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Última atualização: 23/07/2020

Capítulo 1

O vento gélido do cemitério bagunçava os cabelos de que pouco se importava com o que estava acontecendo ao seu redor. O corpo arrepiado por baixo do casaco e as bochechas vermelhas devido ao frio eram consequências daquela época do ano. Os passos calmos e retos demonstravam que ele não tinha nenhuma pressa de chegar, embora fosse aquela a sua vontade. Um ano havia se passado até o momento em que decidiu voltar aquele lugar, imaginava que estar novamente ali traria à tona todo o sofrimento que ele tentava, sem sucesso, evitar. Sentia seu estômago embrulhar conforme ia se aproximando do seu lugar de destino, respirava fundo na tentativa de tardar as lágrimas que logo viriam.
Com o uso de uma das mãos ele retirou a neve que cobria a lápide do túmulo de sua mãe, fazendo o mesmo no túmulo do seu pai ao lado. Depositou as flores que segurava onde os dois estavam enterrados, com um cuidado quase exagerado.
- Um ano sem vocês. – respirou desacreditado enquanto limpava uma lágrima com as costas da mão. – Um ano que a minha vida se tornou um inferno.
Ele deixou as lágrimas caírem, agora sem nenhuma intenção de segura-las. Talvez quem passasse ali por perto pudesse ouvir seu desespero, mas aquilo não era algo que o incomodava. A dor que estava sentindo ultrapassava qualquer entendimento ou explicação, sentia como se um vazio crescesse dentro dele com o passar do tempo. Era como se nada conseguisse remediar aquele sofrimento, nada podia anestesiar aquela ferida exposta em seu coração desde que perdeu os seus pais.
- Eu não consigo entender, vocês não podiam me deixar nessa droga de mundo sozinho. – Resmungou chateado com a situação enquanto apertava seu rosto com as mãos. – Eu devia estar morto também.- Gritou a última frase antes de perder as suas forças e cair de joelhos ao lado dos túmulos.
Um pouco mais afastada, observava o sofrimento de enquanto sentia uma necessidade de correr até ele e abraça-lo, se possível até tirar dele toda aquela dor que já era rotineira em seus dias. Se conteve por saber que, embora doesse nela vê-lo sofrer, ele precisava passar por tudo aquilo para que, quem sabe um dia, pudesse superar. Precisava doer muito para não doer mais, precisava colocar toda aquela tristeza para fora para voltar a sorrir.
Minutos depois, quando estava um pouco mais calmo, se levantou e olhou em direção onde estava, como se pedisse de forma silenciosa para que ela se aproximasse. Atendendo ao pedido dele, andou até onde o rapaz estava, depositou em cada túmulo as flores que segurava antes de abraça-lo com toda sua força, fazendo com que não fosse necessário o uso de palavras. Tentava ser forte para dar suporte a , não choraria na frente dele mesmo com o coração em pedaços.
- Eu te amo. – declarou, quebrando aquele silêncio entre eles. – Eu te amo com todo o meu coração e eu vou estar sempre do seu lado.
- Eu te amo, . – Ele respondeu, em sua voz ainda tinha resquícios do seu estado. – Obrigada por tudo.
sorriu discretamente em forma de agradecimento, mesmo que faltasse alegria para os dois, ainda mais naquele dia e naquele local em que se encontravam. Depositou um selinho nos lábios de , antes que ele a abraçasse de lado e começasse a andar em direção a saída do cemitério. O silêncio dentro do carro até o apartamento dos dois não incomodava, ambos estavam absorvendo tudo o que aconteceu e a nostalgia que aquela data trazia.
Há um ano atrás, naquele mesmo dia, um carro entrou na contramão em alta velocidade, acertando em cheio o carro em que e seus pais se encontravam. O grave acidente acabou levando de imediato a vida do pai do garoto, a mãe dele ainda lutou pela sua sobrevivência por alguns dias no hospital, mas também não resistiu. não teve nenhuma fratura ou ferimento grave, porém, ter perdido os seus pais naquele acidente doía mais que qualquer machucado.
Sentia-se culpado mesmo não tendo culpa alguma, depois disso viver passou a ser um sacrifício para , que a todo momento parecia querer desistir de tudo. tentava entender e ajudar o namorado a todo momento, desejando que ele voltasse a enxergar o lado bom da vida, lado esse que não existia mais pra ele.
Assim que os dois adentraram no apartamento, ainda em completo silêncio, se jogou no sofá, deixando milhões de pensamentos tomarem conta de si. não pensou muito antes de deitar sobre o peito do namorado, que de imediato começou a acariciar os cabelos dela. conseguia ouvir o coração acelerado de , enquanto também se perdia em pensamentos sobre o que a vida dos dois se transformou dentro de um ano. Entendia e compartilhava da dor do namorado mas sentia falta da pessoa por quem ela havia se apaixonado, sempre via mais triste do que feliz e tinha a sensação de que estava perdendo o amor da sua vida aos poucos. Não sabia mais o que fazer para ter aquele homem alegre de volta ao seu lado, aquele homem apaixonado que ela tanto amava.
levantou a cabeça para conseguir olhar para , viu os olhos do rapaz brilharem e um quase sorriso brotar em seus lábios. Qualquer pessoa perceberia o quanto era completamente apaixonada pelo rapaz que estava em sua frente. Ela se aproximou um pouco mais, os lábios de ambos quase se encostando sem que eles perdessem o contato visual. Cobriu os lábios de com os seus, em um longo selinho. Ele entreabriu os lábios para aprofundar e fez o mesmo, transformando aquele pequeno contato em um beijo apaixonado. Embora estivessem juntos a muito tempo, jamais se acostumariam com as sensações que sentiam quando estavam um com o corpo colado no outro. As línguas que se conheciam bem se movimentavam em perfeita sincronia enquanto um calor tomava conta dos dois corpos, mesmo com a neve cobrindo todo o chão do lado de fora.
- ? – chamou ao se afastar, recebendo a atenção dela. – Eu não consigo agora, desculpe. – Explicou o motivo de parar o que os dois estavam fazendo.
- Tudo bem. – Respondeu respirando fundo, um tanto quanto contrariada.
Tudo sempre acontecia daquela forma, tentava de distrair e aproveitar os momentos com mas parava no meio do caminho. Quando ele estava feliz, distante das lembranças que sempre viviam com ele, não permitia que essa alegria durasse por muito tempo. Para ele, era como se fosse errado fazer alguma coisa que o deixaria feliz enquanto os seus pais estavam mortos por causa de um acidente em que ele deveria ter perdido a vida também. sentia mais raiva do que privilégio por ter sobrevivido.
- Eu só queria que você se distraísse um pouco, sabe? Tivesse um momento de alegria, de prazer... mas eu respeito as suas vontades, embora esteja com saudade de ter o meu namorado.
- Obrigada por entender. – Ele apenas agradeceu, sem intenção de prolongar o assunto.
Os dois ainda ficaram deitados juntos em silêncio. Nos pensamentos de ela se perguntava o que mais poderia fazer para tentar agradar e animar o namorado, mesmo morando junto ela sempre sentia o rapaz distante e pensativo. Já pensava no quanto era difícil agir diferente de como ele estava agindo, sabia que estava em falta e ausente no seu namoro com e mesmo a amando muito, ele não estava conseguindo agir de outra forma.
Ela ainda ficou por alguns minutos no peito do rapaz, deixando a mente voar longe, antes de se levantar e avisar que iria tomar um banho. Talvez a água em seu corpo pudesse aliviar a tensão e fazer com que ela relaxasse um pouco.
Ao deixa-lo a sozinho, automaticamente começou a pensar em tudo o que estava acontecendo e no quanto a morte dos pais havia interferido no relacionamento dele com . Os dois sempre foram um casal apaixonado e qualquer pessoa podia notar isso, mas sentia que não estava cumprindo com o seu papel de namorado, e de fato não merecia aquilo. Parando de pensar em tudo por um momento, se direcionou até o quarto, assim que viu saindo do banho ele foi até o banheiro, para fazer o mesmo que ela. Desejava que a água quente pudesse amenizar o turbilhão de emoções que ele sentia. Apesar de ser um momento relaxante, não demorou muito, depois daquele acontecimento no sofá ele sentia uma vontade absurda de estar perto de . Saiu do banheiro apenas com a toalha enrolada na cintura, encontrando com apenas de lingerie, decidindo qual roupa colocar.
- Fica assim. – pediu com um sorriso nascendo entre os lábios. – Você é linda!
sorriu em resposta, surpresa com o elogio que ela recebeu embora não estivesse esperando. Olhando o namorado da cabeça aos pés ela pensou que qualquer elogio que usasse, talvez seria pouco para o que ele merecia. Se aproximou de , abraçando seu corpo molhado pelo pescoço enquanto ele depositava as mãos em sua cintura.
- Me desculpe pelo o que aconteceu na sala, eu só não estava no clima pelo dia de hoje, não é nada com você. – Ele se explicou ao quebrar o silêncio.
- Esquece isso, amor. Já passou e eu te entendo, tudo o que eu faço é pra tentar te animar. – Ela respondeu sorrindo.
- Eu sei, obrigado. – ainda agradeceu antes de beija-la.
O toque dos lábios fez com que todo o corpo de se arrepiasse e com não era diferente. O encontro das línguas fazia com que as mãos de ambos criassem vida própria e que o corpo um do outro se transformasse em um território digno se ser explorado. Sem quebrar o beijo os dois conseguiram chegar até a cama, onde deitou antes de tirar a toalha que estava enrolada em sua cintura. Viu sorrir ao observar por completo o corpo nu do namorado, enquanto ele mantinha os olhos em cada curva do corpo dela.
- Você é uma delícia. – elogiou antes de beija-la novamente.
Dessa vez o beijo tinha mais urgência e as mãos dele já apertavam lugares específicos. Ao descer os lábios para o pescoço de , que gemia baixinho ao sentir a língua de percorrer aquela região sensível, ele aproveitou para desabotoar o sutiã que ela usava, deixando os seus seios livres. Enquanto sua boca deslizava por um doa seios, o outro era acariciado por uma de suas mãos. Chupava aquela parte sensível alternando as velocidades, conforme escutava os gemidos de . Era incrível tê-la tão submissa a ele, dar prazer, ouvir os gemidos e desfrutar de cada parte do corpo dela. Ele jamais se acostumaria com aquilo!
Conhecendo bem a sua mulher e percebendo que implorava por mais, fez um caminho de beijos pelo corpo dela até chegar em sua calcinha, onde não fez muita cerimônia para retira-la. Beijou suavemente a parte mais sensível do corpo dela, sentindo o seu gosto e vendo o quanto gostava de estar em sua boca. Sua língua passou a deslizar por toda aquela região, vez ou outra, chupava, lambia e beijava, arrancando gemidos de que funcionava como uma trilha sonora para ele.
- Eu preciso sentir você dentro de mim. – conseguiu dizer em meio aos gemidos, fazendo com que não pensasse duas vezes antes de atender aquele pedido, já que estava excitado o suficiente.
Posicionou entre as pernas da namorada, depois de colocar o preservativo, penetrando o seu membro lentamente, da forma como ele sabia que era uma tortura para , mas que ela adorava. Aumentou a velocidade dos seus movimentos, vendo-a se contorcer de prazer. Não demorou muito para que atingisse o seu ápice, tamanho era o tesão e a saudade de estar dentro dela que ele sentia. Ao perceber que ainda não havia chegado lá, ele assistiu a garota se tocar, atingindo com os dedos a sua parte que mais precisava de atenção.
- Acho que eu posso cuidar disso. – Ele avisou antes de retirar os dedos de do próprio clitóris e ocupar o local com a língua.
Viu a garota gemer mais uma vez enquanto ele tratava de proporcionar a ela algo parecido com o que ele havia acabado de sentir, antes que ela atingisse o orgasmo e se desmanchasse em sua boca.
Depois de recuperar as respirações, os dois continuaram deitados, colados no corpo um do outro. sentia como se ele devesse estar ali, como se não quisesse estar em nenhum outro lugar que não fosse ao lado dela. sentia uma alegria e uma pontada de esperança, pensando que talvez as coisas pudessem voltar ao que era antes.
- Te amo! – se declarou vendo se aproximar dos seus lábios para beija-los.
- Te amo, . – Ele também respondeu.


Continua...



Nota da autora: Olá, amores! Estou muito empolgada em compartilhar essa história com vocês, espero que gostem! Não deixem de comentar o que acharam. Para conhecer outras histórias minhas, é só entrar no meu grupo do facebook. Um beijo e até a próxima atualização.





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