Última atualização: 13/11/2017

Capítulo 1

Blue Ridge, Georgia - Estados Unidos.

- And I’ll never let go cause there’s something I know deep inside. - ela ergueu a colher de pau no alto e depois apontou para Sky, que a encarava e abanava o rabo. - You were born to be my baby and baaby I was made to be your man.
cantava, fazendo do utensílio de cozinha o seu microfone, ela balançava o corpo no ritmo da música, e ria quando Sky latia, claramente adorando a bagunça que sua dona fazia.
- My heart beats like a drum… Flesh to flesh, one to one. - ela continuou a cantar, mas voltou sua atenção para a massa de brownie que mexia na vasilha, o forno já estava ligado, então não podia perder muito tempo.
Ela remexia o quadril enquanto despejava o conteúdo marrom na assadeira de alumínio, se virou e com uma mão abriu o forno, colocou a tigela lá dentro, girou o corpo para a bancada novamente e começou a pegar o que estava sujo.
- Ué. - colocou a mão na cintura, franzindo a testa.
notou que a colher de pau não estava mais na bancada, olhou para o lado e reparou que sua cachorra também tinha sumido.
- Sky, cadê você? - gritou, a chamando.
Andou até a sala e suspirou ao ver o animal de grande porte deitado no sofá, mordendo a colher de pau com vontade.
- Sua louca, me devolve isso. - ralhou com a cachorra, que ergueu a cabeça, encarando sua dona. - Não ouse! - a mulher apontou o dedo pra outra, notando que ela pretendia fugir. - Sky! - gritou novamente, vendo a cachorra sair em um pulo do sofá e parar em frente à porta de entrada da casa.
suspirou, sua cachorra tinha quatro anos de vida, mas tinha a mentalidade de um filhote, e sempre que era flagrada com algo proibido, ela saía correndo com o objeto na boca.
- Me dá isso. - correu até Sky, que também correu, dando a volta no sofá, indo para a cozinha.
A mulher rolou os olhos, andando rapidamente até o cômodo, sorriu ao ver que Sky estava encurralada no canto na parede, foi até ela e se ajoelhou, agarrando a colher de pau.
- Solta isso, menina. - puxou o objeto o mais forte que conseguia. - Vai ficar uma semana sem osso. - murmurou, após pegar a colher e notar que estava destruída. - Você é impossível. - se levantou, balançando a cabeça negativamente, e jogou a colher no lixo.
A mulher ouviu a porta da sala sendo destrancada e foi até lá, viu sua vó entrando em casa. Ela carregava uma pequena caixa nas mãos, deu alguns passos rápidos e tirou o pacote da mão de Bernice.
- Vejo que a senhora ganhou algo no bingo. - comentou sorrindo, olhando para o objeto em suas mãos.
- Ih, minha filha, você sabe que sou profissional nisso. - a senhorinha comentou, fazendo a neta rir.
A mais velha trancou a porta, deixando sua bolsa no sofá.
- E esse cheiro? O que está aprontando?
- Brownie, Vó. - respondeu, andando até a cozinha. - O que tem aqui? - colocou a caixa no balcão.
- Produtos de higiene, essas coisas. - explicou e foi até a neta, parando na frente dela. - Menina, você não tem que ir pro bar hoje? - perguntou, olhando para o relógio de pulso.
- Sim. - respondeu, abrindo a caixa e fuçando no que tinha ali dentro. - Mas ainda tenho tempo.
- Já é quase sete horas, .
- O quê? - ergueu a cabeça, arregalando os olhos.
Bernice mostrou o relógio pra neta.
- Nossa, Vó! A senhora olha o brownie pra mim? Vai ficar pronto em vinte minutos. - pediu e viu a mulher assentir, então ela correu para as escadas, tinha que tomar um banho e se arrumar para ir trabalhar no seu segundo emprego.

era uma jovem Americana, que morava com sua avó Bernice no interior do Estado da Georgia, mais especificamente na pequena cidade de Blue Ridge, que tinha aproximadamente dois mil e trezentos habitantes. tinha dois empregos, durante o dia trabalhava numa pequena loja no centro da cidade, e de sexta a domingo cantava no bar de um amigo da família. Ela sempre teve talento para música, desde pequena já demonstrava que queria ser artista, vivia cantando pela casa e participando de concursos musicais quando era criança. Mas nunca teve grandes ambições em sua vida, nunca desejou ser famosa ou ter muito dinheiro, então não passava pela sua cabeça ser cantora profissional e no fundo acreditava que não tinha talento para tanto.
Há dois anos ela cantava regularmente no The Last Stop, o bar mais movimentado da cidade, o dono do local era Chad, um grande amigo da família que tinha estudado com Shelby, a mãe de . Então ele a conhecia desde que ela era um bebê e sempre soube do talento dela para música, e quando herdou o bar de seu falecido pai, uma das primeiras coisas que fez foi chamá-la para cantar lá e até hoje sabia que isso tinha sido a decisão mais certa de todas.
- Vó, como estou? - ela indagou, após descer as escadas e chegar à sala.
Bernice tirou sua atenção da televisão e olhou para a neta, sorriu ao ver como ela estava linda, podia ser coisa de vó coruja, mas tudo que a vestia ficava bem nela, era impressionante.
- Está de matar. - afirmou, fazendo a outra rir.
A mais nova balançou a cabeça, ainda se surpreendia com as brincadeiras de uma senhora de quase sessenta e cinco anos, sua avó era muito moderna para a idade.
- O seu brownie ficou pronto. - a informou e ela assentiu.
foi até a cozinha e viu que o brownie já estava em uma tigela de vidro.
- Obrigada, vó. - agradeceu, pegando o recipiente e em seguida a chave de seu carro. - Já volto. - avisou, abrindo a porta da casa, ela saiu do imóvel e desceu os degraus da pequena varanda, indo até o seu veículo, onde colocou o brownie no banco do passageiro.
- Volta que horas? - ouviu Bernice indagar assim que ela entrou em casa novamente.
- Não sei não. - mordeu o lábio inferior. - Mas não precisa esperar por mim. - falou, observando a senhora assentir.
olhou ao redor, vendo Sky deitada no outro sofá que elas tinham na sala, andou até ela e fez um carinho em sua cabeça.
- Vou indo, Vó. - avisou, se aproximando da mais velha e se inclinou, lhe dando um beijo na bochecha.
- Boa cantoria. - desejou, sorrindo para a neta, que agradeceu assentindo.

A casa delas não ficava muito longe do centro de Blue Ridge, então pouco tempo depois a mulher estacionou o carro na avenida principal da cidade, que era onde o The Last Stop ficava. notou que alguns carros que estavam por ali tinham placas de outros lugares, o que era comum, afinal uma rodovia interestadual passava pela cidade, o que fazia do local um ponto de parada para muitos viajantes.
sorriu quando um homem segurou a porta do bar pra ela, já que a mulher tinha uma vasilha nas mãos, entrou no local e notou que o movimento estava bom, mas sabia que ainda ficaria mais cheio, andou até o balcão e viu a esposa de Chad sorrir ao notar sua presença no local.
- Ei, garota. - acenou, deu a volta no balcão, andando lentamente até , que sorriu para a mulher.
- Holly, está cada dia maior. - brincou, mencionando a barriga de cinco meses de gravidez dela.
- E cada dia mais faminta. - afirmou, com um sorriso no rosto. - Isso é o que estou pensando? - apontou para as mãos de , que segurava uma tigela de vidro, com um pano por cima.
- Promessa é dívida. - garantiu, piscando pra ela. - Seu brownie. - esticou a vasilha pra ela.
- Ai, você é um anjo. - sorriu, sentindo os olhos lacrimejarem, graças aos hormônios da gravidez.
- Que isso, só não queria carregar a culpa do seu filho nascer com cara de brownie, né. - riu de leve, vendo a outra balançar a cabeça negativamente.
- Se você me dá licença, vou levar isso lá pra cima. - informou e a outra assentiu.
Chad e Holly estavam casados há quase três anos, e esperavam o primeiro herdeiro, que chegaria em quatro meses. O casal morava na pequena casa que ficava em cima do bar que possuíam, o que facilitava em muito a vida deles. Holly era de Atlanta e trabalhava para uma das distribuidoras que vendiam produtos para o bar de Chad, os dois demoraram muito assumir o que sentiam um pelo outro, mas quando perceberam que estavam apaixonados nunca mais se desgrudaram. Holly abandonou sua vida na cidade grande e se mudou para casa do homem, ela nunca se arrependeu de sua decisão, pois estava correndo atrás de sua felicidade e de seu amor.
- . - Chad cumprimentou a moça, enquanto saía da cozinha do bar.
- Oi, chefe. - sorriu, acenando pra ele.
- Já falei para não me chamar assim. - rolou os olhos, ajeitando as bebidas no balcão. - Rudy não vem hoje. - a avisou e ela bufou.
Rudy era um jovem da cidade que tocava violão, enquanto ela cantava no bar. O problema era que por ser muito novo, ele não era tão responsável igual ela, e a deixava na mão muitas vezes. sabia tocar violão, não tinha problema algum com isso, só preferia não tocar enquanto cantava, era um gosto pessoal mesmo.
- Paciência. - deu de ombros, olhando para o pequeno palco em um dos cantos do bar. - Vou lá me ajeitar. - indicou o local com a cabeça e viu Chad assentir.
- Não esquece sua água. - a lembrou.
Antes de ir até o palco, foi para trás do balcão do bar e guardou sua bolsa no local de sempre, aproveitou e pegou uma garrinha de água, como seu chefe tinha lhe dito para fazer. Ela andou na direção do palco e subiu o pequeno degrau do mesmo, começou a ligar todos os aparelhos eletrônicos do local, em seguida verificando se o violão estava afinado, depois testando o seu microfone. Sentou na banqueta e ajustou o pedestal para a altura que desejava.
- Boa noite. - falou no microfone, chamando a atenção das pessoas que estavam ali. - Meu nome é e vou cantar para vocês. - sorriu, dando os primeiros acordes no violão.
O repertório dela servia para todos gostos, a primeira música foi Paradise City, do Guns N’ Roses, seguida de One Last Breath do Creed, depois foi para Adele, cantando Rumor Has It, continuou nas mulheres com Blown Away, da Carrie Underwood, e depois Breakaway da Kelly Clarkson, voltou aos clássicos com Sweet Home Alabama do Lynyrd Skynyrd, e depois Livin’ on a Prayer do Bon Jovi, seguida de Best of You do Foo Fighters.
- Essa música é maravilhosa. - Holly suspirou, quando a amiga começou a cantar Pretty Hurts da Beyoncé. - Ai, não me aguento. - falou, secando algumas lágrimas que já desciam por seus olhos.
Algumas pessoas bateram palmas para assim que ela finalizou a música, a platéia conseguia sentir a emoção da cantora. A mulher chacoalhou a cabeça e suspirou, buscando energia para cantar mais algumas músicas, ficando nos clássicos de rock dessa vez. Meia hora depois, ela finalizou sua setlist e agradeceu ao público, acenando para todos, sorriu e foi até o bar, onde sua porção de batata fritas já esperava por ela no balcão.

pegou o copo de coca-cola e bebeu boa parte do conteúdo, sentiu um arrepio ao perceber como o refrigerante estava gelado, ela sabia que isso poderia prejudicar sua voz, mas amava a sensação do frio descendo por sua garganta. Ela apreciava sua batata frita quando um homem sentou em um banco ao seu lado, não o reconheceu, então pensou que talvez ele pudesse ser um viajante que tinha parado em Blue Ridge para descansar.
- Quanto você cobra? - o ouviu indagar, sua voz era rouca e baixa.
Virou o rosto na direção dele, arqueando uma sobrancelha, segurou uma risada ao ver que ele deu uma piscadinha.
- Desculpa, sou leal ao Chad, só canto aqui mesmo. - explicou, pegando outra batatinha.
- Não estou falando disso. - falou, tossindo em seguida.
não era idiota, ela sabia muito bem do que aquilo se tratava, e infelizmente era muito mais comum do que ela gostaria. Certos homens tinham essa mentalidade atrasada de que toda mulher que se apresentava em público estava disposta a fazer tudo por dinheiro, o que não era o caso dela. Mas já estava calejada, e tinha um jeito bem peculiar de se livrar dos homens que se aproximavam dela perguntando quanto ela cobrava para dormir com eles.
- Não? - franziu a testa, se fazendo de sonsa. - O que é então? - o fitou rapidamente.
- Você sabe. - riu fraco, a encarando.
- Sei? - apontou pra si própria.
notou um outro homem parando no balcão, mas não tão perto quanto o que ela conversava.
- 150 dólares? - o estranho indagou.
- Pelo quê? - voltou a questioná-lo.
O homem suspirou, balançando a cabeça negativamente. Ela olhou o outro cara, que conversava algo com Chad, ela o conhecia de algum lugar.
- 200? - escutou o homem ao seu lado falar, e dessa vez ela riu.
- O que te faz pensar que eu sou prostituta? - mais direta impossível, o que fez o homem quase engasgar com a própria saliva. - É o batom vermelho? - citou a cor que seus lábios estavam pintados. - Ou ser cantora em um bar? Hein?
o encarava, percebendo que ele estava surpreso com a atitude dela.
- Desculpe. - o homem pediu.
- Algum problema aqui? - Chad se aproximou, após ouvir as perguntas da amiga.
- Não. - ela garantiu, fitando o cara ao seu lado. - Ele já está de saída.
O homem olhou para Chad e depois , assentiu e se levantou, em seguida indo em direção a saída do bar.
- Babaca. - resmungou, sugando o canudinho de sua bebida. - Uma mulher não pode sair sozinha sem ser incomodada por um cara? - fitou o amigo, que deu de ombros.
se lembrou do homem que conversava com Chad, ela olhou para o lado e viu que ele não estava mais ali, franziu a testa tentando se lembrar de onde o conhecia.
- Que foi, ? - a voz do amigo chamou sua atenção.
- Quem era o rapaz que você estava conversando?
- Agora? Era o . - respondeu, o que não lhe ajudou em nada.
- O conheço de algum lugar, mas não sei de onde.
- Claro que conhece, é o , quem não conhece o sobrenome nessa cidade?
Ela arregalou os olhos brevemente, se dando conta de quem era o rapaz. Como poderia ter esquecido a fisionomia dele? O conhecia de vista desde sempre, e ele ainda era vizinho da sua melhor amiga. Não entendia como não o reconheceu de imediato, será que estava com problema na visão?
- Por quê? - Chad perguntou.
- Curiosidade. - deu de ombros. - Ele vem sempre aqui? Chad estreitou os olhos, tentando entender o súbito interesse dela no homem.
- É cliente regular. - explicou, a vendo assentir.
se virou, olhando ao redor brevemente, e até onde conseguiu ver, notou que o rapaz não estava mais por ali, mordeu o lábio inferior e voltou a comer sua batata frita.

Na manhã seguinte ela acordou com o sol que invadia a janela de seu quarto, se xingou mentalmente por ter esquecido de fechar as cortinas na noite anterior, suspirou e sentou-se na beirada da cama e olhou para o seu criado-mudo, pegando o porta-retrato que tinha ali. Segurou o quadro com as duas mãos, analisando a foto em que ela e sua mãe estavam sentadas na varanda da casa, abraçava a mãe pelo pescoço e as duas tinham um lindo sorriso em seus rostos.
- Como você faz falta, mãe. - lamentou, alisando a foto.
Shelby tinha acabado de se formar no ensino médio quando descobriu que estava grávida de , ela não estava planejando ser mãe tão cedo, queria poder fazer sua tão sonhada faculdade de Enfermagem, se estabilizar financeiramente e depois teria filhos. Seu namorado na época tinha o mesmo pensamento que ela, e ele nunca aceitou a gravidez da namorada, um pouco antes da filha deles nascer, o rapaz foi embora de Blue Ridge e nunca mais deu sinal de vida, ele tinha fugido de suas responsabilidades.
Shelby criou com a ajuda de seus pais, e quando a pequena estava com três anos de idade, a mulher realizou seu sonho de entrar na faculdade, e logo após sua formatura ela conseguiu um emprego no Hamilton Medical Center, um hospital numa cidade próxima, e trabalhou ali até o seu último dia de vida.
Era mais um dia normal na vida de , a rotina era sempre a mesma, sua mãe a levava para a escola e depois ia para o trabalho, não tinha nada de estranho naquilo. Até que na hora do intervalo chamaram a menina de apenas quatorze anos na diretoria, sua avó tinha vindo lhe buscar mais cedo e no momento em que viu o estado que a senhora se encontrava ela sabia que algo tinha acontecido. Shelby nunca chegou ao trabalho naquele dia, o pneu de seu carro furou a fazendo perder o controle do automóvel, invadindo a pista contrária da rodovia, colidindo frente com outro carro. Nenhum dos motoristas sobreviveu ao impacto, duas vidas se perderam naquele dia, duas famílias foram destruídas. não sabia que era possível sentir tanta dor, aqueles foram os piores dias de sua vida.
Quando ela tinha seis anos seu avô teve um ataque cardíaco e acabou falecendo, mas naquela época ela era muito pequena para entender completamente o que tinha acontecido. Mas quando sua mãe faleceu, ela já era adolescente e tinha plena consciência de tudo, tinha perdido sua companheira, sua amiga, sua confidente e a pessoa que ela mais amava nesse mundo.
acabou perdendo o ano escolar, pois não tinha ânimo para nada, Bernice temendo pelo pior, levou a neta para se consultar com um psicólogo para que ela conseguisse seguir em frente, não foi fácil, mas após as primeiras consultas a menina foi melhorando, foram meses de tratamento até voltar a fazer as coisas básicas do dia a dia e sorrir.
Nove anos tinham passado desde aquele dia, a saudade que sentia de sua mãe ainda era gigante, mas hoje ela sabia lidar com aquele sentimento, tinha aprendido a conviver com a ausência de Shelby.
- ? - escutou sua vó a chamando, em seguida duas batidas na porta de seu quarto.
- Já vou. - avisou, se levantando e indo até a porta.
- Bom dia, minha querida. - a senhora desejou, vendo a neta sorrir. - Você pode descer? Precisamos conversar.
franziu a testa, buscando em sua memória se tinha feito algo de errado.
- O que aconteceu? - perguntou.
- Nada grave. - fez um gesto com a mão. - Te espero na cozinha. - avisou.
- Só vou tomar um banho e já desço. - falou, observando sua avó assentir e se virar, andando na direção das escadas.
se apressou, sua curiosidade estava aguçada para saber sobre o que Bernice queria conversar. Tomou uma ducha rápida, vestiu um short e uma regata confortável, deixou seus cabelos secarem ao natural.
- Vó? - desceu as escadas, já chamando pela senhora.
- Na cozinha, . - informou.
A mulher chegou no cômodo, vendo a avó encostada no balcão.
- Lembra quando conversamos sobre a cerca dos fundos?
- Ah sim, é isso? - suspirou, aliviada. - Lembro sim, o que tem?
Bernice andou até a porta da cozinha que levava para o quintal da casa, seguiu a avó, as duas saíram da casa e desceram os pequenos degraus que levavam ao gramado, caminharam um pouco até a cerca antiga que rodeava o terreno inteiro.
- Olha como está. - a senhora apontou para o estado deplorável da madeira.
- Nossa. - a mais nova fez uma careta, notando que metade da cerca estava destruída, com pedaços de madeira se soltando, ela tocou no cercado e reparou que não estava muito firme. - Acho que não dá mais pra adiar. - murmurou. - Vou ter que vender qual órgão pra arrumar isso? - brincou, vendo Bernice a repreender com o olhar.
- Tenho algum dinheiro no banco. - a senhora comentou.
fitou sua avó, agradecendo pela mulher sempre fazer suas economias e guardar dinheiro.
- Eu também. - garantiu. - Metade do que ganho no Chad vai pro banco, então posso usar pra comprar os materiais.
Bernice assentiu e indicou a casa com a cabeça, elas retornaram para cozinha.
- Conversei com algumas pessoas e me disseram que um profissional ia cobrar muito caro. - a senhora começou, atraindo a atenção da mais nova, que tinha parado em frente à geladeira. - A mãe da me indicou o rapaz que consertou a varanda dela, peguei o telefone dele e ele se ofereceu para vir aqui ver.
- Quem é? - abriu a geladeira, pegando o leite.
- É o menino do . - informou, sentando na pequena mesa redonda que tinha ali.
- ? O vizinho da ? - franziu a testa.
- Ele mesmo. - confirmou.
mordeu o lábio inferior, quase rindo das coincidências da vida. Ontem mesmo ela o viu no bar em que cantava, e hoje sua avó falava dele.
- Ele é mecânico e eletricista, mas parece que sabe mexer com construção também. - Bernice comentou, bebericando um pouco de café.
A mais nova colocou a caixa de leite na mesa, em seguida pegou uma xícara.
- Bom, se a mãe da o indicou, ele deve ser de confiança, certo? - mordeu o lábio inferior e sentou-se.
- É sim, vi aquele menino crescer. - Bernice garantiu. - O problema ali sempre foi o pai e irmão, sempre foi um bom menino.
riu da forma que a sua avó se referia ao mais novo da família .
- Vó, a senhora sabe que ele não é mais um menino, né? - sorriu, a vendo assentir.
- Claro que sei, ele se tornou um belo homem. - fitou a neta. - Um ótimo partido para qualquer mocinha dessa cidade.
- Sei… - ela balançou a cabeça. - Quando ele vem?
- Pode ser hoje a tarde? Imaginei que você gostaria de estar aqui.
- Tudo bem. - assentiu. - Só preciso ir na rapidinho, e depois vou ficar o dia todo em casa.
Bernice sorriu para neta, era tão bom poder contar com , saber que ela sempre estaria ali para lhe ajudar com o que fosse necessário.


Capítulo 2

“Pardon the way that I stare, there’s nothing eles to compare...”
(Can’t Take My Eyes Off You – Frank Valli)

desceu de seu carro e enquanto caminhava até a entrada da casa de olhou brevemente para a casa do vizinho de sua melhor amiga, notou que a famosa caminhonete azul não estava ali, indicando que o rapaz tinha saído.
Continuou seu caminho e subiu os três degraus que levavam até a varanda da residência e tocou a campainha, escutou uma movimentação vinda de dentro do local e sorriu quando a porta foi aberta pela moradora mais nova da casa.
- Tia ! - Willow gritou assim que viu a mulher.
A pequena menina de seis anos pulou no colo de , que rapidamente a segurou em seus braços.
- Oi, coisa linda. - riu, abraçando a criança.
- Filha, quantas vezes já te falei para não abrir a porta para estranhos? - vinha de dentro de casa e notou que a sua menina conversava com alguém.
- Sou eu, . - a amiga tratou de avisar logo.
A mulher sorriu ao ver Willow no colo de , a pequena tinha verdadeira adoração pela mais velha.
- Entre logo. - pediu, fazendo um sinal com a mão.
- Que cheiro delicioso é esse? - perguntou, vendo a amiga fechar a porta.
- Estou fazendo lasanha pro almoço. - explicou, se virando.
- Eu ajudei a colocar o queijo. - Willow fez questão de não ser esquecida na conversa.
- Isso não é justo. - murmurou e fez um bico em seguida. - Vão me deixar na vontade? - reclamou.
- Você pode almoçar com a gente, tia. - a convidou. - Pode, né mãe? - olhou para sua progenitora, que assentiu.
- Obrigada pelo convite, mas dona Bernice está fazendo torta de frango.
tirou o pano de prato que estava em seu ombro e bateu com o mesmo na perna da amiga, que deu um gritinho em reprovação. Willow soltou uma risada gostosa com o que tinha acabado de acontecer, o que ela não sabia é que as adultas faziam isso de propósito, apenas para divertir a menina.
- Safada, sabe que eu amo as tortas da sua vó. - riu, notando a cara de indignada de , que ia lhe dizer algo, mas se calou ao ver entrando na sala.
- Acabou a cerveja. - ele reclamou, coçando a cabeça em seguida. - Oi, .
- E aí, ? - cumprimentou o rapaz.
Willow desceu do colo da mulher, foi até o seu pai e o cutucou na perna, o fazendo olhar pra baixo.
- Vai no mercado? - questionou e ele assentiu.
- Posso ir junto? - pediu e o viu concordar novamente. - Vamos, tia? - ela se virou, fitando .
- Não posso. - lamentou. - Vim rapidinho só pra conversar com sua mãe, mas a gente pode marcar um dia pra passar o dia inteirinho juntas, o que acha? - colocou as mãos na cintura.
- Posso? - a pequena olhou para o pai e depois sua mãe, ambos assentiram.
- Só combinar o dia. - se aproximou, acariciando a cabeça da filha.
- Vamos, carrapatinho. - andou até a porta e chamou pela menina, que foi até saltitante até ele.

e sua família se mudaram para Blue Ridge quando o seu pai se aposentou da profissão de veterinário. Eles compraram uma fazenda na zona rural da cidade e por ali ficaram. Ela conheceu um pouco depois que chegou na cidade, era a única aluna nova na escola e por ter entrado no meio do ano escolar se sentia completamente deslocada, mas viu em alguém com quem poderia conversar. As duas se deram bem logo de cara, mesmo sendo um ano mais velha e estudarem em classes diferentes, isso não atrapalhou a amizade delas.

A mulher conheceu algum tempo depois, o rapaz era três anos mais velho que ela e trabalhava na pizzaria local. Entre namoro, noivado e casamento, os dois já iam para dez anos juntos, o que não era novidade para ninguém, pois a sintonia entre eles era perceptível a qualquer um. O respeito e amor entre os dois era bonito de se ver. E dessa relação tão linda nasceu Willow, uma adorável menina de seis anos.

- E o Spencer, como está? - indagou, vendo a amiga sorrir brevemente.
As duas estavam na cozinha, pois a dona do lugar ainda tinha que terminar alguns afazeres.
- Bem, enlouquecido com esse novo projeto, mas disse que vai tentar voltar semana que vem. - explicou e a outra assentiu.
- E você? Está tudo bem? Me parece meio preocupada. - perguntou, enquanto tirava alguns objetos do balcão e colocava na pia.
- A gente vai trocar a cerca lá de casa. - suspirou, pensando no dinheiro que ia gastar. - Sua mãe indicou o seu vizinho para a minha vó.
- Ah sim, o ?
- Isso! Hoje ele vai lá em casa. - mordeu o lábio inferior. - O que você acha dele?
- É um ótimo carpinteiro, mamãe adorou o serviço dele.
- E como pessoa?
franziu a testa com o questionamento da amiga.
- Como assim? - quis saber.
sentia-se envergonhada por sequer pensar naquilo, era horrível julgar as pessoas pelo que os outros diziam, mas não conseguia evitar.
- A fama deles não é das melhores.
A mulher rapidamente parou o que estava fazendo e se aproximou do balcão, encarando a outra.
- . - fechou os olhos por um segundo. - Por favor, não pense isso do , ele nunca mereceu o tratamento que as pessoas dão pra ele.
- Do que você está falando? - perguntou confusa com aquela afirmação da amiga.
- Você nunca falou com ele, não é? - assentiu ao ver a outra negar. - Por quê?
- Eu… - tentou pensar em algum motivo, mas não encontrou algum. - Não sei, acho que nunca tive a oportunidade. - deu de ombros.
- Então, agora você tem a chance perfeita. - sorriu sem mostrar os dentes.
- Você o conhece bem? - perguntou curiosa.
- O suficiente, mas a Willow sempre conversa com ele quando o vê.
- Ah é? - perguntou genuinamente surpresa. - E como ele é com ela?
- Normal, oras. - riu nasalado. - Mas ela diz que ele a trata como adulta. - balançou a cabeça negativamente, se lembrando das palavras da filha.
- Então, posso confiar?
- Sem dúvidas. - garantiu, sorrindo para a amiga. - E você vai adorar o trabalho dele, é tão detalhista e faz tudo com muito cuidado.
- Que bom, porque eu só sei pregar os quadros na parede e olhe lá. - riu de si própria. - Preciso ir agora, , outro dia volto com mais tempo.
- Tudo bem. - deu a volta no balcão. - Depois me fala como foi.
- Pode deixar. - assentiu, sendo acompanhada pela amiga até a porta da casa.

Bernice, e Sky estavam na sala de casa relaxando após o almoço, elas tinham esse costume de passarem um tempo juntas assistindo televisão logo depois da refeição de domingo, era a maneira de elas aproveitarem o dia.
- Acho que ele chegou. - a mais velha comentou assim que escutou o barulho de moto.
viu a vó se levantar e fez o mesmo, Sky apenas ergueu a cabeça e observou as duas mulheres, que agora iam na direção da porta principal da casa. A mais nova quase engasgou quando viu o meio de transporte que trouxe até ali, não fazia ideia da marca ou modelo, só sabia que era linda, desde sempre ela tinha essa pequena fixação por motos e adoraria ter uma.
- Oi, . - escutou a vó dizer e balançou a cabeça, se dando conta que continuava encarando o veículo de duas rodas.
- Boa tarde, senhora. - cumprimentou Bernice, que sorriu com a gentileza dele.
- Essa é minha neta, . - apontou para a mais nova.
A mulher desceu as escadas e sorriu para o rapaz, que segurava o capacete em uma de suas mãos.
- Pode me chamar de . - esticou a mão pra ele.
- É um prazer. - apertou a mão dela levemente, assentindo em seguida.
- Vem, vamos lá ver a cerca. - Bernice subiu as escadas e fez um sinal com as mãos, sendo seguida pelos dois.
Sky sentou-se ao notar a presença de humanos no local novamente, mas estranhou ao sentir o cheiro de alguém diferente, se levantou ao ver a porta sendo aberta e andou até as pessoas que entravam em seu território, latiu ao ver um terceiro indivíduo no local.
- Ei, Sky. - chamou a atenção da cachorra e foi até ela. - Está tudo bem. - acariciou a cabeça do animal, que olhou a dona e abanou o rabo. - Não precisa se preocupar, ela é mansa. - a mulher fitou , que assistia a cena atentamente.
- Só está te cumprimentando. - Bernice afirmou.
- Não tem problema. - garantiu, reparando que a cachorra olhava pra ele e viu se aproximar, esticando as mãos na direção dele.
- Me dê isso aqui. - pediu já segurando o capacete.
- Obrigado. - agradeceu ao vê-la colocando o mesmo no sofá.
- Vamos, a cerca fica nos fundos. - Bernice falou e já foi andando para a cozinha.
Ele seguiu a senhora e notou que e a cachorra vinham atrás dele.
- É lamentável que a madeira não seja eterna. - a mais velha reclamou e ele riu fraco.
- Vó, essa cerca existe desde que me entendo por gente. - a outra comentou.
- Sua mãe era uma jovem quando trocamos pela primeira vez. - informou, fazendo arregalar os olhos brevemente.
- É um milagre que ainda esteja de pé. - balançou a cabeça e parou de andar assim que chegaram ao fim da propriedade.
- Posso? - apontou para a cerca e olhou para Bernice.
- Vá em frente. - fez um sinal com as mãos.
sentiu Sky passar na lateral de sua perna e andar até onde o rapaz estava, ficou tranquila, pois viu que a cachorra abanava o rabo e queria apenas conhecer melhor o estranho que estava em sua casa. A cachorra cheirou as pernas dele por um momento, a mulher observou a reação de , que olhou para baixo e acariciou a cabeça do animal brevemente, o que foi mais do que suficiente para Sky se sentir à vontade e lamber a mão dele.
- Que abusada. - Bernice balançou a cabeça negativamente.
- Desculpa. - deu dois passos, com a intenção de afastar sua cachorra extremamente amigável.
- Tá tudo bem. - ele fitou a mulher e acariciou o animal novamente.
Ela parou e sorriu com a atitude dele, ficava nas nuvens quando alguém não se incomodava com Sky.
- O que você acha? - Bernice perguntou enquanto ele analisava a cerca.
segurou a madeira com a mão e deu alguns chutes, andou até o outro lado e fez o mesmo processo.
- Tem que trocar tudo. - olhou para as duas, que assentiram.
- Você acha que vai ficar muito caro? - fez uma careta e ele a encarou.
- Depende do tipo de material que comprarem. - olhou para Bernice, que fitou a neta.
abriu a boca para dizer algo, mas franziu a testa em seguida, seu conhecimento sobre cerca e material usado para construir uma era praticamente zero.
- O que você indica? Porque é óbvio que não sabemos nada sobre isso. - ele riu fraco com a informação dela.
- Preciso ir pra Dalton e ver o que eles tem lá. - colocou as mãos nos bolsos da frente de sua calça jeans.
- Aqui não tem? - franziu a testa, pensando na distância até o local.
Esse era um dos problemas de morar em cidade pequena, muitas vezes era preciso ir até uma cidade maior para comprar o que não tinha onde moravam. Dalton não era tão grande assim, tinha por volta de trinta mil habitantes, mas se comparada a Blue Ridge era uma diferença gigantesca.
- Até tem. - ele respondeu e a viu assentir. - Só que lá tem mais opções e consigo um preço melhor.
- Quando você acha que pode ver isso? - Bernice indagou.
Ele pensou por um momento, analisando os compromissos que tinha para os próximos dias.
- Terça, pode ser? Vou lá, faço o orçamento e trago pra vocês.
- Que horas? Terça é dia do meu clube de crochê. - a senhora informou e segurou o riso.
- Ele pode passar lá na loja, não pode? - fitou o rapaz, que franziu a testa. - Sabe o posto de gasolina do centro? - indagou e ele assentiu. - Eu trabalho numa loja infantil que fica do outro lado da rua, a Majestic Kids.
- Não conheço. - negou com a cabeça. - Mas não deve ser difícil achar.
- Então, trabalho até às cinco da tarde durante a semana, pode passar lá qualquer horário e me falar o orçamento.
- Tudo bem. - balançou a cabeça positivamente.
- Mas tenha em mente que sou idosa e vivo de aposentadoria e a tem dois empregos para ajudar nas despesas. - Bernice comentou em tom divertido.
- Vó! - a mais nova falou alto, rindo em seguida.
- Não vou cobrar caro. - garantiu. - Vocês têm alguma ferramenta? - olhou ao redor brevemente, notando uma espécie de casinha de madeira num canto do quintal.
- Ah sim, ali a gente guarda as tranqueiras. - brincou, já indo até o local e sendo seguida por ele. - Cortador de grama, pá, enxada... Essas coisas.
- Você cuida da grama? - perguntou, tentando imaginar a mulher fazendo esse tipo de serviço, ela parecia ser tão delicada.
- Claro. - riu fraco. - Tenho calos nas mãos pra provar. - falou, abrindo a portinha.
deu dois passos para frente, analisando o local melhor, pensando no que precisaria trazer de sua casa para consertar a cerca delas.
- Se faltar alguma coisa eu posso comprar. - ela mordeu o lábio inferior, incomodada com a expressão neutra dele.
- Não, o que você tem é suficiente. - a olhou brevemente.
- Que ótimo. - sorriu aliviada e de repente uma dúvida surgiu em sua mente.
- Como faremos com a madeira velha? Temos que contratar alguém para descartar?
- Eu tenho uma caminhonete, posso fazer isso. - explicou e ela quase se xingou por ter esquecido do outro meio de transporte dele.
- Ah sim, claro. - riu fraco.
- Agora eu preciso ir. - falou, olhando para ela e depois para Bernice, que observava os dois.
- Muito obrigada. - a mais velha se aproximou deles, com Sky andando ao seu lado. - Você vai nos salvar. - garantiu.
- É só o meu serviço. - deu de ombros.
- Então na terça você me procura? - indagou e ele assentiu rapidamente.
- Combinado então. - esticou a mão para ele, que a apertou com pressa.
As duas o acompanharam até a frente da casa e observaram o rapaz se afastando com sua moto.

Mais tarde naquele mesmo dia estava no seu quarto, se preparando para dormir quando recebeu uma ligação de Spencer, seu namorado.
- Oi, gata. - brincou, sabendo o quanto ela detestava esse tipo de apelido.
- Oi. - sorriu, sentando-se na cama. - Como está Miami?
- Um inferno de quente. - reclamou e ela rolou os olhos. - E você, tudo bem por aí?
- Sim, tudo tranquilo. A maior novidade por aqui é vamos trocar a cerca de casa, a bichinha chegou ao fim de sua vida. - brincou e conseguiu imaginar ele balançando a cabeça negativamente.
- Já contrataram alguém? - perguntou interessado.
- Um rapaz veio aqui, essa semana ele vai nos dar o orçamento.
- Um rapaz? - a voz dele estava desconfiada. - Quem?
- , foi indicação da mãe da . - explicou, mexendo no edredom de sua cama.
- Eu o conheço?
- Não sei, é o , você deve saber quem é. - deu de ombros.
- O quê? - a voz dele saiu esganiçada. - Ele esteve na sua casa e vocês estão cogitando contratá-lo?
- Sim…
- Não, deixa comigo que vou falar com uns amigos e resolver isso para vocês.
- Claro que não, Spencer. - foi firme, detestava quando ele duvidava de sua capacidade para solucionar alguma coisa. - A Vó e eu estamos cuidando disso, não tem por que se preocupar.
- Como não, ? Você está enfiando um qualquer na sua casa e ainda pede para eu não me preocupar? Isso não é possível.
- Spencer, você não está exagerando? - franziu a testa, confusa com aquela reação.
- Nada que envolva é exagero. - bufou.
- Do jeito que você fala parece que o cara é um psicopata que vai me matar, esquartejar o meu corpo e jogar meus restos para os crocodilos.
- Não duvido.
fechou os olhos, tentando controlar sua respiração, aquela era para ser apenas uma simples conversa de namorados que estão com saudades, não queria transformar aquilo em algo maior do que realmente era.
- Spencer, minha vó conhece o desde que ele era um menino, a e gostam dele e eu o achei bem normal. - concluiu, evitando mencionar qualquer coisa a mais.
- Você quem sabe.
- Isso é sério? - riu fraco, cansada daquele assunto.
- Preciso ir dormir agora, . - anunciou e ela rolou olhos.
Toda vez que o namorado era contrariado ele agia feito um moleque mimado e ela detestava isso.
- Boa noite, Spencer. - desejou.
- Obrigado. - agradeceu. - Dorme bem, .
E assim eles encerraram aquela ligação, ela acabou indo dormir completamente frustrada.

observava Kelsey, que terminava o atendimento de uma mulher que carregava um bebê adorável e simpático, que só sabia sorrir o tempo todo. Viu a companheira de trabalho entregar o cupom fiscal para mulher, que olhou na sua direção e acenou se despedindo, a criança viu o gesto da mãe e fez o mesmo, o que tirou risadas das mulheres do local.
- Ai, eu quero um desses. - a loira fez um bico. - Bebês são tão mordíveis.
- Sossega aí que até pouco tempo você era um deles. - zombou.
- Falou a idosa, você é só seis anos mais velha que eu. - a outra rolou os olhos. - E eu já tenho dezoito anos.
riu e balançou a cabeça negativamente, era engraçado como Kelsey adorava se gabar por ter dezoito anos, e ela não perdia a oportunidade de perturbar a menina por causa disso.
As duas eram as únicas funcionárias da Majestic Kids. trabalhava ali há cinco anos e cuidava de praticamente tudo, Kelsey tinha começado a trabalhar em horário integral há pouco tempo, a loja pertencia à sua família, então sempre estava por ali. Mas quando completou dezoito anos decidiu trabalhar oficialmente no local. Ainda não tinha decidido se faria faculdade e queria um tempo para pensar, porém detestava ficar sem nada pra fazer e por isso quis trabalhar.
- Precisamos repor o estoque de Carter. - avisou à , que assentiu e pegou o catálogo de roupas daquela marca.
- Já vou pedir de outros que vi que estavam faltando. - comentou, analisando as opções.
Kelsey arrumou algumas roupas na vitrine e aproveitou para olhar o movimento da rua, sentiu um frio na espinha ao ver quem estacionava o carro na frente da loja delas.
- Meu Deus, ! - se virou bruscamente, andando até a mulher.
- Que foi? - ergueu os olhos e estranhou a feição da mais nova. - Viu um fantasma, foi? - perguntou, notando que Kelsey estava mais pálida que o normal.
- Pior que isso. - deu a volta no balcão e sentou-se ao lado de , que a fitou preocupada, tentando entender o que estava acontecendo.
A mulher ia perguntar algo, porém foi interrompida pelo barulho do sininho da porta, que anunciava a entrada de alguém na loja. Olhou naquela direção, se perguntando se foi a pessoa que tinha acabado de chegar que assustou Kelsey, mas não podia ser. Não era possível, era?
- . - ela sorriu ao vê-lo andar meio incerto até ela.
O rapaz apenas assentiu e parou no balcão, ele fitou a loira ao lado de .
- Com licença. - a mais nova pediu, quase tropeçando nos próprios pés antes de sair dali.
- Ignore ela, não está bem hoje. - avisou ao rapaz, que apenas balançou a cabeça negativamente.
- Trouxe o orçamento. - tirou um papel do bolso de sua calça e colocou no balcão.
Ela pegou a folha e viu o que tinha escrito ali, os preços de madeiras variadas e os acessórios que precisaria, coçou a cabeça e mordeu o lábio inferior.
- O mais barato? - olhou pra ele, que deu de ombros a confundindo. - Me ajuda, . - suplicou e ele não segurou o riso.
- Essa madeira é melhor. - apontou no papel a segunda opção.
ponderou, vendo que a diferença de valores não era tão grande.
- Tudo bem. - assentiu, devolvendo o papel pra ele. - Quando você pode começar?
- A partir de quinta, se quiser. - cruzou os braços na altura do peito.
- Pode ser, vou sacar o dinheiro e te entrego amanhã.
- Sem problemas. - assentiu. - Qual o melhor horário?
- Minha Vó fica o dia inteiro em casa, às vezes ela sai para fazer algumas coisas, mas se você já estiver lá não tem problema.
- Tem certeza? - arqueou uma sobrancelha.
franziu a testa, estranhando aquela pergunta.
- Claro. - deu de ombros.
Se ela tinha entendido direito, queria saber se elas realmente não se importavam com o fato de ele ficar sozinho na casa em que moravam.
- Combinado pra quinta? - perguntou e ela assentiu.
deu a volta no balcão e dessa vez foi ele quem não entendeu o que estava acontecendo.
- Eu te levo até a porta. - sorriu, notando a confusão no rosto dele.
não disse nada, só se deixou ser acompanhado pela mulher, que estava sendo tão simpática e gentil com ele, o que o deixava um pouco desconfortável, pois não estava acostumado com isso.
- Até mais. - acenou pra ela, que ainda segurava a porta e acenou de volta pra ele.
- Tchau, .
se virou e notou que Kelsey estava atrás do balcão e olhava ao seu redor, como se procurasse por algo errado.
- O que deu em você? - perguntou, sentando-se ao lado da mais nova novamente.
- Como assim? Você viu quem entrou aqui?
A outra virou o pescoço tão rapidamente que até sentiu uma leve dor no local.
- Você ficou daquele jeito por causa do ? - arregalou os olhos.
- Claro, ele é um . - falou, como se o sobrenome fosse amaldiçoado.
não soube direito como reagir àquela justificativa de Kelsey, ela ficou apavorada com a simples presença dele ali? Era isso mesmo?
- Você tem medo dele? - perguntou incerta se queria ouvir a resposta.
- Você não tem?
- Medo? Não, eu… - foi interrompida com o barulho da porta sendo aberta, as duas olharam naquela direção e uma cliente entrava no local, Kelsey se levantou para atender a mulher.
estava em choque com o que tinha acontecido, era daquela forma que era tratado por todos em Blue Ridge? Então ela se recordou que precisou perguntar para se ele era realmente de confiança, pois deu ouvidos aos que os outros diziam sobre o rapaz. Isso fazia dela uma hipócrita? Estava tão confusa que nem saberia o que responder.

“Ele nunca mereceu o tratamento que as pessoas dão pra ele.”

As palavras de sua amiga ecoaram em sua cabeça; As pessoas realmente tratavam como se ele fosse um lixo? Um nada? Alguém que deveria ser desprezado? Temido? Isso não estava certo, ninguém merecia ter esse tipo de tratamento. cresceu sabendo que todos mereciam respeito e foi assim que ela tratava todos com quem conversava e não importava se ela não gostava daquela pessoa, sempre era muito educada.
E sentiu um incômodo profundo ao perceber que o mesmo não acontecia com e ela não conseguia aceitar essa situação, era inadmissível para , não sabia direito se poderia fazer algo para mudar essa isso, mas pelo menos a sua parte ela iria fazer.


Capítulo 3

“I'm lost without you
And there's nothing I can do”

(Holding on to Heaven – Nickelback)


finalizou sua xícara de café e a lavou rapidamente na pia, olhou no relógio e viu que ainda faltava meia hora para o horário que tinha combinado com Bernice. Aquele seria o terceiro e, provavelmente, último dia em que trabalharia na casa das mulheres , pois agora só faltava uma parte da cerca para ser colocada. Mas ele sabia que aquele seria o dia mais difícil de trabalhar, era sábado e estaria em casa, o que tornaria tudo mais complicado.
O homem ainda se sentia um tolo por ter dito que não conhecia a loja em que ela trabalhava, era óbvio que sabia muito bem onde ficava, numa cidade tão pequena como Blue Ridge seria impossível não saber. Porém na hora estava tão nervoso que não reconheceu o nome da loja, mas quando chegou no local quase riu de si próprio pela sua estupidez.
se sentia ridículo por ficar tão inquieto ao lado de , a sua simpatia e espontaneidade de certa forma o intimidava e a mulher ainda conversava com ele como se fosse um ser humano normal, diferente das outras pessoas da cidade, que preferiam manter a distância, o que ele até agradecia pois não gostava de socializar com os outros. Ao contrário de , que desde pequena chamava a atenção por sua alegria constante e o seu jeito extrovertido de ser, ele a conhecia de vista há anos, sempre a via pela cidade com sua mãe ou avó.
Para ela sempre foi apenas mais uma moradora de Blue Ridge, mas o seu ponto de vista sobre ela mudou quando a viu cantando pela primeira vez no The Last Stop, a voz de chamou sua atenção de uma forma inesperada, o tom dela lhe trazia uma paz que ele nunca tinha experimentado antes, a voz da mulher era como um calmante para os seus ouvidos e desde então escutar cantando tinha se tornado um de seus hobbies favoritos.
Mas ele nunca imaginou que um dia estaria trabalhando na casa em que ela morava. Conversar com Bernice era simples, a senhora era espirituosa e sempre tinha algo engraçado pra dizer. Nos dois dias em que já tinha trabalhado na cerca ela vivia indo até ele para levar água fresca, oferecer alguns biscoitos e frutas, inclusive ficou brava quando se recusou a almoçar com ela, o rapaz detestava incomodar os outros, mas depois muita insistência por parte de Bernice ele acabou cedendo ao pedido da senhora.
Então sabia que hoje não seria diferente, mas algo lhe dizia que quem iria aparecer nos fundos da casa seria , o que lhe causava arrepios pelo corpo só de pensar nessa possibilidade. não sabia definir direito o que sentia quando ela estava por perto, mas era algo diferente das sensações que já conhecia, suas mãos suavam frio e ele sentia que a qualquer momento o seu cérebro ia dar pane. O rapaz se esforçava ao máximo para agir naturalmente, o que ele até conseguia quando precisava tratar de algum assunto profissional, mas se algum tema pessoal surgisse na conversa ele tinha certeza que iria falhar miseravelmente e pagar algum mico gigantesco.
- Frouxo de merda. - se xingou, olhando no relógio novamente e viu que agora precisava sair de casa antes que se atrasasse.

(...)


- The world is a vampire…sent to drain ain ain, secret detroyers, hold you up to the flames, and what do I get? For my pain ain ain?- cantarolava enquanto dirigia até a sua casa após a manhã de trabalho na loja. - Despite of my rage I’m still a rat in a cage. - estacionou o carro ao lado da caminhonete azul de .
estava se sentindo uma rockeira naquele dia, então já pensava no repertório para aquela noite, sabia que a música que tinha acabado de cantar tinha um ritmo pesado demais para o bar e Holly surtaria com ela caso a cantasse.
- Chegou na hora certa. - Bernice disse assim que viu a neta entrar em casa.
- Almoço está pronto? - perguntou, tirando seu tênis e colocando a bolsa no sofá.
A senhora sorriu e assentiu para .
- E a Sky? - perguntou pela cachorra, que ainda não tinha aparecido para lhe cumprimentar.
Ela andou até a escada, olhando embaixo da mesma, que era onde a caminha da cachorra ficava.
- Ela está com o . - a mais velha explicou, fazendo a outra colocar a mão na cintura.
- De novo? - riu nasalado.
Sky tinha simpatizado com o rapaz e ficava o rodeando enquanto ele fazia o seu serviço, Bernice até tentou tirar a cachorra de lá, mas acabou desistindo quando disse que não tinha problemas.
- Bom, eu vou tomar um banho rapidinho e já volto pra gente almoçar.
- Tá bem, enquanto isso vou colocando a mesa. - Bernice a informou.

Pouco tempo depois desceu as escadas vestindo um shorts e uma regata, notou que sua avó não estava por ali e abriu a porta da cozinha, Bernice estava na varanda devidamente acomodada em sua cadeira e observava trabalhar, a mais nova riu ao ver sua cachorra deitada na grama ao lado do rapaz.
- Sky! - gritou por ela, que ergueu a cabeça rapidamente e olhou em sua direção, ela se levantou e como um raio correu até a sua dona. - Ei, garota. - se agachou e riu quando quase foi derrubada por Sky.
Bernice olhou para , que estava de costas e tinha a atenção focada na madeira que estava em suas mãos.
- Pode ir lá chamá-lo para almoçar? - pediu para a neta, que prontamente atendeu ao pedido de sua avó.
notou que ele tinha se agachado enquanto mexia na madeira, ela se aproximou com cuidado.
- Oi, . - cumprimentou e franziu a testa quando ele soltou a madeira rapidamente, a deixando cair no chão.
- Merda! - ele exclamou, sentindo uma pontada em sua mão.
O rapaz levou a mão até sua boca, mordendo a palma da mesma, notou que a mulher deu a volta para ficar na sua frente.
- O que foi? - ele não precisava fitá-la para saber que olhava sua mão atentamente.
- Não é nada. - balançou a cabeça negativamente e com certa dificuldade tirou a ferpa que tinha entrado em sua pele, mas o pequeno pedaço de madeira não saiu completamente.
fez uma careta, tentando entender o que estava acontecendo e viu futucando sua mão direita com a unha.
- Ferpa? - perguntou dando um passo na direção dele, que deu outro passo pra trás.
Ela imediatamente recuou, percebendo o desconforto dele com a sua aproximação.
- Minha mãe era enfermeira, acho que posso te ajudar. - mordeu o lábio inferior, esperando que aquilo fosse suficiente para que ele cedesse.
a fitou, depois olhou ao seu redor e se agachou para pegar a madeira que tinha derrubado anteriormente, a colocou encostada na cerca. Sentia o olhar de em si e era como se seu interior queimasse de vergonha por estar recebendo tanta atenção dela, a preocupação da mulher o deixava ainda mais sem graça, era apenas uma ferpa que tinha entrado sua pele, não era nada grave para se preocupar.
- O seu corpo provavelmente vai expulsar, mas você não precisa sentir dor até isso acontecer. - continuou, procurava de alguma forma tentar convencê-lo.
Ele se virou, sabendo que ela não iria desistir de tentar ajudá-lo, então não custava nada ceder para que ela resolvesse isso de uma vez.
- Posso ver? - a mulher deu dois passos na direção dele e sorriu quando ele estendeu a mão esquerda pra ela.
engoliu a seco ao sentir o toque dela, suas mãos eram delicadas e macias, ela segurava a mão dele com tanto cuidado que era como se fosse uma peça de porcelana que poderia quebrar a qualquer momento.
- Vamos entrar, você tem que lavar suas mãos pra eu tirar a ferpa, só preciso de uma agulha e pinça e resolverei o seu problema.
O rapaz sentiu-se envergonhado pela sujeira de suas mãos, que estavam cobertas de suor e terra por causa do trabalho que estava fazendo. soltou a mão dele, que apenas assentiu e a observou se afastar e entrar na casa, ele fez o mesmo caminho que ela e foi até o banheiro se limpar.
foi até o armário e pegou a caixinha de primeiros-socorros.
- O que aconteceu? - Bernice franziu a testa ao ver a neta mexer em sua máquina de costura.
- Preciso de uma agulha, está com uma ferpa na mão.
Ele voltou para a cozinha e ficou sem saber o que fazer, notou que a andava de um lado para o outro, sendo seguida por Sky.
- Sente no sofá, só vou esterilizar a agulha. - ela passou por ele.
atendeu ao seu pedido rapidamente, viu a mulher voltar para a sala e sentar ao seu lado, colocando uma caixinha branca na mesa de centro.
- Sua mão? - pediu e ele esticou o braço pra ela, que sorriu e analisou a pele dele com mais atenção.
Sky se aproximou dos dois e cheirou a caixa de primeiros socorros e olhou ao redor, em seguida a cachorra sentou-se no chão, ao lado das pernas de .
- Ela gosta de você. - comentou, colocando uma almofada em seu colo e apoiou a mão dele ali.
O homem apenas soltou uma risada nasalada, estava nervoso demais com os toques da mulher em sua pele para conseguir raciocinar direito, sentiu uma leve ardência em sua mão e fez uma careta.
- Desculpa. - ela o olhou rapidamente.
a viu furar sua mão com a pequena agulha e agora os movimentos dela eram tão delicados que quase não sentiu dor, em seguida a viu pegar uma pinça.
- Pronto. - sorriu, mostrando a pinça pra ele, que conseguiu ver o minúsculo pedaço de madeira ali.
A observou passar algum produto em sua mão e depois colocar um pequeno band-aid na ferida.
- Novo em folha. - ela brincou, o fitando. - Só não deixe a madeira te atacar novamente que estará a salvo. - zombou dele, tentando fazer com que ele falasse alguma coisa, já estava começando a se incomodar com o silêncio do homem.
O que não tinha ideia era que estava se sentindo um idiota pois só se atrapalhou com a madeira quando ouviu a voz dela tão perto de si chamando por ele.
- Obrigado. - agradeceu e ela se deu por satisfeita, pelo menos por enquanto.
- Agora vai lá pra mesa que o almoço já está esperando por nós.
O rapaz assentiu e viu que ela começava a arrumar o que tinha usado em sua mão, ele se levantou e sentiu que Sky fez o mesmo, o seguindo até a cozinha.

mordiscou os lábios um tanto inquieta, não era possível que não conversaria com ela ou sua avó. O rapaz comia em silêncio e só falava alguma coisa quando lhe perguntavam algo diretamente. Ela também notou que ele tinha dificuldades em usar a faca, a deixando cair no chão duas vezes, suspeitou que ele usava apenas o garfo em casa e estava tentando ser educado em não comer usando as mãos.
- Argh! - ela resmungou, deixando a própria faca de lado e pegou a asinha de frango com as mãos. - Bem melhor assim.
De canto de olho percebeu que ele a fitava com a testa franzida.
- Eu só como com colher mesmo. - Bernice fitou a neta, percebendo o que ela queria fazer. - , não tenha vergonha e pegue a coxa com a mão, ela fica até mais saborosa. - sorriu para o homem, que fitava o seu prato.
Por um lado ele estava se sentindo encabulado pela situação e sentia-se um patético por não conseguir usar a faca corretamente, mas não tinha esse costume, pois desde pequeno aprendeu a comer apenas com garfo ou colher, seu irmão sempre o zombou por causa disso, costumava dizer que ele parecia um animal comendo. Então ele estava fazendo o seu melhor para parecer civilizado enquanto comia, mas falhou em sua missão e foi surpreendido com a atitude das mulheres com quem almoçava, sentiu-se muito bem quando percebeu que as duas não se importavam em como ele comia e apenas queriam que ele se sentisse confortável com elas.
- Vó, a senhora vai no bar hoje à noite? - perguntou assim que viu deixar a faca de lado e pegar o frango com a mão.
- Minha querida, você sabe que durmo com as galinhas. - comentou, vendo a neta fazer uma careta.
A mais nova suspirou, sabia que sua avó adorava ouvi-la cantar, mas raramente ia ao The Last Stop pois ia para cama cedo.
- Vai perder um show de rock. - sorriu, se referindo ao estilo musical que cantaria naquela noite. - Você gosta, ? - olhou na direção dele, que estava focado em sua refeição, mas ainda prestava atenção na conversa das duas.
- Sim.
franziu a testa pela resposta monossilábica do rapaz.
- Qual sua banda preferida? - continuou, tentando puxar conversa com ele.
a fitou, notando que ela parecia genuinamente interessada em seu gosto musical.
- Led Zeppelin, AC/DC… - respondeu, tentando buscar em sua mente outra banda que gostava. - Nirvana, Red Hot.
- Ótimo gosto musical. - sorriu, satisfeita com as bandas que ele tinha citado. - Provavelmente vou cantar alguma música deles hoje.
O rapaz apenas assentiu, voltando sua atenção para a comida que estava na sua frente. o analisou brevemente, intrigada com o jeito quieto dele, à primeira vista ele não parecia ser tão tímido, mas agora percebia que era um homem bem fechado e que não gostava muito de conversar.
- Vê se não volta tarde, hein? - Bernice falou em seu usual tom de preocupação.
- Impossível, vó. - sorriu sem mostrar os dentes. - Mas a senhora sabe que eu sempre me cuido.
- Eu me preocupo com os tarados. - suspirou.
tinha comentado com Bernice sobre o pequeno incidente do sábado anterior, quando um homem a confundiu com uma prostituta. ergueu a cabeça, subitamente interessado no que a senhora estava dizendo.
- Vó. - ela esticou o braço, acariciando a mão da mais velha. - Sei me cuidar. - assegurou. - E o Chad sempre interfere quando os abusados aparecem.
O rapaz se lembrava muito bem do dia em que presenciou um babaca oferecendo dinheiro à para ela ir pra cama com ele. E agora com o comentário de Bernice ficou curioso para saber se isso acontecia com frequência.
- É normal? - perguntou, fazendo as duas olharem para ele, que pigarreou. - Os caras te assediarem? - completou.
o fitou, surpresa com a pergunta pois não esperava esse tipo de questionamento vindo dele.
- Não é toda noite. - respondeu. - A maioria que está ali já me conhece, mas sempre tem um viajante mais ousado. - ela fez uma careta.
Bernice observou a feição do rapaz, a sua experiência de vida lhe dizia que ali tinha uma mistura de preocupação e raiva, o que a deixou desconfiada.
Sentiu uma carícia em sua mão e olhou para , que tinha um sorriso lindo no rosto.
- Prometo que vou me cuidar. - assegurou novamente, se inclinou e depositou um beijo no rosto da mais velha, que assentiu. - Vó, que horas é a festa mesmo? - perguntou, querendo mudar de assunto.
Naquela tarde Bernice iria a uma pequena confraternização das suas amigas do bingo, era o aniversário de duas senhoras e elas resolveram fazer uma festinha na cidade de Jasper, que ficava a meia hora de Blue Ridge.
- Duas horas, mas não se preocupe que já tenho minha carona. - afirmou, vendo a neta sorrir.
- Incrível como a senhora tem mais amigas que eu e vive cheia dos compromissos. - brincou. - Acredita nisso, ? - o rapaz a fitou e riu pelo nariz.
- O corpo é de sessenta, mas a mente de vinte anos. - a senhora disse, fazendo gargalhar.
- E eu sou o contrário. - brincou, vendo Bernice balançar a cabeça negativamente.
O rapaz observava a conversa delas em silêncio, começava a se sentir confortável perto das duas, o que era algo raro pra ele pois dificilmente ficava a vontade com outras pessoas. Mas Bernice e eram diferentes, elas faziam questão de que ele se sentisse bem ao redor delas, parecia até que gostavam da presença dele. Esse pensamento o assustou momentaneamente, não podia ser isso, era impossível. As duas provavelmente só estavam sendo simpáticas com ele por causa do trabalho que ele executava no quintal delas, era apenas isso. Afinal, ninguém gostava de .

(...)


Era por volta de quatro horas da tarde quando atendeu aos pedidos de Sky, que queria brincar com ela e foi até o sofá com o seu osso de borracha na boca, colocando o mesmo no colo da mulher, que riu e balançou a cabeça negativamente.
- Tudo bem, vamos lá. - desligou a televisão.
aproveitou para pegar uma garrafa de água na geladeira e levar para , que devia estar derretendo naquele calor escaldante do Estado da Georgia. As duas andaram até o fundo da casa e a mulher se apressou em satisfazer a vontade de sua cachorra, que a olhava com expectativa.
- Vai pegar. - jogou o brinquedo e Sky saiu em disparada, correndo atrás do mesmo.
A mulher se surpreendeu com a rapidez dele no trabalho, pois notou que ele estava instalando as últimas estacas de madeira.
- , trouxe água gelada. - avisou, chamando a atenção dele.
Ele assentiu e deixou o martelo no chão e deu alguns passos na direção dela.
- Obrigado. - agradeceu, pegando o copo que tinha acabado de encher com água.
Sky se aproximou de e deixou seu osso cair no chão, a mulher riu e pegou o brinquedo e o jogou longe novamente, que outra vez foi perseguido pela cachorra.
observou com mais atenção, ele usava botas de couro, uma calça jeans velha e uma camisa xadrez em tons laranja e branco, reparou que as mangas tinham sido cortadas, a transformando em regata. Seus olhos continuaram aquele percurso e ela reparou que ele tinha os bíceps bem definidos, provavelmente por causa de seu serviço braçal. Notou uma tatuagem na parte interna de seu braço direito e estreitou os olhos, tentando decifrar qual era o formato do desenho.
- Obrigado. - ele agradeceu e a franziu a testa ao ver a mulher balançar a cabeça negativamente.
sentiu algo encostando em sua perna e olhou pra baixo, vendo Sky o encarar com aqueles imensos olhos cor de mel, ele se inclinou pegando o brinquedo e jogou do outro lado do quintal.
- Você tem algum bicho em casa? - perguntou, estava curiosa pois sua cachorra raramente simpatizava com pessoas do sexo masculino. Tirando que ela adorava, os outros homens que se aproximavam ela simplesmente os ignorava, até mesmo Spencer, a cachorra não fazia questão de alguma de estar por perto quando o namorado de sua dona estava na casa dela.
- Não. - respondeu, devolvendo o copo pra ela.
- Você é o segundo homem que ela gosta. - riu nasalado e o viu franzir a testa.
O homem viu a cachorra subir as escadas da varanda e largar o osso por ali, em seguida ela foi até o pote de água dela.
- Ela tinha uns oito meses quando a adotei. - contou, também olhando para Sky. - Mas nunca se sentiu a vontade perto de homens, a veterinária disse que pode ser trauma, que talvez tenha sido maltratada por alguém do sexo masculino.
voltou o seu olhar para , que continuava a fitar Sky, ela tinha o olhar distante, como se estivesse se recordando do passado.
- Ela era tão tímida e medrosa, nem parece mais a mesma. - fechou os olhos por um breve segundo. - Sky sempre gostou do , mas ele é um amor e seria difícil não gostar dele. - riu, voltando sua atenção para , que ainda a observava.
sorriu ao notar que ele estava a encarando, segurou um riso quando o viu desviar o olhar.
- Isso não é comum. - ela apontou para a cachorra, que andava toda pomposa na direção de . - Te chamar pra brincar? É novidade pra mim, então achei que você tivesse algum animal, dizem os bichos sentem quando a pessoa tem um bom coração, né?
Ele entendeu errado ou ela acabou de lhe fazer um elogio? Era isso mesmo? Tentou tirar esse pensamento da sua cabeça, afinal não o conhecia direito para dizer algo de bom a seu respeito.
- Nunca tive bicho de estimação. - respondeu depois de um momento em silêncio.
O homem voltou a jogar o osso pra cachorra, que correu até o seu brinquedo.
- Sky é a minha primeira cachorra, mas minha vó tinha o Garfield, um gato laranja, gordo e preguiçoso, que só sabia dormir. - riu da lembrança. - Ele morreu bem velhinho.
quase sorriu sem mostrar os dentes, era falante e conseguia prolongar uma conversa com facilidade, independente do assunto. Diferente dele, que era mais quieto e observador, não costumava se alongar muito em suas conversas, não que fosse algo comum ter alguém para bater um bom papo, já que quase ninguém se aproximava dele.
- Você não tem vontade de ter um animalzinho? - ela sorriu vendo Sky sentar ao lado dele, descansando da brincadeira.
- Não tenho tempo. - balançou a cabeça negativamente.
Na verdade nunca parou para pensar no assunto, não conviveu com animais enquanto crescia, então nunca desejou ter um.
- Ah , eu tenho dois empregos e consigo cuidar da Sky, se você quisesse acho que conseguiria sim. - afirmou, o vendo abaixar a cabeça e fitar a cachorra, que agora tinha se deitado na grama.
sorriu de lado e em seguida respirou fundo, era cansativo conversar com alguém que falava tão pouco, ainda mais pra ela que sempre foi muito tagarela. Muitas vezes sua avó perguntava se seu maxilar não doía por falar muito, o que a fazia rir pois sabia que era um pedido de Bernice para que ela ficasse calada.
Ela escutou o telefone da casa tocar e desviou sua atenção para a porta da cozinha.
- Já volto. - avisou e saiu correndo, tomando cuidado para não deixar a jarra de água cair.
Entrou em casa rapidamente e correu até a sala, atendendo o telefone quase no último toque.
- Alô? - disse, ofegante pela pequena corrida.
- ? - franziu a testa ao ouvir a mulher do outro lado dizer o seu nome e sobrenome.
- Isso. - respondeu.
- Aqui é da clínica central de Jasper e você está como o contato de emergência de Bernice .
sentiu a respiração falhar por um momento com aquela informação.
- Ela é minha vó, o que aconteceu? - indagou, sentindo o desespero tomar conta de si.
- A Senhora Bernice teve uma crise de hipertensão e encontra-se internada, você poderia vir até aqui? - a voz da mulher era tão calma que incomodou .
- Cla-ro. - disse, sentindo a voz falhar. - Me passe o endereço, por favor?
Após tudo devidamente anotado em uma folha ela encerrou a ligação e olhou ao seu redor, processando o que estava acontecendo. Bernice havia tido uma crise de pressão alta e foi levada para a emergência.
- Vó. - colocou a mão na boca, sentindo o choro dominar o seu corpo, ela respirou fundo, tentando controlar suas emoções. - Merda! Merda! - bateu na própria testa, pois se lembrou que tinha levado seu carro para ser lavado e só o pegaria no fim do dia. - ! - lembrou-se do rapaz e da caminhonete dele estacionada do lado de fora.
correu até o quintal, pulando os pequenos degraus da varanda.
- . - ela praticamente gritou, o fazendo se virar depressa. - Eu preciso de você, minha vó passou mal em Jasper e eu tenho que ir pra lá o mais rápido possível, pode me ajudar? - falou numa velocidade impressionante que foi um milagre não se atropelar nas próprias palavras.
- Tudo bem, eu te levo. - garantiu, entendendo o que estava acontecendo.
- Obrigada.
No minuto seguinte os dois já correram para dentro da casa e em seguida pro carro do rapaz.

dirigia no limite da velocidade permitida, queria chegar o mais rápido possível em Jasper, sentia que iria explodir a qualquer momento pois notava o quão nervosa a mulher estava. Seu coração ficou pequeno quando ligou para e contou o que estava acontecendo e no mesmo momento começou a chorar compulsivamente.
de imediato se lembrou do dia em que recebeu um dos piores telefones de sua vida, que foi da polícia avisando que seu irmão tinha sido assassinado. O choque inicial foi inevitável e por alguns minutos ele não soube o que fazer ou pensar. Seu irmão era oito anos mais velho e nunca foi muito presente em sua vida, mas quando estava por perto era ele quem defendia e impedia que fosse espancado diariamente. Os nunca foram de demonstrar muitas emoções ou falar sobre sentimentos, mas não aguentou quando teve que reconhecer o corpo de seu irmão, ele chorou como nunca tinha chorado antes e sentiu um vazio tomando conta de sua vida e coração, não foi fácil ter a comprovação que ele estava, de fato, sozinho no mundo.
Então ele entendia perfeitamente o desespero de , que tinha perdido sua mãe quando era adolescente e agora só tinha sua avó Bernice. O homem conseguia imaginar a angústia dela sem saber como a senhora realmente estava.

tinha o olhar fixo na estrada à sua frente, sentia que a olhava algumas vezes, provavelmente preocupado com ela.
- Finalmente. - a mulher suspirou ao ver uma placa indicando a entrada de Jasper.
- Bernice vai ficar bem. - o ouviu dizer, a fazendo virar a cabeça em sua direção.
notou que buscava de alguma forma tentar confortá-la.
- Obrigada. - sorriu fraco.
Ele assentiu e mudou de pista, reduzindo a velocidade ao adentrar na saída para Jasper, notou que a mulher se remexeu no banco do carro, possivelmente tentando controlar sua ansiedade. O resto do percurso até a clínica foi silencioso, ele não sabia o que dizer e ela estava muito nervosa para conversar.

- Olá, minha vó está internada aqui, o nome é Bernice e…
- . - uma voz a chamou enquanto ela pedia informações para a recepcionista do local.
A mulher se virou e viu um grupo de senhoras reunidas ali, franziu a testa e depois reconheceu algumas, elas costumavam jogar bingo com sua vó.
- Bernice está lá dentro, mas só familiar pode entrar. - uma delas avisou.
- Ah sim. - assentiu e notou que as mulheres estavam visivelmente nervosas em saber sobre o estado de saúde da amiga delas.
- Sou a neta dela.
Ela se virou, voltando a conversar com a recepcionista, que estava atenta a toda a conversa.
- Só preciso de um documento seu, por favor.
Ela assentiu, entregando o que ela tinha pedido. Minutos depois finalmente teve a entrada liberada e procurou desesperadamente por sua avó, que estava na enfermaria do local.
- Vó. - ela quase gritou, avistando a senhora deitada numa maca.
Andou rapidamente até a mais velha e agora era incapaz de controlar suas emoções e começou a chorar.
- Minha menina. - sorriu fraco, vendo se aproximar e percebeu o estado da neta. - Não fique assim, estou bem.
A mais nova se inclinou e abraçou a avó com cuidado, não querendo lhe machucar.
- O que aconteceu? - indagou, fungando e limpando os olhos com o dorso de sua mão.
Bernice olhou para a neta, se sentindo um pouco culpada.
- Esqueci de tomar o meu remédio pra pressão essa manhã.
- Ah vó, mas eu lembrei a senhora antes de ir pra loja. - murmurou.
- Eu sei, eu sei. - balançou a cabeça negativamente. - Acho que até tirei da embalagem, mas o bolo ficou pronto e depois a Sky pediu pra sair e acabei me distraindo e não tomei.
- Poxa vida. - ela suspirou, notando que sua avó tomava algum remédio na veia.
- O que é isso? - estreitou o olhar, vendo que era soro e um analgésico. - Deu dor de cabeça? - franziu a testa, sabendo que esse era um dos sintomas na crise de hipertensão.
- Sim, parecia que minha cabeça ia estourar. - fechou os olhos por um momento. - Mas agora já passou.
ia dizer alguma coisa, mas viu uma enfermeira se aproximando.
- Vamos medir a pressão novamente? - ela olhou para Bernice e depois para a mais nova, que assentiu.
se afastou um pouco para deixar a mulher fazer o seu trabalho, mas observou tudo atentamente e em sua mente pedia que a pressão arterial de sua avó estivesse regularizada, assim ela poderia finalmente ficar tranquila.
- 12 por 8. - a enfermeira avisou e ela soltou a respiração que estava segurando.
- Que ótimo. - suspirou, fechando os olhos por um segundo e ao fitar sua avó notou que ela um tinha sorriso no rosto.
- Foi só um sustinho. - Bernice comentou, tentando amenizar a situação.
- Assim que terminar o soro a senhora precisa voltar ao médico para ser liberada, tudo bem? - a enfermeira informou, vendo as duas assentirem pra ela.
se aproximou novamente de sua avó e se inclinou, beijando sua testa.
- A senhora vai ficar bem? Preciso avisar suas amigas. - indagou e a mais velha assentiu. - Eu já volto.
A mulher voltou até a sala de espera e sentiu-se muito bem ao ver a alegria das amigas de sua avó quando as informou sobre o seu estado de saúde, elas queriam permanecer ali, mas garantiu que não era necessário e que o melhor seria cada uma ir para sua casa, a mais nova sabia que elas eram todas senhoras de idade e que se preocupar dessa forma não poderia ser bom.
se despediu delas e olhou ao redor, procurando por , que tinha ido estacionar o carro enquanto ela falava com a recepcionista do local, notou que ele não se encontrava na sala de espera e franziu a testa saindo da clínica e o viu encostado na parede do lado de fora.
- . - o chamou, que olhou rapidamente na direção em que ouviu o seu nome. - Vem aqui. - acenou com a mão e ele assentiu, andando lentamente até ela.
O homem reparou que parecia mais calma, até sorria pra ele.
- Minha vó esqueceu de tomar o remédio dela, acredita? - balançou a cabeça. - Aí teve uma crise de pressão alta, mas já foi medicada e agora a pressão já normalizou, não vai demorar muito a ter alta. - sorriu, o vendo assentir.
- Eu disse que ela ia ficar bem. - sorriu minimamente.
A mulher assentiu novamente, se aproximando dele e o abraçou pelo pescoço, o surpreendendo completamente. engoliu a seco e arregalou os olhos sem saber ao certo o fazer. A abrace de volta, seu idiota. Era o que o eu cérebro dizia, mas ele nunca tinha recebido um abraço de agradecimento antes em sua vida. Deveria a envolver pela cintura? Bom, era o que parecia ser o certo. Lentamente envolveu seus braços ao redor da cintura de , que estreitou ainda mais o aperto no homem.
- Muito obrigada, . - disse em seu ouvido. - Eu não sei o que teria feito se você não estivesse lá em casa. - ela fechou os olhos por um momento, sentindo-se muito bem por ter quem abraçar nesse instante.
respirou fundo e conseguiu sentir o aroma floral que vinha da mulher, era um cheiro tão gostoso que imediatamente o deixou mais confortável. Ela o envolvia de uma forma tão carinhosa, tão aconchegante, ele nunca tinha experimentado algo do tipo. Era uma sensação estranha ter alguém buscando conforto em seu corpo, nunca soube que um abraço era capaz de transmitir tanto afeto e o mais assustador era que estava gostando daquilo, ele que sempre foi avesso a contato físico.
Lamentou mentalmente quando sentiu o corpo dela se afastar do seu.
- Vamos ver minha vó? - a ouviu perguntar e a fitou.
balançou a cabeça, ainda processando os últimos acontecimentos e notou o olhar dela em si.
- Vamos. - assentiu, a seguindo para dentro da clínica novamente.




Continua...



Nota da autora: Oi, gente!
Finalmente temos mais interação entre esses dois, hein? O que uma cerca é capaz de fazer hahaha E aos poucos vocês irão descobrir mais sobre a história do PP e entender melhor o jeito dele, juro que ele não faz por mal.
Por que será que o irmão dele foi assassinado? O que será que aconteceu? E a Sky? Essa já gamou nele, me identifiquei com ela kkkkkkkkkk
Desculpa o susto com a Vozinha Bernice, mas quem nunca esqueceu de tomar um remédio, não é mesmo? Espero que tenham gostado desse capítulo, vou esperar ansiosamente a opinião de vocês.
Um beijo e até a próxima.





Outras Fanfics:
Minha Garota (Restrita/Finalizada)
05. Around U (Ficstape Ellie Goulding)
12. Army (Ficstape Ellie Goulding)
14. River (Ficstape Charlie Puth)


Nota da beta: Ai que susto tu me deu levando minha avozinha pro hospital, Li, não faça mais isso rhum! Mas eu vivi pra esse abraço, socorro <3 Ele já fica todo todo perto dela e ela perdida no corpo gostoso dele né, meu ship tá só começando, meu povo. Simbora com isso aí, Li, quero mais porque tô adorando isso tudo! Xx-A

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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