Última atualização: 12/11/2018

Capítulo 1.
Bill Weasley.


— Todo mundo não para de falar de um tal de Bill Weasley. Eu nem sei quem é. — comentei, me sentando na mesa.
— Como assim? Todo mundo em Hogwarts conhece o Bill, ! — pareceu surpresa.
— Pena que eu não sou todo mundo de Hogwarts, . — sorrio.
Eu não entendo como um aluno qualquer pode ser tão conhecido pelos corredores. Quero dizer, todos os meus amigos só falam sobre Bill Weasley e eu sequer sei quem é. Aliás, eu deveria? Não que eu realmente me importe, mas não vejo motivos coerentes. Tudo o que ouço falar sobre Weasley é que ele é engraçado, sabe se divertir e etc! Isso não é muita coisa.
— Terra para ! — estala os dedos diante de meus olhos. — Garota, você estava com a cabeça em qual lugar?
— No meu pescoço, obviamente. — gargalho. — Que aula temos agora?
— Ah, o seu humor matinal soa como música para os meus ouvidos. — rolou os olhos. — Poções, desatualizada.
Assenti e acabei meu café da manhã. Levantei da mesa, sendo acompanhada por e , minhas melhores amigas. Enfim, acho que agora sobra mais tempo para pensar. Faltam apenas dois anos e eu me formarei em Hogwarts, ou seja, estou no quinto ano. Estranho pensar que passei 5 anos vivendo e sequer sabendo da existência de Bill Weasley. Eu deveria estar vivendo abaixo de uma bigorna, é claro.
O ano é 1986 e estamos quase perto do Halloween. Okay, nem tanto. É a segunda semana das aulas de Setembro. O que também significa que, há 5 anos, Voldemort caiu. Na realidade, eu não vejo motivos para temerem um simples nome, afinal, ele sequer passa disso agora. Voldemort é apenas um nome. Infelizmente, há cinco anos, Lily e seu marido, James, deram suas vidas para proteger seu único filho, Harry. Todos sabemos que ele está a salvo agora e que em breve estará nesse castelo. O garoto que sobreviveu.
Quando finalmente cheguei na sala de Snape para as aulas, percebi alguns alunos da Grifinória cochichando. O silêncio pairou quando a figura em preto e bem assustadora entrou na sala como um tremendo estrondo. Se não for pra chegar causando, aposto que Snape sequer abre os olhos.
— Prestem atenção em minhas palavras, não vou tolerar nenhum ato imprudente em minhas aulas. — disse, com certo desdém.
Alguns alunos mais velhos de Hogwarts disseram-me que, desde o sacrifício dos Potter, especialmente o de Lily, Snape tornou-se mais recluso e desdenhoso. Isso me fez perceber que, talvez, eu disse talvez, ele poderia ter gostado de Lily. É a única razão que enxergo para ele ter ficado tão... Fechado. Fora que, pelo o que eu sei, ele detestava James. Logo, Lily é a razão de Snape parecer tão mau humorado do que anteriormente. Fora que ele almeja mesmo é o cargo de Defesa Contra as Artes das Trevas ao invés de Poções. Infelizmente, nada é como queremos e nosso querido professor precisa aceitar isso.
— Quero vocês em duplas. — anunciou. — Porque essa poção requer trabalho duplo.
Snape começou a separar todos em duplas. No fundo, eu estava torcendo para ir com alguém conhecido ou até mesmo com uma das meninas, mas não foi o que aconteceu. Depois de separar todos em duplas, a única pessoa que sobrou foi um ruivo alto e magro, com os cabelos longos. Ele usa o típico uniforme Grifinório, o que já não me surpreende.
— Davis, queira sentar logo e começar a poção? — Snape indaga, aborrecido. — Claro, professor.
O ruivo e eu sentamos juntos, aguardando pelas próximas instruções de Severus. Após certificar-se de que todos os alunos tinham todos os materiais necessários e que estavam organizados em duplas, Snape limpou a garganta, atraindo por completo a atenção de todos os alunos. O silêncio que ele obtêm apenas com um gesto é surpreendente.
— A poção que irão preparar hoje é a Poção do Sono. Comecem.
Abri o livro, enquanto o ruivo ao meu lado começou a separar ingredientes com certa destreza, o que chamou minha atenção. Assim que encontrei a página referente ao que devíamos fazer, deixei meu livro em aberto, separando parte dos ingredientes restantes.
— Não achei que iríamos demorar tanto para nos conhecer, Davis. — o ruivo diz, calmo.
— Desculpe, mas... Eu conheço você? — perguntei.
— Provavelmente não. — sorriu. — William Weasley, ou como me chamam por aí, Bill.
Ok. Eu quase cai de minha cadeira assim que ele disse quem era. Não pode ser possível que isso aconteceu. Eu sequer sabia quem Bill Weasley era e agora ele está aqui, servindo como minha dupla para a aula de Poções. Isso realmente só pode ser brincadeira ou o cosmos tirando uma comigo.
— E presumo que me conhece graças ao incidente do ano passado. — digo.
— Não. — deu de ombros. — Ouvi falar de você muito antes do incidente.
O ‘incidente’ o qual me refiro foi uma parte marcante que aconteceu. Ano passado, alguns estudantes idiotas do Sétimo Ano resolveram fazer algumas pegadinhas para comemorar sua graduação. Porém, uma dessas pegadinhas deu totalmente errado e parte do banheiro desabou, deixando alguns alunos com ferimentos graves. A minha participação no incidente foi eu ter arriscado minha vida e entrado no banheiro para ajudar quem precisava. Tudo teria terminado bem, se uma viga não tivesse desabado sobre mim. Nada muito grave aconteceu, exceto uma perna quebrada. A Madame Pomfrey consertou isso quando pôde, porque a enfermaria ficou totalmente lotada de alunos machucados. Alguns casos mais sérios, outros nem tanto.
Como eu sou ajudante na Enfermaria, pude ajudar, de certa maneira, alguns alunos. Todos ficaram sabendo do meu envolvimento com o acidente, o que rendeu fofocas o resto do ano letivo. Contudo, os alunos responsáveis foram expulsos e suas casas perderam pontos. Quanto ao meu ato, bem, isso rendeu pontos para a Sonserina no final. O que me deixa surpresa de fato é que Bill ouviu falar de mim antes do ocorrido. Curioso.
— Então... Quem te contou sobre mim e por que? — pergunto.
— Ei, você é muito apressada e muito curiosa. — ri. — Que tal irmos no Três Vassouras e eu explico a história melhor?
— Me chamando para sair, Weasley? — provoco, sorrindo também. — Você é ligeiro.
— Nah... Só não deixo oportunidades passarem.
— Certo. Podemos ir no Três Vassouras.

[...]

— COMO ISSO ACONTECEU? — grita. — PELAS BARBAS DE MERLIM!
— Um encontro casual, oras. — dou de ombros. — Além do mais, o que tem nisso?
, estamos falando do Bill Weasley! O aluno mais popular de Hogwarts, monitor da Grifinória e, sinceramente, desejado por todas as meninas. É só “o que tem nisso”. — explica, fazendo aspas.
— Ah, claro. — rolo os olhos. — Ele é um troféu transfigurado em gente.
arremessou uma almofada de sua cama, rindo alto. rolou os olhos, entediada. No nosso grupinho, apelidado carinhosamente de Golden Club, eu sou a aluna nada empenhada, que sempre tira notas medianas e sempre passa de raspão, além de ser impaciente, irônica, sarcástica e um pouquinho mau humorada; é a conselheira, sempre sabe o que dizer independente da situação, é inteligente, perspicaz, focada no que quer e ambiciosa como nunca vi. É o tipo de amiga que, se eu chamar para bater em um trasgo, vai comigo. , porém, é a florzinha do passeio. Embora ela seja esforçada e dedicada, ela é calma e na dela, neutra. Entre e eu, é quem tem as melhores notas. Em meu ponto de vista, ela é o ser mais amoroso que já conheci e me surpreende ter vindo parar na Sonserina. Enfim, juntas, somos únicas.
— Eu ainda não acredito que você vai ir com o Bill Weasley no Três Vassouras! — surtou. — Inveja de você, .
, seria bizarro eu não entender o motivo do seu surto? — indago, rindo. — Não tem nada demais nisso.
— Claro que tem, ! — rebate. — Você não está entendendo o que isso quer dizer!
— Oras, me explique.
e trocaram olhares sugestivos, me deixando um pouco insegura. Não, eu não estou gostando do rumo que essa conversa está tomando. Quero dizer, o que diabos tem demais em sair com o Weasley? Não vamos fazer nada demais além de tomar Cerveja Amanteigada... Eu espero.
, querida, isso é surpresa para todos, porque o Bill nunca chamou uma garota para sair. — explica, calma. — É por isso que está surtando igual uma Diabrete da Cornualha.
— Não tinha algo pior para me comparar? — rola os olhos. — Enfim, todo mundo sabe que Bill é na dele, o que chega a ser espantoso ele ter chamado alguém pra sair, ainda mais sabendo que 99% das garotas em Hogwarts caem matando trasgos por ele.
— Ah, entendo. — dou de ombros. — Vamos ver no que vai terminar.
, já comece a desenhar o seu vestido de madrinha. — a cutuca.
Rolei os olhos, desaprovando totalmente o comentário. Infelizmente teríamos aula sobre História da Magia, uma matéria do qual eu não tenho tolerância. Eu amo história, mas, francamente, o professor consegue deixar até um Diabrete entediado; e olhe que são animaizinhos insuportáveis.
Porém, enquanto fui andando pelo corredor com e , pude observar que os cochichos e olhares curiosos sobre mim se intensificaram. Uma sensação terrível tomou conta de meu corpo, fazendo com que, instantaneamente, eu me sentisse mal. Esses olhares foram os mesmos que recebi quando me enfiei naquele banheiro ano passado.
— Hey, ! — uma garota da Grifinória me chama. — Posso perguntar algo?
— Claro. — respondo educadamente.
— É verdade que o Bill Weasley te chamou pra sair?
— É... Por quê?
— Ah, então também é verdade que vocês já...
Okay. Isso não foi 1% agradável de se ouvir. Eu não sei quem diabos espalhou essa calúnia contra a minha pessoa, insinuando absurdos. Olhei feio para a garota, enquanto notei também que algumas pessoas — principalmente garotas. — pararam o que estavam fazendo para escutar a minha resposta. Ótimo.
— Eu não sei quem disse isso tudo sobre mim, mas garanto que o que eu faço ou deixo de fazer com quem eu quero não é problema de vocês.
— Foi só uma pergunta. — ri, irônica. — Só pelo seu nível de exaltação, já dá pra ter uma ideia dos rumores.
— Ah, claro. — rio nasalmente. — Eu esqueci que cobras destilam veneno por aí e suas fiéis seguidoras adoram rastejar em sua sombra pra tentar ser alguém. Não me surpreende em nada você precisar se certificar sobre isso, não? Além do mais, o seu nariz... Fez algo nele? Plástica, talvez? Ele está um pouco estranho.
A garota ficou mais vermelha que pimenta. Sorri vitoriosa. É, moça, você escolheu a sonserina errada para encher o saco. Sinceramente? Eu não tenho um pingo de paciência para quem quer inventar conversa fiada envolvendo minha pessoa. Eu não sei explicar, mas parece que boa parte das garotas só está aqui para arrumar um macho. Coragem.
— Ao invés de querer espalhar boato falso sobre mim, o que acha de procurar um cérebro e colocá-lo dentro dessa sua cabeça vazia que apenas separa tuas orelhas? Huh.
Dito isso, voltei a andar, deixando a Grifinória para trás com cara de tacho. Espero que essa coisa pense infinitamente antes de querer vir me tirar para, sei lá, qualquer coisa. Infelizmente, ao chegar na sala, novamente os cochichos se intensificaram e foi o suficiente para que eu ficasse com a cara emburrada pelo resto do dia.

[...]

— Foi você, foi? — cheguei, quase gritando para o Weasley.
— Eu o quê? — perguntou, confuso.
— Que espalhou que a gente... Ah, você sabe. — bufei.
— Não, . — defendeu-se. — Eu nem sabia sobre isso até três segundos atrás!
— Então quem foi? — explodi. — Estão falando baboseiras sobre mim!
Bill pareceu chateado. Foi então que eu percebi que ele estava sendo 100% verdadeiro comigo, o que me fez abaixar a guarda. Sei que não posso acusá-lo de algo sabendo que ele nunca o faria. É injusto, eu sei.
— Desculpe. — suspirei. — Essa confusão me deixou bastante estressada. Não é culpa sua, de qualquer maneira.
— Eu também preciso me desculpar, . — descontraiu, calmo. — Afinal, é sobre você que estão falando.
— Se você fosse o responsável, até teria como pedir desculpa... Mas não, não foi você.
— Mesmo assim. É baixo e desnecessário falarem besteiras sobre isso. — deu de ombros. — Eu entendo como você se sente, eu ficaria tão irritado quanto você está agora.
Talvez eu esteja um pouco arrependida por ter ignorado sua existência durante 5 anos. Bill é um garoto adorável em todos os sentidos. Ele é doce, gentil, engraçado, protetor, corajoso... Enfim, ele é incrível. Nem acredito que desperdicei tanto tempo.
— Então, tudo na paz novamente? — perguntou.
— Claro. — sorri. — O encontro no Três Vassouras também?
— Óbvio! — respondeu, empolgado. — Mas então, vai ficar em Hogwarts para o Natal? Sei que ainda estamos em Setembro, mas é curiosidade, apenas.
— Não faz mal ser curioso... Mas, respondendo sua pergunta, acho que sim... Meus pais escreveram e disseram que vão passar um tempo a mais fora e talvez não cheguem a tempo para o Natal. — dei de ombros.
— Então não se importa de ir conhecer a Toca, não é?
— Toca?
— Minha casa. — sorriu. — É assim que chamamos.
— Fiquei curiosa. — cruzei os braços. — Adoraria, Weasley.
Foi então que percebi que passamos a andar juntos, conversando como velhos amigos. A companhia dele me faz bem, para ser sincera. É estranho, porque, normalmente, eu não me sinto assim perto de ninguém com exceção de e . É a primeira vez que acontece com alguém tão diferente... E em tão pouco tempo.
— Então, além do Charles, que está aqui, tem o Percy, Fred, George, Rony e a Ginny. — explicou. — Percy vai entrar ano que vem em Hogwarts.
— Você tem muitos irmãos, Bill. — gargalhei. — Deve ser legal.
— Você tem irmãos? — indagou, curioso.
— Não. — confessei. — Filha única.
— Aposto que vai gostar de ter um monte de criança disputando sua atenção.
Mas eu só quero a sua, pensei. Espera, o quê? Era só o que me faltava, francamente. Estou sendo traída pelos meus próprios pensamentos! Mas certo, admito. Bill me deixa tão confortável que pensar que não terei sua atenção chega a ser assustador. Não, não quero isso.
— É estranho. — comento.
— O quê? — perguntou
— Pensar que nos conhecemos apenas há algumas horas e sinto como se fossem anos.
— Talvez tenha que ser assim, não? — disse. — Amizades nascem dessa forma.
— É, tem razão. — concordei. — É legal ter você como amigo, Weasley.
— É legal ter você como amiga, Davis. — repetiu, brincando.
Se não fosse por um mero detalhe, eu diria que poderia passar o resto da tarde com ele. Contudo, sendo ambos de casas diferentes e tendo responsabilidades diferentes, somos obrigados a nos separar. Depois do jantar, tomei um banho e apenas vi Bill brevemente como monitor, estava retornando para a casa da Grifinória com os demais alunos. Eu, porém, segui para as Masmorras, onde fica o dormitório da Sonserina. Depois de vestir meu pijama, fui para perto da lareira, sendo abordada pelas minhas fiéis escudeiras.
— Já pode abrir o bico. — se jogou no sofá. — Queremos detalhes detalhados.
— Menina, pega o lençol da cama pra ir de vela na festa a fantasia de Halloween. — provoca, rindo.
— Acho que seria o que Trouxas chamam de Tocha Olímpica, .
— Vocês não prestam. — rio. — Não foi nada demais.
— Então por que você está com as bochechas vermelhas? — questiona. — AH, SAFADA!
— Nós somente conversamos, somente isso! — explico.
— A cara dela diz que tem mais coisas. — encara .
— Okay, tem mais, sim. — suspirei. — Ele me convidou para ir para a Toca.
Elas se entreolharam curiosas, logo voltando a me encararem. Aposto que os 70% de água do meu corpo se dissiparam depois dessa secada que elas me deram, sério. Até fiquei com medo, porque isso nunca aconteceu antes.
— Você está falando de que, louca? — arqueia a sobrancelha.
— Ele me convidou para passar o Natal na casa dele. — revelei, de forma baixa.
O grito que ambas deram possivelmente foi escutado em cada centímetro existente em Hogwarts, sem dúvida.


Capítulo 2.
Três Vassouras.


Felizmente o final de semana chegou mais rápido do que eu pensei que chegaria. Isso significa apenas uma coisa: Hogsmeade! O que também me lembra que irei com Bill no Três Vassouras. e ficaram tagarelando sobre isso o resto da semana, para a minha infelicidade. Além de fazerem insinuações que só elas fariam, claro.
Depois de me vestir apropriadamente com uma calça preta justa, camisa cinza, jaqueta preta e coturno da mesma cor, coloquei uma touca branca com uma bolinha felpuda na ponta. É minha preferida, afinal. vestiu-se da mesma maneira, mas, ao invés do coturno, optou por um all star cano alto, uma camisa xadrez vermelha manga longa e uma jaqueta de couro preta. vestiu um suéter grande mais parecido com um poncho cinza — que eu acho maravilhoso. — calça justa preta e uma bota na mesma cor. Nos encontramos no centro da Sala Comunal da Sonserina, prontas para irmos.
— Se eu fosse o Weasley, eu teria um ataque cardíaco. — diz, avaliando minha roupa.
— Já percebeu que todas as vezes em que vamos em Hogsmeade, nunca se arruma horrores para a ocasião? — alfineta.
— É, eu concordo. — brinca. — O Weasley que se prepare.
— Dá para as duas beldades de Hogwarts calarem as bocas? — rolo os olhos, tentando prender o riso. — Eu sei que vocês me amam e me invejam.
— Claro, amiga, com certeza. — ironizam. — Vamos?
Assenti, acompanhando as duas para fora da Sala e indo para a turma que iria para Hogsmeade. Chegamos bem a tempo, quando a Professora McGonagall estava chamando nossos nomes. Após nos apresentarmos, ela seguiu na frente e, como um comboio, os alunos seguiram atrás. Fomos para a Estação pegar o trem e eu ainda não havia visto qualquer sinal do ruivo. Bem, se ele for me dar um bolo, ainda sim terei minhas melhores amigas comigo.
— Que cara é essa? Parece que viu um bicho papão. — indaga, um pouco preocupada.
— Eu não sei... De repente eu senti um leve medo em tomar um bolo. — suspirei. — Isso não é bom para a minha reputação, sério.
Acho que eu não mencionei a parte em que eu tenho uma reputação em Hogwarts. Pois bem, eu tenho. Grande parte dos alunos me conhece por eu ser bastante temperamental. Eu achei engraçado quando inventaram boatos dizendo que eu havia enfrentado uma tarântula na Floresta Proibida logo após ter feito Filch chorar, o que em partes é verdade. Eu fiz ele chorar uma vez e foi estranho. Ele não me pegou em um bom dia, obviamente.
— Ah, . — dá de ombros. — Se tomar um bolo, você vai sobreviver.
— Com certeza. — murmuro. — Eu vou matar um Weasley.
— Só se for de prazer. — provoca.
Se dependesse da minha vontade pessoal, teria sido oferecida como lanche aos Trasgos. Fuzilei-a com o olhar e, como resposta, ela apenas gargalhou alto. Felizmente eu notei que estávamos nos aproximando da nossa parada, o que por si só já é um alívio. Embora eu ame essas duas loucas, às vezes me sinto na obrigação de dizer que elas realmente não tem um pingo de noção. Talvez eu traga o que os trouxas chamam de Rivotril.

— Vamos? — pergunto, levantando. — Minha bunda já está amortecida.
— Santo Merlin, . — se levanta. — Nem parece que vai estar com o Weasley.
— Isso se ele for, não é? — sorrio, sarcástica.
— Ah, tem esse detalhe também. — observa.
Deixamos o trem e McGonagall nos dispensou para irmos passear. Para ter certeza de que não tomei um bolo, inventei uma desculpa esfarrapada para as garotas e pedi para elas irem na frente, enquanto eu iria pegar algo que esqueci. É óbvio que elas compraram minha desculpa idiota e foram andando.
— Achou que eu iria te dar um bolo? — ouço a voz de Bill logo atrás.
— Para ser sincera? — pergunto, vendo-o assentir. — Achei.
— Eu deveria ter imaginado. — riu, divertido. — Eu acabei vindo antes e esqueci de avisar.
— Pelo menos você está aqui. — digo, tímida.
— É. — corou leve. — Vamos?
Assenti e novamente passamos a caminhar juntos, sem pressa. Incrível como assunto é algo que não falta entre nós dois. Perguntei o que ele pretende fazer assim que se formar em Hogwarts e, como resposta, disse que ainda não tinha certeza, mas gostaria de algo que envolvesse aventura. Se a Grifinória tivesse uma personificação, eu diria que seria Bill.
— E você, o que pretende fazer? — questiona.
— Não tenho certeza também... Talvez eu siga a mesma profissão dos meus pais. — dou de ombros.
— Que seria...?
— Ah, meus pais são Aurores. — explico. — Uma vida perigosa, não acha? Mas também fico entre Escritora ou até mesmo Professora de Defesa Contra a Arte das Trevas.
— Acho que você se sairia bem em qualquer profissão que tentar, . — elogiou-me.
Senti minhas bochechas pegarem fogo. Bill é impressionante. Consegue me deixar confortável, tímida, envergonhada e tudo o que é possível em questão de segundos. Perto das minhas melhores amigas, eu sou uma criatura louca, perto dele eu me transformo totalmente. Eu gosto, é diferente.
— Então... Vai me contar de onde me conhece? — pergunto.
— Claro. — respondeu. — Mas primeiro, Cerveja Amanteigada.
— Adorei a ideia.
E na direção do Três Vassouras nós fomos. Porém, antes mesmo de chegarmos ao lugar, eu escorreguei na neve e acabei caindo. Bill começou a gargalhar alto ao ver minha cara. Emburrada e como resposta, joguei um amontoado de neve nele, que deveria ser uma bola. Depois da crise de riso, ele veio me ajudar a levantar e acabou escorregando, caindo e ficando por cima de mim. A respiração dele bate em meu rosto, já que estamos bem próximos. Eu acho que meus pulmões pararam de funcionar.
— Er... Vem, vou te ajudar a levantar. — diz, envergonhado.
— O-obrigada. — respondo.
Depois de Bill me ajudar a levantar, limpamos as roupas da neve e eu gargalhei ao reparar que o cabelo dele está sujo também. Então me aproximei, ficando na ponta dos pés, já que Bill é bem mais alto que eu. Levantei os braços e tirei uns resquícios de neve de suas madeixas ruivas, sorrindo.
— Valeu. — agradeceu. — Agora podemos ir.
— Concordo. Estou começando a sentir meus pés gelarem.
Bill riu, fazendo-me rir também. Ao entrar no Três Vassouras, um silêncio repetindo caiu e todos os olhares foram devidamente direcionados a nós dois. Bill pareceu ignorar isso quando me puxou levemente para irmos sentar em uma mesa afastada. Os demais alunos pareceram ignorar nossa existência, porque as conversas paralelas começaram.
— Duas cervejas amanteigadas, por favor. — pediu.
Foi então que passei a reparar que Bill, em contraste com a luz da janela, fica tão... lindo. A pele pálida e os longos cabelos vermelhos deixam ele tão atraente. Até ontem eu não iria prestar atenção em um singelo detalhe sequer, mas agora que somos só nós dois... Cada detalhe é tão importante que não consigo deixar de notar.
— Acho que agora posso contar como soube de você. — comentou, atraindo minha atenção. — Foram uns garotos do time de Quadribol.
— Como assim? — arqueei a sobrancelha, curiosa.
— Como eu sou o monitor, sou amigo de todos os alunos da Grifinória. — explicou. — E acabei ouvindo o meu irmão que está no time falar sobre você. Ele estava comentando que você é uma aluna um tanto quanto diferente. Como eu já tinha te visto por aí arrumando confusão, eu quis saber um pouco mais.
— Diferente como? — sorri. — Arrumar confusão é meu nome do meio, Weasley.
— Charles e eu fomos conversar sobre o assunto e ele deixou escapar que acha você incrível, no sentido de ser bem decidida e cheia de si. — sorriu. — Além de ser bonita e engraçada.
— Seu irmão disse isso tudo? — perguntei, surpresa. — E quem me chama pra sair é você? Oi?
— Ah, fique calma. — brincou. — Charles disse que não é problema eu ter te chamado pra sair. Ele até me incentivou a fazer isso.
Muita informação para um cérebro lento como o meu. Nem eu acredito nisso, porque é bastante surpreendente. Depois de tomar a Cerveja e assimilar as coisas que ouvi, soube que não poderia perdê-lo.
— O que acha de irmos conhecer a Casa dos Gritos de perto? — sugere, empolgado.
— Ficou maluco? — rio. — Aquela casa tem sérios probleminhas.
— Você tem medo de fantasma, Davis? — provoca, sugestivo.
— Eu tenho medo é dos vivos. — cruzo os braços.
— Então eu desafio você a ir comigo na Casa dos Gritos.
— Desafio aceito.
Duvidar de mim é, sei lá, tentar me provocar. Me desafiar então... Ah, não. Eu não recuso um bom desafio. Depois de sairmos do Três Vassouras, fomos andando até a entrada da Casa. Particularmente, é difícil eu me assustar com algo. Eu já vi de tudo e um pouco mais e não é um fantasminha que vai mudar isso.
— Preparada? — pergunta, ironicamente.
— Amigo, eu topei o desafio e não volto atrás. A questão é, você está com medo, Weasley? — provoco.
— Eu sou um grifinório. Acha que estou com medo?
— Existem grifinórios medrosos. Quem sabe você não está apenas tentando me impressionar?
— Sonhe com isso, . — sorri.
Então fomos andando para dentro do terreno da infame Casa dos Gritos. Ao me aproximar, notei a decadência do local. Eu nunca sequer tive a intenção de passar do cercado por motivos de não ter interesse, mas com Bill eu sinto a necessidade de provar que sou tão corajosa quanto ele. A ideia de ficar na sombra de alguém simplesmente me aborrece muito, porque sei que tenho muito a provar pelo meu próprio mérito. E, assim que finalmente entramos na casa, notei como ficou abandonada.
— Olhe só, tem um piano. — Bill diz.
— Adoro pianos. — sorrio.
Embora o local inteiro esteja abandonado, sujo e parcialmente destruído, o instrumento consegue quebrar por completo o desgosto que senti. É um contraste perfeito. Me aproximei do piano e toquei algumas teclas, observando que o mesmo continuava afinado. Não consegui evitar a minha vontade de tocá-lo, então o fiz. O som tornou-se presente no ambiente e foi como se eu estivesse conectada com o piano, ficando em êxtase.
! — ouço Bill me chamar. — Estou te chamando faz um tempão.
— Desculpe, é que eu realmente gosto de tocar piano. — coro.
— Você toca muito bem, sério. — elogia. — Também poderia se dar bem como musicista. — Obrigada. — sorrio. — Mas então, tem mais alguma coisa para explorar aqui? — pergunto, deixando o instrumento de lado.
— Deve ter. — dá de ombros. — Vamos lá!
Subimos as escadas ouvindo o ranger de cada degrau velho. A impressão que tive é que a casa inteira iria cair em cada passo que demos. É, não foi legal. Assim que chegamos no andar de cima, mais sujeira. Se estivesse aqui, ela provavelmente iria querer limpar tudo até ver o teto brilhar. Juro.
— Esse lugar é ideal para quem quer se esconder, não acha? — sugiro, observando as marcas nas paredes.
— Estranho... Realmente é bom para se esconder. As pessoas não iriam vir bisbilhotar, de qualquer maneira.
— Realmente. — concordo.
A Casa dos Gritos tem uma fama maravilhosa de casa mal assombrada e muitos poucos bruxos tem coragem de vir se aventurar nela. Bill e eu somos uns desses poucos bruxos. Depois de explorar cada micro-espaço, acabamos encontrando algo, no mínimo, curioso.
— Topa? — encarou-me.
— Se você for, eu vou. — digo.
Entramos na pequena passagem com Bill na frente, notando o ambiente totalmente escuro. Além do cheiro de mofo e da umidade, é quase impossível não tropeçar. Por instinto, segurei em Bill para me certificar de que não vou cair em cima dele.
— Está com medo, Davis? — perguntou, rindo.
— Não, Weasley. — bufei. — Só não quero cair.
— Ah, não é problema. — brincou. — Se você cair, eu te pego.
— Com certeza. — ironizei.

Depois de um bom tempo caminhando, nós começamos a enxergar a claridade novamente. Foi então que eu percebi que durante o tempo em que estivemos no escuro, Bill e eu entrelaçamos as mãos. Aí veio a maior surpresa do dia.
— Se eu te disser que em cima de nós está o Salgueiro Lutador, você acredita? — perguntou, receoso.
— Tá brincando, né?
— Queria. — pareceu nervoso.
— Como que vamos sair daqui sem ser sermos esmagados?
— Eu tenho uma ideia e é um pouco maluca.
— É pra sair daqui, então eu topo qualquer coisa.
Eu nem tive tempo pra responder quando Bill pegou em minha mão e começou a me puxar, correndo para fora do túnel. Acho que o Salgueiro nem notou a rapidez com o qual saímos, porque sequer se moveu. O importante é que estamos vivos.
— Estou surpresa por ter descoberto uma passagem secreta... Embaixo do Salgueiro. — comentei.
— Podemos manter isso em segredo. O que acha?
— Claro. Não quero criar problemas para o Monitor da Grifinória. — sorri.
— Vindo de uma Sonserina, realmente é surpreendente. — caçoou.
— Quer que eu mude de ideia? É só pedir. — resmunguei.
— Nah, eu prefiro assim.

De volta ao castelo, aproveitando a ausência de boa parte dos alunos, fomos para algum local interessante para conversarmos. O pátio no andar inferior oeste está vazio, ou seja, local perfeito. E foi para lá que nós dois seguimos.
— Como é ser um Monitor? — questiono.
— Bastante puxado. — explica. — Cheio de obrigações, tarefas...
— Mas não era o que você sempre quis? — pergunto de forma retórica. — Já deveria saber que seria assim.
— É, eu sempre quis ser Monitor. Estou me dando muito bem na função, é legal e eu gosto. — sorri. — Isso ajuda a quebrar um pouco do tabu que criaram dizendo que só sei fazer bagunça.
Imagino como deve ser para Bill ter essa imagem rondando sua sombra. Ele é um aluno centrado, pelo que pude observar. O fato de ele ser total empenhado me assusta um pouco pelo fato de que eu sou o oposto. Mas sempre dizem por aí que opostos se atraem, parece que é verdade.
— Obrigada. — digo, sorrindo.
— Pelo quê? — arqueou a sobrancelha.
— Pelo encontro, Weasley. — corei. — Me diverti demais.
— Eu que agradeço, . — disse, educado. — Eu também me diverti muito hoje.
— Então...
— Te vejo amanhã? — me cortou, depressa.
— Com certeza. — sorri.
Levantei, me aproximando um pouco mais de Bill. Dou um beijo delicado em sua bochecha como despedida e saio andando para dentro novamente, na direção das Masmorras. Incrível como alguém muda totalmente sua vida em questão de dias. É assim que me sinto perto de Bill e tenho certeza que ele sente a mesma coisa também. Eu só não posso, em hipótese alguma, deixá-lo ir.


Capítulo 3.
Criptas Malditas.


Agora estamos às vésperas do evento mais aguardado do ano, obviamente. O Natal é sem dúvida bastante esperado por aqui pelo fato de que podemos ir para casa. Eu adoro as tradições do mundo Bruxo, são centenas de vezes melhores que as comemorações Trouxas. Infelizmente, eu nunca pude acompanhar os trouxas e seus costumes pelo fato de meus pais viverem viajando por aí. Quando estou em casa, acabo indo com eles. Eu só tenho uma única parente bruxa que casou com um trouxa, minha tia Dana. Ela mora na Austrália e trabalha como jornalista, além de que tem meu primo Lucas, o qual eu sou muito apegada.
Desde Hogsmeade, há três meses, percebi que muitas coisas andaram mudando por aqui. As garotas que caem de amores por Bill me encaram torto enquanto eu ando pelos corredores, o que é engraçado. Mas se bem que, ultimamente, tem alguém que me deixa bastante inquieta. Trata-se de uma aluna do terceiro ano, da Corvinal. Essa aluna em questão tem me dado dor de cabeça devido ao tempo que passa grudada em Bill. O motivo é que a gracinha das montanhas está atrás das Criptas Malditas, para tentar achar Jacob, o irmão desaparecido.
Se ela já não tinha causado problemas demais, está causando agora. Ela arrastou Bill para uma das Criptas e, como ele não nega uma aventura, topou na hora. O problema é que, dentro da Cripta, ele foi atacado com Gelo Maligno e acabou congelado. Aí , a irmã de Jacob, quase botou fogo no ruivo ao lançar Incendio. Okay, colega. Não é porque Bill tem cabelo vermelho que ele quer virar camarão.
— Que cara emburrada é essa, ? É a tal ? — se joga do meu lado.
— É. — respondo, mau humorada. — Será que ela não pode viver como uma estudante normal em Hogwarts e ficar longe de problema?
— Amiga, não se esqueça que ‘problema’ é seu nome do meio. Além do mais, ela só tem 13 anos!
— E daí? Isso não quer dizer que precisa arrastar o Bill para cima e para baixo.
— VOCÊ ESTÁ COM CIÚME? — gritou. — ESTOU PASMA!
— Cale a boca, . — ralhei. — Bill não é meu namorado e eu não estou com ciúme!
Nisso se aproximou, atraída pelos gritos histéricos de . Oh, céus. O que eu fiz pra merecer esse tormento em uma quarta-feira de manhã? Só posso ter feito alguma poção errada, não é possível. Pelas barbas de Merlin, que vontade de fazê-las vomitarem lesmas. Pelo menos, não estarão falando besteiras.
— Se isso não é ciúme, eu certamente não sei o que é.
, querida, se algum dia você gostar de rapazes, pode ser que eu assuma meu ciúme pelo Bill, está bem? — sorrio, sarcástica.
Ela empurrou-me, rindo. Não é segredo que gosta de garotas e, quando ela me contou, eu reagi normalmente e a apoiei, como sempre faria. é minha melhor amiga e eu faria de tudo por ela. Então ela pediu-me para guardar segredo sobre isso e assim o fiz.
— E o Bill, como anda? — perguntou, mordendo uma maçã.
— Estamos bem, obrigada. — digo, cortando o bacon e voltando minha atenção para o livro. — Semana passada estávamos estudando juntos para o NOM... Sem ter aquela peste da em cima.
— Você estudando? Santo Merlin, vai chover tarântula. — gargalhou.
Realmente, eu não sou muito aplicada nos estudos quanto Bill, mas isso não parece ser um problema. Embora eu não seja esforçada, eu sempre sei o suficiente para me dar bem nos testes, o que deixa Bill com uma leve inveja, porque ele se mata de estudar.
. — ouço uma voz peculiar. — Você viu o Bill por aí?
Olhei para cima, quebrando a concentração do livro que estava lendo, para ver que quem me chama é justamente a origem das minhas enxaquecas das últimas semanas. Com o clássico uniforme azul da Corvinal, os olhos curiosos dela esperam por uma resposta minha.
— Que intimidade nós duas temos para você me chamar pelo meu apelido? Não, não vi. — resmungo. — E, mesmo se tivesse, não te falaria. Se manda daqui, fazendo favor, antes que arrume problema comigo também... Ah, se encontrar o ruivo, FAÇA BOM PROVEITO.
A garota saiu às pressas, como se estivesse cara a cara com Voldemort. Fala sério, essa garota está começando a me aborrecer. Para ser bastante sincera comigo mesma, eu não me importo com o que Bill faz ou deixa de fazer. Agora essa garota, um pouco de senso não faz mal, então por que raios ela não se toca que é inconveniente?
, não precisava falar com ela assim. — a defende.
tem razão, . — concorda. — Certo que a garota é xarope e está começando a encher o saco, mas ainda não é motivo para você tê-la tratado tão mal.
— Meninas, olhem bem no fundo desses meus olhos maravilhosos que meus pais fizeram com tanto carinho e me digam se eu me importo com uma pirralha. — sorrio, sarcástica.
Dito isso, fechei meu livro e deixei minhas amigas no Salão Principal. Acho que estou irritada demais com o que tem acontecido envolvendo o Weasley. Minha vida parecia infinitamente maior quando eu vivia sobre uma bigorna e não sabia quem ele era.
! — ouço uma voz masculina distante.
Resolvi ignorar. Continuei meu caminho para o terreno da aula de Trato de Criaturas Mágicas, onde eu tenho sossego e ninguém me encontra com facilidade. Assim que cheguei em meu local favorito e afastado do castelo, respirei fundo, sentindo o cheiro das árvores. Ouvi passos aumentando conforme pisa nos galhos, mas isso não me faz virar para ver quem é, porque eu já suspeito.
. — a voz de Bill é ofegante. — Podemos conversar?
— Chama a sua nova amiguinha, Weasley. — rolei os olhos. — Ela deve ser mais interessante, presumo.
— O quê? Não! — protestou. — Você está com ciúme de uma menina de 13 anos? Estou surpreso.
— Ciúmes? Eu? Tenha dó, William. — ri nasalmente. — É mais fácil chover Trasgo do que eu ter ciúme de você.
— Então me explica o motivo dessa crise toda. — cruzou os braços. — Porque, se não for ciúme, então mudaram o nome.
Aí, droga! Eu nunca vou admitir estar com ciúmes dele. O problema é que meu cérebro não entendeu isso ainda, porque eu acabei me irritando com a provocação. Me aproximei de Bill, bufando de raiva e o empurrei, fazendo-o se desequilibrar.
— O motivo da minha crise é aquela pirralha de meia tigela do qual VOCÊ não desgruda. Vai lá ajudar com as Criptas e esquece que eu existo, Weasley.
... — respirou fundo. — Eu só estou passando um tempo com ela porque pensei que você não se importaria.
— É claro que eu me importo! — revidei, amarga. — Além do mais, não somos nada.
— Exatamente por isso não estou entendendo essa discussão banal, . — suspirou. — Ela quer ajuda com o irmão, eu não neguei. Nunca negaria. Apenas achei que ficaria tudo bem entre nós dois e que você aceitaria isso numa boa.
Bufei mais irritada ainda. Será que Bill não enxerga? Não é óbvio? Será que eu realmente preciso jogar na cara que TALVEZ eu possa estar começando a gostar dele? Não de outro jeito, mas sim como meu melhor amigo. Okay, surtei. O fato é que eu não gosto daquela praga.
— Eu acho muito engraçado você arriscar tudo o que você conquistou por uma garota de 13 anos. — provoco. — Demorou tanto para ser Monitor e agora está pondo a mão no fogo por alguém que pode fazer você perder tudo isso em questão de míseros segundos.
...
— Mas já parou para pensar se ela faria o mesmo por você, William? — insinuei. — E se fosse Charles? Será que ela se arriscaria? Eu acho que não.
— Você não a conhece. — revidou.
— E você, Weasley? — rio, sarcástica. — Será que você a conhece?
Então eu comecei a andar para ir embora de lá. Porém, ao passar por ele, senti sua mão agarrar meu braço, me impedindo de andar. Então encarei os olhos azuis dele, sentindo um tremendo frio na barriga. Eu odeio essa sensação. É a pior de todas elas.
— Pretende dizer algo ou vai me soltar? — cerrei os dentes.
— Sim, eu pretendo. — respondeu.
Foi tão rápido que eu mal assimilei as coisas. Num instante eu pude sentir os lábios dele se chocarem contra os meus, me deixando totalmente paralisada. Foi breve e logo ele me soltou, caminhando para longe, enquanto eu apenas fiquei parada, com os olhos arregalados, respiração ofegante e o corpo trêmulo. Eu recebi um selinho de Bill.

[...]

Bill’s POV
Nem eu conseguia acreditar no que tinha feito. Porém, precisa entender que eu nunca a trocaria. Ter feito o que eu fiz exigiu por completo toda a coragem que eu reuni assim que eu a segurei, impedindo que ela fosse.
Acho que fiquei tão surpreso pela atitude que tomei que deixei meu corpo no automático e quando eu percebi, já estava longe dela. É melhor dessa forma, porque eu não iria responder por mim. Ao entrar no castelo de novo, dei de cara com .
— E então? — perguntou, receosa.
está querendo me matar. — respondo. — Acho melhor eu evitar por um tempo.
— Bill, sinto muito mesmo. — disse. — Não quis causar uma briga entre vocês dois.
— Não se preocupe, . — sorri. — Depois eu me acerto com ela.
— Não, Bill. — negou. — Não é óbvio o que existe entre vocês?
— Do que está falando? — arqueio a sobrancelha.
gosta de você, porém ela não sabe... E outra, você gosta dela também, mas não admite. É um pouco nítido.
Fiquei surpreso com o que ela me disse, para ser sincero. Eu não esperava por isso de qualquer maneira. Eu tenho focado tanto em ajudar com as Criptas e com os NOM’s que eu deixei de dar atenção para . Sei que tem sido um pouco relaxado da minha parte, principalmente porque inventaram boatos sobre ela, insinuam coisas o tempo inteiro...
— Acho que sei o motivo de ela agir assim. — comento.
— E seria?
— Eu tenho deixado de dar atenção a ela. — concluo. — Eu gosto dela, da companhia dela... Ela é incrível, . — sorri. — E, desde que eu comecei a estudar para os NOM’s e te ajudado, eu tenho excluído ela.
— Então trate de consertar isso, Bill. — ouço atrás. — Porque eu não aceito ver minha melhor amiga emburrada o tempo todo enquanto você sequer nota.
Detesto admitir, mas tem razão. O único porém é que, dadas as circunstâncias, provavelmente não quer me ver nem pintado de ouro. E eu entendo, para ser sincero. Talvez, se eu fosse ela, estaria fazendo a mesma coisa.
— E como eu vou consertar se ela não quer nem falar comigo?
— Acalme-se, querido Grifinório. Nós vamos ajudar. — se manifesta.
Sorri aliviado, sentindo um tremendo peso deixar meus ombros. Foi então que eu lembrei. Há muitos anos, talvez gerações, minha família tem um Chalé nos arredores de Tinworth, Cornwall. Seria um local bastante calmo para levar .
— Minha família possui um Chalé em Cornwall. Poderia levar lá... — sugiro.
— Desde que ela volte intacta, podemos dar um jeito. — cogitou a ideia.
— É óbvio que ela volta inteira, . — rolei os olhos. — Eu não faria nada que ela não quisesse.
— Assim é melhor. — assentiu. — Quando estivermos saindo para as férias de Natal, podemos levar para o Chalé.
— Adorei a ideia. — comemora. — Já vá providenciando as instalações, Weasley.
— Pode deixar... E obrigado, sinceramente. — agradeço.
As duas sorriram e me deixaram com , que estava apenas ouvindo a conversa. Isso me fez perceber ligeiramente que, embora eu não tenha recusado ajudá-la, pode estar certa. Mas não é sobre isso o que penso, tecnicamente. Eu posso resolver meus problemas sem depender muito de outras pessoas, mas isso significa também que posso perdê-las.
— Então... — atrai minha atenção. — Eu acho que é melhor nós dois darmos um tempo, até você se acertar com a .
— Tem certeza disso, ? — questiono.
— Sim. Ela é bem mais importante do que Criptas Malditas, Bill.
Agradeci imensamente por ela ter entendido minha situação, deixando-me livre para consertar as coisas com . Nos despedimos e novamente eu fui atrás de Davis, porém sequer sabendo onde encontrá-la. Então dei um palpite a mim mesmo. Pátio da Torre do Relógio. Ao chegar no local, percebi estar quase vazio, se não fosse pela presença única dela. Respirei fundo e andei em passos firmes.
— Achei que estaria aqui. — digo.
— O que quer agora? — perguntou, sem me encarar.
— Tentar consertar as coisas. — respondo.
— Tente.
... Sei que vacilei. E por isso eu decidi fazer o certo...
Ela levantou o olhar, curiosa. Balançou a cabeça para o seu lado, sugerindo para que eu me aproxime e sente ao seu lado. Assim o fiz. Ela se afastou um pouco, receosa, e eu não me movi, respeitando-a.
— Provavelmente você espera que eu diga isso... Mas eu escolhi. — digo.
— O quê? Diga, Weasley.
— Eu escolhi você, . — respondo, calmo.
Ela ficou sem reação, analisando o que lhe disse e tentando decidir se deveria tomar uma atitude. Então fechou o livro, deixando-o de lado e sentando-se de frente para mim. Sua expressão é incompreensível e indecifrável, atraente.
— Prove.
— Se você aceitar, quero te levar para um local especial nas férias de Natal. — digo. — Depois da Toca.
— E espera o que com isso? Eu não vou deixar você me machucar, entendeu?
— Eu não quero te machucar, nunca quis. — me defendo. — Eu quero ter uma conversa madura e que fique tudo bem de novo. Eu detesto esse clima pesado entre nós, porque eu gosto de estar com você, mesmo que estudando na biblioteca em silêncio. Se você está chateada com isso, eu também estou.
Ela me abraçou. Forte. Ainda surpreso pelo gesto, eu a abracei apertado de volta, tentando manter minha respiração normal. O único porém é que a respiração dela bate em meu pescoço, me deixando arrepiado. É gostoso.
— Eu também gosto de estar com você, Bill. — disse com a voz abafada. — E detesto estarmos afastados.
— Então aceite o meu convite.
— Eu não disse não.
— Mas também não disse sim. — devolvo.
— Você sabe a resposta, Weasley.
A minha sorte foi ela não ter visto o sorriso que eu esbocei quando ela deixou claro que aceitou o convite.


Capítulo 4.
A Toca.


’s POV
Quando a véspera de Natal finalmente chegou, McGonagall fez uma lista de alunos que iriam sair para as férias. A vontade que eu tive foi de dizer que ficaria em Hogwarts, mas acabei dizendo que sairia. Vou para a Toca com Bill. Depois de organizar o meu malão de novo, respirei fundo.
— Nos vemos depois das férias, . — me agarra. — Isso se você voltar inteira.
— Pela barba de Merlin. — rolo os olhos.
— Sabe, , eu acho que você deveria abaixar a guarda e deixá-lo se aproximar. — comenta. — Bill é um garoto incrível e às vezes me irrita ver você tratar ele tão mal e ser tão infantil.
Engoli em seco. As duas se despediram de mim e se foram, sem que eu pudesse responder . Arrastei meu malão e encontrei com Bill e Charles conversando. Me aproximei em silêncio, a tempo de ouvi-los falando sobre algo, no mínimo, curioso.
— E a mamãe deixou? — Charles pergunta.
— Sim. — Bill responde. — Eu enviei uma carta para ela pedindo permissão e, depois de uma série de questionários, deixou tranquilo.
— Eu não sei, Bill. — suspira. — É muita loucura.
— Concordo. Mas eu preciso fazer isso de qualquer modo.
Antes que Charles pudesse dizer algo a mais, os dois notaram minha presença e eu precisei fingir que havia acabado de chegar. Ao alcançar os dois Weasley, sorrio para o mais novo.
— Você é o Charles, então. — sorrio, educada. — , prazer. Embora você já tenha ouvido falar de mim, claro.
— Prazer, . — retribui. — Ansiosa para conhecer o resto da família?
— Sem dúvida, Charlie. — brinco. — Vamos?
E nós três seguimos para o Expresso, que nos levaria para a Plataforma 9 ¾ novamente. Eu evitei total falar com as garotas durante o retorno, porque me senti bastante ofendida, porém não discordava. Quando cheguei na plataforma, desci e tratei de ir atrás da minha bagagem, não demorando para encontrá-la. Foi aí que eu vi os pais de Bill.
— Então, quem é a garota que quer nos apresentar? — a mulher pergunta, empolgada.
— Sou eu. — coro. — Davis.
— Prazer, ! Sou Molly e esse é meu marido, Arthur. — me cumprimenta. — Bill falou muito de você.
— Prazer em conhecê-los, Sr. e Sra. Weasley. — sorrio. — Eu imagino, fiquei muito ansiosa pra conhecer vocês.
— Bem, vamos indo? Espero que Fred e George não tenham colocado fogo na casa. — Arthur diz, preocupado.

Ninguém me disse que Bill e Charlie têm irmãos terroristas. A cada segundo que passa, começo a reconsiderar a ideia de ter vindo com eles. Vai que eu acabo enterrada no quintal da família? Acalme-se, . Será apenas para o Natal, porque, depois, Bill pretende me levar para outro lugar. Conforme fomos chegando em uma área mais rural, eu notei algo surgir. É uma construção engraçada. Arthur estacionou e, assim que deixei o veículo, observei o local.
— Venha, querida! — Molly me chama. — Sinta-se à vontade.
— Mãe, espera aí! — Charlie dispara, atraindo a atenção dela.
Saquei tudo. Charlie está a distraindo para que não me dê atenção, dando tempo para o Weasley mais velho aprontar alguma coisa. Eu estou adorando o jeito deles. É engraçado.
— Então... O que acha? — Bill pergunta, ao meu lado.
— Sua casa é legal, mas eu não conheci por dentro ainda. — respondo.
— Não era sobre isso o que estava falando. — ri. — Vamos, antes que minha mãe apareça aqui e te arraste pra lá.
Dei de ombros, tentando ignorar o comentário de duplo sentido de Bill. Ao entrar na casa, porém, a sensação foi extremamente diferente. É um ambiente bastante acomodador, pequeno, mas confortável. A estrutura da casa, embora seja bem esquisita, é maravilhosa. Eu senti conforto. Porém, o susto que eu levei foi com o estrondo causado no andar de cima, forte o suficiente para sentir a casa em si tremer. Encarei os pais de Bill, preocupada, esperando por uma justificativa.
— Não se preocupe, . — Charlie me tranquiliza. — É apenas Fred e George estourando alguma coisa. Isso é bem normal.
— Normal em qual grau de normalidade? — pergunto, ainda assustada.
— Do tipo: já estamos acostumados. — Bill explica. — Onde estão os outros?
— Lá fora, querido. Acho que no pomar. — Molly responde. — Então, , Bill me contou que está na Sonserina... Seus pais sabem que está aqui?
— Sabem sim, Sra. Weasley. — respondo. — Eles até acharam melhor do que me deixar com minha tia.
— E seus pais fazem o quê, ? — Arthur pergunta.
— São Aurores, Sr. Weasley. — digo, um pouco nervosa. — Nada de bruxos ruins na família.
Molly sorriu, aliviada. Acho que não é muito comum receberem uma sonserina em casa, logo depois de toda a confusão que Voldemort causou. E, como eu presumo, eles também devem detestar ouvir esse nome. É melhor chamar mesmo por Você-Sabe-Quem.
— Mamãe? — ouvimos uma voz dupla. — Quem está aqui?
— Ah, meninos! — Molly vai em direção as escadas. — É a namorada do Bill.
— BILL TEM NAMORADA? — ouvimos mais uma voz.
Três cabecinhas ruivas surgiram e dois respectivos donos são idênticos. O terceiro eu suponho ter 10 anos. Os olhares curiosos deles me deixam bastante fascinada, e um pouco receosa. Quando consegui me dar por conta, tanto eu quanto Bill estávamos bastante vermelhos de vergonha, enquanto Charlie tentava controlar a risada.
— Não, Fred. — Bill manifesta-se. — É apenas uma amiga minha de Hogwarts. Mamãe estava apenas brincando.
— Mães sempre sabem o que dizem, Bill. — Arthur pisca.
— Ah, o que acham de irmos no pomar? — Charlie sugere, mudando de assunto.
— Ah, não! — ouço uma voz feminina e infantil. — Deixa ela brincar comigo primeiro!
— Essa é Ginny, a caçula. — Bill a pega no colo. — Aqueles são Fred, George, Percy e... Falta o Ron.
— Ron está no quarto. — Percy informa, calmo. — Desenhando, acho.
— Vocês terão um bom tempo para brincar com a namorada do Bill, mas depois. Primeiro vou levá-la ao quarto da Ginny, ela vai dormir lá. Por aqui, querida.
A garotinha ruiva agarrou minha mão, me puxando para longe de seus irmãos e escadas a cima. Me senti aliviada em sair de perto de Bill, mesmo que por breves momentos. Sua família é bastante agitada e a simplicidade deles me encanta. O carinho e o amor compensa a falta de dinheiro, digamos assim. Não que eu me importe, eu realmente não ligo para coisas materiais. Isso me fez perceber que minha família, embora me ame, é bem isolada. Aqui eu sou disputada para dar atenção, ao mesmo tempo em que a recebo, enquanto na minha casa, minha existência raramente é notada.

— Você gosta de boneca? — Ginny pergunta. — Porque eu não tenho nenhuma. Meus irmãos não deixam eu brincar com as vassouras.
— Você gosta de que, Ginny?
— Eu amo Quadribol. — responde, entusiasmada. — Você sabe jogar?
— Nah, tenho medo das bolas. — sorrio. — Mas a gente pode brincar se você quiser.
— Sabe, é legal você dormir comigo e não com o meu irmão. — diz, despreocupada.
— Duvido muito que a gente chegue a dormir junto algum dia.
— Você não gosta dele? — pergunta.
— Claro que gosto, mas para dormir junto... Tem que ser como os seus pais, entende?
— Ah, entendi. — sorri, meiga. — E algum dia vocês vão ser como minha mãe e meu pai?
Onde aperta para desligar essa criança? Se eu disser ‘não’ ela vai falar pro Bill, se eu disser ‘sim’ ela ainda vai falar pro Bill. Alguém jogue um Trasgo em cima de mim, por favor. Acabei desconversando do assunto e entrando em outro, vulgo Quadribol. Ginny pareceu muito empolgada em me contar tudo o que sabe sobre a Capitã das Harpias de Holyhead, Guga Jones, e etc.
— Um dia quero ser como a Guga. — suspira, animada.
— Jogadora de Quadribol? — pergunto, de forma retórica. — Deve ser divertido.
— E você, ? Quer ser o quê? — pergunta.
— Ainda não sei. — afirmo. — Talvez Aurora, escritora...
— Meninas, almoço! — ouvimos Molly.
Ginny levantou depressa e novamente me puxando escadas a baixo. Lavei minhas mãos e encontrei todos os Weasley reunidos na cozinha. Só tem apenas um que eu ainda não conheci e que deduzo ser Ron. Minha atenção, porém, foi desviada para os gêmeos.
— Bill, você se importa em almoçar na sala com a ? — Molly pergunta para ele.
— Não, mãe. — responde, vendo a comemorar. — Venha.

Após me servir, e esperar pela donzela ruiva, nós dois seguimos para a sala de estar. Algo em si chamou minha atenção, o tal relógio que não tem ponteiros comuns. Há 9 ponteiros contendo uma foto de cada Weasley e aponta para uma atividade diferente que estão realizando, tais como: trabalho, casa, escola, perigo mortal e outros. Genial.
— Para onde vamos... Depois daqui? — pergunto, olhando para ele.
— É um lugar bem agradável, . — responde de forma enigmática. — E é pra ser uma surpresa, mas você não deixa de fazer perguntas.
— Eu gostei da sua família. — ignoro seu último comentário.
— Ginny adorou você, sério. — sorri. — Nunca vi ela tão empolgada com alguém antes.
— Menos mal, detestaria que um de seus irmãos não fosse muito com a minha cara.
Bill riu nasalmente. Nós dois almoçamos juntos e ouvindo a conversa de seus demais parentes na mesa. Ao que tudo indica, o natal dos Weasley é bastante agitado. Depois de me alimentar, fui ajudar Molly na cozinha, mesmo ela dizendo-me que não precisava, e eu acabei precisando insistir muito até ela aceitar.
— Você é uma garota adorável, . — elogiou-me. — Não me surpreende Bill ter mandado dezenas de cartas falando sobre você.
— A gente se afastou um pouco por bobagem, deve ser por isso que ele me trouxe. — suspirei, secando um prato.
— Tentar consertar as coisas, suponho. — disse. — Ele é um rapaz leal e amoroso. Ele também contou sobre o desentendimento entre vocês, e eu entendo, .
— Entende? — arqueio a sobrancelha.
— Claro que sim, querida. Eu espero que vocês dois se entendam e que você volte aqui mais vezes.
— Eu irei, Sra. Weasley. — sorri.
Da janela eu observei todos os Weasley se divertindo no jardim, especialmente Bill. Ele parou por uns instantes e amarrou seus cabelos ruivos, voltando a fazer o que estava fazendo. Foi quando Molly e eu ouvimos a porta bater e a Ginny entrar emburrada.
— O que foi, Ginny? — pergunto.
— Os meninos não me deixam brincar de Quadribol com eles.
— Eu tenho uma ideia. — deixo o pano de lado. — Que tal eu e você termos uma brincadeira só nossa? Os meninos não vão poder brincar.
— Você promete? — pergunta, enquanto eu assenti. — Vamos!
Ginny e eu saímos, indo para os jardins. Enquanto os meninos jogavam Quadribol, eu usei uma brincadeira trouxa para entretê-la, o que deu super certo. Foi em partes uma junção de algumas brincadeiras trouxas que minha tia da Austrália me ensinou. Provavelmente eu vou escrever para ela agradecendo. Obrigada, tia Dana!
— Ei! — um dos gêmeos nos chama. — Do que estão brincando?
— Por que quer saber? Vai jogar Quadribol! — Ginny responde, brava. — Essa é uma brincadeira minha e da .
— E por que não podemos brincar também? — o outro gêmeo pergunta.
— Porque é só de meninas. Sinto muito, rapazes, mas vocês não deixaram a Ginny jogar Quadribol. É justo. — explico.
— Se a gente deixar ela jogar, você deixa a gente brincar também? — Percy parece interessado.
— Claro. Desde que ninguém se machuque. — dou de ombros.
— A Ginny pode entrar no lugar do Bill. Ele não parece muito afim de jogar. — Charlie comenta, rindo.
— É verdade. — os gêmeos concordam. — Vamos, Ginny! Vamos jogar.
A garota levantou num piscar de olhos e seguiu com os irmãos, me deixando sozinha com o ruivo, de novo. Ele se sentou na grama ao meu lado, e eu não pude evitar em reparar os cabelos suados e presos, os braços levemente definidos e como a pele dele brilha. Pedaço de mal caminho o nome.
— Eu vi você e minha mãe conversarem. — comenta. — E espero que ela não tenha te convencido a querer cortar meu cabelo.
— Nem sabia dessa, Bill. — rio. — Ela implica muito?
— Demais. — balança a cabeça. — Ainda estou surpreso dela não ter feito isso na sua frente.
— Bem, eu gosto do seu cabelo como ele está. Então... Não corte.
Bill sorriu. Observei a estampa da camisa que usa, sendo de uma banda de rock. Se não me engano, Bill adora dezenas dessas bandas e não é a primeira vez que vejo ele usar uma das camisas estampadas. Não me surpreende muito Molly pegar no pé dele constantemente.
— Mas então, qual sua banda favorita? — eu o encaro.
— Podemos ficar aqui até amanhã falando sobre isso. — responde, olhando para os irmãos. — Dissendium Mode, Midnight Potion, Witched Floyd, Dementor’s Kiss, The Episkey, entre outras. E você?
— Eu sou mais hippie. — respondo. — Jimi Horcrux, Creedence Clearpotion Revival, Wands N’ Lilians..
— Wands N’ Lilians é legal, eu curto. Mas não há nada melhor que Dissendium Mode, sério.
— Eu não ouvi essa ainda. — comento.
— É brincadeira, né? — me encarou, perplexo. — Vamos consertar isso agora.
Bill e eu fomos correndo para o quarto dele, onde o mesmo colocou Dissendium Mode para tocar assim que chegamos ao cômodo. Analisei cada cantinho de seu quarto, observando como qualquer mero detalhe contém sua essência, algo que demonstre seus gostos particulares. Enfim, demonstre ele.
— Seu quarto é um pequeno refúgio do mundo. — elogio.
— Gostou? — morde o lábio.
— Eu adorei, Weasley. — sorrio. — É tão... Você.
— Minha mãe vive implicando com isso, é estranho. — cruza os braços. — Mas eu entendo.
— Todas as mães arrumam algo para implicar. A minha, por exemplo, implica muito com as minhas roupas. É normal.
Bill sorriu. Sentamos no chão, juntos, e passamos boa parte do tempo lá, ouvindo música e esquecendo da existência do mundo da porta para fora. E eu realmente gostaria de passar mais tempo assim, onde só há nós dois.
— Você é incrível, sabia? — comenta, sorrindo.
— Você também é incrível, Bill. — sorrio.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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