Última atualização: 13/06/2018

I

Harry subiu as escadas do prédio assoviando o ritmo de uma música da sua banda preferida, The Temper Trap. Pela primeira vez na semana, resolvera não usar o elevador, talvez pudesse aproveitar pequenos momentos para ganhar alguns gramas de massa muscular. Rodava o chaveiro no dedo indicador com uma mão apenas, causando um agradável barulho com o tintilar de uma chave chocando-se contra a outra no ar. Ouviu de longe um murmurar parecido com um choro de bebê, e cessou os assovios. Segurou firme a chave, forçando a cabeça para olhar acima dos últimos degraus. O som de bebê vinha do seu andar, e ele estava curioso, já que até onde sabia, ninguém ali tinha um bebê. Avistou a porta do seu apartamento de longe, mas havia algo de errado ali. Algo preto e vermelho, parecido com um bebê conforto, balançava na sua porta. De longe, avistou dois pezinhos descalços minúsculos batendo contra o forro branco que cobria o bebê conforto. Harry correu, pulou os últimos três degraus na velocidade de um tigre num bote, e de repente estava paralisado de frente para aquilo.
Aquela criatura.
Ele não chorava, como ele imaginou, mas sim ria, batendo as perninhas e mordendo um brinquedo colorido da Fischer Price.
Era um bebê.
Um bebê loiro, de gigantes olhos azuis, que gargalhou ao olhar para o rosto de Harry.
Ele o observava de cima, esquecendo-se de como respirar e finalmente lembrando-se disso quando teve que se apoiar na porta para recuperar o fôlego. O bebê ainda o encarava, e calou-se de repente, como quem espera uma resposta, sustentando o olhar de Harry. Ele respirou fundo, olhando para todos os lados, procurando pelos possíveis pais daquela criança. Andou por todo o corredor, mas não havia ninguém nos outros dois apartamentos do seu andar.
— É... Hum... Oi — Disse ele, encarando o bebê — Quem são seus pais? Ah, droga! — bateu a mão na própria testa — Estou conversando com um bebê. Harry, um bebê não responde... — E rolou os olhos. O bebê soltou outra gargalhada forte, chupando e mordendo ferozmente seu brinquedo — Então, gracinha... Você é até bonitinha, menina — Reparou finalmente no pequeno laço cor de rosa preso em seu cabelo — ... Eu poderia te sequestrar, te pegar pra mim, essas coisas... Mas não vai rolar, a menos que você queira que eu seja preso. Então vamos ali dar um passeio com o Tio, atrás da sua mamãe — Disse ele, enquanto destravava a alça do bebê conforto e a colocava para cima. Com uma das mãos, segurou o suporte do bebê, e com a outra colocou a enorme bolsa branca que acompanhava a criança (parecia até um pacote completo) no ombro. Seguiu até o elevador, e assim que o adentrou, colocou o bebê conforto no chão.
— Preciso mostrar isso pros garotos — Disse, divertindo-se com a situação enquanto tirava o celular do bolso — Diga “X” pra câmera, florzinha! — E bateu a foto do bebê no chão do elevador. Encaminhou para Louis e Niall, dizendo “ganhei na loteria! Cheguei em casa e havia um bebê na minha porta AHHAHAHAHHA agora preciso procurar os pais dessa criança... me encontrem no pátio!” — Bebê, olha, você... — observou a risada da menina — você ri de tudo que eu falo... Boba! — E mais uma risada — Idiota! — E mais uma. Harry não resistiu, riu junto — Ai, garota, que gracinha... Mas, pois é, o Tio vai te levar no porteiro do condomínio, porque sua mãe deve ter passado com você por lá, e ele deve saber. O problema não é você, sou eu, sabe... Eu não posso ter um bebê. Você não deve saber quem eu sou, né? Sabe, aquele cara que canta... Eu tenho uma banda. Já pensou como meus fãs reagiriam se eu, de repente, aparecesse com um bebê por aí? Meus fãs são adolescentes, e garotas... Elas são minhas fãs porque sonham em casar comigo um dia. Um bebê atrapalharia tudo. Mas até que eu gosto de você, gostei do seu senso de humor... — Harry a olhou de lado — Podemos continuar amigos. O que você acha? — E riu, enquanto abaixava-se para pegar o bebê conforto. Já estavam no andar térreo, e a porta se abriu de repente. Um de seus vizinhos esperava pelo elevador.
Harry o cumprimentou com a cabeça, enquanto esgueirava-se para passar com tanta coisa pendurada no corpo. Acabou esbarrando sem querer na bolsa no vizinho.
— Me desculpe, senhor. É muita coisa pra carregar — E riu.
— Tudo bem. Belo bebê — O homem sorriu ao olhar para dentro do bebê conforto. Aquela criança era realmente fofa. — Ei, você deixou cair este envelope — E abaixou-se para pegar o envelope pardo, entregando-o para Harry.
— Hum, obrigado — Harry o pegou com certa dificuldade — Tenha um bom dia — E sorriu enquanto se virava. Olhou o que estava escrito no verso do envelope.

“Para Harry. Em mãos”, escrito com uma letra feminina.
Conhecida.
De onde havia vindo aquilo? Será mais alguma aprontação de alguma fã? Mas veio da bolsa da bebê. Ele precisava ler aquilo, estava intrigado por conhecer aquela letra.
— Bebê, o Tio Harry precisa ler isso aqui antes de procurar sua mamãe, ok? Você pode continuar saboreando seu brinquedo enquanto isso, deve estar bem gostoso... — E foi até o sofá da sala de estar da recepção do seu condomínio.
Acomodou o bebê conforto na mesa de centro, sentou-se no sofá e cruzou uma perna sobre a outra, enquanto abria o envelope. Dentro dele estavam muitos papéis, pareciam documentos. Um outro envelope, menor, estava ali dentro fechado.
“Leia este primeiro” estava grafado com a mesma letra. Harry retirou de dentro uma folha, ainda escrita à mão, com seu destinatário.

“Para Harry. Leia com atenção, por favor.
Harry, querido, bom dia!
Bom, primeiramente, quero te dar esta notícia enquanto você está calmo. Acalme-se. E NÃO PARE DE LER, POR FAVOR! Caso você não reconheça a letra, quem fala aqui é a Naomi, sua ex. Lembra-se de mim? Eu espero que sim, afinal de contas, depois que terminamos, não houveram outras – oficialmente falando. Enfim... Quero que você se lembre de um dia, em Nova Iorque, enquanto nós dois estávamos em turnê. Você, pela sua banda; eu, pelos ensaios fotográficos. Nos hospedamos no mesmo hotel. Era primavera, a cidade estava bonita, e o terraço do hotel tinha vista para o Central Park, que estava mais belo ainda...”

Harry já não sabia como respirar a partir dessa lembrança. Enquanto continuava sua leitura, só pensava duas coisas: “não pode ser” e “fodeu”.

“... Nós fugimos escondidos lá pra cima, para bebermos vinho e comermos muffins comprados na Starbucks. Preciso narrar o resto? Espero que você não tenha se esquecido daquele momento especial que tivemos. Éramos eu e você, e o nosso amor... Só não tínhamos noção ainda de que aquilo poderia ser amor de verdade. E passou a ser: nosso amor plantou uma semente. O nome dela é Belia. Eu quem escolhi...
Respira, por favor.
A verdade é que, sim, eu engravidei naquele dia. Um lembrete a partir de agora? Nunca mais transar sem preservativo com astros da música. Harry, não tente me matar pelo fato de nunca ter lhe contado isso – apesar de que você soube da minha gravidez meses depois. Mas já havíamos terminado.
A verdade é que eu terminei com você assim que descobri que estava grávida, dois meses depois. E, de repente, apareci com outro. De fato, era um novo namorado. Ele não era famoso, nunca foi, jamais será... Mas ele sabia quem você era. Eu expliquei toda a situação. Jake aceitou assumir a responsabilidade pela criança na mídia, até a registrou como sua filha... Mas Belia nunca foi filha do Jake. Jake tem olhos negros, cabelos pretos, pele bronzeada... Olhe bem para a nossa Belia. Consegui enganar pelo fato de algumas pessoas na família do Jake serem loiras, e eu ter sido loira quando criança – e permanecer até hoje. Mas você tem que saber que, as características dela, minha genética não sustentou sozinha (espero que você não tenha faltado às aulas de biologia e saiba do que estou falando). Bom, e por que eu fiz isso com você? Se você tinha todo o direito de saber que seria pai, e talvez até quisesse?
Porque eu pensei em você todo o tempo, Harry. Você sabe que eu te amei.
Sua carreira estava decolando há um ano atrás. Vocês estavam no final da sua primeira turnê, sua base de fãs estava se estabilizando, e uma notícia como essas caindo na boca da mídia podia atrapalhar não apenas a sua vida, como a de todos os outros integrantes da banda. Eu pensei em todo mundo. Eu pensei em você, nos seus fãs, nos seus empresários, no seu futuro. Um bebê assim, de repente, desanda todos os nossos planos... Digo isso porque, todos os meus planos de carreira também tiveram que ficar em hiatus. Mas, eu já estava grávida mesmo, o que podia fazer? Salvar você, pelo menos... E foi o que eu fiz.
Mas agora, Harry, cinco meses depois do nascimento da Belia, eu preciso também pensar em mim. Eu recebi uma proposta irrecusável para morar no Japão e modelar lá, para grandes grifes, é a minha chance. Eu tenho apenas 20 anos, estou no auge da minha carreira, e não posso desperdiçar essa chance. O Jake não pode cuidar da bebê, ele está entrando em um negócio com sua família. Não confio em ninguém da minha família para cuidar da bebê, afinal, você sabe como são uns vigaristas interesseiros... E, então, Harry, sobra você para cuidar de parte do meu coração.
Eu confio em você.
Por favor, cuide da Belia durante esse período, estou te pedindo essa ajuda. Eu não tenho com quem deixar ela, não quero que ela tenha que ser cuidada por babás que nem falam a nossa língua – e, como fiquei muito tempo parada, meu dinheiro acabou. Bebês consomem muito. Eu vou ter que morar num alojamento pra modelos, dormir no chão, dividir um quarto com mais 5 mulheres que têm distúrbio alimentar. Harry, eu não quero que a Belia cresça nesse mundo. Por favor, lhe imploro que me ajude.
Hoje mesmo estou embarcando para o Japão. Tenho as chaves do seu prédio (você me deu uma cópia uma vez, espero que se lembre), por isso consegui deixar a Belia ali no corredor (do apartamento eu não tenho a chave... Só do portão. Nosso combinado era “bata na campainha e me espere abrir a porta pelado” ahahha). Chequei sua agenda, deixei a Belia na sua porta cerca de quinze minutos antes de você chegar, para que ninguém a encontre, e sim você. Seus vizinhos viajaram. Entrei em contato com eles também. Só há você no andar. Coloquei alguns brinquedos, a Belia é bem tranquila, costuma rir de tudo e morder os seus brinquedos o dia inteiro...”

Harry, suado, perplexo e quase chorando, olhou por cima da carta para checar. Belia, como acabara de descobrir seu nome, estava realmente quieta, brincando com aquela coisa colorida. Voltou seus olhos para a carta.

“... Na mala, estão todas as roupas que eu tinha dela. As mamadeiras, as chupetas, pomadas, fraldas, brinquedos, não couberam, e eu não podia deixar uma mudança na porta da sua casa. Doei todos para a caridade. Espero que você possa comprar novos. Os brinquedos preferidos dela estão dentro do bebê conforto junto a ela, são dois: um disco de morder da Fischer Price – por causa dos dentinhos – e uma girafa que ela não dorme sem. A fraldinha que ela segura também precisa estar junto a ela enquanto dorme, senão você terá uma madrugada acordado com choro.
Não precisa reclamar de boca cheia: como eu sei que seu sucesso está maior do que nunca, sua conta bancária está bem recheada de zeros à direita, então você pode fazer o favor de comprar coisas para bebês enquanto está com a Belia. Ela precisa de duas coisas imediatas, pelo menos: um berço e um carrinho de bebê.
Seus horários estão todos anotados em outra folha, também dentro do envelope. Sua alimentação também. Por favor, siga-os corretamente. Belia não mama mais, mas precisa de um suplemento toda noite. As alergias e especificações médicas também estão ali no envelope. O telefone da sua pediatra está junto, e os telefones úteis para bebês como hospital de emergência e farmácias com delivery também estão, caso você precise. Espero que não seja necessário te ensinar a trocar uma fralda...
E antes que você me pergunte como ela vai ficar com você sem que a polícia bata na sua porta e alegue que você está sequestrando um bebê, eu já providenciei tudo também. Estão dentro do envelope pardo cinco cópias da autorização de guarda da criança, válidas pelos próximos cinco anos. O passaporte dela, e todos os outros documentos, também estão lá. Você pode circular livremente como responsável legal da Belia por todo o território nacional e também pelo exterior, mas, peço encarecidamente que não perca as autorizações! Plastifique uma, utilize-a sempre, e guarde as outras caso perca alguma. Estão assinadas por mim e Jake, que é o “pai”, então nem ele pode ir atrás de você cobrando qualquer coisa, já que legalmente ele passou a guarda de Belia para você.
Não se preocupe com a mídia, desde que a Belia nasceu, nunca saí com ela na rua sem seu rosto estar tampado e as únicas vezes em que ela viu o ar fresco fora de casa foi para ir ao pediatra. Você não ouvirá comentários como “A bebê da Naomi está sendo criada pelo Harry, ele é o pai!”. Eu não preciso nem que você se assuma como pai dela. Invente uma desculpa, contrate alguém novo, dê um jeito de uma nova mulher aparecer na equipe e faça da Belia filha dela na frente das câmeras.
Harry, está tudo regulado, não há o que temer. Qualquer coisa, separei também alguns sites com dicas de como criar um bebê, e espero que você os acesse caso necessite de alguma coisa. Ligue para sua mãe, sua irmã, alguma mulher que você conhecer... Mas, por favor, cuide bem da Belia. Meu coração está apertado porque vou perder os melhores momentos da minha filha: vou perder suas primeiras palavras, vou perder seus primeiros passos, seu primeiro corte de cabelo, seu primeiro dentinho, sua primeira aula de natação... Mas me conforta ela estar em boas mãos. Cuide como se fosse sua: e ela é! Lembre-se que ela é metade você.
Desde já eu te agradeço. Por ler tudo, por encontrá-la a salvo, também até por ter me dado esse presente maravilhoso que é um filho.
Eu te amo, Harry, e confio em você plenamente.
Por favor, não me ligue. Troquei todos os meus telefones no Japão. Quando eu precisar, eu mesma entro em contato com você.
Boa sorte, papai.”

— PUTA QUE PARIU — Harry não aguentou, e soltou essas palavras um pouco alto demais.
— Harry, você disse que estaria no estacionamento, o que está fazendo aqui xingando palavrão pelos ares?! — acordou finalmente com a voz de Louis, vindo de trás dele, e virou-se. Olhou para Louis, que vinha em sua direção com Niall, e novamente para frente, encarando Belia. Virou-se mais uma vez para Louis, Niall, e a bebê. E repetiu a mesma coisa por mais três vezes. — Você está branco, o que está acontecendo?
— Essa é a bebê que você encontrou?! — Niall indagou, indo diretamente na direção da criança. Ela, como sempre, riu, e Niall a acompanhou — Ah, que graça. Oi, bebê... — E segurou sua mãozinha, insinuando um toquinho de Bro. — Veja como ela é simpática, Harry! — prosseguiu — Pela foto ela parecia ser um bebê antipático. Já considero uma brother — ele sorriu, ainda remexendo as mãozinhas dela.
Harry rapidamente estendeu a carta na direção de Louis.
— Nós não vamos ao pátio, vamos para o meu apartamento — e assim levantou-se de prontidão, sacou o bebê conforto, arrancando as mãos de Niall da criança, e começou a andar de volta na direção do elevador.
Se ele nunca havia pirado na vida, essa era a primeira vez para isso acontecer. Um filho?! Um filho agora? Um filho bastardo que ele nem sabia que fora concebido?
Louis, segurando a carta ainda sem entender nada, chamou Niall, e ambos foram atrás de Harry.
— Harry, o que é que está acontecendo? Por que você pegou a criança de volta?
— Pensei que a gente ia devolver ela pro porteiro. É filha dele, por falar nisso? — indagou Niall.
— Ele não vai responder — sussurrou Louis, ao perceber que a única coisa que Harry fazia era encarar o botão do elevador.
Eles deram de ombros e o seguiram, não havia outra alternativa para que descobrissem o que estava havendo ali. Afinal de contas, que criança era aquela? Niall achava mesmo que era filha do porteiro ou de qualquer vizinho novo. Harry estava sequestrando a bebêzinha? Desde quando ele se tornara um maníaco?
— Você precisa ler essa carta. Vocês dois — disse Harry assim que as portas do elevador se fecharam.
— O porteiro te mandou uma carta junto com a criança? — Niall perguntou, ainda confuso. Não se conformava também com a ideia do maníaco: — e, afinal de contas, você vai sequestrar esse bebê? Por que não simplesmente o devolvemos?
— Porque nós não podemos! — Exclamou Harry, arregalando os olhos.
— Harry, é uma carta da Naomi? — Louis indagou, tirando os olhos do papel. Niall de repente segurou a carta também, lendo-a junto com o amigo.
— A Naomi é esposa do porteiro?
— Niall, por favor, deixa de ser um retardado — Harry rolou os olhos, já impaciente com aquele elevador e com as perguntas sem noção de Niall. Se alguém deveria estar bugado ali, era Harry e não ele.
— Não! Droga, é porque estou desesperado, quero dizer, você tá sequestrando uma criança e eu sou praticamente cúmplice! Não quero ser preso!
— Eu não estou sequestrando ninguém! — As portas se abriram e Harry pulou fora do elevador. Sacou correndo as chaves do bolso, e enquanto destrancava a porta, olhou para todos os lados, verificando se realmente não havia nenhum vizinho bisbilhotando. Um inocente escorregão e bum!, estaria tudo na mídia, e maquiar essa história seria mais difícil do que tirar bife da boca de leão.
Assim que a porta se abriu, Harry atirou a bolsa branca quase dentro da cozinha e lançou o bebê conforto no chão da sala, jogando-o longe da porta e do campo de visão do corredor. E não pensou no pior. Num estalo, um choro de bebê estridente começou a ecoar por todo o seu andar.
— MERDA! — Brandou ele, abaixando-se rapidamente para soltar o cinto de segurança de Belia. Niall logo se atirou no chão junto a ele, tentando ajudá-lo a desamarrar a bebê em meio ao desespero de seu choro ser tão, mas tão alto, que até seus ouvidos doíam a cada agudo que ela dava.
— Harry, você é louco, como você joga uma criança no chão desse jeito? Você tá maluco? — Niall começou a brigar com ele, e finalmente conseguiu encontrar o botão que destravava o cinto e agarrou a bebê em seus braços, já se levantando. — Só porque ela é filha do porteiro você não tem que fazer isso. — Niall estava com ela nos braços, mas não fazia noção de como segurá-la — Caralho! Eu não sei segurar isso! — Ele a segurava pelos bracinhos e longe do próprio corpo, como na cena de O Rei Leão.
— Meu Deus, desculpa, caramba, eu não pensei nisso! Eu não estou acostumado com isso, não achei que ela fosse chorar!
— Ah, claro, um bebê não se assusta com isso! Você tem razão! — Niall continuava espumando pela boca, e não conseguia encontrar um modo de segurar Belia. Harry estava desesperado, não aguentava mais o choro da criança.
Por alguns segundos, um pensamento de que ele havia machucado a própria filha começou a se misturar com um desespero dentro de sua corrente sanguínea. Como ele podia ser capaz? Mal conheceu a criança e já começava com o pé esquerdo. Ele precisava fazer algo.
Tomou Belia dos braços de Niall rapidamente, abaixando-se para pegar uma fraldinha que estava dentro do bebê conforto. Com uma mão no seu bumbum e a outra em sua cabecinha, Harry apoiou-a em seu peito, colocou a fraldinha em cima de sua cabeça e ficou balançando o corpo pra cima e pra baixo.
— Shhh… Shhh… Ta tudo bem. O papai ta aqui, foi sem querer — Sussurrou ele, enquanto a bebe se acalmava aos poucos — Me desculpa.
— Ainda bem que você pegou ela, eu não cons… Espera aí — Niall encarou Harry abruptamente — Que história é esse de “papai”? — E arregalou os olhos.

Nesse instante, Louis entrou pela porta, batendo-a atrás do corpo com toda a força que pôde conseguir.

— E A GENTE PENSOU O TEMPO INTEIRO QUE ELA ERA UMA VAGABUNDA SEM RUMO QUE SÓ TE LARGOU PRA TREPAR COM OUTRO E ENGRAVIDAR! — Berrou, jogando a carta no chão com raiva.
— O quê?! Caralho, manos, eu não estou entendendo mais nada!! — Niall também gritou.
— A NAOMI ERA UMA LOUCA! — Harry também gritou.
Nesse momento em que Belia havia parado de chorar, mais uma vez o choro da bebê tomou conta do Hall do apartamento de Harry.
— Caralho, a gente não pode gritar! — Harry sussurrou.
Niall passou as mãos pelos cabelos, desesperado.
— Harry, eu estou pirando, vocês podem me explicar isso?
— Quem está pirando sou eu! — Louis se aproximou e tirou a fraldinha do rosto da bebê, para encará-la de perto — Harry, ela se parece com você! Olha o tamanho da boca dela quando chora!
— Ela é filha dele? — Niall levou as mãos ao peito — Me ajuda, gente, eu tô tendo taquicardia!
— Gente, fica calado, que porra, ela não vai parar de chorar! — Harry se afastou dos dois, que davam faniquitos estrondosos e só atrapalhavam seu plano de ficar em silêncio novamente. Aquela menina simplesmente não calava a boca.
Harry a levou até o sofá, sentou-se, mas ao encostar a bunda no assento, os gritos da neném ficaram ainda mais altos. Ele então se levantou, e voltou a balançá-la, como estava a fazer antes.
— Para de chorar, bebê… Ou eu vou chorar junto! Por favor, para de chorar, por favor! Por favor eu lhe imploro, menina, para de chorar, eu não vou aguentar, como você faz isso com seu pai? Por favor, eu preciso que você pare de chorar agora — Ele começou a cantarolar enquanto a balançava — Se você não parar de chorar, o seu pai que nem te conhece direito ainda, vai entrar numa fria… Os vizinhos vão chegar, e eu vou me foder, porque eles vão chamar o TMZ, e vão fazer um monte de fofoca sobre seu pai… Por favor, Belia, para de chorar — E à medida em que ele cantarolava, seu choro cessava, e seus olhos começavam a pesar, como se ela estivesse prestes a pegar no sono.
Harry a encarou, esperando que ela tivesse parado por completo todo aquele chororô. Olhou para a frente, Niall e Louis estavam sentados entre o bebê conforto e a bolsa da neném, lendo a carta em voz alta. Relendo, no caso.
— “Bata na campainha e me espere abrir a porta pelado” — Niall encarou Harry — Mas você é um gay mesmo!
— Cala a boca, Niall! — Harry sussurrou num tom de reprovação — Você continue a ler essa carta porque eu não consigo acreditar que é real!
— É óbvio que é real, Harry! — Louis rolou os olhos — Olha que legal a realidade ai nos seus braços! Linda ela, né?! — E voltou sua atenção para a carta.
— Antes fosse filha do porteiro com a Naomi... Será que ele abriria o portão pelado? — Niall riu, tomando um tapa de Louis logo em seguida. Os dois prosseguiram na leitura da carta, dessa vez em silêncio.
O braço de Harry doía ao segurar aquela criança. Bebês de cinco meses pesavam tanto assim? Misericórdia... Ele já podia começar cancelando sua matrícula na academia. Seria o novo Arnold Schwarzenegger versão pai solteiro em menos de um mês se, de acordo com suas contas, o peso da menina aumentasse mais a cada semana.
Céus, ele já estava sendo um pai em menos de uma hora. Já sabia fazer as contas de peso!
Retirou cuidadosamente a fraldinha do rosto da neném, encarando-a. Aquele monstrinho berrento agora dormia feito um anjo, e nem parecia ter feito aquele escândalo minutos atrás.
Até que ela se parecia com ele. O nariz, as bochechas... O cabelo parecia o dele quando criança, também. Queria reparar mais em seus olhos, mas sem chance de fazer com que ela acordasse! Sua mãozinha estava segurando sua camisa branca, e ele finalmente percebeu o quanto era pequena e delicada – apesar da força com que o agarrava.
— Eu desisto de viver — brandou Louis de repente, jogando-se de costas no chão — Eu desisto! Vem, Jesus, pode me levar! — e esticou os braços para cima.
— Não, de jeito nenhum, ele vai me levar — Niall reclamou, esticando a perna para chutar Louis — Eu é que não fico aqui nesse mesmo condomínio. Nem respirar o mesmo ar que Harry eu estou disposto! Vai que eu engravido alguém?
— Bom saber que vocês são ótimos amigos! — Harry exclamou, fechando a cara — Manos...
— Manos? Manos coisa nenhuma! — Louis levantou-se, e seguiu até Harry — Manos são caras que não deixam os amigos fazerem sexo sem preservativo!! Harry, cara, poxa vida!
— Por causa de um minuto pra encapar o bicho!
— Porra, viu!
— Porra mesmo — Niall olhou para Louis após fazer sua analogia, e começou a rir.
Louis o repreendeu com o milésimo tapa na cabeça do dia.
— Vocês dois deviam estar me ajudando ao invés de ficarem aí me julgando desse jeito! — exclamou Harry.
— Você quer ajuda em quê? Quer que a gente pegue ela e vá atrás de alguma mãe pronta para amamentá-la? Ou a gente tenta tirar leite dos seus peitos mesmo? — Louis prontamente o respondeu — Você não tá entendendo que não dá pra continuar com essa história? Tipo assim, mano, a gente entende que a Naomi resolveu foder a sua vida da noite pro dia, mas ela não tem esse direito!
— Eu sabia que não podíamos confiar em americanos...
— Ela é canadense — Harry corrigiu — Vocês não precisam fazer muita coisa não, tá bem?
— Exato. Não precisamos fazer nada — Niall sorriu ao levantar-se do chão, batendo uma mão na outra para espantar a poeira. — Vamos, Louis?
— Vamos.
— Vocês não são malucos de saírem agora! — Harry não pensou duas vezes antes de correr em direção à porta, atropelando tudo e todos e sacudindo a bebê, para que alcançasse rapidamente a chave da fechadura. Belia remexeu-se em seu colo, resmungando — Não, Belia, não acorda! — Ele exclamou, segurando a cabeça da bebê e apoiando-a novamente em seu peitoral num desespero momentâneo.
— Harry, a gente precisa respirar! — Niall implorou — Tipo assim, cara, até agora eu não tô entendendo nada, juro pra você mano, eu tô chapado, eu usei droga! Eu fumei! Cheirei! Lambi cogumelo!
— Não, Niall, você não fez nada disso, e a gente não lambe cogumelo pra ficar doidão... — Louis riu — Harry, é só que, mano... Isso foi um baque. A gente não aguenta. Acho que você deveria ligar para o Liam.
— Liam?!? Você tá é muito louco que eu vou ligar pro Liam agora!
— Ué... Ele deve ter alguma solução pra gente!
— Não, de jeito nenhum! Ele vai matar a gente! — Harry se apavorou ao pensar na ideia de ter que telefonar para o seu empresário. No mínimo ele teria suas bolas cortadas amanhã feito um gato castrado. Aí que ele nunca mais teria filhos mesmo, nem planejados. Talvez esse fosse o plano perfeito para Liam!
— Ele não vai matar a gente... Vai matar só você. — Niall deu de ombros — Eu tô de boa...
— Eu não vou ligar pra ele!
— Harry, de qualquer maneira a gente tem uma reunião hoje à noite e você não tem o que fazer com essa criança. E nem tem como cancelar a reunião... — Louis o lembrou.
Droga! Harry havia se esquecido da reunião! Fora até sua casa mais cedo exatamente para arrumar a papelada da partitura da nova música que havia composto para ser apresentada na reunião da gravadora à noite! Ele se desnorteou após o encontro inesperado na porta de sua casa. Céus, o que faria agora? Ele não podia faltar à reunião. Era sua chance de impressionar todos os diretores da Steinfeld Records!
— O que eu faço? — Harry berrou, apavorado. Louis e Niall se assustaram, rindo logo em seguida. A bebê resmungou.
— A gente não pode simplesmente fingir que ela é filha do porteiro mesmo? — Niall indagou, pensativo. Sentou-se no sofá, coçando a cabeça.
— Niall! — Louis já não tinha mais paciência — Harry, você vai ter que contar pra ele! Só ele vai saber te ajudar!
— Eu vou pensar no que fazer. Antes eu...
E então foram interrompidos por um estrondo de choro de bebê incontrolável. Aquela menina parecia um despertador! Louis tampou os ouvidos, e Niall correu até o banheiro para se trancar ali dentro. Harry não fazia ideia do que fazer.
Ele só podia chorar junto.
E chorou.
Louis, nesse instante, percebeu que realmente precisava fazer alguma coisa. A bronca já estava dada, e Liam certamente daria outra pior ainda mais tarde – que provavelmente faria Harry chorar novamente – então, nesse instante, ele realmente precisava ajudar. Não fazia a mínima ideia do que fazer, mas resolveu seguir seus instintos. Correu até Harry, tomando a garota do colo dele, e apontou para que ele se sentasse no sofá. Harry, aos prantos, correu para o sofá e sentou-se, apoiando os cotovelos nas pernas e escondendo o rosto nas mãos.
— Eu só queria que ela parasse de chorar! — Gritou Niall do banheiro.
— Niall, corre aqui! — Louis ordenou. Niall destrancou a porta, assustado com o tom de voz de Louis, e veio até a sala com o rabo entre as pernas, disposto a obedecer ordens. Notou que Harry estava chorando, e preocupou-se com a cena.
— O que a gente faz? — Sussurrou para Louis.
— Deixa ele chorar — Louis sussurrou de volta, enquanto tentava encontrar alguma posição para carregar a bebê. A virou de frente, e ela chorou mais alto. Apoiou sua cabeça em seu peito, e ela parecia dar coices com os pés de tanta fúria. Quando estava prestes a virá-la de cabeça para baixo, Niall voou em seus braços, o impedindo.
— Olha, eu não sou pai nem expert em bebês, mas eu acho que vai acontecer alguma merda se você virar ela de cabeça para baixo — Ele disse, tomando-a dos braços de Louis.
E começou a tremer quando percebeu, pela segunda vez, que não sabia carregar um bebê.
— Louis, toma, tira daqui, tira de mim! Tira! — Começou a gritar, sem fôlego. Louis tomou a criança de volta, e olhou ao redor, à procura de algo que a acalmasse. Se choro estava deixando-o maluco.
— Ali! Niall, pegue aquilo — Ele teve uma ideia ao olhar para o bebê conforto. Niall correu para pegá-lo, e Louis apontou para a mesa da cozinha — Coloca na mesa!
Louis correu com Belia até o bebê conforto que estava em cima da mesa, e prendeu a menina ali dentro novamente. Ela esperneou e chorou bastante ao ser colocada nele, mas Louis tinha um ótimo plano. Começou a balançar o objeto como se estivesse disposto a fazer a criança ficar tonta, e aos poucos ela parava de chorar e o encarava. Niall, lembrando-se do que lera na carta, pegou no meio das almofadas do bebê conforto o brinquedo colorido da Fischer Price que ela gostava de morder. Ao entregar nas mãos da garota, ela o mordeu com tanta voracidade que eles se assustaram.
— Acho que ela está com fome. Eu também — Niall deu a volta na bancada da cozinha, indo até a geladeira — Harry, o que tem aqui para comer?
Mas Harry não respondeu. Estava ainda no sofá, em estado de choque. Mesmo que a bebê tivesse parado de chorar, ele não sabia o que fazer.
Louis suspirou, procurando pelas chaves do carro no bolso. Foi até Niall, arrastando-o pela camisa, enquanto ele conseguia salvar pelo menos um pacote de biscoitos que estava em cima da geladeira.
— O que é isso, mano?
— Vamos ali — Louis disse — Harry, a chave do apartamento. — Pediu estendendo a mão quando chegou perto de Harry.
— Aonde vocês vão?! — Ele finalmente ergueu a cabeça, exibindo seus olhos vermelhos e desesperados. Louis e Niall não podiam deixá-lo ali, naquele estado! Com aquela criança maligna apenas esperando que eles se retirassem para abrir sua boca e começar a tortura com seu pai novamente!
— Você quer mesmo criar essa criança sem ter uma fralda em casa? — Louis indagou, cruzando os braços.
— Espera, Louis, nós vamos comprar fraldas?
— Não, espertinho! O porteiro vai!
— Ah, que alivio — Suspirou Niall.
Tomou mais um tapa na cabeça.
— É óbvio que a gente vai! Daqui a pouco essa menina vai fazer cocô aqui e eu não quero nem ver a merda que vai ser!
— Merda mesmo — Niall riu.
Harry entregou as chaves da porta na mão de Louis, suspirando.
— Eu preciso ir?
— Não. Você vai ficar aqui cuidando dela. E, pelo amor de Deus, não faça nada de errado! Se ela chorar, apenas tente deixá-la dopada com aquele balanço, por favor! — Louis apontou para a mesa.
Belia estava quieta saboreando seu brinquedo.
Harry arregalou os olhos.
— Por favor, não demorem. Ela está esperando o momento para dar o bote em mim!
— Relaxa, Harry! Relaxa! — Louis voltou a arrastar Niall pela camisa, dessa vez em direção à porta.
Os dois sumiram corredor afora sem nem olharem para trás. Harry saberia se virar. Esperavam que sim.

Já dentro do carro de Louis, Niall perguntou enquanto enfiava o vigésimo biscoito dentro da boca.
— Onde você pretende ir?
— Na primeira farmácia que eu vir pela frente, oras! — Louis respondeu.
— Não é melhor irmos ao supermercado? Lá tem comida, e essas coisas...
— Ela come comida?
— Não sei. Mas vai que o Harry não dá leite!
— Niall, você me surpreende cada dia mais — Louis rolou os olhos, desapontado com a mentalidade do amigo. Ambos riram, enquanto ele arrancava o carro da garagem do condomínio.



II

— Por que a gente não para aqui na Duane Reade? — Indagou Louis, ao avistar a farmácia na esquina seguinte. Diminuiu a velocidade do carro, a fim de entrar no estacionamento.
— Não! Nós vamos ao Walmart, lá tem tudo o que precisamos!
— Você só está falando isso porque tem interesse em comprar comida...
— Na verdade a gente vai passar no Taco Bell antes de irmos de volta ao apartamento... — comentou Niall com certa indiferença, enquanto terminava de mastigar o último biscoito do seu pacote — Esses biscoitos não enchem. Mas pelo menos curti o sabor, nunca tinha visto — disse ele enquanto lia o nome no grande pacote — Vou guardar para procurar no supermercado — E o dobrou para guardar no bolso da calça jeans.
Louis desistiu de tentar argumentar para que parassem na farmácia, e seguiu então em direção ao Walmart, que não ficava ali muito longe.

Harry, Niall e Louis moravam num mesmo condomínio, na linda Chicago, no qual eles tinham um contrato com a gravadora Steinfeld Records, mas na verdade eles viviam viajando pelo país fazendo shows e levando adolescentes à loucura. Sua banda, Mountain Cast, estourara havia pouco mais de um ano e meio, mas existia há mais de três anos. Os três amigos se conheceram num centro de intercâmbio, sendo Harry da Inglaterra, Niall da Irlanda e Louis de Chicago, este apenas se voluntariando na escola para a qual os outros dois amigos foram encaminhados na época. Jovens amantes da música, logo trataram de se conhecer por força maior do destino, e desde o primeiro dia nunca mais tocaram sozinhos. Montaram a banda naquele mesmo verão e passaram a tocar de graça nos intervalos das aulas, sábados em barzinhos, e até no próprio metrô os garotos chegaram a tocar. Ainda bem! Já que uma mistura perfeita de música alternativa, rock e pop jamais pode ser desperdiçada! Suas músicas, desde sempre, variavam num estilo que se encaixava perfeitamente entre Coldplay, U2 e boybands adolescentes como Backstreet Boys, Nsync ou até mesmo os Beatles. À medida em que o primeiro ano de intercâmbio dos garotos ia passando, eles passavam a ficarem mais conhecidos pela cidade, finalmente tocando em bares com uma remuneração que os permitia até tomar um sorvete no fim de semana. Assim, após o fim do intercâmbio, Niall e Harry conseguiram convencer seus pais a deixarem-nos viver num apartamento alugado no centro da cidade, juntamente a Louis. E sem data para voltar pra casa, o sucesso foi crescendo, até que uma das maiores gravadoras da cidade de Chicago, e que também se colocava entre as maiores gravadoras dos Estados Unidos, resolveu contratá-los. Em menos de um mês seu single estourou nas rádios da cidade, e como numa progressão geométrica logo estava tocando nas melhores rádios do país e eles nunca mais tiveram a paz do anonimato! Com isso vieram viagens e shows pelo país, pelo exterior – e não é que voltaram pra casa? Mas foi só para cantar mesmo! -, entrevistas, autógrafos, campanhas, mais autógrafos, festas, dinheiro, mais autógrafos e muitos, muitos fãs! Principalmente garotas entre os 15 e os 20 anos! Ah, elas vinham aos montes! Atacavam os garotos sem dó se os vissem na rua, não conseguiam se conter. Mountain Cast estava no top 10 da Billboard em cinco países, e a tendência era subir cada vez mais. O sucesso estava apenas começando! Bom... Caso nada os atrapalhasse, é claro. Um escândalo, por exemplo.

Finalmente chegaram ao Walmart, e após se equiparem com seus bonés e capuzes, foram entrando rapidamente para evitarem qualquer tumulto. Era uma terça-feira à tarde, então podiam ter um pouco menos de medo, já que as famílias, geralmente, faziam compras nos sábados à noite. Niall logo tratou de pegar um carrinho e pendurar-se no apoio de mãos, arriscando-se numa acrobacia em que ele corria e pendurava-se, sendo levado pelo carrinho. Louis o repreendia pelo olhar enquanto esperava, de braços cruzados, na entrada do supermercado. Com um sorriso amarelo ele chegou até o amigo, fingindo que nada havia acontecido.
— Só queria contar que, caso você não se comporte, nós vamos ser mortos — disse Louis calmamente — Eu sei bem que você ainda está em estado de choque por conta da novidade, mas você não precisa mais agir feito uma criança. Tá bem? Você tem dezenove anos, sabe se comportar. — E logo após proferir suas palavras de pai, Louis começou a andar calmamente à frente de Niall. Este pigarreou, endireitando-se, e seguiu o amigo em direção aos corredores do supermercado.
Como todo Walmart, aquele também era imenso. Vendia todo tipo de bugiganga que qualquer pessoa precisasse, além de comida, muita comida. Enquanto caminhavam um longo caminho até a sessão de perfumaria e produtos infantis, cruzaram vários corredores cheios de pacotes de biscoitos, batatas fritas e refrigerantes gigantes. Niall colocava no carrinho aquilo que o interessava, e isso quer dizer praticamente tudo. O garoto sempre fora bem guloso, daqueles que comem uma pizza inteira ou dizem “ainda bem!” ao oferecer comida para alguém que não aceita.
Em virtude disso, a dispensa de seu apartamento estava vazia, então ele iria aproveitar a viagem para reabastecê-la.
— Louis, o que será que a Naomi dava para a Belia comer? — indagou Niall, enquanto eles entravam num corredor abarrotado de leite em pó, suplementos infantis e papinhas de todos os tipos e sabores.
— Não sei... — Louis respondeu distraído — Cara, isso daqui é tipo a Disney das lactantes! — Ele exclamou, fascinado, ao olhar para a prateleira de suplementos e leites — Pensa no lucro!
— Na verdade eu só consigo pensar na hipnose dos bebês ao serem trazidos até esse corredor — Niall respondeu, virando-se para a frente — Ei, olha só! Veja os olhos daquele bebê! Ele está desorientado — Cochichou, apontando para um carrinho de bebê que estava parado alguns passos à frente. A mãe da criança olhava papinhas enquanto o pequeno, de tamanho aproximado a um ano, tinha os olhos arregalados, olhando para todas as direções, e babava, impressionado — parece que vai atacar um potinho desses a qualquer instante!
— Parece você no corredor de chocolates — comentou Louis, e logo riu. Niall não achou a mínima graça.
— Você não é nem um pouco engraçado — Niall rolou os olhos — Isso deve ser bem gostoso — Disse, enquanto seguia até as papinhas salgadas — Será que eu conseguiria sobreviver disso? Tem um tamanho bem compacto, eu posso levar até no bolso! Seria ótimo — indagou, pegando três potes de sabores diferentes: beterraba, carne com legumes e frango com cenoura. — Carne com legumes. Será que é tipo sopa batida no liquidificador?
Louis se aproximou do amigo, tomando um dos potes de suas mãos.
— Não sei... Mas deve ser. Na minha época não existia isso, eu comia mingau de aveia mesmo ou então cenoura amassada... — comentou, lendo o rótulo — Aqui na composição só tem os ingredientes. Nada de aveia ou essas coisas químicas.
— Deve ser legal trabalhar nessas fábricas. Tipo assim, se você sentir fome, é só pegar uma colher na panela de sopa gigante dos caras, e pronto! Ninguém nem deve perceber com o tanto que deve ser fabricado...
— Concordo.
— O que acha da gente...?
Louis e Niall se entreolharam, parecendo conectar os pensamentos.
Sim, eles estavam pensando a mesma coisa.
A mesma ideia mirabolante.
O mesmo sorriso malicioso e diabólico surgiu no rosto de ambos.
Rapidamente, Niall começou a ler o rótulo de todos os potes disponíveis, enquanto Louis procurou no lado oposto do corredor por uma colher. Encontrou várias, e acabou catando a primeira que viu pela frente, uma pequena colher azul de silicone. Abriu disfarçadamente a embalagem, enquanto Niall vinha na sua direção, tentando esconder o pote que tinha em mãos.
— Frango, batatas e macarrão. Tudo isso dentro de um potinho! — comentou, e finalmente conseguiu abrir o pote. Louis pegou um pouco, levando até a boca.
— Frango, batatas e macarrão!! — Exclamou, ávido — TUDO ISSO DENTRO DE UM POTINHO! — E não conseguiu se conter, acabou gritando.
Niall rapidamente tomou a colher de sua mão, pegando uma boa quantidade para ele dentro do pote, e levou a boca. Obviamente a papinha derramou em sua camisa, já que a quantidade que ele buscou não coube na colher. Mas quem disse que ele se importou com isso?
Seus olhos brilharam ao sentir a explosão de sabor correr sobre suas papilas gustativas. Louis o encarou, também empolgado.
— Caralho! — Niall exclamou de boca cheia — Frango, batatas e macarrão!
— Frango, batatas e macarrão! — Louis exclamou de volta — a gente pode comprar vários e abastecer a geladeira disso! Nunca mais vamos precisar comprar comida!
— Eu nunca vou conseguir cozinhar um frango com tanto sabor! Meu Deus, isso foi criado por... por... Deuses!!! — Niall dizia enquanto buscava mais papinha dentro do pote. Sua boca estava tão cheia que ele mal conseguia falar. Louis tomou o pote de suas mãos e acabando com todo o conteúdo, encheu a boca, enquanto corria com o carrinho de volta até a fonte da felicidade suprema em potes de vidro.
Niall o seguiu, também apressado.
— Pegue uma de beterraba com carne seca — Niall apontou para o pote — E essa daqui de cenoura. Deve ser boa! Pegue também essa sopa completa, e vê se você acha alguma de Yakissoba — disse, finalmente ajudando Louis a pegar vários potes para colocar no carrinho.
— Eu acho que a Belia vai gostar de banana com maçã — Louis pegou mais cinco potes do mesmo sabor — E quem sabe ela goste de frango com cenoura. Como esses caras inventam tantos sabores?!
— Nós vamos fazer um banquete para provar todos! — Niall abria mais um pote de papinha, dessa vez de carne com legumes. Pegou a colher que já estava usada, e começou a saborear mais uma iguaria.
Meu Deus, como aquilo era fantástico! O sabor puro, envolvente, enchia sua boca e saciava sua vontade, satisfazendo-o mais a cada colherada! Louis mal podia esperar para experimentar esse novo tempero!
— Deixe-me ver essa — Disse Louis, finalmente terminando de colocar o último pote da prateleira no carrinho. Ele comeu do novo sabor, e estava cada vez mais apaixonado pela indústria de alimentos para bebês.
— Céus, isso é muito bom — Niall sorriu triunfante ao observar o carrinho de compras abarrotado de papinhas. Devia ter pelo menos 50 potes ali dentro — Nós vamos ter comida pro mês inteiro!
— Não acho que a Belia deveria comer isso. Pode ser que ela goste e não sobre nada para nós — comentou Louis — A gente devia levar leite para ela.
— Concordo — Niall afirmou com a cabeça — Até mesmo a de banana com maçã deve ser boa para nós. Afinal de contas, precisamos de sobremesas...
— Vamos buscar um leite para ela.
— Vamos.
— Lembra daquele comentário da Disneylândia das mães?
— Uhum — Niall concordou.
— Acho que aqui é a nossa, na verdade.
— Eu concordo. Só fico triste porque não achei nenhum sabor mais elaborado tipo Yakissoba. Eu realmente queria comer Yakissoba hoje!
E então os dois gargalharam, andando na direção dos leites em pó. Ao lado deles, havia uma prateleira enorme, lotada de mamadeiras de todos os tipos, modelos e marcas possíveis. Nuk, Chicco, Philips Avent, Fischer Price, Dr Browns... Niall não sabia para qual olhar. Afinal de contas, mamadeiras não eram todas iguais, que só se coloca o leite lá dentro, sacode, e encaixa na boca do bebê?
Não?
Por que diabos ninguém nunca contou isso a ele?!
— Meu Deus — Ele disse boquiaberto, enquanto segurava a décima mamadeira diferente — Eu não estou pronto.
— Pronto para quê, Niall? — Perguntou Louis, aproximando-se com uma pirâmide de potes de leite em pó nos braços.
— Não estou pronto para ser pai — Niall o encarou perplexo, mostrando as duas mamadeiras diferentes que ele segurava em cada mão. Uma dizia ter bico ortodôntico, e a outra dizia ser anti-cólicas — Me tira daqui!
— Pega qualquer uma! — Louis disse, jogando as latas no carrinho.
— Você diz “qualquer um” enquanto foi capaz de trazer todas as marcas de leite em pó disponíveis? Você certamente não sabe escolher qualquer um — Niall ri, observando o carrinho.
— Então traga uma de cada. Eu preciso ser prático. Não nasci para ser pai — Louis deu de ombros. Eventualmente, aproximou-se da prateleira onde Niall estava procurando por mamadeiras, e resolveu se aventurar com cada uma daquelas que ali estavam. — Nós temos bastante dinheiro, certo? Então vamos levar uma de cada — E começou a jogá-las dentro do carrinho sem nem olhar as especificações — Se não servir, a gente doa pra caridade...
Niall coçou a cabeça, um pouco encabulado com aquilo.
— Como se ninguém fosse desconfiar da gente doando mil mamadeiras para a caridade de repente, né?
— Não vai acontecer nada com a gente mesmo não — Louis sorriu — É o Harry quem vai ser castrado — deu de ombros.
— É mesmo.
— Não podemos nos esquecer das chupetas. Elas são um importante botão de mudo para bebês — Louis disse. Niall balançou afirmativamente a cabeça, já seguindo para o corredor de chupetas para bebês. Onde ele, obviamente, surtou novamente. Pra quê tanta opção?!

Dentro de casa, Harry encarava o bebê conforto de longe, após acordar de um longo cochilo. Havia caído no sono repentinamente em cima do sofá, mas logo acordou com um certo barulho de bebê se divertindo vigorosamente com o seu brinquedo.
Enquanto ele a encarava, tinha um certo receio em se aproximar, pois temia a simples ideia de ela abrir a boca a chorar novamente.
Melhor afastar esses pensamentos, sabe-se lá se bebês conseguem ler mentes. Bebês não são nada confiáveis...
— Tudo bem, Belia, eu já sei o que você é. Uma agente infiltrada! — Harry finalmente começou a proferir algumas palavras, após um longo período de observação e raciocínio — Você tá querendo me dominar! Você é como esses bebês espiões, quero dizer, todos os bebês! — Ele continuou, aproximando-se devagar — Vocês nos observam sem dizer nada, com esses olhinhos brilhantes... Nos encaram, nos mapeiam, buscam o lado mais sensível do ser humano adulto enquanto bolam um plano de dominação terrestre onde haverá muito choro, muita baba, muito cocô fedorento e, principalmente, muito adulto indo pra marte. É isso! — Exclamou ele, passando a mão pelos cabelos — Vocês realmente querem dominar o mundo! Ah, esses olhinhos, narizinhos, as mãozinhas não apenas nos observam e nos encantam como nos levam para o ninho de vocês! — Ele apontou para a garota — Onde lá nos esperam mil bombas de fraldas sujas e fedorentas prontas para nos matar!
Harry abaixou-se perto da mesa onde o bebê conforto estava, escondendo-se do olhar da criança. Ele realmente estava começando a acreditar naquela maluquice que pensara instantes atrás.
De fato ele não estava preparado para ficar sozinho com uma criança em seu apartamento.
— Você não vai me pegar! — Exclamou. Belia começou a bater os pés, fazendo com que o bebê conforto balançasse — Meu Deus você está tentando escapar! — E então rapidamente Harry se esgueirou para debaixo da mesa, escondendo-se. — Fique onde está, criança! Ou eu chamo a polícia para você!
E no mesmo instante, a campainha tocou. Harry deu um pulo, batendo a cabeça contra o tampo da mesa.
— Droga! — Exclamou, passando a mão sobre o local. Havia doído um bocado — O que você está tramando contra mim, mini-agente?! Já é meu extermínio?!
E a campainha tocou novamente, dessa vez por um longo período. Alguém do lado de fora parecia bem desesperado. Harry decide então correr até lá. Mas ele não poderia deixar que Belia o visse.
Então, seguindo seu plano de manter-se o mais invisível possível perto daquela criaturinha, ele engatinhou até a porta. Destravou a chave, e de repente algo mais forte que ele atingiu sua testa, fazendo com que ele caísse deitado de costas.
Como se já não bastasse a dor que sentia, algo também atropelou suas pernas esticadas no chão.
— Porra! — Foi o que ele conseguiu exclamar após ser duplamente atingido.
— Harry!
— Niall!
— Harry!
— Niall!
— Harry!
— Nia... Mano, o que é isso? — Harry finalmente encarou o objeto que havia passado por cima de suas pernas. Seria um carrinho de bebês ou quem sabe um caminhão?! Ele levantou a cabeça, checando se sua canela ainda estava inteira e não esmagada com fratura exposta. Estava tudo bem. Aquele caminhão não o destruíra completamente.
— Coisas para bebês — Disse Niall, enquanto empurrava o carrinho para dentro. Só então Harry percebeu quantas sacolas haviam dentro do carrinho.
E como se já não fosse o suficiente, Louis entra arrastando cerca de vinte sacolas abarrotadas de coisas. Céus, o que era aquilo?
— Vocês compraram o supermercado inteiro?! — Harry indagou, assustado.
— Não. Na verdade, só metade do estoque de coisas para bebês — Louis respondeu-lhe, enquanto saia pela porta e entrava novamente em menos de 10 segundos carregando mais sacolas.
— Compramos só o necessário — Niall corrigiu Louis. Ele então foi do lado de fora ajudar o amigo a carregar a imensa caixa da Fischer Price que ele tentava carregar.
— Cara, é sério, o que é isso?! — Harry, sentou-se rapidamente, encarando aquele mundo de coisas no Hall do seu apartamento — Vocês trouxeram um balanço para bebês?!
— Você se lembra bem como eu fiz ela parar de chorar? — indagou Louis — Furando a mesa com aquele bebê conforto, não foi? Pois agora você não vai mais precisar de braços para isso! Essa maravilha aqui faz tudo sozinha! — Ele piscou para o amigo. Harry jogou-se no chão, deitado novamente.
— E ainda toca músicas! E tem entrada para iPod! — Niall completou — Você precisa ver como é legal. Eu preciso de um para mim! Vou dormir feito um bebê... Literalmente!
— Eu preciso de um remédio que me faça dormir por, quem sabe, umas 48 horas... — Harry comentou, atônito — E quem sabe quando eu acordar, isso tudo vai ter sumido. Não vai ter passado de um sonho!
Louis abaixou-se perto do amigo, para dar um tapa em sua cabeça.
— Não. — Foi a única coisa que disse, na tentativa de fazê-lo acordar para a vida. Aquela história de Harry dramático já estava cansando.
Harry sentou-se, passando a mão sobre os longos cabelos cacheados. Suspirou, encarando a porta.
— Acabou?
— Acho que sim — Respondeu Niall, entrando pela porta com as últimas sacolas. Bateu as mãos uma na outra, e encarou tudo aquilo.
Mas é claro que ele procurava pelos seus potes de papinha. Óbvio. Evidente.
— Estão aqui — Louis pareceu ler seus pensamentos, e levou até o sofá três sacolas cheias de potes. — Nós vamos dividir? Ou vamos deixar tudo na casa do Harry e eventualmente a gente vem aqui comer? — perguntou.
— Vamos deixar aqui. Minha dispensa vai ficar lotada com as compras que eu fiz — respondeu.
— O que vocês vão deixar aqui?
— Nossa comida pro mês.
— Vocês fizeram as compras do mês pra mim?
— Não, né, idiota — Niall respondeu-lhe com ironia — Esses são os meus almoços e os do Louis. Todos prontos, só precisamos abrir e comer. E tem cardápio variado! — sorriu.
Pegou em uma das sacolas um pacote de biscoitos igual ao pacote que havia levado consigo mais cedo.
— E isso aqui é pra você — Colocou o pacote em cima da mesa.
— Ah, claro, vocês compram almoços para vocês e depois querem que eu coma biscoitos? Podem tratar de dividir isso daí fazendo favor! — Harry levantou-se num pulo, esgueirando-se entre as sacolas para ir até a cozinha e avançar nas sacolas dos dois amigos.
— Harry, isso daqui nem vai te fazer bem. Lembra bebês...
— Ah, claro, Louis. E eu não posso consumir nada que me lembre bebês?
— Acho que não. Agora a pouco você estava aos prantos por conta de um bebê.
— Chega! Foi um momento... um momento de fraqueza! — Harry exclamou — É porque isso daqui — E apontou para a menina — é uma espiã! Ela está aqui para acabar conosco, e quer que eu seja fraco. Ela está apenas guardando os meus momentos de fraqueza! E não vai ser com essa comida que ela vai ter mais alguma informação! — Harry abriu uma das sacolas, sacando dali um dos potes.
— Você tá maluco — Louis riu pelo nariz — Espiã... Onde já se viu...
— Isso daqui é papinha de bebê!
Exato! — Niall exclamou — Papinha de bebê! A melhor invenção culinária do século!
— Você só pode estar brincando — Harry rolou os olhos.
— Pois então experimente, já que você está duvidando da gente — Louis sugeriu, apoiando-se sobre a bancada.
Harry deu de ombros, enquanto abria o pote. Buscou por uma colher dentro da cozinha, e sorriu para os amigos, antes de experimentar um pouco daquilo. Não parecia nada demais.
E de repente, suas papilas gustativas foram invadidas por um gosto horroroso, terrível, nojento, que o fez salivar e soluçar. Mas que diabos era aquilo?! Tinha gosto de... vômito!
Harry mal pode raciocinar e já corria para o banheiro. Louis e Niall se entreolharam, assustados. O que havia acontecido com Harry? Correram até ele, batendo na porta do banheiro.
— Cara, você está bem?
— Que droga é essa que vocês arranjaram para comer! — ele exclamou de dentro — Isso é horrível! Como vocês conseguem dizer que isso é bom? Quer dizer, como vocês conseguiram comprar três sacolas dessa coisa nojenta?!
— Você tá louco!
— Não ouse ofender meu almoço desse jeito! — Niall exclamou na defensiva.
E de repente, ouviu-se um choro de bebê vir da direção da cozinha. Ah, Belia... Agora é que Harry não sairia mesmo do banheiro. Mesmo que fosse para dar explicações com relação às ofensas que proferiu à maravilhosa papinha de frango, batatas e macarrão!
Louis correu até lá, desamarrando Belia da cadeirinha. Niall o acompanhou, sem saber o que fazer.
— O que a gente faz agora?!
— Acho que ela está com fome. Faz muitas horas que ela está aqui sem comer — Louis analisou — Está na hora da gente testar as mamadeiras!
— Oba! — Niall vibrou, correndo até a sala e procurando pela sacola que continha as mamadeiras. Eles compraram um total de 18 mamadeiras de diferentes marcas e modelos. — Vamos pegar na sorte — Ele sorriu, enquanto colocava a mão dentro da sacola com os olhos fechados, e tirava de lá uma mamadeira de tamanho médio, de uma marca chamada Philips Avent. — Achei que a Philips só fabricasse televisão — Comentou, enquanto rasgava a embalagem — O que a gente faz agora?
Louis segurava Belia e a chacoalhava para cima e para baixo, mas a bebê não parava de chorar.
— A gente faz o leite. Pegue o leite em pó.
— Qual?
— Qualquer um. Pega na sorte que nem foi com a mamadeira!
— Tá! — Niall correu até a sacola de leites em pó, e tirou de lá um suplemento para bebês abaixo de seis meses. — Aqui nas instruções manda misturar quatro medidas em 120ml de água quente. Como eu faço?
— Pega da torneira — Louis apontou para a pia. Niall correu até lá com a mamadeira, e encheu 120ml de água quente. Em seguida, abriu a lata de leite, e colocou dentro as quatro medidas indicadas. Encaixou o bico da mamadeira, e chacoalhou.
Derramando bastante leite na cozinha toda. E em sua roupa toda.
— Idiota, você precisa apertar o bico para não vazar!
— Ah, tá, desculpa! É que eu nunca fiz isso!
— Nem eu! — Louis rolou os olhos — Anda, dá aqui — E tomou a mamadeira das mãos de Niall. Chacoalhou corretamente, e colocou na boca de Belia.
A garota calou-se no mesmo instante, sugando todo o líquido como se aquilo fosse a última fonte de nutrição do mundo.
Harry finalmente apareceu na cozinha, no minuto em que Belia ficara finalmente em paz. Ele encarou os dois amigos, observando atentamente cada movimento da bebê. E viu também que eles estavam alimentando-a.
— Olha, vocês estão dando de comer para ela — Harry disse, aproximando-se devagar — E que bom que não é aquela coisa nojenta! — colocou a língua para fora em sinal de vômito forçado. Niall o encarou, balançando negativamente a cabeça.
— Aquilo é ótimo. Gosto do fato de você não ter aprovado, assim sobra mais pra mim e pro Louis — deu de ombros — E sim, estamos alimentando-a. Eu já posso ser mais pai que você, já que eu mesmo preparei o leite, e ela está gostando — sorriu triunfante.
— Vocês compraram essa mamadeira? — indagou Harry, curioso.
— Sim, essa e mais dezessete modelos diferentes — Louis sorriu.
— Deze... Dezessete?
— Sim, a gente não sabia de qual ela iria gostar.
— E por acaso nesse tempo tão curto em que eu estive no banheiro, deu tempo de vocês limparem tudo? Quero dizer, lavar a mamadeira, ferver, ferver a água... — perguntou ele.
Niall e Louis arregalaram os olhos, encarando um ao outro. Olharam então na direção da mamadeira, percebendo que ela ainda tinha uma etiqueta do supermercado colada em seu corpo.
— Hum... Pra falar a verdade... A gente...
— A gente ta adotando um novo método de anticorpos com ela — Louis sorriu amarelo.
Louis e Niall eram muito distraídos! Como assim faziam uma mamadeira para um bebê sem nem ao menos lavar a mamadeira antes?!
— Vocês são malucos?! — Harry exclamou, com raiva — Vocês vão matar a menina com uma infecção! Imaginem quantas bactérias não tinham nessa mamadeira que vocês enfiaram na boca da minha filha!
— Uou, pera aí grandão, você nem ao menos se deu ao luxo de vir ver o porquê da sua filha estar chorando! — Louis de prontidão o respondeu, ríspido.
— Só um chorinho dela você já sai correndo assustado! Você é pai há menos de três horas e já fica aí se achando o rei da fralda limpinha, ou melhor, da mamadeira fervida! Calma lá, amigão, ao mesmo tempo em que você acha que tá mandando na parada, você não consegue nem segurar a sua filha enquanto ela tá chorando! A gente é quem ta fazendo tudo!
— Mas vocês estão fazendo errado! — Harry bateu a mão na mesa, com raiva — Vocês estão colocando a vida dela em risco!
— Então ótimo! — Louis arrancou a mamadeira da boca de Belia, fazendo-a se assustar e começar a chorar. Estendeu a garota para Harry, que não teve outra opção a não ser segurá-la. Na outra mão, ele colocou a mamadeira — Você quem cuide dela então! Porque a gente tá tentando te ajudar e você está dando piti aí!
— Vai lá, faz ela parar de chorar! — Niall rolou os olhos.
Harry os encarou assustado. Ele havia feito errado em querer proteger a menina? Mesmo se não fosse filha dele, ele não deixaria que colocassem coisas sujas dentro de seu organismo! Era um perigo iminente, ela era apenas um bebê de cinco meses!
— Pois faço. Com essa mamadeira suja mesmo! — Harry a ajeitou em seu colo, meio sem jeito, e finalmente deu a ela o que ela queria. Belia calou-se enquanto voltava a mamar — Mas, caras, pelo amor de Deus, vamos ferver as mamadeiras! Eu sei, fui meio imbecil em xingar vocês por conta disso nesse momento, mas mesmo assim! Nós sabemos o quanto supermercados são sujos!
— A gente sabe, Harry. Foi um acidente — Niall justificou-se — É que a gente estava com pressa.
— Droga, nós também não sabemos o que fazer! É tudo novidade, entendeu? Eu nunca nem joguei as fraldas sujas das minhas irmãs no lixo! — Louis exclamou — Imagina só ter que fazer tudo com essa menina aí que a gente conheceu agora?!
— Eu nem sabia fazer uma mamadeira até ler as instruções que vêm na lata do leite! — Niall acrescentou, indo até a sacola de mamadeiras e jogando todas sobre a mesa da cozinha — Mas pode deixar que agora mesmo eu vou ferver todas. Não quero colocar em risco a vida da Belia.
Harry suspirou, e observou a garota. Em seguida, olhou para os amigos, que abriam as mamadeiras uma por uma, e sim, ele viu o quanto eles estavam se esforçando para ajudá-lo. Não podia agir feito um Neandertal com eles, afinal de contas, eles eram todos pai e tios de primeira viagem. Harry também nunca havia feito muita coisa com bebês, a não ser ajudar a olhar algumas primas mais novas que teve anos atrás. E precisava muito, mas muito da ajuda de Louis e Niall nesse instante. Eles eram uma equipe, certo? Um time! Deveriam jogar juntos sempre. Mesmo que Harry tenha feito o bebê sozinho, e logicamente tenha que arcar com as consequências sozinho, seus amigos estavam dispostos a serem um time e ele não podia desperdiçar tanto companheirismo por conta de uma mamadeira fervida ou algumas bactérias. Belia ficaria bem, nada disso iria se repetir. Ele mesmo iria checar o cartão de vacinas da bebê para ver se tudo estava ok. Se necessário, até estava disposto a ligar para o pediatra e perguntar se ele deveria dar a ela algum remédio, antibiótico, que matasse as bactérias ingeridas, por mais que isso parecesse um exagero de sua parte.
Enquanto Harry terminava de dar de mamar para Belia e seus dois amigos ferviam uma por uma as mamadeiras compradas, o telefone de ambos tocou nos bolsos. Harry não tinha como colocar a mão no bolso para buscar o celular, já que com um braço ele segurava a neném e com a outra mão ele segurava a mamadeira. Louis então tomou o seu. Era um lembrete para os três.
— Temos reunião agora. Céus, quanto tempo se passou?
— Mais ou menos meia hora — Niall disse, olhando no relógio — Já está mesmo na hora. Acho que deveríamos ir todos juntos, né?
— Vamos no meu carro — Harry disse — Eu preciso levar meu violão e minha pasta de partituras que já estão lá dentro. — Ele disse enquanto tirava a mamadeira já vazia da boca de Belia. A garota estava sonolenta, e com poucas balançadas já caíra no sono no colo do pai. Harry cuidadosamente a levou até o bebê conforto, onde ela continuou seu sono profundo e calmo. Olhando assim, ela nem parecia berrar tão alto.
Louis e Niall enxugaram as mãos, enquanto Harry foi até o quarto buscar três camisas para que eles pudessem trocar. A de Niall estava suja de leite, a de Harry também, e a de Louis molhada. Eles se trocaram rapidamente, Harry pegou as chaves do carro, e ambos saíram pela porta da cozinha, que estava mais fácil de chegar até ela.
Chamaram o elevador e enquanto esperavam, cada um pegou o seu celular para checar as mensagens recebidas. Na caixa de mensagens da banda haviam quatro novas mensagens. “Não se esqueçam da reunião”, “Lembrete sobre a viagem a NYC”, “Novo cronograma de viagem” e “Novo membro da equipe de vocês”.
— Olha, temos um novo membro — disse Louis.
— Parece que sim... — Niall concordou — Aqui diz ser uma nova agente. No feminino. Ou seja, teremos uma mulher!
— Espero que ela seja gostosa — Harry comentou em voz alta.
— Rude! — Niall rolou os olhos.
— Cuidado pra não engravidar ela tamb... Espera aí — Louis interrompeu sua fala — Será que não estamos nos esquecendo de...
— Belia! — Harry e Niall exclamaram em uníssono, e Harry começou a procurar pela chave da porta. Niall o ajudou, e ambos correram desesperados até lá. Quando a porta foi aberta, Harry lançou-se dentro da cozinha, encontrando a garota ainda dormindo dentro do bebê conforto sobre a mesa da cozinha. Céus, que susto! Ele quase a esquecera ali!
— Mano, a gente é meio maluco! — Niall exclamou, rindo de nervoso — Precisamos colocar lembretes no celular para não esquecermos a garota!
— Ei, boa ideia! — Harry disse enquanto trazia o bebê conforto até o lado de fora, respirando aliviado — Vou criar alguns lembretes!
— Eu já vou criar um agora para que a gente não esqueça ela dentro do carro!
— Deus que me livre! — Niall brandou — Antes no apartamento do que no carro!
— É, vira essa boca pra lá! — Harry reforçou. O elevador finalmente chegou, e eles adentraram, aliviados por não terem esquecido Belia de verdade.

Já dentro do carro, os três tentaram inutilmente durante quase quinze minutos prender o bebê conforto no banco de trás. Por fim, acabaram desistindo, e amarraram as alças com o cinto de segurança. Niall iria atrás, vigiando para que ele não saísse do lugar. Harry tomou a direção, saindo rapidamente da garagem, já que eles estavam atrasados.
— Beleza, agora além de explicarmos o bebê ainda precisamos explicar o atraso! — Harry reclamou, assim que foi obrigado a parar no sinal de trânsito vermelho.
— Nós não precisamos explicar bebê nenhum... Você quem precisa — Niall disse do banco de trás. Harry o encarou pelo espelho-retrovisor.
— Vocês não vão nem ao menos me ajudar?
Louis suspirou.
— Você não queria ajuda na hora de usar preservativo, né?
— De preferência não!
— Isso foi bem nojento, Louis. Eu não estou disposto a ajudar ninguém nessa parte — Niall pontuou — No máximo posso ir à farmácia comprar alguns pacotes de preservativos. Mas não me peçam mais do que isso!
— Vocês não entendem uma ironia — Louis rolou os olhos — Deixa pra lá.

E Harry arrancou o carro, seguindo em direção à Steinfeld Records, onde uma nova música, novos sermões, uma nova funcionária e um chefe bem nervoso os esperavam.



III

A viagem do condomínio dos garotos até a gravadora pareceu durar uma eternidade com tamanha tensão dentro do carro. A parte boa foi a de que Belia permaneceu em seu sono profundo de Bela Adormecida e não deu um sequer choro durante todo o percurso.
Harry estava tenso na direção, se concentrando o máximo que podia no trânsito. Afinal de contas, estavam com um bebê dentro do carro, e para piorar a cadeirinha não estava devidamente presa no cinto de segurança. Ele não tinha certeza se aqueles nós que Niall dera seriam suficientes para segurá-la. Ou pior, se Niall, que estava no banco de trás com ela, seria forte o suficiente para segurá-la no caso de algum imprevisto. Porém, ele não estava tenso apenas pelo trânsito. Ele estava tenso também pelo que o esperava na gravadora. Como ele iria contar toda a história? Se ao menos ele tivesse se lembrado de pegar a carta de Naomi! Ficara jogada no chão junto com a bolsa da garota. Ele teria que narrar tudo para Liam e seus assessores. Preferia ter deixado a menina em casa, e a escondido de todos até que fizesse dezoito anos de idade e ela pudesse seguir sua própria vida. Seria um ótimo plano.
— Eu estou pensando em não entrar no prédio com a Belia — disse Harry finalmente, exprimindo seus pensamentos — Não apenas hoje, como nunca.
— Harry, você não tem outra opção... Quer dizer, não temos onde deixá-la. — Louis suspirou.
— A gente podia deixar ela na casa dos seus pais, Louis! Eles moram aqui em Chicago mesmo... — Niall colocou a cabeça entre os dois bancos da frente — E depois a gente buscava ela lá.
— Na verdade, a gente podia deixar ela lá e não buscar nunca mais! — Harry sorriu.
Louis cruzou os braços, pensativo.
— Caso vocês não saibam, meus pais têm um emprego, não podem criar um bebê, e minhas irmãs moram no exterior. Ou seja, nem daria para fingir que ela é filha de alguma delas. Vamos encarar a situação com mais maturidade? Ótimo! Harry, você é o pai, você tem que assumir, e pronto, fim do assunto! — Louis deu um basta nas ideias dos amigos, e esticou o braço até o rádio do carro para ajustá-lo numa estação com músicas decentes. Harry bufou, e Niall voltou a se recostar no banco de trás.
Harry então, relutante, teve uma nova ideia.
— Ok, nós vamos levá-la até a gravadora. Mas não necessariamente precisamos apresentá-la ao mundo ainda, né? — Ele coçou uma espinha que nascia em sua testa. Depois, disfarçou sua aparência com a franja — No caso, a gente vai levar ela até lá, mas vamos escondê-la. Eu vou conseguir pensar em uma solução antes do Liam descobrir que eu tenho uma filha!
Niall voltou a meter a cabeça entre os bancos.
— Eu acho massa. A gente pode esconder ela na cozinha! Então a gente vai prosseguir com nossas carreiras brilhantes, faremos nossa turnê pela costa Leste e seremos felizes para sempre!
— Não exatamente assim, mas sim, eu pensarei em uma solução para Belia e nós faremos nossa turnê em paz!
— Não sei se concordo com essa tal “solução para a Belia”. No que você está pensando, Harry? Mandá-la para a Inglaterra para que seus pais ou sua irmã cuidem dela?! Enquanto você foge das suas responsabilidades de pai? — Indagou Louis, cuspindo ironia para todas as direções.
— Não! Quer dizer... — Ele pensou bem — Sim! É isso mesmo! Eu tenho uma carreira, essa criança aí é só um transtorno no meio disso tudo. Aliás, eu nem sei se é minha mesmo...
Niall estalou a língua, ressoando um tom de discordância.
— Negativo, ela é sua sim — ele afirmou — Ela é a sua cara! Não tem como negar isso, Harry. Você pode negar qualquer coisa, menos isso — e riu.
— Droga! Genética maldita!
— Olha, vamos fazer o seguinte: a gente deixa ela na cozinha como o Niall disse, mas só até nós pensarmos em como contar isso ao Liam. Pode ser? — Louis sugeriu — Ela está dormindo, e provavelmente vai dormir por um bom tempo, então fazemos nossa reunião, Harry apresenta a música dele, nós discutimos sobre Nova York e depois disso a gente conta ao Liam. Senão o dia não vai ser nada produtivo!
— Por mim tudo bem — Niall sorriu, e voltou a recostar-se no banco.
Harry suspirou, ainda em dúvida. Mas aquela era a melhor solução até então. Louis tinha razão: ele não poderia fugir pra sempre. Mas pelo menos poderia provar que fazia um bom trabalho. Estava decidido: ele iria contar sobre a existência da criança hoje, mas apenas depois de resolverem todos os assuntos pendentes.
— Ok. Quando a gente chegar lá, um de nós sai com os seguranças e depois os dois que sobrarem levam a criança despistadamente até o banheiro, depois até a cozinha — Harry disse.
Louis e Niall concordaram. Acabaram por decidir que Harry entraria primeiro, para distrair os seguranças, e logo em seguida os outros dois amigos levariam a neném até o banheiro, onde esperariam a poeira baixar para irem até a cozinha.

O prédio da Steinfeld Records era bem alto. A gravadora ocupava os seis últimos andares de um dos maiores arranha-céus de Chicago, o Water Tower Place, e o caminho de elevadores até o sexagésimo oitavo andar era bem extenso. Harry saltou primeiro do carro com seu violão pendurado no corpo e sua pasta de partituras, e logo os três amigos conseguiram passar com sucesso pelos seguranças sem que eles percebessem que havia um bebê na mão de um deles. Agora o próximo passo era torcer para que ninguém entrasse no elevador no decorrer dos 68 andares. Infelizmente, eles não haviam pensado nessa possibilidade quando bolaram o “plano perfeito”. Agora era torcer para que nada intervisse. Por via das dúvidas, Louis preferiu deixar o bebê conforto no chão e cada um pegou seu celular, como se não tivessem nada a ver com aquela criança ali.
Por sorte, ou nesse caso por milagre, todo o percurso foi tranquilo. Ninguém pareceu querer destruir a vida dos três, portanto ninguém de nenhuma firma que habitava aquele condomínio resolveu chamar o elevador nos dois minutos que se passaram. Talvez os dois minutos com mais adrenalina da vida dos amigos. Assim que chegaram ao andar térreo da gravadora, os três pularam rapidamente do elevador. Niall carregava o bebê conforto atrás de seu corpo, apenas por precaução, e Louis ia na frente, abrindo espaço. A reunião seria no mesmo andar, e após passarem pelo corredor que também estranhamente estava vazio, os três se enfiaram dentro do banheiro masculino. Também ninguém por ali.
— Será que houve um apocalipse zumbi no prédio? Ou só eu que não notei a presença de nenhuma alma viva por aqui? — Indagou Niall.
— Niall, não ofenda o momento perfeito que o destino providenciou para nós! — Harry o advertiu — Vai que ele resolve brincar com a gente e colocar algum repórter saindo dessa cabine aqui — Disse, enquanto adentrava a cabine do banheiro para utilizar a privada.
— É, melhor mesmo apenas aceitar a situação com cordialidade... — Niall concordou.
Louis foi até a porta e a abriu.
— Vou dar uma olhada na situação da cozinha. Já venho informar a vocês. — E sumiu corredor afora.
Niall colocou o bebê conforto em cima da pia, observando a garotinha. Sua cabecinha estava tombada de lado, e ela dormia um sono tão profundo que parecia uma boneca. Era tão bonita! Se a situação fosse outra, ele até seria capaz de colocá-la para fazer campanhas publicitárias para fraldas e pomadas de bebê.
— Harry, eu preciso admitir, você fez um ótimo trabalho... — Comentou.
Harry abriu a porta da cabine, fechando o zíper da calça. Foi até a pia, ao lado da bebê, e começou a lavar as mãos.
— O que você quer dizer com isso?
— É uma linda criança!
Harry então fechou a torneira, e enquanto secava as mãos na própria camisa, observou atentamente Belia. Ele já havia reparado na neném antes, mas dessa vez ele estava um pouco mais calmo, e conseguiu perceber alguns detalhes que até então haviam passados despercebidos. Como por exemplo uma mancha de nascença marrom no antebraço direito, quase em seu pulso.
Harry esticou o braço na direção de Niall e apontou para o braço da bebê, sorrindo.
— Sacou?? — Ele continuava a sorrir largamente. Niall percebeu as duas manchas e sua boca se abriu imediatamente. Ele estava maravilhado.
— Cara! — Exclamou — É igualzinha!
— Não é??? — Harry concordou — Mano, tipo assim, caralho! Que legal! Eu nunca achei que ia conseguir fazer algo tão bem feito!
— Você mandou bem demais — Niall deu dois tapinhas nas costas de Harry — Já pode começar a espalhar sua marca pelo mundo!
— Por favor, menos — Harry perdeu sua empolgação ao pensar na ideia — bem menos! Essa daqui já é suficiente por enquanto! — E sorriu. Niall concordou com a cabeça.
No mesmo instante, Louis abre a porta do banheiro num baque.
— Zero chances de ela ficar na cozinha! — exclama, eufórico — Estão servindo café lá agora. Como sempre!
— Ah, isso explica o sumiço repentino de todos aqui dentro...
— Eu queria beber um cafezinho, por falar nisso — Comentou Harry.
— Ok, Harry, mas antes, foco! A gente tem que decidir onde vamos deixar a menina! — Louis estalou os dedos de frente para o rosto de Harry. Este coçou o queixo, pensativo.
— Vamos deixá-la no banheiro, então! — sugeriu Niall.
— No banheiro masculino? Sem ninguém olhando? Sem chances... Somos a prova viva de que homens não sabem lidar com bebês que aparecem assim, de repente! — Harry discordou com a ideia do amigo.
— Pois então vamos deixar ela no lugar onde várias mulheres vão, várias vezes ao dia, e sabem lidar com essas coisas: no banheiro feminino! — Niall tentou novamente.
Louis resolveu considerar a ideia. Afinal de contas, eles não tinham outra opção, a não ser de fato levar Belia e já contar toda a verdade. Mas nem ele apoiava isso mais, já que eles precisavam trabalhar com urgência! A turnê estava se aproximando e uma confusão dessas iria exigir no mínimo mais duas semanas e eles mal poderiam ensaiar antes de partirem para NYC.
— Eu acho uma boa ideia. Sem falar que o banheiro feminino é mais limpo — Disse ele.
Harry suspirou.
— É isso ou levá-la... — Ele ajeitou o cabelo — E então, quem vai ser o felizardo que colocará ela dentro do banheiro feminino?
— Eu vou — Louis sacou o bebê conforto nos braços — Me deem cobertura, por favor!
— Certo. Vou indo na frente para me certificar que ninguém está vindo até aqui pisar nas nossas vidas com aqueles saltos finos de secretária que temos nessa empresa! — Niall saiu do banheiro, cheio de valentia.
— Eu vou com ele — Harry sorriu, fugindo em seguida.
Após verificar o corredor, Louis saiu do banheiro, adentrando a porta ao lado. Conferiu se não havia mulher nenhuma dentro do recinto e aí sim seguiu até a pia, onde colocou o bebê conforto num canto próximo à parede. Pelas próximas duas horas, Belia deveria permanecer dormindo e quieta ali dentro! Para ajudar, o banheiro parecia ter acabado de ser limpo, e cheirava a lavanda.
— Tomara que lavanda acalme bebês — Sussurrou ele sozinho, enquanto saia, olhando em todas as direções.
Encontrou Niall e Harry no corredor, ambos aliviados.
— Ela está bem? — Indagou Harry.
— Sim, está dormindo feito um neném num antro de lavandas frescas — sorriu.
— Então vamos embora logo, porque estamos atrasados! — Niall puxou Harry pelo braço, em direção ao final do corredor, onde ficava a sala de reuniões.
De repente, a alguns metros deles, a imensa porta de madeira se abriu, revelando uma mulher alta e loira. Ela vestia-se elegantemente como as mulheres que ali trabalhavam, mas seu rosto não era nada familiar. Louis, Niall e Harry se entreolharam. Com certeza os três haviam sido plenamente seduzidos por aquele vestido preto clássico que ela usava, e seus cabelos loiros caindo pelos ombros em ondas perfeitamente alinhadas. Parecia até que o vento batia propositalmente contra seu rosto, e eles juravam poder sentir o perfume vindo de seus cabelos. Sem falar nos óculos de aro preto quadrados que davam o toque final. Ah, aquela mulher havia feito o sangue bombear forte nas veias dos três.
— Eu estou vendo um anjo — sussurrou Niall, maravilhado.
— Estamos tendo a mesma visão — Harry concordou.
Louis não conseguia encontrar palavras.
A mulher passou por eles e os cumprimentou com a cabeça, enquanto continuava corredor afora. Os garotos a acompanharam com as cabeças, virando-se completamente para olhá-la, e o sangue deles, que corria velozmente pelas veias, se congelou no instante em que ela parou na porta do banheiro.
— Faz alguma coisa! — Foi o que os três sussurraram juntos.
Harry, num reflexo repentino, disparou na direção dela, desajeitado com aquele violão preso nas costas.
— Ei, espera! — Exclamou, estendendo um braço.
A loira soltou a maçaneta da porta, virando-se na direção dele.
— Você... Você deixou cair... — “O quê? O que ela deixou cair, Harry? O que você vai falar para evitar que ela entre aí e destrua sua vida?!” ele pensava. Harry precisava de alguma estratégia para distraí-la. Mas no que ele era bom?! Ah, sim... Ele havia se lembrado de algo em que ele era muito, mas muito bom! — Você deixou cair meu coração — Ele se abaixou aos pés dela, e em seguida levantou-se, levando as mãos ao peito. A encarou com seus imensos olhos verdes.
A moça piscou algumas vezes, sem entender aquela reação. Era uma cantada? Uma cantada de Harry Oats ali, no meio do corredor da gravadora? Quem ele pensava que era para ter esse direito?
— Perdão? — Ela preferiu perguntar e esclarecer suas dúvidas. Torcia para que aquilo não fosse real.
— Desculpe se estou sendo grosso — Harry se endireitou, e sorriu. Então, deu a volta ao redor do corpo da mulher, e posicionou-se de frente para ela, dando as costas à porta do banheiro. Se necessário, ele estava pronto para até mesmo beijá-la para que ela não avançasse dentro daquele lugar. Harry pigarreou, percebendo que a expressão da loira havia mudado de mal para pior: ela arqueara uma das sobrancelhas — Meu nome é Harry. Harry Oats — E então estendeu sua mão.
— Eu sei.
— Ah, sim, claro... Desculpe-me — Ele coçou a cabeça, recolhendo a mão que havia estendido — Você não... Vai se apresentar de volta?
— Não acho que isso seja necessário.
— Ah, claro que é! Como vou poder te convidar para tomarmos um café se nem ao menos sei o seu nome?
— Desculpe, mas de prontidão eu já vou recusar o convite para o café. Estou muito atrasada, e realmente preciso entrar nesse banheiro — A moça sorriu, parecendo um pouco mais simpática.
— De jeito nenhum! — Harry respondeu na defensiva — Você não... Você não vai entrar aqui, quanto mais recusar meu convite! Não aceito um não como resposta!
— Ah, você aceita sim — Ela então avançou. Harry tocou em seu ombro, impedindo-a.
— Não faça isso comigo. Você já deixou meu coração cair e agora está pisando nele? Poxa... Eu peguei pra você, tá aqui, eu queria que você cuidasse dele pra mim!
— Acho que você consegue algo melhor agendando uma consulta com o cardiologista da empresa — E então a mulher desviou-se de Harry, alcançando novamente a maçaneta da porta. Harry suspirou, e tocou a mão dela.
— Olha, não vai demorar nem dois minutos... Primeiro, me diz seu nome, e venha comigo até a cozinha. Eu preparo nossos cafés naquela cafeteira legal enquanto você usa o banheiro adjacente de lá... Me dê essa honra! E eu prometo que nunca mais vou atrás de você... Vou apenas esperar que você volte, caso volte — Ele olhou fundo nos olhos da moça enquanto proferia aquelas palavras no tom mais doce em que conseguiu. Ele já havia derretido muitos corações com aquilo, e tinha certeza de que dessa vez não iria falhar.
A mulher bufou, revirando os olhos. Soltou a maçaneta e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. Encarava Harry olho-no-olho, e céus, como os olhos dele eram bonitos! Ela com certeza já havia pirado por algumas fotos dele que haviam espalhadas pela internet, mas daquele jeito, tão próximos e tão reais, seu corpo começava a ferver por baixo do vestido. Sentiu seu rosto queimar.
— Meu nome é . — Harry ergueu as sobrancelhas no momento em que ela disse seu nome. Ela já esperava essa reação, era bem comum entre as pessoas que ouviam pela primeira vez que seu nome era “tempestade”. — E bom, se você prometer me deixa em paz e prometer me deixar usar o banheiro, eu vou com você ali naquela porta pra você me preparar um café. Mas nunca mais ouse falar comigo desse jeito, tá bem? — E então ela deu de ombros.
— Dois minutos! — Harry vibrou, e então segurou firme a mão de , puxando-a rapidamente na direção da porta da cozinha.
Os funcionários que estavam ali dentro pareceram não notar nada de estranho naquela atitude, e Harry se sentiu aliviado. Nem parecera notar algo... Seu sangue voltava a circular normalmente pelo corpo, enquanto ele parava de frente para a porta de vidro, onde ele conseguia enxergar Louis e Niall no corredor.
— Vou preparar isso aqui, e você vai lá — Harry apontou para a porta do banheiro que ficava nos fundos da cozinha — Eu sempre uso esse banheiro, ele é mais limpo. Confie em mim — E sorriu.
o olhou com estranhamento, mas preferiu não manifestar-se. Foi então em direção ao banheiro, desaparecendo atrás da porta.
Harry fez um sinal de positivo na direção do vidro, e em um instante Niall e Louis corriam até o banheiro feminino. Harry observava de longe toda a operação, enquanto programava a máquina de café. Niall saiu com o bebê conforto em mãos, e Louis segurou a porta do banheiro masculino para ele. Não demorou nem vinte segundos e os dois já estavam do lado de fora, fazendo uma reverência com as mãos. Harry suspirou aliviado, sendo acordado pelo sinal da máquina, de que o café estava pronto. Ele pegou as duas xícaras e adicionou creme. surgiu em sua frente, de repente.
— Olha, eu não sabia se você queria creme, mas geralmente as pessoas gostam de creme então eu coloquei — Harry disse, estendendo uma xícara para ela. Em seguida, começou a andar na direção da porta, pronto para sair dali. Nem se deu o trabalho de pegar o seu café.
— Espere, onde você vai?! — Questionou , ao perceber que Harry virara as costas para ela.
— Eu... Eu realmente preciso ir — Ele sorriu sem jeito — Mas foi um prazer lhe conhecer, — E então, sem mais nem menos, Harry havia desaparecido de dentro da cozinha.
segurava sua xícara de café, atônita. Ele realmente havia feito aquilo? Havia feito todo aquele alarde minutos atrás, praticamente obrigando-a a arriscar-se a perder seu emprego indo tomar um café enquanto ela estava mega atrasada para uma reunião com a banda dele, para simplesmente desaparecer do nada? Sem dar a mínima satisfação?
Quem ele achava que era? Um astro da música que conquista as mulheres com aqueles olhos verdes e aquela voz e simplesmente larga elas na primeira oportunidade?
Sim.
Ah, ela teve a certeza de que ele era um cafajeste mimado naquele mesmo instante. Seu sangue pulsava nas veias, e num gole só ela bebeu seu café, alimentando seu ódio interno. Poxa, ela havia cedido! E ele fez isso?
Ela precisava de outro café.
Pegou a xícara que Harry deixara para trás, pronta para bebê-la como fizera com o primeiro. Mas lembrou-se de algo muito importante: ela iria para a mesma reunião que Harry Oats. Sorriu então, segurando firme aquele recipiente em suas mãos, e seguiu em passos leves até a sala.

Harry, Niall e Louis se encontraram eufóricos na porta da sala de reuniões. Eles haviam acabado de fazer a coisa mais louca de suas vidas.
Depois de receberem um bebê, é claro.
— Vamos? — Louis perguntou.
— Vamos, o Liam vai arrancar nossos pescoços se nós não entrarmos aqui em dois segundos — Niall destravou a maçaneta, abrindo a grande porta e revelando o interior do escritório, com aquelas imensas janelas que cediam uma vista espetacular da cidade de Chicago. Aquela sala era mesmo deslumbrante.
Harry respirou fundo, sentindo o ar fresco que emanava ali de dentro. Liam estava sentado na ponta da gigantesca mesa de madeira maciça, em sua cadeira de couro, e levantou-se no instante em que os garotos apontaram na sala.
— Ah, vocês estão aí! Já estava quase mandando uma força-tarefa atrás dos três — Ele sorriu, com aquele nariz de coxinha que era sua marca registrada.
Liam, ao contrário do que todos imaginavam ao ouvir falar dele, não passava de um adorável jovem de vinte e quatro anos que assinava contratos na empresa do pai. Motivo pelo qual era um empresário tão jovem. Isso também ajudava bastante seus trabalhos, já que todos os artistas jovens da música davam sangue e alma para serem gerenciados por ele. Liam era, de longe, o empresário mais promissor dos últimos dez anos nos Estados Unidos, e de quebra ainda figurava na lista dos dez homens mais ricos do país com menos de 30 anos de idade. Seu pai, dono da Steinfeld Records, confiava sua vida ao filho, e ele tinha plena razão em fazer isso. Liam, além de simpático e carismático, ainda era muito bom no que fazia, mesmo tendo acabado de se formar em Gestão de Negócios pela universidade de Harvard.
— Sentem-se, estamos com pressa — Liam apontou para as três cadeiras livres ao lado dele. De frente, havia mais um assento livre, entre o gerente de marketing e o coreógrafo da banda. Os garotos se sentaram em seus lugares de prontidão, sem mais delongas. — Então, como estamos com um pouco de pressa. Harry, você disse no e-mail que havia uma nova música para ser apresentada, é isso mesmo?
— Sim, por isso trouxe esse peso todo aqui — Harry sorriu, apontando para seu violão que já estava no chão.
— Você tem oito minutos para nos apresentá-la. — Liam sorriu, recostando-se na cadeira — Já está com as partituras? Precisamos encaminhá-la para a transcrição dos outros instrumentos da banda.
— Já, mas ela ainda nem foi aprovada... Como você já vai encaminhar? — Harry riu, enquanto buscava os papéis em sua pasta.
— Harry, entenda, vindo de você, vai ser aprovado — Liam riu. Harry sorriu, satisfeito. Louis e Niall também, já que eles haviam dado uma super força para Harry naquela nova música. Certamente era um novo single!
— Me desculpem pela demora — uma voz feminina ecoou pela sala, atraindo a atenção de todos. — Estava preparando um café.
Uma mulher loira, já muito bem conhecida por Harry, adentrou o lugar, andando com classe e nariz em pé.
.
Harry sentiu o rosto queimar. Como ele fora capaz de fazer aquilo sabendo que ela estaria na mesma reunião que ele em instantes? Ele era um burro!
seguiu na direção de Harry, com os olhos fixos nele, e então depositou a xícara que segurava em cima da mesa, de frente para Harry.
— Você esqueceu isso daqui na cozinha, Oats — Ela olhou fundo nos olhos dele, tentando transmitir todo o ódio e remorso que sentia.
Harry engoliu em seco, enquanto todos ali dentro o encaravam sem entender.
— Ob... Obrigado — ele disse, com a certeza de que já estava vermelho feito um pimentão — Obrigado, .
— Por nada — ela sorriu cínica, dirigindo-se ao lado oposto da mesa, onde aquele lugar vago, no caso, estava reservado para ela.
Louis e Niall coçaram as cabeças em uníssono, e Liam os encarou, um pouco confuso.
— Vocês já se conheceram?
— Sim!
— Não — respondeu no mesmo momento em que Harry respondera — Eu o vi saindo da cozinha e esquecendo essa xícara de café em cima da mesa. Achei que seria um bom jeito de começarmos uma relação amigável se eu trouxesse para ele — ela então sorriu, ainda transmitindo aquele sorriso amarelo de desgosto.
Ahm, pois então, acho que é melhor eu apresentar a vocês a sua nova agente primeiro, né? — Liam sorriu — Garotos, conheçam Chastaim, ela acabou de se formar pela Universidade de Yale em relações públicas e esse é o primeiro emprego dela. Aqui na empresa temos uma boa política de trainee profissional, e temos certeza de que ela fará um bom trabalho. Correto?
— Darei meu máximo. Estou muito grata pela oportunidade, principalmente de prestar assessoria a uma banda no auge do sucesso como a Mountain Cast, com certeza aprenderei muito aqui — sorriu.
Niall derreteu-se na cadeira, encantado com a moça.
— Se mal lhe pergunto, quantos anos você tem? — Questionou Louis, curioso.
— Vinte e dois anos — Ela respondeu, sendo simpática.
Humm — Harry murmurou, sem tirar os olhos de suas partituras em cima da mesa. Todos o encararam.
— Algum problema, Oats? — Liam perguntou.
— Não, nenhum! — Ele acordou, erguendo o olhar. Acabou encontrando o de logo a sua frente — Seja bem vinda, . E muito obrigado por ter se lembrado do meu café — Ele sorriu sem graça.
Céus, ele havia destruído todas as chances que tinha com ela. Ela agora o odiava, ele podia sentir isso ao olhar para seu rosto, e ela faria de tudo para infernizar a sua vida! Como voltar atrás? Poxa, ela parecia ser uma mulher tão interessante... Não no quesito de envolvimento romântico, mas mesmo como amiga. O que ele faria? Precisava dar um jeito nisso.
— Então, profissionais apresentados, espero que você saiba o nome de todos os três, ... Afinal, quem não sabe? — Liam riu — E vamos logo com a música, pois ainda precisamos decidir alguns pontos da turnê da costa leste! Harry, o momento é todo seu.
Harry pigarreou, e sorriu.
— Então, eu não escrevi essa música sozinho. Tive ajuda dos garotos, então eu não quero levar todo o crédito — os meninos riram — o Niall me ajudou demais com as linhas do baixo. E Louis com a frequência. Enfim, vamos lá. Ela se chama “Perfect”. Vou começar pelo refrão, eu sempre começo pelo refrão, quero vocês aprovando o refrão — Harry sorriu. Arrastou sua cadeira para trás, e então com o violão confortável no colo, começou os primeiros acordes do refrão.

But if you like causing trouble up in hotel rooms
And if you like having secret little rendezvous
If you like to do the things you know that we shouldn’t do
Baby, I'm perfect
Baby, I'm perfect for you

And if you like midnight driving with the windows down
And if you like going places we can’t even pronounce
If you like to do whatever you've been dreaming about
Baby, you're perfect
Baby, you're perfect
So let's start right now

— Não pare! — Liam riu, enquanto aplaudia — Vamos, continue daí! — E então Harry, rindo, continuou. Niall e Louis o ajudaram com os backing vocals e as batidas na mesa.
Harry sorria enquanto cantava. Tinha certeza de que aquela música havia encantado seu empresário e os produtores musicais ali presentes... Tudo corria bem. Ele sentia uma felicidade estonteante invadir seu corpo, e mal podia acreditar naquele momento. De repente, ergueu os olhos da partitura, e encontrou os olhos de presos nele. Ela sorria com a música, e ele não pôde evitar abrir um sorriso ainda maior em seu rosto.
Durante os dez minutos que se seguiram, Liam pediu para que tocassem novamente a música, e eles foram muito aplaudidos. Harry já apresentara muitas músicas para os produtores, principalmente para o lançamento do primeiro e do segundo álbum deles, mas essa tinha um quê de especial. Talvez pelo momento ou pelo nervosismo, ele não sabia explicar bem, mas sentia-se extasiado. Louis e Niall também, mal podiam esperar para assinar os contratos do single e começar a gravá-lo logo! Acabaram decidindo que a música seria apresentada ao vivo na turnê da costa leste, já em três semanas, mas o single só seria lançado na semana seguinte à apresentação. Fazia parte do novo plano de marketing para a banda: apresentar a música antes de lançá-la digitalmente.
Liam, após ouvir sua nova música preferida pela terceira vez, já cantarolando o refrão, levantou-se, indo em direção à porta.
— Pessoal, preciso me retirar por alguns instantes, mas já vamos começar a transcrever as partituras. Edward, por favor, providencie os contratos da gravadora, vamos assinar essa música nesse instante! Não quero perder tempo! — E saiu da sala, fechando a porta atrás de si.
— Eu sabia que ia rolar! — Niall deu um soco no ombro de Harry — Cara, você mandou muito bem com essa! Muito bem!
— Até eu quero cantar essa música, e olha que eu nunca canto, eu sou só o escondido anônimo da bateria! — Louis riu.
— Boa música, garotos — disse, atraindo a atenção deles. Niall sorriu, não conseguindo se conter.
— Obrigado — Harry respondeu. — Eu não teria feito nada sem a ajuda dos meus amigos.
— Vocês são muito unidos — Ela comentou — Gosto disso. É bom... Pra imagem.
— Nós sabemos — Louis a interrompeu — Quero dizer, começamos assim, né? Amigos. Temos que ser assim sempre.
— Até nos piores momentos — Niall comentou, olhando para Harry, em seguida para Louis. Eles entenderiam o que ele queria dizer.
E no mesmo instante, Harry deixou seu violão escorregar de seu colo, se espatifando no chão. Louis pareceu não conseguir respirar e Niall percebeu o que havia acontecido.
— O banheiro! — Eles exclamaram juntos, levantando-se das cadeiras.
Mas era tarde demais.
Liam abrira a porta da sala, carregando uma coisa vestida de rosa nos braços. Ela chorava.
— Olha, eu sei que ratos e baratas saem dos ralos dos banheiros, mas nunca havia visto nenhuma teoria para bebês... — Ele comentou, olhando assustado para a criança que berrava em seus braços.
Louis e Niall não conseguiram pensar em outra coisa a não ser se abraçarem.
E Harry, coitado, até que tentou se apoiar na mesa, mas perdeu os sentidos e quando todos escutaram o estrondo, ele estava estirado no chão.
— Ele desmaiou! — gritou do outro lado da mesa.





IV

Foi um auê. Bebê chorando, Harry desmaiado, Louis e Niall correndo pela sala desesperados à procura de ajuda, os funcionários exaltados sem saberem o que fazer, Liam sacudindo a neném, jogando um copo de água em Harry.
jogou água nele! — Niall exclamou, abaixando-se — Preciso me esconder, eu não quero ser o próximo! — E agachou-se, debaixo da grande mesa de reuniões.
! — Liam exclamou. ergueu os ombros, assustada.
— Eu não sabia o que fazer! Mas olhe, ele está acordando! — Ela apontou para o garoto.
Louis correu até Harry, ajudando-o a se reerguer, enquanto ele piscava várias vezes, atônito. Seu rosto estava muito branco, quase translúcido, e seus lábios não tinham cor alguma.
— Respira, cara — Louis disse, abanando seu rosto — respira.
— Eu não tô conseguindo lidar com essa situação! — Liam exclamou, e Belia berrava em seus braços.
— Vai ajudar o Harry! — Louis se levantou com pressa, correu até Liam e pegou Belia no colo. Apoiou a cabeça da menina em seu peitoral, tentando acalmá-la, mas ela batia os pezinhos no ar e chorava como se sentisse dor. Seu coração estava apertado no peito só de ouvir o choro da neném.
Liam foi até Harry, que até então nada dissera, apenas piscava sem reação. o ajudou a erguer o garoto, e ele sentou-se na cadeira. Outros membros da banda reuniam-se ao redor deles, abanando Harry com os papéis que antes estavam em cima da mesa. Todos estavam boquiabertos, sem saber como reagir de fato.
— Você jogou água em mim — Harry sussurrou baixo, encarando . Em seguida passou a mão por sua camisa encharcada.
— Desculpe, Harry, alguém precisava fazer alguma coisa — ela disse, respirando fundo. — Alguém ainda precisa fazer algo! Com essa bebê! Ela não para de chorar, céus! — E então se dirigiu de súbito até Louis. Tomou Belia de seus braços, e embalou a menina no seu colo, apoiando suas costas e dando leves tapinhas em seu bumbum.
— Finalmente algum feromônio feminino pra poder calar essa fera! — Louis ergueu as mãos pro ar, aliviado. o encarou.
Ele então segue até Harry, segurando em seus ombros.
— Cara, você tá bem? — pergunta. O barulho de choro começa a cessar aos poucos — Fala comigo, Harry!
— Eu tô... Eu tô bem — Harry balbucia — eu acho. Eu tô molhado!
— Lógico, aquela doida jogou água em você!
— Pelo menos eu o fiz acordar — pronuncia de longe, exprimindo raiva em suas palavras. Como eles eram ingratos! Se não fosse sua atitude, Harry estaria estirado no chão sem respirar até agora!
— Harry já acordou, nós entendemos, mas tem uma coisa que ainda não ficou clara aqui: o que é que está havendo e que bebê é esse?! — Liam exclamou, balançando a cabeça em desespero.
De repente, uma cabeleira loira surgiu de debaixo da mesa bem aos pés deles. Niall olhou para cima, encarando Liam.
— A gente precisa conversar. — olha para Harry — Harry, você não tem mais nenhuma alternativa a não ser dizer a verdade. Olha só aonde chegamos! E isso ainda não tem nem vinte e quatro horas!
observa de longe a movimentação perto da mesa, enquanto nina a bebê. Duas funcionárias chegam perto dela, para ajudá-la com a criança e matarem a curiosidade.
Liam, por sua vez, ainda não consegue entender muito bem o que se passa naquela sala. Nem ele nem nenhum outro membro da equipe.
— Ok, todos pros seus lugares — ele diz, passando a mão pelos cabelos — Vamos organizar isso daqui e conversar. Não é disso que precisamos?!
Todas as pessoas se dissipam, e cada um toma seu devido lugar. Todos cochicham curiosos, e especulam todo tipo de justificativa.
Harry respira fundo.
— Então... Esse bebê... Ele... — passa a mão no rosto, tentando encontrar um melhor meio de explicar as coisas — Ele caiu. Do céu. Pois é, eu estava andando no meu carro com o teto solar aberto, e de repente veio esse bebê, do céu, caiu dentro do carro! Eu não podia abandonar essa frágil criatura, então trouxe pra cá!
Louis revira os olhos, e da um soco na mesa.
— Já chega, Harry! — Todos o encaram assustados com o barulho — Chega disso, eu já te disse várias vezes que precisamos encarar tudo isso com maturidade! Você fica fazendo piadas enquanto... Enquanto as coisas estão de cabeça para baixo porque você não quer assumir responsabilidade pelos seus erros! — Louis aponta para o amigo, perdendo a paciência. Vira-se na direção de Liam, e coça o nariz antes de falar. — Olha, Liam, essa bebê se chama Belia. É filha do Harry com a Naomi, lembra dela? Ano passado? Pois é. Eles tiveram um filho! E a bonita da Naomi foi seguir a carreira dela e deixou essa criança na porta do apartamento de Harry hoje. É isso! Eles têm uma filha, Naomi sumiu e agora Harry tem que assumir!
Liam não tem outra reação a não ser jogar-se em sua cadeira, e enxugar o suor que minava em sua testa. Céus, o que era aquilo? Ele preferia estar no meio de uma Guerra a ter que lidar com toda aquela situação. Como Harry era imaturo! Além de ter escondido de todos a suposta gravidez de sua ex-namorada, ainda por cima mentia feito uma criança! E para piorar: pelo que ele havia observado, não tinha experiência alguma com bebês!
— Onde está a Naomi? — Foi à única coisa que conseguiu perguntar após um longo suspiro.
— Provavelmente sobre o oceano Atlântico uma hora dessas... — Niall respondeu — Talvez chegando à Europa. Não sabemos.
Liam esfrega a cabeça, bagunçando os cabelos.
Num impulso, pega o celular no bolso.
— Tudo bem. Vamos ligar para o conselho tutelar. Essa menina não pode continuar aqui — Ele diz, com os olhos fixos na tela do telefone. Harry, Louis e Niall arregalam os olhos, surpresos — Nem sabemos se ela é realmente filha do Harry. Além disso ser um ato completamente irresponsável, pode arruinar a carreira de vocês em minutos. Estamos vivendo na era da internet, e tudo que é construído se destrói muito rápido! Essa criança tem que ir pra um abrigo, hoje, e depois iremos providenciar os papéis da adoção. Sem alarde!
— Mas pra quê eu vou adotá-la se ela já é minha filha? — Harry questiona, unindo as sobrancelhas.
— Você não vai adotá-la. Outra pessoa vai.
Louis abre a boca, assustado, enquanto observa o rosto de Harry tomar uma cor rubra. O amigo observa Liam sem reação, mas ele já prevê que ele terá uma logo, porém não muito boa.
Nisso, Harry levanta-se num impulso, e segue até . Praticamente arranca Belia de seus braços, e a carrega próxima ao peitoral, firme, protegendo sua pequena cabeça loira com a mão.
— Você só pode estar brincando. Quem está com essa criatura agora sou eu, Harry Adam Oats, e ela é minha filha. Ela não tem culpa de nada, ela nem sabe a razão de estar aqui! Então veja se você entende que você vai ter que pensar em outra solução, porque eu nunca vou desistir da minha filha! Ela merece ser criada por mim, com todo amor e carinho que ela puder receber! Entendido? Minha!
Liam rola os olhos.
Minha! — ele reforça.
— Você não consegue, Harry!
— Ah é? Por que você acha isso?
— Ele tem a nós! — Louis se intrometeu, apontando para Niall — Belia não vai pra adoção, nunca!
— Vocês três simplesmente não conseguem lidar com isso!
— Desde quando? Você é quem está com medo de ter tudo arruinado por conta dela! Mas quer saber? Nós não estamos! Eu não estou! Estava, admito, mas agora eu vi o quanto o mundo pode ser ruim e o quanto ela precisa de mim e dos tios para protegê-la!
— É isso aí. Liam, você não sabe o que está falando. — Niall reforça, carrancudo.
— Eu sei sim! — Liam eleva o tom de voz, levantando-se com as mãos apoiadas sobre a mesa — Vocês não fazem ideia do que é criar uma criança!
— Muito menos você! Eu pelo menos estou com uma nos braços agora! — Harry o afronta.
— Eu já tive essa experiência! — Liam eleva ainda mais sua voz, e aos berros completa — Eu já tive um filho, droga, e isso não dá certo!
Todos na sala se calam, abismados, e olham na direção de Liam. Harry sente seu sangue se esvair de suas veias, e Louis balança a cabeça negativamente.
Em meio ao silêncio, Liam prossegue, mais calmo.
— Sail, ele tem seis anos. Eu tinha dezoito quando ele nasceu. — diz, respirando fundo — sua mãe foi uma namorada do colégio. Pensamos que poderíamos cuidar dele, fomos morar juntos. Mas eu enlouqueci. Enlouqueci a ponto de ter que me tratar com remédios. Surtava à noite em meio ao choro dele, gritava junto, quebrava pratos. Perdi a guarda do garoto. Só posso vê-lo duas vezes por mês hoje em dia. Eu simplesmente não soube lidar, e agora sinto que o pior erro da minha vida foi tentar encarar aquela gravidez como se a vida fosse um conto de fadas. Como se fosse igual aos filmes. Como se a responsabilidade de criar um filho fosse a mesma de criar um gato ou um peixe.
Ele se joga novamente em sua cadeira, afrouxando a gravata.
Niall o observa, sem reação. Harry mantém seus olhos fechados, tentando absorver toda aquela informação, e o resto da sala ainda está em silêncio. Apenas o barulho do ar condicionado pode ser ouvido após aquela declaração.
Os três amigos se olham, procurando por alguma solução. Niall, que está próximo a Liam, da dois tapinhas em seu ombro.
— Achei que eu te conhecia bem — é a única coisa que consegue dizer, com um tom de decepção em sua voz.
— Precisamos ir — Louis diz, chamando Harry e pegando seu equipamento. Ele segue em silêncio até o amigo, e então se viram na direção da porta. — Por hoje já deu. Belia precisa de um banho e está cansada.
E então Niall os alcança, e eles saem pela sala, sem olharem para trás. A porta se fecha em suas costas. observa toda a situação boquiaberta.
Ali dentro, todos se entreolham, abismados. A agente então aproxima-se da mesa.
— Precisamos dar um jeito nisso. — Sussurra para Liam — Irei pensar em algo.

Os três adentram silenciosamente o apartamento de Harry, já que Belia dormira todo o percurso e eles não queriam acordá-la antes de se prepararem para a missão do banho. Dentro do carro, os amigos tentaram bolar um plano para conseguirem banhar a neném, já que nenhum deles fazia ideia de como banhos em bebês funcionavam. Se ela pudesse ficar em pé sozinha, tudo seria uma maravilha!
— Ok, o que fazemos primeiro? — Questionou Louis, tentando desviar-se das tantas sacolas espalhadas pelo chão.
— Primeiro a gente precisa arranjar água quente... — Disse Niall.
Harry trazia o bebê conforto no braço, e o colocou cuidadosamente sobre o sofá. Destravou o cinto da menina e a pegou no colo.
No instante em que Belia percebeu que não estava mais no aconchego de suas almofadas, abriu os olhos, resmungando.
Shhh... — Harry sussurrou, tentando encontrar uma posição confortável para a neném em seu colo — Só não chora, tá bem? Nós vamos tirar essa sujeira de você, mas você tem que ficar bem quietinha — E sorriu.
A bebê olhou na direção de seus olhos, com aquelas gigantes pedras preciosas azuis que ela tinha no rosto. Harry a encarou de volta. Seus olhos eram exatamente como os dele. Ela tinha um olhar tão expressivo, parecia prestar atenção em cada detalhe do rosto do pai. Os dois se perderam naquele mundo, como se estivessem dentro de uma bolha, isolados do resto do planeta. Harry sentiu um calafrio. Mas não um calafrio ruim: algo bom. Algo que o fez sorrir. Suspirou.
— Acho que a gente podia tentar colocar ela no vaso e dar descarga. — Niall comentou. Sua voz parecia estar tão distante que Harry mal conseguiu entender o que ele havia acabado de dizer.
— Boa ideia. — Ele concordou. E então parou por um instante, raciocinando — Espera ai, você disse vaso?
— Sim.
— Sanitário?
— Sim.
— Não! — Exclamou, e de repente começou a rir — Você é maluco!
— Ué! Olha o tamanho dessa criança, ela não vai saber tomar banho sozinha na sua banheira! A gente precisa de algo que se encaixe perfeitamente pro tamanho dela, então eu pensei que o vaso seria uma boa. A gente ferve água na panela e coloca lá dentro.
— Niall, vê se acorda — Louis gritou do corredor — Eu nem estou aí, mas imagine meu olhar te reprovando.
— Desculpa, ta bem, amigos? Se eu tô tentando ajudar?
— Ajude tirando a roupa dela — Harry estendeu a garota na direção de Niall. Belia riu com o movimento, e balançou as perninhas no ar.
— Olha, não sei se vai ser uma boa ideia... — Niall a encarou de lado — Tipo, não tô acostumado...
— Niall, você vai fazer isso enquanto eu encho a banheira — Harry insistiu. Niall então estendeu os braços, pegando a garota com cuidado.
— É... Harry... Eu não sei segurar um bebê — disse, ainda encarando a menina e mantendo-a no ar, longe de seu corpo. Belia sorria para Harry enquanto balançava suas pernas.
— Apenas garanta que ela se divirta e tá tudo bem! — Louis apareceu na sala. Abaixou-se, no meio das sacolas — Vou pegar fralda e sabonete. Se eu achar, claro! Harry, vá arrumar a banheira. Niall, leve Belia para o quarto e tire a roupa dela — ordenou como se fosse o pai mais experiente do universo.
— Eu não sei fazer um bebê se divertir — Niall continuou a insistir.
— Você consegue. — Harry empurrou os braços de Niall para mais perto do corpo do amigo, e ele arregalou os olhos enquanto a criança se aproximava de seu peitoral. Ele prendia a respiração, e seu rosto começava a tomar uma cor rosada, próxima ao roxo. — E você também pode respirar.
— Ok — soltou o ar — Ela está se divertindo?
— Muito — Harry o encarou, segurando o riso. Niall estava completamente ereto, sem movimentar um músculo. Movia apenas os olhos, e piscava várias vezes. Tentava não encarar a neném, para não se assustar. Ou a fazer parar de se divertir.
Harry o guiou em direção ao quarto, ainda segurando o riso. Niall andava em passo de ganso, como um soldado alemão, temendo qualquer movimento que pudesse fazer a bebê tirar o sorriso do rosto.
Chegando ao cômodo, Harry sumiu na direção do banheiro, e Niall se viu sozinho com a criança. Cuidadosamente a levou até a cama de Harry, e deitou seu corpo sobre o forro. Belia levou uma das mãos à boca, rindo para Niall. Era um bebê tão simpático.
— Ok, tudo bem, vamos lá... Vamos começar — Niall engoliu em seco — Bom, eu não costumo despir garotas com menos de dezoito anos... Não estou me sentindo muito bem com essa situação — Ele disse, enquanto tentava desabotoar os sapatos dela. Estava praticamente em um monólogo — Espero que a gente não fique constrangido amanhã. Quero dizer, espero que nada mude entre nós. Tá bem? — Ele finalmente conseguira desatarraxar um dos sapatinhos que a neném usava. O segundo não fora tão difícil. Arrancou as meias com facilidade, sentindo-se um herói, e dirigiu-se na direção do casaquinho que ela usava. Desatou o laço, e perguntou-se como ele poderia fazer com que ela tirasse aquela mão da boca e o deixasse passar as mangas por seu braço — Olha, eu não queria te atrapalhar, mas vai ser preciso — Aproximou-se, tirando delicadamente a mão dela da boca, e passando pela primeira manga. Belia fez uma careta — Não! Não, desculpa, vai ser bem rápido! Eu prometo! Não chora, pelo amor do seu pai! — Implorou. Belia mudou então sua expressão, focalizando sua atenção no garoto que conversava com ela. Niall passou o outro braço pelo casaco e voilá, uma peça a menos! — Hum, agora essa outra blusa de frio. O inverno está chegando... Você tem que andar bem agasalhada. Hum, tudo bem, vamos lá. Como é que tira isso? — e então travou, fazendo uma careta. O que era aquilo que ela usava? Estava em seu corpinho como uma blusa, mas tinha botões perto do pescoço e sumia para dentro da calça. Tentou começar pela calça. Ao retirá-la, percebeu então que aquela roupa estranha era presa por botões no meio das suas perninhas também. Quem inventara aquilo? Alienígenas? — Olha, não é por nada não, mas eu acho que desabotoar um sutiã é mais fácil do que tirar roupa de bebê. Isso deve estar te machucando! Por isso você chorou tanto — E rolou os olhos, destravando os botões — Pronto! Pode respirar aliviada! — Ele sorriu — Agora eu vou te sentar pra gente conseguir tirar isso — Ele segurou nas mãos dela, puxando seus bracinhos. Belia sentou-se, mas seu corpinho estava mole. Quando Niall a soltou, ela voltou a cair na cama. O coração de Niall parou. Belia fez uma careta, como se fosse abrir o maior berreiro a qualquer instante.
— Mano, seu idiota! Ela ainda não consegue se sentar! — Louis invadiu o quarto. O coração de Niall parou novamente, só de imaginar a bronca que iria tomar. Ora bolas, ele não tinha culpa, havia dito que não conseguia tirar a roupa dela!
— Louis, ainda bem que você chegou! — Niall virou-se para ele — Você termine de tirar essa roupa, por favor! Eu não sou capaz, eu não sou capaz! Meu Deus, eu vou fazer vasectomia amanhã, eu não quero ser pai, eu não consigo! — Niall estalava os dedos desesperado.
Louis rolou os olhos. Colocou sobre a cama tudo que trazia ao quarto: mala de Belia, um pacote de fraldas, três caixas de sabonete, uma caixa de shampoo e uma sacola lotada de brinquedos. Niall foi em direção àquilo, procurando ajudar, para que Louis não tivesse mais motivos para xingá-lo. Ele havia acabado de quase deixar Belia paraplégica, e sentia-se muito culpado. Seu coração ainda estava arritimado por conta do ocorrido.
Abriu a bolsa da garota enquanto Louis arrancava a peça com facilidade pela cabeça da neném. Parou para observar. Parecia tão fácil vendo de longe.
— Como você fez isso?
— Ué, simples, desabotoei e tirei pela cabeça como se fosse uma blusa normal. Só que com ela deitada. Vai me dizer que você nunca arrancou a blusa de uma garota deitada?
— É... Sim, mas... Não é a mesma coisa.
— Claro que não, temos dezoito anos de diferença aqui! Mas a técnica é a mesma. Você é muito atrasado. Aposto que é virgem!
— Desculpa, é que eu não quero ser pai!
— Eu também não queria — Harry apareceu na porta que dava acesso ao banheiro — E olha bem o que me apareceu.
— Precisamos dividir as tarefas caso a gente queira que a Belia esteja inteira até chegar à vida adulta. Pra começar, Niall não vai tirar roupas. Nunca. Jamais.
Nunca! — Niall reforçou.
— Tudo bem, mas ele pode limpar as fraldas de cocô — Harry sorriu. Louis também.
— Perfeito! — Louis afirmou — Niall, as fraldas de cocô são suas!
— Não! De jeito nenhum! — Ele retrucou — Vocês podem parar com esse complô contra mim! Eu não vou limpar fralda de cocô! Nunca!
— Sim, você vai. Vencemos pela maioria. Até Belia concorda! — Louis olhou na direção da bebê, que sorria e mordia seus próprios dedinhos.
Niall bufou.
— Harry cuida dos banhos. Niall troca as fraldas. Eu troco às roupas — prosseguiu — Todos podemos dar mamadeira.
— E quem leva pra passear? — questionou Harry.
— Ah, como se tivéssemos adotado um cachorro, né Harry?! — Niall indagou ironicamente.
— Bebês não precisam passear?
— Não necessariamente. E, no nosso caso, não, ela não vai passear. A menos que a gente queira ir viver debaixo da ponte depois que a mídia descobrir que ela existe. — Louis sorriu — E nós não queremos isso, né Belia, fofinha? — E proclamou as palavras com uma voz tão fina, mas tão fina, que os amigos podiam jurar que havia outra pessoa dentro do quarto. Uma mulher. Até tentaram segurar o riso, mas não foi possível conter as gargalhadas que se acumularam na garganta. Louis olhou para eles com a cara fechada. — Estão achando graça, é? Esperem só até eu desabotoar essa fralda e lançar uma bomba cheia de cocô fedorento na cara de vocês! — Exclamou, engrossando a voz mais do que o normal.
Harry e Niall se recompuseram em milésimos de segundos. Observaram atentos o momento em que Louis tirava a fralda da garota, como se ele realizasse uma cirurgia de risco num paciente terminal. Foram segundos de tensão, até que um alívio tomou conta dos três ao verem apenas uma mancha amarela de xixi na fralda. Nada de fedor!
— Ah, glória! — Niall agradeceu em alto e bom som — Sabia que eu podia confiar em você, Belia! Somos parceiros!
— Espere até amanhã — Louis pronunciou sadicamente. Terminou de arrancar a fralda da bebê, e a levantou, segurando-a em seus braços — Harry, a água tá pronta?
— Tá. Niall, traga um sabonete e a sacola de brinquedos.
— Mas eles estão fechados ainda.
— Pois abra todos. Vamos lotar essa banheira de brinquedos e fazer um banho divertido!
— Pra mim a gente devia era acalmá-la... — Harry comentou, preocupado — Porque por exemplo, eu, já quero ir dormir... E ela precisa dormir pra gente dormir.
— Ela dorme fácil — Louis afirmou — é só chacoalhar que cai no sono. Confie em mim!
— Então tá... — Harry o seguiu até o banheiro.
Niall abriu rapidamente os mais de vinte brinquedos de água que estavam dentro daquela sacola, e correu para o banheiro. Ao chegar, observou Harry tentando colocar Belia dentro da água. Mas ele era muito alto para alcançar a banheira. Teve de se agachar no chão.
— Louis, não estou confiando nisso... É sério — Harry disse. Niall despejou todos os brinquedos dentro da água, e observou o amigo — Eu não sei se vou conseguir segurá-la. E se ela cair e se afogar?
— Pra isso serve o chão. Você senta nele.
— Sim, eu entendi, mas olha — Ele colocou o corpo da garotinha dentro da água — Ela gostou. Beleza. Até então tudo bem — Harry estava nervoso, com medo de errar — Mas minha coluna está doendo. Eu não sei se consigo por muito tempo.
— Você consegue.
— Não consigo.
— Consegue! — Louis insistiu. Niall sentou-se na privada para observar o momento.
Harry estava suando frio. Belia estava sentada na banheira, apoiada por seus braços, mas mesmo assim ele ainda não conseguia confiar em si mesmo. Teve então uma ideia brilhante.
— Louis, segure-a um instante.
— O que vai fazer?
— Segura aqui!
Louis tomou o lugar de Harry, que levantou-se já arrancando os sapatos. Tirou o celular e a carteira do bolso e entregou a Niall, além de seu cinto. Já não estava mais de casaco, então suas vestimentas estavam de acordo. Colocou um pé dentro da banheira, sentindo a temperatura da água. Estava boa. Sentou-se, com cuidado, apoiando as costas no encosto. Louis o encarando assustado, e levou a garota até seus braços. Harry a sentou sobre sua perna, segurando em suas costas, e ela riu, batendo as mãos na água.
— Ótima ideia!
— Bravo! — Niall bateu palmas. Belia deu um grunhido de felicidade.
— Ok, socorro, acho que tem um brinquedo na minha bunda — Harry disse, em pânico.
— Dá ela aqui — Louis apoiou a garota enquanto Harry puxava um patinho de debaixo de seu corpo.
— Isso é um brinquedo perigoso. Não o quero na banheira!
— Sossega e passa sabonete na menina — Louis a entregou de volta — E cuidado com os ouvidos!
— Estou com sono — Comentou Niall.
— Eu também. Vou andar logo com isso aqui — Harry disse, enquanto passava sabão nas costas de Belia. Louis foi até o quarto e voltou com uma toalha em mãos.
Em questão de minutos Belia já estava pronta e cheirosa, e Louis a pegou no colo, levando para o quarto. Niall foi ajudá-lo, enquanto Harry ficou para terminar de tomar banho. Arrancou a calça encharcada e a camisa, e finalmente pôde ficar nu em sua banheira. Percebeu que iria privar-se disso por um bom tempo. Mas tudo bem. Fora divertido. Iria comprar roupas de banho novas só para ficar nadando com Belia na banheira. Pelo menos ali ela não chorava. Ao chegar ao quarto, com a toalha presa em sua cintura, viu os amigos brincando com Belia, já com um macacão quentinho e o cabelo penteado. Niall fazia caretas estranhas e ela ria, enquanto Louis a segurava. Sentiu-se acalentado ao observar a cena. Parecia que Belia já estava com eles há meses. Parecia que ele já a conhecia há meses. Podia jurar já sentir-se pai.
Mas ainda era cedo demais. Ainda tinha uma madrugada de choro para enfrentar.





V

Durante mais de duas horas, Liam e se trancaram na sala de reuniões discutindo sobre a atual conjuntura dos seus músicos. Harry sempre aprontara muito, mas Liam nunca imaginou que ele pudesse atingir tais patamares. Seu nível de estresse estava altíssimo, e ele tomava uma xícara de café atrás da outra, mesmo já passando das oito da noite.
Ele sabia bem que não dormiria naquela noite mesmo...
estava com seu Macbook sobre a grande mesa, e digitava sem parar naquele teclado, e o empresário nem ao menos conseguia acompanhar seus dedos com os olhos, tamanha velocidade.
Num pigarro, ela atraiu a atenção dele.
— Acho que encontrei uma solução... Na verdade, sugestão de uma amiga.
— Você está espalhando a notícia?! Pelo amor de Deus, não! — Liam se desesperou.
— Não, Liam, se acalme! Ela também está trabalhando como agente, porém de modelos, e sempre tem boas ideias... — o encarou por cima da tela. Seus olhos eram enormes e radiantes, por mais apreensivos que estivessem — E parece que acaba de solucionar nosso problema.
— E quanto dinheiro isso envolve?
— Na verdade, se a minha dignidade valesse dinheiro, envolveria. Mas como eu acredito que ela não valha muita coisa... — riu. Liam parecia confuso — Eu vou arriscar minha vida e qualquer futuro relacionamento que há de vir. Mas é isso que fazemos no mercado de trabalho, certo? — Ela ainda sorria. Seus dentes eram maravilhosos.
Talvez fosse todo aquele café e o momento dilacerante pelo qual ele estava passando, mas Liam estava a prestar muita atenção em cada detalhe da sua nova funcionária. Ela era estonteante.
— Creio que sim... O mercado nos engole.
— Hum... Pois é... Enfim... — Ela se recompôs, escondendo-se atrás da tela novamente. Liam só ouvia sua voz, enquanto focava sua atenção na xícara de café fumegante à sua frente — Nossa solução é dar uma mãe para Belia.
— O que quer dizer com isso? Ela já tem uma mãe... Muito ordinária, por sinal...
— Não! — ela o interrompeu — Já que Harry não pode ser assumido como pai, e não quer abrir mão da criança... Ela precisa de uma mãe. Uma nova mãe! Uma mãe presente, que esteja com todos da banda o tempo inteiro. Que participe de tudo, que apareça para os paparazzis, que empurre o carrinho, que Belia tenha confiança e queira sempre estar perto...
— Uma mulher.
— Sim.
— Uma mulher que ninguém conhece ainda, mas que de repente aparece por aí com uma filha nos braços... — Liam se levantou num pulo, como se tivesse acabado de encontrar a origem do Universo.
— Exato! — sorriu, percebendo que Liam atingira sua mesma linha de pensamento.
— Você! — ele então apontou para ela — Você é perfeita para isso!
riu, batendo palmas.
— Sim! — levantou-se, abrindo os braços. Liam deu a volta na mesa, e correu para abraçá-la.
— Eu sabia que podia contar com você para tudo, ! Não foi à toa que seu currículo caiu nas nossas mãos! — Ele também ria.
Depois de tanta cafeína, ele parecia um bêbado. Apertou forte em seus braços, erguendo-a do chão. Ela ria, tentando se desvencilhar. Quando finalmente conseguiu, se recompôs, ajeitando a roupa que havia saído do lugar.
Liam deu um suspiro.
— Isso foi maravilhoso. Afinal, você até hoje não foi vista por nenhum tabloide. Acabou de sair da faculdade, vem de outra cidade, ninguém sabe quem você é!
— Sim. E, pra melhorar, não tenho Facebook! — Eles caíram na gargalhada.
— Você vive praticamente no século passado!
— Bom, eu sabia que não ter Facebook ou qualquer outra rede social iria me ajudar um dia... — Ela passou a mão pelos cabelos, sorrindo orgulhosa.
Liam suspirou novamente, virando a xícara de café de uma vez dentro da boca.
— Ótimo! Isso foi maravilhoso — estalou alguns dedos da mão — Agora, precisamos trabalhar em cima disso. Você precisa de uma história de vida. Algo que justifique uma criança aparecer de repente. Algo em que seus familiares vão acreditar, seus amigos vão acreditar, o mundo vai acreditar.
— Certo, precisamos criar uma história!
— Prepare-se para virarmos a noite nesse escritório!
— Vamos pedir pizza.
— E vinho. Precisamos de um bom vinho — Liam sorriu, encarando-a.
era realmente uma mulher incrível.
E ele não sabia por que diabos estava pensando aquilo

Louis e Niall estavam muito bem acomodados no canto do quarto, com apenas um abajur aceso, deitados sobre o tapete felpudo e macio de Harry. Viam TV com Belia também deitada, entre eles, enquanto Harry estava na cozinha preparando alguma coisa para que comessem. A garota segurava um dos brinquedos da água da banheira, e parecia entretida com aquela girafa de borracha. Nem parecia o bebê escandaloso que abriu a boca a chorar e apavorou todos naquele primeiro contato, horas antes. Tudo estava em paz.
Harry adentrou o quarto silenciosamente, carregando uma bandeja com três potes cheios de cereal com leite e uma mamadeira. Louis se assustou ao ver a mamadeira sendo trazida.
— Você fez mamadeira?
— Bom... Parece que sim. Eu segui as instruções da lata de leite em pó — Harry deu de ombros. Colocou a bandeja sobre a cômoda, e levou dois potes de cereal para os amigos.
— Você tem certeza que não colocou uísque nessa mamadeira? — Indagou Niall, olhando desconfiado.
— Eu colocaria se fosse feita pra mim. — Harry sorriu — E você acaba de me dar uma ótima ideia...
— Você não vai beber nada nas mamadeiras da Belia. Olha quantas bactérias tem nessa sua boca! — Louis exclamou.
— Pois é... Deixa a menina livre disso — Niall o apoiou — Seu... antro de bactérias assassinas de bebês!
Harry uniu as sobrancelhas, encarando Niall. Preferiu nem responder, ao contrário foi buscar seu pote de cereais. Sentou-se na beirada da cama, e comeu silenciosamente, observando aquela criaturinha estirada no chão, que batia as perninhas no ar e mordia incessantemente a girafa.
— Vocês acham que ela vai continuar calma assim pelo resto da noite?
— Esperamos que ela durma com essa girafa e só acorde amanhã — Niall afirmou.
Louis enfiou uma colher cheia de cereais na boca, enquanto balançava a cabeça negativamente.
— Iludidos... Ela tem cinco meses. Bebês de cinco meses não dormem a noite inteira. Eles são pequenos monstrinhos que planejam fazer com que o comércio de cafés aumente, já que acordam seus pais a noite inteira e no dia seguinte eles precisam de boas doses de cafeína e bons dinheiros gastos na Starbucks!
— É... Então... Terminando aqui eu já vou indo pro meu apartamento. Ainda tenho muitas coisas a fazer e tud....
— De jeito nenhum! — Harry deu um pulo da cama, interrompendo-o — Ninguém sai desse apartamento até que eu diga o contrário! — Exclamou, indo na direção da porta.
— Niall, você também vai ficar — Louis afirmou — Eu já preparei meu kit bebê chorão... Ele é composto por tampões de ouvido e uma barra de chocolates para observar enquanto vocês tentam fazê-la parar... — sorriu largamente.
— Acho que não ficou muito bem decidido quem a faria parar de chorar à noite... — Harry murmurou.
— Eu tô fora! — Niall exclamou de prontidão. E ele estava certo. Ali dentro daquele quarto, ele era o menos preparado para acalmar um bebê que chora. Ainda mais de madrugada. — Se eu vou ter que ficar aqui, que eu fique com um kit bebê chorão também!
— Harry, você é o pai... Essa tarefa é sua.
Harry enfiou uma colher cheia de cereais na boca, até derramando leite em si mesmo, e mastigou com muita voracidade. Ele não tinha mais argumentos. Preferiu nem falar nada. Continuou mastigando e encarando o vazio.
Se ele teria que acordar à noite, que estivesse bem preparado e de barriga cheia. Ou talvez não... Um lanchinho de madrugada seria bom para distrair.
Em meio àquele silêncio, todos olharam para a garota. Essa havia finalmente soltado seu brinquedo e pegado no sono, tão serenamente que nem parecia a Belia. Não mesmo. Ela dormia linda, os garotos podiam jurar até que havia um pequeno sorriso em seus lábios.
O que Niall não deixou passar em branco.
— Aqui estamos, na selva do Discovery Channel, para mais um programa “aventuras com bebês selvagens” — Ele sussurrou, aproximando-se da garota. — Nesse instante podemos observar um filhote de leão gritador, espécie muito rara na fauna da floresta de Chicago. Vejam, ele está sorrindo, como quem planeja um ataque fulminante de gritos aos ouvidos dos seus criadores...
Louis pegou um brinquedo que estava no chão e arremessou na direção de Niall, acertando-o em cheio.
— Cale sua boca, ao contrário, essa fera vai acordar e é você quem vai ter que ficar na “selva” sozinho com ela! — Louis sussurrou ríspido.
Harry suspirou, terminando de comer seu cereal rapidamente e colocou sua tigela na bandeja.
— Olha, amigos, é o seguinte... Vou aproveitar essas poucas horas de calmaria para abastecer minhas energias, já que eu tenho certeza de que será uma longa noite... Vocês sabem onde fica o quarto de hóspedes. — Ele se dirigiu à sua cama, e começou a arruma-la para dormir.
— Espere aí, você vai deixá-la dormindo aqui no tapete? — indagou Niall.
— Ora, você tem um berço no seu apartamento, por acaso? — Harry perguntou ironicamente — E tem mais: se a gente tocar nela para tirá-la daí, vai dar uma merda gigantesca... Estou poupando minha paciência.
Louis encarou a criança e em seguida Harry.
— Ela me parece confortável...
— Como eu ia dizendo... — Harry assentiu com a cabeça. Enfiou-se debaixo das suas cobertas.
— Mas você não acha que ela vai sentir frio? — Niall ainda estava incomodado com aquela situação.
— Você sabe onde ficam os cobertores.
— Ah, e eu virei seu empregado agora?! — Niall praticamente gritou.
Shhhh! — Louis sussurrou — Guarde a sua raiva para uma discussão amanhã! Vá buscar um cobertor para a garota! Você não fez muita coisa hoje!
— Eu n... — Niall os encarou, e suspirou — Ok... Eu vou. Mas não se acostumem! — Levantou-se emburrado.
Algum tempo depois retornou ao quarto com um cobertor macio e algumas almofadas debaixo do braço. Harry e Louis o observaram atentos, enquanto ele colocava as almofadas ao redor da garota e a cobria logo em seguida.
— Agora ela me parece segura — Cruzou os braços.
— Você não quer colocar uma cerca de segurança ao redor também não? E talvez alguns arames? — Louis ironizou.
— Você deixe de ser um babaca! — Niall bufou. Andou na direção da porta do quarto, e virou-se — Vou dormir enquanto ainda me resta um pouco de silêncio. Favor não me chamarem caso algo aconteça. Só se a casa pegar fogo!
— Essa casa vai pegar fogo quando Belia acordar!
— Nesse caso, eu passo — Ele riu, saindo.
Louis também levantou-se para acompanhá-lo.
— Harry, lhe desejo boa sorte. É só gritar que a gente aparece!
Enquanto os dois amigos deixavam o quarto em um silêncio fúnebre, Harry encarou o teto, pensando no que poderia fazer caso aquela garota acordasse. Seria tão bom se, por alguma ironia do destino, ela simplesmente dormisse a noite toda...
... E foi exatamente o que aconteceu. Durante as oito horas que se seguiram, Belia apenas suspirava enquanto dormia, e Harry, ao invés de aproveitar aquele raro momento de calmaria, preferiu ficar alerta e prestar atenção em cada movimento que ela fazia. Ele precisava estar preparado para qualquer atitude macabra que ela decidisse ter. Como acordar todo o prédio. Harry permaneceu toda a madrugada de lado em sua cama, virado na direção da bebê no chão, e todas as vezes em que o sono o vencia e ele cochilava, algo dentro de si o acordava e abria seus olhos, para que olhassem atentamente para aquela criaturinha. Ele já havia a admirado o suficiente, mas assim, dormindo, parecia mais angelical que o normal. Ela era tão linda... Harry não conseguia acreditar que ele mesmo havia feito aquilo. E foi assim que a noite seguiu... Belia suspirava, Harry arregalava os olhos, Harry dormia, o simples suspirar da bebê o acordava, Belia se mexia, Harry ficava alerta. Longas oito horas em claro. Ele simplesmente não conseguia pegar no sono. E nem queria.
Eram sete e meia da manhã quando Belia abriu os olhos e finalmente resmungou algo. Seu choro foi tão, mas tão baixo, que Harry mal acreditou no que estava acontecendo. Ele, por sua vez, deu um salto da cama, quase caindo por cima da filha. Agaixou-se rapidamente e a pegou no colo, segurando sua cabeça contra seu peito. Como passou muitas horas acordado, havia esquematizado todo um movimento para controlar o choro, caso acontecesse. Era só segurá-la, seguir até a cômoda perto da janela, pegar a mamadeira e alimentar a fera. E foi o que fez. Em menos de trinta segundos Belia estava calada e mamando vorazmente a sua mamadeira.
Harry suspirou de alívio.
Enquanto a alimentava, não pode deixar de relembrar o quão baixo foi aquele choro de instantes atrás. Parecia até um gatinho miando... Ah, como seria maravilhoso se em todas às vezes ela fizesse aquilo... Diferente do escândalo que havia servido no banquete ao novo pai de primeira viagem...
Ao pensar nisso, Harry lembrou-se dos dois amigos que estavam dormindo no quarto de hóspedes. E, obviamente, não deixaria que eles dormissem mais enquanto já era manhã e Belia estava acordada, e para piorar: ele não dormira nada durante a noite. Estava na hora de trocar o plantão. Harry necessitava de uma cama macia e quentinha.
Seguiu com Belia em seu colo, ainda mamando, até o quarto de hóspedes. Louis e Niall dormiam feito anjos, cada um em uma das camas. Foi até Niall, e não resistiu em colocar Belia ao lado dele, deitada nos edredons. Como estava quase sentada, ele continuou a segurar a mamadeira em sua boca, para evitar um escândalo. Niall se mexeu, abraçando a bebê. Em seguida, arregalou os olhos, num susto, e deu um pulo para o outro lado da cama.
— Mas que diabos é isso?!
— Bom dia, tio! — Harry sorriu para o amigo.
— Puta merda, Harry, você parece uma versão do Tio Fester sendo pai! — Niall exclamou.
— O que quer dizer ao me comparar com um personagem da Família Adams?
— Quero dizer que você está horroroso com essas olheiras! O que houve? Não dormiu essa noite?
— Por incrível que pareça, não, eu não dormi! — Harry o encarou, perverso — Inclusive, toma aqui — arrancou bruscamente a mamadeira da boca de Belia. A garota fez uma careta, e em questão de segundos estava chorando — Vocês cuidam disso aqui agora enquanto eu vou descansar em meu leito! — Entregou a mamadeira nas mãos de Niall e deixou o quarto marchando.
Niall o encarava atônito.
— Harry, você deu uma mamadeira gelada para a garota?! — indagou, percebendo o quanto aquele líquido estava frio. Mas Harry não o respondeu, já havia desaparecido no corredor.
Louis acordou com todo aquele choro.
— Pensei que o drama ia demorar mais algumas horas até acontecer... — comentou, coçando os olhos e levantou-se. Tomou a mamadeira das mãos de Niall e parou no instante em que percebeu a temperatura daquele leite — Desde quando estamos servindo coquetéis para a Belia?
— É exatamente o que eu gostaria de saber — Niall seguiu até a bebê, pegando-a no colo, para tentar fazê-la parar de chorar.
— Vou esquentar isso. Leve ela pra cadeira de balanço legal que compramos ontem.
— Qual delas? Ou você se esqueceu que perdemos o controle e compramos três?
— A parte boa é que você pode escolher qual! Aproveita e senta na outra — Louis riu, deixando o quarto.
Niall o seguiu até a sala, que mais parecia um cenário de guerra em meio a tantas caixas e sacolas, e resolveu optar pelo balanço que já estava aberto e montado no meio da sala. Aproveitou e colocou muitos brinquedos no colo da bebê, para que ela tivesse muitas opções e não se lembrasse do que era chorar. Ao se deparar com tantos estímulos coloridos, Belia calou-se, e começou a prestar atenção em todas aquelas formas e cores divertidas.
Louis termina de dar a mamadeira, dessa vez morna, para a bebê, enquanto Niall tira mais coisas das caixas na sala. Eram tantos, mas tantos brinquedos e coisas de bebês, que ele não conseguia se concentrar em um elemento apenas. Parecia que ele era a criança ali. Louis também admirava tudo aquilo colorido e divertido, segurando-se para não ir brincar. Já começava a imaginar as tardes em que passaria sentado naquela sala cuidando de Belia como uma desculpa para brincar com os itens estimulantes e inteligentes da Fischer Price. Na cabeça de Niall a mesma coisa se passava.
Foi quando a campainha os acordou dos devaneios.
— Sete e meia da manhã, quem pode ser? — perguntou Niall.
— O conselho tutelar atrás dessa criança! Aleluia, vamos nos livrar dela! — Louis riu, levantando-se já com a mamadeira vazia — Mantenha-a calada para não levantar suspeitas.
Niall obedeceu com a cabeça e começou a balançar um brinquedo na frente da bebê, para que ela não tivesse motivos para chorar.
— São Liam e aquela nova agente — comentou Louis, espiando pelo olho mágico — E eles trazem sacolas. Parece comida. Deixamos entrar?
— Se eles têm comida eles são bem vindos — Niall afirmou.
Louis abriu a porta, revelando um Liam sorridente e de olhos arregalados.
— Lá vem um novo membro da Família Adams! — comentou Niall, observando de longe — Bom dia, Gomez!
— Qual é essa vibe toda de Família Adams, Niall? — indagou Louis.
— Parece que hoje todo mundo deu pra acordar que nem fantasma! — Niall respondeu, dando de ombros.
— Bom dia para você também, Niall! — Liam disse, entrando no apartamento — E antes que pergunte, não, nós não dormimos essa noite. Estou até usando a mesma roupa de ontem!
— Hum, e parece que alguém também está — comentou Louis sarcástico ao olhar para — Posso perguntar se passaram a noite em claro juntos ou seria um ultraje? Ops, já perguntei!
ficou sem reação ao entender o comentário de Louis.
— Vou ignorar que você disse isso — Liam afirmou — Mudando de assunto, trouxemos café da manhã!
— Isso é um pedido de desculpas do Dunkin Donuts? — Niall perguntou — Porque se for, já tem meu perdão para a eternidade — Ele disparou tomando as sacolas da mão de Liam. Eram quatro caixas de donuts, ele não podia deixar passar essa oportunidade. segurava uma embalagem com cafés.
— Se você acha isso... Mandei uma mensagem para vocês há uns vinte minutos comunicando uma reunião de emergência, mas ninguém respondeu... Viemos mesmo assim. Afinal, trata-se de uma emergência.
— Estávamos ocupados. — Louis apontou para Belia, que brincava em sua cadeira, ignorando a tudo e todos.
— Ela parece feliz — comentou — Vocês me surpreenderam.
— Ah, por quê? Achou que três homens não seriam capazes de deixar uma mulher feliz, é? — Louis indagou.
— Vindo de vocês... — Liam se intrometeu — Podemos nos sentar?
— Temos boas notícias — sorriu.
Todos seguiram até a mesa, e cada um pegou seu copo de café para saborear enquanto deliciavam-se com donuts. Liam sabia como agradar crianças.
— Onde está Harry? — perguntou , ligando seu computador.
— Dormindo. Ele passou a noite em claro com aquela criatura — Niall respondeu — Nem adianta chamá-lo, ele está estressado.
— Será que dá pra ele dormir no sofá onde pode nos ouvir, por acaso? — indagou Liam.
— Já estou aqui — murmurou uma voz sonolenta. Todos olharam para o corredor e viram Harry — Vocês não conseguem fazer silêncio mesmo...
— Para de reclamar e senta aqui logo! — Louis ordenou.
— Consigo ouvir vocês perfeitamente do sofá — Harry resmungou, jogando-se no meio das almofadas.
olha na sua direção, mas logo desvia o olhar, encarando de volta a tela de seu Macbook. Abre algumas planilhas ininteligíveis, e balança a cabeça na direção de Liam, para que ele comece a falar.
Durante a hora que se seguiu, eles passaram explicando o novo plano para os três garotos. Funcionaria basicamente com sendo a nova funcionária da banda que tem uma filha de colo. A história seria simples caso precisasse ser contada: engravidara na faculdade de um colega e escondera tudo da família e dos amigos, pois já estava a ponto de se formar. Agora com um emprego e uma certa estabilidade, poderia revelar, aos poucos, a existência da herdeira. Como trabalhava como agente da banda, deveria estar o tempo inteiro com eles, o que não impediria o contato direto de Harry com a bebê. Ele seria padrinho dela. Era imprescindível que tudo fosse extremamente discreto, e que os garotos se controlassem em frente aos tabloides. Um novo álbum estava para ser gravado em Nova York, no meio de uma nova turnê que começaria em três semanas, e eles deveriam se mudar para a Big Apple. No fim das contas Harry, Liam, Louis e Niall irão dividir uma cobertura em Manhattan, e terá seu apartamento no mesmo condomínio. Belia terá dois quartos: um no apartamento dos homens, e um no apartamento de . Também deveria levar Belia para conhecer sua família, para que todos acreditassem na história de que ela havia dado a luz à garota na faculdade. Ela seria tratada direta e integralmente como filha de .
— Tudo bem... Acho que entendi... Mas assim... — Harry resmunga do sofá — E a minha autorização para isso?
— Ah, você acha que precisamos?
— Claro! Afinal, é a minha filha... E vocês estarão a usando.
— Você tem uma ideia melhor para manter a sua carreira, Oats? — vira-se na direção dele, fumegante — Porque se tiver... Será muito bem vinda! Afinal, eu não estou mesmo com muita vontade de sacrificar minha intimidade e minha integridade em todos os setores da minha vida para poder acobertar vocês. Mas farei!
Harry a encara por cima do encosto do sofá.
— Gostaria de sentar-se, Harry? Talvez assim possamos discutir alguma ideia melhor — Liam sugere.
Harry dá de ombros.
— Façam o que quiserem. Mas saibam que longe da minha filha eu não fico! E ela dorme no meu apartamento todos os dias!




VI

— Eu só tenho uma dúvida... — Após um longo silêncio, Louis resolveu se pronunciar — Como vamos convencer os pais da , por exemplo, de que ela esteve grávida? Porque, assim, creio eu... Que eles tiveram mais contato com ela enquanto ela estava na faculdade, né? E no final da faculdade, principalmente...
— Nós também pensamos nisso — o responde, olhando na direção de Liam — Meus pais e meus irmãos, além da minha melhor amiga, irão assinar um “contrato” — ela fez aspas com os dedos — de sigilo quanto a isso. Eles são bem modernos, não creio que são as principais pessoas para fazerem um alarde com relação à paternidade da criança ou divulgação da real paternidade na mídia. Eles saberão a verdade, e nos apoiarão.
— Acho que podemos fazer com que eles encarem a Belia como uma “filha adotiva” da , no caso — acrescentou Liam.
— Neta adotiva, sobrinha adotiva — Niall riu — Eu sou um tio adotivo então?
— Niall — Louis rolou os olhos — a única pessoa que tem laços consanguíneos com essa criança aqui é o Harry, então nós somos todos agregados... Com contrato ou sem contrato.
— Mal posso esperar para ensiná-la a me chamar de tio — Niall sorriu. Nesse instante os outros presentes na mesa já desconfiavam que ele houvesse comido açúcar demais e estava a ter devaneios. Era melhor ignorá-lo.
O celular de Liam toca em cima da mesa, atraindo a atenção de todos. Ele o segura rapidamente, parecendo assustado ao ler o nome do contato.
— Vocês me dão licença um instante? — E já se levantando ele coloca o telefone no ouvido — Espere um minuto, por favor.
Louis e Niall se entreolham e dão de ombros, ignorando totalmente a situação. também não dá muita importância, e se levanta.
— Será que um de vocês poderia me mostrar onde fica o banheiro, por favor?
— Claro.
— Com certeza. — Louis e Niall respondem praticamente ao mesmo tempo, levantando-se de prontidão. ri.
— Pode ser os dois também, não faz mal — Seu sorriso era belíssimo, mesmo emoldurado por aquelas olheiras de quem não dormira à noite. Aliás, eles deveriam mesmo ir se acostumando, já que, pelo visto, iriam se encontrar com cansada e de pijamas várias vezes na nova moradia de Nova York.
— Você vá — Louis balançou a cabeça na direção de Niall — Eu vou buscar uma água para beber.
— Venha, ! — Niall sorri, estendendo o braço para a moça. Ela o segue pelo corredor e desaparecem.
Louis dirige-se à cozinha, e enquanto se serve com água da torneira, acaba ouvindo sem querer o tom de voz com que Liam conversa no telefone dentro da dispensa do apartamento. Aliás, por que ele estava se escondendo ali? Louis vai com seu copo até próximo à porta, curioso com relação ao assunto que tirava o chefe e amigo do sério.
— Você realmente acha que o juiz vai retirar o processo de guarda? Outra coisa, realmente acha que eu estou disposto a ficar com o Sail durante todo esse tempo, Jessica? — Liam brandava ao telefone — Eu estou me mudando para Nova Iorque em duas semanas! Não tem como eu ficar com o Sail, não tem! O máximo que eu posso fazer é tentar que meus pais providenciem uma babá em tempo integral para ele, mas ele teria que morar com meus pais aqui em Chicago, e não comigo. Jessica! Não é irresponsabilidade da minha parte! Eu faço o que posso, você não percebe? Eu tenho uma empresa gigantesca para tocar, tenho bandas para gerenciar, eventos para comparecer, não existe a possibilidade de eu fazer essa loucura. Você que aprenda a adiar a sua vida, afinal, quem lutou pela guarda integral do garoto foi você, agora você aguente a pressão! — ele parecia nervoso. Aliás, parecia não, ele estava nervoso. Louis tomou sua água devagar, sem fazer o mínimo ruído para não ser percebido ali. Ele queria ouvir aquela conversa até o final. Liam soava extremamente machista e autoritário ao telefone, como se guardasse algum tipo de rancor por não poder ver o filho muitas vezes. Ao que ele conseguiu perceber, a própria mãe do garoto solicitou que ele não tivesse a guarda. Mas ele ainda não podia tomar conclusões precipitadas, não faziam nem vinte e quatro horas que soube do fato de Liam ser pai de um garoto de seis anos — Como se eu tivesse ido atrás de um advogado para proibir o pai de ver o filho com frequência, não é? O garoto só tem uma boa convivência comigo porque eu tento dar a ele boas coisas nos fins de semana mensais em que ele está comigo e nas viagens que faz com minha família. Mas eu tenho certeza que pai eu não sou. Talvez um provedor de presentes e viagens para a Disney e Bahamas, mas pai, nunca, porque inclusive você mesma não deixou! Mas é obvio que eu gostaria de participar! Porém você não me permite, Jessica, você não me permite conviver com meu próprio filho. Eu posso contratar os melhores advogados dos Estados Unidos, mas a sua palavra sempre vai prevalecer, e eu não quero fazê-lo passar por mais esse sofrimento. Eu não tenho condições de levá-lo para morar comigo em Nova Iorque nem para viajar com a banda. Não dá. Sem chance. Já temos um grande problema para resolver que... — pausa — que está nos tirando do sério, um novo cd que está para ser lançado e tive problemas com o estúdio — Liam tentou desconversar. — Sim, Jessica. Você aceite. E tudo bem, se quiser ir ao tribunal, vá ao tribunal. Mas não sei se o juiz vai te achar com a saúde mental muito boa quando há quatro anos você proibiu minhas visitas ao garoto e agora simplesmente quer que eu o leve para morar comigo. Boa sorte com isso. Eu tenho uma reunião para terminar agora. Adeus.
Louis deu um salto para longe da porta da dispensa, indo parar no meio da cozinha. Colocou o copo na boca e serenamente continuou bebendo sua água, sem levantar a mínima suspeita de espionagem para cima de Liam. Esse, por sua vez, chegou com passos fortes na cozinha e foi surpreendido pelo garoto parado no meio dela.
— Am... — pigarreou — Louis, o que faz aqui?
Louis o encarou, unindo as sobrancelhas.
— Bebo água — respondeu, ao tirar o copo da boca — Por quê? Algo errado nisso?
— Não, claro que não, é só que... — ele coçou a cabeça — Estou com alguns problemas que tive que resolver pelo telefone.
— Ah, acontece — Louis deu de ombros — Algo sério?
— Você não ouviu?
— Pra ser sincero... Não — respondeu cinicamente.
— Então não se preocupe. Não é nada demais. Problemas, problemas e mais problemas! — Liam sorriu nervoso, e apontou para Louis — Vai utilizar esse copo?
— Não, pode pegar — Louis estendeu o copo para Liam, e dirigiu-se em direção à saída. Mas antes de desaparecer para a sala, girou nos calcanhares — Assim, se você estiver precisando de alguma ajuda, que seja conversar ou coisa parecida, pode contar comigo.
— Ah, sim, claro — Liam sorriu, ainda sem jeito — Obrigado, Ayller. Na verdade... Quero conversar com você sobre outra coisa.
Louis se dirigiu para perto de Liam, interessado. Ele não passava de um jovem curioso com sede de assuntos particulares.
— O que achou desse nosso “plano mirabolante”? — Liam fez aspas com os dedos — Porque, assim... Eu achei bom. Bom até demais! Mas preciso saber de vocês. Do Harry principalmente, ele quem é o principal nisso tudo e a filha, até onde a gente sabe, é dele, mas ele parece não querer muita conversa...
— Ele está com vontade de quebrar uma cadeira nas suas costas, na verdade.
Liam arregalou os olhos, assustado.
— Ontem você foi meio imediatista e foi estranho, ele nem estava acostumado com a história de ter uma filha e do nada você já lança a possibilidade de ele não ter mais. Eu entendo bem que a cabeça dele deve ter dado um colapso de merda — Louis explicou — Ele já não costuma bater bem mesmo. Além disso, você foi muito frio como se a Belia fosse, sei lá, um cachorro. Vamos colocar para a adoção. Como assim, brother? Eu jurei que você estava era louco de droga, isso sim.
— É... Talvez eu tenha exagerado — Liam admitiu, coçando a barba — Mas eu me desesperei. Você sabe o quanto a carreira de vocês está em jogo, não sabe?
— Claro que sei. Você não acha que eu dei uma surtada antes de dormir não? Machuquei a mão socando o travesseiro — Louis mostrou o pulso — Porque acabei acertando a cabeceira da cama, mas tudo bem. Cara, eu sei que temos fãs adolescentes e elas não sabem lidar com isso. Além de que, quem vai sofrer com isso tudo, é a Belia.
— Nós ainda não sabemos, mas ela tem um oito ou um oitenta: ou vão amá-la, ou vão odiá-la.
— Eu chuto o ódio. E depois criar fanfics.
— Tem as fanfics...
— Elas vão criar muitas fanfics. Inclusive, você já leu alguma?
— Não...
— Eu leio quando estou triste. É divertido descobrir que eu sou um adolescente da escola capitão do time de futebol americano. Ou bad boy, serial killer...
Liam deu uma gargalhada alta.
— Eu estou falando sério. Tem noites em que eu estou muito triste e eu leio essas coisas, eu fico feliz. Sem falar que tem altas cenas de sexo picantes com a Scarlett Johansson ou Megan Fox, que elas escolhem para serem nossos pares... — Louis balançou a cabeça, pensativo.
— Isso pode ser bom para guiar a imaginação.
— Exatamente.
E os dois caíram na risada juntos.

A sala estava em um silêncio inédito enquanto Belia cochilava em seu balanço, e Harry cochilava também tranquilamente deitado no sofá. Niall havia desaparecido para o quarto, e saíra do banheiro, caminhando pelo corredor. Ao chegar à sala, deparou-se com aquela imagem, de Harry esticado no sofá, trajando apenas uma calça de moletom, e um dos braços estava sobre o rosto tampando os olhos. Seus cabelos cacheados espalhavam-se bagunçados sobre a almofada, e ele possuía um ar doce de quem tinha um sonho bom. Ela reparou seu peitoral coberto por algumas tatuagens, a maioria sem sentido, e também seus braços. Por muitas vezes ela vira fotos dos três jovens em praias, sem camisa, onde mostravam suas tatuagens e sua magreza. Mas, dessa vez, era ao vivo. E a cores. Harry Oats estava sem camisa, belo e dormindo sereno, de frente para ela.
O que ela queria fazer?
Tirar uma foto e enviar para as amigas no iMessage. Mas sabia que não podia fazer isso.
Até porque, era extremamente orgulhosa e, em menos de um dia, Harry não havia feito nada além de levemente esnobá-la na cozinha do escritório e criticar sua ideia que salvaria a carreira dele. Ou seja, ela não podia admirá-lo. Ela devia alimentar o ódio que sentia por ele, principalmente para não cair nunca mais naquele charme e naqueles olhos.
E para interromper seus pensamentos, um choro de neném tomou conta da calmaria daquele ambiente. Belia resolveu que não iria apenas chorar baixo como todo bebê que acaba de acordar. Ela queria chorar alto. Abriu o berreiro repentinamente como um despertador.
Harry deu um pulo do sofá, desorientado, enquanto dava a volta no móvel para alcançar o balanço da menina. Os dois acabaram chegando juntos até ela, e se olharam com os olhos semicerrados.
— Eu pego — disse, sorrindo falsamente.
— Pode deixar que eu pego — Harry devolveu o sorriso, esticando os braços até a neném.
esticou os braços também, empurrando Harry para o lado.
— Você não vai conseguir fazê-la parar de chorar tão facilmente — ela retrucou, tentando desatar o cinto de segurança da menina.
— Ah. Claro! Porque uma completa desconhecida que convive com ela há, vejamos, quinze minutos, vai! — A essa altura os dois gritavam por cima do choro da criança.
— E qual a diferença entre vinte minutos e vinte e quatro horas para um bebê?!
— Eu passei mais horas com ela, ela já se acostumou com o meu cheiro! — Harry responde rispidamente, e assim que desamarra a fivela do cinto, ele pega Belia rápido como num bote. Ao tentar se levantar, perde o equilíbrio, e a moça ao seu lado precisa esticar o braço para evitar que caia ele e bebê em cima dela.
— Tá vendo, nem equilíbrio você tem — levanta-se, e tenta tirar a neném dos braços de Harry. Ela estica os bracinhos jogando o corpo na direção de , e ela encara Harry com as sobrancelhas arqueadas. Ele enfim desiste e entrega a garota, bufando e cruzando os braços.
Observa atentamente enquanto a balança no colo, sussurrando um chiado baixo perto de seu ouvido, e aos poucos o volume do choro diminui até cessar.
— Viu?
— Preciso dizer que estou impressionado, mas não foi o suficiente para me convencer. — Harry diz, orgulhoso. Abaixa-se e pega um brinquedo no chão, entregando nas mãozinhas de Belia.
— Convencer de quê?
— De que você deve passar muito tempo com a minha filha — Ele cruza os braços mais uma vez, e cerra os olhos.
— Harry, ela precisa de uma figura materna por perto. Viu como se acalmou?
— Pra mim isso é papo de machista. Se fosse desse jeito, casais gays não adotavam crianças — Harry rebateu.
se impressionou com a posição dele.
Parecia fazer sentido.
Por alguns segundos ficou sem ter o que responder.
— Não precisa contra-argumentar — Ele disse, balançando a cabeça e sorrindo com o canto da boca — Isso te colocaria numa posição um pouco contra seu próprio gênero, e eu não quero ter que te fazer isso... Apenas reflita sobre o que eu disse — E terminou de abrir aquele sorriso de efeito borboleta, que se abre na sala do apartamento, mas é capaz de causar um furacão na Indonésia.
Ou na cabeça de .
— Foi interessante, Harry — Ela finalmente o respondeu e sorriu — Não sabia que você tinha um pensamento tão claro assim.
— Tem muita coisa sobre mim que você ainda não sabe. Afinal, acho que nós não começamos muito bem... — Ele descruzou os braços, e esticou uma das mãos — Sou o Harry.
encarou sua mão, desconfiada.
Seria muito fácil para ele. Muito fácil.
Refazer sua confiança.
Lança uma frase de efeito, um sorriso, o velho “tem muita coisa sobre mim que você ainda não sabe” e o “não começamos muito bem”, e vem com essa de querer voltar atrás.
E ela aceita. Como se não soubesse de prontidão que ele não passava de um babaca.
Se existe uma coisa que sabe nessa vida, é que a primeira impressão é seu cartão de visitas.
E o de Harry não foi muito bem apresentado. Não adianta mandar para a gráfica novamente.
Ela respirou fundo, ainda pensando no que fazer. E logo percebeu que o cheiro daquilo não era muito agradável.
Literalmente, estava fedendo. Seria a deixa perfeita?
. E isso fede. — Disse ela, dando um aperto de mão em Harry com a mão livre.
— Como assim isso fede? — Ele não entendeu muito bem.
— Sua filha — estende a criança na direção do garoto — Tome, é toda sua essa fralda cheia.
— De jeito nenhum! Eu não sei fazer isso — Harry empurra os braços de de volta para perto do corpo dela.
— Ah, agora você não quer, né?
— Caralho, você só pode estar muito maluca de querer que eu troque essa fralda!
— Harry, você não disse que é pai? Que vai fazer tudo por essa menina? Pois então!
Tudo não inclui essa coisa que fede!
— Ah, sim, com certeza! E se ela vomitar em você? Vai incluir?
— Ela não vai vomitar em mim!
— Ela vai vomitar em você!
— Não vai!
— Vai sim!
— Não!
— Sim!
— Não!
— Não!
— Sim! — Harry errou.
— Exatamente, como você mesmo disse, sim, ela vai. — ri, estendendo a menina novamente na direção de Harry.
— Quem você... — Ele aponta para ela, e leva a mão aos cabelos em seguida — Quem você acha que é para fazer joguinhos mentais comigo?
— Eu não estou fazendo joguinhos mentais — dá de ombros — Só estou dizendo que você precisa trocar uma fralda.
— Mas meus amigos, pra quê tanto atrito?! — Niall aponta na sala, um pouco assustado com a discussão dos dois.
— É que isso daqui está fedendo demais! — responde ela.
— É, eu sei, o Harry é podre mesmo — Niall concorda — Mas com o tempo você se acost... — ele parou, tampando o nariz — Porra, Harry, nunca imaginei que você federia no sentido literal da coisa, ainda mais com uma mulher na sua frente! Caralho! Você comeu carniça?
— Seu idiota, não sou eu, é essa coisa — Harry apontou para Belia — Ela deve ter um bicho morto dentro da fralda.
— Ah, cocô? Então é minha hora de dar tchau para vocês, passar bem, podem voltar a brigar — e Niall dá meia volta, começando a retirar-se da sala. Harry vai até ele e o agarra pela camisa. Segurando-o pelos ombros, o guia de volta até estar de frente para .
— Por acaso o senhor se esqueceu que o encarregado das fraldas é você? — perguntou tranquilamente.
Niall engoliu em seco.
— O encarregado das fraldas, não da placa de sinalização pra urubus! — Ele responde ironicamente.
ri pelo nariz.
— Eu não sei se devo falar com vocês, mas nem as de xixi eu consigo. E sem falar que, caso eu me suje, não tenho outra roupa e daqui preciso passar no supermercado. Não tem como ir lá fedendo a cocô.
— É, então, nós já temos um probleminha — Harry aponta para a direção do vestido de , onde Belia estava apoiada, e há ali uma mancha marrom-amarelada.
Ela fecha os olhos e respira fundo.
— Harry Oats, você pegue a sua filha AGORA! — Exclama, elevando o tom de voz.
Harry se assusta e segura Belia, mantendo-a afastada de seu corpo para não precisar tomar outro banho. Repara que a lateral de seu macacão está suja. Droga.
— Niall, você realmente precisa me ajudar — Ele pede, olhando desesperado para o amigo. ainda está em silêncio, olhando para sua blusa e respirando fundo.
— Precisamos de uma estratégia para não sujar o sofá — Niall olha para todos os lados, desesperado atrás de algo que fosse impermeável. E talvez pudesse isolar cheiros, seria interessante. Encontra no vale de sacolas da sala a ideia perfeita: forrar o sofá com varias delas.
Enquanto Harry segura Belia, ele corre e pega algumas sacolas vazias no chão, fazendo uma espécie de cobertor em cima do sofá.
— Tome. Vá tirando essa roupa enquanto vou ao meu quarto pegar as fraldas dela, lenços e uma blusa nova para a se trocar — Harry estende a menina.
— Por favor, Harry. — balança a cabeça o agradecendo — Estarei no corredor, longe dessa... Coisa — Ela começa a se afastar devagar, e Niall arregala os olhos, desesperado.
Ok, eram apenas ele e ela novamente. Mas com a diferença de uma fralda que fedia merda.
Ele coloca a criança deitada sobre o forro improvisado, e começa a desabotoar o seu macacão devagar.
No mesmo instante, Louis e Liam entram na sala.
— O que está acontecendo aqui? Parece que alguém morreu nesse lugar — Louis já entra com o nariz tampado pela blusa.
— Ela lançou uma bomba de merda em cima da fralda, da , e estou tentando evitar que lance no sofá do Harry ou, pior: em mim! — Niall responde desesperado, sem tirar os olhos do que fazia. Consegue finalmente retirar o macacão da garota, e resolve desabotoar sua fralda.
Péssima ideia.
Na mesma hora, todos os Donuts que ele comeu no café da manhã pedem passagem em sua boca.
Ele não consegue fazer nem falar nada a não ser se levantar correndo e ir em direção ao banheiro. Louis e Liam se entreolham enquanto escutam os barulhos de Niall morrendo aos poucos lá dentro.
— É... — Louis suspira — Não sei se quero ser o próximo.
— Olha, eu trouxe isso, não sei se ajuda — Harry entra na sala com uma mascara de médico no rosto — Ué, onde está Niall?
— Ouça os barulhos do banheiro — responde Liam.
— Tá tão mal assim essa coisa aí?
— Se eu fosse você eu nem chegava perto, meu chapa. Vamos deixar aí à deriva, uma hora ela aprende a se limpar sozinha — Louis sugere, apontando para a criança.
Liam ri. Harry estende a mascara na direção do amigo.
— Onde você arranjou isso, Harry?
— Não pergunte.
— Isso tem cara de sex shop.
— Eu mandei não perguntar — Ele rola os olhos. Liam da uma gargalhada, indo até os garotos. Pega a mascara e encara aquele apetrecho sexual branco, com o símbolo da cruz vermelha na frente.
— Bom, pelo menos já sabemos que pra alguma coisa esse mundo de mulheres que você trás aqui vai servir — Liam ri, colocando a máscara no rosto — Então, garotos, como eu sei que vocês não vão conseguir fazer isso, venham e aprendam com o mestre.
E então ele se encaminha na direção de Belia com os lenços e a fralda que Harry trouxera.
— Bisturi, por favor — diz. Louis e Harry o olham assustado. — Estou brincando! Apenas fingi que estava num episódio de Grey’s Anatomy, para incorporar o personagem — e aponta para a máscara.
— Meu Deus, você é ridículo! — Harry ri, mas Louis ainda encara assustado toda aquela roupa suja em cima das sacolas.
— Podem me dar um lenço, e dessa vez é real — Liam pede. Harry segue o que o amigo diz, e enquanto isso Louis observa atentamente todos os movimentos. Mal consegue acreditar naquela cena: Liam trocando a fralda de uma criança em cima do sofá de Harry forrado com sacolas. Uma fralda de cocô. E a criança filha de Harry. E quem está trocando a fralda é o Liam!! Ele saca o celular do bolso, e tira algumas fotos para registrar o momento.
Em menos de cinco minutos, Belia está vestida uma nova fralda e brinca com o talco. O macacão é levado para a máquina de lavar por Harry segurando-o com os dedos em pinça, e Louis perde no par ou ímpar e é o selecionado para jogar a fralda suja no lixo.
Liam pega a garota no colo, e por um momento pode jurar sentir falta de carregar um bebê. Enquanto trocava aquela fralda, ele foi automaticamente levado de volta para quando Sail era apenas um bebezinho, e sem querer sentiu saudades daquilo. Resolveu ignorar aquele sentimento. Seu filho já era uma criança, ele devia amá-lo assim, dar tudo que pudesse, e não sentir falta da época mais conturbada da sua vida.
— Harry, eu até gostei dessa camisa, não sei se vou devolv... — chegou na sala falando. Mas Harry não estava lá. Apenas Liam, com a bebê no colo, já trocada e provavelmente cheirosinha. — Ah, oi, Liam. Então... Tivemos um pequeno acidente. Precisei pegar essa camisa emprestada — ela sorri.
— Harry e suas mil camisas de banda. Provavelmente ele não vai ligar se você nunca devolver essa. Ele deve ter umas quinhentas.
— Verdade. Ele me deixou escolher, e eu fiquei meio perdida naquelas gavetas do armário — Ela riu.
— Ficou ótima em você — Ele sorriu — A calça dele também pareceu servir perfeitamente.
— Não é? Nossas pernas são quase do mesmo tamanho — ri.
— Eu preciso de um álcool em gel urgente para passar em minhas mãos — Harry diz ao entrar na sala — Vocês não estão entendendo, eu coloquei aquele macacão para lavar sozinho na lavadeira. Senão ele pode derreter todas as minhas outras roupas! — exclamou, exaltado. Logo olhou para , e seu semblante ficou um pouco sério ao perceber qual camisa ela havia escolhido. Tudo bem, ele disse para escolher a que ela quisesse e ficasse mais confortável, e a deixou sozinha no quarto. Mas ele não esperava que ela fosse escolher a sua camisa preferida do Pink Floyd.
Amanhã mesmo ele passaria na casa dela para buscar.
— É... Espero que não tenha problema ter pegado essa camisa. Inclusive eu a amei, e estou pensando em nunca mais devolver — disse para Harry, sorrindo.
— Você não seria maluca — Louis sussurrou.
— Como assim? — ela pergunta.
— Ele não tira essa camisa nem para dormir — Louis ri — Um milagre ela estar limpa. Tem certeza que ela não está usada?
O rosto de tomou uma cor rubra rapidamente, e ela sentiu-se sem graça por estar usando a camisa preferida de Harry.
— Não ligue para ele — Harry percebeu que ela estava desconfortável e sorriu — Eu lavei essa camisa sim. Pode cheirar. E pode usar também, não tem problemas. Amanhã busco com você.
— Eu a mando pra cá hoje ainda — responde, preocupada.
— Tudo bem — Harry não retruca, afinal, é sua camisa preferida. Mas dá um sorriso reconfortante para . Ele não quer fazê-la sem graça.
Afinal, ele já teve muitos inícios desagradáveis. Poderia até tentar novamente um recomeço saudável.
— É, então... Temos estúdio hoje, certo, Liam? — Pergunta Louis.
— Sim, vocês têm. À tarde. Estejam lá prontamente. E já vamos começar as movimentações do nosso plano. estará aqui meia hora antes para buscar Belia, ela quem vai chegar com a garota.
A serenidade de Harry já não estava mais a mesma. Ele insistia em não estar seguro com e sua filha.
— Estarei aqui — sorri — E você vai vir passear com a mamãe. — E diz para Belia, rindo, enquanto faz um carinho em sua bochecha. Ela ainda está no colo de Liam.
Harry a encara, perplexo.
— Acostume-se, Harry, vai ser assim daqui pra frente — Liam suspira — Se precisar, podemos marcar uma sessão com o psicólogo.
— Não! — Harry exclama, e vai até ele tirar a menina dos seus braços — Não preciso de psicólogo. Está tudo sob controle.
— Percebemos... — Louis o encara.





VII

Niall finalmente aparece na sala, e impressiona-se com a bebê já trocada no colo de Harry, vestindo apenas a fralda nova, mas parecendo estar extremamente limpa e cheirosa.
— Olha, Liam, preciso confessar...
— Que fiz um bom trabalho?
— Não, que eu quero te passar meu posto de trocador oficial de fraldas — Niall o responde com um sorriso. Liam balança a cabeça negativamente.
— Nunca — retruca — Não contem comigo para mais do que o que fiz hoje. Tenho muito trabalho. E estou enferrujado. Vamos, ?
— Sim. Preciso correr, e tomar muito café — ela sorri, dirigindo-se até a mesa para pegar suas coisas. Liam também passa a mão em sua pasta, e rapidamente os dois estão na porta do apartamento. Antes de abrir, Liam gira sobre os calcanhares, na direção dos meninos novamente.
— Só uma coisa — diz, apontando para os três — Eu acho que vocês deveriam treinar trocas de fraldas. Tenho medo do que pode acontecer na próxima vez em que ela fizer cocô, o que deve ser em aproximadamente quatro horas — riu — Eu mesmo vou comprar bonecas.
— Bonecas?
— Você tá brincando?!
— Literalmente — Niall gargalhou.
— Eu estou falando sério — Liam os olhou com o semblante firme — Vocês têm até amanhã para aprenderem a trocar fraldas. Em trinta segundos. — e sorri, antes de virar-se para a porta novamente e sair.
— Esse cara pirou de achar que eu vou trocar uma fralda em trinta segundos — comentou Harry, olhando para sua filha. Ela tem de forma obsessiva o pote de talco na boca, trabalhando num novo design de baba para sua superfície.
— Eu ainda posso te ouvir — Liam grita da porta — Até mais tarde — e então ele e desaparecem atrás da porta fechada.
Harry encara Louis, um pouco confuso com aquilo tudo.
— Será que ele estava mesmo falando sério sobre o treinamento com as bonecas?
— Sem dúvidas — responde, dando de ombros — Pelo menos nós podemos virá-las de cabeça para baixo sem corrermos o risco de cometer um homicídio.
— Tudo bem que vamos treinar com as bonecas... — Niall comenta — Mas quem vai nos ensinar a pelo menos começar? E o que vai ser o cocô? Nutella?
— NÃO ESTRAGUE MINHA REFEIÇÃO PREFERIDA! — Louis berra, e corre na direção da cozinha. Com olhar de reprovação para Niall, saca de cima da bancada um pote de Nutella e come um pouco com o dedo.
Harry ri daquilo.
— Manteiga de amendoim pode servir — comenta.
— Agora você apelou — Niall o reprime — Vamos usar gel de cabelo.
— Gel de cabelo. — Harry repete, pensativo.
— Tá aí uma coisa que vai, pelo menos, ser cheirosa — comenta Louis, enfiando na boca outro dedo cheio de Nutella. Ele precisava tirar o trauma que as palavras de Niall haviam lhe causado — E você nunca mais ouse tocar na palavra Nutella, senhor Niall.
— E você na palavra Manteiga de Amendoim! — Niall aponta para Harry.
— Ah tá, e vocês na palavra filhos! — Harry bufa, virando-se na direção da sala, que ainda está uma bagunça com tantas sacolas e coisas de criança espalhadas.
Por alguns instantes, ele imagina se sua sala ficará assim pelos próximos meses, ou talvez anos. Se aos poucos os brinquedos coloridos e balanços serão substituídos por Barbies, pôneis e bonecas. E depois esmaltes. Maquiagens. E namorados.
Não, namorados não.
Nunca.
Namorados nunca.
Belia nunca iria namorar. Não sabendo o quanto homens são babacas. Inclusive, a primeira coisa que ele iria treiná-la, era a reconhecer um cara igual a ele: para que ela saísse correndo na direção oposta e talvez até ligasse para a polícia para denunciar um novo filho da puta descoberto no mundo.
E sobre as bonecas, ele já tinha a solução. Poderia ensiná-la a gostar de coisas normais como super heróis, Star Wars e bandas alternativas.
— Onde eu conseguiria um macacão de Homem-Aranha uma hora dessas? — pergunta Harry, quebrando o silêncio. Louis fecha o pote de Nutella e o observa atento, mas sem resposta. — É pra Belia.
— Ah, jura?! Pensei que fosse pra você — finalmente resolve interagir.
— Você me deu uma ótima ideia. Eu vou comprar roupas que combinam pra mim e pra Belia — Harry sorri, encarando a menina.
— Você vai usar camisas florais e laços de cabelo? — indaga Niall, jogando-se deitado no sofá. Saca seu celular do bolso e começa a usar, despreocupado. O sofá de Harry é realmente bem espaçoso e confortável.
— Olha aqui, duas coisas pra você: primeira delas, não é porque eu vou combinar minhas roupas com a Belia que ela tem que especificamente usar laços no cabelo. — ele responde, inspirado — Segunda coisa, não vejo problemas em usar uma camisa floral.
— Hoje você está muito desconstruído, eu estou impressionado — Louis comenta — Vai montar um blog feminista também?
— Homens não são feministas — Harry corrige — Apenas apoiam o movimento.
Niall cai na gargalhada.
— Você é pai de uma menina há pouco mais de 24h e já está cheio das ideias revolucionárias!
— Vá se foder, eu não tenho culpa se vocês dois são babacas. Eu não quero minha filha convivendo com pessoas como vocês!
Harry anda até Niall e coloca a garota deitada de bruços sobre a barriga do amigo. Niall o encara, com as sobrancelhas unidas.
— Posso saber do que se trata? Há dois segundos ela não iria conviver comigo...
— Arrumem a garota para sair com . Eu realmente preciso terminar meu cochilo, que fora interrompido. Senão hoje não sai uma nota das minhas cordas vocais — ele diz, e se retira da sala.
Niall encara Belia, observando aquela criatura inofensiva esticada em sua barriga. Ela então bate com o pote de talco na altura das costelas de Niall. Ele dá um urro.
— Socorro, Louis, começou!
— Começou o quê, criatura?
— Começou o ataque da víbora mortífera! Ela está tentando me matar! — Ele tentava se desvencilhar da criança sobre ele, ou pelo menos segurá-la para sentar-se, mas parecia uma tarefa impossível.
Louis vai até ele e resgata a menina.
— Ela tem mesmo cara de quem está no momento do ataque mortífero — comenta ironicamente — Você está certo. Deveríamos prendê-la numa jaula!
— Sim.
— Niall, eu não estava falando sério.
— Mas eu estava! — ele ainda tinha as mãos onde a neném o acertara — Isso daqui está doendo muito.
Antes que Louis pudesse responder, Belia soltou um balbucio.
— Está vendo? Ela pediu desculpas. — comentou.
Niall a encarou, os olhos semicerrados, e então retornou para sua posição inicial.
— Eu vou colocar ela aqui novamente e ir buscar uma roupa, pois está começando a fazer frio e não queremos mais um problema chamado não apenas bebê, mas bebê doente — ele recoloca Belia em cima de Niall — Vocês dois tratem de não brigar na minha ausência!
— Ela quem começou.
— Pelo amor de Deus, Niall! — Louis rola os olhos. Niall volta a encará-la, observando cada movimento, com medo de um novo ataque.
Bebês podem parecer fofos e inofensivos, mas, no fundo, ele sabia muito bem do que se tratava.
Um plano para tomar o controle e instaurar uma nova ordem mundial.

— Vocês estão brincando de casinha ou é impressão minha? — Harry aponta na sala, encarando Louis e Niall sentados no chão brincando com Belia. Ambos têm, cada um, um brinquedo colorido da Fischer Price e chacoalham na altura dos olhos dela, estirada num tapete colorido.
Eles olham para Harry no batente da porta, assustados.
— O que você quer dizer com essa pergunta?
— Ficam aí brincando a tarde inteira no chão, além de que vestiram a menina COM UM MACACÃO QUE TEM ORELHAS DE COELHO!
— Não é a coisa mais fofa?! — Louis pergunta, sorrindo.
Harry leva a mão ao queixo, observando melhor. Sim. É a coisa mais fofa.
— Pela sua falta de resposta, nós vamos considerar um sim — Niall sorri.
Harry ri e junta-se a eles no chão. Observam a menina brincar distraída com sua inseparável girafa de pelúcia, levando-a a boca e mordendo seu rostinho. Louis só consegue se perguntar internamente quem vai ser capaz de lavar aquela girafa. Ela parece nojenta de baba de neném.
— A que horas chega? — pergunta, quebrando o silêncio.
— Ah, ela já deveria estar aqui, porq... — Louis é interrompido pela campainha — Não disse? Ela já deveria estar aqui — e levanta-se para atender.
— Vamos, neném, para seu novo aposento — Harry diz, levantando-se e pegando Belia do chão — Você precisa prometer para mim que vai se comportar, e não dar motivos pra aquela bruxa ser má com você — diz, encarando a menina de frente e deitando-a no bebê conforto que já se encontrava no sofá próximo a eles.
— Bruxa? — Niall indaga, rindo.
— Sim, essa bruxa, eu já estou até vendo, o quanto ela vai manipular minha filha — Harry dizia enquanto apertava bem o cinto de segurança de Belia e procurava coisas almofadadas para colocar ao redor da filha — Eu já estou até vendo! Ela daqui a pouco começa com a possessividade, olha a cara dela de possessiva e dominad...
— Olá, meninos! — Harry é interrompido pela voz de . Cala-se, e dá seu melhor sorriso. Niall o encara e dá uma gargalhada — Do que estão rindo?
— É... Da Belia e... — Harry se embola.
— É porque o Harry está tendo uma crise de superproteção — Niall responde.
no mesmo instante olha para baixo, e percebe que Belia está envolta em bichos de pelúcia demais para um passeio.
— Será que não seria melhor colocarmos plástico-bolha? — pergunta, ironicamente.
— Olha, não seria uma má ideia — Harry leva a sério demais sua fala — Eu vou providenciar.
— Estava brincando. Você parece que está preparando a menina pra uma guerra — se abaixa, e começa a retirar os bichos do bebê conforto. Deixa apenas sua girafa.
— Eu preciso confiar meus preciosos genes a você de forma segura — responde Harry, abaixando-se para pegar um dos ursos e devolvê-lo para a lateral do bebê conforto.
— Se você não puder confiar em mim, eu desconheço alguém no mundo a quem confiar — sorri — Não é mesmo, Belia? — e passa a mão na bochecha da menina, que mexe o pequenino nariz em resposta ao carinho e ameaça sorrir — Afinal, Harry, eu e ela já nos damos muito bem. Está vendo?
— Eu não gosto nem um pouco disso. Ela tem que sorrir pra mim!
— E esse é apenas o primeiro dia... — Niall comenta, balançando a cabeça negativamente — Preciso me preparar para os próximos. Quando é que vocês vão decidir sair no tapa? Me avisem com antecedência!
— Podia rolar facadas, facadas são legais — Louis comenta, aproximando-se.
— Vocês estão assistindo a muitos filmes de violência — comenta, assustada. Levanta-se e ajusta a alça do bebê conforto para carregá-lo.
— Inclusive a partir de agora nessa casa só passa desenhos lúdicos — Harry diz — E Animal Planet. Animal Planet é muito bacana.
— Vocês até que formam uma boa equipe — comenta Niall — Podem ir assistir desenhos no quarto com a neném em família enquanto eu e Louis continuaremos assistindo outras coisas aqui na sala mesmo.
— Podemos ir, ou vocês vão ficar de papo furado? — diz, ao sentir-se constrangida com o papo de “vocês formam uma boa equipe”. Em dez segundos, uma vida inteira ao lado de Harry criando Belia passou pela sua cabeça e ela teve de ser muito forte para mandar embora aqueles pensamentos. Mas que loucura. Mal conhecia Harry há 24 horas e já passava por isso. Sem falar no início nada agradável dos dois. Ela precisava ser mais madura e manter o controle.
— Como a madame quiser — Harry estende a bolsa de Belia, já prontamente arrumada com um arsenal de fraldas pro caso de a neném resolver atacar novamente com sua bomba de cocô assassino. Ainda bem que dessa vez seria responsabilidade de . Ele até torcia para que isso acontecesse, pois só assim teria certeza de que estava preparada para conviver com a bebê sem odiá-la por completo e planejar um sequestro para vendê-la para uma família do oriente médio a adotar.
Ainda bem que ele sabia que ela estava sendo bem paga na empresa e não precisava de dinheiro do mercado de crianças.

A tarde segue tranquila. leva Belia em seu carro enquanto Harry, Niall e Louis vão em outro, e nada parece levantar suspeitas. Exceto as crises de Harry com medo de fazer algum mal a Belia. Mas mal ele sabia que a menina passou a viagem inteira dormindo feito um anjo no banco de trás. Caso descobrisse, é bem provável que implorasse para que isso acontecesse mais vezes, e ele teria enfim paz. Já dentro da gravadora, Harry mantém a guarda do carrinho de Belia como um cão. Sempre que não precisava entrar no estúdio para cantar, o móvel permanecia ao seu lado. E a bebê apenas dormiu, durante toda a tarde, o que foi um alívio para eles.
Do lado de fora, enquanto encaixava o bebê conforto no carro, Harry e Niall ficaram por perto, vigiando tudo.
, você não gostaria de ir até nossa casa? — pergunta Niall.
— Não, obrigada, estou muito cansada — ela agradece sorrindo — Noite passada não dormi. Necessito de uma cama!
— Tudo bem. — Harry a responde. Não queria mesmo que ela fosse. Caso comparecesse, iria continuar com toda sua forma possessiva para cima de sua filha e ele não queria muito contato dela com a neném. Apenas quando fosse importante.
nota sua rispidez, mas percebe o semblante de preocupação de Niall.
Ele só consegue imaginar que a noite passada fora muito tranquila na hora de dormir e nessa noite Belia planejava certa vingança pela paz conquistada no dia anterior.
— Mas se precisarem de alguma coisa, qualquer coisa, podem me ligar. Vocês têm meu telefone na agenda atualizada — ela tenta confortar Niall.
— Rapazes, vocês já estão indo? — Liam aparece de súbito. Todos se viram na direção dele, e Louis está ao seu lado.
— Se estamos na garagem preparando os carros, obviamente — Harry responde. Todos notam o quão intolerante ele parece. Provavelmente foi a noite sem dormir.
— Alguém dá um calmante pra esse garoto — Liam pede, em resposta ao tom de Harry — Enfim... Coloquei três bonecas no porta malas de vocês. Treinem as trocas de fraldas, por favor. Como eu disse, logo ela vai fazer uma nova arte e vocês vão ter que saber lidar com isso.
— Misericórdia... — Niall passa a mão pelos cabelos — Ok, vamos ter que fazer isso.
— Eu tenho um plano. Vídeos do Youtube — Louis coça o queixo, pensativo — E outras coisas a mais.
— Que coisas a mais?
— Apenas para quem estiver presente — Louis responde.
— Devo temer essa atitude? — indaga Liam.
— Como fica a segurança da menina? — e também se intromete.
— Nada vai acontecer com a menina. Podem ficar tranquilos.
Liam dá de ombros.
— Ainda bem que a guarda está no nome de Harry e provavelmente se acontecer algo é ele quem vai pra cadeia — comenta.
— De jeito nenhum! Eu vou enrolar a Belia num plástico-bolha se necessário! — Harry exclama — Inclusive, obrigado pela ideia mais cedo, .
— Disponha.
— Vamos pra casa — Niall saca a chave do carro do bolso.

Ao chegarem em casa, Harry dá banho em Belia e a prepara para dormir, com certo desajeito pela falta de experiência mas acaba conseguindo abotoar um macacão – após quase quinze minutos tentando. Louis e Niall arrumam as bonecas na sala, sobre a mesa de jantar, enquanto Harry dá uma mamadeira para Belia. Ela parece muito tranquila quando eles a colocam no balanço próximo ao sofá.
Louis vai até a cozinha e logo aparece com três long necks de cerveja. Niall já está posicionado com lenços umedecidos, uma pilha de fraldas, talco, e o famigerado gel de cabelo simulador de fezes que ele desenterrou do armário no banheiro de Harry. Pelo menos o gel é cheirosinho.
— Essas eram as coisas a mais? — indaga Harry, aproximando-se da mesa e pegando uma das cervejas. Louis sorri orgulhoso.
— Sim! Se vamos ter que trocar fraldas até nossas mãos caírem, que seja bêbados!
— Eu gostei dessa ideia — Niall comenta buscando sua garrafa.
— Um brinde aos preservativos! — Harry estende sua garrafa, e os três brindam enquanto riem.
— Devíamos ter feito isso nove meses atrás — comenta Louis.
— Nesse caso a Naomi já estaria grávida — Niall conserta — Ou estou errado? Quantos meses a Belia tem? Um ano talvez?
— Faz seis daqui duas semanas, seu idiota! Ela não consegue nem ficar sentada ainda — Harry o corrige, tentando lembrar-se da data na certidão de nascimento — Então devíamos ter feito isso há um ano e meio atrás.
— Há um ano e meio eu tinha acabado de perder minha virgindade — Comenta Niall, receoso.
— Muito obrigado pela informação! Era tudo que eu queria saber! — Louis diz, ironicamente.
— Me deixa em paz. Se for pra torturar alguém que seja o Harry. Se fosse que nem eu, virgem, ele não teria feito essa cagada. — E então percebe que é algo a se orgulhar.
— Para de pagar de santo — Harry dá um soco leve no ombro de Niall — Sabemos que você nunca mais ficou três dias sem transar desde que perdeu a virgindade. E desde então inclusive suas mãos pararam de ter calos — comenta.
— Pelo menos se as suas se mantivessem com calos nós não estaríamos aqui, agora, tendo que praticar trocas de fraldas com bonecas! — Niall o respondeu, rolando os olhos. Todos dão uma gargalhada.
— Então tá, nenhuma mão tem calos, todos nós transamos, então podemos começar? — Louis os interrompe — Eu tenho medo do que essa menina pode fazer, ela está muito quieta. Daqui a pouco vamos ter que colocar nosso treinamento em prática e não vamos estar nem na metade dele! — Comenta, olhando na direção da bebê por cima da mesa.
Harry posiciona o notebook de modo que os três consigam enxergar a tela, e pesquisa no Youtube algum vídeo ensinando a troca de fraldas.
Os três começam devagar, pausando o vídeo a cada movimento que a mulher faz para mudar a criança deitada no trocador. No início, uma única troca demora mais de cinco minutos, mas posteriormente eles conseguem seguir os passos sem pausar e, depois, até mesmo sem precisarem do vídeo.
— Quem vai buscar a próxima cerveja? — perguntou Harry cortando o silêncio. Já havia perdido as contas de quantas fraldas gastara naquele ponto.
— Eu — Niall dirige-se até a cozinha e abre a geladeira — É... Harry... Acontece que não temos mais cervejas.
— Não temos mais cervejas?!
— Não temos mais. Acabou.
— Quantas cervejas bebemos? — Questiona Louis.
— Quatro cada um. Quem foi o idiota que comprou apenas doze? — Niall fechara a geladeira com força e estava em direção à sala novamente.
— Você vai estragar minha geladeira! — Harry praticamente grita — Ela tem um computador, é preciso ser delicado. Me ajuda até com a lista de compras — comenta, gabando-se da sua geladeira multifuncional.
— Péssima lista de compras que não inclui mais cervejas — Louis o responde ríspido.
— Esperem, eu tive uma ideia — diz Niall — E se a gente criasse um novo tipo de bebida no mundo?
— Como assim?
Niall troca a direção de seus passos e vai até perto do bar, onde Harry guarda várias garrafas diferentes de bebidas.
— O computador bosta dessa geladeira me deu uma brilhante ideia... “Control Alt Del” — Diz, vislumbrando aquele nome — Nós podemos misturar vários tipos de bebida e chamarmos assim. O que acham?
— Você está bêbado — Louis balança a cabeça negativamente.
— Eu amei! — Harry dá um pulo na direção de Niall, levando sua boneca nos braços — A gente pode colocar as bebidas que tenham o maior teor alcóolico possíveis!
— Sim! E quem beber muito vai, literalmente, dar um pau no sistema! — Niall se empolga junto.
Louis os observa de longe com desdém.
Tem plena certeza de que aquilo não vai levar a nada bom, e não está com a mínima vontade de limpar banheiro vomitado.
— Vocês precis...
— Vamos começar — Harry coloca um copo grande em cima da bancada — Primeiro, tequila.
— Sempre tequila! — Niall concorda, e pega uma garrafa de tequila. Serve uma pequena dose no copo, pois sabe que precisam adicionar mais coisas.
— Ótimo. Agora vodka — Harry diz. Tenta segurar a garrafa de vodka Danzka junto com a boneca no colo, mas acaba não conseguindo. Niall decide assumir o posto de bartender.
— E se colocarmos também whisky? — sugere.
— Sim! Por favor.
— O que mais?
— Licor. Precisamos dar gosto a isso. Louis, diz um licor!
— Licor de vamos parar com essa palhaçada.
— Certo, agora um de verdade — Niall rola os olhos.
— Eu estou falando sério. Isso vai dar merda!
— Foda-se — Harry o encara e diz, sorrindo de nervoso: — Olha a merda que já está aí, Louis. Espalhada pela sala. Suja nas fraldas. Deitada dormindo no balanço! — aponta para Belia.
E pode jurar que, por alguns segundos, sentiu uma súbita vontade de começar a chorar. Toda sua vida e todas as suas perspectivas foram resumidas a choro de bebê, mamadeiras e fraldas sujas em segundos e ele não tinha mais como voltar atrás. Porém, a melancolia passou, ao lembrar-se de que precisaria se manter forte para aguentar toda a pressão. Pelo menos por enquanto.
Louis parece perceber a tensão do amigo e sorri de longe, tentando reconfortá-lo.
— Pelo menos nós estamos fodidos juntos — Niall também percebe, e passa o braço sobre o ombro dele — Tudo bem que podíamos estar sei lá só brincando de bonecas e tal, mas já que a boneca tem vida, vamos lidar com isso — diz, olhando o brinquedo no colo de Harry. Ele suspira, e estica a mão livre até o copo.
— Coloque licor de menta, que vai arder junto com a bebida.
— Arde dentro da garganta pra mostrar que a merda da vida é menos pior — Niall gargalha, e procura pelo licor de menta.
Em segundos, o famigerado “Control Alt Del” estava pronto aguardando-os sobre o bar. Niall e Harry se entreolham, tentando decidir quem bebe primeiro.
— Você vai ou...?
— Olha, você é pai, merece um presente de paternidade. Eu não tive a oportunidade de lhe comprar nada, então fica com o primeiro gole como cortesia — Niall sorri de orelha a orelha.
Louis gargalha ao fundo.
— Vocês são frouxos demais — Ele caminha até os garotos e pega o copo. O coloca na boca e toma um gole como um shot. Em seguida, uma careta nunca antes vista. — Puta que pariu.
Niall e Harry caem na gargalhada.
— Pra quem disse que não iria correr o risco de tomar isso, até que você foi bem atrevido — comenta Niall, e em seguida toma o copo da mão de Louis.
Vira seu gole e balança sem parar a cabeça numa careta desgostosa. Após as duas reações, Harry começa a tomar certo medo pela bebida.
— Puta merda que coisa horrível! — Ele enfim grita, estendendo o copo a Harry — Você precisa tomar isso!
— Estou com medo.
— Toma essa porra agora! — Niall leva o copo até a boca de Harry, obrigando-o a beber. O rapaz toma um gole, e seu corpo parece queimar todo por dentro enquanto o líquido percorre sua garganta. Ele pode senti-lo repousar em seu estômago como uma chama.
— Liga para a ambulância, meus órgãos acabaram de derreter! — Harry diz ao conseguir se livrar da careta — É sério, eu vou morrer. Eu vou urinar sangue!
— Cara... — Louis estende a mão, num sinal de espera — Até que... Depois... Até que é um gosto bom — comenta, estalando a língua no céu da boca.
— Se você acha gosto de remédio um gosto bom, tudo bem. Cada um com suas loucuras — Niall o encara, perplexo.
— Eu sinto gosto do inferno — Harry comenta, ainda sentindo sua garganta anestesiada — Alguma vez na vida vocês já tomaram Vick Vaporub?
— Não, pra mim isso era de passar no nariz...
— Pois é, Niall, pois é. Se você um dia lamber aquela cera, vai ter o mesmo gosto desta merda que a gente preparou! — Harry aponta para o copo com raiva.
— Qual seu objetivo dessa noite? — indaga.
— Olha, o meu é sobreviver — Louis responde.
— Ficar bêbado e esquecer meus problemas, pra ser sincero.
— Então ótimo — Niall coloca o copo na mão livre de Harry — Isso aqui vai ajudar. A esquecer esse problema chamado Belia.
— Ainda bem que ela é um problema que não está chorando neste momento — comenta o pai, olhando na direção da neném. Ela dorme de forma serena no balanço. Na verdade, se não fosse o cheiro de talco no ambiente, eles nunca diriam que havia um bebê ali dentro da sala.
Pareciam até Harry, Louis e Niall de antes, bebendo e se divertindo juntos.
— Será que dá pra gente continuar?
— Sim. A cada troca, um pequeno gole para cada um. O que acham?
— Precisamos acabar com essa merda de qualquer jeito — Louis responde, dando de ombros — De volta ao trabalho!

Niall, por incrível que pareça, era quem melhor se saia nas trocas de fraldas. Mesmo com todo aquele gel de cabelo pegajoso se espalhando pela fralda e os quilos de lenços umedecidos gastos, ele conseguia ser ágil em todas as trocas. O que deixava Louis furioso e, pra variar, Harry mais ainda.
Ele era o pai. Ele quem devia ter mais habilidade com aquilo. Ele quem iria passar mais tempo na vida da garota. Ele quem era dono dos seus genes, até mesmo os genes que produziam cocô fedorento, então ele tinha todo direito de permanecer como o melhor em tudo que dizia respeito à Belia.
Todavia, Niall continuava como o mais rápido. Resolveram utilizar até mesmo um cronometro para monitorar os tempos de cada um.
— Nós precisamos criar mais competição aqui — Harry comentou, sentindo que precisava de um empurrãozinho para se sair melhor naquilo.
— Você quem manda. O que faremos? — Louis questionou, sem tirar os olhos da fralda que ele tentava prender ao corpo da boneca. Aquelas alças adesivas com pregas eram muito complicadas de acertar a largura da barriga do bebê sem sufocá-lo ou deixar frouxo demais, ainda mais com a coordenação motora prejudicada pela alta dosagem de álcool consumida durante o processo.
— Eu tenho uma ideia. — disse Niall. — Nós podemos continuar monitorando o tempo e, quem terminar por ultimo, beberá um shot de tequila. No final, fazemos uma média e vemos quem teve o melhor desempenho.
— Podemos fazer uma média e aqueles dois que tiverem as melhores, vão entrar numa nova competição para vermos quem ganha. — completou Louis.
— E podemos todos os três bebermos no início de cada rodada também! — Harry parecia mesmo perseguir o seu objetivo de ficar bêbado naquela história.
Com certeza ele queria ficar bêbado, até mesmo confessara mais cedo aos amigos. Havia muita coisa acontecendo em menos de 72 horas, e ele não tivera condições de tentar afogar sua mágoa no álcool. Sua cabeça estava a mil durante todo esse tempo e ele precisava muito de algo que o relaxasse e o fizesse espairecer toda a pressão.
— Vamos dar uma pausa no Control alt del — sugeriu Louis — E permanecemos apenas com tequila. Senão um de nós entrará em coma alcoólico!
— Ou vomitará — acrescentou Harry.
— Isso nós já fizemos várias vezes desde que Belia chegou, então se vomitarmos agora não vai mudar muita coisa.
— É verdade, Harry, você vomitou com a papinha da bebê… — comentou Niall.
— Mano, aquilo é nojento. Até ração de cachorro deve ser mais gostoso do que aquela merda triturada com tempero.
— Não ofenda assim minha nova comida preferida — Louis se intrometeu, nervoso.
— Morro de fome, mas não como essa droga — sim, Harry era puro desdém. Mas, no fundo acabou se arrependendo da frase, pois não sabia ao certo como seriam seus dias dali pra frente. Ora, ele só era pai há dois dias, nunca carregara um bebê na vida e, naquele momento, perdia uma competição de trocas de fraldas. Para desandar todo o processo, faltava pouca coisa. Ele precisava ser cauteloso até mesmo com suas palavras.
— Aguardaremos! — Louis rolou os olhos, e finalmente terminara a troca da nova fralda na boneca. Ergueu-a, para que os outros dois a vissem — Observem essa fralda perfeitamente afivelada. Sem ter que tirar e colocar novamente. Acertei de primeira!
— Também, com cinco minutos de cálculos milimetrados, quem não acertaria — Niall fez pouco caso. Ergueu sua boneca, também recém trocada.
Harry encarou os dois com raiva. Não sabia ao certo se era raiva mesmo ou a bebida forte que começava a fazer efeito, mas ele queria muito competir naquele momento e pretendia começar a levar tudo bem a sério a partir da próxima rodada.
Os três shots de tequila já estavam posicionados na mesa à frente dos três. O cronômetro do celular também. Eles, por sua vez, posicionados de forma estratégica para começarem as trocas. Niall, como era o mais habilidoso naquele momento, ficara responsável por ligar o cronômetro. E no instante em que apertou o botão, Harry e Louis já foram com suas mãos em disparada até as fraldas.
Primeiro, beber o shot. Segundo, desafivelar a fralda. Levantar as pernas do bebê. Puxar a frente, verificar as laterais para não vazar. Dobrar para tampar a espuma suja e posicionar debaixo do bumbum do neném. Com uma das mãos, permanecer levantando as pernas, e com a outra pegar o lenço. Limpar até não restar nem um rastro de sujeita. Retirar a fralda com cuidado, soltar as pernas da criança, amarrar bem a fralda num rolinho para não vazar no lixo. Pegar uma fralda nova, abrir. Levantar novamente as pernas da criança, e com a mão livre posicionar a fralda debaixo do bumbum. Jogar talco. Soltar as pernas, passar a frente da fralda pelo meio. Um dedo de frouxidão na cintura, ajustar as alças. Conferir as laterais das coxas. Fim.
Harry soltara as pernas da boneca com tanta pressa que, caso fosse um neném, viraria até de bruços.
— Consegui! Fui o primeiro! — grita, erguendo os braços.
— Acabei! — Niall também ergue os braços.
Em seguida, Louis, que já não tinha mais pressa para terminar, já que perdera.
— Beba, señor Louis! — Niall enche um copo de shot com o resto da tequila de uma garrafa e o estende para Louis. O amigo, sem contestar, bebe o líquido rapidamente, e os garotos aplaudem.
— O que acham de trocarmos a música? — Harry comenta — Eu acho que um tema de luta tipo Rocky Balboa ou Eye Of The Triger seria ideal.
Os dois amigos percebem a empolgação de Harry, e se encaram. Ambos desconfiam o que cada um pensa: deixar com que Harry ganhe. O coitado havia realmente sido o pior nas trocas anteriores, e precisava de uma certa dose de autoestima, já que seus últimos comentários com relação à situação de ser pai não foram lá essas coisas.
— Troca a música enquanto pego mais bebida — Louis ordenou, e foi buscar a garrafa de Tequila. Completou os copos vazios, e Harry trocou a trilha sonora no seu Spotify. Agora sim, Eye Of The Triger tocava pelos alto-falantes da sala, e ele sentia toda a energia tomar conta de seu corpo.
Porém, de tão empolgado com a música, Harry acaba derrubando o copo de shot posicionado à frente da sua boneca na rodada seguinte. E por mais uma.
— Se você continuar assim não vamos chegar à quinta rodada com tequila na garrafa!
— Tudo bem eu tenho umas cinco aí no bar.
— Mesmo assim, Harry, a boneca vai ficar bêbada de tanta tequila derramada nela! — Niall aponta para a cabeça da boneca encharcada de bebida.
— Tudo bem. Vamos resolver isso — Harry observa ao redor. E então, seus olhos se fixam em algo sobre a mesa da cozinha. Algo não, várias coisas. Várias mamadeiras que Niall e Louis haviam feito o favor de comprar no supermercado já que não eram capazes de escolher apenas uma ou duas. — Ali! Já sei! — E corre até lá. Pega três delas, e leva à mesa da sala. Louis e Niall o encaram, perplexos.
— O que você tá arrumando?
— Estou dando um jeito na bagunça — Harry abre todas as mamadeiras e despeja o conteúdo dos copos dentro delas. Tampa, e as posiciona sobre a mesa como antes estavam os copos — pronto!
Niall faz uma careta de desdém enquanto observa aquilo.
— Você só pode estar muito doidão — comenta.
— Na verdade, não. É a solução perfeita, oras! Se tombar, não derrama mais!
— Eu só quero saber se vamos jogar essas mamadeiras no lixo depois — questiona Louis, pensativo.
— Com certeza.
— Ou podemos guardar para bebermos mais vezes. Pensando bem, parece uma boa ideia. E podemos fazer até uma festa temática dia desses em que estivermos cuidando da Belia — Niall propôs.
Sempre Niall e Harry com as piores ideias. Louis já ia se acostumando. Só precisava garantir que Belia não seguisse o mesmo caminho do pai e tivesse planos mirabolantes.
— Vamos aproveitar que estamos em pausa e pedir algo para comer. Estou faminto! — Niall comenta aleatoriamente antes de voltarem à próxima rodada da competição.
— Peça no iFood, Harry. Você tem cinco minutos — Louis ordena.
Harry rapidamente faz o pedido de uma pizza pelo iFood e logo eles já estão de volta à competição enquanto aguardam a comida chegar ao apartamento.
Nas próximas quatro rodadas que definem a melhor pontuação de sete, Harry consegue ganhar três e Niall uma. Ao final, são quatro pontos para Harry, dois para Niall e um para Louis. E, antes mesmo de começarem a rodada final entre os dois melhores, a campainha toca.
— A pizza! — Harry grita. O som está alto.
— Eu vou! — Louis joga sua boneca no sofá e vai até a porta, já que está mesmo fora da rodada. Enquanto isso, Niall e Harry preparam-se para as três rodadas finais.
Com o dinheiro em mãos, Louis abre apenas uma fresta na porta, o suficiente para encaixar seu corpo e tentar esconder o resto da casa que está uma bagunça e, para piorar, com um bebê dentro. Mas apenas quando o entregador o olha de forma estranha ele percebe que, na outra mão, carrega uma mamadeira, por sorte vazia. Sorri para disfarçar.
— Não ligue para isso — resolve dizer — Nós estamos fazendo uma noite do pijama, pois a namorada do nosso chapa ali — abre mais a porta e aponta para Harry, concentrado na sua troca de fraldas — E mãe daquela criatura — aponta para Belia dormindo no balanço — Meteu o pé na bunda dele e não sabemos trocar fraldas.
Só então se dá conta de que havia dado informação demais quando não fora perguntado. Fecha novamente a porta até sobrar apenas seu corpo, assustado. A bebida realmente fizera efeito.
— Vocês não são daquela banda Moun...
— Não, não somos — ele o interrompe, e estende a nota de cem dólares que segura. Coloca na mão do entregador e então começa a procurar por mais dinheiro no bolso. Encontra outra nota, dessa vez de cinquenta dólares. E também a coloca na mão do entregador, tomando sua pizza em seguida — Pode ficar com o troco, e você nunca viu nenhum membro de banda nesse prédio — diz, afastando-se e fechando a porta com pressa na cara do rapaz.
Suspira de alívio escorado na porta fechada.
— Olha, se realmente vamos ter que ficar pagando propina assim pelo silêncio, é bom a gente vender muitas músicas — comenta, aproximando-se dos amigos. Coloca a pizza sobre a mesa, empurrando as bonecas e as fraldas.
— Ei, eu estava ganhando! — Harry reclama, nervoso.
— Porra, Louis, você atrapalhou tudo!
— Vocês não entenderam que eu acabei de dar cento e cinquenta dólares praquele entregador fingir que nunca viu banda alguma nesse prédio?
— Como ele sabe que não era só você que estava na porta?
Louis engoliu em seco.
— Sem querer eu acabei contando a história toda. Parte dela. — sua voz soou baixa.
— Você o quê?! — Harry exclamou, abandonando sua troca de fraldas.
— Dá um crédito, Harry, estamos bêbados! — Niall segurou seu braço.
— Você quer matar a gente!
— Ele nunca vai falar nada. Acabou de ganhar todas as gorjetas que ganharia em um mês de trabalho. Outra coisa: — Louis parecia bem sério, mesmo com a voz embargada pela bebida — Pra quem ele contaria? Qual contato com a mídia tem um entregador de pizza?
— Pega leve — Niall reafirmou.
Harry relaxou os ombros, e puxou a caixa da pizza, destruindo mais ainda a organização da mesa para trocas de fraldas. Pelo visto, já iriam finalizar sem um ganhador.
— Tudo bem, foda-se — disse, enquanto abria a caixa e pegava uma fatia para si. A levou à boca, gemendo de felicidade ao sentir o maravilhoso gosto de queijo, e percebeu o quanto estava faminto anteriormente — Só quero comer.
— Sim — Niall pega também uma fatia, e senta-se em cima da mesa. Louis o acompanha, e de repente estão os três marmanjos sentados sobre a mesa de madeira. Ainda bem que a mesa fora muito bem feita e parecia resistente.
Os três comem a pizza devagar, saboreando cada pedaço, em pleno silêncio, até que Harry resolve choramingar novamente sobre a situação.
— A Naomi não me telefonou até hoje...
— E o que isso muda na sua vida? — indaga Louis, indiferente.
— Louis, muda muita coisa! Cara, ela entregou uma vida nas minhas mãos — Harry parece desesperado — Ela é maluca, entende? Se fosse eu, entregando uma filha a um desconhecido, eu iria telefonar a cada cinco minutos para saber se está tudo bem!
— Você não é um desconhecido pra ela. Ela sabia até que você atendia à campainha pelado — Niall diz, e Louis gargalha junto a ele. Harry fecha a cara.
— Vocês não estão pegando a linha de pensamento. Nós ficamos um ano e meio afastados! Ela não sabe mais quem eu sou. Não sabe se eu me tornei um Serial Killer ou se, sei lá, me tornei capaz de vender essa criança para o mercado negro!
— Harry, você é famoso. Não teria como vender uma criança para o mercado negro sem nenhum fã ficar sabendo.
— Ah, então você acha que vai mesmo ter como esconder uma paternidade daqui pra frente?
Niall engole em seco. Não havia pensado muito bem antes de falar, pela bebida e pela concentração na pizza. Mas Harry parecia estar mesmo concentradíssimo em seus pensamentos, já que continuou:
— Outra coisa: e se ela não tiver mesmo ido ao Japão? E se ela estiver agora por aí, vivendo o melhor da vida enquanto a minha se tornou um inferno?
— Ela seria uma puta egoísta de abandonar a filha aos cinco meses de idade, isso sim — Louis afirmou, convicto.
— Tipo... Eu entendo que ela possa querer ter o tempo dela. Mas não poderíamos ao menos conversar? Cara a cara?
— E você acha que seria capaz de olhar na cara dela sem desmoronar, Harry? — indaga Niall, lembrando o amigo de um período sórdido da sua vida, quando Naomi o abandonara sem mais nem menos.
— Eu... Eu...
— E ainda sabendo que ela te escondeu uma gravidez? E pra piorar: criou esse filho com o outro?
— Eu sempre soube que ela estava grávida de outro — Harry disse baixo.
— Sempre soubemos, todos nós. E também soubemos quantas noites você chorou por isso — Louis foi quem resolveu afirmar ainda mais o passado de Harry.
Ele, por sua vez, suspirou. E então entendeu algo que não havia entendido ainda. Um sentimento que não se revelara ainda, mas que naquele instante, com muito álcool circulando em suas veias, ele conseguia reconhecer plenamente.
— Até que estou aliviado.
— Aliviado?
— Sim. Em saber que, no fim das contas, essa criança na verdade era minha. Fui eu quem fiz. É de mim que a Naomi sempre vai se lembrar.
Louis e Niall se olharam perplexos.
— Você está maluc...
E então foram interrompidos por um choro de bebê estridente. Num pulo, todos os três estavam a postos no chão. Porém, desequilibrados. E esse momento Louis já havia temido antes de começarem a beber a bebida maluca inventada por Harry e Niall. Mas agora não podiam voltar atrás.
Louis e Harry correm até a garota, enquanto Niall já se direciona a cozinha para providenciar uma mamadeira.
Limpa e sem tequila dessa vez.
Louis acaba chegando ao balanço antes de Harry e já o alcança apertando o botão que ligava sua função de balançar com músicas. Porém, ele não soube ao certo se foi o fato de correr demais, cambalear demais durante a corrida ou simplesmente o movimento do móvel, mas ele sentiu toda a pizza voltar à sua boca. E ele que estava com medo dos outros dois amigos vomitarem, foi o premiado a correr até o banheiro.
Harry encarou aquilo sem entender muito bem, pois sabia que sua concentração deveria estar toda na missão de chegar até o balanço, em meio a tantas sacolas e brinquedos espalhados pelo chão. Fez até uma nota mental para organizar a sala no dia seguinte, caso contrário, não seria possível transitar. Tropeçou em alguns brinquedos, apoiando-se na mesa de centro, e finalmente chegou até o sofá. Visualiza, com o olhar turvo, algo vestido com uma blusa rosa e uma fralda, e a pega no colo.
Só então percebe que era uma boneca. E mais cedo ele havia vestido Belia com um macacão, não uma camisa. Joga rapidamente a boneca no chão.
— HARRY! — Niall grita da cozinha, e em menos de cinco segundos já está à frente de Harry, segurando uma mamadeira — Harry!
— Calma, Niall, é só a boneca — Harry esclarece, apoiando-se no sofá mais uma vez. Niall suspira, acalmando-se. Havia sido um susto e tanto. Não imaginou que Harry estaria bêbado o suficiente para jogar sua própria filha no chão da sala.
A neném ainda chorava alto no balanço. Seu choro, inclusive, era de cortar o coração.
Harry, com certa dificuldade para passar entre a bagunça do chão, finalmente chega até o balanço, e com mais dificuldade ainda desata o cinto de segurança. Pega um impulso para conseguir erguer Belia do chão, que fora tão grande que ele mesmo não consegue manter-se de pé.
Cai de bunda no chão.
Com a criança no colo.
Niall, dessa vez com toda a razão de desespero, joga a mamadeira no sofá e toma Belia dos braços de Harry. Louis também aponta no corredor, desesperado com toda aquela gritaria, e se depara com a cena de Harry caindo. Corre mais rápido que a luz até Belia, que no instante em que ele chega, já está nos braços de Niall.
— Está tudo bem?! — indaga, desesperado. Niall balança a criança, checando, e não encontra nada de errado. Louis confere seus braços e suas pernas. Pegam a mamadeira no sofá e tentam dar a bebê, porém ela recusa, fechando a boca e virando a cabecinha para todos os lados. Tentam mudar de posição, deitando-a nos braços de Niall, e nenhum sucesso.
Louis a pega, balançando-a, mas novamente fica enjoado e a devolve para Niall antes de correr de volta ao banheiro. Do corredor consegue gritar:
— Procure no Youtube “como fazer um bebê parar de chorar”.
E só então Niall nota Harry calado. Na verdade, ainda no chão, com o rosto enterrado nas mãos. E seus soluços são perceptíveis. Ele está chorando.
— A gente não é capaz — diz o amigo no chão, quebrando o silêncio finalmente — Eu não sou capaz!
Niall, sem saber o que dizer, tira o celular do bolso. Belia bate as perninhas em seu colo e chora ainda alto.
— Eu vou ligar para a minha mãe — diz ele, desesperado.
— Ela só vai te dar uma bronca sem entender nada.
— Nada de mães! — Louis grita do banheiro.
— Pra quem a gente vai pedir ajuda? Eu não sei o que fazer! Eu vou chorar também! — Niall se desespera mais um pouco ao notar que, naquele instante, a responsabilidade de fazer a criança parar de chorar era completamente dele: Harry não conseguia ficar em pé e Louis não conseguia balançá-la sem sentir náuseas.
! — Os três finalmente exclamam juntos, como se estivessem com seus pensamentos conectados.
Niall, ainda com o celular na mão, procura pelo número de na agenda de contatos da gravadora e reza para ter selecionado a pessoa certa na lista.
Em meio aos gritos da neném, atende ao telefone, e antes que ela diga qualquer coisa, Niall vai direto ao ponto.
— Olha, o Harry está no chão chorando, o Louis vomitando, eu com essa coisa no colo que não para de chorar e nós estamos muito bêbados. Precisamos de ajuda.





VIII

Em menos de vinte minutos, estacionava seu carro na rua do condomínio e passava voando pelo porteiro, que já a conhecia. Ela saíra de casa com tanta pressa, que nem se deu ao trabalho de trocar a calça de moletom ou a blusa velha da faculdade que ela usava para dormir. Até mesmo nos pés ela usava chinelos. Subiu o elevador estalando os dedos de preocupação e ansiedade, e antes mesmo da porta se abrir por completo ela já estava atravessando o corredor e apertando incessantemente a campainha de Harry.
A porta se abriu rapidamente, e ela se jogou dentro do apartamento com pressa. Avistou Niall com a neném no colo, sacudindo-a, e Harry deitado no chão de barriga para cima e braços estendidos. Percebeu então que Louis abrira a porta para ela.
— O que aconteceu aqui?! — exclamou, enquanto terminava de adentrar a sala e estendia os braços para tomar a bebê do colo de Niall. Esse fez questão de entregar a criança o mais rápido que pôde.
Nesses poucos segundos também conseguiu observar a bagunça que se encontrava na mesa de jantar, com tantas fraldas, lenços, talcos e uma caixa de pizza aberta.
— Não fazemos ideia — Harry respondeu, e olhou para baixo, o encarando.
— O que você faz deitado no chão?
— Não faço ideia — ele respondeu, com a voz embargada — Eu não tenho condições de fazer nada. Eu não tenho condições de continuar com essa ideia MALUCA de criar um bebê — disse ele, e então a vontade de chorar retornara.
— Ei, não chora, já temos choro suficiente nessa casa! — Niall exclama — Você já gastou sua cota de lágrimas da noite, Harry.
— Mas eu... Eu não consigo... — Harry soluçou, passando a mão pelos cabelos, desesperado.
— Me faça um favor e vá procurar o telefone do pediatra — diz, abrindo a boca da neném para olhar sua gengiva após reparar o quão vermelha estava — Eu acho que os dentes dela estão nascendo.
Niall se aproximou, enfiando a cabeça na frente do rosto da bebê. Ela agarrou seu cabelo enquanto chorava.
— Ai, criança! — ele gritou — Socorro! Socorro! Eu já disse que ela tem um plano contra mim! Socorro! — exclamava, enquanto seu rosto se contorcia de dor, e ele tentava se desvencilhar daqueles dedinhos tão pequenos e tão mortíferos. puxou a mão da garota, ajudando-o a se livrar do aperto.
— Você é retardado — Louis exclamou, aproximando-se — Tem que manter distância de monstros mirins, ainda mais quando eles estão sob efeitos alucinógenos de gritos — observou a boca da bebê.
— Vê como está inchada? — abre a boca da neném mais uma vez com sua mão.
— O que fazemos?! — indaga Niall, sentindo o desespero chegar a seu corpo.
— Não faço ideia! — o respondeu, preocupada — Eu não sei o que fazer com dentes nascendo. Acho que os bebês só sentem dor e é isso, têm que ficar sentindo até parar!
— E nós vamos ter que aguentar esse choro até parar?
— Não, de jeito nenhum, Louis! — Niall o repreende — Harry, onde está o telefone do pediatra?!
Harry abre os olhos novamente, encarando os amigos. Havia se tornado imune ao choro da própria filha, e descansava no chão, em meio a lágrimas de desespero.
— Acredito que dentro daquele envelope com a carta.
— E onde está esse envelope? — pergunta Niall novamente.
— Não faço ideia — E então Harry fecha os olhos mais uma vez, suspirando fundo.
A vontade que , Niall e Louis têm naquele momento é de jogar Belia na direção da cabeça de Harry e deixar que ele se vire. Mas acabam compreendendo o desespero do garoto. Alguns minutos atrás ele havia caído com a própria filha no chão, a tempo de causar um acidente grave e machucar a bebê. Era melhor que ele permanecesse chorando no chão mesmo.
— Vou procurar — Niall diz, e dirige-se ao corredor.
— Eu devo ter o telefone de alguém no celular — diz, tentando pegar seu celular no bolso da calça com uma mão só, já que a outra segurava Belia, que não parava quieta.
Quando finalmente conseguiu pegar seu telefone, procura na lista de contatos um velho contato muito conhecido. Entrega Belia nos braços de Louis e vai conversar no corredor.
Louis, sem saber o que fazer, senta-se no sofá e também pega seu celular. Deita Belia em suas pernas, e resolve deixá-la chorar o quanto quiser enquanto faz suas pesquisas no Google.
“Como lidar com dentes de bebês”
Encontra dezenas de links de blogs sobre bebês, e abre um por um, reunindo todas as informações necessárias em tempo recorde.
Assim que retorna à sala, Louis já está abrindo o congelador e colocando lá dentro dois mordedores encontrados no meio dos brinquedos de Belia.
— As dicas que tenho são: colocar um brinquedo de morder no congelador e dar pra ela bem geladinho, massagear a gengiva com o dedo limpo, e monitorar a temperatura porque ela pode ter febre — diz , enfim entrando na cozinha. Dá de cara com Louis fechando o congelador — Ah, você já está fazendo isso. Como soube?
— Procurei meu plano de saúde...
— Como assim?
— O Google — ele sorri, e tenta balançar a neném. Niall aparece na cozinha, sem nada em mãos.
— Não encontrei o envelope. O Harry deve ter escondido num lugar muito bom — comenta — O que faremos?
— Daqui cinco minutos ela vai ficar bem, porque o brinquedo vai estar gelado.
— Eu realmente espero que isso funcione, pois não aguento mais esse choro — Louis responde, estendendo a bebê de volta para . — por favor, pegue isso enquanto eu vou fazer uma visita ao banheiro.
— Você não vai parar de vomitar? — questiona Niall.
— Essa criança está me deixando enjoado já faz dois dias — comenta, de forma ríspida.
— Não fala assim, ela só está com dor — vai até a pia e lava a mão livre. Então, abre a boca da neném e coloca seu dedo indicador na gengiva da criança, massageando suavemente. Seu choro começa a se reduzir a gemidos e resmungos — Estão vendo?
— Eu agradeço aos engenheiros do prédio por terem feito apartamentos com isolamento acústico, isso sim — Niall diz — Eu fui burro, poderia ter ido até o corredor e ficaria na paz do silêncio...
— Ainda bem que você escolheu ser responsável e prestativo — diz — Será que agora podem me explicar de onde surgiu essa ideia estúpida de ficarem bêbados enquanto cuidavam de uma criança?
— Ela estava dormindo tão tranquila que não imaginamos que poderia ter esse ataque. Essa coisa é bipolar — Niall diz — Na verdade, tudo faz parte do plano. De acabar com as nossas vidas. Começa assim, desse jeitinho, ela fica quieta e quando a gente menos espera BUM! Joga todo tipo de merda na nossa cara — ele exclama, balançando a cabeça negativamente.
— Você podia usar essa sua criatividade para coisas boas e soluções para problemas como choros incessantes — comenta — Ou uma saída pro seu amigo ali, morto no chão — aponta com o queixo na direção de Harry.
— Você não percebeu que ela está concluindo a primeira parte do plano? Ela quer nos destruir, um por um — Niall aponta para Harry — O mais fraco já caiu. A linha de frente da batalha!
— Você realmente bebeu demais. Tem certeza que não usou outras drogas? Maconha? — estala a língua em desaprovação. Anda até o congelador e tira de lá um dos brinquedos, com uma alça que a própria bebê conseguiria segurar. Niall apenas a observa em silêncio enquanto ela encaixa o brinquedo na boca da neném, que aos poucos começa a mordiscá-lo e leva a própria mãozinha para segurar.
— Eu estou ouvindo um silêncio? — eles escutam então a voz de Harry vinda da sala.
— Enfim paz — Louis aponta no corredor — Tudo corre bem?
— Tudo corre bem — responde . Niall permanece em silêncio, apenas observando os movimentos de Belia — Acho que esse daqui travou — olha para ele, curiosa.
— Ele costuma travar mesmo quando bebe — Louis vai até o amigo e o abraça pelos ombros — Não acha que é hora de ir pra cama, Niall?
— Só depois que essa coisa dormir — aponta para Belia.
— Ela já está quase pegando no sono — comenta — Onde está o berço?
— Ela não tem berço — Louis responde — Ontem dormiu no chão do quarto do Harry.
— Vocês são malucos? — começa a andar em direção à sala — Compraram esse mundo de coisas e não compraram um berço?
— A gente vai se mudar daqui duas semanas — Harry refuta, e todos o encaram assustado por ele finalmente estar reagindo — Não há necessidade de comprar algo que vamos nos desfazer em menos de quinze dias...
— Até que ele tem razão — Louis concorda — Então, em minha defesa, vou dizer que comprei apenas coisas úteis e portáteis — ele aponta para o balanço, e depois o carrinho estacionado no meio da sala.
— Ela não pode dormir no carrinho, já tem cinco meses e pode ser desconfortável — diz — E no chão também não, é muito duro. Precisamos achar um lugar para ela dormir.
— No sofá — Niall sugere — Todo mundo já dormiu nesse sofá um dia. Você se lembra, Louis? Daquele dia que chegamos da balada e dormimos três pessoas no sofá do Harry? — e então solta uma risada.
— Sim, e por isso mesmo essa criança não deve dormir nele — Louis ri junto — Eu estou rindo, mas estou falando sério!
— Vocês podem me poupar dos detalhes...
— Podemos colocar ela no quarto de visitas. Uma das camas é encostada na parede — comenta Louis — A outra parte que não encosta a gente pode arredar a cômoda e fazer um cercadinho...
— Ótima ideia. Podem ir fazer.
— E desde quando a senhorita nos dá ordens? — Niall questiona, cruzando os braços.
— Você quer segurar a criança enquanto eu faço?
— Não, de jeito nenhum, Belia só sai do seu colo para ir dormir na cama — Harry dá um pulo do chão, e em segundos está de pé, de frente para os outros — Vamos, meninos, providenciar isso. Eu preciso ser útil em algo nessa casa!
— Então você empurra à cômoda — Niall diz, seguindo em direção ao corredor.
— Por que diabos você não fez um quarto de bebê ao invés de um escritório no terceiro quarto? — Louis indaga.
— Até porque sempre precisamos ter um quarto de bebê reserva num apartamento de um cara solteiro — Harry o responde ironicamente.
— Deveríamos! Olha bem o que acabou de te acontecer! Se aconteceu com você, pode acontecer com qualquer outro. Precisamos nos prevenir! — Louis retruca.
— Nesse caso, a prevenção tem que acontecer de outra forma. E o Harry se esqueceu dela... — Niall comenta. Harry dá um tapa no braço do amigo.
— Não precisa jogar na minha cara!
— Amigo, aquele bebê joga na sua cara toda hora — ele gargalha — Nós não precisamos fazer isso.
— Eu preciso conversar com a Naomi... Isso não pode continuar assim — Harry comenta, então os três adentram o quarto, e começam a planejar uma maneira fácil de empurrarem a cômoda sem fazer muito barulho e sem precisarem de muito esforço.
Da sala, consegue escutar os garotos murmurando e empurrando o móvel. Uma tarefa que para qualquer ser humano seria fácil, mas para eles, no atual estado de embriaguez, parece se tornar a coisa mais difícil do mundo. Ela então olha para a bebê, que acabara de pegar no sono com o mordedor na boca, e aparenta estar tranquila novamente. Ela retira o objeto gelado das mãos da criança e coloca sobre o sofá, e então aninha a neném em seus braços. Fazia um bom tempo que ela não carregava uma criança como carregara nos últimos dois dias. Um ser tão frágil, indefeso e delicado. Belia era realmente uma criança linda, e possuía muitos traços do pai. Seu nariz, sua boca, tudo remetia a ele. Seus cabelos loiros eram tão finos que chegavam a se arrepiar próximos ao redemoinho da cabeça. levou sua mão livre até os fios, tentando arrumá-los e acariciando a cabecinha da bebê.
— Já pode vir — Harry aparece na sala, e freia o passo ao notar a cena de fazendo carinho em sua filha.
Ela se assusta, virando-se na direção do corredor.
— É... Eu... Estou indo — ela sorri acanhada, e começa a andar na direção do garoto. Ele não diz nada, apenas afasta-se para que ela passe por ele. Segue logo atrás.
Assim que ela adentra o quarto, coloca Belia delicadamente sobre a cama. Niall e Louis observam em silêncio e tensos. Eles até seguram a respiração enquanto ela solta a criança no colchão, com medo de interferirem em algo e o choro recomeçar.
— Finalmente — Niall sussurra junto a um suspiro. Louis também suspira, levando a mão ao peito. cobre a garota com cuidado.
— Acho que agora posso dormir em paz — Harry diz, deitando-se na cama ao lado — , você não vai voltar pra casa, né?
— Pra te falar a verdade, eu não havia pensado nisso até agora... — ela comenta.
— Está tarde. Dorme aí! — Louis diz — Eu e Niall podemos ir para os nossos apartamentos, porque estamos no mesmo condomínio. Mas você precisa sair na rua sozinha e agora está muito tarde...
— Dorme no meu quarto — Harry olha para os três. arregala os olhos. — Eu durmo aqui com a Belia, calma! Não vou dormir lá com você... A menos que queira — ele então ri.
da uma risada sem graça.
— Tudo bem. Tem certeza que não tem problema eu dormir lá?
— Claro que não. E desse jeito eu e Louis também vamos ter paz para dormir uma noite de sono decente — comenta Niall, já dirigindo-se até a porta.
— Espertinhos, a partir de amanhã vocês voltam para cá — Harry entreabre os olhos, encarando os amigos.
— Vai sonhando. — Louis rebate — , tranca a porta pra gente, por favor. E Harry, você tem nosso número se precisar de algo.
— Mas não telefone antes das dez da manhã, eu te imploro! — Niall sai pela porta, sem olhar para trás. Tem medo de Harry mudar de ideia e resolver obrigar todos a dormirem no apartamento e ele correr o risco de ser acordado pelo choro de Belia novamente.
Louis o segue junto a até a porta do apartamento em silêncio. O medo de acordar a bebê toma conta de todos, direta e indiretamente.
— Então... Até amanhã — ela diz, apoiando-se na grande porta da sala.
— Até amanhã. Boa sorte — Niall sorri.
— E obrigado. Não sei o que faríamos hoje se você não aparecesse... A gente mal te conhece, mas já te deve essa — Louis diz, passando a mão pelos cabelos.
— Estou aqui para ajudar — sorri — Boa noite.
Os dois acenam do corredor, enquanto esperam o elevador chegar. Assim que o adentram, fecha a porta e a tranca com a chave. Suspira, ao reparar na bagunça do apartamento de Harry. E então, um leve desespero se apossa de seu corpo: ela está sozinha num apartamento com Harry Oats. Sim, Harry Oats, o cara mais atraente que ela já conhecera na vida.
Sozinhos.
Ela acaba lembrando-se, porém, do desastroso primeiro contato com ele. E percebe o quanto ele é um idiota. Ela não pode se deixar derreter assim tão fácil pela ideia que ela tinha dele na cabeça. Pessoalmente, em carne e osso, ele é bem diferente.
Ela segue até o quarto de hóspedes, ainda um pouco perdida pelo apartamento, e ao apontar na porta vê Harry já dormindo, de barriga para cima e sobre as cobertas. Questiona-se se deve acordá-lo para que ele se cubra direito, mas acaba desistindo da ideia. Apenas resolve apagar a luz, para que Belia não se incomode com a claridade.
Assim que dá um passo na direção do corredor, escuta a voz de Harry, mais rouca que o normal:
— Pode dormir no meu quarto tranquila. E pode pegar alguma roupa se quiser também...
— Tudo bem, Harry. Obrigada — ela sussurra de volta.
— Me chama aqui se precisar. E... Obrigado — ele continua — Pela ajuda de hoje. Eu realmente não sei se seria capaz sozinho...
— Dorme bem, Harry... — ela diz, sorrindo na direção dele enquanto sai do quarto.
E, novamente, ela pode jurar que Harry é um cara doce e gentil. Dá até vontade de correr de volta pra dentro do quarto e pular em cima dele, abraçá-lo e beijá-lo até perder o rumo da própria vida.
Em pensamento, pelo menos, ela fizera isso. E depois rolou os olhos, em desaprovação. Ela precisava manter-se firme perto de Harry. Foram três dias intensos junto a ele sendo a sua pior versão.
Enquanto caminha em direção ao quarto de Harry, não deixa de reparar na decoração do apartamento. Como a única luz da casa acesa era a da sala, a claridade baixa acabou deixando o apartamento muito convidativo, e muito parecido com a personalidade de Harry. Era despojado, inteligente e atraente. Em toda a extensão do corredor, havia guitarras penduradas na parede, cada uma mais diferente que a outra. chegou a imaginar o ciúme de Harry com elas. Preferiu nem tocar em nada. Ao chegar ao quarto de Harry, procurou pelo interruptor na parede próxima à porta, e assim que a luz foi acesa, ela também observou com atenção o quanto aquele quarto parecia mesmo ser dele. Móveis escuros, quadros divertidos acima da cama na parede de tijolos, um tapete felpudo, cortinas longas, roupa de cama cinza e almofadas estampadas.
não era super fã da banda, mas tinha uma atração inexplicável por Harry desde que ele aparecera pela primeira vez na mídia. Inclusive, mal pôde conter sua felicidade ao receber o e-mail de admissão da Steinfeld Records, e, principalmente, integrar-se à equipe que cuidava exclusivamente da banda. Aquele só não havia sido ainda o dia mais feliz da sua vida, pois, até aquele momento, ela ainda não tivera a oportunidade de dormir no quarto do seu ídolo.
E ela estava tendo essa oportunidade agora. Seu coração disparou ao perceber isso. Ela correu, jogando-se com toda a força sobre a cama desarrumada, afundando no meio dos travesseiros. Respirou fundo, sentindo o cheiro de Harry impregnado em todo canto, e jurou estar pronta para gritar. Passando a mão pelo cobertor macio e sedoso, ela pôde sentir-se ao lado dele. Aquela era, até então, a melhor sensação que já tivera. Suspirava fundo enquanto fechava os olhos e registrava detalhadamente aquele momento em sua mente, com todos os seus sentidos à flor da pele. Pegara no sono ali mesmo, com as luzes acesas, esparramada no meio das cobertas e travesseiros de Harry Oats.


No quarto de hóspedes, Harry fora despertado com um choro de bebê leve. Pulou da cama, perguntando-se onde ele estava. Aquela não era sua cama, nem seu quarto. Sentia uma leve dor nas costas, e encarou o colchão.
— Preciso trocar esse colchão — resmungou, e então passou a mão pelos cabelos bagunçados, sentindo a cabeça latejar, principalmente com toda aquela claridade.
Belia ainda resmungava em sua cama. E então Harry se tocou que aquela criança era sua filha, chorando. Correu até ela, e deu de cara com aqueles olhos azul-esverdeados imensos que ela possuía, e sua boca aberta chorando. Estendeu os braços e tentou da melhor forma tirá-la dali, pois ainda não havia pegado o jeito com a bebê. Assim que ela se aconchegou no colo dele, seu choro cessou.
— Oi, bebê — Harry sorri, encarando a filha — Você está com fome? — e então começou a andar na direção da cozinha. Ao passar pela sala, viu o monte de fraldas e lenços sobre a mesa de jantar, e aquela caixa de pizza imensa. — Acho melhor eu trocar você primeiro. Vamos ver se aprendi? — então ele coloca a neném em cima da mesa, ao lado da caixa de pizza.
Percebe que é melhor se livrar daquilo, e arrumar a bagunça antes de tomar café da manhã.
Rapidamente ele desabotoa o macacão de Belia e, como se já fizesse aquilo há anos, troca a fralda da garota, sem delongas e sem desastres. Ao recolocar o macacão e segurá-la de volta no colo, ele sorri largamente, encarando-a mais uma vez.
Céus, seus olhos eram muito bonitos. Ele se sentia até orgulhoso por ter feito parte daquilo.
— Está vendo, filha? Eu não sou um completo inútil na sua vida — ele diz, aproximando seu rosto do dela e passando o nariz por sua bochecha macia — Eu consegui trocar sua fralda sozinho. O papai está evoluindo! — Volta a encará-la de frente, e a leva até o carrinho estacionado na sala.
Por falta de costume, acaba colocando-a sentada. E então percebe que ela realmente sustentou seu corpinho sentada.
— Belia! Você está sentada! — Ele praticamente grita, procurando o celular nos bolsos da calça para tirar uma fotografia. Consegue segurá-lo, mas, ao abrir a câmera, a garota cai para trás, apoiando-se no encosto. Harry bufa, decepcionado. — Vamos trabalhar nisso.
Ele empurra o carrinho até a cozinha, para que Belia o faça companhia no preparo do café. Enquanto trocava a fralda da neném, lembrou-se de que estava no apartamento, dormindo em seu quarto. E ela havia o ajudado muito na noite anterior com Belia e seu problema de dentes, então merecia pelo menos um café da manhã decente como pedido de desculpas e agradecimento ao mesmo tempo.
Antes de preparar o café, ele preparou uma mamadeira para Belia e, sentado numa cadeira, alimentou a bebê. O máximo esforço que precisava fazer era segurar a mamadeira na boca dela. Não parecia muito difícil cuidar de um bebê. Em menos de quinze minutos ele havia completado duas fases muito importantes na vida de um pai: trocar fraldas e alimentar a criança. O orgulho tomava conta dele. Mal podia esperar para contar aquilo aos amigos.
Assim que Belia terminara sua mamadeira, Harry limpou a mesa bagunçada – basicamente jogou fora a caixa de pizza e atirou no sofá as fraldas - e foi para a cozinha procurar algo para o café. Decidiu manter-se no básico: panquecas, ovos com bacon e suco de laranja. iria gostar daquilo. Trocou algumas palavras com a filha enquanto preparava tudo, para complementar seu sentimento paternal daquela manhã.
Com a mesa já posta, Harry precisava se decidir entre acordar para o café da manhã, ou comer sozinho enquanto ela não aparecia e depois comer novamente quando ela aparecesse. Ele não aguentaria mais dez minutos de fome.
— Belia, o que você acha de começar a chorar bem alto para a acordar e vir aqui? — perguntou para a menina, que mordia um brinquedo com muita voracidade. — Eu estou com medo de ir acordá-la e ela se assustar comigo. Mas você pode fazer isso pelo papai. Vamos, chora aí... — ele encarava a menina — Por favor!
— Você está conversando com um bebê de cinco meses e esperando por respostas? — ele então ouviu uma voz feminina vinda do corredor. Virou-se, e viu . Céus, como ela estava atraente com aquela calça de moletom e aquela camisa velha de Yale. Tão diferente do traje de escritório que ele a vira nos últimos dois dias.
Ele não pôde evitar sorrir.
— Você não... Bom dia — ele tropeçou nas palavras.
— Bom dia — sorriu, acabando com o resto de sanidade que Harry ainda tinha na cabeça. Ele amava o jeito como mulheres acordavam pela manhã, tão verdadeiramente bonitas — Acordei com esse cheiro bom. O que é isso?
— Eu, então... Eu resolvi fazer isso para você — ele se levantou, e puxou uma cadeira na mesa para que ela se sentasse — Como um pedido de desculpas e um agradecimento, os dois ao mesmo tempo.
— Jura?
— Sim. A Belia também concorda — ele apontou para a bebê, que encarava os dois.
— Ela concorda — comenta, encarando a neném — E concorda que eu preciso urgente comer uma dessas panquecas! — e então serve uma panqueca em seu prato — Estou faminta!
— Eu também — ele diz, pegando uma para si e servindo muito maple syrup por cima.
— Você está comendo panquecas com maple, ou maple com panquecas? — questiona , encarando a quantidade de molho que Harry servia para ele.
— Meio a meio — ele responde, rindo — Uma das coisas que eu mais amo aqui na América.
— Nós acertamos ao criar isso, eu sei — ri, e coloca na boca um pedaço de panqueca. Percebe então o quanto aquilo está gostoso — Você sabe cozinhar muito bem.
— Eu só sei cozinhar isso — ele gargalha — Inclusive minha dispensa só tem ingredientes pra isso. Mais nada!
— Céus... — olha para Belia — Você vai crescer muito saudável se depender do seu pai — comenta com a bebê.
— Não se preocupe, Louis e Niall compraram muitos venenos triturados e prensados em potes de vidro para ela — Harry esclarece, lembrando-se dos inúmeros potes de papinha de neném.
arregala os olhos, sem entender.
— O que você quer dizer com venenos?
— Papinha de bebê — Harry a responde — Que tem gosto de vômito. Vômito com corante — ele então ri. cai na gargalhada junto.
— Você sabe se ela já pode comer, pelo menos? Porque ela tem cinco meses... Não sei se bebês de cinco meses consomem algo além de leite...
— Posso ligar para o pediatra e perguntar. Você tem o número dele no celular, não é?
— É... Não... — ela se desajeita.
— Ué, mas ontem você ligou para ele? Para perguntar sobre os dentes?
— Sim — toma um gole de seu suco, um pouco nervosa. Na verdade, ela tem medo da reação de Harry ao saber que ela entrou em contato com outra pessoa que não fosse o médico de Belia — Mas não foi pra ele... Não especificamente.
— Oi?
— Não se desespere, eu liguei para um médico de verdade, formado. Mas era... Meu pai — ela sorriu, nervosa — Ele é pediatra. Me desculpe, eu meio que fugi do protocolo ligando pra outra pessoa que você não conheça, mas na hora os papéis estavam desaparecidos, e eu estava nervosa, não sabia o que fazer e...
— Ei, calma — Harry a interrompe, e sorri — Não precisa ter medo da minha reação. A verdade é que nem eu conheço o médico dela, que a Naomi passou o telefone — ele coça a cabeça — Então acho que ligar para outro não mudou muita coisa. Você fez a coisa certa.
suspira de alívio.
— E acho que agora confio 5% a mais em você — Harry olha para ela, cruzando os braços.
— Como assim você... Não confia totalmente em mim?
— Te conheço há dois dias e preciso entregar minha filha em seus braços, várias vezes durante o expediente... Obviamente eu não confio totalmente em você. — ele diz — Eu não confio nem em mim. E ainda acho que a Naomi é maluca de deixar a filha dela comigo!
— A filha não é só dela...
— Mas é o que eu disse pros meninos ontem: ela não me vê há quase um ano e meio. Por mais que eu seja o pai dela, eu posso ter me tornado um serial killer nesse meio tempo!
— Você se tornou?
— Não! — ele exclama — Mas ela não sabe disso! Ela não sabe de nada!
pisca algumas vezes enquanto encara Harry, um pouco atônita. Realmente não havia pensado por esse lado: ninguém que tenha tido contato com a garota desde que ela nasceu conhecia Harry de verdade. E, para piorar, ele nem sabia da responsabilidade que tinha com a bebê. Se pelo menos soubesse que era pai desde o princípio, estaria mais preparado. Mas aos dezenove anos, com uma carreira em ascensão e visado daquela forma entre os jovens, a última coisa com a qual ele iria se preocupar era saber como cuidar de uma criança. Ele não pretendia engravidar ninguém, isso era um fato.
Ela só conseguia sentir pena de Harry naquele momento. Ele tinha uma vida de privilégios inteira pela frente e foi interrompido por um acidente. E sua cabeça podia ficar mal. Dois dias não eram suficientes para que ele assimilasse toda a história, ele ainda estava vivendo toda a adrenalina da surpresa, e, quando a ficha caísse, seria cruel com ele. Muito cruel.
Com ele e com todos os outros da banda.
Ele não podia ficar sozinho naquele apartamento com aquela criança sempre. Ele precisava de apoio.
— No que está pensando? — Harry interrompe seus pensamentos, e balança a cabeça, sorrindo.
— Nada demais... Só nas... Papinhas de bebê — ela desconversa — Eu posso ligar para meu pai e perguntar sobre isso. A Naomi não te passou os horários e a rotina da bebê?
— Na verdade, ela passou sim. — pausa — Ei, você já leu a carta que ela me deixou?
— Ainda não...
— Eu vou pegar para você. Só pra você perceber o quanto ela é uma pessoa maluca e sem noção! — Harry se levanta da mesa abruptamente, e some pelo corredor. encara Belia enquanto ele não aparece, e a garota tem um semblante muito sereno enquanto morde o seu brinquedo. Aqueles dentes realmente deveriam estar incomodando muito na noite passada para que ela chorasse daquele tanto, pois ela aparentava ser uma criança muito quieta. Por via das dúvidas, iria colocar um novo mordedor no congelador. Levantou-se e lavou um dos que estavam sobre a bancada da cozinha – aquela casa agora tinha brinquedos acessíveis em cada canto – e o colocou no congelador.
Harry apontou na cozinha, trazendo um grande envelope pardo em mãos e outro pequeno.
— Leia esse primeiro — estendeu o pequeno para . Ela o pegou em mãos, tentando conter a ansiedade para ler aquela carta — Depois dá uma olhada nesse monte de papeis aqui. Tem os documentos, os telefones, os horários...
— Sim — sentou-se de volta na mesa, e enquanto tomava o resto do suco de laranja que estava em seu copo, começou a ler a carta. Ela tinha um perfume inebriante de mulher. Será que aquele era o cheiro de Naomi? Ela queria muito conhecê-la. Decidiu pesquisar sobre a jovem no Google assim que tivesse um tempo sozinha. Sabia que Harry havia namorado uma modelo no início da carreira, mas não conseguia lembrar-se nem do rosto nem da personalidade dela.
Ou talvez a mídia não gostasse muito de divulgar aquilo. O foco sempre fora todo em Harry.
— Que história é essa de abrir a porta pelado? — ergueu os olhos sobre a carta, olhando para Harry e tentando conter o riso.
— Eu devia ter rasurado essa parte. Você é a terceira pessoa que vem fazer chacota!
— Eu não consigo imaginar essa cena — ri — Parece muito ridícula. Você tipo... se cobria com um livro pelo menos, ou coisa parecida? Ou ficava de frente pra porta super nu ao estilo Largados e Pelados do Discovery Channel? — sua voz soava divertida.
— É... Eu... — Harry passava a mão pelos cabelos, sem graça — Variava de acordo com meu humor.
— Você pelo visto tem um humor sexual bem intrigante... Visto a máscara que Niall usava ontem para trocar a fralda da criança — ela gargalhou alto, lembrando-se da cena.
Harry ficava vermelho, quase roxo, de vergonha.
— Você vai ler o resto da carta ou não vai? — indagou, pronto para fazê-la sair daquele assunto embaraçoso.
— Estou tentando — ela, ainda rindo, volta os olhos para o papel.
Durante todo o tempo em que lia a carta em silêncio, Harry acompanhava suas feições de longe. Ela não percebia o quanto sua expressão mudava de feliz para impressionada, ou intrigada, a cada vez que seus olhos se moviam fixos nas linhas. Harry se divertia com aquela cena, e aproveitava para atentar-se a cada detalhe do rosto de . Ela era tão bonita que às vezes ele se esquecia de respirar, tamanha concentração que ele depositava em seus traços.
— Essa mulher é maluca — quebra o silêncio, e coloca a carta sobre a mesa — Tudo bem que ela está indo seguir a carreira dela, mas ela não podia te entregar a criança pessoalmente? E como assim ela tem acesso à sua agenda?
— Ela tinha a senha do meu email, e minha agenda é sincronizada com o Google e o iCloud... Deve ser por isso...
— Em um ano e meio você nunca trocou suas senhas?
— Não, pra quê? — Harry ri.
— Você vai ser hackeado uma hora dessas e terá suas fotos nuas vazadas — balança a cabeça negativamente — Vamos trocar essa senha agora.
— Eu nem tenho fotos assim... Não vejo necessidade dis... — ele é interrompido por , que pega o celular do jovem em cima da mesa e estende a ele — ...
— Você não vai gastar três minutos fazendo isso. Troque a do iCloud e a do Google, pelo menos...
Harry rola os olhos.
— Só vou trocar porque, se eu não fizer, você vai falar com o Liam e ele vai querer vir me dar bronca...
— Ainda bem que você sabe — sorri orgulhosa, e pega o envelope pardo — Enquanto você faz isso, vou dar uma olhada nesses papéeis aqui.
Na meia hora que se passou, analisou os documentos de Belia e as planilhas com sua rotina, e fez com que Harry prestasse atenção a cada detalhe ali. Naomi era uma pessoa bem rigorosa com a alimentação e os horários da bebê, e pelo visto estava tudo muito alterado nos últimos três dias. Com seu breve conhecimento sobre crianças, percebeu que a neném precisava urgente voltar à rotina, senão poderia ter uma baixa de imunidade e pegar uma gripe, o que seria uma gigante dor de cabeça para todos. Ela ainda não deveria comer comidas sólidas, apenas leites em pó e suplementos alimentares – que, dando uma boa olhada na bagunça da cozinha, conseguiu perceber que havia um estoque mais que suficiente de tudo — e havia uma marcação para alimentação sólida aos seis meses de idade na tabela, que aconteceria em três semanas. Até lá, provavelmente Niall e Louis iriam acabar com todas os potes de papinha, mas o ideal seria mesmo cozinhar algo natural para ela como batatinhas, e iniciar com frutas. Também havia anotações importantes sobre estímulos para a bebê em cada mês, e o quinto mês contava com cores, sons – principalmente titilar de chaves – e ela deveria ficar de bruços com mais frequência, para que desenvolvesse a função motora de engatinhar mais rapidamente.
— Ei, ei! — Harry interrompeu a leitura quando chegou à seção que dizia sobre estar deitada e sentada — Hoje ela ficou sentada sozinha!
— Você jura?
— Sim! Eu tentei tirar uma foto, mas ela caiu para trás assim que eu peguei o celular — bufou.
— Eu queria ter visto!
— Vamos tentar — ele estende a mão até o carrinho, segurando as mãozinhas de Belia com delicadeza. Faz uma leve pressão para a frente, e ela, com força, agarra seus dedos e também se inclina. Ele e observam atentos o momento em que Harry solta suas mãozinhas, na expectativa de que ela se sustente sozinha. Mas, ao contrário, ela começa a tombar para a frente, sem equilíbrio. Harry pula e a segura, antes que bata a cabeça na alça que cruzava a frente do assento removível.
— Não foi dessa vez... — comenta, decepcionada.
— Eu juro pra você que ela ficou sozinha mais cedo!
— Eu acredito em você — ela o reconforta — Vamos trabalhar nisso!
— Certo. Colocar ela pra brincar de bruços mais vezes. Preciso avisar Niall e Louis...

Ao meio dia, já havia deixado o apartamento e Harry aguardava por Louis e Niall para que pudessem compor juntos. E, obviamente, conversarem sobre o ocorrido da noite anterior. Precisavam colocar em dia o assunto “”... Harry estava cheio de coisas para dizer. Sua cabeça pulsava, ele precisava muito dizer tudo aquilo que observou e sentiu.
Belia parecia tranquila no carrinho com seu mordedor gelado após tomar uma mamadeira no colo de . Porém, agora sozinho, Harry precisava se banhar, e sem ter onde deixar a garota e com medo dela parar de respirar, ele teve de levá-la consigo para o banheiro.
— Olha, eu vou te virar pra parede enquanto eu tomo meu banho bem rápido, pode ser? — ele disse, girando o carrinho e colocando-a na direção da parede de azulejos — Por favor, não chore nem tenha dor de dente enquanto eu estou no chuveiro. Isso pode se tornar um desastre!
Belia grunhiu de volta um barulho indecifrável, e Harry sentiu-se orgulhoso, pois, de acordo com a tabela de Naomi, aos cinco meses ela poderia começar a responder as pessoas com balbucios e risadas.
— Enquanto eu tomo banho, vou aproveitar e te contar uma história legal, só pra gente ter assunto, pode ser? — ele diz, tirando sua roupa rapidamente. Abre a ducha e adentra o vapor que começava a inebriar o banheiro inteiro — Essa é a história de como eu conheci a mamãe. Aquela vaca! — pausa — Desculpa, eu não posso falar assim dela. Agora que sei a verdade, não preciso xingá-la... Eu até a admiro um pouco mais. E realmente gostaria de conversar com ela... — ele devaneia, enquanto espalha o shampoo pelos cabelos — Enfim, você sabe que eu sou de uma banda famosa e caras de bandas famosas tem entradas VIPs em boates e conseguem ótimos contatos. E eu estava lá em Nova Iorque quando conheci sua mãe. Ela morava lá, porque é modelo... Ela era a garota mais bonita no lounge. Ela usava uma calça de couro, eu nunca vou esquecer essa calça... Seu tio Niall havia feito uma aposta comigo depois que eu passei duas horas bebendo e falando daquela moça loira de olhos claros que parecia ser no mínimo dois anos mais velha que eu. Ele disse que eu não conseguiria conversar com ela. Eu apostei um mês sustentando todos os gastos de balada que ele tivesse, caso eu conseguisse. E ele me sustentaria se eu não conseguisse... E adivinha? Seu pai ganhou um mês de muita bebedeira! Porque eu não consegui — Harry gargalhou debaixo d’água — Mas, por ironia do destino, ela estava em uma dessas baladas que seu tio teve que pagar pra mim umas duas semanas depois... E, como eu estava bebendo às custas dos outros, eu estava muito bêbado. Muito! E aí eu cheguei nela. E ela me deu uma chance. Conversamos muito. Sobre todas as coisas do mundo. Éramos o universo inteiro em poucas horas de conversa — ele suspirou, ao mesmo tempo em que terminava de enxaguar seu corpo na água quente — Sabe, filha, eu nunca havia tido uma conexão assim com ninguém. E eu percebi que estávamos destinados a ficarmos juntos... E, daquela noite em diante, eu não precisei fazer mais apostas — Harry fechou a torneira, e puxou sua toalha — Ficamos juntos durante quatro meses. Um pouco menos que a sua idade. Mas foi o suficiente pra eu viver o amor mais intenso e avassalador da minha vida! — se aproximou do carrinho, virando-o na sua direção. Belia dormia serena. Ele sorriu, observando-a — E você veio disso. Eu ainda estou em choque. Mas, no fundo, acho que foi algo bom... — começou a empurrar o carrinho em direção ao quarto, e o estacionou perto da cama. Entrou em seu closet para se vestir, e rapidamente estava de volta: — Eu preciso aprender a conviver com você e te amar. — sentou-se na cama, encarando a bebê adormecida no carrinho.
Ela era tão preciosa. Até então ele não havia conseguido olhar para ela com tanto carinho como olhava nesse instante. Talvez tivesse sido a história de Naomi que balançou seus sentimentos, mas ele sentia-se bem. Inexplicavelmente bem.
Pegou o celular no criado mudo e desbloqueou a tela.
Sete chamadas perdidas. De um DDD +81, e um número desconhecido. Aquilo era estranho o suficiente para fazê-lo pensar ter sido uma ligação de Naomi, porém, tratando-se de uma pessoa famosa, seu número de celular poderia ter caído nas mãos de algum fã, então seria melhor confirmar. Abriu o Google, pesquisando pelo DDD japonês, e lá estava ele: +81.
Seu coração parou e ele sentiu um gelo percorrer todo seu corpo. Naomi havia o telefonado.
Enquanto ele falava dela, ainda por cima!
Coincidência do destino? Tratando-se dos dois, ele realmente acreditava ter sido.
Rapidamente Harry retornou a ligação para aquele número. Foi direto para a caixa postal. E nas próximas doze vezes em que ele tentou, também fora para a caixa postal.
No mesmo instante em que Harry desligou o telefone pela última vez e o jogou sobre a cama, nervoso, a campainha tocou. Ele deu um pulo de susto. Toda essa coisa de destino havia o deixado paranoico.
Olhou para Belia, que ainda dormia no carrinho, então resolveu deixá-la no quarto. Correu pelo corredor em direção à sala, e abriu a porta rapidamente.
No fundo, ele esperava que fosse Naomi – apesar de ser geograficamente impossível.
Todavia eram apenas Niall e Louis, para seu azar.
— Ah, oi — disse, ao reconhecê-los.
— Nossa, que euforia é essa? — Niall adentrou o apartamento, observando toda aquela bagunça. Eles precisavam arrumar a sala, parecia que um furacão havia passado por lá.
— Aconteceu uma coisa — Harry responde, fechando a porta atrás de Louis.
— O que aconteceu?! — os dois amigos se espantam em uníssono.
Harry passa a mão pelos cabelos ainda molhados antes de responder.
— Eu recebi uma ligação...
— E dai? — Niall parecia impaciente.
— E daí que o número era do Japão!
— Você tá brincando?! — Louis arregalou os olhos.
— Não! — Harry já estava exaltado — Foram sete ligações! Seguidas!
— E o que o senhor estava fazendo pra não atender? Morto?! — Niall realmente não estava de bom humor.
— Eu estava tomando banho, e se você for continuar sendo grosso é bom ir se trancar no quarto, porque não quero conversar com gente assim!
— Eu não estou sendo grosso!
— Está sim. Se não quiser trocar todas as fraldas sujas de cocô nos próximos dois meses e acordar de madrugada para cuidar da Belia, é bom melhorar isso daí e colocar um sorriso no rosto — Louis o repreendeu.
Niall abriu a boca, mostrando os dentes.
— Tá bom assim?!
— Está ótimo!
— Certo, agora conta da Naomi — ele proferiu, com os dentes ainda travados.
— Eu não consegui falar com ela! — Harry exclamou, mais exaltado que antes — Caras, é sério, eu estou desesperado! Se eu não conseguir falar com a Naomi hoje ainda, eu vou enlouquecer!
— Não sei pra quê toda essa agitação, se você passou os últimos dois dias muito bem sem falar com ela — Louis observou, cruzando os braços — Aconteceu algo que não sabemos?
— Não sei! Eu estou balançado!
— Balançado?! — Niall abriu a geladeira e retirou de lá uma jarra de água. Escutava os amigos de longe enquanto servia seu copo.
— É que assim... Eu andei refletindo... Desde ontem, quando nós três conversamos...
— E...?
— Eu acho que é cruel continuar pensando que ela é uma péssima pessoa e tudo mais... E eu também contei para a Belia sobre como conheci a Naomi, e lembrar daquilo me fez ficar um pouco estranho!
— Aquele dia foi muito louco — Niall apareceu de volta na sala, e encarou Louis — Três da manhã e eu estava correndo pelado em volta da piscina do hotel, num frio de cinco graus no mês de março — e os dois gargalharam.
— Eu sei bem o porquê! — Louis o respondeu.
— Nós apostamos em cima da aposta!
— Vocês realmente eram viciados em apostas nessa época — comenta Harry — Eu, por exemplo, só conheci a Naomi por causa disso...
— E eu só corri pelado porque você a conheceu!
— Ainda bem que eu não estava lá pra ver!
— Você estava bem ocupado em outro hotel — Louis estalou a língua no céu da boca em sinal de desaprovação.
— Sim — Harry devaneou, sorrindo com o canto da boca — A gente devia escrever uma música sobre isso hoje...
— Precisamos escrever algo de qualquer maneira... Vamos falar sobre isso!
— A Belia, onde está? — Niall indaga, após perceber que a bebê não se encontrava na sala.
— Está dormindo no meu quarto — Harry responde — Acha que devemos levar ela pro escritório? Os instrumentos vão acordá-la?
— A gente a deixa do lado de fora do corredor pra não atrapalhar muito — Louis diz, dirigindo-se ao escritório. Harry também se retira, para buscar o carrinho de Belia em seu quarto, e Niall, ao passar pelo corredor atrás dos garotos, retira uma das guitarras da parede. Ele amava aquela guitarra de Harry, autografada pelos caras do Coldplay. E era o único autorizado a usá-la.

Três semanas pareceram voar. Entre a gravação da nova música e a composição da música sobre Naomi, os três garotos mal viram os dias passarem. Tirando algumas noites em que Belia acordou na madrugada e fez com que todos perdessem o sono – Niall e Louis haviam se mudado para o quarto de Harry enquanto ele dormia no quarto de hóspedes com a filha e a cama improvisada para ela -, ela se comportou muito bem. Teve febre duas vezes por conta dos dentes, mas conversava sempre com seu pai, para ajudá-los, e também estava sempre presente no apartamento. Diariamente ela buscava a garota para que fossem ao estúdio, mas, fora isso, ninguém aparecia na rua com a bebê. Harry ainda tentava seguir os horários na tabela, e agora que ele aprendera a utilizar aquilo a seu favor, cuidar da neném parecia menos difícil. Bom, pelo menos no resto do quinto mês. Ele suava frio todas às vezes em que pensava no sexto mês se aproximando e suas tarefas aumentando, como dar de comer e persegui-la enquanto engatinha pelo chão, ou até mesmo estimular sua fala – havia decidido criar a filha bilíngue, conversando em inglês e em francês com ela. Louis e Niall ainda disfarçavam estar cuidando da criança para ficarem sentados no chão brincando com os itens da Fischer Price. Eles eram ridículos, mas, pelo menos, conseguiam entreter a garota.
e Harry tornaram-se mais próximos, mas toda a excitação pela espera das ligações de Naomi não deixavam com que Harry se atraísse por – e isso fazia com que ela se irritasse com ele, e voltassem a trocar patadas esporadicamente. O que era bom, já que Liam parecia dar sinais de que iria chamar para sair. Todos desconfiavam. Harry não gostava quando o assunto chegava nessa pauta, porém, acabava não dando muita importância. Certa noite até sonhou que estava de volta com Naomi, e eles criavam a filha juntos. Harry estava cego de amor novamente, e diante disso, Louis e Niall começavam a se preocupar: quando Naomi o abandonou fora avassalador, e toda essa expectativa criada podia afundá-lo novamente.
Para ocupar sua cabeça, ele se dedicou também quase que integralmente à construção do novo quarto de Belia no apartamento de Nova York. Junto a Niall e Louis, contrataram uma decoradora e decidiram que seria um quarto nada feminino. Tudo bem que Niall queria uma estampa do Darth Vader na parede e Harry queria o Iron Man, mas Louis fora sensato na hora de sugerir um tema nórdico, com estampas geométricas e as cores amarelo, branco, cinza e preto. Na hora de chegar ao consenso, perceberam o quanto era um quarto sem definição de gênero e ficaram bem felizes. Eles estavam no caminho certo. Belia também teria, além de seu quarto de dormir, um quarto apenas para seus brinquedos – que seriam todos transportados no caminhão que levaria as coisas de Chicago para Nova York. Ela tinha muitos brinquedos no apartamento de Chicago, e mesmo assim Louis e Niall planejavam um grande passeio à Toys R Us assim que chegassem à Big Apple para comprarem mais itens divertidos para Belia (ou para eles, no caso).
O dia da viagem finalmente chegara, e junto a ele o frio. Belia estava toda empacotada com roupas de inverno. Nos pés, usava um tênis New Balance colorido, que dava um contraste com o tom preto do seu casaco. Harry a encarava no carrinho encantado com suas novas habilidades de combinar roupinhas de bebês. Estavam todos no saguão do aeroporto, aguardando o horário de embarque do voo, e pendurava-se na alça do carrinho, cumprindo todo o roteiro do teatro que sempre faziam em público.
— Como será que esse monstrinho vai se comportar dentro do avião? — Questiona Niall, aproximando-se.
— Eu não sei, mas eu espero que bem. Por via das dúvidas... — diz Harry, aproximando-se e colocando uma chupeta na boca da garota. Aquele velho e já conhecido “botão mudo” deveria funcionar.



IX

— Harry, ela não para! — exclamou , sentada em seu assento enquanto tentava balançar Belia no colo. A menina não estava gostando nem um pouco de estar sentada numa aeronave, e o voo prestes a decolar, portanto, ninguém poderia estar de pé para agradá-la.
Ao lado de estava Niall, na janela, e ao outro lado, Harry, no corredor.
— Eu não posso pegar ela aqui — murmurinhou Harry — Ainda mais porque ela está chorando e todos do avião estão olhando na nossa direção!
De repente, Liam, na cadeira da frente de Harry, olha para trás.
— Faça isso agora — ordenou, carrancudo. Seu olhar era tão sério que Harry não pensou duas vezes antes de tomar Belia dos braços de . Àquela altura, após mais de duas semanas de convívio, já tinha inclusive uma pega certeira para encaixar a neném em seus braços.
Mas nem assim Belia parou. Pareceu chorar mais alto. E no instante em que Harry olhou para seu rostinho, onde lágrimas escorriam densas de seus olhos, seu coração se apertou. O narizinho vermelho deveria ficar fofo, mas, naquela situação, o deixava triste.
— Por favor, eu vou chorar! — ele estendeu de volta a bebê para . Não aguentaria olhar por mais dez segundos para a própria filha.
— Eu fico encantada com a maturidade na qual você lida com essa criança — resmunga, rolando os olhos.
— Dá licença! — Niall, sem paciência, a pega no colo, e coloca de frente para a janela. O movimento do avião pela pista parece distrai-la, e, em segundos, ela começa a cessar o choro gradativamente, até restar apenas soluços no colo de Niall.
Todos encaram a cena boquiabertos, inclusive Liam.
— Alguém poderia me explicar o que acabou de acontecer aqui?! — indaga .
Shhhh! — Niall leva o indicador à boca, pedindo silêncio — Estamos decolando. Nenhum movimento brusco, por favor, para não provocarmos a fera!
Harry estica a cabeça para encará-lo, com um semblante duvidoso. Liam retornara para sua posição normal no assento da frente, então restam apenas e Harry encarando aquela cena.
Belia realmente estava quieta no colo de Niall, e nem mesmo o cinto de segurança ou a pressão da decolagem a fizera dar um pio sequer. Niall olhava para os amigos, com um certo orgulho de si mesmo.
— Acho que agora j...
Shhh! Eu já pedi que ficassem quietos — Niall repreende Harry mais uma vez — Eu vou realizar uma manobra tática agora. Preciso de concentração. — sussurra.
Pega, então, a chupeta que estava sobre o colo de , e delicadamente leva até a boca da neném. Ela aceita, e encara a todos com seus imensos olhos claros, que parecem muito mais brilhantes após tantas lágrimas.
— Agora podemos nos mexer — Niall diz, parecendo soltar a respiração.
— O que acabou de acontecer aqui?
— Eu não sei... E acho melhor a gente não perguntar, Harry, porque vai que ela entende o que a gente fala e resolve brincar com nossa cara — Niall responde, balançando a cabeça negativamente. Olha para Belia, e ela parece bem calma sentada em seu colo.
O avião termina de tomar altitude e os sinais luminosos de cintos se desligam. suspira, retirando do colo o brinquedo de Belia, e entrega a Niall.
— Acho melhor você colocar ela aqui. Harry, me deixa passar — ela cutuca o garoto.
Harry se assusta.
— Você vai deixar ela aqui com a gente? — sussurra, preocupado — Tipo assim... Qual o sentido disso?
— Não tem nenhum paparazzi aqui dentro — ela sussurra de volta — Acho completamente normal ela conviver com vocês. Não é como se fosse uma bebê intocável!
Harry suspira.
— Tudo bem. Faço qualquer coisa para que ela não chore novamente — ele desata o cinto e se levanta. passa por ele e senta-se entre Louis e Liam, no banco da frente.
— Ainda estou aqui de olho em vocês — diz, apontando o rosto acima do assento.
— Qualquer coisa a gente arremessa ela para você — Niall sorri — Todo mundo parado novamente, farei outra manobra tática!
— Por favor, tome muito cuidado!
— Confia no pai!
— Na verdade... — Harry começa a corrigi-lo, mas interrompe sua própria fala — Deixa pra lá.
— Eu entendi. — Niall rola os olhos — Mas nesse momento, eu sinto muito, quem parece ter doado os genes sou eu — cochicha, enquanto delicadamente levanta a bebê de seu colo e a coloca sentada no banco entre eles. Harry o encara, estarrecido.
— Como você ousa?
— Contra fatos não há argumentos — ele aponta para Belia, que está confortável escorada na poltrona e não demonstra nenhum sinal de alerta para choros. Niall entrega o brinquedo em suas mãozinhas, e ela automaticamente cospe a chupeta e o leva até a boca. — Já pode passar para o meu nome.
— Meu pau!
Niall arregala os olhos, e tampa com as mãos os ouvidos da neném.
— Você não pode falar esse tipo de coisa perto dela!
— Como se você fosse exemplo de fala bonita, não é?
— Se não percebeu, desde que ela chegou, eu não falo mais palavrões...
— Claro que não!
— É sério. Vi um documentário na Netflix que dizia que os bebês começam a aprender a fala desde a barriga da mãe e o que dizemos no entorno influência bastante...
— Você vê documentários sobre bebês na Netflix?
— Sim.
— Ok, eu vou assistir também. Para ser um bom... — diminuiu o tom de voz para quase inaudível — Pai — completa, de forma irônica.
— O único tipo de documentário sobre bebês que você tem sido capaz de assistir é sobre como fazer bebês, e não está na Netflix, está no PornHub! — Niall solta uma gargalhada alta.
Harry até tenta se segurar, mas não consegue, e acompanha Niall naquela risada que parecia infinita.
A cabeça de Louis aparece acima do seu assento.
— O que está acontecendo aqui? Vocês me acordaram...
— A gente te acordou? Não foi a bebê? — Harry questiona, assustado com a pele do rosto do amigo marcada, indicando que ele realmente dormira por um bom tempo.
— Nem ouvi — respondeu — Caso tenha se esquecido, eu agora sou imune a choros...
— Eu preciso aprender com você — Niall comenta — De qualquer maneira, agora ela está bem... Eu a fiz parar de chorar — sorri.
— Duvido!
— Pois foi ele mesmo — Harry rola os olhos — Parece até que...
— Olha só quem está com ciúmes — Louis ri.
— Eu não estou com ciúmes! — Harry o retruca — Eu só estou assustado, pois o Niall não sabe nem carregar a criança!
— Apenas aceite que ela gosta mais de mim do que de você e da — Niall rola os olhos, e então passa a mão no fino cabelo loiro de Belia.
— Por falar em ... — Louis sussurra e olha disfarçadamente para o lado. Só então Harry e Niall percebem o quanto ela e Liam estão imersos em alguma conversa interessante.
Sem que o próprio Harry perceba, sua boca se contorce de desagrado. Louis e Niall o encaram, divertindo-se.
— Então quer dizer que...
— Não quer dizer nada. Eu só não gosto desses papinhos escondidos que a gente nunca pode saber do que se tratam! — ele contesta, num tom baixo para que e Liam não ouçam — Aposto que devem estar planejando mil coisas para nos escravizarem, tipo três shows em um dia só. Ou duas músicas novas por semana. Ou meet n’ greet com uns quatrocentos fãs... Pensem bem! — ele cruza os braços.
Louis suspira, e Niall o encara, divertindo-se.
— Se você acha que é isso, então é isso.
— Nada de passeios em Nova York quando desembarcarem... — Louis completa.
— Nada de conhecer a decoração do novo apartamento...
— Parem! — Harry passa as mãos pelos cabelos, impaciente — Hoje vocês tiraram o dia para me amolarem. Por favor, vamos nos concentrar em Belia? Podemos?!
— Tudo bem. Vamos nos concentrar em Belia — Niall sorri, e encara a bebê — Caso ela chore, é só colocá-la no meu colo novamente. Estou bem concentrado.
Aquilo pareceu ser a gota d’água para Harry.
Afinal de contas, ele também gostaria de ser capaz de acalmar a filha, de ser útil naquela situação...
— Tudo bem, Niall! Se ela chorar, você se vira! — Harry suspira, pega os fones de ouvido no bolso da calça. Antes de ajeitar sua cabeça no encosto do banco, aproveita para tirar uma foto da menina sentada na cadeira do avião, pois, afinal de contas, ela estava adorável. — Agora eu estou indo dormir. Bom voo para vocês — encaixa seus fones e fecha os olhos, sem nenhum interesse em prolongar aquela conversa com os dois amigos.
Louis e Niall se encaram, assustados. E logo riem pelo nariz.
Harry dando uma dupla crise de ciúmes era a cena que precisavam para que aquele voo se tornasse mais agradável.

Passadas as horas de voo, os garotos desembarcaram primeiro, para evitarem tumultos no aeroporto, e logo em seguida seguiram e Liam com Belia em seu carrinho. A moça empurrava a bebê e Liam estava logo ao seu lado, segurando um brinquedo colorido em sua mão, e balançava para que a neném se divertisse. Quem via de longe poderia até relacionar os três com uma família de propaganda de margarina.
Principalmente Harry, que de braços cruzados observava aquela cena e sentia seu sangue ferver nas veias.
— Eu não gosto nada disso — resmunga.
— Nós já sabemos — Niall o responde, e acena para , que estaciona o carrinho à frente dele.
— Harry, você quer levar? — ela pergunta, encarando o garoto.
— Não, levem você e Niall — diz ele, ríspido.
se assusta, erguendo as sobrancelhas.
— O que deu em você?
— Nada — ele dá de ombros — É só que minha filha prefere pessoas que não são o pai dela. Então vou contribuir para o bem-estar da garota...
Niall gargalha.
— Eu não estou acreditando nisso. Que bicho te mordeu hoje?
— Eu prefiro não responder — Harry dá as costas, e começa a caminhar em direção à porta de saída, onde o motorista os esperava ao lado de fora, com alguns seguranças.
— Será que você poderia voltar aqui e pegar a sua filha? — Liam diz, com a voz firme.
— Não.
— Você é um irresponsável! — braveja.
— Pede pro Niall cuidar disso — ele retruca mais uma vez.
Niall suspira, e, tentando manter a calma, segura a alça do carrinho de Belia, começando a empurrá-la na direção da saída.
Todos adentram o carro e não trocam nenhuma palavra. Belia permanece no bebê conforto dormindo entre Niall e Harry, e ele, pirracento, de braços cruzados e cara fechada. Louis, Liam e seguem em outro veículo.

Os ares parecem se modificar e ficarem amenos no instante em que o carro estaciona na garagem do condomínio, entre a Park Avenue e a Madison, num dos endereços mais nobres de Manhattan, a apenas um quarteirão do Central Park. Liam havia cuidado de toda a mudança e escolhido o melhor endereço para que todos pudessem residir bem, no Upper East Side, pensando principalmente na comodidade e na privacidade – mais por conta de Belia do que por conta dos meninos.
Assim que o carro parou, Harry tratou de pegar rapidamente o bebê conforto de Belia, e eles correram para o elevador. Empolgados, eles conversavam alto e batiam os pés no chão de ansiedade, e seus corações estavam disparados até o instante em que chegaram ao último andar, onde ficaria o apartamento dos três.
— Eu e moramos no andar de baixo — Liam sorri, e estende três chaves para os jovens — Vocês podem ficar à vontade para conhecerem a nova casa.
— Você não vem conosco? — indagou Louis.
— Vou mostrar a onde fica o apartamento dela, e... — Liam é interrompido pelo toque de seu celular — Só um instante, por favor — vira-se e anda até um canto do corredor para atender ao telefone.
Os outros estavam tão empolgados que nem se deram ao luxo de prestarem atenção na conversa de Liam. , sem ter o que fazer – até porque suas chaves ainda estavam com Liam – concentrou sua atenção na grande porta de madeira do apartamento de Harry, Louis e Niall.
— Vocês não vão abrir? — pergunta, curiosa.
Louis dá de ombros.
— Acho que não precisamos esperar o Liam — e olha para os amigos — Juntos?
— Juntos! — exclamam, e seguram na maçaneta.
Em segundos, a porta se abre, e a claridade vinda das grandes janelas do Hall de entrada inebriam a visão dos quatro.
— Ca-ra-lho — Harry balbucia, ainda sem reação — Essa vista...
— Puta que pariu, olha o tamanho dessas janelas! — Niall grita, e corre para dentro do apartamento.
— Não são janelas, são portas francesas! — Louis grita, e corre junto a Niall para averiguar as “portas”
— Como você sabe que se chamam assim?
— Assisto a programas de reformas na TV a cabo — ele responde, procurando pelas maçanetas. Assim que encontra, abre, dando passagem para o pequeno parapeito seguro com uma grade em pastiche.
— Eu acho que precisaremos manter isso trancado por conta de um ser humano em especial — Harry comenta, e para ao lado deles — Mas preciso admitir que é lindo!
— Eu passaria uns três meses aqui sem saber que eram “portas francesas” — Niall faz aspas com os dedos — Se não fosse o Louis, o mestre de obras, para nos dar uma luz!
— Essa é a intenção das portas francesas, Niall — Louis rola os olhos — Deixar bonito sem parecer uma porta...
— E para enganar idiotas, também — Harry sussurra.
— Cale a sua boca, você também viveria três meses com o apartamento fechado! — Niall retruca.
— Obrigado por nos livrar disso, Louis — Harry rola os olhos — Podemos ver o restante? Estou ansioso para conhecer o quarto da minha filha.
Rapidamente, todos adentram o apartamento. percebe que deixaram o bebê conforto com Belia no batente da porta, e então segura a alça, colocando-o para dentro.
No instante em que ela o coloca no chão, Harry aparece pelo corredor, correndo feito um maratonista.
— Eu esqueci! — exclama, ofegante — Eu esqueci a Belia!
— Percebi — ri — Ainda bem que eu estava aqui.
— Não sei o que seria dessa criança sem você — Harry ri, e ao segurar o bebê conforto de volta, dá um beijo na bochecha de — Obrigado.
Ambos se assustam no instante em que o beijo é estalado.
Por que diabos ele havia feito aquilo?!
Nenhum dos dois tinha a resposta.
Harry havia agido por impulso, no calor e na empolgação do momento. E começava a pensar que ele estava maluco.
— Desculpe, eu... — Harry gaguejou.
— Você está eufórico, eu entendo — ela sorri, e suas bochechas tomam uma cor rubra.
Harry pisca algumas vezes, e sem ter o que dizer, age por impulso mais uma vez: vira-se e volta correndo para dentro do corredor, dessa vez carregando a filha.
ri da situação, e logo se perde ao prestar atenção na decoração do apartamento.
Assim que Harry chega a uma das portas, no segundo andar, ela já está aberta, revelando o interior de um adorável quarto de bebê. Louis e Niall já estão dentro do cômodo, admirando tudo. A primeira coisa que Harry consegue sentir ao pisar ali é o adorável cheiro de bebê. A decoradora havia cuidado até dos aromatizadores.
— Vocês respiraram fundo?
— Sim, e todas as vezes que eu estiver estressado, eu vou entrar aqui para respirar e contar até dez com esse cheirinho — Niall responde, e vai até o closet. Abre a porta, e adentra — Como foi que colocaram tantas roupinhas aqui dentro?
— Espero que a camisa da Liga da Justiça que eu encomendei esteja aí dentro — Harry diz. Coloca o bebê conforto em cima da poltrona que se localizava ao lado do berço. Desabotoa o cinto de Belia, e a segura no colo delicadamente, para que não despertasse — Finalmente, filha, você poderá dormir confortável em um berço de verdade — ele sorri, enquanto caminha com a garota em direção ao berço branco e quadrado.
Todo o quarto havia sido planejado pelos três junto a arquiteta, e eles haviam optado por um ambiente sem gênero. Os móveis eram neutros, todos brancos e cinzas, com alguns toques de madeira em uma parte ou outra. As paredes também eram brancas, exceto a maior delas, que fora forrada com um adorável papel de parede lotado de triângulos, numa temática nórdica. Algumas peças espalhadas pelo quarto tinham tons de amarelo, como almofadas no berço e enfeites nas prateleiras. Havia, ainda, uma imensa girafa de pelúcia ao lado do berço, e quadros com frases motivadoras penduradas acima do trocador, como, por exemplo, “sonhe grande, pequena”.
Assim que Belia toca o colchão macio, ela abre os olhos delicadamente, para desespero de Harry.
— Façam silêncio! — ele pede para que Niall e Louis se calem. Os dois se empolgavam enquanto abriam as gavetas do trocador para averiguarem o que havia ali dentro. Basicamente, tudo o que precisariam para os próximos dois anos vivendo com Belia – pelo menos era o que achavam, ao verem tantas fraldas, pomadas e lenços.
Harry estende a mão até a cabeça de Belia, e acaricia levemente seus cabelos para que ela volte a dormir. Pega também, dentro do bebê conforto, o paninho e a pequena girafa que ela costumava dormir agarrada, e entrega em suas mãozinhas. Rapidamente, a garota volta a pegar no sono, e eles podem voltar a ver o apartamento.
— Vocês já se divertiram o suficiente aqui?
— Ainda temos duas portas — Niall sorri — Essa eu descobri que é o banheiro.
Harry e Louis espiam por cima dos ombros de Niall, e notam o banheiro do quarto da garota. Um banheiro normal, exceto pela prateleira lotada de brinquedos de água.
— Interessante... — Harry desloca-se até a segunda porta, e, ao destravá-la, fica boquiaberto. — Quando pedi um quarto de brinquedos, eu pedi apenas um quarto de brinquedos, não um parque de diversões — comenta, abismado.
Niall e Louis o empurram, e se espremem pela porta, adentrando o terceiro cômodo.
— CARALHO! — Niall grita, correndo em direção à cabaninha com um pequeno escorregador — Eu preciso caber nisso!
— Harry, eu me candidato a ser babá da Belia pelos próximos meses, e viver aqui dentro desse quarto brincando com ela — Louis se encaminha até o tapete colorido e macio, cheio de almofadas nos arredores, e imensas caixas de brinquedos que se encaixavam na prateleira branca que cobria toda a parede.
— Isso só pode ser trauma de infância — Harry comenta — Vocês não tiveram esses brinquedos, né?
— Não, e pelo visto nem você, porque se tornou um chato! — Niall exclama, rolando os olhos. Ainda está tentando sentar-se no escorregador.
— Na verdade, eu até tive muitos brinquedos, mas minhas irmãs não me deixavam brincar em paz — Louis comenta — Agora elas não estão aqui para me irritarem. Posso correr atrás do tempo perdido!
— Pelo menos já tenho alguém para vigiar a menina enquanto eu vou para a balada — Harry dá de ombros.
Niall, num pulo, coloca-se de pé.
— Agora eu acho que você exagerou, Harry — retruca — Louis, levanta. Não vamos ser escravos do Harry enquanto ele se diverte.
— Sim, e além do mais, precisamos te vigiar nas baladas, não queremos criar mais uma criança — Louis provoca.
— Como voc...
— Nem vem, todo esse drama Belia começou em uma balada exatamente aqui em Nova York — Niall ri — Não preciso voltar ao assunto “apostas”...
— Por favor, me poupe de mais uma dor de cabeça! — Harry pede. Abre a porta principal do cômodo, que tem saída para o corredor, e deixa o quarto. Louis e Niall o seguem.
— Você pegou a babá eletrônica? — questiona Louis.
— Não! — Harry exclama, e volta correndo para o quarto de Belia. Rapidamente chega até os garotos mais uma vez, com um monitor que mostra Belia dormindo tranquilamente em seu berço novo — Eu gostaria de dizer que não vou dormir com isso ao meu lado durante a noite.
— Como assim? — indaga Niall.
— Você nunca assistiu ao filme “Atividade Paranormal”, não é?
— Não, e depois desse momento, não tenho interesse — ele dá de ombros.
Louis gargalha alto.
— Já sei bem como assustar o Niall durante a noite...
— Vou sentir falta do meu antigo apartamento onde eu tinha paz — Niall o responde — E então, quais são nossos quartos?
— Temos quatro portas. Uma delas é o quarto de visitas, as outras são nossos quartos — Harry diz — Ou então, eu posso dormir no quarto de jogos, pra mim não seria problema nenhum...
— O fato de termos apenas um quarto de jogos, serve para que cada um tenha seu quarto de dormir. — Louis refuta.
Harry suspira, e vai até uma das portas.
— Eu pedi um quarto exatamente igual ao meu em Chicago, então não vai ser difícil reconhecer — ele abre a porta, e se depara com uma decoração exatamente igual à sua antiga, apenas com as janelas e portas em posições diferentes — Não falei? É esse mesmo!

Após verificarem todos os quartos e a incrível sala de TV e jogos no terceiro andar do triplex, com o estúdio de música e instrumentos além do terraço com espreguiçadeiras, churrasqueira, jacuzzi e vista para o Central Park – e ficarem muito felizes – os garotos resolvem descer para o primeiro andar.
Ao chegarem, deparam-se com e Liam sentados no sofá da sala de estar, conversando algo que parecia ser extremamente sério, e seus semblantes não são dos melhores.
— Finalmente vocês desceram! — Liam exclama — Não queria atrapalhar o reconhecimento da nova casa de vocês, mas agora que chegaram, precisamos conversar. Onde está Belia?
— Dormindo — Harry levanta o monitor da babá eletrônica que carrega em uma das mãos.
— Espero que tenham gostado do apartamento — sorri — eu e Liam trabalhamos duro para conseguirmos o que vocês queriam.
— Na verdade, está além do que a gente queria — Niall comenta — Temos até um terraço. A gente nunca pediu um terraço!
— É verdade, mas pelo menos podemos fazer churrascos por lá — Liam ri.
— Entendi, o interesse era seu — Louis ri junto.
— Que bom que você é um rapaz inteligente — Liam o responde — Mas então, precisamos conversar.
— Diga — Niall cruza os braços, esperando por alguma bronca ou compromisso de última hora.
— Sentem-se — recomenda.
Os três garotos se entreolham, e sem retrucar, sentam-se no sofá à frente de e Liam.
— Eu vou ser bem breve: vocês se lembram do Sail, meu filho? — Liam começa, parecendo estar com pressa para dizer tudo o que precisa. Os três rapazes balançam afirmativamente suas cabeças, então Liam prossegue: — Ele vai ter que morar comigo.
Todos os três rostos se contorcem em caretas que migram entre dúvida e surpresa.
Como assim morar com ele? Em Nova York?
— Aqui?! — Niall não consegue se segurar.
— Sim. Minha ex namorada, a Jessica, entrou com um processo na justiça para que eu tenha a guarda do garoto, pois ela resolveu se dedicar à faculdade e ao trabalho, e vai se mudar para a costa Oeste, e não pode tomar conta dele em tempo integral...
— Mas você não tinha aquele probleminha de não conseguir criar o menino quando ele era bebê, ou coisa parecida? — Harry pergunta.
Tinha. Seis anos depois eu acredito que não tenho mais, e o juiz também, por incrível que pareça. Até porque, passo alguns fins de semana com o garoto, e as coisas são bem tranquilas... E agora eu tenho dinheiro para pagar babás, o que facilita bastante a minha vida — Liam responde.
— E por que você não paga uma babá, porém em Chicago? Ou onde ela for morar? — Louis indaga, pensativo.
— O juiz não aceitou. A vara da infância exige que a criança tenha contato integral com um dos pais. — Liam suspira — mesmo que haja uma babá presente, ele precisa conviver com um dos pais... Pelo menos algumas horas do dia. Eu tentei de tudo nas últimas três semanas! Tentei deixá-lo com os avós, com babás, tentei até aval da faculdade para que ele pudesse acompanhar a Jessica, mas foi tudo negado. Ele vai ter que viver aqui conosco...
— Que loucura...
— E eu pensando que para evitar mais crianças era só não deixar o Harry ir sozinho para baladas — Niall comenta, balançando a cabeça negativamente — Errei rudemente! Só de respirar, aparecem crianças nessa casa!
Louis e Harry riem, e Liam os encara, intrigado.
— Como assim?
— A Belia só existe porque deixamos o Niall e o Harry fazerem uma aposta em uma boate um dia — Louis responde — Mas isso é história para depois. Vamos falar sobre o Sail. Onde ele vai morar? No seu apartamento?
— Obviamente, eu não seria maluco de deixar ele com vocês — Liam ri — Até porque, se o juiz descobre, eu estou meio fodido...
— Ainda bem, porque eu mal tenho condições de criar a minha filha, imagina a minha filha e o seu filho — Harry passa a mão pelos cabelos — Ainda mais que ele já tem idade para retrucar as coisas que eu digo. Pelo menos a Belia aceita calada...
— Você não diz nada de interessante, só histórias da Marvel, da DC e de Star Wars para ela, Harry... — Louis o encara.
— Exatamente. Imagina se ela tivesse seis anos e dissesse na minha cara que o Batman é, na verdade, um bosta que não tem nenhum poder. Eu ficaria muito puto!
— Mas o Batman é mesmo um bosta que não tem poderes... — Niall sussurra baixo.
— O QUE VOCÊ DISSE?! — Harry praticamente grita.
— Admita, Harry, ele só é rico. Só isso!
— Ser rico é um superpoder! E ele tem bons reflexos, é só observar as lutas! — Harry bufa.
— Jamais ofenda o Batman perto do Harry, Niall... Você ainda não aprendeu? Ele vai te bater! — Louis alerta, observando o quanto Harry ficara nervoso com aquela declaração.
— Foi mal... Eu nunca mais vou falar mal do Batman... — Niall ergue os braços — Mas você não pode me impedir de fornecer essa informação à Belia. De que ele é apenas rico... E que ela deveria preferir o Superman...
— Vamos ver quem ela vai preferir seguir!
— Será que podemos prosseguir com o assunto de adultos? — indaga Liam, preocupado com os rumos que a conversa estava tomando.
— Até parece que você não está maluco para entrar nessa discussão! — Louis retruca.
— Estou, mas temos algo sério a discutir.
— Nós já acabamos, não? Tipo... O garoto vem morar com você, no seu apartamento, você vai contratar uma babá... O que mais precisamos saber?
Liam coça a barba, num semblante pensativo.
— Eu vou buscá-lo amanhã de manhã.
— Nossa, não vamos nem esperar a poeira abaixar?! — indaga Niall.
apenas observava toda a conversa, sem dizer nada.
— Quando estávamos chegando, o meu advogado me ligou. Se eu não for buscá-lo amanhã, posso ser até preso — Liam ri, nervoso — Então já comprei as passagens. Irei às seis da manhã para Chicago, mas volto amanhã mesmo.
— Ok... — Niall escora-se no sofá e cruza as pernas — O que isso muda nas nossas vidas e agendas?
— Vocês tinham uma entrevista na rádio amanhã — finalmente se intromete — Mas adiei para depois de amanhã, por conta disso. Eu vou precisar ir com o Liam.
Harry congela no sofá.
— Por quê?! — pergunta.
— Para ajudar a trazer o menino, oras...
— Além de agente, você também é babá agora? — indaga Niall.
— Eu não sou apenas agente de vocês, eu sou também assessora de imprensa. Na verdade, sou mais assessora do que agente... — corrige — Mas também sou amiga de Liam. E, no fim das contas, recebo hora extra por todas essas viagens de última hora — ela sorri, e Liam sorri de volta.
— Eu só acho que nós precisamos mais de uma assessora aqui em NYC do que o Liam em Chicago... — Louis responde.
— Por isso mesmo a entrevista foi adiada — ela volta a dizer — Vocês deviam ficar felizes, ganharam um dia de folga!
Harry coça a cabeça.
— Pensando por esse lado...
— Vou aproveitar o dia de amanhã e sair para comer todas as comidas que eu puder nessa cidade! — Niall diz.
— Enfim, era isso que eu queria repassar a vocês. A partir de amanhã as coisas vão ficar um pouco malucas, mas vamos conseguir sobreviver... — Liam conclui, preparando-se para levantar.
— Estamos sobrevivendo há três semanas com um monstrinho de cinco meses, vamos sobreviver com um novo monstro...
— Cuidado com as palavras, pois ao contrário de Belia, o Sail já entende o que vocês dizem...
— Desde que ele não chore de madrugada ou faça cocôs fedorentos em fraldas pra gente trocar, ele não será considerado um monstro — Louis sorri.
— Ele não faz isso. Quero dizer... Não costuma fazer — Liam responde. Finalmente se levanta e anda na direção da porta — Entramos em contato por mensagens. Podem dormir até tarde...
— Eu vou para o meu apartamento — também se ergue — Se precisarem de algo, podem me ligar. Ou descer o elevador — ela ri — Finalmente às coisas ficaram mais fáceis!
Louis e Niall encaram Harry, com olhares maliciosos.
— Ficaram mais fáceis mesmo... — Niall diz, em tom sugestivo.
parece não perceber, muito menos Liam. Mas Harry nota, e fecha a cara para os amigos.
— Vocês são dois babacas! — branda, assim que Liam e somem pela porta principal — Não estraguem as coisas!

Após um novo tour pelo apartamento e um assalto à cozinha, os três garotos levam Belia, já acordada, até a sala de TV e jogos. Colocam-na num balanço perto do imenso sofá, e assistem televisão juntos, enquanto comem pizza congelada e bebem cerveja.
— Vocês já assistiram àquele episódio de Friends, onde o Joey compra uma TV gigante e uma poltrona para ele e para o Chandler, e eles passam dias sentados vendo TV e bebendo cervejas?! — indaga Niall, tomando um gole da sua garrafa.
— Sim...
— Acho que nós três nos tornamos eles — completa.
Louis e Harry riem.
— Só precisamos que nossos outros amigos venham aqui para nos servirem comidas e reporem o estoque da cerveja... — diz Harry.
— Não seria uma má ideia, por falar nisso — Louis concorda.
— Sabe o que n... — a fala de Harry é interrompida pelo toque de seu celular em seu bolso. Ao olhar para a tela, ele reconhece aquele DDD do exterior. — Gente! — exclama — É a Naomi!
— Você tá zoando?! — Louis e Niall praticamente voam no telefone.
— Não, é ela! Esse código, e esse número já me ligou aquele dia, vocês lembram!
— Atende logo, porra! — Louis praticamente grita.
— O que eu vou falar?! — Harry sente a adrenalina tomar conta de seu corpo, e um frio na barriga inexplicável.
— Não sei! Mas atende logo essa porra de celular antes que ela desligue! — Niall tenta tomar o aparelho da mão de Harry, mas ele desvia a tempo.
— Eu tô nervoso!
— Foda-se! — Niall e Louis exclamam ao mesmo tempo.
Harry leva o indicador aos lábios, pedindo silêncio, enquanto com a mão livre atende a chamada.
— Alô?
— Harry?! — e então aquela voz o atinge como milhares de facas atravessando seu peito.



X

Ao reconhecer Naomi, Harry sentiu um nó em sua garganta querer atravessar o caminho para fora de seu corpo. Ele não ouvia aquela voz há mais de um ano, e o simples tamborilar dela em seus ouvidos era capaz de tirá-lo do chão.
A verdade era que ele nunca havia superado seu término com Naomi, e só nesse momento conseguia ter plena certeza de suas teorias.
— Fala alguma coisa — sussurrou Louis.
— Coloca no viva-voz! — Niall também se intrometeu, mais do que curioso.
Harry ergueu um dedo para que fizessem silêncio, e levantou-se do sofá. Andou em passos largos até o banheiro enquanto nenhum dos dois falava nada na linha. Ele esperava que ela tomasse a iniciativa, e ela também esperava que ele tomasse a iniciativa.
— Você não vai dizer nada? - perguntou Naomi, finalmente quebrando o silêncio, assim que Harry fechou a porta.
— Na verdade, quem me ligou foi você... — Harry percebeu então o quanto seu tom de voz entregava que ele estava na defensiva.
— Sim... eu... — ela suspirou — Harry, eu sei que é difícil a gente se falar, ainda mais nessa circunstância, mas...
— Mas o quê, Naomi? — ele a interrompeu — Você só pode ser retardada. Eu tô falando sério! — sua voz era pura rispidez — Você deixou a porra de uma criança na minha porta!
— Olha bem como fala dela! — Naomi praticamente gritou do outro lado da linha.
— Eu não estou me referindo especificamente à Belia, e sim usando um palavrão para expressar toda a minha raiva com relação ao que você fez — ele esclareceu — Se chama hipérbole! A Belia é uma criança doce e encantadora e não tem nada a ver com a mãe MALUCA que ela foi arranjar!
— Maluca, Harry?
— Sim, Naomi, eu não consigo imaginar outro adjetivo para você a não ser os relacionados a loucura!
— Você é muito egoísta!
— Egoísta? Eu? Eu sou egoísta, afinal de contas, fui eu quem escondi do pai da minha filha uma gravidez! E depois eu simplesmente resolvi abandonar essa criança que eu tanto digo amar porque eu tenho uma porra de uma carreira pra seguir que pelo visto é mais importante do que a do pai anônimo e desinformado, e talvez mais importante até mesmo que a própria criança!
— Você está falando como se eu não tivesse me importado com nada em momento algum — sua voz começava a falhar. Harry respirou fundo.
— Olha, Naomi, eu não estou dizendo que você não se importou. Eu só estou deixando claro que o que você fez, além de ter sido muito arriscado, foi uma estupidez!
— Foi uma estupidez tentar fazer minha vida dar certo?
— Quando você tem outra que depende integralmente de seus cuidados? Sim, uma estupidez imensa!
— Como se eu tivesse feito ela sozinha! — dessa vez, Naomi gritou, e o sangue de Harry ferveu nas veias.
— COMO VOCÊ QUERIA QUE EU TE DESSE APOIO SE EU NEM AO MENOS SABIA DA EXISTÊNCIA DESSA CRIATURA? — Harry gritou de volta, num tom de voz muito mais alto do que pretendia. Com toda certeza Niall e Louis já estavam na porta do banheiro bisbilhotando a conversa.
— É muito provável que você não daria caso soubesse desde o início!
— Você está errada! — ele estava prestes a socar a parede — Você está completamente errada, Naomi! Eu era louco por você. Eu seria capaz de tudo por você. Você não tem noção do que virou meu coração quando foi embora. O que virou meu coração quando você apareceu com outro cara. Grávida de outro cara. Eu te odiei com todas as forças, torci para que a sua vida fosse uma merda, porque eu estava magoado! Você partiu meu coração e simplesmente sumiu, não deu notícias nunca mais! E ainda ousa dizer que eu não seria capaz de te apoiar?
— Eu não ia conseguir falar com você sobre isso... — ela sussurrou.
— Pois é, Naomi, não ia conseguir, mas agora a realidade bateu na sua porta e te fez pisar de volta na terra. Você teve que abrir mão do seu orgulho!
— Sim. E eu precisei de você.
— Você só vem atrás de mim quando é conveniente. Aliás, dessa vez, nem atrás de mim você veio. Só me deixou uma encomenda na porta de casa!
— Eu sabia que você ia encontrá-la bem...
— Do mesmo jeito que eu a encontrei, outra pessoa podia ter encontrado, e sabe-se lá o que iria acontecer! Eu devia te denunciar por abandono de incapaz!
— Eu sei que fui irresponsável, mas não tinha alternativa...
— Você é idiota? Você deve ser muito idiota! — ele passa as mãos pelos cabelos, desesperado. Não esperava que aquela conversa tomasse aquele rumo, muito menos que Naomi parecesse tão indiferente quanto à sua própria filha. Olhou-se no espelho, e percebeu o quanto seu rosto estava rubro, por conta de tamanho nervosismo — Você podia ter me encontrado. Podia ter me esperado para fazer tudo isso pessoalmente, me entregado a bebê. Mas não! Você escolheu abandonar a menina à própria sorte na porta de um estranho, porque eu era e ainda sou um estranho para ela, e depois de quase um mês dar um telefonema! Você não sabia nem se ela estava viva!
— Se eu tivesse te encontrado, nós iríamos discutir dessa forma pessoalmente! Não, Harry, ainda bem que eu não fiz isso! Ainda bem que temos um oceano entre nós, senão, já teríamos saído no tapa!
— Eu jamais encostaria um dedo em você! Você quem é uma covarde e não tem coragem de me encarar!
— Eu tenho sim!
— Então por que não fez? Por que escolheu foder com meu coração para depois aparecer novamente com o rabo entre as pernas me pedindo favores?
— Criar a sua filha por alguns meses é um favor que você me faz?
— Bom, pelo modo como as coisas vêm acontecendo, sim, parece que estou te fazendo um favor! Eu nem conhecia ela há três semanas, então me sinto, nesse instante, como uma babá recém-contratada!
— Eu fiz tudo isso por você, Harry — Naomi suspirou, e pareceu fungar o nariz — Eu fiz isso pra salvar a sua carreira. Você sabe o que aconteceria caso essa história vazasse na mídia!
— Você não tem certeza disso!
— Lógico que eu tenho, Harry! Olha bem pro que aconteceu com a minha vida que você terá a mínima noção do que eu estou falando!
— Acontece que seu plano de tentar me salvar falhou, já que agora eu vou ter que lidar com isso do mesmo jeito!
— Mas ninguém sabe que ela é sua! Nem minha! Eu sei que vocês já arranjaram outra mulher, como eu sugeri na carta...
— Ah, então quer dizer que você anda acompanhando os passos da sua filha abandonada?
— Não fale assim, por favor... — ela pede, com a voz embargada mais uma vez — Mas, já que perguntou, sim, eu tenho acompanhado. Todos os dias, Harry. Não tem um dia em que eu não acesse todos os sites de fofoca sobre vocês para poder procurar alguma foto que seja, em que você, ou o Niall, ou o Louis, estão com ela nos braços. Pelo menos num canto escondido da imagem! Eu comprei um pacote de fotos de paparazzi, daqueles que os fãs compram para fazerem edições, só pra poder ver a minha filha. Então, Harry, não ache que eu não me importo, não ache que eu não sabia que ela estava viva!
Harry suspira, e abre a torneira da pia. Enquanto pensa em algo bom para dizer, coloca o celular sobre a bancada, no alto-falante, e com as mãos agora livres joga a água gelada no rosto.
— Você não faz mais do que a sua obrigação — ele enfim diz, encarando o telefone.
Naomi demora alguns segundos para responder.
— Eu não posso te ligar sempre. Eu tentei uma vez, você não atendeu, e eu resolvi dar um tempo antes de tentar novamente... Eu sei bem, Harry, o quanto minhas ligações podem te fazer mal...
— Agora você está virando o jogo e dizendo que tem total controle sobre mim e minhas emoções?!
— Não, eu não quis dizer isso. Mas você precisa concordar que pode se sentir mal se tiver de conversar comigo diariamente...
— Péssima notícia: posso até não conversar com você diariamente, mas tenho que olhar a cada dois minutos para um rosto em miniatura exatamente igual ao seu! Você acha que isso não me dilacera? Olhar pra essa criança e lembrar de você vinte e quatro horas no meu dia! Lembrar de nós, pensar em como teria sido minha vida caso você tivesse me contado! Como seria se eu tivesse tocado na sua barriga quando ainda existia uma vida se formando lá dentro. Como seria se eu tivesse visto essa criança nascer. Se eu tivesse sido o primeiro a carregá-la nos braços. Como seria se eu tivesse participado disso tudo! — Harry pausa sua fala, prestes a desabar. Seus olhos ardiam com as lágrimas que insistiam em se acumular.
Puxou uma toalha do suporte e afundou o rosto no tecido, tentando recuperar-se. Ele tinha todo direito de chorar, mas não deveria, não no meio de uma discussão tão fervorosa com sua ex-namorada e mãe da sua filha.
— Me desculpa, Harry... — Naomi estava chorando ao telefone, e ele conseguia perceber pelo tom de sua voz e os soluços que ela dava — De verdade, me desculpa. Eu não pensei que você poderia se sentir assim. Eu só... Eu só quis te proteger. Pode parecer egoísta agora, mas no futuro, você vai perceber o quanto foi importante... Você não estaria onde está hoje, caso tivéssemos continuado juntos. Você se esquece que tem fãs, que tem patrocínios, que tem toda uma indústria em cima de você!
— Talvez, Naomi, eu não quisesse isso tudo. Eu só continuei construindo esse império porque não tive nenhum motivo que me fizesse querer parar. Nenhum que eu soubesse!
— Agora você tem um motivo, e eu tenho certeza que não quer abrir mão da sua vida.
— Eu não posso abrir mão da minha vida. Não agora! Tenho um álbum novo a ser lançado, uma Turnê, há muita coisa em jogo!
— Você teria dito a mesma coisa há um ano atrás — ela suspira, e funga o nariz — Porquê a situação era a mesma. Um novo álbum e uma nova Turnê. Vai ser sempre assim, Harry... A sua vida é essa. Sempre tem algo importante vindo à frente.
Harry se calou. Com um simples cálculo em sua cabeça, percebeu que, há um ano atrás, quando Naomi o deixou, realmente estava na mesma situação. Em proporções menores, obviamente, com uma Turnê menor e um álbum mais simples, mas mesmo assim... Eram circunstâncias semelhantes.
Todavia, ele não teria coragem de abandonar a criança. Sentia, dentro dele, que teria feito das tripas coração e arranjado um meio de continuar sua carreira. Não sabia ao certo o que faria, mas sabia que faria. E Naomi não era ninguém para convencê-lo do contrário!
— Eu estou me virando. Estamos todos nos virando. O importante é cuidarmos dessa situação agora — ele enfim a respondeu — Você pode ficar tranquila. A Belia está bem, e é muito amada.
— Eu vi a nova agende contratada, que anda com ela... Parece ser uma boa moça. E elas são bem parecidas...
— Só o cabelo, você quis dizer — ele a corrigiu — Elas não têm nada a ver uma com a outra. A sorte é que, por enquanto, as pessoas não vão conseguir associar a imagem da Belia nem a mim, nem a você.
— Ela tem os seus olhos..
— Sim, ela tem, mas ninguém percebeu ainda. E nós vamos tomar cuidado para que não percebam.
— Posso te pedir para sair com ela na rua sempre? Para que eu possa vê-la?
— A sua sorte é que ela ama passear, e os meninos amam levá-la para passear. A também...
— O nome dela é ...
— Você já sabia.
— Já.
— Tudo bem. Eu vou desligar. E quero te pedir uma coisa... — Harry suspira — Não me ligue com frequência. Depois do que conversamos hoje, eu não quero ter que ouvir a sua voz por um bom tempo!
— Como você pode agir assim comigo, Harry?
— Você mesma quem disse que preferiu dar um intervalo grande entre as ligações para que eu não sofresse!
— Você está sofrendo?
— Não! Eu estou com raiva, e é um sentimento muito mais podre do que o sofrimento. Eu quero evitá-lo! Principalmente com a minha filha por perto!
— Eu posso vê-la, pelo menos? No FaceTime? — sua voz parecia cheia de uma repentina esperança.
— Não! — Harry a respondeu de prontidão, sem nem ao menos pensar no que aquela resposta poderia causar à Naomi — Você não pode.
— Por quê? Por que você está me privando do único contato que posso ter com a minha filha?
— Porque foi você quem escolheu toda essa situação!
— Harry, eu precisava trabalhar... — o drama retomou ao tom de voz de Naomi.
— Certo. Vá trabalhar. Faça sua vida. Quem sabe quando você retornar, a sua filha já esteja na faculdade?!
Naomi soluça do outro lado da linha, sem dizer nada.
— Eu pretendo vê-la antes disso...
— Só por cima de mim — ele a interrompe — Eu sou o responsável legal por essa criança pelos próximos cinco anos, você mesma quem fez os documentos e assinou. Eu decido! Além do mais, você também não vai querer estragar a sua carreira recorrendo à justiça, vai?
— Você é quem tem mais a perder.
— Sim, mas eu tenho uma coisa chamada dinheiro, e eu posso sobreviver muito bem pelos próximos setenta anos sem fazer nada da vida. E ainda levar a Belia comigo! — apenas após proferir aquelas palavras, ele percebe o quanto soou mesquinho e insensível. — Desculpe dizer isso... Mas é a verdade. Se você destruir a minha carreira, você vai destruir apenas a carreira, e não a minha vida...
Naomi permanece em silêncio, e a única coisa que Harry consegue ouvir através do telefone é a sua respiração descompassada pelo choro.
— Desculpa — ele diz, tentando reconfortá-la. Havia mesmo sido muito ríspido, e, por mais que Naomi fosse uma irresponsável, ele não tinha o direito de confrontá-la daquela forma. Ela ainda era a mãe da sua filha — Eu não queria te causar isso. Você é mãe da Belia. Você pode vê-la, mas não agora, pois ela está dormindo... Vou te encaminhar alguns vídeos e fotos por e-mail, e na semana que vem marcamos um horário para uma chamada no Skype. Pode ser? — sua voz soou doce e compreensiva, de um modo até mesmo assustador.
— Obrigada, Harry — ela consegue dizer, em meio ao pranto — Eu sinto muita falta dela. E de você também...
— Infelizmente você fez uma bagunça. E agora a sua bagunça virou a minha bagunça...
Ambos permaneceram em silêncio, enquanto assimilavam aquela informação. Havia sido uma tremenda bagunça na vida deles... Toda a preocupação, todos os problemas e de repente toda a surpresa. Belia era fruto da bagunça. E não era só de Naomi: era dos dois.
— Espera um instante! — ele exclamou, e então abriu a porta do banheiro, correndo escada abaixo na direção do seu quarto.
Niall e Louis se entreolharam assustados ao quase serem atingidos pela porta do banheiro, enquanto espionavam aquele diálogo impetuoso de Harry e Naomi.
— O que você acha que...?
— Eu não sei, mas não deve ser nada bom — Niall respondeu Louis, num sussurro.
Com passos leves, os dois adentraram o banheiro, espiando o celular ainda ligado em cima da pia. A chamada ainda acontecia.
— Harry?! — a voz de Naomi ressurgia nos alto-falantes.
Érm... Naomi — Niall pigarreou — Oi, é o Niall!
— Oi, Niall — ela responde, num tom de voz duvidoso — O que aconteceu?
— Não sabemos — Louis toma a fala — Ah, aqui é o Louis.
— Oi, Louis!
— O Harry saiu correndo em direção ao quarto.
— Tudo bem. Falem com ele que eu vou ligar na semana que vem...
Aquele diálogo parecia muito estranho.
— Tá. A gente fala.
— Adeus, pessoal — e então a chamada foi finalizada.
Niall e Louis se entreolharam mais uma vez, completamente desorientados com toda a situação. Por que diabos Harry havia saído correndo do banheiro no meio da conversa?
— Não faz sentido ele ter ido vomitar, se já estava dentro do banheiro — Niall comentou, olhando ao redor.
— Niall, não seja estúpido — Louis rola os olhos — Ele deve ter tido algum ataque de pânico com tudo isso ou coisa assim... Você sabe como o Harry é um pouco instável, quem sabe até desorientado...
— Louis... — Niall engoliu em seco, enquanto apontava para a porta, onde um Harry de cara fechada e braços cruzados encarava-os dentro do ambiente. Louis se virou, e um sorriso amarelo brotou em seus lábios.
— Instável, desorientado... — Harry pronuncia, franzindo os olhos — Bom saber, Louis... Bom saber...
— Foi mal, cara, mas o que você fez foi bem bizarro — Louis se justifica, erguendo os braços para cima.
— Eu fui ao quarto buscar meu caderno de anotações — Harry mostra o caderno com capa de couro preta que segurava nas mãos — Eu finalmente consegui o que a gente precisava!
— O que a gente precisava? — Niall o encarou, confuso.
— A gente precisava da inspiração pra nova música — ele apoia o caderno em cima da bancada de mármore, abrindo na última página — A melodia já está quase pronta, mas a gente não tinha uma letra!
— E o que é? Tem que ser sobre a Belia... De uma forma bem intrínseca, inclusive... — Louis cruza os braços, observando Harry apontar para o topo da folha.
As palavras “Your Mess is Mine” estavam grafadas em tinta preta. Logo abaixo, uma frase que se parecia bem harmônica.
This mess was yours, now your mess is mine... — Harry pronuncia, no ritmo da melodia que haviam construído nas semanas anteriores. As palavras parecem se encaixar perfeitamente ao compasso, e, principalmente, à situação.
Principalmente porque eles haviam escutado todo o diálogo de Harry e Naomi pelo lado de fora do banheiro.
— Harry, você é um gênio — Niall abre a boca, estarrecido — Isso vai ficar incrível!
— Sim! E sabe o que é melhor? Vai pegar a Naomi de surpresa!
— Eu acho que você deveria escrever essa música sozinho — sugere Louis, sentando-se sobre a pia.
— Coloca alguma coisa que vocês faziam. Mas não em ordem cronológica... Acho que vai ficar legal se você começar a introdução com o presente, e o passado jogar no pré-refrão — Niall se escora na parede, observando as palavras no caderno atentamente — Vamos fazer um jogo com essa mulher. E com os fãs! Aí a gente acompanha na internet as especulações sobre o significado dessa música depois que a gente lançar!
— Eu preciso ficar sozinho essa noite para escrever! Vocês podem olhar a Belia? — Harry pergunta, pegando seu caderno, e vai até o vaso para se sentar — Só até eu terminar...
— Você vai terminar ainda hoje? — Niall se surpreende.
— Pretendo — responde, concentrado em abrir o caderno novamente e tirar a caneta detrás da orelha.
— Tudo bem. Se ela der muito trabalho, a gente te grita — Louis concorda, mirando um Harry totalmente concentrado de forma instantânea.
Niall olha ao redor, ainda de braços cruzados, e finalmente percebe a estranheza daquele cenário.
— Vocês perceberam que estamos dentro de um banheiro?! — indaga.
Louis olha ao redor, e só então toma conhecimento do que Niall dissera.
— Esse banheiro é tão grande, bem-decorado e confortável, que eu me senti no meu quarto — comenta, descendo da pia — Acho que vou me mudar pra cá quando a Belia começar a chorar muito alto...
— Parece uma boa ideia. Creio que cabem dois colchões dentro do box do chuveiro — Niall olha ao redor.
— Será que vocês podem sair daqui ou, se forem ficar, fazerem silêncio?! — Harry interrompe seus rabiscos, e encara os amigos.
— Você vai ficar?! — Niall parece assustado.
— Sim, oras! Foi esse ambiente que me trouxe a ideia. Preciso ficar aqui para que meus pensamentos fluam melhor — ele responde, sorrindo.
Louis balança a cabeça negativamente.
— Você é mesmo muito perturbado — diz, antes de virar-se e sair pela porta — A gente te chama se a casa pegar fogo ou se a Belia chorar. O que seria um estrago de proporções semelhantes...

Durante mais de duas horas, Harry permaneceu trancado naquele banheiro, com seu caderno e a melodia já gravada em seu celular. Louis e Niall cuidaram de Belia, que acabou acordando cerca de uma hora depois de deixarem o banheiro, mas sem dar muito trabalho a não ser uma fralda suja de xixi. Com muita facilidade, principalmente por conta do novo trocador que tinha tudo o que ele precisava e uma altura excelente – muito diferente das trocas de fraldas das últimas três semanas, realizadas numa cama ou numa mesa baixas demais - Niall a limpou e os dois a levaram até o quarto de brinquedos para que se cansasse e tivesse sono novamente. Precisavam muito dar banho na garota, pois ela havia entrado na água apenas naquela manhã e já se passavam das dez da noite, porém, nenhum dos dois tinha coragem de realizar tal ato. Apenas Harry entrava na banheira com a garota e conseguia banhá-la. Niall seria capaz de afogá-la e Louis muito provavelmente também. Pelo menos eles trataram de trocar sua roupinha e vesti-la com um pijama confortável com estampa de gatinhos. Ela estava adorável deitada naquele tapete colorido e batendo suas perninhas no ar enquanto babava um brinquedo.
— Até que não é muito difícil cuidar de um bebê — Niall sibilou, concentrado no encaixe da peça cúbica na mesa de atividades da Fisher-Price.
— Com o tempo se torna divertido. Se eu não fosse baterista, muito provavelmente seria babá — Louis concorda, também concentrado nas peças.
No momento em que Louis termina de proferir sua fala, um choro baixo começa a tomar conta do cômodo, como um miado de gato que gradativamente aumenta seu volume.
Os dois se encaram, preocupados.
— Você vai! — Niall se joga no chão, de braços abertos — Eu não aguento mais sacudir um bebê.
— Você não sacudiu ela hoje hora nenhuma — Louis retrucou, revoltado.
— Exatamente, eu estou com excesso acumulado de três semanas! Vá você, eu já troquei a fralda...
— E eu vesti o macacão!
— Você vestiu o macacão quando não corria risco de ser asfixiado e envenenado por ureia! — Niall se levanta, encarando o amigo com muita indignação.
Louis suspira, rola os olhos e levanta-se para segurar Belia. Assim que a aconchega em seus braços, começa a balançá-la levemente, tentando fazê-la parar de chorar.
— Ela deve estar com fome — Comenta — Pelo menos pegue a mamadeira...
Niall se ergue do chão rolando os olhos, e sem dar nenhuma palavra sai do quarto. Em alguns minutos está de volta com a mamadeira em mãos, enquanto Louis tenta acalmar a bebê com uma chupeta.
— Pronto, Belia, o tio Niall já trouxe sua comidinha — ele se aproxima da garota enquanto entrega a mamadeira a Louis. Passa a mão delicadamente na cabeça da bebê, que cospe a chupeta e volta a choramingar.
— A gente não pode mais se referir a mamadeiras como comidas, pois ela já vai mastigar a partir de amanhã... — Louis diz, e encaixa o bico da mamadeira na boca da bebê. Ela se cala e suga o líquido vorazmente.
— É verdade, amanhã está marcado no calendário a primeira comida sólida — Niall olha para a bebê novamente, empolgado — Você está crescendo, Belia! Por favor, cresça até poder se comunicar conosco e dizer o que quer, e então, pare.
— A parte da comunicação é importante mesmo, eu não suporto mais ter que adivinhar se ela está com fome, dor, frio ou uma fralda cheia de bosta...
Belia termina sua mamadeira já com os olhos quase se fechando, e rapidamente Louis a faz arrotar e volta a ninar a bebê. Não demora muito até que ela pegue no sono, e eles a coloquem no novo berço, que parece incrivelmente aconchegante para ela, tendo em vista os últimos lugares improvisados em que dormiu no apartamento de Chicago: chão, cama de solteiro, carrinho de bebê...
Niall liga a babá eletrônica enquanto Louis ajusta as luzes do quarto, e rapidamente eles estão de volta à sala de tv bebendo cerveja e comendo o resto da pizza fria que ficara para trás.
— A gente deveria chamar o Harry agora? — indaga Niall.
— De forma alguma. Quando ele terminar, ele virá até nós — Louis troca o canal da TV sem olhar na direção do amigo.
Um choro de bebê começa a pairar no ar, vindo diretamente da babá eletrônica.
— Você só pode estar brincando comigo, Belia — Niall leva a babá eletrônica até próximo à boca — Volte a dormir, por favor!
— Niall isso não é um Walkie-Talkie! — Louis rola os olhos.
Levanta-se do sofá, porém, logo se lembra de que fora ele quem deu a mamadeira, então volta a se sentar.
Sua vez... — responde, assim que Niall o encara abismado por ter se sentado novamente.
— Ah, não!
— Ah, sim! — dá de ombros e volta a zapear os canais da TV.
Niall bufa e se levanta.
Ao chegar ao quarto de Belia, pega a bebê no colo e a sacode levemente.
— Por favor, não vomite — diz, encarando a neném. Encaixa a chupeta em sua boca, e segura sua cabecinha apoiada em seu peito. Não demora muito para que ela pegue no sono novamente, e ele a volta para o berço.
Retorna à sala sem dar uma única palavra a Louis, que está concentrado nas cenas do filme que se passa na tela. Porém, não demoram cinco minutos para que eles sejam mais uma vez interrompidos pelo choro na babá eletrônica.
Niall encara Louis, sorrindo glorioso.
— Sua vez...
— Injusto!
— Completamente justo! Cada hora um!
— Vou torcer para que ela acorde novamente dentro de dez minutos e você tenha que descer as escadas!
— Aí eu vou apelar e trazer ela aqui pra cima — Niall dá de ombros.
Louis se levanta, vai até o quarto, e pela tela da babá eletrônica Niall o observa ninar Belia até que ela durma novamente.
Louis reaparece, pomposo.
— Demorei menos que você — comenta, e se joga no sofá.
— Espero que essa eficiência se reflita na qualidade do sono dela...
Eles voltam a atenção para o filme, e dessa vez conseguem assistir um longo trecho de mais de vinte minutos sem serem interrompidos. Mas Belia dá sinal de vida outra vez, e, já sem paciência, Niall se levanta abruptamente do sofá.
— Vou trazer ela pra cá!
— Não, não traga — Louis o interrompe — Ela está chorando porque não se acostumou com o ambiente ainda. Se a gente traz ela pra cá, ela meio que fica viciada...
— Bebês não são usuários de drogas, Louis, não tem essa de vício...
— Lógico que tem!
Niall rola os olhos pela milésima vez no dia.
— Olha, eu não sei você, mas não estou disposto a ficar indo e vindo do quarto dela a noite inteira!
O celular dos dois apita ao mesmo tempo, sinalizando uma nova mensagem. E, como se lesse o pensamento deles, escrevera no grupo de conversa:
“Tudo bem com a Belia? Estão precisando de algo?”
Ambos respiram aliviados, e se olham.
— Está pensando o mesmo que eu? — pergunta Niall.
— Você vai mandar a mensagem ou eu mando? — Louis o responde, orgulhoso por terem a mesma ideia e não ser necessário uma discussão sobre a necessidade de chamar ou não.
— Eu vou até o quarto pegar a menina e você manda — Niall joga o celular sobre o sofá e corre em direção as escadas.
Em poucos minutos, está dentro do quarto de Belia, encarando Niall e Louis enquanto pensa em uma alternativa para aquela situação.
— Olha, deixa eu ver uma coisa aqui — deixa o quarto. Niall tenta de todas as formas acalmar Belia, mas, pelo visto, ela resolvera torturá-los por mais tempo daquela vez. Nem mesmo o seu inseparável paninho ou sua girafa babada pareciam acalmá-la.
volta ao quarto, sorrindo.
— Não sei se algum de vocês notou, mas há um berço pequeno no quarto do Harry — ela estende os braços para pegar a bebê de Niall. Este, respira de alívio quando se livra do peso chorão que carregava — Eu vou levá-la até lá para tentar acalmá-la, e aí coloco para dormir no berço de lá. Acho que será mais fácil ela se acostumar aos poucos, e ter, pelo menos, a presença de Harry por perto nos primeiro dias... Depois vocês trazem ela pra cá...
— Você é muito inteligente, , e eu não sei o que faríamos sem você — Louis sorri.
— Já pensou em ser mãe? — Niall pergunta — Se estiver interessada, eu estou disponível para tent...
— Não termine essa frase — ela interrompe Niall, segurando o riso — Por favor, não termine!
Niall e Louis gargalham, enquanto deixam o quarto atrás dela.
— Se o Harry ouvisse isso, muito provavelmente você estaria com o pênis cortado à essa altura — comenta Louis em voz quase inaudível.
Niall o atinge com uma cotovelada.
— O que disse, Louis? — se vira para eles.
— Nada demais.
— O que tem o Harry?
— Ele é ciumento com a criança, oras — Louis tenta bolar uma desculpa — Não seria bom ter outro bebê. Ele quer a atenção integral para a filha dele...
Niall olha na sua direção com o rabo de olho, enquanto prende a respiração para não rir e entregar de bandeja a situação de Harry.
— Certo. Por falar nisso, onde ele está?
— No banheiro, escrevendo uma nova música — Niall responde.
— No banheiro?!
— Sim. É uma longa história, envolve um telefonema... Amanhã ele pode te contar com detalhes...
— É, amanhã ele te conta. — Louis concorda.
dá de ombros, e senta-se na cama. Belia, a essa altura, já está muito mais calma e lentamente começa a voltar a dormir. Porém, resmungando em cada tentativa de de tirá-la de seu colo.
— Acho que vou deitar aqui com ela. Se quiserem, podem sair, pois preciso de silêncio — pede educadamente.
— Tudo bem, o quarto é todo seu — Louis sorri satisfeito com o fato de não ter que fazer mais nenhum esforço para fazer a bebê parar de chorar.
— Nos chame se a casa pegar fogo — Niall deixa o quarto atrás do amigo, e eles fecham a porta atrás de si. Se as coisas ficassem tensas ali dentro por conta do choro, eles não seriam incomodados, o que parecia ser ideal para que terminassem de assistir ao seu filme.

Por volta das duas da manhã, Harry finalmente deixa o banheiro, com um sorriso orgulhoso no rosto. A música estava pronta, e ele ansioso para repassá-la com os amigos no dia seguinte e corrigirem o que fosse necessário. No mais, tudo parecia perfeito!
Ao passar pela sala, morto de fome, percebeu que Louis dormia estirado no sofá com a TV ainda ligada. Preferiu não incomodá-lo, afinal, o sofá parecia ser muito confortável. Apenas desligou o aparelho e desceu as escadas com serenidade, temendo acordar Niall, ou muito pior: Belia! Passou pela cozinha e comeu um iogurte com biscoitos, e logo tratou de subir e abrir a porta do quarto de Belia, apenas para checar silenciosamente se ela estava dormindo bem.
Porém, deparou-se com um berço vazio. Onde aqueles idiotas haviam colocado sua filha para dormir?!
Num leve desespero, andou pelo corredor abrindo todas as portas, até mesmo a do quarto de visitas. Quando estava prestes a abrir a porta do quarto de Niall e acordá-lo com chutes, lembrou-se que havia um pequeno berço em seu próprio quarto, e era muito provável que a menina estivesse dormindo ali. Delicadamente abriu a porta de seu quarto, procurando fazer o mínimo de barulho possível, e então se deparou com a última cena que esperava na vida: deitada em sua cama, dormindo serenamente, ao lado da sua filha.
Será que ele estava enxergando direito, ou era efeito do forte sono que sentia?



XI

Harry não sabia muito bem como agir perante aquela situação. Acordar ? Colocar Belia no berço? Deitar ao lado das duas? Sua cama era grande o suficiente para a terceira opção, mas o bom senso gritava em sua cabeça, impedindo-o de realizar tal feito. certamente tomaria um baita susto ao acordar, sem falar no risco de vida que ele corria.
Olhou ao redor, vasculhando algum canto confortável no quarto. Desejou caber dentro do berço de sua filha, pois ele parecia muito acolhedor.
Ao lado da cama, algo o chamou a atenção: um tapete felpudo. Seria ali mesmo.
Sorrateiramente ele retirou algumas almofadas da cama, sem causar muito barulho, e ajeitou-as no chão para poder deitar. Buscou no armário um cobertor, ajustou o ar condicionado numa temperatura agradável, e se deitou, com a roupa do corpo. No dia seguinte pensaria sobre banho ou coisa parecida.
Olhando para o teto com as mãos cruzadas sobre o peito, Harry refletia sobre tudo o que acontecera nas últimas quatro horas. Aquele telefonema inesperado de Naomi havia sido capaz de romper com todas as suas estruturas, mas, por outro lado, lhe rendera uma ótima inspiração para uma canção. Ele queria poder contar a ela, como sempre fizera todas as vezes que ela o serviu de inspiração para algo. Existiam partes de Naomi em praticamente todas as canções da banda, e ele, naquele momento, não sabia bem se se orgulhava disso ou não.
Pelo menos ele ganhava bastante dinheiro em cima delas, então, de certa forma, parecia algo bom.

acordou com a vibração de seu telefone, próximo ao seu travesseiro. Era seu despertador mostrando-a que eram dez para as seis da manhã, e ela estava em tempo para encontrar Liam. Deu um pulo, procurando por todos os lados saber onde estava. Aquele quarto era praticamente familiar.
Lembrou-se que dormia no quarto de Harry, e passou a mão pelos cabelos, aliviada. Ao seu lado, Belia estava em um sono profundo, e não aparentava sinais de acordar pelas próximas horas.
Esgueirou-se para fora da cama, ainda com o corpo dolorido das muitas horas de sono, e ao tentar alcançar o chão, sentiu um corpo quente e macio sob seus pés. Olhou assustada na direção deles, e encontrou um Harry dormindo no meio de algumas almofadas em cima de um tapete. Céus, ele estava ali o tempo inteiro! Perguntou-se internamente se havia roncado: seria o fim do mundo roncar ao lado de Harry Oats.
Ele se remexeu no chão, e abriu os olhos lentamente. prendeu a respiração.
— Desculpa se eu te machuquei — sussurrou — Não sabia que estava aí...
— Acho que você só quebrou umas duas costelas, mas passo bem — ele riu.
Aquele sorriso logo ao acordar era covardia. A cabeça de passeou longe da Terra enquanto observava aqueles dentes perfeitamente alinhados num sorriso largo.
— Eu preciso ir — finalmente despertou de seus devaneios — Voltamos ainda hoje, pela noite. Venha para a cama, esse chão parece meio desconfortável...
Harry sentou-se e logo se ergueu, ficando em pé de frente para a moça.
— O que houve ontem? Quero dizer... Pra você vir dormir aqui? — perguntou ele, coçando os olhos.
— Belia estava chorando muito. Estranhou o quarto novo. Acho bom você dormir aqui com ela nos primeiros dias...
— Bom, é meu quarto, então pretendo dormir aqui sim — ele ri — Caso alguém não roube minha cama, é claro... — comenta, divertindo-se.
— Eu te fiz um favor — levanta-se, e segura no ombro dele. Céus, como ele era alto. O solta rapidamente, temendo ter ido muito além com aquele toque — Inclusive, você me deve essa.
— Ah, devo?
— Sim. De nada, Harry, por ajudar a cuidar da sua filha quando você está ocupado escrevendo músicas no banheiro... — sorri, enquanto amarra o cabelo num coque no topo de sua cabeça. Não sabia bem o que fazer com as mãos depois de encostar involuntariamente em Harry — Afinal de contas, o que foi aquilo?
— A gente conversa depois, é uma longa história. De qualquer maneira... Obrigado — Harry se aproxima para abraçá-la, e só então percebe a ousadia daquele ato. Como já estava na metade do caminho, resolve terminar de abraçá-la mesmo assim. Poderia muito bem levar um tapa na cara em seguida, mas iria sobreviver.
Ao contrário do que ele esperava, retribuiu o aperto, apoiando a cabeça em seu peito; o que o fez arregalar os olhos, assustado. De ousado passou ao estágio de acanhado em menos de dois segundos e tentou bolar em sua mente o que fazer a partir daquele momento. Não encontrou alternativas.
— Você sabe que pode contar comigo. Além do mais, eu recebo por isso. Vou fazer um milhão em menos de dois meses — ela ri do próprio comentário.
— Um milhão de dólares apenas cuidando de uma criança esporadicamente e fingindo ser sua mãe. Se eu soubesse que havia um emprego bom assim, teria desistido da carreira de cantor há uns anos... — ele também ri.
— Até mais, Harry. Mando notícias! — se desvencilha do abraço, e tenta o mais rápido possível sair dali. Aquela situação estava começando a fugir do controle. Primeiro, ela o tocava. Segundo, ele a abraçava. Afinal de contas, que jogo era aquele?
— Boa sorte com o Liam. Acho que vai precisar — Ele diz, e a observa sair do quarto em passos silenciosos. Olha para o lugar em que a moça dormira em sua cama, e se deita, virado na direção da bebê. Belia dormia serenamente, e suas bochechas se amassavam em contato com o colchão macio. Aquela imagem ultrapassava os limites da fofura, e ele teve que se segurar para não apertá-la. Mas em sua cabeça um turbilhão de emoções o tomavam a concentração: , aqueles poucos minutos de conversa agradável, aquele abraço. A situação estava muito diferente do pé de guerra que viveram nas últimas três semanas.
Por partes, ele fazia o possível para se afastar de , principalmente por causa de Naomi. Em sua cabeça, ela iria aparecer, de alguma forma. Mas, depois da conversa que tiveram pelo telefone no dia anterior, ele estava certo de que não queria vê-la em sua frente nem pintada de ouro. Caso contrário, eles poderiam protagonizar um campeonato de MMA. Pelo menos da parte dela. Com certeza ela iria bater nele. No meio da cara, bem em seu nariz, para sangrar bastante. E ele não revidaria. Agora que cuidava integralmente de uma menina, sua cabeça mudava, e o simples ato de revidar alguma agressão em alguma mulher o dava ânsia de vômito. Não que ele fosse capaz de fazer isso antes de ter sua filha, mas agora, mais do que nunca, ele tinha a certeza de que não era capaz.
Com toda aquela raiva que ele nutria por Naomi, percebeu finalmente que o caminho estava livre para . Na verdade, sempre esteve, mas as circunstâncias o afastavam. Toda aquela educação com que conversaram nos últimos dois dias martelava em sua cabeça como um sinal de que estava tudo bem cortejá-la.
Exceto pela parte de Liam.
Ah, claro, Liam. Era muito óbvio que os dois estavam flertando. Qualquer pessoa que olhasse na direção deles enquanto conversavam, seja sobre trabalho ou sobre qualquer outro assunto, sabia claramente disso. Harry precisava ser esperto caso desejasse investir num romance com a moça – mesmo que eles brigassem às vezes.
Toda aquela situação estava virando uma cama de gato e ele começava a se estressar levemente ao tentar uma alternativa para sair.

Após acordar e situar-se por estar despertando em um ambiente completamente novo, Louis andou pelo apartamento, à procura de algum sinal de vida de seus amigos. Aparentemente todos ainda dormiam, mas ele preferiu ao menos averiguar mais uma vez se Harry e estavam dormindo no quarto com Belia. Mais cedo, de madrugada, acordou com sede e ao ir verificar a situação de Belia, deparou-se com a cena mais adorável deste planeta: e Belia dormindo na cama de Harry, e Harry dormindo ao lado delas, no chão. Não resistiu e tirou uma foto deles, logo depois foi ao seu quarto dormir, mas orgulhoso daquele registro.
Ao abrir a porta do quarto de Harry, não encontrou , mas o amigo dormindo na cama onde ela estava anteriormente, e Belia ao seu lado, mordendo sua própria mão e balançando as perninhas. Aproximou-se, certificando-se de que Harry estava mesmo apagado, e chegou à conclusão de que ele tinha um sono demasiadamente pesado, para não acordar com as batidas dos pés de Belia sobre o colchão e seus balbucios.
— Oi, Belia — sussurrou, aproximando-se da garota pelo outro lado da cama — Vou te tirar daqui. Ou você quer acordar o seu pai? Se quiser, tudo bem, eu gosto de zoar com as pessoas também...
Belia o encarou com seus imensos olhos claros. Ela era muito bonita.
— Tudo bem, vamos acordá-lo — ele sorriu, e a segurou no colo. Sentou-se na cama, e em seguida sentou a bebê sobre a cabeça de Harry, ainda segurando-a pelos braços.
Ele resmungou algo incompreensível, e tentou virar o rosto, porém foi impedido pelo peso da criança.
— Bom dia, papai, são dez e meia da manhã — Louis disse com a voz fina — Por favor, troca minha fralda. Por favor, faz minha mamadeira. Estou com fome.
— Está fedendo xixi — Harry comenta, tentando se livrar daquele peso sobre sua cara. Louis a leva de volta para seu colo, e se aproxima para cheirá-la. Realmente ela tinha um fedor acre emanando de sua roupa.
— Ela precisa de um banho. Eu e Niall não fomos capazes de fazer isso ontem — diz Louis — Vai cuidar disso logo, enquanto eu pego uma mamadeira.
— Desde quando trabalhamos em equipe assim? — Harry se assustou, sentando-se na cama.
— Desde quando moramos juntos e precisamos cuidar desse bebê. Eu chamo de paternidade paliativa: se dermos a comida antes que ela chore de fome, teremos a paz garantida — responde.
Harry pega Belia em seu colo e encara a garota. Ela não parecia dar sinais de que iria chorar.
— Tá vendo, Belia, o tio Louis está aprendendo a cuidar de bebês. Daqui a pouco vai ganhar um programa só dele no Discovery Home&Health — Harry diz encarando a filha. A bebê dá uma leve risada misturada com um balbucio, e ele sorri com aquela cena.
— Você tem dez minutos — Louis levanta-se da cama e deixa o quarto.
Rapidamente Harry leva a bebê até o banheiro do quarto dela, e como sempre, entra na banheira com a garota em seu colo. A água quente e agradável parece acalmar ainda mais a neném, e ele chega a pensar que terão um dia sem muitos problemas de choro ou coisa parecida. Ela brinca feliz com os patinhos e barquinhos, e após terminar de limpá-la e lavar sua cabecinha, Harry a entrega a Louis para que ele a troque, enquanto termina de tirar sua roupa e finaliza seu próprio banho. Assim que chega ao quarto, Belia já está vestida, com os cabelos penteados, e toma mamadeira no colo de Louis, batendo as perninhas no ar.
— Alguém acordou mesmo de bom humor hoje — Harry comenta ao passar por eles com uma toalha enrolada na cintura — Pode continuar assim, filha.
— Hoje é seu dia de ficar com ela. Eu só estou ajudando porque você precisava terminar de tomar banho — Louis dá de ombros.
— Eu preciso sair.
— Você o quê?!
— Preciso sair. Eu estou estressado — Harry responde — Você não sabe metade do que aconteceu essa noite e essa manhã.
Louis arregala os olhos e tira a mamadeira da boca da criança. Belia reclama, e enfim ele nota o que fizera, voltando a dar de mamar para ela.
— Como assim?! Só tinha você e a naquele quarto! O que vocês fizeram?! Vocês transaram?! — Louis dispara as perguntas sem nem respirar.
Harry ri alto.
— Não, maluco — responde em meio a suas risadas — Lógico que não! Mas eu cheguei a algumas conclusões e preciso de ar livre para pensar...
— Você tem uma filha para cuidar agora, não existe mais essa coisa de ar livre — Louis o repreende — Devia ter tomado um ar e repensado antes de transar com a Naomi...
— Você sempre precisa pontuar esse fato — Harry rola os olhos — Por favor. É a última vez esse mês que eu peço vocês para cuidarem da Belia. É só por algumas horas, eu preciso muito sair!
— Isso não me cheira bem...
— Se eu não sair e tomar um ar, eu vou acabar matando o Liam!
— Você o quê?!
— É! Isso mesmo que você ouviu — Harry dispara — Eu não estou gostando nem um pouco dessa proximidade toda dele com a . Você percebeu como eles conversam?
— Talvez... Profissionalmente? — Louis o encara, confuso.
— Não, não tem nada de profissional naquilo! Essas viagens, essa coisa de “eu ajudo o Liam” — Harry faz aspas com os dedos e afina a voz — Isso não tem nada de profissional!
— Harry, ela está recebendo uma grana alta pra fazer isso...
— Daqui a pouco não tem mais dinheiro envolvido. Daqui a pouco está fazendo porque quer. Está passando um tempo com ele porque quer. Está criando o filho dele também! Será que ele vai chamá-la de mãe?!
Louis gargalha alto, concentrando-se para não deixar que Belia caia de seus braços. Anda até a poltrona perto do berço da garota e senta-se, tentando controlar sua crise de risos.
— Você está verde de ciúmes!
— É verde de inveja que se fala, não de ciúmes!
— Tanto faz. Você está com os dois — Louis ri — Ciúmes de e inveja do Liam que está, neste momento, em um avião ao lado dela, talvez de mãos dadas, talvez a beijando... — Louis provoca.
— Cale essa sua enorme boca!
— Se controla, Harry...
— Eu não gosto nada disso. Não parece bom!
— Tudo bem, Harry, eu agora acho melhor você sair para tomar um ar. Mas deixe o celular aqui, caso vá fazer alguma loucura — Louis o encara, preocupado.
— Ainda não cheguei ao ponto de fazer alguma loucura. Ainda.
— Assim que o Sail chamar a de mamãe você faz...
— Não diga isso! A única pessoa que pode chamar a de mãe aqui é a Belia, e isso está em um contrato!
— Harry, vai logo. Você está estressando a bebê — Louis retira a mamadeira vazia da boca de Belia, e levanta a bebê para fazê-la arrotar.
— O que está havendo aqui? Vocês agora viraram um casal? — A voz de Niall ecoa pelo quarto. Louis e Harry o encaram, desconexos.
— O que quer dizer com isso? — indaga Harry.
— Harry de toalha no meio do quarto discutindo com o Louis, sentado na cadeira de amamentação, enquanto ele diz que vai estressar a bebê — ele ri — Isso é muito hilário!
— Muito engraçado — Louis franze os olhos, levanta-se e entrega Belia nos braços de Niall — Aproveita todo esse seu bom humor, e faz ela arrotar. Eu preciso comer, estou com fome. Ah, e por falar nisso, vamos cuidar dela hoje novamente.
— Nós o quê?! — Niall se assusta, encarando os amigos.
— Harry diz que precisa de um ar. Depois do que ouvi aqui neste quarto instantes atrás, eu acho melhor ele tomar um ar mesmo — Louis responde antes de deixar o quarto.
Niall encara Harry, que dá de ombros.
— Estou te devendo essa — sorri antes de deixar o quarto.
Niall encara Belia, sem entender nada de tudo aquilo. Ele havia acabado de acordar e sua cabeça ainda estava aérea.
— É, Belia... Você está sendo criada por loucos — comenta, olhando para a bebê — espero que não tenha puxado seu pai.

Durante o resto da manhã e uma boa parte da tarde, Harry andou pelos quarteirões de Nova York ainda com certo anonimato. Providenciara um bom casaco com capuz, boné e óculos de sol para que tivesse um pouco de paz enquanto caminhava pela cidade. Parou poucas vezes para falar com fãs, e mesmo assim apenas quando entrava em alguma loja e tirava seu boné e as lentes. Andou muitos metros, desde seu apartamento até a Times Square, e voltou pela margem do Central Park. Ele sentia falta daquela cidade como nunca na vida, e caminhar por aqueles blocos com aquele clima frio do outono apenas traziam à sua mente lembranças com Naomi. Afinal de contas, onde ele havia errado para que ela tomasse a decisão de abandoná-lo, ao invés de tentar enfrentar aquela gravidez juntos?
Louis e Niall passaram o dia no quarto de brinquedos de Belia, entretendo a garota com coisas divertidas e coloridas, enquanto assistiam a desenhos na TV. Resolveram relembrar os velhos tempos vendo programas dos anos 90, como “O Laboratório de Dexter”, “Du, Dudu e Edu” e “CatDog”. Prometeram jamais deixar Belia assistir a “Dora a Aventureira” ou “Pocoyo”. Se ela quisesse se aventurar, podia ver “Zoboomafoo” e se quisesse aprender sobre a vida, talvez “Barney e seus amigos”, pois eles assistiram Barney quando crianças e funcionou muito bem.
Enquanto se divertem com a menina sem que sejam interrompidos por choro ou fraldas sujas, um alarme dispara no telefone de ambos, com uma mensagem no calendário.
“Dar comida sólida para Belia”
Eles se encaram.
é boa em mexer nas nossas agendas — Louis comenta, e olha na direção da menina, que está de barriga para baixo babando em um brinquedo colorido — E aí, Belia, preparada para conhecer o melhor da vida?
— Você não acha que devíamos esperar o Harry? — Niall pergunta, receoso.
— Ele esperou a gente para fazer um bebê?! — Louis indaga, e se levanta.
Niall raciocina por alguns instantes, mas logo é interrompido por Louis.
Não. Então não vamos esperá-lo para dar uma vida digna a este bebê. Ninguém merece viver de leite em pó pro resto da vida!
— Mas ele é o pai, acho que ele vai querer participar...
— Nós também somos pais dela. Belia, você agora tem três pais. É isso. Vamos comer — Louis se abaixa para pegar a bebê, e Niall o segue, confuso.
Ao se mover, sente seu estômago roncar, e enfim entende a pressa de Louis para alimentar Belia: ele também queria comer. Ah, as papinhas! Seria uma grande competição entre os três para ver quem comeria mais daquelas maravilhas do mundo moderno. Correu atrás de Louis, e rapidamente os três se encontravam na cozinha.
Um cadeirão já estava à espera deles no canto perto das cadeiras da ilha, e inclusive combinava com o restante da decoração: moderna, branca, com detalhes cinza. A arquiteta que contrataram realmente havia pensado em tudo!
Enquanto Louis sentava a garota na cadeira, Niall buscou no armário alguns potes de papinha e os esquentou como mandava as instruções. Sentaram-se de frente para Belia, apoiando todos os potes sobre a bandeja do cadeirão, e encararam a garota. Niall sacou o celular do bolso para filmar tudo e evitar conflitos com Harry depois.
— Então, Belia, esse é um momento muito importante para todos nós — Louis começou, enquanto abria os potes enfileirados. Havia papinhas de cinco sabores diferentes, e ele torcia para que ela gostasse apenas de um, assim ele e Niall poderiam comer os outros dois sem terem que dividir com a neném — Eu gostaria de dizer algumas palavras antes de começar.
— Anda logo com isso, estou com fome e ela também — Niall diz. Louis encara a câmera, descontente.
— Eu só quero deixar claro pro Harry que, como à partir de hoje nós também somos considerados pais da Belia, visto que nos últimos dois dias fomos nós quem cuidamos dela integralmente, estamos prestes a dar o primeiro passo importante da existência dela ao nosso lado. Esperamos muito que ela goste dessa comida, e que no futuro nós aprendamos a cozinhar coisas mais saudáveis do que potes cheio de cenoura temperada com conservantes, assim, inclusive, sobra mais potinhos para nós, os pseudo-progenitores da Belia — Louis dizia.
Niall, já sem paciência, segura o celular com apenas uma mão, e com a outra saca a colher sobre a mesa e pega um pouco da papinha no primeiro pote. Leva até a boca de Belia, mas ela recusa, assustando-se e ameaçando chorar.
— Niall! — Louis exclama, tomando a colher da mão dele — Você vai causar um desastre!
— Desculpe, eu não aguento mais o seu falatório. Ela quer comer!
— Tudo bem. Vamos lá — Louis coloca uma porção pequena na colher de silicone, e leva até a boca da garota. Ela encara a colher antes que ela encoste à beirada de sua boca — Vamos, Belia, sua primeira comida. Que delicia! Essa é de carne com legumes — Louis empurra um pouco a colher, delicadamente, na boca da bebê. Ela então cede e a papinha é depositada em seus lábios.
Com a habilidade de um pai experiente, Louis retira a colher da boca da neném quase sem nenhum resíduo. Encara a câmera novamente.
— Isso, meus amigos, se chama habilidade — ele se gaba. Em seguida, Niall solta uma gargalhada, e Louis não entende muito bem. Olha na direção de Belia, e ela havia cuspido toda a papinha, que escorria pelo seu queixo em direção à sua roupa.
— O babador! Esquecemos do babador! — Niall praticamente grita, olhando ao redor na cozinha, tentando encontrar algum babador por perto. Mas não havia nenhum. Muito provavelmente estavam todos guardados no armário do quarto de Belia.
— Droga. Quem vai lavar isso? — Louis encara a sujeira que se formava na roupa da bebê.
— Você. Você quem é o habilidoso aqui... — Niall zomba.
— Desligue a câmera, vou xingar um palavrão na sua cara!
— Xingue com a câmera ligada!
— Não, o Harry vai brigar comigo depois por falar palavrões pesados perto da Belia.
— Pois então não xingue... Eu e o Harry já combinamos que vamos diminuir a dosagem dos palavrões... Bebês são muito inteligentes.
— Bebês são robôs — Louis rola os olhos — Robôs projetados para fazerem sujeira!
— Deixa eu tentar agora — Niall estende o celular para Louis, e se aproxima da bebê com a colher em mãos — Vou tentar a de maçã. Pode ser que ela goste de coisas doces...
— Certo. Tente — Louis presta atenção na imagem pela tela do celular.
Novamente, ao sentir o gosto da comida, Belia cospe. Ele tenta novamente, e dessa vez, Belia nem ao menos abre a boca para receber a colher.
— Talvez se a gente diminuir a quantidade — Niall a encara, pensativo.
— Vamos diminuir a quantidade até não haver mais comida, né! Aí vai ficar tudo bem!
— Você está muito estressado — Niall comenta, levantando-se da cadeira — Deixa eu testar uma coisa...
— O que vai fazer?
— Observe — Niall abre um dos armários, e encontra ali uma barra de chocolate suíço Lindt. — Eu duvido que ela vá recusar isso! — volta a se sentar, e abre a barra. Pega uma parte pequena de um dos quadrados, e leva até a boca de Belia — Por favor, registre isso!
— Estou registrando o seu fracasso — Louis ri.
Belia abre a boca e Niall consegue dar a ela aquele pequeno pedaço. A menina passa a língua para fora e para dentro, sentindo o gosto e mastigando no ritmo de um bebê. Em segundos, não há nenhum sinal de chocolate nem na boca dela, nem em sua roupa.
Niall encara a câmera, orgulhoso.
— E hoje aprendemos com o tio Niall a comprar uma criança! — ele diz, pomposo.
Louis rola os olhos.
— Desse jeito vamos matar essa criança — diz.
— Mas pelo menos funcionou. Ela não cuspiu!
— Experimente contar isso ao pediatra dela! — Louis o encara.
Nesse instante, escutam a porta da sala se abrir, e passos se aproximando da cozinha.
— Só pode ser o Harry — Niall sussurra.
— O que vocês estão fazendo aqui?! — Harry exclama, ao ver os três sentados na cozinha — O que minha filha está fazendo nesse cadeirão?!
— Não sei se seu celular apitou, mas o nosso sim, e tínhamos que alimentá-la...
— Sim, apitou, e por isso eu voltei pra casa! Como assim vocês começaram sem mim?! Vocês são os pais dela agora, por acaso?! — se aproximou, encarando a bagunça sobre a bandeja da cadeira.
Eu avisei... — Niall cochicha de forma quase inaudível.
— Só estávamos fazendo papel de pais também. Agora somos pais da Belia, nós três — Louis o responde — E não se preocupe, além de termos filmado tudo, não deu certo, pois ela não quer comer! — Ele então estende o telefone de Niall na direção do amigo.
Harry saca o celular e dá play no vídeo.
— Olha bem essa parte, eu falei coisas bonitas — Louis o cutuca.
— Silêncio, eu quero entender o que estão fazendo — Harry pede, aumentando o volume.
Niall se empoleira no ombro de Harry para enxergar a tela também e rever aqueles momentos. Em poucos minutos, estão todos dando gargalhadas com a tentativa falha de Louis, e em seguida a de Niall.
— Espere, o que você foi buscar? — indaga Harry, assim que Niall se levanta na cena.
— Aguarde e veja a sacada de mestre — Niall responde, voltando sua atenção para a tela.
— Caralho, você é um gênio! — Harry exclama, encarando o amigo — Ela amou!
— Sim, amou!
— Ela é minha filha mesmo — Harry comenta, assim que o vídeo termina no instante em que ele chega à cozinha — Eu sabia que ela iria odiar esse veneno que compraram no supermercado — diz, encarando os potes de papinha — Já falei que tem gosto de vômito...
— Ei, não ofenda assim nossa comida! — Louis o interrompe, e saca um pouco de papinha na colher de silicone. Aproxima-a do rosto de Harry, que vira a cabeça, fazendo uma careta.
— Sai com isso daqui, ou eu vou golfar — Harry se afasta.
— Ela vai ter que comer isso, ou passar fome. Não podemos dar muito chocolate — Louis encara a colher.
— E se a gente...
— Sim! — Harry interrompe a fala de Niall, pois, aparentemente, tivera a mesma ideia que o amigo — A gente pode fingir que está dando o chocolate e, de repente, coloca a colher na boca dela!
— Eu ia falar pra gente colocar um pedacinho de chocolate na colher com papinha, mas a ideia de enganá-la parece boa também — Niall encara a menina, que bate as mãozinhas sobre a cadeira, quase causando um desastre com os potes. Ele segura uma das mãos da criança — Vai com calma, Belia. Já temos muita coisa para limpar...
— Harry, sua vez. Você ainda não teve as honras — Louis estende a colher para Harry, e pega novamente o celular de Niall, para voltar a filmar aquele momento.
— Espera, vou lavar as mãos — Harry coloca a colher sobre a mesa e dá a volta na ilha, indo até a pia. Lava bem as mãos e os antebraços e retorna até os amigos — Higiene em primeiro lugar.
— Depois do escândalo que você deu com as mamadeiras no primeiro dia... — comenta Niall.
— Vocês quase mataram a minha filha — ele diz, tirando um pouco do excesso de papinha no pote, e com a mão livre, segura um pequeno pedaço de chocolate — Vou encostar à boca dela para que ela pense que está comendo o chocolate — encosta nos lábios da bebê, que coloca a língua para fora, tentando capturar o sabor do chocolate. E, de repente, ele retira o pedaço, substituindo-o rapidamente pela colher com papinha. A bebê continua a mastigar delicadamente a comida, enquanto os três amigos a observam apreensivos. Niall praticamente não respirava.
Assim que ela termina de engolir tudo, os três comemoram com gritos, fazendo-a se assustar.
Shhhh! Ela vai chorar — Harry repreende, observando a careta de choro que Belia começava a construir em seu rosto — Calma, meu amorzinho, a gente só estava comemorando essa vitória como animais — comenta, levando a mão até a cabecinha da filha. Acaricia levemente enquanto ela volta a se acalmar e observar os tios atentamente.
— Você está com excesso de fofura. Preferia quando falava palavrões, e não “meu amorzinho” — Niall comenta — diz aí, por favor, “caralho” para que eu possa dormir em paz!
— Caralho — Harry diz baixo — não pode ser muito alto, por causa dela.
— Puta que pariu, viramos adultos responsáveis — Niall passa a mão pelos cabelos, desesperado.
Louis o encara.
— Você acabou de falar um palavrão alto...
— Desculpe. Você gravou?
— Sim.
— Desculpe. Não vai se repetir — Niall encara a câmera — Eu me responsabilizo caso a Belia se torne uma criança problemática. A culpa foi deste palavrão que acabei de proferir. Agora só vou falar frases motivadoras e palavras carinhosas...
— Poupe-nos — Harry o interrompe — Toma, sua vez — estende a colher e o pedaço de chocolate — Vamos brincar de dar comida para ela o resto da tarde!

Após uma longa tarde dando de comer para Belia, os três finalmente se alimentam com comida de verdade – no caso, batatas fritas e Nuggets — enquanto ela brinca com os restos de comida que ficaram derramados sobre o cadeirão. Após a bagunça, Harry dá outro banho na filha, e eles a levam para o cochilo da tarde. Enquanto Belia dorme, eles jogam videogame, e mesmo após ela acordar, eles ainda jogam videogame, porém, com ela sentada em seu balanço na sala, divertindo-se com seus brinquedos. À noite, Harry troca a fralda suja de cocô, e consegue fazê-la dormir em pouco tempo. Coloca-a no berço de seu quarto, temendo uma noite de choro e andanças pelo corredor até o quarto dela, e deita-se em seguida, ligando a TV para assistir a alguma série da Netflix. Adormece em pouco tempo, cansado pelo dia que passara na rua e por todo o estresse que sentira. Recebera uma mensagem de e Liam avisando que haviam chegado, mas que não iriam subir ao apartamento, pois Sail precisava dormir. Pensou até em mandar uma mensagem para dizendo que precisava de ajuda com Belia como desculpa, mas, lembrou-se do quanto ela devia estar cansada por ter dormido com Belia na noite anterior. Apenas enviou para eles os vídeos dando comida para a bebê e logo pegou no sono.
No dia seguinte, às oito da manhã, acordou com o despertador. Sua agenda mostrava que tinham gravação no estúdio às dez, então ele já providenciou o banho de Belia, seu banho, a mamadeira da menina e sua bolsa com roupas e fraldas. Rapidamente estavam todos prontos, apenas aguardando a chegada de para levar a garota junto a ela.
— Acho que estamos atrasados — comenta Niall, olhando em seu relógio pela décima vez. Os três estavam sentados no sofá da sala de estar, e Belia cochilava em seu carrinho.
— A gente não pode sair com a bebê. Acho que vai ser meio loucura... Ainda mais que nos mudamos agora, e devem ter vários paparazzi na nossa porta, não duvidem... — Harry encara a bebê — Eu mesmo passei por uns três ontem ao sair.
— Mande uma mensagem para — Louis diz.
— Eu?! De forma alguma — Harry rebate — Eu não vou ser estraga-prazeres dela e do Liam...
— O que eu perdi? — Niall se intromete.
— Harry está com ciúmes da com o Liam...
— Até onde eu sei, o Harry e a só se encontram para brigar — Niall coça a barba, estranhando.
— Você está muito enganado, meu amigo... O Harry está caidinho pela — Louis se diverte.
— Mas... E a Naomi? E todo aquele papo de que ela iria aparecer uma hora ou outra...?
— Não diga esse nome perto de mim — Harry o interrompe — Por, pelo menos, uma semana não quero ouvir falar da Naomi...
— Ah, entendi. Agora que Naomi está indisponível no seu coração, você vai investir em outra pessoa — Niall sorri ao olhar para o amigo — Esse é o Harry que eu conheço e me orgulho! Não pode parar nunca por conta de corações partidos! Quando vamos à balada fazer umas apostas?
— Sem apostas por aqui — Louis os interrompe, e aponta para Belia.
— Ok, sem apostas. Mas podemos ir à balada? 1Oak? Por favor? — Niall pisca.
— Vamos pensar. Precisamos de uma babá para fazermos isso — Harry lembra-se que, caso os três saiam, não há quem fique com a garota. Quem sabe ... Mas ele tinha planos de levá-la para a balada também.
No instante em que os três se perdiam em seus próprios pensamentos, a campainha toca. Harry corre para atender, e entra apressada no apartamento, sem nem ao menos cumprimentar o garoto.
— Eita, que correria — Niall comenta assim que ela pega o carrinho de Belia — Bom dia para você também.
— Estamos muito atrasados. Tive que ajudar o Liam a dar banho no Sail, e perdi o horário. Temos meia hora para estarmos no estúdio — Ela diz, empurrando a menina para fora — Espero vocês lá!
Assim que ela desaparece pelo corredor, Harry arregala os olhos, encarando os amigos. Todos têm seus semblantes assustados.
— Eu falei com você... Primeiro, vai buscar o garoto. Agora ajuda a dar banho. Em breve vai planejar passeios no parque! — Harry branda, com a cara fechada.
Louis e Niall gargalham alto.



Continua...




Nota da autora: Sem nota.



Outras Fanfics:
Bride to Be
Restritas/Outros/Em Andamento
Fale agora, ou cale-se para sempre
Shortfic/Finalizada




Nota da beta: Gente, que cena mais tensa essa discussão do pp com a Naomi, deu pra sentir a angústia e raiva que ele tem dela, e ainda de quebra deu um inspiração pra música uhuuul rsrs! Só continue, people.

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.




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