CAPÍTULOS: [1] [2]







Última atualização: 10/08/17

Capítulo 1


Blue Ridge, Georgia - Estados Unidos.

- And I’ll never let go cause there’s something I know deep inside. - ela ergueu a colher de pau no alto e depois apontou para Sky, que a encarava e abanava o rabo. - You were born to be my baby and baaby I was made to be your man.
cantava, fazendo do utensílio de cozinha o seu microfone, ela balançava o corpo no ritmo da música, e ria quando Sky latia, claramente adorando a bagunça que sua dona fazia.
- My heart beats like a drum… Flesh to flesh, one to one. - ela continuou a cantar, mas voltou sua atenção para a massa de brownie que mexia na vasilha, o forno já estava ligado, então não podia perder muito tempo.
Ela remexia o quadril enquanto despejava o conteúdo marrom na assadeira de alumínio, se virou e com uma mão abriu o forno, colocou a tigela lá dentro, girou o corpo para a bancada novamente e começou a pegar o que estava sujo.
- Ué. - colocou a mão na cintura, franzindo a testa.
notou que a colher de pau não estava mais na bancada, olhou para o lado e reparou que sua cachorra também tinha sumido.
- Sky, cadê você? - gritou, a chamando.
Andou até a sala e suspirou ao ver o animal de grande porte deitado no sofá, mordendo a colher de pau com vontade.
- Sua louca, me devolve isso. - ralhou com a cachorra, que ergueu a cabeça, encarando sua dona. - Não ouse! - a mulher apontou o dedo pra outra, notando que ela pretendia fugir. - Sky! - gritou novamente, vendo a cachorra sair em um pulo do sofá e parar em frente à porta de entrada da casa.
suspirou, sua cachorra tinha quatro anos de vida, mas tinha a mentalidade de um filhote, e sempre que era flagrada com algo proibido, ela saía correndo com o objeto na boca.
- Me dá isso. - correu até Sky, que também correu, dando a volta no sofá, indo para a cozinha.
A mulher rolou os olhos, andando rapidamente até o cômodo, sorriu ao ver que Sky estava encurralada no canto na parede, foi até ela e se ajoelhou, agarrando a colher de pau.
- Solta isso, menina. - puxou o objeto o mais forte que conseguia. - Vai ficar uma semana sem osso. - murmurou, após pegar a colher e notar que estava destruída. - Você é impossível. - se levantou, balançando a cabeça negativamente, e jogou a colher no lixo.
A mulher ouviu a porta da sala sendo destrancada e foi até lá, viu sua vó entrando em casa. Ela carregava uma pequena caixa nas mãos, deu alguns passos rápidos e tirou o pacote da mão de Bernice.
- Vejo que a senhora ganhou algo no bingo. - comentou sorrindo, olhando para o objeto em suas mãos.
- Ih, minha filha, você sabe que sou profissional nisso. - a senhorinha comentou, fazendo a neta rir.
A mais velha trancou a porta, deixando sua bolsa no sofá.
- E esse cheiro? O que está aprontando?
- Brownie, Vó. - respondeu, andando até a cozinha. - O que tem aqui? - colocou a caixa no balcão.
- Produtos de higiene, essas coisas. - explicou e foi até a neta, parando na frente dela. - Menina, você não tem que ir pro bar hoje? - perguntou, olhando para o relógio de pulso.
- Sim. - respondeu, abrindo a caixa e fuçando no que tinha ali dentro. - Mas ainda tenho tempo.
- Já é quase sete horas, .
- O quê? - ergueu a cabeça, arregalando os olhos.
Bernice mostrou o relógio pra neta.
- Nossa, Vó! A senhora olha o brownie pra mim? Vai ficar pronto em vinte minutos. - pediu e viu a mulher assentir, então ela correu para as escadas, tinha que tomar um banho e se arrumar para ir trabalhar no seu segundo emprego.

era uma jovem Americana, que morava com sua avó Bernice no interior do Estado da Georgia, mais especificamente na pequena cidade de Blue Ridge, que tinha aproximadamente dois mil e trezentos habitantes. tinha dois empregos, durante o dia trabalhava numa pequena loja no centro da cidade, e de sexta a domingo cantava no bar de um amigo da família. Ela sempre teve talento para música, desde pequena já demonstrava que queria ser artista, vivia cantando pela casa e participando de concursos musicais quando era criança. Mas nunca teve grandes ambições em sua vida, nunca desejou ser famosa ou ter muito dinheiro, então não passava pela sua cabeça ser cantora profissional e no fundo acreditava que não tinha talento para tanto.
Há dois anos ela cantava regularmente no The Last Stop, o bar mais movimentado da cidade, o dono do local era Chad, um grande amigo da família que tinha estudado com Shelby, a mãe de . Então ele a conhecia desde que ela era um bebê e sempre soube do talento dela para música, e quando herdou o bar de seu falecido pai, uma das primeiras coisas que fez foi chamá-la para cantar lá e até hoje sabia que isso tinha sido a decisão mais certa de todas.
- Vó, como estou? - ela indagou, após descer as escadas e chegar à sala.
Bernice tirou sua atenção da televisão e olhou para a neta, sorriu ao ver como ela estava linda, podia ser coisa de vó coruja, mas tudo que a vestia ficava bem nela, era impressionante.
- Está de matar. - afirmou, fazendo a outra rir.
A mais nova balançou a cabeça, ainda se surpreendia com as brincadeiras de uma senhora de quase sessenta e cinco anos, sua avó era muito moderna para a idade.
- O seu brownie ficou pronto. - a informou e ela assentiu.
foi até a cozinha e viu que o brownie já estava em uma tigela de vidro.
- Obrigada, vó. - agradeceu, pegando o recipiente e em seguida a chave de seu carro. - Já volto. - avisou, abrindo a porta da casa, ela saiu do imóvel e desceu os degraus da pequena varanda, indo até o seu veículo, onde colocou o brownie no banco do passageiro.
- Volta que horas? - ouviu Bernice indagar assim que ela entrou em casa novamente.
- Não sei não. - mordeu o lábio inferior. - Mas não precisa esperar por mim. - falou, observando a senhora assentir.
olhou ao redor, vendo Sky deitada no outro sofá que elas tinham na sala, andou até ela e fez um carinho em sua cabeça.
- Vou indo, Vó. - avisou, se aproximando da mais velha e se inclinou, lhe dando um beijo na bochecha.
- Boa cantoria. - desejou, sorrindo para a neta, que agradeceu assentindo.

A casa delas não ficava muito longe do centro de Blue Ridge, então pouco tempo depois a mulher estacionou o carro na avenida principal da cidade, que era onde o The Last Stop ficava. notou que alguns carros que estavam por ali tinham placas de outros lugares, o que era comum, afinal uma rodovia interestadual passava pela cidade, o que fazia do local um ponto de parada para muitos viajantes.
sorriu quando um homem segurou a porta do bar pra ela, já que a mulher tinha uma vasilha nas mãos, entrou no local e notou que o movimento estava bom, mas sabia que ainda ficaria mais cheio, andou até o balcão e viu a esposa de Chad sorrir ao notar sua presença no local.
- Ei, garota. - acenou, deu a volta no balcão, andando lentamente até , que sorriu para a mulher.
- Holly, está cada dia maior. - brincou, mencionando a barriga de cinco meses de gravidez dela.
- E cada dia mais faminta. - afirmou, com um sorriso no rosto. - Isso é o que estou pensando? - apontou para as mãos de , que segurava uma tigela de vidro, com um pano por cima.
- Promessa é dívida. - garantiu, piscando pra ela. - Seu brownie. - esticou a vasilha pra ela.
- Ai, você é um anjo. - sorriu, sentindo os olhos lacrimejarem, graças aos hormônios da gravidez.
- Que isso, só não queria carregar a culpa do seu filho nascer com cara de brownie, né. - riu de leve, vendo a outra balançar a cabeça negativamente.
- Se você me dá licença, vou levar isso lá pra cima. - informou e a outra assentiu.
Chad e Holly estavam casados há quase três anos, e esperavam o primeiro herdeiro, que chegaria em quatro meses. O casal morava na pequena casa que ficava em cima do bar que possuíam, o que facilitava em muito a vida deles. Holly era de Atlanta e trabalhava para uma das distribuidoras que vendiam produtos para o bar de Chad, os dois demoraram muito assumir o que sentiam um pelo outro, mas quando perceberam que estavam apaixonados nunca mais se desgrudaram. Holly abandonou sua vida na cidade grande e se mudou para casa do homem, ela nunca se arrependeu de sua decisão, pois estava correndo atrás de sua felicidade e de seu amor.
- . - Chad cumprimentou a moça, enquanto saía da cozinha do bar.
- Oi, chefe. - sorriu, acenando pra ele.
- Já falei para não me chamar assim. - rolou os olhos, ajeitando as bebidas no balcão. - Rudy não vem hoje. - a avisou e ela bufou.
Rudy era um jovem da cidade que tocava violão, enquanto ela cantava no bar. O problema era que por ser muito novo, ele não era tão responsável igual ela, e a deixava na mão muitas vezes. sabia tocar violão, não tinha problema algum com isso, só preferia não tocar enquanto cantava, era um gosto pessoal mesmo.
- Paciência. - deu de ombros, olhando para o pequeno palco em um dos cantos do bar. - Vou lá me ajeitar. - indicou o local com a cabeça e viu Chad assentir.
- Não esquece sua água. - a lembrou.
Antes de ir até o palco, foi para trás do balcão do bar e guardou sua bolsa no local de sempre, aproveitou e pegou uma garrinha de água, como seu chefe tinha lhe dito para fazer. Ela andou na direção do palco e subiu o pequeno degrau do mesmo, começou a ligar todos os aparelhos eletrônicos do local, em seguida verificando se o violão estava afinado, depois testando o seu microfone. Sentou na banqueta e ajustou o pedestal para a altura que desejava.
- Boa noite. - falou no microfone, chamando a atenção das pessoas que estavam ali. - Meu nome é e vou cantar para vocês. - sorriu, dando os primeiros acordes no violão.
O repertório dela servia para todos gostos, a primeira música foi Paradise City, do Guns N’ Roses, seguida de One Last Breath do Creed, depois foi para Adele, cantando Rumor Has It, continuou nas mulheres com Blown Away, da Carrie Underwood, e depois Breakaway da Kelly Clarkson, voltou aos clássicos com Sweet Home Alabama do Lynyrd Skynyrd, e depois Livin’ on a Prayer do Bon Jovi, seguida de Best of You do Foo Fighters.
- Essa música é maravilhosa. - Holly suspirou, quando a amiga começou a cantar Pretty Hurts da Beyoncé. - Ai, não me aguento. - falou, secando algumas lágrimas que já desciam por seus olhos.
Algumas pessoas bateram palmas para assim que ela finalizou a música, a platéia conseguia sentir a emoção da cantora. A mulher chacoalhou a cabeça e suspirou, buscando energia para cantar mais algumas músicas, ficando nos clássicos de rock dessa vez. Meia hora depois, ela finalizou sua setlist e agradeceu ao público, acenando para todos, sorriu e foi até o bar, onde sua porção de batata fritas já esperava por ela no balcão.

pegou o copo de coca-cola e bebeu boa parte do conteúdo, sentiu um arrepio ao perceber como o refrigerante estava gelado, ela sabia que isso poderia prejudicar sua voz, mas amava a sensação do frio descendo por sua garganta. Ela apreciava sua batata frita quando um homem sentou em um banco ao seu lado, não o reconheceu, então pensou que talvez ele pudesse ser um viajante que tinha parado em Blue Ridge para descansar.
- Quanto você cobra? - o ouviu indagar, sua voz era rouca e baixa.
Virou o rosto na direção dele, arqueando uma sobrancelha, segurou uma risada ao ver que ele deu uma piscadinha.
- Desculpa, sou leal ao Chad, só canto aqui mesmo. - explicou, pegando outra batatinha.
- Não estou falando disso. - falou, tossindo em seguida.
não era idiota, ela sabia muito bem do que aquilo se tratava, e infelizmente era muito mais comum do que ela gostaria. Certos homens tinham essa mentalidade atrasada de que toda mulher que se apresentava em público estava disposta a fazer tudo por dinheiro, o que não era o caso dela. Mas já estava calejada, e tinha um jeito bem peculiar de se livrar dos homens que se aproximavam dela perguntando quanto ela cobrava para dormir com eles.
- Não? - franziu a testa, se fazendo de sonsa. - O que é então? - o fitou rapidamente.
- Você sabe. - riu fraco, a encarando.
- Sei? - apontou pra si própria.
notou um outro homem parando no balcão, mas não tão perto quanto o que ela conversava.
- 150 dólares? - o estranho indagou.
- Pelo quê? - voltou a questioná-lo.
O homem suspirou, balançando a cabeça negativamente. Ela olhou o outro cara, que conversava algo com Chad, ela o conhecia de algum lugar.
- 200? - escutou o homem ao seu lado falar, e dessa vez ela riu.
- O que te faz pensar que eu sou prostituta? - mais direta impossível, o que fez o homem quase engasgar com a própria saliva. - É o batom vermelho? - citou a cor que seus lábios estavam pintados. - Ou ser cantora em um bar? Hein?
o encarava, percebendo que ele estava surpreso com a atitude dela.
- Desculpe. - o homem pediu.
- Algum problema aqui? - Chad se aproximou, após ouvir as perguntas da amiga.
- Não. - ela garantiu, fitando o cara ao seu lado. - Ele já está de saída.
O homem olhou para Chad e depois , assentiu e se levantou, em seguida indo em direção a saída do bar.
- Babaca. - resmungou, sugando o canudinho de sua bebida. - Uma mulher não pode sair sozinha sem ser incomodada por um cara? - fitou o amigo, que deu de ombros.
se lembrou do homem que conversava com Chad, ela olhou para o lado e viu que ele não estava mais ali, franziu a testa tentando se lembrar de onde o conhecia.
- Que foi, ? - a voz do amigo chamou sua atenção.
- Quem era o rapaz que você estava conversando?
- Agora? Era o . - respondeu, o que não lhe ajudou em nada.
- O conheço de algum lugar, mas não sei de onde.
- Claro que conhece, é o , quem não conhece o sobrenome nessa cidade?
Ela arregalou os olhos brevemente, se dando conta de quem era o rapaz. Como poderia ter esquecido a fisionomia dele? O conhecia de vista desde sempre, e ele ainda era vizinho da sua melhor amiga. Não entendia como não o reconheceu de imediato, será que estava com problema na visão?
- Por quê? - Chad perguntou.
- Curiosidade. - deu de ombros. - Ele vem sempre aqui? Chad estreitou os olhos, tentando entender o súbito interesse dela no homem.
- É cliente regular. - explicou, a vendo assentir.
se virou, olhando ao redor brevemente, e até onde conseguiu ver, notou que o rapaz não estava mais por ali, mordeu o lábio inferior e voltou a comer sua batata frita.

Na manhã seguinte ela acordou com o sol que invadia a janela de seu quarto, se xingou mentalmente por ter esquecido de fechar as cortinas na noite anterior, suspirou e sentou-se na beirada da cama e olhou para o seu criado-mudo, pegando o porta-retrato que tinha ali. Segurou o quadro com as duas mãos, analisando a foto em que ela e sua mãe estavam sentadas na varanda da casa, abraçava a mãe pelo pescoço e as duas tinham um lindo sorriso em seus rostos.
- Como você faz falta, mãe. - lamentou, alisando a foto.
Shelby tinha acabado de se formar no ensino médio quando descobriu que estava grávida de , ela não estava planejando ser mãe tão cedo, queria poder fazer sua tão sonhada faculdade de Enfermagem, se estabilizar financeiramente e depois teria filhos. Seu namorado na época tinha o mesmo pensamento que ela, e ele nunca aceitou a gravidez da namorada, um pouco antes da filha deles nascer, o rapaz foi embora de Blue Ridge e nunca mais deu sinal de vida, ele tinha fugido de suas responsabilidades.
Shelby criou com a ajuda de seus pais, e quando a pequena estava com três anos de idade, a mulher realizou seu sonho de entrar na faculdade, e logo após sua formatura ela conseguiu um emprego no Hamilton Medical Center, um hospital numa cidade próxima, e trabalhou ali até o seu último dia de vida.
Era mais um dia normal na vida de , a rotina era sempre a mesma, sua mãe a levava para a escola e depois ia para o trabalho, não tinha nada de estranho naquilo. Até que na hora do intervalo chamaram a menina de apenas quatorze anos na diretoria, sua avó tinha vindo lhe buscar mais cedo e no momento em que viu o estado que a senhora se encontrava ela sabia que algo tinha acontecido. Shelby nunca chegou ao trabalho naquele dia, o pneu de seu carro furou a fazendo perder o controle do automóvel, invadindo a pista contrária da rodovia, colidindo frente com outro carro. Nenhum dos motoristas sobreviveu ao impacto, duas vidas se perderam naquele dia, duas famílias foram destruídas. não sabia que era possível sentir tanta dor, aqueles foram os piores dias de sua vida.
Quando ela tinha seis anos seu avô teve um ataque cardíaco e acabou falecendo, mas naquela época ela era muito pequena para entender completamente o que tinha acontecido. Mas quando sua mãe faleceu, ela já era adolescente e tinha plena consciência de tudo, tinha perdido sua companheira, sua amiga, sua confidente e a pessoa que ela mais amava nesse mundo.
acabou perdendo o ano escolar, pois não tinha ânimo para nada, Bernice temendo pelo pior, levou a neta para se consultar com um psicólogo para que ela conseguisse seguir em frente, não foi fácil, mas após as primeiras consultas a menina foi melhorando, foram meses de tratamento até voltar a fazer as coisas básicas do dia a dia e sorrir.
Nove anos tinham passado desde aquele dia, a saudade que sentia de sua mãe ainda era gigante, mas hoje ela sabia lidar com aquele sentimento, tinha aprendido a conviver com a ausência de Shelby.
- ? - escutou sua vó a chamando, em seguida duas batidas na porta de seu quarto.
- Já vou. - avisou, se levantando e indo até a porta.
- Bom dia, minha querida. - a senhora desejou, vendo a neta sorrir. - Você pode descer? Precisamos conversar.
franziu a testa, buscando em sua memória se tinha feito algo de errado.
- O que aconteceu? - perguntou.
- Nada grave. - fez um gesto com a mão. - Te espero na cozinha. - avisou.
- Só vou tomar um banho e já desço. - falou, observando sua avó assentir e se virar, andando na direção das escadas.
se apressou, sua curiosidade estava aguçada para saber sobre o que Bernice queria conversar. Tomou uma ducha rápida, vestiu um short e uma regata confortável, deixou seus cabelos secarem ao natural.
- Vó? - desceu as escadas, já chamando pela senhora.
- Na cozinha, . - informou.
A mulher chegou no cômodo, vendo a avó encostada no balcão.
- Lembra quando conversamos sobre a cerca dos fundos?
- Ah sim, é isso? - suspirou, aliviada. - Lembro sim, o que tem?
Bernice andou até a porta da cozinha que levava para o quintal da casa, seguiu a avó, as duas saíram da casa e desceram os pequenos degraus que levavam ao gramado, caminharam um pouco até a cerca antiga que rodeava o terreno inteiro.
- Olha como está. - a senhora apontou para o estado deplorável da madeira.
- Nossa. - a mais nova fez uma careta, notando que metade da cerca estava destruída, com pedaços de madeira se soltando, ela tocou no cercado e reparou que não estava muito firme. - Acho que não dá mais pra adiar. - murmurou. - Vou ter que vender qual órgão pra arrumar isso? - brincou, vendo Bernice a repreender com o olhar.
- Tenho algum dinheiro no banco. - a senhora comentou.
fitou sua avó, agradecendo pela mulher sempre fazer suas economias e guardar dinheiro.
- Eu também. - garantiu. - Metade do que ganho no Chad vai pro banco, então posso usar pra comprar os materiais.
Bernice assentiu e indicou a casa com a cabeça, elas retornaram para cozinha.
- Conversei com algumas pessoas e me disseram que um profissional ia cobrar muito caro. - a senhora começou, atraindo a atenção da mais nova, que tinha parado em frente à geladeira. - A mãe da me indicou o rapaz que consertou a varanda dela, peguei o telefone dele e ele se ofereceu para vir aqui ver.
- Quem é? - abriu a geladeira, pegando o leite.
- É o menino do . - informou, sentando na pequena mesa redonda que tinha ali.
- ? O vizinho da ? - franziu a testa.
- Ele mesmo. - confirmou.
mordeu o lábio inferior, quase rindo das coincidências da vida. Ontem mesmo ela o viu no bar em que cantava, e hoje sua avó falava dele.
- Ele é mecânico e eletricista, mas parece que sabe mexer com construção também. - Bernice comentou, bebericando um pouco de café.
A mais nova colocou a caixa de leite na mesa, em seguida pegou uma xícara.
- Bom, se a mãe da o indicou, ele deve ser de confiança, certo? - mordeu o lábio inferior e sentou-se.
- É sim, vi aquele menino crescer. - Bernice garantiu. - O problema ali sempre foi o pai e irmão, sempre foi um bom menino.
riu da forma que a sua avó se referia ao mais novo da família .
- Vó, a senhora sabe que ele não é mais um menino, né? - sorriu, a vendo assentir.
- Claro que sei, ele se tornou um belo homem. - fitou a neta. - Um ótimo partido para qualquer mocinha dessa cidade.
- Sei… - ela balançou a cabeça. - Quando ele vem?
- Pode ser hoje a tarde? Imaginei que você gostaria de estar aqui.
- Tudo bem. - assentiu. - Só preciso ir na rapidinho, e depois vou ficar o dia todo em casa.
Bernice sorriu para neta, era tão bom poder contar com , saber que ela sempre estaria ali para lhe ajudar com o que fosse necessário.

Capítulo 2


“Pardon the way that I stare, there’s nothing eles to compare...”
(Can’t Take My Eyes Off You – Frank Valli)

desceu de seu carro e enquanto caminhava até a entrada da casa de olhou brevemente para a casa do vizinho de sua melhor amiga, notou que a famosa caminhonete azul não estava ali, indicando que o rapaz tinha saído.
Continuou seu caminho e subiu os três degraus que levavam até a varanda da residência e tocou a campainha, escutou uma movimentação vinda de dentro do local e sorriu quando a porta foi aberta pela moradora mais nova da casa.
- Tia ! - Willow gritou assim que viu a mulher.
A pequena menina de seis anos pulou no colo de , que rapidamente a segurou em seus braços.
- Oi, coisa linda. - riu, abraçando a criança.
- Filha, quantas vezes já te falei para não abrir a porta para estranhos? - vinha de dentro de casa e notou que a sua menina conversava com alguém.
- Sou eu, . - a amiga tratou de avisar logo.
A mulher sorriu ao ver Willow no colo de , a pequena tinha verdadeira adoração pela mais velha.
- Entre logo. - pediu, fazendo um sinal com a mão.
- Que cheiro delicioso é esse? - perguntou, vendo a amiga fechar a porta.
- Estou fazendo lasanha pro almoço. - explicou, se virando.
- Eu ajudei a colocar o queijo. - Willow fez questão de não ser esquecida na conversa.
- Isso não é justo. - murmurou e fez um bico em seguida. - Vão me deixar na vontade? - reclamou.
- Você pode almoçar com a gente, tia. - a convidou. - Pode, né mãe? - olhou para sua progenitora, que assentiu.
- Obrigada pelo convite, mas dona Bernice está fazendo torta de frango.
tirou o pano de prato que estava em seu ombro e bateu com o mesmo na perna da amiga, que deu um gritinho em reprovação. Willow soltou uma risada gostosa com o que tinha acabado de acontecer, o que ela não sabia é que as adultas faziam isso de propósito, apenas para divertir a menina.
- Safada, sabe que eu amo as tortas da sua vó. - riu, notando a cara de indignada de , que ia lhe dizer algo, mas se calou ao ver entrando na sala.
- Acabou a cerveja. - ele reclamou, coçando a cabeça em seguida. - Oi, .
- E aí, ? - cumprimentou o rapaz.
Willow desceu do colo da mulher, foi até o seu pai e o cutucou na perna, o fazendo olhar pra baixo.
- Vai no mercado? - questionou e ele assentiu.
- Posso ir junto? - pediu e o viu concordar novamente. - Vamos, tia? - ela se virou, fitando .
- Não posso. - lamentou. - Vim rapidinho só pra conversar com sua mãe, mas a gente pode marcar um dia pra passar o dia inteirinho juntas, o que acha? - colocou as mãos na cintura.
- Posso? - a pequena olhou para o pai e depois sua mãe, ambos assentiram.
- Só combinar o dia. - se aproximou, acariciando a cabeça da filha.
- Vamos, carrapatinho. - andou até a porta e chamou pela menina, que foi até saltitante até ele.

e sua família se mudaram para Blue Ridge quando o seu pai se aposentou da profissão de veterinário. Eles compraram uma fazenda na zona rural da cidade e por ali ficaram. Ela conheceu um pouco depois que chegou na cidade, era a única aluna nova na escola e por ter entrado no meio do ano escolar se sentia completamente deslocada, mas viu em alguém com quem poderia conversar. As duas se deram bem logo de cara, mesmo sendo um ano mais velha e estudarem em classes diferentes, isso não atrapalhou a amizade delas.

A mulher conheceu algum tempo depois, o rapaz era três anos mais velho que ela e trabalhava na pizzaria local. Entre namoro, noivado e casamento, os dois já iam para dez anos juntos, o que não era novidade para ninguém, pois a sintonia entre eles era perceptível a qualquer um. O respeito e amor entre os dois era bonito de se ver. E dessa relação tão linda nasceu Willow, uma adorável menina de seis anos.

- E o Spencer, como está? - indagou, vendo a amiga sorrir brevemente.
As duas estavam na cozinha, pois a dona do lugar ainda tinha que terminar alguns afazeres.
- Bem, enlouquecido com esse novo projeto, mas disse que vai tentar voltar semana que vem. - explicou e a outra assentiu.
- E você? Está tudo bem? Me parece meio preocupada. - perguntou, enquanto tirava alguns objetos do balcão e colocava na pia.
- A gente vai trocar a cerca lá de casa. - suspirou, pensando no dinheiro que ia gastar. - Sua mãe indicou o seu vizinho para a minha vó.
- Ah sim, o ?
- Isso! Hoje ele vai lá em casa. - mordeu o lábio inferior. - O que você acha dele?
- É um ótimo carpinteiro, mamãe adorou o serviço dele.
- E como pessoa?
franziu a testa com o questionamento da amiga.
- Como assim? - quis saber.
sentia-se envergonhada por sequer pensar naquilo, era horrível julgar as pessoas pelo que os outros diziam, mas não conseguia evitar.
- A fama deles não é das melhores.
A mulher rapidamente parou o que estava fazendo e se aproximou do balcão, encarando a outra.
- . - fechou os olhos por um segundo. - Por favor, não pense isso do , ele nunca mereceu o tratamento que as pessoas dão pra ele.
- Do que você está falando? - perguntou confusa com aquela afirmação da amiga.
- Você nunca falou com ele, não é? - assentiu ao ver a outra negar. - Por quê?
- Eu… - tentou pensar em algum motivo, mas não encontrou algum. - Não sei, acho que nunca tive a oportunidade. - deu de ombros.
- Então, agora você tem a chance perfeita. - sorriu sem mostrar os dentes.
- Você o conhece bem? - perguntou curiosa.
- O suficiente, mas a Willow sempre conversa com ele quando o vê.
- Ah é? - perguntou genuinamente surpresa. - E como ele é com ela?
- Normal, oras. - riu nasalado. - Mas ela diz que ele a trata como adulta. - balançou a cabeça negativamente, se lembrando das palavras da filha.
- Então, posso confiar?
- Sem dúvidas. - garantiu, sorrindo para a amiga. - E você vai adorar o trabalho dele, é tão detalhista e faz tudo com muito cuidado.
- Que bom, porque eu só sei pregar os quadros na parede e olhe lá. - riu de si própria. - Preciso ir agora, , outro dia volto com mais tempo.
- Tudo bem. - deu a volta no balcão. - Depois me fala como foi.
- Pode deixar. - assentiu, sendo acompanhada pela amiga até a porta da casa.

Bernice, e Sky estavam na sala de casa relaxando após o almoço, elas tinham esse costume de passarem um tempo juntas assistindo televisão logo depois da refeição de domingo, era a maneira de elas aproveitarem o dia.
- Acho que ele chegou. - a mais velha comentou assim que escutou o barulho de moto.
viu a vó se levantar e fez o mesmo, Sky apenas ergueu a cabeça e observou as duas mulheres, que agora iam na direção da porta principal da casa. A mais nova quase engasgou quando viu o meio de transporte que trouxe até ali, não fazia ideia da marca ou modelo, só sabia que era linda, desde sempre ela tinha essa pequena fixação por motos e adoraria ter uma.
- Oi, . - escutou a vó dizer e balançou a cabeça, se dando conta que continuava encarando o veículo de duas rodas.
- Boa tarde, senhora. - cumprimentou Bernice, que sorriu com a gentileza dele.
- Essa é minha neta, . - apontou para a mais nova.
A mulher desceu as escadas e sorriu para o rapaz, que segurava o capacete em uma de suas mãos.
- Pode me chamar de . - esticou a mão pra ele.
- É um prazer. - apertou a mão dela levemente, assentindo em seguida.
- Vem, vamos lá ver a cerca. - Bernice subiu as escadas e fez um sinal com as mãos, sendo seguida pelos dois.
Sky sentou-se ao notar a presença de humanos no local novamente, mas estranhou ao sentir o cheiro de alguém diferente, se levantou ao ver a porta sendo aberta e andou até as pessoas que entravam em seu território, latiu ao ver um terceiro indivíduo no local.
- Ei, Sky. - chamou a atenção da cachorra e foi até ela. - Está tudo bem. - acariciou a cabeça do animal, que olhou a dona e abanou o rabo. - Não precisa se preocupar, ela é mansa. - a mulher fitou , que assistia a cena atentamente.
- Só está te cumprimentando. - Bernice afirmou.
- Não tem problema. - garantiu, reparando que a cachorra olhava pra ele e viu se aproximar, esticando as mãos na direção dele.
- Me dê isso aqui. - pediu já segurando o capacete.
- Obrigado. - agradeceu ao vê-la colocando o mesmo no sofá.
- Vamos, a cerca fica nos fundos. - Bernice falou e já foi andando para a cozinha.
Ele seguiu a senhora e notou que e a cachorra vinham atrás dele.
- É lamentável que a madeira não seja eterna. - a mais velha reclamou e ele riu fraco.
- Vó, essa cerca existe desde que me entendo por gente. - a outra comentou.
- Sua mãe era uma jovem quando trocamos pela primeira vez. - informou, fazendo arregalar os olhos brevemente.
- É um milagre que ainda esteja de pé. - balançou a cabeça e parou de andar assim que chegaram ao fim da propriedade.
- Posso? - apontou para a cerca e olhou para Bernice.
- Vá em frente. - fez um sinal com as mãos.
sentiu Sky passar na lateral de sua perna e andar até onde o rapaz estava, ficou tranquila, pois viu que a cachorra abanava o rabo e queria apenas conhecer melhor o estranho que estava em sua casa. A cachorra cheirou as pernas dele por um momento, a mulher observou a reação de , que olhou para baixo e acariciou a cabeça do animal brevemente, o que foi mais do que suficiente para Sky se sentir à vontade e lamber a mão dele.
- Que abusada. - Bernice balançou a cabeça negativamente.
- Desculpa. - deu dois passos, com a intenção de afastar sua cachorra extremamente amigável.
- Tá tudo bem. - ele fitou a mulher e acariciou o animal novamente.
Ela parou e sorriu com a atitude dele, ficava nas nuvens quando alguém não se incomodava com Sky.
- O que você acha? - Bernice perguntou enquanto ele analisava a cerca.
segurou a madeira com a mão e deu alguns chutes, andou até o outro lado e fez o mesmo processo.
- Tem que trocar tudo. - olhou para as duas, que assentiram.
- Você acha que vai ficar muito caro? - fez uma careta e ele a encarou.
- Depende do tipo de material que comprarem. - olhou para Bernice, que fitou a neta.
abriu a boca para dizer algo, mas franziu a testa em seguida, seu conhecimento sobre cerca e material usado para construir uma era praticamente zero.
- O que você indica? Porque é óbvio que não sabemos nada sobre isso. - ele riu fraco com a informação dela.
- Preciso ir pra Dalton e ver o que eles tem lá. - colocou as mãos nos bolsos da frente de sua calça jeans.
- Aqui não tem? - franziu a testa, pensando na distância até o local.
Esse era um dos problemas de morar em cidade pequena, muitas vezes era preciso ir até uma cidade maior para comprar o que não tinha onde moravam. Dalton não era tão grande assim, tinha por volta de trinta mil habitantes, mas se comparada a Blue Ridge era uma diferença gigantesca.
- Até tem. - ele respondeu e a viu assentir. - Só que lá tem mais opções e consigo um preço melhor.
- Quando você acha que pode ver isso? - Bernice indagou.
Ele pensou por um momento, analisando os compromissos que tinha para os próximos dias.
- Terça, pode ser? Vou lá, faço o orçamento e trago pra vocês.
- Que horas? Terça é dia do meu clube de crochê. - a senhora informou e segurou o riso.
- Ele pode passar lá na loja, não pode? - fitou o rapaz, que franziu a testa. - Sabe o posto de gasolina do centro? - indagou e ele assentiu. - Eu trabalho numa loja infantil que fica do outro lado da rua, a Majestic Kids.
- Não conheço. - negou com a cabeça. - Mas não deve ser difícil achar.
- Então, trabalho até às cinco da tarde durante a semana, pode passar lá qualquer horário e me falar o orçamento.
- Tudo bem. - balançou a cabeça positivamente.
- Mas tenha em mente que sou idosa e vivo de aposentadoria e a tem dois empregos para ajudar nas despesas. - Bernice comentou em tom divertido.
- Vó! - a mais nova falou alto, rindo em seguida.
- Não vou cobrar caro. - garantiu. - Vocês têm alguma ferramenta? - olhou ao redor brevemente, notando uma espécie de casinha de madeira num canto do quintal.
- Ah sim, ali a gente guarda as tranqueiras. - brincou, já indo até o local e sendo seguida por ele. - Cortador de grama, pá, enxada... Essas coisas.
- Você cuida da grama? - perguntou, tentando imaginar a mulher fazendo esse tipo de serviço, ela parecia ser tão delicada.
- Claro. - riu fraco. - Tenho calos nas mãos pra provar. - falou, abrindo a portinha.
deu dois passos para frente, analisando o local melhor, pensando no que precisaria trazer de sua casa para consertar a cerca delas.
- Se faltar alguma coisa eu posso comprar. - ela mordeu o lábio inferior, incomodada com a expressão neutra dele.
- Não, o que você tem é suficiente. - a olhou brevemente.
- Que ótimo. - sorriu aliviada e de repente uma dúvida surgiu em sua mente.
- Como faremos com a madeira velha? Temos que contratar alguém para descartar?
- Eu tenho uma caminhonete, posso fazer isso. - explicou e ela quase se xingou por ter esquecido do outro meio de transporte dele.
- Ah sim, claro. - riu fraco.
- Agora eu preciso ir. - falou, olhando para ela e depois para Bernice, que observava os dois.
- Muito obrigada. - a mais velha se aproximou deles, com Sky andando ao seu lado. - Você vai nos salvar. - garantiu.
- É só o meu serviço. - deu de ombros.
- Então na terça você me procura? - indagou e ele assentiu rapidamente.
- Combinado então. - esticou a mão para ele, que a apertou com pressa.
As duas o acompanharam até a frente da casa e observaram o rapaz se afastando com sua moto.

Mais tarde naquele mesmo dia estava no seu quarto, se preparando para dormir quando recebeu uma ligação de Spencer, seu namorado.
- Oi, gata. - brincou, sabendo o quanto ela detestava esse tipo de apelido.
- Oi. - sorriu, sentando-se na cama. - Como está Miami?
- Um inferno de quente. - reclamou e ela rolou os olhos. - E você, tudo bem por aí?
- Sim, tudo tranquilo. A maior novidade por aqui é vamos trocar a cerca de casa, a bichinha chegou ao fim de sua vida. - brincou e conseguiu imaginar ele balançando a cabeça negativamente.
- Já contrataram alguém? - perguntou interessado.
- Um rapaz veio aqui, essa semana ele vai nos dar o orçamento.
- Um rapaz? - a voz dele estava desconfiada. - Quem?
- , foi indicação da mãe da . - explicou, mexendo no edredom de sua cama.
- Eu o conheço?
- Não sei, é o , você deve saber quem é. - deu de ombros.
- O quê? - a voz dele saiu esganiçada. - Ele esteve na sua casa e vocês estão cogitando contratá-lo?
- Sim…
- Não, deixa comigo que vou falar com uns amigos e resolver isso para vocês.
- Claro que não, Spencer. - foi firme, detestava quando ele duvidava de sua capacidade para solucionar alguma coisa. - A Vó e eu estamos cuidando disso, não tem por que se preocupar.
- Como não, ? Você está enfiando um qualquer na sua casa e ainda pede para eu não me preocupar? Isso não é possível.
- Spencer, você não está exagerando? - franziu a testa, confusa com aquela reação.
- Nada que envolva é exagero. - bufou.
- Do jeito que você fala parece que o cara é um psicopata que vai me matar, esquartejar o meu corpo e jogar meus restos para os crocodilos.
- Não duvido.
fechou os olhos, tentando controlar sua respiração, aquela era para ser apenas uma simples conversa de namorados que estão com saudades, não queria transformar aquilo em algo maior do que realmente era.
- Spencer, minha vó conhece o desde que ele era um menino, a e gostam dele e eu o achei bem normal. - concluiu, evitando mencionar qualquer coisa a mais.
- Você quem sabe.
- Isso é sério? - riu fraco, cansada daquele assunto.
- Preciso ir dormir agora, . - anunciou e ela rolou olhos.
Toda vez que o namorado era contrariado ele agia feito um moleque mimado e ela detestava isso.
- Boa noite, Spencer. - desejou.
- Obrigado. - agradeceu. - Dorme bem, .
E assim eles encerraram aquela ligação, ela acabou indo dormir completamente frustrada.

observava Kelsey, que terminava o atendimento de uma mulher que carregava um bebê adorável e simpático, que só sabia sorrir o tempo todo. Viu a companheira de trabalho entregar o cupom fiscal para mulher, que olhou na sua direção e acenou se despedindo, a criança viu o gesto da mãe e fez o mesmo, o que tirou risadas das mulheres do local.
- Ai, eu quero um desses. - a loira fez um bico. - Bebês são tão mordíveis.
- Sossega aí que até pouco tempo você era um deles. - zombou.
- Falou a idosa, você é só seis anos mais velha que eu. - a outra rolou os olhos. - E eu já tenho dezoito anos.
riu e balançou a cabeça negativamente, era engraçado como Kelsey adorava se gabar por ter dezoito anos, e ela não perdia a oportunidade de perturbar a menina por causa disso.
As duas eram as únicas funcionárias da Majestic Kids. trabalhava ali há cinco anos e cuidava de praticamente tudo, Kelsey tinha começado a trabalhar em horário integral há pouco tempo, a loja pertencia à sua família, então sempre estava por ali. Mas quando completou dezoito anos decidiu trabalhar oficialmente no local. Ainda não tinha decidido se faria faculdade e queria um tempo para pensar, porém detestava ficar sem nada pra fazer e por isso quis trabalhar.
- Precisamos repor o estoque de Carter. - avisou à , que assentiu e pegou o catálogo de roupas daquela marca.
- Já vou pedir de outros que vi que estavam faltando. - comentou, analisando as opções.
Kelsey arrumou algumas roupas na vitrine e aproveitou para olhar o movimento da rua, sentiu um frio na espinha ao ver quem estacionava o carro na frente da loja delas.
- Meu Deus, ! - se virou bruscamente, andando até a mulher.
- Que foi? - ergueu os olhos e estranhou a feição da mais nova. - Viu um fantasma, foi? - perguntou, notando que Kelsey estava mais pálida que o normal.
- Pior que isso. - deu a volta no balcão e sentou-se ao lado de , que a fitou preocupada, tentando entender o que estava acontecendo.
A mulher ia perguntar algo, porém foi interrompida pelo barulho do sininho da porta, que anunciava a entrada de alguém na loja. Olhou naquela direção, se perguntando se foi a pessoa que tinha acabado de chegar que assustou Kelsey, mas não podia ser. Não era possível, era?
- . - ela sorriu ao vê-lo andar meio incerto até ela.
O rapaz apenas assentiu e parou no balcão, ele fitou a loira ao lado de .
- Com licença. - a mais nova pediu, quase tropeçando nos próprios pés antes de sair dali.
- Ignore ela, não está bem hoje. - avisou ao rapaz, que apenas balançou a cabeça negativamente.
- Trouxe o orçamento. - tirou um papel do bolso de sua calça e colocou no balcão.
Ela pegou a folha e viu o que tinha escrito ali, os preços de madeiras variadas e os acessórios que precisaria, coçou a cabeça e mordeu o lábio inferior.
- O mais barato? - olhou pra ele, que deu de ombros a confundindo. - Me ajuda, . - suplicou e ele não segurou o riso.
- Essa madeira é melhor. - apontou no papel a segunda opção.
ponderou, vendo que a diferença de valores não era tão grande.
- Tudo bem. - assentiu, devolvendo o papel pra ele. - Quando você pode começar?
- A partir de quinta, se quiser. - cruzou os braços na altura do peito.
- Pode ser, vou sacar o dinheiro e te entrego amanhã.
- Sem problemas. - assentiu. - Qual o melhor horário?
- Minha Vó fica o dia inteiro em casa, às vezes ela sai para fazer algumas coisas, mas se você já estiver lá não tem problema.
- Tem certeza? - arqueou uma sobrancelha.
franziu a testa, estranhando aquela pergunta.
- Claro. - deu de ombros.
Se ela tinha entendido direito, queria saber se elas realmente não se importavam com o fato de ele ficar sozinho na casa em que moravam.
- Combinado pra quinta? - perguntou e ela assentiu.
deu a volta no balcão e dessa vez foi ele quem não entendeu o que estava acontecendo.
- Eu te levo até a porta. - sorriu, notando a confusão no rosto dele.
não disse nada, só se deixou ser acompanhado pela mulher, que estava sendo tão simpática e gentil com ele, o que o deixava um pouco desconfortável, pois não estava acostumado com isso.
- Até mais. - acenou pra ela, que ainda segurava a porta e acenou de volta pra ele.
- Tchau, .
se virou e notou que Kelsey estava atrás do balcão e olhava ao seu redor, como se procurasse por algo errado.
- O que deu em você? - perguntou, sentando-se ao lado da mais nova novamente.
- Como assim? Você viu quem entrou aqui?
A outra virou o pescoço tão rapidamente que até sentiu uma leve dor no local.
- Você ficou daquele jeito por causa do ? - arregalou os olhos.
- Claro, ele é um . - falou, como se o sobrenome fosse amaldiçoado.
não soube direito como reagir àquela justificativa de Kelsey, ela ficou apavorada com a simples presença dele ali? Era isso mesmo?
- Você tem medo dele? - perguntou incerta se queria ouvir a resposta.
- Você não tem?
- Medo? Não, eu… - foi interrompida com o barulho da porta sendo aberta, as duas olharam naquela direção e uma cliente entrava no local, Kelsey se levantou para atender a mulher.
estava em choque com o que tinha acontecido, era daquela forma que era tratado por todos em Blue Ridge? Então ela se recordou que precisou perguntar para se ele era realmente de confiança, pois deu ouvidos aos que os outros diziam sobre o rapaz. Isso fazia dela uma hipócrita? Estava tão confusa que nem saberia o que responder.

“Ele nunca mereceu o tratamento que as pessoas dão pra ele.”

As palavras de sua amiga ecoaram em sua cabeça; As pessoas realmente tratavam como se ele fosse um lixo? Um nada? Alguém que deveria ser desprezado? Temido? Isso não estava certo, ninguém merecia ter esse tipo de tratamento. cresceu sabendo que todos mereciam respeito e foi assim que ela tratava todos com quem conversava e não importava se ela não gostava daquela pessoa, sempre era muito educada.
E sentiu um incômodo profundo ao perceber que o mesmo não acontecia com e ela não conseguia aceitar essa situação, era inadmissível para , não sabia direito se poderia fazer algo para mudar essa isso, mas pelo menos a sua parte ela iria fazer.

Continua...



Nota da autora (12/09/17): Oi, gente!
Vocês não sabem como estou feliz, desde que o primeiro capítulo de Coração de Ouro saiu, a história já foi indicada no Renove e ficou na lista das Melhores fics da Semana, eu fiquei nas nuvens com essa novidade, tanto que isso me motivou a criar um grupo no Facebook, colocarei o link aqui.
E como assim a PP tem namorado? O quê? HAHAHAHA Preciso confessar que é difícil escrever essas cenas em que o PP é destratado e pensar que ainda vai piorar =(
E Sky já aprovou o Daryl, hein? Aquela ali conhece um bom coração de longe.
Me digam o que estão achando da história, estou sempre aberta a opiniões e críticas.
Obrigada pelo carinho de sempre e até a próxima.

Outra fanfic aqui no site:
- Minha Garota [Jensen Ackles/Finalizadas]

Grupo no Facebook


Nota da Beta: Ahhhh eu tô tão curiosa pra saber mais da família , parece que mataram alguém, pelo amor! Não gosto dessa coisa de tratarem alguém mal assim também. Respeito e educação é bom e todo mundo gosta, muito obrigada!
Manda mais, Eli, quero ver o que esse namorado enjoado vai falar do nosso ali pertinho da pp <3 xx-A




comments powered by Disqus




Qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.



TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO SITE FANFIC OBSESSION.