Última atualização: 10/11/2017

I

Harry subiu as escadas do prédio assoviando o ritmo de uma música da sua banda preferida, The Temper Trap. Pela primeira vez na semana, resolvera não usar o elevador, talvez pudesse aproveitar pequenos momentos para ganhar alguns gramas de massa muscular. Rodava o chaveiro no dedo indicador com uma mão apenas, causando um agradável barulho com o tintilar de uma chave chocando-se contra a outra no ar. Ouviu de longe um murmurar parecido com um choro de bebê, e cessou os assovios. Segurou firme a chave, forçando a cabeça para olhar acima dos últimos degraus. O som de bebê vinha do seu andar, e ele estava curioso, já que até onde sabia, ninguém ali tinha um bebê. Avistou a porta do seu apartamento de longe, mas havia algo de errado ali. Algo preto e vermelho, parecido com um bebê conforto, balançava na sua porta. De longe, avistou dois pezinhos descalços minúsculos batendo contra o forro branco que cobria o bebê conforto. Harry correu, pulou os últimos três degraus na velocidade de um tigre num bote, e de repente estava paralisado de frente para aquilo.
Aquela criatura.
Ele não chorava, como ele imaginou, mas sim ria, batendo as perninhas e mordendo um brinquedo colorido da Fischer Price.
Era um bebê.
Um bebê loiro, de gigantes olhos azuis, que gargalhou ao olhar para o rosto de Harry.
Ele o observava de cima, esquecendo-se de como respirar e finalmente lembrando-se disso quando teve que se apoiar na porta para recuperar o fôlego. O bebê ainda o encarava, e calou-se de repente, como quem espera uma resposta, sustentando o olhar de Harry. Ele respirou fundo, olhando para todos os lados, procurando pelos possíveis pais daquela criança. Andou por todo o corredor, mas não havia ninguém nos outros dois apartamentos do seu andar.

— É... Hum... Oi — Disse ele, encarando o bebê — Quem são seus pais? Ah, droga! — bateu a mão na própria testa — Estou conversando com um bebê. Harry, um bebê não responde... — E rolou os olhos. O bebê soltou outra gargalhada forte, chupando e mordendo ferozmente seu brinquedo — Então, gracinha... Você é até bonitinha, menina — Reparou finalmente no pequeno laço cor de rosa preso em seu cabelo — ... Eu poderia te sequestrar, te pegar pra mim, essas coisas... Mas não vai rolar, a menos que você queira que eu seja preso. Então vamos ali dar um passeio com o Tio, atrás da sua mamãe — Disse ele, enquanto destravava a alça do bebê conforto e a colocava para cima. Com uma das mãos, segurou o suporte do bebê, e com a outra colocou a enorme bolsa branca que acompanhava a criança (parecia até um pacote completo) no ombro. Seguiu até o elevador, e assim que o adentrou, colocou o bebê conforto no chão.
— Preciso mostrar isso pros garotos — Disse, divertindo-se com a situação enquanto tirava o celular do bolso — Diga “X” pra câmera, florzinha! — E bateu a foto do bebê no chão do elevador. Encaminhou para Louis e Niall, dizendo “ganhei na loteria! Cheguei em casa e havia um bebê na minha porta AHHAHAHAHHA agora preciso procurar os pais dessa criança... me encontrem no pátio!” — Bebê, olha, você... — observou a risada da menina — você ri de tudo que eu falo... Boba! — E mais uma risada — Idiota! — E mais uma. Harry não resistiu, riu junto — Ai, garota, que gracinha... Mas, pois é, o Tio vai te levar no porteiro do condomínio, porque sua mãe deve ter passado com você por lá, e ele deve saber. O problema não é você, sou eu, sabe... Eu não posso ter um bebê. Você não deve saber quem eu sou, né? Sabe, aquele cara que canta... Eu tenho uma banda. Já pensou como meus fãs reagiriam se eu, de repente, aparecesse com um bebê por aí? Meus fãs são adolescentes, e garotas... Elas são minhas fãs porque sonham em casar comigo um dia. Um bebê atrapalharia tudo. Mas até que eu gosto de você, gostei do seu senso de humor... — Harry a olhou de lado — Podemos continuar amigos. O que você acha? — E riu, enquanto abaixava-se para pegar o bebê conforto. Já estavam no andar térreo, e a porta se abriu de repente. Um de seus vizinhos esperava pelo elevador.

Harry o cumprimentou com a cabeça, enquanto esgueirava-se para passar com tanta coisa pendurada no corpo. Acabou esbarrando sem querer na bolsa no vizinho.

— Me desculpe, senhor. É muita coisa pra carregar — E riu.
— Tudo bem. Belo bebê — O homem sorriu ao olhar para dentro do bebê conforto. Aquela criança era realmente fofa. — Ei, você deixou cair este envelope — E abaixou-se para pegar o envelope pardo, entregando-o para Harry.
— Hum, obrigado — Harry o pegou com certa dificuldade — Tenha um bom dia — E sorriu enquanto se virava. Olhou o que estava escrito no verso do envelope.

“Para Harry. Em mãos”, escrito com uma letra feminina.
Conhecida.
De onde havia vindo aquilo? Será mais alguma aprontação de alguma fã? Mas veio da bolsa da bebê. Ele precisava ler aquilo, estava intrigado por conhecer aquela letra.

— Bebê, o Tio Harry precisa ler isso aqui antes de procurar sua mamãe, ok? Você pode continuar saboreando seu brinquedo enquanto isso, deve estar bem gostoso... — E foi até o sofá da sala de estar da recepção do seu condomínio.
Acomodou o bebê conforto na mesa de centro, sentou-se no sofá e cruzou uma perna sobre a outra, enquanto abria o envelope. Dentro dele estavam muitos papéis, pareciam documentos. Um outro envelope, menor, estava ali dentro fechado.
“Leia este primeiro” estava grafado com a mesma letra. Harry retirou de dentro uma folha, ainda escrita à mão, com seu destinatário.

“Para Harry. Leia com atenção, por favor.
Harry, querido, bom dia!
Bom, primeiramente, quero te dar esta notícia enquanto você está calmo. Acalme-se. E NÃO PARE DE LER, POR FAVOR! Caso você não reconheça a letra, quem fala aqui é a Naomi, sua ex. Lembra-se de mim? Eu espero que sim, afinal de contas, depois que terminamos, não houveram outras – oficialmente falando. Enfim... Quero que você se lembre de um dia, em Nova Iorque, enquanto nós dois estávamos em turnê. Você, pela sua banda; eu, pelos ensaios fotográficos. Nos hospedamos no mesmo hotel. Era primavera, a cidade estava bonita, e o terraço do hotel tinha vista para o Central Park, que estava mais belo ainda...”

Harry já não sabia como respirar a partir dessa lembrança. Enquanto continuava sua leitura, só pensava duas coisas: “não pode ser” e “fodeu”.

“... Nós fugimos escondidos lá pra cima, para bebermos vinho e comermos muffins comprados na Starbucks. Preciso narrar o resto? Espero que você não tenha se esquecido daquele momento especial que tivemos. Éramos eu e você, e o nosso amor... Só não tínhamos noção ainda de que aquilo poderia ser amor de verdade. E passou a ser: nosso amor plantou uma semente. O nome dela é Belia. Eu quem escolhi...
Respira, por favor.
A verdade é que, sim, eu engravidei naquele dia. Um lembrete a partir de agora? Nunca mais transar sem preservativo com astros da música. Harry, não tente me matar pelo fato de nunca ter lhe contado isso – apesar de que você soube da minha gravidez meses depois. Mas já havíamos terminado.
A verdade é que eu terminei com você assim que descobri que estava grávida, dois meses depois. E, de repente, apareci com outro. De fato, era um novo namorado. Ele não era famoso, nunca foi, jamais será... Mas ele sabia quem você era. Eu expliquei toda a situação. Jake aceitou assumir a responsabilidade pela criança na mídia, até a registrou como sua filha... Mas Belia nunca foi filha do Jake. Jake tem olhos negros, cabelos pretos, pele bronzeada... Olhe bem para a nossa Belia. Consegui enganar pelo fato de algumas pessoas na família do Jake serem loiras, e eu ter sido loira quando criança – e permanecer até hoje. Mas você tem que saber que, as características dela, minha genética não sustentou sozinha (espero que você não tenha faltado às aulas de biologia e saiba do que estou falando). Bom, e por que eu fiz isso com você? Se você tinha todo o direito de saber que seria pai, e talvez até quisesse?
Porque eu pensei em você todo o tempo, Harry. Você sabe que eu te amei.
Sua carreira estava decolando há um ano atrás. Vocês estavam no final da sua primeira turnê, sua base de fãs estava se estabilizando, e uma notícia como essas caindo na boca da mídia podia atrapalhar não apenas a sua vida, como a de todos os outros integrantes da banda. Eu pensei em todo mundo. Eu pensei em você, nos seus fãs, nos seus empresários, no seu futuro. Um bebê assim, de repente, desanda todos os nossos planos... Digo isso porque, todos os meus planos de carreira também tiveram que ficar em hiatus. Mas, eu já estava grávida mesmo, o que podia fazer? Salvar você, pelo menos... E foi o que eu fiz.
Mas agora, Harry, cinco meses depois do nascimento da Belia, eu preciso também pensar em mim. Eu recebi uma proposta irrecusável para morar no Japão e modelar lá, para grandes grifes, é a minha chance. Eu tenho apenas 20 anos, estou no auge da minha carreira, e não posso desperdiçar essa chance. O Jake não pode cuidar da bebê, ele está entrando em um negócio com sua família. Não confio em ninguém da minha família para cuidar da bebê, afinal, você sabe como são uns vigaristas interesseiros... E, então, Harry, sobra você para cuidar de parte do meu coração.
Eu confio em você.
Por favor, cuide da Belia durante esse período, estou te pedindo essa ajuda. Eu não tenho com quem deixar ela, não quero que ela tenha que ser cuidada por babás que nem falam a nossa língua – e, como fiquei muito tempo parada, meu dinheiro acabou. Bebês consomem muito. Eu vou ter que morar num alojamento pra modelos, dormir no chão, dividir um quarto com mais 5 mulheres que têm distúrbio alimentar. Harry, eu não quero que a Belia cresça nesse mundo. Por favor, lhe imploro que me ajude.
Hoje mesmo estou embarcando para o Japão. Tenho as chaves do seu prédio (você me deu uma cópia uma vez, espero que se lembre), por isso consegui deixar a Belia ali no corredor (do apartamento eu não tenho a chave... Só do portão. Nosso combinado era “bata na campainha e me espere abrir a porta pelado” ahahha). Chequei sua agenda, deixei a Belia na sua porta cerca de quinze minutos antes de você chegar, para que ninguém a encontre, e sim você. Seus vizinhos viajaram. Entrei em contato com eles também. Só há você no andar. Coloquei alguns brinquedos, a Belia é bem tranquila, costuma rir de tudo e morder os seus brinquedos o dia inteiro...”


Harry, suado, perplexo e quase chorando, olhou por cima da carta para checar. Belia, como acabara de descobrir seu nome, estava realmente quieta, brincando com aquela coisa colorida. Voltou seus olhos para a carta.

“... Na mala, estão todas as roupas que eu tinha dela. As mamadeiras, as chupetas, pomadas, fraldas, brinquedos, não couberam, e eu não podia deixar uma mudança na porta da sua casa. Doei todos para a caridade. Espero que você possa comprar novos. Os brinquedos preferidos dela estão dentro do bebê conforto junto a ela, são dois: um disco de morder da Fischer Price – por causa dos dentinhos – e uma girafa que ela não dorme sem. A fraldinha que ela segura também precisa estar junto a ela enquanto dorme, senão você terá uma madrugada acordado com choro.
Não precisa reclamar de boca cheia: como eu sei que seu sucesso está maior do que nunca, sua conta bancária está bem recheada de zeros à direita, então você pode fazer o favor de comprar coisas para bebês enquanto está com a Belia. Ela precisa de duas coisas imediatas, pelo menos: um berço e um carrinho de bebê.
Seus horários estão todos anotados em outra folha, também dentro do envelope. Sua alimentação também. Por favor, siga-os corretamente. Belia não mama mais, mas precisa de um suplemento toda noite. As alergias e especificações médicas também estão ali no envelope. O telefone da sua pediatra está junto, e os telefones úteis para bebês como hospital de emergência e farmácias com delivery também estão, caso você precise. Espero que não seja necessário te ensinar a trocar uma fralda...
E antes que você me pergunte como ela vai ficar com você sem que a polícia bata na sua porta e alegue que você está sequestrando um bebê, eu já providenciei tudo também. Estão dentro do envelope pardo cinco cópias da autorização de guarda da criança, válidas pelos próximos cinco anos. O passaporte dela, e todos os outros documentos, também estão lá. Você pode circular livremente como responsável legal da Belia por todo o território nacional e também pelo exterior, mas, peço encarecidamente que não perca as autorizações! Plastifique uma, utilize-a sempre, e guarde as outras caso perca alguma. Estão assinadas por mim e Jake, que é o “pai”, então nem ele pode ir atrás de você cobrando qualquer coisa, já que legalmente ele passou a guarda de Belia para você.
Não se preocupe com a mídia, desde que a Belia nasceu, nunca saí com ela na rua sem seu rosto estar tampado e as únicas vezes em que ela viu o ar fresco fora de casa foi para ir ao pediatra. Você não ouvirá comentários como “A bebê da Naomi está sendo criada pelo Harry, ele é o pai!”. Eu não preciso nem que você se assuma como pai dela. Invente uma desculpa, contrate alguém novo, dê um jeito de uma nova mulher aparecer na equipe e faça da Belia filha dela na frente das câmeras.
Harry, está tudo regulado, não há o que temer. Qualquer coisa, separei também alguns sites com dicas de como criar um bebê, e espero que você os acesse caso necessite de alguma coisa. Ligue para sua mãe, sua irmã, alguma mulher que você conhecer... Mas, por favor, cuide bem da Belia. Meu coração está apertado porque vou perder os melhores momentos da minha filha: vou perder suas primeiras palavras, vou perder seus primeiros passos, seu primeiro corte de cabelo, seu primeiro dentinho, sua primeira aula de natação... Mas me conforta ela estar em boas mãos. Cuide como se fosse sua: e ela é! Lembre-se que ela é metade você.
Desde já eu te agradeço. Por ler tudo, por encontrá-la a salvo, também até por ter me dado esse presente maravilhoso que é um filho.
Eu te amo, Harry, e confio em você plenamente.
Por favor, não me ligue. Troquei todos os meus telefones no Japão. Quando eu precisar, eu mesma entro em contato com você.
Boa sorte, papai.”

— PUTA QUE PARIU — Harry não aguentou, e soltou essas palavras um pouco alto demais.
— Harry, você disse que estaria no estacionamento, o que está fazendo aqui xingando palavrão pelos ares?! — acordou finalmente com a voz de Louis, vindo de trás dele, e virou-se. Olhou para Louis, que vinha em sua direção com Niall, e novamente para frente, encarando Belia. Virou-se mais uma vez para Louis, Niall, e a bebê. E repetiu a mesma coisa por mais três vezes. — Você está branco, o que está acontecendo?
— Essa é a bebê que você encontrou?! — Niall indagou, indo diretamente na direção da criança. Ela, como sempre, riu, e Niall a acompanhou — Ah, que graça. Oi, bebê... — E segurou sua mãozinha, insinuando um toquinho de Bro. — Veja como ela é simpática, Harry! — prosseguiu — Pela foto ela parecia ser um bebê antipático. Já considero uma brother — ele sorriu, ainda remexendo as mãozinhas dela.
Harry rapidamente estendeu a carta na direção de Louis.
— Nós não vamos ao pátio, vamos para o meu apartamento — e assim levantou-se de prontidão, sacou o bebê conforto, arrancando as mãos de Niall da criança, e começou a andar de volta na direção do elevador.

Se ele nunca havia pirado na vida, essa era a primeira vez para isso acontecer. Um filho?! Um filho agora? Um filho bastardo que ele nem sabia que fora concebido?
Louis, segurando a carta ainda sem entender nada, chamou Niall, e ambos foram atrás de Harry.

— Harry, o que é que está acontecendo? Por que você pegou a criança de volta?
— Pensei que a gente ia devolver ela pro porteiro. É filha dele, por falar nisso? — indagou Niall.
— Ele não vai responder — sussurrou Louis, ao perceber que a única coisa que Harry fazia era encarar o botão do elevador.

Eles deram de ombros e o seguiram, não havia outra alternativa para que descobrissem o que estava havendo ali. Afinal de contas, que criança era aquela? Niall achava mesmo que era filha do porteiro ou de qualquer vizinho novo. Harry estava sequestrando a bebêzinha? Desde quando ele se tornara um maníaco?

— Você precisa ler essa carta. Vocês dois — disse Harry assim que as portas do elevador se fecharam.
— O porteiro te mandou uma carta junto com a criança? — Niall perguntou, ainda confuso. Não se conformava também com a ideia do maníaco: — e, afinal de contas, você vai sequestrar esse bebê? Por que não simplesmente o devolvemos?
— Porque nós não podemos! — Exclamou Harry, arregalando os olhos.
— Harry, é uma carta da Naomi? — Louis indagou, tirando os olhos do papel. Niall de repente segurou a carta também, lendo-a junto com o amigo.
— A Naomi é esposa do porteiro?
— Niall, por favor, deixa de ser um retardado — Harry rolou os olhos, já impaciente com aquele elevador e com as perguntas sem noção de Niall. Se alguém deveria estar bugado ali, era Harry e não ele.
— Não! Droga, é porque estou desesperado, quero dizer, você tá sequestrando uma criança e eu sou praticamente cúmplice! Não quero ser preso!
— Eu não estou sequestrando ninguém! — As portas se abriram e Harry pulou fora do elevador. Sacou correndo as chaves do bolso, e enquanto destrancava a porta, olhou para todos os lados, verificando se realmente não havia nenhum vizinho bisbilhotando. Um inocente escorregão e bum!, estaria tudo na mídia, e maquiar essa história seria mais difícil do que tirar bife da boca de leão.

Assim que a porta se abriu, Harry atirou a bolsa branca quase dentro da cozinha e lançou o bebê conforto no chão da sala, jogando-o longe da porta e do campo de visão do corredor. E não pensou no pior. Num estalo, um choro de bebê estridente começou a ecoar por todo o seu andar.

— MERDA! — Brandou ele, abaixando-se rapidamente para soltar o cinto de segurança de Belia. Niall logo se atirou no chão junto a ele, tentando ajudá-lo a desamarrar a bebê em meio ao desespero de seu choro ser tão, mas tão alto, que até seus ouvidos doíam a cada agudo que ela dava.
— Harry, você é louco, como você joga uma criança no chão desse jeito? Você tá maluco? — Niall começou a brigar com ele, e finalmente conseguiu encontrar o botão que destravava o cinto e agarrou a bebê em seus braços, já se levantando. — Só porque ela é filha do porteiro você não tem que fazer isso. — Niall estava com ela nos braços, mas não fazia noção de como segurá-la — Caralho! Eu não sei segurar isso! — Ele a segurava pelos bracinhos e longe do próprio corpo, como na cena de O Rei Leão.
— Meu Deus, desculpa, caramba, eu não pensei nisso! Eu não estou acostumado com isso, não achei que ela fosse chorar!
— Ah, claro, um bebê não se assusta com isso! Você tem razão! — Niall continuava espumando pela boca, e não conseguia encontrar um modo de segurar Belia. Harry estava desesperado, não aguentava mais o choro da criança.

Por alguns segundos, um pensamento de que ele havia machucado a própria filha começou a se misturar com um desespero dentro de sua corrente sanguínea. Como ele podia ser capaz? Mal conheceu a criança e já começava com o pé esquerdo. Ele precisava fazer algo.
Tomou Belia dos braços de Niall rapidamente, abaixando-se para pegar uma fraldinha que estava dentro do bebê conforto. Com uma mão no seu bumbum e a outra em sua cabecinha, Harry apoiou-a em seu peito, colocou a fraldinha em cima de sua cabeça e ficou balançando o corpo pra cima e pra baixo.

— Shhh… Shhh… Ta tudo bem. O papai ta aqui, foi sem querer — Sussurrou ele, enquanto a bebe se acalmava aos poucos — Me desculpa.
— Ainda bem que você pegou ela, eu não cons… Espera aí — Niall encarou Harry abruptamente — Que história é esse de “papai”? — E arregalou os olhos.

Nesse instante, Louis entrou pela porta, batendo-a atrás do corpo com toda a força que pôde conseguir.

— E A GENTE PENSOU O TEMPO INTEIRO QUE ELA ERA UMA VAGABUNDA SEM RUMO QUE SÓ TE LARGOU PRA TREPAR COM OUTRO E ENGRAVIDAR! — Berrou, jogando a carta no chão com raiva.
— O quê?! Caralho, manos, eu não estou entendendo mais nada!! — Niall também gritou.
— A NAOMI ERA UMA LOUCA! — Harry também gritou.

Nesse momento em que Belia havia parado de chorar, mais uma vez o choro da bebê tomou conta do Hall do apartamento de Harry.

— Caralho a gente não pode gritar! — Harry sussurrou.

Niall passou as mãos pelos cabelos, desesperado.

— Harry, eu estou pirando, vocês podem me explicar isso?
— Quem está pirando sou eu! — Louis se aproximou e tirou a fraldinha do rosto da bebê, para encará-la de perto — Harry, ela se parece com você! Olha o tamanho da boca dela quando chora!
— Ela é filha dele? — Niall levou as mãos ao peito — Me ajuda, gente, eu tô tendo taquicardia!
— Gente, fica calado, que porra, ela não vai parar de chorar! — Harry se afastou dos dois, que davam faniquitos estrondosos e só atrapalhavam seu plano de ficar em silêncio novamente. Aquela menina simplesmente não calava a boca.

Harry a levou até o sofá, sentou-se, mas ao encostar a bunda no assento, os gritos da neném ficaram ainda mais altos. Ele então se levantou, e voltou a balançá-la, como estava a fazer antes.

— Para de chorar, bebê… Ou eu vou chorar junto! Por favor, para de chorar, por favor! Por favor eu lhe imploro, menina, para de chorar, eu não vou aguentar, como você faz isso com seu pai? Por favor, eu preciso que você pare de chorar agora — Ele começou a cantarolar enquanto a balançava — Se você não parar de chorar, o seu pai que nem te conhece direito ainda, vai entrar numa fria… Os vizinhos vão chegar, e eu vou me foder, porque eles vão chamar o TMZ, e vão fazer um monte de fofoca sobre seu pai… Por favor, Belia, para de chorar — E à medida em que ele cantarolava, seu choro cessava, e seus olhos começavam a pesar, como se ela estivesse prestes a pegar no sono.

Harry a encarou, esperando que ela tivesse parado por completo todo aquele chororô. Olhou para a frente, Niall e Louis estavam sentados entre o bebê conforto e a bolsa da neném, lendo a carta em voz alta. Relendo, no caso.

— “Bata na campainha e me espere abrir a porta pelado” — Niall encarou Harry — Mas você é um gay mesmo!
— Cala a boca, Niall! — Harry sussurrou num tom de reprovação — Você continue a ler essa carta porque eu não consigo acreditar que é real!
— É óbvio que é real, Harry! — Louis rolou os olhos — Olha que legal a realidade ai nos seus braços! Linda ela, né?! — E voltou sua atenção para a carta.
— Antes fosse filha do porteiro com a Naomi... Será que ele abriria o portão pelado? — Niall riu, tomando um tapa de Louis logo em seguida. Os dois prosseguiram na leitura da carta, dessa vez em silêncio.

O braço de Harry doía ao segurar aquela criança. Bebês de cinco meses pesavam tanto assim? Misericórdia... Ele já podia começar cancelando sua matrícula na academia. Seria o novo Arnold Schwarzenegger versão pai solteiro em menos de um mês se, de acordo com suas contas, o peso da menina aumentasse mais a cada semana.
Céus, ele já estava sendo um pai em menos de uma hora. Já sabia fazer as contas de peso!
Retirou cuidadosamente a fraldinha do rosto da neném, encarando-a. Aquele monstrinho berrento agora dormia feito um anjo, e nem parecia ter feito aquele escândalo minutos atrás.
Até que ela se parecia com ele. O nariz, as bochechas... O cabelo parecia o dele quando criança, também. Queria reparar mais em seus olhos, mas sem chance de fazer com que ela acordasse! Sua mãozinha estava segurando sua camisa branca, e ele finalmente percebeu o quanto era pequena e delicada – apesar da força com que o agarrava.

— Eu desisto de viver — brandou Louis de repente, jogando-se de costas no chão — Eu desisto! Vem, Jesus, pode me levar! — e esticou os braços para cima.
— Não, de jeito nenhum, ele vai me levar — Niall reclamou, esticando a perna para chutar Louis — Eu é que não fico aqui nesse mesmo condomínio. Nem respirar o mesmo ar que Harry eu estou disposto! Vai que eu engravido alguém?
— Bom saber que vocês são ótimos amigos! — Harry exclamou, fechando a cara — Manos...
— Manos? Manos coisa nenhuma! — Louis levantou-se, e seguiu até Harry — Manos são caras que não deixam os amigos fazerem sexo sem preservativo!! Harry, cara, poxa vida!
— Por causa de um minuto pra encapar o bicho!
— Porra, viu!
— Porra mesmo — Niall olhou para Louis após fazer sua analogia, e começou a rir.

Louis o repreendeu com o milésimo tapa na cabeça do dia.

— Vocês dois deviam estar me ajudando ao invés de ficarem aí me julgando desse jeito! — exclamou Harry.
— Você quer ajuda em quê? Quer que a gente pegue ela e vá atrás de alguma mãe pronta para amamentá-la? Ou a gente tenta tirar leite dos seus peitos mesmo? — Louis prontamente o respondeu — Você não tá entendendo que não dá pra continuar com essa história? Tipo assim, mano, a gente entende que a Naomi resolveu foder a sua vida da noite pro dia, mas ela não tem esse direito!
— Eu sabia que não podíamos confiar em americanos...
— Ela é canadense — Harry corrigiu — Vocês não precisam fazer muita coisa não, tá bem?
— Exato. Não precisamos fazer nada — Niall sorriu ao levantar-se do chão, batendo uma mão na outra para espantar a poeira. — Vamos, Louis?
— Vamos.
— Vocês não são malucos de saírem agora! — Harry não pensou duas vezes antes de correr em direção à porta, atropelando tudo e todos e sacudindo a bebê, para que alcançasse rapidamente a chave da fechadura. Belia remexeu-se em seu colo, resmungando — Não, Belia, não acorda! — Ele exclamou, segurando a cabeça da bebê e apoiando-a novamente em seu peitoral num desespero momentâneo.
— Harry a gente precisa respirar! — Niall implorou — Tipo assim, cara, até agora eu não tô entendendo nada, juro pra você mano, eu tô chapado, eu usei droga! Eu fumei! Cheirei! Lambi cogumelo!
— Não, Niall, você não fez nada disso, e a gente não lambe cogumelo pra ficar doidão... — Louis riu — Harry, é só que, mano... Isso foi um baque. A gente não aguenta. Acho que você deveria ligar para o Liam.
— Liam?!? Você tá é muito louco que eu vou ligar pro Liam agora!
— Ué... Ele deve ter alguma solução pra gente!
— Não, de jeito nenhum! Ele vai matar a gente! — Harry se apavorou ao pensar na ideia de ter que telefonar para o seu empresário. No mínimo ele teria suas bolas cortadas amanhã feito um gato castrado. Aí que ele nunca mais teria filhos mesmo, nem planejados. Talvez esse fosse o plano perfeito para Liam!
— Ele não vai matar a gente... Vai matar só você. — Niall deu de ombros — Eu tô de boa...
— Eu não vou ligar pra ele!
— Harry, de qualquer maneira a gente tem uma reunião hoje à noite e você não tem o que fazer com essa criança. E nem tem como cancelar a reunião... — Louis o lembrou.

Droga! Harry havia se esquecido da reunião! Fora até sua casa mais cedo exatamente para arrumar a papelada da partitura da nova música que havia composto para ser apresentada na reunião da gravadora à noite! Ele se desnorteou após o encontro inesperado na porta de sua casa. Céus, o que faria agora? Ele não podia faltar à reunião. Era sua chance de impressionar todos os diretores da Steinfeld Records!

— O que eu faço? — Harry berrou, apavorado. Louis e Niall se assustaram, rindo logo em seguida. A bebê resmungou.
— A gente não pode simplesmente fingir que ela é filha do porteiro mesmo? — Niall indagou, pensativo. Sentou-se no sofá, coçando a cabeça.
— Niall! — Louis já não tinha mais paciência — Harry, você vai ter que contar pra ele! Só ele vai saber te ajudar!
— Eu vou pensar no que fazer. Antes eu...

E então foram interrompidos por um estrondo de choro de bebê incontrolável. Aquela menina parecia um despertador! Louis tampou os ouvidos, e Niall correu até o banheiro para se trancar ali dentro. Harry não fazia ideia do que fazer.
Ele só podia chorar junto.
E chorou.
Louis, nesse instante, percebeu que realmente precisava fazer alguma coisa. A bronca já estava dada, e Liam certamente daria outra pior ainda mais tarde – que provavelmente faria Harry chorar novamente – então, nesse instante, ele realmente precisava ajudar. Não fazia a mínima ideia do que fazer, mas resolveu seguir seus instintos. Correu até Harry, tomando a garota do colo dele, e apontou para que ele se sentasse no sofá. Harry, aos prantos, correu para o sofá e sentou-se, apoiando os cotovelos nas pernas e escondendo o rosto nas mãos.

— Eu só queria que ela parasse de chorar! — Gritou Niall do banheiro.
— Niall, corre aqui! — Louis ordenou. Niall destrancou a porta, assustado com o tom de voz de Louis, e veio até a sala com o rabo entre as pernas, disposto a obedecer ordens. Notou que Harry estava chorando, e preocupou-se com a cena.
— O que a gente faz? — Sussurrou para Louis.
— Deixa ele chorar — Louis sussurrou de volta, enquanto tentava encontrar alguma posição para carregar a bebê. A virou de frente, e ela chorou mais alto. Apoiou sua cabeça em seu peito, e ela parecia dar coices com os pés de tanta fúria. Quando estava prestes a virá-la de cabeça para baixo, Niall voou em seus braços, o impedindo.
— Olha, eu não sou pai nem expert em bebês, mas eu acho que vai acontecer alguma merda se você virar ela de cabeça para baixo — Ele disse, tomando-a dos braços de Louis.

E começou a tremer quando percebeu, pela segunda vez, que não sabia carregar um bebê.
— Louis, toma, tira daqui, tira de mim! Tira! — Começou a gritar, sem fôlego. Louis tomou a criança de volta, e olhou ao redor, à procura de algo que a acalmasse. Se choro estava deixando-o maluco.
— Ali! Niall, pegue aquilo — Ele teve uma ideia ao olhar para o bebê conforto. Niall correu para pegá-lo, e Louis apontou para a mesa da cozinha — Coloca na mesa!
Louis correu com Belia até o bebê conforto que estava em cima da mesa, e prendeu a menina ali dentro novamente. Ela esperneou e chorou bastante ao ser colocada nele, mas Louis tinha um ótimo plano. Começou a balançar o objeto como se estivesse disposto a fazer a criança ficar tonta, e aos poucos ela parava de chorar e o encarava. Niall, lembrando-se do que lera na carta, pegou no meio das almofadas do bebê conforto o brinquedo colorido da Fischer Price que ela gostava de morder. Ao entregar nas mãos da garota, ela o mordeu com tanta voracidade que eles se assustaram.
— Acho que ela está com fome. Eu também — Niall deu a volta na bancada da cozinha, indo até a geladeira — Harry, o que tem aqui para comer?
Mas Harry não respondeu. Estava ainda no sofá, em estado de choque. Mesmo que a bebê tivesse parado de chorar, ele não sabia o que fazer.

Louis suspirou, procurando pelas chaves do carro no bolso. Foi até Niall, arrastando-o pela camisa, enquanto ele conseguia salvar pelo menos um pacote de biscoitos que estava em cima da geladeira.

— O que é isso, mano?
— Vamos ali — Louis disse — Harry, a chave do apartamento. — Pediu estendendo a mão quando chegou perto de Harry.
— Aonde vocês vão?! — Ele finalmente ergueu a cabeça, exibindo seus olhos vermelhos e desesperados. Louis e Niall não podiam deixá-lo ali, naquele estado! Com aquela criança maligna apenas esperando que eles se retirassem para abrir sua boca e começar a tortura com seu pai novamente!
— Você quer mesmo criar essa criança sem ter uma fralda em casa? — Louis indagou, cruzando os braços.
— Espera, Louis, nós vamos comprar fraldas?
— Não, espertinho! O porteiro vai!
— Ah, que alivio — Suspirou Niall.

Tomou mais um tapa na cabeça.

— É óbvio que a gente vai! Daqui a pouco essa menina vai fazer cocô aqui e eu não quero nem ver a merda que vai ser!
— Merda mesmo — Niall riu.

Harry entregou as chaves da porta na mão de Louis, suspirando.

— Eu preciso ir?
— Não. Você vai ficar aqui cuidando dela. E, pelo amor de Deus, não faça nada de errado! Se ela chorar, apenas tente deixá-la dopada com aquele balanço, por favor! — Louis apontou para a mesa.

Belia estava quieta saboreando seu brinquedo.
Harry arregalou os olhos.

— Por favor, não demorem. Ela está esperando o momento para dar o bote em mim!
— Relaxa, Harry! Relaxa! — Louis voltou a arrastar Niall pela camisa, dessa vez em direção à porta.

Os dois sumiram corredor afora sem nem olharem para trás. Harry saberia se virar. Esperavam que sim.

Já dentro do carro de Louis, Niall perguntou enquanto enfiava o vigésimo biscoito dentro da boca.
— Onde você pretende ir?
— Na primeira farmácia que eu vir pela frente, oras! — Louis respondeu.
— Não é melhor irmos ao supermercado? Lá tem comida, e essas coisas...
— Ela come comida?
— Não sei. Mas vai que o Harry não dá leite!
— Niall, você me surpreende cada dia mais — Louis rolou os olhos, desapontado com a mentalidade do amigo. Ambos riram, enquanto ele arrancava o carro da garagem do condomínio.



II

— Por que a gente não para aqui na Duane Reade? — Indagou Louis, ao avistar a farmácia na esquina seguinte. Diminuiu a velocidade do carro, a fim de entrar no estacionamento.
— Não! Nós vamos ao Walmart, lá tem tudo o que precisamos!
— Você só está falando isso porque tem interesse em comprar comida...
— Na verdade a gente vai passar no Taco Bell antes de irmos de volta ao apartamento... — comentou Niall com certa indiferença, enquanto terminava de mastigar o último biscoito do seu pacote — Esses biscoitos não enchem. Mas pelo menos curti o sabor, nunca tinha visto — disse ele enquanto lia o nome no grande pacote — Vou guardar para procurar no supermercado — E o dobrou para guardar no bolso da calça jeans.

Louis desistiu de tentar argumentar para que parassem na farmácia, e seguiu então em direção ao Walmart, que não ficava ali muito longe.
Harry, Niall e Louis moravam num mesmo condomínio, na linda Chicago, no qual eles tinham um contrato com a gravadora Steinfeld Records, mas na verdade eles viviam viajando pelo país fazendo shows e levando adolescentes à loucura. Sua banda, Mountain Cast, estourara havia pouco mais de um ano e meio, mas existia há mais de três anos. Os três amigos se conheceram num centro de intercâmbio, sendo Harry da Inglaterra, Niall da Irlanda e Louis de Chicago, este apenas se voluntariando na escola para a qual os outros dois amigos foram encaminhados na época. Jovens amantes da música, logo trataram de se conhecer por força maior do destino, e desde o primeiro dia nunca mais tocaram sozinhos. Montaram a banda naquele mesmo verão e passaram a tocar de graça nos intervalos das aulas, sábados em barzinhos, e até no próprio metrô os garotos chegaram a tocar. Ainda bem! Já que uma mistura perfeita de música alternativa, rock e pop jamais pode ser desperdiçada! Suas músicas, desde sempre, variavam num estilo que se encaixava perfeitamente entre Coldplay, U2 e boybands adolescentes como Backstreet Boys, Nsync ou até mesmo os Beatles. À medida em que o primeiro ano de intercâmbio dos garotos ia passando, eles passavam a ficarem mais conhecidos pela cidade, finalmente tocando em bares com uma remuneração que os permitia até tomar um sorvete no fim de semana. Assim, após o fim do intercâmbio, Niall e Harry conseguiram convencer seus pais a deixarem-nos viver num apartamento alugado no centro da cidade, juntamente a Louis. E sem data para voltar pra casa, o sucesso foi crescendo, até que uma das maiores gravadoras da cidade de Chicago, e que também se colocava entre as maiores gravadoras dos Estados Unidos, resolveu contratá-los. Em menos de um mês seu single estourou nas rádios da cidade, e como numa progressão geométrica logo estava tocando nas melhores rádios do país e eles nunca mais tiveram a paz do anonimato! Com isso vieram viagens e shows pelo país, pelo exterior – e não é que voltaram pra casa? Mas foi só para cantar mesmo! -, entrevistas, autógrafos, campanhas, mais autógrafos, festas, dinheiro, mais autógrafos e muitos, muitos fãs! Principalmente garotas entre os 15 e os 20 anos! Ah, elas vinham aos montes! Atacavam os garotos sem dó se os vissem na rua, não conseguiam se conter. Mountain Cast estava no top 10 da Billboard em cinco países, e a tendência era subir cada vez mais. O sucesso estava apenas começando! Bom... Caso nada os atrapalhasse, é claro. Um escândalo, por exemplo.

Finalmente chegaram ao Walmart, e após se equiparem com seus bonés e capuzes, foram entrando rapidamente para evitarem qualquer tumulto. Era uma terça-feira à tarde, então podiam ter um pouco menos de medo, já que as famílias, geralmente, faziam compras nos sábados à noite. Niall logo tratou de pegar um carrinho e pendurar-se no apoio de mãos, arriscando-se numa acrobacia em que ele corria e pendurava-se, sendo levado pelo carrinho. Louis o repreendia pelo olhar enquanto esperava, de braços cruzados, na entrada do supermercado. Com um sorriso amarelo ele chegou até o amigo, fingindo que nada havia acontecido.

— Só queria contar que, caso você não se comporte, nós vamos ser mortos — disse Louis calmamente — Eu sei bem que você ainda está em estado de choque por conta da novidade, mas você não precisa mais agir feito uma criança. Tá bem? Você tem dezenove anos, sabe se comportar. — E logo após proferir suas palavras de pai, Louis começou a andar calmamente à frente de Niall. Este pigarreou, endireitando-se, e seguiu o amigo em direção aos corredores do supermercado.

Como todo Walmart, aquele também era imenso. Vendia todo tipo de bugiganga que qualquer pessoa precisasse, além de comida, muita comida. Enquanto caminhavam um longo caminho até a sessão de perfumaria e produtos infantis, cruzaram vários corredores cheios de pacotes de biscoitos, batatas fritas e refrigerantes gigantes. Niall colocava no carrinho aquilo que o interessava, e isso quer dizer praticamente tudo. O garoto sempre fora bem guloso, daqueles que comem uma pizza inteira ou dizem “ainda bem!” ao oferecer comida para alguém que não aceita.
Em virtude disso, a dispensa de seu apartamento estava vazia, então ele iria aproveitar a viagem para reabastecê-la.

— Louis, o que será que a Naomi dava para a Belia comer? — indagou Niall, enquanto eles entravam num corredor abarrotado de leite em pó, suplementos infantis e papinhas de todos os tipos e sabores.
— Não sei... — Louis respondeu distraído — Cara, isso daqui é tipo a Disney das lactantes! — Ele exclamou, fascinado, ao olhar para a prateleira de suplementos e leites — Pensa no lucro!
— Na verdade eu só consigo pensar na hipnose dos bebês ao serem trazidos até esse corredor — Niall respondeu, virando-se para a frente — Ei, olha só! Veja os olhos daquele bebê! Ele está desorientado — Cochichou, apontando para um carrinho de bebê que estava parado alguns passos à frente. A mãe da criança olhava papinhas enquanto o pequeno, de tamanho aproximado a um ano, tinha os olhos arregalados, olhando para todas as direções, e babava, impressionado — parece que vai atacar um potinho desses a qualquer instante!
— Parece você no corredor de chocolates — comentou Louis, e logo riu. Niall não achou a mínima graça.
— Você não é nem um pouco engraçado — Niall rolou os olhos — Isso deve ser bem gostoso — Disse, enquanto seguia até as papinhas salgadas — Será que eu conseguiria sobreviver disso? Tem um tamanho bem compacto, eu posso levar até no bolso! Seria ótimo — indagou, pegando três potes de sabores diferentes: beterraba, carne com legumes e frango com cenoura. — Carne com legumes. Será que é tipo sopa batida no liquidificador?

Louis se aproximou do amigo, tomando um dos potes de suas mãos.

— Não sei... Mas deve ser. Na minha época não existia isso, eu comia mingau de aveia mesmo ou então cenoura amassada... — comentou, lendo o rótulo — Aqui na composição só tem os ingredientes. Nada de aveia ou essas coisas químicas.
— Deve ser legal trabalhar nessas fábricas. Tipo assim, se você sentir fome, é só pegar uma colher na panela de sopa gigante dos caras, e pronto! Ninguém nem deve perceber com o tanto que deve ser fabricado...
— Concordo.
— O que acha da gente...?

Louis e Niall se entreolharam, parecendo conectar os pensamentos.
Sim, eles estavam pensando a mesma coisa.
A mesma ideia mirabolante.
O mesmo sorriso malicioso e diabólico surgiu no rosto de ambos.
Rapidamente, Niall começou a ler o rótulo de todos os potes disponíveis, enquanto Louis procurou no lado oposto do corredor por uma colher. Encontrou várias, e acabou catando a primeira que viu pela frente, uma pequena colher azul de silicone. Abriu disfarçadamente a embalagem, enquanto Niall vinha na sua direção, tentando esconder o pote que tinha em mãos.

— Frango, batatas e macarrão. Tudo isso dentro de um potinho! — comentou, e finalmente conseguiu abrir o pote. Louis pegou um pouco, levando até a boca.
— Frango, batatas e macarrão!! — Exclamou, ávido — TUDO ISSO DENTRO DE UM POTINHO! — E não conseguiu se conter, acabou gritando.

Niall rapidamente tomou a colher de sua mão, pegando uma boa quantidade para ele dentro do pote, e levou a boca. Obviamente a papinha derramou em sua camisa, já que a quantidade que ele buscou não coube na colher. Mas quem disse que ele se importou com isso?
Seus olhos brilharam ao sentir a explosão de sabor correr sobre suas papilas gustativas. Louis o encarou, também empolgado.
— Caralho! — Niall exclamou de boca cheia — Frango, batatas e macarrão!
— Frango, batatas e macarrão! — Louis exclamou de volta — a gente pode comprar vários e abastecer a geladeira disso! Nunca mais vamos precisar comprar comida!
— Eu nunca vou conseguir cozinhar um frango com tanto sabor! Meu Deus, isso foi criado por... por... Deuses!!! — Niall dizia enquanto buscava mais papinha dentro do pote. Sua boca estava tão cheia que ele mal conseguia falar. Louis tomou o pote de suas mãos e acabando com todo o conteúdo, encheu a boca, enquanto corria com o carrinho de volta até a fonte da felicidade suprema em potes de vidro.
Niall o seguiu, também apressado.

— Pegue uma de beterraba com carne seca — Niall apontou para o pote — E essa daqui de cenoura. Deve ser boa! Pegue também essa sopa completa, e vê se você acha alguma de Yakissoba — disse, finalmente ajudando Louis a pegar vários potes para colocar no carrinho.
— Eu acho que a Belia vai gostar de banana com maçã — Louis pegou mais cinco potes do mesmo sabor — E quem sabe ela goste de frango com cenoura. Como esses caras inventam tantos sabores?!
— Nós vamos fazer um banquete para provar todos! — Niall abria mais um pote de papinha, dessa vez de carne com legumes. Pegou a colher que já estava usada, e começou a saborear mais uma iguaria.

Meu Deus, como aquilo era fantástico! O sabor puro, envolvente, enchia sua boca e saciava sua vontade, satisfazendo-o mais a cada colherada! Louis mal podia esperar para experimentar esse novo tempero!

— Deixe-me ver essa — Disse Louis, finalmente terminando de colocar o último pote da prateleira no carrinho. Ele comeu do novo sabor, e estava cada vez mais apaixonado pela indústria de alimentos para bebês.
— Céus, isso é muito bom — Niall sorriu triunfante ao observar o carrinho de compras abarrotado de papinhas. Devia ter pelo menos 50 potes ali dentro — Nós vamos ter comida pro mês inteiro!
— Não acho que a Belia deveria comer isso. Pode ser que ela goste e não sobre nada para nós — comentou Louis — A gente devia levar leite para ela.
— Concordo — Niall afirmou com a cabeça — Até mesmo a de banana com maçã deve ser boa para nós. Afinal de contas, precisamos de sobremesas...
— Vamos buscar um leite para ela.
— Vamos.
— Lembra daquele comentário da Disneylândia das mães?
— Uhum — Niall concordou.
— Acho que aqui é a nossa, na verdade.
— Eu concordo. Só fico triste porque não achei nenhum sabor mais elaborado tipo Yakissoba. Eu realmente queria comer Yakissoba hoje!

E então os dois gargalharam, andando na direção dos leites em pó. Ao lado deles, havia uma prateleira enorme, lotada de mamadeiras de todos os tipos, modelos e marcas possíveis. Nuk, Chicco, Philips Avent, Fischer Price, Dr Browns... Niall não sabia para qual olhar. Afinal de contas, mamadeiras não eram todas iguais, que só se coloca o leite lá dentro, sacode, e encaixa na boca do bebê?
Não?
Por que diabos ninguém nunca contou isso a ele?!

— Meu Deus — Ele disse boquiaberto, enquanto segurava a décima mamadeira diferente — Eu não estou pronto.
— Pronto para quê, Niall? — Perguntou Louis, aproximando-se com uma pirâmide de potes de leite em pó nos braços.
— Não estou pronto para ser pai — Niall o encarou perplexo, mostrando as duas mamadeiras diferentes que ele segurava em cada mão. Uma dizia ter bico ortodôntico, e a outra dizia ser anti-cólicas — Me tira daqui!
— Pega qualquer uma! — Louis disse, jogando as latas no carrinho.
— Você diz “qualquer um” enquanto foi capaz de trazer todas as marcas de leite em pó disponíveis? Você certamente não sabe escolher qualquer um — Niall ri, observando o carrinho.
— Então traga uma de cada. Eu preciso ser prático. Não nasci para ser pai — Louis deu de ombros. Eventualmente, aproximou-se da prateleira onde Niall estava procurando por mamadeiras, e resolveu se aventurar com cada uma daquelas que ali estavam. — Nós temos bastante dinheiro, certo? Então vamos levar uma de cada — E começou a jogá-las dentro do carrinho sem nem olhar as especificações — Se não servir, a gente doa pra caridade...
Niall coçou a cabeça, um pouco encabulado com aquilo.
— Como se ninguém fosse desconfiar da gente doando mil mamadeiras para a caridade de repente, né?
— Não vai acontecer nada com a gente mesmo não — Louis sorriu — É o Harry quem vai ser castrado — deu de ombros.
— É mesmo.
— Não podemos nos esquecer das chupetas. Elas são um importante botão de mudo para bebês — Louis disse. Niall balançou afirmativamente a cabeça, já seguindo para o corredor de chupetas para bebês. Onde ele, obviamente, surtou novamente. Pra quê tanta opção?!

Dentro de casa, Harry encarava o bebê conforto de longe, após acordar de um longo cochilo. Havia caído no sono repentinamente em cima do sofá, mas logo acordou com um certo barulho de bebê se divertindo vigorosamente com o seu brinquedo.
Enquanto ele a encarava, tinha um certo receio em se aproximar, pois temia a simples ideia de ela abrir a boca a chorar novamente.
Melhor afastar esses pensamentos, sabe-se lá se bebês conseguem ler mentes. Bebês não são nada confiáveis...

— Tudo bem, Belia, eu já sei o que você é. Uma agente infiltrada! — Harry finalmente começou a proferir algumas palavras, após um longo período de observação e raciocínio — Você ta querendo me dominar! Você é como esses bebês espiões, quero dizer, todos os bebês! — Ele continuou, aproximando-se devagar — Vocês nos observam sem dizer nada, com esses olhinhos brilhantes... Nos encaram, nos mapeiam, buscam o lado mais sensível do ser humano adulto enquanto bolam um plano de dominação terrestre onde haverá muito choro, muita baba, muito cocô fedorento e, principalmente, muito adulto indo pra marte. É isso! — Exclamou ele, passando a mão pelos cabelos — Vocês realmente querem dominar o mundo! Ah, esses olhinhos, narizinhos, as mãozinhas não apenas nos observam e nos encantam como nos levam para o ninho de vocês! — Ele apontou para a garota — Onde lá nos esperam mil bombas de fraldas sujas e fedorentas prontas para nos matar!

Harry abaixou-se perto da mesa onde o bebê conforto estava, escondendo-se do olhar da criança. Ele realmente estava começando a acreditar naquela maluquice que pensara instantes atrás.
De fato ele não estava preparado para ficar sozinho com uma criança em seu apartamento.

— Você não vai me pegar! — Exclamou. Belia começou a bater os pés, fazendo com que o bebê conforto balançasse — Meu Deus você está tentando escapar! — E então rapidamente Harry se esgueirou para debaixo da mesa, escondendo-se. — Fique onde está, criança! Ou eu chamo a polícia para você!

E no mesmo instante, a campainha tocou. Harry deu um pulo, batendo a cabeça contra o tampo da mesa.

— Droga! — Exclamou, passando a mão sobre o local. Havia doído um bocado — O que você está tramando contra mim, mini-agente?! Já é meu extermínio?!

E a campainha tocou novamente, dessa vez por um longo período. Alguém do lado de fora parecia bem desesperado. Harry decide então correr até lá. Mas ele não poderia deixar que Belia o visse.
Então, seguindo seu plano de manter-se o mais invisível possível perto daquela criaturinha, ele engatinhou até a porta. Destravou a chave, e de repente algo mais forte que ele atingiu sua testa, fazendo com que ele caísse deitado de costas.
Como se já não bastasse a dor que sentia, algo também atropelou suas pernas esticadas no chão.

— Porra! — Foi o que ele conseguiu exclamar após ser duplamente atingido.
— Harry!
— Niall!
— Harry!
— Niall!
— Harry!
— Nia... Mano, o que é isso? — Harry finalmente encarou o objeto que havia passado por cima de suas pernas. Seria um carrinho de bebês ou quem sabe um caminhão?! Ele levantou a cabeça, checando se sua canela ainda estava inteira e não esmagada com fratura exposta. Estava tudo bem. Aquele caminhão não o destruíra completamente.
— Coisas para bebês — Disse Niall, enquanto empurrava o carrinho para dentro. Só então Harry percebeu quantas sacolas haviam dentro do carrinho.
E como se já não fosse o suficiente, Louis entra arrastando cerca de vinte sacolas abarrotadas de coisas. Céus, o que era aquilo?
— Vocês compraram o supermercado inteiro?! — Harry indagou, assustado.
— Não. Na verdade, só metade do estoque de coisas para bebês — Louis respondeu-lhe, enquanto saia pela porta e entrava novamente em menos de 10 segundos carregando mais sacolas.
— Compramos só o necessário — Niall corrigiu Louis. Ele então foi do lado de fora ajudar o amigo a carregar a imensa caixa da Fischer Price que ele tentava carregar.
— Cara, é sério, o que é isso?! — Harry, sentou-se rapidamente, encarando aquele mundo de coisas no Hall do seu apartamento — Vocês trouxeram um balanço para bebês?!
— Você se lembra bem como eu fiz ela parar de chorar? — indagou Louis — Furando a mesa com aquele bebê conforto, não foi? Pois agora você não vai mais precisar de braços para isso! Essa maravilha aqui faz tudo sozinha! — Ele piscou para o amigo. Harry jogou-se no chão, deitado novamente.
— E ainda toca músicas! E tem entrada para iPod! — Niall completou — Você precisa ver como é legal. Eu preciso de um para mim! Vou dormir feito um bebê... Literalmente!
— Eu preciso de um remédio que me faça dormir por, quem sabe, umas 48 horas... — Harry comentou, atônito — E quem sabe quando eu acordar, isso tudo vai ter sumido. Não vai ter passado de um sonho!

Louis abaixou-se perto do amigo, para dar um tapa em sua cabeça.

— Não. — Foi a única coisa que disse, na tentativa de fazê-lo acordar para a vida. Aquela história de Harry dramático já estava cansando.
Harry sentou-se, passando a mão sobre os longos cabelos cacheados. Suspirou, encarando a porta.
— Acabou?
— Acho que sim — Respondeu Niall, entrando pela porta com as últimas sacolas. Bateu as mãos uma na outra, e encarou tudo aquilo.

Mas é claro que ele procurava pelos seus potes de papinha. Óbvio. Evidente.

— Estão aqui — Louis pareceu ler seus pensamentos, e levou até o sofá três sacolas cheias de potes. — Nós vamos dividir? Ou vamos deixar tudo na casa do Harry e eventualmente a gente vem aqui comer? — perguntou.
— Vamos deixar aqui. Minha dispensa vai ficar lotada com as compras que eu fiz — respondeu.
— O que vocês vão deixar aqui?
— Nossa comida pro mês.
— Vocês fizeram as compras do mês pra mim?
— Não, né, idiota — Niall respondeu-lhe com ironia — Esses são os meus almoços e os do Louis. Todos prontos, só precisamos abrir e comer. E tem cardápio variado! — sorriu.

Pegou em uma das sacolas um pacote de biscoitos igual ao pacote que havia levado consigo mais cedo.

— E isso aqui é pra você — Colocou o pacote em cima da mesa.
— Ah, claro, vocês compram almoços para vocês e depois querem que eu coma biscoitos? Podem tratar de dividir isso daí fazendo favor! — Harry levantou-se num pulo, esgueirando-se entre as sacolas para ir até a cozinha e avançar nas sacolas dos dois amigos.
— Harry, isso daqui nem vai te fazer bem. Lembra bebês...
— Ah, claro, Louis. E eu não posso consumir nada que me lembre bebês?
— Acho que não. Agora a pouco você estava aos prantos por conta de um bebê.
— Chega! Foi um momento... um momento de fraqueza! — Harry exclamou — É porque isso daqui — E apontou para a menina — é uma espiã! Ela está aqui para acabar conosco, e quer que eu seja fraco. Ela está apenas guardando os meus momentos de fraqueza! E não vai ser com essa comida que ela vai ter mais alguma informação! — Harry abriu uma das sacolas, sacando dali um dos potes.
— Você tá maluco — Louis riu pelo nariz — Espiã... Onde já se viu...
— Isso daqui é papinha de bebê!
Exato! — Niall exclamou — Papinha de bebê! A melhor invenção culinária do século!
— Você só pode estar brincando — Harry rolou os olhos.
— Pois então experimente, já que você está duvidando da gente — Louis sugeriu, apoiando-se sobre a bancada.

Harry deu de ombros, enquanto abria o pote. Buscou por uma colher dentro da cozinha, e sorriu para os amigos, antes de experimentar um pouco daquilo. Não parecia nada demais.
E de repente, suas papilas gustativas foram invadidas por um gosto horroroso, terrível, nojento, que o fez salivar e soluçar. Mas que diabos era aquilo?! Tinha gosto de... vômito!
Harry mal pode raciocinar e já corria para o banheiro. Louis e Niall se entreolharam, assustados. O que havia acontecido com Harry? Correram até ele, batendo na porta do banheiro.

— Cara, você está bem?
— Que droga é essa que vocês arranjaram para comer! — ele exclamou de dentro — Isso é horrível! Como vocês conseguem dizer que isso é bom? Quer dizer, como vocês conseguiram comprar três sacolas dessa coisa nojenta?!
— Você tá louco!
— Não ouse ofender meu almoço desse jeito! — Niall exclamou na defensiva.

E de repente, ouviu-se um choro de bebê vir da direção da cozinha. Ah, Belia... Agora é que Harry não sairia mesmo do banheiro. Mesmo que fosse para dar explicações com relação às ofensas que proferiu à maravilhosa papinha de frango, batatas e macarrão!
Louis correu até lá, desamarrando Belia da cadeirinha. Niall o acompanhou, sem saber o que fazer.

— O que a gente faz agora?!
— Acho que ela está com fome. Faz muitas horas que ela está aqui sem comer — Louis analisou — Está na hora da gente testar as mamadeiras!
— Oba! — Niall vibrou, correndo até a sala e procurando pela sacola que continha as mamadeiras. Eles compraram um total de 18 mamadeiras de diferentes marcas e modelos. — Vamos pegar na sorte — Ele sorriu, enquanto colocava a mão dentro da sacola com os olhos fechados, e tirava de lá uma mamadeira de tamanho médio, de uma marca chamada Philips Avent. — Achei que a Philips só fabricasse televisão — Comentou, enquanto rasgava a embalagem — O que a gente faz agora?

Louis segurava Belia e a chacoalhava para cima e para baixo, mas a bebê não parava de chorar.

— A gente faz o leite. Pegue o leite em pó.
— Qual?
— Qualquer um. Pega na sorte que nem foi com a mamadeira!
— Tá! — Niall correu até a sacola de leites em pó, e tirou de lá um suplemento para bebês abaixo de seis meses. — Aqui nas instruções manda misturar quatro medidas em 120ml de água quente. Como eu faço?
— Pega da torneira — Louis apontou para a pia. Niall correu até lá com a mamadeira, e encheu 120ml de água quente. Em seguida, abriu a lata de leite, e colocou dentro as quatro medidas indicadas. Encaixou o bico da mamadeira, e chacoalhou.

Derramando bastante leite na cozinha toda. E em sua roupa toda.

— Idiota, você precisa apertar o bico para não vazar!
— Ah, tá, desculpa! É que eu nunca fiz isso!
— Nem eu! — Louis rolou os olhos — Anda, dá aqui — E tomou a mamadeira das mãos de Niall. Chacoalhou corretamente, e colocou na boca de Belia.

A garota calou-se no mesmo instante, sugando todo o líquido como se aquilo fosse a última fonte de nutrição do mundo.
Harry finalmente apareceu na cozinha, no minuto em que Belia ficara finalmente em paz. Ele encarou os dois amigos, observando atentamente cada movimento da bebê. E viu também que eles estavam alimentando-a.

— Olha, vocês estão dando de comer para ela — Harry disse, aproximando-se devagar — E que bom que não é aquela coisa nojenta! — colocou a língua para fora em sinal de vômito forçado. Niall o encarou, balançando negativamente a cabeça.
— Aquilo é ótimo. Gosto do fato de você não ter aprovado, assim sobra mais pra mim e pro Louis — deu de ombros — E sim, estamos alimentando-a. Eu já posso ser mais pai que você, já que eu mesmo preparei o leite, e ela está gostando — sorriu triunfante.
— Vocês compraram essa mamadeira? — indagou Harry, curioso.
— Sim, essa e mais dezessete modelos diferentes — Louis sorriu.
— Deze... Dezessete?
— Sim, a gente não sabia de qual ela iria gostar.
— E por acaso nesse tempo tão curto em que eu estive no banheiro, deu tempo de vocês limparem tudo? Quero dizer, lavar a mamadeira, ferver, ferver a água... — perguntou ele.

Niall e Louis arregalaram os olhos, encarando um ao outro. Olharam então na direção da mamadeira, percebendo que ela ainda tinha uma etiqueta do supermercado colada em seu corpo.

— Hum... Pra falar a verdade... A gente...
— A gente ta adotando um novo método de anticorpos com ela — Louis sorriu amarelo.

Louis e Niall eram muito distraídos! Como assim faziam uma mamadeira para um bebê sem nem ao menos lavar a mamadeira antes?!

— Vocês são malucos?! — Harry exclamou, com raiva — Vocês vão matar a menina com uma infecção! Imaginem quantas bactérias não tinham nessa mamadeira que vocês enfiaram na boca da minha filha!
— Uou, pera aí grandão, você nem ao menos se deu ao luxo de vir ver o porquê da sua filha estar chorando! — Louis de prontidão o respondeu, ríspido.
— Só um chorinho dela você já sai correndo assustado! Você é pai há menos de três horas e já fica aí se achando o rei da fralda limpinha, ou melhor, da mamadeira fervida! Calma lá, amigão, ao mesmo tempo em que você acha que tá mandando na parada, você não consegue nem segurar a sua filha enquanto ela tá chorando! A gente é quem ta fazendo tudo!
— Mas vocês estão fazendo errado! — Harry bateu a mão na mesa, com raiva — Vocês estão colocando a vida dela em risco!
— Então ótimo! — Louis arrancou a mamadeira da boca de Belia, fazendo-a se assustar e começar a chorar. Estendeu a garota para Harry, que não teve outra opção a não ser segurá-la. Na outra mão, ele colocou a mamadeira — Você quem cuide dela então! Porque a gente tá tentando te ajudar e você está dando piti aí!
— Vai lá, faz ela parar de chorar! — Niall rolou os olhos.

Harry os encarou assustado. Ele havia feito errado em querer proteger a menina? Mesmo se não fosse filha dele, ele não deixaria que colocassem coisas sujas dentro de seu organismo! Era um perigo iminente, ela era apenas um bebê de cinco meses!
— Pois faço. Com essa mamadeira suja mesmo! — Harry a ajeitou em seu colo, meio sem jeito, e finalmente deu a ela o que ela queria. Belia calou-se enquanto voltava a mamar — Mas, caras, pelo amor de Deus, vamos ferver as mamadeiras! Eu sei, fui meio imbecil em xingar vocês por conta disso nesse momento, mas mesmo assim! Nós sabemos o quanto supermercados são sujos!
— A gente sabe, Harry. Foi um acidente — Niall justificou-se — É que a gente estava com pressa.
— Droga, nós também não sabemos o que fazer! É tudo novidade, entendeu? Eu nunca nem joguei as fraldas sujas das minhas irmãs no lixo! — Louis exclamou — Imagina só ter que fazer tudo com essa menina aí que a gente conheceu agora?!
— Eu nem sabia fazer uma mamadeira até ler as instruções que vêm na lata do leite! — Niall acrescentou, indo até a sacola de mamadeiras e jogando todas sobre a mesa da cozinha — Mas pode deixar que agora mesmo eu vou ferver todas. Não quero colocar em risco a vida da Belia.

Harry suspirou, e observou a garota. Em seguida, olhou para os amigos, que abriam as mamadeiras uma por uma, e sim, ele viu o quanto eles estavam se esforçando para ajudá-lo. Não podia agir feito um Neandertal com eles, afinal de contas, eles eram todos pai e tios de primeira viagem. Harry também nunca havia feito muita coisa com bebês, a não ser ajudar a olhar algumas primas mais novas que teve anos atrás. E precisava muito, mas muito da ajuda de Louis e Niall nesse instante. Eles eram uma equipe, certo? Um time! Deveriam jogar juntos sempre. Mesmo que Harry tenha feito o bebê sozinho, e logicamente tenha que arcar com as consequências sozinho, seus amigos estavam dispostos a serem um time e ele não podia desperdiçar tanto companheirismo por conta de uma mamadeira fervida ou algumas bactérias. Belia ficaria bem, nada disso iria se repetir. Ele mesmo iria checar o cartão de vacinas da bebê para ver se tudo estava ok. Se necessário, até estava disposto a ligar para o pediatra e perguntar se ele deveria dar a ela algum remédio, antibiótico, que matasse as bactérias ingeridas, por mais que isso parecesse um exagero de sua parte.
Enquanto Harry terminava de dar de mamar para Belia e seus dois amigos ferviam uma por uma as mamadeiras compradas, o telefone de ambos tocou nos bolsos. Harry não tinha como colocar a mão no bolso para buscar o celular, já que com um braço ele segurava a neném e com a outra mão ele segurava a mamadeira. Louis então tomou o seu. Era um lembrete para os três.

— Temos reunião agora. Céus, quanto tempo se passou?
— Mais ou menos meia hora — Niall disse, olhando no relógio — Já está mesmo na hora. Acho que deveríamos ir todos juntos, né?
— Vamos no meu carro — Harry disse — Eu preciso levar meu violão e minha pasta de partituras que já estão lá dentro. — Ele disse enquanto tirava a mamadeira já vazia da boca de Belia. A garota estava sonolenta, e com poucas balançadas já caíra no sono no colo do pai. Harry cuidadosamente a levou até o bebê conforto, onde ela continuou seu sono profundo e calmo. Olhando assim, ela nem parecia berrar tão alto.

Louis e Niall enxugaram as mãos, enquanto Harry foi até o quarto buscar três camisas para que eles pudessem trocar. A de Niall estava suja de leite, a de Harry também, e a de Louis molhada. Eles se trocaram rapidamente, Harry pegou as chaves do carro, e ambos saíram pela porta da cozinha, que estava mais fácil de chegar até ela.
Chamaram o elevador e enquanto esperavam, cada um pegou o seu celular para checar as mensagens recebidas. Na caixa de mensagens da banda haviam quatro novas mensagens. “Não se esqueçam da reunião”, “Lembrete sobre a viagem a NYC”, “Novo cronograma de viagem” e “Novo membro da equipe de vocês”.

— Olha, temos um novo membro — disse Louis.
— Parece que sim... — Niall concordou — Aqui diz ser uma nova agente. No feminino. Ou seja, teremos uma mulher!
— Espero que ela seja gostosa — Harry comentou em voz alta.
— Rude! — Niall rolou os olhos.
— Cuidado pra não engravidar ela tamb... Espera aí — Louis interrompeu sua fala — Será que não estamos nos esquecendo de...
— Belia! — Harry e Niall exclamaram em uníssono, e Harry começou a procurar pela chave da porta. Niall o ajudou, e ambos correram desesperados até lá. Quando a porta foi aberta, Harry lançou-se dentro da cozinha, encontrando a garota ainda dormindo dentro do bebê conforto sobre a mesa da cozinha. Céus, que susto! Ele quase a esquecera ali!
— Mano, a gente é meio maluco! — Niall exclamou, rindo de nervoso — Precisamos colocar lembretes no celular para não esquecermos a garota!
— Ei, boa ideia! — Harry disse enquanto trazia o bebê conforto até o lado de fora, respirando aliviado — Vou criar alguns lembretes!
— Eu já vou criar um agora para que a gente não esqueça ela dentro do carro!
— Deus que me livre! — Niall brandou — Antes no apartamento do que no carro!
— É, vira essa boca pra lá! — Harry reforçou. O elevador finalmente chegou, e eles adentraram, aliviados por não terem esquecido Belia de verdade.

Já dentro do carro, os três tentaram inutilmente durante quase quinze minutos prender o bebê conforto no banco de trás. Por fim, acabaram desistindo, e amarraram as alças com o cinto de segurança. Niall iria atrás, vigiando para que ele não saísse do lugar. Harry tomou a direção, saindo rapidamente da garagem, já que eles estavam atrasados.

— Beleza, agora além de explicarmos o bebê ainda precisamos explicar o atraso! — Harry reclamou, assim que foi obrigado a parar no sinal de trânsito vermelho.
— Nós não precisamos explicar bebê nenhum... Você quem precisa — Niall disse do banco de trás. Harry o encarou pelo espelho-retrovisor.
— Vocês não vão nem ao menos me ajudar?

Louis suspirou.

— Você não queria ajuda na hora de usar preservativo, né?
— De preferência não!
— Isso foi bem nojento, Louis. Eu não estou disposto a ajudar ninguém nessa parte — Niall pontuou — No máximo posso ir à farmácia comprar alguns pacotes de preservativos. Mas não me peçam mais do que isso!
— Vocês não entendem uma ironia — Louis rolou os olhos — Deixa pra lá.

E Harry arrancou o carro, seguindo em direção à Steinfeld Records, onde uma nova música, novos sermões, uma nova funcionária e um chefe bem nervoso os esperavam.



III

A viagem do condomínio dos garotos até a gravadora pareceu durar uma eternidade com tamanha tensão dentro do carro. A parte boa foi a de que Belia permaneceu em seu sono profundo de Bela Adormecida e não deu um sequer choro durante todo o percurso.
Harry estava tenso na direção, se concentrando o máximo que podia no trânsito. Afinal de contas, estavam com um bebê dentro do carro, e para piorar a cadeirinha não estava devidamente presa no cinto de segurança. Ele não tinha certeza se aqueles nós que Niall dera seriam suficientes para segurá-la. Ou pior, se Niall, que estava no banco de trás com ela, seria forte o suficiente para segurá-la no caso de algum imprevisto. Porém, ele não estava tenso apenas pelo trânsito. Ele estava tenso também pelo que o esperava na gravadora. Como ele iria contar toda a história? Se ao menos ele tivesse se lembrado de pegar a carta de Naomi! Ficara jogada no chão junto com a bolsa da garota. Ele teria que narrar tudo para Liam e seus assessores. Preferia ter deixado a menina em casa, e a escondido de todos até que fizesse dezoito anos de idade e ela pudesse seguir sua própria vida. Seria um ótimo plano.

— Eu estou pensando em não entrar no prédio com a Belia — disse Harry finalmente, exprimindo seus pensamentos — Não apenas hoje, como nunca.
— Harry, você não tem outra opção... Quer dizer, não temos onde deixá-la. — Louis suspirou.
— A gente podia deixar ela na casa dos seus pais, Louis! Eles moram aqui em Chicago mesmo... — Niall colocou a cabeça entre os dois bancos da frente — E depois a gente buscava ela lá.
— Na verdade, a gente podia deixar ela lá e não buscar nunca mais! — Harry sorriu.

Louis cruzou os braços, pensativo.

— Caso vocês não saibam, meus pais têm um emprego, não podem criar um bebê, e minhas irmãs moram no exterior. Ou seja, nem daria para fingir que ela é filha de alguma delas. Vamos encarar a situação com mais maturidade? Ótimo! Harry, você é o pai, você tem que assumir, e pronto, fim do assunto! — Louis deu um basta nas ideias dos amigos, e esticou o braço até o rádio do carro para ajustá-lo numa estação com músicas decentes. Harry bufou, e Niall voltou a se recostar no banco de trás.

Harry então, relutante, teve uma nova ideia.

— Ok, nós vamos levá-la até a gravadora. Mas não necessariamente precisamos apresentá-la ao mundo ainda, né? — Ele coçou uma espinha que nascia em sua testa. Depois, disfarçou sua aparência com a franja — No caso, a gente vai levar ela até lá, mas vamos escondê-la. Eu vou conseguir pensar em uma solução antes do Liam descobrir que eu tenho uma filha!

Niall voltou a meter a cabeça entre os bancos.

— Eu acho massa. A gente pode esconder ela na cozinha! Então a gente vai prosseguir com nossas carreiras brilhantes, faremos nossa turnê pela costa Leste e seremos felizes para sempre!
— Não exatamente assim, mas sim, eu pensarei em uma solução para Belia e nós faremos nossa turnê em paz!
— Não sei se concordo com essa tal “solução para a Belia”. No que você está pensando, Harry? Mandá-la para a Inglaterra para que seus pais ou sua irmã cuidem dela?! Enquanto você foge das suas responsabilidades de pai? — Indagou Louis, cuspindo ironia para todas as direções.
— Não! Quer dizer... — Ele pensou bem — Sim! É isso mesmo! Eu tenho uma carreira, essa criança aí é só um transtorno no meio disso tudo. Aliás, eu nem sei se é minha mesmo...

Niall estalou a língua, ressoando um tom de discordância.

— Negativo, ela é sua sim — ele afirmou — Ela é a sua cara! Não tem como negar isso, Harry. Você pode negar qualquer coisa, menos isso — e riu.
— Droga! Genética maldita!
— Olha, vamos fazer o seguinte: a gente deixa ela na cozinha como o Niall disse, mas só até nós pensarmos em como contar isso ao Liam. Pode ser? — Louis sugeriu — Ela está dormindo, e provavelmente vai dormir por um bom tempo, então fazemos nossa reunião, Harry apresenta a música dele, nós discutimos sobre Nova York e depois disso a gente conta ao Liam. Senão o dia não vai ser nada produtivo!
— Por mim tudo bem — Niall sorriu, e voltou a recostar-se no banco.

Harry suspirou, ainda em dúvida. Mas aquela era a melhor solução até então. Louis tinha razão: ele não poderia fugir pra sempre. Mas pelo menos poderia provar que fazia um bom trabalho. Estava decidido: ele iria contar sobre a existência da criança hoje, mas apenas depois de resolverem todos os assuntos pendentes.

— Ok. Quando a gente chegar lá, um de nós sai com os seguranças e depois os dois que sobrarem levam a criança despistadamente até o banheiro, depois até a cozinha — Harry disse.

Louis e Niall concordaram. Acabaram por decidir que Harry entraria primeiro, para distrair os seguranças, e logo em seguida os outros dois amigos levariam a neném até o banheiro, onde esperariam a poeira baixar para irem até a cozinha.

O prédio da Steinfeld Records era bem alto. A gravadora ocupava os seis últimos andares de um dos maiores arranha-céus de Chicago, o Water Tower Place, e o caminho de elevadores até o sexagésimo oitavo andar era bem extenso. Harry saltou primeiro do carro com seu violão pendurado no corpo e sua pasta de partituras, e logo os três amigos conseguiram passar com sucesso pelos seguranças sem que eles percebessem que havia um bebê na mão de um deles. Agora o próximo passo era torcer para que ninguém entrasse no elevador no decorrer dos 68 andares. Infelizmente, eles não haviam pensado nessa possibilidade quando bolaram o “plano perfeito”. Agora era torcer para que nada intervisse. Por via das dúvidas, Louis preferiu deixar o bebê conforto no chão e cada um pegou seu celular, como se não tivessem nada a ver com aquela criança ali.
Por sorte, ou nesse caso por milagre, todo o percurso foi tranquilo. Ninguém pareceu querer destruir a vida dos três, portanto ninguém de nenhuma firma que habitava aquele condomínio resolveu chamar o elevador nos dois minutos que se passaram. Talvez os dois minutos com mais adrenalina da vida dos amigos. Assim que chegaram ao andar térreo da gravadora, os três pularam rapidamente do elevador. Niall carregava o bebê conforto atrás de seu corpo, apenas por precaução, e Louis ia na frente, abrindo espaço. A reunião seria no mesmo andar, e após passarem pelo corredor que também estranhamente estava vazio, os três se enfiaram dentro do banheiro masculino. Também ninguém por ali.

— Será que houve um apocalipse zumbi no prédio? Ou só eu que não notei a presença de nenhuma alma viva por aqui? — Indagou Niall.
— Niall, não ofenda o momento perfeito que o destino providenciou para nós! — Harry o advertiu — Vai que ele resolve brincar com a gente e colocar algum repórter saindo dessa cabine aqui — Disse, enquanto adentrava a cabine do banheiro para utilizar a privada.
— É, melhor mesmo apenas aceitar a situação com cordialidade... — Niall concordou.

Louis foi até a porta e a abriu.

— Vou dar uma olhada na situação da cozinha. Já venho informar a vocês. — E sumiu corredor afora.

Niall colocou o bebê conforto em cima da pia, observando a garotinha. Sua cabecinha estava tombada de lado, e ela dormia um sono tão profundo que parecia uma boneca. Era tão bonita! Se a situação fosse outra, ele até seria capaz de colocá-la para fazer campanhas publicitárias para fraldas e pomadas de bebê.

— Harry, eu preciso admitir, você fez um ótimo trabalho... — Comentou.

Harry abriu a porta da cabine, fechando o zíper da calça. Foi até a pia, ao lado da bebê, e começou a lavar as mãos.

— O que você quer dizer com isso?
— É uma linda criança!

Harry então fechou a torneira, e enquanto secava as mãos na própria camisa, observou atentamente Belia. Ele já havia reparado na neném antes, mas dessa vez ele estava um pouco mais calmo, e conseguiu perceber alguns detalhes que até então haviam passados despercebidos. Como por exemplo uma mancha de nascença marrom no antebraço direito, quase em seu pulso.
Harry esticou o braço na direção de Niall e apontou para o braço da bebê, sorrindo.

— Sacou?? — Ele continuava a sorrir largamente. Niall percebeu as duas manchas e sua boca se abriu imediatamente. Ele estava maravilhado.
— Cara! — Exclamou — É igualzinha!
— Não é??? — Harry concordou — Mano, tipo assim, caralho! Que legal! Eu nunca achei que ia conseguir fazer algo tão bem feito!
— Você mandou bem demais — Niall deu dois tapinhas nas costas de Harry — Já pode começar a espalhar sua marca pelo mundo!
— Por favor, menos — Harry perdeu sua empolgação ao pensar na ideia — bem menos! Essa daqui já é suficiente por enquanto! — E sorriu. Niall concordou com a cabeça.
No mesmo instante, Louis abre a porta do banheiro num baque.

— Zero chances de ela ficar na cozinha! — exclama, eufórico — Estão servindo café lá agora. Como sempre!
— Ah, isso explica o sumiço repentino de todos aqui dentro...
— Eu queria beber um cafezinho, por falar nisso — Comentou Harry.
— Ok, Harry, mas antes, foco! A gente tem que decidir onde vamos deixar a menina! — Louis estalou os dedos de frente para o rosto de Harry. Este coçou o queixo, pensativo.
— Vamos deixá-la no banheiro, então! — sugeriu Niall.
— No banheiro masculino? Sem ninguém olhando? Sem chances... Somos a prova viva de que homens não sabem lidar com bebês que aparecem assim, de repente! — Harry discordou com a ideia do amigo.
— Pois então vamos deixar ela no lugar onde várias mulheres vão, várias vezes ao dia, e sabem lidar com essas coisas: no banheiro feminino! — Niall tentou novamente.

Louis resolveu considerar a ideia. Afinal de contas, eles não tinham outra opção, a não ser de fato levar Belia e já contar toda a verdade. Mas nem ele apoiava isso mais, já que eles precisavam trabalhar com urgência! A turnê estava se aproximando e uma confusão dessas iria exigir no mínimo mais duas semanas e eles mal poderiam ensaiar antes de partirem para NYC.

— Eu acho uma boa ideia. Sem falar que o banheiro feminino é mais limpo — Disse ele.

Harry suspirou.

— É isso ou levá-la... — Ele ajeitou o cabelo — E então, quem vai ser o felizardo que colocará ela dentro do banheiro feminino?
— Eu vou — Louis sacou o bebê conforto nos braços — Me deem cobertura, por favor!
— Certo. Vou indo na frente para me certificar que ninguém está vindo até aqui pisar nas nossas vidas com aqueles saltos finos de secretária que temos nessa empresa! — Niall saiu do banheiro, cheio de valentia.
— Eu vou com ele — Harry sorriu, fugindo em seguida.

Após verificar o corredor, Louis saiu do banheiro, adentrando a porta ao lado. Conferiu se não havia mulher nenhuma dentro do recinto e aí sim seguiu até a pia, onde colocou o bebê conforto num canto próximo à parede. Pelas próximas duas horas, Belia deveria permanecer dormindo e quieta ali dentro! Para ajudar, o banheiro parecia ter acabado de ser limpo, e cheirava a lavanda.

— Tomara que lavanda acalme bebês — Sussurrou ele sozinho, enquanto saia, olhando em todas as direções.

Encontrou Niall e Harry no corredor, ambos aliviados.

— Ela está bem? — Indagou Harry.
— Sim, está dormindo feito um neném num antro de lavandas frescas — sorriu.
— Então vamos embora logo, porque estamos atrasados! — Niall puxou Harry pelo braço, em direção ao final do corredor, onde ficava a sala de reuniões.

De repente, a alguns metros deles, a imensa porta de madeira se abriu, revelando uma mulher alta e loira. Ela vestia-se elegantemente como as mulheres que ali trabalhavam, mas seu rosto não era nada familiar. Louis, Niall e Harry se entreolharam. Com certeza os três haviam sido plenamente seduzidos por aquele vestido preto clássico que ela usava, e seus cabelos loiros caindo pelos ombros em ondas perfeitamente alinhadas. Parecia até que o vento batia propositalmente contra seu rosto, e eles juravam poder sentir o perfume vindo de seus cabelos. Sem falar nos óculos de aro preto quadrados que davam o toque final. Ah, aquela mulher havia feito o sangue bombear forte nas veias dos três.

— Eu estou vendo um anjo — sussurrou Niall, maravilhado.
— Estamos tendo a mesma visão — Harry concordou.

Louis não conseguia encontrar palavras.
A mulher passou por eles e os cumprimentou com a cabeça, enquanto continuava corredor afora. Os garotos a acompanharam com as cabeças, virando-se completamente para olhá-la, e o sangue deles, que corria velozmente pelas veias, se congelou no instante em que ela parou na porta do banheiro.

— Faz alguma coisa! — Foi o que os três sussurraram juntos.

Harry, num reflexo repentino, disparou na direção dela, desajeitado com aquele violão preso nas costas.

— Ei, espera! — Exclamou, estendendo um braço.

A loira soltou a maçaneta da porta, virando-se na direção dele.

— Você... Você deixou cair... — “O quê? O que ela deixou cair, Harry? O que você vai falar para evitar que ela entre aí e destrua sua vida?!” ele pensava. Harry precisava de alguma estratégia para distraí-la. Mas no que ele era bom?! Ah, sim... Ele havia se lembrado de algo em que ele era muito, mas muito bom! — Você deixou cair meu coração — Ele se abaixou aos pés dela, e em seguida levantou-se, levando as mãos ao peito. A encarou com seus imensos olhos verdes.

A moça piscou algumas vezes, sem entender aquela reação. Era uma cantada? Uma cantada de Harry Oats ali, no meio do corredor da gravadora? Quem ele pensava que era para ter esse direito?

— Perdão? — Ela preferiu perguntar e esclarecer suas dúvidas. Torcia para que aquilo não fosse real.
— Desculpe se estou sendo grosso — Harry se endireitou, e sorriu. Então, deu a volta ao redor do corpo da mulher, e posicionou-se de frente para ela, dando as costas à porta do banheiro. Se necessário, ele estava pronto para até mesmo beijá-la para que ela não avançasse dentro daquele lugar. Harry pigarreou, percebendo que a expressão da loira havia mudado de mal para pior: ela arqueara uma das sobrancelhas — Meu nome é Harry. Harry Oats — E então estendeu sua mão.
— Eu sei.
— Ah, sim, claro... Desculpe-me — Ele coçou a cabeça, recolhendo a mão que havia estendido — Você não... Vai se apresentar de volta?
— Não acho que isso seja necessário.
— Ah, claro que é! Como vou poder te convidar para tomarmos um café se nem ao menos sei o seu nome?
— Desculpe, mas de prontidão eu já vou recusar o convite para o café. Estou muito atrasada, e realmente preciso entrar nesse banheiro — A moça sorriu, parecendo um pouco mais simpática.
— De jeito nenhum! — Harry respondeu na defensiva — Você não... Você não vai entrar aqui, quanto mais recusar meu convite! Não aceito um não como resposta!
— Ah, você aceita sim — Ela então avançou. Harry tocou em seu ombro, impedindo-a.
— Não faça isso comigo. Você já deixou meu coração cair e agora está pisando nele? Poxa... Eu peguei pra você, tá aqui, eu queria que você cuidasse dele pra mim!
— Acho que você consegue algo melhor agendando uma consulta com o cardiologista da empresa — E então a mulher desviou-se de Harry, alcançando novamente a maçaneta da porta. Harry suspirou, e tocou a mão dela.
— Olha, não vai demorar nem dois minutos... Primeiro, me diz seu nome, e venha comigo até a cozinha. Eu preparo nossos cafés naquela cafeteira legal enquanto você usa o banheiro adjacente de lá... Me dê essa honra! E eu prometo que nunca mais vou atrás de você... Vou apenas esperar que você volte, caso volte — Ele olhou fundo nos olhos da moça enquanto proferia aquelas palavras no tom mais doce em que conseguiu. Ele já havia derretido muitos corações com aquilo, e tinha certeza de que dessa vez não iria falhar.

A mulher bufou, revirando os olhos. Soltou a maçaneta e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. Encarava Harry olho-no-olho, e céus, como os olhos dele eram bonitos! Ela com certeza já havia pirado por algumas fotos dele que haviam espalhadas pela internet, mas daquele jeito, tão próximos e tão reais, seu corpo começava a ferver por baixo do vestido. Sentiu seu rosto queimar.

— Meu nome é Storm. — Harry ergueu as sobrancelhas no momento em que ela disse seu nome. Ela já esperava essa reação, era bem comum entre as pessoas que ouviam pela primeira vez que seu nome era “tempestade”. — E bom, se você prometer me deixa em paz e prometer me deixar usar o banheiro, eu vou com você ali naquela porta pra você me preparar um café. Mas nunca mais ouse falar comigo desse jeito, tá bem? — E então ela deu de ombros.
— Dois minutos! — Harry vibrou, e então segurou firme a mão de Storm, puxando-a rapidamente na direção da porta da cozinha.

Os funcionários que estavam ali dentro pareceram não notar nada de estranho naquela atitude, e Harry se sentiu aliviado. Nem Storm parecera notar algo... Seu sangue voltava a circular normalmente pelo corpo, enquanto ele parava de frente para a porta de vidro, onde ele conseguia enxergar Louis e Niall no corredor.

— Vou preparar isso aqui, e você vai lá — Harry apontou para a porta do banheiro que ficava nos fundos da cozinha — Eu sempre uso esse banheiro, ele é mais limpo. Confie em mim — E sorriu.

Storm o olhou com estranhamento, mas preferiu não manifestar-se. Foi então em direção ao banheiro, desaparecendo atrás da porta.
Harry fez um sinal de positivo na direção do vidro, e em um instante Niall e Louis corriam até o banheiro feminino. Harry observava de longe toda a operação, enquanto programava a máquina de café. Niall saiu com o bebê conforto em mãos, e Louis segurou a porta do banheiro masculino para ele. Não demorou nem vinte segundos e os dois já estavam do lado de fora, fazendo uma reverência com as mãos. Harry suspirou aliviado, sendo acordado pelo sinal da máquina, de que o café estava pronto. Ele pegou as duas xícaras e adicionou creme. Storm surgiu em sua frente, de repente.

— Olha, eu não sabia se você queria creme, mas geralmente as pessoas gostam de creme então eu coloquei — Harry disse, estendendo uma xícara para ela. Em seguida, começou a andar na direção da porta, pronto para sair dali. Nem se deu o trabalho de pegar o seu café.
— Espere, onde você vai?! — Questionou Storm, ao perceber que Harry virara as costas para ela.
— Eu... Eu realmente preciso ir — Ele sorriu sem jeito — Mas foi um prazer lhe conhecer, Storm — E então, sem mais nem menos, Harry havia desaparecido de dentro da cozinha.

Storm segurava sua xícara de café, atônita. Ele realmente havia feito aquilo? Havia feito todo aquele alarde minutos atrás, praticamente obrigando-a a arriscar-se a perder seu emprego indo tomar um café enquanto ela estava mega atrasada para uma reunião com a banda dele, para simplesmente desaparecer do nada? Sem dar a mínima satisfação?

Quem ele achava que era? Um astro da música que conquista as mulheres com aqueles olhos verdes e aquela voz e simplesmente larga elas na primeira oportunidade?
Sim.
Ah, ela teve a certeza de que ele era um cafajeste mimado naquele mesmo instante. Seu sangue pulsava nas veias, e num gole só ela bebeu seu café, alimentando seu ódio interno. Poxa, ela havia cedido! E ele fez isso?
Ela precisava de outro café.
Pegou a xícara que Harry deixara para trás, pronta para bebê-la como fizera com o primeiro. Mas lembrou-se de algo muito importante: ela iria para a mesma reunião que Harry Oats. Sorriu então, segurando firme aquele recipiente em suas mãos, e seguiu em passos leves até a sala.

Harry, Niall e Louis se encontraram eufóricos na porta da sala de reuniões. Eles haviam acabado de fazer a coisa mais louca de suas vidas.
Depois de receberem um bebê, é claro.

— Vamos? — Louis perguntou.
— Vamos, o Liam vai arrancar nossos pescoços se nós não entrarmos aqui em dois segundos — Niall destravou a maçaneta, abrindo a grande porta e revelando o interior do escritório, com aquelas imensas janelas que cediam uma vista espetacular da cidade de Chicago. Aquela sala era mesmo deslumbrante.

Harry respirou fundo, sentindo o ar fresco que emanava ali de dentro. Liam estava sentado na ponta da gigantesca mesa de madeira maciça, em sua cadeira de couro, e levantou-se no instante em que os garotos apontaram na sala.

— Ah, vocês estão aí! Já estava quase mandando uma força-tarefa atrás dos três — Ele sorriu, com aquele nariz de coxinha que era sua marca registrada.

Liam, ao contrário do que todos imaginavam ao ouvir falar dele, não passava de um adorável jovem de vinte e quatro anos que assinava contratos na empresa do pai. Motivo pelo qual era um empresário tão jovem. Isso também ajudava bastante seus trabalhos, já que todos os artistas jovens da música davam sangue e alma para serem gerenciados por ele. Liam era, de longe, o empresário mais promissor dos últimos dez anos nos Estados Unidos, e de quebra ainda figurava na lista dos dez homens mais ricos do país com menos de 30 anos de idade. Seu pai, dono da Steinfeld Records, confiava sua vida ao filho, e ele tinha plena razão em fazer isso. Liam, além de simpático e carismático, ainda era muito bom no que fazia, mesmo tendo acabado de se formar em Gestão de Negócios pela universidade de Harvard.

— Sentem-se, estamos com pressa — Liam apontou para as três cadeiras livres ao lado dele. De frente, havia mais um assento livre, entre o gerente de marketing e o coreógrafo da banda. Os garotos se sentaram em seus lugares de prontidão, sem mais delongas. — Então, como estamos com um pouco de pressa. Harry, você disse no e-mail que havia uma nova música para ser apresentada, é isso mesmo?
— Sim, por isso trouxe esse peso todo aqui — Harry sorriu, apontando para seu violão que já estava no chão.
— Você tem oito minutos para nos apresentá-la. — Liam sorriu, recostando-se na cadeira — Já está com as partituras? Precisamos encaminhá-la para a transcrição dos outros instrumentos da banda.
— Já, mas ela ainda nem foi aprovada... Como você já vai encaminhar? — Harry riu, enquanto buscava os papéis em sua pasta.
— Harry, entenda, vindo de você, vai ser aprovado — Liam riu. Harry sorriu, satisfeito. Louis e Niall também, já que eles haviam dado uma super força para Harry naquela nova música. Certamente era um novo single!
— Me desculpem pela demora — uma voz feminina ecoou pela sala, atraindo a atenção de todos. — Estava preparando um café.

Uma mulher loira, já muito bem conhecida por Harry, adentrou o lugar, andando com classe e nariz em pé.
Storm.
Harry sentiu o rosto queimar. Como ele fora capaz de fazer aquilo sabendo que ela estaria na mesma reunião que ele em instantes? Ele era um burro!
Storm seguiu na direção de Harry, com os olhos fixos nele, e então depositou a xícara que segurava em cima da mesa, de frente para Harry.

— Você esqueceu isso daqui na cozinha, Oats — Ela olhou fundo nos olhos dele, tentando transmitir todo o ódio e remorso que sentia.
Harry engoliu em seco, enquanto todos ali dentro o encaravam sem entender.

— Ob... Obrigado — ele disse, com a certeza de que já estava vermelho feito um pimentão — Obrigado, Storm.
— Por nada — ela sorriu cínica, dirigindo-se ao lado oposto da mesa, onde aquele lugar vago, no caso, estava reservado para ela.

Louis e Niall coçaram as cabeças em uníssono, e Liam os encarou, um pouco confuso.

— Vocês já se conheceram?
— Sim!
— Não — Storm respondeu no mesmo momento em que Harry respondera — Eu o vi saindo da cozinha e esquecendo essa xícara de café em cima da mesa. Achei que seria um bom jeito de começarmos uma relação amigável se eu trouxesse para ele — ela então sorriu, ainda transmitindo aquele sorriso amarelo de desgosto.
Ahm, pois então, acho que é melhor eu apresentar a vocês a sua nova agente primeiro, né? — Liam sorriu — Garotos, conheçam Storm Chastaim, ela acabou de se formar pela Universidade de Yale em relações públicas e esse é o primeiro emprego dela. Aqui na empresa temos uma boa política de trainee profissional, e temos certeza de que ela fará um bom trabalho. Correto?
— Darei meu máximo. Estou muito grata pela oportunidade, principalmente de prestar assessoria a uma banda no auge do sucesso como a Mountain Cast, com certeza aprenderei muito aqui — Storm sorriu.

Niall derreteu-se na cadeira, encantado com a moça.

— Se mal lhe pergunto, quantos anos você tem? — Questionou Louis, curioso.
— Vinte e dois anos — Ela respondeu, sendo simpática.
Humm — Harry murmurou, sem tirar os olhos de suas partituras em cima da mesa. Todos o encararam.
— Algum problema, Oats? — Liam perguntou.
— Não, nenhum! — Ele acordou, erguendo o olhar. Acabou encontrando o de Storm logo a sua frente — Seja bem vinda, Storm. E muito obrigado por ter se lembrado do meu café — Ele sorriu sem graça.

Céus, ele havia destruído todas as chances que tinha com ela. Ela agora o odiava, ele podia sentir isso ao olhar para seu rosto, e ela faria de tudo para infernizar a sua vida! Como voltar atrás? Poxa, ela parecia ser uma mulher tão interessante... Não no quesito de envolvimento romântico, mas mesmo como amiga. O que ele faria? Precisava dar um jeito nisso.

— Então, profissionais apresentados, espero que você saiba o nome de todos os três, Storm... Afinal, quem não sabe? — Liam riu — E vamos logo com a música, pois ainda precisamos decidir alguns pontos da turnê da costa leste! Harry, o momento é todo seu.

Harry pigarreou, e sorriu.

— Então, eu não escrevi essa música sozinho. Tive ajuda dos garotos, então eu não quero levar todo o crédito — os meninos riram — o Niall me ajudou demais com as linhas do baixo. E Louis com a frequência. Enfim, vamos lá. Ela se chama “Perfect”. Vou começar pelo refrão, eu sempre começo pelo refrão, quero vocês aprovando o refrão — Harry sorriu. Arrastou sua cadeira para trás, e então com o violão confortável no colo, começou os primeiros acordes do refrão.

But if you like causing trouble up in hotel rooms
And if you like having secret little rendezvous
If you like to do the things you know that we shouldn’t do
Baby, I'm perfect
Baby, I'm perfect for you

And if you like midnight driving with the windows down
And if you like going places we can’t even pronounce
If you like to do whatever you've been dreaming about
Baby, you're perfect
Baby, you're perfect
So let's start right now

— Não pare! — Liam riu, enquanto aplaudia — Vamos, continue daí! — E então Harry, rindo, continuou. Niall e Louis o ajudaram com os backing vocals e as batidas na mesa.

Harry sorria enquanto cantava. Tinha certeza de que aquela música havia encantado seu empresário e os produtores musicais ali presentes... Tudo corria bem. Ele sentia uma felicidade estonteante invadir seu corpo, e mal podia acreditar naquele momento. De repente, ergueu os olhos da partitura, e encontrou os olhos de Storm presos nele. Ela sorria com a música, e ele não pôde evitar abrir um sorriso ainda maior em seu rosto.

Durante os dez minutos que se seguiram, Liam pediu para que tocassem novamente a música, e eles foram muito aplaudidos. Harry já apresentara muitas músicas para os produtores, principalmente para o lançamento do primeiro e do segundo álbum deles, mas essa tinha um quê de especial. Talvez pelo momento ou pelo nervosismo, ele não sabia explicar bem, mas sentia-se extasiado. Louis e Niall também, mal podiam esperar para assinar os contratos do single e começar a gravá-lo logo! Acabaram decidindo que a música seria apresentada ao vivo na turnê da costa leste, já em três semanas, mas o single só seria lançado na semana seguinte à apresentação. Fazia parte do novo plano de marketing para a banda: apresentar a música antes de lançá-la digitalmente.
Liam, após ouvir sua nova música preferida pela terceira vez, já cantarolando o refrão, levantou-se, indo em direção à porta.

— Pessoal, preciso me retirar por alguns instantes, mas já vamos começar a transcrever as partituras. Edward, por favor, providencie os contratos da gravadora, vamos assinar essa música nesse instante! Não quero perder tempo! — E saiu da sala, fechando a porta atrás de si.
— Eu sabia que ia rolar! — Niall deu um soco no ombro de Harry — Cara, você mandou muito bem com essa! Muito bem!
— Até eu quero cantar essa música, e olha que eu nunca canto, eu sou só o escondido anônimo da bateria! — Louis riu.
— Boa música, garotos — Storm disse, atraindo a atenção deles. Niall sorriu, não conseguindo se conter.
— Obrigado — Harry respondeu. — Eu não teria feito nada sem a ajuda dos meus amigos.
— Vocês são muito unidos — Ela comentou — Gosto disso. É bom... Pra imagem.
— Nós sabemos — Louis a interrompeu — Quero dizer, começamos assim, né? Amigos. Temos que ser assim sempre.
— Até nos piores momentos — Niall comentou, olhando para Harry, em seguida para Louis. Eles entenderiam o que ele queria dizer.

E no mesmo instante, Harry deixou seu violão escorregar de seu colo, se espatifando no chão. Louis pareceu não conseguir respirar e Niall percebeu o que havia acontecido.

— O banheiro! — Eles exclamaram juntos, levantando-se das cadeiras.

Mas era tarde demais.

Liam abrira a porta da sala, carregando uma coisa vestida de rosa nos braços. Ela chorava.

— Olha, eu sei que ratos e baratas saem dos ralos dos banheiros, mas nunca havia visto nenhuma teoria para bebês... — Ele comentou, olhando assustado para a criança que berrava em seus braços.

Louis e Niall não conseguiram pensar em outra coisa a não ser se abraçarem.
E Harry, coitado, até que tentou se apoiar na mesa, mas perdeu os sentidos e quando todos escutaram o estrondo, ele estava estirado no chão.

— Ele desmaiou! — Storm gritou do outro lado da mesa.





Continua...




Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Harry, é dramático demais, meu Deus hahaha, como sempre ri horrores com essa atualização. Amando a entrada triunfante da Storm, um mulherão desses, cara! Tô amando muito isso tudo <3

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.




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