Última atualização: 10/06/2018

Capítulo 1


As pessoas têm a limitada ideia de que namorar celebridades é sinônimo de uma vida incrível, regada a viagens, festas, bebidas e eventos lotados de outros famosos. Ledo engano. Bem, talvez isso possa ser verdade para algumas pessoas, mas não para mim; não para a namorada do membro mais cobiçado da One Direction, o fenômeno internacional que lota estádios e arenas ao redor do mundo. Para a namorada do cobiçado , a vida é dois tons acima do complicado.
, volta aqui, por favor. – pediu deitado na cama, enquanto eu vestia minha roupa e colocava minha mochila nos ombros.
Seus braços envolveram minha cintura e me puxaram de encontro ao seu peito nu. O perfume, tão conhecido por meus sentidos, fez-me fechar os olhos automaticamente. depositou um beijo em minha nuca e meu corpo estremeceu.
– Não é a mesma coisa sem você.
, a sua produção inteira me odeia. – Eu disse, voltando a mim e saindo dos braços dele. – Eles te querem solteiro. – Suspirei. – Eu não aguento mais esse namoro escondido e proibido. – Meus olhos marejaram, aquele assunto me deixava completamente fora de mim. – Eu não escolhi isso para a minha vida.
– Mas você gosta de mim. – Ele sorriu, e eu assenti, sem forças para negar.
– Como eu posso gostar de alguém que eu não posso ter? – Encarei-o, tentando fingir uma superioridade que não existia.
O rosto de se entristeceu e meu coração se apertou.
– Eu sou seu. – Ele murmurou, aproximando-se de mim. – Só seu.
– Eu não aguento mais ligar a TV e ver especulações sobre você e alguma atriz famosa, ou você e alguma modelo da Victoria’s Secret que tem o corpo milimétricamente perfeito. – Falei já quase gritando.
Isso me matava aos poucos, e eu não sabia se tinha forças para continuar nessa vida. segurou meu rosto entre suas mãos e me fez encará-lo.
– Você é mil vezes mais bonita do que qualquer modelo da Victoria’s Secret; eu já te disse que você é a mulher mais linda do mundo. – Ele disse sério, e eu sorri. – Eles podem ficar arrumando namoradas para mim à vontade, eu só quero e só preciso de você.
– E quando alguém descobrir sobre nós? – Indaguei. – Você faz parte da maior banda da atualidade, alguém vai descobrir e todo esse peso vai vir para cima de mim. – As lágrimas já lavavam meu rosto. – Jornalistas, fãs, a sua produção.... Todo mundo vai vir para cima de mim. TODO MUNDO! – Meu coração estava acelerado, eu sentia ele na garganta de tão nervosa que estava. – Vão todos falar da fotógrafa maluca que teve a cara de pau de sequer olhar para .
– Eu te protejo. – Ele disse. – Eu não ligo para ninguém que não seja você.
– Eu não te pediria uma coisa dessas, nem que a minha vida dependesse disso. – Falei. Eu nunca teria coragem de pedir para que se complicasse com a mídia ou com seus fãs por minha causa. – Já deu, . Eu já tive meus cinco minutos como a fotógrafa sortuda para quem um grande astro da música deu uma chance.
– Eu não te dei uma chance, eu me apaixonei por você. – Eu sorri de imediato, aquilo era muito bom de se ouvir. – Eu te amo, . – Ele entrelaçou nossos dedos. – Se alguém nessa relação foi o sortudo que recebeu uma chance, esse alguém sou eu, porque você é a melhor coisa que já me aconteceu.
– Como é que voc.... – Não consegui terminar a frase, pois fui interrompida por , que selou nossos lábios. Meus olhos se fecharam automaticamente e eu senti suas mãos me puxarem pela cintura.
– Eu sei que te pedir isso é covardia. – Ele depositou um beijo em meu pescoço, que fez arrepiar por completo. – Mas eu não tenho forças para te deixar ir. – Ele beijou meu maxilar. – Eu amo você. – selou nossos lábios e eu não consegui afastá-lo.
Minhas mãos foram para seu cabelo e as dele para a minha cintura. me deitou na cama e ficou por cima, com uma perna de cada lado do meu corpo. Meu vestido foi arremessado para algum canto do quarto, assim como a sua calça. Uma trilha de beijos foi depositada em meu pescoço, combinados com mordidas e chupões, que definitivamente deixaram marcas, mas eu realmente não me importava. Não enquanto ele continuasse a me enlouquecer com seus beijos e carícias.
Cada toque de fazia meu corpo pegar fogo. O poder que ele possui sobre meu corpo é surreal. Eu formigava a cada beijo, pegava fogo a cada toque dele. Meu corpo caiu cansado e suado sobre o dele, e meu coração acelerado deixava minha respiração descompassada. Deitei minha cabeça sobre seu peito nu e ele começou a acariciar meus cabelos, fazendo-me cair no sono.
Encarei o cara adormecido ao meu lado. Definitivamente o mais bonito de toda a Inglaterra. Como é possível alguém ser tão bonito assim? Eu não sei dizer se é o corpo magro e definido, as diversas tatuagens, os olhos castanhos esverdeados ou o sorriso sacana. Como ele consegue? é irritantemente perfeito, e eu conseguia compreender perfeitamente a euforia das jovens e adolescentes que surtavam por ele.
O seu celular começou a tocar em cima do criado mudo e ele se mexeu, ainda muito sonolento, para atender.
– Tenho que ir passar o som. – Ele disse depois de desligar. – Você vai para o show? – Neguei, e ele suspirou, depositando um beijo em meu ombro.
– Por quê? – Encarou-me, e eu sorri.
– Não estou afim de ficar escutando asneiras da sua produção. – Suspirei triste.
A grande verdade é que a produção da banda me odeia. Eles querem solteiro, e ele já os enfrentou várias vezes para me defender, por isso recebo ataques gratuitos sempre que vou aos shows.
– Eu vou indo, mas te vejo depois. – Ele sussurrou em meu ouvido e mordeu o lóbulo da minha orelha. Levantei da cama e enterrei meu rosto na curva do seu pescoço. – Eu te amo. Não esquece disso, linda.
– Eu também te amo. – Murmurei, e sorriu. Ele selou nossos lábios e aprofundou o beijo. O celular dele tocou novamente, ele mordeu meu lábio inferior e bufou frustrado saindo do quarto.
Sozinha no quarto, eu só conseguia pensar em todas as dificuldades que eu enfrentava para namorar . Eu aguento uma produção inteira me infernizando, tratando mal e mandando indiretas. Eu aguento os milhares de jornalistas que adoram especular sobre a vida amorosa dele e que querem muito que ele comece a namorar alguma modelo ou atriz impecavelmente linda e magérrima, sem nenhuma porcentagem de gordura no corpo. Eu aguento, até mesmo, o meu subconsciente, que insiste em me sabotar constantemente. Ficar com exige um esforço enorme do meu emocional.
Liguei a TV para me distrair, e por coincidência ou não, estava passando um desses programas de fofoca, e a foto de e Sophie Turner pipocava na tela. Ah, mais uma coisa que eu tinha que aguentar, as armações da produção. Dessa vez em questão, eles haviam arranjado um encontro surpresa para , com a Sophie, em um bar de Barcelona. No GC a frase " e Sophie Turner têm encontro íntimo em bar" parecia estar escrita em letras garrafais neon. Eu sabia que tudo aquilo era mentira, ele me explicou tudo quando chegou ao hotel. Mas mesmo assim, ver o homem que eu amo com outra me deixava com um vazio no estômago. Eu não sei o quanto mais disso eu aguento.
Tomei um banho para relaxar e peguei um caderno na minha bolsa, tentando desabafar em palavras.
– Eles combinam tanto. Não esperava menos do , a Sophie é uma mulher estonteante. – Alguma fã de comentava sobre o suposto casal na TV.
Eu sentia meu coração se apertar todas as vezes que era relacionado a mulheres maravilhosas como essas modelos, atrizes e cantoras. Eu nunca tive problemas com a minha aparência, sempre fui muito segura de mim, mas todo esse desgaste e pressão em cima do meu emocional conseguiu acabar com a minha autoestima. Eu já não sou aquela mulher confiante de antes.
Coloquei minha carta em um envelope e a deixei em cima do criado mudo. Juntei minhas coisas e saí do hotel, aproveitando que todos estavam no show. Cheguei ao aeroporto e peguei um avião para o primeiro lugar que consegui: a Noruega. Louca para deixar a Itália, assim que comprei fui direto para a ala de check-in, pois o voo sairia em meia hora.
A cada passo, meu coração se apertava mais e mais. As imagens de e Sophie piscavam na minha mente. Eu sabia que não eram imagens reais, mas também sabia que aquela era a vida dele. é membro da maior boyband da atualidade, é cobiçado por milhares de mulheres, entre elas atrizes, cantoras, modelos, socialites e muitas outras. Eu não faço parte desse mundo; eu não nasci para viver nos holofotes. Meu mundo é atrás das câmeras fotografando, não sendo fotografada.
Quando o avião começou a decolar, meu coração foi se apertando. Quanto mais longe do solo, mais longe de . Coloquei a mão no bolso do casaco e senti uma folha, retirei e senti meu mundo despencar ao ver que era uma foto minha com . Ele me abraçava por trás e nós dois sorríamos. Apertei a foto contra meu peito e adormeci tentando sonhar com uma realidade paralela onde nós ficássemos juntos.


Capítulo 2


Quando consegui dar um perdido em Bob e Megan, o pessoal do marketing da banda, subi para o meu quarto. Tudo que eu queria era um banho e abraçada a mim a noite inteira. Meu celular começou a vibrar e eu sabia que era um dos dois. Aparentemente, uma socialite havia ido ao show apenas para me encontrar; coisa dos dois, claro. Mesmo eu nunca dando bola para nenhuma outra mulher além da minha, eles insistiam em apresentá-las a mim.
Abri a porta do quarto e o encontrei vazio. Franzi o cenho e entrei, encontrando uma carta endereçada a mim em cima do criado mudo.

“Meu amor,
Escrever essa carta é a coisa mais difícil que já fiz na minha vida.
Eu queria começá-la dizendo que eu te amo. Muito. Incondicionalmente. E, por esse amor, aguentei quase dois anos de indiretas e xingamentos por parte de todos, exceto você e os meninos. Todo mundo tem um limite, sabe? Não dá para saber qual é o seu até você ultrapassá-lo, e eu atingi o meu. Eu tentei ignorar o que o meu corpo e mente tentavam me mostrar, mas por te amar dessa maneira, eu tentei. Mas não deu.
Eu estou em um beco sem saída; é difícil ficar, mas também é difícil partir. Você me fez a mulher mais feliz do mundo, e eu te agradeço por todos os momentos que passamos juntos.
Desculpe-me por não conseguir ser forte o bastante.
Desejo-lhe toda a felicidade e todo sucesso do mundo. Eu estarei sempre torcendo e vibrando a cada vitória que você alcançar.
Eu amo você e os meninos.
Não me procure, você não vai me encontrar.
Adeus,
Xx, .”


Meu mundo desabava pouco a pouco a cada palavra daquela maldita carta. Parecia que eu estava levando diversos socos seguidos no estômago e nem ao mesmo tentasse revidar. Aliás, era capaz que os socos doessem menos do que aquela carta.
Ela me deixou.
Ler a carta parecia um banho gelado ou um tapa na minha cara sem aviso prévio. A raiva de Bob e Megan só crescia dentro de mim. me ama, eu não sou capaz de duvidar disso, mas com o inferno que os dois faziam na vida dela, quem suportaria um namoro assim? E olha que ela já havia aguentado quase dois anos.
Fui até o salão de eventos com os olhos marejados e a carta na mão, que parecia pesar toneladas. Todos comemoravam o último show na Itália, e, assim que entrei no salão, as atenções se voltaram para mim. Bob entrou em meu campo de visão e meu sangue parecia borbulhar de raiva. Ele sempre foi o grande responsável pelo sofrimento de , afinal ele é o chefe do nosso marketing.
Em passos largos, caminhei até ele e o segurei pela gola da camiseta polo cinza.
– ELA FOI EMBORA E A CULPA É SUA, FILHO DA PUTA! – Esbravejei e soquei sua cara.
Ele caiu sobre uma das mesas e eu acertei mais um soco diretamente em seu olho, certamente deixaria um roxo. E, antes que eu pudesse acertá-lo mais vezes, alguém me puxou e me jogou para trás.
– QUE PORRA É ESSA, ? – perguntou. – Você enlouqueceu?
– ENLOUQUECER? – Perguntei retoricamente e ri com desdém. – MINHA NAMORADA FOI EMBORA E A CULPA É INTEIRAMENTE DESSE CUZÃO.
– Fale baixo, quer que todos saibam do seu namoro com aquela garota? – Megan ralhou nervosa e eu rolei meus olhos.
– EU ESTOU CAGANDO PARA OS OUTROS. – Gritei. – EU PERDI A MINHA GAROTA.
– Dude, explica isso direito. – pediu e eu lhe entreguei a carta de . A expressão de se entristeceu à medida que ele ia lendo. Quando terminou, entregou a carta para Simon, nosso empresário, que não estava muito feliz com a situação. – Eu sinto muito.
– Eu não sei viver sem ela. – Falei, triste. – Eu amo aquela mulher, .
– Antes que você tente me bater de novo – Bob disse, aproximando-se de mim –, eu só estava tentando fazer o melhor por você e pela One Direction. – Rolei os olhos. – Eu sempre fui pago para proteger e promover a banda, não a sua namorada.
Bob saiu de perto de nós e eu agradeci mentalmente, pois somente a sua voz já me enojava. Eu estava com tanta raiva que não responderia por mim mesmo se começasse a bater nele. Simon se sentou na cadeira a minha frente e fez sinal para que o pessoal saísse.
– Eu sinto muito. – Ele disse, encarando-me. – Eu sei que você a ama e que deve estar sofrendo com isso. Eu nunca fui contra esse namoro, e você sabe. – Assenti. – Porém, Bob e Megan são os melhores profissionais de marketing; os artistas se matam para trabalhar com eles, e, se eles falaram que você solteiro é melhor, é porque é verdade. – Ele sorriu. – Eu nunca lhe impedi de se encontrar com ela, pelo contrário, já até ajudei. – Assenti, lembrando das incontáveis vezes que ele nos ajudou. – Mas, eu não posso permitir que você saia agredindo membros da equipe porque está sofrendo. – Ele me advertiu. – Nós temos duas semanas até o próximo show. Vou desmarcar todos os compromissos da banda, em respeito a você. – Sorri. – Daqui duas semanas, por favor, esteja bem e com a cabeça no lugar para fazer os próximos shows.
– Obrigada. – Ele bateu sua mão em meu ombro esquerdo e me deixou sozinho.
Observei o salão vazio e ri com sarcasmo. Ironicamente, o salão era a representação de como eu me sentia: vazio e só.
Peguei uma garrafa de whisky que encontrei por ali e me afundei na cadeira, bebendo o líquido escuro diretamente da garrafa e sem gelo. Minha garganta queimava a cada gole, mas eu nem me importava, a intenção era que a queimação na garganta inibisse a dor que eu sentia em todo o resto. Não sei dizer ao certo quanto tempo fiquei por ali ou o quanto bebi, mas a julgar pela quantidade de garrafas vazias que estavam em cima da mesa, com certeza eu tinha enchido a cara até ficar aéreo, pelo menos desse jeito não doía tanto. Não sei como, mas de repente eu estava na minha cama e os travesseiros com o perfume da me entorpeceram, fazendo com que eu pegasse no sono.
No dia seguinte, acordei com chamando-me para irmos embora. Levantei-me e, a partir dali, fiz tudo no automático. Os óculos de sol escondiam minhas olheiras enormes, mas nem a maldita ressaca fazia o vazio do meu peito sumir. Passei pelos fãs que estavam aglomerados na frente do hotel e apenas acenei, eu não tinha condições de atender nenhum deles. Joguei-me na minha poltrona do avião, liguei minhas músicas e fechei os olhos, tentando dormir novamente.
Entrei em casa e tudo ali me lembrava ela; desde o sofá, onde passávamos horas vendo filmes, até a cozinha, onde ela sempre cozinhava para mim, e claro, o meu quarto, onde nós dormíamos, amávamo-nos e passávamos a maior parte do tempo quando eu estava em Londres. Tudo ali gritava o seu nome e tinha aquele cheiro característico do seu perfume. A primeira coisa que vi quando entrei no quarto foi o porta retratos com uma foto nossa, que fez meu coração se apertar instantaneamente.
Joguei-me na cama e fitei o teto. Algum tempo depois, saquei o celular e encarei as diversas mensagens que havia escrito para . Todas sem resposta.
, cadê você? Eu vou te encontrar onde você estiver. Não me deixa”.
“Eu não sei viver sem você”.
“Cadê você, meu amor?”
“CADÊ VOCÊ????? EU TE AMO CACETE!!!”
“Você é o amor da minha vida, eu te amo, princesa”.
“Ligue-me, por favor, eu não sei viver sem ter você”.

Disquei os números tão conhecidos por mim e a voz da atendente invadiu meus ouvidos.
“Esse número não existe, verifique e volte a fazer a ligação”.
É óbvio que ela mudaria de número, ela queria sumir da minha vida sem que eu conseguisse a encontrar.
Peguei uma cerveja no frigobar acoplado ao criado mudo e virei, dando um grande gole. A Heineken, que normalmente era uma cerveja amarga, desceu parecendo um brigadeiro, pois eu estava muito mais amargo do que ela. Minhas duas semanas de férias seguiram assim; bebidas, cigarros e ideias rabiscadas em folhas de caderno que estavam espalhadas pelo quarto. Sempre consegui desabafar através de música, e acho que é isso que não me deixa ficar louco.
Duas semanas jogado na cama, tentando ligar para , tentando ter ao menos a mínima noção de onde ela estava. Contratei diversas pessoas para procurá-la nos mais diversos lugares, incluindo a casa de seus pais no Colorado e o apartamento de sua irmã em Nova York, mas ela não estava por lá. Ela não estava em nenhum lugar, e eu seguia com essa angústia afligindo-me.
– Por Deus, , tem algo morto nesse quarto? – perguntou quando ele e os dudes entraram em meu quarto.
Eles tampavam o nariz e me olhavam, incrédulos.
– Tem sim, a minha felicidade. – Falei sem dar muita importância e se aproximou da minha cama. – Mas, o que vocês estão fazendo aqui?
– Você não atende nossas ligações desde que chegamos da Itália.
– E nós viajamos amanhã para Nova Jersey. – completou a fala de e eu os encarei.
– Eu não tenho ânimo para tocar sem ela. – Resmunguei.
– Escuta aqui, , se a pudesse te ver agora, ela não ia nunca querer saber de você. Não desse jeito. – disse, apontando para mim. – Eu também a amo e estou morrendo de saudades, aliás não só nós dois, mas todos aqui. Ela é nossa amiga, porra!
– Nenhum de vocês a ama como eu. – Falei e ele assentiu.
– Claro que não, e eu tenho certeza de que deve estar sendo muito difícil, eu entendo. Mas você não pode se entregar assim. – disse. – Então, levanta dessa cama e vai tomar um banho.
– Você pedindo tão carinhosamente assim, como eu posso recusar? – Ironizei e ele me mostrou o dedo do meio.
Peguei uma cueca e uma calça no guarda-roupa e fui para o banheiro. A água quente do chuveiro entrou em contato com minha pele, fazendo-me fechar os olhos e relaxar. Eu queria que a água pudesse lavar toda a dor que eu sentia dentro de mim, que não havia diminuído ao longo dessas duas semanas. Escovei meus dentes e saí do banheiro sentindo-me outra pessoa.
Meu quarto agora estava tecnicamente arrumado, sem papéis, garrafas de bebidas e bitucas de cigarro no chão. Minha cama estava arrumada, com a fronha e os travesseiros devidamente trocados. A janela estava aberta e ar fresco arejava o local. Quem diria, os astros do pop também sabem arrumar a casa.
Saí do quarto sentindo aquele cheiro de café vindo da cozinha. A mesa de café da manhã estava posta com diversas opções, desde pães e bolos, até sucos, frios e claro, o bom e velho café.
– Vocês não vão acreditar, mas acho que a gente consegue tirar uma música desse monte de papel amassado. – disse, olhando-nos, e eu franzi o cenho.
– Do que você está falando? – Perguntei e bebi um gole do café. – São apenas frases sem sentido de um cantor com coração partido.
– Meu amigo, será que você ainda não aprendeu que os corações partidos dão vida as melhores letras? – Ele perguntou, encarando-me, e eu o olhei incerto. Eu estava bêbado demais para ter escrito algo que prestasse, não me assustaria se as folhas só tivessem algo como “, volta para mim, por favor, eu te amo” escritas nelas. – Come aí, depois eu mostro para vocês. – pegou uma xícara de café e foi se sentar no sofá.
Eu o observava rabiscar algumas coisas, enquanto consultava vários papéis amassados. Quando terminamos de comer, sentei-me perto do e ele me encarou.
– “Watching you get dressed messes with my head, take that bag off your shoulder”. – Ele cantarolou e eu o olhei sem entender.
– Que isso?
– Sua música, idiota. – Ele me deu um tapa na cabeça. – “Come get back in bed, we still got time left, this don’t have to be over”.
, acho que você é um gênio da bebedeira. – disse, olhando os rabiscos nas folhas. – Abençoada seja .


Capítulo 3


O aeroporto estava cheio de adolescentes que se espremiam por entre as grades para conseguirem apenas um oi, um autógrafo, uma foto ou só um abraço de qualquer um de nós. A turnê estava de volta, e eu fingia estar bem. Embarcaríamos dali a meia hora e, enquanto o tempo não passava, estávamos dando atenção para nossas fãs.
Joguei-me na minha poltrona e liguei o som, tentando fugir da realidade. Bob estava sentado alguns bancos a minha frente, com o olho roxo e inchado, e Megan me olhava feio desde o dia do incidente. Fechei os olhos e me deixei viajar nas lembranças sobre a .

Dois anos atrás.
A vã parou em frente à redação de uma dessas revistas teens que fazia um supersucesso com as adolescentes e tinha, a cada mês, um famoso diferente na capa. Dessa vez, nós somos os famosos, estávamos ali para fazer as fotos da capa, a entrevista da matéria principal da revista e divulgar nosso novo single. Paul, nosso segurança, abriu a porta, e os gritos quase nos deixaram surdos. Grades formavam um corredor até a entrada da redação, e as nossas fãs se espremiam por ali para tentar nos ver. Fui de encontro com eles, e diversos cadernos e celulares foram esticados na minha direção. Dei alguns autógrafos e tirei várias fotos com quem eu conseguia dar atenção. Era uma sensação única ver alguém te olhar com tanta admiração e amor, ainda por cima sentir tudo isso sem pedir nada em troca, além de uma simples foto ou um abraço. Demos atenção para o máximo de fãs que conseguimos e entramos na redação.
– Olá meninos, é um prazer conhecê-los. – Uma loira caminhava em nossa direção, sorrindo de orelha a orelha. – Sou Mary Skyler, a diretora de redação da revista.
– Prazer Mary, sou Simon, o empresário. – Ele esticou sua mão e os dois se cumprimentaram.
– Primeiramente vamos a entrevista e depois as fotos. – Ela sorriu e começou a andar pelo longo corredor.
Entramos em uma sala onde havia diversos pufes coloridos, sentamo-nos e começamos a conversar com os jornalistas da revista. A entrevista ocorreu com a maior tranquilidade, foi descontraída, sem aquele clima sério. Quando finalizamos, passamos pela maquiagem e fomos para o andar acima, onde ficava o estúdio de fotografia. Mary abriu a porta de metal e nós entramos.
, querida, aqui estão eles. – Mary anunciou para a garota que mexia com algumas câmeras, de costas para nós.
Ela se virou e meu mundo entrou em rotação lenta. Ela era incrivelmente linda.
– Prazer, meninos. – Ela sorriu e eu não tive como não sorrir de volta. – Sou , a responsável pelas fotos de capa da revista.
– Simon Cowell, o empresário. – Simon esticou sua mão e ela o cumprimentou. – Eles são todos seus.
– Então vamos começar, por favor, ajeitem-se por ali – Ela apontou para a parede branca. – Sejam criativos nas poses, por favor.
Aquela foi uma das melhores sessões de fotos que já fizemos. não era só linda, ela era inteligente e supercompetente no que fazia. Quando dei por mim, já havíamos acabado. Enquanto os dudes trocavam de roupa no camarim, voltei ao estúdio, eu não podia ir embora sem conversar com ela. Quando me aproximei, coloquei meu casaco ao seu lado e ela se sobressaltou, o que me fez rir.
– Desculpa, não quis te assustar. – Sorri e ela retribuiu.
– Tudo bem. – Ela riu. – Você quer alguma coisa?
– Na verdade, sim. – Ela me encarou.
– O quê? – Perguntou.
– Seu telefone. – Sorri e ela arqueou as sobrancelhas.
– Oi? – Ela perguntou rindo. – Você não pode estar falando sério.
– Claro que estou! – Protestei, um pouco ofendido.
– E por que , membro da maior boyband da atualidade, quer meu telefone? – Perguntou. – Eu sou uma simples fotógrafa.
– Você está longe de ser uma simples fotógrafa, o trabalho que você fez com a gente hoje foi incrível. – Falei e ela sorriu.
– Obrigada. – Ela disse, animada. – Significa muito vindo de um rock star como você.
– Sem contar que você também é incrivelmente gata. – Pisquei e ela riu, jogando a cabeça para trás. Antes que ela pudesse responder, Paul bateu na porta, chamando-me para irmos. – Tenho que ir, já que não consegui nada por aqui.
– Valeu a tentativa. – Ela sorriu e eu assenti.
– Tchau, fotógrafa gata. – Pisquei e ela riu.
– Tchau, rock star. – Ela disse, entregando-me o casaco.
Quando já estava na vã, coloquei as mãos no bolso do mesmo e senti um papel, desdobrei-o e sorri.

”Talvez você também seja incrivelmente gato.
Me liga, rock star!
7825-3598
Xx, fotógrafa incrivelmente gata.”


Tempo atual.
Quase 100 shows depois, estávamos chegando ao final da turnê pela América do Norte. A próxima parada: Nova York!
E quanto a mim, eu continuo sem a minha garota. Três meses e nada dela. E olha que já procurei em todos os lugares, liguei, mandei e-mail, contratei detetives. Nem os pais sabem onde ela está, só sabem que ela está bem porque ligou avisando para não os preocupar. Eu sigo tentando dar o melhor de mim nos shows, mas sei que não estou satisfazendo meus fãs o bastante.
Eu só sinto falta de uma coisa da época que não era famoso: minha liberdade. Sair na rua sem ser reconhecido, poder andar à vontade para ir comprar algo ou só curtir o dia mesmo, sem ter várias pessoas te reconhecendo e pedindo fotos, autógrafos, etc. Não que eu não gostasse, pelo contrário, eu escolhi essa vida, mas às vezes bate aquela vontade de ser anônimo.
Estávamos os cinco na Times Square, obviamente todos disfarçados para podermos curtir o passeio sem muito tumulto. Em um dos telões, o nosso clipe era exibido. Dude, isso é estranho para caralho, e eu nunca vou me acostumar! e discutiam sobre o que eles queriam comer, e eu me sentei na escadaria vermelha, observando a avenida, que é quase mágica – as luzes dos diversos prédios e telões, os carros, as pessoas. Poucos lugares no mundo são mais legais do que aqui. Fechei os olhos e pensei em . A Times Square tem uma enorme participação na nossa história, afinal foi aqui que eu a pedi em namoro.

Um ano e oito meses atrás.
Ri das poses ridículas que fazia sentada no trono de ferro do Game Of Thrones, que estava exposto na Times Square. Ela levantou os dois braços, fazendo um ‘muque’, e me olhou, rindo. Essa mulher é definitivamente louca. Tirei a foto e ela saiu, dando o lugar a próxima pessoa da fila.
– Você é louca. – Falei, depositando um selinho em seus lábios.
– Ah, , você que é muito sério. – Ela disse, rindo, e me puxou pela mão para entrar na M&M’s World. Chocolate, claro. Se existe algo que é viciada, com certeza, é em chocolates. – Vamos adoçar essa tua vida.
, se eu for na tua, eu vou virar uma bola. – Falei e ela riu.
– Os shows consomem muita energia, acho que você não corre esse risco. – Ela sorriu, olhando os chocolates. – Ei, onde estão as camisetas?
– Você quer camisetas do M&M? – Questionei e ela assentiu.
– Elas são lindas, . – Ela sorriu, selando nossos lábios. – Você deveria comprar uma para você também. – Ela disse, pegando uma camiseta. – Verde, para combinar com seus olhos.
– Você não existe. – Sorri, enquanto ela vestia a camiseta vermelha por cima da regata. Ela estava usando uma camiseta do M&M e a desgraçada conseguia ficar linda. UMA.CAMISETA.DO.M&M. Essa mulher é bonita demais, vai se foder. – Como você consegue?
– Ah , nem são tão feias assim. – Ela disse e eu ri.
– Não, não é isso. – Ri. – Como você consegue ficar linda com uma camiseta do M&M?
– Como se você não ficasse maravilhoso na sua camiseta dos minions. – Ela piscou e eu ri.
– Ok, justo. – Falei. Acabei comprando a maldita camiseta do M&M, verde, para combinar com meus olhos, e já saí usando a minha, assim como . Sentamo-nos na escadaria vermelha, com uma sacola de chocolates, e ficamos observando as pessoas passarem por ali. Uma garota passou com uma camiseta de M&M e eu ri, enquanto em encarava. – Eu preciso admitir, a camiseta é bem legal.
– Eu disse! – Ela deu um pseudogrito, toda animada. – O que você faria sem mim, ?
– É, nós formamos um belo casal. – Falei, olhando para as nossas camisetas, e só me dei conta do que falei um pouco depois. Casal. Encarei , que me olhava um pouco assustada.
– Casal? – Ela perguntou e eu sorri.
– Eu gosto de você, . – Falei e ela sorriu. – Como eu nunca gostei de ninguém nessa vida. – Entrelacei uma de nossas mãos e respirei fundo. – Isso aqui não estava planejado, mas acho que às vezes o destino nos dá um empurrãozinho, então lá vai... – Respirei fundo e parecia não parecia nem lembrar do que era respirar. – , você quer namorar comigo?
– Quero! – Ela respondeu de prontidão e eu sorri, selando nossos lábios. – E eu também gosto muito de você, .
– Que bom. – Sorri e a beijei.
Ninguém ali nos conhecia, quero dizer, provavelmente conheciam o , membro da One Direction, mas não conheciam o , de 23 anos, que gostava de cantar, jogar futebol e que estava ali, comprometendo-se com a garota mais incrível do mundo. A lua foi a única testemunha do nosso amor.

Tempo atual.
Encarei a M&M’s World e sorri. Eu sentia muitas coisas ao lembrar de : saudade, amor, carinho, tristeza, entre outros, mas nunca raiva ou ressentimento. Eu não a culpava, pois imaginava perfeitamente o inferno que a vida dela deveria ter virado depois daquele dia. Nosso namoro foi proibido quase que imediatamente, e eu, egoísta e apaixonado, nunca consegui deixá-la livre, eu sempre pedi para que ela ficasse comigo. E ela ficou. Quase dois anos aguentando indiretas e armações contra nosso namoro. Se alguém tem alguma culpa em tudo isso, esse alguém sou eu, o famoso com um contrato sou eu, não ela.
– Vamos comer no Hourglass Tavern? – perguntou, tirando-me do transe, e eu assenti, levantando-me.
Passamos em frente à loja de M&M’s e eu olhei para dentro, encarando as camisetas verdes e vermelhas.


Capítulo 4


.
Toda vez que esse nome chegava a mim, um arrepio percorria todo o meu corpo. Antes era acompanhado de um sorriso, já hoje, o bolo que se havia formado na minha garganta dizia tudo.
Brooke me esticava o iPad, que tinha um site de fofocas aberto em uma matéria sobre , e meu coração estava começando a disparar.
– Eu não quero ver isso. – Falei, nervosa, e ela bufou.
, pelo amor de Deus, até quando você vai se esconder do mundo? – Ela perguntou, colocando o iPad no criado-mudo. – Fazem três meses que você fugiu, covardemente, do cara que você ama, e desde então está aí, isolada da internet, com medo de abrir um site e a foto de cheio de olheiras pipocar na tela do seu computador.
– Olheiras? – Indaguei, preocupada, e Brooke riu debochada, apontando para o IPad novamente, e se deitou em sua cama. Respirei fundo, ponderando se deveria ou não ler a matéria. Meu cérebro não queria ver, mas meu coração gritava pedindo que eu visse. Por fim, abri a matéria, eu nunca fui uma pessoa racional mesmo. Era uma foto de e , até aí tudo bem, se não fosse pelas enormes olheiras dele. “ aparece com olheiras e fãs especulam que o cantor esteja doente”. A manchete da matéria parecia estar escrita em neon, já que meu cérebro insistia em dar destaque para aquelas palavras. Algumas lágrimas correram por meu rosto e eu as sequei. Não sei como ainda tenho lágrimas restantes depois desses três meses. – Eu não precisava ter visto isso.
– Precisava sim. – Ela disse. – Para saber que ele está sofrendo.
– Eu não preciso me culpar mais do que já faço. – Falei, sentindo vontade de chorar. – Eu tenho tentado me manter o mais longe possível da internet para não ler nada sobre ele.
– Você não tem tentado, você tem conseguido. – Brooke ironizou.
– Não, eu não tenho, porque você não me deixa esquecer. – Falei, nervosa. – Isso é covardia, Brooke!
– Covardia? Por favor, . – Ela riu. – Você abandonar o , o cara que te ama, foi o maior ato de coragem que a humanidade já viu, não é? – Ela perguntou, irônica. – Você vai entrar para a história como uma das mulheres mais corajosas que já existiu.
– Para de ser irônica. – Pedi, irritada. – A história não é tão simples quanto ele me ama e eu o deixei.
– É simples, sim! – Ela exclamou. – O te ama, já te provou isso diversas vezes enfrentando a produção ou quem quer que fosse contra o namoro de vocês, e como você o agradeceu? FUGINDO. Igual uma covarde que não conseguiu bancar o amor por ele.
– EU BANQUEI ESSE AMOR POR QUASE DOIS ANOS! – Gritei. – FORAM QUASE DOIS ANOS SENDO TRATADA COMO UM LIXO. – Sequei as lágrimas que já corriam livres pelo meu rosto. – EU NÃO AGUENTAVA MAIS, OUVIR TODO TIPO DE DESAFORO DA PRODUÇÃO DELE, PRINCIPALMENTE DO BOB E DA MEGAN!
– O amor dele não era bastante para você? – Ela perguntou calmamente, eu nunca entenderia Brooke. – Porque a produção inteira responde a ele, e por mais que eles tivessem vontade de te matar, eles nunca fariam, você era a mulher do chefe deles. – Ela se levantou da cama. – Você tinha o e os outros meninos do seu lado. Por Deus, o é teu melhor amigo!
– Você realmente acha que eu não queria estar com ele? Que eu não queria estar nos braços do homem que eu amo, sendo feliz e sem me importar com os outros? – Indaguei. – Eu queria! É claro que eu queria.
– Então porque não está? – Ela perguntou, exasperada. – Esquece essa besteira, liga para ele, entra no primeiro avião para Nova York e vai atrás da sua felicidade.
– Eu não posso. – Encarei-a. – Eu amo o , você sabe disso, não sabe? – Ela assentiu. – Eu nunca senti algo tão forte e tão puro por ninguém, ele foi o primeiro cara que realmente mexeu comigo, mas eu não consigo mais.
– Porque não? O que te impede de passar o resto da sua vida com o homem que você ama? – Brooke indagou. – Se você disser a produção dele, eu vou te jogar pela janela!
– Esse namoro acabou comigo. – Falei e ela franziu o cenho. – Não por parte do , ele sempre me tratou com todo o amor do mundo, mas a minha concorrência sempre foi com modelos, cantoras, atrizes e todo tipo de mulher maravilhosa. – Suspirei. – Eu não era namorada do cara da padaria, eu era namorada do , um dos caras mais cobiçados do mundo, membro da maior boyband do momento. – Passei os dedos pelo cabelo tentando me acalmar. – Eu nunca me achei a mulher mais bonita do mundo, mas também nunca tive problemas com a minha autoestima, eu confiava em mim e no meu corpo. Porém, as outras tem cabelos impecáveis, barrigas negativas, passam horas e horas na academia e em salões de beleza, fazem milhares de procedimentos estéticos, colocam silicones, só comem comidas saudáveis, todas elas parecem barbies, e eu não. – Respirei fundo. – Eu sempre odiei exercícios físicos, nunca gostei de salada, nunca deixei meu chocolate de lado, eu não pareço uma barbie. Você consegue imaginar o que isso fez com a minha autoestima? Parecia que todas essas mulheres sapatearam em cima de mim, a ponto de eu não conseguir me olhar no espelho e sentir NOJO de mim. EU SENTIA NOJO DE MIM! Quão fodida estava a minha mente para eu chegar nesse nível? – Desabei.
Era ótimo poder tirar tudo isso de dentro de mim. Brooke me abraçou e acariciou meus cabelos numa tentativa de me acalmar. Quando eu finalmente estava melhor, ela me colocou em frente ao espelho e olhou em meus olhos através dele.
– Olha bem para você. – Ela falou e eu me olhei de cima a baixo. – Você é linda! O te conheceu e gostou de você assim, ele nunca te pediu para fazer uma dieta ou alguma cirurgia, pediu? – Neguei. – Ele sempre te achou linda, desde o começo, porque você é linda, ou melhor, você é maravilhosa, meu amor. – Sorri. – Eu imagino que concorrer com esse padrão elevado não seja fácil, mas ele nunca olhou para elas. sempre foi seu. – Ela beijou meu rosto e ficou de frente para mim. – Por que você nunca me procurou quando estava passando por tudo isso? Você contou para alguém? Quem te ajudou?
– O sabia. – Falei.
– Você contou para ele e não contou para a sua própria irmã? – Ela perguntou, ofendida.
– Eu não contei, ele descobriu. – Falei e ela arqueou a sobrancelha, como se dissesse “como assim?”. – Ele descobriu quando me pegou forçando o vômito.
, eu não acredito que você chegou a esse ponto e não me procurou. – Ela disse, séria. – E o que ele fez?
– Ele foi um anjo. – Senti meus olhos marejarem. – Ele me disse que eu não precisava daquilo, porque ele me achava a mulher mais linda do mundo, que se aquilo era medo de perdê-lo, eu poderia ficar tranquila.
– E você teve a pachorra de abandonar esse homem. – Brooke disse e eu a olhei, séria.
– Que foi? É sério! – Ela se defendeu. – foi o homem mais maravilhoso que você já conheceu na sua vida, e você fugiu dele.
– A minha decisão não foi apenas sobre isso, envolveu muitas coisas. – Falei. – Agora eu já estou bem melhor, eu me consultei com psicólogos e fiquei bem. Esse fator só pesou mais ainda na decisão.
– Então por que? – Perguntou. – Explique-me, porque eu não consigo entender.
– Foram muitos fatores, o quesito da minha autoestima, as merdas que eu ouvia, as armações do marketing, o fato do nosso namoro ser escondido de todos. – Suspirei. – Imagina se a mídia descobrisse que o tinha uma namorada e que ele escondia ela dos fãs e de todos? Você já imaginou as coisas horríveis que seriam ditas sobre ele? O quanto iriam julgá-lo? – Indaguei. – Eu não posso ser o motivo de colocar os fãs e a mídia contra ele. – Encarei Brooke. – O não tem culpa nisso, eu também não. Nós nos apaixonamos, ninguém escolhe amar, acontece. Mas isso iria cair nas costas dele e ele sofreria muito.
– Se descobrissem, vocês ligavam o velho e bom foda-se para a imprensa, fãs e quem fosse, sendo felizes juntos. – Olhei, incrédula, para Brooke.
– São os fãs dele! – Falei. – São a razão dele ter chegado onde chegou.
, a imprensa e os fãs são importantes, mas não são Deus. – Ela disse. – Eles não podem mandar na vida do . Os fãs têm que aprender a respeitar a vida pessoal dele, elas têm que entender que não vão casar com o ídolo.
– O é apaixonado pelos fãs.
– Mas existe um limite. – Ela disse. – E, se são realmente fãs do , vão gostar de você também porque ele te ama e é feliz com você.
– E a imprensa? – Indaguei.
– Foda-se a imprensa, ! – Ela exclamou. – Eles falam de todo mundo, vão falar de vocês também, assim como falam do Justin e da Selena, do Neymar e da Marquezine, mas uma hora vão parar.
– Você falando parece tão fácil. – Murmurei.
– Porque é fácil. – Ela sorriu. – Por que você tem essa dificuldade em se permitir ser feliz? Você tem a chance que todas essas fãs queriam ter.
– Eu queria ser bem resolvida como você. – Confessei.
A verdade é que Brooke, apesar de mais nova, era mil vezes mais resolvida que eu.
– Deus que me livre, se fôssemos iguais, daria problema, acredite. – Ela riu.
– Será que eu vou voltar a ser feliz de verdade? – Indaguei e ela me abraçou.
– No dia em que você parar de lutar contra si mesma, você vai. Pode acreditar. – Ela beijou minha testa.
– No meu lugar, o que você faria? Você voltaria para o ? – Indaguei e ela me encarou.
– Não. – Encarei-a, incrédula. Como assim não? E todo aquele papo de que eu deveria ser feliz? – Eu não voltaria para ele porque, para começar, eu nunca teria saído do lado dele.
– É claro, você nunca estaria nesse dilema. – Ri e ela me acompanhou. – Tudo é tão fácil para você.
– Nada é fácil, mas a diferença é que eu não tenho medo de quebrar a cara. – Ela disse. – Já você, com o mínimo de dúvida e desconfiança, você nem entra na jogada.
– Como uma pirralha como você pode me ensinar tanto? – Perguntei, rindo.
– Pirralha não, respeite-me.
– Eu te amo, sua maluca. – Beijei sua testa.
– Eu também te amo, mesmo você sendo essa pessoa cagona e envergonhando-me. – Ela sorriu. – Agora troca de roupa, nós estamos na Noruega e não vamos ficar enfurnadas dentro de um quarto de hotel.


Continua...



Nota da autora: Oi, queridxs! Como estão?
Eu só queria dizer que essa fanfic é meu xodó e espero que vocês gostem tanto dela quanto eu. Change Your Ticket é a minha música preferida do Four e assim que eu ouvi a ideia da fanfic veio completa na minha mente. Espero que gostem e se gostarem, por favor, percam uns minutinhos para deixarem um comentário aqui para mim.
Beijinhos.





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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