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Última atualização: 01/09/2020

Prólogo

Lealdade. Apesar de considerá-la superestimada, essa sempre foi a palavra mais enaltecida e quem sabe, a favorita entre os Malfoy. Minha família.
O seu conceito sempre foi muito claro para mim.
Tive o privilégio de entender que lealdade não é uma condição, mas sim um comportamento característico, pessoal e particular. O único problema é que infelizmente, não somos uma família acostumada a conversar sobre até que ponto devemos ser leais, ou melhor dizendo, por quem devemos ser.
Talvez, a palavra correta para isso seja lealdade cega.
E desde de pequena, tornou-se evidente a mim que nós, Malfoys, somos uma família complicada e o sangue-puro sempre definiria o elo que tínhamos. Dessa forma, se alguma coisa era questionada ou contrariada — inclusive a lealdade – as respostas eram sempre as mesmas: “Não pense nisso...”, “Não questione...”, “Não fale para não atrair...”. As duas últimas, sempre pronunciadas por Abraxas. O patriarca Malfoy, ou, meu tão complicado avô.
Por esse motivo, sem se dar conta, um bruxo podia muito bem repetir as ações boas e as ruins de seus antepassados. Nossa família, vivia dentro desse looping ele não poderia ser questionado, por ninguém.
Isso não foi diferente para mim.
E agora, o ciclo de lealdade familiar e as diretrizes de meus antepassados, estarão sempre ligadas a mim.
Sou Eileen Malfoy. Filha de Severo Snape e Katrina Malfoy.
E, antes que me esqueça, uma comensal da morte.
ϟϟϟ

A mansão dos Malfoy estava movimentada naquela manhã quando desceu a cozinha em busca de algo que comer. Se contentou com uma fruta e refez o caminho até seu quarto. Enquanto caminhava olhares eram deixados sobre a jovem Malfoy que agora, semanas depois do ocorrido no torneio tribruxo, parecia mais impenetrável que jamais parecera.
Os olhares de agora eram duros para qualquer um que ousasse a olhar e todos tinham a breve impressão de que a qualquer momento a jovem poderia lançar uma maldição da morte em quem quer que fosse.
Como poderia uma garotinha colocar medo, mesmo que secretamente, em tantos outros comensais já de mais idade? Ninguém sabia explicar.
Quando alcançou o topo das escadas que davam ao corredor de seu quarto o primeiro olhar que pousou sobre si foi e de seu primo, Draco. A semanas ele tentava falar com , porém, suas tentativas eram todas vãs, já que a garota não parecia disposta a se abrir sobre o que ocorreu, apenas fingir que não havia acontecido nada.
Fato era que a jovem Malfoy sentia um misto de coisas que não sabia explicar. Desde que conseguia se lembrar fora ensinada que servir ao lorde das trevas sem questionar era o certo a se fazer, e havia feito isso por muito tempo, porém depois da morte de Diggory, se pegava em questionamentos sobre o bruxo a quem servia.
se questionava se era apenas uma peça manipulável em uma espécie de jogo de Voldemort, e ao mesmo tempo que tinha esse questionamento, o mandava embora porque sem lembrava da voz firme de Lúcio dizendo “O lorde das trevas sabe o que faz e não deve ser questionado, ”.
Sem dar chances a Draco de se aproximar, a garota seguiu para o quarto fechando a porta atrás de si e tomando espaço em sua cama.
se agitava na gaiola que mantivera fechada por dias e ao encarar a coruja por alguns instantes ela se levantou abrindo a porta de metal.
— Suma daqui. — ordenou se virando de costas e voltando a cama. A janela do quarto estava aberta, então a coruja poderia facilmente deixar o quarto, porém o que fez foi voar até a cabeceira da cama da garota a encarando de modo atento — O que foi? Eu não tenho biscoitos para você, pare de ser uma preguiçosa e vá caçar sua comida. — o tom mal humorado não espantou a coruja, apenas a vez alçar voo para então pousar ao lado de , a bicando por um momento com cuidado. não era o tipo de coruja de carinhos, porém depois de anos uma ao lado da outra, a ave sabia bem quando não estava em seus melhores dias. E aquela simples bicada a fez esboçar um mínimo sorriso — Pode ir caçar. — foi tudo que disse, agora em tom um pouco mais brando e com uma última olhada para ela, bateu as asas deixando o quarto em um voo elegante.


Capítulo I — Uma visita a Little Whinging.

Agosto sempre havia sido o mês favorito de . Mas diferentemente dos outros anos, esse não havia motivo para celebrar. Era evidente de que muitas coisas haviam mudado na vida da garota e a comemoração de seu aniversário não lhe atraía como antes, pelo contrário, aquilo lhe parecia demasiadamente superestimado.
A mudança em seu comportamento havia sido nítida até para pessoas que não estavam mais tão presente em sua vida, como Krum, que mesmo longe sentia o alteração em sua personalidade quando se comunicavam.
Draco também havia percebido que “horas livres” já não existiam mais no calendário da prima, uma vez que todo seu tempo era dedicado ao Lord das trevas e aos outros comensais. Percebeu também que os companheiros do Lord ainda não se sentiam confortáveis com a presença da prima e até mesmo sua tia Bellatrix Lestrange “agora livre” tinha desafeto pela garota, mas ele tinha certeza que aquilo era recíproco. Pois na primeira vez em que Lestrange ousou provocá-la, não pensou duas vezes antes de usar a maldição Cruciatus nela.
Voldemort não interviu.
E o fato era que, já não era a mesma.
Naquela tarde, aproveitando a oportunidade de estarem sozinhos na mansão e a apenas algumas horas da garota completar mais um ano de vida, foi que Draco decidiu não ceder mais ao afastamento da prima e resolveu procurá-la para de uma vez por todas, conversarem. Afinal, logo voltariam para Hogwarts e teriam de conviver quer ela gostasse ou não e mesmo se ela não precisasse mais dele, ele precisava dela.
Antes que pudesse se pôr de pé, um grito ensurdecedor acompanhado de um estalo alto e ressonante soou do quarto ao lado. Agilmente Draco levantou-se e com a varinha em mãos, correu em direção ao quarto de .
— Mas o que diabos aconteceu aqui, ? — Draco parou subitamente ao chegar no outro cômodo. Olhou ao redor e encostou-se ofegante sobre o batente da porta do quarto. Devido a adrenalina da corrida até o local, mal se deu conta do clima gélido do lugar, além disso a cena em que via em sua frente era demasiadamente estranha.
— Não está óbvio? As malditas janelas velhas estouraram de vez. — respondeu sentada sobre sua cama. Draco olhou ao redor e viu fragmentos de vidro por todo o quarto. O vento gélido vinha de todas as direções e as grandes janelas perfeitas que davam visão ao jardim da mansão, agora se resumiam a estilhaços.
O que mais impressionava Draco era a expressão ainda impassível no rosto de , como se a explosão já fosse esperada.
Sem pedir permissão, ele caminhou com o vidro estalando debaixo de seus pés.
— Não chegue perto! — advertiu e Draco não deixou de notar o resquício, mesmo que mínimo, de preocupação seu tom.
— Está tudo bem. — Draco garantiu continuando a se aproximar e tomou o espaço ao lado da prima. Houve um silêncio que perdurou por longos minutos. Draco havia pensado tanto no quanto queria falar com a prima, mas sequer pensou no que dizer a ela e naquele momento ali, sentado a seu lado, imaginou que talvez dizer algo não fosse necessário. Encarou ela melhor e um mínimo sorriso lhe surgiu. Estava tão preocupado a princípio que sequer havia notado que os fios longos haviam dado lugar a fios curtos que emolduravam bem seu rosto — Cortou o cabelo. — comentou baixo batendo de leve em uma mecha e apesar de ela não dizer nada, havia uma leveza no clima entre eles, mesmo que pequena.
Porém, ao bater nos fios, pouco mais abaixo, Draco notou um líquido vermelho escorrer próximo a testa da garota. Os dedos quase que automaticamente se direcionaram até a área com certa cautela.
… — não houve tempo de terminar a lamentação, já que o barulho de uma discussão preencheu a casa. As vozes conhecidas eram de Lúcio e Snape. se colocou de pé seguindo pelo corredor até o alto das escadas, parando para ouvir o que acontecia. Draco a seguiu discretamente.
— Quantas vezes preciso lhe dizer que não deveria fazer parte desse mundo, Lúcio? — a voz do pai foi a primeira que ela ouviu, e de seu modo, parecia furioso — As minhas escolhas e de Katrina não são as dela. — no andar de baixo o sorriso irônico de Lúcio era claro.
— Está dizendo que servir ao Lorde das Trevas não é o que você quer para a sua filha? — o questionamento vinha como um tipo de desafio que sequer fez Snape vacilar — Porque eu sei que é o que minha irmã iria querer para ela. — a certeza em seu tom fez o sangue de Snape ferver. Frequentemente Lúcio falava de Katrina como se o que ela poderia querer para a filha fosse mais importante do que o que ele mesmo queria. Como se Lúcio tivesse esquecido o que a própria irmã fez. E Snape estava cansado de ceder.
— Você sabe muito bem o que Katrina iria querer para , porém existe algo que você não deve se esquecer... — o tom de Snape era preciso como poucas vezes qualquer um tivera escutado. Chegava a ser ameaçador — Eu sou o pai dela, e mais do que qualquer achismo seu sobre Katrina e suas vontades, o que eu julgo ser o melhor para ela é o que deve contar em primeiro lugar, Lúcio. — o nome do tio de sua filha deixou a boca de Snape como quem cita um inseto do qual se deve ter nojo. E de algum modo, era assim que Severo via o irmão de sua falecida esposa.
— Ora, seu...
— Já chega! — a voz de irrompeu pela sala antes que o tio pudesse dizer qualquer outra coisa e ambos se viraram para encarar a menina que terminava de descer as escadas de maneira determinada — Já está mais que claro que qualquer decisão tomada em relação a mim mesma, é minha e de mais ninguém. — o tom de se assemelhava ao do pai de tão preciso e certo, e a junção aos olhos negros que pareciam cruéis demais para alguém de sua idade, a fazia parecer completamente impassível — E honestamente espero não ter de ouvir tais discussões ridículas novamente. Sabemos que nenhum dos dois pode opinar sobre as decisões que tomo. — e dizendo aquilo puxou a varinha, sem dar tempo a protestos e aparatou para o primeiro lugar onde pensou que realmente queria ir naquele momento.
— Vocês precisam ver uma coisa. — foi a única coisa que Draco conseguiu pronunciar após o desaparecimento da prima.

ϟϟϟ

Era uma tarde calma na rua dos Alfeneiros. Pelo menos até o momento em que aparatou no meio de um quarto mal iluminado, não fosse pela luz do sol que entrava pela janela. Encarou o lugar que era muito menor que seu quarto na mansão dos Malfoy. Uma gaiola vazia repousava em um canto e imaginou que Potter tivesse libertado sua coruja. O malão estava ali, fechado e pronto, como se ele esperasse partir em breve. Mas antes que tomasse qualquer atitude, resolveu dar um jeito no corte feito pelo toque de estilhaço em sua testa.
Episkey — foi sussurrando o feitiço que pode ouvir meio que ao longe uma agitação e tratou de se apressar até a porta encontrando então a escada que dava acesso ao andar de baixo.
— Que diabos você está pretendendo com isso, moleque? — por um pequeno espaço na escada conseguiu ver na sala de estar, próximo a janela um homem corpulento que cobria por inteiro quem quer que estivesse a sua frente. A garota não era a simpatia em pessoa, mas aquele homem? Aquele homem havia ganhado seu desafeto em dois segundos
— Pretendo com o que? — a voz que o respondeu era conhecida. Era Potter e ela sabia. Não havia como negar. Se movendo um pouco conseguiu ver o resquício do cabelo escuro do garoto junto aos óculos redondos que sempre usava. Estava na casa certa afinal.
— Fazer um barulho desses como se fosse um tiro de partida do lado de fora da nossa…
— Não fui eu que fiz o barulho. — Harry se apressou em se defender e então notou uma mulher com a cara vermelha como um pimentão se juntar ao homem na janela.
Notou que a discussão iria além do que esperava ali e então se apressou em descer as escadas em silêncio e procurar uma forma de deixar a casa sem ser notada.
Porém, assim que tomou o corredor ouviu passos pesados vindos da cozinha e se apressou em abrir uma porta pequena embaixo da escada. Era um armário.
Os passos pesados passaram pela porta e a discussão se estendia, mesmo que agora não pudesse a ouvir com clareza.
Lumos. sussurrou e agitou a varinha fazendo com que um feixe de luz iluminasse seu campo de visão. Curiosa ela se virou meio encurvada analisando o lugar onde estava.
Não havia nada por ali além de algumas pastas velhas e casacos empoeirados. Quando se virou novamente, algo chamou a atenção da garota.
Junto a um tipo de calendário, gravado na madeira estavam as iniciais HP. sabia que eram as iniciais de Harry, mas o que faziam em um armário embaixo de uma escada?
Antes que pudesse pensar muito sobre aquilo a voz irritante do homem irrompeu em frente a porta fazendo agitar a varinha depressa sussurrando Nox bem baixinho e então tudo se tornou escuro de novo.
— Estou dizendo, Petúnia, deveríamos mandá-lo embora. Gente como ele deveria ser proibida de viver em nosso meio. — não sabia exatamente o que ele queria dizer, mas era capaz de sentir o sangue ferver de tanto que o homem a irritava.
— Deveríamos, Valter, mas e se aquele gigante barbudo aparecer de novo e fizer nascer um rabo de porco em Duda outra vez? — quis rir. Não fazia ideia de quem falavam, mas a ideia de um trouxa com um rabo de porco andando por aí, lhe soara como a melhor pegadinha de todos os tempos.
As vozes se afastaram e então, quando julgou seguro abriu a porta do armário analisando o lugar e se dirigindo a uma porta no fim do corredor que lhe deu visão para a rua.
Olhou para os lados e muitos metros à sua frente viu Potter caminhar apressado. Quando o rapaz se virou olhando para trás, quase não conseguiu se abaixar a tempo de se esconder.
Precisava falar com Potter, porém e se ele a visse e fugisse?
Decidiu então segui-lo por onde quer que ele fosse e assim que tivesse a oportunidade de falar com ele, sem que o amedrontasse, falaria. se esgueirava por entre carros e arbustos toda vez que Harry fazia menção de se virar, mas não demorou muito para que o garoto finalmente pulasse um portão fechado e então parasse, fazendo deduzir que havia chego no local que queria. Olhou ao redor e percebeu se tratar de um parque para crianças trouxas.
Sabia o que era pois havia se lembrado das vezes em que Narcisa levava ela e Draco durante as tardes quentes para brincar. Escondeu-se sobre um arbusto e viu Harry sentar sobre um balanço um tanto velho e enferrujado, por um instante até pensou que ele não suportaria o peso do bruxo, mas, percebeu estar errada. Ficou alguns minutos observando o garoto resmungar para si mesmo e aquilo era uma característica estranha que ela já havia visto Harry ter, mas aquilo não era importante agora já que aquele era o momento perfeito. pensou e sem demonstrar algum receio, saiu do esconderijo e foi em direção a Harry, que por estar de costas para ela e imerso em seus próprios pensamentos, mal percebeu quando sentou ao seu lado.
— Você é um tanto difícil de acompanhar, Potter — Harry assustou-se virando para o lado. Apenas naquele momento havia percebido a aproximação da garota, mas não era o fato de não ter notado alguém sentando ao seu lado que o surpreendera e sim de quem se tratava. Não via a garota há meses e dentre todas as pessoas, colegas e amigos de Hogwarts que gostaria de encontrar, jamais pensou que seria a primeira. Automaticamente, sentiu seu estômago embrulhar. Não tivera oportunidade de falar com a garota desde a morte do Diggory e vê-la ali, era de certa forma desconfortável, mas também, curioso.
Afinal, o que estava fazendo naquele lugar? Foi aí que notou o corte do cabelo, mas observando a postura e olhar da garota, tinha certeza que não era só aquilo que havia mudado nela.
— O que faz aqui? — tentou soar o mais calmo possível, mas , ainda assim, podia notar certa ansiedade em sua voz.
— Queria apenas começar dizendo que os trouxas com quem mora são bem desagradáveis. — não queria realmente falar sobre os Dursley, apenas deixar Harry ciente de que quem provocara o barulho em sua casa havia sido ela.
— O estampido, foi você... — Harry a olhou incrédulo e apenas balançou a cabeça em sinal de afirmação. — Aposto que uma visita a casa de trouxas, não é o que te trouxe aqui.
— Com certeza não. Teria escolhido trouxas mais agradáveis se fosse o caso. — riu sem humor e ajeitou-se sobre o banco tentando permanecer de frente a Harry. — Na verdade, gostaria de conversar com você sobre Cedrico. Não é bem uma conversa, para ser sincera, seria mais como um questionamento.
Ao ouvir as palavras proferidas pela a Malfoy, imagens da noite em que esteve no cemitério pairaram sobre a cabeça de Harry. E de certa forma, sabia que uma hora ou outra, ela viria até ele para saber o que de fato aconteceu com Cedrico.
Estava prestes a contar sobre a volta de Voldemort, sobre como Cedrico havia morrido sobre as mãos de Pettigrew e pelas ordens do Lord das Trevas, mas passos vindos em suas direções tomaram a atenção de Potter e a visão desagradável de Duda e seus amigos fizeram Harry respirar fundo. não precisou nem de um segundo para perceber a semelhança e reconhecer o garoto. As feições lembravam os trouxas na casa de Potter e podia apostar que era filho deles.
— Arrumou uma namorada, Potter? — encarou Harry e o viu ficar vermelho de vergonha por um momento — Me diga, ela sabe que você fica chorando a noite que nem um bebezão? Como era mesmo? “Vem me ajudar, papai! Mamãe, vem me ajudar! Ele matou Cedrico! Papai, me ajude! Ele vai…” Quem é Cedrico, afinal? Seu namorado da escola de esquisitos? Deve ser tão estranho quanto você. — sentiu a raiva lhe subir por todo o corpo. Quem aquele trouxa achava que era para falar daquele modo de Cedrico? Porém, antes que ela pudesse fazer algo, Harry se colocou de pé em um ímpeto e brandindo sua varinha, ele a apontou para o coração do garoto — Não aponte essa coisa para mim. — o tom que tentava ser corajoso, era na verdade trêmulo e assustado.
— Está com medo de um graveto, Duda? — um dos outros trouxas que o acompanhavam soltou em meio a um riso desacreditado.
— Sim, Duda, está com medo de um graveto? — foi quem questionou em pura zombaria sorrindo de modo desafiador para o garoto que arregalou os olhos.
— Ela é… Ela é… — foi tudo que ele disse parecendo não conseguir dizer a palavra bruxa.
— Nunca mais volte a falar nisso, – rosnou Harry, algo em seu jeito, a raiva que emanava de sua voz, pareceu extremamente familiar a – está me entendendo? — Harry apertava a varinha cada vez mais forte sobre o garoto gorducho e foi aí que percebeu, foi o olhar de Harry que denunciou. Ele estava agindo exatamente como ela.— VOCÊ ME ENTENDEU?
Antes que pudesse intervir, alguma coisa acontecerá à noite. O azul anil e estrelado do céu noturno de repente ficou negro e sem luz – as estrelas, a lua, os lampiões enevoados em cada extremo da travessa haviam desaparecido. O ronco distante dos carros e o murmúrio das árvores haviam desaparecido. A tepidez da noite de repente se transformou em um frio cortante. Eles se viram envolvidos por uma escuridão silenciosa, impenetrável e total.
Por uma fração de segundo pensou que Harry ou até mesmo ela involuntariamente que tivesse feito alguma magia, mas algo lhe dizia não se tratar daquilo. E de repente, um frio intenso tão familiar para Harry e se instalou no local, arrepiando todos os pelos do corpo dos dois bruxos. Havia alguma coisa na travessa além deles, alguma coisa que respirava em arquejos roucos e secos. Ao ouvir aquilo, os amigos trouxas de Duda, saíram correndo, deixando-o sozinho.
— Q-que é que vocês fizeram? — Duda perguntou amedrontado. E antes que pudesse responder foi que Harry os viu.
— Corram! — apesar de considerar impossível eles estarem ali em Little Whinging, Harry decidiu agir rápido. Segurou a mão de e empurrou Duda para sair do transe e correr.
As pernas de pareciam apenas seguir Potter, mesmo sem a garota saber ao certo o que estava ali.
— Potter, o que está…?
— Dementadores. — foi tudo que Potter disse sabendo que a teimosia da garota a faria parar caso não dissesse e sem parar foi que olhou sob o ombro brevemente vendo apenas o borrão negro no céu e Duda correndo atrás deles.
Harry puxou até chegarem próximo a um túnel e torcendo que fosse uma escapatória e Duda estava ao encalço dos dois. Ali houve um momento de silêncio no qual Harry acreditou terem escapado, fazendo que seu coração aliviasse no peito. Porém os dementadores eram tão ágeis quanto Potter se lembrará e rapidamente o que antes era um abrigo, se tornou uma armadilha. Estavam encurralados. Harry olhou para o lado do túnel em que entraram e lá estavam eles, dementadores em sua forma sombria.
Por instinto, se colocou em frente a e Duda que não parava de tremer.
, pegue a varinha, depressa! — exclamou Harry ansiosamente brandindo a sua em mãos. Mas, quando olhou para trás, impressionou-se ao ver a garota andar em direção aos dementadores, como se estivesse hipnotizada.
ouvia os murmúrios agonizantes das criaturas, porém diferente de Potter ou Duda, aquilo soava a ela muito mais familiar que assustador e por isso, seu corpo parecia ter a necessidade de seguir na direção das criaturas.
! — Harry a chamou notando a aproximação rápida dos dementadores. Porém o que menos esperava aconteceu. Um deles apenas passou direto pela garota. Quase como se ela sequer existisse. Harry se questionou se em meio a todos aqueles dias malucos e imerso em pensamentos sobre seus conhecidos, não havia apenas imaginado a jovem Malfoy ali, porém constatou que não porque Duda também a havia visto. Então, se não era um sonho, como era possível que não a afetassem?
Preso em seus pensamentos e perplexo demais para notar qualquer coisa que fosse, Harry não percebeu quando um dos dementadores estava perto demais para que pudesse empurrá-lo contra a parede do túnel e a sensação familiar de seu corpo sendo preenchido por medo o atingisse.
Viu Duda seguir correndo para a outra ponta do túnel e ser pego por um dementador antes que pudesse fugir de fato. ainda parecia imersa em seu transe e Harry se perguntou o que estava acontecendo com a garota afinal. Tentou alcançar sua varinha que repousava no chão onde Harry a havia deixado cair ao ser surpreendido pelo dementador, porém parecia muito mais longe do que de fato estava.
! — a chamou com a voz falha e ela sequer se moveu — ! — tornou a chamar a garota parecia presa em seja lá o que fosse aquele transe — ! — o apelido deixou a garganta de Harry quase como uma súplica.
Apenas uma pessoa a chamava assim até então, e foi aquilo que a fez acordar e se virar apenas para encontrar Potter, quase agonizando e pedindo por ajuda.
— A varinha. — ele apontou com os dedos o objeto no chão e a encarou ainda sem saber ao certo o que fazer. Levou alguns segundos, e um novo contato do dementador em Potter para que ela entendesse e seguisse até Harry pegando a varinha do garoto do chão.
Porém ao se colocar de pé com ela em mãos encarou a criatura com mais atenção.
O grito que ela soltou foi para como uma lembrança. Uma lembrança muito mais antiga que qualquer outra que a garota se recordava de ter. Não sabia se era real, ou um sonho que a muito tivera, mas não teve mais tempo de divagar sobre aquilo, pois Potter, em um momento de maior lucidez, conseguiu pegar sua varinha das mãos da garota.
Expecto patronum! — foi o feitiço que deixou os lábios de Potter de modo dificultoso e então um enorme veado de prata irrompeu da ponta de sua varinha. A galhada do animal atingiu o dementador na parte do corpo em que deveria estar o coração.
E no mesmo instante, sentiu o corpo fraquejar e uma dor excruciante lhe atingiu, pouco antes de sua visão se tornar escura e ela perder os sentidos.


Continua...



Nota da autora: Eu juro solenemente não fazer nada de bom
Olá bruxinhas, como vocês estão?
Confesso que os acontecimentos passados me deixaram um pouco abalada, mas, me sinto extremamente contente por estar começando um novo ciclo com vocês.
Agora vamos lá: O destino de nossa Abra está cada vez mais próximo e depois de uma perda tão grande, o que será que acontecerá com a nossa pp?
Posso lhes adiantar que muitas emoções vem por ai e espero continuar com vocês ao meu lado. CBTV entrou no momento certo! Durante o especial mais aguardado por todo o mundo bruxo.
A questão é...
Estão gostando?
Logo haverá att e muita coisa para teorizar!
Espero respostas nos comentários, enquanto isso, vou indo, tem alguém vindo ai...
Se cuidem e até breve.
Malfeito, feito"






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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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