FFOBS - Can I be the one?, por K.Moura

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Última atualização: 15/02/2020

Prólogo

Novembro, 2017 - Manchester, UK

We can meet again somewhere
Somewhere far from here



pulava de alegria à frente do palco enquanto eu, parada atrás dela, recebia um olhar torto de uma garota que havia perdido o lugar para a minha amiga.
O aniversário da garota estava chegando e eu tive que me virar para encontrar ingressos para o show do cantor favorito dela, já que não havia encontrado um presente adequado até então. Além daquilo, ela se mudaria por alguns meses para o Japão então o presente era como um presente de despedida ou um até logo e quando eu finalmente consegui ingressos para o show de Manchester, a garota quase quebrou meu pescoço em um abraço.
Há uma semana eu recebia mensagens matinais de uma contagem regressiva para aquele show e no dia em questão, o rádio do meu carro havia sido monopolizado por durante toda a viagem de Londres para Manchester para que o novo CD de Harry Styles fosse tocado e eu estivesse a par das músicas que eu honestamente desconhecia, exceto pelas que tocavam na rádio enquanto eu dirigia para o trabalho.
Após minutos de espera as luzes se apagaram, uma melodia calma iniciou e eu percebi silhuetas se movendo na escuridão. Algumas vozes tranquilas diziam coisas que eu não entendia e quando a melodia cresceu as luzes subitamente se acenderam, um homem surgiu no microfone que estava bem a minha frente e soltou um grito estridente que me lembrou Mick Jagger de algum modo. O público explodiu a visão do cantor e eu o vi sorrir empolgado antes de cantar os versos iniciais da primeira canção do show.
- Open up your eyes shut your mouth and see that I’m still the only one who’s been in love with me - ouvi a garota que estava ao meu lado cantar junto a Harry e a toda a plateia enquanto eu tentava controlar as batidas do coração que estavam descompassadas ainda pelo susto do início da música. Por um segundo eu pensei que deveriam avisar as pessoas com problemas cardíacos, mas em seguida o pensamento de que eu talvez fosse a única despreparada ali me fez deixar a ideia inicial de lado.
Todos os fãs ao meu redor gritavam, pulavam e cantavam junto ao cantor e Harry por sua vez cantava animadamente, com um sorriso nos lábios como se aquilo fosse tudo do que ele precisasse naquele momento. Depois da monopolização do meu rádio mais cedo eu havia aprendido pelo menos os refrões de algumas músicas e cantava junto à multidão, recebendo olhares orgulhosos de que cantava a plenos pulmões.
Para ser sincera eu nunca havia gostado muito do estilo das músicas que eles cantavam na One Direction, mas as músicas solo de Styles haviam me agradado mais que o esperado. Ainda existiam as músicas lentas e românticas, mas eram diferentes, como se houvesse um pouco do One Direction ali, mas muito mais de um cantor solo que eu não esperava que Styles fosse.

[...]


- O nome dessa música é Medicine - a voz de Harry anunciou e os fãs gritaram.
O solo de uma guitarra se iniciou na oitava música da noite. Eu não me lembrava daquela no CD e a confirmação veio quando informou que aquela não estava lá mesmo, em um tom animado, como se apesar da ausência da versão de estúdio no CD ela realmente estivesse esperando aquela música na apresentação.
- Here to take my medicine, take my medicine, treat you like a gentleman - a voz de Harry começou em um tom que fez minha espinha arrepiar. Ele se movia lentamente próximo ao pedestal do microfone e eu me vi me movendo no mesmo ritmo que o garoto. Os quadris tinham movimentos sutis e a expressão de Styles me fazia sentir todo o clima da música.
- I had a few, got drunk on you and now I’m wasted - por um momento eu percebi o olhar de Harry sobre mim e ele sorriu de canto enquanto eu percebi que eu sorria do mesmo modo - And when I sleep I’m gonna dream of how you… - o público gritou a palavra “tasted” e Harry sorriu novamente me encarando com um sorriso malicioso e fez um movimento com seu quadril no pedestal do microfone mordendo o lábio e eu só consegui rir fraco e tentar normalizar a respiração. Por que aquela música não estava no CD? Quando ele havia se tornado tão sexy? E por que diabos eu estava achando que ele estava olhando para mim sendo que ele poderia estar olhando para qualquer pessoa? Eu não sabia responder, só sabia que estava sentindo calor e provavelmente não seria pela multidão.
Em certo momento um solo da bateria iniciou e Harry se afastou tomando água, depois voltou ao microfone cantando novamente o verso em que o público gritou “tasted” e as luzes se apagaram com um grito do público e quando se acenderam eu tinha os olhos diretamente nele e novamente ele moveu os quadris na direção do pedestal. Ele segurava o microfone de um modo soberbo e quando a música teve fim ele “me” lançou uma piscada e as luzes se apagaram novamente me deixando com pernas bambas e uma respiração para controlar.
- Ele é tão sexy - murmurou para mim e eu sorri.
- Disso eu não posso discordar - murmurei de volta e a garota se virou para me encarar com um sorriso nos lábios.
- , sua safada - eu gargalhei a empurrando para que voltasse sua atenção para o palco quando a música seguinte tocou.

[...]


Quando Sign of the times teve início eu soube que passaria dias escutando apenas aquele álbum de Harry Styles. Eu havia precisado de um único show para me sentir completamente envolvida pela música do cantor. A música era calma, mas ao mesmo tempo cheia de emoção e a forma como era performada e como Harry olhava seu público com um sorriso orgulhoso ao ouvir o coro de pessoas cantando junto a ele me fazia querer reviver aquele momento antes mesmo de ter acabado. Os vocais de Harry eram incríveis e iam de um extremo a outro com uma facilidade fascinante. Ele sentia cada nota de sua música e eu nunca me senti tão envolvida por algo antes.
- We don’t talk enough, we should open up, before it’s all too much - ele voltou os olhos em minha direção com um sorriso singelo e eu não pude conter meu sorriso apesar de estar me sentindo idiota por achar que ele pudesse estar olhando para mim quando na verdade deveria estar olhando para a loira alta atrás de mim. Por deus , que tipo de merda adolescente você tem na cabeça?
O final de repetições de We got to away tiveram toda a atenção de Styles em suas notas perfeitamente encaixadas. Por algum motivo eu me senti emocionada e os olhos se encheram de lágrimas. Quando a música terminou com um solo lento da bateria as pessoas gritaram e Styles agradeceu seu público com um largo sorriso nos lábios. Quando seu olhar pousou em minha direção eu sorri na mesma intensidade levantei minhas mãos até onde ele pudesse ver e bati palmas que foram seguidas de outras até que todo o local estivesse o aplaudindo. Ele sorriu e sussurrou um “obrigado” recebendo um sorriso meu de volta. E aquela foi a confirmação de que talvez ele realmente estivesse me encarando.
Era estranha aquela conexão de olhares em meio à multidão e eu nunca havia me sentido tão inclusa em um show quanto naquele e era como se eu conhecesse Harry. O que tornava tudo mais estranho, porém empolgante. Harry Styles havia me ganhado em um show e eu me sentia meio boba por ter seguido o show com mais alguns arrepios na espinha e respirações dificultadas, mas se pudesse escolher não me sentir daquele modo eu com certeza não escolheria. Aquela foi uma noite arrebatadora e eu não pensei que pudesse viver algo daquele tipo nos últimos tempos. Aquela leveza a muito não me visitava, a sensação de peso no coração havia me deixado, mesmo que só por hora, e o mundo do lado de fora daquela arena não existia enquanto Harry entoava suas perfeitas notas em suas perfeitas canções. Me perguntei quando me sentiria daquele modo de novo, sem fazer ideia de que seria mais cedo do que eu imaginava. Mas também não fazia ideia de que seria em uma das fases mais complicadas da minha vida.


Capítulo 1

Dezembro, 2017 - London, UK

Lately I'm getting lost on you
You got me doing things I never thought I'd do
Never spent so long on a losing battle



O frio começava a dar as caras por Londres naquele fim de tarde. O inverno estava próximo de começar e eu sequer queria imaginar como seriam os dias de ensaios que teríamos para o final de ano. Fotos na neve a céu aberto. Havia apostado com que até o fim do mês eu teria morrido congelada e como sempre, ela me chamou de dramática.
havia ido para o Japão há apenas quinze dias e eu não podia mensurar o quanto eu já sentia a falta dela naquele lugar. Nada era o mesmo sem ela. Há quinze dias eu ia de casa para o trabalho e almoçava sozinha por ela ser a única com quem eu saia. Londres sem era mais cinza do que eu poderia imaginar e não era algo figurado, era real. Desde que havia ido, os dias lá fora estavam cinza e isso provavelmente era por conta do inverno, mas eu tinha licença poética para dizer que era por ter ido embora. Eu não era dramática daquele modo, eu apenas gostava de fazer drama para fazer os outros rirem. Minha vida já estava cheia de dramas bem reais para eu querer arranjar novos.
- Ei – ouvi Tim, meu colega de algumas mesas ao lado me chamar, ele estava de pé com seu casaco e bolsa nas mãos junto a um grupo de outras pessoas – Nós estamos indo pro bar da esquina, quer vir conosco? – eu sorri fraco pensando sobre o assunto, mas logo a ideia de uma discussão com Tony por eu ter saído com os "caras" do trabalho tomou conta da minha cabeça.
- Hum, obrigada Tim, mas eu preciso terminar algo por aqui e depois quero ir para casa descansar, mas se divirtam – acenei e vi um sorriso triste surgir nos lábios dele.
- Ei, vocês podem ir, eu já encontro vocês – ele acenou para os outros que seguiram para os elevadores e caminhou em minha direção, puxando uma cadeira e se sentando comigo – A gente pode conversar? – pediu e eu me ajeitei na cadeira assentindo – , eu te fiz algo? Quero que seja sincera, por que eu não sei – eu franzi o cenho para ele confusa.
- Não, não fez nada, mas por que a pergunta? – foi a vez dele se ajeitar na cadeira.
- Faz uns meses que você não sai mais com a gente, só saia com a e nas poucas vezes que saiu conosco foi embora cedo e parecendo chateada – eu engoli em seco, sabia do que ele estava falando – Eu não quero me meter na sua vida nem nada, mas quero saber se está tudo bem, por que você nem parece mais com você mesma – eu sorri fraco e me afastei um pouco.
- Está sim, na verdade é só o cansaço, eu estou realmente precisando de férias – forcei uma risada fraca na qual ele me acompanhou – Mas eu estou bem, você não fez nada, juro – lhe entreguei um sorriso e ele sorriu fraco em resposta – Agora vá se divertir, tem pessoas te esperando e aposto que alguma daquelas bartenders está esperando pelo cliente favorito – a brincadeira pareceu tirá-lo do pensamento anterior e ele riu se levantando e levando a cadeira de volta ao lugar.
- Tudo bem, mas se precisar de qualquer coisa pode falar comigo – ele parou na minha frente – Sei que deve sentir muita falta da e que ela é sua melhor amiga, mas pra o que você precisar eu estou aqui, de verdade, eu gosto muito de você – eu sorri e me levantei, afastando por um momento de minha mente o que Tony diria e abraçando Tim que retribuiu o ato.
- Obrigada, de verdade – sussurrei – Você é ótimo – me afastei vendo Tim sorrir fraco – Agora vai e bebe por mim – ele começou a se afastar rindo.
- Eu vou mesmo – ele acenou e se virou indo em direção aos elevadores e me deixando sozinha no andar.
Já havia dado o meu horário, mas nas últimas semanas eu preferia ficar um pouco mais no trabalho adiantando o serviço do dia seguinte. Porém a razão para aquilo não era por eu ser uma boa funcionária apenas, mas por que ir para casa sempre implicava em precisar estar com Tony. Nas últimas semanas brigávamos constantemente enquanto estávamos juntos. Fosse por algo sério, como a troca de mensagens dele com algumas garotas, que ele dizia ser inocente, ou pelo copo que havia ficado na pia. Tudo era motivo para alguma briga e eu já não aguentava mais. O único momento que não brigávamos era quando estávamos transando, mas nem isso era o mesmo. Não havia mais todo o tesão que tínhamos antes. Mas nos amávamos, e era isso que eu respondia para mim mesma todos os dias quando mentalmente eu me perguntava por que não terminar com ele.
Naquela manhã havíamos brigado pela intensidade do café, que era a mesma de todos os dias. Anthony insistia que o café estava mais forte e que eu havia feito de propósito e isso desencadeou uma discussão que tomou rumos além do café. Ele acusou estar chateado comigo e eu apenas escutei. Depois houve o momento em que ele me culpou por tudo que ele havia feito e havia desencadeado nossas brigas e eu apenas explodi o chamando de sem caráter. Ficamos nessa briga por mais alguns minutos quando eu saí de casa para o trabalho e só ali, no fim do dia, eu percebi o desastre que estava. O cabelo estava meio despenteado, minhas roupas não faziam sentido entre si e minha maquiagem muito menos.
Antes de ir embora tirei tudo que tinha na cara e arrumei os cabelos para só então decidir tomar o caminho de casa. Me despedi do porteiro do prédio e resolvi que naquele dia não tinha cabeça para dirigir de volta para casa, pedindo por um carro no aplicativo. O veículo logo chegou já que estava deixando alguém no prédio vizinho e eu não demorei a estar pelas ruas de Londres. O rádio tocava uma música qualquer baixa que ao dar um pouco mais de atenção percebi que talvez a conhecesse, mas não me animei de tentar descobrir de onde. Vinte minutos depois o carro estava parando em frente ao meu prédio e eu me despedi do motorista desejando um bom restante de noite, me sentindo meio idiota por não ter trocado muitas palavras com ele no veículo. Entrei no prédio parando para uma breve conversa com meu porteiro sobre sua esposa e depois seguindo para o elevador e apertando o botão do quarto andar. Eu sentia meu corpo mole e lento, os olhos pesavam e eu sabia o quanto precisava dormir. As portas se abriram e eu segui para fora do elevador indo até a última porta do corredor. Abri a mesma e entrei sem olhar muito em volta. A casa estava silenciosa o que me denunciava que Anthony ainda não havia chego. Tirei os sapatos e joguei a bolsa no chão indo até a cozinha e tomando um copo de água. Abri os botões da camisa e quando finalizei minha água segui pelo corredor até a porta do quarto.
Sabe quando seu dia começa ruim e você pensa que nada pode piorá-lo? Pois bem, naquele dia eu descobri que o que está ruim pode se tornar horrível em um abrir de porta.
Lá estava Tony. Na cama que compartilhamos na noite anterior. Na cama onde acordei naquela manhã lhe dando um beijo na testa. Lá estava ele, mas não era eu quem estava ao lado dele. Havia uma garota deitada coberta pelos lençóis brancos que eu havia comprado na semana passada. A perna sobre o corpo despido de Anthony que dormia com as mãos nos cabelos dela.
Meu coração tomou um peso que eu não sabia que ele poderia tomar e eu senti o estômago embrulhando. Eu não queria acreditar na cena que meus olhos viam, mas não conseguia desviar os olhos e nem caminhar. Estava paralisada. E em segundos o último um ano e meio se passou em minha mente, com todas as boas lembranças que antes me davam forças para continuar naquele relacionamento se desfazendo em pedaços e se tornando um monte de nada.
Ele não me amava. A realidade daquelas palavras me acertou em cheio junto as lágrimas que escorriam quentes por meu rosto. Ele não me amava.
Antes que eu pudesse fazer algo Anthony se moveu na cama sem me notar a porta e checou as horas em seu relógio se assustando e sacudindo a garota.
- Acorda, você precisa ir antes que minha namorada chegue – foi o que ele disse enquanto passava as mãos pelas costas da garota, se virando para a porta em seguida e parando estático enquanto me notava ali.
- Na verdade ela pode continuar dormindo, por que eu não vou ocupar mais essa cama – sussurrei e ele se levantou seguindo em minha direção e antes que pudesse encostar em mim, minha mão encontrou seu rosto em um tapa que eu não esperava dar, mas que satisfez um pequeno pedaço do meu coração – Não ouse encostar em mim – naquele momento eu pude ouvir um ódio que eu desconhecia em minha voz. A mão de Anthony estava em seu próprio rosto surpreso com minha atitude.
- , amor eu posso...
- Não me chame de amor – eu tentava não gritar por que não queria alarmar os vizinhos e nada nunca foi tão difícil na minha vida – Nem ouse vir com seu papo furado de que fez isso por estar chateado e que me ama e que não vai acontecer de novo – eu comecei a fechar os botões da camisa que estavam abertos – Você nunca me amou, sempre amou o quanto eu te fazia bem, e isso realmente não vai mais acontecer por que isso aqui – apontei para ele e para mim – Acabou, de uma vez por todas – o empurrei indo até o closet, pegando minha mala e a abrindo no chão. Peguei minhas coisas de qualquer jeito, as joguei na mala sem me importar de como estariam, apenas preenchi a mala com tudo que coube e a fechei.
- , vamos conversar – Anthony estava parado à porta do closet e assim que me levantei ele fez menção de se aproximar.
- Se você encostar em mim eu juro que vou te bater até você esquecer seu nome – a ameaça o assustou e ele apenas recuou enquanto eu caminhava para fora do closet. Eu sempre era a pessoa calma, paciente e compreensiva. Eu nunca havia alterado tom de voz, nem batido, sequer ameaçado alguém. Todas as minhas ações daquele momento assustariam qualquer um que me conhecesse – Eu estou levando minhas chaves, domingo passo para pegar o resto das minhas coisas e espero que você não esteja aqui, de verdade – eu não o olhei de novo e segui pelo corredor ouvindo seus passos atrás de mim.
- , espera – eu parei minha caminhada e me virei para ele, deixando que tudo que estava na minha garganta saísse.
- Nunca mais me chame de , você não tem esse direito – apontei o dedo para ele sentindo todo o meu corpo tremer – Eu não quero te ver, não quero escutar seu nome, não quero notícias suas, nunca mais. Você não me merece, não merece metade de quem eu sou, isso é muito para você. Eu não espero que coisas ruins te aconteçam, espero de verdade que você seja feliz pra caralho com outra pessoa, mas bem longe de mim. Você me quebrou em mil pedaços e eu não te quero por perto quando eu terminar de juntá-los. Eu ouvi de uma pessoa que você havia me feito fazer coisas que eu nunca faria e achei que fosse sobre amor, mas não era, era sobre todas as merdas que você fez que eu nunca perdoaria e perdoei, mas não mais Anthony, pra mim já chega. Espero realmente que você seja feliz com alguém, mas espero que antes disso você melhore, para não machucar mais ninguém do jeito que me machucou – seus olhos se encheram de lágrimas e uma pequena parte de mim se sentiu mal, mas a outra grande parte me fez caminhar, calçando os sapatos que estavam ao lado da porta, pegando a bolsa com meu celular e documentos e sair do lugar com uma batida forte da porta. Chamei pelo elevador que logo estava em meu andar e quando as portas se fecharam eu soltei a mala e gritei. Um grito alto e carregado de tudo que estava em meu peito. Dor. Dor. Dor. Era só o que eu sentia. E me odiava por estar sofrendo por ele, mas sabia que não podia evitar. Peguei meu celular na bolsa e mandei uma mensagem para .

:
, estou indo para seu apartamento 08:26p.m
Algo aconteceu e espero que não tenha problema 08:26p.m
Juro que é só por algum tempo 08:26p.m



Por conta da diferença de fuso eu sabia que ela não responderia, então apenas deixei informado, sabendo que ela não se importaria já que ela havia deixado as chaves comigo. Saí do elevador e recebi um olhar confuso do meu porteiro.
- Vai viajar senhorita ? – ele se levantou pronto a me ajudar com minha mala.
- Não Joseph, eu estou indo embora – ele me encarou ainda confuso e eu sorri fraco – Você nunca o viu subir com outras garotas? – perguntei o encarando e ele ainda parecia confuso.
- O senhor Brouwer? – eu assenti contendo choro – Não senhorita, ele sempre sobe pelo estacionamento, quase nunca o via, só quando estava com a senhorita – ele tocou meu ombro – Ele estava com alguém? – eu sorri triste e assenti – Ah senhorita , eu sinto muito – eu sabia que Joseph estava dizendo a verdade. Ele era um senhor já idoso cujo a mulher e a neta que criavam eu adorava e sempre ganhava tortas deliciosas de Mary. Eu sabia que ele me contaria se soubesse de algo – Não fique triste criança, se eles fez isso não merecia você, um dia você vai encontrar alguém que te ame como eu amo a minha Mary e ele ou ela vai fazer de tudo por você, eu prometo – eu sorri sem mostrar os dentes e sem conseguir conter algumas lágrimas fujonas.
- Obrigada Jô, vou sentir falta de te encontrar todas as manhãs – o abracei brevemente e ele retribuiu o abraço.
- Me passe o novo endereço depois, aposto que Mary vai querer te mandar uma torta de frango daquelas que você adora – eu consegui rir.
- Eu vou adorar – peguei minha mala a porta do prédio e sorri para Jo – Eu te passo o endereço quando tiver, obrigada por tudo e mande um abraço para Mary e para Alice.
- Pode deixar – acenei me afastando, pedindo por um carro no aplicativo que logo chegou e me ajudou com a mala. Seguimos para o endereço de em uma conversa sobre o último passageiro que ele havia deixado na vizinhança. Quando chegamos ao prédio de ele me ajudou novamente com a mala e eu lhe desejei boa noite indo em direção a portaria. O porteiro que já me conhecia apenas me desejou boa noite e eu segui para o elevador apertando o oitavo andar. Quando as portas se abriram eu segui para a quarta porta da direita e entrei no local fechando a porta logo atrás de mim. Segui direto para a cozinha em busca de algo que pudesse beber, mas havia dado suas garrafas de bebidas para o pessoal do escritório quando viajou.
Me sentei na bancada deitando minha cabeça na pedra de mármore e encarando a janela. Dali eu via parte da cidade que brilhava com luzes de carros e prédios. Eu percebi que havia cochilado por trinta minutos quando meu celular vibrou sobre a bancada com uma nova mensagem de um número desconhecido.
Desconhecido:
Só falta você aqui 09:34p.m
E havia uma foto de Tim com um microfone em mãos no que eu supus ser o bar da esquina. Sorri fraco já digitando que não estava em clima para ir quando todos os acontecimentos da noite me pegaram e eu apaguei digitando uma nova mensagem.

:
Me espera? Em trinta minutos estou por aí, preciso mesmo de uma bebida 09:35p.m


Tim:
Sério? Claro que eu espero 09:36p.m
Não estamos mais no bar da esquina, viemos para um outro que a Josie conhecia, vou te mandar a localização 09:36p.m
Após a resposta dele eu carreguei a mala para o quarto de hóspedes de e a abri em busca de algo para vestir. Entrei no banho em seguida e deixei que a água quente caísse em meu corpo e cabelos. Depois de um banho bem tomado e cabelos lavados, eu saí enrolada na toalha e coloquei o Homecoming da Beyoncé pra tocar enquanto me arrumava. Sequei os cabelos e os ondulei meio de qualquer jeito, depois me vesti e fiz uma maquiagem simples, apenas com um delineador, blush e gloss nos lábios. Coloquei meu cartão e documento e joguei dentro do bolso interno da jaqueta, pegando meu celular e chaves e deixando o apartamento. Enviei uma mensagem para Tim, informando que estava saindo de casa e pedi um carro que não demorou a chegar na frente do prédio.
Vinte minutos depois eu estava em frente ao bar e entrei no local. Era um bar/karaokê bem legal. Haviam em um canto uma daquelas máquinas de pegar bichinhos fofos, o karaokê estava à frente e o bar estava à direita com dois barman fazendo piruetas com garrafas enquanto uma música tocava enquanto ninguém estava no karaokê. Logo avistei alguém vindo em minha direção e dei de cara com Tim, que sorria e tinha algum tipo de bebida brilhante em mãos.
- Ei, que bom que mudou de ideia – ele comemorou me abraçando brevemente e me entregando a bebida em seguida – Isso e pra você, não sei o que tem dentro, mas o nome tinha a sua cara – eu tomei um gole da bebida que tinha morangos, rodelas de limão, gelo e vodka com alguma outra bebida que eu não identifiquei.
- Qual era o nome? – perguntei apontando a bebida.
- I ain't sorry – eu ri com a coincidência de eu estar escutando aquela música em casa.
- Só por que você sabe que eu adoro Beyoncé – murmurei e Tim riu.
- Exatamente e mais tarde vamos cantar juntos, mas agora quero saber por que disse que precisava de uma bebida – Tim me abraçou pelo ombro me indicando uma das bancadas do bar e se sentando à minha frente.
- Ah Tim, não quero te encher com isso e se souber que te contei antes de contar para ela eu estou morta – brinquei e o vi rir.
- , se não contar vai passar a noite com essa cara triste e eu quero ver rindo hoje, se divertindo pra valer – ele me sacudiu um pouco pelos ombros – E eu prometo que não conto a – eu sorri fraco dando mais um gole naquela bebida e respirando fundo em seguida.
- Bom... Quando cheguei em casa hoje, Anthony estava na cama com outra garota – soltei as palavras de uma vez e Tim abriu a boca indignado.
- Mentira? – eu neguei com a cabeça – Ah meu Deus, , eu sinto muito – ele tocou meu ombro e eu toquei sua mão brevemente com um sorriso – Você quer xingar ele e a garota? Pode xingar, eu deixo – ri fraco negando com a cabeça.
- Ele talvez eu xingue depois, mas a garota não, ela não tinha obrigação nenhuma comigo e apesar de saber que ele namorava, sei lá, não acho que xingar ela seja certo – dei de ombro e Tim sorriu.
- , eu honestamente quero ser como você quando eu crescer – eu ri finalizando minha bebida – Sabe o que vamos fazer? Você realmente vai beber mais uma dessas, vai subir até aquele palco e vai cantar essa música por que essa noite você merece tell him boy bye – eu ri fraco com a referência a música e Tim pediu por outra bebida daquelas que logo me foi entregue. Eu não sabia o que tinha naquele copo, mas sabia que a outra bebida misturada a vodka era forte por que quando terminei o segundo copo eu já sentia a cabeça girar e geralmente precisava mais que dois copos de vodka para me fazer ficar daquele modo. Quando terminei informei a Tim que eu iria até o palco e já não sentia vergonha. Pedi a música ao DJ que a colocou animado e eu peguei o microfone com Tim a minha frente junto as garotas do trabalho. Aquele ponto eu já estava pouco ligando para quem estava me vendo, apenas queria me divertir, então comecei a performar a música como Beyoncé no Coachella.

Sorry, I ain't sorry
Sorry, I ain't sorry
I ain't sorry, girl, nah
Sorry, I ain't sorry
Sorry, I ain't sorry
I ain't sorry


Comecei em ritmo animado e vi Tim e as garotas do trabalho dançando e cantando junto.

He trying to roll me up
I ain't picking up
I'm headed to the club
I ain't thinking 'bout you
Me and my ladies sip my D'USSÉ cup
I don't give a fuck, chucking my deuces up
Suck on my balls


Eu dançava de modo divertido e puxei Josie e Tim para o palco rindo e eles dançaram comigo enquanto eu gargalhava.

Middle fingers up, put them hands high
Wave it in his face, tell him: Boy, bye
Tell him: Boy, bye, boy, bye
Middle fingers up, I ain't thinkin' 'bout you


Nós levantamos nossos dedos do meio rindo.

Now you wanna say you're sorry
Now you wanna call me crying
Now you gotta see me wilding
Now I'm the one that's lying
And I don't feel bad about it
It's exactly what you get
Stop interrupting my grinding


Tim e Josie performavam a música comigo e era provavelmente uma das coisas mais divertidas que eu havia feito nos últimos tempos.

I can't believe I believed everything we had would last
So young and naive of me to think she was from your past
Foolish of me to dream while you cheat with loose women
It took me some time, but now I am strong
Because I realized I've got
Me, myself, and I
That's all I got in the end
That's what I found out
And it ain't no need to cry
I took a vow that from now on, I'm gon' be my own best friend


Terminei a música alguns versos depois rindo, Tim e Josie riam também e aplaudiram enquanto eu me curvava em uma reverência fingida. Devolvi o microfone a seu lugar e agradeci ao DJ que tocou em minha mão e em minha mente fiz uma anotação de voltar a aquele lugar. Depois de descer do palco, Tim e Josie decidiram que cantariam alguma música indie e eu apenas me direcionei ao bar decidida por tomar uma garrafa de água. Eu me sentei em um dos bancos do bar recebendo um sorriso do barman que logo me entregou a garrafa que eu pedi e foi atender uma outra garota na outra ponta do balcão. Eu ri fraco com a lembrança de toda nossa performance e balancei a cabeça em negação.
- Eu posso me sentar aqui?


Capítulo 2

Dezembro, 2017 - London, UK

You came into my life with no warning like a flash of light


Harry
Eu estava em casa atoa quando Kevin passou pelo local me arrastando com ele para um bar/karaokê escondido em Notting Hill. Eu não tive muitas opções já que Kevin conhecia minha agenda e sabia que eu estava livre naquela noite de sexta. Quando chegamos ao local eu apenas me sentei em um dos sofás que haviam no canto próximo ao palco enquanto Kevin nos buscava coisas para beber.
O lugar era legal, mas como havíamos chego cedo ainda não estava muito animado e apenas algumas pessoas dançavam ao som da música que tocava enquanto ninguém cantava no karaokê.
Eu esperava que ninguém me reconhecesse ali se eu não tomasse o palco do karaokê já que eu estava de férias e só queria ter a chance de descansar e me divertir com meus amigos naqueles dias que teria até o início da segunda parte da turnê.
Meu celular vibrou no bolso ao mesmo tempo que Kevin chegava com nossas cervejas. Tirei o aparelho do bolso vendo a notificação de mensagem de Kendall.

Kenny:
Ei, estou em Londres daqui a duas semanas, a fim de me encontrar? 09:42p.m

Só tive tempo de sorrir para a mensagem antes que Kevin soltasse algum comentário.
- Kendall de novo, cara? Sério? - o encarei e ele me olhava indignado. Kevin reprovava completamente o tipo de relação que eu havia criado com Kendall. Segundo ele eu não estava bem naquela relação e estava me entregando ao sexo sem compromisso pelo simples fato de ser o que ela queria, mas que eu na verdade era um ursinho que queria abraços e comédias românticas no Netflix. Aquilo não era uma completa mentira, nem uma total verdade. Eu adorava o sexo com Kendall, e realmente a parte de ser sexo sem compromisso havia partido dela, e eu queria sim abraços e comédias românticas, mas havia muita burocracia envolvida para ter aquilo. Ter um compromisso com alguém era algo que eu não queria no momento, já havia estado em relacionamentos suficientes para entender que pessoas - e isso inclui muito a mim - são complicadas e difíceis de lidar, e naquele momento, eu não queria mexer com aquilo, mesmo que significasse não ter abraços e comédias românticas.
- Kevin, está tudo bem. Ela quer, eu quero, não é como se alguém estivesse sendo usado nessa relação - dei de ombros pegando minha cerveja e lhe dando um gole - E somos amigos também, de algum modo meio confuso e estranho, mas somos, então está tudo bem. Eu não quero um relacionamento - eu vi os olhos de Kevin revirarem e não contive a risada. Kevin era um ótimo amigo, além de trabalhar comigo e cuidar de toda a minha vida, ele me conhecia e adorava me dar conselhos e garantir que eu estaria bem, mas às vezes ele precisava de um lembrete que eu tomava decisões sobre a minha vida.
- Tudo bem, eu vou acreditar nisso, mas só para não ser chato - murmurou e eu ri.
Depois de alguns minutos sentados percebi uma garota se aproximar e Kevin a encarar sorrindo e se levantar em seguida a abraçando.
- Josie, quanto tempo - a garota ria e Kevin também, quando se separaram engataram em uma conversa sobre como Kevin havia sumido e sobre o que aconteceu nos últimos anos que não se viram. Eu me mantive sentado até que Kevin se lembrasse que eu estava ali e trouxesse a amiga para me apresentar - Josie, esse é o Harry, Harry está é a Josie, uma antiga amiga - eu me levantei e abracei brevemente e quando me afastei reconheci o olhar em seus olhos. Era o olhar de quando alguém me reconhecia.
- Oi Harry, eu não quero te incomodar, mas antes de ir embora pode tirar uma foto comigo? - eu sorri pela educação da garota em esperar pela hora que eu estivesse indo para a foto.
- Claro, me procure antes de ir e podemos tirar uma foto sim - ela sorriu largo e percebi Kevin sorrir para nós.
Nos sentamos e começamos a conversar sobre muitas coisas aleatórias. Descobri que Kevin e Josie já havia se relacionado na época da faculdade e que se mantiveram amigos após o término e depois que Kevin seguiu para Los Angeles perderam o contato. Haviam algumas trocas de olhares, porém nada que fosse além dos limites e se tornasse desconfortável. Depois de mais alguns minutos Josie informou que iria se juntar novamente ao pessoal do trabalho quando um cara a chamou de longe. Kevin apenas se despediu e vimos Josie seguir com o cara e uma outra garota para o palco do Karaokê onde a outra garota subiu pedindo uma música ao DJ.
Logo a melodia conhecida de Sorry da Beyoncé começou e a garota sorriu. Logo ela começou a cantar de modo até que afinado para a ocasião e eu precisei virar completamente o corpo para assistir. A garota parecia se divertir enquanto cantava e dançava, como se apenas ela e os amigos estivessem ali. Ela imitava de um jeito meio desastrado a coreografia da Beyoncé, estava rindo constantemente e fazendo algumas caras quando puxou Josie e o rapaz que havia a chamado ao palco e eles performaram juntos a música. Quando ela terminou os amigos aplaudiram de forma exagerada e a garota fez uma reverência devolvendo o microfone para o DJ, encarei ela começar uma caminhada em direção ao bar e olhei brevemente para Kevin.
- Eu vou ali e já volto - murmurei e o vi rir.
- Harry sendo o Harry - ele devolveu negando com a cabeça - Vai lá, eu vou jogar sinuca com os caras ali - ele se levantou e eu fiz o mesmo seguindo para a direção oposta a dele. A garota estava sentada com uma garrafa de água em sua frente, estava rindo pouco antes de eu chegar até ela e eu percebi que talvez a conhecesse de algum lugar, porque seu sorriso me era familiar.
- Eu posso me sentar aqui? - assim que as palavras saíram de minha boca a garota se virou levemente para me encarar por alguns segundos sem muita atenção.
- Claro - não havia um olhar familiarizado em seu rosto por enquanto e ela apenas me indicou o banco ao seu lado, voltando a atenção para sua água. Eu me sentei e a analisei por um instante, tendo a certeza de que já havia a visto antes, apenas precisava buscar em minha memória onde.
- Parabéns pela performance, foi quase tão boa quanto a original - brinquei e a vi rir negando com a cabeça.
- Não brinca comigo assim não que eu acredito, hein? - naquele momento ela me encarou realmente e parou por alguns momentos me olhando com o cenho franzido - Eu te conheço? - eu sorri ao saber que ela tinha a mesma dúvida que eu.
- Eu tenho essa mesma impressão - comentei estendendo a mão em seguida - Meu nome é Harry, prazer - apesar de o sobrenome não ter sido pronunciado o olhar de esclarecimento surgiu, porém sem sinais de alguém que iria começar a gritar ou algo assim.
- Ah, eu te conheço, minha melhor amiga adora você e fomos ao seu show em Manchester mês passado, meu nome é - ela apertou a minha mão e a memória daquele show me veio à mente. É claro que era ela. A garota na plateia com quem troquei alguns olhares sugestivos. Ela se divertia com a amiga a frente dela sempre cantando apenas os refrões das músicas. Me lembro de cantar Medicine e ver algumas respirações fundas dela. Tentei encontrá-la em meio a fotos do show, porém não consegui e agora de um jeito muito estranho eu havia a encontrado em Londres.
- Eu me lembro de você - assim que fiz o comentário eu a vi segurar brevemente a respiração - A gente ficou encarando um ao outro - por alguns segundos ela me encarou e depois apenas riu, com as bochechas ficando vermelhas.
- Tá legal, eu não esperava por isso - ela declarou soltando a minha mão e tomando sua água enquanto eu tinha um sorriso nos lábios.
- Por que não? - questionei tomando a minha cerveja.
- Por que sei lá, você faz vários shows, muitas garotas na plateia, achei que devia ser algo meio frequente e que não se lembrasse das garotas - ela deu de ombros mexendo no suor da garrafa de água.
- Não é frequente na verdade - murmurei a vendo conter um sorriso - Eu olhos as pessoas, mas nunca fico trocando olhares com ninguém, mas por algum motivo fiz isso com você - ela sorriu fraco me encarando com o canto dos olhos.
- Tudo bem, eu vou fingir que acredito - ela soltou em um tom divertido - Mas diz aí, o que faz por aqui com meros mortais? - ela jogou as mãos de um modo meio desajeitado indicando o local.
- Um amigo me arrastou, estou de férias no momento - ela assentiu - E você, o que te trouxe aqui essa noite? - eu percebi um sorriso triste se formar em seus lábios.
- Um término - ela me encarou e por um momento eu não soube o que fazer. Aquilo era tudo que eu não poderia imaginar, depois de vê-la como estava cantando alguns minutos mais cedo. E quando o choque passou eu quis abraçá-la, mas não o fiz por que seria muito estranho.
- Eu sinto muito, de verdade - ela me encarou por alguns segundos e depois me entregou um pequeno sorriso.
- Obrigada, de verdade - eu sorri junto a ela.
- Ta legal, vem, vamos sair dessa fossa, por que seu namoro acabou, mas o mundo não e tu merece ser feliz - me levantei a segurando pela mão e ouvindo sua risada.
- O que está fazendo? - a voz de saiu no meio de uma risada meio sem jeito.
- A gente vai cantar - o corpo de parou e eu me virei para ela - O que? - não consegui conter a risada com sua cara de susto.
- Eu não vou cantar com você, você é um cantor profissional - ela murmurou como se fosse óbvio.
- Eu juro que vou me esforçar para ser muito ruim - ela riu fraco e eu me aproximei um pouco - Vamos lá, por favor - juntei as mãos e fiz um bico a fazendo revirar os olhos.
- Você - ela apontou o dedo na frente do meu rosto - Tem uma arma e sabe como usá-la - eu sorri largo e a vi prender um sorriso - Tá bem, vamos, aí como eu odeio gente com covinhas - dito isso eu ri e continuei a guiá-la para o microfone.
Ao chegarmos lá a encarei e ela apenas deu de ombros me mandando escolher a música. Pensei por pouco tempo até pedir por Back in black ao DJ que sorriu largo. Quando a introdução começou eu me virei para animado e vi a garota rir mexendo a cabeça no ritmo da bateria. Peguei um dos microfones e entreguei o outro a ela cantando as primeiras frases da música de uma forma que se igualava ao tom de Brian e logo deu de ombros e me acompanhou rindo da minha cara de surpresa com sua voz relativamente afinada a música. Foi um dos momentos mais divertidos que tive fora dos palcos com minhas músicas e fãs. Naquele momento éramos como amigos, se divertindo em uma noite de sexta e cantando uma música sem nenhuma pretensão de agradar ao público - apesar de as pessoas estarem se divertindo durante a performance e cantando junto. Nos solos de guitarra eu e fingíamos estar tocando guitarras e até chegamos a encostar as costas tocando nossos instrumentos imaginários. O que me fez gargalhar enquanto cantava parte da letra novamente, enquanto ela ainda estava em sua guitarra imaginária. A última frase, "Yes, I'm back in black", foi praticamente gritada por nós e terminamos nos encarando por um momento, gargalhando em seguida enquanto o instrumental diminuía seu volume gradativamente e a música tinha seu fim.
Me permiti por um momento notar a risada da garota a minha frente, e aquela era uma das risadas mais verdadeiras que eu havia escutado na vida. ria como se precisasse daquilo para viver, e era algo tão contagiante que logo eu estava a acompanhando novamente. Depois que paramos nossa risada, sobraram apenas largos sorrisos em nossos rostos. pegou os microfones e os colocou de volta em seus pedestais e agradeceu ao DJ, parando brevemente em minha frente.
- Vem, eu vou te pagar uma bebida - ela segurou meu braço e me puxou para fora do palco seguindo comigo para o bar, onde nos sentamos um ao lado do outro. Ela me encarou ainda sorrindo largo - O que quer? - ela me encarava e eu só conseguia pensar em como seu sorriso era bonito e sincero, e em como aquela garota não merecia, nem deveria ter o sorriso triste que tinha mais cedo.
- Pra mim só uma cerveja - soltei sorrindo como ela e ela se virou para o barman, que a encarou com um sorriso nos lábios, claramente interessado nela. Mas eu não o culpava por aquilo. era uma garota bonita e emanava uma energia boa, mesmo que estivesse em um momento difícil.
- Duas cervejas por favor - ela fez um dois com os dedos e logo o homem lhe trouxe duas garrafas geladas. entregou uma delas para mim e agradeceu ao barman pegando a sua e se virando para me encarar. O homem apenas se afastou um pouco indo a outros afazeres, mas os olhos a encaravam discretamente.
- Obrigado - batemos nossas garrafas em um brinde e viramos o líquido ao mesmo tempo.
- Eu é que agradeço - ela soltou após engolir sua cerveja - Fazia muito tempo que eu não me divertia tanto - eu sorri para ela, pousando minha garrafa sobre o balcão.
- Eu também - ela franziu brevemente o cenho.
- Você pareceu estar se divertindo naquele show que eu fui - eu sorri fraco.
- E eu estava, mas é diferente - dei de ombros - Lá eu me divirto de um jeito majestoso, sendo o centro das atenções, não estou reclamando, eu adoro isso - riu fraco - Mas as vezes sinto falta disso - apontei com a cabeça para nenhum lugar em específico - Me divertir como um cara normal, sem ser o centro das atenções, sem minha músicas, sem precisar ser Harry Styles o cantor, ser apenas o Harry, o cara que curte uma cerveja e conversas com os amigos, que veio de uma cidadezinha do interior - novamente dei de ombros enquanto prestava atenção em cada palavra que saia da minha boca - Não que seja diferente um do outro, não é, mas esses momentos me fazem ter o pé no chão e a cabeça no lugar - ela sorriu fraco e houve um silêncio por alguns momentos.
- Sabe, você é diferente do que eu esperava de um cantor mundialmente famoso - ela me encarava, como se analisasse algo e eu me contive a um sorriso no canto dos lábios.
- Deixe-me adivinhar: não sou metido, nem playboy, nem tão egocêntrico e mais simpático do que você imaginava? - Ela fez um bico engraçado balançando a cabeça e dando de ombros.
- Eu ia dizer que você não é tão babaca quanto achei que seria, mas isso aí serve - eu não contive a gargalhada quando suas palavras saíram por sua boca e ela me acompanhou de forma natural. E eu percebi que rir com era algo fácil, leve e constante.
- Eu fico lisonjeado, - soltei ainda em meio a risada e ela sorriu largo para mim. Percebi pelo canto do olho corpos se aproximando e quando me virei vi Kevin, Josie e o outro garoto que havia chamado Josie mais cedo. Eles nos olharam confusos e nós os olhamos do mesmo modo.
- Ei, vocês já se conheceram? - foi Kevin quem perguntou apontando para nós e eu e nos encaramos assentindo - Ótimo, nós vamos pegar uma mesa, vocês vêm? - Kevin apontou com a cabeça e eu encarei , esperando pela resposta dela.
- Por mim tudo bem - ela deu de ombros pegando sua cerveja e eu fiz o mesmo, os seguindo até uma mesa que coubéssemos todos.
Eu me sentei colado a parede com a meu lado e o cara, que descobri se chamar Tim ao lado dela, enquanto Kevin e Josie se sentavam de frente para nós. A noite seguiu regada a bebidas, conversas das mais aleatórias possíveis e muitas risadas. Risadas essas que fizeram minha barriga doer. Histórias das mais estranhas e engraçadas eram contadas e honestamente, era o tipo de pessoa que sabia contar uma, fazendo entonações e completamente animada com os fatos, levando todos a gargalhadas intensas e se permitindo rir do mesmo modo quando outros contavam histórias. Quando estava ficando tarde o suficiente para que a maioria da mesa já estivesse bem alterada e antes que o primeiro de nós pudesse dizer seu adeus, um grupo foi criado e o número de todos os presentes adicionado. Minutos depois, Tim foi o primeiro a informar que estava de saída, perguntou a se a garota estava bem e se ficaria e ela informou que sim para ambas as perguntas, se levantando e abraçando o amigo e agradecendo pelo convite para aquela noite, Tim sorriu e entregou a um beijo breve em sua bochecha e ao resto de nós ele distribuiu abraços e despedidas, indo logo após dizer adeus a todos. A seguinte foi Josie, que fez o mesmo ritual que Tim, logo depois Kevin que me perguntou se eu iria com ele, recebendo minha negação como resposta e se despedindo. Logo estávamos apenas eu e sentados à mesa. Havia uma última garrafa de cerveja que eu informei a que não beberia e ela a finalizou, apesar de já estar bem alterada. Depois de alguns minutos de conversa, informou que queria um ursinho de uma daquelas máquinas de pescar bichinhos e nós fomos até lá. Eu a deixei tentar sozinha, apenas a encarando e vendo como ficava bonita a luz da máquina puxei o celular do bolso e a chamei, tirando uma foto assim que ela me encarou a vendo tombar a cabeça como quem repreende meu ato.
- Harry, eu não gosto de tirar fotos - ela se aproximou de mim tentando pegar o aparelho e eu apenas levantei a mão e ela fez um bico, sabendo que não alcançaria, por ser consideravelmente mais baixa que eu - Isso não se faz, seu gigante - ela tentou soar como uma ofensa, mas acabou por soar como uma garotinha fofa e emburrada.
- Ela ficou boa, juro que ficou - abaixei o aparelho lhe mostrando a foto e ela fez uma careta.
- É estranho estar desse lado da câmera - murmurou parecendo começar a se acostumar com sua imagem ali.
- Você geralmente está do outro lado então? - lhe estreitei os olhos e ela assentiu.
- Sim, por hobby e por profissão - ela respondeu me devolvendo o aparelho e eu sorri ao perceber que ela não havia apagado a fotografia.
- Sério? - ela assentiu - Quem sabe não marcamos de sair para você me ajudar a melhorar minhas habilidades? - ela me estreitou os olhos.
- Você gosta de fotografar? - eu assenti e ela pareceu surpresa - A todo momento uma novidade - eu sorri fraco com seu comentário e ela olhou novamente a máquina, parecendo desapontada por não conseguir seu bichinho de pelúcia.
- Qual você quer? - perguntei me aproximando da máquina e ela me seguiu com um sorriso começando a se formar.
- O pinguim - ela não hesitou ao dizer que o queria. Coloquei uma moeda na máquina e logo ela fez barulho informando que havia ligado. Tomei joystick em mãos e o movimentei até o pinguim. não tinha muita expectativa em seu rosto, como se não quisesse colocar pressão sobre mim. Eu desci a garra da máquina e ela tomou o bichinho por um dos pés e os olhos de se arregalaram quando ele caiu no buraco e em seguida apareceu no compartimento reservado para os animais pegos. Eu me abaixei e o segurei em minhas mãos me virando para a garota que sorria largo para mim.
- Pra você - lhe entreguei o bichinho e ela o encarou como se fosse a coisa mais preciosa do mundo para ela. Em seguida ela me encarou e pulou animada me abraçando e o contato físico inesperado me deu um pequeno susto, mas em seguida me desencadeou uma risada.
- Obrigada, obrigada, obrigada - ela agradeceu e depois se afastou voltando a olhar a pelúcia em suas mãos - Eu adorei, eu tenho um pinguim - ela balançou o bicho em suas mãos e comemorou e eu me perguntei se ela estava realmente feliz ou se era apenas o efeito do álcool em seu corpo, mas me limitei a rir da cena. Ela abraçou o bicho com um dos braços e me encarou ainda sorrindo - Você é bom nisso - ela apontou para a máquina e eu sorri coçando a nuca.
- Tenho certa sorte em jogos – murmurei.
- Me lembre de sempre ser sua dupla quando jogarmos algo - ela soltou me fazendo rir e me acompanhando no ato.
Mais algum tempo se passou até coçar seus olhos demonstrando certo sono. Eu estava cansado desde mais cedo, mas realmente queria ficar com ela. Ela era uma garota legal que eu inexplicavelmente queria por perto, então o cansaço apenas me pareceu algo que eu poderia deixar como segundo plano. informou que achava que estava na sua hora e eu concordei. Ela seguiu para o balcão com o papel onde as bebidas que pedimos naquela noite haviam sido anotadas pagando a conta mesmo sobre meus protestos e depois saímos do local indo para a rua. enfiou a mão no bolso do casaco pegando seu celular e pedindo por um carro em um aplicativo e eu fiz o mesmo. Ficamos parados na calçada conversando bobagens até que o carro dela chegou.
- Bom, vou indo, obrigada pela noite, pela música e pelo pinguim, eu realmente adorei - eu sorri para o modo como ela abraçava o bicho.
- Que bom que gostou - respondi apenas e ela sorriu.
- Tchau Harry - ela acenou já se afastando.
- - a chamei e ela se virou para me encarar - Eu posso salvar o seu número e sei lá, te mandar mensagem qualquer hora dessas? - a garota sorriu largo.
- Claro que sim, eu vou adorar - dito isso um sorriso se formou em meus lábios e ela seguiu para o carro entrando no veículo e acenando para mim quando o mesmo deu a partida e se afastou. Meu carro chegou em seguida e eu não demorei a estar lá dentro desejando uma boa noite ao motorista que fez o mesmo. Peguei meu celular no bolso e abri o grupo criado por Kevin e logo encontrei a mensagem de se identificando, como todos havíamos feito para que pudéssemos saber a quem cada número pertencia. Salvei seu número apenas com seu nome e lhe mandei uma mensagem.

H:
Me avise quando chegar em casa, para eu saber que não foi sequestrada 03:16a.m


Depois de fechar sua mensagem eu percebi que ainda não havia respondido Kendall e abri sua mensagem novamente, encarando a tela do celular por um certo tempo hesitando em enviar a resposta por um momento.

H:
Claro que sim, mal posso esperar 03:16a.m


Bloqueei o celular e deitei a cabeça no encosto do banco pensando sobre como tudo aquilo era louco. Encontrar uma garota que eu havia visto em um show, um mês depois em um bar aleatório de Londres. Realmente a vida tinha dessas coisas inesperadas que surpreendiam a gente no fim das contas, mas eu não estava reclamando, muito pelo contrário, eu havia adorado encontrar ela. Não pelo fato de ser uma garota bonita e atraente - apesar de a princípio esse ter sido o motivo -, mas por que era daquelas pessoas que de um jeito inexplicável você queria ter na vida e eu tinha a sensação de que seríamos bons amigos. E apesar de sentir certa atração por ela, eu entendia que naquele momento ela provavelmente não estaria pronta para nenhum tipo de relação e a ideia de tê-la como minha amiga já me fazia feliz, o que era estranho e novo para mim. E honestamente, eu me sentia ansioso pelo novo.


Capítulo 3

Dezembro, 2017 - London, UK
I'm feeling better now, finally feeling special now.


O final de semana havia se resumido a vídeo chamada com para contar a ela o ocorrido e ouvi-la dizer por muitas vezes que mataria Anthony, maratona de Grey's Anatomy que estava passando na tv, pedir comida em casa e ir até o apartamento onde dias atrás eu morava para buscar minhas coisas. Ele passou o dia fora e apenas apareceu quando eu estava pegando a última caixa de dentro do local, pedindo para que conversássemos e sendo apenas ignorado por mim. Eu voltei a chorar quando cheguei a casa de e me odiei por aquilo, mas eu sabia que era necessário. Eu não iria superar aquilo da noite para o dia porque Anthony havia sido alguém que eu havia amado, de um modo que não sabia explicar, mas nem todos amores devem ser sentidos para sempre, e aquele deixaria de ser. Eu havia me sentido envergonhada por aquilo e às vezes me pegava me perguntando o porquê, mas a resposta era uma só: por que ele quis.
A segunda-feira chegou mais rápido que o esperado e passou com um clima muito estranho no escritório, meu chefe parecia bravo e ele não era esse tipo de pessoa. E quando a terça-feira chegou eu sabia que algo estava para acontecer. Eu estava terminando a edição de uma foto que eu logo mandaria para a diagramação quando meu chefe parou a minha mesa olhando brevemente meu trabalho.
- Isso está muito bom. - um pequeno sorriso surgiu em seu rosto e eu estranhei, Bob era um homem de sorrisos largos e piadas - Podemos conversar na minha sala? - ele pediu mordendo o lábio e batendo os dedos em minha mesa.
- Claro, só vou terminar isso aqui e já vou, as meninas estão precisando dessa foto com urgência. - ele assentiu e hesitante se virou em direção a sua sala. Eu finalizei o trabalho e o enviei a diagramação para substituição da anterior. Passei pela mesa de Tim que me encarou com olhar de interrogação por ter notado como Bob estava e eu apenas dei de ombros, entrando na sala que tinhas as persianas fechadas para que ninguém visse o que acontecia lá dentro.
- Pode fechar a porta, por favor? - ele pediu sentado apreensivo do outro lado de sua mesa. Eu fechei a porta de vidro e me direcionei a mesa me sentando de frente para ele.
- Bob, eu estou te estranhando. - comentei no melhor tom que consegui e ele respirou fundo.
- , você sabe que é uma das melhores fotógrafas que eu tenho aqui, não sabe? - eu franzi o cenho o encarando e me arrumando na cadeira.
- Bob, o que houve? - ele soltou o ar pesadamente.
- , eu quero que saiba que tentei de todo modo convencê-los do contrário. - começou - Mas infelizmente estão contratando outra fotógrafa mais conhecida para chamar atenção para a revista e temos que desligar alguém por que não é possível manter nossa equipe e mais uma. - meu coração acelerou no peito - E como você é que tem menos tempo na revista foi decidido que seria você a ser desligada, por mais que eu não concorde de jeito nenhum. - eu percebia nos olhos de Bob a tristeza de me dar aquela notícia e soube que a decisão não havia sido dele de todo modo - Eu sinto muito. - eu forcei um fraco sorriso e estendi minha mão sobre a mesa.
- Está tudo bem, Bob. - sussurrei e assim que ele tocou minha mão eu pousei a outra mão sobre a dele - Eu entendo, de verdade. - ele parecia me analisar.
- Ah , eu gosto tanto de trabalhar com você, menina. - eu sorri sem mostrar os dentes.
- Eu também gosto de trabalhar com você, Bob. - ele sorriu fraco respirando fundo - Não fique assim, está tudo bem, eu vou ficar bem. - ele tombou a cabeça, os olhos pesarosos e isso só mudou quando eu lhe mostrei a língua inesperadamente o fazendo rir fraco - Vamos, não faça da minha despedida algo triste, eu ainda vou a sua festa de cinquenta. - dei de ombros me lembrando de seu aniversário que seria no final de semana.
- Cinquenta é o seu nariz, garota. - eu gargalhei. Bob iria fazer quarenta e dois, mas eu adorava provocá-lo dizendo que já eram cinquenta - Eu vou sentir sua falta. - ele murmurou e eu sorri me levantando e ele fez o mesmo. O abracei, apesar de ser um contato estranho entre nós e ele retribuiu o ato de forma carinhosa e acolhedora - você tem todas as minhas recomendações, sempre - sussurrou e eu sorri me afastando e o encarando.
- Obrigada, isso significa muito pra mim. - ele sorriu fraco.
- Se quiser, não precisa cumprir o resto do dia, pode ir para casa. Essa semana você ainda vem para, enfim, finalizar suas coisas e assinar os papéis, mas estou te dando o dia de folga. - eu fingi uma comemoração e ele riu.
- Eu vou indo então, te deixar aí para chorar, mas não chore muito, suas rugas na testa já estão aparentes o suficiente. - apontei para ele já me dirigindo a porta e ele revirou os olhos rindo.
- Garota, você não presta. - ele murmurou e eu abri a porta já saindo do local apenas parando com a cabeça para dentro do vão da porta.
- E você me ama. - ri e o vi revirar os olhos e logo fechei a porta respirando fundo quando deixei o campo de visão dele. Me encaminhei a minha mesa pegando minha bolsa e celular, percebendo em seguida as pessoas me encararem, claramente confusas.
- , o que está fazendo? - foi Tim quem perguntou. Vi Bob parado a porta do escritório triste, olhei em volta e as pessoas me encaravam curiosas, já que todos sabiam que Bob não era alguém de chamar em sua sala, muito menos naquele clima. Ele se aproximou de nós os braços cruzados e passos lentos.
- , pode ir, eu quero ter essa conversa com eles. - eu assenti ajeitando a bolsa no ombro e iniciando minha caminhada até Tim. Lhe dei um beijo no rosto brevemente enquanto ele parecia confuso.
- Ei, está tudo bem, não fica assim, tá? - ele assentiu com o cenho franzido e eu sorri, deixando o local e indo para os elevadores ouvindo Bob começar o discurso. Entrei no elevador e apertei o botão da garagem soltando todo o ar em meus pulmões. Eu não queria alarmar ninguém, nem nada do tipo. Eu estava triste, muito triste pelo acontecido, eu adorava meu emprego, muito, e ser demitida assim era doloroso, mas saber que não foi por algo que eu tenha feito de errado me consolava e me fazia sentir certa paz em meu coração.
Quando as portas do elevador se abriram eu segui para o meu carro jogando a bolsa no banco do passageiro ao entrar. Me dei um tempo para respirar ali sentada. O celular vibrou em uma notificação e eu olhei a tela, vendo que era do grupo, recém-criado na noite do karaokê. Era uma mensagem de Kevin. Uma foto do nascer do sol da sacada de algum prédio na Califórnia para onde ele havia viajado na noite anterior havia sido enviada a alguns minutos e ele respondia a Harry.

Kevin:
Tá difícil por aqui haha 02:13p.m
Harry:
Aaah, por que eu te mandei pra L.A e fiquei em Londres, mesmo? 02:13p.m
Kevin:
Por que é um ótimo amigo e chefe hahaha 02:22p.m

Ri fraco e decidi responder à mensagem

:
É muito vacilo mandar uma foto assim com todo esse frio que está fazendo em Londres 02:23p.m



Ia bloquear o aparelho quando olhei novamente a mensagem de Harry. Ele estava em Londres e eu precisava sair, se fosse para casa provavelmente ficaria assistindo a séries e pensando em um monte de besteira. Abri a conversa privada com Harry e a última mensagem que tínhamos havia sido na madrugada de sábado, quando eu lhe avisei que havia chego em casa e trocando mais algumas mensagens aleatórias depois.

:
Ei, está ocupado? 02:25p.m


A resposta não demorou nem um minuto para vir.
Harry:
Não 02:25p.m
Na verdade, ia te mandar mensagem agora 02:25p.m
De onde está me observando, ? Haha 02:25p.m

:
Não olhe para trás hahaha 02:26p.m
Enfim, queria saber se ta afim de ir comer alguma coisa, sei lá 02:26p.m


Harry:
Eu levei um susto com a mulher que estava atrás de mim hahaha 02:26p.m
Achei que era você 02:26p.m
Mas enfim... 02:26p.m
Claro, onde te encontro? 02:26p.m
Sorri para o aparelho e lhe mandei o endereço do pequeno restaurante japonês informando que esperaria ele lá e ele apenas respondeu, dizendo que em trinta minutos estaria no local. Deixei o celular no banco do passageiro e liguei o carro indo para o restaurante já conhecido por mim.
O trânsito a àquela hora estava livre e em menos de dez minutos eu estava estacionando no local. Entrei pegando uma mesa e avisando a Sarah, a garçonete que sempre me atendia que estava esperando alguém. Uma mensagem de Harry informava que ele estava a caminho e eu apenas respondi com um ok. Abri o Instagram dando de cara com uma foto de que havia postado nos stories onde ela estava em um restaurante e eu respondi com uma foto de mim no restaurante com a legenda "Não é no Japão, mas é japonês haha". Menos de cinco minutos depois enquanto eu rolava o feed uma chamada de vídeo apareceu em minha tela, era .
- Espera aí. - sorri para ela que tinha um olhar confuso e conectei os fones para não incomodar ninguém, apesar de haver apenas mais uma pessoa no restaurante - Pronto, pode falar little .
- Garota, o que está fazendo fora do escritório a essas horas? - eu sorri fraco.
- Por favor, promete que não vai surtar nem nada assim. - ela revirou os olhos levantando o dedinho mindinho e eu sorri - Eu fui demitida. - ela abriu a boca em surpresa.
- O que? O Bob está maluco de te mandar embora? Você é uma das melhores dessa revista, esse foi o maior tiro no pé da história. - eu ri com seu exagero.
- , está tudo bem, não foi decisão dele, houve uma substituição e eu vou ficar bem. - dei de ombros.
- ... - começou.
- É sério, estou pensando pelo lado positivo, vou ter férias finalmente. - ela riu do outro lado - E já comecei vindo ao japonês, quer coisa melhor? - ela balançou a cabeça em negação.
- Você está realmente bem ? - aquele era o apelido pelo qual ela me chamava sempre que achava que eu precisava que ela fosse fofa, já que era como uma pedra no quesito ser fofa.
- Não exatamente, mas prometo que vou ficar. - e era sincero, eu não pretendia ficar mal por conta daquilo. Pela grande vidraça do restaurante eu vi Harry se aproximar olhando para dentro do restaurante e acenei o vendo sorrir ao confirmar que era aquele o local - Eu preciso ir, minha companhia chegou. - um sorriso brotou nos lábios da minha amiga, completamente malicioso.
- É o cara da foto do karaokê? Você ficou de me contar quem era, ontem - ela protestou.
- Assim que der eu te ligo e conto, mas agora tenho que ir, beijo, se cuida fedelha. - joguei um beijo e ela riu.
- Beijo, você também pirralha. - ela desligou a chamada e eu tirei meus fones. Eu ainda não havia contado a sobre Harry e quando ela viu a foto que eu havia postado no dia anterior quis explicações de quem era o rapaz, mas não tínhamos tido tempo livre para conversar sobre. Guardei o celular e os fones a tempo de me levantar quando Harry chegou à mesa. Ele sorriu e eu não podia afirmar que me acostumaria com aquele sorriso, que por Deus, era o mais lindo que eu havia visto na vida.
- Ei! - seu tom foi animado e ele abriu os braços me recebendo em um abraço ao qual eu não estava acostumada, mas retribui de maneira desajeitada e rápida.
- Ei, que bom que pôde vir. - lhe entreguei um largo sorriso que me foi retribuído - Senta aí. - indiquei a cadeira a minha frente e ele se sentou.
- Que bom que me chamou. - ele colocou as mãos cruzadas sobre a mesa - Mas você não deveria estar trabalhando? - ele franziu o cenho e eu ri fraco.
- Deveria, mas fui liberada hoje. - ele continuou com o cenho franzido.
- Por que? - eu dei de ombros.
- Meu chefe achou que eu merecia uma folga depois dele me demitir. - Harry pareceu sem jeito e eu não pude conter o riso - Está tudo bem, antes que pergunte. Não precisa ficar com um pé atrás, estou feliz por que agora pelo menos eu posso tirar férias. - soltei o fazendo sorrir fraco. Sarah se aproximou com os cardápios e encarou Harry me olhando com os olhos arregalados em seguida. Eu apenas ri fraco e fiz um sinal para que ela ficasse calma e ela o fez, nos deixando assim que escolhemos o que comer.
- Então, por que me chamou? - ele parecia curioso com aquele fato. Talvez por ter chamado ele e não um dos amigos próximos.
- Não sei bem, eu queria comer, queria companhia e você estava por Londres. - dei de ombros - Você também parece alguém legal - dito isso ele abriu um sorriso breve nos lábios.
- Eu sou mesmo. - eu não sabia dizer se ele estava brincando ou falando sério, mas não podia discordar.
- Tá certo, senhor modéstia. - murmurei e ele riu negando com a cabeça. Os olhos brilhavam, o sorriso era largo e me mostrava seus dentes, ele tinha uma covinha e eu me perguntei se haviam chances de ele ser parte de uma ilusão da minha cabeça - Você é bonito demais pra ser real. - soltei de modo despretensioso sem realmente tentar conter as palavras, ele provavelmente já havia escutado aquilo mais vezes que eu poderia contar, mas eu entendia o porquê. Suas bochechas coraram e um sorriso tímido brotou em seus lábios, ele me olhou brevemente e depois olhou para baixo.
- Obrigado. - a voz dele saiu mais baixa que antes, entregando o quão envergonhado estava.
- Nunca achei que um cantor famoso ficasse envergonhado com esse tipo de comentário. - dei de ombros e ele me encarou.
- Geralmente não fico, tenho fãs, jornalista e mais algumas pessoas que sempre me dizem coisas assim e não é algo que eu não sei, ou finjo não ser, sei que sou bonito. - eu fiz uma careta e ele riu - Sou honesto, não pode me culpar. - replicou e eu dei de ombros - Mas não sei, agora foi meio inesperado eu acho, me pegou de surpresa. - ele deu de ombros e eu sorri.
- Geralmente eu dou asas para os meus pensamentos e não me contenho em dizer as coisas. - sorri fraco e Harry sorriu junto.
Nossa comida chegou e nós começamos a comer, conversando brevemente sobre comida e após Harry descobrir que eu nunca havia comido comida mexicana e que eu odiava abacates ele me convocou a acompanhá-lo ao melhor restaurante de comida mexicana que ele conhecia, em suas palavras e eu apenas aceitei.

Depois de minutos meu celular vibrou sobre a mesa onde eu o havia deixado depois de mostrar a Harry uma foto que tirei no show dele. Quando virei o aparelho para cima meu sorriso desmanchou vendo o nome de Anthony piscar na tela.
- Pode atender, sem problemas. - Harry informou e eu o encarei brevemente para depois ignorar a chamada.
- Não, está tudo bem. - murmurei colocando o aparelho em modo avião e finalizando meu saquê. Eu sentia os olhos de Harry sobre mim, mas não tinha coragem de olhá-lo.
- Ei, o que houve? Algum problema? - seu tom era gentil e percebi ele inclinar o corpo tentando se aproximar um pouco.
- Hum, não. - menti e o encarei, vendo um sorriso triste em seus lábios.
- Se não quiser falar ok, mas tudo bem se quiser, eu gosto de ouvir e sou bom com conselhos. - ele me entregou um novo sorriso, seguro e cheio de acolhimento. Um pequeno sorriso surgiu em meus lábios sem que eu pudesse contê-lo.
- Ta afim de andar? Um sorvete ou um café não sei. - murmurei já pegando meu cartão visto que havíamos acabado, Harry sorriu largo concordando com a cabeça. Eu entreguei o cartão a Sarah sob protestos de Harry que informou que o próximo seria por sua conta me fazendo rir. Depois de pago nós saímos do restaurante. Harry colocou os óculos escuros e nesse momento me lembrei quem ele era.
- Então? - ele me olhou com as mãos nos bolsos.
- Anthony é meu ex. - soltei a frase respirando fundo para continuar - Se lembra que te disse que um término havia me levado ao karaoke? - o encarei e ele assentiu - Então, eu terminei com ele naquele dia, depois de encontrá-lo na cama com outra garota. - eu pude ouvir a respiração de Styles mudar - Isso foi o limite pra mim e o pior é que estou em um misto de tristeza e me sentir idiota. - respirei fundo.
- Por que idiota? - ele questionou como se estivesse perto de me dar uma bronca e eu respirei fundo.
- Nós estávamos juntos a um ano e meio, eu o conhecia antes de namorarmos e eu confiava nele, mas logo no primeiro mês algo aconteceu. - olhei brevemente Harry, eu tinha toda a sua atenção - Eu recebi um e-mail de um desconhecido com prints do direct do Instagram dele. Haviam varias meninas com quem ele conversava e mandava fotos... Íntimas. - soltei desconfortável - Eu olhei o e-mail e fiquei sem chão. Estava decidida a terminar com ele naquele dia, mas quando cheguei lá ele chorou arrependido e me deu uma série de desculpas para o ocorrido e eu estava tão apaixonada e cega que me convenci de que ele estava dizendo a verdade. - respirei fundo - Mas voltou a acontecer algumas vezes e em todas eu me convencia de que ele mudaria por me amar. Nós brigávamos constantemente por que eu já estava sempre esperando as próximas vezes que aquilo aconteceria, mas de algum modo eu o amava e acreditava que ele me amava também. Mas enquanto eu evitava sair com o pessoal do escritório por que ele ficava chateado pela minha amizade com os caras, ele estava lá, mandando aquelas fotos e mensagens provocativas para outras garotas quando eu não estava por perto. Entende o que quero dizer? Eu dei muito de mim a um relacionamento que não merecia metade disso e agora me sinto idiota por ter feito isso e mais idiota ainda por estar triste pelo término. - a mão de Harry tocou meu ombro em apoio e eu sorri.
- Você não é idiota por nada disso. Você deu seu melhor, se ele não soube valorizar isso o idiota é ele. E não deve se sentir idiota por sentir triste, isso só mostra como tudo foi verdadeiro para você. - ele apertou suavemente meu ombro - Você não deveria se sentir assim por ter acreditado em alguém, você não é a errada, ele é. As pessoas se acostumaram a inverter os papéis e veem as "vítimas" desse tipo de situação como culpadas por não terem saído antes, mas a realidade é muito diferente, sei como é difícil sair de uma situação onde você gosta muito do outro, mesmo que ele te faça mal. - eu o encarei e ele sorriu fraco - Só se mantenha fiel a sua decisão e se apegue ao fato de que ele não mudou por que não quis e a culpa não é sua, não existe nada de errado com você, você foi incrível por acreditar tanto, ver o bom nele e apesar de tudo ainda dar a ele o seu melhor. - eu sorri para Harry.
- Você tem razão. - comecei - Você é ótimo com conselhos. - ele riu e eu o acompanhei - Obrigada, de verdade. - ele sorriu e inesperadamente me abraçou pelo ombro. O contato ainda era estranho, porém mais confortável que antes.
- Posso confessar algo? - ele perguntou após me soltar. Eu assenti o incentivando a prosseguir - Eu realmente estava flertando com você no dia do show. - eu senti minhas bochechas corarem e fiz uma careta que o fiz rir - Eu me interessei, te achei uma garota bonita e eu queria ficar com você, como quis com outras garotas, mas depois de te encontrar e agora depois de me contar isso eu não acho que queira algo superficial assim com você. - eu o encarei.
- Harry, nos conhecemos a muito pouco tempo para você me pedir em namoro. - brinquei e ele gargalhou.
- Não, besta, não é isso. - ele me empurrou brevemente com o ombro - Eu nunca quis ser amigo das outras garotas, não me sentia seguro para esse tipo de relação com elas porque nesse mundo que vivo nunca dá pra confiar em alguém de cara, mas com você eu me sinto seguro. - eu sorri - Como se desse pra confiar em você. Realmente quero ser seu amigo e descobrir se estou certo. - quando terminou Harry me encarou como se esperasse por minha aprovação.
- Eu vou adorar. - respondi com um sorriso no rosto, recebendo um dele de volta - E eu acho que me sinto meio assim você também, já que te contei isso - dei de ombros e ele sorriu parecendo orgulhoso.
- Não quebre meu coração, . - ele brincou.
- Só se você não quebrar o meu. - soltei de maneira exagerada imitando as comédias românticas e ele me estendeu a mão.
- Fechado. - Harry ria.
- Fechado. - segurei sua mão e a sacudi. Apesar de ser uma brincadeira, havia uma promessa ali, talvez a promessa de que cuidariamos um do outro, ou talvez fosse tudo besteira da minha cabeça, mas eu esperava que fosse a primeira opção.


Capítulo 4

Dezembro, 2017 - London, UK
I'm so happy, you came in my life.

Harry
Acordei naquela manhã com o sol batendo em meu rosto e me xinguei mentalmente por não ter fechado as cortinas na noite anterior. Me mexi brevemente na cama e senti uma mão em meu abdômen que fez com que eu virasse meu rosto para vê-la. Kendall dormia em ao meu lado tranquilamente. Na noite anterior havia a buscado no aeroporto e a levado para jantar, depois acabamos na minha casa. Eu não me demorei muito em olhá-la e logo estava de pé e após me vestir, fazer minha higiene e pegar meu celular eu estava em direção à rua de casa em busca do suco verde de Kendall. Coloquei um dos meus fones e peguei o celular selecionando uma playlist aleatória e depois indo para as mensagens. O grupo que havíamos criado no karaokê acabou por se tornar muito interativo e sempre haviam mensagens.
Josie:
Preparados para essa noite? 08:47a.m
Kev, tudo certo para usarmos sua casa? 08:47a.m

Ela estava falando da festa de ano novo na casa de Kevin que eles estavam combinando a dias.
:
Já comprei as bebidas e tudo para os drinks 08:53a.m
Tim:
Bêbada haha 08:55a.m
Mal posso esperar por essa noite 08:55a.m
Kevin:
Tudo certo, já, já começo a arrumar tudo 08:59a.m
tinha que ficar responsável pelas bebidas não é mesmo? 08:59a.m

:
Eu vou sair desse grupo, ninguém me defende 09:00a.m
Vocês são péssimos 09:00a.m
Eu não contive a risada ao imaginar o bico de .

H:
, contra fatos não há argumentos. Nem dá pra defender hahaha 10:06a.m


Fechei a conversa do grupo e abri a minha com . Desde o nosso almoço acabamos por trocar mensagens diariamente, a quase todo o momento. Contávamos sobre nossos dias um para o outro e estávamos sempre saindo para tomar café e jogar assunto fora. No último final de semana eu havia ido para a casa da minha mãe para o natal e depois que todos já estavam na cama eu e passamos horas no telefone e inclusive assistimos ao mesmo filme, já que ela havia passado aquele natal sozinha. Descobri que era brasileira, filha de uma brasileira e de um inglês que morava por lá. Ela se mudou para Londres quando tinha dezoito anos para começar sua faculdade que havia terminado no início do ano. Ela me ensinou algumas poucas palavras em sua língua para que eu pudesse falar em meu show por lá, mas eu honestamente era péssimo aluno. Ela prometeu tentar mais e que em maio no show eu estaria falando relativamente bem.
:
Eu to chorando de novo com a morte do Mark. De novo!!! 11:32p.m
Grey's Anatomy sempre me destrói e eu sempre assisto de novo, que droga 11:32p.m
Odeio amar essa série 11:32p.m
Boa noite H, tenha bons sonhos 11:55p.m

Eu havia parado de responde-la quando Kendall chegou e não havia dito que estava com alguém.

H:
Ei, desculpe sumir 10:10a.m
Eu acabei indo buscar uma amiga no aeroporto daí depois fomos comer e eu acabei esquecendo de te responder 10:10a.m
Mas enfim... Bom dia 10:11a.m
Sofrendo menos pela morte do Mark? 10:11a.m
Eu preciso ver essa série para pegar suas referências haha 10:11a.m


Bloqueei o aparelho e o coloquei no bolso ao ver que já estava próximo da loja de sucos. Entrei no local e a atendente me lançou um sorriso me reconhecendo por eu sempre comprar aquelas coisas quando Kendall estava pela cidade. Fiz o pedido do suco verde já pagando por ele e por um suco de laranja e me sentei em uma cadeira pegando o celular e vendo que havia me respondido.
:
Bom dia, Harry 10:26a.m
Tudo bem, sem problemas 10:26a.m
Não, ainda não, sempre vou sofrer pelo meu McSteamy 10:26a.m
Precisa mesmo, já está atrasado inclusive haha 10:26a.m

H:
Seu McSteamy? 10:27a.m
Ótimo, vou assistir isso ai, mas são muitas temporadas e provavelmente vou desistir antes da metade 10:27a.m



:
Sim, meu. MEU! TIRA O OLHO STYLES hahaha 10:28a.m
Aposto que vai adorar e terminar em uma semana 10:28a.m

H:
Possessiva haha 10:29a.m
Apostado, se eu gostar realmente te devo um sorvete 10:29a.m
E falando em dever, temos que ir a aquele restaurante mexicano 10:29a.m


:
Fechado 10:30a.m
Ah droga, você lembrou, vou ter que encarar o abacate, droga haha 10:30a.m
Mas ok, vamos marcar isso aí, eu estou livre, quando estiver tranquilo é só me chamar 10:30a.m

H:
Para de graça, você vai adorar 10:31a.m
Ok, esse começo de semana estou enrolado, mas a partir de quinta sou todo seu haha 10:31a.m


:
Duvido muito 10:32a.m
Harry, você é tão oferecido hahahaha 10:32a.m
Mas ok, só veja o dia e me avise 10:32a.m

H:
Não finja que não gosta haha 10:33a.m
Ok, eu te aviso 10:33a.m


:
Modesto haha 10:34a.m
Ei, sem chances mesmo de você ir a festa essa noite? 10:34a.m

H:
Sinto muito, mas já havia combinado algo :( 10:35a.m


:
Ah, tudo bem, se tiver um tempo passe por lá, vai ser legal 10:36a.m

H:
Ok, eu vou tentar 10:37a.m
Preciso ir agora, mais tarde nos falamos 10:37a.m
Beijo 10:37a.m


Bloqueei o aparelho novamente quando a atendente me chamou para entregar meu pedido e logo estava fora da loja. Fui parado por uma fã que me pediu uma foto e depois começamos uma breve conversa sobre o show que ela havia ido. Ela elogiou o trabalho, me elogiou dizendo que eu era seu maior crush e depois se foi. Eu passei em uma padaria e comprei algumas coisas para que pudesse tomar café da manhã e voltei para casa. Quando cheguei arrumei a mesa e subi para checar se Kendall ainda dormia. O quarto estava vazio e eu bati na porta do banheiro sem receber resposta, ela estava entreaberta e eu coloquei a cabeça para dentro dando de cara com o vazio. As roupas de Kendall não estavam ali e no meio de minha procura meu celular vibrou no bolso. O peguei vendo a notificação de Kendall.
Kenny:
Ei, acordei e você não estava 10:56a.m
Acho que foi comprar o café 10:56a.m
Foi mal, mas precisei sair para encontrar uma amiga 10:56a.m
Te vejo mais tarde 10:56a.m

Revirei os olhos e bloqueei o aparelho voltando pelo mesmo caminho que havia feito até a cozinha. Ao chegar lá joguei o tal suco verde no lixo, peguei meu próprio suco, pães, uma fatia do bolo caseiro que havia comprado e segui para o sofá. Zapeei alguns canais até me lembrar da série de e a coloquei no Netflix, tirando o celular do bolso e informando a que havia começado, para em seguida bloquear o aparelho, joga-lo sobre o sofá e entregar toda minha atenção para a tv.

[...]

Horas haviam se passado desde que eu havia começado aquela série e estava certa, eu havia adorado. Eu lhe devia um sorvete com absoluta certeza. Eu apenas havia deixado meu sofá para pegar a comida que pedi para meu almoço desde que coloquei o primeiro episódio. E não pretendia sair dali tão cedo quando ouvi a porta da frente se abrir e revelar uma Kendall sorridente para o celular, voltei minha atenção para a tv e logo ela se aproximou parando ao meu lado.
- Harry, por que ainda está assim? – a encarei e ela tinha uma sobrancelha arqueada para mim. Usava um vestido branco de seda e sandálias da mesma cor, de salto, alguns colares dourados estavam em seu pescoço. Seus lábios estavam vermelhos pelo batom e seus olhos destacados pela maquiagem.
- Por que eu estou assistindo tv. – murmurei voltando minha atenção para Meredith e Cristina.
- Você se esqueceu da festa? – eu respirei fundo.
- Não, mas eu não vou. – foi tudo que respondi. Segundos depois a tela da tv se apagou e eu encarei Kendall que tinha o controle em mãos – Por que você fez isso? – ela revirou os olhos.
- Nós vamos a festa da Gigi. – ela colocou o controle na mesa de centro.
- Eu não estou em clima de festa. – murmurei e a vi revirar os olhos novamente.
- Qual é Harry? Eu venho te ver e você quer ficar trancado em casa? – ele já parecia impaciente.
- Você sumiu o dia todo. – murmurei e novamente seus olhos reviraram. Por Deus, ela estava treinando para alguma competição?
- Não seja infantil Harry, eu fui ver uma amiga. – ela cruzou os braços – Agora vai ficar chateado por que não fiquei te fazendo carinho e companhia? Não somos um casal. – foi minha vez de revirar os olhos. Passei por ela levando toda a minha louça para a pia e ouvindo seus passos atrás de mim. Enquanto eu lavava a louça Kendall se aproximou e me abraçou pela cintura depositando um beijo em meu ombro nu – Harry por favor, é ano novo e vai ser legal. – ela sussurrava naquele tom de voz que sempre usava quando queria me ganhar – Depois se estiver cansado podemos voltar junto pra cá e continuarmos nossa própria festa. – ela beijou novamente meu ombro e eu senti um arrepio em meu ombro. Coloquei o último prato no escorredor de louça e me virei para encará-la, os olhos castanhos brilhando para mim.
- Ta, vou me arrumar. – ela sorriu largo e depositou um beijo em meus lábios.
- Te espero aqui. – ela seguiu para a sala e eu subi para o quarto me apressando em me arrumar. Tomei um banho rápido, vesti calças, camiseta e um terno todos brancos, coloquei minha corrente de cruz e meus anéis, completei tudo com um óculos cor de rosa, passei as mãos pelos cabelos os ajeitando e desci encontrando Kendall que me olhou batendo palmas.
- Eu adoro quando você se arruma assim. - ela beijou meus lábios brevemente e encarou novamente minha roupa - Gucci combina com você. - ela sorriu e encarou o celular novamente - Vamos, as garotas já chegaram. - ela iniciou sua caminhada para fora da casa e eu peguei as chaves a acompanhando - Vai ser uma noite incrível. - ela soltou assim que fechei a porta da frente e algo no meu coração me dizia que seria uma noite incrível apenas para um de nós.

[...]

Faltavam quarenta minutos para a meia noite. Já havíamos chegado no local a algumas horas e desde que chegamos eu havia ficado na companhia do bar e Kendall se lembrava de mim quando queria algo para beber.
Eu já sentia a cabeça rodar e me apoiei no balcão pegando o celular do bolso abrindo o app do Instagram. O primeiro stories era de Kevin, era um vídeo de e Josie cantando alto Dangerous Woman da Ariana e Kevin rindo. O vídeo seguinte era de preparando drinks e mostrando a língua para Kevin que depois gravou a ele mesmo com Josie e Tim aparentemente ansiosos pelas bebidas. O storie de mostrava apenas uma foto dos drinks e uma foto mal tirada com Josie. Guardei o aparelho e encarei Kendall com Gigi e outras amigas rindo e dançando, finalizei minha bebida e peguei o celular do bolso pedindo por um carro já que não estava em condições de dirigir.
Logo que cheguei ao térreo o carro já me esperava e eu apenas entrei confirmando com o motorista o local para onde iria. Em minutos eu estava na porta do prédio de Kevin e faltavam quinze minutos para a meia noite. Entrei no elevador apertando o último andar e aguardando. Uma mensagem de Kendall chegou perguntando onde eu estava e eu apenas coloquei o aparelho no modo avião. Quando a porta do elevador se abriu eu segui para a última porta do corredor e apertei a campainha várias vezes.
- Harry! - foi quem me recebeu com um largo sorriso e uma bebida na mão. Em um impulso eu a abracei e ela retribuiu brevemente me encarando em seguida - Está tudo bem? - ela franziu o cenho.
- Só um pouco bêbado. - murmurei e ela assentiu.
- Vem, a contagem vai começar. - ela segurou minha mão e me colocou para dentro de casa, me ajudando em seguida a me aproximar - Gente o Harry veio! - ela gritou e todos se viraram sorridentes me cumprimentando.
- Vem cara, já vamos começar. - Kevin me puxou entregando uma taça de algo que parecia champagne, parou ao meu lado me abraçando pela cintura e me encarando em seguida, sussurrando um "eu te ajudo".
A contagem começou e quando chegou ao fim vimos os fogos explodirem do lado de fora da varanda de Kevin. O novo ano havia chego. Nós brindamos e depois de beber nos abraçamos em grupo, prometendo que aquele grupo se manteria no ano que havia começado, depois houveram abraços individuais e os últimos a se abraçarem fomos eu e . Eu a envolvi pelos ombros enquanto suas mãos passavam pela minha cintura me apertando um pouco mais que o normal, a cabeça da garota estava encostada em meu peito de modo aconchegante e meu queixo encostava no alto de sua cabeça onde brevemente depositei um beijo para voltar a abraçá-la.
- . - chamei com meus sentidos meio distantes, ela apenas levantou a cabeça me encarando - Promete que vai ser sempre minha amiga, independentemente de qualquer coisa? - pedi me sentindo ligeiramente triste. sorriu largo e soltou uma das mãos me mostrando seu mindinho.
- Sempre, Styles. - eu sorri de volta e juntei meu mindinho ao dela em uma promessa. Parecia bobo pedir aquilo a ela e qualquer pessoa acharia imaturo já que a conhecia a algumas semanas, mas para eu sabia que aquilo era tão sério quanto para mim. - Podemos sair do momento meloso agora e irmos nos divertir? - eu sabia que não se sentia confortável em abraços, nunca havia perguntado a razão e ela nunca havia dito, mas apesar disso abraçá-la era especial, por que eu percebia seu esforço para aquele pequeno gesto.
- Tá legal estraga momentos. - murmurei lhe dando um beijo no topo da cabeça e a fazendo rir. Ela me puxou para a varanda onde todos estavam sentados em volta de uma mesa com um baralho no centro, as cartas foram embaralhadas por Kevin que nos encarou.
- Duplas. - ele soltou e rapidamente tomou meu braço.
- Harry é a minha. - eu só consegui rir ao me lembrar do dia do karaokê e percebi Kevin rir.
- Você vai se arrepender por que eu sou melhor que ele. – ameaçou e me cutucou como se me lembrasse que eu deveria ganhar - Josie e Tim são outra e eu vou sozinho. - Kevin deu as ordens e começou a distribuir as cartas. Eu encarei que sorriu para mim e eu lhe toquei brevemente a ponta do nariz a fazendo rir. Olhando meus amigos eu percebi que eu não tinha lugar melhor para estar no mundo do que ali naquele momento.

[...]

Estava jogado no sofá com Kevin ao meu lado enquanto Josie, Tim e cantavam FourFiveSeconds a plenos pulmões.
- O que houve? - foi Kevin quem me perguntou e eu o encarei com o cenho franzido - Você já chegou aqui bêbado e eu percebi que estava chateado. O que houve? - as vezes eu odiava o quanto Kevin me conhecia.
- Kendall. - ao ouvir o nome dela ele revirou os olhos - Essa manhã ela me deixou sozinho no café para ir ver alguma amiga e depois fomos para a festa de Gigi, onde novamente ela me deixou em um canto sozinho. - massageei as têmporas com a mão livre e ouvi Kevin bufar.
- Cara, você tem que parar de se sujeitar a isso. Você é Harry Styles, qualquer garota no mundo quer você. - eu o encarei - E honestamente você tem uma boa garota bem aqui na sua frente. - ele olhou na direção do grupo que cantava e eu segui seu olhar vendo que ria de Tim.
- ? - perguntei sentindo o estômago se mexer - Somos amigos e ela acabou de sair de um relacionamento complicado. - justifiquei tomando do meu copo e sentindo a cabeça começar a girar novamente.
- Tudo bem, mas isso não é algo que a impeça de seguir em frente. - ele me encarou novamente - Ainda mais com você, que está se tornando um amigo. - ele piscou e eu revirei os olhos.
- Kevin, não viaja. - murmurei - Ela e eu somos amigos apenas, isso já ficou claro entre nós e ela precisa de tempo para se curar do que o babaca do ex dela fez. - senti a raiva em meu tom a falar de Anthony - E estamos bem como amigos. - finalizei meu drink que havia feito e ouvi a risada nasalada de Kevin.
- Tudo bem, não vou insistir, mas muita coisa ainda vai acontecer aqui. - ele piscou e se levantou do sofá seguindo para o grupo e me encarou quando a melodia alguma música aleatória começou.
- Vem, sai dessa fossa. – ela me puxou com toda sua força e eu gargalhei por nem me mover, mas me levantei e a segui. Todos dançavam e se virou para mim dançando de forma despreocupada, rindo, claramente sem interesse em parecer sensual ou qualquer coisa do tipo. Eu me movimentei de maneira animada e ela riu de meus passos me incentivando a continuar. No meio da música, que era o ponto alto de sua batida, Josie e começaram a girar seus pescoços em uma velocidade que eu sequer sabia que era possível. Quando pararam elas riam, deu um passo em falso e eu a segurei rindo junto a elas com uma expressão de possível surpresa.
- Menina, como você faz isso? – perguntei em meio a uma risada e massageou o pescoço.
- Muitos shows de rock quando era mais nova, tenho treino. – eu neguei com a cabeça enquanto ela se afastava retomando seu equilíbrio.
Depois de mais alguns minutos de danças estranhas e músicas que eu nem me lembrava da existência eu vi encarar seu relógio.
- Eu vou nessa, estou morta, alguém quer carona? – ela apontou a saída enquanto se encaminhava a Kevin e lhe dava um breve abraço.
- Eu! – respondi sentindo o cansaço tomar conta do corpo.
- Mais alguém? – ela terminou suas despedidas e eu comecei as minhas abraçando a todos.
- Eu e Tim vamos dormir por aqui. – Josie anunciou olhando os garotos e deu de ombros.
- Tá bem, usem camisinha. – alertou recebendo um tapa leve de Josie e gargalhando – Estou brincando, calma. – ela massageou o lugar do tapa e começou a caminhar para a porta onde pegou sua bolsa que estava pendurada junto a seu casaco e eu a segui – Adeus crianças, se cuidem. – ela lançou um beijo recebendo acenos.
- Tchau pessoal. – acenei para eles recebendo acenos de volta.
Fechei a porta e segui para o elevador em silêncio. A porta se abriu, nós entramos e apertou o botão da garagem. Rapidamente as portas se abriram na garagem onde eu segui até seu Jeep. Ao entrar no carro eu tirei meu celular do modo avião e fui bombardeado com notificações de mensagens e ligações perdidas de Kendall. Abri as mensagens e apenas respirei fundo.
Kenny:
Cadê você? 11:42p.m
Harry, já está quase na hora 11:45p.m
Você perdeu a contagem, Harry 12:12a.m
Droga Harry, por que não atende? 12:18a.m
Me liga 12:22a.m
Já vi no storie daquele seu amigo onde você está, poderia ter avisado pelo menos 12:36a.m
Vou estar na sua casa esperando quando você chegar 12:36a.m
Respirei fundo novamente e senti o olhar de sobre mim.
- Ei, está tudo bem? – ela tocou brevemente meu ombro e eu a encarei.
- Se lembra da tal amiga que comentei com você mais cedo que fui buscar no aeroporto? – apenas assentiu mantendo a atenção na rua – Ela não é só uma amiga. – eu vi um sorriso de canto surgir nos lábios de .
- Styles, conte a novidade. – ela murmurou em meio a uma risada fraca – Disso eu sei, estava óbvio, mas o que tem ela? – ela fez um sinal com a mão para que eu prosseguisse.
- Bom... Ela é a Kendall, Kendall Jenner. – ela fez uma careta discreta, mas eu a percebi - Nós meio que saímos e bom...
- Transam. – ela completou percebendo meu desconforto em continuar a frase.
- Isso. – respondi rindo fraco – Não temos nada sério, mas eu sempre a acompanho em coisas com amigos dela como se fosse seu namorado, só que ela sempre me deixa de lado nesses lugares, ou quando vem me ver sempre está me deixando sozinho pela manhã para encontrar outras pessoas e essa noite eu a deixei para ir à festa com vocês por que ela me deixou sozinho em um canto na festa da amiga dela. – assentiu parecendo refletir sobre o assunto.
- Já falaram sobre ter algo realmente sério? – ela me encarou assim que parou em um sinal vermelho.
- Ela não quer e eu também não sei se quero, isso é muito complicado, mas a questão é que ela fica brava quando eu a deixo ou não faço o que ela quer, mas quando é comigo ela diz que não faz sentido como estou me sentindo e que não somos um casal e blá blá blá. – riu fraco da minha careta e eu sorri junto – Agora ela deve estar na minha casa, esperando para criar uma discussão por que eu fui encontrar vocês e como a fiz ficar com cara de boba e essas coisas. – soltei tudo rápido e respirei fundo. deu a partida no carro por que o sinal havia aberto novamente.
- Bom, se quiser pode dormir lá na casa da , o sofá é bem confortável e quando acordar decide o que fazer. – ela deu de ombros – Mas Harry, acho que deveriam resolver isso de uma vez. Não precisam assumir um relacionamento para o mundo, mas se vão agir como namorados tem que ser dos dois lados. Não é certo só você a acompanhar, ou só você ter que estar disponível pra quando ela precisar. E se isso é apenas uma amizade colorida, acho que devem entender isso. Entender que são amigos que transam e não existem obrigações de uma relação. Se você quiser fazer companhia a ela, ótimo, lucro, mas se não, tudo bem, por que não é como se precisassem. E não a deixe te fazer de capacho também. Se valorize homem, ela pode ser Kendall Jenner, ser gata pra caramba, muito gostosa e ter muitos caras atrás dela, mas você é Harry Styles, gato pra caramba, um gostoso e também tem muitas garotas afim de você. – ela balançou minha perna me fazendo rir – Não deixe ela te tratar como um brinquedo que ela leva para onde quiser e larga quando estiver afim. – eu sorri para ela.
- Obrigado . – ela me encarou brevemente depois tirou uma das mãos do volante estendida para que eu tocasse e eu o fiz.
- Para isso servem os amigos. – soltou fazendo um sinal de jóia com o polegar e forçando um largo sorriso que me fez rir.
e Kevin estavam certos, eu deveria me valorizar mais e não aceitar qualquer coisa. Apesar de Kendall ser uma mulher incrível, eu era um homem incrível e merecia ser tratado melhor, e se ela não estivesse disposta a me tratar como eu merecia, outra pessoa estaria e eu deveria seguir a vida para encontrar essa outra pessoa e deixa-la livre para encontrar alguém que quisesse ficar com ela sob suas condições também.
Encarei brevemente enquanto ela entrava na rua do apartamento de e em um impulso beijei sua bochecha a vendo corar instantaneamente.
- Por que isso? – ela perguntou me olhando rapidamente e apertando o botão da garagem do prédio.
- Não sei, só estou feliz em ter te conhecido e sermos amigos. – e era verdade, eu realmente me sentia feliz por aquilo
- Eu também, H. – ela me lançou um sorriso fraco e logo estacionou o carro, eu a encarei e senti o coração apertar ao pensar sobre quando eu voltasse a turnê e ela estivesse longe
- Eu vou sentir sua falta quando voltar a viajar. – murmurei e ela riu fraco – Vamos comigo. – brinquei e ela revirou os olhos negando com a cabeça
- Você não vai nem se lembrar de mim quando aquelas garotas estiverem gritando seu nome alimentando seu ego gigante. – ela me empurrou de leve e abriu a porta – Vamos logo, estou morrendo de sono. – ela saltou do carro e eu a segui.
- Isso não é verdade. – fiz um bico e ela riu – Eu realmente vou sentir falta de você e dos seus conselhos durante a turnê. – ela apertou o botão do elevador se virando para mim.
- Eu vou estar a um Facetime de distância. – soltou cruzando os braços e me empurrando com o ombro – Agora pare de drama. – eu soltei um riso nasalado.
- Você consegue ser fofa e extremamente quebra clima, tudo ao mesmo tempo quando quer, senhorita . – ela riu entrando no elevador que havia chego.
- É um dom. – ela deu de ombros com as mãos agora nos bolsos e eu tirei um momento para encará-la. era realmente uma mulher bonita e tinha um sorriso encantador – Eu vou te deixar aí. – ela soltou saindo da frente da porta do elevador e eu me apressei em entrar com as portas se fechando atrás de mim. Lhe mostrei a língua e ela riu negando com a cabeça. Peguei o celular e abri nas mensagens de Kendall.

H:
Não vou para casa hoje 04:24a.m
Conversamos quando eu chegar mais tarde 04:24a.m


Coloquei o aparelho em meu bolso e me apoiei no canto do elevador mais aliviado. Algo dentro do meu coração me dizia que apesar de gostar muito de Kendall, tudo se resolveria no final e eu ficaria bem. E eu acreditava naquilo.


Continua...



Nota da autora: Eles nessa festa de ano novo? tudo pra mim. Pp e Harry são minha friendship goals.
O que acharam do cap novo? Aliás para quem quiser estar mais perto e interagir com os dois eles tem instagram:





A história mal começou e eu já quero mais, Kenny!
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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