. O assunto era um só, e o todos os comentários Evans aprovava e aceitava, principalmente as ideias para a festa e como seria a futura senhora Evans — menos do pai dele.
♡ ♡
Já estava em casa e a essa hora era para estar dormindo, estaria se aquele pedacinho de papel não estivesse na mente dele. Para que se importar com uma pessoa que já estava com o seu amigo de trabalho? Mas ele iria conquistá—la. Só queria ser amigo dela e nada mais. Pegou o mesmo e discou lentamente para o número. Ficou olhando para ele no visor do celular por longos dois minutos, o que já era muito tempo para um coração desesperado. O que restava, era se encontrar com ela e o resto era deixar acontecer naturalmente, mas o lugar ele já sabia qual.
Na manhã seguinte, colocou uma roupa de corrida, mas dessa vez estava de calça escura, já que a manhã resolveu acordar um pouco fria. Pegou o molho de chaves e a garrafa d'água e foi até o parque com seu carro. Ao chegar, viu que os terciários terminavam de arrumar o parque para o natal. Esse ano, a decoração era de doces inspirados nas cores ambientais. Era como se aquele clima descrevesse algo para ele, mas o que exatamente?
Ele andava mais preocupado procurando pela garota dos patins brancos quebrados do que realmente em se exercitar. O homem se aproximou do lago, onde a árvore de natal ainda não estava acesa e, lá estava ela, mexendo no celular e anotando algumas coisas no caderno de girafa. Respirou fundo umas mil vezes, talvez mais. Ajeitou sua roupa e discretamente verificou suas axilas. O que foi? Ele não podia estar desagradável nessa parte. Ok, estavam bem cheirosas por sinal, graças ao desodorante para homens incríveis.
— Oi. — Disse atrás do banco, mas ela não tinha escutado. — Oi. — Dessa vez cutucou o ombro dela.
— Ah, oi. — Tirou os fones. — Chris! — Seu coração se alegrou. — É tão bom te ver. — Deixou sair a frase espontaneamente.
— Como você está? Posso. — Apontou para o lugar vago.
— Pode sim, estou melhor, graças a você. — Corou. — Então, correndo mais uma vez?
— Sim, manter a forma. — Mentiu. — E você?
— Fazendo umas anotações do meu trabalho, já que não posso vir aqui para andar de patins.
— Ele quebrou ou desmontou?
— Quebrou infelizmente. — Guardou o caderninho e pegou a garrafinha. — Vou ter que comprar outro.
— Que pena, são muitos caros?
— Não muito, mas eu consigo desconto. — Riu.
E então o silêncio pairou mais uma vez entre eles.
— Você vai ficar aqui no natal? — Ele começou a perguntar. — Ou vai passar com o Diego? — Seu tom mudou.
— Como assim? Que Diego? — Realmente não se lembrava.
— O da festa.
— Ah sim, não. Eu não tenho planos com ele. Vou passar em casa com minha família e talvez minha amiga, e você?
— Passarei com minha mãe, já que meu pai vai trabalhar. — Disse desanimado.
— É a primeira vez que ele vai trabalhar? — Olhava fixamente para aqueles olhos .
— Não, já faz um bom tempo. A gente se acostuma, mas não é a mesma coisa sem a presença dele.
— Eu não posso te ajudar muito com isso, mas saiba que logo ele estará com vocês. — Sorriu amigável.
— Sim. Quer tomar um sorvete ou comer um bolo? — Chris mudou de assunto.
Hm, pode ser eu aceito.
sorriu por ela ter aceitado, ficou pensativo quanto onde leva—la, já que ela não especificou direito. Teria que escolher no meio do caminho e torcer que ela gostasse dos dois lugares.
Sabia que na confeitaria os doces eram maravilhosos, ela iria amar o lugar, ainda mais agora que estava com nova fachada, e também, um sorvete as sete horas da manhã não era tão agradável assim, ainda mais com o tempo meio frio. A única escolha seria...
— Chris? — Ela o chamou.
— Sim. — Revezou o olhar entre ela e a rua.
— Tudo bem nós irmos tomar um sorvete? Tem uma sorveteria aqui perto que vende sorvete de passas ao rum.
— Claro, aqui mais uma vez coloque o endereço. — Entregou o eletrônico.
— E a senha é?
— 0202.
— Desbloqueado com sucesso, vamos ver se eu não apanho para usar um iPhone. — Riu.
— Qualquer coisa nós paramos e eu te ajudo.
Alguns segundos depois.
— Acho que vamos precisar parar. — Ela ria. — Não presto para mexer em um iPhone.
— Vamos lá eu te ensino. — Desligou o carro.
Chris tirou o cinto e se aproximou mais de , deixando seu braço passar pelo banco, dando apoio para seu corpo não cair sobre a confeitaria. E então ele explicou para ela. Mesmo com sua amiga tendo um celular igual — pouco mais atualizado — não se dava trabalho para poder entender o mesmo, ela era amante do bom e velho Motorola.
— Ai aqui você coloca o endereço. Esse aplicativo é um pouco complicado, mas é melhor, o caminho é mais exato, além da voz ser personalizada. — O arquiteto explica olhando nos olhos castanhos da garota.
— Mil vezes mais fácil. — Sorriu.
— Quando sairmos juntos você já vai saber como colocar a rota. — Deu a deixa.
— Quando sairmos juntos. — Aceitou. — Vou usar meu celular isso sim. — Deu uma piscadela.
— Ok, faremos do seu jeito. Agora vamos para a sorveteria. — Colocou uma mecha atrás da orelha dela.
— Vamos. — Concordou em um tom baixo.
Sartori tinha se esquecido da garota que havia deixado mil mensagens para ele no dia em que ela caiu. Também não fazia questão de se lembrar da mesma. Conversaram e cantaram como se já tivessem se conhecido a tanto tempo. Entre idas e vindas de assuntos inacabáveis, poderiam passar mais de horas conversando.
Quando chegaram à sorveteria, esperou por Chris atrás do carro — não literalmente — assim entraram juntos no estabelecimento. A garota pegou o cardápio e depois se sentaram em uma mesinha de vidro quadrada. A mesma indicou os melhores sorvetes e também acompanhantes para as bolas coloridas e geladas. E ele parecia uma criança prestando atenção no herói favorito.
— Bom dia, qual o pedido do casal? — Uma senhorinha se aproximou deles.
— Quero duas bolas sorvete de passas ao rum e uma de morango, por favor.
— E o senhor?
— Uma bola de Kiwi, e outra de leite em pó, por favor.
— E para a cobertura?
— Você quer ? — Evans perguntou.
Fez um sinal negativo com a cabeça, enquanto tomava água.
— Não obrigado. Leite em pó, esse é novo para mim, é realmente bom?
— Sim, é o meu segundo favorito, mas não consigo ficar seu meu sorvete de morango. — Sua expressão era de apaixonada pelo doce.
— Por que não te conheci antes? Assim saberia desse sorvete. — Disse a si mesmo em outro sentido.
— Não sei, quem sabe a vida fez você passar um bom tempo sem saber a maravilha desse lugar.
— Aqui está o pedido de vocês. — Colocou na mesa.
— Obrigada. — Agradeceu. — Agora você vai provar o melhor sorvete de São Paulo. — Disse ela pegando uma colher farta de passas ao rum, e ficou o encarando, esperando pela reação dele. — E então o que achou?
— O melhor sorvete.
— Eu disse, agora prova o meu. — Empurrou a tigela.
Ele pegou um pouco de passas ao rum e provou separadamente do morango, e depois os dois juntos. Ele olhou para ela que sustentava o olhar curioso sobre a resposta dele e a única coisa que Chris fez foi puxar para mais perto o sorvete de , fazendo assim, ela gargalhar e mudar de cadeira para chegar mais perto do homem. Quem passava do lado de fora e olhava os dois daquele jeito, imaginava que era um casal apaixonado por anos e anos, mas na verdade eles mal tinham se conhecido.
— Tá legal, deixa eu pegar de volta meu sorvete senhor . — Estava próxima dele.
— Está bem, mas só mais um pouco.
— Desse jeito eu terei que pedir outro. — Fingiu estar brava, entretanto riu.
— Eu pago dois se quiser. O que você está fazendo?
Ela passou o dedo no sorvete de morango, e sorria ao falar.
— Saco sem fundo você. — Passou no nariz dele. — Eu sei não temos muita intimidade para isso, mas a culpa foi sua. Você quem começou.
— Está perdoada dessa vez. Vamos terminar e voltar para o parque, eu... — Evans parou de olhar para o celular que tocava em seu bolso.
— É importante? — Ela indagou.
— Não, podemos continuar a conversar.
— Ok então. O que você ia falar mesmo? — Comeu um pouco de morango.
— Eu ia dizendo que... — Seu telefone tocou mais uma vez.
— Sério, pode atender.
— Não é nada importante, acredite.
— Chris. — Tocou novamente. — Não ignore a ligação, eu vou lá pagar os sorvetes, você já tinha deixado o dinheiro aqui na mesa. Eu me encontro com você lá fora, ok? — Disse se levantando.
A jovem pagou os sorvetes enquanto conversava no celular. Ela saiu do local e viu nitidamente que ele estava irritado. Sua expressão demonstrava isso já que ele se mantinha muito educado nas palavras. se aproximou dele, que a olhou em nervos. Ela sabia que não era consigo, mas mesmo assim, pensou duas vezes se devia se aproximar dele ainda conversando ou se esperava ele desligar. Optou por ficar e esperar.
Não Bianca, eu já disse que não! Tenho que desligar. Tchau!
Foram as únicas palavras que ela pôde ouvir, depois que Evans percebeu que a patinadora já estava à sua espera.
O nome era familiar para , era o mesmo nome da garota das mensagens. Não podia ser, ele tinha namorada? Noiva? Esposa? Seus pensamentos começaram a criar tantas histórias. E a teoria da amiga poderia estar certa. Estava tão distraída que não viu o arquiteto se aproximar.
— Me desculpa, podemos ir? — Sorriu de lado.
— Eu tenho que ir para casa, ajudar minha mãe em alguns afazeres do emprego.
— Eu te levo então.
— Não precisa, eu insisto, eu vou de ônibus, não é tão caro.
— Por favor , deixa eu levar você. Você mal se recuperou e já vai sair andando assim.
— Eu estou bem, não perdi meu tornozelo, e não se preocupe, eu sei me cuidar. — Forçou um sorriso.
, fazer você gastar dinheiro com ônibus quando eu posso dar uma carona. Não me sinto bem. — Passou a mão no cabelo e depois cruzou os braços.
— Chris. — Se aproximou. — Eu vou ficar bem, acredite. — Acariciava o braço do rapaz. — E é só quatro e cinquenta a passagem. — Sorriu sincera. — Se alguma coisa acontecer eu consigo me defender, mamãe me ensinou alguns truques.
Era verdade, afinal, sabia muito bem se comportar com situações de risco e desconforto, e isso tudo dentro de um ônibus.
— Eu posso te ligar?
Sim. — Disse mesmo querendo falar um “Não, você tem uma mulher!”.
Mas qual o problema dela ser amigo de um homem?
— Ok, as dezoito horas eu ligo para você. Vou resolver tudo e aí eu ligo o mais rápido possível.
— Estarei aguardando, vou indo. Até Chris.
— Até .
Ele a envolveu pela cintura, deixando aquele perfume floral adentrar junto do ar, no mesmo momento em que depositava um beijo — um pouco melado, no rosto dele. A garota se afastou daquele abraço sorriu, acenando para ele enquanto caminhava em direção ao ponto de ônibus.
♡ ♡
estava nas nuvens. Mesmo sabendo que era errado sentir atração por um homem comprometido, outra parte de si se alegrava apenas por poder olhar para ele e sentir se bem e algumas vezes segura, porque você nunca se sabe quando vai cair novamente dos patins ou por ser estabanada — quando se falava de , tudo era possível.
A menina deu um beijo em seus familiares e foi trocar de roupa no mais novo vestiário da confeitaria. Fez um rabo de cavalo alto e sentou—se na cadeirinha ao lado de seu armário. Mandou uma mensagem antes de entrar e começar a fazer os pedidos. A mensagem era para a única garota que sempre esteve ao seu lado, Andrade, mas para os íntimos, —. A essa altura, até todos aqui estão íntimos dela.
A ruiva deu um grito do outro lado do aparelho, assustando o trabalhador que tirava a medida do ambiente. Ela se desculpou e foi para um cantinho mais reservado, e lá advertiu a amiga — por mensagem — por ter permanecido em uma conversa enquanto ela sabia que o homem tinha uma companheira. A amiga se despediu, ainda brava com a confeiteira, mas entendia o lado dela, não podia obrigar ela deixar de gostar de alguém assim tão rápido. Sim, gostar. Andrade conhecia muito bem a garota e sabia que a mesma estava começando a gostar do homem comprometido.
Depois de ter desligado o celular e o colocado no armário, amarrou o avental na cintura e quando estava prestes a sair, escutou seu celular tocando. Revirou os olhos e automaticamente atendeu o celular sem ler o nome.
Meu amor, isso tudo é saudades? Mal conversamos e você já me liga.
Um silêncio pairou no outro lado da ligação. só escutava a respiração um pouco pesada. Nem passou por sua cabeça em tirar o celular do ouvido e ver se era uma emergência da amiga, mas foi aí no exato momento que pôde ouvir...


Capítulo 5 — Happy Christmas!


— É, ? Sou eu, , eu liguei na verdade para saber se você chegou bem.
ficou ruborizada, não sabia onde se esconder, sentia que Evers conseguia vê-la através da ligação. Bateu a cabeça silenciosamente no armário.
— Oi, eu achei que era minha amiga, me desculpa.
— Não precisa se desculpar. — Continha a risada. — Você chegou bem?
— Sim, o ônibus veio voando.
— Fico mais tranquilo, eu queria poder falar mais com você, porém tenho que arrumar algumas coisas aqui.
— Não tem problema, eu preciso trabalhar também. Até, .
Até, .
Ele ria no carro, e ao mesmo tempo não deixava de transparecer a felicidade que era falar com ela, era incrível essa sensação. Sentia que tinha feito uma grande amizade naquele momento e que não ia conseguir ficar sem a mesma, entretanto sabia que algo estava errado com aquela sensação e com tudo o que estava a sentir naqueles dias, ainda mais depois que ele a levou para um passeio na sorveteria. Mas tudo isso saiu do seu devaneio depois que Bianca mandou uma mensagem para . Ele bufou ao olhar para o visor e pensou consigo mesmo “Quando é que ela vai entender que não desejo mais nada com ela?”. Mesmo assim, enviou uma mensagem para ela e ia ser a última mensagem relacionado a esse amor que ela sentia por ele. E, não, não teria mais volta, ele ia dar um basta nesse fogo de Bianca.
Depois de mandar a mensagem para sua nada querida “amiga”, ele foi para o shopping. Precisava terminar de escolher o presente das mulheres da sua vida e de seu irmão. É, não sabia e também não desejava comprar um presente para seu pai, não era egoísmo, nem raiva, ele só não queria saber que seu pai mais uma vez desprezou algo que ele comprou com carinho e amor. Não é fácil ser filho de um Arthur Evers.

♡ ♡


Chegou em casa e, antes de estacionar, viu que Bia já estava no carro dela com um cigarro na mão. Ela jogou no chão ao ver o homem descer do carro e apagou o mesmo com o bico fino. Ela andava rebolando e soltando o seu coque vulgarmente, aquilo revirava o estômago do arquiteto.
— Oi, achei que não ia chegar nunca. — Tentou beijá-lo.
— Oi, Bianca, espere aí fora, eu vou guardar o carro.
— Mas seu portão não é elétrico? — Questionou.
— Não fiz questão de deixar assim. — Terminou de abrir.
— Não te reconheço mais. — Entrou na garagem.
Guardou o carro na garagem e tirou os presentes de dentro do porta malas, era inevitável que os olhos castanhos cresceram ao ver a sacola da Dolce & Gabbana; Era para ela, ela não teve dúvida. Primeiro ele a chama para ir até sua casa, depois compra uma D&C, e o próximo passo era simples se tornar a senhora Evers. Ela conseguiu, sua alegria ia às alturas. Os dois pegaram o elevador e foram até o andar onde ele morava.
— Então. — Sentou-se no sofá. — É para mim? Eu sei, não precisa ficar assim, eu entendo você estava estressado e não conseguia mais focar em uma coisa, eu compreendo seu lado de querer se afastar de mim. — Se levantou e passou os braços envolta do pescoço dele. — Eu sabia que você ia voltar para mim.
Completou sua frase com um sorriso nos lábios e com o hálito de cigarro invadindo pulmão do homem. Era o último odor que ele precisava sentir depois de dois meses sem fumar. Ela sabia o que fazer e como fazer, afinal era ela que fazia ele desandar da linha, e foi por isso que Bianca foi forçada — pela dona Lisa — a tirar férias por dois meses.
— Bianca, você está entendendo tudo errado, vamos conversar. Sente-se e, antes que eu me esqueça, a bolsa não é para você.
— É para aquela secretaria, né? — Olhou com desdém. Ele suspirou.
— Eu quero colar as cartas na mesa, e que você entenda de uma vez por todas, Bianca, o que tivemos foi bom, mas agora eu mudei, não quero uma garota apenas para diversões, muito menos para enriquecer minha conta bancária. Eu quero e preciso de uma mulher doce, companheira... — Suspirou. — Eu preciso da mulher dos meus sonhos, e me desculpe dizer assim na maior sinceridade, você não é ela, você é linda, atraente e tem um futuro brilhante, vai encontrar um homem que faça todos os seus desejos se realizarem. — Foi sincero em todas as letras.
. — Se levantou. — Você está usando alguma droga? Maconha, Cocaína? É sério, você está muito brizado, eu sei que você não vive sem mim, isso é ideia das suas irmãs, já que seu irmão é um viadinho e não podem fazer isso por ele.
Evers continha todo o respeito, mesmo com ela desrespeitando seu irmão.
— E claro, a sua mãe, meu Deus, como eu não pude perceber! — Andava de um lado para o outro. — Como não pude perceber que aquela...
— Bianca! Se retire da minha casa, você não tem o direito falar nada sobre a minha mãe, muito menos sobre a minha família. Agora, antes que eu perca cem por cento da minha paciência com você. — Tentava manter-se calmo e educado.
— Eu vou, pode ter certeza que eu vou, mas você, , você pode ter a certeza que eu seria sua esposa, e farei de tudo para ser sua mulher!
Ele a ignorou, pegou as sacolas de presente e levou para seu escritório, e só depois percebeu que não havia comprado o presente para Jess. Ele esqueceu de comprar o presente para sua melhor amiga.
Estava cansado demais para poder sair e comprar, e até mesmo para fazer seu próprio jantar, então concluiu que a melhor forma era pedir uma comida italiana e abrir uma garrafa de vinho. Depois de seu jantar, ele foi se deitar.

♡ ♡


terminava de anotar os pedidos no novo caderno, era quase meia noite e ela permanecia acordada em seu quarto. Era impressionante com uma reforma poderia fazer tantas coisas, como dobrar os pedidos, de dois para quatro. Mas era a verdade, ainda mais para elas, que não tinham tantos pedidos assim e só vendiam meia dúzia por semana de pedaços prontos e cupcakes. Olhou o celular pela última vez com uma pequena esperança de que ele tivesse mandado uma mensagem para ela. Desistiu, de tudo, estava cansada demais, suas costas doíam de tanto ficar sentada e seus olhos pesavam, ela tinha que estar de pé amanhã cedo, já que ela ia fazer alguns doces especiais de natal.

♡ ♡


terminava de sovar¹ a massa do pão natalino da vovó. Na verdade a receita era do seu avô, tradição de família que todo homem fazia, mas como ele era rodeado de mulheres — no Brasil, ele passou a receita para Madalena, que ensinou e Selena. Entretanto, como sempre pensava na amiga, ela modificou a receita e a tornou vegana. Enquanto uma massa descansava, ela foi tirar a fornada da outra que estava já pronta, a não vegana, e colocou em pequenos potes natalinos para vender.
Ela olhou mais uma vez no celular e não tinha nada lá, nem mesmo uma chamada perdida. Voltou para dentro da cozinha, pegou a fornada de mini Panetones, colocou na vitrine e foi para seu escritório dar baixa em alguns pedidos e anotar alguns ingredientes para comprar. Lá de cima ela escutou o sininho da porta e, depois de alguns minutos, uma voz familiar. Ela queria sair de lá para poder ver quem era, já que a voz era familiar, mas o telefonema com o fornecedor a segurou ali o tempo todo.
— O senhor só vai levar um Panetone? — Selena perguntou.
— E dois Cannolis, minha mãe ama Cannoli. — pediu com um sorriso involuntário.
— Aqui está, qual a forma de pagamento?
— Cartão.
Selena pegou a maquininha, depois de registrar as duas vendas, e entregou para Evers.
— Aqui, só colocar a senha.
— Pronto.
— Obrigada, e volte sempre, Feliz Natal! — Desejou Selena.
— Para você também. — Fez um movimento de agradecimento com a cabeça.
Mesmo correndo até a porta e descendo os dois degrauzinhos, ela não conseguiu ver o homem da voz familiar, e muito menos não teve a vontade de ir atrás dele. Aquela voz balançou o coração da confeiteira. Seu coração batia desesperadamente, ela sabia que se fosse até a porta daria tempo de ver quem era ele, mas por algum motivo ela travou ali e não conseguiu mais ir atrás do homem. Ela só saiu de seus pensamentos quando sua mãe a chamou, perguntando se procurava algo. A garota negou, mas na verdade procurava o homem que no fundo ela sabia que era o investidor.
Voltou para sua sala e sentou-se em sua cadeira, se questionou inúmeras vezes como podia sentir um calafrio na barriga quando escutava a voz do investidor. Terminou de arrumar as papeladas e emitir as notas fiscais, desceu e foi terminar de preparar os bolos e os pães natalinos. Até o natal, ela sabia que iam sair muitos desses pedidos, principalmente o panetone; No fim do expediente, ligou para sua amiga para confirmar se ela ia realmente passar o natal com ela e não com seus pais. Entretanto ela já imaginava a resposta.

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colocou sua digital no portão do prédio de sua família, esperou que fizesse a leitura para abrir o mesmo, mas foi sem sucesso. Tentou mais uma vez e logo escutou o porteiro a chamando.
, você não pode entrar. — O senhor de meia idade bem vestido falou.
— Como não, senhor Alfredo? Meus pais moram aqui eu tenho a autorização.
— Eu sei, . — Suspirou, estava com dó da ruiva. — Mas eles pediram para tirar sua digital, você não tem mais permissão para entrar, porém você sabe que, por mim, eu deixava você entrar.
— Sim, Alfredo, eu sei. Eu não acredito que eles fizeram isso, como puderam?
— Quer que eu chamo a Fátima?
— Por favor, eu preciso conversar com meus pais, e vai ser a última conversa nossa, não queria, mas vejo que vai ser a última.
— Um momento.
Senhor Alfredo usou o interfone e avisou Fátima, a empregada, que estava lá em baixo à espera que ela abrisse o portão. O mesmo inventou a desculpa que ela ainda precisava pegar alguns objetos que ficaram no quarto dela. Depois de um tempo não muito longo, Fátima desceu e abriu o portão para ela, deixando assim a mulher entrar. Conversou e disse que tudo estava diferente agora, que seu pai, Alberto, estava se isolando de sua mãe e a evitava, já as brigas se tornaram as mais feias depois da última decisão da Senhora Andrade.
— Vem, entre, querida, quer que eu preparo um lanche para você?
— Por favor, , se não for atrapalhar você.
— Não vai, querida. Vem, vamos para a cozinha. E como estão as coisas?
— Bem, nunca achei que ter o próprio negócio ia ser tão gratificante. — Sorria.
— Fico feliz por você, quando der eu passo lá para ver como ficou, mas anda muito corrido, não é fácil cuidar de uma tampinha. — Se referia à sua neta.
— Não tenha pressa, Fátima, pode ir a hora que você tiver tempo.
— Fátima, você viu onde eu... Filha. — Alberto esqueceu até o que ia perguntar. — Como conseguiu entrar?
— Fátima abriu para mim, mas já estou de saída, não precisa se preocupar. — Seu tom era seco.
— Não, pode ficar, não vou fazer você se retirar de sua casa, precisa de alguma coisa?
— Sim. — Alterou seu tom de voz, estava normal, sem estar na defensiva. — Queria saber se vão comemorar o natal aqui ou se vão sair.
— Sua mãe não quer comemorar o natal. — Encostou-se no batente. — Ela quer viajar para Paris, você quer ir junto? Eu sei o que sua mãe fez, mas não acho o certo, mesmo eu concordando com ela que você não precisa trabalhar sendo que tem tudo aqui.
— Então vou passar com a . Não, pai, eu gosto do que eu faço, estou feliz trabalhando. Você devia passar lá, conhecer, sabe, sei lá, ver o que eu conquistei. — Pegou o cartão. — Pai, se você passar lá, pode ter certeza que será o maior presente de natal que o senhor me deu, tirando aquele cachorro grande de pelúcia. — Riu, se lembrando que ainda tinha em seu apartamento.
— Farei o possível. — A acompanhou. — Fátima, poderia fazer dois lanches? — Sentou ao lado da filha.
— Dois lanches saindo no capricho.
Alberto cedeu ao pedido da filha, iria passar lá, mas precisava terminar de colocar todo o restante do trabalho em dia. Mas faria isso sem sua esposa saber, podia dar um outro ataque nela e dizer que não daria mais herdeiros, o que ele já queria há muito tempo. No término do lanche, os dois saíram para ir aos seus respectivos trabalhos. A saudade que ele estava de sua filha falou mais alto, principalmente o amor que ele sentia por ela, não ia deixar um orgulho besta que ele criou em cima de seu dinheiro atrapalhar o relacionamento com sua princesa. Se despediu dela colocando um beijo em sua cabeça. Passou em seu escritório, pegou a pasta que procurava e saiu.
terminou seu lanche e o suco, pegou realmente as últimas peças de roupa e deixou as joias que tinha ganhado de sua mãe; Ela a amava, mas fazia questão de não levar consigo, na verdade, a maioria das peças que ela levou foram todas que comprou juntamente de seu pai. Senhor Alberto sempre foi mais tranquilo em relação aos desejos de sua filha, aceitando a mesma comprar peças de roupas de boa qualidade, mas nunca tão caro, sempre ser discreta com tudo e nunca colocar o dinheiro como objeto de superioridade. No entanto, com o passar do tempo que a pequena crescia, sua esposa fez a cabeça dele, deixando de ser o homem tranquilo em relação ao status –– afinal, sempre se inspirou em seus pais, dois grandes advogados, tinham muito dinheiro, mas não se achavam melhor que todos.

Os dias iam passando, o Natal havia chegado e com ele uma chuva e um frio que nunca se imaginava que podia acontecer. Andrade já tinha fechado seu escritório e estava pegando a chave de seu carro em sua bolsa quando escutou passos fortes vindo em sua direção. Seu estômago revirou suas mãos suavam frio.
— Filha! Já fechou?
— Pai! — Disse mais aliviada. — Sim, mas quer entrar? Ai esperamos a chuva passar um pouco.
— Claro, tampinha, eu trouxe lanche vegano e um com carne.
— Você só me faz rir, pai. Vem, entre. — Destrancou a porta. — Vou apresentando para você cada lugarzinho, pode ser?
— Sim, fique à vontade.
— Ali fica onde apresento os vestidos para as noivas que ainda não tem ou não escolheram, tenho algumas parcerias com estilistas de vestido, como o Lucas Anderi. Ali os ternos, que também deixo para os noivos. Já ali deixo um portfólio de todas as decorações que foram feitas por mim, desde que eu trabalhava em uma agência, até meus casamentos “solo”. Aqui é onde eu arrumo tudo com as noivas, abrimos todos os portfólios, ideias dela, lugares, e colocamos nesta grande mesa de vidro. — O levou para a maior sala. — E ali, naquela pequena porta que não parece nenhum pouco com a do seu escritório — Riu da sua ironia. Era uma porta de vidro opaco que carregava o nome de bem estampado. —, é o meu escritório.
— Nossa, filha, se você não comentasse que não parece com o meu, eu nunca faria uma relação. — Ele ria. — Então é aqui que você cultiva sua felicidade?
— Sim, é nesse pequeno lugar que cultivo a minha felicidade. Nunca achei que falaria isso para você, mas é aqui que eu me sinto em casa. No meio das papeladas, com as noivas me ligando desesperadas com medo de não estarem preparadas, com a me ligando e perguntando se houve uma alteração no pedido do bolo, é aqui eu sou realizada.
— Você montou tudo? Desde a distribuição de setores até a forma de manejar tudo? — Deu uma mordida do lanche.
— Sim, tudinho por mim. É a . — Disse, olhando para seu celular.
— Pode atendê-la.
— Oi, , tudo bem? Precisa de alguma coisa?
Tudo sim, amore, na verdade queria saber se você já está a caminho. São onze horas e sei que do seu escritório até aqui dura mais ou menos meia hora, é a chuva?
— Também, mas meu pai passou aqui e… — Foi interrompida.
— Está tudo bem? Vocês brigaram?
— Não, . — Riu. — Ele veio ver meu escritório, mas agora não sei onde ele vai passar o Natal, tudo bem se ele for junto?
Claro que sim, amiga, só ele se responsabilizar por mais um vinho.
— Vamos levar, pode ter certeza. Tchauzinho. Até, amiga.
Até!
— Estamos atrasados. — Levantou, pegando o casaco e a bolsa.
— Onde vamos?
— Fazer a ceia na casa da . — Parou ao abrir a porta, olhando para seu pai. — Tudo bem para você, né? Digo, não quero forçar você ir na casa dela por ela ser...
— De uma classe inferior? Não mesmo, filha. — Parou na frente dela. — Muita coisa aconteceu depois que conheci sua mãe, achei que a ambição por dinheiro iria acabar, mas vejo que até hoje ela manipula, ou melhor manipulava, nós dois. Deixei quem eu realmente era para a satisfazer, mas até hoje não sei o principal motivo por ela fazer isso.
— Mamãe tem tudo o que quer, se vocês estão tentando me dar um irmãozinho e ela não fez isso, é porque ela não quer. — Usou de exemplo. — Você sabe disso melhor do que ninguém, pai.
— Você está certa. Vamos no meu carro ou no seu?
— Vamos com o seu, eu vou dormir lá.

♡ ♡


— Então ela vai vir com o pai. — Selena falou em um tom de curiosidade.
— Também não entendi, eles não se entendem, quer dizer, não mais.
— É natal, milagres acontecem, sabemos disso. Eles já estavam a caminho? — Dona Madalena desligou o forno.
— Sim, sim. Logo eles estão aÍ. — Colocou mais um prato. — Se ele brigar com alguma coisa, eu remeço arroz de forno. — Riu.
A campainha tocou, já previa que podia ser sua best acompanhada de seu pai; Em direção à porta, ela aumentou um pouquinho mais a playlist natalina do Spotify, destrancou a porta e pulou no pescoço da amiga, como se não tivesse a visto há anos — foram só dois dias sem vê-la ––, a soltou e abraçou o pai dela. Nossa, fazia um tempo gigante que ela e Alberto não se viam, lembrou rapidamente quando as duas saíam de mãos dadas da escolinha e ele a levava para casa, quando sua esposa não estava presente.
— Entre, sinta-se à vontade. — deu passagem.
— Obrigado, como mudou muita coisa! A última vez que eu vim aqui tinham muitas Barbies sentadas no sofá.
— Elas ficam sentadas na prateleira do meu quarto agora. — Riu.
— Iguais as da . — O homem sorriu. — Onde posso por meu blazer?
— Aqui. — Ela pegou. — Fique à vontade, logo vamos cear.
— Amiga, coloquei os presentes debaixo da árvore, como sempre fazemos.
— Perfeito, você tem um lugarzinho do meu lado, viu, moça. — A amiga segurou no braço da ruiva.
Sentaram-se à mesa, cada um em seu respectivo lugar. A mesa farta, com comes e bebes. Alberto e levaram o vinho, como tinha pedido; Senhora Madalena puxou o agradecimento pelo fim do ano e todas as graças que sua família, e o senhor Alberto tinham alcançado, deixou que a oração cantada fosse por conta de sua neta; Depois da oração, se levantou para pegar o saca-rolha para o homem “da casa” poder abrir.
Aquela ceia foi uma das mais animadas, principalmente para , que fazia anos que não sentia o calor do amor paterno perto de si, ainda mais por serem muitos ligados um com o outro. Além de estar ali com aquela pequena família de mulheres italianas que a acolheu como mais uma Sartori postiça — como ela mesmo falava.
Em volta da televisão, os cinco conversavam dos assuntos mais banais e comiam os biscoitos natalinos e, com muita ênfase, veganos que as Sartori tinham feito; Selena olhou no celular as horas e avisou que faltava pouquinho para dar meia noite. , que estava deitada no chão em cima das pernas da tampinha, tateou o tapete em busca de seu celular. Queria verificar se não tinha nenhuma mensagem de seu amigo. Achou estranho. À essa hora, pelo menos aquelas mensagens curtas com apenas duas palavrinhas já era para ele ter enviado.
— Vamos todos lá para fora, vou abrir o espumante lá. — Alberto chamou.
— Papai ama abrir os espumantes. — Ajudou a amiga.
— E ele ama fazer isso com a gente por perto, lembra que saíamos correndo com medo?
— Como não lembrar, ele ainda ria da nossa cara.
— Depois me conte tudo sobre a conversa de vocês.
— Resuminho, não teve conversa, aconteceu do nada.
— Isso se chama natal, amiga, lembra o que meu avô falava?
— Os milagres mais propícios de se acontecer são no natal.
— Ainda bem que se lembra. AI! — Gritou. — Eu não me acostumo com esse som.
— Vocês nunca mudam. — Madalena ria. — Aqui está as taças. — Colocou em cima da mesinha que ficava no lado de fora da casa. — Feliz Natal, minha neta.
— Feliz natal, vó.
— Feliz Natal, por todos os natais que não passamos mais juntos. — Alberto abraçou sua filha.
— Feliz Natal, pão, eu não me incomodo, o melhor presente é você estar aqui comigo com minha segunda família. — Mantinha-se ali nos braços do seu único herói. Pão, o chamava assim quando era pequena.
— Eu já volto, amores. — se soltou do abraço de sua mãe.
Foi correndo para seu quarto com a taça em sua mão e o celular na outra, entrou no mesmo e trancou a porta. Fechou a janela, tentando de uma forma fútil abafar os sons dos fogos.
— Oi!
Me perdoa não ligar antes, tantas coisas aconteceram que tive tempo só agora.
, tudo bem. Feliz Natal!
Você bebeu? Feliz Natal, . — Escutava a voz dele lá do outro lado.
— Acho que duas taças de vinho e uma de espumante, nada de mais.
Nota mental, não deixar você beber quando sairmos.
— Isso é um convite em pleno natal?
Não, pode ter certeza, quando for, farei pessoalmente. — Sorriu, mesmo sabendo que ela não poderia ver.
— Obrigada, prefiro assim. Está com sua família? Ou ficou preso no trabalho por conta da chuva?
Cheguei a tempo, a chuva começou quando coloquei o pé para dentro de casa, e foi aqui que começou a correria. ?
— Oi!
Posso vê-la amanhã?
— Sim. — Mordiscou os lábios. — Me encontra na minha casa?
Encontro, preciso entregar um presente para você.
— Eu nem comprei nada para você, isso não vale!
Não tem problema. Tenho que desligar, até amanhã.
— Até, .
Desligou e se jogou na cama. Era tão errado sentir aquilo?
— Amiga? Está tudo bem? — Batia na porta.
— Sim. — Destrancou. — Só vim atender uma ligação.
— Nós já vamos abrir os presentes, desde quando você atende ligação no quarto? — Arqueou a sobrancelha.
— Era o . — Segurou o sorriso.
— Você está apaixonada!
— Eu não estou!
— Você segurou o sorriso, menina, você é besta?
— Olha... Às vezes sim.
— Eu sei disso. — Riu. — Mas, amore da minha vida, você sabe que ele é...
— Sim, eu sei! Por isso disse que não estou apaixonada. Sabe quando estamos do lado de uma pessoa e só de estar ali nos sentimos bem? Não por amá-la e desejar ela todos os dias falando “Bom dia, meu bebê, te amo, meu bebê”. — Cantarolou. — Mas por ela ser uma pessoa que te faz feliz? Então, é isso que eu sinto, amiga. — Foi sincera.
— Preciso averiguar isso melhor, quando viermos dormir a gente conta tudo. Agora vamos, quero ver o que você tem para me entregar! — Puxou pela mão.
— Vai achando que comprei algo para você.
— Poxa, amiga.
— Não tenho dinheiro.
— Meninas, sentem-se, vou passar os presentes. — Selena anunciou.
— Esse é para a mamãe, juntamente desses. — Entregou. — Essas três aqui são da minha pequena. Aqui está o da . — Entregou dois pacotes. — Esse é do Alberto e esses aqui são meus.
! Você comprou! — Colocou a pulseira. — Douradinha ainda.
— Uê, você me pediu, eu só me matei para achar a pulseira de uma Parabati. Eu tenho também, mas é prata. — Levantou a manga.
— Obrigadinha!
— Eu não tenho mais espaço na prateleira e você me dá uma Barbie Confeiteira, dona . — Os olhos dela brilhavam, se ela tinha um amor secreto era pelas Barbies da vida. Um segredo único sobre , ela conhecia todas as falas dos filmes da Barbie.
— Não resiste, é a sua cara. Olha, igualzinho quando você quer fazer um bolo, mas falaram que é seu dia de folga. — Ria da amiga.
— Você não presta.
De sua mãe ela ganhou um novo avental, já que o antigo estava todo surrado. Esse levava os tons sutis de azuis e pequenas silhuetas de bolos. Comeram a sobremesa vegana que a confeiteira tinha deixado no congelador.

No meio da madrugada, as amigas ainda continuavam acordadas, tomando o vinho que Andrade havia levado. Elas continham as risadas, assim não acordavam as duas mulheres; O pai de já havia ido embora, como ela mesmo sabia e havia avisado a amiga, ele só ia realmente passar a ceia e um pouco com elas. Era a hora que elas mais amavam, quando podiam falar altas besteiras.
— Conte-me mais sobre esse senhor .
— Lembra-se do homem que me ajudou no parque?
— Lembro.
— E do homem da festa da Maethe?
— Sim.
— Então. — Suspirou. — São a mesma pessoa, o mesmo homem, descobri isso no dia da festa. Ele me reconheceu, conversamos desde aquele dia, ficamos amigos, foi com ele que fui tomar sorvete e foi com ele que eu estava conversando hoje. O homem que supostamente é casado.
— Eu estou perplexa, e vocês conseguiram o número um do outro como?
— Eu passei para ele no dia da festa, e na verdade ele não me ligou naquele dia, mas sim no dia do sorvete, que eu não te contei. Saímos para tomar sorvete depois de nos encontrarmos no parque, aí ele me ligou, foi no dia que tinha terminado de falar com você e você estava a viajem.
— Eu não acredito, eu realmente estou sem palavras.
— Acredite, e depois desse dia não deixamos de conversar. — Bebericou seu vinho. — Agora, antes de você começar com suas loucuras, quero falar duas coisinhas, somos apenas amigos e a outra é: conta sobre seu pai.
— Amigos com aspas ou sem aspas?
— Sem, ele tem uma namorada sei lá o que.
— Hm. Bom, eu fui lá alguns dias atrás para poder saber se iam fazer algo de natal, como eu faço sempre, mas eles não estavam em casa eu ia esperar, e no meio tempo Fátima fez um lanche para mim, aí meu pai chega e acha estranho minha presença, mas parecia que dava graças a Deus por ser eu e não minha mãe. Conversamos e chamei-o para ir lá ao meu escritório, achei que ele não ia, mas ele foi, eu realmente fiquei em choque.
— Ele falou algo? De lá? Ou nem reclamou.
— Ele me deu parabéns, e pelo olhar sabia que estava feliz, conversamos e ele falou que ficou mais ganancioso, digamos assim, depois da minha mãe. Eu acho que, no fundo, ele quer se redimir comigo e deixar ela de lado.
— Será? Eu lembro que ele era um amorzinho e sua mãe, sem ofensas, ok? Ela nem sequer direcionava uma palavra a mim.
— É, o tempo faz as pessoas mudarem, como se fosse algum único, eu ainda não acredito que ficamos assim na trégua hoje, mas, como sua vó diz, é natal e no natal acontecem os milagres. — Sorriu alegremente. Fazia tempo que não colocava aquele sorriso no rosto.
— Se for para ele virar aquele homem que não se cansava de jogar a gente para o alto e que me ajudou quando aquele menino implicava comigo, eu aceito.
— Você se lembra disso?! Meu Deus, achei que não recordava.
— Eu lembro, aquele dia eu senti o que era ter uma proteção de pai, e confesso que por horas naquele dia me senti filha dele e sua irmã, até pensei em pedir para ele me adotar. — Gargalhou e logo colocou a mão na boca.
— Por que nunca disse isso? Eu falava com ele, eu sou a tampinha dele, ele ia adotá-la, só que não no papel. — Riu. — Mas com o coração.
— Ai, são tantas coisas. — Apoiou-se na cabeceira da cama. — Eu preciso dormir. Amanhã, quer dizer, hoje tenho que acordar cedo. Está bom só esses cobertores?
— Sim, não precisa se preocupar. Boa noite, amiga. — Desejou.
— Boa noite.

♡ ♡


Evers acordou com o sol em seu rosto, tinha acabado de dormir e já tinha que levantar; Apalpou seu criado mudo em busca de seu celular, olhou as horas com um pouco de dificuldade por conta da claridade do objeto e se espantou com o horário. Era meio dia, e ele nem se quer tinha se arrumado para sair e ir ao encontro de . Sentou em seu colchão, encostando-se na cabeceira, abriu a conversa com e mandou um “Oi”, esperando com toda a calma que ela o respondesse. No fim, eles tinham combinado o horário e o local.
Com um pouco de pressa, tomou seu banho, penteou seus fios castanho claros e olhou seu guarda roupa. Colocou sua blusa vinho de manga longa e pegou uma jaqueta azul marinho, um jeans de lavagem acinzentada e um coturno. Pegou a chave de seu carro e foi até a casa de . Enviou uma mensagem para a garota, avisando que estava à espera dela, a patinadora dava o último retoque no batom e enviou o “estou indo”. A menina vestia o mesmo vestido preto que usou na inauguração da confeiteira, colocou a bota de cano longo e pegou o sobretudo vermelho que tinha ganhado de aniversário de seu avô. Ah, sim, aquele sobretudo era para momentos únicos ou quando ela se sentia um pouco desolada — em outras palavras, quando precisava se sentir mais perto dele.
Avisou sua família e amiga e saiu de casa apenas com a bolsa. Se sentia estranha, já que ele tinha um presente para ela e ela nem isso tinha. Um presente mesmo, não algo feito por ela.
— Oi. — Deu um beijo na bochecha do rapaz.
— Oi, , pronta ou precisa passar em algum lugar?
— Não, só irmos mesmo. — Colocou o sinto. — E como foi ontem? Seu pai, ele... — Não soube como finalizar.
— Não, ele não foi. — Disse sem desdém. — E o seu natal?
— Além dos vinhos? — Riu. — Foi incrível, o pai da minha amiga apareceu por lá, não achei que isso fosse acontecer; minha vó fez o melhor arroz de forno, você precisa comer; minha mãe, não sei porquê, fez vinho quente, se eu amei, imagina. Desculpa, eu falo demais. — Ruborizou por esta divagando.
— Não tem problema, pode continuar. — Sorriu. — Por que achou que o pai da sua amiga não ia?
— Ela e os pais brigaram há um bom tempo, questão de ela ficar no ninho e no ouro, se é que você me entende, aí acho que Thor jogou um trovão nele e fez ele acordar para a vida.
— Eu entendo muito bem.
— E na sua?
— Minha mãe e minhas irmãs fizeram a ceia, mas não tinha arroz de forno. — A fez rir. — Eu e meus sobrinhos ficamos encarregados da sobremesa, então fizemos o que eu sei fazer de melhor, gelatina. — Gargalhou, acompanhado de .
— Me ensina, pois eu não sei fazer gelatina. — Entrou na brincadeira.
— É bem difícil, ainda mais para misturar, tem que ter muito cuidado. — Ria juntamente da morena.
, você é incrível, eu até chorei de tanto rir.
— Eu sei. Fique, eu vou abrir a porta. — Estacionou o carro.
— Estarei aqui quando você abrir a porta.
Abriu a porta e segurou a mão dela enquanto descia, entregou a chave para o manobrista e a levou até a porta do restaurante. Esperaram um dos atendes receber os dois e direcioná-los para uma mesa vazia para dois.
— Eu não sabia o que você realmente gosta, na verdade não sei muito de você ainda, mas dei um jeitinho e te trouxe aqui, em uma churrascaria.
— Você conversou com minha mãe? Porque desde que eu era pequena meus avós e minha mãe me trazem aqui. — Foi sincera.
— Eu apenas tentei adivinhar, então quer pedir o que você sempre pede?
— Não, pode fazer as honras. — Colocou o guardanapo aberto em cima de suas pernas.
— Está bem.
Evers pediu o mesmo prato que pedia lá com sua mãe, e pegou a salada que amava, Salada de Escarola com torresmo temperado com vinho, vinagre e sal a gosto.

— Meu Deus, eu comi demais, nem aguento terminar a Coca. — Riu. — É o melhor restaurante, sem dúvidas. — Ela comentou.
— Eu concordo, eu saio daqui farto, nem consigo pensar se vou ter que fazer janta.
— Achei que morasse com sua mãe.
— Não, tenho meu apartamento, mas quando vou dormir na casa dela eu que faço.
— Compreensivo.
— Sem sobremesa?
— Literalmente sem sobremesa, eu realmente estou farta.
— Eu vou pagar a conta. — Fez um sinal para o garçom, pedindo a conta. — E aí vamos dar uma volta, quer ir ao Ibirapuera?
— Aceito.
Pagou a conta, mesmo depois de uma pequena discussão sobre dividir a conta, mas no final Evers foi quem pagou tudo. Quando chegaram ao Ibirapuera, os dois desceram com uma sacolinha; levava com todo cuidado colado em seu corpo, já carregava naturalmente o pacote.
— O que tem ai? — Sentou ao lado dela no banco.
— Eu pensei muito e, como não comprei nada, eu resolvi fazer um para você. — Sorriu, segurando ainda mais perto a sacolinha.
— Eu falei que não precisava. — Estava envergonhado. Nunca tinha se sentido tão importante assim para uma garota. — Quer começar com a troca?
— Pode ser, aqui. — Entregou. — Feliz natal, e espero que goste, assim, eu particularmente sou mais de outro. — Falava enquanto ele abria.
— Como você conseguiu? Ficou maravilhoso, e o sabor deve estar incrível. — Deu uma mordida farta.
— Truques.
No pequeno bolinho estava escrito “Christmas”, o mesmo estava enfeitado com granulados verde e vermelho, que tinham sobrado do Brigadeirão que sua avó tinha feito. Era cem por cento de chocolate, até mesmo o recheio, mas com alguns pedaços de nozes.
— Está divino. — Falou com a boca cheira, mas colocou sua mão na frente. — Você devia ser confeiteira. — Conhecia aquele sabor de algum lugar.
— É, todos diziam isso, até que eu abri uma confeitaria.
— Eu vou lá qualquer dia, só me passa o endereço.
— Eu mando por mensagem, pode ser?
— Claro. — Sorriu de lado. — Esse é seu, pegou a sacola com um pouco de dificuldade, já que ainda estava com o bolinho na mão.
— Eu não sei por que você se deu questão de comprar um presente para mim. — Abria a embalagem. — MEU ODIN! — Gritou. — Você só pode estar louco. — Os olhos brilhavam. Ele ria da expressão dela. — São lindos, e rosa! Com rodinhas azuis. Meu Deus, , você comprou patins novos, não precisava, de verdade. — O abraçou apertado.
— Precisava, você comentou que ia demorar para você conseguir um, e achei que dar um patins novo seria melhor. — Disse bem perto dela. Bem perto.
— Eu vou testar. — Se afastou um pouco.
— Quer que eu segure sua mão, assim você não cai?
— Eu sei andar, a culpa foi da rodinha. — Colocou o último lado. — Minha bota está na sacola junto da caixa.
— Ok.
Andava sem medo, sentido novamente o ar passando entre seu rosto e movimentando seus fios cacheados. Andar de patins lhe proporcionava a melhor sensação no mundo, a acalmava e a trazia a um mundo que só a ela pertencia. Diminuiu a velocidade e viu o homem andando calmamente pelo mesmo percurso que ela fazia. resolveu voltar e ir em direção do mesmo.
— Estão ótimos, perfeitos, maravilhosos, é o mais novo amor da minha vida, me refiro aos patins.
— Eu imaginei. — Riu. Ela ficava tão linda quando tentava arrumar as frases. — O que você quer fazer agora?
— Eu não sei. — Patinava ao lado dele. — Você tinha ideia para alguma coisa?
— Só passar o tempo com você.
— Bom, eu vou patinar, se importa?
— Pode ir, mas se quiser ir em outro lugar, pode me falar.
— Eu não sei onde quero ir, aqui está perfeito! — Falou, elevando o tom de sua voz.
— Eu concordo. — Evers disse em um tom baixo. — Aqui está perfeito.
A morena se distanciou dele um pouco e ali, naqueles passos devagares, ele admirava como o vento dançava com os cachos dela, precisava passar mais tempo com ela; A menina dava inspiração para coisas que ele amava e não amava ao mesmo tempo, um efeito único, como se ela fosse uma obra de arte enviada apenas para ele. Pegou seu celular e tirou uma foto dela, ou melhor, uma não, mas várias. queria guardar aquele momento para poder ficar admirando quando estivesse longe dela.
Depois de um tempo patinando, trocou o calçado e voltou para o carro de . No meio do caminho, ele recebeu uma ligação de seu pai, o mesmo avisava que estava indo uma pessoa importante para o local e que ele precisava receber as papeladas que o responsável levava. Não teria como deixar em casa e ir até o escritório, então resolveu levar a moça, e a mesma não se importou tanto.
Quando os dois chegaram no escritório e entraram no local, a ficha de caiu. Ele era o investidor que a ajudou, era ele o homem que resolveu investir naquela pequena confeitaria, era ele o homem que ela escutou e foi correndo até a porta do seu escritório e não o encontrou. Como pode ser tão lerda para perceber que eram a mesma pessoa? Se xingou inúmeras vezes por ser tão lerda assim, mas a pior parte foi lembrar que ele tinha realmente uma acompanhante na vida e trabalhava ali também. Ela se lembrou do dia que entrou ali pela primeira vez e olhou para o mezanino. Mas não ia comentar nada, eles iam levar tudo que construíram nesses dias para a amizade.
a guiou até o seu escritório, pedindo que ela ficasse à vontade até o momento do homem chegar. Pegou sua roupa social reserva, que deixava lá, e pediu licença para a mulher, já se retirando e indo em direção ao toalete.

, está reto? — Perguntou, se referindo a gravata.
— Não, nem um pouco. — Ria. — Eu arrumo para você.
se levantou do sofá e arrumou a gravata azul marinho com linhas pratas, e depois ajeitou a gola da social azul claro.
— Pronto. — Sorriu enquanto segurava o terno cinza, que estava aberto.
— Obrigado, eu vou deixar você ficar no escritório da minha irmã, e, quando a reunião terminar, eu vou lá buscar você, algum problema?
— Não, sem problemas, é até melhor, assim você fica mais à vontade para resolver o assunto.
— Vem. — A segurou pela a mão e a levou com sutileza e educação para o escritório de sua irmã. Destrancou a porta com a chave mestre. — Entre e sinta-se à vontade, eu volto rápido, eu prometo.
— Juro não sair daqui. — Sorriu sem mostrar os dentes.
Não houve muita demora para o homem chegar, porém o investidor não esperava a presença de seu amigo de trabalho, Diego. O homem, que foi até o escritório a pedido do senhor Evers, era o advogado do senhor que vendeu a vinícola para o pai do , o mesmo precisava de suas assinaturas de testemunhas. Então esse foi o motivo que Diego e tiveram que comparecer no local de trabalho. Depois de assinarem os papéis, tirou algumas duvidas com o advogado e Diego caminhou pelos corredores do mezanino até que, ao parar em frente da sala da irmã de seu amigo, pode ver a doce e adorável mexendo em seu celular. Adentrou na sala sem que ela percebesse.
— Oi, achei que não iria vê-la por aqui.
— Oi, Diego. — Tentou transparecer que estava feliz com a presença dele ali.
— Está esperando a irmã do ? — Pressupôs por conta do ambiente. Sentou ao lado dela.
— Não.
— Então está me esperando? — Sentou mais perto da garota. Mudou seu tom de voz, demonstrando que tentava seduzi-la.
— Também não, e agradeço se você se afastar de mim. — Disse determinada e sem medo.
— Por quê? Eu sei que você está louca para me beijar também. — Segurou o rosto da mulher com um pouco de força.
— Eu vou dizer pela a última vez. — Estava destemida. — Se afasta de mim e tira essa sua mão do meu rosto. — Segurou no punho dele e empurrou a mão dele para longe.
, , você não sabe o que está falando.
Ele a deitou no sofá, deixando-a quase imobilizada quando ela estava prestes a se levantar, ele segurava o rosto dela assim matinha em um ângulo onde poderia beijar os lábios dela. A mulher o mandava parar, agora com um pouco de medo, não sabia mais como sair debaixo dele. , que subia as escadas afrouxando sua gravata e escutou a voz elevada de sua amiga, logo lembrou que Diego ainda estava no ambiente. Foi correndo em direção à sala de sua irmã e, quando parou na frente da porta, seu peito foi tomado de raiva, sua expressão mudou rapidamente.
Ele tirou seu paletó e sua gravata, jogando-os no corredor, e puxou Diego pela roupa, fazendo ele se afastar da confeiteira. Segurou ele pela blusa social e apenas com um soco o fez cair no chão. Diego se levantou, limpando o canto da boca, e depois acertou o rosto de . Os dois brigavam no chão do escritório e derrubavam alguns objetos. precisou gritar e depois puxar para perto de si o , pedindo para ele ter calma e respirar fundo, aquela briga não daria em nada.

Quando Diego foi embora ainda com sangue nos olhos, os amigos foram para o apartamento do investidor, porém, antes de ir para lá, o fez passar na farmácia, onde ela compraria algumas coisas para fazer os curativos e cuidar dos machucados.
não precisava brigar daquele jeito. — Ela limpava o sangue que escorria da sobrancelha.
— Ele é um canalha, ele achou que estava aonde e com quem para subir em cima de você?
— Eu estou bem, de verdade.
— Não me leve a mal, de verdade, eu sei que você sabe se cuidar, mas eu conheço aquele cara, eu sei o que ele é capaz de fazer. — O tom de voz mudou, passando de sereno para sombrio, como se estivesse lembrando do passado.
— Está tudo bem agora, graças a você. Vem aqui, me deixa dar um ponto falso.
Aproximou-se mais dele. Seus rostos ficaram bem próximos um do outro, suas respirações se misturavam tranquilamente, mas Evers não conseguira parar de olhar aqueles lábios, aqueles olhos, tudo ele estava concentrado nela, deixando seus devaneios tomarem conta de seus sentidos e vontades. Ele se aproximou mais dela com intenção de beijá-la, ela o olhou e percebeu qual era a vontade dele, e se perguntou rapidamente se correspondia ou não o ato dele, ela colocou o algodão em cima do papel, respirou fundo, fechando seus olhos. Aquele beijo ia acontecer na forma mais correta e incorreta?

–––––––––
Sovar¹: misturar bem (massa), calcando com as mãos sobre uma superfície; amassar, bater.


Continua...



Nota da autora: Oi! Espero que nesse capítulo eu consiga fazer com que esse tempo sem trazer o capítulo compense tudo, então desde já aviso que em Setembro não terá atualização.
ENTÃO É NATAL! Ai gente eu sei, faz oito meses que o natal passou, mas eu não queria de jeito nenhum deixar de colocar essa data incrível, pois realmente milagres acontecem!
Se eu ri quando Clarisse atendeu o celular? Magina kkkkk. Eu estou tão feliz por Alberto e sua filha que eu não sei descrever isso na nota, estava na hora não? E que amizade mais linda em um momento único, além de uma saber que a confeiteira esta apaixonada e zoar ela, Care recebe a pulseira que a mesma tinha pedido para a amiga, sem comentários sobre a Barbie, pois não tem como não deixar de comentar da minha boneca favorita! Hahaha. Agora o momento que eu queria falar com vocês SERÁ QUE NOSSO CASALZÃO VAI ACONTECER????? Que cena, que almoço - me deu até fome, mas seguimos a vida -, que amor ela arrumando a gravata e a social, se eu quis entrar na cena e empurrar eles para se beijar? Nens; E que luta né?! Nunca imaginamos nosso investidor socando a cara do “amigo”, e agora será que o beijo acontece? Ou não acontece?
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