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Última atualização: 23/10/2020

Prólogo

Aquele domingo no fim de setembro havia começado como todos os outros em Londres. Uma brisa gélida já se tornava presente devido à chegada do outono e o céu estava sem nenhuma nuvem, o que transformava aquele dia em um dia perfeito para as pessoas que gostavam de acordar cedo, ir correr e estar sempre ao ar livre. Esse era exatamente o caso de . Apesar de toda uma rotina agitada devido à sua estrondosa fama, haviam dias em que ele só queria ser mais um no meio da multidão, invisível para as pessoas.
Ele havia acordado cedo, mais precisamente com o nascer do sol, já que não havia saído nem feito nada muito especial nos dias anteriores, colocou uma roupa confortável de ginástica juntamente com um tênis e decidiu que iria correr pelo Hyde Park.
Aos domingos de manhã o lugar era praticamente deserto; as pessoas não tinham o mesmo interesse que ele, não eram de correr, não queriam acordar cedo e nem sair de suas cobertas quentinhas e andar pela cidade, por isso ele amava esse dia. se sentia alguém anônimo: sem paparazzi, multidão ou fãs, era só ele e a natureza. Sentir o vento em seus cabelos era uma das suas coisas favoritas e poder fazer isso correndo dentro de um parque na sua estação e cidade favorita tornava tudo perfeito, extremamente perfeito.
ficou ali pelo Hyde Park por mais ou menos uma hora e meia até que percebeu algumas pessoas chegando com seus cachorros e algumas cestas para possíveis piqueniques de café da manhã. Ele colocou o capuz em sua cabeça, os óculos escuros e decidiu voltar andando ao apartamento, que não ficava tão longe dali, já que não tinha ido de carro. No trajeto até seu apartamento, ele sentiu o estômago revirar de fome, então decidiu passar num café italiano que havia próximo dali. Se tinha uma coisa que sempre fora viciado era em chás e cafés, e aquele lugar ali depois da sua corrida seria perfeito.
O lugar ainda estava vazio, o que o animou ainda mais, e também por estar suado, com roupa de corrida, óculos e capuz, as pessoas pareciam não o reconhecer, o que havia causava um leve sorriso em seu rosto. Como estava feliz por não ser reconhecido, resolveu comer por ali mesmo, pediu um chá preto acompanhado de um muffin de amora e foi andar pelo lugar. Ele não tinha notado nos detalhes do café quando entrou no lugar e só estava percebendo isso agora. O café tinha toda uma rusticidade e simplicidade que amava, além das cortinas em tons quentes que deixava o lugar mais aconchegante ainda, porém o que deixou ainda mais encantado pelo lugar, foi a existência de uma pequena livraria que tinha por ali. Eram apenas quatro prateleiras em mogno com livros de diversos gêneros e isso arrancou um sorriso ainda maior de , afinal, ele amava ler e sem dúvidas era uma das suas coisas favoritas no mundo. Óbvio que não tinha preferência por nenhum gênero, sempre achou que o mundo dos livros era perfeito, ao qual ele poderia se perder, se encontrar e ser outra pessoa, poderia ser um duque, um cavaleiro da coroa, um viking, um escritor apaixonado, um simples homem do campo… Mundos novos sempre fascinaram .
então começou a passar os olhos pelas enormes prateleiras. Buscava algo que lhe chamasse a atenção e que fosse diferente do que ele costumava ler. Havia decidido a começar um novo livro assim que olhou aquelas prateleiras, mas dessa vez o escolheria de forma diferente do que fazia habitualmente: ignoraria a sinopse e leria aquele livro pela capa dele. Bateria o olho na capa e, se amasse, era aquele que levaria para casa.

- Senhor? - a atendente do café disse chamando a atenção de .

Ele a olhou com um sorriso amigável e fez um sim com a cabeça como forma de dizer que estava escutando.

- O seu pedido está pronto. Coloquei naquela mesa entre aquelas duas prateleiras - avisou apontando para o lugar.
- Obrigado! - respondeu dando um sorriso de agradecimento para a atendente e em seguida dirigiu-se até a mesa.

Assim que se sentou naquele lugar, começou a observar as duas prateleiras que estavam próximas a ele e logo que deu o primeiro gole em seu chá, um certo livro lhe chamou a atenção. Um que estava bem na ponta daquela prateleira e que se poderia notar todos os detalhes da sua frente: sua capa era de cor bege e parecia mais um manuscrito do que um livro propriamente dito, não havia nenhuma imagem na capa, apenas o título em letras garrafais pretas “ELYSIAN” e a abreviatura do nome da autora ou autor, CN. Aquilo o tinha intrigado; Como alguém publica um livro dessa forma? É a capa que os vendem e aquela não vendia! Mas conhecia o ditado de “Nunca julgue um livro pela capa” e por isso queria lê-lo e saber o porquê de não ter nada além daquelas informações. Às vezes esse poderia ter sido o intuito de quem escreveu, mas achava difícil ser isso. Sendo assim, se levantou e foi em direção ao livro, o pegando em mãos.
Enquanto analisava minuciosamente o livro, ele começou a brincar com os lábios, algo que sempre fazia quando estava muito concentrado ou pensando em algo. A capa do mesmo era macia e parecida com uma pequena almofada, algo que ele nunca havia visto antes. então se sentou em sua mesa e colocou o livro ao lado de sua xícara de chá, decidindo que daria à devida atenção depois de terminar sua pequena refeição, porque se tinha uma coisa que amava era apreciar seu belo chá da forma que ele deveria. Porém, assim que deu sua primeira golada no chá, olhou para aquela capa de novo e não teve como não o pegar em mãos. Ele decidiu que faria as duas coisas juntas: tomaria seu café e leria o livro. Começou pela sinopse descobrindo que se tratava de um romance e riu, pois essa era a primeira vez em anos que ele leria algo do tipo; mesmo não tendo gênero favorito, romance era algo que ele não lia sempre. E algo naquela sinopse o deixou intrigado, pois já deixava claro que o casal não ficaria junto. Por quê? Ele ainda não sabia, mas era exatamente por isso que agora queria ler esse livro com afinco.
Assim que acabou a sinopse, ele resolveu abrir o livro e em sua primeira folha havia a seguinte frase:

Depois daquele dia em que te vi pela primeira vez sobre aquele palco, eu sabia que essa história precisava ser escrita, contada e sentida. Então essas são as minhas mais doces e sinceras palavras sobre você

Aquilo lhe causou um certo choque, mas também o deixou ainda mais intrigado. Seria um livro que falava sobre alguém famoso? Isso seria pegadinha ou ironia do destino? Ele não sabia, mas tinha plena certeza que esse livro tinha ganhado o posto de novo interesse de e que o levaria para casa para lê-lo.
terminou sua pequena refeição, seguiu até o caixa para pagar o que havia consumido e o livro.
Assim que chegou no balcão da cafeteria, abriu um dos seus sorrisos mais simpáticos para a atendente que acabou se derretendo. amava esse efeito que causava nas pessoas, sendo elas do sexo que fossem.

- Você conhece o autor desse livro? - ele perguntou ainda sorrindo a atendente enquanto acariciava a capa com as mãos.

A atendente demorou uns segundos até conseguir prestar atenção no que ele falava e quando entendeu, o encarou com um olhar surpreso, pois nunca haviam lhe perguntado sobre os autores dos livros, já que no máximo era uma saudação, os pedidos, pagamentos e tchau.

- É uma jovem autora e o livro não foi propriamente publicado - ela começou - Alguns anos trás, ela passou por aqui e pediu se poderia deixar uma cópia para ver se alguém tinha interesse.

A atendente então sorriu para de forma cúmplice.

- Interessante - disse depois de ouvir a informação.

E ele realmente achava isso, pois autores normalmente não faziam algo do tipo. Era sempre buscando lucro para si próprio e acabavam mandando para grandes editoras. Aquele livro acabava de se tornar ainda mais interessante.

- O senhor é o primeiro a comprar o livro - a atendente disse por fim desviando os pensamentos de .
- Vou dar uma chance, já que o achei interessante desde o primeiro momento em que o vi - soltou mais um dos seus sorrisos assim que acabou de proferir essas palavras - Obrigado!

Depois desse pequeno diálogo, acabou de pagar tudo dando uma bela gorjeta para a moça que ficou extremamente feliz, pois aquilo ajudaria muito nos livros da faculdade. saiu feliz do café com o livro na sacola, pois teria o que fazer hoje e leria o dia todo, coisa que ele amava. Enquanto caminhava pelas ruas desertas de Londres, o cantor não poderia imaginar que aquele livro que levava para casa se tratava exatamente sobre ele e o faria se ver com outros olhos: os olhos de uma autora que era loucamente apaixonada por ele. era a inspiração daquela história e era sobre ele as doces palavras contidas no misterioso Elysian.


Capítulo 1

2013

. .


Já era a segunda vez em que o despertador do celular tocava de forma ensurdecedora pelo quarto de , mas por incrível que pareça, a menina não havia se mexido nem por um segundo sequer. Dormia igual a uma pedra, literalmente. estava exausta, destruída, mas feliz como nunca tivera antes em sua vida. Na noite anterior havia finalmente se sentido completa, pois o momento pelo qual esperou por anos para acontecer, desde de 2010 na verdade, se tornou realidade e foi o melhor dia de sua vida. A noite em que gritou à plenos pulmões as letras de todas as suas músicas favoritas e viu a sua banda favorita: .
havia ido ao show com sua melhor amiga , que também era louca pela banda. As duas compartilhavam dos mesmos gostos desde pequenas, já que eram amigas de infância e haviam se conhecido enquanto ainda frequentavam o maternal. Agora, as meninas dividiam o mesmo quarto no alojamento estudantil da faculdade em Londres. escolheu o Design enquanto cursava Direito e essa era a única coisa que as meninas não dividiam.

- PELO AMOR DE DEUS, ! ACORDA! - gritou de sua cama enquanto arremessava travesseiros na amiga. - OU PELO MENOS DESLIGA A DROGA DESSE CELULAR!

então deu uma leve mexida em sua cama, colocou um dos braços para fora do cobertor procurando o celular na mesinha ao lado de sua cama e finalmente o desligou.

- Tava sonhando com o para não ter escutado esse celular tocar cinquenta vezes? - proferiu brava de sua cama.

apenas levantou o braço novamente do cobertor e lançou o dedo do meio para amiga, que acabou caindo na gargalhada.
não estava mentindo. realmente estava sonhando com , aquele ao qual ela julgava ser o homem mais perfeito vivendo na Terra. com seu cabelos ondulados penteados para trás, os olhos brilhantes, as tatuagens que eram verdadeiras obras de arte desenhadas em sua pele, as calças pretas coladas, camiseta branca e botas. Era tudo o que ela mais queria ao seu lado.

- Terra chamando ! - disse enquanto arremessou outra almofada na amiga, que dessa vez lhe acertou bem na cara.
- Auch! - disse enquanto se desligava dos pensamentos sobre e finalmente dava atenção para a amiga.
- Por que você está acordada? - falou de mau-humor enquanto se sentava em sua cama e olhava para com raiva. - Não tinha ninguém para sonhar não? não quis aparecer nos seus sonhos essa noite?

fez a mesma coisa que a amiga e a olhou rindo.

- Não preciso sonhar, querida. Um dia eu ainda vou tê-lo só pra mim - disse toda cheia de si.

acabou rindo da cara da amiga, não porque duvidasse que fosse louca o suficiente para isso, mas era engraçado imaginar que um dia alguma das duas poderia ter algo com alguém famoso como ou , uns dos membros da maior boyband da atualidade. sempre tivera os pés no chão em relação a isso; sonhava com , imaginava o homem ideal para si exatamente igual a ele, mas sabia que o verdadeiro estava completamente fora de cogitação. Ela era só mais uma das milhares de fãs que eram apaixonadas por ele.

- Eu queria que um dia o soubesse tudo o que sinto por ele, sabe? - começou dizendo. - Esse show só provou que eu escolhi a banda certa e o cara certo para ser fã! Ele cantando Moments ontem foi absolutamente tudo o que eu precisava para restabelecer as minhas energias e continuar vivendo a minha vidinha.

prestou atenção em todas as palavras da amiga e se sentia da mesma forma. Ela queria que de alguma forma pudesse por tudo o que ela pensava e sentia para fora, registrar o que sentia por , o que esperava e o que queria dele. E então uma ideia surgiu em sua mente.

- E se a gente começasse escrever tudo o que sente? - disse para amiga que imediatamente a olhou com uma cara de confusão.
- Escrever? Escrever cartas? - questionou.
- O que você quiser! - respondeu rindo enquanto mil ideias passavam por sua cabeça. - Eu quero escrever uma história onde eu expresse tudo o que eu sinto, acho que cartas não seriam o sufici…
- Espera! - interrompeu a amiga. - Você vai escrever uma fanfic?

pensou se era realmente isso o que queria e não teve dúvidas. Escrever sobre poderia lhe fazer bem, já que a faculdade a fazia surtar às vezes. Essa história poderia ser sua válvula de escape, onde criaria o seu novo mundo.

- Por que não? A gente lê fanfic o tempo todo... - disse enquanto lembrava de todas as histórias que já havia lido com as suas bandas favoritas, principalmente as que tinham como personagem os meninos do McFly, que eram os mais famosos na época.

deu um sorriso cúmplice para a amiga, levantou de sua cama e foi se sentar ao lado dela.

- Se você realmente escrever, eu vou querer ler tudo! - disse abraçando a amiga.
- Aquele show foi perfeito! - disse ainda entre os braços da amiga. - Eu preciso por pra fora tudo o que eu estou sentindo depois de ontem.

Mas antes que alguma das meninas pudesse dizer mais alguma coisa, escutaram batidas altas na porta de seu quarto.

- Acordem, dorminhocas! - era a voz de Anthoni, melhor amigo de ambas. - Nós temos aula!

Foi então que as amigas se deram conta que estavam extremamente atrasadas para suas aulas. As duas levantaram correndo e começaram a se arrumar para seguir com as suas vidas normalmente, porém não saía da cabeça de e não nem tinha previsão de sair tão cedo, afinal, uma história com ele ainda estava por vir.

***


2015


Dois anos haviam se passado desde o dia que tinha tido a ideia de escrever uma história em que fosse o protagonista e em todo o seu tempo livre, lá estava ela com o seu notebook aberto escrevendo. Aquela história realmente havia se tornado a sua válvula de escape. Era um novo mundo onde tudo era possível, inclusive fazer e ser quem ela quisesse e ter unicamente. Ela descrevia da forma que achava que ele é longe dos holofotes, mas tinha consciência que nunca saberia de verdade se tinha acertado.
Aquela história tinha se tornado algo tão presente em sua vida que já havia a finalizado há algumas semanas e decidiu entregar para ler as páginas finais.

- ! - disse com uma cara incrédula e sem tirar os olhos da tela do notebook. - Eu nunca imaginei que você tinha esse talento todo e muito menos que você escreveria algo tão doce e apaixonante dessa forma! Amiga, você o descreveu tão perfeitamente que me convenceu que ele realmente pode ser assim!

tinha um sorriso de orelha a orelha e não sabia muito o que dizer, pois tinha vergonha de alguém estar lendo algo em que ela expressava o mais profundo sentimento que existia dentro do seu coração e da sua alma.

- Obrigada! - respondeu a amiga com o tom de voz baixo devido à emoção. - Eu só escrevi o que eu sentia e queria que acontecesse na vida real.

ainda permanecia com os olhos no computador lendo linha por linha. Ela realmente havia amado a história, se conectado e se sentia dentro do mundo que havia criado.

- Eu espero que um dia você publique isso! - disse ainda lendo.

imediatamente arregalou os olhos. Ninguém poderia saber da existência daquela história, ninguém!

- Claro que não! Você será a única que leu e essa história permanecerá guardada à sete chaves! - respondeu a amiga de forma rápida.
- Deixa disso, ! Nem podemos dizer que essa história se trata de uma fanfic propriamente dita, já que você trocou o nome do por Heron. é a inspiração, mas nunca alguém saberá que se trata dele, NUNCA! - disse enfatizando a última palavra.

já estava nervosa, sentia suas mãos gelarem e seu peito acelerar só de pensar na hipótese de mais alguém ler aquilo um dia. Ela não queria que ninguém mais lesse o que havia escrito, pois era algo dela, íntimo e que tinha escrito apenas por diversão. Se tratava apenas do que ela sentia e nada mais.

- , por favor! Eu não quero! - suplicava nervosamente.

pela primeira vez desviou o olhar da tela do computador para olhar a amiga e percebeu em seu olhar que ela realmente estava falando a verdade. não queria aquilo espalhado para o mundo, pois era algo apenas dela e, apesar de achar aquilo um desperdício de história, resolveu concordar com a amiga naquele momento.

- Tudo bem, mas eu ainda vou te fazer mudar de ideia - disse por fim.

soltou um sorriso amigável e se sentou ao lado da amiga. Ambas voltaram a ler a história e se conectar com todo aquele ambiente que havia criado: um mundo novo em que se apaixonava por ela.

***


. .


estava cansada. Não aguentava mais todo aquele clima de tensão por causa da faculdade e a pressão que seus pais colocavam em cima de si. Amava a faculdade e estar ali com os seus dois melhores amigos, e Anthoni, mas ela nunca quis realmente cursar Direito e muito menos ser advogada. Seu grande sonho sempre foi trabalhar com moda; ela adorava criar suas próprias roupas e seu próprio estilo, mas segundo seus pais, “aquela não era uma profissão que dava dinheiro” e foi por livre e espontânea pressão que acabou fazendo o que eles queriam.
Ela se sentia esgotada com aquele turbilhão de coisas que ela nem queria para sua vida e foi por causa desses pensamentos que saiu aos prantos no meio de uma aula de Direito Penal e correu para o seu quarto no alojamento. só queria ficar sozinha, desligar sua cabeça e apenas ficar quieta e dormir. Desejava com todas as suas forças que essa pressão acabasse, pois odiava se sentir assim. E foi deitada em sua cama que ela viu o notebook de sua amiga ali, sozinho na mesa de estudos, e decidiu que iria se distrair dos pensamentos ruins lendo mais uma vez a história escrita por . Aquela mesma história que havia se tornado a sua favorita em todo mundo e que ela queria que o mundo todo conhecesse, mas que a amiga não concordava. Foi pensando nisso que teve uma ideia.

- Por que não posso transformar essa história em livro e distribuir por aí sem que a saiba? - disse para si mesma. - Talvez ninguém realmente leia a história ou até leia e vire uma autora famosa, quem sabe?

imediatamente se animou, levantou de sua cama e entrou em contato com a gráfica da faculdade para saber quando ficaria se ela imprimisse 10 livros. Ela sabia que tinha diagramado o livro todinho e criado um protótipo de capa, mas nada oficial. Uma capa amarelada, com o nome do livro grande e suas iniciais; era simples e mais parecida com um manuscrito do que qualquer coisa, mas seria dessa forma mesmo que ela sairia distribuindo por aí.
Algumas horas depois, o orçamento chegou e solicitou a impressão de todos e no dia seguinte tudo já estava pronto. escondeu a caixa dentro do seu armário para que não desconfiasse e quando a amiga saísse para a aula, ela sairia por Londres distribuindo as cópias pelas livrarias e cafés da redondeza.

- O que você está sentindo? - perguntou preocupada, já que tinha dito que não estava se sentindo bem, o que na verdade era só uma desculpa para não ir à aula.
- Cólica, amiga. Nada demais - respondeu. - Eu só não quero ir hoje, você sabe como ando esgotada.

foi até a cama da amiga e a abraçou. Sabia como a amiga sofria com esse impasse do curso e de seus pais e não achava justo, mas ela não tinha como mudar isso, infelizmente.

- Qualquer coisa me avisa que volto pra ficar com você! - disse por fim enquanto se levantava e se dirigia a mesa para pegar seus livros.
- Pode deixar! - respondeu de forma doce.

lançou um beijo para amiga e então saiu do quarto fechando a porta. esperou um pouco para ver se a amiga não retornaria e, quando percebeu que ela não voltaria, imediatamente se levantou, trocou de roupa, pegou a chave do seu carro e a caixa do seu guarda roupa e partiu para o estacionamento do alojamento.
Poucos minutos depois, já dirigia pelas ruas de Londres procurando livrarias e cafés que aceitassem o livro da sua amiga. Esse processo todo foi até que fácil, pois todas deixaram. Mas ainda restava um último livro dentro daquela imensa caixa.

- Onde irei deixar você? - disse para si mesma enquanto dirigia próximo ao Hyde Park.

Foi quando, coincidentemente, avistou um café que também era uma livraria. Estacionou o seu carro em frente ao local e desceu do mesmo com o livro em mãos, adentrou no café e olhou a atendente que parecia simpática atrás do balcão e se dirigiu até ela.

- Bom dia! - disse parada em frente ao balcão.
- Bom dia, em que posso lhe ajudar? - a atendente disse com um sorriso no rosto.

deu um sorriso cúmplice em resposta.

- Eu sei que vai parecer estranho, mas eu poderia deixar esse livro aqui? - disse na lata.

A atendente lhe olhou um pouco confusa sem entender o que ela queria com aquilo.

- O quê? - ela perguntou.

sorriu mais uma vez e pensou no que iria dizer.

- Minha amiga escreveu essa história - começou a contar. - E é perfeita, mas ela não queria que ninguém lesse e eu não concordei com isso, pois o mundo precisa conhecer. Então, fiz algumas cópias e estou distribuindo em cafés e livrarias. Não vou pedir nada em troca, só quero deixar aqui para que alguém tenha a oportunidade de ler - tagarelava sem parar, deixando a atendente até um pouco confusa. - Por favor!

A atendente pensou por um momento e depois deu uma risada enquanto pensava.

- Você pode deixar aqui, não vejo problema nisso – respondeu. - Mas te oriento a falar com sua amiga depois, porque isso pode se tornar um problema futuramente.

começou a dar pulinhos animada.

- Eu deixo aqui e você coloca ou…
- Pode por você mesma - a atendente cortou . - Escolha o melhor lugar.
- Obrigada! - disse agradecendo. - Ah, eu vou querer um cappuccino de avelã. Vou por o livro ali e já volto!

A atendente confirmou com a cabeça e sorriu. Enquanto isso, se dirigiu a parte em que ficava os livros, viu duas prateleiras que ficavam entre uma mesa e decidiu que seria ali que colocaria o mesmo. Era uma parte mais afastada, mas sentiu que ali seria o lugar perfeito para que alguém o encontrasse um dia.
então voltou ao balcão, pegou seu cappuccino e o pagou.

- Vou deixar meu número com você se caso alguém algum dia perguntar, peça para me ligar - disse a atendente enquanto anotava o número num pedaço de guardanapo de papel.
- Okay! - a atendente respondeu enquanto pegava o papel das mãos de .

No papel estava escrito:

“Quer saber mais sobre o livro Elysian?
Ligue para mim!
+44 20 9629 8888”


A atendente guardou aquele guardanapo na primeira gaveta de sua bancada. sorriu em agradecimento e então saiu do estabelecimento e voltou para o carro com a sensação de dever cumprido.
Alguns anos se passaram desde aquele dia. acabou se formando em Direito e foi trabalhar na parte jurídica da Gucci, onde acabou juntando o Direito com o que mais amava, a moda. Já , nunca desconfiou do que a amiga havia feito e acabou deixando seu amado livro esquecido entre os milhares de documentos salvos em seu computador. Ela se formou em Design e começou a trabalhar para uma grande revista de moda graças à influência de ; porém, tudo estava prestes a mudar na vida de . Elysian voltaria para sua vida da forma mais inusitada possível e com batendo em sua porta.


Capítulo 2

Dias atuais - 2018

. .


permaneceu intrigado enquanto voltava para a sua casa com aquele livro na sacola, já que fazia muito tempo que não ficava fixado assim por algo. Na verdade, nunca fora do tipo de pessoa que ficava fixado em coisas e achava isso loucura; Ele não se lembrava de ter sido fã de algo na infância ou no começo da adolescência, e depois menos ainda, já que ele havia se tornado a fixação de várias jovens pelo mundo com o estrondo que a tinha sido. A última coisa que o havia deixado tão interessado dessa forma tinha sido quando conheceu Townes Jones, a irmã de uma amiga enquanto ainda preparava o seu primeiro álbum. Eles só se viram uma vez, mas os dois tiveram uma noite memorável, tão memorável que inspirou a escrever uma música sobre ela: Carolina. Porém o que ele sentiu pela menina não chegava nem perto do que ele estava sentindo nesse momento por aquele livro; ele não via a hora de chegar em seu apartamento, deitar em seu sofá branco e devorá-lo tranquilamente durante todo o domingo.
estava no seu período de férias; faziam poucas semanas que a turnê mundial do seu primeiro álbum solo havia acabado e ele estava concentrado em descansar. A forma de descansar de não era dormir e nem ficar sem fazer nada como qualquer pessoa normal. Na verdade, a forma de descansar de era se ocupando de coisas normais como: viajar, escutar uma boa música, ler um bom livro, sair com os amigos e também acordar cedo para correr.
Assim que adentrou na sua cobertura em um dos maiores e mais chiques arranha-céus de Hampstead Heath, colocou logo o livro em cima da mesa de centro de sua sala de estar, que era incrivelmente branca e tinha alguns toques de cores neutras, assim como quando estava fora de sua turnê. Ele seguiu então diretamente para o banheiro em busca de uma calma e relaxante ducha e resolveu conectar seu celular ao sistema de som central do apartamento, logo uma banda de rock alternativo inglesa dos anos 90 e 2000 chamada Keane começou a soar pelos alto-falantes e enquanto a água quente descia pelo seu corpo relaxando seus músculos, Perfect Symmetry tocava estrondosamente pelo lugar. Uma frase em especial daquela música fez sua mente voltar ao livro; era exatamente sobre ler algo e tentar entender até chegar ao final, logicamente que a música se tratava de uma pessoa, mas foi inevitável não ligar a sua mente àquele livro que estava aumentando extremamente sua curiosidade.
então decidiu que aquele banho já havia sido o suficiente para tirar o suor de seu corpo e relaxar, se secou, vestiu uma cueca e se enrolou num roupão branco felpudo e macio que havia ganhado de sua mãe há pouco meses atrás.
Anne deu a ele com a desculpa de que assim que o fim da turnê chegasse, ele iria gostar de estar confortável e aquecido em casa fazendo as coisas que ele gostava. E ela acertou. riu só de lembrar disso; ele amava toda a preocupação e carinho que sua mãe ainda demonstrava, mesmo ele já tendo vivido o triplo do que um dia ela iria viver em sua vida.
Mesmo que estivesse um clima frio lá fora, dentro do apartamento, graças ao aquecedor, o clima era mais aconchegante e o proporcionava ficar daquela forma. se direcionou até a sala onde finalmente poderia ler o livro na mais perfeita paz, se sentou em um dos seus grandes sofás, esticou o braço até a sacola onde estava o livro, o retirou de lá, se aconchegou em seu sofá e começou a passar a mão pela capa admirando sua simplicidade.
sempre amou simplicidade e coisas minimalistas; mesmo que durante a sua turnê tudo nele aparenta ser exagerado, quando ele está sozinho vivendo a sua vida “normal”, gostava de ser simples, de sentar em sua longa sacada e sentir a brisa gelada de Londres enquanto toma seu chá, de ver a neve cair e tornar todo o chão branco, ver a chuva lavar todas as sujeiras do chão ou ver o sol nascer e se pôr no horizonte. Coisas extremamente simples, mas que deixavam a sua vida completa.
E a simplicidade daquele livro em especial o deixava ainda mais ansioso e intrigado. Apesar de ter lido um pequeno trecho do livro no café, ainda não entendia qual era a conexão da história com o nome. Com a curiosidade aguçada, algo que ele sempre teve, pegou o celular para pesquisar qual o significado de Elysian, mas antes mesmo que começasse a digitar algo, o celular começou a vibrar em suas mãos e o nome de Jeffrey Azoff apareceu no visor.

- Eu só queria ler o livro em paz - disse calmo, mas com um ar melancólico enquanto colocava o livro sobre o sofá e deslizava o botão verde atendendo seu celular. - Oi, Jeff - disse cumprimentando o seu empresário.
- Bom dia, ! - Jeff respondeu animado. - Tudo bem por aí?
- Tudo e com você? - respondeu enquanto se deitava no sofá e apoiava os pés sobre a mesinha que antes estava o livro.

Apesar de ser suas merecidas férias, ainda tinha alguns assuntos a tratar sobre sua carreira e algumas presenças obrigatórias em programas para fazer, por isso atendeu Jeffrey.

- Tá tudo bem mesmo? Te acordei? - Jeff perguntou se certificando, pois sentiu um certo ar diferente na voz de , o que não era muito comum, já que ele sempre fora uma pessoa extremamente brincalhona quando ele o telefonava.
- Não, já estou acordado faz um tempo - começou a contar ao amigo. - Já corri, já fui à um café, comprei um livro que me deixou um pouco fixado...
- Livro? E você fixado por algo? - Jeffrey interrompeu-o confuso. - , você é uma das pessoas mais desapegadas que eu conheço!
- Eu sei! - disse dando um risinho envergonhado e passando os dedos pelos lábios, os puxando. - Mas esse era diferente! Tudo nele me deixou intrigado, a capa, algo na sinopse e um pedaço em especial… Não sei como, mas estou muito interessado.
- Você só está sendo você, - Jeffrey disse rindo do amigo. - Você pode não perceber, mas de vez em quando você cria seus próprios enigmas.

fez uma cara de confuso assim que ouviu aquilo, pois nunca havia percebido já que para ele a fixação por algo nunca existiu.

- Enigmas, Jeff? Tem certeza? - perguntou querendo sanar as dúvidas de sua cabeça.

Jeffrey gargalhou do outro lado da linha, o que acabou demonstrando que ele estava certo.

- Sim, ! - Jeffrey respondeu ainda rindo. - Você não lembra de uma vez que quase me deixou louco porque queria aprender a tocar cuíca no Brasil e nós só ficaríamos três dias lá?

acabou gargalhando ao se recordar daquela cena e lembrando daquela situação, percebeu que realmente gostava de enigmas, de desvendar e aprender coisas. Sempre fora curioso e sua curiosidade nesse momento era Elysian. Assim que se deu conta disso, voltou a olhar o livro ao seu lado jogado sobre o sofá e constatou que não conseguia pensar mais em outra coisa que não fosse lê-lo do começo ao fim.

- E do que se trata esse livro? - Jeffrey perguntou fazendo com que voltasse sua atenção ao amigo.

riu sem graça passando as mãos pelos cabelos dando uma jogada neles para trás, algo que ele sempre fazia quando estava envergonhado ou não achava respostas para suas inúmeras perguntas.

- Sinceramente? Eu não sei! - respondeu rindo.
- O que está esperando para ler então? - Jeffrey perguntou o que parecia ser o óbvio.
- Eu ia começar a leitura agora, mas você me ligou! - disse enquanto se levantava do sofá.

que sempre foi a pessoa mais calma desse mundo, nesse momento começava ficar impaciente; andava de um lado para o outro com o livro na mão enquanto ainda falava com Jeffrey.

- Ah... - Jeffrey disse entendendo o que quis dizer. - Então vamos direto ao assunto!

respirou fundo e colocou novamente o livro sobre a mesinha e voltou a se sentar no sofá esperando o que Jeffrey teria para lhe dizer.

- É o seguinte - Jeffrey começou. - A Vogue UK entrou em contato com a gente e gostaria que você cantasse no evento beneficente deles. Vai ser um evento grande com pessoas influentes no mundo na moda, além de todo tipo de funcionário das grandes marcas de moda, ou seja, é bem grande mesmo.

se interessou de imediato assim que Jeffrey falou a palavra beneficente. Ele sempre foi apegado em ajudar o próximo mesmo antes da fama. Adorava fazer trabalhos voluntários em Holmes Chapel, fazia doações de alimentos, distribuía roupas e sopas no inverno ao moradores de rua… Se tinha uma coisa que sempre gostou, foi de fazer o bem e com a fama isso consequentemente havia se intensificado.

- E para onde vai o dinheiro desse evento? - perguntou curioso, pois gostava de saber exatamente quem estava ajudando.
- Para construções de escolas na África. É um evento associado à UNICEF, então é um…
- Eu topo! - disse sem nem ao menos escutar o que mais Jeffrey tinha para lhe dizer.
- Eu sabia! - Jeffrey falou animado do outro lado da linha. - Sabia que podia contar com você para isso, .
- Você sabe que sim - respondeu por fim sentindo uma paz no coração, algo que ele sempre sentia quando ajudava ou iria ajudar alguém. E ele amava sentir isso mais do qualquer outra coisa.
- Bom, vou acertar tudo e depois te passo os detalhes, okay?!
- Okay!
- Agora pode voltar a ler seu livro em paz - Jeffrey disse se despedindo. - Até mais, .

riu.

- Até mais, Jeff. Bom domingo! - respondeu carinhoso.
- Obrigado, para você também - Jeffrey agradeceu.

Assim que a ligação foi finalizada, voltou sua atenção ao livro que estava na mesinha. O admirava de longe aqueles detalhes da capa que tinham lhe chamado tanto à atenção: uma capa diferente que, ao ver dele, não parecia nada com as dos livros mais conhecidos. Capas sempre foram muito grandiosas e coloridas para chamar atenção do leitor, mas aquela era tão simples que jurava que tinha sido feita de propósito.
Ainda com o celular em mãos, lembrou da dúvida que pairava em sua cabeça antes de Jeffrey ligar e então abriu o navegador do celular animado, pois iria sanar a sua dúvida. Digitou o que tanto queria saber: Qual o significado de Elysian e porque alguém daria esse nome ao livro?

ELYSIAN
(el-ee-sian) grego.

adjetivo.
Bonito ou criativo; Divinamente inspirado; Pacífico e perfeito;
Associado ao paraíso.
Os Campos Elísios são o paraíso na mitologia grega, um lugar do mundo dos mortos governado por Hades, oposto ao Tártaro.

releu várias e várias vezes aqueles significados e acabou ficando ainda mais confuso do que antes. Aqueles significados não tinham muita relação com o pequeno pedaço que ele havia lido da história e muito menos com a sinopse. Ele já estava começando a achar que aquele livro seria a maior perda de tempo de sua vida, mas ainda sim não desistiria. Ele iria ler e entenderia o porquê de tudo, nem que precisasse ir atrás da autora para descobrir o significado de cada frase e palavra dali.
então jogou o celular em um canto do sofá e pegou o livro novamente naquele dia. Acariciou a capa com delicadeza e o abriu lendo aquele mesmo trecho que havia lido na cafeteria.

“Depois daquele dia em que te vi pela primeira vez sobre aquele palco, eu sabia que essa história precisava ser escrita, contada e sentida. Então, essas são as minhas mais doces e sinceras palavras sobre você”.

Ler aquele trecho pela segunda vez acabou lhe ocasionando um arrepio que preencheu todo seu corpo. Poucas vezes havia sentido isso lendo livros, pois normalmente se arrepiava quando via filmes ou programas de TV extremamente emocionantes, mas livros? Era raro acontecer. Tinha acontecido apenas duas vezes: uma quando ele leu In Watermelon Sugar do Richard Brautigan, tanto que estava tentado a escrever uma música com esse nome e a outra com os poemas selecionados de Rumi, que ele leu durante uma das turnês da . Mas romances aleatórios que ele nem ao menos conhecia? Essa era realmente a primeira vez.
Depois que o arrepio se dissipou de seu corpo, procurou por mais sinais sobre a autora pelo livro, mas nada encontrou além das iniciais. Nada de editora, qual edição seria e nem a etiqueta de citações e dados que todo o livro tinha. Aquilo aguçava a sua curiosidade ainda mais, porém resolveu se acalmar, deixar para lá e finalmente começar a ler aquela história. Se ajeitou sobre o seu sofá folheando delicadamente até chegar o capítulo 1.
Mas logo outra estranheza ficou na cabeça de : o livro não tinha dedicatória, não tinha prólogo e nem prefácio. Que raios seria aquela história?
então confuso, fechou o livro deixando ali no sofá mesmo e se levantou, pois estava determinado a não ler mais aquilo. Apesar de tudo, uma certa irritação havia crescido dentro dele, o fazendo não querer ler mais nada e que havia gastado tempo e dinheiro, ele odiava quando isso acontecia.
Ele seguiu até a sua cozinha, abriu a geladeira para pegar um copo de suco de maçã e caminhou até a grande janela de vidro que tinha por ali para olhar o movimento que tinha na rua. Apesar do dia ter começado completamente azul e sem nenhuma nuvem, agora uma garoa fina tomava conta da cidade.
respirou fundo olhando aquela cena para recuperar toda a sua calma e naquele mesmo instante, a curiosidade pelo livro voltou a sua mente. Do lugar que ele estava, olhou para o livro jogado no sofá, balançou a cabeça em negação rindo e seguiu de novo para se sentar no sofá que estava antes. Colocou seu copo de suco sobre a mesinha de centro, sentou e pegou o livro em mãos mais uma vez naquele dia.

- Eu acho difícil isso acontecer, mas eu juro por Deus que se eu te odiar, você vai virar fogo nessa lareira! - disse olhando minuciosamente a capa daquele livro.

deitou novamente para ficar confortável e abriu o livro na página em que havia parado.

“É engraçado pensar em como o amor acontece e como ele se manifesta de inúmeras formas em nossas vidas. O amor entre duas pessoas pode ser carnal e ocasionar em relações sexuais, mas ele também pode ser carinhoso e afetuoso, como um amor de mãe ou pai com seus filhos. Isso também acontece com irmãos, amigos e vizinhos. E temos também aquele amor, o platônico e puro, que não se pede nada em troca e é exatamente esse tipo de amor que eu acabei sentindo por Heron, o amor de uma fã.”

Após ler aquelas palavras, engoliu em seco. Aquilo realmente se tratava de um romance entre fã e ídolo ou algo do tipo, algo que ele tinha imaginado assim que leu aquelas linhas na cafeteria.
Esse assunto nunca foi um problema para ; na época em que estava na banda, sempre que queria ou se interessava por alguém, pedia para algum segurança levar a pessoa até ele para se conhecerem melhor no backstage e lá ele tinha seus pequenos casos, mas nada muito grande e nem perto do que ele imaginava que fosse esse livro. E por incrível que pareça após ler esse trecho, havia ficado interessado em continuar sua leitura; a fixação que ele sentiu assim que o comprou havia voltado e queria saber mais ainda por que os dois não ficavam juntos no final e o motivo de todo esse amor ter acontecido e se tornado impossível.
Para não ser interrompido novamente, se esticou até seu celular, o pegou e o desligou. Ele só queria paz e curtir seu dia sem mais ligações ou interrupções. Sorriu assim que viu a tela preta tomar conta do aparelho, o jogou ali no sofá mesmo e voltou a se aconchegar para continuar sua leitura.

“Eu conheci Heron, óbvio que não pessoalmente, no auge dos meus 15 anos. Eu o vi cantando pela primeira vez num programa de TV e mal sabia que, anos mais tarde, eu acabaria esbarrando nele sem querer num bar qualquer enquanto comemorava os meus 18 anos.”

- Acho que será um daqueles romances bem adolescentes - disse em voz alta para si mesmo após ler aquelas linhas. - Mas eu amo esse tipo de história!

Ele então riu animado, pois estava gostando do começo do rumo daquela história.

“Antes do destino nos pregar essa enorme peça, eu apenas via Heron pelos palcos, cantando com sua voz levemente rouca porém angelical. Era uma amor de fã genuíno; eu o acompanhava de todas as formas: em sites, participava de fã-clubes, escutava todas as suas músicas e ia em diversos shows. Mas infelizmente a vida adulta começou a me cobrar e tive que me afastar e, mesmo ainda gostando muito, os meus 17 anos foram bem distantes dele, dedicados unicamente a decidir o que eu iria querer fazer de curso durante a graduação. Mas por ironia do destino, num pub qualquer de Londres, acabei esbarrando nele e me lembro exatamente como se fosse ontem. Foi por causa do destino que Heron se tornou o grande amor da minha vida, um amor real, o meu amor.”

acabou aquela parte com um sorrisinho no rosto; adorava esses tipos de narrativas cheias de flashbacks e que faziam as histórias se entrelaçarem. Estava gostando do rumo que aquela história estava levando, da escrita e da forma que a autora falava de Heron e do amor forte e verdadeiro que ela sentia por ele. A única coisa que não concordava ali era sobre o destino, já que nunca acreditou nisso, já que acreditava que coisas aconteciam porque tinham que acontecer e apesar de ter tido claras ações do destino, ainda preferia não atribuir isso a ele.
A escritora então começou a contar a história de como ela e Heron haviam se conhecido num pub aleatório de Londres e ler aquilo tinha causado em um certo calor no coração, pois mesmo que romance não fosse seu gênero de livro favorito, quando ele encontrava um bom, se sentia extremamente feliz e completo.
Apesar de ler sobre romances fofos e ver filmes do mesmo estilo, nunca tinha encontrado uma pessoa que fizesse o seu coração bater mais forte. Tinha tido seus casos e alguns namoros, mas estar apaixonado? Nunca. Mesmo tendo escrito várias músicas de corações felizes ou partidos, aquilo eram apenas histórias fictícias que ele criava para compor. O cantor nunca sentiu seu coração bambear da forma que ele ouvia as pessoas falarem e achava que era por isso que estava amando ler aquele livro. Tudo naquele livro era basicamente sobre o amor: falava de duas pessoas que sentiam coisas reais, verdadeiras e fortes, falava daquilo que ele um dia queria para sua vida comum, alguém que o amasse verdadeiramente.

“Eu tinha total certeza que ele era o amor da minha vida, mas apesar de tudo que Heron e eu vivemos nos dois anos em que ficamos juntos, sabia também que nosso destino era ficarmos separados. Tinha que estourar nossa bolha e deixar Heron ir, mas eu sabia que era tarde demais.”

ficou instigado com essa parte e pensando nela que ele acabou lembrando que isso já estava na sinopse e que esse era um dos motivos que ele queria ler Elysian.
passaria o resto daquele domingo submerso naquele mundo que uma menina de 18 anos havia criado no primeiro ano de faculdade. Lendo aquele livro, entenderia melhor os conceitos de destino e mudaria sua visão do mundo, da vida e de si mesmo, além de entender melhor sobre o amor, afinal, Elysian se tratava unicamente sobre ele.


Capítulo 3

. .

Enquanto permanecia deitado em seu sofá inerte ao mundo exterior ao ler Elysian, a autora da história estava do outro lado da cidade, dormindo serenamente em sua cama. gostava de aproveitar os domingos assim, dormindo. Sua vida durante a semana era extremamente agitada, a revista não lhe dava trégua nunca, eram sempre novos editoriais para diagramar e vetorizar, banners de eventos, avisos para os funcionários, ela ainda não entendia como conseguia dar conta de tudo, mas amava aquilo, afinal, era o que havia escolhido para a própria vida.
Passar o domingo na cama era sua coisa favorita, pois era o seu momento de descanso e Londres sempre colaborava para isso, naquele exato momento uma garoa fina caía, deixando tudo mais convidativo para o descanso de . O dia anterior havia sido anormalmente pesado, mesmo sendo sábado, havia ocorrido um evento na revista, o que tinha feito trabalhar muito e chegar tarde e exausta em casa, então estar deitada na sua cama com aquele tempo era tudo o que ela queria e precisava.
Porém seus planos seriam interrompidos naquele exato momento, pois seu celular começou a tocar loucamente no criado mudo ao lado de sua cama. abriu os olhos xingando a todos por aquilo estar acontecendo, ela só queria descansar, e assim fez, decidiu ignorar o celular, cobriu a cabeça com seu edredom creme, seu favorito, que ajudava a abafar o som e voltou a fechar os olhos, sentindo o sono chegar novamente. O celular finalmente parou, fazendo esboçar um sorriso e se aconchegar na cama para voltar ao estado mais profundo do sono, mas poucos segundos depois o mesmo voltou a tocar, bufou irritada, retirou o edredom da cabeça e esticou seu braço até onde o aparelho estava, apertou o botão verde atendendo sem nem ao menos olhar para tela e ver quem estava ligando. Quanto mais cedo atendesse, mais cedo desligaria e voltaria para o conforto dos seus sonhos.

- Que? - atendeu brava.
- Essa é forma de atender sua amiga? - a voz de foi escutada do outro lado da linha com um ar risonho.

revirou os olhos na hora que escutou a voz da amiga, não seria possível estar fazendo uma coisa dessas com ela, ainda mais no único dia que ela podia dormir e descansar em paz, no domingo.

- O que foi, ? - perguntou irritada querendo encerrar aquela ligação imediatamente, na cara da amiga mesmo.
- Ia te chamar para tomar um café, mas tô vendo que você está com zero humor pra isso - disse.
- Eu trabalhei até tarde ontem, estou cansada, só queria dormir, sabe?! - disse resmungona enquanto se estirava pela cama toda.
- É que faz tempo que a gente não sai juntas, e achei que hoje poderia ser um dia só nosso, de amigas - disse de uma forma manhosa.

Aquele jeito de falar sempre foi um ponto fraco para , ela sempre fora uma pessoa boa demais e que não conseguia dizer não para as pessoas, principalmente para , sua melhor amiga. sempre fazia de tudo por ela, tudo e sempre quis retribuir da mesma forma, elas sempre foram assim.

- A gente não pode almoçar juntas? - pediu. - Eu só queria dormir mais um pouquinho…
- Okay, okay! - se deu por vencida - Passo na sua casa às 13 horas, okay?!

imediatamente abriu um dos maiores de seus sorrisos.

- Perfeito! - respondeu para a amiga.
- Vá dormir então, você ainda tem umas horas, até demais e não se atrase! - disse se despedindo e em seguida desligou o celular antes mesmo que Clarisse respondesse alguma coisa.

Clarisse, então, olhou o visor do celular que mostrava que ainda eram 9 horas da manhã, ela sorriu aliviada quando viu a hora, ainda teria mais três horas de sono. Ela programou o despertador para o meio dia, colocou o celular no silencioso, o colocou sobre o criado mudo e depois voltou a se aconchegar em sua grande e macia cama que tanto amava.
Apesar da interrupção de , não havia perdido o sono, na verdade, seus olhos ardiam devido ao tamanho do seu cansaço, então em poucos minutos ela já estava adormecida, e por ironia do destino, ela sonharia com naquele dia.

***


despertou de um sonho perfeito assim que seu celular tocou, bufou irritada pois queria permanecer nele por mais tempo, mas sabia que já era hora de levantar da cama e finalmente ir ficar com sua amiga. Jogou o edredom para o lado e correu ao banheiro, saiu de lá enrolada em sua toalha após um banho quente e foi até a janela do apartamento dar uma olhada em como estava o clima lá fora. A garoa fina ainda permanecia e era possível ver as árvores se balançando, o frio realmente estava chegando.
A vista que tinha de sua janela era completamente diferente da de , eram mundos completamente opostos, literalmente. Enquanto vivia em sua cobertura luxuosa com cinco quartos, cinco banheiros, cozinha, salas e mais salas, vivia em um apartamento de um quarto, um banheiro, uma sala minúscula e uma cozinha, exatos 25m². Além da discrepância dos apartamentos, também havia grandes diferenças entre seus bairros e todo o resto, mas independente de tudo isso, sempre amou o seu lugar, era o seu apartamento, era o lugar que ela tinha conquistado depois de trabalhar e economizar muito, ela sempre fora muito orgulhosa disso e amava cada pedaço do seu cantinho, sua cama, sua escrivaninha, suas plantas, o papel de parede rosa com pequenos cactos desenhados, ela amava absolutamente tudo naquele lugar. E foi com esse pensamento olhando pela janela que ela suspirou feliz e sorriu, pensando em como tinha sorte por ter tudo aquilo, por ter conquistado aquilo. Um toque em seu celular acabou a despertando daqueles pensamentos. então andou até a sua cama e viu seu celular jogado ali, o pegou em mãos e viu que era uma mensagem de avisando que estaria ali em 20 minutos. jogou o celular sobre a cama e correu até o guarda roupa para escolher uma roupa, optou por uma calça jeans, uma camiseta branca, uma jaqueta e um coturno. Ela se olhou no espelho checando a aparência, que a agradou muito, porém o cabelo ainda estava preso com alguns fios desajeitados, estava com zero paciência de fazer qualquer coisa no cabelo, então voltou até o armário e pegou uma boina rosa bebê que ela tanto amava e colocou sobre a cabeça, agora sim se sentia perfeita, aquele era seu estilo favorito de roupa, o confortável.
Ela sabia que ia falar alguma coisa, pois as amigas eram extremamente diferentes quando se tratavam de estilo. era do tipo que amava um glamour, um brilho, gostava sempre de estar bem arrumada, com pelo menos um rímel e um batom, já nunca se importou muito com isso, era o conforto em primeiro lugar, se ela estivesse confortável, o resto seria o resto.
deu uma última checada na roupa, pegou uma bolsa pequena onde colocou seu celular e a carteira e assim que fechou a sua bolsa, o interfone começou a tocar.

- e sua pontualidade realmente britânica - disse indo até o interfone atender rindo.

E realmente era pontual, era uma coisa fantástica, ela nunca se atrasava para nada, era algo que sempre quis ser, mas nunca conseguia, o que tinha acontecido hoje era um milagre.
chegou até o interfone, o pegou em mãos e atendeu.

- Oi - atendeu.
- Boa tarde, senhorita , é o Olav – o porteiro se apresentou. - A sua amiga se encontra aqui embaixo, ela pode subir?
- Ah, boa tarde, Olav, avisa ela que estou descendo - falou enquanto dava uma olhada no apartamento vendo se não tinha esquecido de nada.
- Okay!
- Obrigada por avisar - ela agradeceu.
- Imagina!

Olav desligou e tomou o rumo para fora do apartamento, trancou a porta e guardou a chave na sua bolsa junto com as outras coisas, depois seguiu em direção as escadas e começou a descer, eram apenas 6 lances. morava no terceiro andar de um prédio de apenas 5 andares, então não tinha elevador ali.
Assim que chegou no hall do prédio, cumprimentou Olav e saiu pela porta, olhou para o lado e viu encostada em seu carro enquanto falava no telefone, e como imaginava, a amiga estava completamente diferente dela. Uma bota preta de salto e cano alto ia até um pouco acima do joelho de , uma meia calça fina preta estava por dentro da bota, e vestido creme com uns pontos de brilho e uma bolsa vermelha completavam o look dela, extremamente típico , extremamente diferente de .

- Johnny, eu não quero saber, é o seu trabalho, faça o que eu pedi - ouviu a amiga esbravejar pelo telefone. - Amanhã quando chegar na empresa a gente conversa, hoje é meu dia de folga, até mais.

se encostou no carro, rindo da amiga, ainda não tinha notado que ela estava ali, então assim que virou para a direção de , acabou se assustando.

- Quer me matar também? - disse respirando fundo enquanto se recuperava do susto.
- Você que estava distraída, eu já estou aqui faz uns segundos - se justificou para a amiga.

ainda estava com a mão sobre o peito e respirava fundo se acalmando cada vez mais do susto que tomou. ao observar aquela cena acabou caindo na gargalhada, ela sempre achou a amiga dramática demais, e tinha momentos que ela alcançava o pico do drama, naquele momento ela estava fazendo exatamente aquilo.

- Nem é pra tanto - disse ainda em meio a gargalhadas.

apenas a fuzilou com os olhos e deu uma risadinha falsa.

- Podemos ir? - perguntou enquanto seguia em direção a porta do carona.
- Vamos! - respondeu entrando em seu carro.

As duas se acomodaram no veículo, colocaram o cinto de segurança, conectou seu celular ao som do carro e apertou o play em uma playlist aleatória, em seguida deu partida no carro e as duas seguiram pelas ruas de Londres.

- Onde vamos almoçar? - perguntou animada.

Uma das coisas favoritas da vida de era comer, ela se sentia realizada, completa, feliz. Amava conhecer novos pratos, novos sabores, novas culturas, e fazer isso com era algo que tinha virado rotina, elas amavam conhecer novos restaurantes para experimentar de tudo, era um hábito que elas tinham criado desde a adolescência, era uma coisa delas que ninguém nunca tiraria.

- Eu vi um restaurante de comida Tailandesa esses dias no instagram, o que acha de irmos lá? Achei super bem avaliado e tem uns pratos que a gente nunca comeu - disse para a amiga enquanto prestava atenção no trânsito.
- FANTÁSTICO! - disse ainda mais animada, as comidas orientais eram as suas favoritas.

Por uma obra do destino ou não, a música que começou a tocar no aleatório de era uma música do One Direction, Fool’s Gold, uma das favoritas das amigas. Elas inclusive se olharam e começaram a rir juntas, eram muitas lembranças na mente delas, era uma misto de sensações para ambas, afinal, mesmo com o fim da banda, essa ainda era a banda favorita da vida delas, na verdade, sempre seria.

- And yeah I let you use me from the day that we first met but I’m not done yet, falling for your, fool’s gold… - As amigas começaram a cantar o refrão a plenos pulmões e em uníssono, cantavam sem se importar com nada. - And I knew that you turned it on for everyone you met but I don’t regret, falling for your, fool’s gold.

Cantavam cada palavra da música apontando uma para a outra, se sentiam com 17 anos outra vez, e elas amavam isso, amavam essa conexão que tinham, amavam como se completavam e como depois de tantos anos ainda eram melhores amigas.
Quando chegou a parte de na música, fez o sinal de silêncio para , para que nenhuma das duas cantassem, ela ouviu a voz do seu favorito com a mão no peito e apreciando a voz dele, que era extremamente calma e deliciosa.

- Esse homem ainda mexe comigo de uma forma, que eu não sei explicar - disse assim que o refrão começou a ser cantada pela banda toda outra vez.
- Eu sei bem - disse rindo lembrando do sonho que tinha tido a poucas horas atrás.
- Que sorrisinho sem vergonha é esse? - questionou a amiga.
- Sonhei com o hoje! - confessou.

arregalou os olhos surpresa e depois começou a rir animada para a amiga.

- Isso só pode ser o destino - comentou. - Mas quero saber tudo, me conte!

tinha um sorriso de orelha a orelha, ela queria contar, mas também queria guardar para si, fazia muito tempo que não sonhava com seu ídolo, aquele que um dia já foi inspiração para que ela escrevesse uma história, uma história perfeita.

- Não sei se quero contar - disse enquanto mordia o lábio inferior. - Você pode achar bobo demais.

apenas riu da cara da amiga.

- Você sabe que não vou achar nada bobo né?! Eu faço planos para esbarrar no até hoje, não tenho moral alguma para te julgar - disse enquanto ainda dirigia a caminho do restaurante.
- Eu não sei.. - olhava para as unhas pensando se contaria ou não, tinha sido algo tão bom, tão dela, unicamente dela.

E enquanto a menina pensava em contar ou não sobre seu sonho, mais uma ação do destino aconteceu, quando virou a rua próxima ao Hyde Park, bem ali tinha um outdoor com uma foto enorme do para uma campanha da Gucci.
começou a gargalhar, o que chamou a atenção de , a tirando dos seus pensamentos.

- O que foi? - perguntou confusa sem nem ao menos notar o outdoor por ali.
- Olha para frente, se isso não é um sinal, eu não sei o que é… - respondeu ainda em meio às gargalhadas.

Assim que viu o outdoor em sua frente um sorrisinho brotou em seus lábios, um sorrisinho feliz. E ela percebeu que precisava compartilhar aquilo, afinal era só um sonho e era sua amiga, ela entenderia aquilo mais do que qualquer outra pessoa desse mundo.

- Tá bom, eu conto - disse se rendendo a curiosidade de .

dançou animada no volante.

- Basicamente eu ia num show dele, da turnê solo, o que na vida real não consegui - começou a contar e quando disse a última frase uma tristeza tomou seu coração.

Devido à rotina agitada que ela andou tendo nos últimos anos, os shows do seu artista favorito tinha ficado em segundo plano, infelizmente.

- Eu estava na grade do show, bem na frente dele - voltou a contar. - E por algum motivo que eu não sei qual, ele vinha até mim, segurava a minha mão e dizia algo como “Estou te procurando há algum tempo” - mudou a voz para contar a frase que havia dito para ela no sonho. - Depois disso ela dava um beijo em minha mão e voltava para o palco e eu acordei, foi um sonho rápido, mas muito real, não queria que acabasse.

sentiu uma alegria e ao mesmo tempo uma tristeza ao lembrar e contar do sonho.

- Ninguém quer que acabe, nunca! - constatou. - E que sonho perfeito, faz muito tempo que não sonho com , muito mesmo, eu nem me lembro quando foi a última vez.
- Tem vezes que eu prefiro não sonhar, principalmente com alguém que eu gosto tanto como o - confessou.
- Por quê? - questionou confusa.
- Eu fico com um aperto no peito depois, é injusto viver na mesma época que , ser fã, amar o cara e ele nem ao menos sonhar com a minha existência! - disse tudo de uma vez só, sem nem respirar.

se sentia da mesma forma, só que com .

- Eu queria tanto te ajudar com isso… - começou a dizer, mas a interrompeu imediatamente.
- Não, pelo amor, eu não saberia lidar, certeza que seria a fã louca que chora por tudo - disse rindo, o que seria a mais pura verdade.

riu concordando com a cabeça.
O carro foi estacionado em frente ao restaurante Tailandês, ambas desceram do veículo e seguiram em direção ao lugar.

- Sabe a sensação que eu tive depois desse sonho? - disse enquanto as duas ainda andavam em direção a entrada do restaurante.

apenas fez um sim com a cabeça para a amiga, para que ela continuasse.

- De que essa cena tinha em Elysian, mas não tem, eu sei que não tem - confessou.
- Que confuso - exclamou. - Não sei se entendi.
- É como se essa cena fizesse parte da minha história, mas que eu ainda não escrevi, ou vivi, sabe?! - explicou.

ainda a olhou confusa tentando assimilar tudo.

- Deixa pra lá - disse rindo quando percebeu que a amiga nunca entenderia aquilo.

O sentimento que sentiu era que ela já tinha vivido aquela cena, de que ela foi real em algum momento, que fazia parte dela, e ela não estava completamente errada, ela viveria isso, não exatamente dessa forma, mas viveria e seria em breve, muito breve, e com .

. .


Era engraçado como eu enxergava Heron de outra forma depois de o conhecer de verdade, depois de poder viver parte da minha vida com ele. Nos meus tempos de fã nunca havia percebido isso, para mim ele sempre foi aquele típico mulherengo que pega qualquer uma em todas as oportunidades que tem, que quebrava regras, o que era muito atribuído devido ao seu estilo, para a época, a forma como ele se vestia ou como tinha o cabelo, mostrava que ele era diferente dos demais, que não queria seguir um padrão, sobre isso eu não estava errada, ele realmente não queria ser igual a ninguém, Heron sempre fora único, como era até hoje em meu coração, mas em relação às mulheres, eu estava completamente errada. Na verdade Heron era do tipo que respeita todas as mulheres. Ele fazia de tudo para conhecer a pessoa, descobrir seus segredos, seus medos, suas marcas, e após saber tudo isso ele se envolvia e se envolvia de corpo e alma.
Uma coisa que eu não sabia de Heron e só pude ter conhecimento depois de o conhecer realmente, depois de conhecer a sua alma, era que ele era o tipo de pessoa que gostava de sorrir para tudo, para a vida, para o mundo, e que além disso ele era a pessoa mais transparente que eu poderia conhecer, em cima dos palcos ele não era assim, ou eu não conseguia enxergar, mas na vida real, na vida vivida, na que ele compartilhava comigo, eu sabia exatamente o que ele sentia apenas pelo olhar, e eu amava isso, na verdade, eu amo tudo sobre ele, até hoje
.”

permanecia vidrado naquela história de amor que lhe chamava tanto a atenção, fazia seu coração palpitar de felicidade e lhe arrancava vários sorrisos durante aquele domingo, estava deixando-o mais leve, coisa que não acontecia a algum tempo.
Ele ainda estava no meio da história, era do tipo de pessoa que gostava de ler tudo devagar, apreciar os mínimos detalhes. Ele estava tão submerso naquele mundo que ainda nem havia comido, só se deu conta de que estava faminto e que precisava comer, quando sentiu sua barriga roncar fortemente. Não queria sair daquela leitura, mas era necessário, precisava comer, então marcou a página que estava lendo, foi até o seu celular e o ligou. Se levantou do sofá, pois não queria ficar olhando o livro, senão voltaria a lê-lo, foi até a grande janela olhar o tempo lá fora, discou o número do seu restaurante favorito que ficava apenas um quarteirão da sua casa e pediu um prato de peixes com fritas, um prato típico inglês, e só havia pedido aquilo, pois havia sido citado no livro algumas vezes, o que acabou lhe causando uma certa vontade em comer.
Pouco tempo depois o prato chegou, desceu rapidamente para buscar e já voltou para o aconchego do seu apartamento, deliciou aquele grande prato enquanto verificava o seu celular, viu suas redes sociais, riu das mensagens do fãs, respondeu alguns, leu as notícias, fez mil e uma coisas para se distrair e não pensar naquele livro, mas era impossível, Elysian já tinha tomado completamente a cabeça dele.
Quando acabou de se deliciar com aquele prato, colocou o mesmo e os talheres na pia, lavou as mãos e então voltou para o seu grande e aconchegante sofá branco, se deitou e pegou Elysian em mãos, admirou por um tempo e abriu na página que havia parado.

Nunca esquecerei o dia que Heron apareceu de surpresa em minha casa, já estávamos juntos há três meses, ele estava em turnê com sua banda, estava viajando pela Europa toda, mas havia achado um tempo para ficar comigo, um tempo para cultivar e enraizar mais o nosso amor um pelo outro…”

- Eu faria o mesmo - disse para si mesmo. - Só espero um dia encontrar alguém assim…

continuou lendo mais alguns parágrafos, e enquanto fazia isso sentiu os olhos pesarem, o sono estava ali batendo em sua porta, afinal, tinha acordado cedo, tinha feito atividade física, em algum momento ele teria que descansar. E fez isso, involuntariamente, mas fez, sem perceber acabou fechando os olhos e segundos depois acabou adormecendo, o que ele não imaginava é que um sonho iria perturbar a sua cabeça ainda mais, um sonho que mostraria as semelhanças entre ele e Heron, um sonho em que ele seria Heron, um sonho em que ele viveria Elysian.


Capítulo 4

. .


“O sol brilhava de forma majestosa na imensidão azul em que se encontrava o céu de Londres; sem nenhuma nuvem ou algum sinal de tempo frio, era um típico dia de verão que podia ser facilmente confundido com o calor da Califórnia e extremamente atípico para Londres. Ali, sobre um palco perto do rio Tâmisa durante um festival com milhares de pessoas, eu estava na ponta de um palco com um microfone em mãos e sorrindo porque via todo mundo dançar e cantar minhas músicas de forma animada, mas uma pessoa em especial me chamava atenção naquela multidão: estava bem ali na frente e não misturada com os demais, e sim naquela pequena faixa do palco em que pessoas especiais para mim e para a produção ficavam.
Ela era linda, sorria para mim de orelha a orelha e parecia me conhecer mais do que qualquer pessoa no mundo e saber tudo sobre mim, enquanto eu não sabia nada sobre ela. Ela cantarolava junto comigo e apontava para mim ao mesmo tempo e, mesmo sabendo que eu não a conhecia, a cada minuto que eu a olhava parecia que meu coração sabia quem ela era; eu começava a sentir que ela sempre esteve na minha vida e eu só não sabia exatamente como.
O show terminou, me despedi do público e segui em direção ao camarim. Jeffrey jogou uma toalha em mim durante o caminho para que eu secasse o suor e me entregou um copo com água.

- Você foi fantástico, fantástico! - Jeffrey disse todo animado enquanto seguia em direção ao camarim comigo. - Você estava tão conectado com o público e dando tanto de si, foi incrível!
- Acho que nunca me senti assim antes! - confessei para Jeffrey.

E era verdade, parecia que cada terminação nervosa minha vibrava naquele momento; cada músculo, cada veia, tudo fazia daquele momento o mais perfeito que eu já havia tido em toda a minha carreira.
Durante o caminho para o camarim, aquela mulher na frente do palco voltou a minha cabeça juntamente com aquele sorriso encantador que fez meu coração bater mais rápido. Ela cantando, dançando, tudo passava de forma lenta em meus pensamentos. E quem seria ela? Será que Jeffrey sabia? Alguém tinha que a conhecer.

- Jeff - chamei meu empresário que caminhava na minha frente.

Jeffrey apenas olhou para mim mostrando que estava me ouvindo.

- Tinha uma mulher na frente do palco que cantou e dançou todas as minhas músicas e tinha um sorriso que nem em milhares de anos eu conseguiria explicar… Você sabe quem é?

Jeffrey imediatamente parou e me olhou confuso.

- Você não sabe quem é ela? - Jeffrey me questionou.
- Não! – respondi. - Era pra eu saber?

Jeffrey continuou me encarando tentando provavelmente achar em meu rosto algum sinal de que eu estava brincando, mas eu realmente não estava.

- Você tá brincando comigo? - Jeffrey me encarou mais firme agora.

Apenas balancei a cabeça em negação.
Jeffrey por fim caiu na gargalhada me deixando confuso e, em seguida, voltou a caminhar em direção ao camarim e eu apenas continuei o seguindo. Poucos segundos depois nós acabamos chegando ao local, mas antes de abrir a porta, Jeffrey me encarou, fez sinal com a cabeça apontando para a porta e então a abriu.
Assim que ele a abriu, pude ver a mesma mulher que estava na frente do palco ali. Ela estava perto da mesa de comidas e comia graciosamente um pedaço de pizza e quando ela me viu, colocou o pedaço de pizza que tinha em mãos no prato, engoliu o que mastigava e sorriu para mim, o mesmo sorriso do show que havia me encantando.
Senti Jeffrey chegar perto de mim e se direcionar para falar algo baixo no meu ouvido.

- Aquela ali é a sua garota! - Jeffrey disse sussurrando.

A mulher ainda me olhava sorrindo. Droga, ela era linda, mas como assim minha garota? Como eu não me lembrava disso? Como eu não me lembrava dela que era uma das mulheres mais bonitas e graciosas que eu já havia visto na minha vida? E olha que já tinha visto muita gente nessa vida.

- Você se conheceram num pub no aniversário dela de dezoito anos - Jeffrey continuou dizendo no meu ouvido. - Você realmente não lembra?

Neguei com a cabeça novamente.

- Droga! - Jeffrey esbravejou. - Você bateu a cabeça? Bebeu demais?
- Não, Jeff. Estou super bem - constatei.
- Como você não lembra dela, dude? - Jeffrey perguntou incrédulo. - Vocês estão juntos há dois anos! - ele contou por fim.

E aquela frase me pegou de surpresa. Como assim dois anos? Como eu estava com alguém que nem ao menos lembrava?

- Já vou resolver isso - Jeffrey respirou fundo e disse enquanto se afastava e ia de encontro com a mulher que estava nos olhando.

Jeff começou a conversar com ela que riu no começo, mas logo ficou séria e me encarou. A vi perguntar algo preocupada para ele e depois voltou a me encarar. A mulher então saiu de perto de Jeffrey e começou a vir em minha direção, ficando frente a frente comigo.

- Você está sentindo alguma coisa? - ela me perguntou enquanto me analisava. - Aconteceu alguma coisa enquanto estive na casa dos meus pais esses dias?

A voz dela era algo tão doce e tão calma e, mesmo preocupada, ela parecia querer me deixar em paz, sem me estressar.

- Não, eu estou bem! - respondi enquanto comecei a observar seu rosto.

Nada nela fugia do comum: não tinha olhos claros, não era extremamente magra, não tinha porte de modelo, tinha apenas um corpo saudável com um quadril levemente avantajado, mas na minha visão aquela beleza dela se tornava extraordinária. Seu sorriso, que era a melhor parte dela, os cabelos ondulados castanho-claro com mechas loiras que os iluminavam eram compridos até a altura dos seios, os olhos escuros, tudo normal, mas extremamente bonito.
A mulher então trouxe a sua mão até meu rosto fazendo um carinho gostoso que me fez despertar dos meus pensamentos e voltar para a realidade. Aquele toque dela em mim fez com que meus olhos fechassem, pois me parecia familiar como algo que eu já havia sentido há muito tempo, que ele me pertencia e fazia parte de mim, assim como ela.

- Eu realmente estou preocupada com você - ela disse enquanto ainda permanecia passando a mão no meu rosto.
- Não fique, você é a minha garota - respondi voltando a abrir meus olhos e encarar seus olhos.

A mulher riu, retirou a mão de meu rosto e então deu um tapa no meu braço.

- Você me assustou, Heron! - ela disse após o tapa e aquilo me deixou confuso.

Heron? Quem era Heron?

- Heron? - perguntei confuso.

Ela me encarou sem entender nada e depois riu.

- Você tá brincando de novo? - ela perguntou rindo.
- Não! - respondi sério. - Meu nome é , , ex-vocalista da .

Ela voltou a rir, mas dessa vez era uma gargalhada alta e encantadora.

- , Heron, quando você vai entender que vocês dois são a mesma pessoa? - ela me perguntou e voltou a gargalhar, porém aquela gargalhada começou a ficar mais longe a cada segundo que passava até que tudo ficou preto e eu acordei.”


apertou os olhos quando acordou para se acostumar com a claridade do lugar, na verdade não estava mais tão claro assim, a noite já estava tomando conta do céu de Londres que estava com nuances avermelhadas e azul escuro, mas nem percebera isso, pois algo estava martelando em sua cabeça sem parar e era aquele bendito sonho. Não era possível ser real e nunca que ele e Heron seriam a mesma pessoa; aquilo era um livro e coincidências acontecem, certo? Era apenas coincidência de ter uma história com um personagem que se assemelha e muito com ele em algumas coisas, mas não era possível ser algo além disso, era? A cabeça de ainda virava com mil perguntas, então ele decidiu se sentar no sofá e passou a mãos pelo rosto e pelos cabelos demonstrando sinais de nervosismo e frustração. Ele só queria uma resposta, será que estaria louco?
Aquele livro realmente tinha mexido com cada parte de si, com cada pensamento, cada linha, com tudo, e nem ao menos havia o acabado. Já tinha passado da metade e já havia entendido várias coisas sobre a história da fã com Heron, inclusive que era um amor genuíno, puro, verdadeiro, algo que ele nunca imaginou que fosse possível e poderia não ser, afinal, ele só estava lendo um livro ficcional. Enquanto pensava sobre tudo, acabou se lembrando de algo que o deixou intrigado ainda mais: o nome da garota principal que é a fã. percebeu que era um nome que nunca havia sido mencionado e que todos na história sempre a tratavam como ela, você, aquela, da mesma forma que havia sido em seu sonho. então se levantou do sofá e voltou a encarar aquele livro que estava jogado sobre o tapete felpudo de sua sala, provavelmente havia caído ali durante seu sono. o pegou, olhou minuciosamente a capa e os detalhes dela como fez várias vezes naquele dia e então folheou, ele precisava achar o nome da menina e não era possível não ter.

- Quem dá vida a um personagem e nem ao mesmo o nomeia? - disse para si mesmo enquanto ainda procurava entre as páginas.

foi folheando até o final e, quando chegou lá, não havia sinal do nome da garota que havia conquistado Heron e virado a grande inspiração para ele.

- Eu vou ficar maluco! - disse fechando o livro e jogando sobre o sofá. - Preciso pensar em outra coisa, comer ou algo assim!

buscou seu celular pelo sofá e o ligou, foi até a cozinha para pegar algo para comer já que havia almoçado tarde, porém no restante do dia acabou cochilando, então seu estômago já começava a avisar que sentia fome. Caminhou até a geladeira a abrindo e procurando o que desejava comer, foi quando viu a embalagem de um restaurante mexicano onde havia pedido tacos, sua comida favorita, para o jantar na noite passada e ver aquela comida fez com que uma parte de Elysian viesse a cabeça de , uma parte que dizia muito sobre as semelhanças que ele já havia encontrado, mas que custava a acreditar.

“Heron nunca estava de mau humor e se caso estivesse, era muito bom em não demonstrar o que sentia e guardar apenas para si. Mesmo nos nossos piores momentos quando achávamos que nada se encaixava entre a gente, que realmente víamos que o romance entre uma pessoa normal e um famoso não era nada fácil ou até mesmo quando todo mundo dizia que aquele era só mais um namoro de fachada, ele seguia firme, feliz e não se importava com a opinião dos outros. Na verdade, Heron sempre tentava me deixar feliz e me demonstrava o maior amor do mundo. Porém teve um dia em específico que uma briga com um amigo o abalou e eu nunca o tinha visto da forma que ele estava. Entretanto, estar com Heron tinha suas inúmeras vantagens, e uma das grandes na verdade, era saber o que traria um grande sorriso cheio de covinhas que eu tanto amava para aquele rosto: um grande prato de tacos com guacamole orgânica. Com isso eu sabia que ele esqueceria todos os problemas.”

- Não é possível! - proferiu assim que saiu daqueles pensamentos.

Ele voltou a encarar o pacote de tacos que estavam na sua frente.

- É só mais uma coincidência, só pode ser mais uma coincidência! - disse olhando o pacote. - Muitas pessoas gostam de taco e guacamole orgânica, né?

então fechou a geladeira sem pegar nada para comer e voltou a pensar naquele livro enquanto andava de volta para a sala para pegar seu celular.
Eram muitas coisas que se passavam pela sua cabeça e até se sentiu um pouco tonto ao tentar assimilar tudo. Havia começado aquele livro sem pretensão nenhuma e agora via tanta semelhança entre ele e o Heron, que só podia estar ficando louco, era isso, estava louco.
acabou saindo daqueles pensamentos quando seu celular começou a tocar pela sala e agradeceu por finalmente ele ter outra coisa em quem pensar. Andou até o sofá e viu o nome da sua irmã mais velha, Gemma , brilhar no visor.
Gemma sempre fora a luz de : a pessoa que mais o conhecia e entendia tudo, mais até que a própria mãe de ambos, mais do que seu empresário, mais do que qualquer fã.
então deslizou o dedo pela tela do celular a atendendo.

- Hey, Gem - cumprimentou a irmã, mas era nítido em sua voz que o livro ainda o atormentava.
- ? Onde se meteu o dia todo? - Gemma perguntou ao irmão com a voz um pouco brava. - Te liguei o dia todo e só caía na caixa postal! E que voz abatida é essa?

acabou rindo depois daquele turbilhão de perguntas. Com certeza Gemma tinha ligado para ele durante o dia todo e agora tinha percebido a alteração na sua voz.

- Estou em casa - respondeu. - Desliguei o celular para ter um pouco de paz...
- Mas aconteceu mais alguma coisa, porque sua voz não tá muito feliz - Gemma cortou o que o irmão dizia antes mesmo dele explicar.
- Só tava lendo um livro, Gem, e ele me deixou intrigado - disse a verdade para a irmã.
- Ah, é? - Gemma perguntou curiosa. - E o que esse livro tinha de tão importante pra te fazer ficar intrigado? É suspense? Porque se for, já vou querer emprestado!

voltou a rir das perguntas da irmã, pois Gemma era fã de livros de suspense e se prendia a eles completamente. Elysian claramente não era suspense, isso era claro na própria sinopse, porém havia intrigado da mesma forma.

- Na verdade é um romance - disse por fim para a irmã.
- Você intrigado com romance, ? Como assim? - Gemma perguntou com certa confusão na voz.

E entendia muito bem o porquê, afinal, romance era a última coisa que o intrigava entre todos os gêneros de livro e quando pensou em deixar todo aquele papo sobre livros para trás, acabou se lembrando de uma coisa.

- Você tá vindo para meu apartamento? - perguntou para a irmã com uma certa ideia na cabeça.
- Sim - Gemma respondeu. - Estou passando pelo Hyde Park, por isso mesmo estava tentando ligar, para avisar que estava a caminho.
- Ótimo, pois vou precisar de você! - respondeu animado.

Gemma era a pessoa perfeita para sanar todas as ideias loucas que se passavam pela mente de , pois a irmã do cantor conhecia a personalidade dele, os gostos e eles realmente tinham uma forte ligação entre irmãos. E, sabendo que Gemma iria para a sua casa, percebeu que poderia ter uma segunda opinião sobre Elysian, sobre as semelhanças entre ele e Heron e ele sabia que Gemma leria se ele pedisse e concluiria que tudo o que ele andava pensando era apenas coisa da cabeça dele, que estava louco, porque definitivamente era isso que ele queria ouvir.

. .


e ainda permaneciam juntas, já que depois do almoço decidiram ir andar por Londres. Apesar de estarem morando na cidade há alguns anos e conhecer perfeitamente bem cada pedaço daquele lugar, fazia muito tempo que não visitavam seus lugares favoritos e conversavam sobre a vida.
Ambas decidiram ir até o Hyde Park respirar um pouco de ar fresco, andar por aquele local que tanto amavam e poucas vezes haviam ido. Ambas as meninas moravam longe dali, pois apenas a realeza britânica morava próximo ao Hyde Park, mas sempre fora um lugar que elas adoravam andar, ver pessoas se exercitando, ver flores e o dia acontecer, além de estarem mais próximas da natureza naquela imensidão cinza que era Londres.
Assim que adentraram ao parque, seguiram andando e conversando sobre trabalho até chegarem próximo a um banco onde ambas sentaram.

- Ando pensando em começar umas aulas de francês - disse a amiga.

a olhou abismada, pois sempre havia dito a ela que tinha interesse em cursar outro idioma, especificamente o francês.

- Você não vai fazer isso por causa do e da nova campanha dele para Gucci, né? - perguntou brincando, pois lembrava que há anos atrás tinha dito que havia visto seu querido falando e atualmente o mesmo havia participado de uma campanha da marca em que falava o slogan da campanha em francês.
- Pelo amor de Deus, ! - disse indignada. - É óbvio que não! Vou fazer porque surgiu uma oportunidade de eu crescer na editora e subir de cargo! Você sabe disso, criatura!

começou a rir da amiga, pois sabia que não era por causa de , mas adorava tirar com a cara dela e ainda mais hoje que tinha virado assunto recorrente entre elas.

- Por que disse isso? Falou que era por causa do ? - perguntou depois de analisar morrendo de rir. - Meu mundo não gira em torno dele não! Essa minha fase já passou há muito tempo.

ainda ria, mas logo começou a parar, respirou fundo e olhou diretamente para a amiga.

- Eu só estava brincando! foi tão presente no nosso assunto hoje que queria tirar uma com a sua cara.

apenas fez uma careta para a amiga e depois ambas caíram na risada mais uma vez durante aquele dia.

- Pensando bem, ele foi mesmo - disse por fim. - Acho que isso não acontecia há MUITO tempo.

enfatizou a palavra muito e realmente era verdade, já que começou a pensar que fazia muito tempo que as amigas não falavam de seus ídolos ou algo do tipo. A vida adulta agora começava a barrar certos assuntos nas reuniões delas, os papos entre elas era sempre sobre a revista que trabalhava ou sobre a marca que trabalhava. Outro assunto bem falado entre elas era sobre homens; infelizmente, e nunca tiveram sorte quando o assunto era amor. até chegou a namorar por um curto período de tempo, mas o cara mais lhe fazia mal do que bem e ela acabou encerrando tudo aquilo para a felicidade de , que se viu um pouco sozinha quando teve que dividir a atenção de com um cara que não valia a pena, mas isso já fazia tanto tempo, que também nem era tanto uma pauta assim entre elas. tinha um relacionamento com o seu trabalho e só tinha olhos para isso, mas a verdade era que seu padrão de homem sempre seria o cantor de olhos verdes que sempre fora apaixonada e acreditava que ninguém o conseguiria substituí-lo. Outro assunto que era forte no momento nas conversas das amigas era comida; ambas adoravam ver programas de culinária e conhecer novos restaurantes, era o que sempre fariam juntas, o elo que as unia ainda mais.
suspirou fundo e começou a olhar tudo em volta no Hyde Park. Um vento frio já se fazia presente no lugar e a noite começava a demonstrar sinais de que logo chegaria ao horizonte. Ela se sentia imensamente feliz naquele dia, e por mais simples que tenha sido, havia sido especial, pois estar com falando sobre as suas coisas favoritas sempre fazia o dia ser especial. Enquanto ainda olhava por toda extensão que seus olhos alcançaram, acabou avistando um letreiro que brilhava o nome Saint Aymes numa fachada bem fofa com flores e cores leves.

- O que acha de tomarmos um chá? - disse chamando a atenção de . - Estou com um pouco de frio e preciso me aquecer.

Chá era definitivamente a bebida favorita de .

- Claro, acho que realmente precisamos! - respondeu já se levantando do banco e se colocando em pé na frente da amiga.

também se levantou e ambas andaram em direção ao local, e quanto mais se aproximavam, mais notas sobre o lugar tomava; tudo ali era fofo e nunca tinha visto um lugar como aquele em Londres, pois era diferente e muito convidativo. O que não sabia era que aquele coffee shop era realmente diferente, pois aquele lugar era o responsável por fazer com que Elysian chegasse às mãos da pessoa que a tinha inspirado a escrever e faria com que a vida de virasse de cabeça para baixo daqui a alguns dias, algo que ela nem sonhava e muito menos imaginava. E o que ela menos imaginava ainda era que a melhor amiga dela, a pessoa que estava ao seu lado e que não tinha se dado conta onde estava ainda, era a principal responsável por tudo isso.

. .


estava tão submersa na conversa com a amiga que acabou não percebendo onde ambas estavam indo tomar chá; não fazia noção ainda que tivera ali alguns anos atrás e deixado Elysian para que alguma pessoa na imensidão londrina o achasse.
As amigas então passaram pela porta e rapidamente seguiram em direção ao balcão para solicitar o que comer e beber. pediu um chá Lady Grey acompanhado de crumpets tradicionais com geleia caseira de morango, mel e manteiga, enquanto pediu um chá de frutas vermelhas com um donuts de chocolate. Ambas então seguiram para uma mesinha que tinha por ali perto das prateleiras de livro para sentarem.

- Eu amei esse lugar! Por que nunca tinha conhecido antes? - escutou dizer.

Assim que ouviu aquilo da amiga, ela começou a prestar mais atenção no lugar: olhou as mesas, o balcão e as prateleiras e então sua mente fez com que imagens de anos atrás voltassem para a sua cabeça: ela ali naquele lugar entregando o livro para uma atendente. engoliu em seco quando as imagens sumiram de sua mente e então rapidamente se levantou fazendo com que se assustasse.

- O que aconteceu? - perguntou sem entender nada.
- Nada, só preciso trocar meu pedido - mentiu saindo da mesa.

andou apressada em direção as prateleiras, dando uma olhada por cima para ver se por acaso via o livro da amiga por ali. não podia sonhar com isso agora e nem nunca, porém quanto mais procurava, mais longe de achar aquele livro ela estava. Então, decidiu parar de procurar e resolveu perguntar para a atendente do lugar.

- Olá! - disse assim que chegou ao balcão.

A atendente a olhou toda sorridente.

- Olá, em que posso ajudá-la? - a atendente perguntou.

então se aproximou mais da moça para que pudesse falar baixo.

- Uma vez, eu vim aqui e tinha um livro especial na prateleira, tinha uma capa creme, parecia uma almofadinha, chamava… - começou a explicar baixinho para que a amiga não escutasse, mas a atendente a interrompeu antes mesmo que terminasse.
- Esse livro foi vendido hoje mesmo! - a atendente disse fazendo com que parasse de falar. - Um cliente, muito especial por sinal, comprou hoje de manhã e era bem cedo quando ele comprou o livro.

estava incrédula; alguém além dela tinha se interessado no livro? Ela não estava tão louca de que aquela história era realmente maravilhosa? então soltou um sorriso de orelha a orelha pensando em como aquilo era perfeito, deu uma leve virada de rosto e parou seu olhar no da amiga que sorriu de volta para ela. era a pessoa mais importante na vida de , aquela que estava com ela sempre que necessitava, que havia dividido a maioria das experiências da vida, que era sua irmã de alma e nada mudaria nisso.

- Você sabe quem é a pessoa? Algum nome? - perguntou curiosa.

E perguntou isso porque aquela região em específico contava com a presença de pessoas muito influentes, realeza e famosos.

- Infelizmente não me lembro exatamente quem era - a atendente mentiu, mas não sabia desse detalhe.
- Tudo bem - sorriu para a atendente como agradecimento. - Obrigada!

Em seguida, voltou a andar em direção a mesa que antes estava, se sentando ao lado da amiga.

- Conseguiu trocar seu pedido? - perguntou.
- Sim! - respondeu ainda rindo e com um ar de paz.
- Aconteceu mais alguma coisa? - voltou a questionar a amiga, pois ela estava achando estranho toda aquela reação.
- Não, só estou feliz por estar aqui com você. Eu sinto que esse lugar é especial e ainda vai mudar vidas - disse profetizando.

encarou a amiga um pouco assustada, porque não estava entendo nada do que estava acontecendo ali. Na verdade, demoraria muito para entender todas as ações que o destino estava pregando nela e por mais que tivesse um pequeno toque de em tudo o que iria acontecer a seguir, o destino era o maior responsável por tudo. Se não fosse por ele, não teria entrado naquela cafeteria de manhã, não teria visto o livro e o comprado, não acharia a semelhança entre ele e a história e nunca iria atrás de . Mas isso aconteceu e cada um desses passos aconteceria e seria em breve.

. .


andava de um lado para o outro de seu quarto enquanto sua irmã estava deitada em sua cama lendo o livro que havia tomado tanto da sua atenção naquele domingo.
Gemma havia chegado no apartamento de há duas horas e desde então estava ali pregada lendo cada frase e cada parágrafo que havia pontuado para ela. Obviamente que não havia acabado de ler todo o livro, mas precisava tirar a sensação de que tudo aquilo que ele lia era sobre ele para que então continuasse a história. Gemma permanecia focada no livro da mesma forma que tinha ficado.

- Para de andar de um lado para o outro! - Gemma chamou a atenção de . - Você está tirando minha concentração!

bufou irritado para a irmã, encarando-a.

- O que você quer que eu faça? Estou achando que enlouqueci de vez e só preciso dessa confirmação! - disse de uma vez.

Gemma olhou para , encarou o livro novamente, voltou a olhar para e então soltou todo o ar que estava em seus pulmões.

- ... - Gemma começou a dizer de uma forma que causasse menos impacto no irmão, mas sabia que aquilo seria impossível.
- Gem... - disse o apelido da irmã a acompanhando.
- Sinto lhe dizer que você não está louco, little brother - Gemma disse de uma vez e respirou fundo. - , o que vou te dizer agora pode parecer meio estranho e preciso que você não surte com isso, mas Heron é você e você é o Heron e esse livro, a história de Elysian, é definitivamente sobre você.

caiu estático sentado sobre a cama quando a irmã acabou de dizer aquelas palavras. Ele não estava louco e isso não era exatamente o que ele queria ouvir.


Capítulo 5

. .



- Sinto lhe dizer que você não está louco, little brother - Gemma disse de uma vez olhando fixamente para o irmão para que ali, com o olhar, conseguisse tranquilizar ele pelo que iria dizer a seguir. - , o que vou te dizer agora pode parecer meio estranho e preciso que você não surte com isso, mas Heron é você e você é o Heron e esse livro - Gemma levantou o livro mostrando para ele. - A história de Elysian, é definitivamente sobre você.

sentiu a cabeça ficar levemente pesada quando a irmã disse aquilo e então caiu estático sentado sobre a cama. Vários pensamentos começaram a rondar a sua cabeça; nunca havia se encontrado mais confuso do que agora, nem mesmo quando precisou decidir se aos 17 anos faria audições para um programa de TV famoso ou quando decidiu com os colegas de banda em dar uma pausa e muito menos sobre sua carreira solo. Algo que sempre se sentiu abençoado era sobre a sua certeza das coisas, mas naquele momento, só dúvidas e mais dúvidas rondavam a sua mente e ele nunca havia se sentido assim na vida, nunca. E, enquanto permanecia ali sentado, sua cabeça começou a divagar sobre o porquê de uma pessoa escrever algo inspirado nele, por qual motivo alguém imaginaria ele como um modelo para um personagem de livro e o mais importante: como alguém havia o decifrado tão bem?

- ? - Gemma disse tentando conseguir a atenção do irmão depois de observar que o mesmo havia ficado estático e submerso em alguma coisa que ela não entendia depois de ter confirmado para ele o que achava.

balançou a cabeça quando ouvi a voz da irmã e voltou a olhá-la buscando o que falar.

- Você ficou estranho - Gemma constatou antes que dissesse alguma coisa. – Por que me parece que você não queria ouvir o que eu disse?

ainda olhava a irmã tentando buscar as palavras certas para ela, mas, sinceramente, nem ele mesmo entendia toda essa necessidade de provar para si mesmo que ele não era Heron. O livro não era ruim, longe disso, só era impactante saber que aquilo tudo se tratava dele.

- É que... - começou a dizer, mas acabou se perdendo em pensamentos mais uma vez ao se lembrar de mais uma parte do livro.

“Heron era doce e isso era nítido em sua personalidade; era atencioso, sempre soube usar as palavras certas quando algo acontecia com qualquer pessoa, sendo ela a sua melhor amiga ou o porteiro de seu prédio. Em momentos tristes ou felizes, ele sempre sabia o que fazer e dizer… Era incrível essa capacidade e algo que eu só havia visto nele e em mais ninguém. Mas quando desmoronamos, ele não soube o que dizer; parecia perdido, como se algo realmente tivesse sido tirado de dentro dele, e tinha: o nosso amor. E, até hoje, não entendo como chegamos nessa situação. Na verdade, até entendo, só não queria aceitar.”

balançou a cabeça assim que saiu daquelas lembranças. Elas pareciam tão nítidas na sua cabeça, tão verdadeiras e reais… Na verdade, haviam sido; não com Heron e sim com ele há anos atrás. A mesma situação da história: uma namorada da adolescência.

- ? - Gemma disse alto com um certo nível de irritação na voz. - O que está acontecendo? Por que você está tão disperso? Por que isso tudo está mexendo tanto com você?

A irmã levantou do lugar que estava e se colocou ao lado do irmão.

- Se você não me dizer agora, eu vou embora pela aquela porta e… - Gemma começou a dizer, porém acabou a interrompendo.
- Eu não sei, Gem - respondeu se levantando e começando a andar de uma lado para o outro do quarto querendo entender todos os pedaços daquele quebra-cabeça que insistia tanto em o deixar desconcertado.

Gemma se levantou e foi mais uma vez até ele ficando cara-a-cara com o irmão, pegou no rosto dele e o fez olhá-la bem dentro dos seus olhos.

- Se você me contar o que está acontecendo eu posso te ajudar - Gemma disse olhando profundamente dentro das íris de .

E foi naquele momento que finalmente conseguiu entender que a irmã só estava ali para o ajudar, não o julgaria, não o veria como louco, apenas o ajudaria.

- Gem - começou a dizer encarando a irmã. - Eu ando acreditando, fielmente, que aquele livro - apontou para a cama onde Elysian estava. - É sobre mim e que a pessoa se baseou em mim para escrevê-lo.
- Essa dúvida eu não tenho - Gemma disse.

a encarou levantando uma sobrancelha.

- Você nem leu tudo o que eu li e já tem essa certeza? - perguntou.

Gemma soltou um risinho e balançou a cabeça de forma afirmativa para o irmão.

- Eu te conheço como ninguém - Gemma começou a falar. - Exceto a pessoa do livro, que parece te conhecer ainda melhor do que eu.

passou as mãos pelos cabelos tendo a certeza de tudo o que havia passado pela sua cabeça e que estava tanto o atormentando realmente não era loucura. Respirou até aliviado com isso, na verdade.

- E como você percebeu isso, Gem? - perguntou para a irmã.
- Estou com fome, a gente pode conversar sobre isso na cozinha? - Gemma perguntou já se direcionando para a saída do quarto.

apenas acenou com a cabeça e viu a irmã sumir pelo corredor. Ele foi até a cama, pegou o livro em mãos e passou uma das mãos pela capa parando sobre as letras abreviadas que indicavam as iniciais do autor.

- Quem é você que me decifrou tanto? - disse ainda acariciando aquela letras em relevo. - Quem é você que criou Heron, mas o tempo todo falou de mim? Quem é você?
- , você quer comer alguma coisa? - Gemma gritou da cozinha chamando a atenção de .
- Não, tenho coisas mais importantes para decidir agora - disse enquanto saía do quarto e ia em direção a irmã.

Ele realmente estava obstinado a entender o que a irmã tinha visto no livro e se eram as mesmas coisas que passavam pela cabeça dele.

- E então, Gem - disse chamando a irmã assim que chegou na cozinha. - Me diga o porquê de você achar que eu e Heron somos as mesmas pessoas.

Gemma se sentou na cadeia ao redor da ilha de , bebeu um grande gole de suco, então fez sinal para que sentasse ao seu lado. riu e se encaminhou até sentar na cadeira ao lado da irmã.

- O que você exatamente quer saber, little brother? - Gemma perguntou direta e segurando o riso.
- Por que você achou que eu e Heron somos a mesma pessoa? - respondeu. - O que deixou isso tão claro para você?

Gemma bebeu mais um gole de suco e pareceu pensar exatamente no que diria ao irmão.

- O jeito que ela narrou o Heron se assemelha muito com a sua personalidade, mas nada físico - Gemma começou a dizer. - Até porque as partes que li não tinham descrições dele.
- Sim - concordou. - O que eu li também não tinha nenhuma descrição, apenas de personalidade.
- Mas outras pessoas podem ser assim, - Gemma voltou a falar com o irmão. - Não é só você que pode ser daquele jeito.

deu uma risadinha sem graça.

- Gem - começou a dizer de forma pausada. - Têm coisas naquele livro que só eu mesmo sei sobre mim, mais ninguém.

Gemma olhou para sem entender.

- Eu anoto coisas num diário - confessou. - Eu sempre anoto nele quando estou triste ou feliz, algum pensamento, possíveis novas músicas, inspirações, coisas do passado…
- Um diário? - Gemma disse pensativa. - Você acha que alguém pode ter vendido o que você escreveu neste diário?
- Não - negou a pergunta dela. - Seria impossível, pois eu nunca o deixo por aí, tanto que nem você sabia da existência dele.

E isso era realmente era verdade; sempre mantinha aquele diário guardado a sete chaves e nunca alguém havia visto ele ou ao menos tinha ouvido falar. Gemma era a primeira pessoa a saber disso.

- Você confia demais na pessoas, - Gemma disse. - O mundo não é tão bom quanto você imagina.
- A questão não é essa, Gemma - começou a explicar. - A questão é que ninguém sabe disso! Ninguém da minha banda ou da produção, nem meus melhores amigos ou muito menos você e a mamãe. Bom, agora você sabe porque acabei de te contar.

Gemma confirmou com a cabeça quando disse aquilo porque realmente era verdade. Essa hipótese, na verdade, nunca tinha passado pela cabeça dele, pois não tinha como ser alguém que ele conhecia.

- Você tem certeza que ninguém descobriu isso, ? - Gemma perguntou mais uma vez querendo confirmar. - Nem mesmo o Mitchell ou o James? Já sei, pode ter sido o Nick!
- Não, Gem - negou com a cabeça. - Eles são meus amigos mais próximos, mas nenhum deles sabia do diário. Ele fica guardado no meu cofre aqui de casa e não tinha como alguém saber, já te falei isso. Além do mais, o livro tem a data de 2015, ou seja, foi escrito em 2015. Então como alguém saberia como eu me sinto hoje?!

Gemma apenas confirmou com a cabeça após ouvir as palavras do irmão. voltou a pensar no livro e nas coincidências que o personagem principal apresentavam com ele.

- Você quer fazer algo sobre? - Gemma perguntou ao irmão fazendo com que ele saísse de seus pensamentos.
- Eu não sei - respondeu confuso.

E ele realmente não sabia, não sabia se seria uma boa ideia tentar desvendar quem era o autor ou algo do tipo, não sabia se realmente queria saber sobre toda aquela história, mas ele tinha somente uma certeza, pois se conhecia bem: se não descobrisse ao menos o nome da pessoa que parecia o conhecer tão bem e que havia escrito Elysian, aquilo o atormentaria por toda a vida.

- Acha uma boa ideia tentar achar o autor ou autora? - perguntou se direcionando para a irmã.

Gemma o olhou parecendo pensar e enquanto isso, voltava a pensar se realmente aquilo era o certo a se fazer.

- Acho válido tentar - Gemma disse por fim. - Você é a pessoa mais discreta que eu conheço, mesmo sendo um astro mundial. Acredito que ninguém vai ficar sabendo.

concordou com a cabeça com a irmã. Realmente ele não podia ser descoberto nessa busca pelo autor ou autora desse livro e teria que tomar todos os cuidados possíveis e faria isso.

- Você me ajuda? - perguntou para a irmã.
- Claro, ! Nem sei porque você está perguntando! - Gemma disse enquanto se levantava e ia em direção ao irmão.

Em seguida o abraçou, passando toda uma sensação de paz e segurança para ele.

- Vamos fazer isso - Gemma disse ainda abraçada ao irmão. - E por onde quer começar?

Assim que Gemma disse aquilo, começou a pensar no que fazer, onde buscar pistas, já que no livro nem ao menos se tinha o nome de quem havia o escrito, apenas as letras iniciais, apenas a dúvida.

- Não achei nada no livro - contou. - Procurei pra ver se tinha algo antes de ler, mas não tinha.

Gemma soltou o irmão e voltou a se sentar na cadeira que antes estava.

- Onde você comprou esse livro mesmo? - Gemma perguntou ao irmão.

Imediatamente, uma luz pareceu surgir em sua cabeça; Gemma era genial e agora sabia por onde começar a buscar.

- Num café ao lado do Hyde Park - disse a irmã com um sorriso no rosto. - E é lá que iremos amanhã cedinho.

. .



se sentia exausta, mas incrivelmente feliz e leve. Adorava passar os dias com , ainda mais o domingo; a amiga sempre foi aquele ponto de paz que ela precisava quando a vida se tornava difícil, uma conversa com sua amiga tinha o poder de fazer com que todas as suas dúvidas e problemas fossem sanados. era sua metade, sua alma gêmea e aquilo não tinha como negar; as duas tinham uma conexão inexplicável, nada no mundo saberia responder aquilo entre elas, apenas existia e fazia bem para ambas.
As amigas tinham almoçado juntas, andado pelo Hyde Park, ido à um café e depois passearam pelo rio Tamisa por um tempo conversando, tudo o que tanto amavam fazer juntas. Quando a noite chegou de verdade, cada uma tomou o rumo de seus respectivos apartamentos para poder descansar e então dar início a rotina trabalhosa, pesada e intensa que viria a seguir. A próxima semana seria diferente, mas por culpa do destino, algo que elas nem sonhavam ou imaginavam.
Assim que chegou em seu pequeno apartamento, foi diretamente para o banho se aquecer, pois a temperatura tinha caído consideravelmente em Londres assim que a noite apareceu e, depois daquele dia cansativo, era só disso que ela precisava para se revigorar. Colocou sua melhor playlist para tocar enquanto sentia a água quente descer por todo seu corpo.

- You got that James Dean daydream look in your eye and I got that red lip, classic thing that you like - cantarolou enquanto sentia a água quente relaxar seus músculos.

Riu quando lembrou que aquela música se tratava de e mais ainda lembrando das reações que teve quando aquela música saiu.
Depois de mais algumas músicas tocadas, decidiu sair de seu banho, mas permaneceu com sua playlist tocando em seu celular, foi até seu guarda roupa e vestiu o seu pijama mais quentinho que tinha por ali, já que ela queria estar confortável e nada além disso. Quando acabou de se vestir, foi até a cozinha fazer um chá para que então, finalmente, pudesse deitar em sua cama e assistir alguma série e depois dormir. Porém, enquanto a água de sua chaleira fervia, a música do seu celular foi interrompida avisando que uma nova mensagem havia chegado.
se dirigiu até o celular e assim que viu do que se tratava bufou irritada.

- Poxa, hoje é domingo! - disse para si mesmo abrindo a mensagem do escritório da revista em que trabalhava.

Quis quebrar o celular em mil pedaços assim que viu a mensagem, pois ela só queria dormir ou assistir uma série, mas, infelizmente, teria que trabalhar em um domingo à noite. jogou o celular sobre a cama e voltou para cozinha a fim de pegar seu chá, não desistiria dele, o colocou na caneca e levou a mesma consigo até colocá-la sobre a mesa de cabeceira ao lado de sua cama, depois foi até sua mesinha, pegou seu notebook e o levou para cama, já que teria que trabalhar, então trabalharia ao menos confortável e quentinha sentada em sua cama.
Assim que se ajeitou com o notebook no colo, colocou novamente a playlist de antes, pois ela era uma seleção de suas músicas favoritas e, em meio aos vários refrãos cantados, ela conseguiu fazer o que tinham lhe solicitado, mesmo na força do ódio, mas tinha. Quando ela fechou o último editor, uma melodia suave no piano começou a ressoar pelos altos falantes do seu computador; era uma das suas favoritas que ela conhecia bem e foi composta pela pessoa com quem ela tinha sonhado na noite anterior, mas a voz não era dele e sim de Ariana Grande: Just A Little Bit Of Your Heart.
Essa música sempre mexeu demais com , desde o primeiro dia que a escutou, e ela ficou ainda mais tocada quando descobriu que a música havia sido escrita pelo seu maior ídolo. Escutando aquela música, acabou tendo várias recordações de anos atrás, de quando ia nos shows da , de quando não haviam outras preocupações a não ser sonhar com o momento em que os encontraria, mas esse momento nunca aconteceu, não de verdade, apenas em sonhos, como naquele que ela tinha tido na noite passada. E enquanto ainda pensava nesses momentos, acabou se lembrando de Elysian, seu livro em que ela havia se inspirado em para escrever e que aquela música em especial havia inspirado uma das suas cenas favoritas nele. então começou a buscar o livro pelo computador, pois não lembrava exatamente onde havia guardado a última versão; não via há anos e na última vez que abriu o arquivo, ela ainda nem morava naquele atual apartamento. Procurou pasta por pasta até finalmente encontrá-lo. Elysian estava ali: todo diagramado e da forma que ela mesmo havia feito, com sua capa marrom e apenas suas iniciais nele.
tinha um enorme carinho por cada palavra que ela havia colocado ali, Elysian era especial para ela, pois era todos os seus sentimentos colocados em folhas de papel, uma história de amor baseada no seu grande ídolo. Ela não podia negar que o final não era exatamente feliz, mas ela amava aquela história e todos os seus detalhes e principalmente, a forma como Heron era e vice-versa, ao menos era o que ela achava dentro da sua cabeça e da sua alma. tinha colocado Just a Little Bit Of Your Heart para repetir e então começou a descer as páginas do livro até chegar exatamente no capítulo em que aquela música havia a inspirado. Obviamente, nunca havia citado a música ou colocado partes dela, mas ela sabia que a canção fazia parte de toda aquela cena e construção dela e era isso que importava para ela, nada mais. Ela começou então a ler a cena da música e imediatamente um aperto lhe atingiu o peito, pois era uma das últimas cenas do livro, ou seja, uma cena triste.

“Não tinha como negar que o nervosismo corria por minhas veias e nem podia mentir para mim e dizer que tudo estava bem, pois não estava. Eu estava na minha casa em frente à minha TV esperando apenas a apresentação de Heron começar. E porque eu sentia todo esse nervoso mesmo estando em casa? Bom, essa era a primeira vez que eu o veria depois de cinco meses do nosso término; na verdade, eu nem sabia ao certo por qual motivo eu tinha me programado para ver aquilo, eu só sabia que deveria e sentia dentro de mim, então fiz.
Nosso término não havia sido nada fácil, nem para mim e muito menos para ele. Nós nos amávamos muito, não tinha como negar, mas as pressões da mídia e a vida agitada dele me fizeram perceber que aquilo não era para mim e assim nosso relacionamento acabou se desgastando. Nós normalmente estávamos mais tristes do que felizes juntos, era sempre um abrindo a mão do que gostava para ajudar o outro e foi o que acabou nos quebrando por dentro e nos dilacerando por completo. Nós também sabíamos que não havia culpado naquele término, a gente só precisava seguir caminhos diferentes e guardar tudo de bom que vivemos juntos. Havia sido um tempo bom e feliz, mas que infelizmente passou, deixando apenas as lembranças, e era o que importava. Mas ainda assim, o ver ali doía porque eu tinha o amado como nunca amei outro alguém e sabia que nunca teria outro Heron na minha vida, ele era único, era o meu Elysian, o meu paraíso.
Me posicionei em minha cama, a temperatura estava consideravelmente baixa naquela noite, então me agasalhei de forma mais confortável e aquecida possível. Pensei diversas vezes em desistir e me manter com as lembranças dos anos em que vivemos juntos, mas eu precisava ver Heron cantar, precisa ouvir sua voz pelo menos mais uma vez.
O show que estava sendo transmitido era um grande e famoso festival beneficente de natal promovido por uma rádio em que um dos melhores amigos de Heron trabalhava. Eu tinha ido no ano passado e pude assistir do backstage, mas esse ano seria diferente. Senti as lágrimas acumularem em meus olhos, mas eu não iria chorar mais, tinha prometido para mim mesma. A emissora logo anunciou o início do show, as luzes do palco então se apagaram e logo dava para escutar a introdução daquele show que eu tanto conhecia e que eu já havia visto tantas vezes. Segundos depois, uma única luz foi ligada e Heron surgiu na frente do palco, com seu jeito característico de ser e com as mãos cheias de anéis que passeavam pelos longos cabelos enquanto segurava o violão em seus braços.

- Boa noite, Londres - Heron disse animado para a plateia que estava presente no lugar.

Uma gritaria ensurdecedora tomou conta fazendo com que meus tímpanos vibrassem mesmo pela TV.

- Normalmente, eu começo os meus shows com músicas mais agitadas - Heron voltou a falar calmo. - Mas hoje queria começar diferente e apresentar algo que preparei para esse show em especial.

A gritaria tomou conta do lugar novamente. Heron retirou o violão do seu peito, o colocou sobre o suporte no chão e foi até o piano que tinha no canto do palco, aquele que ele usava para tocar uma ou duas músicas durante o show, mas que excepcionalmente hoje, ele usaria primeiro. Ver Heron tocando piano sempre fora uma das minhas cenas favoritas, e eu tinha certeza absoluta que aquela música em especial mexeria comigo. Me ajeitei melhor da cama, chegando mais perto da TV e aumentando o volume da mesma.

- Vocês não conhecem essa - Heron disse quando começou a tocar as primeiras teclas do piano. - A compus há alguns meses atrás, logo depois de tomar a decisão mais difícil e dolorosa da minha vida. Essa canção fala tudo o que a minha alma ainda sente, então espero que gostem.

Os últimos 5 meses foram terríveis. Quando a mídia soube do nosso término, foi um inferno. Eles me perseguiram ainda mais do que antes e dessa vez eu não tinha Heron ao meu lado para me proteger, aliás, ele sumiu. Ninguém sabia seu paradeiro e cancelou alguns shows que já tinha marcado pelo que li na internet. Tive que excluir todas as minhas redes sociais e me isolar na casa dos meus pais, pois eu não conseguia ficar mais no meu apartamento. E, todas as vezes que eu acordava chorando por causa dos pesadelos, não podia ligar para ele, porque não era mais o certo a se fazer. Eu apenas existia e tentava sobreviver ao meu grande amor por Heron.
Suspirei na tentativa de afastar as lembranças até que foquei em Heron na tela da TV quando começou a cantar com aquela voz grave que eu amava tanto e que preencheu todo o lugar me fazendo parecer estar no céu. O piano ajudava, mas a letra daquela música fazia com que meu coração doesse mais ainda, porque eu sabia exatamente do que ela se tratava: de nós, do que havíamos passado e do que não voltaríamos a ter. Heron cantava com a maior emoção do mundo, de olhos fechados, calmo e emocionado.
Não consegui segurar as lágrimas por muito tempo ouvindo cada palavra daquela música sair de sua boca, não tinha como. Era uma das músicas mais lindas que ele já havia composto, eu sabia todas elas, por isso podia afirmar; era verdadeira, real e sobre nós.
Heron sempre seria aquele que eu admiraria pelo resto da minha vida, aquele que eu sentiria uma alegria interna quando falasse dele para qualquer pessoa... Ele sempre seria o meu paraíso, longe de mim, mas ainda assim, seria para sempre.”


passou as mãos pelos olhos ao acabar de ler aquela cena. Às vezes, nem ela mesma acreditava que era capaz de escrever algo tão profundo, tocante e tão cheio de sentimentos como aquela cena que acabara de ler, mas ela sabia que tudo aquilo era porque a inspirava e, se não fosse por ele, Elysian provavelmente nunca teria existido. E mesmo que aquele livro permanecesse apenas salvo em seu computador, ela sabia que era a sua obra prima, algo que sempre a faria ser feliz e que a faria bem.
riu enquanto ainda passava os olhos pelo livro, em seguida o fechou e decidiu tentar dormir, pois amanhã ela teria um dia cheio, mas o sorriso não saía de seu rosto. Lembrar de e principalmente de Elysian era algo que sempre lhe faria bem, mas era apenas fantasia e nada além de uma história escrita por ela mesma. O que ela nem imaginava era que o destino tinha pregado uma de suas peças e que naquele momento, do outro lado da cidade, estava decidido à encontrá-la e ele faria isso ainda naquela semana.

. .



girava na cama de uma lado para o outro, mal havia dormido naquela noite pensando na hora que finalmente iria até aquele café e descobriria algo sobre o autor daquele livro. O sol já aparecia na janela, mas ainda eram apenas sete horas da manhã, ele e Gemma haviam ido dormir tarde e sabia a sacanagem que seria com a irmã acordá-la naquele horário, mas ele não tinha mais paciência para ficar ali deitado. Então resolveu levantar e se distrair enquanto a irmã não acordava. se dirigiu ao banheiro, tomou um banho quente, pois o dia estava incrivelmente frio em Londres, diferente do dia anterior e se vestiu de forma adequada para quando fosse sair: um conjunto de moletom com capuz, touca, grandes óculos escuros e um par de vans. Não poderia ser reconhecido, ainda mais numa segunda-feira movimentada. Depois de pronto, foi até a cozinha para tentar comer alguma coisa, mas quando chegou lá viu que a irmã também já estava pronta só o esperando.

- Achei que demoraria mais para acordar - disse assim que chegou na cozinha e viu Gemma comendo uma tigela de cereal com leite.
- Eu sabia que você estava ansioso - Gemma disse ao irmão. - E achei que cedo seria um horário menos movimentado para podermos estar no lugar. Imagino que você não queira ser reconhecido.

acenou um sim com a cabeça para a irmã; ela o conhecia bem, extremamente bem.
Depois que Gemma acabou de comer seu cereal, ambos decidiram não comer mais nada em casa, já que iriam para um café e poderiam se alimentar lá. Seguiram então em direção à garagem do prédio de , onde saíram de lá dirigindo de forma rápida para chegar até o café, o que não demorou muito, já que morava na parte nobre de Londres, perto do Hyde Park.
Assim que avistou a fachada do local, estacionou o seu carro por ali, mas não desceu do carro de imediato.

- Isso é o certo a se fazer? - questionou a irmã que visivelmente também estava ansiosa por isso.

Gemma se virou para , pegou em uma de suas mãos e a apertou com força, transmitindo uma certa confiança ao irmão.

- Se isso não fosse o certo, a gente não estaria aqui - Gemma disse ainda com a mão na do irmão. - Vai dar tudo certo, você vai ver! Afinal, o que poderia dar errado? Você se apaixonar por quem escreveu esse livro? Acho impossível para você! - Gemma falou com toda a certeza do mundo.

também pensava nisso como um absurdo. Nada de ruim poderia acontecer, não é mesmo? E a história era boa, quem sabe isso não encorajava quem escreveu a procurar uma editora de verdade.

- Obrigado! - agradeceu a irmã dando um sorriso cúmplice.

Ambos então saíram do carro, se ajeitou bem para que ninguém o reconhecesse, pois não queria dar o azar de paparazzis estarem ali naquela hora da manhã; ainda mais porque ele estava buscando algo sobre ele próprio, e assim seguiram em direção ao café. Quando entraram no local, já apontou para a mesinha escondida entre as prateleiras, a mesma que ele estava ontem e que havia descoberto Elysian. Ele e Gemma se sentaram no lugar e logo depois uma atendente que ontem não parecia estar ali apareceu.

- Bom dia, sejam bem-vindos ao Saint Aymes! Em que posso ajudá-los? - a atendente disse toda sorridente.
- Olá! - Gemma foi a primeira a falar. - Eu gostaria de um chá verde.

A atendente fez que sim com a cabeça enquanto anotava o pedido.

- Quero um chá preto e um donut de caramelo - disse fazendo seu pedido.

A mulher mais uma vez anotou tudo e então se retirou.
se levantou assim que ela virou as costas e foi andar perto das prateleiras. Queria acreditar que acharia, por coincidência, outro exemplar de Elysian mais completo ou algum catálogo que fale sobre os autores de todas as obras que tem na pequena livraria do café, algo deveria ter. procurou em todas as estantes, mas só encontrou novos livros e nenhum os chamava a atenção, nenhum deles era Elysian. estava tão fissurado em achar alguma resposta ali que não pensou no mais óbvio, perguntar para a atendente, mas sua irmã pensou.

- Não é mais fácil você perguntar para a atendente? - Gemma disse assim que sentou na mesa irritado por não ter achado nada.
- Por que não pensei nisso antes?! - disse bufando.
- É a ansiedade de saber, . Ela acaba deixando a gente confuso mesmo - Gemma falou. - E podemos acabar com ela agora mesmo, a atendente vem vindo com os nossos pedidos - Gemma anunciou.

rapidamente desviou o olhar e viu a moça com uma bandeja trazendo o pedido de ambos. Ela então os depositou na frente de cada um e já ia se retirar do lugar, quando segurou o braço da moça, que pareceu se assustar com o gesto inesperado do rapaz.

- Desculpe se te assustei - disse se desculpando.
- Tudo bem - a mulher disse dando um leve sorriso. - Posso ajudá-lo em mais alguma coisa?
- Na verdade pode - começou a dizer. - Ontem, eu vim aqui e comprei um livro da pequena livraria de vocês, fantástico por sinal, porém no livro só tinha as iniciais do autor. Procurei ao longo do livro, mas não tem nenhuma informação que me fizesse chegar até o autor. A publicação parece ser bem amadora, tem uma capa parecendo uma almofadinha amarela e se chama Elysian, por acaso você sabe algo sobre?

estava cheio de esperanças e queria que a atendente tivesse boas notícias, pois ele não aguentava mais estar no escuro sobre alguém que tinha o descrito tão bem e o tinha compreendido daquela forma.

- Eu não sei - a atendente disse. - Mas, provavelmente, alguém da equipe saiba. Vou perguntar e já volto para avisar o senhor.

deu o maior de seus sorrisos, havia uma esperança ainda.

- Muito obrigado - agradeceu. - Isso é realmente importante.

A atendente sorriu para ele e então se virou voltando em direção ao balcão.
deu um leve gole no seu chá, estava mais animado com aquilo, pois finalmente tudo seria explicado e resolvido.

- Pense que pode ser que ela não tenha boas notícias - Gemma disse em um tom calmo não querendo tirar a animação do irmão.

apenas acenou um sim com a cabeça e voltou a saborear o seu chá junto com o donut. Minutos depois, tanto ele como a irmã já haviam acabado as suas refeições e a atendente não havia voltado para a mesa deles. via suas esperanças indo embora como água corrente nas valetas das ruas em dias de chuva; ele só queria saber o autor, o nome dele ou algum contato, era pedir demais?
Segundos depois, percebeu a atendente vindo na direção deles, mas em seu rosto já era claro que boas notícias ela não teria.

- Desculpe, senhor, mas ninguém aqui sabe algo sobre ele - a atendente disse assim que se aproximou dele. - Ele estava aqui há anos pelo que pude ver no sistema, mas ninguém tem uma informação sobre, até porque o quadro de funcionários foi atualizado várias vezes e a única que permanece aqui daquela época não veio hoje. Sinto muito!

Imediatamente a feição de ficou triste. O café era a sua esperança, alguém que trabalhava ali era sua esperança, porém não tinha mais o que fazer. Ele sempre teria essa dúvida, sempre.

- Quanto ficou a nossa conta? - Gemma perguntou a atendente percebendo a feição de .
- Já vou trazer - a atendente disse.
- Não precisa - se colocou no meio da conversa. - Vamos ao balcão pagar, só quero ir para casa - disse a última parte bem baixo apenas para Gemma escutar.

imediatamente se levantou e Gemma também e então os dois seguiram em direção ao balcão para pagar. Assim que chegaram lá, a atendente já lhes entregou o valor, pagou e logo rumaram para fora do lugar. estava tão desanimado e desconcentrado devido à falta de sorte que não notou quando uma pessoa acabou trombando com ele, só se deu conta quando sentiu o forte impacto no ombro.

- Me desculpe! - escutou uma voz feminina dizer.
- Imagina, eu que estava distraído - respondeu.

Quando ele conseguiu ver o rosto da pessoa, percebeu que era a atendente do dia anterior, a mesma que o vendeu o livro, porém ela não estava vestida igual aos demais e provavelmente estava apenas de passagem. Será que mesmo assim ela poderia o ajudar? Será que ela poderia ser a pessoa que saberia lhe informar algo?

- Muito bom ver o senhor no nosso café novamente - a mulher disse. - E mais uma vez me desculpe.
- Você não teve culpa - respondeu. - Mas gostaria te perguntar uma coisa, posso?

A atendente apenas acenou um sim com a cabeça.
Gemma olhava toda aquela cena sem entender, não conseguia nem ouvir direito o que o irmão e a moça do café conversavam.

- Você lembra do livro que comprei ontem? - perguntou e a atendente mais uma vez afirmou que sim com a cabeça. - Você por acaso sabe quem é o autor ou alguma informação do tipo?

A atendente riu sem graça e pareceu pensar em alguma coisa.

- Sobre o autor eu não sei - ela respondeu já fazendo a feição de se entristecer mais uma vez. - Porém, eu tenho o número da menina que o deixou aqui. Pode ser que seja ela ou que ela o conheça.

Foi possível ver uma luz iluminando o rosto de e uma alegria interior tomou conta dele.

- Deve estar na gaveta do caixa - a atendente disse.
- Você poderia pegar para mim? - pediu.
- Claro! - a atendente falou já se dirigindo até o balcão do lugar.

Ela começou a procurar nas gavetas que tinham por ali, já que eram muitas. também havia se aproximado e observava tudo atentamente, ela precisava ter alguma informação ali para o bem dele.

- Aqui está - a atendente disse lhe entregando um guardanapo de papel com o símbolo da cafeteria. O papel já estava extremamente amarelado devido ao tempo que permaneceu guardado, mas ainda era possível ver claramente o número da pessoa com a seguinte frase: “Quer saber mais sobre o livro Elysian? Ligue para mim!”.

Um sorriso de orelha a orelha tomou conta do rosto de assim que leu aquelas frases, ele finalmente saberia algo.

- Muito, muito obrigado mesmo! - agradeceu a atendente.
- Imagina, só fiz meu trabalho - a atendente disse sorridente.

retribuiu o sorriso e seguiu em direção à saída do local. Gemma o esperava lá fora encostada no carro, pois ela sabia que o irmão era muito gentil e provavelmente tinha pedido mil desculpas para a atendente pelo empurrão.

- Gem! - disse animado. - Olha o que consegui!

estendeu o guardanapo para a irmã e quando Gemma notou o que era, imediatamente abriu um grande sorriso também.

- Não acredito! - Gemma disse observando o papel com o número e as palavras. - Liga agora!

imediatamente pegou o seu celular profissional no bolso da calça, o desbloqueou e então discou o número que estava anotado no papel. Ele estava tão nervoso que nem havia pensado direito no que falar, então acabou não apertando o botão verde para iniciar a chamada.

- O que foi?- Gemma perguntou confusa pela atitude do irmão.
- Você pode falar? - perguntou para a irmã.

A voz dele era muito conhecida, afinal, ele era ; além de que aquele número poderia nem pertencer mais a mesma pessoa e outra poderia tirar proveito ao reconhecê-lo.

- Por quê? - Gemma perguntou ainda confusa.
- Precaução, Gem! Esqueceu quem eu sou? - respondeu como se fosse óbvio.

Gemma concordou com a cabeça e logo pegou o celular do irmão e olhou o número anotado.

- Vamos entrar no carro, lá podemos ligar no viva voz e você pelo menos consegue ouvir - Gemma disse já acionando o alarme do carro que estava do outro lado da rua.

Ambos então seguiram para o veículo, o adentrando em seguida. Quando já estavam aconchegados, Gemma conectou o telefone do irmão ao carro e então apertou o botão verde para iniciar a chamada. Um silêncio tomou conta do veículo, mal respirava para poder ouvir tudo com clareza.
O celular chamou algumas vezes, vezes que pareciam infinitas para , até que finalmente foi atendido.

- Alô? - uma voz feminina falou do outro lado da linha.

Era isso. finalmente estava perto de descobrir informações sobre Elysian, na verdade, a maior informação de todas: quem estava por trás daquelas doces e sinceras palavras e era a única informação que importava, nada mais.


Capítulo 6



. .



O dia havia iniciado atípico para , pois ela mal abriu os olhos e a correria já se encontrava presente. Antes mesmo dela sair pela porta de seu apartamento, recebeu uma ligação de seu chefe às sete horas da manhã que tinha feito seus planos mudarem completamente. O plano inicial de hoje para antes da ligação era fazer visitas em algumas lojas da Gucci para ver se tudo estava de acordo com as diretrizes da mesma, porém aquela ligação de Duncan faria com que ficasse pregada na cadeira do escritório o dia todo. E foi quando estava imersa nas pilhas e pilhas de contratos das vendas da nova coleção que seu celular começou a tocar desviando a atenção da mesma para ele.
O número no visor era desconhecido, por isso não fazia ideia de quem a ligava, nem nos seus sonhos mais loucos ela imaginaria o que aconteceria poucas horas depois daquele telefonema.
decidiu atender a ligação, pois poderia ser algum cliente ou algo do tipo, poderia até mesmo ser Duncan ligando novamente, já que às vezes ele trocava de número para que ninguém descobrisse o seu real, coisa que sempre achou muito engraçado. A mulher então pegou seu telefone e deslizou o dedo pela tela, o atendendo.

- Alô! - disse assim que atendeu, porém não obteve resposta. Escutou alguém respirando fundo do outro lado da linha, mas nenhuma palavra havia sido dita. - Alô? Alguém aí? - repetiu o que havia dito.

Passou até pela cabeça da mesma que alguém tinha ligado errado ou o celular da pessoa havia ligado sem querer do bolso.

- Alô! - uma voz feminina falou do outro lado da linha, uma voz que achou já ter escutado em algum lugar, mas definitivamente era coisa da sua cabeça. - Com quem eu falo?
- Bortoluzzi - ela respondeu rapidamente.

aproveitou para levantar de sua cadeira e começou a andar pelo escritório para poder esticar as pernas nem que fosse por alguns segundos.

- - a mulher do outro lado da linha repetiu o nome dela. - Eu não sei se liguei certo ou não, mas achei esse número em um café onde um livro estava disponível. No bilhete dizia para entrar em contato com você se alguém estivesse interessado nele.

ficou confusa de primeira, já que não estava entendendo do que aquela pessoa do outro lado da linha dizia, mas isso durou poucos segundos, pois logo depois sua mente foi tomada pela lembrança do dia em que saiu distribuindo dez cópias de Elysian pela cidade de Londres. Isso, Elysian, o livro de , sua melhor amiga.

- Seria sobre Elysian? - perguntou para a mulher ainda pensando nisso.
- Sim, exato! - ouviu a voz do outro lado da linha confirmar.

Imediatamente, um nó surgiu em sua garganta; o que ela faria? Nunca imaginou que alguém ligaria atrás do livro por mais perfeito que fosse e, apesar da intenção de ter deixado seu número lá para se caso isso acontecesse, nesse momento ela não fazia a mínima ideia do que fazer.

- Eu me interessei no livro e gostaria de saber se teria a possibilidade de nos encontrarmos pessoalmente para falar sobre o mesmo - a mulher voltou a falar do outro lado da linha fazendo com que voltasse à prestar atenção na conversa.

cogitou realmente que conversar com a pessoa interessada seria bom, pois ela conseguiria explicar que não é a autora do livro e contaria toda a história de como o mesmo foi criado e como foi parar naquela livraria. Mas não sabia de tudo e estava longe disso, pois a única pessoa que sabia exatamente cada detalhe daquela história era . E assim que o nome de tomou a mente de um arrepio subiu pela sua espinha; ela ainda teria que contar para amiga, mas isso seria algo que ela resolveria mais tarde.

- Acho que seria o melhor mesmo - concordou voltando a dar atenção para a conversa. - E qual o seu nome mesmo?

Assim que fez aquela pergunta, um silêncio tomou conta da ligação e depois um cochicho baixinho inaudível que ela não conseguia distinguir nenhuma palavra dita pela ligação.

- Emma, meu nome é Emma - a mulher do outro lado disse depois de alguns segundos.

achou aquilo levemente estranho, mas decidiu continuar a conversa.

- Emma, você gostaria de se encontrar comigo quando e onde? - perguntou já voltando para sua mesa e olhando a sua agenda para ver os horários disponíveis.
- Pode ser hoje mesmo? - ouviu Emma falar do outro lado da linha.

Hoje era um dia complicado; estava atolada de coisas para fazer, infelizmente não seria possível, mas ela era ansiosa e o quanto antes soubesse o que aquela mulher queria saber em relação ao livro, mais rápido ela conseguiria saber o que exatamente contaria para .

- Hoje não dá para mim, mas podemos conversar amanhã no horário do almoço? - disse enquanto olhava a sua agenda. Seria o único horário vago na semana devido à grande demanda sobre a nova coleção.
- Claro! - Emma respondeu do outro lado da linha. - Amanhã será perfeito.

A cabeça de começou a pensar qual seria o melhor lugar para que esse encontro ocorresse, pois não queria correr riscos e nem dar o azar de ser um maluco qualquer atrás do livro e, como tinha escolhido o horário de almoço, a empresa seria o lugar perfeito.

- Pode ser no meu trabalho? - perguntou para aquela pessoa que ela julgava se chamar Emma. Mal sabia ela quem era ou o que a aguardava.
- Pode sim - Emma respondeu. - Me mande o endereço e o horário certinho para esse número que amanhã estarei aí.
- Okay - disse concordando.

Emma então se despediu e ambas desligaram o celular e enquanto digitava os dados para o encontro de amanhã, a sua mente voltou para , a dona do livro que nem ao mesmo sabia sobre o que a amiga tinha feito. pensou imediatamente em ligar para e sondar para ver seu humor e tentar marcar um jantar ou algo do tipo, pois do jeito que estava, contaria hoje mesmo.
Logo após enviar os dados para Emma, que na verdade era Gemma , foi até a sua lista de contatos, procurou o nome de sua melhor amiga, apertou o botão de discar e levou o celular para a orelha. A ligação chamou apenas duas vezes, duas vezes que pareceram uma eternidade para .

- , agora não é uma boa hora - ouviu proferir assim que atendeu o telefone. - Estou prestes a entrar em reunião com um fotógrafo e ele não é nada amigável, estou fervendo de nervoso.

engoliu em seco, realmente não parecia um bom momento.

- Tudo bem, - disse tentando não transparecer qualquer emoção pela voz, porque era perspicaz e sempre sabia quando a amiga queria dizer algo ou não estava bem. - Não era nada demais, mesmo. Fica calma e arrasa nessa reunião!
- Espero mesmo arrasar. Te ligo mais tarde, beijos e te amo - disse se despedindo e já encerrando a ligação.

jogou todo seu corpo para trás na cadeira após o fim da ligação. Mil coisas se passavam pela sua cabeça, pois ela sabia e sentia no fundo do seu coração e da sua alma que estava completamente ferrada. teria razão de odiá-la para sempre, mas ela só esperava que isso nunca acontecesse. Sua melhor amiga era tudo para ela; não saberia nunca viver sem a mesma e não gostava nem de pensar nessa possibilidade que já sentia um buraco no seu estômago se abrir, mas o que nem imaginava era que a pessoa a cruzar aquela porta no dia seguinte mudaria o destino da vida de ambas e seria para melhor. Elysian só as uniria mais ainda e para sempre.

. .



A ansiedade corria pelas veias de . Aquela havia sido mais uma noite em que ele não havia dormido devido a ficar pensando demais em Elysian e em como aquele livro dizia tanto sobre ele, sobre a sua personalidade e o seu modo de ver as coisas. Além de um certo sonho que o havia perturbado novamente; aquele mesmo sonho que teve no domingo em que Jeff aparecia o chamando de Heron e ainda tinha aquela mulher, a que ele não fazia ideia de quem era, mas que habitava seus sonhos e agora pela segunda vez seguida. lembrava detalhadamente de sua fisionomia, do jeito de como ela ria animada, cantava e dançava suas músicas e da expressão preocupada que fez no camarim. Ele poderia desenhá-la perfeitamente como ela era, mas nunca tinha a visto e não fazia ideia de quem seria.

- Pronto para irmos? - Gemma apareceu na sala onde estava deitado em seu sofá com Elysian aberto no colo.

Claramente tomou um susto ao ouvir a voz da irmã, pois estava imerso demais em seus pensamentos e num silêncio profundo quando a mesma apareceu.

- Por Deus, Gemma! - disse se levantando do sofá e levando a mão até o peito para acalmar seu coração. - Assim você me mata de susto! Sou novo demais pra morrer dessa forma, porra.

Gemma riu da cara do irmão, sempre dramático demais.

- Tenho certeza que não, drama king - Gemma falou enquanto se aproximava de e sentava ao seu lado. - Você não morreria antes de desvendar os segredos de Elysian, tenho certeza disso.

E Gemma tinha razão. não ficaria em paz até descobrir tudo o que rondava aquela história; ele queria saber quem tinha a escrito, quando que a pessoa decidiu quem seria o personagem principal, em quem ela se inspirou, se realmente foi nele... Ele precisava saber e resolver todos os mistérios que envolviam Elysian. Estava fissurado e não seria Deus nem ninguém que tiraria isso dele.

- Você já está pronto para irmos? - Gemma disse levantando do sofá e se dirigindo a cozinha.

Óbvio que já estava pronto; estava há horas e tinha visto toda aquela manhã gélida de Londres passar como uma eternidade diante dos seus olhos. Ele já tinha se preparado para não ser reconhecido no local onde o endereço que tinha recebido o levaria, isso era a coisa que menos queria naquele momento, ainda mais durante as suas férias. Estava vestindo um moletom com capuz cinza acompanhado de uma jaqueta de lã, touca verde, óculos escuros e seu habitual combo de skinny jeans e botas Chelsea; pronto para passar o mais despercebido possível.

- Vamos? - Gemma voltou para sala enquanto mordia uma maçã, pegou as chaves do carro de que estavam na mesa perto do sofá e seguiu em direção à porta. observou os passos da irmã e depois voltou a encarar o livro em suas mãos, pois uma cena em especial que ele tinha lido naquela manhã veio em sua cabeça; era uma cena dolorosa em que Heron brigava com a sua garota. lembrou justamente porque a garota tinha feito quase os mesmos passos que Gemma e também porque era uma cena que já havia acontecido exatamente da mesma forma com ele, anos atrás.

“Heron ainda não aceitava as nossas diferenças e, apesar de termos tudo sobre controle na nossa relação, sempre tinha algo que fugia das nossas mãos. Sempre tinha algo que nos machucaria de alguma forma, que fazia a gente brigar e era exatamente isso o que estava acontecendo naquele momento; palavras furavam o meu peito como navalha da mesma forma que acontecia com ele.

- Você não pode agir como se tudo isso fosse normal, Heron! - gritei em sua direção, pois meu sangue fervia. - Eu não fui criada para as pessoas me odiarem e me perseguirem todos os dias! Eu não tenho capacidade psicológica para isso, quando você vai entender? Eu não sou famosa para achar ter minha vida exposta normal!
- Então aprenda a lidar e achar isso normal porque esse é o preço que se paga por estar comigo - Heron disse pressionando os dentes uns sobre os outros demonstrando a raiva por estarmos discutindo aquele assunto de novo.

Ri sarcástica quando ele disse aquilo.

- Pra você é fácil falar - disse enquanto me aproximava dele e ficava cara a cara. - Ninguém tá achando defeitos em cada passo que você dá! Eu não vou deixar de viver a minha vida pra ser a namorada perfeita do popstar do momento! Eu cansei de todo mundo achar que você é o senhor perfeito, um deus que nunca erra, mas olha só, vou te dizer uma coisa que ninguém tem coragem de te dizer: você erra, Heron, e erra muito. Erros que só eu vejo, mas que nunca aponto na sua cara, erros que machucam, mas eu sigo firme, porque te amo, caralho!
- Se meus erros te incomodam tanto, me deixe para trás, me deixe errar sozinho e achar alguém que não se incomode com as coisas pequenas que eu faço e a vida que escolhi viver! Faça o que você faz de melhor, fuja - Heron disse me encarando.

Lágrimas se juntaram nos cantos dos meus olhos; aquela era a primeira vez que Heron falava em se separar e seguirmos caminhos diferentes e, infelizmente, eu realmente achava que era o melhor caminho.
Me distanciei de Heron, caminhando em direção à mesa onde estava a chave do carro, a peguei e segui para sair dali. Precisava deixar Heron sozinho, nem que fosse para sempre.”


- ? Que porra você está fazendo parecendo uma estátua aí? Mudou de ideia? - Gemma disse chamando a atenção de .

balançou a cabeça deixando para trás aquela cena do livro, aquela cena que havia sido tão real e que realmente tinha acontecido com ele na mesma intensidade e praticamente pelo mesmo motivo; um acontecimento que o havia marcado e machucado, porque no caso dele, ela realmente foi embora e nunca mais voltou.

- Vamos! - disse respondendo Gemma e focando no que realmente importava: descobrir mais sobre Elysian.

Ambos então saíram do apartamento e seguiram em direção ao estacionamento subterrâneo do prédio. Gemma decidiu que dirigiria, pois estava ansioso demais para isso e sua concentração andava uma droga, pois ele só sabia pensar em Elysian e nas coincidências que todo aquele livro tinha com a sua vida real até o momento de hoje.
Durante todo o percurso, e Gemma acabaram conversando sobre coisas aleatórias, pois o assunto Elysian já tinha rendido muito entre os dois e sentia dentro de si que Gemma já não aguentava mais aquela história toda; ela só estava ali por ele e era nítido para Gemma que mesmo apesar de todas as semelhanças, não deveria estar fazendo aquilo. Mas precisava, ele não ficaria em paz nunca mais na vida se não soubesse tudo sobre a pessoa que tinha escrito a história.
Assim que viraram a última esquina para finalmente chegar ao local marcado, encarou a rua incomodado, depois pegou o celular e olhou o endereço, era ali mesmo. Ele não acreditava que lugar onde seria o encontro era um local familiar e muito frequentado por nos últimos meses: o escritório jurídico da Gucci.

- Isso só pode ser uma pegadinha - resmungou praticamente inaudível ainda olhando o endereço no celular e o prédio à sua frente.
- O que foi? - Gemma perguntou confusa enquanto buscava o local ideal para estacionar.

respirou fundo e apenas apontou para o prédio branco de construção antiga ao qual tinha grandes portas de vidro com o nome Gucci nelas.

- Isso é sério? - Gemma questionou sem acreditar.
- Sim, é o endereço - disse entregando o celular para a irmã que ficou sem entender da mesma forma que ele.

agora sentia uma desconfiança que antes não habitava seu coração; será que em algum momento da sua vida alguma pessoa havia o estudado muito bem para escrever aquele livro? Estava se sentindo transparente demais, coisa que nunca gostou de fato. Gostava sempre de se mostrar como um mistério, de ser um quebra-cabeça para as pessoas, mas naquele momento, nada daquilo parecia ter feito sentido porque alguém o tinha decifrado e muito bem.

- Quer ir embora? A gente pode ir se você… - Gemma começou a dizer.
- Não - a interrompeu antes de terminar a frase. - Eu quero e preciso saber.

Gemma respirou fundo e apenas balançou a cabeça aceitando a ideia do irmão, mesmo sentindo dentro de si que agora realmente não achava mais tudo isso uma boa ideia.

- E como faremos? - Gemma perguntou para o irmão que olhava fixamente a fachada do prédio a sua frente.
- Vamos entrar juntos - respondeu. - Quero ver a pessoa com meus próprios olhos e entender tudo. Você sabe bem que eu desvendo as pessoas só de olhá-las.

desviou o olhar do lugar e voltou para a irmã.

- Eu me orgulho muito disso, pois nunca errei sobre ninguém - confessou.

Gemma acabou sorrindo para ele também. Sabia bem como o irmão era com isso e ele realmente tinha razão. desvendava as pessoas apenas olhando para elas.
Os irmãos então saíram do carro e se dirigiram de forma rápida para dentro do prédio e assim que entraram, Gemma foi diretamente para a recepção do local perguntar pela sala da pessoa ao qual eles teriam a reunião. ficou num canto querendo passar despercebido, pois não queria explicar para ninguém o porquê estava ali ou algo do tipo, já que esse não era o foco agora, ainda mais num lugar que ele era tão conhecido.
Quando Gemma acabou de falar com a recepcionista, apenas fez um sinal para que a seguisse até o hall dos elevadores, e assim fizeram. Logo que entraram no mesmo, Gemma apertou o botão do 5º andar indicado pela recepcionista. não podia negar que suas mãos suavam de nervoso; faziam dois dias que ele só pensava nesse livro, vivia por ele e tentava entender cada parte que se assemelhava tanto com ele próprio e com sua vida.

- Você quer mesmo entrar logo de primeira? - Gemma perguntou se certificando.
- Sim, Gem - respondeu de forma calma. - Como eu já disse, vai ser olhando para a pessoa que entenderei os motivos dela.

Gemma apenas fez sinal positivo com a cabeça e logo em seguida o elevador anunciou a chegada no andar, fazendo ambos saírem dali já procurando a sala exata ao qual Gemma havia se informado com a recepcionista. Por ser horário de almoço, o andar estava completamente vazio e silencioso e nem ao menos a recepcionista se encontrava no local, o que causou certo alívio para .

- É aquela sala - Gemma avisou apontando em direção à uma porta que continha uma plaquinha apenas com o número da sala.

imediatamente se dirigiu ao lugar e assim que se aproximou da porta respirou fundo e então deu leves batidinhas para ver se a pessoa se encontrava por ali.

- Pode entrar! - ouviu alguém proferir do outro lado da porta.

Ele rapidamente levou a mão até a maçaneta, abriu a porta e sua visão foi diretamente para a dona da voz, que estava sentada atrás da mesa olhando fixamente para uma pilha de papéis à sua frente.

- Bethany, eu já disse que não vou… - a mulher começou a dizer, mas assim que viu quem estava na porta de sua sala, acabou travando de imediato, o que fez rir desacreditado. Ela trabalhava na Gucci, não era tão impossível o ver por ali. então adentrou no local sendo seguido por Gemma, que acabou fechando a porta atrás deles.

Rapidamente, a mulher se levantou da mesa, passou a mão pela roupa se ajeitando e pareceu respirar fundo algumas vezes para então vir na direção dos irmãos com cara de assustada, mas exibia o melhor dos sorrisos. gostava de reparar no sorriso das pessoas e não pôde deixar de reparar que o sorriso dela era encantador, mas não era o mesmo que o atormentava em seus sonhos.

- Prazer, senhor - a mulher disse já próxima à ele enquanto estendia sua mão em forma de cumprimento. - Sou Bortoluzzi.

sorriu de forma cúmplice para ela que aceitou o aperto de mão.

- Oh, por favor, me chame apenas de . Prazer em conhecê-la, - respondeu assim que soltou a mão da mulher e então virou para sua irmã para apresentar a mesma. - E essa é a minha irmã Gemma.

Agora foi a vez de Gemma estender a mão e cumprimentar .

- Sei que isso vai soar estranho, mas vocês poderiam se sentar ali por um instante enquanto faço uma ligação? - a mulher começou a falar sem parar enquanto apontava para um grande sofá que tinha ali no escritório, o que fez rir mais uma vez. - Já venho ajudar vocês com o que quer que seja - era nítido o nervosismo na voz dela e só se divertia com isso; ele gostava de provocar essa sensação nas pessoas.

e Gemma apenas concordaram com a cabeça e ainda em meio aos risinhos, foram se sentar no sofá que havia indicado. parou de prestar atenção na mulher e apalpou um dos seus bolsos procurando seu telefone pessoal, pois havia acabado de ter uma ideia e precisava urgentemente anotar no bloco de notas, porém antes mesmo que pudesse pegá-lo, sentiu seu celular profissional vibrar no outro bolso.
tinha dois celulares para não misturar as coisas, já que gostava de ter sua privacidade. Da mesma forma que tinha os diários, tinha um celular para cada "vida": um para uso pessoal, onde ele podia anotar o que quisesse, gravar ideias e sons que o inspirasse e exercer seu hobby de fotografar, algo que era completamente parte dele e sobre ele. E outro para uso especificamente profissional, onde entrava em contato com sua equipe, acessava raramente suas redes sociais e fazia negócios através dele.
Assim que sentiu o celular vibrar, rapidamente o pegou e atendeu sem nem olhar quem estava ligando.

- Oi - disse atendendo e rapidamente a expressão de confusão tomou conta do rosto de , pois foi possível ouvir um eco na sua voz na ligação.
- Alô? - ele ouviu a voz de uma mulher, na verdade a voz da mesma mulher que ele tinha acabado de cumprimentar: .

então desviou o seu olhar para que o encarava com uma cara assustada, parecendo não acreditar no que estava acontecendo.

- Por que você está me ligando? - questionou para a mulher que agora estava na sua frente.

permanecia com a expressão assustada e de forma devagar tirou o celular do ouvido encerrando a ligação em seguida. Depois ela se aproximou de sua cadeira e sentou, parecendo pensar em algo que a incomodava demais.

- Merda, merda, merda! Não é possível, não é possível... - ouviu dizer baixo, mais para si mesma do que para os demais da sala, o que o deixou extremamente intrigado. Por que ela estava assim? E por que tinha ligado para ele?

então se levantou do sofá e se aproximou da mesa, fazendo com que olhasse diretamente para os olhos extremamente brilhantes e hipnotizantes de .

- Eu não entendo… Foi você que me ligou para saber de Elysian? Mas eu falei com alguém chamada Emma…- questionou ainda olhando dentro dos olhos dele.

sorriu deixando suas covinhas à mostra, as covinhas que derretiam todo mundo, e depois concordou com a cabeça.

- Culpada! Desculpe por mentir, mas no mundo do meu irmão, às vezes é necessário - Gemma disse depois de notar a mulher confusa que alternava o olhar entre ela e seu irmão.

viu engolir em seco e depois se encostar na cadeira com uma expressão pensativa; ele sentia dentro dele que aquela situação também havia sido um choque para ela. Parecia que ela nunca imaginaria que ele, o próprio , descobriria aquele sobre o livro.
então se ajeitou na cadeira, respirou fundo e apontou com a mão para a cadeira na sua frente.

- Pode se sentar, , por favor - disse ainda apontando. - Vamos falar sobre Elysian.
- Obrigado - agradeceu e depois olhou para sua irmã que estava no sofá observando os dois.
- Vai ficar aí? - perguntou para Gemma.
- Sim, - Gemma respondeu enquanto mexia em seu celular. - Esse assunto só diz respeito a você e ela.

concordou com a cabeça e voltou sua atenção para .

- Onde você encontrou o livro? - perguntou intrigada enquanto se debruçava sobre a mesa.
- Numa cafeteria perto do Hyde Park - respondeu. - Só não lembro exatamente o nome.

Porém, antes que pudesse responder ou perguntar mais alguma coisa para , o celular da mulher começou a vibrar sobre a mesa chamando a atenção de ambos. Assim que viu a foto de quem estava ligando para ela, imaginou estar louco, pois não era possível estar vendo a mesma mulher que havia sonhado dias atrás e que dizia que ele era Heron. então tirou o olhar do celular e começou a analisar todo o escritório de como se fosse possível descobrir a conexão das duas. Em uma rápida olhada, reparou que a sala estava repleta de fotos dela e da mulher do sonho: fotos delas pequenas, adolescentes e atuais. Era ela, tinha certeza que era a mesma mulher do seu sonho assim que observou uma foto em que ambas estavam rindo deitadas em uma cama. Ele nunca mais esqueceria aquele sorriso. não acreditava no que seus olhos viam e sua cabeça ficava ainda mais confusa com tudo aquilo.

- Desculpe - ouviu dizer fazendo com que sua atenção voltasse para ela. - Depois atendo a minha amiga.

olhava incrédulo agora para e com mil coisas passando na sua cabeça.

- ? - o chamou passando a mão em frente ao seu rosto. - Está tudo bem?
- Quem era que estava te ligando? A mulher da foto? - perguntou atônito de uma vez.

Sentia sua cabeça borbulhar de questões e precisava ao menos sanar essa.

- Minha melhor amiga, por quê? - disse confusa.
- Você pode achar loucura - começou a contar. - Você realmente vai achar, mas eu sonhei com essa mulher duas vezes seguidas sem ao menos conhecê-la. Sonhei com Elysian e ela era a namorada de Heron, no caso, a minha namorada.

arregalou os olhos, mas logo em seguida começou a rir, o que deixou ainda mais confuso.

- Eu disse que você ia achar loucura! - constatou um pouco transtornado.
- Não, , não é loucura - disse ainda rindo. - É o destino mesmo. Ele está pregando uma peça muito bonita em você!

olhou sem entender para , pensando no que o destino tinha a ver com isso tudo. Ele não acreditava nessas coisas, mas sabia que se algo estava acontecendo era porque tinha que acontecer.

- Não estou entendendo - disse por fim ainda sem entender.
- Querido - voltou a dizer com um sorrisinho no rosto. - A mulher da foto além de ser a minha melhor amiga e a mulher que você sonhou, é ninguém menos do que a escritora de Elysian, .


Capítulo 7

. .


estava sem reação após ouvir o que havia acabado de dizer. Ele ainda não entendia como exatamente havia sonhado com a autora do livro sem nunca tê-la visto na vida; não havia explicação plausível para esse fato e ele não acreditava em destino ou qualquer coisa astrológica ou mística, mas naquele exato momento, ele começou a mudar as suas convicções já que não havia outra explicação. Não tinha como ser algo, a não ser o que já estava destinado a ser.

- H? ? - Gemma que antes estava sentada no sofá, agora se encontrava perto de passando a mão na frente do rosto do irmão.
- Me desculpem! - respondeu voltando à realidade.
- Está tudo bem? - perguntou com uma cara preocupada olhando para o cantor.

Na verdade, todas na sala estavam; entrou numa imersão de pensamentos tão grande sobre a autora do livro e tudo o que rondava Elysian que ele não ouviu nada do que continuou falando sobre e muito menos o que Gemma disse quando notou que ele havia paralisado.

- Sim, claro! - respondeu. - Minha cabeça só começou a pensar demais.
- Você ouviu algo mais que eu disse? - perguntou para saber de onde retomar.
- Infelizmente não, me desculpe! - respondeu ainda um pouco atônito.

Por mais que ele quisesse saber tudo sobre o que ainda tinha para lhe contar, ele permanecia preso no porquê havia sonhado com e como a imagem dela surgiu perfeitamente em seus sonhos... Eram muitos porquês.

- O que você exatamente quer saber? - perguntou fazendo com que voltasse a atenção para ela mais uma vez.
- Posso tomar uma água antes? Preciso respirar - perguntou se levantando da cadeira e já se direcionando para fora da sala de .

A advogada não teve tempo nem de responder algo e nem Gemma de perguntar. Ela apenas seguiu com o olhar a irmã do cantor ir atrás do mesmo, vendo exatamente onde ele iria. Já apenas saiu da sala e assim que pisou fora dela, respirou fundo várias e várias vezes tentando recuperar sua sanidade para que pudesse perguntar tudo o que queria saber sobre esse livro que se tornava ainda mais confuso em sua cabeça a cada coisa que descobria. Era um quebra-cabeça sem fim e amava quebra-cabeças, mas esse, em especial, andava-lhe deixando louco.

- Hey, little brother! O que foi? - Gemma perguntou se aproximando do irmão.
- Essa história só fica mais confusa a cada segundo, Gem - disse com sinceridade. - A escritora do livro... Eu sonhei com ela duas vezes e eram sonhos relacionados ao livro, sendo que eu nunca a vi na minha vida!

Gemma ainda não sabia dessa informação, pois não quis prestar atenção na conversa do irmão quando estava dentro da sala, então para ela também foi uma surpresa.

- Eu não sabia disso - Gemma disse. - Você sonhou exatamente da forma que ela é? Isso é descrito no livro?

apenas negou com a cabeça e depois olhou para o teto respirando fundo; a confusão ainda era muito grande e ele não podia surtar em pleno corredor do jurídico da Gucci. Depois de alguns segundos, ele então voltou seu olhar para a irmã.

- Foram duas vezes. Ela era a namorada do Heron e eu era o Heron - começou a falar. - Foi até por esses sonhos que eu finalmente entendi as similaridades entre nós dois e vi que, na verdade, Heron era inspirado em mim. No livro, ela não descreve nenhum dos personagens com tantos detalhes e também não dá um nome a namorada de Heron, algo que me deixou ainda mais intrigado.
- Quanto mais eu tento entender sobre esse livro, mais confusa eu fico - Gemma confessou.
- Eu me sinto exatamente assim - concordou. - Parece que as coisas não se encaixam, mas, ao mesmo tempo, fazem total sentido. E aquilo que a disse sobre destino me deixou ainda mais paranoico e olha que eu nem acredito em destino.

Gemma riu quando ouviu aquilo do irmão e apenas a encarou sem entender o motivo da risada.

- Do que você está rindo? - perguntou confuso e encarando a irmã como se ela fosse uma extraterrestre.
- Você insiste em dizer que não acredita em destino - Gemma começou a explicar ainda dando risadas. - Mas você percebeu que tudo na sua vida aconteceu por obra dele, ? O programa, a banda, e agora, Elysian. Tudo sempre foi uma obra dele e eu ainda não entendo por que você não aceita isso.

pareceu pensar nas palavras que a irmã havia dito e assim que fez isso ele percebeu que ela tinha razão, muitas das coisas que aconteceram com ele eram porque tinham que acontecer e isso era sempre atribuído ao destino. E se ele não tivesse feito a audição naquele ano? E se algum dos meninos não fosse? E se fossem outras pessoas formando a banda? Eles seriam o que foram? seria o que ele é hoje?

- Eu nunca tinha pensado dessa forma - confessou para Gemma.
- Várias coisas na nossa vida acontecem porque tem que acontecer, . As coisas boas chegam com o tempo, as melhores de repente. Talvez Elysian e essa autora terem entrado subitamente na sua vida vai ter uma explicação futuramente. Por isso, nunca subestime a capacidade das ironias do destino, little brother - Gemma disse enquanto fazia um afago no rosto do irmão. - Agora, vamos entrar naquela sala para saber mais sobre esse livro, porque agora sou eu quem quer saber sobre tudo a respeito dele!

sorriu para irmã e sussurrou um obrigado pelo apoio que ela sempre dava a ele. O cantor não imaginava sua vida sem Gemma, eles literalmente se completavam: o que faltava em um sempre tinha no outro; era a relação de irmãos mais perfeita que poderia existir.

- deve estar me achando um louco - praticamente sussurrou para a irmã enquanto ambos andavam de volta para a sala.
- E você não é? - Gemma disse rindo enquanto abria porta e riu junto com a irmã e lhe deu um tapinha no ombro. Ambos seguiram rindo até a mesa de e notaram que a mesma parecia pensar em algo que não lhe agradava muito, já que sua face transparecia um pouco de medo.
- Desculpa sair assim, só precisava pôr os pensamentos em ordem - disse para que logo voltou sua atenção aos irmãos que estavam à sua frente.
- Ah, tudo bem! - respondeu se ajeitando na cadeira e fazendo sinal para que e Gemma voltassem a se sentar.

ainda sentia a confusão dominar sua mente, mas depois da conversa com Gemma, queria saber os detalhes sobre o livro e a tal amiga de .

- O que você quer saber, ? - perguntou dando um sorriso amigável.

sabia o que queria perguntar de primeira; era uma pergunta extremamente pertinente, algo que rondava muito a sua cabeça e com certeza saberia lhe dizer.

- A primeira coisa que queria saber é - chegou a dar uma risadinha e balançar a cabeça pensando o quão ridículo seria aquela pergunta, mas ele iria fazer de qualquer forma. - Heron é inspirado em mim?

começou a gargalhar como se tivesse escutado a coisa mais engraçada da sua vida, o que fez olhar seriamente para ela juntando as sobrancelhas.
Quando parou de rir e percebeu que os olhos hipnotizantes de ainda a olhavam confusos, ela voltou a se arrumar na cadeira e encarou .

- Por que você está me fazendo essa pergunta? - perguntou retoricamente. - Eu achei que tivesse ficado claro que Heron é unicamente você, .
- Eu sei. Só queria ter uma confirmação - confessou ainda confuso. - Eu percebi desde da primeira página que cada pedaço, ação ou expressão de Heron é sobre mim. Merda, ninguém nunca havia me desvendado dessa forma.
- Exceto a sua amiga - Gemma disse ao lado de para , que apenas concordou com a cabeça.
- sempre foi assim. Ela tem o dom de ver através das pessoas e consegue decifrá-las só de olhá-las - contou. - Com , o ídolo dela, não seria diferente.

ficou fascinado quando escutou aquilo, porque não havia mentido. havia decifrado cada parte do seu ser e tinha transformado tudo isso em um personagem de livro incrível, por sinal, mas ainda tinha muitas perguntas para fazer, inúmeras, na verdade, mas uma em especial não saía de sua cabeça naquele momento.

- Por que você era o contato do livro e não a ? - perguntou por fim.

Nesse momento, respirou fundo e voltou a encarar .

- Porque nem ao menos sonha que fiz algumas cópias do livro dela e distribuí por aí - confessou e a encarou sem acreditar direito no que havia escutado.
- Quer dizer que sua amiga nem ao menos sonha que eu ou qualquer outra pessoa em Londres tenha lido o livro dela? - perguntou tentando assimilar a informação.
- Exato! - confirmou. - A história de Elysian é fascinante e eu sempre falei que ela deveria publicar, mas ela vivia falando que faria depois e nunca fez. Até que há alguns anos atrás, eu mesma fiz isso por ela… Acho que fiz umas dez cópias, mas até hoje a única pessoa que me ligou…
- Fui eu - completou a frase de .
- Sim - disse. - Não sei se mais alguém leu ou se interessou pelo livro, porque eu deixei apenas uma cópia por cafeteria e livraria e não tive nenhum retorno, mas a pessoa que eu menos imaginava que faria isso está bem na minha frente agora.

Assim que escutou aquela frase, as questões sobre destino que Gemma apontou ainda pouco voltaram à sua mente. Haviam dez livros disponíveis, nove chances de outras pessoas lerem e o único que foi atrás da autora tinha sido exatamente ele, ao qual tinha uma relação direta com o livro.

- Eu preciso conhecer a - disse de uma vez e engoliu em seco quando escutou aquilo.
- Você deixaria eu conversar com ela antes? - pediu. - Ela nem sonha com isso, .

Ele apenas confirmou com a cabeça.

- Mas, te darei dois dias - disse por fim. - Eu tenho muita coisa para perguntá-la e minha ansiedade anda me matando.

apenas concordou com a cabeça meio a contragosto, mas concordou.
então se encostou na cadeira satisfeito porque agora ele sabia quem ele deveria encontrar, saberia o que perguntar e esse encontro já tinha uma data marcada. Ele finalmente entenderia tudo sobre Elysian, ao menos era o que ele achava.

. .


prestou atenção em todas as perguntas que fazia para ela, mas não podia negar que a ansiedade e a impaciência corriam por suas veias para poder falar com a melhor amiga logo. Na verdade, era mais medo de perder a amizade de , medo de jogar tudo o que elas construíram ao longo dos anos por causa de um livro que era de e inconsequentemente distribuiu escondido; um livro que agora tinha caído nas mãos da pessoa que era a inspiração da história, coisa que nunca, nem nos seus mais loucos delírios, imaginou acontecer. E não podia negar que ela até sentiu seu coração falhar por alguns segundos quando notou que estava em seu escritório unicamente para falar de Elysian; achou que estava sonhando, mas depois se deu conta de como tudo era verdade.

- Você então fala com ela? - perguntou de pé em frente a enquanto se preparava para ir embora.
- Sim - respondeu voltando sua atenção para . - Dois dias, certo?!

apenas acenou com a cabeça e então estendeu a mão para dar tchau a . estendeu a dela apertando a dele também e em seguida a de Gemma.

- Obrigado por tudo - agradeceu .- Pelas explicações e pelo endereço dela. Agora só falta tirar minhas dúvidas com ela mesmo.
- E você fará isso e logo - disse sorrindo, mas sem mostrar os dentes.

Ela ainda sentia o aperto no coração por causa do que aconteceria a seguir; ela ainda não sabia o que esperar, mas saberia que não aceitaria tão fácil o que ela tinha feito.

- Foi ótimo te conhecer, - disse por fim parado na grande porta do escritório.
- Na verdade, a maior surpresa foi minha - constatou. - Afinal, não é todo dia que bate à sua porta - ela riu e algo brilhou em seus olhos. - Ah, ? Eu poderia pedir algo?

apenas concordou um pouco confuso com o pedido.

- Você poderia me dar um abraço? A fã de que ainda habita em mim está implorando por isso! Mesmo você não sendo meu favorito, eu queria muito um abraço, desculpa, eu estou nervosa e sempre falo demais quando isso acontece… - falava muito rápido, o que acabou deixando mais confuso e surpreso por saber que ela era sua fã. Não podia negar aquele abraço porque era uma fã que estava à sua frente e ele sempre faria tudo por quem o fez alcançar o sucesso.

Ele a abraçou fortemente e, imediatamente, sentiu-se em paz e animada; ela não acreditava que estava abraçando-a no meio do seu escritório… Será que a adolescente imaginaria que isso aconteceria algum dia na vida dela?
se soltou da advogada e deu-lhe um sorriso amigável, depois olhou para a irmã e então ambos acenaram e deixaram o escritório de seguindo em direção ao elevador para deixar o prédio.
Assim que não viu resquício nenhum de ou de qualquer pessoa que seja, fechou a porta trancando-a e depois se jogou no sofá do escritório tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer ali. Com o celular na mão, olhava compenetrada o contato da amiga; ela precisava fazer isso, precisava contar o que tinha feito, só não sabia exatamente como ainda e enquanto pensava nisso, por uma ação do destino ou algo assim, o nome de junto com sua foto apareceram na tela enquanto o celular vibrava.
- Respira, , respira! - disse para si mesma. - Você foi a errada e sabe disso, agora precisa lidar com as consequências.

A advogada ficou olhando a tela do celular por uns segundos até que no último momento finalmente resolveu o atender.

- Até que enfim! Achei que nunca iria atender! - disse do outro lado da linha.
- Só estava ocupada, desculpa - disse querendo não aparentar o nervoso que sentia. Seu peito doía de tanto que seu coração batia acelerado contra o mesmo.
- Te atrapalhei em algo? - perguntou. - Achei que estivesse em hora de almoço.
- E estou - confirmou. - Mas recebi uma visita inesperada no trabalho, então atrasei um pouco.
- Ainda vamos almoçar juntas? - perguntou.

até tinha esquecido que havia marcado almoçar com a amiga. Era tanta coisa em sua cabeça com aquela visita de que não conseguia pensar em mais nada depois daquilo. Mas aquela seria a oportunidade perfeita para ela contar o que havia feito e liberar o caminho para finalmente conhecer .

- ? - chamou do outro lado da linha fazendo sair de seus devaneios.
- Vamos sim! - disse já se levantando do sofá. - Vamos no mexicano aqui perto?
- Perfeito! Ando morrendo de vontade mesmo! - disse animada. - 10 minutos e te encontro lá.
- Até lá! - se despediu da amiga.
- Beijos! - disse e, em seguida, encerrou a ligação.

pegou suas coisas e seguiu em direção ao elevador para encontrar a amiga. O restaurante mexicano que elas iam era apenas três quadras do escritório, então iria à pé, o que poderia lhe dar mais tempo para pensar ou lhe confundir mais. Ela ainda não sabia absolutamente nada do que diria a amiga ou como começaria aquele assunto; não sabia o que faria, nem sabia se realmente teria coragem naquele momento já que ela não havia se preparado psicologicamente para não ter mais em sua vida, porque era assim que sua vida seria assim que ela descobrisse o que fez. Uma vida sem , uma vida que ela achou que nunca iria acontecer, uma vida que ela não queria que acontecesse.
O elevador anunciou a sua chegada ao térreo, saiu do mesmo e seguiu para fora do prédio, tomando o caminho do restaurante.

- Sabe aquele livro que você escreveu que usou o como inspiração? - disse baixinho para si mesmo. - Então, eu publiquei sem a sua permissão, o achou e veio hoje ao meu escritório para falar sobre ele.

pensou sobre o que havia acabado de dizer e depois soltou um palavrão baixo. Era absurdo dizer aquilo daquela forma e tão rapidamente; tudo era absurdo e hoje ela via que o maior dos absurdos já havia sido cometido há anos atrás pela própria, mesmo ele trazendo para a vida de . Aquele era o livro de sua melhor amiga e não dela, e não tinha o direito de fazer aquilo, nunca.
O caminho até o mexicano foi rápido, tanto que nem se deu conta e também não percebeu que a amiga estava parada na frente do restaurante olhando admirada para a rua enquanto ela pensava no que dizer e em como dizer.

- ! Você não sabe o que aconteceu! O acabou de passar aqui! Ele passou de carro bem aqui na minha frente! Eu tenho certeza que era ele! Merda, eu tô surtando! ! - disse o nome da amiga um pouco mais alto, fazendo-a acordar para a vida.
- Quem você viu? - perguntou para ter certeza. Aquilo só poderia ser brincadeira! Ele havia saído de seu escritório alguns minutos antes dela vir para o restaurante.
- Fucking ! - disse animada. - Acho que estava com a Gemma, mas passou rápido e ninguém notou, pelo menos eu acho.

riu quando entendeu o tamanho das coincidências que rondavam e . O livro era para ser achado por ele, para ela ter feito o que fez e para conhecer , mesmo que isso custasse a amizade de ambas, o que certamente custaria e doeria como uma adaga em seu peito e sabia disso. Mas se isso faria a amiga feliz, ela lidaria da melhor forma possível, porém não seria agora; ela ainda tinha dois dias com sua melhor amiga e iria aproveitá-los ao máximo.

. .


O dia de tinha sido um daqueles que ela amava quando aconteciam: havia feito exatamente o que tinha programado, teve uma ideia genial para a diagramação do próximo editorial de moda, havia almoçado com e aproveitado a companhia da amiga ao máximo. Mas, sem dúvidas, o ponto alto do seu dia foi ter visto passando tão próximo.
, mesmo depois de anos, ainda nutria um sentimento muito genuíno e puro de fã, algo que ela amava sentir e que sempre impulsionava sua vontade em dar uma continuidade para Elysian. Toda vez que ela se lembrava de , imediatamente se sentia inspirada e com vontade de criar histórias, mesmo sendo em sua cabeça ou no papel, era o que sabia fazer de melhor, e não tinha como negar isso. Óbvio que ela amava sua profissão e trabalhar na revista, mas quando estava escrevendo, tudo dentro de si parecia possível; ela podia ser quem ela quisesse, do jeito que ela quisesse, beijar e fazer o que bem entendesse com quem ela quisesse. Claro que tudo sempre seria com e nunca haveria outra pessoa a não ser o cantor para ser o personagem de suas histórias. E hoje, depois de vê-lo de longe, ela se sentiu inspirada em continuar aquela história tão adormecida por anos em sua cabeça: a continuação de Elysian.

- Seria loucura, não seria? - disse para si mesma enquanto se sentava em sua cama e colocava o notebook em seu colo.

até tinha uma ideia de como queria continuar Elysian, afinal, Heron e a sua personagem, que ela não havia dado um nome, terminaram a história separados, mas e se eles se encontrassem depois de longos e intermináveis anos?
E foi com essa ideia na cabeça que ela começou a digitar em um documento em branco.

“Anos haviam se passado desde do dia em que eu saí daquele backstage e deixei tudo para trás, inclusive Heron, aquele que havia sido o grande amor da minha vida.
Nesses anos distantes, eu continuei o acompanhando mesmo depois de todo o nosso passado. Heron não havia sido o responsável pela nossa separação e sim as nossas vidas. Nós éramos diferentes e de mundos que não faziam sentido estarem juntos e então só aceitamos, aceitamos que não era para ser.
Ao longo desses anos, eu acabei minha faculdade, me mudei de cidade, voltei a apostar mais em mim e resolvi abrir meu próprio negócio. Durante meu relacionamento com Heron, acabei conhecendo mais sobre fotografia e apostando nesse sonho que tinha desde que eu era criança, e então abri minha empresa nesse ramo. Atualmente, fazia casamentos, festas infantis, ensaios familiares; coisas pequenas, mas que me faziam imensamente feliz e me conectava com as pessoas, então isso era o suficiente.
Heron havia virado apenas lembranças na minha mente, lembranças boas e eternas, mas apenas lembranças.

- Boss - Edward me chamou fazendo com que voltasse para a realidade.

Eu estava no escritório tratando as fotos de um último ensaio de Halloween que havíamos feito.

- Oi, Edward - respondi quando o vi na porta. Ele entrou rapidamente em minha sala e parou bem próximo da minha mesa.
- Tem um cliente novo na loja e ele insiste em falar com você - Edward disse aparentemente nervoso e estranhei por ele estar assim; Edward era a pessoa mais calma do mundo.
- Aconteceu alguma coisa? Você parece nervoso - perguntei.
- A pessoa que veio atrás de você é um famoso, mas não consigo me recordar exatamente quem ele é - Edward confessou. - Por isso estou levemente nervoso, nunca tivemos algo desse nível aqui!
- Famoso como? - o questionei.
- Famoso, Boss! Se não me engano é ator ou cantor, o rosto dele não me é estranho - Edward disse. - Seria ótimo para a Papillon Photos.
- Sim, claro! - concordei.

Me levantei da cadeira e contornei a mesa para seguir em direção à frente da loja, onde ficava o balcão que atendíamos os clientes. Enquanto caminhava, pensava realmente na oportunidade de crescer meu negócio e se realmente fosse alguém famoso, seria incrível para todos da empresa.
Porém, assim que passei pelo arco que separava o corredor dos estúdios e do meu escritório para a recepção, senti meu coração falhar.
Realmente era um famoso ali, com seus cabelos cheios e encaracolados, seus olhos cobertos por um óculos de lente amarela, uma camiseta branca, calça jeans e suas famosas botas Chelsea. O famoso era o amor da minha vida: Heron.”


se sentiu animada ao escrever aquela cena tão rapidamente, que teve que segurar as lágrimas. Quando escreveu Elysian há tantos anos atrás, ainda estava na faculdade e sempre teve em sua mente uma continuação, mas nunca aparecia o momento certo para iniciar a segunda fase daquela história. Mas hoje, depois de tanto tempo, o momento certo apareceu e a sua grande e melhor inspiração que havia sido o responsável por tudo; e ela apenas havia o visto de longe. nem imaginava, nunca, nunca mesmo, que ao fim daquela mesma semana, estaria batendo em sua porta com Elysian em mãos.

. .


< ainda não tinha criado coragem para conversar com sobre o que havia feito e depois de saber que a amiga estava escrevendo a continuação de Elysian, fez com que sua coragem se esvaísse por completo. sempre pedia para continuar aquela história por anos e nunca ocorria a oportunidade perfeita para ela voltar; dizia-lhe que faltava a inspiração. Mas, ela apareceu e para isso, bastou apenas ver de longe. até ria quando pensava nesse fato, porque era o destino agindo de novo; ela sabia que ia conhecer e dessa vez com ele batendo a sua porta.
Falando em , já haviam passado três dias desde que o mesmo tinha ido até sua sala para falar sobre o livro e encontrar . estava um dia atrasada e já havia ligado fazendo cobrança sobre isso, mas lhe pediu mais um dia de prazo, que foi lhe concedido sobre muita insistência. Por isso, naquele momento ela estava se dirigindo até a casa de sua melhor amiga para ambas tomarem um vinho e para que ela finalmente tivesse coragem para contar o que havia feito.
havia acabado de estacionar o carro e atravessou a rua andando rápido, seguindo em direção ao prédio de . Passou pela portaria rapidamente, onde avisou o senhor Olav que estava subindo mesmo não precisando, já que no prédio de não se era anunciado ao morador antes de subir, e então, ela pegou o rumo das escadas para ir direto ao apartamento da amiga. Mil coisas passavam em sua cabeça; não era fácil pensar em dizer qualquer coisa que não pudesse afastar dela, ainda mais agora que a amiga viveria um sonho e ela queria muito, mas muito mesmo acompanhar tudo de perto. Porém, ela sabia que a partir de agora, provavelmente só acompanharia tudo à distância. conhecia bem demais para saber que a amiga não aceitaria o que ela fez tão facilmente e que tinha desonrado o juramento que fez em sua formatura; havia cometido uma invasão ou até mesmo um roubo por assim dizer, podendo colocar sua credibilidade profissional em risco se mais alguém descobrisse.
A cabeça da advogada estava tão imersa em pensamentos sobre o que dizer que nem notou quando já estava no andar de ; ela só se deu conta quando viu em sua frente a grande placa que anunciava o respectivo andar que seria seu destino. A mulher então tomou o rumo do apartamento da amiga decidida a contar tudo o que estava guardando; seria como arrancar rapidamente o curativo de um machucado bem feio, mesmo que aquele machucado doesse eternamente, ela precisava e faria isso.
Antes de tocar a campainha, percebeu que uma música tocava alto dentro do apartamento de , que a mesma cantava aos quatro ventos, e até conseguiu imaginar a cena: provavelmente estava bebendo sua taça de vinho tinto entoando a música da sua voz favorita, Only Angel de , a música que ambas amavam cantar juntas. A advogada riu mais uma vez lembrando das coincidências de tudo aquilo; faziam meses que elas não escutavam nenhuma música que remetesse ao ou qualquer outro integrante da e, agora, tudo parecia estar anunciando a chegada do cantor na vida de . Era certamente até instigante pensar nisso… Será que e sempre estiveram destinados à esse encontro? Será que realmente o destino estava agindo tão claramente assim? Por que foi o único que foi atrás de Elysian? sempre acreditou nas ações do destino, mas agora estava demais, até mesmo para ela. E, pensando em tudo aquilo, ela finalmente tomou coragem e conseguiu tocar a campainha da casa da amiga.

- Chegou quem estava faltando! - disse assim que abriu a porta e ela realmente estava da forma que imaginou.

rapidamente deu um abraço na amiga e entrou no apartamento, mas parou estrategicamente ao lado da pequena mesa que tinha perto da porta, afinal, se a amiga resolvesse correr atrás dela para matá-la, já estava perto da porta o suficiente. Ela tinha que despejar tudo o que deveria para sobre Elysian e seria agora.

- - chamou, mas a amiga parecia imersa demais enquanto cantava Ever Since New York que nem escutou a chamar.
- ?! - chamou de novo.

Dessa vez, escutou e virou-se na direção da amiga com uma expressão de que ela poderia continuar.

- Preciso te… - começou a dizer, mas antes de terminar a frase, acabou ouvindo um barulho do banheiro que não deixou com que ela terminasse. - Tem mais alguém aqui? - perguntou e apenas gargalhou enquanto ia em direção ao banheiro.
- Era para ser uma surpresa, mas ele acabou estragando tudo! - disse rindo e depois dando um gole em sua taça.

Assim que acabou de falar, a porta do banheiro foi aberta e dela saiu um Anthoni todo estiloso vestindo a última coleção de uma grife francesa renomada.

- Eu voltei, mon amour! - Anthoni disse saindo do banheiro e indo abraçar .

Anthoni sempre foi o melhor amigo de ambas, a terceira parte que completava os "Três Mosqueteiros", como eles se denominavam. Por mais que e fossem perfeitas uma para a outra, Anthoni só intensificava ainda mais essa amizade e foi extremamente difícil para ambas quando ele decidiu fazer um intercâmbio de dois anos na França.

- OH, MEU DEUS! EU NÃO ACREDITO! Você não voltava só no final do ano, bunny boy?! - perguntou ainda abraçando o amigo fortemente.
- Senti falta de vocês e resolvi voltar antes - Anthoni disse enquanto se soltava de e logo em seguida, caminhou até o armário de para pegar uma taça para ele e outra para .
- Fiz esse intercâmbio pensando numa coisa e foi outra completamente diferente, além de que os homens franceses não são tudo isso que falam - Anthoni voltou a dizer enquanto enchia as duas taças. - Então, decidi voltar para o meu porto seguro e para minhas garotas preferidas nesse mundo e daqui não saio mais.

sentiu seu coração encher de amor e, naquele momento, o que ela tinha para falar com desapareceu da sua mente. Ela precisava desabafar com Anthoni sobre tudo o que tinha acontecido e também matar as saudades do amigo. Pelo menos com Anthoni ali tudo ficar melhor, porque ela sabia que não estaria sozinha, e nem ela, mesmo se elas se separassem para sempre.

. .


Já haviam se passado quatro dias desde que tinha falado com . Ele não entendia o porquê de tanta demora para falar sobre o livro e não suportava se sentir inquieto da forma que estava; Fez alguns exercícios de meditação, foi à academia, praticou boxe, compôs alguns versos soltos, viu seus filmes preferidos, mas nada tirava a sensação de inquietude de seu corpo. não via a hora de encontrar a autora de Elysian, pois tinha mil e uma perguntas para fazer e queria desvendar todos os mistérios sobre a identidade da pessoa que tinha o decifrado tão bem e lhe entendido nos mínimos detalhes. havia enxergado a sua alma como ninguém nunca tinha feito.

- No que você anda pensando, dude? - Jeffrey disse fazendo com que voltasse a realidade.

Ambos estavam no escritório da casa de Azoff a fim de decidirem alguns ajustes para a preparação do próximo álbum e também sobre o evento beneficente que se apresentaria em alguns meses.

- Nada demais, só umas coisas pessoais mesmo - comentou.

Jeffrey respirou fundo, desviou a atenção do que estava fazendo e se voltou completamente para .

- O que anda acontecendo de verdade? - Jeffrey perguntou mais uma vez. - Nunca te vi tão pensativo e ansioso dessa forma, H. Você anda desconcentrado demais e focado em uma coisa dentro da sua própria cabeça que ninguém sabe.

bufou um pouco irritado pela pressão que estava passando naquele momento. Apesar de considerar Jeffrey um irmão, o cantor acreditava fielmente que ele não entenderia nada do que estava se passando tanto na sua cabeça quanto na sua vida e, provavelmente, acharia loucura se ele contasse que estava assim por causa de um livro e de sua autora.

- Realmente não é nada, Jeff. Acho que é algum resquício de cansaço da turnê. Talvez eu precise de umas férias, dar um sumiço, viajar para algum lugar... Não sei - disse querendo mudar o assunto.

Jeffrey entendeu que naquela hora o amigo não falaria nada, então decidiu não perguntar mais e se deu por vencido.

- Quer que eu veja algo para você? - Azoff perguntou e apenas negou com a cabeça.
- Obrigado, Jeff, mas acho que vou para Holmes Chapel depois desse final de semana. Talvez ficar uns dias na casa da minha mãe irá ajudar - disse.

E ele realmente pensava nisso; depois da conversa que teria com a tal autora de Elysian, a única coisa que ele precisava era de paz para si e o colo de sua mãe seria de uma grande ajuda.

- Então finalizamos por aqui - o empresário disse enquanto se levantava e ia até que já estava de pé também. - Se precisar de algo, não hesite em me ligar, ok?!
- Pode deixar - concordou. - Até mais, Jeff.
- Até mais, H - Jeffrey se despediu.

andou então em direção à saída para poder voltar ao seu apartamento e, assim que colocou os pés para fora, sua cabeça voltou a pensar no porquê de estava enrolando tanto sobre contar para sobre o livro. Ele entrou em seu carro, viu Elysian sobre o banco do carona e percebeu que ele não conseguia mais andar sem aquele livro como companhia. Então, naquele momento, decidiu ligar para e avisá-la que estava indo para a casa de , pois ele precisava tirar tudo o que sentia de dentro dele imediatamente.
Antes mesmo que ligasse para , ele conectou o endereço que havia recebido da mesma ao GPS de seu carro e viu que precisaria dirigir além do que imaginava quando saiu de casa hoje, já que autora morava do outro lado de Londres. Como já estava anoitecendo, provavelmente a autora da história já estaria em casa e com essa mentalidade, um completamente ansioso por esse encontro ligou seu carro e saiu do estacionamento da casa de Jeffrey. Assim que ultrapassou os portões, ele deu um comando de voz para que seu celular ligasse para e, em menos de um toque, a mulher atendeu.

- Alô? - atendeu parecendo chateada ou algo assim.
- , é o - disse se apresentando. - .
- Ah! - bufou levemente chateada do outro lado da linha, mas nem se deu conta disso. - Está tudo bem? Precisa de algo? - ela já sabia muito bem o porquê dele estar ligando.
- Você falou com sua amiga? - perguntou impaciente.
- Não consegui. Não é uma coisa fácil, se é que me entende - respondeu.
- Sinceramente? Não entendo - rebateu, até um pouco grosso ao ver de , mas ela entendia o motivo dele estar assim; ela percebeu como o cantor tinha ficado fissurado em Elysian e tentar adiar esse encontro com não ajudava muito.
- Quer saber, ? Eu tentei contar para ela e não consegui, então acho que já está na hora de você conhecê-la. Arrancar esse band-aid vai doer em mim de qualquer forma - disse com a voz embargada, o que até causou uma certa fisgada no coração de ; ele não gostava de deixar as pessoas dessa forma.
- Desculpa se disse algo que te magoou - pediu sinceramente.
- Não é isso, - começou a se explicar. - Eu sei que a partir do momento em que ela descobrir que Elysian vazou, a nossa amizade estará acabada e a única culpada por isso sou eu, não você. O destino quis que você lesse esse livro e que entrasse no seu caminho e só de saber que ela vai realizar o sonho de conhecer você, já me deixa extremamente feliz. Então, meio que valeu à pena, mesmo isso tendo me custado o que eu tenho de mais importante na vida.
- Nunca quis que isso acontecesse e não quero tirar algo tão importante de você e nem tenho esse direito, - foi sincero. - um dia vai entender seu ponto, te garanto. Vocês têm uma amizade muito forte para se acabar dessa forma.
- É o que veremos - disse por fim. - Mas você tem o endereço, certo?!

já dirigia por Londres indo para a casa de e nem imaginara isso.

- Sim! - confirmou.
- Ela está em casa, disse que tinha que terminar uns editoriais e ficaria acordada até tarde - contou. - Só posso te desejar boa sorte, . Tenho certeza que vai te contar tudo o que quer saber e aliviar essa ansiedade que anda te corroendo.
- Obrigado - disse enquanto prestava atenção na rua.
- Adeus, - disse encerrando a ligação antes mesmo que pudesse responder.

se sentiu culpado por estar se sentindo daquela forma e ainda mais por estar achando que tudo estava perdido. Mas ele sentia dentro dele que poderia ficar magoada, mas que não tiraria para sempre de sua vida; não saberia lidar com isso se acontecesse. E foi pensando que tudo daria certo que ele dirigiu de forma rápida até o bairro de ; um bairro simples e familiar. Assim que o GPS indicou o lugar, ele estacionou o carro e respirou fundo.
Como já estava de noite, as pessoas não o veriam andando por ali, o que era um certo alívio, já que resolvera fazer essa aventura sozinho. então pegou Elysian em mãos, saiu do carro e logo depois atravessou a rua e entrou no prédio que parecia quieto demais; havia apenas um porteiro que assistia algum jogo da Premier League na TV. se dirigiu até ele e fez um barulho com a boca para lhe chamar a atenção.

- Eu gostaria de ir ao apartamento de - disse para o senhor que não tirava os olhos da TV.
- Pode subir - o porteiro falou.
- O senhor não precisa me anunciar? - perguntou um pouco desconfortável; nunca que ele iria querer alguém subindo sem ser anunciado em seu apartamento.
- A senhorita disse que receberia um amigo hoje, então pode subir- o porteiro avisou.
- Qual o apartamento mesmo? - perguntou, já que não havia lhe dado esse detalhe.
- 305, é só subir as escadas ali no canto - o porteiro avisou ainda pregado a TV.

apenas acenou com a cabeça e rodou o lugar com os olhos buscando a escada e, assim que avistou, caminhou até a mesma e começou a subir torcendo para não encontrar ninguém naquele momento, já que não tinha cabeça para lidar com algum fã ou algo assim.
O caminho do térreo até o terceiro andar era curto, mas para parecia que ele estava subindo escadas intermináveis tamanha era a sua ansiedade. Quando avistou a placa que anunciava a chegada ao terceiro andar, respirou aliviado, entrou no corredor do andar já buscando a porta com o número 305, ao qual encontrou rapidamente; era o apartamento da ponta do corredor e provavelmente tinha vista para rua.
sentiu suas mãos suarem frio enquanto segurava o livro; ele estava ansiando tanto por aquele momento e quando ele finalmente chegou, se sentia extremamente nervoso. Parecia que qualquer raciocínio lógico havia sumido de sua cabeça, mas precisava se concentrar e se acalmar para conseguir sanar todas as suas dúvidas sobre aquela misteriosa autora e sobre Elysian. E foi com esse pequeno lampejo de coragem que ele apertou a campainha do pequeno apartamento.
Quando fez isso, pôde notar que atrás daquela porta uma música que ele conhecia bem tocava e até deu uma leve risada tamanha a ironia: era Kiwi, a sua própria música. Porém, poucos segundos depois que tocou a campainha, a música cessou e então foi possível ouvir a porta sendo destrancada. Assim que a porta foi aberta, revelou exatamente aquela mesma mulher que havia sonhado semanas atrás, mas aquela em sua frente parecia ainda mais bonita: com seus cabelos castanhos meio bagunçados, um roupão rosa e um óculos redondo de grau presente em seu rosto. não conseguia acreditar e muito menos imaginar que, segundos depois, teria a porta do apartamento fechada em sua cara de uma vez só, sem nenhuma pergunta, sem nenhuma resposta e sem nenhuma palavra.




Continua...



Nota da autora:Olá minhas rainhas, como vocês estão? Espero que bem!

Finalmente ressurgi das cinzas com essa atualização gostosinha de Elysian e finalmente ACONTECEU, Harry e nossa PP se encontraram, mas e agora? O que na opinião de vocês teremos a seguir?

Estou no aguardo para os comentários, porque lembrem-se, eles estimulam e muito as autoras e o dedinho não caí.

E não se esqueçam que todas estão convidadas a entrar nos meus grupinhos para a gente discutir as fics ou só falar da vida mesmo.


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É isso, prometo que em breve estou de volta. Love, Kels.

Outras Fanfics:
Backstage Queen | Queen Of My Heart

Nota de Beta: Eu estava morta de curiosidade pra saber como seria esse primeiro contato, mas confesso que esse me deixou super encantada (por motivos de acho que ela pirou porque não estava arrumada e ele surtou com medo de ser mandado embora, kkkk). Não esperava mesmo que ela fosse bater a porta na cara dele, nem que ele fosse tão rápido assim atrás dela e menos ainda que a Sapph não fosse contar. Queria muito que a Clari soubesse pela amiga, acho que amenizaria as coisas, mas, pelo que eu ando vendo, o destino está brincando um monte com esse meu ship... rsrs. Agora eu vou ficar louca de vontade que a próxima att chegue logo pra eu ver como vai ser essa conversa, porque, sério, eu tô muito curiosa pra ver como vai rolar.
O capítulo está mais que perfeito Kels. Super surpreeendente como sempre. Amo.
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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