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Última atualização: 03/04/2021

Prólogo

Você não acredita em criaturas da noite, até que algo te faça acreditar. Minha família, era uma família grande, não éramos ricos e nem pobres, mas éramos felizes. Eu e meus irmãos, nossos pais haviam partido, eu como irmã mais velha cuidava da casa, ou pelo menos deveria cuidar. Não éramos solitários por viver sem nossos pais, a casa estava sempre cheia. Mas eu tinha que trabalhar, conseguir alimento para a nossa mesa, o dinheiro que nossos pais deixaram não duraria para sempre. Muitas vezes eu tinha que ir para outras cidades e Takashi, o mais velho depois de mim, assumia a casa. Eu geralmente levava no máximo três dias fora, voltava sempre recebida por abraços quentes, que me fortaleciam. Mas, um dia eu voltei, e não existiram abraços, apenas sangue. Minha casa havia sido atacada por um assassino cruel, minha família? Todos mortos. Aquele foi o momento da minha vida em que um Oni cruzou o meu caminho pela primeira vez, e eu não sei como, eu esmaguei a cabeça dele com uma pedra. E foi quando meu caminho se cruzou com o caminho do Urokodaki-san.

Urokodaki-san se tornou meu mestre, não apenas meu mestre, mas ele treinava um outro garoto comigo. Seu nome era Tomioka Giyu, nosso treinamento foi demorado, e com isso nos aproximamos bastante. A seleção final foi o maior desafio da minha vida, nenhum treinamento do mundo se comparava com aquele lugar, mas eu sobrevivi. Quando vi Giyu vivo, me senti completamente aliviada, seríamos Espadachins e acabaríamos com aquelas coisas. Infelizmente, com o tempo, fomos sendo mandados para missões diferentes e nos distanciamos. Existe um colar, que Giyu fez para mim quando estávamos ainda no treinamento, ele tem um e eu tenho outro, toda vez que me sinto sozinha, seguro este colar com força. Sempre estaremos unidos, pelo nosso treinamento, nossa amizade, nossa força, e sempre teremos o mesmo objetivo: exterminar onis.

Ninguém mais deve sofrer por causa desses demônios, eu irei decapitar todos que cruzarem o meu caminho. Até que um dia, o destino coloque na minha frente, o Oni que destruiu meu lar, que matou a minha família, que era minha única luz. Mas, mesmo com minha família morta, o Urokodaki-san e o Giyu servem como faróis para mim. Sempre poderei voltar ao Monte Sagiri, que se tornou o meu lar. Mas jamais voltarei, sem levar orgulho para o meu treinador. Jamais voltarei, até que eu tenha certeza que protegi todos que poderia proteger. Gostaria de olhar nos olhos dele mais uma vez, e dizer que o que nos une não é apenas o ódio por onis, mas como? Jamais nossos olhares se encontrarão de novo, jamais.

Em memória de Takashi, Yuna, Hideki, Saori e Yuki. Eu, , faço esse juramento: protegerei todas as famílias que eu conseguir, e exterminarei todos os onis que encontrar.


Capítulo 1: Quando as folhas caíram.

Era de tarde, estava começando a escurecer e eu ainda estava longe de chegar em casa. Nenhum corvo irritante me gritou, então achei que poderia voltar tranquila, sem ordens, sem missão. Eu estava torcendo para não encontrar nenhum oni no caminho, seria frustrante acabarem com o pouco de sossego que eu havia conseguido. Eu não estava com medo, nem nada, era apenas um pouco de preguiça. A missão que eu tinha acabado de voltar, coincidia em uma série de ataques padrões, apenas crianças desapareciam. Eu não sou uma pessoa muito sentimentalista, ou pelo menos tento não envolver meus sentimentos com as missões, mas os pais tendo seus filhos levados de si, o desespero deles, aquilo me marcou bastante. Na vida, houveram algumas missões que me marcaram, a primeira foi exatamente a minha primeira missão sozinha, quando encontrei um oni que usava kekkijutsu, logo na minha primeira missão, encontrar um daqueles foi azar. Eu voltei bastante machucada, mas foi a primeira vez que arranquei a cabeça de um oni em missão, e eu não consegui sentir raiva dele. A segunda, foi a missão que me tornou Hashira, quando matei um dos Doze Kizuki, que são como os oni de elite, que recebem o sangue do líder deles e são mais fortes, entretanto, arranquei a cabeça também. Esse estava dizimando famílias em uma montanha, e acreditava nos próprios devaneios, acho que foi um alívio para ele quando cortei sua cabeça. E a terceira foi essa, e o pior, foi não conseguir trazer nenhuma daquelas crianças de volta.

Um frio na espinha, seria um oni?

Enquanto pensava nessas missões, não notei muito o que estava acontecendo ao meu redor. Eu tenho essa sensação, quando tem um oni por perto, algum tipo de instinto que me faz identificar a presença deles, mas todo esse lugar tinha a presença de um oni. Olhando ao redor, o lugar estava um pouco parecido com a minha casa, eu preferi não morar perto de nenhum dos outros Hashira, já que eles são difíceis de lidar. Então, as árvores estavam secas, tinha neve por toda parte, mas não estava frio, pelo contrário, mesmo sem sol, a temperatura estava agradável, eu deveria ter parado para acampar em algum lugar, mas agora não importa mais. Saquei minha espada e caminhei devagar em direção às casas, aquela sensação só aumentava, era como se todo o lugar fosse feito de oni. Respirei fundo, se aquilo era mesmo neve, o tempo estava ao meu favor.
— Fuja! — Escutei alguém sussurrar, caminhei em direção à voz e encontrei a dona dela, uma mulher abraçada com uma criança, escondida atrás de um armário.
— Por que? — Perguntei baixinho.
— Um monstro matou o meu marido, leve meu filho e fuja. — Disse a mulher, sua coragem me admirou.
— Continuem escondidos aqui, eu volto já. — Sorri e empurrei o armário, caminhando para fora. — Tudo bem, oni maldito! Eu sei onde você está, não me faça ir até você. — Menti.
— Sabe mesmo? — Bom, saber eu não sabia, mas com ele vindo na minha direção com essa velocidade, eu consigo sentir o vento. Virei a espada que bateu no braço dele, respirei fundo.
— Respiração da neve, quarta forma: Tōketsu katto. — O dragão que saiu da minha espada, virou uma lâmina de gelo, mais fina que a própria espada e decapitou o oni. — Sério? Você parecia ser melhor- quê? — Senti como se alguém estivesse cortando minha cabeça e o oni se regenerou.
— Eu arranquei minha cabeça antes de você acertar o golpe. — Ele riu.
— Interessante. — Respondi, a lâmina que antes havia ido para a direita, voltou para a esquerda, o decapitando de verdade.
— O que? — Me abaixei ao lado dele.
— Não subestime um Hashira, essa forma, fica presa ao ponto que usei para cortar, e sempre volta se o alvo se mexer.
— Então… Hashira? — Seu corpo foi se transformando em cinzas, enquanto todo o lugar voltava a ter vida, respirei fundo.
? — Escutei uma voz me chamar, me assustei e golpeei com um chute o dono da voz, que me olhou confuso.
— Tomioka? O que está fazendo aqui me assustando? — Perguntei, irritada.
— Eu estava em uma missão, eu era quem estava mais próximo, muitos de níveis mais baixos morreram para esse oni. — Explicou, com a mão na cabeça, devido à pancada.
— Parece que eu estava mais perto. — Estiquei a mão para que ele se levantasse. — E esse oni era um fraco.
— É nítido como o esquadrão diminuiu sua força. — Disse, enquanto arrumava suas roupas.
— Nem todos os treinadores são o Urokodaki-sensei. — Respondi e ele assentiu.
— Obrigado por fazer o meu trabalho por mim, te devo uma. — Ele sorriu.
— Você me deve várias, Tomioka. — Arqueei as sobrancelhas, ele veio na minha direção, como se fosse me dar um abraço, mas acabou sendo
golpeado de novo, dessa vez por um soco no rosto.
— Qual é o seu problema, criatura?! — Perguntou, com a mão na bochecha.
— Você não tem o direito de me abraçar depois de sumir por anos, respeite meu espaço. — Cruzei os braços e fiz bico, virando o rosto para o lado.
— Você ainda age como uma criança manhosa. — Resmungou.
— E você como um fedelho irritante! — Me preparei para acertá-lo de novo, mas ele me impediu, com um abraço.
— Senti sua falta. — Sussurrou, por uns segundos, eu me permiti sentir aquele abraço. O que era estranho, Giyu não costumava me abraçar nem quando éramos crianças, me soltei do abraço, então.
— E-eu vou avisar a senhora que ela já pode sair. — Disse, meio desnorteada e com as bochechas queimando.
— Eu vou preparar um funeral para a vítima. — Disse ele, eu assenti e entrei na casa. Tomioka estava aqui, não era sonho, e ele me abraçou de verdade.


Capítulo 2: A neve.

Fizemos um funeral para o marido daquela mulher, e não conversamos muito, eu estava irritada e ele com um olhar triste, estávamos indo para a montanha em que eu residia. Resolvi quebrar o silêncio.
— O que está te incomodando? — Perguntei.
— Um garoto e sua irmã, a família foi vítima de Kibutsuji. — Me espantei com a resposta.
— Como você sabe? — Perguntei.
— A irmã foi transformada em oni. — Ele abaixou a cabeça. — Se eu tivesse chegado um pouco antes.
— Ei, ei, ei! Tomioka! — Parei de caminhar, o empurrando. — Não deve se culpar, você mataria o Muzan sozinho? Não é como se pudesse.
— Eu poderia, se estivesse lá. — Respondeu, fazendo cara feia, provavelmente porque duvidei da capacidade dele.
— Mas você não sabe, sinto muito que tenha tido que matar a garota na frente do irmão, mas esse é o nosso trabalho. — Falei, voltando a caminhar.
— Sobre isso… — Ele começou a dizer, mas parou, quando sentiu a mesma coisa que eu senti, um floco de neve tocando os nossos rostos. — Neve? — Perguntou, um pouco confuso.
— Sim, aqui quase sempre neva, algumas lendas dizem que esse lugar foi amaldiçoado. — Respondi, enquanto ria. — Mas eu amo morar aqui.
— Foi aqui que você descobriu a respiração da neve? — Indagou, eu sabia que ele estava curioso com isso.
— Não. — Acenei com a cabeça negativamente. — Eu descobri por acaso, durante uma luta, só me veio na mente. — Sorri, enquanto explicava.
— E como isso funciona? Eu nunca tinha escutado nada sobre respiração da neve. — Disse, com a mão no queixo.
— Eu estava mesmo pensando em te perguntar se já havia ouvido falar. — Respondi.
— Não, já ouvi sobre a respiração da névoa, mas nada sobre neve. Talvez o Urokodaki-san saiba algo sobre isso, deveria falar com ele. — Sugeriu.
— É, talvez aquele velho saiba de algo. — Murmurei, com a mão no queixo, fazendo Giyu rir fraco.
— Você é fofa. — Disse ele, me fazendo corar com o elogio repentino. — Mas apenas na aparência. — Completou, fiz biquinho.
— Poxa, Tomioka-kun. — Fiz uma voz fofa.
— Não, isso não funciona com quem já apanhou de você. — Disse ele, empurrando meu rosto de leve. Cruzei os braços e bufei.
— Você sempre foi assim comigo. — Virei os olhos.
— O que você tem feito? — Perguntou ele, mudando completamente o assunto.
— Matado onis, e você? — Sorri amarelo.
— O mesmo, mas você não pode mandar uma carta dizendo que está bem? — Perguntou, me encarando sério.
— Você também poderia mandar, mas você não se importa. — Cruzei os braços.
— Não é que eu não me importe. — Disse ele, coçando a cabeça.
— Você só não se importa o suficiente. — Completei, ele virou os olhos.
— Fala sério, ! — Ele me empurrou de leve. — Você deveria ser mais gentil.
— Não sou paga para isso. — Retruquei.
— E você é paga? — Ele arqueou uma sobrancelha.
— É claro que sim, como você acha que eu manteria uma casa dessas? — Apontei para a casa na montanha.
— Como você consegue viver em um lugar como esse? Nunca faz sol? — Ele perguntou, um pouco confuso com o lugar.
— Às vezes sim, é um lugar vazio, foi abandonado por todos, desde que a neve nunca cessou. — Expliquei, respirando fundo, era bom voltar para casa. Ele murmurou algo que eu não entendi, enquanto dava uma boa olhada no local.
— Não se sente sozinha? Ou sente saudades de casa? — Ele parecia preocupado.
— Não, quanto menos pessoas para eu me apegar, melhor. — Sorri, abrindo a porta para que ele entrasse. Giyu agia como sempre agiu, mas havia algo o incomodando, e eu sabia disso.
— Você cresceu. — Disse, enquanto olhava minha casa.
— Você também, não deveria ser uma surpresa para velhos amigos. — Respondi, tirando o kimono, que usava acima do uniforme.
— Sobre isso, existe algo que quero terminar de te contar. — Giyu estava sério, mas de um jeito diferente do que costumava ficar. Coloquei água para esquentar e preparar um chá, e me sentei com ele.
— Diga. — Respondi, sentando ao lado dele.
— Eu mandei o menino para o Urokodaki-san treiná-lo.
— Que menino?
— O da montanha, que mencionei há pouco… — Eu o interrompi.
— Sim, eu estava pensando sobre isso. — Disse, enquanto passava a mão nos cabelos. — Por que Kibutsuji está atacando famílias em montanhas? Ele se mantém escondido a vida toda, por que chamar a atenção assim?
— Eu não sei, mas aqueles eram irmãos diferentes. — Respondeu ele, sério.
— Como assim? — Inclinei minha cabeça.
— A garota, que virou oni, tentou proteger o irmão, não devorá-lo.
— O que? Impossível! — Eu estava boquiaberta.
— Pois é, eu o mandei com ela para o Urokodaki-san… — O interrompi, furiosa.
— Está me dizendo que deixou um oni viver? — Me levantei.
— Não era um oni qualquer, ! — Ele se levantou também.
— Para mim, todos são iguais. — Vesti o meu kimono e apaguei o fogo do chá.
— O que está fazendo? — Perguntou ele.
— Vou terminar o seu serviço mal feito. — Coloquei minha espada na bainha, e abri a porta, tendo meu braço segurado por Giyu.
, você não entende. — Disse ele, me puxando para perto, dei socos em seu peito.
— Não, você não entende! Se não queria que eu fizesse algo, por que me contou? Experimente perder tudo, eu jurei exterminar todos eles, Giyu! — O empurrei para longe e virei de costas.
— E se um dos seus irmãos tivesse sido transformado em oni… — Gelei, simplesmente fiquei paralisada. — e você tivesse a chance de salvá-lo, após perder todos, você o mataria? — Fechei meus olhos com força, eu preferia o tempo que ele estava longe, preferia não ter essas informações e preferia não ter que pensar nessa resposta. — Eu sei que você faria o mesmo que o garoto, mesmo se seu irmão ou sua irmã tentasse te atacar, o que a dele não faz. Se houvesse uma chance de cura, você iria atrás dela.
— E há? — Perguntei, fazendo Giyu suspirar.
— Eu não sei, mas ele está tentando, e aqueles dois são diferentes, confie no meu julgamento. — Ele estendeu a mão para mim, que mesmo de costas, pude ver. Me virei, com os olhos marejados, e segurei sua mão, deixando as lágrimas rolarem.
— Eu faria. — Respondi. — Faria tudo que fosse possível, para ter pelo menos um deles comigo. — Giyu colocou a mão sobre meu ombro, ele não era uma pessoa de abraços, e como já havia me dado um, acho que estourou a cota.
— Quando eu te conheci, , você parecia uma flor. Mas você era uma flor que estava murchando, era a única coisa que eu conseguia comparar com você. — Nos abaixamos juntos. — Mas aqui, hoje, acho que você se parece com a neve. — Ele sorriu, de canto. — Você não é fria sempre, e mesmo na sua frieza, há muita beleza. — Fechei os olhos com força, Giyu apertou minha mão.
— Tomioka-kun… — Falei, engolindo o choro. — Obrigada. — Aquele aperto forte de mão, era melhor do que qualquer abraço, porque para nós, significava “eu estou aqui por você”. E por um momento, eu havia me esquecido de quem nós éramos, eu havia me esquecido que Tomioka me conhecia o suficiente, para me confiar aquela informação. Eu havia me esquecido, que nós éramos nós. E tudo isso voltou, no instante em que ele quebrou as barreiras que estavam entre nós.


Capítulo 3: Âncora.

Era incrível como a gente se conectava e perdia a conexão no mesmo segundo, um de nós sempre estragava tudo, e dessa vez foi ele.
— Qual foi a última vez que falou com a Shinobu-san? — Perguntou ele, me fazendo dar dois passos para trás. Eu não queria falar sobre a Shinobu ou qualquer um dos outros Hashiras, foi difícil ser aceita por eles, e eu tinha motivos para querer me afastar. — Vejo que ainda usa uma borboleta no cabelo. — Completou ele, encarando o enfeite no meu cabelo, ele estava certo, mas não era pela Shinobu, era pela Kanae.
— Não me lembro a última vez que tive contato com qualquer Hashira, você é o único que vi em tanto tempo, e eu prefiro que seja assim. — Dei de ombros e saí andando.
— Parece que ainda guarda ressentimentos. — Dei de ombros novamente e ele me seguiu. — Talvez não seja a melhor escolha se afastar…
— Ir nas reuniões já é um esforço enorme para mim, a convivência provavelmente iria me fazer perder todo ar dos pulmões. — O interrompi, ele não era do tipo que interagia muito com os outros, já que eles não gostavam muito dele, nunca entendi o motivo de insistir para que eu voltasse. Giyu riu fraco, talvez o Mestre tenha pedido para que ele fizesse isso, mas não iria mudar muito, eu não os enxergava como irmãos, a Shinobu… Um dia eu enxerguei, mas sobre os outros, eu nunca soube muito bem o que sentir.
— Rengoku está decidido a te fazer voltar quando te encontrar, e a Mitsuri-san sente sua falta, fora que a Shinobu… — Interrompi mais uma vez.
— Rengoku? — Ri fraco. — Você sabe o que eu acho, eu sinto muito, Giyu, mas ainda não quero voltar. — Ele parecia surpreso.
— Giyu… é engraçado escutar você me chamando assim sem brigar. — Ele riu fraco e eu me joguei em uma cadeira.
— Acontece uma vez a cada 100 anos. — Brinquei e rimos.
— Sei que você não enxerga mais ninguém como família, mas eu acredito muito que você ainda tenha um quarto na mansão borboleta, e às vezes eles só querem saber se você está bem. — Eu me surpreendi ao vê-lo dizer aquilo, talvez eles tenham falado sobre mim em algum momento, bom, com certeza falaram já que faz anos que não nos reunimos sem ser quando o mestre convocou uma reunião.
— Eu enxergo você como família, e o Urokodaki-sama, isso basta, não? — Eu esperava que isso o fizesse desistir, mas parece ter tido efeito contrário.
— Não basta. — Ele suspirou. — Não para você, , ver você com essa borboleta me fez pensar que você não precisa ser sozinha… — Ele foi interrompido por mim mais uma vez.
— Isso é indiscutível. — Respondi, ele entendeu que a conversa terminaria ali e suspirou.
— Você continua teimosa.
— Acho que finalmente concordamos com algo. — Rimos, Giyu cuidava de mim como se eu fosse sua irmã, aquela insistência era baseada nisso, nós já havíamos perdido pessoas demais, e eu não sei se ele achava que isso era difícil para mim, ou se tinha medo que eu perdesse o controle de novo. O fato era, Kanae e Shinobu eram as únicas pessoas além de Tomioka e Urokodaki que eu havia me apegado, e quando a Kanae se foi, algo mudou dentro de mim, foi quando eu percebi que continuaria perdendo pessoas se sentisse algo por elas, então eu bloqueei a maior parte dos meus sentimentos, mas era difícil fazer isso com Giyu, eu não sei se era pelo tempo que nos conhecíamos, mas os sentimentos sempre foram fortes demais para lutar contra eles, e sentir a falta dele sempre foi algo que fazia meu coração doer, mas eu não sinto falta de mais ninguém, além do Urokodaki-sama e da minha família que se foi. Giyu silenciou, após perceber que não mudaria muito continuar insistindo naquela conversa, afinal, não dá para mudar anos em cinco minutos de conversa. Ele olhou ao redor, parecia estar analisando cada canto da minha casa, e parecia saber mais do que eu.

— Você mora mesmo aqui? — Perguntou ele, voltando o olhar para mim, que assenti. — Essa casa não parece ser sua, não tem nem um pouco de você nela. — Sorri de lado, em tão pouco tempo ele percebeu.
— E o que você acha? — Perguntei.
— Ou você não mora aqui, ou se perdeu de você mesma. — Respondeu, neguei com a cabeça.
— Tenta de novo. — Insisti e ele suspirou.
— Aqui não parece ser seu lar, porque não é, né? Você não fez esse lugar de lar. — Giyu colocou a mão na cabeça.
— É, por que eu deveria? Prefiro assim. — Respondi, ele negou com a cabeça.
— Lar é onde eu e você estamos, lembra? Você me disse isso. — Disse ele, assenti, eu realmente disse aquilo.
— Mas você parece não ter entendido. — Ri fraco.
— Devo me mudar para cá? — Ironizou ele.
— Lar é onde eu e você estamos, porque você me traz a sensação de lar, é uma bobagem de criança, mas é real. — Suspirei e fui até a janela, olhar a neve cair, percebi que ele me encarou feio.
— Não diga isso… — Interrompi.
— Foi mal, sentimental demais, né? — Dei de ombros.
— Não, não diga que é bobagem de criança, eu te entendo. — Ele caminhou até mim. — Eu sinto isso também, talvez porque nós dois aprendemos a viver só tendo um ao outro, ou porque fomos feitos para ser o lar do outro, a âncora, como o Urokodaki-san disse. — Me espantei com a lembrança, e com o toque dos dedos dele no meu ombro.
— Então, eu ainda sou a sua âncora? — Perguntei.
— Eu ainda carrego todos os mesmos sentimentos por você, você sabe que é. — Ele apertou meu ombro e soltou, odeio todas as demonstrações de carinho vindas dele e esses momentos que fazem meu coração palpitar e sempre acabam. Odeio saber que de fato ele é a minha âncora, mas ele desaparece e na maior parte do tempo eu não sinto isso.
— Vai acabar, né? — Perguntei.
— O que? — Ele encarou a neve, parado ao meu lado.
— Esse momento, e só vai acontecer de novo daqui há uns 10 anos. — Murmurei, mas alto o bastante para ele escutar e rir fraco.
— Não se você vier comigo.


Continua...



Nota da autora: me perdoem pela demora na att, eu torci o pulso e depois desencadeou uma tendinite que me atrapalhou muito :/ mas já estou melhorando, espero ficar 100% logo! Espero que tenham gostado desse capítulo! xx--

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