Caso Arquivado

Última atualização: 14/08/2020

Prólogo

Aquela noite parecia mais fria do que qualquer outra, era estranho tudo sobre ela. Beatrice estava sozinha em casa, esperou seu noivo chegar de alguma "reunião" até às 3 da manhã, mas acabou que fora vencida pelo cansaço. Isso nunca havia acontecido, sempre chegava na hora. Naquela mesma noite, as câmeras da casa pararam de funcionar, problemas técnicos em uma casa tão segura não era algo comum, era muito cuidadoso com sua família e sua segurança. Mas incrivelmente, naquela noite e madrugada, ele não ligara nem uma vez para saber como sua noiva estava. Os cachorros não dormiam do lado de fora, permaneciam em alerta. O gato dentro de casa, escondia-se debaixo da cama do casal, arisco.
Um vidro foi quebrado na sala e aquilo despertou Beatrice de seu recém cochilo. Seus olhos abriram rápido, estavam assustados. Seu coração batia forte, as pernas ficaram geladas assim como as palmas de suas mãos. Tremendo-se com o susto, Beatrice abraçou seu robe branco e esperou seu corpo responder aos seus comandos. Ela levantou com agilidade e correu para a gaveta do marido, onde ele guardava um calibre 38. Porém, a chave da gaveta não estava no lugar de costume. Deu a volta no quarto e buscou por seu celular nas cobertas. Quando encontrou, tentou ligar para o primeiro nome que apareceu: .

- Sua chamada está sendo direcionada para caixa de mensagem, deixe seu recado após o sinal...
- Merda, , vem pra casa agora, tem algo de errado. — Falou sussurrando ao telefone e depois desligou para em seguida ligar para a polícia. Mas quando estava digitando, escutou um som de passos no corredor. Depressa, trancou a porta do quarto e correu para o closet, trancando-se ali. Abaixou-se, choramingando e tampando a boca. De repente a porta do closet se abriu.
- AH! — ela gritou encarando a pessoa e depois colocando a mão no peito. — VOCÊ QUER ME MATAR DO CORAÇÃO? PENSEI QUE HAVIAM INVADIDO A CASA! — A pessoa a sua frente só sorriu e a chamou para fora com a mão. — Preciso de álcool depois dessa. — Sentou-se na cama. — Eu achei que estivesse com raiva de mim, depois de eu ter achado...
- Não...
- Isso é bom, pensou sobre o que eu disse? — Questionou abrindo seu robe e abanando-se, ainda sofrendo por conta do susto. O rosto ainda estava vermelho e a boca seca.
- Sim e cheguei à conclusão de que... — A pessoa tirou, de seu bolso do casaco, uma arma e apontou em direção da mulher. — Você é uma vadia suja!

O tiro foi certeiro no peito de Beatrice, no mesmo instante ela caiu para trás e segurava seu seio esquerdo, a dor corroía seu corpo e sua alma. O sangue espalhava-se rápido por todo o tecido branco do colchão e do robe.

- Você... — Ela não tinha mais forças, sua boca estava entre aberta, mas somente ruídos de dor saiam dali, assim como suspiros de seu último momento de vida.
- Te encontro no inferno, sua puta! — Um sorriso sádico brotou em seus lábios. Tudo ficaria bem agora.


Capítulo 1 - End Game

Os Sr. E Sra. Wolves leram aquilo várias e várias vezes para acreditar que era real. Não podiam simplesmente aceitar que sua filha havia sido tão injustiçada daquela maneira. Uma vida curta e morte tão miserável. Seu assassino estava solto tendo uma vida de luxo e normal, como se nada tivesse feito. E eles sabiam bem quem era e o que fizera. Mas, infelizmente, a polícia não tinha provas contra ele, não havia arma do crime, filmagens... Nada. Beatrice não merecia o que havia sofrido, nenhum ser tão doce merecia. Causava injuria em todos de sua família a possibilidade de um assassino sádico estar por aí depois de ter feito o que fizera. A irmã da vítima tinha mais raiva do que todos. Os pais só queriam justiça, o irmão só queria paz.

- O que faremos agora, John? — Questionou a senhora encarando aquela frase horrível: “caso arquivado”. Todos na sala, Catherine: a irmã mais velha, Ashton: o do meio e, Martha: a mãe, prestavam bastante atenção no patriarca da família. Deveria haver uma saída para aquele inferno que estavam vivendo durante um ano.
- Nós não podemos desistir, temos ainda as economias! — Exclamou nervoso, mesmo sabendo que não lhe restara muito dinheiro desde que Beatriz morrera. — Vamos pegar ele com ou sem a polícia.
- Ah, nossa menininha, não merece tão pouco. Esses investigadores são uns imprestáveis, não gostam mesmo do trabalho, parece que estão fazendo favores e não sendo pagos!
- Mãe, mantenha a calma. — Disse a filha mais velha, Catherine. — Ele vai pagar por tudo o que fez!
- Eu conheço alguém que pode ajudar...
- Como você não falou antes, Ashton? — A irmã que havia pedido calma poucos segundos antes, parecia indignada. Seu cabelo loiro curto batia em seu queixo, e impaciente, ela os jogou para trás, mesmo que alguns fios insistissem em voltar dessa vez para sua testa, onde possuía uma ruga de preocupação. Lembrava a falecida irmã, mas faltava-lhe a elegância e carisma que a mesma possuía quando estava viva.
- Eu achei que fossem pegá-lo antes. — Defendeu-se. Diferente da irmã, ele estava calmo, e tinha uma postura relaxada. Os cabelos loiros úmidos por conta do recém banho, seu cheiro limpo estava por toda sala, mas ninguém estava preocupado com aquilo.
- Vá direto ao ponto, garoto!
- Tá, tá. — Começou. — Há uma jornalista que investiga muito bem pessoas, trabalhava para o jornal em que eu fui dar uma palestra certa vez na França. Ela é britânica, mas mora por lá há alguns anos. Ela é muito boa no que faz, mesmo sendo nova. Já conseguiu resolver uns cinco casos considerados arquivados e impossíveis para a polícia. Sua área mesmo são os políticos corruptos, mas acho que sua ajuda seria muito boa por aqui.
- Como assim? — Perguntou a mãe, Martha.
- Ela pode investigar . Arrancar dele até a última pista! — Completou a irmã.
- Isso... Pode investigar o caso em si.
- Ligue para ela agora mesmo. — Ordenou a senhora.
- Martha, acho que não temos dinheiro para pagar essa... Esse tipo de serviço. Sabe que depois que Beatrice morreu, tivemos que gastar até o que não tínhamos, temo que nossas economias não sejam suficientes. — Comentou o pai pensando no quanto ainda tinha no banco. — Ele nos tomou tudo.
- Eu sei, por isso estou falando dessa moça, pai. — Continuou Ashton. — Ela faz por um bom preço e é boa no que faz. Ela é perfeita para o nosso caso!
- Então vamos pegar ele. — Disse Catherine com um sorriso no rosto. Um sorriso amargo que assustaria criancinhas. Não era somente um sorriso de justiça, estava recheado de vingança, como um veneno.

&


- Como pode acreditar no que essa mulherzinha fala? — questionou o assistente pessoal do senador Clayton, aparentava desespero. As outras pessoas por ali olharam para o senador que estava com o semblante desapontado. Pobre homem, havia sido enganado e roubado durante anos pelo amigo mais próximo.
- EU que lhe pergunto como pode ter me traído dessa maneira! Roubou mais da metade de minha família! — Jogou os papeis em cima da mesa do assistente que pulou de susto quando viu as provas de seu crime. Quando percebeu o que estava acontecendo, um surto tomou conta de seu corpo e o mesmo saiu correndo pelo escritório. Algum homem apto a ajudar correu atrás do rapaz, mas parou quando escutou a voz da mulher responsável por tudo aquilo.
- Oh, ele não irá longe, eu já havia acionado a segurança antes de chegar e claro, a polícia está a caminho. — Deu uma pausa colocando suas coisas dentro da bolsa de couro. — Porém o Sr.Clayton ficará responsável por ele. — A mulher era encarada com respeito e orgulho. Alguns tinham inveja de tanta segurança em sua postura, mas aquilo não lhe afetava.
- Srta. , aprecio muito o que fez por mim, este rapaz era de extrema confiança, a partir de agora vou rever melhor meus conceitos. — Declarou Sr.Clayton. — Tenha um bom dia, os depósitos já foram feitos em sua conta. — disse retirando-se da sala, ainda desacreditado.
- Bom dia ao senhor também. — Respondeu com um sorriso largo e caminhou para fora daquele lugar.
, uma mulher independente que luta pelo que quer. Cabelos castanhos ondulados até a cintura, e seu rosto tinha traços latinos que ressaltavam sua beleza. Era filha única e havia mudado-se para Paris com sua família em busca de uma vida melhor, e realmente conseguira essa vida. Vivia um sonho todos os dias.

Andando pela rua em busca de um taxi, sentiu seu celular vibrar.

- Quem está falando é a melhor jornalista de toda Paris? — A voz bem humorada, do outro lado da linha, trouxe um sorriso ao rosto da mulher.
- Oh, deve ser a melhor assistente do mundo falando não? Beth!
- É, pode ser. — Riu com amiga. — Ei, estou ligando porque recebi uma ligação urgente de uma cidadezinha diretamente da Inglaterra para você.
- Inglaterra? Quem era?
- Um novo cliente, disse que já até te conhece de uma palestra! — Nesse minuto conseguiu um taxi e adentrou no automóvel.
- Opa, bom dia. — Falou com o taxista. — Cliente da Inglaterra? — Torceu a boca. — Acho bom ir cancelando isso aí...
- Ah, qual é? Dá uma chance para o caso primeiro, você vai gostar. — Afirmou confiante.
- Não, Beth. É sério...
- É sério, !
- Beth, eu estou muito feliz aqui na França, tenho vários trabalhos, um apartamento lindo e um namorado incrível, não tem como melhorar. E eu quero fincar raízes, se é que me entende...
- OH NÃO, não me diga isso, ainda está com aquela ideia maluca na cabeça de novo, ? —Perguntou sem acreditar.
- Não é uma ideia maluca, estamos juntos há quatro anos e eu o amo. Simples. Vou pedi-lo em casamento! — O taxi freou de vez num cruzamento e buzinas soaram por todo lado. Até o motorista olhou para trás, assustado.
- Eu acho uma atitude legal... Mas pode ficar para depois, sabe? Agora vou te mandar as informações desse caso, pouca coisa já que o homem não deu muitos detalhes.
- Não, eu vou pedí-lo em casamento hoje. — Outra parada abrupta. — Na verdade, eu estou a caminho do restaurante.
- Ok, ok. — Elizabeth se deu por vencida. — Boa sorte, depois me liga contando tudo. Até mais!
- Até! — despediu-se da amiga indo em direção a um restaurante.

andava confiante até a mesa que havia reservado duas semanas antes, conseguia ver seu namorado de costas para ela. O restaurante não estava muito cheio, aquilo seria até melhor. estava sentado, bem relaxado, mas vestia uma roupa social. Tinha seus cabelos castanhos claros penteados para trás e já havia retirado a gravata de seu pescoço. A mulher colocou suas mãos sob os olhos pequenos do homem.

- Eu sei que é você, mon cher. — Ele levantou-se depressa e puxou uma cadeira para ela, depressa até demais. — Sente-se...
- Obrigada. — Agradeceu dando-lhe um pequeno beijo nos lábios. — Já pediu algo? — questionou.
- Sim, sim. — Concordou despreocupado. — Quer mais alguma coisa? Quer que eu peça mais alguma coisa? Eu posso pedir para você.
- Não, não... tudo bem. — Disfarçou.
- Bom, então.
- Como foi seu dia?
- Foi ótimo, eu acho que finalmente vou conseguir aquela promoção! — Festejou.
- Isso é ótimo, . — Sorriu feliz pelo namorado.
- Sim. — Ele tinha um largo sorriso no rosto.
- Eu consegui resolver mais um caso, era um roubo frequente de um senad...
- Ah, que legal. — respondeu sorrindo amarelo, cortando a fala dela.
- Hum, é... — Ele estava meio estranho, isso fez ficar um tanto insegura. Mas ela tinha uma carta na manga. O anel. — Preciso te falar algo.
- Também tenho algo para falar, mas por enquanto, estou ouvindo... — Nesse momento o garçom ofereceu mais vinho.
- Oh, não obrigada. — Negou . bufou. — Eh... Algum problema?
- Não, mas isso tem a ver com o que quero falar. — Comunicou. não entendeu sobre o que seu namorado estava falando, então seus olhos se fecharam um pouco.
- “Isso”? — questionou. O garçom ainda estava próximo, e sentindo-se constrangido com a DR que estaria por vir, saiu aos poucos da mesa, de fininho.
- Você nem esperou eu responder para o garçom e já havia uma resposta final.
- Hm, você queria vinho? Posso chamá-lo de volta.
- Não é essa a questão, . — Bufou novamente. Isso estava a irritando.
- Então qual é a questão? — Ela segurava o anel com força dentro de sua bolsa em cima de seu colo.
- A questão é que você nesses quatro anos não amadureceu! Nunca me pergunta se é o que eu quero, você simplesmente faz tudo por minhas costas, capaz de ter planejado nosso casamento há dois anos e nem ter me contado. Eu estou cansado de ser uma sombra sem opinião. — Desatou a falar sem parar. — Cansei!
- Eu... eu não sabia que se sentia dessa maneira, você nunca disse nada. — seus ombros estavam curvados, num gesto de defesa.
- Faz tempo que eu estou tentando te mostrar isso, hoje eu até pedi o almoço sozinho, grande vitória para mim, não é? Eu aguentei por muito tempo, mas...
- Você quer terminar? — Soltou o anel, preparando-se para uma fuga.
- Talvez seja melhor para ambos. Eu... eu estou conhecendo pessoas novas também...
- Talvez seja melhor para você então! — Levantou-se e foi embora com o pouco de dignidade que ainda lhe restava.

Já na rua ela pegou seu celular, ainda chorava e seu rosto estava vermelho. Ligou duas vezes para Beth, mas sua amiga não atendeu. Então deixou um recado de voz:

- Beth, aceite a proposta na Inglaterra. Não importa o que seja, eu estou dentro. Não há mais nada que me segure aqui. — Sua voz estava trêmula, seu coração batia rápido em seu peito, a decepção estava por todo seu ser. Ela resolveria aquele caso, não precisava do para nada. — Estou partindo amanhã, peça que o cliente me mande todos os dados possíveis do caso hoje mesmo.
Ela desligou e tristemente encarou o anel. End game para e ela.


Capítulo 02

Olá, Srta. !
Inesperadamente sua assistente pediu todos os dados do caso, achei que não fosse aceitar, entretanto, vendo ela já lhe passou os problemas financeiros que minha família vem passando, acredito que possamos fazer um acordo em seguida, quando nos encontramos pessoalmente.
Segue abaixo todas as informações que nós, da família, temos. Infelizmente não são muitas, mas creio que ajudará quando a senhorita chegar aqui.
Aconteceu há um ano, minha irmã Beatrice estava sozinha em casa, alguém entrou lá com uma arma e atirou uma vez em seu peito, ela morreu na hora, mas mesmo estando morta, o assassino atirou novamente em sua cabeça e mais duas vezes em sua barriga. Beatrice morava em uma casa afastada do Centro da nossa pequena cidade com o seu ex-noivo: , ele é o detetive mais importante da Polícia na cidade, ou seja, a casa deles era mais que protegida, até porque sempre foi muito protetor com sua família, porém um ano antes de Beatrice morrer, eles estavam mais afastados, houve boatos de separação e até gravidez... Inclusive no local do crime foi encontrado comprimidos para controlar as ânsias de vômito durante a gravidez, porém depois foi comprovado que ela não estava grávida quando foi assassinada. E Beatrice nunca foi tão aberta com a gente, nem mesmo com nossa mãe. No dia, todos os prestadores de serviço estavam de folga, estava em uma reunião, mas depois descobriram que ele, na verdade, “estava em sua sala, sozinho”.
Durante a noite, faltou energia e isso causou um curto circuito nas câmeras de segurança da casa, ou seja, nenhuma prova... Tudo foi “apagado”.
Bom, Beatrice nunca teve inimigos, era uma mulher bastante inclusa na sociedade, participava dos leilões de caridade, era voluntária, e não tinha atritos fortes com ninguém da cidade. Também fora descartado a possibilidade de ser algo por vingança a , nenhuma gangue assumiu, e como você deve saber, eles gostam de deixar o recado bem claro. Mas estamos mesmo focados em , ele sabe de algo que não sabemos sobre aquela noite, estamos certos disso, isso se ele não for o assassino, mas é para isso que precisamos de você. Obrigado por aceitar nos ajudar.
Bom, isso é basicamente tudo o que devo lhe falar por um simples e-mail, sua assistente disse que chegará amanhã, podemos marcar um horário para nos encontrarmos para mais detalhes. Espero sua resposta para marcarmos o local e horário.
Ps: lembra-se de mim?
Atenciosamente,
Ashton Wolves.


Oh, lembrava-se muito bem de Ashton. Era uns dois anos mais novo que ela, tinha um estilo próprio, era publicitário, por isso haviam participado de uma palestra junto sobre A Mídia, juntos. Digamos que foi uma palestra interessante para ambos. Foi justamente quando havia pedido um tempo para ela, afinal, seu relacionamento sempre fora como um ioiô. havia feito algumas anotações em seu caderno sobre o caso, e já estava pensando em maneiras de investigar mais ao fundo aquela história cheia de falhas.
Quando chegou a Londres, alugou rapidamente um carro e fez apenas uma parada para comer, a viagem até a pequena cidade não seria longa, mas ela estava faminta. A noite passada havia sido um momento difícil, até a fome lhe passou. Mas agora que estava ficando de tarde, ela só pensava em uma coisa: comida. Depois de parar em um lugar no meio da estrada, seguiu sua viagem, passando pela vegetação chuvosa e muito bonita... Diretamente para um destino incerto.

&


O homem passava a mão por sua mandíbula definida, depois cruzou os braços sobre o peitoral. Sentia uma leve dor de cabeça, havia uma papelada extensa em cima de sua mesa, ele preferia mil vezes correr atrás de bandidos do que ficar preso naquele escritório tedioso, mas sua vida estava assim nos últimos anos, preso àquela sala, preso ao passado. Assim que tocou sua têmpora e a massageou tentando livrar-se da dor, a porta de sua sala abriu-se revelando seu meio irmão mais novo. Ora, era a última coisa que ele queria para aquele dia, mais uma vez o drama exacerbado de seu irmão mais novo. Poderia ficar pior?!

- , tenho notícias! — Comentou entusiasmado. — Uma boa e uma não tão boa assim.
- Estou ocupado agora, . — Cortou o mais velho. Eles eram muito diferentes um do outro, era cheio de vida e tentava sempre arrancar o sorriso de alguém, mesmo que lidasse com seus próprios demônios depois da perda de sua mãe. um dia fora assim, extrovertido e alegre também, fruto da criação criativa que sua mãe dera a ambos, mas o trabalho intenso como detetive havia tirado a alegria. Isso e... A morte de sua noiva.

era baixo, tinha os lábios finos, cabelos loiros em um penteado da moda com um topete bem feito e cheio de fixador, suas bochechas apresentavam um tom rosado, deixando-lhe com uma aparência bem mais nova. Já era alto, tinha o cabelo castanho claro com ondas, tinha a pele cheia de tatuagens e ombros largos, além de atraentes olhos que brilhavam em tom de avelã.

- Mas é algo importante, juro. — Prometeu o irmão. jogou os papeis que havia pego na mesa e encarou , levantando uma sobrancelha, desdenhando de que fosse algo tão urgente.
- Cinco minutos, .
- OKAY! — Ele sentou na cadeira a frente, juntando as mãos e levando até o queixo. — Quer a boa ou a ruim primeiro?
- Tanto faz. — deu de ombros balançando a mão, só queria que aquilo acabasse.
- A boa então, o caso da Beatrice foi arquivado. — Sorriu de uma forma triste, lembrando de sua ex-cunhada, os lábios foram puxados para baixo.
- Eu sei disso, trabalho na polícia. — falou o óbvio. — Mas qual é a parte boa nisso?
- Oras, você era o principal suspeito. Sei que é horrível não terem pego a pessoa que fez isso, mas ao menos não vão te culpar por algo que você não fez, bro. — Gesticulou, ainda carregava uma expressão de tristeza por conta do assunto mórbido.
- Para de me chamar assim. — Revirou os olhos. — Tá, tanto faz. Se essa era a boa, nem imagino qual deve ser a ruim.
- A ruim é que... — Fez uma pausa. — Afamíliacontratoualguémpraficarnoseupé. — Falou rapidamente.
- Como? — Inclinou-se para frente, tentado compreendê-lo melhor. — Fala devagar!
- Ashton contratou alguém para te vigiar e descobrir se você tem alguma coisa que te ligue ao crime, e essa pessoa é extremamente boa no que faz.
- Filho da... Eu não tenho nada a esconder. — Falou sério, mas odiava o fato de ter alguém atrás dele. — Como você sabe disso? Tem certeza?
- Pode ir até Ashton ter certeza, mas quem me falou isso foi a Lucy, aquela amiga da Catherine e da... Beatrice.
- Por que ela TE falaria isso? — questionou.
- Ela estava bêbada no bar do centro, então falou mais do que deveria, você sabe, ela sempre está lá bêbada. Bom, era isso. Tô indo nessa! — Falou já se levantando. Ele preocupava-se com o irmão, mesmo confiando nele, e sabendo que ele não faria mal algum a uma mulher. — Cuidado, bro.
- Já disse que não tenho nada a esconder. — Falou mais para si do que para o irmão que já havia deixado a sala.

&


havia chegado na pousada, não haviam muitas por ali, era uma cidadezinha com menos de 3 mil habitantes. O tempo nublado, deixava o lugar um tanto misterioso, assim como toda aquela história. Parecia que tudo se encaixa ali, perfeitamente, para uma história horripilante de terror. Ela havia ficado no quarto 8A, era bem confortável e, organizado assim como a cidade. Deixou suas poucas malas em um ponto do quarto e foi tomar um banho rápido para encontrar Ashton, e só de pensar o nome do rapaz, ela já se arrependia um pouco de estar ali.
Depois, vestiu jeans, uma blusa preta, um cardigan e um sobretudo. Ali era mais frio do que ela estava acostumada. Quando ficou pronta, foi até a recepção pedir informação sobre o endereço que Ashton havia mandado. Era uma senhora que ali trabalhava e era a dona do local.

- Deixe-me ver. — ofereceu o celular. — Oh sim, é um bar onde serve de tudo, até jantar. É na avenida principal daqui, não tem como errar, é por aqui mesmo no centro. Lembra-se de ter passado pela paroquia?
- Sim, sim. — Confirmou tentando fazer um mapa mental.
- Duas ruas a direita, não tem como errar, é um dos únicos que temos. — Sorriu humilde. — Mas o que uma jovem tão bonita faz aqui num fim de mundo como esse?
- Eu achei o lugar encantador, de verdade. — Comentou. — Ah, e vou ficar um tempo a trabalho.
- Sério? E o que faz? Quantos anos você tem? — derramou as perguntas em cima da mulher.
- Sou escritora. — Não mentiu, mas não contou toda a verdade. — Tenho vinte e poucos anos.
- Você então precisa conhecer meu neto, ele é um ótimo rapaz...
- Oh, tenho que ir. — Seu celular avisou que uma mensagem havia chegado e ela colocou na orelha fingindo ser uma ligação. — Eu sei que estou atrasada, estou chegando. — Apontou para o celular, fingindo falar com alguém. — Tchau, senhora Turner.
- Tchauzinho. — Disse desconfiada.

&


Já estava um pouco tarde quando voltava para casa, ele passou no supermercado para comprar algumas coisas para seu apartamento, estava se acostumando com o fato de morar sozinho novamente, mesmo passando um ano, ele ainda esquecia de comprar o básico, então acaba sempre tento que passar no supermercado durante a semana. Quando estava saindo do mercado cheio de sacolas, avistou de longe no bar do outro lado da rua que tinha grandes portas de vidro, Ashton e uma mulher conversando. Decidiu tirar satisfação com o ex-amigo, com um sorriso perspicaz, já pensando nas poucas e boas que ia falar, ele jogou as sacolas no porta malas do carro e caminhou pisando forte até onde o homem mais novo estava.

- Então quer dizer que você... — O espertinho falava sem tirar os olhos da morena a sua frente, um sorriso pequeno estava no canto de seus lábios, conhecia bem o sorriso que Ashton lançava a mulher, mas quando ele olhou o detetive vindo em sua direção, seu rosto ficou sério de imediato. Foi tudo em câmera lenta, bateu a mão na mesa, fazendo a mulher que não estava preparada assustar-se e encará-lo com desprezo. Em seguida ele apontou para Ashton.
- Você sabe muito bem que minha vida é um livro aberto e que eu nunca fiz mal algum para sua irmã e nunca o faria. Então vem, — Fez um sinal com as mãos, o “chamando” — Pode vir para cima que eu não tenho medo. — Disse zangado. Todos a volta viravam para observar a cena, no outro dia, certamente toda a cidade estaria falando sobre isso. — Põe a FBI em cima de mim, o papa se quiser, e a porra toda. Eu não ligo para nenhum caralho que você colocar no meu pé.

Silêncio. Até a música havia parado junto com as conversas paralelas. A mulher se colocou de pé e estendeu a mão para , que só naquela hora a observou melhor. Ele nunca havia visto mulher tão linda. Estava preso aos movimentos dela.

- Prazer, ... — Falou com um sorriso cínico nos lábios. — Ou melhor, “o caralho que está no seu pé”.


Capítulo 03

*Uma hora atrás*

havia chegado antes de seu cliente, Ashton, portanto arranjou um lugar para sentar-se. O local não era nada luxuoso, mais parecia um galpão que havia sido reformado por alguém muito esperto e louco para ganhar dinheiro. Mas levando em consideração o tamanho da cidade e as poucas coisas que ela tinha a oferecer, apesar de ser um lugar bem simpático para quem tivesse uma queda pelo o tom sombrio, aquilo seria um bom lugar para se divertir e passar um tempo com os amigos, pelo o que a jornalista percebera. Havia uma música animada tocando, um hit dos anos 60, luzes amareladas, barris cheios de cerveja, mesas de madeira e era tudo bem limpo. pediu algo para beber e esperou seu acompanhante. Ela observava as pessoas a sua volta, umas perceberam sua presença e ficaram intrigadas com a nova presença na cidade. Cochichos aqui e ali. Uma mulher ao seu lado colocou a mão perto da boca e falou no ouvido de outra mulher ao seu lado, depois ambas sorriram amargamente em sua direção. Isso estava deixando deslocada.

- Não as culpe, honey. — Ela virou para identificar quem lhe dirigia a palavra. Era um casal, o homem que havia falado primeiro.
- Olá? — Levantou uma sobrancelha, bebeu um pouco de sua cerveja, tentando mais digerir o clima estranho. O casal deu uma risadinha juntos, ambos eram loiros e usavam bastante gloss.
- Você é? — indagou a mulher com um sorriso no rosto, um tanto forçado. Que amáveis...
- , prazer. — Eles estavam de mãos dadas, ponderaram um segundo, mas acabaram não oferecendo a mão para apertar. — E vocês são?
- Rachel e Rick Simon. — Respondeu Rachel. Ambos olharam para a entrada e logo apressaram-se para sair daquela mesa. — Seja bem vinda . — E saíram quase que correndo. Achando aquilo mais que bizarro, preferiu fingir que nem havia acontecido.
- Já fez amigos? — Uma voz familiar soou atrás dela. Claramente era Ashton, ela nem precisou virar-se para ter certeza. O homem sentou-se à sua frente. Estatura média, algo nele a lembrava um estereotipo de surfista só que de um modo sério demais para ser um. Ashton parecia-se muito com sua falecia irmã, cabelos dourados, olhos azuis, sorriso simpático. — Estão curiosos sobre a “novidade” da cidade. Como está? — Questionou tirando seu casaco. — Vejo que continua linda...
- Hum, obrigada... — Ela o analisava, mas queria deixar aquilo o mais profissional possível. Estava até meio envergonhada, fazia muito tempo que não o via. — Bem e você?
- Estou bem. Eu...
- Ashton, acho que deveríamos ir direto ao ponto. — Fez uma pausa buscando seu bloco de notas na bolsa. — Tenho algumas perguntas a você, também pesquisei sobre o caso na internet, mas não há muita coisa a se encontrar, na verdade, só encontrei fotos de sua irmã em palestras motivacionais, leilões e tudo mais. Mas nada sobre perícia e coisas do tipo sobre o assassinato ou as investigações.
- Hum... É verdade, na época decidimos que seria algo por debaixo dos panos, a investigação, sabe? — Balançou a cabeça e pediu uma cerveja a garçonete que por ali passava. — Assim seria mais fácil encontrar o culpado.
- Entendo, mas voltando para “aquela” noite, quem a encontrou? — Perguntou anotando em seu caderninho.
- Foi sua melhor amiga, Lucy. Ela entrou em choque e ligou imediatamente para a polícia, foi quando voltou para casa. — Contou, seu olhar estava distante, parecia preso a uma lembrança ruim, havia uma ruga em sua testa, comprovado sua angustia. Ele apontou com o queixo para uma mulher de cabelos cacheados e curtos no bar. Ela bebia bastante. anotou em seu caderno, gostaria de falar com ela mais tarde.
- Certeza que não havia ninguém que gostaria que Beatrice se desse mal? Pense um pouco.
- Não mesmo, ela era adorada por todos nessa cidade. — A garçonete ruiva trouxe a cerveja que fora pedida. — Obrigado, Gina.
- Não foi nada, Ashton. — Entretanto, ela encarava , que percebeu, mas relevou.
- Tudo bem, olha, é uma cidade pequena, isso ajuda e prejudica as coisas tudo ao mesmo tempo. Isso porque cada notícia que sai, espalha-se muito depressa.
- Eu sei... — Bebeu o conteúdo que havia em seu copo.
- Mas, o que a polícia conseguiu descobrir? E quem ficou encarregado com a investigação?
- Claro que não poderia ser, ele era um suspeito, então foi um detetive da capital, ele nasceu aqui e voltou para o caso. Voltou para sua casa na capital, mergulhado de vergonha, pois não conseguiu descobrir nada demais, bem isso é o que pensamos.
- Entendo... Ashton, tenho que perguntar, Beatrice tinha algum histórico com drogas?
- Não mesmo.
- Bebidas em excesso? Ou algum ouro vício?
- Também não.
- E no trabalho? O que ela fazia além de ser uma excelente cidadã? — estava intrigada com aquele mistério. Tudo parecia perfeito demais para ela.
- Antes ela tinha o sonho de ser modelo, socialite ou qualquer coisa assim, mas ela se conteve em ficar aqui.
- Antes? — encarou o irmão da vítima nos olhos.
- Antes de , claro. — Falou com um nó na garganta. Talvez fosse nojo ou remorso, mesmo que fosse sentimentos tão diferentes, ele sentia os dois ao mesmo tempo vindo do homem. — Ela o conheceu por mim, quer dizer, aqui todo mundo se conhece, mas eu o levava lá em casa e ela acabou apaixonando-se. E ela fez de tudo até conquista-lo, depois ela largou o emprego temporário, mesmo ele a influenciando trabalhar, mas Beatrice não quis continuar, até porque ele dava-lhe tudo que pedia. Depois de um ano namorando, ele a pediu em casamento. E foi aí que as coisas foram ficando feias no paraíso. — Calou-se.
- O que houve?
- Aconteceu uns meses depois do noivado, eles ficaram distantes, só sabia trabalhar e quando estava com ela parecia frio. Houve um dia que vi marcas roxas em seus punhos, até hoje acho que fora ele, mas ela disse que havia se machucado fazendo jardinagem. — Fez uma expressão confusa e descreditada. — Fala sério, né! Eu conhecia , ele sempre quis o bem de todos, não só dessa cidade, mas ele havia mudado, ele mudou, na verdade. Por isso você deve ficar de olho nele.
- Não sabe o que o fez mudar? — Num segundo ele ficou pensativo.
- Hm, foi um ano complicado, a mãe dele havia falecido de causas naturais, mas isso não teve nada a ver com Beatrice, claro. — Disse fazendo pouco caso.
- Compreendo... Mas relacionamentos são complicados, além do mais, cada pessoa tem sua forma única de lidar com o luto. — Falou um tanto desanimada pensando sobre a situação dessas duas pessoas desconhecidas, e uma que ela nunca iria conhecer. Ashton já parecia mais recuperado, ela jurou até ver um sorriso simples e seu lábio.
- Sim, os relacionamentos são complicados... O que me faz pensar no seu, eu soube que havia voltado com o seu namorado quando fui embora de Paris. Ele não irá se importar de você passar um tempo fora, não é? — Um sorriso brincava em seus lábios. Uma sobrancelha de estava arqueada e ela parecia meio sem jeito. Como Ashton, tinha tempo e cabeça para flertar?! Cada um tem mesmo seu jeito de passar pelas situações, mas mesmo assim, ela estranhou, mesmo sentindo-se um tanto hipócrita.
- Não... Não estamos mais juntos. — Foi a única coisa que declarou. — Mas isso não é sobre mim, melhor forcamos no...
- Então quer dizer que você... — O espertinho falava sem tirar os olhos da morena a sua frente, um sorriso pequeno estava no canto de seus lábios. Quando ele olhou vindo em sua direção, seu rosto ficou sério de imediato, pálido. Foi tudo em câmera lenta, bateu a mão na mesa, fazendo a mulher que não estava preparada assustar-se. Em seguida ele apontou para Ashton, que estava com medo. Quem o culparia? O homem a sua frente poderia fazer um estrago em qualquer um naquele bar, não que quisesse, mas poderia. Talvez quisesse só com alguns.
- Você sabe muito bem que minha vida é um livro aberto e que eu nunca fiz mal algum para sua irmã e nunca o faria. Então vem, — Fez um sinal com as mãos, o “chamando” — Pode vir para cima que eu não tenho medo. — Disse zangado. Todos a volta viravam para observar a cena. — Põe a FBI em cima de mim, o papa se quiser, e a porra toda. Eu não ligo para nenhum caralho que você colocar no meu pé.
Silencio. Até a música havia parado junto com as conversas paralelas. A morena se colou de pé e estendeu a mão para , que só naquela hora a observou melhor. - Prazer, ... — Falou com um sorriso cínico nos lábios. — Ou melhor, “o caralho que está no seu pé”.

estava parado, na verdade, como se estivesse anestesiado, numa cena bem típica de filme de romance, mas era de se lamentar de que não houvesse romance algum por ali, muito menos algo fora da dura realidade. O homem não pôde evitar de ficar estonteado com a beleza da dama, a mulher sentiu-se diferente, mas não sabia e nem conseguira explicar como.
A voz de Etta James cantando “It's a Man's Man's World“ soou no lugar, deixou as coisas mais dramáticas se isso fosse possível. mantinha uma posição de ataque, mas ajeitou sua postura e encarando a mulher nos olhos, segurou sua mão firmemente. sentiu o aperto quente e como se houvesse tomado um micro choque a puxou de volta e gesticulou.

- Quer se juntar a nós, detetive? Tenho perguntas... interessantes. — Jogou com ele. Mas o que ela não sabia, era que sabia jogar de tudo. E amava isso.
- Se quiser uma entrevista, vá ao meu escritório e marque um horário, amor. — Cruzou os braços, mas por incrível que pareça, parecia mais relaxado do que quando havia chegado. Os braços fortes marcavam bem na camisa, chamando atenção quando ele fez tal movimento.
- Hum... — Colocou a mão no queixo, pensativa. — Eu irei mesmo.
- Meu recado está dado, eu não tenho nada a esconder, dei meu depoimento há um ano, fiz tudo de acordo com o protocolo. Não pode me culpar por algo que eu não fiz, Ashton. — Virou-se para o homem na mesa. Seu antigo amigo que agora não passava de um conhecido.
- E é por isso que ela está aqui, conseguirá as provas que precisamos. E se você estiver metido nisso... bom aí...
- Eu não estou! — Reclamou. — Vá a merda com essa teoria. Estou indo embora.
- Melhor. — Respondeu Ashton sério.
- Eu acho que você já sabe o básico sobre mim, então te vejo às 9 da manhã, , no meu escritório. — Eles se encaravam, havia desafio nos olhares. — Não se atrase.
- Digo o mesmo a você, amor. — O escarnio que ele havia usado antes, estava na mesma tonalidade naquela frase.
- Parece que você começa amanhã. — Indicou Ashton que observava se retirando do estabelecimento.
- Ele é tão simpático...
- Boa sorte.
- Vou precisar. — Olhava para o mesmo ponto que prendia Ashton e todo o bar. Os gêmeos Simon olhavam tudo de longe.
- Interessante... — Rick falou com sua irmã Rachel.
- Até demais, Rick.

*Na mesma noite mais tarde*


- Suba na cadeira! — Exclamou com raiva.
- Mas... Mas... — A mulher chorava e pedia por misericórdia. — Por favor, eu não vou falar nada, eu te imploro!
- CALA A BOCA! — Gritou. — Suba logo, ou já sabe o que acontece com seu irmãozinho.

Engolindo o choro a mulher subiu na cadeira. Ela estava em pânico, soluços pulavam de sua boca.

- Isso. — A pessoa que usava luvas pegou a carta que a mulher escrevera e colocou no chão, próxima a cadeira. — Não se mexa.

Ela estava com tanto medo, mas a vida de seu irmão mais novo de apenas cinco anos estava em jogo. A sombra, pegou a corda que havia amarrado em um suporte de cortina e colocou no pescoço da mulher.

- Agora pula.
- Não... por favor, eu posso ir embora daqui, sumir pra sempre. Qualquer coisa! — Suplicou outra vez.
- Não é o suficiente para mim. Vamos, pule. — Ela não o fez, então, a pessoa só puxou a cadeira para trás com força e ela caiu. Assim, ficou sufocando até seu último suspiro de vida sair de sua garganta completamente esmagada. Fluxos corporais saiam da mulher como de costume em mortes desse tipo. Os braços e pernas ainda balançavam com espasmos. — Agora sim, isso me parece suficiente. — Sorriu.


Capítulo 04 - The Deal

Às seis da manhã o som de Lose Yourself do Eminem estava por todo apartamento. já havia levantado da cama, poderia considerar-se uma pessoa um pouco ansiosa, mas talvez ele estivesse nervoso com O caso está sendo investigado novamente. Mas se ele realmente havia contado tudo o que sabia, por que acordava suando durante a madrugada?! Aqueles pesadelos ainda o perseguiam, às vezes, durante as madrugadas ou até quando estava acordado, ele podia vê-la. No mercado, de costas, escolhendo frutas. Na praça central, no meio da multidão, o cabelo loiro brilhava. Mas ele sabia que era apenas a culpa lhe castigando, não era real. Mesmo não morando mais na casa onde o crime acontecera, ele ainda sonhava com tudo o que vira. Todo aquele sangue em sua cama, a mulher que ele prometeu cuidar e amar, a qual ele iria se casar... Morta. Com o rosto sem cor, a não ser a cor do sangue por todo lado. Vermelho. Ele só via vermelho por muito tempo.
estava batendo em um saco de pancadas, descontando toda sua raiva naquele objeto vermelho preso ao teto, a raiva de si mesmo, juntamente com a sensação de impotência. Sua camiseta branca estava colada em seu abdômen e costas, a mesma já estava um tanto transparente por conta do suor, o que revelava algumas tatuagens que o mesmo fizera logo depois que entrou no departamento de polícia. Os músculos eram firmes assim como seus ombros largos, a tinta preta das tatuagens rodeava todo braço direito, as costas e o peitoral. O cabelo estava um tanto comprido demais para alguém que trabalhava na polícia, mas ele sempre conseguia uma brecha para deixá-lo maior do que seus companheiros, tanto que as madeixas já estavam ondulando num tom castanho.
Ele socava sem parar, mas em um momento de fraqueza: mais emocional do que física, uma imagem veio a sua cabeça. Aquilo o fez parar e encostar-se no objeto que antes era agredido. Permaneceu descansando ali, lembrando daquela noite. A respiração era ofegante, o peito subia e descia, os olhos apertados.

- Podemos seguir em frente... — a voz da mulher veio a sua mente, assim como a sua imagem. Ela tinha lágrimas nos olhos e soluçava. — Foi um erro, u-um acidente, ninguém precisa saber. Eu não conto para ninguém... e você também não.
- Porra! — Exclamou batendo no saco e depois se afastando. Achou melhor seguir seu dia e tomar um banho.

Quando ainda estava embaixo da água gelada do chuveiro, escutou seu celular tocando no quarto. Sem pressa, pegou a toalha e enrolou na cintura, indo em direção do som. Odiava ligações logo cedo, mas no seu ofício, isso era bem mais comum do que gostaria.

- , você falou com o hoje? — Era Gina, namorada de seu irmão. Sua voz estava preocupa.
- Não, Gina. Não o vejo desde ontem, ele passou no meu escritório pela tarde. — Contou já se secando.
- Oh, estou ficando louca atrás dele, desde ontem que não dá sinal! Estou trabalhando no bar agora, não posso procurá-lo. Você pode?
- Hum... — Olhou para o relógio na sua cabeceira. Havia passado duas horas treinando, faltava apenas uma hora para sua reunião com a tal jornalista, mas de qualquer forma, era seu irmão. Ela teria que esperar. — Tudo bem. Qualquer coisa aviso.
- Okay!

vestiu-se rapidamente com uma camisa branca, jaqueta de couro, jeans escuros, e um tênis qualquer. Pegou suas chaves e ficou rondando pela cidade por um tempo, buscando nos lugares mais óbvios que estaria. Procurou na casa do próprio, depois na casa de sua falecida mãe, um local de refúgio para ambos, que viviam se encontrando lá, e por fim foi ao bar. Encontrando Gina com um pano nas mãos e seu celular. Gina tinha os cabelos ruivos, alta e muito magra. Era muito prestativa e alegre, no entanto ela estava bem séria naquele momento, provavelmente preocupada com o estado do namorado que era tão instável.

- Eu já estava te ligando! — Contou surpresa quando viu o homem caminhando ao seu encontro.
- Não estou o encontrando, você tem alguma ideia...
- Ele está no hospital desde ontem, acabaram de me ligar, meu número estava no botão de emergência, mas eles só conseguiram acesso agora, ele ficou esse tempo todo sozinho... — Falou com lágrimas nos olhos. — Você precisa ir lá, eu só posso sair daqui às nove e meia, estou recebendo umas entregas de cerveja e não há ninguém para me substituir.
- O que houve com ele? — perguntou, mas já temia a resposta.
- Você sabe... — Gina disse, secando as lagrimas que caiam de seus olhos. — De novo.
- Tudo bem, vou direto para lá. — Saiu apressado temendo pela vida de seu irmão mais novo, mesmo que fosse seu meio irmão, ele era a única família que ainda tinha. E mesmo com todas as confusões envolvendo ambos, ele o amava.

&


Depois de se perder duas vezes, decidiu que era hora de voltar para a pousada em que estava hospedada. Havia caminhado pelas ruas e observado como a cidade era calma. Não parecia que um terrível assassinato, sem motivo aparente, havia acontecido ali um ano atrás. As pessoas já haviam esquecido? Era o que parecia, mas os fariam lembrar de qualquer detalhe importante ou não. Ela havia encontrado Lucy, a ex melhor amiga de Beatrice na noite anterior, depois que Ashton fora embora, a mesma que encontrara o corpo da jovem Beatrice. Mas Lucy estava tão bêbada no bar que não pôde ajudar em nada, falava coisas sem sentido, sobre clube, sobre mulheres e chorava muito. achou melhor deixá-la com seu companheiro: Whisky.
Voltou para a pousada somente para tomar banho, trocar-se e tomar o café da manhã, fugindo o máximo possível da senhora curiosa, dona da pousada. Depois partiu para o escritório do seu suposto suspeito. Ela já tinha uma “ficha” básica que Beth, sua assistente havia enviado, sobre . Por isso, o mesmo nem havia se importado de lhe passar o endereço da delegacia. Era a única da cidade. Não tinha como errar. E assim, ela o fez, seguiu com seu carro alugado até a delegacia que ficava no centro, logo depois da prefeitura. Estacionou e ficou no carro por um tempo. Checou seu celular, havia algumas ligações de e até umas mensagens. Que idiota, o que ele esperava que ela fizesse? Eles não tinham nada para falar. Nem podia lembrar que iria pedi-lo em casamento.
Aquela manhã estava nublada, e o relógio mostrava 9:12 quando passou pela recepção. As coisas não estavam muito movimentadas por ali, havia um recepcionista fardado ao telefone, magro e alto, usava óculos finos.

- Senhora, tem certeza que não há ninguém além da senhora na casa? — Questionou meio entediado, mas parecia alguém amigável, acima de tudo.
-Bom dia, oficial... Bishop — Ela leu em sua farda. E ele levantou sua mão, pedindo que aguardasse alguns instantes.
- Ah, aham... Era de novo o seu filho que estava lá?! — Ele poderia bater aquele aparelho em sua própria cabeça logo que acabasse a ligação. — Senhora Smith, a senhora não pode ligar para cá se sabe que seu filho mora no seu quintal, é claro que você vai ouvir barulhos vindo de lá... Tudo bem, descanse, até mais. — Bom dia, desculpe, essa senhora liga todos os dias para cá. — Suspirou apontando para o telefone. — Como posso ajudá-la?
- Eu e o Detetive temos uma reunião hoje às nove, ele já está esperando?
- Só um minuto. — Ele pegou o telefone que havia desligado pouco tempo antes, e apertou uns botões. — Alexa, o chefe já está no ressinto? Ah, sim. Tudo bem.
- Então...?
- Olha, ele ainda não chegou, não costuma se atrasar, ele já deve estar vindo. Vem, vou te levar até o departamento dele, sua ajudante está lá.

Ambos seguiram em silêncio, subiram três lances de escadas e logo chegaram no setor 3, onde ficava a sala de . Na recepção, havia uma mulher negra com os cabelos trançados presos em coque, os olhos eram amendoados e grandes, assim como os lábios volumosos.

- Está entregue, senhorita! — Bishop voltou para seu trabalho despedindo-se antes.
- Obrigada. — Agradeceu e voltou sua atenção para a policial que restara. — Bom dia, o Detetive vai demorar?
- Bom dia, você deve ser a senhorita . — Comentou analisando a jornalista a sua frente. — Ele me avisou que viria mais cedo, mas não sei porque ele ainda não chegou. Você se importaria de sentar e esperar? — Falou muito educada e calma.
- Não, posso esperar.
- Vou buscar café. Tudo bem? — Alexa contornou a baia.
- Sim, tudo bem. — Sorriu simpática e foi sentar-se em um sofá de couro preto perto da porta que levava a sala de , ela sabia, pois havia uma plaquinha na mesma, com o nome do homem. Quando estava sozinha, olhou várias vezes para àquela porta, sentia-se tentada em espiar ao menos um pouco. Levantou-se e quando estava indo em direção a porta, Alexa voltou com o café, tão rápida quando foi, ela voltou. Então disfarçou que estava só olhando um quadro, que ficava ao lado da porta de cor escura.
- Aqui... — entregou o café, desconfiada.
- Obrigada. — Tomou um gole. O telefone da recepção tocou e Alexa correu para atender.
- Você está atrasado... — Comunicou antes de perguntar quem era. — Oh... tudo bem, ela está esperando. Ok, até.
- Ele vai demorar mais? — Questionou .
- Temo que um pouco. — revirou os olhos por impulso. — Ele está no hospital com seu irmão.
- Oh, aconteceu algo grave? — Perguntou. — Ele está bem?
- Na verdade, seu irmão, , é hipocondríaco ou algo assim. Sofreu uma overdose de remédios ontem à noite, foi encontrado hoje no hospital, parece que por sorte um vizinho ligou para a ambulância a tempo.
- Nossa... A gente pode marcar amanhã então. — Concluiu, segurando sua bolsa no ombro.
- Mas não se preocupe, ele ainda vai vir hoje pela manhã. — Sorriu falsamente, Alexa era amiga de longa data de sentia-se no dever de defendê-lo. Não queria que a mulher à frente duvidasse da competência de seu amigo e chefe.
- Ok, espero sem problemas. — Falou verdadeira, e a mulher a sua frente percebeu o ato.
- Tudo bem, mas e você, o que faz aqui, no fim do mundo? — Isso desencadeou uma longa conversa, acabou por usar aquilo como uma ajuda, fez algumas perguntas discretas. Alexa escutou falar sobre o caso de Beatrice e até a mesma deu algumas informações sobre o que lembrava do caso. Até chegar.
- Mas você sabe, ainda há muito mistério nesse caso, ele é bem complicado.
- É verdade. — Concordou pensativa. subiu as escadas e encarou as duas mulheres conversando. Ele parecia um pouco abalado, mas tinha uma expressão dura em sua face. Chegou calado e apenas abriu a porta para que entrar e acenou sutilmente para sua companheira de trabalho.
- Até já! — comentou com Alexa, a mesma encarava seu chefe.
- Até.

Dentro da sala de era tudo muito bem organizado, havia uma pequena janela com persianas, uma mesa de escritório, armários e muita papelada pelo lugar. Em cima da mesa havia muitos papeis e documentos.

- Sente-se. — Falou apontando para a cadeira preta de couro.
- Como vai seu irmão?
- Bem. — respondeu surpreso com a mulher já saber sobre o que havia acontecido. Alexa...
- Então...
- Você não queria fazer perguntas? — Começou ele depois que abriu as persianas. — Então vá em frente. — Ele ainda estava de costas para ela, sua silhueta brincava com a luz do sol bem fraca por conta das nuvens pesadas.
- Sim. — pegou seu caderno. — Veja, detetive, eu e você sabemos que nem tudo fora contado para a família da moça... Agora eu quero saber o porquê.
- Como eu saberia disso? Eu não fui o encarregado do caso, eu era suspeito. — Cruzou os braços e andou até ficar à frente da mulher, apoiou-se na parte da frente da mesa ao invés de sentar, ficando um tanto próximo demais dela.
- Era? Era suspeito?
- Não há nada que me ligue ao caso. Eu não estava lá, a arma não era minha, eu e Beatrice estávamos muito bem. Não há porque essa obsessão em me culpar. — Ele disse sem hesitar, como se fosse programado, como se estivesse se convencendo daquilo, ou como se já tivesse falado o mesmo muitas vezes.
- Não foi o que eu soube... Mas por que não me conta tudo o que sabe? Aliás, você é da polícia, deve saber bastante coisa. — Provocou. Ele suspirou.
- A arma não foi encontrada, a pessoa que a matou tinha copias das chaves, pois não houve traços de arrombamento, e ela não levou a nenhum chaveiro, fez as copias por si. E bem, essa pessoa estava com raiva, porque ela atirou em Beatrice mesmo depois de morta, e Beatrice não tinha inimigos. Nada foi roubado na casa só... — Fez uma pausa, deixou os olhos da mulher e olhou para o chão. — A vida dela. Isso é basicamente tudo o que sei.
- Sinto pela perda. — Falou sincera, ele apenas a encarou novamente. — E esse seu álibi?
- Tem imagens das câmeras de segurança que mostram que eu só saí daqui pela manhã. — Eles se olhavam intensamente agora, ele com confiança sobre o que dizia e ela tentando detectar qualquer traço de mentira em sua expressão corporal ou fala.
- Você estando aqui não limpa sua barra totalmente, você pode ter encomendado ou ter acesso as câmeras e assim ter as manipulado. — Argumentou.
- Eu não tenho acesso as câmeras facilmente, e para ter, preciso assinar um documento de que peguei a chave da sala de segurança, documento esse que fica com o subcomandante do recinto. — Ele tinha uma postura segura. — E por que diabos eu faria isso com minha noiva? — Ele abaixou sua cabeça para ficar mais perto dela.
- Ah, muitos psicopatas já falaram o mesmo querido, logo depois de agredirem, torturarem e matarem suas esposas. — Ela falou um pouco mais alterada, com ressentimento de todos os casos que já havia participado, onde a vítima era uma esposa, mãe ou até mesmo filha de um sádico sem escrúpulos. — Além do mais, a família dela contou que vocês estavam estranhos nos últimos meses, que você havia mudado com ela.
- Talvez, talvez a gente tenha mudado. — Ele concordou sacudindo a cabeça. — Mas isso não me faz um filho da puta que machucaria minha própria mulher. Eu a amava, eu a amo.
- Então, por que o distanciamento?
- Coisas de casal, relacionamentos são complicados...
- O que havia de complicado no de vocês? — Agora ela o tinha colocado em uma rua sem saídas.
- Ela me traiu. — Contou de vez, irritando-se com os questionamentos da mulher a sua frente. — Era isso que queria ouvir?! — Sorriu irônico, sentindo que tinha falado mais do que deveria. — Você já desconfiava disso, não é?
- Nenhum relacionamento poderia ser tão perfeito. — Suspirou. — Então, você não poderia ter perdido a cabeça com raiva, e tê-la matado?
- Ela terminou tudo com seu amante, iríamos tentar de novo. E tentamos, mas eu não consegui...
- E?
- Ela me disse que estava grávida, de um filho meu, e por isso eu não a deixei. — Ele a encarava com os olhos brilhando, de emoção e tristeza.
- Por que você não contou isso a polícia um ano atrás? Ao menos a família dela não sabe disso. — Observou. — Eles só especulam sobre.
- Olha, , Por que eu faria mal a minha mulher? Por que eu faria mal a mulher que me daria tudo o que eu sempre quis? Uma família! Eu só descobri que ela não estava grávida depois de morta, quando o legista disse que não havia bebê algum. Eu não faria mal algum a ela, eu nunca poderia fazê-lo.
- Eu não sei, mas você pode me ajudar a provar que não o fez. — Claro que era uma jogada boa de , ter um detetive policial naquela jornada seria uma boa, e se ele fosse realmente o mandante do assassinato, é como dizem: “mantenha seus amigos próximos, e seu inimigos mais ainda”. Mas algo no tom de voz dolorido do detetive, quebrado, amargurado, lhe dizia que aquele homem havia passado por uma dor muito grande, por uma perda imensa, ele não havia escolhido aquilo para si, logo provavelmente não teria mandado matar sua noiva. Mas ela estaria atenta.
- Você quer minha ajuda e ao mesmo tempo desconfia de mim? — Questionou ele sorrindo um pouco, afetado. — Isso pode ser interessante, não acha?
- Não quero ter que começar do zero, e agora que o caso foi arquivado, você pode ajudar nas investigações particulares. — Ele pareceu um pouco pensativo, com a proposta de um acordo.
- Hum... Acho que pode funcionar.
- C’mon! Nós dois saímos ganhando nisso. — Ela falou, ele estava pensativo. — Você limpa sua culpa e eu saio de mais um caso arquivado, mostrando que há sempre uma saída e um culpado.
- Tudo bem. — Ambos concordaram, mas nenhum confiava no outro. E sabia que mesmo achando quem tinha feito aquela atrocidade, ele nunca deixaria de sentir-se culpado.
- Tem algum palpite por onde podemos começar, detetive? — A mulher perguntou guardando eu bloco de notas na bolsa.
- Podemos falar com a Lucy, ela conhecia Beatrice mais que eu ou até sua família...
- Com licença... — Alexa disse abrindo a porta e interrompendo . — Detetive, ocorreu um problema. — Sua respiração estava ofegante, e seus olhos assustados.
- O que aconteceu? — perguntou, afastando-se de e indo até Alexa.
- Lucy Addam faleceu... Foi suicídio.


Capítulo 05 - The Letter

- Lucy Addam faleceu... Foi suicídio.
- O que?! — andou até a porta e saiu disparado. que não era nada boba, acompanhou o passo do homem, parando apenas para pegar suas coisas e algo a mais que estava em cima da mesa, enfiando em sua bolsa rapidamente.
- A mãe dela pediu para enviar uma viatura para lá, já que tem um povo muito curioso e inconveniente na sua porta. — Explicou Alexa voltando para seu lugar de trabalho. — Parece que os serviços especiais ficaram com o caso. Mas há muitas pessoas invadindo a privacidade da família.
- Tudo bem, eu mesmo vou lá.
- Eu vou com você... — comunicou ainda o seguindo.
- Oh-oh, não vai não! — Declarou com convicção. Ele abaixou a cabeça para encarar a mulher que era bons centímetros mais baixa, falou baixo tristemente. — Foi um suicídio, tenha respeito, .
- Você está mesmo me dizendo que isso foi só um suicídio? Ontem eu falei com ela e...
- Você falou com ela ontem?! — Desaprovou com uma só expressão. — Porra!
- Sim, sim. E ela era uma peça importante para o quebra cabeça, então simplesmente ela está fora da jogada, não é impressionante isso?! Que conveniente...
- Não. — falou, mas não tinha certeza. Virou-se de costas e falou com Alexa: — Vou na viatura 2. — Alexa deu-lhe uma chave e o mesmo saiu quase que correndo, feito um furacão, descendo as escadas até a porta do batalhão, não tinha o mesmo condicionamento físico, mas correra como se o caso dependesse daquilo.
- ... — Chamou andando rápido, buscando convencê-lo. Mas ele não respondeu. Quando destravou o automóvel, empurrou a porta novamente para que ela se fechasse, assustando o homem, que finalmente, zangado, a encarou.
- Para! — Falou alto.
- Não! — respondeu se colocando na frente. — Você sabe que tem algo de errado nisso, e disse que iria me ajudar. Somos uma dupla agora!
- E eu irei, mas sinceramente, isso não é para agora.
- Como não? Isso só está complicando as coisas para o seu lado... — Falou o afetando. Ele tinha suas sobrancelhas para baixo e havia uma veia saltando em seu pescoço, o rosto começou apresentar um tom avermelhado, irritando-se com a desconfiança dela.
- Olha, , eu disse que vou lhe ajudar, mesmo eu nem te conhecendo, eu mais que todos aqui quero encontrar a pessoa que acabou com a vida da minha noiva. Mas o suicídio da Lucy é importante, não porque ela fazia parte de um quebra cabeça maluco como você disse, mas por ela ter sido alguém. — Respirou fundo, passando a mão pelo rosto e cabelo, procurando manter a calma. — Caramba, ela tinha uma família, amigos, sonhos... é importante porque se foi uma vida, e eu vou lá dar uma olhada para ter certeza que foi suicídio, se não, iremos investigar, mas por hora, ela merece respeito como qualquer outra pessoa.

permaneceu calada. Ele tinha razão, e não teria como ele interferir na cena, já que Alexa comentou que outra equipe ficara responsável. Mas ainda sim, algo na mente de lhe alertava.

- Vai para onde você tem passado a noite, investigue mais minha vida, faça o que quiser... Mas deixa isso quieto até eu ter certeza. — Comandou-a.
- Tudo bem, eu entendo. — Ela suspirou, derrotada, não estava acostumada com aquilo. E algo nele pesou, sentiu-se mal, quase que culpado. Não queria ter falado assim com ela.
- Me encontre no bar quando eu mandar mensagem, vou te contar o que descobrir. — Declarou convencido. — Me dá seu número.
- Fechado. — Disse dando seu cartão para o homem, ele a olhou mais uma vez, sustentando o contato visual por mais alguns segundos antes de partir para a casa de Lucy.

&


havia voltado para a pousada e até conversou um pouco com a dona do local, que não parou um segundo de falar sobre seu filho que era médico. Sentindo-se cansada às onze da manhã, voltou para o seu quarto para descansar um pouco antes de sair para almoçar. Estava deitada na cama enquanto falava com sua assistente pelo celular.

- Sobre as pesquisas especiais que me pediu, enviei tudo para seu e-mail, mas não encontrei muita coisa... Basicamente, Lucy e Beatrice eram amigas de infância, mas ambas não tinham ligações com coisas muito polemicas.
- Isso está cada vez mais complicado, Beth. — Confessou.
- Eu sei, . Mas eu acho que encontrei algo que seja, talvez, relevante.
- O que? — questionou levantando para buscar seu bloco de notas.
- Encontrei um nome diferente num perfil falso que a Lucy usava, um nome de um clube: Lux. E adivinha quem aparece numa foto postada dois anos atrás pelo website do clube? Beatrice. Esse clube já foi investigado pela polícia do estado vizinho, suspeita de ponto de prostituição e drogas pesadas. — explicou Beth. — Mas não houve provas, e parece que os próprios políticos e policiais vão nesse clube.
- Beth, isso pode ser uma pista, me mande a localização do local. — Falou anotando tudo em seu bloco.
- Já mandei para o seu e-mail, mas é um pouco distante, é na cidade vizinha.
- Tudo bem, amanhã irei lá, obrigada.
- ?
- Sim?
- Como você está em relação ao ? ficou um tempo calada. Estava tão ocupada com esse novo caso, que nem havia se dado um tempo para sofrer por conta de uma relação terminada. Ela sentia falta de seu quase noivo, mas ele só a fizera sofrer. Ela até entedia ele por um lado, não podia culpá-lo por não sentir mais o mesmo, mas sim por sustentar a relação, a fazer pensar que estavam bem, que poderia pedi-lo em casamento, para dizer que ela era demais para ele. Controladora demais.
- Estou bem, na verdade.
- Verdade? Ele perguntou sobre você noite passada quando o encontrei em um pub.
- Sim, nem tive tempo de pensar nele ainda. Mas acho que ele vai muito bem, não é mesmo? — Pensou em como estava sendo boba, sentindo falta dele, enquanto o mesmo estava pouco se importando.
- Hum, tudo bem... boa noite então, e ligue para a sua mãe, ela encheu sua secretária eletrônica quando ligou para o escritório e soube que você havia viajado. — Avisou.
- Okay, boa noite. — Desligou pensando um pouco. — Beatrice, quem te fez tão mal assim? — Perguntou olhando para a foto que estava em suas mãos, a mesma que ela havia olhado entre a papelada que estava na mesa de , havia pego quando o homem estava distraído, ela colocou as fotos dentro de seu caderno rapidamente sem que o homem notasse. Ali em suas mãos, haviam fotos do local do crime e até de Beatrice.

E horas depois ela teria que encarar os pais da garota, que aparecia nas fotos sem vida.

&


andava entre aos curiosos do bairro que sentiam a necessidade de olhar alguém que havia desistido da vida, isso o deixava enojado. Algumas pessoas faziam perguntas e outras o olhavam torto, entre os olhares curiosos, haviam câmeras de celulares apontadas para a casa. Passou por mais gente até chegar no jardim da casa, ligou o alto falante em direção ao público irritante.

- Preciso que todos saiam, a família precisa de privacidade e respeito nesse momento. — Disse sério. Algumas pessoas saíram de imediato, outras responderam indignadas. — Quem for pego aqui terá que responder por invasão de propriedade. — Ameaçou virando-se e entrando na casa quando lhe abriram a porta.
- Obrigada por vir, . — Falou a mãe da falecida garota. Ela tinha seu rosto vermelho e sua expressão declarava que a mesma havia chorado a manhã toda.
- Estou fazendo meu trabalho, a senhora precisa de mais alguma coisa? — perguntou segurando a mão da senhora.
- Não meu filho, só estou arrumando por aqui e depois faremos o enterro, vamos esperar o pai dela vir de Manchester, não terá velório. — Respondeu o chamando até a cozinha.
- Tudo bem, qualquer coisa só me chamar. Soube que outros dois policias do quartel vieram ajudar o pessoal da Polícia Científica, ocorreu como os conformes?
- Sim, eles foram bem prestativos e cuidadosos, agradeço. — Ela puxou uma cadeira para ele sentar-se, e sentou próximo. — Ah, eu não sei o que faço agora, ainda nem acredito.
- Eu entendo completamente sua dor. — falou, lembrando-se de sua mãe.
- Eu sei, sua mãe foi uma mãe incrível. — Sorriu tristemente. — E uma ótima amiga.
- Obrigado, ela foi mesmo. — Mesmo a mulher que cuidara dele não sendo sua verdadeira mãe, ele sentia como se tivesse sido gerado em seu ventre, de tanto amor que recebera.
- Irei vender a casa dela... — comentou a senhora olhando ao redor. — Irei me mudar com o Nate para outra cidade, sinto que é o certo.
- Vai ser bom para vocês. — lembrou-se que a mãe de Lucy havia adotado um menino anos atrás. — Ela deixou alguma coisa?
- Uma carta. — Agora estava completamente séria. Levantou-se e pegou no armário um papel. — Aqui, não acredito que ela fez isso ainda, minha filhinha.

pegou a carta e leu rapidamente.

- Nem eu. — Percebeu algumas coisas curiosas no papel. — A senhora poderia me dar água?
- Claro. — Ela levantou e virou-se, em busca de um copo e água, pegou o celular no bolso tirando uma foto rapidamente da carta.
- A senhora já comeu algo hoje? — perguntou preocupado, logo que guardou seu celular.
- Ah, filho, não consigo. Nate está na escola, mas eu nem tenho forças para buscá-lo e nem fiz nada para ele comer.
- Vem, vamos buscar ele e assim podemos comer algo.
- Não precisa...
- Ah, precisa sim eu insisto. — Pediu.

&


estava na companhia da família Wolves, todos sentados e falando quase que ao mesmo tempo sobre o caso, depois de terem almoçado. Mãe, desesperada. O pai, queria saber sobre os valores. A irmã, falava rápido tudo o que sabia. E o irmão estava interessado na vida pessoal de . Mas todos culpavam apenas uma pessoa: .

- Certo, já entendi. Mas tenho que ser verdadeira com vocês... — começou fazendo todos se calarem. — Eu não acho que tenha sido ele.
- O QUE? — A irmã quase pulou da cadeira. — Mas ele é o principal suspeito.
- Por que diz isso, Catherine? — Perguntou à irmã mais velha.
- Porque sim, olhe só, eles não estavam bem, ele nem a amava mais...
- Mas isso acontece com todos casais, logo mais eles poderiam voltar ao normal. — Comentou, não citando que havia descoberto a traição por parte de Beatrice. — Não irei descartar nenhuma possibilidade, não se preocupe, porém não posso focar apenas nele se há outras coisas a serem investigadas.
- Ou ele a matou para não sofrer com um divórcio. — Rebateu emburrada.
- Tudo bem, não vou descartar nenhuma possibilidade como já disse. — Completou meio irritada. — Mas ao que parece vocês já têm uma opinião mais que formada sobre o detetive .
- Sim. — disse a mãe olhando para a filha. Nesse momento entrou no restaurante com uma senhora e um garotinho que não conhecia. Todos que estavam na mesa encaravam aquela cena. olhou para e não conseguiu tirar seus olhos da mesa por alguns instantes. Ele chamava atenção não só pelo passado sombrio que lhe rodeava, mas a beleza igualmente misteriosa que atraia as pessoas como um imã.
- E sobre o preço? — O pai chamou a atenção de todos, aparentemente, só ele não havia percebido a presença do ex-noivo de sua falecida filha.
- Hum, eu posso fazer de graça, se me deixarem publicar um artigo sobre o caso na revista que sou sócia. Uma edição voltada ao caso, completa e com detalhes.
- Por mim tudo bem! — Falou o pai rapidamente. E assim fora decidido. O celular de vibrou.
- Eu mandarei o documento para vocês assinarem pelo o e-mail de Ashton. — Comunicou verificando seu celular.

"Venha para a parte de trás, preciso falar com você o mais rápido." .


Capítulo 06 - The Letter III

esperou até que toda a família Wolves fosse embora para finalmente ir encontrar-se com , que a esperava impaciente na parte de trás do restaurante. Ela mesmo parecia uma adolescente fugindo dos pais para ver o seu namorado escondido, sentia-se estranha com isso, não é como se estivesse traindo a família, não havia nada contra , mas ela iria permanecer atenta, prometia a si mesmo, mesmo que ele lhe passasse uma segurança. Quando chegou a área de trás, havia árvores, um jardim, e encontrou o garotinho que ela olhara entrando com andando distraído por ali. Ele estava perto do jardim observando uns coelhos escondidos pelos arbustos.

— Hey, tudo bem? — Perguntou ela, querendo na verdade saber aonde estava e saber se o garoto não estava perdido.
— Uhum. — falou meio tímido e evitando falar com estranhos, assim como sua mãe havia lhe dito. O olhar era baixo, um tanto triste.
— Está tudo bem, sou amiga da sua irmã Lucy. — O garotinho subiu seus olhos e investigou um pouco em sua própria cabeça, tentando lembra-se daquela mulher e falhando, mas ela conhecia sua irmã, então deveria estar tudo bem falar um pouco com ela.
— Eu estou olhando os coelhinhos. — Apontou com os dedinhos gordos. ¬— Veja como eles pulam e se escondem.
— Estou vendo, eles são uma gracinha, não é mesmo? — Ele balançou sua cabeça concordando. analisou o rosto da criança, tentando lembrar um pouco mais de sua irmã, Lucy. Ele tinha os cabelos castanhos, sardas por toda bochecha e nariz. Não se parecia com ela, com traços latinos fortes.
— Eu queria um... — disse triste. — Mas a Lucy disse que vamos viajar.
— Ela disse? — Questionou desconfiada. — Podemos pedir a sua mãe então, vamos lá? Pode me levar lá? — O menino saiu andando rápido, quase que correndo, animado com a ideia. Passou por várias mesas até encontrar sua mãe e seu amigo.
. — Falou quando encontrou a mesa junto ao garoto.
— Senhora Addam, só um minuto, preciso falar sobre trabalho com a minha... companheira . — Levantou-se da cadeira.
— Claro. — A senhora sorriu para , que devolveu o sorriso. A senhora Addam parecia confusa e triste, mas mesmo assim, conseguia ser gentil, observou a jornalista.
— Mamãe, eu quero um coelho!

e afastaram-se até o jardim novamente, longe o suficiente para a conversa ficasse somente entre os dois. Ficaram de frente para o outro, cruzando os braços, uma maneira clara de não se abrir muito, ou se expor mais do que já havia feito. por outro lado notou que ele ficava extremamente bonito sob a luz fraca do sol.

— Então...? — Ela pediu.
— Lucy deixou uma carta de suicídio. — Puxou seu celular do bolso, procurando a foto. — Nessa carta, achei algumas coisas estranhas e tirei foto dela. — Deu o celular para a jornalista. observava as expressões da mulher enquanto a mesma lia. Ele a achava atraente, ela tinha um cenho concentrado e inteligente que lhe intrigava, sentia uma ponta de culpa e desprezo quando aquela informação lhe tornou consciente, ele não apreciava uma pessoa assim desde Beatrice. Ora, mas não era como se ele estivesse a traindo... era?!
— Só percebi que ela não estudou muito, há várias palavras erradas. — Disse procurando algo estranho. — Acha que pode ter sido de propósito?
— Isso mesmo, não faria sentido já que Lucy e Beatrice tiveram ótimos estudos. Veja o que está errado dessa maneira. — Foi até uma mesa próxima e pegou um guardanapo, em seguida pediu uma caneta a , que tirou uma rapidamente de sua bolsa.

"Essa vida perdeu o sentido para mim. Não sinto mais vontade de viver, cansei de afogar minhas frustrações no álcool agora. Fui vencida por essa eskuridão. Não há mais volta. Desculpe Nate.”

— “Perdeu o sentido... Aguda Kate”? Seria "ajuda"?!
— Isso. Ela não escreveu isso porque quis, foi obrigada, e tentou deixar um recado como pode. — Esclareceu, raciocinando.
— E quem é Kate?
— Isso é o que queremos saber. — Declarou encarando—a.
— Descobri algo que pode ser importante também, um clube chamado Lux, conhece?
— Sim, fica na cidade ao lado, ao que parece só a alta classe. — Balançou a cabeça e estreitou os olhos. — O que tem lá?
— Minha assistente achou uma foto num perfil falso usado por Lucy um ano atrás, e havia fotos dela e... Beatrice.
— Hum. — Cruzou os braços novamente. Estava ligeiramente incomodado. — Vou investigar isso amanhã, hoje terei que trabalhar e visitar meu irmão no hospital.
— Tudo bem, irei sozinha. Eu ia amanhã, mas com isso da carta que você descobriu, acho que isso deve ser resolvido o mais rápido possível.
— Eu não acho que é uma boa ideia você ir só. Talvez não estamos mais falando de um suicídio, e sim dois assassinatos. Vamos juntos, amanhã. — Decidiu sozinho. — No way. Eu vou com ou sem você, eu sei aonde me meti desde que aceitei, estou fazendo meu trabalho. — Ela colocou as mãos no quadril, batendo o pé, pois era assim que sempre trabalhou. — Sempre fiz minhas investigações sozinha, nunca precisei de segurança.
— Esqueceu que somos uma dupla agora? Foi o que acertamos. Você não vai hoje sozinha, está decidido. — Falou inclinando-se sobre ela, tentando intimidá-la, mas para a surpresa e infelicidade de , sempre fora dona de suas próprias escolhas e palavras.
— Isso mesmo, você é minha dupla e não o meu chefe. Então coloque-se em seu lugar e deixa que eu vou atrás de pistas enquanto você está “ocupado”. — Virou indo embora, mas a segurou pelo pulso.
— Acha que não quero resolver? Que estou fazendo parte disso e estou tentando complicar? — Disse a puxando de volta. — Ela era minha mulher, porra. Claro que quero resolver isso. Mais que todos aqui!
— Então comece agir como tal. — Puxou seu braço e foi embora do estabelecimento. Deixando pensativo encarando o nada. Talvez ele estivesse com medo de descobrir toda a verdade.

"Eu te amo , não faz isso comigo!"

A voz de Beatrice parecia estar ao seu lado, não como uma lembrança, mas como algo imediato, real. Ele fechou os olhos, odiava lembrar daquilo. Odiava aquele sentimento. Se odiava mais que podia lembrar.

— Ei, o senhor não vai voltar para a mesa? Podemos ficar olhando os coelhos logo ali. — A voz do menino o fez abrir os olhos e encarar a realidade. Ele não podia mudar o passado, nem o esquecer assim de repente.

&


pegou o carro alugado e depois de passar na pousada, partiu imediatamente para a cidade ao lado. Seguindo gps, passou por grandes campos, algumas montanhas até finamente chegar à cidade, mas então ainda teve de seguir uma estrada de paralelepípedos até chegar o tal clube. Era um daqueles clubes onde os ricos da cidade frequentavam e deixavam todo o seu dinheiro sujo, deduziu. Respirou fundo, preparando-se para o que podia enfrentar. Checou seu canivete na bolsa, tudo okay.
A entrada era grande, parecia uma mansão de luxo. O local era branco e possuía colunas, era tudo muito sofisticado. Entrou e foi até a recepção. O grande relógio alertava que eram 17hrs00min.

— Olá! — Uma mulher sorriu ao recebê-la. Era uma recepcionista muito bem alinhada e bonita.

— Oi, sou nova na cidade e uns amigos do trabalho me falaram desse clube, sabe como é? Já estou sentindo falta de Nova York, aqui não tem nada para fazer. — Inventou uma história rapidamente.
— Sei bem como é! — respondeu compreensiva e sorrindo.
— Pois é, eu queria fazer uma visita ao local.
— Bom, as visitas têm que ser marcadas com antecedência... — Falou pegando uns papeis de informações e entregando a ela.
— Oh, sério? Não acredito que vim da cidade para nada. Esses meus amigos da prefeitura não me ajudaram em nada. — Pegou o celular fingindo ligar para alguém. — Acho que o secretário de turismo está me devendo uma cerveja depois dessa.
— Mas podemos fazer uma exceção. Posso te levar nos locais mais básicos, e para o resto você pode fazer agendamento. — Olhou ao redor para ter certeza que ninguém escutara. — Vem, outra garota vai ficar no meu lugar... Senhorita?
— Elizabeth. — Falou o nome de sua assistente, que fora o primeiro nome que veio à cabeça.
— Meu nome é Mariah, pode me seguir.

Mariah mostrou as piscinas internas e externas, quadras dos esportes, campo de golfe, saguão, salão de eventos e mais alguns lugares até chegar ao bar. O bar tinha um balcão arredondado, várias prateleiras com todas bebidas possíveis, carpete vermelho, piano e um palco, tudo muito luxuoso.

— Sinto vontade de cantar ali. — brincou .
— Ah, você poderá se passar a ser sócia. — observou uma porta dupla que levava a outro lugar, no fim do salão.
— E ali? — Apontou.
— É para os sócios, não posso mostrar, infringe uma regra.
— Entendo. — Ficou desconfiada, precisava ir ali.
— Mariah! — Chamou um homem que estava andando por ali.
— Elizabeth, pode sentar aqui no bar até que eu volte? Só um minuto.
— Claro. — Falou dando as costas e indo até a cadeira alta. Uma mulher veio atendê-la. Tinha os cabelos curtos e as pontinhas eram rochas. Havia vários brincos e até piercings em seu rosto. Parecia familiar, mas estava diferente. já havia lhe visto em algum lugar.
— Vai querer algo, senhorita? — Disse simpática.
— Só uma água, estou dirigindo. — Falou triste.
— Aqui está! — Deu-lhe uma garrafa e um copo.
— Obrigada, nossa que tristeza. — Abaixou a cabeça, começando com seu teatro, cobrindo o rosto.
— Está tudo bem? — perguntou passando pano no balcão.
— Não, na verdade, só estou aqui porque minha amiga Lucy me indicou anos atrás, e bem... agora ela não está mais entre nós. — Lamentou levantando a cabeça com os olhos cheios de lágrimas. — Eu só queria que ela estivesse aqui também, finalmente íamos nos divertir juntas.
— Lucy? — A mulher estava em choque. — Addam? — lembrou-se dela, era outra menina que estava na foto com Beatrice e Lucy. Só que na foto ela tinha os cabelos compridos e loiros.
— Você a conhecia? — Fingiu surpresa.
— Oh, Deus! — Ela colocou a mão na cabeça, agora os olhos dela estavam cheios de lágrimas. — O que houve com ela?
— Foi encontrada morta em casa. — Omitiu o suicídio.
— Porra, estou ferrada. — A mulher soltou sem querer, agora chorava mais.
— Como assim?
— Nada. — Se recompôs.
— Pode me contar, se algo aconteceu com a Lucy...
— Você não deveria estar aqui! — Falou virando-se e começou a mexer nas bebidas.
— Kate? — arriscou. A mulher virou automaticamente com o rosto banhado em lágrimas.
— Como sabe o meu nome? Eu nunca o disse a você.
— Eu posso ajudar se você me contar o que está acontecendo. — Falou. — Quem poderia fazer mal a você, Kate? Ou a Lucy? Ou Beatrice? — Nesse momento ela escutou a recepcionista voltando.
— Eu... — Kate calou-se rapidamente. — Você tem que ir embora agora.
— Elizabeth! — Chamou a mulher que lhe mostrara o ambiente.
— Melhor eu ir. — pulou da cadeira e foi andando rápido até a saída. Quando já estava saindo escutou chamarem pelo nome de Elizabeth novamente.
— Mas você já vai?

&


O relógio do apartamento do hospital marcava 18hrs em ponto. estava sentado ao lado de seu irmão, o mesmo permanecia calado olhando para o nada. Um vazio.

— Não vou perguntar o porquê de você ter feito isso, sei dos seus problemas, mas você também sabe deles. Vou perguntar porque não procura ajuda para eles... por quê? — Perguntou encarando o mais novo. levou seu olhar até o irmão.
— Perdão... é tudo o que posso dizer, eu não tenho culpa de ser doente. — Disse entristecido. — Você não entende, nunca entenderia.
— Merda, . Eu só quero o teu bem, cara, te levei no psiquiatra e no psicólogo, mas você fugiu de todas as seções. O que há com você? — sua voz estava preocupada e decepcionada, sentia o nó em sua garganta. Fora um dia cheio.
— Para de tentar agir como o meu pai.
— Para de agir como uma criança, por que não encara seus medos? A mamãe se foi, não a nada que possamos fazer, temos que cuidar um do outro. — falou tentando soar compreensivo, mas falhando, sentia tanto por seu irmão.
— Já passou por sua cabeça que eu talvez não precise de cuidado? — Disse zangado. — E que ela não era sua mãe de verdade. — A última parte ele sussurrou baixinho, somente para si, foi por impulso, não queria machucar de verdade, só estava... frustrado consigo mesmo.
— Sério? Não é isso o que os médicos acham, olhe para você!
— Você acha que eu faço essas coisas por que quero? — Magoado cuspiu as palavras.
— Não, e é por isso que estou aqui para cuidar de você. Você é meu meio irmão idiota, eu te amo apesar de tudo. — Ambos riram sem graça. abraçou seu irmão. Mas o mesmo permanecia estático olhando para frente, com lágrimas silenciosas descendo por seu rosto. Ele queria tanto ser normal, queria tanto que doía.
— Eu também te amo. — O celular de começou tocar. — Está tudo bem, pode atender, eu não tenho como sair daqui mesmo. — Riu sarcástico, limpando as lagrimas antes que visse.
— Tá bem, só um minuto. — Saiu da sala e foi para o corredor. — Oi, .
, eu fui até o Lux, as coisas não saíram como eu queria... Preciso que venha me buscar o mais rápido!
— Aonde você está? Estou indo agora mesmo.


Capítulo 07 - Help

*Momentos antes*
Quando já estava saindo, apressadamente, escutou chamarem pelo nome de Elizabeth.

- Mas você já vai?
— a voz de Mariah soava sarcástica na pergunta. — Meu chefe ficou curioso sobre você, gostaria de lhe conhecer.
- Co-como ele sabe sobre mim? — Respondeu segurando sua bolsa firmemente, estava pronta para correr e tentar ligar para qualquer ajuda.
- Ele viu nas câmeras, mas ele quer a conhecer pessoalmente. — Falou mostrando a passagem para voltarem aquele lugar de antes, o bar. Mas , a falsa Elizabeth, não estava muito afim de conhecer a pessoa responsável por aquele lugar. Algo a dizia para correr, não só por conta da reação da balconista, Kate, mas por puro instinto de sobrevivência. Aquilo parecia mais sombrio do que mostrava. E a sua intuição de jornalista investigativa nunca falhava.
- Eu já perdi muito tempo de trabalho, eu posso marcar a visita amanhã, como propôs. — Disse pegando o celular. — Olhe só a hora!
- O chefe já liberou para você, só precisa assinar uns papeis. Mas se prefere vir amanhã, melhor. Vou falar com ele. — Mariah deu um sorriso amargo e virou-se, indo em direção ao bar. não ficaria esperando pela resposta.

Puxou a chave do carro e correu até o mesmo, no estacionamento, passando pelo corredor e o grande hall. Entrou e o ligou rapidamente, dando partida no carro e acelerando para fora daqueles portões, passando pela trilha, agora que já estava meio escuro, tudo parecia mais assustador, fazendo a adrenalina da mulher aumentar. Ela deu-se um momento para respirar e diminuiu a velocidade do carro, isso a ajudou escutar o barulho de outro carro vindo na direção de trás. Então, sua respiração acelerou-se novamente assim como seus batimentos. Mas nem teve tempo de pensar, virou o volante para fora da trilha, entrando pelas árvores apertadas. Desligou os faróis e o motor, assim "escondeu" o carro no meio da mata. Abaixou-se e buscou seu celular na bolsa, procurando o número de seu novo parceiro, que por sorte também era da polícia. Mas por azar, também era suspeito de matar sua noiva. Um dilema surgiu em sua cabeça, porém, não lhe restara muitas escolhas. O carro passou direto muito rápido, isso aliviou seu coração, mas quando ela tentou ligar seu carro novamente depois de alguns minutos tentando se acalmar, o mesmo simplesmente não deu sinal de vida.

- Droga... — Agora realmente ela só tinha uma escolha: ligar para . Chamou algumas vezes, mas não estava atendendo. Olhou a floresta vasta: por que diabos tudo ao redor daquele caso precisava ser tão sombrio?!
- Oi, . — Ele respondeu.
- , eu fui até o Lux, as coisas não saíram como eu queria... Preciso que venha me buscar o mais rápido! — Falou rapidamente.
- Aonde você está? Estou indo agora mesmo.
- Eu estou parada na floresta ao lado do local e está escuro, eu não sei bem onde estou. — Falou observando o lugar à sua volta.
- Vou bem rápido, conheço um atalho, mas ainda sim leva uma hora. Aguenta aí! — Ambos desligaram. suspirou e pensou que talvez, somente talvez, fosse seu melhor aliado por ali. Ao menos por hora.

&


*uma hora e vinte minutos depois*

- Vai uma carona? — perguntou quando finalmente encontrou a mulher na beira da estrada. Ela estava sentada no chão encostada em uma arvore. Seu cabelo estava solto e as mechas cumpridas caiam por seus ombros, a roupa estava meio empoeirada, mas sob aquela luz da lua, ela estava assustadoramente linda aos olhos de qualquer um. Mas seus olhos revelavam uma preocupação obscura.
- Demorou. — Disse brincando. Levantou, pegou seus pertences no carro parado um pouco mais distante e o trancou. E em seguida entrou no carro do homem.
- Então, tá tudo bem? — questionou o homem. — Como foi lá? Eu disse para não vir sozinha. — Resmungou voltando a dirigir.
- Agora sim, estava tudo bem antes, mas então um cara queria falar comigo e também eu encontrei a tal Kate, a que Lucy Addam citou na carta. Ela pareceu desesperada e agiu como se não estivesse segura quando soube que Lucy havia morrido. — Contou. — Um carro começou me seguir logo que saí do terreno do clube.
- Estranho, de fato. — Enrugou a testa, eles ficaram em silêncio por um tempo, uma névoa circulava por toda a estrada, parecia até entrar no carro, pois tudo parecia embaçado. — Fiquei um pouco preocupado... contigo.
- Comigo? — sentiu-se desconfortável de repente, mas não comentou sobre, ela esperava ele dizer-lhe que havia avisado ser uma ideia ruim, e que não deveria ir aquele lugar sozinha, mas ele não o fez. — Não precisa se preocupar comigo, eu sei me cuidar.
- Notei. — Ambos sorriram fraco, com um humor amargo.
- Não foi culpa minha, o carro simplesmente não quis mais pegar. — Suspirou. — Enfim, conseguiu mais informação sobre Lucy? E o "suicídio"?
- Isso que me preocupa, descobri que a Lucy ia viajar em breve e tinha até um hotel reservado em Las Vegas, o que é muito estranho. Por que uma pessoa com depressão profunda, que pretendia se matar, gostaria de viajar para a cidade do pecado, assim do nada? — Questionou-se.
- Isso é muito suspeito, o seu irmão comentou algo sobre. E ontem eu a encontrei no bar depois de falar com você, mas ela estava bêbada.
- Sim, ela costuma... costumava, beber muito no bar. Mas e sobre o clube, esse tal homem que queria conversar com você? — Perguntou, porém, prestava atenção na estrada. A escuridão já cobria todo o céu e o horizonte, assim como a névoa, era preciso dirigir com atenção dobrada.
- Eu não fiquei para saber o que era, mas sei que aquele lugar não cheira bem, tem algo podre vindo de lá. Eu não sei o que é, mas tenho quase certeza que eles sabem algo sobre a morte de Lucy ou até sobre Beatrice. Principalmente aquela Kate, precisamos voltar e conversar com ela, de preferência fora do clube.
- Sim, vou ver isso amanhã. — Comunicou.
- Podemos vir amanhã pela noite, como se fossemos convidados. — sugeriu.
- Melhor eu vir sozinho.
- Está decidido então, vá me buscar pelas 19hrs. — deu uma piscadela para o homem ao seu lado. Os lábios do mesmo se curvaram em um sorriso torto, que mulher teimosa! Pareciam até novos amigos, pareciam também uma boa dupla, quem os visse de fora e não conhecesse seus corações cheios de duvidas um sobre o outro, e cheios também de outras frustrações que a vida os trouxe, diriam que poderia crescer uma parceria dali. Mas era fato que não haveria amizade num cenário tão grotesco como aquele, certo?! Mas era fato que estava intrigado, não conhecia aquela mulher nem ao menos a um dia completo, mas ela já trazia tantas revelações.
- Sabia que você me traria mais trabalho. Te busco às 19hrs em ponto, sem atrasos dessa vez. Prometo.

&


teve de passar no bar local para buscar Gina e assim leva-la até o hospital para passar a noite com , mas a ruiva estava incrivelmente atrasada, o detetive notou que o fluxo de clientes estava aumentando, provavelmente por conta da chegada do fim de semana. Então, um tanto cansado, culpado o dia corrido, encostou-se no carro até a mulher chegar. De longe ele viu uma mulher aproximando, achou que fosse Gina de primeira, mas logo reconheceu a silhueta de Rachel.

- Esperando por mim? — A mulher sedutoramente perguntou, com a voz baixa. Ela colocou ambos braços ao redor de , lhe prendendo no carro, de forma falsa, já que o homem era bem mais forte e alto. Ele apenas permitiu, Rachel era uns anos mais nova, ele sentia como se ela fosse ainda uma adolescente, mesmo que ela e seu irmão já estivessem completado seus vinte anos no verão passado.
- Por que eu estaria fazendo isso, querida, Rachel? — Sorri com escárnio.
- Porque eu estou há horas esperando que apareça por aqui e quem sabe... — Passou a língua por sua orelha de forma leve. — A gente possa se divertir um pouco.
- Estou cansado e ocupado. — Alegou. — Não tenho tempo para isso.
- Tem certeza? — Rachel levantou uma de suas pernas para a cintura do homem, tentando ter mais contato com a intimidade dele. Ele segurou sua perna com cuidado e a colocou no chão novamente. — Qual é, ?! Até quando vai me negar, ou si negar algo que quer tanto?
- Eu já deixei claro que isso não vai rolar. Nunca. — Ele se livrou de seus braços pegajosos. — Alias, cadê sua sombra? Ele deve estar ficando louco sem você.
- Ele vai sobreviver por uns minutinhos, baby. — quando a mesma terminou de falar, seu irmão gêmeo veio correndo lhe chamando pelo nome, atrás dele, vinha Gina.
- Pelo visto, estou com sorte. — entrou no carro esperando Gina. Deixando uma Rachel bem irritada para trás.
- Ela não vai desistir nunca. — Sorriu Gina, relembrando como Rachel poderia ser resistente quando queria algo. suspirou cansado. Não demorou para chegarem ao hospital.
- Gina, qualquer coisa me liga, certo?
- Tudo bem, até mais. — Ela entrou pelas portas grandes do hospital e buscou seu celular, mas percebeu que ele não estava com o mesmo. Ele havia o perdido. Um deslize que, ele não sabia, mas poderia custar caro.

&

De: Beth23
Para:

Fiz as outras pesquisas sobre que me pediu, dessa vez mais aprofundada, mas como já deve saber, a ficha dele é mais limpa do que o meu rosto depois que saio da dermatologista. De qualquer forma irei mandar novamente, talvez ajude em algo. Cuidado por aí chefa, sei como ama se meter em problemas.
Vance , 27 anos.
Sem ficha criminal.
Mãe biológica: desconhecida.
Pai biológico: desconhecido.
Mãe adotiva: Cecile Vance .
Padrasto: Rice.
Meio irmão: Rice II
Participante ativo de doações para hospitais e obras voluntarias, impecável.
Detetive da polícia local, entrou na academia logo quando completou a maior idade, sempre foi um destaque dentre os outros policiais.
Sua história é a seguinte: sua mãe lhe adotou quando ele era um bebê recém-nascido, depois de alguns anos, ela casou-se com , tendo com ele seu primeiro filho: II.
Infelizmente é só isso, mas encontrei o nome Ruth Marthova como ex-companheira. Sei que não ajudou muito, sinto muito. Enfim, estou mandando os documentos para a família Wolves assinar em anexo.
Ah, , Ashton veio ao escritório atrás de você, não disse o que queria, pediu para que ligasse ou atendesse seu celular quando ele ligasse. Parecia meio sem rumo e estranho. De qualquer maneira, manda esse otário pastar.

Um beijo!


estava deitada na cama da pousada checando seus e-mails. Olhou seu celular, 4 chamadas não atendidas de , o idiota que havia lhe chutado para escanteio logo no dia que ela o pediria em casamento. Ela não tinha tempo para pensar sobre isso, teria que planejar o dia seguinte. Engoliu seus sentimentos como um copo e álcool e fechou os olhos tentando dormir. Seu celular vibrou novamente, irritada achando que era uma mensagem de Ashton, revirou os olhos.

"Separou seu vestido mais sexy para nosso "encontro" amanhã?"

Impressionou-se em como poderia ter um senso de humor bom para uma situação tão crítica, eles haviam conversando um pouco por mensagem, combinando melhor como fariam para entrar no local, e logo ele mandou essa última mensagem. Mas ele estava certo, eles teriam que estar mais que preparados para entrar novamente naquele lugar. Seria um grande dia. Ou melhor, uma longa noite. Tudo poderia acontecer.


Capítulo 08 - Piano bar

No dia seguinte, já no fim da tarde, tudo parecia um pouco fora de ordem, apesar de tudo está saindo como o desejado. Depois de um período de tempo, agora sentia-se traída por seu ex (quase) noivo, e a sensação de que estava fugindo do problema voltou, mesmo a mesma forçando-se manter focada em seu novo caso. Apesar que um dia ela teria que se "permitir" sofrer por todo aquele caos, ou conectar-se com suas próprias emoções. Ela sabia que não poda simplesmente fingir que nada aconteceu, mas ao menos por hora, queria deixar seguir, essa era sua nova maneira de controlar as coisas? Colocá-las para debaixo do tapete?

- Senhorita, ainda está na linha? — chamou o atendente. — Senhorita?
- Sim, sim. Está tudo certo? — Questionou encarando os campos da cidadezinha por sua janela.
- Sim, o reboque já buscou o carro, pedimos desculpas pelo transtorno, seu reembolso dos 30 dias que pagou estará em sua conta o mais breve possível, só estamos esperando o seguro cobrir.
- Tá bem, obrigada. — Desligou. Respirou fundo olhando o vestido que havia escolhido repousava em cima da cama. Era bonito, chamava atenção, não era algo que ela vestiria normalmente, mas era uma ocasião especial. Vermelho escuro, seda e pérolas, foram suas escolhas, já que o clube era realmente luxuoso.

Estava quase no horário que havia combinado com , e pensando nele checou mais uma vez o celular. Pela noite ele havia mandando outra mensagem, dizendo que estava ansioso para o dia seguinte, mas depois, não respondera mais. Não ligando muito para isso, ela se arrumou, e em menos de trinta minutos estava pronta quando escutou batidas na porta de seu quartinho. Quando abriu, deparou-se com , ele vestia um terno bonito e tinha seus curtos cabelos penteados para trás, o que lhe deixava sexy e formal. Cheirava a banho recém tomado e um perfume caro. Ele não era apenas uma companhia agradável aos olhos, sua presença carregava uma energia ardente, mesmo que de certa forma misteriosa.

- Hm... — Disse quando a viu, seus olhos brilhavam. — Você está ótima.
- Esses trapos? — disse ela, pegando sua bolsa e fechando a porta atrás de si. deu um sorriso e coçou a nuca.
- Está bonita, desculpe vir um pouco mais cedo. — Desculpou-se olhando o horário em seu relógio. Dez minutos adiantado. — Mas perdi meu celular ontem, então precisarei passar numa loja antes de irmos.

que antes sorria deslumbrada e lisonjeada por conta do elogio, foi ficando séria aos poucos, enquanto o homem falava tudo de uma vez.

- Como assim? — Questionou nervosa.
- Não se preocupe, não iremos demorar, só vou pegar o primeiro celular e... — Foi interrompido.
- Não, , isso quer dizer que você não me mandou mensagem depois de me deixar aqui?!
- Não. Por que pergunta isso? — Perguntou abrindo a porta do quarto novamente e lhe puxando para dentro, e seguida fechou a madeira, o local que já era pequeno, pareceu diminuir ainda mais com a presença dele, ficando agora minúsculo.
- Porque seu número me mandou umas mensagens. — Falou pegando seu celular e mostrando ao homem as mensagens.
- Eu não mandei isso. — Admitiu o que era óbvio.
- Então quem o fez? — Perguntou a si mesma, pondo-se de pé e andando de um lado para ao outro.
- Alguém que já está nos esperando no Lux, ou que ao menos sabe que iremos até lá.
- O que faremos? Pode ser a pessoa que matou... — Não conseguiu completar. O rosto de transformou-se em uma carranca.
- Vou mesmo assim, agora estou tão preparado quanto ele. — Ele foi em direção a porta. — Você fica!
- O inferno que fico! — disse o seguindo para fora do quarto. — Dupla é dupla. — Ele bufou, mas realmente não podia fazer muito para impedi-la, já a conhecia o suficiente para saber que ela não obedecia a ordens.
- Hoje vamos nos arriscar. — Eles se olhavam com dúvida, mas prontos para arriscar pois sabiam que poderia valer a pena, que poderiam achar uma pista depois de anos sem nada do caso atualizar. Saíram da pousada com a senhora dona do local, a sua cola, perguntando aonde iriam tão arrumados. E mais velha fazia perguntas sobre o que iam fazer e até que horas iam voltar, rapidamente inventou uma história sobre um restaurante próximo e isso foi o bastante para a senhora calar-se e lamentar que não fosse seu filho levando a dama para um jantar.

Algum tempo depois finalmente saíram de Littlebury, assim que passaram em uma loja para tentar comprar um celular, mas todas já estavam fechadas. O caminho para o clube foi calmo, combinaram como iam fazer quando chegassem ao local e fizeram suposições caso algo desse errado. Ambos estavam tensos, mas tentavam ao seu máximo não transmitir isso ao outro. era força e astúcia, inteligência e persuasão, como isso poderia dar errado?!
Passaram perto da mata onde o carro de estava, observando que ele já não estava por ali.

- Deu um jeito nisso? — Perguntou para .
- Liguei para o departamento que me alugou o carro, eles deram um jeito e ainda pediram desculpas pelo inoportuno. — Respondeu despreocupada.
- Que ótimo.
- Chegamos. — Ali na frente estava o clube, agora não estava mais tranquilo como pela tarde. Estava movimentado com carros luxuosos e pessoas vestidas impecáveis. Estava tudo impecável, a iluminação, as pessoas, a entrada, e... A segurança também. Pensar que um possível assassino poderia estar por ali, fazia a cabeça da girar e as mãos de apertassem ao volante com força. Os portões estavam abertos, chamando quem quiser para participar da grande festa, mas logo no hall encontrava-se três seguranças carrancudos a espera de alguém... Talvez dos não convidados que acabaram de chegar.

Ambos desceram do carro e começaram com o plano. Era perigoso, e até protestou, mas sua parceira sabia ser insistente. foi na frente, seu vestido vermelho de seda brincava com o vento quando ela andava, assim como seu cabelo que balançava graciosamente. Ela andou até o hall que já havia entrado antes e cumprimentou os seguranças com um sorriso.

- Olá, minha amiga Kate está me esperando no bar...
- A senhora está com sua carteirinha de sócia? — Questionou o mais alto com a prancheta. Ele estava sério e tinha cara de poucos amigos assim como os outros seguranças. — Ou com o nome na lista?
- Deixe-me ver... — Colocou a mão na bolsa fingindo procurar. — Oh, não esqueci da carteirinha, pode chamar a Kate?
- Eu não posso sair daqui, madame. — Resmungou.
- Oh, e o que eu devo fazer? Ligar para seu chefe e avisar que não quer deixar a nova cantora entrar? — Falou alto. As pessoas ao redor olhavam preocupadas. Percebendo a situação o segurança abriu passagem, mas não a deixaria passar sozinha.
- Eu vou com a senhora. — Disse, uma maneira de ter certeza de que ela era quem dizia ser.
- Não se preocupe, já avistei a Mariah, ela irá me levar ao meu local. — Falou fingindo olhar Mariah, a mulher que fez o tour com ela no dia anterior. Agradeceu ser boa com nomes.
- Tudo bem. — Concordou vendo que a mulher conhecia as pessoas dali, tanto Mariah quanto Kate, então deveria ser uma contratada, de verdade.

passou pelas pessoas e andou rápido até o salão luxuoso que havia visto antes. Passou rápido pela recepção para que Mariah, de fato não lhe visse. Depois seguiu o caminho até o camarim, atrás do palco.
Do lado de fora ainda, estava encostado no carro e fumava um cigarro, enquanto sentia o peso de sua arma no terno. Ele começou andar devagar próximo a uma mulher, parecia ter uns quarenta e cinco anos, classe alta, frustrada romanticamente e com sede de vida, ou sexo. Ele era a dose perfeita do que ela precisava, ele sabia disso, e claro, tiraria vantagem.

- Tudo bem com você, my dear? — Falou com uma voz rouca e um sotaque escocês, jogou seu cigarro fora e puxou a mão trêmula da senhora, que tinha a expressão encantada, e deu um beijo suave no topo da mesma. Os cabelos tingidos de loiros e um pouco grisalhos na raiz, foram puxados para trás e um sorriso abriu-se no rosto muito maquiado. — Parece... triste.
- Bom, eu estava esperando uma pessoa, mas já está claro de que ele não vem. — Falou constrangida.
- Pois aconteceu o mesmo comigo, acredita? — Esboçou uma expressão desapontada e encostou-se no carro da mulher. — Por que vocês mulheres são tão complicadas e apaixonantes? Ham?

Ela riu e suspirou iludida.

- Por que vocês homens só nos fazem sofrer? — jogou a pergunta para ele, e discretamente, puxou seu anel de casamento do dedo o colocando na bolsa de pedraria.
- Eu sou uma exceção, vim de longe encontrar uma dama, e ela simplesmente não deu as caras. — Completou olhando nos olhos dela. — Sinto-me solitário.
- Eu entendo, você é da onde mesmo senhor...
- Roger, meu nome é Roger, sou de uma cidadezinha da Escócia. E a senhora? — Mentiu, porém estava galante, e a mulher logo caíra por seu charme, que não parecia nada barato.
- Mabel e sou de uma cidade próxima. Mas então, não quer entrar e continuar nossa conversa com um whisky? — Questionou fazendo um biquinho, acreditando que finalmente, alguém havia lhe notado.
- Seria uma honra. — Seu passe de entrada já estava pronto.

E já do lado de dentro o show estava prestes a começar.

- Você é a cantora? — perguntou a uma mulher muito arrumada sentada numa cadeira de frente a um grande espelho.
- Sim? — a voz arrogante era alta.
- Mariah mandou-me dizer que está despedida. — Comunicou.
- O que? Quem ela pensa que é? — Levantou rapidamente, colocou um robe por cima da roupa e saiu batendo a porta com raiva. Isso daria alguns minutos a , e era só disso que ela precisava. Alguns minutos. Pegou o microfone que estava em cima da bancada cheia de maquiagens e respirou fundo quando olhou o pianista a encarando confuso. Ele era magro, tinha a pele bronzeada e vestia roupas muito bonitas.
- Vamos? — ela o chamou. Ele ficou um pouco pensativo, mas depois deu de ombros, lembrando de quantas cantoras já haviam passado por ali. Havia uma rotatividade de garotas muito grande, de qualquer forma.
- Qual vai ser? — Perguntou levantando-se de onde estava sentado.
- Back to Black, da Amy Winehouse. — Ele concordou.
- Hora do show.


Capítulo 09 - Back to Black

No bar, o som ambiente foi cessado, enquanto a mulher entrava pelo palco com o pianista. O homem sentou-se no instrumento e a dama encostou-se no mesmo com seu microfone. O público parecia muito fino, pessoas elegantes e com uma expressão soberba estampado em suas faces. agia como se estivesse no ensino médio apresentado uma peça, era pouco o que ela não faria por seu trabalho. Segurou o microfone firme e desejou um boa noite a todos. O som do piano começou a derramar-se por todo o salão, algumas pessoas reconheceram a música de imediato, foi uma delas, seu coração batia forte com o pensamento do perigo de estar fazendo aquilo. Ele brindou com a mulher que havia encontrado no estacionamento e sorriu falsamente. Observando ao redor ficou surpreso quando virou o rosto e viu que a cantora, na verdade, era sua nova dupla. Haviam planejado de chamar atenção, mas ele não pensara que ela seria tão drástica.

- O que essa maluca vai fazer?! — sussurrou para si, bebendo um pouco do líquido em seu copo, de uma só vez.
- He left no time to regret... — Começou cantar de uma forma que nunca havia visto antes. Era uma doçura angelical, misturado com definitivamente um anjo caído, pois sua voz era sedutora é muito morna, pronta para dar o bote. Um sorriso nos lábios vermelhos de , demonstrava satisfação, pela reação de seu público.

A música continuava e as pessoas ficavam cada vez mais encantadas com a moça que deslizava a voz pelo salão. achou que era o momento perfeito para observar. Um homem há alguns metros mexia no celular e pigarreou. Ele vestia um terno e parecia muito importante, pois haviam mais dois homens a sua volta, provavelmente seguranças do próprio clube. Ele com certeza, era alguém importante dali.
começou cantar o refrão e o publicou animou-se cantando com ela em alto e bom tom. Ela jamais se esqueceria daquela sensação, mas por um momento lembrou de seu ex-namorado, então sacudiu a cabeça para evitar tal pensamento. Sorriu delicada brincando com as palavras em sua boca e aproveitou para observar mais as pessoas ali. Achou observando um homem, e nesse ponto, ela soube que aquele homem seria de suma importância para aquela história. Ele soltou o celular na mesa, e olhou para o palco, para ela. Sentiu seu corpo arrepiar e ficar frio. Havia algo nele, ele sabia de algo. Por outro lado, não olhou Kate, a garçonete em lugar algum.
, cantava a última parte da música, enquanto tentava tirar alguma informação de sua acompanhante. Que não parava de falar um só minuto.

- And go back to... black. — Aplausos surgiram forte, assim como pedido de bis. Mas sabia que não poderia perder muito tempo por ali. O olhar daquele homem estranho já estava preso nela, ele levantou-se devagar e simplesmente deixou o salão, rodeado de homens. A mulher saiu do palco sendo seguida pelo pianista que a encheu de elogios, porém, no camarim que era a porta ao lado do palco, havia uma verdadeira cantora muito brava, tinha os braços cruzados e um pé batia no chão.
- Você mesmo! — Falou alto. a olhou com desprezo e tentou passar por ela, mas atrás estava a mulher que conheceu naquela tarde de visita: Mariah e um segurança. — Vadia, pegou meu lugar, tirem essa impostora daqui imediatamente.
- Ei, eu conheço você! — Disse Mariah, ela tinha um ponto no ouvido assim como o segurança. — Elizabeth, não é? — Lembrou de sua mentira.
- Isso. — Respondeu para Mariah ignorando a cantora. — Desculpe, eu sai tão rápido, mas eu queria muito cantar ali.
- Vamos ver como meu chefe vai lidar com isso. — Segurou o ponto firme na orelha e virou-se. — Sim estou aqui com ela... Tem certeza? Tudo bem.
- E? — Perguntou , nervosa, mas jamais deixaria isso transparecer.
- Ele quer lhe ver. — respondeu frustrada.
- Ah, era só o que me faltava. — A cantora revidou os olhos. — Vamos, Clyde. — Chamou o pianista e foi para o palco.
- Peço que me siga, Elizabeth. — Começou andar.
- Mas e se eu não quiser vê-lo? — questionou não movendo um músculo. Aonde estaria , ela precisava de suporte.
- Você invadiu um clube privativo, cantou no palco e causou um maior alvoroço com nossa cantora. — Mariah continuou respirando fundo. — Meu chefe não tolera essas coisas, bom pra você se for só uma conversa mesmo.

O segurança pegou o braço de com força e a puxou para fora. Eles começaram andar pela parte de trás para que não fossem vistos. respirava com dificuldade, já havia passado por muita coisa em sua carreira, e aquela adrenalina já era familiar. Porém, ela não queria mesmo morrer hoje. Suas pernas tremiam um pouco, e só andava rápido por conta do brutamontes que a puxava por todo um corredor de veludo. Foram para uma extensão subterrânea, que parecia bem mais calma. Tocava uma música sexy e a luz era pouca. Havia muita fumaça e mulheres só de lingerie dançando de forma sensual, passaram rápido e encontraram em uma sala muito luxuosa, com uma cama e poltronas, tudo de ceda vinho ou veludo. Havia um lustre e a luz era amarelada. Assim, que entraram, fecharam a porta e deixaram sozinha com o homem. Não era o mesmo que havia visto antes no celular, ele era diferente, mas parecia tão ruim quanto.

- Ora, se não é a cantora. — Permaneceu calada. A voz do homem era irritante e desengonçada. Tinha os lábios muito finos e um nariz comprido, olhos azuis e um cabelo castanho. Seu terno era impecável assim como seu sorriso presunçoso. — O gato comeu sua língua, anjo?
- Não senhor, ela está bem aqui. — Disse de forma audaciosa. — Mas acho melhor ficar longe mim.
- Ou o que? — Levantou-se da poltrona que estava e partiu pra cima de com um olhar matador. Aproximou-se colando seus corpos e colocando as mãos em sua cintura, apertando em seguida. Ele cheirou o rosto dela e soltou um ar quente que encheu de repulsa. Ela queria correr, mas não tinha como fugir. Só pensava em , em como o plano havia ido por água abaixo. — Você será minha vadia hoje. — Sussurrou em seu ouvido. — E depois vai me explicar direitinho, porque está aqui.
- Não me toca... — empurrando-o, rugiu com raiva.
- Não é uma questão de escolha sua. — Ele afastou-se um pouco com o empurrão, mas logo voltou, agora mais agressivo. Estava machucando os braços de . Um garçom entrou um uma bandeja, duas taças e um champanhe. queria pedir ajuda, mas surpreendeu-se quando viu o garçom pousar a bandeja numa mesinha e apontar uma arma diretamente na cabeça do homem que lhe machucava. O mesmo, tremeu e soltou a mulher à sua frente.
- Quem é você? — Perguntou virando-se para o garçom. estava aliviada em ver . Novamente.
- Não interessa, agora o senhor vai sentar naquela poltrona e nos contar uma história. — Avisou, segurando o colarinho do homem com força, lhe empurrou na direção da poltrona escura. O homem estava relutante, mas na mira de uma arma, fazemos o que for preciso. Ele sentou-se e bufou.
- O que querem? Dinheiro? Como entraram aqui?
- Não, não! — Falou chegando próximo de e ficando ao seu lado. — Você que irá nos responder algumas perguntas.
- Conhecia Beatrice Wolves? — foi direto.
- Claro, essa vagabunda foi minha puta durante anos. — bateu com força na boca do homem com a arma e o local começou sangrar imediatamente. — Você é louco! — Gritou de dor. Mas a sala não deixaria nenhum ruído sair. apontava a arma para a cabeça do homem com mais raiva, sentia a respiração dele acelerada e a raiva passando por ela. Agora o cabelo do homem estava um tanto bagunçado, e seu rosto vermelho.
- Responda, ela e Lucy Addam vinham para divertirem-se aqui? — questionou . tentava controlar sua ira, seu peito subia e descia, havia uma veia pulsante em seu pescoço.
- Não. — Respondeu murcho segurando seu lábio que ainda sangrava. — Quer dizer, elas gostavam do trabalho, eu já falei que elas eram minhas putas. Elas faziam porque gostavam também, Beatrice acabou por virar minha sócia nos... negócios.
- E quem matou as duas? — perguntou a mulher novamente.
- E-eu não sei. — Ele falou com raiva agora, quando viu que um dente caía de sua boca por conta da agressão anterior, o lábio superior ainda sangrava muito.
- Pense melhor. — ameaçou.
- Eu não sei, porra! — Ele olhou para baixo e suspirou. — Mas acho que sei quem pode ter essa informação.

Então, houve uma movimentação do lado de fora, e a porta da sala foi aberta, puxou e correram para a saída de emergência no fim da sala. O segurança que antes havia puxado , estava ali, mas ele não atirou no casal que corria. Ele virou sua arma para a cabeça de seu chefe e não pensou duas vezes. Atirou algumas vezes seguidas e saiu correndo, misturando-se com as pessoas, na baixa iluminação.

- Merda! — Falou segurando a mão firme de que a guiava no meio da multidão fervorosa com medo dos tiros. Eles conseguiram misturar-se no meio da onda de pessoas até chegarem no estacionamento. Correram para o carro e saíram dali o mais depressa possível. Logo a polícia da cidade vizinha seria acionada, e não seria do quartel de .
- Porra, não acredito que perdemos uma peça chave. — Ele gritou batendo no volante.
- Mas conseguimos informações importantes.
- Não é suficiente... — dirigia rápido. Estava descontando sua raiva na sua competência.
- Sinto muito. — Disse percebendo a decepção em . Ele permaneceu calado. Sério. Sombrio. Ali estava o amante de Beatrice, várias pessoas, não era alguém específico, ela se vendia por puro prazer, mesmo estando noiva de . Seu amante era todo aquele jogo sujo que ela fazia, aquela dupla identidade. Aquele esquema sujo que o homem, agora morto, chamou de negócios.

Estavam na porta de pousada depois de algum tempo, ambos desceram do carro. O caminho de volta foi assim, estranho. Silêncio.

- , sinto muito mesmo. — falou com um sorriso triste e virou-se pra entrar na pousada, agora ela entendia como era se sentir traída da pior forma, pensou em quando lhe disse que estava já conhecendo outras pessoas. Questionou-se se ele havia lhe traído também.
- Eu já sabia... — Disse fazendo a mulher parar e virar seu rosto em sua direção. A voz dele estava estranha, emaranhada. — Eu sabia que ela estava me traindo, eu só não sabia com quem, como eu lhe disse. Eu sabia desse caso dela, mas não sabia com quem era, nem queria saber na época. Mas hoje, quando o vi te tocando e falando daquela forma, eu soube que era ele, ao menos que ele fazia parte. Mas descobrir que ela era sócia dele, nesse esquema de prostituição ou o quer for... — Ela o encarava sem saber o que fazer, não sabia curar seu próprio coração, imagine o de outra pessoa. Mas por ele... naquele momento, ela tinha vontade de curá-lo. De consertar toda aquela bagunça, porque no fim, ela achava que ele merecia ser feliz. Que ele era inocente. Oh, não, não deveria baixar a guarda.

- ...
- Não, tudo bem. — Ele disse passando as mãos no rosto, respirando fundo. — Foi por isso que quis terminar com ela, mas então ela me disse que poderia estar grávida, que aquilo foi um acidente, que nunca faria de novo e que poderíamos seguir em frente. Mas eu não pude, eu tentei, tentei mesmo, mas não sentia o mesmo por ela, sentia nojo. — Declarou ele, com lágrimas nos olhos. — Por ela ter mentido, me traído. E agora por tudo que descobrimos. Quem era Beatrice Wolves?

suspirou. Andou até ele, o segurou em seus braços de forma firme, era até engraçado pois ele era um homem muito grande e forte e ela pequena. Mas aquele abraço foi reconfortante para ambos, com seus perfumes misturando-se, sentiam os corações batendo rápido em uníssimo. O vento soprava forte, havia apenas o barulho das árvores balançando. Separando-se do abraço acolhedor, sussurrou:

- Vamos solucionar isso, prometo. Boa noite, .
- Boa noite, . — O toque de celular, que havia pegado emprestado na delegacia, despertou-lhe de seus pensamentos, que o mesmo considerou inadequados: pensando o quão atraente aquela mulher era, seria possivelmente sua derrota. E ela provavelmente queria sua cabeça.


Capítulo 10 – The gift

A fumaça do cigarro estava sobre a pessoa que o tragava sem piedade, buscando ensurdecer toda aquela merda de vida em que se encontrava. A mesma, puxou seu celular do bolso e discou o número. Sua impaciência já lhe irritava, queria saber se tudo saíra como o combinado, e o idiota na outra linha ainda demorava mais e mais para atender o aparelho. Rangeu os dentes.

- Senhor? — perguntou o segurança que havia estado no clube e que agora fugia da cidade, depois de atirar em seu próprio chefe.
- Fez o que tinha para fazer? — indagou com a voz rouca. Soprou a fumaça para fora de seus lábios, sentindo a nicotina fazendo efeito em seu organismo. - Sim, eu não sei porque tive de fazer isso, mas sei que não é coisa boa. — Continuou, desconfiado, mas feliz com a parte do dinheiro que receberia. — Mas o que quero é meu dinheiro na conta agora, o tanto que prometeu. Sem nem um centavo a menos, você sabe o quanto arrisquei por isso?
- Arriscou o que, idiota? — Ironizou. — Você não tem merda alguma a perder.
- Mas você tem... — respondeu seco.
- E por isso você ficou com a parte suja, acontece que o dinheiro já está na sua conta e você não tem mais nada a ver com isso. Então, acho bom você sumir do mapa, se não o próximo será você! — Disse com um tom irritado por conta da suposta ameaça.
- Certo. E mais uma coisa... — fez uma pausa pensando no que ocorrera. — O chefe estava na companhia de um homem e uma mulher. Mas acredito que ele não tenha tido tempo de dar com a língua nos dentes.
- Eu sabia que eles estariam lá, por isso mandei você calar aquele inútil antes mesmo de se encontrarem. — Suspirou, massageando a têmpora. — Acho bom eles não terem nada mesmo, senão eu te encontro aonde quer que esteja, até no inferno, como alguém pode ser tão incompetente?!
- Isso é uma ameaça?
- Não, querido, é só um aviso. — Desligou o celular e o jogou no chão. Em seguida, pisou no mesmo até que a peça estivesse em carcaças, assim fez o mesmo com o celular do detetive , que antes possuía como um troféu.

&


- Cara, não sei se já estava dormindo e desculpa incomodar, mas é que eu recebi alta do hospital e, não tem ninguém pra me buscar. — Era seu meio irmão, , ele havia ligado logo cedo para o apartamento de , ainda estava amanhecendo. — Gina teve de ir cuidar de seus sobrinhos outra vez...
- Não tem problema, já estou a caminho. — Desligou o telefone, indo colocar qualquer roupa, fazer sua higiene e correr para o hospital. Havia umas ligações de Alexa, ultimamente a mulher estava muito preocupada com ele, com sua saúde mental e física, mas ele estava bem, repetia para si mesmo.

dirigiu para dentro do hospital, minutos depois, e encontrou seu irmão conversando com um homem no estacionamento. O homem tinha um cigarro nos lábios e sorria com algo que falara. Era um homem estranho, muito magro e vestido um paletó caro.

- Vamos? — falou quando se aproximou.
- Ah, oi, bro! — Sorriu ao ver seu meio irmão. — Tchau, cara, prazer em conhecer você. — Apertou a mão do homem que encarava a situação curioso. Ele tinha uma barba rala e muito desgrenhada, cordão de outro e um sorriso sujo. encarou o homem e apenas acenou com a cabeça. Ele o conhecia de algum lugar, mas não conseguia lembrar da onde seria.
- Até mais. — Respondeu jogando o cigarro fora e voltando para dentro do hospital.
- Quem era esse? — Questionou muito intrigado.
- Sei lá, acho que o seu nome era César, ele só queria um isqueiro, aí ficamos conversando sobre como a comida do hospital é péssima, até ele precisar dar um telefonema. — Deu de ombros despreocupado, não percebendo o quão estranho o homem que saíra, parecia. — Aquela comida é um nojo!
- Você anda fumando? — Perguntou preocupado novamente com a condição de seu irmão.
- Não, claro que não, estou tentando tirar tudo isso da minha vida. Os remédios principalmente, eu me sinto melhor, sabe? Mas às vezes parece que vou explodir a qualquer momento, essa doença vai acabar me matando, eu vou acabar me... — Suspirou triste, num sorriso angustiado, parou a frase olhando para a paisagem que passava rápido, evitando olhar seu irmão. Outro suspiro. — Mas depois de ontem, sinto que... talvez eu tenha uma chance, . Gina e eu conversamos muito.
- Você tem a mim, tem sua namorada que te ama, mesmo eu não entendo porquê. — Sorriu e o seguiu rindo fraco, dessa vez de uma forma mais leve. — Nós vamos cuidar de você, vai ficar tudo bem.
- Obrigado, sério, se não fosse vocês...
- Não pense nisso, okay? Ainda está muito cedo, posso ficar com você até ter que ir trabalhar. — Ofereceu.
- Eu vou ficar bem, . Obrigado por ser um bom irmão comigo. — Aquele momento de fraternidade provavelmente não se repetiria tão fácil assim, mas o amor dos irmãos parecia algo sólido. faria de tudo por sua família e pelas pessoas amadas. também.
- Podemos ir dormir um pouco na casa da mamãe. — Sugeriu , quando viu o horário precoce, ele sabia que seu irmão se sentia seguro lá. O loiro olhou com os olhos brilhantes para o detetive.v - Cara, eu... eu nem mereço tal apoio. — Disse. — Eu só deixo as coisas mais complicadas pra você, eu sei.
- Somos família. — Declarou fazendo o caminho da casa da mãe, e bagunçando mais o cabelo de seu irmão. — É isso que família faz, enche o saco do outro, mas se apoia quando é necessário.
- Você é tudo que me restou, bro. — Sorriu grato, quase chorando. — Obrigado, eu só tenho que agradecer.
- Tá bom, chega disso.

Por um momento ele pensou em , queria saber da história dela, queria saber pelo o que ela passou. Gostaria de entendê-la. Soltou o ar preso pelos lábios quando passou em frente à casa da menina que foi encontrada morta há uns dias. Definitivamente não havia sido suicídio. E ele descobriria quem o tinha feito.

- Por que há faixas policiais na casa de Lucy Addam? — Perguntou , observando o local. — Houve um roubo? — agora sua voz estava preocupada.
- Não... — Engoliu em seco, sentindo um peso e seus ombros. — Ela se... suicidou.
- , do que você está falando?! — Falou nervoso, com as mãos na cabeça. — Ela não faria isso. Jamais.
- Eu sei, . Mas parece que foi o que aconteceu. — Preferiu não falar nada demais, não queria que informações vazasse, mesmo que confiasse eu seu irmão de olhos fechados.

&


Logo mais, pela manhã ainda, acordou com alguém batendo em sua porta. Quando abriu, viu que era a senhora, dona da pousada, o que fez a mulher coçar os olhos e tentar enxergar melhor.

- Bom dia... — Falou sorrindo sonolenta.
- Desculpa acordar você tão cedo, minha querida. — Desculpou-se.
- Tudo bem! — encarou o embrulho e as flores que a senhora segurava.
- Mas é que deixaram essa caixa e essas flores lá fora com seu nome, acho que deve ser de alguém que gosta muito de você. — Sorriu amigável. estava surpresa, não pensaria em ninguém que poderia lhe mandar algo tão bonito assim. A caixa de madeira era muito linda, assim como as flores que eram brancas e vermelhas. ? Seu coração acelerou-se com a ideia. Não, ele não faria isso.
- Oh, que lindas. Obrigada por me trazer. — A senhora ficou na porta esperando a mulher abrir a caixa, mas entrou no quarto e fechou a porta deixando a senhorinha mais curiosa, frustrada a mesma foi embora fazer suas tarefas na pousada.

No quarto colocou a caixa em cima da bancada e tentou abrir, mas não conseguiu, parecia colada. Então, ela pegou um canivete que havia ganho de seu pai no natal de uns anos atrás, o mesmo que ela nunca tirava de sua bolsa, só por precaução. Forçou um pouco a madeira com a lâmina até a caixa ceder. Quando tirou a tampa, seu coração batia forte e um grito ficou preso em sua garganta. Náusea. Medo. Aflição. Era tudo que sentia. Suas mãos tremiam, e o canivete vermelho caiu, assim como a caixa, virando todo seu conteúdo no chão.
Ali no meio da caixa havia uma língua que parecia humana, banhada de sangue, e um bilhete flutuava no chão, na grande poça do líquido vermelho escuro.

"Isso é o que acontece com quem fala demais ou se mete aonde não deve ;)"


Continua...



Nota da autora: Olá! Tudo bem? Já tem sua aposta de quem pode ter assassinado Beatrice Wolves? Me ajude a concluir um rumo para a estória, se puder, comente o que está achando! Obrigada por ler! <3

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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