Change the past

Última atualização: 18/10/2020

Capítulo 1

Corríamos, em toda velocidade, para o Lago Negro, ou pelo menos para a margem dele. Nossos pés descalços se chocavam nas pedrinhas que tinham por ali, fazendo as solas machucarem. Mas não ligamos.
Ali, quase sem vida, estava Sirius Black, estirado no chão. Dementadores estavam a sua volta, esperando o seu último suspiro, sugando toda e qualquer felicidade que estivesse dentro dele. Harry, que descobrira há poucos dias que era seu afilhado, gemeu ao ver a cena, e logo conjurou o seu patrono, coisa que eu, Hermione e Rony nem sonhávamos em fazer. Da ponta da sua varinha saiu uma luz tremeluzente e forte, que se transformara posteriormente em um cervo, que cercava o corpo de Sirius contra qualquer investida daquelas criaturas, que pouco depois se dispersaram e foram embora, diante daquela forte conjuração.
Corremos agora para mais perto dele. Sirius ainda respirava, mas com dificuldades. Seu corpo tremia involuntariamente e seus machucados, pela batalha anterior contra Lupin, que se transformara em lobisomem, sangravam torrencialmente. Todos nós sabíamos bem que ele não sobreviveria.
- Precisamos usar o vira-tempo! – Harry falava, nervoso, enquanto tentava tirar o objeto do pescoço de sua amiga. – Vamos Hermione, me dê isso.
- Você não pode fazer isso. Precisa ficar aqui. – Ela respondeu, dando um safanão leve nas mãos dele.
- Não posso deixar meu padrinho morrer. Não posso. – Ele respondeu novamente, sua voz tão tremula quanto suas mãos. Tentou novamente puxar o cordão, sem sucesso.
- Eu vou. – Falei, baixo, mas decidida. Os três, Rony, Hermione e Harry olharam para mim, me fuzilando com um olhar curioso e incrédulo. – Vocês tem que tentar soltá-lo, não precisam de mim para isso. Eu posso voltar no tempo e tentar... tentar salvá-lo. Me dê ele, Herm.
- Tem certeza? – Hermione perguntou, tirando o fecho no segundo seguinte que assenti com a cabeça. Harry acompanhava com o olhar, enquanto eu afivelava o fecho no meu pescoço e tentava manejar o vira-tempo. Percebi que, como Harry, minhas mãos estavam suadas e escorregadias devido à adrenalina que tinha passado alguns minutos antes. - Só algumas voltas, . – Minha amiga me instruiu, mexendo com as mãos como se tivesse virando o botão do vira-tempo. – Já são o suficiente.
Assenti, fazendo exatamente como ela mandou, sentindo como se nada tivesse mudado. Mas, depois de algumas voltas, mudou.
Ao meu redor, tudo pareceu um borrão, como se eu voasse a vários quilômetros por hora. Mas eu continuava no mesmo lugar. Soltei o cordão, que se chocou contra a minha clavícula, e esperei alguns segundos para ver um céu azul e um sol escaldante acima de mim, tão diferente de antes. Eu ainda estava no Lago Negro, mas todos tinham sumido, como se nunca tivessem existido.
- Ok, . Precisa ser rápida e sorrateira. Ninguém pode te ver. – Balbuciei a mim mesma, esfregando as mãos, me dando ânimo e coragem.
- Está falando com quem? – Uma voz masculina falou, praticamente ao meu lado, me fazendo tomar um susto. "Bom, a regra mais importante eu acabei de quebrar". – E da onde você saiu?
Virei-me para onde estava vindo a voz, dando de cara com um garoto de cabelos curtos escuros e olhos castanhos cobertos por óculos redondos, que pareciam muito grandes para seu rosto. Estava com o uniforme da Grifinória, capa e gravata, que pareciam bem diferentes das que Harry e Rony usavam. Ele pulara da árvore em que estava pendurado, vindo na minha direção.
- E onde comprou essas vestes? – Ele perguntou novamente, seus óculos fundo de garrafa escorregando, indo para a ponta do nariz a cada passo que ele dava. – Parecem do século passado.
- São novas. – Retruquei, puxando minha veste para longe de seu alcance e ele riu breve, como se caçoasse de mim. – Pode me dizer que horas são?
- O berrante ainda não tocou para o almoço. Então deve ser por volta das 10. – Ele respondeu, seu olhar confuso e divertido sobre mim. – Como conseguiu aparatar aqui? O diretor...
- É complicado. – O cortei, olhando em direção dos risos que vinham para o lado em que estávamos. Ele fez a mesma coisa, sorrindo em seguida.
- Aí, James, não acredito que veio até aqui só para espionar a Lilian. – Um deles, o moreno de cabelos mais longos, caçoou do garoto, abraçando-o em seguida. Os outros que estavam com ele, um moreno meio acanhado e outro, loiro e gorducho, apenas riram com ele, sentando-se ali perto. Eu encarei o de cabelos compridos. Parecia... – Quem é essa aí?
- Veio aparatada. – James (agora eu sabia seu nome) respondeu por mim. Dei um sorrisinho forçado, olhando para outras direções, tentando encontrar alguém conhecido. Por Merlin, todos eram da minha casa e eu não conhecia nenhum deles. – Vou apresentar vocês. Moça aparatada, esse é Sirius... Sirius, essa é a mocinha aparatada.
Arregalei os olhos, voltando meu olhar para os dois agora. Mas... como... eu não girei esse troço tanto assim para...
- Sirius? De Sirius Black? – Perguntei, minha garganta falhando pelo nervosismo de poder estar a tantas décadas longe do meu ano. Se eu estivesse onde estava pensando, eu poderia nem estar viva. Meus pais estariam... em Hogwarts. E Harry, Rony e Hermione estariam...
Potter!
- Não sabia que era tão famoso assim, Black. – O loiro falou rindo, chamando a atenção de Sirius. Os outros riram novamente, enquanto o próprio ainda olhava para mim, intrigado. – Até ela te conhece.
- E você... James Potter? – Tentei, ignorando as brincadeiras dele, fazendo com que ele assentisse e deixasse cair seus óculos. Virei-me para o outro lado, as mãos mais trêmulas do que antes. – Remus Lupin e... Perebas?
- Perebas? – James riu novamente, enquanto Pettigrew fazia uma cara enojada, como se tivesse odiado esse nome. – Rabicho, esse é o melhor apelido já ouvido na história da humanidade bruxa. Obrigado por isso, moça aparatada.
- Aposto que esse não é seu nome. – Sirius falou baixo, deixando os outros caçoarem de Pedro. Ele, literalmente, era muito diferente da sua versão mais velha. Tão elegante, bem vestido, bonito. Chegou mais perto de mim e eu pude sentir o cheiro de abóboras exalando dele.
- Desculpe, Sirius. Mas não tenho tempo para apresentações. – Despistei, fazendo ele levantar uma das sobrancelhas. – Tenho coisas para resolver.
Sorri, meio sem jeito, e adentrei na floresta que cercava o Lago, sabendo exatamente por onde passar para ir à Hogwarts. Puxei minhas vestes para cima, enquanto pisava na grama seca e passava pelos arbustos altos e cheios de espinhos. O caminho parecia mais tortuoso do que nas décadas posteriores, mas apertei meu passo, esperando encontrar Dumbledore rapidamente. Eu tinha que sair dali.
Logo cheguei ao meu destino, infelizmente notada por vários. A gárgula, que dava passagem para seu escritório, estava lá, tão plena. Tentei a frase de sempre, "gota de limão" e, para meu espanto, ela se mexeu, mostrando a escada em espiral que eu conhecia tão bem pelo fato de acompanhar sempre meus amigos. Subi, pulando alguns degraus, e bati na porta, que se abriu com uma pequena fresta.
- Professor Dumbledore, eu... – Comecei a falar, mas parei rapidamente quando bati meus olhos em um outro homem, tão velho quanto Dumbledore, mas definitivamente não sendo ele. Merlin, esse é...
- Olá. – O homem velho exclamou, levantando da sua cadeira acolchoada e indo na minha direção. – Acho que você errou de sala. Eu sou Armando Dippet. Diretor de Hogwarts.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.

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