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Dancing With The Dark






Última atualização: 08/09/2017

Capítulo 1


- Srta. Zuckker, acorde, já! - Escutei Madeline, minha governanta, falar grosseiramente, a convivência com ela não era nada fácil. Essa tal convivência só é necessária porque minha mãe foi morta por aurores quando eu tinha 1 ano de vida, e meu pai.... Bom, ele desapareceu há 7 anos, desde então, nunca mais tive notícias dele...

Madeline puxou minhas cobertas para o chão e a ouvi abrir as pesadas cortinas brancas, quando abri os olhos, uma forte luz os atingiu e tive que fechá-los novamente.

- Madeline, você poderia me deixar dormir mais, sim? - Disse eu, revirando os olhos, levantei e coloquei meu robe verde por cima do pijama.
- Você tem deveres à cumprir hoje, , portanto, tem de acordar cedo. - Ela falou secamente.
- Que deveres? - Perguntei de cenho franzido enquanto me dirigia para o banheiro, minha memória não era uma das melhores.

Madeline me seguiu até o banheiro, e enquanto ligava a banheira, disse:

- Os Malfoy vão te levar até a Copa Mundial de Quadribol, hoje é a final e eventos importantes vão acontecer, consegue lembrar sozinha tais eventos?

Ah claro! Alguns "antigos" comensais da morte vão atacar hoje, o propósito eu não sei, só sei que vai ser épico! Quatorze anos sem ataques e o mundo bruxo vai à loucura, só quero ver a reação do Potter e dos amiguinhos dele.

- Sei bem de que eventos você fala, Mad, agora poderia, por favor, se retirar do banheiro e me deixar relaxar sozinha? - Falei com um sorriso inocente e irônico no rosto.
- Claro que posso, "madame". - Ela respondeu de forma irônica também. - Não demore muito, os Malfoy não gostam de esperar.
- Danem-se os Malfoy, se quiserem esperar, que fiquem à vontade, se não quiserem? Poupem-me de sua presença inútil. - Falei dando de ombros e comecei a tirar o pijama.
- Você vai realmente falar desse jeito sobre eles? Eles estão pagando o seu ingresso! - Madeline resmungou do quarto, incrédula.
- Estão pagando porque querem, eles sabem bem que eu tenho dinheiro de sobra para pagar meus próprios ingressos, se gostam de me bajular, não sou eu que vou impedir, não é mesmo? - Murmurei entrando na banheira.
- Você é terrível, , completamente terrível. - Ela disse rindo.
- Eu sei, eu sei, querida Madeline. - Murmurei baixinho, pendi a cabeça para trás e fechei os olhos, ouvi a porta bater, Madeline havia saído do quarto.

Com certeza todos que me conhecem devem se perguntar: "Nossa, , você não tem coração? Não vê quantas vidas Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado e seus comensais da morte tiraram?"
Mas ninguém fala sobre as pessoas que o "lado de lá" mataram, todas as mortes são acobertadas pelo fato deles serem os "bonzinhos" da novela toda...
Aliás, podem até ter comensais da morte que matam à sangue frio, se eles escolheram que fosse assim, não posso pedir para pararem no meio do caminho. Sobre o meu caso, eu não quero ficar do lado dos que mataram a minha mãe, eu não tenho escolha, a família escolheu por mim, as circunstâncias escolheram por mim, e até mesmo os bonzinhos escolheram por mim, minha escolha foi feita no dia em que nasci, foi feita pelo meu sobrenome, foi feita pelas ações dos que têm e tiveram meu sobrenome, essa é a questão, meus amigos, do "lado de cá", eles esperam de você um legado, que sejam conhecidos pela indiscutível maldade, eles esperam que você mate e torture mais do que os outros, eles esperam que você fique do lado dele, Lord Voldemort.
Mas eles não ficam esperando você mostrar sinais de está do lado dele, eles te obrigam a ficar do lado dele, você não tem escolha, eu não tenho escolha. Prefiro fazer justiça à morte de minha mãe do lado dele do que ficar do lado dos outros que mataram ela. É assim que funciona a vida, e eu tenho de aceitar.

- , SAIA JÁ DESSE BANHEIRO! OS MALFOY JÁ VÃO CHEGAR! - Madeline gritou escandalosamente, ela era obcecada em impressionar os Malfoy, grande lixo que eles eram, fúteis e chatos, principalmente Draco, eu não gosto do Potter e tudo mais, mas o Draco deve ser apaixonado por ele de tanto que implica, é quase uma obsessão!
- JÁ VOU, QUERIDA GOVERNANTA QUE ME AMA MAIS QUE OS MALFOY. - Gritei de volta, revirei os olhos e sai da banheira, me enrolei na clássica toalha verde e adentrei em meu quarto, lá, uma louca Madeline colocava minhas roupas em um malão, meus itens de Hogwarts levitavam do armário para a cama, para depois serem enfiados na mala por Mad.
- Você toma banhos muito longos, já deveria estar pronta, ainda nem tomou café! - Madeline falou, colocando roupas e outras coisas dentro do malão.
- Você é muito bajuladora dos Malfoy, eles são um saco, e meus banhos têm um tempo suficiente para mim, se você gosta de banho rápido, o problema é seu. - Eu disse, fui até meu guarda-roupa e peguei um casaco, uma blusa de lã e jeans.
- Você responde demais as pessoas, tem que parar com essa mania feia, uma moça... - Madeline resmungava brava.
- Uma moça fala o que ela quiser e quando quiser, não temos de ficar quietas e aceitar o que homens dizem, e mulheres também. - Falei brava e voltei para o banheiro para me trocar, eu odiava quando falavam o que as mulheres ou meninas podiam ou não fazer em comparação com os homens, ridículo, as mulheres agora têm de segurar a fala perto dos homens?

Quando voltei para o quarto, o malão já estava fechado e Madeline havia descido, fui até a velha penteadeira e escovei meu cabelo, calcei minhas botas, peguei minha varinha e desci. Quando cheguei à sala de jantar, três cabeças louras estavam sentadas junto à Madeline, três dos quatro conversando, os Malfoy haviam chegado.
Todos estavam de costas para mim, exceto Madeline, ela foi a única que me viu revirar os olhos, mas fingiu que não havia visto nada.

- Olá, Narcisa, Lucius e Draco. - Falei enquanto sentava em uma das cadeiras de frente para eles, Draco pareceu mais feliz quando eu sentei lá, patético.
- Olá, querida. - Respondeu Narcisa com um sorriso no rosto.
- Como vai, senhorita? - Disse Lucius.
- Oi, . - Falou Draco.
- Estou bem e vocês? - Respondi, logo depois peguei uma jarra e servi suco para mim.
- Nós três estamos perfeitamente bem. - Respondeu Lucius antes que os outros dois falassem.
- Ótimo, sirvam-se, por favor. - Falei educadamente, passei geleia em um pãozinho e mordi um pedaço.

Os outros quatro começaram a comer, Draco olhava a todo o momento para mim, qual era problema desse menino?
Quando terminamos, Mad fez um feitiço e os talheres e pratos foram para a cozinha. Levantei e fui para sala de estar, com os Malfoy atrás de mim como se fossem minhas sombras.

- , depois tenho algumas instruções para passar a você e Draco. - Disse Lucius.
- Sobre o ataque que vai ocorrer? - Perguntei.
- Isso mesmo, são só algumas precauções a tomar, lugares onde devem ir quando tudo começar e sobre discrição. - Respondeu Lucius.
- Tudo bem. - Falei e engoli em seco, um silêncio se estendeu até que me lembrei do meu malão, fiz um movimento com a varinha apontando para as escadas e murmurei: - Accio malão. - Minha querida mala vinha levitando, logo depois parou perto dos meus pés, em questão de segundos.
- Impressionante, . - Disse Draco irônico, achou que eu tivesse feito isso para me exibir, francamente!
- Cale-se, Draco, sem bobagens. - Disse Lucius secamente para Draco antes que eu pudesse responder, Draco estremeceu e ficou de cabeça baixa, ele não sabe nem discutir.

Madeline voltou com uma travessa embrulhada nas mãos, foi até Narcisa e disse:

- Para a sobremesa, tenham um bom dia. - Estendeu a travessa para ela que pegou com um sorriso no rosto.
- Muito obrigada, Madeline. - Agradeceu Narcisa.
- Bom, vamos indo? - Perguntou Lucius, ele apontava para lareira, vamos utilizar o Pó de Flu.
- Sim, vamos. – Respondi indo pegar meu malão.
- Não precisa levar, , deixe que eu levo. - Disse Lucius pegando o meu malão

Madeline foi até a cristaleira e pegou um pote de vidro ornamentado e de lá tirou o Pó de Flu, Lucius deu passagem para Draco, que pegou um pouco do pó brilhante e dirigiu-se para a lareira.

- Residência dos Malfoy. - Gritou Draco, logo em seguida jogando o Pó de Flu na lareira, desaparecendo em seguida.

Fui até Mad e peguei um pouco do mesmo pó, assim como Draco, entrei na lareira e disse:

- Tchau, Mad, até a próxima! - Ela deu um fraco sorriso e eu prossegui. - Residência dos Malfoy.

Logo após jogar aquilo na lareira, senti como se estivesse sendo sugada por um enorme ralo, meu corpo parecia estar viajando entre lareiras muito rápido, o rugido em meus ouvidos era ensurdecedor. Como eu já estava acostumada, não senti as sensações ruins que muitos sentiam na primeira vez, fui passando entre lareiras aleatórias até que cai com força no chão.
Levantei e tive a visão de uma sala de estar que apesar de luxuosa, aparentava não ter "vida". Draco ria da minha cara, sua risada de gralha era alta.

- Qual é a graça? Idiota. - Perguntei, limpando a poeira de minhas calças.
- Você caindo, foi simplesmente hilário, . - Respondeu ele se recuperando do ataque de risadas.
- Como se você não tivesse caído. - Disse eu, sentando em uma das confortáveis poltronas que havia perto da lareira. - Hoje vai ser um dia memorável.
- Vai mesmo, quero só ver a reação do Potter, da Sangue-Ruim, do Weasley Pobretão e daquela familiazinha medíocre dele. - Respondeu Draco, sentando na poltrona que ficava ao lado da minha, como eu já disse antes, ele era obcecado por Harry Potter e seus companheiros fiéis.
- Não só deles, de todo mundo. - Disse eu, antes de finalizar o que eu estava dizendo, Lucius chegou trazendo a travessa que Madeline havia dado à Narcisa, um curto tempo depois, Narcisa também chegou trazendo meu malão.

Capítulo 2


- Não entendendo o motivo de tanta sujeira em uma curta viagem. - Disse Lucius, firmando a travessa em uma só mão, tentando tirar a fuligem das roupas. - Onde está aquele Elfo imprestável?

Quis dizer que ele era o imprestável, não só ele, como grande parte da família, porém isso soaria antiético.
Um Elfo doméstico apareceu, logo Lucius jogou a travessa nas pequeninas mãos dele, que tremeram levemente com o contato entre suas palmas e o fundo da travessa.

- Senhora, Garvin deve levar essa mala para o quarto de hóspedes depois que Garvin levar isto para a cozinha? - Perguntou o Elfo Garvin.
- Sim, Elfo. - Respondeu Narcisa, batendo as mãos no tecido preto do vestido, Garvin imediatamente saiu com a travessa, levando para algum local na cozinha.
- Bem, e Draco, irei conversar melhor sobre o protocolo da Copa Mundial de Quadribol com vocês mais tarde, teremos alguma reunião aqui, peço que fiquem em outro cômodo. - Disse Lucius com a expressão fechada, ele não deveria gostar muito de ter todo aquele bando de gente em sua grandiosa e imponente casa.

Apenas assenti, assim como Draco, eu não queria discutir protocolos, tampouco queria estar aqui, o único lugar que me fazia sentir em casa era Hogwarts, o lugar que me deixava ser eu, de certa forma.

- , Garvin vai levar suas malas para o quarto onde você ficará, por favor, acompanhe-o. - Explicou Lucius, todos nós subimos para o segundo andar, Lucius e Narcisa adentraram o primeiro quarto, Draco e eu seguimos Garvin.

Ele abriu uma das últimas portas do corredor, mostrando um quarto grande e de carpete verde, com uma cama de casal de roupa de cama branca, em frente à cama havia uma penteadeira de madeira, com um belo espelho redondo. Garvin deixou meu malão sobre a cama e saiu, sorrindo disfarçadamente para mim.

- Garvin! - Falei antes que ele saísse, seus olhos esbugalhados se direcionaram para meu rosto. - Hm... Obrigada.

Draco franziu a testa para mim, Garvin sorriu e saiu, fechando a porta logo em seguida.

- Você acabou de dizer “obrigado” para um Elfo doméstico? - Perguntou Draco incrédulo, revirei os olhos.
- Draco, não é só porque você não teve educação que todos nós não tivemos também. - Respondi, fui até a cama e peguei o malão, levando-o para o guarda-roupa.
- Você é estressada assim com todo mundo ou guarda tudo só para mim? - Rebateu ele, sentando em minha cama.
- Na verdade, essa sou eu sendo legal com você! - Anunciei, dando um sorriso falso.
- , você é um amorzinho de pessoa, sabia?
- Claro que eu sei! - Sentei ao lado de Draco na cama. - Quem você acha que vai ganhar a Copa?
- Bulgária, com certeza! - Disse um sonhador Malfoy. - Eles têm Krum!
- Irlanda ganha fácil deles, os pontos também contam, não só o pomo. - Afirmei, cutucando as unhas da mão.
- Mas o pomo é o mais importante, isso é fácil, fácil para o Victor Krum. - Afirmou com mesma certeza, Draco.
- Você vai dizer que eu estou certa no final, Malfoy. - Murmurei, ele olhava para mim com uma cara de "sério mesmo?".
- Duvido muito que isso vai acontecer, Zuckker. - Respondeu com desdém.
- Olha, Draco, cansei da sua presença aqui, pode sair agora. - Conclui me jogando por completo na cama e empurrando Draco para que levantasse.
- Grande amiga você, me expulsando de um quarto na minha própria casa. - Balbuciou Draco, levantando.

Quando ele saiu, soltei um suspiro longo, queria meu quarto em Hogwarts, nas masmorras, mesmo que tivesse Pansy Irritante Parkinson na cama ao lado, só queria minhas aulas, meu quadribol, a biblioteca e minha liberdade.
Apesar de manter a aparência de indiferente sobre tudo aquilo, era minha única distração e diversão, eu esquecia meu pai, Lord Voldemort, a morte da minha mãe, corrupção no mundo bruxo e Madeline.
Se bem que Harry Potter complicava meu esquema todo de esquecer a futura guerra, que sem dúvidas aconteceria, com todos aqueles seus probleminhas com Lord Voldemort e tal. Eu deveria estar na escada, à reunião deveria estar rolando, mas simplesmente adormeci, ouvindo alguns murmúrios do andar de baixo.

Acordei com olhos esbugalhados sobre mim, num impulso, soltei um grito, Garvin gritou também.

- Que susto, Garvin! - Queixei-me.
- Desculpe, senhorita! - Murmurou Garvin. - Garvin não queria assustá-la, só acordá-la. O senhor Lucius está chamando-a para o jantar.
- Obrigada, já vou descer. - Respondi, Garvin deixou o quarto. Deixei minha varinha sob a cama, para ninguém pegar, e desci as escadas para a sala de jantar, os três já estavam lá e pratos cheios flutuavam de algum lugar para a mesa de mármore escuro.

Os pratos tinham uma pequena decoração na borda, os talheres de prata estavam organizados corretamente segundo as normas de etiqueta dos Malfoy, haviam duas taças de cristais para cada pessoa além dos outros talheres.
Sentei ao lado de Draco, de frente para Narcisa e Lucius, os dois últimos possuíam olhares cansados.
Após o jantar, Lucius nos levou para uma nova sala, sentamos em poltronas diferentes e ele começou a falar:

- Bom, ninguém precisa saber que vocês sabiam do ataque antes mesmo dele acontecer.
- Óbvio que todos os outros vão saber que nós dois já sabíamos. - Aleguei, fixando meu olhar em Lucius. - O jeito de Draco entrega tudo, ele se gaba com essas coisas, já dá pra ver que ele sabe só pelo olhar de superioridade.
- Com outros, você quer dizer...? - Perguntou Narcisa.
- Harry Potter, Hermione Granger, os Weasley e alguns outros amigos deles.
- Eu não faço um olhar de superioridade com esse tipo de assunto, . - Defendeu-se Draco.
- Ah, você faz sim, empina seu nariz e entrega o jogo todo para os outros. - Afirmei, Draco quase sempre estragava tudo. - Você simplesmente não disfarça!
- Ok, meninos, sem brigas. - Declarou Lucius. - Vocês vão ser discretos e correr como todos os outros, obviamente não serão machucados, mas finjam que vão.
- Não temos hora exata para o ataque, avisaremos pouco antes, assim vocês dois vão se separar de nós e ficarão juntos. - Continuou Narcisa.
- Corram para a floresta, nada haverá lá. - Terminou Lucius.
- Algo mais? - Perguntei, queria voltar a dormir, era como se tivesse tomado uma poção para o sono.
- Não, tomem seus banhos e podem voltar a dormir. - Respondeu Narcisa.

Draco e eu subimos, os dois ficaram lá embaixo, provavelmente para comer a sobremesa, sozinhos.
- Eu não me exibo para o Potter e aquela ganguezinha dele! - Iniciou Draco, lá se ia minha paciência.
- Draco, eu não estou com vontade de discutir com você agora, não, você se exibe sim e pronto, agora vê se vai dormir e me deixa em paz! - Respondi.

Caminhei para meu quarto e fechei a porta com força, eu não sabia o que esperar dos comensais amanhã, com todo esse planejamento, algo grande iria se iniciar. Para falar a verdade, apesar de saber que não sairia com nenhum machucado de lá, eu tinha medo pelas outras pessoas, era ridículo, mas eu tinha. E não podia brigar com essa sensação, apenas deixá-la bem escondida.

Acordei com um estalo de metal vindo de algum lugar, ainda era de madrugada, sentei na cama e peguei a varinha debaixo da mesma.
Mais outros estalos idênticos podiam ser ouvidos vindo do lado de fora, calcei minhas pantufas pretas e abri a porta com cuidado, para não acordar os moradores locais.
O som vinha de alguma sala lá embaixo, desci as escadas com passos fracos e murmurei Lumos, logo depois a ponta de minha varinha emitiu uma luz mediana.
Andei por alguns cômodos do andar, ainda ouvindo os estalos, até que o som ficou mais próximo em um cômodo que eu nunca vira, abri a porta cuidadosamente, apenas uma vela iluminava o quarto, lotado de quinquilharias, fechando as cortinas, havia um homem encapuzado, senti a espinha gelar, estava pronta para lançar algum feitiço quando o homem se virou.
Não era possível! Lá, vestido em uma longa capa preta, com o corte horrível de cabelo de sempre e varinha embainhada em alguma coisa na calça, estava meu pai, desaparecido há 7 anos, com o dedo indicador sobre os lábios, pedindo silêncio.
Fechei a porta delicadamente e corri para abraçá-lo, meu pai não fazia ideia do quanto eu sentira sua falta.

- Onde você estava?- Perguntei atônita.
- Bem, eu estava procurando nosso Lord. - Respondeu ele, nunca o vira tão animado, meu sorriso se desmanchou na hora.
- E você achou? - Exclamei com desdém, ele fica 7 anos fora sem dar noticia alguma, me deixa sozinha achando que havia perdido meu pai e nem me pergunta como eu estava?
- Achei, a questão é que ele não é o Lord ainda, mas ele se tornará novamente, e você vai ajudar. - Declarou ele. Ajudar na volta do Lord? Eu? Com meus singelos 14 anos vou ajudar a trazer um dos maiores bruxos das trevas que já existiram? Por Merlin! O que meu pai e o Lord tinham na cabeça?
- Eu não vou fazer isso, de nada vai servir minha ajuda. - Recusei, não fazia ideia do plano, mas aquilo me assustava.

Lord Voldemort estava vivo, disso eu nunca desconfiei, mas meu pai tem contato com ele, sempre foi um braço direito dele, o bajulava até demais, e agora, estão recrutando a filha do Zuckker para uma missão.

- , você não tem escolha, eu não vim até aqui para perguntar o que você quer, eu vim aqui para te dizer o que fazer! - Despejou meu sereno e dócil pai. Eu quis sair dali, se eu saísse, ele não viria atrás de mim, provavelmente não queria que ninguém soubesse que estava vivo e isso envolvia Ministério e milhares de outras coisas. Por fim, cumpri meu papel:
- O que exatamente tenho de fazer?
- Teremos um infiltrado na escola, ele irá se passar por professor e ele é Bartô Crouch Júnior. - Disse meu pai, esfregando as mãos umas nas outras com animação. - Você irá informá-lo sobre os acontecimentos na escola, vai surrupiar e fazer poções polissuco para Bartô manter o disfarce...
- Você sabe que preciso de muito material para fabricar tantas poções polissuco desse jeito, certo? - Adverti.
- Claro, querida, comprei material para poções infinitas, estão nessas sacolas! - Respondeu, apontando para cinco grandes e cheias sacolas de papel, que estavam largadas perto de algum objeto mágico coberto por uma lona. - Bem, você também tirará as suspeitas dele e lidar com alunos curiosos.
- E por que esse plano todo? Vão agir com a ajuda de quem? Além da de Crouch, claro. - Levantei a questão. O plano poderia funcionar, mas eles tinham que levar Harry Potter até Lord Voldemort, já que ele provavelmente aniquilaria o mesmo.
- Esse ano acontecerá o Torneio Tribuxo, Hogwarts receberá alunos, Bartô vai inscrever Harry Potter. - Esclareceu meu pai.
- Mas como vão garantir que Harry seja um escolhido? Muitos de Hogwarts se inscreverão. - Continuei.
- Provavelmente ele irá inscrevê-lo com um nome de uma quarta escola, assim só ele será escolhido. - Finalizou.

Certo, Torneio Tribuxo, poções polissuco, Bartô Crouch... Mas, espera aí!
- Bartô Crouch Júnior não morreu em Azkaban? - Perguntei.
- Todos achavam que sim, eu não lembro muito bem da história, porém ele está bem vivo e aceitou de bom grado a missão. - Sorriu meu pai.
- Ok, agora pode ir, estou com sono e amanhã tenho uma Copa para assistir. - Disse, e com um movimento da varinha, fiz as sacolas levitarem e pararem no ar.
- Vou te mandar correspondências assinando como Madeline, porém minha coruja será preta, a dela, branca. - Falou meu pai, se preparando para deixar a mansão dos Malfoy, eu já estava com a mão na maçaneta, quando ele continuou: - , lembre-se da sua mãe e de como ela gostaria de vingança por todos aqueles que a mataram.

Apenas assenti, um movimento com a varinha, e as sacolas me seguiram até o meu quarto no segundo andar.
Fechei a porta gentilmente e parei as sacolas em cima da cama, o malão levitou até o topo da cama e os objetos foram saindo da sacola direto para o grande malão de Hogwarts.
Então eu realmente aceitei ajudar, a coisa estava ficando séria, eu tinha certeza que depois desse ano, minha vida mudaria completamente. Como eu não sabia que estaria tão certa...

Capítulo 3


Os fracos raios de luz solar passavam pelas cortinas, o pesado malão estava bem ao meu lado, em cima da cama de casal.
Hoje aconteceria a 422ª Copa Mundial de Quadribol, onde Bulgária e Irlanda disputariam o resultado final. Consequentemente, era hoje o dia que os antigos comensais da morte se reuniriam e fariam algo logo após o jogo. Eu estava mais ansiosa do que nunca, apesar de Lucius ter avisado a Draco e eu sobre o provável ataque, Ainda não sabíamos o que realmente ia acontecer, ou os comensais não planejaram, ou preferiam não contar para duas crianças insignificantes.
Minha cabeça estava a mil com o "pedido" que meu pai fizera ontem à noite. Ainda não sabia como executaria tudo em absoluto sigilo, não sabia nem mesmo como era o alguém com quem trabalharia para a volta do famigerado Você-Sabe-Quem. E ainda acho ridículo quando as pessoas o chamam assim, se ele não está aqui - ainda-, por que não chamá-lo pelo nome?
Ouvi batidas na porta, pedi que entrasse e lá estava Draco Malfoy, com sua melhor cara de desdém, roupas de um tom levemente esverdeado e o cabelo louro claro cheio de gel, penteado para trás. Ele também continuava esquisito.

- Você ainda está na cama? - Perguntou Draco, entrando em meu quarto e fechando a porta em seguida.
- Não, Draco, onde você acha que estou? - Respondi.

Levantei, peguei a varinha deixada embaixo da cama e com um movimento da minha varinha, o malão levitou da cama para a parede onde ficava a grande janela de cortinas claras.

- Você vai para onde quando tudo começar? - Draco perguntou novamente, estava sentado no banco em frente à penteadeira, ajeitando os cabelos.
- Para bem longe de onde você estiver, se ficarmos juntos, vai ser meio óbvio. - Respondi, eu estava praticamente dentro da minha mala, pegando algumas roupas, Draco não podia ver meu estoque de ingredientes para Poção Polissuco. As coisas não estavam mais cabendo lá, mais tarde eu faria um feitiço de expansão, assim poderia guardar Hogwarts inteira dentro de meu malão.
- Ei, ! - Exclamou Draco, virando-se de seu reflexo no espelho redondo para me olhar. - Você escutou algo ou alguém lá embaixo ontem à noite?
- Não, Draco, eu estava dormindo! - Respondi engolindo em seco, fui até o banheiro com a minha roupa e tranquei a porta. Draco não poderia nem sonhar que eu estava trabalhando indiretamente para Lord Voldemort, ninguém poderia saber. A partir de agora precisaria ser o mais discreta possível.


- Usaremos uma chave de portal, deve estar algum lugar de nosso jardim, como somos, digamos, especiais, nossa chave de portal será aqui mesmo. - Gabou-se Lucius, estávamos os quatro nos grandes jardins da mansão dos Malfoy.

Narcisa e os outros dois estavam formais demais para meu gosto, estavam formais demais perto de mim, eu carregava uma mochila com feitiço de expansão, lá havia roupas extras, pena, tinta e papel para cartas, algumas poções de emergência e dinheiro bruxo.
No meio de um canteiro de margaridas, havia uma bola de futebol furada, Lucius a pegou com o nariz torto.

- Temos só alguns segundos, todos toquem rápido! - Nos apressou Lucius.

Corri para tocar a bola, os outros dois Malfoy fizeram o mesmo, assim, após poucos segundos, senti como se um gancho dentro de meu umbigo fosse irresistivelmente puxado para frente, meus pés deixaram o chão.
Eu podia sentir meus ombros tocando os de Draco e Narcisa, nós avançávamos em meio ao uivo do vento e rodopio de cores, e então...
Meus pés bateram no chão, caí sentada na grama, os outros três estavam esparramados no chão.

- 3 chegando da Mansão dos Malfoy. - Anunciou uma voz.

Me levantei e pelo que parecia, havíamos chegado a uma parte deserta de um provável pântano imerso em névoa. Adiante, havia dois bruxos com cara de poucos amigos, um segurava um relógio de ouro e o outro, um grosso rolo de pergaminho.
Ambos vestiam-se como trouxas. Lucius apanhou a bola furada e entregou ao homem do pergaminho, que a atirou em uma caixa cheia de chaves de portal usadas, a um lado. Entre elas, vi um jornal velho e latas de bebidas vazias.

- Bem vindos, senhores! - Exclamou o homem do pergaminho para nós. Lucius deu um sorriso falso, assim como os outros dois, eu simplesmente não fiz nada. - O primeiro acampamento, Sr. Malfoy, o gerente é o Sr. Roberts.

Lucius assentiu e fez um sinal para continuarmos a caminhar, depois de alguns longos minutos, avistamos uma casinha de pedra ao lado de um portão. Pude distinguir algumas formas fantasmagóricas de barracas ao fundo.
Havia um homem parado à porta, contemplando as barracas, percebi que ele era um trouxa. Lucius fez uma cara de desgosto enorme enquanto dirigia à fala ao homem:

- Você é o Roberts? - perguntou.
- Sou sim. - Respondeu o homem. - E quem é o senhor?
- Lucius Malfoy, duas barracas reservadas.
- Só uma noite? - Perguntou o Sr. Roberts, consultando uma lista pregada à porta.
- Sim. - confirmou Lucius, seu tom de voz era irritado, o pobre Lucius não aguentava trocar mais de duas palavras com um trouxa sem jogar um Avada Kedrava no mesmo.
- Agora, o pagamento, por favor, Sr. Malfoy. - pediu o homem, erguendo a palma da mão direita.

Lucius olhou para Narcisa, que continha uma das mãos dentro de uma bolsa, até que ela finalmente achou alguns trocados trouxas. Narcisa deu um grande maço de notas para Lucius, que por fim, as entregou para o homem. O portão abriu-se e nós seguimos em frente, agora eu tinha apenas uma alça da mochila pendurada no ombro, avistávamos diversas barracas, que pareciam muito pequenas por fora, mas eu sabia que elas eram bem maiores por dentro.
Andamos por entre as cabanas até chegar a uma de cor preta, havia um homem de grossas sobrancelhas e roupa formal em frente à barraca, como se estivesse fazendo vigia do local, provavelmente estava.
Os três entraram, só não entrei porque uma coruja preta e grande vinha carregando uma carta nas patinhas. Estendi o braço o qual eu não pendurara a alça da mochila, meu antebraço desceu ligeiramente com o peso da coruja. Retirei a carta, a coruja saiu logo depois, não esperando por alguma recompensa.
Assim, entrei na barraca com a carta em mãos. A cabana estava realmente muito ornamentada para ser só uma cabana, era o famoso padrão Malfoy de qualidade...

- , iremos dividir o quarto, mamãe e papai vão ficar com o outro, erraram no pedido da barraca. - Explicou Draco, ótimo, agora teria de aguentar o idiota. Ele olhava curioso para o objeto em minhas mãos.
- Que é, Draco? – Perguntei. - Perdeu algo aqui?
- Sim, de quem é essa carta? - Respondeu ele, me seguindo até nosso quarto, havia duas camas e um guarda-roupa separando as mesmas. Joguei minha mochila na cama à esquerda.
- Não é da sua conta, são negócios. - respondi, peguei a varinha na mochila e a coloquei dentro da minha bota, com a carta em mãos, sai do quarto. - Avise seus pais que vou dar uma voltinha, voltarei logo.

E sai, Draco quis me seguir, mas se ele fizesse isso, eu ficaria bem irritada, ainda mais, pois a carta havia sido escrita por meu pai.
Caminhei por entre as barracas em meio aos bruxos andando para lá e para cá, comemorando, vi alguns rostos conhecidos de Hogwarts bebendo Uísque de Fogo escondido.
De longe, consegui ver algumas cabeças de cabelos ruivos entrando em uma barraca, claro que viriam, Harry Potter e Hermione Granger deveriam estar lá também, imagino o susto que vão levar com o ataque.
Segui adiante pela fileira de barracas onde a dos Weasley estava, um dos gêmeos Weasley, que eu não sabia quem era, claro, estava na entrada, ele tinha um sorriso malicioso para mim.

- E aí, Zuckker? - falou ele, me seguindo no caminho até a floresta, onde eu pretendia ler a carta sozinha.
- Qual dos dois? - perguntei, numa tentava de expulsá-lo logo.
- Como assim? - perguntou de volta, confuso.
- Qual dos dois você é? Fred ou Jorge? - reformulei a pergunta, ele olhava para a carta.
- Ah, sou o Fred!- respondeu sorrindo.
- Weasley, se você não se importa, eu quero ler a minha carta, que você não tira os olhos, sozinha. - Disse eu, apressando o passo, ele fez o mesmo. - Na verdade, mesmo que você se importe, eu quero ler sem gente enxerida olhando.
- É uma carta de amor? Você não quer admitir para mim que tem um coração que não é de gelo?
- É isso mesmo, ninguém pode saber do meu segredo, então volte para sua cabana. - Pedi novamente, ele balançou a cabeça em sinal negativo, maldita hora que eu decidi ir pela fileira de barracas onde a dele estava.
- Eu não vou agora, Zuckker! - Explicou Fred, colocando as mãos no bolso, estava facinho de jogar um feitiço nele e sair correndo. - Não sem antes saber quem você acha que ganha a Copa.
- Se eu falar, você vai embora para sempre, certo? - perguntei.
- Felizmente, não posso garantir o para sempre, mas talvez eu vá embora.
- Irlanda, direto. - Respondi, já estava ficando sem paciência...
- Direto? Quer apostar? - Ele sugeriu, levantando as sobrancelhas. - Eu aposto que o Krum vai pegar o pomo, porém a Irlanda vence.
- Específico demais, Weasley. - Avaliei, estava fácil. - 150 galões está bom para você? Ou menos?
- Está perfeito. - Confirmou ele, parecia um tanto nervoso, mas não tirava o sorrisinho irritante do rosto.
- Certo, agora me deixa em paz. - pedi, a floresta já estava quase próxima.
- Te pego na saída, ! - Ele murmurou, passando a mão pelos cabelos. - Com o dinheiro, eu quero dizer.

Revirei os olhos e continuei andando, quando cheguei à floresta, abri a carta e acendi a ponta da varinha, pois as árvores faziam sombra no papel.
A carta de meu pai dizia:

", aqui é Madeline, enviando essa carta que você sabe que não é secreta.
Soube que vai haver um ataque, Bartô irá participar e você terá de disfarçar.
Para parecer fora de suspeita, se machuque, use um feitiço, ateie fogo em algo e se machuque. Não quero saber se vai doer ou não, Bartô irá me avisar se perceber que você não fez isso.
Conto com sua participação, não venha reclamar comigo, você não tem escolha.
Ass: Madeline Z."

Joguei a carta no chão e murmurei um feitiço, que a fez pegar fogo. Após alguns segundos, só havia cinzas na grama meio chamuscada.
Pois bem, o Sr. Zuckker queria que eu, logo eu, me machucasse para não acharem que estava trabalhando para o Lord? Quem desconfiaria disso em meio ao caos do ataque?
Ainda não sabia se seguiria as coisas impostas por meu pai, talvez até mesmo desistisse da missão que só estava me trazendo um monte de estresse...


Ainda não podia acreditar que o Weasley havia acertado no palpite, tudo aconteceu exatamente como ele dissera. Fui preparada com galeões no casaco caso perdesse, não que eu achasse que fosse mesmo perder, só não queria que ele viesse atrás de mim ou me chamasse de caloteira.
Pedi aos Malfoy que fossem na frente, Lucius deu um olhar significativo para mim e voltou para a barraca com os outros dois.
Fred me esperava com um grande sorriso vitorioso no rosto, tirei um saco de moedas do bolso e empurrei para ele.

- Como você acertou isso? - Perguntei.
- Você têm os seus segredos, - respondeu, checando o dinheiro - E eu tenho os meus, querida. Se os 150 galeões não estiverem aqui, eu vou atrás de você.
- E por que os 150 galeões não estariam aí?
- Talvez porque você seja da Sonserina, essa casa não é muito receptiva com a minha.
- Deve ser porque a sua casa é irritante.
- Ou talvez a sua seja...
- Não é não, Weasley.
- É sim, Zuckker.
- Não é, e eu não vou discutir com você. – Sorri. - Você sabe que eu estou certa.
- Certo, vou fingir que eu acredito nisso. - Fred gargalhou.
- Espero demorar para te ver, Weasley. - Entoei e me virei para a trilha de barracas que daria na minha, talvez começasse antes mesmo de eu chegar lá.
- Sonha comigo, . - Fred provocou, fazendo barulho com o saco de moedas.
- Merlin me livre desse sonho.


Eu estava próxima da barraca quando vi Draco correndo na minha direção com duas mochilas, nenhum sinal de Narcisa ou Lucius. Ele me entregou a minha pequena bagagem.

- Peguei a sua antes que destruíssem tudo, melhor a gente correr, ! - Draco falou, tentando me puxar pelo braço, mas eu mal me mexi, não podia ir, ele ia ver que eu me machucaria de propósito.
- Não, você vai para outro lugar, saia do campo, não sei.

Antes que ele fizesse qualquer pergunta, sai correndo, ele não veio atrás de mim.
Logo à frente, os comensais vinham mascarados e vestindo roupas pretas, brandiam as varinhas, alguns deles levitavam quatro trouxas, percebi que um deles era o trouxa da entrada do campo de barracas. Um dos comensais virou uma mulher de cabeça para baixo, fazendo sua camisola abaixar, mostrando suas peças íntimas. Mas o que era isso? Eu achei que seria só uma pequena amostra de que eles estavam de volta.
Alguns comensais botavam fogo em barracas, fazendo outras ficarem em chamas também, pessoas gritavam e corriam para a floresta, de longe pude avistar os Weasley, Harry Potter e Hermione Granger, eles estavam se separando, vi Draco se aproximar, lá vai ele estragar tudo...
Agora tinha de tomar uma decisão, me machucava para satisfazer as vontades de meu pai ou não?
Uma sensação estranha tomou conta de mim, eu olhava para os comensais na esperança de ter uma força vinda do nada, porém nenhum outro sentimento veio. Então eu corri, que nem um rato assustado, para uma das barracas perto da floresta que pegavam fogo, minha varinha estava guardada na bota. Olhei para os lados, ninguém prestava atenção em mim, então aproximei o antebraço perto do fogo, o ar parecia mais pesado, até que eu encostei a pele no fogo, não muito perto do pulso e nem tão perto do cotovelo, aquilo ardia como o inferno, eu gritava de dor, depois de um tempo que achei suficiente, me afastei com pressa da barraca em chamas, queimando meu dedão esquerdo também.
Minha pele se enchia de bolhas brancas, estava vermelha e dolorosa, corri para a floresta tropeçando em um galho que não tinha visto por conta da escuridão.

- Jorge, se afasta com a Gina, vou ver quem é. - Ouvi uma voz dizer, na verdade, era Fred Weasley, eu levantei do tombo, mas a pele doía ainda mais pelo atrito com o chão.

Continuei andando até esbarrar com ele, a ponta da varinha de Fred acendeu.

- Zuckker? - Impressionou-se Fred. - Merlin, olha essas queimaduras.

Eu tentei me desvencilhar e sair correndo, mas Weasley em puxou e me levou até um canto, tirando a sujeira da queimadura com os dedos.

- Seu idiota, isso pode infeccionar! - Gritei para ele, quanto mais eu puxava meu braço, mais dor sentia.
- Fala baixo, louca! - Fred me repreendeu. - Não quer que os comensais nos encontrem, não que eu ache que eles fariam algo com você...
- Weasley, tá doendo muito! - Soltei, fechando os olhos com força.
- Também, olha isso! Deve ser de segundo grau. - Fred levantou a varinha. - Agora vai doer pra caramba, se afasta e deixa os braços esticados.

Ele não ia fazer isso.

- Aguamenti. - murmurou Fred, um grande jato de água saiu da ponta da varinha, molhando meus braços e, por muito pouco, não me encharcando inteira.

A dor aumentou por um instante, logo depois começou a cessar. Logo depois o jato de água parou.

- Ok, agora o que eu tenho que fazer? - perguntou para mim.
- Colocar as bandagens, eu acho, não sou curandeira. - respondi.
- Certo. - concordou Fred. - Ferula.

Assim que ele murmurou o feitiço, bandagens envolveram o meu antebraço, logo depois ele repetiu, para meu dedão também não ficar com a queimadura exposta.

- Acho que você me deve uma, .
- Eu não acho, eu poderia ter feito isso sozinha.
- Poderia se não tivesse caído e se não tivesse duas queimaduras, admita e diga um “obrigada, Fred, você salvou minha vida”.
- Eu nunca, em um milhão de anos, vou te dizer isso. - bufei, passando os dedos não queimados na bandagem maior. - Você também nunca me dirá isso.
- Nunca se sabe, , acho improvável, mas pode acontecer. - argumentou Fred. - Vou voltar para meu irmão, se não ele achará que eu morri.
- Tchau, vou procurar os Malfoy.
- Acho que sei onde eles estão...
- Eu não, melhor você ir.

Ele se afastou, peguei a varinha na bota e iluminei o caminho, fui andando até ouvir uma voz gritar:

- MORSMORDRE!

E então algo irrompeu pelo céu, uma luz verde, eu sabia bem o que era antes mesmo de vê, só de ouvir...
A luz formou um crânio colossal, composto por estrelas esmeraldas e uma cobra saindo da boca, como uma língua. Aquela era a marca de Lord Voldemort, não vista há anos.
Gritos por todos os lados, algo ou alguém passou correndo perto de mim, decidi seguir, murmurei um Nox para cessar a luz da varinha, a Marca Negra já iluminava a floresta toda. Depois de muito correr, não ouvi mais barulhos, uma voz falou:

- Você é Zuckker? - Um homem tirou uma capa, se revelando e virando-se de frente para mim, tinha a pele sardenta e um tufo de cabelos louros.
- Você é Bartolomeu Crouch Júnior.
- Seremos parceiros por Lord Voldemort este ano, senhorita, me chame de Bartô.
- Você conjurou a marca? Por quê? - mudei de assunto.
- Aqueles comensais decidem tocar o terror em um evento desse porte, mas não tem coragem de procurar seu amo. - Esclareceu, parecia muito irritado com isso. - Apenas seu pai e eu fomos leais o suficiente. Tem o Pedro Pettigrew também, mas ele veio por medo.
- Pedro Pettigrew está morto.
- Eu também estava, querida! - Exclamou, Bartô começou a andar em círculos pela clareira, a marca negra ainda pairava no céu. - Pedro é animago, ele viveu todo esse tempo disfarçado. Ok, muito estranho, porém compreensível.
- Como conseguiu a capa? - perguntei.
- Querida, meu pai sabe que eu estou aqui, eu já a vi antes lá no estádio, a elfo não guardava lugar nenhum, eu estava sentado lá, invisível.
- Seu pai é tão falso... Até parece o meu. - Comparei, guardei a varinha na bota. - Vou voltar, os Malfoy já devem estar me procurando.
- Vejo que se machucou mesmo, seu pai e o Lord ficaram contentes.
- Dane-se. - Atrevi-me a dizer, ele desmanchou o sorriso. - Até breve, Crouch.
- Até mais, .

Assim, dei as costas para ele e voltei para o campo de barracas, isso tudo acontecera em um só dia, eu já podia imaginar o estrago que Voldemort faria assim que voltasse. Como ele voltaria? Não fazia a mínima ideia, mas os tempos difíceis estavam chegando, logo, logo os lados estariam se enfrentando mais arduamente do que nunca. O meu lado iria pra frente com tudo, não ligando para a destruição que causava, assim como meu pai não ligou para os ferimentos que eu teria quando fez aquele pedido, eu não esqueceria tão cedo.

Capítulo 4


Hoje, apesar de ser o dia em que voltaria para Hogwarts, acordei com um péssimo humor por não achar uma posição boa o suficiente para dormir sem sentir dor nas queimaduras e ainda ter um pesadelo.
O pesadelo em si era bem idiota, o cenário era o campo de barracas onde acontecera a Copa Mundial de Quadribol há dois dias. Meu corpo estava pairando no ar, assim como àqueles trouxas haviam sido erguidos por comensais, ao olhar para baixo vi que era meu pai que tinha a varinha em mãos, seu rosto não estava escondido por uma máscara e ele possuía um sorriso enorme estampado no rosto.
Meu corpo estava em movimento, ninguém parecia ter pena de mim, todos riam e aplaudiam por uma tortura mais pesada. Até que eu parei, bem abaixo de uma barraca em chamas, de repente o ar ficou mais pesado e quente, coloquei meus braços para cima, eu ia abaixando cada vez mais, rumo à fogueira.
Olhei para os lados em busca de ajuda, algo ou alguém faltava, eu tinha certeza. Sem querer, cedi meus braços, as pontas dos dedos começaram a queimar, a mesma dor que eu já sentira, só que ali parecia pior, minha garganta queimava de tanto gritar, eu sentia meu corpo todo pegar fogo, mesmo que apenas tivesse encostados os dedos.
Então, quando eu menos esperava, alguém gritou Aguamenti, pendi a cabeça para o lado, na esperança de ver quem acabava com o que antes havia sido uma barraca.
Impressionantemente, era Fred Weasley. Talvez essa tivesse sido a pior parte de tudo, ele me encara, fiz o mesmo, Fred deu o típico sorrisinho malicioso e, subitamente, eu não sinto mais nenhuma dor.

Garvin havia me acordado aos berros, esse era o realmotivo de eu não ter sentido mais dor nenhuma. Finalmente eu deixaria a imponente mansão dos Malfoy, Draco já me torrara toda a paciência reserva que eu tinha para ele, não tinha mais chance alguma de continuar tão perto dele por tanto tempo.
Nós quatro tomamos um breve café, estávamos atrasados hoje, meu malão já estava arrumado e também internamente aumentado para caber todos os ingredientes que eu precisaria para fazer as poções Polissuco de Crouch.
Cheguei ao interior da estação de King's Cross completamente encharcada, chovia muito em Londres e os Malfoy só tinham três guarda-chuvas no carro e nenhum deles parecia querer dividir. Despedi-me dos três e passei pela parede que daria na nossa plataforma.
Como sempre, o lugar estava apinhado de bruxos, alunos e seus familiares, alguns se despediam, outros choravam e uns corriam atrás de seus animais de estimação. Fui andando para o final do trem, à procura de uma cabine, bem à minha frente, os Weasley se despediam, Fred Weasley me viu e, muito maduramente, sai correndo para o trem com meu malão, que não estava muito pesado por conta do feitiço que eu fizera mais cedo.
As minhas bandagens, assim como meu cabelo e minhas roupas, estavam molhadas, os ferimentos ardiam um pouco, eu teria que ir ao banheiro me secar e refazer o curativo.
Achei a cabine onde minhas companheiras de casa estavam, entrei e coloquei minhas coisas no compartimento logo acima.

- Hey, garota! - exclamou Pansy com a voz de anjo dela, me dando um abraço apertado demais, eu era a maior fã de abraços - Como foram suas férias?
- Foram as mesmas, como sempre - disse eu, as outras meninas, Dafne e Astoria Greengrass, vieram me abraçar também, mesmo eu estando muito molhada - E as suas?
- Foram perfeitas, viajei para a Alemanha - Pansy respondeu visivelmente feliz - Também acho que Draquinho me ama! Ele me enviou um...
- Desculpe, Pansy! - interrompi, indo para a entrada da cabine, que apesar de confortável, não era muito grande - Mas vou me secar e tudo mais, conte para Dafne e Astoria.

Ela balançou a cabeça em sinal de afirmação, porém pareceu chateada quando eu saí. Eu, infelizmente muito mais do que eu gostaria, era muito próxima de Draco, Pansy sempre me pedia conselhos para trazê-lo para perto e sempre me contava tudo que ela fazia com ele.
O corredor da locomotiva estava um pouco cheio, estudantes de outras casas conversavam, namoravam e o carrinho de doces também começava a passar. Eu estava quase chegando ao banheiro, mas fui interrompida por uma voz bem atrás de mim:

- Zuckker! - exclamou a voz, me virei e lá estava Fred Weasley com seu sorrisinho - Eu não acredito que você correu de mim.
- Eu não corri de você! - menti, seria muito ridículo admitir isso, mas evitar ele seria necessário por várias circunstâncias.
- Correu sim, eu não mordo se você não pedir, tá? - exclamou Fred, aumentando ainda mais o sorriso ao me vê revirar os olhos.
- Você é patético, sabia? - comecei a desenrolar a bandagem molhada, Fred estreitou os olhos.
- Ainda está doendo? - perguntou, se aproximando mais.

Quando vi que ele iria encostar à pequena porção de pele que começava a aparecer, eu puxei o braço para trás.

- Não quero falar sobre isso, Weasley - disse eu, voltei a me concentrar na situação que estava e segui o caminho pelo corredor, Fred não me chamou ou seguiu, assim era bem melhor.

Eu ainda teria que lidar com muito mais consequências de ajudar na volta de Lord Voldemort, teria de ser muito cuidadosa com as coisas que fizesse, se qualquer um desconfiasse, apesar de eu achar que ninguém é tão inteligente a esse ponto, tudo iria desmoronar um pouquinho.
Voltando para a cabine, vi Draco e seus dois comparsas, Crabbe e Goyle, em frente à entrada de uma cabine que eu apostava todo meu dinheiro em ser o local onde Harry Potter estava.

- , vem ver isso aqui - Draco me chamou, se afastou da porta e apontou para trajes à rigor que tinham uma aparência de segunda mão, pelo rubor que as bochechas dele tinham quando pousei os olhos nas roupas, deviam ser de Rony Weasley - Ridículo, não acha?
- Eu acho que você enche muito o saco das pessoas - disse eu, dei uma boa olhada na cabine, os alunos que estavam lá soltaram risinhos e Draco fechou a cara, sai antes que ele falasse qualquer coisa.

Chegando à cabine, Pansy e as meninas falavam do assunto de início de ano favorito delas: Meninos.

- , que bom que chegou! - falou uma animada Pansy, sorrindo de orelha a orelha - O que você acha do Draquinho? Ele não é um fofo?
- Eu acho ele um saco, não sei o que todas vocês veem nele - soltei, era sempre uma grande surpresa para Pansy o fato de eu não me interessar nem um pouquinho por Draco.
- , você é maluca? Todas nós o achamos lindo - exclamou Dafne, sua irmã dois anos mais nova, Astoria, concordou.
- O Blasio também é bonito, ? - perguntou Dafne - Quem te interessa?
- Quem me interessa? Ninguém - respondi, pegando as vestes de Hogwarts do malão, tentando não abrir muito para as outras não verem o grande estoque de ingredientes.
- Duvido muito! - exclamou Pansy, também se levantando para pegar suas vestes.
- Vamos falar de outra coisa! - pedi, fechando a mala e deixando-a em cima do assento, já que daqui há pouco tempo chegaríamos à Hogwarts - Compraram as vestes a rigor?
- Sim, meu vestido é verde esmeralda! - respondeu Dafne, animada, tirando um vestido do malão, era bem bonito - Astoria também comprou o dela.
- O meu é roxo bem escuro, trouxe da Alemanha! - explicou Pansy, também mostrando o vestido logo depois - E o seu, ?
- Eu mandei fazer, não está pronto ainda - menti, na verdade eu pretendia usar um antigo da minha mãe que Madeline me enviaria por correio-coruja, mas tocar nesse assunto com elas era muito desconfortável, elas faziam muitas perguntas, e a maioria eu não sabia responder.

Nos trocamos logo depois, o expresso já começava a desacelerar, até que parou de todo na estação de Hogsmeade. Quando as portas da locomotiva abriram-se, um raio foi ouvido, chovia muito.
Os alunos já se amontoavam na estação, Rúbeo Hagrid esperava os estudantes do primeiro ano com um grande sorriso no rosto, meio escondido pela espessa barba. Os alunos de outras séries tinham cerca de cem carruagens sem cavalos esperando na saída do local.
Fiquei encharcada novamente, eu já ia entrar em uma carruagem onde as meninas estavam quando Draco Malfoy me empurrou e entrou primeiro, deu um sorrisinho debochado e assim a carruagem saiu. Como eu já disse antes, não sei o que elas veem nele, talvez a infantilidade seja atrativa...
Tive que entrar na próxima, logo depois, Cedrico Diggory e os gêmeos Weasley entraram.

- ! Quanto tempo! - exclamou Cedrico quando a carruagem deu partida - Como você está?
- Tempo mesmo, a última vez foi por carta! - relembrei sorrindo, Cedrico era da Lufa-Lufa e apanhador do time de quadribol da casa.
- Hum... Cedrico, achei que você estivesse gostando da Cho Chang! - confundiu-se Jorge, cruzando os braços.
- Mas eu estou mesmo, Jorge - esclareceu Cedrico, Fred parecia muito quieto e franzia a testa.
- A carta era só sobre quadribol! - disse eu, olhando para a janela da carruagem.
- O que aconteceu com seu braço? E com seu dedo? - perguntou Cedrico, tocando na parte enfaixada do antebraço.
- Hum... Eu machuquei na Copa, durante o ataque - respondi meio nervosa, olhei para Fred, ele olhava para mim - Foi queimadura.
- E como você se virou para enfaixar isso no meio daquele caos? - Cedrico perguntou novamente, dessa vez era demais. Fred começou a rir.
- Bom, um cara aí me ajudou - respondi, tentando não rir - Vocês não conhecem. Nem eu mesma conheço.
- Do que você está rindo, Fred? - perguntou Jorge, acotovelando o irmão nas costelas, acho que ele pensou que seria falta de educação rir da menina com queimaduras.
- Não é nada, lembrei de uma piada que uma estranha me disse certa vez - respondeu, óbvio que ele não tinha história alguma.
- Qual história seria? - provoquei, ele teria que inventar algo agora, rápido.
- A história é só para maiores de dezesseis anos, Zuckker! - desculpou-se ele, os outros dois riram.
- Uma pena que eu só tenha quatorze anos, certo? - devolvi, com um semblante inocente.
- Uma grande pena que você tenha só quatorze anos e seja da Sonserina, sim! - confirmou ele, sorrindo do jeito de sempre para mim.

Talvez os outros dois tivessem muitas perguntas no momento, porém não disseram nada quando a carruagem parou. Finalmente em Hogwarts.
Jorge levantou-se e abriu a porta, fazendo um sinal de reverência e logo em seguida dizendo:

- Pode ir primeiro, !

Já ia falar que isso não era necessário, mas acabei descendo. Os outros três foram logo em seguida, parei para amarrar o cadarço do coturno, que soltara quando eu descera da carruagem. - Você quase estragou tudo - disse Fred, quando os outros dois se afastaram - Ninguém ia fazer perguntas sobre a história.
- Eu faria perguntas, não foi convincente! - falei, levantei e continuei o caminho, Fred andava bem ao meu lado.
- , você é muito curiosa para alguém tão nova - zombou Fred, repetindo "piadinha" de antes.
- Diziam que você e seus irmãos eram bons com piada, acho que se enganaram - exclamei, esperava muito que Pansy e as outras não me vissem com Fred, falariam coisas que eu gostaria de evitar.
- Pois é, né, não sou Harry Potter, sou insignificante.
- Talvez você seja importante para algumas pessoas que não dão a mínima para ele, então você é alguém - falei passando pela grande porta que dava para o interior do castelo, ele murmurou alguma coisa para mim, porém eu não ouvi, sai de perto antes que me alcançasse de novo.

O Salão Principal tinha o aspecto de sempre, estava decorado para a festa de abertura do ano letivo. Havia velas flutuando no ar sobre as mesas, os alunos das quatro Casas não paravam de falar, o burburinho era alto.
Havia algumas cadeiras vazias na mesa dos professores, uma era da Profª McGonagall, outra de Hagrid, que ainda atravessava o lago com os novos alunos, a última, apenas eu entre alunos e professores sabia, pertenceria ao novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Bartô Crouch usando um disfarce de algum auror pela poção Polissuco.
Será que nenhum aluno desconfiaria da conduta dele durante o andamento das aulas?
Acho que ele não estaria muito interessado em ensinar algo que repelisse Artes das Trevas sendo que ele mesmo era a favor da prática de arte das trevas.
O teto encantado para parecer o céu lá fora estava bastante tempestuoso, nuvens roxas e negras giravam por ele.
Eu estava sentada entre Pansy e Blasio, a garota me olhava de forma significativa por conta de Zabini estar do outro lado. Logo à frente, estavam as mesas da Corvinal, em seguida a da Lufa-Lufa e, por último, a mesa da Grifinória. Eu desconfiava que a nossa mesa era afastada da dos grifinórios para evitar intrigas entre as duas casas, como uma guerra de comida.
Quando a fome já começava a dar sinais, as portas do Salão Principal abriram-se e todos mergulharam em silêncio, Profª McGonagall conduzia uma longa fila de alunos novos para o centro do salão, onde seriam selecionados pelo Chapéu Seletor.
Minha seleção ocorreu muito rápido, o Chapéu não perdeu nem um minuto me dizendo a Casa.
Todavia, havia algo que o chapéu dissera que me intrigava até hoje:

"Vejo que não possui a frieza que seu pai possui, me impressiono até hoje com o que ele fez... Enfim, sua casa é SONSERINA!"

Óbvio que eu nunca tive coragem de perguntar nada para meu pai. Na verdade, poderia até não ser nada demais, meu pai é um comensal, ele não é santo e já fez coisas horríveis. Porém, o Chapéu aparentava ter uma tristeza tremenda quando disse aquilo, como se eu estivesse sofrendo as consequências dos atos do meu pai...
Palmas foram ouvidas, o Chapéu acabara de cantar uma música, ele sempre fazia isso no início dos anos, porém sempre com uma música diferente.

- Quando eu chamar seu nome, ponha o chapéu e se sente no banquinho - explicou a Professora Minerva aos assustados alunos - Quando o chapéu anunciar sua casa, vá se sentar à mesa correspondente.

Quando as sobremesas já haviam sido devoradas e os pratos já não continham nenhuma migalha, Alvo Dumbledore tornou a se levantar. O burburinho das conversas cessou novamente, apenas ouvia-se o uivo do vento e o barulho de chuva.

- Então - exclamou Dumbledore, sorrindo para todos - Agora que já comemos e molhamos também a garganta, preciso pedir sua atenção para alguns avisos.
"O Sr. Filch, o zelador, me pediu para avisá-los de que a lista de objetos proibidos no interior do castelo este ano cresceu, passando a incluir Ioiôsberrantes, Frisbees-dentados e Bumerangues-de-repetição. A lista inteira tem uns quatrocentos e trinta e sete itens, se alguém tiver interesse em lê-la, estará na sala do Sr.Filch"

O Sr.Filch era uma das pessoas mais chatas e carrancudas que eu já conhecera, ele odiava alunos.
Dumbledore continuou:

- Como sempre, eu gostaria de lembrar a todos que a floresta que faz parte da nossa propriedade é proibida a todos os alunos, e o povoado de Hogsmeade, àqueles que ainda não chegaram à terceira série.
"Tenho ainda o doloroso dever de informar que este ano não realizaremos a Copa de Quadribol entre as Casas"

Claro que todos os jogadores dos times de Quadribol praguejaram, inclusive eu, apesar de saber o real motivo por trás do cancelamento. Quadribol era uma das minhas paixões, entrara para o time como Batedora no segundo ano.
Dumbledore continuou, novamente:

- Isso se deve a um evento que começará em outubro e irá prosseguir durante todo o ano letivo, mobilizando muita energia e muito tempo dos professores, mas eu tenho certeza de que vocês irão apreciá-lo imensamente. Tenho imenso prazer de anunciar que este ano em Hogwarts...

No momento em que o Professor Dumbledore iria mencionar o Torneio, uma trovoada ensurdecedora foi ouvida e as portas do Salão Principal se escancararam.
Um homem apareceu apoiado em um longo cajado e coberto por uma capa de viagem preta. Todas as cabeças se viraram na direção do homem, ele baixou o capuz e sacudiu uma longa juba de cabelos grisalhos, caminhou em direção à mesa dos professores.
Esse era o disfarce de Bartô Crouch para o ano letivo em Hogwarts, Alastor Moody, um auror que possuía um dos olhos um tanto mágico...

- Gostaria de apresentar o nosso novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas - disse Dumbledore, animado, em meio ao silêncio - Prof. Moody.

Ninguém ali tinha coragem de encarar a aparência grotesca de Moody, porém eu fixei meus olhos no homem, para checar se era realmente Crouch.
Como se adivinhasse meus pensamentos, o homem correu os olhos pela mesa da Sonserina, quando seus olhos encararam os meus, ele fez um sinal com a cabeça e pegou um frasco do bolso, que sem sombra de dúvidas era Poção Polissuco.
Os jogos iriam começar...
Dumbledore finalmente revelou o que aconteceria em Hogwarts, o Torneio Tribuxo.

- O senhor está BRINCANDO! - exclamou em voz alta Fred Weasley, fazendo grande parte dos alunos rir, inclusive eu.
- Não estou brincando, Sr. Weasley - disse ele, soltando risinhos - Bom, alguns de vocês talvez não saibam o que é esse torneio, de modo que espero que aqueles que já sabem me perdoem por dar uma breve explicação, e deixem sua atenção vagar livremente.

Eu não prestei atenção em parte do que ele dizia, olhei para as mesas logo à frente, o meu olhar encontrou o de Fred Weasley, que mesmo de longe ainda tinha o sorrisinho irritante.
Ergui uma sobrancelha, ele não se intimidou e continuou me encarando.

- Ah, isso deve ser muito perigoso, Draquinho! - disse Pansy, me fazendo desviar o olhar, quando olhei de volta para a mesa, Fred já não olhava mais, teríamos ficado naquilo para sempre se Pansy não tivesse aberto a boca.
- Os diretores de Beauxbatons e Durmstrang chegarão com a lista final dos competidores de suas escolas e a seleção dos três campeões será realizada no Dia das Bruxas. Um julgamento imparcial decidirá que alunos terão mérito para disputar a Taça Tribuxo, a glória de sua escola e o prêmio individual de mil galeões.
Todos os alunos ficaram admirados com o prêmio e toda a glória, conversavam com os vizinhos, a mesa da Sonserina estava recheada de pessoas querendo participar, eu mesma participaria de pudesse...
Logo depois, Dumbledore revelou que apenas maiores de dezessete anos poderiam participar, destruindo os sonhos de grande parte dos alunos.
Ele deu mais alguns avisos sobre a chegada dos alunos de outras escolas, e então nos mandou para a cama. Ouviu-se um estardalhaço quando todos os alunos começaram a se levantar.

- Mas que raios! Queria tanto os mil galeões! - disse um menino da Sonserina, que eu não fazia ideia de quem fosse.

Me levantei também, as meninas, Draco, Blasio, Crabbe e Goyle andavam logo a minha frente.
Cedrico Diggory se aproximou de mim com um sorriso enorme no rosto.

- Deixe-me adivinhar - falei, sorrindo também - Você vai apresentar seu nome para a seleção?
- Com certeza! - respondeu, me dando um pouco de passagem em meio ao mar de alunos, Fred e Jorge se aproximaram - E aí, caras?
- Vamos enganar o juiz imparcial! - disse Jorge - Queremos participar!
- Duvido muito que consigam enganar o juiz - disse, parando, já que a entrada para as masmorras estava próxima.
- Não duvidaria de mim se fosse você, Zuckker! - alertou Fred, os outros três também pararam - Nós somos os Weasley, somos especialistas em marotagem.
- Certo, vou fingir que acredito – respondi - Vejamos agora quem é novo demais, não é?

Cedrico e Jorge explodiram em risadas, acenei com a cabeça para eles e segui para as masmorras.
Chegando lá, não perdi tempo no Salão Comunal e fui direto para o dormitório das meninas, indo para o quarto que dividia com Pansy, Dafne e Astoria. Fui para minha cama de dossel no fundo do cômodo e coloquei meu malão do lado da cama, para que ficasse meio escondido.

- , você participaria se pudesse? - perguntou Dafne, penteando os cabelos de Astoria.
- Claro que sim, vocês não? - disse, pegando uma roupa para dormir e um robe verde.
- Talvez sim, seria, hum... Interessante - disse Astoria, fazendo caretas quando Dafne puxava demais seu cabelo.

Apesar de Astoria ser mais nova do que nós três, a colocaram no nosso quarto, talvez por ser irmã de Dafne.

- Eu prefiro só ficar olhando mesmo! - disse Pansy, tirando as meias molhadas.
- Quem vocês acham que vai ser o campeão de Hogwarts? - perguntou Dafne, dando umas escovadas tão fortes no cabelo de Astoria, que doeu até em mim.

Eu quase respondi “Harry Potter”, porém não falei nada, balancei a cabeça negativamente e fui tomar um banho, deixando as três imersas em suas conversas.
Meu primeiro ano conturbado em Hogwarts estava só começando...

Capítulo 5


Caminhava pelos corredores de Hogwarts com Pansy e Dafne, estávamos a caminho da aula de Trato das Criaturas Mágicas. O temporal da noite anterior já se esgotara, porém o céu ainda parecia acinzentado.

- Droga! Agora temos aula com a Grifinória!- exclamou Pansy, checando um pedaço de pergaminho que haviam distribuído no café.
- E aí, garotas? - disse Draco Malfoy, se aproximando de nós três com os seus dois fiéis seguidores, Crabbe e Goyle.
- Oi, Draquinho! - suspirou Pansy, abrindo um belo sorriso para Draco, ele não gostava quando ela o chamava assim, porém não disse nada, só sorriu de volta.
- Aula com aquele meio-gigante inútil, quero só ver que grande idiotice ele vai trazer para a aula de hoje!- exclamou, Draco tinha raiva de Rúbeo Hagrid por trazer Hipogrifos para as aulas no ano passado.

Eu estava completamente alheia ao assunto, esperava algum sinal de vida de Bartô, pois precisaríamos de um plano, onde eu entregaria as poções, se teríamos algum código e coisas do tipo.
Não havia visto Crouch no café.
Até que o próprio professor apareceu do outro lado, fez um sinal para mim, indicando um corredor meio deserto e indo para o local logo depois.

- Eu encontro vocês lá embaixo - exclamei, me despedindo, seguindo para o outro corredor.
- Vai encontrar seu namoradinho, Zuckker? - gritou Malfoy, chamando atenção dos alunos da Grifinória e Corvinal que chegavam ao corredor. Parei e olhei para trás, Malfoy tinha um olhar maldoso.

Dei um sorriso tão maldoso quanto o dele, e respondi:

- Sim, estou indo encontrá-lo - observei que perto dele estava Lino Jordan, consequentemente, Fred e Jorge também estariam - Seu desejo era que ele fosse você, não é?

Voltei ao meu objetivo inicial, que não tinha nada a ver com namoro, era tão sério que Draco nem imaginaria. Ao final do corredor, "Alastor Moody" estava encostado em uma das paredes, bebendo de um frasco. Me aproximei.

- Querida! - exclamou, dando um sorriso - Precisamos discutir algumas coisas.
- Seja breve, eu tenho aula agora.
- Tentarei, não posso garantir nada - respondeu Crouch - Preciso de uma grande quantidade de poções, muitas mesmo.
- Eu sei, o efeito é de apenas uma hora - afirmei, olhando para os lados para checar se ninguém vinha - Precisarei usar a sala de Poções, não sei como vou conseguir isto sem que nenhum aluno, ou até mesmo Snape, perceba...
- Vou arrumar capas da invisibilidade, apesar de não ser a original, vão ter um tempo de efeito, assim você vai trocando conforme elas pararem de funcionar.
- Certo, começarei amanhã, então? – perguntei - Preciso também saber quantas poções você ainda tem de estoque.
- Até amanhã terei as capas, vou enviar por correio-coruja, não abra na frente dos amigos - pediu ele, desencostando o corpo da parede, fez um sinal para seguirmos o caminho - Tenho ainda noventa poções, parece muito, mas como você sabe, não é bom para um ano.
- Certo, se tiver que me dizer algo, envie cartas anônimas ou pacotes com siglas, por favor! - foi a última coisa que eu disse antes de me afastar dele e ir para os jardins.

O trabalho seria difícil de conciliar com as tarefas usuais do quarto ano, mas pelo menos manteria minha cabeça e meu corpo ocupados. Ultimamente eu andava muito triste, e nem sabia o real motivo por trás disso.
Desisti de ir para a aula de Trato das Criaturas, chegando aos jardins, sentei embaixo de uma árvore, com a bolsa a tiracolo cheia de livros, tinta e pergaminhos.
Encostei a cabeça na árvore, ali era um dos lugares que eu mais gostava de ir para refletir. Ao longe, podia ver pontos pretos fazendo alguma coisa, eram os alunos na aula de Trato.

- Você não deveria estar lá embaixo? - perguntou Fred Weasley, sentando-se ao meu lado, gelei por um breve momento antes de reconhecer a voz, achando que fosse algum professor.
- Você não deveria se sentar aqui - exclamei, encostando a cabeça novamente - Esse é o meu lugar.
- Esse também é o meu lugar - Fred declarou, pegando uma pedrinha dentre as várias que estavam no pequeno espaço entre nós e jogando para frente logo em seguida - Eu venho aqui para ficar longe de tudo, e você?
- Venho aqui quando eu quero refletir ou se estou triste - respondi, olhando para Fred... Ou Jorge? - Se eu chorar aqui, ninguém vai perceber.
- Profundo, Zuckker - admirou-se ele - Pelo menos não é o lugar onde você dá uns amassos. Eu já achei o lugar do Lino sem querer.
- Ei! Agora que eu percebi, não perguntei se você era o Fred ou o Jorge.
- Você sabia que eu era o Fred, minha presença é inconfundível.
- Fred, você se acha demais! - revirei os olhos, pegando uma pedrinha também.
- Ei, você não dá uns amassos aqui, não é? - Fred perguntou de novo, com uma expressão muito séria - Seria estranho.
- Eu nunca daria uns amassos aqui - respondi, rindo. Só alguém assim para pensar nisso...
- Consegui - gabou-se Fred, sorrindo e jogando mais pedrinhas.
- Conseguiu o que exatamente, Weasley?
- Fazer você rir, de verdade...- respondeu Fred, olhando para mim - Alguém como você ou do seu grupo normalmente finge que não acha graça.
- Grupos diferentes...
- Você sabe o que é, certo? - falou ele, parecendo muito mais sério do que na brincadeira anterior - Não é muito comum sermos amigos ou estarmos sentados no mesmo lugar sem jogar algum feitiço ou xingamento um no outro.
- Quem disse que nós somos amigos?
- Você sabe que somos amigos, você quer ser minha amiga.
- Nem nos seus sonhos mais profundos.
- Falando em sonhos, você sonhou comigo? - perguntou Fred, me fazendo me lembrar do pesadelo que tive, ele apareceu.
- Não, claro que não - omiti, não era completamente mentira, nem totalmente verdade - Quem, em sã consciência, sonharia com você?
- Algumas garotas de Hogwarts já sonharam e ainda sonham em ter esse carinha aqui! - falou, apontando para si mesmo - Seria diferente com você?
- Obviamente! - gargalhei, acho que ter alguma companhia lá era tão bom quanto ter meu momento, sozinha - Todos sonham em ter essa carinha aqui, mas nem todos podem...
- Depois eu que me acho demais! - exclamou, rindo também - Não é tão torturante conversar com você, .
- É muito torturante conversar com você, Weasley - fingi, jogando a última pedrinha para frente - Estou me segurando para não te jogar um estupefaça, você não sabe como é difícil.

Ele gargalhou alto, percebi que os pontos pretos começaram a subir de volta para o castelo, era hora de me afastar de novo.

- Melhor eu ir, Weasley! - exclamei levantando e batendo devagar na capa, para tirar a sujeira.
- Não seria bom ser vista comigo, não é? - desanimou-se ele, me entregando a bolsa.
- Não seria bom ser visto comigo, não é?- repeti, éramos algo complicado.

Se meus amigos me vissem com ele, eu seria amiguinha de alguém que tem exatas características eles tanto julgam, até eu mesma julgava quando era uma inconsequente... Talvez no fundo, continue julgando.
Se os amigos dele me vissem com Fred, ele seria um idiota inconsequente por conversar normalmente, sem troca de farpas, com uma Sonserina, filha de comensal...
Ele deu um sorriso típico, fui a primeira a sair de perto. Encontrei meus amigos perto das grandes portas, Draco fechou a cara quando me viu, mas não saiu de perto.

- Onde você estava, ? - perguntou Pansy, se aproximando, Dafne se posicionou do meu lado direito.
- Eu estava por aí, perdi a vontade de ir para a aula - respondi, não era mentira - O que aconteceu na aula de hoje?
- Ridículo, como eu falei! - intrometeu-se Draco, com sua expressão de desdém - Rúbeo trouxe Explosivins.

Então começamos uma ávida discussão sobre as criaturas que Rúbeo trazia, com destaque para as infinitas reclamações de Draco, que não parava de chamá-lo de meio-gigante idiota.

Astoria, Dafne e Pansy já haviam descido para o jantar, fiquei no quarto para me organizar melhor com os ingredientes para produzir as poções de Crouch, inclusive, eu trouxera outra bolsa com feitiço de extensão, para levar à sala de poções quando fosse lá de madrugada.
Acabara de escrever uma carta para meu pai, requisitando mais caldeirões, já que um só seria insuficiente para fazer toda aquela quantidade de poção. Assim que terminasse de arrumar tudo, levarei a carta para o corujal, assim ele vai receber em um local que a carta não possa ser extraviada.
Sai do quarto, escondendo o bilhete no bolso da jaqueta, minha varinha estava no lugar de sempre, dentro da bota, escondida pelos jeans. Peguei o caminho do corujal, encontrando Lino Jordan e uma garota na escada para o local, eles me pareceram muito envergonhados, parece que eu também encontrei o local de amassos dele.
Deixei a carta para a coruja que sempre usava para entregar minhas correspondências para Mad e desci para o salão principal. Como sempre, o local estava apinhado de gente, Pansy guardava um espaço no banco para mim, fiz meu prato, meus amigos conversam no modo aleatório, mudando de assunto tão subitamente que eu não consegui acompanhar, então só jantei mesmo.

- O Moody com certeza vai falar um monte de besteiras sobre nossos parentes! - exclamou Draco, bebericando um pouco do líquido em seu copo.
- Se ele mencionar o sobrenome Parkinson, eu vou debater, com certeza! - disse Pansy, talvez o verdadeiro Moody não falasse muito sobre os Parkinson, eles não eram tão polêmicos quanto os Malfoy ou os Zuckker.
- Quando vamos ter aula com ele? - perguntei, terminando de comer.
- Só na quinta-feira, com a Grifinória - respondeu Dafne, parecendo me notar só agora - Por que demorou tanto, ?
- É, Zuckker, por que demorou tanto? - perguntou Malfoy, dando um risinho sínico.
- Ah, uns problemas meus! – menti - Tive de ir à biblioteca.

Dafne se convenceu com a minha resposta, porém percebi que Draco não acreditou em nada que eu disse.
Depois das sobremesas, Dumbledore nos liberou. Levantei quando todos começaram a fazer o mesmo, porém parei subitamente quando Crouch me deu um sinal, fazendo Blasio Zabini esbarrar em mim, pedi desculpas e continuei andando.
Encontrei "Moody" em um corredor vazio, Crouch começou a dizer:

- As capas chegarão amanhã, você já tem um plano?
- Sim, pedi para meu pai se passar por um comerciante de caldeirões e enviar uma grande quantidade para Hogwarts, grande mesmo, assim ninguém vai desconfiar.
- Certo, você é inteligente... - exclamou Crouch, fiz um sinal de despedida para ele e voltei pelo caminho que daria para as masmorras.
- ! - gritou um dos gêmeos Weasley, vindo com Cedrico e seu outro gêmeo em minha direção.
- Assim você assusta a garota, Jorge! - disse Fred, rindo, olhei para ele, ele me olhou de volta e sorriu.
- Eu não me assusto facilmente - disse, olhei para os lados para ver se algum de meus amigos estava lá, ninguém - O que vocês querem?
- Queremos muita coisa, mas neste momento, queremos que você se junte a nós três e outros alunos todos os domingos para jogarmos Quadribol - disse Cedrico, cruzando os braços - Como você é uma ótima batedora, queremos te convidar.
- Dumbledore nos autorizou a fazer isso - esclareceu Jorge - Enquanto não atrapalhar o Torneio Tribuxo, claro.
- Certo, eu vou participar - respondi, Quadribol era uma das coisas que eu mais amava, então com certeza estava nessa, só não sabia como outros jogadores iam reagir, provavelmente eu era a única Sonserina a ser convidada.

Os três sorriram animados.

- Fred tinha certeza de que você ia aceitar! - exclamou Jorge, acotovelando o gêmeo.
- Como você tinha certeza disso? - perguntei, franzindo a testa.
- Ah... Você sabe, não é? - atrapalhou-se ele, coisa que eu pensei que nunca fosse ver - Quem não aceitaria? Digo, é Quadribol e...
- Ok, Fredoca, já entendemos! - riu Cedrico, trocando um olhar significativo com Jorge. Fred me olhava cauteloso.
- VÃO PARA SEUS DORMITÓRIOS, AGORA! - ouvi Argo Filch gritar para nós.
- Noite! - disse, dei um sorriso e voltei o caminho para as masmorras.
- NOITE, ! - gritou Jorge, em resposta, me fazendo rir.

No outro dia, acordei atrasada para o café da manhã, descendo para o salão sem pentear o cabelo meio desgrenhado.
Corri para mesa, ninguém poderia receber ou mexer nas minhas encomendas, seria péssimo se isso acontece. Porém, ao chegar ao meu lugar, nada estava lá.
Como se adivinhasse, duas corujas chegaram e deixaram um grande pacote e uma carta em cima do prato que usaria. Todos da mesa lançaram olhares curiosos para os pacotes, peguei-os e sai do salão, sem falar com ninguém.

- Ei, ? - perguntou Pansy quando eu levantava - Não vai comer? Saiu uma coisa no jornal...

Sentei em um degrau da escada e abri a carta, antes, olhando se ninguém se aproximava. O bilhete dizia:

"Cara , aqui é Madeline Z. recebendo seu pedido.
Irei fazer exatamente o que você pediu, é bom saber que anda se esforçando e tomando cuidado para que ninguém perceba nada...
Ass: Madeline Z."

Rasguei a carta logo em seguida, em vários pedacinhos para que ninguém conseguisse ler. Como sempre, meu pai só tratou de negócios, não perguntou como andavam as coisas e nem me respondeu se estava tudo bem com ele...
Voltei rápido para as masmorras e escondi o pacote embaixo da cama, percebi que agora teria aula com Crouch, então me apressei para ir para a sala.
A porta estava fechada quando me aproximei da sala, abri a mesma e todos se viraram para mim.

- Zuckker - chamou Crouch, olhando para a folha de chamada.
- Com licença! - respondi entrando na sala e ocupando o único lugar vago, ao lado de Neville Longbottom, que se assustou um pouco quando sentei ao seu lado - Presente!
- Por que chegou atrasada, Srta. Zuckker? - perguntou o professor.
- Fui checar coisas na biblioteca...
- Certo, que isso não se repita - falou, sacudindo a juba de cabelos grisalhos, guardando a folha - Certo, recebi uma carta de seu antigo professor, o Sr. Lupin, percebi que estão muito atrasados em maldições...

Crouch engoliu em seco e observou a sala toda com atenção.

- Então... Algum de vocês sabe que maldições são mais severamente punidas pelas leis da magia? - perguntou "Moody". Várias mãos se ergueram, mas Crouch apontou para Rony Weasley.
- Hum - disse Rony sem muita certeza -, meu pai me falou de uma... chama-se Maldição Imperius ou coisa assim?
- Ah, sim - disse Crouch, satisfeito - Seu pai conheceria essa. Certa vez deu ao Ministério muito trabalho, essa Maldição Imperius.

Crouch se apoiou pesadamente nos pés desiguais, abriu a gaveta da escrivaninha e tirou um frasco de vidro. Três enormes aranhas pretas corriam dentro dele, eu já tive uma aranha de estimação uma vez, porém ela fugiu no meu primeiro ano em Hogwarts, desde então eu desisti de ter qualquer coisa, com medo de perder.
Crouch meteu a mão dentro do frasco, apanhou uma das aranhas e segurou-a na palma da mão, de forma que todos pudessem vê-la.
Apontou, então, a varinha para o inseto e murmurou"Imperio!".
A aranha saltou da mão de Moody para um fino fio de seda e começou a balançar para frente e para trás, como em um trapézio.
Praticamente todos riram, menos Crouch e eu.

- Acharam engraçado, é? - rosnou ele - Vocês gostariam se eu fizesse isso com vocês?

As risadas pararam quase instantaneamente.

- Controle total - disse o professor em voz baixa, quando a aranha se enrolou e começou a rodar sem parar - Eu poderia fazê-la saltar pela janela, se afogar, se enfiar pela garganta de vocês abaixo... Há alguns anos, havia muitos bruxos e bruxas controlados pela Maldição Imperius- disse Crouch, falando sobre a época que o Lord fora o todo poderoso. - Foi uma trabalheira para o Ministério separar quem estava sendo forçado a agir de quem estava agindo por vontade própria.

Mal sabiam os alunos que um dos bruxos que trabalhara para Voldemort por vontade própria estava bem ali na frente. Percebi que Pansy e Dafne faziam sinais para mim, porém eu não entendia nada. Draco me olhava de canto, com uma expressão fechada.
Crouch apanhou a aranha acrobata e atirou-a de volta no frasco.

- Mais alguém conhece mais alguma? Outra maldição ilegal?

A mão de Hermione Granger se ergueu e, para a minha surpresa, Neville Longbottom também ergueu sua mão.

- Qual? - perguntou Crouch, seu olho mágico dando um giro completo para se fixar em Neville.
- Tem uma, a Maldição Cruciatus - disse Neville, em uma voz fraca, mas clara.

Crouch olhou para Neville, parecia reconhecê-lo. Desta vez observou-o com os dois olhos.

- O seu nome é Longbottom? - perguntou ele, o olho mágico girando, para olhar a folha de chamada.

Neville confirmou nervoso com a cabeça, mas o professor não fez outras perguntas.
Tornando a voltar sua atenção à classe, ele meteu a mão no frasco novamente, apanhou outra aranha e colocou-a no tampo da escrivaninha, onde o inseto permaneceu imóvel, aparentemente demasiado assustado para se mexer.

- Consegue permanecer em silêncio pelo menos um minuto, Srta. Parkinson? - perguntou Crouch, observando Pansy pelo olho mágico, ela continuava tentando chamar minha atenção. Pansy abaixou a cabeça, envergonhada.
- A Maldição Cruciatus - continuou Crouch - Preciso de uma maior para lhes dar uma ideia - Engorgio!

A aranha inchou. Estava agora maior do que uma tarântula. Ouvi um arrastar de cadeira, olhei para trás e era Rony Weasley, os cabelos ruivos me lembrando Fred, mas que droga!
O professor tornou a erguer a varinha, apontou-a para a aranha e murmurou:

- Crucio!

Na mesma hora as pernas da aranha se dobraram sob o corpo, ela virou de barriga para cima e começou a se contorcer horrivelmente, balançando de um lado para outro. Não emitia som algum, mas eu tinha certeza, se tivesse voz, estaria berrando.
Minha cabeça começou a latejar, memórias incertas vieram na minha cabeça. Era tudo muito escuro e turvo, porém podia ver uma mulher, estava se contorcendo no chão e berrando tão alto que achou que seus tímpanos estourariam. Não sabia quem era a mulher, nem quem era a pessoa que a fazia sentir aquilo, o lugar era familiar, porém ela ainda não reconhecera. A última coisa que ouviu foi uma voz gritar seu nome...

- Pare! - ouviu Hermione Granger dizer em voz aguda para Crouch.

Olhei para Neville, ele agarrava a carteira diante dele, os nós de seus dedos estavam brancos, seus olhos arregalados e horrorizados.
Crouch ergueu a varinha. As pernas da aranha se descontraíram, mas ela continuou a se contorcer.

- Reducio - murmurou Crouch, e a aranha encolheu e voltou ao tamanho real, ele a colocou de volta no frasco.

Os flashs da memória passavam pela minha cabeça, quem era a mulher que se contorcia? Quem executava o feitiço? Onde eu estava?

- Avada Kedrava - sussurrou Hermione Granger quando o professor perguntou se alguém sabia mais uma.

Muitos colegas de Hermione a olharam constrangidos, os outros permaneciam com a expressão irredutível.

- Ah! - exclamou Crouch, um sorrisinho torcendo em sua boca enviesada - Ah, a última e a pior... Avada Kedrava... a maldição da morte.

Ele enfiou a mão no frasco e, como se soubesse do destino fatal que teria, a aranha correu freneticamente pelo fundo do objeto, tentando escapar dos dedos de Crouch, mas ele a apanhou e colocou sobre a escrivaninha. O inseto começou a correr, desvairado, pela superfície de madeira.
Crouch ergueu a varinha e pressenti.

- Avada Kedrava! - berrou ele.

Houve um relâmpago de ofuscante luz verde e um rumorejo, como se algo vasto e invisível voasse pelo ar - instantaneamente a aranha virou de dorso, sem nenhuma única marca, mas inconfundivelmente morta. Várias pessoas abafaram gritos de horror. Rony Weasley quase caiu da cadeira.
Crouch empurrou a aranha morta para fora da mesa.

- Nada bonito - disse calmamente - Nada agradável. E não existe contramaldição. Não há como bloqueá-la. Somente uma pessoa no mundo já sobreviveu a ela e está sentada bem aqui na minha frente.

Naturalmente, era Harry Potter, que virou quando todos os olhares da sala de voltaram para ele.
Eu não sabia exatamente o que tinha acontecido com Harry Potter neste dia, não sabia porque o feitiço tinha se voltado contra o Lord, porém ele era o único em anos de magia que tinha executado tal feito, eu desconfio que o próprio Harry não saiba como sobreviveu.
Logo depois o professor pediu para que copiássemos o que ele dizia, ao meu lado, Neville continuava abalado, borrava o pergaminho a todo momento.
Dei uma olhada para trás, Pansy e Dafne continuavam a fazer sinais, e eu continuava não compreendendo absolutamente nada. Franzi o cenho e sussurrei "o que aconteceu?" para as duas, antes que elas voltassem a tentar me explicar, porém a sirene tocou e fomos liberados.
Todos os alunos comentavam pasmos, sobre a aula que acabara de acontecer.
Me aproximei de Pansy, Dafne e Draco.

- Que é que vocês duas tentavam me dizer a aula toda? - perguntei, guardando meu tinteiro na bolsa.
- Bom, íamos falar disso com você no café da manhã, mas você nem ao menos prestou atenção, logo saiu correndo - esclareceu Dafne, apontando para a pequena mochila em suas costas, Pansy abriu-a e de lá tirou um jornal, o Profeta Diário.
- Olhe a primeira notícia, - explicou Draco, pegando o jornal das mãos de Pansy e jogando em minhas mãos.

A capa estampava uma foto de meu pai, com a aparência de sempre, ele estava na Travessa do Tranco, a manchete dizia: "CHARLIE ZUCKKER DE VOLTA?".
Os textos contavam sobre o fato de meu pai ter sido um comensal, de quando ele desapareceu, inclusive mencionava meu nome, já que, mesmo que meu pai não se lembrasse, tinha uma filha, não uma serva.
Algo muito irônico, Charlie vivia dizendo para que eu não chamasse muita atenção, fez com que eu me machucasse para "evitar possíveis suspeitas" e aparecia assim? Os ferimentos não doíam tanto como antes, mas a experiência anterior já era dolorida o suficiente para que eu ficasse com raiva dele.

- , está tudo bem? - perguntou Dafne, checando meu rosto.
- Não, não está nada bem! - respondi, sai correndo para o banheiro mais próximo.

Ao chegar ao banheiro, dei descarga no jornal, arranquei os ferimentos das queimaduras, que agora eram minha pele avermelhada e destacada, com poucas bolhas. Encostei a cabeça na porta de um dos boxes, deixei meu corpo escorregar, batendo a cabeça na mesma porta diversas vezes. Isso era quase uma crise existencial.
O que me irritava mais era ele não dar a mínima para mim e me fazer cumprir tão arduamente "suas" ordens e no fim não fazer o mesmo. E se o plano fosse por água baixo que nem aquele jornal idiota? E se eu fosse descoberta? O que aconteceria? Eu seria presa?
Depois de ter meu pequeno momento de drama, sai do banheiro, não enrolei nada nas bandagens, tirei a capa e joguei por cima da bolsa, então meus ferimentos estavam totalmente expostos. Penteei meus cabelos com os dedos, mas não adiantou muito.
No corredor, os estudantes lançavam olhares de canto para mim, ignorei todos e fui para a sala da próxima aula, chegando atrasada novamente.

Sai mais cedo do jantar, caminhando por Hogwarts, só não fui para os jardins por preguiça de voltar depois, mas andar pelo castelo nunca me cansava.
Encontrei Pirraça, o poltergeist de Hogwarts, no caminho, eu era uma das poucas pessoas que ele não fazia nada, pois eu já o ajudara algumas vezes.
Cheguei até a sala dos troféus, repleta de taças e medalhas de diversos tipos de prêmios, desde Quadribol até Serviços Prestados à Escola. Fui observando cada um deles, distraída com o assunto de Charlie.

- Alô! - disse Cedrico, entrando na sala também - Vi que você saiu meio abatida e pela notícia do jornal, conclui que você estava totalmente abatida.
- Eu estou completamente abatida - suspirei, sentei em um canto da sala, Cedrico me acompanhou - Ced, ele ficou quase sete anos desaparecido! Fiquei sete anos preocupada! E antes eu nem tinha idade para me preocupar!
- É realmente complicado, ! - concordou ele, batucando os dedos no piso da sala - O pior é que você descobriu por uma manchete, ele nem te avisou!
- Eu preferia ter sabido pelo jornal mesmo.
- Eu preferiria que meu pai viesse até mim e me explicasse tudo - argumentou Cedrico, olhando para mim - Sabe? Me explicasse porque sumiu, onde ficou, se não se importou em nenhum momento comigo...
- Óbvio que ele não se importou! - exclamei, fechando os olhos - Os Zuckker tem um longo histórico de deixar o circo pegar fogo sem ligar se foi ele ou o colega que acendeu a fogueira.
- Você vai entrar em contato com ele? - perguntou.
- Não faço a mínima ideia de onde ele esteja agora, Charlie está sendo procurado pelo Ministério por trabalhos como Comensal - expliquei, suspirando novamente, ouvi passos se aproximando - Se eu entrasse em contato, era capaz de eu virar a busca número um dele...
- Nem nos chamaram para a festa! - reclamou um dos gêmeos Weasley, que entravam na sala.
- Queria que fosse uma festa mesmo - respondi, ao invés de uma festa, tinha ganhado vários pesos nas minhas costas.
- Novamente depressiva, Zuckker? - perguntou, agora eu sabia, Fred, sentando-se no outro lado, o lado não ocupado por Cedrico. Jorge estava logo à minha frente.
- Nunca deixei de ser, Weasley.
- Estávamos falando sobre o pai dela, vocês sabem, a notícia principal do jornal de hoje - adiantou Ced, os gêmeos balançaram a cabeça em confirmação.
- Ele vai adorar isso! - exclamei gargalhando de repente, os outros três me olhavam confusos - Charlie adora ser o centro das atenções.
- Então ele foi parar no lugar certo - sorriu Fred, rindo também - Será que ele não fez isso de propósito?
- Eu faria isso de propósito, claro que ele também fez - respondi, ainda rindo.
- Como vai na tentativa de conquistar o juiz imparcial? - perguntou Cedrico aos gêmeos, que deram um olhar cúmplice.
- Bom, vocês são os únicos que sabem das nossas ideias, portanto, não espalhem, queridos - pediu Jorge, rindo, tirou um pergaminho do bolso e entregou para que nós dois lêssemos.

Terminei antes de Ced, que analisava com cuidado, olhei para os ruivos com olhares ansiosos e desatei a rir de novo.

- Do que você está rindo, ? - perguntou Cedrico, dobrando o papel e entregando a Jorge.
- Não entendi o que tem de engraçado ali - confundiu-se Fred, olhando para o irmão.
- Vocês acham mesmo que o juiz imparcial é um homem, ou talvez uma mulher? Sinceramente! - perguntei me recuperando das gargalhadas repentinas.
- Achamos! - responderam os gêmeos, juntos.
- Óbvio que não é! Achei que fossem mais espertos! - falei usando um tom decepcionado.
- E então, o que seria? - perguntou Fred.
- Não sei, não estou organizando o evento – exclamei - Claro que não vai ser um bruxo, pode ser um artefato ou coisa assim, algo grandioso, não é uma competiçãozinha de escola, é um torneio Tribuxo.
- A teoria dela tem fundamento, não deve ser um bruxo - concordou Ced, voltando a batucar os dedos no piso.
- Certo, então temos de reformular todas as nossas técnicas! - decepcionou-se Jorge.
- Eu preciso dormir, se não eu caio na depressão pra sempre! - faleime espreguiçando, meus ferimentos estavam descobertos, Fred olhava intensamente para lá.
- Também preciso, mas não acho que eu cairia na depressão como você, ! - Cedrico respondeu, rindo e oferecendo a mão para eu levantar.
- Infelizmente, não tenho seu autocontrole, Ced! - balbuciei, triste.

Cedrico foi saindo na frente com Jorge, os dois nos deram boa noite e se afastaram, talvez de propósito.

- Zuckker, você tem certeza que se machucou sem querer? - perguntou Fred, quando ficamos a sós.
- Acho que meus ferimentos dizem que sim, não é? - respondi, abaixando a cabeça, estávamos a caminho das masmorras.
- Não foi isso que eu quis dizer - reformulou ele, engolindo em seco - Eu quis perguntar se você não se machucou de propósito, já que disse que é depressiva...

Não podia acreditar que Fred Weasley estava realmente preocupado... Será que estava mesmo?

- Fred, eu sou naturalmente depressiva - expliquei a ele, olhando diretamente para seus olhos, ele não mostrava o tão típico sorriso, o sorriso que eu sempre reclamava... - Não é por isso que eu vou me mutilar ou queimar de propósito.
- Certo... hum, não... sabe? Não faz isso.
- Eu não farei se me der um bom motivo, Weasley - aticei, olhando para ele de novo, dessa vez, o sorriso apareceu.
- Não quero que você morra, ué! - Fred respondeu, sorrindo ainda mais, me acotovelando levemente nas costelas.
- Que bom que você não escreve meu nome em um caderninho da morte...
- Existe um caderninho da morte?
- Óbvio que não, Weasley.

Havíamos chegado ao fim do corredor, a sala Comunal da Sonserina ficava no corredor à esquerda.

- Bom, então boa noite, - suspirou ele, deu um sorriso de canto - Tente sobreviver essas horas sem mim.
- Vou tentar não me apaixonar por você em umas oito horas de sono...
- Você é completamente formada por ironia - Fred gargalhou gostosamente, escorando na parede de pedras - É impossível resistir a mim, nem tente.
- Melhor você ir dormir, falta de sono não faz bem pra você - exclamei, rindo também.
- Noite, ! - desejou-me Fred, usando meu apelido pela primeira vez.
- Noite, Fred! - disse também, ele se afastou da parede e fez o caminho de volta, deu uma olhadinha para trás e sorriu, tropeçando nos próprios pés logo depois.

Entrei no salão comunal, indo para meu dormitório, talvez a falta de sono também não estivesse fazendo bem para mim...

Continua...



Nota da autora: (08/09/2017) Sem nota.




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