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Última atualização: 10/11/2020

Primeiro Capítulo

olhou para o teto do último andar da sua casa, a procura da abertura que o levaria ao sótão, mesmo após algumas garrafas de cerveja, não estava tão bêbado ao ponto de não encontrar, estreitou os olhos e com a ajuda da lanterna do celular achou o ponto certo.
Montou a escada velha e enferrujada naquele mesmo ponto subindo empurrando a abertura para cima, o que lhe dava a passagem necessária que ele precisava, ao subir acendeu a luz do cômodo olhando para todas as caixas que tinha por ali, algumas com o nome da sua mãe, outras com o de seu pai, mas nenhuma delas lhe interessava, faziam parte de um passado que ele queria esquecer, seus olhos vagavam pelo local a procura da caixa com seu nome. Era a única que resolveu guardar para relembrar da vida na Irlanda.
era filho de Kevin McGee, seu pai era conhecido por todos apenas como o presidente da filial do moto clube Sons of Anarchy em Belfast. Kevin foi casado com Maureen Ashby durante seus primeiros anos no clube, o que acabou resultando em , que sempre teve uma infância e adolescência conturbada devido ao clube, quando completou dezoito anos perdeu seu pai McGee para a ganancia de ganhar uma grana fácil sem ter que dividir com os outros associados do clube. McGee morreu pelas mãos de Clay Morrow o presidente da SAMCRO na matriz em Charming na Califórnia, em uma das suas passagens por Belfast.
Sua mãe Maureen acabou partindo tempos depois da morte de seu pai, não aguentando a pressão sofrida pelos demais, deixando apenas uma carta esclarecendo tudo o que precisava saber com o endereço da cada de seus avós maternos que moravam em Framlingham ao leste da Inglaterra.
Perdido e confuso, sem nenhuma outra saída.
foi embora de Belfast, morando com seus avós maternos até seus vinte um anos, seu avó veio a falecer por conta de uma queda na escada e já muito adoecida sua avó acabou o deixando por conta de um maldito enfarto fulminante.
Ao abrir a caixa que estava bem lacrada, encontrou algumas fotos da sua antiga vida na Irlanda, suas fotos em sala de aula, alguns bilhetes de dia dos namorados, fotos de quando era bebê, mas a que mais trazia dor em seu coração, era sua única foto com Trinity aos quinze anos, abraçados em frente à igreja no dia do casamento dos pais da garota.
Respirou fundo secando a lagrima solitária e teimosa que escorria pelo seu rosto, Trinity era filha do vice-presidente, desde sua saída de Belfast nunca mais havia tido contato com a garota, e nem podia. Tinha que poupar a vida da sua amada de mais desgraça.
Seu maior sonho era voltar a Belfast e a livrar dos pecados cometidos pelo seu pai, livrar de toda aquela bagunça e sujeira, a trazer para Framlingham ou qualquer outro lugar no mundo que pudessem ter paz.
está na hora... – bateu na madeira da escada olhando para cima, pegou o celular no bolso da calça subindo para o sótão. — Está na hora de irmos encontrar as garotas.
assustou-se com a presença do amigo, havia se esquecido completamente do pouco tempo que tinha antes de sair para se encontrar com seus amigos e sua nova namorada.
— Você está bem? – perguntou olhando para o amigo que guardava tudo dentro da caixa a deixando em cima da pilha junto com as demais caixas.
Healy era o melhor amigo de , chegou sozinho na cidade a procura de um lar, sem pensar duas vezes o acolheu na casa que agora era dos dois, dividiam os custos e uma vida cheia de altos e baixos.
era o único que sabia a história sombria de e o irlandês era o único que sabia sobre o fim trágico da família de Healy e o motivo pelo qual ele merecia um recomeço bem longe do caos.
— Eu vou ficar brother – sorriu sem graça. — Agora vamos, estou com saudades da Colson.
Mesmo conhecendo o rapaz melhor que qualquer outra pessoa, resolveu deixar o assunto morrer, preferia evitar maiores desgastes emocionais.
Os dois desceram conversando sobre a corrida de mais tarde, precisavam localizar Henry o piloto que corria pelo seu carro a tempo, já que o mesmo ainda não havia dado sinal de vida e deveria estar na cama de qualquer gostosa de ressaca.
Encontraram já dentro do carro, seus outros amigos, Adam, Jake e Landon.
Landon estava sentado no lugar do motorista e rodava a chave do carro em seu dedo indicador, riu balançando a cabeça em negação.
— Você não vai ir dirigindo – deu a volta no carro abrindo a porta para poder entrar, Landon revirou os olhos pulando para o banco detrás, sentando-se entre Jake e Adam que terminavam seus cigarros jogando as bitucas no chão ao lado do carro.
O colírio para os olhos, ou para os íntimos apenas Landon Burton, era o típico cara que tinha acabado de sair de um dos clássicos filmes dos anos noventa. Graças ao seu emprego estável no fórum da cidade, ficou bem conhecido e honrava o papel de bom moço namorando ninguém mais ninguém menos do que Nicolette York, a garota de uma das famílias mais antigas da cidade e também aspirante a modelo em início de carreira, era ele quem a acompanhava em suas loucas viagens para concursos e alguns trabalhos pelo interior da Inglaterra.
— Minha irmã te mandou mensagem hoje, McGee? – Jake perguntou para o cunhado.
Entrando novamente na conversa com a irmã no WhatsApp e vendo que suas mensagens nem haviam sido entregues para a garota.
— Não, mas eu liguei para ela de manhã. Ela disse que passaria o dia com as garotas para fazer algo muito importante – disse com tedio – E que a gente só poderia se ver de noite na hora da corrida. – explicando tudo que Florence havia lhe falado na ligação pela manhã, cortando a parte da briga e da meia hora de drama.
Jake era o irmão gêmeo de Florence Colson que era mais velha por alguns minutos de diferença, a família Colson como boa parte da cidade, sempre foi muito religiosa e por isso os gêmeos eram considerados as “ovelhas negras” da família. Jake nunca mais havia trocado uma palavra com o seu pai depois de ter sido descoberto sobre seus vícios em drogas e bebidas, acabou perdendo o emprego com o mesmo na lanchonete da família, dando espaço para que o amigo Adam trabalhasse.
Florence era condenada pelos pais por namorar um rapaz tão problemático e sem futuro como que nem ao menos sabia o paradeiro da própria família.
sentou-se no banco do passageiro ligando o rádio mudando para uma estação que tocava Tiny Dancer do Elton John.
Todos no carro começaram a cantarolar. acelerou indo a noventa por hora pela estrada do interior que os levariam a cidade em pouco tempo.
— Ei , não acha que está indo rápido demais? – Adam perguntou dando um leve tapinha no ombro do amigo enquanto segurava-se no banco com a outra mão.
olhou para com uma cara indignada fazendo o melhor amigo rir.
Adam Booth era o mais novo da turma, ainda terminando o colegial, ele era um completo loser, mas era um dos únicos com um potencial de brilhar em uma faculdade daqui a alguns anos, com a morte da sua mãe, ele acabou tendo de se mudar vindo morar com o pai, o dentista da cidade que era casado com outra mulher e tinha mais duas filhas pequenas, ou seja, mais uma pessoa com uma péssima vida a procura de uma válvula de escape da realidade.
— Relaxa Bro! O papai aqui sabe muito bem o que está fazendo... – acelerou mais ainda o carro fazendo os amigos gritarem levantando os braços e fazendo com que Adam levantasse divertindo-se também.

***

Era nítido o nervosismo de Nick ao andar de um lado para o outro trocando mensagens com o namorando Landon, enquanto isso, Josie estava deitada na cama de solteiro de Florence cantarolando uma música qualquer da banda Queen.
As amigas estavam a ponto de surtar, já se passavam mais de quinze minutos que Florence havia entrado no banheiro pra fazer o bendito teste de gravidez daqueles de farmácia.
— Pela demora, só pode ter dado positivo – Josie disse sentando-se na cama atraindo a atenção de Nick para ela.
— Eu também estou achando isso Josie – Nick concordou guardando o celular no bolso da calça indo sentar-se ao lado da amiga.
No mesmo momento Florence entrou no quarto deixando o teste sobre a mesa antes de deitar-se na cama atrás das meninas.
Ignorando totalmente Florence, Nicolette e Josie correram para ver o teste.
— O que significa dois risquinhos? – Nick perguntou a procura da caixa do teste pelo quarto.
— Aqui – Josie disse tirando a caixa do lixo ao lado da mesma. — Um risquinho significa negativo, dois risquinhos significa... Positivo.
Nicolette e Josie se entre olharam surpresas antes de olharem para Florence que as observava.
— Você está gravida, Colson! – Nick disse ainda em choque e correu para a cama junto da amiga que agora não aguentou esconder as lagrimas abrindo um berreiro agarrada ao travesseiro. — Calma, você não pode ficar nervosa desse jeito, isso faz mal para você e faz mal também para o seu bebê...
Nick não sabia como agir diante daquela situação, só sabia que aquela história não iria acabar bem.
— Eu NÃO quero ter um bebê – Florence levantou a cabeça do travesseiro para dizer a Nicolette que tentava consolá-la, a mesma virou-se para deitar de barriga para cima, mas antes mesmo que Nick pudesse colocar a mão por cima de seu ventre, Florence começou a se bater e a se xingar.
— Isso você tinha que ter pensando no momento em que... – Josie ia dizendo, mas Nicolette olhe tacou um travesseiro. — Não adianta nada fazer nada disso agora, não vai sair assim.
— Para de ser insensível garota – A aspirante a modelo disse entre dentes tentando fazer a amiga calar a boca.
Todos sabiam o quão instável era a relação de Florence com , sabiam que toda hora os dois viviam brigados, sempre procurava se divertir com outras garotas, deixando Florence no fundo do poço.
Era uma relação doentia, doentia demais para encaixar um bebê no meio desses dois.
— A minha vida acabou, vocês tem noção disso? — Florence perguntou enquanto chorava e Josie só conseguia pensar no quão drama adolescente aquilo soava, testes de gravidez podiam dar errado a qualquer momento.
— Um bebê não é o fim do mundo...
— Eu tenho vinte anos — Florence disse sem ao mesmo deixar Nicolette começar com o seu discurso careta. — E o pior de tudo é que o Ashby ou McGee é o pai desta criança. Céus eu nem sei o sobrenome do pai do meu bebê.
— Florence eu sei que vai ser difícil para você aceitar isso, para os seus pais, mas a única certeza que você pode ter, é que tirando as diferenças, as brigas, te ama e nunca que ele iria te deixar sozinha em um momento como este. Ele tem vinte e seis anos, não é um adolescente como Landon ou .
— E se...
— Chega de especulações. — Josie deu um basta — Vá lavar esse rosto e se arrumar, temos que ir para a pista daqui a pouco, os rapazes já devem ter chego na cidade.
— Eu não quero me encontrar com . — Florence disse negando com a cabeça e voltando a se deitar.
Então Nick e Josie se entreolharam e puxaram a garota a forças da cama.
Josie foi até o guarda roupas da amiga pegando uma calça jeans e camiseta larga que viu pela frente e entregou para a mesma que já estava dentro do banheiro ainda choramingando enquanto Nick prendia seus cabelos em um belo rabo de cavalo.
— Tem dez minutos para tomar um banho e se trocar. — Nick disse respondendo a mensagem de Landon em seu celular.
— Eu não quero ir assistir a essa maldita corrida. — Florence protestou.
— Se você não quer ir por bem, podemos mandar uma mensagem para do seu celular falando que você não se sente bem e o quer aqui com você. — Josie disse com o celular de Florence em mãos antes de fechar a porta do banheiro.
— EU ODEIO VOCÊS! – foi o que Florence gritou antes de abrir o chuveiro e as amigas comemoraram a pequena vitória em tirar a amiga de dentro de casa.
Nick aproveitou para recolher a caixa e o teste de gravidez da amiga e guarda-lo na bolsa, os pais de Florence podiam entrar no quarto dela a qualquer momento e acha-lo.
— Florence grávida, infelizmente já era algo de se imaginar – Josie disse olhando para as próprias unhas com esmaltes na cor preta descascados.
— Você poderia ser um pouco mais gentil? – Nick pediu a amiga forçando um sorriso.
— Farei o possível. – forçou também um sorriso em resposta.
Josie Cooper era a definição perfeita de uma rebelde sem causa, a família bem estruturada e rica, filha única e mimada de todas as formas possíveis, além de ser extremamente bonita ela conseguia arrancar suspiros de vários garotos menos de um em específico; Healy.
Talvez seja esse o motivo de suas frustrações.

***

Amor você já chegou? Como foi a viagem? Eu sei amor, mas é uma pequena viagem de quarenta minutos da casa de até a cidade... Em vinte? Avise a se algo lhe acontecer eu mato ele. Estou calma amor... Na pista? Chego lá em dez minutos, sem precisar correr... Está bem amor... Ei, tem algum problema se eu levar minha nova amiga para ela conhecer vocês? Sem problemas? Tá bom, eu te amo meu amor.
desligou o celular o guardando no bolso da calça jeans olhando para com um sorriso de orelha a orelha após ter conversado com o namorado.
se sentia enjoada com aquela conversa e com o número de vezes que chamou o namorado Jake de amor.
As duas estavam patinando no gelo a um bom tempo antes da ligação, fazia questão de contar a história de cada um dos amigos que ela iria apresentar em poucos minutos a .
A garota estava atenta a tudo para não passar vergonha.
queria ser bem aceita pelos amigos da sua nova e única amiga no momento , que acolheu a garota tão bem desde o seu primeiro dia na cidade, além de terem muito em comum, são vizinhas morando em casas que foram projetadas pelo pai de , Theodoro Ortiz, um arquiteto renomado que tem vários projetos pela região.
Winston morava em Charming no interior da Califórnia, com toda a sua família antes de seu pai Harry Opie Winston tomar a decisão que mudaria suas vidas, mandar sua esposa Layla com seus dois filhos, e Kyle para Inglaterra na intenção de proporcionar um novo recomeço a sua família.
Layla a mãe de era uma atriz pornô quando era jovem, e foi cúmplice junto ao marido Opie em um assassinato para ajudar a livrar moto clube no qual ele faz parte, tudo estava prestes a desmoronar, Layla e Opie iam ser condenados os filhos iriam para um reformatório.
Mas para sua amiga , era Stone que morava em Albuquerque e quando seus pais se separaram Layla que estava cansada da cidade grande resolveu realizar um sonho de infância que era de morar em uma pequena cidade na Inglaterra para ter uma vida menos agitada.
— Vamos? — disse chamando que levou um breve susto por estar com a cabeça longe pensando em seu pai na Califórnia.
concordou com a cabeça terminando de guardar seus patins na bolsa a colocou sobre o ombro, sorriu para a amiga se aproximou da rua na intenção de chamar um táxi que as levariam para a pista de corridas.

***

Adam equilibrava os três copos de cerveja entre as mãos e se concentrava em não as deixar cair, avistou seus amigos em uma mesa afastada de todos os food truck e andou até eles, vendo Landon que comia um hot dog e estava tentando se manter limpo com o tanto de molho que aquele lanche tinha enquanto tentava falar com Florence, e Jake riam fazendo suas apostas na corrida de mais tarde.
— Finalmente! — disse pegando a cerveja das mãos de Adam tomando quase tudo no primeiro gole. Adam deixou os dois copos sobre a mesa sentando-se ao lado de Landon pegando seu copo de refrigerante que estava vazio.
— Foi mal. Você estava demorando demais, se quiser pode beber a minha cerveja. — Landon disse pegando um copo de cerveja para Adam que bufou afastando o copo de si.
— Não gosto de cerveja.
puxou o copo tomando um gole.
— Obrigado, dude — recebeu uma cotovelada de . — Ei, o que foi?
— Ao trabalho — ordenou pegando o copo de cerveja de terminando de tomar. revirou os olhos levantando-se indo em direção ao grupo de garotos do time de futebol do colégio, mesmo de férias aqueles babacas ainda usavam o uniforme do time.
— Por que a sua irmã não me atende Colson? — perguntou tentando pegar o copo de cerveja de Jake que levantou o copo no alto impedindo do amigo pegar.
Jake apenas apontou com a cabeça para as três garotas que andavam na direção da mesa atraindo atenção dos demais.
Landon se virou para ver a namorada que parecia desfilar em sua direção e sorriu assim que seus olhares se cruzaram.
Nick soltou-se das amigas correndo em direção a Landon pulando em seu colo para o beijar calorosamente.
Josie revirou os olhos fingindo vomitar fazendo Florence rir antes de soltar-se da amiga andando em direção a que a recebeu de braços abertos a abraçou com certa força passando as mãos por seus cabelos.
— Estava com saudades? — Florence perguntou baixinho no ouvido do namorado que se arrepiou por inteiro, gostava de provoca-lo ainda por cima acabou mordendo devagar sua orelha.
riu dando uma leve apertada em sua cintura selando seus lábios em seguida a colocando na mesa reservada sem ao menos se importar se derrubaria algo de seus amigos.

***

estava do outro lado do estacionamento quando viu acompanhada de uma garota que até então ele não conhecia saírem de um táxi. As duas andavam de mãos dadas em direção ao food truck entre os carros de corrida, quando foram paradas por um grupo composto por quatros rapazes mais velhos que também desconhecia, com certeza deviam ser da região.
Ele não era tão alto como seus amigos, então teve que se levantar ficando em pé no capô da caminhonete para poder observar melhor as garotas, elas pareciam estar lidando bem com a situação, mas quando tentaram passar pelos rapazes um loiro barbudo agarrou o braço da garota que estava com .
Aquilo foi a gota d’água para que deu um pulou da caminhonete e atravessou o estacionamento empurrando todos em sua frente.
(...) Me solta seu animal quem você pensa que é (...) – ouviu a garota dizer bater no peito do loiro que se atreveu a ir para cima da garota.
— Ela mandou você soltar – disse agarrando o cara pela camisa e o jogando no chão, os três amigos se afastaram, ficou na frente de que abraçava a sua amiga.
— Você tá ficando maluco? – o louro disse ao se levantar rapidamente e vir pra cima de .
acertou o primeiro soco em cheio no olho esquerdo do rapaz que devido ao excesso de álcool cambaleou novamente para trás, antes que os amigos do louro o segurassem, acertou o segundo soco no nariz, fazendo com que começasse a sangrar na hora.
Naquela altura do campeonato já tinha saído correndo avisar , mas não deixaria de apanhar, os amigos o seguraram sem dó nem piedade começaram a distribuir sócios pelo seu abdômen.
se debatia conseguindo acertar um chute bem nas partes baixas de um dos brutamontes soltando-se do covarde que o segurava por trás caindo no chão com a mão sobre a barriga.
Os três vieram para cima dele na mesma hora e apenas fechou os olhos esperando a surra que continuaria levando, mas foi salvo por que não brinca em serviço, junto com os caras do time de futebol.
— Mexeram com as pessoas erradas! – disse ao pegar o louro do nariz quebrado pelo pescoço o ameaçando com um canivete.
O mesmo levantou as mãos em rendição, os três amigos fizeram o mesmo olhando para os caras do time de futebol, , tentou se levantar do chão sem sucesso.
logo se aproximou junto com a sua amiga o ajudando a levantar.
— Quem é ela? – perguntou para entre dentes para não gemer de dor ao ficar em pé. — Você está bem? O seu braço? – virou a cabeça na direção da garota que estava extremamente perto e o segurava.
— E-eu me chamo , relaxa e-u tô’ bem, mas você está péssimo! – disse toda nervosa usando toda sua força para levar o seu mais novo amigo para a mesa junto com as outras garotas.
— E culpa é toda sua! – riu da preocupação da garota cuspindo um pouco de sangue no chão fazendo reclamar de nojo.
Não demorou muito tempo para todos estarem reunidos em volta da mesa dos amigos para saber se o garoto estava bem, a enfermeira da ambulância limpava seu rosto enquanto , tremia de preocupação ao lado da enfermeira e a auxiliava no que fosse preciso.
— No que você foi se meter ? – ralhou com o amigo ao finalmente se aproximar vendo o péssimo estado no qual ele se encontrava. — Porra eram três caras dez vezes maiores que você.
— Três caras dez vezes maiores do que eu, mas mexendo com a e a amiga dela — explicou parecendo óbvio. — Ninguém mexe com as nossas garotas, digo isso para todas! – apontou para em volta da mesa.
— São da torcida do nosso adversário, tem noção da encrenca que nos meteu? – ignorou o fato de ter arrumado briga por conta da a namorada de um dos seus amigos, mas antes que alguém protestasse em defesa, bufou olhando para a mesma. — Você está bem? Alguém tocou em você?
— Não. Em mim não, mas ele veio pra cima da minha amiga – apontou para fazendo todos os olhares da roda pararem sua direção.
olhou para a garota que segurava a maleta de primeiros socorros para a enfermeira conseguindo sentir a sua garganta se fechar na mesma hora.
Algo naquela garota lhe causou um sensação estranha. E como algum homem poderia fazer mal a uma garota como aquela? Nitidamente apavorada pelo acontecido e com medo, o estômago de embrulhou-se, fazendo-o desviar o olhar de para imediatamente.
— Seja bem vinda, espero que esteja curtindo a sua primeira noite de adrenalina pura por aqui – tentou soar o mais rude possível se aproximando do amigo. — Você fez o que era certo.
— Muito obrigado, mas a minha vida já é uma constante adrenalina – rebateu sem desviar o olhar de .
Florence não se sentiu muito segura com aquele olhar da novata sobre seu namorado.
Antes que pudesse retrucar mais uma vez a audaciosa , o barulho do microfone chamou a atenção de todos para a pista de corridas, os carros com música alta foram logo abaixando o som e o pessoal começava a se aglomerar mais à frente.
— Ótimo! Landon e Jake comigo, Adam cuida do e de todas as garotas! — disse de uma maneira controladora que fez com que revirasse os olhos, era claro, ele comandava o grupo de amigos.
— Eu vou na ambulância buscar mais gases – a enfermeira disse ao se levantar.
— Não, não... Eu posso buscar para você– se prontificou em pé ao lado da enfermeira na intenção de ser prestativa.
— Não meu bem, não precisa! Eu vou aproveitar e pegar também um analgésico para que ele possa tomar pra diminuir a dor. — disse a moça sorrindo para o rapaz machucado.
concordou com a cabeça voltando a se sentar olhando para e o estado que ele se encontrava por sua culpa.
abraçou a amiga pelos ombros, encarou as duas amigas juntas.
— Não foi sua culpa – murmurou ao tentar segurar a mão da garota.
— Foi culpa sua sim – Josie retrucou ao se enfiar no meio dos dois, deixando um copo de cerveja na frente de . — Trouxe para você amor.
negou com a cabeça ignorando o fato de Josie o chamá-lo de amor.
Sabia que a garota fazia aquilo para queimar seu filme. Afastou a cerveja para Adam que passou para Florence que pegou o copo começando a virar gole a gole e Nick arregalou os olhos correndo tirar o copo da mão da amiga.

***


chegou ao encontro do adversário seguido por Landon e Jake encontrou-se com o louro de pouco tempo atrás com um curativo no nariz e um belo corte no pescoço, ele deveria ter avisado que o canivete tinha sido afiado pela manhã.
— As apostas estão bem altas – o organizador disse olhando para ambos corredores, enquanto mexia no celular vendo o valor das apostas. — Até que a briga de vocês aumentou a eufórica da galera.
— Eu vou terminar de estourar aquele garoto... – o louro disse antes de avançar para cima de e ter sido segurado por todos.
— Calminha aí abusador, ninguém vai estourar ninguém, seja profissional e não misture as coisas. — disse com um sorriso irônico no rosto, conhecia muito bem o temperamento desse tipo de cara e provocá-lo, faria tudo ainda mais interessante.
Mesmo com uma herança boa o suficiente para manter bem de vida deixada pelos avós, investia parte de sua grana em um carro de corrida que rodava por toda Europa a fora, triplicando o seu investimento facilmente, grana fácil e dentro das leis, que o mantinha dentro do seus padrões de vida desejado.
— Eu concordo com o nosso querido McGee – o piloto da corrida Enrico disse ao andar junto da sua namorada em direção ao seu carro. — Sejamos profissionais.
Se o fracasso pude ser denominado em apenas uma pessoa na face da terra o seu nome seria Enrico Glash, um rapaz beirando a casa dos quarentas anos que já ficou entre a vida e a morte várias vezes, mas alguém lá em cima gosta muito dele o livrando nas horas certas.
Enrico sabia do passado de em Belfast por já ter sido um prospect no moto clube. Mas acabou não sendo aceito por acabar arrumando briga com o membro fundador.
— Cadê o seu piloto? – Enrico perguntou acendendo um cigarro.
arqueou a sobrancelha olhando para o carro atrás de si, os seus dois mecânicos apenas negaram com a cabeça não fazendo ideia onde ele havia se metido. Olhou para os amigos Landon e Jake que já começavam a se desesperar olhando para os lados a procura de Hendrix.
Droga!
Tinha se distraído com por fim acabou nem se dando conta que Hendrix não tinha dado as caras na pista.

***

— Bro, você está louco? Onde você se meteu? Mas é claro que não. Acabei levando uma surra em uma briga aqui não tenho condições nem de levantar da cadeira direito. Onde você está? Red Lodge? vai te matar. O Enrico está aqui, sim a corrida de hoje é contra ele e as apostas estão altíssimas... Hendrix?
olhou para a tela do celular, a ligação tinha sido encerrada, bufou jogando o celular sobre a mesa.
Hendrix Pittman era o piloto que havia conhecido em Belfast, ele também sabia sobre o seu passado e o varria para baixo do tapete junto ao seu.
— Aconteceu alguma coisa? – perguntou para mordendo os lábios receosa.
— Nada pra se preocupar, mas eu preciso ver o . – deu dois tapinhas no ombro de Adam para que ele ajudasse a ficar em pé, seu abdômen doía, esticar só piorava a dor.
, onde está Hendrix? – Landon perguntou com o celular em mãos. – Celular dele só dá ocupado.
— Eu sei. Ele acabou de me ligar...
— Onde ele está? — foi a vez de Jake perguntar.
— Em Red Lodge. – disse engolindo a seco.
— Meu Deus, estamos fodidos – Adam disse soltando de e levando as mãos à cabeça.
— Mas gente, se o Hendrix não vai correr por nós, quem é que vai? – Florence perguntou percebendo a gravidade da situação.
apontou para o seu próprio corpo alegando o seu estado, era obvio que ele não iria se meter naquela corrida.
Landon tinha carta, mas não era habilidoso o bastante para uma corrida em alta velocidade.
Jake e Adam nunca seriam confiáveis ao ponto de deixar o carro na mão deles.
– Eu vou. – disse ao se aproximar colocando a mochila com os apetrechos que precisaria usar em cima da mesa, ele já havia vestido o macacão vermelho de Henry.
Todos permaneciam em silencio o observando calmamente vestir o que era necessário.
– Você enlouqueceu? – Florence riu nervosa – Cancela essa corrida agora.
– Eu acho que é você que enlouqueceu, ta’ louca? Se cancelarmos a corrida perdemos metade da nossa grana investida.
– E qual o problema? Recuperamos tudo na próxima corrida.
– E se na próxima corrida você perder, você vai fazer o que? - Florence engoliu a seco, não podia acreditar que iria se meter em uma corrida tão perigosa.
– Se você correr, nosso namoro acabou.
Todos olharam para Florence sem entender o que acontecia.
– Está me ameaçando com o nosso namoro? – arqueou a sobrancelha sem entender mais nada. – Florence, você me vê correndo toda hora, qual e a diferença agora?
– Que namoro acabou o quê – Nick se meteu no meio da briga do casal de amigos abraçando Florence – Vamos amiga, vamos arrumar um belo lugar lá na frente para vermos o chegar em primeiro lugar, vem com a gente Josie?
– Mas é claro, eu pago a próxima rodada de cerveja para nós e se ele ganhar, a garrafa de tequila e por minha conta! – Josie logo entendeu que se Florence continuasse brigando mais um pouco com iria piorar toda a situação.
Olhou para com sua nova amiga e fez questão de ignora-la.
e vocês vem com a gente? – Nick perguntou para as duas com um sorriso no rosto, não iria excluir ninguém.
– Vamos? – perguntou para que concordou com a cabeça e saiu logo atrás das garotas, mas antes de se afastar deu uma última olhada para sorrindo timidamente.
— Duas opções – Adam levantou dois dedos e todos o olharam — Ou essa nova garota tem algum problema mental e gostou do Healy, ou está com remorso por ele tem apanhado.
aproveitou Adam distraído e lhe deu um tapa na cabeça.
— Sem tempo pra papinho furado irmão, vamos a corrida.

***

Florence pegou a garrafa de cerveja e desfilava em direção ao carro de como se estivesse em um desfile da Victoria Secrets, nem Nick a própria aspirante a modelo fazia tanta pose quanto a amiga naquele momento.
Sentou-se sobre o capô do carro e encarou a namorada do piloto adversário como se ela fosse uma presa para atacar a qualquer momento.
— Controle seus hormônios Colson – Nick disse estralando os dedos na frente do rosto da amiga.
— Aquela briga com foi desnecessária. – Josie disse.
— Essas corridas são perigosa, o Hendrix morrer ninguém se importa agora o ? Querendo ou não é o pai do meu filho. — Florence disse e virou mais um gole de cerveja.
— Espera aí, o que foi que eu perdi? — perguntou ao se juntar ao trio de amigas. — Você está grávida?
— Se não tivesse ido a patinação com a sua nova amiguinha que fez o Healy apanhar que nem cachorro, saberia que Florence fez um teste de gravidez hoje e que deu positivo. — Josie atacou se sentando no capô ao lado de Florence e segurando em sua barriga. — Temos um baby a vista.
— Sai fora Josie – Florence bateu nas mãos da amiga. — Ele não sabe ainda e se depender de mim nem vai saber.
— Gente eu to’ chocada — ignorou as farpas — Eu nem sei o que dizer, parabéns?
— Parabéns Florence – disse ao lado de abraçando o próprio corpo.
Antes que Florence pudesse abrir a boca para retrucar a mais nova amiga do grupo. Enrico o piloto adversário puxou a garota pelo braço a virando de frente para ele com um sorriso malicioso nos lábios.
— Olha só o que os ventos sopraram para o outro lado do oceano, você está longe do seu clube senhorita Winston. — Enrico disse em alto e bom tom fazendo petrificar no lugar arregalando os olhos sem reação. — Veio sozinha ou trouxe a sua maravilhosa mamãe junto? — Enrico olhou para os lados procurando a mãe de .
— Desculpa, mas o senhor deve estar me confundindo com outra pessoa. — disse firme livrando-se das mãos do rapaz sobre seus ombros e deu alguns passos para trás.
— Eu estar me confundindo? – riu olhando para a namorada que negou com a cabeça como se o fato dele se confundir nunca acontecesse. suava frio, não sabia como se livrar daquele assunto. – Eu reconheço um son de longe.


Segundo Capítulo

engoliu a seco, e suas amigas olhavam para a garota e Enrico confusas com a discussão que presenciavam, em um pensamento rápido olhou por cima dos ombros do rapaz avistando o louro que tinha acabado de brigar com com o nariz todo machucado encostado no carro do adversário, foi a oportunidade perfeita para sair daquela situação.
— Qual é a sua? Me deixa em paz – disse fazendo-se de vítima. – Eu não fiz nada pra você vir querer defender o seu amigo. – apontou para o louro que ficou sem entender nada olhando para as garotas ao desencostar do carro, instintivamente todas elas se posicionaram ao lado de .
— Do que está falando? – juntou as sobrancelhas sem entender nada olhando para o louro atrás de si.
— Eu nunca nem vi você na minha vida. – continuou o seu teatro olhando todos a sua volta.
Após ser expulso do clube de Belfast, sabia que sua fama pela Irlanda não andava muito bem, aproveitando uma carga de armas para os Estados Unidos achando que poderia dar uma de esperto entrando para o moto clube pela matriz na cidade de Charming, falsificou um pedido de transferência com a assinatura do vice-presidente, tornando-se um prospect.
Um prospect é o membro que cuida de toda a parte suja do clube.
Se sentindo bem acolhido pela matriz, tomou a liberdade de tatuar sem a permissão do clube o símbolo do ceifeiro na panturrilha achando que o faria ser aceito mais rápido, um ato tolo e precipitado, fez com que todo o clube votasse para que ele saísse tendo apenas duas opções para a sua tatuagem; a faca ou o maçarico.
estava saindo da sede do clube indo buscar seu irmão no parquinho quando presenciou o momento no qual Enrico escolheu o maçarico para torrar sua panturrilha.
Não precisou de muitos minutos para Enrico ligar os pontos como A mais B, entendendo perfeitamente o que a garota fazia na Inglaterra. Da mesma maneira que fugiu de Belfast para se livrar da vida suja dos pais, a filha de Opie Winston também meteu o pé de Charming para viver uma nova vida.

tinha acabo de vestir-se andando em direção ao seu carro conversando com para saber como ele estava se sentindo quando avistou de longe Enrico batendo de frente com suas amigas, ao perceber que a amiga de estava em sua mira, sentiu uma forte intuição de que precisava defende-la.
Saiu em passos rápidos e decididos até Enrico, puxou pela mão para que ficasse atrás do seu corpo encarando o rapaz que não suportava com sangue nos olhos mais uma vez.
Enrico sustentou o olhar de até o conseguindo ler perfeitamente a sua feição preocupada diante toda a situação, antes que o irlandês pudesse dizer algo, deu as costas seguindo ao encontro de sua namorada.
virou-se para que desviou o olhar de imediato.
— E-eu vou embora – disse olhando para , fingindo estar um pouco atordoada levando a mão a testa.
— O quê? Agora que a corrida vai começar? – Jake perguntou apontando para o carro de .
— Não estou me sentindo muito bem – mentiu respirando fundo – E-eu realmente preciso ir.
— Tudo bem, pode ir ninguém vai sentir sua falta mesmo já causou muito estrago pra uma noite só – Jose disse aproximando-se de , mas ele recuou antes que ela pudesse abraça-lo.
— Qual o seu problema Josie? –Nick ralhou cruzando os braços.
— Meu problema é essa ai...
— É sério que vocês vão brigar agora? – perguntou ao interromper Josie antes que ela continuasse alfinetando a mais nova amiga de .
— Viemos aqui para nós divertir lembram? – Landon comentou. – Todos nós.
— Fica , quando o McGee ganhar a corrida a gente vai sair daqui e beber o máximo de cervejas que pudermos. – segurou a amiga pelas duas mãos a olhando no fundo dos olhos na tentativa de animá-la.
Por um momento, realmente quis ficar, mas ao olhar ao redor dos seus amigos encarando o carro concorrente, Enrico tinha os olhos fixos em cada movimento da garota.
A identidade da sua família poderia estar em risco naquele momento.
— Ai gente, se a garota não quer ficar e perder a melhor parte deixa ela ir... – Florence disse ao revirar os olhos.
resolveu apenas ignorar abraçando antes de acenar para todo o grupo despedindo de uma maneira geral, andando sozinha em direção a mesa onde estavam suas coisas.
Adam permanecia por lá cuidando dos pertences dos amigos enquanto enrolava um baseado, ao ver a garota não demonstrou interesse, mas a olhou atentamente assim que ela se afastou ao pegar a bolsa e o par de patins.
Adam não podia negar que a beleza da garota era de se desconcentrar qualquer rapaz, começando pelas curvas bem desenhadas, usava uma calça jeans de cos baixo deixando à mostra uma faixa da sua cintura, a regata que usava por baixo da jaqueta jeans realçava seus belos peitos e talvez tenha sido eles o motivo da briga mais cedo, seus cabelos castanhos claros e lisos permaneciam presos em uma trança que a qualquer momento podia se desfazer por completo, os fios caídos pelo rosto e aquele olhar penetrante sem um resquício de maquiagem, fez com que Adam quase babasse retirando qualquer piada feita anteriormente.

Antes de jogar a mochila sob as costas, colocou a mão dentro da bolsa e puxando um aparelho celular bem antigo, conferiu se estava com a bateria ligando o aparelho, na lista telefônica que continha apenas um número.

Charming.

***

A adrenalina que corria nas veias de se espalhou por toda a pista de corrida quando ele alcançou a linha de chegada, depois da quinta volta consecutiva em primeiro lugar ganhar do seu maior inimigo era prazeroso.
Saiu do carro pulando em direção a Landon e Jake poupando o amigo de mais possíveis dores, o que foi em vão já que todas as garotas também se juntaram o abraçando coletivamente, a eufórica dos que torceram e apostaram em podia ser ouvida em alto e bom tom.
Enrico completou as voltas arrasado por mais uma vez ter apostados suas fichas em quem o faria perder, o carro era um péssimo para corridas, mesmo acelerando o carro não respondia aos seus comandos e foram minutos de raiva dentro do veículo turbinado.
Ao estacionar o carro ao lado de , respirou fundo ao sair tirando o capacete lhe entregando a chave.
— É todo seu McBee.
— Obrigado meu querido amigo Enrico. – disse ironicamente balançando a chave para os amigos.
Enrico revirou os olhos virando as costas para se afastar, mas uma luz acendeu-se em sua mente o fazendo voltar.
— Quer um conselho de amigo? – Enrico perguntou.
— O quê? – riu arqueando a sobrancelha. — Que conselho?
— Tome mais cuidado com os fantasmas do seu passado, son.
Enrico piscou fazendo com que sentisse um arrepio percorrer pelo seu corpo.
Aquilo era um ameaça boba ou realmente alguém do seu passado na Irlanda viria o assombrar novamente?
Seria um novo paradeiro de sua mãe que viajava o mundo? Ou Trinity a procura de um contato?
— McBee – Florence chamou por passando seus braços pelo ombro do namorado, que em um pensamento rápido pegou a namorada no colo a girando no ar, tudo para que ela não percebesse o quão abalado podia ter ficado com as palavras de Enrico.
— Festa na sua casa? — Jake perguntou.
— Mas é claro – selou os lábios contra os da namorada colando seu rosto ao dela lhe estendeu chave do novo carro. — Iremos estreia-lo no caminho. – murmurou contra os lábios da morena e enfiou a mão no bolso do macacão pegando o moinho de chaves dos outros dois carros. — Landon, você leva o campeão com a Nick – jogou a chave para o amigo e deu uma piscadinha. — E Jake, você leva o meu carro já que o meu namorado não está em boas condições para dirigir. — se referia a pra quem jogou um beijo no ar.
, eu posso convidar a ? – perguntou antes que o moreno entrasse no carro. — Creio que ela ainda deve estar por perto...
— Não acha que aquela garota já não arrumou confusão demais por essa noite? Ela começou com o pé esquerdo total , até o escroto do Enrico conhecia ela — Florence disse tentando se livrar do problema.
— Não, ele chegou nela a puxando pelo braço e falando que a conhecia e não estava se confundindo, aí você chegou e ela foi embora, não devia ser nada com nada. — explicou de maneira rápida e deu de ombros.
entrou no carro pensando da onde Enrico poderia ter conhecido a nova amiga de e nessa mesma hora pôde-se ouvir barulhos de tiros.
— Contratou fogos de artifício para a sua vitória e nem nos avisou? — Landon zombou acelerando o carro e dando um beijo em Nick.
— Gosto de viver com muitas surpresas – riu e virou-se para Florence que o encarava de uma maneira estranha, naquele momento ponderou em contar sobre a suposta gravidez. — O que foi?
— Só admirando em como pode ser tão lindo o pai dos meus futuros filhos – Florence soltou antes de beijar o namorado que recuou para trás estranhando aquela declaração.
— Florence, eu não posso ter filhos – disse antes de arrancar em alta velocidade com o carro deixando-a perplexa.

***

assustou Enrico dando alguns tiros em sua direção no chão fazendo o mesmo pular.
— Wow, como piloto você é um belo dançarino – zombou apontando a arma em sua direção.
— Acho melhor você abaixar isso aí – Enrico pediu virando em direção a – Eu estava na sede no dia que você estava usando aquele carro explodido como alvo para aprender a atirar, por pouco não arrebentou o meu braço.
— Não teria sido má ideia – ponderou lembrando-se daquele dia. – Você deu em cima da minha mãe como ela fosse uma qualquer logo em seguida.
— Porque a sua mãe era uma qualquer antes de Opie... – antes mesmo que Enrico pudesse concluir o que tinha a dizer mirou no pé do rapaz atirando o que fez ele pular rapidamente. – Santa mãe de Deus garota qual o seu problema?
— No momento? – ponderou — Você, que está ameaçando o recomeço da minha família aqui na cidade.
— Acredite, você não vai querer recomeçar logo nesta cidade – Enrico negou com a cabeça – Tanto lugar no mundo e vocês conseguiram escolher uma cidade já tomada por segredos?
A curiosidade de ficou aguçada com tais palavras, quais eram o segredo daquela cidade?
— D-do que você está falando? Que segredos têm essa cidade?
Enrico arqueou a sobrancelha, confirmando mais uma vez suas suspeitas, a Belfast e Charming não tinham participado da confraternização da firma do final do ano onde voce leva a família toda para conhecer a família de todos os funcionários.
Mas ele não iria entregar o jogo tão facilmente para a garota.
— Veja bem, o que te faz acreditar que eu vá contar algo para você com uma arma apontada para mim? – começou a negociar.
— Para de ser bunda mole – revirou os olhos a abaixando – Sabe que eu não iria atirar.
— Não? – Enrico sentiu o alivio percorrer o seu corpo.
Olhou para o céu estrelado rapidamente agradecendo por mais uma chance que havia ganho.
— Só se você fosse tão covarde ao ponto de correr de mim – a americana deu de ombros. — Quais os segredos que essa cidade têm?
— Seu pai não fez mesmo a lição de casa antes de manda-las para cá? – Enrico perguntou.
— Meu pai sabe que estamos na Inglaterra, não faz ideia da onde, fui eu quem escolhi essa cidade.
— Que dedo pobre garota. — debochou. — Aqui não é lugar para vocês, digo isso para seu próprio bem.
— Porque? – insistiu tentando capitar qualquer tipo de informação observando Enrico atentamente.
— Por que eu estou dizendo que não, deveria ouvir os mais velhos, dizem que são a voz da experiência.
cansou daquela enrolação percebendo que não levaria a nada, voltando a apontar sua arma na direção de Enrico atirando novamente em seus pés.
— Não tenho tempo para brincadeiras – disse aumentando o tom de voz.
Enrico engoliu a seco, nunca podia confiar-se no inimigo, ainda não tinha aprendido a lição.
— Existe outros sons por aqui Winston, não pense que é a única. – pode capitar a verdade em sua voz através do medo de realmente levar um tiro, sabia muito bem que não arrancaria mais informações de Enrico sem que ele começasse a chantageá-la, então a garota mirou em sua perna esquerda lhe acertando na coxa, antes de lhe dar as costas.
Seus problemas eram muito maiores que Enrico, ela tinha que descobrir quem eram esses outros sons na sua nova cidade.

***

—Fiquei sabendo que você ganhou a corrida de hoje, meus parabéns McGee – Hendrix elogiou assim que o mesmo atendeu sua ligação.
estava sentado em volta da fogueira que acenderam para beber e comemorar a vitória em sua casa, afastou-se dos demais começando a andar para longe pelo enorme campo em sua frente.
— Muito obrigado. – agradeceu. – Mas eu sei que você não estava em Red Lodge.
Não estou mesmo, estou em Belfast – Hendrix constatou fazendo arrepiar-se ao saber que sua intuição estava certa. – Recebi uma ligação do clube e...
— Não preciso de detalhes Coleman – o cortou antes que soubesse mais do que deveria realmente saber.
Certo. – Hendrix sentou-se em uma mesa afastado dos demais integrantes do moto clube, olhando para uma pessoa em especifico que sorria ao conversar animadamente com um rapaz que deveria ser seu namorado. — Estou sentado na mesa que você costumava a se sentar... estou a olhando daqui.
— Hendrix, não faça isso...
Os cabelos estão curtos na altura do ombro, não foi uma boa escolha, seu rosto ficou um pouco mais redondo do que deveria, está usando um vestido verde com detalhes brancos, fez uma tatuagem na mão, não sei muito bem o que é, ela está sentada pois não aguenta mais passar longos períodos em pé...
— P-or que? – perguntou sentindo o ar começar a lhe faltar, algo teria acontecido com a sua eterna garota?
Ela está gravida , chuto de uns oito meses... ela está realmente enorme. – Hendrix olhava para a mulher se divertindo, com os dedos entrelaçados aos do seu namorado, havia uma aliança de ouro em seus dedos.
— O tempo passa – constatou sentindo o coração se apertar com a notícia, sentiu seus olhos arderem com as lagrimas que insistiam em vir. — Fico feliz que ela tenha encontrado alguém e que esteja formando sua família, sempre foi o sonho dela desde muito jovem.
O silencio se instalou entre os amigos na ligação, Hendrix sabia exatamente como seu amigo se sentia, mas ele precisava saber para poder seguir em frente esquecendo da sua primeira paixão.
Eu ligo quando estiver de volta – Hendrix avisou o amigo.
— Faça uma boa viagem. – desligou sem esperar mais nenhuma resposta de Hendrix, guardando seu celular no bolso sentindo uma vontade absurda de gritar para ser ouvido os quatro cantos do mundo.
Doía em saber que existia mais espaço para ele na vida de Trinity.
Florence observava o namorado de longe, fingindo prestar atenção em algo que Josie dizia sobre , quando viu que ele não estava mais em ligação respirou fundo tomando coragem para ter uma séria conversa com o namorado.
— Josie, a gente já fala sobre isso – Florence disse ainda atenta a . – Preciso resolver sobre aquele assunto, lembra? – mordeu os lábios ainda incerta.
Josie apenas concordou incentivando a amiga a ir em frente.
Florence sorriu mesmo que ainda nervosa, andando em direção ao namorado o surpreendendo com um abraço pelas costas envolvendo todo seu corpo.
olhou para as mãos da namorada sobre seu peito e fechou os olhos, como podia ser tão egoísta em não aceitar o amor tão puro e verdadeiro que Florence lhe oferecia? Sofrendo por quem provavelmente não deveria lembrar da sua existência.
— Precisamos conversar... – Florence murmurou no ouvido do rapaz que concordou vendo a namorada ficar em sua frente, segurou suas mãos as beijando tirando um sorriso bobo da mesma. — É sobre o que você disse mais cedo.
— O que eu disse mais cedo? – arqueou a sobrancelha, não se lembrando de ter dito algo tão sério. — Olha se eu fui grosso momentos antes da corrida começar eu te peço perdão, estava pilhado e você veio com aquele papo de querer terminar...
— Não – riu sem graça – Não é sobre isso , eu também passei dos limites, fiquei com medo de acontecer algo com você e ameacei nosso relacionamento, foi algo bem bobo da minha parte, não precisa pedir perdão.
— Então, o que têm a me dizer Colson? – perguntou sem esconder a curiosidade.
, quero que seja sincero comigo – Florence pediu.
— Eu sempre sou sincero com você – constatou.
— Você não pensa em ter filhos? – Florence perguntou o fazendo arrepender-se da sua curiosidade.
— Não, não penso – o rapaz apenas negou com a cabeça, não estava compreendendo o porquê de Florence estar tão encanada com esse assunto de família. – Não posso e nem quero.
— Como assim você não pode? Olha se você tiver algum problema, podemos buscar ajuda medica e resolver...
— Não Florence – riu sem graça. – Não é nada disso, acredite está tudo em ordem comigo.
você já parou para pensar em mim?
— Sim. Você é única pessoa que eu penso, te dou tudo do bom e do melhor, olha o tamanho da minha casa! – apontou para a enorme casa ao fundo. — Já te convidei inúmeras vezes para vir morar comigo e sair da casa dos seus pais, procuro sempre ser o melhor namorado para você, isso não está de bom tamanho?
— E se eu quiser um dia formar uma família com você? – Florence viu soltar de suas mãos dando um passo para trás ainda em discordância balançando a cabeça, não podia acreditar que seus pensamentos eram tão divergentes em relação ao futuro.
— Isso não vai acontecer Florence.
— Eu tenho o direito do por...
— Se quiser uma família é melhor largar de mim o quanto antes para achar um pai para os seus futuros filhos. – foi duro em suas palavras antes de dar as costas para a namorada revoltado com todo aquele assunto.
Nick e Landon estavam sentados em cima do capô do carro observando toda a discussão do casal de amigos que gerou a mesma dúvida para ambos.
Por que não podia, ou melhor, não queria ter filhos?

***

— Está feito! – Kyle disse ao entrar na sala empolgado, que cochilava no sofá deu um pulo acordando assustada olhando para o irmão mais novo que também levou um leve susto com sua reação. — Calma – o irmão disse ainda rindo do susto que deu na irmã mais velha.
— Está feito? Está feito o que? – perguntou olhando para os lados se situando onde estava.
— Os cookies , acabamos de tirar do forno os meus cookies – Kyle explicou para a irmã — O que achou que fosse?
— Nada, só estou um pouco cansada – comentou e logo mudou de assunto, não era da responsabilidade de Kyle cuidar e saber dos problemas de , ele era uma criança e deveria viver como uma, mesmo as vezes sendo difícil de deixar os hábitos da antiga vida.
— Claro que está, chegou ontem muito tarde – o mais novo comentou voltando para a cozinha.
— E para você saber que eu voltei tarde, estava acordando jogando LOL – constatou ao sentar-se no sofá se espreguiçando, aproveitou para ligar a televisão, no jornal local se passava a notícia sobre a corrida de ontem à noite que acabou ganhando destaque após os moradores vizinhos terem ouvido barulhos de tiro e um dos pilotos precisar ir para o hospital.
Droga, se estivesse com o silenciador não teria feito tanto alarde. E também quanto vizinho fofoqueiro.
— O que aconteceu? – Layla gritou da cozinha perguntando e rapidamente mudou de canal, colocando em um desenho aleatório e levantou-se indo à cozinha.
— Não faço ideia, mas depois que eu voltei para casa, algum engraçadinho resolveu brincar com arma e acabou machucando um rapaz. – comentou sentando-se na bancada ao lado do irmão que esperava a mulher desenformar os cookies para comer.
— E como foi com as amigas da ? – Layla mudou de assunto rapidamente tentando amenizar assuntos que envolvessem tragédias perto do caçula.
— Comecei com o pé esquerdo, mas vou dar uma segunda chance a mim mesma e tentar me enturmar – disse confiante na intenção de passar uma boa impressão para mãe. — Fez a matrícula do Kyle?
— Sim – mãe e filho disseram juntos. — Eu vou estudar em um colégio muito bonito, hoje vamos comprar meu material, você vai junto, não é?
— Bom na verdade eu estava pensando em ir para Ashfield em busca de algum emprego.
— Vocês não precisam trabalhar, o papai vai mandar todo dinheiro que nós precisarmos – Kyle repetiu a mesma frase que seu pai fazendo as duas mulheres o olharem. — O que foi? Foi o que ele disse antes de mandar a gente morar aqui.
— Eu sei filho, mas precisamos de uma ocupação nessa cidadezinha não é mesmo? Cada um aqui vai fazer o que gosta, já está matriculado no colégio e vai entrar no time de baseball, eu vou me matricular no curso de culinária e quem sabe um yoga? – riu dando de ombros e colocando alguns cookies no prato dos filhos. — o que pretende fazer? Academia? Aprender outra língua? Eu sempre quis falar português sabia?
Layla podia fingir que tudo estava bem para Kyle, mas sabia que a mudança não tinha feito bem a mulher, sabia que o fato de estar longe de Opie sem ter notícias constante lhe assustavam.
A qualquer momento uma ligação de Charming pelos celulares espalhados pela casa poderia trazer uma péssima notícia que o marido foi preso, ou até mesmo morto.
Mesmo Opie sendo pai biológico apenas de Kyle, tinha um grande apego pelo homem que a criou sem se importar com o laço sanguíneo, como uma forma de retribuir tudo que Opie havia feito durante os anos, ao perceber que o castelo começava a desmoronar, aprendeu a atirar com o seu avó Piney, escondido de sua mãe, mas que também treinava com Gemma para aprender a defender-se e defender sua família.
No clube nada era mais importante para cada membro do que sua família, não importa na distância, não importa o tamanho da merda em que eles se metiam, a família sempre estaria em primeiro lugar.
? – Layla a chamou jogando uma pequena gota de chocolate em sua direção, a garota balançou a cabeça fazendo a mãe e o irmão rirem. — Ouviu o que eu falei?
— Eu adoraria aprender outra língua – concordou apoiando a cabeça entre as mãos. — E eu só vou junto comprar o seu material se puder escolher a capa do seu caderno. – disse ao chantagear Kyle que olhou para Layla com os olhos arregalados.
— O que será que ela vai escolher mamãe? – perguntou o filho e Layla levantou as mãos gesticulando que não fazia ideia.
— Vai ter que deixar para saber o que ela vai escolher...
— Negócio fechado! – Kyle estendeu a mão para que riu ao apertar a mão do irmão “fechando o negócio”.

***

Landon e Nick andavam tranquilamente pelas ruas da cidade de mãos dadas, acenavam para os conhecidos sempre com um sorriso simpático nos lábios, Landon abriu a porta da cafeteria para que Nick pudesse passar, a garota escolheu uma mesa ao lado da janela para se sentar com o namorado.
— Não sei com qual das notícias estou mais chocado – Landon disse ao se sentar pegando o cardápio para escolher o que ia pedir. — Florence grávida depois do ter dito que não poderia ter filhos, ou repentinamente Enrico ter sido baleado.
— Isso não é algo que me choca – Nick deu de ombros. – Vamos concordar que ele não é lá flor que se cheire.
— Concordo, deve ter provocado alguém e acabou se dando mal – Landon deu de ombros.
— Nossa preocupação não é ele amor, nossa preocupação no momento é a relação do e da Florence, você precisa descobrir o que o impede de ter filhos.
— Não é um assunto um tanto quanto delicado para eu chegar a tocar?
Nick encostou-se no banco olhando para fora da janela, seria uma pergunta realmente invasiva, mas ela precisava ajudar sua amiga, mas não poderia comprometer o namorado.
— Deixa pra lá, em algum momento esse assunto vai fluir naturalmente entre vocês. – Nick pegou o cardápio para escolher o que iria pedir.
— Já parou pra pensar que a Florence pode estar grávida de outro cara? – Landon questionou mordendo o lábio inferior.
— Está louco Landon? – Nick arregalou os olhos ao ouvir a opinião do namorado.
— Foi só um pensamento alto, mas pensa ela está grávida de quantas semanas?
— Não faço ideia, ela fez o teste mais vagabundo que tinha na farmácia.
— Que eu me lembre há algumas semanas atrás, Florence e estavam vivendo um verdadeiro inferno na relação deles...
— Foi naquela semana quando eu fui para aquele photoshop em Londres? – Nick perguntou tentando se lembrar quando tinha sido.
— Essa semana mesmo – Landon concordou antes de continuar sua teoria. — viajou com e Hendrix e não falaram nada para onde iriam, Florence pirou sem saber o paradeiro dele e resolveu ir para Red Logde na casa daquela prima louca que ela tem.
Nick ligou um ponto a outro junto com o namorado chegando à conclusão que sua melhor amiga Florence poderia estar grávida de alguma foda rápida pela sua passagem pela cidade vizinha, sabia o quão inconsequente a garota podia se tornar ao lado da prima Grace que no auge dos seus trinta e dois anos, vivia com uma grana que ganhou processando um ex marido rico, não queria saber de mais nada.
Antes de encurralar a melhor amiga na parede como um rato de laboratório Nick precisava de provas concretas para incriminar a amiga sobre a traição.
— Nós precisamos ir a Red Logde – Nick disse largando o cardápio em cima da mesa e se levantando.
— Não – Landon riu sem graça – Nós precisamos comer – levantou a mão tentando chamar a garçonete, mas Nick segurou sua mão.
— Amor, eu estou falando sério. – Nick disse – Nós precisamos ir a Red Logde.
— Nicolette York você ficou maluca? Quer sair viajar assim do nada? Sem mais nem menos?
— Não estou maluca. A minha amiga está grávida e mentindo para mim, o seu amigo pode ser um possível corno que vai ficar puto da vida quando descobrir a traição.
— Puto da vida? Como você é modesta nessa parte... – Landon riu imaginando o amigo querendo acabar com a raça de todo mundo envolvido na traição.
— Você quer me ajudar a apagar o fogo ou vai assistir tudo comendo pipoca sentado na primeira fila? – Nick perguntou arqueando a sobrancelha.
Landon ponderou a resposta por alguns instantes, sabia que se não fosse junto com a namorada, ela com certeza pediria ajuda para e Josie.
— Mas o que vamos fazer? – perguntou ao dar-se por vencido.
— Vamos visitar a prima Grace.


Terceiro Capítulo

Florence e Jake permaneciam sentados no sofá da sala de estar ao lado dos pais, que os obrigavam ver o jornal local com a notícia de que um dos corredores da noite anterior havia levado um tiro. Para os irmãos, não era chocante saber que aquele Enrico sempre se metia com gente que não deveria.
Talvez Enrico possa ter acabado brigando com o dono do carro que corria e ele descontou explosivamente tinha sorte de estar vivo.
Óbvio que não contariam aos seus pais que conheciam a vítima, engoliam o choque forçando uma imagem calma.
— Florence, onde exatamente o seu namorado estava no momento que Jake ouviu os tiros? – perguntou a mãe como quem não queria nada.
— Do meu lado, dentro do carro. – Florence bufou ao se levantar do sofá. — Não é possível que vocês pensem que o meu namorado seria capaz de uma coisa dessas.
— Perguntar não ofende. - a mulher deu de ombros mudando de canal.
— Ofende sim, eu o amo e logo nos vamos nos casar e ele vai ser o pai dos meus filhos, vocês querendo ou não...
— Se ele não tem culpa no cartório qual o motivo de tanto estresse? – o pai inflamou a situação.
não é uma pessoa ruim. – Jake defendeu o amigo e namorado da irmã.
— Existe tantos homens melhores por aí minha filha, quando sua paixonite adolescente por esse rapaz passar vai ver quanto tempo perdeu da sua vida dando corda pra esse conto de fadas.
Os olhos de Florence começaram a arder com uma imensa vontade de chorar, aquelas palavras lhe atingiam como inúmeras facadas em seu peito.
— O conto de fadas é dela, ela vive o quanto quiser – Jake defendeu a irmã levantando-se do sofá, odiava o jeito que seus pais o tratavam, como duas crianças sem responsabilidade nenhuma.
— Ela perde tempo o quanto quiser, você quis dizer – o pai rebateu o filho.
Florence puxou o irmão pelo braço na intenção de cessar a possível nova discussão entre o pai e o irmão, pescou as chaves do carro no móvel da cozinha, passou a mão pela sua bolsa pendurada na cadeira andando de mãos dadas até a garagem com o irmão, apertou o controle para que o portão da garagem se abrisse dando de cara com e .
— O que você está fazendo aqui? – Florence perguntou de maneira feroz cruzando os braços, depois da última briga não iria abaixar a guarda até descobrir o motivo pelo qual não queria ter filhos.
— Eu sei que o nosso relacionamento não é dos mais fáceis, mas... – colocou os braços para frente do corpo revelando um buquê de rosas vermelhas. — E só pra deixar claro que eu gosto muito de você. – beijou o topo da cabeça de Florence lhe entregando o buquê.
Florence revirou os olhos negando com a cabeça.
— Olha McBee, eu não quero suas rosas – devolveu o buque deixando sem entender nada. –Não adianta nada você vir aqui dizer que gosta de mim sendo que não quer ter um futuro comigo.
— Florence eu...
— Me procura quando você tiver certeza do que você quer para o nosso relacionamento fui clara? – Florence perguntou se afastando indo em direção do carro, guardou a bolsa no banco detrás entrando no lugar do motorista, deixando os três rapazes sem entender nada.
conseguiu sentir o peso das palavras de Florence, engoliu a seco jogou as rosas dentro da lata de lixo antes de voltar para o carro liberando o espaço da garagem para que ela pudesse sair com o carro.
— Tenho exame de rotina, querem ir junto? – ofereceu sabendo que nenhum dos dois fosse aceitar. — Nem se a for comigo? – fez bico.
— Já que vai chamar a faça uma amizade sincera com a sugeriu fazendo Florence revirar os olhos. — Não adianta fazer essa carinha de bunda, a garota não fez nada para vocês e quem apanhou foi eu.
— Não posso bancar uma de cupido – Florence se defendeu levantando o vidro vendo desesperado pedindo para que ela abaixasse para conversar.
— Por que não pode dar uma de cupido? Achei que gostasse de mim.
, minha amiga Josie é apaixonada por você, seria traição da minha parte sabendo dos sentimentos dela, jogar uma garota qualquer para cima de você.
— Então só por que ela gosta de mim eu não transo nunca mais? – perguntou incrédulo e Jake riu alto indo em direção ao carro de .
— Você transa, mas não com a minha ajuda nem benção – Florence deixou claro dando a partida no carro.
— Tudo bem, eu peço ajuda para – se afastando do carro.
— Mas não vai ter a minha benção. – o lembrou.
— Não preciso disso – mostrou a língua andando para o carro de .
— Vale lembrar que a última vez que não abençoei, você broxou com a aquela japonesa – Florence gritou enquanto saia da garagem e antes que o amigo pudesse xinga-la arrancou com o carro pela rua.


***


— Tudo ficou cento e dez euros – disse a atendente da papelaria que a família Foster tinha comprado todo o material para Kyle.
— É engraçado, nós morávamos na Califórnia tudo era dólar, aqui tudo é euro, ainda não nos acostumamos – Layla comentou na intenção de descontrair com a atendente, mas foi em vão a mulher era fria, apenas lhe entregou a nota fiscal com as sacolas voltando a limpar as prateleiras.
— Acho que as pessoas não são muito bem-humoradas por aqui – Kyle comentou pegando a sacola de compras da mão da mãe.
— Eu acho que é a falta de educação mesmo – disse antes de fechar a porta da papelaria sem ao menos ouvir um “obrigado, volte sempre”.
— O que vamos fazer agora? – Kyle perguntou mudando de assunto.
— Não sei, o que podemos fazer? – Layla passou a bola para decidir.
Antes que pudesse dizer o que tinha em mente para fazer com a mãe e o irmão, Kyle tropeçou na própria sacola de compras que segurava caindo batendo a cabeça no chão, o garoto levantou-se com a mão na testa segurando a sacola que se rasgou derrubando seus cadernos novos no chão.
— Deixa a mamãe ver filho – Layla olhou para a mão do filho e viu que o corte na testa não era algo tão preocupante.
— Eu estou bem – Kyle disse segurando para não chorar olhando para a própria mão que continha sangue de um pequeno corte feito na testa.
pegou os cadernos do chão colocando-os na mesma sacola que estava a mochila, olhou para o outro lado da rua e avistou uma farmácia, mostrou para sua mãe que logo puxou o garoto pela mão para comprar um band aid.
Para sorte de Layla o farmacêutico que os atendeu era uma pessoa que esbanjava simpatia e bom humor que se prontificou a passar um algodão com álcool na testa de Kyle na intenção de esterilizar o machucado colando também um curativo sem ao menos cobrar nada por aquilo.
— Eu sou nova na cidade, espero encontrar mais pessoas como você – Layla disse apertando a mão do farmacêutico o agradecendo pela décima vez.
— Você é nova na cidade? – o farmacêutico perguntou arqueando a sobrancelha. — Parece que eu te conheço de algum lugar. – Layla deu um passo para trás segurando a mão do filho sorrindo sem graça.
Já podia imaginar da onde ele a conhecia.
Ao abrir a porta para que a mãe saísse da farmácia, foi surpreendida por que entrou parando ao seu lado, ele estava todo vestindo de preto, calça preta com rasgos no joelho, uma linda camisa de botões preta aberta, que deixava sua tatuagem no peito aparecendo e para completar um sobretudo também da mesma cor.
— Obrigado pela gentileza – disse sorrindo e sentiu seu coração saltitar em seu peito.
— Na verdade não era pra você – apontou para a mãe e o irmão a esperando do lado de fora, era mais forte do que ter sempre uma resposta rápida e grosseira na ponta da língua. — Desculpa, eu não quis ser grossa. – pediu arrependida.
, eu e Kyle vamos te esperar na lanchonete no final da rua – Layla apontou para a lanchonete. — Se o seu amigo quiser nos acompanhar, será muito bem-vindo.
— Onde estão os meus modos? – fez uma pergunta retórica e tirou a mão de dentro do sobretudo estendendo em direção a mãe de . — Prazer eu sou Healy, sou um dos amigos da , conheci a sábado na corrida.
— E um prazer te conhecer , é um nome bem bonito, eu sou Layla e esse é o nosso caçula Kyle. – Layla apertou a mão de , depois foi a vez de Kyle.
— Machucou garotão? – perguntou olhando para o curativo em sua testa.
— Tropecei saindo da loja – contou um pouco triste com o ocorrido. – Mas vejo que os seus machucados estão bem piores do que o meu.
— O que aconteceu? – Layla perguntou. – Desculpe a curiosidade.
então lançou um olhar para que o olhava de maneira séria sem esboçar nenhuma reação.
— Acabei me envolvendo em uma briga para defender uma garota de um bando de rapazes otarios que tentaram mexer com ela. – contou deixando a mãe de surpresa. – Não ligo de estar todo machucado, se a ajudei.
— Ela deve ter ficado muito feliz com a sua ajuda – Kyle comentou. – Você foi um verdadeiro herói.
— Fico feliz que minha filha esteja conhecendo pessoas do bem – Layla comentou. – E se enturmando rapidamente.
— Pode ter certeza que sim – olhou para piscando — Bom não quero mais atrapalhar vocês, eu vou comprar o que estou precisando e se estiver com tempo dou uma passada na lanchonete, tudo bem?
— Tudo bem, você vem? – Layla perguntou.
— Mãe, pode ir na frente eu preciso comprar um negócio também – sorriu sem graça passando a mão por seus cabelos.
— Sem ficar beijando os garotos desconhecidos daqui – Kyle disse e mostrou estar de olho na irmã mais velha.
riu da preocupação do caçula e soltou a porta que tanto segurava.
— Desculpa dizer, mas somos oficialmente amigos. Já passou até uma vergonha familiar na minha frente. – riu lhe estendendo o dedo mindinho. — Amigos?
olhou para o dedo de estendido balançando a cabeça em negação mas entrelaçando seu dedo ao do rapaz.
— O que veio comprar?
apenas apontou para o seu rosto, aquilo fez perceber que ele estava afim de tratar seus pequenos machucados, então logo seguiu ao corredor do meio achando um kit de primeiros socorros que continha tudo o que o rapaz precisava pra se cuidar, mostrou para o mesmo que murmurou um “obrigado”, mas antes que pudesse pegar o kit de suas mãos, seguiu até o caixa o pagando com seu dinheiro.
— Não precisa fazer isso disse pegando a nota fiscal para ver quando devia a garota, mas ela foi mais rápida tirando a nota de suas mãos e amassando e colocando no bolso da calça.
— Nada mais justo, você está assim graças a mim – deu de ombros antes de sair da farmácia.
— Então você cuida de mim, enquanto eu te pago um lanche, nada mais justo.
andava em passos rápidos em direção a lanchonete, queria que desistisse de segui-la, mas o garoto permanecia em seu encalço.
— Você não desiste fácil não é mesmo? – comentou antes de entrar na lanchonete e já foi tirando a jaqueta jeans.
— Eu até poderia ter desisto, mas você ficou com a sacola que eu preciso – apontou para a sacola da farmácia na mão de .
— Aí , me desculpa – lhe estendeu a sacola, mas antes que ele pudesse pegar afastou sua mão. — E-eu vou cuidar de você.
— Posso pedir nossos lanches? – perguntou com um sorriso tímido nos lábios e concordou dando-se por vencida.
Seguiu até a mesa onde sua mãe estava sentada colocando as sacolas com material do seu irmão ao lado do mesmo, colocou a jaqueta sobre a cadeira e fez o mesmo com o sobretudo, avisou que já voltava, guiou até o banheiro aos fundos da lanchonete.
Era um único banheiro unissex, abriu o kit de primeiro socorros em cima da pia e se olhava no espelho arrumando seus cabelos para trás.
— Quem ganhou a corrida? – perguntou iniciando uma conversa, sentou-se em cima do mármore da pia observando a garota abrir o pacote de algodão e pegar o álcool.
— Deu a lógica. – deu de ombros, qual era a dúvida de em saber que havia ganho a corrida? — Por que foi embora mais cedo?
— Não tinha motivos para ficar, você se machucou, suas amigas não gostaram de mim, aquele outro piloto começou a mexer comigo.
— Espera, o Enrico mexeu com você? — concordou brevemente com a cabeça e bufou indignado.
— Ele merecia muito mais do que apenas um tiro – disse e veio à tona na cabeça de o homem estirado ao chão após o seu tiro certeiro na perna. — O que foi? Não sabia disso também?
— Claro que não sabia. Quem seria capaz disso?
deu de ombros murmurando um “não sei” olhando atentamente para o rosto de , era bem mais bonita de perto, seu rosto sem maquiagem com uma constelação de sardas em baixo dos olhos, o rapaz passaria o tempo que tivesse as observando.
— Mas eu me machucaria de novo se fosse preciso – disse engolindo a seco olhando fixamente nos olhos da garota que passava o algodão sobre sua testa, ela não desviava o olhar do que estava fazendo por nada.
— Você nem ao menos me conhece – riu negando com a cabeça, que galanteios furados.
— Se você me conceder esse privilégio, quero poder conhece-la melhor – estava afiado demais, começava a desconfiar de suas intenções, não eram nada boas, desviou o olhar encarando os olhos do rapaz que queriam encontrar com os seus, pode ver sua pupila dilatar e achou graça naquilo.
Stone era a nova obsessão de Healy.
— Eu acho que a sua companheira Josie, não vai gostar nada de saber que você está se jogando para cima de mim. – usou o seu trunfo contra o rapaz.
— Josie e eu não temos nada. – revirou os olhos.
— Bom, ela pelo menos acha que vocês têm, pelo que deu para perceber.
— Eu sei, mas nós não temos nada, ficamos juntos algumas vezes quando o álcool falou mais alto que a nossa consciência.
— Não gosto quando a consciência de um homem começa a falhar por conta do álcool. – comentou tranquilamente limpando agora a bochecha do rapaz. — Significa que ele não é homem o suficiente, não admite as merdas que faz e joga a culpa na bebida, na minha cidade isso era inadmissível.
— Não vejo Albuquerque como uma cidade que todos têm habito de beber com frequência. – foi a vez de dizer, fazendo se dar conta do que tinha dito.
— Se a sua intenção com esse galanteio todo e me levar para cama, desista – mandou a real, resolvendo ignorar a observação do rapaz — Eu só vou para a sua cama, quando eu quiser ir para ela.
— Então é reciproco – aproximou-se mais de que se afastou.
jogou o algodão sujo de sangue no lixo guardando o álcool de volta ao kit de primeiros socorros, passou a mão sobre o ombro do rapaz o inclinando para frente, podendo assim ficar bem perto do seu ouvido.
— Talvez seja, mas eu pelo menos consigo esconder – desceu a mão do ombro percorrendo todo corpo de tocando rapidamente na sua ereção fazendo o mesmo olhar para baixo, antes que pudesse dizer algo em sua defesa saiu do banheiro o esperando do lado de fora. — Você não vem? A batata do nosso lanche vai acabar murchando.
piscou vitoriosa em ter ganho o primeiro round de provocações.
Era assim que as garotas de Charming lidavam com uma cidade cheia de babacas, os deixavam aos seus pés.


***

A fumaça pairava pelo quarto, a música alta despistava os gemidos de Josie estava eletrizante nos movimentos de vai-e-vem em cima de Adam que aproveitava cada segundo daquela maravilhosa transa enquanto fumava seu baseado o segurando para Josie pudesse também fumar.
Ninguém nunca imaginaria que os dois tinham uma amizade colorida já que podiam contar nos dedos as vezes que conversavam quando estavam reunidos com seus outros amigos.
Após fazer Adam gozar, o que não era uma tarefa muito difícil, Josie deitou-se ao lado do rapaz puxando o lençol para cobrir seu corpo nu antes de pegar o baseado de suas mãos.
Adam abaixou a música deitando-se de lado para admirar a mulher.
— O que acha que estamos fazendo? – Adam perguntou querendo entender o que ela sentia, a amizade colorida que eles tinham era algo muito bom para o rapaz.
Josie fazia tirado sua virgindade, então cada vez, era uma nova experiência.
— Transando – Josie deu de ombros soltando a fumaça para cima. –Chapados.
— É uma boa combinação – riu o rapaz sentindo o seu corpo leve. – Poderia transar chapado com você para sempre.
— Acredite o para sempre é muito tempo – Josie riu de volta esticando o seu corpo até o móvel ao lado da cama deixando o resto do baseado no cinzeiro. — Não vamos passar tanto tempo juntos.
— Só não vamos passar se você não quiser –rebateu Adam roubando um beijo de Josie passando a mão pelo seu peito por cima do lençol. — Por que eu quero.
— Eu quero o – Josie confessou ao parar de beijar Adam. – E tenho certeza que logo você vai estar transando com aquela sem sal da , então não temos tempo para o nosso para sempre.
— Ela tem uns peitões – Adam disse apertando o peito de Josie. – Muito maiores que os seus. — Josie estralou um tapa no ombro de Adam que voltou a deitar-se quieto em seu canto.
— E por isso que você vai ficar com ela – a garota incentivou o rapaz.
— Ela nunca vai dar moral para mim. – Adam negou com a cabeça. – Esse tapa doeu Cooper.
— Pensa comigo, todos do nosso grupo de amigos namoram, menos eu você e o .
— O que eu tenho a ver com isso? – arqueou a sobrancelha.
— Eu fico com ele, você fica com ela. – Josie disse parecendo obvio.
— E quando nessa história toda nos transamos chapados? – Adam perguntou afim de saber sobre algo que era realmente do seu interesse.
— Agora – Josie revirou os olhos antes de se aproximar dos lábios do rapaz o beijando novamente.


***


Florence suava frio no hospital em Red Lodge, nunca foi tão torturante esperar resultados de exames em toda sua vida.
Florence Colson – a enfermeira baixinha a chamou olhando o nome no envelope dos exames.
A mesma levantou-se jogando a bolsa no colo de Lívia que gemeu de dor jogando a bolsa da amiga de volta ao seu acento.
— O seu exame está pronto, agora é só esperar que vou encaminhar para o médico e daqui a pouco ele vai te chama para a consulta.
— Posso dar uma olhada no exame? – Florence pediu sorrindo e a enfermeira negou com a cabeça. — Como assim que eu não posso ver?
— O médico gosta de abrir o exame junto com a paciente. – ela explicou fazendo Florence rir.
— Foda-se ele – pegou o envelope da mão da mulher o rasgando rapidamente e abrindo para ver o que tanto lhe causava medo.
Engoliu a seco olhando para o resultado.

“BetaHCG.............................................................................................Positivo”.


Se com apenas um teste vagabundo, Florence tinha certeza que a sua vida estava por um fio, ler e reler o exame de sangue em suas mãos fez a garota ter certeza que tinha feito a pior merda da sua vida.
— Pode entregar para o médico – voltou a entregar o papel para a enfermeira antes de sentar-se ao lado de jogando sua bolsa no chão e afundando na cadeira.
— Eu nem preciso perguntar se o resultado foi mesmo positivo...
— Cala a boca, cala a boca cala a boca – Florence pediu tampando os ouvidos com as mãos, foi uma péssima ideia ter pedido para lhe acompanhar, seu humor não estava nos melhores dias e a situação toda causava stress danado.
revirou os olhos com a reação da amiga, por um lado tinha pena dela, sabia que daqui para frente a sua vida não seria mais um mar de rosas, por outro lado acreditava que ela merecia aquilo para amadurecer, torna-se mais responsável e começar a levar mais a sério sua relação com , sem contar que uma gravidez poderia aproximar Florence novamente de seus pais.
Na cabeça de Florence, apenas um pensamento se passava.
Como contaria a que estava grávida?
Ainda mais, sabendo que havia possibilidades de não ser dele.


Quarto Capítulo

Quando a enfermeira chamou Florence para a consulta, apenas se levantou dizendo que esperaria a amiga no carro.
A consulta fora rápida, o médico fez os procedimentos necessários, como um ultrassom, mostrando a Florence o pequeno feto em seu ventre e os batimentos cardíacos que ecoavam pelo ambiente todo, media sua pressão e dizia a exata semana em que o feto havia sido fecundado.
A mulher ouvia tudo atentamente, mesmo que tremendo sem saber o que fazer.
Para Florence, aquilo era um misto de emoções. Era o seu maior sonho se tornar mãe de uma linda garotinha ou um garotinho que a deixaria de cabelos em pé, ver sua família crescendo ao tomar conta dela. Mas também pensava que seu sonho poderia virar seu maior pesadelo se não descobrisse os motivos que tinha para não querer formar uma família com ela.
Saiu da consulta segurando as lágrimas e antes que pudesse desabar ao chegar ao carro, se deparou com acompanhada de Nicolette, seu namorado Landon e sua tia Grace.
— Florence, eu posso saber o que está acontecendo? — Grace perguntou, cruzando os braços.
Sustentava o olhar entre os demais presentes atrás de sua tia, procurando palavras para argumentar com a mais velha, mas, sem forças para brigar, apenas negou com a cabeça, começando a debulhar-se em lágrimas e abrindo os braços na intenção de ganhar um abraço.
Grace, com o peito angustiado, sentindo compaixão pela sobrinha, se aproximou, lhe acalmando em seus braços, já sabia de absolutamente tudo que se passava graças a Nicolette. olhou para Nicolette e Landon e ambos concordaram ao se juntarem ao abraço das primas, tentando demonstrar apoio a Florence.
— E-eu não quero tirar — Florence choramingou. — E-eu ouvi o seu coraçãozinho, ele tá’ batendo tão forte...
— Você não precisa fazer isso — Grace segurou o rosto de Florence entre as mãos. — Você só precisa respirar fundo e encarar os fatos de cabeça erguida.
— Não é tão fácil quanto parece — fungou, respirando fundo.
— Olha, Florence, se estiver insegura em relação ao , sei que um bebê não está nos planos que ele tem no momento, mas posso garantir que ele dará um jeito. — Landon forçou um sorriso para a mulher, tentando soar o mais positivo possível.
— Eu estive pensando na reação dos seus pais — comentou. — Penso que pode ser algo bom, que possa verdadeiramente aproximar de vez vocês como uma família e como antigamente... — passou a mão nos cabelos de Florence, os tirando do rosto e ela concordou com a cabeça.
— Não precisa ter medo — foi a vez de Nick. — Nós vamos estar ao seu lado em todos os momentos.
— O problema não é os meus pais, nem o — Florence riu sem graça e completou. — Tá’, ele é um problema, ele faz parte do maior problema... E-é que... — ela fez uma pausa, olhando para todos ao seu redor, revelando o que todos já tinham em mente. — Talvez ele não seja o pai do bebê.

***


Jake estava passando o dia com e sentia o rapaz em outro mundo em boa parte do tempo. Sentia que algo lhe incomodava e não se tratava apenas de mais uma das inúmeras brigas que ele tinha com sua irmã. Sabia que ele não dava uma importância tão grande às brigas de relacionamento a ponto daquilo estragar o seu dia.
— Você quer conversar? — Jake perguntou, ao encostar-se no capô do carro que ganharam na corrida.
— Não tenho nada para falar — deu de ombros, não podia contar ao seu cunhado os pensamentos que rondavam sua mente perturbada.
— Se está assim por causa da minha irmã, você sabe que ela só fica brava momentaneamente. Vai passar — Jake disse, procurando a cartela de cigarros em seu bolso da calça. — Quando os neurônios dela pensarem, após os momentos de raiva, tudo fica sob controle.
— Não estou assim por causa da sua irmã, cara — negou com a cabeça. — Acredite, eu gosto muito dela, mas tenho outros problemas em mente.
— Certo — Jake concordou. — E esses outros problemas envolvem o quê? Dinheiro? Corridas? Sua família?
— Família? — questionou. — O que tem haver família?
— Não sei — Jake colocou o cigarro entre os lábios, à procura do isqueiro em seu bolso. pegou o seu rapidamente no bolso da calça, acendendo para que o rapaz pudesse aproveitar o fogo. — Acho que você nunca nos contou sobre a sua família.
— Meus avós morreram, você sabe disso — respondeu, de maneira curta e grossa.
— Sim, seus avós morreram, mas todo mundo tem uma mãe e um pai — Jake insistiu, deixando nervoso com tanto questionamento vindo justamente dele.
— Jake, se está tentando descobrir algo de mim para contar à sua irmã... Desista. — disse, entredentes, se desencostando do capô do carro, prestes a sair de cena.
— O que a minha irmã tem a ver com a nossa conversa? — Jake estranhou o comportamento do amigo.
— Por que primeiro ela vem com esse papinho de querer que eu seja o pai dos filhos dela, agora você vem com esse papo furado de querer saber sobre a minha família. Se isso não é um complô dos Colson, eu não sei o que é. — disse, demonstrando todo o seu nervosismo. — Céus, cadê o ?
— Caralho, irmão! — exclamou Jake, se inclinando para jogar a fumaça do cigarro para cima de sua cabeça. — Você chapou as ideias... Primeiro, eu não fazia ideia dessa sua conversa com a Florence, eu estava ocupado demais com a e, segundo, estou puxando assunto porque você é meu amigo e estou percebendo que você está mal. É tão difícil acreditar que você tem amigos que se importam com o seu bem estar?
engoliu a seco com as palavras de Jake, ele não esperava que tal resposta o pegasse de surpresa, se sentindo culpado por ter sido tão estúpido com o rapaz.
— Meu pai morreu e minha mãe me abandonou — disse, amargamente, pegando Jake de surpresa, ele realmente não esperava por aquilo.
— Nenhum parente na Irlanda? — Jake perguntou, passando a mão por seus cabelos.
— Não tenho ninguém além de mim mesmo. — respondeu, lhe dando as costas, encontrando acompanhado de um vendedor da loja de carros. — Finalmente — murmurou, andando em direção a ambos, na tentativa de fugir de mais perguntas sobre o seu passado.

***


Era a primeira segunda feira na casa dos Stone que começava junto a uma rotina bem animada. havia acordado cedo com sua mãe para preparar um café da manhã surpresa para o primeiro dia de aula de Kyle, elas o levariam para o colégio juntas.
Depois, Layla se inscreveu para ter aulas de culinária e poderia assistir às aulas antes de começar o seu curso junto à nova turma na semana seguinte.
iria à procura de um emprego, continuava com a ideia de não querer depender exclusivamente da grana enviada pelo seu pai e contaria com a ajuda de nessa missão.
— E se não gostarem de mim? — Kyle perguntou, descendo do carro assim que sua mãe parou do outro lado da rua.
— Um garoto tão lindo e inteligente, é claro que vão gostar de você — apertou as bochechas do irmão.
— Quando vir te buscar, vai estar cheio de amigos novos — foi a vez de Layla dizer e incentivar o garoto a perder o medo.
Kyle sorriu, dando a mão para a irmã e a mãe, respirou fundo e andaram até a porta do novo colégio, onde crianças e adolescentes preenchiam alguns bancos e árvores, se encontrando com amigos e os pais conversavam, observando os filhos. Tudo parecia uma cena de filme para a família, agora normal, que não sentia nem um pouco de falta dos olhares tortos e julgadores dos moradores da antiga cidade.
Acompanharam o garoto até a sua sala de aula, atraindo olhares curiosos para cima das duas mulheres e um deles vindo de Adam, que ao fechar o seu armário, jogando a mochila sobre os ombros, se deparou com conversando distraída com a sua mãe.
? — Adam tratou logo de puxar assunto, fazendo a garota desviar o olhar até ele.
— Oi, Adam! — o cumprimentou, parando em sua frente.
— Não sabia que ainda estudava. — Adam comentou, passando a mão pela nuca entre seus cabelos.
— Não estudo... — negou com a cabeça.
— A gente só veio trazer o nosso caçula até a classe — Layla disse, empolgada demais com o primeiro dia de aula do filho.
— Adam, essa é a minha mãe, Layla. Mãe, o Adam é um dos amigos da explicou, os apresentando rapidamente.
— Olha só! Você é o segundo amigo da que eu conheço — Layla disse, após cumprimentar o garoto com as mãos.
— É um prazer conhecê-la, Srta. Stone — deu um meio sorriso. — E quem foi o primeiro que você conheceu? — perguntou, curioso.
— Se eu não me engano, o nome dele era . Ele almoçou conosco no final de semana — Layla contou, fazendo sorrir sem mostrar os dentes, um pouco tímida.
— Ah, o — Adam ficou surpreso ao saber que estava sendo rápido em tentar uma aproximação com a novata. Antes que pudesse dizer algo sobre , o sinal tocou, anunciando o início das aulas. — Eu tenho que ir, nos vemos por aí — despediu-se de e sua mãe, andando pelo corredor, pegando o celular do bolso da calça e correndo contar para Josie sobre o que acabara de saber.

***


Quando Nick acordou, logo virou para procurar o namorado ao seu lado na cama e se deparou com esta vazia, se sentou com os olhos fechando, bocejando ao se espreguiçar até acostumar com a claridade que entrava pela janela e procurou o namorado pelo quarto, olhando para a porta do banheiro entreaberta, porém com a luz apagada.
Pegou o celular no criado mudo, verificando o horário para ver se ele já tinha saído para trabalhar, foi quando Landon entrou cuidadosamente no quarto com uma bandeja de café da manhã em mãos, deixando Nick totalmente sem reação com a pequena surpresa.
Amor... — Nick fez bico, assim que o rapaz colocou a bandeja sobre a cama, se sentando ao seu lado.
— Bom dia, darling. — Landon segurou o rosto de Nick com uma das mãos, selando seus lábios. — Que a sua semana seja incrível igual a pessoa que você é. — disse, fazendo a namorada sorrir bobamente. — Eu te amo.
— Eu te amo mais — Nick respondeu, com os olhos brilhando. Sentia-se sortuda em ter Landon como o seu namorado.
O casal tomou café da manhã juntos na cama, um banho bem demorado e cheio de carícias para começar bem a semana foi uma boa pedida.
— Sabe, pode parecer loucura o que vou dizer agora — Landon segurou as duas mãos de Nick enquanto a mulher sentia a água quente percorrer o seu corpo, de olhos fechados. — Mas se você estivesse grávida, eu seria o homem mais feliz do mundo em saber que iria formar uma família ao seu lado.
Nick abriu os olhos, encarando o namorado surpresa com suas palavras. Sempre conversaram sobre planos para o futuro, mas ouvir uma declaração como aquela em meio ao caos que aconteceu com Florence no final de semana trazia uma tranquilidade ao coração da modelo.
— Nós vamos ter uma linda família daqui a alguns anos — Nick respondeu, passando seus braços pelos ombros de Landon. — Vamos ser independentes, vamos para a capital, nos casar, ter a nossa própria casa e nossos filhos correndo pelo jardim. — idealizou o plano perfeito, olhando dentro dos olhos do rapaz.
Foi inevitável não acabar rolando um sexo matinal que quase acabou atrasando Landon para o trabalho, mas, por sorte, tinha uma pequena parte do closet de Nick onde havia roupas sociais para usar no trabalho. Vestiu-se rapidamente, sendo muito bem observado por Nick de braços cruzados e ainda só de toalha.
— Fica difícil sair pra trabalhar com você me olhando assim — Landon terminou de dar o nó na gravata, olhando para Nick. — Vou ter que vir correndo na hora do almoço.
— Eu diria para você voltar correndo, mas vou passar o dia com a Florence — Nick disse, fazendo bico.
— O que acha de tudo que está acontecendo? — Landon perguntou, se sentando na beirada da cama para calçar os sapatos.
— Não sabia que Florence traía . Tenho que admitir que isso me pegou de surpresa — comentou, estreitando os olhos.
— Nunca passou pela minha cabeça também — Landon concordou. — Ela me parecia sempre tão... Apaixonada por ele.
— O que me intriga mais nessa história toda é ela ter dito que nunca poderia nos contar com quem traiu ele.
— Talvez seja algum zero à esquerda dessa cidade, existem tantos por aí — Landon deu de ombros, não conseguia imaginar ninguém com quem Florence pudesse ter se envolvido.
— Não, Landon. Ela contou todos os casos, menos esse último que pode ser o possível pai do bebê. Para ela não querer nos contar, pode ter certeza que tem algo muito errado nessa história. — Nick sentou-se na cama, pensativa.
— Mas quem poderia ser? — Landon questionou, dando uma última olhada no espelho, pegando sua mochila com o notebook em cima da mesa, perto da porta.
? — Nick jogou no ar.
— Não. Ele é muito fiel ao , eles moram juntos e com certeza não conseguiria disfarçar que estaria transando com a namorada do melhor amigo.
— Tem razão. Florence não faz o tipo dele também. — Nick descartou, mas ela tinha outro nome em mente.
— Amor, eu preciso ir — Landon acabou a dispersando ao aproximar-se, inclinando o seu corpo por cima da namorada e beijando seus lábios. Ela aprofundou o beijo, puxando o rapaz para ficar por cima de seu corpo. — Nick... eu realmente preciso ir para aquele maldito fórum.
— Uma pena — Nick murmurou, contra seus lábios, abrindo a toalha e ficando completamente nua por baixo do namorado, que desceu seus olhos pela extensão do corpo da mulher. — Se ficar olhando muito, vai acabar se atrasando, amor.
Landon riu, beijando toda a extensão do corpo da namorada, descendo seus lábios para a intimidade da mesma e a fazendo gemer por um ato tão inesperado. Antes que pudesse prolongar mais ainda e se atrasar, se afastou ao ficar em pé, andando até a porta do quarto. Antes de sair, deu uma última conferida na modelo nua sobre a cama, que apenas lhe mandou um beijo no ar seguido de uma piscada sexy.

***


Jake batia à porta do quarto da irmã incessantemente, o que estava deixando-a louca. Como se não bastasse todo o seu enjoo e mal estar, tinha que aguentar a dor de cabeça.
— ENTRA, JAKE — gritou, para o irmão, sentindo sua cabeça latejar ao sentar-se sobre a cama.
— Bom dia para você também, irmãzinha — Jake abriu a porta com um sorriso irônico nos lábios.
— Poderia dizer logo o que você quer e sumir da minha frente? — Florence disse, entredentes, massageando as têmporas.
— Florence, que cheiro de vômito é esse? — Jake aproximou-se do cesto de lixo, constatando que a irmã tinha vomitado no mesmo. — Caralho, o que você comeu?
— Nada demais. Já estou me sentindo bem melhor. Se você quiser ser um irmão prestativo e tirar esse lixo daqui antes que eu desmaie com o próprio cheiro do meu vômito, eu agradeceria muito, irmãozinho.
Jake revirou os olhos, empurrando o cesto de lixo com o pé para fora do quarto e andando até a janela, abrindo um pouco para sair o cheiro ruim.
— Preciso da sua ajuda — disse, se sentando na beirada da cama.
— Pode falar — Florence ajeitou os travesseiros ao se acomodar melhor, olhando para o irmão.
— Está acontecendo alguma coisa entre eu a que não faço ideia do que pode ser — Jake comentou, cabisbaixo. — Desde sábado, ela tem me evitado, não me contou como foi a viagem, nem quis que eu fosse passar o dia com ela ontem, mal respondeu minhas mensagens e não me ligou uma vez sequer...
— Que barra — Florence engoliu a seco, sabia do motivo pelo qual a amiga estava agindo assim com o seu irmão, era para não acabar contando sobre a sua gravidez.
— Eu quero saber, aconteceu alguma coisa nessa viagem entre vocês? — Jake perguntou, passando a mão entre os cabelos. — Sei lá, às vezes vocês duas podem ter se desentendido e ela esteja me evitando por estar magoada, não sei — deu de ombros.
— Não — Florence negou com a cabeça. — Fui apenas fazer um exame de rotina, andamos um pouco pela cidade e depois fomos à casa da nossa tia Grace.
— Será que ela está assim por algo que eu fiz?
— Você fez alguma coisa de errado? — Florence retrucou o irmão, arqueando a sobrancelha.
— Não. Por isso estou achando estranho o comportamento dela.
— Às vezes ela só está naqueles dias — Florence deu de ombros.
— Não — Jake pegou o celular, apontando para o aplicativo de menstruação da sua namorada. — Ela controla o ciclo pelo meu celular e aqui está dizendo que ela ainda está em período fértil — avaliou o aplicativo por alguns instantes.
— Jake, eu vou ver a mais tarde e procuro saber o porquê dela estar estranha — “mesmo sabendo exatamente o porquê” pensou Florence, olhando para o irmão, que tinha o semblante triste.
Ponderava em deixar contar para Jake tudo o que lhe acontecia só para não ver o casal sofrendo por algo que eles nem ao menos tinham culpa de estar acontecendo.
— Obrigado — Jake deu um meio sorriso. — A propósito, pediu para eu te dizer que está com saudades.
— Manda ele se foder — Florence revirou os olhos.
— Olha, se quer mesmo fazer isso e voltar para o time das solteiras, é só terminar logo com ele, Florence. Vocês merecem muito mais do que esse relacionamento tóxico em que vivem.
— Jake, nós apenas precisamos de um tempo para colocar a cabeça no lugar. Eu o amo muito...
— Eu sei, mas isso te faz mal na maioria das vezes...
— Jake — Florence o interrompeu, o fazendo revirar os olhos. — Não precisa se preocupar, nós vamos ficar bem. Se preocupe com a , vou ligar pra ela daqui a pouco e marcar de vê-la.
Jake deu-se por vencido mais uma vez na tentativa de abrir os olhos da irmã para pular fora de um relacionamento arruinado com seu amigo . Saiu do quarto, dando de cara com o lixo todo vomitado, se arrependendo amargamente de ter ido puxar assunto com a irmã.

***


desceu as escadas apenas de calça jeans preta e com a camisa branca pendurada em seu ombro. Estranhou todo o silêncio da casa, constatando que deveria ter acordado primeiro e já ter se mandado para a cidade.
Rumou à cozinha, preparando um reforçado café da manhã, ligou o rádio para ouvir as notícias matinais enquanto esperava as torradas ficarem no ponto e fritava ovos mexidos. O café ficou pronto rapidamente na máquina onde investiu uma boa grana.
Seguiu até a sala, se acomodando no enorme sofá de couro preto, deixando o prato com sua refeição em cima da mesa de centro. Procurou o controle para ligar a televisão, olhando o reflexo de uma pessoa atrás de si. Levantou-se rapidamente, com a faca de cozinha em mãos.
Hendrix apenas levantou as mãos para cima em rendição, ainda rindo da atitude do amigo.
— É assim que você me recebe de viagem? Me atacando com uma faca de cozinha?
— Poderia ter ao menos tocado a campainha — disse, parecendo óbvio, revirando os olhos e voltando a se acomodar no sofá.
— E perder de te assustar? — Hendrix jogou-se no sofá ao lado do amigo. — Nunca.
— Há-há, muito engraçado — disse, com a boca cheia de ovo mexido, e apontou o prato para Hendrix.
— Dispenso, comi horrores na estrada — apontou para a sua própria barriga.
— Não sabia que voltaria tão cedo — comentou, procurando alguma coisa boa para assistir na televisão, mas nada lhe chamava atenção, só queria prestar atenção nos detalhes de Hendrix sobre a Irlanda, ou melhor, sobre ela.
— Ninguém imaginava até o momento em que estávamos no meio de um tiroteio e o presidente do clube rival disse que estava fazendo aquilo somente para chamar a nossa atenção e tentar um acordo para vendermos armas a eles.
— E para fazer um acordo ele teve que matar muitos inocentes para que isso acontecesse? Não era mais fácil apenas ligar e marcar uma reunião? — perguntou, indignado.
— Acredite, nós pensamos a mesma coisa — Hendrix riu.
Hendrix era um nômade no SOA, o que significava que ele não tinha lugar fixo para ficar. O clube da Irlanda sempre pedia para que ele fosse um reforço, lhe oferecia um patch e bom cargo no clube para ver se ele voltava às suas origens irlandesas, mas Hendrix estava feliz demais vivendo solto e perambulando de clube em clube quando precisavam de seus serviços.
Dessa vez, ele tinha sido chamado para ajudar o clube de Belfast a lidar com um clube rival que estava estreitando o seu espaço nas ruas e matando muito de seus homens por nenhum motivo aparente, motivo esse que eles descobriram após uma chuva de tiros.
— Eu tirei uma foto dela, caso você tenha interesse em ver — Hendrix colocou o celular sobre a mesa de centro da sala.
— Hendrix... Por que fez isso? — perguntou, terminando o ultimo gole do seu café.
— É para o seu próprio bem. Lhe contei que ela está grávida e vai se casar. Querer ver essa foto é sua escolha.
— Qual escolha? — perguntou, olhando para o aparelho, ponderando pegá-lo.
— Se você quer viver de passado ou prefere seguir em frente. — Hendrix levantou-se do sofá, esticando o corpo. — Vou tomar um banho e descansar um pouco, qualquer coisa estarei em meus aposentos — bocejou, antes de subir as escadas, deixando a sós com o celular.

***


Do outro lado da cidade, sentia-se mal por estar ignorando Jake desde sua volta de Red Lodge. Todo o caos envolvendo sua cunhada estava fazendo mal ao seu relacionamento, a deixando extremamente triste por ter que ignorar o namorado.
Sentia-se sufocada com tanta informação acumulada e sua cabeça confusa sem saber para onde correr quando se encontrou com após a garota ter levado o seu irmão para o colégio. Sentiu em seu coração que podia confiar na amiga.
— Amiga, a gente pode conversar? — interrompeu o assunto que falava sobre motos, olhando para a mulher, que parou de falar.
— Bom, achei que estávamos conversando — riu sem humor. — Mas eu estou sentindo que você não está bem, só não perguntei para não ser invasiva... Aconteceu alguma coisa?
Aquela foi a oportunidade perfeita que queria para poder desabafar todos os acontecimentos do final de semana para fora. prestava atenção em todos os detalhes, apenas comprovando que os seus pensamentos sobre Florence estavam certos, ela era uma desmiolada da cabeça.
— Bom... — respirou fundo, processando todas as informações. — Está querendo me dizer que ela está gravida e não sabe quem é o pai. diz que não pode ter filho, mas ninguém descobriu o porquê dele não poder, ou até mesmo de não querer?
— Sim — concordou com o raciocínio de .
— Ela contou para você e o casal do ano — apelidou carinhosamente Nick e Landon como “casal do ano”. — Que se envolveu com mais três homens enquanto estava entre idas e vindas com o namorado?
Mais uma vez, apenas confirmou com a cabeça.
— Ela contou sobre dois, mas não coincidiram com as semanas de gravidez, porém deixou um em segredo porque diz ter medo de revelar quem pode ser... — juntou “a” mais “b” e logo sacou o que Florence escondia. — Quem são os rapazes mais próximos de , ? — perguntou a amiga, parando de andar para olhá-la.
— O melhor amigo do é o . Eles moram juntos em uma casa afastada da cidade, não lembro se já comentei isso com você — disse. — Mas eu não acredito que Florence iria para cama com , ela sabe que Josie nutre sentimentos pelo rapaz.
— Realmente, não é uma opção. — ponderou. — Ele tem algum outro amigo próximo?
— Todos os rapazes são próximos de .
— E aquele rapaz, o Adam? — perguntou, se lembrando do rapaz que viu no colégio, o que acabou fazendo rir.
— Adam ainda é virgem, sem chances — riu, negando com a cabeça.
— Não tem mais ninguém que seja próximo desse ?
— Tem o Hendrix — disse, ao se lembrar do irlandês. — Eles são bem próximos, ele também é irlandês e confia muito nele para as corridas. Ele é o piloto que não foi naquele dia porque estava fora da cidade.
apenas sorriu maliciosamente, voltando a andar já com suas conclusões feitas.
— Estamos muito longe da papelaria? — mudou de assunto, fazendo arquear a sobrancelha.
— Hãn? Não, acho que é logo ali... — apontou para a rua à esquerda. — Por que quer ir à papelaria? — perguntou, sem entender.
— Para comprar um cartão de felicitações de “novo papai no pedaço” para Hendrix. — disse, olhando para , que paralisou no lugar segurando o seu braço boquiaberta.
E como se estivesse juntando ponto por ponto...
— Meu Deus... — arregalou os olhos, levando a mão à boca.


Quinto Capítulo

Layla já estava se sentindo atordoada com o tanto que a mãe do amigo de Kyle tagarelava enquanto ela terminava a lancheira do filho. Tentava processar todas as informações e foi neste exato momento que a companhia tocou, fazendo a mulher calar a boca, adiantando-se para abrir a porta como se fosse dona da casa.
— Layla, encomenda para você — respondeu, após abrir a porta.
Layla apenas revirou os olhos discretamente, roubando uma bolacha do pote, estranhando o fato de não saber que entrega poderia ser.
Olhou em direção à porta e viu um rosto um tanto quanto conhecido, era Hap, um dos integrantes do moto clube do seu marido, disfarçado, usando apenas roupas pretas e segurando uma prancheta em mãos.
— Encomenda para a Srta. Layla Stone — frisou o sobrenome, entregando a prancheta que, na verdade, era uma carta de Opie e uma pequena caixa que ela já imaginava o conteúdo. — Assine na segunda folha, por favor.
Riu, assinando de qualquer jeito a folha em branco, pegando a carta e guardando ao bolso. Hap piscou para ela cúmplice antes de andar até o caminhão baú.
A sua mais nova amiga ficou sem entender nada, mas curiosa com o que poderia ser a tal da encomenda. Chamou as crianças para fora, enrolando ao perguntar se não se esqueceram de nada.
— Não está ficando tarde? — Layla perguntou, após abraçar o filho, que ria divertidamente ao perceber que o entregador era Hap.
— Vamos, crianças! — a mulher os chamou. — Você pode buscá-los?
— Sem problemas — Layla concordou, acenando com a mão.
Hap abriu a porta de correr do caminhão, puxando uma rampa de ferro. Tomou uma distância segura, pedindo para que descessem uma Land Rover preta que deixou Layla de queixo caído.
— Meu Deus — murmurou, sem acreditar, correndo até o carro para vê-lo mais de perto. — Essa é lançamento — concluiu, animada.
— Sim e mandamos blindá-la — Hap comentou. — Estou na cidade desde o começo da semana, visitei o pequeno no colégio. — Apontou para o local, que se perdia de vista pela rua.
— Por que não apareceu aqui antes? — Layla perguntou.
— Estava ocupado demais — Hap deu de ombros, pedindo para que o seu ajudante terminasse de descarregar o caminhão, foi então que Layla se deu conta de que a surpresa não acabava por aí. — está em casa?
Layla concordou com a cabeça e pediu para que Hap esperava, subindo as escadas saltitante até o quarto da filha. Lhe acordou rapidamente, a puxando mesmo de pijama escada abaixo, tampando seus olhos com as palmas das mãos.
— Está pronta? — Layla murmurou, no ouvido da filha.
— Mãe, o que está acontecendo? — disse, ainda com a voz rouca de sono.
Sem mais delongas, Layla abriu os olhos de e estes se arregalaram com a sua surpresa. Não pensou duas vezes, correndo para montá-la.
Opie havia enviado para sua filha uma Harley Davidson Dyna Super Glide Sport, a moto pela qual ela era apaixonada, igual a de seu melhor amigo e vice-presidente do moto clube, Jax Teller.
Os olhos de brilhavam para cada detalhe da moto que ganhara, e neste mesmo momento, um celular pré pago começou a tocar dentro da caixinha que Layla tinha guardado no bolso da calça. Hap disse para que ela atendesse enquanto terminava o seu trabalho.
A mulher abriu a caixa rapidamente, pegando o pré pago de dentro da caixinha e vendo no visor escrito apenas “Love”. Sorriu abertamente, o atendendo em seguida, afastando-se para ir até a garagem, deixando e Hap conversando sobre a moto.
Alô? — Opie disse, do outro da linha, onde andava de um lado para o outro sentindo o seu coração disparado após Layla ter atendido o celular.
— Opie — Layla respondeu, puxando uma caixa para se sentar dentro da garagem, cobrindo a boca com a mão na tentativa de engolir o choro.
Que saudades de ouvir sua voz — Opie confessou, respirando fundo, tentando conter suas próprias lágrimas. — Como você está, meu amor? Gostou dos presentes?
— É-e-eu estou bem — disse, com a voz embargada. — Estou tentando ser forte para as crianças e está tudo sob controle. Kyle está feliz com o colégio e tem se divertido com os novos amigos — Layla contou, na intenção de distrair as lágrimas. — Eu amei os presentes, mas faltou apenas uma coisa para eu estar completa.
Lay... — Opie apertou o pré pago entre a mão. — Já conversamos sobre isso...
— Eu sei. — suspirou. — Eu sei.
Vim ao lugar onde nós nos casamos — Opie contou, colocando a mão sobre uma das árvores que serviu como cenário para o seu casamento. — Sinto que vir aqui consigo me aproximar de você lembrando do quão linda estava vestida de noiva, seus olhos brilhavam fixos aos meus e tudo parecia ser tão mais fácil.
— Nunca foi fácil, Opie. Mas nós dois juntos fazíamos ser — Layla disse, fechando os olhos e transportando-se para aquela boa memória. — Como vão as coisas? O clube? O que Hap faz aqui?
Tudo está acontecendo rápido demais por aqui... Clay, Jax, Juice e Tig logo estão livres, mas não param de nos rondar para entrar no negócio das drogas, então não temos muito o que fazer até o Jax voltar. Meu velho anda estranho, sinto que ele vem escondendo algo, mas ainda não descobri o que é...
— Se ele estiver muito estressado com os negócios do clube, nada melhor do que levá-lo passar um final de semana no lago. Piney adora aquela cabana. — Layla sorriu ao lembrar do mais velho e de como ele adorava aquele lugar.
Vou ver o que faço com ele — Opie ponderou a ideia da mulher. — Vou ter que desligar, o dever me chama. Dê um beijo em Kyle por mim e lhe entregue o meu presente, diga a que ligo mais tarde e que Hap vai dar uma volta com ela pela estrada.
— Tudo bem, amor, obrigado por tudo que está fazendo pela nossa família, eu te amo muito... — Layla declarou o seu amor a Opie, fazendo-o se emocionar do outro lado da linha.
Eu também te amo, Lay, até logo. — Opie desligou, deixando as lágrimas correrem livremente, da mesma forma que Layla deixou.

***


estava distraído fazendo as compras para a casa, quando Josie entrou na frente do carrinho de compras, o parando com o pé. O rapaz lhe lançou um olhar furioso após bater a barriga no próprio.
— Posso saber o porquê de você estar me evitando? — Josie perguntou, sorrindo sarcasticamente ao tirar o pé da frente do carrinho.
— Não estou te evitando — respondeu, colocando molhos de tomate dentro do carrinho. — Poderia me dar licença? — a garota saiu da frente e o rapaz seguiu tranquilamente até o outro corredor.
— Não é o que parece — Josie insistiu. — Não responde minhas mensagens, nem retorna minhas ligações.
— Estou muito ocupado esses dias, Josie — tentava ser o mais educado possível.
— Tempo para se encontrar com a você tem, agora para mim não? — Josie jogou sua informação valiosa, cruzando os braços ao parar ao lado de .
— Olha, Josie — virou-se, ficando frente a frente com ela. — Eu não sei quem foi que te contou sobre isso e não faço questão de saber, mas não está rolando nada entre eu e a — esclareceu. — Então se é isso que você queria tanto saber, agora já sabe. Se puder me dar licença... — virou-se de costas, pegando os produtos da prateleira.
... O que acha de passar lá em casa depois das compras? — Josie perguntou, fazendo o rapaz revirar os olhos.
— O que eu iria fazer lá? — perguntou, empurrando o carrinho pelo corredor.
— Eu sinto que estamos bem distantes, seria bom um tempo só pra gente conversar, ver um filme — Josie dizia, sentindo seu coração apertar-se ao ver que já não tinha mais interesse por ela e muito menos prezava por sua amizade. — O que você quiser.
— Josie... — respirou fundo, pensando em como daria um fora definitivo nela.
, por favor — Josie implorou, fazendo bico e juntando as mãos. —Nós somos amigos, não somos?
— O problema é que você não quer só a minha amizade. Sempre que nos aproximamos, você acaba se iludindo. — Ele foi duro em suas palavras. — O que você quer de mim, infelizmente, eu não posso te oferecer. — Josie engoliu a seco, olhando para os dois lados do corredor, percebendo alguns olhares curiosos atentos em sua conversa com . Aquilo era humilhante demais para ela, que sentia o seu coração se apertar cada vez mais. — Estou me afastando de você pelo seu próprio bem, Josie — disse, por fim.
Antes mesmo que pudesse dizer mais alguma coisa, Josie virou as costas para em passos rápidos, seguindo até a saída do mercado com os olhos marejados pelas suas lágrimas.
Sentia-se estúpida em ter ido atrás de mais uma vez na tentativa de consegui-lo de volta.
Mas como ela iria conseguir de volta algo que nunca teve?

***


— Deixa de ser chato, . Hoje é sexta feira! Por qual motivo não daremos uma festa? — Hendrix perguntou, andando de um lado para o outro atrás de , que resolvia detalhes sobre uma corrida da semana que vem.
— Como posso dar uma festa sendo que estou brigado com a minha namorada e nossos amigos são em comum? — perguntou, tirando a atenção do celular para o rapaz tatuado e sem camisa à sua frente.
— E existe motivo melhor para uma reconciliação do que uma festa como desculpa? — rebateu Hendrix, odiando ver o seu amigo tão para baixo por conta de mulher.
— Ela não vai vir — negou com a cabeça.
— Mas e se ela vier? — Hendrix insistiu. — Sabe que, se ela vir, já é meio caminho andado para uma reconciliação e um bom sexo no fim da noite.
— Hendrix, vamos fazer assim. — deu-se por vencido, apoiando-se no balcão da cozinha e olhando para o mais velho. — Eu continuo organizando a corrida da semana que vem, está cuidando de colocar a comida nessa casa e se você prometer ficar o dia todo fora e convencer a minha querida Florence a vir pra cá esta noite, está liberado para dar a sua festa.
Hendrix abriu um sorriso de orelha a orelha.
— Prepare o fígado e a fogueira, teremos uma festa nesta casa hoje Ashby.
— Jesus Cristo, quando você me chama pelo sobrenome da minha mãe, isso quer dizer que você vai arruinar a minha vida.
— Minhas intenções sempre são as melhores — Hendrix disse, confiante.
— Me senti uma das mulheres que você leva pra cama — comentou, fazendo careta.
— Elas fazem uma cara melhor que a sua. — arregalou os olhos, vendo o rapaz pegar seu colete de couro do moto clube pendurado no encosto da cadeira.
— Ei, aonde pensa que vai com isso? - perguntou, após pegar uma cerveja na geladeira, olhou-a vazia, agradecendo mentalmente por ter ido às compras se não passariam fome àquela noite.
— Eu ia apenas dar uma volta de moto. — Hendrix olhou para o colete em suas mãos e arqueou a sobrancelha. — Não posso?
— Não pode usar colete por aqui — o lembrou, estendendo a mão para que ele devolvesse.
— Me sinto respeitado quando uso o colete — revirou os olhos, jogando o colete para o rapaz. — As mulheres costumam me lançar aquele olhar de que estão molhadas pra ir pra cama com um motoqueiro.
— Você é nojento — disse, andando até o armário de roupas perto da escada, jogando o colete dentro da caixa na parte mais alta do armário e lançou na direção de Hendrix um moletom preto e uma jaqueta jeans.
— Jaqueta jeans? Eu tenho quantos anos? Quinze e sou virgem?
— Se não está contente, vá até a cidade e faça compras — disse, todo irritado.
— Por que está tão irritado assim? — Hendrix questionou, semicerrando os olhos, tendo em mente o que pode ter acontecido ao longo da semana em que entregou um pré pago do clube com a foto e o número da loja de Trinity.
— Você está agindo como uma criança de cinco anos — revirou os olhos.
— Hum... — ponderou o rapaz. — Poderia me devolver o pré pago que te dei quando cheguei de viagem?
— Pra que você o quer? — perguntou, tentando manter-se neutro.
— Tinha um importante número salvo na agenda telefônica, preciso para manter contato com Belfast — Hendrix disse, brotando lentamente um sorriso malicioso em seus lábios. sustentou o olhar e, no mesmo instante, ambos sacaram suas armas, presas na cintura, mirando um ao outro. — Eu sabia que você tinha visto — Hendrix constatou.
— Eu sabia que você tinha feito de propósito — disse, entredentes. — Por que fez isso, Coleman?
— Acredite. É para o seu próprio bem, meu amigo.
— Está tentando acabar com o resto de sanidade mental que ainda me resta?
— NÃO. , estou fazendo isso para ver se você cai na real e segue em frente — Hendrix rebateu. — Você deixou Belfast com dezoito anos, está quase beirando os trinta e não para de pensar na sua namoradinha da adolescência.
— Você não tem nada a ver com isso. — aumentou o tom de voz.
— Claro que tenho — Hendrix riu, negando com a cabeça, mas permaneceu mirando contra o peito do amigo. — Toda vez que vou para Belfast, você sente como se fosse uma esperança em trazer notícias sobre Trinity, com esperanças que eu diga que ela sente sua falta, que pede por um contato, uma foto sua ou até mesmo queira vir até você ou peça para levá-lo de volta, mas eu tenho uma triste notícia pra você...
— Hendrix, não faça isso. — sentia seus olhos arderem por conta das lágrimas e seu coração apertar-se como se Hendrix já tivesse disparado contra seu peito. — Eu não quero ouvir o que você tem a dizer...
— A Trinity não te ama mais, — Hendrix disse, após respirar fundo, soltando sua arma em cima do balcão da cozinha. — Mas você não aceita isso e vive descontando sua frustação amorosa nas costas da pobre Florence.
sentiu por um momento a vontade de disparar sua arma contra o peito de Hendrix, com o coração acelerado e sua cabeça tentando processar as informações dolorosas.
Mas, por sorte, tinha chego do mercado, podendo ver, pela janela da cozinha, apontando a arma para Hendrix e nem se preocupou em sair correndo para separar seja lá o que estava acontecendo no momento.
, abaixa isso — pediu, com os olhos arregalados. — O que aconteceu aqui? — perguntou, olhando para ambos.
— Apenas uma discussão entre irmãos — Hendrix respondeu, calmamente. —Vamos, , abaixe essa arma. Sabemos que, se você me quisesse morto, já tinha uma bala na minha cabeça.
Não era a primeira vez que Hendrix lhe falava sobre seguir em frente e que Trinity atrapalhava o seu relacionamento com Florence. Sabia que, mesmo sendo de uma forma dolorosa, o mais velho fazia aquilo para o seu próprio bem, não o alimentando com falsas esperanças. guardou a arma de volta à cintura, dando as costas para ambos os amigos, marchando para a porta que levaria aos fundos da casa e o extenso gramado até perder-se de vista.

***


Tá’ legal, vamos analisar os fatos. — Nick levantou-se do carpete do quarto, começando a andar para um lado e para o outro, enquanto ainda permanecia deitada em sua cama, com a cabeça para baixo. — Vamos falar hipoteticamente, certo?
— Certo — concordou com a amiga. — O que você, hipoteticamente, tem em mente?
— Vamos supor que, hipoteticamente falando, Florence Colson realmente estava grávida de Hendrix Coleman, isso quer dizer que eles se envolveram aqui mesmo em Framlingham? Entre as desavenças dela com , ou seja, na mesma semana que eles foram viajar... Se fosse o caso de Hendrix ter ido à casa dela, o Jake provavelmente teria visto e ia te contar, o que quer dizer que já podemos riscar da nossa lista a hipótese que Hendrix frequentasse a casa de Florence... Mas e, se por um acaso, os encontros amorosos acontecessem debaixo do mesmo teto, já que Hendrix e aparentemente moram juntos?
— Temos que pensar hipoteticamente até onde eles conceberam o bebê? — perguntou, achando aquilo extremo demais, prestando atenção apenas na última parte da conversa. — Eles não moram tão juntos assim. Hendrix pula mais de cama em cama do que as prostitutas da cidade.
, foco — Nick pediu, batendo palminhas ao se aproximar da amiga, subindo sua cabeça. — Sabe que isso não é legal de fazer. — Referia-se a ficar de cabeça para baixo.
— Nick, eu não quero pensar hipoteticamente sobre o caso de Florence com Hendrix. Eu quero pensar em como vou manter o meu relacionamento com Jake, não vou conseguir esconder essa gravidez dele.
— Mas vai ser preciso, amiga, ou você quer ver tudo explodindo pelos ares? — Nick perguntou, ao sentar-se ao lado da amiga.
— É sério isso, Nick? — Foi a vez de se indignar — Eu tenho que sacrificar o meu relacionamento com Jake por causa das burradas de Florence?
— Florence é a nossa amiga, . — Nick a lembrou. — Temos que ficar do lado dela, mesmo ela tendo milhões de defeitos.
— Ficaria ao lado de Florence, mesmo sabendo que para isso teria que sacrificar o seu relacionamento perfeito com Landon? — rebateu, fazendo Nick engolir a seco, nada ficaria entre ela e Landon.
...
— Eu não vejo Jake vai fazer uma semana. — pegou o celular, desbloqueando e entregando à amiga. — Olha essas mensagens, o número de ligações, estamos sofrendo por algo que nem nos diz respeito! Não gosto de mentiras, não gosto do que estou fazendo. Me sinto mal, Nick. — abraçou a amiga com força, chorando com saudades do namorado.
Florence tinha chego há pouco tempo à casa de Nicolette. Infelizmente, acabou ouvindo a parte da conversa em que dizia estar sentindo falta do namorado e que aquilo lhe fazia mal.
Foi inevitável Florence não se sentir mal por estar machucando suas amigas, colocou a mão sobre a barriga, decidida no que iria fazer.
— Adeus, bebezinho — Florence murmurou, dando passos para trás ao se afastar da porta do quarto da amiga, andando em passos lentos até a ponta da enorme escada da mansão. Respirou fundo, fechando os olhos ao soltar o corpo escada baixo.
Nick e assustaram-se com o barulho vindo do corredor e, curiosas, não perderam tempo ao saírem do quarto, observando que não tinha nada fora do lugar pelo corredor. A empregada que arrumava e que estava em um dos quartos saiu rapidamente, olhando para a escada e tampando a boca com as mãos ao olhar para as garotas, apontando para baixo.
— Ai meu Deus, não, não, não... — Nick já imaginou o que poderia ter acontecido, puxando pela mão e correndo até a ponta da escada.
— FLORENCE — as garotas gritaram, juntas.

***


Não muito longe da casa de , acelerava sua moto em alta velocidade, acompanhada de Happy pela estrada longe da cidade. Por ser deserta, tinham a tranquilidade necessária para conversarem sobre o clube e manter a discrição.
— Seja sincero, você acredita que tudo vá ficar bem em Charming? — perguntou, ao estar ao lado de Hap com a velocidade mínima.
— Não se preocupe com Charming, Winston, tudo está sob controle — Hap respondeu, da mesma forma que havia respondido Layla antes de saírem.
— Você sabe que pode enganar a minha mãe, mas não a mim, certo? — arqueou a sobrancelha, o olhando. Ele apenas agiu com tranquilidade ao puxar um cigarro do moletom preto que usava por cima do colete do clube, o acendendo sem preocupações.
— Você era bem mais legal quando era mais nova e sua única preocupação era aquele filhinho mimado do prefeito que nunca te dava atenção, lembra? — Hap lembrou-se da primeira paixonite de , que a fazia ser zoada pelos demais membros do clube, até mesmo por Opie.
— Pelo amor de Deus, Hap, aquilo foi uma onda de delírio da minha cabeça — negou, balançando a cabeça. — Ele nem era tão bonito.
— Mas tinha grana e poder por ser o filho do prefeito. Nunca vou me esquecer daquele soco de direita que você deu nele, quebrando aquele nariz horrível. — Soltou a fumaça do cigarro para cima. — Foi épico. — Estendeu o cigarro para a garota.
— A Tara brigou comigo por ter que aguentar a família dele e a imprensa lotando o hospital — relembrou o ocorrido, no qual a mulher de Jax estava de saco cheio de ficar no hospital lotado. Aceitou o cigarro de Hap, o tragando. —Como estão Abel e Thomas?
— Abel está enorme e esperto. Thomas ainda é um lindo bebê, logo Jax irá conhecê-lo — Hap comentou, sorrindo ao lembrar dos garotos do vice presidente . Soltou a fumaça para cima, tossindo um pouco. — Ter essa vida certinha demais deve ser um saco — constatou, assim que a garota devolveu o cigarro.
— Até que estou me divertindo um pouco. — deu de ombros. — Os ventos me disseram que tem outros sons por essa cidade. — Deu aquela pequena alfinetava, na tentativa de tirar informações que precisava.
— A sua diversão foi atirar no Enrico? — Hap perguntou, rindo, ele não era bobo. — Opie nos contou. Já o coloquei pra correr, ele não vai mais te incomodar.
— Cada um se diverte com o que pode — constatou. — Ele te disse alguma coisa?
— Por que você não se diverte como uma garota normal, iludindo um bando de babaca dessa cidade e os deixando aos seus pés?
— Já tenho alguns garotos aos meus pés — vangloriou-se.
— Eu vejo isso como uma ótima diversão. — Hap terminou seu cigarro, jogando pela estrada.
— Para de ser chato e mudar de assunto. Quem são os outros sons que vivem aqui em Framlingham? — tentou novamente arrancar-lhe informações.
Hap olhou pelo retrovisor, onde vinha uma moto em alta velocidade. Estranhou, pedindo com a mão para acelerar junto com ele. Estreitou os olhos ao perceber que o motoqueiro puxava a arma da cintura com um sorriso nos lábios.
Que porra era aquela que estava acontecendo?
, corre! — Hap gritou, e olhou para trás, constatando que estavam sendo seguidos, acelerando sua moto rapidamente, atingindo uma alta velocidade e deixando Hap para trás.
Happy acelerou a moto, porém dando uma distância segura da garota, que voltava à cidade. Observou pelo retrovisor o rapaz se aproximando e não pensou duas vezes em deixar sua arma no jeito para um possível ataque.
— Hey, parceiro — o rapaz disse, ficar lado a lado de Hap. Ele olhou rapidamente, não acreditando em quem era e tirando a mão da arma, surpreso. — Nossa! Olha só o que o vento trouxe para o outro lado do oceano, não?
Happy sorriu ao ir para o acostamento da estrada, sendo acompanhado pela outra moto.
— Achei que você já estivesse morto há anos — Hap comentou, tirando o capacete ao descer da moto. — O que está fazendo aqui?
— Será que estou morto e você está tão chapado a ponto de ver uma assombração? — o rapaz perguntou, abrindo os braços com um sorriso no rosto ao descer da moto para abraçar o velho amigo. — Eu vivo em qualquer canto do mundo, esqueceu?
— Só se eu estivesse tendo um sonho erótico com você no meio da estrada — Hap rebateu, o abraçando com força. — Não sabia que vivia por aqui.
— É bom te ver te novo, parceiro — ele disse, ao soltar Happy, mantendo ainda uma mão em seu ombro.
— Digo o mesmo sobre você Coleman!


Sexto Capítulo

Quando Florence acordou, sentindo uma forte luz atingir seus olhos, ouvindo os murmurinhos vindos por todo o local, já podia imaginar as complicações que estavam por vir. Passou os olhos ao redor do quarto, estranhando ao perceber que se tratava do quarto de Nicolette, não um quarto de hospital, e encontrou a amiga sentada ao pé da cama, acompanhada de um médico que segurava sua maleta e lhe explicava sobre algum remédio.
e Josie estavam em pé, com os braços cruzando, a olhando. Florence tomou um susto ao sentir um leve toque em sua mão, olhando ao seu lado e encontrando-se com seu irmão, Jake, sentado em uma poltrona do quarto.
— Florence — Jake não tinha forças para proferir nenhum sermão à irmã, estava processando todo o acontecimento e sentindo-se aliviado por não ter acontecido nada grave com a queda.
— Jake — Florence sentiu seus olhos arderem por conta das lágrimas. — Me desculpa! F-foi um acidente, me desculpa por ter feito algo tão horrí...
— Acalme-se, Florence — o médico com quem Nick conversava aproximou-se de Florence, tentando lhe acalmar. — Você está bem, não aconteceu nada grave!
— C-como assim? Não aconteceu nada grave comigo? — frisou a última parte, na tentativa de saber que o seu plano em acabar com toda aquela confusão tinha dado certo.
— Está tudo bem com vocês dois. — O médico sanou suas dúvidas. — Tudo ocorreu muito rápido, mas por sorte estava atendendo um paciente de rotina aqui dentro do condomínio e consegui vir o mais rápido que pude.
Florence apenas olhou rápido para todos dentro do quarto antes de olhar para o seu irmão, que segurava sua mão com os olhos cheios de lágrimas, era um momento bem delicado para ambos.
— Acho melhor lhes deixarmos a sós — Nick disse, olhando para as garotas, que concordaram de sair do quarto acompanhadas pelo doutor.
— Jake. — aproximou-se do namorando, abaixando para ficar da sua altura e selando seus lábios em um beijo sem língua. — Eu te amo — murmurou contra os lábios do rapaz, que concordou com a cabeça antes da namorada sair do quarto, o deixando a sós com a sua irmã.
— Como pode? — Jake perguntou, assim que encostou a porta. — Como teve coragem de esconder algo tão sério assim de mim?
— Não queria que soubesse para não correr o risco de contar ao ...
— Mentira — Jake a interrompeu. — Sabe que eu nunca contaria a ele.
— Eu não sei. — Negou a mais velha, retrucando o irmão. — Vai que em algum momento você deixasse escapar...
— Florence, eu sou irmão, sua família. Antes de qualquer amizade e de qualquer pessoa, não posso acreditar que não me contou por conta do . — Jake a interrompeu mais uma vez alterando-se, sentia-se mal em sua própria irmã ter lhe escondido um segredo como aquele.
— Eu sei que errei, só peço que me desculpe — Florence tentava argumentar com o irmão.
— Eu ainda conversei com você naquele dia falando sobre a . Você fez com que eu e a minha namorada nos afastássemos! — Jake continuou jogando na cara da irmã. — Você não podia esconder algo tão sério assim de mim.
Florence começou a chorar, sentindo o corpo todo ainda dolorido por conta da queda.
Jake também chorou, soltando a mão da irmã, afundando seu corpo na poltrona e respirando fundo.

***


As três garotas permaneciam em silêncio, curiosas demais, pensando na situação que os irmãos Colson se encontravam. Quando a campainha tocou, Nick estranhou por não estar esperando ninguém. A empregada logo correu atender a porta, o que fez o sangue de Josie ferver ao encarar quem havia chegado.
Stone e Healy.
Juntos.
— Com licença, Nick — disse e assim que a modelo assentiu, passou para dentro da casa, seguindo em direção a , que a esperava de braços abertos. — , eu vim o mais rápido que eu pude. O que houve? Você estava tão nervosa na ligação.
— Por que você a chamou? — Josie perguntou sem a menor delicadeza. —Nós somos suas amigas.
apenas revirou os olhos, abraçando e ignorando totalmente a presença de Josie. Achava desnecessário todo aquele ódio gratuito por conta de .
— Ela também é minha amiga, Josie — respondeu, sem dar mais explicações por estarem na frente de .
Nick logo percebeu que já sabia de toda a história de Florence, mas não sabiam até que ponto estava por dentro.
, o que faz aqui? — Nick perguntou arqueando a sobrancelha e chamando o rapaz para se juntar as garotas.
— Encontrei com na cidade. Estava com ela quando atendeu e pediu para que viesse correndo para cá. Como ela não sabia onde era, eu acabei lhe acompanhando e ninguém da portaria avisou vocês porque já me conhecem — explicou calmamente, sem se importar com o olhar torto de Josie. — Como a Florence está?
— Bem encrencada — disse, mordendo os lábios e olhando para , que concordou brevemente com a cabeça.
— Mas o que diabos aconteceu com ela? — o rapaz perguntou, então as garotas entenderam na mesma hora que não tinha aberto o jogo contando sobre a gravidez de Florence para o melhor amigo do namorado dela.
— Tropeçou e caiu da escada — Josie disse tranquilamente. — Agora Jake está lá a xingando faz meia hora.
— Credo — disse, ao sentar-se no sofá. — Ela não caiu porque quis, gente, foi um acidente.
— É — Nick concordou com , ainda pensativa com tudo que acontecia. — Foi realmente um acidente. — Sorriu sem graça.
— Relaxa, logo ela vai ficar bem — disse. — Quando ela vir o , vai melhorar rapidinho!
— O quê? — Josie e Nick disseram em uníssono, sem entender o que tinha dito, fazendo e se entreolharem.
— Eu contei a ele o que estava acontecendo quando estacionei o carro. Por sorte, ele já estava pela cidade e logo menos está chegando aqui — comentou, mostrando para Nick a conversa com o melhor amigo.
O estômago de Nick embrulhou-se ao ver a mensagem de dizendo que estava a caminho. Lançou um rápido olhar para as garotas, que entenderam perfeitamente o recado.
Tudo estava perdido.

***


De volta ao quarto, o clima tenso tomava conta dos irmãos Colson. Jake não conseguia aceitar os pedidos de desculpa fajutos da irmã. Não conseguia compreender seus próprios sentimentos, se estava feliz por ter finalmente voltado a falar com ele, se estava assustado pelo fato de que seria tio e não fazia ideia de como trocar uma fralda ou se ficava furioso com Florence por ter escondido e estar mentindo para todos.
— Eu errei, Jake. Eu errei muito feio e te peço desculpas, mas você tem que entender o meu lado. Estou assustada com tudo que vem acontecendo, não sei o que fazer. Não posso simplesmente sair contando para todo mundo o que está acontecendo...
— Florence, esse bebê é do ? Sim ou não? — Jake perguntou sem encarar a irmã, que ficou em silêncio sem saber o que responder. Não queria confessar de jeito nenhum quem era realmente o pai. — Florence...
— Jake, você não vai querer saber realmente a verdade...
— Sim ou não? — ele aumentou o tom de voz agora encarando Florence nos olhos.
— Não — Florence disse engolindo a seco. — Pelos exames e semanas, ele não é do .
— Então de quem é o bebê, Florence? — Jake insistiu ao levantar-se da poltrona ainda encarando a sua irmã, que sustentava o olhar negando com a cabeça.
E antes mesmo que pudesse dizer de quem era, Nick e entraram de volta ao quarto, às pressas, interrompendo a conversa dos irmãos.
— Desculpe interromper a conversa de vocês — Nick pediu desesperada, sorrindo em graça. — Mas estamos com problemas.
— O que aconteceu? — os irmãos disseram juntos, olhando para as garotas.
está vindo pra cá — disse, olhando para Florence.
— Como quer que eu confie em você sendo que contou a que eu caí da escada? — Florence acusou o irmão, lhe tacando um travesseiro. — Seu idiota.
— Não fui eu! — Jake desviou do travesseiro, indo para trás da namorada. — E a única idiota que estou vendo aqui é você, que acabou com a porra da sua vida com um bebê que não é do .
— JAKE — Nick o repreendeu, o fazendo calar a boca e acalmar os ânimos. — Não foi ele, Florence — Nick o defendeu antes que as coisas piorassem.
— Então quem foi? — Florence perguntou, revirando os olhos ao se ajeitar na cama, bufando de raiva e sentindo seu corpo todo doer.
— Fui eu — confessou. — Chamei para ficar comigo e ela acabou trazendo com ela.
e a ? — Jake perguntou, perdido no assunto que envolvia os dois.
— O que diabos você tinha na cabeça pra chamar essa idiota pra cá, ? — Florence perguntou irritada demais com a amiga. — Eu nem gosto dela, pra quê você tinha que ficar contando sobre a minha vida pra essa garota?
— Porque ela é MINHA amiga, Florence. Você fez com que eu mentisse para o meu namorado e pouco se importou com os meus sentimentos. Ela ficou do meu lado me apoiando e conversando comigo quando eu mais precisei, não ficou apenas olhando para o próprio umbigo egoísta! — revoltou-se contra Florence. Jake colocou as mãos sobre os ombros da namorada na intenção de acalmá-la.
, pelo amor de Deus, gente, vamos nos acalmar — Nick implorou agora para amiga, tampando o rosto com as mãos.
— Eu acho que está na hora de você parar de se esconder e arcar com as consequências — Jake completou, terminando de detonar a irmã, que escondia o rosto com as mãos. — Conte a verdade ao , ele precisa saber o que está acontecendo.
— Não, ele não...
— Ele precisa, Florence — Nick concordou com o casal, cruzando os braços. — Chega de mais mentiras, assuma seus erros. Você o traiu, seja lá com quem, e está gravida desse cara.
Josie entrou no quarto, assustando a todos, e jogou-se na cama sem se importar com Florence.
— Se eu tivesse uma arma, eu dava um tiro na cabeça daquela garota sonsa — Josie disse entredentes e nervosa, colocando uma almofada sob o rosto para gritar. — O que tá’ pegando? — perguntou, apoiando seu corpo sob os cotovelos e olhando para os amigos.
— Florence vai contar a verdade a — Nick contou à amiga.
— Não, não, não — Florence disse, levantando-se da cama mesmo com dificuldade. — Eu peço a vocês que me ajudem mais uma única vez, a última vez. Eu prometo por tudo que é mais sagrado. — Juntou as mãos com os olhos cheios de lágrimas, sentindo a angústia crescer em seu coração. — Se eu contar a verdade, vai ser a mais dolorosa e acabará com a vida do . Eu o amo demais para machucá-lo desta forma. Eu sei que errei, vocês sabem que já estou pagando o preço. Me deem mais uma chance que eu aceito aquela proposta da tia Grace e ninguém mais sai ferido nessa história.
Nick olhou para Josie e sem saber o que fazer. Ajudariam a amiga em mais uma de suas mentiras?
Jake apenas arqueou a sobrancelha sem entender o que isso significaria.
— Qual foi a proposta da Grace? — Jake perguntou temendo a resposta.
— Ela vai falar com os nossos pais — Florence começou a explicar com a voz embargada pelo choro. — Vai contar que terminei de vez o meu relacionamento com , algo que na minha opinião vai deixá-los felizes, vai dizer a eles que quer me ajudar a recomeçar a minha vida em Red Logde e que já tem até um bom emprego para me indicar.
— Florence... — Jake sentiu sua cabeça latejar, sabia que a tia não era uma pessoa das mais confiáveis do mundo. Um passo em falso e tudo iria pelos ares.
— É a melhor opção por agora — Nick comentou. — Não vejo outra saída melhor do que essa.
— Mas e o bebê? Você não está pensando em... — Jake não conseguia nem cogitar aquela hipótese.
— Não — Florence negou antes mesmo que ele terminasse. — Mas podemos escondê-lo, falar que é da Grace e por isso eu fui morar com ela, para ajudá-la. Podemos dar um jeito, Jake.
Jake respirou fundo, passando as mãos pelos cabelos, os puxando com certa força sem saber o que fazer. A única opção viável no momento seria mandar a sua irmã para longe, porque, além de , tinham que lidar com seus pais, que quando descobrissem essa gravidez, fariam dos seus dias os piores possíveis.

***


Quando a campainha tocou anunciando a chegada de , a empregada no andar de baixo correu para abrir a porta para que o rapaz, acompanhado de Landon, pudesse entrar. e , que esperavam sentados no sofá, se levantaram rapidamente para cumprimentá-los.
— Vocês dois... Juntos? — Landon não aguentou não perguntar após cumprimentar com um breve beijo no rosto.
e apenas se entreolharam antes de negar.
— Vou subir. Landon, você vem? — disse demonstrando nervosismo e preocupação com sua namorada.
Landon assentiu e acompanhou o amigo para o andar de cima, o guiando até o quarto da namorada. Bateu brevemente na porta, sendo recebido por Nick de braços abertos, o puxando para dentro do quarto em um abraço, dando passagem para , que varreu o quarto com os olhos, percebendo que Jake e estavam juntos e Josie também. Olhou para a cama, vendo Florence deitada com o rosto vermelho. Conhecendo bem a namorada, sabia que ela deveria estar chorando por conta do susto que passou.
Parou ao lado da cama, olhando os demais para que entendessem o recado de que ele queria ficar a sós com Florence. Logo em seguida, todos deixaram o quarto rapidamente.
sentou-se na beirada da cama, olhando para a namorada, que evitava olhá-lo nos olhos, fungando baixinho e abraçando o próprio corpo.
— Florence... O que houve? — perguntou, mantendo a calma e olhando para a mulher em sua frente.
— Tropecei e caí escada abaixo. — Limitou-se a mais detalhes, sendo direta.
— Tem que tomar cuidado — repreendeu-a. — Podia ter realmente se machucado. — Florence então olhou para , sem entender o motivo da sua preocupação e não precisou dizer isso em palavras para o rapaz saber o que se passava na mente dela. — Eu me importo com você — declarou. — Quando me contou, larguei tudo que estava fazendo e vim o mais rápido que pude.

***


No andar de baixo, e estavam sentados, um ao lado do outro, no sofá, brigando pelo último cookie que a empregada havia servido a eles para esperarem por seus amigos. estava fazendo cócegas em , que acabou deitando o seu corpo para o lado, esticando o braço longe do corpo com o cookie, não perdeu tempo ao ficar por cima do corpo da garota, na tentativa de pegar o doce enquanto ambos riram sem parar.
Mas antes mesmo que a brincadeira pudesse acabar, o grupo de amigos voltou para a sala, presenciando tudo. Nick olhou para Landon, que limpou a garganta chamando a atenção dos dois, que pararam de imediato, sentando-se normalmente no sofá e colocou o cookie de volta na bandeja.
— Desculpa, Nicolette — pediu sem graça, olhando para a dona da casa.
— Nós estávamos apenas brincando — foi a vez de justificar-se ao se levantar do sofá. — Cadê o ?
— Com a Florence — Jake respondeu, andando até a porta. — Fumar? Quem vem?
Sem pestanejar, os dois rapazes aceitaram de prontidão, deixando apenas as garotas a sós na sala. juntou-se a no sofá e Josie sentou-se em uma poltrona enquanto Nick continuava apreensiva em pé.

***


— Agradeço a preocupação, mas eu estou bem, não foi nada demais. — Florence sorriu sem mostrar os dentes, desviando o olhar para outro ponto qualquer do quarto de Nick. — Peço desculpas por perder seu tempo.
— Florence... Não me trate dessa maneira, por favor. Sei que você está magoada comigo e por este motivo estamos separados, mas vi isso como uma oportunidade de conversarmos — disse decidido.
, eu...
— Eu primeiro, por favor — ele pediu respirando fundo e Florence se calou sentindo seu coração bater mais rápido. — Sei que te devo algumas respostas e estou disposto a responder todas as suas perguntas com a maior clareza possível. Tudo que você quiser saber, mesmo que me doa e seja para o nosso próprio bem, eu direi a você.
Florence olhou assustada para , que lhe lançou um meio sorriso antes de tomar a liberdade para passar a mão sob sua coxa e chegar até sua mão, que segurou, puxando para perto do seu corpo. Ela observou o contato, sentindo o seu corpo arrepiar-se até ele entrelaçar os dedos olhando para Florence e esperando suas perguntas.
— Tudo que eu quiser saber? — Florence perguntou em baixo tom.
— Tudo, seja lá o que for — confirmou, fazendo carinho na mão da namorada.
— Não sei, . Não sei se faz mais sentido. Nós — Florence começou a dizer — talvez estejamos fazendo mais mal do que bem um para o outro. Estou cansada de tantas falhas tentativas. Nosso relacionamento está desgastado.
— Podemos dar um jeito nisso. — a interrompeu, dizendo: — Eu sei que podemos passar por cima de tudo o que já nos ocorreu e continuarmos juntos.
, não é bem assim...
— Florence Colson, você foi a melhor pessoa que entrou na minha vida. Sei que tenho sido desleixado me preocupando demais com qualquer outra coisa menos o nosso relacionamento, mas eu quero mudar isso. É você, sempre foi você, a única que quero em minha vida.
— Cansei de ser machucada — disse em um fio de voz, desviando o olhar para suas mãos que agora segurava firme.
— Prometo que nunca mais isso vai acontecer — murmurou, beijando as mãos de Florence. — Fica comigo. Uma última chance.
Florence apenas ficou em silêncio, não conseguia responder o rapaz. O seu coração estava devastado com tais palavras, mas não parecia convencido a jogar a toalha.
— Te peço só mais uma chance. Vamos para o castelo, a gente chama todos os nossos amigos, passamos o final de semana todo por lá e enquanto isso você pensa no que vai ser melhor para nós.
Naquele momento, Florence estava perdida. Queria sair correndo gritando pelos corredores atrás do seu irmão e das suas amigas. Como poderia fazer isso com ela sendo que estava prestes a terminar?
Rapidamente, tomou uma decisão, encarando o rapaz mais uma vez.
— Eu quero saber sobre o seu passado.

***


estava sentada em sua moto, conversando com e Jake sobre tudo que estava acontecendo e sendo muito bem observada por e Landon fascinados com aquela moto. Nick estava ao lado de Josie, que a qualquer momento poderia botar fogo em , e esta não parecia ligar muito para o seu showzinho de ciúmes sendo que havia deixado claro que não havia nada entre eles.
— Ele vai sair tão arrasado — murmurou, abraçando o namorado.
— Vai ser melhor para ele — Jake comentou, beijando a testa da namorada.
— Concordo com o Jake — disse ao suspirar. — Desde que cheguei aqui, não presenciei um dia de paz na vida desse por conta da Florence. Acredito que o término será melhor para os dois.
— Do que estão falando? — perguntou ao se aproximar, encostando-se à moto de e ela rapidamente o empurrou. — Ih, qual é?
— Se quer encostar em alguma coisa, vá encostar no seu carro, mané — disse com cara de poucos amigos. piscou para a garota, que fingiu não ter visto.
— Só estamos nos questionando sobre o relacionamento da minha irmã — Jake respondeu, dando de ombros. — Acho que não passa de hoje não. — concluiu seu pensamento.
— Na minha opinião, eles já devem estar transando. — Landon aproximou-se, abraçando Nick por trás e colocando a cabeça na curva do seu pescoço.
— Transando na nossa cama? — Nick fez uma careta, fazendo todos rirem. —Eu vou matar a Florence se isso estiver acontecendo. — Riu sem humor, fazendo os demais concordarem com o dubio sentido.
Mas o que ninguém imaginava era ver e Florence aparecendo na porta da casa de Nick, de mãos dadas, andando devagar por conta de Florence ainda estar dolorida e ter um sorriso nos lábios de orelha a orelha.
— Algo de errado não está certo — disse ao virar-se para ver o casal que parecia ter reatado o namoro.
— Mas que porra é essa? — Jake perguntou, arqueando a sobrancelha. — Florence, você não podia estar de pé — repreendeu a irmã, soltando-se de e indo até ela.
— Calminha aí, amigão. Ela vai voltar pra cama — disse, olhando para Florence —, mas vai ser para a minha cama — frisou bem, beijando o rosto da namorada.
— Como é? — Nick perguntou sem entender, soltando-se de Landon para aproximar-se da amiga que agora sorria nervosamente com o rumo que tinha tomado.
— E-eu eu... — Florence limpou a garganta — Eu e o reatamos o nosso namoro — confirmou as suspeitas de todos. — E ele tem uma ótima ideia para todos nós.
— O que acham de passarmos um final de semana no castelo? — costumava chamar sua casa afastada da cidade de castelo, por ser um lugar todo rochoso e rústico. Sentia que era uma ótima ideia aproximar seus amigos novamente, reatando seu namoro com Florence. — Todos nós, todos juntos.
— Bom, obviamente que eu topo. — foi o primeiro a concordar com o amigo, fazendo-o rir.
Mas o silêncio dos demais fez estranhar a reação e Florence conseguia sentir a emboscada maior em que tinha acabado se enfiar, prolongando a sua mentira e fazendo todos participarem juntos.
— O que vocês me dizem? — perguntou novamente. — Landon? — chamou o rapaz, que terminava o seu cigarro, o jogando na calçada.
— Oi? Há... Claro, por que não? — disse sorrindo e olhando para Nick. — Vai ser bom um final de semana longe da cidade para espairecer, não é mesmo, amor?
Nick, que encarava fixamente Florence, que abaixou a cabeça, forçou um sorriso, dando às costas e indo em direção ao namorado.
— É claro, vida. Eu topo! — respondeu, selando os lábios com o do namorado.
— Jake e ? — perguntou, olhando para Jake em sua frente e , que estava encostada no carro de , com os braços cruzados, de frente para .
— Eu só vou se a puder ir também — disse, fazendo Josie bufar ao sentar-se no meio fio. Florence revirou os olhos discretamente, forçando um sorriso para .
— Por mim, ela será muito bem-vinda — respondeu, olhando para a garota em cima daquela bela moto que apenas concordou com a cabeça sem dizer uma palavra. — Jake?
— Eu vou para qualquer lugar com a minha namorada — Jake disse, antes de dar as costas para a irmã, seguindo em direção à namorada.
— Bom, nosso querido Adam não tem direito à escolha. Nós vamos buscá-lo no colégio e ele vai — Landon comentou. — Mas ainda falta uma pessoa confirmar se vai ou não.
Então todos os olhares se voltaram a Josie, que estava sentada no meio fio. Ela virou o seu corpo para trás, olhando para Florence, que dizia sem emitir nenhum som “por favor”, dando-se por vencida e respirando fundo.
— É claro que eu vou — Josie respondeu, soltando um meio sorriso, fazendo todos comemorarem.
— Ótimo, irei ligar para Hendrix para avisá-lo. — pegou o celular dentro do bolso da calça, segurando a cintura da namorada com a mão livre, mas a mulher estava estática, sentindo um arrepio percorrer todo o seu corpo. — O que foi?
— N-não sabia que Hendrix tinha voltado de viagem — Florence disse engolindo seco, tentando não demostrar o seu nervosismo. — E-ele voltou faz tempo?
— Ele resolveu fazer surpresa. — revirou os olhos.
— Chegou no começo da semana — respondeu a sua pergunta.
— Quase enfiei uma faca de cozinha no abdômen dele quando me assustou. — Riu sem humor, a ajudando a andar até o carro sendo observada pelos demais.
— Então é hoje que eu irei conhecer o famoso Hendrix? — disse, olhando para . — Ouvi muita gente comentando sobre ele durante essa semana.
O homem achou estranho a pergunta da novata, mas deu de ombros.
— Não sei qual é a fama dele por aí — mentiu, ele sabia da fama do amigo pela cidade —, mas não acho que ele seja um rapaz que você se empolgue muito em conhecer.
— Sem contar que ele é bem mais velho que você — foi a vez de opinar desconfortável com todo aquele interesse de em Hendrix.
Nick e se entreolharam cúmplices, entendendo o plano de .
— Ciúmes do seu maridinho? — Nick zombou .
— Segura a emoção, Healy — foi a vez de pedir a .
atravessou a rua, ajudando Florence a entrar no carro e antes de entrar no banco do motorista despediu-se dos demais.
— Hendrix estará à noite para você o conhecer, Stone — disse a .
— Mal posso esperar por isso. — colocou o capacete sobre a cabeça, despediu-se dos amigos rapidamente, pedindo para que lhe mandasse a localização da casa de por mensagem, e arrancou com a sua moto na frente do carro de , que ficou impressionado com a garota.
apenas engoliu a seco, indo para o seu carro e oferecendo carona aos demais, que aceitaram de imediato.
— Josie, você vem? — perguntou, antes de entrar no carro e ela não disse nada, marchando para dentro da casa de Nick, que apenas sorriu sem graça entendendo os motivos da amiga estar tão revoltada.
Florence, dentro do carro, sentia o seu coração a milhão ao saber que iria passar o final de semana embaixo do mesmo teto do que Hendrix.
Aquilo era pior que qualquer um dos seus pesadelos.
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Sétimo Capítulo

— Eu posso saber que porra é essa aqui? — acabou com a festa ao entrar pela porta da casa com Florence nos braços. Ambos pretendiam ter um momento a sós antes de seus amigos chegarem.
Hendrix estava ocupado demais para se importar com a chegada de , tentando livrar-se do sutiã da mulher com quem estava em quentes amassos, por cima do seu corpo, fazendo seu membro pulsar dentro das calças com todo aquele atrito e tesão no ar. Quando ouviu a voz do rapaz, parou de imediato o que estava fazendo, sentando-se ainda com a mulher sobre o seu colo. Esta, por sua vez, pegou a sua blusa no chão, vestindo-a ao sentar-se ao lado de Hendrix no sofá.
— Você disse que eu poderia dar uma festa — Hendrix defendeu-se, levantando as mãos como se não tivesse culpa, pegando sua cerveja na mesa em sua frente.
colocou Florence no chão, a segurando pela cintura na intenção de ajudá-la a andar. Passou seus olhos por toda a extensão da sala à cozinha, onde encontrou dois indivíduos conversando despreocupadamente, era um rapaz careca e uma outra mulher com estilo de roupa bem parecido com a mulher de Hendrix. Porém, o que lhe chamou a atenção não foi o fato dele ser um desconhecido na sua cozinha, mas o fato dele ser um son e usar um colete do moto clube.
Quando Hap aceitou o convite do velho amigo Hendrix, algo em sua intuição que nunca falha disse que teria algo sujo escondido por trás do seu amigo nômade que poderia trazer problemas ao disfarce da família Winston.
— Não foi esse o nosso combinado — negou, lançando um olhar mortal a Hendrix, que revirou os olhos, entendendo o motivo de toda aquela revolta. — Dê um jeito nos seus amigos e limpe essa bagunça. Logo os meus amigos chegarão aqui.
Florence não perdeu a oportunidade de encarar a mulher com quem Hendrix se atracava minutos atrás, a fuzilando com um olhar de brava e ameaçando pular em seu pescoço a qualquer momento. Ela bebia sua cerveja despreocupadamente, como se esperasse algo surpreendente acontecer.
— São meus amigos — Hendrix alegou. — Vão passar a noite conosco. Ajudaram a comprar bebida e comida.
— Florence, meu amor, você poderia ir para cima enquanto converso com Hendrix? — virou-se para a namorada, que ainda extasiada com tudo apenas balançou a cabeça, seguindo para as escadas bem devagar para ver se conseguiria ouvir a conversa.
Mas foi mais esperto, chamando Hendrix com o olhar para que lhe seguisse, passando pela cozinha onde Hap percebeu a movimentação, atentamente observando os rapazes irem aos fundos. não pensou duas vezes antes de grudar o rapaz pela camiseta, encostando-o na parede.
— Qual é o seu problema, cara? — Hendrix perguntou ao segurar pelos ombros para afastá-lo.
— Por que tem a porra de um membro do clube na minha cozinha? — perguntou entre dentes.
— É um amigo — Hendrix respondeu com dificuldade, tentando se livrar do amigo. — O encontrei na estrada quando saí mais cedo. Ele vai embora amanhã do país.
— Da onde ele é? — perguntou.
— Dos Estados Unidos. Faz anos que não o vejo e achei que seria uma boa ideia trazê-lo para tomar uma cerveja e conversamos. — Deu de ombros. — Tem que parar de ficar me agarrando assim, sua namorada pode ficar com ciúmes
— Uma boa ideia, Hendrix? — o apertou mais ainda contra a parede.
Cansado da briga das crianças, Hap pediu licença para a morena com quem conversava sobre bebidas, andando até os fundos.
— Algum problema com a minha presença por aqui? — olhou para Hap, que bebia sua cerveja tranquilamente, soltando Hendrix e se afastando ao passar a mão pelos cabelos. — Bem que você avisou que o seu amigo é do tipo explosivo — comentou, olhando para .
— Ele não é o fã número um do nosso clube, sabe? — Hendrix disse, arrumando sua roupa.
— Devo querer saber o motivo de tanta revolta ou apenas ignoro? — Hap perguntou, cruzando os braços ao lançar um olhar desafiador a , ele saberia o que tinha por trás daquele rapaz de qualquer jeito.
sustentou o olhar sem saber exatamente o que aquele son dos Estados Unidos poderia saber sobre ele.
— Ignore — respondeu antes de Hendrix. — E se quer continuar dentro dessa casa, tire esse colete. Meus amigos não sabem de nada e prefiro que continue assim.
— Então seus amigos não podem saber algo que eu saberei em breve — Hap constatou.
— Por qual motivo você iria querer saber? — o questionou.
— Curiosidade? — Hap deu de ombros. — É, eu bem sou curioso.
— Sabe o que acontece com curiosos? — o ameaçou, fazendo Hendrix arregalar os olhos com tamanha audácia do seu amigo.
— Sei, porque normalmente sou eu quem faço esse trabalhinho sujo. — Hap aproximou-se de o suficiente para ameaçá-lo em baixo tom de voz.
— O que vocês acham de deixar esse assunto para uma outra hora? — Hendrix interveio após sentir o clima tenso. — Não queremos nenhuma confusão por aqui, não é mesmo?
— O colete — disse ainda encarando Happy.
— Certo, chefe, como quiser. — Happy livrou-se do seu colete rapidamente, ficando apenas com uma camiseta branca escrita “SAMCRO”. — Podemos continuar a nossa noite agora?
não disse mais nada, seguindo para dentro da casa e balançando a cabeça. Odiava ser contrariado, porém deixaria passar dessa vez. Precisava dar atenção para alguém mais importante no momento.
Florence.

***


Ao terminar a mochila com as roupas necessárias para o final de semana, colocou dentro da última gaveta da mesa de estudos a sua pequena arma junto ao celular pré-pago que andava consigo. Não podia levantar suspeitas de nada.
Encarou por alguns segundos a foto em família em frente a Teller Morrow, onde seus pais davam um beijo enquanto ela segurava o seu irmão nos braços de maneira desajeitada. Era uma foto antiga, da época em que tudo era mais fácil.
Suspirou fundo ao pegar a mochila, jogando-a pelo ombro e descendo as escadas para falar com sua mãe, que assistia a um filme qualquer na sala.
— Tem certeza de que não tem problema eu dormir fora esse final de semana? — perguntou pela milésima vez à sua mãe, que parecia não se importar com a sua saída, fazendo as unhas despreocupadamente enquanto seu irmão mais novo dormia no sofá.
— Já disse que não, . Kyle e eu ficaremos bem — Layla tranquilizou a filha. — Podemos nos virar sozinhos por um fim de semana.
— Tem certeza? — mordeu os lábios, incerta.
— Tenho. Quero que você viva sua vida sem ter medo de que possa acontecer algo conosco. Estamos seguros aqui na Inglaterra e Happy está pela cidade.
lembrou-se da pequena fuga que aconteceu na estrada enquanto andava de moto com o membro do clube. Estava preocupada com o que poderia ter acontecido mesmo conhecendo o rapaz tão bem e sabendo que ele poderia ter dado conta do recado.
Mas até agora ele não tinha aparecido. Será que ele já tinha ido embora do país sem ao menos se despedir?
— Tudo bem. — se aproximou da mãe, beijando o seu rosto e lhe dando um meio abraço. Repetiu o mesmo ato com o irmão, que, ao sentir o abraço, acordou sorrindo para a irmã antes de virar para o outro lado e continuar dormindo. — Eu já vou indo. Qualquer coisa é só me ligar.
— Tchau, . — Layla riu com toda a preocupação da filha, a mandando logo embora. — Divirta-se.
fechou a porta, olhando para a casa ao lado, onde saía de mãos dadas com o namorado, Jake, e andando em direção ao carro de .
estava encostado em seu carro, uma grande SUV, fumando seu cigarro enquanto esperava pelos amigos. Seus cabelos estavam desajeitados com sua franja caindo ao rosto, seus lábios eram bem vermelhos e seu estilo o tornava totalmente atraente aos olhos de .
— Quer uma carona? — ofereceu de forma simpática ao encarar .
— Vou pilotando, negou ao montar em sua moto, colocando o capacete em sua cabeça à espera de que a guiasse pelo caminho.
— Fecha a boca, Healy — Jake disse, dando um tapinha no ombro do amigo e andando até o outro lado do carro para entrar no banco do passageiro, fazendo rir de sua moto.
— Engraçadinho. — entrou no carro assim que terminou de colocar suas coisas no porta-malas, entrando no banco de trás, do lado de Jake. Deu a partida, saindo na frente de , que piscou para ele antes de arrancar com a moto o seguindo. — Essa garota me deixa louco — comentou, a olhando pelo retrovisor.
— É sério que vocês ainda não ficaram? — Jake perguntou rindo.
— É sério — negou cabisbaixo. — Ela não me dá um atenção e agora veio com esse papo de querer conhecer o Hendrix. O que ela quer com esse cara?
— Não se garante, ? — perguntou em um tom provocativo, mesmo sabendo as intenções de sua amiga.
— Estamos falando do Hendrix, a lembrou. — Ele consegue qualquer mulher que ele quiser. — Revirou os olhos, lembrando de várias garotas que já perdeu para o amigo em meio às viagens.
— Acha que entre o Hendrix e a pode rolar algo, amor? — Jake perguntou à namorada.
sabia que o único interesse de em Hendrix seria para provocar alguma reação em Florence e ajudar as amigas a descobrir se era ele o pai do bebê, mas estava por fora desse assunto, o que complicava a situação.
— Eu acho que, se ela der atenção para o Hendrix, vai ser para provocar o — mentiu, mordendo os lábios. — Ela já me perguntou algumas vezes sobre você, mas a Josie dificulta as coisas e ela prefere fazer amizades a uma noite de sexo.
— Não quero apenas uma noite de sexo — disse, olhando pelo retrovisor.
— Verdade. Você não quer uma, você quer várias — Jake zombou rindo.
— É a meta. — entrou na brincadeira. — Puts, esqueci de entrar aqui, vou ter que fazer a volta... — Deu com a seta, olhando para os lados.
— Por que vai ter que fazer a volta? — perguntou estranhando.
— Temos que buscar o Adam, esqueceu? — perguntou.
— Relaxa! A Josie me mandou mensagem dizendo que a Nick a deixou em casa para pegar troca de roupa. O pai dela acabou liberando o carro e ela vai levar o Adam para não ir sozinha.
— Bem que a Josie poderia ter algo com o Adam — Jake ponderou. — Pelo menos ela saía do seu pé.

***


Josie buzinou em frente à casa de Adam e ele abriu a porta da garagem. A garota estranhou, arqueando a sobrancelha até o portão subir por inteiro, o revelando apenas enrolando na toalha, esperando com que ela entrasse.
— O que você está fazendo de toalha, Booth? — perguntou, ligando o carro e subindo para dentro da garagem.
— Cheguei do colégio há pouco tempo. Estava dando aula de reforço — Adam explicou, fechando o portão novamente. — Aproveitei que não tem ninguém em casa para tomar um banho rápido e fazer um lanche. Não sabia que você chegaria tão rápido...
— Você está sozinho em casa? — Josie perguntou, olhando pelo retrovisor o portão fechado e livrou-se do cinto de segurança rapidamente ao descer do carro.
— Estou. Meu pai só chega de noite e, aparentemente, a mulher dele e as filhas estão fazendo compras — Adam respondeu despreocupadamente, esperando-a descer do carro e voltando para dentro de casa, mas acabou sendo puxado por Josie pelo braço.
Saber que Adam estava sozinho era o gatilho que Josie precisava para fazer o que tinha em mente.
Agarrou o rapaz, lhe beijando rapidamente. Adam teve tempo para deixar o controle do portão sob a bancada bagunçada enquanto Josie o guiava em direção ao carro, o encostando na lateral da frente.
Não perdeu tempo em livrar-se da toalha branca enrolada na cintura de Adam, observando o seu corpo bem esculpido e sorrindo maliciosamente ao se lembrar que somente ela tinha o privilégio de ter aquela vista, pois as demais garotas o achavam um nerd nada atraente.
Nunca se julga um livro pela capa.
Desceu sua mão, que estava na nuca do rapaz, passando suas unhas lentamente por toda a extensão do seu corpo enquanto ia abaixando até chegar à altura do membro do rapaz, que estava avermelhado, então passou por sua cabeça que o espertinho estava se depilando antes que ela chegasse. O membro já rígido em sua frente era tão atrativo que lhe dava água na boca. Olhou mais uma vez para Adam, que mordia os lábios, esperando pelo contato da garota.
Josie agarrou o membro com a mão e sem mais delongas o colocou na boca, o molhando para que pudesse fazer rápidos movimentos com a mão de vai e vem enquanto mamava a cabeça do pau, lhe lançando um olhar provocante que o fez agarrá-la pelos cabelos, ajudando-a com os movimentos.
Antes que pudesse fazê-lo gozar, Adam puxou Josie para beijar seus lábios enquanto subia a camisa preta que a garota usava, revelando seu sutiã de renda da mesma cor. Desceu seus lábios de encontro aos seios, dando leves mordiscadas até conseguir abrir o fecho na parte detrás, os livrando da peça.
Inverteu as posições, prensando Josie entre seu corpo e o carro, fazendo-a deitar sobre o capô e chupando seus seios com vontade. Josie sentia o prazer percorrer seu corpo e quando Adam levou suas mãos para sua calça, não queria mais perder tempo, o ajudando a se livrar das últimas peças rapidamente.
— Sem enrolações, não temos tempo — Josie o lembrou, na tentativa de que ele a penetrasse logo.
Adam apenas soltou uma risada baixa, indo de encontro com a intimidade de Josie, onde começou movimentos com a língua, a penetrando com dois dedos em um sexo oral que a garota admitia ser muito melhor que o de . Odiava lembrar do rapaz que partia seu coração em um momento como aquele e expulsou qualquer pensamento ao implorar mais uma vez para que Adam fosse rápido.
Afinal, ainda podiam ser pegos no flagra pela madrasta de Adam.
— Adam — Josie disse, entre um gemido e outro. — Por favor — implorou.
— O quê? — Adam perguntou ao se afastar do corpo da garota, o comtemplando por alguns segundos. Ela estava totalmente entregue a ele.
— Me fode — pediu, levantando-se do capô e beijando os lábios de Adam com urgência, mas ele os separou, a virando de costas e segurando em seus cabelos com força, a penetrando sem mais delongas.
Josie sentia um misto de sensações. O seu corpo quente com o carro gelado fazia uma combinação perfeita. As estocadas sem dó e os tapas que ecoavam pela garagem, junto aos gemidos de ambos. Adam a puxou pelos cabelos, a fazendo arranhar o próprio carro como gostaria de fazer com as costas do rapaz.
Quando sentiu suas pernas bambearem e os dedos de Adam apertarem mais ainda sua cintura, sabia que eles estavam bem próximos a um orgasmo.
— Com mais força, porra — Josie gritou e foi muito bem respondida com mais um tapa, que estralou em sua bunda com os movimentos mais rápidos.
O gemido de Adam anunciou que ele havia gozado, retirando seu membro de dentro de Josie, a virando sem dar-lhe tempo para raciocinar e beijando seus lábios ao levar a sua mão a penetrá-la com os dedos enquanto seu dedão tratava de fazer movimentos circulares para estimular o clitóris da mulher. Levou sua boca ao bico do seu seio, mordiscando de leve, a ouvindo gemer sem parar até finalmente ela gozar, sentindo o líquido escorrer pelos seus dedos.
Levou-os à boca, lambendo e sendo observado por Josie, ainda extasiada com a sua última performance.
Não podia negar que a cada vez que transavam tudo se intensificava.
— Caralho — ela murmurou, antes de se abaixar, recolhendo suas roupas pelo chão da garagem.
— Vem, vamos tomar mais um banho. — Adam a puxou pela cintura para dentro da casa.
Adam pegou a toalha, enrolando novamente em sua cintura. Josie apenas colocou a camisa preta que tinha em mãos para cobrir seu corpo e ir até o banheiro. Ela estava prestes a subir as escadas na frente de Adam, quando ouviu o barulho da porta.
— O que está acontecendo aqui? — a voz feminina atrás de si anunciava que a madrasta de Adam havia chegado. Josie engoliu a seco, puxando a sua camisa para baixo na intenção de cobrir seu corpo ao virar-se, dando de cara com a mulher e as duas irmãs gêmeas de Adam. Ele entrou na frente da garota, tampando o seu corpo.
Adam e Josie estavam realmente fodidos.

***


Nick cumprimentou , subindo as escadas com a mochila em mãos, que continua suas roupas e as do namorado para o fim de semana. Colocou-a no quarto de hóspedes livre, onde costumava a dormir com Landon, seguindo para o quarto de e Florence.
Passou pela porta entreaberta, encontrando a amiga secando os cabelos no banheiro da suíte e se aproximou silenciosamente, fazendo a amiga dar um berro assustada.
— Quer me matar do c-coração, Nicolette York? — Florence disse com a mão sobre o peito.
— Bem que você mereceu esse susto — rebateu, lembrando do susto da escada horas atrás. — Você pode me explicar o que está fazendo?
— No momento? Secando os meus cabelos. Eu e acabamos de sair de um banho maravilhoso, com direito a um sexo gostoso por termos reatado — Florence disse com um sorriso sapeca nos lábios, observando a amiga pelo espelho.
— Eu não acredito nisso. — Nick cruzou os braços, negando com a cabeça. — Florence, era pra você ter terminado com ele, não estar aqui reatando seu namoro como se nada estivesse acontecendo.
— Eu sei, Nick...
— Florence, você está gravida! — Nick relembrou e Florence puxou a amiga pelo braço para dentro do banheiro, batendo a porta com força.
— Você não precisa ficar me lembrando disso toda hora. Eu sei muito bem o que estou fazendo, Nicolette — Florence disse em um tom bravo com a amiga. — Ele me pediu uma chance. Pediu para que viesse para cá para que no início da semana eu lhe desse uma resposta se poderíamos voltar ou se estaria tudo terminado entre nós. Eu achei essa a melhor opção.
— A melhor opção somente para você — Nick disse entredentes.
— Quero deixá-lo só com uma boa lembrança dos nossos últimos momentos juntos — Florence concluiu, soltando o braço da amiga. — Então, por favor, não estrague tudo.
— Para de fingir que está fazendo algo bom por enquanto só está lhe usando para fugir temporariamente dos seus problemas. — Nick puxou o seu braço, empurrando Florence para poder abrir a porta, saindo do banheiro e andando para o quarto. — Aliás — virou-se antes de sair —, já contou a novidade a Hendrix?
Florence sentiu o chão embaixo de si sumir por alguns instantes, piscando rapidamente ao engolir a seco. Nick estava apenas blefando, não sabia de fato quem era o pai do seu bebê.
— O que você está querendo dizer? — questionou a modelo, que apenas sorriu cinicamente.
— Exatamente isso que você está pensando — rebateu rapidamente.
— Se está jogando um verde para saber se é ele, pode riscá-lo da sua lista. — Voltou a sua atenção para a escova e o secador em cima da pia para voltar a secar os cabelos.
— Isso é o que nós vamos ver — Nick disse, antes de sair do quarto batendo a porta.

***


— Tem espaço para todo mundo? — perguntou, olhando para a incrível casa de e , surpreendendo-se com tanta beleza.
Era uma casa rústica de madeira e pedras. Os amigos não exageravam quando chamavam o lugar de castelo. Os enormes muros ao redor da construção faziam jus ao apelido, sem contar o campo aos fundos, que era de se perder de vista.
— Bom, Nick e Landon dormem no quarto de hóspedes — disse ao ajudar Jake a descer alguns engradados de cerveja do porta-malas. — e Jake, quando não estão com o fogo queimando, dormem no meu quarto, ou se não no quarto vago.
— Posso ficar nesse quarto vago? — perguntou arqueando a sobrancelha.
— No momento, o quarto vago está ocupado com o Hendrix, que chegou de viagem — respondeu com um sorriso nos lábios.
— Mas não esquenta, — Jake disse. — Eu e a vamos ficar aqui na sala no andar de baixo e você pode ficar muito bem acomodada no quarto do . A cama dele é bem grande e confortável, não é mesmo, amor?
— Vocês transaram na minha cama? — perguntou ao abrir a porta da casa. — As damas na frente. — Deu preferência para que e passassem.
— Da última vez que viemos aqui, uma rapidinha. Você estava bêbado jogado na grama — comentou. — E ele só está sendo cavalheiro porque você está aqui. Normalmente, ele deixaria a porta bater na minha cara.
— Ele acha que pode me ganhar fingindo ser um bom moço — discordou ao passar para dentro da casa, observando a enorme sala que tinha seus móveis todos planejados em torno das partes rochosas, como a televisão que estava em um espaço perfeito entre a estante rochosa. Havia uma lareira na sala com alguns carrinhos de colecionador de enfeite e a janela toda amadeirada com um sofá cheio de almofadas dava a ela vontade de se aconchegar para dormir ali mesmo de tão gostoso que deveria ser. O sofá era grande e todo preto, parecia ser uma pedida para se jogar nele se não tivesse uma mulher quase semi nua deitada, acompanhada de outra mulher. O olhar de terminou sua viagem pela sala, chegando à poltrona onde seu coração gelou ao perceber a presença de uma figura muito conhecida.
Engoliu a seco ao ver Hap sentado com uma garrafa de cerveja em mãos, passando para a cozinha rapidamente, atrás de , sem encará-lo muito.
Ao entrar na cozinha, deu de cara com e Landon bebendo encostados a um balcão no centro do cômodo. Também seguindo a linha da sala, era em mármore, cheia de detalhes e ambos comiam alguns petiscos e bebiam cervejas.
— Achei que não fossem chegar nunca — comentou, dando um leve abraço em e bagunçando os seus cabelos antes que ele pudesse seguir até a geladeira para abastecê-la.
estava tensa desde o momento que avistou um membro do clube do seu pai na casa de um dos amigos de . Se ele estava ali, significava que Enrico estava certo e que havia mais sons pela cidade. Mas agora quem poderia ser? ? ou...
, já que você ouviu falar tão bem do Hendrix pelas ruas da cidade, acho que já está na hora de conhecê-lo... — Landon a puxou pela mão, seguindo para a porta dos fundos, mas segurou a amiga pela outra mão livre.
— Acho que a quer primeiro deixar a mochila dela lá em cima comigo e ir ao banheiro, Landon — disse sorrindo sem graça. — Onde está a minha modelo preferida?
— No quarto com Florence — respondeu.
— De quem são os corpos jogados na sala? — perguntou ao fechar a geladeira, após terminar de guardar toda a cerveja.
— E o cara esquisitão — Jake o incluiu na lista.
— São meus — Hendrix respondeu ao entrar na cozinha, com a camisa cinza pendurada no ombro, após terminar de cortar a lenha para a fogueira que iam acender.
olhou para antes de voltar o seu olhar à figura até então desconhecida de Hendrix. Ele era um cara alto, com um porte físico forte, mas nada tão monstruoso. Havia tatuagens espalhadas por toda a extensão do seu abdômen, peitoral e ombros, o que a fez imaginar que as costas não deveriam ser diferentes. Sua barba e bigode estavam por fazer e seu cabelo grande e desajeitado a fez reprimir um suspiro.
Então era esse homem que tinha a cidade inteira aos seus pés.
— Um gosto bem diversificado eu diria — o respondeu, atraindo a total atenção de Hendrix para ela, o deixando extremamente curioso com a sua presença, afinal, nunca tinha a visto antes.
— Sou muito aberto a qualquer tipo de aventura — Hendrix respondeu ao se aproximar da garota, que apenas sustentou o olhar, sem temê-lo. — Não sei o que você ouviu de mim pelas ruas, mas, se quiser, posso confirmar todos os boatos. — então lhe lançou um sorriso malicioso, arqueando a sobrancelha.
— Já estou vendo que você não presta, não vai ter que se esforçar para confirmar. — Antes mesmo que Hendrix pudesse retrucar a garota mais uma vez, com o clima pegando fogo, ela se virou para , perguntando se podiam subir. A amiga confirmou com a cabeça, indo em direção às escadas e, encontrando Nick descendo às pressas, engatou na amiga, a levando junto para poderem conversar.
— Por que não avisou que tinha garotas novas? — Hendrix perguntou a .
— É apenas uma garota nova. — deu de ombros. — E ela é do . — Apontou com a cabeça para o amigo.
— Ela não é apenas uma garota, ela é a garota. — Hendrix corrigiu o amigo, olhando para . — Já ficou com ela?
— Não, estamos apenas nos conhecendo ainda... — apenas negou com a cabeça.
— Então que vença o melhor, porque aquela garota acaba de ganhar toda a minha atenção pelo resto da noite.
— E o que você vai fazer com as duas mulheres? — Landon perguntou observando o rapaz sair da cozinha.
— Uma é do meu amigo, a outra pode ser do ou daquele virgem do filho do dentista.
— O nome dele é Adam — Jake o informou.
— Que seja. — Hendrix deu de ombros antes de sair da cozinha, seguindo para o andar de cima a fim de tomar um rápido banho.
respirou fundo, abrindo a geladeira e pegando uma garrafa de cerveja antes de se juntar aos amigos na bancada.
— Ei, . — colocou a mão sobre o ombro do amigo. — Relaxa. Creio que essa garota não seja tão tonta ao ponto de pegar um cara tão canalha como Hendrix.
— Não sei, não — discordou confuso. — Você não viu a tensão entre os dois? Eles podiam se pegar agora mesmo sem precisar conversar por mais cinco minutos.
— Não, Healy — Landon discordou. — não é assim. Ela é dura na queda — disse ao terminar sua cerveja, indo até a geladeira atrás de mais uma. — É isso o que prende todos vocês. — engoliu a seco com o comentário do amigo, olhando para , que mexia nos cabelos de modo distraído.

Continua...


Nota da autora: Começando a comentar sobre os acontecimentos, não posso deixar passar que o sacode que a Nick deu na Florence foi TU-DO pra mim. Queria estar que nem a Josie, sofrendo por um, mas me divertindo com outro... Sem contar que esse final de semana com todos juntos promete! Mas a pergunta que não quer calar, será que a pp, além de ter conquistado o coração de e a atenção do Hendrix, também desperta o interesse no nosso queridinho pp?

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Nota da beta: Mano, eu quero só ver essa disputa do Matthew com o Hendrix. Eu confesso que to torcendo pelo Matty aqui hehehehe. Nick arrasou, amei as verdades sendo jogadas na cara da Florence!


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