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Empire






Última atualização: 05/06/2017

Capítulo 01

O tango é um jogo de amor e ódio, e então nós bailaríamos a noite inteira... Nossas almas eram donas de imensos pecados, o ódio, a luxúria e o egoísmo já eram eminentes em nossas almas. Éramos donos de muitos sentimentos contraditórios, cheios de raiva, de persuasão, promiscuidade e pessimismo, e quem sabe de alguns falsos amores.
O longo palco de vidro era pisado por passos confiantes com saltos negros, silhueta perfeita e cabelos impecáveis, asas pesadas por cima do vestido negro, e assim só começava um desfile das amáveis Victoria’s Secret. O nariz empinado, e a cintura de uma boneca Barbie, rosto angelical poderia facilmente ser confundida com um doce de garota, mas vendo de fora, quem não é? Almas entorpecidas pelo gelo e o frio, egos grandes demais para se bastarem juntos, juntos eram o caos, e separados eram problemas indistinguíveis. Apesar de todo o problema, ainda conseguiam ser um bom par, eram os mais fortes e indestrutíveis, eram impossíveis demais para qualquer um destruir ou acreditar que dariam certo. Não teria como existirem juntos, mas não poderiam deixar de pertencer um ao outro.


{...}


Ainda que fosse meu corpo, ainda que fossem meu cabelo e meu sorriso amplo, não era minha alma, pois a mesma já parecia ter sido afugentada dali, largando a ser morada de apenas egoísmo e do enorme ego que ocupava todo o espaço por dentro de mim. A imensidão de flashes fortes e música alta deixavam minha visão turva demais, sentia que eu estava num breu, onde tudo era escuro demais pra tentar encontrar minha alma ali dentro. Milhares de rostos estranhos que tinham algo a dizer, mas tudo o que eu me limitava a ouvir eram barulhos. Saindo daquele lugar junto a dois seguranças, um de cada lado, eu ainda estava zonza e não tinha muito que fazer. Georgia segurando sua prancheta e correndo em seus scarpins seguia ao meu lado em direção ao carro.

- A noticia da boate está em todos os tabloides, alegam que você estava drogada. Mesmo sabendo que não estava, mais uma dessas você pode passar a ser condenada pela mídia, , você tem noção da gravidade disso? Precisamos arrumar tudo isso urgentemente, você tem que parar. – Ela dizia rápido me entregando os óculos escuros que foram brevemente colocados.
- Ok, e o que eu tenho que fazer? – eu disse indiferente, sem a mínima vontade de ouvir realmente o que a mulher andando ao meu alcance dizia.
- Pois bem, namorar um queridinho da América sanaria todas nossas preocupações, mas a questão é: por mais que ele fosse um dos queridinhos da América, está começando a se sujar por causa de festas...
- Resume isso, Georgia, pelo amor de Deus. – Disse impaciente demais, entrando no banco traseiro do carro ao lado dela.
- É tudo questão de marketing, ambos se ajudam. Um contrato de namoro vai ser bom pra reputação de ambos. Só basta aceitar... - senti o olhar da mulher sobre mim esperando por uma resposta.
- Quem? – me limitei dizendo apenas isso observando o céu escurecer conforme ia fechando a janela.
- . – ela disse até um pouco animadinha. – . - Quando Georgia viu que minha resposta estava demorando demais pra sair, voltou a tagarelar. – Vamos lá, , não será tão ruim assim, ele é lindíssimo e seria tudo pela mídia, apenas mídia.
- Ok. – apenas suspirei derrotada.

{...}


Era uma das piores pessoas pra conviver, principalmente pra ter que ser obrigada a ser um par. A notícia rapidamente estourou em todos os tabloides como um dos mais loucos relacionamentos. Ambos carregavam uma bagagem cheia de caos demais, e juntos assim como eu sempre pensei, só poderia ampliar o caos e não causar paz como desejavam. O garoto era egocêntrico, insuportável e parecia fazer mestrado em causar problemas. Porém eu não podia dizer nada já que ele não era o único a causar problemas e aparecer em grandes polêmicas. Mas eu não seria o tipo de pessoa de se calar e ser apenas mais um fantoche do mundo.

A estratégia era simples, como um mais um era dois, e como a resposta óbvia, eu ainda não via a parte viável nisso tudo. Enquanto todos nos veriam como casal, poderíamos quitar todos os problemas que causamos sozinhos, sabíamos que acabaríamos piorando tudo. Mas nós éramos o caos, e que mal tinha em bagunçar mais um pouquinho?

point of view.

- FILHA DA PUTA! Como aquela garota nojenta me tira toda a paciência que ainda conseguia me restar. Ela era o pior tipo de pessoa pra sobreviver em meio ao caos. Mesquinha, mimada e reclamona. Uma puta de uma patricinha gostosa, linda e insuportável. Tínhamos duas semanas de “namoro” e das poucas vezes que tivemos que sair, eu não consegui suportar perto dela. As vezes eu via que não conseguiria nem concluir esse contrato idiota. Alô, não tinha outra modelo pra fazer isso mais simpática não? Poderia ser uma menos gostosa até, eu não poderia reclamar. Já que essa, ela era o símbolo da perdição e da perfeição, mas era insuportável.
- VOCÊ ESTÁ ATRASADO! –ela entrou em passos firmes com o som do salto ecoando no meu piso de madeira quando a mesma bateu a porta atrás de si.
- Desculpa. – eu disse ainda meio sonolento no sofá sem previsão de levantar dali.
- Olha aqui, meu querido , vou ser hiper clara, espero que me compreenda de primeira, pois não vou repetir. – Ela disse com firmeza jogando sua bolsa caríssima sobre minha mesa de vidro.
- Fico abismado com seu tamanho ego a essa hora da manhã, querida. – fiz cara de deboche o que pareceu lhe deixar irada.
- Você tem que seguir meus passos, fofinho. Estou aqui pra ajudar limpar a sua barra, não se faça de otário pelo menos uma vez na vida. – ela deu de ombros. - Tudo o que temos é um contrato, então o siga direito.
- Belo exemplo de pessoa vou ter, huh? – Eu ri sem humor. A mesma pegou sua bolsa e seguiu até a porta. – Brunch em meia hora, estou te esperando no carro.

{...}


- Vai começar a merda toda... – bufei pouco antes de ter que abrir a porta do carro que já estava estacionado em frente a um enorme salão que ocorria um brunch com vários outros famosos, isso também se resumia em que eu não poderia ficar dando em cima daquelas modelos gostosinhas que sempre estão nesses eventos.
- Você vai se sair melhor do que pensa, querido... - ela disse sorridente abrindo a porta do carro.
- Putaquepariu, você é psicopata por acaso? Por que... – eu disse ainda praguejando segundos antes da minha porta ser aberta e eu ser arrastado pra fora.

A mesma passou a mão pelo meu braço sorrindo abertamente, mesmo que parecia que não havia paparazzi ou pessoas por perto. Entramos no salão juntos, a garota sorriu e falamos coisas que antes foram instruídas pelos nossos empresários enquanto “não tinha ninguém por perto” e ela riu baixo me olhando daquela forma que parece que sorri com os olhos. Filha da puta, como ela conseguia ser tão versátil...
O sobretudo negro cobria em partes o vestido azul marinho todo trabalhado, suas pernas cobertas com meia fina e salto, ela estava linda como sempre, mas não valia o vestido que possuía... Estava no inicio do inverno, combinei calça caqui, com um enorme casaco negro e cachecol, e os tênis pretos da nike.

- Queridos! Que bom que vocês vieram, vocês ficam tão lindos juntos! – Kendall a anfitriã do brunch nos recebeu logo na entrada abraçando e depositando um beijo no rosto de que sorriu docemente, como se fosse um anjo, e depois repetiu o mesmo gesto comigo. - Sintam- se a vontade, por favor...
- Obrigada, Kendall, nós é que agradecemos. – ela sorriu pra mulher que era bem mais velha, mas que tinha uma enorme influência nas mídias com suas enormes festas e lista ampla de contatos. Adentramos o lugar e logo pudemos ver rostos conhecidos. era amiga do da banda apenas. Seguimos até lá mantendo aquela velha pose de casal capa de revista. Os garotos eram os únicos que sabiam de toda essa coisa.
- ! – se desgrudou de mim abraçando o loiro, e logo depois cumprimentando os outros normalmente. Ela era insuportável só comigo mesmo?
- Ei, dudes, vocês já tem uma mesa separada? – Eu perguntei bocejando. - Será que eles não poderiam marcar esse brunch lá pelas onze e meia... Meio dia? Qual a necessidade de tão cedo?
- Deveria ser então um almoço né, cara. – disse sorrindo tranquilamente e puxou a cadeira pra se sentar, assim os outros fizeram. sentou do meu lado direito.
- E então, quais os planos pra essa semana? – Ela sorriu bebericando seu leite com chocolate.
- Por que está sendo tão agradável, Cruela Devil?- perguntei indiferente, enquanto comia.
- Há há, lindo apelido. – ela revirou os olhos. – Você é lerdinho, ein garoto? No fim do corredor na primeira mesa da direita, não sei como ele está no brunch já que costuma ser privado. Mas olha bem, ele é um daqueles amadores que vendem tudo pra qualquer revista. Um detalhe despercebido e nosso contrato vai por água a baixo.
- Ah ta, entendi. Só por isso também, né? – eu ri sem humor.- Quando isso acaba? Quero minha vida de volta e você está atrapalhando tudo. – Dei de ombros observando o hall decorado. Ela me fitou séria com os olhos inebriados e meio escurecidos.
- Quem sabe quando você parar de fazer merda e obrigar seus empresários a limparem pra você. – ela disse um tanto arrogante, revirando os olhos em seguida. - Sabe, você é imaturo demais, .
- Não se cansa de ser tão... Nojenta? – eu questionei enquanto a mesma bebericava o seu leite com chocolate.
- Não me importo com sua observação sobre ser nojenta, vai ter que me aturar. É sua carreira que está em risco. – ela de deu ombros com um breve riso.
- Opa, gente, vão com calma, aqui não, por favor. – entrou no meio. – Por Deus, como eu odeio essas coisas formais.

{...}


Saímos caminhando pra fora do local onde estava ocorrendo o brunch, à neve caia levemente sobre nós e nossas mãos entrelaçadas. Já fazia duas semanas e ela parecia nunca abrir uma brecha, tudo bem que quando era assim eu também não me esforçava pra ser legal com ela, mas seria no mínimo ok se conseguíssemos conversar. Quando apareceu um cachorro perdido no meio da rua meio desnorteado, ela correu até lá passando a mão no mesmo.

- Ai, meu Deus, ... Eu amo cachorros! – Ela ergueu sua cabeça pra olhar pra mim e sorriu amplamente, e pela primeira vez parece que seu sorriso estava sendo sincero.
- Eu tinha um em casa, mas tive que me mudar pro apartamento... – eu disse meio apático.
- Oh, sinto muito. – Ela se levantou e ficou ao meu lado. ATCHIM! Ela estremeceu e depois espirrou mais duas vezes consecutivas.
- Você está bem? - segurei de leve em seu braço a observando.
- É que eu sou alérgica a cachorros... – ela disse de uma forma até infantil, mas em segundos tomou sua compostura de novo. – Enfim...
- Sabia que logo o espírito de Regina George iria voltar a habitar em você – eu disse rindo e então joguei um pouco de neve nela que abriu a boca num ó, abismada com a situação. Abaixou-se e formou uma bola de neve.
- Você é um idiota, ! – ela falou brava e acertou em meu rosto, me abaixei e joguei uma que acertou em seu ombro, ela desequilibrou, mas parecia certo que não cairia, quando me dei conta à mesma estava caída sentada na neve. – EU ESTOU DE VESTIDO! – ela gritou completamente puta da vida, dava pra ver seu rosto queimar de ódio, ela se levantou com tudo.
- Desculpa, ! – estendi a mão pra ajudá-la, mas ela passou irada e me empurrou na região do tórax com força.
- PRA VOCÊ É , SEU IDIOTA. – ela gritou e saiu andando enfurecida até o carro. Observei que do outro lado da rua havia alguém a espreita com uma câmera profissional alheio a tudo que acontecia. Pouco antes dela chegar ao carro corri até ela e a puxei pelo braço colando rapidamente nossos corpos e em breve nossos lábios, sem permitir dar tempo pra ela começar gritar de novo.

Srta. Harris POV.

Senti suas mãos firmes em minhas costas e seus braços envoltos em mim, o frio estava piorando e ter seus braços pareceu aquecer. Seus lábios ternos e macios juntos aos meus, numa sincronia calma e quase que recém-calculada. Poderia ser perfeitamente um beijo técnico, mas não foi.
- QUE MERDA... - ele grudou nossos lábios de novo, e eu o empurrei pelo tórax, mas não pra tão longe assim, apenas o suficiente para descolar nossos rostos.
- Shhhh... – ele se aproximou de novo, mas afastei meu rosto pronta pra voltar a terminar minha frase. – Só me escuta, deita sua cabeça na curva do meu ombro e sorri...
- EU NÃO VOU FAZER ISS... - ele selou nossos lábios rapidamente pra frase ser abafada.
- Tem um fotografo ali, idiota. Colabora! - bufei e passei a mão no rosto do garoto sorrindo levemente, selei nossos lábios rapidamente num riso breve, e o abracei. Vendo de fora amores devem ser fofinhos, porém um de verdade, daqueles que talvez você só encontre uma vez na vida, ou simplesmente não encontra...

{...}


Faria mais de um mês e meio que estávamos “juntos” de certa forma as polêmicas pareciam ter diminuído sobre nós e tudo o que se via falando é que éramos o casal mais querido da América, tão irônico quanto nós mesmos. De certa forma agora eu via o quanto ele era bonito, por mais que ainda fosse totalmente fútil. Seus olhos castanhos pareciam aos daquelas crianças que ainda acreditam plenamente no mundo e seus cabelos bagunçados eram incrivelmente sexy.
- Bom dia. – Cheguei bocejando no estúdio, finalmente mais confortável já que não sairíamos tão cedo dali, fui de jeans, casacos Colcci e botas de inverno. Iria uma pequena imprensa no estúdio e eu deveria estar lá. Em certo ponto começamos ao menos a nos tolerar, os meninos tinham gravado seus solos nos dias anteriores o que resultava que faltava .
- Dia. – ele virou sorrindo e já parecia acordado há um tempinho. - Tem café ali naquela mesa.
- Obrigada, já eu pego. – bocejei outra vez. Fui até lá peguei o café observando o estúdio vazio, só tinha nos dois e demoraria quase duas horas pra chegar o pessoal da mídia, era como o intervalo do pra depois terminar de gravar, portanto nem seu produtor estaria. – Ai, esqueci minha bolsa no carro, vou lá buscar e já volto, ok?
- Tranquilo. - ele sorriu e voltou a folhear o que estava vendo. Puxei o trinco da porta e parecia emperrada, puxei mais uma vez e nem se movia.
- ... – ele virou sua atenção pra mim. – Acho que a porta está emperrada...
- Certeza? – Ele se levantou. – Me deixa tentar. – ele puxou com força a porta, e depois mais uma vez, mas parecia não surtir resultado. Puxou uma vez com tudo bruscamente, o trinco saiu em sua mão o que o fez ir pra trás desequilibrando.
- Acho que estamos presos. – eu disse indiferente, peguei uma xícara de café e me sentei no carpete.
- Definitivamente estamos. – ele jogou a maçaneta no chão. - Trouxe seu celular? O meu deixei no outro estúdio com os garotos.
- Larguei na minha bolsa. – suspirei derrotada bebericando o café que brevemente queimou minha ponta da língua. - Aí!
- Queimou a língua? Quer que eu beije pra sarar? – ele disse malicioso e rimos juntos. se sentou em minha frente no carpete também de forma descontraída. Não tínhamos falado sobre o beijo não-técnico. E eu pretendia não falar tão cedo também. - Então, por causa da sua alergia você nunca teve um cachorro?
- Nunquinha. – eu sorri. -E você?
- Tive vários, tinha um que destruía tudo na minha casa na época, minha mãe queria morrer, sempre tinha vaso quebrado. – eu ri junto a ele.
- E a sua família, ? É grande? –sorri observando o mesmo bagunçar seu próprio cabelo.
- Sim, eles são bem unidos. Digo, meus pais, minhas irmãs e meus tios, sabe? – assenti com a cabeça mesmo não sabendo direito. - E a sua?
- Ah, é complicado, sabe? – eu ri baixinho mesmo que sem humor.- Meus pais são divorciados desde que sou pequena, então não tem muito isso, né? Às vezes acho que meu pai recompensava sua falta de tempo pra mim com roupas caras e coisas assim...
- E a sua mãe? – ele perguntou tranquilamente.
- Ela sempre foi meio louca, quando eles se divorciaram ela se mudou pra Tailândia, e desde então tenho visto pouquíssimo ela, apesar de que eu morava com meu pai e mesmo assim não o via também... - disse deixando no ar, óbvio que eu não explicaria todo o rolo de uma infância inteira meio conturbada numa conversa totalmente informal, afinal, era o , não tinha o porquê contar para ele.
- Sinto muito... - ele observou suavemente e então pegou minha mão observando-a mesma.
- Não sinta, está tudo bem. – eu ri tranquilamente. - Na verdade é hiper ok.
- Garota, você não tem um coração? – ele brincou e rimos baixinho enquanto eu negava com a cabeça de leve, mesmo não sendo uma completa verdade.
- Ainda estou à procura, se é que eu tenho um. – eu ri observando. – Já sei, vamos jogar aqueles jogos de pergunta e resposta.
- Você tem cinco anos, ? – ele riu, me encarando.
- Você só faz perguntas? – ri de leve ignorando completamente todo o restante.
- Só. – ele sorriu abertamente. – O que você planeja pro futuro?
- Nadinha. – eu ri percebendo o quão realmente era vaga minha percepção de vida, na verdade eu não queria nada, não pensava num futuro e nem ao menos o planejava, eu só sabia de uma coisa. – Quero participar de alguma causa nobre, entende? Não sei, me voluntariar pra ir ajudar na África ou coisa parecida...
- Você? Na África? – ela caiu na gargalhada na minha frente, o que me fez dar um tapa no braço do mesmo. – Essa eu quero ver.
- Há, há, idiota! – eu dei a língua pra ele.
- Quem mostra a língua pede beijo. – ele disse ainda rindo confortavelmente.
- Vai à merda, garoto. – dei de ombros enquanto fitava o teto. – E você?
- Queria viajar o mundo, mas por enquanto me falta tempo... – ele respirou fundo.
- Desculpa ai, senhor ocupado. Eu posso ocupar um espacinho da sua agenda hiper lotada? – eu ri fazendo voz de nojinho.
- Na verdade, não. – minha boca se abriu num ó e começamos a rir. – Mas para sua felicidade e meu azar estou tendo que cumprir todos os meus “espacinhos” com uma senhorita aí... – ele olhou pro teto como se não se importasse da forma mais teatral possível.
- Como ousas não ter um espacinho pra mim, a rainha de toda Inglaterra? – exclamei entrando em seu teatro.
- Perdão, altíssima rainha de Gales, desmarcarei todos meus compromissos apenas para poder apreciar seus belíssimos olhos. – ele disse de forma que o fazia parecer realmente um ator de quinta categoria, o que me fez gargalhar alto.
- Oh, Romeu, a monarquia não permite que fiquemos juntos, e agora? – entrei na entonação, rindo aos finais das frases junto com ele.
- Fugiremos, minha querida, renuncie teu trono e teu reinado e iremos pra longe, onde só haverá nos dois. – ele disse e por fim cai na gargalhada deitando no carpete.
- POR DEUS. – Eu disse alto demais ainda rindo. – Como alguém largaria tudo por um homem? É uma ideia absurda. – eu disse rindo já mais baixo.
- Deve ser o amor. – ele disse indiferente, indo pegar mais café na mesinha.
- Mesmo assim, é algo tão improvável... - eu disse encarando o teto.
- Você não acredita no amor? – ele me olhou sorrindo, sem abrir a boca.
- ER, claro que n-ã-o. – Eu ri da expressão pasma dele, que voltou a se sentar no carpete e estendeu o copo com café pra mim. - E você acredita?
- Que audácia, senhorita. - ele riu junto a mim. – Não sei, acho que não por completo, mas acredito que se for pra acreditar ele que me surpreenda.
- , VOCÊ PARECE UMA MENININHA DE QUATORZE ANOS – Eu ri alto e ele bagunçou meus cabelos rindo junto a mim.
-Aí, o que você tem contra menininhas de quatorze anos sua exibida? – ele fez voz afeminada, fazendo uma cara óbvia e bebericando o café. Arrumei minha postura e finalmente me sentei pegando o café e o acompanhando. - Só porque você tem quinze está se achando, né? Eu sei que esses seus cabelos invejáveis é tudo aplique, nojenta.

Point Of View.

Ela não era tão fútil assim. Enquanto o tempo corria conversávamos sobre tudo, e a impressão dela ser a tão intocável passava a ser justificável. Via-se que por mais que ela tentasse o seu melhor, era algo completamente dela, aquela falta de afeto ou amor por algo. Afinal, ela fora criada pra isso, não é mesmo? Seu pai a queria como uma grande artista desde sempre, quando ainda era um bebe participava de filmes enormes com os maiores artistas. Sua infância foi roubada e substituída por holofotes e bolsas da Gucci. Ela era uma pessoa boa, só que ela não sabia disso, nem ela e nem ninguém... Mas dava pra perceber. Conversamos sobre os diversos assuntos, até os quais eu jurava que era impossível alguém passar sem ter feito na vida.
- Como assim você não sabe andar de bicicleta? – eu gargalhei na cara dela que fez um pré-bico e logo sorriu pensando em se justificar. - Você pelo menos já andou?
- Sim, né... Numa gravação de filme tinha uma cena com bicicleta. – ela disse como se fosse à coisa mais óbvia.
- Estou falando de verdade. – eu ri observando a mesma negar com a cabeça. – Pelo menos na gravação você andou?
- Não! – ela exclamou e começou a rir levemente. - Eu apenas andei do lado dela, tipo empurrando.
- Isso é bizarro. – eu ri e a mesma revirou os olhos. - Sabe, fico contente que estamos conseguindo nos comunicar.
- Se quiser posso voltar a assumir meu posto de CruelaDevil. – ela disse sorrindo amplo. - Ou prefere Regina George?
- Definitivamente Regina George, né! – eu disse rindo da mesma que me encarou meio confusa. - Qual é, ela é gostosa.
- ! – Ela exclamou rindo alto. - Você tem problema, sério.
- Ouch, o que eu fiz? –encarei a mesma que sorria tranquilamente, ela apenas deu de ombros e voltou a observar seu copo com café. Era legal vê-la dessa forma, aberta e não tão intocável, apesar de que eu jurava que em poucos minutos a mesma voltaria a ser a mesma insuportável de novo. Era sempre assim, quando estamos progredindo ela surta e regredimos tudo de novo. De volta a fase zero. - O que vai fazer nas férias?
- Queria viajar, mas não sei se vai rolar, por que... – ela disse tamborilando os dedos na perna.
- Tem um filme pra gravar? – Ela negou com a cabeça.
- Um seriado? Um desfile? - observei a mesma que deu de ombros e fechou a cara completamente.
- Ah, deixa pra lá. – ela forçou um sorriso.
- Ok então. – eu sorri e me levantei indo até a mesa com as letras da música. Ela se levantou logo atrás de mim se juntando a mesa e observando as folhas espalhadas, a mesa estava uma completa desordem, então a mesma pegou e começou organizar tudo, desde as caixas com canetas até as folhas perdidas e ordená-las por ordem alfabética, parei tudo o que estava fazendo e foquei minha atenção nela, quando ela percebeu ela forçou um sorriso.
- Desculpa, eu tenho TOC. – ela fechou as mãos e encostou-se à bancada, respirando fundo.
- Imagino como suas assistentes sofrem... – ela riu de forma espontânea, acho que isso significa que ela sabia o quanto era insuportável.
- Uma delas quando eu era pequena teve que ser internada num consultório psiquiátrico. – ela riu e eu a observei pasmo logo rindo junto com ela.
- Você é louca. – eu ri junto com ela que negou com a cabeça, logo o riso junto ao sorriso da mesma desapareceu.
- ? – ela se virou pra mim por um momento e tudo estava em silêncio. Apenas murmurei que estava a escutando mesmo que com os olhos fixos nos quadrinhos nas folhas. - Sou tão insuportável assim? – observei a mesma estralar os dedos da mão incomodada.
- É. - disse sem prestar atenção nela e logo percebi que não estava esboçando reação alguma. - Quer dizer...
- Eu entendi, tudo bem. – ela disse sem entonação alguma na voz. - Já ouvi isso várias outras vezes.
- , é que você tem uma personalidade forte, e é difícil conseguir conviver com você. – ela assentiu com a cabeça sem dizer nada. Virei-me de frente pra ela que fitava a mesa, toquei seu rosto de leve. - Mas você é alguém incrível, só não demonstra isso...
- Hum. – ela nem se quer fez questão de responder algo, observei seus olhos escuros fixos em algum lugar. E então grudei nossos lábios, de forma mais calma possível.
Realmente não esperava que tivesse alguma reação, mas ela passou a mão sobre meu rosto suavemente, parando a mesma na curva do meu pescoço, enquanto nossas línguas entravam numa sintonia tranquila. Ela cortou o beijo em selinhos. Encostei minha testa na dela e pude apenas senti-la respirar fundo sem abrir os olhos.
- Precisamos começar a conversar sobre esses beijos não-tecnicos. – eu ri de leve, ela me acompanhou e afastou-se naturalmente pegando as folhas na mão.
- Quem sabe um dia falaremos sobre isso. – ela sorriu e voltou a se sentar no carpete. – Ei, canta um pedaço dessa musica pra mim?
- Can't you see it? I'm not trying to mislead you. I promise falling for me. Wont be a mistake. No, baby, this is not an illusion. I've really got my heart out on my sleeve. - sorri a observando. (Você pode ver isto? Eu não estou tentando enganar você. Eu prometo que se apaixonar por mim. Não será um erro. Não amor isso não é uma ilusão. Eu realmente tenho meu coração em minha manga.)
- É INCRIVEL! – ela falou animada batendo duas palmas de forma angelical, seu sorriso era amplo e encantador, eu ri a observado.
- Bobinha. – eu sorri a observando, quando ela se virou com tudo pra trás observando a porta ser aberta. Era o pessoal da reportagem e o Frank, que era responsável pela gravação do estúdio. Ela apenas virou seu olhar sério pra mim e se levantou mantendo a postura e o mesmo sorriso que ela dava pra entrevistas ou fotos: gélido e recatado demais. E eu com certeza preferia quando ela sorria tão abertamente que seus olhos brilhavam, mas era difícil vê-la de tal forma.
- Bom dia. – Ela disse pro pessoal que ia entrando na sala, se virou brevemente estendendo a mão pra me ajudar a entrar, passei o braço por sua cintura a ajudando a recepcionar.
- Frank, o trinco da porta saiu. – mostrei pro mesmo e ele apenas afirmou.
- Bom vê-los juntos logo a essas horas da manhã, mas ainda não me convencem que é um casal de verdade. – Jimmy entrou na sala dizendo isso.
Ele era um dos maiores entrevistadores, e certamente aquilo não era uma entrevista, mas ele estava atento a tudo.
- Bobagem, Jimmy, você sabe que... - disse sorrindo e entrelaçou nossas mãos.
- Sei que os dois só se metem em encrenca, e um relacionamento não brota do nada, ainda mais quando tem você no meio, mocinha. – ele disse indiferente entrando na sala e observando os papeis espalhados. – Conheço você desde pequena e sei que isso não chega nem perto de ser natural.
- Você está completamente enganado, Jimmy. – ela sorriu confiante voltando a tomar sua antiga postura de dona do mundo. - Nos dê uma chance, e você não terá duvidas de que somos o melhor casal.
- Não tem porque duvidar. – eu dei de ombros observando a mesma se enrijecer. Sabíamos que tinha, e tinham muitos porquês pra duvidar.





Capítulo 02

Entrei com meu carro por aqueles enormes portões que logo se abriram sozinhos, era uma mansão e tanto. Claro que não dava pra esperar nada menor vindo de um dos maiores empresários do país. Enormes gramados bem aparados cercavam a rua em direção a casa, parei logo em frente adentrando a mesma já que a porta estava aberta. O hall era imenso, era tudo decorado num tom de dourado clássico e imponente, via se uma enorme escadaria que provavelmente daria para os quartos. Fiquei ali parado na porta checando meu smoking e sapatos novos, ajeitei minha gravata num espelho que tinha numa das enormes paredes do hall e baguncei levemente meu cabelo.

- MEU DEUS, EU DEFINITIVAMENTE ODEIO ESSES EVENTOS. – ouvi a voz da garota ecoar pelo hall, mesmo que ela ainda não tivesse aparecido em meu campo de visão. – GILIA, ME TRÁS UM CAFÉ AGORA MESMO, SE NÃO EU DESISTO DE IR NESSE JANTAR AGORA! – Observei a tal da Ana atravessar o hall correndo desesperada.
- Senhor , você já chegou! – ela disse meio sem reação. – Aceita um café, um whisky ou um copo de água? – ela parecia meio desesperada sabendo que deveria atender a garota o mais rápido possível.
- GILIA! MEU CAFÉ! – dava pra ouvir a irritação eminente na voz da mesma.
- Senhor? – ela dizia ainda tentando me dar atenção.
- Por favor, Gilia, relaxe. Estou vendo que já esta te deixando louca, pode deixar que eu levo o café até ela, sim? – eu disse tranquilamente sorrindo pra mulher que ainda nova já parecia surtar de estresse. Gilia apareceu novamente me entregando a xícara com café.
- A senhorita Harris está no escritório aqui embaixo, logo ali. – ela apontou pra porta enorme que estava encostada, segui até lá e apenas empurrei a porta de leve quando me assustei.
- GILIA, VOU TE DEMITIR! – Ela gritou alto demais, logo quando eu estava entrando me fazendo estremecer.
- Por Deus, dê uma folga para a coitada. – eu ri entrando no cômodo, e lá estava ela de costas pra mim se encarando num enorme espelho. Seu vestido era num dourado e longo, o corpo bem acentuado e tomara que caia que delineava sua cintura fina, o mesmo cobria até o salto. Via-se que estava uma pequena parte ainda sem fechar o zíper atrás.
- Ah, é você. – ela deu de ombros se virando de frente pra mim. – Eu precisava da Gilia, com o meu...
- Café. – disse sorrindo e me aproximando dela e lhe entregando a xícara, ela sorriu de leve ainda meio forçado. Seu cabelo estava preso num coque alto, sua maquiagem estava clássica e parecia deixar seus olhos mais claros. – Está pronta?
- Não. – ela choramingou fazendo um quase bico, e então se virou pra mim mostrando o aberto no vestido.
- Só falta isso? – eu ri da tamanha preocupação dela por faltar só um pedacinho a ser fechado, puxei levemente o zíper pra cima fechando o por completo. – Então você está pronta.
- Obrigada. – ela sorriu séria e recatada, assim como ela sempre costumava fazer. Mas pensei que depois de uma semana tão amigável ela se renderia a tudo isso de fazer marra e ser antipática até comigo, errado.
- Você está linda... - ela riu de leve terminando a xícara de café.
- Tão clichê, . – Ela se virou completamente de frente pra mim e riu. – Por favor, da próxima seja menos clichê.
- Você é muito insuportável. – eu disse observando-a colocar sua mão entre meu braço levemente dobrado e caminhar em direção a um enorme espelho, encarando nós dois juntos refletidos pelo mesmo. - Somos um bom par.
- Não posso discordar. – ela riu, e então depositou um beijo em minha bochecha e saiu pela porta voltando ao hall, seu perfume ficou quando ela passou. Confiante e cheio de personalidade igual a ela. – Vamos, ! GILIA, ESTAMOS SAINDO!
- Sinceramente? Eu sinto muito pela GILIA. – eu disse rindo e ela deu um tapa de leve em meu braço rindo baixo. – Senhorita, me daria à honra de conduzi-la esta noite? – sorri estendendo a mão antes mesmo de ela descer os pequenos degraus da casa até o carro.
- Não. – Ela disse séria demais. E logo começou a rir. - Só essa noite.
- Por acaso o seu encanto acaba a meia noite? – eu ri abrindo a porta do carro pra mesma que sorriu convencida.
- Não, meu encanto nunca acaba. – Ela mandou beijinhos no ar enquanto eu entrava na BMW dando partida e fazendo o retorno para sair da casa da mesma.

{...}


Na entrada do enorme salão nem sequer fomos parados pela recepcionista que apenas desejou uma boa noite e abriu para que passássemos, adentramos o salão de mãos dadas. se limitava a apenas acenos, aquele típico tchauzinho de miss, frio e calculado. Ela seguiu até o centro do salão onde tinha a maior mesa com muitos enormes empresários e dentre eles Henrich Harris. Ela respirou fundo e seguiu até lá.

- Olá, papai. – ela sorriu breve e o mesmo levantou para beijar-lhe o rosto. – Esse é o , meu namorado.
- , é um prazer tê-lo aqui conosco. – ele sorriu de forma grandiosa, e me deu um leve abraço. - Caríssimos, essa é . – ele apresentou para os presentes na mesa que pareciam encantados com ela que ainda possuía aquele sorriso congelado.
Aquela coisa era tão entediante que eu realmente passei a perceber o porquê do contragosto da garota de ir até lá. Quando Henrich parou o som dos violinos clássicos que ecoavam pelo salão e tocou levemente com algo o copo de cristal se levantando para fazer um pronunciamento, sentia mão da garota segurar meu braço com força e a mesma fechar os olhos.
- Caros convidados, este seria um jantar para anunciar meu noivado. – a expressão de ficou pálida de repente e a mesma respirou fundo enfiando o rosto na curva do meu ombro.- Eu e Briana nos casaremos em julho e ela virá a tomar conta das ações Harris. – Senti a garota enrijecer completamente, o salão estourou em aplausos e assim que o mesmo se sentou uma ruiva, visível como Briana o abraçou alegremente.
- Com licença. – Ela disse baixinho, o que seria audível apenas pra mim e ao seu pai que estava ao seu lado. A mesma saiu do salão em passos apressados e até um pouco desesperados.
- Se me permite... – Eu disse mencionando levantar ao pai da mesma. Henrich segurou meu braço e me fitou sério.
- , não precisa ir até lá. – Ele riu baixo. – É a , acredito que saiba como ela é. É apenas mais uma de suas ceninhas. Ela é assim desde sempre, quando recebe um não faz cena até que vire sim. Já está na hora dela aprender que as coisas não são como ela quer.
- Perdão, senhor Harris, mas eu preciso ir até lá. – ele assentiu com a cabeça e voltou a dar de ombros virando-se pra Briana. Andei até o jardim e a encontrei sentada no grau da pequena escadaria com os saltos jogados no gramado.
- Por Deus, , será que ele não vê o quanto isso é imaturo? – Ela virou seu rosto pra mim, dava pra ver o desespero transparecer. - Eu não quero falir por causa de uma vaca manipuladora e ter que vender todas as minhas bolsas para sobreviver e acabar indo para uma fazenda de arroz na Tailândia, usar aqueles chapéus horríveis e morar o resto da vida lá.
- Vamos com calma, meu amor. – sorri de leve e me sentei ao lado pegando a mão dela e acariciando.
- Vai à merda. – ela me empurrou pro lado. - Não seja irônico comigo.
- Eu não fui irônico. – a observei e revirou os olhos. Seu esmalte vermelho dos pés parecia destacar mais ainda sua pele branca.
- E eu não sou seu amor. – mostrou a língua estendendo a mão para que eu voltasse à postura de pouco antes de ela me empurrar.
- Ok, deixaremos essa discussão para mais tarde, pode ser? – eu suspirei derrotado.- De preferência no seu quarto... – observei-a maliciosamente o que a fez gargalhar.
- IDIOTA. – ela falou alto demais e então se ajeitou na escadaria indo um pouco pra trás, encostando-se ao pilar e jogando seus pés em meu colo. - Agora é sério, aquela mulher não vale o anel de diamantes que tem no dedo.
- A filha do noivo dela também não vale os vestidos caros que tem... –a provoquei, fez careta.
- Estou falando sério, seu idiota. – ela revirou os olhos.
- Tudo bem, desculpa. – sorri pra mesma.
- Não. – Ela disse indiferente, dando de ombros. - Preciso de mais champanhe, por Deus. – ela murmurou estressada e ergueu uma das mãos para chamar qualquer garçom que passasse pela porta.
- Pois não, senhorita Harris? – Um garçom rapidamente brotou ao nosso lado.
- Preciso de champanhe, você pode me trazer uma garrafa e duas taças, por favor? – ele assentiu com a cabeça e entrou pra dentro do salão. - , falaremos sobre essa nojenta quando estivermos voltando porque eu pensei numa observação sensacional! – ela disse rindo da minha cara.
- E qual sua observação? – observei-a.
- Você é tipo aqueles cachorrinhos de madame que são levados para todos os lugares. – ela disse em tom óbvio rindo da minha cara e pegando as taças da mão do garçom e agradecendo.
- , vai dormir. – eu ri observando-a se divertir com a própria piadinha sem graça. – E posso te garantir que sou muito melhor que um cachorro... – observei-a dando uma piscadinha o que a fez rir alto. Logo atrás do garçom vinha uma garota trazendo o balde com o champanhe e me entregando, ela me olhou sorrindo aberto demais, e ao me entregar o balde com gelo e champanhe vinha um bilhete com seu número de telefone.
- Que bonito. – se virou sínica para a mesma que estava prestes a voltar antes de deixar sua piscadela. – Dando em cima do meu namorado na minha frente? Que audácia, quando papai ficar sabendo...
- Perdão, senhorita , não foi intencional. – ela se desculpou com a cara no chão, e pude perceber o quanto aquele vestido estava curto para trabalhar.
- Para você é senhorita Harris – ela disse de forma esnobe. – Oh, é claro que não foi, você nem ao menos tinha a pretensão de que o rapazinho aqui estava acompanhado, não é? – ela riu irônica e deu as costas pra garota que ainda assim saiu rebolando.
- Você anda muito estressada, sabe o que resolveria isso? – ela me encarou esperando a resposta. – sexo.
- Hoje você está completamente impossível. – ela riu ignorando por completo. – Só, por favor, fique bem bêbado comigo está noite.
- Claro, seu pedido é uma ordem. – sorri abertamente, enchendo nossas taças de champanhe.
- Sempre são. – ela deu uma piscadela convencida e esticou a taça para um brinde. – A nós.
- Aos cachorros que foram poupados de seu mau humor. – eu ri brindando junto a ela.
-Você foi o único que não foi poupado, que peninha. – ela disse rindo e eu fiz uma careta pra ela. - No três a gente vira. - ela sorriu perversamente. - três! – e virou a taça, logo a abastecendo.
- Mas eu não sou um cachorro, sou um leão, um dos maiores predadores... – Ela começou a gargalhar e eu me juntei a ela nessa, era infantil demais para ser levado a sério.
- Tá mais pra pinscher zero. – ela riu bebericando a sua taça. – Eu seria uma...
- Um daqueles guaxinins irritantes e raivosos. – ri alto a observando me mostrar à língua.

{...}


- HUNTER, MAIS UMA GARRAFA, POR FAVORZINHO... – ela esticou o braço pro mesmo garçom que trouxe da primeira vez. Ele trouxe mais uma e colocou em nossas taças, largando a garrafa ao nosso lado.
-Olha o que ainda tem aqui no meio dos gelos... – Eu disse gargalhando pegando o papel meio molhado onde se lia ‘’Verona, 87232000. Call me ♥’’ virei o papel para o campo de visão da garota que ria.
- Pra que você precisaria disso? – ela riu virando seu próximo copo, já animadinha demais para estar sóbria.
- Para matar meu tédio quando eu quiser. – pisquei para ela, que revirou os olhos.
- Bem desnecessário. – ela bebeu mais, e então se inclinou até mim pegando o papel das minhas mãos enquanto a outra mão seguia até a minha nuca, ela grudou nossos lábios vorazmente. Minha mente entrava em alerta me lembrando do quanto àquilo era como correr nos gelos recém-secos, poderia parecer seguro, mas amanhã eu perceberia o quanto foi infantilidade.
- ... Você já está começando ficar bêbada, acho melhor... – tentei desviar dela, mas não tinha como.
- Acho melhor pedirmos outra garrafa logo... – ela riu baixo, senti o cheiro do álcool, e então se aproximou. Grudei nossos lábios com força a puxando pela cintura, nossas línguas travavam uma guerra entre si e nossos corpos pareciam querer colidir, estávamos de mau jeito sentados no chão. Apertei a cintura dela com força o que a fez puxar meu cabelo e separar nossos lábios por segundos apenas para que a mesma retomasse o fôlego. Mordi seu lábio inferior.
- Acho melhor você parar quieta, sem mais álcool para você. – pisquei e ela riu como senão se importasse que eu estivesse a proibindo. Ela enfiou os saltos nos pés e então se levantou, seu vestido longo se ajeitou em seu corpo, sorriu convidativa e me estendeu a mão para levantar.
- Vamos dançar, . – ela sorriu de forma mais despreocupada possível, fiquei em pé no gramado enquanto ela estava no primeiro degrau da escada. Jogou os braços envoltos em meu pescoço e grudou nossos lábios levemente.
- Na minha terra isso não se chama dançar. – eu ri baixo o que a fez revirar os olhos e rir baixinho. Entrelaçou nossas mãos e caminhou pra dentro do salão, onde grande maioria dançava valsa. Posicionou-se em minha frente e sorri pra ela.
- Mas isso chama. – ela sorriu abertamente, seguindo os passos da dança junto a mim. Em algumas curvas que fazíamos às vezes passavam garçons com taças de champanhe e pegava, assim na próxima curva eu tinha que fazer um esforço maior para tirar da sua mão e largar numa mesa qualquer.

{03:50am}

- Papai, preciso de mais uma garrafa... – ela andava descalça pelo enorme salão que ia se esvaziando aos poucos seu sorriso era amplo, mas dava pra se ver que ela já estava alterada.
- Sem mais champanhe para você, . – ele disse derrotado, segurando a menina pelo braço já que ela parecia que tropeçaria a qualquer momento, peguei mais uma taça e bebi enquanto observava a garota a poucos passos de mim.
- Mas, pai... – ela dizia fazendo bico enquanto segurava uma garrafa de champanhe ainda fechada em seus braços.
- E então é ela a da vez? – Shelby chegou ao meu lado escorando em meus ombros. – Que decadência, , achei que você abominava as mesquinhas.
- Por Deus, me dá um tempo, garota. – dei de ombros vendo a morena que já tive caso há tempos.
- Todo o tempo do mundo, se quiser o banheiro é bem espaçoso... e aposto que ela não saberá fazer melhor. – ela disse indicando para que ria mesmo com o pai sério a segurando.
- Você não vale nada. – eu ri irônico e me afastei da garota rapidamente indo em direção a e Henrich. – Com licença.
- , você precisa de um bom banho e uma noite de sono! – ele disse mais ríspido que o normal a tomando a garrafa e colocando numa mesa qualquer ao lado.
- Papai, por que você não volta pra casa? Ficar correndo atrás de vadias como a Briana só te faz alguém pior. – ela gargalhou sozinha se enrolando nas palavras. – Foi por isso que a mamãe foi embora...
- JÁ CHEGA. – ele disse respirando fundo para não gritar com ela ali mesmo que ria daquilo tudo. – NÃO VOU ACEITAR QUE...
- Perdão, Henrich, vou levá-la pra casa. – Disse a segurando. – Foi uma ótima noite, obrigado por tudo.
- Desculpe-me pelo estado de ... – acenei como quem diria que estava sem problemas quanto a isso e a puxei para a saída do evento, ela andava lentamente. Quando saímos pela porta um mar de flashes me cegaram por um minuto.
- , , olha só... – ela ria abertamente enquanto eu apenas fazia esforço para abrir caminho entre os fotógrafos até a BMW.
- , colabora comigo, por favor. – sussurrei em seu ouvido e ela murmurou em concordância e passou a distribuir beijos no meu pescoço. Abri a porta do carro e coloquei-a dentro tentando ficar em frente para impedir as fotos. Desviei e entrei no banco do motorista, já abria a janela e acenava rindo, o que deixava mais óbvio que ela não estava sóbria mais uma vez, já que costumava ser um nojo.
Chegamos a sua casa e como de costume, lá só morava ela, provavelmente Ana e mais algumas empregadas também. Desci do carro e então dei a volta a pegando no colo e entrando pra dentro da lá.
- GILIA, CHEGUEI COM A ! – falei alto no hall de entrada, mas ninguém se manifestou e então fui subindo as escadas com a garota reclamando em meu colo.
- , deixa eu fazer direito... – ela riu e desceu do meu colo arrancando os saltos da minha mão e jogando pela escada sem se importar, e então me puxou pela mão pelo imenso corredor. Quando do nada virou se de frente pra mim e começou beijar meu rosto andando de costas. Eu tinha a impressão que ela iria tropeçar a qualquer momento.
- , você vai cair. – eu disse a segurando tentando não rir da situação bizarra. Então ela se virou e começou a correr praticamente me puxando pro final do corredor para as enormes portas em dourado toda detalhadas. Empurrou as mesmas que se abriram e ela me puxou pra dentro, tinha um cheiro doce e tocava baixinho Marina&the Diamonds, o quarto dela era num branco clássico com detalhes em dourado, milhares de fotos espalhadas pelo mesmo e uma enorme sacada. A garota andava tropeçando no vestido.
- Por Deus, ainda bem que tem mais uma garrafa aqui... – ela sorriu como uma criança que encontra os doces que desejava, pegou a garrafa e mais duas taças e se jogou na cama enorme. – Vem, !
- Eu não deveria deixar você beber mais. – eu ri a observando despreocupadamente, tirei o casaco do smoking jogando no gancho perto da porta. sorriu bebendo mais da sua taça e seguiu até mim tirando minha gravata com a maior lerdeza do mundo já que seus dedos se embolavam. - Mas como você já esta em sua casa e vai dormir logo não vejo problema em deixar você atingir seus limites...
-Você não tem que deixar. – ela sorriu abertamente e eu bebi. – Tira esses grampos daqui, por favor? – ela mostrou os que prendiam seu cabelo e os soltei. - PRECISO DO MEU PIJAMA! – ela virou mais uma taça de uma vez e entrou no closet tentando procurar algo.
- Precisa de ajuda? – tirei os sapatos e a segui.
- A hã!- ela disse de dentro do banheiro já que seu vestido já estava jogado no meio dele. – Deve estar na ultima porta, pega um pra mim...
- Ok. – observei as camisolas de seda curtas demais para tapar alguma coisa, quando a mesma saia do banheiro apenas de lingerie, aquele maldito corpo em forma do pecado. Tentei desviar minha atenção e puxei uma camisola rosa a entregando.- Pode ser essa?
- Pode. – ela disse pegando das minhas mãos, mas parecia não conseguir terminar de vestir.
- ... – respirei fundo, me aproximei, pegando sua camisola e a vestindo. Peguei-a no colo e a levei até sua enorme cama de casal, a coloquei entre as cobertas.
- Você não vai dormir aqui? – ela me olhou com cara de bebê e eu me deitei ainda sobre as cobertas, bebi mais uma taça vendo que as coisas pareciam querer começar embaçar.
- Vou embora assim que você dormir. – eu a sorri breve.
- Não, fica aqui comigo. – ela sorriu tranquilamente e desabotoou um dos botões da minha camisa. Não havia malícia implícita, não havia nada, apenas um pedido de estar ali. Terminei de tirar a camisa e jogá-la no chão, observei os olhos da garota se perder por entre meu abdômen. Eu ri a observando.
- Desculpa. - ela riu e então puxou o enorme edredom para que eu pudesse entrar embaixo do mesmo.
- Está tudo bem. – eu ri baixo entrando no edredom.
- Boa noite, . – ela sorriu e então encostou a cabeça em meu ombro bocejando. – e obrigada.
Eu apenas esperava para que realmente na manhã seguinte ela não acordasse surtando completamente, ainda mais comigo ao seu lado.

{...}


O gramado amplo e verde demais, a enorme casa a nossa vista e ela gargalhava de uma forma que eu poderia jurar que jamais revista nenhuma poderia fotografar. Sabia que ela era temperamental e com o tempo eu parecia conseguir me ajustar a isso, e além disso... Gostar de tudo isso. A garota com os uniformes de montaria e calças brancas impecáveis e blusa Pink sorria abertamente cavalgando até mim que estava apenas parado com o cavalo ao meu lado. Quando acordei com um enorme grito do meu lado. Semicerrei os olhos observando a garota ainda meio atordoado.
- Bom dia. – disse breve, me levantando da cama.

Srta. Harris POV.

Por Deus, para que tantas garrafas de champanhe? Não conseguia nem lembrar direito como cheguei a casa, muito menos se tinha feito algo de errado. Acordei apavorada com dormindo ao meu lado, seu rosto angelical e sua pele macia. De perto dava pra ver uma pequena barba rala que parecia querer insistir em crescer, e os cabelos ainda mais bagunçados, era adorável se não fosse assustador o estado que nos encontrávamos. Ou melhor, que eu me encontrava. Ele se levantou num pulo assustado e com os olhos ainda meio que se acostumando com a claridade do quarto, ele estava sem camisa e pude perceber que a mesma estava perdida pelo meio do chão do quarto. Será que... Não pode ser. Aquele abdômen completamente em forma e aquele sorriso torto e hiper adorável àquela hora da manhã só dificultava que eu raciocinasse direito, ainda mais com aquela puta ressaca.
- , nós... – mordi meu lábio meio embaraçada de ter que falar sobre. E então ele riu nasalado o que realmente me impressionou, era a linha tênue entre o ridículo e a ironia aquela risada.
- Não transamos. – ele disse rindo ainda baixo e passando ao meu lado. - Bom dia. – agora ele sussurrou mais baixo me dando um beijo no topo da cabeça e se dirigiu pro meu banheiro. – Tem alguma escova que eu possa usar?
- Na segunda gaveta. – eu disse ainda atordoada me encarando no espelho, meu cabelo estava bagunçado e eu estava de pijama, agora como eu teria me vestido, essa eu também gostaria de saber. Observei de longe o relance do banheiro e só pude ver suas costas, ombros largos e fortes, por Deus, ele não poderia ter um corpinho menos tentador?
Encostei-me a escrivaninha relembrando os flashes que ainda restavam da noite passada. me carregando escada acima, nós dois no jardim rindo da garçonete atrevida e nossos beijos. Lembrava-me vagamente de ter discutido algo com meu pai e depois mais nada. Abri a porta que dava para o enorme corredor ainda meio atordoada e segui para o banheiro fazer minha higiene pessoal.
- Senhorita ? – Gilia me encontrou no corredor.
- Sim? – sorri a observando, mas logo desisti da ideia já que minha cabeça latejava.
- Você já sabe que foi o senhor que te trouxe pra casa no colo, não é mesmo? Ele ainda está aí? – ela disse calmamente e então me entregou o iPad que continha uma parte da filmagem da câmera da escadaria. Ele ria levemente me carregando até chegar ao andar superior.
- Sei sim, obrigado. – eu apenas sorri sem mostrar os dentes. – Arrume a mesa do jardim para o nosso café da manhã, por favor. – ela assentiu correndo escadaria abaixo. Voltei para o meu quarto o observando colocar o smoking.
- , eu tenho que ir... – ele disse meio confuso com as próprias palavras.
- Ei, você não vai não. – sorri pra ele. – Quero te agradecer por ontem, mesmo não lembrando direito... – ele sorriu e segui o abraçando, deitei minha cabeça na curva do seu ombro e aquele perfume tão marcante ainda estava lá, suas mãos firmes seguiram para minha cintura. – E pode tirar essa roupa pesada.
- Wow, já quer me ver pelado a essas horas da manhã? – ele riu e eu estapeie seu braço levemente rindo baixo.
- Ainda não, mocinho. – eu ri entrando no seu jogo. – Pedirei para Gilia trazer roupas mais confortáveis para você.
- Huh, ainda? – ele deu uma piscadela de lado e eu ri negando com a cabeça entrando no banheiro e colocando um short jeans e uma blusa rosa que estava em minha frente.
Encarei o enorme gramado com a mesa posta com várias coisas, depois de ter tomado um remédio cura ressaca milagroso tudo aquilo estava mais suportável. Minha mente ainda vagava sobre o assunto do meu pai passar todas as nossas ações para o nome da maldita Briana, aquilo era definitivamente suicídio. Claro que eu não ficaria sem dinheiro mesmo que a velha filha da mãe pegasse tudo e nos levasse a falência, mas por Deus, meu pai só poderia estar completamente cego. Sua decisão era completamente insana.
- ? Oi? – dizia sentado em minha frente na mesa do café da manhã, e foi então que eu vi que nem havia percebido que ele já estava ali tinha algum tempo.
- Oi, desculpa, eu estava... – semicerrei os olhos e logo balancei a cabeça afastando tudo aquilo da minha mente. – pensando em algumas coisinhas.
- Hm, ok. – ele disse um pouco confuso, mas logo deixando isso pra lá e esticando a mão pra pegar a geleia.
- ... – eu disse ainda brincando com a torrada em mãos. - Você conhece um bom advogado? Mas tem que ser um tipo, muito bom.
- Se meteu em alguma confusão de novo, zinha? – ele riu tranquilamente me olhando e sorriu de canto.
- Nop. – eu sorri levemente. – Preciso tentar passar a mansão para o meu nome antes do casamento do meu pai com Briana. – eu suspirei meio derrotada. – Dou um ano para essa mulher levar meu pai à falência...
- Ela não parece tão ruim assim. – ele deu de ombros e por um momento eu perdi completamente a minha linha de raciocínio percebendo o quanto ele estava bonito naquela manhã, seu cabelo estava bagunçado de uma forma bem cuidada, e o enorme casaco preto semiaberto o deixava elegante, mas sem exageros. Seu sorriso era a única coisa que eu não poderia comentar, era aquele que se você fosse fraca demais derreteria feito manteiga, em segundos após ele ter feito tal gesto.
- Por Deus, , ela é terrível! E as filhas dela conseguem ser idênticas a mãe. – mordi um pedaço da torrada meio sem ânimo bebericando meu café em seguida.
- Elas são gatas? – ele disse malicioso me olhando de relance e logo dando uma risadinha nasalada.
- Não acho. – dei de ombros e ri baixo.
- Certo, tenho um amigo que pode te arranjar a papelada pra passar a mansão pro seu nome. – ele disse tranquilamente mexendo na agenda telefônica do celular. – Só vai precisar que seu pai assine.





Capítulo 03

Já estava completamente sem paciência com , ele conseguia irritar qualquer um. De certo que não tínhamos nada, mas isso não justificava ele ficar dando em cima de mulheres descaradamente, por Deus tínhamos um contrato!

- Quer falar sobre aqueles beijos não técnicos agora? – ele disse rindo como se nada o preocupasse encostando-se à bancada da cozinha do estúdio onde eu estava pra gravar o próximo episodio de uma minissérie, da qual ele já estava dando em cima da maioria das figurantes.
- É simples, , nós não temos nada, você pega quem você quiser e o mesmo vale pra mim. – eu disse suspirando alto estressada com o garoto que insistia em me perturbar àquela hora da manhã.
- Você esta fugindo do assunto do beijo não técnico. – ele riu sacana.
- Não tem o que falar sobre. – dei de ombros. – A não ser que você tenha algum comentário a acrescentar, bonitinho... – eu ri observando o mesmo revirar os olhos.

Duas semanas depois...

Eram quase oito da noite e eu sabia que estava me esperando no apartamento dele para me ajudar com a papelada do advogado que ele teria me arranjado, éramos uma boa dupla. Cúmplices de crimes, daqueles que saberiam perfeitamente como executar qualquer operação. Abri a porta num rompante e me assustei assim que o fiz, meus pés que estavam praticamente já pra dentro do apartamento pareceram dar um passo em falso para trás.

- Des... Desculpa, eu não queria interromper. - disse gaguejando e já quase roxa de vergonha, no meio do carpete estava se atracando com uma garota. Ele levantou num rompante me encarando na porta com as mãos em suas partes intimas.
- ... – ele disse envergonhado e a garota parecia murmurar algo por ele ter parado.
- A gente conversa depois, ok? – eu disse quase fechando a porta e saindo do prédio do mesmo. Não tinha o porquê de ter ciúme, na verdade isso era algo que eu nunca tive e desde que aquilo permanecesse por baixo dos panos e nosso relacionamento para mídia em alta, não havia problema algum. Chegando à calçada do enorme prédio observei que o carro que me trouxe não estava lá. Puta merda, era pra eu estar saindo com o , no carro dele. Passei a caminhar apressada até algum lugar onde houvesse um ponto de taxi ou algo assim, um burburinho começava a ecoar e flashes aparecer.
As botas de salto alto não facilitavam para andar mais rápido e para ajudar ainda estava muito frio. Mesmo com o enorme casaco junto a um cachecol cor de rosa minhas bochechas ainda estavam rosadas por causa do frio e meu nariz ainda gelado.

{...}


Já estava virando rotina entrar no apartamento do nos horários que tínhamos combinado para sair ou algo do tipo, abrir a porta e ele estar ficando com uma morena siliconada, depois da nossa conversa eu juraria que ele teria dado uma diminuída, mas...

- PUTA QUE PARIU, ! – Gritei assim que abri a porta do apartamento, no susto ele caiu do sofá fazendo barulho por ter trombado na mesinha de centro. Desta vez sem descrição alguma como as das ultimas vezes fui adentrando o apartamento enquanto a ruiva me encarava espantada, mas sem fazer nada. – GAROTA, LEVANTA DAÍ E COLOCA UMA ROUPA, POR DEUS.
- , dá pra você dar uma licença... – o encarei severa para o mesmo cortar sua frase, a garota saiu vestindo suas roupas com pressa. Caminhei até onde a mesma estava.
- Saí desse apartamento, agora! – disse entre dentes apontando para a porta a encarando, que logo puxou sua bolsa e bateu a porta.
- Não precisava ter a tratado mal. – ele disse sorrindo vindo até mim ainda apenas com sua cueca boxer preta.
- Não venha com esse seu sorriso cafajeste. –revirei os olhos dizendo rudemente. – Vou ser bem clara com você: VOCÊ ESTÁ ACABANDO COM O NOSSO CONTRATO!
- , não grita, o vizinho é um velho...- ele disse me encarando e virando um copo com o fundo de whisky na boca.
- Eu realmente não ligo! – disse talvez um pouco alto demais, ele encostou-se à bancada de mármore e continuou lá. - Você não vê a gravidade disso, garoto? Se uma das suas “garotas” de uma noite abrem a boca pra qualquer pessoa estamos na merda, garoto.
- Você se preocupa demais, ... – ele sorriu sacana se aproximando de mim, apenas fechei os olhos controlando o ódio.
- Como eu odeio você, tudo o que você sabe fazer é estragar tudo. – disse baixo ainda por mais que ele estava por perto.
-Uhm, é mesmo? – ele disse arrastado encostando nossas testas a pouco de selar nossos lábios.
- NÃO RELA EM MIM, VOCÊ ESTAVA TRANSANDO COM UMA GAROTA HÁ DOIS MINUTOS, ! – gritei alto demais o empurrando na região do tórax. Respirei fundo e caminhei até a porta.

Point Of View.

Só ouvia aquele maldito salto ecoar no meu piso de madeira, e então ela bateu a porta. Eu tinha certeza que ela não gostaria de ver minha cara por bons séculos depois de hoje. Tudo bem que ela tinha me avisado semana passada que era pra eu tomar mais cuidado quanto a isso... Mas porra, , eu sou homem. Sempre foi assim, sem me prender a ninguém, uma por noite. Ela não tinha me pedido nada demais, mas era tão difícil.

Ela era uma Harris, não tinha como ser fácil.

-, eu sei que você está hiper brava comigo e que provavelmente não quer ver minha cara tão cedo, mas me encontra amanhã no almoço naquele restaurante da rua 37. – Deixei na caixa de mensagens da garota, eu realmente esperava que ela fosse.
Pois ela não foi, fiquei esperando igual um trouxa naquela merda de restaurante. Então comi e fui para o apartamento. É claro que ela estava certa, mas eu não queria largar minhas noites de diversões, não mesmo.

Já haviam se passado três dias, e ela sequer havia respondido as minhas mensagens. Eu a via constantemente, em revistas que eram jogadas na minha caixa de correio. Como a Vogue do mês que aparecera ela num photoshot exclusivo apenas para a revista. Eu não queria comentar, mas... Ela estava extremamente gostosa.
Mark havia passado para deixar a papelada da transferência da mansão em meu apartamento na noite passada e acabamos por beber algumas cervejas e assistir o jogo do Manchester United contra o Norwich. E perdemos, por um ponto. Porra, Manchester, vocês já foram melhores. Tinha recém-acordado e me deparei com as várias garrafinhas de corona em cima da mesa da sala e algumas almofadas tacadas no chão ainda pós jogo de ontem.
Caminhei até a bancada da cozinha e estava lá o contrato, me lembrando de que eu ainda tinha que enfrentar a fera. Entrei no chuveiro passando uma água pelo corpo apenas pra acordar e enfiei um jeans e moletom por cima e passei o perfume de qualquer forma. Sai do banheiro bagunçando o cabelo e enfiando os tênis nos pés desajeitadamente. Passei pela bancada distraidamente apenas passando a mão sobre a mesma e pegando o celular, a carteira e chaves enfiando os mesmos no bolso, peguei os papéis e desci do prédio, dirigindo até a mansão dos Harris.

- Gilia, a senhorita Harris está em casa? – questionei a mesma, que sempre estava no hall de entrada. Entre todos os muitos empregados que a casa possuía, Gilia e Lenita eram as quais mais sofriam por ter que estarem sempre ao dispor da garota.
- Boa tarde, senhor , você vai almoçar conosco hoje? Posso preparar a mesa para mais um. – ela disse atenciosa. – Ela se encontra no estábulo, Lenita está por perto se precisar de algo é só falar com ela.
- Creio que não vou almoçar aqui, Gilia, mas obrigado de qualquer forma. – eu sorri para a mesma caminhando até a porta dos fundos.
- Senhor ? – Gilia chamou minha atenção quando eu estava de saída, pude dizer apenas um “sim?” enquanto a mesma prosseguiu. – Acho que o senhor vai precisar pegar o carrinho de golfe para ir até lá.
- Tudo bem. – sorri para a mesma. – E onde eu posso encontrá-lo?
- Após o cercado da piscina acabar, vai para o lado direito e terá varias entradas para estacionar, o carrinho deve estar lá. – ela disse explicando pacientemente. – Ah, e para chegar ao haras você vai ter que dirigir até passar o campo de golfe, ai não terá como confundir você vai avistar os estábulos.
Putaquepariu, qual a necessidade de uma casa tão grande quando só vivia nela uma garota e milhares de empregados? Eu sempre me questionava isso quando ia lá, e cada vez me surpreendia o quanto era um espaço vago. Tudo bem que abrigavam a todos empregados na casa, mas da mesma forma o enorme corredor do andar superior só era usado a suíte máster, que seria o quarto da mesma, enquanto os outros, eram quartos montados e vazios. Entrei no carrinho de golfe e fui dirigindo até passar o campo, coloquei os óculos Ray ban aviador já que fazia um sol desgraçado. E por mais que estávamos ainda saindo do inverno o sol já estava quente e parecia não haver vento.

Dava para enxergar o enorme estábulo vermelho e bem arquitetado, aproximei-me do mesmo e estacionei em frente descendo e observando o lugar quase que silencioso, exceto pelo relinchar de alguns cavalos. Adentrei o mesmo e pude ver em algumas baias os cavalos impecáveis, mas ela não estava ali, atravessei-o saindo do outro lado onde se via ainda de dentro do estábulo uma pista para treino de hipismo com suas cercas brancas em volta do campo. Quando caminhei até lá pude avistar um enorme cavalo negro e pude ver as calças brancas coladas, botas de alguma marca caríssima e a blusa polo igualmente branca, a garota estava séria e seu capacete estava jogado no chão enquanto a mesma escovava os pelos do cavalo.

- O que faz aqui? – ela disse indiferente sem olhar para mim, e continuando o que já fazia antes.
- Trouxe os papéis para a transferência da mansão. – eu disse me aproximando e encostando-se à parte de fora do estábulo.
- Lembrou que eu existo, huh? – ela disse irônica, e logo dando de ombros.
- Quem dera, mas nem que eu conseguisse duraria muito tempo com aquelas revistas vogues e outdoors pela cidade com a sua cara de nojo. – disse tentando ser um pouco mais bem humorado, mas parecia não mudar muita coisa. – Por que não atendeu minhas ligações?
- O que queria que eu fizesse? – ela parou incrédula o que estava fazendo e então fez com que o cavalo andasse mais pra frente saindo do nosso meio e fazendo que ficássemos praticamente frente a frente. – Que eu te atendesse e agradecesse? Por estar fodendo com a minha carreira? – ela riu irônica e pude ver que tinha certo ódio em sua voz.
- Quem diria que você é ciumenta, ein gatinha? – eu ri da mesma que me olhou com uma cara de desprezo respirando fundo e andando pra dentro do estábulo me largando lá. – Ei, ei, ei me espera! – Eu disse indo até uma das entradas do mesmo e a observando já na metade.
- QUE MERDA VOCE QUERIA QUE EU FIZESSE, ? – Ela virou se pra mim falando alto de mais e talvez com raiva demais. – EU NÃO TRATO MINHA CARREIRA IGUAL QUALQUER COISA, , EU REALMENTE LEVO ISSO TUDO A SÉRIO. SE VOCÊ É SÓ MAIS UM DESSES QUE ACHA QUE PODE FAZER MERDA E TUDO BEM, EU NÃO SOU, OK? LEVE SUA CARREIRA PARA MERDA SOZINHO, NÃO COLOQUE A MINHA NO MEIO.
- VOCÊ JÁ É RICA, A FAMA É SÓ CONS...- quando pronunciei essas palavras altas demais até a garota veio caminhando até mim possessa de raiva em passos pesados.
- SÓ CONSEQUÊNCIA? – Ela gargalhou irônica na minha frente. – Vai à merda, . – ela disse com desprezo.
- AI FICA FACIL, NÉ. – eu ri irônico da mesma que dava as costas para mim. - Nascer em berço de ouro, com o pai no topo das mídias, com casarões enormes e férias em países exóticos quando bem queria, colégio de elite, roupas de grife e namoradinhos clones de algum seriado de menininha...
- CALA A BOCA! – Ela gritou com tanto ódio que eu ainda acharia plausível ela me estrangular ali mesmo e afundar meu corpo na grama do campo de golfe. - NÃO VENHA QUERER DAR UMA LIÇÃO DE “HUMILDADE” – Ela fez aspas com os dedos.- SÓ PORQUE VOCÊ ENRIQUECEU COM UMA BANDINHA QUE DEU CERTO. É RIDICULO, É COMO SE VOCÊ ME DISSESSE QUE EU NÃO DEVO TER DINHEIRO PORQUE UM DIA ALGUÉM NA ÁFRICA MORREU POR FOME. EU REALMENTE SINTO MUITO, MAS NÃO POSSO RESSUSSITÁ-LA E ALIMENTÁ-LA. O QUE EU POSSO FAZER É O MEU MELHOR PARA AS FUTURAS NÃO MORREREM TAMBÉM.
-COMO SE VOCÊ FIZESSE ALGO PELAS CRIANÇAS DA ÁFRICA... – Eu ri absorto e ironicamente da mesma. – Você é só mais uma patricinha, mimada e egoísta que acha que é dona do mundo.
- Ótimo. – ela engoliu em seco entrando em um dos carrinhos de golfe. - Apenas pegue os papéis que estão no seu carro e deixe em cima da mesa do hall e vai embora.

E então ela sumiu do meu campo de visão, eu não entendia o por que ela trabalhava tanto, mesmo que não precisasse. Vejamos, a garota completaria seus vinte em breve e no meio de todo aquele dinheiro, contas recheadas na Suíça e empresas enormes em seu nome e de seu pai o que ela menos precisava era trabalhar. E por fim, parecia ser a única coisa que ela sabia fazer, a garota era modelo desde os cinco anos de idade, passou a atuar em filmes renomados, mas nunca de fato fez vários deles, mesmo os poucos que havia feito em sua vida eram classificados como melhores. Tudo o que ela sabia fazer era trabalhar noite e dia, acumular bens, roupas de grife, carros caros e ficar bêbada. Era um ciclo pequeno e vicioso da pequena Harris.
Via se que nela não havia apego, não havia paixão, não havia algo que pudesse descongelar seu coração. Ela era como a viúva negra, criada a vida inteira para ser alguém da elite (no caso da viúva, elite da espionagem.) e não para ter um coração.

Flashback on.

Estávamos jogados no meu sofá e já eram por volta das três da manhã, tudo que nos rodeavam era garrafinhas de Heineken e riamos dos variados assuntos que conversávamos, já havíamos falado muito sobre nossa infância e eu podia perceber o quão ela praticamente não teve uma.

- É, bem legal até que a pessoa te decepciona e você se cansa de tentar ver o amor nas pessoas, ai você desiste de acreditar em paixão, amor, ou coisas do tipo. – eu ri dizendo, e observando-a.
- É! Como se as coisas perdessem o sentido e o encaixe, talvez fosse consequência de um coração partido. – ela riu de leve bebendo sua cerveja, a garota estava completamente à vontade em meu sofá enquanto passava um jogo do Chelsea na TV.
- Soa tão claro que eu aposto que você já teve um coração partido. - eu ri observando-a negar com a cabeça.
- Nunquinha. – ela riu de forma leve. – Nunca me apaixonei.
- Garota, como assim nunca se apaixonou? – perguntei abismado por um momento tentando compreender em que mundo ela vivia.
- Vou ser mais clara. – ela riu e então se levantou pegando outras duas garrafinhas no congelados e voltando-se para mim a me entregar uma delas. – Nunca gostei realmente de alguém, mas posso facilmente imaginar como é. Bom, é como nos livros, não é?
Eu realmente não fazia a mínima ideia do que responder, ela sorriu tranquilamente e eu pude realmente ver, que nada, nada mesmo abalava seu coração, a garota poderia ser facilmente uma vingadora da Marvel, insuperável. – É, , é sim... – eu disse querendo não desacreditar a menina.
- Parece que você esta omitindo informações, . – ela riu jogando levemente a cabeça para trás. – Não teria problema algum se fosse o oposto dos livros, ou algo que não seja o que eu gostaria de ouvir, não sou do tipo que se ilude com a ideia de um amor. E você?
- Eu o quê? – ela me observou como se fosse óbvio.
- Não se faça de desentendido, mocinho. – ela exclamou confiante como se tudo fosse tão óbvio. Então pude reparar o quanto ela conseguia ser encantadora. Ela era explosiva e tinha um temperamento forte demais para passar despercebido, igual seus cabelos louros e olhos com a margarida amarela ao meio, era impossível deixar denotar o quanto era fascinante. A pele clara e o corpo esculturado. A garota estava com uma calça flaire e seus scarpins vermelhos que antes contrastavam com a calça preta estavam jogados pelo meu carpete.
A olhando assim era muito mais fácil a convivência, era mais simples e ela não parecia tão imponente ou amedrontadora. – Já se apaixonou?
- Eu? Claro que não! – Disse alto demais fazendo a rir da minha surpresa. – Lobos não se apaixonam, moleque, então eu sou um lobo, véi. – disse repetindo um vídeo que tinha visto um tempo antes de um cara muito bêbado dizendo isso enquanto abraçava a garrafa de vodka.
- Eu tô falando sério, babaca. – ela riu de mim jogando uma almofada em meu rosto.
- Já, algumas vezes. – suspirei derrotado, e ri baixo. – Afinal, seria o normal pra pessoas que tem um coração, né. - disse jogando a indireta pra ela que ria descontraidamente, ainda mais porque eu sempre a chamava de sem coração.


Flashback off.

Peguei os papéis e entrei no hall procurando a mesa e o coloquei até lá.
-Lenita, avise a que os papéis que ela precisava estão aqui. – eu disse e a senhora concordou com a cabeça e então adentrei a BMW saindo de lá.

Telefonei pro , e ele atendeu gargalhando, provavelmente estava conversando com alguém antes, coloquei no vivo a voz e fui dirigindo.

- Ei, dude. – sorri observando a estrada a minha frente, finalmente saindo dos portões dourados e todo trabalhado a residência dos Harris e que brevemente passaria ser apenas da senhorita Harris. Por um momento enquanto respondia um oi na ligação que ecoava pelo carro, questionei-me o que eu nunca havia parado para pensar; o porquê dela beber tanto, e com tanta frequência. – Me diz uma coisa, como você consegue aturar a Harris? Ela é impossível.
- Ah, cara, vai me dizer que não gosta dela? – ele riu debochado ainda do outro lado da linha, podia-se ouvir a risada abafada do Trevis. - Ela é uma ótima pessoa, , você só tem que dar espaço e aceitar a forma que ela é. Sei que no inicio eu também achava que era algo particular comigo e sua antipatia, mas é dela . Se imagina no lugar dela, criado apenas pelas melhores babas que não expressavam afeto nenhum por ela e só pelo dinheiro, seu pai sempre foi ausente e mesmo que ela tenha tudo em suas mãos e milhares de empregados a seu dispor para beijar seus pés se ela quisesse, ela sempre foi isolada.
- Eu não reclamaria de ser isolado com milhares de empregados e a mídia toda fazendo tudo por mim... – ele suspirou do outro lado do telefone enquanto eu ria pensando sobre o que ele havia acabado de falar.
- Dude... – ele respirou fundo. – Você não entende.
- Claro que eu entendo. – disse como se fosse o mais óbvio.
- Não, cara, não. – ele parecia dar de ombros mesmo sem estar em meu campo de visão. – Mas é dela aquele jeito frio e indiferente, você tem que aprender a lidar com isso. Vou desligar, nos encontramos no Duches essa noite para beber?
- Claro! – ri baixo logo em seguida desligando o telefone e entrando no estacionamento do estúdio.
“- Foi por isso que ela nos deixou, não foi, papai? – ela dizia com os olhos embargados e completamente bêbada. Eu poderia jurar que fora a primeira vez e provavelmente será a última que vi seus olhos marejarem, e mesmo assim ela friccionou os olhos fazendo com que quando ela os abrisse não corresse o risco de lágrimas escorrerem.- Eu sei que foi. – ela engoliu em seco e então bebeu o copo todo de vodka que estava em sua mão. Era mais uma festa promovida por alguém importante e ela dizia ao seu pai que parecia pouco se importar.”

Aquela cena se repetiu em minha mente e pude lembrar-me do seu olhar devastado e os passaram a nublar.

Harris POV.

- Dessa forma não dá, temos que romper esse contrato com o senhor , antes que seja jogado na mídia que era apenas um contrato e vai ser completamente pior. – Georgia tagarelava enquanto eu comia um mc completo no banco do passageiro da minha BMW que ela dirigia, eu não estava prestando atenção direito no que ela falava estava apenas interessada em devorar meu lanche e chegar logo ao set de gravação. – E você sabe que se vazar que é um contrato automaticamente suas capas de revistas e planos para novo rosto da Chanel vai por água abaixo. – eu engoli o pedaço do lanche a seco, junto a aquela informação e então parecia começar querer rasgar minha garganta e me causar indigestão.
Aquele filho de uma mãe estava querendo acabar com tudo.

- LIGA PARA ELE AGORA. – Eu quase berrei assim que consegui beber a coca e engolir toda aquela informação e o lanche juntos. – E MARCA EM QUALQUER LUGAR PARA FALARMOS SOBRE.
- Melhor que eu ligue para James, não? – o cara era o empresário do , o que seria mais fácil colocá-lo na linha.
- Que seja. – dei de ombros. – Eu realmente gostaria de poder evitar aquele idiota por alguns bons séculos, mas eu infelizmente não tinha opção. Aliás, eu não tinha nenhuma opção.
- E quanto aos papéis? – Georgia disse estacionando em um dos sets de filmagem que estavam montados em ar livre. Seria apenas mais um daqueles especiais para uma série já conhecida, como as vezes que Miley Cyrus foi ao Two and a Half men. Ela era incrível, sem mais.
- Está no porta luvas do carro, deixou em casa ontem no horário do almoço. – dei de ombros pegando meus óculos de sol e abrindo a porta do carro. Joguei os papéis do meu “almoço” na lixeira logo à frente. - Georgia, traga os papéis que na pausa vou tentar preencher.

{...}


O set parou para sua pausa das seis horas seguidas, já que gravávamos desde o meio dia, fui até a cantina observando Georgia em meu alcance, me passou as folhas assim que me sentei numa das mesas observando Anne Hathaway rir na mesa ao lado. Li os termos e estava tudo completo, é claro que o tal advogado ia ganhar muito ao transferir a mansão para o meu nome. As três folhas explicando o caso estava perfeitas. Preenchi onde carecia e só me faltava deixar no escritório do meu pai mais tarde. Georgia colocou um pão de queijo em minha frente junto a dois Milkshakes de chocolate.

- Um brinde ao nosso futuro, Georginha. – Dei uma piscadela pra mesma que pareceu se divertir e então brindamos. - Precisamos passar no escritório do meu pai no Brooklyn Heights.
- Liguei para o empresário de ZaynMalik, eles vão nos encontrar no Duches, as sete e meia. - assenti com a cabeça e devorei meu pão de queijo, Georgia saiu para cumprir alguns afazeres pelo estúdio enquanto me juntei a Anne, Edward Norton , Alan Arkin e Elizabeth Olsen.
Após ter me despedido do pessoal recolhi minhas coisas e fui para o carro apenas com as malditas folhas, pensei em como explicaria para o meu pai. E eu tinha achado a desculpa perfeita. Georgia dirigiu até uma das coberturas mais caras de toda Manhattan, a mesma me esperava logo à frente enquanto eu subi no enorme elevador espelhado. De fato ele nunca mais ia a nossa casa, onde só eu morava. Havia comprado aquele maldito apartamento de milhões e não precisava de mais nada. Apertei a companhia e em segundos ele atendeu.

- Oi, pai. – sorri o abraçando como cumprimento, pude ouvi-lo falar “que surpresa”, mas prossegui. - Bom, eu estive pensando e agora você tem Briane, tem uma nova ”família” e de fato que a nossa mansão não lhe vale mais o quanto valia antes... Mas pra mim ela tem um valor inestimável.
- O que quer dizer com isso, filha? – ele me questionou me puxando para dentro do apartamento e fechando a porta. As paredes do prédio eram em vidro o que fazia com que víssemos Manhattan inteira dali.
- Eu tomei uma decisão de pedir que meu advogado fizesse esses papéis de transferência... – estendi os papéis, ainda meio receosa. – É a única lembrança que eu tenho dela, papai, e eu não poderia deixar que em algum momento ela fosse vendida, alugada, demolida ou qualquer coisa assim.
- Bom, seria só passá-la para seu nome, não é meu bem? – assenti com a cabeça e ele sorriu brevemente. – Não vejo por que não, isso é ótimo será um bem seu, e você já mora lá sozinha mesmo...
- Sim, papai. – sorri para ele que me entregou uma xícara de chá recém-feito por uma das cozinheiras que estavam ali perto.
- Preencherei os papéis essa noite, e encaminharei ao meu advogado para dar as baixas na manhã seguinte, tudo bem? – assenti com a cabeça. – Poderia ficar para o jantar, o que acha? Como nos velhos tempos.
- É, na sua única quinta que havia livre pra mim. – eu sorri sincera me recordando do pouquíssimo tempo que ele passava comigo. – Mas depois de quinze minutos você tinha que atender alguma ligação... E então suas ligações nunca cessavam.
- Sinto muito, querida, queria que tivesse sido diferente. – suspirei junto ao meu pai.
-Sinto sua falta. – murmurei baixinho.
- Amo você, minha querida. – ele me abraçou de lado beijando o topo da minha cabeça. – Fique para o jantar, eu insisto.
- Tenho um jantar de negócios em... – observei meu relógio MK logo me voltando a atenção para o meu pai. - vinte minutos, sinto muito. Podemos marcar algo nesse final de semana?
- Estarei em Bahamas negociando o hotel. – ele suspirou, mas pude perceber sua empolgação no assunto.
- Vai comprar aquele que tanto queria? – Ele assentiu com a cabeça animadamente e seus olhos brilharam como de uma criança de cinco anos, e eu pude rir.
- Te ligo assim que voltar, tudo bem pra você? – ele disse caminhando logo atrás de mim até a porta.
- Claro, não se esqueça, por favor! – eu o abracei rindo. E então me permiti falar baixinho: - Obrigada, papai.
- Não me esquecerei. – ele beijou minha testa. – E, você merece. – ele sussurrou de volta e então me virei e entrei no elevador acenando levemente.

{...}


- Crianças, vocês estavam indo tão bem! – James resmungou irado ao lado de que parecia uma criança de bico por não ter conseguido seja lá o que fosse.
- Quem sabe se o seu cliente não fosse tão idiota ainda estaria bem. – revirei os olhos e o garoto me lançou um olhar com ódio, ergui a mão para um garçom que passava. – Por favor, um copo de vodka com energético.
- Quem sabe se você não fosse tão nojenta. – ele rebateu bebericando seu whisky ao lado de James.
-Eu e James chegamos à conclusão num telefonema mais cedo... – Georgia dizia animada. – Está ficando mais aparente agora que as polêmicas sobre vocês sozinhos abaixaram que o relacionamento de vocês é vulnerável. E então para deixar isso mais forte e com os coraçõezinhos do mundo inteiro derretido feito manteiga nesse inverno: você vai para cidade natal de passar todo o feriado junto com a família dele.
- TRAÍDORA! – Soltei impulsivamente e quase que de forma chorosa.
- Não vou apresentar essa louca como minha namorada para a minha vózinha. – ele disse de forma maternal reclamando com James.
- AH, VOCE VAI SIM. – ele disse bebendo todo o restante do liquido alcoólico do seu copo e repreendendo . – Quem sabe da próxima você cometa menos burrada na sua carreira, ai poderíamos pensar em poupar você disso. Mas nesse momento, você não me deixa escolhas, dude.
- Vocês tem um dia para arrumarem tudo o que precisa, James passará para levá-los até o aeroporto. – Georgia disse polida. – Por mim já acabamos por aqui.
- Só queria acrescentar que: É bom vocês começarem a fazer as pazes agora, pois a viagem é longa pela frente. – James soltou aquele riso como quem gostaria de ver como aquilo aconteceria. – E terão uma semana sem se desgrudarem, sete dias em ótima companhia.

{...}






Capítulo 04

Droga, droga, droga. Eu não queria ir.
Coloquei meu roupão dentro da mala acima das toalhas e fechei a terceira mala Louis Vuitton. As malas num estilo clássico perfeito, entre a maior, mediana e de mão. Observei todas já no hall de casa e suspirei. Vesti meus jeans brancos com um tênis da adidas e um casaco azul marinho fechado, fitei o espelho alguns segundos até meu celular apitar

“Estamos passando aí para ir para aeroporto, fica pronta. Xx .”

Bufei observando o celular e bloqueando a tela em seguida, avisei a Ana e em seguidas ouvi a buzina do esporte prateado de James bem em frente à porta. Aproximei-me do mesmo enquanto Dean colocava minhas malas no porta malas dele, entrei no banco traseiro ao lado de .

- Três malas, huh? – ele riu da minha cara. – Não vamos passar o mês, só alguns dias.

- Levo algumas armas caso precise te executar no caminho amorzinho. – pisquei pro mesmo mandando um beijinho. – Olá, James.
- Olá, senhorita Harris, empolgada? – ele disse dirigindo em direção ao aeroporto.
-Super animada! – disse de forma irônica, fingindo animação. – Quem não deseja passar alguns dias a SOS com o lindinho do , né? Sonho de todas...
- Você é muito chata, por Deus. – disse com um riso forçado.

{...}


- Achei que deveríamos fazer as pazes. – ele disse calmamente assim que James descarregava as malas e as colocava no carrinho de bagagens já que estávamos um pouco à frente.
- Já fizemos as pazes, desde que não tire minha paciência, fofinho. – pisquei pro mesmo que riu nasalado e negou com a cabeça de leve.
- Então toda aquela briga... – ele disse me observando. - Me desculpa por tudo o que eu disse aquele dia...
- Esquece ela. – dei de ombros. – Só segue em frente, .

Então ele assentiu com a cabeça e por um momento seus olhos pareciam tranquilos demais, o mesmo desviou o olhar após alguns segundos de silêncio observando os horários. Pude observar o quão ele conseguia ser bonito, os cabelos levemente arrumados e olhos castanhos fixos em qualquer lugar, as calças pretas com uma camisa branca e os Nike brancos de alguma coleção limitada que eu já ouvira falar, sua jaqueta de couro estava sobre seu braço já que ele não a vestia. Dava para notar seu braço levemente malhado, mas sem exageros já que o mesmo estava sem jaqueta...

- Aqui está o passaporte de vocês. – James cortou meu pensamento parando bem em minha frente estendendo os passaportes, peguei ainda meio avoada. – e o voo de vocês acabou de chegar, boa viagem, meus anjinhos, e voltem vivos, por favor. – ele deu um beijo em meu rosto e bateu nas costas de saindo dali.
- Vamos? – estava prestes a empurrar o carrinho de bagagem rumo ao check-in, e então ele estendeu sua mão para mim e a agarrei soltando um ‘’a-hã’’ acompanhando o mesmo.

{...}


Senti algum flash logo atrás de mim, e alguns olhares curiosos. Virei-me e observei algumas garotas que deviam ter seus dezesseis sorrindo e quase saltitando me virei de frente para elas que estavam a uma distancia, encostei minha cabeça levemente no ombro do e acenei para as mesmas.
Fizemos o check-in, entramos na sala ainda meio em silêncio sendo parado uma ou duas vezes para tirar fotos rápidas, entramos no carro que nos levaria até o avião e embarcamos em primeira classe.

- Ei. – chamei, observando o quieto demais. – Você está meio... Quieto demais.
- Ah, ... – ele suspirou e então pegou minha mão, analisando-a. – Faz tanto tempo que eu não vou até lá, sabe. – ele riu nasalado e até meio bobo consigo mesmo. – Vi meus pais e minhas irmãs, mas sempre em outros lugares, nunca realmente em casa, sabe? É um misto bom, da saudade com a ansiedade.
- Deve ser bom, né? Ter uma família grande. – eu sorri encarando as nuvens.
- É muito bom. – ele sorriu. - Sinto falta de estar sempre com eles. Você nunca mais viu sua mãe?
- Ela foi embora quando eu ainda tinha cinco anos. – neguei com a cabeça para a sua pergunta. - E então às vezes ela ainda manda um cartão postal...
- Não tem vontade de visitá-la? – ele me observou calmo e então neguei com a cabeça de novo.
- , é uma questão de escolha. – suspirei. – foi à escolha dela. Ela se foi sem ao menos dar explicação, sabíamos o porquê, mas ela deveria ter dito algo. Foi simples e sem sentimentalismo algum, acordamos numa manhã e ela não estava mais lá. Suas roupas não estavam mais lá, nem suas maquiagens, era como se ela nunca tivesse estado lá, como se ela fosse apenas um personagem que eu criei em minha memória.
- Eu não imaginava que... – ele se lamentou me olhando como se pedisse desculpas, e então eu ri dando de ombros.

Point Of View.

Ela dizia com a maior naturalidade sobre a mãe, como se não fosse triste, como se não a abalasse, afinal, ela não poderia ser tão sem coração assim.

- E isso não te deixa mal? – observei a sorrir de lado e negar com a cabeça.
- Houve tempos que sim. – ela disse fitando as unhas pintadas em vermelho. – Pensei que a culpa era minha, pensei que ela voltaria, pensei que poderia fazer algo a respeito, mas depois passei a perceber o quanto é inútil. , foi a escolha dela. – Ela disse e engoliu em seco, quando observei vi seu olho marejar junto a mesma frase, e então ela respirou fundo e prosseguiu. – Ela tinha milhares de escolhas, se tinha problemas com meu pai tivesse se mudado para outro lugar próximo de casa e não me abandonasse, tivesse deixado uma carta, tivesse ao menos ligado, mas não... Era mais fácil ir embora e fingir que nunca teve uma filha, não? – Ela riu irônica consigo mesma. – Era mais fácil fugir.
- Você se lembra dela? – acariciei o rosto dela de leve, e então ela desviou o olhar para seu colo.
- Tinha seus cabelos louros e um sorriso fácil, e então ela me levava aos zoológicos e ficava horas comigo vendo os pinguins, ela era atenciosa, nem parecia que na manhã seguinte iria ir embora sem rancor nenhum. – ela suspirou. - Ela era uma mulher comum, , sem grandezas enquanto meu pai era um modelo de alguma marca famosa abrindo suas empresas e brincando de tentar ser empresário. Era filho de uma família de elite, não tinha preocupação com a vida.
- E seus avós, ? – questionei a mesma.
- Moram em Miami, mas os vejo uma vez ao ano. – ela deu de ombros. – e os seus? Vou conhecer, né?
- Eles são incríveis, e os brownies da minha avó são os melhores, sério. – eu ri bobo me lembrando de quando pequeno. - E meu avô? O cara é uma lenda.
- E seus pais? – ela sorriu parecendo se animar com a minha ansiedade.
- Isso você vai ter que esperar pra saber. – pisquei pra ela que resmungou algo sorrindo em seguida. A aeromoça passou nos entregando duas taças de champanhe. - Let's have another to asttothe girl almighty. (Vamos fazer mais um brinde para a menina toda-poderosa)
- Como? – ela riu me observando enquanto se preparava para brindar comigo.
- A nova música que estou compondo. – pisquei pra ela que riu e brindou junto a mim, bebericando em seguida a bebida.

Há algo acontecendo aqui, espero que sinta o que estou sentindo também, eu me ajoelharia por você...

{...}


- Ei, bom dia, mocinha. – eu sussurrei para ela que abriu os olhos lentamente em seguida passando a mão sobre o rosto.
- Dia. – ela se levantou rápida sorrindo de relance e entrou na cabine sanitária, observei-a caminhar, como a calça branca delineava bem suas pernas e sua bunda, mesmo que a mesma não tivesse tanta. Os cabelos louros lisos meio bagunçados.
Ela voltou me observando tranquilamente.
- O avião já pousou? – ela me encarou surpresa e eu assenti com a cabeça rindo nasalado. – Então vamos descer.
- Apressadinha. – ri me levantando logo atrás dela que agarrou a minha mão de forma animada para sair dali. – Que horas são?
- São... - observei ela encarar seu relógio. – Onze da manhã, fofinho. – ela sorriu largo. - Deixa eu te perguntar, onde eu vou ficar hospedada? Tem um hotel aqui perto ou...
-Hotel? – eu ri da cara dela que parecia sem reação. – Seu quarto de hotel vai ser meu quarto de casa. – eu ri sacana e a ela acompanhou meu riso estapeando levemente meu braço.
- ! – Ela me repreendeu, já descendo do avião e entrando no carro que nos levaria para dentro do aeroporto enorme.
- Somos namorados, esqueceu? É o normal! – dei uma piscadela para ela que riu e deu de ombros. - Um minutinho. – disse para a mesma que assentiu e então disquei o número da minha mãe avisando que estaríamos chegando em meia hora. Ela ia andando um pouco mais a frente assinando alguns papéis e puxando um carrinho para por suas malas.
Aproximei-me dela que estava totalmente concentrada nas malas e dei lhe um beijo em sua nuca o que a fez dar um pulo de susto e me fez rir.
- !- ela se virou pra mim tentando me repreender, mas começou rir. - Me ajuda aqui. – Ela indicou a mala maior, e a peguei colocando no carrinho junto as minhas.
- Precisamos alugar um carro, acho que tem uma ali fora do aeroporto. – fomos caminhando até lá enquanto ela colocava seus óculos de sol. Entramos na concessionária e automaticamente varri o local com os meus olhos, procurando algum carro.
- Bom dia, senhor , senhorita Harris que honra ter vocês aqui. - O vendedor apareceu ao nosso lado e ela apenas sorriu forçado.
- Vamos pegar uma Mercedes. – disse observando que era uma das opções plausíveis.
- Não, Mercedes é coisa do meu pai. – ela fez careta.
- Ou é uma dessas ou uma minivan. – ela me olhou sem esboçar reação.
-Então eu escolho qual delas, vai fazendo o contrato. – ela sorriu e saio zanzando pelos carros.

{...}


- Da próxima vez poderíamos alugar um Jeep, né? Ou um daqueles bugs de praia. – ela dizia animada dentro do carro enquanto eu dirigia para fora do centro da cidade.
- Mas nós não estamos na praia. – ri da cara dela que me mostrou a língua infantilmente. Estacionei a Mercedes em frente ao enorme jardim da casa.
- Uau. – ela disse sorrindo abertamente mostrando-se animada. – Sua casa é linda, ! Parecem aquelas de filmes com famílias grandes e é tão... Empolgante!
- Boba. – eu ri observando a mesma desceu do carro rodeando para abrir a porta e ela saiu. Estendi a mão para ela que a agarrou caminhando junto a mim até a porta.
- , e se eu falar algo que não se deve? – ela sussurrou baixinho próximo ao meu ouvido, e pude apenas rir dela.
- Você vai se sair bem, tenho certeza. – eu ri abafado e beijei-lhe o rosto. Minha mãe abriu a porta sorrindo largamente.
- Que saudade de você, meu filho! – ela me abraçou forte sorrindo largo. – É um prazer recebê-la, . – e então ela se dirigiu maternamente para a garota que sorriu largo retribuindo o abraço.
- Pode me chamar de . – Ela riu baixo e então minha mãe abriu passagem para entrarmos. A mesa estava posta e em volta da mesma estavam lá, todos aqueles que eu amava.
- Sejam bem vindos. – minha mãe disse logo atrás fechando a porta. – Gente, essa é a , namorada do .
- Oi, que bom que veio também. – Meu pai se levantou abraçando a garota e dando-lhe boas vindas e logo veio até mim. – Senti sua falta garoto!

{...}


Todos a acolheram de forma materna o que fez ela até murmurar o quanto aquilo chegava ser familiar demais, já que em sua família não tinha isso. Minhas irmãs, mais novas ficaram babando nela e pedindo para que contasse tudinho sobre o editorial da Chanel que ainda não tinha saído e que era sigilo até que estreasse. A garota não se importou em infringir as regras e contar tudo aos mínimos detalhes. Meus avós a chamaram de ‘’queridinha’’ o que a fez rir e apertaram suas bochechas.

-. – minha mãe me chamou descendo as escadas roubando toda a minha atenção que antes estava na garota completamente familiarizada com as pernas em cima do sofá acompanhando minhas irmãs numa conversa completamente animada. Segui até minha mãe no primeiro degrau, ficando pouco mais baixo que ela. – Coloquei as malas de vocês no seu quarto. – ela sorriu passando a mão sobre meu rosto. – Fico tão contente que você está em casa. – ela beijou minha teste maternamente e seu olhar se desviou para suas filhas junto a .
- Vendo ela assim nem parece à garota que eu conheci. – eu ri baixo abraçando minha mãe de lado enquanto observávamos as garotas.
- Como assim, meu filho? – eu suspirei vendo que teria que lhe contar algumas coisas.

- Digamos que a não é o tipo de pessoa afetiva. É complicado, sabe, dá pra ver que não é de propósito. A mãe dela foi embora quando ela ainda era criança e seu pai nunca esta. – Minha mãe assentiu com a cabeça. – Mas ela parece bem aqui, parece finalmente humana.
- Fico feliz com isso, e ela realmente parece estar se divertindo e não com aquele sorriso que vejo em todas as entrevistas. – rimos juntos. Ela sabia exatamente qual era aquele maldito sorriso frio da garota.

{...}


- Vem, vou te mostrar a casa. – disse pegando-a pela mão assim que as meninas saíram para comprar comida ou algo do tipo.
- , sua família é tão incrível! – ela riu animadamente caminhando junto comigo escadaria acima. – Suas irmãs são fantásticas. A única coisa da família que não é tanto é você. – ela riu um pouco alto demais.
- Há, há, engraçadinha. – ri sem humor, dando de língua para ela que revirou os olhos, mas não tirou o sorriso frouxo do rosto. – Ali fica o quartos da Phoebe e da Erin, depois tem o banheiro, a sala, o quarto dos meus pais e a sacada no final do corredor. E aqui é o meu quarto.
- É tão lindo o sotaque britânico de vocês. – ela disse sorrindo largo assim que entramos em meu quarto. – é uma das coisas que eu adoro em você.
- Então tem mais de uma, huh? – eu ri dela que parecia revirar os olhos e observar o meu quarto, as paredes ainda eram num tom azul escuro e estava bem organizado, enquanto nossas malas estavam num canto.
- Talvez, mas é mais para um não. – ela riu pegando o celular em mãos que parecia avisar uma nova mensagem. Seus olhos vagaram por um momento e então ela abriu a boca em indignação e seus olhos se fixaram no vazio enquanto ela engolia seco.
-‘Tá tudo bem? – eu questionei ainda meio duvidando que estivesse e me aproximei dela, segurando de leve em seu braço.
- Evan me mandou todas às evidências como prova de que temos um contrato, ele está ameaçando vazar para imprensa e... – ela suspirou. - isso não pode acontecer, . – Ela desviou seu olhar para o meu e eu pude perceber sua pele estremecer devido ao desespero.
- Primeiro, quem é Evan? – ela suspirou como se odiasse admitir.
- Evan Bourbon, o que deveria ser herdeiro da coroa da França. Ele foi meu primeiro namorado e ele não vale absolutamente nada, e eu tenho certeza que ele não pensaria duas vezes para jogar tudo isso na mídia. – ela fez careta.
- Ele não vai conseguir provas. – eu ri a observando fechar os olhos firmemente.
- Mas...
- Mas nada. – eu sorri e então colei nossos lábios levemente. – Estamos juntos nessa, ninguém vai descobrir. – E então eu a beijei, suas mãos macias acariciaram o meu rosto levemente e pude ouvir o leve tilintar dos berloques da pulseira próximo ao meu ouvido. Minha mão seguiu até sua cintura apertando a mesma e então o beijo tomou seu ritmo.

{...}


Dois toques na porta. Tínhamos conversado brevemente sobre o maldito principezinho. Quem namora um príncipe? Por Deus, ela realmente era completamente essas patricinhas perfeitas demais para existir, tirando o fato de ser um nojo. Ela estava deitada de bruços em minha cama enquanto eu remexia a mala.
A porta se abriu e uma Erin sorridente colocou a cabeça para dentro.

- , estamos indo comprar uma torta vamos com a gente. – ela disse animada adentrando o quarto.
- A você chama, né, mas pro seu próprio irmão você nem diz oi. – eu ri observando-a seguir até mim e me abraçar por trás.
- Desculpa, fofinho. – ela disse rindo levemente, me apertando na região da barriga. Erin tinha seus 16, mas continuaria sendo um bebê para mim, seu corpo esguio e as roupas completamente parecidas com as de um catálogo de moda junto aos seus olhos castanhos ternos e cabelos longos e pretos. – Vou roubar sua namorada um pouquinho.
- E quem disse que eu vou deixar você levá-la? – eu ri largando-a e observando a em pé próxima da cama pronta para sair com Erin e Phoebe.
- Quem disse que você tem que deixar? – ela riu colocando as botas de salto e caminhando até mim. Erin riu da resposta da mesma. Ela se aproximou colocando as mãos em meus ombros e então me deu um selinho rápido, sorrindo. – Até depois. – E então ela deixou o quarto junto a Erin.

{...}


Harris Pov’

- Então você gosta de Hipismo? Sério? – eu disse animada com Phoebe enquanto caminhávamos até a loja que tinha ali por perto. - Eu tenho uma arena de hipismo em casa vocês podem ir lá quando quiserem.
- Quem tem uma arena de hipismo em casa? – Phoebe riu. As duas eram incríveis, a família inteira do era. Phoebe com seus cabelos negros ondulados levemente e os olhos num preto incrível, enquanto os de Erin eram castanhos claros como os de . Chloe, a mãe de era fantástica, sempre com seu olhar materno. Eu estava completamente sem palavras para toda aquela família.
- Você já está falando igual seu irmão. – eu ri alto me lembrando de como ele falava sempre de quanto tudo aquilo era um exagero.
- Como é fazer todos aqueles desfiles maravilhosos da Chanel? – Erin me cutucou empolgada.
- Sinceramente? É terrível! – Rimos alto demais adentrando a pequena padaria aconchegante. Phoebe foi mais a frente e dava para ouvir sua conversa com o padeiro.
- Boatos que seu irmão está na cidade, fala para ele passar aqui depois que saiu uma fornada de brownies quentinhos, aqueles que ele costumava comprar sempre. – o padeiro sorriu animadamente como um velho amigo.
- Está sim, aquela junto a Erin é a namorada dele. – eu só via seus cabelos pretos já que a mesma estava de costas.
- A famosa Harris, não é? – ele riu levemente, a mesma assentiu com a cabeça. Em segundos ela voltou com uma enorme sacola de papel com as tortinhas. Saímos de lá voltando para a enorme casa dos .
- Meninas, a família de vocês é incrível. – sorri largamente caminhando junto às mesmas.
- Mamãe está hiper animada com a sua presença, . – Phoebe disse sorrindo largo. – Ela está dizendo que finalmente criou juízo com você.
- É, ele era um completo galinha antes da fama, e durante até te conhecer. – Erin riu jogando de leve os ombros.

Observei uma claridade logo atrás de nós e me virei observando um fotógrafo na varanda de uma das casas ali próximas. Bufei seguindo as meninas para frente da casa.

- Tem uma festa essa noite, quer ir conosco? – Phoebe disse largando as coisas na mesa onde Chloe parecia forrar com uma toalha branquíssima.
- Não dá. – Sorri tranquilamente me encostando ao balcão observando as três ’s e como eram parecidas. Erin nos seus 16 continuava encantadora enquanto Phoebe tinha seus dezenove como eu. Chloe devia ter seus quarenta, mas a aparência continuava jovem. – Vou sair com o .
- E aonde ele vai te levar? – Chloe sorriu jovialmente como se entrasse na conversa de velhas amigas.
- Eu ainda não sei. – eu ri observando-a, seus cabelos pouco abaixo dos ombros pretos e olhos maternos.
- Sabe, , eu vejo que você o faz um bem danado. – ela abriu um enorme sorriso me observando assim que terminou de arrumar a mesa para o chá das cinco. Queria discordar dela, dizer que não. Que bem que eu queria, que não se assustasse quando a farsa toda fosse desmentida. Quando fossemos cada um para o seu lado. Alías, eu ainda não tinha pensado em como seria. Eu realmente não queria o perder. – Ele era meio sem rumo antes, parecia que empurrava sua carreira com a barriga, parece que finalmente ele está levando a sério. Minha mente automaticamente vagou para as ameaças que eu vivia o fazendo, e que James apenas reforçava e então o riso queria brotar em meus lábios, mas dei passagem apenas para um breve sorriso.
- A propósito você estava linda no especial de natal da Victoria’s Secrets. – levei um susto com a voz masculina irreconhecível adentrando a cozinha. Virei-me em direção ao mesmo ainda sem reconhecer. O rapaz devia ter seus vinte e a barba por fazer, os cabelos castanhos bagunçados e um moletom da adidas como se estivesse apenas andando a toa.- Oi, Tia. – ele beijou Chloe no rosto.

- Obrigada. – sorri ainda meio forçadamente. – Vou subir para chamar o . – e então sai da cozinha caminhando até a escadaria. A campainha soou da porta e Chloe fez um sinal para que atendesse. Abri a mesma encarando uma ruiva com algumas sardas espalhadas pelo rosto branco com pouca maquiagem.
- Pois não? – disse calmamente observando-a que tentava olhar para dentro da casa.
- Oi, eu falei com o e soube que ele está na cidade... –ela sorriu assanhada e eu observei-a sem reação.
- Te levo até ele. – forcei o sorriso e subi escadas acima com a garota em meu alcance. Abri a porta do quarto dele fitando um garoto distraído com o vídeo game sem camisa. - . – O olhar antes concentrado pareceu virar para nós e então se perder vagamente. Ele não esboçou reação alguma.





Capítulo 05

- O que você quer aqui? – ele se levantou caminhando e parando em minha frente direcionando as palavras de forma grosseira para a garota. Ele pegou minha mão e me puxou para trás dele de forma que me afastasse dela já que estávamos na porta.
- Senti tanto sua falta! – ela soltou afetiva demais e então grudou no pescoço dele o puxando para um abraço. Ele permaneceu sem movimentos, apenas tirou os braços da garota de cima de si e deu um passo para trás. – Preciso falar com você, zinho. A sós.
- Já disse que não tenho nada para falar com você. – ele vociferou e então pude ver a menina tentando contornar a situação. - Quem te deixou entrar aqui?
- E... Eu, desculpa eu não sabia... – disse logo atrás dele que assentiu e logo a voz melosa demais da garota surgiu.
- Quem é ela, amor? Uma das suas amiguinhas que estão disponíveis quando você quer? – ela disse se aproximando dele e acariciando seu rosto. Senti uma leve repulsa querendo sair dali o mais rápido que pudesse. Deitar no colo da Chloe e contar que ele continuava o filho cafajeste que ela sempre teve e depois pegar um avião para bem longe dali. Ou ela era uma louca e não fosse bem assim. Deveria ser racional.
E então eu ouvi aquela risada que era a linha tênue entre o desdém e a ironia, talvez fosse ambos.
- Você é patética, vai embora daqui. – ele disse grosseiramente e se virou para mim.
- Não vou sair daqui. – ela disse sorridente. - Até me explicar o que está acontecendo aqui, querido.

- Quem quer saber o que está acontecendo aqui sou eu. – Chloe surgiu séria atrás da garota que fechou seu sorriso em segundos e engoliu em seco. Eu não entendia o que acontecia ali, mas eu realmente queria entender.
- Ch... Chloe... – ela gaguejou virando-se para a minha querida “sogra”.
- Já te disse para criar vergonha na sua cara e nunca mais aparecer na minha casa. Para de importunar meu filho e sua namorada, agora some daqui. – ela disse com uma expressão completamente rígida apontando para escadaria abaixo, a garota abaixou a cabeça e sumiu do meu campo de visão e Chloe saiu logo atrás fechando a porta do quarto.
- Desculpa, , eu que abri a porta... – ele se virou pra mim passando seus braços por minhas costas me puxando para um abraço, joguei meus braços ao redor da sua nuca.
- Não é culpa sua, Jenna é completamente louca. – ele suspirou e então nossos olhares se encontraram e o mesmo sorriu.

- Achei que vocês tinham alguma coisa. – eu disse observando-o rir baixo.
- Não. Ela é uma dessas malucas que juram de pé junto que estamos juntos, ela já chegou invadir um jantar de família para se apresentar como minha namorada. A quase agredir minha irmã porque saiu comigo pra caminhar. – ele deu de ombros e então encostou nossas testas. – A única pessoa que eu quero ter alguma coisa, seja lá o que for é você.
-Cadê o meu antigo ? – ri levemente jogando a cabeça para trás, acariciei os cabelos na nuca e grudei nossos lábios. - Ah, sua mãe tinha mandado descermos para o chá das cinco, estou amando a Inglaterra já.
- Maldito chá das cinco, vai acabar com o clima. – ele disse rindo, mordeu meu lábio inferior e se afastou estendendo a mão para mim enquanto com a outra abria a porta do quarto.

{...}


- Para onde vamos essa noite? – questionei-o e ele riu negando com a cabeça.
- Vai saber quando chegarmos lá. – ele pegou uma toalha e saiu do quarto, Erin entrou aos pulinhos, sorridente.
- Você me concede um desejo? – ela sentou-se na cama do seu irmão onde em parte da king size de casal estava minha mala de vestidos aberta.
- Claro, Cinderela. – eu ri a observando, animada.
- Posso ver suas roupas? Eu sou tipo completamente apaixonada por seu estilo desde sempre, e a melhor notícia foi que eu te conheceria por você ser a nova namorada do meu irmão e... – ela dizia completamente animada.
- Claro! – eu ri junto a ela. - Se quiser pode me ajudar a escolher o que vou usar esta noite.

E então passamos a revirar todas as minhas malas juntas e rindo sobre assuntos polêmicos. Peguei meu roupão e toalha e adentrei o banheiro do , já que o mesmo usaria o do corredor. Tomei meu banho e vesti o roupão Pink de seda com Harris escrito atrás e o brasão das angels pequeno no peito. Sai do banheiro observando Erin montando alguns looks.

- E então, no que pensou, cunhadinha? – eu ri do apelido tosco.
- Pensei nessa saia de couro, com aquela blusinha branca de manga comprida com o pulso flair com esse colar e as sapatilhas de couro. – ela me mostrou e realmente era uma combinação que eu ainda não tinha experimentado, era jovial, moderno sem aquele toque clássico que eu costumava usar. Era extraordinário. Vi a porta sendo aberta e um apenas com a toalha na cintura adentrando o quarto.

- Desde quando eu tenho uma Angel no meu quarto?– ele sorriu largo se aproximando de mim.
- Quem deixou você entrar aqui, mocinho? – disse brincalhona, o observando sorrir.

- Desde quando tem que deixar? – ele riu como uma criança que faz alguma rebeldia e então abriu o guarda roupas pegando várias camisas. – Vou pedir para Phoebe me ajudar já que vocês duas parecem que estão arquitetando algum plano maligno.

{...}


Calcei as sapatilhas de couro e me olhei mais uma vez no espelho, peguei minha bolsa e observei o quanto aquele batom marrom tinha ficado incrível. Abracei Erin realmente examinando a hipótese de enfiá-la na minha mala e levá-la para NY junto comigo.

- , meu irmão tá te esperando lá em baixo, ok? – Phoebe apareceu na porta sorridente.
- Vem, vamos descer. – Erin disse me puxando pela mão escadas a baixo, observei com Joseph sentado no sofá do hall de entrada, enquanto conversavam animadamente.
- Até mais tarde, filhão. – seu pai disse enquanto o mesmo o largava de um abraço e caminhava até a porta. Caminhei até ele depois de me despedir de Erin.
- Juízo, fofinhos! – ela mandou beijos encostada ao sofá.
- Tchau, Joseph! Juízo você também, mocinha! – acenei para o mesmo e para Erin que também já estava quase pronta para sair. Entrei no banco do passageiro da Mercedes observando sorridente.
- Temos apenas meia hora para ficar aqui. – ele falou mais alto devido ao barulho que o barzinho exalava mesmo da porta, o mesmo entrelaçou nossos dedos caminhando pela multidão até chegar ao balcão do bar.

Pov

Eu realmente não tinha a mínima ideia da programação dessa noite, mas poder passar um tempo a mais com a Harris realmente humanizada nunca era demais.
Ela realmente parecia alguém melhor e estar com ela me fazia muito bem. Ela era complicada como sempre, mesquinha e incrivelmente sem coração, mas pelo menos agora era aparentava ter um. Ela bebericava seu copo de gyn Tonica enquanto riamos sobre uma teoria boa de juntar Georgia e James.

- Ei, posso tirar uma foto de vocês? – um daqueles fotógrafos do pub apareceu logo atrás de nós.
- Claro! – ela disse alto, e eu terminei o copo de whisky. Viramo-nos para o cara poder fotografar, passei a mão pela cintura dela, observando-a abrir um sorriso que definitivamente não era como os dos catálogos, nem os das revistas, outdoors ou entrevistas. Era um daqueles que realmente me fazia questionar o porquê daquilo tudo, e desde quando eu comecei ser mais um de seus seguidores.
Flash.
- Obrigado! É uma honra fotografar vocês aqui no pub. – O jovem fotógrafo sorria abertamente. – Você é minha Angel favorita, você poderia me dar um autógrafo? – ele disse se aproximando dela com um sorriso um tanto sacana. O observei de canto de olho passando sua mão sobre as costas dela que escrevia algo num guardanapo de papel.
- Aqui. – ela se virou entregando para ele e deixando transparecer visivelmente o susto que levou quando o cara estava próximo demais dela. -Por favor... – ela disse empurrando, mas não parecia resolver.
- Já chega, cara, você está a incomodando. – disse ríspido entrando em meio aos dois e tomando-a em meus braços.
- Quem você acha que é? – ele disse alto demais e talvez irado demais, ela virou seu olhar desnorteado para mim.
- e namorado dela. – sorri de escárnio dando de ombros o empurrando com força para longe, a mesma passou seu braço por minha cintura e depositou um beijo de leve em meu ombro. Caminhamos rumo a saída do pub sendo brevemente cegados pela multidão de flashes.

- Merda. – ela murmurou baixinho para mim e então fechou a cara para a multidão de flashes, com o seu típico olhar de escárnio e antipatia. Ela entrou no carro e eu a observei com mais calma enquanto eu dirigia pelas ruas até chegar a algum lugar. Os cabelos levemente desalinhados, a saia rodada não tão curta deixando transparecer suas pernas brancas agora sem meias finas já que o inverno estava encerrando, sua clavícula aparente pela blusa deixar exposto seus ombros, as pulseiras com berloques caríssimos e uma bolsa de uma marca qualquer. Seus olhos mais presentes no momento e até mais , porém o que ainda mais me impressionava era o seus lábios num tom marrom por causa do batom e seu sorriso incrivelmente branco e como nunca antes verdadeiro. Tocava alguma musica calma no rádio e seus dedos tamborilavam por sua coxa. Estacionei em frente à London Eye e ela se virou para mim.
- Nós vamos andar, né? – ela disse empolgada se virando de frente para mim ainda no banco do carro.
- Se quiser. – eu disse rindo da empolgação dela. – Trouxe uma garrafa de champanhe, está na caixa de gelo no porta malas.
- Beberemos e depois vamos até lá, pode ser? – assenti com a cabeça abrindo o porta malas e descendo do carro junto a ela. Ergui o porta malas abrindo a caixa térmica e pegando a mesma, a garota estendeu as duas taças e eu as enchi. Ela se sentou na beirada do porta malas confortavelmente bebericando o liquido da sua taça. - Por Deus, , esse pais é incrível.
- Não tinha vindo para cá ainda? – questionei-a que assentiu com a cabeça.
- Sim, porém é diferente agora. – ela disse tranquilamente, estiquei a mão para ela que a agarrou e se impulsionou para levantar, ficando em minha frente. Com a outra mão ela esticou a taça para um brinde.
- Um brinde pela garota sem coração. – eu ri a observando fazer um bico e revirar os olhos e logo em seguida rir junto a mim, as taças se tocaram.
- Um brinde pro rebelde que na Inglaterra se torna apenas o sunshine da mamãe. – ela riu debochada. – É impressão minha ou o fuso horário daqui deixa você mais fofinho?
O fuso horário...
- Deve ser já que está até fazendo à senhorita insuportável ser suportável. – eu disse observando a London Eye logo a frente. Ela virou mais uma taça.
- Tem que ser um brinde ao melhor pior casal. – ela disse sorrindo e então falou bem baixinho próximo ao meu ouvido: - casal fake.

Puxei o celular do bolso o sentindo vibrar levemente e observei a tela com mensagens do James e quando já estava para guarda-lo ela puxou das minhas mãos, abrindo o instagram.
- Diga X, fofinho, mas se quiser pode dizer que sou perfeita também, eu sei que sou, mas se quiser repetir eu realmente não vou ligar. – ela riu alto demais fazendo uma pose junto a mim e postando em seguida escrevendo um simples ‘’bae♥’’ e publicando em seguida.
- A senhorita está querendo ser perseguida por fãs a essa hora da noite? – a questionei pegando seu celular que estava jogado no meio do porta malas.
- Não dispenso uma boa adrenalina, fofinho. – ela disse arqueando a sobrancelha e sorrindo largo em seguida. Desbloqueei seu celular tirando algumas fotos fazendo careta até que a mesma me puxou pra perto de si aparecendo como uma intrusa nas fotos do próprio celular. – , não é pra me cortar, seu babaca!
- Corto sim. – eu ri vendo a mesma resmungar, estiquei o braço para cima impedindo-a de aparecer nas fotos, a garota dava alguns pulinhos tentando alcançar o mesmo, mas era uma tentativa sempre falha, ela pulou mais uma vez quase caindo em cima de mim, suas mãos gélidas tocando meu pescoço e a imediata proximidade me fez querer juntar nossos lábios ali mesmo. Ela desviou o olhar rapidamente indo em direção a London Eye.

- Fecha o carro e vem! – ela saiu saltitante sorrindo, tinha algumas pessoas que a observavam como se a reconhecessem realmente. Fechei o porta malas e o carro, observei o seu celular em minha mão e uma foto sua na tela de bloqueio. Segui-a, estava parada pouco afastada da grade observando a enorme roda gigante. Cheguei por trás colocando minhas mãos em sua cintura e me aproximando do seu pescoço.
- Não acha que essa saia está um pouco curta? – eu disse arrastado próximo ao seu ouvido, observando-a se arrepiar levemente e rir abafado, passando a mão sobre meu rosto.
- Quem liga? – ela deu de ombros sorrindo breve, e então eu a guiei até a London Eye, comprei as fixas e entramos numa das cabines.
- Eu ligo. – disse me acomodando e lhe entregando o celular que logo foi desbloqueado e virado para mim tirando algumas fotos enquanto eu falava que provavelmente sairiam completamente estranhas.
- Mas eu não. – ela riu e então jogou suas pernas sobre as minhas se ajeitando espaçosamente sobre o banco estofado enquanto a roda gigante se movimentava até o alto.

A conversa fluía levemente, as vezes ela gargalhava alto demais jogando levemente sua cabeça para trás, mas depois novamente o seu gelo interno dizia por si. Não que ela fosse grosseira como antes ou coisas do tipo, mas via se exposto toda aquela indiferença quanto ao mundo. Toda aquela frieza exposta. Mas parecia que seu sorriso aberto demais, caloroso demais dizia o contrário.

- Fala sério, , quem namora um príncipe? – e então ela gargalhou alto encostando a cabeça no estofado.
- Uma princesa, porém sou muito mais que isso. – ela riu, mandando beijinhos no ar me fazendo rir.
- Você é uma idiota. – ri observando-a dar de língua.
- Ei, não me chame assim, seu otário. – ela me estapeou levemente rindo. – Quem namora ? Por Deus, ele é caótico.
- Quem não gosta de um caos? – disse me aproximando dela e arqueando a sobrancelha de forma sacana. – Mas você pelo menos gostava desse Evan?

Sua gargalhada soou alto, como se eu contasse alguma piada.

- Não, eu gostava só da França mesmo. – ela deu de ombros sorrindo levemente.
- Garota, quem dominar seu coração poderia dominar o mundo. – eu disse entre risos junto a ela. – Porque você é impossível.

- Sou intocável também, não se esqueça desse detalhe, fofinho. - ela riu me encarando confiante nos olhos, aquele olhar transbordando desafios.
- Se você fosse tão intocável assim... - disse rindo me aproximando dela. A garota passou a mão sobre a abertura do meu casaco me puxando mais pra perto de si, sorrindo sacana.
- Termine sua frase, . – ela provocou com a sobrancelha arqueada. – Você não é tão bad boy assim...
- Prove que eu não sou então. – eu disse rindo baixo junto a ela que aproximou nossos lábios.
- Feito, o que eu ganho quando provar? – ela disse sorrindo abertamente.
- Conversaremos depois sobre essa parte. – eu ri junto a ela, que finalmente juntou nossos lábios, acabando com o pouco de espaço que restava entre nós. Nossos corpos se juntaram e minha mão seguiu para sua cintura deslizando levemente para sua bunda. A mesma mordeu meu lábio ferozmente e segurou meu cabelo numa linha tênue entre a delicadeza e a força. Nossos lábios tomavam um ritmo novo e que ainda não tinha sido explorado, já que os poucos trocados anteriormente eram cercados pelo contrato e não como agora, completamente involuntário.
- Temos que conversar sobre esses beijos não técnicos, definitivamente. – ela disse entre o beijo, deixando as palavras entrecortadas, sua unha deslizou por minha nuca arranhando levemente quando apertei sua cintura.
- Temos. – eu disse em meio a um riso abafado, passei a mão sobre seu rosto tirando uma mecha de cabelo e colocando atrás de sua orelha. Ficamos assim poucos segundos, com as testas encostadas apenas sentindo um a respiração do outro, a garota mantinha seus olhos fechados e vez ou outra distribuía beijinhos sobre meu rosto, passei a mão sobre sua perna sobre meu colo e então a roda gigante parou. Droga, nem pra girar mais umas dez vezes, tava acabando com o clima.

Harris POV

- Está frio aqui, vamos para outro lugar. – sorri tranquilamente saindo da cabine para o chão firme, nossas mãos entrelaçadas e com ele em meu alcance. Agradeci por Erin ter me dito para vir de sapatilhas e não de salto como de costume. Senti um casaco quente sobre meus ombros impedindo todo o frio que eu estava sentindo, senti os lábios ternos do sobre meu ombro assim que terminou de colocar o casaco.
- Vamos para um pub. – ele disse com aquele sotaque completamente britânico arrastado. Eu tinha vontade de ficar o ouvindo falar a noite inteira com aquele maldito sotaque gostoso. Saímos dos arredores da London Eye indo em direção a Mercedes e lá estava eles, malditos paparazzis. Georgia certamente estava amando, mas eu só queria mais privacidade, por Deus. A noite estava estrelada e o ficava completamente gostoso com aquela camiseta branca, seu perfume amadeirado exalando por todo o ambiente e aquele maldito cabelo bagunçado e voz rouca só piorava.

Ele dirigia calmamente pelo centro da cidade, comentávamos sobre os melhores lugares e onde ele costumava ir aos dezessete. Ele esticou sua mão e pegou a minha entrelaçando as mesmas e encostando pouco pra trás do cambio automático. Peguei o celular e tirei uma foto da cena rindo junto a ele e postando no instagram como ‘’it’s real ‘’ observava os comentários surgindo rapidamente rindo alto com o sobre os mesmos, que eram hilários. Ele parou em frente a um pub descendo junto a mim pelo carpete de entrada, o segurança abriu a cordinha que barrava a entrada.

- É aqui o lugar da nuvem alcoólica. – ele disse rindo da minha reação perversa.
- Então estamos no lugar certo, fofinho. – soltei uma gargalhada baixa escorando no ombro do mesmo que se debruçava sobre o balcão e pedindo duas nuvens alcoólicas.
- Qual a idade de vocês? – a bartender nos observou indiferente.
- Vinte e dois e dezenove. – disse calmamente.
- Moça, não é permitido para menores de vinte e um. - ela deu de ombros se afastando e logo voltando em segundos.
- Ah, qual é. Viemos de NY só para isso, e você pode muito bem abrir uma exceção para senhorita Harris, não? – Ele disse entrando no jogo da mulher.
- Chamarei meu gerente. – ela disse com um sotaque de outro lugar e saiu, voltando com um cara engravatado.
- Pois não, posso ver sua identidade, moça? – ele se dirigiu para mim. Retirei a identidade da bolsa o entregando. – Pois não, senhorita Harris, deixaremos que você tome nosso drink especial, mas apenas dessa vez, tudo bem?
- Claro, muito obrigada pela gentileza, senhor... – observei o crachá do mesmo sorrindo. - Smith.
- Aproveitem e tenham uma boa noite. – ele sorriu breve e sumiu. A garota estendeu duas fixas indicando para uma sala como de experiências, mas era o bar das nuvens alcoólicas.
- O tempo máximo é cinquenta minutos, vamos sair um pouco antes, tudo bem? – assenti com a cabeça pro que me entregou uma espécie de capa de chuva transparente e entramos na cápsula onde tinha mais umas cinquenta pessoas.

{...}


- Vamos para casa. – ele disse rindo já alto demais visivelmente alterado, puxei o para fora da cápsula rindo e retirando a capa de chuva. Caminhamos até o carro adentrando-o e rapidamente chegando em casa, o relógio marcava cerca das três da manhã. Caminhei até a porta me sentindo flutuando, chegou ao meu alcance beijando meu pescoço. Virei-me de frente para ele o puxando para um beijo que em pouco tempo se tornou voraz demais, o puxei para dentro da casa observando tudo apagado. Subimos as escadas com um tanto de dificuldade quase caindo para dentro do quarto.
- Você costuma trancar a porta? – o questionei o observando tirar a camisa, tentei desviar o olhar, mas foi uma tentativa falha. Encostei-me na porta recém fechada.
- Aham. – ele disse rouco se aproximando de mim, me tomando em seus braços firmes e trancando a porta, grudou nossos lábios apertando minha cintura com força, o beijo tomava forma e agilidade, suas mãos seguiram por minha coxa e então o mesmo me pegou no colo sem quebrar o beijo me sentando em cima da escrivaninha, minhas pernas ao redor da sua cintura enquanto minhas mãos bagunçavam seu cabelo. Seus beijos ternos desceram pelo meu pescoço e clavícula, fechei os olhos levemente arranhando sua nuca.
-, eu não posso. – murmurei baixinho e em contragosto.
- Por que não? – ele disse entre os beijos em meu pescoço, e então eu o empurrei levemente para trás respirando fundo e mantendo minhas mãos na região do seu tórax.
- Não posso ser mais uma das suas garotas. – respirando fundo pensando o quanto eu realmente queria prosseguir com aquilo, mas séria fácil demais. Séria totalmente contra meus ideais. - eu não sou uma delas, não vou sair antes que você acorde. Não farei parte apenas de uma noite sua. Porque eu vou estar aqui quando você acordar.

Fechei os olhos com força pensando no quanto eu também o queria, mas não poderia dar esse luxo. Nada iria me garantir que na manhã seguinte eu adentrasse seu apartamento e o visse com mais uma, não que eu tenha ciúme, mas eu apenas não queria ser enquadrada em mais uma delas. Eu tinha dúvidas grandes demais para deixar acontecer e depois ver no que resultaria. Não sabia se aquilo era gostar, mas eu realmente o queria bem, eu sentia algo, mas não sabia o que era. E entre pisar em falso em um rio congelado no fim do inverno e manter meu velho ego intocável, eu realmente não iria abandonar aquilo que me acompanha há anos. Observei-o colocar a mão em sua testa como se pensasse em algo e caminhar pouco a minha frente já que eu me mantinha sentada ali.

- Não quero que você saia antes que eu acorde. – ele disse num murmuro, talvez um pouco baixo demais para ser audível. Então ele se virou para mim vindo em minha direção e segurando em meu rosto. – Quero acordar com você.





Capítulo 06

- Quem me garante isso? Talvez você só queira isso hoje, mas amanhã não queira mais. – disse engolindo em seco o observando nos olhos. O castanho claro parecia sério demais para brincar com qualquer assunto ali.
- Por Deus, , se estou falando é que garanto isso. – ele disse em voz alta. – Tem algo acontecendo entre nós, você não pode ignorar isso.
- , você esta bêbado. – disse em contragosto, segurando sua mão que antes estava em meu rosto. – Não piso em falso, , eu tenho que ter certeza...
- Não estou bêbado, Harris! – ele disse se afastando e jogando um edredom sobre a cama de casal. – Eu sei que você também sente que tem algo acontecendo.

Eu sinto?
Meu Deus, eu não posso.
Definitivamente não quero vê-lo partir na manhã seguinte.
Se acontecesse isso contratos iriam romper e agora eu realmente não poderia pagar para ver.

POV.

Ela não disse nada, puta merda.
Diz alguma coisa, fala que sente alguma droga.
Nada.

- , eu não jogo com dúvidas. – ela disse baixinho sem me encarar nos olhos descendo da escrivaninha, calçou os chinelos da Chanel que estavam próximos da cama e permaneceu ali me olhando, mas sem me encarar nos olhos.
- Nem com dúvidas, e muito menos com o coração. – uma risada irônica rasgou minha garganta saindo antes que eu pensasse.
- Você sempre soube dessa última parte, não vejo porque ainda se surpreende. – ela disse baixo. – Eu não posso fazer nada a respeito.
- Você pode sim, , é só tentar, porra! – as palavras saíram um pouco do meu controle e talvez alto demais para o tom que ela estava usando. – Você não tenta nunca, você não faz a mínima questão, não é? Eu realmente achei que você estava aprendendo a usar seu coração nesses dias.
- Como eu aprenderia se não tenho um?! – ela vociferou com um breve riso irônico. – Afinal, não é isso que você mesmo diz? Não pode me cobrar algo do tipo então.
- Harris, eu sou o único que está sentindo isso? Eu sei que não, não é possível. – segui até ela em passos largos e a segurei em ombros falando desesperadamente.
- Não sei o que estou sentindo. – ela disse apática me dando aflição.

Unheartless.
Estava completamente aflito com aquilo tudo.
Tinha vontade de pegá-la e mandá-la para uma lobotomia para ver quais dos ligamentos entre seu coração e cérebro havia rompido. Para ter a certeza que o álcool e as convulsões já tivessem apagado a região de seu cérebro que segurava as emoções, mas mesmo assim isso incluiria em perdê-la e eu realmente não queria isso.
Há tempos eu não me sentia desnorteado. Não era por completo, mas eu não gostava de receber nãos. Aquilo me sufocava, aquele maldito contrato que jogou aquele mar de cabelos de pára-quedas bem no meio da minha vida. Ela consertava todo o caos, limpava toda a bagunça e me remediava contra as dores do antigo vazio, mas bagunçava completamente a minha zona de conforto quanto aos meus antigos sentimentos que era apenas de pertence às noites e copos de whisky.

- . – ela falou baixinho. – Vou à cozinha, vai querer alguma coisa?
- Não. – saiu completamente sem sentimentalismo algum. E então eu a vi sair pela porta em passos lentos, tinha vontade de puxá-la e convencê-la de ter um coração, como se isso fosse possível. Convencê-la que tudo aquilo era recíproco, mas também não era tão simples assim. Apenas puxei meu celular e me joguei sobre a cama que parecia ter ficado com o seu cheiro desde que suas roupas estavam espalhadas pela minha cama mais cedo. Maldito Calvin Klein que projetou aquele perfume que combinava perfeitamente com ela.
Sem toque algum de romance, sem toque algum de afeição. Era um daqueles perfumes que irradiavam confiança, com o cheiro marcante demais para ser de pertence a alguém que passa despercebido.
Observei na página inicial do meu celular as inúmeras notificações do Instagram e a marcação da foto em seu feed. O sorriso dela era amplo igualmente o meu e definitivamente não parecia que era apenas um contrato. Os olhos brilhantes da garota e suas unhas pintadas num azul marinho. Suas mãos entrelaçadas na minha e os inúmeros comentários sobre fãs abaixo da foto.
Abri o rolo da câmera e lá estavam inúmeras fotos dela fazendo careta.
Que merda.
Definitivamente era impossível conviver com ela.
Mas mesmo assim eu queria.

Harris POV

Desci em silêncio a escadaria e observei a luz da cozinha ligada, fui até lá calmamente vendo uma Erin levemente alterada na cozinha sentada sobre a mesa com uma caneca e tentando colocar o leite dentro da mesma.
- Erin? – adentrei chamando-a que se virou para mim e sorriu abertamente. – Você está bem?
- Oi, . – ela sorriu largo balançando as pernas. – estou ótima, por que essa cara?
- Briguei com seu irmão. – respirei fundo me sentando em frente à ela, peguei a caixa de leite colocando na caneca da mesma. – bebe isso aqui.
- Sabe, às vezes ele é um completo otário. – ela deu de ombros pegando a caneca com as duas mãos bebendo.
- Quem foi à otária da vez fui eu. – eu ri nasalado sem humor algum. – Temos duas opções: ou eu cuido de você e te deixo sóbria ou buscamos a garrafa de vodka que seu irmão comprou no carro e bebemos no jardim.
- Ficaremos com a segunda opção, óbvio, né? – ela riu descendo da mesa. - Sabe estou amando te ter como cunhada já, você é a melhor, !
- Meu Deus, Erin. – eu ri a abraçando de lado. - não me faça te enfiar na minha mala e te levar comigo para NYC.
- Pode levar a vontade, só não te garanto que dona Chloe deixe de bom grado. – ela riu junto a mim, observei seus pés descalços.
- Levarei mesmo assim. – eu ri a observando. - Vou buscar as chaves do carro com seu irmão – fiz careta. – mesmo ele estando me odiando agora e te encontro aqui no hall.
- Tudo bem. – ela sorriu indo para o sofá do hall e eu subi correndo as escadas. Adentrei o quarto e lá estava ele. Maldita forma de dormir, o garoto estava dormindo de barriga para baixo e apenas com a boxer preta tive uma leve vontade de apertar sua bunda só para irritá-lo, mas se o fizesse com certeza ele me jogaria do segundo andar. Aquelas costas perfeitamente grandes e levemente forte sem exageros, sua silhueta perfeita e cabelos completamente bagunçados, seu rosto angelical ao dormir. Puxei as chaves do carro da escrivaninha e puxei em minha mala uma embalagem com um chinelo da Chanel que eu tinha comprado como reserva, antes de sair de viagem, desci as escadas encontrando Erin.
- Ei, esse é para você. – eu disse lhe entregando, a mesma deu alguns gritinhos histéricos e eu tapei sua boca e tirei-a para fora da casa abrindo o porta malas e pegando a garrafa. – E esse é para mim.
- Obrigadinha, ! – ela me abraçou com força me fazendo rir, abri a garrafa servindo duas taças, entreguei lhe uma e fechei o carro.
- Vamos comigo amanhã no Sea Life? – observei-a que sorriu em concordância. Sentei no gramado bebendo mais.
- Por que brigou com meu irmão? – ela me observou virando por completo sua taça.
- É uma longa historia, e eu te garanto que você não vai querer saber. – respirei fundo e a mesma assentiu. - Me sinto uma péssima cunhada te dando vodka.
- Não se sinta. – ela riu e encheu nossos copos. – Como são os garotos de NYC?
- De verdade? Não sei. – eu ri de leve a observando. – Sou parte isolada da cidade, pode perguntar ao seu irmão. E os daqui?
- Todos idiotas. – ela suspirou e riu brevemente enquanto dava de ombros.
- Em todos os lugares possuem idiotas, pode acreditar. – eu disse rindo e virei todo o líquido que restava em meu copo de uma vez. – Meu primeiro namorado foi o príncipe da França e por Deus, não tem um cara mais idiota que aquele. – caímos na gargalhada juntas.
- Como foi? – ela me questionou colocando as mãos no queixo para prestar atenção.
- Namorei com ele por quase dois anos e foi uma droga, ele era um mesquinho do tipo que acha que você deve servi-lo, ele é assim até hoje, né. – eu ri dando de ombros me lembrando de tudo. - E sabe como é né, fazemos besteiras mesmo sem gostar.
- Não gostava dele? – ela questionou me fazendo lembrar que eu não ligava para ele. Afinal, queria contá-la que nunca amei alguém, mas era como entregar que estava lá da forma mais suja. Estava lá me aproximando de uma família que eu jamais faria parte, que eu nem sequer de inicio queria estar, mas que agora eu queria, porque eles eram pessoas extraordinárias.
- Não. – suspirei derrotada. - Eu o suportava entende? Minha empresaria dizia que era bom para ajudar meu pai fechar negócios com a França e que eu devia isso a ele. Até que eu tomei um porre, dos grandes e dormi com ele, foi uma das maiores burradas que eu fiz na minha vida. Ele era lindo, como esses protagonistas de seriado e então eu percebi que eu não estava tão burra só pelo porre, eu estava completamente saturada e ouvir as ameacinhas infantis dele e deixei levar. Na semana seguinte, eu terminei tudo e voltei para casa.
- Você contou para sua mãe? – ela disse calmamente virando outro copo já começando falar enrolado.
- Erin, eu não tenho mãe. - dei de ombros pegando a garrafa e começando beber no bico.
- E para o seu pai? - neguei com a cabeça novamente voltando a beber, parei por um segundo encarando o céu começar a girar.
- Meu pai realmente não liga, ele sempre está ocupado demais com suas empresas e suas novas mulheres. – minha voz soou baixa e meio esganiçada, me deitei sobre a grama encarando o céu. – A realidade é que eu moro na merda de uma casa com mais de vinte quartos, uma mansão com milhares de empregados, mas que só mora eu. Sinta-se grata por ter sua família, é o melhor que se pode ter.
- Mas você tem empresas e sua fama, roupas caríssimas e exclusivamente feitas para você. – ela disse bebendo mais.
- Isso não significa nada, Erin. – dei de ombros, observando levemente a garota sentada ao meu lado. - Antes de vir para cá e conhecer toda sua família eu realmente achava que isso tudo era alguma coisa, mas agora vendo vocês eu vejo o quanto é vazio.
- Acho que deveríamos ir dormir, , amanhã iremos visitar a casa do vovô e da vovó, aposto que você vai adorar lá, tem um parque enorme na frente e podemos ir ao sea life antes de ir para lá. – ela sorriu se levantando ainda cambaleando - Oooops. – ela disse rindo dos seus tropeços e então estendeu a mão para mim
- Opa! – eu ri me levantando e quase caindo junto a ela novamente no gramado, peguei a garrafa e coloquei dentro do carro, entramos na casa subindo junto às escadas e rindo. - Boa noite, Erin!
- Boa noite, ! – ela me abraçou virando pro lado oposto do quarto do entrando em seu próprio. Empurrei a porta num solavanco quase caindo para dentro do quarto. Joguei as chaves sobre a mesa logo ao lado da porta e pulei ao lado do garoto que dormia.
- , Zinho eu preciso falar com você. - minhas palavras começavam se enrolar, mas eu sabia que eu queria falar com ele agora. O chacoalhei e o mesmo se virou resmungando, distribui vários beijinhos sobre seu rosto.
- Sai, .- ele resmungou sonolento e sem abrir os olhos.
- , é sério. – eu disse entre risos. – eu estava bebendo com a Erin e percebi que preciso falar com você. – comecei falar arrastado, deitei minha cabeça sobre o ombro do mesmo cutucando-o levemente na região do abdômen.
- Vai à merda. – ele resmungou mais uma vez.
- ! – eu falei alto demais o fazendo levantar num pulo e me encarar, comecei a rir mesmo sem motivo algum.
- Puta que pariu, por que você foi beber com a Erin? – ele perguntou, mas parecia que não queria ouvir nenhuma resposta. - Você está cheirando a álcool.

Pov.

Quatro da manhã, quando eu acho que tenho alguma paz aquela garota me aparece completamente desnorteada beijando meu rosto. Observei-a ainda com as roupas de antes e cabelos bagunçados, seu riso frouxo e sua pupila dilatada, não tinha como odiá-la daquela forma.

- , , , eu realmente sinto muito por não saber o que eu sinto. – ela falou enrolado demais encostando a cabeça no travesseiro, puxei a gaveta ao meu lado puxando uma camiseta do pijama azul listrado que eu costumava usar apenas a calça.
- Ok, falamos disso amanhã, tudo bem? – ela assentiu com a cabeça. – Agora coloca essa camiseta.
Ela pegou a mesma da minha mão se levantando em meio ao quarto já escuro, brevemente iluminado com a luz de fora que vinha da sacada, tirou sua blusa jogando em cima da mesa, quando ia tirar sua saia desequilibrou escorando na mesa e finalmente a tirou. Maldito corpo escultural, aquela cintura fina e aqueles enormes seios. A lingerie preta destacava pela pele branca dela. Observei-a fechar os olhos com força como se fosse a ajudar a ficar mais sóbria e então ela enfiou a camiseta pela cabeça, a mesma ficava comprida para ela e deixava brevemente a polpa de sua bunda a mostra. Ela caminhou até mim que ainda estava sentado na cama preocupado com a mesma.
- Nossos beijos nunca foram técnicos. – ela afirmou se aproximando e então sentou em meu colo de forma em que suas pernas ficaram próximas a minha costela esquerda e a beirada da cama, ela passou um dos braços sobre meu ombro. Eu ri nasalado da sua afirmação que parecia tão séria sendo dita daquela forma.
- Graças a Deus. – eu ri nasalado e ela sorriu em concordância jogando levemente as costas para trás caindo na cama de forma que suas pernas permanecessem sobre mim. - Nosso namoro não é completamente um contrato então.
- Se não fosse você não teria inúmeras anônimas no seu apartamento. – ela revirou os olhos e então me puxou para cima de si me encarando nos olhos, ela mordeu o lábio levemente.
- Sou homem, , é pedir demais que eu fique o tempo do contrato em abstinência. – eu ri dela dando de ombros.- Mas se nós tivéssemos sexo sem compromisso... – a encarei perversamente e a mesma estapeou meu braço rindo.
- Sem essa, não sou a Mila Kunis. – ela riu de forma que transparecia o quanto o álcool já percorria seu corpo, e deu de ombros.
- Tem razão, é melhor... – eu ri abafado beijando-lhe o pescoço sentindo sua mão puxar meu cabelo da nuca.
- Isso é jogo baixo. – a garota resmungou rindo baixinho e então rapidamente a mesma inverteu posições ficando em cima de mim.
- Ninguém mandou você ser gostosa. – apertei sua cintura com mais força do que o normal.
- Não me trate como um pedaço de carne. – sua risada soou como uma linha bem tênue entre a repreensão e a indiferença, jogando a cabeça para trás.
- Maldita Regina George, não podia deixar essa passar? – eu ri a observando sorrir perversa, a mesma se aproximou do meu ouvido roçando os lábios levemente.
- Vou mandar sua mãe lavar sua boca com sabão. – sua risada soou rouca, e então a mesma baixou seus beijos pelo meu pescoço distribuindo leves chupões pelo mesmo.
- Você joga sujo. – falei de forma arrastada descendo minha mão pela bunda da garota que riu abafado em meu pescoço. Grudei nossos corpos apertando sua bunda com uma das mãos, seus lábios roçaram no meu e ela deu apenas um olhar sacana. - Na real entre Mila Kunis e Regina George, eu sempre preferi as loiras.
- Cala a boca. – ela passou os dedos sobre minha barba rala que estava crescendo. – Seu sotaque acaba comigo. – ela suspirou derrotada com um breve sorriso estampado nos lábios.
- Cale-a para mim. – sorri torto com aquele típico sorriso cafajeste e a mesma grudou nossos lábios, nossas línguas se entrelaçavam com certa maestria e velocidade, ela mordeu meu lábio o puxando de leve. Cortei o beijo descendo com leves chupões sobre a clavícula dela, sua mão espalmou meu tórax e ela olhou para mim com um olhar sacana.
- Porém, eu não sou suas garotinhas, . – ela riu abafado e então se virou, deitando ao meu lado na cama, a minha camisa a fazia parecer mais minha, mesmo eu sabendo que não era, para ajudar ela não tampava a bunda da garota e havia subido levemente quando ela se deitou deixando exposta suas covinhas na parte acima da barra da calcinha da Victoria secret’s. Aquela garota definitivamente ainda ia me matar.
- Filha da puta. – eu disse próximo ao ouvido da mesma e mordi levemente o ombro dela passando meu braço por sua cintura.
- Dorme, . – ela disse baixinho.

{...}


Senti aquela claridade que vinha da sacada incomodando meus olhos, e os abri por completo passando a mão sobre meu rosto, observei-a dormir calmamente, relembrei da noite passada e ri vagamente negando com a cabeça, descartei a possibilidade de acordá-la agora e fui para o banheiro.
Vesti uma calça de moletom e desci para a cozinha encontrando Chloe.

- Descalço nesse chão gelado há essas horas? – ela me olhou como se eu tivesse cinco anos o que me fez rir e ir até lá abraçá-la. – Bom dia, querido, chame a para o café da manhã.
- Bom dia pra você também, mãe. – eu ri a abraçando. – vou chamar.
- Bom dia. – meu pai entrou na cozinha com o seu jornal de sempre, bagunçou meus cabelos e seguiu até minha mãe beijando a testa dela. Subi as escadas me deparando com uma Phoebe meio morta quase dormindo enquanto andava.
- Por que não dormiu até mais tarde se está tão cansada? – encarei-a prendendo o riso, seus cabelos ondulados estavam armados e sua cara parecia amassada pelos travesseiros, eu queria tirar uma foto, mas ela me espancaria depois disso, e ter que encarar a Phoebe de mau humor realmente não era uma opção.
- Corrida matinal, já ouviu falar sobre isso, seu gordo? – ela resmungou dando a língua e entrando no banheiro do corredor. Entrei no meu quarto observando a garota ainda dormindo de forma angelical esparramada pela cama, sentei na beira da mesma começando a fazer cócegas na garota que abriu os olhos num estalo.
- Eu...vou...chutar... sua... – ela falava entre gargalhadas já que eu não parava com as cócegas. – cara!
- Bom dia para você também, Cruella D’evil. – eu ri da cara dela se sentando na cama e me fuzilando com o olhar.
- Pode deixar você, seu idiota, ontem a noite era Regina George, né... – ela falou num tom provocativo me dando um tapa na testa e correndo para o banheiro. – Por Deus, parece que tem um gambá morto na minha boca.
- Não me beija então. – eu disse a provocando a observando ainda com o roupão das Angels procurando uma roupa na mala, ela se aproximou de mim rindo e então jogou seus braços sobre minha nuca. - Você fica incrivelmente sexy com esse roupão.
- Já me disseram isso. – ela soltou convencida num breve riso dando de ombros.
- Quem? – eu disse fingindo ciúme dela passando minha mão por sua cintura.
- Muita gente, Zac Efron, Jake Gyllenhaal, Vanessa Hudgens... – ela riu convencida sorrindo como se tudo aquilo fosse óbvio.
- Eles já te viram assim? – a observei rir.
- Claro, nos bastidores dos desfiles. – ela deu de ombros e se afastou pegando uma roupa e entrando no banheiro.
- Anda logo que temos que descer para o café. - resmunguei mexendo no celular.
- Você é muito chato, por Deus. – Ela saiu do banheiro já arrumada e enfiou as alpargatas John John no pé, caminhou até o armário e tirou de lá uma camiseta preta básica. – Coloca uma camiseta, pelo amor de Deus, parece que não sabe que essa peça existe.

{...}


- vou usar o carro para sair com suas irmãs, eu volto antes de dar o horário de ir para casa dos seus avós. – ela disse encostando a cabeça no encosto do sofá bocejando enquanto Erin descia as escadas saltitante. – Vai, , me dá as chaves.
- Não. – eu disse para contragosto da mesma que resmungou.
- Anda logo, garoto chato. – ela se sentou novamente no sofá do meu lado tentando arrancar as chaves do meu bolso.
- Me obrigue. – eu disse a encarando com um breve riso enquanto meu pai assistia a cena por cima do seu jornal.
- Idiota. – ela resmungou enfiando a mão no bolso da calça do meu moletom e arrancando as chaves.
- Não vai me dar tchau? – observei-a indo até a porta junto a Erin e Phoebe.
- Não. – ela fez careta. – Tchau, Joe! – ela acenou para o meu pai que riu e acenou para ela.
A manhã passou sendo intercalada entre assistir algum programa de culinária deitado no colo da minha mãe e cochilando no colo dela, as meninas voltariam por volta das quatro da tarde. Almocei junto com meus pais retomando assuntos que fazia tempo que não falávamos rindo sobre os mesmos na mesa. Fiquei na piscina parte do tempo já que o sol estava forte e não costumava ser diariamente assim, minha mãe recebeu Kile que era meu amigo de infância e ficamos boa parte da tarde na piscina.
- O pessoal vai se reunir naquela cafeteria perto da praça você vai, né? – Kile disse dando de ombros.
- Tenho que encontrar a . – soltei normalmente enquanto me sentava na beira da piscina.
- casado? Essa eu realmente quero ver. – o garoto resmungou rindo alto. - Liga para ela te encontrar lá.
- Ah, beleza então. – eu disse animado secando o corpo com a toalha mais próxima. - Vou só trocar de roupa.
Tomei um banho rápido pegando um short e uma camiseta enquanto discava o número da no celular, enfiei os chinelos e avisei minha mãe que estava indo com o Kile.
- , onde você e as meninas estão? – perguntei entrando no carro do Kile que dirigia para a cafeteria.
- No Sea Life. – ela disse num resmungo quase choroso. - Mas eu tenho medo de peixe.
- Quem tem medo de peixe, ? Qual seu problema? – disse passando a mão sobre meu rosto e vendo Kile rir ao meu lado.
- EU ACHEI QUE NÃO IA DAR TANTO MEDO ASSIM, IDIOTA. – Ela gritou do outro lado da linha.
- Tá, tá, tá. Olha me encontra numa cafeteria que tem perto do parque, a Phoebe sabe qual é em uns quinze minutos, ok? – ela apenas murmurou ‘’uhum’’ pelo telefone e alguma coisa do tipo ‘’babaca’’ e desligou. – Dude, tem dia que eu tenho vontade de matar ela.
- Eu imagino. – ele riu alto. – Você sempre abominou as mesquinhas, dizia que eram fúteis demais, quando li a matéria do namoro de vocês quase cai para trás. Ela é tipo a rainha das mesquinhas.
- Pra você ver, cara. – eu ri junto a ele descendo na cafeteria. Cumprimentamos todo o pessoal que fazia séculos que eu não via, ficamos uma meia hora conversando e a provavelmente não sabia o que era quinze minutos. A Mercedes parou logo em frente ao café e ela e as duas desceram, estava parecendo aquele complô de meninas malvadas. Regina George e as suas duas amigas. Ela estava com uns óculos de sol e um short de cintura alta de lavagem clara e uma daquelas blusas que deixavam a barriga a mostra branca e o chinelo branquíssimo. Erin empurrou a porta indo até a mesa que todos nós estávamos, anteriormente só garotos.
- Oi, gente. – ela sorriu animadamente e parou ao lado de em pé logo atrás de mim. - Essa é a , namorada do .
- Oi. – ela deu aquele sorriso básico, sem tirar os óculos.
- Sentem-se, meninas. – Nick falou com um olhar perverso sobre Erin o que me fez fechar a cara. se sentou ao meu lado empurrando o óculos para o topo da cabeça. Erin se sentou no espaço vago que infelizmente era entre Nick e felizmente Kile, Phoebe se sentou perto do Ian.
Meu celular vibrou com uma mensagem da minha mãe dizendo que tínhamos que visitar meus tios já que fazia séculos que eles não me viam.
- Gente, eu vou indo ok? Apareçam lá em casa amanhã à noite, fazemos uma social. – eu sorri dando um toque com Ian que estava mais perto de mim e acenando para o restante.
- , podemos ficar? – Erin disse animadinha demais próxima a Nick.
- Claro, se quiser eu busco vocês depo... – ia falando animadamente.
- Não. – resmunguei para ela. Nick não valia nada, e era um dos quais eu menos confiava dentre os garotos não o queria próximo a minha irmã.
- Ah, , Phoebe também vai ficar não tem problema nenhum. – Ela resmungou do meu lado e eu a encarei a fuzilando com o olhar.
- É, eu ligo para vir me buscar mais tarde.- ela disse animada quando meu pedido ficou pronto, peguei os dois copos de Milk shake.
- A não é sua irmã. – eu disse ríspido demais.
- ... – a ao meu lado apertou meu braço levemente me fazendo assentir e brevemente me puxando para fora. – Tchau, meninos. – A acenou para a mesa dando uma piscadinha para Erin e saindo para fora da cafeteria.
- , não gosto da Erin perto do cafajeste do Nick. – resmunguei lhe entregando os Milk shakes.
- Por favor, controle seu ciúme, Erin sabe o que faz, baby. – ela sorriu de forma tranquilizadora e me deu um breve beijo no queixo e entrou na Mercedes colocando as bebidas no suporte do carro.

Minha família inteira estava amando a , a par de dias ela virou colada com as minhas irmãs, as vezes no café da manhã quando eu acordava só estava ela e minha mãe dando risadas pela cozinha. Seu sorriso era mais presente e agir daquela forma naturalmente estava me deixando completamente hipnotizado. Era como se ela tivesse adotado minha família para si. Faltavam apenas dois dias para irmos embora e ela não parava de falar o quanto ela já queria voltar. Desci para o chá das cinco com uma puta dor de cabeça e lá estava ela em meio ao jardim conversando de forma completamente materna com a minha avó sobre cachorrinhos. Golpe baixo, . Muito baixo.

- Não vai nem de dar oi, seu danadinho? – minha avó me disse em tom divertido, me fazendo rir baixo e seguir até a mesma beijando-lhe a testa. Peguei a cartela de remédio de dor de cabeça e me sentei ao lado da minha avó, engoli com um pouco de chá. - Querida, ele já te contou o que fazia em minha casa quando era pequeno?
- Não, vovó. – ela disse rindo breve, prestando atenção na minha avó com as mãos apoiadas no rosto.
- A avó é minha, , não sua. – resmunguei infantilmente para a garota e minha avó riu me dando alguns tapinhas no braço.
- Adotei a como minha neta também, seu egoísta. – ela disse brincalhona acariciando meu rosto e brevemente apertando minhas bochechas. – Então, quando ele era bem pequenininho sempre que ia me visitar ele me levava uma margarida que tinha na porta de casa, mas quando cresceu mais um pouquinho sempre corria para dentro de casa e pulava em todos os sofás e jogava todas minhas almofadas no chão, e quando eu o perguntava se foi ele, ele culpava seu avô. – ela dizia entre risos ao lembrar-se das lembranças. - E quando ele entrava com os pés sujos de barro...

A tarde passou rapidamente e logo já beirava as onze. Tínhamos acabado de comer pizza junto a todo mundo na mesa com direito a um daqueles jogos orais na mesa. Desci as escadas passando em frente à porta dos fundos e vi as costas dela sentada na beira da piscina, caminhei até lá me sentando ao seu lado.

- Preparada para ir embora?- eu sorri para ela que encostou a cabeça em meu ombro.
- Definitivamente não. – Ela riu baixinho. – Está tão bom aqui.
- Não sente falta daquela imensa mansão? – observei seus pés brancos com esmalte preto balançando dentro da água.
- Não. – ela deu de ombros e virou seu olhar que estava anteriormente na água para mim. - Falei com a Georginha e ela está super orgulhosa de nós. - ela riu e então me encarou nos olhos.
- Por causa da mídia, não é? – ela assentiu com a cabeça. – E você não está orgulhosa de nós, ?
- Um pouco, mas ainda não sei. – ela riu baixinho sorrindo de lado sem mostrar os dentes.

Harris POV.

Acordei com aquela barba rala raspando levemente por meu ombro e os braços dele envolta de mim, me virei observando seu rosto angelical dormindo e o quanto o tempo parecia ter voado até ali. Era como se eu me sentisse outra pessoa, como se minhas bochechas chegassem a arder de tanto que eu sorri em sete dias. Como se eu tivesse uma parte do meu coração completa por toda aquela família que eu acabei aderindo para mim. Eu não tinha palavras para agradecer Joe e Chloe, eles eram incríveis, as meninas viraram meus babys e eu realmente queria levá-las comigo, mas Chloe definitivamente não iria gostar tanto. A vovó Benson e a vovó eram uma peça, ainda mais quando se juntavam no chá das cinco. E o vovô Benson era o melhor no mini golfe dentro da sala decorada em tons rústicos, seus saques ainda eram melhor sobre a pressão da vovó quando ela mandava parar já de jogar para não quebrar seus portas retratos. Os primos do eu vi apenas num jantar e eu definitivamente me senti desconfortável com um deles dando em cima de mim. Mas voltar para aquela casa imensa e vazia me fazia sentir certo vazio, como se eu fosse perdê-los.
Pois quando vemos o quão bom é ter um coração, não queremos voltar a nadar no vazio, porque temos a certeza de que vai ser muito frio e não temos para onde correr. Eu não sabia como ficaria tudo agora que voltássemos para NYC, mas eu realmente esperava que tudo ficasse bem.
Acariciei a barba do levemente depositando um beijinho sobre a bochecha dele. Levantei-me tomando um banho e me arrumando para descer, fiquei um tempo na varanda conversando com a vovó e ela me contava sobre como tinha sido terrível a perca do vovô e que não fazia mais de seis meses. Depois fui com Erin e Phoebe até a casa do vovô e da vovó Benson jogando aquela velha partida de mini golfe pela sala naquele toque britânico perfeito.
Voltamos para o almoço de domingo, nosso voo partiria as cinco. estava com uma cara de poucos amigos então nem propus de perturbá-lo.
Subi arrumando todas as minhas malas e vestindo um short e uma camiseta básica da Tommy branca com detalhes em rosa, calcei os chinelos e deixei minhas malas prontas e minha bolsa em cima da cama. Quando um completamente irado entrou no quarto.
- Ei, ei o que aconteceu? – eu disse o parando em meio ao caminho que ele parecia percorrer até a sacada.
- Aquele filho da puta do Nick...- ele vociferou e eu apenas continuei parada em sua frente. – Ele estava falando da minha irmã, filho de uma puta! Depois ainda teve a coragem de ficar falando sobre como você era gostosa e que ficava revendo seus bônus dos desfiles para... nojento. – ele disse com completa repulsa e eu apenas engoli em seco, voltei minha atenção para o garoto quando uma risada irônica saiu de seus lábios. – Mas também agora ele tem uma bela e enorme marca roxa na cara.
- Agora se acalma, por favor... – eu disse o empurrando para se sentar na cama. – Erin já sabe?
- Ela estava comigo quando chegamos à casa do Kile, dava para ouvir tudo pelo corredor, aquele maldito se vangloriando de merda nenhuma. – me sentei ao seu lado segurando sua mão. Meu celular despertou sobre a cômoda.
- , está na hora de nos despedirmos. – eu suspirei descendo com duas malas para o hall, observando trazer as outras malas ainda com aquela expressão de ódio. Ele puxou seu pai para longe da bagunça que as duas irmãs faziam após rir de algum comentário da vovó e contou que devia fazer o máximo para deixar Erin longe de Nick.
- Chloe, obrigada por tudo. – eu a abracei forte, abraçando em seguida Joe e Phoebe. – Meu amorzinho, me promete que sempre que der e que a Chloe permitir você vai me visitar? Te mando as passagens e falo com sua mãe se precisar.
- Prometo, obrigada por tudo, . – ela disse me abraçando forte, beijei-lhe sua testa e fiquei ao seu lado esperando se despedir. Ele veio ao meu lado estendendo a mão e caminhamos juntos até o carro acenando para todos em frente a casa.
O aeroporto estava lotado, devolvemos o carro à prestadora de serviços e sorrimos para alguns flashes e autógrafos meio a contragosto, eu só queria dormir, por Deus. empurrou o carrinho até o check-in e logo entramos no carro que nos levaria até o avião. Encostei minha cabeça em seu ombro.
- Acho que me esqueci de agradecer uma pessoa por essa viagem. – eu disse baixinho e ele se virou para mim como se perguntasse quem. – Obrigada por tudo, , sério, se não fosse por você eu não saberia como é estar no meio de uma família.
- Não tem o que agradecer. – ele sorriu de leve e então colocou uma mecha do meu cabelo para trás da minha orelha. O mesmo colocou os óculos de sol saindo do carro junto a mim e entrando no avião.
Acordei quando o avião parou em NYC. Descemos meio atordoados, coloquei os óculos de sol encarando de contragosto aquele mar de paparazzis, me puxava pela mão até o carrinho de malas. Georgia nos esperava em frente do aeroporto sorridente.
- Estou tão contente por vocês, queridos, a mídia está completamente apaixonada por vocês. – ela dizia animadamente abraçando nós dois juntos. - Vocês já viram as fotos que vazaram?
- Vazou alguma foto? – ele perguntou entrando no banco de trás do carro junto a mim, Georgia passou o iPad para mão dele com diversos prints de matérias e capas de revista de fofoca. Enfiei a mão para mudar a foto.
- Tira a mão daí, menina. – ele disse em tom debochado dando um tapinha em minha mão me fazendo apertar a bochecha dele.
- Me deixa, garoto. – eu resmunguei observando as fotos. Eram definitivamente muitas matérias, tinha nosso passeio no parque e me carregando nas costas enquanto riamos. Fotos minhas abraçada com Phoebe e Erin no Sea Life e minha com o antes de entrarmos na London Eye. Algumas aleatórias nossas passeando em frente do Big Bang e de um dos castelos que visitamos. As fotos eram incríveis e realmente pareciam capturar toda aquela essência que Georgia tanto desejava para derreter os corações da América inteira, mas o que ela ainda não sabia que de certa forma também me fez descobrir que eu tinha uma parte humana e que eu não era tão de ferro quanto eu pensava ou aparentava. Aqueles sete dias foram suficientes para me fazer rir mais do que eu havia rido o ano inteiro. Nos jantares com a família do riamos tanto sobre tantos assuntos aleatórios que me fazia faltar levemente o ar. Os chás da cinco com as vovós me faziam sorrir tão abertamente que minhas bochechas ardiam pelo esforço, e vê-lo no fim da noite e ao acordar do meu lado não tinha preço, o sorriso terno e seus braços firmes e sua voz debochada com aquele maldito sotaque britânico me chamando de Regina George.
Porque eu sentia amor.
Amor por todo aquele conjunto de coisas, amor por mim e muito mais por eles.



Continua...


Nota da autora: (22.05.2017) Oi, oi girls, como vocês estão? Como lidar com essa Harris descobrindo o amor hein? Kkkk’ Não se esqueçam de comentar o que estão achando, o que não curtiu muito, a parte que mais gostarem e o que mais vocês quiserem! Kkkk Beijinhoss.




Nota da Beta: Coisa fofa esses dois, hahaha me diverti horrores com essa viagem, foi perfeita para evolução do relacionamento deles! Espero que em NYC permaneça assim, apesar dos altos e baixos que com certeza virão... Continue <3




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