Última atualização: 18/09/2018

Capítulo 1.
Bill Weasley.


— Todo mundo não para de falar de um tal de Bill Weasley. Eu nem sei quem é. — comentei, me sentando na mesa.
— Como assim? Todo mundo em Hogwarts conhece o Bill, ! — pareceu surpresa.
— Pena que eu não sou todo mundo de Hogwarts, . — sorrio.
Eu não entendo como um aluno qualquer pode ser tão conhecido pelos corredores. Quero dizer, todos os meus amigos só falam sobre Bill Weasley e eu sequer sei quem é. Aliás, eu deveria? Não que eu realmente me importe, mas não vejo motivos coerentes. Tudo o que ouço falar sobre Weasley é que ele é engraçado, sabe se divertir e etc! Isso não é muita coisa.
— Terra para ! — estala os dedos diante de meus olhos. — Garota, você estava com a cabeça em qual lugar?
— No meu pescoço, obviamente. — gargalho. — Que aula temos agora?
— Ah, o seu humor matinal soa como música para os meus ouvidos. — rolou os olhos. — Poções, desatualizada.
Assenti e acabei meu café da manhã. Levantei da mesa, sendo acompanhada por e , minhas melhores amigas. Enfim, acho que agora sobra mais tempo para pensar. Faltam apenas dois anos e eu me formarei em Hogwarts, ou seja, estou no quinto ano. Estranho pensar que passei 5 anos vivendo e sequer sabendo da existência de Bill Weasley. Eu deveria estar vivendo abaixo de uma bigorna, é claro.
O ano é 1986 e estamos quase perto do Halloween. Okay, nem tanto. É a segunda semana das aulas de Setembro. O que também significa que, há 5 anos, Voldemort caiu. Na realidade, eu não vejo motivos para temerem um simples nome, afinal, ele sequer passa disso agora. Voldemort é apenas um nome. Infelizmente, há cinco anos, Lily e seu marido, James, deram suas vidas para proteger seu único filho, Harry. Todos sabemos que ele está a salvo agora e que em breve estará nesse castelo. O garoto que sobreviveu.
Quando finalmente cheguei na sala de Snape para as aulas, percebi alguns alunos da Grifinória cochichando. O silêncio pairou quando a figura em preto e bem assustadora entrou na sala como um tremendo estrondo. Se não for pra chegar causando, aposto que Snape sequer abre os olhos.
— Prestem atenção em minhas palavras, não vou tolerar nenhum ato imprudente em minhas aulas. — disse, com certo desdém.
Alguns alunos mais velhos de Hogwarts disseram-me que, desde o sacrifício dos Potter, especialmente o de Lily, Snape tornou-se mais recluso e desdenhoso. Isso me fez perceber que, talvez, eu disse talvez, ele poderia ter gostado de Lily. É a única razão que enxergo para ele ter ficado tão... Fechado. Fora que, pelo o que eu sei, ele detestava James. Logo, Lily é a razão de Snape parecer tão mau humorado do que anteriormente. Fora que ele almeja mesmo é o cargo de Defesa Contra as Artes das Trevas ao invés de Poções. Infelizmente, nada é como queremos e nosso querido professor precisa aceitar isso.
— Quero vocês em duplas. — anunciou. — Porque essa poção requer trabalho duplo.
Snape começou a separar todos em duplas. No fundo, eu estava torcendo para ir com alguém conhecido ou até mesmo com uma das meninas, mas não foi o que aconteceu. Depois de separar todos em duplas, a única pessoa que sobrou foi um ruivo alto e magro, com os cabelos longos. Ele usa o típico uniforme Grifinório, o que já não me surpreende.
— Davis, queira sentar logo e começar a poção? — Snape indaga, aborrecido. — Claro, professor.
O ruivo e eu sentamos juntos, aguardando pelas próximas instruções de Severus. Após certificar-se de que todos os alunos tinham todos os materiais necessários e que estavam organizados em duplas, Snape limpou a garganta, atraindo por completo a atenção de todos os alunos. O silêncio que ele obtêm apenas com um gesto é surpreendente.
— A poção que irão preparar hoje é a Poção do Sono. Comecem.
Abri o livro, enquanto o ruivo ao meu lado começou a separar ingredientes com certa destreza, o que chamou minha atenção. Assim que encontrei a página referente ao que devíamos fazer, deixei meu livro em aberto, separando parte dos ingredientes restantes.
— Não achei que iríamos demorar tanto para nos conhecer, Davis. — o ruivo diz, calmo.
— Desculpe, mas... Eu conheço você? — perguntei.
— Provavelmente não. — sorriu. — William Weasley, ou como me chamam por aí, Bill.
Ok. Eu quase cai de minha cadeira assim que ele disse quem era. Não pode ser possível que isso aconteceu. Eu sequer sabia quem Bill Weasley era e agora ele está aqui, servindo como minha dupla para a aula de Poções. Isso realmente só pode ser brincadeira ou o cosmos tirando uma comigo.
— E presumo que me conhece graças ao incidente do ano passado. — digo.
— Não. — deu de ombros. — Ouvi falar de você muito antes do incidente.
O ‘incidente’ o qual me refiro foi uma parte marcante que aconteceu. Ano passado, alguns estudantes idiotas do Sétimo Ano resolveram fazer algumas pegadinhas para comemorar sua graduação. Porém, uma dessas pegadinhas deu totalmente errado e parte do banheiro desabou, deixando alguns alunos com ferimentos graves. A minha participação no incidente foi eu ter arriscado minha vida e entrado no banheiro para ajudar quem precisava. Tudo teria terminado bem, se uma viga não tivesse desabado sobre mim. Nada muito grave aconteceu, exceto uma perna quebrada. A Madame Pomfrey consertou isso quando pôde, porque a enfermaria ficou totalmente lotada de alunos machucados. Alguns casos mais sérios, outros nem tanto.
Como eu sou ajudante na Enfermaria, pude ajudar, de certa maneira, alguns alunos. Todos ficaram sabendo do meu envolvimento com o acidente, o que rendeu fofocas o resto do ano letivo. Contudo, os alunos responsáveis foram expulsos e suas casas perderam pontos. Quanto ao meu ato, bem, isso rendeu pontos para a Sonserina no final. O que me deixa surpresa de fato é que Bill ouviu falar de mim antes do ocorrido. Curioso.
— Então... Quem te contou sobre mim e por que? — pergunto.
— Ei, você é muito apressada e muito curiosa. — ri. — Que tal irmos no Três Vassouras e eu explico a história melhor?
— Me chamando para sair, Weasley? — provoco, sorrindo também. — Você é ligeiro.
— Nah... Só não deixo oportunidades passarem.
— Certo. Podemos ir no Três Vassouras.

[...]

— COMO ISSO ACONTECEU? — grita. — PELAS BARBAS DE MERLIM!
— Um encontro casual, oras. — dou de ombros. — Além do mais, o que tem nisso?
, estamos falando do Bill Weasley! O aluno mais popular de Hogwarts, monitor da Grifinória e, sinceramente, desejado por todas as meninas. É só “o que tem nisso”. — explica, fazendo aspas.
— Ah, claro. — rolo os olhos. — Ele é um troféu transfigurado em gente.
arremessou uma almofada de sua cama, rindo alto. rolou os olhos, entediada. No nosso grupinho, apelidado carinhosamente de Golden Club, eu sou a aluna nada empenhada, que sempre tira notas medianas e sempre passa de raspão, além de ser impaciente, irônica, sarcástica e um pouquinho mau humorada; é a conselheira, sempre sabe o que dizer independente da situação, é inteligente, perspicaz, focada no que quer e ambiciosa como nunca vi. É o tipo de amiga que, se eu chamar para bater em um trasgo, vai comigo. , porém, é a florzinha do passeio. Embora ela seja esforçada e dedicada, ela é calma e na dela, neutra. Entre e eu, é quem tem as melhores notas. Em meu ponto de vista, ela é o ser mais amoroso que já conheci e me surpreende ter vindo parar na Sonserina. Enfim, juntas, somos únicas.
— Eu ainda não acredito que você vai ir com o Bill Weasley no Três Vassouras! — surtou. — Inveja de você, .
, seria bizarro eu não entender o motivo do seu surto? — indago, rindo. — Não tem nada demais nisso.
— Claro que tem, ! — rebate. — Você não está entendendo o que isso quer dizer!
— Oras, me explique.
e trocaram olhares sugestivos, me deixando um pouco insegura. Não, eu não estou gostando do rumo que essa conversa está tomando. Quero dizer, o que diabos tem demais em sair com o Weasley? Não vamos fazer nada demais além de tomar Cerveja Amanteigada... Eu espero.
, querida, isso é surpresa para todos, porque o Bill nunca chamou uma garota para sair. — explica, calma. — É por isso que está surtando igual uma Diabrete da Cornualha.
— Não tinha algo pior para me comparar? — rola os olhos. — Enfim, todo mundo sabe que Bill é na dele, o que chega a ser espantoso ele ter chamado alguém pra sair, ainda mais sabendo que 99% das garotas em Hogwarts caem matando trasgos por ele.
— Ah, entendo. — dou de ombros. — Vamos ver no que vai terminar.
, já comece a desenhar o seu vestido de madrinha. — a cutuca.
Rolei os olhos, desaprovando totalmente o comentário. Infelizmente teríamos aula sobre História da Magia, uma matéria do qual eu não tenho tolerância. Eu amo história, mas, francamente, o professor consegue deixar até um Diabrete entediado; e olhe que são animaizinhos insuportáveis.
Porém, enquanto fui andando pelo corredor com e , pude observar que os cochichos e olhares curiosos sobre mim se intensificaram. Uma sensação terrível tomou conta de meu corpo, fazendo com que, instantaneamente, eu me sentisse mal. Esses olhares foram os mesmos que recebi quando me enfiei naquele banheiro ano passado.
— Hey, ! — uma garota da Grifinória me chama. — Posso perguntar algo?
— Claro. — respondo educadamente.
— É verdade que o Bill Weasley te chamou pra sair?
— É... Por quê?
— Ah, então também é verdade que vocês já...
Okay. Isso não foi 1% agradável de se ouvir. Eu não sei quem diabos espalhou essa calúnia contra a minha pessoa, insinuando absurdos. Olhei feio para a garota, enquanto notei também que algumas pessoas — principalmente garotas. — pararam o que estavam fazendo para escutar a minha resposta. Ótimo.
— Eu não sei quem disse isso tudo sobre mim, mas garanto que o que eu faço ou deixo de fazer com quem eu quero não é problema de vocês.
— Foi só uma pergunta. — ri, irônica. — Só pelo seu nível de exaltação, já dá pra ter uma ideia dos rumores.
— Ah, claro. — rio nasalmente. — Eu esqueci que cobras destilam veneno por aí e suas fiéis seguidoras adoram rastejar em sua sombra pra tentar ser alguém. Não me surpreende em nada você precisar se certificar sobre isso, não? Além do mais, o seu nariz... Fez algo nele? Plástica, talvez? Ele está um pouco estranho.
A garota ficou mais vermelha que pimenta. Sorri vitoriosa. É, moça, você escolheu a sonserina errada para encher o saco. Sinceramente? Eu não tenho um pingo de paciência para quem quer inventar conversa fiada envolvendo minha pessoa. Eu não sei explicar, mas parece que boa parte das garotas só está aqui para arrumar um macho. Coragem.
— Ao invés de querer espalhar boato falso sobre mim, o que acha de procurar um cérebro e colocá-lo dentro dessa sua cabeça vazia que apenas separa tuas orelhas? Huh.
Dito isso, voltei a andar, deixando a Grifinória para trás com cara de tacho. Espero que essa coisa pense infinitamente antes de querer vir me tirar para, sei lá, qualquer coisa. Infelizmente, ao chegar na sala, novamente os cochichos se intensificaram e foi o suficiente para que eu ficasse com a cara emburrada pelo resto do dia.

[...]

— Foi você, foi? — cheguei, quase gritando para o Weasley.
— Eu o quê? — perguntou, confuso.
— Que espalhou que a gente... Ah, você sabe. — bufei.
— Não, . — defendeu-se. — Eu nem sabia sobre isso até três segundos atrás!
— Então quem foi? — explodi. — Estão falando baboseiras sobre mim!
Bill pareceu chateado. Foi então que eu percebi que ele estava sendo 100% verdadeiro comigo, o que me fez abaixar a guarda. Sei que não posso acusá-lo de algo sabendo que ele nunca o faria. É injusto, eu sei.
— Desculpe. — suspirei. — Essa confusão me deixou bastante estressada. Não é culpa sua, de qualquer maneira.
— Eu também preciso me desculpar, . — descontraiu, calmo. — Afinal, é sobre você que estão falando.
— Se você fosse o responsável, até teria como pedir desculpa... Mas não, não foi você.
— Mesmo assim. É baixo e desnecessário falarem besteiras sobre isso. — deu de ombros. — Eu entendo como você se sente, eu ficaria tão irritado quanto você está agora.
Talvez eu esteja um pouco arrependida por ter ignorado sua existência durante 5 anos. Bill é um garoto adorável em todos os sentidos. Ele é doce, gentil, engraçado, protetor, corajoso... Enfim, ele é incrível. Nem acredito que desperdicei tanto tempo.
— Então, tudo na paz novamente? — perguntou.
— Claro. — sorri. — O encontro no Três Vassouras também?
— Óbvio! — respondeu, empolgado. — Mas então, vai ficar em Hogwarts para o Natal? Sei que ainda estamos em Setembro, mas é curiosidade, apenas.
— Não faz mal ser curioso... Mas, respondendo sua pergunta, acho que sim... Meus pais escreveram e disseram que vão passar um tempo a mais fora e talvez não cheguem a tempo para o Natal. — dei de ombros.
— Então não se importa de ir conhecer a Toca, não é?
— Toca?
— Minha casa. — sorriu. — É assim que chamamos.
— Fiquei curiosa. — cruzei os braços. — Adoraria, Weasley.
Foi então que percebi que passamos a andar juntos, conversando como velhos amigos. A companhia dele me faz bem, para ser sincera. É estranho, porque, normalmente, eu não me sinto assim perto de ninguém com exceção de e . É a primeira vez que acontece com alguém tão diferente... E em tão pouco tempo.
— Então, além do Charles, que está aqui, tem o Percy, Fred, George, Rony e a Ginny. — explicou. — Percy vai entrar ano que vem em Hogwarts.
— Você tem muitos irmãos, Bill. — gargalhei. — Deve ser legal.
— Você tem irmãos? — indagou, curioso.
— Não. — confessei. — Filha única.
— Aposto que vai gostar de ter um monte de criança disputando sua atenção.
Mas eu só quero a sua, pensei. Espera, o quê? Era só o que me faltava, francamente. Estou sendo traída pelos meus próprios pensamentos! Mas certo, admito. Bill me deixa tão confortável que pensar que não terei sua atenção chega a ser assustador. Não, não quero isso.
— É estranho. — comento.
— O quê? — perguntou
— Pensar que nos conhecemos apenas há algumas horas e sinto como se fossem anos.
— Talvez tenha que ser assim, não? — disse. — Amizades nascem dessa forma.
— É, tem razão. — concordei. — É legal ter você como amigo, Weasley.
— É legal ter você como amiga, Davis. — repetiu, brincando.
Se não fosse por um mero detalhe, eu diria que poderia passar o resto da tarde com ele. Contudo, sendo ambos de casas diferentes e tendo responsabilidades diferentes, somos obrigados a nos separar. Depois do jantar, tomei um banho e apenas vi Bill brevemente como monitor, estava retornando para a casa da Grifinória com os demais alunos. Eu, porém, segui para as Masmorras, onde fica o dormitório da Sonserina. Depois de vestir meu pijama, fui para perto da lareira, sendo abordada pelas minhas fiéis escudeiras.
— Já pode abrir o bico. — se jogou no sofá. — Queremos detalhes detalhados.
— Menina, pega o lençol da cama pra ir de vela na festa a fantasia de Halloween. — provoca, rindo.
— Acho que seria o que Trouxas chamam de Tocha Olímpica, .
— Vocês não prestam. — rio. — Não foi nada demais.
— Então por que você está com as bochechas vermelhas? — questiona. — AH, SAFADA!
— Nós somente conversamos, somente isso! — explico.
— A cara dela diz que tem mais coisas. — encara .
— Okay, tem mais, sim. — suspirei. — Ele me convidou para ir para a Toca.
Elas se entreolharam curiosas, logo voltando a me encararem. Aposto que os 70% de água do meu corpo se dissiparam depois dessa secada que elas me deram, sério. Até fiquei com medo, porque isso nunca aconteceu antes.
— Você está falando de que, louca? — arqueia a sobrancelha.
— Ele me convidou para passar o Natal na casa dele. — revelei, de forma baixa.
O grito que ambas deram possivelmente foi escutado em cada centímetro existente em Hogwarts, sem dúvida.


Capítulo 2.
Três Vassouras.


Felizmente o final de semana chegou mais rápido do que eu pensei que chegaria. Isso significa apenas uma coisa: Hogsmeade! O que também me lembra que irei com Bill no Três Vassouras. e ficaram tagarelando sobre isso o resto da semana, para a minha infelicidade. Além de fazerem insinuações que só elas fariam, claro.
Depois de me vestir apropriadamente com uma calça preta justa, camisa cinza, jaqueta preta e coturno da mesma cor, coloquei uma touca branca com uma bolinha felpuda na ponta. É minha preferida, afinal. vestiu-se da mesma maneira, mas, ao invés do coturno, optou por um all star cano alto, uma camisa xadrez vermelha manga longa e uma jaqueta de couro preta. vestiu um suéter grande mais parecido com um poncho cinza — que eu acho maravilhoso. — calça justa preta e uma bota na mesma cor. Nos encontramos no centro da Sala Comunal da Sonserina, prontas para irmos.
— Se eu fosse o Weasley, eu teria um ataque cardíaco. — diz, avaliando minha roupa.
— Já percebeu que todas as vezes em que vamos em Hogsmeade, nunca se arruma horrores para a ocasião? — alfineta.
— É, eu concordo. — brinca. — O Weasley que se prepare.
— Dá para as duas beldades de Hogwarts calarem as bocas? — rolo os olhos, tentando prender o riso. — Eu sei que vocês me amam e me invejam.
— Claro, amiga, com certeza. — ironizam. — Vamos?
Assenti, acompanhando as duas para fora da Sala e indo para a turma que iria para Hogsmeade. Chegamos bem a tempo, quando a Professora McGonagall estava chamando nossos nomes. Após nos apresentarmos, ela seguiu na frente e, como um comboio, os alunos seguiram atrás. Fomos para a Estação pegar o trem e eu ainda não havia visto qualquer sinal do ruivo. Bem, se ele for me dar um bolo, ainda sim terei minhas melhores amigas comigo.
— Que cara é essa? Parece que viu um bicho papão. — indaga, um pouco preocupada.
— Eu não sei... De repente eu senti um leve medo em tomar um bolo. — suspirei. — Isso não é bom para a minha reputação, sério.
Acho que eu não mencionei a parte em que eu tenho uma reputação em Hogwarts. Pois bem, eu tenho. Grande parte dos alunos me conhece por eu ser bastante temperamental. Eu achei engraçado quando inventaram boatos dizendo que eu havia enfrentado uma tarântula na Floresta Proibida logo após ter feito Filch chorar, o que em partes é verdade. Eu fiz ele chorar uma vez e foi estranho. Ele não me pegou em um bom dia, obviamente.
— Ah, . — dá de ombros. — Se tomar um bolo, você vai sobreviver.
— Com certeza. — murmuro. — Eu vou matar um Weasley.
— Só se for de prazer. — provoca.
Se dependesse da minha vontade pessoal, teria sido oferecida como lanche aos Trasgos. Fuzilei-a com o olhar e, como resposta, ela apenas gargalhou alto. Felizmente eu notei que estávamos nos aproximando da nossa parada, o que por si só já é um alívio. Embora eu ame essas duas loucas, às vezes me sinto na obrigação de dizer que elas realmente não tem um pingo de noção. Talvez eu traga o que os trouxas chamam de Rivotril.

— Vamos? — pergunto, levantando. — Minha bunda já está amortecida.
— Santo Merlin, . — se levanta. — Nem parece que vai estar com o Weasley.
— Isso se ele for, não é? — sorrio, sarcástica.
— Ah, tem esse detalhe também. — observa.
Deixamos o trem e McGonagall nos dispensou para irmos passear. Para ter certeza de que não tomei um bolo, inventei uma desculpa esfarrapada para as garotas e pedi para elas irem na frente, enquanto eu iria pegar algo que esqueci. É óbvio que elas compraram minha desculpa idiota e foram andando.
— Achou que eu iria te dar um bolo? — ouço a voz de Bill logo atrás.
— Para ser sincera? — pergunto, vendo-o assentir. — Achei.
— Eu deveria ter imaginado. — riu, divertido. — Eu acabei vindo antes e esqueci de avisar.
— Pelo menos você está aqui. — digo, tímida.
— É. — corou leve. — Vamos?
Assenti e novamente passamos a caminhar juntos, sem pressa. Incrível como assunto é algo que não falta entre nós dois. Perguntei o que ele pretende fazer assim que se formar em Hogwarts e, como resposta, disse que ainda não tinha certeza, mas gostaria de algo que envolvesse aventura. Se a Grifinória tivesse uma personificação, eu diria que seria Bill.
— E você, o que pretende fazer? — questiona.
— Não tenho certeza também... Talvez eu siga a mesma profissão dos meus pais. — dou de ombros.
— Que seria...?
— Ah, meus pais são Aurores. — explico. — Uma vida perigosa, não acha? Mas também fico entre Escritora ou até mesmo Professora de Defesa Contra a Arte das Trevas.
— Acho que você se sairia bem em qualquer profissão que tentar, . — elogiou-me.
Senti minhas bochechas pegarem fogo. Bill é impressionante. Consegue me deixar confortável, tímida, envergonhada e tudo o que é possível em questão de segundos. Perto das minhas melhores amigas, eu sou uma criatura louca, perto dele eu me transformo totalmente. Eu gosto, é diferente.
— Então... Vai me contar de onde me conhece? — pergunto.
— Claro. — respondeu. — Mas primeiro, Cerveja Amanteigada.
— Adorei a ideia.
E na direção do Três Vassouras nós fomos. Porém, antes mesmo de chegarmos ao lugar, eu escorreguei na neve e acabei caindo. Bill começou a gargalhar alto ao ver minha cara. Emburrada e como resposta, joguei um amontoado de neve nele, que deveria ser uma bola. Depois da crise de riso, ele veio me ajudar a levantar e acabou escorregando, caindo e ficando por cima de mim. A respiração dele bate em meu rosto, já que estamos bem próximos. Eu acho que meus pulmões pararam de funcionar.
— Er... Vem, vou te ajudar a levantar. — diz, envergonhado.
— O-obrigada. — respondo.
Depois de Bill me ajudar a levantar, limpamos as roupas da neve e eu gargalhei ao reparar que o cabelo dele está sujo também. Então me aproximei, ficando na ponta dos pés, já que Bill é bem mais alto que eu. Levantei os braços e tirei uns resquícios de neve de suas madeixas ruivas, sorrindo.
— Valeu. — agradeceu. — Agora podemos ir.
— Concordo. Estou começando a sentir meus pés gelarem.
Bill riu, fazendo-me rir também. Ao entrar no Três Vassouras, um silêncio repetindo caiu e todos os olhares foram devidamente direcionados a nós dois. Bill pareceu ignorar isso quando me puxou levemente para irmos sentar em uma mesa afastada. Os demais alunos pareceram ignorar nossa existência, porque as conversas paralelas começaram.
— Duas cervejas amanteigadas, por favor. — pediu.
Foi então que passei a reparar que Bill, em contraste com a luz da janela, fica tão... lindo. A pele pálida e os longos cabelos vermelhos deixam ele tão atraente. Até ontem eu não iria prestar atenção em um singelo detalhe sequer, mas agora que somos só nós dois... Cada detalhe é tão importante que não consigo deixar de notar.
— Acho que agora posso contar como soube de você. — comentou, atraindo minha atenção. — Foram uns garotos do time de Quadribol.
— Como assim? — arqueei a sobrancelha, curiosa.
— Como eu sou o monitor, sou amigo de todos os alunos da Grifinória. — explicou. — E acabei ouvindo o meu irmão que está no time falar sobre você. Ele estava comentando que você é uma aluna um tanto quanto diferente. Como eu já tinha te visto por aí arrumando confusão, eu quis saber um pouco mais.
— Diferente como? — sorri. — Arrumar confusão é meu nome do meio, Weasley.
— Charles e eu fomos conversar sobre o assunto e ele deixou escapar que acha você incrível, no sentido de ser bem decidida e cheia de si. — sorriu. — Além de ser bonita e engraçada.
— Seu irmão disse isso tudo? — perguntei, surpresa. — E quem me chama pra sair é você? Oi?
— Ah, fique calma. — brincou. — Charles disse que não é problema eu ter te chamado pra sair. Ele até me incentivou a fazer isso.
Muita informação para um cérebro lento como o meu. Nem eu acredito nisso, porque é bastante surpreendente. Depois de tomar a Cerveja e assimilar as coisas que ouvi, soube que não poderia perdê-lo.
— O que acha de irmos conhecer a Casa dos Gritos de perto? — sugere, empolgado.
— Ficou maluco? — rio. — Aquela casa tem sérios probleminhas.
— Você tem medo de fantasma, Davis? — provoca, sugestivo.
— Eu tenho medo é dos vivos. — cruzo os braços.
— Então eu desafio você a ir comigo na Casa dos Gritos.
— Desafio aceito.
Duvidar de mim é, sei lá, tentar me provocar. Me desafiar então... Ah, não. Eu não recuso um bom desafio. Depois de sairmos do Três Vassouras, fomos andando até a entrada da Casa. Particularmente, é difícil eu me assustar com algo. Eu já vi de tudo e um pouco mais e não é um fantasminha que vai mudar isso.
— Preparada? — pergunta, ironicamente.
— Amigo, eu topei o desafio e não volto atrás. A questão é, você está com medo, Weasley? — provoco.
— Eu sou um grifinório. Acha que estou com medo?
— Existem grifinórios medrosos. Quem sabe você não está apenas tentando me impressionar?
— Sonhe com isso, . — sorri.
Então fomos andando para dentro do terreno da infame Casa dos Gritos. Ao me aproximar, notei a decadência do local. Eu nunca sequer tive a intenção de passar do cercado por motivos de não ter interesse, mas com Bill eu sinto a necessidade de provar que sou tão corajosa quanto ele. A ideia de ficar na sombra de alguém simplesmente me aborrece muito, porque sei que tenho muito a provar pelo meu próprio mérito. E, assim que finalmente entramos na casa, notei como ficou abandonada.
— Olhe só, tem um piano. — Bill diz.
— Adoro pianos. — sorrio.
Embora o local inteiro esteja abandonado, sujo e parcialmente destruído, o instrumento consegue quebrar por completo o desgosto que senti. É um contraste perfeito. Me aproximei do piano e toquei algumas teclas, observando que o mesmo continuava afinado. Não consegui evitar a minha vontade de tocá-lo, então o fiz. O som tornou-se presente no ambiente e foi como se eu estivesse conectada com o piano, ficando em êxtase.
! — ouço Bill me chamar. — Estou te chamando faz um tempão.
— Desculpe, é que eu realmente gosto de tocar piano. — coro.
— Você toca muito bem, sério. — elogia. — Também poderia se dar bem como musicista. — Obrigada. — sorrio. — Mas então, tem mais alguma coisa para explorar aqui? — pergunto, deixando o instrumento de lado.
— Deve ter. — dá de ombros. — Vamos lá!
Subimos as escadas ouvindo o ranger de cada degrau velho. A impressão que tive é que a casa inteira iria cair em cada passo que demos. É, não foi legal. Assim que chegamos no andar de cima, mais sujeira. Se estivesse aqui, ela provavelmente iria querer limpar tudo até ver o teto brilhar. Juro.
— Esse lugar é ideal para quem quer se esconder, não acha? — sugiro, observando as marcas nas paredes.
— Estranho... Realmente é bom para se esconder. As pessoas não iriam vir bisbilhotar, de qualquer maneira.
— Realmente. — concordo.
A Casa dos Gritos tem uma fama maravilhosa de casa mal assombrada e muitos poucos bruxos tem coragem de vir se aventurar nela. Bill e eu somos uns desses poucos bruxos. Depois de explorar cada micro-espaço, acabamos encontrando algo, no mínimo, curioso.
— Topa? — encarou-me.
— Se você for, eu vou. — digo.
Entramos na pequena passagem com Bill na frente, notando o ambiente totalmente escuro. Além do cheiro de mofo e da umidade, é quase impossível não tropeçar. Por instinto, segurei em Bill para me certificar de que não vou cair em cima dele.
— Está com medo, Davis? — perguntou, rindo.
— Não, Weasley. — bufei. — Só não quero cair.
— Ah, não é problema. — brincou. — Se você cair, eu te pego.
— Com certeza. — ironizei.

Depois de um bom tempo caminhando, nós começamos a enxergar a claridade novamente. Foi então que eu percebi que durante o tempo em que estivemos no escuro, Bill e eu entrelaçamos as mãos. Aí veio a maior surpresa do dia.
— Se eu te disser que em cima de nós está o Salgueiro Lutador, você acredita? — perguntou, receoso.
— Tá brincando, né?
— Queria. — pareceu nervoso.
— Como que vamos sair daqui sem ser sermos esmagados?
— Eu tenho uma ideia e é um pouco maluca.
— É pra sair daqui, então eu topo qualquer coisa.
Eu nem tive tempo pra responder quando Bill pegou em minha mão e começou a me puxar, correndo para fora do túnel. Acho que o Salgueiro nem notou a rapidez com o qual saímos, porque sequer se moveu. O importante é que estamos vivos.
— Estou surpresa por ter descoberto uma passagem secreta... Embaixo do Salgueiro. — comentei.
— Podemos manter isso em segredo. O que acha?
— Claro. Não quero criar problemas para o Monitor da Grifinória. — sorri.
— Vindo de uma Sonserina, realmente é surpreendente. — caçoou.
— Quer que eu mude de ideia? É só pedir. — resmunguei.
— Nah, eu prefiro assim.

De volta ao castelo, aproveitando a ausência de boa parte dos alunos, fomos para algum local interessante para conversarmos. O pátio no andar inferior oeste está vazio, ou seja, local perfeito. E foi para lá que nós dois seguimos.
— Como é ser um Monitor? — questiono.
— Bastante puxado. — explica. — Cheio de obrigações, tarefas...
— Mas não era o que você sempre quis? — pergunto de forma retórica. — Já deveria saber que seria assim.
— É, eu sempre quis ser Monitor. Estou me dando muito bem na função, é legal e eu gosto. — sorri. — Isso ajuda a quebrar um pouco do tabu que criaram dizendo que só sei fazer bagunça.
Imagino como deve ser para Bill ter essa imagem rondando sua sombra. Ele é um aluno centrado, pelo que pude observar. O fato de ele ser total empenhado me assusta um pouco pelo fato de que eu sou o oposto. Mas sempre dizem por aí que opostos se atraem, parece que é verdade.
— Obrigada. — digo, sorrindo.
— Pelo quê? — arqueou a sobrancelha.
— Pelo encontro, Weasley. — corei. — Me diverti demais.
— Eu que agradeço, . — disse, educado. — Eu também me diverti muito hoje.
— Então...
— Te vejo amanhã? — me cortou, depressa.
— Com certeza. — sorri.
Levantei, me aproximando um pouco mais de Bill. Dou um beijo delicado em sua bochecha como despedida e saio andando para dentro novamente, na direção das Masmorras. Incrível como alguém muda totalmente sua vida em questão de dias. É assim que me sinto perto de Bill e tenho certeza que ele sente a mesma coisa também. Eu só não posso, em hipótese alguma, deixá-lo ir.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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