Última atualização: 12/05/2018

Capítulo Único

estava parado na sala da casa dela, seus olhos aflitos por sua própria culpa. Aguardava uma resposta à pergunta que havia feito, e ainda não houvera tido nenhuma.

Quatro meses atrás…


— Você tem certeza do que vai fazer?
, eu não posso fugir com você!
— Eu não estou fugindo, Ailee! Pelo contrário, eu estou indo atrás da felicidade.
— Abandonar o seu trabalho, seus amigos e a sua família pra cair no mundo pode ser a sua felicidade, mas a minha está bem aqui em Hong Kong! É loucura, … Não posso ir com você.

segurou a mão da namorada e suspirou, dizendo:

— Pense bem antes de agir, meu amor. Se não quiser decidir agora, tudo bem. Eu vou te esperar amanhã de madrugada, no portão, antes de ir.
— Eu não irei, .

Ela chorava, respondendo-o. Ainda segurava fortemente a mão dele. estava irritado pela decisão de Ailee. Ele não conseguia acreditar que ela não se esforçaria nenhum pouco para se colocar no lugar dele. Para ela só importava a sua vidinha perfeita? Ele tentou soltar-se da mão dela, mas a garota o segurava firme.

Então, deixe-me ir…
, por favor… - ela chorava, suplicando-lhe por um aperto nas mãos.
— Um dia te encontro nessas suas voltas. Mas, minha mente está confusa, Ailee. Não chora. E, por favor, solta minha mão. Eu tenho que ir... Eu sei que você vai voltar para mim, por enquanto só o tempo vai mostrar nossa direção.


“Menina, me dá sua mão, pense bem antes de agir. Se não for agora, te espero lá fora, então deixe-me ir. Um dia te encontro nessas suas voltas. Minha mente é mó confusão. Solta a minha mão, que eu sei que cê volta, o tempo mostra nossa direção…”


Dias atuais…


Ela estava pouca coisa, diferente. Ele apostava que era apenas o corte de cabelo, mas, havia algo no olhar também. O silêncio constrangedor entre os dois, e o olhar frio e duro da mulher ao o encarar, surpresa. olhou em volta do cômodo e… Tudo estava igual.

— Eu não vou voltar para você, . - ela respondeu, chamando a atenção dele.
— Por que não?
— Acha que é simples assim? Você me deixa, some por quatro meses e, de repente, ressurge como se o tempo não houvesse passado?
— Eu precisava daquele momento. E fiz bem! Ailee, meu amor! Se você soubesse o quanto eu pude aprender comigo e tudo o que eu passei…
— Eu não quero saber, !

Ele se aproximou dela, a passos lentos, mas a mulher o impediu com uma frase impactante:

— Eu tenho outra pessoa, .
— Mentira. - ele disse após segundos de espanto.
— O que você pensou? Que eu ia esperar pelo resto da minha vida por alguém que me abandonou?
— Eu te esperei. Não foi muito tempo assim, mas eu estive esperando retornar para você a cada dia!
— Você fugiu.

Os dois encaravam-se silenciosos, estudando a feição um do outro. Ambas cheias de amargura e dor. Então, Ailee se pronunciou:

— E peço que saia da minha casa, agora.


“Se eu soubesse que era assim, eu nem vinha. Tô bebendo champanhe e catando latinha, mas tive que perder pra aprender a dar valor pra você. Entender seu amor, mas não quer ser mais minha. Me diz que não me quer por perto, mas diz olhando nos meus olhos. Desculpe se eu não fui sincero, mas a vida que eu levo: erros lógicos.”


Ela direcionou-se à porta e a abriu. estava de costas para ela, ele encarava o chão segurando as lágrimas. Saiu do apartamento tão rápido e sem olhar para trás que Ailee não teria tempo de voltar atrás em sua decisão, se quisesse. Ele chorava por fim, a caminho de um bar. Não era tristeza apenas, era a culpa, o desespero e também a raiva. Ele havia voltado. Embora todo minuto longe um do outro fosse muito, não fora tanto tempo assim: quatro malditos meses de renúncia e renascimento. Só quatro meses. Ele tinha que partir pra voltar melhor. Ela deveria tê-lo esperado.
O bar estava mais vazio do que o habitual, para o horário e pelo local. não estava atento ao que acontecia ao seu redor. Mirou no balcão e sentou-se ali. Encarou o copo à sua frente que foi posto. E mal pode escutar o barman lhe perguntando o que iria beber.


“Verso meu universo, peço que entenda meu mundo, mina. A gente briga por bobeiras demais, a gente pira, o tempo vira por bobeiras demais. O amor é bandeira de paz, mas se não der, vá em paz, meto o pé.”


Havia uma garota sentada ao seu lado, que ele não notara ao sentar-se ao lado dela, e a menina o encarava, com curiosidade. Bebia algo colorido e olhava do barman para . Ao perceber que ele não escutara, a garota fez sinal para o barman deixá-lo e ir servir outras pessoas. Minutos depois, ainda em silêncio, olhou em volta. Avistou pessoas rindo, conversando, outras solitárias, alguns casais. Viu o barman enxugando copos e o chamou. Desta vez, sem maldade, fora o garçom que não lhe ouvira. suspirou, lamentando como se estivesse sendo ignorado até pelo cara que devia lhe servir.
— Ele te perguntou três vezes o que queria beber. - a mulher ao seu lado respondeu — E embora você não tenha dito nada, ele não está ignorando você.
Ela o olhou, e foi aí que pôde notar que não estava dentro de si quando chegara ali. Ela assobiou para o garçom, e ele veio atendê-la em seguida.

— Outro “Blue Lake”, por favor, Chen.
— A única mulher coreana, que conheço que não bebe “Chelsea Flower Show” em Hong Kong. - disse, despretensiosamente, como se pensasse alto e deixasse escapar.

Ela o olhou, curiosa, e sorriu sem nada dizer-lhe.

— Ei, Chen, acho que agora o rapaz quer beber algo. - ela falou para o barman, que voltou sua atenção ao , perguntando-o qual drinque queria.
The Langham.
— Típico. - ela respondeu, sorrindo, após ouvir o pedido de para o barman.
— Como?
— Você não é muito de sair da rotina, não é? - ela perguntou.

recordou-se do tempo antes de viajar. Quatro meses antes. Recordou-se da urgência em tomar aquela decisão: não é que estivesse fugindo, apenas precisava se sentir feliz. Apenas buscava o sentido que houvera perdido em sua vida.

Ele sorriu para moça ao seu lado, como se concordasse com o que ela dissera. A garota acenou afirmativa e convencida. Ali passaram a noite bebendo, ali passaram a madrugada conversando, e quando se deram conta, já havia amanhecido e já conheciam os motivos que os levaram a afogar as mágoas naquele bar.

, você precisa ir para o trabalho. - Chen acordava a menina escorada no balcão de maneira gentil.
— E você, , também acho que deveria ir… - ele bateu na cabeça do homem, acordando-o grosseiramente.

Chen já conhecia há algum tempo e eram amigos, e, naquela noite, pôde conhecer um pouco de e ganhar certa intimidade.

— Chen… Eu não tenho que ir a lugar algum. - murmurou .
— Mas o bar precisa fechar para mais tarde estar limpo e preparado para novos clientes. Vá embora. Volte pela noite, se quiser!
Aigo… Eu sou um cliente novo, não deveria ser mais bem tratado?
— Ele sempre faz isso com os melhores clientes… - murmurou , com o rosto escondido entre seus braços apoiados ao balcão — Logo estará implorando para que você venha. Foi assim comigo.
, pare de resmungar e vá embora também!
— Eu vou. - ela levantou-se lentamente — Mas só porque eu tenho que procurar emprego.
— Exatamente! Anda, anda! Saiam os dois!

Chen os puxava pelas mãos em direção à saída. Ao chegarem à rua, o brilho do sol em seus olhos, incomodou aos dois, que, imediatamente, cobriram a face.
pegou seus óculos escuros na bolsa e protegeu o olhar. a observou em silêncio e perguntou, amigável:

— Quer companhia para ir embora?
— Você não tem mesmo o que fazer?
— É como eu disse ontem… Ou eu acho que disse… Voltei depois de uma longa mudança e não quero correr atrás de tudo tão rápido.
— É você disse. Mas eu acho mesmo que deveria procurar sua família.
— Estarão de braços abertos. Como sempre…
— E isso é ruim?
— Não. Mas quem eu queria que estivesse…
— Ei… A vida é curta pra chorar pela ex.

observou sorrir-lhe ao falar aquilo, em seguida a garota acenou com sinal de paz e deu as costas, indo embora. E ele a seguiu. Ela olhou para trás e não o impediu de se aproximar. Sorriram um para o outro e seguiram o caminho juntos.

Ao chegar à porta da casa dela, eles se despediram com um aperto de mãos. E, enquanto a menina subia as escadas da casa, ela parou pensativa e olhou para trás. Ele ainda estava lá a olhando.

— Você não vai pedir o meu número? - ela perguntou, óbvia.
— Por que eu deveria?
— Porque eu sou uma garota legal demais, e você perderia a melhor amizade que poderia vir a ter.

sorriu. Não tinha contado quantas vezes sorrira ao lado de naquele curto tempo entre uma madrugada e uma manhã, mas havia sido frequente. Ele puxou o próprio celular e estendeu à menina.

— Só não fique muito tempo me perseguindo, porque eu enjoo fácil de pessoas chicletes. - ela respondeu e deu as costas, entrando em sua casa.

estava espantado pela ousadia e, por que não dizer, grosseria. Mas sorriu. Mais uma vez. Dali, ele partiu para a casa dos pais. Sentiu o cheiro do café quando abriu a porta da sala e jogou sua mochila - extremamente suja - no chão, atrás da porta. Seu pai caminhava em direção à cozinha, saindo da sala, quando passou por ele. Parou, com expressão facial e corpo estáticos. Não acreditou até correr para abraçá-lo. Sua mãe veio em seguida.

— Onde você esteve ? Como faz isso com a sua mãe?
— Eu te avisei que estava voltando mãe…
— Avisou, ontem! Onde passou a noite?
— No bar. Vá tomar um banho, . - o pai disse, o reprovando e sentindo o cheiro de álcool.

Ele voltou após o banho, decentemente apresentável. E tomou café em família. Contou aos pais como havia sido a experiência de viajar sem rumo. Falou das pessoas que conheceu e que o acolheram. Dos amigos que levara para a vida, naqueles quatro meses. De como havia se conhecido melhor, mas ainda havia algo errado. Era Ailee, que não estava com ele. Então lhes contou que voltou para ela e foi rejeitado. Seguiu para o bar e não tivera tempo de sofrer, porque conheceu uma garota bem confiante que o distraiu a noite toda. O pai sorriu, pensando besteiras. E a mãe bateu nos dois.

— Não foi nada disso! - ele respondeu, massageando o topo da cabeça, onde a mão pesada da matriarca havia batido — Nós conversamos e só. Ela é divertida, e me ensinou coisas também… Eu estava ali pela rejeição de Ailee. Ela estava ali porque a tia faleceu, e era a única família dela.

— Céus… Coitadinha. - a mãe disse.

— Não, mãe… Ela estava bebendo em comemoração. A tia gostava de beber com ela, e aquilo era um ritual fúnebre de despedida. Ela ficou com a casa da tia, porque a mulher também não tinha herdeiros. Mas, precisa se sustentar agora, já que não herdou muito dinheiro e dependia da tia para sobreviver. Eu a deixei na porta de casa, e ela disse que procuraria emprego agora pela manhã.

— Parece ser uma mulher determinada. - disse o pai.
— É, parece… Foi mais uma das pessoas que me ensinou algo valioso nesse retiro de quatro meses e uma noite.


Três meses depois…


Seu pai havia lhe dito que não precisaria tomar conta dos negócios da família, se não quisesse. Mas, queria. E não significava que deixaria seu sonho para trás. Matriculou-se novamente em uma faculdade, após tanto tempo, e, embora não considerasse 28 uma idade para iniciar estudos, sabia que para uma segunda graduação era aceitável.

Estava na loja de ferramentas, atendendo um fornecedor, e fora gravar o telefone dele em seu celular, quando viu o nome escrito ali: . O que será que a garota teria feito desde que se conheceram?

Mais tarde, de noite, ele andava pelo seu quarto pensando se deveria ou não fazer aquilo. Decidiu telefonar-lhe.

— Ailee?

Ao ouvir sua voz, a mulher desligou. E, então, decidiu que não ligaria novamente para ela. Nunca mais. Pegou sua jaqueta, carteira e chaves e despediu-se dos pais, saindo. Chegou ao bar, mais atento do que da última vez, e foi ao balcão. Para o mesmo lugar de antes, e olhou contemplativo para o banco ao seu lado, imaginando a cena de ali sorrindo e falando bastante. Recordou-se de como fora agradável aquela noite.

Procurou por Chen e não o viu. No lugar dele, estava uma garota. Ela saiu de onde estava com um caneco cheio de chope e direcionou-se ao outro lado do balcão, passando por ele. E não o viu, mas ele a reconheceu. Quando ela voltou e direcionou-se para baixo do balcão, bem à sua frente, debruçou-se sobre o balcão. E pôde, assim, vê-la procurar um pacote.

— Quem deixaria você trabalhar num bar? E onde está o Chen?

Ela olhou para cima, com uma resposta na ponta da língua - por achar que seria outra cantada -, quando viu o rosto sorridente de . Puxou o pacote para cima, e preparou os drinks típicos com flores em taças, enquanto encarava sorridente para .

— Você não tem nada de chiclete, não é mesmo?
— Eu sou difícil.
— Uhum, claro! - ela revirou os olhos e o respondeu: — Chen agora trabalha em dias alternados.
— Hmm… Ele que arrumou o trabalho para você?
— Foi um golpe de sorte. O chefe dele decidiu contratar mais uma pessoa para ajudar, já que estava ficando pesado para ele sozinho. E aí ele me ligou, e eu aceitei. Andei o dia todo até ter bolhas nos pés e nada de encontrar trabalho. Não pensei duas vezes antes de aceitar.
— E está gostando?
— É bem diferente da vida que eu estava acostumada, então sim. Se me tira da rotina, eu gosto.
— Fico feliz por você.
— E o que vai querer beber?
The Langham.
— Típico.

Ela o serviu, e os dois riram.

— O que te trouxe aqui, desta vez?
— A mesma coisa…
— Ei, eu já te disse… - um cliente chamou .
— Vai lá, eu queria mesmo conversar com você e te contar umas coisas, mas…
— Desculpe . Fica pra depois, tudo bem?

Ela saiu mais uma vez sem ouvir a resposta dele. Atendia aos outros clientes, enquanto a observava trabalhar. Ele pensou na frase dita por ela: “eu já te disse…”, e, recordando-se do que ela dissera tempos antes, ele murmurou olhando o próprio copo:

— A vida é curta pra chorar pela ex…

Olhou o celular, que não denunciava nenhum retorno de chamada de Ailee. Ela havia mesmo se decidido. desligou o telefone e virou-se de costas ao balcão, observando o movimento do bar. Aquele dia estava cheio. E andava de um lado para o outro, sorridente, simpática com a maioria dos clientes, e não hesitando em fazer gestos obscenos e agressivos aos homens que eram indelicados com ela.
observava a vitalidade daquela garota e se sentia um idiota. Ele tinha família, estrutura, a chance de fazer uma segunda graduação, havia feito uma viagem de descobertas e ao retornar teve a sua vida de volta. não tinha exatamente uma vida sofrida, até onde ele sabia, mas não a via desanimada, insatisfeita e nem reclamar de nada. Não viu isso quando a encontrou de luto pela tia. Não viu isso quando observava a menina - que nunca havia trabalhado - servindo mesas num bar, agora.
Ela realmente parecia ser muito determinada e positiva. E aquilo era outra lição que deveria aprender com ela. Será que ele teria algo a ensinar para ? Nem que fosse para agradecer por tudo o que ela o ensinou sem ao menos saber? E de novo, não pensou em Ailee.


“Tô vivo e quero viver, ensinar, e aprender. Menina, eu sigo com ou sem você, mas tente entender: eu tentei. A vida é curta pra chorar pela ex, eu falei pra mim mesmo enquanto eu chorava outra vez…”
.

Não poderia ficar até amanhecer daquela vez. Mas queria poder levar para casa. Chamou-a ao notar que deveria partir, ele pagou a ela os drinques bebidos.

— Até logo, . Se, cuide! - ela despediu, sorrindo e saindo de perto dele.

não pôde, mais uma vez, respondê-la ou apenas lhe sorrir. Ela já havia se afastado. Aquilo era algo que o deixava intrigado. Ele saiu do balcão e retornou para sua casa.

O dia seguinte correu como qualquer outro. Entretanto, recebera um telefonema da faculdade avisando que as aulas começariam em uma semana. Havia motivos a comemorar! Telefonou para casa e avisou sua mãe. Na hora do almoço, ele fechou a loja com o pai, e os dois seguiram para casa.

— Daremos um jantar em comemoração!
— Não precisa tanto, mãe.
— Claro que precisa! É um novo passo importante na sua vida. Semana que vem você começará um novo sonho, filho. Não se preocupe, faremos algo simples.
— Concordo com sua mãe, . Temos que comemorar.
— Chame seus amigos. - a mãe finalizou a discussão.
Retornando à loja, no momento de mais calmaria, telefonou para algumas pessoas - poucas - e avisou do jantar, desculpou-se por avisar tão em cima da hora. Pensou se deveria mandar uma mensagem para Ailee. E a voz de surgiu em sua mente: “A vida é curta pra chorar pela ex…”. Desistiu, convicto. E ligou para .

— Alô?
? É o .
— Eu sabia que uma hora você telefonaria. - ela sorriu, e ele também.
— Teremos um jantar simples de comemoração em minha casa, esta noite. Gostaria que você viesse.
— Uau, obrigada pela consideração, . Eu irei com certeza. Mas, o que estamos comemorando?
— Uma das coisas que eu queria te contar ontem… Recomeço os meus estudos semana que vem.
— Parabéns! Fico muito feliz por você! Eu irei sim, é só me passar o endereço.
— Te envio por mensagem neste número.
— Tudo bem.
— E o Chen, você sabe se ele pode vir?
— Hoje ele trabalha, , é o meu dia de folga. Mas, eu te passo o número dele por mensagem.
— Obrigada, . Até a noite.
— Eu quem agradeço. Até a noite.

estava animado. Queria ver de novo, e só percebeu aquilo ao desligar a chamada. Imediatamente digitou o endereço da casa dos pais para ela. E telefonou ao Chen, mas ele não iria por causa do trabalho.

A família de estava feliz e animada, entretanto não havia surgido ainda. não parou de olhar para porta, e sua mãe queria servir o jantar. Já era a terceira vez que ele pedia que ela esperasse um pouco mais. E os pais dele notaram a apreensão do rapaz. Ele pegou o telefone e discou o número dela e, enquanto chamava, ouviu a campainha. Sua mãe atendeu, e ele observou que a menina que havia atendido ao telefone era a mesma que estava encarando a mãe dele de maneira simpática e desculpando-se pelo atraso.
desligou o telefone, deixando o copo que segurava, na mesinha de centro, e foi até a porta.

!
— Ei, .

Os dois sorriram, a menina entrava e a mãe dele observava-os.

— Desculpe-me o atraso, eu tive uns imprevistos.
— Imagine, querida! Nós estávamos aguardando-a para servir o jantar. - a mãe dele respondeu ao notar que era isso que ele tanto esperava.

sorriu sem graça.

— Nossa, me desculpem mesmo. Mas, por favor, não deixemos o pessoal com fome por mais tempo, sim?

As duas riam, e as observou sem reação. tocou no braço dele, como se dissesse: “você não vai falar nada?”, mas novamente deu as costas e seguiu a mãe dele, sem aguardar alguma reação de . Ele gostava daquela mania, mas sentia-se mal por ela estar sempre um passo à frente.
O jantar fora ótimo, poucos amigos surgiram, mas, foram os essenciais. Todos adoraram , inclusive os pais dele. Em determinado momento, a garota disse que iria embora. E pediu que ela esperasse todos irem, porque ele a levaria embora. Queria conversar com ela. E ela aceitou. Depois que todos saíram, ela despediu-se dos pais de , e os dois seguiram para a casa dela.

— Podemos dar um “oi” ao Chen, antes de eu te deixar em casa?
— Tudo bem.

Desceram no bar e cumprimentaram Chen. não bebeu. Mas, pediu um “The Langham”. Depois outro. E outro. Chen e perceberam algo errado.

, o que está acontecendo? - Chen perguntou-a, mas fora chamado por alguns clientes.
, eu posso te ajudar em algo? - perguntou, percebendo uma tristeza distante no olhar dela.

Ela sorriu para ele, Chen voltou, e ela sorriu para os dois. Virou outra dose de Langham e encarou aos dois, dizendo:

— Daichi se casou…
— O quê? - Chen perguntou, assustado.
— Hoje pela manhã… Em Tóquio.

Chen serviu outra dose a ela, a menina bebeu e Chen pediu que ela fosse para casa e não ficasse ali. imediatamente, antes que ela falasse algo e tomasse a posição primeiro, pegou a bolsa dela, pendurando-a no ombro, e puxou a mão dela.

— Eu a levo pra casa, Chen. Não se preocupe, eu cuido dela.

Chen acenou afirmativo para , e apenas o observava, surpresa. O rapaz a guiava para fora do bar e abriu a porta do carro para ela entrar. No percurso para casa dela, eles conversaram sobre Daichi.

— A vida é curta pra chorar pelo ex. - ele disse a ela, sorrindo.

A garota literalmente gargalhou ao ouvir aquilo.

— Você acredita no que eu digo, ?

Ela continuava rindo, mas apenas sorriu tímido e respondeu:

— Eu aprendo muito com você. Hoje, por exemplo, eu aprendi que... Certas dores, por mais que saibamos que não devemos vivê-las, algumas são necessárias.

murmurou afirmativa, em concordância a ele. Sorriu e baixou a cabeça, vendo uma lágrima muito fraca cair em seu colo. Há muito tempo ela não chorava. não poderia vê-la chorar, então tentou mudar de assunto.

— E o pior é que eu nem sei se poderei retribuir te ensinando algo também.
— Com certeza, há alguma coisa. - ela respondeu, sorrindo para ele.

Chegaram à porta da casa dela, e ela o convidou para conhecê-la. E aceitou. Eles entraram, e a casa era quente e confortante. nem parecia mais a mesma garota tristonha de momentos antes. Ela sorria, dizendo a ele que ficasse à vontade.

— O jantar foi muito divertido, .

Disse ela da cozinha, trazendo dois potes pequenos de pudim e colheres. Ele sentou-se no sofá, e ela dirigiu-se ao telefone. A luz da secretária piscava. Ouviu os recados:

… Hoje é o dia do meu casamento… Eu nem sei se deveria te deixar este recado minutos antes de subir ao altar, mas... Eu queria que você estivesse lá, eu estou com as alianças que você queria nas mãos… É uma fraude, … Era pra ser você. Eu ainda te amo e eu ainda te quero, então eu torço para que não escute meu recado a tempo, pois, você vai estar num avião vindo para cá e aparecerá na cerimônia impedindo que eu cometa o maior erro da minha vida… Eu te amo, , para sempre. Me perdoe. Me salve.”

O som do final do recado ecoou na sala silenciosa. olhava para ela, assustado. Ela respirou fundo e sorriu. Encarou e caminhou até ele, sentando ao seu lado. Recostou a cabeça no ombro dele e abriu o seu pudim. Começou a comê-lo como se nada tivesse acontecido. estava inerte, confuso e com pena de . Na verdade, não sabia de quem sentir pena.

— Você não vai comer? - ela perguntou.

Em silêncio, ele abriu o potinho de pudim e o comeu também. Logo, os dois estavam recostados ao sofá em silêncio. Quando decidiu que falaria algo sobre aquilo, perguntaria se ela estava bem e tentaria entender aquela situação, ele olhou para e a mulher estava adormecida em seu ombro.
Ele sorriu, pegou-a no colo e levou-a para o quarto. Demorou um pouco para achar o quarto dela, com ela seu colo, mas a mulher dormia tão pesadamente que não acordou e nem se moveu.
Ele sentou-se ao lado dela na cama, e, aos poucos, o sono fora chegando. Tirou os sapatos e aconchegou-se na cama, sem deitar-se. Não queria que ela o interpretasse mal. A garota virou-se para ele e agarrou a mão dele, ainda dormindo. Então, decidiu descer mais pelo colchão e deitar ao lado dela. Observou-a dormindo até que seus próprios olhos se fechassem, e as suas mãos permaneceram entrelaçadas. passou a noite ali.


“Eu vou ficar, mas vou pela manhã. Sem me despedir, vou antes do café, que é pra não te acordar, sei que não sou nenhum Don Juan. Sou todo errado, mas tô certo que você me quer…”.


Aqueles dias passaram rápidos, não havia falado com desde aquela noite. Havia ido embora antes dela acordar e deixado apenas um bilhete. A mulher não o telefonara. E, embora ele não conseguisse esquecer as palavras do homem na secretária eletrônica e não conseguisse esquecer o rosto de , e nem mesmo queria esquecê-la, achou melhor esperar que ela entrasse em contato.

“Heey, oppa! Feliz primeiro dia de aula!” xoxo

O celular dele apitou, e, ao ler a mensagem vinda de , um sorriso alegre tomou conta do rosto dele. Ele estava entrando na faculdade e digitando uma mensagem para ela.

“Oppa? Eu sou seu oppa? UOW!!!”

Aguardava ansioso pela resposta.

“Não é?”

Ele sorriu com aquilo e rapidamente digitou:

“Onde você está? Estou chegando à faculdade, mas quero muito te ver…”.

Enviou a mensagem e sentiu uma brisa passar rápida ao seu lado, e um perfume conhecido invadir suas narinas. Parou de andar e olhou para trás, e surpreendeu-se pela mulher que ali estava fazendo a mesma coisa. Sorriram e se aproximaram.

— Você não contou que estudaria aqui… - ela disse, o abraçando.
— E nem você.
— Ei! Eu sou veterana aqui, me respeite.
— Vamos falar de outra coisa. Eu sou seu oppa?
— Claro que é. Você é mais velho que eu.
Outch. Não, não sou. Temos a mesma idade.
— Quem disse?
— Eu estou dizendo.
— Então, melhor apagar essa mensagem. Você não pode ser meu oppa. - ela pegou o celular ameaçando apagar a mensagem, quando segurou sua mão.
— Posso sim. Na verdade… Eu quero.

Os dois entreolharam-se e, constrangidos, sorriram.

— Então… - ele disse — Você estava indo embora?
— Sim, meu turno é matutino. E eu tenho que trabalhar.
— Passo lá depois da aula.
— Você que sabe.

Ela sorriu e deu as costas, novamente sairia sem a resposta dele. Então segurou-a pela mão e puxou-a para si. Ela o olhou, de forma assustada.

— Não. Você não vai ser a última a falar, ou fazer algo, dessa vez.
— Como?

E num ato rápido, beijou os lábios de . A mulher não lutou contra aquilo, pelo contrário, ela entregou-se ao momento. E por mais assustada que estivesse, ela deixou-se levar pelos braços dele, a apertando num abraço forte.
Encararam-se confusos e sorriram e despediram-se cada um seguindo o seu caminho. não deixava de sorrir em nenhum momento e olhava atento para o relógio a cada minuto. Torcia pelo fim da aula, queria correr até o bar e aguardar ela sair do expediente, para conversar e levá-la para casa.
Entretanto, ao chegar ao bar àquela noite, Chen estava lá. Dissera que o pediu para substituí-la. estranhou aquilo, mas foi até a casa dela. As luzes estavam apagadas. Telefonou, e ela não atendia.
Dias se passaram, e ele não conseguia falar com ela. Duas semanas sendo evitado por , e percebera que estava desesperando-se pela falta de contato, e soube, então, que estava apaixonado. Tão instantaneamente como miojo. Preocupava-se em ter feito tudo errado. E, mais uma vez, telefonou para . Ela não atendeu, mas enviou uma mensagem:

… Eu não sei o que está acontecendo comigo, com nós. Eu adorei. É sério, mas existem algumas coisas inacabadas na minha vida. Eu não sou tão forte como você pensa. Há inquietudes no meu coração, e eu preciso resolver… Eu preciso me retirar… Sei que você vai entender. E eu não quero que você me espere, na verdade, nem tenho o direito de pedir isso… Droga, … Eu juro que eu queria. Mas, eu não posso ser metade pro seu inteiro...”.

recordou-se da noite que conheceu . Lembrou cada momento. Lembrou-se da conversa que teve com ela:

— Existiam algumas coisas inacabadas na minha vida. Inquietudes no meu coração que eu pude resolver me distanciando. Indo atrás de mim.
— Parece que foi a coisa mais sensata a se fazer, então.
— Não sei se foi. Mas, foi o melhor pra mim…

Imediatamente ele pegou algumas roupas e colocou em sua mochila tudo que precisaria. Despediu-se da mãe, que desejou a ele boa sorte.
Bateu na porta da casa de , e tocou a campainha inúmeras vezes até que a garota surgisse, assustada. Jogou-se sobre ela, a abraçando. Agora ele sabia o que Ailee sentiu quando, de repente, ele quis ir embora. E não cometeria o mesmo erro que ela em tê-lo deixado ir, na verdade, não deixaria que fosse sozinha.

…? - ela sussurrou.

Ele entrou e jogou a mochila em qualquer canto, puxando-a para o sofá. Colocou a garota sentada e pôs-se a falar.

— Eu não quis assustar você. Ou entrar no meio de um monte de coisas, eu não quis te confundir. Eu não quero atropelar as coisas, mas, entenda… Eu quero estar com você. Eu entendo o que você diz. E eu acho que agora eu posso te ensinar alguma coisa, além do que você me ensinou…


“Ei, amor, sei que tá tão difícil eu falar de amor. Porque lá fora é tanto ódio e rancor, que eu preciso tanto te falar. Ei, amor, eu tô contigo independente do caô, cê sabe que aonde você for eu vou, e já passou da hora da gente se encontrar…”.


— Eu só quero te levar pra onde quer que você queira estar. Eu quero ser a companhia que você precisa, eu quero muito mais do que te esperar voltar… Eu quero voltar junto com você.


“Se amar, nega, cê sabe que contigo nada vai me abalar. A viagem é longa, então faça a mala, na vibe mais positiva, no pique mandala. Esse papo de que, se tu não existisse eu te inventaria é tão clichê. Mas, cai tão bem quando se trata de você. Só vem comigo, cê não vai se arrepender…”



— Não vai sozinha. Não me deixe sozinho…

deixou lágrimas de alegria rolar pelo seu rosto. Ela levantou-se e colocou-se de frente a ele e o abraçou:

— Eu achei que a melhor coisa era evitar novas decepções. Eu achei que não merecia sentir isso de novo. E acho que não sou a melhor pessoa que você merece, , porque eu não sei se posso te fazer feliz… Eu nunca faço.

“Noites em claro, tentando não me envolver. Seja o que Deus quiser…”

— Você, só você, me salvou. Você pode não ter salvado outros, pode não ter sido feliz antes, mas, agora, podemos. Eu preciso de você. Não quero me despedir, não quero obrigar você a ficar, ou aceitar que eu vá contigo, mas, por favor… Eu quero estar contigo, ser seu e só. E não ter que justificar o tempo que sumi, ou fazer você justificar… Eu só quero ir pra onde quer que você vá… Deixe-me ir?

“Não vou me despedir porque dói. Não vou brigar pra ficar. Quero estar contigo, ser seu e só. Sem ter que justificar o tempo em que eu sumi. Seja o que Deus quiser, deixe-me ir.”

— Então… Seja o que Deus quiser.

Eles se beijaram e, num abraço, forte souberam que o mundo seria mais leve se estivessem juntos. E iriam para onde a vida decidisse os levar.


Fim.



Nota da autora: Olá, leitorxs! Eu sei que a música não tem nada a ver com o KPOP, mas... Vamos combinar que essa música é maior chicletinho, né? E estou ouvindo muito ultimamente, e aí pensei em fazer essa SONGFIC. Não só com esta música, mas tem uns planinhos de outras aí... E aí, como deixar de fora o nosso maravideus coreano, um dos membros da trindade, o nosso amor eterno: Lee Jong Suk? A fic é interativa, você lê com quem quiser, mas, sim, eu escrevi com o Suklícia! Espero real que vocês gostem e comentem por favor. É muito lindo ler os comentários e saber o que vocês acharam!! Good Reading! 😘




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