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Última atualização: 12/10/2020

Destinesia
Quando você chega onde pretendia ir,
mas se esquece porque estava indo lá em primeiro lugar.

Prólogo

O sorriso sumiu de seu rosto. Mentalmente, ela fez as contas de quanto tempo estava lá. Não observando o rio, não no apartamento, mas sim em Londres. congelou no lugar quando percebeu no que os dois meses que ela tinha planejado tinham se transformado. Como foi que deixou isso acontecer? Como pôde não perceber, em primeiro lugar, o que estava acontecendo diante de seus olhos e, pior, dentro de seu coração? Quando foi que aquilo deixou de ser sobre seu trabalho? Ela nem se lembrava mais. Aquilo era culpa dela.
Com um suspiro pesado, ele virou o rosto para o outro lado, passando as mãos pelos cabelos loiros e entendendo perfeitamente o que o silêncio dela queria dizer.
Ela não conseguia encontrar as palavras certas. Não importava quantas desculpas estava dando nas últimas semanas, a verdade era ridiculamente óbvia. O único motivo pelo qual ela estava lá era ele. E o peso daquilo a atingiu como uma bala de canhão, a deixando desconcertada e sem fôlego. Aquilo estava errado, muito errado.
sabia que a resposta para o que ele acabara de lhe pedir deveria ser negativa.
— Eu... eu não... – Ela tentou falar, mas era impossível.
Ele soltou uma risada sem humor, se virando para ela com os olhos azuis pegando fogo.
— Não pode ou não quer?
Ela não sabia. Sempre que olhava dentro daquele mar azul, ela perdia a noção de qualquer outra coisa. E esse era o problema, ela perdera completamente a noção. De tempo, de realidade, de si mesma. Ela sempre soube que não podia e nem queria ficar lá, mas agora ela não tinha certeza de mais nada.


Capítulo 1

Por favor, ! Você precisa fazer esse projeto! – Giovanna praticamente gritou do outro lado da linha enquanto a outra mulher ria, apoiada na cerca de madeira da varanda que começava a ser iluminada pelo pôr do sol, refletido no mar logo mais adiante.
— Gi, eu não pretendo voltar para Londres tão cedo. Seria um prazer te ajudar com a casa, mas eu estou com alguns projetos por aqui e não quero largar as meninas sozinhas.
Você fala como se elas fossem suas filhas, , e não suas funcionárias. Eu sei que os negócios estão indo bem em Gold Coast, mas elas podem cuidar das coisas por algum tempo, não acha?
suspirou. Bom, errada ela não estava. As meninas, Ashley e Immy, suas melhores funcionárias, e Roccane, sua sócia no escritório, dariam conta dos projetos que já estavam encaminhados e saberiam conduzir a equipe com os novos até que ela voltasse. E também tinha o fato de que não conseguia dizer não para Giovanna, o que tornava a recusa quase impossível mesmo que Gio soubesse muito bem que não gostava de ficar por muito tempo quando precisava voltar para a Inglaterra. A última vez que havia pisado naquele lugar foi quando Buzz nasceu.
— Eu vou pensar, Gi, mas eu não garanto nada, tudo bem? Você sabe que eu adoraria fazer qualquer trabalho para você, mas eu preciso mesmo ver isso com as meninas antes de te dar uma resposta, principalmente com a Roccane. Aliás, tenho certeza de que ela adoraria fazer esse projeto, Gio. Ela é tão boa quanto eu e muito mais experiente!
— Se eu vou trazer alguém do outro lado do mundo para isso, será você e apenas você. Você tem três dias para me dar uma resposta, . Se vou levar um não na cara, que seja o mais rápido possível para que eu, mãe de três crianças completamente enlouquecidas, saia correndo pela cidade para encontrar alguém que chegue minimamente aos seus pés.
riu, revirando os olhos.
— Você tem realmente um dom para as palavras, Giovanna Fletcher. Aliás, mande um beijo para todas as quinhentas crianças maravilhosas que você tem, e isso inclui seu marido.
Giovanna soltou uma de suas gostosas risadas e senti o coração aquecer. Como ela sentia falta de sua amiga.
Seu afilhado quer saber quando você vai levá-lo para surfar de novo.
— Diga ao Buzz que assim que a mãe dele o trouxer para me ver na Austrália.
Isso é injusto, vou ter que modificar sua resposta, .
— É muito feio uma mãe mentindo para o filho, Giovanna.
Que pena, vou manter isso fora do meu próximo programa sobre maternidade. – As duas riram juntas. – Por favor, , pense nisso com muito amor. Se você me ama, sei que a resposta será sim.
— Vou ignorar o jogo emocional, senhora Fletcher, mas pensarei. – Ela respondeu, brincalhona.
Quinze minutos depois de encerrar a chamada, o celular de vibrou com alguma notificação. Curiosa, ela abaixou o fogo onde estava refogando alguns legumes e foi até a bancada, desbloqueando o aparelho e dando de cara com uma nova mensagem de Giovanna.
Eu mencionei o quanto estamos dispostos a pagar pelos seus serviços?” e, em anexo, uma imagem. Uma foto de Buzz, Buddy e Max, o último sendo apoiado por duas mãos masculinas, todos eles segurando uma folha branca com algumas palavras coloridas. “Abraços, beijos e risadas todos os dias”.
riu, sentindo o coração aquecer, enquanto Eddie, seu melhor amigo, entrava na casa ainda molhado por, muito provavelmente, julgando pelo rastro de areia que estava deixando, estar até aquela hora no mar. Ele a encarou, confuso.
— Aconteceu alguma coisa?
— Giovanna Fletcher acabou de me chantagear de forma indecente para um projeto na casa dela.
— E isso quer dizer o que?
— Que provavelmente você vai ter a casa só para você por um tempo, Eddie.



O aeroporto de Heathrow não trouxe para a sensação de alívio que ela esperava depois das 28 horas de jornada entre a Austrália e a Inglaterra. Na verdade, ela sentia que devia ter ouvido seus instintos e ter ficado em Dubai durante a rápida escala por lá. Ela já estava de saco cheio daquele lugar antes mesmo de descer do avião e, agora, enquanto esperava suas malas na esteira de bagagens, sentia que qualquer coisinha a tiraria do sério. Bom, esse era o efeito Londres em , a garota que, um dia, havia sido completamente apaixonada por essa cidade, suas ruas, seus lugares e suas pessoas.
Ela sabia que Roccane Dexler, arquiteta e sua sócia, não a deixaria simplesmente recusar um projeto na casa de Tom e Giovanna Fletcher. Depois de quase três horas de discussão na AVA Architecture, foi derrotada com o argumento de que um trabalho desses abriria portas para a criação de um escritório na Inglaterra, assunto que ambas vinham abordando com bastante frequência, embora preferisse Nova York. Ela não poderia ir contra Roc naquele ponto e, honestamente, em quase nenhum outro. Além de ser mais velha, Roc tinha muito mais juízo do que ela e era o cérebro do escritório, enquanto era o coração.
Então, depois de quatro semanas avaliando o projeto da casa de Gio à distância, ela finalmente se encontrava em Londres, no momento arrastando duas malas gigantes até a área de desembarque, repetindo o mantra que vinha meditando desde o momento em que topou tudo isso: seriam só dois meses, apenas dois meses, 60 dias, nada mais do que isso.
Assim que cruzou as portas do desembarque, gritos infantis entoando seu nome chegaram aos ouvidos da mulher.
— Tia , tia ! – Um Buzz ligado no 220 se equilibrava em um carrinho de bagagens enquanto segurava um cartaz colorido. Ao seu lado, Giovanna ria, balançando os braços junto com o filho.
Todo o mau-humor se esvaiu do corpo de com aquela visão.
— Buzz, Gi! Não acredito nisso! – Ela falou, completamente atordoada, correndo até eles.
— Buzz queria fazer uma surpresa para a tia favorita dele e você sabe como eu gosto de surpresas.
riu e se abaixou, abrindo os braços para receber um abraço do pequeno, que imediatamente se jogou nela. pensou, maravilhada, que aquela era definitivamente a criança mais bonita do mundo.
— Eu amei, Buzz! Muito obrigada! Você fez a melhor surpresa de todas!
Ele riu e se afastou um pouco para avaliar a mulher.
— Seu cabelo tá grandão!
— Não tão grande quanto você! Você está quase do meu tamanho!
Ele estufou o peito, orgulhoso.
— A mamãe falou que eu sou um homenzinho.
gargalhou.
— Ela está certíssima!
— Mostra para ela o cartaz que você pintou, filho.
Ele a entregou a folha de cartolina amarela e ela pode observar melhor o desenho de um garotinho de mãos dadas com uma mulher mais velha, com muitas flores coloridas e um arco-íris ao redor.
— É o desenho mais bonito que eu já vi, Buzz. Posso guardar comigo?
— Guarda bem, tá bom?
Ela deu um beijo na bochecha rosada do garoto e enrolou a folha, a colocando dentro de sua bolsa, e depois se ergueu, sorrindo para Giovanna.
— Eu estava morrendo de saudades, nem acredito que você está mesmo em Londres! – Gio exclamou, animada.
Ela a puxou para um abraço e a apertou, rindo.
— Só você mesmo para me fazer vir até aqui. Também estava com saudades, obrigada por terem vindo me receber.
— A ideia foi do Buzz, ele não para de falar sobre você desde que contamos que você viria.
Ela olhou para a criança que estava grudada na lateral de seu corpo e bagunçou seus cabelos.
— Gostaria de dizer que ele está cada dia mais a sua cara, Gio, mas ele é a mistura perfeita de você e do Tom. Toda hora que eu olho, vejo mais um do que o outro.
Ela riu.
— Eu sei disso, mas pelo menos eu posso jurar que o Max está um pouquinho mais com a minha cara.
— Aposto que sim. – sorriu para ela. – Não vejo a hora de conhecê-lo, aliás. – Ela colocou suas malas no carrinho onde Buzz estava antes, dando uma batidinha para ele subir na ponta que ainda estava livre e começaram a andar até o estacionamento. – Tom ficou em casa com ele e o Buddy?
— Ficou, eu achei que essa seria uma missão apenas para Buzz e eu, até porque eu não sou louca de sair com os três sozinha em um aeroporto.
— Aposto que seria uma missão suicida. Mas se serve para te animar, você não parece mãe de três pestinhas, nem está com cara de morta. – Buzz se virou no carrinho ao ouvir chamá-lo de pestinha, mostrando a língua, e ela, muito adulta, revidou.
Giovanna a deu uma cotovelada.
— Hoje. Você verá nos próximos dias.
— Estou ansiosa por isso.
Elas seguiram conversando até chegarem ao carro, uma grande SUV preta, e arqueou as sobrancelhas para Gio, surpresa. Giovanna deu de ombros.
— Vantagens de ser mãe e poder fazer isso com um pouquinho mais de estilo. – Ela falou enquanto ajudava a amiga a colocar a primeira mala no porta-malas. riu.
— Quem diria que Giovanna Falcone iria se preocupar com carros estilosos. Bom, na verdade, todo mundo diria, desde o momento em que você aceitou o pedido de namoro daquele garoto esquisito metido à popstar.
— Quem que você tá namorando, mamãe? – Buzz perguntou, confuso.
— O garoto esquisito é seu pai, amigão. – explicou, piscando para ele, que soltou uma risada gostosa e muito parecida com a da mãe, e fecharam o porta-malas. Giovanna se prontificou em colocar Buzz na cadeirinha no banco de trás e fechou a porta.
— Muito obrigada por ter vindo, . Sei o quanto significa para você voltar para cá.
sorriu, dando de ombros.
— Você sabe que eu só estou aqui pelo dinheiro, Gio. – As duas riram. – Eu sempre vou voltar quando você precisar.



Depois de quase uma hora de estrada, onde Gio convenceu de que seria um absurdo não passar a noite com eles pelo menos aquele dia, o grupinho chegou à tão conhecida casa que estava estudando nas últimas semanas.
Mal entraram e Buddy veio correndo ao encontro de . Meu Deus, quantas cópias deles mesmos Tom e Gio pretendiam fazer?, pensou.
— Tia ! Vamo praia? – Ele questionou, a dando um abraço e olhando-a ansioso.
olhou surpresa para Gi, que revirou os olhos.
— Eu sei, ele só tinha um ano, mas o Buzz fez uma bela propaganda sobre a viagem. – Gi suspirou, como se tivesse desistido daquelas crianças. riu. – Buddy, você precisa perguntar como ela está primeiro.
— Cê tá beeeeeem? Vamo pa praia, tia ? – Ele falou rapidamente.
riu e o abraçou novamente.
— Eu estou ótima, Buddy! A tia vai levar vocês para praia assim que o papai e a mamãe levarem vocês lá para casa de novo!
Buddy fechou a cara.
— Mas demora muuuuto...
— É só você e seu irmão pedirem muito, muito, muito mesmo que eles levam. – Ela fez cosquinha na barriga dele, que deu uns gritinhos.
— Pela felicidade e gritaria, chegou. – Tom se fez presente, apoiando-se na parede ao lado de Giovanna.
— Em carne e osso, Fletcher!
Ele avaliou a garota de cima a baixo e abriu a boca, em uma falsa indignação.
— Amor, não acredito que encomendamos uma arquiteta e recebemos uma garota propaganda de bronzeamento artificial.
revirou os olhos, rindo. Nos últimos anos, a pela naturalmente morena da mulher ganhara um brilho especial pelo tempo dentro do mar e embaixo do sol. E ela adorava aquilo.
— Vantagens de morar na Austrália, Tom, e não nesse lugar nublado. Você deveria experimentar essa coisinha chamada sol de vez em quando, faz bem e você está precisando.
— O fato de que eu vou pagar para você me dizer essas coisas me incomoda profundamente, .
Ela riu novamente e ele a puxou para um abraço.
— Bom te ver, Tom. Os meninos estão lindos, mas quero conhecer o mais novo membro da gangue.
— Digo o mesmo, , você está ótima. – Ele respondeu e sorriu, agradecendo. – Acabei de colocar o Max para dormir, ele estava com um pouco de febre, mas você vai ter muito tempo para conhecer esse rapazinho.
— Ótimo, até porque eu acredito que você esteja morrendo de fome, , e deve estar querendo um bom jantar e descansar. – Gi completou.
— Não vou negar que estou um pouco tonta com o fuso horário e implorando por uma boa refeição.
— Pra variar, sempre com fome. – Tom provocou.
— Pra variar, sempre irritante. – Ela rebateu e ele gargalhou.
— Então vou levar suas malas lá para cima e você pode tomar um banho enquanto Gio e eu preparamos um baquete para a senhorita.
— Obrigada, Tom, mas se você for cozinhar eu prefiro dormir sem comer, sem ofensas. – Piscou para ele, que estreitou os olhos. – Eu ainda não me esqueci do desastre da pizza lá em casa.
— Eu jamais o deixaria tocar na comida que você vai comer, , as chances de ele colocar algum veneno são muito grandes.
Tom bufou, revirando os olhos.
— Serão semanas incríveis.



encheu sua taça com um pouco mais de suco de uva, gargalhando do que Tom havia acabado de falar. Os três estavam comendo e Tom provoca , dizendo que ela o copiara na escolha de seu prato favorito: as batatas crocantes de Giovanna.
— Eu juro que tento fazer essa receita há anos, mas sempre acabo errando. Acho que ela precisa ser feita por mãos italianas para dar certo. – bufou, levando o garfo à boca.
Tom arqueou as sobrancelhas.
— Engraçado como você critica minhas habilidades culinárias quando você mesma não possui nenhuma, . Ou você acha que eu não sei que a guerra de comida no ano passado começou com você mesma depois de fazer o pior macarrão do mundo?
— Eu não faço ideia do que você está falando, Fletcher. – deu de ombros. Ela jamais iria admitir que, no ano passado quando Gi e Tom foram visitá-la na Austrália com os garotos e passaram o ano novo com ela, ela tinha feito um macarrão que poderia ser usado como arma de um crime e, então, decidira simplesmente jogar um punhado da massa em Buzz, iniciando uma guerra de comida que jura que deixou rastros em sua cozinha até hoje.
Giovanna deu uma risada, bebendo um gole de seu vinho.
— Aquela viagem foi incrível, , precisamos muito repetir.
— Por favor, aquela casa fica muito desanimada só com Eddie, Travis e eu. – Ela respondeu, referindo-se ao melhor amigo e ao golden retrivier que eles haviam adotado.
Gi arqueou uma sobrancelha, maliciosa.
— Por falar em Eddie, vocês dois...
— Não começa, Gi. – a cortou, rolando os olhos. – Eddie e eu somos só amigos agora. Mesmo.
Tom gargalhou.
— Não sei como vocês dois conseguem viver na mesma casa depois de terem namorado, ainda mais com ele andando por aí com aquele tanquinho de surfista descoberto o tempo todo.
riu, balançando a cabeça.
— Depois de um tempo perde a graça. – Os três riram. – Mas Eddie e eu sempre fomos amigos e não queríamos perder isso só porque não deu certo romanticamente entre nós. Nós já morávamos juntos antes e não fazia sentido ele ir embora depois, não foi um término complicado nem nada, só não deu certo. – deu de ombros.
Gio apoiou a cabeça na mão, sorrindo divertida.
— Parecia que estava dando muito certo com os barulhos que nós ouvíamos todas as noites.
— E todas as manhãs. – Tom completou, maldoso.
jogou um guardanapo nos dois.
— Vocês são ridículos. Além disso, ele está completamente apaixonado por Ash. Toda vez que ela vai lá em casa ele dá um jeito de aparecer sem camisa segurando o Travis como se tivesse saído de um comercial.
Os três riram.
— Ashley? Sua funcionária? – Questionou Gi.
— A própria, mas a coitada não consegue pronunciar uma palavra sequer na frente dele. Parece até você, Tom, quando estava tentando chamar a Gi para sair. – provocou e Tom a fuzilou com os olhos.
— Engraçadinha.
— Porque você não dá uma ajuda para os dois, então? – Giovanna falou.
sorriu e tomou mais um gole de seu suco.
— Porque é muito divertido assistir esses dois idiotas. – Ela piscou e os três gargalharam.
Giovanna se ajeitou na cadeira, parecendo de repente muito incomodada, e franziu o cenho, estranhando a mudança de humor da amiga.
, você falou para eles que você está aqui? – Ela perguntou, num tom mais suave.
soube imediatamente que ela não estava se referindo aos amigos australianos. Ela suspirou.
— Não, ainda não, pelo menos. Não sei nem se vou contar.
Tom fez uma careta.
— Talvez isso só piore as coisas, . – Ele disse, calmo.
Se fosse qualquer outra pessoa tocando nesse assunto com , ela já a teria mandando ir para o inferno e parar de cuidar de sua vida. Mas ninguém sabia melhor do que Gio e Tom o que tinha acontecido. Os dois estiveram lá desde o começo, antes mesmo de tudo acontecer.
— Eu sei. – Ela respondeu, cansada, apoiando os braços na mesa. – Eu só não acho que eles queiram me ver, de qualquer forma.
Gio pegou a mão da amiga por cima da mesa, sorrindo gentilmente.
— Eu acho que vale a pena tentar, . Vai ser melhor do que se eles ficarem sabendo de outra forma.
— Eu só estou tentando evitar me estressar.
— Eu sei disso, mas a minha mãe já está sabendo que você está aqui. É uma questão de tempo para seus pais ficarem sabendo também. – Gio torceu a boca e deu uma risadinha, acompanhada por Tom.
— É óbvio que dona Kim Falcone já está sabendo.
— Ela está louca para te ver, .
sorriu verdadeiramente.
— Eu também estou.
E ela estava. Podia não querer ver sua família de sangue, mas sempre iria querer ver sua família de coração, os Falcone.
— E ela vai surtar quando ver isso. – Gio apontou divertida para o braço esquerdo da garota, que ostentava algumas tatuagens espalhadas.
Tom gargalhou e ela riu, dando de ombros.
— Sua mãe já superou minha fase gótica adolescente, Gi, ela consegue lidar com isso. Além do mais, você é casada com um cara que tem uma estrela tatuada no peito. E no pé. Se ela aceitou o Tom, pode me aceitar.
Tom jogou a rolha do vinho na direção da garota, que riu junto com Giovanna.



acordou na manhã seguinte sentindo o corpo inteiro reclamar por mais algumas horas na cama, efeito do fuso horário e de ter ficado até tarde conversando com Tom e Gio na cozinha. Mesmo assim, ela se obrigou a sair da grande cama de casal do quarto de hóspedes da casa dos Fletchers, que Giovanna havia redecorado desde a última vez que estivera lá, e se arrastou até o banheiro da suíte.
Ela sentiu o corpo relaxar no mesmo momento em que a água quente do chuveiro atingiu suas costas, se permitindo ficar ali sem se mexer por alguns segundos antes de iniciar seu banho e só sair do box quando o ar quente se tornou insuportável junto com o clima de verão do mês de julho. Ela se enrolou numa toalha, os cabelos encharcados pingando em suas costas, e estava escovando os dentes quando ouviu um barulho abafado vindo quarto.
lavou a boca e guardou a escova, imaginando que encontraria Giovanna ou Buzz a aguardando, e saiu.
— Gi, você sabe onde... – Ela abriu a porta do banheiro e deu um grito, assustada com o rapaz de cabelos loiros que a encarava igualmente surpreso. – Você não é a Gi.
O cérebro de demorou uns cinco segundos para reconhecer o homem em sua frente. Dougie Poynter, companheiro de banda de Tom. Ela conseguiu dar uma risada, um pouco mais aliviada por não ser um completo estranho, embora nunca tivesse trocado quase nenhuma palavra com ele. Em todas as ocasiões em que se viram, no casamento de Gi e Tom e em alguns shows do McBusted na Austrália anos atrás, ela não se lembrava de ter dito nada além de um oi para ele.
— Não, não sou. – riu. – , amiga da Gi e do Tom, prazer. – Ela estendeu sua mão direita enquanto a esquerda permanecia firme no nó da toalha. Só parou para pensar em quão estranho era se apresentar em tais circunstâncias minutos depois.
Dougie demorou alguns segundos para estender a mão em resposta e ela não pode deixar de reparar que ele a estava encarando. Ela se perguntou se tinha lavado a boca direito e se não estava com pasta de dente na cara. A mão do rapaz estava quente e ela imaginou que suas bochechas deveriam estar no mesmo estado por causa do susto e da água do banho.
— Dougie Poynter. Acho que nos conhecemos no casamento deles, não? Eu me lembro de você.
Ela puxou a mão de volta e fez uma careta engraçada, escondendo uma risada.
— Sim, eu estava lá. – Ela preferiu não dizer que tinham se encontrado algumas vezes antes nos shows.
Ele assentiu com a cabeça, voltando a avaliar a mulher da mesma forma como havia feito antes.
limpou a garganta.
— Bom, Dougie, em que posso ajudá-lo? – Ela questionou, divertida, e ele deu um sorriso sem graça.
— Eu estava procurando um cabo para uma caixa de som, Tom disse que Buzz tinha escondido no quarto de hóspedes e eu vim pegar. Me desculpe por isso, não sabia que você estava aqui. – Ele se justificou, acelerado e envergonhado.
— Sem problemas. Eu posso te ajudar a procurar, se quiser... – Ela deu de ombros e ele sorriu um pouco mais aliviado.
— Claro, obrigado.
esperou que ele saísse do quarto, mas, em vez disso, ele voltou a revistar as gavetas do guarda-roupa. Ela se encostou no batente da porta do banheiro e ergueu as sobrancelhas.
— Quando eu estiver vestida, sabe... – Sentiu a necessidade de completar, contendo um risinho.
Ele congelou no lugar e ela conseguiu ver o sangue tomar conta do rosto do rapaz.
— Me desculpe... eu... claro, me desculpe. – E disparou pela porta com uma expressão completamente confusa.
riu, trancando a porta, e foi se vestir, separando uma larga camiseta cinza que era de Eddie e um shorts jeans, a fim de ficar o mais confortável possível no dia em que precisaria ir para seu apartamento arrumar o local. Quando eram mais novos, Tom adorava implicar com dizendo que iria arrumar para ela um encontro com um dos caras da banda, geralmente escolhendo Harry como alvo das brincadeiras. Ela sempre dizia que era esperta demais e bonita demais para sair com qualquer um daqueles perdedores que tocavam com ele e o momento de confusão de Dougie minutos atrás a lembrou dessas conversas. Uma pena que Tom não estivesse por ali para ela fazer alguma piadinha com o amigo. Ela penteou seus cabelos, que estavam com alguns pontos queimados de sol no meio do castanho natural, principalmente nas pontas, e decidiu deixar os cachos secarem com o tempo.
Quando abriu a porta do quarto, o rapaz não estava mais lá e ela decidiu descer as escadas, os chinelos batendo barulhentos contra os degraus.
Encontrou Gi na cozinha de costas para ela, preparando algo na bancada, e, sorrateira, foi silenciosamente até ela com um sorriso malicioso no rosto.
— Bom dia, flor do dia! – Ela gritou, fazendo Gi dar um pulinho e um grito, levando a mão ao peito. Ele se virou, furiosa, para a amiga.
— Mas que por...
— Nada de palavrões, mamãe, temos crianças em casa! – piscou, sorrindo, e Gi revirou os olhos.
— Nossa, que linda, toda preocupada com a educação dos meus filhos. Você é um amor, . – Ela falou, irônica.
riu.
— Sempre, amiga. Por falar em educação, hoje recebi uma visita surpresa quando saí do banho. – falou, sugestiva, enquanto se sentava em uma cadeira na bancada e abria um pote para pegar uma torrada.
Gi a olhou, confusa, e colocou uma xícara de café para .
— Como assim? Os meninos não acordaram ainda, acordaram? – Ela pareceu preocupada, olhando para o corredor como se algum deles fosse aparecer correndo a qualquer momento.
— Os meninos eu não sei, mas aparentemente Tom acordou hoje sem se lembrar da minha existência nessa casa. Saí do banheiro e dei de cara com Dougie Poynter no quarto porque Tom o mandou pegar alguma coisa lá.
Gi arregalou os olhos e tapou a boca para esconder o riso.
— O que?! Eu ouvi o grito, mas pensei que... o Tom é um idiota!
arqueou as sobrancelhas.
— Me conte uma novidade. Pelo menos eu ainda estava de toalha. – Ela riu e Gio finalmente gargalhou.
— Bom, teria sido uma visão e tanto, aposto que muito mais agradável do que a dos cabos. – Ela piscou para amiga, que fez uma careta enquanto tomava seu café. – Eles acabaram de sair, estavam montando as coisas para amanhã. Tom está muito empolgado com os trinta e cinco anos e, é claro, vai comemorar transformando essa casa em um parque de diversões. – Ela suspirou, como se reprovasse a ideia.
riu, terminando sua segunda torrada. Tom tinha feito aniversário na quarta, três dias atrás, quando ela cantou parabéns para o amigo pelo FaceTime, mas ele decidiu fazer uma festa para comemorar no domingo. Pelo grande escorregador inflável que ela conseguia ver no jardim através das enormes janelas e portas de vidro da cozinha, a temática parque de diversões estava sendo levada à sério. O que era zero surpreendente, se tratando de Tom Fletcher.
— Não minta para mim, Giovanna. Você está amando essa ideia. – Ela estreitou os olhos para a amiga, a analisando.
Gi deu um sorrisinho maroto.
— Eu amo uma festa. – Ela confessou e as duas riram. – Você vai pro seu apartamento hoje?
se espreguiçou, cansada só de pensar no trabalho que poderia ter tentando deixar aquele lugar mais acolhedor, o que ela achava impossível mesmo para uma pessoa talentosa como ela.
— É o plano. Eu não faço ideia de como ele está, mesmo com alguém indo limpar sempre.
Gio sorriu.
— Você pode continuar aqui se quiser, sabe disso.
— Eu sei, mas também vou fazer algumas reuniões com alguns investidores para discutir a ideia do escritório aqui em Londres. Acho que fazer isso no meio da obra não vai dar muito certo.
— Eu tenho certeza de que deve ser muito interessante te ver tentando arrancar dinheiro de investidores engravatados, . – Gio brincou, olhando as roupas da amiga. – Se bem que, vindo de você, eu posso apostar que você sabe como usar isso ao seu favor.
riu, jogando a cabeça para trás.
— Nunca duvide de mim. Eu tenho uma personalidade secreta para esses momentos e ela até usa salto.
— Uau, se a versão de chinelo já é um perigo, imagine só a de salto alto. – Giovanna provocou e piscou para a amiga, rindo. – Vai precisar de uma carona até Kensington?
— Talvez, mas não precisa se incomodar. Eu só vou pegar um carro amanhã de manhã, mas posso pegar um táxi ou alguma outra coisa até lá, não se preocupe.
— Não é com o seu meio de transporte que eu estou preocupada, , e sim com você sozinha naquele apartamento.
revirou os olhos, mas mordeu o lábio, um pouco apreensiva. Giovanna sempre sabia o que estava se passando no fundo da cabeça dela, era impressionante.
— Ok, uma companhia hoje seria legal porque, bom, você sabe... – Ela fez uma careta engraçada para amiga, algo entre a timidez e a frustração, mas Gi logo abriu um de seus sorrisos compreensivos, pegando a mão de em cima da bancada.
— É claro, .
suspirou.
— Eu não gosto muito de voltar lá, na verdade estou pensando em vender o lugar.
Giovanna ficou surpresa.
— Vender? Tem certeza disso?
— Acho que sim. – deu de ombros. – Faz bastante sentido, até. Eu não moro aqui, também não alugo o apartamento porque nunca fico tempo suficiente para separar as coisas dela, nunca venho pra cá, então...
Gio mordeu o lábio, hesitante.
— Eu te entendo, , mas você não acha que pode se arrepender depois? Ainda mais agora com essa ideia do escritório aqui em Londres, você vai vir mais para cá e...
— Eu não vou vir, Gi. – a cortou, baixinho.
— Como assim? – Ela encarou a amiga, confusa. respirou fundo.
— Se tudo der certo, provavelmente Roc vai assumir o escritório daqui até Immy estar preparada para tomar conta no lugar dela. Nada vai mudar, eu vou continuar em Gold Coast.
Giovanna ficou desconcertada. Quando contou que ia aproveitar o projeto em sua casa para fazer algumas reuniões sobre a abertura de um escritório na cidade, ela teve uma leve ponta de esperança de que, talvez, a amiga estivesse cogitando voltar de vez. Ela deu um sorriso murcho, percebendo que, na verdade, sua ponta de esperança era bem maior do que imaginava e que era óbvio que as coisas não seriam tão fáceis assim com .
— Eu entendo, , de verdade. Mas eu acho que você deveria pensar nessa possibilidade. Talvez não voltar de vez, mas vir com mais frequência. – Gio falou, serena.
deu um sorriso sem graça.
— Você sabe que eles não me querem aqui, Gi.
— Não estou falando por eles, estou falando por mim, pelo Tom, pelo Buzz e pela minha família. A minha mãe realmente sente sua falta, meu pai também. Até o Mario.
As duas riram e balançou a cabeça, se lembrando de seu primeiro namoradinho, o irmão de Gi.
— Eu também sinto falta de todos vocês, Gi, muito, mas a minha vida toda está na Austrália agora.
Giovanna bufou.
— Seu trabalho está na Austrália, são coisas diferentes.
deu de ombros.
— Pra mim é a mesma coisa.
— Você sabe que eu não compro esse seu papinho com essa sua cara de dezesseis anos, .
revirou os olhos. Fazia isso com frequência.
— Eu gosto de lá, Gio. Eu amo a praia, amo o sol, amo a minha liberdade.
Giovanna suspirou, sabendo que aquela conversa não levaria a lugar nenhum agora, e foi salva por um chiado agudo e metálico vindo de um aparelho branco, que parecia um tablet de plástico. Ela pegou o objeto e apertou algum botão, um choro saindo dele e uma tela se iluminou. Gio suspirou e colocou a babá eletrônica de volta na bancada.
— Max não dormiu muito bem essa noite por causa da febre, mas parece que resolveu acordar mais cedo do que o normal.
sorriu, compreensiva.
— Ele deve estar emocionado com a minha presença, eu causo esse efeito nos Fletchers. – Ela brincou e as duas saíram da cozinha, subindo as escadas.
— Claro, Tom realmente tem vontade de chorar toda vez que te vê.
gargalhou.
— Ele me ama.
— Não deixe ele te ouvir dizendo isso.
— Eu ainda vou fazê-lo se declarar algum dia.
As duas riram e Gio abriu a porta do quarto de Max, onde o garoto estava chorando de dentro de um elegante e moderno berço de madeira branco. Giovanna acendeu a luz de um abajur, o quarto sendo envolvido em uma iluminação suave, que imediatamente aprovou, e foi até o filho, o pegando no colo.
se aproximou, curiosa para vê-lo pela primeira vez. Ela não conseguiu conter um sorriso gigante ao ver a criança de cabelos loiros nos braços da amiga, que havia parado de chorar imediatamente com o contato da mãe.
— Bom dia, meu amor... – Gio sussurrou, baixinho, enquanto dava um beijo na cabeça de Max e o virava para que a amiga pudesse vê-lo.
— Gi, ele é lindo. – falou no mesmo tom, erguendo a mão para fazer um carinho na cabeça dele e sentindo a testa do bebê um pouco quente, provavelmente pela febre que Giovanna mencionara.
Gio sorriu, toda orgulhosa.
— Obrigada, . Quer? – Ela ofereceu o filho, sugestiva, e estendeu os braços imediatamente, segurando a criança com cuidado.
Max estranhou, mas não chorou quando foi trocado de colo. Pelo contrário, quando se acostumou com , não demorou nem dois minutos para se alinhar no corpo dela e cair em um sono, o que deixou o sorriso de maior ainda enquanto o ninava e brincava com sua mãozinha.
Giovanna observou a cena com um sorriso no rosto, a cabeça com um milhão de pensamentos que ela sabia que não podiam ser verbalizados, pelo menos não ainda. Por enquanto, se contentava em ver a amiga de tantos anos segurando mais um de seus filhos no colo, o que a deixava profundamente emocionada. também ignorava alguns pensamentos que a criança despertava nela e preferia focar em como ficava feliz pela família que Gio e Tom tinham construído.
colocou Max no berço novamente, dando um beijo na testa do garotinho, e o cobriu. Gio apagou a luz e as duas saíram silenciosamente do quarto, fechando a porta atrás delas.
— Parabéns, Gi, Max é perfeito. – Ela sorriu para a amiga, a abraçando brevemente.
— Ele pareceu gostar de você. – Giovanna sorriu de volta.
— Eu já disse que é impossível um Fletcher não gostar de mim, ninguém está surpreso aqui.
Giovanna revirou os olhos, mas fez uma careta chateada.
— Ele ainda está com febre, , acho que não vou conseguir ir com você até o apartamento, pelo menos não enquanto Tom não voltar. Não consigo levar ele comigo desse jeito.
balançou a cabeça.
— Pelo amor de Deus, Gi, pode ficar e cuidar de Max, não tem problema nenhum. Talvez seja até melhor eu fazer isso sozinha mesmo.
Gio suspirou, sabendo que não era bom fazer nada daquilo sozinha, mas se vendo sem nenhuma outra alternativa. Ela se odiou por um momento, por ter arrastado até Londres e agora ter que deixá-la sozinha logo nessa hora.
— Você não quer esperar até Tom voltar? Eu vou ligar para ele e pedir para se apressar. – Ela sugeriu, mas Charlotteu bufou.
— Deixa ele escolher os brinquedos dele em paz, não precisa se preocupar comigo, Gio. Eu vou ficar bem.



Quase uma hora depois, desceu do táxi em frente ao número 2 da Queen’s Gate Place, em Kensington. Enquanto o taxista descarregava suas malas, ela observou a clássica construção londrina de tijolos beges com uma sensação horrível no estômago.
Toda a alegria de estar junto de Giovanna e sua família tinha sumido. Olhando para aquela casa, ela se sentia terrivelmente sozinha e melancólica. Nada do que ela já não esperasse.
Ela pagou o taxista e arrastou suas malas pelos curtos degraus até o pequeno hall, estranhando cada movimento que fazia. Quando colocou a chave na fechadura e girou a maçaneta, abrindo a porta, travou. O corredor interno a encarava de uma maneira assombrosa, embora fosse muito bonito – é óbvio que era, ela mesmo o havia redecorado numa tentativa frustrada de que o local se tornasse mais acolhedor.
chutou, com raiva, suas malas para dentro da casa, elas tombando de qualquer forma no chão, mas não conseguiu entrar.
Ela riu, descrente. Parecia que existia a merda de algum escudo que a impedia de passar pela porta, ou então alguém com o poder de controlar a mente de outras pessoas estava no comando de suas pernas e havia decidido paralisá-las.
se sentou no chão do hall, irritada, encostando as costas no murinho. Era sempre a mesma droga. Quando voltava para o antigo apartamento onde um dia morou com sua família, ela se sentia assim, um lixo. Era impossível ver aquela casa e não se lembrar de tudo o que acontecera e ela estava se controlando para não chorar. Já sabia que isso ia acontecer quando aceitou trabalhar em Londres, mas esperava que tivesse se preparado bem o suficiente para não precisar passar por aquela montanha-russa de emoções outra vez e acabar abalada. Bom, ela se enganou.
Ignorando todos os olhares atravessados que recebia dos pedestres que passavam pela calçada da movimentada rua, ela fechou os olhos e tentou esvaziar a mente e se acalmar. Uma hora ia passar, ela sabia que ia.
Não estava arrependida de ter ido até Londres, apesar de tudo. Seu trabalho era a coisa que mais importava em sua vida e saber que Gio e Tom gostavam e confiavam tanto no que ela fazia a ponto de quererem que ela, especificamente ela, fizesse aquele projeto na casa deles, significava muito para , pessoal e profissionalmente. Roc a havia feito enxergar que essa era a oportunidade perfeita para fazer o nome do escritório começar a ser conhecido em Londres e ela teria tempo de sobra para pegar qualquer projeto pequeno que pudesse aparecer e para se reunir com investidores. Ela não podia negar que estava animada com a ideia de fazer a AVA Architecture crescer ainda mais. Querendo ou não, Londres era um ótimo lugar para investir, ela sabia disso, e sabia também que não precisaria ficar por muito tempo. Daria o seu melhor aqui, fecharia negócios, deixaria Roc pulando de felicidade e depois poderia voltar para a Austrália, onde pertencia.
?
Ela abriu os olhos, assustada.
Tom estava abaixado na sua frente, o olhar preocupado, e Buzz estava ao seu lado, confuso e de mãos dadas com o pai.
— Tom, Buzz? O que vocês estão fazendo aqui? – Ela questionou, perdida. Quanto tempo tinha ficado ali, jogada como uma louca?
— É por isso eu você disse que a gente ia ajudar a tia , pai? Ela caiu no chão? – Buzz foi o primeiro a falar, arrancando uma risada da garota e de Tom.
— Isso mesmo, filho. Viemos levantar a tia . – Ele respondeu, um sorriso brincalhão no rosto, mas conseguia ver o carinho através dele. – Pega em uma mão e eu pego a outra, Buzz.
riu quando os dois pegaram em suas mãos e deu um impulso para se levantar, se apoiando em Tom, mas indo para o lado de Buzz quando ficou de pé.
— Obrigada, Buzz! Você é meu herói. – Ela se abaixou rapidamente para pegar o garoto no colo, dando um beijo estralado na bochecha dele, que riu e a abraçou.
Tom deu um olhar significativo para , que lhe respondeu com um sorrisinho. Ela sabia por que ele estava ali e era por isso que ela amava o amigo: eles podiam implicar um com o outro desde a adolescência, mas jamais tinham deixado que um dos dois passasse por algum momento difícil sozinho. Sempre seria assim.
— Obrigada, Tom. – Ela agradeceu verdadeiramente, olhando para ele por cima do ombro de Buzz ainda em seu colo.
Ele piscou para ela e pegou na mão da amiga, esperando que ela respirasse fundo, e eles entraram na casa.


Continua...



Nota da autora: Ai, lá vou eu alimentar o meu vício em Dougie Poynter, dessa vez com a minha própria fic...
Oi, meus anjos, como estão? :)
Sim, eu decidi me aventurar em mais uma história e dessa vez com o amor da minha vida, o baixista que é a razão dos meus surtos desde os 14 anos. Espero MUITO que vocês gostem e que continuem acompanhando os próximos capítulos.
Preciso colocar aqui meu agradecimento especial para duas pessoas maravilhosas que lidaram com os meus surtos quando achei que essa história estava um lixo: Clara e Ju. Meninas, vocês são demais, muito obrigada MESMO por terem lido e me iluminado, como sempre.
É isso! Se leram até aqui, não esqueçam de deixar aquele comentário para aquecer meu coração, por favor. Muito obrigada e espero ver vocês nas próximas atualizações.




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