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Última atualização: 12/11/2020

Capítulo 1 - A Parte Que Falta

Tudo estava escuro, ouvi minha voz perguntando se havia alguém por perto e não obtive respostas. De repente, um pequeno feixe de luz no centro daquela escuridão iluminou alguém que há poucos meses não estava mais entre nós, mas que eu não conseguia esquecer e sabia que muitos estariam na mesma situação.
Cedrico Diggory com os trajes que vestia na última vez em que Hogwarts o viu vivo, na última vez que seu pai pôde conversar com ele e no dia que correu para a morte sem nem mesmo saber que de alguma forma ela viria, afinal, agora o Torneio Tribuxo era seguro, eles disseram. Novamente, eu não consegui segurar, sempre fizera isso tão bem, porém depois de todos os acontecimentos do quarto ano, eu não conseguia mais segurar o choro, era um ano definitivamente marcante que dividiria minha vida em duas partes, antes, quando eu ainda obtinha esperança em relação a quem eu costumava chamar de pai, com a cabeça leve e, de certa forma, mais inocente. Não é surpresa que às vezes desejemos voltar a ser criança, onde tudo era perfeito e todos eram felizes e sua maior preocupação era que não poderia dar umas voltinhas na vassoura caso começasse a chover.
Lágrimas que carregavam culpa e remorso por ter aceitado uma missão idiota, por não ter impedido ou avisado, ou por achar que deveria saber, caíam por meu rosto, eu podia sentir o peso delas, como se fosse chumbo. Porém, Cedrico Diggory não me olhava com reprovação e nem pena, apenas parecia querer passar uma mensagem o quanto antes, como se estivesse com pouco tempo.
- Vá atrás dela! - ele disse, aproximando-se, parecia tão real, tão vívido. - Ela será uma das chaves.
- Ela quem? - minha voz embargada pelo choro perguntou.
- A única que você não conhece, a que deveria estar com você neste momento, dando apoio. Ela - Diggory falou, e então um feixe de luz iluminou outra pessoa próxima a ele, uma mulher, não via seu rosto, mas seus cabelos pareciam demais com os meus e senti um repentino calor no peito, de alguma forma familiarizada com sua presença.
- É... minha mãe? - tentei me aproximar para enxergar seu rosto, mas quando chegava perto, ela sumia junto com a luz e reaparecia em outro lugar. - Qual o nome dela, Cedrico? O que aconteceu com ela?
- Isso só você mesmo pode descobrir, não se deixe levar pelas sombras, , você é muito mais do que isso - foi a última coisa que ele disse antes de tudo ficar escuro de novo e essas duas figuras desaparecerem.
Novamente, acordara com a testa um pouco molhada de suor, com um calor insuportável mesmo com a manhã fria da Inglaterra, de novo, tivera sonhos enigmáticos que me intrigavam cada dia mais. Há algum tempo eu já não confiava mais em Charlie e passei a ter como possibilidade o fato de que ele poderia estar mentindo e parece que meu subconsciente estava focado nisso, já que os sonhos sem explicação estavam cada vez mais recorrentes e me incentivavam cada vez mais a ir atrás da verdade sobre minha mãe. Mal podia acreditar que alguns meses atrás eu havia brigado com Fred Weasley por me fazer questionar as respostas que tinha, atualmente, eu confiava mais nele do que no meu próprio familiar, com quem eu evitava conversar ao máximo. Só que a realidade é que eu não tinha absolutamente nada, assim era fácil me manipular com meias verdades e objetos emotivos, como o vestido do Baile de Inverno, que me fariam, por um bom tempo, não questionar as falhas que a história possuía.
Atualmente, a única coisa que me motivava a permanecer um pouco feliz e com vontade de fazer alguma coisa, era trocar cartas com meus amigos. Pansy, Dafne, Astoria e Fred tentavam me animar com histórias engraçadas e algumas piadas no meio do seu dia dia, eles não sabiam o real motivo da minha desanimação, mas eu revelara só essa parte, porque dessas pessoas, eu não pretendia esconder. Como nunca, eu quis estar em Hogwarts, jogando Quadribol, tendo conversas longas na reunião mensal que minhas amigas organizavam e sentando debaixo da minha árvore favorita, esquecendo das matérias acumuladas com Fred.
Mas a situação atual era uma marca terrivelmente indesejada no braço esquerdo, tortuosa e vibrante, parentes que me odiavam com clareza ou me tratavam com indiferença, na verdade, eu poderia excluir Mary-Anne, ela parecia bem simpática, mas eu tinha receio de conversar com ela, e alguém que eu não posso mais me dar o luxo de chamar de "pai". Nunca mais usei essa pequena palavra para me designar a ele, e a partir daquele dia jamais usaria.
Por fim, decidi levantar da cama e tirar aquela sensação estranha do sonho de mim. Mais do que nunca, eu queria respostas, e algo dentro de mim dizia que, de qualquer forma, eu chegaria até elas.
Desci as escadas para o café da manhã e me surpreendi ao encontrar apenas Madeline e uma de minhas tias, Mary-Anne, segurando cada qual uma xícara, sentadas em volta da mesa repleta de coisas que nem mesmo sete pessoas dariam conta.
- Bom dia - cumprimentei as duas, que responderam de prontidão. - Onde estão os outros? Ainda dormindo?
- Não, querida, saíram para uma reunião... - respondeu Madeline, nem precisava pensar muito para saber com quem estavam tendo uma reunião.
Mary-Anne era uma das poucas pessoas que eu tinha curiosidade de conhecer dentre os novos moradores da casa. Ela parecia sempre temer falar qualquer coisa comigo, mas estava olhando para mim, parecendo muito querer dizer algo, como eu disse, compartilhava de um certo temor, porém, não custava tentar agora que os seres mais desprezíveis tinham deixado nosso lar doce lar.
- Ah, , outra carta chegou para você, es... quero dizer, guardei na cozinha, a coruja encontrou sua janela fechada e felizmente se dirigiu para a janela de lá - dizendo isso, levantou-se e saiu apressadamente em direção à cozinha.
- Por que não foi com eles à reunião? - questionei ela, que quase derrubou a xícara ao pousa-la no pires, realmente, não estava muito acostumada com momentos em que eu falava com ela.
- Não gosto muito de ir nessas reuniões - disse ela, dando um mínimo sorriso. – E, cá entre nós, os Comensais são extremamente chatos.
Surpreendi-me com o comentário dela, com certeza é algo que eu teria dito.
- Desculpe, mas achei que...
- Que eu fosse como eles? Merlin, felizmente, deu-me um pouco de sanidade, apesar de ter dado de modo tardio... Enfim, pode confiar, eu não sou - explicou ela, divagando um pouco ao mencionar que se tocou tão tarde.
- Já faz algum tempo que vocês estão aqui, sempre te achei mais simpática, mas você parece ter medo de falar comigo, então fiquei igualmente assustada de tentar conversar mais do que "bom dia".
- Ah, , podemos conversar mais, eu realmente adoraria conhecer mais minha sobrinha, não sou como Agatha que não tem o mínimo de afeto que um ser humano deveria, tudo isso herdado da sua avó.
Senti uma pontadinha de emoção ao ouvi-la me chamar de "sobrinha", ultimamente as minhas relações familiares andavam tão impessoais e distantes que os nomes próprios tinham se tornado o comum. Seria bom poder chamar Mary-Anne de tia quando chegasse a um ponto de confiança, algo me dizia que isso não demoraria a acontecer entre nós.
- Com certeza, adoraria saber como é a Irlanda, já que o irlandês em pessoa quase não abre a boca durante o dia - exclamei, comentando sobre o fato do marido de Agatha, minha outra tia, ser a pessoa mais silenciosa ou mandada que eu já vira.
- Realmente, nesses anos que conheci Ivan, se ouvi ele falar umas 20 vezes, foi muito, e se foi mais que isso, o que ele disse não era relevante - zombou ela, o que me fez sorrir, sentia algo bom começando, de verdade, eu esperava muito que algo bom estivesse se iniciando.
Madeline entrou apressada na sala de jantar, trazendo um envelope em mãos, normalmente, as cartas que ela escondia quando eu não pudia pegar assim que chegassem eram de Fred, já que eu não queria o Charlie ou qualquer outra pessoa implicando com aquelas besteiras de "traidores de sangue", Draco já era o suficiente. As cartas de minhas amigas eram deixadas mais livres porque suas famílias não eram um problema.
- Quase não acho, até achei que Charlie... nada demais, aqui está querida! - disse, entregando-me o envelope, que peguei ainda com um sorriso no rosto.
- Tudo bem Mad, Mary-Anne é uma pessoa confiável - revelei para ela, eu tinha um forte sentimento de que não estava enganada dessa vez, que Mary-Anne seria mais uma pessoa com quem eu poderia compartilhar todos os detalhes da minha vida.
- Ah, mas eu sabia que era, não te disse, ?? Eu falei diversas vezes para a senhorita, mas você teima...
Mary-Anne riu com o jeito esbaforido de Mad ao expor que conversamos sobre ela várias vezes.
- Mas então, , quem te envia essas cartas? - perguntou ela, sorrindo, curiosa, era de se esperar pelo jeito que a governanta falava sobre os envelopes.
- Ah, um amigo de Hogwarts, ficamos mais próximos nesse último ano...
- Se é que me permite explicar, acho que ela e o tal Weasley estão um pouquinho afastados da categoria amigos... E é para algo ainda melhor!
- Claro que não, Mad - exclamei, um pouco sem graça, porque realmente não éramos nada além de amigos, apesar de todos os comentários dizerem o contrário.
- Weasley? Quanto tempo não ouço esse sobrenome... - exclamou Mary-Anne, nostálgica. - Entendo porque você esconderia isso de Charlie, afinal, "traidores de sangue" são um absurdo para quase todos aqui.
- A pior coisa que as famílias "puras" inventaram, um preconceito sem tamanho, no fim, tenho quase certeza de que nem todas essas famílias sangue puro realmente são o que pregam!
Desde que as aulas acabaram, troquei cartas com Fred, todas renderam momentos muito bons. Como quando escrevi para Fred o efeito dos Caramelos Incha-Língua da Gemialidades Weasley, que os gêmeos haviam me dado no trem de volta para Londres, havia colocado um no prato do café da tarde de Beatrice, minha rabugenta avó, e outro próximo da mesa de bebidas de Charlie, nenhum deles resistiu a um caramelo, mas eu tive que resistir ao ataque de risos, de alguma forma, nem um deles desconfiou quando suas línguas começaram a inchar em um tamanho desproporcional às suas bocas.
Passei a tarde toda conversando com a minha tia, contei a ela sobre os caramelos, sobre a missão, a dor do dia que recebi a marca negra, o que despertou uma raiva enorme de Mary-Anne para com Charlie, o que me deixou ligeiramente feliz. Ela me contou que tinha uma livraria bruxa na Irlanda e deixou aos cuidados dos sócios, esperava poder voltar para as pilhas de livros no estoque. Contou sobre sua época em Hogwarts, disse ter tido os melhores anos, com algumas ressalvas, e também disse que eu adoraria ter conhecido meu avô, Alex Zuckker, que morrera por conta da Varíola de Dragão há muitos anos.
- Ele era como a gente, sabe? Adorava ouvir tudo que ele dizia... Sinto muita saudade, não tem um dia que não sinta.
Pensei que poderia contar com ela para descobrir alguma coisa sobre minha mãe, mas ela também disse que esteve longe por um tempo, só foi me conhecer mesmo quando meu pai sumiu e elas tiveram de fazer uma visita para ajeitar tudo. Charlie, Beatrice e Agatha, disseram que ela não havia conhecido a mulher e foi descobrir por cartas que ela havia sido morta durante a primeira guerra bruxa.
Ela parecia contar a verdade, então, mesmo decepcionada, prossegui:
- Ultimamente minha curiosidade por conhecê-la tem aumentado... Acho que antes eu deixava quieto porque doía um pouco pensar em como e por que ela tinha morrido.
- Você não tem lembrança nenhuma dela? Nada mesmo? - indagou Mary-Anne.
- Eu era muito nova, não é? Mas é certo que muitas crianças tem lembranças dos três ou quatro anos de idade, só que eu não lembro de nada dos sete para baixo - confessei, eu revelava pouco essa informação porque me sentia no mínimo estranha com isso, sempre pareceu faltar algo e agora mais do que nunca.
-Isso é no mínimo curioso, nunca foi ao médico para ver isso? - perguntou novamente, a interrogação em seu rosto era visível.
- Não, eu sei que é muito esquisito, mas aprendi a conviver com isso, forcei minha cabeça, não adiantou nada, não surge nenhuma imagem ou borrão, é só branco.
- Já questionou ele sobre isso?
- É claro que já, só que Charlie nunca me dá nenhuma resposta, justamente por isso comecei a duvidar de qualquer coisa que ele fala - comecei, Mary-Anne parecia mesmo querer estabelecer uma relação entre nós, talvez ela pudesse me ajudar de alguma maneira. - Antes eu acreditava piamente nas coisas que Charlie havia dito sobre a minha mãe, tanto que briguei uma vez com o Weasley das cartas por conta disso, ele tentou abrir meus olhos para as mentiras que ele me contou, mas eu não quis acreditar. Só que agora, muitas das coisas que ele me disse, fazem sentido.
- Que tipos de coisas ele disse? Chegou em alguma teoria sobre o que poderia ter acontecido com ela?
- Já perguntei a Madeline uma vez, mas ela nada sabia sobre a minha mãe, nada muito específico, sabia que o filho do meio dos Zuckker tinha casado e tido uma filha, soube que ela morreu, mas não soube como. Ela só foi conhecer mais de mim ao ser chamada por Beatrice para trabalhar aqui enquanto vocês voltavam para a Irlanda.
- Eu acho engraçado que, para uma família tão polêmica e antiga, essa história está muito apagada, é quase como se ninguém conhecesse sua mãe. Como eu te disse, assim que me formei, passei alguns anos fora, todos me disseram que não conheci sua mãe, porém não se deram ao trabalho de tenta explicar quem era ela, porque, pensando um pouco mais, não era possível que ela fosse de todo desconhecida!
- Exatamente! Não querendo me gabar, porque, atualmente, isso não é motivo de orgulho para mim, mas somos um tanto populares na comunidade bruxa, porém, nenhum Comensal ou qualquer pessoa que compactua com esse tipo de coisa prestou suas condolências em relação a morte dela. Ninguém nunca fala dela e normalmente todos que estudaram juntos em Hogwarts conhecem alguém ao menos pelo sobrenome, mas nem isso!
- E eles deveriam? Comensais podem ser bem frios, você mesmo deve ter concluído isso sozinha.
- Deveriam, Mary-Anne, a história que meu pai me contou foi que ela própria era Comensal que foi morta por um Auror durante a Guerra Bruxa - cheguei onde queria, e não fiquei surpresa quando o rosto de Mary-Anne se contraiu em pura raiva.
- Mas isso é impossível! - gritou, indignada- Até eu, que passei um tempo longe, sei que os Aurores só tiveram autorização para matar os bruxos do outro lado até certo ano.
- E adivinha? Fazendo algumas contas bem simples, Fred chegou à conclusão de que, quando minha mãe morreu, eles já não podiam mais fazer isso - exclamei, energizada pelo fato de que tudo fazia um sentido enorme para minha tia. - Vamos combinar, Aurores são todos certinhos e, se algum tivesse cometido o erro de fazer isso mesmo sem permissão, seria um escândalo do mundo bruxo.
- Só que, obviamente, ninguém nunca ouviu falar de um Auror que tivesse desobedecido às leis do Ministério durante a Guerra - disse ela, pensativa, tudo parecia muito novo para ela também- Charlie está mentindo, , sua mãe com certeza não morreu dessa maneira. Queria muito poder ajudar com mais, mas eu mesma não tive muito acesso a essa história, é como se eles quisessem mesmo deixar por debaixo dos panos!
Apenas à noite tive tempo de responder à carta de Fred, tinha contado para ele que estive pensando na nossa briga sobre Charlie e tudo mais. Agora, escrevia para ele que estava disposta a encontrar a verdade e saber mais da vida de Charlie, o que aconteceu com a minha mãe, como ela morreu de verdade e porque ele mentiu para mim. Entreguei à coruja que Madeline tinha adotado a pouco tempo, ela deu uma bicada carinhosa na minha mão esquerda e voou para longe, sabe-se onde os Weasley moravam.

Faltavam poucos dias para meu retorno à Hogwarts e eu mal podia esperar, eu não aguentava mais ficar em casa com a minha avó sendo uma chata, dizendo que o corte de cabelo que eu tinha era feio e torto e que as minhas roupas eram uma vergonha para ela, mas ela não só me criticava, como fazia isso com todo mundo daquela casa. Nenhuma pessoa escapava dos olhos atentos e enxeridos de Beatrice Zuckker, ninguém levava muito a sério, apesar dela não estar brincando quando nos criticava.
Minha tia, Agatha, não me dirigia uma palavra a não ser que fosse de extrema necessidade. Seu marido, Ivan, extremamente bajulador dela e da sogra e, como Mary-Anne disse, não falava quase nada, ainda mais comigo. Charlie era ignorado por mim em quase todos os momentos, se ele me pedia para passar a geleia, eu fingia que não ouvia, mesmo levando alguns olhares reprovadores da minha avó. Eu não era obrigada.
Mary-Anne e Madeline eram a minha salvação naquela casa, Maddie ficou muito mais legal comigo desde que todos os eventos relacionados a horrível marca no meu antebraço esquerdo aconteceram. Tive longas conversas com a minha tia, ela ficou sabendo de tudo da minha vida nos últimos anos, desde a missão, à Copa Mundial de Quadribol, passando por Fred Weasley até o fatídico dia que passei a odiar Charlie mais do que nunca.
- Está ansiosa para voltar para Hogwarts, não é? - perguntou ela, dois dias antes da volta, enquanto comíamos biscoitos feitos por nós no meu quarto.
- Você não sabe o quanto, sem contar você e a Mad, não suporto ninguém aqui.
- Eu sempre fui equilibrada, gostava muito da escola por conta do Quadribol e dos meus amigos, mas gostava também de voltar para casa, tive uma boa relação com Alex e Charlie, mas depois que meu pai morreu, tudo deu uma desandada.
- Como assim? - questionei, durante todos esses dias, minha tia só quis saber todos os anos que perdeu da minha vida, ela havia dito que queria muito ter ficado na Inglaterra oito anos atrás, Beatrice não permitiu. Agora, eu queria muito conhecer a família antes de mim, a vida dela em Hogwarts e tudo mais.
- Ah, seu avô era diferente, sinceramente, não entendo como minha mãe e ele se casaram, é claro que os Zuckker têm uma tendência para o lado ruim, mas meu pai não era assim - disse, suspirando de forma saudosa. - Ele sempre tentou nos influenciar para que não seguíssemos o que fosse pressuposto para nós, não era porque tínhamos um sobrenome de peso para o lado ruim que tínhamos que ser ruins. Charlie e eu o ouvíamos com o maior prazer, Agatha nem se dava o trabalho de escutar o que ele dizia, ela sempre foi mais próxima da minha mãe e não tinha nenhuma inclinação para a bondade. Ela nos dizia coisas ruins mesmo quando Alex não estava por perto, falava que seríamos uns fracos se não seguíssemos o destino e o legado das famílias, que tinha desgosto da gente e somente Agatha era digna de alguma atenção dela.
- Ah, mas que mulher mais odiável! - exclamei, incrédula, isso era mil vezes pior do que as pequenas reclamações que ela fazia todos os dias desde que chegou.
- Eu sei, convivi vários anos com esse pensamento, meu pai tentava puxar ela dessa coisa ruim, mas ela não arredava o pé. Tinha conhecido Voldemort e sabia que ele tinha pensamentos horríveis, para Charlie e eu, o que nosso pai contava parecia muito mais bonito do que Beatrice nos propusera. Principalmente porque ele tinha conhecido uma garota na escola que virava a cabeça dele.
- Que garota?
- Ela era da Corvinal, se não me engano, não lembro muito bem dela porque faz muito tempo e não a via muitas vezes. Só sei que ela deixava Charlie louco, falava um monte de coisas super rápido para ele, dizia que ele não podia seguir tudo que os pais mandavam e que ele nem parecia da Sonserina. Ele contava as histórias e eu ria muito, ela era muito engraçada.
- Será que ela pode ser minha mãe?
- Ah, , eu acho que não, lembro de ter ouvido falar que ela não falava mais com ele, além disso, como me disseram que eu não conhecia sua mãe, acho bem pouco provável que seja ela.
- Mas se fosse, seria um início legal, sabe? O final nem tanto.
- O final seria você, querida, e eu acho que é um final muito lindo.
- E o final deles, tia? Tem tanta coisa faltando, não sei nem como começou...
- Juro para você que se eu soubesse de algo te diria, é agonizante ver você sem saber de nada das origens e sem ter respostas com um dos pais a poucos metros.
- Eu choro quase todos os dias desde que minhas aulas acabaram, tudo se acumula aqui dentro e só vejo as lágrimas escorrendo sem eu perceber, tem angústia, dor, culpa e impotência, quase tudo tem um lado ruim para mim agora - disse, já sentindo a voz embargar. - Começar a conversar com você me animou de verdade, as cartas que troco com meus amigos me deixam mais feliz e sei que Hogwarts também vai, vou poder voar livremente, jogar Quadribol, estar com meus amigos de verdade esse ano, já que ano passado eu mais estive sozinha com aquela missão estúpida. E se bem que nem vai ser a experiência completa, já que vou ter que esconder essa porcaria no braço de todo mundo.
Quando vi, já estava chorando que nem uma idiota, Mary-Anne suspirou audivelmente, parecia realmente triste com tudo que eu tinha dito, mas logo chegou mais perto e me deu um longo abraço. Senti-me reconfortada de verdade. Depois de um tempo, já estávamos rindo e conversando sobre outras coisas, até que ela chegou em uma pauta que me deixava meio sem graça por esses dias.
- Mas então, anda trocando cartas com um "amigo"? Tem certeza mesmo? - disse Mary, rindo.
- Olha, você nem começa, viu, somos só amigos sim! Também converso com as meninas que sou mais próxima na Sonserina.
- Aham, e aquela cena no Baile de Inverno, mocinha?
- Ah, aquilo foi um caso à parte, foi só coisa momentânea porque tinha umas luzinhas coloridas, um monte de flores e uma música bonitinha.
- Ah, ok, então ele disse que queira ser seu só por causa das luzinhas coloridas?
- É claro, Fred é meio assim às vezes, sabe, se você o conhecesse, saberia! Um pouco impulsivo demais, eu diria.
- Mas vocês quase se beijaram!
- Fala baixo, vai que aquela velha escuta e vem falar que isso não é coisa que um Zuckker faça! - zombei, tínhamos apelidado carinhosamente a minha avó daquele jeito. - E isso não ia acontecer, só pareceu que ia...
- Aham, isso já aconteceu comigo, e eu já tive a sua idade, como todos os adultos gostam de dizer, eu sei bem como é.
- Ah! Agora eu quero saber essa história aí, pode ir falando...
- É bem clássico, hoje em dia nem tanto porque não sobrou quase ninguém daquela família, mas éramos muito próximos dos Black. E um dos filhos de Walburga, Sirius, adorava me irritar desde sempre - disse ela, rindo no momento seguinte, balançando a cabeça em negação, reconheci na hora aquele nome. - Entramos em Hogwarts e ele continuava me irritando, eu comecei a ter uma quedinha por ele porque eu era besta e boba, não é? Mas olha só, ele virou um típico pegador em Hogwarts e eu passei a ter raiva dele, porque ele claramente ficava se gabando e se achando o melhor de todos. Inclusive, ele era o melhor amigo do pai de Harry Potter, acredita?
- E como uma coisa mais profunda começou entre vocês? Lembro da notícia de que ele tinha fugido de Azkaban há uns três anos.
- Ah, eu era praticamente a única de Hogwarts inteira, sem contar a própria família dele, que não tinha interesse nenhum nele.
- Que? Você tinha! - exclamei, rindo, só ela mesmo, era bom ouvir essas coisas para fugir um pouco dos assuntos mais tristes.
- Mas ele achava que não, minha querida, ele não sabia da minha quedinha por ele. Então, começou a se interessar justamente por isso, eu sempre dizia não mesmo querendo dizer sim e falava que só estava correndo atrás de mim porque eu não queria nada com ele.
- Esperta você, hein?
- Óbvio, só que de algum jeito, ele acabou descobrindo e usando isso contra mim - explicou, rindo. - Acabamos tendo alguma coisa, só que tudo acabou dando errado.
- Por quê? - perguntei, sentindo que algo bom não estava pra acontecer.
- Um dia eu te conto, , agora não é o momento, não quero estragar suas expectativas no amor - ela falou, senti a tristeza em suas palavras, mas deu um breve sorriso pra mim. - O que acha de eu te levar até o Expredsso de Hogwarts? Alguém tem que te levar mesmo, não é? Aproveito e conheço suas melhores amigas e o tal Weasley.
- Eu não tenho nenhuma expectativa no amor, você me deve essa história e adoraria se você me levasse.
Sorrimos e passamos o resto da tarde conversando sobre áreas mais tranquilas, como profissões, as matérias e os professores de Hogwarts. Mal podia esperar para voltar para casa.


Capítulo 2 - O Plebeu e a Dama de Companhia

Mary-Anne e eu tínhamos acabado de chegar na estação de King's Cross e pegávamos um carrinho para colocar as malas e minha vassoura, já que esse ano o Quadribol não escapava de mim e seria competição para valer. Estávamos prestes a atravessar a parede da estação para chegar na plataforma 9 ¾, quando vi Pansy, Dafne e Astoria, próximas a parede, provavelmente me esperando. Fomos até elas e as três me abraçaram ao mesmo tempo, quase me derrubando.

- Sentiram tanta saudade assim? - perguntei, rindo, olhei para minha tia e ela sorria, provavelmente lembrando-se de quando encontrava os seus amigos na estação nos seus tempos de Hogwarts.
- É claro, eu sinto saudades de você discutindo comigo o tempo todo! - disse Pansy, quando as três se afastaram.
- Ah, quase me esqueci - disse, olhando para a loira ao meu lado. - Essa aqui é uma das minhas tias que veio da Irlanda, Mary-Anne.
- Prazer em conhecê-la! - disse Astoria amigavelmente, Dafne e Pansy deram um sorriso em cumprimento.
- Prazer em conhecer as melhores amigas da minha sobrinha! - cumprimentou Mary, sorrindo para minhas amigas. - Vamos atravessar agora ou vocês ainda vão esperar mais alguém?
- Vamos esperar o Draco, já já ele chega - exclamou Pansy, acho que a quedinha dela por ele aumentou.
- Ah, não, já vou ter que aguentar ele o ano inteiro, vamos atravessar agora - reclamei, Draco quase sempre era chato e ele viria com os pais que eram piores ainda.
- É que ela quer ver o Fred antes de entrar no trem, sabe? Conhecer a família e tudo mais! - zombou Dafne, fazendo todas rirem.
- Ah, mas ela me disse que eles eram só amigos... - Mary disse, denunciando as coisas que havíamos conversado há dois dias.
- Hum, eu acho que não, hein? Mas só a gente encontrando ele para você chegar em suas próprias conclusões.
- Chega de besteira, vamos entrar logo.

Como não havia nenhum trouxa por perto, fui a primeira a passar, arrastando o carrinho de malas calmamente, até atravessar a parede, primeiramente, a sensação era de que você bateria o rosto com tudo nos tijolos, mas depois, você via a placa da Plataforma 9 3/4, o Expresso de Hogwarts aguardando e soltando fumaça, os alunos com suas famílias, enchendo a estação.
Porém, o destino estava de brincadeira comigo naquele momento e, assim que atravessamos, uma família de ruivos podia ser vista, perto de varias pessoas que eu não conhecia, Harry Potter, Hermione Granger, o verdadeiro Olho Tonto e um enorme cão negro.
Parei um pouco mais à frente para esperar as outras atravessarem e, quando isso aconteceu, elas voltaram a rir de novo. Era praticamente impossível não reconhecer a família Weasley, não só pelos cabelos ruivos, mas pela grande quantidade de pessoas que compunham a família. Curiosamente o cachorro parecia latir para Mary-Anne, porém ela não chegou a reparar, uma das pessoas pediu para que o cão se calasse.
E, igual àqueles livros super idiotas de trouxas, como se soubesse que eu tinha chegado, Fred Weasley se virou da rodinha de sua família para olhar exatamente para mim, só para fazer as quatro garotas logo atrás zombarem cada vez mais e chegarem em conclusões completamente erradas. Obrigada, Weasley.
E como eu sabia que era ele? Estranho saber distinguir os gêmeos, mas o sorriso que deu assim que me viu deixava fácil identificar qual era o irmão, óbvio que eu sorri de volta, porque, sinceramente, eu não sei o que está acontecendo comigo.

- Acho que entendi o "só amigos" agora, - zombou minha tia, dando risadinhas com minhas três amigas.
- Vocês estão vendo coisa onde não tem...
- Vendo o que onde não tem? - disse uma voz atrás de mim, quando me virara para responder às brincadeiras de Mary, era inconfundivelmente ele.
- Oi, Weasley - respondi, olhando de volta. - Logo você na entrada da plataforma? Que chato!
- Admite que sentiu minha falta, Zuckker, e eu dispenso a apresentação para sua tia- respondeu ele, abraçando-me em seguida, e eu correspondi porque é muita falta de educação não abraçar de volta...
- Como você sabe que sou a tia dela? - perguntou Mary, sorrindo para Fred quando ele estendeu a mão em cumprimento.
- Dafne, Astoria e Pansy, sempre um prazer ver vocês! - começou Fred, acenando para as três, Pansy respondeu com uma careta. - me disse por cartas que suas tias e avó tinham chegado na Inglaterra, ela sempre está com aquela mulher esquisita lá e acho que você não é a avó dela, não é? Só sobra ser a tia.
- Madeline não é esquisita! - exclamei em defesa da governanta pouco compreendida.
- Mais ou menos, vai? - disse Mary, rindo também. - É um prazer te conhecer Fred, ouvi muito sobre você!
- Só coisas ruins por sinal - exclamei, brincando, claro, recebendo um olhar duvidoso do ruivo ao meu lado.
- Vou fingir que acredito! - ele respondeu, pouco antes de ouvirmos o apito do trem, indicando que ele partiria em breve.
- Melhor vocês irem logo - afirmou minha tia, aproximando-se para me abraçar. - Agora que estamos próximas, quero saber de cada passinho seu, viu? Envie-me cartas sempre.
- Pode deixar e boa sorte com aqueles chatos, a Mad pode te salvar se precisar! - respondi rindo, demos um último abraço e nós cinco nos afastamos.

Fred deu um aceno e parou para as últimas despedidas com seus familiares, senti os olhos de uma mulher ruiva mais velha sobre nós e me afastei rapidamente, percebendo as risadas das meninas atrás de mim.
Por fim, encontramos uma cabine vazia quase no fim do trem, porém, antes de entrarmos, Pansy se lembrou de um pequeno detalhe.

- Meninas! Esqueci de dizer, este ano fui escolhida como monitora da Sonserina! É por isso que Draco não está em lugar nenhum, ele deve estar no vagão dos monitores!
- E você esqueceu dessa pequena coisa?! - ironizei, olhando incrédula para ela.
- Ah, meio bobo, eu sei, tenho que ir correndo para lá! - exclamou, rindo. - Mas volto logo! Guardem os melhores assuntos para depois!

Assim, Pansy correu na direção oposta como pôde com seu malão em meio aos vários alunos aglomerados no corredor.

- Achei que você seria escolhida - admitiu Dafne enquanto entrávamos na cabine.
- Merlin me livre de responsabilidade em excesso esse ano - murmurei baixo.

- Eu sei que trocamos cartas durante o verão inteiro, mas ainda quero saber como foram as férias de vocês! - exclamou Pansy, quando voltou, animada, da reunião dos monitores, sentando-se ao meu lado após fechar a porta. - Vocês não acreditam em quem são os monitores da Grifinória! A Granger e o Weasley do nosso ano!
- Sério? - exclamei, fazendo uma careta, com certeza deve ter sido uma reunião animada.
- Dafne e eu conseguimos ir à Alemanha! Meus problemas de saúde estão melhores eu diria! Foi uma viagem incrível, Pansy, você estava certa! - Astoria soltou, bastante feliz, ela tinha uma saúde frágil que às vezes não permitia que sua família viajasse para não agravar a situação, por isso, realmente ficava contente em saber que ela sentia uma melhora gradativa.
- Conhecemos as cidades mais famosas, mas a parte histórica era muito interessante! Inclusive a parte dos trouxas, eles são meio... estranhos? - concluiu Dafne, acrescentando detalhes à história da irmã, eu nunca conhecera nenhum terreno que não fosse o da Inglaterra ou de Hogwarts e ficava muito curiosa sobre as viagens delas.

Claro que sempre pensei em meu destino final como sendo uma Comensal da Morte, porém, secretamente, eu tinha um enorme desejo de conhecer o mundo todo enquanto pensava na profissão que gostaria de exercer.

- E você, Pansy? - perguntei, ela sempre tinha momentos engraçados durante as férias.
- Bom, primeiro passei uma parte com a Katherine em Brighton, foi bem legal, fomos em um píer que tinha um parque e foi nesse momento que aconteceu aquilo que contei nas cartas, sabe? O segredo.
- Ah sei, aquele negócio do... - comecei, mencionando o que ela tinha dito há umas sete cartas atrás.
- ! Não é para falar alto, vamos chamar de segredo da Pansy.
- Isso não é nenhum pouco apelativo, não é? Quem vai imaginar que é algo que não pode ser descoberto?
- Ok, engraçadinha, vamos pensar em um nome melhor...
- Que tal a coisa do píer? - sugeriu Astoria. - Se bem que qualquer nome vai ser meio apelativo.
- A coisa do píer é melhor que "o segredo da Pansy" - disse, concordando com ela. - Vamos usar isso mesmo!
- Mas agora você, , foi tão ruim como você imaginava?
- Ah, poderia ter sido pior, sabe? - expliquei suspirando, não era um assunto que me deixava muito feliz. - Bom, eu não estou falando com Charlie, minha avó é uma chata e acho que não gosto muito dela também, minha tia Agatha mal fala comigo e o marido dela mal fala com qualquer pessoa!
- Só pessoas incríveis nessa casa! - ironizou Dafne, revirando os olhos.
- Bom, pelo menos agora posso contar com a Mary, ela é incrível! Está disposta a ser uma familiar de verdade, que apoia, conforta e oferece amizade - exclamei, sorrindo. - Só fomos realmente nos aproximar no fim das férias, mas consegui me divertir um pouquinho com os Caramelos Incha-Língua dos gêmeos.
- Falando em gêmeos...
- Ah, não, esquece isso!
- Como esquecer se você não esquece?
- O que? Como assim eu não esqueço?
- Do Fred.
- Não acho que compreendi muito bem a situação - menti, recebendo três caras de tacho de volta.
- Conta outra, ! - Pansy exclamou, rindo. - Olha, eu sei que a gente implicava antes...
- Com a gente você quer dizer você, não é? Nunca falamos nada.
- Voltando, como nós implicávamos antes, agora eu acho que vocês dois são até bonitinhos juntos?
- Realmente, combinam muito visualmente - admitiu Astoria, dando um sorriso extremamente simpático para mim.

Dei um sorriso sem graça, antes eu não ficava tão tímida quando falavam isso, mas por alguma razão, isso acontecia agora.

- Meu Merlin! Você só se complica - exclamou Dafne, sorrindo. - Só saiba que eu acho que todo mundo pensa isso!
- Seria um belo casal! - cantarolou Pansy, zombando de mim.
- Meu Merlin, chega disso por hoje! Vamos focar nos doces que pegamos no carrinho e não comemos até agora porque ninguém para de falar! - disse, querendo claramente mudar de assunto por um momento.
- Pensando um pouco agora, Draco vai ficar insuportável!
- Por que? - perguntou Dafne, mordendo um pedacinho do sapo de chocolate que havíamos comprado.
- Ele já se gaba por qualquer coisa, agora que é monitor vai ficar pior do que nunca!
- E isso é verdade, ele já está agindo assim - concordou Pansy, revirando os olhos ao tirar uma varinha de alcaçuz do plástico. Era bem incomum ela ver algum defeito no "Draquinho", espero que tenha aberto os olhos.

Passamos o resto da viagem conversando trivialidades e o que esperávamos desse ano, quando o condutor anunciou a chega do trem na plataforma de Hogsmeade, Pansy saiu antes com o distintivo de monitor preso na capa dizendo que precisava encontrar Draco. As Greengrass e eu descemos pela estrada escura e lavada de chuva à saída da estação.
Carruagens sem cavalos nos aguardavam ali, que levavam todos os alunos, exceto os do primeiro ano, ao chegarmos perto das carruagens, Pansy reapareceu com Draco, Crabbe, Goyle, Zabini e Katherine.

- Zuckker, já soube das notícias? - perguntou Draco, com seu clássico ar de superioridade ao se aproximar de nós. - Seu amigo aqui virou monitor!

- Snape deve ter bebido muito uísque de dragão para te colocar nesse cargo, hein? - zombei, ele deu um riso de escárnio. - Já deve ter começado a abusar da função, estou certa?
- Sem isso não teria graça...
- , por que não vai na carruagem da frente? Essa aqui vai lotar! - exclamou Pansy, praticamente me empurrando em direção a outra carruagem.
- Por que Draco não vai? - perguntei, sem entender, elas não queriam ir comigo?
- Porque sim, entra logo e me agradeça depois - foi a última coisa que Pansy disse antes de eu entrar sem entender o que ela quis dizer.

Assim que me virei para ver quem estava dentro, a porta se fechou e começamos a andar para o castelo. Os gêmeos Weasley e Lino Jordan estavam sentados, rindo para mim.
- Alô, ! - exclamou Lino, sorrindo, os três tinham algumas maletas em mãos com WW em letras douradas em um dos lados. - Estávamos tratando de negócios, mas acho que o Fred te libera, não é?
- Claro, nossa primeira sócia tem seus privilégios - disse o ruivo sentado ao meu lado, sorrindo de lado.
- Deixa eu adivinhar... Essas maletas estão cheias de logros, não é? - chutei, Fred havia dito nas cartas que Jorge e ele estavam testando novos produtos do tipo que seriam vendidos na Zonko's, uma loja que vendia várias coisas engraçadas e divertidas, porém, dizia que seus produtos seriam melhores.
- Acertou, - respondeu Jorge, dando batidas na maleta. - Aquela aposta que fez com o Fred na Copa foi o nosso primeiro investimento.
- Que honra, pelo menos ter perdido ajudou em alguma coisa - admiti, até hoje eu não sei como ele acertou algo tão específico. - Então eu tenho privilégios? Quais seriam?
- Produtos ilimitados e sair com um dos donos na próxima saída para Hogsmeade - respondeu Fred, dando uma piscadela para mim. - Não tem como recusar!
- Por essa nem eu esperava - Lino disse, gargalhando. - Fred não perde nenhuma!
- No momento eu acho que vou ficar só com os produtos ilimitados mesmo - respondi, brincando, o sorriso do ruivo ao meu lado só aumentou, como se ele soubesse que eu não iria recusar. - Mas você pode arranjar um encontro para mim, se quiser.
- Opa irmãozinho, não foi dessa vez! - gargalhou Jorge. - Acho melhor desistir.
- Ela fala isso na frente de vocês, não é assim que ela me trata sempre - zombou Fred. - Vocês vão ver, ela vai aceitar.
- Convencido ele, não? - questionei, levantando as sobrancelhas. - Só porque já está no último ano...
- Eu nem acredito que vamos terminar a escola esse ano! - Lino exclamou, chocado. - Parece que foi ontem que eu conheci essas salsichas no trem.
- Olha o respeito, Jordan! - Jorge disse, dando um tapa na cabeça do outro. - Estou sentindo que esse ano vai ser incrível.
- Eu também, coisas boas vão acontecer - disse Fred, olhando para mim. - Já estão acontecendo, na verdade.
- Espero que seja melhor do que o ano passado, já que tive a infelicidade de ter o Fred no meu pé o tempo todo - murmurei, fazendo os outros três rirem, pela janela da carruagem percebi que já estávamos próximos do castelo.
- Agora eu não te largo mais, Zuckker!
- Merlin deve me odiar, só pode.

Antes que ele pudesse responder, a carruagem parou e nós quatro descemos, Jorge e Lino saíram na frente, deixando nós dois para trás.

- Sério mesmo, não vou largar do seu pé - Fred confirmou, sorrindo. - Ou seja, vai ser pior.
- Realmente, você não desiste - suspirei, sorrindo de volta. - Preciso falar com você, ainda não sei sobre Hogsmeade, mas o que acha da minha árvore no nosso primeiro horário livre?
- Nossa árvore, , e eu aceito.

Então, subimos de volta juntos, discutindo a questão da nossa árvore preferida para pensar e passar tempo.

O Grande Salão não estava muito diferente dos outros anos, o teto do local, enfeitiçado para parecer o céu de fora, estava escuro e sem estrelas. As velas flutuavam à meia altura ao longo das quatro mesas compridas que cada Casa tinha para si, iluminando o rosto dos alunos que conversavam e dos fantasmas que por ali passavam.
Na mesa dos professores, reparei que uma pessoa diferente ocupava uma das cadeiras ao lado da de Dumbledore, ela tinha cabelos curtos, crespos e castanhos presos em uma faixa rosa que combinava com o casaquinho cor-de-rosa que trajava por cima das vestes, ela tinha uma cara parecida com a de um sapo e olhos meio saltados.

- Quem é aquela? - perguntei para o pessoal na mesa, apontando sutilmente para a coisa rosa lá sentada.
- Ah, aquela é Dolores Umbridge, trabalha para o Ministério da Magia - respondeu Draco, olhando rapidamente para a mulher.
- E o que ela está fazendo aqui? - questionou Dafne, olhando de soslaio para Umbridge.
- Talvez tome o lugar de professora de Defesa Contra as Artes das Trevas? - sugeriu Astoria, uma coisa engraçada era que nunca tivemos um professor de DCAT por mais de um ano, sempre acontecia algum problema com o atual e ele tinha que ser substituído no ano seguinte.

Antes de mais comentários, o Chapéu Seletor iniciou sua canção anual de abertura, no entanto, a atual era bem diferente das canções passadas, na qual o Chapéu limitava-se a dizer as qualidades das Casas e seu papel como selecionador. Porém, a música era quase como um aviso do perigo eminente que a escola e o mundo bruxo sofriam, foram ouvidos alguns aplausos assim que terminou, poucos vindos da mesa em que eu sentava.
Logo depois, a professora McGonagall surgiu com o pergaminho em mãos, o banquinho e a longa fila de alunos novatos, a seleção iria começar.
Todos os calouros iam passando um a um, alguns assustados e outros empolgados até que "Zeller, Rosa" foi selecionada para a Lufa-Lufa, assim que McGonagall se retirou, Dumbledore levantou de sua cadeira.

- Aos nossos recém-chegados - começou ele, com os braços abertos e um enorme sorriso. - Bem-vindos! Aos nossos antigos alunos: um bom regresso! Há um bom momento para discursos, mas ainda não é este: atacar!

Risos e aplausos foram ouvidos enquanto Dumbledore sentava-se alegremente, a comida, como sempre, aparecera do nada nos pratos, todos os alunos famintos pelas tortas, pernis, legumes, pães e molhos e suco de abóbora, não havia comida melhor no mundo!

Quando todos os alunos terminaram de comer e o barulho recomeçou a aumentar, Dumbledore tornou a se levantar. As conversas pararam imediatamente e todos olharam para o diretor, eu já sentia o cansaço chegando e desejava minha cama lá nas masmorras.

- Bem, agora que estamos todos digerindo mais um magnífico banquete, peço alguns minutos de sua atenção para os habituais avisos de início de trimestre - anunciou o diretor. - Os alunos do primeiro amo precisam saber que o acesso à floresta em nossa propriedade é proibido aos estudantes... e a esta altura alguns de nossos antigos estudantes já devem ter aprendido isso também.
"O Sr. Filch, o zelador, me pediu para lembrar a todos que não é permitido praticar magia nos corredores durante os intervalos e nem fazer tantas outras coisas, que podem ser lidas na extensa lista afixado à porta da sala dele.
"Houve duas mudanças em nosso corpo docente este ano. Temos o grande prazer de dar as boas-vindas à Prof. Grubbly-Plank, que retomará a direção das aulas de Trato das Criaturas Mágicas, estamos também encantados em apresentar a Prof. Umbridge, nossa nova responsável pela Defesa Contra as Artes da Trevas."
Houveram aplausos meio murchos e comentários baixinhos por toda a parte, aquela Umbridge não me agradava muito e me perguntava o que teria acontecido a Hagrid.
O diretor continuou:

- Os testes para entrar para os times de quadribol das casas serão realizados...

Ele interrompeu o que ia dizendo, com um olhar indagador à Prof. Umbridge, como ela não era muito mais alta em pé do que sentada, por um momento ninguém entendeu por que Dumbledore parara de falar, mas então a professora pigarreou:

- Hem, hem - e ficou claro que se levantara e pretendia falar.

Dumbledore pareceu surpreso por um instante, então voltou a se sentar, permitindo que a coisa rosa falasse.Os outros membros do corpo docente foram bem pouco indiscretos ao tentarem conter a surpresa ao ver uma professora novata interromper o discurso de Dumbledore, claramente a mulher não conhecia as tradições do colégio.

- Obrigada, diretor - disse a professora, sorrindo afetadamente. - Pelas bondosas palavras de boas-vindas.

Sua voz era aguda e um tanto infantil, mais uma vez tive uma onda de pensamento que dizia que não gostava muito dela, desde sua voz tola, ao casaquinho cor de rosa e aos seus “hem, hem” (som que ela viria fazer muitas vezes para clarear a voz).

- Bem, devo dizer que é um prazer voltar a Hogwarts! - exclamou ela, dando um sorriso. - E ver rostinhos tão felizes voltados para mim!

Olhei para os lados, não via nenhum rosto feliz, os alunos pareciam chocados por verem alguém dirigindo-se a eles como se tivessem cinco anos.

- Estou muito ansiosa para conhecer todos vocês, e tenho certeza de que seremos bons amigos!

Olhei para Draco e ele fazia uma cara estranha para Zabini, enquanto Astoria parecia muito forçar uma expressão para não cair na risada. As outras meninas não tinham uma expressão muito diferente...
Quando voltou a falar, seu tom parecia diferente, mais objetivo, como um discurso decorado há algum tempo.

- O ministro da Magia sempre considerou a educação dos jovens bruxos de vital importância. Os dons raros com os quais vocês nasceram talvez não frutifiquem se não forem nutridos e aprimorados por cuidadosa instrução. As habilidades antigas, um privilégio da comunidade bruxa, devem ser transmitidas às novas gerações ou se perderão para sempre. O tesouro oculto de conhecimentos mágicos acumulados pelos nossos antepassados deve ser preservado, suplementado e polido por aqueles que foram chamados à nobre missão de ensinar.

A professora fez uma pausa e uma reverência aos seus colegas, mas nenhum retribuiu seus cumprimentos. Snape tinha uma feição tão explícita de choque, seria impossível não notar. Umbridge fez mais um hem hem e continuou o discurso:

- Todo diretor e diretora de Hogwarts trouxe algo novo à pesada tarefa de dirigir esta escola histórica, e assim deve ser, pois sem progresso haverá estagnação e decadência. Por outro lado, o progresso pelo progresso não deve ser estimulado, pois as nossas tradições comprovadas raramente exigem remendos. Então um equilíbrio entre o velho e o novo, entre a permanência e a mudança, entre a tradição e a inovação...
- Ou seja, vamos mudar, mas nem tanto, não é? - falei, revirando os olhos, a voz dela fazia com que eu quisesse pegar minha varinha para diminuir o som que produzia. Era irritante, fazia minha mente dar voltas, sem contar que ela parecia totalmente contraditória. Dando um breve vislumbre no salão, quase ninguém prestava atenção ao que ela dizia, o habitual silêncio dos discursos de Dumbledore tinha sumido, dando lugar aos cochichos e risadas vindos de todas as mesas.

A professora não parecia notar o gigante desinteresse da plateia e continua seu discurso calmamente.

- ...porque algumas mudanças serão para melhor, enquanto outras virão, na plenitude do tempo, a ser reconhecidas como erro de julgamento. Entrementes, alguns velhos hábitos serão conservados, e muito acertadamente, enquanto outros, antigos e desgastados, precisarão ser abandonados. Vamos caminhar para a frente, então, para uma nova era de abertura, eficiência e responsabilidade, visando a preservar o que deve ser preservado, aperfeiçoando o que precisa ser aperfeiçoado e cortando, sempre que encontrarmos, práticas que devem ser proibidas.

A bruxa se sentou, Dumbledore a aplaudiu e o corpo docente acompanhou a sua deixa, batendo não mais que duas palmas antes de parar. Os poucos alunos que ouviram tudo soltaram alguns aplausos (coisa que eu não fiz), mas a maioria demorou a notar que o discurso mais desnecessário, chato e contraditório que eu ouvira na vida tinha acabado.
No entanto, apesar da enrolação e chatice, uma coisa tinha ficado bastante óbvia no discurso de Dolores Umbridge. Por algum motivo que eu não sabia, o ministério estava dando pistas de que estava interferindo em Hogwarts por meio da coisinha rosa com cara de sapo e voz de criança. Eu não conseguia imaginar como aquela mulher poderia obter algum êxito em controlar as práticas da escola com todos ali, mas é claro que eu estava muito enganada e não sabia quais seriam seus atos no futuro.

- Vamos ? As meninas estão te esperando e tenho que conduzir os novos alunos pelo caminho - chamou Pansy, tirando-me dos meus devaneios, aparentemente Dumbledore tinha liberado todo mundo.
- Estou morta de cansaço - comentou Katherine quando nos separamos de Pansy.
- Acho que essa comida do jantar de Hogwarts tem poção do sono na composição, sempre fico muito cansada quando terminamos - concordou Dafne, bocejando enquanto seguíamos para os nossos dormitórios nas masmorras.
- Ninguém vai falar nada sobre o que a nova professora disse? - questionou Astoria, estava aguardando alguém dizer isso.
- Aquele discurso foi ridículo! – exclamei. - Não gostei dela antes mesmo dela abrir a boca, agora tenho certeza.
- Ela parece ser uma professora chata, quase dormi ouvindo o discurso! - êxpos Katherine, bocejando novamente.
- Acho que é muito cedo para dizer alguma coisa... - disse Dafne, meio duvidosa, não parecia ter certeza de suas palavras.
- Acho que foi bastante esclarecedor - disse Astoria, olhando para mim. - Você percebeu, não percebeu?
- Sim, não há dúvidas de que o ministério está todo defensivo com o que Harry Potter disse há alguns meses atrás... - respondi, suspirando tristemente quando a realidade apareceu para mim. Voldemort havia voltado, Cedrico Diggory estava morto e eu tinha participado daquilo.
- Que? O que o ministério tem a ver com isso? - perguntou Katherine.
- Eles estão usando o Profeta Diário para dizer que Harry Potter mentiu, Voldemort não voltou e Cedrico morreu acidentalmente no Torneio Tribuxo - disse, elas fizeram uma cara meio estranha quando não o chamei de Você-Sabe-Quem.
- Mas por que eles fariam isso? - perguntou Dafne, confusa.
- Por algum motivo, não é interessante para eles que a população acredite em Harry, não só nele como no Dumbledore também - respondi, minha família assinava o jornal e costumava dar risada das manchetes diárias, sabiam que o Lorde havia voltado. - Talvez não saibam como agir nessa situação, afinal, ele ficou afastado por tempo demais.
- E você acredita em Harry? - questionou Astoria, apesar de que percebi que ela já sabia a resposta.
- Sim, acredito - foi só o que eu disse, o suficiente para Dafne e Katherine darem suspiros e trocarem olhares nervosos, mudamos de assunto ao entrar no dormitório, afinal, ninguém se sentia confortável para falar disso.

Estávamos sentados na mesa da Sonserina tomando o café, Snape acabara de passar entregando os horários do quinto ano e avisando sobre os N.O.M´s que prestaríamos este ano, eram basicamente provas de nível de magia ou conhecimento nas matérias da escola. Eu não sabia muito sobre, mas provavelmente cansaria de ouvir falar nisso até a sua chegada.
As corujas tinham passado pela manhã e uma carta havia chegado para mim, sendo ela de Mary-Anne, perguntando sobre o primeiro dia e se tinha chegado bem. Eu teria muito o que escrever a ela.

- Lembram-se quando recebia uma carta e saía correndo para ler sozinha? - disse Draco, infelizmente, chamando a atenção de nossos amigos para si. - Será que isso vai voltar a acontecer esse ano? Saindo escondida durante a noite, dormindo sabe-se Merlin onde...
- Isso não é dá sua conta, Malfoy - exclamei, revirando os olhos, quem aguenta o Draco, meu pai?
- Agora é sim, não se esqueça que eu sou monitor e devo reportar tudo e qualquer coisa fora das regras.
- Está explicado porque veio com esse assunto, além de enxerido, você também é um exibido, mal pode se conter em mostrar o belo distintivo de monitor - disse, fazendo os outros rirem. - Vai polir o seu lindo distintivo e me deixe em paz, assim vai ter mais tempo para se admirar no espelho como eu sei que você faz!
- Pior que faz mesmo - admitiu Zabini, que dividia o quarto com Draco, Crabbe e Goyle concordaram com ele, gargalhando alto enquanto Malfoy tinha uma cara de poucos amigos.
- Você é outro, Zabini, todo mundo sabe que você é que nem Draco nesse sentido - exclamou Pansy, rindo dele. - Malfoy e você formariam um belo casal de vaidosos.
- Há, essa é boa, Zabini não merece tudo isso aqui não - brincou Malfoy, passando a mão nos cabelos dramaticamente.
- Ninguém merece você, Malfoy, tenho dó da coitada da sua esposa que vai ter que acordar todos os dias olhando para você - murmurei, mordendo um pedaço da torrada em que acabara de passar geleia.
- Eu tenho é dó do Weasley, que se continuar nessa com você, vai ter que te ouvir reclamando toda hora, já que você não sabe ficar quieta - rebateu Draco, fazendo as meninas soltarem risinhos.

Eu já ia responder quando senti mãos nos meus ombros, antes que eu olhasse para cima, ele falou:

- Não me importaria de ouvir ela reclamando todos os dias desde que estivesse ao meu lado, Malfoy - Fred Weasley acabara de dizer isso em alto e bom som na frente de várias pessoas da Sonserina, para todos ouvirem. Não tinha nem como eu não me engasgar com a torrada, foi isso que aconteceu.
- Acho que ela discorda - disse Draco, rindo da minha cara enquanto Pansy e Fred batiam nas minhas costas.
- Cala a boca, Malfoy!
- Vem calar, sua estressada! - era nítido o duplo sentido no que tinha dito, olhei com raiva para ele.
- Opa, isso aí é exclusivo! Mas posso te ajudar de uma maneira bem mais acessível - exclamou Fred, sorrindo de lado, pegou um pedaço de pão e colocou na boca de Draco, que se abrira para perguntar o que ele ia fazer.

Fred simplesmente foi lá e colocou o pão na boca dele. Tinha como não amar ele? Eu quero dizer, não tem como não gostar! Todos ali em volta riram da cena, com exceção, é claro, de Draco.

- Vou reportar isso, Weasley, sou monitor agora - disse ele, cheio de raiva e pão.
- Faça quantas anotações quiser, mais uma não fará diferença, senhor monitor - zombou Fred, depois, virou-se para mim. - Encontro você no primeiro horário livre então?
- Com certeza, Weasley, não tenho ideia de como posso agradecer por ter finalmente calado Draco adequadamente! - zombei junto, usando um tom cordial de propósito. - Dá próxima vez, dê a ele o que ele pediu ao invés do pão, tenho certeza que ele ficaria bem mais feliz!
- Ah, ele não faz meu tipo, , você faz bem mais - disse ele, piscando para mim antes de se afastar para encontrar Jorge, eu sabia que ele diria algo assim, não sei porque inventei de falar isso!

Vire-me para frente de novo, somente para encontrar todas as meninas com sorrisinhos idiotas no rosto e um Draco rindo da minha clara timidez com o comentário de Fred.

- Sim, amiga, eles namoram - zombou Pansy, fazendo um coração com as mãos para mim.
- Nem mais uma palavra sobre, ouviram? - disse, tentando disfarçar meu desconserto, eles concordaram com a cabeça, como se não fossem falar mais nada durante todas as outras vezes que Fred Weasley diria algo assim na frente deles.

O primeiro horário livre do dia chegara durante a tarde, após o almoço, despedi-me dos meus amigos, que se seguraram muito para não fazer nenhuma brincadeira, e desci as escadarias para a árvore em frente o lago onde Fred e eu costumávamos nos encontrar. Ela ficava perto de várias pedrinhas, tinha uma copa alta e repleta de folhas grandes, ela nos escondia e não deixava muita neve cair durante o inverno.
Como adquirimos o hábito de ficar juntos por ali no ano passado, utilizamos o feitiço Accio (escondido, claro) para fazer com que duas grandes almofadas da sala de Adivinhação da Professora Trelawney e deixar o local mais confortável. Raramente alguém passava por ali, jamais vira alguém passar o tempo lá como eu, até o ruivo me encontrar lá quando queria passar um tempo sozinho.
Chegando ao ponto de encontro, ele já estava lá, as almofadas intactas e os olhos vidrados na superfície do lago, aproximei-me tentando não fazer barulho, com ele distraído, coloquei minhas duas mãos na frente de seus olhos.

- É para adivinhar quem é? - disse ele, senti que sorria. - Hum... Eu diria que é Draquinho Malfoy, o amor da minha vida.
Tirei as mãos que tapavam seus olhos e sentei ao seu lado rindo, o senso de humor dele parecia nunca se abalar. Lembrava-me bem de que não o vira fazer uma gracinha quando Cedrico Diggory morreu, já que as lembranças desse dia tenebroso me assolavam sempre que podiam.

- Aqui é a dama de companhia de Lady Draquinho, ele pediu que viesse no seu lugar, já que não fica com plebeus - continuei, afetadamente. - Mas disse que eu sim.
- Pois então, juntemos nossas coisas e fujamos dos aposentos de Lady Draquinho, que tenho certeza que será uma cruel rainha no futuro - respondeu ele, pegando minha mão esquerda e depositando um beijo lá.
- Coitado do povoado de Hogwarts se ficar na mão daquela Lady chata e fútil - confirmei, acariciando seu cabelo (de brincadeira, claro). - Não hesitaria em fugir com você, plebeu.
- Você fugiria mesmo? - perguntou Fred, mais seriamente agora. - Não comigo, eu digo, daqui de Hogwarts.
- No momento eu não tenho motivos para tal, mas dependendo da situação... - respondi, sem entender o motivo da pergunta. - O que se passa na sua cabeça agora?
- Ah, não sei exatamente... Eu gosto de Hogwarts, os melhores anos de nossas vidas são aqui - respondeu ele, soltando um suspiro antes de prosseguir. - As pessoas que conhecemos aqui serão carregadas pelo resto das nossas vidas, os professores que nos ensinaram vão sempre ser lembrados, mesmo tendo gente como o Snape aqui. E eu sei que o que aprendemos aqui é importante, mas Jorge e eu não temos interesse algum em seguir carreira acadêmica.
- Não consigo não imaginar vocês com uma bela loja de logros no Beco Diagonal - comentei, sorrindo. - Se vocês dois estão pensando em fugir da escola antes daqueles exames do último ano, eu apoio totalmente, não sei como vão fazer isso, mas sei que vão fazer ser memorável. A escola nunca mais vai esquecer.
- Mamãe vai nos matar - Fred disse, rindo só de pensar na ideia. - É só um plano inicial, sabe? Como você disse, não temos motivos para fugir ainda, se tivermos, você vai ser a primeira a saber.
- É bom mesmo, Weasley - falei, batendo levemente meu ombro no dele. - Mas, mudando de assunto, o que você achou da Umbridge?
- Aquela mulher é completamente chata, eu queria tanto dormir enquanto ouvia aquele discurso sem sentido decorado do ministério.
- Sim! Foi importante prestar atenção naquela coisa rosa só para entender que o ministério quer começar a interferir em Hogwarts.
- Você sabe o motivo, não sabe?
- Harry Potter e Dumbledore, claro.
- Ninguém quer acreditar em Harry, e o que ele ou Dumbledore andam fazendo e falando aqui é de grande interesse para aqueles ratos do ministério - Fred disse, com raiva, não tinha como discordar, o ministério estava cheio desse tipo de pessoa. - Papai quase não aguenta mais algumas pessoas de lá.
- Eu posso imaginar, acho que existem algumas grandes carreiras lá, mas as pessoas em geral não fazem valer a pena o trabalho, sinto muito por seu pai.
- , você acredita em Harry? - questionou Fred, olhando profundamente para mim, eu sabia que uma hora teria que falar disso.
- Acredito, Fred, acho que você já deve imaginar que eu sei que ele está de volta - respondi, inconscientemente puxando mais as mangas da minha capa e blusa, quase dava para sentir o peso da marca negra no antebraço esquerdo sob a cicatriz. - Se você quer saber mesmo, não sei onde ele está, acho que meu pai já se encontrou com ele, mas não faço ideia de onde ele está.

Não era completamente verdade, mas também não estava mentindo. Havia visto Voldemort naquele dia fatídico em que recebi o seu símbolo, nunca mais tinha tido a honra da sua presença. Eu sabia que ele passava bastante tempo nos Malfoy, porém não estava sempre lá.

- Eu acredito em você, não sei como se sente sobre toda essa guerra que vai cair sobre nós algum dia, mas também não deve ser muito bom ter parentes assim.
- Eu não gosto deles, só da minha tia que você conheceu e da Maddie, os outros, quero distância. É por isso que eu esperei tanto para voltar para Hogwarts, não tinha muita gente que me fizesse querer permanecer em casa.
- Você deveria ir para minha casa, minha mãe trata as visitas melhor do que os filhos - sugeriu Fred para mim, levantando uma das sobrancelhas. - Eu falei de você para ela, na verdade foi o Jorge que começou tudo, depois disso ela me obrigou a falar.
- O Jorge não tem o que fazer não?
- Ele não seria meu irmão se não tentasse me sabotar para a mamãe, .
- Seria tão bom ter uma família assim, unida, sem mentiras ou segredos, com amor... - pensei, triste, era um dos meus desejos mais profundos ter uma família como a dos Weasley, que se apoiavam acima de tudo e sentiam amor uns pelos outros.
- Pelo menos você tem a Mary com você agora, não é o desejo total, mas já melhora um pouquinho, não? - disse Fred, colocando seu braço esquerdo em volta de mim, deitei minha cabeça em seu ombro. - E faltando lá, você pode ter aqui...
- É bom saber disso, Weasley - admiti, sorrindo levemente.

Ter me aproximado de Fred Weasley fora uma das melhores coisas que aconteceram comigo, eu sabia que, independente do que fôssemos, ele sempre estaria lá se eu precisasse.

- Falando em família - o ruivo disse, um tanto tenso. - Você vai mesmo fazer algo com relação a sua mae? Vai buscar a verdade?
- Sim, mais do que nunca estou determinada a descobrir o que aconteceu com ela, porque, morta por um Auror, ela não foi.
- Se precisar de ajuda, só me chamar que invadiremos os arquivos da escola.
- Você está pedindo para Lady Draquinho nos dar uma detenção, Weasley.
- Pelo menos estaremos juntos lá.
- Ok, chega - disse, afastando-me dele. - Vamos subir, o horário livre já deve ter acabado.
- Na próxima, vejo você na saída para Hogsmeade, é seu prêmio como a primeira a contribuir com a loja de logros.
- Veremos, Fred, veremos.


Capítulo 3 - Onde Os Fracos Não Têm Vez

Hoje seria minha primeira aula de Defesa Contra as Artes das Trevas com a nova professora, enviada diretamente do Ministério, Umbridge. Eu não sabia muito o que esperar, mas talvez algo bastante controlador podia nos esperar.
Entrei na sala e me sentei com Pansy em uma mesa para duplas no meio da sala, o resto da turma foi se sentando, em silêncio, já que a professora era uma desconhecida completa por enquanto.

- Bom, boa tarde! - disse ela depois que todos já haviam se acomodado. Poucos alunos responderam o cumprimento dela.
- Tss-tss - muxoxou a professora. - Assim, não vai dar, concordam? Eu gostaria que os senhores, por favor, respondessem: "Boa tarde, prof. Umbridge”. Mais uma vez, vamos lá, boa tarde, classe!
- Boa tarde, prof. Umbrigde - respondeu a turma em um coro monótono.
- Agora sim, imagino que não foi tão difícil, certo? - disse ela com meiguice. - Guardem as varinhas e apanhem as penas.

Olhei com estranheza para a professora, como assim guardar as varinhas em uma aula onde deveríamos aprender a nos defender?
Olhei para Pansy e ela não questionou muito, já pegava a pena e o tinteiro, então, meio contrariada, fiz o mesmo. A professora pegara a sua varinha e dera uma pancada no quadro e imediatamente apareceram lá algumas palavras:

Defesa Contra as Artes das Trevas
Um Retorno aos Princípios Básicos


- Bom, o ensino que receberam desta disciplina foi um tanto interrompido e fragmentário, não é mesmo? - afirmou Umbridge. - A mudança constante de professores, muitos dos quais não parecem ter seguido nenhum currículo aprovado pelo Ministério, infelizmente teve como consequência os senhores estarem muito abaixo dos padrões que esperaríamos ver no ano dos N.O.M´s.
“Os senhores ficarão satisfeitos de saber, porém, que tais problemas agora serão corrigidos. Este ano iremos seguir um curso de magia defensiva, aprovado pelo Ministério e cuidadosamente estruturado em torno da teoria. Copiem o seguinte, por favor!”

Ela bateu novamente no quadro, a primeira mensagem desapareceu e novas palavras apareceram no quadro, com os objetivos do curso.

1. Compreender os princípios que fundamentam a magia defensiva.
2. Aprender a reconhecer as situações em que a magia defensiva pode legalmente ser usada.
3. Inserir o uso da magia defensiva em contexto de uso.




Fui copiar os objetivos, muito mais contrariada do que antes, como assim só aprenderíamos a nos defender com teoria? Não fazia sentido.

- Todos têm um exemplar de Teoria da magia defensiva de Wilbert Slinkhard?
Ouviu-se um murmúrio baixo de concordância por toda sala.

- Acho que vou tentar outra vez - disse ela. - Quando eu fizer uma pergunta, gostaria que os senhores respondessem: “Sim, senhora, prof. Umbridge” ou “Não, senhora, prof. Umbridge”. Então: todos têm um exemplar de Teoria da magia defensiva de Wilbert Slinkhard?
- Sim, senhora, prof. Umbridge - ecoou a voz dos alunos pela sala, de forma extremamente robótica.
- Ótimo. Eu gostaria que os senhores abrissem na página cinco e lessem o Capítulo Um: “Elementos Básicos para Principiantes”. Não precisarão falar.

Peguei o livro na mochila e abri onde a professora havia indicado, no entanto, em uma parte da leitura, vi que era tudo muito chato e dito por cima, assim, decidi parar de ler e fazer a pergunta que pairava na minha cabeça desde o momento em que Umbridge pedira para que guardássemos as varinhas. Como era bastante claro que a mulher era adepta das maneiras clássicas em sala de aula, levantei a mão. A professora demorou um pouco para olhar diretamente para mim, como se não quisesse responder pergunta alguma e esperasse que sua demora fizesse com que eu desistisse, continuei com a mão erguida.

- Queria me perguntar algo sobre o capítulo, querida? - perguntou-me, como se só tivesse me notado agora. A sala parara de ler o monótono livro e observava a situação.
- Não, tenho uma pergunta sobre os objetivos do curso - disse, abaixando a mão e olhando fixamente para a coisa rosa na minha frente.
- Muito bem, Srta... Como é mesmo o seu nome?
- Zuckker.
- Muito bem, Srta. Zuckker, acho que os objetivos do curso são bastante claros se lidos com atenção - respondeu ela com seu tom de falsa meiguice.
- Não acho, já que não há nada no quadro sobre como iremos fazer o uso dos feitiços defensivos - afirmei, alguns da turma viraram-se para o quadro, como se não tivessem reparado nisso até o momento.
- Ora, não consigo imaginar nenhuma situação que possa surgir nesta sala de aula que exija o uso de um feitiço defensivo, Srta. Zuckker. Com certeza não está esperando ser atacada durante a aula, está? - disse, com uma risadinha no final, o que me irritou ainda mais.
- Obviamente não, mas certamente a prática de feitiços defensivos é a questão principal na matéria.
- Imagino que a senhorita esteja pensando nesse momento que é qualificada para indicar qual a “questão principal” em uma disciplina, não é uma especialista educacional do Ministério, srta. Zuckker, portanto não pode afirmar nada sobre o formato das aulas - disse ela, com um leve tom de rispidez por trás. - Bruxos mais velhos e mais inteligentes que a senhorita, formularam este curso, onde irá aprender sobre os feitiços de defesa de um modo mais seguro e livre de riscos.
- Para que servirá isso? Se formos atacados, não será em um...
- Repito, a senhorita espera ser atacada durante as minhas aulas?
- Repito, já respondi sua pergunta, e de modo algum estou falando sobre suas aulas, existem coisas lá fora, prof. Umbridge, de maneira alguma estaremos preparados para o mundo real somente estudando a teoria!
- Aqui é uma escola, Srta. Zuckker, não o mundo real.
- Então não devemos nos preparar para o que estará nos esperando lá fora? Não estaremos na escola para sempre.
- Não há nada esperando lá fora, Srta. Zuckker, quem que a senhorita imagina que queira atacar crianças da sua idade? - perguntou ela, com aquele tom de voz meloso que me irritava.
- Vejamos bem - disse eu, em uma voz fingidamente pensativa. - Lord Voldemort é nosso principal indicado, ele não estava morto como quase todos pensavam.
- Detenção, Srta. Zuckker - disse a professora, por fim. - Amanhã à noite. Sete horas. Na minha sala. Isto que disse é uma grande mentira e deveria saber que é extremamente errado questionar os mais velhos da maneira como fez agora.
- Então agora é proibido discordar da senhora?
- Venha aqui pegar este papel, vá até o prof. Snape e entregue a ele, Srta. Zuckker - disse ela.

Então, levei o tal papel até Snape, que não me nenhuma bronca ou algo do tipo pelo que eu havia feito, só me recomendou que permanecesse quieta nas aulas da Umbridge, já que a minha maneira de opinar haveria de incomodar ela sempre. Foi o conselho mais ridículo e aquela foi a aula mais bizarra que tive o desprazer de ter! Simplesmente era inaceitável pensar que haveríamos de saber executar feitiços somente com a teoria, ainda mais depois que eu descobrira que os N.O.M´s tinham exames práticos também.
Eu não pretendia mencionar Voldemort no momento, na verdade, nem gostava muito de pensar nele, porque sempre me vinham memórias daquele dia horrível e da marca que possuía no antebraço esquerdo. Eu me sentia péssima toda vez que lembrava daquilo, no entanto, não podia simplesmente aceitar aquela metodologia fajuta e feita somente para o controle do Ministério sobre a escola.
Como eu ainda tinha alguns minutos antes da próxima aula começar, decidi esperar perto da sala onde ela aconteceria. Sentei em um degrau de uma das escadarias próximas, ainda bastante irritada, quase bufando, quando vejo alguém se aproximando pelo meu lado esquerdo. Felizmente, era Fred.

- Ei, o que você está fazendo aqui? Não devia estar na sala? - perguntou ele, sentando-se ao meu lado.
- Fui expulsa da aula pela Umbridge - disse, sem rodeios. - E você? Devia estar na sala também.
- Saí para ir ao banheiro, e como assim foi expulsa da sala? Isso não é muito você.
- Você já teve aula com ela, não teve?
- Sim e foi bizarra, ela só falou de teoria e teoria, nem prestei atenção, estava mais preocupado com a criação dos logros.
- Como não tenho nada para me preocupar, prestei bem atenção e questionei ela sobre a metodologia e tal - disse, suspirando. - Ela não gostou, é claro, aí eu me estressei e falei que isso não ia ajudar em nada no mundo lá fora.
- Porque outras coisas nos esperam lá fora.
- É, e ela foi lá e disse que não tinha nada - falei, revirando os olhos. - Eu rebati de novo, ela me deu uma detenção amanhã às sete e também mandou levar um papel para o Snape, ou seja, ela me expulsou da sala.
- Que orgulho de você! - Fred falou, sorrindo para mim. - Até podia entrar para a Grifinória.
- Credo, jamais quero pisar no salão comunal de vocês, leõezinhos.
- Tirando a brincadeira, não acho que você foi errada, , eu também discordo dela e toda essa palhaçada que o Ministério está fazendo, quem não quer aceitar que ele voltou, é burro de acreditar no Fudge, ele é um covarde que não quer assumir nada.
- O pior são as pessoas dessa escola, que viram o Potter voltar com a chave de portal e o Cedrico morto, gritando que foi o Voldemort que o matou - engoli em seco, trazendo essas memórias de volta. - Eles deveriam saber que, depois de alguns casos fatídicos em outros anos, apesar das provas desafiadoras, a escola jamais deixaria alguém na mão, entregue à morte desse jeito.
- Esses dias o Rony me contou que o Harry teve uma discussão feia com o Simas Finnigan porque ele disse que não acreditava no Harry, assim como sua família também não.
- Ele deve estar sofrendo mais do que todos, foi ele que espalhou a verdade.
- Está mesmo, acho melhor eu voltar para a sala nesse um minuto de aula que me resta - murmurou ele, rindo. - Vejo você mais tarde, .

Ele entrou na sala e eu fiquei esperando, alguns outros alunos já estavam se aproximando também, mas eu não conseguia parar de pensar na detenção com Umbridge. O que ela me faria fazer?

Olhei para o relógio na parede do salão comunal da Sonserina e já eram quase sete horas, então levantei do sofá e disse para as meninas que ficariam conversando por lá:

- Estou indo, se eu não voltar até às sete e meia, chame o Snape, ela já deverá ter acabado comigo.
- Ai, , que drama, também não é para tanto, ela só parece um tanto tensa - disse Pansy, rindo. - Não é tão ruim assim.
- É isso que diziam sobre Grindewald e olha só o que aconteceu! - falei, exasperada. - Enfim, não se enganem com aquela coisa rosa, ela ainda vai surpreender vocês e eu vou ter o prazer de dizer que eu avisei!
- É melhor ir andando, se não vai se atrasar - Astoria disse, também checando o horário.

Despedi-me delas novamente e saí do salão comunal e segui o caminho até a sala de Umbridge, que ficava no terceiro andar. Chegando lá, a porta abriu-se e, para minha surpresa, Harry Potter saiu da sala tão atordoado que nem me viu, ele saiu correndo. Depois que ele se afastou, bati na porta e ouvi a professora dizendo que eu podia entrar.
Ao entrar na sala, tive uma visão bem diferente de quando Bartô Jr a ocupava, antes tinha muitos artefatos e instrumentos. No entanto, agora estava bastante diferente, as mesas estavam cobertas por capas de renda e de tecido, vasos com flores secas e em uma das paredes, havia uma coleção de pratos decorativos estampados com enormes gatos, cada um com um laço diferente no pescoço

- Boa noite, Srta. Zuckker - disse a professora, hoje, curiosamente, ela usava um vestido que se fundia perfeitamente com a toalha de mesa de sua escrivaninha.
- Boa noite, professora Umbridge - disse, com um falso sorriso.
- Certo, sente-se ali - disse ela, apontando para uma mesinha forrada com uma toalha de renda, junto da mesa havia uma cadeira e, em cima dela, um pergaminho em branco.
- Agora, a senhorita irá escrever algumas linhas para mim.
- Desculpe, professora, mas não trouxe nenhum material porque vim do salão comunal para cá - interrompi a professora.
- Ah, não se preocupe, a senhorita usará uma especial que tenho - respondeu ela, seguindo até sua escrivaninha e apanhando uma pena longa e preta. - Tome aqui.

Peguei a pena de sua mão, logo reparei que tinha uma ponta bastante afiada. E no fim, eu só teria que escrever a mesma frase várias vezes...

- Quero que a senhorita escreva: Não devo desrespeitar os mais velhos, eles sabem mais - disse ela, com sua típica falsa meiguice.
- Quantas vezes? - perguntei, reproduzindo ao mesmo tom falso que ela, que frase mais absurda.
- Ah, o tempo que for preciso para a frase penetrar - respondeu de volta. - Pode começar, querida. E você não precisará de tinta, não se preocupe.

Achei o jeito que ela falou muito estranho, mas peguei a pena e comecei a escrever, ela sentou na cadeira de sua escrivaninha e debruçou-se sobre uma pilha de pergaminhos sobre a mesa. Assim que terminei de escrever a frase pela primeira vez, senti uma pontada de dor na mão que utilizava, a frase aparecera em vermelho brilhante no pergaminho e decidi checar a minha mão.
Lá, as palavras que eu acabara de escrever, estavam gravadas nas costas da mão, em um corte brilhante. Essa mulher era maluca! A detenção dela era basicamente tortura!

- É bom continuar sem reclamar, querida - ouvi a coisa rosa dizer, sem levantar o olhar para mim.

Queria muito protestar, mas imaginei que ela pioraria o castigo. Cada vez que eu escrevia a frase no pergaminho, outra pontada aguda de dor era sentida, deixando as palavras ainda mais marcadas na minha pele, eu não precisaria de tinta porque usaria meu próprio sangue para gravar as palavras no papel. Umbridge provavelmente buscava em mim algum sinal de fraqueza, mas Merlin sabia que eu já havia sentido dor muito pior.
Eu não gostava de lembrar daquele dia horrível, no entanto, às vezes era bom lembrar que eu já havia aguentado coisa pior, os piores anos e dias da minha vida já haviam acontecido e sempre haveria de aparecer algo para tentar me enfraquecer, mas eu seguiria firme
Depois que um tempo suficiente passou, a professora me chamou, larguei a pena com um prazer imenso e, com as costas da mão ardendo, fui até ela.

- A mão - pediu ela, estendi a mesma para ela, o corte fechara, mas a pele estava em carne viva, muito vermelha.
- Quase fundo o bastante, querida, pelo visto se esforçou - disse sorrindo. - Não sentiu tanta dor?
- Já senti coisas piores, professora.
- Bom, que tal uma última sessão daqui a três dias no mesmo horário? Acho que será o suficiente para você. Pode ir.

Saí da sala com um alívio imenso, acho que umas boas duas horas haviam se passado e saí correndo para o salão comunal, eu só queria me deitar nesse momento. Queria entender o motivo de Dumbledore aceitar isso sem questionar, é claro que o Ministério dava a última palavra, mas ele não parecia pestanejar. Eu não conseguia o entender, talvez ele estivesse ficando caduco mesmo, como Draco diria.

- Eu não acredito que aquela sapa velha fez isso com você! - exclamou Fred, com raiva, quando mostrei as palavras gravadas nas costas de minha mão.
- Sapa velha?
- Angelina disse que Harry a chamou assim ontem quando disse que não poderia comparecer nos testes de Quadribol.
- Harry deve ter tido o mesmo castigo, ele não contou para seu irmão?
- Acho que não, ele não deve ter falado para ninguém - presumiu Fred, pegando minha mão e olhando mais de perto. - Que velha mais sem noção!
- Harry é um idiota, eu falei mesmo, se ela não gostar, que piore esse castigo logo, eu não ligo.
- Você tem alguma detenção hoje?
- Sim, sessão de tortura marcada para sete horas da noite, divertido, não é?
- Incrível o que essa mulher está fazendo aqui, é difícil de acreditar - falou o ruivo, meio cabisbaixo, ainda com minha mão entre as suas, fazendo círculos com o polegar sobre as palavras avermelhadas.
- Algo me diz que isso só vai piorar, você não sente o mesmo? - perguntei, suspirando ao passar o olhar pela imensidão que era a propriedade da escola.
- Pior que sinto sim, o Ministério está fazendo de tudo para ter o controle da escola e eu não sei se Dumbledore tem muito o que fazer nessa situação.
- Talvez ele dê um jeito, vai saber?
- Ele é meio enigmático, não é? Fala umas coisas sem sentido e espera que a gente entenda.
- Agora que você falou isso, lembrei que fui na sala dele no ano passado e ele me disse alguma coisa, pareceu importante, mas eu não consigo lembrar o que é!
- Era sobre sua mãe?
- Algo me diz que sim, por que mais eu iria até o Dumbledore? Não tenho nenhuma intimidade com ele.
- Nós precisamos começar a investigar, só que agora está difícil com todos os treinos e jogos de quadribol, meu último ano aqui e seu ano dos N.O.M´s.
- É, vai ficar complicado, mas acho que deveríamos começar com uma lista.
- Lista do quê?
- De coisas que eu já sei sobre meu pai e a minha mãe, mesmo as coisas que achamos que seja mentira.
- Acho que isso vai nos dar um início de linha do tempo, é bastante provável que a sua mãe e seu pai sejam do mesmo ano, mas eu não teria certeza sobre serem da mesma casa.
- Pior que eu também acho que ela não era da Sonserina, tenho essa sensação - respondi, olhando para ele. - Acho que minha avó não gostava muito dela também, ela não gosta de mim.
- Talvez você seja parecida com ela, então? Em questão visual, ela passou tanto tempo fora que não deve saber a personalidade que você tem.
- É, deve ser isso mesmo, você acha que deveríamos fazer uma pesquisa de todas as alunas das casas que estudaram no ano do meu pai?
- Sim, é uma maneira de conseguirmos todos os nomes possíveis e depois sair eliminando, mas talvez seja melhor ter um ano específico para pesquisar, o ano em que eles começaram a flertar ou conversar, algo assim.
- Durante as férias minha tia me contou uma última história que ela lembrou - exclamei, olhando para ele. - Ela me disse que ele havia conhecido uma garota da Corvinal e que se aproximara dela e que ela o fazia questionar tudo que minha vó dizia que ele deveria fazer! Pode ser uma pista.
- Sua tia não lembra dela?
- Ela disse que não lembra muito nem da aparência e nem do nome, esteve sempre mais focada no pessoal do seu ano e também no Quadribol - falei, relembrando o que ela me dissera. - Ela se mudou bem na época do casamento dos meus pais e dos primeiros ataques de Voldemort, não participou de nada disso, Charlie não conversava muito com ela e as informações que recebia era de que não conhecia a moça com quem ele tinha se casado.
- É muito pouco provável que ela não conhecesse, , se fosse um ano mais nova, seria do ano dela, um ano mais velha, ela já teria um conhecimento de vista - Fred disse, montando um pensamento com o que sabíamos. - Além disso, eu sei que você não fala muito disso, mas alguma vez que você teve contato com um Comensal da Morte ouviu a menção do nome ou da presença da sua mãe?
- Não, nunca! - disse, animada. - É exatamente esse o ponto, se eles tivessem conhecido a minha mãe e se ela tivesse feito parte deles, eles teriam mencionado ela pelo menos uma única vez!
- É isso, , estamos quebrando os argumentos do seu pai um a um - ele murmurou, com um sorriso um tanto triste, ele sabia o quanto isso me magoava. - Primeiro, é impossível que ela tenha morrido da forma que ele falou, porque fazendo as contas, ela morreu já quando isso não era mais permitido. E acabamos de chegar à conclusão de que ela não era Comensal coisa nenhuma.
- Agora só nos resta descobrir quem era ela, quem a matou e qual o motivo de ter feito isso, é tudo que preciso saber.

Na segunda detenção, escrevi as frases o mais rápido que pude para conseguir escrever mais, é claro que eu sentia o dobro de dor fazendo isso, mas eu não queria ter que passar mais dias com Umbridge na minha cola, pedindo para eu ficar escrevendo aquela frase idiota. Além disso, nossos novos jogadores já tinham sido escolhidos e iríamos começar com os treinos para os futuros jogos de Quadribol e mal podia esperar para voltar à posição de batedora.
Infelizmente, meu time não era muito bom, eu tinha que admitir, nós poderíamos conquistar resultados bem melhores se a gente tivesse um jogo mais limpo por parte da maioria dos jogadores, se tivéssemos uma união de equipe, já que um ou outro sempre acaba querendo mostrar seu valor e como conseguia jogar bem. E claro, se alguns jogadores fossem escolhidos porque são bons, não porque têm familiares importantes.
Eu tinha que admitir, Draco entrou no time porque ele era um Malfoy, não porque era um bom jogador. Ele foi melhorando, mas ainda assim, tenho certeza que alguém melhor poderia ter assumido sua posição.
Como eu era muito solitária na minha casa, desde que meu pai desapareceu, Madeline me deixava treinar com a vassoura no quintal da propriedade, eu lia alguns livros sobre quadribol e sempre me identifiquei com a posição de batedora. Até consegui assistir alguns jogos, quando Madeline me levava. Meu objetivo número um era ser a batedora da minha casa assim que pudesse me inscrever. Até consigo admitir que fiquei com um pouco de inveja de Potter, que conseguiu a posição de apanhador da Grifinória no primeiro ano, coisa que muito raramente acontece.
Enfim, hoje em dia a Sonserina tinha poucas chances de ganhar a taça do campeonato por conta do time todo, mas eu fazia minha parte, esforçando-me ao máximo para defender o meu time enquanto atrapalhava o outro (os batedores têm a melhor função).

- Venha cá, querida - disse a coisa rosa de sua escrivaninha, eu passara tanto tempo pensando no esporte que me esquecera completamente daquela dor, reparando agora que sangue escorria pelo meu pulso, que veio com tudo quando meus pensamentos voltaram para a realidade.

Fui até Umbridge e estendi a mão, que estava com o corte tão profundo que parecia que eu havia tido umas quatro sessões com a professora. Eu tinha me esforçado para não ter que vê-la de noite, ficaria doendo por mais tempo, mas acho que funcionou.

- Vejo que é uma garota muito firme, srta. Zuckker - disse ela depois de checar minha mão. - Você escreveu o dobro do que teria escrito em cada uma das vezes que esteve aqui. Por quê?
- Captei o que a senhora quis dizer e tentei fazer com que isso se acelerasse para conseguir cumprir minhas tarefas no tempo certo.
- Bom, funcionou - murmurou a coisa rosa, dando um sorriso falso para mim. - Espero não ter que ver a senhorita aqui novamente, pode ir.

Saí da sala aliviada e com muito esforço consegui não xingar aquela mulher apesar dela me irritar muito. Com a mão queimando de dor e algumas gotinhas de sangue caindo pelo chão, voltei para as masmorras, imaginando como podiam contratar loucos para trabalhar no Ministério.

Acabei acordando um pouco atrasada, quando levantei, todas as meninas já haviam saído do quarto para tomar café. Coloquei minhas vestes, tomando o cuidado de usar blusas de manga comprida para cobrir a marca negra no pulso esquerdo, eu quase sempre estava de capa, mas era bom ter uma segunda garantia de que aquela porcaria não apareceria.
Chegando ao salão principal, o burburinho era alto como sempre, mas algumas mesas tinham pessoas aglomeradas em volta de outra pessoa lendo um jornal. Ao me aproximar de meus amigos na nossa mesa, vi que eles faziam o mesmo.

- O que aconteceu? - perguntei, eu não tinha o costume de ler o Profeta Diário, as notícias importantes acabam chegando em mim de qualquer maneira. Meus amigos não disseram nada, só viraram a manchete principal para mim.

Nela, a coisa rosa tinha um enorme sorriso na foto e era possível ler:

MINISTÉRIO QUER REFORMA NA EDUCAÇÃO
DOLORES UMBRIDGE NOMEADA
PRIMEIRA ALTA INQUISIDORA DA HISTÓRIA


- O que é “alta inquisidora”, pelo amor de Merlin? - perguntei, revirando os olhos, coisa boa não deveria ser.
- Ela basicamente tem autoridade para inspecionar o conteúdo das aulas dos professores, suspeito de que vai conseguir mais autoridade ainda - Astoria explicou, também revirando os olhos.
- E quem deu esse direito a ela?
- Cornélio Fudge.
- É claro, só mesmo esse diabrete morto para permitir coisa assim.
- Eu acho até bom, assim o Dumbledore para de achar que pode fazer qualquer coisa - Draco disse, dando de ombros.
- Você está dizendo a mesma coisa que seu pai disse na matéria.
- Draco é outro diabrete morto, nem adianta discutir - falei, balançando a cabeça em negação.
- Ah, quem sabe não ajuda em algo mesmo, Dumbledore está ficando meio velho e caduco, só protege a Grifinória, talvez seja bom - Pansy disse com um tom muito calmo. Dafne, Katherine e Blásio concordaram.
- Como essa velha maluca que me fez fazer isso na minha mão - disse, mostrando o machucado para eles. - Pode fazer alguma coisa boa para esse lugar? Vocês estão loucos?
- Mas, , tem que concordar que você desafiou a professora, não é? Ela só estava fazendo uma metodologia nova e você gritou com ela - Pansy disse, olhando para mim, quase todos em volta concordaram com ela, dando de ombros e abaixando a cabeça, Astoria era a única sã naquele lugar.
- Então basicamente você está dizendo que eu mereci essa detenção, que é basicamente tortura, por que eu exerci o meu direito de questionar uma coisa que eu tenho quase certeza que você pensou também? - exclamei, irritada.
- Relaxa um pouco, nem deve ter sido desse jeito - Draco disse, debochando. - Está ficando igualzinha o Potter, vocês dois foram os únicos que deram esse show com a Umbridge.
- Quer saber, eu quero mais é que vocês se danem - murmurei, ainda bastante irritada, mas mais chateada por meus amigos não estarem ao meu lado. - Mentes fechadas não veem a verdade mesmo.

Peguei minha bolsa e saí de lá, eu não era obrigada a ouvir que tinha merecido aquela detenção horrível, eu simplesmente fizera um questionamento básico que tinha fundamentos, não arrumei uma briga por ser inconsequente. Mas não adiantava discutir com eles, sempre davam razão aos seus pais ou ao que tivesse mais influência lá, mesmo que essa pessoa não tivesse razão.

Alguns dias haviam se passado e eu ainda não voltara a falar com nenhuma das pessoas que eu chamava de amigos, a gente se ignorava mutuamente, então, passei meus dias entre os treinos de quadribol e os deveres que os professores passavam incansavelmente, com o objetivo de nos preparar para os exames N.O.M´s. Nos tempos livres, eu me encontrava com Fred debaixo da árvore ou ia para a sala de poções para ler o livro de Diana Clark pela milésima vez, ele não perdia a graça nunca.
Já estávamos em outubro e teríamos a nossa primeira saída para o vilarejo de Hogsmeade, eu não estava muito a fim de ir, mas decidi dar umas voltas por lá para variar. Normalmente, os lugares mais frequentados eram o Três Vassouras e a Zonko´s, onde eu imaginava que Fred, Jorge e Lino estariam, como eu não estava muito a fim de ver ninguém, trouxe um livro e caminhei até um lado mais afastado do vilarejo.
Abri a porta do pub Cabeça de Javali e entrei, era um local bastante diferente do Três Vassouras, tinha um aspecto bem mais sujo e pouca luz entrava lá, a iluminação ficava por conta de tocos de velas que ficavam em cima das mesas. Pedi uma cerveja amanteigada para o atendente e sentei no lugar mais escondido da saleta que encontrei, as poucas pessoas que estavam no local tinham sentado mais para a frente.
Foi quando eu abria o livro para começar a leitura que o famoso trio da escola entrou no pub. Harry Potter, Rony Weasley e Hermione Granger entraram com faces meio surpresas com a aparência do local, era claro que nunca tinham vindo aqui antes, então, o que estavam fazendo neste local?
Queriam ter uma reunião sem serem incomodados ou descobertos, do meu lugar, eu conseguia ter uma visualização boa deles, conseguia ouvir o que diziam, mas eles não conseguiam me ver. Isso não é espiar, certo? Eu tinha chegado primeiro.
Os três começaram uma pequena conversa e logo de cara disseram que era só uma fachada de clube de estudos ou algo do tipo, até que algumas pessoas começaram a chegar. Neville Longbottom com Dino Thomas e Lilá Brown, atrás deles as irmãs Patil e Cho Chang com uma amiga que eu não conhecia.
Enfim, era tanta gente que não vou falar uma por uma, os últimos a chegarem eram os gêmeos Weasley com Lino, cheios de grandes sacolas de papel com logros da Zonko´s. Não tinha ninguém da Sonserina.
Harry parecia muito chocado com o tanto de pessoas que estavam presentes na reunião, fosse o que fosse, ele não esperava muita gente, deve ser porque todos estavam por aí o chamando de maluco por falar que viu Voldemort (o que nós sabemos que é verdade) enquanto, em contrapartida, o Ministério insistia em dizer que era mentira.

- Oi - ouvi Fred dizer, chegando próximo ao bar, olhei de canto, com a cabeça meio abaixada, fingindo que lia meu livro, e vi que ele contou rapidamente o número de pessoas. - Pode nos servir... vinte e cinco cervejas amanteigadas, por favor?

O barman, que parecia muito irritado por ter sido interrompido de sua tarefa, começou a colocar as bebidas em cima do balcão empoeirado.

- Obrigado - disse Fred distribuindo as cervejas. - Pessoal, pode ir se coçando, não tenho ouro para tudo isso.

Todos foram pegando as bebidas das mãos de Fred e procurando moedas para pagar, depois disso, foram se amontoando em volta do trio, Harry parecia preocupado com o que deveria dizer para aquela gente, aposto que Hermione iria falar primeiro.

- Hum - começou Hermione, com a voz alta e nervosa. - Bom... hum... oi.

Alguns olhares se voltaram para ela e percebi alguém olhando em minha direção, então abaixei a cabeça e apaguei a vela da mesa quando achei que ninguém olhava.

- Bom... hum... bom, vocês sabem por que estão aqui. Hum... bom, Harry, aqui, teve a ideia, quero dizer, eu tive a ideia... que seria bom se as pessoas que quisessem estudar Defesa Contra as Artes das Trevas, e quero dizer realmente estudar, sabem, e não as bobagens que a Umbridge está fazendo com a gente - ela fez uma pausa, agora já sabendo do que se tratava o encontro, achei a ideia ótima, com a maneira de estudos da coisa rosa, iríamos ter um enorme atraso nos nossos estudos. - Porque ninguém pode chamar aquilo de Defesa Contra as Artes das Trevas - um dos garotos deu um apoio para ela e ela se animou. - Bom, eu pensei que seria bom se nós, bom, nos encarregássemos de resolver o problema.

Ela fez outra pausa e olhou para Harry, ninguém mais olhava para os lados, estavam todos focados nos três.

- Com isso, eu quero dizer aprender a nos defender direito, não somente em teoria, mas praticando realmente os feitiços...
- Mas acho que você também quer passar no N.O.M de Defesa Contra as Artes das Trevas, não? - perguntou um garoto.
- Claro que quero - respondeu Hermione imediatamente. - Mas, mais do que isso, quero receber treinamento em defesa adequado... porque - pausa dramática para tomar coragem para dizer o que todos ignoraram ou fingem que não é verdade. - Porque Lorde Voldemort retornou.

Nesse momento, cada um teve sua reação de espanto e susto e medo, nada que não pudesse ser previsto. Imagina se eles vissem o Voldemort em pessoa? (coisa que só Harry e eu naquele pub tivemos o desprazer de ver). Mal conseguem se aguentar com o nome dele.

- Bom... pelo menos este é o plano - disse Hermione. - Se vocês quiserem se juntar a nós, precisamos resolver como vamos...
- E cadê a prova de que Você-Sabe-Quem retornou? - perguntou um jogador da Lufa-Lufa que eu não gostava muito, o Zacarias Smith.

Nesse momento o grupo todo entrou em uma pequena discussão que levou a Harry ficar irritado com o Smith porque ele queria exatamente saber como Cedrico morrera, era super indelicado com Harry e, principalmente, com Cho Chang, ex-namorada de Cedrico. Eu torcia para mudarem de assunto, porque, apesar de não terem ideia alguma disso, eu participara desse plano.
Depois, a discussão se voltou para os incríveis feitos de Harry Potter ao longo dos anos, com cada um falando alguma coisa que ele havia feito. Era algo que quase todos já sabiam, mas eu não fazia ideia de que Harry conseguia produzir um patrono corpóreo, o dele era em forma de veado, era algo bastante difícil de fazer.
No fim, as discussões deram uma pausa (os gêmeos estavam determinados a darem uma lição no Smith por ele ser tão insuportável) e Hermione começou a dizer que deveriam se encontrar mais de uma vez por semana para as reuniões, claro que os jogadores de Quadribol vieram cheios de defesas para que os horários respeitassem seus treinos.

- Pessoalmente, não consigo entender por que o Ministério nos impingiu uma professora inútil como essa, em um período tão crítico. É óbvio que se recusam a admitir o retorno de Você-Sabe-Quem, mas daí a nos mandar uma professora que está tentando nos impedir por todos os meios de usar feitiços defensivos... - Ernesto Macmillan disse, eu não podia concordar mais.
- Nós achamos que a razão por que Umbridge não quer que treinemos Defesa Contra as Artes das Trevas - disse Hermione. - É que ela tem uma ideia alucinada de que Dumbledore pode usar os alunos da escola como um exército particular. Acha que ele poderia fazer uma mobilização contra o Ministério.

Outra vez, Hermione entrou em discussão com Luna Lovegood, da Corvinal, já tinha visto ela algumas vezes e parecia um pouco maluca, no fim, era bem mais sensata que muitos da escola.

- Hem, hem - fez Gina Weasley, numa imitação tão perfeita de Umbridge que várias pessoas se viraram assustadas, mas em seguida caíram na gargalhada, inclusive eu (baixo para que não ouvissem). - Nós não estávamos decidindo quantas vezes vamos nos encontrar para as aulas de defesa?
- Estávamos - disse Hermione na mesma hora. - Sim, estávamos, você tem razão, Gina.
- Bom, uma vez por semana parece legal - sugeriu Lino.
- Desde que... - começou Angelina, a capitã do time da Grifinória.
- Tá, tá, o treino de quadribol - disse Hermione em tom tenso. - Bom, a outra coisa é decidir onde vamos nos encontrar.

Bom, se pensarmos aqui, eu sei um lugar perfeito. Eles sugeriram alguns lugares que não seriam nenhum pouco adequados se quisessem manter a descrição e o sigilo dos encontros, aposto que Umbridge não aprovaria isso nunca. Não faria mal tentar ajudar.

- Eu sei um lugar onde vocês poderiam se encontrar - falei, finalmente levantando e indo até o encontro do grupo, todos viraram-se imediatamente, alguns com uma cara de susto que parecia que eu era a própria Umbridge, gente, é só a Sonserina, relaxem!
- Fred! Você contou para ela sobre a reunião? - perguntou Rony, acusando o irmão.
- Ele não me contou nada, eu cheguei aqui bem antes de vocês e acabei ouvindo a conversa, já que vocês não são nada discretos e não checaram o local direito - eu falei, rindo. - Se a Umbridge tivesse aqui, o plano de vocês teria ido para o ralo.
- O que você quer com isso? Vai sair espalhando para o Snape? - Harry perguntou, bastante irritado.
- Calma, cara - Fred disse, tentando amenizar o clima. - Ela não é o Malfoy.
- Mas anda com ele - disse o Zacarias.
- Cala a boca, Smith - eu falei, esse menino conseguia ser impossível quando queria. - E me comparar com o Draco é uma ofensa enorme, se me permite dizer. Eu não vou falar nada para o meu grupo e tampouco para o Snape, já falei, só quero ajuda porque sei um lugar ótimo para isso.
- Você também discorda do jeito da Umbridge, não é? - Cho disse, cautelosa. - Ouvi dizer que você também levou uma detenção dela.
- Sim e garanto que foi igual a sua, Harry - eu falei, direcionando a cabeça para a mão dele. - Eu não suporto essa mulher e concordo com o que a Granger disse, isso que ela chama de aula só vai atrasar a vida de todo mundo. E não vai servir de benefício para o que nos espera no futuro.
- O que nos espera no futuro, você nem está inclusa - disse Zacarias, com um olhar maldoso. - É filha de um dos maiores Comensais da Morte.
- Isso quer dizer que ela é uma Comensal? - perguntou Fred, levantando-se do lugar e indo até Smith. - Ela só está querendo ajudar e acho que qualquer ajuda com um lugar vai ser bom, deixa de ser implicante.

Quase pude sentir a marca queimando no meu antebraço esquerdo, denunciando que, no fim e por escolha dos outros, eu era sim um deles. Mas ninguém precisava saber disso. Não agora.

- Ele só está irritadinho assim comigo porque eu acertei um balaço que acabou com a jogada dele uma vez - revelei, dando um sorrisinho irônico para ele, voltei a me direcionar para o trio, que eram as vozes principais naquela situação toda. - Eu sei que sonserinos não são bem vindos aqui, não estou pedindo para fazer parte do grupo que estão formando, estou oferecendo uma ajuda porque já utilizei esse lugar muitas vezes e nunca fui encontrada. Pode perguntar para as pessoas com quem eu ando, eu sumi várias vezes ano passado e...
- Por quê? - questionou Harry, falando comigo pela primeira vez.
- Não vem ao caso agora - falei, rapidamente, esse aí era curioso demais. - Se vocês aceitarem, eu levo vocês até lá e juro manter em sigilo.
- Você não pode falar agora? - perguntou Rony.
- A coisa toda é muito visual, é melhor vocês verem do que só ouvirem a minha explicação - expliquei, os três me encaravam com olhares que misturavam desconfiança e curiosidade. Eles precisavam disso.
- Olha, ela não é aquela sonserina chata, não, viu? - disse Lino, apontando para mim. - Ela é bem legal e o Fred aqui pode dizer o quanto gosta dela para vocês.
- Quieto, Jordan - Fred disse, envergonhado, Jorge deu uma risadinha. - É sério, vocês deviam ouvi-la. Ela não é como o pai dela e nem como o Malfoy ou a Parkinson.
- Tudo bem, então, se vocês dizem - Hermione falou, olhando para mim. - Pode nos mostrar assim que puder, certo?
- Sim, quando verem, vão entender o porquê do mistério - falei, sorrindo. - Já vou indo, não quero mais tomar o tempo de vocês, quando quiserem ir até lá, é só me chamar.

Com meu livro na mão, saí do pub sem olhar para trás para saber se iriam cochichar sobre mim ou não. Confesso que gostaria muito de fazer parte do grupo de defesa, mas muitos lá me viam como inimiga de uma guerra que estava no seu início.
Eu sabia que relutariam em aceitar minha ajuda, a Sonserina sofria uma generalização geral de todos ali, mas não era bem assim. Claro que tinham filhos de Comensais, mas nem todos eram horríveis como eles ou simplesmente insuportáveis como o Draco. Eu tinha orgulho de alguns princípios da minha Casa, mas não gostava desse pré-julgamento constante.
Seria assim para sempre, até eu cumprir todo o ciclo que Charlie cumpriu e que Draco vai cumprir. Às vezes eu gostava de me imaginar de outro jeito, se as coisas tivessem sido diferentes e se minha família fosse outra.
Eu seria mais feliz? Teria planos sobre o que fazer depois que a escola acabasse? Eu seria chamada para essa reunião e não teria que saber dela porque já estava no lugar e acabei ouvindo tudo?
Se minha vida fosse diferente talvez eu fosse mais feliz, talvez eu não tivesse ficado exausta cumprindo uma missão que eu não queria, talvez Cedrico não estivesse morto, talvez não tivesse uma queimadura no braço, talvez não tivesse a marca negra no mesmo. Talvez meu pai me amasse, talvez minha mãe estivesse viva, talvez eu tivesse uma família com quem eu poderia contar.
Senti as lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto observava a Casa dos Gritos de longe. Queria poder ter uma vida diferente, ter outras preocupações. Mas meu destino foi traçado no momento em que nasci filha de Comensal e em uma família inteiramente dedicada ao lado ruim.
Era esse o papel que eu deveria cumprir, eu não deveria ser amiga ou ajudar aquelas pessoas, eu terei que lutar contra elas um dia, os dois lados sabem disso. Porém, estou adiando isso o quanto eu posso, mesmo que vá doer mais quando o embate acontecer, pelo menos esse direito eu tenho, vou adiar o meu lado ruim o quanto eu puder, isso Voldemort, Charlie e a família Zuckker não podem me tirar.
Pelo menos por enquanto.


Capítulo 4 - Segredos e Socos

- Não acredito que você fez isso, Fred - falei, exasperada com o que o ruivo acabara de me contar.
- Você prometeu que não ficaria brava! - ele disse, tentando segurar o riso que despontava em seu rosto.
- Porque eu não sabia o que era!
- Mas nem é tão ruim assim...
- Fred, você chegou no Harry e seus dois amigos e pediu para que eles deixassem que eu participasse dessa coisa que planejam organizar - exclamei, com as mãos na testa. - Só havia uma pessoa da Sonserina naquele pub e a única razão é que eu tinha chegado antes e consegui espiar ou eles jamais me convidariam para aquela reunião.
- Só porque eles não te conhecem.

Pensando bem, se ele me conhecesse mesmo, provavelmente (para ser branda) não falaria comigo também.

- O Harry odeia o Malfoy e eu ando com ele, isso é um grande indicativo para presumir que o Potter não vai com a minha cara.
- Não gostar muito não é o mesmo que odiar, eu sei que você não gosta muito deles também - Fred admitiu desencostando da árvore que sempre frequentávamos quando tínhamos um tempo para conversar. - Mas isso não impede que você aja com... cordialidade com os três, eles podem fazer o mesmo.
- Aquela reunião tinha pelo menos vinte e cinco pessoas e a maioria delas me dirigiu olhares que tinham tudo, menos cordialidade.
- Tirando o Lino, o Jorge e eu, Luna Lovegood não te olhou desse jeito...
- Todos em Hogwarts sabem que Luna é boa demais para esse mundo, ela não conta.
- Enfim, você não quer saber o que os três disseram? - o ruivo disse, voltando ao assunto inicial.
- Não estou muito certa se quero descobrir...
- Para com isso, , eles não disseram nada demais.
- Fala logo, então, vamos acabar com isso de uma vez.
- Eles acharam muito interessante o fato de que você se mostrou apta a dizer um lugar onde poderíamos treinar, pensaram que você correria e contaria para Umbridge ou para o Malfoy e Snape, mas nada disso aconteceu.
- É claro que eles têm a visão clássica e antiquada da Sonserina.
- O Draco não ajuda muito.
- Disso, não há como discordar, ele contribui para essa visão - disse, relembrando como Draco fazia questão de irritar e mostrar a capacidade enorme que ele tinha de ser irritante. - Os três disseram mais alguma coisa?
- Ah, é aquela coisa de ver para crer, acho que só vão confiar plenamente quando virem esse tal lugar, falei que você não tinha adiantado a informação nem para mim.
- Estou esperando algum deles marcar um dia para eu mostrar, mas com todas as atividades que realizamos, fica difícil.
- O Harry também deu um voto de confiança porque ouviu que também tinha sido expulsa da aula da sapa velha, ele deve ter uma certa empatia porque você também teve as palavras marcadas na pele.
- Você acredita que ainda tenho as marcas nas mãos? Essa mulher é insuportável, toda vez que me vê me dirige um olhar que diz que basta uma palavra minha para me dar outra detenção como essa.
- Algo me diz que isso é só o começo, quando se fala em Ministério, podemos esperar qualquer coisa.

E Fred não estava enganado quando disse aquilo.
Quando acordei certa manhã, havia um enorme aviso pregado no quadro de anúncios e comunicados do salão comunal. Era um decreto de Umbridge dizendo que nenhum clube ou coisa parecida poderia existir sem a permissão dela.
Parecia que a sapa velha sabia que aquela reunião tinha acontecido e sabia que eu teria ouvido, era óbvio que todos ali desconfiariam de mim. Essa mulher só podia me odiar mesmo.
Saí correndo das masmorras até o grande salão, que tinha um burburinho intenso, checando rapidamente, vi que que um grupo de pessoas estava aglomerado na mesa da Grifinória e fui direto para lá.

- Só pode ter sido ela, ouviu tudo e não assinou o pergaminho - ouvi Dino Thomas dizer baixinho.
- Não foi ela, a não faria isso! - Fred tentou me defender como o bom amigo que era, não acho que adiantaria muito.
- Ei, vou falar rapidamente porque sei que vai parecer estranho - eu disse, entrando no meio da roda de alunos, eles tinham olhares cautelosos e raivosos para mim. - Eu não disse nada a Umbridge, se quiserem ter certeza de que não passarei mais nenhuma informação, eu assino o pergaminho, mas juro que não falei nada! Eu não concordo com nada que aquela sapa velha faz e mostrarei o tal lugar o mais breve possível.

Ao terminar, deixei eles com suas ideias e fui para a mesa habitual, sentando longe daqueles que eu chamava de amigos, desde o dia que passaram a me culpar por ter recebido o castigo da professora, não nos falávamos mais. Assim que comecei a comer, Draco apareceu com um pergaminho em mãos.

- Não sei o que você foi fazer naquela mesa, mas só queria te avisar que a professora Umbridge deu autorização para o time de quadribol continuar - disse ele com aquela cara de fuinha.
- Os times estavam inclusos naquele decreto? - disse, chocada, a sapa velha queria interromper uma atividade clássica da escola!
- Sim, é claro que sim, até achei que ela não daria permissão para você porque a aborreceu esses dias, mas ela concedeu.
- Estou muito grata por ter a permissão de jogar na posição que eu conquistei há quatro anos quando ela nem sonhava em brincar de mandar em Hogwarts, quanta gentileza da parte dela!
- Você não tem jeito mesmo, vai acabar se ferrando por isso.
- Já acabou o aviso, Draco? Então, pode ir - falei, finalizando a conversa desnecessária que Draco arrumou só para afirmar que ele ainda achava que eu estava errada e Umbridge certa.

A tarde chegava ao fim em certo dia quando fui interceptada por Hermione, Rony, Harry e Fred enquanto ia para a biblioteca buscar um livro que me esclarecesse algumas dúvidas com relação à matéria.

- Você consegue entender por que desconfiamos de você, não consegue? - Harry sussurrou, os outros três olhavam fixamente para mim. - Hermione colocou um feitiço naquele pergaminho, se algum dos outros que estivessem na reunião falassem, nós saberíamos.
- Por isso, gostaríamos que você nos desse a localização desse lugar - Hermione concluiu, um tanto cautelosa.
- Entendi, vocês acham que não vai ter lugar nenhum e que a Umbridge vai estar lá quando chegarem, eu compreendo - disse, sorri, tristemente, no fim, eu não era de confiança mesmo, certo?
- É, é isso mesmo - Rony disse, olhando para os dois amigos e o irmão, como se buscasse um apoio.
- Chama-se Sala Precisa, eu li um pouco e sei que essa sala se transforma no que você desejar ou precisar, basta pensar nisso enquanto passa pelo corredor três vezes - revelei, sentindo-me repentinamente cansada ao lembrar de todas as memórias que o local trazia. - Fica no sétimo andar, em frente àquela tapeçaria do Barnabás, acho que vocês conhecem.
- Foi exatamente o lugar que Dobby me disse - Harry exclamou animado, olhando para os outros.
- Então por que não seguiram logo o que o tal de Dobby disse? - perguntei.
- Como você descobriu esse lugar? - Fred me perguntou.
- Não importa agora, já que vocês não vão me responder nenhuma pergunta e eu já disse o que vocês queriam, posso ir?

Eles abriram a rodinha que havia se formado e eu voltei para as masmorras, ir para a biblioteca já não parecia bom.

Quanto mais o primeiro jogo da temporada se aproximava, mais treinos o nosso capitão do ano, Montague, que era mais um dos sonserinos que contribuíam para a má reputação que tínhamos, passava. Ano passado, Derick e eu éramos os batedores oficiais caso os jogos tivessem acontecido, esse ano, ele e o reserva, Bole, saíram da escola por terem se formado.
Sinceramente, eu odiava os dois, eles tinham aquele típico jeito de jogar burlando as regras e o regulamento, mas isso, todos do time faziam, menos eu. Se fosse para ganhar, que fosse de forma limpa. Só que isso nunca acontecia, já não ganhávamos há anos e os outros sempre diziam que era porque eu não aderia à técnica fabulosa de machucar os jogadores de propósito. No entanto, sempre tive minha posição mantida desde que me inscrevi para os testes no segundo ano, eles sabiam que eu era boa.
Agora, eu teria um outro “parceiro” como batedor, o Crabbe, que só tinha conseguido pela sua força em bater longe qualquer coisa que aparecesse. Goyle era o reserva. Eram duas portas jogando quadribol. Eu sempre acabava defendendo sozinha e na minha, o capitão passava uma estratégia geral e eu fazia aquilo por mim mesma, não iria compactuar com o outro batedor. Isso me trazia uma vantagem, eu era a única jogadora da minha casa que todos os jogadores das outras aturavam.
Chegado o dia do jogo, sentei à mesa e comi alimentos mais leves para não pesar muito durante a partida, que era imprevisível. Pouco tempo depois, Pansy e Dafne aproximaram-se, elas usavam cachecóis com listras verde e prata e um distintivo prateado com uma coroa.

- Viemos te desejar boa sorte no jogo de hoje, - Dafne disse, cautelosa.
- Obrigada - respondi, secamente, eu ainda não estava muito bem com elas. - O que é isso que estão usando?
- Ah, uma coisa incrível que Draco criou! - Pansy começou, animada. - Está escrito Weasley é nosso rei em homenagem ao Rony Weasley que virou o goleiro da Grifinória, aposto que ele é péssimo, você vai ver como a música que criamos vai dar uma animada nele.
- Agora vocês foram longe demais! Isso é jogar sujo!
- Credo, , ultimamente você nem está parecendo da Sonserina - Pansy exclamou, torcendo o nariz.
- Ser da Sonserina não é ser um completo babaca que vive para humilhar os outros e se achar superior por isso! Mas é óbvio que vocês não entendem - exclamei, alto o suficiente para algumas pessoas em volta ouvirem, elas me olharam com caretas e eu levantei da mesa, irritada.

Eu tinha que me acalmar para jogar em poucos minutos. Sentei do lado de fora do castelo, na grama mesmo, esperando que o vento me desse alguma paz.

- Arrasou naquela frase lá - Fred disse, sentando-se ao meu lado.
- Será que eu sou da Sonserina mesmo? - perguntei, fechando os olhos momentaneamente e suspirando.
- Acho que você é o conceito mais puro e real do que Salazar Sonserina pregou quando criou essa Casa, coisa que nem ele mesmo era - o ruivo disse, sorrindo para mim. - O problema é que todos os outros não sabem disso, então eles presumem que você está sendo menos sonserina só por isso.
- É tão estressante ficar no meio das pessoas que eu ando, eu não suporto mais, é uma pressão constante de que eu devo aceitar essa droga que a Umbridge está fazendo com a escola só porque sou sonserina, que eu devo trapacear no jogo só porque sou sonserina e que devo fazer outras várias coisas só porque sou sonserina - disse, colocando as mãos no rosto. - E o pior é ter que ver todos os outros que não me conhecem achando que eu não sou confiável, verdadeira ou minimamente humana só porque sou sonserina. Tudo isso porque todos os outros mancham o verdadeiro significado da Casa e outros fingem que são iguais aqueles que presumem que são o conceito ideal de ser sonserino.
- Você ficou chateada com os três, não ficou? - Fred me perguntou, olhando fundo nos meus olhos, não adiantava tentar mentir, ele saberia. - Eu tentei impedir, só que eles não me escutaram.
- Sim, eu não queria ficar, mas fiquei – respondi. - Acho que eu tinha uma faísca de esperança de ser chamada para esse negócio de vocês, eu achei bem legal, de verdade, não sei por que alimentei isso.
- Eu não fui o único que defendeu você depois que tivemos o primeiro encontro, algumas pessoas que participaram daqueles encontros de quadribol ano passado fizeram o mesmo.
- Não sei se adiantaria muito...
- Eles pareceram se convencer um pouco, vai que acontece...
- Eu adoraria, sinceramente - confessei, sorrindo. - Você sabe que eu não falei nada, não sabe?
- Claro que sei - ele respondeu, sorrindo de volta. - Já falei que você mente mal.
- Só se for para você - discordei, dei uma olhada para as arquibancadas e os aros do campo e voltei a olhar para ele. - Você pode esquecer por um momento que não somos adversários no jogo, torcer para a gente não ir tão mal e me dar um abraço para ver se eu me acalmo?
- Claro que posso - concordou o ruivo, abraçando-me imediatamente. - Depois dessa pequena trégua, é guerra, você sabe, não sabe?
- Vou pegar leve com vocês hoje, prometo!
- Seu conceito de pegar leve é muito diferente do meu.

Naquele pequeno momento que passamos ali, sentados na grama gelada enquanto nos abraçávamos, sentindo o vento bater no rosto e esquecendo que tínhamos uma partida para disputar, eu realmente me acalmei, podia quase sentir a tranquilidade dele passando para mim, a conexão que tínhamos era clara como água naquele momento. Eu não tinha nada que reclamar do dia em que perdi aqueles galões para ele na Copa de Quadribol, talvez tudo tivesse começado lá. Ou bem antes quando decidi ouvir o que ele tinha para dizer antes de abrir a carta, ou talvez quando ele fez um feitiço para as queimaduras que eu mesma tinha causado.
Eu não conseguia identificar qual foi o momento que nossos destinos se conectaram e fizeram a gente ser o que era hoje, no entanto, eu só tinha a agradecer. Fechando os olhos e passando por tudo que eu tinha passado no último ano de novo, Fred Weasley faria muita falta, ele foi essencial em alguns momentos e tinha mais do que certeza que muitos outros viriam. Ainda bem que eu apostei aquela final da Copa e acabei perdendo.

O vento se interrompera subitamente, quase como se quisesse nos ajudar, o céu estava branco perolado e fazia frio ainda, entrei no vestiário e me troquei, evitando olhar para os outros que lá estavam, reparei que eles usavam o mesmo distintivo que a torcida tinha. O vozerio lá fora era alto e algumas pessoas pareciam cantar, apesar de eu não conseguir entender direito o que era.
A equipe toda se levantou, colocou as vassouras nos ombros e saiu em fila indiana do vestiário para o gramado do estádio. Ouviram-se aplausos e vaias, mas a canção, mesmo que abafada, era audível. Aguardamos o time da Grifinória, eu já estava em posição no ar, ainda bem abaixo do que de costume, com Crabbe próximo de mim, rondando o capitão Montague. Quando Fred e Jorge se ajustaram na mesma posição, ele deu uma piscada para mim, murmurando que nós já tínhamos perdido. Eu nem ia questionar, se dependesse do Draco como apanhador, nós estávamos ferrados mesmo.

- Capitães, apertem as mãos - ordenou Madame Hooch, quando Montague e Angelina se aproximaram para o cumprimento que era meramente formal, já que uma das maiores rivalidades que essa escola viu era entre esses dois times que jogariam hoje, reparei que Montague apertou os dedos de Angelina tão forte que parecia que queria quebra-los, no entanto, ela fingiu que não sentia nada.

Madame Hooch levou o apito à boca e eu apertei o bastão que sempre usava na minha mão, quando ela soprou, as bolas foram soltas e os catorze jogares voaram para cima com a rapidez típica que o jogo exigia. Localizei um dos balaços e corri para bater em direção do apanhador, meu foco era atrasar o Harry para ver se o Draco conseguia fazer seu trabalho direito.
Harry conseguiu se desviar do meu balaço, então joguei outro que estava próximo de atingir algum jogador do meu time e rebati em direção a um dos batedores do outro lado, era uma tática que podia funcionar bem porque eles acabavam tentando se defender e deixavam os outros do seu time desprotegidos.
Eu voava de um lado para o outro desviando dos balaços e dos jogadores, rebatendo quando a bola chegava perto do meu time, estava tão focada que a voz do narrador, Lino Jordan, estava longe. No entanto, quando finalmente consegui entender o que a música dizia, não acreditei que eles estavam sendo tão baixos a ponto de fazer aquilo.
De repente, a narração parou e todos conseguiam ouvir o que a torcida verde e prata dizia, os jogadores continuavam a se movimentar como raios e não parei de exercer meu papel, mas mesmo assim, não tinha como não ouvir o coro.

Weasley não pega nada
Não bloqueia aro algum
Ei, ei, ei, ei
Weasley é o nosso rei

Weasley nasceu no lixo
Sempre deixa a bola entrar
A vitória já é nossa
Weasley é nosso rei


Lino Jordan voltou a narrar, tentando abafar novamente a cantoria dos sonserinos, isso com certeza estava desconcentrando Rony, era o primeiro jogo oficial dele, devia estar muito nervoso e ainda era obrigado a ouvir essa canção que, eu tinha certeza, fora arquitetada por Draco.
Acabamos fazendo um gol porque ele realmente não conseguiu pegar a goles que Warrington havia lançado para os aros. Continuei desviando os balaços que vinham na direção do meu time para o outro lado e a nossa torcida agora berrava a música ofendendo o goleiro. Fizemos mais três pontos, vi Harry desesperado passando como um raio procurando os resquícios dourados do pomo de ouro e reparei que Draco estava voando bem mais devagar, distraído, rindo do que tinha feito.
Então, para ver se o loiro acordava e seguia Harry para pegar a bola primeiro, rebati o próximo balaço na vassoura dele, que se desequilibrou e quase caiu.

- Você tá jogando no outro time agora? - perguntou ele, quando me aproximei para rebater o balaço para um dos artilheiros do outro time que se aproximavam dos nossos aros.
- Você está parado e fazendo absolutamente nada - murmurei, irritada. - Harry está buscando o pomo, vê se faz o mesmo ou eu vou ter que assumir que o boato de que seu pai pagou para que você estivesse aqui é real.

Com esse último aviso, voltei para o jogo e rebati mais uma bola na direção de Katie Bell, mas não adiantou porque foi interceptada por Fred, a goles voltou para Angelina que marcou pela primeira vez. Quarenta a dez para a Sonserina, Draco tinha que pegar o pomo antes que a Grifinória virasse o jogo ou Potter capturasse primeiro (o que sempre acontecia).
Mais balaços foram rebatidos nos meus jogadores e me concentrei em voltá-los para os artilheiros do time dos leões, tentando ganhar tempo e fazer com que não pegassem a bola, Harry passou rapidamente ao meu lado, com Draco em seu encalço e eu sabia que tinha visualizado a bola que encerrava o jogo, e eu apostava que pegaria primeiro que nosso apanhador.
Eles brigaram um pouco lá embaixo, mas Harry capturou a bola, porém, consegui ver do alto que um balaço atingiu o jogador, derrubando-o da vassoura, a sorte é que estava bem próximo do chão. Se o balaço não estava comigo, obviamente estava com Crabbe. Madame Hooch apitou para anunciar o fim do jogo e a torcida comemorou ou vaiou.
Voltei para o gramado e vi Crabbe ao meu lado, tinha de falar com ele.

- Qual o seu problema? Ele já tinha pegado o pomo, você não pode jogar um balaço nele! - berrei, irritada pela milésima vez que perdíamos e porque aquele time era uma porcaria.

Eu continuaria gritando, mas reparei que Draco se aproximava de Harry, Angelina e alguns outros do time, bem como os gêmeos, algo daria muito errado, então fui para lá também.

- Salvou o pescoço do Weasley, não foi? Nunca vi um goleiro pior, mas também, nasceu no lixo, gostou da minha letra, Potter? - desdenhou Malfoy, com o rosto branco exalando fúria.

Apesar de Harry ter o ignorado, ele não estava satisfeito:

- Queríamos acrescentar mais uns versos! - gritou, enquanto Harry era abraçado por Alicia e Kate, eu observava ali na região, mas não tão próxima. - Mas não encontramos rimas para gorda e feia, queríamos cantar alguma coisa sobre a mãe dele, sabe?
- Cala a boca, Malfoy - eu disse, mas ele nem olhou. - Volta logo para o vestiário.
- Inveja mata - Angelina disse, lançando um olhar enojado para o loiro.
- ...também não conseguimos encaixar “fracassado inútil” para o pai dele, sabe...

Foi nesse momento que os gêmeos realmente notaram o que estava acontecendo, e foi naquele instante que percebi que Draco se daria muito mal, e eu não iria defende-lo. Os dois pararam com a mão no meio do caminho para cumprimentar Harry e encararam Malfoy.

- Deixa para lá - Angelina tentou conter o que poderia acontecer, segurando o braço de Fred. - Deixa para lá, Fred, deixa ele gritar, ele só está frustrado porque perdeu, o metido...
- ...mas você gosta dos Weasley, não é Potter? - continuou Malfoy, caçoando. - Passa as férias lá e tudo, não é? Não sei como você aguenta o fedor, mas suponho que para alguém criado por trouxas, até o pardieiro dos Weasley cheira bem...
- Cala a boca, Malfoy! - murmurei de novo, inutilmente, aproximei-me do grupo e dessa vez Harry segurou Jorge e Alicia, Angelina e Kate tiveram que unir forças para impedir o Fred de voar na cara do Draco.
- Ou vai ver - disse ele, recuando com um sorriso debochado. - Você se lembra de como a casa da sua mãe fedia, Potter, e o chiqueiro dos Weasley faz lembrar dela... - quando eu achei que ele terminaria e que os meninos partiriam para cima dele, Draco continuou, dessa vez, olhando para mim. - Nem cheguei em você, , fica defendendo esse bando de traidores do sangue que não fariam nada por você, deve ter dado alguma coisa muito boa em troca para eles estarem falando com...

Antes que ele pudesse terminar a frase nojenta com duplo sentido, não foi nenhum dos outros três que partiram para cima do Draco, e sim eu, senti o momento que minha mão esquerda em punho voou na cara de fuinha do loiro. Se eu disser que não doeu, vou estar mentindo, havia um roxo no nariz dele, um pouco de sangue escorria das narinas.
Acho que minha ação repentina foi um incentivo para Harry e Jorge, que estavam se segurando e, no momento que eu me afastei, começaram a bater em Draco com toda a força que tinham, Fred tentou se soltar, mas as meninas estavam se esforçando muito para segurar ele enquanto gritavam para que os meninos parassem. Jorge xingava Draco enquanto ele berrava de dor, estava tendo o que merecia.
Eu assistia tudo enquanto balançava a mão, que tinha ficado roxa no ponto onde atingira Malfoy.

- Eu não acredito que você deu um soco na cara dele - Angelina exclamou, bastante surpresa, para mim.

Acabou que Madame Hooch tirou Jorge e Harry de cima de Draco com um feitiço, ela também tinha visto que eu havia dado um soco nele e mandou nós três conversarmos com nossos respectivos diretores. Subimos sem dizer uma palavra e eu descia para as masmorras quando encontrei Snape e McGonagall no caminho.

- Srta. Zuckker, venha conosco também - murmurou Snape, com o rosto tomado por desaprovação, segui os dois professores trêmulos de raiva até a sala da diretora da Grifinória, onde os outros dois aguardavam na porta.
- Entrem - ela ordenou, furiosa, apontando para a porta, nós três obedecemos e os dois diretores vieram logo atrás.- Então? Nunca vi uma exibição tão vergonhosa. Dois contra um! Expliquem-se!
- Malfoy nos provocou – disse Harry, calmamente.
- Provocou vocês? - gritou a professora, batendo na mesa com tanta força que uma lata caiu no chão e se abriu, enchendo o chão de lagartos de gengibre. - Ele tinha acabado de perder, não tinha? Claro que queria provocar vocês! Mas o que pode ter dito para justificar o que vocês três...
- Ele insultou meus pais - vociferou Jorge. - E a mãe de Harry. Além disso, foi muito ofensivo com a , por isso ela deu um soco nele.
- Francamente, srta. Zuckker, bater em um colega da sua própria casa? - Snape exclamou, balançando negativamente a cabeça. - Vocês dois deveriam estar de cabeça quente por terem perdido, isso não justifica dar um soco nele.
- Você diz isso porque não teve que ouvir que... - eu comecei, mas fui interrompida pela professora.
- Mas em vez de deixarem Madame Hooch resolver, vocês três resolveram fazer uma exibição de duelo de trouxas, não foi? - urrou a professora McGonagall. - Vocês têm ideia do que...
- Hem, hem.

Jorge, Harry e eu nos viramos rápido, Dolores Umbridge estava parada à porta da sala, envolta em uma capa de tweed verde, sorrindo daquele jeito horrível dela. Se a professora estava lá, algo de ruim aconteceria.

- Posso ajudar, Profª McGonagall? – perguntou ela com sua voz meiga, mas cheia de maldade. O sangue afluiu ao rosto de McGonagall.
- Ajudar? — repetiu, num tom de voz controlado. — Que é que você quer dizer com ajudar?

A Profª Umbridge entrou na sala, ainda exibindo seu sorriso doentio.

- Ora, achei que poderia agradecer um reforço de autoridade.
- Pois se enganou – disse ela voltando as costas à Umbridge. — Agora, é bom os três nos ouvirem com atenção. Não sei qual foi a provocação que Malfoy fez, não quero saber se ele ofendeu cada membro das suas famílias, o seu comportamento foi vergonhoso e vou dar a cada um uma semana de detenção! Não olhe assim para mim, Potter, você mereceu! E se um dos três voltar...
- Você está inclusa nisso também, Zuckker - disse Snape. - Uma semana de detenção comigo.
- Hem, hem.

A Profª McGonagall fechou os olhos como se rezasse pedindo paciência quando tornou a voltar o rosto para a Profª Umbridge. Acho que ela não gostava muito da sapa velha também.

- Sim?

- Acho que eles merecem muito mais do que detenções — disse Umbridge ampliando o sorriso.

Os olhos de McGonagall se abriram de repente.

- Mas, infelizmente — disse, tentando retribuir o sorriso, falhando em tentar disfarçar seu ódio pela Umbridge. — O que conta é o que eu penso, porque eles pertencem à minha Casa, Dolores. O mesmo vale para Zuckker, já que seu diretor está aqui.
- Bom, Minerva, na realidade — disse Umbridge afetando um sorriso. — Acho que você vai descobrir que o que eu penso realmente conta. Vejamos, onde está? Cornélio acabou de me enviar... quero dizer — ela deu uma risadinha fingida enquanto remexia na bolsa. — O ministro acabou de me enviar... ah, sim...

Puxou um pergaminho que agora começava a desdobrar, pigarreando com exagero antes de começar a lê-lo.

- Hem, hem... Decreto Educacional nº 25.
- Mais um, não! — explodiu a Profª McGonagall, dizendo exatamente o que eu pensava.
- É, mais um — respondeu a outra ainda sorrindo. — Aliás, Minerva, foi você que me fez ver que precisávamos de mais uma emenda... lembra-se de como você passou por cima da minha cabeça, quando eu não quis deixar a equipe de quadribol da Grifinória se reorganizar? Como você levou o caso a Dumbledore, que insistiu que a equipe tivesse permissão de jogar? Então, agora eu não poderia permitir isso. Entrei imediatamente em contato com o ministro, e ele concordou comigo que a Alta Inquisidora precisa ter o poder de retirar privilégios de alunos, ou ela, ou seja, eu, teria menos autoridade que os professores comuns. E você está vendo agora, não está, Minerva, como eu tinha razão em tentar impedir a equipe da Grifinória de se reorganizar? Assim como eu pensei muito antes de autorizar a srta. Zuckker a jogar pela Sonserina, mas vejo que a insistência de Draco Malfoy foi por apreço a amiga dele, que não sente o mesmo, pelo visto

A sapa velha me fazia querer dar mais um soco naquele dia, não importava se a mão estava inchando rapidamente.

- Temperamentos violentos... em todo o caso, eu estava lendo a emenda para você... hem, hem... "Doravante a Alta Inquisidora terá autoridade suprema sobre todas as punições, sanções e cortes de privilégios referentes aos estudantes de Hogwarts, e o poder de alterar tais punições, sanções e cortes de privilégios que tiverem sido ordenados por outros membros do corpo docente. Assinado, Cornélio Fudge, ministro da Magia, Ordem de Merlim Primeira Classe etc. etc."

Ela enrolou o pergaminho e tornou a guardá-lo na bolsa, ainda sorrindo. Que ódio!

- Portanto... eu realmente acho que terei de proibir esses três de voltarem a jogar quadribol para sempre — disse ela, olhando de Harry para mim e depois para Jorge e de volta a McGonagall.
- Nos proibir? — disse Harry, senti meu queixo cair em descrença. - De voltar a jogar... para sempre?
- É, Potter, acho que uma proibição definitiva deve funcionar – disse Umbridge, ampliando o seu sorriso ao observar o esforço do garoto para compreender o que ela acabara de dizer.
- O senhor, Sr. Weasley aqui e a srta. Zuckker. E acho que, para ficarmos seguros, o gêmeo deste rapaz também deve ser proibido, se os seus companheiros de equipe não o tivessem contido, estou certa de que teria atacado o jovem Sr. Malfoy também. Quero que suas vassouras sejam confiscadas, naturalmente. E as guardarei em segurança na minha sala para ter certeza de que não desobedecerão à minha proibição. Mas não sou injusta, Profª McGonagall — continuou ela, voltando-se para a colega, que agora olhava para ela de pé e tão imóvel que parecia esculpida em gelo. — O resto do time pode continuar jogando, não vi sinais de violência em nenhum deles. Bom... boa tarde para todos.

E com uma expressão satisfeitíssima, Umbridge saiu da sala, deixando atrás de si um silêncio horrorizado de todos os presentes.

Mais tarde naquele mesmo dia, eu estava com Fred debaixo da árvore, cada um mais irritado do que o outro, sem conseguir acreditar que a Umbridge conseguiu tanta autoridade a ponto de fazer aquilo.

- Eu nunca pensei que fosse falar isso - Fred exclamou, batendo o punho esquerdo no joelho. - Mas isso é contra as regras! Ela não pode chegar e mandar mais que o próprio Dumbledore que é o diretor da escola!
- Esse é o problema, Fred, ela está basicamente legalizando tudo isso quando aparece com um decreto assinado pelo Fudge - expliquei, encostando a cabeça no tronco da árvore. - Falando nele, onde está Dumbledore? Ele não apareceu nenhuma vez desde que todas essas situações aconteceram.
- Mal vejo ele, acho que nem o próprio Harry, que tem o costume de conversar com o professor quando algo acontece, o viu - o ruivo disse, enquanto batia repetidas vezes a palma da mão no joelho, tentando extravasar a raiva que sentia. - Isso é muito injusto! Você ouviu dizer que o Crabbe, que atingiu o Harry depois que ele pegou o pomo, só vai ter que escrever umas frases bobas, e eu que não fiz nada fui proibido.
- Umbridge claramente tem seus favoritos e nós não estamos inclusos.
- As meninas não deveriam ter me segurado, se fosse para levar uma punição que tivesse valido dar uns socos naquele estúpido - Fred resmungou. - Pelo menos isso você conseguiu fazer, ele foi extremamente idiota com você.
- Draco estava pedindo há dias - declarei, sorrindo. - Acha que pode sair falando qualquer coisa dos outros e nada vai acontecer com ele, foi muito merecido, eu bateria de novo.
- Você não tem falado com seus amigos? - questionou ele, encostando-se no tronco novamente.
- Sim, a última vez foi quando eles disseram na minha cara que estava errada e a Umbridge certa em mandar eu escrever palavras com meu próprio sangue - Draco falou comigo dizendo que conseguiu permissão para que a Sonserina jogasse, só para esfregar na minha cara que a sapa velha quase não permitiu que eu participasse e que deveria agradecê-la.
- E Greengrass e Parkinson falaram com você antes do jogo, o final, todo mundo ouviu...
- Estou cansada deles, queria que voltássemos a ser como no primeiro ano, era tudo tão simples.
- A gente sabe que as coisas só vão complicar mais - Fred disse, suspirando. - Ah, eu quase ia esquecendo, tenho uma boa notícia para você.
- E o que seria, Weasley?
- O famoso trio de ouro acabou se convencendo de que você era confiável depois daquele evento após o jogo - ele explicou, tirando um galeão do bolso. - E disseram para eu te entregar isso e te falar que você é bem vinda a A.D.
- Era só bater no Malfoy? Se eu soubesse, teria feito antes - admiti, pegando a moeda das mãos dele. - E para que serve essa moeda? E o que significa A.D?
- É uma imitação de galeão para não parecer suspeito, quando o Harry decidir a próxima reunião, a sua moeda vai esquentar e vai mostrar a data e o horário - explicou, apontando para o espaço da moeda que mostraria as datas. - A sigla significa Armada de Dumbledore, como você ouviu o que dissemos na reunião, deve entender o motivo do nome.
- O maior medo do Ministério é que Dumbledore convoque um exército de alunos para lutar contra eles - disse, guardando a moeda no bolso. - Fico feliz que tenham me aceitado.
- E eles não vão se arrepender disso, finalmente vão ver como você é muito melhor do que eles imaginam! - Fred reforçou, sorrindo. - Eu pensei em uma coisa, agora que, infelizmente, estamos proibidos de jogar quadribol, podíamos usar o tempo que dedicaríamos aos treinos e procurar sobre coisas relacionadas a sua mãe, o que acha?
- Ia enviar uma carta à Mary-Anne pedindo que tentasse arrancar mais alguma informação do Charlie, acabei esquecendo por conta de tudo que acontecia - expliquei a ele. - Acho uma boa ideia, só precisamos descobrir se existe um livro de registros mesmo ou só aquele que escreve nosso nome indicando a vaga.
- Algo me diz que o Filch possa ter alguma coisa que seja do nosso interesse, estou me aprofundando ainda.
- Tem certeza que eu não vou te atrapalhar na questão dos logros?
- Claro que sim, estamos indo muito bem, achando um jeito de deixar os produtos sem erro e tal - ele informou. - Jorge e eu estamos testando escondido para que a Hermione não venha atrás da gente.
- Vão ficar incríveis e vocês vão vender mais que a Zonko´s.
- Disso eu tenho certeza, eles já têm uma concorrência forte vindo.

Passamos mais algum tempo conversando sobre os planos dos gêmeos para abrir uma loja no Beco Diagonal, depois, fui até meu quarto e escrevi uma carta para minha tia pedindo que tentasse tirar alguma informação de Charlie. Eu sabia que ela teria de se esforçar para arrancar alguma coisa dele, a família toda protegia essa época como se ela não tivesse existido.
Após algum tempo de espera, a resposta chegou no dia do meu aniversário, que não estava muito animado, em um pacote retangular, minha tia havia enviado um belo livro sobre quadribol (era um dos favoritos dela e eu não tinha lido ainda) e também algumas anotações dela do ano dos N.O.M´s que poderiam me ajudar. No primeiro intervalo livre que tivemos, chamei Fred e fomos até a árvore ler a carta.

Querida ,
Creio que está carta deverá chegar no dia do seu aniversário, então, parabéns! Muitas felicidades e repito o que já te disse, fico muito feliz de me aproximar de você, com a família que temos é muito bom um laço verdadeiro depois de tanto tempo da morte do papai.
Além desta carta, estou enviando aquele livro sobre quadribol que te falei e algumas anotações do meu quinto ano que podem te ajudar nos N.O.M´s, espero que goste!
Agora, vamos ao assunto que interessa. Demorei um pouco para enviar a resposta porque foi muito difícil arrancar essa informação dele, mas acabei conseguindo alguma coisa, acho que vai ajudar.
Enquanto sua avó não prestava atenção, puxei um assunto com ele e Charlie me revelou que conheceu a sua mãe em 1972, também no quinto ano, ele já via ela antes, mas nunca conversou muito. Depois perguntei o que havia acontecido com ela, ele deu as mesmas respostas que deu para você, mas mudou o jeito que havia morrido, dizendo que ela havia sido atingida sem querer pela maldição da morte de um Comensal direcionada a outra pessoa.
É claro que ele não diria a mesma coisa que disse para você, sabe que eu tenho conhecimento de que aquilo era impossível. Perguntei de que Casa a sua mãe era e ele disse que era da Sonserina, então perguntei o nome e ele disse que eu não conhecia, então não adiantaria.
Mas ele não percebeu que isso não fazia sentido, se fôssemos da mesma Casa, eu haveria de conhecer pelo menos de vista. Não senti muita firmeza nessa última parte, devemos contar que ela seja de qualquer outra Casa que não essa. Procurem por meninas que estavam em Hogwarts em 1972 e sejam de Grifinória, Lufa-Lufa ou Corvinal.
Mas, além disso, eu lembro bem que alguém me disse que Filch costumava ter uma lista de todos os alunos e de onde eles são, deve aguardar todos esses registros (que devem ser muitos) na sala dele, deem uma olhada por lá quando ninguém estiver olhando.
Ah, , sinto muito que você e os outros garotos tenham sido impedidos de jogar, eu iria enlouquecer! Essa Umbridge passou dos limites, uma pena que o que está fazendo é permitido pelo Ministério.
Essa situação há de melhorar! Qualquer outra novidade, escreva-me, por favor! Sinto sua falta! Espero vê-la no Natal!
Atenciosamente,
Mary-Anne Zuckker.


- Então eu estava certo, o Filch tem isso na sala dele mesmo - Fred comemorou, sorrindo. - Podemos dar uma olhada lá no próximo jogo, todos vão para o campo e vamos conseguir passar lá sem ninguém perceber.
- Sugiro focar nas estudantes da Corvinal - disse, lembrando da informação que minha tia passou nas férias. - É bem provável que ela seja de lá.

Eu estava muito perto de descobrir quem era minha mãe e mal podia esperar para ter ao menos um nome, a parte ruim da história seria mais difícil, mas eu faria de tudo para conseguir.


Capítulo 5 - A Canção da Águia

Depois da leitura da carta, Fred e eu decidimos dar uma espiada na sala do zelador apenas quando retornássemos do feriado, agora, não havia nenhum jogo de quadribol planejado e os dois não queriam correr o risco de ser pegos por Filch ou Umbridge.
No momento, caminhávamos de volta para o castelo porque Fred dissera que tinha um presente para me entregar, mas havia deixado no dormitório. Quando entramos, o ruivo tinha o braço direito em volta dos meus ombros e eu ria de nervoso sobre uma história que ele acabara de contar. Jorge e ele tinham quase obtido sucesso em conseguir com que seu irmão mais novo, Rony, fizesse um voto perpétuo! E eles tinham somente sete anos.

- Vocês foram muito irresponsáveis - exclamei, olhando incrédula para ele. - Sorte que seu pai chegou a tempo de impedir isso.
- A gente pensava que, como qualquer coisa na magia, poderia ser revertido - explicou ele, sorrindo. - Meu pai bateu tanto em nós dois que depois disso minha nádega esquerda nunca mais foi a mesma.

Quando eu estava prestes a rir de novo, a pessoa que eu menos queria ver naquele momento apareceu. A professora Umbridge vestia hoje uma capa de tweed roxo e tinha uma face repleta de falsa bondade, ela se aproximou de nós, impedindo que continuássemos o caminho até a torre.

- O que vocês dois estão fazendo aqui, hum, assim? - perguntou ela, sorrindo afetadamente, esperando algum deslize para nos proibir de fazer alguma coisa.
- Que eu saiba, nos intervalos de aula podemos dar uma volta pelos jardins, não podemos? - Fred respondeu, dando um sorriso falso para Umbridge. - E não sei se entendi o que a senhora quis dizer com “assim”.
- Estou me questionando se os senhores não acham que estão, digamos, muito próximos - explicou ela e eu tive de me segurar para não rir, é sério mesmo?
- Nós somos amigos - disse, franzindo a testa como se não entendesse o que ela dizia. - Tem algum problema nisso, professora?
- É claro que não, srta. Zuckker - negou ela, usando o tom de quem fala com crianças, respirando fundo, continuou. - Mas digo isso porque sei que alguns vão pensar algo a mais, entendem?
- Não muito, professora - Fred exclamou, parecendo ter uma ideia, de repente, mas ainda com ar ingênuo. - Acho que essa interpretação só poderia acontecer se estivéssemos fazendo outra coisa, tipo isso.

Então, o ruivo se aproximou de mim, sem que conseguisse prever alguma coisa e me beijou. Tão rápido quanto aconteceu, ele se afastou, deixando-me com uma cara de tacho e olhando para Umbridge ao dizer:

- Entendeu? E não era isso que estava acontecendo, só foi uma pequena demonstração, a senhora compreendeu? - falou, na maior inocência do mundo, Umbridge tinha ficado com as bochechas vermelhas, raiva ou vergonha? - Bom, professora Umbridge, se não se importa, hoje é aniversário da e tenho um presente para entregar para ela, com licença!

A professora estava tão chocada com tamanha afronta que não disse uma única palavra, Fred colocou a mão que envolvia meus ombros nas minhas costas e saímos de perto de Umbridge, em direção as escadas até o sétimo andar, onde a torre da Grifinória ficava.

- Ainda bem que ela não nos deu uma detenção - murmurou, rindo da minha cara de incredulidade. - Teria valido a pena, pelo menos.
- Ela deve imaginar que não há detenção pior do que ser proibido de jogar quadribol - sugeri, um tanto perplexa com o que tinha acontecido, foi uma coisinha de nada, mas era uma coisinha de nada que nunca tinha ocorrido com Fred. - Você não imagina o que ela fez com Hagrid na aula dele!
- Ah, ela deve ter feito a mesma coisa que fez na nossa aula com ele, tratou-o como uma besta que não fala nossa língua e é incapaz de pensar logicamente - disse ele, aborrecido. - Acho que pensa que qualquer criatura que não seja um bruxo é inferior a ela.
- Foi a mesma coisa na nossa aula, Hagrid estava apresentando os testrálios, apesar de não conseguir vê-los, foi muito interessante - expliquei, relembrando o que acontecera ontem. - Mas ela insistia em tentar achar algum defeito, Draco e Pansy não paravam de rir um minuto, não consigo mais olhar na cara desses dois sem revirar os olhos, acho que o sentimento é mutuo.
- Assim, nunca fui muito fã desses dois, mas achei que se entendiam de alguma forma - Fred disse, agora subíamos os últimos degraus até o sétimo andar. - Depois de conhecer você, dá para notar que são bastante diferentes.
- Eu já ouvi muita coisa com as quais não concordava sem dizer nada, eles deviam pensar que tinha a mesma ideia. Quando comecei a discordar e dizer o que realmente achava, entramos em atrito.
- Eles estão perdendo tempo, mas já que não querem falar contigo - ele disse, pegando a minha mão e me rodopiando, como na vez que dançamos no Baile de Inverno. - Eu aceito ficar com você, só espera um minutinho que vou pegar a caixa lá em cima.
- Vou tampar os ouvidos para não ouvir a senha - zombei, colocando uma mão em cada orelha.
- Você não entraria aqui nunca - o ruivo respondeu, rindo, em seguida, disse a senha para o quadro e entrou na sala comunal.

Esperei um tempinho encostada à parede de pedra quando ele saiu de novo pela porta com uma caixinha verde com laço prata em cima, sorri ao ver as cores tão presentes na minha vida. Ele parou ao meu lado e entregou o presente.

- Achei que gostaria da caixa temática - ele disse, receoso, olhando para baixo. - Não é grande coisa, mas...
- Fred, relaxa, seja o que for, eu sei que vou gostar - falei, bastante animada, tirando cuidadosamente o laço e abrindo a tampa.

Lá dentro, havia um saquinho com caramelos incha-língua, um caderninho, parecido com um diário e, embaixo dele, um livro chamado “A Magia pelo Mundo”.

- Os caramelos são para você ter uma diversão com aqueles seus parentes chatos durante o feriado - ele começou a explicar, ficando menos acanhado. - O livro eu escolhi porque me lembrei de quando você disse que seria ótimo conhecer como era o mundo bruxo em cada lugar e o diário, bom, eu pensei que como você gostou muito daquele livro da Diana Clark, achei que seria legal escrever o seu...

Com aquele presente, tive a certeza de que Fred Weasley prestava atenção em cada palavra que eu dizia, mesmo as que não ficavam tão frescas na minha memória porque foram ditas no calor do momento. Ele sabia das coisas bobas e das mais importantes, de cada detalhe. Levantei o rosto da caixa para encará-lo e encontrei olhos ansiosos, esperando pela opinião sobre o presente.
Encarei seu rosto, sentindo uma súbita vontade de terminar o que não conseguimos começar no Baile de Inverno. Fala sério, um ano inteirinho e a gente não fez nada além dos abraços! Bem, o ano anterior não facilitou muito, minha cabeça estava ocupada com outras coisas momentaneamente importantes, só que agora parecia um ótimo momento.
Fred estava estático demais para tomar uma atitude, então, coloquei a caixa com cautela do lado oposto ao que ele estava e fiquei de frente para o ruivo, tão próxima que podia ver bem cada sarda do seu rosto, é claro que Fred soube na hora qual era minha intenção, mas não moveu um palmo.

- Um grifinório perdendo a coragem nessas horas? - disse, envolvendo minhas mãos no pescoço dele, ele sorriu de lado com o comentário e colocou uma das mãos na minha cintura, puxando-me ainda mais para perto.

Quebrei a distância que nos restava, juntei minha boca na dele e, finalmente, nos beijamos, Fred colocou uma das mãos atrás dos meus cabelos, segurando minha nuca e apertando a palma que envolvia minha cintura. Pressionei mais os braços que envolviam o seu pescoço, passando meus dedos pelos cabelos ruivos, o que tinha começado lentamente foi ficando mais rápido, nossas respirações se acelerando, realmente, tínhamos esperado tempo demais para isso. Fred desceu seus lábios devagar até meu pescoço e, quando deu o primeiro beijo, ouvimos alguém falar:

- Boa tarde! - provocou a voz, rindo em seguida. Paramos abruptamente só para ver que seu irmão gêmeo observava a situação toda.
- Caramba, chega a ser engraçado como você sempre chega na hora errada - Fred resmungou, rindo também.
- Pelo menos desta vez ele chegou depois - falei, afastando-me dos braços que me envolviam para pegar o presente de volta no chão.
- Ainda não tinha acabado - Fred exclamou, dando uma piscadela para mim. - Mas e aí, Jorge, o que você queria?
- Procurei você em todos os lugares e não achei, resolvi voltar para a sala comunal e dar uma checada de novo nos nossos produtos e consegui te encontrar - Jorge explicou, chegando mais perto do lado do corredor que estávamos. - Além disso, tenho que dar os parabéns para a .

Jorge me deu um abraço e me desejou um monte de coisas boas para o futuro e bem naquele momento, lembrei de algo.

- Gente, nós não temos uma reunião com a A.D hoje? - questionei os gêmeos, sussurrando, que me olharam pensativos. - A última antes dos feriados, vocês lembram o horário?
- Ei, eu estou ouvindo vozes do outro lado do andar - Fred disse, pegando a moeda enfeitiçada por Hermione. - Hum, acho que estamos atrasados, a reunião já deve ter começado e o pessoal está na entrada, é melhor a gente ir.

Depois de ter recebido a moeda de Fred, enviada pelo trio, participei de todas as reuniões e o pessoal acabou se acostumando comigo. Alguns já me conheciam dos jogos de quadribol no ano anterior, aqueles que com quem nunca tinha conversado perderam a impressão errada que tinham de mim.
Agora nos cumprimentávamos normalmente, (tirando o Smith, que eu não suportava, e uma amiga da Cho Chang que se recusava a olhar na minha cara) um tanto disfarçadamente, já que imaginei que meus amigos (ainda poderia chamá-los assim?) desconfiariam de algo. Eu tinha que admitir, eles eram legais. Hermione era extremamente inteligente, Harry era ótimo ensinando, Rony fazia piadas engraçadas, Gina era uma menina muito divertida e Luna, apesar de conversar muito sobre assuntos de veracidade duvidosa, era encantadora.
Conseguira adquirir novos feitiços para o meu repertório, apesar de já ter praticado e obtido bons resultados em outros que Harry ensinou. Praticávamos em duplas e normalmente eu treinava com Fred, mas com o tempo, fui fazendo par com as outras meninas. E eu finalmente conhecera o Dobby, agora eu lembrava, o antigo elfo doméstico dos Malfoy, eu já o havia visto lá e ele se lembrou de mim. Draco havia dito que mandaram o elfo embora, mas eu não tinha acreditado muito, os Malfoy se consideravam tão superiores e contavam tanto com isso que faziam questão de humilhar seus elfos.
No fim, descobri que Harry fez Lúcio Malfoy, o pai do Draco, libertar o Dobby sem perceber, até que ele era esperto.
Olhando agora, minha vida estava bastante diferente em relação ao quarto ano, eu conseguia me distrair das minhas preocupações maiores quando passava um tempo com Fred, com a galera da A.D ou estudando para os exames que viriam. Era sozinha no meu quarto, com todas, menos Astoria, me ignorando que vinham as coisas ruins. Foram nesses momentos que eu me senti péssima, quando vinham as lembranças da missão, de ser obrigada a me queimar pelo simples fato de que o nosso Lord queria ter certeza de que Charlie e ele tinham completo controle sobre mim, do anúncio de Cedrico Diggory morrendo e da culpa que eu sentira por isso.
Eu via aquele dia, na ocasião em que meu próprio “pai” tivera a coragem de me torturar e acordei desnorteada com a marca negra no braço. Toda vez que eu pensava nela, tinha a sensação de que queimava no antebraço. Fred quase descobrira uma vez, estava um pouquinho calor e ele insistira para que tirasse o casaco ou ao menos erguesse as mangas do tricô, claro que tive um pequeno surto na hora, não queria nem saber da reação dele quando visse que eu possuía a marca que representava tudo que ele odiava, eu sentia as bochechas queimarem de vergonha.
Consegui me livrar da situação e ele não pareceu desconfiar de nada, porém tinha minhas dúvidas, eu havia mentido, Fred sempre disse que eu mentia mal, apesar de não acreditar muito nisso.
Bom, de qualquer forma, isso seria descoberto em algum momento.

Havia chegado o mês de dezembro e estávamos cada vez mais próximos de sair para o feriado, desci para o Salão Principal para tomar café, dei uma olhada ao redor e estranhei ao ver que nenhum dos gêmeos estava lá, bem como Harry, Rony e Gina. Hermione tomava café sozinha e parecia muito preocupada.
Mais tarde, ela me encontrou na biblioteca e explicou que Harry havia tido um sonho, que na verdade era uma visão, onde o pai dos Weasley era atacado por uma cobra. No fim, era algo que realmente estava acontecendo, Dumbledore foi avisado e mandou os cinco ao encontro da mãe. Também me disse que havia cancelado a viagem com os pais para passar as festas com eles, então se eu quisesse entregar algo para Fred, ela levaria.
Eu havia comprado um presente e mandado entregar em Hogwarts para evitar perguntas em casa, entreguei a Hermione junto com uma carta quando pegamos o trem para retornar a Londres, nos despedimos ao chegar em King´s Cross e lá fora, minha tia e Madeline me esperavam para que voltássemos ao nosso “lar”.
Mal podia esperar para voltar a essa estação.

Ao chegar em casa, tive a visão de uma decoração horrenda de Natal, nada parecida com a que costumávamos usar antes. Tinha uma árvore desproporcionalmente grande na sala principal, perto da janela, com vários berloques péssimos. Sem contar a guirlanda na porta e as outras coisas espalhadas no aparador e no corrimão da escadaria.

- Quem foi que escolheu isso? - perguntei a Madeline, Mary-Anne começou a rir enquanto nós subíamos com as minhas malas para o andar de cima, onde ficavam os quartos.
- Foi a sua avó - respondeu a governanta, balançando a cabeça negativamente. - Ela disse que as coisas que guardávamos no porão eram feias.
- O conceito de belo é realmente relativo - exclamei ao chegarmos no meu quarto, que estava exatamente como eu havia deixado.
- Reparei agora que sua vassoura não está aqui, deixou ela na escola? - questionou Madeline, deixando as malas em cima da cama.
- Deixei contra a minha vontade, acho que deve ter visto nos jornais a tal Umbridge que virou Alta Inquisidora de Hogwarts - comecei, ela respondeu que vira e continuei, ao mesmo tempo que tirava poucas coisas de dentro do malão. - Eu acabei dando um soco no Draco no fim da partida contra a Grifinória e aí...
- Você deu um soco no filho do Lúcio Malfoy? - Maddie disse, exasperada. - E qual foi o motivo disso?
- Ele foi um babaca comigo nos últimos meses, não só ele como aquelas minhas amigas que já vieram aqui uma vez - expliquei, Mary-Anne pegou sua varinha e fez os malões levitarem até o canto perto da janela. - Tudo isso porque eu não concordo com eles em relação à professora, mas não se preocupe, eu não teria o trabalho de bater no Draco se ele não merecesse.
- Essa é minha garota! - minha tia exclamou, sorrindo. - Descanse um pouco até os outros chegarem, vai precisar de paciência para aguentar essa semana aqui.

As duas saíram e finalmente me joguei na cama, esperando que não fosse uma semana tão ruim, que quando Fred respondesse minha carta, seu pai estivesse bem, fechei os olhos e acabei adormecendo.

Era o meu quarto, eu reconhecia, mas a disposição dos móveis era completamente diferente. Havia um guarda roupa no lugar da penteadeira, onde ficava minha cama, tinha um trocador e no local da estante, um berço de madeira, ao lado da janela com cortinas esvoaçantes cobrindo a noite estrelada lá fora. Bom, só podia ser meu quarto quando ainda era um bebê.
De repente, ouvi um choro agudo vindo do berço e rapidamente a porta do quarto se abriu, virei para trás e uma mulher apareceu, o seu rosto estava nebuloso, era difícil conseguir reconhecer seus traços, mas era a mesma do outro sonho, tinha cabelos castanhos e ondulados que iam até metade das costas e era alta. Usava uma camisola longa azul e tinha pantufas nos pés. Era minha mãe
A mulher foi até o berço, pegou um bebê enrolado em cobertores e começou a ninar calmamente em seus braços, o choro parou quase instantaneamente, mas ainda não tinha dormido.

- O que acha de ouvir uma canção para dormir, ? - minha mãe disse, tinha uma voz doce e suave, só de ouvir aquilo, senti meus olhos ficarem marejados. - Sua avó costumava cantar para mim.

A minha versão bebê, quase como se respondesse, soltou uma risadinha de leve, mesmo sem conseguir distinguir as feições da mulher, sabia que ela sorria também.

- A guerra do lado de fora da nossa porta continua furiosa, acredite nessa canção de ninar mesmo quando as músicas desaparecerem - cantarolou ela, a voz mais suave do que antes, senti as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. - Apenas feche seus olhos, o sol está se pondo, você ficará bem, ninguém pode te machucar agora, quando a luz da manhã chegar, você e eu estaremos sãs e salvas. Apenas feche seus olhos, você ficará bem, quando a luz da manhã chegar, você e eu estaremos sãs e salvas.

Agora era possível ouvir a respiração calma da bebê, dormindo tranquilamente. Minha mãe me colocou de volta o berço, mas continuou olhando, para ter certeza de que adormecera. A porta se abrira novamente, Charlie entrou, os cabelos loiros bagunçados, usava pijama e uma pantufa parecida com as da minha mãe.

- Às vezes acho que você tem um sensor - ele disse, ficando ao lado dela, olhando para a criança no berço. - Toda vez que ela começa a chorar, você acorda na hora, só fui perceber agora que não estava na cama.
- É engraçado, tem sido assim desde que ela nasceu, sempre tive o sono pesado - minha mãe respondeu, rindo. - Nossa filha não é linda, Charlie? Sinto um amor tão grande quando a vejo, só desejo que ela seja muito feliz e que a gente consiga dar toda essa felicidade para ela, mesmo com tudo que anda acontecendo.
- Ela vai ser muito feliz, eu prometo - meu pai respondeu, colocando a palma da mão nas costas da minha mãe e dando um beijo afetuoso na bochecha dela. - Vamos voltar a dormir? Acho que não vai acordar mais.

Os dois saíram pela porta do quarto e eu me aproximei do berço, lá, uma muitos anos mais nova repousava calmamente, com a promessa de que tudo ficaria bem e seria feliz, sem saber que muitas coisas estariam diferentes quando crescesse. As cortinas da janela se afastaram novamente e, sentada no parapeito da janela, como se estivesse cuidando da criança no berço, surgiu uma águia bronze, iluminada pela luz do luar. Não sabia como aquilo era possível, mas a águia olhava para mim, fixamente, sem tirar os olhos. Uma mensagem foi passada para mim, eu não ouvi nenhuma voz dizer, mas não foi isso que me assustou.

Acordei de repente, agora na atualidade, eu estava encolhida na cama, alguém tinha me envolvido em um cobertor. Sentei na cama, atordoada com o que acabara de sonhar, a mensagem da águia ecoava na minha cabeça, incentivando minha busca pela identidade da minha mãe.
“Você está mais perto do que imagina, não desista, ela está esperando por você”.


Capítulo 6 - A Volta da Deusa Romana

Após aquele sonho, com a mensagem da águia pairando na mente, levantei da cama e tomei um banho, tentando prolongar o momento que desceria para a sala e veria a família toda tomando um chá e agindo como se não soubessem a verdade sobre a minha mãe.
Uma coisa era certa, Mary-Anne e Madeline não sabiam nada sobre ela. Madeline apenas veio ficar comigo quando eu tinha 7 anos e meu pai desapareceu no meio da madrugada. Lembro bem de que ele me colocou para dormir no quarto, deu boa noite e disse que nos veríamos pela manhã, mas, quando acordei no meio da noite, procurei ele pela casa inteira (menos no porão, eu tinha medo de lá) e não achei em lugar algum, eu era uma criança, mal sabia o que estava acontecendo, decidi voltar a dormir pensando que Charlie tinha dado uma saída e já voltava.
Porém, fui acordada por Madeline, uma desconhecida no momento, é claro que levei um susto. Lá embaixo, minha avó e minhas duas tias, não me lembrava delas, mas Charlie havia contado sobre, além de ter mostrado algumas fotos, mal falaram comigo e avisaram que meu pai tinha sumido e que agora Madeline cuidaria de mim. A única referência de família que tive por muito tempo foi a governanta, confiava nela e sabia que não tinha ideia do que acontecera.
Mary-Anne, minha tia, havia se mudado para a Irlanda logo depois da formatura em Hogwarts, queria estar o mais longe possível da pessoa insuportável que era sua mãe. Ela recebia algumas novidades por cartas, mas mesmo quando a mãe e a irmã se mudaram para o mesmo país que vivia, não ficou sabendo de muita coisa.
Por isso, eu tinha certeza que três pessoas escondiam as informações de mim: Charlie, Beatrice e Agatha. Eles não diriam uma sequer palavra sobre o assunto, mas não custaria nada tentar.

Desci para a sala de estar e todos realmente tomavam chá, Beatrice estava sentada em uma poltrona perto da árvore de natal com um livro em mãos, Agatha e Ivan, seu marido irlandês esquisito, cochichavam e davam risadas baixas entre si no sofá de dois lugares que ficava de costas para a janela, já do outro lado, Mary-Anne e Madeline ocupavam o sofá com três lugares e bebericavam o chá nas xícaras em suas mãos e Charlie estava sentado na poltrona que ficava de costas para a escada
Desci os últimos degraus até a sala e sentei no lugar restante no maior sofá, na mesinha de centro haviam alguns biscoitos, como estava com fome, peguei alguns ali. Minha avó fechou o livro e pegou a xícara que estava na sua frente, virei para o lado e meu pai tinha um olhar cansado, olheiras fundas e encarava fixamente algum ponto qualquer na sala.
Observando todo aquele clima muito ameno, decidi fazer uma pergunta que daria mais vivacidade naquele chá da tarde monótono:

- Pai, como era minha mãe? - na mesma hora, minha avó se engasgou com a bebida, largando a xícara de porcelana às pressas na mesinha, o sorriso de Agatha murchou, Mary escondeu um sorriso de lado e meu pai parou de raciocinar e focou olhos desesperados em mim.
- C-como assim? - ele questionou de volta, a voz falhando ligeiramente.
- Ah, estive pensando por esses dias que nunca me disseram nada sobre ela, eu só sei que ela foi morta pelos aurores, mas você nunca disse como ela era, se me pareço com minha mãe, essas coisas, sabe? - respondi, fingindo que ainda acreditava na mentira que ele me contava, apenas o tom triste era realmente verdadeiro.

Beatrice apertava as mãos nos braços da poltrona, Agatha parecia muito nervosa e Ivan não estava entendendo nada. Mary encarava meu pai atentamente, Madeline se levantara para tirar a bandeja da mesa e Charlie passou as mãos nos cabelos loiros, deixando-os como estavam no meu sonho, suspirou antes de dizer:

- Ah, bem, são coisas difíceis de relembrar, eu sinto a falta dela também, - falou, dando um sorriso que transparecia nostalgia. - Era uma menina radiante, era bastante difícil não gostar pelo menos um pouquinho dela, tive sorte em ter casado com ela, muitas vezes acho que não a merecia - ele soltou outro suspiro seguido de uma risada, minha avó tinha a testa franzida e os lábios crispados, acho que ela não estava gostando muito do que ouvia. - Ela vivia escrevendo, gostava de ler, era muito criativa, tinha várias crenças malucas, vocês duas se parecem muito fisicamente, , os cabelos são exatamente iguais.
- Uma pena que ela esteja morta - minha avó disse, quebrando todo o clima nostálgico com um falso lamento.
- Eu vou deitar um pouco - exclamou Charlie com as feições fechadas voltando, ele levantou da cadeira e subiu escada acima para seu quarto.
- Por que a curiosidade repentina na sua mãe, ? - Beatrice perguntou, recuperando a pose elegante de sempre gradativamente, Ivan tentou retomar os sussurros com a esposa, mas Agatha tinha toda sua atenção voltada nas palavras da mãe, assim como sua irmã.
- Seria estranho que eu tivesse um pouco de curiosidade sobre a vida da mulher que me trouxe até aqui somado ao fato de que nunca cheguei a conhecê-la realmente, vovó? - questionei de volta, exprimindo toda minha ironia ao chamar Beatrice daquele jeito, ela odiava sentir que era velha.
- Jamais teve vontade de saber qualquer coisa sobre ela - exclamou, tentando manter o tom de voz brando, porém a irritação era perceptível.
- Ah, talvez isso seja facilmente explicado quando percebemos que passei sete anos morando com alguém que nunca a conheceu - rebati, sorrindo cinicamente, Beatrice estreitou os olhos. - E agora que temos toda essa família linda reunida, que conheceu a minha mãe, por que não resgatar memórias antigas?
- Memórias servem exclusivamente para deixar no passado o que já passou, não seja tola - respondeu, com desgosto. - Sua mãe está morta e lembrança alguma a trará de volta.
- Lembranças tornam as coisas do passado vivas nos dias de hoje, a senhora sabe muito bem disso.
- Não me apego nisso, a vida é efêmera demais para ficarmos presas ao passado, - murmurou, bem mais irritadiça do que antes, ela se cansou de tentar me rebater e decidiu mudar de assunto. - Estava prestes a te perguntar antes de você iniciar o assunto, mas conversei com Narcisa Malfoy e ela me disse que você agrediu o filho dela, , isso é verdade?
- Agredir é muito forte para definir o soco que dei na cara dele, como sempre, Draco exagerou no chororô para os seus pais - expliquei, revirando os olhos só de pensar no loiro. - E foi totalmente merecido, ele pensa que pode sair falando qualquer coisa para as pessoas e elas vão deixar passar despercebido.
- É uma falta de educação sem tamanho bater em alguém, ainda mais um menino de família amiga da nossa, terei que ligar novamente para Narcisa e expressar minhas desculpas a ela, faça o mesmo com o Draco, - minha avó disse, toda afetada e eu ri de toda aquela cena que fazia.
- Não posso pedir desculpas por algo que não me arrependi de ter feito, vovó, além de tudo, faz alguns dias que isso aconteceu e a vida é efêmera demais para Draco ficar preso ao passado - respondi, dessa vez Mary-Anne não escondeu a risada, recebendo um olhar torto de sua mãe e, pela primeira vez em anos, ela não se importou.

Os feriados foram como o esperado, discuti muito com a minha avó, Charlie mal saía do quarto e quando estava presente nem parecia estar ali. Os momentos legais foram as conversas com Mary no meu quarto, as receitas que fizemos com Maddie, deixando uma bagunça enorme na cozinha e na situação em que alguém acabava comendo os caramelos incha-língua que Fred me entregara e eu colocara em um potinho junto com outros caramelos comuns, quando isso aconteceu com minha avó pela terceira vez, ela jurou enviar uma reclamação formal para a empresa que produzia aquelas “porcarias”.
Passei a usar o caderno/diário que Fred me deu de presente para escrever minha jornada na escola, desde o primeiro ano, iria levar um tempo para chegar até os dias de hoje, mas era incrível revisitar aqueles dias tão felizes e fazer algo parecido com alguém que jamais conheci, mas já admirava muito.
É claro, também refleti muito sobre as poucas informações que tinha obtido de Charlie, eram bastante significativas e ele realmente pareceu sincero ao passá-las para mim, tão sincero que não percebeu que me deus indícios claros de que ela não era da Sonserina. Eu tinha uma ideia bem concreta de onde ela teria vindo, o que facilitaria muito minha busca com Fred.
Havia acabado de me despedir de Mary e Maddie e entrado no trem, cumprimentei sutilmente várias pessoas da A.D, ansiosa para voltar com os encontros, encontrei Dafne e Pansy e trocamos um breve aceno de cabeça, nada havia mudado do feriado para cá. Passei então a procurar Fred e Jorge e Gina para saber mais informações sobre o seu pai, como eu não sabia se Fred estaria no endereço da sua casa, preferi não enviar nenhuma carta. Por incrível que pareça não encontrei Gina, os gêmeos ou o trio, talvez eles tivessem voltado de outro jeito, mesmo não conseguindo pensar qual.

Só fui vê-lo no café da manhã, combinamos de nos encontrar no primeiro horário livre do dia na árvore perto do lago, mas ele me assegurou de antemão que seu pai passava bem.
Voltamos às aulas e os professores passaram muitas lições com o objetivo de nos preparar bem para os exames que viriam a acontecer. Muitos alunos focavam em matérias específicas pois sabiam que seriam notas importantes para as profissões que seguiriam no futuro, eu não tinha muita expectativa no quesito, acreditava que, do jeito que as coisas andavam, o futuro era muito incerto e um dos resultados mais possíveis era de que eu acabasse como uma Comensal da Morte, meio caminhado já estava andado.
No entanto, apesar da minha total falta de esperança, decidi me esforçar ao máximo para obter as melhores notas que pudesse pois, caso a sorte estivesse a favor de Harry Potter, poderia tentar qualquer coisa que tivesse interesse. Fiz muitas anotações, resolvi todas as lições com atenção e tentei não temer muito a prova que viria.
Assim que o horário livre combinado surgiu, desci pelo descampado do castelo em direção à árvore de sempre, encontrando o ruivo me esperando com um pacote nas mãos.

- E aí, como foi o feriado? - perguntei, sentando ao seu lado.
- Levamos um susto enorme, mas meu pai já está melhorando, passamos o Natal juntos em outro lugar, por isso não consegui te enviar nada - respondeu ele, entregando-me o pacote que estava em suas mãos. - Obrigada pelo presente, inclusive, vai ser muito útil na nossa futura loja.

Peguei o pacote de suas mãos e abri a embalagem, era o volume dois do livro que Fred havia me dado no meu aniversário, tinha visto um catálogo da livraria Floreio & Borrões que mostrava uma coleção de pelo menos trinta livros.

- Muito obrigada, já estava pronta para encomendar o próximo, terminei aquele que você me deu há dois dias - informei, folheando o livro brevemente.
- Seu feriado foi tão chato quanto as férias?
- Não tanto porque foi bem menos tempo, mas discuti incontáveis vezes com a minha avó porque ela descobriu que dei um soco no Draco e insistia todos os dias para que eu fosse lá me desculpar.
- Como ela ficou sabendo disso?
- O Draco foi chorar para os pais dele, como sempre.
- Conseguiu descobrir alguma coisa sobre sua mãe com alguém de lá? Temos que planejar bem o dia que vamos entrar na sala do Filch.
- Sim! Eu tive um sonho muito esquisito, parecia mais uma lembrança minha, era minha mãe me colocando para dormir com uma música, Charlie também apareceu e quase não acreditei, ele era muito diferente do que é hoje - comentei, pensativa, ele ouvia com bastante atenção. - No final, uma águia bronze apareceu e, depois de questionar meu pai sobre como ela era, tenho absoluta certeza de que minha mãe era da Corvinal.
- Ele respondeu tranquilamente às perguntas?
- Sim, tinha um tom tão nostálgico e melancólico, sabe? Ele só voltou a realidade quando a insuportável avó que tenho fez questão de mencionar que era uma pena que ela estivesse morta.
- Que insensibilidade! Isso me faz pensar que ela sabe sobre a verdade.
- Eu tenho muita certeza disso, Fred, para mim, as únicas pessoas que sabem concretamente o que ocorreu são meu pai, a minha tia Agatha e ela, também refleti um pouco e acho que além da explicação errada do que houve, eles mudaram a ordem dos fatos, acho que o ano que me disseram é mais uma informação falsa.
- Isso é muito possível, , a única coisa que podemos dizer é que não sabemos de nada! - Fred concordou, um tanto irritado, ele conseguia imaginar a minha frustração. - E você tem certeza de que ela é da Corvinal?
- Sim, estou confiando nisso, a forma como Charlie a descreveu quase me lembrou um pouco da Luna Lovegood, sabe? Não tinha como ver outra Casa. E penso que os sonhos são muito úteis para nos mostrar aquilo que não conseguimos ver claramente sozinhos.
- Vamos seguir sua intuição, vai facilitar muito a busca, podemos pegar somente os alunos da Corvinal no ano de 1972, espero que o Filch seja organizado.
- Obrigada por me ajudar com isso, Fred, é muito importante para mim e você me incentivou desde o início com esse assunto, acho que sempre desconfiei, porém decidi fechar os olhos para tudo, é sempre mais fácil escolher deixar de ver a realidade porque está assustado demais com o que ela poderia virar.
- Isso é menos do que o mínimo que deveria saber, , você tem total direito de ir atrás da verdade por si mesma já que ninguém está disposto a te contar o que aconteceu - o ruivo disse, sorrindo tristemente para mim, sabíamos que coisa boa não seria descoberta se continuássemos remexendo naquela história. - Sinto que estamos muito perto de saber o realmente aconteceu com ela, seja o que for.

Nas últimas semanas, as notícias ferviam pela escola, no dia posterior ao meu encontro com Fred, a manchete do dia do Profeta Diário anunciava que cerca de dez Comensais da Morte tinham fugido de Azkaban sabe-se lá como. Eles noticiavam a fuga como sendo um plano arquitetado por Sirius Black, o primeiro a fugir da prisão, que aconteceu há três anos. Isso não fazia muito sentido para mim, tinha conhecimento de alguns nomes que estavam envolvidos com Voldemort, mas nunca sequer ouvira o sobrenome Black vindo da parte dele.
A novidade me fez questionar se era isso que preocupava Charlie nos últimos dias e se tinha participado ativamente na organização da fuga, era bem possível, ele mal ficava em casa durante o feriado, provavelmente para realizar pequenos serviços para Voldemort, eu tinha quase certeza de que o bruxo estava fazendo estadia na casa dos Malfoy.
Após o anúncio, Umbridge fez questão de incluir mais de seus Decretos Educacionais, esse último proibia os professores de passarem qualquer informação que fosse além da disciplina que ensinavam. A professora deve ter tomado a decisão após perceber que os estudantes tentavam ativamente descobrir mais sobre nomes e situações que haviam ocorrido no passado, em especial aquelas que diziam respeito à ascensão de Voldemort há alguns anos.
Quanto mais duras as medidas tomadas pela coisa rosa ficavam, mais os participantes da A.D se sentiam motivados a melhorar seus feitiços, especialmente porque agora estava bem claro que havia sim perigo lá fora. Eu conseguia pegar bem alguns feitiços, mas percebi que tinha bem mais aptidão com poções, algumas das minhas tentativas de reproduzir o que Harry nos ensinava eram extremamente desastrosas, só que me sentia motivada a tentar mais mil vezes se fosse preciso para pegar a técnica adequada.
Quando o mês de fevereiro chegou, a segunda semana trouxe nossa saída para Hogsmeade no dia dos namorados, onde alguns lugares colocavam decorações temáticas com corações. Relembrando a proposta que me fizera no início do ano letivo, Fred resolveu que teríamos um encontro na data, quase podia notar o nervosismo dele achando que eu iria preferir tomar algo no Madame Puddifoot, onde os casais costumavam se encontrar na data.
Porém, aquele lugar não era nem um pouco a nossa cara, passamos a manhã entre beijos, objetos na Zonko´s que serviriam de inspiração para a futura loja dos gêmeos e neve, que fizemos questão de jogar um no outro. Além disso, combinamos que tentaríamos conseguir a lista de alunos na sala de Filch durante o próximo jogo, que seria entre Lufa-Lufa e Grifinória.
Como três dos melhores jogadores foram proibidos de jogar, sabíamos que a Grifinória iria perder de lavada, continuavam a cantar aquela música para Rony, que ficava extremamente nervoso com a plateia. Já que Fred não queria ver aquela derrota vergonhosa, ia ser naquele jogo mesmo.
Depois de uma conversa sobre os rumos que um dos irmãos mais velhos de Fred, chamado Percy, estava tomando, tornando-se um fiel escudeiro do ministro Fudge e uma breve discussão onde questionei o motivo dos meninos não deixarem a Gina jogar com eles, subimos para o castelo, ansiosos com a chegada da partida.

Assim que Madame Hooch soou o apito, Fred e eu saímos de trás das arquibancadas e corremos em direção à entrada da escola.

- E se ele disse não? Pirraça é muito temperamental - questionei assim que pisamos no térreo, indo em direção ao Salão de Duelos.
- Ele vai aceitar, odeia o Filch e gosta de mim, relaxa.

Ao chegarmos no corredor da sala, Pirraça estava falando consigo mesmo um monte de besteiras, eu tive a certeza de ouvir alguns dos xingamentos direcionados à professora Umbridge.

- Ei, Pirraça, está a fim de ajudar a gente a pregar uma peça no Filch? - Fred questionou para o poltergeist, que parou imediatamente e nos olhou.
- Ora se não é meu casal favorito de Hogwarts - disse Pirraça, dando uma risada, ele sumiu brevemente pela parede do Salão de Duelos e voltou carregado de balões cheios d´água. - No que posso ajudar?
- Precisamos pegar uma coisa na sala do Filch, mas antes precisamos de um motivo para ele sair de lá - expliquei e o poltergeist concordou com a cabeça. - Vou distraí-lo e o trazer até aqui com a desculpa dos balões de água, enquanto isso o Fred vai pegar a coisa.
- E aí, vai ajudar a gente? - Fred questionou, Pirraça deu um de seus sorrisos maldosos e assentiu.
- Então pode jogar uma dessas bexigas em mim, Filch não vai acreditar muito no que direi caso esteja seca - disse a contragosto, não era um do quente e eu tinha certeza que a água estava fria, mas esperava que valesse a pena.

Pirraça, bem acima da minha cabeça, não tardou em jogar uma bexiga vermelha, senti o líquido gélido molhando meu corpo por completo, afastei os cabelos do rosto e vi que os dois seguravam risinhos.

- É por isso que gosto dela - o poltergeist murmurou para o ruivo, como se contasse um segredo.
- Pronta? - Fred questionou, balancei a cabeça levemente e seguimos em direção às masmorras, onde ficava a sala de Filch.

O caminho todo conseguia ouvir as gotas que pingavam das minhas roupas caindo no chão, minhas mãos estavam extremamente frias e eu envolvia os braços no corpo na tentativa de obter algum calor e parar de tremer.
Naquele dia, a sorte estava a nosso favor, Filch resmungava sozinho em sua sala, que tinha a porta aberta, procurando algo de costas para a gente. Fred se escondeu na curva do corredor oposto ao caminho de volta para o andar de Pirraça, assim que ele virou, preparei-me para enganar o zelador.

- Filch, pelo amor de Merlin, você tem que vir comigo! - exclamei, obtendo a atenção de Filch na hora. - O Pirraça está jogando várias bexigas no corredor do Salão de Duelos e não consigo fazê-lo parar de jeito nenhum! Você tem que vir comigo!
- Essa peste é insuportável! Espero que a Alta Inquisidora consiga expulsar ele do castelo para sempre! - xingou ele, saindo da sala, percebi que ele tinha a intenção de trancar a porta novamente, assim, agi rápido e puxei seu braço ossudo corredor afora.
- Rápido, Filch, ele vai inundar o lugar! - exclamei, puxando-o velozmente para o térreo, Filch mal reclamou, ele acabava favorecendo os estudantes da Sonserina de vez em quando, mas odiava todos os alunos, porém, não mais do que detestava o poltergeist.

Encontrei o ruivo na árvore mais tarde, a Grifinória perdera o jogo mesmo com Gina pegando o pomo, Filch saiu ensopado da discussão com o Pirraça, que parou somente porque o fantasma do Barão Sangrento apareceu e ele morria de medo dele.
Depois disso, troquei-me no dormitório e segui para os jardins cheia de esperança de que Fred conseguira os papéis. Chegando lá, o sorriso largo do garoto confirmou que obteve sucesso na sua parte do plano.

- Filch se ferrou muito? - perguntou ele, prolongando a minha ansiedade.
- Pirraça se divertiu muito jogando todas as bexigas nele até a chegada do Barão, tive que me segurar para não rir - contei, relembrando o momento. - Agora, chega de jogar conversa fora e vamos ver esses nomes!
- Podemos pular direto para o quinto ano, certo? Se fosse mais nova, sua tia conheceria mais sobre.
- Sim, podemos - sentei ao seu lado e observei a lista de corvinas do quinto ano em 1972.

Vários nomes que não me diziam nada: Abby Jones, Abigail Thompson, Betty White, Barbara Simons, Clary Young, Camile Degalles, Daisy Green.
Até que parei em um nome específico que eu conhecia muito bem: Diana Clark.

- Espera aí, essa não é a autora daquele livro que você não cansa de ler? - questionou Fred no mesmo momento, olhei para ele, confirmando.
- Eu não sabia que era da Corvinal, ela nunca disse a qual casa pertencia - disse, pensando que agora as coisas tinham bem mais sentido, o jeito dela gritava Corvinal, lembrando um pouco mais do livro, percebi uma coisa que me fez arregalar os olhos. - Fred! Pensando aqui, ao longo do livro a Diana disse que se apaixonou por um cara e conta até alguns momentos do namoro deles.
- Poderia ser seu pai?
- Pensando na descrição, combina bastante, ela descreve que ele era loiro e tinha um dos olhos mais lindos que ela havia visto, a cor do oceano mais gelado que você poderia pensar em mergulhar, Charlie se encaixa muito nessa descrição.
- Temos a primeira indicada aqui, mas tenho outra pergunta, ela contou os eventos em Hogwarts até o último ano, certo? Explicou em algum momento que tinha uma relação meio difícil?
- Sim! Ela contou que se chateava muito com ele por motivos de ordem maior, isso poderia muito bem ser uma futura guerra bruxa, a divisão de lados e as brigas de famílias, a Diana era nascida trouxa, ela seguramente deveria abominar a figura do Voldemort.
- Caramba, Diana Clark pode tranquilamente ser a nossa garota, .

Antes que eu pudesse responder, flashes surgiram em minha mente e lembrei da única visita que fiz à sala de Dumbledore.

- Como eu pude esquecer disso?
- Lembrou de mais alguma coisa?
- Lembra quando eu tinha aqueles desmaios e dor de cabeça? Eu tinha visões de cenas horríveis de uma pessoa sendo torturada, mas como fiquei muito confusa da última vez que aconteceu, segui o conselho da Madame Pomfrey e fui conversar com Dumbledore - iniciei a explicação, juntando algumas peças. - Ele nunca diz nada com nada, apenas me aconselhou a buscar por aquela que era considerada Deusa da Caça pelos romanos, só que eu nunca cheguei a fazer isso! Você sabe?
- Não faço ideia, isso parece muito mais com o que os trouxas aprendem, vamos encontrar Hermione agora!

- Eu não conseguia lembrar de cabeça, mas tenho certeza que há um livro sobre mitologia grego-romana aqui, consultei anteriormente, venham comigo - Hermione disse, enquanto andávamos entre as enormes e lotadas estantes da biblioteca, era sem dúvidas a mais impressionante de todas.

A garota seguiu os olhos por algumas prateleiras até parar em uma que separava alguns livros com conhecimentos predominantemente trouxas, ela passou o olhar rapidamente pelas lombadas, até puxar um de couro sintético roxo.
Fomos para a mesa mais próxima e vimos ela passar as páginas lentamente, eu explodia de ansiedade naquele momento, sentia minhas mãos tremerem de leve e a garganta seca ao extremo.

- Aqui, achei! - Hermione disse, com um sorriso satisfeito e começou a ler as palavras do livro. - Os romanos direcionavam suas preces também à divindade da Lua, da caça e protetora da natureza, dos animais, das mulheres e das meninas, conhecida como Diana.
- Merlin, ela realmente é nossa garota, - Fred disse no exato momento em que meu mundo parou. - Diana Clark é a sua mãe.


Capítulo 7 - A Marca Negra

Repousava a cabeça no travesseiro da minha cama no dormitório, há pouco tempo havia descoberto que minha mãe estava comigo há pelo menos um ano sem que eu tivesse noção alguma disso.
Minha mente vagava entre diversos questionamentos: seria destino ou coincidência ter encontrado uma sala justamente pedida por ela, onde um livro que escrevera estava escondido? Se eu a visse, teria capacidade de reconhecer?
Para quem passou anos sem ter informações as quais poderia confiar plenamente, um nome já era uma grande vitória. Agora, aquele diário tinha um significado muito maior do que jamais teve, eu o agarrava fortemente em meus braços, chorando ao pensar que eu sabia muito mais dela do que ela saberia de mim.
Ela teria sido a melhor mãe do mundo.
Ouvi a porta ser aberta e tratei de secar algumas lágrimas que caiam, vi as meninas entrarem conversando animadamente, parando quando perceberam que eu estava lá, observei seus olhares curiosos seguidos de pena, o que eu odiei, para meu rosto que nada escondia.

- Está tudo bem, ? - Pansy perguntou cautelosamente.
- Vai ficar, Pansy, não se preocupe - respondi, ela assentiu de volta, Dafne pegou algum objeto no seu gaveteiro e elas saíram do quarto, deixando-me sozinha novamente.

Sabia que algo nas nossas relações estaria permanentemente quebrado quando passei a corresponder negativamente aos comentários preconceituosos que faziam.
É certo que, na maioria dos casos, quando se é criado em uma família com valores de caráter duvidoso, você passará a tomá-los como verdades. Essa é a realidade de Draco, Pansy, Dafne e diversos outros colegas.
No meu caso, nenhum familiar estava presente, Maddie nunca foi muito ligada a esses assuntos, só me educou com os preceitos básicos, mas passou a responder perguntas mais sérias conforme fui ficando mais velha e apta a entender.
Porém, tomei mais conhecimento da segregação com os comentários ditos pelos amigos que fiz ao entrar em Hogwarts, não repetia o que ouvia, mas também não os reprimia, é basicamente como se estivesse concordando.
Sentia falta das suas presenças, eles eram bons amigos para mim até passarem a considerar meu comportamento inadequado demais para o grupo. Sentia falta dos momentos leves e divertidos, das reuniões entre as sonserinas e até mesmo de implicar com o Draco, mas só escutar e não dizer nada já não parecia certo para mim no momento. O afastamento era inevitável.

Acabei adormecendo agarrada ao livro, despertando para as aulas que se seguiram completamente alheia às situações que me rodeavam. Ao ter um relance da minha imagem no espelho, notei olhos vermelhos e inchados pelo choro da noite passada, talvez esse fosse o motivo de receber mais olhadelas repletas de comiseração por parte de vários colegas de casa, porém, nenhum deles veio me questionar, ninguém naquela mesa gostaria que os outros direcionassem pena como direcionaram para mim, era um senso comum.
Passei pelas aulas sem prestar muita atenção no que diziam, ouvi cochichos de estudantes sobre um tal de “O Pasquim” que eu não fazia ideia de quem fosse e da demissão da professora de Adivinhação pela chata da Umbridge, nem tinha ideia de que aquela bruxa tinha autoridade suficiente para demitir alguém em um cargo temporário que ela ocupava.
Terminei o dia de aulas no jardim, encarando o lago e relembrando quando minha mãe (ainda soava estranho dizer que Diana era sua mãe) contou uma aventura onde escorregou dos jardins direto para o lago, uma cena tão bem descrita pela autora que me fez rir por uns bons minutos e algumas poucas lágrimas caírem pelo rosto.
Agora você também faz parte da minha história.
Era essa uma das últimas frases de Diana no prólogo do livro, mal sabia ela que, muitos anos depois, quem encontraria seu livro era uma bruxa que fazia mais parte da história dela do que as duas imaginavam.

- Está melhor, ? - Fred apareceu, de repente, colocando um dos braços ao redor dos meus ombros, aconchegando-se ao meu lado.
- Passei o dia todo pensando em diversas coisas relacionadas a ela, não consegui prestar atenção em uma aula se quer e devo ter derrubado grande parte das minhas refeições na mesa porque nem via o caminho do talher até a minha boca.
- Eu notei no café e no almoço, mas achei melhor conversarmos mais depois, aquelas cobrinhas da sua mesa não paravam de olhar- Fred exclamou, fazendo uma careta ao mencionar os sonserinos. - Então, o que você ficou pensando?
- Lembra do meu vestido no baile?
- E tem como esquecer o quão encantadora você estava naquele vestido? - o ruivo brincou, olhando para o céu nostalgicamente, arrancando as únicas risadas do dia.
- Esse mesmo que você está visualizando na sua cabecinha agora, Weasley- confirmei, revirando os olhos e suspirando em seguida. - Recebi do meu pai dizendo que minha mãe já havia usado, agora, penso que ele mentiu para me agradar.
- Atitude típica de canalhas.
- Também fiquei pensando como seria se ela estivesse viva, sabe? Se teria me contado do livro que escondeu em Hogwarts, se teria crescido em uma salinha com ela, rodeada de poções, como seria ser levada pelos dois até o trem no meu primeiro ano aqui, como seria receber suas cartas, ser abraçada por ela, crescer com ela ao meu lado, se ela mudaria a decoração da casa, se faríamos uma viagem sempre e tantos outros “se” que eu poderia ficar horas falando, mas começaria a chorar na metade.
- Você não sabe o quanto me dói te ver assim, dá para ver que é uma ferida muito profunda, tem te acompanhado desde criança e acho que, no momento, só vai te trazer o mínimo de conforto quando você esclarecer tudo e se sentir segura da veracidade das palavras que te disserem.
- Só consigo me lembrar, com sete anos, perguntando para a Maddie se meus pais tinham me deixado porque não me amavam.

Fred me direcionou um olhar triste e me abraçou, era muito diferente de um olhar de pena, parecia que o que me machucava o feria igualmente, senti um calor reconfortante no peito ao receber tanta compaixão sincera vinda dele, Fred realmente se importava.

- Mas e como vai você, sr. Weasley?
- Ultimamente, querendo dar na cara do meu irmão Percy, lembra do que te disse sobre ele, não é?

Concordei e entramos em um assunto que envolvia a família dele, uma que me deixava extremamente feliz e transmitia alegria só pelas histórias que o ruivo contava, mesmo com os problemas que enfrentaram nos últimos momentos.



Estávamos em mais uma reunião da A.D na Sala Precisa e eu só tentei o feitiço do dia porque fui obrigada por dez vozes que insistiram tanto que quase os azarei.
Hoje era dia de trabalhar o Patrono, feitiço que eu sabia que não conseguiria fazer.

- Tenta de novo, - Harry, nosso renomado e exclusivo professor, disse, enquanto todas aquelas carinhas me encaravam em curiosidade. - Sei que você é capaz, foi muito bem todas as outras vezes.
- Sabemos que esse feitiço exige muito mais do que só capacidade, Harry, você precisa ter memórias felizes o suficiente para executar, eu simplesmente não tenho - falei, como quem pede para alguém passar os biscoitos no café da manhã, porém, a maioria ficou meio chocada com o que eu disse.
- Bem, eu também não consegui muito - Neville disse, sorrindo tristemente para mim, retribui sinceramente, o garoto conseguira pouquíssimos fiapos de luz (muito mais do que eu, que não tive nem uma gota de luz saindo da varinha)
- Estão vendo? É simples de aceitar, nem todo mundo é feliz - exclamei, balançando a mão como se isso não fosse nada. - É a lei natural da vida, alguns nascem para sofrer, enquanto outros nascem para rirem.

Bem no momento em que a rodinha se dissipou e aqueles que podiam executar seu Patrono voltaram a praticar, a porta da Sala Precisa se abriu e fechou, como estava próxima da porta, pude visualizar Dobby, um elfo doméstico que trabalhava na escola o qual Harry era bastante amigo, era uma figura bastante engraçada que andava com oito gorros de lã na cabeça, porém, não parecia nada animado quando andou até Harry e puxou as vestes do bruxo com olhos arregalados de terror, todos ali pararam para observar.

- Oi Dobby! Que é que você… Que aconteceu?

Nesse momento, os Patronos que tinham sido conjurados desapareceram em fumaça prateada e a sala ficou bem mais escura do que antes.

- Harry Potter, meu senhor… Dobby veio avisar… mas os elfos foram avisados para não contar

Antes de revelar o que quer que fosse contar, Dobby correu para a parede mais próxima para, achava, bater sua cabeça nela, um comportamento bastante típico da natureza dos elfos, que desde sempre foram ensinados a sempre obedecer ordens de bruxos e a se castigarem quando fizessem o contrário. No entanto, não podia deixar de achar isso completamente assustador, não era uma coisa agradável.
Harry parecia acostumado a ver o elfo fazer aquilo, o bruxo rapidamente se aproximou de Dobby para impedir o ato, mas, devido aos vários gorros que usava, sua cabeça somente quicou na pedra.

- Que aconteceu, Dobby? - Harry questionou novamente, desta vez segurando o bracinho do elfo e mantendo-o afastado de qualquer coisa com a qual ele pudesse se ferir.
- Harry Potter… ela… ela.

Dobby deu um forte soco no nariz com o punho do braço que Harry não segurava e o garoto pegou-o logo em seguida. Uma possibilidade passou pela minha cabeça, mas não via como isso pudesse ter acontecido.

- Quem é “ela”, Dobby?

O elfo parecia ter sussurrado algo que deixou Harry horrorizado.

- Umbridge? - ele perguntou.

Dobby confirmou e a possibilidade que imaginara tinha se concretizado, mas Harry continuou a questionar o pequeno elfo, fazendo ainda mais força para contê-lo das tentativas que fazia de se machucar.

- Que tem a Umbridge? Dobby… ela não descobriu isso… nós… a A.D?

Dobby confirmou novamente e caiu no chão de joelhos ao tentar se chutar.

- Ela está vindo?
- Está, Harry Potter, está!

No mesmo momento, vários olhares se direcionaram para mim.

- Não fui eu! - falei calmamente, direcionando-me para a porta para que pudéssemos fugir, o que eles estavam esperando. - Vocês não ouviram? Ela está vindo, vamos logo!
- QUE É QUE VOCÊS ESTÃO ESPERANDO? - berrou Harry. - CORRAM!

Nesse momento, todos parecerem acordar e eu abri a porta, saindo e andando bastante rápido em direção à biblioteca. Dei uma rápida olhada para trás e vi que os gêmeos, Lino e Gina me seguiam, porém, estavam correndo.

- Vocês são idiotas? - sussurrei, com os passos acelerados, eles demonstraram confusão ao olharem para mim quando viramos uma curva e saímos do corredor da Sala Precisa. - Não corram, vão ficar ofegantes e qualquer um que procurar na biblioteca vai perceber que corremos.

No mesmo momento eles diminuíram a velocidade e passaram a caminhar rapidamente como eu, conseguimos chegar ao nosso destino, passamos por Madame Pince e sentamos em uma das mesas direcionadas para estudo.
Gina pegou o primeiro livro que viu na sua frente e fingiu ler, bem nesse momento que nos acomodamos e passamos a fingir ter passado bastante tempo ali, Draco surgiu com a varinha em punho e veio até nossa mesa, graças a Merlin, os outros quatro já não tinham mais ares de quem estava fugindo.

- Vocês vêm comigo - o loiro disse, com um sorriso desdenhoso, nós cinco nos entreolhamos e rimos.
- Não - respondi, Gina voltou os olhos para o seu livro balançando a cabeça negativamente.
- Vocês estavam naquela maldita reunião do Potter, são obrigados a vir comigo.
- Malfoy andou bebendo muita água de gilly - Lino zombou, arrancando risadas de nós, o que deixou Draco ainda mais irritado.
- Não faço ideia de que reunião é essa, Malfoy - Jorge mentiu, voltando a ignorar o loiro em seguida.
- Vocês são obrigados a virem comigo, não entenderam? < br>-Não somos, não.
- Não vejo nenhum professor ou funcionário de Hogwarts aqui para nos obrigar a fazer alguma coisa, Draco - falei, olhando para os lados e fingindo procurar alguém, os outros quatro começaram a fazer o mesmo, tudo para irritar o Malfoy.
- Madame Pince continua tranquilamente carimbando livros, acho que não está incomodada conosco.
- Eu faço parte da Brigada Inquisitorial e tenho direito de…
- Que merda é “Brigada Inquisitorial”, Malfoy? - Fred questionou, interrompendo Draco antes que ele continuasse.
- É um grupo seleto de estudantes que apoiam o Ministério criado pela Umbridge para…
- E a Umbridge manda em alguma coisa? - Gina interrompeu o discurso orgulhoso de Draco, fazendo ele bufar em descontentamento.
- Dá última vez que chequei, Dumbledore ainda era o diretor - Lino concordou, bem no momento que o loiro iria começar a falar.
- Sendo assim, essa Brigada de Idiotas não manda em coisa alguma, Malfoy.
- É melhor você deixar a gente aqui, contemplando a leitura que Gina iria nos fazer antes que chamemos Madame Pince e ela te expulse daqui - exclamei, sorrindo para Draco, que acabou aceitando que não tiraríamos os pés da biblioteca e saiu, cheio de ódio, de lá.
- Essa foi por pouco - Jorge sussurrou, largando-se despojadamente na cadeira ao passo que todos na mesa suspiraram de alívio.



Maldita hora que fizemos aquela brincadeira.
Logo pela manhã, o mesmo aviso estava afixado por toda escola, dizendo o que quase todos ali temiam: Umbridge, de alguma maneira, agora era a diretora de Hogwarts, substituindo Dumbledore.
Por toda a escola, ouvia-se falar da fuga de Dumbledore, pelo visto, ele tinha assumido a culpa de todo o movimento organizado pelos estudantes e Fudge, o ministro da magia, tentou prendê-lo em Azkaban por conspirar contra o Ministério, porém ele nocauteou várias pessoas ao mesmo tempo e fugiu sabe-se lá como.
Também descobrimos que Marieta, uma amiga de Cho Chang, tinha contado tudo para Umbridge e eles souberam por que a bruxa tinha várias pústulas bastante roxas no rosto formando a palavra “dedo duro”, Hermione era realmente impressionante, ela tinha enfeitiçado o pergaminho que todos, menos eu, assinaram no primeiro encontro para formar aquela azaração caso alguém contasse.
No fim, aquela porcaria de Brigada Inquisitorial que Umbridge havia inventado era válida agora e grande parte de meus amigos da Sonserina faziam parte, nada que eu me orgulhasse. Esse grupo saia tirando ponto de qualquer casa por motivos bastante idiotas, tenho quase certeza que Draco só não tirou pontos meus porque tínhamos a mesma casa e ele, obviamente, queria se favorecer em cima disso.
Tinha conversado com Fred pela manhã e ele dissera que, agora que Dumbledore tinha saído, Jorge e ele não estavam mais dando a mínima para escola. Os dois já não estavam muito interessados em prestar os N.I.E.M´s porque não desejavam seguir nenhuma carreira que necessitava do exame para ser executada, queriam abrir uma loja no Beco Diagonal e viver disso.
Portanto, eles realmente parariam de se importar com as consequências de suas brincadeiras constantes, anteriormente, sempre sabiam quando parar para não serem expulsos de Hogwarts, mas agora, não ligavam mais.
Achei a decisão bastante corajosa e condizente com o que eles queriam fazer no futuro, se era o que os faria felizes, não havia como eu não ficar contente por Fred também.
Agora, aguardava ansiosamente as azarações que eles fariam sem culpa pela escola.

A primeira de todas aconteceu bem na hora do almoço.
Os gêmeos tinham colocado fogo em uma caixa de fogos mágicos (os Fogos Espontâneos Weasley) bem perto da sala de Umbridge, porém, cada vez que alguém tentava acabar com um dos objetos e animais feitos de fogos, eles se multiplicavam mais.
O primeiro dia de Umbridge como diretora fora realmente um desastre, ela passou o dia todo indo de sala em sala ajudar os professores com os dragões ou foguetes pirotécnicos que apareciam durante as aulas, já que esses pareciam, de repente, não saber como lidar com aquilo. Na verdade, nenhum professor ali gostava dela e não estavam se importando com a graça que os gêmeos fizeram, aproveitaram da situação para extravasar um pouco da raiva que sentiam da cara sapo.
Em certo momento do dia, ainda com animais de luz espalhados pelo céu, decidi estudar um pouco para os exames dos N.O.M´s na árvore perto do lago, as provas estavam cada vez mais próximas e, mesmo que não fizesse a mínima ideia de qual carreira seguiria, queria tirar boas notas para o futuro, apesar de achar que o futuro já estava escrito no meu antebraço esquerdo.
Olhei rapidamente para os lados e não vi ninguém, então, afastei a capa e puxei a manga de minha camisa branca, a qual revelou uma marca vermelha meio tortuosa por uma cicatriz de queimadura. Em grande parte do tempo, não precisava ver aquela marcação e muitas vezes quase me esquecia dela. Mas não havia como relaxar com aquilo tatuado em seu braço, tinha que tomar cuidado ao se trocar, sempre ficava com a manga abaixada e, mesmo que fizesse calor, continuava com a mesma escondida.
Mesmo assim, a marca fazia questão de me relembrar que estava ali toda vez que queimava repentinamente, quase como se Voldemort me assistisse em um momento de diversão na A.D ou em meio a um ataque de risos em conversas com Fred e quisesse mandar um aviso de “aproveite que isso dura pouco, querida”.
No entanto, a visão dela ficou ainda mais desagradável para mim depois que descobri que Diana era minha mãe, já que, apesar de nunca revelar a qual casa pertencia, revelou que uma guerra pairava no ar e que um louco estava decidido a acabar com o mundo bruxo e ela desaprovava aquilo veemente.
Como sua mãe reagiria se soubesse que sua filha estava agora com a marca daquele que ela possuía repulsa? E que o pai dela tinha deliberadamente permitido que aquilo ocorresse?
Depois de um tempo sem retomar os “e se” que apareciam na minha mente toda vez que pensava em minha mãe, voltei a chorar de vergonha, não tinha outra descrição para definir o sentimento. Mal conheci minha mãe e já tinha a envergonhado.
Segurava meu braço esquerdo com força, querendo arrancá-lo fora de raiva com todas as lembranças ruins que a cicatriz e a marca me traziam, mal ouvi quando passos se aproximaram do local onde estava, só fui perceber sua presença quando uma voz definitivamente horrorizada falou comigo:

- , o que é isso? - levantei o rosto rapidamente e tive a visão de Fred me encarando com olhos arregalados em choque.

Bem, não tinha o que responder.

- Quando você ia me contar que tinha a droga da marca negra no seu braço?
- Eu não ia - respondi, enxugando algumas poucas lágrimas do rosto e escondendo a marca novamente com a manga da blusa.
- Achei que confiasse em mim, - ele rebateu, ainda encarando o ponto do meu braço esquerdo onde o crânio com uma serpente saindo da boca repousava em vermelho vivo.
- Bem, eu confio, mas essa expressão no seu rosto, que sabia que viria quando você soubesse, é motivo o suficiente para que eu escondesse.
- Desde quando você tem isso?
- Desde o dia que voltei para a casa no fim do último ano.
- Você o viu?
- Ele passou em casa para tomar um chá e aproveitou para colocar isso no meu braço.
- Doeu?
- Não faço ideia, estava desacordada porque meu pai resolveu lançar um Crucio em mim um pouquinho antes.

Fred contorceu o rosto em uma expressão de dor e tristeza, como quando contei sobre a pergunta que fiz para Maddie.

- Sabíamos que essa diferença se mostraria de verdade uma hora ou outra, Fred, o momento chegou - exclamei, dando um sorriso triste para o ruivo. - Vou entender seu afastamento, não se preocupe, sei que não há como alguém como você suportar passar um segundo sequer ao lado de alguém que é conivente com os ideais de Voldemort.

Fred, por um momento, pareceu hesitar diante do que eu disse, pensei que ele refutaria algum comentário meu, porém, ele fez o que eu pedi, deu meia volta e subiu para o castelo sem falar nada.
Nunca, em toda minha vida, eu tinha sentido tanta vergonha de mim mesma como sentia agora.




Continua...



Nota da autora: Olá pessoal! Obrigada por acompanharem a história, o que acham que vem por aí? Caso se interessem, estou deixando aqui abaixo o link da playlist no Spotify da história no geral.



Outras Fanfics:
Beyond Magic, Livros, Harry Potter
Bye, dear friend, Livros, Harry Potter
Dancing With The Dark, Livros, Harry Potter
Dragon Heart, Livros, Harry Potter

Nota de beta: Que triste que eu fiquei pela Rose, pelo que ela tá passando e por agora, talvez, perder o Fred também (embora eu ache que ele vai entender, assim eu espero). Quero muito saber como eles vão agir de agora em diante, com toda essa situação acontecendo. Asiosa demais por mais capítulos.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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