Dark Boy in São Paulo, por Thaay Marques
Última atualização: 22/04/2018

Prólogo

I'm way too serious
(Eu estou muito sério)
But I've always been that way
(Mas eu sempre fui assim)

estava esparramada na sua cama encarando o teto enquanto a ansiedade lhe corroía por dentro. Perdeu a noção das horas por causa da insônia e das mil ideias mirabolantes que passavam por sua mente feito um filme adolescente. Em todas elas aconteciam a mesma coisa: Zach Abels lhe enxergava de verdade e não apenas como mais uma fã.
Algo surreal e impossível para a mente da jovem.
Ela com seus vinte e três anos de idade. Uma garota como qualquer outra, entretanto, a diferença é que tinha amor imenso por aqueles caras da banda mais maravilhosa e das músicas mais apaixonantes que tinha ouvido até hoje.
Ali, deitada no pequeno quarto que dividia com sua irmã e seus livros, ouvia o novo álbum da banda no repeat e sem imaginar o que o destino havia lhe preparado.
Restava saber: quantas vezes seria preciso para que a vida lhe surpreendesse?
A jovem estava parecendo plena naquela posição e qualquer um poderia dizer que estava um poço de tranquilidade, mas ela era uma ótima atriz. Só ela sabia o caos que estava por dentro. Sua barriga parecia querer explodir por conta do nervosismo. A agonia misturada com ansiedade parecia que iria enlouquecê-la. Sentia-se inquieta e queria gritar até acordar o bairro, mas se contentou em continuar na sua plenitude até o horário de pegar o ônibus rumo a maior aventura dos seus vinte e três anos.


Capítulo 01

estava muito decepcionada.
E olha que ainda estava no seu primeiro dia de aventura em São Paulo.
Caminhava pela recepção do hotel Mindsor parecendo carregar uma tonelada em suas costas. Inocentemente achou que seria fácil conhecer pessoalmente a sua banda favorita: The Neighbourhood, mas, se enganou. Não aconteceu como havia fantasiado durante todos esses meses e foi decepcionante para ela.
Sua primeira noite tentando conhecer os meninos tinha um gosto amargo e não por sua culpa. Acompanhou um grupo de fãs para o aeroporto. Nas primeiras horas, todos estavam muitos animados e tagarelas enquanto seguravam seus celulares prontos para verem seus ídolos pela primeira vez em solo brasileiro. E muitas horas mais tarde, cansados, observavam abrir uma das portas de vidro da área de desembarque de voos internacionais em expectativa, mas no final das contas, não eram quem realmente aguardavam.
Finalmente, os meninos e toda a sua equipe apareceram escoltados por alguns seguranças. Todos os fãs presentes e inclusive , inflaram em alegria. Falavam em inglês tentando atrair a atenção dos meninos enquanto os seguranças tentavam acalmar as pessoas ali. Não teve tumulto, nada que pudesse interferir os meninos de pararem para atender os fãs que haviam esperado por eles durante horas.
O que realmente decepcionou a jovem foi a atitude de Zach Abels. Fazendo um verdadeiro malabarismo entre os seguranças e os fãs, numa tentativa de chegar o mais próximo possível dele, ela conseguiu estar perto o suficiente para que não precisasse gritar para chamar a atenção dele.
E o que ele fez?
Ouviu chamá-lo. Olhou para ela, abriu o seu sorriso característico que fazia o coração da jovem acelerar e subiu na van. Deixando para trás uma atordoada e vários fãs que queriam apenas abraçar seus ídolos.

Ela se decepcionou por eles não terem parado para atender os fãs e principalmente, por Zach Abels ter tido a audácia de apenas lhe lançar aquele sorriso sem aviso prévio. – Pensou, suspirando enquanto entrava no elevador e começava uma música instrumental.
Ajeitou a alça da mochila nas costas, passou uma das mãos por seu cabelo enquanto se olhava no espelho impecavelmente limpo. Ouviu a voz eletrônica avisando que estava no sexto andar e as portas se abriram.
Congelou no lugar enquanto continuava em pé de frente para o espelho. A imagem que estava refletida ali poderia ter arrancado os seus olhos do rosto. Seu coração estava muito acelerado pelo susto e não conseguia nem mesmo respirar. O ar estava preso em seus pulmões.
Passaram-se segundos?
Minutos?
Horas?
Dias?
Meses?
Anos?
não saberia dizer.
Além do mais, quem seria capaz de raciocinar depois de presenciar o que estava acontecendo bem ali diante dos seus olhos.
Zach Abels estava entrando no elevador acompanhado de Jesse, Brandon e Jeremy. Eles conversavam animados, riam e pararam desconfiados ao vê-la ali. Pareciam esperar que a jovem tomasse a decisão em sair ou continuar no elevador ou até mesmo que ela começasse a gritar de desespero. E não poderia culpá-los por pensar assim pois, a sua cara deveria ser realmente vergonhosa. Continuava olhando-os pelo reflexo, congelada feito uma estátua, sem qualquer reação.
Ela virou de costas para o espelho e respirou novamente, tentando se recompor e não passar vergonha. - Finalmente.
— Descendo? — Perguntou Brandon, sorrindo simpático enquanto apertava o botão do térreo.
Ainda sob efeito do susto e não querendo soar mais esquisita ainda, apenas confirmou com um gesto de cabeça. Encolheu-se no fundo do elevador, grudando as costas na parede de metal e repetia na mente "Não pira, não pira". Observou os meninos se acomodarem na caixa de metal e conversarem de uma forma mais contida sobre o episódio do aeroporto.
A conversa sobre o episódio decepcionante para a garota foi capaz de fazer a sua ficha cair. Não acreditava que o destino realmente havia brincado com ela. Dividia um espaço minúsculo de metal – que poderia cair a qualquer momento com a sua banda favorita e que infelizmente, faltava o Mike – respirando o mesmo ar que eles.
Mil vezes melhor do que conhecê-los no aeroporto?
Milhares de vezes melhor!
E estavam dividindo o mesmo andar!
Se ela pudesse dançar e pular naquele momento, estaria fazendo isso, mas preferiu forçar uma expressão de plena naturalidade e torcer para que não a reconhecessem como fã. Abordaria eles no momento certo para pedir foto e trocar uma ideia, mas, naquele momento, precisava consertar a vergonha que passou com o susto.
Arriscou dar uma olhada para a lateral esquerda enquanto as costas de Jeremy lhe impediam de ter uma visão total dos meninos. Localizou Zach encostado na parede de metal com as mãos no bolso da calça preta. Seu cabelo maravilhoso estava escondido na touca vinho. Seus olhares se encontraram por segundos até que ambos ouviram o som da voz eletrônica avisando que estavam no térreo. As portas de metal se abriram e eles saíram.
deu alguns passos dentro do elevador até encostar na porta, impedindo que fechasse novamente. Observou os meninos se afastarem até a saída do hotel e ouviu os gritos de empolgação começarem.
— Vai subir? — Perguntou o mensageiro do hotel que entrou no elevador, fazendo companhia a ela e livrando-a do transe.
Voltou para o fundo do elevador enquanto as portas se fechavam e começava a música novamente.
Sentiu uma vontade absurda de rir e acabou liberando a gargalhada alta, deixando o homem assustado com sua reação.
— Eu sou mais alta que ele! — Constatou entre as gargalhadas que lhe causaram lágrimas nos olhos. Apertou o botão do sexto andar novamente quase se esquecendo.
E ali naquela caixa de metal, na sua primeira noite em São Paulo, queria dançar e pular de alegria por estar tão próxima dos seus ídolos.
Pela primeira vez, aceitou que realmente era uma girafa ao lado de Zach Abels.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Ai, quem dera eu conhecer meu ídolo quando ele for vir pro Brasil (Harry Styles)... Entendo o estado de choque que ela ficou. Eu, provavelmente, entraria também se esbarrasse com ele por aí. Acho, mas quase certeza, que esqueceria como é falar 🤣.


Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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