Elo

Última atualização: 01/01/2021

Prólogo

- Mãe, não... não me deixe - sussurrava eu com minha mãe no colo, achando que ela estava indo embora porquê queria.
- Oh, minha filha, a mamãe está muito fraca e não vou aguentar por muito tempo - minha mãe sempre tentando se justificar.

- Maeeeeee...- eu só sabia chorar.

- Filha, não se preocupe, você vai morar em um lugar grande, onde terá várias crianças pra você brincar e o melhor de tudo, ao lado da sua família também.

- A minha família é você e o rajah (nosso gato de estimação) - eu indignada com o que estava acontecendo.

- Filha, eu te amo muito... nunca se esqueça disso.

- Eu também te amo, mãe - e assim ela fechou os olhos e nunca mais voltou a abri-los.

Depois de todos os momentos fúnebres, kayot veio me pegar para me levar a minha nova casa, estava chovendo muito e não sabia onde ia. Kayot era meu vizinho e tinha em torno dos seus 12 anos, minha mãe confiava muito nele e pediu para me levar à famosa Konoha.

Cheguei em Konoha estava chovendo muito, o kayot me deixou um pouco distante do portão de entrada e me deu uma carta para entregar a pessoa quem cuidaria de mim. Me despedi do kayot e lhe prometi que nunca ia esquecer dele e o que ele fez por mim. Ele sumiu na escuridão e eu comecei a caminhar até chegar ao portão da aldeia oculta da folha. Todos falavam da grande Konoha, onde tinha os melhores ninjas do país do fogo, logo me deparei com o monumento dos hokages e achei muito bonito, decidir ir até lá, rajah na minha mochila já reclamava de tanto que caminhamos, ele queria ir para o chão e descansar, eu com medo de perdê-lo, não dei ouvidos para ele e continuei a caminhar até os rostos esculpidos na pedra. Chegando lá tinha um homem vestido de branco com um chapéu engraçado. E ele começou a falar comigo.

- Ora, ora, ora o que uma garotinha como você faz uma hora dessas aqui em cima? - ele fumava um cachimbo e estava de costas pra mim ainda. Era uma noite de lua cheia, apesar de algumas horas atrás estivesse chovendo muito.

- É... eu... eu vim atrás da minha família - morrendo de vergonha e medo consegui respondê-lo.

- E quem seria a sua família? Aliás como é seu nome pequena? Vejo que você não está sozinha - o misterioso homem virou-se para mim e começou a encarar tanto eu quanto o meu gato.

- Bom, eu não sei quem é a minha família, aqui, eu tenho uma carta que vai me ajudar a encontrá-los, e esse é o meu gato - encarei o homem de volta.

- Você não me respondeu a segunda pergunta. Posso ler essa carta? Eu conheço todos dessa aldeia, talvez possa de te ajudar - os meus olhos brilharam quando ele falou que podia me ajudar, porém ainda estava com medo dele. Peguei a carta do meu bolso e entreguei a ele.

– Ah, o meu nome é Sarutobi - os olhos dele arregalaram-se e eu dei um passo para trás. A carta possuía um nome que eu não conseguia ver direito. Ele abriu e ficou com uma expressão no rosto indecifrável, e eu só conseguia pensar o porque dele ter ficado daquele jeito.

- Muito prazer Sarutobi, meu nome é Hiruzen Sarutobi, seu tio - A partir daí tudo mudou na minha vida.


Capítulo 1

Ao descobrir que meu tio era o Hokage da aldeia da folha minha vida mudou da noite para o dia, literalmente. Eu era filha da irmã dele, Heang, que foi embora da vila, pois não queria viver para esse mundo ninja, querendo viver em um lugar normal com pessoas normais. Acabou achando um vilarejo no meio do país do fogo que não tinha esse espírito ninja e acabou habitando ali. Se encantou por um dos líderes do vilarejo, Kanju, que encantou-se por ela também e aí me tiveram logo depois.

Certo dia um homem chegou ao vilarejo dizendo que era um estudioso e gostaria de fazer experimentos com pessoas do vilarejo para comprovar sua teoria, teoria essa que ele não havia dito qual era. Meu pai não o aceitou no vilarejo e esse homem o matou e foi embora dali. Eu tinha apenas quatro anos quando isso aconteceu, a partir daí várias pessoas começaram a desaparecer de lá e todo mundo queria saber o que estava acontecendo. O tempo foi passando até que quando completei meus sete anos, aconteceu uma invasão, onde 5 pessoas destruíram a vila quase toda. Minha mãe como uma ninja de um clã da aldeia da folha, tentou proteger de todas as formas.

Enquanto ela lutava, eu e kayot, que já tinha perdido grande parte da sua família, nos escondemos com os avós dele em uma caverna e vimos minha mãe lutar até o homem com os olhos esquisitos e aura sombria mordê-la na altura dos ombros, deixando uma marca ali. Ela caiu no chão e os homens que agora eram quatro, foram embora, o pessoal que sobrou do vilarejo acolheu minha mãe e cuidaram dela, não durou dois dias até a morte definitiva dela.



Konoha tinha um ar legal, apesar de estar se restabelecendo de uma recente guerra, ao descobrir quem era o meu tio, ele me levou para a casa dele, e que casa meus amigos, tinha uma aura legal naquele ambiente.

- , quero te apresentar a sua nova família - Hiruzen apontava para um menino e uma mulher. - Esse é o assuma meu filho mais novo - Asuma era a cara do meu tio. - e essa é a minha esposa, vulgo, sua tia.

- Oooi, oi - eu morrendo de vergonha, quase me escondendo atrás do meu tio. E sua esposa calmamente veio até mim e me abraçou. Naquele momento eu senti que eu estava no lugar certo. Me apresentaram o resto da casa e dos membros da família, e me levaram até onde ia ser o meu quarto. Ele tinha uma vista maravilhosa da vila e do céu estrelado, me acomodei junto com o Rajah e comecei a agradecer por ter encontrado minha família, apesar de estar faltando alguém muito importante ali.

Quando já estava pegando no sono, eu ouvi e vi uma movimentação bem perto da casa do meu tio, quando olhei eram pessoas mascaradas, que deixavam transparecer que estavam voltando de algum de lugar. Continuei observando a movimentação deles até que acabaram se dispersando, porém eu ainda conseguia ver um de longe, encarei tanto ele que eu acho que ele percebeu e olhou ao redor para vê quem estava por ali, até que os nossos olhares se encontraram, os olhares cruzaram-se e então eu senti um arrepio na espinha, me escondi e fui dormir, precisava acordar cedo no outro dia, pois meu tio disse que ia me levar a um lugar.



Amanheceu e eu mal consegui pregar os olhos, curiosa para saber o que me aguardava no dia seguinte, e também por causa do garoto mascarado que eu tinha visto na noite passada. Levantei e fui para o banheiro fazer minha higiene, quando me bati com o meu primo Asuma que estava saindo do banheiro.

- Cuidado por onde anda pirralha, pode acabar se machucando - ele disse com uma risadinha debochada.

- De...desculpa, estava distraída - falei morta de vergonha toda corada e com raiva por ele ter me chamado de pirralha.

- Calma , eu falei brincando. Relaxe, hoje é o seu primeiro dia na academia, concentre-se - ele falou e saiu.

Não entendi muito bem o que ele me disse, e fui me ajeitar pensando nisso. O que seria essa academia? O que faria lá? Será que eu ia aprender a ser uma ninja de verdade? Me enchi de alegria ao pensar que poderia ser uma ninja, por ser criada em uma vila que não tinha uma cultura de ser ninja acabei não aprendendo o que deveria aprender. Minha mãe também não deixou aprender muitas coisas, já que ela queria sair dessa vida e fez questão de não me ensinar quase nada. Isso mesmo, quase nada, acabei aprendendo o jutsu clones das sombras que vi um menino fazendo em uma aldeia vizinha, mas só isso também.

Minha tia nos chamou para o café da manhã e meu tio já tinha saído, ele era o hokage então deveria estar bem atarefado sempre. Comemos e Asuma disse que me levaria até meu tio, me despedir de tia e do rajah e saímos em direção ao escritório do terceiro hokage.

Íamos seguindo um pequeno caminho até que encontramos uma mulher com o cabelo bem vermelho, ela deveria ser do clã Uzumaki, eu li uma vez sobre os clãs e tinha esse clã descrito no livro. Assim que ela nos viu deu um sorriso e falou com o Asuma.

- Olá Asuma, quem é essa? Sua namoradinha? - ela falou com um sorrisinho no rosto e direcionou seu olhar a mim.

- Ah, não kushina, ela é só minha prima... irá morar com a gente agora! - Asuma respondeu

- Humm. Não sabia que seu pai tinha irmãos e muito menos sobrinha. Mas enfim, seja bem vinda linda, espero que goste de konoha - continuou me olhando.

- Mas como você sabe que ela é sobrinha do meu pai? - Asuma curioso perguntou.

- Ela parece muito com o sandaime, os cabelos negros e cheios não negam que ela é uma sarutobi - kushina tinha realmente reparado em mim, fiquei surpresa. – Bom, eu preciso ir ao hospital.

- Você está doente? – perguntei.

- Não, são só exames de rotina - falou tranquila. - Nos vemos por aí... como é seu nome, linda? - perguntou curiosa.

- É ... - respondi

- Que nome lindo, até mais! - e ela foi sumindo no meio das pessoas que circulavam pelas ruas da vila. Fiquei olhando ela se dispersar no meio das pessoas e não percebi que o Asuma já tinha se distanciado de mim, corri para acompanhá-lo.

Caminhamos mais um pouco e chagamos ao escritório do grande Hokage, ele era enorme e ficava bem perto dos rostos esculpidos na pedra que tinha conhecido noite passada. Adentramos no prédio e várias pessoas circulavam por ele, fomos ao andar de cima, onde deveria ser a sala do meu tio, chegando lá o Asuma bateu na porta e entrou, o acompanhei. A sala era enorme, porem não tinha muita decoração, apenas uma mesa cheia de papéis e mais umas coisas que não prestei atenção atentamente aos detalhes. Além do meu tio, na sala tinha um homem, ele era alto e tinha o cabelo bem amarelo. Assim que entramos na sala ele nos olhou e deu um sorriso bem simpático. Eu nunca tinha visto, mas parece que ele já me conhecia.

- Pai, trouxe a , como o senhor pediu - disse Asuma quebrando o silêncio. - Precisa de mais alguma coisa? Eu tenho uma missão para ir agora - perguntou já se virando para sair.

- Não meu filho, pode deixar que daqui eu fico com ela e a levo pra casa - Asuma acenou pra mim e saiu fechando a porta, deixando apenas nós três na sala. O cara alto dos cabelos amarelos olhou para porta e depois para mim e falou:

- Olá, então você é a mais nova princesa da vila - ele disse sorrindo. Princesa da vila? Que história é essa?! Ele só podia tá ficando doido.

- Princesa? Eu? Tio Hiruzen, de onde esse cara tirou essa ideia? - perguntei ao meu tio, debochando um pouco da cara do homem do cabelo amarelo, que porventura não sabia seu nome ainda.

- , é só uma brincadeira do Minato. Você é sobrinha do sandaime hokage, nada mais digno que você ser considerada uma princesa - explicou meu tio. Então esse era o Minato, o relâmpago amarelo de konoha, nossa, ele era muito diferente do que pensei. Ah, mas como você o conhecia já que não vivia em um mundo ninja?! Ah, gente, conversas se espalham por todo lugar, e como ele era muito bom no que fazia, as falácias se espalhavam rápido por todos os cantos.

- Ela é muito pra frente não é sandaime? - Minato comentou rindo.

- Sim, ela com certeza puxou a mãe - disse meu tio sorrindo. - Apesar dela parecer com o Asuma, ela lembra muito a mãe - esbocei um sorriso mas que murchou logo em seguida ao lembrar dela.

- Então sandaime, por qual motivo me chamou aqui? - assim que ele terminou a fala, eu olhei para meu tio.

- Minato, o que tenho para falar com você é muito sério, aguarde só um instante, eu preciso resolver a situação de - meu tio falou olhando para ele e em seguida direcionando seus grandes olhos negros para mim, percebi que o negócio era sério. - você foi criada em um lugar onde esse mundo ninja não existe, logicamente você não sabe de nada em relação a isso- antes do meu tio continuar eu o interrompi.

- Tio hiru - apelido que decidi dar a ele. - Quando a vila estava tendo o sumiço de algumas pessoas, minha mãe decidiu me ensinar algumas coisas, apenas por precaução, por exemplo o jutsu clones da sombras e um pouco de luta corpo a corpo - disse com tanta certeza que os dois homens ficaram assustados com que disse.

- Humm. Já é um caminho. Acho que não vai recusar minha proposta então - disse ele com um pequeno sorriso nos lábios. – Você gostaria de ter a oportunidade de ser uma ninja de verdade? - eu não podia recusar essa oportunidade, até porque era o meu sonho.

- Claro que sim tio - corri em sua direção o abraçando, percebi que ele não era muito adepto a demonstrações de afeto e o soltei. Não podia me conter, estava muito feliz..

- , você tem cara de que vai ser uma ótima ninja, espero conseguir te acompanhar. Já estou ansioso para vê-la nos exames chunnis - falou Minato mais feliz que eu até, ele parecia ter gostado de mim e era recíproco o sentimento.

- Obrigada Minato, espero que eu possa ser um pouco do que você e meu tio são para essa vila.

- , agora você pode nos dar licença, preciso conversar a sós com o Minato - assenti e já ia me retirar quando meu tio me chamou mais uma vez. - tome esse dinheiro para comprar algo que goste - eu peguei e sai.

Enquanto eu tentava sair do prédio, pois era muito grande e eu não fazia ideia de como sair dali, encontrei várias crianças da minha idade conversando sobre suas missões, jutsus novos e etc. fiquei com mais vontade ainda de me tornar uma ninja de verdade. Presa nos meus pensamentos, me esbarrei em um garoto que usava a bandana cobrindo o olho e máscara, só dava pra ver o olho direito dele, me recompus e pedi desculpas, ele muito na dele disse que não foi nada e continuou a me olhar então eu resolvi falar:

- Você pode me mostrar onde é a saída? Estou meio perdida - falei coçando a cabeça e dando uma risada envergonhada.

- É, deu pra perceber. Você vai seguir esse corredor e no final dele você entra à direita, lá tem a porta de saída - ele falou se virando para o corredor que eu teria que seguir caso eu quisesse sair dali.

- Entendi... muito obrigada - falei dando um sorriso e me despedindo

- Não foi nada - disse ele sorrindo por debaixo da máscara.

Segui as instruções do menino mascarado e consegui sair do prédio, fui em direção ao comércio da vila que era bem em frente ao prédio do grande hokage. Fui às lojinhas de roupas e acessórios, não achei nada que me agradasse. Até que cheguei a uma lojinha de bijuterias e me encantei por tudo que tinha lá, infelizmente o dinheiro não dava pra tudo, mas já dava pra muitas coisas. Fui olhando e decidi que ia levar os materiais para confeccionar pulseiras, adorava elas e mais ainda em fazê-las. Peguei as coisas, paguei e sai da loja me perguntando pra onde iria. Olhei para um lado e para o outro não vi nada de interessante, resolvi voltar para o prédio e esperar meu tio me levar para casa. Andando de volta para o escritório de tio hiru, me deparei com meninas vestidas com kimonos bem chamativos indo em direção a uma pequena área de eventos, no meio dessa área tinha um palco bem pequeno e crianças ao redor dele. As meninas subiram no palco e começaram a dançar, eram músicas típicas da região, mas que tinham seu charme. Parei um pouco mais perto para assistir melhor a apresentação e a cada passo sincronizado que elas faziam, eu me encantava mais ainda, fiquei tão vidrada que nem percebi que Asuma estava do meu lado.

- Gostou da apresentação? - perguntou ele um tanto curioso.

- Gostei, elas dançam muito bem. Sempre acontece isso por aqui?

- Na verdade essas danças são apresentadas em celebrações típicas da vila ou quando temos a noite dos fogos em comemoração ao novo hokage - falou ele

- Ah, mas hoje está se celebrando o que? – perguntei.

- Nada, às vezes o corpo coreográfico da vila se apresenta para as crianças só para testar mesmo e despertar interesse para novas pessoas dançarem com ele.

- Hummm - fiquei um tanto curiosa e maravilhada com tudo aquilo. Adoraria participar.

- Você tá querendo participar é isso? - Asuma estava lendo meus pensamentos, só pode.

- Sim... sempre gostei muito de danças e achei muito linda essa apresentação - falei com os olhos brilhando.

- Tá, espera aqui, vou falar com uma amiga minha que faz parte - fiquei sem acreditar no que o Asuma estava fazendo por mim. Vi que ele conversava com uma garota que aparentava ter a mesma idade que ele, depois de conversarem por breve segundos, eles vieram ate mim. A menina se aproximou mais e começou a me observar, me analisar da cabeça aos pés, achei estranho, mas tudo bem.

- Então você é a famosa ? - ela perguntou.

- Sim, mas a parte do famosa eu não sei - dei um sorriso tímido e ela fez o mesmo

- Ah, sim famosa sim, o Asuma só fala de você, achei até que fosse uma namorada.

- Não, somos primos. Como você se chama?

- Nossa, que falta de educação a minha, me chamo Kurenai - ela estendeu a mão para me cumprimentar e assim o fiz. – Bom, ele disse que você gostou bastante da nossa dança e está querendo entrar, gostou mesmo? - disse ela. Assenti e ela continuou a falar. – Bom, amanhã nós temos mais um ensaio e você pode participar, minha tia é a pessoa que organiza então posso falar com ela sobre você - assim que ela terminou a fala eu vibrei.

- Vai ser que horas? Preciso me organizar, porque amanhã eu vou começar meu treinamento -falei e os dois se espantaram com o que eu falei.

- Bom, vai ser as 17:00. Qualquer coisa mande o Asuma me avisar.

- Certo, obrigada Kurenai - falei dando um sorriso e percebendo a troca de olhares entre ela e Asuma. - À propósito, vocês formariam um belo casal - quando falei isso o Asuma quase me devorou com os olhos e a Kurenai deu um sorriso tímido.

- Você é muito engraçada prima... vamos, o sandaime está nos esperando para irmos pra casa - ele todo deslocado me direcionava ao caminho do escritório do sandaime.


Capítulo 2

Chegamos os três em casa famintos, e os nossos estômagos roncaram tão alto que cada um ouviu o do outro. Deixamos nossos sapatos do lado de fora e nos direcionamos a sala da enorme casa, encontramos a tia biwako pintando. Assim que ela nos viu, veio nos cumprimentar.

- Olá, chegou cedo hoje, Hiruzen - disse ela com um tom meio espantado, como se meu tio sempre demorasse.
- É, eu preciso conversar umas coisas com e lá no escritório não tinha muita coisa para se resolver. Tá tudo muito calmo esses dias - disse ele. Mas o que será que ele tinha pra conversar comigo ainda?
- Bom, o jantar está quase pronto, só falta a carne, depois disso podemos nos sentar à mesa - disse ela apoiando as mãos nas costas do Asuma. – Ah, mocinho, enquanto isso, quero que arrume seu quarto que está uma bagunça - completou com um olhar fulminante em direção ao Asuma. Ele, um tanto assustado, saiu no mesmo segundo em direção ao quarto e tanto eu quanto meu tio demos risada.
- , me acompanhe, ainda precisamos ter uma conversa final.
- Certo - assim seguimos até os fundos da casa, onde era ligada a um rio, e logo mais na frente a floresta. Tinha um banco um pouco distante da casa e foi pra lá onde meu tio foi e assentou- se. Ele direcionou seu olhar a mim e pediu para que sentasse ao seu lado.
- Bom , na carta que sua mãe escreveu no leito de morte, ela não conseguiu me dizer quem foi o responsável por sua morte - disse ele me fazendo lembrar desse momento em que ela mandava escrever a carta. - Você sabe quem fez aquilo? - ele me perguntou
- Tio Hiru... - abaixei a cabeça deixando uma lagrima cair.
- Não precisa chorar, se não se sentir a vontade podemos conversar depois - ele levantou o meu rosto com o dedo e enxugou a lagrima.
- Não, eu conto tudo que sei - puxei todo ar que havia em meus pulmões e relaxei. - A vila estava sendo atacada quando minha mãe se machucou, ela estava lutando com um homem que a mordeu e depois disso ela ficou fraca demais - consegui apenas falar aquilo e logo depois comecei a chorar.
- Você precisa ser forte , você é uma Sarutobi, sei que é difícil perder uma pessoa, principalmente se é mãe, pai e irmã. Também estou muito triste com o que aconteceu , ela era minha irmã - disse ele tentando me confortar. - Mas as perdas fazem parte do ciclo da vida. Mas você não se lembra de como o homem era? Alguma característica marcante? - assim que ele perguntou eu me lembrei dos olhos do homem e de sua áurea sombria.
- E lembro que ele tinha os olhos bem marcantes e tinha um cabelo grande - quando acabei a descrição meu tio suspirou, parecendo que ele já sabia quem tinha feito aquilo com minha mãe - isso te faz lembrar alguém, tio? - perguntei e quando ele ia me responder fomos interrompidos por tia Biwako.
- Ei vocês dois, o jantar está pronto - tio Hiruzen levantou e começou a andar em direção a casa.
- Tio... mais tarde eu posso vir aqui no rio tomar banho? - ele parou e olhou para mim com uma expressão de duvida. - É que lá na vila sempre nos banhávamos, estou com saudades - respondi antes mesmo dele perguntar.
- Claro, mas não é pra ficar muito tempo, você precisa acordar cedo amanhã e também para não pegar um resfriado - assinto e seguimos até a sala de jantar.

O jantar foi silencioso até demais, todos estavam concentrados na sua própria refeição. Até que tia biwako resolveu quebrar o silêncio é se direcionou a mim

- A vai estudar na academia ? - perguntou sorrindo
- Sim, ela vai, a propósito, vou ensinar umas coisas a ela e o Minato também disse que ensinaria - disse meu tio antes de mim, e fiquei muito surpresa com o que ele tinha dito , o Minato iria me ensinar... - Amanhã ela vai à academia só fazer a matrícula, o resto eu vou ajeitar. Na idade dela já era pra ser pelo menos uma genin.
- É verdade. Ensinarei também a você uns ninjitsus médicos para quando precisar - disse a mais velha
- Ótimo, assim ela será uma ninja completa - disse meu tio
- A estava querendo entrar no clube de dança da vila pai, ela viu uma apresentação e ficou muito interessada. Eu falei com a Kurenai e ela disse para levá-la amanhã às 17- Asuma falou e eu já tinha esquecido completamente do compromisso com a Kurenai.
- Clube de dança, ? Por que não me disse antes? - naquele momento meu tio olhou meio estranho, fiquei até com medo
- Eu... eu... eu esqueci, e também, é só um teste pra ver se eu entrarei ou não.
- Espero que consiga , mas primeiro você tem que acertar seus horários com seu tio.
- Tá bom - disse olhando para o sandaime que não demonstrava muito interesse na minha escolha.

Todos já tinham terminado o jantar e a tia Biwako pediu para que eu e o Asuma cuidássemos da louça. O Asuma foi reclamando um pouco, mas logo parou, eu lavei e ele secou os pratos, assim que terminamos, ele foi para o seu quarto e eu para o meu pegar as coisas para tomar banho no rio atrás da casa do meu tio. Assim que cheguei ao quarto fui recebida com um miado de Rajah e logo ele veio se alisar em minhas pernas, fiz um carinho nele e fui pegar minhas roupas que ainda estavam na minha mochila. Vesti a roupa de banho e coloquei um roupão, peguei o Rajah já que ele ficou o dia inteiro trancado no quarto, pra ele passear um pouco. Desci as escadas e observei que meu tio e tia estavam conversando na sala, e assim que tia Biwako me viu, perguntou- me para onde estava indo àquela hora da noite.

- Aonde vai ? Está tarde para sair.
- Vou ali tomar um banho de rio, eu falei com tio Hiru sobre isso - disse meio receosa.
- Tá certo, mas não fique muito tempo, pois pode ficar resfriada. Te chamo já, ok?
- Sim senhora, com licença - saí mais rápido que o próprio relâmpago amarelo da folha.

Com Rajah no meu encalço, segui até o pequeno riacho que ficava atrás da casa do meu tio, a noite estava muito linda, o céu estava mais estrelado que o normal e era noite de lua cheia. Coloquei o pé dentro da agua para sentir se estava muito fria, e me surpreendi que estava tão quentinha. Não pensei duas vezes ao entrar e relaxei. Fiquei pensando em tudo o que tinha acontecido comigo e o que estava para acontecer. Será que conseguiria me tornar uma ninja eficiente? Será que ia conseguir aprender tudo? Perdida nos meus pensamentos, nem percebi o Rajah chegando perto de mim, ele já tinha dado seu passeio para fazer suas necessidades, já queria era ir pra casa, mas não dei muita atenção e decidi atravessar o rio. Ele não era largo demais e onde eu estava não era fundo, então segui até o outro lado, a cada passo que eu dava ia afundando mais, pelo menos era essa a percepção que eu tinha. Ate que eu senti minhas pernas sendo presa por algo com a textura de cordas e então eu vi uma sombra nos meios das árvores fazendo sinais de mão. É, eu estava em uma enrascada, Rajah vendo minha situação, resolveu miar bem alto até alguém ouvir, mas ninguém apareceu, logo em seguida comecei a pedir ajuda ao meu tio e parecia que minha voz ia falhando a cada grito que dava.
As coisas que me prendiam foram me erguendo ate a superfície, eu sem entender nada e tentando saber que tipo de jutsu era aquele, comecei observar a sombra que manipulava aquilo, ate que alguém surge no meio das arvores e começa a lutar com a sombra. E então as linhas de chakra, que descobri nesse meio tempo, foram me soltando e comecei a cair na agua novamente, mas para piorar minha situação as águas do pequeno rio começaram a ficar agitadas, fazendo com que eu fosse levada por elas. Então vi que tinha outra sombra manipulando as águas do rio, olhei para trás e as duas sombras ainda lutavam e eu precisava me salvar dali e comecei a tentar fazer o jutsu clones das sombras, só precisava me concentrar enquanto a água me levava, ate que sinto uma mão puxando meu braço e logo estava em terra firme. Quando olhei para quem me salvou, era aquele garoto mascarado que encontrei mais cedo no escritório do tio Hiru.
Fiquei uns 10 segundos tentando raciocinar o que estava acontecendo até que ele quebra meu pensamento falando comigo.

- Voce consegue fazer os clones das sombras? - falou um pouco ofegante e com a mão um pouco melada de sangue cobrindo seu ombro.
- Cla... claro - gaguejei e então me recompus e fiz os clones.
- Vamos atacar o outro que está nos cercando, nesse exato momento ele esta correndo ao nosso aqui atrás de nós, VAMOS! - disse e começou a correr na direção que acabara de dizer. Apenas o segui com os meus clones. Começamos a travar uma luta com a pessoa que estava controlando as águas. O garoto mascarado foi quem o atacou primeiro, em seguida eu e meus clones começamos a travar uma pequena luta, a partir daí comecei a ver melhor quem era a pessoa com quem estávamos lutando, não dava para ver seu rosto por conta de uma máscara que cobria seu rosto inteiro com exceção dos olhos, claro, ele parecia ser bem mais velho que nós dois e tinha uma pequena espada em suas costas.

Tirando minhas duvidas sobre ele ser mais experiente que nós, ele destruiu meus clones. Apesar de não ser tão difícil, por conta das minhas poucas habilidades, foi tão rápido a sua técnica que nem percebemos. Vendo que não tínhamos plano de ataque nenhum, nos afastamos do cara, ofegante, eu comecei a falar.

- O que vamos fazer agora? Ele é muito mais habilidoso que nós.
- Deixe comigo, se afaste agora de mim. Não quero acabar te machucando - ele falou me encarando e fiquei sem entender. - Eu vou fazer uma coisa que meu sensei me ensinou, porém ainda não está completo - e assim ele foi em direção ao cara e o atacou com uma bola de chakra muito forte. Só que essa bola se descontrolou e machucou tanto ele quanto o cara com quem estávamos lutando, e fez um estrondo tão forte que também destruiu algumas arvores que tinha perto. Quando o feixe de luz se cessou, eu comecei a procurar pelo garoto mascarado e então vi seu corpo estendido no chão junto com o do outro homem, corri em direção a ele e quando estava chegando, meu tio e o meu primo apareceram e me impediram de continuar meu trajeto.
- você está bem? O que aconteceu? - Asuma falava com um tom de voz preocupado.
- Eu tô bem, eu não sei bem o que houve - disse confusa. - Tentaram me pegar, mas aquele garoto mascarado me salvou e agora eu preciso ver se ele está bem - continuei e me soltei dos braços do Asuma que me pegou outra vez .
- Não... deixe que o papai resolve - Asuma começou a me levar em direção a casa. - Vamos você precisa se recompor e depois contar tudo o que aconteceu.
- Mas... - olhei para trás e vi meu tio e o Minato conversando. - Como é o nome dele? - perguntei.
- Hatake Kakashi
- Kakashi... obrigada - sussurrei essa última parte e fui para casa.



Após me vestir, fui chamada pelo meu tio para explicar o que tinha acontecido ali. Me direcionei até um cômodo da enorme casa que parecia ser um escritório particular, havia uma grande mesa com várias fotos espalhadas por ela e ao redor da sala vários pergaminhos. Meu tio estava sentado no tapete que havia do lado da lareira, e o mesmo estava acompanhado do Minato. Os dois olhavam pra mim com um olhar de dúvida, que logo seria esclarecida. Sentei na frente dos dois e comecei a contar o que tinha acontecido. Quando terminei, o Minato foi o primeiro a falar.

- Por que o Kakashi usou aquela técnica? Você sabe me dizer? - perguntou preocupado.
- Ele não me disse o motivo. Notamos que o cara era difícil de vencer e então ele mandou eu me afastar dele e foi em direção ao cara.
- Certo , obrigada, você foi muito boa hoje. Espero poder acompanhar sua evolução - disse com um sorriso e se levantou. - Hokage- sama eu preciso ver como ele está, com licença.
- Não precisa ser tão formal, aliás, estou me aposentando logo e você irá assumir - meu tio disse com um sorriso de canto e se despediu do Minato. Fiquei sem entender muito bem aquela conversa e já ia saindo da sala quando meu tio me falou algo.
- , você foi muito forte hoje. Mas acho que vamos ter que reforçar a proteção com a nossa família, espero que você não se meta mais nessas coisas - disse sério. - Amanhã cedo começaremos o seu treinamento. Não quero atrasos.
- Certo, tio... boa noite - saí e fui para o meu quarto, precisava descansar.

Ao chegar ao meu quarto fui recebida por rRjah novamente, o bichinho tinha ficado tão assustado com todo o ocorrido e saiu correndo em direção a casa com certeza para pedir ajuda. Ele era meu melhor amigo, do que eu me lembre, o Rajah já estava comigo desde quando eu era apenas uma criança. Enfim, me deitei junto com ele fazendo um leve carinho na sua cabeça, ele adorava aquilo, e dormiu, sá ele porque eu fiquei pensando no que havia acontecido e no menino que me salvou. Não sei o que seria de mim se ele não tivesse aparecido, provavelmente estaria em uma encrenca bem boa, com certeza ele havia se machucado feio com tudo isso e estaria no hospital, amanhã passarei lá para vê-lo, pensei. De tanto pensar, acabei agarrando no sono.
Acordei no susto, o Asuma estava batendo na minha porta feito um louco dizendo que eu iria me atrasar se não levantasse naquele instante, assim o fiz. Fui fazer logo minha higiene matinal, não precisava ir com essa cara de derrotada, e me arrumei o mais rápido que pude. Assim que saí do quarto, tia Biwako me deu um bolinho de arroz para eu não sair com fome, peguei minha mochila e fui em direção ao tio Hiru que já estava me esperando no quintal de casa.

- Quase perde o horário, em mocinha? - indagou com uma voz debochada. Uma coisa eu poderia dizer, o deboche era de família.
- Desculpe tio, eu não conseguir pegar no sono fácil e acabei dormindo pouco tempo – expliquei.
- Ok, vamos ao treinamento... - assenti e me preparei para as suas instruções.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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