Change the past

Última atualização: 16/12/2020

Capítulo 1

Corríamos, em toda velocidade, para o Lago Negro, ou pelo menos para a margem dele. Nossos pés descalços se chocavam nas pedrinhas que tinham por ali, fazendo as solas machucarem. Mas não ligamos.
Ali, quase sem vida, estava Sirius Black, estirado no chão. Dementadores estavam a sua volta, esperando o seu último suspiro, sugando toda e qualquer felicidade que estivesse dentro dele. Harry, que descobrira há poucos dias que era seu afilhado, gemeu ao ver a cena, e logo conjurou o seu patrono, coisa que eu, Hermione e Rony nem sonhávamos em fazer. Da ponta da sua varinha saiu uma luz tremeluzente e forte, que se transformara posteriormente em um cervo, que cercava o corpo de Sirius contra qualquer investida daquelas criaturas, que pouco depois se dispersaram e foram embora, diante daquela forte conjuração.
Corremos agora para mais perto dele. Sirius ainda respirava, mas com dificuldades. Seu corpo tremia involuntariamente e seus machucados, pela batalha anterior contra Lupin, que se transformara em lobisomem, sangravam torrencialmente. Todos nós sabíamos bem que ele não sobreviveria.
- Precisamos usar o vira-tempo! – Harry falava, nervoso, enquanto tentava tirar o objeto do pescoço de sua amiga. – Vamos Hermione, me dê isso.
- Você não pode fazer isso. Precisa ficar aqui. – Ela respondeu, dando um safanão leve nas mãos dele.
- Não posso deixar meu padrinho morrer. Não posso. – Ele respondeu novamente, sua voz tão tremula quanto suas mãos. Tentou novamente puxar o cordão, sem sucesso.
- Eu vou. – Falei, baixo, mas decidida. Os três, Rony, Hermione e Harry olharam para mim, me fuzilando com um olhar curioso e incrédulo. – Vocês tem que tentar soltá-lo, não precisam de mim para isso. Eu posso voltar no tempo e tentar... tentar salvá-lo. Me dê ele, Herm.
- Tem certeza? – Hermione perguntou, tirando o fecho no segundo seguinte que assenti com a cabeça. Harry acompanhava com o olhar, enquanto eu afivelava o fecho no meu pescoço e tentava manejar o vira-tempo. Percebi que, como Harry, minhas mãos estavam suadas e escorregadias devido à adrenalina que tinha passado alguns minutos antes. - Só algumas voltas, . – Minha amiga me instruiu, mexendo com as mãos como se tivesse virando o botão do vira-tempo. – Já são o suficiente.
Assenti, fazendo exatamente como ela mandou, sentindo como se nada tivesse mudado. Mas, depois de algumas voltas, mudou.
Ao meu redor, tudo pareceu um borrão, como se eu voasse a vários quilômetros por hora. Mas eu continuava no mesmo lugar. Soltei o cordão, que se chocou contra a minha clavícula, e esperei alguns segundos para ver um céu azul e um sol escaldante acima de mim, tão diferente de antes. Eu ainda estava no Lago Negro, mas todos tinham sumido, como se nunca tivessem existido.
- Ok, . Precisa ser rápida e sorrateira. Ninguém pode te ver. – Balbuciei a mim mesma, esfregando as mãos, me dando ânimo e coragem.
- Está falando com quem? – Uma voz masculina falou, praticamente ao meu lado, me fazendo tomar um susto. "Bom, a regra mais importante eu acabei de quebrar". – E da onde você saiu?
Virei-me para onde estava vindo a voz, dando de cara com um garoto de cabelos curtos escuros e olhos castanhos cobertos por óculos redondos, que pareciam muito grandes para seu rosto. Estava com o uniforme da Grifinória, capa e gravata, que pareciam bem diferentes das que Harry e Rony usavam. Ele pulara da árvore em que estava pendurado, vindo na minha direção.
- E onde comprou essas vestes? – Ele perguntou novamente, seus óculos fundo de garrafa escorregando, indo para a ponta do nariz a cada passo que ele dava. – Parecem do século passado.
- São novas. – Retruquei, puxando minha veste para longe de seu alcance e ele riu breve, como se caçoasse de mim. – Pode me dizer que horas são?
- O berrante ainda não tocou para o almoço. Então deve ser por volta das 10. – Ele respondeu, seu olhar confuso e divertido sobre mim. – Como conseguiu aparatar aqui? O diretor...
- É complicado. – O cortei, olhando em direção dos risos que vinham para o lado em que estávamos. Ele fez a mesma coisa, sorrindo em seguida.
- Aí, James, não acredito que veio até aqui só para espionar a Lilian. – Um deles, o moreno de cabelos mais longos, caçoou do garoto, abraçando-o em seguida. Os outros que estavam com ele, um moreno meio acanhado e outro, loiro e gorducho, apenas riram com ele, sentando-se ali perto. Eu encarei o de cabelos compridos. Parecia... – Quem é essa aí?
- Veio aparatada. – James (agora eu sabia seu nome) respondeu por mim. Dei um sorrisinho forçado, olhando para outras direções, tentando encontrar alguém conhecido. Por Merlin, todos eram da minha casa e eu não conhecia nenhum deles. – Vou apresentar vocês. Moça aparatada, esse é Sirius... Sirius, essa é a mocinha aparatada.
Arregalei os olhos, voltando meu olhar para os dois agora. Mas... como... eu não girei esse troço tanto assim para...
- Sirius? De Sirius Black? – Perguntei, minha garganta falhando pelo nervosismo de poder estar a tantas décadas longe do meu ano. Se eu estivesse onde estava pensando, eu poderia nem estar viva. Meus pais estariam... em Hogwarts. E Harry, Rony e Hermione estariam...
Potter!
- Não sabia que era tão famoso assim, Black. – O loiro falou rindo, chamando a atenção de Sirius. Os outros riram novamente, enquanto o próprio ainda olhava para mim, intrigado. – Até ela te conhece.
- E você... James Potter? – Tentei, ignorando as brincadeiras dele, fazendo com que ele assentisse e deixasse cair seus óculos. Virei-me para o outro lado, as mãos mais trêmulas do que antes. – Remus Lupin e... Perebas?
- Perebas? – James riu novamente, enquanto Pettigrew fazia uma cara enojada, como se tivesse odiado esse nome. – Rabicho, esse é o melhor apelido já ouvido na história da humanidade bruxa. Obrigado por isso, moça aparatada.
- Aposto que esse não é seu nome. – Sirius falou baixo, deixando os outros caçoarem de Pedro. Ele, literalmente, era muito diferente da sua versão mais velha. Tão elegante, bem vestido, bonito. Chegou mais perto de mim e eu pude sentir o cheiro de abóboras exalando dele.
- Desculpe, Sirius. Mas não tenho tempo para apresentações. – Despistei, fazendo ele levantar uma das sobrancelhas. – Tenho coisas para resolver.
Sorri, meio sem jeito, e adentrei na floresta que cercava o Lago, sabendo exatamente por onde passar para ir à Hogwarts. Puxei minhas vestes para cima, enquanto pisava na grama seca e passava pelos arbustos altos e cheios de espinhos. O caminho parecia mais tortuoso do que nas décadas posteriores, mas apertei meu passo, esperando encontrar Dumbledore rapidamente. Eu tinha que sair dali.
Logo cheguei ao meu destino, infelizmente notada por vários. A gárgula, que dava passagem para seu escritório, estava lá, tão plena. Tentei a frase de sempre, "gota de limão" e, para meu espanto, ela se mexeu, mostrando a escada em espiral que eu conhecia tão bem pelo fato de acompanhar sempre meus amigos. Subi, pulando alguns degraus, e bati na porta, que se abriu com uma pequena fresta.
- Professor Dumbledore, eu... – Comecei a falar, mas parei rapidamente quando bati meus olhos em um outro homem, tão velho quanto Dumbledore, mas definitivamente não sendo ele. Merlin, esse é...
- Olá. – O homem velho exclamou, levantando da sua cadeira acolchoada e indo na minha direção. – Acho que você errou de sala. Eu sou Armando Dippet. Diretor de Hogwarts.


Capítulo 2

- Oh.., - Exclamei, meu suor escorrendo pela testa de nervosismo. – Eu... pensava que o professor Dumbledore estaria aqui.
- O professor Dumbledore deve estar na sala dele. Você sabe onde é, não é? Provavelmente uma mocinha do terceiro ou quarto ano como você deve saber... – Ele falou, por um momento pensando alto, falando consigo mesmo.
- Sei sim. – Concordei, apenas para fazê-lo sorrir e voltar para sua posição anterior. – Obrigada, diretor Dippet. Eu devia ter ido para lá imediatamente.
- Deve estar confusa com tanta cerveja amanteigada que, com certeza, tomou em Hogsmeade noite passada, imagino.
- Com certeza. – Falei rápido, já me encaminhando para porta. Me despedi, enquanto ele se sentava e prestava atenção num pedaço de pergaminho à frente dele.
Desci as escadas, com a pressa que tive ao subi-la e me encaminhei para a sala que provavelmente o professor estaria presente. “Ele tem que saber. Tem que me ajudar.” Pensei, botando a mão no pescoço para sentir o cordão. E parei de correr por um instante quando não o senti ali. Eu o tinha perdido? Tinha ficado com ele quando cheguei a essa década, a esse ano? Se eu não tinha me desesperado o suficiente antes, agora certamente já estava 100% nervosa. Eu corria para a sala, esperando que Dumbledore pudesse me ajudar a mexer no vira-tempo, mas como eu faria isso se não o tinha mais?
Me sentei por um instante na escada ali perto, afundando meu rosto em minhas mãos escorregadias. Tentei pensar em qualquer coisa que pudesse me ajudar ali naquele momento, porém nada fixava na minha mente a ponto de se concretizar em uma ideia brilhante. Que falta faz Hermione em uma hora como essas, já que, com toda certeza, ela seria tão inteligente a ponto de fazer o próprio cordão em apenas um movimento de varinha. Ela faria um sorriso convencido e mostraria a saída da situação, enquanto nós três ficaríamos de boca aberta, apenas observando tudo o que ela mostraria.
Decidi, por fim, ir ao meu destino original. Tentaria, de alguma forma, me comunicar com ele sem falar realmente de onde vinha e porque estaria ali. Seria difícil? Sim. Mas não posso quebrar mais nenhuma regra. Não mais.
Em alguns metros eu estava na porta da sala, de onde saíam tantos outros alunos. Alguns passaram por mim com pressa, enquanto outros olharam com curiosidade, já que nunca tinham me visto por ali. Dei de ombros, sorrindo para alguns, como se os conhecesse, e adentrei quando o último saiu com vários livros nas mãos. Olhei em volta, vendo que muito não mudara, e procurei Dumbledore em seguida.
- Professor Dumbledore? – Chamei, conseguindo a atenção de um homem bem mais novo que ele. Seu cabelo era castanho claro, curto, com alguns fios brancos pontilhados, enquanto sua barba, por fazer, apenas espetava em uma parte de seu rosto. Suas vestes eram como de um trouxa, com um suéter e calças, tão diferentes da minha. Por um momento, fiquei confusa, já que ele não parecia em nada com o Dumbledore que conhecia, mas, ao vê-lo ajeitando os óculos e encarando seus olhos azuis, o reconheci.
- Sim? – Ele respondeu, enquanto arrumava alguns pergaminhos e livros. Ele poderia muito bem fazer algum feitiço que arrumasse tudo, mas sabia que ele sempre iria preferir o jeito menos prático. – Hum, acho que não a reconheço.
- Acho que não... sou uma aluna nova. – Menti, mexendo com um pergaminho que algum aluno tinha deixado na mesa à qual estava escorada. – Professor, eu tenho uma dúvida, digamos assim. Ouvi dizer que existem métodos de viajar... de um tempo para outro.
- Bom, tem sim. – Ele respondeu, terminando de arrumar tudo e escorando na mesa maior, como eu. – Mas acho que esse não é o meu campo de estudo, então não posso solucionar muita coisa para você.
- Pouco já é o suficiente. Eu estava pensando... se alguém quisesse fazer isso... poderia usar qual método? Se eu quisesse, por exemplo.
- Que eu saiba... – Ele começou a falar, coçando a cabeça, pensando. – Apenas o vira-tempo. Já ouviu falar dele, provavelmente.
- Sim. Eu queria saber de algo a mais que isso, já que não o tenho.
- E para que iria querer viajar no tempo? – Ele perguntou, cético. Eu tossi, meio nervosa, tentando dar um ar inocente e angelical.
- Apenas curiosidade mesmo, professor. Já ouvi falar de algumas pessoas que fizeram isso e achei interessante. Só... – Pensei, tentando achar uma palavra adequada para a minha mentira. – Estudos.
- Estudos... – Ele repetiu, mostrando-se acreditado nas minhas palavras. Eu sorri falsamente para ele, apenas para reforçar o meu interesse fingido. – Eu posso tentar achar algo a mais sobre isso. Mas não hoje. E nem agora. Preciso descansar dessa aula horrível. – Ele riu, nervosamente. – Pode me procurar daqui a duas semanas que poderei ajudá-la. Semana que vem tem as provas e eu certamente não terei cabeça para isso.
Merlin, duas semanas? Eu não poderia ficar tanto tempo. A essa hora, o Sirius do futuro já estaria morto? Preso? Torturado? Ou ele apenas... não existia?
- Claro. Seria ótimo. – Concordei, minha garganta fechando e entregando meu nervosismo. – Vou deixar você descansar.
- Obrigado, senhorita...?
- .
- Bonito sobrenome. Apareça aqui segunda as 10 da manhã. Estarei livre até de tarde para lhe ajudar. Enquanto isso, estude para as outras aulas. E... vá para seu dormitório! – Ele exclamou quando olhou ao relógio. Provavelmente já estaria de noite e eu, com certeza, tinha passado do meu horário. – Tomará advertência se Filch estiver por aí.
- Eu tomarei cuidado. Boa noite, professor. – Terminei, virando e indo embora, sem esperar qualquer despedida dele, e fui para o dormitório. Eu teria que tentar ser uma aluna daquela época, pelo menos até eu solucionar tudo.
Cheguei ao meu destino, me esgueirando de Filch e alguns professores ao passar pelos corredores. A entrada do dormitório era a mesma: a mulher gorda ainda preenchia o quadro da porta e pedia, incessantemente, a senha para todos os alunos que a alcançava antes de mim. Ouvi alguns falando, porém de uma forma tão baixa que não entendia. Só sabia que não era a mesma que eu conhecia.
- Senha, minha querida. – Ela falou, seu tom de voz mais grosso e sua atitude um pouco arrogante. Estava comendo algumas frutas no prato que estava na sua frente e eu provavelmente estaria atrapalhando.
- Maçarico. – Uma voz masculina falou alto, perto do meu ouvido, me fazendo tomar um susto. Olhei para o lado, encontrando um Sirius sorridente e olhando para mim. – Parece que a mocinha ainda não sabe a senha, certo?




Continua...



Nota da autora (12/11/2020): Oi leitores e leitoras, como estão? Passando aqui para fazer alguns avisos sobre a fic, que vocês podem estranhar com o decorrer do tempo.
Primeiro: de acordo com a história da JK, o professor Dumbledore não trabalha no castelo nos anos que estou escrevendo, porém ele tem importância na história e decidi mudar um pouco da original.
Segundo: Também mudando um pouco da história original, o vira-tempo da minha poderá levar a pessoa desde o passado até o futuro, então ele é de importância também para a pp voltar para seu tempo.

Sem mais delongas, acho que não tem nenhum aviso a mais (por enquanto), então aproveitem e deem o feedback de vcs que é muito bom para mim <3

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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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