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Última atualização: 15/04/2020

Capítulo 1

O dia que eu mais esperava do ano todo havia chegado. Eu finalmente iria para o show da minha querida banda favorita. Desde que me mudei para Inglaterra, esse era o objetivo da minha vida – exagerada nada – mas, pensando bem, foi um dos grandes motivos da minha ida para lá. Além, é claro, de fazer minha pós-graduação. Era estudante do mestrado em psicologia cognitiva, ganhei uma bolsa parcial devido à minha formação com honras no Brasil e aproveitei a oportunidade de ir para lá. Estava morando na Inglaterra há um ano e, durante todo esse tempo, não teve show deles. Quando me mudei pra Londres, eles resolveram fazer turnê no Brasil, só porque eu não estava lá. Quando voltaram, ficaram de “férias” e, depois, foram gravar um CD novo. Logo, quase morri quando vi que teria um show e que existia a possibilidade de se comprar ingressos VIP’s. Eu poderia visitar o camarim deles. Imagina isso! Claro que não dormi nenhum dia até conseguir garantir o meu ingresso. Foram três meses de preparação para esse dia, que finalmente tinha chegado. – ! – Eu chamei minha melhor amiga, que havia se mudado para Londres comigo para fazer mestrado em arquitetura.
Ela tentou entrar em Sourbone mas, no final das contas, eu consegui a convencer de mudar para Oxford e ficar comigo. Apesar de estudarmos em Oxford, morávamos em Londres. A viagem entre Oxford e Londres era super tranquila, coisa de uma hora de trem. Como éramos alunas do mestrado e já tínhamos passado da fase de aulas presenciais, resolvemos ir morar em Londres. Eu sempre me comunicava via e-mail e Skype com meu orientador de mestrado e, quando era necessário, pegava um trem para lá. – Para de gritar! – Ela gritou de volta. – O que você quer? Eu to dormindo, porra! – Nossa... Quanto amor! Eu quero sua máquina emprestada pra carregar, sabe como é... Hoje é o show! – Eu disse, gritando e dando pulinhos. – Ai, Deus! – disse. – Pega, tá aqui. Cuidado com ela, viu? – Com certeza! Essa máquina vai ser parte de mim! Imagina só, eu vou entrar no camarim! – Eu continuava pulando. – Vou ver meus ídolos!
– Ok, ok, eu já sei disso... Ai, meu Deus. – Ela disse, voltando para o quarto e tapando os ouvidos com as mãos enquanto eu continuava pulando e gritando.
Eram seis horas da manhã. Eu estava realmente falando alto, não costumava acordar cedo assim sem motivos. Já tinha gasto metade da minha bolsa do mestrado com aquilo. Ingressos VIP’s eram realmente caros, mas quem iria colocar um preço no meu amor? Eu não! Ainda mais que conseguiria finalmente ver pessoalmente. Provavelmente, teria que comer o que a comprasse durante meses sem reclamar. Eu não tinha corrido atrás de nenhum emprego pelo fato de minha bolsa do mestrado ser bem generosa e meus pais me ajudarem quando alguma coisa apertava demais. Sem falar que eu tinha uma renda extra fazendo projetos online. Mas tudo isso valeria a pena. Eu ia entrar no camarim, tirar fotos e beijar todos eles. não gostava da banda, mas ela também não odiava. Achava eles bonitos e gostava de uma música ou outra. Só não era fã louca – tipo eu – e obviamente não ia gastar a bolsa dela com um ingresso VIP. Na verdade, nem com o ingresso simples. Ela costumava me zoar todos os dias, afinal – de acordo com ela –, eu não tinha idade pra ficar louca assim pela banda da moda, apesar de eles não serem exatamente a banda da moda. Mas, sinceramente, eu tinha 24 anos, uma idade perfeita pra amar pessoas que eram um pouco mais velhas que eu. E se eles dessem brecha? Eu caía pra dentro mesmo e eles não iam ser presos por pedofilia, algo que, com certeza, aconteceria se o Hugh Grant desse bola pra mim quando tinha meus 16 anos e babava por ele. De qualquer forma, não ia ao show comigo. É... Eu ia sozinha para o show da minha vida. Tudo bem, não ia obrigá-la a ir só me fazer companhia e gastar a grana dela. Mas consegui pegar emprestada a máquina cheia de frescura profissional dela para conseguir fotos incríveis. Depois de arrumar tudo, fui para a fila. Cheguei lá às oito horas da manhã e fiquei até a hora do show. Isso valeu muito a pena. Consegui ficar bem na frente, colada na grade, com uma vista perfeita do palco todo. E no campo de visão deles também. Eu queria ter as melhores fotos. Sabe como é, uma pelo menos de algum deles me olhando, se possível. Também fiz umas amigas, elas iam entrar no camarim junto comigo. Nós estávamos fazendo as estratégias para tirar as melhores fotos já vistas da banda toda e trocando os e-mails para nos enviarmos as fotos depois. A banda que iria abrir o show se atrasou um pouco, mas foi um bom show. Nada demais, nem gastei minha voz com eles. Depois de mais uns 20 minutos de espera, começou. As luzes brilhavam para todos os lados e um som de suspense estava no ar. Eu, obviamente, já estava gritando junto com as meninas que estavam comigo desde a fila. Era muita emoção. Em poucos minutos, eu finalmente os veria.
– Ai, meu Deus, vou ter um enfarte! – Emma, uma delas, disse. – Deixa pra morrer depois porque, se você morrer agora, vai ser pisoteada. – Falei, rindo.
Nesse exato momento, os gritos foram ensurdecedores! tinha entrado seguido por todos os outros. estava muito sexy, não mais do que o , mas sexy o suficiente. Eu não sabia se eu gritava, tirava foto, cantava, olhava ou suspirava. Então eu fiz tudo ao mesmo tempo, coisas que somente as brasileiras são capazes de fazer. Depois do show, eu estava tão suada quanto os meninos no palco. Até fiquei meio com raiva disso, afinal, agora era a hora de ir ao camarim tão esperado. Antes de irmos para a fila VIP, que tinha cerca de 30 meninas, contando nós três, pensamos ser melhor sermos as ultimas a entrar e fomos ao banheiro pra tentar dar uma arrumada no visual, ou pelo menos secar o suor e passar um perfume. – Nossa, o show foi perfeito! – Ashley comentou enquanto eu secava o excesso de suor e dava uma ajeitada na maquiagem.
– A parte mais esperada vem agora. – Emma disse com os olhos brilhando. – Quinze minutos no camarim! – Nós três gritamos juntas e saímos rindo do banheiro.
A fila já estava quase no fim. Chegando nossa vez, pegamos nossas credenciais na entrada do backstage e fomos acompanhadas por uns seguranças até a porta de entrada do camarim. Quando entramos lá, demos de cara com mais três meninas e ficamos conversando até que Neil apareceu na porta e anunciou que nossa vez seria em 15 minutos.
– Porra, mais quinze minutos! – Eu reclamei entre as meninas. – É verdade, mas vai valer a pena quando passarmos por essa porta! – Olá, pessoas! – abriu a porta de repente – Desculpe a demora, nós estávamos dando banho no . Todos começaram a rir e soltou um “ei” no meio das risadas. Quando todas nós entramos, eu quase tive um ataque cardíaco. Fiquei petrificada e não sabia o que fazer. Eu estava morrendo, minha cara devia mostrar isso visivelmente, afinal, veio falar comigo.
– Você tá bem?
Cara, sendo atencioso e fofo comigo... Fala alguma coisa, !
– Muito bem... Ai, meu Deus, eu estou no camarim de vocês! E você está falando comigo. Isso é demais para o meu coraçãozinho. – Falei rápido e me abanando.
Aquele camarim estava ficando quente ou era só eu? deu uma risada.
– Então para de se abanar e aproveita o tempo que você tem aqui pra tirar fotos. – Ele pegou a máquina na minha mão e fez uma pose ao meu lado. – Pronto! Sua foto comigo tá ok, agora corre pros outros e depois pede autógrafo. – Obrigada por me ensinar como me comportar no camarim, .– Eu disse, rindo de como ele estava tentando não me deixar nervosa.
Apesar de eu continuar tremendo, segui o conselho dele. – Não há de quê. – Ele disse, entregando a máquina fotográfica na minha mão e se abaixando um pouco para eu poder beijar sua bochecha.
Sou baixinha mesmo, fazer o quê? foi muito fofo, ficou conversando comigo por muito tempo para eu perder o meu nervosismo. Apresentou-me para os meninos e até bateu umas fotos minhas com o , com o qual eu fui apenas capaz de trocar princípios de palavras. Sério, como alguém conseguia formar frases em outro idioma olhando para aqueles olhos? Eu bati milhões de fotos. O nosso tempo passou rápido e, logo, tinha acabado. Os meninos foram uns amores e deram autógrafos em todos os papéis que eu tinha perto de mim. assinou até o meu braço no meio da brincadeira. Eu tinha um bolo de papeis autografados e joguei tudo na bolsa, o que a deixou com um volume enorme. Por isso, tirei minhas chaves e minha máquina de lá para poder organizar melhor tudo. Nesse meio tempo, as meninas pediram para eu tirar umas fotos com as máquinas delas. Eu fui super prestativa, afinal, minhas fotos já estavam sãs e salvas. – Muito obrigada por tudo, meninos! – Eu dizia enquanto terminava de tirar mais uma foto com a máquina da Emma. – Foi uma noite maravilhosa e o show de vocês foi demais! – Obrigado! – disse. – Vocês são bem legais, espero ver vocês mais vezes nos shows! – Com certeza! – Todas nós dissemos juntas. – Tchau, gente! – Até mais! – Eles responderam em coro e caíram na risada.
Sai de dentro do camarim em êxtase, nem percebi que estava com a máquina de Emma em minhas mãos. Devolvi correndo pra ela antes de entrar num táxi e voltar para casa, imaginando em como eu contaria tudo para a de forma resumida.

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'S P.O.V.
– Que fãs mais loucas, né? – disse, rindo. – Nunca vi tanto nervosismo junto. – Pô, elas estavam bem nervosas mesmo. Eu até tive que ajudar uma delas a se mover! – Eu disse, lembrando da menina que estava congelada desde que tinha entrado. – Ela é brasileira, acredita? Normalmente, elas são tão atiradas. Essa ficou tão quietinha que eu até duvidei de que ela fosse brasileira mesmo. Super gente fina, a gente conversou muito. – Eita, hein? , tá afim da brasileira?! – falou, zoando comigo. – E nem todas as brasileiras são atiradas, deixe de preconceito! – Não vou dizer que não a achei gata. Porque eu achei. Mas nem foi isso, ok? – Falei, me sentando. – , essas chaves aqui são suas? – falou alto, pegando um molho de chaves perto de um celular e uma máquina fotográfica. – Não, nem esse celular, muito menos essa máquina. – disse, se aproximando para olhar as coisas. Nós começamos a mexer nelas. descobriu a senha do celular pela marca que ficou na tela. Achei meio perturbador isso mas, de qualquer forma, com esse momento espião maluco, descobrimos que eram a máquina, celular e chaves da tal menina brasileira que veio nos conhecer no camarim. – Putz! Coitada, todas as coisas dela aqui... Como será que ela vai entrar em casa? – Eu disse, preocupado. – Menina desligada! Como ela esquece as coisas assim? – falou. – Tipo assim... A chave da casa dela! Nem o faz isso. – apenas ignorou, fazendo uma careta. – Vamos entregar isso pro Fletch, ele pode dar um jeito de devolver. – disse, já querendo ir embora. – Não! – Eu disse, rápido. – O Fletch vai acabar dando pra alguém fazer isso e a menina nunca mais vai ver essas coisas. – O que você pretende então? – perguntou. – Eu mesmo vou devolver isso. – Eu falei, olhando as fotos, e tinham umas muito legais. – Mas não agora, amanhã eu faço isso. – Então eu guardei as chaves e o celular no bolso. – Aposto que você escondeu essas coisas aí... Sabe? Pra ter desculpa para ver ela de novo! – disse só para eu ouvir. – Eu não faria uma coisa dessas! – Eu disse, sorrindo. – Não gostei dela desse jeito. Só estou compadecido pela dor. Imagina se isso fosse meu, com fotos do Blink. Eu ficaria muito triste. – Sei, , sei! – me puxou pelo pescoço para fora do camarim.
END OF 'S P.O.V.

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Cheguei em casa exausta e dei graças a Deus que estava acordada, não estava encontrando as minhas chaves na bolsa. Minha organização estava meio ruim, mas eu tinha muitos autógrafos valiosos lá. – do céu! Foi o paraíso! – Eu entrei gritando. – Você precisava ver como foi maravilhoso, eu abracei o , e o , e o , e o , aí eu tirei fotos... – me interrompeu. -Ok, maluca, respira. Dê pausas ao falar, não morra agora. Amanhã você me mostra as fotos e conta tudo, eu to indo dormir. – Ah... Você tá sempre dormindo, né? – Eu fiz piada. – Mas eu também estou cansada, vou dormir. Amanhã te conto tudo com detalhes. Subi correndo, me joguei na cama – literalmente – e dormi toda suja e bagunçada. Sonhei com o show. No outro dia, pela manhã, levantei, tomei um banho bem demorado e desci para tomar café. Eu estava muito feliz, mal podia esperar pelo belo dia que se iniciava. – Bom dia, flor do dia! – estava toda arrumada, comendo um pão de queijo. – Você fez pão de queijo! – Eu corri até a mesa para pegar um. – Adoro seus pães de queijo, . – Eu disse, colocando um deles na boca. – Nada melhor do que um gostinho do Brasil para completar esse momento maravilhoso pelo qual estou passando. – Eu sei. – Ela disse, rindo da minha cara com a boca cheia. – Hoje eu acordei afim de um café da manhã brasileiro. Enfim... Como foi o show que fez o dia de hoje ser tão maravilhoso? – Ela disse, ironizando minha felicidade. – Nossa! Foi perfeito, eles tocaram todas minhas músicas favoritas e tocaram um monte das que você gosta também. – Legal! E no camarim? – Menina, você acredita que eu fiquei congelada? deu uma gargalhada. – Não era você que ia beijar e pular em cima de todos eles? Ficou congeladinha, ficou? – Fez piada. – Fiquei. – Eu disse. – Mas aí o sexy foi lá falar comigo e me tirar do transe. – E aí? – Ah, a gente conversou muito... Eles são muito legais, . – Eu disse, suspirando. – Tenho que te mostrar as fotos, espera. – Subi correndo para pegar a máquina e o meu computador para mostrar as fotos para a . Chegando ao meu quarto, corri para minha bolsa. Tirei todos os autógrafos de lá e não consegui encontrar a máquina. Entrei em desespero, óbvio, afinal, as fotos da minha vida estavam lá. E claro, a ia me matar. Ela tinha um ciúme louco por aquela máquina. Comecei a virar a bolsa do avesso, e depois comecei a revirar minha escrivaninha. – ? Anda, menina, to curiosa! – Ela gritou da cozinha. Desci a escada e fui direto para o telefone. Meu celular, com certeza, estaria perto da máquina, já que eu estava carregando os dois juntos durante todo o tempo. – O que você está fazendo? – disse, chegando perto do telefone. – Ligando pro meu celular, não sei onde eu o botei. – Eu disse e coloquei o telefone no ouvido. – Tá chamando, faz silêncio e me ajuda. Ouvi o tom de chamada no meu ouvido e comecei a andar pela casa procurando. Foi então que o inesperado aconteceu. Uma voz atendeu meu celular. – Hum... Alô? – A voz do outro lado disse. Como assim tem alguém aqui em casa? Que voz é essa? Eu comecei a me desesperar, mas então me lembrei das fotos e surtei. – Quem está falando?! E por que você está com o meu celular?!
Sim, eu berrei. Como assim? Eu fui assaltada e não percebi? – Hum, aqui é o . Quem está falando? – A voz falou. – ? Que ? Por que você está com o meu celular?
Eu não conhecia nenhum , será que eu perdi meu celular durante os pulos no show e alguém o encontrou? Como iria achar a máquina da agora? – . Eu estou com seu celular porque você o esqueceu junto com as suas chaves e sua máquina fotográfica no nosso camarim. E eu peguei para te devolver! – Até parece que você é o ! – Eu disse, irônica. – Quero minhas coisas de volta! Eu sei que você deve ter visto que as fotos são com o McFLY e está zoando com a minha cara. Devolve minhas coisas e, se tiver uma foto a menos, você vai ver só! – Eu estava louca, fazendo ameaças para um desconhecido que, por acaso, tinha basicamente a minha vida toda naquele celular. Obviamente, já estava surtando ao meu lado. Como assim eu tinha perdido a máquina dela? Mas eu tinha outros problemas no momento, não queria perder minhas fotos. Estava me sentindo como se um parente importante tivesse sob a custódia de sequestradores. Sim, eu era mesmo exagerada. – Então a gente podia marcar algum lugar para eu devolver as suas coisas. – Ele disse, calmo. – E você pode ver que eu sou mesmo o . – Ok, faz de conta que eu acredito que você não é um ladrão barato que quer me sequestrar. Onde eu iria te encontrar para pegar minhas coisas? – estava pulando do meu lado, falando alguma coisa sobre como eu era louca, que ela nunca me deixaria ir até o lugar que o ladrão estava sugerindo e que eu devia ter perdido o juízo se estava sequer pensando em ir a qualquer lugar encontrar um estranho. – Em qualquer lugar. Se você quiser, você pode escolher. – Ele disse. – Ok então! Vamos nos encontrar na Starbucks da Oxford Street. – Eu era esperta, estava fazendo um teste com ele.
Essa Starbucks, em particular, era bem movimentada e cheia de turistas, queria ver se ele iria a um lugar público. – Ai! – Ele disse. – Logo nessa? É muito lotada, muita gente vai me reconhecer. – Ah é, eu esqueci que você é, supostamente, o . – Ele tinha absorvido bem o papel. – Onde você sugere, então? – Pode ser na Starbucks na Chiswick? Era um lugar público, não era tão movimentado, mas eu poderia ir disfarçada e ver de longe. Qualquer coisa, eu chamava um policial. – Fechado! Estarei lá às três da tarde. – Eu disse. – Esteja lá! – Certo, estarei. – Ele disse. – Tchau, até mais. – Tchau. – Eu desliguei o telefone. – Você é louca?! – estava vermelha. – Você não vai pra lá de jeito nenhum! – Nós vamos sim! – Eu disse, confiante. – Nós? Nós? Como assim?! – Ela definitivamente tinha perdido a cabeça. – Nós porra nenhuma, você não vai me arrastar pras mãos de um psicopata! – , a gente vai mais cedo, fica olhando de longe e, se não chegar nenhum lá até umas três e meia, nós voltamos. – Eu fiz minha carinha de pidona. – Ok, a gente vai mas, se eu morrer, eu faço questão de falar agora que a culpa é sua!
Eu dei um abraço nela e nós fomos nos disfarçar para encontrar o psicopata.


Capítulo 2

Fomos para a Starbucks às duas da tarde. Pedimos uns cafés e nos sentamos numa mesa isolada no cantinho, podíamos ver a porta e não éramos vistas. O tempo passou e, enquanto tomávamos café, ficamos analisando criticamente todas as pessoas que entravam no estabelecimento. Quando estávamos sozinhas, costumávamos conversar em português para não sermos entendidas, como um código secreto.
– Olha aquele cara ali! É suspeito! – apontou discretamente para um cara realmente estranho com um sobretudo preto que ia até o pé e um chapéu estranho.
– Esse cara não parece com a voz que eu ouvi no telefone. – Eu disse calmamente enquanto tomava meu café.
E a cada minuto que passava, eu ficava mais ansiosa, apesar de não transparecer. As aulas de clínica ajudavam com isso, conseguia controlar bem os meus sentimentos. Era exagerada só quando estava à vontade. No geral, eu era um poço de mistério.
– Desde quando alguém parece com a voz? – Ela disse. – Você pode ser psicóloga, mas isso não te dá o aval de reconhecer faces pela voz.
– Sei lá... – Eu disse, tomando mais um gole do meu café. – Sei que esse aí não parece. Eu tenho um olhar analítico, estudei isso por 5 anos, não vem me zoar.
– Você é louca, ele tem muita cara de assassino!
– E quem te disse que eu falei com um assassino?
– Ah, sei lá... Quem mais roubaria minha máquina, suas chaves e o seu celular?
– Bem, se ele é quem diz ser, eu provavelmente esqueci as coisas, não fui assaltada. Até porque eu não me lembro de ter sido assaltada. – Coloquei meu café na mesa e dei uma olhada ao redor.
Nada do . Bem no fundo, estava torcendo para ser realmente ele. Vai dizer que você também não torceria? Sei lá, ele podia se apaixonar por mim. Sabia que amava o , mas não ia desdenhar o nunca!
– Isso porque minha máquina ia ser “parte do seu corpo”. – disse, levantando as mãos e fazendo o sinal de aspas ao bufar.
Ela passou a mão na frente do meu rosto para me acordar. Eu estava imaginando o se declarando totalmente para mim com de testemunha.
– Ah, , dá um desconto, eu estou tentando recuperá-la. – Eu disse, olhando ao redor mais uma vez.
Faltavam vinte minutos para as três e eu estava muito apertada, precisava seriamente de um banheiro. , claro, ficou meia hora reclamando que eu tinha planejado aquilo e tinha contratado o cara na noite anterior para matá-la e ficar com o dinheiro dela. Eu tive que tentar convencê-la de que, somente se eu estivesse casada com ela, poderia ficar com o seu dinheiro, mas não deu muito certo. Ela continuou dizendo que, se ela morresse, eu ficaria com tudo que tinha na casa. No fim, eu decidi deixar pra lá, não tinha jeito.
Fui ao banheiro e ela ficou sentada na nossa mesa, guardando o lugar e olhando para ver se o suposto cara que dizia ser o apareceria. Voltei do banheiro, estava sentada toda sorridente.
– Tá feliz por quê? – Eu disse, vendo a cara de boba dela. – Quem é você e o que você fez com minha amiga paranoica?
– Ai, ai... – Ela começou. – Eu acabei de ver um deus grego entrando. Ele sorriu e deu uma piscadinha pra mim.
– Ui, ui! Mas e aí, nada do ? – Eu perguntei.
– Não, nada do . – Ela completou.
– Me mostra o seu gatinho?
– Ele foi ao banheiro. – Ela disse, procurando por ele. – Quando ele voltar, eu te mostro.
– Como ele é?
– Ah, cara de londrino típico. Do jeito que eu gosto. – Ela disse, rindo.
Imaginei algum garoto com cara de rockstar ou com roupas do gênero, era o ‘londrino típico’ para a .
Uns minutos depois, eu já estava perdendo a esperança de receber minhas fotos de volta. Já eram três e quinze e nada de nenhum.
– Olha lá, meu deus grego. Meu Deus, ele tá olhando pra cá. Disfarça, não olha agora, não olha agora! – se abanava na minha frente, me impedindo de olhar para o cara. – Pelo amor de Deus! – Ela falou alto e em português. – Ele tá vindo pra cá! – Ela começou a ajeitar o cabelo e se olhar no porta-guardanapo.
Então eu finalmente consegui ver o tal rapaz e fiquei louca.
, esse é o !
Nem preciso dizer que eu quase morri quando ele chegou rindo. Claro, ele estava ouvindo nossa movimentação enquanto se aproximava e me ouviu gritando essa “apresentação”. Por algum motivo, eu gritei isso em inglês. Foi automático e, consequentemente, muito constrangedor, já que eu não queria que ele me entendesse.
– Prazer, . – Ele disse, estendendo a mão.
– Prazer. – disse ficando vermelha beterraba.
Quem não ficaria com uns olhos daqueles te encarando profundamente?
– Meu Deus. – Foram as únicas palavras que saíram da minha boca.
– Eu disse que eu era eu. – Ele falou, rindo. – Posso me sentar com vocês?
Eu e balançamos a cabeça positivamente ao mesmo tempo, provavelmente uma cena hilária – pra não dizer ridícula, porque ele sentou-se à mesa rindo.
– Então, agora que vocês sabem que eu não sou um sequestrador, eu posso conversar amigavelmente com vocês?
, você espera só um minuto? Eu tenho que matar a minha amiga aqui. – Eu disse, puxando a pelo braço pro banheiro.
– Ok, eu espero. – Ele disse, pedindo ao garçom uns petiscos para acompanhar o café dele. – Só não a mate totalmente, certo? Acharia uma pena. – Ele pediu, sorrindo.
– Pode deixar, só vou desfigurar ela um pouco. – Falei, saindo agarrada com ela.
– Qual o seu problema? Seu ídolo gatinho, que deu super mole pra mim, tá ali e você me traz pro banheiro?
, como você não me disse que o seu “Deus Grego” era o ? Você disse que ele não tinha chegado! – Eu comecei.
– Ué, cadê aquela foto que você me mostrou? – Ela pegou o celular dela e me mostrou.
– Achei que esse aqui era o .
– Esse é o ! – Eu disse, botando a mão na testa. – Como você confundiu os dois? Eles são completamente diferentes.
– Ah, sei lá, antes de ver o pessoalmente... E caralho, como ele é quente. – Ela disse, rindo. – Eu achava eles todos meio iguais.
– Fala sério! Nem parece que você é minha amiga, eu falo deles toda hora. – Eu continuei, indignada.
– Ah, deixa disso, você pode brigar comigo depois. Vamos voltar pra mesa com o gatinho? – Ela disse.
– Tá, vamos. – Fiz outra cara de indignada e nós voltamos para a mesa onde esperava, comendo uns docinhos.
Quando ele nos viu andando de volta, deu um sorriso. E que sorriso.
– Achei que vocês tinham fugido. – Ele continuou nos hipnotizando com o sorriso.
– Ah, quê?! Não, a gente não ia fugir... – Eu disse, tentando escapar do poder do sorriso dele.
– Hm, você não foi ontem no show, né? – Ele disse, se dirigindo a , e eu senti um interesse.
– Hm, não, é... Eu não sou uma fã louca, tipo a . – Ela disse como quem não queria nada e apontou para mim.
– Fã louca? – Ele repetiu.
– Eu não sou uma fã louca! – Eu disse rapidamente. – Ela que simplesmente não é fã.
– Ok, uma fã meio louca. – Ela disse pra mim. – Enfim, só conheço a banda de vocês por culpa da .
– Que bom que você conhece ela então! – disse, dando um sorrisinho. – Enfim, aqui estão suas coisas. – Ele colocou as coisas em cima da mesa. – Espero que não se importe, eu apaguei umas fotos em que eu estava vesgo. Mas eu tirei umas fotos dos meninos para compensar.
– Obrigada! – Eu disse com os olhos brilhando enquanto passava as fotos.
Tinham muitas fotos perfeitas. Tinha duas do dormindo e uma do pé do . Pois é, eu reconheço o pé dele. Tenso.
– Minha máquina tá inteira? – , a materialista, estava de volta.
Ela pegou a máquina da minha mão rispidamente.
– Tá inteira sim, . – Eu repeti o gesto dela. – Eu estou admirando minhas fotos, licença.
– O quase a quebrou ontem de noite, só porque eu estava tirando fotos dele nu.
Assim que ele terminou de falar isso, eu comecei a passar as fotos mais rápido, procurando por fotos deles pelados.
– Relaxa, o apagou todas, você não vai ter uma G-Magazine do McFLY aí. – Ele disse quando notou que eu estava passando as fotos mais rápido.
– Hm... Ah, que isso... Eu nem queria ver vocês pelados. Pareceu, é? Eu estou procurando uma foto que eu tirei do , sabe? – Eu tentei disfarçar, ficando completamente vermelha.
– Aham, sei! – falou.
Eu simplesmente a ignorei. Eu estava feliz demais para me importar com aquilo. O estava na minha frente! E tinha tirado fotos para mim!
– Se vocês tivessem quebrado, iam ter que pagar uma nova. – Ela disse, falando diretamente para ele.
– Até parece. Se tivesse quebrado, eu ia fingir que só tinha celular e chaves esquecidas lá. – Ele disse já se protegendo, imaginando que fosse partir para cima dele.
– Muito engraçadinho o senhor. – Ela disse com voz de mandona. – Nem me conhece e já tá cheio das piadinhas.
– Ou eu poderia simplesmente não devolver nada... – Ele disse e deu uma risada. – Mas eu te conheço melhor do que você imagina. – Ele disse, levantando uma das sobrancelhas.
Eu continuei olhando os dois conversarem, não ia interromper a tensão sexual que estava acontecendo.
– Que nada! Você não tem como conhecer! – Ela desafiou.
– Eu sei que você pegou o “CiroLindo demais”. – Ele falou, imitando uma voz feminina.
– Você conhece o CiroLin... Quer dizer, o Ciro?! – Ela ficou confusa.
– Que nada, , ele leu minhas mensagens! – Eu disse, o acusando.
– Ah, li mesmo, o celular tava comigo de bobeira... – Ele falou, levantando as mãos. – Mas eu não sabia quem era a “doidinha à milanesa”.
– Peguei o Ciro mesmo, e ele é muito gostoso! – falou, rindo. – E não me chame assim, nem a tem autorização.
Ele deu uma risada.
– Nem você tem autorização, ? – Ele olhou para mim e eu apenas levantei meus ombros, sem notar que ele me chamou pelo meu apelido.
Ele se virou para novamente.
– Continua pegando?
Atenção, Brasil! dando em cima da minha amiga!
– E se continuar? Isso não é da sua conta. – disse.
Como assim? Ela acabou de cortar o ?! Eu tinha que salvar aquilo. Se ela começasse a pegar o , eu tinha chance de ver o McFLY... Tipo assim... Sempre! Eu não podia perder aquela oportunidade.
– Ela não tá pegando ninguém, . – Falei e ele deu um sorriso hipnotizador.
– Bom saber. – O telefone dele vibrou em cima de mesa e ele leu uma mensagem. – Então, meninas, eu tenho que ir agora. – Ele foi levantando da mesa. – Mas vocês me devem uma saída.
– Como assim nós devemos uma saída? – Eu perguntei.
– Ué, eu salvei a sua máquina. – Ele disse, olhando para . – E salvei as suas fotos. – Ele olhou pra mim. – E hoje a gente praticamente nem conversou. Eu ligo pra vocês para marcar alguma coisa. – Ele completou.
– Você não tem nosso número. – Eu disse quando ele já estava de costas, saindo.
– Eu tenho sim. – Ele se virou, rindo. – E você também tem o meu. – Ele deu uma piscadinha para nós duas e saiu.
Ficamos um pouco congeladas e, no minuto seguinte, eu e corremos para olhar o meu celular. O primeiro contado era “AAAA telefone do ”, os A’s para que fosse o primeiro da agenda. Não pude deixar de rir. Resolvemos voltar para casa para ver as fotos com calma. Quando coloquei o celular no bolso, o senti vibrar. Era uma mensagem do .

Você é bem legal, apesar de ser meio louca
Faça o favor de convencer a sua amiga a sair com a gente
E, por favor, me responda com o telefone dela
xx


Porque ele me chamou de louca eu não sei. Obviamente, a única pessoa que manifestou sinais de loucura na frente dele foi a . Falando nela, fiquei pensando no caminho de volta o porquê dela ter ficado toda “acesa” quando ele era o Deus Grego e o porquê dela ter cortado ele quando soube que era o .
– Ué, não posso me fazer de fácil para um artista. – Ela disse como se fosse a verdade suprema do universo. – Ele tá acostumado com menininhas caindo de amores por ele, então é bom ele receber uns desafios gostosos, tipo eu. – Ela apontou para o rosto dela e começou a gargalhar.
– Você não é nem um pouco metida, né? – Eu disse, rindo junto com ela. – Posso passar seu telefone pra ele?
– Você deve passar meu telefone para ele. – Ela disse empolgada ao saber que ele tinha pedido o número dela.
– Ué? Cadê a menina desafio? – Eu baguncei com ela enquanto escrevia a mensagem.
– Ela está aqui, – Ela apontou mais uma vez para o rosto. – mas eu preciso ter contato com ele para ser um desafio, sua bobinha.
– Tá, tá, até parece que você não quer pegar o gostoso do !
– Ei, ele não é seu favorito não, né? Você vai me odiar se eu pegar ele?
– Se você me ajudar com o , não te odiarei. – Falei, pegando o celular dela e enviando uma mensagem, copiando o número dele da minha agenda.
Não dava para acreditar. salvou seu número no meu celular. Estava ficando muito importante.
– Espera um minuto... Esse , que você ama tanto, não tem namorada? – perguntou, curiosa. – Eu lembro de você falando alguma coisa assim...
– Tem, mas eu nem sou ciumenta! – Nós duas começamos a gargalhar. – Falando sério, não quero pegar o . Ficarei feliz em ser amiga dele. – Meus olhos começaram a brilhar. – Eu, amiga do McFLY, nem no meu sonho mais louco!
– Deixa disso, minha máquina fez isso acontecer! Ela tem esses dons, por isso que eu não gosto de perder!
– Você é completamente louca. – Conclui, liguei o som e nós fomos para casa cantando alto a música que tocava na rádio.


Capítulo 3

Já haviam se passado uns três dias e nada de ligar, mandar mensagem, sinal de fumaça ou uma carta de amor, o que obviamente estava deixando louca. Nós estávamos na sala vendo televisão, comendo pizza e tentando imaginar o que teria acontecido.
– Você tem certeza de que deu o meu número certo?
, eu enviei do seu celular a mensagem!
– Vamos conferir? Quem sabe você digitou alguma coisa errada.
Peguei meu celular, abri o contato e digitei o telefone. Não havia enviado para o numero errado. perdeu as esperanças.
– Ele deve estar muito ocupado... – Concluí enquanto comia uma fatia de pizza.
Até parecia que um integrante de uma banda famosa como o McFLY iria perder o tempo dele com a gente.
– Acho que a gente podia ligar... – Ela mudava os canais da TV sem prestar atenção no que estava passando em cada um deles de tanta ansiedade.
Era até engraçado. nunca foi uma pessoa ansiosa. Na verdade, era até bastante paciente. Ao contrário de mim, um poço de curiosidade e ansiedade.
– Eu não tenho essa coragem... Vou falar o quê? “Oi, , é a . Por que você não ligou para a minha amiga?” Muito sem noção fazer isso, .
– Ah, que saco! Ele podia ligar hoje, né? Tá um dia tão entediante! – Arremessou o controle da TV no sofá e se dirigiu para a cozinha com a caixa vazia de pizza.
Ela tinha mania de limpeza. Se fosse eu, aquela caixa ficaria por ali por mais uns dias. Ainda bem que ela existia. Caso contrário, aquela casa seria muito parecida com um lixão.

Terminei de comer minha fatia de pizza, fui para o meu quarto ver meus e-mails e ficar de bobeira na internet. Eu fazia mestrado, mas passava grande parte do meu tempo livre online e era bastante conhecida no mundo virtual. Sempre fiz sites e blogs para bandas de amigos desde a época em que morava no Brasil, cheguei a considerar ter uma carreira na área antes de fazer psicologia. Eu era boa nisso, já tinha feito sites para várias bandas que estavam começando. Quando elas começaram a ficar mais conhecidas, eu também fiquei. Era um bom dinheiro extra no fim do mês e sempre rolava uns ingressos para shows de graça.
No meu e-mail, sempre apareciam pedidos de pessoas aleatórias. Na semana anterior, por exemplo, recebi um e-mail estranho de um cara chamado Matthew, que disse ter visto os sites que eu já havia feito e tinha gostado muito. Disse também que tinha uma ideia revolucionária, queria que eu o ajudasse nessa “revolução” e me pagaria bem para fazer isso. No último e-mail que mandei, pedi para ele explicar exatamente o que seria essa tal revolução. Afinal, não queria me envolver numa roubada. Ele falou que iria me explicar tudo quando marcasse para me encontrar. Depois daquilo, acabei não respondendo mais. Achei que fosse algum maníaco louco que queria me sequestrar. Na verdade, me convenceu disso. Ela realmente tinha argumentos fortes.
Enquanto respondia algumas coisas, um novo e-mail dele, marcando um encontro e pedindo para responder confirmando se poderia ou não ir o mais breve possível, apareceu. Como já expliquei, eu era uma pessoa extremamente curiosa. Aquela troca de e-mails sem explicações estava me consumindo. Eu precisava saber o que era aquela “revolução”. Quando estava prestes a responder, tive um minuto de lucidez e fui falar com , para ver se ela botava algum juízo na minha cabeça e não me deixava agir impulsivamente apesar de que, no fundo, já estava pensando em argumentos para convencê-la a ir naquele encontro comigo.
Fui em direção do quarto dela e entrei sem cerimônia. Ao contrario do meu, o quarto de era extremamente organizado e muito bem planejado. Nossa casa, em geral, era bem decorada. Afinal, era arquiteta. Mas o quarto dela era especial.
Ele era um quarto claro, tinha um tom de rosa antigo. Aprendi nomes de várias cores com ela, inclusive. Todos os móveis eram brancos. Sua cama de casal ficava no centro e tinham dois criados mudos, um de cada lado, um deles com um porta-retrato dela com a família e, no outro, um vaso muito bonito que sempre tinha flores com cores muito destacadas. Naquele dia, tinha uma dúzia de tulipas roxas.
De frente para a cama, tinha uma escrivaninha grande onde ela costumava fazer seus projetos, além de uma cadeira maravilhosa. Era incrível sentar nela, nada de dor nas costas. Sempre que eu precisava estudar e não estava em casa, eu roubava aquela cadeira. Ao entrar, me deparei com minha amiga jogada na cama com vários papéis e amostras ao seu redor.
, lembra do Matthew?
– Lembro! Aquele louco que disse que tinha uma ideia revolucionária, né? – Ela me olhou curiosa, recolhendo as coisas para que eu pudesse sentar ao seu lado.
– Esse mesmo. Ele quer me encontrar para falar dessa tal ideia revolucionária que teve. – Comecei. – Mas estou meio apreensiva, não sei nem o segundo nome dele.
– Vocês marcaram onde?
– Ele me disse para ir a um restaurante, nunca ouvi falar dele... Será que você quer ir comigo? – Fiz minha melhor cara de pidona. – A gente podia fazer que nem no dia em que fomos recuperar sua máquina... – Definitivamente, não conseguiria ignorar a proposta, eu realmente estava curiosa.
– Ok, eu vou com você... – Ela disse, me surpreendendo. – Mas, dessa vez, se aparecer algum artista lindo, eu não vou me fazer de difícil. Não deu certo com o ... Lembre-me disso, sim? – Balancei a cabeça positivamente, saindo logo em seguida para responder o e-mail dele, avisando que estaria no dia e horário marcados para a reunião.

---x---


O dia da reunião chegou. Eu me vesti profissionalmente com a ajuda de . Fomos para o local que ele tinha marcado. Quando chegamos lá, era um restaurante bastante chique no centro de Londres. Fiquei até com medo de entrar e ter que pagar se não comesse nada. Todos os garçons usavam terno e tinha até manobrista de graça. Eu não tinha dinheiro para aquilo tudo! Acabara de penhorar meus rins para comprar o ingresso VIP do show em que fui, torcia para que o tal Matthew não furasse e não quisesse dividir a conta. Se aquilo fosse um trote, ia me dar muito mal.
Entramos em um hall com um espelho gigantesco, pude ver toda a minha roupa. Deveria ter me produzido mais.
– Sejam bem-vindas! – Um recepcionista de olhos brilhantes falou para nós. – As senhoritas têm reserva?
– Na verdade, nós viemos nos encontrar com o Matthew. – Eu disse. – Não sei o sobrenome dele... – Lembrei-me desse detalhe e fiquei nervosa novamente. – Ele só disse para falar isso. – Continuei nervosa mas me acalmei quando o recepcionista deu um belo e caloroso sorriso.
– Ah, claro, o Fletch! Ele está esperando por você, senhorita .
Nesse exato momento, uma luz acendeu na minha mente e eu dei uma cutucada na , que me olhou com cara de “que foi?”.
– Me acompanhem.
Começamos a andar atrás dele e eu comecei a falar em português para não ser entendida.
, Fletch é o empresário do McFLY! – Disse rapidamente. – Será que é só o nome igual ou é realmente ele?
– Como assim? Será que isso é um plano maquiavélico do ? – Ela ficou animada. – Se for, o fato de me fazer de difícil funcionou!
– Não faço a mínima ideia, até porque eu falei com o Matthew antes do show, lembra?
– Ah, é verdade! – E voltou a desanimar. – Mas ele pode ter comentado e o ter dito algo. – A esperança nunca morria para .
– Aqui, senhoritas. Podem sentar. Ele já chegou, provavelmente deve voltar à mesa logo. Com licença. – O garçom se retirou e nos deixou sozinhas.
estava ansiosa e parecia acreditar que apareceria ali a qualquer segundo. Eu também estava ansiosa, mas sabia me controlar melhor do que ela.
– Relaxa, , vamos descobrir tudo agora! – Falei ao ver Matthew se aproximando.
Apesar de ser uma fã obcecada, eu nunca tinha visto a cara do Fletch, então não tinha como ter certeza só de olhar se ele era ou não o empresário da banda
– Não fala nada de , ok?
– Pode deixar. – respondeu e sorriu para Fletch assim que ele chegou.
– Olá, – Notou que eu estava acompanhada de . – meninas... – E deu um sorriso simpático. – Qual de vocês é a ?
– Olá, Matthew! Eu sou a . – Estendi a mão para cumprimentá-lo. – Essa é minha amiga, . Ela veio me acompanhando.
– Prazer. – Ele disse, apertando a minha mão e, em seguida, a de . – Todo mundo me chama de Fletch. Pode me chamar assim, se quiser.
Bingo! Era ele. Ou então era alguém com o nome exatamente igual, que também produzia bandas. Será? Não, só podia ser ele.
– Certo, Fletch! – Disse, dando um sorriso.
Era engraçado conhecer o Fletch e não poder surtar e falar de McFLY. Mas, pensando bem, ele era um empresário grande. Quem sabe ele estava ajudando outra banda e esse seria o meu projeto? Mas comecei um mantra, desejando que o trabalho fosse com o McFLY. Assim, poderia ter mais uma chance de conversar com meus ídolos. Meu Deus, eu poderia ter a chance de virar amiga de . Comecei a hiperventilar mentalmente.
– Então, tenho que, antes de tudo, agradecer a você por ter vindo. – Flecth falou, me acordando dos devaneios. – Eu queria contratá-la para botar em prática um site para a banda de quem sou o empresário.
Nós continuamos em silêncio e prestando atenção no que ele falava.
– Eu e um dos integrantes da banda tivemos uma ideia de fazer um site que mude tudo que as pessoas têm em conceito sobre sites, algo revolucionário, que tivesse muita interação entre fãs e a banda. Com chats fechados, webcams dos integrantes para membros, vídeos exclusivos e blogs...
Eu já comecei a sonhar com a interatividade. Eu, num chat e, de repente, entra pra conversar comigo?
– Gostaria de saber se é possível fazer uma coisa assim. – Ele me fez parar de sonhar com uma webcam sensual do e voltar a prestar atenção na reunião. – Sabe, colocar uma parte do site somente para membros e outra parte liberada para todos. – Ele terminou de falar e olhou para mim seriamente, esperando o meu aval “profissional”.
– Bem, impossível não é... – Eu disse, sincera. – Só vai dar um pouco de trabalho com a questão da segurança.
– Então, eu sei que você só faz layouts e coisas assim. Essa questão da segurança é mais complicada, certo?
– Isso. Você teria que contratar alguma pessoa que possa fazer o processo de encriptação dos dados. Eu realmente não me garanto fazendo isso... Poderiam quebrar minha criptografia facilmente.
– Você sabe que eu não entendi metade do que você disse agora? – Ele disse, rindo. – Mas realmente teríamos que formar uma equipe completa para fazer isso, eu não pretendia colocar tudo nas suas costas. – Ele continuou sorrindo. – De qualquer forma, vi o seu portfólio, todas as recomendações que você tem pela internet, e achei que o seu estilo é realmente o estilo dos meus meninos. Quero que você faça a arte e organize o layout final do site.
– Certo. Então você quer me chamar para fazer parte dessa equipe? – Falei com o mantra ecoando na cabeça “que seja o McFLY, que seja o McFLY, que seja o McFLY”.
– Na verdade, eu queria que você liderasse essa equipe, porque eu não saberia contratar esses profissionais que faltam... Só encontrei você por recomendação de um estagiário.
– Eu, liderar uma equipe? – Disse, surpresa. – Nossa, obrigada pela chance, mas você não está apostando muito numa menina que você acabou de conhecer?
– Estou apostando em você. Sempre que eu aposto, as coisas funcionam. – Ele deu uma piscadela. – Foi assim com a banda dos meninos. – Eu concordei mentalmente.
Era o McFLY! Naquele momento, eu comecei a ficar mais empolgada e tentava usar minha cara de paisagem. Todos aqueles anos estudando psicologia me ensinaram bem como não reagir a certas emoções na clínica, fazia parte do processo terapêutico. Então fingi que estava numa sessão e deixei minhas emoções de lado. Daria gritos e pulos depois.
, que estava calada há muito tempo, divagando durante a conversa, não fazia ideia de quem era a banda.
– Qual é a essa banda de quem você é o empresário? – Ela soltou.
– Vocês devem conhecer, – Ele disse, rindo. – é o McFLY.
– Ah! Nós conhecemos sim! – estava bastante agitada. – A aqui é muito fã deles. – Eu a fuzilei com o olhar, dizendo com os olhos para ela calar a boca e fazer cara de paisagem, mas lembrei que não sabia disfarçar.
Nada de cara de paisagem ali. Mantive minha cara de “cala a boca”. Afinal, não era pra ela ficar falando aquilo pro Fletch! Ele podia desistir de me contratar.
Ele me olhou e deu um sorriso.
– Que bom! Nada melhor do que trabalhar com pessoas que curtem o som deles. Só espero que você não fique com vergonha de trabalhar para eles. Você vai ter que ouvir muito palpite de todos, .
– Ah, que isso. Eu posso até ficar meio nervosa, mas com certeza posso me acostumar com isso! – Respondi, ficando meio vermelha.
Começamos a rir e a planejar tudo que teria que ser feito. acabou entrando como responsável pela publicidade. Ela poderia me ajudar bastante com as coisas de criação e me dar dicas de cores e organização. Ela era ótima com aquilo e sempre me ajudava. Além do mais, era bom ter alguém realmente conhecido por perto.
– Então é isso, meninas! – Ele disse, se levantando e apertando nossas mãos. – Amanhã, quero vocês duas na Super Records para fazermos o contrato e vocês conhecerem o restante do pessoal. E claro, vocês já poderão começar.
– Obrigada, Fletch! Nos vemos amanhã! – Eu disse e saí junto com .

---x---

Esperei o carro estar um pouco longe para garantir que não ia ter Fletch nenhum por perto e finalmente gritei.
! Eu vou trabalhar na Super Records, cara!
Ela deu uma risada.
– Grande coisa, eu também. – E me deu uma língua.
Depois, ela parou e pensou.
vai ser meu chefe!
– Não, eu sou sua chefe. – Dei minha língua dessa vez.
– O não vai ser meu chefe, oba! – E continuou rindo.
– E agora, vai continuar difícil? – Falei, gargalhando. – Ou vai ficar fácil?
– Eu tenho um plano perfeito. – Ela disse, rindo. – Vou simplesmente ignorá-lo.
– Por quê?
– Ele me ignorou também. Vou devolver na mesma moeda.
– Desde quando ele te ignorou?
– Desde que ele pegou meu telefone e não ligou. – Ela soava confiante. – Mas ele que me aguarde, eu serei mais sexy do que o normal e ele não vai me ter.
Eu comecei a rir alto. sabia seduzir homens, ela tinha o corpo e o cérebro para aquilo. Se ela decidiu, ia acontecer. Mas não deixava de ser engraçado.
– Só não me faça te demitir, ok? – Falei, desligando o carro.
Havíamos chegado à nossa casa rápido.
– Pode deixar... Eu só vou deixá-lo louco! Você não, chefinha! – completou, saindo do carro.


Capítulo 4

Acordamos cedo no dia seguinte. Eu me arrumei como normalmente fazia: roupa simples, meu velho e bom All Star e uma maquiagem básica. realmente levou a sério o papo de ser sexy para ignorar o . Estava simples e chique, se é que isso era possível. Ela estava com uma jeans justa que destacava o seu corpo e uma blusinha bem colada, com um casaco por cima no estilo “foi-a-primeira-coisa-que-eu-vi” que, com certeza, tinha sido bem planejado. Se você a visse andando na rua, acharia maravilhosa e pensaria que ela nem sequer tinha a intenção de estar linda. Parecia que tudo era por acaso. Para mim, era bruxaria.
– Eu queria ter esse seu dom.
– Tudo meticulosamente planejado para parecer que eu nem escolhi a roupa. – Ela disse, rindo. – Tenho que ficar gata mas sem me produzir. Afinal, no dia que eu tiver que me produzir mesmo, ele vai ficar de boca aberta. – Ela tentou soar malvada.
– Você me dá medo! – Falei, pegando minhas chaves. – Vamos, não quero me atrasar no primeiro dia.

---x---

Chegamos ao prédio e fomos direto à portaria.
– Olá. – O recepcionista disse. – No que posso ajudar?
– Hum... – Eu comecei meio sem saber ao certo o que falar. – Nós temos uma hora marcada com o Fletch.
– Qual o nome de vocês? – Ele perguntou.
e . – Respondi.
Ele olhou uma lista em uma agenda, fechou a cara para nós e finalmente respondeu.
– O Fletch não está aqui hoje.
Achei ele estaria pensando que nós estávamos lá porque éramos fãs do McFLY e queríamos nos infiltrar, ou algo do gênero. Falando nisso, que ideia sensacional! Eu poderia ter pensado nisso antes.
– Ele marcou isso com a gente ontem. – Tentei argumentar. – Disse que deveríamos vir aqui hoje, somos as novas empregadas do projeto de website dele.
– Bem, ele não deixou nada marcado comigo e definitivamente não está aqui. – Ele falou como quem coloca um fim na conversa.
Fiquei visivelmente estressada. Como assim ‘ele não estava lá’? E nem tinha avisado nada? Mas não falei nada, me afastei dele e falei com .
– Acho que fomos enganadas ou estamos no lugar errado. O moço ali disse que ele não está aqui e nem marcou nada.
– Eu acho que ele está mentindo! – Ela disse. – Tenho certeza de que ele está aí, ele só deve ter se esquecido de avisar que nós viríamos.
– Sim mas, de qualquer forma, o que faremos agora?
– Vou tentar falar com ele, senta aí e espera. – Ela disse, apontando para uma poltrona no hall, e saiu rebolando.
Ela ia tentar seduzir o porteiro.
Sentei-me enquanto ela falava com o porteiro e fiquei olhando ao redor, vendo como era tudo por dentro do prédio. Era muito claro, com um ar industrial extremamente moderno. Eu esperava um lugar mais clássico, cadeira de madeira, algo mais estilo inglês clássico. O recepcionista estava quase chamando a segurança para nos colocar para fora do prédio quando entrou, o cumprimentando.
– Oi, Ed! Tudo em cima? – Olhou para nós duas e parou. – Meninas! Vocês por aqui? – Finalmente, ter esquecido a máquina serviu para alguma coisa!
me reconheceu e nos colocaria para dentro porque, fora isso, não serviu para nada. Nesse mesmo instante, o recepcionista arregalou os olhos e fez uma cara de “me-ferrei-barrei-amigas”. E fez uma cara de “viu-só-como-eu-não-estava-mentido?!”. Só faltou dar língua para ele.
– Você as conhece, Sr. ? – Ele perguntou, aflito.
– Sim, sim. São umas amigas minhas... –
Amigas. Tem noção de que eu me achei muito nesse momento? Tipo... Ele só estava fazendo um favor pra mim e tal... Não precisava falar isso. Mas se o ficava dizendo por aí que eu era amiga dele, eu podia me achar.
– Mas então... O que vocês fazem aqui? – Ele disse e se virou para nós duas, o que me fez acordar do momento de loucura total por ele ter me chamado de amiga.
– Bem, o Matthew nos chamou para uma reunião hoje... Mas, pelo visto, ele não deixou nada marcado e nem está aqui. – Eu disse, olhando de para o recepcionista.
– Ah, então vocês são a surpresa do Fletch? – disse, olhando para nós duas e parando mais tempo do que deveria para olhar a .
O plano dela tinha dado certo, estava babando.
– Não sei. O que seria essa surpresa? – falou e, então, ele acordou do transe, balançando a cabeça.
Eu realmente queria ter o dom da de deixar homens daquele jeito.
– Ele disse que o estava tramando umas coisas e que ele tinha arranjando a líder de equipe perfeita na internet. Chamou todos nós para uma reunião hoje para conhecermos as meninas.
mal tinha parado de falar e eu já viajei. Ai, meu Deus. “Chamou todos nós”. Eu ia encontrar com ele. maravilhosamente gostoso , meu amor. Respirei fundo e continuei agradecendo o fato de ser uma pessoa que conseguia controlar bem as emoções para ninguém notar o que eu realmente estava sentindo no momento.
– Pois é... Somos nós e já estamos atrasadas porque ele não nos deixou passar. – Falei apontando com a cabeça para o recepcionista.
o olhou com cara de "por que você fez isso?". Edward, o recepcionista, ficou preocupado e tratou de se defender na frente do chefe.
– O senhor tem ideia de quantas meninas aparecem aqui de hora marcada com o Fletch todos os dias? Como não tinha nada avisado, eu tive que barrar.
– É, faz sentido, a culpa é toda do Fletch. – Disse, abanando as mãos – Enfim... Vamos entrar, meninas? – abriu o braço para mostrar o caminho e nos deixou passar na frente.
Podia jurar que o vi piscar para o recepcionista, que também estava babando ao ver “desfilar”, mas podia ter sido só minha impressão mesmo. Eu tinha sérios problemas de nervos no momento, imaginando o sem blusa me esperando, o que obviamente era apenas um fruto da minha imaginação sacana.
Percebi se segurando para não perguntar o motivo de ele não ter ligado para nós. Afinal, como ele falava com a gente como se nada tivesse acontecido depois de nos ignorar por quase duas semanas inteiras? Mas ele foi mais rápido.
– Então, ... – Fiquei com as pernas bambas, ele ainda lembrava meu apelido.
lembrava de mim e era meu amigo.
– Por que você nunca respondeu a mensagem que eu mandei?
– Como assim? Eu respondi na mesma hora!
Percebi desviando o rosto do olhar sorridente de .
– Eu nunca recebi essa mensagem, achei que vocês não queriam papo comigo. Aí eu nem liguei...
continuava calada, olhando para o teto e murmurando algo sobre como a arquitetura moderna da sala deixava o ambiente mais clean e organizado, mas eu sabia que ouvia atentamente a minha conversa com .
– Espera, me deixa confirmar aqui o número para o qual eu enviei a mensagem. – Falei, pegando o meu celular e olhando o primeiro número da agenda, “AAAA TELEFONE DO ”, e ditei o número.
Depois que eu disse o número, ele bateu na testa.
– Caramba, eu coloquei o telefone do ! Sou um imbecil!
Ele disse que... Ai, meu deus do céu, eu tinha o telefone do esse tempo todo e não sabia. Dei um grito interno, mas continuei com cara de paisagem enquanto mudava o telefone para “Amor da minha vida <3 <3 <3”. Como eu era idiota...
– Então foi isso. Vocês não me odeiam!
– Você acha mesmo que eu ia te odiar? Eu comprei um ingresso VIP pro seu show! –Comecei a rir.
– Mas e aí? Você me deu o seu telefone ou não, ? – disse, virando para .
– Pergunta pro . – Ela disse, rindo.
– Vou perguntar. – Ele disse com um sorriso malicioso.
Continuei conversando sobre bobagens da minha vida com enquanto andávamos pelo corredor. Chegamos à sala do Fletch e travei antes de passar pela porta. e me olharam.
– Qual o problema, ? – perguntou.
Eu continuei muda.
– Ah, não, ! – tinha sacado. – Você realmente se tocou só agora que vai trabalhar para os seus ídolos?
– Ué, você estava conversando comigo de boa até agora. – disse.
– É, mas é diferente, ! Eu já me acostumei com você! – Falei, apontando para o rosto dele, que deu uma risada da minha cara.
– Ok, hora de você se acostumar com os outros agora... – Disse, segurando meus ombros e me empurrando porta adentro. – Relaxa, você é muito legal, eles vão te adorar... Qualquer coisa, eu estou aqui.
– Obrigada, ! – Parei de andar e dei um abraço nele.
Ele começou a rir e virou-se para .
– Tá nervosa também? Quer um abraço?
– Estou nervosa, mas não preciso do abraço. – disse e entrou na frente.
Ela estava no esquema de ignorar o pobre do . Não sei como conseguia resistir ao poder sexy dele. Eu, definitivamente, não resistiria.
Fato: se o oferecesse um abraço, eu nunca mais soltava.
– Relaxa, , ela só se faz de difícil. Te garanto que ela tá no seu papo. – Falei baixinho.
Ele deu um grande sorriso e entrou comigo na sala.
já estava cumprimentando Fletch e conhecendo os meninos. entrou na frente.
– Desculpa o atraso! – E foi sentando ao lado de .
o estava cumprimentando no momento. Depois, ela passou direto por .
– Já nos conhecemos. – E se sentou no lugar reservado pra ela, que era ao lado de .
Senti inveja e quis me matar por ela não saber quem o era. Afinal, se ela tivesse a capacidade de diferenciar os meninos, ela jamais sentaria ali. Enquanto eu entrava, pude ver todos sentados e notei de papo com . Se ela estivesse pensando em usar meu amor pra fazer ciúmes, ela ia já perder o emprego. Eu me exaltei pensando e fiquei vermelha. No mesmo segundo, Fletch começou.
– Esta é a ! – Apontou para mim sorrindo. – Nossa mente cibernética. – Todos olharam para ele e fizeram cara de “cala a boca, Fletch, essa piada não teve graça”.
– Mente cibernética? – demorou um pouco e, então, entendeu. – Ah, porque ela vai cuidar do site, né?
Como ele era lindo. Quase esqueci como se andava enquanto todos eles me olhavam. Fiquei parada por uns segundos.
– Pode sentar aqui. – bateu a mão numa cadeira vazia ao lado dele. – Prometo não deixar ninguém te morder.
Todos começaram a rir e eu sentei no meu lugar. Os meninos e o Fletch acabaram virando as cadeiras e formando uma roda para que pudéssemos conversar melhor.
– Você não esteve no nosso camarim? – me reconheceu.
– Estive sim. – Falei sorrindo, ainda estava meio nervosa de falar com eles.
– Foi ela quem esqueceu a máquina no camarim. – começou a falar. – E a é a dona da máquina. – Ele apontou para cada uma de nós enquanto falava.
– Aquela que eu quase quebrei? – perguntou.
– Isso mesmo! – disse, rindo.
Ficamos um tempo jogando conversa fora até que Fletch finalmente começou a falar das ideias dele e do para o site. No final das contas, havíamos bolado um grande e interativo site. Existiriam duas categorias, membros premium e membros comuns. Os membros premium teriam acesso a um chat exclusivo com várias salas onde poderiam interagir entre si e também com os membros da banda e do staff que, além de conversar com os fãs, poderiam fazer webcams ao vivo. Era uma ideia ambiciosa, mas muito legal. Eu, como fã, amaria ter a chance de ver e conversar com os meninos via chat. Os membros comuns teriam acesso aos vídeos publicados e a todas as matérias, mas não poderiam ver vídeos exclusivos nem entrar no chat.
– Então está tudo resolvido. Vocês já podem começar a contratar o resto da equipe e começar a trabalhar no site. – Fletch disse por fim. –, você é a líder da equipe do McFLY Super City.
Este havia sido o nome escolhido após uma pequena disputa entre e que, depois, com as ideias de e , finalmente acharam que “Super” era a palavra certa.
– E tem inteira permissão para contratar, demitir ou banir alguém da equipe, ou mandar eles – Apontou para a banda. – ficarem quietos enquanto você trabalha.
– Eu posso mandar no McFLY?! Nem no meu sonho mais louco. – Comentei em português só para enquanto os meninos reclamavam de alguma coisa com o Fletch.
– Enfim, meninas, está tudo na mão de vocês. Agora eu tenho outra reunião, os meninos vão mostrar qual é o andar que está reservado para o site. – Ele disse.
Todos nós nos levantamos e fomos para o tal andar.
– Um andar inteiro? – Eu comecei. – Para quê tudo isso?
– É porque ele quer manter todos que vão trabalhar nisso num lugar só... – disse. – O Fletch tem mania de organização. Se dependesse de nós, todo mundo ficaria bagunçado. – O telefone dele tocou e ele se afastou para atender.
Acabou tendo que ir embora mais cedo, tinha um encontro com sua namorada, Jenny. Fiquei meio triste. Afinal, eu ainda nem tinha conversado direito com ele... Mas como estava trabalhando com eles, teria todo o tempo do mundo para aquilo. Logo, tratei de me animar.
O andar era bem grande e tinha umas seis salas. Uma dessas salas era a maior de todas e tinha ligação com uma segunda sala. Decidimos que essas iam ser a minha sala e a de , por serem as maiores e por terem a ligação. Assim, nós poderíamos nos falar todo o tempo.
Começamos a fazer uma lista das coisas que precisaríamos e das pessoas que teríamos que contratar.
Enquanto fazíamos as listas, uma das assistentes do Fletch entrou na sala e me entregou um envelope. Dentro, tinha um cartão de crédito e um bilhete: “Para comprar o que for necessário. Use com sabedoria, Fletch.” Eu tinha acabado de receber um cartão de crédito para torrar o dinheiro do McFLY. Claro, eu não pretendia usá-lo para comprar coisas para mim e sim para transformar aquele andar em um lugar descolado para todos que trabalhassem lá nos ajudassem a fazer o melhor site já inventado.
Depois de um dia grande de trabalho, nos despedimos deles e fomos para casa.
Assim que chegamos, passamos quase a noite toda falando sobre os meninos... estava tendo um "intensivo" sobre McFLY comigo.
– Ok, foi o . – Ela respondeu a última pergunta.
– Isso! – Eu disse, sorrindo. – E dessa vez, você falou o sobrenome certo também.
Ela tinha sido capaz de falar , mas ela estava melhorando.
– Chega. Vamos dormir? – Ela disse. – Amanhã, a gente trabalha cedo!
Concordei e corri para meu quarto. Ao deitar na cama fiquei pensando em tudo que aconteceu e imaginei que, se eu dormisse, poderia acordar do sonho a qualquer momento. Belisquei-me. Soltei um gemido de dor e me arrependi de ter me beliscado. Aquilo realmente era a realidade. Dei um sorriso e dormi.


Continua...



Nota da autora: "E ai pessoal, como estão? Essa quarentena acabou com a minha rotina, troquei o dia pela noite e tenho dormido a manhã inteira, já percebi que não sirvo para home office em horário comercial. Haha
De qualquer forma, vou tentar manter as atts mais regulares, a demora dessa foi pura e simplesmente desorganização minha, vou tentar não repetir! <3

Beijos!"



OUTRAS AS FANFICS DA AUTORA:

Beyond [Harry Styles - Shortfic]
Sinais do Tempo [Harry Styles - Em Andamento]
Tarefa Final [Originais - Shortfic]


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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