Última atualização: 15/11/2019

Prólogo


Ano de 2006

– Você realmente precisa ir? – Perguntou o menino com voz de choro.
– Minha vozinha precisa de mim, Tom. – A menina se explicava pela milésima vez. – Também não queria ir, – Suspirou triste. – mas a saúde dela não está nada bem, pelo que mamãe diz.
– Promete não me esquecer? – A melhor amiga se controlou para não rir.
– Eu prometo. – Levantou o dedo mindinho. – Você promete?
– Prometo, . – Ele suspirou. – Vamos ser melhores amigos para sempre.

Ano de 2010

– Oi, Tom. – O menino escutou a mãe de sua melhor amiga falar no outro lado da ligação. – A não está em casa agora.
– Oi, tia. Sério? – Murmurou triste. – Que horas ela volta?
– Só amanhã, menino. – A moça disse, com voz de tristeza. – Assim que ela chegar, eu aviso que você ligou, ok?
– Tudo bem, tia. – Thomas desligou o telefone sem esperar que a mulher se despedisse. – Pelo jeito, você foi trocado, Thomas.



– Oi, tia Ni. – A menina falou, contente por finalmente conseguir falar com a família de seu melhor amigo. – Estou ligando tem alguns dias e ninguém atende.
– Oi, . – A criança franziu a testa pois nunca foi chamada por pela moça. – Posso te pedir um favor?
– Claro, tia. – Exclamou.
Pare de ligar para o Thomas. – Desligou sem esperar a menina falar alguma coisa.

Ano de 2016

– Vamos, , por favor. – Seus amigos estavam implorando para que a menina fosse assistir Capitão América: Guerra Civil com eles. – A gente paga seu ingresso e sua pipoca.
– Ai, gente... – Ela murmurou. – Eu não assisti a nenhum filme, – Deu ombros. – muito menos sou chegada a super-heróis.
– Por favor, . – Seu atual melhor amigo se ajoelhou em sua frente. – Eu não quero ficar de vela.
– Está bem. – Suspirou derrotada. – Eu vou.
Hoje – A menina suspirou, olhando para a câmera de seu celular. – vou assistir, ou tentar, o novo filme da Marvel. Quem também irá?
– A blogueirinha, sempre fazendo snaps... – Um de seus amigos chegou, zoando a garota. – Está na hora. Vamos?
– Tenho outra opção? – Ele negou com a cabeça. – Então vamos.
– Hoje vai aparecer o novo spiderman. – Uma das meninas que estavam com eles disse, animada.
– De novo mudaram? – A morena perguntou, indignada. – É por isso que não tem graça, muda de ator todo dia.
– Tira essa máscara, menino. – A menina escutou seus amigos resmungarem. – Ai...
– Thomas?! – A garota gritou, fazendo todo mundo olhar para ela.


Capítulo 1

Chegou o grande dia, o dia que a youtuber estava esperando intensamente. Finalmente, estava voltando para sua tão amada Londres, mesmo sendo por duas semanas. A moça iria para gravar um vídeo tão esperado pelo seus seguidores e para comemorar o aniversário de seu câmera e melhor amigo, .
Exatamente naquela manhã, fazia treze anos que tinha pisado pela última vez nas terras britânicas, deixando sua vida, sua segunda família, seus amigos e ele.
Desde a penúltima ligação que a fez, a qual a mãe do rapaz atendeu, não entendeu o porquê da moça que ela tanto admirava e que apoiava a amizade ter feito aquilo. Se perguntassem para ela se ela se arrependia de não ter ido atrás do menino quando seu pai foi visitar a sua família que ficou em Londres, ela com certeza iria responder que sim.

A menina, que agora estava uma mulher, sempre acompanhara seu ex melhor amigo pelas redes sociais e noticiários. Até mesmo começou a gostar de filmes de super-heróis, uma coisa que ela odiava, fazendo ter que explicar para seus atuais amigos o porquê da ideia mudada.

? – A morena foi acordada dos pensamentos por , sua empresária e melhor amiga. – No que tanto pensa?
– Estou com medo. – Suspirou. – Faz tanto tempo que não venho aqui. Mesmo estando longe, sei que muita coisa mudou.
– Isso tem alguma coisa a ver com o Tom? – A loira perguntou, sussurrando o último nome.
– Sim. – A youtuber secou uma lágrima que insistia em cair. – Estou com medo da reação dele quando me ver depois de anos.
, – Sua amiga pegou em suas mãos. – se ele foi tudo aquilo que você me falava… Fala, até hoje! – Suspirou.– Tenho certeza de que não vai ser uma reação ruim.
– Mas se for? – Perguntou, insegura.
– A gente dá um chute naquela bunda gigante. – Falou, fazendo a amiga rir. – E vamos comemorar o aniversário do .
– Ok. – Sorriu fraco. – Pode mandar mensagem avisando que chegamos. – Respirou fundo. – Estou pronta para reencontrar uma parte do meu passado

No outro lado da cidade, o jovem ator estava andando por onde ele tinha as melhores lembranças da infância. Até os días atuais, se preguntava por que sua parou de entrar em contado. Eles tinham um trato, não tinham?
Às veces, ele se pegava imaginando como ela estava mas, logo depois, ficava com raiva por estar se lembrando novamente da menina. Ela havia o abandonado pelas amizades brasileiras e se esquecido das britânicas, se esquecido dele.

Cara, cadê você?
A empresária da menina acabou de avisar que chegaram no hotel

THOMAS HOLLAND
CADÊ
VOCÊ?
Tom, eu sei que seu personagem some do nada dos amigos dele, mas você NÃO TEM ESSE DIREITO


Essa foi algumas das muitas mensagens que o menino recebeu de seu amigo Harrison, ignorando todas. Ele respondeu um simples:

Estou indo


– Desculpe o atraso. – Harrison se desculpou quando viu a porta abrindo. – Tivemos que parar no meio do caminho.
– Tudo bem. – Um rapaz se pronunciou pela primeira vez. – A e a terminaram de arrumar o lugar agora. Entrem. – Deu espaço para os meninos entrarem.
– Olá, fiquem à vontade. – As mulheres falaram juntas. – Eu sou a e ela, a . – A loira se manifestou logo depois pois conhecia muito bem sua amiga.



– Hey, . – Acenei para câmera assim que Leo disse ‘gravando’. – Depois de muito vocês me cobrarem a “comemoração“ – Fiz as aspas com as mãos. – de um milhão de inscritos, chegou a minha hora de cumprir. – Respirei fundo. – Hoje, nosso convidado especial de um milhão, Thomas Holland, porém mais conhecido como Tom Holland, o Homem Aranha.
– Olá. – Ele acenou para câmera. – É um prazer estar aqui.
– O prazer é nosso de ter você aqui. – Respondi piscando. – Tom, posso chamar assim? – Ele acenou com a cabeça, indicando que sim. – Minha equipe separou algumas perguntas que os seus fãs brasileiros fizeram quando saiu que você tinha ganhado. Foi difícil selecionar, pois eram muitas. – Ri pelo nariz. – Preparado?
– Sempre.
– Como é ser o herói mais irônico de todos os tempos ?
– Hm… Foi ótimo, cara. Eu sempre sonhei em ser o Homem Aranha quando era criança. – Eu sei, respondi mentalmente. – E quando essa oportunidade veio, foi como um sonho realizado, sabe? – Fiz que sim com a cabeça. – E a Marvel e a Sony tem sido ótimas fazendo esse processo agradável e informativo, e eu estou super animado para os próximos passos.
– Se você pudesse mudar o uniforme do Homem Aranha, como seria?
– Não seria nada tão apertado, sabe? – Gargalhamos. – Quero dizer, eu gosto do vermelho e do azul, as teias, acho que é ótimo, mas não seria como uma segunda pele porque, na realidade, aquilo não é pratico, não faz sentido.
– No Brasil, fizeram um meme com a sua roupa apertada. – Disse rindo. – Eles nomearam de “a vida é injusta”.
– Sério? – Perguntou, assustado.
– Sim, e uma montagem sua com a Brie de costas. – Ri lembrando da primeira vez que vi. – Mas você ainda não falou o que mudaria no uniforme, mocinho.
– Como eu disse, não faz sentido, Por que você lutaria em um uniforme de lycra que é muito apertado ? – Respondeu ele. – Mas ele é bonito, ótimo e tal, mas eu manteria as cores e o design, mas eu faria tipo um casaco com capuz, ou algo do tipo, mas definitivamente não faria tão apertado.
– Se saiu bem, Holland. – Ri pelo nariz. – Próxima pergunta. Ah, essa foi a mais perguntada, não é, ? – Sim, tinha umas trezentas mais ou menos daquela. – Qual foi o melhor conselho que você recebeu quando conseguiu o papel?
– É uma boa pergunta. – Deu uma pausa. – Meu melhor conselho provavelmente veio do meu pai, eu acho. – Olhei para ele confusa. – Ele sentou comigo e disse: “Filho, sua vida está prestes a mudar, as pessoas vão começar a falar com você de formas diferentes.“ Mas também teve um pai de uma antiga amizade minha. – Suspirou. – Ele estava junto quando saiu a confirmação do papel.
– Antiga amizade? – Perguntei com o coração apertado. – O que esse moço disse para estar entre dos melhores conselhos?
– Ele disse “sua vida vai mudar, as pessoas irão te tratar diferente, isso seu pai já disse, com certeza, mas quero dizer que é para você se manter com os pés no chão, e que continue sendo esse Thomas Holland que conhecemos antes da fama“. – Disse com os olhos lacrimejando. Recebeu água da , que percebeu que ele não estava bem.
– Podemos mudar de assunto? É delicado falar.
– Ah, claro. – Sorri fraco. – Vou para última pergunta e, depois, partimos para próxima etapa do vídeo. – Respirei fundo. – Quanto tempo demorou para você se preparar para o personagem Peter Parker?
– Vinte seis anos. – Falou na lata, fazendo Harisson ri. – Eu sempre amei o Peter Parker, sempre amei o Homem Aranha. – Eu sei, respondi mentalmente de novo. – Tenho o interpretado no meu quarto desde criança. – Rimos.
Com certeza, lembramos da mesma coisa.

Flashback on

– Ai, , graças a Deus você chegou. – Nicola disse assim que passei pela porta da cozinha.
– Qual foi a maluquice que o Thomas fez agora, tia? – Perguntei rindo.
– Veja você mesma. – Abriu a porta que dava para o jardim, mostrando Tom pendurado na árvore do quintal, de cabeça para baixo.
– Thomas Stanley Holland, o que você pensa que está fazendo? – Eu me botei em sua frente.
– Nossa, , você está de cabeça para baixo. – Falou animado. – Estou tentando me transformar no Homem Aranha.
– Ai, Tom, você é muito bobo. – Respondi rindo.

Flashback off

– Fazia poses em frente ao espelho, refazia cenas de filmes anteriores e dos quadrinhos. – Riu pelo nariz, me fazendo acordar para realidade. – Então sinto que venho me preparando para esse papel desde eu era criança. Mas quando se está no set, você obviamente tem que fazer o sotaque americano, então tentei continuar com o sotaque enquanto estava trabalhando, e também na preparação, obviamente. Ele é um personagem muito físico, ele fica se movendo de um lado ao outro o tempo todo, então eu fiz muita ginástica, muito treino de acrobacias, para ter certeza de que eu estava no meu potencial máximo. – Terminou de falar, respirando fundo.
– Sobre o sotaque, também passei por isso um tempo, mas foi mais complicado do que o seu. – Ri, fazendo ele me olhar confuso. – Eu sou británica. – Fiz ele arrelagar os olhos. – Mas, quando completei 10 anos, fui para o Brasil. – Contei meia mentira, porque eu tinha ido para o Brasil quando tinha 14 anos. – E não sabia falar português, ou seja, tive que aprender uma nova língua rápida para poder sobreviver.
– Nossa, se para mim foi complicado fazer o sotaque americano, – Deu uma pausa na fala. – Imagina para você aprender uma língua nova.
– Pois é. – Ri pelo nariz. – Agora, Thomas, vamos para última parte da entrevista, ok?
– Ok, mas me chame de Tom. – Riu fraco. – Thomas é quando minha mãe está brigando comigo. – Falou, me fazendo corar.
– Ah, tudo bem, Tom. – Riu. – Você já foi uma vez ao Brasil, certo?
– Certo.
– Como foi sua visita ao país dos fãs loucos?
– Foi muito legal, são muito divertidos. Conheci lugares muito maneiros. – Deu uma pausa. – Conheci a caverna do Batman, que eu ainda acho que deve se transformar na caverna do Homem Aranha. – Fez graça. – Pois ele já foi lá, o Batman não.
– Ok, vou dar essa sugestão para algumas pessoas. – Dei corda à brincadeira. – Vai que, na sua próxima vez no país, não tenha uma para o Homem Aranha? – Rimos. – No Brasil, nós temos uma brincadeira chamada “eu nunca“. – Suspirei. – Eu vou ler algumas perguntas que foram selecionadas pela minha produção, que também foram feitas pelos seus fãs brasileiros e, se você já fez, responde “eu já“ mas, se você não fez, fale “eu nunca“, ok?
– Ok, vamos lá. – Ele se ajeitou na cadeira. – Só eu que estou com medo? – Sussurou para mim.
– Eu também estou. – Sussurrei de volta. – Sempre dá merda para mim nessas brincadeiras. – Rimos. – Primeira pregunta. Fugi de casa sem que meus pais soubessem.
– Eu não. – Respondeu rápido. – Espera, meu pai vai ver esse vídeo?
– Vou fazer questão de mostrar esse vídeo para ele quando sair. – Foi a resposta de Harrison. – Eu nunca.
– Já pediu um número para uma fã ou já chamou para sair? – Ele corou imediatamente assim que acabei de ler a pergunta. – Ai, meu Deus, já?
– Próxima pregunta. – Respondeu, coçando a cabeça.
– Você já teve vergonha de algum filme que fez?
– Eu nunca. Todos os meus trabalhos foram maravilhosos para meu aprendizado, então nunca teria vergonha deles.
– Já me procurei no Google? Eu faço isso direto com meu nome.
– Sempre, óbvio. – Riu. – É sempre bom ver o que estão falando de você.
– Por último, fiz xixi na calça por algum medo.
– Óbvio, quem nunca? – Rimos.
– Então chegamos no fim desse vídeo. Se você gostou, deixe seu joinha. Se não é inscrito no canal, se inscreve e ative o sino que está logo aqui embaixo para receber a notificação dos vídeos postados. – Eu me virei para ele. – Tom, eu queria agradecer por ter topado fazer esse vídeo. Sei que não são muito comuns aqui.
– É sempre bom innovar, certo? – Sorriu. – Eu que agradeço aos fãs por terem votado em mim, e quero fazer uma proposta.
– Uma proposta? – Perguntei supresa.
– Se esse vídeo bater novecentos mil likes, eu trago o Robert Downey Jr. no canal. – Falou, me fazendo arregalar os olhos. – Ele queria vim nesse, mas disse que era só meu e que ele ia acabar com meu brilho.
– Ai, meu Deus! – Disse, nervosa. – Por mim, tudo bem. ?
– Isso é ótimo, , pode aceitar.
– Então, se esse vídeo bater novecentos mil likes, Tom Holland e Robert Downey Jr. aparecem aqui no canal. – Suspirei. – Beijos, meus amores. Quer falar alguma coisa? – Perguntei, olhando para ele.
– Um beijo enorme para meus fãs do Brasil. Espero ir novamente para esse país que me acolheu tanto quando fui pela primeira vez.


Capítulo 2

passou o resto do dia se perguntando se a amizade deles não foi o suficiente para que ele se lembrasse dela. Só fazia seis anos que se viram pela última vez.
— Vamos, ? — A menina acordou de seus pensamentos quando a chamou. — Eu e o já estamos prontos.
— Ah, claro. — Pegou sua carteira, botando dentro da bolsa. — Vamos comemorar que nosso menino está ficando mais velho.
— Eu não estou ficando velho, só estou...
— Ganhando mais experiência. — As meninas falaram juntas, revirando os olhos. — A gente sabe, .
— Espero que essa balada seja boa mesmo, viu, dona ? — disse, entrando no uber.
— Fiz uma boa pesquisa, ok? — Respondeu, revirando os olhos. — Vários famosos frequentam essa balada.
— Passe livre para tietar ? — Perguntou .
— Se não me fizer passar vergonha, sim. — Respondeu, dando de ombros.
— Quando foi que eu te fiz passar vergonha, ? — Perguntou a menina, indignada.
— Preciso mesmo dizer?
— Sejam bem vindos à XOYO. — falou assim que desceram do carro. — Isso aqui melhorou bastante.
— Já veio aqui antes? — Os amigos perguntaram, impressionados.
— Sim, mas foi em uma festa de aniversário. — Deu ombros. — Vamos entrar?
— Vamos.
Como a menina havia dito, realmente o lugar mudara bastante. Nova decoração, acrescentaram novos ambientes, mas as cores e a animação continuavam as mesmas.
— Vou pegar algumas bebidas. — Ela disse assim que acharam uma mesa. — Alguém vai querer?
— Sim. — Os dois amigos responderam juntos.
— Eu vou com você. — levantou para a acompanhar. — Esse está sendo o melhor aniversário.
— O Reino Unido tem dessas coisas. — A menina deu de ombros. — Tudo é mágico aqui. Estava morrendo de saudades. — Suspirou. — É como você se sentisse em casa, sabe?
— Sua casa é no Brasil, !
— Não. Minha vida é no Brasil, mas minha casa sempre vai ser aqui. — Respirou fundo.



De repente, fui arrancada dos meus dias atuais para o ano de dois mil e seis. No momento, estava sentada no balanço de minha casa desenhando, que era uma das coisas que mais amava.
, querida? — Chamou minha mãe.
— Estou aqui no quintal, mãe! — Gritei para que pudesse escutar, sem perder o foco do desenho.
— O que você está fazendo, minha menina? – Perguntou ao chegar perto, agachando-se ao meu lado.
— Desenhando. — Suspirei. — Para a vovó.
No papel, eu tentava desenhar o mais próximo de um jardim de gérberas — as flores preferidas dela — com uma senhora e uma menininha. Eu nem sa o que eram gérberas até a minha avó me mostrar. Também não soube desenhá-las, deixando-as bem parecidas com margaridas.
Minha mãe suspirou. Quando olhei para ela, vi seus olhos cheios de lágrimas. O suspiro talvez fosse para que não caíssem.
— Você sente muito a falta dela, não é? — Disse, passando a mão no meu cabelo.
— Minha vozinha não é só a flor mais bonita do meu jardim, mamãe. Ela é o jardim. Aprendi na aula de ciências que as plantinhas, para ficarem bonitas, precisam de cuidados. A minha vozinha precisa de mim — Falei triste, pegando os meus lápis de cor e pintando o jardim.
— Eu não tenho dúvidas nenhuma disso, meu anjo. É por isso que nós vamos viajar para cuidar dela. O que você acha?
— Cuidar da vovó? — A surpresa foi tão grande que acabei borrando a pintura mas, naquele momento, eu nem liguei.
Nada mais importava se eu veria a minha avó e lhe daria o desenho.
— Sim, meu amor. Ela precisa de companhia. Cá entre nós duas, que companhia é melhor que a sua? — Proferiu com um sorriso largo no rosto.
As lágrimas já não tinham mais espaço.
— Se eu ficar lá, ela vai melhorar, não vai? — Voltei a pintar enquanto esperava a minha mãe responder.
Ela demorou muito.
— Vai sim. Vai ficar tudo bem. A sua avó é a mulher mais forte que eu conheço. E quer saber de uma coisa?
— O quê?
— Quando a sua vozinha melhorar, vamos fazer um piquenique lá no jardim dela. Nós três.
— Vamos fazer uma torta de maçã para comer! Ai, mãe, eu amo torta de maçã! — Disse, a abraçando. — Mas… Mãe, se vamos até a vovó, — Senti meus olhos lacrimejando. — isso quer dizer que..
— Vamos ter que morar no Brasil, minha pequena.
Depois que cresci, escutei muitas vezes que a felicidade era passageira. Eu só não imaginava que ela passava correndo. Naquele dia, me alegrava saber que veria a minha avó e cuidaria dela, mas me entristecia saber que, para isso, eu precisaria deixar a vida que eu tinha em Londres. De fato, vivi no Brasil por muito tempo, mas minha casa também era ali.
Voltei para minha realidade com me chamando, a cara de preocupado.
— Você está bem?
— Hm… Sim, sim. — Limpei a lágrima que insistiu em descer.
Lembrar da vovó era um assunto que me tirava do eixo.
— Você estava se lembrando dela, não é?
— Sim. — Sorri fraco. — Essa música me trás lembranças do dia que descobri. Mas não vem ao caso agora. É seu aniversário e temos que comemorar.
— Você sabe que, por mais que ela não esteja aqui, — Pegou em minha mão direita. — ela sempre irá estar com você.
— Eu sei. — Sorri, abraçando ele. — Obrigada por tudo, grandão.
— Vamos aproveitar nossa penúltima noite nesse lugar maravilhoso? — Perguntou, dando um beijo na minha cabeça.
— Vamos. — Soltei-me dele, pegando meu drink e o da . — Onde está essa menina? — Perguntei, olhando para os lados.
— Ali. — Ele apontou para um local. — Com aqueles meninos.
— Essa menina é rápida. — Zoei, me direcionando ao local onde minha amiga estava. — Demorei, mas cheguei. — Disse, rindo. — Sua bebida, bebê.
— Obrigada, . — Pegou a bebida da minha mão. — Meninos, essa aqui é a , a menina sobre a qual eu estava falando. , esses são Harry e Sam, são irmãos do Tom.
Porra, .
— Espero que tenha falado só coisas boas. — Sorri, tensa. — Prazer, meninos.
— A gente se conhece? — Perguntou Harry. — Parece que já te vi em algum lugar.
— N-não. — Merda. — Deve ser só impressão.
— Pode ser. — Deu ombros, me fazendo respirar aliviada.
disse que você é daqui, não do Brasil, certo?
— Certo. — Respirei fundo para não cometer um homicídio contra a minha melhor amiga. — Precisei ir para o Brasil quando era muito pequena, para ficar com minha avó.
— Nossa, temos uma amiga que também teve que ir ao Brasil para cuidar da avó dela. — Sam disse, tomando sua bebida e me fazendo engolir seco.
— Vocês têm contato essa menina?
Cala a boca, .
— Não, quem tinha mais era o Thomas. Eles eram melhores amigos. — Harry disse, me fazendo suspirar. — Mas não sei porque eles perderam. — Deu de ombros. — Vamos mudar de assunto, Tom está vindo. E ele fica estranho quando estamos falando dela.
— Oi, pessoal. — Escutei sua voz, atrás de mim, me fazendo puxar a para dançar.
— Você está maluca?! — Perguntei assim que estávamos longe deles. — O Harry quase me reconheceu!
— Não estou maluca, . — Revirou os olhos. — Só acho que você não deve se esconder dele!
— Ah, claro, vou chegar assim… — Respirei fundo. — Ei, Tom, Harry e Sam. Hm… Como posso dizer… Eu sou a , a amiga de infância de vocês. Sinto muito por ter só voltado agora.
A me olhou com uma cara de "é exatamente isso que você tem que dizer".
— Mas eu não tenho coragem. Nem sei qual vai ser a reação dele.
, pensa pelo lado positivo: eles lembram de você. Então volta lá e diz o que você acabou de me dizer agora.
— Perdão. — Uma voz surgiu atrás de mim. — O que disse?! Você é a nossa ?


Capítulo 3



Sabe aquele momento no qual você sente que a sua vida está em um fio e que ela pode arrebentar? Bem que eu gostaria que o Tom se lembrasse de mim, porque sentia bastante falta da nossa amizade, mas não queria que fosse desse jeito.
— Não, Sam. — disse quando percebeu que eu não conseguiria falar nada porque estava em estado de choque. — É que a encontrou umas amigas de quando morava aqui.
— Ah, claro. — Sorriu triste. — Seria muita coincidência se você fosse a .
— Pois é. — Ri de nervoso. — Vamos voltar para a mesa?
— Já? A gente nem dançou, .
... — Apenas a encarei, implorando para que saíssemos logo dali.
Ela entendeu, mas ficou relutante. Então segurei na mão dela e saí puxando-a. O Sam ficou. Bom, pelo menos ele não foi para a pista só para escutar a minha conversa com a .
Aquilo me deixou mal. Eu queria muito tê-los por perto como sempre tive até os meus dez anos. Sa que deveria ter dito a verdade de cara, mas não queria que fosse assim, no meio de uma festa. Também precisava admitir que fiquei sem reação quando escutei a voz do Sam perguntando por mim.
— Sabe, . — A parou no meio do caminho, me fazendo soltar da mão dela. — É cada coisa que você me faz passar...
— O que foi agora, ?
— Você deveria ter contado a verdade! — Exclamou.
— Então por que você não contou, já que falou por mim?
— Porque eu te conheço e sei que não conseguiria falar. Além do mais, é você quem deve contar a verdade, não eu.
— Tá, , tá. — Falei saindo, sem nem me importar se ela viria atrás e, se não viesse, tudo bem.
, espera! — Ela gritou quando percebeu que eu estava mais longe.
Eu parei, impaciente, para esperá-la. Ela veio correndo desajeitada.
— Quando tudo estiver bem entre vocês, bem que você poderia me ajudar com algum desses irmãos do Tom, né?
Eu apenas ri. Ela não podia estar falando sério.

Tom Holland

— É impressão minha ou ela saiu só porque eu cheguei? — Perguntei, sentando onde era o lugar da menina que gravou comigo.
— É impressão sua. — O amigo dela disse. — A adora essa música.
— Ah sim. Elas são bastante unidas, né?
— São. Às vezes, dá vontade de prendê-las em lugares diferentes. — Riu fraco. — O mais irônico disso tudo é que — Terminou sua bebida. — elas se odiavam quando a chegou no Brasil.
— Como assim? — Harry perguntou, curioso.
— Antes da chegar, a era a menina mais rica do colégio. Todos queriam ser amigo dela, davam de tudo para sentar atrás dela, para colar na prova de inglês... — Sorriu lembrando desse momento. — Então a chegou, uma menina britânica que só saiba dizer um “oi, tudo bem?”. Obviamente que todas as atenções foram para ela. Todo mundo queria ser amigo da menina britânica que caiu de paraquedas no Rio de Janeiro, o que fez a infernizar a vida da menina.
— E como elas começaram a ser amigas?
— Esse assunto é complicado, sabe? Não posso ficar falando sobre isso.
Acenei com a cabeça, deixando o assunto morrer.



– Ele ainda está lá? – Perguntei pela milésima vez.
– Sim. – Bufou. – , viemos para curtir o aniversário do e não estamos com ele. – Revirou os olhos. — Pode parar de criancice e vamos até lá?
– Está bem. – Suspirei derrotada – Mas...
– Sem ‘mas’.
– Tá.
Devo estar passando a impressão de ser frouxa para vocês, mas não sou, eu juro, porém cada vez que fico perto do Thomas, me sinto em casa, mas triste. Triste por ele não me reconhecer, mas em casa por estar perto novamente.
Sua amizade era tudo para mim, mas meu orgulho é maior. E a real? Ia voltar no outro dia mesmo para o Brasil. Qual era a porcentagem de acontecer alguma coisa?
? – Acordei novamente do transe. – Tudo bem?
– Hm... Quê?! Ah, sim. – Sorri fraco ao perceber que já estávamos na mesa. — Está tudo bem.
está muito aérea depois que voltou para Londres. – Explicou . – Ela queria encontrar com alguns amigos, mas não tem contato com eles.
– Estou nada. – Respondi com vergonha. – Só estou aproveitando a minha terra pois não sei quando irei voltar.
– Por quê? Digo... Por que não sabe quando vai voltar? – Harry, que estava ao meu lado, perguntou.
– A vida de blogueira não é tão fácil, sabe? – Respondi, roubando um pouco de batata. – Temos que fazer eventos, ir aos lugares para nossos seguidores falarem que vão porque gostou, gravar vídeos, vídeo vlog, que é mais ou menos seu dia todo, fazer conteúdo para o blog... – Suspirei. – Então é meio complicado ter espaço só para você nessa vida.
– Eu te entendo. – Thomas se pronunciou pela primeira vez desde que cheguei à mesa. – Quando estou gravando ou quando estou em turnê, não tenho tempo nem para respirar.
– Sempre falo para que ela tem que tirar um tempo só para ela. – deu ombros. – Mas ela nunca me escuta. Sou mais ignorada que aquele pessoal que entrega panfleto.
– Também não é para tanto, né, ? – Falei envergonhada.
– Digo a mesma coisa para o Tom. – Os gêmeos falaram juntos.
– Eu gosto. – Respondi, me defendendo.
– Eu também. – Disse sorrindo para mim, me fazendo corar.
Aquele maldito sorriso que me fez suspirar no primeiro dia de aula no jardim de infância, aquele maldito sorriso do qual sinto falta há anos. Aquele maldito sorriso que eu amo... Espera, que eu amo?! Que merda é essa?
Balancei a cabeça, espantando esses pensamentos e me levantando rápido da mesa, resmungando que iria pegar mais bebida, sentindo alguém me seguindo.

Tom Holland

– Eu vou atrás dela – O tal amigo se levantou, mas foi segurado pelo braço pela .
... – falou em tom repreensível.
– Eu sei, , eu sei. – Revirou os olhos, se soltando e indo na direção que a foi.
– Qual é a deles? – Harrison perguntou, se pronunciando pela primeira vez na noite, ainda bem que para algo útil.
– É complicado. – Respondeu baixinho, coçando o cantinho da testa.
– Eles namoram? – Perguntei, torcendo para que não.
– Não, mas ele gosta dela.
– E ela? – Perguntei e ela me olhou estranho.
Na verdade, todo mundo me olhou estranho, mas eu não disse nada demais.
– Ela não gosta dele. – Respondeu desconfiada. – não quer nada sério.
– Ah, sim... – Disse, me encolhendo na cadeira pelas encaradas de meus irmãos, de Harrison e o riso prendido de . – Por que vocês estão me olhando com essa cara?
– Nada. – Responderam todos juntos, segurando o riso.
– Você quer ajuda com ela, Thomas? – perguntou, zoando.
– O quê? – Sem saber o que responder, essa foi a primeira coisa a sair. – Está tão na cara assim? – Senti minhas bochechas começarem a arder.
– Sim. – Respondeu rindo. – Vai, eu te ajudo a fazer o ficar longe dela.



Era meu primeiro dia de aula e estava muito nervosa. Iria ter o primeiro contato com novas amizades, que não seriam primos e parentes deles. Como dizia papai, eu ia começar um novo círculo de amizade. Mas e se eles não gostassem de mim? Se eu não conseguisse me enturmar? Se eu caisse feio na hora do recreio e todos me zoassem pelo resto do ano? Se encontrasse com um palhaço e ficasse com medo?
? – Mamãe me chamou pela primeira vez no dia. – Já está acordada? – Perguntou assustada.
– Não consegui dormir, mamãe. – Respondi, sendo sincera.
– O que está acontecendo para você não ter conseguido dormir, minha pequena?
– E se eles não gostarem de mim, mamãe?
– Não tenha medo, filha, você é uma criança maravilhosa. Todos vão gostar de você.
O lugar era todo colorido, cheio de desenhos na parede na fachada. Na parte de dentro, cheio de brinquedos e crianças da minha idade com seus pais
, você tem que ficar aqui sozinha agora, ok? – Papai se abaixou, ficando na minha altura.
– Por quê?
– Porque você já é grandinha, então já pode ficar sozinha. – Mamãe falou, fazendo carinho na minha cabeça.
– Oi. – Um menino parou do meu lado, junto com sua lancheira do Homem Aranha. – Posso sentar com você?
– Claro. – Sorri. – . – Eu me apresentei.
– Thomas. – Respondeu.


– Você tem que esquecer isso, – Pensei alto, esbarrando em uma pessoa. – Ah, me desculpa!
– Tá tudo bem, não se preocupe! – A menina respondeu calma e só depois me olhou. – Ai, meu Deus, você é a ? – Perguntou, quase gritando.
– Sou. – Respondi confusa. – Você me conhece?
– Eu sou sua fã. – Disse, sorrindo. – Não acredito que preciso sair do meu país para te encontrar!
E eu não imaginava que até ali na Inglaterra encontraria fãs meus. Parecia algo absurdo, mas agora sa que era real. Na verdade, ela não devia ser inglesa. Depois me contou que era de Belo Horizonte e que me acompanha desde o início. Ah, e a garota gostava muito de conversar. Fez cada pergunta... A conversa teria rendido mais se o não tivesse chegado. Não sei se devia agradecê-lo por isso.
A menina, de longe, tinha visto o se aproximar. Quando ele chegou, me abraçou de lado, sorrindo pra mim, e a menina olhou confusa mas, em seguida, sorriu também. Um tempo atrás, eu me sentiria bem incomodada com essas demonstrações de carinho dele, mas agora nem me importava mais. No fim, acabei abraçando-o também.
– Como vocês conseguiram? – Ela perguntou, olhando pra nós dois.
Olhei para ela como se perguntasse "o quê?" e, imediatamente, ela continuou.
– Digo... Acho tão bonitinho que vocês tenham mantido a amizade mesmo depois de tudo que aconteceu. Vocês se dão melhor como amigos do que como namorados, na minha opinião. – A menina falou, orgulhosa.
Só que o que ela falou não era bom e eu não sei de quem tive mais pena: dela, que acreditava que tinha falado algo bom, ou do , que imediatamente deixou de sorrir.
– Falei alguma coisa de errado? – Perguntou assim que viu fechar a cara.
– Não, não. – Disse, sorrindo fraco. – , pode tirar uma foto nossa?
Ele não respondeu nada, apenas pegou o celular da menina que tinha posto na câmera, tirando a foto e me puxando para longe dela, não dando tempo para dizer um “tchau".
– Posso saber que cena foi aquela? – Perguntei com as mãos na cintura.
– Eu quero conversar contigo.
– Sobre?
– Nós.
Revirei os olhos. A já tinha me falado algumas vezes que o não tinha superado nosso término, mas eu não queria acreditar. Claro que nós dois já conversamos muito sobre isso mas, na última vez, decidimos que seria um assunto morto, assim como o que tivemos juntos. Talvez o comentário da menina tivesse despertado nele a vontade de falar sobre isso.
– Eu só peço mais uma chance, ...
...
– Está bem, está bem. – Suspirou. – Um beijo?
!
– Por favor, . – Implorou. – Você não me deu nenhum presente de aniversário. Vai me negar esse?
– Não dei? – Perguntei, indignada. – E essa viagem é o quê?
– Eu preciso te sentir novamente.
A vontade que eu tinha era de dar um belo tapa na cara dele.
, é só um beijo, e depois a gente finge que nada aconteceu. É só uma despedida...
, eu te conheço e eu sei que não vai ser só um beijo e que você não vai esquecer.
– Não vai ser só um beijo se você não quiser que seja só um. Pode ser dois ou até mais...
Respirei fundo, impaciente. O era bem chato quando começava com isso.
, me escute. – Falou, se aproximando. – Eu preciso de você... – Aproximou-se mais, acariciando meu rosto com uma de duas mãos.
Com a outra, pegou a minha mão e entrelaçou nossos dedos. Fechei os olhos para não ter que ver aquilo. Ele foi beijando meu rosto lentamente, como sempre fazia quando brigávamos e queria que fizéssemos as pazes. Ele sempre fazia porque sempre dava certo.
– O que eu faço pra te ter de volta, ? – Sussurrou no meu ouvido, deixando ali um selinho.
Eu estava meio desnorteada com tanto beijo. Com esse, piorei. Ainda deixei escapar um sorrisinho. Ele seguiu numa trilha de selinhos da minha orelha até a bochecha. Logo, seria na boca. Nem faltava tanto assim...
? ? – Eu me afastei rapidamente, vendo a atrás do . – O que é isso?
A estava com os olhos quase do tamanho da cara, de tão arregalados que estavam. Eu também estaria se tivesse visto a cena de fora.
O virou o rosto para vê-la, mas ainda sem me soltar. Acho que ele ainda ia falar algo, mas resolvi falar mais alto e antes dele. Sabe-se lá o que ele ia dizer pra ...
– Nada, . – Respondi, tirando a mão dele do meu rosto indo em direção a , puxando-a para um lugar que estivesse longe da visão do . – Eu acho que fiz merda.
– Você acha, ? Você realmente fez. – Eu a olhei, assustada. – O quê? Você sabe que o menino ainda morre de amores por você e o deixa te beijar do jeito que ele estava te beijando?
– Eu não sei o que deu em mim! – Botei a mão na cabeça. – Acho que eu estou enlouquecendo.
– Eu não tenho dúvidas disso. Se eu não tivesse chegado...
Eu provavelmente ainda estaria lá beijando o . Não que ele beijasse mal, é claro, só que esse beijo era tudo que ele queria para acreditar que voltaríamos, e não tinha a menor chance. Eu estaria iludindo o garoto e, depois, me arrependeria profundamente disso.
. – me despertou dos pensamentos.
– Oi.
– Vocês voltaram?
– Nem fala uma coisa dessas. É claro que não voltamos.
– Menos mal. – Suspirou aliviada.
Olhei para ela, confusa, e perguntei desde quando ela tinha interesse no .
– Amiga, você deve ter sido a única pessoa no mundo que teve interesse no .
! – Repreendi.
– Por acaso estou mentindo?
– Por acaso você se esqueceu que o é nosso amigo? – Rebati.
– É justamente por isso que estou falando. Ou você se lembra de alguma garota que tenha gostado do ? Eu só me lembro de você.
– Mas por quê "menos mal"? – Mudei de assunto.
– Ah... Bom... Como posso dizer?
– Com palavras, é claro.
– Está preparada?
– Para o quê?
– O Tom quer ficar com você. – Falou rápido e, no final, deu um gritinho histérico.


Capítulo 4

Tom Holland

Assim que a sumiu de nossa vista, os meninos começaram a me zoar, falando que eu nunca iria conseguir uma menina como a e que eu jamais teria uma chance com ela. Óbvio que eles não perderiam esse momento.
Eu me sentia como um garoto de 15 anos indo beijar pela primeira vez de tanto que eles estavam me enchendo o saco. Resolvi me levantar e procurar a para ver se ela tinha conseguido tirar o de perto.
Enquanto eu procurava, algumas pessoas me reconheceram e me pararam para tirar uma foto, porém uma menina me chamou a atenção. Na tela de bloqueio de seu celular, uma foto que, ao meu ver, foi tirada naquela, com a .
– Ei. – Eu a chamei assim que estava indo embora. – Você viu a ? – Apontei para o seu telefone.
– Ah sim, ela foi para lá. – Apontou para uma direção. – Com o . – Terminou a frase com cara de nojo. – Desculpe, é que não gosto dele.
– Eu também não gosto. – Pisquei, indo na direção que apontou.
– Mas por quê "menos mal"? – Escutei a voz da por perto.
– Ah... Bom... Como posso dizer?
– Com palavras, é claro.
– Está preparada?
– Para o quê?
– O Tom quer ficar com você. – Falou rápido e, no final, deu um gritinho histérico.
Cheguei na hora certa”, pensei comigo mesmo, me posicionando em um local que dava visão de tudo e ainda conseguia escutar a conversa delas. ficou paralisada assim que a amiga terminou de falar, fazendo estalar seus dedos na frente de seu rosto, acordando-a do transe e caindo na gargalhada.
– O que foi que você disse? – Perguntou, rindo. – Acho que escutei errado, o som está bem alto.
. – Pegou em sua mão. – É sério. Thomas quer ficar com você.
– Ah, tá, , para de falar besteira. – Riu fraco.
– É sério, – Suspirou. – Diz que sim, diz que sim, por favor.
– Cadê a parte do “Hoje é aniversário do , temos que ficar com ele“? – Falou com tom de ironia.
– Só fala ‘sim’, .
– Dizer que sim a quê? – O chegou ao lado da .
Por que esse menino tinha que aparecer sempre?
. – deu um pulo. – Não temos tempo. Preciso da sua ajuda. – Saiu correndo, puxando-o.
– Pessoas estranhas... – resmungou, revirando os olhos.
Era agora ou nunca.
. – Chamei-a, fazendo com que virasse assustada para mim. – Será que nós podemos conversar?
– C-claro. – Gaguejou.
– Pode ser em outro lugar? Aqui tem muito barulho...
Ela assentiu com a cabeça, olhando para os lados.
– Vem. – Sorri e estiquei minha mão. – Prometo que você não vai se arrepender.
A segurou a minha mão, embora ainda receosa. Fiquei meio nervoso por saber que ela já tinha ideia de que eu queria ficar com ela, e mais nervoso ainda com a possibilidade de ela não querer mas, se não quisesse, já teria pensado em qualquer desculpa para me manter longe, não?
– Para onde vamos? – Ela perguntou quando percebeu que estamos indo para a saída dos fundos.
– Não podemos sair pela entrada. – Abri a porta. – A não ser que você queira sair como a nova affair do Homem Aranha.
Ela arregalou os olhos.
– Certamente não.
Certamente não?” Por que isso doeu mais do que eu pensei que doeria?
– Meu carro está naquela direção.
– Você dirige? – Perguntou, assustada. – Menino, você tem 12 anos! – Falou, me zoando como todos faziam quando dizia isso, me fazendo apenas revirar os olhos.
– Essa piada já perdeu a graça. – Resmunguei, apertando o botão para abrir o carro.
– Não pude perder essa oportunidade. – Entrou no banco do motorista, mas logo saiu quando percebeu que entrou no errado. – Vocês britânicos com manias estranhas.
– Você também é britânica! – Exclamei.
– Culpada. – Riu, levantando as mãos.
Olhei pra ela e foi inevitável não rir junto. Abri a porta do banco do passageiro, para que ela entrasse. Depois que entrou, dei a volta e entrei no carro.
– Ainda não me disse para onde estamos indo...
– Está com medo de ser sequestrada pelo Homem Aranha? – Perguntei, ligando o carro.
– Não! – Respondeu, rindo. – Só fiquei curiosa.
– Pensa no lugar mais lindo de Londres. – Pedi e ela me encarou. – É para lá que nós vamos. –Sorrimos juntos e, finalmente, dei partida. O caminho foi de completo silêncio, mas um silêncio confortável. Quer dizer... Nem tanto, porque eu não sabia se deveria falar alguma coisa e também me perguntava várias vezes se ela também se sentia assim. Foi um alívio quando ela finalmente falou.
– Ah, eu amo essa música. Posso aumentar? – Ela me olhou com os olhos brilhando.
Assenti com a cabeça.
– Ficaria incomodado se eu fizesse um story?
– Claro que não. – Respondi sorrindo. – Mas eu tenho que aparecer.
– Que ironia, não? – Falou, pegando o celular.
– O quê? – Perguntei.
– Saímos pela porta dos fundos para que não fôssemos vistos, mas quer aparecer nos meus stories?
– Teríamos saído pela porta da frente...
Ela não falou mais nada. Outro silêncio se formou, mas logo foi rompido. Olhei para o lado bem rapidamente e vi que ela estava gravando um story como se estivesse dublando a música. Sorri, tentando ao máximo me concentrar no volante. Com certeza, procuraria ver isso depois.
– Ei, eu conheço esse local. – Ela disse, ainda gravando.
– Eu disse que é o local mais lindo de Londres. – Escutei ela dando um gritinho. – O quê?
– Você falou. – Fez bico.
– Não era para responder? – Perguntei confuso.
– Era, mas não era. Quer dizer... Você queria sair no meu story, né? – Assenti. – Conseguiu.
– Juro que não foi de propósito. – Ri, estacionando o carro.
Desci do carro e dei a volta, abrindo a porta para que ela saísse. Assim que ela desceu, travei as portas e fui até ela. A parecia encantada com o que via.
– Acertei? – Perguntei, olhando pra ela e me referindo ao lugar que ela tinha pensado.
– Talvez sim. – Sorriu. – É o lugar mais clichê, mas não deixa de ser o mais lindo pra mim. Eu não tinha ideia do quanto Westminster é linda à noite.
– É linda. – Peguei sua mão. – Vem?
– Vou. – Entrelaçou sua mão na minha. – Não me lembrava desse lugar ser tão... Tão... Tão...
– Maravilhoso? – Completei.
– Maravilhoso, perfeito! – Exclamou, com os olhos brilhando. – Você acredita que, quando morava aqui, só vim uma vez nesse lugar?
– Sério? – Arregalei os olhos. – Impossível!
– Totalmente possível – Suspirou. – Vim com a escola, em um passeio.
– Minha primeira vez também foi com a escola. – Paramos em uma parte da ponte. – Mas não gosto de falar sobre isso.
– Por quê? – Virou-se para a água. – É pela tal amiga que os meninos falaram?
– Eles falaram o quê? – Disse, bravo.
– Desculpe, eu não sabia que esse assunto era delicado. – Falou baixo, triste. – Mas por que me trouxe aqui?
– Você sabe o porquê. – Sorri, apoiando meus braços no parapeito da ponte.
Ao meu lado, ela também apoiou seus braços no parapeito e, juntos, ficamos apreciando a vista de Westminster, a lua cheia refletindo no rio, a cidade e a imensa London Eye bem perto de nós.
– Sabe, na hora que estávamos saindo pela porta dos fundos, – Disse, olhando para frente. – que você falou que, se saíssemos pela entrada, eu sairia como a nova affair do Homem Aranha...
– Você tinha que ter visto a sua cara.
– Eu me assustei.
Olhei para ela, confuso.
– Tive uns amigos que acompanharam todas as versões do Homem Aranha. – Continuou. – Eu, particularmente, não gostava muito, porque sempre mudava de ator e isso foi bem chato. – Suspirou. – Em partes. – Ela me olhou. – Só que, muitas vezes, eu acabava assistindo com eles, e eu me lembro que os passeios do Homem Aranha com a namorada dele eram um tanto aventureiros, não? Eu não sei explicar, mas sair de prédio em prédio pendurados numa teia de aranha?
– Ei, isso é muito maneiro! Quer fazer o teste? – Falei com um tom brincalhão. – Você não vai se arrepender, eu juro. Ou vai me dizer que não tem nenhum fetiche com o Homem Aranha?
– Até tenho. – Corou.
– Que seria...?
– O famoso beijo.
– Quem sabe um dia? – Rimos juntos.
– Aquela máscara é tentadora, mas... – Virou-se para mim – E se eu te disser que prefiro só o Peter ou só o Tom?
– Você sairia no lucro, – Eu me virei para ela. – porque os dois estão bem na sua frente.
– E o que ele está esperando? – Perguntou, chegando perto de mim.
– Você dizer que sim.
Então ela se aproximou do meu ouvido.
– Mas eu já disse que sim. – Sussurrou, me fazendo sorrir.
Aproveitei que ela já estava tão perto e envolvi sua cintura com meus braços. Logo, ela fez o mesmo com meu pescoço.
– Deveria saber que essa cena não aparece em nenhum dos quadrinhos. – Falou, encostando nossas testas.
– Deveria saber que eu não estou dando a mínima para isso. – E, por fim, a beijei.

🕷🕸🕷🕸🕷


– Pronto. – Parei o carro em frente ao hotel em que ela estava hospedada. – Está entregue.
– Obrigada, Tom. – Sorriu, se virando para mim.
– Por realizar seu sonho de ficar com Peter Parker? – Perguntei, brincando.
– Também. – Rimos. – Pelo final da noite. Embora não tenhamos passeado em Londres pendurados numa teia de aranha, foi bem divertido.
– Bom, vai ficar me devendo esse passeio...
– E você vai ficar devendo o beijo.
– Quem sabe na próxima vez em que você resolver voltar.
– Ou quando você voltar para o Brasil? – Brincou. – Vai que você tenha uma caverna.
– Ainda vão mudar o nome daquela caverna, eu tenho certeza.
– Precisa registrar presença lá mais vezes então.
– Isso é um convite? – Ergui a sobrancelha.
– Entenda como quiser. – Piscou, recebendo uma notificação no seu telefone. – Preciso ir. A está pedindo socorro. – Abriu a porta do carro.
– E vai sem nem se despedir?
– Gamou no meu beijo, Tom Holland? – Disse, rindo.
– Talvez sim, talvez não. – Dei de ombros.
– Tchau, Tom. – Deu um beijo na minha bochecha. – Até a próxima. – Acenou, saindo do carro.
– Até a próxima, . – Eu me despedi, sabendo que ela não escutou. – Até a próxima.


Continua...



Nota da autora: "Queria agradecer a Lary novamente por chorar junto comigo quando a cena do beijo saiu da minha cabeça e foi para o papel. E esse “ até a próxima “ do Tom e da Bia? Eu chorei pois nenhum dos dois tem noção de quando é a próxima vez que vão se ver 🥺"



A estória é de exclusiva responsabilidade da autora, a beta é responsável apenas pela correção de ocasionais erros de gramática e ortografia e adequação da estória ao padrão do site. Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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