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Última atualização: 01/10/2020

Capítulo Um: Boa sorte. Você vai precisar.

— Oi, meu nome é Harry Styles. Não, não... Olá, eu sou o Harry Styles, sou novo e... Não. E aí, sou o Harry. — Bufei, enquanto me olhava no espelho. Estava tenso.
Tensão: uma droga. Principalmente para o seu primeiro dia de aula na faculdade. É tudo diferente, entende? A faculdade é uma fase em que você deveria se encontrar mais amadurecido, com os pensamentos diferentes dos quais você tinha no colégio. Mas, de acordo com todas as pessoas que interroguei, dizem que a faculdade é a mesma coisa que a escola. Só espero que não seja verdade.
Olhei para outro canto do meu quarto, pelo o espelho, e então suspirei. Voltei a olhar a minha figura e sorri. Apoiei um dos braços no próprio espelho e fiz a maior cara de galanteador. Pisquei para mim mesmo.
— E aí...? Tudo bem com você, gata? Meu nome é Harry... Porém, você pode me chamar do que quiser.
— HARRY EDWARD STYLES, DESCE AGORA SENÃO EU NÃO TE LEVO MAIS PARA ESSA PORRA! — Meu pai gritou. Vocês acabaram de conhecer o tipo de cara que meu pai é. Do tipo que fala muito palavrão e grita com todo mundo. Mas ele não é um monstro. Relaxem.
Revirei os olhos e olhei para meu reflexo.
— Conversamos depois, linda. — Pisquei e então me virei para minha cama. Coloquei algumas coisas dentro da mala que eu deixei para última hora. Fechei o zíper e então joguei a mochila nas minhas costas. Bati o olho no Olly. Fiquei o olhando e ele ficou me olhando de volta. Olly era meu melhor amigo, mas... Eu já tinha crescido, certo? Não iria mais precisar dele... — Ah, que se dane.
Peguei-o e o enfiei dentro do bolso de fora. Peguei a outra mochila e saí de meu quarto. Desci as escadas e cheguei ao hall, onde estava meu pai andando para um lado e para o outro.
— Ah, ele resolveu aparecer! Anda logo, que eu tô no carro! — Ele abriu a porta de casa, pegou as chaves e saiu todo “p” da vida dali. Observei-o e me virei para a minha mãe, que me olhava sorrindo fraco.
— Meu bebê vai para a faculdade! — Ela se aproximou sorrindo e me deu um abraço. Sorri e a abracei de volta. Passou um tempo e ela não me largou. Esperei mais um tempo, mas ainda assim ela não deixou de me abraçar. Parei de abraçá-la e ela não.
— Mãe?
— Você vai para a faculdade! Tão novinho e vai para a faculdade... — Ela disse.
— Mãe... Eu tô ficando sem ar.
— Ah, desculpa. — Ela respondeu, me largando ainda sorrindo, mas com indícios de que choraria.
— Tudo bem. — Sorri de volta. Ela tentou se conter, mas não conseguiu e o chororô começou.
— Eu não acredito que você vai me deixar aqui. Você não quer estudar em casa? Assim você não precisa ir... Vamos, Harry! — Ela disse, me puxando. Respirei fundo e segurei seu rosto.
— Não. — Disse, sorrindo, e ela suspirou.
— Certo. — Ela limpou as lágrimas que estavam escorrendo e eu a larguei. Arrumei a mala em meu ombro.
— Ora, ora! Virou homem! Estava na hora já. — Mason desceu as escadas e parou atrás de mim, me obrigando a me virar para ele. Ele sorria do jeito malandro dele. — Eu me lembro do primeiro dia de aula da faculdade... E com certeza o seu vai ser pior.
— Valeu, mano. — Disse, levantando o polegar da minha mão direita e então Gemma passou comendo pipoca.
— Isso se ele sobreviver. Nerds são afogados nas privadas, Harry. Então fique atento. — Ela piscou. Cuzona.
— Valeu a fé, mana! — Sorri para ela.
— Vamos logo, cacete! — Meu pai gritou, do carro, e buzinou. Revirei os olhos e me virei para a porta.
— Ah, pera. Eu tenho uma coisa para te dar. — Mason se aproximou e olhei para o saco na mão dele. Peguei-o e estranhei.
— Um peixe?
— É. Peixes são demais. E aí...? Qual vai ser o nome dele? — Ele perguntou, enquanto batia no saco. Tirei o saco de perto dele.
— Para! Nunca assistiu Nemo, não? Eles não gostam disso. — Disse, e olhei para o peixe.
— Anda logo, Harry. Quero assistir a sua ida para a faculdade. — Gemma disse, sorrindo, enquanto comia a pipoca. Eu responderia, se minha mãe não tivesse me interrompido.
— Temos que registrar isso. — Ela veio com uma câmera e ficou me gravando.
— Ah, qual é mãe? Desliga isso! — disse, tentando tampar a lente com a minha mão.
— Mas por quê? Você fica um docinho no vídeo, Harryzinho. — Ela disse, e meus irmãos se entreolharam segurando uma risada.
Own, Harryzinho que docinho! — eles disseram, ao mesmo tempo, e ficaram me zoando, enquanto apertavam a minha bochecha. Bufei e bati nas mãos deles.
— Desliga isso, mãe! — disse, e então peguei a câmera dela, desligando aquela droga.
— ANDA LOGO COM ISSO, CARALHO! — meu pai gritou, de novo, do carro e minha mãe revirou os olhos.
— DEIXA EU ME DESPEDIR DO MEU FILHO, DESMOND! — ela gritou, e se virou para mim. — Ah, Harry! Seu cabelo está desarrumado! Deixe-me arrumar, docinho. — Ela se aproximou e molhou o dedo com saliva. Espera, congela!

O que eu faço agora? Minha mãe estava prestes a colocar saliva no meu cabelo, meus irmãos estavam me zoando e rindo porque eu era um "docinho" e meu pai estava... Bom, estava sendo ele no carro. Daqui a menos de quarenta minutos, eu tinha que estar no campus. Então... Só havia uma solução.

— Deixa que eu faço, mãe! — Fingi que molhei o dedo com a minha própria saliva e me mandei de casa. — TCHAU, GENTE! A GENTE SE VÊ POR AÍ!
Comecei a andar rápido em direção ao carro, pronto para aguentar o meu pai xingar ainda mais no trânsito. Abri a porta do Cadillac e entrei nele. Coloquei o cinto, ouvindo o meu pai reclamar que estávamos atrasados e que eu iria para lá a pé. Olhei pela janela e meus irmãos e a minha mãe estavam na porta, me olhando. Eles estavam acenando. E meu irmão estava falando algo.
Algo do tipo “você está fodido”.
Eu sei, Mason.
— Pisa fundo.

📚


Meu pai estacionou o carro no lado de fora da Universidade de Outbrooks. Olhei para as pessoas que estavam chegando junto comigo. Tirei o cinto, logo em seguida peguei a mochila que estava no banco de trás. Meu pai abriu a porta dele e eu fiz o mesmo. Nós dois saímos do carro e demos a volta nele, indo para o porta-malas. O abrimos e então peguei as outras duas mochilas — uma era do meu violão — que já estavam no carro antes. Segurei-a com uma das mãos e ouvi meu pai suspirar. Ele arrumou as calças e se virou para mim. Fiquei o observando. Ele olhou para os outros alunos entrando na universidade e então voltou seu olhar novamente para mim.
— Só me promete uma coisa? Não faça nada que você se arrependa depois, tudo bem? — ele disse, e eu demorei um tempo, mas assenti com a cabeça. Meu pai sorriu de leve e bagunçou os meus cabelos com a mão que segurava a chave do carro, logo fechando o porta-malas. — Se cuida, moleque. E vê se arranja uma namorada, hein?
Ele piscou para mim e eu sorri, arrumando a mochila nas costas.
— Pode deixar, pai.
— Eu te amo, filho. — Ele me deu um abraço.
— Eu sei. — Respondi, calmamente, e ele riu.
— Filho da mãe. — Ele soltou, e eu sorri. Nos largamos e, depois de uma troca de olhares, saímos um de perto do outro. Meu pai entrou no carro e arrancou com ele, dando uma buzinadinha. Fiquei parado ali na rua, só pensando no que ele disse. Suspirei e olhei para a grande construção, que mais parecia um castelo do que qualquer outra coisa.
— É... — disse, para mim mesmo, me ajeitando para começar a andar. — Vamos nessa.


(Coloquem essa música, para ouvir nessa cena: Bad Reputation – Joan Jett)


Caminhei pelo gramado verde, com os olhos semicerrados por conta do sol que estava forte, enquanto fui analisando o tipo de gente que iria estudar comigo. Não pareciam tão durões. Para falar a verdade, todos tinham cara de Nerd ou CDF. Se bem que eu estava vendo apenas os que estavam sentados com livros e óculos de grau. Procurei outras pessoas com o olhar, então achei o que eu procurava: pessoas que agiam normalmente. Ou nem tanto. Havia diversas garotas conversando entre si e rindo. Algumas olhavam para mim e riam. Ignorei e continuei caminhando. Havia alguns caras jogando futebol. Outras pessoas tocando violão. Outras apenas conversando. Cheguei ao pátio principal, entrei naquele grande castelo e procurei pela tesouraria.
Notei que ela estava na minha frente e caminhei até lá, parando em frente ao balcão. Havia uma mulher, mas ela estava pouco interessada em mim. Pigarreei. Então ela levantou o olhar.
— Com licença, eu queria saber onde que fica o dormitó...
Antes de eu terminar a frase, ela apontou para um mural ao meu lado. Olhei para ele e bati na minha própria cabeça, entendendo.
— Obrigado. — Dei um sorriso e comecei a procurar a minha suíte com o dedo. — Harry Madson... Harry Padson... Harry Styles. — Achei. Sorri feliz por saber onde ficava o meu quarto e peguei um panfletinho que tinha em cima do balcão, passando a folheá-lo.
— Primeiro dia também, certo? — Um garoto ruivo disse, atrás de mim. Tirei meus olhos do papel e o encarei.
— Sim... O seu também?
— Na mosca. Sou Edward Christopher Sheeran. Mas pode me chamar de Ed. — Ele ergueu a mão. Assenti sorrindo e a apertando. — Eu tento a vaga para essa universidade há três anos! — ele disse, rindo e eu ri de leve. É difícil explicar, mas a Universidade de Outbrooks era a única e a mais concorrida da nossa cidade. — E você, como se chama?
— Harry Edward Styles, mas pode me chamar de Harry. — Disse, e ele franziu a testa, sorrindo ainda mais.
— Somos xarás, então?
— Hum... Quase isso. — Ri e ele me acompanhou.
— Já sabe em que quarto ficará?
— Sim... Na Ala 4, Suíte 609. — Disse, voltando a olhar para a lista. Ed procurou o nome dele e o achou.
— Ala 3 Suíte 402. — Ele leu e se virou para mim, sorrindo. — Quer que eu te acompanhe?
— Claro. — Respondi, dando de ombros e peguei a mochila que estava no chão. Começamos a caminhar pelo corredor com paredes tom de bege.
— Então, Harry... O que fazia da vida antes de vir para cá? — Ele me perguntou, a fim de puxar assunto.
— Acho que nunca fiz nada na minha vida inteira além de estudar. — Respondi, e ele riu. O olhei de canto de olho. — Sério.
— Ah... — ele parou de rir. — Poxa, foi mal.
— Ah, tudo bem. Perdi metade da minha adolescência por uma boa causa. E você?
— Tocava em Pubs. — Olhei-o e ele deu de ombros, sorrindo. — Sério.
— Você tem cara disso. — Respondi, e ele riu. Um ser apareceu atrás de nós, nos abraçando.
— Grande Sheeran! — O garoto disse. — E esse aí? Quem é?
— Sou Harry Styles. — Respondi, e ele sorriu.
— Gostei do seu nome... Sou Louis Tomlinson, mas me chame de Lou. — Ele ergueu a mão e eu a apertei. Louis tinha muita força no aperto de mão. — Estão indo para os dormitórios?
— Isso aí. — Respondemos, em uníssono.
— Vou com vocês, então.
Começamos a caminhar pelo pátio, agora aberto a uma praça.
— Diz aí, Harry! Entrou esse ano aqui? — Ele perguntou, e eu fiz que sim. — Hum, então seja bem-vindo!
— Você não entrou nesse ano? — Perguntei, e Ed fez que não.
— Louis já estuda aqui há um ano. — Ele disse.
— Ah, certo. — Falei, e Louis pigarreou.
— Olha só quem está sentada ali. — Ele disse, apontando com a cabeça em direção a uma garota usando uma saia minúscula e que conversava com outras garotas, enquanto mexia no cabelo. Estranhei.
— Quem?
— Rebecca Johnson. A garota mais gostosa do campus. — Louis respondeu. — Todos querem um pedaço dela.
— E você também? — perguntei, rindo e ainda olhando para aquela garota. Louis riu maroto.
— Macaco gosta de banana? — ele disse.
— Formiga gosta de açúcar? — Ed disse.
— Certo. — Respondi, rindo e ficamos a observando. De repente, ouvimos um suspiro meio que apaixonado ao lado de Louis. Viramo-nos para o dono desse barulho e vimos um garoto.
— Rebecca... — ele disse, e então rimos.
— Fecha a boca senão o prédio vira uma piscina, Liam. — Louis disse, bagunçando os cabelos dele, que bufou e bateu em sua mão.
— Parou! Olha o Bullying. — Ele disse, e arrumou os óculos de grau no rosto. — E quem são os seus amigos aí?
— Sou Harry Styles e este é Ed Sheeran. — Respondi, apontando para mim e para Ed e sorrimos. Liam assentiu e mais uma vez arrumou os óculos no rosto. Deu um sorriso leve.
— Sou Liam Payne. — Ele disse, erguendo as duas mãos para nós, que a pegamos. — Prazer em conhecê-los.
— O prazer é nosso. — Respondemos, ao mesmo tempo.
— Liam é apaixonado pela Rebecca, desde... Sei lá, desde sempre. — Louis riu e ele revirou os olhos. Então voltamos a olhá-la.
— O que eu posso fazer se ela é demais? — ele disse, e então ela riu com as amigas. Fiquei a observando por um tempo, até que ela olhou para mim, enquanto ouvia as amigas conversando. Ela deu um sorriso. Me mantive quieto olhando a cena.
Um ronco de motor foi ouvido e esse garoto estacionou a moto perto das outras e desmontou dela, tirando o capacete. Todos que estavam ali olhavam para essa cena. Ele arrumou a jaqueta de couro e colocou o capacete dentro de um compartimento da moto.
— Ah, eu não acredito! — Louis revirou os olhos. — Ele aqui não, droga!
— Quem é aquele? — perguntei, e Louis bufou.
— Este é Zayn Malik. Encrenqueiro, fama com as garotas, badboy. — Ele balançou a cabeça negativamente e, pelo o pouco que conheço de Lou, poderia até ter cuspido no chão de nojo. — Odeio ele.
— Isso porque ele roubou a namorada dele no verão passado. — Ed disse, e Louis revirou os olhos.
— Não me lembre desse episódio, Ed. — Observei Zayn ir ao encontro de Rebecca e então dar um beijo na bochecha dela. — Nem acredito que esse bosta vai estudar aqui.
— É, Zayn é meio idiota mesmo. — Liam falou, e Louis revirou os olhos.
— Idiota é pouco. E olha lá... Já está com as garotas de novo. Esse cara é impossível!
— Calma aí, Louis, relaxa. — Ed disse, e enquanto eles falavam, meus olhos correram de Zayn para Rebecca e chegaram a uma garota. Uma garota que estava sentada em um canto do pátio, lendo um livro que, se a minha visão não se enganava, tinha um grande Mary Howard como escritora da estória. Ela estava na dela, ouvindo música no seu Ipod, enquanto lia o livro. Por um instante, foi como se a minha cabeça focasse apenas naquela cena e tudo ficasse em silêncio, exceto o som da natureza. O que aconteceu?
— Não é, Harry? — Ed disse, e eu acordei do momento. Me virei para ele confuso.
— Oi?
— Nada. — Ed revirou os olhos. — Vamos logo para os nossos quartos antes que alguém resolva os roubar.
Ed empurrou Louis, que foi na frente — meio irritado, devo dizer — e eu e Liam fomos atrás. Tentei puxar assunto com ele durante o trajeto, mas ele era muito quieto. A cena daquela garota lendo o livro não saía da minha cabeça.
Subimos alguns lances de escadas e nos separamos cada um para o seu quarto. Procurei a minha suíte, olhando para os números das portas, até que finalmente cheguei a ela: suíte 609. Nem um pouco sugestiva.
Peguei as chaves que estavam dentro de um envelope, na prateleira que tinha acima da porta. Confuso? Só parece. O estranho era que tinha duas chaves ali. De qualquer jeito, peguei o pacote. Aquela outra chave devia ser de reserva. Destranquei a porta e então finalmente entrei na suíte. E cara... Era grande para caramba.
Coloquei minhas coisas em cima da minha cama e suspirei, dando uma geral no lugar com meus olhos. Tinha uma escrivaninha gigante embaixo de uma janela, havia uma porta que, imagino eu, dava para o banheiro, um sofá embaixo de outra janela e uma mesa onde havia uma TV em cima. Havia também guarda-roupas com portas de correr e algumas prateleiras por todo o quarto. O quarto era em tons de marrom escuro e bege. Havia também duas cômodas e duas camas.

Não me mexi. Duas camas?

— Ah, finalmente, o meu quarto. — Uma voz masculina disse, atrás de mim, e passou ao meu lado, se jogando na sua cama. Fiquei o observando, ele olhou para mim e sorriu. — Você deve ser o meu colega de quarto. Sou Zayn Malik.
— Colega de quarto? — perguntei, e ele riu, se sentando em sua cama.
— Você achou mesmo que iria ficar com esse quarto gigante só para você? Para o que você achava que tinha duas camas? — ele riu de novo e eu fiquei o observando. — Não vai me dizer o seu nome?
— Eu... Eu me chamo Harry Styles. — Falei, e ele sorriu.
— Legal.
Olhei Zayn se levantar de sua cama e pegar as suas malas. Ele as abriu e jogou algumas roupas em cima de sua cama. Zayn cheirou algumas, até que escolheu um conjunto e partiu para o banheiro. Eu fiquei ainda olhando para a porta do banheiro. Ele ia ser o meu colega de quarto?
— Fu...
— Ei, Styles. — Ele tirou apenas a cabeça do banheiro. O encarei.
— Diz.
— Me empresta o seu desodorante, por favor? Eu esqueci o meu em casa. — Ele disse, rindo.
— C-claro. — Disse, e peguei da minha mala. Joguei na direção de Zayn que o pegou no ar. Ele piscou para mim.
— Valeu. — E então ele entrou no banheiro novamente. Suspirei e me virei para a minha mala.
— Agora é só esperar. — Disse, para mim mesmo. Pelo o que Louis disse, aquele cara era um babaca. Vamos ver se realmente era.
— Toc-toc. — Uma voz feminina disse, na porta, e eu me virei para ela. Ela usava um uniforme de assistência. — Você deve ser Harry Styles, certo? Sou Jenna.
— Oi. — Disse, sorrindo fraco, ela riu e eu sei lá o porquê de ela rir.
— Eu sou a responsável dessa Ala e sou obrigada a passar em todas as suítes para ver se está tudo ok. — Ela disse, sorrindo fraco. Quase disse que não estava ok.
— Ah, certo.
— E aí? Está tudo ok?
— Parece não estar? — Perguntei, meio perdido, e ela riu de novo.
— Na verdade...
— Ei, cara, acho que o desodorante acabou. — Zayn saiu do banheiro apenas de cueca e Jenna pareceu ficar um pouco incomodada. Pigarreei e apontei com a cabeça na direção dela. Zayn não entendeu e então se virou para Jenna e se espantou, tentando cobrir seu saco. — Ah... Oi.
— Oi, Malik.
— Que interessante você saber o meu nome. — Ele disse, meio jogando charme, a meu ver. Tem cara de idiota.
— Eu tenho que saber o nome de todos os alunos desse pedaço. — Ela deu de ombros e olhou para as pernas nuas de Zayn. — Agora, por favor, se vista. Até mais e boa sorte, Styles. — Ela olhou caridosa para mim. — Você vai precisar.
— Tchau, Jenna. — Disse, dando um tchauzinho e ela se foi. Malik riu.
— Que bosta. — Ele disse, e se virou para mim. — Foi mal, mas acabou o seu desodorante e eu nem o usei.
Ele o jogou na minha direção e deu de ombros. Zayn voltou para dentro do banheiro e eu revirei os olhos, colocando o desodorante na mochila. Mas eu repensei e o peguei de volta. Olhei para os lados e tirei o lacre dele. Então apertei e saiu. Ri comigo mesmo.

📚


— Então quer dizer que Zayn Malik está dividindo a suíte com você? — Ed perguntou, e eu assenti, enquanto colocávamos a comida nos pratos no refeitório.
— Isso aí. Malik está no mesmo quarto que eu. — Disse, pegando um pouco de purê de batata e então andamos na fila.
— Nossa. — Ed riu. — Boa sorte. Você vai precisar.
— Valeu pelo apoio, cara. — Respondi, e Ed riu novamente. Pegamos a sobremesa – que por algum motivo estranho era o meu favorito: mousse de chocolate – e seguimos para um lugar na gigantesca mesa do refeitório. Nos sentamos perto de Louis e Liam. — Eu já disse que me sinto em Hogwarts agora?
— Você não é o único, cara. — Liam disse, olhando para o prato e arrumou os óculos no rosto.
— Mas tudo tem a suas vantagens. — Louis piscou um dos olhos, sorrindo sacana, ele olhou para os dois lados, então pegou a sua bebida, dando um gole antes de revelar: — Do tipo... Os horários de pegação.
— Ou você quis dizer os seus horários de pegação? — Ed perguntou, com um leve sorriso no rosto. Louis deu de ombros e eu ergui uma das sobrancelhas.
— Louis é um dos maiores pegadores da universidade. — Liam disse, se aproximando de mim. Sorri.
— Sério?

Na minha vida inteira eu nunca conheci alguém que se desse bem com as garotas. Você sabe... daquele jeito. Meus amigos sempre foram Gordon e Stu. Stu até que se achava o maioral, mas... Ele não era. Éramos três adolescentes Nerds confusos e tentando sobreviver na escola. Agora sou só eu... Tentando sobreviver na faculdade.

Louis deu de ombros, sorrindo.
— Talvez. — Ele respondeu.
— Talvez nada! — Liam disse, sorrindo. Louis – por incrível que pareça – pareceu envergonhado.
Deixamos de lado aquele assunto e voltamos a comer nosso jantar normalmente. O silêncio tomou a nossa mesa, mas o refeitório permaneceu barulhento. Às vezes, assuntos descontraídos surgiam entre nós. Até que finalmente cheguei à minha sobremesa. Olhei para o mousse marrom e peguei a minha colher. Foi quando eu experimentei aquilo... E preferia mil vezes o mousse da mamãe! Olha que ela nem sabe cozinhar!
— Credo! — empurrei a tigela para longe de mim e fiz uma cara de enjoado. Ed olhou para tigela.
— O que foi? — ele perguntou, e Liam limpou a boca com o guardanapo.
— O mousse é uma droga. — Ele disse, calmo. — Por isso eu nunca pego nada que é preparado pela Marge.
— Quem é Marge? — perguntei, e ele apontou com a cabeça na direção de uma mulher de touca e avental atrás do balcão. Ela estava distraída até que olhou para Liam, deu um tchauzinho animado e Liam respondeu com outro.
— Liam é um cara solitário que passa o seu tempo fazendo amizade com cozinheiras idosas. — Lou disse, e Liam o encarou.
— As pessoas são chatas, Louis. Principalmente dessa universidade. — Ele respondeu, dissecando Louis com os olhos e eu quase ri, se não fosse pelo olhar bravo de Tomlinson.
— Ok... — Ed cortou o clima e deu de ombros.
Hey, hey, heeey! Horan! — alguém disse, a algumas mesas atrás da nossa. Observei um garoto de raiz escura e fios loiros sorrir enquanto se sentava na mesa cheia de garotos e garotas. Adivinha quem estava lá?
— Quem é Horan? — Ed perguntou, e Louis olhou para trás, na direção da mesa. Ele voltou o olhar para nós.
— Niall Horan. Xodó de Zayn Malik. Histórico completo? Faz absolutamente tudo o que Malik manda. Nunca conversei com ele. — Tomlinson deu de ombros. Continuei a encarar o loiro oxigenado.
— Ele parece legal. — Disse, e Liam deu uma rápida olhada para aquela mesa.
— Loiros. — Ele bufou. — Sempre parecem legais.
Ed riu com esse comentário e uma corneta soou pelo refeitório todo. Todos começaram a se levantar enquanto eu permanecia confuso.
— O que é isso? — perguntei, e me levantei junto.
— Corneta do Howard.
— Toque de recolher. — Liam pegou sua bolsa e a colocou em volta do corpo. — Temos que voltar para o quarto antes das dez horas. — Ele revirou os olhos e começamos a caminhar.
— Achei que éramos independentes aqui. — Disse, enquanto subíamos as escadas. Louis riu.
— Se você quer estudar aqui, precisa seguir as regras, Styles.

📚


Desliguei o chuveiro e balancei os cabelos, tirando o excesso de água deles. Respirei fundo e tateei na parede a procura de minha toalha. Finalmente, a achei e enxuguei meu rosto e cabelo. Passei a toalha por todo o meu corpo e saí do box. Já eram quase onze horas a essa altura. Enrolei a toalha em volta do corpo e me olhei no espelho. Eu não tinha aquela barriga maravilhosa que todas as garotas sonham em ver e sentir. Eu tinha até que os ombros largos, porém a minha barriga era super “lisa”. Nada de six packs. Apenas duas linhas que caminhavam em direção aos meus países baixos. Não contei ainda, mas meu pai havia me ensinado a lutar ano passado. Ninguém nunca bateu em mim, mas ele pensava que assim eu ganharia garotas... É. Ele pensou errado.
Vesti uma calça de moletom cinza e blusa preta de mangas compridas e escovei meus dentes. Saí do banheiro e caminhei até a minha cama. Zayn não estava no quarto ainda e dei graças a Deus por isso. Tinha conseguido decorar o meu lado do quarto durante esse tempinho. Coloquei alguns pôsteres na minha parede e bem acima da minha cama, no teto, eu coloquei o meu maior e favorito dos pôsteres: dos Beatles, em uma versão que estavam em todas as suas épocas de estilo daquela década de 60. Não, eu não sou um poser e não fico fazendo rituais para louvá-los. Eu adoro os Beatles desde que eu ganhei um disco de vinil do álbum “The Beatles: The White Álbum”. Eu escutava aquele maldito álbum todos os dias e comecei a colecionar os discos dele em versão de vinil. Comprei desde “Please Please Me” até o “Abbey Road” e os Anthology 1, 2 e 3. Aquele pôster me dava um pouco de medo, para falar a verdade. Não sei, mas aquele sorriso de pai do George me era muito estranho.
Caso você queira saber, o peixe de Mason estava são e salvo em um copo cheio d’água que eu arranjei hoje. O copo era bem legal, tinha até tampa e agora estava na minha prateleira, junto a alguns CDs e livros meus. Acho que tinha DVDs ali também.
Tinha colocado o meu violão ao lado da escrivaninha, onde o meu laptop descansava. Eu não sabia tocar violão. Para falar a verdade, eu não sabia tocar nada. Nadinha mesmo. A não ser que você considere uma garrafa vazia e eu assoprando a boca dela uma habilidade musical. O violão só servia de decoração, mesmo.
Joguei minha mochila vazia embaixo da cama e peguei a outra, colocando em cima do meu armário já com todas as minhas roupas, e foi aí que Olly caiu na minha cabeça.
— Aí! — Reclamei, coçando a cabeça, e peguei-o do chão. Olhei para o meu companheiro e sorri, mas logo o escondi atrás dos livros da minha estante e peguei uma revista qualquer para ler. Se Malik visse Olly, com toda a certeza iria me zoar e eu só o trouxe porque achei que teria o meu próprio quarto.
Sentei-me na minha cama, deixando somente que as luzes dos abajures iluminassem o quarto. Bufei por não conseguir enxergar nada do que estava escrito naquele escuro e busquei por meus óculos de grau. Não que eu precisasse loucamente deles para ler. Nem meio grau eu tinha... Mas estava uma merda para enxergar. Comecei a ler um artigo sobre o novo shopping que iriam construir em Outbrooks, quando Zayn entrou no quarto, rindo maroto. Olhei por cima das páginas ele tirar os tênis e se jogar na cama. Malik olhou para mim.
— Ah, e aí, cara? — ele disse, se deitando de lado. — Não tinha te visto aí.
— Imaginei... — murmurei, e meus olhos voltaram a ler a revista.
— Sabe... Não sei o porquê, mas sinto que seremos grandes amigos. — Zayn disse, sorrindo fraco. — Boa noite.
Ele desligou seu abajur e virou para o outro lado.
Olhei para ele e fechei a revista. Eu ia responder, mas meu celular apitou. O peguei de cima da cômoda e li as três mensagens:

Está tudo bem aí, querido? Espero que sim!
Sinto sua falta, Harryzinho...
Não quer voltar para casa? - Mamãe.

Eu não sei por que que eu estou te mandando
essa mensagem, mas...
Eu sei que a mamãe te chamou de Harryzinho na mensagem dela!
Que docinho. - Gemma

Já deu um nome para o peixe? – Mason


Suspirei, larguei o celular de volta na cômoda e me enfiei debaixo do cobertor. Não iria responder nenhuma das mensagens agora. Pensei no meu dia. Não sei se Louis, Liam e Ed poderiam ser considerados por mim amigos. Zayn tinha me dado boa noite. Rebecca sorriu para mim e, pelo o que eu entendi, Liam é gamado nela. E tinha aquela garota lendo um livro no pátio, enquanto escutava música. Olhei para os Beatles em cima da minha cabeça e sorri. Arranquei os óculos e os coloquei na cômoda, virando de lado.
— É... Boa sorte para mim. Eu vou precisar.


Capítulo Dois: OUTBROOKS.

I love cats, I love every kind of cat, I just wanna hug all them but I can't, Can't hug every cat, can't hug every cat



Abri um olho de cada vez e bocejei, enquanto pegava o celular e desligava o despertador. Taquei a coberta para o lado e me sentei na cama, ficando tonto por ter feito tudo isso muito rápido. Mesmo assim, levantei e me preparei para hoje. Nada de especial teria, apenas seriam apresentados os professores e somente haveria uma aula. De qualquer jeito, éramos obrigados a usar o uniforme durante os dias “úteis” da semana. Olhei para a cama ao meu lado e Malik estava morto. Fiquei na dúvida se o acordava ou não.
— Acorda! — Joguei uma das meias nojentas dele em seu rosto. Ele se mexeu e abriu os olhos de repente.
— Hã? — ele disse, embriagado.
— Aula — disse, simplesmente. Zayn bocejou e abri meu guarda-roupa, procurando pelo uniforme. Tirei a blusa do pijama e coloquei a camisa de botão branca, abotoando-a. Tirei a calça do pijama, trocando pela calça social azul escura, e busquei pelo terno da mesma cor com o emblema da Universidade de Outbrooks costurado no peito esquerdo. Vesti os tênis cinzas e entrei no banheiro. Olhei para meu cabelo, o avaliando. Os joguei para baixo e o baguncei com as mãos, depois os colocando para o lado. Olhei o resultado. É, estava bom.
Voltei para o quarto e, de algum modo sinistramente ninja, Zayn estava trocado. Também não entendi isso. Peguei minha mochila e a coloquei em volta do corpo. Malik se arrumou e ajeitou o topete com a mão. Ele se virou para mim.
— Vamos? — Zayn perguntou, como se fôssemos para lá juntos. Ele passou por meu lado e saiu do quarto.

Irei resumir meu café da manhã como uma maçã bem vermelha e madura, nada que me desse dor de barriga depois.

Encontrei com Ed no meio do caminho e fomos juntos para o pátio aberto, onde todos os alunos estavam reunidos, sentados e esperando pela fala do reitor. Eu e Sheeran nos sentamos ao lado de Liam e Louis, mas com eles estava um carinha novo e loiro.
— E aí, caras? — Louis disse. — Este é Drew.
— E aí? — ele disse, e eu e Ed sorrimos para ele.
— Aquele é o prefeito Fairbrother? — Ed perguntou, e Liam assentiu.
— O que ele faz aqui? — perguntei, enquanto meus olhos se enrugavam para enxergar naquele sol de matar.
— Ele sempre faz um discurso rápido no primeiro dia de aula — Louis respondeu. Meus olhos escorregaram do palco, onde estavam o reitor e o prefeito, e correram pela multidão, observando todos que estavam ali. Então o meu olhar voltou algumas cadeiras e permaneceu parado ali. Não acredito. Era ela. A algumas cadeiras atrás de mim, estava a garota do livro. Seu cabelo solto não tão grande, caído pelos ombros, seus olhos castanhos observando com atenção o prefeito da cidade de Outbrooks, e usava a roupa do uniforme. Espera... a frase não seria “usava a roupa da universidade?”
— Caros universitários... — o reitor começou a falar, no microfone. — Bem vindos à Universidade de Outbrooks! — o pessoal gritou, animado e eu continuei a olhar para aquela garota sem saber o porquê. — Esperamos que este seja mais um ano de conquistas e incentivos a vocês! E como é de tradição, passarei a fala para o nosso querido prefeito, o senhor Thomas Fairbrother! — ele disse, e todos bateram palmas, inclusive eu, mas ela não bateu e eu parei de observá-la. Era o certo a se fazer, oras. Depois, ela iria olhar para mim e eu não saberia como reagir. É por isso que eu odeio garotas.
— Olá, vocês calouros e veteranos! É com um imenso prazer que anuncio o começo de suas aulas!
Todos gritaram, animados e aplaudiram.
— Eu sei lá o porquê estão tão animados... Afinal, vamos ter que estudar. — Drew disse, baixo, deixando à mostra seu aparelho esquisito da boca. Ri de leve.
— Espero também que as festas sejam as mais legais que vocês já viram em suas vidas! — Agora sim o pessoal se animou. — E claro, o horário livre e os feriados. Vocês poderão aproveitar mais, ainda mais agora com o novo shopping que vamos construir, onde...

— Você quis dizer a mais nova destruição de um ponto histórico da nossa cidade?

O prefeito parou de falar e todos olharam na direção de quem havia dito aquilo. Adivinhem quem era?
— Não, claro que não, senhorita Jones — ele disse, olhando para ela. — O shopping...
— ... ficará bem no parque onde existe a estátua ao memorial da Guerra Das Sete Cabeças? Disso já sabemos — ela disse, erguendo uma das sobrancelhas.
Então o sobrenome dela era Jones? Reação atrasada a minha, eu sei. Fairbrother a olhou com interesse e apoiou um dos braços ao lado do microfone, podendo olhar melhor para ela.
— Na verdade, senhorita Jones, o shopping também será uma evolução histórica para a cidade, já que não temos nada parecido com isso aqui em Outbrooks.
— Francamente, senhor Fairbrother, mas usar a desculpa que o shopping será uma evolução histórica para a cidade para encobrir a verdadeira ideia, a qual seria roubar mais dinheiro da população, foi a mais fraca até agora — ela disse, dando um sorriso sarcástico. O prefeito a olhou com raiva.
— Pois fique sabendo que tudo o que você disse são um monte de...
— Verdades? — ela continuava com o sorriso no rosto.
— A senhorita poderia deixar-me terminar as minhas frases?
— Para o quê? Ouvirmos mais enrolação de um patife feito o senhor?
— Ora, sua...!
— Muito bem, muito bem! — o diretor o interrompeu antes que o prefeito continuasse a sua fala e tomou o lugar do microfone. — Estava muito... Interessante esse debate, senhorita Jones e senhor Fairbrother, mas os alunos realmente precisam conhecer seus professores e seguir com as aulas do dia, então... — ele sorriu, tirando o prefeito de perto do microfone. O prefeito arrumou seu paletó e pigarreou. Fairbrother assentiu e deu um super sorriso falso. — Bom ano a todos nós.



— Cara, o que foi aquilo? — Ed disse, enquanto saíamos da sala de aula e caminhávamos para o campo. Tivemos aula com o Senhor Mollinson. Primeiro dia de aula e ele já queria uma redação de mil palavras sobre a história da nossa cidade para quinta-feira!
— O sorriso do senhor Mollinson? Eu também não entendo. — Dei de ombros e Ed bateu em meu braço com o dorso da mão.
— Não isso! — Ed disse, e parou para pensar. — É, aquilo é assustador — assenti, concordando. Ele balançou a cabeça e colocou as mãos na minha cara. — Eu estava falando sobre hoje de manhã!
— E o que tem hoje de manhã?
— O que tem? — Nos sentamos no gramado junto a Louis e Drew. — Aquilo foi...!
— De se esperar — Drew cortou a fala de Sheeran.
— De se esperar? Aquilo foi totalmente inesperado, pô! — Ed disse, e observei Rebecca conversar com um garoto de olhos azuis.
Jones tem essa rixa com o prefeito desde sempre. Era de se esperar — Louis explicou o que Drew disse e observei Rebecca rir e depois olhar para mim. Por que ela sempre ri? Continuei a olhá-la com os olhos semicerrados para me proteger do sol.
— Conversando sobre a maluca da Jones? — Liam chegou com um notebook nas mãos e parei de olhar Rebecca automaticamente. Meus olhos correram desesperados para encontrar qualquer outro ponto de observação.
— Não a achei maluca, só... A achei corajosa, o bastante — Ed retrucou, e foi quando eu percebi sobre quem era o assunto.
Jones? — E a encontrei no meio das pessoas, sentada na grama e escutando música com seu Ipod.
— Essa mesma. — Ed sorriu. — Ela me pareceu interessante.
— Ah, cara. Você não vai querer encarar essa praia — Louis disse, e Drew assentiu.
— Jones é rígida quando o assunto é garotos: ninguém chega perto ou tem uma conversa com ela.
— A não ser que seja alguém do grupo do Poynter — Liam disse, e me virei para eles surpreso, como se já estivesse ouvido falar nesse nome.
— Poynter? Dougie Poynter? — perguntei, e Liam assentiu.
— Sim — Louis respondeu, e me olhou estranho.
— Eu estudei com ele — disse, voltando a olhar para . — Nunca conversei, mas todos queriam conversar com ele.
— É, e agora ele é um dos melhores amigos do irmão da , o Daniel — Liam disse — e do resto do grupo. Thomas Fletcher e Harry Judd.
— Harry? — perguntei. — Tem um cara com o meu nome nesse grupo?
— Hã... Sim? Cara, eu falei. O grupinho do Poynter.
— E são os únicos com passe livre para ter qualquer contato com ela. — Drew sorriu. — Nenhum a mais... Que eu saiba.
— Hum — disse, e observei , que estava bocejando, então se deitou no gramado. Segundos depois, um garoto com um topete mal feito e loiro apareceu, se sentando ao lado dela. Deveria ser o Poynter, não sei. Não dava para enxergar direito. Sobre o que conversavam?
— Mas... quem saiba, isso mude logo. — Ed sorriu e Lou riu.
— Está confiante, Sheeran? — ele perguntou, e Ed assentiu. — Eu tomaria cuidado se fosse você.
— Mas você não é. Lembre-se disso. — Ed piscou um dos olhos para ele.
— Ei, e para que esse computador? — Drew mudou totalmente o assunto. Liam olhou para ele e voltou a olhar para a tela.
— Estou tentando fazer a lição de casa, mas essa porcaria não está funcionando.
Um sinal soou e Ed bufou.
— Ah, legal. Trabalho.
— Mollinson deu um trabalho?
— Sim — nós respondemos, em uníssono. Liam riu.
— É, é a cara dele.
— Bom, tenho que pegar os meus livros no meu quarto. — Louis se levantou e Drew também.
— E eu tenho um encontro. — Ele sorriu malicioso.
— Huuuum e com quem? — Liam perguntou.
— Angela. Minha dupla da aula da senhora Jeferson. — Ele piscou e Liam se levantou.
— E eu vou para a lan house da Universidade.
— Vocês vão ficar aí? — Louis perguntou, e nós assentimos. — Ok. Então...
— Até mais. — Dei um tchau para eles que se mandaram. Ed continuou a olhar na direção de Jones. Olhei dele para ela e vice-versa. — Você acha mesmo que tem alguma chance?
— Não sei — ele respondeu, e um sorriso apareceu no rosto dele. Oh-oh. — Vamos descobrir.
Ed se levantou e meus olhos se esbugalharam. Puxei a manga de seu paletó, o obrigando a olhar para mim.
— Cara, você pirou? — perguntei. — Você vai mesmo ir lá falar com ela enquanto ela tá com um dos garotos da trupe do Poynter?
Ed riu.
— Não.
— Ah, ainda bem.
Nós vamos. — Ele me puxou e me levantei. Olhei para Ed espantado.
— O quê? Ah, não. Não mesmo! — Me larguei dele.
— Ah, qual é, Harry? Olha, ele já tá indo embora. — Ele apontou e o cara loiro saiu dali. Olhei para Ed.
— Mesmo assim! Quer saber? Por que não vai só você? E eu fico aqui, olhando tudo de longe. — Empurrei-o na direção dela. Ele me olhou e eu o mandei ir.
Ed começou a caminhar e fiquei o olhando enquanto isso. Ele olhou para mim incerto e fiz um “joinha” para ele, que respondeu com outro. Então Ed se virou e finalmente chegou lá, se sentando ao lado dela. Ele começou a falar e se sentou. Ela olhou para o chão e depois para mim enquanto ele falava e eu pigarreei me sentindo um pouco intimidado. Ela sorriu de leve e Ed olhou para mim também. Então olhou para Ed, se levantou e ele foi junto. Ela o cumprimentou com a cabeça e foi embora. Ele ficou parado ali. Não sabia se ia até lá... E fui.
Respirei fundo, de boca aberta. Olhei para Jones caminhando e depois para um Ed indignado em minha frente.
— Como foi? — perguntei, e ele me encarou.
— Uma droga. — Comecei a rir.



Nunca pensei que pesquisar sobre a minha cidade seria tão difícil e não sei por que temos que fazer esse trabalho. Não faz o menor sentido! Ok, tente discutir com um velho — que mais parecia estar se decompondo — rabugento e teimoso.
— Vejamos aqui... — segurei o lápis com a minha boca e abri a página do Google. Digitei “Outbrooks — história”. Apertei “Enter” e vi a página carregar. Fiquei batucando na mesa da biblioteca. Aquela era A biblioteca. Havia vários e vários livros sobre diversos assuntos ali dentro. Era incrível a quantidade de livros que existiam ali. A página finalmente carregou e alguns sites apareceram. Peguei o mais confiável — que era o da prefeitura — e comecei a ler o que tinha ali. — Blá, blá, blá... Venha para Outbrooks, a cidade maravilhosa... Blá, blá, blá... História.
Cliquei ali e comecei a ler a história. Rolei a página, mas tudo o que falava era sobre o prefeito Fairbrother, o elogiando e dizendo sua trajetória.
— Mas que droga.
— Procurando a história da nossa cidade?
— Ah! — Me assustei e olhei para Rebecca sentada em cima da mesa ao meu lado.
— Ei, calma — ela riu e ergueu sua mão. — Sou Rebecca Johnson.
— Ah... E eu sou Harry Styles. — Segurei a mão dela e voltei a me concentrar no meu trabalho. Ela sorriu.
— Então esse é o seu nome.
— É — respondi, e Rebecca fechou o meu laptop. A olhei confuso.
— Engraçado... Você vem até a biblioteca repleta de livros sobre tudo e procura na internet a história de Outbrooks. — Ela sorriu sugestiva e me senti o maior idiota do mundo.
— Claro. — Empurrei a cadeira para trás e me levantei. Rebecca desceu da mesa.
— Vem comigo — ela disse, e começou a caminhar. Fui hesitante atrás e ela subiu uma das escadas. Chegamos ao segundo andar da biblioteca e Rebecca escolheu uma das estantes. — Aqui.
Ela entrou em um dos corredores e fui atrás, sem saber o propósito de tudo isso. Rebecca sorriu ao achar o livro que estava em sua mente e o entregou a mim.
— Outbrooks — li o título do grande livro de capa dura e marrom. Olhei para ela, que sorria de leve. — Valeu.
— Não há de quê — assenti, e me virei saindo dali o mais rápido que pude. Já disse que odeio garotas? — Ei, Harry.
Parei e olhei para ela.
— Sim?
— Nada. — Ela sorriu e eu sorri de volta. Eu ia me virar novamente, mas... — Harry?
— Sim, Rebecca?
— Posso fazer a minha redação com você?
Droga.



— Em Outbrooks o sol estava radiante...
— ... E todos os habitantes o aproveitavam indo a sorveterias e a uma corrida de bicicleta — Rebecca leu o final da frase. Estávamos sentados em um dos sofás de couro preto da biblioteca, com um livro totalmente empoeirado no meu colo, enquanto Rebecca estava ao meu lado. Aquele livro era muito interessante, para falar a verdade. — Mas ninguém esperava pelo o que iria ocorrer naquele mesmo dia. Os policiais encontram o prefeito Richard Horan morto em seu gabinete. Segundo a polícia, a morte era de causas naturais. Com a perda do prefeito Horan, o jovem Thomas Fairbrother assumiu a prefeitura dali em diante.
— Espera... Richard...?
— Horan! — Ela me olhou. — Ele é parente do Niall!
— Uau — disse, desviando os olhos dela e olhando para o livro. Aquela situação entre mim e Rebecca estava muito esquisita. — Será mesmo que ele morreu de causas naturais?
— Você está querendo dizer que...?
— Não quero dizer nada — disse, lavando minhas mãos. Rebecca olhou para o livro.
— Não... Ele não seria capaz de fazer uma coisa dessas — ela disse. Dei de ombros e voltei a ler o livro, mas só falava do prefeito Fairbrother.
— Talvez seja por isso que no site só falava dele.
— Dele quem?
— Do prefeito. — Olhei para ela, que estava mais perto ainda de mim. Engoli a seco e escorreguei para o outro lado do sofá. — No site só falava dele, porque a nossa história é só ele.
— Você viu se a história era dele ou da prefeitura? — ela perguntou, voltando de pouco em pouco para o meu lado.
— Na verdade, não. — Entreguei o livro a ela, antes que Rebecca pudesse voltar ficar tão colada em mim, e me levantei. Caminhei até a minha cadeira e me sentei. Abri o laptop e ouvi os passos dela. Rolei a página, nervoso. Rebecca chegou ao meu lado e se inclinou, ficando com a cabeça incrivelmente perto da minha. Para que isso, cara?
— Ah... Está como a história de Outbrooks. — Ela olhou para mim enquanto eu a olhava. Nossos narizes estavam estranhamente perto e eu estava ficando vesgo enquanto tentava ir para trás... Aí eu caí da cadeira.
— Wow! — disse, enquanto a cadeira virava junto comigo e eu parava no chão.
— Harry? Está tudo bem? — ela perguntou, e eu suspirei. Me levantei e minha roupa estava toda amassada.
— Por que você está fazendo isso? — perguntei, abrindo o jogo logo de uma vez e arrumei minha camisa branca.
— Isso o quê?
— Isso... — Mostrei com minhas mãos a biblioteca. — Por que você quer tanto fazer a sua redação comigo? — perguntei, levantando a cadeira de volta para o seu lugar. Rebecca ficou sem fala.
— Bem, é que... — ela pareceu se desesperar para achar a resposta. — Soube que você era inteligente! — ela disse, dando um sorriso nervoso. — Achei que você poderia me ajudar.
— Então... — suspirei. — Você queria que eu fizesse a sua redação?
— Não! Claro que não — Rebecca se defendeu e fechou os olhos por alguns segundos. Então os abriu e me encarou. — Quer saber...? A gente se vê por aí, Styles.
Ela sorriu fraco e foi embora, passando ao meu lado. Me virei para a direção que ela andava e achei tudo aquilo muito estranho.
— Que sentido fez tudo isso? — perguntei, mais para mim mesmo e olhei para o livro no sofá. Então Rebecca parou de andar. Ela se virou para mim e coçou a cabeça. Rebecca começou a caminhar, rapidamente, de volta na minha direção.
— Na verdade, eu queria me aproximar de você, Styles — ela disse, ficando a cinco passos de mim.
— E por que você queria se aproximar de mim? — perguntei, esquisito. Ela sorriu.
— Sei lá! — ela riu. — Isso é totalmente esquisito, sabia?
— Na verdade, sim — ri fraco e ela me acompanhou.
— Eu te vi ao lado do Tomlinson ontem e... — Ela deu de ombros. — Te achei interessante.
— Ah... — Já entendi tudo. Ela só quer se aproximar de mim para se aproximar do Louis. Rebecca é afim dele? — Então...?
— É. — Ela apoiou o braço na cadeira ao seu lado. — Para falar a verdade, eu deveria te achar mais um babaca só pelo fato de ter conversado com o meu primo.
— Wow, wow, wow. O Louis é seu primo?
— O quê? Não! Claro que não! — ela riu. — Eu falava do Zayn.
— Zayn Malik é seu primo? — perguntei, e ela assentiu sorrindo. — Mas eu não...
— Zayn me disse que é o novo colega de quarto dele, quando perguntei de você para ele. — Ela sorriu envergonhada. — Eu sei que eu só te vi duas vezes e nem conversar com você direito eu conversei, mas foi o suficiente para que eu me interessasse em você.
— Rebecca... — Olhei para ela lamentando. Qual é, nenhuma garota se interessa em mim!
— Não, eu sei. Só quero ser sua amiga. — Ela sorriu de leve. — Pode ser?
Engoli a seco.
— Pode.
Rebecca sorriu abertamente. Eu tinha que admitir que ela era bem bonita. Suspirei e olhei novamente para o livro no sofá.
— Bem... Aquele livro não vai ser lido sozinho — disse, e ela riu.



Bocejei e virei a página toda embolorada. Antes que você me pergunte, eu passei a tarde inteira lendo “Outbrooks”. Rebecca estava comigo até agora a pouco, mas ela já foi embora. Ela até tentou pesquisar algo na internet que não falasse somente do prefeito Fairbrother, mas não achou nada. E eu? Fiquei com a cara enfiada nesse livro até agora.
Por incrível que pareça, o livro tem uma história interessante. Ele não é aquele tipo de livro que só relata fatos, existem histórias acontecendo enquanto isso. Fala sobre o governo da cidade e sobre um cara chamado Bob que foi o coronel na Guerra Das Sete Cabeças. Ainda não sei o que foi essa guerra, mas já vi que existe um capítulo inteiro falando sobre isso. Bom, diz que Bob tinha todas as garotas da cidade na palma da mão, mas ele só queria uma: a bela senhorita Emma Grace. Morena, de olhos verdes e com sardas por todo o rosto. Na minha cabeça, ela era bem bonita. Bob a chamou para sair, mas levou um não bem na cara. E eu parei nessa parte. Não que a história só se resuma a eles dois, pois contava a história de todos, mas esta era a minha favorita. Sabe quando você lê um livro ou uma história que conta sobre vários personagens, mas existe aquela pela qual você mais se interessa? Pois é. Bob e Emma.
— Ah, você por aqui, senhorita Jones? Não... Deixe-me adivinhar. Você terminou o livro e já quer outro?
— Acertou em cheio, senhorita Montez!
Olhei por cima do livro a cena. Jones, ao lado da bibliotecária idosa — senhorita Montez —, com aquele mesmo livro de ontem nas mãos.
— E você gostou do final? — a senhora perguntou, e sorriu.
— Que sorriso — falei, para mim mesmo.
— Na verdade, eu até gostei que a Mary tenha ficado com ele, mas... Eu queria saber o que acontece com a Rainha.
— Somos duas. — A bibliotecária sorriu. — Sabe... Acho que eu tenho o livro perfeito para você ler.
— Tem? — perguntou a ela, que assentiu. Senhorita Montez começou a andar na direção das prateleiras que estavam ao lado da mesa onde tinha o meu laptop e minhas coisas. se virou e foi com ela e eu me escondi atrás do livro gigante, porém ainda estava de olho nelas.
— Eu não sei como você lê tudo tão rápido... Terminou este que pegou ontem mesmo aqui! — a senhorita Montez disse, surpresa enquanto colocava o livro de volta a estante. deu de ombros, sorrindo fraco e colocando as mãos nos bolsos da frente da calça jeans.
— Bem, como a primeira coisa que eu fiz, desde que eu pisei na Universidade, foi vir até a biblioteca e estava lendo ele até agora a pouco... Acho que deu tempo de eu ler tudo
— Sim, você o devorou! — senhorita Montez riu e escolheu outro livro com o dedo. Estava olhando por cima das páginas ela ali parada, até que começou a olhar para mim. Voltei a ler automaticamente o livro. — Esse... Acho que você vai adorar este.
— Obrigada. Eu... Posso lê-lo ali? — Ela apontou para o sofá na outra parte da ala de leitura, bem em linha reta do meu sofá.
— Claro, só não fique até muito tarde. Sei que amanhã suas aulas começam de verdade. — Senhorita Montez sorriu e acariciou o queixo dela, depois foi embora.
suspirou e caminhou até o sofá. Ela se sentou de perna de índio e abriu o livro para começar a ler. Tentei me concentrar na cena em que Bob estava sozinho e se odiando por não ter conseguido até agora levar Emma para sair, mas por algum motivo eu ficava vigiando os movimentos de Jones a cada segundo que passava. Uma dorzinha de cabeça me atingiu e já soube o porquê dela. Coloquei o livro ao meu lado no sofá e caminhei até a minha mochila em cima da mesa. Procurei minha caixa dos óculos e senti os olhos de Jones em cima de mim. Olhei para ela, mas ela automaticamente voltou a ler o livro. Achei os óculos e os coloquei. Voltei para o meu lugar e tentei ao máximo me concentrar na história. Havia chegado ao próximo capítulo rapidamente e foi quando eu vi sobre quem era o capítulo: Thomas Fairbrother.
— De novo não... — reclamei, alto o suficiente para que escutasse e olhasse para mim. Mas ela não olhou. E comecei a ler pela quinta vez naquela tarde sobre o nosso prefeito chato. Foi quando, no meio da leitura, o sono começou a vir. Bocejei e optei por ir ao meu quarto e quem sabe tentar ler ali. Sem nenhuma Jones estranhamente me atrapalhando. Peguei um dos marcadores de livro em cima da mesa que havia ao lado do sofá e onde havia muito mais deles. O coloquei entre o livro e o fechei. Passei as mãos em meus olhos por debaixo dos óculos e pelo rosto todo. Me estiquei no sofá e pensei que seria muito bom dormir ali mesmo... Levantei-me com o livro nas mãos e parti atrás da senhorita Montez. Achei-a perto dali, para falar a verdade, bem perto de onde estava, e a chamei.
— Com licença, Senhorita Montez. — Ela se virou para mim, em sua escada, e sorriu.
— Harry Styles. No que eu posso ajudar? — ela disse. Eu tinha feito amizade com ela essa tarde.
— Eu gostaria de levar este livro. É para um trabalho da faculdade e...
— Tudo bem, querido. Leve sim. — Ela sorriu e eu assenti.
— Te devolvo até o fim de semana.
— Tudo bem.
Sorri sem abrir os lábios e voltei para a minha mesa. Comecei a organizar o meu material. Coloquei meu casaco e guardei o laptop ali dentro. Ouvi Jones dizer alguns: “Ah, não creio!”, “Que demais, cara!” e “Eu sabia!”.
Sorri com esses comentários tão simples e terminei de arrumar minhas coisas. Fechei o zíper da mochila e tirei os óculos. Joguei meu cabelo para baixo, o bagunçando e depois colocando para o lado. Peguei os óculos, os colocando novamente. Peguei o livro e coloquei a mochila em volta do corpo. Voltei a cadeira corretamente para o seu lugar e saí dali. Comecei a caminhar, mas tive que voltar por lembrar que esqueci a caixa dos óculos em cima da mesa. A peguei e dei uma última olhada em Jones. Foi aí que ela olhou também para mim e nossos olhares se encontraram novamente. A caixa já estava na minha mão e ainda olhava para ela. Então, finalmente saí da biblioteca e caminhei hesitante em direção à escada dos quartos. Por que estava hesitante?
Estava exausto, mas teria forças para terminar essa droga de uma vez. Cheguei ao quarto 609 e entrei. Não havia ninguém ali dentro — claro — e fechei a porta atrás de mim. Coloquei a mochila na minha mesa e fui até meu armário. Peguei meu pijama e me troquei. Não iria tomar banho agora, estava cansado demais para isso. Voltei para a minha cama com o livro em mãos e deitei-me nela. Meu celular vibrou e o peguei. 3 ligações da minha mãe. Suspirei e disquei o número dela. Estava chamando.
Harry? Querido, você está bem?
— Tô sim, mãe. Por que me ligou?
Ah... Não sei, só queria que me desse notícias. E aí, como está indo o seu primeiro dia de aula na Universidade?
— Nada demais, o prefeito veio aqui e...
O senhor Fairbrother? Mas por que ele veio, querido?
— Sei lá, é uma tradição estranha.
Soube que Rebecca Johnson está aí... Quem saiba eu vá te visitar mais cedo, irmãozinho? — Mason deve ter roubado o telefone da minha mãe, porque eu ouvi um “Sai daqui, Mason”. — Então, está tudo bem mesmo, querido?
— Está, mãe — respondi, pegando o livro de volta. — Te ligo, caso tenha novidades.
E quando você der o nome para o peixe também! — Mason disse, ao fundo. Droga. O peixe.
— Ah... É. Tenho que ir. Tchau, mãe. Te amo.
Também te amo, querido. Por favor, me dê notícias. — E ela desligou. Joguei o celular para o lado e corri para ver o peixe no copo. Droga, eu esqueci de alimentar esse cara!
— Onde que eu vou arranjar comida numa hora dessas? — disse, desesperado. Olhei para o copo na minha frente e o peguei. Abri a porta do quarto e olhei para os dois lados, tendo certeza de que ninguém estaria me vigiando nesse instante. Então andei rapidamente na direção do fim do corredor e virei à esquerda. Olhei para o quarto 617 e fui até lá. Bati duas vezes à porta e esperei que alguém a abrisse. Olhei para o corredor, apenas me certificando mais uma vez de que ninguém apareceria naquela hora e então a porta se abriu. Olhei para Jenna com um roupão vermelho por cima de sua calça de moletom azul e uma camisa dos Bananas de Pijamas. Ela olhou para mim com a cara de sono e olhou para o meu pijama, depois para o copo na minha mão.
— Harry? — ela perguntou, me encarando e coçou os olhos. — Você sabe que horas são?
— Sei, mas...
— São dez horas. Por que não está no quarto? Eles vão te pegar, sabia disso?
— Jenna. — Dei um passo à frente e ela me olhou surpresa. — Você me disse que precisava saber se estava tudo bem. E não está. Onde eu arranjo comida para peixes?
Ela olhou para o meu amigo na minha mão e depois para mim novamente.



— Ok, preste atenção. — Jenna estava caminhando ao meu lado na direção de seu Fiesta vermelho, com passos cautelosos para que ninguém nos descobrisse. — Existe uma loja de animais a duas quadras daqui, na direita. Vou te levar até lá e quando você entrar ali, coloque tudo na conta do Mollinson — ela disse, destrancando o carro e eu a olhei estranho.
— O Velho Mollinson? — perguntei, entrando no carro e ela também.
— Sim. Não pergunte — Jenna colocou os cintos e eu fiz o mesmo, deixando por um segundo o copo com o peixe em cima do painel do carro. — E, Harry, mais uma coisa.
— Sim? — Peguei o peixe. Jenna ligou o carro e sorriu.
— Se segura.
Jenna pisou o acelerador do carro e saímos incrível e assustadoramente rápido pela rua. Segurei na porta com força e protegi o copo. Não que eu soubesse dirigir — porque eu ainda não tinha tirado minha carta —, mas acho que aquela velocidade era ilegal para a polícia. Jenna atravessou um farol e viu o do fundo ficar amarelo. Ela pisou ainda mais fundo com o carro e eu quase quebrei a porta por tamanha força que eu segurava nela.
— Uhuuuul! — ela gritou, e então, quando chegou ao farol, virou o carro bruscamente para a direita e estacionou-o ao mesmo tempo ao lado da calçada. — É! — ela disse, batendo no volante com empolgação e se virou para mim. — Está tudo bem, Harry? — ela me olhou preocupada. Acho que eu deveria estar branco e com os cabelos bagunçados, além de estar com a cara de cabrito assustado. Assenti devagar e abri a porta. Acho que minha pressão caiu. — Ah, e não se esqueça de pegar aqueles joguinhos grátis de colocar as argolinhas no aro! Eu os adoro. — Ela sorriu e eu fechei a porta.
Andei calmamente em direção à loja, tentando normalizar a minha vida, e empurrei a porta fazendo um sino esquisito soar. Havia apenas um cara na loja, que estava sentado no caixa, lendo uma revista qualquer e nem tinha me visto chegar. Caminhei na direção do corredor de ração e procurei pela comida de peixe. Eu nunca tive animal algum em toda a minha vida. Existia o gato da Tia Katy, mas eu brincava com ele somente quando ia lá. Ou seja, nunca.
Arrumei os óculos, ainda no meu rosto, com a mão livre, e acho que me sentia bem melhor. Ou não. Peguei logo a comida de peixe e caminhei em direção ao caixa. Coloquei o pacote — sim, pacote — de comida em cima do balcão. O cara do caixa abaixou a revista e suspirou. Ele passou o pacote pela maquininha e fiquei olhando para os joguinhos que Jenna pediu. Peguei o rosa e ele olhou para mim.
— São sete libras. — Sete libras? Que caro.
— Ah. Certo. — Procurei no meu bolso da calça do pijama. Acho que eu deveria ter dinheiro ali, sei lá. Só não achava certo colocar na conta do Mollinson. Foi quando encontrei milagrosamente uma nota de cinco e outras duas de dois. Coloquei em cima do balcão e peguei minha comida e o joguinho, tentando equilibrar tudo em meus braços, e saí da loja. — Boa noite.
Disse, e saí dali sem um “Boa Noite” de resposta. Jenna estava olhando para as unhas quando entrei no carro novamente. Respirei fundo e entreguei a ela o joguinho rosa.
— Rosa? — ela olhou para ele. — Não tinha outra cor, não?
— E isso importa? — perguntei, me sentindo ainda tonto. Ela deu de ombros e colocou o joguinho no banco de trás. Coloquei o cinto e ela ligou o carro. Antes mesmo de ela engatar a marcha, segurei sua mão. Jenna me encarou. — O que foi?
— Por favor... — disse. — Pega leve.
Jenna riu e então tirou o carro dali, pela marcha ré. Ela deu a volta na rua que passamos da última vez, porém mais devagar do que ela estava antes. Chegamos ao estacionamento da Universidade finalmente e ela desligou o carro.
— Você está bem mesmo, Harry? Está pálido. Melhor irmos para a enfermaria — ela disse, abrindo a porta do carro. Saí também.
— Não precisa. É só cansaço — disse, e ela ainda me olhou como se não acreditasse no que eu falei. — Obrigado, Jenna.
— Disponha sempre. — Ela sorriu e então eu caminhei para dentro da universidade. Subi as escadas e entrei em meu quarto. Me despedi de Jenna ali em frente e fechei a porta. O banheiro estava com a porta fechada, o que indicava que alguém estava ali dentro. Coloquei a comida em cima da minha bancada e o copo também. Abri a tampa do aquário improvisado que eu criei e coloquei um pouco de comida ali dentro. Suspirei finalmente.
— Boa noite, amigão — falei, e coloquei o copo de volta às prateleiras. Voltei para a minha cama e peguei o livro novamente. Abri de onde eu tinha parado e me preparei para uma leitura nada prazerosa e que me daria tonturas depois.
Comecei a ver pontinhos pretos dançarem em meus olhos, quando a porta do banheiro se abriu. Ouvi a risada de Zayn baixa e uma nova também. De uma garota, para ser mais preciso. Olhei a cena que provavelmente se seguiria ali ao meu lado, mas, em vez disso, Zayn olhou para mim com a garota emaranhada em seu pescoço.
— Ah, e aí, Harry? — ele disse, e se virou para a garota. — Já conhece a Clarice?
— Não. — Sorri fraco e ela sorriu para mim.
— Certo — Zayn disse, e se virou para ela. — Foi muito legal, gata. Mas agora você precisa ir.
— Ok. — Ela sorriu e se desgrudou dele, então deu um beijo na boca de Zayn. Eu engoli o vômito que estava na minha garganta. Eles se desgrudaram. — Até mais, Harry.
— Tchau, Clarice — falei, e ela saiu do quarto. Zayn pegou seu pijama no armário e se trocou. Tentei ler a droga do capítulo do Fairbrother, mas eu não estava conseguindo e acho melhor eu já ir dormir. Fechei o livro e o coloquei na cômoda ao meu lado. Tirei os óculos e os coloquei em cima do livro. Me enfiei embaixo das cobertas e Zayn se sentou em sua cama.
— Ei, Harry — ele disse, e eu me virei para ele.
— Sim?
— Nada. — Ele deu de ombros e se deitou. — Boa noite.
— Boa noite — respondi para ele, que fechou os olhos e se virou para o outro lado, como ontem. Olhei para os Beatles na minha cabeça e desejei boa noite a eles também, onde quer que estejam. Não tive tempo para pensar no meu dia, porque adormeci logo depois.



Tomei um gole do meu café quentinho e virei a página. Gostaria de explicar como foi o meu dia, mas não teve nada demais. Apenas tive aula de manhã. Para falar a verdade, aulas difíceis. Nunca pensei que os professores da faculdade eram tão sérios. Achava que eles eram brincalhões, mas ao mesmo tempo conseguiam nos fazer entender a matéria. A verdade é que eles explicam e falam o tempo inteiro em suas aulas e temos que prestar atenção em tudo, se não, não passamos de ano e fim de papo. Era o que disseram hoje e eles estavam certos. Pelo menos, os professores daqui não são piores que os professores da escola.
Me acomodei na parede de pedra da lacuna em que estava encostado com as costas e sentado no parapeito. Tinha marcado com Rebecca de nos encontrarmos na biblioteca daqui a pouco, mas não contei a nenhum dos caras sobre o que aconteceu ontem. Não queria que Liam ficasse triste, mesmo sabendo que não tem motivos para ficar. Afinal, ela só queria ser minha amiga, certo?
— E aí, cara? — Ed se aproximou de mim.
— Shh. Estou tentando fazer uma leitura séria aqui — disse, olhando para a página.
— Hm, sei. — Ed tirou meus pés do parapeito e se sentou em minha frente. O olhei com falsa irritação.
— O que você quer, Sheeran? — perguntei, me rendendo de vez e fechei o livro. Ele deu de ombros.
— Eu precisava falar com você — ele disse, e eu respirei fundo. — Você não sabe quem se sentou ao meu lado hoje, na sala de aula.
— Não, eu não sei — respondi. Ed riu.
— Rebecca Johnson — ele disse, erguendo uma sobrancelha com um sorriso no rosto. — E sabe o que mais?
— Não.
— Eu a ouvi conversando com a amiga em sua frente. Papo de garota, sabe como é. — Ele deu de ombros. — Até que um assunto chegou à conversa. — Ele me olhou. Pronto. Em uma única aula, Rebecca disse o que eu queria que nenhum dos meus amigos soubesse. — Adivinha?
— Hm... O pudim de hoje do almoço. Aquilo estava horrível — falei, balançando a cabeça para que aquela vaga lembrança saísse da minha memória e do meu estômago.
— Não. — Ele sorriu. — O garoto novo.
— Garoto novo? — perguntei, e Ed revirou os olhos.
— Sim, cara. Elas falaram do garoto novo.
— Que garoto novo?
— Bom, eu pensei nisso por uns instantes... Até achei que era eu, mas elas não iriam ter coragem de falar sobre mim ao meu lado. Então eu deduzi uma coisa: Zayn Malik.
— Zayn Malik? — fiz outra pergunta. — Mas Malik é primo de Rebecca.
— Eu sei e... — Ed me encarou. — Isso eu não sabia. — Ele me olhou suspeito. — Como você sabe disso?
— Eu divido o quarto com ele, esqueceu? — perguntei, me sentando direito e olhando para os lados.
— Não... Se fosse só isso, você não estaria tão nervoso. — Ele coçou o queixo e foi como se uma lâmpada se iluminasse em cima de sua cabeça. — Espera. Garoto novo... Elas falavam de você! — Ed sorriu. — Claro! — e então começou a rir.
— Por que está rindo?
— Nada. É que... Você conseguiu algo que Louis tenta há dois anos — e riu de novo. Não achei graça alguma. — Certo. Ah, e sabe o que mais ela disse?
— Não, Ed. Eu não sei. — Me levantei e ele foi junto. Caminhamos pela multidão de alunos que passava pelo o pátio.
— Que ela passou à tarde inteirinha com ele, quer dizer, com você. — Ele me parou. O encarei. — Quer me dizer algo?
— Na verdade, não. — Tentei voltar a andar, mas ele me parou novamente. — Certo. Ela me pediu para fazer a redação do Mollinson com ela e eu simplesmente não pude dizer não. Apenas isso. Lemos este livro. — O mostrei na cara de Ed. — E acabou. Nada de mais.
— E por que não nos disse hoje de manhã no café? — Ed perguntou, e eu dei de ombros.
— Porque não tem importância. — Isso é uma meia verdade. Não tinha importância para mim, mas para Liam...
— Hum. Vou tentar cair nessa conversa — ele disse, e eu dei de ombros. Voltamos a caminhar.
— Faça o que quiser — disse, e então avistei Louis bebendo água no bebedouro. Caminhamos até ele, que sorriu para nós depois de beber sua água.
— E aí, caras? Estão sabendo da Semana do Trote? — ele disse, e eu e Ed nos entreolhamos.
— Não — respondemos, em uníssono.
— O que é isso? — perguntei, e Louis sorriu malicioso.
— É quando os calouros e os veteranos passam a semana inteira pregando peças uns nos outros. Veteranos contra os Calouros. Ganha quem tiver a trote mais genial. E começa hoje mesmo. — Ele sorriu. — Não vou poder ajudar vocês nisso, galera.
— Não precisamos de sua ajuda para criar um trote, Louis. Tsc — Ed disse, me abraçando pelos ombros. Olhei para ele.
— Não precisamos? — perguntei. Nunca tinha dado um trote em alguém em toda a minha vida. Não sabia como se fazia aquilo, nem como se levava. Ed me olhou.
— Não, nós não precisamos — ele disse, e o olhou. — Como funciona isso?
— Bem... Isso eu não posso mais dizer. Vocês vão ter que criar o próprio trote. E nós, a mesma coisa. — Ele piscou. — Até mais, caras.
— É. Vai embora mesmo! Você vai ver! — Ed disse, para Louis, que já andava de costas para gente e que levantou os dois dedos médios enquanto andava. Me virei para Ed.
— Cara, como vamos criar o nosso próprio trote? — perguntei, e ele deu de ombros.
— Pensamos nisso depois. Eu tenho um trabalho para terminar. — Ele revirou os olhos e bateu em meu livro. Assenti.
— Boa sorte.
— Igualmente, Styles. — E então se mandou. Suspirei e fui em direção à biblioteca. Não saberia como fazer um trote, mas, como Ed disse, pensamos nisso depois. Eu tinha um trabalho para terminar.



— E foi isso o que aconteceu até agora — disse, terminando meu relatório sobre o livro para Rebecca.Ainda não tinha entendido o porquê de ela ter se interessado por mim. Eu era um magro gordo, com a pele mais pálida que um papel e parecia que eu não tinha pente, uma escova, um garfo ou qualquer coisa que penteasse meu cabelo comigo. Ela olhava para mim com um sorriso pequeno nos lábios rosados pelo batom que usava e eu a olhava estranho. — O que foi?
— Nada. Eu só estou gostando do livro. — Ela deu de ombros.
— Certo — disse, e peguei o livro em cima da mesa da biblioteca. Dessa vez, estávamos no segundo andar dela. — Bom, se quiser ler o próximo capítulo e me contar depois...
Entreguei o livro a ela, mas Rebecca recusou.
— Não, claro que não! Acho que a história fica muito mais interessante na sua voz — Rebecca argumentou.
— Certo. Mas o que você vai ficar fazendo enquanto eu leio o livro? — perguntei. Rebeca Johnson me sentou na cadeira, empurrando meus ombros para baixo e deixando meu rosto perigosamente perto de suas costelas — para não dizer outra coisa.
— Só relaxe e leia. Vou fazer a minha lição da Senhora Garcia. Só vou buscar minhas coisas no meu dormitório, ok? — ela perguntou, e assenti. Rebecca desceu as escadas e eu suspirei.
Vesti meus óculos, começando a ler a parte que tinha parado: Emma está sendo cantada — adivinhe por quem? — por Thomas Fairbrother. Isso mesmo. Thomas Fairbrother. Eu estava louco para ler essa parte. Mas, como sempre, algo me atrapalhou. Para ser mais direto, uma conversa me atrapalhou.
— Você nem falou comigo ontem — uma voz masculina disse, atrás da estante ao meu lado. Acho que já ouvi essa voz antes.
— Não temos nada para conversar, Zayn. — Acho que descobri de quem se tratava. Obrigada, voz feminina. Espera... Eu também já ouvi essa voz antes. Me inclinei para tentar ouvir melhor.
— Ah, qual é, . — OPA. Jones está por aqui? — Não precisa ser tão dura comigo.
— Cara, eu ainda não entendo como o Niall te aguenta — ela disse. Acho que estavam na estante atrás de mim, não ao meu lado. Só havia um meio de descobrir. Me inclinei de novo para enxergar entre os livros da estante e tudo o que eu consegui foi ver os troncos dos corpos deles, mas já era alguma coisa.
— Não precisa colocar o otário do Horan no meio da nossa discussão.
— O único otário é você, Zayn — ela retrucou. Isso aí, Jones. Estava difícil me equilibrar na cadeira. — Quer saber, com licença. Estou perdendo meu tempo mais uma vez.
— Ah. Erm. Ahn, ! — Zayn gaguejou, e vi a puxar pelo braço. — Eu...
— Não quero saber, desculpe — ela disse, e minha cadeira virou — mais uma vez em exatas 24 horas — comigo.
— Merda! — deixei sair, quando eu caía no chão. Logo Zayn e estavam me olhando como se eu fosse um E.T. Olhei para eles. — Ah, oi.
— O que faz aí, Harry? — Zayn disse, e ela se manteve quieta, apenas observando. Olhei para mim e para a cadeira caída.
— Bem. — Me levantei em um pulo. Eles ainda continuavam a me olhar. — Eu estava tão empolgado com o livro que nem me vi caindo — disse, apontando para o Outbrooks enorme em cima da mesa. Zayn ergueu uma sobrancelha.
— Voltei. — Rebecca apareceu ao meu lado com um sorriso no rosto. Zayn olhou para ela e depois para mim. E eu estava evitando olhar para Jones. — Ah, oi, Zayn.
— Oi... — Ele olhou mais uma vez dela para mim.
— Estamos estudando. E quem é essa garota? — ela perguntou, olhando para , que a encarou. — Prazer, meu nome é Rebecca.
Ela ergueu a mão para , que olhou para Zayn e simplesmente foi embora. Rebecca olhou para ela e depois para mim.
— O que foi que eu perdi? — ela perguntou, e Zayn suspirou.
— Até mais, Styles. — E foi atrás de Jones. Eu não entendo por que ele acha que seríamos amigos. Olhei para Rebecca.
— Nada demais — disse, e puxei a cadeira para ela se sentar. — Vamos começar?


Continua...



Nota da autora: Olá, meus amores! Tô muito animada com essa fanfic! Cada vez que eu escrevo, melhor fica, sério! Modéstia à parte, claro! Kkkk.
Esse capítulo 2 é mais um tipo introdutório para o grupo do Poynter e para a irmã do Danny Jones! Espero que vocês, Galaxy Defenders, estejam surtando com essa aparição, mas ainda temos MUITO ainda para ver acontecer. O capítulo 4 então... hahahhahaha. Mas calma, estamos ainda no segundo! No momento, eu tô escrevendo o quarto já, mas o terceiro eu vou mandar assim que eu ver os comentários de vocês surtando! Kkkk. O capítulo 3 é muito bom também, então fiquem de olho na atualização!
Por falar em ficar de olho, eu criei o grupo no face de minhas histórias, então entrem para a gente interagir mais, surtar juntas e criar teorias da conspiração! Lá eu avisarei sobre as atualizações, darei spoilers e estarei presente para conversar com vocês!
Ah e comentem muito para eu saber o que vocês estão achando da história! Acho que é isso, um beijo de luz grande para todas! :*
Ass: Giulia M.



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