Última atualização: 20/05/2020

Capítulo 1.
Bill Weasley.


— Todo mundo não para de falar de um tal de Bill Weasley. Eu nem sei quem é. — comentei, me sentando na mesa.
— Como assim? Todo mundo em Hogwarts conhece o Bill, ! — pareceu surpresa.
— Pena que eu não sou todo mundo de Hogwarts, . — sorrio.
Eu não entendo como um aluno qualquer pode ser tão conhecido pelos corredores. Quero dizer, todos os meus amigos só falam sobre Bill Weasley e eu sequer sei quem é. Aliás, eu deveria? Não que eu realmente me importe, mas não vejo motivos coerentes. Tudo o que ouço falar sobre Weasley é que ele é engraçado, sabe se divertir e etc! Isso não é muita coisa.
— Terra para ! — estala os dedos diante de meus olhos. — Garota, você estava com a cabeça em qual lugar?
— No meu pescoço, obviamente. — gargalho. — Que aula temos agora?
— Ah, o seu humor matinal soa como música para os meus ouvidos. — rolou os olhos. — Poções, desatualizada.
Assenti e acabei meu café da manhã. Levantei da mesa, sendo acompanhada por e , minhas melhores amigas. Enfim, acho que agora sobra mais tempo para pensar. Faltam apenas dois anos e eu me formarei em Hogwarts, ou seja, estou no quinto ano. Estranho pensar que passei 5 anos vivendo e sequer sabendo da existência de Bill Weasley. Eu deveria estar vivendo abaixo de uma bigorna, é claro.
O ano é 1986 e estamos quase perto do Halloween. Okay, nem tanto. É a segunda semana das aulas de Setembro. O que também significa que, há 5 anos, Voldemort caiu. Na realidade, eu não vejo motivos para temerem um simples nome, afinal, ele sequer passa disso agora. Voldemort é apenas um nome. Infelizmente, há cinco anos, Lily e seu marido, James, deram suas vidas para proteger seu único filho, Harry. Todos sabemos que ele está a salvo agora e que em breve estará nesse castelo. O garoto que sobreviveu.
Quando finalmente cheguei na sala de Snape para as aulas, percebi alguns alunos da Grifinória cochichando. O silêncio pairou quando a figura em preto e bem assustadora entrou na sala como um tremendo estrondo. Se não for pra chegar causando, aposto que Snape sequer abre os olhos.
— Prestem atenção em minhas palavras, não vou tolerar nenhum ato imprudente em minhas aulas. — disse, com certo desdém.
Alguns alunos mais velhos de Hogwarts disseram-me que, desde o sacrifício dos Potter, especialmente o de Lily, Snape tornou-se mais recluso e desdenhoso. Isso me fez perceber que, talvez, eu disse talvez, ele poderia ter gostado de Lily. É a única razão que enxergo para ele ter ficado tão... Fechado. Fora que, pelo o que eu sei, ele detestava James. Logo, Lily é a razão de Snape parecer tão mau humorado do que anteriormente. Fora que ele almeja mesmo é o cargo de Defesa Contra as Artes das Trevas ao invés de Poções. Infelizmente, nada é como queremos e nosso querido professor precisa aceitar isso.
— Quero vocês em duplas. — anunciou. — Porque essa poção requer trabalho duplo.
Snape começou a separar todos em duplas. No fundo, eu estava torcendo para ir com alguém conhecido ou até mesmo com uma das meninas, mas não foi o que aconteceu. Depois de separar todos em duplas, a única pessoa que sobrou foi um ruivo alto e magro, com os cabelos longos. Ele usa o típico uniforme Grifinório, o que já não me surpreende.
— Davis, queira sentar logo e começar a poção? — Snape indaga, aborrecido. — Claro, professor.
O ruivo e eu sentamos juntos, aguardando pelas próximas instruções de Severus. Após certificar-se de que todos os alunos tinham todos os materiais necessários e que estavam organizados em duplas, Snape limpou a garganta, atraindo por completo a atenção de todos os alunos. O silêncio que ele obtêm apenas com um gesto é surpreendente.
— A poção que irão preparar hoje é a Poção do Sono. Comecem.
Abri o livro, enquanto o ruivo ao meu lado começou a separar ingredientes com certa destreza, o que chamou minha atenção. Assim que encontrei a página referente ao que devíamos fazer, deixei meu livro em aberto, separando parte dos ingredientes restantes.
— Não achei que iríamos demorar tanto para nos conhecer, Davis. — o ruivo diz, calmo.
— Desculpe, mas... Eu conheço você? — perguntei.
— Provavelmente não. — sorriu. — William Weasley, ou como me chamam por aí, Bill.
Ok. Eu quase cai de minha cadeira assim que ele disse quem era. Não pode ser possível que isso aconteceu. Eu sequer sabia quem Bill Weasley era e agora ele está aqui, servindo como minha dupla para a aula de Poções. Isso realmente só pode ser brincadeira ou o cosmos tirando uma comigo.
— E presumo que me conhece graças ao incidente do ano passado. — digo.
— Não. — deu de ombros. — Ouvi falar de você muito antes do incidente.
O ‘incidente’ o qual me refiro foi uma parte marcante que aconteceu. Ano passado, alguns estudantes idiotas do Sétimo Ano resolveram fazer algumas pegadinhas para comemorar sua graduação. Porém, uma dessas pegadinhas deu totalmente errado e parte do banheiro desabou, deixando alguns alunos com ferimentos graves. A minha participação no incidente foi eu ter arriscado minha vida e entrado no banheiro para ajudar quem precisava. Tudo teria terminado bem, se uma viga não tivesse desabado sobre mim. Nada muito grave aconteceu, exceto uma perna quebrada. A Madame Pomfrey consertou isso quando pôde, porque a enfermaria ficou totalmente lotada de alunos machucados. Alguns casos mais sérios, outros nem tanto.
Como eu sou ajudante na Enfermaria, pude ajudar, de certa maneira, alguns alunos. Todos ficaram sabendo do meu envolvimento com o acidente, o que rendeu fofocas o resto do ano letivo. Contudo, os alunos responsáveis foram expulsos e suas casas perderam pontos. Quanto ao meu ato, bem, isso rendeu pontos para a Sonserina no final. O que me deixa surpresa de fato é que Bill ouviu falar de mim antes do ocorrido. Curioso.
— Então... Quem te contou sobre mim e por que? — pergunto.
— Ei, você é muito apressada e muito curiosa. — ri. — Que tal irmos no Três Vassouras e eu explico a história melhor?
— Me chamando para sair, Weasley? — provoco, sorrindo também. — Você é ligeiro.
— Nah... Só não deixo oportunidades passarem.
— Certo. Podemos ir no Três Vassouras.

[...]

— COMO ISSO ACONTECEU? — grita. — PELAS BARBAS DE MERLIM!
— Um encontro casual, oras. — dou de ombros. — Além do mais, o que tem nisso?
, estamos falando do Bill Weasley! O aluno mais popular de Hogwarts, monitor da Grifinória e, sinceramente, desejado por todas as meninas. É só “o que tem nisso”. — explica, fazendo aspas.
— Ah, claro. — rolo os olhos. — Ele é um troféu transfigurado em gente.
arremessou uma almofada de sua cama, rindo alto. rolou os olhos, entediada. No nosso grupinho, apelidado carinhosamente de Golden Club, eu sou a aluna nada empenhada, que sempre tira notas medianas e sempre passa de raspão, além de ser impaciente, irônica, sarcástica e um pouquinho mau humorada; é a conselheira, sempre sabe o que dizer independente da situação, é inteligente, perspicaz, focada no que quer e ambiciosa como nunca vi. É o tipo de amiga que, se eu chamar para bater em um trasgo, vai comigo. , porém, é a florzinha do passeio. Embora ela seja esforçada e dedicada, ela é calma e na dela, neutra. Entre e eu, é quem tem as melhores notas. Em meu ponto de vista, ela é o ser mais amoroso que já conheci e me surpreende ter vindo parar na Sonserina. Enfim, juntas, somos únicas.
— Eu ainda não acredito que você vai ir com o Bill Weasley no Três Vassouras! — surtou. — Inveja de você, .
, seria bizarro eu não entender o motivo do seu surto? — indago, rindo. — Não tem nada demais nisso.
— Claro que tem, ! — rebate. — Você não está entendendo o que isso quer dizer!
— Oras, me explique.
e trocaram olhares sugestivos, me deixando um pouco insegura. Não, eu não estou gostando do rumo que essa conversa está tomando. Quero dizer, o que diabos tem demais em sair com o Weasley? Não vamos fazer nada demais além de tomar Cerveja Amanteigada... Eu espero.
, querida, isso é surpresa para todos, porque o Bill nunca chamou uma garota para sair. — explica, calma. — É por isso que está surtando igual uma Diabrete da Cornualha.
— Não tinha algo pior para me comparar? — rola os olhos. — Enfim, todo mundo sabe que Bill é na dele, o que chega a ser espantoso ele ter chamado alguém pra sair, ainda mais sabendo que 99% das garotas em Hogwarts caem matando trasgos por ele.
— Ah, entendo. — dou de ombros. — Vamos ver no que vai terminar.
, já comece a desenhar o seu vestido de madrinha. — a cutuca.
Rolei os olhos, desaprovando totalmente o comentário. Infelizmente teríamos aula sobre História da Magia, uma matéria do qual eu não tenho tolerância. Eu amo história, mas, francamente, o professor consegue deixar até um Diabrete entediado; e olhe que são animaizinhos insuportáveis.
Porém, enquanto fui andando pelo corredor com e , pude observar que os cochichos e olhares curiosos sobre mim se intensificaram. Uma sensação terrível tomou conta de meu corpo, fazendo com que, instantaneamente, eu me sentisse mal. Esses olhares foram os mesmos que recebi quando me enfiei naquele banheiro ano passado.
— Hey, ! — uma garota da Grifinória me chama. — Posso perguntar algo?
— Claro. — respondo educadamente.
— É verdade que o Bill Weasley te chamou pra sair?
— É... Por quê?
— Ah, então também é verdade que vocês já...
Okay. Isso não foi 1% agradável de se ouvir. Eu não sei quem diabos espalhou essa calúnia contra a minha pessoa, insinuando absurdos. Olhei feio para a garota, enquanto notei também que algumas pessoas — principalmente garotas. — pararam o que estavam fazendo para escutar a minha resposta. Ótimo.
— Eu não sei quem disse isso tudo sobre mim, mas garanto que o que eu faço ou deixo de fazer com quem eu quero não é problema de vocês.
— Foi só uma pergunta. — ri, irônica. — Só pelo seu nível de exaltação, já dá pra ter uma ideia dos rumores.
— Ah, claro. — rio nasalmente. — Eu esqueci que cobras destilam veneno por aí e suas fiéis seguidoras adoram rastejar em sua sombra pra tentar ser alguém. Não me surpreende em nada você precisar se certificar sobre isso, não? Além do mais, o seu nariz... Fez algo nele? Plástica, talvez? Ele está um pouco estranho.
A garota ficou mais vermelha que pimenta. Sorri vitoriosa. É, moça, você escolheu a sonserina errada para encher o saco. Sinceramente? Eu não tenho um pingo de paciência para quem quer inventar conversa fiada envolvendo minha pessoa. Eu não sei explicar, mas parece que boa parte das garotas só está aqui para arrumar um macho. Coragem.
— Ao invés de querer espalhar boato falso sobre mim, o que acha de procurar um cérebro e colocá-lo dentro dessa sua cabeça vazia que apenas separa tuas orelhas? Huh.
Dito isso, voltei a andar, deixando a Grifinória para trás com cara de tacho. Espero que essa coisa pense infinitamente antes de querer vir me tirar para, sei lá, qualquer coisa. Infelizmente, ao chegar na sala, novamente os cochichos se intensificaram e foi o suficiente para que eu ficasse com a cara emburrada pelo resto do dia.

[...]

— Foi você, foi? — cheguei, quase gritando para o Weasley.
— Eu o quê? — perguntou, confuso.
— Que espalhou que a gente... Ah, você sabe. — bufei.
— Não, . — defendeu-se. — Eu nem sabia sobre isso até três segundos atrás!
— Então quem foi? — explodi. — Estão falando baboseiras sobre mim!
Bill pareceu chateado. Foi então que eu percebi que ele estava sendo 100% verdadeiro comigo, o que me fez abaixar a guarda. Sei que não posso acusá-lo de algo sabendo que ele nunca o faria. É injusto, eu sei.
— Desculpe. — suspirei. — Essa confusão me deixou bastante estressada. Não é culpa sua, de qualquer maneira.
— Eu também preciso me desculpar, . — descontraiu, calmo. — Afinal, é sobre você que estão falando.
— Se você fosse o responsável, até teria como pedir desculpa... Mas não, não foi você.
— Mesmo assim. É baixo e desnecessário falarem besteiras sobre isso. — deu de ombros. — Eu entendo como você se sente, eu ficaria tão irritado quanto você está agora.
Talvez eu esteja um pouco arrependida por ter ignorado sua existência durante 5 anos. Bill é um garoto adorável em todos os sentidos. Ele é doce, gentil, engraçado, protetor, corajoso... Enfim, ele é incrível. Nem acredito que desperdicei tanto tempo.
— Então, tudo na paz novamente? — perguntou.
— Claro. — sorri. — O encontro no Três Vassouras também?
— Óbvio! — respondeu, empolgado. — Mas então, vai ficar em Hogwarts para o Natal? Sei que ainda estamos em Setembro, mas é curiosidade, apenas.
— Não faz mal ser curioso... Mas, respondendo sua pergunta, acho que sim... Meus pais escreveram e disseram que vão passar um tempo a mais fora e talvez não cheguem a tempo para o Natal. — dei de ombros.
— Então não se importa de ir conhecer a Toca, não é?
— Toca?
— Minha casa. — sorriu. — É assim que chamamos.
— Fiquei curiosa. — cruzei os braços. — Adoraria, Weasley.
Foi então que percebi que passamos a andar juntos, conversando como velhos amigos. A companhia dele me faz bem, para ser sincera. É estranho, porque, normalmente, eu não me sinto assim perto de ninguém com exceção de e . É a primeira vez que acontece com alguém tão diferente... E em tão pouco tempo.
— Então, além do Charles, que está aqui, tem o Percy, Fred, George, Rony e a Ginny. — explicou. — Percy vai entrar ano que vem em Hogwarts.
— Você tem muitos irmãos, Bill. — gargalhei. — Deve ser legal.
— Você tem irmãos? — indagou, curioso.
— Não. — confessei. — Filha única.
— Aposto que vai gostar de ter um monte de criança disputando sua atenção.
Mas eu só quero a sua, pensei. Espera, o quê? Era só o que me faltava, francamente. Estou sendo traída pelos meus próprios pensamentos! Mas certo, admito. Bill me deixa tão confortável que pensar que não terei sua atenção chega a ser assustador. Não, não quero isso.
— É estranho. — comento.
— O quê? — perguntou
— Pensar que nos conhecemos apenas há algumas horas e sinto como se fossem anos.
— Talvez tenha que ser assim, não? — disse. — Amizades nascem dessa forma.
— É, tem razão. — concordei. — É legal ter você como amigo, Weasley.
— É legal ter você como amiga, Davis. — repetiu, brincando.
Se não fosse por um mero detalhe, eu diria que poderia passar o resto da tarde com ele. Contudo, sendo ambos de casas diferentes e tendo responsabilidades diferentes, somos obrigados a nos separar. Depois do jantar, tomei um banho e apenas vi Bill brevemente como monitor, estava retornando para a casa da Grifinória com os demais alunos. Eu, porém, segui para as Masmorras, onde fica o dormitório da Sonserina. Depois de vestir meu pijama, fui para perto da lareira, sendo abordada pelas minhas fiéis escudeiras.
— Já pode abrir o bico. — se jogou no sofá. — Queremos detalhes detalhados.
— Menina, pega o lençol da cama pra ir de vela na festa a fantasia de Halloween. — provoca, rindo.
— Acho que seria o que Trouxas chamam de Tocha Olímpica, .
— Vocês não prestam. — rio. — Não foi nada demais.
— Então por que você está com as bochechas vermelhas? — questiona. — AH, SAFADA!
— Nós somente conversamos, somente isso! — explico.
— A cara dela diz que tem mais coisas. — encara .
— Okay, tem mais, sim. — suspirei. — Ele me convidou para ir para a Toca.
Elas se entreolharam curiosas, logo voltando a me encararem. Aposto que os 70% de água do meu corpo se dissiparam depois dessa secada que elas me deram, sério. Até fiquei com medo, porque isso nunca aconteceu antes.
— Você está falando de que, louca? — arqueia a sobrancelha.
— Ele me convidou para passar o Natal na casa dele. — revelei, de forma baixa.
O grito que ambas deram possivelmente foi escutado em cada centímetro existente em Hogwarts, sem dúvida.


Capítulo 2.
Três Vassouras.


Felizmente o final de semana chegou mais rápido do que eu pensei que chegaria. Isso significa apenas uma coisa: Hogsmeade! O que também me lembra que irei com Bill no Três Vassouras. e ficaram tagarelando sobre isso o resto da semana, para a minha infelicidade. Além de fazerem insinuações que só elas fariam, claro.
Depois de me vestir apropriadamente com uma calça preta justa, camisa cinza, jaqueta preta e coturno da mesma cor, coloquei uma touca branca com uma bolinha felpuda na ponta. É minha preferida, afinal. vestiu-se da mesma maneira, mas, ao invés do coturno, optou por um all star cano alto, uma camisa xadrez vermelha manga longa e uma jaqueta de couro preta. vestiu um suéter grande mais parecido com um poncho cinza — que eu acho maravilhoso. — calça justa preta e uma bota na mesma cor. Nos encontramos no centro da Sala Comunal da Sonserina, prontas para irmos.
— Se eu fosse o Weasley, eu teria um ataque cardíaco. — diz, avaliando minha roupa.
— Já percebeu que todas as vezes em que vamos em Hogsmeade, nunca se arruma horrores para a ocasião? — alfineta.
— É, eu concordo. — brinca. — O Weasley que se prepare.
— Dá para as duas beldades de Hogwarts calarem as bocas? — rolo os olhos, tentando prender o riso. — Eu sei que vocês me amam e me invejam.
— Claro, amiga, com certeza. — ironizam. — Vamos?
Assenti, acompanhando as duas para fora da Sala e indo para a turma que iria para Hogsmeade. Chegamos bem a tempo, quando a Professora McGonagall estava chamando nossos nomes. Após nos apresentarmos, ela seguiu na frente e, como um comboio, os alunos seguiram atrás. Fomos para a Estação pegar o trem e eu ainda não havia visto qualquer sinal do ruivo. Bem, se ele for me dar um bolo, ainda sim terei minhas melhores amigas comigo.
— Que cara é essa? Parece que viu um bicho papão. — indaga, um pouco preocupada.
— Eu não sei... De repente eu senti um leve medo em tomar um bolo. — suspirei. — Isso não é bom para a minha reputação, sério.
Acho que eu não mencionei a parte em que eu tenho uma reputação em Hogwarts. Pois bem, eu tenho. Grande parte dos alunos me conhece por eu ser bastante temperamental. Eu achei engraçado quando inventaram boatos dizendo que eu havia enfrentado uma tarântula na Floresta Proibida logo após ter feito Filch chorar, o que em partes é verdade. Eu fiz ele chorar uma vez e foi estranho. Ele não me pegou em um bom dia, obviamente.
— Ah, . — dá de ombros. — Se tomar um bolo, você vai sobreviver.
— Com certeza. — murmuro. — Eu vou matar um Weasley.
— Só se for de prazer. — provoca.
Se dependesse da minha vontade pessoal, teria sido oferecida como lanche aos Trasgos. Fuzilei-a com o olhar e, como resposta, ela apenas gargalhou alto. Felizmente eu notei que estávamos nos aproximando da nossa parada, o que por si só já é um alívio. Embora eu ame essas duas loucas, às vezes me sinto na obrigação de dizer que elas realmente não tem um pingo de noção. Talvez eu traga o que os trouxas chamam de Rivotril.

— Vamos? — pergunto, levantando. — Minha bunda já está amortecida.
— Santo Merlin, . — se levanta. — Nem parece que vai estar com o Weasley.
— Isso se ele for, não é? — sorrio, sarcástica.
— Ah, tem esse detalhe também. — observa.
Deixamos o trem e McGonagall nos dispensou para irmos passear. Para ter certeza de que não tomei um bolo, inventei uma desculpa esfarrapada para as garotas e pedi para elas irem na frente, enquanto eu iria pegar algo que esqueci. É óbvio que elas compraram minha desculpa idiota e foram andando.
— Achou que eu iria te dar um bolo? — ouço a voz de Bill logo atrás.
— Para ser sincera? — pergunto, vendo-o assentir. — Achei.
— Eu deveria ter imaginado. — riu, divertido. — Eu acabei vindo antes e esqueci de avisar.
— Pelo menos você está aqui. — digo, tímida.
— É. — corou leve. — Vamos?
Assenti e novamente passamos a caminhar juntos, sem pressa. Incrível como assunto é algo que não falta entre nós dois. Perguntei o que ele pretende fazer assim que se formar em Hogwarts e, como resposta, disse que ainda não tinha certeza, mas gostaria de algo que envolvesse aventura. Se a Grifinória tivesse uma personificação, eu diria que seria Bill.
— E você, o que pretende fazer? — questiona.
— Não tenho certeza também... Talvez eu siga a mesma profissão dos meus pais. — dou de ombros.
— Que seria...?
— Ah, meus pais são Aurores. — explico. — Uma vida perigosa, não acha? Mas também fico entre Escritora ou até mesmo Professora de Defesa Contra a Arte das Trevas.
— Acho que você se sairia bem em qualquer profissão que tentar, . — elogiou-me.
Senti minhas bochechas pegarem fogo. Bill é impressionante. Consegue me deixar confortável, tímida, envergonhada e tudo o que é possível em questão de segundos. Perto das minhas melhores amigas, eu sou uma criatura louca, perto dele eu me transformo totalmente. Eu gosto, é diferente.
— Então... Vai me contar de onde me conhece? — pergunto.
— Claro. — respondeu. — Mas primeiro, Cerveja Amanteigada.
— Adorei a ideia.
E na direção do Três Vassouras nós fomos. Porém, antes mesmo de chegarmos ao lugar, eu escorreguei na neve e acabei caindo. Bill começou a gargalhar alto ao ver minha cara. Emburrada e como resposta, joguei um amontoado de neve nele, que deveria ser uma bola. Depois da crise de riso, ele veio me ajudar a levantar e acabou escorregando, caindo e ficando por cima de mim. A respiração dele bate em meu rosto, já que estamos bem próximos. Eu acho que meus pulmões pararam de funcionar.
— Er... Vem, vou te ajudar a levantar. — diz, envergonhado.
— O-obrigada. — respondo.
Depois de Bill me ajudar a levantar, limpamos as roupas da neve e eu gargalhei ao reparar que o cabelo dele está sujo também. Então me aproximei, ficando na ponta dos pés, já que Bill é bem mais alto que eu. Levantei os braços e tirei uns resquícios de neve de suas madeixas ruivas, sorrindo.
— Valeu. — agradeceu. — Agora podemos ir.
— Concordo. Estou começando a sentir meus pés gelarem.
Bill riu, fazendo-me rir também. Ao entrar no Três Vassouras, um silêncio repetindo caiu e todos os olhares foram devidamente direcionados a nós dois. Bill pareceu ignorar isso quando me puxou levemente para irmos sentar em uma mesa afastada. Os demais alunos pareceram ignorar nossa existência, porque as conversas paralelas começaram.
— Duas cervejas amanteigadas, por favor. — pediu.
Foi então que passei a reparar que Bill, em contraste com a luz da janela, fica tão... lindo. A pele pálida e os longos cabelos vermelhos deixam ele tão atraente. Até ontem eu não iria prestar atenção em um singelo detalhe sequer, mas agora que somos só nós dois... Cada detalhe é tão importante que não consigo deixar de notar.
— Acho que agora posso contar como soube de você. — comentou, atraindo minha atenção. — Foram uns garotos do time de Quadribol.
— Como assim? — arqueei a sobrancelha, curiosa.
— Como eu sou o monitor, sou amigo de todos os alunos da Grifinória. — explicou. — E acabei ouvindo o meu irmão que está no time falar sobre você. Ele estava comentando que você é uma aluna um tanto quanto diferente. Como eu já tinha te visto por aí arrumando confusão, eu quis saber um pouco mais.
— Diferente como? — sorri. — Arrumar confusão é meu nome do meio, Weasley.
— Charles e eu fomos conversar sobre o assunto e ele deixou escapar que acha você incrível, no sentido de ser bem decidida e cheia de si. — sorriu. — Além de ser bonita e engraçada.
— Seu irmão disse isso tudo? — perguntei, surpresa. — E quem me chama pra sair é você? Oi?
— Ah, fique calma. — brincou. — Charles disse que não é problema eu ter te chamado pra sair. Ele até me incentivou a fazer isso.
Muita informação para um cérebro lento como o meu. Nem eu acredito nisso, porque é bastante surpreendente. Depois de tomar a Cerveja e assimilar as coisas que ouvi, soube que não poderia perdê-lo.
— O que acha de irmos conhecer a Casa dos Gritos de perto? — sugere, empolgado.
— Ficou maluco? — rio. — Aquela casa tem sérios probleminhas.
— Você tem medo de fantasma, Davis? — provoca, sugestivo.
— Eu tenho medo é dos vivos. — cruzo os braços.
— Então eu desafio você a ir comigo na Casa dos Gritos.
— Desafio aceito.
Duvidar de mim é, sei lá, tentar me provocar. Me desafiar então... Ah, não. Eu não recuso um bom desafio. Depois de sairmos do Três Vassouras, fomos andando até a entrada da Casa. Particularmente, é difícil eu me assustar com algo. Eu já vi de tudo e um pouco mais e não é um fantasminha que vai mudar isso.
— Preparada? — pergunta, ironicamente.
— Amigo, eu topei o desafio e não volto atrás. A questão é, você está com medo, Weasley? — provoco.
— Eu sou um grifinório. Acha que estou com medo?
— Existem grifinórios medrosos. Quem sabe você não está apenas tentando me impressionar?
— Sonhe com isso, . — sorri.
Então fomos andando para dentro do terreno da infame Casa dos Gritos. Ao me aproximar, notei a decadência do local. Eu nunca sequer tive a intenção de passar do cercado por motivos de não ter interesse, mas com Bill eu sinto a necessidade de provar que sou tão corajosa quanto ele. A ideia de ficar na sombra de alguém simplesmente me aborrece muito, porque sei que tenho muito a provar pelo meu próprio mérito. E, assim que finalmente entramos na casa, notei como ficou abandonada.
— Olhe só, tem um piano. — Bill diz.
— Adoro pianos. — sorrio.
Embora o local inteiro esteja abandonado, sujo e parcialmente destruído, o instrumento consegue quebrar por completo o desgosto que senti. É um contraste perfeito. Me aproximei do piano e toquei algumas teclas, observando que o mesmo continuava afinado. Não consegui evitar a minha vontade de tocá-lo, então o fiz. O som tornou-se presente no ambiente e foi como se eu estivesse conectada com o piano, ficando em êxtase.
! — ouço Bill me chamar. — Estou te chamando faz um tempão.
— Desculpe, é que eu realmente gosto de tocar piano. — coro.
— Você toca muito bem, sério. — elogia. — Também poderia se dar bem como musicista. — Obrigada. — sorrio. — Mas então, tem mais alguma coisa para explorar aqui? — pergunto, deixando o instrumento de lado.
— Deve ter. — dá de ombros. — Vamos lá!
Subimos as escadas ouvindo o ranger de cada degrau velho. A impressão que tive é que a casa inteira iria cair em cada passo que demos. É, não foi legal. Assim que chegamos no andar de cima, mais sujeira. Se estivesse aqui, ela provavelmente iria querer limpar tudo até ver o teto brilhar. Juro.
— Esse lugar é ideal para quem quer se esconder, não acha? — sugiro, observando as marcas nas paredes.
— Estranho... Realmente é bom para se esconder. As pessoas não iriam vir bisbilhotar, de qualquer maneira.
— Realmente. — concordo.
A Casa dos Gritos tem uma fama maravilhosa de casa mal assombrada e muitos poucos bruxos tem coragem de vir se aventurar nela. Bill e eu somos uns desses poucos bruxos. Depois de explorar cada micro-espaço, acabamos encontrando algo, no mínimo, curioso.
— Topa? — encarou-me.
— Se você for, eu vou. — digo.
Entramos na pequena passagem com Bill na frente, notando o ambiente totalmente escuro. Além do cheiro de mofo e da umidade, é quase impossível não tropeçar. Por instinto, segurei em Bill para me certificar de que não vou cair em cima dele.
— Está com medo, Davis? — perguntou, rindo.
— Não, Weasley. — bufei. — Só não quero cair.
— Ah, não é problema. — brincou. — Se você cair, eu te pego.
— Com certeza. — ironizei.

Depois de um bom tempo caminhando, nós começamos a enxergar a claridade novamente. Foi então que eu percebi que durante o tempo em que estivemos no escuro, Bill e eu entrelaçamos as mãos. Aí veio a maior surpresa do dia.
— Se eu te disser que em cima de nós está o Salgueiro Lutador, você acredita? — perguntou, receoso.
— Tá brincando, né?
— Queria. — pareceu nervoso.
— Como que vamos sair daqui sem ser sermos esmagados?
— Eu tenho uma ideia e é um pouco maluca.
— É pra sair daqui, então eu topo qualquer coisa.
Eu nem tive tempo pra responder quando Bill pegou em minha mão e começou a me puxar, correndo para fora do túnel. Acho que o Salgueiro nem notou a rapidez com o qual saímos, porque sequer se moveu. O importante é que estamos vivos.
— Estou surpresa por ter descoberto uma passagem secreta... Embaixo do Salgueiro. — comentei.
— Podemos manter isso em segredo. O que acha?
— Claro. Não quero criar problemas para o Monitor da Grifinória. — sorri.
— Vindo de uma Sonserina, realmente é surpreendente. — caçoou.
— Quer que eu mude de ideia? É só pedir. — resmunguei.
— Nah, eu prefiro assim.

De volta ao castelo, aproveitando a ausência de boa parte dos alunos, fomos para algum local interessante para conversarmos. O pátio no andar inferior oeste está vazio, ou seja, local perfeito. E foi para lá que nós dois seguimos.
— Como é ser um Monitor? — questiono.
— Bastante puxado. — explica. — Cheio de obrigações, tarefas...
— Mas não era o que você sempre quis? — pergunto de forma retórica. — Já deveria saber que seria assim.
— É, eu sempre quis ser Monitor. Estou me dando muito bem na função, é legal e eu gosto. — sorri. — Isso ajuda a quebrar um pouco do tabu que criaram dizendo que só sei fazer bagunça.
Imagino como deve ser para Bill ter essa imagem rondando sua sombra. Ele é um aluno centrado, pelo que pude observar. O fato de ele ser total empenhado me assusta um pouco pelo fato de que eu sou o oposto. Mas sempre dizem por aí que opostos se atraem, parece que é verdade.
— Obrigada. — digo, sorrindo.
— Pelo quê? — arqueou a sobrancelha.
— Pelo encontro, Weasley. — corei. — Me diverti demais.
— Eu que agradeço, . — disse, educado. — Eu também me diverti muito hoje.
— Então...
— Te vejo amanhã? — me cortou, depressa.
— Com certeza. — sorri.
Levantei, me aproximando um pouco mais de Bill. Dou um beijo delicado em sua bochecha como despedida e saio andando para dentro novamente, na direção das Masmorras. Incrível como alguém muda totalmente sua vida em questão de dias. É assim que me sinto perto de Bill e tenho certeza que ele sente a mesma coisa também. Eu só não posso, em hipótese alguma, deixá-lo ir.


Capítulo 3.
Criptas Malditas.


Agora estamos às vésperas do evento mais aguardado do ano, obviamente. O Natal é sem dúvida bastante esperado por aqui pelo fato de que podemos ir para casa. Eu adoro as tradições do mundo Bruxo, são centenas de vezes melhores que as comemorações Trouxas. Infelizmente, eu nunca pude acompanhar os trouxas e seus costumes pelo fato de meus pais viverem viajando por aí. Quando estou em casa, acabo indo com eles. Eu só tenho uma única parente bruxa que casou com um trouxa, minha tia Dana. Ela mora na Austrália e trabalha como jornalista, além de que tem meu primo Lucas, o qual eu sou muito apegada.
Desde Hogsmeade, há três meses, percebi que muitas coisas andaram mudando por aqui. As garotas que caem de amores por Bill me encaram torto enquanto eu ando pelos corredores, o que é engraçado. Mas se bem que, ultimamente, tem alguém que me deixa bastante inquieta. Trata-se de uma aluna do terceiro ano, da Corvinal. Essa aluna em questão tem me dado dor de cabeça devido ao tempo que passa grudada em Bill. O motivo é que a gracinha das montanhas está atrás das Criptas Malditas, para tentar achar Jacob, o irmão desaparecido.
Se ela já não tinha causado problemas demais, está causando agora. Ela arrastou Bill para uma das Criptas e, como ele não nega uma aventura, topou na hora. O problema é que, dentro da Cripta, ele foi atacado com Gelo Maligno e acabou congelado. Aí , a irmã de Jacob, quase botou fogo no ruivo ao lançar Incendio. Okay, colega. Não é porque Bill tem cabelo vermelho que ele quer virar camarão.
— Que cara emburrada é essa, ? É a tal ? — se joga do meu lado.
— É. — respondo, mau humorada. — Será que ela não pode viver como uma estudante normal em Hogwarts e ficar longe de problema?
— Amiga, não se esqueça que ‘problema’ é seu nome do meio. Além do mais, ela só tem 13 anos!
— E daí? Isso não quer dizer que precisa arrastar o Bill para cima e para baixo.
— VOCÊ ESTÁ COM CIÚME? — gritou. — ESTOU PASMA!
— Cale a boca, . — ralhei. — Bill não é meu namorado e eu não estou com ciúme!
Nisso se aproximou, atraída pelos gritos histéricos de . Oh, céus. O que eu fiz pra merecer esse tormento em uma quarta-feira de manhã? Só posso ter feito alguma poção errada, não é possível. Pelas barbas de Merlin, que vontade de fazê-las vomitarem lesmas. Pelo menos, não estarão falando besteiras.
— Se isso não é ciúme, eu certamente não sei o que é.
, querida, se algum dia você gostar de rapazes, pode ser que eu assuma meu ciúme pelo Bill, está bem? — sorrio, sarcástica.
Ela empurrou-me, rindo. Não é segredo que gosta de garotas e, quando ela me contou, eu reagi normalmente e a apoiei, como sempre faria. é minha melhor amiga e eu faria de tudo por ela. Então ela pediu-me para guardar segredo sobre isso e assim o fiz.
— E o Bill, como anda? — perguntou, mordendo uma maçã.
— Estamos bem, obrigada. — digo, cortando o bacon e voltando minha atenção para o livro. — Semana passada estávamos estudando juntos para o NOM... Sem ter aquela peste da em cima.
— Você estudando? Santo Merlin, vai chover tarântula. — gargalhou.
Realmente, eu não sou muito aplicada nos estudos quanto Bill, mas isso não parece ser um problema. Embora eu não seja esforçada, eu sempre sei o suficiente para me dar bem nos testes, o que deixa Bill com uma leve inveja, porque ele se mata de estudar.
. — ouço uma voz peculiar. — Você viu o Bill por aí?
Olhei para cima, quebrando a concentração do livro que estava lendo, para ver que quem me chama é justamente a origem das minhas enxaquecas das últimas semanas. Com o clássico uniforme azul da Corvinal, os olhos curiosos dela esperam por uma resposta minha.
— Que intimidade nós duas temos para você me chamar pelo meu apelido? Não, não vi. — resmungo. — E, mesmo se tivesse, não te falaria. Se manda daqui, fazendo favor, antes que arrume problema comigo também... Ah, se encontrar o ruivo, FAÇA BOM PROVEITO.
A garota saiu às pressas, como se estivesse cara a cara com Voldemort. Fala sério, essa garota está começando a me aborrecer. Para ser bastante sincera comigo mesma, eu não me importo com o que Bill faz ou deixa de fazer. Agora essa garota, um pouco de senso não faz mal, então por que raios ela não se toca que é inconveniente?
, não precisava falar com ela assim. — a defende.
tem razão, . — concorda. — Certo que a garota é xarope e está começando a encher o saco, mas ainda não é motivo para você tê-la tratado tão mal.
— Meninas, olhem bem no fundo desses meus olhos maravilhosos que meus pais fizeram com tanto carinho e me digam se eu me importo com uma pirralha. — sorrio, sarcástica.
Dito isso, fechei meu livro e deixei minhas amigas no Salão Principal. Acho que estou irritada demais com o que tem acontecido envolvendo o Weasley. Minha vida parecia infinitamente maior quando eu vivia sobre uma bigorna e não sabia quem ele era.
! — ouço uma voz masculina distante.
Resolvi ignorar. Continuei meu caminho para o terreno da aula de Trato de Criaturas Mágicas, onde eu tenho sossego e ninguém me encontra com facilidade. Assim que cheguei em meu local favorito e afastado do castelo, respirei fundo, sentindo o cheiro das árvores. Ouvi passos aumentando conforme pisa nos galhos, mas isso não me faz virar para ver quem é, porque eu já suspeito.
. — a voz de Bill é ofegante. — Podemos conversar?
— Chama a sua nova amiguinha, Weasley. — rolei os olhos. — Ela deve ser mais interessante, presumo.
— O quê? Não! — protestou. — Você está com ciúme de uma menina de 13 anos? Estou surpreso.
— Ciúmes? Eu? Tenha dó, William. — ri nasalmente. — É mais fácil chover Trasgo do que eu ter ciúme de você.
— Então me explica o motivo dessa crise toda. — cruzou os braços. — Porque, se não for ciúme, então mudaram o nome.
Aí, droga! Eu nunca vou admitir estar com ciúmes dele. O problema é que meu cérebro não entendeu isso ainda, porque eu acabei me irritando com a provocação. Me aproximei de Bill, bufando de raiva e o empurrei, fazendo-o se desequilibrar.
— O motivo da minha crise é aquela pirralha de meia tigela do qual VOCÊ não desgruda. Vai lá ajudar com as Criptas e esquece que eu existo, Weasley.
... — respirou fundo. — Eu só estou passando um tempo com ela porque pensei que você não se importaria.
— É claro que eu me importo! — revidei, amarga. — Além do mais, não somos nada.
— Exatamente por isso não estou entendendo essa discussão banal, . — suspirou. — Ela quer ajuda com o irmão, eu não neguei. Nunca negaria. Apenas achei que ficaria tudo bem entre nós dois e que você aceitaria isso numa boa.
Bufei mais irritada ainda. Será que Bill não enxerga? Não é óbvio? Será que eu realmente preciso jogar na cara que TALVEZ eu possa estar começando a gostar dele? Não de outro jeito, mas sim como meu melhor amigo. Okay, surtei. O fato é que eu não gosto daquela praga.
— Eu acho muito engraçado você arriscar tudo o que você conquistou por uma garota de 13 anos. — provoco. — Demorou tanto para ser Monitor e agora está pondo a mão no fogo por alguém que pode fazer você perder tudo isso em questão de míseros segundos.
...
— Mas já parou para pensar se ela faria o mesmo por você, William? — insinuei. — E se fosse Charles? Será que ela se arriscaria? Eu acho que não.
— Você não a conhece. — revidou.
— E você, Weasley? — rio, sarcástica. — Será que você a conhece?
Então eu comecei a andar para ir embora de lá. Porém, ao passar por ele, senti sua mão agarrar meu braço, me impedindo de andar. Então encarei os olhos azuis dele, sentindo um tremendo frio na barriga. Eu odeio essa sensação. É a pior de todas elas.
— Pretende dizer algo ou vai me soltar? — cerrei os dentes.
— Sim, eu pretendo. — respondeu.
Foi tão rápido que eu mal assimilei as coisas. Num instante eu pude sentir os lábios dele se chocarem contra os meus, me deixando totalmente paralisada. Foi breve e logo ele me soltou, caminhando para longe, enquanto eu apenas fiquei parada, com os olhos arregalados, respiração ofegante e o corpo trêmulo. Eu recebi um selinho de Bill.

[...]

Bill’s POV
Nem eu conseguia acreditar no que tinha feito. Porém, precisa entender que eu nunca a trocaria. Ter feito o que eu fiz exigiu por completo toda a coragem que eu reuni assim que eu a segurei, impedindo que ela fosse.
Acho que fiquei tão surpreso pela atitude que tomei que deixei meu corpo no automático e quando eu percebi, já estava longe dela. É melhor dessa forma, porque eu não iria responder por mim. Ao entrar no castelo de novo, dei de cara com .
— E então? — perguntou, receosa.
está querendo me matar. — respondo. — Acho melhor eu evitar por um tempo.
— Bill, sinto muito mesmo. — disse. — Não quis causar uma briga entre vocês dois.
— Não se preocupe, . — sorri. — Depois eu me acerto com ela.
— Não, Bill. — negou. — Não é óbvio o que existe entre vocês?
— Do que está falando? — arqueio a sobrancelha.
gosta de você, porém ela não sabe... E outra, você gosta dela também, mas não admite. É um pouco nítido.
Fiquei surpreso com o que ela me disse, para ser sincero. Eu não esperava por isso de qualquer maneira. Eu tenho focado tanto em ajudar com as Criptas e com os NOM’s que eu deixei de dar atenção para . Sei que tem sido um pouco relaxado da minha parte, principalmente porque inventaram boatos sobre ela, insinuam coisas o tempo inteiro...
— Acho que sei o motivo de ela agir assim. — comento.
— E seria?
— Eu tenho deixado de dar atenção a ela. — concluo. — Eu gosto dela, da companhia dela... Ela é incrível, . — sorri. — E, desde que eu comecei a estudar para os NOM’s e te ajudado, eu tenho excluído ela.
— Então trate de consertar isso, Bill. — ouço atrás. — Porque eu não aceito ver minha melhor amiga emburrada o tempo todo enquanto você sequer nota.
Detesto admitir, mas tem razão. O único porém é que, dadas as circunstâncias, provavelmente não quer me ver nem pintado de ouro. E eu entendo, para ser sincero. Talvez, se eu fosse ela, estaria fazendo a mesma coisa.
— E como eu vou consertar se ela não quer nem falar comigo?
— Acalme-se, querido Grifinório. Nós vamos ajudar. — se manifesta.
Sorri aliviado, sentindo um tremendo peso deixar meus ombros. Foi então que eu lembrei. Há muitos anos, talvez gerações, minha família tem um Chalé nos arredores de Tinworth, Cornwall. Seria um local bastante calmo para levar .
— Minha família possui um Chalé em Cornwall. Poderia levar lá... — sugiro.
— Desde que ela volte intacta, podemos dar um jeito. — cogitou a ideia.
— É óbvio que ela volta inteira, . — rolei os olhos. — Eu não faria nada que ela não quisesse.
— Assim é melhor. — assentiu. — Quando estivermos saindo para as férias de Natal, podemos levar para o Chalé.
— Adorei a ideia. — comemora. — Já vá providenciando as instalações, Weasley.
— Pode deixar... E obrigado, sinceramente. — agradeço.
As duas sorriram e me deixaram com , que estava apenas ouvindo a conversa. Isso me fez perceber ligeiramente que, embora eu não tenha recusado ajudá-la, pode estar certa. Mas não é sobre isso o que penso, tecnicamente. Eu posso resolver meus problemas sem depender muito de outras pessoas, mas isso significa também que posso perdê-las.
— Então... — atrai minha atenção. — Eu acho que é melhor nós dois darmos um tempo, até você se acertar com a .
— Tem certeza disso, ? — questiono.
— Sim. Ela é bem mais importante do que Criptas Malditas, Bill.
Agradeci imensamente por ela ter entendido minha situação, deixando-me livre para consertar as coisas com . Nos despedimos e novamente eu fui atrás de Davis, porém sequer sabendo onde encontrá-la. Então dei um palpite a mim mesmo. Pátio da Torre do Relógio. Ao chegar no local, percebi estar quase vazio, se não fosse pela presença única dela. Respirei fundo e andei em passos firmes.
— Achei que estaria aqui. — digo.
— O que quer agora? — perguntou, sem me encarar.
— Tentar consertar as coisas. — respondo.
— Tente.
... Sei que vacilei. E por isso eu decidi fazer o certo...
Ela levantou o olhar, curiosa. Balançou a cabeça para o seu lado, sugerindo para que eu me aproxime e sente ao seu lado. Assim o fiz. Ela se afastou um pouco, receosa, e eu não me movi, respeitando-a.
— Provavelmente você espera que eu diga isso... Mas eu escolhi. — digo.
— O quê? Diga, Weasley.
— Eu escolhi você, . — respondo, calmo.
Ela ficou sem reação, analisando o que lhe disse e tentando decidir se deveria tomar uma atitude. Então fechou o livro, deixando-o de lado e sentando-se de frente para mim. Sua expressão é incompreensível e indecifrável, atraente.
— Prove.
— Se você aceitar, quero te levar para um local especial nas férias de Natal. — digo. — Depois da Toca.
— E espera o que com isso? Eu não vou deixar você me machucar, entendeu?
— Eu não quero te machucar, nunca quis. — me defendo. — Eu quero ter uma conversa madura e que fique tudo bem de novo. Eu detesto esse clima pesado entre nós, porque eu gosto de estar com você, mesmo que estudando na biblioteca em silêncio. Se você está chateada com isso, eu também estou.
Ela me abraçou. Forte. Ainda surpreso pelo gesto, eu a abracei apertado de volta, tentando manter minha respiração normal. O único porém é que a respiração dela bate em meu pescoço, me deixando arrepiado. É gostoso.
— Eu também gosto de estar com você, Bill. — disse com a voz abafada. — E detesto estarmos afastados.
— Então aceite o meu convite.
— Eu não disse não.
— Mas também não disse sim. — devolvo.
— Você sabe a resposta, Weasley.
A minha sorte foi ela não ter visto o sorriso que eu esbocei quando ela deixou claro que aceitou o convite.


Capítulo 4.
A Toca.


’s POV
Quando a véspera de Natal finalmente chegou, McGonagall fez uma lista de alunos que iriam sair para as férias. A vontade que eu tive foi de dizer que ficaria em Hogwarts, mas acabei dizendo que sairia. Vou para a Toca com Bill. Depois de organizar o meu malão de novo, respirei fundo.
— Nos vemos depois das férias, . — me agarra. — Isso se você voltar inteira.
— Pela barba de Merlin. — rolo os olhos.
— Sabe, , eu acho que você deveria abaixar a guarda e deixá-lo se aproximar. — comenta. — Bill é um garoto incrível e às vezes me irrita ver você tratar ele tão mal e ser tão infantil.
Engoli em seco. As duas se despediram de mim e se foram, sem que eu pudesse responder . Arrastei meu malão e encontrei com Bill e Charles conversando. Me aproximei em silêncio, a tempo de ouvi-los falando sobre algo, no mínimo, curioso.
— E a mamãe deixou? — Charles pergunta.
— Sim. — Bill responde. — Eu enviei uma carta para ela pedindo permissão e, depois de uma série de questionários, deixou tranquilo.
— Eu não sei, Bill. — suspira. — É muita loucura.
— Concordo. Mas eu preciso fazer isso de qualquer modo.
Antes que Charles pudesse dizer algo a mais, os dois notaram minha presença e eu precisei fingir que havia acabado de chegar. Ao alcançar os dois Weasley, sorrio para o mais novo.
— Você é o Charles, então. — sorrio, educada. — , prazer. Embora você já tenha ouvido falar de mim, claro.
— Prazer, . — retribui. — Ansiosa para conhecer o resto da família?
— Sem dúvida, Charlie. — brinco. — Vamos?
E nós três seguimos para o Expresso, que nos levaria para a Plataforma 9 ¾ novamente. Eu evitei total falar com as garotas durante o retorno, porque me senti bastante ofendida, porém não discordava. Quando cheguei na plataforma, desci e tratei de ir atrás da minha bagagem, não demorando para encontrá-la. Foi aí que eu vi os pais de Bill.
— Então, quem é a garota que quer nos apresentar? — a mulher pergunta, empolgada.
— Sou eu. — coro. — Davis.
— Prazer, ! Sou Molly e esse é meu marido, Arthur. — me cumprimenta. — Bill falou muito de você.
— Prazer em conhecê-los, Sr. e Sra. Weasley. — sorrio. — Eu imagino, fiquei muito ansiosa pra conhecer vocês.
— Bem, vamos indo? Espero que Fred e George não tenham colocado fogo na casa. — Arthur diz, preocupado.

Ninguém me disse que Bill e Charlie têm irmãos terroristas. A cada segundo que passa, começo a reconsiderar a ideia de ter vindo com eles. Vai que eu acabo enterrada no quintal da família? Acalme-se, . Será apenas para o Natal, porque, depois, Bill pretende me levar para outro lugar. Conforme fomos chegando em uma área mais rural, eu notei algo surgir. É uma construção engraçada. Arthur estacionou e, assim que deixei o veículo, observei o local.
— Venha, querida! — Molly me chama. — Sinta-se à vontade.
— Mãe, espera aí! — Charlie dispara, atraindo a atenção dela.
Saquei tudo. Charlie está a distraindo para que não me dê atenção, dando tempo para o Weasley mais velho aprontar alguma coisa. Eu estou adorando o jeito deles. É engraçado.
— Então... O que acha? — Bill pergunta, ao meu lado.
— Sua casa é legal, mas eu não conheci por dentro ainda. — respondo.
— Não era sobre isso o que estava falando. — ri. — Vamos, antes que minha mãe apareça aqui e te arraste pra lá.
Dei de ombros, tentando ignorar o comentário de duplo sentido de Bill. Ao entrar na casa, porém, a sensação foi extremamente diferente. É um ambiente bastante acomodador, pequeno, mas confortável. A estrutura da casa, embora seja bem esquisita, é maravilhosa. Eu senti conforto. Porém, o susto que eu levei foi com o estrondo causado no andar de cima, forte o suficiente para sentir a casa em si tremer. Encarei os pais de Bill, preocupada, esperando por uma justificativa.
— Não se preocupe, . — Charlie me tranquiliza. — É apenas Fred e George estourando alguma coisa. Isso é bem normal.
— Normal em qual grau de normalidade? — pergunto, ainda assustada.
— Do tipo: já estamos acostumados. — Bill explica. — Onde estão os outros?
— Lá fora, querido. Acho que no pomar. — Molly responde. — Então, , Bill me contou que está na Sonserina... Seus pais sabem que está aqui?
— Sabem sim, Sra. Weasley. — respondo. — Eles até acharam melhor do que me deixar com minha tia.
— E seus pais fazem o quê, ? — Arthur pergunta.
— São Aurores, Sr. Weasley. — digo, um pouco nervosa. — Nada de bruxos ruins na família.
Molly sorriu, aliviada. Acho que não é muito comum receberem uma sonserina em casa, logo depois de toda a confusão que Voldemort causou. E, como eu presumo, eles também devem detestar ouvir esse nome. É melhor chamar mesmo por Você-Sabe-Quem.
— Mamãe? — ouvimos uma voz dupla. — Quem está aqui?
— Ah, meninos! — Molly vai em direção as escadas. — É a namorada do Bill.
— BILL TEM NAMORADA? — ouvimos mais uma voz.
Três cabecinhas ruivas surgiram e dois respectivos donos são idênticos. O terceiro eu suponho ter 10 anos. Os olhares curiosos deles me deixam bastante fascinada, e um pouco receosa. Quando consegui me dar por conta, tanto eu quanto Bill estávamos bastante vermelhos de vergonha, enquanto Charlie tentava controlar a risada.
— Não, Fred. — Bill manifesta-se. — É apenas uma amiga minha de Hogwarts. Mamãe estava apenas brincando.
— Mães sempre sabem o que dizem, Bill. — Arthur pisca.
— Ah, o que acham de irmos no pomar? — Charlie sugere, mudando de assunto.
— Ah, não! — ouço uma voz feminina e infantil. — Deixa ela brincar comigo primeiro!
— Essa é Ginny, a caçula. — Bill a pega no colo. — Aqueles são Fred, George, Percy e... Falta o Ron.
— Ron está no quarto. — Percy informa, calmo. — Desenhando, acho.
— Vocês terão um bom tempo para brincar com a namorada do Bill, mas depois. Primeiro vou levá-la ao quarto da Ginny, ela vai dormir lá. Por aqui, querida.
A garotinha ruiva agarrou minha mão, me puxando para longe de seus irmãos e escadas a cima. Me senti aliviada em sair de perto de Bill, mesmo que por breves momentos. Sua família é bastante agitada e a simplicidade deles me encanta. O carinho e o amor compensa a falta de dinheiro, digamos assim. Não que eu me importe, eu realmente não ligo para coisas materiais. Isso me fez perceber que minha família, embora me ame, é bem isolada. Aqui eu sou disputada para dar atenção, ao mesmo tempo em que a recebo, enquanto na minha casa, minha existência raramente é notada.

— Você gosta de boneca? — Ginny pergunta. — Porque eu não tenho nenhuma. Meus irmãos não deixam eu brincar com as vassouras.
— Você gosta de que, Ginny?
— Eu amo Quadribol. — responde, entusiasmada. — Você sabe jogar?
— Nah, tenho medo das bolas. — sorrio. — Mas a gente pode brincar se você quiser.
— Sabe, é legal você dormir comigo e não com o meu irmão. — diz, despreocupada.
— Duvido muito que a gente chegue a dormir junto algum dia.
— Você não gosta dele? — pergunta.
— Claro que gosto, mas para dormir junto... Tem que ser como os seus pais, entende?
— Ah, entendi. — sorri, meiga. — E algum dia vocês vão ser como minha mãe e meu pai?
Onde aperta para desligar essa criança? Se eu disser ‘não’ ela vai falar pro Bill, se eu disser ‘sim’ ela ainda vai falar pro Bill. Alguém jogue um Trasgo em cima de mim, por favor. Acabei desconversando do assunto e entrando em outro, vulgo Quadribol. Ginny pareceu muito empolgada em me contar tudo o que sabe sobre a Capitã das Harpias de Holyhead, Guga Jones, e etc.
— Um dia quero ser como a Guga. — suspira, animada.
— Jogadora de Quadribol? — pergunto, de forma retórica. — Deve ser divertido.
— E você, ? Quer ser o quê? — pergunta.
— Ainda não sei. — afirmo. — Talvez Aurora, escritora...
— Meninas, almoço! — ouvimos Molly.
Ginny levantou depressa e novamente me puxando escadas a baixo. Lavei minhas mãos e encontrei todos os Weasley reunidos na cozinha. Só tem apenas um que eu ainda não conheci e que deduzo ser Ron. Minha atenção, porém, foi desviada para os gêmeos.
— Bill, você se importa em almoçar na sala com a ? — Molly pergunta para ele.
— Não, mãe. — responde, vendo a comemorar. — Venha.

Após me servir, e esperar pela donzela ruiva, nós dois seguimos para a sala de estar. Algo em si chamou minha atenção, o tal relógio que não tem ponteiros comuns. Há 9 ponteiros contendo uma foto de cada Weasley e aponta para uma atividade diferente que estão realizando, tais como: trabalho, casa, escola, perigo mortal e outros. Genial.
— Para onde vamos... Depois daqui? — pergunto, olhando para ele.
— É um lugar bem agradável, . — responde de forma enigmática. — E é pra ser uma surpresa, mas você não deixa de fazer perguntas.
— Eu gostei da sua família. — ignoro seu último comentário.
— Ginny adorou você, sério. — sorri. — Nunca vi ela tão empolgada com alguém antes.
— Menos mal, detestaria que um de seus irmãos não fosse muito com a minha cara.
Bill riu nasalmente. Nós dois almoçamos juntos e ouvindo a conversa de seus demais parentes na mesa. Ao que tudo indica, o natal dos Weasley é bastante agitado. Depois de me alimentar, fui ajudar Molly na cozinha, mesmo ela dizendo-me que não precisava, e eu acabei precisando insistir muito até ela aceitar.
— Você é uma garota adorável, . — elogiou-me. — Não me surpreende Bill ter mandado dezenas de cartas falando sobre você.
— A gente se afastou um pouco por bobagem, deve ser por isso que ele me trouxe. — suspirei, secando um prato.
— Tentar consertar as coisas, suponho. — disse. — Ele é um rapaz leal e amoroso. Ele também contou sobre o desentendimento entre vocês, e eu entendo, .
— Entende? — arqueio a sobrancelha.
— Claro que sim, querida. Eu espero que vocês dois se entendam e que você volte aqui mais vezes.
— Eu irei, Sra. Weasley. — sorri.
Da janela eu observei todos os Weasley se divertindo no jardim, especialmente Bill. Ele parou por uns instantes e amarrou seus cabelos ruivos, voltando a fazer o que estava fazendo. Foi quando Molly e eu ouvimos a porta bater e a Ginny entrar emburrada.
— O que foi, Ginny? — pergunto.
— Os meninos não me deixam brincar de Quadribol com eles.
— Eu tenho uma ideia. — deixo o pano de lado. — Que tal eu e você termos uma brincadeira só nossa? Os meninos não vão poder brincar.
— Você promete? — pergunta, enquanto eu assenti. — Vamos!
Ginny e eu saímos, indo para os jardins. Enquanto os meninos jogavam Quadribol, eu usei uma brincadeira trouxa para entretê-la, o que deu super certo. Foi em partes uma junção de algumas brincadeiras trouxas que minha tia da Austrália me ensinou. Provavelmente eu vou escrever para ela agradecendo. Obrigada, tia Dana!
— Ei! — um dos gêmeos nos chama. — Do que estão brincando?
— Por que quer saber? Vai jogar Quadribol! — Ginny responde, brava. — Essa é uma brincadeira minha e da .
— E por que não podemos brincar também? — o outro gêmeo pergunta.
— Porque é só de meninas. Sinto muito, rapazes, mas vocês não deixaram a Ginny jogar Quadribol. É justo. — explico.
— Se a gente deixar ela jogar, você deixa a gente brincar também? — Percy parece interessado.
— Claro. Desde que ninguém se machuque. — dou de ombros.
— A Ginny pode entrar no lugar do Bill. Ele não parece muito afim de jogar. — Charlie comenta, rindo.
— É verdade. — os gêmeos concordam. — Vamos, Ginny! Vamos jogar.
A garota levantou num piscar de olhos e seguiu com os irmãos, me deixando sozinha com o ruivo, de novo. Ele se sentou na grama ao meu lado, e eu não pude evitar em reparar os cabelos suados e presos, os braços levemente definidos e como a pele dele brilha. Pedaço de mal caminho o nome.
— Eu vi você e minha mãe conversarem. — comenta. — E espero que ela não tenha te convencido a querer cortar meu cabelo.
— Nem sabia dessa, Bill. — rio. — Ela implica muito?
— Demais. — balança a cabeça. — Ainda estou surpreso dela não ter feito isso na sua frente.
— Bem, eu gosto do seu cabelo como ele está. Então... Não corte.
Bill sorriu. Observei a estampa da camisa que usa, sendo de uma banda de rock. Se não me engano, Bill adora dezenas dessas bandas e não é a primeira vez que vejo ele usar uma das camisas estampadas. Não me surpreende muito Molly pegar no pé dele constantemente.
— Mas então, qual sua banda favorita? — eu o encaro.
— Podemos ficar aqui até amanhã falando sobre isso. — responde, olhando para os irmãos. — Dissendium Mode, Midnight Potion, Witched Floyd, Dementor’s Kiss, The Episkey, entre outras. E você?
— Eu sou mais hippie. — respondo. — Jimi Horcrux, Creedence Clearpotion Revival, Wands N’ Lilians..
— Wands N’ Lilians é legal, eu curto. Mas não há nada melhor que Dissendium Mode, sério.
— Eu não ouvi essa ainda. — comento.
— É brincadeira, né? — me encarou, perplexo. — Vamos consertar isso agora.
Bill e eu fomos correndo para o quarto dele, onde o mesmo colocou Dissendium Mode para tocar assim que chegamos ao cômodo. Analisei cada cantinho de seu quarto, observando como qualquer mero detalhe contém sua essência, algo que demonstre seus gostos particulares. Enfim, demonstre ele.
— Seu quarto é um pequeno refúgio do mundo. — elogio.
— Gostou? — morde o lábio.
— Eu adorei, Weasley. — sorrio. — É tão... Você.
— Minha mãe vive implicando com isso, é estranho. — cruza os braços. — Mas eu entendo.
— Todas as mães arrumam algo para implicar. A minha, por exemplo, implica muito com as minhas roupas. É normal.
Bill sorriu. Sentamos no chão, juntos, e passamos boa parte do tempo lá, ouvindo música e esquecendo da existência do mundo da porta para fora. E eu realmente gostaria de passar mais tempo assim, onde só há nós dois.
— Você é incrível, sabia? — comenta, sorrindo.
— Você também é incrível, Bill. — sorrio.


Capítulo 5.
Christmas and Shell Cottage.


— FELIZ NATAL! — ouvi Ginny gritar com todo o ar em seus pulmões. 

— Feliz natal, Ginny. — murmurei. 

Joguei a coberta em meu rosto, tentando voltar a dormir. O dia anterior foi maravilhoso e eu realmente senti uma estranha conexão com o Bill. Depois do jantar, e de eu ter novamente ajudado a Sra. Weasley, Bill e eu fomos ao pomar dar um passeio. Acabou com um pega pega com seus irmãos e uma baita canseira. Depois do banho, eu simplesmente capotei. 

! — alguém me chama. — Está tudo bem?

— Sim. — respondo. — Só não quero levantar mesmo. 

Senti alguém se jogar em cima do meu pobre corpo, fazendo todo o ar de meus pulmões dissipar. Gritei alto, assustada. Tirei a coberta de meus olhos e me deparei com Ginny, gargalhando. Felizmente ou não, o grito que eu dei foi ouvido e logo uma porção de Weasley surgiu no pequeno quarto cor de rosa. 

— Ginny! — Charlie a repreende. — Isso não é legal. 

— Está tudo bem, eu sobrevivi. — digo. — Aliás, ela não é pesada. 

— O que aconteceu? — ouvimos a Sra. Weasley.

— Ginny pulou em cima da e ela se assustou. — Bill explica. 

— Achei que Fred e George tinham explodido alguém. — ela respira, aliviada. — Ginny, querida, não faça isso de novo, sim?

Ela assentiu, saindo de cima de mim. Sentei na cama e joguei as cobertas para o lado, calçando minhas pantufas. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e fui lavar o rosto e fazer a rotineira higiene. Boa saúde sempre. Depois que troquei de roupa, fui para a cozinha, onde o restante da família se encontra.

— Bom dia. — eu os cumprimento. 

— Bom dia, . — respondem. — Venha, querida, Percy, Charlie e Ron já tomaram café. Sente-se! — Molly aponta para a cadeira. 

Sentei-me ao lado de Bill, onde comecei o café da manhã. Sem querer ou não, esbarramos as mãos acidentalmente quando fomos pegar a mesma coisa. Minhas bochechas passaram de seu leve tom comum para um vermelho. Disfarçamos mais depressa que feitiço não verbal. 

— Depois do jantar de hoje, podemos ir para o lugar que te falei. Voltamos para o ano novo. — Bill explica, como sempre, calmo.

— Tudo bem. O que devo levar? — pergunto.

— Algumas roupas... — responde. — O resto já está lá. 

— Okay. — sorri. 


Durante o dia, nós nos ocupamos em decorar a casa para a celebração de Natal que seria mais tarde. Bill e eu ficamos encarregados das luzes e enfeites, enquanto Fred e George, para a minha não surpresa, dos fogos de artifício. Ginny e Ron se ocuparam com a árvore, enquanto Percy ajudou seus pais com as louças natalinas. Charlie foi atrás da árvore para que os dois mais novos pudessem decorá-la. Cada Weasley com um função. 

Horas mais tarde, Ginny e eu fomos nos arrumar depois do banho. Ela vestiu um simples vestido vermelho tradicional e sapatinhos pretos, enquanto eu arrumei seus cabelos escuros. Segundo ela, iríamos receber alguns parentes deles, o que é uma tradição. O nervoso é real. 

Depois de ajudá-la a se arrumar, eu resolvi me arrumar um pouco. Coloquei um vestido preto chamado bodycon com mangas compridas e um all star cano baixo. Maquiagem não é meu forte, então apenas dei uma realçada nos cílios e enrolei duas mechas laterais de meu cabelo, prendendo-as atrás. Para terminar, passei meu perfume predileto e voilà. Ao descer as escadas, ouvi uma faladeira imensa. Suponho que os parentes chegaram. Foi quando nossos olhares se encontraram em meio a tanta gente. 

— Essa é a , namorada do Bill. — Molly me apresenta. 

— Namorada? Bill está namorando! — a mulher comemora. — Eu sou a Muriel, tia avó! 

— Prazer em conhecê-la. — sorrio educadamente. 


Depois de ser apresentada aos parentes, fui retirada do jantar brevemente por Charlie, sem que Bill notasse, por estar ocupado respondendo perguntas sobre mim de seus familiares curiosos. Nós seguimos para longe, para que ninguém pudesse ouvir. 

— Bill te contou como ficou sabendo de você? — perguntou.

— Sim... Ele me contou que você disse que me acha bonita, etc...

— Espera. — riu. — Eu nunca disse isso, ! 

— O quê? Quem foi então? 

— Bill já te observava desde o segundo ano, mas não tinha iniciativa nenhuma. Ele te disse essas coisas como se eu tivesse falado por vergonha, . Mas ele sempre teve uma queda por você. Tudo o que fiz foi incentivar ele a te chamar pra sair. 

— Estou pasma. — foi tudo o que eu consegui dizer. 

Charlie riu e terminou de me explicar que, na verdade, Bill era quem havia dito todas aquelas coisas para ele. Eu não soube como reagir, sinceramente. Eu nunca esperaria isso. Três meses desde o Três Vassouras. Três meses em que eu poderia ter percebido. Porém, Charlie me deixou sozinha novamente, possivelmente considerando que eu estou pensando sobre o que ele me contou agora. Bem, ele está certo. 

Porém, minha privacidade foi brevemente invadida pela figura de William. O silêncio permaneceu, enquanto a única coisa que fazemos é nos encarar. Aquele brilho existente em seu olhar não passa despercebido e eu percebo que tudo o que Charlie me dissera é verdade. 

— Charlie me contou. 

— O-o quê? 

— Que você tem vergonha de dizer o que sente. — digo. — O que é compreensível. 

... — suspira, envergonhado. 

Eu não deixei ele terminar de dizer, porque eu juntei nossos lábios no exato momento em que os foguetes de Fred e George começaram a explodir, anunciando a meia noite de vinte e cinco de dezembro. O beijo fluiu tão bem entre nós que eu senti meu corpo inteiro gelar, enquanto as borboletas voam sem controle em minha barriga. Quando nos separamos e eu dei conta do que fiz, Bill ficou confuso, assim como eu. 

— Acho que não precisamos dizer mais nada. — digo baixo.

Deixei Bill sozinho, ainda confuso. Desci as escadas apressada, me reunindo com a família. Peguei um copo com bebida e minhas mãos trêmulas denunciaram meu nervoso. É a pior coisa do mundo. Charlie se aproximou sorrateiramente, com um sorriso bobo nos lábios.

— E então? — perguntou, curioso.

— Acho que estamos bem, Charlie. — gaguejo. 

Bill desceu, arrumando seus cabelos. Lançou um olhar para nós dois mas logo desviou a atenção para Ginny, que foi até ele. Dei um gole em minha bebida, tentando me acalmar. Óbvio, não iria funcionar tão cedo. Pelas barbas de Merlin, o que foi que eu fiz?


[...]


— Pronta? — Bill perguntou, vendo-me assentir. — Vamos. 

Arthur iria nos levar através da Rede de Flu, um método bem ágil. Na lareira da sala da Toca, Arthur nos entregou o pó e instruiu-me como usá-lo, uma vez que eu nunca havia utilizado Rede de Flu antes. Depois de me despedir dos irmãos mais novos e da Sra. Weasley, Bill foi na frente. 

— Chalé das Conchas. — disse alto. 

Soltou o pó de sua mão e as chamas esverdeadas o consumiram, fazendo-o sumir. Acho que agora é a minha vez. Entrei na lareira e peguei o pó com a mão livre. Chalé das Conchas é o meu destino, então apenas precisei repetir isso. 

— Vejo vocês no ano novo. — sorri. — Chalé das Conchas. 

Soltei o pó e instantaneamente viajei para longe. Por medo de algo ter dado errado, permaneci de olhos fechados enquanto sentia o impacto da viagem, embora tenha sido depressa. Logo senti uma mão me tocar, então abri os olhos. O barulho constante do mar me deixa encantada, assim como a decoração impecável. As paredes são brancas, enfeitadas por conchinhas. Embora seja pequeno, é agradável. 

— Onde estamos? — pergunto, me limpando.

— Chalé das Conchas, . Meu lugar preferido. — responde. — Meus pais costumavam trazer eu e meus irmãos aqui. 

— Esse lugar é lindo. — sorrio. — Estou impressionada, William. 

É impecável e delicado. Ainda sim, o que mais me atrai é o barulho do mar. Me aproximei da janela e vi toda aquela imensidão escura, parecendo atraente. É como se aqui fosse como o quarto de Bill. Um pequeno refúgio do resto do mundo. 

— Quer ir lá? — perguntou, notando minha tentação. 

— Podemos? 

— Vamos ficar aqui até o ano novo, sozinhos. — deu de ombros, rindo. — Podemos fazer o que quisermos. 

— Então vamos. 


Nós dois deixamos o pequeno chalé e descemos a falésia, onde este se localiza. O vento gelado e com cheiro salgado bate em meu rosto de forma leve, assim como o barulho das ondas se chocando torna-se mais alto conforme nos aproximamos. Mesmo impossibilitada de ver, a sensação que tenho é que estou em paz. 

— Eu sabia que iria gostar. — comenta. 

— É tão calmo. — digo. — Tão incrível. 

— É por isso que escolhi aqui. — explica. — Porque sabia que poderíamos conversar em paz. 

— Você me surpreende cada vez mais, Weasley. 

O sorriso radiante que surgiu em Bill fez o meu corpo estremecer de uma maneira boa. Eu poderia vê-lo sorrir um dia inteiro, porque é uma das coisas mais fofas e bonitas que já vi. Sentei na areia com ele ao meu lado e ficamos em silêncio, observando o escuro e ouvindo o barulho relaxante das ondas. 

— Eu gosto de você, . — confessa. — Você é tão diferente que chega a ser irônico. 

— Diferente como? — questiono.

— Você não é como as garotas que vivem atrás de mim. Você é decidida, um pouco marrenta, astuta e perseverante. Você é literalmente uma sonserina, mas ainda sim, você tem qualidades que me fascinam. Você é leal, não precisa correr atrás de alguém porque não precisa. É do tipo que sabe o que quer e não mede esforços para conseguir. Você é engraçada, irônica e sarcástica, mas continua sendo uma pessoa amorosa. , você é única. — sorri, tímido. 

Nesse instante, eu entendi os sentimentos de Bill. Foi quando percebi finalmente que ele me escolheu para compartilhar o que sente, quem ele escolheu para nutrir algo. Percebi também que eu errei rudemente em ter perdido tempo com brigas e bobeiras, porque ele sempre esteve aqui. Sinto-me a pior bruxa do mundo.

— “Não diga nada em resposta. Meus elogios a você são pura doação”. — sussurrou, me abraçando. 

— Saulo Pessato. — sorri de soslaio. — Um dos melhores bruxos poetas. 

Naquele abraço eu senti conforto e um rio interminável de sensações diferentes. William Weasley é um oceano de sentimentos, no qual eu quero mergulhar. É com ele que eu quero estar, compartilhar meus momentos e compartilhar os seus. É ele. 

— Me desculpe... — sussurrei. — Por ter agido daquela maneira.

— Já passou, . — disse, sereno. — Está tudo bem agora. 

— Você disse que queria conversar. — me separei. — Que tal fazermos isso lá dentro? Estou começando a ficar com frio. 

— É, tem razão. Vamos. — levantou. 

Levantei da areia com o auxílio de Bill. Limpei minha calça e nós voltamos para dentro do Chalé novamente. Bill acendeu a lareira e eu fui fazer algo quente para nós dois tomarmos. Chá é uma boa opção para agora. Assim que a água ferveu, eu coloquei em ambas as xícaras e fui para a sala, onde Bill estava terminando de arrumar. 

— Sobre o que quer conversar? — pergunto, entregando a xícara. 

— Sobre o que aconteceu. — diz, a pegando. — Obrigado, pelo chá. 

— Depende, aconteceu tanta coisa. 

. 

— Ah, entendo. — suspiro. 

Bill endireitou-se sobre o sofá, segurando firmemente a xícara com o líquido fervente. Ajeitou uma madeixa do seu cabelo e pareceu mudar em questão de segundos, deixando o semblante divertido e calmo para adotar um semblante sério. É claro que, para falar desse assunto, ambos temos que manter a postura. 

— Sei que eu errei em ter te deixado de lado... Já queria me desculpar por essa falha. Acho que fiquei tão ansioso em ajudar alguém que esqueci que tinha você. — suspirou. — Eu nunca pensei que isso pudesse afetar tanto a nossa relação, mas afetou. Eu quero que você entenda isso... Eu nunca negaria ajuda a alguém. 

— Eu sei, eu errei em ter exigido demais. Errei também em ter dado todo aquele chilique desnecessário e principalmente, por não ter te dado a chance da gente conversar. Eu confesso que eu me senti trocada por ver você mais tempo com ela, mas está tudo bem. 

— Então... Tudo bem entre nós dois? Tem problema se eu continuar com as Criptas? — perguntou, receoso.

— Bill, eu não ligo. — dei de ombros. — Eu só não quero que ela fique entre a gente. Por mim, está tudo bem... Mas, se ela continuar entre nós, não vai ter como continuar. Entende? 

— Sim, eu concordo. — sorriu, meigo. — Eu não vou deixar isso acontecer de novo... 

Deixei a xícara com chá sobre a pequena mesa de centro da sala, assim como Bill. Meu coração disparou com a nossa proximidade e acho que nenhum de nós conseguiu segurar os instintos. Quando eu dei por conta, eu já estava em cima dele, o beijando com vontade. 


[...]


— Nós poderíamos funcionar como um casal. — Bill comenta, acariciando meu cabelo. 

— Você acha? — pergunto, rindo. — Por quê?

— Porque eu gosto de você, e eu sei que você gosta de mim. Caso contrário, não teria aceitado vir pra cá sozinha comigo. 

— Faz sentido. — concordo. — Mas eu não gostaria de ser alvo de mais comentários em Hogwarts. 

— E daí? Você é da Sonserina, . 

— Só por eu ser da Sonserina não quer dizer que eu não seja humana. — comento. — Eu tenho meu orgulho. 

— Eu sei. — sorri. — Por isso estou dizendo... Nós dois funcionaríamos muito bem como um casal. 

Sorrio também. Beijo-o mais uma vez, antes de levantar. Acho que já está tarde e eu estou cansada, para ser sincera. Ao que parece, vamos ficar aqui por 6 dias. Somente eu, Bill e o mar. Seis dias em que eu estarei no paraíso, sem alguém para atrapalhar. Os seis dias em que ele será somente meu. 

— Então o que somos? — questiono. 

— Espera. Eu já volto. — levanta. 

Dei de ombros novamente e fui trocar de roupa, enquanto Bill foi fazer algo. Parei para analisar melhor o chalé, notando que tudo é decorado como na Toca. De forma simples, porém, com carinho. Tudo aqui é com Conchas ou pintado de branco, o que deixa tudo em um contraste maravilhoso. O Chalé das Conchas é o local mais magnífico que já pude visitar. 


. — ouço Bill me chamar. — Pronto. 

— O que foi fazer? — indago, descendo as escadas.

— Isso. 

Com duas pequenas conchinhas, ele fez dois colares. Ele colocou um em meu pescoço, e o outro, em si mesmo. Mesmo esse gesto carinhoso e meigo de Bill me faz perceber que cada vez mais, eu o quero. 

— É isso o que somos. — disse. — Eu sou seu, e você é minha.


Capítulo 6.
Back to Hogwarts.


Infelizmente, nossas pequenas férias passaram mais rápido do que vassouras voando durante uma partida de Quadribol. O ano novo com os Weasley fora maravilhoso e em cada segundo eu me diverti muito com eles. A Sra. Weasley, segundo Bill, me adorou assim como seus irmãos mais novos — especialmente Ginny. 

Contudo, logo na primeira semana de Janeiro, nós voltaremos. Hoje, na verdade, estamos indo para a estação pegar o trem. Outra coisa importante desse ano são as provas. Pelas coisas que Bill me dissera, ele parece muito empenhado para realizar os NOM’s no final do ano, vulgo Junho. Bem, as únicas matérias que realmente me interessam continuam sendo DCAT, Poções, Transfiguração, Herbologia e Feitiços. Ou seja, as matérias necessárias para se tornar um Auror. 

Acabei decidindo que é exatamente o que farei quando me formar em Hogwarts. É uma profissão de respeito, que envolve muita coisa. Meu Auror preferido continua sendo Alastor Moody, ou como o chamam, Olho-Tonto. Durante a Primeira Guerra Bruxa, foi afirmado que Moody (um dos mais famosos Aurores dos tempos modernos) prendeu um grande número de criminosos durante este período de tempo e que metade das celas em Azkaban estão cheias graças a ele. Esse homem é brilhante!

Meus pais também são bastante conhecidos por aí, o que até chega a ser legal. Porém, Moody ainda é meu preferido. Então por que não seguir a carreira? É recheada de adrenalina. Além do mais, minha ambição é realmente uma boa vantagem, porque eu estou preparada para usar qualquer meio a fim de atingir meu objetivo. 


— MENINAS! — gritei. — QUE SAUDADES! 

! — gritaram.

As duas pularam em mim, quase me levando pro chão. Ao me separar das duas loucas, fui despedir da família de Bill com um abraço apertado e a promessa de que em breve iria vê-los novamente. No trem, segui para o lugar da minha casa, onde revi novamente a peste da Mérula, Barnaby e Ismelda. Eles são os “inimigos” da peste da . 

— ... E quando eu achar as Criptas, vou fazer aquela engolir a língua. — disse para os dois.

— Isso se você achar as Criptas, Mérula. — digo.

— Como é? 

— Ah, não soube? — sorrio. — já achou uma. Faltam quatro. 

A garota ficou enfurecida, o que foi cômico. Não entendo qual a necessidade de querer ser provar melhor que alguém. Mérula me odeia tanto que eu acho mega engraçado. O por quê? Bem, os pais dela eram Comensais da Morte e fiéis seguidores de Voldemort. Meus pais, Aurores. Quando Voldie caiu em 81, meus pais prenderam os Snyde, pais da Mérula. Irônico, não?

, o que acha de contar sobre o que aconteceu entre você e o Weasley? — pergunta, tarada. 

— Verdade. — sorri, com segundas intenções. — Rolou algo? 

— Rolou. — corei. — Ele me levou para o Chalé das Conchas e ficamos por seis dias lá, depois voltamos para a Toca durante o ano novo.

— Espera... Você e o Bill ficaram sozinhos em um Chalé por seis dias? — pergunta, animada. — O que foi que aconteceu lá?

Retirei de dentro da minha roupa o colar com a concha que ele me fez, e entreguei na mão das meninas. Elas gritaram quando entenderam o que nós fizemos em 6 dias. Eu acho que não preciso mencionar, não é? Foi a noite mais incrível em toda a minha vida. Sério.

— Estou pasma! — gargalha. — E depois?

— Não é óbvio, garota? — pergunta, irônica. — Eles estão juntos. 

— Não oficialmente. — frisei essa parte. 

— Ainda. — sorri. — E quanto a outra?

— Eu disse a ele que não teria problema se ele continuar ajudando, desde que a peste não interfira demais.

— Sensatez, gostei. — diz. — Espero que as coisas fiquem na tranquilidade por enquanto.

— Mas e vocês, como foram? — questiono. 

As duas se entreolharam e eu percebi bochechas avermelharem. Elas não precisaram falar para eu entender. Gritei super animada e me joguei no colo das duas, comemorando. Achei que fossem levar mais tempo para assumirem que se gostam. 

— Mas queremos manter isso em segredo, . — explica. — Ainda mais pelo preconceito.

— Compreendo. — me sento novamente. — E acho uma boa maneira de preservar ambas de comentários desnecessários.

— Realmente. — assentiu. — Mas então, mudando o assunto... E o NOM?

— Estou estudando feito louca. — comentei. — Bill me deu algumas dicas importantes enquanto estávamos na Toca... Decidi também que pretendo virar Auror, e vocês? 

— Acho que vou para o Ministério. Sempre quis trabalhar no Departamento de Mistérios. — deu de ombros. — E você, ? 

— Pretendo trabalhar em outro Ministério. — disse. — Não sou fã do nosso. 

São totalmente compreensíveis as razões de não querer trabalhar com o nosso Ministério, uma vez que é corrupto. Eu também não sou uma grande admiradora, mas o que posso fazer? Eu ainda quero me tornar Auror. 


Algum tempo de conversa jogada fora e nós já estávamos de volta ao pátio da escola. Vi Bill guiar os Grifinórios de volta, enquanto meu monitor fez o mesmo. É, parece que as coisas vão tomar um rumo diferente por agora. Eu só espero que isso não afete como afetou antes, já que eu não suportaria ficar sem ele. 

, vamos? — me distrai.

— Sim, claro. 

É meio estranho, mas, depois de tudo o que aconteceu naquele Chalé, eu percebo que aqui em Hogwarts será impossível estarmos juntos, afinal, ele tem seus deveres e está focado para os NOM’s. Eu provavelmente deveria fazer a mesma coisa, mas sinto que algo está para acontecer e obviamente, eu não estou gostando. 


[...]


Junho, 1987. 

E é claro que os NOM’s finalmente chegaram. De certa forma, eu me empenhei bastante a fim de obter bons resultados. Eu só espero que eu consiga obter um Ótimo em grande parte das matérias, caso contrário, adeus carreira de Auror. 

Segui para o Salão onde iremos realizar os testes e eu já pude começar a sentir o nervoso tomar conta. Olhei para o lado e vi Bill, calmo. Ele olhou para mim novamente e sorriu, exalando sua calmaria. Eu o invejo, sinceramente. Por incrível que pareça, enquanto eu me concentro em apenas 5 matérias, Bill vai tentar todas as 12. 

Ao receber o teste, senti um tremendo calafrio. Balancei a cabeça, deixando o nervoso de lado. É claro que eu tenho capacidade para conseguir tirar “Ótimo”. Peguei a pena e respirei fundo, começando a responder cada questão do teste. 


[...]


, onde vai? — questiona.

— Me jogar da Torre da Astronomia, claro. — respondo. — É o mínimo a se fazer depois desses testes! 

— Quanto drama, criatura! — prende o riso. — Aposto que foi bem. 

— Espero que sim, caso contrário, a Torre da Astronomia me aguarda. 


Okay, a prova não foi nada fácil. Na primeira questão de Poções eu tive vontade de me retirar do local e correr imediatamente para a Torre da Astronomia ou até mesmo o Corujal e pular. Snape realmente não facilitou em nada, trasgo! Bill foi o último a deixar o local, parecendo mais exausto do que o usual. Não é para menos que o nome dos testes seja Níveis Ordinários de Magia. Só não é pior que o NIEM do Sétimo Ano. Acho que até lá estarei abaixo de sete palmos. 

— Ei, como foi? — pergunto, recebendo um abraço do mesmo. 

— Estou cansado. — resmunga. — Mas provavelmente fui bem. E você?

— A Torre da Astronomia ainda está ali caso eu resolva me jogar dela. — brinco. — Acho que fui bem.

— Acho que preciso descansar. — disse, ainda abraçado em mim. 

— Te vejo no jantar? — me separo.

— Eu disse que queria descansar, mas contigo. — sorri. 

Se minhas bochechas não explodiram em vermelho, eu não sei o que trasgos aconteceu. Dei tchau para as garotas e nós dois seguimos para fora do castelo, em direção aos terrenos de Hogwarts. Nas proximidades do Lago Negro, resolvemos que iríamos ficar ali. 

— Férias, finalmente. — sussurrou.

— É... O que pretende fazer? — questiono.

— Ainda não sei, mas vou ficar com a minha família. — respondeu. — E você?

— Meus pais querem ir para a Austrália. — murmuro. — Mas não estou com vontade. 

— Tem um local que podemos ir. — brinca. 

— Ótima ideia, Weasley. — sorrio, satisfeita. — Porém meus pais querem realmente que eu vá. 

— Entendo, sem problema. — sorri também. 

Entrelaço meus dedos em suas madeixas, brincando com elas. Os cabelos de Bill são tão sedosos... Chega a ser cômico. Quem diria que para um bruxo rockeiro ele cuidaria tão bem de si? A maioria dos bruxos rockeiros que conheço não são assim, como o Myron Wagtail. Ele é um ano a frente de nós e bem popular, digamos assim. Dizem que Myron quer ser um cantor, e que inclusive estaria formando uma banda de rock. Bem, eu não duvido. 

— Além do mais, você precisa ir conhecê-los. — digo. 

— Escolha uma data e eu irei. — responde, despreocupado. — Seus pais devem ser legais. 

— Quando tem tempo, são. — dou de ombros. 

Bill riu nasalmente. Diferente da sua família, a minha não é a mesma coisa. Meus pais são bem ausentes. Como eu disse, passam grande parte do tempo fora de casa, atrás de bruxos das trevas. É por isso que eu quero ser Auror, não só pelo fato de que vou viver viajando, mas pelo fato de que eu não vou precisar estar perto deles. A vida é injusta, eu sei. 

— Não estou preparada para me despedir. — confesso, cabisbaixa.

— Não se preocupe, eu estarei sempre aqui. — me tranquilizou, meigo. 

— Eu sei que sim. — sorri. — Mas eu não quero... Minha vida mudou desde o Três Vassouras, Weasley. 

— A minha também mudou, . — sorriu doce. — Infelizmente temos que conviver com isso, sabia? Faz parte!

— É... — murmurei. 

Por mais que eu tenha que aceitar, é impossível. Viver com Bill tornou-se algo viciante, do qual eu necessito na maior parte do tempo. Ele me faz feliz em uma proporção que eu jamais esperei acontecer e outra, tudo entre nós parece fluir tão bem, como uma ordem natural, algo que iria acontecer em algum momento do tempo. 

— Detesto clichês. — confesso. — Mas eu realmente vou sentir sua falta. 

— E por que seria clichê? — pergunta, sorrindo.

— Porque eu estou apaixonada, Weasley. — minhas bochechas queimam. — Por você. 


[...]


Quando eu precisei me despedir de Bill, eu quis chorar. Eu odeio despedidas, sempre choro em algumas, dependendo de para quem estou dizendo adeus. O ruivo, embora sorrindo, parecia triste. Eu notei isso através de seu olhar. Meus pais estavam me aguardando na King’s Cross, como todo ano fazem, e foi aí que eu soube que realmente tinha de ir. 

— Como foram suas aulas, querida? — minha mãe pergunta. 

— Foram legais. Embora minhas expectativas em relação a Defesa Contra as Artes das Trevas tenham sido frustradas. — respondo. 

— E por quê? — foi a vez do meu pai questionar. 

— Não parecia interessante. — dou de ombros. 

Meus pais formam um casal invejável, digamos assim. Minha mãe é uma mulher elegante, de porte fino. Tem a pele pálida, cabelos negros que sempre estão perfeitamente arrumados em um penteado confuso, que me lembra uma ave. Ela também usa um delineado muito bem feito, que me lembra olhos de falcão.Ela sempre usa roupas escuras e elegantes, deixando-a mais impecável ainda. 

Meu pai, por outro lado, sempre usa trajes sociais. Raras foram às vezes em que eu o vi em alguma outra roupa além de social. Ele é alto, com os cabelos loiros e olhos azuis. Sempre mantém seus cabelos perfeitamente arrumados em um penteado comum masculino. Parece que minha mãe e ele não envelheceram um segundo sequer. 

— Quanto ao NOM, quais matérias pretende levar ao NIEM? — meu pai pergunta de novo. 

— As mesmas para se tornar Auror. 

— Você se sairá muito bem, querida. — mamãe sorri. 

Meu pai é um homem extremamente reservado. Não é tão sério, mas também não tão brincalhão. Ele é o tipo que sabe se divertir, mas sabe que há limites e regras. Minha mãe anda sobre a mesma linha. Eu acho que, embora muito atarefados, meus pais ainda encontram um tempo para mim, por menor que seja. 

— Eva, querida, sua irmã disse mais alguma coisa? — papai questiona. 

— Não, querido. — diz. — Não é assunto para agora, Léo. 

— Claro, mais tarde falaremos. 

Opa! Aconteceu algo, pelo que vejo. Meus pais realmente não iriam viajar para tão longe por uma simples visita familiar, claro. Se nós estamos indo, comigo junto, suspeito de que seja algo muito grave. Assim que cheguei em casa, fui arrumar minha mala e logo que mamãe entrou no quarto, resolvi contar sobre Bill. E ela ouviu tudo de forma atenta.


— Então... É isso. — finalizei. 

, querida, fico contente que tenha encontrado um rapaz aparentemente formidável. Traga-o aqui para um chá. Tenho certeza que seu pai irá adorá-lo. 

Sorrio aliviada, sendo abraçada por ela. Assim que eu troquei de roupa após o banho, nós usamos a rede de Flu. Quando notei estar na casa da minha tia, eu também senti uma tontura. Meus pais nunca viajaram para tão longe. 

— Eva! Leo! — minha tia surge. — , como você está maravilhosa! — veio me cumprimentar. 

— Oi, tia Dana. — sorri. — Estava com saudades! 

— Ah, querida, que bom que pôde vir! Lucas está lendo... Pode ir lá. 

Agradeço tia Dana e me afasto, indo atrás do meu primo predileto. Lucas acabou os estudos em Ilvermorny, a escola de Bruxos dos Estados Unidos. Ele era da casa Serpente com Chifres, como a Sonserina. Diferente da minha casa, o elemento deles é a Mente. Dizem que os alunos dessa casa são favorecidos. Tecnicamente, é a própria Sonserina com um nome diferente. 

— Ei, tapado! — sorrio. 

! 

Lucas largou o livro de lado e veio me abraçar. Credo, ele mudou muito! Lucas está mais musculoso, os cabelos loiros arrumados em um penteado impecável e ele tirou o aparelho. Se não fosse meu primo... Os olhos azuis dele pareceram brilhar assim que me viu e outra, ele cresceu. Deve ter 1,78, por aí. 

— Você está lindo, sabia? — elogio. — Nem parece aquele ranhento de antes.

— As pessoas tendem a mudar, . — brincou. A voz dele parece mais grossa. 

— Sua voz mudou. — comento. — Surra de puberdade. 

Lucas gargalhou. Pelas barbas de Merlin! Eu acabo de ter uma leve queda pelo meu primo! Coisas assim são normais, espero. Depois de uma longa conversa, eu resolvi perguntar para ele o que trouxe meus pais para cá. A expressão dele entregou logo de cara que realmente há algo.

— Minha mãe comentou esses dias que ainda há Comensais por aqui, procurando Voldemort. — explicou. — E inclusive tivemos ondas de ataque.

— Mas já faz tanto tempo... — sussurrei. — Achei que estivessem extintos.

— Achávamos. — disse. — Mas com a recente onda de caos aqui, suspeitamos que sejam Comensais. Minha mãe viu um deles. 

— Droga, Lu. 

— Realmente. — suspirou. — Mas então, como anda em Hogwarts?

— Tranquilo. E aqui? Como anda a vida de Medibruxo? 

— Uma loucura. — sorriu. 

Desde que se formou em Ilvermorny, Lucas trabalha como um Medibruxo bastante respeitado em um dos maiores hospitais da região. Eu nunca vi um paciente que passou por ele chegar a falecer. Lucas é excepcional no que faz e não há dúvidas. 

— E a sua noiva? Como ela está? 

— Gabriela? Ela está bem. Eu estou aqui por enquanto... Ela precisou viajar e eu não estava afim de ficar sozinho, então vim tirar um tempo com os meus pais. 

— Quero conhecer a garota que roubou seu coração, Lu. — brinco. 

— Claro, você vai adorá-la! 

Ver Lucas radiante me deixa empolgada. Eu o amo muito e quero que ele seja feliz. Contudo, ver meu primo falar de sua noiva me deixa um pouco inquieta, porque me lembra Bill e de como eu gostaria que ele estivesse aqui. Mas nem tudo é como queremos, e eu mal posso esperar para ver o meu ruivo novamente. 



Capítulo 7.
Goodbye.


7º Ano, Hogwarts.
Então, o tempo passa. Quem diria que minha relação com Weasley iria se tornar algo sério? Nós estamos juntos desde o sexto ano, com uma relação bastante forte. Meus pais adoram Bill, assim como sua família. Nas férias passadas, fomos todos juntos para um acampamento e a Sra. Weasley e minha mãe se deram muito bem, assim como o Sr. Weasley e meu pai. 

Bill e eu não poderíamos estar mais felizes, se não fosse por um mero detalhe. Desde o sexto ano, parece estar querendo me afastar de Bill o tempo todo. E, a cada dia que passa, eu tenho certeza... Por quê? Porque sempre que estamos juntos, ela aparece e diz que precisa dele. Se não é de propósito, não sei o que é. 

Certo, nós conversamos sobre isso quando estávamos no Chalé das Conchas, e eu concordei pacificamente com a ajuda dele... Mas por que essa garota insiste em forçar? É nítido que ela faz de propósito para passar mais tempo com Bill. E eu não fui a única que percebeu. Anna e também notaram o que vem acontecendo e, claro, elas sempre jogam uma indireta para ver se a praga se toca. 


— Mas você não diz nada? — questiona. 

— E o que poderia dizer? “Hey, será que você pode deixar meu namorado em paz e se virar sozinha com as criptas?”. 

— Não é uma má ideia. — brinca. 

— Não é má, é péssima. — murmuro. 

, você precisa mostrar que aquela filhote perdida de trasgo está invadindo teu espaço. Não é certo. — me aconselha. — E Bill precisa impor limites entre eles. 

tem razão, . — concorda. — Se não houver limites, então a praga vai continuar interferindo no seu espaço. 

— Ah, o que seria de mim sem vocês duas! — eu as abraço. — Obrigada, garotas. Vou falar com Bill agora mesmo.

Levantei decidida, indo atrás do meu ruivo. No caminho, vi Charlie e ele me dissera que Bill — para a minha não surpresa. — estava com perto da sala de Herbologia. Agradeci e continuei meus passos pelo castelo. Eu tenho certeza de que Bill entenderá meu lado em relação a e que fará o certo! 

Porém, meu chão desabou por completo quando eu coloquei meus pés na área da sala. e Bill estão se beijando. Meu coração quebrou em centenas de milhares de pedaços. Girei meu corpo e comecei a chorar, indo embora. Meus passos tornaram-se mais acelerados e logo eu estava correndo. 

Nunca pensei que Bill poderia fazer isso comigo. Entrei no dormitório da Sonserina em prantos, atraindo a atenção das meninas, que não perderam um milésimo de segundo para vir ver o que aconteceu. Apenas as abracei, sendo amparada por elas. Quando eu finalmente me acalmei, eu reuni todas as forças que haviam em mim para contar o que vi. 

— TRASGO! — grita, furiosa. — Quem ele pensa que é? 

— Acalme-se, ! — a repreende. — , não se preocupe. Perto de você ele não chega mais. 

— O-obrigada. — soluço, triste. 

— Ah, mas eu não vou deixar isso ficar assim. — levanta, mais brava. — Não vou deixar ele te machucar e sair numa boa. 

! — a chama.

Tarde demais. Ela já havia deixado a nossa Sala Comunal. suspirou e veio me abraçar, me consolando. Resolvi também que mais tarde iria escrever para Lucas. Sinto a falta dele aqui, e sei que ele poderá me dar atenção também. Então tudo o que fiz foi permanecer quieta, aceitando a forma como o meu relacionamento acabou. 


Bill’s POV.
— Ficou maluca, ? — me separo dela. — Não posso fazer isso!

— E por que não? Eu gosto de você, Bill. — disse.

— Eu namoro, ! Eu amo a ! Nunca terá nada entre nós dois e você tem que entender isso. 

— Bill... 

Balancei a cabeça negativamente e a deixei sozinha. Eu tenho notado muito que, quando estou com , aparece me pedindo ajuda com algo. É claro que eu sei que ela faz de propósito, para me separar da minha namorada. Sei também que está incomodada com a situação. 


! Viu a ? 

Minha bochecha ardeu muito com o tapa que me deu. Os alunos que passaram por nós dois começaram a cochichar, enquanto eu permaneci sem entender o motivo do tapa. Pela expressão furiosa de , algo bem grave aconteceu. 

— Você não tinha direito de fazer o que fez! — explode. 

— Do que está falando, ? — pergunto, ansioso.

— DELA! — apontou para . — viu tudo! Meus parabéns, Weasley. Não chegue mais perto da minha amiga ou eu vou te lançar uma azaração pesada. 

... — suspiro. — Não é isso o que estão pensando! 

— Quanto a você, trasgo, parabéns! Você se provou mais escrota e fútil do que eu pensei que fosse. Espero que esteja feliz, , porque a fama que você vai ganhar não vai ser a das melhores. — sorriu, ironicamente. — Boa sorte, ladra de namorados! VIU, GENTE, ESSA GAROTA GOSTA DE ROUBAR NAMORADO ALHEIO. 

Dito isso, virou de costas e saiu andando. Os alunos começaram a cochichar mais ainda, fazendo corar. Então eu me liguei. Foi tudo um plano da , claro. Só ela poderia fazer algo do tipo. E ela conseguiu.

— Foi você, não? — eu pergunto, zangado.

— Do que está falando? Eu não fiz nada! — se defende.

— Admita que você fez de propósito, que viu a chegar e por isso me beijou! ADMITA! — altero a voz. 

— TÁ LEGAL! ADMITO! 

— Você me enoja, . 

Dou as costas para ela, saindo irritado. Ótimo! Ela acabou com o meu namoro com a da pior forma possível! O pior é que agora eu não posso chegar perto dela para tentar uma conciliação, porque e me matariam. Eu preciso encontrar um jeito de falar com sem ambas. 


— Droga. — chuto uma árvore.

— O que houve, Bill? — Hagrid questiona. 

— Ah, Hagrid... — suspiro. — O pior que poderia acontecer.

— Brigou com a ? — questiona, preocupado.

— Foi bem pior que uma briga. me beijou quando viu se aproximar e, com isso, meu relacionamento acabou.

Hagrid permaneceu alguns minutos em silêncio, possivelmente pensando no que me dizer. Sei que ele me dirá algo incrível e que eu irei me sentir melhor, porque é o Hagrid! Ele é o gigante mais incrível que já conheci. Uma pessoa com um coração imenso. 

— Sabe, Bill, o que aconteceu é recente e eu acredito que tentar uma reconciliação agora só vai fazer vocês se desentenderem mais. — diz.

— O que faço, Hagrid? — pergunto, triste. — Eu quero dizer a ela que foi tudo culpa da ! 

— Entendo que você queira, mas respeite o espaço dela, Bill. deve estar bastante triste com o que aconteceu e tentar forçá-la só vai piorar. Dê um tempo a si e a ela, é o melhor que vocês fazem! 

Sorrio com o conselho, sendo exatamente o que eu deveria ouvir. Hagrid me convidou para um chá, o que eu não recusei. Ele me contou histórias sobre dragões e como são criaturas fascinantes. Isso, de certa maneira, me distraiu muito. Manteve minha cabeça distante do acontecido dessa tarde. 


Assim que deixei a cabana de Hagrid, fui para o castelo. No caminho, notei algo incomum. Tem alguém me seguindo, e, pelo perfume, sei que é . Então sigo para o pátio da torre do relógio, porque, nesse horário, não haverá ninguém. 

— Quero conversar. — digo, virando para ela. 

— Não temos o que conversar. — responde, ríspida. 

— Então por que estamos aqui? — questiono.

— Porque acabamos, Weasley. 

Isso doeu. Doeu muito. É como se alguém estivesse me apunhalando fortemente e eu não conseguisse me defender. O que mais me machucou foi o que veio em seguida. começou a chorar diante de mim e, quando eu dei um passo para frente, ela recuou. Isso realmente acabou comigo.

— Eu pensei que seríamos únicos, Bill. Você era meu, eu era sua, lembra? Achei que fôssemos... Algo! Que tudo o que passamos juntos significou alguma coisa! Então eu chego para conversar sobre aquela maldita garota e o que eu vejo? Você tem noção do quanto me machucou? 

— Não é o que você está pensando, . — digo, segurando as lágrimas. — Eu nunca faria isso com você!

— Então por que fez? — pergunta, soluçando. — Você era tudo para mim, Bill. 

... Por favor! Ela fez de propósito, ela viu você lá! 

— E você acha que acredito? — cuspiu as palavras. 

Dessa vez, eu não pude controlar as lágrimas. Elas começaram a rolar, deixando claro que a situação também me machucava tanto quanto a ela. Agora estamos os dois, em silêncio, nos encarando e deixando as lágrimas caírem. 

— O que mais me machuca é saber que ela conseguiu o que queria, enquanto você nunca me ouviu. — disse. — Agora você tem tempo para ela, não é?! Não me procure mais, William.

— Eu te amo, . — solucei. — Por favor... Deixe eu consertar isso.

— Me ama? Deveria ter dito isso enquanto tinha tempo. — ironizou. 

Ela virou de costas e simplesmente foi embora, me deixando em prantos. Nossa relação está definitivamente acabada por conta de um mal entendido. As aulas do sétimo ano se encerram amanhã, o que significa que eu nunca mais a verei. Limpo as lágrimas restantes e vou para o dormitório. Tomo um banho longo, refletindo sobre minhas escolhas. Eu perdi a minha garota. 


[...]


Narrador POV
Ao desembarcar pela última vez na King’s Cross, Bill e trocaram um último olhar. O coração de ambos se partiu mais, quando Bill notou as olheiras profundas de , e ela, ao notar que o garoto não pregou os olhos durante a noite. A separação não fora fácil e estava mais do que nítido. 

Cada um seguiu para o seu canto, se separando definitivamente. Ao chegar em casa, pediu aos pais para passar um tempo com Lucas e Gabriela na Austrália. Bill, porém, decidiu que iria embora. Na casa dos Weasley, nenhum ruivo quis tocar no assunto, deixando Bill quieto, a mando de Molly. 

Quando Lucas soubera que estava indo, Gabriela e ele trataram de recebê-la da melhor forma possível, para deixar a garota confortável. Eva, sua mãe, havia enviado uma carta ao sobrinho explicando o motivo pelo qual estava lá, o que fez Lucas não questionar. 


? — Gabriela entra no quarto. — Está tudo bem?

— Posso falar com Lucas, Gabbie? — a voz treme. 

— Claro, vou chamá-lo. — sorri doce. 

adora a noiva de Lucas, mas sente que é com ele que precisa falar. As duas sempre se entenderam desde que Lucas as apresentou. A amizade entre elas é como de duas irmãs, porém, a mais velha notara que não é dela que precisa. Assim que disse para Lucas, o loiro não demorou até estar com a prima. 

— Hey, Tigresca. — sorriu. — Quer conversar?

Lucas mal sentou-se sobre a cama quando sentiu abraçá-lo, logo com o corpo tremendo. Lucas, sentindo sua camisa ficar úmida, não se importou e logo abraçou a mesma. Till sabia bem que deveria esperar o tempo da mais nova para dizer algo. 

— Gabriela e eu brigamos uma vez. — sussurrou. — Quase terminamos o namoro... 

— Por que está me dizendo isso, Lu? — questionou, chorando.

— Porque, embora você esteja magoada, assim como eu e Gabbie ficamos, você vai entender que, se for seu, sempre virá. Não importa o tempo em que estejam afastados, se vocês realmente são um do outro, não existe nada e ninguém que poderá afastá-los. — sorriu, de forma doce. 

sorriu, em meio a dezenas de lágrimas, e novamente abraçou o primo. Se havia algo que ela amava nele, era a sensação de conforto que ele sempre lhe passou. Desde crianças, Lucas e eram inseparáveis. Uma vez, Dana, a mãe de Lucas, entrou no quarto do filho e encontrou os dois, dormindo de mãos dadas. Ela até tentou tirar para colocá-la em seu quarto, porém os dois seguraram mais firme as mãos entrelaçadas e a mulher percebera que não haveria outra alternativa senão deixá-los lá. 

— Eu amo você, Tigresca. — Lucas diz, calmo. — E nós vamos passar por isso juntos, okay? 

— Okay. — sussurrou. 

Tigresca é um apelido que Lucas dera a quando crianças. É a tradução para tigre ou tigresa. havia lhe questionado a razão do apelido e o mais velho respondera que, para ele, era uma garota forte, indomável e de espírito livre, como um tigre. Em resposta, ela passou a chamá-lo de Capitão Till, porque Lucas vivia dizendo que seria um pirata. 

— Eu também te amo, Capitão Till. 


Na Toca, Bill se distanciou muito de seus parentes, passando grande parte do tempo em seu quarto. Aquela discussão com no pátio da torre do relógio havia acabado com o ruivo de uma maneira terrível. Molly estava bastante preocupada com o filho mais velho, uma vez que ele parecia bastante desanimado com tudo. Na manhã de Terça-feira, Bill levantou decidido após ler a carta direcionada a ele pelo Banco Gringotts. 

— Eu fui chamado para trabalhar no Banco Gringotts. — informou à sua família. — Eu vou para o Egito. 

— Tão longe, querido? — Molly suspira. 

— Eu preciso recomeçar, mãe. — sorri tristonho. — Eu ficarei bem, não se preocupe. 

— Bill, recomeços são decisões importantes. — Arthur diz. — Se você realmente o quer, então vá! Conheça novas pessoas, se aventure mais e sequer deixe de fazer o que gosta apenas porque dizem o contrário. A vida é muito pequena para que fiquemos lamentando por perder algo ou alguém. 

— Querido, deixe o tempo cuidar dessa ferida e, quando você ver, ela já terá cicatrizado. Vá para o Egito e aproveite muito o tempo que estará lá. Sempre que quiser, estaremos aqui. 


Bill estava radiante, o que deixou seus pais felizes. O ruivo então foi para o Gringotts e não demorou para começar a trabalhar como Desfazedor de Feitiços no Gringotts do Egito. , por outro lado, se mudou para a Austrália, onde começou o treinamento pesado para Auror. 

Além dos testes rigorosos para ver como reagiria sob pressão, precisou enfrentar treinos extensivos em combate mágico avançado e outros elementos de defesa prática, bem como, presumivelmente, métodos de investigação criminal. Ela passaria os próximos três anos sobre formação. 

Vivendo na Austrália com Lucas, focou na carreira e na vida que estaria tendo. No Egito, Bill adorava as aventuras e desafios de um Desfazedor de Feitiços. O destino porém, é algo irônico e que às vezes, chega a ser cômico. Mesmo vivendo vidas diferentes em lados opostos, correndo riscos diferentes de suas profissões, e Bill sequer imaginam que irão se reencontrar e que de certa forma, voltar ao passado não é tão ruim quanto pensam ser. 



Capítulo 8.
1994, the Quidditch World Cup.


Bill’s POV
Fiquei surpreso comigo mesmo quando eu percebi que, de fato, estava de volta à Inglaterra após 5 anos. Pisar aqui depois desse período de tempo me trás diversas memórias dos quais eu não gostaria de relembrar. Todos me levam a uma única pessoa. Davis. 

Nesse tempo, eu tentei deixar de lado... Mas as emoções são mais fortes e, infelizmente, eu não pude. Esquecer seria como esquecer de mim. Então, para me distrair um pouco, eu resolvi aceitar o convite de meus pais e voltei para assistir a Copa Mundial de Quadribol. 


— Bill! — Ginny pula em mim. — Que saudades! 

— Credo, Ginny! — cambaleio. — Quando foi que você ficou tão grande? Nós nos vimos ano passado! 

— Aí, Bill. — é Fred. — Adorei o brinco. Pegou de alguma múmia no Egito? — George questiona. 

— Aham, da vovó. — sorrio, irônico. 

Sorte a minha meus pais não terem ouvido o que disse. Ron é o único que não vi ainda e presumo que esteja voltando da King’s Cross, porque percebo a ausência dos meus pais. Fui subindo as escadas em direção ao meu antigo quarto e, novamente, as lembranças vieram à tona. De repente, eu senti um imenso amargo por estar nesse cômodo novamente. 

Harry! — Ginny grita, empolgada. 

Então acho que meu irmão chegou. Desço as escadas e vejo Ron, acompanhado de um garoto de óculos redondos e cabelos bagunçados. Ron veio me cumprimentar e logo eu estava diante do tal garoto curioso. 

— Harry Potter. — se apresentou. 

— Hey, Harry. — sorrio. — Sou William Weasley, ou Bill. 

— Prazer, Bill. 

Notei de longe que Ginny parece envergonhada com a presença de Harry aqui. Então me liguei. Minha irmã, aparentemente, tem uma quedinha no mesmo. Querendo ou não, isso também me lembra de e, novamente, a sensação amarga me atingiu. 

Resolvi que precisaria respirar um pouco. Saí de casa e fui direto ao pomar, sentando na grama e permanecendo em silêncio, deixando com que a brisa leve me atingisse. Foi quando algo brilhante atingiu meus olhos e eu me toquei que se trata do reflexo do meu colar. Aquele que eu nunca tirei. Aquele que fiz junto do colar de . 

— Bill? — Ginny me chama. — O que houve? 

— Muitas coisas, pequena. — respondo tranquilo. — Aconteceu alguma coisa?

— Você está estranho. — se sentou comigo. — É a , não é? 

— Ainda lembra dela? — pergunto, surpreso. — Você só tinha 5 anos quando a conheceu!

— Eu nunca esqueci dela, Bill. — sorriu doce. — Quer me contar o que houve 5 anos atrás? Você simplesmente foi embora... 

É. Eu não contei para nenhum dos meus irmãos sobre o que aconteceu entre e eu, porque era recente, era doloroso e eu não sabia como lidar com a situação. Agora que cinco anos passaram, eu acho que posso finalmente dizer. 

— Nós brigamos. — suspiro. — Depois que uma garota me beijou e ela viu. 

— É a ? — perguntou, com frieza. 

— Como sabe o nome dela? 

— Porque, dois anos atrás, ela passou a ser caçada como Comensal. — explicou. — Toda a comunidade bruxa ficou em alerta. 

— Pelas barbas de Merlin! — exclamo. — Porém, Ginny, cinco anos atrás e eu terminamos por conta de um mal entendido e desde então não nos falamos. 

— E você acha que estar aqui tem possibilidade de encontrá-la?

— Isso aí. 

— E se vocês se verem? Qual o problema? É uma chance que vocês vão ter para consertar o erro do passado, Bill. Não desperdice. — sorriu. 

Ela me beijou docemente na bochecha e levantou, voltando para dentro de casa. Depois de tanto tempo, eu não sei se vai ser capaz de me perdoar por uma besteira. Nós dois cometemos erros, essa é a verdade. Contudo, o que aconteceu naquela noite foi culpa minha. Se eu tivesse ficado com ela, aquele beijo não teria acontecido e nós estaríamos juntos hoje. Mas e ela? Será que ela me esqueceu? Seguiu em frente? São tantas perguntas e nenhuma resposta. Mas olhe só, a vida é assim. 


’s POV
— Olhe só para você. Nem parece aquela garota frágil e chorona que chegou aqui cinco anos atrás. — Lucas brinca. 

— “As pessoas tendem a mudar”. — respondo, com a frase dele. 

— Não deixei você usar minhas frases, . — fingiu estar zangado, mas riu em seguida. — Tem certeza de que quer voltar? Sabe que minha casa sempre estará disponível.

— Tenho, Lu. Já fiquei aqui tempo demais. 

— Bobagem, ! — Gabbie aparece. — Lucas e eu adoramos ter você aqui. 

— Certo, eu fico. — dou-me por vencida. 


Nesses cinco anos, muita coisa mudou em minha vida. Eu me tornei uma Auror, a mais jovem, por sinal. Passei a viver com Lucas e Gabbie a pedido deles e dedicar a minha vida à caça de bruxos das trevas. Nesse longo tempo, eu troquei cartas com meus pais na Inglaterra, agora que resolveram dar um tempo da profissão. 

Há cerca de três anos, Lucas e Gabbie finalmente se casaram e foi a união mais bonita que tive o prazer de assistir. Eu acho que nunca vi Lucas tão radiante como no dia de seu casamento. Ele chegou a se emocionar no altar quando recebeu Gabbie. O vestido que ela usou, embora simples, foi maravilhoso. Era um vestido de alças finas e que no busto, preenchido por rendas, ia desmanchando até virar tecido. Em outras palavras, as rendas lembravam pássaros e conforme iam se abrindo, o tecido ia surgindo. 

Ela estava tão linda que eu percebi que Lucas realmente estava certo quando me disse que o que é nosso sempre vem. Naquele dia, eu havia percebido que meu primo, meu melhor amigo, estava com a pessoa certa. Gabbie estaria sendo entregue em boas mãos e eu estava feliz por ela encontrar alguém ao seu nível. Foi então que, no meio dos convidados, eu notei alguém com os cabelos vermelhos fogo. Meu coração disparou num ritmo que há anos não disparava. Porém eu fui enganada. Não era quem eu pensava ser, e isso me deixou desanimada. 

Myron Wagtail estava na festa e o inevitável aconteceu. Nós estamos juntos, mas não como um casal. É apenas um lance casual, uma vez que eu não tenho interesse e Myron não aparenta querer estar em algo sério. 


— Mama! — Ollie chama por Gabbie. 

— Com licença. — ela levantou. 

Lucas e Gabbie só adiantaram o casamento porque ela descobriu estar grávida dele. Se Lucas já estava feliz por se casar, só faltou explodir de felicidade quando soube que seria pai. Oliver veio ao mundo há três anos e tem preenchido a vida da nossa família de uma maneira absurda. Como tia Dana disse, uma criança sempre anima um ambiente. 

! — Ollie me chama. 

— Hey, pequeno! — eu o pego no colo. — Lucas, esse garoto é a sua cópia impressa! 

— Vai dar bastante trabalho quando for mais velho. — Gabbie brinca, fazendo Lucas rir. 

Ollie ficou tão entretido brincando em meu colo que, quando eu reparei, ele estava quase adormecendo. Gabbie o levou para cima, deixando Lucas a sós comigo. Foi durante umas taças de vinho que eu percebi que ele quer dizer algo e apenas aguarda pelo momento certo. 

— Vai voltar para a Inglaterra por quê? — questiona.

— A trabalho. — respondo. — e meus pais. 

— Você sabe que... 

— Sim, eu sei. — eu o cortei. — E não, não sei se estou preparada. 

— Você está mais do que preparada, . E você sabe. 

No fundo, o que eu sinto em relação a Bill é receio. Eu não quero encontrá-lo, porque, embora tenham se passado anos, eu nunca aceitei o fato de ele ter feito o que fez. Quando eu tive coragem de contar a Lucas e Gabbie sobre o que realmente havia acontecido, eles me aconselharam que, caso eu encontrasse Weasley, deveria dar uma chance e ouvi-lo. A princípio, eu relutei, mas soube que estavam certos. 

— Você sabe que amanhã terá a Copa Mundial de Quadribol, não é? — eu o encaro. 

— Sei. — respondeu, tranquilamente. — E sei também que terá o Torneio Tribruxo em Hogwarts. 

— Ah, então o Ministério decidiu reabrir os jogos. — comento, bebendo o meu vinho. — Acho isso uma loucura. 

— Por ser arriscado? — Lucas me encara.

— Por ser suicida. — respondo. 

Há anos o Ministério proibiu o Torneio Tribruxo, sendo o último realizado por volta de 1792. A causa da interrupção foi devido a dezenas de mortes envolvendo bruxos estudantes durante as três tarefas. Me surpreende muito o Ministério ter permitido novamente alguma escola sediar o Torneio. 

— Mas você sabe o porquê. — suspirou. 

— Infelizmente... 

O Ministério Australiano, o qual eu sirvo como Auror, tem comentado bastante que o motivo pelo qual o Ministério Inglês resolveu reviver o Torneio é pelo rumor de que Voldemort está de volta. De certa forma, é uma tentativa de distrair a comunidade bruxa de espalhar rumores e criar tensão. 

— E antes que você comece com mais perguntas, Lucas, não. Eu não vou viajar para Hogwarts para assistir alunos se matarem. 

— Credo, . — gargalhou. — Eu fui convidado para prestar assistência caso algum aluno se machuque, mas não poderei ir. Terei plantão. 

— É impressão minha ou você arrumou um plantão apenas para não ir? — rio. 

— Talvez? Sabe, eu não quero ir para outro lugar e deixar Oliver e Gabbie. Sinto que pode acontecer algo ruim o tempo todo e não poderei estar presente para ajudar. — confessou. — Eu amo a minha família, .

Eu o abraço apertado. Desde que os rumores da volta de Voldemort começaram a se espalhar, Lucas tem se apegado mais e mais a Oliver e Gabbie, e eu entendo. São a sua família, quem ele deve proteger. E acreditem, se Lucas diz que sente algo errado ou ruim, é porque há algo errado e ruim. 

— Se ele realmente voltar, você e eu sabemos qual será o meu dever. E eu não poderei hesitar. — digo. 

— Sim, eu sei. — sussurrou, triste. — A última coisa que eu preciso é sua morte na minha consciência. Isso me mataria, não faça isso comigo, . 

Sorrio de uma forma triste, afinal, não posso garantir. 

— Eu nunca o faria. 


[...]


Bill’s POV
O dia da Copa chegou e meu pai fez questão de nos acordar cedo. Após o café da manhã, nós seguimos para o local onde fica a Chave do Portal, onde nos levará para onde teremos a Copa. Eu achei um tanto quanto bizarro o fato de Harry não saber para onde vamos e o que faremos. Enfim, no caminho, encontramos o Sr. Diggory, um amigo de longa data do meu pai. 

— E esse é Cedric, meu filho. — o garoto pulou da árvore. 

Para o meu desgosto e de Ron, nós notamos Ginny e Hermione suspirarem por ele. Rolei os olhos e logo estávamos caminhando para a Chave. Não demorou até encontrar a bota e assim ser levado para o local. Procuramos pela nossa tenda, não demorando muito para achar. Como a mágica aqui não é um problema, obviamente a tenda é maior por dentro. Somente assim para que caiba todo mundo, sério. 

Depois que deixei as coisas no quarto, resolvi dar uma volta. Me perder obviamente não irei, mas me distrair é provável. Fiquei zanzando por dezenas de tendas diferentes e ouvindo conversas aleatórias, foi quando eu a vi. Quero dizer, não tenho certeza, porque já fazem cinco anos. 

? — eu a chamo. 

Fui me aproximando com receio. E foi então que percebi que não é . É a mãe dela, Srta. Davis. Santo Merlin, eu devo estar neurótico! Infelizmente, quando pensei em dar meia volta e sair andando como se não tivesse visto nada, a Srta. Davis me viu e para a minha infelicidade, me chamou. 

— Bill! Como você cresceu! — ela me abraça. — O tempo lhe fez tão bem! 

— O mesmo para você, Srta. Davis. — sorri. — Não mudou nada desde que nos vimos pela última vez. 

— Sem cortesia, pode me chamar de Eva. — disse. — Fico contente por estar aqui. 

— Eu também... — respondo calmo. — Como esteve nesse tempo?

— Ah, querido! Muita coisa aconteceu. Embora eu tenha inúmeras coisas para contar, nós dois não temos tempo. Que tal tomarmos um chá amanhã à tarde? Léo adorará recebê-lo. 

— Certo, Eva. — concordo. — Amanhã irei para o chá. 

— Formidável, querido. Te espero lá. 

Ela se despediu e saiu andando para longe. Okay, eu posso sobreviver a um chá com os pais de . Voltei para a minha tenda bem a tempo dos jogos começarem. Foi bastante agitado, principalmente com o time de Viktor Krum. Felizmente ou não, quem venceu foi a Irlanda. 

No final, porém, a paz e a alegria foram totalmente interrompidas quando um motim teve início. Comensais da Morte. Eles começaram a atacar várias tendas de famílias bruxas e o caos foi totalmente instalado. Por impulso, resolvi ajudar quem precisava de ajuda para se livrar dos Comensais. 

Foi quando eu senti algo rasgar meu braço. Isso ainda não me impediu de socorrer as famílias em pânico. Entre o tumulto, eu vi algo brilhar no céu, algo que há muito tempo eu não via. A Marca Negra. A marca de Voldemort. Os Comensais que estavam espalhando o caos fugiram, deixando claro que o seu mestre voltou e que eles não irão até ele. 


[...]


Na manhã seguinte, após ser tratado do corte profundo que recebi na noite anterior, eu decidi que deveria ir para o chá com os pais de . Eu preciso saber algo dela, por mínimo que seja. Então quando me dei por conta, eu estava de frente para o portão da casa, considerando o que me levou até aqui. 

— William! — Leo abre a porta. — Eva disse que viria. Entre!

— Hey, Leo. — o cumprimento. — Desculpe o atraso.

— Não foi nada, rapaz. Muito corajoso o que fez ontem. 

— Eu fiz o que deveria fazer. — digo. 

— Eu sei que sim. Vamos, Eva está nos esperando. 

Nós dois entramos na casa e eu senti como se estivesse preso em um lugar abafado. Existem alguns retratos da família, mas o que chama minha atenção é o quadro de , acompanhada de um homem loiro, alto, de olhos azuis. Senti uma sensação estranha se apossar de mim. Ciúme. 

— Aquele é o Lucas, primo da . — Eva me assusta. 

— Ah, falou muito dele. — comento. 

— Eu imagino que sim. Os dois são inseparáveis! — sorriu. — resolveu passar um tempo com ele na Austrália e nós fomos para o casamento entre Lucas e Gabbie. 

— Deve ter sido bastante legal. — comento.

— Foi excelente. — prossegue. — Aquele Myron Wagtail estava no casamento também. Ele e estão juntos, pelo menos foi o que ela me disse na última carta. 

Parabéns, Myron. Você está com a minha ex. Pensei. Olhei para Eva disfarçando o nervoso, mas óbvio que não deu certo. Ela pareceu notar e eu não soube onde enfiar a cara. Por Merlin, Bill! Você já soube disfarçar melhor do que isso. 

— Isso me faz lembrar... Espere aqui, querido. 

Fui para o jardim de trás da casa dos pais de , encontrando Leo lendo um livro bruxo que eu possivelmente não conheço. Assim que me sentei, ele o fechou e deixou de lado. O olhar sério que me lançou me fez sentir que eu estaria bastante encrencado. 

— Você é um rapaz incrível, William. — disse. — E eu posso ver de longe a sua tristeza. É por conta do que aconteceu com , suponho.

— Sim, Sr. Davis. 

— Quando chegou em casa e foi ao quarto, eu pude ouvi-la chorar e imaginei que tivesse acontecido algo. Soube também que você teria envolvimento. 

— Acredite, Sr. Davis, foi tudo um tremendo mal entendido que eu não tive a chance de explicar. 

— Eu sei, William. E eu acredito em você. 

Eva, ao retornar, chamou-me para a sala de estar. Eu a segui calado, observando dezenas de retratos de mais velha. Santo Merlin, ela está tão parecida com sua mãe que a semelhança me apavora. Assim que sentamos no sofá, ela pegou em minhas mãos de uma forma gentil. 

deixou isso, antes de partir. Creio que eu deveria entregar a você. — sorriu. 

— Obrigado, Eva. — agradeço. — Você e Léo são incríveis.

— Nós adoramos você, Bill. Espero que venha mais vezes! 


Depois de uma longa conversa com a Sra. Green, eu deixei a casa dos Davis e fui para a Toca. Ao chegar em casa, fui andando para o meu quarto, desviando das perguntas desnecessárias sobre meu paradeiro durante a tarde. Quando entrei no cômodo, não hesitei em abrir o pequeno embrulho, que me deixou muito surpreso. É o colar que eu fiz para enquanto estávamos no Chalé das Conchas. 

Suspirei de forma desanimada e guardei o mesmo na gaveta. Se ela deixou, significa algo, embora o que seja eu não faço ideia. Me pergunto se iremos nos encontrar. E se acontecer, o que direi? Será que ela vai me ouvir? Será que ela realmente me esqueceu? Porcaria! Maldita hora em que resolvi voltar para cá. 



Capítulo 9.
The New Order of the Phoenix.


1995.
Depois da Copa Mundial de Quadribol, eu resolvi que iria ficar para o Torneio Tribruxo. Harry é um garoto legal e aparentemente está assustado com o torneio, então pensei que um apoio seria interessante. 

Minha mãe e eu chegamos a Hogwarts para assistir a Terceira Tarefa, na minha opinião, a mais louca. Eu vi uma garota com cabelos loiros prateados que não parava de me encarar, o que me deixou inquieto. Fiquei sabendo que é Fleur Delacour, a bruxa da escola francesa e participante do Torneio. 

Normalmente, o Cálice de Fogo escolhe um bruxo de cada escola para competir. Só que esse ano, devido aos perigos que envolvem a competição, tais como meu irmão Charles trouxe dragões romenos para uma das três tarefas, o Ministério proibiu bruxos abaixo de 17 anos competirem. Isso deixou muitos alunos bastante irritados, porque como Dumbledore disse, quem ganhar a competição, ganha a glória. 

Da Durmstrang, o campeão é o batedor búlgaro, Viktor Krum. Da Beauxbatons, a tal Fleur Delacour que não parava e me encarar. E finalmente, Hogwarts. O escolhido foi o filho do Sr. Diggory, Cedric. Entretanto, o Cálice sorteou outro nome. Harry Potter. Foi a primeira vez que algo do tipo aconteceu, o que gerou dezenas de acusações, dizendo que Harry havia colocado seu nome lá. Óbvio que o objeto estava enfeitiçado para não permitir adolescentes abaixo dos 17 de se inscrever. O que aconteceu não tem explicação. 


Assim que o Torneio teve início, as coisas pareceram interessantes. A terceira tarefa é encontrar a taça, no meio de um labirinto. Até poderia ser moleza, se não fosse por meros detalhes. A intenção do Torneio é testar em si as habilidades de seus competidores e a terceira e última tarefa obviamente não seria simples. Dentro daquele labirinto há dezenas de surpresas, dos quais eu sequer posso imaginar. Uma cada vez pior que a outra. 


— Acha que Harry achará a Taça? — algum Grifinório questiona.

— Ele está com Cedric! — a garota da Lufa-Lufa responde. — É claro que achará. 

Fred e George se aproximaram, com suas feições muito nítidas de que pretendem pregar uma peça ou simplesmente caçoar de alguém. E eu estou sentindo que esse alguém sou eu. Fred ficou a minha direita, enquanto George a minha esquerda. Recebi um tapa de cada um nas costas e logo eles riram. 

— Sabe quem tocou no Baile de Inverno? — George pergunta.

— Não, George. — respondo, impaciente. 

— Myron Wagtail com a banda dele, Weird Sisters. — Fred responde. 

— A canção falava sobre uma garota. — George provoca. 

— Do qual Myron gosta, mas ela não gosta dele. — Fred sorri. 

— Porque, segundo ele, o coração dela é de outro e deixou de conhecer o amor. — George o encara. 

— Por que não vão limpar sujeira de Hipogrifo? — questiono, zangado. 

Empurro os dois para trás e saio andando, bastante irritado. Foi quando esbarrei em alguém. Olho para a garota em particular e a ajudo a se recompor, afinal, bons modos ainda existem. Ok, isso já é perseguição. A tal garota com quem eu esbarrei é Fleur, de novo. 

— O-oi. — cora. — Desculpe. 

— Sem problema. — sorrio. — Me desculpe pelo esbarrão, eu estava total distraído. 

— Aconteceu algo? Você parece zangado. — observa.

— Ah, não foi nada. — digo. — Você está bem? Saiu do Labirinto. 

— Eu fui atacada e desisti. — explica. — Aquele labirinto é terrível. 

Não pude deixar de notar que o sotaque dela é forte e o inglês é um pouquinho ruim. Mas suponho que é pelo fato de ela ser da França e não ter muito contato com o Inglês. Aparentemente, ela parece ser uma pessoa bacana. Vou ignorar o fato de ela ter me encarado como um caçador encara sua presa.

— Você é Veela, não? — pergunto, curioso. 

— Sou um quarto Veela. — sorri. — Minha avó era. 

— Veelas são criaturas fascinantes. Sempre quis conhecer uma.

Fleur sorriu encantada. Nós dois ficamos um bom tempo conversando sem se importar muito com o torneio que ainda está acontecendo. E, durante a nossa conversa, algo peculiar ocorreu. Harry e Cedric voltaram, mas havia algo totalmente errado. Harry estava chorando. 


— CEDRIC ESTÁ MORTO! — Potter grita. — VOLDEMORT VOLTOU! 

Esse foi o pontapé necessário para se iniciar uma tremenda muvuca. A correria e gritos apavorados dos estudantes só tornou as coisas piores. Alguns queriam se aproximar de Harry e Cedric, sendo impedidos por professores. Conforme os outros professores controlaram o tumulto, eu consegui retirar Fleur do local, levando-a para um outro mais tranquilo. 

— Eu preciso falar com Dumbledore. — me manifesto.

— Claro. 


Deixei a loira lá, enquanto fui atrás do diretor. As escadas se movem, atrapalhando o meu destino. Quando elas me deixaram chegar ao andar, fui depressa para o Escritório do diretor, não demorando muito para ouvir conversas. E pelo tom, eu acredito que são severas. 

— Bill. — Albus me encara através dos óculos meia-lua. 

— Professor. — me aproximo. — Os boatos são verdadeiros?

— Eu temo que sim, Bill. — lamentou. 

— Então a Ordem voltará? — questiono. 

— Evidentemente. 

— Eu quero fazer parte, Professor. — digo, convicto. — Eu quero lutar. 


[...]


Ainda na mesma noite, eu recebi uma carta de Dumbledore sobre instruções especificas sobre a nova Ordem da Fênix. A Sede será a casa de Sirius Black, O Largo Grimmauld N° 12. É claro que, uma vez exposto o retorno de Voldemort, a Ordem precisa ser cautelosa. Então a casa recebeu o Feitiço Fidelius, com Dumbledore sendo o Fiel do Segredo. 


— Não acredito que passaremos por isso de novo. — ouço minha mãe comentar com o meu pai. 

Respiro fundo. Durante a Primeira Guerra Bruxa, após a queda de Voldemort, alguns Comensais torturaram Aurores até a loucura na tentativa de encontrarem qualquer informação sobre o mestre caído. Se eu não me engano, os pais de foram responsáveis por muitas apreensões de Comensais na época, assim como Alastor Moody. Eu espero que a situação não piore. 


’s POV
— Dumbledore me convocou. — anuncio para Lucas.

— Por quê? — o loiro questiona. 

— Voldemort voltou, Lucas. — respondo, séria. — E isso também quer dizer que a Ordem da Fênix foi restaurada.

— Você vai voltar? 

— É o meu dever como Auror. — digo, arrumando minhas coisas. — Não posso ficar sentada enquanto um maníaco tenta matar inocentes. Os trouxas já viram isso, e nós sabemos como acaba se não houver quem o impeça. 

Lucas é mestiço, já que tia Dana casou com um trouxa, vulgo tio John. E o homem do qual me refiro foi um ditador chamado Adolf Hitler. Bem, não há tempo para explicar. Eu preciso voltar para Londres o mais rápido possível. 

— Eu não quero que você vá, Lu. — eu o encaro. — Você seria caçado até a morte e Ollie precisa de você aqui. 

— Se for o meu dever ajudar, então eu vou, . — disse, sereno. — E não é um careca que vai me dizer o contrário. 

Sorrio para Lucas. Eu sei que se ele diz que vai fazer, é porque irá. Lucas nunca foi do tipo que se esconde dos problemas e deixa outros resolverem, não. Ele sempre amou os perigos e aventuras que o mundo poderia lhe oferecer. Sua bravura e determinação sempre me incentivou a querer mais e mais! 

— E a Gabs? Ollie? — questiono, preocupada.

— É seguro que eles fiquem em casa sobre o Feitiço Fidelius. Você poderia ser a Fiel do Segredo. 

— Não, Lu! — nego. — É uma tremenda responsabilidade.

— Eu confio em você, . 


Relutei a respeito da decisão de Lucas em me escolher para ser a Fiel do Segredo. Contudo, uma vez em que ele já tomou sua decisão, não há nada que o faça voltar atrás. Depois de uma longa conversa com Gabs, ela aceitou pacificamente a ideia de Lucas ir comigo para Londres. Entretanto, havia a parte difícil. Oliver. 

— Papai vai viajar com a tia por um tempo. — explica ao pequeno. 

— Por quê, papai? — a criança questiona. 

— Papai precisa ajudar outras pessoas, Ollie. — sorri. — Não vou demorar. 

— Posso ir?

— Não. — lamenta. — É perigoso. A mamãe vai ficar com você. 

Ollie entendeu e não chorou, deixando um Lucas mais tranquilo. Aparatar até Londres é suicídio, claro. Então usamos o meio mais tranquilo que conhecemos. Rede de Flu. O destino escolhido por nós foi a sede da Ordem, uma vez que Dumbledore me deu a localização através da carta enviada ao me convocar. 

Assim que nos despedimos dos dois Till, sendo a Gabbie e Ollie, Lucas e eu fomos para a lareira e de lá, o destino escolhido foi um local próximo do Largo Grimmauld n°12. Toda segurança nesse momento é necessária e eu não iria arriscar toda a Ordem se fosse direto. 


Lucas e eu aguardamos por um breve instante antes de definitivamente ir para o local. Quem abriu a porta foi justamente quem eu não esperava ver aqui. Molly Weasley. Ela pareceu em choque ao me ver depois de tanto tempo, porque a cara que ela fez foi impagável. 

— Santo Merlin, ! — me abraça. — Como você está linda! 

— Que saudades, Molly. — sorrio. — Esse é o meu primo, Lucas. 

— Prazer em te conhecer, Lucas. — ela o cumprimenta. — Sou Molly Weasley. 

— Prazer, Molly. 

Lucas e eu entramos, dando de cara com várias pessoas, com a maioria sendo os Weasley. Fred e George estão maiores e idênticos, tanto que eu não consigo diferenciar um do outro. Charles e Percy são os únicos Weasley que eu não vejo aqui, o que me faz estranhar. Ron e Ginny ainda não chegaram, e ele também não está.


— Essa é a Hermione, Remus, e ainda há alguns para chegar. 

! — ouço uma voz familiar distante.

— Hey, Black! — eu o cumprimento calorosamente. — Lembra do Lucas?

— Olhe só para vocês dois! — nos abraça.

Sirius é um amigo de longa data da minha família, uma vez que meus pais também foram da Ordem original. Meus primeiros anos de vida foram vivendo com Sirius, porque ele foi como um segundo pai para mim. E se eu acredito sobre a traição? Não.

— E como vão seus pais, ? — Black pergunta.

— Vão bem, presumo. Ainda não pude falar com eles, mas creio que virão fazer parte da Ordem. 

— É possível. — disse. 

Molly cortou a conversa entre nós e nos levou para o quarto. É o quarto de Régulo, o falecido irmão de Sirius. Larguei minhas coisas em qualquer canto e sentei na cama, suspirando. Lucas notou e sentou-se ao meu lado, ainda em silêncio. Encostei minha cabeça em seu ombro, respirando bem fundo. 

— Acha que foi uma decisão certa? 

— Sim. — responde. — É uma guerra, . Não importa o que aconteceu e sim o que acontecerá. 

Lucas sempre sábio com suas palavras. Sorrio de soslaio, sabendo que ele provavelmente imitara meu gesto. Nossa paz e silêncio foi interrompida por um barulho brusco também conhecido por mim. Trata-se dos gêmeos aprontando alguma coisa para provocar Molly. Sorrio largamente, porque querendo ou não, eu senti falta dessa família. 

— Entendi agora o porquê você vivia tagarelando sobre os Weasley... — Lucas ri. — Eles são excêntricos. 

— São uns amores. — digo. — Eu adoro cada um deles.

— Sei. — brincou. 

Rolei os olhos e dei um tapa em seu ombro, fazendo-o rir. Nós ouvimos barulhos dos andares inferiores e logo presumi que o resto chegara. Claro que eu deveria ir, porque meus pais podem estar aqui também. Me levanto da cama e encaro meu primo, puxando-o para levantar. 

— Merlin me ajude. — comento, rindo. 

— Não será fácil. — sorri, ironicamente. — Mas você sobrevive. 

— Cale a boca, Till. — eu o empurro. 


Abro a porta do quarto de Régulo, ouvindo dezenas de vocês falando em conjunto. Encarei Lucas e decidi que agora deveria ser a hora. Desço degrau por degrau lentamente, tentando adiar o momento o máximo que eu conseguir, mesmo sendo inevitável. O destino realmente é algo cruel. 

Quando eu cheguei ao andar, o silêncio pairou. E lá estava ele, o ruivo mais bonito que já vi em toda a minha vida, sendo que agora, ele parece mais bonito ainda. O tempo lhe fez tão bem... Os cabelos continuam grandes, da mesma forma que estavam na última vez em que estivemos juntos. A diferença é que agora, ele usa um brinco na orelha, com o formato de um dente. 

. — me cumprimenta.

— William. — o cumprimento com uma extrema frieza.


Capítulo 10.
The Dinner.


Bill’s POV
Céus. Vê-la diante de mim e me tratar com tanta frieza doeu, principalmente porque uma certa dor nos olhos dela tornou-se visível. Aquela mágoa, apesar dos anos, ficou. Eu me sinto um completo babaca por ter ficado parado, sem reagir. Aquele homem, Lucas, me lançou um olhar triste, como quem diz saber do que aconteceu e que, de certa forma, não me culpa. 

Contudo, eu fui arrancado brutalmente de meus pensamentos com a falaria imensa. Durante a reunião de costume, Mundungus dormiu e nós não demos tanta importância. Porém, aquele momento desconfortável na presença de acabou, quando do lado de fora ouvimos batidas no chão. Alastor. 

Acredito que seja Harry, acompanhado dos outros Aurores encarregados de sua proteção. Vou até meu pai, retomando a conversa de antes. e Lucas sumiram de minha vista, assim como Black. Infelizmente a reunião ainda não havia acabado e Harry acabou entrando no momento em que eu estava acabando de enrolar os pergaminhos.


’s POV
(Nota da autora: esse trecho foi retirado do livro A Ordem da Fênix e modificado para a narração da personagem principal, contendo alguns acréscimos de acordo com o ponto de vista da narradora).

A Sra. Weasley limpou a garganta. Seu marido, um magro, calvo, homem ruivo de óculos, olhou em volta e pôs-se de pé com um salto. Arthur, afinal de contas, ainda é o mesmo homem gentil e brincalhão que eu conheci quando fui para A Toca, alguns anos atrás. Não mudou absolutamente nada. 

— Harry! — disse o Sr. Weasley, apressando-se para cumprimentá-lo, e apertou sua mão com vigor. — Que bom ver você!

Por cima do seu ombro Harry pôde ver Bill, que ainda usa seu longo cabelo amarrado como rabo-de-cavalo, enrolando apressadamente os pergaminhos que haviam sido deixados na mesa. Querendo ou não, isso me fez sorrir de forma discreta. Ele ainda é o mesmo garoto que conheci.

— Fez uma boa viagem, Harry? — perguntou Bill, tentando juntar doze rolos de pergaminho de uma vez. — Olho-Tonto não te fez vir por Greenland, então?

— Ele tentou — disse Tonks, caminhando para ajudar Bill e imediatamente derrubou uma vela no último pedaço de pergaminho. — Oh, não... Desculpe...

— Aqui, querida — disse a Sra. Weasley, parecendo irritada.

Ela consertou o pergaminho com um toque de sua varinha. No brilho da luz causado pelo feitiço da Sra. Weasley, deu para ver de relance o que parecia ser a planta de uma construção. A Sra. Weasley percebeu o olhar de Harry. Ela apanhou a planta e a colocou nos braços já sobrecarregados de Bill.

— Esse tipo de coisa deveria ser retirada logo após o fim das reuniões — improvisou ela, antes de se dirigir a um velho guarda-louça do qual começou a retirar pratos para o jantar.

Bill pegou sua varinha, murmurou "Evanesce!" e os rolos de pergaminho desapareceram. E eu continuei em silêncio, como se minha existência no cômodo passasse total despercebida. 

— Sente-se, Harry — disse Sirius. — Você se encontrou com Mundungus, não foi?

A coisa que eu pensei ser uma pilha de trapos deu um prolongado e gemido ronco, e então acordou, sacudindo-se. Eu confesso que não esperava ver Mundungus aqui. Precisei esconder a minha risadinha, caso contrário Molly me lançaria um olhar severo. 

— Alguém disse meu nome? — Mundungus murmurou, sonolento. — Eu concordo com Sirius... — ele levantou no ar uma mão muito suja como se tivesse votando, seus debilitados, avermelhados olhos desfocaram.

Ginny sorriu. Ela havia presenciado, então. 

— A reunião acabou, estrume — disse Sirius, enquanto todos sentavam ao redor dele na mesa. — Harry chegou.

— É? — disse Mundungus, olhando totalmente sofrível para Harry através do seu assanhado cabelo avermelhado. — Sim... Você está bem, Harry?

— Sim — respondeu Potter.

Mundungus tateou nervosamente seus bolsos, ainda encarando Harry, e puxou um cachimbo preto meio sujo. Ele o colocou na boca, acendeu a ponta com sua varinha e deu uma boa tragada. Grandes nuvens de uma fumaça esverdeada o envolveram em poucos segundos.

— Devo desculpas a você — rosnou uma voz do meio da fumaça fedorenta.

— Pela última vez, Mundungus — repreendeu a Sra. Weasley — você poderia fazer o favor de não fumar essa coisa na cozinha, especialmente quando nós estivermos na hora de comer!

— Ah — disse Mundungus. — Certo. Desculpe, Molly.

A nuvem de fumaça desapareceu quando Mundungus guardou seu cachimbo de volta no bolso, mas um cheiro amargo de coisa queimada permaneceu no ar. Foi quando notei um olhar de Bill, que logo desviou-se. Encostei-me na batente da porta e assim permaneci. 

— E se você quiser jantar antes da meia-noite eu vou precisar de uma ajudinha — a Sra. Weasley disse para as pessoas na sala. — Não, você pode ficar onde está, Harry, querido, você teve uma longa viagem.

— O que eu posso fazer, Molly? — disse Tonks com entusiasmo, saltando adiante.

A Sra. Weasley hesitante, olhou apreensiva. Sorri de soslaio, afinal, Molly já percebera o jeito um tanto quanto estabanado de Tonks. Vai ver Molly ainda é a mesma mulher cautelosa que eu conheci. 

— Er... Não, está tudo bem, Tonks, você precisa descansar também, você já fez muito por hoje.

— Não, não, eu quero ajudar! — disse Tonks claramente, derrubando uma cadeira enquanto ela acelerava em direção ao guarda-louça, onde Ginny estava pegando os talheres.

Logo uma porção de facas pesadas estavam cortando carne e vegetais em sua própria harmonia, supervisionadas pelo Sr. Weasley, enquanto a Sra. Weasley mexia um caldeirão pendurado acima do fogo e os outros pegavam pratos, mais taças e comida da despensa. Harry foi deixado na mesa com Sirius e Mundungus, que ainda estava vacilando em sua melancolia.

Dei meia volta na porta e segui meu caminho, indo espairecer um pouco. Lucas havia ido tomar um banho, então permaneci no quarto em silêncio, mas não por muito tempo. O momento que há tanto queria adiar finalmente chegou e eu sabia que não haveria como fugir. Não dessa vez.

— É feio ficar observando, William. — digo, com os olhos no livro. — Pensei que Molly lhe havia ensinado boas maneiras. 

— Ela ensinou, sim. — diz de forma calma. — Eu estava pensando se iria adiar isso por mais tempo ou não, mas pelo visto, você não pretende adiar. 

Fechei o livro com certa raiva, deixando-o de lado. Encarei William nos olhos, como fiz assim que nos encontramos. E devo dizer, as sensações que lutei para enterrar voltaram a ferver como um estalar de dedos. Sentei sobre a cama, endireitando minha postura. Ele, ao contrário, não se moveu. 

— Não, tem razão. — respondo, firme. — Não pretendo adiar, portanto, diga o que quer e se retire por favor. Creio que temos afazeres diferentes. 

— Não precisa da hostilidade, . — devolve. — Eu só queria saber se você está preparada para me ouvir, ao invés de me xingar. 

— Eu aparento estar? — sorrio, ironicamente. — Nós dois não temos o que conversar, William. Eu aprecio seu gesto, porém o recuso. 

— Até quando, ? — suspira. — Sabe que não pode continuar dessa maneira sem me ouvir. 

— Você teve sua chance. 

— Está agindo como uma criança. — pareceu irritado. — E me surpreende vindo de alguém como você. 

Dessa maneira, ele deu as costas e se retirou, me deixando a sós. Lucas entrou, virando o pescoço para trás e logo presumi que ele já deveria ter visto William deixar o cômodo. Como sempre, ele não perguntou nada, achando melhor me deixar quieta. Entretanto, meu breve momento de reflexão foi interrompido pelos gritos de Molly no andar inferior. 

— Fred, George, NÃO, APENAS CARREGUEM! — gritou a Sra Weasley.

Desci as escadas correndo, bem a tempo de presenciar Harry, Sirius e Mundungus olhando ao redor e, numa fração de segundos, eles mergulharam para longe da mesa. Fred e George haviam enfeitiçado um grande caldeirão de cozido, uma jarra de cerveja-amanteigada e uma pesada tábua de madeira de cortar pão, com faca e tudo mais, para empurrá-los pelo ar em direção a eles. O cozido derramou por cima da mesa e parou um pouquinho antes de chegar até a outra ponta, deixando uma grande queimadura na superfície de madeira; a jarra de cerveja-amanteigada caiu e quebrou, derramando o conteúdo por todo o lugar; a faca de cortar pão escorregou da tábua e aterrissou, com a ponta para baixo, agitando-se de forma ameaçadora, exatamente onde a mão de Sirius estava segundos atrás. 

— PELO AMOR DE DEUS! — gritou a Sra Weasley. — NÃO HAVIA NECESSIDADE DISSO. JÁ CHEGA, ESTOU FARTA. SÓ PORQUE AGORA VOCÊS TÊM PERMISSÃO DE USAR MAGIA NÃO DEVEM FICAR CHICOTEANDO SUAS VARINHAS POR QUALQUER COISA.

— Nós só queríamos apressar um pouco as coisas! — disse Fred, apressando-se para puxar a faca de pão da mesa. — Desculpe, Sirius, amigo... Não tinha a intenção...

Harry e Sirius estavam ambos rindo; Mundungus, que tinha caído de sua cadeira, estava praguejando enquanto se levantava; Bichento, o gato de Hermione, deu um assobio furioso e correu para baixo do guarda-louças, de onde seus grandes olhos amarelos brilhavam no escuro. Eu apenas pude rir, atraindo a atenção dos gêmeos. 

— Meninos — disse o Sr. Weasley, erguendo novamente o cozido de volta ao centro da mesa — Sua mãe tem razão, vocês deveriam mostrar senso de responsabilidade agora que chegaram na idade...

— Nenhum dos seus irmãos causou esse tipo de problema! — enfureceu-se a Sra. Weasley enquanto ela batia uma nova jarra de cerveja-amanteigada na mesa, derramando quase tanto quanto da outra vez. — Bill nunca sentiu necessidade de aparatar a cada passo! Charlie nunca enfeitiçou tudo o que encontrava! Percy...

Ela parou de repente, tomando fôlego e olhando assustada para seu marido, que ficou com olhar grosseiro repentinamente. Então eu percebi ter algo errado, ou então Arthur não teria mudado sua expressão. 

— Vamos comer — disse Bill rapidamente.

— Parece maravilhoso, Molly — disse Lupin, colocando o cozido no prato dela com uma concha e entregando por sobre a mesa.

Por alguns minutos houve um silêncio exceto pelo ruído dos pratos e talheres e o ranger das cadeiras quando eles se inclinavam sobre a comida. Troquei olhares sugestivos com Lucas, que os retribuiu. Então a Sra. Weasley se virou para Sirius.

— Eu pretendia dizer a você, Sirius, tem algo preso naquela escrivaninha do quarto, que fica se debatendo e sacudindo. Claro, poderia ser apenas um diabrete, mas pensei em pedir a Alastor para dar uma olhada antes de deixá-lo sair.

— Como quiser — disse Sirius com indiferença.

— As cortinas de lá também estão cheias de doxies — complementou a Sra. Weasley. — Eu acho que deveríamos tentar cuidar delas amanhã.

— Eu resolvo isso — disse Sirius. 

Eu ouvi sarcasmo em sua voz, mas não tinha certeza se alguém mais o faria. Em frente a Harry, Tonks estava divertindo Hermione e Ginny transformando seu nariz a cada colherada. Seu nariz aumentou e tomou forma como a de um bico que lembrava o de Snape, encolheu para o tamanho de um cogumelozinho e então fez germinar uma grande quantidade de pêlos da cada uma das narinas. Aparentemente esse era um divertimento comum na hora das refeições, porque Hermione e Ginny logo estavam pedindo seus narizes favoritos.

— Faça aquele que parece um focinho de porco, Tonks.

Tonks fez sem gostar e de relance, olhando pra ela, tive a ligeira impressão que uma cópia feminina de alguém conhecido estava sorrindo para nós do outro lado da mesa. O Sr. Weasley, Bill e Lupin estavam tendo uma intensa discussão sobre duendes, o que atraiu minha atenção. 

— Eles ainda não estão desistindo de nada — disse Bill. — Eu ainda não posso trabalhar acreditando eles ou não que ele voltou. Certamente, eles preferem não tomar parte nisso. Sabe, ficar longe.

— Eu tenho certeza que eles nunca se unirão a Você-Sabe-Quem — disse o Sr. Weasley, balançando a cabeça. — Eles sofreram perdas também; lembra-se daquela família duende assassinada da outra vez, em algum lugar perto de Nottingham?

— Eu acho que depende do que eles oferecerem — disse Lupin. — E eu não estou falando sobre ouro. Se eles oferecerem a liberdade que nós negamos a eles durante séculos ficarão tentados. Você ainda não teve sorte com Ragnok, Bill?

— Ele está se sentindo um pouco antibruxo no momento — disse Bill —, ainda não esqueceu a raiva dos negócios de Bagman, contou que o Ministério fez uma cobertura, aqueles duendes nunca conseguiram dinheiro dele, você sabe...

Uma tempestade de risos vindos do centro da mesa abafou o restante das palavras de Bill. Fred e George, Rony e Mundungus estavam girando em torno de suas cadeiras.

— ... e então — engasgou-se Mundungus, com lágrimas rolando em seu rosto —, e então, se vocês acreditam, ele me disse, ele disse "aqui, Dung, onde você conseguiu todos aqueles sapos? Porque algum filho da mãe roubou todos os meus!". E eu disse, "roubaram todos os seus sapos, Will? E você vai querer mais alguns, é?". E se vocês acreditam em mim, jovens, o estúpido gárgula comprou todos os sapos que eu tinha roubado dele de volta e pagou pelos mesmos sapos que já eram dele...

— Eu acho que não precisamos ouvir mais nenhuma história sobre seus negócios, muito obrigada, Mundungus — disse a Sra. Weasley com severidade, enquanto Rony caía da mesa, uivando de tanto rir.

— Imploro seu perdão, Molly — disse Mundungus imediatamente, secando os olhos e piscando para Harry. — Mas você sabe, Will os tinha roubado de Warty Harris, então eu não estava fazendo algo realmente errado.

— Eu não sei onde você aprendeu sobre certo e errado, Mundungus, mas acho que você perdeu algumas lições essenciais — disse a Sra. Weasley com frieza.

Fred e George enterraram suas caras nas taças de cerveja-amanteigada, George estava soluçando. Por alguma razão, a Sra. Weasley jogou um olhar bem asqueroso em direção a Sirius antes de se levantar e trazer um grande pudim. Harry olhou seu padrinho.

— Molly não aprova o comportamento de Mundungus — disse Sirius em voz baixa.

— Como foi que ele entrou na Ordem? — disse Harry, com bastante cautela.

— Ele é útil — murmurou Sirius. Conhece todas as trapaças... Bem, ele deveria, já que ele mesmo se vê como uma. Mas ele também é muito leal a Dumbledore, que o ajudou a sair de um aperto certa vez. É bom ter alguém como Dung por perto, ele ouve coisas que nós deixamos passar. Mas Molly acha que convidá-lo para o jantar é ir longe demais. Ela não o perdoou por ter falhado no trabalho quando deveria estar vigiando você.

Depois de três fatias de pudim, olhei para Harry que parecia apertado e desconfortável. Quando soltou a colher havia uma calma geral na conversa: o Sr. Weasley estava escorado na sua cadeira, olhando satisfeito e relaxando; Tonks estava bocejando abertamente, seu nariz agora já estava de volta ao normal; Ginny, que tinha atraído Bichento de baixo do guarda-louças, estava sentada no chão com as pernas cruzadas, jogando a rolha da garrafa de cerveja-amanteigada para ele caçar.

— É quase hora de dormir, eu acho — disse a Sra. Weasley com um bocejo.

— Ainda não, Molly — disse Sirius, empurrando o prato vazio e tornando a olhar para Harry. — Você sabe, eu estou surpreso com você. Eu pensei que a primeira coisa que você iria me perguntar eram coisas sobre Voldemort.

A atmosfera na sala mudou com uma velocidade que só pude associar à chegada dos dementadores. Onde segundos antes estava sonolento e relaxado, agora estava alerta e até tenso. Um arrepio correu ao redor da mesa ao mencionar o nome de Voldemort. Lupin, que estava quase tomando um gole de vinho, baixou sua taça vagarosamente, e olhou desconfiado. Olhei para Lucas, que permaneceu atento em cada palavra. Meu olhar é singelo e diz que essa conversa vai longe.


Capítulo 11.
The Dinner pt. II.


— Eu perguntei! — disse Harry, indignado. — Eu perguntei a Rony e Mione, mas eles disseram que não podiam entrar na Ordem, então...

— E eles estão completamente certos — disse a Sra. Weasley. — Vocês são muito jovens.

Ela estava sentada em sua cadeira, os punhos fechados contra os braços da cadeira, sem nenhum sinal de cansaço ou sono. Se eu bem conheço Molly, ela está a ponto de querer matar alguém. 

— Desde quando alguém precisa estar na Ordem da Fênix para fazer perguntas? — perguntou Sirius. — Harry estava preso na casa dos trouxas o mês inteiro. Ele tem o direito de saber o que está acontecendo...

— Espere aí! — interrompeu George.

— Por que é que Harry vai ter suas perguntas respondidas? — disse Fred, furioso.

— Nós estivemos tentando arrancar alguma coisa de você o mês inteiro e você nem ao menos nos disse uma coisinha sequer — disse George.

— "Vocês são muito jovens, vocês não estão na Ordem" — disse Fred, em um tom de voz bastante alto que soou estranhamente como o da sua mãe. — Harry também não tem idade!

— Não é minha culpa não ter dito o que a Ordem está fazendo — disse Sirius com bastante calma —, foi decisão dos seus pais. Harry, no entanto...

— Não cabe a você decidir o que é bom para Harry! — disse Sra. Weasley com severidade. A expressão de seu rosto, que normalmente parecia tranquila, desta vez estava assustadora. — Você não esqueceu o que Dumbledore disse, eu suponho?

— Qual parte? — perguntou Sirius educadamente, mas com ar de um homem que se prepara para uma luta.

— A parte sobre não dizer a Harry mais do que ele precisa saber — disse a Sra. Weasley, colocando uma grande ênfase nas três últimas palavras.

As cabeças de Rony, Hermione, Fred e George giravam de Sirius para a Sra. Weasley como se estivessem assistindo uma partida de tênis. Ginny estava ajoelhada entre uma pilha de rolhas de garrafa, observando a conversa com sua boca levemente aberta. Os olhos de Lupin estavam fixos em Sirius. Lucas e eu estávamos em silêncio, ouvindo a argumentação de cada um presente. 

— Eu não tenho intenção de dizer a ele mais do que ele precisa saber, Molly — disse Sirius. — Mas, como ele é o único que viu que Voldemort voltou — novamente houve um tremor ao redor da mesa quando o nome foi pronunciado —, ele tem mais direito do que a maioria...

— Ele não é um membro da Ordem da Fênix! — disse Sra. Weasley. — Ele tem apenas quinze anos e...

— E ele pode ser tratado como qualquer um que seja da Ordem — disse Sirius — E até melhor do que alguns.

— Ninguém está negando o que ele fez! — disse a Sra. Weasley, sua voz aumentando, suas mãos tremendo nos braços da cadeira. — Mas ele é apenas...

— Ele não é uma criança! — disse Sirius, impaciente.

— Ele também não é um adulto! — disse a Sra. Weasley, com o rosto já corando. — Ele não é James, Sirius!

— Eu sei perfeitamente quem ele é, obrigado, Molly — disse Sirius com frieza.

— Eu não tenho certeza disso! — disse a Sra. Weasley. — Às vezes, o jeito com que você fala sobre ele, é como se você pensasse que tem seu melhor amigo de volta!

— E o que há de errado nisso? — disse Harry.

— O que há de errado, Harry, é que você NÃO é o seu pai, mesmo que você possa parecer com ele! — disse a Sra. Weasley, seu olhar ainda perfurando Sirius. — Você ainda está na escola e adultos responsáveis não deveriam esquecer disso!

— Você quer dizer que eu sou um padrinho irresponsável? — reclamou Sirius, com sua voz também aumentando.

— Penso que você sabe como agir imprudentemente, Sirius, e é por isso que Dumbledore continua relembrando que você deve ficar em casa e...

— Vamos deixar minhas instruções de Dumbledore fora disso, se você pode me fazer esse favor! — disse Sirius em voz alta.

— Arthur! — disse a Sra. Weasley contornando seu marido. — Arthur, me ajude!

O Sr. Weasley não falou nada. Ele tirou os óculos e os limpou cuidadosamente em suas vestes, sem olhar para sua esposa. Apenas quando ele os recolocou em seu nariz ele respondeu. 

— Dumbledore sabe que as coisas estão mudando, Molly. Ele aceita que Harry precisa ser informado, até certo ponto, agora que vai ficar no Quartel-General.

— Sim, mas há uma diferença entre isso e convidá-lo a perguntar qualquer coisa que ele queira!

— Pessoalmente — disse Lupin calmamente, finalmente tirando a atenção que estava prestando a Sirius, e a Sra. Weasley se virou rapidamente para ele, esperançosa de que tivesse ganhado um aliado —, eu acho melhor que Harry saiba dos fatos. Não todos os fatos, Molly, mas de maneira geral. Por nós do que por uma versão distorcida... Dos outros.

Sua expressão era doce, mas eu tive a certeza que Lupin, pelo menos, sabia que as Orelhas Extensíveis tinham sobrevivido à limpeza da Sra. Weasley. Lucas parecia um tanto quanto assustado diante da troca de farpas sobre o que era melhor para Potter ou não. A expressão de meu primo era, no entanto, engraçada.

— Bem — disse Sra. Weasley, respirando fundo e olhando ao redor da mesa por um apoio que não veio. — Bem... Eu vejo que fui derrotada. Eu vou apenas dizer isso: Dumbledore deve ter tido suas razões para não querer que Harry soubesse demais e, falando como alguém que tem os melhores interesses sobre o Harry em seu coração...

— Ele não é seu filho — disse Sirius calmamente.

— Mas é como se fosse — disse a Sra. Weasley ferozmente. — Quem mais ele tem?

— Ele tem a mim!

— Sim — disse Sra. Weasley, com seus lábios enrolando —, o fato é, foi bem difícil pra você cuidar dele enquanto estava trancado em Azkaban, não foi?

Sirius começou a se levantar da cadeira. Ele não gostou nem um pouco da provocação. E se eu bem conheço Black... 

— Molly, você não é a única pessoa nessa mesa que se importa com Harry — disse Lupin com severidade. — Sirius, sente-se.

O lábio inferior da Sra. Weasley estava tremendo. Sirius afundou novamente em sua cadeira, com o rosto pálido.

— Eu acho que Harry deve dar uma opinião sobre isso — continuou Lupin. — Ele já é grande o suficiente para decidir por ele mesmo.

— Eu quero saber o que está acontecendo — disse Harry imediatamente.

Ele não olhou para a Sra. Weasley. Estava comovido com o que ela disse sobre ser como um filho, mas ele também estava com suas mimas. Sirius estava certo, ele não era uma criança. 

— Muito bem — disse a Sra. Weasley, sua voz explodindo. — Ginny, Rony, Hermione, Fred, George, eu quero vocês fora dessa cozinha, agora.

Houve um ruído instantaneamente.

— Nós temos idade para isso! — gritaram Fred e George juntos.

— Se Harry pode, por que eu não posso? — berrou Rony.

— Mamãe, eu quero ouvir! — choramingou Ginny.

— NÃO! — gritou a Sra. Weasley, ficando de pé com os olhos faiscando. — Eu proíbo definiti...

— Molly, você não pode repreender Fred e George — disse o Sr. Weasley com muito cansaço. — Eles são maiores de idade, apesar de ainda estarem na escola. Mas eles são legalmente adultos agora.

A Sra. Weasley agora tinha o rosto vermelho. Arthur pareceu despreocupado com o fato de sua esposa estar à beira de um colapso. 

— Eu... Ah, então está bem, Fred e George podem ficar, mas Rony...

— Harry vai contar tudo a mim e a Hermione de qualquer forma! — disse Rony irradiante. — Você vai, não vai? — complementou incerto, olhando Harry.

Por um segundo Harry, com um olhar, pareceu em dizer a Rony que não o diria uma palavra sequer, que ele poderia experimentar ficar no escuro e ver como se sentiria. Mas esse impulso asqueroso sumiu quando eles se entreolharam. 

— Claro que eu vou — disse Harry.

Rony e Hermione sorriram.

— Muito bem! — gritou Sra. Weasley. — Ótimo! Ginny, PRA CAMA!

Ginny não ficou quieta. Eles podiam ouvir sua fúria e irritação por sua mãe por toda a escadaria até que os gritos da Sra. Black se uniram ao barulho. Lupin correu até o retrato para restaurar a calma e só depois que ele retornou, fechando a porta da cozinha e tomando seu lugar na mesa outra vez, foi que Sirius falou.

— Ok, Harry... O que você quer saber?

Harry respirou fundo e fez a pergunta que mais o obcecou durante todo o mês.

— Onde está Voldemort? — disse ele, ignorando os calafrios e recuos que surgiram com o nome. — O que ele está fazendo? Eu estive tentando ouvir o noticiário dos trouxas e não há nada acontecendo que pareça coisa dele ainda, nenhuma morte esquisita ou algo assim.

— É porque ainda não houve nenhuma morte esquisita — disse Sirius —, não que nós saibamos, de alguma forma... Nós até que sabemos bastante.

— Mais do que ele pensa que nós sabemos — disse Lupin.

— Como foi que ele parou de matar pessoas? — perguntou Harry. Ele sabia que Voldemort tinha matado mas de uma vez no último ano.

— Porque ele não quer chamar atenção — disse Sirius. — Seria perigoso para ele. Seu retorno não foi da forma que ele esperava, você entende. Ele se atrapalhou.

— Ou de preferência, você o atrapalhou — disse Lupin, com um sorriso satisfeito.

— Como? — perguntou Harry perplexo.

— Você não deveria ter sobrevivido! — disse Sirius. — Ninguém além dos seus Comensais da Morte deveria saber que ele tinha voltado. Mas você sobreviveu para testemunhar.

— E a última pessoa que ele queria que fosse alertado sobre seu retorno no momento que ele voltasse era Dumbledore — disse Lupin. — E você quis se certificar que Dumbledore soubesse imediatamente.

— Como isso ajudou? — perguntou Harry.

— Você está me gozando? — disse Bill, incrédulo. — Dumbledore é o único de quem Você-Sabe-Quem tem medo!

— Graças a você, Dumbledore pôde convocar a Ordem da Fênix cerca de uma hora após o retorno de Voldemort — disse Sirius.

— Então o que a Ordem está fazendo? — disse Harry, olhando em volta para todos nós.

— Trabalhando duro para nos certificarmos que Voldemort não possa levar adiante seus planos — disse Sirius.

— Como vocês sabem quais são os planos dele? — perguntou Harry rapidamente.

— Dumbledore teve uma idéia bem esperta — disse Lupin — e as idéias de Dumbledore normalmente são bem precisas.

— Então o que fez Dumbledore avaliar o plano dele?

— Bem, primeiramente ele quer reconstruir seu exército — disse Sirius. — Nos dias antigos ele tinha um imenso número sob seu comando: bruxas e bruxos que ameaçava ou enfeitiçava para seguí-lo, seus fiéis Comensais da Morte, uma grande variedade de criaturas da escuridão. Você ouviu ele planejando recrutar os gigantes; bem, eles são apenas um dos grupos que está procurando. Ele certamente não tentará invadir o Ministério da Magia com apenas uma dúzia de Comensais da Morte.

— Então vocês estão tentando impedi-lo de conseguir mais seguidores?

— Estamos fazendo o melhor possível — disse Lupin.

— Como?

— Bem, a principal coisa é tentar convencer a maior quantidade de pessoas possível de que Você-Sabe-Quem realmente retornou, para deixá-los alerta — disse Bill. — Mas está se tornando difícil, entretanto.

— Por quê?

— Por causa da atitude do Ministério — disse Tonks. — Você viu Cornélio Fudge depois que Você-Sabe-Quem retornou, Harry. Bem, ele não mudou sua posição de todo. Ele absolutamente se recusa a acreditar que aconteceu.

— Mas por quê? — disse Harry, desesperado. — Por que ele está sendo tão estúpido? Se Dumbledore...

— Ah, bem, você apontou o problema — disse o Sr. Weasley com um sorriso amargo.— Dumbledore.

— Fudge está assustado com ele, você entende — disse Tonks com tristeza.

— Assustado com Dumbledore? — disse Harry com incredulidade.

— Assustado com o que ele está disposto a fazer — disse o Sr. Weasley. — Fudge pensa que Dumbledore está conspirando para derrubá-lo. Ele acha que Dumbledore quer ser o Ministro da Magia.

— Mas Dumbledore não quer...

— Claro que não quer — disse o Sr. Weasley. — Ele nunca quis trabalhar no Ministério, mesmo que diversas pessoas quisessem que ele aceitasse quando Millicent Bagnold se aposentou. Fudge veio para o cargo ao invés dele, mas ele nunca esqueceu o quanto apoio da população Dumbledore tinha, mesmo nunca tendo exercido o cargo.

— No fundo, Fudge sabe que Dumbledore é muito mais esperto do que ele é, um bruxo muito mais poderoso, e nos dias atuais ele sempre esteve pedindo ajuda e conselhos a Dumbledore — disse Lupin. — Mas parece que ele começou a gostar do poder e que está muito mais confiante. Ele adora ser o Ministro da Magia e está conseguindo convencer a ele mesmo que é o mais esperto e Dumbledore simplesmente criando problemas para seu propósito.

— Como ele pode pensar isso? — disse Harry, furioso. — Como ele pode pensar que Dumbledore iria criar tudo isso... Que eu criei tudo isso?

— Porque aceitar que Voldemort está de volta significaria problema, como se o Ministério não teve a competência durante quase quatorze anos — disse Sirius amargamente. — Fudge apenas não consegue encarar isso. É muito mais confortável convencer ele mesmo de que Dumbledore está mentindo para desestabilizá-lo.

— Veja o problema — disse Lupin. — Enquanto o Ministério insiste que não há nada a temer sobre Voldemort é difícil convencer as pessoas que ele está de volta, especialmente quando elas realmente não querem acreditar nisso em primeiro lugar. O que mais, o Ministério está apoiando fortemente o Profeta Diário a não publicar qualquer coisa do que eles estão chamando de rumores publicitários de Dumbledore, então a maior parte da comunidade bruxa está completamente inconsciente de que algo aconteceu, o que os faz alvos fáceis para os Comensais da Morte se eles estiverem usando a Maldição Imperius.

— Mas vocês estão dizendo às pessoas, não estão? — disse Harry, olhando para mim, Lucas, Sr. Weasley, Sirius, Bill, Mundungus, Lupin e Tonks. — Vocês estão fazendo as pessoas saberem que ele voltou?

Todos nós sorrimos sem graça.

— Bem, como todos acham que eu sou um assassino maluco e como o Ministério colocou uma recompensa de dez mil galeões como prêmio por minha cabeça, eu dificilmente posso passear pela rua e distribuir folhetos, posso? — disse Sirius friamente.

— E eu não sou um convidado para jantar muito popular entre a maioria da comunidade — disse Lupin. — É um perigo ocupacional ser um lobisomem.

— Tonks e Arthur perderiam seus empregos no Ministério se começassem a falar sobre isso, poderia sofrer as consequências e Lucas poderia ser mandado embora do hospital onde trabalha — disse Sirius —, e é muito importante para nós ter espiões dentro do Ministério, porque você pode apostar que Voldemort também terá.

— Nós temos conseguido convencer algumas pessoas, apesar de tudo — disse o Sr. Weasley. — Tonks, por exemplo. Ela era muito jovem para estar na Ordem da Fênix da última vez e ter Aurores do nosso lado é uma grande vantagem, também! Kingsley Shacklebolt está sendo um verdadeiro achado, também; ele está encarregado de caçar Sirius, então está dando ao Ministério informações de que Sirius está no Tibet. Lucas veio da Austrália a pedido de Dumbledore por ser um excelente MediBruxo e pode auxiliar muito aqui.

— Mas, se nenhum de vocês está divulgando que Voldemort está de volta... — Harry começou a dizer.

— Quem disse que nenhum de nós está divulgando? — disse Sirius. — Por que você acha que Dumbledore está com tantos problemas?

— O que você quer dizer? — perguntou Harry.

— Eles estão tentando desonrá-lo — disse Lupin. — Você não viu o Profeta Diário da semana passada? Publicaram que ele tinha sido afastado da Presidência da Confederação Internacional de Bruxos porque estava ficando velho e perdendo a compreensão, mas isso não é verdade; ele foi afastado pelo Ministério após ter feito o anúncio do retorno de Voldemort. Eles o rebaixaram do cargo de Bruxo Chefe em Wizengamont, que é a Corte Suprema dos Bruxos, e estavam falando em retirar sua Ordem de Merlin, Primeira Classe, também.

— Mas Dumbledore diz que não se importa com o que eles estão fazendo desde que não tirem dele as figurinhas dos sapos de chocolate — disse Bill com um sorriso forçado.

— Isso não é engraçado — disse o Sr. Weasley com severidade. — Se ele continuar sendo desprezado pelo Ministério desse jeito pode acabar em Azkaban, e a última coisa que nós queremos é ter Dumbledore trancafiado. Enquanto Você-Sabe-Quem souber que Dumbledore está aqui fora e atento ao que está tramando ele vai ter que ir com cautela. Se Dumbledore estiver fora do caminho... Bem, Você-Sabe-Quem vai ter passe livre.

— Mas se Voldemort está tentando recrutar mais Comensais da Morte é obrigatório avisar que ele voltou, não é? — perguntou Harry, desesperado.

— Voldemort não passeia pelas casas das pessoas e bate nas suas portas, Harry — disse Sirius. — Ele engana, azara e chantageia elas. Ele já tem prática de como agir em segredo. Em todo caso, reunir seguidores é apenas uma das coisas em que ele está interessado. Ele tem outros planos também, planos que pode pôr em prática bem rápido sem dúvida, e ele está se concentrando nesses no momento.

— O que mais ele quer além de seguidores? — perguntou Harry rapidamente.

Eu pensei ter visto Sirius e Lupin trocar o mais rápido dos olhares antes que Sirius respondesse. Outra coisa que não pude deixar de notar é de como a situação é grave! Começo a reconsiderar a ideia de ter trago Lucas. 

— Coisas que ele só pode conseguir sendo discreto.

Quando Harry continuou a olhar surpreso, Sirius disse.

— Como uma arma. Alguma coisa que ele não tinha da última vez.

— Quando ele era poderoso antes?

— Sim.

— Que tipo de arma? — questiona Harry. — Algo pior que a Avada Kedavra...?

— Já chega!

A Sra. Weasley falou das sobras atrás da porta. Eu não tinha notado que ela estava de volta. Seus braços estavam cruzados e ela olhava furiosa.

— Eu quero vocês na cama, agora. Todos vocês — disse ela, olhando para Fred, George, Rony e Hermione.

— Você não pode mandar na gente... — começou Fred.

— Olhe para mim — resmungou a Sra. Weasley. Ela estava tremendo levemente enquanto olhava Sirius. — Você deu a Harry toda a informação. Qualquer coisa a mais e você poderá também colocá-lo na Ordem imediatamente.

— Por que não? — disse Harry rapidamente. — Eu vou me unir, eu quero me unir, eu quero lutar.

— Não.

E não era a Sra. Weasley que estava falando dessa vez, mas sim Lupin. Encarei o homem depressa, um tanto quanto surpresa. 

— A Ordem é composta apenas por bruxos maiores de idade — disse ele. — Bruxos que já terminaram a escola — disse quando Fred e George abriram suas bocas. — Há perigos envolvidos os quais você não faz a mínima idéia, nenhum de vocês... Eu acho que Molly está certa, Sirius. Nós já falamos demais.

Sirius meio que encolheu os ombros, mas não argumentou. A Sra. Weasley chamou imperiosamente seus filhos e Hermione. Um por um eles levantaram, e Harry, reconhecendo a derrota, fez o mesmo. Servi mais um pouco de vinho para Lucas e eu, enquanto suspirei. 

— Não imaginei que era realmente tão sério. Mas após todo esse despejo de informação... 

, trazer você aqui foi uma excelente decisão de Dumbledore. Você é excepcional, pelas coisas que Alastor mencionou. — Remus diz. — E, mesmo que a situação não seja uma das melhores, sabemos que você desempenhará um ótimo trabalho. 

Sorri de soslaio, grata pelo elogio, porém um tanto quanto incomodada pela presença de Bill. Então fiz o que poderia fazer de melhor naquela noite. Despedi-me de todos e fui para o quarto, acompanhada de Lucas. Depois de escovar os dentes e por o pijama, joguei-me na cama e suspirei. Claro, não poderia piorar!


Capítulo 12.
Green-Davis.


Antes mesmo do dia de fato amanhecer, eu já estava zanzando pelas ruas escuras de Londres, bem longe do Largo Grimmauld. Poderia aparatar por ser mais prático, contudo, precisei refletir um pouco, o que me levou a andar. 

É possível enxergar uma fumaça branca sair de minha boca devido ao frio, mas isso não me impossibilita de continuar até alcançar o lugar ao qual estou me dirigindo nesse exato momento. Não posso deixar de negar que muita coisa mudou desde minha última vez aqui. Muitas pessoas também. Eu não sei como tolerar isso, mas sinto que não há como evitar. 

Foi quando notei estar diante da minha casa. É para onde estive vindo durante este tempo! A saudade que sinto de meus pais é tremenda e eu sinto que preciso do colo de minha mãe nesse exato momento. Respirei fundo, sentindo todo o ar gelado congelar meus pulmões. Com passos firmes, fui em direção à porta e bati. 

Só um momento! — ouço a voz da minha mãe. — ! 

— Oi, mãe. — sorri. — Desculpe por ter vindo tão cedo.

, você é minha filha! — exclamou. — Não existe horário para te receber. 

Ela envolveu-me em um abraço tão carinhoso... Foi a primeira vez em anos que eu senti vontade de chorar. Entrei em casa e aquele cheiro caseiro instalou-se em minhas narinas. Como eu senti falta desse lugar! Nada mudou, pelo que vejo. A única exceção é que há retratos meus em alguns cantos. 

— Achei que você e o pai iriam para a Sede. — comento. 

— E iremos. — respondeu, me entregando uma xícara de chá. — Inclusive já tivemos contato com Kingsley. 

— Ontem à noite Sirius e Molly discutiram a respeito de Harry. Sirius acha que o garoto deve saber do que acontece e ter suas perguntas respondidas, enquanto Molly não acha certo porque ele não é um membro da Ordem. 

Minha mãe serviu-me chá e sentou-se diante de mim. Agora que estamos cara a cara, eu pude perceber que ela não mudou nada! O mesmo penteado impecável, as mesmas roupas elegantes. A Sra. Eva Green definitivamente parou no tempo. 

— Sirius é o padrinho de Harry, então o que ele julga ser melhor não deve ser contestado. — respondeu. — Molly tem razão tanto quanto Sirius tem. Harry até pode saber coisas, mas não tudo. 

— Eu concordo. — digo. — Além do mais, não faz muita diferença Harry ter visto Voldemort ou não. Afinal, ele iria voltar de qualquer modo. 

Ouço um barulho vindo da escada e já sei quem é. O sorriso surgiu assim que meu pai surgiu no fim dos degraus. Levantei e fui de imediato abraçá-lo, sentindo toda a saudade dissipar assim que ele me envolveu em seus braços. E por incrível que pareça, assim como minha mãe, ele não mudou nada! 

, que saudade! — disse. 

— Também senti a sua, pai! — sussurro. — Não via a hora de vê-los! 

— Você está realmente a cara da sua mãe! — brincou. — Lucas veio também?

— Sim, mas ele ficou na Sede da Ordem. Eu vim aqui sozinha. — explico. 

Minha mãe já havia posto a mesa para o café da manhã, então apenas sentamos juntos como nos velhos tempos. Como o costume, meu pai já estava com o jornal em mãos. Na manchete eu pude observar a difamação sobre Dumbledore e isso me deixou inquieta. 

— Vocês vão se juntar à Ordem? — questiono.

— Iremos. — meu pai responde firme. — Não deixaremos aquele ser asqueroso implantar o caos, não de novo. 

Sorri de canto, afinal de contas, meu pai continua o mesmo! Após o café da manhã, nós dois resolvemos sair para a caminhada que fazíamos antigamente. O pequeno parque continua da mesma forma que me lembro. Parece que esse lugar não mudou em nada. 

— Você já falou com ele? — questionou.

— Não... E também não pretendo. 

— E por quê? 

— Porque eu não aceitei o que ele fez comigo, pai. — suspiro. 

Continuamos a caminhar em silêncio, e eu sei que, de certa forma, ele vai dizer algo, porém só não sabe o que. Demos uma volta por completo em todo o trajeto e eis que as palavras de meu pai finalmente surgiram.

— Você deveria ouvi-lo, . 

— Francamente, pai. — rolei os olhos. 

, você é uma mulher adulta e sabe perfeitamente que está agindo como uma criança. — argumentou. — E se você estiver agindo de forma precipitada? 

— Eu? Agindo de forma precipitada? — respondo, surpresa. 

— Sim! 

Bufei, zangada. Nem eu acredito que meu pai ficou contra mim! Então começo a analisar tudo o que ele me disse e a única conclusão que consigo alcançar é que, antes do meu retorno, ele esteve com Bill. 

— Você falou com ele, não? — questiono.

— Sim, . — respondeu. — E é mais do que nítido que Bill é inocente. 

Meu pai nunca me chama pelo nome senão quando realmente está falando sério. O tom severo dele fez com que eu me encolhesse quase por completo. Se tem algo que eu aprendi ao longo dos anos sem sombra de dúvida foi como escutar meu pai! E, se tem algo que eu preciso, é concordar com ele. 

— Sabe, ele não foi o único machucado da história. — argumento. — Não se esqueça que eu também fui! 

— Contudo, é você quem não quer ouvi-lo! — rebateu. — E, sinceramente, não é um comportamento adequado! 

E novamente eu encerrei o assunto querendo evitar mais aborrecimentos. Nós dois terminamos a caminhada e retornamos para casa, em silêncio. Quando eu entrei, notei que minha mãe não estava sozinha. 

— Hey, Lucas. — sorri. 

— Achei que estivesse aqui. — comentou. — Oi, tio Leo. 

— Bom dia, Lucas. — o cumprimentou. — Fez uma boa viagem? 

— Fiz, sim. — respondeu. 

Minha mãe apareceu na porta e me chamou, então deixei os dois conversando e fui atrás dela. Passei por Killmo, o Elfo da nossa família, e acariciei sua cabeça, recebendo um sorriso dele. Esse pequeno Elfo sempre foi minha companhia quando meus pais estavam longe, o que fez com que nós dois desenvolvêssemos laços especiais. 

— A senhorita está linda! — Killmo elogia.

— Obrigada, Killmo. — sorri. — Você também não mudou nada! 

O elfo sorriu e seguiu para o seus afazeres. Quando entrei na cozinha, minha mãe lançou um olhar que eu conheço bem. O olhar de Eva significa muitas coisas, mas este é específico. É o olhar de quem sabe o porque estou aqui, e não somente para trabalho e uma simples visita familiar. 

— Creio eu que seu pai já disse muito sobre William. 

— Com certeza. — respondo, aborrecida. 

— Ele esteve aqui para um chá, depois da Copa de Quadribol. — disse. — E ele levou consigo aquela conchinha que você deixou.

Desviei meu olhar da xícara de porcelana para a minha mãe, que permanece calma. Foi a única coisa que deixei aqui antes de ir para a Austrália! O colar que William me fez naquela noite no Chalé das Conchas. Imagino o que ele deve ter pensado quando minha mãe entregou o objeto a ele. 

— Fez bem. — digo por fim. — Não iria querer nada que me lembrasse ele. 

— Bem, eu não pretendo dizer nada. Afinal, você tem 22 anos e responde por si. 

O tom que ela usou indica descontentamento comigo. Céus, é tão complicado para os meus pais entenderem que eu não quero falar com Weasley? O fato de nós dois dividirmos o mesmo teto por enquanto é o máximo que faremos. Não passará disso.

— Ah, , pediram para avisar que hoje é a audiência disciplinar de Harry. — Lucas surge.

— O que houve? — mamãe questiona.

— Aparentemente Harry executou o Feitiço do Patrono na presença de um trouxa. — explicou. — A princípio ele seria expulso de Hogwarts, mas Dumbledore conseguiu uma audiência. 

— Entendo. — dou de ombros. — Se Dumbledore é a testemunha de defesa, então a causa é ganha. 

— Talvez, . — meu pai intervém. — Fudge está cada vez mais paranoico com Dumbledore. Veja, Fudge acha que Dumbledore quer tomar o seu lugar.

— É, eu ouvi isso ontem. — digo. 

— Remus nos contou durante o jantar. — Lucas diz.

— Então vocês compreendem a gravidade da situação se o Ministério não reconhecer o retorno de Voldemort. — mamãe diz. 

Como ouvimos na noite anterior, se o Ministério continuar desacreditando o retorno de Voldemort, Dumbledore poderá ganhar sua passagem de ida para Azkaban. Ou seja, ainda temos um grande problema pela frente! 

— Bem, nós precisamos voltar para a Sede. — lamento.

— Tem certeza, querida? — minha mãe questiona. — Sabe que pode ficar aqui.

— Eu sei, mãe. — sorrio. — Mas há muito o que fazer. Aquele lugar está um caos!

tem razão, tia. — Lucas prossegue. — Temos muito trabalho lá. 

— Sendo assim, espero que voltem logo. — papai comenta. 

— Voltaremos o mais depressa. — afirmo. 

Dito isso, me despedi de meus pais, assim como Lucas fez. Eu até gostaria de ficar aqui e aproveitar um pouco mais de tempo, mas infelizmente tempo é algo que eu não tenho. Aparatei para a Sede e logo pude ouvir aquela faladeira de novo. 

Assim que Lucas e eu entramos, eu já pude ouvir a gritaria eufórica de Hermione e Rony, misturada com outras vozes. Quando alcancei o cômodo da cozinha, eu pude ouvir o Sr. Weasley mandar os três ficarem quietos, afinal ele parecia ter algo a dizer para Sirius. Com isso, me sentei na escada para ler meu livro, enquanto ouvi a conversa.

— Chega! Sosseguem! — gritou o Sr. Weasley, embora sorrisse. — Escute aqui, Sirius, Lúcio Malfoy estava no Ministério.

— Quê? — exclamou Sirius ríspido.

“Ele conseguiu, ele conseguiu, ele conseguiu...” gritam em felicidade os gêmeos e Ginny.

— Quietos, vocês três! Nós o vimos conversando com Fudge no nível nove, depois foram juntos para a sala de Fudge. Dumbledore precisa saber disso.

— Com certeza. Vamos contar a ele, não se preocupe.

— Bem, é melhor eu ir andando, tem um vaso sanitário vomitando em Bethnal Green à minha espera. Molly, vou chegar tarde, precisarei cobrir a ausência de Tonks, mas o Quim talvez venha jantar...

“Ele conseguiu, ele conseguiu, ele conseguiu...”

— Agora chega... Fred... George... Ginny — disse a Sra. Weasley quando o marido deixou a cozinha. — Harry, querido, venha se sentar, almoce alguma coisa, você quase não comeu no café da manhã.

Rony e Hermione se sentaram à frente do amigo, parecendo mais felizes do que nos dias que sucederam à chegada dele ao largo Grimmauld, e o alívio eufórico que Harry sentira não passou despercebido. A casa sombria parecia de repente mais calorosa e mais hospitaleira; até Kreacher pareceu menos feio quando meteu seu nariz trombudo na cozinha para investigar a razão de todo aquele barulho.

— É claro que, uma vez que Dumbledore apareceu em sua defesa, não havia jeito de condenarem você — disse Rony, feliz, agora servindo enormes colheradas de purê de batatas nos pratos de todos.

— É, ele virou a corte a meu favor — disse Harry. 

Algo em Harry pareceu estranho e em uma intensidade que ele levou depressa a mão à testa. Algo está errado! 

— Que foi? — perguntou Hermione, assustada.

— Cicatriz — murmurou Harry. — Mas não é nada... acontece o tempo todo agora...

Nenhum dos outros reparara em nada; todos agora se serviam e se regozijavam que Harry tivesse escapado por um triz; Fred, George e Ginny ainda cantavam; Lucas, como o habitual, foi para o quarto para conversar com Gabs; Hermione demonstrava uma certa ansiedade, mas, antes que pudesse dizer alguma coisa, Rony falou alegremente: 

— Aposto como Dumbledore vai aparecer hoje à noite para festejar com a gente, sabe?

— Não acho que ele vá poder, Rony — disse a Sra. Weasley, pousando uma enorme travessa de galinha assada à frente de Harry. — Ele está realmente muito ocupado no momento.

“ELE CONSEGUIU, ELE CONSEGUIU, ELE CONSEGUIU...”

— CALEM A BOCA! — berrou a Sra. Weasley.


[...]


Os convidados do jantar já estavam chegando, então tratei de me arrumar um pouco mais. Infelizmente, isso quer dizer que Bill estará aqui também. Credo, meu estômago revira só de pensar nisso! Sirius, Lupin, Tonks e Quim Shacklebolt já estavam ali, e Olho-Tonto Moody chegou, batendo a perna de pau, logo depois de Harry se servir de uma cerveja amanteigada.

— Ah, Alastor, que bom que você está aqui — cumprimentou a Sra. Weasley, animada, quando Olho-Tonto sacudiu do corpo a capa de viagem. — Há séculos que andamos querendo pedir a você: será que podia dar uma olhada na escrivaninha da sala de visitas e nos dizer o que é que tem lá dentro? Não quisemos abri-la, porque pode ser alguma coisa realmente ruim.

— Pode deixar comigo, Molly...

O olho azul elétrico de Moody girou para o alto e fixou-se no teto da cozinha, transpassando-o.

— Sala de visitas... — rosnou à medida que sua pupila se contraía. — Escrivaninha no canto? É, estou vendo... é, é um bicho-papão... quer que eu suba e me livre dele, Molly?

— Não, não, eu mesma farei isso mais tarde — sorriu a Sra. Weasley — tome a sua bebida. Na verdade estamos fazendo uma pequena comemoração... — disse, indicando a flâmula vermelha. — O quarto monitor na família! — disse com carinho, arrepiando os cabelos de Rony.

— Monitor, é? — resmungou Moody, seu olho normal fixando-se em Rony e o mágico girando para olhar um lado da própria cabeça.

Mas não foi nisso que me concentrei, e sim no bicho papão.


Capítulo 13.
Forgiveness Is a Strong Word.


Não consigo explicar o que aconteceu naquela noite. O Bicho Papão que a Sra. Weasley deveria ter enfrentado apenas causou uma leve confusão. Lupin, Harry e os demais subiram apressados quando a ouviram soluçar. Disseram que ela via os corpos da família se contorcerem ao chão, mortos. Parecia que, a cada membro dos Weasley, ele alternava a sua forma física. Quem cuidou da situação e da Sra. Weasley foi Lupin e ele tratou de mantê-la mais calma. William não estava presente no momento, então coube a mim esperá-lo para contar.
— Estava te esperando — anunciei alto ao vê-lo entrar. Abaixei o livro que estava lendo, observando o seu semblante confuso. — Os outros me pediram para fazer isso, então acho que seria melhor você se sentar.
— Houve alguma coisa? — questionou, de forma levemente fria. Dei de ombro. — , o que foi que aconteceu?
— A sua mãe levou um... pequeno choque. Viu um Bicho Papão e precisou ser amparada por Lupin, mas ela já está bem — respondi, de forma calma. — Só me pediram para avisar.
— Até porque, se não pedissem, duvido que faria por conta própria — murmurou ele, colocando o casaco sobre o braço da poltrona.
— Claro, até porque eu amo me humilhar para você, Weasley — respondi secamente. Ele me encarou como se quisesse me responder, mas sabendo que isso nos levaria a uma discussão completamente maior e desnecessária.
! — ouvi Sirius exclamar, descendo as escadas. Levantei, deixando meu livro sobre a poltrona escura, e deixei o cômodo, indo ao seu encontro. — Ah, aí está você. Escute, será que poderia checar Fred e George? Molly acha que eles, ah, bem…
— Sim, claro. Vou pegar algo para beber e já subo.
— Obrigado, — Sirius fez um gesto que se assimilou a um sorriso, o qual eu retribui.
Foi até uma excelente intervenção. Não imagino o que poderia ter acontecido se tivéssemos permanecido naquela sala juntos por mais 15 segundos. Me servi com um pouco de Whisky de Fogo antes de ser surpreendida por William outra vez. Ele permaneceu entre mim e a porta, ainda sério. Acho que meu coração deve ter perdido o seu ritmo, porque começou a bater de forma violenta em meu peito. Minha barriga gelou por instantes e eu achei que iria desabar.
— Não irei perguntar se precisa de algo, acho que já é grande o bastante para isso — digo, cortando o silêncio. Ele riu de soslaio, de forma nasal.
— O que eu quero está na minha frente — afirmou, de forma sensual. Rolei os olhos, tentando ao máximo parecer indiferente.
— Chegou tarde, Weasley — afirmei, soando um pouco irônica.
— Ainda não quer me ouvir? — questionou ele, cruzando os braços. Dei de ombro outra vez, tomando um gole da bebida. — Você sabe que eu não fiz nada naquele dia. Sabe e sente isso.
— Tive uma visão bem diferente dos fatos — devolvi, séria.
— Você viu o que foi armado para ser — insistiu. — Mas em nenhum momento você me deu a chance de explicar.
— Então aproveite a chance, Weasley — digo, bebendo outra vez. — Estamos aqui, não estamos? Sozinhos. Eu e você. Está esperando o quê?
A respiração dele acelerou de um modo que se tornou perceptível. Incrível como é necessário apenas estarmos próximos para fazer com que tudo o que fomos juntos retorne como se fosse uma porta prestes a ser escancarada. Por momentos eu achei que ele fosse fazer algo impróprio, mas não. Ele ficou me analisando ininterruptamente. Olhos vidrados aos meus, incapazes de focar em outra direção. É como se fosse um imã.
— Eu não fiz aquilo, realmente não fiz. O que nós construímos juntos era tudo o que eu tinha e tudo o que eu precisava... parece extremamente melancólico e um pouco meloso em dizer assim, mas era você. Sempre você — suspirou, com a voz um pouco embargada. — E, por mais que eu deteste estar admitindo, eu não posso correr atrás de você o tempo inteiro apenas para ver você me tratar com frieza.
— Como se você também não fizesse o mesmo, William — devolvi, rindo sarcasticamente.
— Você já percebeu que o mundo não gira ao seu redor, ? Eu não quero e não vou ficar implorando pelas suas migalhas. O que aconteceu naquele dia não foi culpa minha e eu não vou passar o resto da minha vida tentando fazer você enxergar isso — disse ele, me fazendo ficar em choque. Acabei recuando um pouco, assustada com as palavras. — Se vamos continuar nesse jogo exaustivo de nos machucarmos cada vez mais, então tudo bem. Eu realmente queria consertar as coisas entre nós, mas não posso fazer nada quando você se recusa a enxergar o óbvio. Eu amei você de verdade, ... mas não posso continuar com isso.
— Não temos o que continuar, William. Acho que a última conversa que tivemos em Hogwarts tornou isso bem claro. Éramos adolescentes tolos, fingindo ser adultos que sabiam o que estavam fazendo — afirmei, com um tom levemente moderado. Estou com raiva. — Fingimos que éramos algo. E, assim como fogo, nos queimamos no fim. Eu segui a minha vida longe de você, não fiquei remoendo meu passado achando que haveria uma forma de mudar o que aconteceu. Isso não é um maldito jogo, isso é a vida real. E ela machuca.
— Então para você o que tivemos não foi nada? Não passou de uma perda de tempo? Porque tudo aquilo foi bem real e significativo para mim! — exclamou ele, parecendo irritado.
— Deixou de ser algo real quando você deixou aquela maldita garota interferir na sua vida! Deixou ela interferir em nós! — explodi, totalmente furiosa. — Eu avisei inúmeras vezes e você NUNCA me ouviu. Dizia que era apenas ciúmes, que eu via coisas onde não tinha! Mas acontece que eu estava certa, não é?
William se calou. Agora eu estava respirando de forma acelerada, devido a raiva que sentia. Somente ele para me retirar do controle dessa forma. Por Merlin, como eu quero bater nele até que... até que eu possa descontar todo o ódio que eu sinto. De repente, o silêncio pareceu a melhor opção no momento. Nós sabíamos que faríamos isso, sabíamos que iríamos colidir de novo. E é sempre uma forma de chamar isso de fim, porque é mentira. Estamos quentes e frios, como se fossemos pedras. Nós estamos ardendo por dentro. Me peguei em flagrante observando seus lábios e, para o meu azar, ele percebeu. William então avançou contra mim, me surpreendendo outra vez com um beijo.
Senti ele segurar as minhas pernas, o qual eu entrelacei ao redor de sua cintura, enquanto ele tratou de me colocar contra a parede. Minhas mãos percorrem os seus cabelos, e as suas me fornecem sustentação. Meu corpo anseia pelo dele, da mesma forma como ele anseia por mim. Parece que sabemos que somos feitos um para o outro. Posso sentir cada parte minha entrar em combustão por ele.
Acabamos parando na dispensa, tomando cuidado para não derrubar nada que possa denunciar nossa presença ou o que estamos fazendo aqui. William beijou cada parte do meu corpo, me fazendo implorar por mais. O calor que eu sinto fez com que eu lançasse minhas roupas para longe, e ele, por cima de mim, fizesse o mesmo. Não é difícil apreciar o seu corpo, então permiti que minhas mãos deslizassem suavemente por todo o seu peito, mordendo meu lábio inferior. Olhei para ele, como se isso significasse o sim que ele precisa.
Seus lábios voltaram a me tocar na região do pescoço, descendo lentamente. Sua mão livre me tocou de forma gentil e meu corpo se contrariou. Precisei conter o gemido que iria escapar, então William fez isso por mim. Seus lábios tocaram os meus, me beijando com certa ferocidade. Talvez sejam os anos em que estivemos longe... meu corpo se aqueceu outra vez. Senti enfim que ele está em mim e, por Merlim, como eu desejei isso.
De forma lenta e calma, senti seu corpo ir e vir. William segurou minhas mãos acima da minha cabeça, começando a acelerar de forma gradativa, então me encarou e isso me deu mais prazer ainda. De repente, escondeu seu rosto ao lado do meu, suprimindo gemidos altos. Sua mão livre me tocou outra vez e com gestos simples, ele sabia que iria me levar ao ápice. Não consigo focar em outra coisa que não seja o prazer que estou sentindo. Seus lábios tocaram o meu mamilo, e eu pude sentir sua língua contorna-lo.
Eu iria gritar a qualquer momento, e ele percebeu, então tornou a me beijar. Minhas mãos livres percorreram seu corpo e por instantes minhas unhas arranharam suas costas, mas não ao ponto de machucá-lo. Nossas respirações estão aceleradas, os nossos corpos estão começando a suar e a feição dele ao chegar lá tornou claro que nós queríamos isso desde o começo. Mais uma vez suas mãos me tocaram e, com o seu auxílio, eu atingi o meu ápice. Sinto como se meu corpo, principalmente a parte do ventre, virilha e pernas, se enrijecesse com uma forte tensão, até que sobe uma onda de calor muito grande e um frio na barriga, uma euforia toma conta de mim, e, em seguida, meu corpo parece relaxar.
— Tem uma grande probabilidade de nos pegarem aqui — disse ele, rindo.
— Valeu o risco — afirmei, tentando localizar as minhas roupas.
— É. Valeu — balançou a cabeça, concordando comigo. — Então... é isso?
— Sexo não vai mudar o que aconteceu — eu o encaro, com firmeza.
— Se vamos ser honestos... — diz ele, entre um suspiro. — O que aconteceu aqui agora foi um erro. Não deveríamos ter feito isso.
— E por que não? — questionei, arqueando a sobrancelha.
— Digamos que... eu vou me casar — revelou ele, parecendo envergonhado.
Outra vez a minha mão ardeu e certamente a bochecha dele também. William me encarou assustado e eu pude ver a marca dos meus cinco dedos tomarem forma em seu rosto. Comecei a me vestir depressa, então levantei, ajeitando os meus cabelos embaraçados.
— Você é um imbecil, Weasley. — Cuspi as palavras, com nojo. — Não ouse olhar na minha cara outra vez.
Dito isso, saí da dispensa e segui com passos firmes e furiosos até o andar de cima. Olhei Fred e George, sem dar relevância ao que estavam fazendo, então segui até o meu quarto. Ao entrar no cômodo, me senti feliz por encontrar Lucas. De forma instantânea, meus olhos arderam e umedeceram depressa. Ele notou, levantando sem entender. Eu o abracei e escondi meu rosto em seu peito, permitindo que as lágrimas escorressem soltas.
— O que aconteceu, ?
— William e eu... ah, Lu. Me sinto nojenta — solucei.
— Ele fez algo com você? — Perguntou, preocupado, e me fazendo encará-lo.
— Nós transamos, foi isso — expliquei, limpando meu rosto com a manga da camiseta. — Então ele me disse que vai se casar.
— Mas que canalha! — exclamou, parecendo irritado.
— Me sinto usada — murmurei, sentindo meu peito doer.
— Vai passar — ele me abraçou outra vez, acariciando meus cabelos.
Certamente foi a pior noite da minha vida. Não consegui dormir e, quando fechava os olhos, a fala dele ficava se remoendo em minha cabeça, como um loop eterno. Bem que ele havia dito que não iria mais ficar naquilo, então não sei porque deixo isso me afetar. De maneira alguma eu me sinto culpada com isso, afinal, eu não tinha como saber do noivado. Nesse aspecto, minha mente está tranquila. Eu vi o sol nascer, então levantei e lavei o rosto, me preparando para o que viria em seguida. Escovei os dentes, os cabelos e, por fim, resolvi que não poderia mais impor restrições em minha bexiga. Feito isso, dei a descarga, lavei as mãos e me enrolei no meu roupão, deixando o quarto. Desci as escadas de forma silenciosa, em direção à cozinha. Dei de cara com Sirius.
— Expulsaram você da cama? — pergunta ele, rindo.
— Não dormi. Estive pensando.
— Dá para ver — ele me analisa. — Aconteceu algo?
— Na pior das hipóteses — dou de ombro, me servindo de café. — Digamos que... tive relações sexuais com alguém que está noivo.
Sirius engasgou com a própria bebida.
— E, não, eu não sabia da informação até... o fim do ato em si.
— E quem seria tão canalha a este ponto? — questiona outra vez.
— Alguém que certamente não valoriza os sentimentos de outras pessoas — respondo, com um ar misterioso. — Mas não vem ao caso. Aconteceu e não dá para voltar atrás.
— E o que você pretende fazer a respeito?
— Dar o troco à lá Green-Davis — sorrio, soando extremamente maldosa.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus