FFOBS - Contrato de Realeza, por Carolina Devlin

Última atualização: 05/10/2020

twenty two.

"É difícil acreditar que um homem está a dizer a verdade quando você sabe que mentiria se estivesse no lugar dele."


Harry’s POV.

Uma gargalhada mais alta foi ouvida e eu desviei o olhar de um parlamentarista para procurar a dona daquela risada. Encontrei , na outra ponta da mesa, cobrindo a boca com uma de suas mãos enquanto o Príncipe da Suécia ao seu lado desvirava o olhar numa falha tentativa das pessoas não perceberem que eles eram os escandalosos.
Observei-a paralisar por alguns segundos, provavelmente querendo fugir por ter chamado atenção de uma maneira negativa e o sueco chamou atenção dela, falando alguma coisa e então os dois voltaram a conversar.
Me afastei da roda de conversa que eu estava inserido para observar e Carl. Os dois pareciam amigos de longa data e era óbvio as tentativas baratas dele. Fechei minha mão em punho sobre a mesa, me perguntando se eu estava invisível ou o que. Como era possível que o cara ficasse tentando a minha noiva em um jantar de Estado? Só podia ser uma brincadeira de muito mau gosto.
Christopher seguia o assunto o meu lado, mas eu realmente já não estava mais prestando a menor atenção no que ele dizia. Meu foco estava totalmente na proximidade de e Carl Philip no outro canto da mesa.
Eu não tinha ideia do que eu havia perdido no jantar da noite anterior. Desde quando minha noiva passou de tímida e nervosa para uma amiga do Príncipe da Suécia? Eu realmente tinha perdido muita coisa em uma noite, aparentemente.
– Você não acha, Harry? – Christopher perguntou, me chamando de volta para a conversa e eu balancei a cabeça, sem entender qual era o assunto que eles precisavam da minha opinião.
– Desculpe... Qual é o assunto?
– Estamos falando da Premier League. Eu estava dizendo que o Arsenal não está com tantas chances de ganhar o campeonato esse ano.
– Mas já era esperado. Eles não estão conseguindo manter a boa frequência nos jogos.
Eu consegui ignorar por alguns minutos aquela amizade entre e Carl Philip para focar na conversa sobre a Premier League. Mas eu não demorei muito tempo sem pensar ou sem tentar olhar de canto de olho para eles, mas era impossível.
estava tão segura de si. De longe, não parecia nada aquela moça que ficava tímida e nervosa a cada evento que tínhamos que fazer ou que precisava de mim para ficar mais tranquila. Ela estava realmente se saindo muito bem, estava sendo uma verdadeira duquesa sem nem ser ainda.
E era claro que Carl estava se aproveitando. Eu não conhecia muito bem, mas eu ouvia suas histórias e sabia que ele era um tanto quanto parecido comigo – ou até pior, no quesito festas na Suécia. Ele era galanteador e sabia como conversar exatamente com as mulheres, isso estava mais do que claro para mim. Ele estava usando seu charme em e ela estava toda caída por ele.
Senti um chute de leve na minha perna e olhei para frente, encontrando William me encarando com um sorriso sarcástico no rosto. Rolei os olhos discretamente e contive a grande vontade de mostrar o dedo do meio para ele.
– Ciúmes? – ele sibilou com um sorriso no rosto e eu neguei com a cabeça, dando os ombros como se negasse totalmente que estava com ciúmes.
Eu não estava com ciúmes. Ou estava?

Cerca de duas horas depois, o jantar terminou. Nos despedimos dos outros membros que estavam na mesa e seguimos de volta para a outra sala em que estávamos antes. Agora iria acontecer uma nova pequena reunião apenas entre os membros das famílias reais. Antes de ir para a sala, segui caminho em direção ao banheiro. Eu precisava respirar e colocar meus pensamentos em ordem.
Suspirei em frente ao espelho do banheiro. Abri a torneira, enchendo minhas mãos de água e levei até o rosto para lavá-lo numa tentativa de clarear meus pensamentos. Tudo que estava na minha mente era e Carl Philip. Ver os dois conversando, muito próximos e cheio de amizade estava me deixando agoniado.
Ela estava diferente. Parecia que o jantar da noite anterior tinha a mudado suficiente, dando um certo tipo de empoderamento para ele que eu não nunca tinha visto. Era diferente, mas era bom porque demonstrava que estava se tornando uma mulher.
Saí do banheiro, caminhando de volta para sala onde estávamos e já encontrei todos os membros conversando em pequenos grupos. Chequei meu relógio, já imaginando que logo minha avó iria embora para descansar. William me encarava com uma cara divertida e eu sentia vontade de socá-lo a qualquer momento.
– O que foi? – perguntei, parando ao lado dele próximo a janela. Do outro lado da sala, ainda conversava com o Carl, mas agora Victoria e Madeleine também haviam se juntado a eles.
– Alguma coisa está te chateando? – William respondeu com uma pergunta e a minha vontade de socá-lo pareceu aumentar. Ele apontou discretamente para onde estava e eu dei os ombros. – Ela está se saindo muito bem esta noite.
– Ela está. – repeti as palavras dele, focando minha atenção em . Ela conversava muito animada com os três suecos que parecia amiga deles há anos. – É estranho eu achar que ela mudou de uma noite para outra?
– Por ela estar conversando com o Carl Philip? – Will riu fraco da careta que eu fiz. – Harry, você não vai assumir, mas você está com ciúmes. Não por ela estar se saindo bem hoje, eu acho que você está feliz por isso, mas você está enciumado da aproximação dela com o Príncipe. Está nítido na sua cara que você está desgostoso com isso.
– Por Deus, ele está dando em cima dela! – falei num tom de súplica, arrancando risada de Will.
– Ciúmes, Harry. – William rebateu. – Ciúmes.
– William, por favor. – meu pai chamou meu irmão para a roda de conversa em que ele se encontrava com o Rei da Suécia e o marido de Victoria. Will se afastou de mim para se juntar aos três e eu olhei para os arredores do Palácio pela janela.
Eu não era um cara tão ciumento. Com Cressida, eu quase não me importava em vê-la conversando com outros homens ou até em cenas mais quentes nas peças que ela fazia. Eu era um pouco mais ciumento com Chelsy porque eu era mais novo e inexperiente. Ela era uma mulher linda e que chamava a atenção de todos por onde passava, o que me deixava muito contente por tê-la ao meu lado, mas também um pouco chateado por ela chamar tanta atenção.
Com , eu já entendia que estava tentando esconder todos os sentimentos que eu poderia ter por ela além do carinho. Eu tenho carinho e zelo por ela, mas sempre torci e empurrei para longe qualquer outro sentimento que pudesse remeter ao amor. Parecia que se eu aceitasse esse sentimento, eu diria que tudo que eu fui colocado para fazer, tinha dado certo e eu estava em um relacionamento feliz.
Mas, eu sabia que era hora de eu começar a me entregar. Eu gostava de estar com , queria ficar mais tempo ao lado dela, quando algo acontecia no meu dia, tudo que eu mais queria era correr para contar para ela e tantas outras coisas que eu queria que ela fizesse parte. Eu já planejava um futuro com ela, mesmo sem nem perceber, eu já imaginava ela em meu futuro distante.
É hora de aceitar, Harry, murmurei para mim mesmo, olhando para . Ela é tão linda que era óbvio que outros homens ficassem a fim de dar em cima, de chegar junto dela. Ela é tímida, mas inteligente e sabe ser ela mesma.
E eu só precisava aceitar duas coisas: eu estava com ciúmes e eu estava me apaixonando.

– Esperamos vocês na Suécia! – Victoria disse para depois que terminamos de nós despedir de toda a família e eu sorri, encarando minha noiva para saber qual seria a resposta dada por ela.
– Faremos o possível para estar lá em breve. – sorriu. – Esperamos vocês no nosso casamento.
Sorri, meio abobalhado – porque era assim que eu estava vendo a maestria que se dava com a família real sueca e como ela os respondia muito bem.
Nos despedimos de todos, observando toda a família seguir para fora do Palácio e eu me virei para .
– Que cara é essa? – ela perguntou, solfando uma risada fraca.
– Harry... – William me chamou, interrompendo o início de nossa conversa e eu me virei para encará-lo. – Vocês podem me dar uma carona para casa?
– Claro, Will. – sorriu e se virou para se despedir de Charles e Camila, já que minha avó e meu avô já tinham ido para seus aposentos. Me aproximei deles também para me despedir, sendo seguido por William.
– Amanhã precisamos conversar. Me encontre na Clarence às dez. – meu pai disse baixo no meu ouvido e eu concordei com a cabeça, já sabendo qual seria o assunto a ser tratado e me afastei dele.
William, e eu seguimos pelos corredores do Palácio em direção a Rover que já nos esperava do lado de fora para seguirmos de volta para casa. sentou-se no meio do banco de trás e eu entrelacei nossas mãos, encarando a noite escura de Londres e sentindo o meu coração bater de uma forma diferente – ou de uma forma que eu nunca havia percebido antes.
Suspirei, ouvindo William e conversarem sobre a gravidez de Kate. Não prestei muita atenção porque estava ocupado preso em meus pensamentos. Eu estava realmente seguro dos meus sentimentos por . Isso que eu sentia, essa necessidade de estar perto dela, esse ciúme... Só podia ser uma coisa e eu sabia muito bem o que era. Só precisava ter a coragem para dizer em alto e bom som pela primeira vez.
Mas uma coisa me impedia de fazer isso, pelo menos por enquanto. Como eu iria seguir nosso relacionamento a partir de uma mentira? Ela ainda ficaria comigo se soubesse da verdade ou me daria um pé na bunda? Eu não tinha ideia, mas tinha uma parcela de culpa e de medo.

Chegamos no Kensington e nos despedimos de nossos oficiais e de William. Claire havia seguido de Buckingham para seu apartamento porque era mais próximo, restando apenas nós três na volta para casa.
e eu entramos em nosso apartamento em silêncio. Eu a observei retirar seus sapatos de salto e soltar um longo suspiro, como se estivesse agradecendo pela noite ter terminado, enquanto eu retirava o paletó e a gravata que apertou minha garganta a noite inteira.
Eu queria comentar alguma coisa sobre a noite. Me desculpar por ter sido um idiota mais cedo, mas a única coisa que eu conseguia pensar era em sua aproximação com o Princípe da Suécia e como aquilo tinha me afetado demais. Optei por puxar assunto e, pelo jeito que ela me encarou, descobri que aquela não era a melhor maneira.
– Você parecia próxima demais com o Carl Philip, huh? - falei, tentando soar casual e não deixar transparecer nenhuma ponta do ciúme que eu estava sentindo. se virou na minha direção enquanto prendia os cabelos em um coque e fez questão de revirar os olhos na minha frente.
– Você não chegou a tempo ontem. Eu tive que me virar para conhecer e ser agradável com eles. - ela deu os ombros, não dando muita importância para isso.
– E claramente foi agradável demais com o Philip. - rebati, recebendo um dos piores olhares da parte dela.
– O que está acontecendo, Harry? - ela riu nasalado e foi a minha vez de rolar os olhos.
– Ora, , por favor. - abanei a mão no ar. – Philip estava dando em cima de você! Estava claro para qualquer pessoa naquele jantar que ele estava flertando com você e você estava respondendo positivamente ao flerte dele! E eu estava ali, a cinco cadeiras de distância, vendo a minha noiva parecendo ser noiva de um outro cara que, claramente, só a queria para me deixar nervoso.
Quando terminei meu curto monólogo, a reação de foi diferente da que eu esperava. Ela caiu na gargalhada, jogando a cabeça para trás enquanto ria da minha reclamação e eu podia sentir todo o meu sangue ferver pelo meu corpo.
Ela estava rindo de mim?
– Você está... Rindo? - fiz a pergunta em voz alta, vendo-a concordar com a cabeça.
– Você está com ciúmes! Meu Deus! Confesso que não achei que você sentisse ciúmes de mim, mas estou achando essa cena incrivelmente fofa. - rolei os olhos enquanto ela soltava as últimas risadas. – Realmente, Carl estava flertando comigo. Ele fez isso ontem no jantar na casa da Madeleine e hoje estava repetindo a mesma coisa.
– Ele é um galanteador. - afirmei. – Eu conheço esse tipinho.
– Por que você já foi um? - ela arqueou a sobrancelha e eu neguei com a cabeça.
– Eu nunca fui do tipo de galantear uma mulher prestes a se casar. - sorri de lado. – Eu já o achava um idiota, mas agora tenho certeza que ele é um grande idiota.
– Não há nenhum motivo para se preocupar, Harry. - eu estava tão ocupado praguejando Philip que nem percebi que já estava próxima de mim. – Eu já tenho um príncipe ao meu lado e ele não é sueco, nem um galanteador. É o homem que eu amo e que eu quero passar o resto dos meus dias ao lado. - ela colou o corpo ao meu, passando seus braços ao redor do meu pescoço e eu sorri fraco, podendo ouvir uma luz de segurança ecoando na minha mente.
Diga a ela como se sente.
Conte a ela a verdade.
Você ainda tem tempo para começar uma relação de verdade com ela.
Fale tudo o que está acontecendo desde o começo.
... - comecei, sentindo toda a coragem tomando conta do meu corpo.
Aquele era o momento que eu precisava. Era o momento certo de revelar tudo e de me livrar daquela culpa, implorar pelo seu perdão, se fosse necessário. Era o momento de retirar a máscara que me cobria e revelar tudo o que eu estava sentindo. Eu precisava daquilo.
– Sim, Harry? - ela me encarou com sua íris escuras e eu senti meu corpo vacilar. Permaneci em silêncio, apenas a encarando de volta e sentindo uma série de choques percorrendo o meu corpo.
Amor.
O que eu estava sentindo era amor. Era a necessidade de revelar o que eu tinha feito de errado, que era aceitar a ideia de me casar arranjado com uma mulher que não fazia a menor ideia do que estava acontecendo; era a necessidade de me tornar melhor para que ela não me abandonasse. Me tornar melhor por causa dela e do amor dela.
– Harry? - ela me chamou mais uma vez e eu balancei a cabeça.
– Me desculpe por hoje mais cedo. Eu fui grosso com você e agora pouco agi como um idiota tão grande quanto aquele sueco. - ela piscou algumas vezes, parecendo sentir que não era aquilo que eu queria dizer.
– Hum... Tudo bem, Harry.
Juntei nossos lábios em um beijo desesperado e cheio de saudade, não dando tempo para que ela perguntasse qualquer coisa ou que eu tentasse falar. Suas mãos foram afobadas, para os meus cabelos e eu podia sentir como elas se movimentavam na tentativa de bagunçá-los completamente.
Levei minhas mãos para sua cintura, praticamente fundindo seu corpo no meu, se isso fosse possível. Abaixei um pouco mais, puxando suas pernas e separou nossos lábios pelo repentino susto que levou, causando uma leve risada em mim. Seus lábios desceram para o meu pescoço enquanto eu me movimentava em direção ao nosso quarto no segundo andar.
Tudo ocorreu diferente das outras vezes. Não era apenas sexo mais para mim, era amor. Ela não era mais a menina que estava naquela história comigo. Ela era a mulher que eu amava e a que eu não sabia se iria me perdoar quando soubesse de tudo.
Eu estava completamente apaixonado por Thompson.
E, ao mesmo tempo, eu estava completamente ferrado.


twenty three.

"Algumas pessoas nunca dizem uma mentira - se souberem que a verdade pode magoar mais."


– Nós realmente precisamos convidar o Rei e a Rainha dos Países Baixos? Eu nem sei quem são eles. - resmungou ao meu lado e eu soltei uma risada.
– Desculpe, senhorita Thompson, mas esses convidados não podem ser retirados da lista. - Edward disse em seu melhor tom paciente porque ele já tinha dito aquela frase umas cinco vezes nos últimos 40 minutos. Todas as vezes que encontrava um nome que ela não conhecia na lista, ela perguntava se era necessário convidar aquela pessoa para o nosso casamento.
– Por que nós não podemos ter uma cerimônia pequena? - ela perguntou, me encarando e eu soltei uma risada.
– Porque você está se casando com um dos Príncipes do país, aquele que já foi eleito o solteirão mais bonito de algum ano que eu não me recordo e que quer mostrar para o mundo inteiro que está se casando com a mulher mais linda. - sorri quando finalizei meu pequeno discurso e pude perceber que Edward estava surpreso com as minhas palavras.
– Acho que isso responde muita coisa. - riu, me dando um selinho e voltou para as listas. – Imperador do Japão?
– Ok, chega de você ficar olhando a lista. - falei, retirando as folhas das mãos de e arrancando risadas dela. – Você não pode desconvidar nenhuma dessas pessoas. Esta é a regra.
– Vamos falar sobre o que já temos definido: pajens e daminhas; padrinho e dama; convidados; local; decoração. - Edward citou cada uma das coisas e nós concordamos com a cabeça. – Precisamos de músicas.
– Eu pensei em ter um coral cantando I Can't Help Falling In Love With You do Elvis Presley. - disse, me encarando. – O que acha?
– Acho incrível. - sorri. – Poderia ser a música em que saímos da Abadia. - ela concordou com a cabeça e eu me virei para Edward, que digitava em seu iPad provavelmente anotando aquela ideia. – Eu conheci um rapaz no início do ano passado e ele toca violoncelo. Seria incrível se ele pudesse tocar alguma canção.
– Aquele Kanneh-Mason, senhor? - Edward perguntou e eu concordei com a cabeça. – Entrarei em contato. Os senhores têm alguma canção específica?
If Ye Loves Me do Thomas Tallis. - encarei , que concordou com a cabeça.
– Ave Maria também seria um bom. - ela acrescentou.
Escolhemos em torno de sete músicas para a cerimônia, não contando com o hino, mas eu estava feliz com as nossas escolhas. Eram todas músicas calmas, mas que tinham belas letras e com certeza mostrariam nosso bom gosto musical.
– Certo. Encerramos a parte das músicas. - sorri. – E acho que podemos encerrar a parte da cerimônia. Agendamos um ensaio para a quinta-feira antes da cerimônia para que todos saibam o que vai acontecer e não haja erros.
– Certo, Edward. O que mais precisa ser decidido?
– Podemos tratar da festa e da lua de mel. - Claire disse e nós concordamos.
– Eu estou tratando da nossa lua de mel e será uma surpresa para a . - falei antes que ela pudesse dizer alguma coisa e se virou na minha direção com uma feição de surpresa.
– Como assim? Você não vai me dizer?
– Não. - apertei seu nariz levemente. – Você saberá na hora em que pousarmos.
– Como eu vou saber o que levar?
– Alguém arrumará as malas para você. Pode ficar tranquila que dará tudo certo. - sorri, me virando para Claire. – Festa?
– Sim. O Príncipe de Gales ofereceu a Clarence House para a festa do casamento. Precisamos saber se os senhores têm pessoas específicas, cantores ou bandas, em mente de que gostariam que tocassem?
– Ed Sheeran! - respondeu antes que eu pudesse pensar em algum nome e diante do silêncio de nós três em frente a sua afobação, ela encarou Edward. – Por favor, me digam que nós podemos chamar o Ed Sheeran! Seria incrível ele cantar Perfect enquanto nós dançamos como marido e mulher. - ela sorriu. – Não me decepcionem. Nós podemos chamar o Ed Sheeran, não é?
– Nós podemos chamá-lo, senhorita. - Edward respondeu contendo sua risada. – E irei dizer a ele sobre a sua animação para que ele cante na festa. Acredito que isso ajudará ele a aceitar o convite.
– Ótimo! Meu Deus, isso é incrível. - terminou seu momento fã de Ed Sheeran com um sorriso satisfeito no rosto.
– Elton John também. - falei. – Mas pode deixar que eu o convido por telefone.
– Você tem o telefone do Elton John? - riu ao meu lado, parecendo um tanto quanto surpresa pelo fato.
– Ele era um dos melhores amigos da minha mãe. - lembrei. – E se tornou um amigo meu.
– Ah sim... Ele tocou no funeral dela, não foi?
– Uma canção escrita para ela. - sorri fraco, tendo a imagem da minha mãe em minha mente e contive a vontade de suspirar. – Acho que esses dois estão ótimos, Claire. Você pensa em alguém mais, ?
– Não... Eu acho que não. - ela sorriu fraco. – O que mais precisamos decidir?
– Acho que temos tudo, senhorita. - Edward respondeu.
– A senhorita tem um encontro marcado na sexta-feira com a Rainha para decidir qual será a sua tiara para a cerimônia. - Claire disse e abriu a boca, um pouco surpresa.
– O que foi?
– Kate tinha me falado sobre tiara, mas eu não achei que seria real. - ela riu fraco. – Eu posso levar a a esse encontro? - ela perguntou como se fosse uma criança e Claire se virou para Edward, esperando que ele desse uma resposta.
– Eu creio que não, senhorita. - bufou ao meu lado. – Talvez sua mãe, mas precisamos checar com o secretário da Rainha se isso está bem para eles.
Meu celular vibrou e eu o retirei de dentro do bolso do meu paletó, checando mensagens enviadas por Jake no grupo que também participavam Guy, William e Thomas.

"Reunião na minha casa hoje?
"As esposas/noivas estão convidadas também."
"Tenho novidades!"


Respondi que estaríamos presentes sem nem pensar duas vezes porque eu simplesmente não me lembrava quando havia sido a última vez que eu tinha passado um tempo com meus amigos. Estava tão ocupado com eventos, viagens e meu casamento que mal estava curtindo um tempo livre.
– É só isso, senhores. - Edward fechou a capa de seu iPad e se levantou, sendo seguido por Claire.
– Senhorita, depois precisamos colocar em ordem as ideias para a instituição que a senhorita quer criar. Já chegou a algum nome? - Claire questionou, mas negou com a cabeça.
– Acho que vou esperar o casamento passar para focar nisso, Claire. - ela mordeu o lábio, um pouco insegura.
– Tudo bem... Sinta-se à vontade. - Claire sorriu e se despediu, seguindo com Edward para fora de nosso escritório.
– Qual instituição? - eu perguntei e sorriu.
– Eu já falei dessa ideia para você... Para ajudar a conscientização da saúde mental dos jovens do país.
– Ah, é verdade. - sorri, me lembrando da ideia dela. – O nome precisa ter algo relacionado com cabeça, mente.
– Eu pensei nisso também, mas não cheguei à nenhuma conclusão. - ela suspirou.
– Vamos pensar juntos que tenho certeza que encontraremos o nome perfeito. - pisquei. – Mudando de assunto, Jake nos convidou para uma reunião hoje. Todos irão.
– Hm, certo. - ela concordou com a cabeça. – Algum motivo especial?
– Ele disse que tem novidades, mas eu não acredito muito. Deve estar querendo chamar atenção de todos nós. - ri fraco e rolou os olhos. – Que tal passar a tarde vendo Netflix?
– Você nem precisa perguntar duas vezes! - ela sorriu e nós saímos do escritório apenas para nos jogarmos no sofá da sala para que pudéssemos começar a assistir alguma série.

– William e Kate também vão? - perguntou enquanto nós seguíamos em direção ao meu Audi. Eu havia pedido a Dave que eu pudesse dirigir meu carro até a casa de Jake, já que fazia muito tempo que eu não dirigia pela cidade.
– Will está no grupo, mas acho que eles não vão. Kate está na reta final da gravidez, não acho que ela queira sair de casa.
– Oh, é verdade. Ela deve estar querendo apenas repousar. - ela comentou enquanto eu abria a porta do carona do meu carro para que ela pudesse entrar. Depois que se ajeitou, fechei a porta e dei a volta no veículo, acenando para Aeryn e Dave que estavam na Rover estacionada atrás de nós. – Eu estive com ela no dia da visita de Estado. A senhora Middleton e a Pippa estavam lá também.
– Chá da tarde? - perguntei, ligando o carro e ela concordou com a cabeça.
– Pippa e eu fizemos uma aposta de quando o bebê iria nascer. - ela riu. – Eu disse que nasceria este mês.
– Eu acho que deve nascer na próxima semana. - falei, rindo e concordou.
– Você tem alguma ideia do que Jake quer nos contar? - ela perguntou enquanto mexia no rádio do carro.
– Eu não faço ideia. - ri fraco. – Talvez ele só esteja sentindo falta de todos reunidos e inventou esta desculpa.
– Eu realmente não me lembro da última vez em que estivemos todos juntos... - ela pareceu pensar por alguns instantes. – Os detalhes do casamento e os eventos me deixaram muito ocupada nas últimas semanas. Acho que nem com eu tenho conversado direito.
– Você se lembra do que eu disse quando nós começamos, não é? - perguntei, retirando os olhos da pista para encará-la por alguns segundos.
– Sim, sim. Manter amigos e família perto. Eu sei disso. - ela suspirou. – Só é um pouco difícil.
– Eu sei, mas você precisa disso, . - ela concordou com a cabeça e o silêncio se instalou no carro, sendo quebrado apenas pela música que tocava na rádio que eu desconhecia.
Chegamos à casa de Jake cerca de 40 minutos depois. Os carros de Thomas e Guy já estavam estacionados do lado de fora e eu parei o meu próximo ao deles, descendo e dando a volta para abrir a porta para que pudesse sair.
– Só faltava vocês! - Jake comemorou assim que abriu a porta para nos receber e eu dei o primeiro passo para cumprimentá-lo com um abraço.
– Eu espero que seja uma grande novidade, Warren. - falei, entrando na casa dele e ouvindo dar risadas.
– Farei valer a pena o seu tempo, Alteza. - ele riu sarcástico enquanto chegávamos à sala de estar e íamos cumprimentar o restante do pessoal que haviam chegado primeiro que nós. logo se juntou à Lara, Zara, Lizzie e Suzanne, a irmã mais velha de Jake, enquanto eu me juntava aos homens, depois de cumprimentar todas as mulheres presentes.
– Você está sumido, cara. - Guy foi o primeiro a comentar enquanto Jake me dava uma cerveja.
– As últimas semanas foram muito movimentadas com a visita de Estado e ainda temos que conciliar os preparativos para o casamento. - falei, dando um longo gole na minha cerveja.
Thomas e Guy resolveram me atualizar de tudo que eu havia perdido nos últimos meses em que não havíamos nos vistos pessoalmente por conta das minhas viagens e eventos.

– Warren! - Thomas o chamou. As conversas separadas já tinham terminado e nós nos encontrávamos sentados na sala de estar da casa de Jake com vários aperitivos na mesa de centro e garrafas de cerveja em mãos. – Quando você vai resolver nos contar a novidade?
– Por favor, Jake! - Lara completou, arrancando risadas do moreno. – Eu posso até fingir bem, mas eu estou morrendo para saber a novidade.
– Tudo bem. - Zoe riu, se virando para o namorado que estava sentado ao seu lado. – Acho que está na hora de contar.
– Certo. - Jake riu, levantando-se do sofá. – Na realidade são duas novidades. - ele disse num tom misterioso e nós concordamos com a cabeça, aguardando que ele começasse a contar a primeira delas. – Na última semana, eu pedi Lizzie em casamento! - um coro de gritos e aplausos tomou conta da sala enquanto os dois davam risadas. – Nós tínhamos pensado em colocar o casamento para o ano que vem, mas acabamos mudando de ideia por um motivo especial.
– E aí vem a segunda novidade. - Zoe interrompeu com um sorriso grande no rosto.
– Então, contem logo! - Lizzie resmungou, arrancando risadas de todos nós.
– E a segunda novidade é que... - Jake ficou em silêncio por alguns segundos, nos deixando esperando que ele completasse a frase, mas isso não aconteceu.
– Por Deus, Warren! Diga logo! - eu não me aguentei e acabei gritando para ele que deu os ombros.
– ZOE ESTÁ GRÁVIDA! - ele gritou e no primeiro momento todos continuamos em silêncio até que assimilássemos o que ele havia acabado de gritar. Uma chuva de gritos e aplausos foi ouvida novamente e, dessa vez, cada um de nós correu para abraçar o casal.
– Parabéns, cara! Isso é incrível! - falei, abraçando Jake. – Vocês serão ótimos pais!
– Há quanto tempo vocês descobriram? E com quantas semanas você está? - perguntou, abraçando Zoe que mostrava sua ainda discreta barriga para as meninas.
– Nós descobrimos no segundo mês. Agora estamos iniciando o quarto mês. - Zoe respondeu, acariciando sua barriga.
– É uma bela novidade, pessoal. - Thomas sorriu. – Quem diria que Jake seria o primeiro a ser pai?!
– Eu sempre achei que seria o Harry. - Lizzie disse, arrancando risadas de nós e eu dei os ombros.
– E eu chamei vocês aqui também para convidar vocês, Inskippy, Guy e Harry, para serem os meus padrinhos. - Jake sorriu para nós e eu ergui meus braços, comemorando.
– Não sei eles, mas eu aceito, cara. - abracei meu amigo mais uma vez,
– Nós aceitamos também, cara! - Guy respondeu animado, se juntando no abraço com Thomas e nós podíamos ouvir as risadas das meninas.
– É claro que eu também quero que vocês sejam as minhas madrinhas, meninas. - Zoe anunciou e nós pudemos ouvir os gritos histéricos.
Sorri observando abraçando Zoe e me senti genuinamente feliz não só pelos meus amigos, mas por ela estar tão incluída no meu círculo de amizade.
Eu não sabia o que havia acontecido, mas não parecia nada mais com aquela jovem tímida do início da nossa história. Ela parecia estar mudando, amadurecendo, talvez. E, de alguma forma, eu me sentia orgulhoso por isso.

xxx


O toque do meu celular parecia cada vez mais alto. Ouvi resmungar do outro lado da cama enquanto eu abria meus olhos, tentando me ambientar e me esticava para pegar meu aparelho sobre o criado mudo. Bufei ao ver o horário e o nome do meu irmão piscando na tela.
– São cinco e 34, William. Eu espero que você esteja me ligando por um motivo extremamente importante. - ouvi a risada dele do outro lado da linha.
Estamos no The Lindo Wing! - ele disse animado e eu me sentei rapidamente na cama.
– O bebê já nasceu? - perguntei, chamando atenção de que pareceu se atentar um pouco mais na conversa.
Ainda não. Catherine está em trabalho de parto. - ele suspirou. – Liguei apenas para avisar e vocês não saberem pelos tabloides.
– George está com quem? Quer que nos fiquemos com ele?
Não há necessidade. Maria está com ele no momento e, mais tarde, quando o bebê chegar, vou trazê-lo para conhecer.
– Certo. Boa sorte para vocês, Will! Nos ligue para dar notícias. - encerrei a ligação e coloquei o celular de volta no criado mudo, me deitando novamente na cama.
– O bebê nasceu? - perguntou, mas eu neguei com a cabeça.
– Ainda não... Acho que eles foram agora para o Lindo Wing.
– Oh, meu Deus! - ela sussurrou. – E o George? Eles precisam que a gente o olhe?
– Aparentemente, não. Maria está com ele. - sorri, me virando na cama para ficar de frente para ela. – Está tudo certo.
– O que nós podemos fazer então? - ela perguntou ansiosa e eu não contive uma risada fraca.
– No momento, podemos voltar a dormir porque são cinco da manhã. - depositei um beijo em sua bochecha. – William prometeu ligar para dar notícias.
– Certo... Só estou ansiosa.
– Eu também. - sorri, fechando os meus olhos e tentando retornar para o meu sono que fora interrompido pela ligação do meu irmão.

– Alteza, seu irmão está aqui. - Daisy anunciou e eu sorri, animado. Pedi para que ela o deixasse entrar e assim que William cruzou as portas do meu escritório, eu me levantei para ir cumprimentá-lo.
Eram nove horas quando William me ligou para contar que Kate havia dado à luz a uma menina. Eu podia sentir toda a emoção na voz dele ao me contar a novidade e eu estava muito feliz por ele, Kate e George. William havia formado a família que tanto tinha sonhado. Era incrível.
– Ei, cara, parabéns! - abracei William dando leves tapinhas em suas costas. – Fico feliz que você tenha formado a família que sempre sonhou.
– Obrigado, obrigado. - William sorriu, se afastando do meu abraço. – Você também está iniciando a sua família, Harry, e eu também fico feliz por isso.
– É, eu sei. - sorri, apontando para os sofás de meu escritório e William caminhou até um deles para se sentar. – Whisky para celebrar?
– Puro. - ele respondeu e eu andei até o pequeno aparador que ficava no canto do local com as bebidas e copos em cima. Preparei um whisky puro para William e um duplo para mim. – Ela estaria orgulhosa de nós, não é?
Precisei parar de colocar o whisky no copo e encarar a parede a minha frente. Na maioria das vezes quando falávamos de nossa mãe, não precisávamos citar o nome dela porque nós sabíamos muito bem de quem estávamos falando apenas com o pronome. Era assim desde que ela havia falecido. Parecia que doeria menos.
– Ela está muito orgulhosa de você, Will. - falei, terminando de colocar a bebida e me virando para me juntar a ele no outro sofá. Entreguei seu copo e me sentei, sorrindo para o meu irmão. – Você se tornou um grande homem, tem uma grande esposa ao seu lado e formou a família que tanto sonhou. Você respeita, preza pela Catherine, se importa com ela e a ama mais do que tudo. Estará mais do que pronto para ser rei quando o momento chegar. Eu não tenho dúvidas de que ela está orgulhosa de você e feliz porque você entendeu o que ela queria dizer quando nos dizia para "agarrar o amor quando encontrássemos". - bebi meu whisky, vendo William concordar com a cabeça.
– Acho que nos viramos bem. - ele sorriu fraco. – Hoje eu queria ela estivesse aqui.
– Todos os dias eu digo isso. - falei, soltando um riso triste. – Mas o que te trouxe aqui no meu escritório? Não deveria estar buscando Catherine no hospital?
– Daqui a pouco eu vou para lá com o George. - ele terminou seu whisky e colocou o copo em cima da pequena mesa de centro do escritório. – Estou aqui porque queria falar com você sobre o nome da minha filha.
– Vai pedir minha opinião? - arregalei os olhos, surpreso, e Will riu a minha frente.
– Na realidade, é mais para saber se você está de acordo com o que Kate e eu escolhemos...
– Sem rodeios, Will. Me diga, logo. Estou curioso! - ri fraco.
– Queria saber se está tudo bem para você se colocarmos Diana no nome dela.
– Ela se chamará Diana? Como a mamãe?
– Ela se chamará Charlotte Elizabeth Diana. Está tudo bem para você?
– É um belo nome, Will. E de certo, uma bela homenagem. - sorri verdadeiro. – Está tudo mais do que bem para mim e tenho certeza que ela está muito feliz com essa homenagem.
– É uma maneira da Charlotte tê-la sempre com ela. - concordei com a cabeça e William se levantou. – Era apenas isso, Harry. Obrigado pelo whisky.
– De nada, Will. Sempre que precisar, você sabe. - dei os ombros. – Mais tarde nós iremos visitá-los para conhecer a Lottie. - dei ênfase no apelido e William concordou com a cabeça, seguindo caminho para a porta do escritório.
Me levantei, finalizando meu whisky quando a voz dele se fez presente no local mais uma vez.
– Harry? - ergui o olhar, encarando meu irmão, parado na porta com um leve sorriso no rosto. – Ela também está muito orgulhosa de você também. Pode ter certeza.
O sorriso que surgiu em meu rosto foi instantâneo e eu respondi meu irmão com apenas um aceno de cabeça. Tudo que eu mais esperava era que ela estivesse orgulhosa das escolhas que eu estava fazendo e do caminho que eu estava seguindo.


twenty four.

"Algumas pessoas nunca dizem uma mentira - se souberem que a verdade pode magoar mais."


's POV.

Kate retornou para casa algumas horas depois de dar à luz a Charlotte. Na saída do Lido Wing, ela já parecia estar plena, mas em casa ela mostrou que a realidade não era o que eu - e milhares de pessoas - tínhamos visto na televisão. Ela e Will estavam contentes por ter a pequena em casa, mas estavam cansados das horas de trabalho de parto que Kate teve e de todo o trabalho que haviam tido.
George, por outro lado, parecia feliz demais com a chegada da irmãzinha, apesar de estar um pouco enciumado e de tentar, a todo custo, ser o centro das atenções quando as famílias estavam reunidas na casa dos Cambridge para conhecer a Lottie, como Harry já havia apelidado.
A menina era linda. Os cabelos, finos e ainda ralos, eram no mesmo tom dos de Catherine. Seus olhos ainda não tinham uma cor definida, mas parecia que também seguiriam o tom dos da mãe. Ela era tão pequena e tão delicada que encantava a todos que a conheciam... Era incrível.
– Charlotte Elizabeth Diana. - falei o nome em um tom mais baixo, encarando a menina que dormia tranquila em meus braços, alheia aos ruídos que os outros membros da família faziam em conversas na sala de estar.
– Uma homenagem a mulheres fortes. - Catherine sorriu ao meu lado e eu concordei com a cabeça.
– Ela é tão linda, Kate. - sorri, encarando minha cunhada que balançou a cabeça em sinal de concordância. – Você e o William fazem um belo trabalho quando o assunto é ter bebê.
– Eu só espero que ela seja mais tranquila do que George. - Catherine respondeu, soltando uma leve risada e procurando o primogênito pela sala. Segui o olhar dela, encontrando George no colo de Charles com uma cara emburrada e um brinquedo em mãos. – Ele não foi fácil quando era um bebê.
– Sinto te informar... - a voz de Harry se fez presente próxima de nós e eu soltei uma risada pelo leve susto que havia levado pela aproximação repentina dele. – Mas, os mais novos podem ser ainda piores.
– Você diz isso por experiência própria, não é? - Kate perguntou e eu dei risada, concordando com a cabeça à pergunta dela.
– É bom ter um responsável por trazer alegria à família. - ele deu os ombros e se virou na minha direção. – Você está rindo do que? Que eu saiba, você também é a mais nova na sua família.
– Eu definitivamente não era a responsável por trazer a alegria. - pisquei na direção dele e Harry riu, demorando alguns minutos para concordar com a cabeça.
– Posso pegá-la? - ele mudou de assunto, apontando para Charlotte em meus braços e eu concordei com a cabeça. Harry se abaixou um pouco e, com todo cuidado, eu passei a bebê para os braços dele.
Ele sorriu, voltando a posição ereta, mas com a sobrinha em seus braços. Kate e eu ficamos apenas observando-o segurando a bebê com um sorriso bobo nos lábios e eu tinha quase certeza que eu estava da mesma forma vendo aquela cena.
– A gente sempre sonha com eles segurando o bebê, mas nada se compara à realidade. - Kate falou em um tom mais baixo para que Harry não escutasse e eu concordei com a cabeça, sem retirar os olhos de Harry com Lottie no colo.
Quando eu era mais nova, eu sempre sonhava em encontrar o marido perfeito. Sonhava com o dia em que eu seria mãe, em ter a minha própria família e em como seria conciliar a vida de mãe com o meu trabalho.
Ao passar dos anos e depois do meu primeiro - e único até então - relacionamento com Ethan, eu passei a deixar essa ideia de lado. Parecia ser cada vez mais distante o dia em que eu me casaria e teria filhos. Porém, desde o dia em que eu conheci Harry, eu me sentia como se tivesse encontrado o homem certo.
Desde a nossa conversa, no início do namoro, sobre como minha vida mudaria quando eu entrasse para a família dele, eu tinha a certeza de que eu estava ao lado do homem certo. Eu descobria cada parte dele e me apaixonava ainda mais, mesmo que eu acreditasse que fosse impossível, e conseguia enxergar um futuro muito bonito para nós. Nosso casamento seria o primeiro passo para isso e eu não poderia estar mais feliz.

xxx


– Sinceramente, como uma mulher consegue estar linda desse jeito após dar à luz? - perguntou, apontando com a faca para a televisão que passava uma matéria sobre as primeiras fotos que haviam sido divulgadas de William e Catherine com George e Charlotte.
– Ela realmente estava maravilhosa assim? - Cooper perguntou, sentado próximo à mesa e eu concordei com a cabeça.
– Até agora eu não consegui entender também. - falei, arrancando risadas dos dois.
Com a proximidade das festas de final de ano e o fato que havia muito tempo que eu não via meus amigos, decidimos marcar uma pequena reunião para que pudéssemos conversar sobre tudo que havia acontecido em nossas vidas nos últimos meses. E eu realmente estava precisando desse momento com meus amigos.
– Você consegue imaginar que, daqui a alguns anos, será você saindo perfeitamente do hospital após dar à luz? - Cooper perguntou com um sorriso no rosto. – Com um bebê ruivo nos braços.
– Eu certamente consigo imaginar a com um bebezinho ruivo nos braços. - afirmou e eu dei risada, concordando com a cabeça.
– Se nós tivermos um filho, eu realmente quero que ele seja ruivo. - falei, dando os ombros e os dois concordaram com a cabeça. – Mas, temos que ir com calma... Nós ainda temos o casamento.
– Oh, por falar em casamento, nós precisamos preparar a sua despedida de solteira! – Cooper sorriu e eu arregalei os olhos.
– A minha o quê?
– Despedida de solteira, ! - ele sorriu, batendo palmas. – Você vai ser tornar membro da família real... Isso merece uma festa proporcional!
– Nós precisamos fazer isso. - concordou com um sorriso no rosto.
– Eu sinto pânico com o Cooper preparando uma festa. - falei, vendo . – Por favor, passa uma coisa tranquila.
– Nós podemos fazer uma coisa pequena. Tipo, nós três e mais quem você quiser chamar. Apenas uma reunião. - Cooper tentou tranquilizar a minha ideia de festa e eu concordei com a cabeça.
– Tipo a que estamos fazendo agora. - completou. – Nada que vá parar na primeira página dos tabloides.
– Tudo bem. - dei os ombros, me dando por vencida e os dois comemoraram. – Mas tem que ser algo pequeno e eu tenho algumas amigas que quero colocar na lista, pode ser?
– Não me diga que nós iremos beber vinho e ter uma noite das garotas com a Duquesa de Cambridge? - Cooper colocou a mão sobre o peito, pedindo alguns minutos e eu rolei os olhos.
– Claro que irei convidar a Catherine, mas como a Charlotte acabou de nascer, acho que ela não vem. - falei, recebendo um muxoxo em resposta. – Mas tem as meninas do círculo do Harry que se tornaram amigas minhas... Lara, Lizzie e Zara. Além da Beatrice.
– Beatrice tipo a filha do Duque de York? - perguntou depois de colocar a comida no forno e eu concordei com a cabeça. – Você trata as realezas deste país pelo primeiro nome com uma naturalidade que eu não entendo.
– Eles serão minha família em breve, não é? - dei os ombros.
– Seremos nós oito? - Cooper perguntou e eu concordei com a cabeça.
– Não vai convidar a outra filha do Duque de York? - perguntou e eu neguei com a cabeça.
– Eugenie e eu não temos muita amizade. - e Cooper se encararam sem entender muito e minha amiga se juntou a nós na mesa da cozinha, esperando que eu contasse o que havia de errado entre Genie e eu. – Ela não é muito a favor do nosso casamento. A ex do Harry é amiga dela.
– Isso é péssimo. - Haileu murmurou e eu dei os ombros. – Harry sabe que ela não gosta de você?
– Não é como se ela fizesse segredo sobre isso, amiga. - sorri fraco e, diante das cara dos dois a respeito da história, soltei um suspiro, querendo encerrar o assunto logo de uma vez.
Cooper e passaram o restante da tarde organizando coisas sobre a minha despedida de solteira e eu aproveitei para ficar a par de tudo que havia acontecido na vida dos meus amigos nas últimas semanas que não havíamos nos falado tanto. Era bom saber de tudo que acontecia com eles.
– O que vão fazer nas festas de fim de ano? - perguntei, enquanto terminávamos de comer.
– Eu vou para Bristol no natal e no ano novo, estava pensando em ir para algum lugar, mas eu ainda não tenho ideia. - Cooper deu os ombros e nos viramos para .
– Eu vou para a casa dos meus pais no Natal. - fez uma pausa – E no ano novo, eu não sei. – ela suspirou. – Mas você vai passar seu primeiro natal com a família real! Como está se sentindo?
– Ansiosa! - ri fraco. – Acho que o Natal deles deve ser bem diferente do que eu estou acostumada.
– Sim, eles vão a igreja pela manhã e cumprimentam as pessoas. - disse e eu balancei a cabeça, tentando me lembrar como ela sabia. – Eu vejo na televisão na casa dos meus pais... Minha mãe é meio viciada com a realeza, você sabe.
– Estava pensando... - Cooper chamou nossa atenção e nos viramos para saber qual era o pensamento que ele tinha. – Como será o Natal deles? Será que o Príncipe Charles se veste de Papai Noel para alegrar as crianças?
Não conseguimos nos segurar com o comentário de Cooper e caímos na gargalhada, enquanto imaginávamos como seria um natal com a família real. Meus amigos davam seus palpites e suas ideias, mas apenas eu saberia realmente como era. E eu não podia estar mais ansiosa para presenciar isso.

– Como funcionam as festas de fim de ano na sua família? - perguntei para Harry enquanto jantávamos e ele soltou uma risada fraca, terminando de beber seu suco e depositando o copo sobre a mesa novamente.
– O que quer dizer?
– Quais são as tradições de vocês? Eu tenho que comprar presentes para todos? Seu pai se veste de Papai Noel para alegrar o George? - repeti o pensamento de Cooper e Harry soltou uma risada, balançando a cabeça.
– Meu pai nunca se vestiu de Papai Noel. - ele passou a mão pelo queixo, como se estivesse pensando. – Mas você acabou de me dar uma bela ideia de presente.
– Vocês dão presentes de brincadeira?
– É uma das tradições. - ele deu os ombros. – Teve um ano que a Kate me deu um livro que era sobre criar minha própria namorada. - Harry riu, parecendo relembrar o presente que havia recebido. – Então, presentes são sempre de brincadeiras.
– Essa eu não imaginava. - falei, rindo e imaginando os presentes que a Rainha havia ganhado nos Natais. Devia ser muito divertida a brincadeira. – No dia 25, nós vamos a missa, certo?
– Sim. Missa na Saint Mary pela manhã, depois cumprimentamos as pessoas e assistimos a mensagem de Natal da vovó na televisão. - ele sorriu. – William e eu temos um jogo anual de futebol, temos também uma pequena celebração... Acho que só. - ele balançou a cabeça. – Você se lembra de quando nós fomos para Balmoral?
– Sim... O que há?
– Vovô gosta de caçar e ele deve convidá-la para participar de uma caça. Acho bom começar a pensar em desculpas para não participar.
– Ai meu Deus! - coloquei as mãos no rosto, ouvindo Harry dar risada do meu desespero. – Quando nós vamos?
– Provável dia 22. Seremos um dos últimos a chegar. - concordei com a cabeça. – Voltamos no dia 27.
– Um dia antes do casamento de Zoe e Jake. - constatei e Harry concordou com a cabeça. – E o Ano Novo?
– Bom, nós temos o Ano Novo livre para celebrar onde quisermos, não há uma regra ou um lugar específico. - Harry deu os ombros. – Podemos passar com a sua família, se você quiser...
– Minha família não tem muito o costume de celebrar as festas de fim de ano. Nos reunimos no dia 25, almoçamos juntos e só. - falei, o vendo concordar com a cabeça. – Eu andei pensando...
– Qual a ideia? Diga! - Harry perguntou animado e deu um gole em sua água.
– Nós podíamos reunir nossos amigos e viajar para algum lugar. O que acha?
– Me parece uma boa ideia. Seria ótimo para relaxar por alguns dias e para que nossos amigos se conheçam um pouco. - ele sorriu e eu concordei com a cabeça.
– Jake e Zoe estarão em lua de mel, mas podemos chamar Thomas, Lara, Guy, Lizzie, , Cooper, Bea e Arthur. - falei, contando nossos amigos nos dedos e Harry concordou com a cabeça. – O que acha de chamarmos o meu irmão?
– Me parece uma ótima ideia. Ele estará em Londres para o Natal?
– Provavelmente. - dei os ombros. – Natal é o feriado favorito do Brandon.
– Certo. Então, adicionamos o Brandon ao grupo. - ele sorriu e parou por alguns segundos antes de voltar a falar: – Podemos chamar Genie e Jack também, não é? - contive um suspiro e apenas concordei com a cabeça para a pergunta dele. – Eu sei que vocês não são melhores amigas, mas ela é minha prima e minha amiga. Eu realmente não queria que existisse esse clima ruim entre vocês e eu prometo que irei conversar com a Genie para que ela melhore.
– Tudo bem, Harry. - depositei um beijo no ombro dele, demonstrando que eu concordava com a ideia. Eu teria e Cooper ao meu lado durante a viagem, não teria problema nenhum em lidar com Eugenie com meus melhores amigos por perto, sem dúvidas.

xxx


– O Natal com a família real é um dos eventos mais tranquilos que existe. - a senhorita Woods começou a falar. Eu estava em uma reunião com ela e Claire para escolher as roupas que usaria nas festas de final de ano. – Aparição pública será apenas uma: a ida à igreja e o consequente cumprimento ao público que os aguarda do lado de fora. Depois, vocês se despedem da Rainha. Tudo muito tranquilo.
– Cumprimento ao público?
– Sim. Após a missa, vocês se despedem da Rainha e vão cumprimentar o público. Receber presentes, apertar as mãos das pessoas... Essas coisas. - concordei com a cabeça. – Estarão com seguranças por perto, não se preocupe.
– Estou tranquila quanto a isso, senhora Woods. - sorri para a loira que concordou com a cabeça.
– Selecionei alguns looks bem elegantes para que a senhorita escolha um para usar. - ela retirou um iPad de dentro da sua bolsa e começou a me mostrar fotos de looks que ela havia criado para eu usar.
O primeiro era um vestido verde musgo de mangas cumpridas e gola alta, que seria acompanhado de sapatos pretos e um sobretudo marrom com botões dourados. Fiz uma leve careta para aquele sobretudo.
A segunda opção era um vestido vinho, também de mangas cumpridas, e com uma gola não tão alta quanto o primeiro. O sobretudo deste era branco e os sapatos eram pretos.
– Gostei desse. - falei, após ver o vestido e a senhora Woods sorriu, balançando a cabeça de forma afirmativa.
– É um Alexander McQueen, senhorita. Bela escolha! - Hannah sorriu. – Na cabeça poderá usar um Fascinator da Mulberry. - ela passou algumas fotos no iPad até chegar em um acessório branco para que eu usasse na cabeça.
– É lindo. - sorri, já finalizando o look que eu iria usar.
Depois da roupa para usar na ida a igreja e o cumprimento ao público, escolhemos a roupa que eu usaria no jantar de Natal. Segundo a senhora Woods, para esse momento era necessário um vestido de gala, e eu optei por um preto simples, mas brilhoso da Issa London.
– Acho que temos tudo, senhorita. - a senhora Woods sorriu animada, desligando o iPad e o guardando de volta na bolsa.
– Tem alguma regra de comportamento especial para o Natal?
– A maioria são as mesmas de sempre, senhorita. Porém, acho que será a primeira vez que a senhorita irá conversar e agradecer ao público, então lembre-se de chamar seu marido pelo nome dele, não negue nenhum presente que te derem, não dê qualquer tipo de autógrafo e não tire selfies.
– Certo. - pisquei algumas vezes, assimilando tudo que ela havia dito e, por fim, concordei com a cabeça. – Acho que me sairei bem.
– A senhora se sairá fantástica, senhorita. - agradeci a senhora Woods e enquanto nos levantávamos para sair da sala, Daisy apareceu acompanhada da minha mãe.
– Senhora Woods, essa é minha mãe Nancy. - apresentei as duas que se cumprimentaram com um breve abraço. Pedi que Daisy acompanhasse a senhora Woods até a saída do meu apartamento e me sentei no sofá novamente, mas dessa vez junto com minha mãe. – Mãe! Quanto tempo!
– Oh, querida... Tenho sentido sua falta, mas acompanho seus eventos na televisão. Você está uma princesa, ! - ela sorriu, segurando as minhas mãos. – Como estão os preparativos para o casamento?
– Estão indo bem. Às vezes parece uma loucura, mas está indo tudo bem. - sorri. – Aliás, nós precisamos marcar para você escolher o seu vestido. Vou falar com a Claire para ver isso.
– Quem é Claire? - mamãe sorriu sem graça e eu dei os ombros.
– Claire é a minha secretária. Ela cuida dos meus eventos e de marcar meus compromissos.
– Ah, sim. Eu me lembro da secretária de Diana e Charles na época que eu trabalhava para eles. - minha mãe sorriu fraco.
– Aceita um chá, mãe? - perguntei e ela concordou com a cabeça. Fui até a cozinha e pedi para que Daisy preparasse um chá para nós, antes de retornar para a sala e me sentar na poltrona junto a minha mãe. – Então, mãe, o que a trouxe aqui?
– Oh, querida, as festas de fim de ano estão chegando e, pelo que me lembro do que vivi com a família real, não teremos tempo para nos ver no Natal. - ela ergueu uma sobrancelha, como se perguntasse se estava certa e eu concordei com a cabeça, rindo fraco. – Pensei em vir visitá-la para que a gente veja quando poderemos nos reunir.
– Bom, nós vamos para Sandringham no dia 22. O que a senhora acha de um jantar no dia 21?
– Me parece bom, querida. - minha mãe sorriu. – Vou aproveitar para comprar uma lembrança natalina para você e o Harry.
– Ah, mamãe... Não precisa. - abanei a mão no ar, fazendo pouco caso de presentes e ela balançou a cabeça de um lado para o outro.
– Claro que precisa! É o primeiro Natal de vocês, é necessário uma lembrança.
– Tudo bem, mas nada muito caro, por favor. - minha mãe deu os ombros, ignorando minha frase e eu balancei a cabeça.
A porta da sala de abriu e, logo, Harry passou por ela. Retirou seu sobretudo preto, colocando-o pendurado próximo a porta e assim que se virou para a sala, percebeu que eu e minha mãe estávamos por ali.
– Senhora Thompson, como está? - meu noivo acenou para minha mãe antes de se aproximar para cumprimentá-la com um beijo na bochecha.
– Oh, querido... Somos quase uma família, não me chame de senhora! - minha mãe balançou a cabeça. – E eu estou bem. E você?
– Força do hábito, senhora... Viu? - ele riu e nós o acompanhamos. – Digo, Nancy. Estou bem, um pouco cansado, mas bem.
– Marquei de irmos à casa dos meus pais no dia 21 para um jantar de natal. Está bem para você? - perguntei e ele concordou com a cabeça.
– Por mim, tudo ótimo. - ele sorriu. – Seu irmão virá?
– Conversei com ele ontem. Ele disse que virá porque no próximo ano irá embarcar em uma missão. - minha mãe respondeu e eu concordei com a cabeça.
– Espero que ele esteja aqui para o nosso casamento. - falei, encarando Harry que concordou com a cabeça.


twenty five.

"Se eu não conto meu segredo, ele é meu prisioneiro. Se o deixo escapar, sou prisioneiro dele."


Harry's POV.

Os dias que antecederam a ida para Sandrigham foram corridos tanto para mim quanto para . Eu participei de eventos em Gales e em cidades no interior da Inglaterra enquanto ela trabalhava em alguns detalhes das instituições que iria apoiar após o nosso casamento.
Com o final do ano se aproximando, o nosso casamento ficava cada vez mais perto. Toda uma equipe estava cuidando dos detalhes, acompanhadas de Edward e Claire, e precisavam de algumas escolhas minhas e de às vezes. No entanto, tudo já estava bastante encaminhado, só restavam algumas questões mais institucionais para resolver.
– Eu estive pensando... - começou enquanto nos arrumávamos para o jantar na casa dos pais dela. No dia seguinte viajaríamos para Sandrigham e as festividades de Natal iriam começar.
– Sobre o quê? - perguntei, terminando de arrumar meu cabelo e procurando meu blazer em cima da cama.
– Lembra a campanha que eu estava pensando em criar? - concordei com a cabeça, esperando que ela concluísse o pensamento. – Cheguei a um nome e eu já tenho uma boa ideia do que quero fazer.
– Qual o nome? - me sentei na cama, vendo-a com um sorriso largo no rosto.
– Heads Together.
– Gostei. - sorri, verdadeiro e ela acenou com a cabeça. – Qual sua ideia?
– Pensei em primeiro chamar Catherine e William para participarem também. Você acha que eles aceitariam? Seríamos nós quatro fazendo parte das campanhas e falando abertamente sobre saúde mental.
– Eu acho que eles irão adorar o convite e, com certeza, vão querer fazer parte da ideia. É incrível.
– Obrigada, Harry. Isso significa muito para mim. - ela sorriu. – Eu pensei que a gente poderia chamar algumas celebridades inglesas para falar sobre o assunto também. Eu imagino que vocês tenham o contato de algumas pessoas e isso pode ser muito bom para a campanha. Gente poderosa e famosa falando sobre um assunto importante. O que você acha?
– São ótimas ideias, . - eu sorri, me levantando da cama para abraçá-la e depositar um beijo em sua bochecha. – Fico feliz que você tenha se encontrado tão rápido e farei o impossível para que essa ideia dê certo.
– Obrigada por confiar em mim e me apoiar. Espero que dê certo. - ela mordeu o lábio inferior, um pouco insegura e eu soltei uma risada fraca.
– Falaremos com Will e Kate amanhã mesmo. - ela concordou com a cabeça. – Você já está pronta? Podemos ir?
– Sim, sim, vamos. - ela andou apressada até o closet e retornou com uma bolsa em mãos. – Agora, estou pronta. - ela sorriu e nós saímos do quarto.
– Eu também tenho uma novidade para contar. - comentei enquanto descíamos a escada e me encarou.
– Pois, conte! - ela sorriu animada, segurando-se no corrimão para descer a escada.
– Parece que depois do nosso casamento, teremos que nos mudar.
– Mudar? - me encarou surpresa quando chegamos ao final da escada. – Para onde?
– Aparentemente, para o antigo apartamento dos meus pais. - dei os ombros e ela suspirou. – Mas, eles ainda vão reformá-lo porque está fechado desde que meu pai se mudou para a Clarence com Camila. Depois do casamento, vamos ver as coisas para que seja reformado como quisermos e, provavelmente, nos mudaremos no meio do ano.
– Por que não podemos continuar aqui? - ela fez uma cara triste e eu abri a porta para que saíssemos do apartamento.
– Porque eles entendem que, após o casamento, nossa família vá aumentar. Assim, é melhor que a gente mude para um apartamento melhor agora do que quando o bebê nascer.
– Sua família realmente pensa no futuro. - ela riu, passando por mim e eu fechei a porta.
– Eu te disse que as nossas vidas são planejadas. - dei os ombros, segurando a mão de e nós seguimos em direção a Rover. Sorri ao ver meu Audi parado por ali também. – Boa noite, Dave.
– Boa noite, senhor. - ele acenou com a cabeça para . – Fox-Lane disse que era um jantar na casa dos Thompson e acreditei que o senhor gostaria de ir dirigindo...
– Obrigado, Dave. Acertou em cheio. - sorri, pegando a chave da mão dele e caminhando para abrir a porta para que entrasse no carro. Meu oficial foi para a Rover atrás de nós junto com Aeryl.
– Você parece uma criança com um brinquedo quando se trata desse carro. - comentou assim que eu liguei o carro e eu dei risada.
– Ele é o meu bebê. - dei os ombros, colocando as mãos no painel, ouvindo-a dar risada. – Está animada para o Natal?
– Confesso que sim. - soltou uma risada nasalada. – Estou ansiosa para ver como é o Natal de vocês porque nós, de fora, ouvimos muitas coisas e eu quero saber se alguma delas é verdade.
– Nós somos uma família...
– Normal. - ela me interrompeu, completando a frase que eu ia dizer e eu retirei os olhos do caminho para encará-la por alguns segundos. – Eu sei e entendi isso. Algumas coisas que eu pensava, quando via vocês de longe, percebi que não eram reais, especialmente sobre você. Mas, ainda tem algumas coisas, sobre a sua família em geral, que eu ainda tenho curiosidade em saber.
– Tudo bem. - dei os ombros. – Acho que também é normal que você ainda tenha essa curiosidade toda, mas isso deve acabar quando você se acostumar com tudo. E isso, deve ser um processo natural.
– É, acho que vai acontecer logo. - ela sorriu e nós ficamos em silêncio.
conectou o celular no rádio do carro, colocando uma música que eu não conhecia para tocar, mas que ela conhecia muito bem, devido a sua animação a cada verso da canção.

Chegamos à casa dos Thompson após quase 40 minutos. Ajudei a descer do meu carro e nós caminhamos até a entrada da adorável casa. Depois que ela tocou a campainha, não demorou muito para que Brandon abrisse a porta e minha noiva se jogasse nos braços do irmão.
– Brad, como você está? - ela sorriu.
– Estou bem e você? - ele estendeu a mão para me cumprimentar e nos abraços de lado. – Como vai, Harry?
– Estamos bem, obrigado. - respondi por nós dois e apontei para Dave atrás de mim. – Se importa? - Brandon deu os ombros e eu acenei para que Dave entrasse na casa, , no entanto, nem esperou nosso oficial voltar para entrar na casa em que havia crescido e eu fiz o mesmo.
– Isso ainda é necessário? Quer dizer, você vai se casar com a minha irmã em poucos meses! - Brandon riu surpreso e eu concordei com a cabeça.
– Se eles pudessem, eles revistariam até nosso apartamento. - comentou em um tom entediado.
– Eles fazem isso às vezes. - falei, dando os ombros e ela rolou os olhos. – Como está o exército, Brandon? - perguntei enquanto seguíamos pelo pequeno corredor até a sala de estar da casa dos Thompson.
– Tudo está indo bem. - ele deu os ombros. – Devo sair em missão uma semana após o casamento de vocês.
– Sério? - soltou um muxoxo e o irmão sorriu, confirmando com a cabeça.
– Sim, mas não vamos falar sobre isso agora. Terei bastante tempo por aqui. - ele abraçou a irmã pelo ombro e Dave passou por nós, acenando com a cabeça antes de sair da casa.
– Tem planos para o ano novo? - perguntou quando chegamos a sala de estar.
– Não... Melanie e eu estamos dando um tempo. - ele comentou em um tom triste e se aproximou dele.
– O que houve? - indagou, curiosa.
– Ela não ficou muito contente com a notícia que eu irei para uma nova missão. - ele suspirou. – Ela resolveu pedir um tempo e eu aceitei. Ainda não sei no que vai dar.
– Nós estamos pensando em viajar com os nossos amigos. Você está convidado, se quiser. - falei, sorrindo para ele e Brandon confirmou com a cabeça.
– Qual o destino?
– Ainda não sabemos. - riu. – A gente pensou em chamar as pessoas para a viagem e elas ajudarem a decidir um destino.
– Certo. Bom, eu aceito ir, então. - bateu palmas, animada, e logo, a senhora Thompson entrou na sala de estar, sorrindo para nós.
– Vocês não imaginam a felicidade de ver essa cena. - ela sorriu. – Minha filha, seu noivo e meu filho.
Cumprimentamos a senhora Thompson e fomos levados por ela para a sala de jantar. O senhor Thompson já havia chegado de seu trabalho e abria uma taça de vinho para que pudéssemos beber durante o jantar que era preparado pela esposa.
A noite foi realmente agradável e as perguntas sobre o nosso casamento eram constantes, por parte da senhora Thompson. Ela não fazia questão de esconder sua animação pelo casamento da filha e em minha mente apenas ecoava o fato dela saber que toda aquela história era armada.
O que ela tinha a ver com isso? O que ela ganhava? Havia alguma chance de descobrir sobre tudo por ela?

xxx


– Sejam bem-vindos! - Mike falou num tom mais alto assim que nós entramos na casa de Sandringham e eu soltei uma risada pela alegria exagerada dele pela nossa presença. Me adiantei para cumprimentá-lo com um abraço. – , como vai?
– Oi, Mike! Estou bem e você? - minha noiva sorriu tímida e cumprimentou ele com um rápido abraço.
– Estou bem. - ele sorriu. – Zara está com Beatrice e Eugenie no quarto trocando Mia.
– Ela está grande já, eu imagino. - sorri, lembrando-se da menina. Zara tinha dado a luz à pequena Mia há cerca de três meses e nós apenas tivemos tempo de vê-las uma vez devido a nossa agenda corrida e aos preparativos para o casamento.
– Está quase andando. - a voz de Zara se fez presente e eu olhei para a escada, vendo minhas três primas descendo a mesma e chegando até a sala. – Você é um padrinho muito desnaturado! - reclamou, se aproximando de nós e usando a mão livre, já que segurava Mia no colo, para me dar um empurrão no peito.
– Eu disse que nós deveríamos ter escolhido o William para ser o padrinho dela. - Mike comentou com desdém e eu rolei os olhos.
– Vocês sabem muito bem que eu sou o responsável por trazer diversão para a vida dos membros dessa família. - falei, dando os ombros.
– Não sei muito sobre essa diversão, mas garanto que metade dos cabelos brancos da vovó foi por sua causa, primo. - Beatrice interferiu na conversa, arrancando risada de todos os presentes na sala. – ! Como está?
– Certo, certo, e vocês são umas santas, não é mesmo? - retruquei, cruzando os braços enquanto as duas mulheres se cumprimentavam.
– Bom, nós nunca fomos parar na capa do The Sun do jeito que viemos ao mundo. - Eugenie deu os ombros e Bea se virou para a irmã, erguendo a mão para que elas fizesse um highfive.
– Não é culpa minha se vocês não sabem aproveitar a vida da maneira certa. - mostrei a língua para elas. – Onde está o restante da família, afinal?
– Tio Edward, tia Sophie e as crianças saíram para andar a cavalo. - Zara começou a listar os que já haviam chegado para as festividades. – Minha mãe está lá fora, Tim está descansando.
– Papai está no telefone resolvendo algumas questões. - Genie rolou os olhos e se virou para Zara. – Onde está o Peter, aliás? Ele não vem esse ano?
– Está a caminho. - ela sorriu. – Eles foram para o Canadá visitar a família da Autumn e o voo atrasou na volta. – E seu irmão?
– Will e Kate chegam pela manhã. - respondi.
– Um pouco em cima da hora, não? - Mike riu, colocando as mãos nos bolsos da calça e eu concordei com a cabeça.
– Eles não estavam muito certos sobre vir esse ano por causa da Charlotte. Pensaram em passar o Natal com a família Middleton porque seria mais tranquilo para eles, mas acabaram decidindo vir para cá.
– Pelo menos, os times estarão completos para o futebol. - Mike sorriu animado e eu concordei com a cabeça. – Espero que nós possamos vencer.
– Avise isso para o Will. Ele tem esse espírito de Ashton Villa que só faz ele perder jogos. - ri fraco e me virei para . – O que acha de descansar um pouco?
– Parece uma boa ideia. - ela sorriu fraco e nos despedimos brevemente, seguindo para o segundo andar. As nossas malas já haviam sido levadas pelos funcionários e, provavelmente, já estavam em nosso quarto.
Subimos a escada em silêncio, caminhava na minha frente e eu mantinha as minhas mãos na cintura dela, guiando-a pelo extenso corredor repleto de quartos.
– Tem grandes chances de eu me perder por aqui. - comentou baixinho, soltando uma risada e eu concordei com a cabeça.
– Eu só venho aqui uma vez ao ano... Também acho fácil de me perder. - soltei uma risada fraca e ela concordou com a cabeça.
A parei em frente a uma porta, que eu sabia que era o nosso quarto, afinal era o que eu dormia todos os anos. Estendi o braço, abrindo a porta e empurrando, permitindo que entrasse primeiro.
– Uau. - ela riu, observando atentamente o quarto. – Eu acho tão incrível a decoração dos Palácios. Eles tinham muito bom gosto.
– Eu concordo. - falei, fechando a porta do quarto. – A maioria passa apenas por uma restauração. Quase sempre não mudamos a decoração feita por eles.
– Nós teremos carta verde para mudar as coisas no nosso novo apartamento?
– Acho que algumas coisas, sim. Porém, outras não poderemos. - balancei a cabeça, me sentando na cama de casal do quarto, retirando meus sapatos e meu paletó, os depositando sobre a poltrona ao lado da cama.
– Você acha estranho que a gente vá morar na antiga casa dos seus pais? - perguntou, soando um tanto quanto receosa para fazer aquela pergunta e eu suspirei.
– Eu estive um pouco receoso quanto a isso, confesso. - ri fraco e ela concordou com a cabeça, com os olhos focados em mim. – Mas acho que já me acostumei com a ideia. - dei os ombros. – Por que a pergunta?
– Porque... - ela suspirou. – Pelo que eu sempre ouvi e pelo que eu li, a relação deles não era das mais saudáveis...
– De fato que não. - sorri, sem mostrar os dentes. – Mas, ainda assim, o apartamento me traz boas lembranças. A presença da minha mãe é bem viva por lá e acho que seria uma forma de trazer um pouco de alegria para o lugar em que eu tenho tantas memórias da infância. - sorri. – Você tem algum problema com isso?
– Não, não. - balançou a cabeça, sentando-se na cama junto comigo e segurando as minhas mãos. – Perguntei porque achei que você teria problemas. Se você não os tem, por mim está tudo bem.
– Ótimo. - sorri antes de depositar um beijo na bochecha dela e me joguei para trás, caindo sobre os travesseiros na cama. – Podemos descansar por algumas horas? Eu estou exausto!
– Você está ficando velho. - ela riu e eu concordei com a cabeça, esperando ela se deitar na cama também. Assim que estava na cama, me aproximei dela, colocando uma mão em sua cintura e fechando os olhos, deixando o sono prontamente me dominar, sentindo o cheiro doce do perfume de .

Abri meus olhos devagar, ainda com em meus braços. Ela dormia tranquilamente e eu me afastei dela, me virando para poder levantar da cama sem acordá-la para que ela tivesse mais tempo para poder descansar.
Caminhei até a minha mala, buscando alguma roupa para que eu pudesse colocar. As roupas que usaríamos no dia de Natal já haviam sido entregues e se encontravam no armário. Nós trazíamos apenas as roupas que usaríamos nos outros momentos.
Tomei um banho rápido, trocando minhas roupas e quando saí do quarto, ainda estava dormindo. Saí do quarto, caminhando devagar pelo corredor e quase esbarrei Beatrice que saía de seu quarto.
– Oh, Harry! - Bea sorriu na minha direção. – Descansado?
– Bastante. - sorri. – Pronto para começar a aproveitar as festas.
– Então, vamos lá para baixo. Estamos jogando Poker e Mike e Peter estão perdendo. - Bea riu e eu a acompanhei na risada. Já sabia que Mike odiava perder e deveria estar louco por estar perdendo para as minhas primas.
Segurei o braço de Beatrice antes que ela começasse a andar e ela me encarou um pouco confusa com meu aperto. Sorri, sem graça e soltei um suspiro. Era uma ideia que eu tinha em minha mente há alguns meses pedir a ajuda de Beatrice na relação de Eugenie e .
Eu esperava que minha prima pudesse conversar com a irmã e fazê-la cair na real sobre o seu comportamento negativo com a minha noiva.
– Bea... Eu acho que você já percebeu que a Genie não gosta da por causa da Cressida... - comecei, vendo a ruiva confirmar com a cabeça.
– Não é como se a Genie fizesse segredo que não gosta da . - ela rolou os olhos. – Eu já conversei com ela algumas vezes. Nós não precisamos nos privar de sermos amigas da Cress... Acho que todos nós somos maduros o suficiente para convivermos em harmonia se nos encontrarmos em algum lugar. - Beatrice ergueu a sobrancelha e eu concordei prontamente com ela, que prosseguiu seu pensamento. – Mas minha irmã é cabeça dura, Harry.
– Eu sei, Bea. - sorri sem mostrar os dentes. – Eu mesmo já conversei com ela algumas vezes e tudo que ela faz é dizer que não gosta da , criticar a minha relação...
– Eu posso tentar falar com ela mais uma vez, mas não garanto que vá ajudar muita coisa. - balancei a cabeça. – Eu também sou amiga da Cress e eu torcia muito para que vocês dessem certo, mas não aconteceu. Eu não posso te obrigar a ficar com ela. Acho que ninguém pode obrigar alguém a namorar com uma pessoa.
– Relacionamentos, às vezes, não dão certo. - dei os ombros e Beatrice concordou.
é uma boa pessoa. Ela se inseriu completamente no nosso mundo e está vivendo essa loucura com você. Por mais que eu gostasse da Cress, eu sei que ela nunca iria abandonar a carreira dela para viver isso aqui. - ela abriu os braços, apontando para a o Palácio e eu concordei com a cabeça. – Acho que é isso que a Genie não entende. Ela meio que acha que você deveria ter lutado mais para que a Cress visse que ela poderia entrar para esse nosso mundo.
– Ela não aguentaria, Bea. - suspirei. – Cressida é um espírito solto. Ela não se prende a um lugar e, certamente, não se daria bem em viver com as regras da nossa família. Acho que por isso ela se dá tão bem com o teatro... Ela tem permissão para crescer, se aventurar.
– Ela é ótima. - Bea sorriu. – Mas, pode deixar que eu vou conversar com a Genie mais uma vez. É horrível ver a forma que ela trata a .
– Eu sei. - suspirei. – Obrigado, Bea.
– Sem problemas. - ela sorriu. – Vou descer. Você vem?
– Em alguns minutos... Vou checar se já acordou. - Bea deu os ombros e seguiu em direção as escadas enquanto eu retornava ao quarto. Abri a porta devagar, encontrando sentada na beirada da cama. – Hey! - chamei sua atenção. – Meus primos estão jogando pôquer lá embaixo. Vamos nos juntar a eles?
– Ahn... Claro. - ela ergueu a cabeça, mostrando um sorriso.
– Está tudo bem? - perguntei, preocupado com sua feição triste e ela negou com a cabeça.
– Eu só... - ela suspirou. – Eu ouvi você e a Bea conversando e eu realmente me sinto triste por não ter uma boa relação com a Eugenie. Porque ela é sua prima e vocês são muito próximos... E então, eu sinto que esse Natal pode ser um desastre.
... - me abaixei a sua frente, segurando suas mãos e olhando no fundo dos seus olhos. – O Natal não será um desastre. Todos na minha família gostam de você e você se sairá muito bem na manhã de Natal. Será tudo belo como de praxe. - sorri, soltando uma de suas mãos para colocar minha mão em seu rosto. – Não se preocupe com a Genie. Eu falei com a Bea para tentar evitar um clima ruim da parte dela. Porque nós iremos seguir a nossa vida, com a Genie, gostando ou não do nosso relacionamento. Tudo bem? - acariciei sua bochecha com o polegar e ela fechou os olhos, abrindo um breve sorriso.
– Eu amo você, Harry. - ela sussurrou, projetando seu corpo para frente.
– Eu sei. - sorri fraco. – Eu também, . Eu também. - unimos nossos lábios em um beijo carinhoso.

xxx


Peter passou a bola na minha direção e eu a dominei com a perna direita, sendo logo marcado por Aeryn. Dei um leve toque na bola para o lado esquerdo, passando pelo meu marcador e segui em direção ao gol em linha reta.
Pela diagonal, eu conseguia ver tio Edward e William esperando que eu tocasse a bola para eles, mas ambos estavam sendo marcados por funcionários. Optei por chutar a bola na direção do gol e vi Dave, pular na direção dela para tentar defender, mas acabou por ser inútil. A bola estava no fundo do gol.
Sorri, erguendo os braços para cima, comemorando o meu gol. O apito vindo de Timothy anunciou o final do jogo e eu soltei o ar, sentindo minha respiração descompassada por toda corrida durante o jogo.
– 5 a 4. Nada mal. - William comemorou, enquanto andávamos em direção à beira do gramado para pegar as garrafas de água.
– Eu continuo achando que eles deixam vocês ganharem por serem chefes deles. - Eugenie comentou, do lado de fora do campo, e eu rolei os olhos.
– Todo ano você diz isso... Nós que somos extremamente bons no futebol. - dei os ombros, pegando uma garrafa d'água e dando um longo gole.
– O placar geral está 12 a 10, senhor. - Dave comentou e eu balancei a cabeça, concordando. Ainda estávamos na frente e iríamos manter isso.
– Continuaremos ganhando no próximo Natal. - respondi, me despedindo de todos e entrando na casa de novo. tinha acompanhado apenas o primeiro tempo do jogo e no intervalo, havia me dito que iria ajudar Catherine com George e Charlotte.
– Vocês viram ? - perguntei para Camila e tia Anne que se encontravam sentadas na sala de estar.
– Ela está no North Garden com o seu avô. - tia Anne respondeu e eu arregalei os olhos, arrancando uma leve risada até mesmo dela que era sempre sisuda.
Subi a escada em direção ao meu quarto para que pudesse trocar tomar um banho e retirar as roupas suadas pelo jogo. Ri imaginando o que meu avô e poderiam estar conversando no jardim. Só torcia para que ele não estive tentando a convencer de participar da caça no dia seguinte.
De roupas devidamente trocadas, saí da casa e segui em direção ao North Garden, jardim que ficava na parte lateral da casa e tinha um pequeno lago ao redor. Caminhei, observando a natureza e sentindo o vento frio tocar meu rosto.
Forcei um pouco a minha vista, podendo enxergar meu avô e parados próximos ao lago. Ele apontava para o alto e explicava algumas coisas para ela, que balançava a cabeça e fazia alguns comentários, dando algumas risadas.
– Atrapalho? - perguntei ao me aproximar dos dois e eles voltaram à atenção para mim.
– Claro que não, Harry. - sorriu e eu me aproximei dela, depositando um beijo em sua têmpora. – Seu avô estava me explicando algumas coisas sobre a residência e me mostrando o jardim.
– Eu estava mostrando para sua noiva o belo jardim que há por aqui. - meu avô sorriu na minha direção e eu concordei com a cabeça. – E mostrando a ela, onde iniciamos o nosso dia de caça.
Observei se enrijecer ao meu lado e pigarrei, mesmo assim não obtendo a atenção do meu avô no momento, já que ele olhava para o horizonte. Contive a risada, entendendo que ele estava fugindo daquele assunto, afinal, era sempre como ele queria e o Duque de Edimburgo não gostava de rodeios.
– Vovô... - o chamei e suspirei, coçando a minha nuca com a mão livre. – Sobre isso... não gosta de caçar. Não podemos deixá-la de fora disso?
– Bom, eu também não gosto do sotaque americano dela e nem por isso fico choramingando. - ele deu os ombros, parecendo não se importar muito e eu contive a vontade de rolar os olhos. – É uma prática esportiva. É tradição da família em época de Natal. Nenhum membro de fora desta família deixou de participar.
– Vovô... - tentei mais uma vez, mas ele balançou a cabeça de um lado para o outro.
– Está tudo bem para você, ? - ele ignorou meu chamado e encarou minha noiva.
murmurou um sim quase inaudível e meu avô se mostrou contente, nos deixando sozinhos e voltando para dentro da residência. Balancei a cabeça e me virei para minha noiva que dava os ombros para a situação.
– Me desculpe por isso...
– Tudo bem, Harry. - ela suspirou. – Eu sempre ouvi dizer que seu avô era um pouco difícil...
– Ele é irreverente. - ri fraco e ela concordou com a cabeça.
– E amanhã será um longo dia. - disse antes de se virar e fazer o caminho de volta para a residência. Ri, sozinho, e comecei a caminhar atrás dela, não sabendo o que esperar do dia seguinte.


twenty six.

"Mentira não aumenta o nariz, apenas diminui a confiança."


's POV.

– Eu vou dar um tiro para o alto e sair correndo. - anunciei para Harry enquanto terminava de calçar minhas botas e ouvi ele gargalhar de dentro do banheiro.
Já havíamos tomado o café com toda a família e o avô dele havia convidado todos para sair à caça, conforme era de costume deles neste dia. Eu estava inclusa neste costume idiota por ser a novata da família no ano e me sentia à beira de um ataque.
Não existia a menor possibilidade de eu matar um bichinho indefeso apenas para fazer o avô de Harry feliz. Nem o fato dele ser o Duque de Edimburgo. Eu iria sair correndo, eu estava decidida.
– Eu acho melhor você fingir um desmaio. - Harry saiu do banheiro, também vestido para ir à caça. Ele usava uma calça preta, coturnos, um casaco preto e uma touca cinza, escondendo seus cabelos ruivos.
– Eu vou sair correndo, Harry. - repeti, de forma mais pausada e ele concordou com a cabeça, rindo.
Terminei de calçar as botas e levantei da cama, suspirando quando ele perguntou se eu estava pronta. Saímos do quarto de mãos dadas e encontramos no corredor, Mike, Beatrice, Peter, Autumn e William.
– Prontos? - Autumn perguntou nos encarando e Harry concordou com a cabeça, respondendo por nós.
– Vocês vão também? - perguntei, vendo a loira concordar com a cabeça. – Eu pensei que fosse uma coisa dos mais velhos.
– Normalmente, é. - Mike sorriu. – Mas nós não perderíamos por nada o Philip querendo ensinar a novata a dar uns tiros. - todos riram e eu rolei os olhos.
– Eu não acredito nisso. - murmurei, ouvindo as risadas e nós começamos a descer as escadas em direção ao primeiro andar. Eles ainda comentavam como seria divertido me ver atirando e a ideia de voltar para me esconder no quarto me parecia incrivelmente correta.
Seguimos para fora da residência e, segundo Peter, os mais velhos já estavam perto do lago, onde o Duque havia me mostrado que ocorreria a prática. A cada passo que eu dava, minha vontade de correr se intensificava e, parecendo perceber isso, Harry segurou na minha mão e eu me virei para ela, o observando erguê-la até a altura de seus lábios para depositar um beijo no dorso.
Suspirei quando chegamos perto do lago, onde o avô de Harry, seu pai e seus tios já se encontravam, todos trajando roupas bem parecidas. O Duque de Edimburgo sorriu na minha direção e se aproximou.
– Está pronta, minha jovem? - neguei com a cabeça, arrancando risadas dos demais e ele me entregou a espingarda. – Apesar do frio, está um belo dia. Acredito que vai ser fácil para você encontrar um alvo.
Balancei a cabeça, embora não tivesse prestado atenção a quase nada que ele falava. Respirei fundo e comecei a escutar realmente quando ele começou a me dizer como mirar e segurar aquela arma que eu nunca havia utilizado. Harry estava a alguns passos de distância e parecia observar a cena atentamente.
– Agora é só atirar. - Philip se afastou, após me ensinar como se posicionar e eu respirei fundo, fechando um dos meus olhos para tentar mirar em alguma coisa.
Era óbvio que eu não atiraria em pássaro nenhum. Tentaria dar um tiro para o alto ou em algum dos troncos daquelas árvores enormes que haviam por ali. Tinha certeza que o Duque ficaria feliz, ao menos, com a minha tentativa, mesmo que absolutamente frustrada.
– Por Deus, menina, atire logo! - o princípe Philip falou num tom entediado e os familiares riram de sua falta de paciência.
Respirei fundo, mais uma vez, e mirei em uma árvore a alguns bons metros de distância. Com o dedo, puxei com força o gatilho da arma que segurava, sentindo-a ricochetear para trás e o barulho da bala saindo. Com o impacto, meu corpo foi para trás, mas eu continuei firme, parada.
Os sons de aplausos e assovios tomaram conta do ambiente e eu soltei um longo suspiro, soltando a arma e devolvendo-a para o príncipe Philip que me encarava com uma expressão divertida.
– Eu não matei nenhum pássaro, matei? - perguntei baixo para Harry quando ele veio me abraçar e ele riu, balançando a cabeça de um lado para o outro.
– Não, meu amor. - me derreti brevemente pelo apelido carinhoso usado por ele.
– Eu realmente não estava apostando em você, . - Autumn disse se aproximando de nós. – Eu fugi quando tive que fazer isso.
– Das mulheres, na verdade, só você e Catherine cumpriram o objetivo. - Mike disse, batendo palmas e eu dei os ombros.
– Quer atirar de novo? - Andrew perguntou com uma feição engraçada no rosto e eu dei os ombros, negando com a cabeça.
– Acho que já atirei o suficiente. - falei, arrancando risadas de todos.
Os mais velhos optaram por continuar com a atividade enquanto nós, os mais novos, retornamos para a residência. Harry comentava ao meu lado da careta que seu avô fez quando eu errei o tiro e eu me sentia tranquila por tê-lo errado.
Quando chegamos à sala, Beatrice era a única sentada no sofá. Harry seguiu com Autumn, Philip e Mike, enquanto eu decidi me sentar com a ruiva para poder conversar.
– Como foi? - Beatrice perguntou quando retornamos e eu soltei uma risada.
– O importante é que acabou, Bea. - respondi, me sentando ao lado dela e ela riu junto comigo. – Aliás, Harry e eu temos um assunto para tratar com você.
– Comigo? - ela riu, balançando a cabeça, sem entender. – Me digam.
– Nós pensamos em viajar no ano novo com os nossos amigos. Pensamos em chamar você e o Arthur. O que acha?
– Achei uma ótima ideia! Nós não tínhamos pensado em nada para a data... - ela sorriu. – Qual é o destino?
– Essa parte nós não pensamos ainda. - ri fraco.
– Ainda não pensaram em que? - uma voz se fez presente na sala e nos viramos, encontrando Eugenie entrando na sala.
– Harry e estão organizando uma viagem para comemorar o ano novo! - Beatrice exclamou com um sorriso no rosto e Eugenie balançou a cabeça, me encarando.
– Você está convidada também, Eugenie. - sorri fraco, tentando demonstrar que eu estava feliz em convidá-la, quando, na realidade, nem me importava muito com ela.
– Eu agradeço o convite. - ela sorriu. – Já tem destino?
– Era o que eu estava falando para a Bea, nós ainda não temos um destino. - ri fraco.
– Tive uma ideia! - Beatrice disse de repente, batendo ocm a mão em sua coxa e sorriu para nós duas. – A família do Arthur é dona de um hotel na Grécia. Nós podemos ir para lá e na noite de ano novo, podíamos ficar no iate deles ao mar para ver os fogos. - ela ergueu as sobrancelhas. – O que acham?
– Incrível! - Eugenie e eu dissemos ao mesmo tempo e nos encaramos, surpresas.
– Quem vocês convidaram? - Eugenie perguntou.
– Skippy e Lara; Guy e Lizzie; Cooper e ; Brandon, meu irmão; e vocês. - respondi, contando nos dedos as pessoas e ela concordou com a cabeça. – Jake e Zoe estarão em lua de mel.
– Acho que vou levar uns amigos... Tudo bem para você? - ela ergueu uma sobrancelha na minha direção e eu tive vontade de rolar os olhos. Era claro que ela se referia a Cressida e eu já estava realmente farta por ela ficar tentando interferir na minha relação com Harry.
Optei por colocar o meu melhor sorriso no rosto. Eu já tinha decidido que não ia deixá-la me atrapalhar e nem ia me aborrecer por causa de Eugenie.
– Claro que sim. Por mim, tudo ótimo.
Eu seria superior.

xxx


– Obrigada, Kimberly. Tenha um bom Natal. - disse para a moça que havia me ajudado a me maquiar e pentear para a missa de Natal. Ela se despediu brevemente e deixou o quarto onde eu me arrumava.
Me encarei no espelho, vendo o vestido vinho que eu havia escolhido para usar na ocasião. Ele era muito parecido com a foto que a senhora Woods havia me mostrado e tinha um caimento perfeito no corpo.
Passei a mão de leve pelo fascinator que eu usava, soltando uma breve risada por me lembrar do casamento de William e Catherine. Eu me lembrava de ter ficado acordada para assistir à cerimônia e o tanto de mulheres que chegavam usando aquela peça na cabeça... As escolhas das filhas do Duque de York haviam sido muito faladas na época. Eu só esperava que o público gostasse da minha escolha para o meu primeiro Natal como membro da família real.
Ouvi duas batidas na porta e antes que eu pudessse falar alguma coisa, vi os cabelos avermelhos de Harry por uma pequena brecha que ele havia aberto. Ele rodou o quarto com os olhos até chegar até mim e sorrir na minha direção.
Wow. - ele riu, entrando no quarto e fechando a porta. – Você está linda.
– Gostou? - perguntei, passando a mão pelo vestido e ele concordou com a cabeça, se aproximando de mim para unir nossos lábios. Segurei seu queixo com uma das mãos para aprofundar um pouco mais o selinho, não me importando muito se borrasse meu batom, e senti seu rosto mais liso. – Você fez a barba. - constatei, após me separar dele e Harry riu.
– Minha avó não é muito fã dos homens da família com pelo facial. - ele deu os ombros e eu rolei os olhos, arrancando uma risada dele.
– Não há possibilidade de você estar usando barba no nosso casamento? - perguntei, soando esperançosa e ele balançou a cabeça.
– É um caso a se pensar. - bati palmas, animada. – Agora, mudando de assunto, eu quero te entregar o seu presente de Natal antes de irmos.
– Harry... - falei, observando-o correr pelo quarto rapidamente em direção ao armário. Ele tirou uma caixa de dentro de uma sacola e voltou, parando em minha frente.
– Feliz Natal. - ele estendeu a caixa na minha direção e eu sorri, pegando de suas mãos para abrir.
Me deparei com um par de brincos em forma de borboleta, cravejados de diamantes que davam uma elegância aquela joia belíssima. Levantei meu olhar, olhando para Harry que me encarava com os olhos brilhando e aguardando uma resposta.
– São lindos, Harry. - sussurrei, me aproximando dele e depositando um beijo em seus lábios. – Vou aproveitar para colocá-los. Pode me ajudar? - ele segurou a caixa e eu retirei os brincos que eu usava, pegando aqueles da caixa e os substituindo.
– Eles eram da minha mãe. - Harry disse enquanto eu checava como os brincos haviam ficado. – São da coleção pessoal dela e eu achei que seria um belo presente para você.
– Eu me sinto honrada em usar uma joia que tenha sido da sua mãe. - sorri na direção dele. – Pelo que escuto, ela foi uma mulher muito forte e lutava por causas muito importantes. Espero que eu possa fazer tão bem quanto ela no papel que eu exercerei como membro da família e espero que ela esteja feliz por você... Por nós.
– Ela está. - ele sorriu, depositando um beijo na minha têmpora.
– Eu comprei um presente para você. - sorri. – Na verdade, é para nós. - caminhei até a minha bolsa, retirando o pequeno envelope dourado que havia ali dentro e me virei para Harry. – Espero que goste.
Ele retirou o envelope das minhas mãos e o abriu rápido, mas com cuidado para não rasgar o que havia dentro. Observei ele retirar uma das fotos que havíamos tirado no nosso ensaio de noivado de lá e sorrir, antes de me encarar.
– Olha atrás. - falei, num tom baixo e ele balançou a cabeça, virando a foto para ler a parte de trás.
Um descanso antes da loucura da reta final de preparação para o nosso casamento. Obrigada por tornar o meu ano perfeito. Amo você. - ele leu o que eu havia escrito na parte de trás da foto e retirou as duas passagens que eu havia colocado grudadas ali, olhando com atenção. – Alpes!
– Consegui limpar a nossa agenda por três dias em janeiro para que a gente possa aproveitar um pouco. - sorri, vendo ele concordar com a cabeça e se aproximar.
– É um ótimo presente. Obrigado. - ele sorriu, colocando a mão na minha cintura e me puxando para unir nossos lábios. Levei uma das minhas mãos para a nuca e arranhei levemente, antes de embrenha-la em seus cabelos.
Ouvimos algumas leves batidas na porta e nos separamos, levemente ofegantes. Harry sorriu na minha direção, guardando o presente de volta na sacola e caminhou até a porta, abrindo a mesma. Logo, a figura de Edward apareceu dentro do nosso quarto.
– Bom dia, senhores. - ele sorriu brevemente em nossa direção. – Está quase na hora de ir.
– Bom dia, Edward. - Harry e eu falamos juntos e soltamos uma risada.
– Já estamos prontos, certo? - ele se virou na minha direção e eu concordei com a cabeça.
– Só preciso colocar meu casaco. - apontei para o armário e peguei meu sobretudo que estava pendurado ali. O vesti e chequei minha imagem no espelho antes de pegar minha bolsa. – Pronta.
– Ótimo. Vamos. - Harry acenou para Edward e ele foi o primeiro a sair do quarto.
Descemos juntos a escada e boa parte da família ainda se encontrava na sala, provavelmente aguardando o momento de sair para a Igreja Santa Maria Magdalena. Harry e eu paramos próximos a William e Catherine.
– Bom dia. Feliz Natal! - sorri, abraçando Kate rapidamente e depois cumprimentando William da mesma forma.
– Como está se sentindo para o seu primeiro Natal com a família? - Kate perguntou em um tom mais baixo e eu sorri, demonstrando um pouco do meu nervosismo.
– Mais ansiosa do que nervosa, eu confesso. - ri fraco e ela concordou com a cabeça.
– Com os anos, esse nervosismo passa.
– Espero que sim. - dei os ombros. – Como nós vamos para a igreja?
– Caminhando. - William respondeu e eu balancei a cabeça. – São cerca de 10 minutos.
– Menos a vovó. - Harry pontuou e eu concordei com a cabeça. Eu realmente não esperava que a Rainha da Inglaterra fosse caminhando para a Igreja.
– Sim, ela foi de carro com o tio Andrew. - William completou e eu concordei com a cabeça.
Os irmãos entraram em um assunto qualquer e eu me virei para Catherine para saber sobre George e Charlotte. Por serem muito pequenos, obviamente, os dois não iriam para missa e ficariam com Maria, a babá, na residência.
Catherine me contava como Lottie era uma bebê tranquila quando fomos informados que poderíamos sair para irmos para a igreja. Logo, senti uma mão sendo entrelaçada na minha e nem precisei olhar para saber que Harry estava se posicionando ao meu lado. Seguimos em direção a porta da frente da casa, andando atrás do Duque de Edimburgo e do Princípe Charles.
Onde está Camila? - sussurrei para Harry, não querendo chamar muita atenção.
Ela não estava se sentindo muito bem. - ele respondeu no mesmo tom e eu concordei com a cabeça, voltando a prestar atenção no caminho que tínhamos pela frente.
Seguimos o caminho pelo meio da propriedade para a igreja. O público estava presente atrás de grades e o caminho todo era repleto de seguranças parados e caminhando junto de nós. Eu segui os movimentos que Catherine fazia ao meu lado e acenava para o público, me lembrando o que a senhora Woods havia me dito, que teria que cumprimentá-los depois da missa.
Exatamente como William havia dito, a caminhada não demorou mais que dez minutos. Nós entramos na igreja e fomos recebidos pelo bispo que iria presidir a missa. Fomos levados até os nossos lugares, no banco atrás da Rainha, e mais uma vez, ficamos perto de William e Catherine, além de Zara e Mike que estavam do lado de Harry.

Eu não tinha o costume de ir à igreja no dia de Natal. Meus pais gostavam de ir e eu ia apenas quando minha mãe conseguia me ganhar na persuasão porque eu não me importava muito.
Eu achava sempre muito maçante e entediante, assim como estava achando a que eu estava presente naquele momento. Eu sabia que haviam câmeras focadas em toda a família, especialmente em mim, mas tentei manter a minha melhor feição de focada em tudo que acontecia, apesar de estar louca para ir embora dali.
Harry segurava a minha mão e, em alguns momentos, fazia leves carinhos com o polegar no dorso dela, atraindo minha atenção para ele que simplesmente sorria quando eu o encarava.
Quase comemorei de alegria quando nos levantamos e eu vi a Rainha passar pelo corredor em direção a saída da igreja.
– Quando chegarmos ao pé da escada e ela acenar em despedida, a gente tem que fazer a reverência. - Harry me instruiu ao pé do ouvido e eu ignorei o arrepio do meu corpo assim como a risada fraca que ele deu ao notar o que havia acontecido.
Fizemos a reverência e a Rainha entrou em seu carro, dessa vez acompanhada pelo marido, para voltar para a residência. Nós seguimos em direção ao público que nos aguardava há algumas horas para cumprimentá-los e agradecê-los.
– Feliz Natal, senhorita Thompson! - uma mulher de meia idade, segurando um menino de cabelos ruivos, disse e eu sorri na direção deles.
– Feliz Natal para vocês. Obrigada por estarem aqui. - agradeci, apertando a mão livre que ela havia estendido na minha direção.
– Este é Noah. Ele é um grande fã do Príncipe Harry. - ela apontou para o menino em seu colo e eu ri fraco, apontando para os cachinhos vermelhos.
– Eu até imagino o porquê.
– Ele tem um presente para ele. Será que a senhorita poderia entregar para ele? - ela cutucou o pequeno, que escondia o rosto em seu pescoço. – Noah, querido, entregue o presente para a senhorita Thompson.
– Só um momento. - pedi, dando um passo para trás e olhei para o lado, procurando por Harry que falava com duas meninas gêmeas a alguns passos de distância de mim. Em uma perfeita sincronia, ele levantou o olhar e sorriu na minha direção. Fiz um sinal com a mão, pedindo para que ele se aproximasse e, logo, ele estava parado ao meu lado. – Este é Noah e ele gosta muito de você. Adivinhe o porquê.
– Hey, Noah. - Harry sorriu, estendendo a mão para o menino que pareceu perder toda a vergonha e segurou a mão dele. – Os ruivos arrasam, certo?!
O menino entregou o presente para Harry e ele agradeceu, se despedindo com um novo aperto de mão. Meu noivo colocou uma mão em minha cintura rapidamente e falou em um tom mais baixo.
– Não fique nervosa. Você consegue. - ele me disse e eu concordei com a cabeça, seguindo para a próxima pessoa na fila.
– Estou muitíssimo animada para o seu casamento. - uma menina que deveria ter uns quinze anos me disse, batendo palmas e eu sorri.
– Imagine como eu estou. - falei, rindo fraco e balançando a cabeça, antes de agradecê-la por estar ali.
Cumprimentei mais algumas pessoas e recebi muitos presentes de Natal para Harry e eu, além de muitas perguntas sobre o nosso casamento e até mesmo se já estávamos pensando em ter filhos. Apenas desconversei, sabendo que eu não poderia dar muitas informações sobre a nossa vida para o público, mas fiquei feliz em não ter feito nada de errado naquele momento importante.

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Naquela manhã de Boxing Day, eu havia acordado com uma ligação de Cooper. Harry ainda estava na cama e, para não acordá-lo, resolvi atender ao telefone no banheiro. Preciso confessar que foi a melhor decisão que eu havia tomado porque eu não queria que ele visse o meu surto naquele momento.
Você já leu o que estão falando sobre você? - Cooper perguntou e eu balancei a cabeça, já que era uma vídeo-chamada.
– Fui tão ruim assim? - mordi o lábio e meu amigo suspirou.
Pelo que eles estão escrevendo, você foi péssima, . - senti o choro ficar preso na minha garganta e antes que eu chorasse na frente de Cooper, encerrei a ligação.
Me sentei sobre a tampa do vaso e acessei o Google pelo meu celular, escrevendo o meu nome na barra de pesquisa para saber se era tão ruim assim a repercussão do meu primeiro Natal.
A primeira reportagem que apareceu foi uma do The Sun. Toquei para que ela fosse aberta e fechei os olhos, ponderando se eu realmente queria ler o que estava sendo escrito sobre mim... Suspirei, abrindo os olhos e voltando a atenção para a tela do celular.

"Fugindo do público?
A noiva do Príncipe Harry, Thompson, marcou presença em seu primeiro Natal em Sandringham, ao lado dos outros membros da família real. O que mais chamou atenção de todos os presentes, além do nervosismo da novata ao falar com o público, foi a forma apressada que ela lidou com eles e a forma contida que ela se expressava.
parecia não estar muito habituada com a situação, completamente diferente da Duquesa de Cambridge em seu primeiro Natal. Naquela época, Catherine já demonstrava que seria uma bela Duquesa e se portava com graça e elegância, cumprimentando a todos e conversando com o público com um gracejo de dar inveja.
As famosas aulas de Princesa parecem ter dado certo apenas para uma das noras do Príncipe Charles. Assim, o que devemos esperar da senhorita Thompson quando ela passar a integrar oficialmente a família? Depois do que vimos hoje, certamente não podemos esperar grandes coisas."



twenty seven.

"É triste quando uma mentira destroi mil verdades e um sentimento."


Harry's POV.

– Está tudo bem? - perguntei, pela milésima vez a . Desde que havíamos saído de Sandringham, ela estava estranha, mas se recusava a me dizer o que estava acontecendo e eu não conseguia decifrar qual era o motivo para ela estar daquela forma.
– Estou ótima. - murmurou com a voz abafada pelo travesseiro. Estávamos deitados na cama, descansando após a longa viagem e aproveitando a folga que estávamos tendo.
– Você não parece ótima. - ela suspirou, fechando os olhos. – Me diga o que aconteceu... Eu fiz algo de errado?
– Você não fez nada de errado. - ela disse séria e eu concordei com a cabeça, esperando que ela dissesse o que havia acontecido, mas como resposta recebi apenas um estalo de língua.
Suspirei, me dando por vencido e entendendo que ela precisava de um tempo sozinha, talvez. Peguei meu celular sobre o criado mudo e me levantei da cama, caminhando em direção a porta.
– Você acha que eu fui bem ontem? - perguntou em um tom tão baixo que eu quase não escutei.
– Você foi incrível. - falei, me virando de frente para a cama no momento em que ela se ajeitava, recostando-se na cabeceira. – Por quê a pergunta?
– Os tabloides disseram que eu estava nervosa, falei muito rápido com as pessoas, não sabia conversar muito e...
– Para os tabloides nós nunca seremos bons o suficiente. - a cortei, falando o que realmente era verdade.
Eu tinha feito algumas burradas na minha vida, mas eu tinha acabado com aquela parte da minha vida e realmente reestruturado a minha vida, mostrando que aquele passado não pertencia mais a minha pessoa, mas eles fazem toda questão de relembrar os erros que eu cometi sempre quando vão me "elogiar" por uma ação.
A mídia inglesa era tão ridícula que me dava nos nervos.
– Eles me compararam à Catherine. - ela suspirou. – Disseram que não podem esperar grandes coisas de mim.
– Eles vão te comparar a Catherine. Vão publicar como seria a minha vida se eu tivesse me casado com Cressida, com Chelsy ou com qualquer ex-namorada que eu tive. Vão te comparar a Camila, a Eugenie, a Beatrice... - suspirei, antes de continuar. – Vão te comparar a minha mãe. - fiz uma pausa, observando . – Eles sempre vão ter alguma coisa negativa para dizer sobre você. Sobre mim. Sobre nós. É o que eles fazem o tempo inteiro. - fiz uma nova pausa. – Catherine é ótima hoje em dia, mas quando ela começou, ela se sentia da mesma maneira que você se sente agora. Ela era e ainda é, muito maltratada pelos tabloides e é por isso que o Will a cerca de tanto cuidado. Nós já sofremos muito por uma pessoa da nossa família sendo tratada dessa forma ruim pelos abutres que não queremos que isso aconteça de novo. - sorri fraco na direção dela. – Eu sei que é difícil saber que eles estão escrevendo coisas ruins sobre a sua pessoa, mas tudo que eu posso te dizer é: não acredite e não aceite nada de ruim que venha deles. Você se saiu muito bem ontem e, se você errou em algum momento, você vai aprender com esse erro e no Natal do próximo ano, você não irá cometê-lo. - suspirei. – Se tem uma coisa que eu aprendi é que sempre estamos abertos para a evolução e não nos resumimos aos nossos erros.
– Certo... - fez uma pausa e passou uma das mãos pelo rosto. – Eu só me sinto mal com isso.
– Não sinta. - dei os ombros, me sentando na beirada da cama. – Você foi incrível.
– Já falei que eu te amo? - ela sorriu na minha direção e esticou o corpo para frente, unindo nossos lábios.
Depositei o peso do meu corpo sobre o dela, fazendo com que ela se deitasse na cama, enquanto eu ficava por cima e descia os beijos para o seu pescoço. Os suspiros e gemidos de soaram como músicas para o meu ouvido.
E eu estava cada vez mais apaixonado por ela.
Não tinha mais para onde fugir.

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– Que bom que vocês vieram. - sorri para William e Catherine. Eles estavam prestes a ir para Norfolk com as crianças para passarem o Ano Novo com os Middletons, mas nós precisávamos falar com ele sobre a ideia de para a instituição.
– Ficamos curiosos com o convite, admito. - Will riu e Catherine balançou a cabeça de forma positiva. Encarei para que ela começasse a falar sobre sua ideia e ela respirou fundo antes de se virar na direção de nossos convidados.
– Eu andei pesquisando e cheguei à ideia de criar uma fundação focada na saúde mental de jovens e adultos. Pensei que poderíamos unir algumas das instituições já existentes e apoiá-las, através da nossa Royal Foundation, e criar uma unificação chamada Head's Together. - ela sorriu. – Seria, basicamente, uma forma de conscientização sobre a saúde mental dos jovens e adultos. Achei que seria legal se fosse um projeto em que nós quatro estivéssemos envolvidos para divulgar e participar de ações.
– A teve essa ideia de nós chamarmos algumas celebridades para conversar sobre a saúde mental. Assim, a gente atrairia a atenção dos jovens para o projeto. - completei. – O que vocês acham?
– Eu achei uma ideia incrível. - Catherine sorriu em nossa direção e William balançou a cabeça de forma positiva. – Nós temos realmente acesso a pessoas importantes e podemos chamá-los para tratar do assunto.
– Eu andei pesquisando e conversando com algumas pessoas. - sorriu fraco. – Conversei com o Setphen Lloyd, ele é responsável pela Young Minds, e a nossa primeira campanha seria para a Virgin Money Marathon. Nós iríamos conhecer alguns dos corredores que possuem doenças mentais e lançaríamos a nossa campanha a partir daí.
– Essa parte de conversar com celebridades ficaria para depois? - William perguntou e eu concordei com a cabeça.
– Sim. Acho que poderia ficar para um segundo momento. - ela deu os ombros e permaneceu em silêncio, nos encarando e aguardando respostas.
– Eu mantenho o que disse antes. - Kate sorriu – Achei tudo incrível. E fico feliz que você tenha encontrado uma área para trabalhar.
– Concordo com Catherine. - William sorriu. – Nós só precisamos ajustar as nossas agendas para que possamos participar da campanha, mas acho excelente a ideia.
– Eu já tinha achado a ideia muito boa, mas agora que fiquei sabendo como você planeja executar, achei melhor ainda. - sorri, me aproximando de para depositar um beijo em sua bochecha. – Estou muito orgulhoso de você.
– Não é fácil encontrar instituições para apoiar, muito menos, criar uma. Você realmente está de parabéns, . - Catherine sorriu docemente antes de se virar para o marido. – O que me lembra uma coisa... Você trouxe?
– Eu pedi para o OP ir buscar e esperar eu ir pegar. - William respondeu, fazendo com que e eu nos olhássemos, sem entender.
– Ahn... - iniciei, devagar . – Do que vocês estão falando?
– Do presente de Natal para vocês! - Catherine bateu palmas e eu soltei uma risada.
– Eu vou buscar. - William se levantou do sofá e antes que ele voltasse, Catherine começou a falar.
– Quando William e eu nos casamos, nós recebemos de Charles um presente que marcou o início da nossa vida de casal. O início da família que nós queríamos formar. - ela sorriu e eu forcei a memória, tentando me lembrar qual era o presente que eles haviam ganhado à época. – A gente espera que faça o mesmo sentido para vocês e que seja o início da família que vocês irão formar.
Assim que Catherine terminou de falar, William voltou para dentro de nossa casa com uma bolinha branca com manchas em tom caramelo em suas mãos. Sorri, percebendo que se tratava de um filhote com um enorme laço vermelho preso em seu pelo.
– Eu não acredito! - murmurou antes de soltar um gritinho e correr até meu irmão para retirar o pequeno cachorro de seus braços. – Oh, meu Deus. É a coisa mais linda! Olha, Harry!
Me aproximei, colocando a mão na cintura de e aproximando meu rosto do cachorro que estava em seus braços. Levei minha mão até sua cabeça, fazendo um carinho entre suas orelhas e o bichinho colocou a língua para fora, tentando lamber o rosto de que riu alto.
– É um Jack Russel Terrier. - William disse após alguns minutos e eu concordei com a cabeça, reconhecendo a raça do cachorro. – Nós somos patronos daquela instituição que cuida de animais abandonados e, antes do Natal, fizemos uma visita. Kate deu a ideia de adotar um e dar de presente para vocês, assim como nosso pai fez com Lupo. - ele sorriu. – Espero que tenham gostado.
– Está brincando comigo? - riu alto, se virando na direção do meu irmão, que já havia voltado a se sentar ao lado da esposa. – É o melhor presente que eu já ganhei, Will! - eles riram da animação da minha noiva e eu os acompanhei.
– Vocês precisam escolher um nome. - Kate nos lembrou e eu me sentei no sofá, enquanto continuava em pé com o cachorro em mãos.
– É macho ou fêmea? - perguntei, encarando os dois.
– É macho. - William respondeu e eu encarei , esperando que ela que escolhesse.
– Cookie? - ela se virou na minha direção com a testa franzida e eu balancei a cabeça de um lado para o outro.
– Cookie? - repeti, negando com a cabeça mais uma vez. – Soa muito americano.
– Nós nem falamos cookie. - William deu sua opinião e eu concordei com a cabeça.
– Você tem alguma ideia de nome melhor? - arqueou a sobrancelha na minha direção e eu sorri.
– Biscuit. - jogou a cabeça para trás, soltando uma longa risada, antes de virar a atenção para o cachorro que tinha em seu colo. Ela repetiu o nome, recebendo uma lambida no rosto e virou na minha direção.
– Parece que ele gostou do nome. - sorri com a cena, apenas observando a forma doce que ela segurava e brincava com o cachorro em seu colo.
William e Kate comentavam alguma coisa, mas suas vozes pareciam longe naquele momento. A única coisa que eu via era com Biscuit em seu colo.
Porém, a voz do meu irmão me trouxe de volta para a realidade e me fez ter aquela culpa que se tornara um sentimento frequente.
– Agora, vocês são oficialmente uma família.

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– Nossa última reunião do ano. Isso não é maravilhoso? - meu pai abriu as portas de seu escritório com um grande sorriso no rosto e eu tive que rolar os olhos pela alegria dele.
– Maravilhoso seria se eu tivesse minha vida pessoal controlada por você. - disse num tom sarcástico e esperei ele sentar na cadeira a minha frente para que pudéssemos começar logo aquela reunião.
– Ora, meu filho, eu não tenho controlado tanto você. Você é livre para fazer o que quiser com a sua vida, desde que mantenha o seu relacionamento e uma boa aparência para o público. - ele deu os ombros.
– Que ingrato eu estou sendo, não? Reclamar de tamanha liberdade! - balancei a cabeça de um lado para o outro e soltei um suspiro.
– Não vou levar em conta esse seu comentário ácido e vou seguir o assunto. - ele prontamente me ignorou e retirou uma folha de dentro de uma das gavetas de sua mesa. – Estive conversando com a sua avó. Parece que o The Sun pegou um pouco no pé da sua noiva no Natal, não foi?
– Sim. Ela chegou a ficar um pouco sentida com isso.
– Oh, diga a ela que precisará se acostumar. - meu pai deu os ombros. – Como vocês estão no centro das atenções no momento e toda a imprensa quer ver o comportamento da senhorita Thompson, vocês irão substituir William e Catherine no Royal Variety que a Rainha é patrona.
– Teremos que conhecer os cantores?
– Sim... Jacob me disse que esse ano terá alguns nomes novos do cenário musical, mas admito que não os conheço. - ele deu os ombros. – Chegar, assistir aos shows e cumprimentar os artistas. Não é nada muito pesado e vocês fecham o ano de vocês.
– Certo. Falarei com a . - dei os ombros.
Era realmente um evento considerado fácil porque a imprensa não ficaria dentro do teatro, então poderia se sentir mais confortável. Sem contar que era apenas para assistir a shows e curtir. Ela tiraria de letra.
– Agora, precisamos conversar sobre o seu casamento. - ele sorriu. – No ano que vem, sua avó começará a tratar com você as formalidades necessárias para a data.
– Que tipo de formalidade? - balancei a cabeça, sem entender o que se tratava.
– Primeiro, a sua barba. - Charles riu sem humor. – Você sabe que ela não é fã dos homens da família com pelos faciais, ainda mais se for em uma data tão importante quanto o seu casamento. - dei os ombros, mas concordei com a cabeça.
No Natal, havia comentado sobre sua afeição pela minha barba e eu havia optado por não raspá-la para poder agradar minha noiva. Embora, eu soubesse que provavelmente, teria que tirar para o casamento.
– Segundo, o título que você e sua noiva terão após o casamento. É certo que receberão, ao menos, três títulos como seu irmão e sua cunhada.
– Certo. - balancei a cabeça. – Ela que escolherá os títulos?
– Sim. Há dois ducados vagos e ela escolherá. - ele deu os ombros. – Harry, acho importante falar para você que o seu trabalho não termina depois do casamento.
– Como assim?
– É claro que vocês conseguiram aumentar os números da nossa aprovação. O público gostou da sua noiva e gosta de acompanhar vocês dois em eventos. Sem contar que a imprensa está comentando sobre ela.
– Não de uma maneira muito positiva... - o interrompi, erguendo as sobrancelhas.
– De qualquer forma, estão falando de vocês. Eles querem que vocês façam eventos para poder escrever e publicar, mesmo que seja algo ruim. - meu pai deu os ombros. – Agora, voltando ao assunto principal... O seu trabalho não termina após o casamento. Eu preciso que você entenda que será um esforço contínuo seu e da sua futura esposa em prol da nossa família e de tudo que nós representamos. Entende?
– Entendi. - respondi em um tom mais baixo e meu pai sorriu antes de continuar falando.
– O seu primeiro ano de casamento tem que ser bem visto para o público. Jacob e Edward estão trabalhando para produzir uma boa agenda para vocês, com bastantes eventos e viagens. Porém, além de um casamento, há uma outra coisa que atrai a atenção do público.
– O que?
– Um bebê.
Pisquei algumas vezes e engoli seco a palavra que ele tinha acabado de terminar. Tossi de leve, me arrumando na poltrona em que estava sentado e voltei a encarar o homem sentado a minha frente. Charles mantinha sua pose cheia de pompa e elegância, como se aquela conversa toda não alterasse em nada sua vida.
Na realidade, só alterava toda a minha vida. Eu realmente estava gostando de , estava apaixonado por ela, mas eu não conseguia pensar em como continuar com aquela relação sem que ela soubesse de toda a verdade. Eu seguia dia após dia, com a intenção de contar a ela tudo que estava acontecendo, mas tinha medo do futuro e o pior: tinha medo dela abandonar tudo.
– Papa... - comecei, após longos minutos em silêncio. – Eu nem sei por onde começar sobre essa ideia absurda.
– Não é uma ideia absurda, Harry. Você sabe que nós projetamos nossa vida para o futuro, para que a nossa família siga por anos representando a nação. - ele fez uma breve pausa. – Você sabe que a família e a própria imprensa não veria com bons olhos a possibilidade de vocês não terem um bebê.
– Eu já achei a história do casamento um grande absurdo, mas eu acabei me deixando entrar nisso porque eu não tinha para onde fugir. Mas a ideia de colocar uma criança no meio dessa história toda, apenas porque vocês e a imprensa não podem conviver com a ideia de um casal que não quer ter filhos é uma tolice absurda.
– É meio em que vivemos, Harry. Sempre foi assim e sempre será, cabe a nós aprender e conviver com isso.
– Conviver com isso. - suspirei e balancei a cabeça de um lado para o outro. – É uma ideia absurda. Não vou cumprir isso apenas para deixar terceiros felizes.
– Como eu disse, Harry, nós precisamos de vocês. Acredito que já passou da hora de você entender que não há volta na sua vida e que você precisa se entregar a esse casamento. E, em consequência, em tudo que vier dele.
– Uma coisa é se casar, pai. Outra coisa é ter um filho porque outras pessoas querem e não por amor. Eu não acho isso justo, especialmente com que não sabe nada dessa história.
– Ora, Harry, você quer que eu acredite não acontece nada entre vocês? Dois jovens, vivendo juntos há quase um ano sob o mesmo teto? - ele riu alto. – Eu conheço você e sei que você não está se encontrando com nenhuma outra mulher. Tem se mantido fiel a essa história toda, a sua noiva...
– Como... Como você sabe disso? - balancei a cabeça, passando a mão pelo rosto, não entendendo como ele sabia daquilo.
– Eu tenho meus informantes, filho. - ele sorriu, dando os ombros. – O que eu quero que você saiba é que eu sei o que acontece na sua vida e nós temos um caminho para você seguir. Farei de tudo que estiver ao meu alcance para que você, e sua futura esposa, não saiam dele.
– Eu sou uma marionete, então? Minha vida vai ser comandada por você?
– Sua vida profissional. Sua vida pessoal, o que você faz dos portões do Kensignton para dentro, desde que não afete o seu trabalho ou a nossa família, não me importa. - soltei um suspiro, completamente exausto com aquela conversa.
– Você tem algo mais para dizer?
– Harry, não fique magoado com...
– Se o senhor não tem mais nada para dizer, eu estou indo embora. - me levantei da poltrona, dando as costas para o meu pai e caminhando em direção a saída do escritório.
A primeira coisa que fiz foi afrouxar a gravata que eu usava quando cheguei do outro lado da porta. Mas, é claro que aquilo não adiantou, porque eu me sentia absurdamente sufocado e não era por aquela peça, era pelo fato de ter que conviver com meu pai controlando a minha vida.
Ter um filho.
Um filho.
Se fosse uma escolha minha com a mulher que eu amava, eu estaria feliz, sem nenhuma dúvida. Mas eu estava sendo forçado a ter um bebê com ela. Uma situação completamente diferente e só demonstrava como eu não tinha mais controle da minha vida.
Eu me sentia vivendo uma vida que não era minha e não tinha nada que eu pudesse fazer a não ser viver daquela forma.


A conversa com meu pai ainda ecoava na minha mente. Em especial, o fato dele saber sobre o que eu estava comprometido à e a maneira que ele havia dito que tinha informantes sobre a minha vida. Desde quando e quem eram os informantes, eram as duas perguntas que eu tinha na minha cabeça.
Observei Dave e Maik no banco da frente da Rover. Dave estava ao meu lado há mais tempo e Maik tinha menos tempo de trabalho, mas os dois me acompanhavam para todos os lugares que eu ia. Eles tinham acesso as minhas saídas, já que era proibido ir sem eles, e poderiam ser facilmente os informantes.
– Está tudo bem, senhor? - Maik perguntou, me encarando pelo espelho retrovisor e eu despertei dos meus pensamentos, limpando a garganta antes de começar a falar.
– Ahn... Tudo bem.
– Nós já chegamos a sua residência. - ele anunciou, apontando para o lado de fora do carro e eu me movimentei, percebendo que, de fato, estávamos parados em frente à entrada do meu apartamento.
– Certo. Obrigado, rapazes. - acenei, abrindo a porta do carro e descendo do mesmo. Dei alguns passos em direção à minha casa, mas retornei. As perguntas ecoavam na minha mente e eu precisava fazê-las.
Girei meus calcanhares, retornando em direção ao carro e Maik abaixou o vidro do carona.
– Preciso fazer uma pergunta a vocês. - falei, parando próximo a janela.
– Algum problema, senhor? - Maik perguntou.
– Vocês trabalham comigo há algum tempo já. Hoje, uma pessoa, que não convive tanto comigo, me falou coisas que não teria como ela saber. - suspirei. – Desculpem perguntar isso, mas... Eu posso confiar em vocês?
– Senhor, eu não compartilho detalhes da sua vida ou rotina com ninguém. Nem mesmo com a minha esposa. - Dave riu fraco. – O senhor pode confiar em mim. Estou sempre a sua disposição e pronto para servir a Corte.
– Eu também não falei nada, senhor. Não é do meu feitio falar sobre a vida pessoal dos outros. - Maik respondeu e eu concordei com a cabeça após examinar a feição dos dois por alguns instantes.
– Certo... Acho que são só coisas da minha cabeça. - suspirei mais uma vez. – Tenham uma boa noite, Dave e Maik. - acenei para o meu segurança e segui o pequeno trajeto até a minha casa.
Abri a porta, estranhando não encontrar sentada no sofá e por não ter sido recebido por Biscuit. O pequeno já nos recebia sempre que chegávamos em casa, bastante animado após algumas horas sozinho.
Retirei o paletó e a gravata, jogando as duas peças sobre o sofá e segui em direção à escada, subindo rapidamente. Passei pelo pequeno corredor do apartamento e quando estava próximo da porta do quarto, pude ouvir um som abafado de um choro.
Suspirei, travando a mão sobre a maçaneta por alguns breves segundos enquanto minha mente trabalhava a mil por minuto.
Ela tinha descoberto?
Era outra matéria do The Sun?
O que tinha acontecido com ?
Respirei fundo, abrindo a porta lentamente e encontrando sentada na cama, abraçada a suas pernas e com o rosto escondido. Biscuit estava deitado próximo ao pé dela, como se sentisse que o momento não estivesse muito bom.
? - a chamei num tom baixo para não assustar e me aproximei da cama. – ? - a chamei mais uma vez e ela ergueu a cabeça para me encarar. Seu rosto abatido e molhado pelas lágrimas acertou em cheio meu peito, fazendo com que eu me sentasse em frente a ela. – O que aconteceu?
– Brad foi chamado para uma missão. - ela disse entre o choro e soltando um longo suspiro.
Suspirei também, me aproximando dela e a puxando para um abraço. encostou a cabeça no meu peito, enquanto eu passava os dedos pelos seus cabelos de uma forma bem devagar.
– Quando ele vai? - perguntei, num tom mais baixo.
– No início do ano. E ele não sabe se conseguirá voltar para o nosso casamento.
– Eu imagino que seja doloroso, , mas é o que ele escolheu para a vida dele. - comecei um pouco devagar para que ela não ficasse chateada com o que eu falasse, mas ela parecia entender uma vez que o choro havia cessado. – Nossa vida é feita de escolhas. Você não escolheu se casar comigo e entrar para a família real por consequência? - ela balançou a cabeça positivamente e eu soltei uma risada fraca. – Ele escolheu fazer parte do exército. E tem que lidar com as consequências da escolha dele.
– Eu sei... - ela soltou o ar. – Eu só queria meu irmão aqui no nosso casamento.
– Pensamento positivo: ele vai estar. - sorri, puxando-a para perto de mim e depositei um beijo casto em sua testa.
– Obrigada por me acalmar. - ela sorriu sem graça. – Eu amo você.
– Sempre que precisar. - sorri. – Nós estamos juntos.

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e eu chegamos ao Royal Variety faltando 40 minutos para o início dos shows. Do lado de fora do teatro, o público gritava por nós, assim como a imprensa que disparava os seus flashes em direção ao nosso carro na busca da melhor foto.
Desci do veículo, o contornando para encontrar minha noiva do outro lado. Para a ocasião, havia optado por um vestido azul marinho. Seus cabelos caíam pelos ombros, demonstrando o volume que aqueles cachos tinham e que era absurdamente lindo.
Segurei em sua mão, entrelaçando nossos dedos e pouco me importando para os protocolos a respeito dos contatos em público. Eu precisava ter certeza que ela estava se sentindo bem em meio àquela loucura inicial.
Cumprimentamos o funcionário que nos levaria até a área onde ficaríamos para assistir aos shows, entrando, finalmente, dentro do teatro e eu soltou um contido suspiro. Segurei a minha risada, percebendo que ela estava aliviada que a pior parte tinha passado. Afinal, eu sabia que a imprensa não era fácil, especialmente com ela.
– Estou um pouco animada para assistir esses shows. - ela comentou baixo enquanto nos sentávamos em nossos lugares. Cumprimentei algumas pessoas que estavam por lá também.
– Por favor, me prometa que não vai agir como uma fã louca aqui do meu lado. - respondi, no mesmo tom usado por ela, e soltei uma risada fraca. – Acho que o The Sun não vai curtir muito a futura Duquesa surtando no show do Ed Sheeran.
– Vou deixar o surto por ele para o nosso casamento. - ela piscou na minha direção e eu concordei com a cabeça. – Nós vamos assistir ao Little Mix. Elas são incríveis!
– Confesso que não as conheço muito bem. - dei os ombros. – Estou mais ansioso para ver Robbie Williams e Ellie Goulding.
– A Ellie é incrível também! - riu. – Também estou ansiosa para assisti-la.
A nossa breve conversa cessou no momento em que o mestre de cerimônia do Royal Variety subiu ao palco, iniciando seu discurso de abertura do evento. Estiquei meu braço, deixando minha mão repousar sobre a coxa de e logo senti sua pequena mão sobre a minha.
– ... Gostaríamos de agradecer a presença de Sua Alteza Real, o Princípe Harry, com sua noiva, a senhorita Thompson, em nome de Sua Majestade, a Rainha Elizabeth. - o apresentador disse e uma luz surgiu sobre e eu. Sorri, apesar da surpresa, e acenei para o público, assim como ela fazia ao meu lado, recebendo uma chuva de aplausos e alguns gritinhos. – Espero que gostem das apresentações. Estou ansioso para vê-los curtindo algumas de nossas músicas.
Acenei com a cabeça, soltando uma risada fraca e logo a primeira performance foi anunciada. aplaudiu animada quando a figura de Ellie Goulding subiu ao palco para se apresentar.


Após quase duas horas e meia de apresentações, e eu saímos da área em que estávamos assistindo as performances e fomos levados para os bastidores, onde iríamos conhecer os artistas que haviam se apresentado.
Cumprimentei alguns artistas ainda não tão conhecidos, mas que se apresentaram muito bem naquela noite e troquei algumas palavras com eles. Para falar a verdade, já estava exausto e louco para voltar para meu apartamento.
– Alteza. - Ed Sheeran abaixou a cabeça em sinal de respeito a nós e eu sorri, estendendo a mão para cumprimentá-lo.
– Ed! Como você está?
– Estou bem. É sempre um prazer se apresentar no Royal Variety. - ele balançou a cabeça de maneira positiva, mostrando-se um pouco tímido com os flashes disparados em nossa direção.
– É sempre um prazer ouvi-lo. - sorri e apontei para , que estava a alguns passos de distância de mim, terminando de conversar com Robbie Williams. – Minha noiva é uma grande fã.
– Fiquei sabendo. - ele riu fraco. – E fiquei honrado com o convite. Estou ansioso para o próximo ano.
– Acho que só não está mais ansioso do que nós. - falei e senti as mãos de sobre os meus ombros. Ela sorriu na direção do outro ruivo, estendendo a mão para cumprimentá-lo.
– Parabéns pela apresentação, Ed. Achei incrível, como sempre. - ela sorriu.
– Obrigado, senhorita Thompson. Estava falando com seu noivo que estou ansioso para o próximo ano e agradecido pelo convite que fizeram. - Ed balançou a cabeça.
– Nós ficamos felizes que você tenha aceitado! Tenho certeza que só ajudará a tornar o nosso dia inesquecível.
Nos despedimos de Ed e demos mais alguns passos para que pudéssemos falar com Ellie Goulding. A cumprimentei com um aperto de mãos e ri fraco ao ver não controlar a fã que existia dentro dela, se aproximando para dar um abraço na cantora a nossa frente.
– Desculpe! - riu, sem graça. – Sou uma grande fã do seu trabalho.
– Obrigada, senhorita. - Ellie agradeceu e eu sorri. – Parabéns, bastante atrasado, pelo noivado de vocês. Imagino que será um casamento lindo.
– Nós agradecemos, Ellie. - sorri. – Estamos um pouco ansiosos, mas muito felizes.
Cumprimentamos mais alguns artistas e quase ergui as mãos para agradecer a Deus quando percebi que estávamos livres para ir embora para casa. Eu sempre achava esses eventos teatrais e musicais os mais longos. Embora eu gostasse, sempre acabava entediado e morrendo de vontade de chegar em casa logo para deitar na minha cama.
– Estou cansada! - comentou, retirando os saltos assim que entrou no carro.
– Nem me fale! - ri fraco, afrouxando a minha gravata. – Estou morrendo de sono.
– Mas foi uma noite muito boa. Me diverti bastante e curti. - ela sorriu. – Se todos os eventos fossem como esse, eu ficaria mais feliz.
– E a vida da realeza seria muito fácil. - dei os ombros, arrancando risadas e uma confirmação dela.

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– Vou tomar meu café e encontro você no escritório, Edward. - falei para o meu secretário, que acabava de entrar no meu apartamento. Ele esticou a mão na minha direção e eu percebi que ele segurava o jornal.
– Acho que é bom dar uma lida. - ele sorriu de lado. – Estarei no escritório, senhor.
Agradeci, seguindo em direção a cozinha, onde Daisy já havia colocado a mesa para o café. ainda estava na cama, então eu me sentei a mesa e me servi de café para que pudesse começar bem o meu dia. Mesmo sabendo que aquele jornal não ajudaria nesse processo.
Dei um gole na bebida quente e abri o jornal, dando de cara com uma foto minha e de chegando ao Royal Variety na noite anterior. A manchete era sobre a nossa presença, mas não tratavam pelo tratamento correto.

"Princípe Harry e a fangirl: os substitutos nos fizeram sentir falta da elegância do Duque e da Duquesa de Cambridge no Royal Variety.

Encerrando o ano de trabalho, o Princípe Harry e sua noiva, Thompson, foram ao Royal Variety no lugar do Duque e da Duquesa de Cambridge - que aproveitam uns dias de descanso com a família Middleton.
O que chamou a atenção na noite foi a animação de Thompson que, durante todo o evento, se comportou como uma verdadeira fangirl e não como um membro da realeza de nosso país. A cereja do bolo foi o abraço animado dado por ela na cantora Ellie Goulding, quando o casal foi cumprimentar os nomes famosos que se apresentaram no evento.
A própria Ellie pareceu surpresa com a atitude de Thompson. Assim como nós.
Tentamos ficar otimistas com o casamento do Princípe Harry e de Thompson, mas os deslizes recentes e o comportamento da jovem nos mostram que não há de se esperar muita coisa boa de sua parte.
O que será que Sua Majestade tem a comentar sobre isso?"

Rolei os olhos, com vontade de amassar aquele jornal e jogá-lo no lixo. Estava prestes a tomar um novo gole do meu café, quando percebi uma presença ao meu lado e ergui o meu olhar, encontrando parada próxima à mesa com os olhos fixos ao jornal.
– Eles estão falando mal de mim, não é? - ela perguntou, com a voz baixa e mostrando-se, mais uma vez, afetada pelo jornal.
– Eles parecem que nunca têm algo de bom para falar de nós. - suspirei, amassando o jornal antes que ela se esticasse para pegá-lo.
– Harry...
– Não vamos dar audiência para eles, ok? - a interrompi, me levantando da cadeira. – Vamos focar em nós, no nosso casamento e nossa vida. O que é de fora, fica lá fora.
– Eu estou fazendo o melhor que eu posso e ainda assim, eles...
– Eles vão sempre falar. - a interrompi mais uma vez, vendo-a suspirar. – Cabe a nós não escutar nada. - coloquei minhas duas mãos em seu rosto, fazendo com que ela me encarasse. – Entendido?
concordou com a cabeça, sorrindo fraco e nós trocamos um selinho casto. Terminei de tomar meu café e anunciei que iria me encontrar com Edward no escritório. Fiz questão de carregar o jornal comigo para que pudesse passá-lo no picador de papeis da minha sala.
E, se eu pudesse, faria o mesmo com todos os jornais dessa droga de país.


twenty eight.

"Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades."


's POV.

A cada casamento que eu assistia, eu me sentia ainda mais nervosa e ansiosa para o meu. Eu sabia que todos os que eu já tinha ido eram totalmente diferentes do casamento que eu teria, mas não podia deixar de me sentir nervosa com o pensamento no meu casamento.
Eu conseguia me ver vestida de noiva, já imaginava Harry vestindo o seu uniforme e todas as pessoas do lado de fora da capela à espera do nosso beijo como marido e mulher. Seria algo tão lindo, apesar de ainda me causar um leve medo.
– Ansiosa para o seu? - Lara perguntou enquanto saíamos da cerimônia de Jake e Zoe. Os dois tinham selado o seu amor em uma cerimônia simples, mas incrivelmente emocionante que contou com um discurso até de Harry sobre a história de amor dos amigos.
– Muito! - soltei uma risada e balancei a cabeça. – Preciso me preparar emocionalmente porque eu não posso chorar no meu casamento.
– Não pode mesmo! - Lara riu – Você vai ser a noiva mais linda que essa família real já viu.
– Amiga, só você! - soltei uma gargalhada, concordando com a cabeça. – O vestido está tão lindo que eu ainda nem acredito que vou usá-lo na cerimônia.
– E a tiara? Já sabe qual vai usar? - Lara juntou as mãos, demonstrando a ansiedade sobre o assunto e eu balancei a cabeça de um lado para o outro.
– Ainda não. - mordi o lábio. – Minha secretária disse que no início do ano que vem vamos decidir essas coisas, mas eu não sei ainda.
– A que a mãe do Harry usou no casamento dela era linda. - Lara comentou e eu concordei com a cabeça.
– Era linda mesmo, mas eu acredito que já foi usada pela Catherine. Acredito que seja uma das joias que ela recebeu de presente da coleção da Diana. - falei. Como Harry já havia me dado presente que pertenceu a sua mãe, eu imaginava que William deveria ter feito a mesma coisa com sua esposa. Ainda mais se tratando de uma tiara tão linda como aquela.
– Ela tinha um estilo único para aquela época, não é? - Lara riu fraco.
– Um verdadeiro ícone fashion. - sorri, me lembrando de algumas vezes em que eu já havia pesquisado sobre o estilo de Diana no Google e que ela era, de fato, um ícone da moda.
Lara entrou em uma conversa com Melissa Percy, esposa de um outro amigo de Harry, e eu não me inteirei no assunto. Optei por correr meus olhos pelo imenso salão onde acontecia a celebração e encontrei Jake e Zoe dançando animadamente na pista de dança. Os dois estavam exalando felicidade e era incrível poder sentir o amor que eles tinham um pelo outro apenas de olhá-lo.
Fechei meus olhos por alguns instantes e consegui imaginar aquela cena acontecendo comigo e Harry em poucos meses. Seríamos nós dançando naquela felicidade durante o nosso casamento e eu já conseguia imaginar todos os presentes felizes por nós, assim como eu estava naquele momento pelos meus amigos.
– Um beijo pelos seus pensamentos. - a voz baixa de Harry sussurrou no meu ouvido e eu me assustei ao mesmo tempo em que eu sentia um arrepio percorrer o meu corpo por conta daquela voz.
Abri meus olhos, encontrando aquelas írises que eu tanto amava, me encarando de volta. As bochechas estavam mais vermelhas que o normal, demonstrando que ele já havia bebido um pouco além do normal e eu sorri, erguendo meu braço e encaixando minha mão em seu rosto, fazendo um carinho em sua bochecha com meu polegar.
– Estava vendo Zoe e Jake e sonhando com o nosso dia. - comentei no mesmo tom de voz que ele havia usado anteriormente e ele sorriu, virando o rosto e dando um beijo na palma da minha mão.
– Com o quê exatamente? - ele perguntou e eu soltei uma risada fraca.
– Com tudo, na verdade. - suspirei. – Pensei em como as pessoas poderão sentir o amor que temos um pelo outro só de olhar para nós e como seremos felizes.
Harry fechou os olhos por alguns segundos e pareceu absorver o que eu havia dito. Quando ele reabriu os olhos, sorriu levemente em minha direção e beijou novamente a palma da minha mão.
– Eu amo você, Harry. - falei, após aqueles minutos em silêncio. – De verdade, eu amo você.
– Eu também, . - ele balançou a cabeça. – Independente do que aconteça.
Foi a minha vez de balançar a cabeça, sem entender a frase que ele havia dito, mas antes que eu pudesse perguntar alguma coisa, Harry selou nossos lábios em um beijo apressado. Coloquei minha mão em seus cabelos, acariciando sua nuca e aproveitando aquele nosso momento.
– Por favor, arranjem um quarto! - a voz de Skippy fez com que nos afastássemos dando risadas e eu senti minhas bochechas queimando pela vergonha, mas sentia meu coração palpitando forte.
Eu amava aquele ruivo.
xxx


– Eu tento não ficar chocada com o seu novo estilo de vida, mas seu noivo acabou de tornar essa tarefa impossível. - comentou ao meu lado enquanto seguíamos para o jatinho que Harry havia conseguido para nos levar para a Grécia.
– Eu estou achando tudo incrível. - foi a vez de Cooper falar e eu ouvi uma risada fraca vindo de Lara.
– Eu nem preciso dizer para você se comportar, não é? - rebateu e eu podia ouvir as risadas de Lara.
– Eles são muito divertidos! - Lara comentou e eu concordei com a cabeça.
– Aliás, Lara, nós precisamos te informar que estamos organizando a despedida de solteira da ! - Cooper disse animado e Lara concordou com a cabeça. – Vai ser no antigo apartamento dela e contamos com você!
– Oh, eu não perderei esta por nada! - ela bateu palmas e eu balancei a cabeça de um lado para o outro. – O que vocês estão programando em fazer?
– Desde que não tenha strippers, está tudo bem. - Thomas se pronunciou e nós demos risadas.
– Por que essa vai ser a de vocês? - Lara indagou ao namorado, erguendo uma sobrancelha e eu abri a boca, surpresa com o comentário dela.
– Claro que não. - Thomas balançou a cabeça. – Nossa época de farra pesada já passou. Estamos velhos e a imprensa já pega no nosso pé demais.
– Bom saber disso, Skippy. - Lara cerrou os olhos e recebeu um beijo na bochecha por parte do namorado.
– Vamos embarcar? - Harry apareceu perto de nós, com os braços abertos. Todos concordamos com a cabeça e fomos em direção a aeronave.
– Apenas nós estamos indo hoje? - perguntei e Harry afirmou com a cabeça.
– Só nós estamos faltando. - ele riu.
– Van Straubenzee também está lá. - Thomas falou após checar alguma coisa em seu celular e Harry balançou a cabeça enquanto entravámos no jato.
– Melissa também? - Lara perguntou, se acomodando em uma das poltronas e eu percebi os olhares perdidos e curiosos de e Cooper na minha direção. Balancei a cabeça, murmurando que depois apresentaria quem eram os citados.
– Acho que não. - Thomas soou incerto e meu noivo deu os ombros, sem saber.
– Naquele baile que a Genie organizou, eles estavam meio afastados. - a moça completou e recebeu acenos positivos com a cabeça dos outros dois. – Será que estão se separando?
– Acho que vamos descobrir quando chegarmos, Lara. - Harry riu. – Van Straubenzee não perderia a oportunidade de contar que está solteiro.
– Oh, isso é verdade! - Thomas riu, guardando o celular de volta no bolso e jogando o corpo em uma outra poltrona.
Ri do jeito que ele estava desleixado e me sentei na poltrona de frente para enquanto Cooper estava de frente para Lara; Harry estava do outro lado, separado de mim pelo corredor da aeronave, com Thomas ao seu lado.


– Meu Deus, que lugar lindo! - fui a primeira a falar assim que chegamos ao hotel da família de Arthur, namorado de Beatrice.
– Você precisa ver quando sol se põe. - Bea me respondeu com um sorriso enorme no rosto e eu balancei a cabeça, já imaginando que deveria ser uma cena muito linda porque o hotel era em frente ao mar.
– Bea... - Harry a chamou. – Como estamos na questão da segurança? O hotel está fechado para outros hóspedes?
– Na verdade, não. - ela mordeu o lábio e balançou a cabeça de um lado para o outro. – Como nós resolvemos essa viagem um pouco em cima da hora, não conseguimos fechar o hotel, infelizmente.
– Nós não vamos passar o dia 31 no mar? - perguntei, recebendo acenos positivos. Coloquei as mãos nos ombros do Harry e ele suspirou. – Nós vamos ficar bem.
– Eu só não quero as pessoas nos observando o tempo inteiro. - ele argumentou e eu concordei com a cabeça, entendendo a situação.
– Quando nós fomos para os Estados Unidos para o noivado dos Pelly, você me disse que os americanos não se importavam muito com vocês. - falei, me lembrando que naquela época eu ainda namorava com Harry e foi quando eu fui apresentada para os amigos dele. – Quem sabe as pessoas daqui não são assim também?
Harry riu ao meu lado, levando minha mão até seus lábios para depositar um beijo nela e eu afaguei seu cabelo com a outra mão.
– Olha, primo, nós costumamos viajar bastante para cá e nunca tivemos nenhum tipo de problema em relação aos hóspedes ou qualquer abutre. - ri da forma que Beatrice se referiu a imprensa e ela continuou. – Claro que eles conseguem fotos nossas em passeios de barco ou nas ruas daqui, mas não passa disso. Dentro do hotel, nunca sai nada.
– Tudo bem, Bea. - Harry sorriu, colocando uma mão no ombro da ruiva. – Vamos aproveitar, então.
– É assim que se fala! - ela se animou, batendo palmas. – Vamos entrar para que vocês conheçam o lugar!
Seguimos Beatrice por uma entrada lateral do hotel e ela nos guiou até as escadas, onde encontramos Arthur nos esperando.
– Nós optamos por reservar estes quartos porque eles têm uma pequena piscina privativa. Caso não dê para utilizar a piscina comum porque, eu não sei se a Bea comentou, mas não fechamos o hotel. - Arthur explicou enquanto subíamos a escada atrás dele e Beatrice.
– Aqui não é tão grande quanto o de Mykonos, então é mais aconchegante. - Bea complementou e eu concordei com a cabeça.
Os dois nos guiaram por um pequeno corredor que deveria ter cerca de vinte portas e parou em frente a uma delas. Enquanto Arthur abria a porta, Harry se animou ao meu lado, se movimentando para cumprimentar alguém.
Sorri ao vê-lo abraçando Jack e Thomas Van Straubenzee que já estavam em seus trajes de banho acompanhados de óculos escuros e largos sorrisos nos rostos. Cumprimentei os dois com rápidos abraços.
– Preciso dizer que esta foi a melhor ideia que vocês já tiveram! - Jack disse animado e eu soltei uma risada.
– Deveríamos estender nossa estadia aqui até o casamento de vocês! - Thomas completou e todos deram risada pela animação dos dois.
– Vocês sabem que eles mandariam nos buscar aqui e seria vergonhoso. - Harry deu os ombros e eu concordei com a cabeça, já imaginando a guarda real vindo até a Grécia para nos retirar e as capas dos jornais sobre a nossa longa estadia no país. – Onde estão Genie e Melissa?
– Melissa não veio. - Thomas deu os ombros, parecendo não dar muita importância e Harry me encarou rapidamente como se dissesse que estava certo. – Mas isso é problema dela. - o próprio Thomas riu de seu comentário e nós apenas balançamos a cabeça, não emitindo nenhuma opinião.
– Genie está na piscina. - Jack respondeu. – Eu vim buscar o Van Straubenzee que está de ressaca, mas estamos indo para lá.
– Certo. Nós vamos nos acomodar e encontramos vocês por lá. - nos despedimos dos rapazes e voltamos nossa atenção para o quarto que Arthur iria nos mostrar.
Assim que entravámos no quarto, ele tinha dois ambientes: o primeiro era composto pela cama de casal, um pequeno sofá, uma televisão e uma porta que dava em uma sacada; o segundo, tinha uma porta para o banheiro e também possuía uma varanda maior e de frente para o mar, tendo espreguiçadeiras e a piscina que Beatrice havia falado. Essa área era separada do quarto ao lado por um pequeno muro e assim que nos aproximamos para observar o mar, encontramos Skippy e Lara do outro lado fazendo a mesma coisa.
– Eu não acredito que vou correr o risco de ver o Harry pelado durante os dias em que eu estiver em Santorini! - Skippy reclamou, olhando para o céu e todos nós demos risada.
– Até parece que você nunca viu essa bunda ruiva antes. - Beatrice comentou e o outro rolou os olhos.
– Acho que todo mundo já viu a bunda do Harry. É um fato. - comentei, soltando uma risada fraca pela cara dele de afetado pelos comentários e me aproximei para depositar um beijo em sua bochecha. – É uma linda bunda, se você quer saber.
– Por Deus, ! - Lara reclamou e eu soltei uma gargalhada, dando os ombros.
– Mudando de assunto... - Harry pigarreou, chamando nossa atenção. – Encontramos com Jack e Van Straubenzee e estamos indo para a piscina logo depois que nos instalarmos. Vamos?
– MAS É CLARO! - ouvimos a voz de Cooper e quando nos viramos para o outro lado, ele estava parado na varanda do quarto dele, acenando para nós. Diferente de nós, ele já estava com seus trajes de banho. – Eu já estou pronto para conhecer os gregos.
– Nós vamos deixar vocês se arrumarem... - Beatrice anunciou e seguiu de volta para o quarto acompanhada de Arthur, saindo do mesmo para nos dar privacidade. Harry e eu nos despedimos brevemente de nossos amigos e entramos no quarto para que pudéssemos trocar de roupa também.
Quando saímos do quarto, esperava por nós. Cooper havia ido para a piscina com Skippy e Lara, já que estava ficando muito amigo da ruiva e eu me sentia contente por ver meus amigos se dando bem com os amigos de Harry.
Seguimos juntos por dentro do hotel até a área da piscina, que não estava tão cheia quanto eu havia imaginado. De longe dava para ver nossos amigos já reunidos em algumas espreguiçadeiras.
– Eugenie não trouxe a Cressida? - falei num tom baixo para Harry que deu uma risada.
– Parece que não. - ele deu os ombros e eu balancei a cabeça.
– Será que estamos evoluindo?
– Talvez sejam os espíritos do novo ano. - ri, concordando com a cabeça e nós fomos nos juntar aos nossos amigos.

xxx


Eu sempre ficava animada com os finais de ano. Natal sempre foi uma das minhas celebrações favoritas e o ano novo me gerava uma expectativa que o novo ano conseguiria ser melhor do que o anterior em todas as questões. E dessa vez, a minha expectativa para o novo ano era uma certeza.
Harry e eu iríamos nos casar. Eu entraria de uma vez para a família real britânica e eu não poderia estar mais feliz por estar vivendo um conto de fadas da vida real como eu sempre sonhei. Era impossível não ficar animada para o próximo ano que se iniciaria em algumas horas e não ter a certeza de que ele seria o início dos melhores anos da minha vida.
Senti dois braços serem postos envolta da minha cintura enquanto eu encarava o céu de Santorini. Minhas costas se chocaram levemente com uma superfície rigída e Harry aproximou os lábios do meu ouvido.
– Posso saber o que a senhorita está pensando? - perguntou, curioso e eu soltei uma risada.
– Estou agradecendo pelo ano que está terminando e pelo ano que vai começar. - sorri. – O primeiro dos melhores anos da minha vida.
– Entendi. - ele riu. – Eu também não tenho dúvidas que será o início dos melhores momentos da minha vida. - ele soltou um suspiro e eu balancei a cabeça, sem entender.
– Harry? - o chamei, não obtendo resposta. – Amor? - tentei mais uma vez, me desvencilhando dos braços dele para que pudesse me virar para encará-lo.
DEZ! - a contagem regressiva para o novo ano começou a ser feita pelos nossos amigos enquanto eu segurava o rosto do meu noivo com as minhas mãos.
– O que foi? - perguntei, preocupada. – Você não tem mais certeza se quer casar comigo?
– Não é isso, . - ele balançou a cabeça de um lado para o outro.
– O que é, então? Me fala. - pedi num tom de súplica e ele fechou os olhos parecendo travar uma batalha interna se deveria ou não me falar o que estava sentindo. – Harry.
SEIS!
– Você nunca iria me perdoar, . - ele suspirou. – É melhor eu não contar e nós continuarmos vivendo do jeito que estamos.
– Por que eu não te perdoaria? - balancei a cabeça, confusa e Harry se soltou das minhas mãos. Me senti atônita e dei passos apressados até a lateral do iate, onde ele havia parado em um choro copioso. – Você me traiu, Harry? É isso?
– Não! - ele respondeu apressado e balançou a cabeça de um lado para o outro. – Eu nunca faria isso com você, .
– Então, o que você fez? Por favor, me diga! - pedi, sentindo o choro preso em minha garganta. Eu já estava confusa com aquilo tudo, mas determinada a saber o que ele parecia lutar tanto para me contar.
Eu precisava saber o que ele havia feito que eu nunca iria perdoá-lo.
Eu precisava saber.
... - ele suspirou mais uma vez e passou as mãos apressadas pelo rosto.
QUATRO!
– Harry, por favor. - supliquei feito uma criança.
TRÊS!
– Vamos esquecer isso, tudo bem? É um problema meu e eu vou lidar com isso depois. - ele passou as mãos pelo rosto mais uma vez e se aproximou para me abraçar. – Não vamos deixar nada estragar o nosso ano.
– Harry...
DOIS!
– Não, . - ele balançou a cabeça e depositou um beijo em minha têmpora.
UM! FELIZ ANO NOVO!
Uma bela e colorida chuva de fogos tomou conta do céu e nossos amigos começaram uma animada chuva de espumante no iate, molhando uns aos outros enquanto os casais se beijavam para celebrar a chegada do novo ano.
Eu me sentia estranha, desanimada e confusa. Harry, ao meu lado, parecia tão confuso quanto eu, mas selou nossos lábios para que marcássemos o nosso ano juntos.
– Feliz ano novo. - ele sorriu fraco, me dando um selinho.
– Harry... - tentei mais uma vez, mas ele balançou a cabeça.
– Eu amo você.


twenty nine.

"Aquele que diz uma mentira não sabe a tarefa que assumiu porque está obrigado a inventar 20 vezes mais para sustentar a certeza da primeira."

Harry’s POV.
– Qual o problema, cara? - ouvi a voz de Jack e levantei o olhar, encarando o noivo de Genie. Suspirei, balançando a cabeça de um lado para o outro e dei um gole no copo de whisky que tinha em minhas mãos. – Problemas no paraíso?
– Apenas um desentendimento. - murmurei, dando os ombros.
– Sei que não somos muito próximos, especialmente para esses assuntos, mas se quiser conversar... - Jack deu os ombros, deixando a frase terminar e eu entendi o que ele dizia.
– Obrigado, cara, mas infelizmente, o meu problema eu não posso dividir com ninguém. É algo que compete a mim graças à essa família. - ri nasalado. – Aliás, seja bem-vindo à nossa família. Talvez sua vida vire um inferno também.
– Como... Como assim, Harry? - ele riu, sem entender muito e sentou-se ao meu lado, colocando as mãos no joelho. – Como a minha vida poderia virar um inferno?
– Sua vida vai ser controlada, Jack. Cada passo que você der, cada frase que você disser... Até no seu casamento eles vão querer se meter. Essa é a minha família e da Genie. Nós não temos sossego porque precisamos sempre manter os bons índices da nossa família. Os mais velhos fazem as merdas e nós que temos que nos sacrificar. - bufei, finalizando meu whisky.
– Harry, eu não acho que seja assim. Acredito que a vida de vocês seja controlada, mas não ao ponto do que você está me dizendo. - ele riu, abanando a mão no ar. – Além do mais, eu amo a Genie. Estou disposto a enfrentar o mundo por ela.
– Amor... Amor... - suspirei, balançando a cabeça. – Para que o amor é bom, Jack? A nossa família só importa o poder.
Jack estava pronto para responder mais alguma coisa, mas eu decidi encerrar a conversa por ali antes que eu acabasse falando demais. Eu sabia que o álcool já falava por mim e essa era a desculpa que usaria no dia seguinte caso ele fizesse alguma pergunta ou contasse para Genie.
Eu estava tão perto! Por pouco, eu não contei para toda a verdade que carrego comigo há um ano. A minha vontade era começar o ano novo com ela sem segredos e aberto para poder amá-la de forma livre, sem culpas e sem ressentimentos, mas eu falhei. O medo de como ela pode reagir me assombra mais do que tudo. Perder é uma coisa que eu não posso admitir e eu não sei como seguiria sem ela ao meu lado.
No início da história, não a ter ao meu lado parecia a melhor maneira. Agora, eu não quero perdê-la.
O que eu realmente preciso é encontrar alguém com quem eu possa conversar e me abrir sobre tudo o que está acontecendo comigo, mas sem correr o risco de saber ou contar diretamente para ela. Eu preciso de alguém que possa me aconselhar no que fazer. Eu sei que eu não posso dar para trás e cancelar toda a cerimônia e nem perder . Porém, como contar a verdade para ela ainda é uma incógnita.
Depositei meu copo vazio no pequeno bar no interior do iate da família de Arthur e saí de lá, a procura de . Na proa, Genie, Beatrice, Lara, Jack e Cooper conversavam de maneira animada e ouviam uma música alta. Skippy, eu sabia que estava em um dos quartos, completamente apagado pelo tanto de álcool que havia consumido. , ele não fazia ideia.
Desde a pseudo-discussão que tive com , ela havia sumido. Eu optei por tirar algumas horas para pensar no que quase havia contado e me recuperar daquele momento para que pudesse ter a cabeça livre caso ela insistisse que eu deveria contar para ela o que havia de errado.
? - a chamei, encontrando-a sentada na parte de trás do iate. Seu olhar estava perdido na imensidão escura do mar.
– Harry, por favor... - ela suspirou, nem se movimentando para me encarar, mas mostrando que não queria conversar comigo.
– Eu acho que nós precisamos conversar. - falei, sincero.
– Nós só vamos conversar se você for me dizer o que queria dizer naquele momento da virada. Se você for mentir ou dar alguma desculpa, nem precisa continuar aqui. - fiquei em silêncio e pude ouvi-la soltar o ar pesadamente. Após alguns segundos, ela virou para trás e me encarou. – Você quer desistir do nosso casamento?
– Não. - respondi de pronto. – Eu quero me casar com você. Eu amo você.
– E o que foi aquilo há algumas horas?
Suspirei.
Eu não tinha uma resposta.
Na verdade, eu tinha, mas eu não poderia (e nem deveria) dar essa resposta.
– Eu não sei. - suspirei. – Te peço desculpas se pareceu que eu estou inseguro com o nosso casamento ou a nossa relação, mas eu não estou. Em fato, eu nunca estive tão seguro quanto estou agora. Seguro dos meus sentimentos, do nosso casamento e de tudo que envolve você, . - sorri fraco, me aproximando dela. – Eu te amo.
suspirou, fechando os olhos e eu estiquei meus braços, tocando em seu rosto e fazendo um carinho com meu polegar em sua bochecha.
– Eu amo você, Harry. Mais do que tudo. - sorri, me aproximando dela e unindo nossos lábios em um beijo verdadeiro e cheio de sentimentos. Levei minha mão para sua nuca enquanto a outra ia para sua cintura, apertando-a e aprofundando ainda mais o beijo.
Eu queria .
Eu amo .
E eu não sei nem como começar a contar a verdade.
Mas eu só iria voltar a pensar nisso quando eu retornasse para Londres.

xxx


Depois de celebrar o Ano Novo na Grécia, optamos por adiantar os dias de folga que havia conseguido para nós e ficamos alguns dias em Balmoral como no início do nosso namoro.
Não tratamos mais sobre o ocorrido na Grécia. ainda tentava, pelas beiradas, entrar no assunto, mas eu ignorava ou mudava de assunto. Após alguns dias, ela optou por desistir de perguntar e havia desistido de ficar afastada de mim, como estava nos primeiros dias em Balmoral.
Voltamos a ser Harry e de antes e eu me senti feliz com isso. Se ela havia compreendido que eu a amava, era mais um sinal que ela poderia aceitar melhor a verdade. Eu conseguiria contar para ela tudo que havia acontecido e ela me perdoaria. Viveríamos felizes e livres das imposições do meu pai e da minha avó.
Só o pensamento me fazia dar saltos de alegria.
Após uma semana em Balmoral, retornamos para Londres, mas não para o trabalho. Ficamos em contato direto com nossos secretários, decidindo os últimos detalhes para o nosso casamento que aconteceria dentro de pouco tempo. Estava tudo quase pronto e teríamos o grande casamento que minha família tanto esperava, perfeitamente feito para ser acompanhado pelo mundo e comentado da forma que eles queriam.
– Como estou? - a voz de me despertou dos meus pensamentos e eu sorri, encarando a mulher a minha frente.
– Linda, como sempre. - sorri, me aproximando dela para depositar um beijo em sua bochecha. – Já está pronta?
– Estou... Quase. - ela riu em minha direção e se sentou em uma cadeira para que a senhora Woods colocasse um acessório em seu cabelo.
Quando a senhora Woods anunciou que havia terminado de colocar o acessório, se levantou da cadeira e se encarou no espelho a poucos metros de distância.
Dessa vez, ela usava um vestido rosa claro que ia até seus joelhos e de mangas curtas, com um casaco branco por cima. Em sua cabeça estava um fascinator do mesmo tom e nos pés, sapatos de salto em tom claro para combinar com o restante do look.
– Senhores, precisamos ir para não nos atrasar. - Claire anunciou e nós concordamos com a cabeça.
Prontamente nos despedimos da senhora Woods com acenos e seguimos em direção as escadas para que não nos atrasássemos para chegar ao Palácio Buckingham para a comemoração dos 50 anos da coroação do meu pai.

Não demoramos muito para chegar ao Palácio. e eu fomos guiados pelos corredores até a sala onde estavam os outros membros da minha família e assim que chegamos à sala encontramos apenas William.
– Onde estão os outros? - perguntei, curioso, após cumprimentá-lo e William soltou uma leve risada.
– Catherine e Camila foram a biblioteca; papa e vovó estão tendo uma breve reunião. - ele respondeu, dando os ombros, e eu quase rolei os olhos, imaginando que a reunião dos dois seria para discutir detalhes da minha vida com . – Como foi o final de ano?
– Tranquilo. - dei os ombros. – Fomos para a Grécia e ficamos no hotel da família do Arthur.
– Beatrice havia comentado comigo. - William sorriu. – Nós ficamos na casa da família de Catherine e foi bem pacato.
– Como estão as crianças? - perguntou e ele riu, retirando o celular do bolso de seu paletó, certamente para mostrar alguma coisa.
– Estão ótimas! - ele riu – Agora que Charlotte está um pouco maior, estamos tendo mais tempo para ficar com os dois e George já não tem tanto ciúme assim. - ele desbloqueou a tela e abriu a galeria de fotos do celular, mostrando uma imagem dos pequenos no colo de Carole e Michael.
– Ai meu Deus, que graça! - comentou, olhando atentamente a foto mostrada por William e eu concordei com a cabeça porque eles realmente estavam uma graça naquela foto. – Sinto falta deles.
– Apareça um dia no nosso apartamento. - William sorriu e ela concordou com a cabeça. – O Matthews pediu a mão da Pippa em casamento no dia 31.
– Eu nem sabia que eles estavam namorando de novo. - comentei, soltando uma risada e William deu os ombros. – Mais um casamento para este ano?
– Eles querem se casar em outubro. - meu irmão respondeu e eu concordei com a cabeça.
– Thomas e Melissa se divorciaram. Você sabia disso? - perguntei, ouvindo rir do meu lado.
– Eu não imaginava que vocês eram tão fofoqueiros. - ela rolou os olhos, causando risadas em nós dois. – Eu vou à biblioteca procurar Camila e Catherine. - ela anunciou, acenando em despedida e seguindo para fora da sala.
– E então? - William perguntou com as sobrancelhas arqueadas. – Ansioso para o casamento?
– Ansioso e preocupado. - soltei um suspiro e ouvi uma risada fraca vindo do meu irmão.
– Preocupado com o que? - William perguntou curioso.
– Harry, meu filho! - meu pai entrou na sala parecendo um pouco afobado e se aproximou para me cumprimentar. – Preciso que você vá falar com a sua noiva.
– Sobre o que? - balancei a cabeça, assustado e perdido e ele soltou o ar.
– Por Deus! - ele suspirou mais uma vez. – Ela está usando um fascinator e o evento é na parte da tarde. Não se atentou a este detalhe?
– Grande detalhe. - informei, suspirando também e saí da sala para procurar .
A senhora Woods era contratada para ajudá-la a se vestir da forma correta e de acordo com as regras da família. Não era eu quem tinha que ficar reparando e muito menos me lembrando desse tipo de coisa como qual horário se deve usar um fascinator.
Peguei meu celular no bolso do paletó e destravei a tela, procurando o número de Edward para ligar para ele.
– Algum problema, senhor? - Edward perguntou preocupado, já que não era comum eu ligar para falar com ele.
– Preciso que mande a Claire para a biblioteca. - suspirei. – Imediatamente.
Ouvi Edward falar com Claire ainda na linha comigo e, logo depois, ele anunciou que a secretária estaria na biblioteca o mais rápido possível. Finalizei a ligação e continuei o caminho pelo corredor em direção à biblioteca.
Suspirei antes de abrir a porta da biblioteca e encontrei sentada em uma das poltronas, sozinha. Olhei ao redor, procurando por Camila e Catherine, mas não as encontrei.
, você precisa tirar esse fascinator. - anunciei, sem cerimônias e ela me encarou, parecendo um pouco confusa.
– O que? Por quê?
– Aparentemente porque não é o correto você usá-lo em um evento à tarde. - dei os ombros.
– Mas meu cabelo vai ficar marcado pela prensa dele. Vai ficar estranho, Harry. - ela murmurou e eu balancei a cabeça.
– Eu pedi que Claire venha te ajudar e... - antes que eu pudesse terminar a frase, ouvimos algumas batidas na porta e eu apontei para mesma. – Ela chegou. Pode entrar, Claire.
– Pois, não, senhores? - Claire parou próxima de nós.
– Ajude a retirar o fascinator. - pedi e ela afirmou com a cabeça antes de se aproximar de para ajudá-la. Suspirei, apenas observando a cena, já que não sabia como mais eu poderia ajudar naquele momento.
Meu celular apitou algumas vezes, indicando novas mensagens e eu o retirei de dentro do bolso do meu paletó. Abri o grupo de mensagens que eu tinha com Thomas, Jake e Guy para ler todas as mensagens que eles haviam enviado e saber sobre o que se tratava o assunto do momento.

Jake: Que tal abrirmos o ano no bar do Pelly?
Skippy: Ótima ideia.
Skippy: Precisamos arrumar a despedida de solteiro do H.
Eu: Estou prestes a começar um evento.
Eu: Qual o horário?
Jake: Por volta das 20h. Acha que já terminou?
Jake: Tenho uma grande novidade para contar.
Eu: Acredito que sim. Nos vemos no Helt.
Skippy: Por mim, fechou.
Guy: Aguardo vocês.


– Está tudo certo por aqui? - Edward adentrou a sala e eu levantei meu olhar da tela do celular para checar se já estava sem o bendito fascinator. – Precisamos ir para o salão principal porque faltam cinco minutos para todos saírem.
– Tem certeza que meu cabelo está bom, Claire? - perguntou para a secretária, segurando o celular em frente ao seu rosto, provavelmente usando a câmera frontal para checar como estava.
– Está linda, . - respondi, mesmo que a pergunta não tivesse sido direcionada a mim, mas ela pareceu não prestar atenção na minha resposta.
– O que você acha, Claire? - encarei Edward, ao ouvir ela refazendo a pergunta e dessa vez, frisando o nome da loira.
– Está linda, senhorita. - Claire repetiu o que eu havia dito e sorriu, mostrando-se contente com o comentário. Guardou o celular na pequena bolsa que carregava e se levantou da cadeira, não esperando nada para sair da sala.
Claire prontamente seguiu sua chefe e eu rolei os olhos, abrindo os braços e soltei uma risada fraca, chocado com o comportamento.
– Era só o que me faltava... - murmurei baixo.
– Vamos, senhor? - Edward me chamou e eu concordei com a cabeça, seguindo com ele de volta ao salão principal.
Quando chegamos por lá, Catherine e Camila já estavam presentes e faltava apenas a minha avó. Afinal, ela era sempre a última a se juntar a nós nos eventos.
– Tudo certo? - meu pai perguntou e eu confirmei com a cabeça, parando próximo a que parecia ignorar.
Apenas suspirei e peguei meu celular no bolso para me manter ocupado por alguns minutos até que minha avó chegasse. Não demorou muito para que isso acontecesse e, logo, ela entrou na sala, sendo recebido por todos nós com uma reverência.
– Harry! - vovó sorriu na minha direção e eu sorri, abraçando-a. – Depois do evento, precisamos discutir alguns detalhes importantes para o futuro.
– Tudo bem. - falei, pedindo mentalmente aos céus que não fosse mais ordens a respeito do meu casamento ou da minha vida com .


Assim que terminamos de receber os convidados, me despedi de , avisando que iria conversar com a minha avó e que depois sairia com meus amigos. Ela apenas concordou com a cabeça, talvez ainda chateada com o ocorrido mais cedo, mas eu sabia que eu não tinha culpa sobre aquilo.
Suspirei, seguindo para o escritório da minha avó na companhia de Edward.
– Harry, querido! - minha avó me recebeu animada e, após fazer uma rápida reverência a ela, me apressei para abraçá-la em um cumprimento carinhoso.
– Feliz ano novo, vovó. - a saudei, sorrindo. – Como a senhora está?
– Estou bem, querido. - ela sorriu, se afastando de mim para se sentar confortavelmente em sua poltrona e eu me sentei na outra, de frente para ela. – E você? Como foi o final de ano?
– Passamos bem. Estivemos viajando com nossos amigos no fim de ano, incluindo Bea e Genie. - sorri e ela concordou com a cabeça. – E o vovô, como está?
– Está bem. - ela falou num tom mais triste e eu balancei a cabeça, aguardando que ela continuasse. – Talvez ele tenha que passar por um procedimento cirúrgico ainda este mês por causa de um problema no quadril.
– Os médicos ainda estão avaliando?
– Sim. Talvez ele perca o seu casamento, se precisar realmente fazer a cirurgia. - concordei com a cabeça. Já estávamos cientes que meu avô talvez precisasse passar por uma cirurgia no quadril, mas esperávamos que desse para esperar um pouco mais, pelo menos até o meu casamento. – Aliás, peça para a secretária da agendar um horário com seu avô na próxima semana.
– Por quê?
– Ele quer conversar com ela antes do casamento e dar um presente para ela usar na cerimônia. - vovó riu. – Coisas do seu avô. Você sabe como ele é... - soltei uma risada e, por fim, concordei com a cabeça.
– Entendo... Achei o momento das boas-vindas, seria só a caça no Natal.
– É apenas uma conversa, querido. Não se preocupe.
– Claro. - sorri, concordando com a cabeça. – Vamos tratar sobre os títulos, certo?
– Exato. - minha avó fez uma pausa. – Porém, antes nós precisamos tratar de um assunto um pouco mais relevante.
– Pois, diga.
– Acredito que seu pai já tenha falado com você que nós esperamos que vocês formem uma família para que possam seguir o legado da nossa família. Afinal, é o que esperamos dos membros da família. - ela sorriu e eu concordei com a cabeça. – Como você sabe, eu mudei as regras para que os filhos de William e Catherine se tornassem príncipes e princesas, o que só deveria acontecer quando seu pai me suceder. Isso aconteceu quando George nasceu, mas eu tive essa conversa previamente com William, assim como eu gostaria de ter com você. - ela fez uma pausa. – Eu não posso te perguntar se você quer recusar o Ducado. Até porque tudo que nós estamos fazendo até aqui é justamente para que você e possam trazer mais visibilidade para a nossa família. Não faria o menor sentido, eu te oferecer um título menor. Você entende isso, certo?
– Infelizmente, eu consigo entender claramente o que a senhora está dizendo. - suspirei.
– Ótimo. - ela sorriu. – Mas, eu gostaria que você pensasse a respeito de seus filhos. Espero que você não guarde nenhum rancor do que seu pai e eu estamos fazendo com você e que você permita que seus filhos tenham acesso a tudo que você teve como membro desta família e com um título.
– Vovó... - iniciei, devagar. – Eu acho que é um pouco mais cedo para começarmos a tratar sobre esse assunto. Porém, apesar de tudo que você e meu pai fizeram comigo até agora, eu tento não guardar nenhum rancor de vocês, de maneira alguma. Tento entender que esse é o meio que vivemos e que era o necessário para que nossa família continuasse no caminho de sempre.
– Acredito que podemos começar a reunião, certo?
Ela sorriu e esticou o braço sobre a mesinha ao lado de sua poltrona, apertando um botão. Logo, batidas foram ouvidas na porta e dois secretários dela entrou na sala.
– Podemos começar falando sobre o título principal?
– Conversamos sobre os ducados que temos vagos e existem dois, principais e importantes para a nossa família, que não são utilizados há bastante tempo. Talvez até séculos. - vovó iniciou e eu concordei com a cabeça. - Decidi te dar a permissão para escolher entre eles, para que você escolha o que mais lhe agrada.
– Quais são eles? - encarei os três e Joshua respondeu.
– Sussex e Clarence. - repeti os ducados algumas vezes, tentando perceber qual soava melhor e qual combinaria mais. Não que isso tivesse tanta importância, mas já que estava me sendo dada a escolha, eu precisava me apegar a alguma coisa para conseguir decidir entre os dois.
– Os outros títulos já estão definidos? - perguntei e os dois secretários responderam com um aceno de cabeça. – Fico com Sussex.
– Ótimo. - ela se virou para os dois secretários. – Então, seu título será Duque de Sussex, Conde de Dombarton e Barão de Kilkeel. Após o casamento, você se tornará, Sua Alteza Real, o Duque de Sussex e a senhorita Thompson, com o casamento, se tornará Sua Alteza Real, a Duquesa de Sussex.
– Duque e Duquesa de Sussex. - repeti, mais uma vez e concordei com a cabeça. Me parecia bom demais.


Saí da reunião com a minha avó e fui direto para o Helt. Jake havia enviado uma mensagem mais cedo no nosso grupo de mensagens para que iniciássemos o ano com uma reunião de nossos amigos porque ele tinha algo para contar.
Enviei uma rápida mensagem para , avisando que ia me encontrar com eles e segui para dentro da Rover que já me aguardava.
– Para casa, senhor?
– Não, Dave. Vamos para o Helt. - anunciei, vendo-o concordar com a cabeça enquanto ligava o carro para seguir o caminho que eu tinha avisado. Enviei uma mensagem para , avisando que eu estaria com os rapazes e não recebi uma resposta dela, mas já era algo que eu esperava.
Entrei no Helt, acompanhado pelos meus OPs e os meus três amigos já estavam por lá. Segui até a mesa em que eles já estavam sentados e cumprimentei cada um antes de me sentar.
– Quanto tempo tem que eu não vejo vocês? - Jake perguntou assim que nós quatro nos reunimos em uma das mesas do bar do Pelly.
– Você está muito emocionado, Warren. - Thomas respondeu, recebendo um rolar de olhos em resposta. – É a paternidade que está fazendo isso com você?
– Falando em paternidade, como está a Zoe? - Guy perguntou, curioso e Jake sorriu, animado.
– É até por isso que eu chamei vocês para conversar... Tenho grandes notícias! - ele deu um gole em sua cerveja e eu dei um leve tapa na mesa.
– Conte logo, Warren. - pedi e ele riu.
– Nós vamos ter gêmeos! - quase cuspi a cerveja que eu tinha acabado de receber com a notícia e pude ouvir Thomas dando gargalhadas ao meu lado.
– Gêmeos? - Guy perguntou e Jake confirmou com a cabeça.
– Você vai ter dois bebês e fala com essa calma toda? - Thomas perguntou e foi a minha vez de soltar uma risada.
– Sim! Nós vamos ter duas meninas! - Warren completou a notícia e eu quase cuspi o whisky que havia acabado de beber, surpreso com o complemento da notícia.
– Parabéns, cara! É um susto, mas uma bela notícia. - falei, dando alguns tapinhas no ombro de Jake que sorriu agradecido.
– Um bebê, eu já acho uma loucura. Dois, eu tenho certeza que será. - Guy soltou uma risada e ergueu sua garrafa de cerveja. – Um brinde à família Warren!
– E os cabelos que o Jake vai perder porque as garotas vão dominar a casa dele! - Skippy riu e nós brindamos pelo nosso amigo, o primeiro que seria pai em nosso grupo.
Eu estava genuinamente feliz por Jake. Geralmente, eu sempre me sentia feliz por ver os meus amigos conquistando o que tanto desejavam, seja na vida pessoal ou profissional. Jake sempre quis ter uma família e eu estava contente por ele estar realizando o desejo com a Zoe.
Porém, uma parte de mim – e ela é bem pequena -, sentia-se com um pouco de ciúmes. Eu queria ter aquele tipo de felicidade! Queria ter a minha própria família, queria ser feliz ao lado de , viver o nosso casamento da melhor forma e iniciar contando a ela toda a verdade.
Para mim, o nosso casamento poderia simbolizar um recomeço. Eu poderia contar a verdade para ela e com a cerimônia nós iniciaríamos um casamento sem nenhuma mentira, apenas com todo o meu sentimento de verdade por ela.
Eu amo e eu não tenho dúvidas nenhuma disso.
É isso: eu preciso contar a verdade.


thirty.

“Uma mentira pode salvar o seu presente, mas condena o seu futuro.”


’s POV.
4 dias para o casamento real.


– Eu preciso confessar uma coisa! - a frase foi dita seguida por uma soltada de ar pesadamente. Ri fraco, sentindo-me um pouco nervosa e me virei, à espera da dita confissão.
– Pois, diga. - incentivei, cruzando os braços e aguardando.
– No dia do Ano Novo, eu fiquei com o Thomas. - soltou a bomba, me encarando nos olhos e eu ouvi Cooper soltar uma risada ao meu lado enquanto eu a encarava sem entender muito bem.
– Que não seja o Inskipp porque ele tem namorada e...
Não, amiga! Por Deus, não! - ela suspirou e eu olhei para o teto, agradecendo a Deus. – O Thomas Van Straubenzee.
MEU DEUS! - coloquei as mãos sobre a minha boca que quase caiu no chão com a recente informação. – Como isso aconteceu?
– Um pouco antes da meia noite, eu fui para a parte de trás do iate porque a minha mãe estava me ligando. Ele também estava lá e... Bom, deu meia noite e ele estava meio triste porque estava sozinho por ali. Nós fomos conversando e, quando eu percebi, já estávamos nos beijando.
– E você não voltou para o nosso quarto aquela noite. - Cooper acrescentou e eu arregalei os olhos, encarando a minha melhor amiga que confirmou com a cabeça após alguns segundos. – Ele é bom de cama?
– COOPER! - e eu dissemos juntas, arrancando risadas dele.
– Eu realmente não preciso saber disso. - ergui as duas mãos, soltando uma risada e a campainha do apartamento tocou.
Os dois haviam preparado a minha despedida de solteira da maneira que eu pedi: apenas uma reunião no apartamento em que eu morava com Harry. Ele tinha ido se encontrar com os amigos no Helt e só nos encontraríamos no dia seguinte.
Estamos, oficialmente, a quatro dias do nosso casamento e eu não podia estar mais nervosa, embora tentasse não transparecer para os outros a minha ansiedade.
Desde o evento dos 50 anos da coroação do Príncipe Charles, Harry e eu não tínhamos realizado mais nenhum evento. A ideia era que ficássemos em casa, nos preparando para o nosso casamento. Amanhã teríamos o ensaio da cerimônia e na véspera do casamento, eu iria para um hotel, acompanhada pela minha mãe e por para que pudesse me arrumar e, de lá, eu seguiria para a igreja.
– Sejam bem-vindas, meninas! - Cooper abriu a porta do meu apartamento, cumprimentando Zoe, Lara, Beatrice e Eugenie. – Trouxeram o que pedi?
– Mas é claro. - Lara sorriu, retirando uma garrafa de dentro de uma sacola de papel pardo e erguendo. Ri alto, reconhecendo uma garrafa de tequila e ouvi as outras comemorarem.
– Eu diria que vocês estão tentando me embebedar. - comentei, arrancando risadas de todos os presentes e logo fui abraçada por cada uma das minhas convidadas.
– Catherine não vem? - Bea perguntou enquanto nos sentávamos nos sofás e no tapete da sala. Cooper havia dado a ideia de espalhar almofadas pelo chão da sala para que todas pudéssemos nos acomodar ali para passar a noite.
– Ela me disse que viria, porém seria rápido. - dei os ombros, sabendo que Kate estava ocupada com Charlotte e George. Ser mãe de duas crianças era trabalhoso.
– Bom, vamos começar! - Cooper exclamou animado, abrindo a garrafa de tequila e preparando um shot para que eu bebesse.
Suspirei. Eu não era muito fã de bebidas alcóolicas, mas havia prometido aos meus amigos que iria aproveitar bem a minha última noite como solteira da forma que eles haviam preparado.
Então, eu me joguei sem pensar que meu casamento era em quatro dias.

– Minha vez! - Eugenie exclamou animada, pegando a sacola de presente que estava no sofá atrás dela.
Cada um dos convidados havia me trazido um presente. Eu já havia ganho uma faixa rosa com “noiva” escrito em branco repleto de glitter dourado, uma coroa de papel feita por , algemas e uma fantasia de enfermeira. Estávamos nos divertindo bastante porque eu precisava adivinhar qual era o presente e a cada erro meu, eu bebia um shot de tequila.
A maioria dos presentes, eu errei e o nível de tequila dentro de mim estava um pouco alto. Porém não ao ponto de não me deixar surpreender por Eugenie ter levado um presente para mim. Eu já estava surpresa com ela ter ido até aquela reunião, que dirá ter me trazido um presente.
Poderia ser um presente de grego, como dizem.
Eugenie esticou a sacola e eu peguei em minhas mãos, apertando o saco o máximo que era possível para tentar ter uma ideia do que seria aquilo. Os risos ecoavam pela sala, todos já levemente alterados.
– Outra fantasia? - perguntei, a encarando e recebi um aceno negativo com a cabeça. – Mas é uma coisa fofa!
– Pode beber! - Beatrice sorriu, me entregando o copo e eu respirei fundo antes de virá-lo. Senti o líquido queimar a minha garganta e balancei a cabeça, me acostumando com o gosto antes de dar uma risada.
Abri o presente, curiosa para saber o que era e soltei uma gargalhada ao constatar que era uma lingerie completa. Retirei de dentro do saco, erguendo-a na frente de todas e recebi gritos em resposta.
– Acho que já tem o que usar na lua de mel! - Lara disse animada e eu senti minhas bochechas queimarem.
xxx


3 dias para o casamento real.


– Como foi a noite? - Harry perguntou com um sorriso ladino nos lábios assim que eu adentrei a cozinha de nosso apartamento.
– Divertida. - sorri, enchendo uma caneca com café porque era o que eu mais precisava para começar o meu dia. – E a sua?
– Divertida também. Ficamos no Helt conversando e bebendo. - ele fez uma pausa. – Acho que tranquila seria uma palavra melhor para ser usada.
– Fico feliz que tenha se divertido. - depositei um beijo em sua bochecha e ele fez uma careta, dando os ombros. – Eugenie veio ontem.
Ela veio? - ele abriu a boca, surpreso com a informação e eu concordei com a cabeça, dando um gole em meu café. – E não aprontou nada, não é? Eu espero.
– Não! - me apressei em dizer. – Ela foi surpreendentemente uma ótima pessoa. Me trouxe até um presente e eu juro por Deus que, quando ela disse que tinha um presente para mim, eu achei que ela havia trazido a Cressida.
Assim que finalizei a frase, observei Harry jogar a cabeça para trás e soltar uma longa gargalhada. Ele limpou o canto dos olhos com a palma da mão, as lágrimas de tanto que havia dado risada e eu ri fraco também, o acompanhando.
– Falando nisso... - ele suspirou e eu o encarei, confusa. – Ontem, eu encontrei a Chelsy.
– E? - indaguei, esperando alguma continuação da frase anterior.
– Foi na saída do Helt. A gente se cumprimentou, conversou um pouco e só. - ele deu os ombros. – Achei que deveria te falar porque, se for parar nos tabloides, eles vão fazer um enorme espetáculo sobre isso e não foi nada demais.
– Entendi. - sorri fraco. – Ela disse se vai ao nosso casamento?
– Disse que sim. - concordei com a cabeça, dando os ombros e Harry continuou me observando como se estudasse a minha reação, mas tudo que eu fiz foi sorrir.
Antes, eu não lidaria bem com a informação. Me sentiria mal por ele ter encontrado uma ex-namorada e por ela ser uma das convidadas do nosso casamento, mas eu aprendi a lidar melhor com isso. Entender que é parte da história dele, do passado dele, me fez ficar mais calma e aprender a ser mais segura de mim.
Eu não tenho problema nenhum com Cressida ou Chelsy. Elas não são fantasmas do passado, são parte da história dele e tudo bem. O importante é que eu amo o Harry, ele me ama e nós vamos nos casar.
– Bom dia! - a voz de Claire me despertou dos meus pensamentos e eu encarei a porta, vendo minha secretária se aproximar com um sorriso nos lábios.
– Bom dia, Claire. - Harry sorriu para ela e depois voltou a me encarar. – Tem algum evento hoje?
– Tenho uma reunião com o seu avô. - sorri, sentindo o nervosismo bater. Terminei meu café em um gole só e depositei a caneca sobre a pia. – Me deseje sorte.
– Meu avô não é tão ruim assim. - Harry riu e eu estreitei os olhos, causando um maneio de cabeça dele. – Tudo bem... Ele é um pouco difícil. Mas, se ele está te convidando para uma reunião, deve ter um motivo especial.
– Espero que sim e espero que eu me saia bem! - depositei um beijo casto em seus lábios e, quando estava prestes a me afastar, Harry me segurou pela cintura, aprofundando um pouco mais o nosso beijo e o nosso contato.
Levei minhas mãos até sua nuca, arranhando de leve e finalizamos o nosso momento quando o ar nos faltou, e quando eu me lembrei que não estávamos sozinhos no ambiente.
– Eu não vi nada, senhorita Thompson! - Claire colocou as mãos sobre os olhos assim que meu olhar caiu sobre ela e nós rimos.
– Te vejo no ensaio mais tarde. - Harry sorriu e eu acenei, me despedindo dele e segui com minha secretária para fora do apartamento.
– Não sabe mesmo sobre o que é essa reunião com o Duque de Edimburgo? - perguntei para Claire assim que entrei no carro. Como o Palácio de Buckingham estava aberto ao público, ir andando até lá não era a melhor maneira.
– Não, senhorita. - ela balançou a cabeça. – Tudo que me foi passado era que ele gostaria de ter esse encontro com a senhorita para tratar de assuntos sobre o casamento, mas não especificou quais seriam.
– Tudo bem. - sorri de lado e soltei um suspiro.
– Não fique nervosa. Eu sei que a Sua Alteza não é fácil de lidar, mas não acredito que ele faria qualquer tipo de grosseria com a senhorita. - Claire disse sincera e eu concordei.
– Talvez ele só implique com meu inglês nada britânico. - ri, lembrando-me da vez que ele havia reclamado disso e Claire sorriu.
O caminho até o Palácio foi rápido. Assim que chegamos, fui anunciada e Claire me deixou para que eu fosse encontrar o Duque. Minhas mãos suavam um pouco e eu me concentrei em mantê-las fechadas em punho, tentando controlar o meu nervosismo, afinal era a primeira vez que eu ficaria sozinha com ele e ele não era uma das pessoas mais doces do mundo.
– Senhorita Thompson. - o Duque saudou assim que eu entrei na sala desconhecida por mim.
– Alteza. - fiz uma reverência a ele e assim que voltei a olhá-lo, ele me esperava com os dois braços abertos para um abraço. Engoli minha surpresa e me aproximei de Philip, o abraçando.
– Seremos oficialmente família em breve, garota. Corte as formalidades. - ele disse sério após o abraço e eu concordei com a cabeça. – Você já esteve aqui alguma vez?
– No Palácio ou nessa sala?
– Nesta sala.
– Nunca. - balancei a cabeça de um lado para o outro, o encarando na expectativa de saber onde estávamos.
– Essa é uma sala importante do Palácio. Não fica aberta para o público, mas é meio que a continuação de uma sala que fica porque aqui contém algumas coisas da nossa história... - ele fez uma pausa. – Bom, o Palácio inteiro tem uma parte da história, mas aqui é a parte que não é levada para a exposição.
– Entendi. - sorri fraco. – E o que estamos fazendo aqui?
– Acalme-se, gafanhoto. - ele riu, balançando a cabeça. – , minha esposa e eu nunca fizemos segredo que Harry é o nosso neto favorito. Ele foi um garoto difícil de lidar durante a sua adolescência e o início da juventude, mas se tornou um grande homem e nos faz ter um orgulho imensurável dele. - Philip sorriu fraco. – Eu sempre prezei para que ele encontrasse alguém que o amasse de verdade, por quem ele é e não pelos títulos que ele carrega ou pela bagagem que vem junto com ele. No início do namoro de vocês, eu não acreditei que iria dar certo. Não sentia o brilho nos olhos dele e nem via que era algo genuíno, mas a Rainha sempre me dizia ao contrário e dizia que deveríamos dar tempo... Eu sempre fui contra essa história de se casar por conveniência ou qualquer outro sentimento que não fosse o amor, por isso fiquei com um pé atrás... Até o Natal. - ele riu. - Apesar do seu fracasso como caçadora e desse seu sotaque horrível, você parece ser uma boa moça e parece amar o meu neto com toda a bagagem que ele carrega. E eu sei que não é fácil. - concordei com a cabeça. – Por isso, fiquei pensando em como poderia colaborar para o casamento de vocês. Afinal, ele é nosso preferido...
O Duque começou a andar pelo salão e eu o acompanhei, sem saber para onde nós estávamos indo.
– Até que pensei na minha própria história. - ele parou em frente a um extenso balcão de madeira e vidros. De longe, eu conseguia ver que ali dentro continham algumas joias e senti meu corpo tremer levemente. – Assim como você, eu também vim de fora. Nasci na Grécia, fui expulso do meu país e vim morar na Inglaterra. Acho que talvez por isso também você tenha sido uma das namoradas de Harry que eu mais tenha gostado, como eu disse, apesar do seu péssimo sotaque e de ser uma péssima caçadora. - soltei uma risada fraca, concordando com a cabeça. – Mas eu acredito fielmente que você pode fazer algo de bom pela nossa família não só com seu trabalho, mas com o seu casamento com o meu neto. Já fico feliz por isso.
– Eu amo o Harry, Alteza. - sorri, sentindo lágrimas embaçarem a minha vista e ele concordou com a cabeça em silêncio.
– Então, eu decidi te chamar para essa reunião para te oferecer algo que vai ser o meu presente de casamento para você. - sorri, na expectativa e o Duque abriu o tampo de vidro do balcão, retirando uma caixa preta de veludo de dentro e a colocando na parte de cima do vidro. – Como eu disse, você também veio de fora e eu acho que esse seria um bom momento para honrar os que vieram, especialmente, eu. Por isso, eu gostaria que você usasse no dia do seu casamento, esta tiara.
O Duque de Edimburgo abriu a caixa, revelando uma tiara prateada, cravejada em diamantes e no centro havia um diamante maior. Era, sem dúvidas, a coisa mais linda que eu já tinha visto em toda a minha vida.
Permaneci em silêncio, observando a tiara e pensando em tudo que o Duque havia dito até então. Não era um simples presente, vinha com uma enorme responsabilidade de estar carregando uma joia tão importante e a confiança do avô de Harry.
– Pertencia a minha mãe. - ele disse e eu concordei com a cabeça. – Estou oferecendo-a a você, mas, infelizmente, ela não pode deixar o Palácio. Você usa no casamento e depois a devolve. Porém, sempre que um evento exigir, você poderá usá-la... Estará sempre disponível.
– Obrigada, Alteza. - falei, me virando para olhar em seus olhos. – Não só pela tiara, mas pelo seu discurso e por acreditar que eu sou capaz de cuidar de tamanha responsabilidade. Eu fico feliz por acreditar em mim. Eu vou fazer tudo que estiver em meu poder para fazer o seu neto o homem mais feliz do mundo, assim como ele já me faz a mulher mais feliz. E vou fazer de tudo para honrar cada vez mais essa família... A minha família.
– Ora, menina! - ele reclamou, levando uma mão próxima a bochecha para secar uma lágrima. – Não me faça chorar.
– Desculpe. - sorri fraco. – Só estou muito feliz.
Não pude tocar na tiara ou muito menos colocá-la em minha cabeça para sentir como ficaria no dia do meu casamento. Porém, só de olhar eu já sentia uma emoção gigante. Teria que me segurar muito no dia da cerimônia para não chorar o tempo inteiro.
O Duque e eu conversamos por mais alguns minutos. Felizmente, ele estaria presente no casamento e sua cirurgia seria apenas dois dias depois. Eu sabia que Harry ficaria muito feliz com aquela notícia e também com o presente que eu havia ganhado, mas pensei em não contar para ele da segunda parte. Poderia usar uma surpresa para o dia do casamento... Mais uma, na verdade, já que ele não fazia ideia de como seria meu vestido.
– Como foi? - Claire me recebeu com um olhar preocupado, provavelmente por causa do meu rosto vermelho pelo choro.
– Foi... Especial. - sorri, começando a caminhar em direção a saída do Palácio. – Ele me ofereceu a tiara que era da mãe dele para eu usar no casamento.
– A Tiara de Strathmore (1)? - Claire indagou surpresa e eu concordei com a cabeça, não sabendo se aquele era o nome da tiara, mas provavelmente seria a mesma.
– Oh, meu Deus! Isso é incrível, ! - ela bateu palminhas, contente com a notícia e até me chamou pelo primeiro nome tamanha sua animação. – Digo... Senhorita Thompson.
– Está tudo bem, Claire. - a tranquilizei, soltando uma risada fraca. – Eu também achei incrível. Tem um significado e uma importância enormes.
– Vai contar para Sua Alteza? - ela perguntou e nós paramos para que Aeryn abrisse a porta do carro.
– Não. Pensei em não contar para ele para que seja uma surpresa assim como o meu vestido. O que você acha?
– Fabuloso. - Claire sorriu e o assunto logo se encerrou. O carro entrou em movimento e nós deixamos o Palácio em direção a Abadia onde será realizado o nosso casamento. O nosso último compromisso pré-casamento era o ensaio para saber como tudo aconteceria.

O ensaio do nosso casamento foi tranquilo. Meus pais assim como Charles e Camila estavam presentes e foi bastante esclarecedor saber onde cada familiar ficará sentado, como serão feitas as apresentações e como irão acontecer os momentos importantes.
A imprensa ficaria do lado de fora da Abadia. Do lado de dentro seria feita a transmissão internacional da cerimônia e apenas quando saíssemos, os jornalistas nos veriam como marido e mulher oficialmente.
Ensaiamos o momento da troca de alianças e eu ensaiei, principalmente, dizer o nome de Harry por completo. Pelos estudos que eu havia feito sobre outros casamentos reais, eu descobri que a Princesa Diana havia errado o nome de Charles durante a cerimônia devido ao seu nervosismo e eu não queria que aquela pequena gafe acontecesse comigo.
De restante, aquele ensaio só havia me feito ficar ansiosa para o casamento.
– Você não me disse como foi o encontro com meu avô... - Harry comentou enquanto nós voltávamos para casa e eu sorri. Ficamos tão ocupados com o ensaio que eu havia me esquecido completamente sobre mais cedo.
– Ele queria conversar comigo. Disse que apesar do meu péssimo sotaque e da minha péssima habilidade para a caça, está feliz com o nosso casamento e está feliz que eu te faça feliz. - sorri. – Conversamos bastante.
– Eu disse que ele não era tão ruim, não é? – sorri, concordando com a cabeça.
Apesar da cara de mau e do temperamento ruim – na maioria das vezes, o Duque se mostrou uma pessoa muito boa e foi o primeiro na família de Harry a me dar um voto positivo para tudo o que eu enfrentaria com o nosso casamento.
Eu ficava feliz com isso, especialmente com o nosso casamento a algumas horas de distância. Saber que eu era bem-vinda pela família me deixava incrivelmente feliz.
Assim que entramos em nosso apartamento, Biscuit se aproximou de nós, abanando o seu rabo e eu me abaixei para fazer um carinho nele.
– Você ainda vai sair? – perguntei para Harry, após vê-lo retirar o paletó e ele confirmou com a cabeça.
– Tenho uma reunião na Clarence com o meu pai. – ele soltou um longo suspiro. – Mas prometo voltar a tempo para o nosso jantar.
– Por favor. – pedi, com um sorriso fraco no rosto. – Será nosso último jantar como noivos, já que amanhã eu irei para o Hilton.
Seguindo a tradição, eu passaria a véspera do casamento em um hotel na companhia da minha mãe e da minha dama de honra, . O Hilton Hotel seria o local em que eu me arrumaria para o casamento e sairia para seguir caminho para a Abadia para que pudesse me tornar a esposa de Harry.
– Depois, passaremos a ser marido e mulher. – ele sorriu e eu concordei com a cabeça. Harry se aproximou de mim e se abaixou, já que eu continuava brincando com Biscuit no chão da sala de estar. Seus lábios de pressionaram aos meus em um selinho casto e logo após, ele anunciou eu subiria para tomar um banho.
Continuei brincando com Biscuit até ouvir o som de mensagem vindo do meu celular. Parei de fazer carinho no filhote, que resmungou e me fez soltar uma risada, enquanto eu pegava minha bolsa que estava largada no chão.
Abri o aplicativo de mensagens, vendo que o barulho vinha de uma mensagem enviada por Victoria, a Princesa da Suécia. Soltei uma risada fraca. Acho que eu nunca me acostumaria com isso.

“Olá! Chegamos hoje a Londres. O que acha de um encontro na casa da Madde?”


Sorri, animada com o convite e respondi que iria, solicitando também o endereço porque já não me recordava. Meus planos para o resto da tarde era ficar deitada no sofá, assistindo uma série qualquer na Netflix e eu estava contente que havia sido retirada desse plano.
Fiz um último carinho em Biscuit e me levantei do chão, seguindo rumo à escada para ir tomar um banho e trocar minha roupa por uma mais confortável.
Harry já se encontrava vestindo uma camisa social preta e calças jeans de lavagem escura. Ele checava algo no celular e nem me viu chegando ao quarto.
– Os suecos já estão em Londres. – avisei, chamando sua atenção e ele retirou os olhos do celular para me encarar.
– Como sabe?
– Victoria me enviou uma mensagem me convidando para um encontro na casa da Madeleine. – sorri, vendo ele concordar com a cabeça na minha direção. – Podemos jantar fora ou será muito ruim?
– Podemos pedir para entregar. O que acha? – ele sorriu e eu dei os ombros. – Quando eu estiver saindo da Clarence, eu peço naquele seu restaurante favorito.
– Para mim, está ótimo. – falei, piscando na direção dele. – Nos vemos mais tarde, então.
– Boa reunião com as Princesas. – ele riu divertido e se despediu de mim com um beijo.
Caminhei para o banheiro, retirando minhas roupas e as colocando para lavar antes de entrar no box. Conversar com pessoas que já passaram pelo que eu iria passar com certeza me ajudaria a ficar menos nervosa para a cerimônia.


– Como você está? – Madeleine me recebeu com um abraço apertado na porta de sua casa. Enquanto Aeryn entrava para fazer a ronda, eu nem me importei em espera-lo retornar e entrei na casa, seguindo a mais velha.
– Estou bem. – ri fraco e completei. – Ansiosa, mas bem.
– Eu imagino! – ela me acompanhou na risada. – Eu não consegui dormi nas três noites anteriores ao meu casamento com Chris.
– Que bom que eu não estou sozinha nessa. – falei, abanando a mão no ar e ela concordou com a cabeça.
– A gente sempre pensa que algo vai dar errado, que vai esquecer alguma coisa... Mas tudo vai dar certo, pode confiar. – ela esticou a mão, segurando firme na minha e eu concordei com a cabeça, agradecendo pelas palavras.
– Onde está a sua irmã?
– Victoria está no quintal com a Mary. – Madde me puxou, guiando o caminho para a parte de trás da casa deles.
– Mary? – questionei, não me recordando de ter conhecido ninguém com aquele nome da última vez em que eu estivera em contato com eles.
Seria a nova namorada de Carl Philip?
– É, Mary. – Madeleine sorriu. – Ela é a Princesa da Dinamarca.
Concordei com a cabeça, mas nem tive muito tempo para assimilar qualquer informação porque já havíamos chegado ao jardim, onde Victoria e Mary estavam sentadas em confortáveis cadeiras, cada com uma taça em suas mãos.
, querida! – Victoria se levantou para me cumprimentar com um abraço. – Como você está?
– Estou bem, Vic. E você?
– Estou ótima! – Victoria sorriu na minha direção e se virou para a amiga. – Essa é Mary. Ela é Princesa da Dinamarca, madrinha da minha filha e uma grande amiga.
– É um prazer conhecê-la, . – Mary sorriu na minha direção. – Ouvi falar muitas coisas sobre você.
– Desculpe... Eu nunca sei se eu devo fazer uma reverência ou simplesmente trata-las de forma mais comum. – admiti, soltando uma risada fraca e as três mulheres riram.
– Não se preocupe com reverências... Estamos entre amigas. – Madeleine sorriu. – Aqui, isso não importa.
– Certo. – ri, fraco e me virei para Mary. – É um prazer conhecê-la também, Mary. Se eu me recordo bem, seu marido esteve no Invictus aqui em Londres com o Harry.
– Exato. – ela sorriu. – Frederik esteve por aqui. Ele é todo envolvido com esportes.
– Aceita uma taça de vinho? – Victoria ofereceu e eu concordei com a cabeça, antes de me sentar em uma das cadeiras que estavam livres. Madeleine se sentou em outra e nós iniciamos o final da tarde como o clubinho das meninas.


Estar com Madeleine, Mary e Victoria estava sendo muito bom. Cada uma delas contou sobre o seu nervosismo na véspera do casamento, mas eu me identifiquei muito com a história de Mary. Assim como eu, ela era uma estrangeira e se casou com um príncipe – diferente de Madde e Victoria que nasceram dentro da família real. Ela era a que mais havia passado por coisas como eu estava passando e se sentindo da mesma forma que eu diversas vezes, de acordo com o que ela me contou naquela noite.
Fiquei feliz em conseguir ficar próxima dela também e prometi as três que iria visita-las na Suécia e na Dinamarca o mais rápido possível.
Depois de cerca de três horas, me despedi das mulheres e segui de volta para o meu apartamento. O relógio ainda marcava oito horas da noite e quando o carro passou na porta do apartamento dos Cambridge’s, percebi que as luzes ainda estavam acesas e decidi fazer uma visita.
– Daryl, pode me deixar aqui. – pedi. – Vou a casa da Duquesa de Cambridge.
O carro parou alguns segundos depois e Aeryn abriu a porta de trás para que eu pudesse descer. Agradeci e me despedi deles, seguindo em direção a porta dos Cambridge. Toquei a campainha e aguardei alguns segundos até que a figura de Catherine aparecesse abrindo a porta.
, querida, quanto tempo! – ela sorriu, me cumprimentando com um abraço contido.
– Oi, Kate. – sorri. – Atrapalho?
– Não. Claro que não! – ela riu fraco, dando espaço para que eu passasse. – Estou preparando o jantar para nós quatro.
– Quatro? – perguntei, sem entender.
– Sim, nós quatro. – ela completou como se fosse óbvio. – Você, Harry, William e eu.
– Harry? Harry está aqui? – perguntei, surpresa e curiosa e ela concordou com a cabeça.
– Não sabia? – neguei com a cabeça e ela riu.
– Ele me disse que tinha uma reunião com o Charles. – comentei, sem dar muita importância. Talvez ele tivesse saído da reunião com o pai e, como eu não havia voltado ainda, aproveitou para passar um tempo na casa do irmão.
– Tem muito tempo que ele chegou? – perguntei, curiosa.
– Uns cinco minutos. – ela deu os ombros. – Eles estão no escritório desde então. – Catherine confessou. – A cara do Harry não parecia nada boa.
Balancei a cabeça, sem fazer ideia do que poderia causar a suposta cara feia de Harry. Seria ansiedade para o nosso casamento? Ou algo que Charles havia lhe dito na reunião dos dois?
– Vamos chama-los para o jantar! – ela me puxou pelo pulso e nós caminhamos em direção ao escritório de William.
O apartamento deles é diferente do nosso. No primeiro andar haviam duas salas e uma delas havia se tornado o escritório de William e Catherine.
A porta estava entreaberta e já do corredor dava para ouvir as vozes dos irmãos, embora eu não conseguisse ouvir claramente o que os dois estavam falando. Catherine caminhava na minha frente e quando eu me aproximei da porta, eu senti a minha vida toda em câmera lenta ao passo que eu conseguia ouvir com precisão o que Harry falava do lado de dentro.
– Então... – William pareceu fazer uma pausa. – Tudo o que você está fazendo nesse último ano é uma mentira?
Nos aproximamos da porta e eu pude ver Harry em pé, de costas para a mesma enquanto William estava encostado na parede, com os braços cruzados a frente do peito, encarando o irmão com uma expressão de surpresa no rosto.
– Eu me aproximei de já sabendo tudo sobre ela. Edward tinha todos os encontros agendados. Tudo que eu precisei fazer foi fazê-la se apaixonar por mim... – ele fez uma pausa. – Will, eu me sinto uma péssima pessoa desde o começo disso tudo. Eu estou fingindo desde o começo! E ela não tem a menor ideia. Céus, eu transei com ela William, e não tinha nenhum sentimento por ela.
– Harry... – como um imã, os olhos de William foram até a porta, encontrando sua esposa e eu paradas ali. O meu noivo não se importou com o chamado do irmão e continuou a falar, causando ainda mais embrulhos ao meu estomago.
– E o pior é que agora eu estou gostando de verdade dela e eu já não consigo imaginar a minha vida sem a . O que é uma merda porque como se começa um casamento depois de uma mentira dessas? Isso aqui já está fadado ao fracasso, William. Eles esperam que a gente tenha filhos, mas como eu devo fazer isso se eu não sei nem se ela vai querer olhar na minha cara quando eu contar toda a verdade? Como eu vou me casar amanhã mentindo para a mulher que eu amo? – ele soltou um suspiro e pareceu passar a mão no rosto. – Cara, ela nunca vai me perdoar.
Uma lágrima solitária escorregou pela minha bochecha enquanto eu ouvia todo o discurso de Harry naquele momento. Como um filme, todas as cenas do nosso relacionamento passaram na minha cabeça e eu me sentia uma completa idiota.
Ele me enganou.
Ele me enganou por um ano inteiro.
Tudo que eu vivi até aqui era uma grande farsa.
– Você tem razão... – falei, tendo uma força que eu nem sabia que possuía, e atraindo a atenção do ruivo. Seu olhar era desesperado e seu rosto estava tão vermelho quanto os seus cabelos, mas aquilo pouco me importava. – Eu nunca vou te perdoar.
Proferi as palavras pausadamente antes de fazer o caminho de volta para a sala e depois para a saída do apartamento. A brisa de Londres bateu no meu rosto e eu me abracei, sentindo as lágrimas rolarem livremente pelo meu rosto enquanto eu seguia caminho para o meu apartamento.
Dentro da minha mente havia um turbilhão de coisas passando e eu podia sentir o meu coração se quebrando em milhões de pedacinhos dentro do meu peito enquanto a voz de Harry ecoava dentro da minha cabeça.
“Eu me aproximei de já sabendo tudo sobre ela.”
“Edward tinha todos os encontros agendados.”
“Tudo que eu precisei fazer foi fazê-la se apaixonar por mim...”
O meu Príncipe Encantado havia se transformado em um sapo e o conto de fadas se tornou um filme de horripilante.
Eu era uma completa idiota. Como eu poderia ter caído na história do Príncipe Harry se apaixonar por mim?
Eu estava sendo enganada por ele e pela família dele.
Eu estava sendo usada da pior forma.

(1) Strathmore Rose Tiara: foi dada como um presente de casamento pela mãe do Duque de Edimburgo para a Rainha Elizabeth II. Posteriormente, foi usada pela Princesa Anne e por sua filha, Zara Tindall, no dia de seu casamento. Aqui, foi adaptado a história da tiara: não foi dada como presente à Rainha, era uma joia da coleção do Duque de Edimburgo, deixada por sua mãe.


thirty one.

“Uma mentira é a porta de saída que se fecha sem possibilidade de retorno.”

Harry’s POV.

Depois do ensaio para o nosso casamento, eu segui para casa com , mas não teria muito tempo para descansar ou para ficar brincando com Biscuit porque meu pai havia deixado claro, antes de se despedir após o ensaio, que queria falar comigo na Clarence. Ele achava que era necessária uma última reunião antes do casamento, embora eu não visse motivo para tal. Já não estamos onde ele queria? O que mais haveria para tratar?
Subi para tomar um banho rápido, apenas para me sentir renovado para o assunto chato e longo que com certeza eu teria com Charles. Poucos minutos depois, entrou no quarto com o celular em mãos e um sorriso nos lábios.
– Os suecos já estão em Londres. – ela anunciou.
– Como sabe? – perguntei, enquanto terminava de fechar alguns botões da minha camisa social.
– Victoria me enviou uma mensagem me convidando para um encontro na casa da Madeleine. – ela disse e eu concordei com a cabeça, aprovando a ideia da amizade entre ela e as princesas. – Podemos jantar fora ou será muito ruim?
– Podemos pedir para entregar. O que acha? – sugeri e ela deu os ombros. – Quando eu estiver saindo da Clarence, eu peço naquele seu restaurante favorito.
– Por mim, está ótimo. – ela piscou na minha direção e eu sorri. – Nos vemos mais tarde, então.
– Boa reunião com as Princesas. – falei, me aproximando dela para unir nossos lábios em um beijo rápido de despedida.
Me abaixei para afagar a cabeça de Biscuit que havia seguido até o quarto e peguei as minhas coisas, colocando nos bolsos da calça e do paletó enquanto descia as escadas rapidamente. Quanto mais rápido eu fosse para a Clarence, mais rápido eu poderia sair de lá.
– Boa noite, rapazes. – anunciei para meus dois OPs, entrando na parte de trás do carro.
– Para onde, senhor? – Dave perguntou, dando partida no carro.
– Para a Clarence House. Tenho uma reunião com meu pai. – avisei, sentindo o carro começar a se movimentar e logo, já havíamos passado os portões do Palácio em direção à cidade.


– Boa noite, Camila. – cumprimentei minha madrasta com um beijo na bochecha.
– Como está, querido? Ansioso para o grande dia? – ela perguntou, curiosa e eu soltei uma risada nasalada, concordando com a cabeça.
– Estou bem e posso afirmar que estou um pouco ansioso, sim. – ela deu os ombros.
– É assim mesmo... – ela sorriu. – Mas tenho certeza que quando ver entrando na Abadia irá esquecer todo o seu nervosismo.
– Espero que sim, Camila. – ri fraco. – Onde está meu pai? Ele marcou uma reunião comigo...
– Está no escritório esperando por você. – ela respondeu serena. – Pode ir. Não quero tomar o tempo de vocês. – abanou a mão no ar e eu sorri, agradecido antes de seguir em direção ao escritório.
Dei duas leves batidas na porta da sala e quando escutei a voz de Charles dizendo que eu poderia entrar, abri a mesma, dando um passo para dentro do escritório. Ele se encontrava sentado atrás de sua enorme mesa de madeira e no rosto tinha seu semblante impassível de sempre.
– Sem secretários dessa vez? Isso sim é uma novidade. – soltei uma risada fraca, puxando uma das cadeiras de frente para a sua mesa para me sentar.
– Sem piadas, Harry. – ergui as duas mãos em sinal de rendição e ele continuou. – Imagino que você deve estar se perguntando o motivo da reunião já que estamos perto do seu casamento...
– Acertou em cheio. – ri fraco, cruzando as pernas e aguardando que ele continuasse o seu discurso.
– Hoje é mais um agradecimento meu a você. – ele sorriu fraco. – Eu sei que no começo você foi relutante a ideia e tentou de diversas formas fugir disso, mas eu estou grato que tenha percebido que o seu destino, como membro da família, é protege-la e servi-la. Isso não é um simples casamento, é um respiro para a nossa família. – ele fez uma breve pausa. – Você não deve achar nada disso importante, mas eu preciso te dizer que há um ano, as pessoas reclamavam com louvor das taxas e dos gastos que nós trazíamos para o país. Hoje, essas reclamações são ruídos bem baixos porque as pessoas estão mais interessadas no seu casamento e no evento que você e a sua noiva farão. A prova disso são os tabloides falando da senhorita Thompson. Estão falando coisas ruins, mas ainda assim, estão falando sobre ela e é o que importa. Eu sei que você não se julga tão importante assim porque o William é o futuro rei, mas você e estão mais próximo das pessoas e isso faz com que eles falem de vocês. É disso que precisamos: estar no meio deles, ser o assunto deles. – ele suspirou. – Assim que ocorrer o casamento de vocês, vocês poderão se mudar para a Cottage. As reformas necessárias para a mudança foram feitas, mas se vocês quiserem mudar algo mais, podem ficar à vontade. Esse casamento é um marco de importância para nós e o início de um trabalho verdadeiro que vocês farão para a Coroa. As expectativas estão altas, então, não nos decepcione.
– Algo mais? – perguntei, não dando a mínima para aquele discurso todo. Aquilo só significava que ele iria controlar a minha vida ainda mais e eu não gostava nem um pouco de saber disso.
– Não, Harry. – ele deu os ombros. – Daqui a três dias você iniciará a segunda parte do plano e, então, nós voltaremos a começar.
– Segunda parte do plano? – questionei, curioso e desgostoso.
– Sim. Uma gravidez! Ora meu filho, o casamento vai ficar na mídia por um tempo, mas nós precisaremos seguir os alimentando. A gravidez e a demonstração que você e são um casal incrivelmente feliz é tudo que precisamos.
Soltei o ar pesadamente, me levantando da cadeira e caminhando de um lado para o outro dentro do escritório. Todas as vezes que ele dizia que queria que engravidasse após o casamento, eu sentia náuseas e a culpa parecia querer me consumir por inteiro.
– Isso te deixa contente? – perguntei, me virando para encará-lo, mas ele pareceu não perceber sobre o que eu me referia. – Ter que controlar a minha vida inteira. Isso te deixa contente? – suspirei. – Não foi você que teve que se casar com a minha mãe por obrigação? Não se lembra o quão infelizes vocês foram? E o que toda essa merda causou a ela? Por que quiseram repetir isso tudo comigo?
– Harry... – meu pai colocou as mãos sobre a mesa, encarando o chão por alguns segundos antes de voltar a me encarar. – Todos nós fazemos sacrifícios por essa família. Eu já fiz os meus. Eu sei que eu vivi anos ruins com a sua mãe, mas eles me deram os presentes da minha vida, você e seu irmão, e eu não tive culpa nenhuma naquele acidente. Aconteceu. – ele suspirou. – Essa foi a sua vez de fazer um sacrifício. E sinceramente? Achei pouco perante tudo que essa família já fez por você.
Pouco perante tudo que essa família já fez por mim? – repeti a frase com nojo e soltei uma risada, sem entender o que era aquele absurdo. – Do que você está falando?
– Faça-me o favor, Harry! – ele deu um tapa na mesa, levantando-se da cadeira para me responder. – Você se comportou como um moleque insolente até perto dos 30 anos! Contar para a imprensa que usava maconha aos 17 anos! Socar um paparazzi por conta de um apelido idiota que você recebeu! As fotos nuas em Vegas e a outra usando uma fantasia nazista na capa do The Sun! Você não acha que nós já fizemos muito por você?! Nós limpamos a sua merda todas essas vezes! E só porque pedimos a sua contribuição, um mínimo sacrifício seu, você rebate todas as vezes e reclama de tudo! Aprenda que isto, antes de ser uma família, é uma instituição. E nós devemos fazer sacrifícios em nome da Coroa. Todos nós, pelo menos uma vez, temos que fazer, gostemos ou não. Então, cresça, faça o que lhe foi mandado e guarde seu descontentamento, suas piadas e comentários ácidos para si mesmo!
Meu pai estava vermelho de raiva. Enquanto ele profanava todas aquelas palavras, as veias de seu pescoço saltavam, demonstrando o tamanho da sua ira contra mim.
Eu contive um suspiro assim como a minha vontade de responder. Só iria estender ainda mais aquela discussão que não me agregaria em nada.
Eu só precisava sair dali.
Eu precisava falar com alguém.
Virei as costas, caminhando em direção a porta do escritório e bati a mesma com toda a força assim que a cruzei. Passei pelo corredor em silêncio e Camila se aproximou de mim, assustada com os gritos do meu pai, para saber se estava tudo bem. Optei por ignorá-la, assim como os seus chamados e segui meu caminho para fora daquele lugar.
Eu queria fugir.
E queria conversar com alguém. Alguém que pudesse me entender e me ajudar a tomar a decisão certa sobre o meu futuro. Estava claro que eu não tinha mais como fugir do casamento, mas eu tinha uma coisa para fazer: contar ou não contar toda a verdade para .
Ela merecia saber a verdade.
Eu merecia me livrar um pouco do peso que eu carrego.
Porém, contar a verdade não vai me livrar de nada. Magoar vai conseguir me fazer pior do que agora. Disso, eu não tenho dúvidas.
– Senhor? – Dave tinha uma das mãos em meu ombro e o apertava com um pouco de força para chamar a minha atenção. – Está tudo bem? O senhor parece um pouco... Perdido.
– Estou bem. – afirmei, indicando o carro com a mão. – Vamos para casa.
Perdido.
Ri fraco com o comentário preciso do meu oficial. Era assim que eu me sentia: completamente sem saber o que fazer àquela altura. Eu só queria encontrar alguém que eu pudesse desabafar.
William.
William é um bom nome para ouvir meu desabafo. Ele vai saber me ajudar em relação a tudo.
Chequei meu relógio para saber se estava muito tarde para passar no apartamento dele e de Catherine, mas provavelmente eles ainda estariam acordados. Me ajeitei no banco do carro, me sentindo ainda mais agoniado para que o Kensington chegasse logo. Eu precisava falar com William.
Assim que Dave estacionou o carro em frente ao meu apartamento, eu saltei. Nem mesmo me importei em me despedir dos dois, segui em passos apressados em direção ao apartamento de William. Toquei a campainha e Catherine atendeu.
– Harry? Está tudo bem?
– Oi, Kate! William está? – perguntei, receoso e ela concordou com a cabeça, dando espaço para que eu entrasse no apartamento.
– Ele está colocando George para dormir, mas já deve descer. – ela sorriu fraco. – Onde está ?
– Foi se encontrar com as Princesas da Suécia. – dei os ombros, não muito interessado em conversar.
– Podemos jantar os quatro juntos, o que acha? – ela perguntou, mas eu não respondi porque foi no mesmo instante que William apareceu descendo as escadas. Eu praticamente me atirei em cima dele que me retribuiu com um olhar assustado.
– Eu preciso conversar com você. – falei.
– Tudo... Tudo bem. – William pareceu confuso, mas concordou com a cabeça. Fomos em direção ao escritório dele e eu me sentei em uma das poltronas enquanto ele ia para sua cadeira atrás da mesa. – O que houve, Harry?
– Will, eu preciso te contar uma coisa porque eu preciso de um conselho. Eu não sei o que fazer. – falei para mostrar que o assunto era sério e meu irmão concordou com a cabeça levemente, parecendo ainda absorver a informação.
– Me diga. – pediu, cruzando os braços.
– O nosso pai me forçou a me envolver com a . – falei rápido e vi William resetar na cadeira. Ele ficou parado por alguns segundos até me encarar de novo.
– Como assim?
– Há um ano, ele me chamou para conversar e me disse que eu precisava fazer um sacrifício pela nossa família: me casar para aumentar nosso índice de aprovação. Ele já tinha a mulher escolhida. Tudo que eu tive que fazer foi fazer se apaixonar por mim. – suspirei, sentindo minha voz começar a embargar.
– O que? Por que você aceitou? – William se levantou da cadeira, balançando a cabeça.
– Ele não me deu outra opção, William. Aliás, ele só me comunicou do plano. Eu não tive como fugir.
– E você aceitou esse circo todo? Poderia ter falado comigo, Harry. Nós poderíamos ter conversado com ele ou teríamos ido para a vovó. Ela conseguiria tirar essa ideia louca da cabeça dele!
– Ele estava irredutível, William. – suspirei. – E a vovó sabe muito bem de tudo o que ele está fazendo.
– Então... – William fez uma pausa. – Tudo o que você está fazendo neste último ano é uma mentira?
– Eu me aproximei da já sabendo tudo sobre ela. Edward tinha todos os encontros agendados. Tudo que eu precisei fazer foi fazê-la se apaixonar por mim... – pausei. – Will, eu me sinto uma péssima pessoa desde o começo disso tudo. Eu estou fingindo desde o começo! E ela não tem a menor ideia. Céus, eu transei com ela, William, e eu não tinha nenhum sentimento por ela.
– Harry... – William me chamou, mas eu ignorei.
– E o pior é que agora eu estou gostando de verdade dela e eu já não consigo imaginar minha vida sem . O que é uma merda porque como se começa um casamento depois de uma mentira dessas? Isso aqui já está fadado ao fracasso, William. Eles esperam que a gente tenha filhos, mas como eu devo fazer isso se eu não sei nem se ela vai querer olhar na minha cara quando eu contar toda a verdade? Como eu vou me casar amanhã mentindo para a mulher que eu amo? – soltei um suspiro, passando a mão pelo rosto. – Cara, ela nunca vai me perdoar.
– Você tem razão... – a voz feminina se fez presente e eu me virei, vendo e Catherine paradas próximas a porta do escritório. Seu rosto já estava vermelho e eu já conseguia ver algumas lágrimas escorrendo por suas bochechas. – Eu nunca vou te perdoar.
saiu praticamente correndo dali e eu me virei na direção de William.
– Por que não me disse que ela estava aqui? – questionei, abrindo os braços.
– Eu não sabia, Harry! Estou trancado nesse escritório desde o almoço para resolver as últimas coisas da minha turnê para a Polônia. Eu não fazia ideia que a estava aqui... – voltei meu olhar para Kate que fazia o máximo para não me encarar, mas quando ela o fez foi possível sentir todo o nojo que ela mantinha em seus olhos naquele momento.
– Kate...
– Eu não quero escutar você, Harry. – ela ergueu a mão em um gesto silencioso para que eu nem começasse a falar – Como você pôde mentir para ela dessa forma? A garota se abriu para você, se entregou desde o começo ao nosso estilo de vida e você o tempo todo mentindo para ela... – Kate suspirou – Eu não sei o que dizer.
Ela saiu do escritório e meu irmão a seguiu pelos cômodos, indo para algum lugar que eu pouco me importei. Eu precisava ir para o meu apartamento para checar como estava, se ainda havia alguma possibilidade de ela querer olhar na minha cara ou se eu ainda poderia explicar toda a história.
Saí da casa de William e Catherine igual um desesperado. A cada passo que eu dava, parecia que o meu apartamento ficava mais distante e não chegava nunca.
Minha cabeça estava a mil. Eu não sabia se aceitaria conversar comigo... Ou se ela iria, pelo menos, olhar na minha cara.
Eu só queria poder me explicar.
E, por mais difícil que seja, ela precisaria me ouvir e tentar me entender.
Nós ainda podemos fazer isso funcionar.
Abri a porta do apartamento e subi escada acima correndo. Do corredor eu já conseguia ouvir o choro de e, assim que eu abri a porta do nosso quarto, encontrei a morena retirando algumas roupas do closet e colocando-as na mala. Biscuit estava sentado próximo a cama e parecia entender que o momento não era nada bom.
... – a chamei, ainda parado próximo a porta.
Não recebi nenhuma resposta. nem mesmo levantou o olhar para me encarar.
, me deixe explicar...
– Explicar o quê? – ela ergueu o rosto e me encarou com os olhos inchados de chorar. – Explicar que você me fez de idiota com a história do Príncipe Encantado que se apaixona por uma comum?
– Você não é idiota, . – falei, sincero e soltei um longo suspiro. – Não pense que foi fácil para mim! Eu me senti mal o tempo inteiro por estar mentindo para você, ainda mais depois de perceber que eu estou completamente apaixonado por você. Eu me sinto péssimo por ter começado o nosso relacionamento dessa forma.
– Eu não vou sentir pena de você, Harry. – ela murmurou antes de entrar no closet e retornar com mais algumas peças de roupas nas mãos, jogando-as na mala. – Você não tinha o direito de me fazer de idiota como fez. E eu nem posso dizer se foi tão difícil assim para você ou se você se sente tão culpado assim porque eu acabei de perceber que eu não conheço você! Você mentiu por um ano! Quem me garante que você não está mentindo agora mais uma vez?
– Você me conheceu sim, ! Você sabe quem é o Harry de verdade! Eu não estou mentindo quando eu digo que estou apaixonado por você. – passei as mãos pelo rosto, tomando uma lufada de ar e tentei me aproximar dela. esticou a mão, impedindo que eu me aproximasse e fechou a mala.
– Eu não sei de mais nada, Harry. – ela suspirou, erguendo a mala da cama e colocando-a no chão enquanto puxava a alça para segurá-la. – Eu achava que eu sabia quem você era, achava que eu tinha encontrado o homem da minha vida... Que eu tinha tirado a sorte grande porque o cara que eu amo era um verdadeiro príncipe, mas agora eu estou vendo que não. Na verdade, eu me ferrei. Tudo que eu vivi no último ano, tudo que eu me preparei para viver ao seu lado é mentira. Eu fui uma completa idiota. E a sua atitude foi uma das mais baixas que eu já vi em toda minha vida.
... – tentei mais uma vez.
– Não, Harry. – ela balançou a cabeça de um lado para o outro. – Eu não quero mais ouvir. Eu vou embora desse apartamento. Eu vou embora da sua vida. Eu vou viver bem longe de você. Você é um estranho para mim.
Senti as lágrimas começarem escorrer pela minha bochecha ao passo que caminhava para fora do nosso quarto, puxando a mala e sendo seguida por Biscuit.
, você não pode ir. – murmurei, descendo as escadas apressado atrás dela. – Nós temos um casamento daqui a poucas horas. Você não pode fazer isso comigo! E nem com a minha família.
– Depois de tudo que você fez comigo, Harry, eu acho que eu posso causar um pouco de humilhação para a sua família. – ela deu os ombros, parando ao final da escada e virando-se para me encarar. – Eu tenho plena certeza que vocês vão saber lidar com isso.
... Por favor, não faça isso. – pedi. – Eu te amo.
– De todas as mentiras que eu já ouvi de você, “eu te amo” é a minha favorita. – ela rolou os olhos antes de se virar e caminhar em direção a porta do apartamento, arrastando sua mala.
Eu permaneci parado ao pé da escada, sem forças para rebater qualquer palavra, sem saber o que fazer mais para que ela acreditasse em mim e ficasse. Eu amava e eu estava a perdendo naquele exato momento.
Para sempre.
Afinal, ela já tinha deixado claro que não iria me perdoar.
A porta do apartamento bateu e Biscuit me encarou com as orelhas para o alto. Suspirei, caminhando para o meu escritório e indo até o pequeno bar que havia localizado dentro dele. Peguei uma garrafa do meu whisky favorito e me sentei no sofá, abrindo a mesma e dando uma golada direto da garrafa.
Eu havia demorado tanto tempo para finalmente perceber que eu estava apaixonado por e quando eu finalmente a tinha, eu a perdi. A perdi porque não fui homem o suficiente para contar a verdade diante das inúmeras oportunidades que eu tive.
Eu a perdi.
E eu não me lembrava mais como era a vida sem ela.
Muito menos como seria cancelar um casamento real dois dias antes.
Suspirei, dando mais um longo gole no meu whisky e encarando o teto do escritório. Eu tinha que fazer alguma coisa. Eu precisava fazer alguma coisa.
Eu tinha algumas opções, mas algumas delas renderiam broncas. Meu pai, minha avó, William ou Catherine estavam fora de cogitação; , Beatrice ou Zoe, me fariam explicar muito os motivos para que fosse embora e eu não queria ter que expor tudo que eu havia feito.
Até que um nome brilhou na minha mente.
Nancy! – quase pulei do sofá quando o nome da minha sogra surgiu. Apoiei a garrafa no chão, buscando meu celular no bolso do meu paletó e abri a agenda em busca do número da minha sogra.
Se ela sabia da história toda, como já tinha me deixado claro, e nunca havia falado nada para a filha era porque ela concordava com o que estava acontecendo. Eu não sabia os motivos dela, mas ela poderia ser minha aliada naquele momento.
Eu precisava falar com Nancy.
Rodei a lista de contatos de cima à baixo, mas não encontrei o número dela. Bufei e já pronto para arremessar meu celular contra a parede do escritório.
– Pensa, Harry. – murmurei para mim mesmo. – Pelo amor de Deus, pensa.
Fechei os olhos, colocando as mãos nas têmporas e tentando pensar em como eu poderia ter o número de Nancy. Eu precisava falar com ela.
Edward Fox-Lane!
Meu secretário deveria ter o número da senhora Thompson!
Abri a lista de contatos novamente, encontrando o número de Edward e discando. Rezei mentalmente para que ele atendesse rápido e após o quarto toque a voz sonolenta de Fox-Lane soou do outro lado da linha.
– Senhor? – Edward parecia um pouco confuso. – Aconteceu algo?
– Uma merda, Fox-Lane. – falei seguido de um suspiro. – Uma grande merda.
– O que houve, Harry? – seu tom de voz já era mais sério, o que demonstrava que ele já estava mais alerta do que antes.
descobriu tudo! Tudo! Ela saiu de casa.
– Pelo amor da Rainha... – Edward murmurou em um tom mais baixo.
– Eu preciso do número da senhora Thompson. Agora.


thirty two.

E, afinal de contas, o que é uma mentira? É apenas a verdade mascarada.


’s POV.

Acordei sentindo que havia sido atropelada por um trator. Meus olhos doíam e estavam inchados pelo tanto que eu havia chorado na noite anterior e só de pensar nele eu sentia o meu coração se quebrar em mais um milhão de pedaços.
Apareci na casa dos meus pais aos prantos e pedi para que pudesse passar a noite, dizendo que conversaria com eles depois. Meu pai pareceu acender um sinal de alerta e tentou, a todo custo, querer saber o que havia acontecido, mas eu pedi que ele me desse um momento para entender tudo que havia acontecido naquela noite. Apenas garanti a ele que eu ficaria bem.
Eventualmente, eu sabia que eu ficaria bem.
Minha mãe, por outro lado, respeitou o meu pedido desde o primeiro momento. Disse que nós conversaríamos quando eu me sentisse melhor e não foi atrás de mim no meu antigo quarto igual ao meu pai. Eu podia ouvi-los sussurrando pela casa, tentando entender o que havia acontecido, questionando um ao outro o que ele poderia ter feito e eu me sentia pior ainda por tudo que havia acontecido.
Eu tentava não pensar nele, mas era uma tarefa impossível. A noite inteira tive sonhos dos momentos que tivemos juntos, das vezes em que ele dizia que me amava e eu me sentia cada vez mais estúpida por ter caído naquela história.
Como eu pude ser tão inocente?
? Querida? – ouvi a voz da minha mãe do outro lado da porta, seguida de duas leves batidas na mesma.
– Pode entrar. – suspirei, me sentando na cama e afastando um pouco as cobertas de cima do meu corpo.
Logo, minha mãe adentrou o quarto com uma bandeja em mãos. Sorri fraco ao vê-la depositar a bandeja próxima de mim e ao perceber que ali continha as coisas que eu mais amava comer no café da manhã.
– Obrigada, mãe. – sorri fraco, pegando o copo de suco de laranja para dar um gole.
– Acho que devemos conversar, não é? – ela sorriu fraco e eu concordei com a cabeça, puxando um pedaço do pão e levando até a minha boca. – O que aconteceu ontem?
– Ele me enganou. – respondi, após terminar de mastigar e ela me encarou, esperando que eu contasse tudo. – Eu fui até a casa de William e Catherine, ele estava lá conversando com o irmão e eu ouvi-lo dizer que o nosso relacionamento era um plano da família dele. Ele fez de tudo para que eu me apaixonasse por ele porque esse casamento era um plano deles. – suspirei, passando o dorso da minha mão no rosto para secar as lágrimas que escapavam. – Eu fui usada.
– Você conversou com o Harry? – acenei positivamente com a cabeça. – O que ele te disse?
– Que não foi fácil mentir para mim, ainda mais quando percebeu que estava realmente apaixonado por mim.
– E como você se sente com tudo isso? Digo, não só pelo o que ele fez, mas pelo que ele te disse.
– Me sinto uma idiota. – ri nasalado. – Não consigo acreditar que não percebi que ele não tinha sentimentos por mim. E agora que sei de tudo, sinto raiva por tudo que ele fez.
– Você gosta dele? – minha mãe ergueu uma sobrancelha na minha direção.
– Eu o amo. – respondi, já sentindo as lágrimas voltarem a escorrer pela minha bochecha. – Mas eu não sinto e nem acredito que conseguiria levar uma relação adiante depois disso tudo. Por Deus, ele me enganou!
– Posso te dizer o que eu penso? – ela sorriu fraco e eu concordei com a cabeça. – No dia que vocês vieram jantar aqui, eu vi um casal apaixonado. O jeito que ele te olha, a maneira que ele segura a sua mão e a forma que os olhos dele brilham quando olham para você, querida... Isso tudo demonstra que ele ama você. – ela fez uma pausa. – Eu imagino que seja doloroso o que você está sentindo agora. Afinal, foi uma mentira, mas eu não acredito que tudo foi uma mentira. Harry é um rapaz bom, tem um bom coração e eu não tenho dúvidas que ele fará de tudo para que você possa perdoá-lo porque ele realmente gosta de você. – ela suspirou. – Além do mais...
– Além do mais, o quê? – perguntei curiosa ao perceber que ela deixou a frase no ar e minha mãe balançou a cabeça. – Mamãe, por favor, fale.
– Além do mais, nós não podemos fazer isso com eles, minha filha.
– O que? Eles quem? – balancei a cabeça, tentando entender e ela suspirou mais uma vez.
– A Corte, . – ela caminhou de um lado para o outro dentro do meu quarto e eu fiquei em silêncio, apenas a observando. – Você vai carregar um fardo para o resto da sua vida, se não se casar com Harry. Vai ser conhecida como a moça que humilhou a família mais importante do país e é bem capaz dos tabloides não deixarem você em paz. Eu sei que eles escrevem sobre você e falam coisas ruins, te fotografam a todo instante, mas você tem a proteção da família real. Se você não entrar para a familiar e cancelar o casamento a menos de 24 horas, você sofrer o dobro com isso. Sem contar o fato de ter a Rainha como sua inimiga.
– Mãe... – comecei, mas soltei uma risada fraca, antes de voltar a encará-la. – Você não acha que está exagerando? Assim, eu entendo que eu vou ter uma fama ruim cancelando o casamento, mas eu não posso me casar após viver um ano repleto de mentiras.
– Eu não estou exagerando, . – ela balançou a cabeça. – Lady Diana quando se separou do Príncipe Charles, ela deu entrevistas, falou coisas que não deveria ter dito publicamente e se tornou um ícone mundial. Ela brilhava mais que a própria Coroa, chamava mais atenção. Todos nós sabíamos que a Rainha não gostava dela...
– Isso é um exagero, mãe. – ri, dando um novo gole no meu suco. – Eu não posso me casar apenas para não humilhar a família real.
– Querida, preste atenção no que eu digo a você. Não queira ter a Corte como sua inimiga e nem queira transformar a sua vida em um inferno. Se você não aparecer linda em seu vestido de noiva amanhã às nove horas na Abadia de Westminster, você terá muitos problemas e eu não sei se vai conseguir lidar com todos eles.
– E o que eu faço com tudo que estou sentido? Jogo fora toda a minha raiva? Eu nem sei se consigo olhar na cara do Harry sem chorar.
– Dê uma nova chance a ele. – minha mãe deu os ombros, caminhando na minha direção e sentando-se na beirada da cama. – Esqueça este um ano que vocês namoraram e comece de novo. Case-se publicamente e inicie um namoro nos bastidores. Ninguém vai saber como vocês estão vivendo além de vocês mesmos.
– Mãe... Eu não sei se eu sou capaz de fazer uma coisa dessas. Eu não tenho esse sangue frio. Eu não vou conseguir sequer olhar para a cara dele sem me sentir uma mais completa idiota.
– Querida, todos nós fazemos sacrifícios algumas vezes na vida. Chegou sua vez de fazer o seu. Mesmo se achar que não puder, se esforce. Faça isso pela nossa família, por tudo que nós poderemos passar, caso esse casamento não aconteça, e por você.
Concordei com a cabeça e ela sorriu fraco, levantando-se da cama e caminhando até a porta do meu quarto.
– Você não deveria me dizer o contrário? – questionei, vendo-a parar e se virar para me encarar novamente. – Você é minha mãe. Não deveria estar com raiva dele, daquela família e de tudo que eles me fizeram passar? Não deveria me aconselhar a nunca mais voltar lá e não me casar?
– Querida, é evidente que vocês se amam. Eu não posso dizer ou fazer nada para que você seja infeliz. – ela sorriu na minha direção e eu concordei com a cabeça, observando-a sair do meu quarto.
Fechei os olhos, jogando meu corpo contra o colchão novamente e soltei um longo suspiro, fechando os olhos.
Perdoar Harry era uma opção que havia passado pela minha mente, mas eu não saberia se eu conseguiria olhar para ele sem me lembrar que tudo havia sido uma mentira. E o mais importante: a certeza dele me amar eu já não tenho mais. Quem ama não enganaria alguém da maneira que ele fez comigo... Ele deve ter tido inúmeras oportunidades para me contar, por mais doloroso que tivesse sido. Saber diretamente dele em uma conversa franca comigo seria milhões de vezes melhor que ouvir por acaso em uma conversa com William.
Qual era o plano dele, afinal? Contar para todos e me deixar alheia a tudo? Aumentar ainda mais o meu papel de idiota?
Suspirei. Embora eu não quisesse, parecia que eu precisava conversar com ele.


– Querida, como você está? – meu pai sorriu, quando em viu descendo as escadas da nossa casa e eu sorri em resposta, me aproximando do sofá para dar um beijo em sua bochecha.
– Estou um pouco melhor. – ele soltou um suspiro, parecendo mais aliviado.
– Ainda teremos um casamento amanhã? – perguntou com um semblante confuso e eu dei os ombros.
– Eu não sei, pai. – confessei. – Mamãe não te contou o que aconteceu?
– Não... Apenas que você e Harry estavam com alguns problemas.
– Ele mentiu para mim. – falei de uma vez. – Parece que ele se aproximar de mim era um plano e ele só precisou fazer com que eu me apaixonasse por ele. Ele disse que, eventualmente, acabou se apaixonando por mim.
Observei meu pai se sentar no sofá e soltar o ar de forma pesada. Suas mãos se fecharam em punhos e ele ergueu o rosto para me encarar.
– O que você vai fazer? – perguntou, tentando se acalmar.
– Mamãe disse que eu deveria dar uma chance porque é claro que ele gosta de mim e ela consegue ver isso nos olhos dele. E, além disso, eu não poderia ficar mal vista no país por abandonar o casamento.
– Isso é verdade. – ele concordou com a cabeça. – Mas o que você quer fazer?
– Eu não sei. – me sentei ao seu lado. – Eu estou tão confusa, pai. Uma parte de mim acredita que ele realmente me ama e que eu devo dar uma nova chance a ele para que nós possamos começar uma história de verdade. Porém, há essa outra parte que me lembra a todo instante que ele mentiu. Todas as vezes que ele dizia que me amava ele havia mentido para mim. Tudo que vivemos foi uma mentira. E eu não sei se eu aguentaria viver com ele sem me lembrar de nada disso. – suspirei, secando os cantos dos meus olhos para que as lágrimas não descessem. – Eu não sei o que fazer.
– Para onde você estava indo agora?
– Iria até o Palácio. Preciso conversar com ele, com mais calma, para saber tudo. Quero ouvi-lo dizer tudo e explicar cada detalhe. Quem sabe isso me ajude a decidir qual lado de mim eu devo escutar. – ri nasalado e meu pai segurou a minha mão.
– Se isso fizer você se sentir bem, faça isso, querida. – ele sorriu fraco e eu concordei com a cabeça.
– Você não vai me aconselhar igual a mamãe? – perguntei, o vendo balançar a cabeça de um lado para o outro.
, você sempre foi uma mulher independente. Nós te educamos para que você fosse capaz de fazer as suas próprias escolhas e lidar com as consequências delas e você sempre fez isso com maestria. – ele riu fraco. – Eu não posso agora, à essa altura da vida, ainda mais em um problema que envolve uma mistura de sentimentos, te dizer o que fazer. Porque, se você seguir o meu conselho e, futuramente, se arrepender, eu nunca vou me perdoar por não ter deixado você mesma escolher o seu próprio caminho. Eu sei que se você escolher cancelar o casamento, você vai sofrer com os tabloides e vai ser muito perseguida por eles. Mas você é uma mulher forte que vai saber lidar com tudo, esquecer e superar esse episódio da sua vida. Assim como eu também sei que, se você escolher continuar com Harry, você vai entender que estão começando do zero e vai se esforçar para fazer o melhor de sua vida. Eu confio em você e estarei ao seu lado em qualquer decisão que você tomar, goste eu dela ou não.
– E o que você faria se estivesse no meu lugar?
– Daria um tapa na cara do Harry e de quem mais estiver envolvido nessa história louca! Essas pessoas pensam que nós ainda estamos vivendo em 1940 com esse negócio de casamentos arranjados?! – ele elevou um pouco o tom de voz e eu soltei uma risada, balançando a cabeça.
– Daria um tapa na Rainha?
– Talvez uma rasteira... – ele estreitou os olhos, soltando uma risada e eu me aproximei, dando outro beijo em sua cabeça.
– Obrigada pelas palavras, pai. – sorri, verdadeira. – Não sei ainda o que vou fazer, mas saber que você vai me apoiar em qualquer decisão já me dá um conforto.
– Estarei sempre aqui, querida. – ele sorriu – E boa sorte na conversa.
Agradeci com a cabeça e levantei do sofá, pegando meu celular dentro da bolsa para pedir um motorista por aplicativo. Quando cheguei em minha casa na noite anterior, informei que não precisaria mais dos meus Oficiais de Proteção porque não haveria mais casamento nenhum com Harry. Eu pude ouvir muito bem o barulho da Rover se afastando da minha casa naquela noite.
– Três minutos. Ótimo. – falei para mim mesma, segurando o celular em uma mão enquanto colocava um chapéu e um óculos que eu havia separado. Eu imaginava que a maior parte da imprensa estivesse me esperando no hotel onde eu deveria já estar descansando para o meu grande dia, mas isso não impediria que eu fosse fotografada chegando no Palácio caso me reconhecessem. E eu esperava seriamente que aqueles acessórios bastassem para disfarçar um pouco a minha identidade.
Abri a porta da casa e me surpreendi ao encontrar a Rover preta parada na frente da casa. Assim que eu saí, Aeryn desceu de dentro da Rover e se aproximou de mim.
– Bom dia, senhorita Thompson.
– Aeryn, o que você está fazendo aqui? – questionei, retirando meus óculos de sol e ele balançou a cabeça.
– Eu sou o seu Oficial de Proteção, senhorita. Tenho que ficar aqui para cuidar de sua proteção.
– Mas eu mandei vocês embora ontem.
– E nós fomos, senhorita. Mas sua Alteza mandou que voltássemos e ontem Daryl ficou por aqui, hoje invertemos o turno e eu estou aqui.
– Aeryn...
– Senhorita, não é da minha conta o problema que a senhorita tem com a Sua Alteza, mas eu estou aqui apenas cumprindo a função para qual fui contratado. Acredito que em seu momento de ira e desgaste emocional tenha pedido para que fossemos embora e nós obedecemos porque estávamos confusos com a sua confissão. Entretanto, é a Coroa que diz se nós continuamos sendo ou não Oficiais de Proteção de algum membro da família e a Coroa, neste caso, o Príncipe Harry, nos informou que a senhorita segue sendo parte da família. Assim, o meu trabalho continua sendo acompanha-la para qualquer lugar e fazer a sua proteção. – ele acenou com a cabeça e eu suspirei, me dando por vencida com aquele discurso. Afinal, ele não tinha culpa nenhuma e seria até melhor ir para o Palácio com ele.
– Tudo bem... Vamos para o Palácio, então. – informei, apontando para a Rover e caminhando até ela enquanto cancelava o carro por aplicativo que eu havia pedido. Aeryn abriu a porta do banco de trás para que eu entrasse e eu agradeci, me ajeitando sob o banco de couro enquanto aguardava ele dar a volta para entrar no veículo.
O carro começou a se movimentar e eu me desliguei por alguns minutos, apenas observando a cidade passar pela janela. Eu olhava as pessoas caminhando e tentava me distrair um pouco de pensar na conversa que eu teria com Harry.
– Senhorita? – a voz de Aeryn me despertou e eu olhei para frente, encontrando o oficial me observando através do espelho retrovisor.
– Sim?
– Está tudo bem? – perguntou, mas balançou a cabeça. – Desculpe, eu não deveria me meter, mas... As coisas ficaram estranhas nas últimas horas e a senhorita e a Alteza se casam amanhã... Eu sei que não deveria estar perguntando porque sou um simples funcionário, mas eu me preocupo e...
– Não vejo problema na pergunta, Aeryn. – dei os ombros. – Você trabalha conosco há mais de um ano... Mas não posso dizer que esteja tudo bem. Harry e eu tivemos um problema.
– Fiquei surpreso quando a senhorita disse que não haveria casamento. – ele riu fraco, voltando a se concentrar no trânsito. – Não é algo que acontece todo dia: um quase membro da família real terminar o casamento na véspera. Mas fico feliz que esteja indo ao Palácio.
– Ainda não sei se haverá um casamento. – confessei. – O que eu descobri foi realmente pesado para mim e eu preciso entender tudo o que aconteceu direito. Entender os motivos para saber se eu posso perdoar para seguir em frente.
– Entendi. – Aeryn balançou a cabeça. – Deve ter sido algo ruim mesmo, a julgar pelo estado da senhorita ontem.
– Aeryn, você está começando a soar invasivo. – alertei, o encarando pelo retrovisor. – Eu não vou falar o que aconteceu. É algo pessoal.
Tudo bem que ele era funcionário da Coroa, mas eu não queria ver a minha história estampada nos jornais e, aposto, que se isso acontecesse, a família iria querer me matar.
– Certo. Me desculpe. – pediu e eu acenei com a cabeça, embora ele não pudesse ver porque estava com os olhos no caminho para o Palácio. – Apenas me preocupei.
– Sem problemas. – respondi, finalizando o assunto e pegando meu celular de dentro da minha bolsa para que pudesse passar o tempo.
A única coisa que eu queria naquele momento era chegar logo ao Palácio para poder conversar com Harry. Falar com outras pessoas, ser questionada pelas minhas atitudes da noite anterior ou sobre o que havia acontecido entre nós já não me ajudariam mais em nada.
Eu só precisava falar com ele e tomar uma decisão.
E eu esperava, mais do que nunca, que eu tomasse a decisão certa.


thirty three.

“A punição do mentiroso é não se crer nele.”


Harry’s POV.

– Você já tem ideia do que vamos fazer?
Suspirei. Estava sentado no sofá do meu escritório com um copo de whisky em mãos enquanto meu secretário tratava algumas coisas em seu iPad.
– Eu não sei, Edward. – suspirei. – A senhora Thompson ficou de me ajudar, mas até agora nada.
– Se a senhorita Thompson não aparecer até a parte da tarde, nós precisaremos entrar em contato com o seu pai ou com a Rainha. – Edward sugeriu e eu neguei com a cabeça.
– Isso não vai ajudar em nada, Fox-Lane. Só vai me trazer mais problemas.
– Beber também não ajuda em nada neste momento, mas o senhor continua o fazendo. – ele apontou para o copo em minha mão e eu rolei os olhos.
– Ao contrário. Beber me ajuda a esquecer a merda que eu fiz. – sorri, finalizando o conteúdo do copo e me levantei para ir até o pequeno bar da sala para colocar mais uma rodada.
– Se tivermos casamento amanhã, o senhor aparecerá com uma ressaca tremenda. – ele riu fraco e eu dei os ombros, pouco me importando. – Já entrou em contato com a senhora Thompson hoje?
– Ainda não. – respondi, me virando para encará-lo. – Não quis parecer desesperado.
– Mas o senhor está. – Edward riu mais uma vez. – Estamos desesperados porque precisamos que este casamento aconteça. Já são quase 11 da manhã e as contas no Twitter já estão perguntando onde está a senhorita Thompson que não chegou ao Hilton ainda para pernoitar em sua última noite como uma comum.
– Tudo bem, Edward. – ergui minhas mãos, me dando por vencido e caminhei até minha mesa, onde ele encontrava-se sentado de um lado. Peguei meu celular sobre a mesma e procurei o número da mãe de . Eu havia ligado para ela há poucas horas pedindo sua ajuda para que ela não deixasse a filha cancelar seu noivado comigo.
– Senhora Thompson, bom dia. – me sentei na minha poltrona assim que a mulher atendeu a ligação.
Bom dia, Harry, querido. Como vai?
– Estou preocupado e ansioso. – admiti. – A senhora conversou com ?
Sim, querido. Conversamos agora pela manhã e eu fiz o que lhe disse que faria: aconselhei ela a casar.
– Certo. Sabe se ela tem alguma intenção de vir ao Palácio? Eu preciso conversar com ela e...
Ela saiu daqui. Acredito que tenha ido aí porque o seu oficial estava junto, mas não posso afirmar. – suspirei. – Talvez deva aguardar. Se ela retornar para casa, eu aviso.
– Tudo bem. – agradeci, finalizando a ligação e coloquei meu celular novamente sobre a mesa.
– E então? – Edward me encarou esperançoso.
– Ela saiu de casa, mas a mãe não sabe para onde ela foi. – suspirei, deixando meu copo sobre a mesa e passei as mãos pelo rosto. – Droga! Será que ela vem para cá?
– Vamos torcer para que sim. – Edward sorriu. – E vamos torcer para que tudo se ajeite e nós não precisemos avisar ao seu pai e a Rainha.
– Edward... Suponhamos que as coisas não se ajeitem... – supus, encarando o meu secretário. – O que meu pai e minha avó podem fazer?
– Senhor, para falar a verdade, eu não sei o que eles poderiam fazer exatamente. Porém, eles não permitiriam que este casamento não acontecesse. – ele respondeu obviamente e eu concordei com a cabeça. – Todavia, eu acredito que eles tiveram um motivo para escolher a senhorita Thompson e, assim, eles sabem o que fazer para que o casamento aconteça.
– Eu achei que o motivo deles terem escolhido a havia sido a proximidade da Nancy com a minha família... – comentei. – O que você sabe, Edward?
– Eu? – ele riu fraco e balançou a cabeça de um lado para o outro. – Eu não sei de nada, senhor. Eu sou um mero secretário.
– Edward Fox-Lane, se você... – minha frase morreu no ar assim que ouvi o som da campainha ecoar pelo meu apartamento. Encarei meu secretário, atônito e me levantei da minha poltrona, praticamente correndo em direção a porta da sala.
Minha mente apenas ecoava o nome de e meu coração batia mais rápido que o normal, não sei se devido a minha breve corrida ou em antecipação pelo que estava prestes a acontecer.
. – falei assim que abri a porta e me deparei com sua imagem à minha frente.
Seus olhos estavam um pouco inchados, talvez por ter chorado, mas ela estava linda. Os cabelos presos em um rabo de cavalo e o rosto sem nenhum sinal de maquiagem. Linda.
– Podemos conversar? – contive o suspiro pela forma fria que ela havia me encarado, mas eu conseguia entender. Era justo pelo que eu havia feito com ela. Eu só esperava que ela conseguisse entender o meu lado.
– Claro. Por favor, entre. – dei passagem para que ela entrasse em casa e fechei a porta depois de acenar com um maneio de cabeça para Aeryn, que estava parado próximo à Rover.
– Senhorita Thompson! – Edward havia saído do escritório também e eu sequer havia notado. Ele sorriu na direção de que apenas respondeu com um aceno. – Teremos um casamento amanhã?
– Edward, nós vamos conversar. – avisei, atraindo sua atenção, ao perceber que não sabia como responder a pergunta dele. – Pode esperar lá fora? Quando tivermos uma posição, eu o chamo.
– Certo. – ele respondeu pausadamente e caminhou em passos rápidos até a porta. Observei Edward se retirar e, assim que a porta foi fechada, me virei para encarar que continuava parada próxima ao sofá. As mãos estavam entrelaçadas e seu olhar encontrou o meu quando ela notou que meu secretário não mais estava no local.
– Como começou tudo isso? – ela perguntou sem rodeios.
– Um dia meu pai me chamou na Clarence House e me disse que os índices de aprovação da nossa família estavam em baixa. A melhor forma de fazer o público se interessar pela família real é um namoro em alta, seguido de um bom casamento e uma família feliz. Foi assim com William e Catherine, mas Will é muito protetor com Catherine e as crianças. Então, o público não gosta muito dessa parte.
– Aquele jantar na Clarence, o que nos conhecemos, foi arranjado, então?
– Sim. – fiz uma pausa. – Eu não sei por quem, mas foi. Tudo que meu pai me disse foi ir para a Clarence naquela noite e eu fui.
– Naquele dia que eu ouvi você conversando com William, você disse que Edward tinha os encontros agendados...
– Meu pai, o secretário dele e o Edward criaram um calendário que eu deveria seguir. Eles me deram um ano para namorar você e, ao final desse prazo, nós deveríamos estar noivos. Eu tinha um cronograma para seguir, tinha dias certos para ver você, lugares para te levar para jantar... Uma série de coisas. Mas isso foi tudo no início, . Chegou um momento que eu estava fazendo as coisas do meu jeito porque eu gostava da sua companhia. Tinha vezes que Edward nem sabia que nós íamos sair porque eu simplesmente queria ver você.
– O dia que você me pediu em namoro, em Balmoral, foi planejado por você? – questionou um tanto quanto receosa e eu desviei o meu olhar do seu, encarando o chão ao balançar a cabeça de um lado para o outro em resposta. – Edward?
– Edward deu a ideia de irmos para Balmoral e o pedido de namoro já estava no meu cronograma. – fiz uma pausa para soltar um suspiro. – Mas foi a partir daquele dia que eu comecei a perceber que eu poderia ter sentimentos por você.
– Por que você nunca me contou o que estava acontecendo?
– Eu não sabia como você iria reagir. Quando eu percebi que estava gostando de você de verdade, estava me apaixonando por você, eu pensei em contar para o meu irmão. Achei que ele saberia dizer como eu teria que contar para você... Eu tive algumas oportunidades para falar com ele antes daquela fatídica conversa que você ouviu, mas não deram muito certo. Acho que eu acabei atrasando tanto em te contar que você acabou descobrindo da pior forma possível.
– Seus amigos sabem?
– Não. – balancei a cabeça. – Eu nunca contei para ninguém. Meu pai, minha avó e os secretários sabem desde o começo.
balançou a cabeça e fechou os olhos por alguns minutos. Fiquei observando-a levar as mãos pelo rosto e soltar um longo suspiro antes de voltar a me encarar novamente.
– Eu sinto que tudo que nós vivemos foi uma mentira e sinto que nunca te conheci de verdade...
– Não foi tudo uma mentira. No início, eu realmente queria que você não aceitasse namorar comigo, que não quisesse embarcar nessa vida maluca e que desistisse. Mas, você foi, aos poucos, me conquistando e me fazendo nutrir sentimentos por você. Tinha momentos em que eu estava completamente confuso. Eu tinha uma batalha dentro de mim porque eu não queria aceitar que eu estava me apaixonando por você porque isso significaria que a história que meu pai arrumou deu certo e eu tinha que contar a verdade para você; e eu queria me dar o direito de viver esse sentimento com você. Eu me apaixonei por você da mesma forma que se adormece: devagar e tudo de uma vez. – sorri fraco na direção dela e pude ver uma lágrima escorrer pelo seu olho naquele exato momento. – E você me conheceu de verdade. Eu sou o Harry que te levou para rever o seu irmão na nossa viagem aos Estados Unidos, eu sou o Harry que passava as tardes vendo série aqui neste sofá – apontei para o móvel e ela seguiu com o olhar – com você, eu sou o Harry que te defendia das porcarias que a Genie dizia... Eu não sou mais o Harry que te pediu em namoro ou aquele Harry que queria que você corresse no início de tudo. Eu sou o Harry que é completa e absurdamente apaixonado por você. E eu farei de tudo que estiver ao meu alcance para te fazer feliz, se você me der a chance de podermos recomeçar.
– Harry... – suspirou. – Eu amo você. De verdade, eu amo você. Eu sinto verdade no que você me diz, mas eu não sei se vou conseguir me manter casada com você e, ao mesmo tempo, eu não quero ficar longe de você. Eu nunca me senti assim.
– Então, não fique longe de mim. – falei, caminhando devagar em sua direção. Entrelacei nossas mãos e as nossas respirações já se encontravam naquele momento. – Me dê a chance de te mostrar que nem tudo foi mentira e que eu sou o Harry que você conheceu... O seu Harry. – sorri fraco. – A gente pode começar de novo.
– Como assim?
– Publicamente, seremos casados. – constatei o óbvio – Mas, aqui, dentro desta casa, estaremos começando uma relação. Do jeito certo, dessa vez: sem mentiras, sem cronogramas. Apenas, você e eu. Eu prometo que não vou falhar com você – sorri. – O que você me diz?
– Harry... Eu não sei. – ela balançou a cabeça de maneira negativa, mas o simples fato dela não ter retirado as mãos das minhas ou se afastado, já me deu um pouco de esperança.
– Eu gostaria de dizer que você tem tempo para decidir, mas na verdade, não temos muito tempo. – ri fraco. – Precisamos estar na Abadia amanhã para um casamento. O nosso casamento.

– Eu sei disso. – ela balançou a cabeça. – E é essa pressão que prejudica tudo. Mas eu não quero tomar nenhuma decisão da qual eu vá me arrepender depois.
– Se você escolher me dar uma nova chance e se casar comigo amanhã, eu vou fazer o impossível para que você nunca se arrependa da sua escolha.
– Harry...
– Eu amo você, . – falei, encarando seus olhos castanhos e ela pareceu perder a respiração por alguns segundos. – Como eu nunca amei ninguém e como eu nunca achei que fosse ser possível. Quando eu te vi pela primeira vez, eu não imaginava que poderia ter algum sentimento por você, mas eu fui me apaixonando no dia a dia, aos poucos. Quando eu percebi, eu já estava apaixonado por você e eu demorei para me convencer disso porque eu tinha uma batalha dentro de mim. – fiz uma pausa, a minha vista já embaçava e eu tinha certeza que em breve as lagrimas tomariam conta do meu rosto. – As últimas horas sem você foram terríveis. Eu me senti culpado por tudo, me odiei tanto que eu entendo se você não quiser me perdoar e não quiser seguir em frente com o casamento. Mas eu preciso que você saiba disso: eu te amo. E eu estarei pronto para qualquer decisão que você tomar, mesmo que me vá me doer muito ter que viver sem você e esse não seja o meu desejo. Agora, se você escolher me perdoar e entrar amanhã na Abadia para se casar comigo, eu juro que farei o possível para te reconquistar todos os dias.
retirou as mãos das minhas e deu alguns passos para trás. Eu fechei os olhos e quando os reabri, pude vê-la encarando as escadas, de costas para mim. Suspirei, entendendo que ela estava tendo o momento dela para pensar na resposta que me daria e passei as mãos pelo meu rosto, secando as lágrimas que já tomavam conta.
O silêncio era cortante. Eu podia sentir uma dor intensa no meu peito causado por aquele ambiente silencioso e pela ansiedade que me dominava para ouvir o que tinha a dizer. Eu esperava que ela me dissesse o que eu queria ouvir, mas eu entendia que era uma possibilidade mínima daquilo acontecer e eu não a culpava de modo algum.
Primeiro porque eu não sei o que eu faria se a situação fosse ao contrário. Se eu estivesse no lugar dela, eu também não iria querer nem olhar na minha cara e nem me daria ao trabalho de aparecer para um casamento amanhã.
Segundo porque as coisas poderiam não dar certo. Não há nenhuma garantia que iremos conseguir superar tudo que aconteceu começando do zero, embora eu tenha prometido que farei o melhor de mim para que isso aconteça.
Balancei a cabeça, me virando para encarar a janela da sala. Edward e Aeryn estavam parados próximo a Rover; o primeiro checava algo em seu inseparável iPad e o segundo digitava algo em seu celular. Me peguei pensando em como Edward e eu faríamos para anunciar para a família que havia descoberto a verdade e não queria se casar comigo. Afinal, ele tinha dito que, caso isso acontecesse, precisaríamos avisar meu pai e a minha avó, mas eu não tinha ideia do que eles seriam capazes de fazer.
Entretanto, tinha certeza que eles poderiam envolver a senhora Thompson naquela história. Quer dizer, como se ela já não estivesse envolvida na história, ainda mais depois do meu pedido para ela.
Eu teria que enfrentar a fúria do meu pai por ter permitido que descobrisse a história. Isso não seria tão doloroso quanto perder , mas seria horrível para mim porque Charles sabe muito bem como acabar com uma pessoa com apenas uma frase. Ele havia feito isso comigo há alguns dias.
– Onde está o Biscuit? – me virei ao ouvir sua voz e sorri fraco, apontando para o andar de cima.
– No nosso... – deixei a frase morrer no ar ao perceber que ia usar a antiga denominação. Não era mais o nosso quarto, embora eu torcesse internamente para que continuasse sendo.
– Eu posso ir até lá? – concordei com a cabeça e ela agradeceu, antes de subir a escada em silêncio. A observei sumir após o último degrau da escada e me sentei no sofá, colocando minha cabeça entre as mãos.
Perder .
Há um ano, ter longe de mim era tudo que eu mais queria. Queria que ela não aceitasse a ideia, torci para que ela ficasse com medo quando aquele monte de paparazzi surgiram em sua porta e quis contar toda a verdade para que ela. Tudo para que ela não aceitasse se casar comigo.
Agora, eu estou aqui: parado, esperando que ela aceite se casar comigo. Mesmo depois de saber de toda a verdade, eu quase implorei para que ela escolha permanecer comigo para que a gente possa começar de novo.
Ri sem humor. Se alguém me dissesse que isso aconteceria, eu nunca iria acreditar. Eu também não acreditava que conseguiria mudar meus sentimentos por ela e tampouco que iria me encontrar tão perdidamente apaixonado assim ao ponto de não me ver mais sem ela.
Eu não tinha forças para fazer nada naquele momento, se não esperar o tempo passar e ela retornar à sala. Não tive vontade de buscar meu celular no escritório ou de pegar um novo copo de whisky. Tudo que eu queria era saber logo a resposta de .
Eu precisava disso.
Eu precisava de .
E eu não sabia mais como seria continuar sem ela.
Após alguns longos minutos, que me pareceram horas, onde eu permaneci sentado no sofá apenas encarando a televisão desligada, eu pude ouvir os passos de . Logo, a figura de Biscuit apareceu entre as minhas pernas, pedindo um carinho e eu afaguei as suas orelhas como se buscasse algum apoio do pequeno cão.
Me levantei, encontrando parada ainda próxima a escada e eu soltei um suspiro ao encará-la. Todas as vezes que eu a via, ela parecia ter ficado ainda mais linda e eu não tinha ideia de como ela fazia isso.
– E então? – perguntei, colocando as mãos nos bolsos da calça.
– Eu pensei, Harry. Muito. A minha mente está desde ontem quase em ebulição de tanto que eu tenho pensado e relembrado tudo o que nós vivemos. Me pego pensando o que foi mentira, o que foi verdade, quando você era o Harry que me amava ou quando você era o Harry que estava seguindo um calendário e só queria continuar sendo membro da família real. – ela fez uma pausa. – Eu vim aqui hoje porque eu precisava ouvir você. As suas razões, as suas palavras, entender o que tudo que vivemos significou para você. E eu entendi. Entendi muitas coisas e consegui ter umas boas explicações para outras. A verdade é que eu sou apaixonada por você desde o nosso primeiro encontro. Talvez por isso eu nunca tenha percebido que você não estava nessa sincronia comigo no início. Porque eu já tinha tudo fantasiado na minha cabeça e já sonhava com o dia de amanhã, em me tornar a sua esposa. O que você fez foi doloroso. Eu nunca imaginei que você pudesse estar mentindo para mim, nunca pensei que você pudesse fazer alguma coisa para me magoar ou me machucar. E você fez. – riu nasalado e secou uma lagrima solitária que escorregava por seu rosto. – Me machucou. Me fez sentir como uma grande idiota, uma menina iludida. Mas eu não posso apagar os bons momentos que eu vivi com você, as coisas genuínas que vivemos e o bem que você me faz, apesar de tudo. Tampouco, eu não sei se vou conseguir carregar um fardo tão negativo quanto ser conhecida publicamente como a mulher que humilhou a família real. Não quero me tornar inimiga de vocês porque eu sei, caso o casamento não aconteça, a culpa será colocada em mim... Afinal, ela é sempre da mulher. – ela suspirou. – Têm duas vozes dentro de mim agora e eu estou optando por ouvir a que está falando mais alto dentro de mim.
– E o que essa está te dizendo? – perguntei, encarando-a com expectativa.
– Aqui, dentro deste apartamento, nós não seremos marido e mulher. Iremos nos conhecer de novo, sem mentiras e sem cronogramas.
– Isso quer dizer que... – pisquei, surpreso e pronto para pular de felicidade.
– Eu estarei na Abadia amanhã às nove horas.


thirty four.

"Uma mentira é a porta de saída que se fecha sem possibilidade de retorno. Não existe chave que abra uma confiança perdida."


– Bom dia, senhor. – Edward me cumprimentou assim que eu surgi no topo da escada e eu acenei em sua direção enquanto descia tamente rumo ao primeiro andar da minha casa. – Como está se sentindo?
– Ansioso. – ri fraco, dando os ombros e seguindo em direção a cozinha com o meu secretário em meu encalço. – Tive alguns pesadelos. Na maioria deles, me abandonava no altar e eu me tornava, ao mesmo tempo, uma vergonha e um coitadinho mundial.
Percebi que Edward parou no meio do caminho e me virei para trás para encará-lo. Ele tinha um semblante horrorizado no rosto e eu controlei a minha vontade de soltar uma risada por sua feição. Aquele pesadelo não era horrível apenas para mim.
– Ela não faria isso... – ele fez uma pequena pausa e arqueou uma sobrancelha. – Faria?
– Eu espero que não, Edward. – dei os ombros e adentrei a cozinha, percebendo a mesa toda posta com o café da manhã dos deuses que Daisy preparava em dias especiais. – Onde está Daisy?
– Pedi que ela organizasse o café e depois permiti que ela tirasse o restante do dia livre. – concordei com a cabeça, me sentando à mesa e me servindo com uma boa quantidade de café em uma xícara.
– O que temos para antes do casamento?
– Nada demais. Apenas esperar o seu irmão para que possam ir juntos para a Abadia. – rolei os olhos com a resposta dele.
– Ele vem para o café?
– O Duque avisou que tomará café da manhã com a Duquesa e, após, se juntará ao senhor aqui para que possam se arrumar juntos para esperar a hora de irem para a Abadia. – confirmei com a cabeça.
– E minha noiva?
– Um pouco antes de eu chegar aqui, Claire me avisou que a senhora Woods havia chegado no hotel. As preparações da sua noiva, sua sogra e a madrinha dela já começaram... Pode ficar tranquilo.
– Acho que no dia de hoje, Edward, ficar tranquilo não é uma opção. – ri, pegando uma torrada e passando um pouco de geleia na mesma antes de colocá-la na boca. – Não vai se sentar?
– Não... Vou deixa-lo terminar seu café e checar algumas outras coisas. – ele deu os ombros – O dia será corrido.
Observei Edward fazer o caminho contrário que havíamos feito há pouco e soltei uma risada fraca pela tranquilidade maquiada dele. Era óbvio que por trás ele estava ficando louco com o tanto de preparativos e demanda que haveria no dia de hoje. Sem dúvidas que Fox-Lane merecia férias após o casamento.
Casamento. O tão esperado dia havia realmente chegado e, por algumas horas, parecia que ele nem mesmo iria acontecer. Mas agora é quase realidade: eu vou me casar com . Dentro de algumas horas no tornaremos o Duque e a Duquesa de Sussex.
Sorri, retirando meu celular do bolso da calça que eu usava e desbloqueei a tela, ignorando algumas das mensagens que estavam por ali. Abri o aplicativo, procurando por e assim que o encontrei, abri a conversa para poder mandar uma nova mensagem para ela.
“Ansioso para te ver vestida de noiva.
Prometo que, a partir de hoje, eu farei tudo valer a pena.
Amo você.”

Fiquei alguns minutos esperando que visualizasse a mensagem que eu enviara, mas isso não aconteceu. Ela não respondeu a mensagem e eu soltei um suspiro, depositando meu celular sobre a mesa.
– Bom dia! – levantei meu olhar, encontrando William entrando na cozinha com uma expressão preocupada no rosto. – Então, teremos casamento?
– Bom dia. – sorri – Teremos sim, Will.
te perdoou por tudo o que aconteceu?
– Ainda não. – suspirei. – Vamos nos casar porque nenhum de nós aguentaria o fardo de cancelar um casamento real às vésperas, especialmente ela. Mas, aqui, dentro de casa, estaremos separados e eu irei reconquistá-la.
– Um casamento de aparências?
– Chame do que você quiser. – dei os ombros.
– Não acho que isso seja bom, Harry. Primeiro porque eu não gosto de mentiras; segundo porque viver uma vida de aparências não é nada bom. Seria muito melhor cancelar essa história toda do que ter que ser cúmplice dessa mentira.
– William, estou há um ano com e ninguém foi capaz de descobrir que no início eu não gostava dela. Sempre ouvi de todos que éramos um belo casal, que eu parecia estar apaixonado por ela. Sempre perceberam as aparências e nunca disseram nada contra isso. Só vamos seguir o jogo. – suspirei. – E, se você não estiver satisfeito com a forma que eu estou lidando com isso, não precisa nem ir para a Abadia. Eu posso colocar um dos meus ushers para ser o meu padrinho.
– Então é assim? – William riu nasalado e balançou a cabeça de um lado para o outro. – Eu não concordo com as suas atitudes a respeito do casamento e você me desconvida? Eu estou aqui para fazer o meu trabalho como irmão mais velho e te proteger, Harry. Eu sei que não pude fazer nada quando o papai te convidou para essa mentira maluca, mas eu estou te oferecendo o meu conselho agora e ele é: pare com as mentiras. Não viva uma vida de aparências.
– Sabe, Will – eu me levantei da cadeira em que estava sentado tamente enquanto falava. – isso tudo aconteceu por sua culpa.
– Minha culpa?
– Eu só fui envolvido nessa trama porque você é muito protetor com Catherine, George e Charlotte. As pessoas esperam ter a chance de acompanhar a evolução dos membros da família, o crescimento das crianças. Eles querem ver as crianças de perto, querem estar próximos de vocês. Afinal, você é o futuro rei desta nação! – abri os braços com um sorriso sarcástico no rosto. – Mas você não é capaz disso. Quer viver a vida que temos, mas escondido, esconder as crianças e sobrou para mim a parte difícil do trabalho porque você se escondeu ao invés de fazer o seu trabalho para aumentar os índices de aprovação da família! Então, eu fui envolvido nessa merda por causa de você. Não me venha agora querer colocar o corpo fora, bancar o bom irmão e me dizer para não aceitar viver uma vida de aparências quando eu só estou fazendo isso por sua culpa. – nem mesmo esperei por uma resposta, apenas passei por William, seguindo para a sala da minha casa, mas eu podia escutar seus passos atrás de mim e, assim que eu parei na sala, procurando meu secretário para saber quais seriam meus próximos passos, pude ouvir a voz do meu irmão.
– Sinceramente, eu esperava que você entendesse o motivo da minha proteção a Catherine e aos nossos filhos. Depois de tudo que passamos com o divórcio dos nossos pais e o que vimos a mamãe passar naqueles anos que seguiram, eu realmente esperava que você entendesse. – pude ouvi-lo suspirar. – Eu não escolhi ser o filho do Príncipe Charles e da Lady Diana. Eu não escolhi ser o filho mais velho ou o herdeiro do trono. Eu não escolhi nada disso. Mas,eu escolhi Catherine e ela fez a escolha dela por mim e, quando isso aconteceu, eu prometi não só para ela, mas para os pais dela, para a mamãe e para mim mesmo que eu faria o impossível para protegê-la de qualquer coisa ruim, especialmente dos abutres que ajudaram na morte da nossa mãe. Eu não quero que a história se repita. Eu não quero que a imprensa siga minha esposa na rua todos os dias ao ponto dela resolver usar todos os dias as mesmas roupas para que eles percebam que não há nada de importante para fotografar; eu não quero que ela tenha que lidar com capas de revistas e manchetes negativas sobre seu peso, sua aparência ou qualquer história estúpida que eles resolverem criar. Eu não quero que meus filhos percam a infância deles como eu perdi grande parte da minha! Eu quero que eles tenham contato com a natureza, que eles saibam a importância e o valor das coisas... Eu quero que eles tenham contato com os Middleton, afinal, você se consegue se lembrar o tanto de vezes que nós tivemos contato com os Spencer? – meu irmão fez uma breve pausa e eu me virei para encará-lo. – Então, realmente, me desculpe se eu quero preservar a minha família pelo bem mental e estabilidade deles. Me desculpe que essa minha decisão tenha te afetado ao ponto de te colocarem para fazer parte dessa mentira louca. Mas eu não vou me curvar para o que as pessoas esperam ou querem de mim. É a minha vida, é a vida da minha família e eu decido o que é melhor para nós. É por isso que eu me sinto no dever de te dar o conselho de não seguir vivendo de aparências. Você estará vendendo a sua vida para eles e eu não tenho certeza se algum dia você a conseguirá de volta.
– William...
– Não, Harry. Não precisa dizer nada... Eu só precisava desse momento porque eu realmente fiquei triste em saber que você acredita que seja minha culpa tudo que aconteceu com você. Mas, como você disse, se eu não estiver satisfeito, eu posso ir. – ele sorriu fraco. – E eu vou. Espero que consiga um de seus amigos para ser seu padrinho.
No instante em que William caminhava em direção a saída da minha casa, Edward abriu a porta e entrou no mesmo. Pude perceber a surpresa no rosto do meu secretário, afinal, ele deveria sentir que o clima não estava bom.
– Alteza? – chamou William que passava por ele, quase com o corpo para fora da minha casa. – Seu uniforme está aqui para que os senhores possam sair daqui para a Abadia.
– Eu não irei mais com o meu uniforme, Edward. – William respondeu e meu secretário balançou a cabeça.
– Mas, senhor, é o proto...
– Não há protocolo, Edward. Eu não sou mais o padrinho do Harry. – ele chacoalhou os ombros. – Mas eu tenho certeza que ele irá arranjar outro.
Assisti em silêncio William fechar a porta do apartamento e, pela janela, pude vê-lo caminhar, com as mãos nos bolsos do jeans que usava, de volta para a casa dele. Soltei um suspiro, me virando para encarar Edward que não tinha um olhar nada bom.
– Logo quando eu acredito que a maré ruim fui embora... – Edward soltou um longo suspiro. – O que houve?
– Pede para o Dave ir buscar o Warren. – falei, ignorando a pergunta dele. – Eu vou ligar para avisá-lo.
– Todos irão se perguntar o porquê seu irmão não ser seu padrinho.
– Deixe perguntar.
– O que responderemos?
– Nada. – dei os ombros. – Vamos viver uma vida de aparências, Edward. Tanto para o meu casamento quanto para a minha relação com William. – suspirei. – Irei subir para tomar um banho e começar a me arrumar antes que eu me atrase.
Subi a escada em direção ao meu quarto e assim que cheguei no mesmo, peguei meu celular para ligar para Jake para informa-lo que ele havia sido promovido ao posto de padrinho do meu casamento, mas optei por não entrar muito em detalhes sobre minha discussão com William.
Meu amigo pareceu genuinamente feliz com o convite em cima da hora e eu informei que meu motorista já estava a caminho de sua residência para busca-lo para que fossemos juntos para a Abadia.
Após isso, fui tomar um banho para que pudesse de fato começar o dia do meu casamento. Eu decidi esconder a minha pequena discussão com William em algum local da minha mente. Já havia tanta coisa em jogo naquele dia que eu não queria ter que lidar com outros problemas. Era realmente o que eu havia dito: se ele não estava feliz com a minha decisão, que não participasse de nada. Eu iria fazer do meu jeito a minha vida, mesmo que meu pai ainda exerça um certo controle sobre ela.


Desci a escada da minha casa, já devidamente arrumado para o meu casamento. Havia tanto tempo que eu não usava aquela farda militar preta que eu me sentia até estranho com ela, mas precisava confessar que eu estava bem bonito.
Assim que cheguei à sala, percebi que não havia apenas Edward por lá. Meu pai, Jacob e William estavam todos em pé no meio da mesma e o primeiro tinha uma cara nada boa naquele momento.
- Qual é a merda que vocês dois têm na cabeça? – meu pai perguntou entredentes, claramente se controlando para não gritar comigo e com William. – Que porcaria de ideia é essa de tirar o seu irmão de padrinho e colocar o Jake? Você quer estragar tudo que estamos fazendo? Quer jogar no bueiro um ano de história?
- Pai, Will não concorda com o meu casamento e...
- Pouco me importa se o William concorda ou não concorda com o seu casamento. – ele me cortou. – Ele, assim como você, é um funcionário da Corte e tem que cumprir o que lhe é ordenado. Gostando ou não, ele estará lá com um sorriso no rosto. – suspirei. – William, vá colocar seu uniforme. E, pelo amor de Deus, aparentem felicidade.
Assisti William se retirar da sala em direção ao segundo andar para que pudesse trocar de roupa e caminhei pela sala, parando próximo à janela. O sol de primavera brilhava do lado de fora e fazia um clima bem ameno para coroar aquele dia importante.
- Harry, meu filho, eu achei que já havíamos passado dessa fase, mas eu ainda preciso te dizer isso: tente se comportar hoje. Sem brigas mais com seu irmão e com ninguém... Apenas foque no seu casamento, tudo bem?
Concordei com a cabeça em silêncio absoluto até porque eu não tinha nada para dizer sobre o assunto e meu pai suspirou antes de sair da minha casa. Edward assistia a tudo e esperou alguma movimentação brusca minha, mas como não veio, também deixou a sala.
Suspirei, passando as mãos pelo meu uniforme e meu pensamento foi instantaneamente para . Sorri pensando que ela estaria uma pilha de nervos para aquele casamento que podia até não significar muita coisa, mas seria o início da minha tentativa de reconquistá-la. E eu faria de tudo para que isso acontecesse, sem medir nenhum tipo de esforços porque eu amo essa mulher.
- Pronto? – me virei para trás quando ouvi passos na escada e encontrei William já devidamente uniformizado e com seu chapéu em mãos.
Ele confirmou com a cabeça, sem dizer nada, e eu contive a vontade de suspirar. Seria difícil manter a aparência de irmãos amigos se ele continuasse com aquela cara fechada e sem nem mesmo me encarar.
- Já podemos ir, Edward? – perguntei para o meu secretário, após abrir a porta da frente da casa e ele confirmou com a cabeça, caminhando em nossa direção.
– Podemos ir, senhores. – ele sorriu na minha direção. – Os convidados já chegaram. A noiva está terminando de se arrumar e estamos no tempo certo.
– Ótimo, Edward. – falei. – Então, vamos.
Caminhamos os três para fora da minha em casa em direção a um Rolls Royce Phantom que já nos aguardava com Dave no banco do motorista. Edward abriu a porta do carro e William foi o primeiro a entrar enquanto eu parava para falar com o meu secretário.
– Dave irá com os senhores e eu estarei no carro logo atrás. Assim que chegarem à Abadia, podem sair do carro e seguir direto para dentro da igreja. Não se esqueça de muitos acenos e muitos sorrisos para as câmeras e para o público. – concordei com a cabeça, soltando uma risada nasalada. – Acredito que não nos veremos até a festa, então, tenha uma boa cerimônia, senhor. Que tudo ocorra bem no dia de hoje.
– Obrigado, Edward. Sei que os últimos dias não foram fáceis para você também e eu agradeço todo o seu serviço prestado.
– Pode agradecer me dando férias depois desse casamento. – ele deu dois tapinhas no meu ombro e eu soltei uma risada, concordando com a cabeça e retirando o óculos escuros do bolso da calça do meu uniforme militar. Entrei no carro, me sentando ao lado de William e soltei um suspiro.
Não havia mais para onde correr... Aquilo estava realmente prestes a acontecer.
Era real: eu estava a caminho do meu casamento.


thirty five.one.

“A mentira é a pior traição.”


– Você poderia melhorar essa cara? – murmurei para William, antes que o carro em que estávamos entrasse na rua da Abadia. – As pessoas vão perceber que o irmão do noivo está completamente descontente com o casamento.
– Eu sei fazer o meu trabalho, Harry. – William respondeu de maneira grosseira e virou o rosto na minha direção antes de completar sua resposta. – Você não precisa me dar ordens.
Ri fraco, balançando a cabeça de um lado para o outro e, por fim, soltei um longo suspiro, pensando em como responder aquilo. Eu não queria começar uma briga a uma hora do meu casamento, mas o comportamento de William também não estava dos melhores.
– Sabe, Will... – comecei, soltando uma risada fraca. – Eu também não concordo com algumas decisões que você toma em sua vida. Mas há uma diferença entre nós quando isso acontece...
– E qual é? – ele indagou, parecendo nem um pouco abalado com o meu comentário.
– Eu não fico me intrometendo e reclamando das suas decisões. – dei os ombros. – Ao menos que você peça a minha opinião, é claro. – ri fraco.
– Harry...
– É sério, William. – suspirei. – Eu sei que você não concorda com a maneira que esta história começou, está chateado comigo, acreditando que eu não tenho valores e todas essas coisas. E eu realmente me sinto péssimo por tudo que eu fiz com . Porém, foi a partir dessa história toda que surgiu o sentimento que eu tenho por ela. Foi dessa história maluca que nasceu o meu amor por ela. E eu não posso colocar tudo a perder e tê-la me odiando pelo resto da vida. Por isso que eu decidi continuar com isso, pedi para que ela continuasse também e que nós começássemos um casamento de aparências para que eu possa reconquistá-la. – ri fraco, balançando a cabeça. – É loucura, eu sei, mas eu estou disposto a fazer de tudo para ter ao meu lado. Eu a amo, William.
– E se você não conseguir reconquistá-la?
– Pelo menos, eu terei cumprido a promessa que fiz a mim mesmo depois que ela descobriu tudo.
– E qual a promessa?
– Me tornar um homem melhor para ela.
William balançou a cabeça, concordando, mas não teve tempo para me responder porque a gritaria tomou conta do ambiente, o que atraiu nossa atenção. Já havíamos entrado na rua da Abadia e o público estava polvoroso com seus celulares e suas câmeras em mãos, registrando cada momento de nossa passagem por ali – mesmo que rápida.
Acenei brevemente pela janela do carro para aquela multidão de pessoas e respirei fundo, sabendo que dentro de alguns instantes eu estaria entrando na Abadia para me casar.
– Harry. – a voz de William se fez presente assim que o carro parou e os guardas se aproximaram para abrir as portas para que nós saíssemos. – Fique tranquilo. Tudo vai dar certo.
Afirmei com a cabeça, respirando fundo antes de sair do carro e ouvir os gritos ficarem ainda mais altos. Virei-me para trás, acenando para o público parado na porta da Abadia e sorri o máximo que eu podia. Pa certeza que ficaria com dores nas bochechas pelo tamanho do sorriso que eu carregava.
Quando William se juntou a mim na calçada, subimos as escadas da Abadia em direção a entrada principal da igreja. Fomos recebidos pelo arcebispo que se curvou em ume reverência a mim antes de nos cumprimentar.
– Ansioso, Alteza?
– Sim, sim. Muito. – sorri, esfregando as mãos nas calças do meu uniforme e o homem sorriu.
– Imagino... Acredito que será uma linda cerimônia. É uma honra poder celebrar o casamento da Alteza. – concordei com a cabeça e nós trocamos mais algumas palavras até eu poder entrar realmente na igreja.
A Abadia de Westminster havia sido divida em duas partes. A primeira, logo após as portas de entrada, era onde estavam os convidados “normais”: nossos amigos, alguns membros de nossas famílias e pessoas famosas que foram convidadas como David e Victoria Beckham, Jess Stone, James Blunt, Ellie Goulding e Ed Sheeran.
Eu acenei discretamente para alguns rostos conhecidos e cumprimentei algumas outras pessoas apenas com movimentos de cabeça enquanto seguíamos para a segunda parte dos convidados, próximos ao local onde ocorreria a cerimônia.
Neste segundo lugar, ao invés de bancos de frente para o altar, haviam tribunas de madeira maciça nas laterais e estavam por lá os convidados mais importantes como Elton John e seu marido, alguns membros de famílias reais de outros países, a minha família inteira e alguns amigos próximos como Jake e Zoe, Thomas e Lara, além da família de .
Parei próximo ao altar e me sentei em uma das cadeiras que haviam ali no canto. William seguiu o protocolo, sentando-se no lugar vazio ao meu lado e soltou uma risada fraca ao perceber que minha perna não parava de balançar.
– Por favor, não desmaie e nem vomite. – pediu, falando baixo na minha direção e eu soltei uma risada fraca, concordando com a cabeça.
– Prometo que farei o meu melhor. – falei, sorrindo fraco e agradecendo aos céus, internamente, pelo fato do meu irmão ter adotado uma postura mais tranquila em relação ao que estava acontecendo.
Dei os ombros, olhando para as pessoas que já estavam por lá e acenei para Beatrice e minha tia Sarah, mãe das princesas de York. Ela estava sentada uma fileira atrás das filhas e do meu tio Andrew, mas parecia feliz por estar ali.
– William... – chamei meu irmão, me virando para encará-lo e soltei um suspiro fraco, torcendo para que aquilo não fosse notado pelas câmeras, mesmo sabendo que era algo impossível já que as atenções estavam todas em mim. – Você acha que... – fiz uma breve pausa. – ... ela está feliz por mim?
William sorriu, antes de fechar os olhos por alguns minutos para depois abri-los e encarar o teto da Abadia.
– Ela está feliz se você está feliz.
Afirmei com a cabeça e sorri na direção do meu irmão. De alguma forma, eu sabia que ela estava assistindo aquela cerimônia e, apesar dos meus erros, me conhecia perfeitamente para se orgulhar.
O tempo parecia se arrastar.
Parecia que demorava uma eternidade para os últimos convidados chegarem.
Por isso que quando minha avó e meu avô surgiram na porta lateral, em frente ao altar, eu quase comemorei enquanto me levantava para prestar minha reverência aos dois. Afinal, aquilo significava que eu estava ainda mais próximo de ver .
Respirei fundo quando ouvi os gritos do lado de fora mais forte e vi o Arcebispo tomando o seu lugar no altar, me levantando da cadeira que eu estava sentado. William me acompanhou no movimento, ficando parado a alguns passos de distância de mim com os olhos voltados para a porta que se encontravam fechadas naquele momento.
As portas se abriram e eu pude ouvir algumas exclamações inicias assim que as pessoas mais próximas a porta viram entrando na Abadia acompanhada por Robert. Os dois caminhavam em direção ao altar em passos que pareciam extremamente tos, mas eu sabia que na realidade não eram tanto.
A música que era tocada pelos violonistas tornava o ambiente ainda mais soe e importante, deixando aquela entrada um momento único.
A cada passo em minha direção, eu sentia o ar parecia me faltar um pouco mais e eu mal conseguia retirar os olhos dos de . Expirei o ar de forma pesada, buscando conter a minha emoção e mantive minha atenção voltada para ela, agora me permitindo checar o vestido perfeito que ela usava.
O vestido branco era fechado na parte da frente de seu colo, deixando apenas uma parte dos seus ombros à mostra, era todo coberto por brilhos e parecia possuir uma longa cauda. O véu caía sobre o seu rosto, escondendo um pouco a tiara que ela usava para a ocasião e suas feições, mas eu tinha certeza que ela estava com a maquiagem do jeito que tanto gostava: leve.
Ela estava linda.
E eu completamente apaixonado.
Sorrindo como um bobo, embora eu soubesse que aquele não era o casamento dos meus sonhos.
– Harry. – Robert me cumprimentou com um aceno positivo de cabeça e um sorriso na minha direção. – Cuide bem da minha joia, filho.
– Eu cuidarei, senhor. – sorri na direção do meu sogro e ele depositou um beijo na testa de antes de caminhar em direção ao seu lugar. Eu encarei a minha futura esposa e murmurei baixinho para que somente ela ouvisse as palavras que estavam na minha mente desde que as portas da Abadia se abriram. – Você está linda.
– Obrigada. – ela sorriu. – Você também não está nada mal.
Sorri, concordando com a cabeça e, assim que a música parou de ser tocada, nos viramos de frente para o Bispo para que pudéssemos iniciar a cerimônia. Eu respirei fundo, buscando a mão de para que pudesse entrelaçar nossos dedos, procurando me concentrar perfeitamente nas palavras dele.
– Na presença de Deus Pai, Filho e do Espírito Santo, nós viemos juntos para testemunhar o casamento de Henry Charles Albert David e Thompson, para orar pela bênção de Deus sobre eles, para compartilhar sua alegria e para celebrar as suas vidas. O casamento é um presente de Deus na criação, por meio do qual marido e mulher podem conhecer a graça de Deus. É dado que à medida que o homem e a mulher crescem juntos no amor e na confiança, eles serão unidos um ao outro no coração, no corpo e na mente, como Cristo está unido com sua noiva, a igreja. O presente do casamento, une o marido e a mulher no deleite e na ternura da união sexual e no compromisso alegre até o fim de suas vidas. É dado como o alicerce da vida familiar na qual os filhos nascem e são criados, em que cada membro da família, nos bons e nos meus momentos, podem encontrar força, companheirismo e crescer até a maturidade no amor. Harry e agora devem entrar neste caminho, pois, cada um dará seu consentimento ao outro e farão votos soes e, em sinal disso, cada um dará e receberá um anel. Oremos com eles para que o Espírito Santo os guie e fortaleça para que possam cumprir o propósito de Deus para toda a sua vida terrena juntos.
Assim que o Bispo encerrou suas palavras iniciais, os acórdãos da canção começaram a tomar conta do ambiente e a voz do coral da igreja se fez presente, acompanhados por e eu, e o restante dos convidados.
Respirei fundo antes de fazer o que havíamos ensaiado há alguns dias e me virei na direção de , segurando a barra de seu véu, curto na parte da frente e o levantando devagar, colocando-o para trás de sua cabeça. Sorri, assim que vi seu rosto completamente.
Linda.
Se fosse possível, eu diria que ela conseguia estar mais bela que o normal.
– Primeiro, - o Bispo voltou a se pronunciar, assim que o hino cessou, atraindo novamente a atenção de todos. – devo perguntar a qualquer pessoa presente que conheça o motivo pelo qual essas pessoas não podem se casar legalmente, para declará-lo agora. – o silêncio se fez presente pelos breve segundos que o Bispo esperou e, então, ele retornou a sua fala. – Harry e , os votos que vocês estão prestes a fazer, são feitos na presença de Deus, que é o juiz de tudo e então conhece todos os segredos de nossos corações. Portanto, se algum de vocês conhece um motivo pelo qual não possa se casar legalmente, deve declará-lo agora.
Sorri nervoso, virando o rosto para o lado para que eu pudesse encarar e por alguns segundos todos os meus pesadelos da noite anterior apareceram em minha mente. A expressão séria que ela tinha no rosto me fez prender a respiração por alguns segundos e isso só cessou quando ela voltou a sorrir.
– Harry, você aceita para ser sua esposa? Você vai amá-la, aceitá-la, honrar e protegê-la, abandonando todos os outros para ser fiel a ela enquanto ambos viverem?
– Eu aceito.
e eu soltamos uma risada ao ouvir, de dentro da Abadia, os gritos das pessoas do lado de fora.
, você aceita Harry para ser seu esposo? Você vai amá-lo, aceitá-lo, confortá-lo, honrar e protegê-lo, abandonando todos os outros para ser fiel a ele enquanto ambos viverem?
– Eu aceito.
– E vocês, as famílias e amigos de Harry e , aceitam os apoiar e os sustentar em seu casamento, agora e nos próximos anos?
– Nós aceitamos. – sorri ao ouvir a resposta e encarei , vendo o leve sorriso presente em seu rosto. Nossos olhares se cruzaram por alguns breves segundos e eu tentei analisar se ela estava bem, mas naquele momento parecia impossível dizer como ela estava verdadeiramente se sentindo.
– Vamos orar por Harry e .
O Bispo iniciou uma oração, pedindo para que Deus derramasse sua bênção sobre nós e para que nós pudéssemos continuar unidos no amor mútuo e no companheirismo. Assim que a oração terminou, conforme havíamos ensaiado, eu ajudei a caminhar até as cadeiras em que William e eu antes estávamos sentados, enquanto meu irmão caminhava para um dos bancos vazios ao lado do nosso pai.
Sentado, segurei a mão de , atraindo a atenção dela e sorri em sua direção enquanto ouvíamos minha tia, Jane Fellowes ler algumas passagens bíblicas e, logo após sua fala, um coral previamente escolhido por nós, cantar uma música favorita minha que havíamos escolhido para a cerimônia.
Me levantei, ajudando a se levantar também assim que o coral se aproximava do final da canção e paramos, novamente, em frente ao Bispo.
– Harry e , agora convido vocês a darem as mãos e fazerem seus votos na presença de Deus e seu povo.
Me virei na direção de , segurando sua mão esquerda e dizendo aquelas importantes palavras logo após o Bispo.
– Eu, Harry Charles Albert David, tomo você Thompson, para ser minha esposa, para ter e manter, a partir deste dia, para melhor, para pior, para mais rico, para mais pobre, na doença e na saúde, para amar e respeitar, até que a morte nos separe, de acordo com a santa lei de Deus, na presença de Deus, eu faço esse voto. – sorri, na direção de e pude ouvir os gritos de comemoração do lado de fora da igreja mais uma vez.
– Eu, Thompson, tomo você... Harry Charles Albert David, para ser meu marido, para ter e manter, a partir deste dia, para melhor, para pior, para mais rico, para mais pobre, na doença e na saúde, para amar e respeitar, até que a morte nos separe, de acordo com a santa lei de Deus, na presença de Deus, eu faço este voto. – sorriu fraco, me encarando nos olhos enquanto repetia as palavras do Bispo e eu acenei positivamente com a cabeça.
O Bispo então estendeu a mão na direção de William, que estava a alguns passos de distância de mim, e recebeu as alianças para que elas fossem abençoadas.
– Por sua bênção, que esses anéis sejam para Harry e , um símbolo de amor e fidelidade, para lembrá-los do voto e do compromisso que fizeram neste dia por meio de nosso Senhor. Amém.
Peguei uma das alianças, colocando no dedo anelar da mão esquerda de e começando a repetir, mais uma vez o que o Bispo falava.
, eu te dou este anel como um sinal do nosso casamento. Com meu corpo, eu honro você, com tudo que eu sou eu dou a você e tudo que eu tenho eu compartilho com você com a presença do Espírito Santo. – terminei de colocar o anel em seu dedo e soltou uma risada fraca com a minha leve dificuldade naquele momento graças ao tamanho nervosismo.
Ela se movimentou, retirando a mão da minha para pegar a minha aliança e a posicionou em meu dedo antes de repetir as mesmas palavras que eu havia dito, mas que eu ouvi atentamente.
– Harry, eu te dou este anel como um sinal do nosso casamento. Com meu corpo, eu honro você, com tudo que eu sou eu dou a você e tudo que eu tenho eu compartilho com você com a presença do Espírito Santo.
– Na presença de Deus e diante desta congregação, Harry e , deram seu consentimento e fizeram seus votos de casamento um ao outro. Eles declararam seu casamento ao dar as mãos e ao dar e receber as alianças. – o Bispo fez uma curta pausa, antes de anunciar o que eu estava ansioso para ouvir e que arrancou novos gritos do público que aguardava do lado de fora da Abadia. – Portanto, proclamo que eles são marido e mulher. Aqueles a quem Deus juntou, não deixe ninguém separar.
e eu sorrimos na direção um do outro, com nossos olhares presos um no outro. Ela parecia estar tão feliz quanto eu naquele momento e eu me sentia muito mais tranquilo com aquilo tudo.
Eu iria reconquistá-la.
Eu não tinha dúvida alguma daquilo.
Depois do momento em que fomos proclamados marido e mulher, o coral da Abadia voltou a cantar e, logo após, o Bispo fez um novo sermão. Alguns outros representantes disseram algumas palavras enquanto e eu estávamos ajoelhados em frente ao altar.
Quando, finalmente, recebemos a bênção final do Bispo, e eu pudemos sair pela do altar em direção à uma sala próxima ao altar da Abadia. Ajudei a minha esposa com seu vestido e sorri em sua direção assim que ficamos sozinhos.
– Eu tive tantos pesadelos esta noite. – confessei enquanto ela me encarava, surpresa. – Eu pensei que você me deixaria no altar e fugiria. – ri fraco. – Obrigado por não ter feito isso e por ter embarcado junto comigo, . – suspirei, segurando em suas mãos e falando em voz alta aquilo que eu demorei tanto para perceber. – Eu amo você.
– Harry, nos precisamos conversar sobre muitas coisas ainda. – respondeu nem um pouco abalada com o meu curto discurso e eu pisquei algumas vezes, surpreso com a sua resposta tão fria.
Porém, antes que eu pudesse responder, meu pai e minha sogra adentraram a sala na companhia do Bispo, e nós fomos abraçados pelos nossos familiares.
– Parabéns, meu filho. Estou tão orgulhoso de você! – Charles falou alto antes de me abraçar. – Você fez o que tinha que ser feito, Harry. Eu tenho certeza que os números estão ao nosso favor.
– Não precisa sussurrar mais ou esperar que esteja longe para falar sobre esse assunto. – respondi, me afastando de seu abraço e encarando Nancy. A feição dos dois mais velhos era de absoluta surpresa e eu confesso que também estava surpreso comigo mesmo por aquela atitude.
– Do... Do que você está falando, Harry? – meu pai piscou algumas vez, tentando manter a compostura e eu soltei um suspiro, balançando a cabeça de um lado para o outro antes de falar com o Bispo.
– Bispo, o senhor poderia nos conceder alguns minutos à sós? – ele precisou de um aceno positivo do meu pai para deixar a pequena sala e, assim que ele o fez, eu voltei a falar. – descobriu a verdade, Charles! Ela sabe que tudo isso aqui não passou de uma invenção sua! E, ao que parece, deu certo, não foi? cuspi as palavras, sentindo toda minha raiva saltar pelo meu corpo. – “Os números estão ao nosso favor”!
– O que? – ele disse num tom mais alto e ríspido, virando em direção de Nancy. – Como ela descobriu? Você contou?
A minha sogra permaneceu em silêncio e me virei para , vendo a balançar a cabeça de um lado para o outro enquanto assistia aquela centra entre meu pai e sua mãe em silêncio. Uma lágrima solitária escorreu pela sua bochecha e eu respirei fundo enquanto uma memória voltava a minha mente.
não sabia.
A mãe dela estava envolvida e ela não sabia.
Eu não havia contado.
Ah, droga...
Suspirei, me aproximando dela, mas sua mão esticada em minha direção fez com que eu não me movimentasse mais. Não me mexi, continuei parado no meu lugar, apenas observando-a se virar para Nancy.
– Você sabia de tudo? – o tom de voz de era estridente e Nancy pareceu tremer por alguns segundos, talvez por nunca ter visto a filha daquele jeito.
... – a chamei, afinal, eu havia começado aquilo tudo. – Vamos deixar isso para depois.
– Não, Harry. – ela respondeu em um tom pesado, encarando-me por alguns segundos antes de se virar em direção a sua mãe. – Nós vamos falar sobre isso agora.




Continua...



Nota da autora: Essa autora aqui não esqueceu a fic no churrasco! Alguma teoria sobre porquê a mãe da pp está envolvida na história? Comentem aqui embaixo!




Nota da Beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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