Como sobreviver na faculdade

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Última atualização: 22/07/2020

Capítulo Um: Boa sorte. Você vai precisar.

— Oi, meu nome é Harry Styles. Não, não... Olá, eu sou o Harry Styles, sou novo e... Não. E aí, sou o Harry. — Bufei, enquanto me olhava no espelho. Estava tenso.
Tensão: uma droga. Principalmente para o seu primeiro dia de aula na faculdade. É tudo diferente, entende? A faculdade é uma fase em que você deveria se encontrar mais amadurecido, com os pensamentos diferentes dos quais você tinha no colégio. Mas, de acordo com todas as pessoas que interroguei, dizem que a faculdade é a mesma coisa que a escola. Só espero que não seja verdade.
Olhei para outro canto do meu quarto, pelo o espelho, e então suspirei. Voltei a olhar a minha figura e sorri. Apoiei um dos braços no próprio espelho e fiz a maior cara de galanteador. Pisquei para mim mesmo.
— E aí...? Tudo bem com você, gata? Meu nome é Harry... Porém, você pode me chamar do que quiser.
— HARRY EDWARD STYLES, DESCE AGORA SENÃO EU NÃO TE LEVO MAIS PARA ESSA PORRA! — Meu pai gritou. Vocês acabaram de conhecer o tipo de cara que meu pai é. Do tipo que fala muito palavrão e grita com todo mundo. Mas ele não é um monstro. Relaxem.
Revirei os olhos e olhei para meu reflexo.
— Conversamos depois, linda. — Pisquei e então me virei para minha cama. Coloquei algumas coisas dentro da mala que eu deixei para última hora. Fechei o zíper e então joguei a mochila nas minhas costas. Bati o olho no Olly. Fiquei o olhando e ele ficou me olhando de volta. Olly era meu melhor amigo, mas... Eu já tinha crescido, certo? Não iria mais precisar dele... — Ah, que se dane.
Peguei-o e o enfiei dentro do bolso de fora. Peguei a outra mochila e saí de meu quarto. Desci as escadas e cheguei ao hall, onde estava meu pai andando para um lado e para o outro.
— Ah, ele resolveu aparecer! Anda logo, que eu tô no carro! — Ele abriu a porta de casa, pegou as chaves e saiu todo “p” da vida dali. Observei-o e me virei para a minha mãe, que me olhava sorrindo fraco.
— Meu bebê vai para a faculdade! — Ela se aproximou sorrindo e me deu um abraço. Sorri e a abracei de volta. Passou um tempo e ela não me largou. Esperei mais um tempo, mas ainda assim ela não deixou de me abraçar. Parei de abraçá-la e ela não.
— Mãe?
— Você vai para a faculdade! Tão novinho e vai para a faculdade... — Ela disse.
— Mãe... Eu tô ficando sem ar.
— Ah, desculpa. — Ela respondeu, me largando ainda sorrindo, mas com indícios de que choraria.
— Tudo bem. — Sorri de volta. Ela tentou se conter, mas não conseguiu e o chororô começou.
— Eu não acredito que você vai me deixar aqui. Você não quer estudar em casa? Assim você não precisa ir... Vamos, Harry! — Ela disse, me puxando. Respirei fundo e segurei seu rosto.
— Não. — Disse, sorrindo, e ela suspirou.
— Certo. — Ela limpou as lágrimas que estavam escorrendo e eu a larguei. Arrumei a mala em meu ombro.
— Ora, ora! Virou homem! Estava na hora já. — Mason desceu as escadas e parou atrás de mim, me obrigando a me virar para ele. Ele sorria do jeito malandro dele. — Eu me lembro do primeiro dia de aula da faculdade... E com certeza o seu vai ser pior.
— Valeu, mano. — Disse, levantando o polegar da minha mão direita e então Gemma passou comendo pipoca.
— Isso se ele sobreviver. Nerds são afogados nas privadas, Harry. Então fique atento. — Ela piscou. Cuzona.
— Valeu a fé, mana! — Sorri para ela.
— Vamos logo, cacete! — Meu pai gritou, do carro, e buzinou. Revirei os olhos e me virei para a porta.
— Ah, pera. Eu tenho uma coisa para te dar. — Mason se aproximou e olhei para o saco na mão dele. Peguei-o e estranhei.
— Um peixe?
— É. Peixes são demais. E aí...? Qual vai ser o nome dele? — Ele perguntou, enquanto batia no saco. Tirei o saco de perto dele.
— Para! Nunca assistiu Nemo, não? Eles não gostam disso. — Disse, e olhei para o peixe.
— Anda logo, Harry. Quero assistir a sua ida para a faculdade. — Gemma disse, sorrindo, enquanto comia a pipoca. Eu responderia, se minha mãe não tivesse me interrompido.
— Temos que registrar isso. — Ela veio com uma câmera e ficou me gravando.
— Ah, qual é mãe? Desliga isso! — disse, tentando tampar a lente com a minha mão.
— Mas por quê? Você fica um docinho no vídeo, Harryzinho. — Ela disse, e meus irmãos se entreolharam segurando uma risada.
Own, Harryzinho que docinho! — eles disseram, ao mesmo tempo, e ficaram me zoando, enquanto apertavam a minha bochecha. Bufei e bati nas mãos deles.
— Desliga isso, mãe! — disse, e então peguei a câmera dela, desligando aquela droga.
— ANDA LOGO COM ISSO, CARALHO! — meu pai gritou, de novo, do carro e minha mãe revirou os olhos.
— DEIXA EU ME DESPEDIR DO MEU FILHO, DESMOND! — ela gritou, e se virou para mim. — Ah, Harry! Seu cabelo está desarrumado! Deixe-me arrumar, docinho. — Ela se aproximou e molhou o dedo com saliva. Espera, congela!

O que eu faço agora? Minha mãe estava prestes a colocar saliva no meu cabelo, meus irmãos estavam me zoando e rindo porque eu era um "docinho" e meu pai estava... Bom, estava sendo ele no carro. Daqui a menos de quarenta minutos, eu tinha que estar no campus. Então... Só havia uma solução.

— Deixa que eu faço, mãe! — Fingi que molhei o dedo com a minha própria saliva e me mandei de casa. — TCHAU, GENTE! A GENTE SE VÊ POR AÍ!
Comecei a andar rápido em direção ao carro, pronto para aguentar o meu pai xingar ainda mais no trânsito. Abri a porta do Cadillac e entrei nele. Coloquei o cinto, ouvindo o meu pai reclamar que estávamos atrasados e que eu iria para lá a pé. Olhei pela janela e meus irmãos e a minha mãe estavam na porta, me olhando. Eles estavam acenando. E meu irmão estava falando algo.
Algo do tipo “você está fodido”.
Eu sei, Mason.
— Pisa fundo.

📚


Meu pai estacionou o carro no lado de fora da Universidade de Outbrooks. Olhei para as pessoas que estavam chegando junto comigo. Tirei o cinto, logo em seguida peguei a mochila que estava no banco de trás. Meu pai abriu a porta dele e eu fiz o mesmo. Nós dois saímos do carro e demos a volta nele, indo para o porta-malas. O abrimos e então peguei as outras duas mochilas — uma era do meu violão — que já estavam no carro antes. Segurei-a com uma das mãos e ouvi meu pai suspirar. Ele arrumou as calças e se virou para mim. Fiquei o observando. Ele olhou para os outros alunos entrando na universidade e então voltou seu olhar novamente para mim.
— Só me promete uma coisa? Não faça nada que você se arrependa depois, tudo bem? — ele disse, e eu demorei um tempo, mas assenti com a cabeça. Meu pai sorriu de leve e bagunçou os meus cabelos com a mão que segurava a chave do carro, logo fechando o porta-malas. — Se cuida, moleque. E vê se arranja uma namorada, hein?
Ele piscou para mim e eu sorri, arrumando a mochila nas costas.
— Pode deixar, pai.
— Eu te amo, filho. — Ele me deu um abraço.
— Eu sei. — Respondi, calmamente, e ele riu.
— Filho da mãe. — Ele soltou, e eu sorri. Nos largamos e, depois de uma troca de olhares, saímos um de perto do outro. Meu pai entrou no carro e arrancou com ele, dando uma buzinadinha. Fiquei parado ali na rua, só pensando no que ele disse. Suspirei e olhei para a grande construção, que mais parecia um castelo do que qualquer outra coisa.
— É... — disse, para mim mesmo, me ajeitando para começar a andar. — Vamos nessa.


(Coloquem essa música, para ouvir nessa cena: Bad Reputation – Joan Jett)


Caminhei pelo gramado verde, com os olhos semicerrados por conta do sol que estava forte, enquanto fui analisando o tipo de gente que iria estudar comigo. Não pareciam tão durões. Para falar a verdade, todos tinham cara de Nerd ou CDF. Se bem que eu estava vendo apenas os que estavam sentados com livros e óculos de grau. Procurei outras pessoas com o olhar, então achei o que eu procurava: pessoas que agiam normalmente. Ou nem tanto. Havia diversas garotas conversando entre si e rindo. Algumas olhavam para mim e riam. Ignorei e continuei caminhando. Havia alguns caras jogando futebol. Outras pessoas tocando violão. Outras apenas conversando. Cheguei ao pátio principal, entrei naquele grande castelo e procurei pela tesouraria.
Notei que ela estava na minha frente e caminhei até lá, parando em frente ao balcão. Havia uma mulher, mas ela estava pouco interessada em mim. Pigarreei. Então ela levantou o olhar.
— Com licença, eu queria saber onde que fica o dormitó...
Antes de eu terminar a frase, ela apontou para um mural ao meu lado. Olhei para ele e bati na minha própria cabeça, entendendo.
— Obrigado. — Dei um sorriso e comecei a procurar a minha suíte com o dedo. — Harry Madson... Harry Padson... Harry Styles. — Achei. Sorri feliz por saber onde ficava o meu quarto e peguei um panfletinho que tinha em cima do balcão, passando a folheá-lo.
— Primeiro dia também, certo? — Um garoto ruivo disse, atrás de mim. Tirei meus olhos do papel e o encarei.
— Sim... O seu também?
— Na mosca. Sou Edward Christopher Sheeran. Mas pode me chamar de Ed. — Ele ergueu a mão. Assenti sorrindo e a apertando. — Eu tento a vaga para essa universidade há três anos! — ele disse, rindo e eu ri de leve. É difícil explicar, mas a Universidade de Outbrooks era a única e a mais concorrida da nossa cidade. — E você, como se chama?
— Harry Edward Styles, mas pode me chamar de Harry. — Disse, e ele franziu a testa, sorrindo ainda mais.
— Somos xarás, então?
— Hum... Quase isso. — Ri e ele me acompanhou.
— Já sabe em que quarto ficará?
— Sim... Na Ala 4, Suíte 609. — Disse, voltando a olhar para a lista. Ed procurou o nome dele e o achou.
— Ala 3 Suíte 402. — Ele leu e se virou para mim, sorrindo. — Quer que eu te acompanhe?
— Claro. — Respondi, dando de ombros e peguei a mochila que estava no chão. Começamos a caminhar pelo corredor com paredes tom de bege.
— Então, Harry... O que fazia da vida antes de vir para cá? — Ele me perguntou, a fim de puxar assunto.
— Acho que nunca fiz nada na minha vida inteira além de estudar. — Respondi, e ele riu. O olhei de canto de olho. — Sério.
— Ah... — ele parou de rir. — Poxa, foi mal.
— Ah, tudo bem. Perdi metade da minha adolescência por uma boa causa. E você?
— Tocava em Pubs. — Olhei-o e ele deu de ombros, sorrindo. — Sério.
— Você tem cara disso. — Respondi, e ele riu. Um ser apareceu atrás de nós, nos abraçando.
— Grande Sheeran! — O garoto disse. — E esse aí? Quem é?
— Sou Harry Styles. — Respondi, e ele sorriu.
— Gostei do seu nome... Sou Louis Tomlinson, mas me chame de Lou. — Ele ergueu a mão e eu a apertei. Louis tinha muita força no aperto de mão. — Estão indo para os dormitórios?
— Isso aí. — Respondemos, em uníssono.
— Vou com vocês, então.
Começamos a caminhar pelo pátio, agora aberto a uma praça.
— Diz aí, Harry! Entrou esse ano aqui? — Ele perguntou, e eu fiz que sim. — Hum, então seja bem-vindo!
— Você não entrou nesse ano? — Perguntei, e Ed fez que não.
— Louis já estuda aqui há um ano. — Ele disse.
— Ah, certo. — Falei, e Louis pigarreou.
— Olha só quem está sentada ali. — Ele disse, apontando com a cabeça em direção a uma garota usando uma saia minúscula e que conversava com outras garotas, enquanto mexia no cabelo. Estranhei.
— Quem?
— Rebecca Johnson. A garota mais gostosa do campus. — Louis respondeu. — Todos querem um pedaço dela.
— E você também? — perguntei, rindo e ainda olhando para aquela garota. Louis riu maroto.
— Macaco gosta de banana? — ele disse.
— Formiga gosta de açúcar? — Ed disse.
— Certo. — Respondi, rindo e ficamos a observando. De repente, ouvimos um suspiro meio que apaixonado ao lado de Louis. Viramo-nos para o dono desse barulho e vimos um garoto.
— Rebecca... — ele disse, e então rimos.
— Fecha a boca senão o prédio vira uma piscina, Liam. — Louis disse, bagunçando os cabelos dele, que bufou e bateu em sua mão.
— Parou! Olha o Bullying. — Ele disse, e arrumou os óculos de grau no rosto. — E quem são os seus amigos aí?
— Sou Harry Styles e este é Ed Sheeran. — Respondi, apontando para mim e para Ed e sorrimos. Liam assentiu e mais uma vez arrumou os óculos no rosto. Deu um sorriso leve.
— Sou Liam Payne. — Ele disse, erguendo as duas mãos para nós, que a pegamos. — Prazer em conhecê-los.
— O prazer é nosso. — Respondemos, ao mesmo tempo.
— Liam é apaixonado pela Rebecca, desde... Sei lá, desde sempre. — Louis riu e ele revirou os olhos. Então voltamos a olhá-la.
— O que eu posso fazer se ela é demais? — ele disse, e então ela riu com as amigas. Fiquei a observando por um tempo, até que ela olhou para mim, enquanto ouvia as amigas conversando. Ela deu um sorriso. Me mantive quieto olhando a cena.
Um ronco de motor foi ouvido e esse garoto estacionou a moto perto das outras e desmontou dela, tirando o capacete. Todos que estavam ali olhavam para essa cena. Ele arrumou a jaqueta de couro e colocou o capacete dentro de um compartimento da moto.
— Ah, eu não acredito! — Louis revirou os olhos. — Ele aqui não, droga!
— Quem é aquele? — perguntei, e Louis bufou.
— Este é Zayn Malik. Encrenqueiro, fama com as garotas, badboy. — Ele balançou a cabeça negativamente e, pelo o pouco que conheço de Lou, poderia até ter cuspido no chão de nojo. — Odeio ele.
— Isso porque ele roubou a namorada dele no verão passado. — Ed disse, e Louis revirou os olhos.
— Não me lembre desse episódio, Ed. — Observei Zayn ir ao encontro de Rebecca e então dar um beijo na bochecha dela. — Nem acredito que esse bosta vai estudar aqui.
— É, Zayn é meio idiota mesmo. — Liam falou, e Louis revirou os olhos.
— Idiota é pouco. E olha lá... Já está com as garotas de novo. Esse cara é impossível!
— Calma aí, Louis, relaxa. — Ed disse, e enquanto eles falavam, meus olhos correram de Zayn para Rebecca e chegaram a uma garota. Uma garota que estava sentada em um canto do pátio, lendo um livro que, se a minha visão não se enganava, tinha um grande Mary Howard como escritora da estória. Ela estava na dela, ouvindo música no seu Ipod, enquanto lia o livro. Por um instante, foi como se a minha cabeça focasse apenas naquela cena e tudo ficasse em silêncio, exceto o som da natureza. O que aconteceu?
— Não é, Harry? — Ed disse, e eu acordei do momento. Me virei para ele confuso.
— Oi?
— Nada. — Ed revirou os olhos. — Vamos logo para os nossos quartos antes que alguém resolva os roubar.
Ed empurrou Louis, que foi na frente — meio irritado, devo dizer — e eu e Liam fomos atrás. Tentei puxar assunto com ele durante o trajeto, mas ele era muito quieto. A cena daquela garota lendo o livro não saía da minha cabeça.
Subimos alguns lances de escadas e nos separamos cada um para o seu quarto. Procurei a minha suíte, olhando para os números das portas, até que finalmente cheguei a ela: suíte 609. Nem um pouco sugestiva.
Peguei as chaves que estavam dentro de um envelope, na prateleira que tinha acima da porta. Confuso? Só parece. O estranho era que tinha duas chaves ali. De qualquer jeito, peguei o pacote. Aquela outra chave devia ser de reserva. Destranquei a porta e então finalmente entrei na suíte. E cara... Era grande para caramba.
Coloquei minhas coisas em cima da minha cama e suspirei, dando uma geral no lugar com meus olhos. Tinha uma escrivaninha gigante embaixo de uma janela, havia uma porta que, imagino eu, dava para o banheiro, um sofá embaixo de outra janela e uma mesa onde havia uma TV em cima. Havia também guarda-roupas com portas de correr e algumas prateleiras por todo o quarto. O quarto era em tons de marrom escuro e bege. Havia também duas cômodas e duas camas.

Não me mexi. Duas camas?

— Ah, finalmente, o meu quarto. — Uma voz masculina disse, atrás de mim, e passou ao meu lado, se jogando na sua cama. Fiquei o observando, ele olhou para mim e sorriu. — Você deve ser o meu colega de quarto. Sou Zayn Malik.
— Colega de quarto? — perguntei, e ele riu, se sentando em sua cama.
— Você achou mesmo que iria ficar com esse quarto gigante só para você? Para o que você achava que tinha duas camas? — ele riu de novo e eu fiquei o observando. — Não vai me dizer o seu nome?
— Eu... Eu me chamo Harry Styles. — Falei, e ele sorriu.
— Legal.
Olhei Zayn se levantar de sua cama e pegar as suas malas. Ele as abriu e jogou algumas roupas em cima de sua cama. Zayn cheirou algumas, até que escolheu um conjunto e partiu para o banheiro. Eu fiquei ainda olhando para a porta do banheiro. Ele ia ser o meu colega de quarto?
— Fu...
— Ei, Styles. — Ele tirou apenas a cabeça do banheiro. O encarei.
— Diz.
— Me empresta o seu desodorante, por favor? Eu esqueci o meu em casa. — Ele disse, rindo.
— C-claro. — Disse, e peguei da minha mala. Joguei na direção de Zayn que o pegou no ar. Ele piscou para mim.
— Valeu. — E então ele entrou no banheiro novamente. Suspirei e me virei para a minha mala.
— Agora é só esperar. — Disse, para mim mesmo. Pelo o que Louis disse, aquele cara era um babaca. Vamos ver se realmente era.
— Toc-toc. — Uma voz feminina disse, na porta, e eu me virei para ela. Ela usava um uniforme de assistência. — Você deve ser Harry Styles, certo? Sou Jenna.
— Oi. — Disse, sorrindo fraco, ela riu e eu sei lá o porquê de ela rir.
— Eu sou a responsável dessa Ala e sou obrigada a passar em todas as suítes para ver se está tudo ok. — Ela disse, sorrindo fraco. Quase disse que não estava ok.
— Ah, certo.
— E aí? Está tudo ok?
— Parece não estar? — Perguntei, meio perdido, e ela riu de novo.
— Na verdade...
— Ei, cara, acho que o desodorante acabou. — Zayn saiu do banheiro apenas de cueca e Jenna pareceu ficar um pouco incomodada. Pigarreei e apontei com a cabeça na direção dela. Zayn não entendeu e então se virou para Jenna e se espantou, tentando cobrir seu saco. — Ah... Oi.
— Oi, Malik.
— Que interessante você saber o meu nome. — Ele disse, meio jogando charme, a meu ver. Tem cara de idiota.
— Eu tenho que saber o nome de todos os alunos desse pedaço. — Ela deu de ombros e olhou para as pernas nuas de Zayn. — Agora, por favor, se vista. Até mais e boa sorte, Styles. — Ela olhou caridosa para mim. — Você vai precisar.
— Tchau, Jenna. — Disse, dando um tchauzinho e ela se foi. Malik riu.
— Que bosta. — Ele disse, e se virou para mim. — Foi mal, mas acabou o seu desodorante e eu nem o usei.
Ele o jogou na minha direção e deu de ombros. Zayn voltou para dentro do banheiro e eu revirei os olhos, colocando o desodorante na mochila. Mas eu repensei e o peguei de volta. Olhei para os lados e tirei o lacre dele. Então apertei e saiu. Ri comigo mesmo.

📚


— Então quer dizer que Zayn Malik está dividindo a suíte com você? — Ed perguntou, e eu assenti, enquanto colocávamos a comida nos pratos no refeitório.
— Isso aí. Malik está no mesmo quarto que eu. — Disse, pegando um pouco de purê de batata e então andamos na fila.
— Nossa. — Ed riu. — Boa sorte. Você vai precisar.
— Valeu pelo apoio, cara. — Respondi, e Ed riu novamente. Pegamos a sobremesa – que por algum motivo estranho era o meu favorito: mousse de chocolate – e seguimos para um lugar na gigantesca mesa do refeitório. Nos sentamos perto de Louis e Liam. — Eu já disse que me sinto em Hogwarts agora?
— Você não é o único, cara. — Liam disse, olhando para o prato e arrumou os óculos no rosto.
— Mas tudo tem a suas vantagens. — Louis piscou um dos olhos, sorrindo sacana, ele olhou para os dois lados, então pegou a sua bebida, dando um gole antes de revelar: — Do tipo... Os horários de pegação.
— Ou você quis dizer os seus horários de pegação? — Ed perguntou, com um leve sorriso no rosto. Louis deu de ombros e eu ergui uma das sobrancelhas.
— Louis é um dos maiores pegadores da universidade. — Liam disse, se aproximando de mim. Sorri.
— Sério?

Na minha vida inteira eu nunca conheci alguém que se desse bem com as garotas. Você sabe... daquele jeito. Meus amigos sempre foram Gordon e Stu. Stu até que se achava o maioral, mas... Ele não era. Éramos três adolescentes Nerds confusos e tentando sobreviver na escola. Agora sou só eu... Tentando sobreviver na faculdade.

Louis deu de ombros, sorrindo.
— Talvez. — Ele respondeu.
— Talvez nada! — Liam disse, sorrindo. Louis – por incrível que pareça – pareceu envergonhado.
Deixamos de lado aquele assunto e voltamos a comer nosso jantar normalmente. O silêncio tomou a nossa mesa, mas o refeitório permaneceu barulhento. Às vezes, assuntos descontraídos surgiam entre nós. Até que finalmente cheguei à minha sobremesa. Olhei para o mousse marrom e peguei a minha colher. Foi quando eu experimentei aquilo... E preferia mil vezes o mousse da mamãe! Olha que ela nem sabe cozinhar!
— Credo! — empurrei a tigela para longe de mim e fiz uma cara de enjoado. Ed olhou para tigela.
— O que foi? — ele perguntou, e Liam limpou a boca com o guardanapo.
— O mousse é uma droga. — Ele disse, calmo. — Por isso eu nunca pego nada que é preparado pela Marge.
— Quem é Marge? — perguntei, e ele apontou com a cabeça na direção de uma mulher de touca e avental atrás do balcão. Ela estava distraída até que olhou para Liam, deu um tchauzinho animado e Liam respondeu com outro.
— Liam é um cara solitário que passa o seu tempo fazendo amizade com cozinheiras idosas. — Lou disse, e Liam o encarou.
— As pessoas são chatas, Louis. Principalmente dessa universidade. — Ele respondeu, dissecando Louis com os olhos e eu quase ri, se não fosse pelo olhar bravo de Tomlinson.
— Ok... — Ed cortou o clima e deu de ombros.
Hey, hey, heeey! Horan! — alguém disse, a algumas mesas atrás da nossa. Observei um garoto de raiz escura e fios loiros sorrir enquanto se sentava na mesa cheia de garotos e garotas. Adivinha quem estava lá?
— Quem é Horan? — Ed perguntou, e Louis olhou para trás, na direção da mesa. Ele voltou o olhar para nós.
— Niall Horan. Xodó de Zayn Malik. Histórico completo? Faz absolutamente tudo o que Malik manda. Nunca conversei com ele. — Tomlinson deu de ombros. Continuei a encarar o loiro oxigenado.
— Ele parece legal. — Disse, e Liam deu uma rápida olhada para aquela mesa.
— Loiros. — Ele bufou. — Sempre parecem legais.
Ed riu com esse comentário e uma corneta soou pelo refeitório todo. Todos começaram a se levantar enquanto eu permanecia confuso.
— O que é isso? — perguntei, e me levantei junto.
— Corneta do Howard.
— Toque de recolher. — Liam pegou sua bolsa e a colocou em volta do corpo. — Temos que voltar para o quarto antes das dez horas. — Ele revirou os olhos e começamos a caminhar.
— Achei que éramos independentes aqui. — Disse, enquanto subíamos as escadas. Louis riu.
— Se você quer estudar aqui, precisa seguir as regras, Styles.

📚


Desliguei o chuveiro e balancei os cabelos, tirando o excesso de água deles. Respirei fundo e tateei na parede a procura de minha toalha. Finalmente, a achei e enxuguei meu rosto e cabelo. Passei a toalha por todo o meu corpo e saí do box. Já eram quase onze horas a essa altura. Enrolei a toalha em volta do corpo e me olhei no espelho. Eu não tinha aquela barriga maravilhosa que todas as garotas sonham em ver e sentir. Eu tinha até que os ombros largos, porém a minha barriga era super “lisa”. Nada de six packs. Apenas duas linhas que caminhavam em direção aos meus países baixos. Não contei ainda, mas meu pai havia me ensinado a lutar ano passado. Ninguém nunca bateu em mim, mas ele pensava que assim eu ganharia garotas... É. Ele pensou errado.
Vesti uma calça de moletom cinza e blusa preta de mangas compridas e escovei meus dentes. Saí do banheiro e caminhei até a minha cama. Zayn não estava no quarto ainda e dei graças a Deus por isso. Tinha conseguido decorar o meu lado do quarto durante esse tempinho. Coloquei alguns pôsteres na minha parede e bem acima da minha cama, no teto, eu coloquei o meu maior e favorito dos pôsteres: dos Beatles, em uma versão que estavam em todas as suas épocas de estilo daquela década de 60. Não, eu não sou um poser e não fico fazendo rituais para louvá-los. Eu adoro os Beatles desde que eu ganhei um disco de vinil do álbum “The Beatles: The White Álbum”. Eu escutava aquele maldito álbum todos os dias e comecei a colecionar os discos dele em versão de vinil. Comprei desde “Please Please Me” até o “Abbey Road” e os Anthology 1, 2 e 3. Aquele pôster me dava um pouco de medo, para falar a verdade. Não sei, mas aquele sorriso de pai do George me era muito estranho.
Caso você queira saber, o peixe de Mason estava são e salvo em um copo cheio d’água que eu arranjei hoje. O copo era bem legal, tinha até tampa e agora estava na minha prateleira, junto a alguns CDs e livros meus. Acho que tinha DVDs ali também.
Tinha colocado o meu violão ao lado da escrivaninha, onde o meu laptop descansava. Eu não sabia tocar violão. Para falar a verdade, eu não sabia tocar nada. Nadinha mesmo. A não ser que você considere uma garrafa vazia e eu assoprando a boca dela uma habilidade musical. O violão só servia de decoração, mesmo.
Joguei minha mochila vazia embaixo da cama e peguei a outra, colocando em cima do meu armário já com todas as minhas roupas, e foi aí que Olly caiu na minha cabeça.
— Aí! — Reclamei, coçando a cabeça, e peguei-o do chão. Olhei para o meu companheiro e sorri, mas logo o escondi atrás dos livros da minha estante e peguei uma revista qualquer para ler. Se Malik visse Olly, com toda a certeza iria me zoar e eu só o trouxe porque achei que teria o meu próprio quarto.
Sentei-me na minha cama, deixando somente que as luzes dos abajures iluminassem o quarto. Bufei por não conseguir enxergar nada do que estava escrito naquele escuro e busquei por meus óculos de grau. Não que eu precisasse loucamente deles para ler. Nem meio grau eu tinha... Mas estava uma merda para enxergar. Comecei a ler um artigo sobre o novo shopping que iriam construir em Outbrooks, quando Zayn entrou no quarto, rindo maroto. Olhei por cima das páginas ele tirar os tênis e se jogar na cama. Malik olhou para mim.
— Ah, e aí, cara? — ele disse, se deitando de lado. — Não tinha te visto aí.
— Imaginei... — murmurei, e meus olhos voltaram a ler a revista.
— Sabe... Não sei o porquê, mas sinto que seremos grandes amigos. — Zayn disse, sorrindo fraco. — Boa noite.
Ele desligou seu abajur e virou para o outro lado.
Olhei para ele e fechei a revista. Eu ia responder, mas meu celular apitou. O peguei de cima da cômoda e li as três mensagens:

Está tudo bem aí, querido? Espero que sim!
Sinto sua falta, Harryzinho...
Não quer voltar para casa? - Mamãe.

Eu não sei por que que eu estou te mandando
essa mensagem, mas...
Eu sei que a mamãe te chamou de Harryzinho na mensagem dela!
Que docinho. - Gemma

Já deu um nome para o peixe? – Mason


Suspirei, larguei o celular de volta na cômoda e me enfiei debaixo do cobertor. Não iria responder nenhuma das mensagens agora. Pensei no meu dia. Não sei se Louis, Liam e Ed poderiam ser considerados por mim amigos. Zayn tinha me dado boa noite. Rebecca sorriu para mim e, pelo o que eu entendi, Liam é gamado nela. E tinha aquela garota lendo um livro no pátio, enquanto escutava música. Olhei para os Beatles em cima da minha cabeça e sorri. Arranquei os óculos e os coloquei na cômoda, virando de lado.
— É... Boa sorte para mim. Eu vou precisar.


Continua...



Nota da autora: E aí, pessoal! Como vão? Tudo bem com vocês? Espero que sim! Meu nome é Giulia, sou a autora dessa história! Estou muito animada com essa fanfic, ela é um amorzinho! Ainda temos muitas questões filosóficas para tratar nela, apesar de não parecer... Enfim, espero que tenham gostado do primeiro capítulo! Comentem bastante para eu saber o que estão achando! Beijos de luz :*

Outras Fanfics:
Faz parte do Esquema [Restritas - Originais - Em Andamento]
Os Diários [Harry Styles - Em Andamento]
15. You Wish You Knew [Ficstape Zayn - Icarus Fall]
A culpa não é das estrelas [Especial Extraordinário]
Aprendendo a falar a língua da matemática [Challenge 012]

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.


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