Childhood Friend

Última atualização: 15/10/2019

Prólogo


Ano de 2006

– Você realmente precisa ir? – Perguntou o menino com voz de choro.
– Minha vozinha precisa de mim, Tom. – A menina se explicava pela milésima vez. – Também não queria ir, – Suspirou triste. – mas a saúde dela não está nada bem, pelo que mamãe diz.
– Promete não me esquecer? – A melhor amiga se controlou para não rir.
– Eu prometo. – Levantou o dedo mindinho. – Você promete?
– Prometo, . – Ele suspirou. – Vamos ser melhores amigos para sempre.

Ano de 2010

– Oi, Tom. – O menino escutou a mãe de sua melhor amiga falar no outro lado da ligação. – A não está em casa agora.
– Oi, tia. Sério? – Murmurou triste. – Que horas ela volta?
– Só amanhã, menino. – A moça disse, com voz de tristeza. – Assim que ela chegar, eu aviso que você ligou, ok?
– Tudo bem, tia. – Thomas desligou o telefone sem esperar que a mulher se despedisse. – Pelo jeito, você foi trocado, Thomas.



– Oi, tia Ni. – A menina falou, contente por finalmente conseguir falar com a família de seu melhor amigo. – Estou ligando tem alguns dias e ninguém atende.
– Oi, . – A criança franziu a testa pois nunca foi chamada por pela moça. – Posso te pedir um favor?
– Claro, tia. – Exclamou.
Pare de ligar para o Thomas. – Desligou sem esperar a menina falar alguma coisa.

Ano de 2016

– Vamos, , por favor. – Seus amigos estavam implorando para que a menina fosse assistir Capitão América: Guerra Civil com eles. – A gente paga seu ingresso e sua pipoca.
– Ai, gente... – Ela murmurou. – Eu não assisti a nenhum filme, – Deu ombros. – muito menos sou chegada a super-heróis.
– Por favor, . – Seu atual melhor amigo se ajoelhou em sua frente. – Eu não quero ficar de vela.
– Está bem. – Suspirou derrotada. – Eu vou.
Hoje – A menina suspirou, olhando para a câmera de seu celular. – vou assistir, ou tentar, o novo filme da Marvel. Quem também irá?
– A blogueirinha, sempre fazendo snaps... – Um de seus amigos chegou, zoando a garota. – Está na hora. Vamos?
– Tenho outra opção? – Ele negou com a cabeça. – Então vamos.
– Hoje vai aparecer o novo spiderman. – Uma das meninas que estavam com eles disse, animada.
– De novo mudaram? – A morena perguntou, indignada. – É por isso que não tem graça, muda de ator todo dia.
– Tira essa máscara, menino. – A menina escutou seus amigos resmungarem. – Ai...
– Thomas?! – A garota gritou, fazendo todo mundo olhar para ela.


Capítulo 1

Chegou o grande dia, o dia que a youtuber estava esperando intensamente. Finalmente, estava voltando para sua tão amada Londres, mesmo sendo por duas semanas. A moça iria para gravar um vídeo tão esperado pelo seus seguidores e para comemorar o aniversário de seu câmera e melhor amigo, .
Exatamente naquela manhã, fazia treze anos que tinha pisado pela última vez nas terras britânicas, deixando sua vida, sua segunda família, seus amigos e ele.
Desde a penúltima ligação que a fez, a qual a mãe do rapaz atendeu, não entendeu o porquê da moça que ela tanto admirava e que apoiava a amizade ter feito aquilo. Se perguntassem para ela se ela se arrependia de não ter ido atrás do menino quando seu pai foi visitar a sua família que ficou em Londres, ela com certeza iria responder que sim.

A menina, que agora estava uma mulher, sempre acompanhara seu ex melhor amigo pelas redes sociais e noticiários. Até mesmo começou a gostar de filmes de super-heróis, uma coisa que ela odiava, fazendo ter que explicar para seus atuais amigos o porquê da ideia mudada.

? – A morena foi acordada dos pensamentos por , sua empresária e melhor amiga. – No que tanto pensa?
– Estou com medo. – Suspirou. – Faz tanto tempo que não venho aqui. Mesmo estando longe, sei que muita coisa mudou.
– Isso tem alguma coisa a ver com o Tom? – A loira perguntou, sussurrando o último nome.
– Sim. – A youtuber secou uma lágrima que insistia em cair. – Estou com medo da reação dele quando me ver depois de anos.
, – Sua amiga pegou em suas mãos. – se ele foi tudo aquilo que você me falava… Fala, até hoje! – Suspirou.– Tenho certeza de que não vai ser uma reação ruim.
– Mas se for? – Perguntou, insegura.
– A gente dá um chute naquela bunda gigante. – Falou, fazendo a amiga rir. – E vamos comemorar o aniversário do .
– Ok. – Sorriu fraco. – Pode mandar mensagem avisando que chegamos. – Respirou fundo. – Estou pronta para reencontrar uma parte do meu passado

No outro lado da cidade, o jovem ator estava andando por onde ele tinha as melhores lembranças da infância. Até os días atuais, se preguntava por que sua parou de entrar em contado. Eles tinham um trato, não tinham?
Às veces, ele se pegava imaginando como ela estava mas, logo depois, ficava com raiva por estar se lembrando novamente da menina. Ela havia o abandonado pelas amizades brasileiras e se esquecido das britânicas, se esquecido dele.

Cara, cadê você?
A empresária da menina acabou de avisar que chegaram no hotel

THOMAS HOLLAND
CADÊ
VOCÊ?
Tom, eu sei que seu personagem some do nada dos amigos dele, mas você NÃO TEM ESSE DIREITO


Essa foi algumas das muitas mensagens que o menino recebeu de seu amigo Harrison, ignorando todas. Ele respondeu um simples:

Estou indo


– Desculpe o atraso. – Harrison se desculpou quando viu a porta abrindo. – Tivemos que parar no meio do caminho.
– Tudo bem. – Um rapaz se pronunciou pela primeira vez. – A e a terminaram de arrumar o lugar agora. Entrem. – Deu espaço para os meninos entrarem.
– Olá, fiquem à vontade. – As mulheres falaram juntas. – Eu sou a e ela, a . – A loira se manifestou logo depois pois conhecia muito bem sua amiga.



– Hey, . – Acenei para câmera assim que Leo disse ‘gravando’. – Depois de muito vocês me cobrarem a “comemoração“ – Fiz as aspas com as mãos. – de um milhão de inscritos, chegou a minha hora de cumprir. – Respirei fundo. – Hoje, nosso convidado especial de um milhão, Thomas Holland, porém mais conhecido como Tom Holland, o Homem Aranha.
– Olá. – Ele acenou para câmera. – É um prazer estar aqui.
– O prazer é nosso de ter você aqui. – Respondi piscando. – Tom, posso chamar assim? – Ele acenou com a cabeça, indicando que sim. – Minha equipe separou algumas perguntas que os seus fãs brasileiros fizeram quando saiu que você tinha ganhado. Foi difícil selecionar, pois eram muitas. – Ri pelo nariz. – Preparado?
– Sempre.
– Como é ser o herói mais irônico de todos os tempos ?
– Hm… Foi ótimo, cara. Eu sempre sonhei em ser o Homem Aranha quando era criança. – Eu sei, respondi mentalmente. – E quando essa oportunidade veio, foi como um sonho realizado, sabe? – Fiz que sim com a cabeça. – E a Marvel e a Sony tem sido ótimas fazendo esse processo agradável e informativo, e eu estou super animado para os próximos passos.
– Se você pudesse mudar o uniforme do Homem Aranha, como seria?
– Não seria nada tão apertado, sabe? – Gargalhamos. – Quero dizer, eu gosto do vermelho e do azul, as teias, acho que é ótimo, mas não seria como uma segunda pele porque, na realidade, aquilo não é pratico, não faz sentido.
– No Brasil, fizeram um meme com a sua roupa apertada. – Disse rindo. – Eles nomearam de “a vida é injusta”.
– Sério? – Perguntou, assustado.
– Sim, e uma montagem sua com a Brie de costas. – Ri lembrando da primeira vez que vi. – Mas você ainda não falou o que mudaria no uniforme, mocinho.
– Como eu disse, não faz sentido, Por que você lutaria em um uniforme de lycra que é muito apertado ? – Respondeu ele. – Mas ele é bonito, ótimo e tal, mas eu manteria as cores e o design, mas eu faria tipo um casaco com capuz, ou algo do tipo, mas definitivamente não faria tão apertado.
– Se saiu bem, Holland. – Ri pelo nariz. – Próxima pergunta. Ah, essa foi a mais perguntada, não é, ? – Sim, tinha umas trezentas mais ou menos daquela. – Qual foi o melhor conselho que você recebeu quando conseguiu o papel?
– É uma boa pergunta. – Deu uma pausa. – Meu melhor conselho provavelmente veio do meu pai, eu acho. – Olhei para ele confusa. – Ele sentou comigo e disse: “Filho, sua vida está prestes a mudar, as pessoas vão começar a falar com você de formas diferentes.“ Mas também teve um pai de uma antiga amizade minha. – Suspirou. – Ele estava junto quando saiu a confirmação do papel.
– Antiga amizade? – Perguntei com o coração apertado. – O que esse moço disse para estar entre dos melhores conselhos?
– Ele disse “sua vida vai mudar, as pessoas irão te tratar diferente, isso seu pai já disse, com certeza, mas quero dizer que é para você se manter com os pés no chão, e que continue sendo esse Thomas Holland que conhecemos antes da fama“. – Disse com os olhos lacrimejando. Recebeu água da , que percebeu que ele não estava bem.
– Podemos mudar de assunto? É delicado falar.
– Ah, claro. – Sorri fraco. – Vou para última pergunta e, depois, partimos para próxima etapa do vídeo. – Respirei fundo. – Quanto tempo demorou para você se preparar para o personagem Peter Parker?
– Vinte seis anos. – Falou na lata, fazendo Harisson ri. – Eu sempre amei o Peter Parker, sempre amei o Homem Aranha. – Eu sei, respondi mentalmente de novo. – Tenho o interpretado no meu quarto desde criança. – Rimos.
Com certeza, lembramos da mesma coisa.

Flashback on

– Ai, , graças a Deus você chegou. – Nicola disse assim que passei pela porta da cozinha.
– Qual foi a maluquice que o Thomas fez agora, tia? – Perguntei rindo.
– Veja você mesma. – Abriu a porta que dava para o jardim, mostrando Tom pendurado na árvore do quintal, de cabeça para baixo.
– Thomas Stanley Holland, o que você pensa que está fazendo? – Eu me botei em sua frente.
– Nossa, , você está de cabeça para baixo. – Falou animado. – Estou tentando me transformar no Homem Aranha.
– Ai, Tom, você é muito bobo. – Respondi rindo.

Flashback off

– Fazia poses em frente ao espelho, refazia cenas de filmes anteriores e dos quadrinhos. – Riu pelo nariz, me fazendo acordar para realidade. – Então sinto que venho me preparando para esse papel desde eu era criança. Mas quando se está no set, você obviamente tem que fazer o sotaque americano, então tentei continuar com o sotaque enquanto estava trabalhando, e também na preparação, obviamente. Ele é um personagem muito físico, ele fica se movendo de um lado ao outro o tempo todo, então eu fiz muita ginástica, muito treino de acrobacias, para ter certeza de que eu estava no meu potencial máximo. – Terminou de falar, respirando fundo.
– Sobre o sotaque, também passei por isso um tempo, mas foi mais complicado do que o seu. – Ri, fazendo ele me olhar confuso. – Eu sou británica. – Fiz ele arrelagar os olhos. – Mas, quando completei 10 anos, fui para o Brasil. – Contei meia mentira, porque eu tinha ido para o Brasil quando tinha 14 anos. – E não sabia falar português, ou seja, tive que aprender uma nova língua rápida para poder sobreviver.
– Nossa, se para mim foi complicado fazer o sotaque americano, – Deu uma pausa na fala. – Imagina para você aprender uma língua nova.
– Pois é. – Ri pelo nariz. – Agora, Thomas, vamos para última parte da entrevista, ok?
– Ok, mas me chame de Tom. – Riu fraco. – Thomas é quando minha mãe está brigando comigo. – Falou, me fazendo corar.
– Ah, tudo bem, Tom. – Riu. – Você já foi uma vez ao Brasil, certo?
– Certo.
– Como foi sua visita ao país dos fãs loucos?
– Foi muito legal, são muito divertidos. Conheci lugares muito maneiros. – Deu uma pausa. – Conheci a caverna do Batman, que eu ainda acho que deve se transformar na caverna do Homem Aranha. – Fez graça. – Pois ele já foi lá, o Batman não.
– Ok, vou dar essa sugestão para algumas pessoas. – Dei corda à brincadeira. – Vai que, na sua próxima vez no país, não tenha uma para o Homem Aranha? – Rimos. – No Brasil, nós temos uma brincadeira chamada “eu nunca“. – Suspirei. – Eu vou ler algumas perguntas que foram selecionadas pela minha produção, que também foram feitas pelos seus fãs brasileiros e, se você já fez, responde “eu já“ mas, se você não fez, fale “eu nunca“, ok?
– Ok, vamos lá. – Ele se ajeitou na cadeira. – Só eu que estou com medo? – Sussurou para mim.
– Eu também estou. – Sussurrei de volta. – Sempre dá merda para mim nessas brincadeiras. – Rimos. – Primeira pregunta. Fugi de casa sem que meus pais soubessem.
– Eu não. – Respondeu rápido. – Espera, meu pai vai ver esse vídeo?
– Vou fazer questão de mostrar esse vídeo para ele quando sair. – Foi a resposta de Harrison. – Eu nunca.
– Já pediu um número para uma fã ou já chamou para sair? – Ele corou imediatamente assim que acabei de ler a pergunta. – Ai, meu Deus, já?
– Próxima pregunta. – Respondeu, coçando a cabeça.
– Você já teve vergonha de algum filme que fez?
– Eu nunca. Todos os meus trabalhos foram maravilhosos para meu aprendizado, então nunca teria vergonha deles.
– Já me procurei no Google? Eu faço isso direto com meu nome.
– Sempre, óbvio. – Riu. – É sempre bom ver o que estão falando de você.
– Por último, fiz xixi na calça por algum medo.
– Óbvio, quem nunca? – Rimos.
– Então chegamos no fim desse vídeo. Se você gostou, deixe seu joinha. Se não é inscrito no canal, se inscreve e ative o sino que está logo aqui embaixo para receber a notificação dos vídeos postados. – Eu me virei para ele. – Tom, eu queria agradecer por ter topado fazer esse vídeo. Sei que não são muito comuns aqui.
– É sempre bom innovar, certo? – Sorriu. – Eu que agradeço aos fãs por terem votado em mim, e quero fazer uma proposta.
– Uma proposta? – Perguntei supresa.
– Se esse vídeo bater novecentos mil likes, eu trago o Robert Downey Jr. no canal. – Falou, me fazendo arregalar os olhos. – Ele queria vim nesse, mas disse que era só meu e que ele ia acabar com meu brilho.
– Ai, meu Deus! – Disse, nervosa. – Por mim, tudo bem. ?
– Isso é ótimo, , pode aceitar.
– Então, se esse vídeo bater novecentos mil likes, Tom Holland e Robert Downey Jr. aparecem aqui no canal. – Suspirei. – Beijos, meus amores. Quer falar alguma coisa? – Perguntei, olhando para ele.
– Um beijo enorme para meus fãs do Brasil. Espero ir novamente para esse país que me acolheu tanto quando fui pela primeira vez.


Capítulo 2

passou o resto do dia se perguntando se a amizade deles não foi o suficiente para que ele se lembrasse dela. Só fazia seis anos que se viram pela última vez.
— Vamos, ? — A menina acordou de seus pensamentos quando a chamou. — Eu e o já estamos prontos.
— Ah, claro. — Pegou sua carteira, botando dentro da bolsa. — Vamos comemorar que nosso menino está ficando mais velho.
— Eu não estou ficando velho, só estou...
— Ganhando mais experiência. — As meninas falaram juntas, revirando os olhos. — A gente sabe, .
— Espero que essa balada seja boa mesmo, viu, dona ? — disse, entrando no uber.
— Fiz uma boa pesquisa, ok? — Respondeu, revirando os olhos. — Vários famosos frequentam essa balada.
— Passe livre para tietar ? — Perguntou .
— Se não me fizer passar vergonha, sim. — Respondeu, dando de ombros.
— Quando foi que eu te fiz passar vergonha, ? — Perguntou a menina, indignada.
— Preciso mesmo dizer?
— Sejam bem vindos à XOYO. — falou assim que desceram do carro. — Isso aqui melhorou bastante.
— Já veio aqui antes? — Os amigos perguntaram, impressionados.
— Sim, mas foi em uma festa de aniversário. — Deu ombros. — Vamos entrar?
— Vamos.
Como a menina havia dito, realmente o lugar mudara bastante. Nova decoração, acrescentaram novos ambientes, mas as cores e a animação continuavam as mesmas.
— Vou pegar algumas bebidas. — Ela disse assim que acharam uma mesa. — Alguém vai querer?
— Sim. — Os dois amigos responderam juntos.
— Eu vou com você. — levantou para a acompanhar. — Esse está sendo o melhor aniversário.
— O Reino Unido tem dessas coisas. — A menina deu de ombros. — Tudo é mágico aqui. Estava morrendo de saudades. — Suspirou. — É como você se sentisse em casa, sabe?
— Sua casa é no Brasil, !
— Não. Minha vida é no Brasil, mas minha casa sempre vai ser aqui. — Respirou fundo.



De repente, fui arrancada dos meus dias atuais para o ano de dois mil e seis. No momento, estava sentada no balanço de minha casa desenhando, que era uma das coisas que mais amava.
, querida? — Chamou minha mãe.
— Estou aqui no quintal, mãe! — Gritei para que pudesse escutar, sem perder o foco do desenho.
— O que você está fazendo, minha menina? – Perguntou ao chegar perto, agachando-se ao meu lado.
— Desenhando. — Suspirei. — Para a vovó.
No papel, eu tentava desenhar o mais próximo de um jardim de gérberas — as flores preferidas dela — com uma senhora e uma menininha. Eu nem sa o que eram gérberas até a minha avó me mostrar. Também não soube desenhá-las, deixando-as bem parecidas com margaridas.
Minha mãe suspirou. Quando olhei para ela, vi seus olhos cheios de lágrimas. O suspiro talvez fosse para que não caíssem.
— Você sente muito a falta dela, não é? — Disse, passando a mão no meu cabelo.
— Minha vozinha não é só a flor mais bonita do meu jardim, mamãe. Ela é o jardim. Aprendi na aula de ciências que as plantinhas, para ficarem bonitas, precisam de cuidados. A minha vozinha precisa de mim — Falei triste, pegando os meus lápis de cor e pintando o jardim.
— Eu não tenho dúvidas nenhuma disso, meu anjo. É por isso que nós vamos viajar para cuidar dela. O que você acha?
— Cuidar da vovó? — A surpresa foi tão grande que acabei borrando a pintura mas, naquele momento, eu nem liguei.
Nada mais importava se eu veria a minha avó e lhe daria o desenho.
— Sim, meu amor. Ela precisa de companhia. Cá entre nós duas, que companhia é melhor que a sua? — Proferiu com um sorriso largo no rosto.
As lágrimas já não tinham mais espaço.
— Se eu ficar lá, ela vai melhorar, não vai? — Voltei a pintar enquanto esperava a minha mãe responder.
Ela demorou muito.
— Vai sim. Vai ficar tudo bem. A sua avó é a mulher mais forte que eu conheço. E quer saber de uma coisa?
— O quê?
— Quando a sua vozinha melhorar, vamos fazer um piquenique lá no jardim dela. Nós três.
— Vamos fazer uma torta de maçã para comer! Ai, mãe, eu amo torta de maçã! — Disse, a abraçando. — Mas… Mãe, se vamos até a vovó, — Senti meus olhos lacrimejando. — isso quer dizer que..
— Vamos ter que morar no Brasil, minha pequena.
Depois que cresci, escutei muitas vezes que a felicidade era passageira. Eu só não imaginava que ela passava correndo. Naquele dia, me alegrava saber que veria a minha avó e cuidaria dela, mas me entristecia saber que, para isso, eu precisaria deixar a vida que eu tinha em Londres. De fato, vivi no Brasil por muito tempo, mas minha casa também era ali.
Voltei para minha realidade com me chamando, a cara de preocupado.
— Você está bem?
— Hm… Sim, sim. — Limpei a lágrima que insistiu em descer.
Lembrar da vovó era um assunto que me tirava do eixo.
— Você estava se lembrando dela, não é?
— Sim. — Sorri fraco. — Essa música me trás lembranças do dia que descobri. Mas não vem ao caso agora. É seu aniversário e temos que comemorar.
— Você sabe que, por mais que ela não esteja aqui, — Pegou em minha mão direita. — ela sempre irá estar com você.
— Eu sei. — Sorri, abraçando ele. — Obrigada por tudo, grandão.
— Vamos aproveitar nossa penúltima noite nesse lugar maravilhoso? — Perguntou, dando um beijo na minha cabeça.
— Vamos. — Soltei-me dele, pegando meu drink e o da . — Onde está essa menina? — Perguntei, olhando para os lados.
— Ali. — Ele apontou para um local. — Com aqueles meninos.
— Essa menina é rápida. — Zoei, me direcionando ao local onde minha amiga estava. — Demorei, mas cheguei. — Disse, rindo. — Sua bebida, bebê.
— Obrigada, . — Pegou a bebida da minha mão. — Meninos, essa aqui é a , a menina sobre a qual eu estava falando. , esses são Harry e Sam, são irmãos do Tom.
Porra, .
— Espero que tenha falado só coisas boas. — Sorri, tensa. — Prazer, meninos.
— A gente se conhece? — Perguntou Harry. — Parece que já te vi em algum lugar.
— N-não. — Merda. — Deve ser só impressão.
— Pode ser. — Deu ombros, me fazendo respirar aliviada.
disse que você é daqui, não do Brasil, certo?
— Certo. — Respirei fundo para não cometer um homicídio contra a minha melhor amiga. — Precisei ir para o Brasil quando era muito pequena, para ficar com minha avó.
— Nossa, temos uma amiga que também teve que ir ao Brasil para cuidar da avó dela. — Sam disse, tomando sua bebida e me fazendo engolir seco.
— Vocês têm contato essa menina?
Cala a boca, .
— Não, quem tinha mais era o Thomas. Eles eram melhores amigos. — Harry disse, me fazendo suspirar. — Mas não sei porque eles perderam. — Deu de ombros. — Vamos mudar de assunto, Tom está vindo. E ele fica estranho quando estamos falando dela.
— Oi, pessoal. — Escutei sua voz, atrás de mim, me fazendo puxar a para dançar.
— Você está maluca?! — Perguntei assim que estávamos longe deles. — O Harry quase me reconheceu!
— Não estou maluca, . — Revirou os olhos. — Só acho que você não deve se esconder dele!
— Ah, claro, vou chegar assim… — Respirei fundo. — Ei, Tom, Harry e Sam. Hm… Como posso dizer… Eu sou a , a amiga de infância de vocês. Sinto muito por ter só voltado agora.
A me olhou com uma cara de "é exatamente isso que você tem que dizer".
— Mas eu não tenho coragem. Nem sei qual vai ser a reação dele.
, pensa pelo lado positivo: eles lembram de você. Então volta lá e diz o que você acabou de me dizer agora.
— Perdão. — Uma voz surgiu atrás de mim. — O que disse?! Você é a nossa ?


Continua...



Nota da autora: "Queria agradecer, as minhas amigas Lary, Ketlyn e Camila, por terem me ajudado nesse capítulo, a Lary por me ajudar a fazer essa memória da Bia com a mãe, falando da sua avó ♥️"



A estória é de exclusiva responsabilidade da autora, a beta é responsável apenas pela correção de ocasionais erros de gramática e ortografia e adequação da estória ao padrão do site. Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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