Última atualização: 14/12/2019

Prólogo

2019

se xingou ao constatar seu atraso astronômico pelo visor do celular e abriu a porta de uma vez. E embora a mulher não tivesse exatamente culpa do seu atraso, ainda se sentia responsável por deixar o melhor amigo do irmão sozinho e preso no apartamento. Ela fechou os olhos com força sentindo um cheiro que não sentia há uns bons meses, na verdade, a última vez que ela tinha sentido o cheiro daquele tempero havia sido quando sua mãe tinha ido lhe visitar.
Ele não poderia estar cozinhando!
A confirmação veio junto com a surpresa de encontrar um homem incrivelmente lindo, sereno e entretido na sua pequena cozinha, deixando-a imersa na vontade de prendê-lo ali pelo resto do mês quem sabe, ou talvez até do ano. Não era entendível ao primeiro impacto, mas a garota se perguntava como ele tinha ficado tão mais lindo e gostoso ao longo do tempo, embora soubesse que o imenso crush que ela tinha nutrido e ainda perdurava, mesmo que pouco, no melhor amigo do irmão, poderia intensificar ainda mais as coisas.
- Não, não, não, ! - ela fez um bico de choro bem fingido, enquanto jogava as bolsas no sofá do apartamento. - Eu não acredito!
- O que foi? - o homem lançou um sorriso divertido, à medida que fazia a linha desentendido.
- Eu disse que a gente ia sair! - esganiçou ao ponto de fazê-lo rir. - Desculpa o atraso! - o bico formado nos lábios dela o fez menear a mão, mostrando que pouco importava.
- Não tem problema, a gente janta aqui mesmo! Você já me carregou a semana toda para lá e para cá, o mínimo que eu poderia fazer era cozinhar para gente. - o cuidado na voz do mais velho quase a fez derreter em cima das próprias pernas.
- Você tá trabalhando. Você é visita! - a garota se debruçou por cima do balcão como se ainda tentasse protestar a boa ação dele. Afinal todos dois estavam destruídos da semana. - Minha mãe me mataria se visse isso.
- Sua mãe não tá aqui, sua mãe não vai saber! E nem a minha mão vai cair por cozinhar, eu gosto. - ele riu divertido com a careta que fez. - Mas vai lá, toma um banho, bota um pijama legal e volta. Nosso jantar é aqui! - piscou mais uma vez em um curto espaço de tempo, arrancando um suspiro derrotado dela.
- Sério mesmo que você tá cozinhando? - inclinou de leve a cabeça em uma olhada até mais discreta pelo corpo dele, à medida que se praguejava por desejá-lo tão terrivelmente. Controle-se, garota, você não tem mais 15 anos!
- Estou! - soltou uma risada divertida, reparando em como ela tinha olhos tão profundos. Basicamente uma imensidão que ele se afogaria fácil, fácil. Se não fosse a irmãzinha do seu melhor amigo, claro. - Até melhor do que a gente sair, porque aí eu já agradeço pela estadia. - o sorriso foi bonito. - Isso! Jantar de agradecimento!
- Você não existe! - a garota suspirou, finalmente se dando por vencida e o viu comemorar em ter conseguido convencê-la. Os dois riram!
- Existo sim! Estou no mundo há 32 anos. – o homem piscou sapeca, despertando nela a reação mais indiscreta de suspiro e risada, seguidos.
- Sei bem. – ela passou a mão pelos cabelos curtos e umedeceu os lábios. não iria morrer se ficasse um pouco sozinho. – Eu vou para o banho, já volto. Não demoro! – mandou um beijo alado e sumiu rapidamente pelo corredor, se praguejando por ter pensado tanta sacanagem em uma frase tão curta.
O banho foi mais rápido do que ela planejava, ainda mantendo na cabeça que não era cordial deixá-lo esperando mais tempo depois de ter ficado o dia todo sozinho. Ela colocou um pijama de seda escuro que não estava encaixado em qualquer categoria de sedução, era apenas a roupa de dormir preferida da garota. Confortável, bonita e apresentável até mesmo se tivesse visitas em casa.
- Tchará! – o gritinho da garota preencheu a cozinha, assim como a imagem dela abrindo os braços, trazendo de volta a lembrança de uma menina que ele conhecia muito bem e sabia que aos poucos, tinha sumido.
- Uau! Era pijama, não terninho de gala! – brincou enquanto mexia o molho na panela, fazendo se inflar com o comentário.
- Sério? Achei que era um superjantar, não podia fazer feio. Quer beber alguma coisa? – a enfermeira soltou uma risada frouxa, deixando a entender que ele estava em casa.
- Quero! – levantou a cabeça em busca do pacote de papel na bancada. – Tem vinho na sacola em cima da mesa. – o homem apontou a induzindo a olhar. – Pega, por favor?
- Não acredito que você comprou vinho. – a mulher sentiu a boca salivar só em lembrar do sabor da bebida alcoólica, já se mexendo para tirar a garrafa da sacola de papel. – SOCORRO! Esse é maravilhoso, eu ganhei de presente uma vez! – os olhos de brilharam em ver a bebida argentina, uma das melhores que ela já tinha bebido. – Você tem bom gosto! – ela soltou um gritinho que o fez rir e chamá-la com um aceno de mão.
- Vem experimentar a comida!
- Ainda tenho direito a degustação? Nossa senhora. Você devia voltar mais vezes por aqui! – o convite divertido pulou da boca dela, ainda que a garota ansiasse que ele voltasse mesmo mais vezes e mais íntimo a cada visita, se possível.
- Sempre que der! – o homem piscou. Os dois riram. – Vem provar! – insistiu mais uma vez e ela tomou fôlego da forma mais fingida, andando na direção do amigo. Um ato de cuidado tomou forma assim que o cozinheiro da rodada soprou levemente a massa enganchada ao garfo na intenção de que a comida quente não queimasse a boca dela.
- Que delícia! – os olhos arregalados denunciaram que o sabor estava magnífico e sem esperar por mais nada, agarrou o rosto dele, dando o beijo apertado na bochecha que fez o homem rir mais do que satisfeito. – Deus, essa massa só lembra a minha mãe!
- Certeza que não tá nem parecida com a dela, mas sabia que você ia gostar! – ele riu alto com a animação dela e mesmo sabendo que a comida não chegava aos pés da que Lauren fazia, abraçou-a de lado como um ato de agradecimento pelo elogio, completado por um beijo forte na bochecha.
Ela travou com a atitude dele em fazer aquilo, sentindo o baixo ventre se revirar e se praguejando por desejar aquela criatura que parecia ainda mais irresistível a cada ano que passava. poderia muito bem já ter começado ficar barrigudo com a idade, mas não, ele insistia em estar incrivelmente gostoso no auge dos 32 anos.
- Tá bom mesmo? – a curiosidade estampada nos olhos dele a fez acenar freneticamente que sim e logo soltar do meio abraço.
- Maravilhoso! – disse coberta de euforia enquanto colocava o vinho nas duas taças dispostas ao balcão. Era querer demais aquele homem ali todo santo dia? – Eu nem imaginava que você lembrava disso. – ela tomou um gole do vinho, empurrando de leve o copo para mais perto dele.
- Me puxei! – o músico soltou uma gargalhada espontânea, carregando a risada dela junto. – Era o mínimo que eu podia fazer! – ele piscou mais uma vez, despertando vontades libertinas na mais nova ali. soltou o ar pelo nariz e mordeu de leve a boca.
- A questão é que você prestou atenção! Você é unha e carne com meu irmão, não comigo. – a garota explicou a situação o vendo dar de ombros como se aquilo não importasse.
- Você também é minha amiga, . – verbalizou uma das frases que mais tinha machucado a mulher há alguns anos, embora surtisse um efeito bem diferente na presente data.
- Sim, mas a diferença de idade já influiu bastante. – a enfermeira apontou ao tomar mais um gole de vinho, sabendo que aquele era seu fraco nas bebidas. Se quisessem matá-la, era só envenenar uma boa garrafa de vinho argentino.
- Quando a gente era mais novo, sim. Mas agora passou, , somos adultos. - riu baixo e até meio desconfortável.
- Não vai beber? É uma delícia! - ela abriu um sorriso cordial ao levantar a taça de vidro, o vendo apontar para as panelas como se aquela fosse a desculpa do século. - Ah para, não é como se você ficasse alterado com uma tacinha boba de vinho. Não faça essa desfeita, Mr. . Se é para ser despedida, vamos fazer ser despedida!
- Estou ocupado, só se você me der na boca! - a frase saiu bem mais safada e maliciosa do que a intenção, fazendo-a suspirar e logo prender o cabelo no topo da cabeça. Por que vinho sempre dava um calor infernal?
- Mas só o vinho na boca? - o resmungo quase inaudível escapou da boca da moça, enquanto ainda esperava a resposta da proposta brincalhona. - Eu vou ser bem legal com você, vai abre a boca! - riu meio desesperada com a situação e o ajudou com a bebida arroxeada, ficando extremamente perto do corpo volumoso.
- Nossa, uma delícia mesmo. Obrigado! – o homem suspirou tentando não pensar besteira com o corpo da criatura tão perto do seu.
Praguejando-se terrivelmente pôr em uma fração de segundos ter pensado em se referir a ela daquele jeito. Porra, ! Era a irmãzinha do … que puta que pariu, estava um mulherão, principalmente na personalidade. Quando tinha mudado tanto?
A mulher se afastou rindo com a cantoria repentina do amigo e escorou levemente na bancada, vendo o showzinho se seguir com uma coreografia péssima.
- Que horrível, ! - o grito estrondoso o fez gargalhar e rebolar ainda mais, mesmo que incrivelmente desajeitado. – Virou gogo-boy?
- Vim me apresentar em Toronto, sabia não? – ele entrou na vibe das brincadeiras, ouvindo-a rir completamente espontânea. Talvez fosse até efeito do vinho nos dois, mas o ambiente estava tão familiar que trazia certas lembranças.
- Mas me conta, gogo-boy. Como estão as coisas por lá? – a mulher tomou mais um gole de vinho e se escorou a bancada, prontinha para ouvir tudo que ele tinha a dizer.
- Tudo ótimo! – ele se animou para responder. – Uma correria imensa, mas que eu não vivo sem. – um sorriso largo escapou ao se referir a escolinha de música que ele tinha junto com , irmão de .
- E os seus pais? – ela soltou um gritinho tão eufórico quanto. – A Charlotte tinha uma paciência enorme comigo. – negou com um aceno divertido, sabendo que a paciência da mãe dele ia bem mais além do que apenas paciência. Charlotte e Lauren haviam colocado na cabeça a incrível ideia de que os filhos tinham que ficar juntos, não importava como fosse.
Se já tinham juntado um casal, não iam sossegar até juntar o outro!
- Estão ótimos! – um sorriso imenso surgiu nos lábios avermelhados. – E sentem muito a sua falta, aparece lá um dia! Minha mãe realmente te adora. – fez o convite e ela afirmou com um aceno frenético.
- Pode deixar, quando eu for visitar os meus velhinhos, corro lá para ver os seus! – disse divertida e os dois riram baixo. – Eu não sei como ela aguentava meu chororô por vocês não quererem andar comigo. – a mulher fez um bico de ressentimento bem fingido. – Nossa, eu era muito chata!
- Hey! – o homem protestou sacudindo a colher de pau. – Não era assim, a gente queria andar com você sim e era chata nada. Chato era o seu irmão com todo aquele complexo de proteção. – a careta veio por parte dupla, por saber que nem de longe precisava daquilo e por pensar que não pararia tão cedo com aquilo.
- Não! Vocês não queriam andar comigo, só a que sempre me amou desde que eu era um filhote. – eles riram pela comparação e logo ela lembrou de um filhote que já tinha alegrado a sua vida. – MEU DEUS! E A DELILAH?
- Cresceu! Tá velha! – o homem gargalhou com a expressão indignada da mais nova e desviou da rolha que voou no meio da cozinha. – Mais brava do que nunca, fica brava com todo mundo, aposto que até com você se chegar perto dela!
- Óbvio que não! Ela me ama! – deu de ombros com uma expressão convencida e os dois riram mais uma vez. – Você que era um chato. Você e o cansaram de me passar a perna. Eu tinha um ódio ferrado!
- Perdoa o moleque idiota! – inclinou a cabeça de leve, fazendo um biquinho extremamente fofo e que convencia qualquer um. – Mas hoje em dia eu garanto, eu te adoro! – ele apagou o fogo da comida e aspirando o cheiro gostoso na cozinha, abriu um sorriso imenso e convidativo.
- Que horror! Eu não fiz nada para você na época. – protestou para lá de ofendida com a declaração dele, ainda que fingisse tudo enquanto via aquele homem tão lindo montar dois aparatinhos com o maior cuidado e carinho. – Por que tanto ranço de mim?
- Não era ranço, . – o bico de súplica aumentou. – Era idiotice de quem se achava O adulto! – disse ao montar o aparato dela bem em frente a mulher na bancada, o rolinho perfeito de macarrão com o molho por cima e algumas azeitonas espalhadas, lembrando perfeitamente a dona Lau.
- Eu só tinha 16 anos, poxa! – ela recebeu o aparato com a mesma gratidão que ele havia entregue, aspirando o aroma que lhe atingia em cheio. – Você era um idiota. – a garota riu ainda presa no cheiro da comida.
- Não poderia concordar mais! – soltou uma risada convicta de que ela estava certa.
- Você não é obrigado a me ouvir te xingar! – a mulher tomou o resto do vinho na taça e sem mais demoras, os dois sentaram a ilha na intenção de comer aquele macarrão que estava com uma cara ótima.
- Mas passou. – o homem deu de ombros e realmente ele estava certo, mas se tinha passado, ela poderia contar o que movia a situação, certo? Claro que podia, os dois eram adultos, no máximo iriam rir alto e verbalizar o fato de tanta devoção ter sido ridículo. – Agora você pode gostar de mim, eu presto. – uma grande garfada no macarrão foi dada, o deixando com as bochechas bem maiores do que o habitual.
Ela respirou fundo e ao ajeitar a massa no garfo, tomou fôlego para falar.
- Deus, eu sei que eu vou me arrepender disso para o resto da minha vida. – fechou os olhos com força e antes que provasse da comida, soltou: – Mas porra, , eu tinha um crush desgraçado em você!
De repente a cabeça do homem que estava baixa e concentrada em comer, levantou de uma vez com as bochechas maiores ainda e uma expressão de espanto que ela nunca tinha visto na vida. engoliu tudo que estava na boca de uma vez e fez uma careta horrenda por, com certeza, ter passado rasgando na garganta.
- Chega a ser ridículo! – completou o tiro, vendo o homem tornar a ficar verde.
- O quê? Em mim? – ele piscou já entrando em completo pavor com aquilo, embora risse meio desesperado. Céus, será possível que todas as brincadeiras sem sentido da sua mãe tinham um fundo de verdade? Droga, , olha o que você tinha feito a garota passar!
- É, tapado! Em você. Não ri que a coisa é séria! E era tão descarado que sua mãe percebeu. – sacudiu a cabeça para mostrar o quão aquilo era óbvio.
- Minha mãe não percebeu! – o esganiço saiu desafinado. – Você gostava de mim...? – o mais velho riu completamente desacreditado daquilo, ainda que seu subconsciente gritasse que ela estava sendo sincera.
- Eu era apaixonada por você, ! – ela arregalou levemente os olhos, vendo-o perder ainda mais a cor rosada dos lábios. Será que já dava para ficar em alerta para RCP*? – E a Charlotte percebeu sim, ah se percebeu! Na verdade, eu acho que ela tem dó de mim até hoje, por causa disso. – soltou uma risada espontânea em lembrar do quão idiota era, mas não ouviu o melhor amigo do irmão fazer o mesmo.
colocou a mão no peito e tentou concentrar na respiração, não dava para desmaiar ali. Uma, ele era um homem feito e podia muito bem lidar com a situação, principalmente porque tinha que agir com maturidade igual a . E duas, ela tinha falado tudo no passado, não é como se um mulherão daqueles continuasse com aquela visão infantil perante ele.
- ...? – a enfermeira chamou um tanto receosa e recebeu o olhar meio apavorado do homem que procurava a taça de vinho vagando por ali. – Era algo infantil, eu era uma garota idiota. Você, melhor amigo do meu irmão, lindo, legal, me dava atenção... Mais clichê minha vida não podia ser. – ela tentou explicar a situação e o viu virar a bebida toda de uma vez. – HEY! Vai com calma! – esticou as mãos, ponderando se tinha feito certo em contar aquilo. Talvez não, mas já era. – Era da idade, relaxa! Era fase, o sabe de tudo isso!
- sabe? – o grito indignado surgiu juntamente com a careta desgostosa. – Eu vou matar aquele cara! – o resmungo saiu entredentes, tão bravo quanto ele estava com o amigo por nunca ter sequer mencionado aquilo.
- Não, você não vai matar ninguém! – ela esticou as mãos, já mergulhada na convicção de que não deveria ter aberto a boca sobre aquilo. – Enfia no juízo que você sabendo ou não, não iria mudar nada em como você me olhava, . Ia apenas causar um afastamento entre nós dois.
- Que droga! Que vergonha, . – ele choramingou enfiando o rosto nas mãos e causou uma risada alta na, então, amiga. – Não ri! – o esganiço se fez presente.
- Qual é? Ia ser pior se você soubesse, veja meu lado! – a mulher soltou uma gargalhada estrondosa pelas expressões do amigo. – Isso tem uns oito anos, não dá para não rir.
- Mas eu fui um grande idiota com você! – o homem movimentou as mãos como se aquilo fosse deixar seu desespero mais aparente. – Me desculpa, . Sério, eu era um idiota. – o pedido saiu meio suplicante quando ele agarrou as mãos dela, na tentativa que o pedido surtisse total efeito. A mulher soltou uma risada parcialmente construída em desespero com aquela enxurrada de gentileza.
- Não exatamente! – sacudiu as mãos dele na tentativa de tirar aquele peso horrível do peito. Talvez ela nem devesse ter tocado na droga do assunto, principalmente quando a pena estampada na cara do lhe dava ânsia. – Você não era um idiota comigo, só não me dava bola. Eu tinha 16 anos, meu Deus. Que bom que você nem me olhava, sério! – mais uma tentativa frustrada de fazê-lo não se sentir tão mal e o homem se deu por vencido, soltando uma breve risada.
- Passou, . O importante é isso. – o mais velho dos irmãos, disse com certo alívio na voz e ao se esticar sobre a bancada, beijou a testa da amiga com todo carinho habitante nele. Ainda que seu cérebro gritasse para que ele deixasse de ser um tapado e consequentemente, de vê-la como uma garotinha indefesa.
- Eu sei que sim! – a garota tomou fôlego. – Então relaxa. Você não ia andar de mãos dadas comigo para cima e para baixo. Sua idealização de namoro na época era muito diferente da minha.
- Nisso você tá certa, provavelmente eu não ia mesmo. – ele coçou a cabeça meio impaciente em começar a pensar em tudo aquilo. Sua cabeça iria explodir!
- Nós estávamos em fases diferentes da vida. Você era atrativo por ser mais velho e, teoricamente, menos babaca que os garotos do colégio. O que acabou sendo mais. – riu ao ver a cara de bunda presente nele. – Eu queria um namorado de revista e você queria uma garota para sexo. Não encaixava. – ela deu de ombros e o viu suspirar frustrado.
Como raios a situação tinha chegado aquele estado e ele sequer tinha percebido? Aquilo era culpa da mania horrorosa de Charlotte e Lauren em querer juntar os filhos a força.
- Você sabe que é verdade! – ela acusou e o homem fez a maior cara de dor.
- Infelizmente, eu sei.
- Céus, eu deveria ter ficado calada. Não achei que você fosse ficar assim. – a garota soltou uma baforada de ar, enquanto se enchia com o macarrão que estava tão gostoso.
- Não, não deveria. Talvez sim, mas agora já era! – bebeu mais um grande gole do vinho e decidiu que era hora de mudar a postura. Parecer assustado e apavorado não iria resolver nada, só deixar chateada pela incrível falta de reação.
O dono da escolinha de música largou tudo do seu lado da bancada e sem mais demoras, percorreu o pequeno espaço até , abraçando-a com força de lado. Ela aproveitou o momento fofinho e o abraçou fortemente com os dois braços, ouvindo um grunhido engraçado sair da boca do amigo como se ela fosse alguém extremamente fofinho. Feito isso, a mulher gargalhou.
- Não se magoa com isso. Eu entendo perfeitamente o seu lado! – a frase acompanhou a risada, o fazendo rir junto e escorar perto dela na bancada depois de beijá-la na cabeça.
- Desculpa o retardado do seu amigo? – o bico surgiu manhoso nos lábios dele.
- Para! Eu estou me sentindo uma vaca! – fez outro ainda maior. – Faz séculos, tem mais nem graça. Relaxa!
- Mesmo assim, eu quero ser perdoado pela amiga mais linda que eu tenho! – o bico de quase dobrou no queixo, fazendo-a arquear uma das sobrancelhas muito bem feitas.
Ah, qual é? Linda? Ele podia fazer melhor que aquilo. Se aquela brincadeira já tinha começado, que ela fosse até o fim com os devidos elogios que merecia. Embora ela tivesse superado bem toda a história, nunca era tarde demais para ouvir dizendo que ela havia crescido e não era mais uma garotinha.
- Eu sei que você pode fazer melhor. – a mais nova dos piscou ao cutucar a barriga do outro, se praguejando miseravelmente por fazer aquilo e sentir o abdome durinho daquela peste. – Amiga linda você tem de monte!
- , ... – ponderou o afronte dela quase gritando que o elogio que ele queria dar, ele não podia.
- Coloca a culpa no vinho e faz que nem eu quando falei da minha queda por você. – a mulher arqueou a sobrancelha sem se dar conta do teor da frase e completou: – Eu quero ouvir você dizer que eu cresci.
- E como cresceu! – ele suspirou meio desesperado com o tom malicioso que tinha saído da sua boca. – Tá gostosa pra caramba!
- Oi? – a mulher quase encostou o queixo no chão ao ouvir aquilo saindo da boca dele. estava mesmo falando aquilo? Socorro! Ele só poderia estar bêbado. Quando ela mais esperava um mulherão, ele soltava que ela estava gostosa.
- Você... – ele apontou sem perceber com quem estava falando. – Tá gostosa! – e ouviu uma gargalhada estrondosa, a gargalhada mais característica da garota. – AI MERDA! – arregalou os olhos querendo se matar pelo momento e findou caindo na risada com ela, até remoer o assunto e finalmente perceber algo que havia passado despercebido. – Espera... – o vincou as sobrancelhas. – Você disse que tem uma queda por mim?
- Eu disse tinha, ! – ela frisou bem o passado que era para ter sido esboçado. – E eu esperei “mulherão” sair da sua boca, não você me jogar na cara que eu era gostosa! – encarnou a pose ofendida para tentar mudar de assunto.
- Você disse tenho! – foi firme, ignorando a mudança parcial de assunto. Ah que ele ia tirar aquele assunto a limpo, oh se ia.
- Tinha. – a mulher mudou a postura brincalhona, afinal quem sabia dos sentimentos dela era ela e se ela dizia que tinha passado, é porque tentava acreditar naquilo todo santo dia. Óbvio que não tinha mais qualquer devoção esquisita pelo cara, mas uma queda por aquele maravilhoso homem, ela tinha.
- Você usou no presente! – sério que ele iria começar analisar os tempos verbais nas frases? era professor de música, não de gramática. Ainda que fosse pedagogo.
- E o que diabos você quer que eu faça? – abriu os braços como se aquilo fosse o intimidar e rapidamente viu a postura do amigo mudar, ganhando um ar completamente proibido.
Que Deus a perdoasse, mas a mulher seria capaz de mantê-lo em cárcere privado até que satisfizesse todos os seus desejos mais reprimidos, principalmente quando envolvia os dois pelados e embolados fossem em uma cama, sofá, banheiro ou até em cima daquela bancada. Céus, quando a casa tinha ficado tão quente? E o mais importante, quando havia chegado tão perto ao ponto de estar quase entre suas pernas?
- Que você me beije. – o sussurro saiu envolvente demais ao ponto de fazê-la fechar os olhos só para ouvir a voz baixa. Sentir a mão que já deslizava sob sua cintura, ansiando colar ainda mais o corpo dos dois naquele pequeno espaço na cozinha.
- Você quer que eu te beije? – teve forças para retrucar, mesmo com aquele cheiro envolvente e amadeirado do perfume dele tão perto de si. Era questão de tempo até que ele agarrasse sua nuca e a deixasse molinha?
- Quero que você me beije. - o pedido baixo vibrou nos lábios dela, não restando outra opção a não ser beijá-lo.
Os dedos sorrateiros tomaram a nuca dela sem qualquer pudor, deixando-a completamente rendida ao jeito que os lábios e a língua dele se moviam em sua boca. Talvez fosse a ideia de que tudo aquilo era proibido, mas nunca tinha experimentado um beijo tão bom na sua vida e o mesmo vinha de . Era assustador pensar em tudo que já tinha acontecido e perceber o quanto os dois estavam atracados no meio da pequena cozinha, mas era maravilhoso na mesma proporção, não parecia errado e muito menos fora de contexto. Simplesmente, o jeito que os corpos dos dois se encaixavam e ficavam a vontade no meio daquele beijo era algo certo e até familiar demais. O homem apertou ainda mais a mão entre os cabelos da nuca dela, sentindo-a quase enfiar as unhas em seus braços como se o puxasse ainda mais para perto do corpo. Que não inventasse de o abraçar também com as pernas, ou a merda estava feita, não seria qualquer esforço colocar a mulher em cima da bancada da cozinha e dar seguimento a algo que já começava a lhe fazer falta.
Ela mordeu a boca dele, puxando o lábio do cara entre os dentes e ouviu um suspiro sofrido de quem não estava gostando nadinha de ter perdido a linha do beijo. soltou uma risada desesperada até certo ponto e tentou respirar fundo, mas teve seus lábios capturados em mais um beijo faminto, dando a entender que o homem não queria parar tão cedo. E na verdade, nem ela queria, mas sabia que provavelmente aquilo atingiria níveis péssimos e era melhor não acabar com uma maravilhosa convivência.
- ... – o pequeno chamado acompanhado de uma mão aberta no peito enorme dele, fez com que o homem respirasse fundo e frustrado ao mesmo tempo, ainda passando o nariz e os lábios nos dela. – Eu não quero que você sinta pena de mim, ou qualquer coisa do tipo... Porque não vai acontecer. – ela manteve os olhos fechados e respirou aliviada em saber que ele tinha entendido só pelo enrijecer do corpo.
- Ei, , olha para mim. – pediu ao segurar o rosto dela, virando para direcionar ao seu.
- Eu não quero que você perca seu tempo e sua paciência comigo porque eu disse isso e você se dói por nunca ter notado nada na minha época de adolescência. Eu não quero nada que não seja 100% real. – ela abriu os olhos claros e brilhantes só para ver a expressão arrependida e dolorosa dele, restava saber se por ter sido um cara idiota na adolescência, ou por ser extremamente sensível agora. era um enigma dos mais engraçados de desvendar. – E não adianta dizer que é real, não tem como algo ser real depois de uma hora de conversa e um deslize meu.
- Eu não estou compensando nada, . Na verdade, eu estou disposto a tentar!
- Não! – o grito esganiçado da garota desencadeou uma reação de susto nele, das mais engraçadas, inclusive. – Não encarna o espírito daquelas duas, pelo amor de Deus! – a garota suspirou meio exausta com aquilo tudo. Ela não deveria ter aberto a boca grande, não deveria ter dado abertura e muito menos ter beijado , mas a merda já estava feita mesmo!
- Você tem certeza? – o homem fez carinho no rosto dela, fazendo com que a mulher acomodasse ainda mais o rosto contra sua mão.
- Absoluta! – soltou um esganiço mais do que óbvio.
Não dava para ser criança àquele ponto, principalmente quando sabia que nada daquilo iria ter futuro se continuasse. era um dos tais caras que ela não se envolveria apenas por diversão. Por quê? Ele tinha uma carga pesada demais do seu lado, mais conhecida como Charlotte e ela outro peso gigantesco, que também atendia por Lauren.



Parte um: Um passado que a gente deveria enterrar

2011 - Oito anos antes

A Delilah é minha também!

A garota de 17 anos riu com alguma coisa que a melhor amiga da mãe havia falado e balançou de leve as mãos ao olhar o corredor dos quartos de e . A moça era sua amiga desde sempre, não ligando em nada para diferença de idade que as duas tinham. Enquanto estava com 22, fazendo faculdade e fingindo, ainda que vergonhosamente, namorar com , irmão de , para agradar duas loucas que atendiam por Lau e Lottie, a mais nova estava no fim do colegial, decidindo sobre fazer faculdade ou não, para possivelmente sair de casa, e ainda nutria uma paixão ferrada e platônica pelo melhor amigo do irmão e irmão mais velho da amiga.
Poderia não ser tão complicado se não fossem a mãe dela e a dele fantasiando até o casamento dos dois juntos. sacudiu a cabeça afastando todos aqueles pensamentos mais bobocas do mundo, era completamente esquisito gostar tanto de alguém que nem parecia notar ela. Mas ah, ele não se importaria de descer para comer bolo também, se importaria? A garota apostava que não e com o convite mais furado do mundo em mente, a moça se preparou para chamá-lo na porta do quarto, mas ao invés disso, sua atenção foi presa por um bichinho muito fofo, que parecia bem bravo ao lutar com um tênis velho.
DE QUEM ERA AQUELE CACHORRINHO BEBÊ?
- Ai, meu Deus! Que fofinho! – o gritinho dela despertou a atenção do bichinho, que parou de uma vez de morder o sapato, ficando a postos para o que quer que fosse. arregalou os olhos, se segurando para não assustá-lo ainda mais e sentou pertinho do Chihuahua. – Oi, fofinho! – a mão dela se aproximou devagar e logo a moça conseguiu fazer carinho na cabeça do cachorro, o fazendo deitar no chão de barriga para cima.
sorriu encantada com a fofura do pet e não tardou a sentar no chão para brincar com o pequenino, que com certeza, era dos irmãos . Uma pena sua mãe não deixar ela ter um cachorro.
- Você já tem nome? – a pergunta saiu em voz bem boba, fazendo o chihuahua abanar o rabinho, mesmo que estivesse deitado no chão. – Socorro! Você é menina! – riu alto ao se deparar com a descoberta da vez. – Você é muito lindinha! Quem te trouxe para cá, coisa fofa? – a vozinha de criança saiu uma das mais engraçadas possíveis, quando ela estava adorando transbordar seu amor por aquele bichinho tão pequeno.
- Delilah! – a voz de sobressaiu em todo o corredor, fazendo o estômago da garota contrair e revirar ao mesmo tempo. O quão ridículo era aquilo? Seja menos criança sua, idiota! – Delilah, cadê você? – o rapaz chamou pela nova companhia mais uma vez e finalmente teve uma resposta, ainda que trêmula.
- Tá brincando comigo! – fechou os olhos com força ainda tentando se controlar na tremelica sem sentido.
- ? Oi! – o rapaz sorriu largamente ao abrir de vez a porta do quarto. – Achou a pestinha? – riu levemente, fazendo as bochechas ficarem salientes e a garota quase infartar com a fofura, embora se praguejasse por aquilo.
- Não tem problema, né? Estava brincando um pouquinho com ela. – a moça fez carinho mais uma vez na cadelinha, pegando-a de vez no colo. – Ela é sua, ?
- Imagina, sem problemas! – piscou rapidamente, sem saber que uma simples piscada era capaz de quase matar a pobre criatura. – É minha, sim! Adotei tem dois dias. – o garoto sorriu para o cachorrinho e agachou em frente a , começando a fazer carinho em Delilah.
- Ela é muito fofinha e simpática! Já lambeu minha cara quase toda! – os dois riram, ela bem mais envergonhada e nervosa que ele. Por que droga precisava ser tão bonito e abaixar tão perto dela? – Delilah o nome, certo?
- Sim, Delilah! Ela estava brincando com meu tênis?
- Sim, sacudindo esse treco fedorento! – a garota fez uma careta bem fingida e ouviu o melhor amigo do irmão soltar uma gargalhada mais do que espontânea.
- Não é fedorento!!! – retrucou em protesto.
- Você tem chulé! – esganiçou como se sua vida dependesse daquilo.
- Fica mais fácil de ela me conhecer pelo cheiro! – ele foi óbvio, arrancando dela a maior careta de nojo existente.
- Que. Nojo! – a garota simulou um arrepio que o fez rir alto mais uma vez. Por que a risada de era tão contagiante?
- Se eu te disser que comprei brinquedo aos montes e ela encarnou em dois tênis meus. Eu posso com isso? – ele sacudiu de leve a cabeça, ainda com um sorriso bonito para cadelinha.
- Ela é um amorzinho! – afagou a cabeça da cadelinha, vendo-a se contorcer com o carinho em seu colo. – É verdade que você vai sair de casa? – a pergunta foi direcionada a , à medida que a garota parecia bem apreensiva com a possível afirmativa.
- Não tá fácil convencer a dona Charlotte, mas vou! – ele afirmou animado, mesmo ainda concentrado na sua futura companhia.
- Vai morar em outra cidade?
- Não, eu só cansei de ser inquilino dos meus pais! – o rapaz deu de ombro e os dois riram baixo.
- Você não é inquilino deles! – a garota usou de um tom de voz mais do que óbvio, principalmente quando mantinha toda a atenção nele, esperando que ele fizesse o mesmo e olhasse para ela. – E não dá para ir muito longe, eu preciso ir visitar a Delilah!
- Não vai ser para longe, ou minha mãe me mata! Então você pode ir visitar a Delilah, a gente vai adorar, não é? – o filho mais velho dos sorriu grandemente, deixando a garota trêmula mais uma vez. Não importava quantas vezes ele sorrisse tão lindo daquele jeito, ela sempre ficaria trêmula e nervosa.
- Ano que vem eu acho que vou morar com a em Toronto. – suspirou um pouco ansiosa e até receosa com a ideia, ainda era um pouco assustador pensar em sair de casa. Ela mordeu a boca levemente ao ponderar a ideia mais uma vez e umedeceu os lábios. – Não sei se quero realmente, mas eu passei, então preciso ir.
- Não exatamente, . Você ainda é novinha, não precisa fazer o que não quer, muito pelo contrário. Ainda tem bastante tempo para decidir como vai aproveitar e planejar sua vida. – ele tentou explanar a situação, mostrando que ela tinha bem mais opções do que achava que tinha e mesmo sem a intenção, fez a moça torcer o nariz em dizer que ela era novinha.
- Sem dar uma de pedagogo para cima de mim! – ela arregalou de leve os olhos e os dois riram. – Mas eu quero fazer faculdade e fui aceita. Então...
- Sem zombar da minha formação! – protestou sobre a piada e suspirou de leve. – É... Pode ser difícil no começo, mas você tira de letra!!!
- Eu espero! – pronunciou meio eufórica. – Você sabe que a dona Lau tá quase expulsando a gente de casa, né? Eu e o mal pensamos em sair e ela já planejou destruir todos os quartos reserva para fazer sei lá o quê! – a declaração veio um pouco indignada e o garoto riu alto.
- Se eu tivesse que morar com o , eu também expulsava! – o garoto zoou só para ver sair em defesa do irmão como sempre acontecia.
- Para! O é maravilhoso. A gente é mais amigo do que irmão, quando ele não surta.
- O problema é que ele surta bastante! – arregalou os olhos só para confirmar a veracidade da informação e ouviu a gargalhada estrondosa da menina.
- Idiota! – o xingamento saiu sem qualquer licença, fazendo-a perceber que tinha dito merda e se praguejar eternamente por aquilo. Onde já se viu, chamar o garoto de idiota sem mais nem menos? Ela não estava conversando com o , por que raios saía xingando os outros? – Desculpa!!!
- Pelo quê? – vincou as sobrancelhas, confuso com o pedido de desculpas mais repentino que ele já tinha visto.
- Ter te chamado de idiota, mas é força do hábito de fazer isso com o ! – a justificativa veio tão depressa quanto a brincadeira e arrancou um sorriso divertido do rapaz.
- !!! – ele abraçou-a de lado com a maior força, deixando a garota à beira de um colapso. – Não precisa pedir desculpas por isso! Nós somos amigos e amigos são assim! – outra piscadela surgiu, fazendo entrar em uma espiral de sentimentos em que metade deles se referiam a choro por ser chamada de amiga e a outra metade, a alegria pela mesma classificação.
- Tudo bem! – o resmungo animado saiu da boca dela.
- Agora gostei! – a exclamação animada do rapaz mais velho sete anos, veio acompanhada de um beijo apertado e carinhoso na bochecha, que havia causado as reações mais confusas dentro de uma garota tão pequena. Céus, como seria a sensação daqueles mesmos lábios na boca dela?
- Mas eu... – se afastou de uma vez do causador de tanto reboliço, entregando Delilah a ele. – Preciso ir, ou sua mãe desiste de me dar bolo. Eu vim só lavar a mão. – a adolescente bateu as mãos no short e ainda com o estômago revirado, viu encher a cachorrinha de carinho.
- Eu e a bebê estaremos aqui. Né, Delilah? – ele tratou o animalzinho pequeno como se fosse uma criança e ouviu a risada desgovernada da amiga mais nova. – A gente vai esperar a .
respirou fundo mais uma vez e seguiu direto pro banheiro do corredor, precisava lavar as mãos e acalmar de vez a droga do coração. Deixe de ser burra, garota, ele não é mais do que o melhor amigo do seu irmão, além de ser irmão da sua melhor amiga.

-x-x-x-

Um mês depois

Se arrependimento matasse...

A garota ajeitou a roupa no corpo e sacudiu o cabelo, ansiosa só de esperar que abrisse a porta. O rapaz tinha mudado para um apartamento próprio há umas três semanas e mesmo perante todos os choros de Charlotte, ela parecia ter entendido que aquilo era de uma imensa importância para ele, principalmente pelo fato de que o garoto já tinha 24 anos e precisava viver sozinho. entendia bem o lado dos dois e não pretendia ir embora daquela cidade tão cedo, por mais que a vaga na faculdade em Toronto lhe aguardasse, depois que ela não passou nem perto de entrar na McGill.
Ela respirou fundo ao ajeitar o cabelo rebelde no rabo de cavalo e apertou as mãos uma na outra em ansiedade assim que viu a maçaneta rodar, ensaiando na mente a desculpa de ter batido ali tão cedo.
- ! Hey! – o garoto sorriu e parecia arrumado para sair. Ela tomou fôlego para falar alguma coisa, mas só conseguiu sorrir mais e pensar como ele estava bonito.
- Hey!! – a garota arregalou os olhos, mergulhada em uma animação repentina. – Eu! Eu disse que vinha ver a Delilah! Aposto como ela tá morrendo de saudade. – a moça soltou uma risada animada ao ouvir a dele e entrou no apartamento do amigo do irmão, assim que o rapaz deu espaço.
- Eu lembro. E você veio mesmo! – o rapaz riu com a promessa dela. – Mas eu não sei se ela sente sua falta, a Delilah tá sendo bem cuidada! – a cara de cocota convencida surgiu no garoto e os dois riram com aquilo, assim que ele fechou a porta de casa.
- Eu estou meio sem rumo já que acabei o colégio, aí vim ver minha bebê! – fez uma pose ao justificar mais uma vez a visita e se sentindo em casa, começou procurar a chihuahua com a vista.
- Putz, já acabou, verdade!
- Eu adiantei um semestre, na verdade. – riu meio desesperada em saber que tudo estava mudando tão cedo e vincou as sobrancelhas ao começar estalar os dedos. – Mas nem sei se vou mesmo para faculdade esse ano. Lilaaaaaa!
- Tem que ir, . Vai ser bom, novos ares! – piscou e fez uma careta gigantesca. Ela tinha dado um apelido para sua cadela? Quê? – Lila? Você deu apelido para minha cachorra?
- Claro que dei, eu disse: ela me ama mais! – a moça riu e pegou o pet no colo, fazendo carinho no pinguinho de cachorro animado. – Não sei, não quero sair de Montreal, mas passei longe de entrar na McGill. – ela explicou sobre precisar sair da cidade e sorriu para cadelinha feliz.
- Mas é bom para gente sair um pouco de casa, . Pensa nisso! – sorriu tentando confortar a amiga, mesmo sabendo que pela cara dela a resposta era negativa.
- Eu vou ver, ! – ela arregalou de leve os olhos para ele, mas voltou a brincar com a cadelinha do pelo escuro com branco.
- Ta bom, né? – sacudiu a cabeça negativamente. – , já volto. – ele sorriu fechado buscando a aprovação da menina, que meneou a mão.
- Tudo bem, você tá em casa! – a moça sorriu até com os olhos e logo sentou no chão para brincar melhor com Delilah, enquanto sacudiu um osso de borracha e via a cadelinha pular atrás dele, quase brava por não conseguir pegar o brinquedo e rosnando como se fosse parar de brincar daquele jeito.
- Mandy!!! Tá pronta? – gritou no corredor do pequeno apartamento, fazendo a irmã do amigo arregalar os olhos bem assustada. Ele não estava sozinho em casa? Uma garota tinha dormido lá? estava namorando?
A mais nova levantou de uma vez do chão, finalmente soltando o osso que Delilah brincava e sentiu toda a coragem descer pelas pernas, percebendo o quão tinha sido ridícula em procurar uma desculpa para visitar ele e a cachorra.
- Sim! Só guardando as coisas na bolsa, me avisaram que o Mr. Boone vai atrasar hoje! – a voz doce da garota ressoou pelo cômodo, fazendo o estômago de revirar ainda mais.
- Eu não sabia que você estava com alguém aqui. – a moça se atropelou nas palavras sem saber o que fazer com as mãos suadas de nervosismo. – Desculpa! Eu devia ter ligado antes. Droga, .
- Imagina, ! – piscou brincalhão, chamando a cadelinha com estalos de dedo. – Minha namorada tá aí. Daqui a pouco ela tem aula, aí eu vou levar. Mas como você é de casa, fica brincando com a Lila até eu voltar! – o rapaz disse com um sorriso imenso, sorriso esse que causou algo bem diferente do recorrente reviramento no estômago. – Amor, vem cá!
- Estou indo! Cheguei! – a moça de olhos verdes e o cabelo cor de fogo, natural, chegou sorridente na sala do pequeno apartamento, deixando a garota mergulhada em um pavor gigantesco. – Hey! Tudo bem? – o sorriso simpático se fez presente em ver a amiguinha do namorado ali.
- Hey, tudo bem sim. – a moça prendeu a respiração mais uma vez para evitar que seu estômago reclamasse da decepção.
- Deixa eu fazer as apresentações... – abraçou Amanda de lado, pronto para apresentar as duas garotas. – Mandy, essa é a . , essa é a Amanda! – ele apontou de uma para outra, prestando atenção apenas no sorriso imenso da namorada. – É a pequena !
O bolo no estômago da mais nova dos só aumentou, enquanto ela só queria vomitar todo o café da manhã e tinha plena consciência de que se aquele circo continuasse, ela vomitaria.
- A irmã do ? É um prazer! – o grito de Amanda foi de quem já conhecia aquele grupo há muito tempo, tanto os irmãos quanto o mais velho filho dos . Então já namorava ela há muito tempo? – Seu irmão é muito gente boa!
- Sim, eu sou irmã do . – a moça sentiu a garganta parecer um deserto de tão seca. – E também é um prazer te conhecer, Amanda. Eu vim só ver a Delilah, já tava de saída, não vou atrapalhar vocês.
- Eu falei que você pode ficar, ! – o rapaz riu de leve com a insistência dela. – Eu vou só deixar a Mandy na faculdade e nem é tão longe assim. – ele sorriu mais uma vez e beijou a bochecha da ruiva.
- Eu não posso! – o sobressalto da mais nova chamou a atenção dos dois, enquanto a impulsividade dela a fazia tomar uma das decisões mais loucas da vida. Ela iria para Toronto sim, e no fim da semana, se possível. – Minha mãe vai me levar para ver as compras da viagem, então não vai dar.
- Eu vou logo tomando café para ser mais rápido ainda, a McGill não é tão perto, amor! – ela arregalou os olhos claros e incrivelmente redondos, mostrando a tamanha intimidade que tinha com o garoto por quem era perdidamente apaixonada desde os 15. Sem falar que a perfeitinha fazia faculdade na McGill e a mais nova não tinha passado nem perto de entrar lá. – Para onde você vai?
- Fazer faculdade em Toronto. – a moça sorriu fechado, à medida que respirava fundo para não desmaiar.
- Fazer faculdade em Toronto! Não é incrível? – exclamou realmente eufórico com a conquista da menina.
- WOW! Toronto? Que incrível, eu não cheguei nem perto dos classificáveis por lá. – Amanda sorriu feliz pela moça que ela tinha conhecido a pouco. – Parabéns, mesmo! A prova é uma das mais difíceis e precisa de um alto nível de notas para passar!
- Obrigada, Amanda! – sorriu triste com , mas ainda agradecida pela sinceridade da namorada dele e por mais dolorido que fosse, a garota a sua frente não merecia raiva de ninguém. – Mas eu vou indo, prometi a mamãe que não ia me atrasar. – a moça amassou os dedos das mãos e ao olhar para o chão, viu a pequena Delilah brincar com a barra da sua calça.
- Essa garota é sucesso! – disse rindo ainda abraçado a namorada, de alguma forma ele se sentia realmente feliz pelas vitórias da quase irmã. – Eu vou deixar a Mandy na faculdade, passo lá e te deixo em casa!
- Eu estou com o carro do meu pai, então não precisa. Mesmo! – sorriu fechado e abaixou pegando a cadelinha no colo. – Tchau, Lila! – a garganta quis travar por toda a situação ruim. – Tchau, Amanda. Tchau, ! Espero ver vocês ainda antes de ir para Toronto. – a moça foi cordial, recebendo sorrisos iguais.
- Nossa, até eu tô emocionado com essa menina indo para Toronto! Eu sou amigo do irmão dela desde sempre, então imagina... Ela é da minha família! – puxou a garota para um abraço de surpresa que não foi sequer retribuído eficazmente, principalmente quando o jogo de palavras usado não estava fazendo-a se sentir bem. – Se eu não te ver mais... Boa sorte em Toronto, irmãzinha!
- Obrigada, vou mesmo precisar. – a pequena frase sem expressão, saiu até meio dolorosa da boca dela. Irmãzinha? Sério, ? Você era tão cego àquele ponto?
- Tchau, ! – a ruiva sorriu de uma forma meiga. – Adorei te conhecer, aparece antes de ir, a Delilah gosta mesmo de você! – Amanda riu divertida. – Eu não posso nem chegar perto!
- Posso levá-la? Eu prometo que deixo ela na sua mãe e você pega ela depois. – cortou as despedidas ao pedir permissão para levar Delilah para casa, embora a vontade fosse de sequestrar a pequena cachorrinha.
- Pode! Pode, claro! – o rapaz sorriu animado e jogou a chave da moto para cima, mesmo que involuntariamente fazendo entender que aquele era o aviso para ela ir embora.
- Obrigada! – um sorriso fechado partiu da moça destruída em questão e sem esperar por mais qualquer contato de despedida, acenou para o casal que era tão bonito e parecia tão feliz ali no meio da sala.
Talvez fosse realmente um grande idiota como sempre tivera pintado para ela, um cara que não estava nem aí para tanto sentimentalismo. Talvez mais uma vez, seu irmão tivesse coberto de razão com tudo aquilo e Lauren e Charlotte fossem apenas mais duas loucas que não sabiam os limites das relações entre os filhos.

Eu odeio seu maldito irmão idiota!

A garota entrou no quarto respirando fundo, frustrada, brava e decepcionada com o que tinha acabado de acontecer, ainda que soubesse que não tinha o menor direito daquilo. nunca tinha lhe notado mesmo, não ia acontecer àquela altura do campeonato. respirou fundo e apertou o telefone sem fio na mão, enquanto esperava que atendesse ao telefonema.
- EU ODEIO O SEU IRMÃO! – o grito injuriado fez a moça do outro lado da linha tomar um tremendo susto. – Odeio! Odeio com todo o meu ser e eu vou embora para Toronto e vou sequestrar a cachorra dele!
- Ei, ei, ei, ei, fala devagar! pediu confusa com toda aquela gritaria. Desde quando odiava seu irmão? Aquilo era meio doido, para falar a verdade. – Eu não entendi nada. Uma coisa por vez, moça !
- O seu irmão é um tremendo idiota!!!
- É, eu sei. – a mais velha suspirou em concordância com a melhor amiga. – Por que estamos com raiva dele? – o apoio veio em uma frase simples, mas que fez toda a diferença em .
- Porque ele tem uma namorada bonita, inteligente, mais velha e simpática. – o bico de choro rapidamente se formou na boca da mais nova, enquanto a amiga soltava um muxoxo desgostoso com a informação. Ela já sabia que o irmão estava namorando, não fazia ideia de que ainda estava às cegas com aquilo, era praticamente impossível quando exibia Amanda aos quatro ventos. – Você sabia, não sabia?
- Você me odeia? – o suspiro frustrado escapou pela ligação, enquanto a irmã de apenas resmungou que não. Bem lá no fundo, ela sabia que não tinha feito por mal. – Ótimo, então eu concordo com tudo, menos em trazer a Delilah. Não dá para gente morar com um cachorro!
- Deixa eu levá-la! Ela nem gosta da namorada dele! – protestou mais uma vez, pedindo como se a amiga fosse uma espécie de mãe e ao entrar no personagem, a filha mais nova dos , negou como uma. – Eu cuido!
- , não dá! – a moça foi ainda mais firme, ouvindo um grunhido de choro bem sentido.
- Eu vou fazer ele comer na minha mão. Pode escrever e ai eu vou pisar nele! - o grito estridente da mais nova causou na amiga uma das reações mais engraçadas e contraditórias, só por ela ser irmã do dito cujo.
-< I>IHÁ! ASSIM QUE SE FALA, PISA NO VAGABUNDO!
- Você não tá me levando a sério, . – respirou fundo e se jogou sentada na cama. – Ele me chamou de irmãzinha! – o resmungo baixo veio pegando de surpresa até , que bufou irritada com a capacidade do irmão de ser um idiota aquele ponto.
- Ah merda, ! – a garota disse frustrada e até decepcionada com a postura do rapaz.
- Você me aceita aí? Eu prometo que não sou criança e aprendo tudo rápido!
- Eu já estou limpando seu quarto enquanto a gente conversa! sorriu encorajadora e ouviu um suspiro grato e aliviado da amiga e possivelmente futura cunhada, mas pelo lado do , quem sabe. Principalmente se Lauren e Lottie continuassem com aquela loucura.
- Eu te amo, ! – declarou imensamente feliz por estar sendo tratada como alguém relevante. – Eu quero crescer! Odeio ser tratada como uma criança, ou como uma pessoa frágil.
- Então vamos crescer! – a mais velha incentivou a mudança que viria pela frente. – Você é maravilhosa e eu quero que lembre disso, okay? Também te amo!
sorriu em finalmente entender que ela fugiria de uma vida tão pequena e logo começaria a mudar completamente, para melhor, se possível. A moça olhou para cachorrinha brincando no chão do quarto e só aí conseguiu perceber que para esquecer de vez , ela precisava deixar a pobre cadelinha em paz com o dono desnecessário. Era preciso desapegar de tudo que ainda lembrava o crush, começando por Delilah.
- Eu vou sim! – ela disse convicta. – Eu vou lembrar disso! Mas preciso desligar e contar a minha mãe que precisamos comprar minhas malas!
- Eu quero presente! – o gritinho da mais velha fez as duas rirem. – Beijo, ! Até o fim da semana!
- Beijo! Até! – disse eufórica e não esperou muito para correr dentro de casa após bater a porta do quarto. – MÃE, EU VOU PARA TORONTO!



Parte dois: O jeito é esquecer tudo isso

2019

Então, eu acho que beijei “o quê” não devia

A mulher tomou fôlego ao bater as unhas médias na pedra de mármore da cozinha e pegou o celular de uma vez. Era melhor ligar para e contar o que tinha acontecido na noite anterior, principalmente quando tinha saído bem estranho da casa dela. O homem parecia bem desconfortável por ter possivelmente tomado um fora e não estava digerindo muito bem aquilo, quando a enfermeira pediátrica não via motivo para que ele estivesse tão retraído.
- Oi! – atendeu ao telefone e parecia bem animada com a ligação da amiga, principalmente quando a última organização para as bodas estava tirando o juízo de todo mundo.
- Heeey! – o tom condenatório de foi o necessário para que a outra entendesse que alguma merda ela tinha feito e não era pequena, pelo visto.
- Ih, não gostei desse tom não, fala logo!
A garota respirou fundo e mordeu a boca, parando de andar em círculos na sala do apartamento.
- Primeira coisa é que eu odeio o fato de você me conhecer tão bem! – a mais nova resmungou, fazendo a amiga rir convencida. – E a outra é: eu acho que deu merda a estadia do seu irmão aqui em casa!
- Ah merda! O que ele fez? Vocês brigaram? Por que vocês brigaram????? – o nervosismo na voz da cunhada fez a mais nova respirar fundo diante da situação.
- Então, sabe que não. A gente tava convivendo que nem adulto até ontem. – mordeu a boca só para completar seu tom muito culpado. – Aí ele inventou de cozinhar por agradecimento e comprou vinho. quando eu bebo vinho eu fico boca solta!
- O que você fez, ?
- Eu posso ter falado do crush antigo? – o tom culpado da enfermeira fez a outra bufar, já imaginando a dor de cabeça que viria. – Eu bebi, ele bebeu, a gente entrou em assuntos antigos e eu deixei seu irmão transtornado quando falei que era louca por ele. começou se culpar e aí a merda maior aconteceu...
- Espera aí... transtornado como? , me conta!!!! soltou um esganiço nada bonito com aquele diabo de notícia. – PIORA?
- Ele ficou se culpando por algo nada a ver! – a mais nova soltou meio desesperada. – Bom, talvez piore. – ela mordeu a boca, se sentindo mais culpada do que tudo na vida.
- Fala! – o suspiro da Mrs. parecia bem saturado. – Você bagunçou o coitado do meu irmão, !
- Ele me bagunçou bem antes, meu bem! vale tanto quanto eu. Ou seja, nada!
- , desembucha logo!
Um suspiro pesado foi dado e logo a enfermeira começou contar o ocorrido:
- A gente meio que entrou em um momento discussão apavorada e eu perguntei o que ele queria que eu fizesse... – mordeu a boca e por mais que não quisesse, um sorriso vitorioso brotou nos lábios dela ao despertar uma pontinha bem pequena e malvada de vingança.
- Isso não acaba bem... – a cunhada cortou levemente a frase, já prevendo a bagunça que viria a seguir.
- E eu beijei o que não devia.
- VOCÊ O QUÊ, ?
-A CULPA NÃO FOI MINHA, DROGA! Ele disse que queria que eu o beijasse, poxa! Você acha que eu ia recusar? Um homem daquele tamanho que já tinha verbalizado com todas as letras que eu tinha ficado gostosa. Eu não resisti! – a mulher explanou bem os argumentos para o tal beijo, ouvindo uma risada irônica da cunhada.
- Realmente, impossível resistir, fato. usou do seu maior deboche, ouvindo a risada alta da mais nova. – VOCÊ NÃO TEM 16 ANOS MAIS, !
- E você acha que com 16 eu ia fazer isso? Meu bem, oportunidade eu tive! – riu mais um pouco da postura indignada da melhor amiga. – Com 16 eu via seu irmão mergulhado em uma devoção escrota! Eu era retardada! Agora é diferente, eu vejo um homem maravilhoso que arrastou uma asa imensa para mim e a gente acabou se beijando!
- Que merda, ! - a Mrs. xingou o irmão como se ele pudesse ouvir e a curiosidade lhe atingiu sobre como tinha ficado a situação depois do tal beijo. - E aí?
- Ele nem olha na minha cara. - a enfermeira pediátrica coçou a testa, tendo plena consciência da merda que tinha feito.
- Vocês vão ter que conversar. É impossível vocês ficarem assim nas bodas. Não dá! - esganiçou meio apavorada com o provável papelão que os dois fariam na festa da Lauren.
- E você acha que eu não sei? Dona Lauren já deu um jeito de combinar meu vestido com a gravata dele! Qual o problema dessas duas? Elas não se tocam?
- Eu juro que tentei intervir, mas me convenceram! - soltou uma gargalhada estrondosa com a história que a mãe e a sogra tinham encenado, ouvindo bufar, mas logo se dar por vencida, rindo junto. - Elas contaram uma historinha tão linda que eu não quis interferir!
- Ai… - suspirou. - Acho que ele vai chegar meio puto com o , mas você já deixa meu irmão preparado. Só não conta que a gente acabou se beijando, ou vai dar siricotico.
- Tá doida? Eu não estou com paciência para ouvi-lo surtando com isso. Os dois que se entendam! Mas sério, você precisa conversar com o e melhorar essa bagunça.
- Eu sei, amiga. Eu sei! E eu vou, prometo. Assim que eu chegar aí, a gente vai conversar e se entender!
- Obrigada! Agradeço de coração. - as duas suspiraram contentes com o consenso.
- Preciso ir, ! Organizar minha vida depois desse furacão que foi a passagem do seu irmão por aqui.
- Tudo bem, cunhada! Boa sorte! - desejou energizada com a boa semana que estava por vir e ouviu gritinhos animados.
As duas riram e após se despedirem, prometeu que estaria na Península de Bruce do Norte em algumas semanas, finalmente desligando o celular para que pudessem organizar a vida depois do acontecimento que mesmo não querendo, respingava em todo mundo.

Você é um grande idiota, !

O homem parou a foto em frente à casa da irmã e respirou fundo. Não era possível que tinha deixado tudo chegar àquele ponto, sem falar de que poderia ter dado uns cutucões nele em relação ao tratamento para com . sabia que não tinha feito nada de errado durante todos aqueles anos, mas possuía a plena certeza de que poderia ter evitado muitos constrangimentos, principalmente quando nem imaginava que a irmã mais nova dos tinha passado tanto tempo gostando dele.
Bom, entender aquilo tinha sido o mais perturbador durante toda a viagem de volta para casa.
Ele entrou na casa que os moravam e por já se sentir em casa, não tocou a campainha ou bateu à porta. Colocou o capacete no sofá claro que decorava a sala da frente e logo ouviu a cantoria do melhor amigo parecer vir da cozinha.
- QUEM É? – gritou de onde estava, fazendo o amigo rir.
- ! Onde vocês estão? – a pergunta veio com um tom de deboche para zoar os quase, não mais, recém-casados.
- Eu estou na cozinha consertando o liquidificador, sua irmã tá arrumando os quartos! – a informação foi confirmada assim que chegou ao cômodo e os dois se cumprimentaram como os bons e velhos amigos que eram.
O filho mais velho dos encheu um copo com água e logo tratou de sentar na ilha da cozinha, embora estivesse bem chateado com o fato de todo mundo ter escondido dele os antigos sentimentos de . E por mais que ela estivesse certa em defender que aquele era um assunto dela, o irmão mais velho de se encontrava levemente magoado por não ter dado conta da situação anteriormente.
- Como foi a viagem? Deu certo lá na ? – perguntou ainda preso ao fio descascado que ele tentava reencapar para evitar choques futuros. – Ela ainda mora sozinha?
- Não, não. Tem três caras morando com ela! – bufou cheio da ironia, percebendo o amigo virar para ele e rolar os olhos.
- Por que você é tão idiota? – o sacudiu a cabeça.
- Sou seu amigo! – o homem abriu um sorriso irônico e fechou a cara logo em seguida. – Na boa, eu devia realmente dizer para minha irmã separar de você!
- Me poupa, ! – não deu atenção aos chiliques do pedagogo sentado a sua bancada e coçou a cabeça ao procurar a outra fita isolante. – Vai, sem gracinhas. Como foi lá? Como tá minha irmãzinha? Ela sempre fala que tá tudo bem, mas um olhar externo sempre é valido.
- Óbvio que ela está bem, ! Quem levou na cara fui eu! – soltou um protesto mais frustrado do que bravo, vendo o amigo virar mais uma vez para ele, parecendo bem indignado até.
- O que merda você fez, tapado? – o grito desafinado saiu sem demora. – Ela tem 24 anos, ! Pelo amor de Deus! É a !
- Eu descobri uma coisa que o tapado do meu melhor amigo, esqueceu de me contar! – ele soltou bufando de ódio e pulou da bancada, assim que ouviu a gargalhada estrondosa de sobre o assunto. Então era verdade mesmo. – Eu devia dar na sua cara!
- ERA TÃO NA CARA! Você que era cego, cara! – o músico esfregou os olhos por baixo dos óculos e suspirou. – deveria estar muito louca para te contar isso, sério!
- A gente estava bebendo e ela acabou me contando. – o homem respirou fundo, pedindo paciência para não esganar o amigo irônico.
- Bebendo? – arqueou as sobrancelhas com aquela confissão.
- Ah, pelo amor de Deus. Ela não pode beber, agora? – rolou os olhos com a superproteção irritante que o amigo tinha para com a irmã mais nova. Era tão complicado entender que ela era uma mulher muito bem resolvida, por sinal. – Sinto informar, mas bebe. E não é pouco!
- É a minha irmã! Queria que não bebesse? – o bufou irritado consigo por dar tanta atenção aquilo. – E você depois que bebe não é gente, idiota!
- Ela não pareceu reclamar nadinha! – o jogo de palavras não foi o melhor utilizado por ele e junto ao sorriso, que tinha como objetivo apenas fazer o amigo se irritar ainda mais, distorceu completamente o sentido da frase. A quem ele queria enganar? Era a mais pura vingança por ser um bocó.
- Era só o que faltava na minha vida. O tapado do meu melhor amigo... – perdeu o ar com a notícia e olhou pro teto da cozinha pedindo paciência, ou mataria o idiota do melhor amigo. – QUAL O SEU PROBLEMA?
- QUAL É O SEU PROBLEMA? VOCÊ DEVERIA TER ME CONTADO, DROGA! – enfiou as mãos nos cabelos, bem mais puto do que já estava com a situação. Era cruel demais pensar que ele tinha magoado uma pessoa tão doce como .
- CLARO QUE NÃO! – o outro arregalou os olhos, defendendo ainda mais a teoria de que segredos deveriam permanecer assim, em segredo. – Ver a minha irmã sofrendo por um idiota mais velho já foi bastante! Você ia simplesmente sumir da vida dela, , e todo mundo sabe disso! – os dois suspiraram frustrados com a afirmação, embora soubessem que era a mais pura verdade. – Não ia resolver se você soubesse! – a voz do mais novo um mês, voltou a altear na conversa, ele ficara tão puto quanto antes só por imaginar que tinha acontecido merda naquele apartamento. – E TRANSAR COM ELA TAMBÉM NÃO RESOLVEU, ! – estourou em fúria com sua cabeça ferrada.
- É ISSO QUE VOCÊ ACHA DE MIM? – gritou exatamente no mesmo tom de incredulidade. Ele não estava querendo acreditar no que o amigo acabava de falar e muito menos o outro homem, que tinha desabado na bancada, só de frustração. – Você acha que eu ia ser tão idiota a esse ponto?
O Mr. soltou todo o ar dos pulmões e decidiu que era melhor acalmar os ânimos, ou causaria uma confusão ainda maior do que aquela. Claro que não valia uma moeda furada desde que ele conseguia lembrar e já tinha feito muita merda, não parava com mulher nenhuma e era o terror dos pais da vizinhança, na adolescência dos dois. Mas ele nem era mais um adolescente, o cara já estava com mais de 30 e segundo ele mesmo, queria mais era sossego na vida. Não ia transar com sem mais nem menos!
- Não, porra! – o músico passou a mão pelos cabelos de tom loiro. – Mas ninguém é santo nessa merda, eu conheço a minha irmã e eu conheço você! – ele coçou a nuca entrando em mais um estado de pavor por não querer internalizar aquilo. Sabia que tinha uma mania horrorosa de imaginar a irmã como uma criança, mas provavelmente não deixaria de fazer aquilo antes que ela completasse 30 anos. – Na verdade, eu conheço até demais a minha irmã! Inferno!
- Me conhecendo, você sabe que eu não ia transar sem mais nem menos com a sua irmã. Droga, você é meu melhor amigo! E eu respeito vocês! – abriu os braços, mostrando o quão óbvio era o posicionamento dele e de uma forma bem estranha, confortou .
- Eu sei que você não ia fazer isso. Mas ela é uma mulher muito bonita, pro seu governo! – ele apontou ainda defendendo sua atitude de irmão mais velho e protetor.
- E você acha que eu não sei? - soltou um senhor esganiço sobre a beleza da moça, sabendo que ela era muito mais do que apenas bonita. Ele tinha até verbalizado, na verdade!
- Então foi só conversa e pronto? – olhou incisivo pro melhor amigo, não sabia se acreditava muito na conversa, principalmente por duvidar da irmã, mas queria muito confirmar que tinha sido apenas a conversa desastrosa.
iria rolar os olhos, mas se impediu no mesmo momento que lembrou do beijo enlouquecedor que tinha compartilhado com . Ele estacou brevemente, o tempo necessário para que o cerrasse os dentes e apertasse as têmporas, pedindo forças para não cometer um homicídio doloso no meio da sua cozinha.
- E O SEU RESPEITO, CADÊ, CARALHO?
- EU NÃO TIVE CULPA! – o gritou no desespero, abrindo os braços como se aquilo fosse o redimir da culpa. não era mais qualquer criancinha e para começo de conversa, ela tinha beijado ele. A convite dele, mas ela quem tinha beijado.
- CLARO QUE TEVE! VOCÊ A BEIJOU? – o tom saiu da boca do casado como se aquela fosse a coisa mais absurda de todos os mundos.
- Cara... – passou a mão pelos cabelos, mostrando total e completa impaciência com aquele assunto. – Uma mulher linda daquelas confessando que era apaixonada por mim... Você queria exatamente o que, droga? Que eu jogasse baralho com ela?
- QUE VOCÊ SE CONTROLASSE, CACETE! Olha o tamanho da merda que você fez, ! – o mais novo alguns meses sacudiu as mãos como se aquilo diminuísse sua vontade de esganar o amigo até a morte. – Você beijou a minha irmã, mesmo sabendo que não sente porra nenhuma por ela!
- QUEM FOI QUE DISSE? – o soltou um esganiço imenso com aquela conversa mais sem pé nem cabeça. Óbvio que ele sentia alguma coisa por ela, mesmo que fosse um imenso carinho de amigo, ainda era alguma coisa, certo? – Quem disse que eu não sinto nada? Eu não fui! – o homem bateu no peito, ouvindo o cunhado soltar uma risada irônica.
- E você planeja casar com ela e ter seis filhos? – cruzou os braços com uma das sobrancelhas arqueadas, sabendo bem que tinha ganhado aquela discussão quando viu o mais idiota da dupla bufar derrotado, ainda que mascarasse isso.
- Sinceramente? Vai te catar! – rolou os olhos e se encolheu um pouco mais na bancada.
Não era possível que estivesse brigando com o melhor amigo da vida, por causa daquilo, não era nenhuma inocente e sabia muito bem. Se ela queria, ela fazia e ninguém impedia o furacão que a menina mulher se tornava.
- Não dá para conversar com você, eu me importo com sim. Eu me senti um merda quando ela me contou tudo e sendo bem sincero, não estou melhor agora! – o suspiro escapou frustrado.
O irmão da moça enfiou os dedos entre os cabelos e respirou fundo. Ele não ia internalizar aquilo mais do que já tinha feito e precisava urgente conversar com a esposa, deveria saber de tudo, no mínimo dos mínimos e provavelmente não tinha contado nada a mando de , ou porque o assunto realmente não desrespeitava a ele.
- Mas você tem a minha palavra, . – suspirou derrotado. – Eu não vou me envolver com se não for 100% real, okay? Não vai rolar se não tiver sentimento envolvido. – a frase de conforto surtou o efeito desejado nos dois, um por ser um irmão ciumento e o outro por estar confuso sobre o que queria com a mulher, então era melhor que fosse assim.
- Espero que seja cumprido. Eu quero zero dor de cabeça, tá me ouvindo? Zero! – o homem apontou pro outro ainda em posição defensiva. – São as bodas dos nossos pais e eu espero profundamente que vocês não causem um desastre!
- , não vai acontecer nada! – soltou uma risada divertida, sabendo que aquelas duas iriam enlouquecer o resto dos filhos até o grande dia. – Eu respeito você acima de tudo, a gente é irmão!
- Eu sei que não vai, mas não custa nada ameaçar. – o abriu um sorriso debochado e os dois caíram na gargalhada, se abraçando logo em seguida para selar um acordo que ainda causaria muita confusão.
- Minha irmã tá aí? Vou falar com ela! – o pedagogo passou a mão pelos cabelos e viu o melhor amigo afirmar. – Você sabe que se eu vier aqui e não disser ao menos um oi, ela fica louca! Mas se bem que... Ela desconta em você! – o sorriso debochado surgiu acompanhado de um encolher de ombros, fazendo arquear ainda mais a sobrancelha. – Acalme sua fera!
- Pode deixar! – o outro abriu um sorriso sacana. – Adoro um sexo selvagem! – a expressão idiota só foi interrompida por uma de dor assim que a mão pesada de atingiu em cheio as costas do amigo.
- MINHA IRMÃ, PORRA!
- AGORA VOCÊ SE DÓI? – arregalou os olhos sem entender porque tanta defensiva. tinha beijado e além do mais, os eram casados, não tinha porquê tanto escândalo. – ELA É MINHA ESPOSA!
- Eu BEIJEI sua irmã, ninguém fez sexo. Menos ainda selvagem. – o se torceu como se fosse realmente tenebroso ouvir aquilo da boca do amigo. – Caralho, minha irmãzinha...
- tem 31 anos maravilhosamente completados, meu amigo. Minha esposa é maravilhosa. – ele levantou o indicador, deixando bem claro. – E ainda é anos luz mais nova que você, tarado! Ela tem 24!
- Paga mais pau, , tá pouco. – o homem prendeu a risada, vendo um rolar de olhos que precedia uns tapas para que ele sumisse dali. – 24, jura? – ele tornou ao assunto da idade da mais nova, enquanto deixava a cozinha pela grande porta e já na sala, gritou: – Garanto que parece mais!
- VOLTA AQUI, SEU CRETINO! – o outro gritou em uma indignação bem fingida, ouvindo as gargalhadas mais idiotas do melhor amigo.
era um belo filho da mãe quando bem entendia, mas conseguia ser um cara incrível na mesma proporção e se ele dizia que aquela era uma promessa, não tinha com o que se preocupar, ele iria cumprir.
...A não ser que fizesse o contrário.

Vem cá! Preciso conversar com você!

Depois de algumas semanas de indecisão, sem saber exatamente como e iriam reagir a presença dela em Montreal para as bodas conjuntas das duas mulheres mais doidas que ela conhecia, resolveu deixar o receio de lado e viajar logo. Ela tinha conseguido um mês inteirinho de férias e embora fosse sentir saudade das suas crianças da ala de queimados, ansiava fervorosamente que eles fossem para casa logo.
A recepção na casa dos pais não poderia ter sido melhor, muita festa, abraços, carinhos, chamegos e as melhores comidas que a garota poderia imaginar. Era incrível como estar em casa se tornava tão saudoso, à medida que ela passava mais tempo morando fora, o jeito que os pais e o irmão a recebiam era completamente sem igual, era... Esplêndido. Naquela vez tinha sido ainda maior, porque os vizinhos, os pais de e , também haviam feito a maior festa com a chegada da moça, alegando que a alegria estaria completa e que a festa seria inesquecível. Mas se aquela era a maior festa do ano, como a mulher ia simplesmente negligenciá-la? Não ia de jeito nenhum.
Porém, a única pessoa que não tinha visto naquele bolo, chamava-se . O homem parecia ter sumido do mapa depois do beijo e por mais que a enfermeira suspeitasse que aquilo era obra de um ciumento, ainda acreditava que o estava ainda ressentido pelo beijo no apartamento.

: Conseguiu achar a sandália?

A mensagem chegou vibrando no celular e a moça não perdeu tempo para responder a cunhada e melhor amiga.

: Achei uma incrivelmente perfeita! Acho que minha mãe vai surtar quando ver KKKKK
: A Lau tá surtando com tudo relacionado a essa festa hahaha
: A tia Lottie não tá diferente kkkkk essas duas vão matar a gente antes dessas bodas
: E você acha que eu não sei? Nós 4 somos os cavaleiros do apocalipse
: KKKKKKKKKKKKKK PORRA,
: É SÉRIO KKKKKK
: Mas ei, a gente vai sair mais tarde. Quer ir junto?
: Óbvio! Vou só em casa ajudar em umas coisas e corro para aí!
: Vou ficar esperando ;*
: Bejoooo!

Ela colocou o celular de lado, afivelou o cinto de segurança do carro e engatou a primeira, objetivando sair logo daquele estacionamento de shopping. O fluxo de carros àquela hora não era tão intenso, mas ainda assim, necessitava de uma grande atenção de quem estava dirigindo, qualquer horário que você dirigia, merecia atenção. A moça ligou o som do carro na rádio mais famosa da cidade e soltou uma risada divertida ao ouvir um programa de flashbacks que tocava todas as músicas que tinha marcado sua adolescência.
Dois mil e onze parecia ter sido tão perto, mas ao mesmo tempo parecia tão distante da realidade que a enfermeira vivia, talvez fosse apenas um marco de amadurecimento da menina, que agora era uma mulher e tanto. Ela poderia ser considerada sim como impossível, daquelas que vai até o fim para conseguir tudo que quer, independente do que fosse, se ela queria, ela conseguia.
Um dos semáforos acendeu a luz vermelha, parando um lado da avenida e enquanto esperava o sinal abrir novamente, encostou a cabeça levemente ao vidro, tentando pensar em uma maneira de conversar com , já que ele tinha simplesmente sumido depois que ela havia chegado na cidade. Nem para comer os biscoitos da dona Lauren, ele tinha aparecido e ainda tinha a cara de pau de alegar ser muito trabalho acumulado na escolinha de música, o que era completamente sem noção, principalmente quando e , sócios do pedagogo, pareciam ter bastante tempo livre pelas férias de verão.
Até que em um lampejo, o dito cujo dobrou a esquina, andando animadamente pelas calçadas das lojinhas de doces, enquanto carregava o que parecia ser uma revista enrolada em cone, nas mãos. Ela riu com o jeito engraçado que se movimentava, sempre como se suas pernas estivessem cansadas demais para segurar o próprio corpo. Quando mais nova, sempre considerava como um desleixo proposital e bonitinho, usado principalmente para conquistar as garotas. Mas agora, ela percebia que era tão espontâneo como o jeito dele rir, ou de puxar a barra da camisa para baixo.
PORRA, ! PARE!
Não demorou muito para que ela o acompanhasse com o carro, dirigindo devagarinho no acostamento, o que assustou levemente o filho mais velho dos . A mulher riu da desconfiança dele e baixou o vidro, assobiando para chamar a atenção do melhor amigo do irmão. deu um pulo ao olhar para trás, assustado com a cena inusitada, soltando uma risada divertida ao ver que era .
- Hey! – o homem acenou assim que parou de andar e ela também parou o carro, segurando-o ligado em neutro.
- Quer carona? – ela ofereceu ao desabrochar um sorriso bonito e gentil, embora percebesse certa confusão e pavor em aceitar aquela carona. Óbvio que muita coisa tinha acontecido, mas não significava que aconteceria novamente.
- Não precisa, . – mordeu de leve a boca. – É aqui perto! – ele apontou para um ponto qualquer na rua e foi desafiado com uma erguida de sobrancelha.
- Que fofinho! Mas tá mentindo. – a garota fez um bico e os dois acharam graça, quando o homem já coçava a nuca sem saber como recusar. – Estou indo para casa. Não quer mesmo? – a pergunta foi o bastante para que ele mostrasse o quão desconfortável estava, à medida que olhava para rua procurando uma desculpa plausível. – É uma carona, . Você passou uma semana no meu apartamento.
O homem bufou frustrado e se deu por vencido ao entrar no carro, embalado por gritinhos animados. era mesmo uma figura.
- Deixa eu tirar essas sacolas daqui. – ela pegou as sacolas de papel que ocupavam o espaço à frente do banco e rapidamente se esticou entre os bancos, colocando-as atrás e percebendo o quanto estava cheiros aquela manhã. O que era aquilo tão viciante? Essência de anjo caído?
- Você comprou um shopping? – o homem soltou a brincadeirinha, virando a cabeça um pouco de lado para ver melhor a quantidade de sacolas e se praguejou terrivelmente por dar com o nariz quase no cabelo dela. era indiscutivelmente, uma mulher muito cheirosa e que por obra do destino, ele não poderia chegar nem perto. Imediatamente voltou a postura reta no banco, fingindo que tinha algo muito melhor para verificar no celular, do que ficar se impressionando com o cheiro dela.
- Ganhei dinheiro e o torrei! – ela piscou astuta e os dois riram baixo. – Acabei comprando umas roupas legais e uma sandália para usar nas bodas. Pelo visto, vai ser o evento do ano, né?
- Nem me fale! – o homem coçou a cabeça e se recostou no banco como se escorresse por lá. Essa história de aniversário de casamento em conjunto estava tirando o juízo dele, principalmente quando não tinha qualquer plano de casar, justamente para evitar aquele estresse.
- Não sabia que você andava a pé! – engatou a primeira marcha, pronta para sair do acostamento.
- Comi demais no fim de semana. Tem que queimar a gordura! – soltou uma risada espontânea quando afivelava o cinto de segurança e ouviu um resmungo duvidoso da garota.
- Continua do mesmo jeito de antes dessa extrapolada. – ela alegou e pelo canto do olho, viu o homem dar de ombros. A moça suspirou e com a concentração no trânsito, decidiu que era hora de tocar no assunto e resolver aquilo, não ia pular do carro, no fim das contas, então ia ser obrigado a ouvi-la e resolver tudo. – Por que você me evitou todo esse tempo?
O questionamento o atingiu como um soco no estômago, tanto ao ponto dele tomar fôlego para responder. Talvez conseguisse encontrar na cabeça desesperada uma desculpa plausível para infantilidade dele. Sim, a meta era não se envolver mais daquele jeito com a irmã do melhor amigo, mas não precisava necessariamente ter fugido da garota em todos os âmbitos.
- Eu não estava. Eu... – ele mordeu os lábios, se praguejando por ter gaguejado. – Trabalhei demais. Muito trabalho mesmo.
riu desacreditada e sacudiu de leve a cabeça, entrando em um dos desvios que voltava ao bairro que os pais dos dois moravam e ela estava temporariamente.
- Muito trabalho, é? – a risada solta, mostrou que ela tinha identificado a mentira dele. Benefícios de ter o irmão trabalhando junto com o melhor amigo. – Estava ensinando música pro vento? Vocês não estavam em férias de verão? – a interrogação imensa habitou a testa dela, assim que a mulher desviou rapidamente o olhar para ele.
- Planejando o próximo semestre. – ele deu de ombros ao encontrar provavelmente a mentira perfeita. – Ou você acha que é só chegar e tocar?
- Sendo bem sincera? Mesmo? – ela suspirou frustrada, pronta para ir realmente direto ao ponto. Não era complicado conversar sobre algo que não deveria ter acontecido, embora os dois quisessem que acontecesse de novo.
Ela ouviu um resmungo de afirmação.
- Achei que você não fosse agir assim. Eu sei que foi uma bagunça lá em casa aquele dia, mas nós somos adultos. – a explicação surgiu cheia de autoridade, assim como a postura da mais nova que mostrava saber administrar bem demais as situações. – Quantas vezes você ficou com alguém e não deu bom? A evitou também? – alfinetou o homem que já estava na casa dos trinta, mas começava a agir feito um moleque amedrontado. Ela era uma mulher, não uma serpente. Talvez um pouco dos dois!
suspirou frustrado, reconhecia que estava sendo infantil naquele quesito.
- Desculpa por isso, mesmo. Mas é um pouco complicado para mim. – ele afagou o joelho dela na inocência, mas se praguejou terrivelmente assim que tirou a mão. Os dois, definitivamente, não tinham intimidade para aquilo. – Eu sinto que acabei te iludindo, ! Principalmente depois de tudo que você me contou.
- Han? – ela virou com uma expressão de confusão imensa. – , não tem nada complicado nisso! Você não me iludiu! Foi um beijo, só um beijo. – ela arregalou um pouco mais os olhos claros na tentativa de fazer tudo aquilo penetrar na cabeça dele.
- Eu sei que não, mas... Puta merda!!!!
- Foi seu primeiro beijo? Garanto que o meu, não. – a pergunta cheia de deboche o fez bufar meio emburrado e a garota riu alto. Céus, por que complicar tanto uma ficada? – É só você agir que nem um adulto, não tem complicação nisso. Eu estou agindo.
suspirou se dando por vencido e só aí, conseguiu relaxar dentro daquele carro imenso, que nunca tinha pego, diga-se de passagem, talvez fosse os privilégios de ser a princesinha da família. Que estava agindo com mais maturidade do que ele, no fim das contas. As mulheres tinham fama de amadurecer mais rápido e o homem não poderia concordar mais.
- Eu ainda mato o seu irmão! – o professor de música arregalou de leve os olhos e ouviu a risada estonteante dela, resmungando um “entra na fila”. – Eu sou o primeiro da fila! – ele arregalou os olhos enquanto apontava pro peito e ela sacudiu a cabeça, mostrando que os dois estavam exagerando naquela história.
O silêncio se instalou vagarosamente no carro e ao invés de ser constrangedor ou desconfortável, foi até engraçado como o clima tinha mudado tão de repente. Às vezes, era mesmo necessária uma conversa para colocar os pingos nos “is”, principalmente quando os dois eram amigos de muito longa data. riu de algo que mexia no feed de uma rede social e curtiu a foto de uma ex-namorada, sendo pego de surpresa ao ter a ideia de que a irmã do melhor amigo odiava seus relacionamentos antigos. Será que era? Não arrancava pedaço tirar a paciência dela.
- Hey, ? – ele chamou com a ponta de deboche presente, ouvindo um resmungo de afirmação. – Você fazia voodoo pras minhas namoradas? – o homem prendeu a risada que se transformou em um grunhido de dor quando sentiu a mão pesada dela acertar em cheio a parte descoberta do braço dele, ressoando um estalo.
- Tá me achando com cara de quê? – o berro esganiçado fez o homem soltar uma gargalhada imensa. Ela tinha ficado irritada? O garoto brincalhão dentro dele tinha achado aquilo fascinante. – Credo! Eu só conheci a Amanda e desencarnei de você depois dela! – a mulher rolou os olhos mostrando o quão superior estava diante daquilo e só o fez rir ainda mais. - Idiota! Eu não tenho culpa se você não segurava suas namoradas. - a acusação surgiu um tanto maliciosa.
- Eu não tenho tanta certeza disso! - ele apontou com o indicador, usando o mesmo tom que ela.
- Alguém tinha que não prestar nessa história! - a moça soltou uma risada baixa e por mais que soubesse que na atual situação, nenhum dos dois prestava, precisava jogar a culpa em alguém.
- Se eu prestasse, quem sabe a gente estava casado e com filhos! - deu de ombros, levando a brincadeira do quem presta menos, a outro nível. com certeza ficaria uma fera, a garota não era conhecida por relacionamentos longos e duradouros. Pelo que sabia pela boca da irmã e o cunhado, se encaixava perfeitamente em uma heartbreaker.
- Você e a Mandy? - a enfermaria analisou a situação e chegou à conclusão que sim, eles seriam um casal que daria certo. - Olha, daria bem certo sim!
- Eu e você. - a frase saiu em uma simplicidade tão grande, mal parecia que o homem quase sufocava-se para não rir com a reação que estava por vir. Ele apanharia mais uma vez!
- CREDO! SAI DAQUI, SATANÁS! - a garota gritou, enquanto a mão livre tratava de distribuir tapas no homem que ocupava o carona, ouvindo a gargalhada estrondosa de um que estava dividido entre se encolher e zombar do desespero dela. - Você sabe quantos anos eu tenho??? Eu nem cheguei nos 30! Ainda vou fazer muita merda até lá e garanto que casar não tá na lista!
- Quem disse que eu iria querer? - ele soltou uma esganiçada engraçada pelos tapas e ouviu o suspiro sensato de .
- Eu não tenho nenhum plano de casar, sinceramente! Casamento é roubada, . Escuta o que eu estou te dizendo! - a moça sacudiu o dedo, ainda prestando atenção ao trânsito, mostrando muito bem que poderia fazer duas coisas ao mesmo tempo.
- Casamento para mim, só daqui uns 10 anos! – ele verbalizou sem dar muita atenção ao assunto, enquanto respondia alguma mensagem do amigo sobre as responsabilidades da escolinha.
- Eu não nasci para isso! Eu amo criança com todo o meu coração, mas as crianças dos outros. Nada de ser mãe para mim. – soltou uma gargalhada de deboche. Casamento parecia tão arcaico quanto os conceitos que rondavam a definição.
- Muito menos eu. Pai, no caso. – o homem riu baixo e passou a mão entre os cabelos. – Só espero que os não descubram isso, os dois estão muito bem juntos.
- Que desastre! Você tem a maior cara de papai do ano. – ela fez um bico zombeteiro e os dois riram alto quando a moça sacudiu a cabeça rapidamente. – Escuta. Você vai para casa ou vai passar na sua mãe?
- Só se for dos meus filhos da escolinha! – arregalou os olhos para justificar bem a tal cara de pai. – E vou passar na minha mãe, ou a dona Lottie surta que eu sou um filho relapso e coisas do tipo.
- Que amorzinho! Ele tem os filhos da escolinha! – o gritinho da garota reverberou agudo dentro do carro, junto ao tapa na coxa dele, deixando o pedagogo até meio assustado com a reação dela mais uma vez. Que intimidade era aquela? – Quero ir lá ver todos os pestinhas que você e meu irmão orientam!
- As portas estão abertas! – piscou assim que o carro do pai de parou na entrada da garagem da enorme casa dos originais.
- Entregue, filhote exemplar! – ela desligou o automóvel e encolheu os ombros, fazendo um bico que tenderia a ser infantil, mas atingiu o amigo ao lado de uma forma completamente diferente.
Ele soltou uma risada anasalada e entendeu que não fazia mal brincar um pouco com a situação que os dois tinham se metido, por mais que sua cabeça gritasse que ele se controlasse com certas brincadeiras que não conseguiria controlar em um futuro próximo.
- Não vou te beijar, não adianta insistir! – o bico foi zoado prontamente.
- Quem falou em beijo? Você quer um beijo? – fez a linha confusa.
- Você vai ser informada com antecedência. – piscou extremamente sinuoso, vendo um sorriso malandro surgir nos lábios mais do que convidativos da filha mais nova dos . – Tchau, , valeu pela carona! – os dois riram com o clima leve e o homem beijou a testa dela como uma despedida saudável.
- Por nada! – ela aproveitou a proximidade e o abraçou carinhosamente, saindo do carro quase que simultaneamente.
ajudou-a a retirar todas as sacolas de papel do banco traseiro e com um sorriso, se despediu com um aceno animado vendo um enorme e brilhante sinal de proibido entrar na casa dos pais.

É sempre uma bela mão, conversar com seu irmão

O verão da Península de Bruce do Norte era um dos melhores do país, as manhãs na pequena comunidade de Lion's Head geralmente eram frescas, mas aqueciam rapidamente antes das 9 ou 10 da manhã, deixando que a população e a leva de turistas que enchiam o lugar e o comércio local aquela época do ano, tão confortáveis e aconchegantes como se estivessem em casa.
e tinham decidido dar mais atenção às atividades físicas que deixavam de lado na maior parte do ano e resolveram correr na orla da praia aquele dia, era uma forma de restabelecer a amizade dos irmãos que passavam tanto tempo longe um do outro. Ela via nele um espelho de amor e carinho a ser seguido e o homem não conseguia enfiar na cabeça que a irmã não era mais uma garota boba. Ele não conseguia entender que se tornara uma mulher muito bem resolvida. O casal de irmãos se dividia entre brincar com o pouco de água potável que ficara na garrafa e admirar a bela paisagem povoada de turistas de um lado pro outro.
- O me contou. - soltou a frase um pouco deslocada depois de pensar por vários minutos se deveria entrar naquele assunto ou não.
- Contou o quê? - passou a mão no rosto pelo suor da corrida e sentiu que o irmão não a acompanhava. Ele tinha parado no meio do caminho?
parecia estacado pela cara de pau dela em questionar do que diabos ele estava falando. não era lerda assim, muito pelo contrário, fazia a egípcia para passar bem.
- Como o quê, ? - o loiro rolou os olhos azuis brilhantes em uma ironia que a fez rir alto. - Dessa bagunça toda no seu apartamento em Toronto. - ele movimentou as mãos, finalmente diminuindo o espaço que havia entre os dois.
- ... - ela coçou a cabeça meio impaciente. Sabia que não adiantava esconder do irmão, uma hora, algum dos dois iria entrar no assunto. - A gente tava bebendo vinho, eu me exaltei e achei que era o momento de contar sobre essa coisa toda ridícula envolvendo o que eu sentia por ele. – os dois suspiraram e depois se abraçaram de lado.
- O que ele disse? – o mais velho mordeu a boca, mesmo que soubesse a versão do amigo, queria entender pela visão de .
- Eu achei que vocês tinham tido uma superconversa conceitual de homens adultos sobre isso. – ela inclinou de leve a cabeça no deboche e os dois riram alto, se acochando um pouco mais no abraço fraternal.
- Eu queria saber a sua versão da história. – o músico mordeu de leve a boca e os dois suspiraram.
- Primeiro ele ficou se culpando horrores por nunca ter notado. – a garota mostrou o indicador, numerando os tópicos da reação. – Se xingou de idiota e confesso que não neguei. – eles acharam graça. – Aí ele me pediu desculpas por tudo que tinha me feito passar, confesso que fiquei até com pena. Mas no mais, foi tudo bem paz, ... A gente conseguiu se resolver no fim das contas. Não foi tão desastroso assim.
- Tem certeza que foi só isso? – o homem arqueou a sobrancelha grossa e delineada naturalmente que dava inveja em qualquer uma. A esposa ainda o ameaçava raspar durante o sono.
arqueou a sobrancelha em rebate na pergunta silenciosa se ele não sabia mesmo o que tinha acontecido. bufou frustrado e rolou os olhos: “Por que raios ele precisava ser tão transparente quando precisava sondar as pessoas? Qual era a dificuldade em saber esconder certas coisas?”
- Eu só sei que vocês não têm segredo na amizade, ! - a garota arregalou de leve os olhos. - Nunca tiveram, então eu achei que não ia te poupar disso, até porque ele parecia bem puto contigo por não ter contado do crush, por mais que fosse um assunto meu. - o homem coçou a cabeça e bateu de leve o pé no ladrilho, fazendo o resquício de areia fina voar em uma nuvem rala de poeira.
- Me garante que não tem mais nada que te faça sofrer por ele? – ele fechou um dos olhos e a irmã se limitou a suspirar bem saturada.
- Quando você vai começar a me ver como uma mulher, ? – cruzou os braços e ao encara o irmão, viu uma careta horrenda decorar a cara expressiva dele. – Eu já repeti isso mil vezes nos últimos cinco anos. NÃO! Eu não sinto nada por , será que é tão complicado entender? – ela arregalou os olhos claros, ouvindo o resmungo desgostoso do irmão mais velho.
- Então por que você o beijou? – o esganiço ofendido foi jogado na cara dela e a mulher se dividiu entre gargalhar do jeito ofendido dele e tentar bater no irmão.
- Tá com ciúme, ? – ela abriu um sorriso sem vergonha e viu o rosto dele queimar, possivelmente de raiva. Ele com raiva era algo realmente maravilhoso de se ver e rir.
- Morrendo! – o homem rolou os olhos. Odiava quando ela fazia aquilo para desviar de todos os assuntos importantes e o mais irônico é que os dois eram exatamente iguais naquele quesito. Mas era como dizia o ditado: dois bicudos não se beijam. – Não desvia do assunto. Ele me disse que você o beijou, por que beijou então?
- Porque eu quis, ! – ela sacudiu as mãos a inflou o peito para cima dele. – Eu quis enfiar a língua na boca do seu amigo e beijá-lo. Eu juro que foi o mais puro tesão acumulado e nada além disso. Ele me deu o maior mole e eu sinceramente, não ia deixar passar! – fechou a boca e pela cara de dor no irmão, percebeu que talvez tivesse pegado um pouco pesado com as palavras.
- Merda! Doeu ouvir tudo isso da sua boca e finalmente me dar conta que você cresceu! – o homem massageou o peito como se doesse fortemente e ouviu a gargalhada dela, acompanhando-a. Os dois se abraçaram novamente e ganhou um beijo na cabeça cheio de carinho.
- Eu disse a você que tinha crescido! – a enfermeira pediátrica assegurou rindo e viu o músico rolar os olhos. – Acho fofo seu cuidado comigo, mas tá na hora de dar um freio nisso aí, não acha? – a carinha de pau da moça fez os dois rirem e finalmente, afirmar com o pedido dela.
- Concordo, desculpa por pegar no seu pé durante anos a fio. – ele pediu com um bico que era impossível de negar qualquer coisa e a irmã estreitou os olhos como se o condenasse pelo jogo baixo.
- Só se você me pagar um sorvete! – a carinha de criança sapeca se apossou das expressões dela, não tardando a acontecer o mesmo com ele.
- Quem chegar a banquinha por último é a mulher do padre! – um homem, exatamente, um homem de 32 anos correndo igual a uma criança desgovernada na orla da praia era o que estampava a cena, o que só tornava ainda melhor era o fato de também estar correndo atrás dele como se os dois não passassem dos dez anos de idade.
Ela soltou uma gargalhada entre uma arfada pelo condicionamento físico duvidoso e por um momento, sentiu o vento bater em seu rosto antes de trombar com um corpo maior que o seu. O homem loiro acastanhado de lábios grossos e olhos claros soltou uma risada divertida ao segurar pelos ombros e foi questão de segundos para ela soltar um gritinho animado ao se dar conta de quem era, logo estalando um selinho inocente nos lábios do amigo. Um ritual antigo e que nem tinha mais tanta estranheza para quem via.
- ! - o gritinho da enfermeira foi estrondoso ao ponto de algumas pessoas olharem em volta, inclusive , que parou no meio do caminho e sorriu largo por ser "fã" do cara. Rapidamente ela envolveu o tronco volumoso e foi acochada em um abraço cheio de saudade.
- Eu achei que ia precisar ir na sua casa! - o rapaz sacudiu-a enquanto a tirava do chão e sentiu vários beijos em seu rosto. - Que saudade da minha melhor amiga!
- Eu sei! Estava quase indo descobrir em que buraco você se enfiou, mas minha mãe está me deixando louca com essas bodas! - ela disse com uma expressão radiante e apertou um pouco mais as mãos dadas. sorriu largamente e beijou o dorso da mão dela.
- Eu estou sabendo dessa bagunça toda, minha banda vai tocar em toda a festa. - arregalou os olhos e comemorou animado, junto com ela. - HEY, ! - o aceno se estendeu aos poucos metros.
- ! - acenou de volta com a mesma simpatia.
- Fala sério! - voltou ao assunto de o melhor amigo tocar na banda e o abraçou mais uma vez. - Então a gente precisa almoçar para conversar sobre isso! - ela piscou.
- Amanhã! - ele instituiu. - E não aceito resposta negativa!
A despedida se instituiu com mais alguns beijinhos na bochecha e após um abraço apertado, cada um seguiu seu caminho na corrida matinal. abraçou o irmão de lado e recebeu a casquinha mista com bastante gosto.
- Vocês deveriam namorar! - soltou como se não fosse algo muito importante.
- Eu sou uma bruxa desapegada, meu anjo! - a mulher fez um bico ridículo e os dois riram. - Minha missão no mundo é beijar homens solteiros e encantá-los.
- Porra, ! - o mais velho soltou um berro esganiçado e apertou-a um pouco mais pelos ombros. - Mas vamos? Ou vão nos crucificar por demorar na caminhada, alegando que estamos fugindo do trabalho!
- A gente podia dar um perdido e deixar os filhos dos por conta, na boa!
- Concordo em partes. - rebateu.
- Pau mandado! - mostrou a língua e viu o irmão negar com a cabeça, embora soubesse que ele repreendia a língua mostrada e nunca a denominação de "pau mandado".

Explodindo clichês

O quarteto fantástico, ou os quatro cavaleiros do apocalipse, como tinha definido no dia anterior, se reuniu na sala do casal mais bonitinho que os outros dois conhecia. Uma barca de petiscos pedidos a delivery tinha decorado a mesinha de centro entre os estofados de cor clara, várias garrafas secas de longnecks denunciavam o quanto eles já tinham bebido e as outras cheias por cima da mesa, ou nas mãos, indicavam que o grupo de amigos pretendia beber ainda mais para afogar as mágoas do cansaço.
Aquele momento entre amigos tinha sido incrível, era maravilhoso finalmente conseguir se inserir no círculo de amizade daqueles três e não ver diferença nas conversas, atos ou piadinhas que rondavam o happy hour. Ao menos para ela, o universo parecia finalmente alinhado, principalmente quando o irmão e o amigo pareciam ainda ser dois moleques ranhentos para as brincadeiras de mal gosto entre si.
Depois de tanto beber, rir e conversar, o casal da noite resolveu que era hora de deitar, afinal cada um tinha obrigações a cumprir no dia seguinte e lidar com uma ressaca infernal não era lá a melhor opção. Eles acomodaram e como dava, pôr a casa não ser muito grande, deixando o homem com o sofá e algumas cobertas e a moça no quarto de hóspedes.
A enfermeira bufou ao ouvir o celular tocando e levantou imediatamente da cama, se era de Toronto, era algo de emergência e mesmo que estivesse de férias, curtindo o efeito da cerveja e morrendo de sono, ela precisava atender. Um burburinho acontecia do outro lado da linha e quando a moça abriu a boca para perguntar o que estava acontecendo e tentar entender o que o número estranho queria, ouviu um adolescente gritar um pedido de desculpas e rapidamente desligar na cara dela.
- Que mal educado! – xingou mirando a tela do celular e por segundos, se deu conta que há não muito tempo, ela era aquela adolescente chata.
Caminhou pelo pequeno corredor enquanto puxava de leve a barra do mini short de cadarço, que fazia par com um camisão enorme e a deixava confortável para dormir. ainda era o chato que implicava quando não via a irmã vestida como uma criança e ela não queria mais uma causa para aquela dor de cabeça chata, além da cerveja.
A moça adentrou a cozinha da casa média, se deparando com um corpo muito bonito e costas definidas, diga-se de passagem, que parecia estar na saga incessante de procurar um analgésico, talvez. Ah, , mas já estava tão velho assim que não aguentava umas cervejas a mais? Ele poderia estar velho, mas com certeza só ficava mais gostoso a cada ano que passava. Céus, que corpo era aquele? inclinou de leve a cabeça para secar um pouco mais as costas e envergadura do velho amigo, se impedindo de suspirar até que sacudiu a cabeça para espantar os péssimos pensamentos.
- Te enxotaram do sofá? – ela alteou o tom da voz e foi questão de segundos até que o pedagogo virasse de uma vez como uma criança que tinha sido pega no flagra. A visão? Bom, ela só ficava melhor!
- Que susto! – o homem sacudiu o cabelo que já estava bagunçado pelas inúmeras tentativas de cair no sono ao fritar no sofá. – O sofá é meu essa noite! – sorriu brevemente e não deixou de reparar na falta de roupa que cobria o corpo da mulher, se praguejando em seguida, inclusive. – Mas vim procurar um remédio. Só parece que minha irmã não guarda as coisas em lugares convencionais!
- Ih, se automedicando para quê? – uma careta de repreensão surgiu no rosto dela. Será que a cerveja já tinha acabado com ele?
- Minha cabeça tá um show de Rock! – arregalou de leve os olhos e os dois riram comedidos para não incomodar os donos da casa. – Você tem alguma ideia de onde a sua cunhada guarda os remédios dessa casa?
- Claro que sei, ! – ela foi bem óbvia em suas palavras, caminhando rapidamente para bem perto do armário que guardava todas as medicações. – Estou aqui há dias e sei mais onde ela guarda as coisas do que você que mora perto dela. – a mulher sacudiu a cabeça em negação ao ver o descaso com que ele deu de ombros. Que belos ombros, inclusive. – É esse armário em cima da pia, logo atrás dos copos! – a moça ficou na ponta dos pés e quase que involuntariamente, mirou a vista nas coxas descobertas da irmã do melhor amigo.
Só podia ser castigo uma coisa daquelas, de verdade! era um verdadeiro cuzão e o universo lhe odiava mais a cada dia que passava. Ele suspirou com a mão no peito e mordeu levemente a boca ao inclinar a cabeça para ver melhor.
-Sem zoar o enfermo. – a resposta veio tardia para a provocação dela, à medida que encostava os cotovelos na bancada, disposto a observar e aproveitar tudo que a situação tinha a lhe ofertar. Se bem lembrava, não tinha dito nada sobre olhar. Então olhar ele podia, certo?
- Cheio de ressaca, você quer dizer. Cachaça não é doença, Mr. ! – segurou um pouco mais de tempo na ponta dos pés e conseguiu pegar a caixinha com vários analgésicos, que possivelmente tendia a esconder de quando ele decidia beber demais sem motivo.
- Dá na mesma! – ele suspirou maravilhado com a vista e o rosto encostado na mão. Ela tinha um conjunto muito bonito de pernas e bunda, não era ele quem ia negar e se os dois já tinham resolvido os assuntos “crush em você” e “não sou mais criança”, não tinha problema nenhum em sentir as vontades avassaladoras que ele estava sentindo.
Tão sem vergonha quanto as olhadas dele, foi o ímpeto dela ao se deparar com o homem lhe secando dos pés à cabeça. Ah e quer dizer que agora ele estava finalmente lhe vendo daquele jeito? Quem te viu, quem te vê, . Comeu com os olhos achando que não ia ser pego?
- Perdeu alguma coisa? – a mulher estreitou os olhos ao perguntar na cara de pau o que ele tanto olhava.
- A sanidade e a vergonha na cara. – ele piscou, embora portasse um sorriso meigo que chegava a encher as bochechas rosadas. Definitivamente, não tinha jeito! rolou os olhos por levar em consideração que ele ainda estivesse sob efeito do álcool e recolheu a cartela amarela da caixinha. – Obrigado! – agradeceu sinceramente pela ajuda, esperando receber a cartela inteira.
- Abre a mão, você vai tomar só um. – segurou a cartela de alumínio, já com os dedos prontos para expulsar um dos comprimidos da cápsula.
- Me dá a cartela! Um não faz efeito!
- Eu não vou deixar você se dopar com analgésico. Só um, . – o modo enfermeira foi ativado com sucesso, quando ela brigou com ele sobre tomar mais do que era necessário.
- Eu não vou me dopar. Dois! – o filho mais velho dos insistiu. – Eu sei que eu preciso de dois para fazer efeito!
- Um, você vai tomar um. – ela não estava disposta a ceder à negociação e tinha plena certeza que ganharia, mesmo que os dois passassem a noite brigando pela quantidade de medicação. – A praga do comprimido tem um grama.
- Dois! – o marmanjo encarnou a criança birrenta, fazendo a enfermeira pediátrica incorporar sua postura mais do que firme para lidar com crianças teimosas. Óbvio que o carinho e amor sempre estavam presentes, mas algumas vezes era necessária uma postura mais rígida para conseguir resolver os problemas.
- Um. Um comprimido e compressa fria, ou é isso, ou vai continuar com o rock na cabeça. – o sorriso meigo se fez presente e o suspiro derrotado de também. Desde quando ele perdia uma negociação daquelas, ainda mais para ? A cabeça era dele e a dor também, que droga!
- E a compressa, quem vai fazer? Você? – o sorriso sem vergonha apareceu dançando nos lábios do homem, enquanto ela queria rir da cara dele. Quem diria que estaria lhe secando tão descaradamente?
- É o que enfermeiro faz para cuidar de doente, não é? – ela piscou ao despejar apenas um comprido na palma da mão dele. olhou para mão desgostoso e suspirou derrotado ao se encostar na bancada que contornava a pia.
- Também acho. – repetiu o piscado. – É seu trabalho, sua vocação!
- Tapado! – a mulher xingou e os dois riram alto. – Toma a aspirina e eu vou procurar a compressa nas gavetas dessa casa.
- Você que manda, enfermeira! – ele jogou a capsula na boca e com ajuda de um gole de água, sentiu ela descer rasgando a garganta.
fez uma careta desgostosa pelo incomodo e sacudiu de leve a cabeça como se aquilo fosse melhorar seu estado, mas pode considerar uma certa piora na atenção assim que viu agachada perto da última gaveta dos armários. Óbvio que ela não estava de bunda para cima, mas as pernas torneadas e tensionadas chamavam ainda mais atenção do que se a mulher estivesse de bunda para cima, bem sinceramente.
- Achei! – o pulinho animado fez com que o camisão enorme que usava, voltasse a cobrir uma das partes mais chamativas do corpo dela.
- Mas já? A vista estava tão boa! – o homem fez um bico imenso como se fosse uma criança pidona, o que claramente contrastava terrivelmente ao teor da situação que se repetia naquela cozinha, porém mais adulta, no fim das contas.
estreitou os olhos para ele com uma das suas expressões mais duras, o repreendendo veemente só com o olhar felino e conseguiu que o melhor amigo do irmão desse de ombros. Ele tentava se justificar ou desculpar por ter dito o que não deveria?
- Respeito é bom, obrigada. – a repreensão se tornou real, ainda que tivesse um toque de zoeira quando o homem recebeu o pano de prato na cara, soltando um “AI!” que fez os dois rirem.
- Isso não é desrespeito! – apontou rindo e continuou com a mão esticada para receber a compressa fria que preparava.
- Claro que é! Olha o que você tá me dizendo, eu tentando ajudar o bebum e ele olhando para minha bunda. Boa, .
- Eu valorizo demais sua ajuda, enfermeira, mas não é minha culpa se os meus olhos são atraídos por esse shortinho aí. É demais para minha sanidade! – o filho mais velho dos colocou a mão no peito em uma postura que nunca tinha conhecido antes, será que ainda era resquícios da cerveja? Desde quando era tão safado quando o assunto era ela?
- Homem é tudo igual, mesmo. – ela rolou os olhos ao terminar de preparar a compressa e sem mais demoras, colocou o artefato gelado na nuca dele, vendo a careta de morte do homem. – Eu sou a caçulinha dos . Não esquece. – o ressentimento pulou da boca dela sem o menor vestígio de vergonha.
- Teu irmão não me deixa esquecer. – o homem deu um sorriso completamente sem sal, embora estivesse gostando muito da proximidade em que os dois estavam. A mulher de frente para ele, segurando a compressa na nuca e com um sorriso tão superior que o encantava de uma forma que nunca iria entender.
O suspiro saiu confortável e satisfeito, gostando até demais daquela proximidade que não sabia se teria outra oportunidade além da cerveja. Aproveitando o momento, o homem apoiou a mão sorrateira na cintura de , trazendo-a um pouco mais para perto e quase grudando o corpo dos dois. A mulher não duvidava que ele quisesse, principalmente depois que encarou o corpo dos dois no maior descaramento.
Ela riu baixo com a postura dele e decidiu que era hora de dar o troco, depois de tanto tempo e com ele finalmente agindo daquele jeito, era sim hora de dar um troco mais sujo a altura do que ele estava fazendo. arrastou levemente a mão sob o braço descoberto dele, partindo do ombro e percorrendo as tatuagens até perto do punho, tendo a visão privilegiada das expressões de , os olhos fechados pelo deleite do toque tão leve e sacana ao mesmo tempo, óbvio que ela estava aproveitando todo o momento, mas apostava que não tanto quanto ele. Um suspiro forte foi dado por ele assim que a moça agarrou seu punho e delicadamente levou a mão do pedagogo até sua nuca, o fazendo segurar a compressa gelada. fez uma careta horrenda de desgosto ao entender totalmente a situação.
- Você consegue. - ela soltou uma piscadela, junto com a mão que segurava ao tecido gelado. soltou uma risada desgostosa com a péssima surpresa.
- E o prêmio de trouxa do ano vai para… ! - o homem suspirou derrotado, embora ainda gostasse da proximidade que os dois estavam. Lembrava o episódio do beijo que tinha sido muito bom, inclusive ele adoraria repetir se ela deixasse.
Ela soltou uma risada divertida e deu um leve tapinha no ombro do ressacado, satisfeita em ter ganhado o jogo.
- Não é assim que as coisas funcionam mais! - a enfermeira pediátrica mordeu levemente a boca, se referindo a épocas passadas que ela se derretia completamente por ele. Ultimamente ela preferia ver os homens aos seus pés.
- Estou vendo, estou vendo. O jogo só ficou mais sujo e mais interessante. - soltou uma piscadela ainda mais safada do que seu tom de voz, vendo dar de ombros em uma expressão de indefinição e logo depois rir. - Mulher ruim! - se deixou rir junto, ainda que tentasse protestar as atitudes dela.
- Que nada, sou boa até demais. Sua dor de cabeça já passou pelo que vejo!
- Um santo remédio essa compressa, hein? - o sorrisinho infame apareceu no canto dos lábios, sendo acompanhado por um exatamente igual ao dela.
- Eu disse que você não precisava de dois comprimidos! Sei das coisas. - arrastou levemente as unhas pelo ombro de , dando fim a um contato corporal bem esperado.
- Claro que sabe. – ele se escorou ainda mais no braço que apoiava o corpo na bancada e percebeu que a posição só deixava ainda mais perto dos lábios dela.
- Sempre soube! – a piscadela surgiu. – Última vez que eu te ajudei com uma compressa fria, você me deu um beijo na bochecha e sumiu no meio do mundo. – apontou porta da cozinha a fora como se aquela fosse a dos seus pais. – Agora é minha vez. Boa noite. – a moça sorriu e beijou-o na bochecha, um beijo forte e marcado que deixaria rastros. – Até mais. Melhoras!
- Quê? Não! Não! – protestou até meio indignado quando percebeu que ela já estava longe o bastante. – O profissional da saúde não pode desassistir o paciente!
- Ué, você me disse que a dor passou. Que a compressa tinha sido um santo remédio, então minhas intervenções por aqui já acabaram.
- Burro, ! Vai ser bocudo assim na China! – o homem fez uma careta pelo grito exagerado e ouviu a risada divertida dela.
- Vou dormir, ! Boa noite! – mandou um beijo alado.
- Tudo bem, boa noite! Obrigado pelas intervenções. – ele agradeceu de todo coração, recebendo um sorriso em troca e graciosamente, saiu da cozinha, deixando o melhor amigo do irmão completamente bagunçado com o que tinha acabado de acontecer.
Desde quando ele ficava parecendo um adolescente em crise por causa de mulher? Panaca, era isso que ele era, um panaca!



Continua...




Nota da autora:OLAAA! Gostaram de voltar as origens da Ame e saber como ela era no auge dos 17 anos? Convenhamos que Pietro nunca ajudou né? Chamar a moça de irmãzinha foi o mais foda!
Espero que vocês estejam gostando e queria agradecer as boas-vindas tão legais a essa nenê! Beijinhos e até a proxima att!

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Nota da beta: Ah, a vingança realmente é um prato que se come bem frio hahhaha, a pp é foda demais, deixou o homem no chinelo hahahah! Continua <3


Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.




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