CAPÍTULOS: [01][02][03]





Dancing With The Dark






Última atualização: 31/07/2017

Capítulo 1


- Srta. Zuckker, acorde, já! - Escutei Madeline, minha governanta, falar grosseiramente, a convivência com ela não era nada fácil. Essa tal convivência só é necessária porque minha mãe foi morta por aurores quando eu tinha 1 ano de vida, e meu pai.... Bom, ele desapareceu há 7 anos, desde então, nunca mais tive notícias dele...

Madeline puxou minhas cobertas para o chão e a ouvi abrir as pesadas cortinas brancas, quando abri os olhos, uma forte luz os atingiu e tive que fechá-los novamente.

- Madeline, você poderia me deixar dormir mais, sim? - Disse eu, revirando os olhos, levantei e coloquei meu robe verde por cima do pijama.
- Você tem deveres à cumprir hoje, , portanto, tem de acordar cedo. - Ela falou secamente.
- Que deveres? - Perguntei de cenho franzido enquanto me dirigia para o banheiro, minha memória não era uma das melhores.

Madeline me seguiu até o banheiro, e enquanto ligava a banheira, disse:

- Os Malfoy vão te levar até a Copa Mundial de Quadribol, hoje é a final e eventos importantes vão acontecer, consegue lembrar sozinha tais eventos?

Ah claro! Alguns "antigos" comensais da morte vão atacar hoje, o propósito eu não sei, só sei que vai ser épico! Quatorze anos sem ataques e o mundo bruxo vai à loucura, só quero ver a reação do Potter e dos amiguinhos dele.

- Sei bem de que eventos você fala, Mad, agora poderia, por favor, se retirar do banheiro e me deixar relaxar sozinha? - Falei com um sorriso inocente e irônico no rosto.
- Claro que posso, "madame". - Ela respondeu de forma irônica também. - Não demore muito, os Malfoy não gostam de esperar.
- Danem-se os Malfoy, se quiserem esperar, que fiquem à vontade, se não quiserem? Poupem-me de sua presença inútil. - Falei dando de ombros e comecei a tirar o pijama.
- Você vai realmente falar desse jeito sobre eles? Eles estão pagando o seu ingresso! - Madeline resmungou do quarto, incrédula.
- Estão pagando porque querem, eles sabem bem que eu tenho dinheiro de sobra para pagar meus próprios ingressos, se gostam de me bajular, não sou eu que vou impedir, não é mesmo? - Murmurei entrando na banheira.
- Você é terrível, , completamente terrível. - Ela disse rindo.
- Eu sei, eu sei, querida Madeline. - Murmurei baixinho, pendi a cabeça para trás e fechei os olhos, ouvi a porta bater, Madeline havia saído do quarto.

Com certeza todos que me conhecem devem se perguntar: "Nossa, , você não tem coração? Não vê quantas vidas Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado e seus comensais da morte tiraram?"
Mas ninguém fala sobre as pessoas que o "lado de lá" mataram, todas as mortes são acobertadas pelo fato deles serem os "bonzinhos" da novela toda...
Aliás, podem até ter comensais da morte que matam à sangue frio, se eles escolheram que fosse assim, não posso pedir para pararem no meio do caminho. Sobre o meu caso, eu não quero ficar do lado dos que mataram a minha mãe, eu não tenho escolha, a família escolheu por mim, as circunstâncias escolheram por mim, e até mesmo os bonzinhos escolheram por mim, minha escolha foi feita no dia em que nasci, foi feita pelo meu sobrenome, foi feita pelas ações dos que têm e tiveram meu sobrenome, essa é a questão, meus amigos, do "lado de cá", eles esperam de você um legado, que sejam conhecidos pela indiscutível maldade, eles esperam que você mate e torture mais do que os outros, eles esperam que você fique do lado dele, Lord Voldemort.
Mas eles não ficam esperando você mostrar sinais de está do lado dele, eles te obrigam a ficar do lado dele, você não tem escolha, eu não tenho escolha. Prefiro fazer justiça à morte de minha mãe do lado dele do que ficar do lado dos outros que mataram ela. É assim que funciona a vida, e eu tenho de aceitar.

- , SAIA JÁ DESSE BANHEIRO! OS MALFOY JÁ VÃO CHEGAR! - Madeline gritou escandalosamente, ela era obcecada em impressionar os Malfoy, grande lixo que eles eram, fúteis e chatos, principalmente Draco, eu não gosto do Potter e tudo mais, mas o Draco deve ser apaixonado por ele de tanto que implica, é quase uma obsessão!
- JÁ VOU, QUERIDA GOVERNANTA QUE ME AMA MAIS QUE OS MALFOY. - Gritei de volta, revirei os olhos e sai da banheira, me enrolei na clássica toalha verde e adentrei em meu quarto, lá, uma louca Madeline colocava minhas roupas em um malão, meus itens de Hogwarts levitavam do armário para a cama, para depois serem enfiados na mala por Mad.
- Você toma banhos muito longos, já deveria estar pronta, ainda nem tomou café! - Madeline falou, colocando roupas e outras coisas dentro do malão.
- Você é muito bajuladora dos Malfoy, eles são um saco, e meus banhos têm um tempo suficiente para mim, se você gosta de banho rápido, o problema é seu. - Eu disse, fui até meu guarda-roupa e peguei um casaco, uma blusa de lã e jeans.
- Você responde demais as pessoas, tem que parar com essa mania feia, uma moça... - Madeline resmungava brava.
- Uma moça fala o que ela quiser e quando quiser, não temos de ficar quietas e aceitar o que homens dizem, e mulheres também. - Falei brava e voltei para o banheiro para me trocar, eu odiava quando falavam o que as mulheres ou meninas podiam ou não fazer em comparação com os homens, ridículo, as mulheres agora têm de segurar a fala perto dos homens?

Quando voltei para o quarto, o malão já estava fechado e Madeline havia descido, fui até a velha penteadeira e escovei meu cabelo, calcei minhas botas, peguei minha varinha e desci. Quando cheguei à sala de jantar, três cabeças louras estavam sentadas junto à Madeline, três dos quatro conversando, os Malfoy haviam chegado.
Todos estavam de costas para mim, exceto Madeline, ela foi a única que me viu revirar os olhos, mas fingiu que não havia visto nada.

- Olá, Narcisa, Lucius e Draco. - Falei enquanto sentava em uma das cadeiras de frente para eles, Draco pareceu mais feliz quando eu sentei lá, patético.
- Olá, querida. - Respondeu Narcisa com um sorriso no rosto.
- Como vai, senhorita? - Disse Lucius.
- Oi, . - Falou Draco.
- Estou bem e vocês? - Respondi, logo depois peguei uma jarra e servi suco para mim.
- Nós três estamos perfeitamente bem. - Respondeu Lucius antes que os outros dois falassem.
- Ótimo, sirvam-se, por favor. - Falei educadamente, passei geleia em um pãozinho e mordi um pedaço.

Os outros quatro começaram a comer, Draco olhava a todo o momento para mim, qual era problema desse menino?
Quando terminamos, Mad fez um feitiço e os talheres e pratos foram para a cozinha. Levantei e fui para sala de estar, com os Malfoy atrás de mim como se fossem minhas sombras.

- , depois tenho algumas instruções para passar a você e Draco. - Disse Lucius.
- Sobre o ataque que vai ocorrer? - Perguntei.
- Isso mesmo, são só algumas precauções a tomar, lugares onde devem ir quando tudo começar e sobre discrição. - Respondeu Lucius.
- Tudo bem. - Falei e engoli em seco, um silêncio se estendeu até que me lembrei do meu malão, fiz um movimento com a varinha apontando para as escadas e murmurei: - Accio malão. - Minha querida mala vinha levitando, logo depois parou perto dos meus pés, em questão de segundos.
- Impressionante, . - Disse Draco irônico, achou que eu tivesse feito isso para me exibir, francamente!
- Cale-se, Draco, sem bobagens. - Disse Lucius secamente para Draco antes que eu pudesse responder, Draco estremeceu e ficou de cabeça baixa, ele não sabe nem discutir.

Madeline voltou com uma travessa embrulhada nas mãos, foi até Narcisa e disse:

- Para a sobremesa, tenham um bom dia. - Estendeu a travessa para ela que pegou com um sorriso no rosto.
- Muito obrigada, Madeline. - Agradeceu Narcisa.
- Bom, vamos indo? - Perguntou Lucius, ele apontava para lareira, vamos utilizar o Pó de Flu.
- Sim, vamos. – Respondi indo pegar meu malão.
- Não precisa levar, , deixe que eu levo. - Disse Lucius pegando o meu malão

Madeline foi até a cristaleira e pegou um pote de vidro ornamentado e de lá tirou o Pó de Flu, Lucius deu passagem para Draco, que pegou um pouco do pó brilhante e dirigiu-se para a lareira.

- Residência dos Malfoy. - Gritou Draco, logo em seguida jogando o Pó de Flu na lareira, desaparecendo em seguida.

Fui até Mad e peguei um pouco do mesmo pó, assim como Draco, entrei na lareira e disse:

- Tchau, Mad, até a próxima! - Ela deu um fraco sorriso e eu prossegui. - Residência dos Malfoy.

Logo após jogar aquilo na lareira, senti como se estivesse sendo sugada por um enorme ralo, meu corpo parecia estar viajando entre lareiras muito rápido, o rugido em meus ouvidos era ensurdecedor. Como eu já estava acostumada, não senti as sensações ruins que muitos sentiam na primeira vez, fui passando entre lareiras aleatórias até que cai com força no chão.
Levantei e tive a visão de uma sala de estar que apesar de luxuosa, aparentava não ter "vida". Draco ria da minha cara, sua risada de gralha era alta.

- Qual é a graça? Idiota. - Perguntei, limpando a poeira de minhas calças.
- Você caindo, foi simplesmente hilário, . - Respondeu ele se recuperando do ataque de risadas.
- Como se você não tivesse caído. - Disse eu, sentando em uma das confortáveis poltronas que havia perto da lareira. - Hoje vai ser um dia memorável.
- Vai mesmo, quero só ver a reação do Potter, da Sangue-Ruim, do Weasley Pobretão e daquela familiazinha medíocre dele. - Respondeu Draco, sentando na poltrona que ficava ao lado da minha, como eu já disse antes, ele era obcecado por Harry Potter e seus companheiros fiéis.
- Não só deles, de todo mundo. - Disse eu, antes de finalizar o que eu estava dizendo, Lucius chegou trazendo a travessa que Madeline havia dado à Narcisa, um curto tempo depois, Narcisa também chegou trazendo meu malão.

Capítulo 2


- Não entendendo o motivo de tanta sujeira em uma curta viagem. - Disse Lucius, firmando a travessa em uma só mão, tentando tirar a fuligem das roupas. - Onde está aquele Elfo imprestável?

Quis dizer que ele era o imprestável, não só ele, como grande parte da família, porém isso soaria antiético.
Um Elfo doméstico apareceu, logo Lucius jogou a travessa nas pequeninas mãos dele, que tremeram levemente com o contato entre suas palmas e o fundo da travessa.

- Senhora, Garvin deve levar essa mala para o quarto de hóspedes depois que Garvin levar isto para a cozinha? - Perguntou o Elfo Garvin.
- Sim, Elfo. - Respondeu Narcisa, batendo as mãos no tecido preto do vestido, Garvin imediatamente saiu com a travessa, levando para algum local na cozinha.
- Bem, e Draco, irei conversar melhor sobre o protocolo da Copa Mundial de Quadribol com vocês mais tarde, teremos alguma reunião aqui, peço que fiquem em outro cômodo. - Disse Lucius com a expressão fechada, ele não deveria gostar muito de ter todo aquele bando de gente em sua grandiosa e imponente casa.

Apenas assenti, assim como Draco, eu não queria discutir protocolos, tampouco queria estar aqui, o único lugar que me fazia sentir em casa era Hogwarts, o lugar que me deixava ser eu, de certa forma.

- , Garvin vai levar suas malas para o quarto onde você ficará, por favor, acompanhe-o. - Explicou Lucius, todos nós subimos para o segundo andar, Lucius e Narcisa adentraram o primeiro quarto, Draco e eu seguimos Garvin.

Ele abriu uma das últimas portas do corredor, mostrando um quarto grande e de carpete verde, com uma cama de casal de roupa de cama branca, em frente à cama havia uma penteadeira de madeira, com um belo espelho redondo. Garvin deixou meu malão sobre a cama e saiu, sorrindo disfarçadamente para mim.

- Garvin! - Falei antes que ele saísse, seus olhos esbugalhados se direcionaram para meu rosto. - Hm... Obrigada.

Draco franziu a testa para mim, Garvin sorriu e saiu, fechando a porta logo em seguida.

- Você acabou de dizer “obrigado” para um Elfo doméstico? - Perguntou Draco incrédulo, revirei os olhos.
- Draco, não é só porque você não teve educação que todos nós não tivemos também. - Respondi, fui até a cama e peguei o malão, levando-o para o guarda-roupa.
- Você é estressada assim com todo mundo ou guarda tudo só para mim? - Rebateu ele, sentando em minha cama.
- Na verdade, essa sou eu sendo legal com você! - Anunciei, dando um sorriso falso.
- , você é um amorzinho de pessoa, sabia?
- Claro que eu sei! - Sentei ao lado de Draco na cama. - Quem você acha que vai ganhar a Copa?
- Bulgária, com certeza! - Disse um sonhador Malfoy. - Eles têm Krum!
- Irlanda ganha fácil deles, os pontos também contam, não só o pomo. - Afirmei, cutucando as unhas da mão.
- Mas o pomo é o mais importante, isso é fácil, fácil para o Victor Krum. - Afirmou com mesma certeza, Draco.
- Você vai dizer que eu estou certa no final, Malfoy. - Murmurei, ele olhava para mim com uma cara de "sério mesmo?".
- Duvido muito que isso vai acontecer, Zuckker. - Respondeu com desdém.
- Olha, Draco, cansei da sua presença aqui, pode sair agora. - Conclui me jogando por completo na cama e empurrando Draco para que levantasse.
- Grande amiga você, me expulsando de um quarto na minha própria casa. - Balbuciou Draco, levantando.

Quando ele saiu, soltei um suspiro longo, queria meu quarto em Hogwarts, nas masmorras, mesmo que tivesse Pansy Irritante Parkinson na cama ao lado, só queria minhas aulas, meu quadribol, a biblioteca e minha liberdade.
Apesar de manter a aparência de indiferente sobre tudo aquilo, era minha única distração e diversão, eu esquecia meu pai, Lord Voldemort, a morte da minha mãe, corrupção no mundo bruxo e Madeline.
Se bem que Harry Potter complicava meu esquema todo de esquecer a futura guerra, que sem dúvidas aconteceria, com todos aqueles seus probleminhas com Lord Voldemort e tal. Eu deveria estar na escada, à reunião deveria estar rolando, mas simplesmente adormeci, ouvindo alguns murmúrios do andar de baixo.

Acordei com olhos esbugalhados sobre mim, num impulso, soltei um grito, Garvin gritou também.

- Que susto, Garvin! - Queixei-me.
- Desculpe, senhorita! - Murmurou Garvin. - Garvin não queria assustá-la, só acordá-la. O senhor Lucius está chamando-a para o jantar.
- Obrigada, já vou descer. - Respondi, Garvin deixou o quarto. Deixei minha varinha sob a cama, para ninguém pegar, e desci as escadas para a sala de jantar, os três já estavam lá e pratos cheios flutuavam de algum lugar para a mesa de mármore escuro.

Os pratos tinham uma pequena decoração na borda, os talheres de prata estavam organizados corretamente segundo as normas de etiqueta dos Malfoy, haviam duas taças de cristais para cada pessoa além dos outros talheres.
Sentei ao lado de Draco, de frente para Narcisa e Lucius, os dois últimos possuíam olhares cansados.
Após o jantar, Lucius nos levou para uma nova sala, sentamos em poltronas diferentes e ele começou a falar:

- Bom, ninguém precisa saber que vocês sabiam do ataque antes mesmo dele acontecer.
- Óbvio que todos os outros vão saber que nós dois já sabíamos. - Aleguei, fixando meu olhar em Lucius. - O jeito de Draco entrega tudo, ele se gaba com essas coisas, já dá pra ver que ele sabe só pelo olhar de superioridade.
- Com outros, você quer dizer...? - Perguntou Narcisa.
- Harry Potter, Hermione Granger, os Weasley e alguns outros amigos deles.
- Eu não faço um olhar de superioridade com esse tipo de assunto, . - Defendeu-se Draco.
- Ah, você faz sim, empina seu nariz e entrega o jogo todo para os outros. - Afirmei, Draco quase sempre estragava tudo. - Você simplesmente não disfarça!
- Ok, meninos, sem brigas. - Declarou Lucius. - Vocês vão ser discretos e correr como todos os outros, obviamente não serão machucados, mas finjam que vão.
- Não temos hora exata para o ataque, avisaremos pouco antes, assim vocês dois vão se separar de nós e ficarão juntos. - Continuou Narcisa.
- Corram para a floresta, nada haverá lá. - Terminou Lucius.
- Algo mais? - Perguntei, queria voltar a dormir, era como se tivesse tomado uma poção para o sono.
- Não, tomem seus banhos e podem voltar a dormir. - Respondeu Narcisa.

Draco e eu subimos, os dois ficaram lá embaixo, provavelmente para comer a sobremesa, sozinhos.
- Eu não me exibo para o Potter e aquela ganguezinha dele! - Iniciou Draco, lá se ia minha paciência.
- Draco, eu não estou com vontade de discutir com você agora, não, você se exibe sim e pronto, agora vê se vai dormir e me deixa em paz! - Respondi.

Caminhei para meu quarto e fechei a porta com força, eu não sabia o que esperar dos comensais amanhã, com todo esse planejamento, algo grande iria se iniciar. Para falar a verdade, apesar de saber que não sairia com nenhum machucado de lá, eu tinha medo pelas outras pessoas, era ridículo, mas eu tinha. E não podia brigar com essa sensação, apenas deixá-la bem escondida.

Acordei com um estalo de metal vindo de algum lugar, ainda era de madrugada, sentei na cama e peguei a varinha debaixo da mesma.
Mais outros estalos idênticos podiam ser ouvidos vindo do lado de fora, calcei minhas pantufas pretas e abri a porta com cuidado, para não acordar os moradores locais.
O som vinha de alguma sala lá embaixo, desci as escadas com passos fracos e murmurei Lumos, logo depois a ponta de minha varinha emitiu uma luz mediana.
Andei por alguns cômodos do andar, ainda ouvindo os estalos, até que o som ficou mais próximo em um cômodo que eu nunca vira, abri a porta cuidadosamente, apenas uma vela iluminava o quarto, lotado de quinquilharias, fechando as cortinas, havia um homem encapuzado, senti a espinha gelar, estava pronta para lançar algum feitiço quando o homem se virou.
Não era possível! Lá, vestido em uma longa capa preta, com o corte horrível de cabelo de sempre e varinha embainhada em alguma coisa na calça, estava meu pai, desaparecido há 7 anos, com o dedo indicador sobre os lábios, pedindo silêncio.
Fechei a porta delicadamente e corri para abraçá-lo, meu pai não fazia ideia do quanto eu sentira sua falta.

- Onde você estava?- Perguntei atônita.
- Bem, eu estava procurando nosso Lord. - Respondeu ele, nunca o vira tão animado, meu sorriso se desmanchou na hora.
- E você achou? - Exclamei com desdém, ele fica 7 anos fora sem dar noticia alguma, me deixa sozinha achando que havia perdido meu pai e nem me pergunta como eu estava?
- Achei, a questão é que ele não é o Lord ainda, mas ele se tornará novamente, e você vai ajudar. - Declarou ele. Ajudar na volta do Lord? Eu? Com meus singelos 14 anos vou ajudar a trazer um dos maiores bruxos das trevas que já existiram? Por Merlin! O que meu pai e o Lord tinham na cabeça?
- Eu não vou fazer isso, de nada vai servir minha ajuda. - Recusei, não fazia ideia do plano, mas aquilo me assustava.

Lord Voldemort estava vivo, disso eu nunca desconfiei, mas meu pai tem contato com ele, sempre foi um braço direito dele, o bajulava até demais, e agora, estão recrutando a filha do Zuckker para uma missão.

- , você não tem escolha, eu não vim até aqui para perguntar o que você quer, eu vim aqui para te dizer o que fazer! - Despejou meu sereno e dócil pai. Eu quis sair dali, se eu saísse, ele não viria atrás de mim, provavelmente não queria que ninguém soubesse que estava vivo e isso envolvia Ministério e milhares de outras coisas. Por fim, cumpri meu papel:
- O que exatamente tenho de fazer?
- Teremos um infiltrado na escola, ele irá se passar por professor e ele é Bartô Crouch Júnior. - Disse meu pai, esfregando as mãos umas nas outras com animação. - Você irá informá-lo sobre os acontecimentos na escola, vai surrupiar e fazer poções polissuco para Bartô manter o disfarce...
- Você sabe que preciso de muito material para fabricar tantas poções polissuco desse jeito, certo? - Adverti.
- Claro, querida, comprei material para poções infinitas, estão nessas sacolas! - Respondeu, apontando para cinco grandes e cheias sacolas de papel, que estavam largadas perto de algum objeto mágico coberto por uma lona. - Bem, você também tirará as suspeitas dele e lidar com alunos curiosos.
- E por que esse plano todo? Vão agir com a ajuda de quem? Além da de Crouch, claro. - Levantei a questão. O plano poderia funcionar, mas eles tinham que levar Harry Potter até Lord Voldemort, já que ele provavelmente aniquilaria o mesmo.
- Esse ano acontecerá o Torneio Tribuxo, Hogwarts receberá alunos, Bartô vai inscrever Harry Potter. - Esclareceu meu pai.
- Mas como vão garantir que Harry seja um escolhido? Muitos de Hogwarts se inscreverão. - Continuei.
- Provavelmente ele irá inscrevê-lo com um nome de uma quarta escola, assim só ele será escolhido. - Finalizou.

Certo, Torneio Tribuxo, poções polissuco, Bartô Crouch... Mas, espera aí!
- Bartô Crouch Júnior não morreu em Azkaban? - Perguntei.
- Todos achavam que sim, eu não lembro muito bem da história, porém ele está bem vivo e aceitou de bom grado a missão. - Sorriu meu pai.
- Ok, agora pode ir, estou com sono e amanhã tenho uma Copa para assistir. - Disse, e com um movimento da varinha, fiz as sacolas levitarem e pararem no ar.
- Vou te mandar correspondências assinando como Madeline, porém minha coruja será preta, a dela, branca. - Falou meu pai, se preparando para deixar a mansão dos Malfoy, eu já estava com a mão na maçaneta, quando ele continuou: - , lembre-se da sua mãe e de como ela gostaria de vingança por todos aqueles que a mataram.

Apenas assenti, um movimento com a varinha, e as sacolas me seguiram até o meu quarto no segundo andar.
Fechei a porta gentilmente e parei as sacolas em cima da cama, o malão levitou até o topo da cama e os objetos foram saindo da sacola direto para o grande malão de Hogwarts.
Então eu realmente aceitei ajudar, a coisa estava ficando séria, eu tinha certeza que depois desse ano, minha vida mudaria completamente. Como eu não sabia que estaria tão certa...

Capítulo 3


Os fracos raios de luz solar passavam pelas cortinas, o pesado malão estava bem ao meu lado, em cima da cama de casal.
Hoje aconteceria a 422ª Copa Mundial de Quadribol, onde Bulgária e Irlanda disputariam o resultado final. Consequentemente, era hoje o dia que os antigos comensais da morte se reuniriam e fariam algo logo após o jogo. Eu estava mais ansiosa do que nunca, apesar de Lucius ter avisado a Draco e eu sobre o provável ataque, Ainda não sabíamos o que realmente ia acontecer, ou os comensais não planejaram, ou preferiam não contar para duas crianças insignificantes.
Minha cabeça estava a mil com o "pedido" que meu pai fizera ontem à noite. Ainda não sabia como executaria tudo em absoluto sigilo, não sabia nem mesmo como era o alguém com quem trabalharia para a volta do famigerado Você-Sabe-Quem. E ainda acho ridículo quando as pessoas o chamam assim, se ele não está aqui - ainda-, por que não chamá-lo pelo nome?
Ouvi batidas na porta, pedi que entrasse e lá estava Draco Malfoy, com sua melhor cara de desdém, roupas de um tom levemente esverdeado e o cabelo louro claro cheio de gel, penteado para trás. Ele também continuava esquisito.

- Você ainda está na cama? - Perguntou Draco, entrando em meu quarto e fechando a porta em seguida.
- Não, Draco, onde você acha que estou? - Respondi.

Levantei, peguei a varinha deixada embaixo da cama e com um movimento da minha varinha, o malão levitou da cama para a parede onde ficava a grande janela de cortinas claras.

- Você vai para onde quando tudo começar? - Draco perguntou novamente, estava sentado no banco em frente à penteadeira, ajeitando os cabelos.
- Para bem longe de onde você estiver, se ficarmos juntos, vai ser meio óbvio. - Respondi, eu estava praticamente dentro da minha mala, pegando algumas roupas, Draco não podia ver meu estoque de ingredientes para Poção Polissuco. As coisas não estavam mais cabendo lá, mais tarde eu faria um feitiço de expansão, assim poderia guardar Hogwarts inteira dentro de meu malão.
- Ei, ! - Exclamou Draco, virando-se de seu reflexo no espelho redondo para me olhar. - Você escutou algo ou alguém lá embaixo ontem à noite?
- Não, Draco, eu estava dormindo! - Respondi engolindo em seco, fui até o banheiro com a minha roupa e tranquei a porta. Draco não poderia nem sonhar que eu estava trabalhando indiretamente para Lord Voldemort, ninguém poderia saber. A partir de agora precisaria ser o mais discreta possível.


- Usaremos uma chave de portal, deve estar algum lugar de nosso jardim, como somos, digamos, especiais, nossa chave de portal será aqui mesmo. - Gabou-se Lucius, estávamos os quatro nos grandes jardins da mansão dos Malfoy.

Narcisa e os outros dois estavam formais demais para meu gosto, estavam formais demais perto de mim, eu carregava uma mochila com feitiço de expansão, lá havia roupas extras, pena, tinta e papel para cartas, algumas poções de emergência e dinheiro bruxo.
No meio de um canteiro de margaridas, havia uma bola de futebol furada, Lucius a pegou com o nariz torto.

- Temos só alguns segundos, todos toquem rápido! - Nos apressou Lucius.

Corri para tocar a bola, os outros dois Malfoy fizeram o mesmo, assim, após poucos segundos, senti como se um gancho dentro de meu umbigo fosse irresistivelmente puxado para frente, meus pés deixaram o chão.
Eu podia sentir meus ombros tocando os de Draco e Narcisa, nós avançávamos em meio ao uivo do vento e rodopio de cores, e então...
Meus pés bateram no chão, caí sentada na grama, os outros três estavam esparramados no chão.

- 3 chegando da Mansão dos Malfoy. - Anunciou uma voz.

Me levantei e pelo que parecia, havíamos chegado a uma parte deserta de um provável pântano imerso em névoa. Adiante, havia dois bruxos com cara de poucos amigos, um segurava um relógio de ouro e o outro, um grosso rolo de pergaminho.
Ambos vestiam-se como trouxas. Lucius apanhou a bola furada e entregou ao homem do pergaminho, que a atirou em uma caixa cheia de chaves de portal usadas, a um lado. Entre elas, vi um jornal velho e latas de bebidas vazias.

- Bem vindos, senhores! - Exclamou o homem do pergaminho para nós. Lucius deu um sorriso falso, assim como os outros dois, eu simplesmente não fiz nada. - O primeiro acampamento, Sr. Malfoy, o gerente é o Sr. Roberts.

Lucius assentiu e fez um sinal para continuarmos a caminhar, depois de alguns longos minutos, avistamos uma casinha de pedra ao lado de um portão. Pude distinguir algumas formas fantasmagóricas de barracas ao fundo.
Havia um homem parado à porta, contemplando as barracas, percebi que ele era um trouxa. Lucius fez uma cara de desgosto enorme enquanto dirigia à fala ao homem:

- Você é o Roberts? - perguntou.
- Sou sim. - Respondeu o homem. - E quem é o senhor?
- Lucius Malfoy, duas barracas reservadas.
- Só uma noite? - Perguntou o Sr. Roberts, consultando uma lista pregada à porta.
- Sim. - confirmou Lucius, seu tom de voz era irritado, o pobre Lucius não aguentava trocar mais de duas palavras com um trouxa sem jogar um Avada Kedrava no mesmo.
- Agora, o pagamento, por favor, Sr. Malfoy. - pediu o homem, erguendo a palma da mão direita.

Lucius olhou para Narcisa, que continha uma das mãos dentro de uma bolsa, até que ela finalmente achou alguns trocados trouxas. Narcisa deu um grande maço de notas para Lucius, que por fim, as entregou para o homem. O portão abriu-se e nós seguimos em frente, agora eu tinha apenas uma alça da mochila pendurada no ombro, avistávamos diversas barracas, que pareciam muito pequenas por fora, mas eu sabia que elas eram bem maiores por dentro.
Andamos por entre as cabanas até chegar a uma de cor preta, havia um homem de grossas sobrancelhas e roupa formal em frente à barraca, como se estivesse fazendo vigia do local, provavelmente estava.
Os três entraram, só não entrei porque uma coruja preta e grande vinha carregando uma carta nas patinhas. Estendi o braço o qual eu não pendurara a alça da mochila, meu antebraço desceu ligeiramente com o peso da coruja. Retirei a carta, a coruja saiu logo depois, não esperando por alguma recompensa.
Assim, entrei na barraca com a carta em mãos. A cabana estava realmente muito ornamentada para ser só uma cabana, era o famoso padrão Malfoy de qualidade...

- , iremos dividir o quarto, mamãe e papai vão ficar com o outro, erraram no pedido da barraca. - Explicou Draco, ótimo, agora teria de aguentar o idiota. Ele olhava curioso para o objeto em minhas mãos.
- Que é, Draco? – Perguntei. - Perdeu algo aqui?
- Sim, de quem é essa carta? - Respondeu ele, me seguindo até nosso quarto, havia duas camas e um guarda-roupa separando as mesmas. Joguei minha mochila na cama à esquerda.
- Não é da sua conta, são negócios. - respondi, peguei a varinha na mochila e a coloquei dentro da minha bota, com a carta em mãos, sai do quarto. - Avise seus pais que vou dar uma voltinha, voltarei logo.

E sai, Draco quis me seguir, mas se ele fizesse isso, eu ficaria bem irritada, ainda mais, pois a carta havia sido escrita por meu pai.
Caminhei por entre as barracas em meio aos bruxos andando para lá e para cá, comemorando, vi alguns rostos conhecidos de Hogwarts bebendo Uísque de Fogo escondido.
De longe, consegui ver algumas cabeças de cabelos ruivos entrando em uma barraca, claro que viriam, Harry Potter e Hermione Granger deveriam estar lá também, imagino o susto que vão levar com o ataque.
Segui adiante pela fileira de barracas onde a dos Weasley estava, um dos gêmeos Weasley, que eu não sabia quem era, claro, estava na entrada, ele tinha um sorriso malicioso para mim.

- E aí, Zuckker? - falou ele, me seguindo no caminho até a floresta, onde eu pretendia ler a carta sozinha.
- Qual dos dois? - perguntei, numa tentava de expulsá-lo logo.
- Como assim? - perguntou de volta, confuso.
- Qual dos dois você é? Fred ou Jorge? - reformulei a pergunta, ele olhava para a carta.
- Ah, sou o Fred!- respondeu sorrindo.
- Weasley, se você não se importa, eu quero ler a minha carta, que você não tira os olhos, sozinha. - Disse eu, apressando o passo, ele fez o mesmo. - Na verdade, mesmo que você se importe, eu quero ler sem gente enxerida olhando.
- É uma carta de amor? Você não quer admitir para mim que tem um coração que não é de gelo?
- É isso mesmo, ninguém pode saber do meu segredo, então volte para sua cabana. - Pedi novamente, ele balançou a cabeça em sinal negativo, maldita hora que eu decidi ir pela fileira de barracas onde a dele estava.
- Eu não vou agora, Zuckker! - Explicou Fred, colocando as mãos no bolso, estava facinho de jogar um feitiço nele e sair correndo. - Não sem antes saber quem você acha que ganha a Copa.
- Se eu falar, você vai embora para sempre, certo? - perguntei.
- Felizmente, não posso garantir o para sempre, mas talvez eu vá embora.
- Irlanda, direto. - Respondi, já estava ficando sem paciência...
- Direto? Quer apostar? - Ele sugeriu, levantando as sobrancelhas. - Eu aposto que o Krum vai pegar o pomo, porém a Irlanda vence.
- Específico demais, Weasley. - Avaliei, estava fácil. - 150 galões está bom para você? Ou menos?
- Está perfeito. - Confirmou ele, parecia um tanto nervoso, mas não tirava o sorrisinho irritante do rosto.
- Certo, agora me deixa em paz. - pedi, a floresta já estava quase próxima.
- Te pego na saída, ! - Ele murmurou, passando a mão pelos cabelos. - Com o dinheiro, eu quero dizer.

Revirei os olhos e continuei andando, quando cheguei à floresta, abri a carta e acendi a ponta da varinha, pois as árvores faziam sombra no papel.
A carta de meu pai dizia:

", aqui é Madeline, enviando essa carta que você sabe que não é secreta.
Soube que vai haver um ataque, Bartô irá participar e você terá de disfarçar.
Para parecer fora de suspeita, se machuque, use um feitiço, ateie fogo em algo e se machuque. Não quero saber se vai doer ou não, Bartô irá me avisar se perceber que você não fez isso.
Conto com sua participação, não venha reclamar comigo, você não tem escolha.
Ass: Madeline Z."

Joguei a carta no chão e murmurei um feitiço, que a fez pegar fogo. Após alguns segundos, só havia cinzas na grama meio chamuscada.
Pois bem, o Sr. Zuckker queria que eu, logo eu, me machucasse para não acharem que estava trabalhando para o Lord? Quem desconfiaria disso em meio ao caos do ataque?
Ainda não sabia se seguiria as coisas impostas por meu pai, talvez até mesmo desistisse da missão que só estava me trazendo um monte de estresse...


Ainda não podia acreditar que o Weasley havia acertado no palpite, tudo aconteceu exatamente como ele dissera. Fui preparada com galeões no casaco caso perdesse, não que eu achasse que fosse mesmo perder, só não queria que ele viesse atrás de mim ou me chamasse de caloteira.
Pedi aos Malfoy que fossem na frente, Lucius deu um olhar significativo para mim e voltou para a barraca com os outros dois.
Fred me esperava com um grande sorriso vitorioso no rosto, tirei um saco de moedas do bolso e empurrei para ele.

- Como você acertou isso? - Perguntei.
- Você têm os seus segredos, - respondeu, checando o dinheiro - E eu tenho os meus, querida. Se os 150 galeões não estiverem aqui, eu vou atrás de você.
- E por que os 150 galeões não estariam aí?
- Talvez porque você seja da Sonserina, essa casa não é muito receptiva com a minha.
- Deve ser porque a sua casa é irritante.
- Ou talvez a sua seja...
- Não é não, Weasley.
- É sim, Zuckker.
- Não é, e eu não vou discutir com você. – Sorri. - Você sabe que eu estou certa.
- Certo, vou fingir que eu acredito nisso. - Fred gargalhou.
- Espero demorar para te ver, Weasley. - Entoei e me virei para a trilha de barracas que daria na minha, talvez começasse antes mesmo de eu chegar lá.
- Sonha comigo, . - Fred provocou, fazendo barulho com o saco de moedas.
- Merlin me livre desse sonho.


Eu estava próxima da barraca quando vi Draco correndo na minha direção com duas mochilas, nenhum sinal de Narcisa ou Lucius. Ele me entregou a minha pequena bagagem.

- Peguei a sua antes que destruíssem tudo, melhor a gente correr, ! - Draco falou, tentando me puxar pelo braço, mas eu mal me mexi, não podia ir, ele ia ver que eu me machucaria de propósito.
- Não, você vai para outro lugar, saia do campo, não sei.

Antes que ele fizesse qualquer pergunta, sai correndo, ele não veio atrás de mim.
Logo à frente, os comensais vinham mascarados e vestindo roupas pretas, brandiam as varinhas, alguns deles levitavam quatro trouxas, percebi que um deles era o trouxa da entrada do campo de barracas. Um dos comensais virou uma mulher de cabeça para baixo, fazendo sua camisola abaixar, mostrando suas peças íntimas. Mas o que era isso? Eu achei que seria só uma pequena amostra de que eles estavam de volta.
Alguns comensais botavam fogo em barracas, fazendo outras ficarem em chamas também, pessoas gritavam e corriam para a floresta, de longe pude avistar os Weasley, Harry Potter e Hermione Granger, eles estavam se separando, vi Draco se aproximar, lá vai ele estragar tudo...
Agora tinha de tomar uma decisão, me machucava para satisfazer as vontades de meu pai ou não?
Uma sensação estranha tomou conta de mim, eu olhava para os comensais na esperança de ter uma força vinda do nada, porém nenhum outro sentimento veio. Então eu corri, que nem um rato assustado, para uma das barracas perto da floresta que pegavam fogo, minha varinha estava guardada na bota. Olhei para os lados, ninguém prestava atenção em mim, então aproximei o antebraço perto do fogo, o ar parecia mais pesado, até que eu encostei a pele no fogo, não muito perto do pulso e nem tão perto do cotovelo, aquilo ardia como o inferno, eu gritava de dor, depois de um tempo que achei suficiente, me afastei com pressa da barraca em chamas, queimando meu dedão esquerdo também.
Minha pele se enchia de bolhas brancas, estava vermelha e dolorosa, corri para a floresta tropeçando em um galho que não tinha visto por conta da escuridão.

- Jorge, se afasta com a Gina, vou ver quem é. - Ouvi uma voz dizer, na verdade, era Fred Weasley, eu levantei do tombo, mas a pele doía ainda mais pelo atrito com o chão.

Continuei andando até esbarrar com ele, a ponta da varinha de Fred acendeu.

- Zuckker? - Impressionou-se Fred. - Merlin, olha essas queimaduras.

Eu tentei me desvencilhar e sair correndo, mas Weasley em puxou e me levou até um canto, tirando a sujeira da queimadura com os dedos.

- Seu idiota, isso pode infeccionar! - Gritei para ele, quanto mais eu puxava meu braço, mais dor sentia.
- Fala baixo, louca! - Fred me repreendeu. - Não quer que os comensais nos encontrem, não que eu ache que eles fariam algo com você...
- Weasley, tá doendo muito! - Soltei, fechando os olhos com força.
- Também, olha isso! Deve ser de segundo grau. - Fred levantou a varinha. - Agora vai doer pra caramba, se afasta e deixa os braços esticados.

Ele não ia fazer isso.

- Aguamenti. - murmurou Fred, um grande jato de água saiu da ponta da varinha, molhando meus braços e, por muito pouco, não me encharcando inteira.

A dor aumentou por um instante, logo depois começou a cessar. Logo depois o jato de água parou.

- Ok, agora o que eu tenho que fazer? - perguntou para mim.
- Colocar as bandagens, eu acho, não sou curandeira. - respondi.
- Certo. - concordou Fred. - Ferula.

Assim que ele murmurou o feitiço, bandagens envolveram o meu antebraço, logo depois ele repetiu, para meu dedão também não ficar com a queimadura exposta.

- Acho que você me deve uma, .
- Eu não acho, eu poderia ter feito isso sozinha.
- Poderia se não tivesse caído e se não tivesse duas queimaduras, admita e diga um “obrigada, Fred, você salvou minha vida”.
- Eu nunca, em um milhão de anos, vou te dizer isso. - bufei, passando os dedos não queimados na bandagem maior. - Você também nunca me dirá isso.
- Nunca se sabe, , acho improvável, mas pode acontecer. - argumentou Fred. - Vou voltar para meu irmão, se não ele achará que eu morri.
- Tchau, vou procurar os Malfoy.
- Acho que sei onde eles estão...
- Eu não, melhor você ir.

Ele se afastou, peguei a varinha na bota e iluminei o caminho, fui andando até ouvir uma voz gritar:

- MORSMORDRE!

E então algo irrompeu pelo céu, uma luz verde, eu sabia bem o que era antes mesmo de vê, só de ouvir...
A luz formou um crânio colossal, composto por estrelas esmeraldas e uma cobra saindo da boca, como uma língua. Aquela era a marca de Lord Voldemort, não vista há anos.
Gritos por todos os lados, algo ou alguém passou correndo perto de mim, decidi seguir, murmurei um Nox para cessar a luz da varinha, a Marca Negra já iluminava a floresta toda. Depois de muito correr, não ouvi mais barulhos, uma voz falou:

- Você é Zuckker? - Um homem tirou uma capa, se revelando e virando-se de frente para mim, tinha a pele sardenta e um tufo de cabelos louros.
- Você é Bartolomeu Crouch Júnior.
- Seremos parceiros por Lord Voldemort este ano, senhorita, me chame de Bartô.
- Você conjurou a marca? Por quê? - mudei de assunto.
- Aqueles comensais decidem tocar o terror em um evento desse porte, mas não tem coragem de procurar seu amo. - Esclareceu, parecia muito irritado com isso. - Apenas seu pai e eu fomos leais o suficiente. Tem o Pedro Pettigrew também, mas ele veio por medo.
- Pedro Pettigrew está morto.
- Eu também estava, querida! - Exclamou, Bartô começou a andar em círculos pela clareira, a marca negra ainda pairava no céu. - Pedro é animago, ele viveu todo esse tempo disfarçado. Ok, muito estranho, porém compreensível.
- Como conseguiu a capa? - perguntei.
- Querida, meu pai sabe que eu estou aqui, eu já a vi antes lá no estádio, a elfo não guardava lugar nenhum, eu estava sentado lá, invisível.
- Seu pai é tão falso... Até parece o meu. - Comparei, guardei a varinha na bota. - Vou voltar, os Malfoy já devem estar me procurando.
- Vejo que se machucou mesmo, seu pai e o Lord ficaram contentes.
- Dane-se. - Atrevi-me a dizer, ele desmanchou o sorriso. - Até breve, Crouch.
- Até mais, .

Assim, dei as costas para ele e voltei para o campo de barracas, isso tudo acontecera em um só dia, eu já podia imaginar o estrago que Voldemort faria assim que voltasse. Como ele voltaria? Não fazia a mínima ideia, mas os tempos difíceis estavam chegando, logo, logo os lados estariam se enfrentando mais arduamente do que nunca. O meu lado iria pra frente com tudo, não ligando para a destruição que causava, assim como meu pai não ligou para os ferimentos que eu teria quando fez aquele pedido, eu não esqueceria tão cedo.

Continua...



Nota da autora: (19/06/2017) Sem nota.




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