Última atualização: 09/01/2020

Prólogo
O que aconteceu com nós?


— Quando foi que você virou isso? Você não era assim! — Tom exclamou, sentindo seu peito gelar por completo.
— Não, meu querido Tom! Eu sempre fui assim! Você me conheceu exatamente como eu sou! — gritou de volta, furiosa.
— Não, não! A que eu conheci jamais teria feito algo desse nível — protestou ele, agora nervoso. — Por Merlin, o que aconteceu com você?
— Nada! Não aconteceu nada! — gritou novamente, sem qualquer resquício de paciência.

Tom passou a mão pelo rosto, seguindo para os cabelos. É nítido que os dois estão nervosos, suas respirações ofegam e seus corpos parecem tremer com a raiva que sentem no momento. está com os cabelos bagunçados, causados pelos movimentos frenéticos da jovem em andar por todos os lados. Suas roupas estão um pouco abarrotadas, nada muito visível. Seu rosto, entretanto, está vermelho. Seus olhos faíscam em puro ódio e, naquele momento, ela está totalmente incapaz de responder por conta própria.
— Eu... eu não sei se posso — Tom prosseguiu, soltando um suspiro. o analisou, vendo-o sentar em um canto, sobre uma caixa velha. — Está acabando com...
— Acabando com o quê, Riddle? — questiona ela, amarga.
— Acabando com... eu não posso...
— DIGA, RIDDLE — gritou de novo, totalmente impaciente.
— ESTÁ ACABANDO COM A GENTE! ERA ISSO O QUE QUERIA OUVIR? — gritou ele de volta, fazendo recuar e se desarmar por completo.

A jovem ficou tão surpresa pelo comentário que simplesmente desarmou. Ela não havia respostas, não havia cartas na manga e nenhuma ideia mirabolante para contradizer Tom. A verdade é que, com aquele comentário, ele havia feito se despedaçar. A expressão chocada da garota com certeza bastou para finalizar a discussão e um pouco de paz era tudo o que Riddle queria naquele momento.
, não sei em que ponto você se perdeu de mim... mas eu nunca quis isso — confessou, com a voz um pouco rouca pelo fato de ter gritado. — Nós dois não éramos isso.
— Fale por você, Riddle — murmurou ela, voltando a expressão de raiva.
— Não, Blossom. Eu estou falando por nós — ele a rebateu, sério.
— Quando você vai entender que nós dois não somos NADA? — perguntou ela, gesticulando com os braços.
— Não somos nada, ? — levantou, indo até a jovem. A respiração de ambos voltou a ofegar. — Você realmente tem certeza de que é isso que quer?
— Me diga você, Tom — provocou, olhando fundo nos olhos do rapaz alto e sedutor. — Prove para mim o que temos e eu direi o que quero.

Riddle prensou fortemente contra a parede do banheiro, com os olhos afervorados. A tensão aumenta e os milímetros que os separavam foram cortados com a união dos lábios necessitados de Tom pelos da jovem . As mãos do rapaz deslizam pelas vestes tradicionais da moça, enquanto as mãos dela afundam nos cabelos perfeitamente ajeitados dele.

Naquele momento, sabia que estava entregue a ele.


Capítulo 1
Um trio diferente.


nem conseguia acreditar nas palavras do Chapéu Seletor quando ele a colocou na . Olhou com um certo olhar de desdém para os demais alunos, preenchido por uma arrogância absoluta. Ela levantou, com um sorriso nada amigável no rosto, e se uniu aos demais colegas na mesa. Aquela cerimônia realmente não lhe interessava, muito menos as palavras calorosas do diretor, Armando Dippet.
Na verdade, realmente não liga para ninguém ali. Seu olhar é realmente de poucos amigos, mas toda essa aversão é justificável. Ela está ansiosa. Desde criança era obrigada a ouvir sua família falar sobre Hogwarts; a felicidade de seus pais quando seu irmão mais velho, Noah, recebeu a carta foi totalmente indescritível. O garoto havia sido selecionado para a Corvinal, então havia sido uma tremenda surpresa ela ter ido parar naquela casa. A decisão do Chapéu Seletor havia sido inusitada, afinal, passaria os próximos anos de sua vida ali.
— Ei, Blossom! — uma garota a chamou. olhou em sua direção, observando os cabelos escuros, os olhos claros e um sorriso amigável, além das sardas completando sua aparência. — Sou a Harris, mas você pode me chamar de .
— Olá, acenou, educada. — Prazer em conhecê-la.
— Seu irmão é muito amigo do meu irmão. Passaram o verão falando de você — diz, sentando ao lado da mesma.
— Noah anda falando de mim? Estou surpresa — afirma ela, cruzando os braços sobre a mesa.
— Mas por quê? Ah, não se preocupe, falaram bem — sorriu a morena, tentando consertar a fala. deu de ombro.
— Noah é estranho. Não sei como conseguiu virar capitão da Corvinal, mas não me importa muito. Eu acho inclusive que ele está na casa errada — afirmou, fazendo dar risada.
— Seu irmão é muito popular por aqui, sabia? As garotas caem matando — disse a mesma, risonha.
— A popularidade é irrelevante — respondeu, apoiando a cabeça na mão. — Noah é bonito, não posso mentir... mas às vezes é idiota. Eu não me deixaria levar pelo charme, .
— Você é tão ácida... — afirmou a menina, chocada. — Gostei de você.
— Idem — sorriu a moça, entusiasmada.

As duas ficaram em silêncio para ouvir o restante da seleção. Uma garota um pouco mais magra, franzina e de pele bronzeada, de cabelos curtos e uma franja bem picotada foi chamada. James é o nome dela. Foi selecionada para a mesma casa que e , sendo chamada para sentar próxima das duas. Ela é muito tímida, mal deu para ouvir sua voz.
— Amiga, relaxa — diz, animada. — Vai ser divertido!
— Suponho que sim — afirma. — Está nervosa, não está?
— Um pouco — comentou a menina, timidamente.
— Vai ficar tudo bem. Não há nada com o que se preocupar aqui! — insiste, abraçando a mesma.
— Vamos começar com o básico. Meu nome é Blossom, sou de Inverness, Escócia.
— Meu nome é Harris, sou de Londres, Inglaterra!
— Sou a James, de Cardiff, País de Gales.

Em questão de alguns minutos, a jovem já estava a vontade. A atenção de transitou do assunto em que estavam conversando animadamente para o rapaz franzino, de cabelos perfeitamente arrumados e roupas impecáveis. Tom Riddle é seu nome. Ele sentou sobre o banco e o Chapéu Seletor mal encostou em seu cabelo quando anunciou alto e em bom tom: Sonserina!
— Aquele garoto... tem alguma coisa nele — sussurrou, próxima das garotas que não disfarçaram em nada ao olhar para ele.
— Você fareja absurdos agora? — provoca, rindo.
— Não exatamente, mas garanto que sou muito intuitiva. É de família — explicou a jovem, dando de ombro.
— O seu irmão é o Capitão do time da Corvinal? — perguntou. estranhou, porque aparentemente todo mundo ali sabia disso. Foi então que ela recordou do que disse um pouco antes.
— É, sim — confirmou a moça, desinteressada.

Os momentos de felicidade da moça duraram pouco, porque Noah apareceu no Salão Principal, conversando animadamente com algumas garotas que estavam com ele. Ao ver a sua irmã mais nova na mesa, ele pareceu se animar mais, indo na direção da mesma.
— Ei, ! Droga, perdi a cerimônia — comentou o garoto, sentando ao lado da irmã.
— Eu nem notei — rolou os olhos, servindo seu prato com a comida que apareceu diante de seus olhos.
— Credo, que mau humor todo é esse? — Noah perguntou, curioso. deixou os talheres de lado, olhando para o irmão com um pouco de raiva.
— Estou aqui há 30 minutos e você só resolve dar o ar da graça agora. Adorei os amáveis comentários sobre você, meu amor — disse ela, no tom mais falso que conseguiu sair. — Pelo visto se tornar o Capitão do Quadribol trouxe bem mais do que a popularidade, não acha?
— Minha nossa, sua pequena naja — exclamou o garoto, em choque. — Limpa esse veneno que está escorrendo das presas.
— Noah, você e eu sabemos bem o motivo do meu mau humor — o acusou, deixando os demais espectadores interessados na discussão. — Você azarou o meu gato de novo!
— Aquela praga que você tem de mascote? Foi merecido! — devolveu o irmão, pouco interessado.
— É melhor você sumir da minha vista antes que eu azare você, peste bubônica — a jovem Blossom alterou a voz moderadamente.
— Ela está blefando — se intromete, notando que os dois se encaram como se fosse sair faísca de seus olhos.
— Não, não está — Noah recuou. e se entreolharam. — Espero que seu ano seja interessante, maninha.
— Some — respondeu ela ríspida, com os lábios semicerrados.

Assim que o garoto se afastou, as duas novas amigas de a olharam atentas e curiosas. Ela tornou a comer, como se o que tivesse acontecido ali não tivesse significado absolutamente nada ou até mesmo acontecido. sempre levou seu gato, Sabbath, muito a sério. Ela ama o gato como fosse a única coisa boa da sua vida e o protege com a sua vida. Ao descobrir que Noah havia maltratado o seu bichano, ela simplesmente enlouqueceu.
— Então... hã... azarar? Nós acabamos de entrar no castelo... — comenta, um pouco receosa.
— Achei um livro em casa sobre azarações — explicou. — Na biblioteca do meu pai. Estudei por uns meses antes de vir para Hogwarts.
— Esse tipo de coisa é raridade hoje em dia — afirma, de forma muito sábia.
— Eu sei. Por isso atraiu a minha atenção — sorriu. — Meus pais tem um certo fascínio por artes ocultas e afins.
— Ah, isso parece ser legal — deu de ombro, cortando a carne de seu prato.
— Você não faz ideia — afirmou, com duplas intenções.

Na mesa, o garoto Riddle havia prestado atenção no que ela havia dito. Achou curioso o comentário sobre artes ocultas, já que aquilo era realmente um assunto um tanto quanto delicado. Não há muitos bruxos praticantes dessa arte, e os que existem raramente são mencionados. Digamos que a maioria evita qualquer tipo de problema, uma vez que as artes ocultas são perigosas. Isso deu a entender muita coisa sobre a família Blossom.
— Ele está olhando para cá — murmura. disfarçou antes de olhar na direção mencionada pela colega.
— Estou dizendo... esse garoto é estranho — afirma, ajeitando os cabelos .
— Seus pais fazem o quê, ? — mudou totalmente o assunto.
— Meu pai trabalha no Ministério da Magia, mas é mais para não ficar no tédio — Blossom explica, indiferente. — Minha família é muito bem estruturada financeiramente, eu poderia me formar em Hogwarts e não me preocupar com dinheiro. Minha mãe prefere alquimia, então passa o tempo inventando coisas. E vocês?
— Papai é Auror — diz. — Mamãe trabalha no Ministério na Execução de Leis Mágicas.
— Mamãe trabalha n’O Profeta Diário — comenta, empolgada. — Papai é um historiador bruxo, está sempre por aí.
— Interessante. Uma variedade de profissões — sorriu, levantando da mesa.

As três seguiram entusiasmadas para o dormitório. desfez a mala com muita preguiça, deixando seu uniforme preparado para o primeiro dia de aulas. Sabbath, o seu gato preto de lindos e intensos olhos verdes, estava deitado sobre sua cama, lambendo as patas. A jovem o colocou debaixo da coberta ao pé da cama, então deitou, virando para .
— Como acha que será? — questiona ela, demonstrando um interesse repentino.
— Acho que vai ser legal — afirma a garota, ainda animada. — Está com o seu horário?
— Primeira aula é Transfiguração — responde a mesma, bocejando.
— Perfeito! Vai ser um bom dia, sem sombra de dúvidas! — exclama ela, deitando enfim.
— Se você estiver errada, nós vamos brigar — afirmou a jovem Blossom, rindo.
— Prepare sua varinha, Blossom — provoca a garota, risonha.
— Boa noite, . Boa noite, — disse ela, bocejando novamente.
— Boa noite, — as duas responderam uníssonas.

fechou a cortina ao redor da cama, ouvindo Sabbath ronronar. Ela acariciou a cabeça do animal, deitando em seguida. Por incrível que pareça, o olhar de Tom Riddle ficou impregnado na sua cabeça e ela com certeza sabe que há algo a mais por trás da aparência ingênua que este transmite.

[...]


— Bom dia, alunos — o homem alto e de barba e cabelos escuros cumprimentou os jovens. — Meu nome é Alvo Dumbledore e eu serei o professor de Transfiguração de vocês.
O professor possui tanta presença que é impossível desviar a atenção dele. Foi exatamente o que pensou na sua primeira aula. Dumbledore é um professor que não mede esforços para ensinar e fazer tudo parecer magnífico. A jovem Blossom ficou tão encantada e entusiasmada que nada naquele momento podia quebrar sua concentração.
— Estou certo em dizer que podemos esperar grandes coisas de vocês — prossegue o professor, com os olhos cintilantes. — Dentro destas paredes vocês irão aprender a arte da transfiguração e além. Portanto, guardem as minhas palavras, elas lhes serão úteis no futuro.
Dumbledore havia fama de ser um excelente bruxo. Um dos maiores de seu tempo, como dizem por aí. A verdade é que a fama realmente faz jus ao seu dono; Dumbledore é um professor muito habilidoso e talentoso. Talvez os seus métodos de ensino sejam a razão pela qual se sente tão confortável e ansiosa para aprender. Ela não pretende desperdiçar um segundo sequer. Ao final da aula, quando a sineta tocou, ela recolheu seus livros e saiu acompanhada de e . As três já se tornaram inseparáveis.

— Não acharam interessante? Eu estou ansiosa demais para a próxima aula com Dumbledore — diz, suspirando de felicidade.
— Eu quero descobrir como será com o Professor Slughorn, se quer saber — afirma, compartilhando da mesma excitação que .
— E você, ? Qual é a aula que tem mais interesse em conhecer? — indaga, passando a andar entre as duas.
— Herbologia, Feitiços e algumas outras — responde a garota, não tão entusiasmada assim.
— O que foi? Você está bem? — questiona, preocupada. — Se for algo sério, vamos até a enfermaria.
— Não, não... estou legal — afirmou a menina, sorrindo forçada. — Acho que o café da manhã não me caiu muito bem.
— Está ansiosa de novo — observou, minuciosa. A pequena concordou. — Podíamos aprender alguma poção para isso, um calmante...
— Credo, vai dopá-la? — gargalhou alto, fazendo esboçar um sorriso tímido.
— Por falar em poção calmante, nós vamos nos atrasar para a classe do Slug! — exclama, olhando o seu horário.
— Santo Merlin, vamos! — as puxou com pressa em direção às masmorras.

As três saíram apressadas pelos corredores, tentando alcançar os demais alunos. Elas entraram por último na sala, precariamente iluminada e cercada por estantes, caldeirões e frascos, além dos ingredientes usados de forma tradicional. Elas se aproximaram do grupo formado na frente da sala, aguardando pelo professor.
A porta abriu e uma figura não muito alta, de cabelos castanhos e roupas a rigor entrou na sala. Seu rosto é bondoso, como quem anseia para compartilhar seu conhecimento com os demais. Ele tomou a frente da turma, colocando as mãos para trás de seu corpo e dando uma boa olhada nos jovens bruxos presentes.
— Bom dia a todos. Sou o professor Horácio Slughorn e estamos aqui para aprender a arte de confeccionar poções. Não temam em falhar, pois saibam que a perfeição requer prática — diz ele, calorosamente. — Hoje nós iremos fabricar uma poção antídotos para venenos comuns. Por gentileza, peguem seus livros e eu irei separá-los em duplas.
Slughorn chamou os alunos pelo sobrenome, embora tenha confundido alguns, para o divertimento de . Aos poucos, alguns alunos sobraram. A jovem Blossom permaneceu calma, mas ficou aliviada em saber que suas duas amigas tinham acabado juntas. Por fim, havia sobrado ela e mais uma garota, além de dois rapazes. Um deles é Tom Riddle.
— Blossom e Riddle, a mesa do canto — Horácio diz, observando os dois se entreolharem com uma certa desconfiança.
A garota deu de ombro, seguindo para a mesa com o garoto. Sentaram lado a lado, permanecendo em silêncio. Horácio estipulou o tempo para o preparo da poção, então abriu o livro na página da poção, lendo o passo a passo da mesma. Ela colocou o bezoar na argamassa, fazendo um pó finíssimo no pilão. Tom colocou 4 medidas do bezoar esmagado no caldeirão, enquanto colocou 2 medidas de ingrediente padrão ao mesmo.
Enquanto aguardaram o caldeirão aquecer a uma temperatura média, passaram cinco segundos e Tom mexeu a sua varinha sobre o caldeirão, então ambos deixaram fermentar. Seria necessário 40 minutos no caldeirão de estanho até que estivesse no ponto ideal, então, neste intervalo, eles prepararam os demais ingredientes.
— Vou pegar o caldeirão de latão — diz, enfim se comunicando. O garoto assentiu e ela levantou, indo buscar o objeto. Assim que o pegou, retornou à mesa e os dois depositaram o líquido no segundo caldeirão, devolvendo-o ao fogo por mais 34 minutos precisamente.
— O próximo é o caldeirão de cobre — Tom diz, pela primeira vez desde o início da aula. — 30 minutos.
— Quer pegar os chifres de unicórnio enquanto eu cuido das bagas de visco? — indaga, vendo o garoto concordar. — Excelente.

Os 34 minutos passaram, então outra vez trocaram o caldeirão para o de cobre. Mais trinta minutos de espera passaram. Tom adicionou 1 pitada de chifre de unicórnio, enquanto mexeu o caldeirão no sentido horário duas vezes, acrescentando enfim 2 bagas de visco. mexeu o caldeirão novamente no sentido anti-horário duas vezes, então finalizou a poção com um movimento da varinha. O líquido possui a cor azul-petróleo e, a julgar pela consistência, está no ponto ideal.
— Pelas barbas de Merlin! Não vejo uma boa poção assim há anos! — exclama Slughorn, encantado. olhou para Tom com um sorriso de vitória no rosto. — Excelente, meus jovens pupilos, excelente!
— Obrigado, senhor — Tom agradece, sorrindo.

Slughorn avaliou as demais poções e a única igualada a de Tom e foi a de e . As restantes não foram tão boas, mas foram boas o bastante. Ao final da classe, quando a sineta tocou novamente, levantou, guardando o seu material, analisando de forma curiosa o garoto Tom escrever algo em um livro de capa preta.
— Até, Riddle.
— Blossom.

Ela juntou-se com e , saindo da masmorra. O clima pareceu um tanto quanto suspeito, mas ela optou por não dizer nada, até porque seus pensamentos iriam para o túmulo com ela. Depois do terceiro período, elas foram direto ao Salão Principal para o almoço. As três se reuniram na mesa da casa, notando os demais colegas.
— Qual a sua primeira impressão do Riddle? — questiona, entusiasmada.
— Nada demais. Ele é quieto, mas parece ser muito inteligente — Blossom responde, dando de ombro.
— Tímido, talvez? — sugere, fazendo com que as duas amigas pensassem.
— Possivelmente — afirmou, servindo o prato com um purê de batatas. — Mas tem algo a mais nisso.
— Ah, fiquei sabendo que ele é órfão — diz, cujo tom de voz baixo é proposital para que ninguém além das duas ouça. — Isso explica muito, não?
— Órfão? — quase exclama alto, surpresa.
— É... aquela garota, Walburga Black, é insuportável, mas é muito fofoqueira. Ouvi ela comentar com o primo dela, Orion — explicou, risonha. — Depois disso, começou a falar sobre a supremacia dos puro sangues e blá blá blá.
— Ah, muito comum — deu de ombro, mastigando em seguida. — Principalmente porque ela pertence a uma das 28 Famílias Sagradas.
— Eu acho bem... idiota — murmurou, concentrada no seu prato. — Mas enfim, saber que ele é órfão explica muita coisa mesmo.
— Você está com uma cara de quem vai aprontar — afirmou, olhando fundo nos olhos de .
— Isso é coisa da sua cabeça, — desconversou Blossom, entediada. — Não tenho interesse em Riddle.
— Acredito em você — sorriu.

sorriu de soslaio. Ela só não flagrou os olhos de Tom sobre ela, voltando a sua atenção para o diário próximo do prato, anotando algo e o fechando em seguida.


Capítulo 2
A Seção Restrita.


Durante a noite, sedenta de curiosidade, entrou na biblioteca pouco antes do horário esgotar. Se algum monitor lhe pegasse ali, certamente estaria em problemas, por isso tomou todo o cuidado do mundo para não ser descoberta. Esgueirou-se do seu pequeno esconderijo, indo em direção às seções reservadas que claramente não lhe são permitidas. Um barulho fez com que ela percebesse que não estava só.
— Riddle? O que faz aqui?
— Me diga você, Blossom — respondeu o garoto, de forma defensiva.
— Insônia. Gosto de ler quando não consigo pegar no sono — devolveu ela, revirando os olhos. — Sua vez.
— Estava estudando — responde, convincente. balançou a cabeça, pouco convencida da resposta.
— Nesta seção? Você é corajoso — sorriu, sentando ao lado do menino, fazendo-o recuar.
— E você é bisbilhoteira demais — murmurou, voltando sua atenção ao livro. o analisou melhor, notando certas manchas em seu pescoço.
— De onde você vem, Riddle? — questiona, atraindo a atenção dele outra vez. Blossom se divertiu com o desconforto do garoto.
— Não é da sua conta — devolveu, impaciente.
— Meu palpite é que veio daquele orfanato. Aquele de Londres. Eu vi você uma vez — afirmou ela, deixando o menino constrangido e surpreso. — Eles são durões, não são? Batem, abusam...
— E com que direito você fala assim?
— Conheço alguém de lá — deu de ombro, encostando-se na cadeira. — Meus pais me trouxeram para Londres, por causa do Ministério. Um dia eu estava passeando com uma tia, então vi você na janela. Infeliz, solitário, triste.
Riddle disfarçou o máximo que pôde, mas não por tanto tempo. está totalmente certa. O orfanato lhe deu uma pré educação bem rígida, onde o poder prevalece. Tom cresceu endurecido, desconfiado e sozinho. Ele aprendeu a não confiar nas pessoas e sempre manter as coisas para si. Mas pareceu desvendá-lo em questão de segundos e isso, infelizmente, é uma habilidade impressionante.
— Eu posso ver nos seus olhos que a sua chegada aqui não foi tão acolhedora — prosseguiu, se aproximando do mesmo. — E eu entendo você, ah, como eu entendo.
— O que você sabe sobre solidão, Blossom? Você cresceu em uma família visivelmente amorosa, cercada de coisas boas — Tom cuspiu as palavras, para o divertimento da garota.
— Eu sei, e eu certamente não tenho muito o que falar, mas acredite em mim quando digo que isso tudo é irrelevante — diz, calmamente. O garoto estranhou, recuando. — Nenhuma fortuna do mundo pode preencher o vazio que eu sinto. E você sabe como é. Você sabe porque você sente.
— Tudo teria sido diferente se ela estivesse viva — Tom murmurou, cheio de raiva.
— Sua mãe? — questiona, com a sobrancelha arqueada. O garoto assentiu. — A minha mãe também não é lá essas coisas...
— Como ela é? — pergunta, curioso. sorriu.
— Uma mulher aristocrata, que só liga para as unhas e as suas experiências idiotas — responde ela, com desdém e nojo. — Meu pai? Só liga para o cargo e a fortuna. Meu irmão? A popularidade lhe cegou. Todos eles são meras moscas que se cegam diante dos problemas abaixo dos seus narizes arrebitados.
— Então você realmente sabe como é — Riddle cruzou os braços, encostando-se na cadeira.
Algo em seus olhos deixou claro que ele estava confortável com a presença e a companhia da garota. Satisfeita por ter penetrado a “primeira casca” do rapaz, certamente não iria parar por ali. Ela quer mais. Tom, por outro lado, pela primeira vez ao longo dos seus onze anos, sentiu que aquela garota era digna da sua confiança. Ela lhe provou que entende como ele se sente e é a primeira vez que alguém não lhe trata com tamanha indiferença. É a primeira vez que alguém lhe é amigável.
— O que você quer de mim, Blossom? — Tom questiona, completamente desconfiado.
— Nada. Você só me é curioso, Riddle. Gosto de enigmas ambulantes — a garota sorriu novamente, deixando o garoto surpreso. — Acho que podemos formar uma amizade bem improvável, não?
— Ao que parece... você já é bisbilhoteira por natureza. Se eu não permitir, não vai parar — argumentou ele, voltando a ler o livro sobre magia oculta.
— Aliás, este livro é interessante, mas eu não recomendaria ele — provocou, levantando. Ao olhar para a corda que separa a Seção Reservada, ela rolou os olhos. — Muito eficaz.
— Não imaginei que tinha um certo desprezo pelas regras, Blossom.
— Se você não gostasse de quebrar os regulamentos, não estaria aqui — devolveu ela, piscando.
A audácia da garota é realmente algo que lhe atrai, sem sombra de dúvidas. Mas assim como sentia algo a mais no garoto, Tom também pôde perceber que ela, assim como ele, vive de aparências e é certo que Blossom esconde algo. O problema da questão é que ele não é tão bom em desvendar as pessoas, seu único caminho é a persuasão, mas ele percebeu na hora que persuadir levará tempo. Ela não é tão fácil assim, muito menos manipulável. A garota dos cabelos atravessou a corda, abrindo o armário dos livros velhos e lendo as lombadas, retirando outro livro sobre artes das trevas.
— Este aqui é muito mais informativo — disse, entregando o mesmo ao rapaz. Ele a encarou desconfiado, algo que ela certamente flagrou.
— Interessante — murmurou, lendo o título do livro entregue por ela.
— Achei que passamos da fase da desconfiança, Riddle — sorriu-lhe, deixando o garoto um pouco ansioso. — Enfim, se está interessado nas Artes das Trevas, eu conheço muitos livros bastante informativos. Me procure qualquer hora dessas, adoraria conversar sobre esse assunto.
Dito isso, sorriu travessa antes de deixar o garoto sozinho, retornando ao dormitório da . Ela entrou de forma tão sorrateira que sequer notaram sua ausência. Blossom retirou Sabbath de baixo da sua coberta, acariciando o animal que ronronou e então deitou, sentindo-se satisfeita por ter conseguido permanecer em uma conversa decente com Riddle por mais de dez minutos. Enquanto navegava submersa em seus pensamentos, ela sequer notou que ainda estava acordada e estava atenta a cada movimento seu, curiosa como sempre.
— Onde esteve? — questiona a garota, puxando a cortina para o lado, assustando Blossom.
— Na biblioteca — respondeu, se recompondo depressa, para o divertimento da amiga. — Estava sem sono, resolvi ir ler alguma coisa para me distrair.
— Como é que você entra nos lugares sem ser descoberta? Inveja! — exclama ela, baixo. sorriu com isso.
— Quando você cresce numa casa imensa como a minha, você aprende a se esgueirar sem chamar atenção — explicou, deitando. — Tom Riddle estava lá.
— Santo Merlin, e aí? — senta na cama, cruzando as pernas.
— Conversamos muito pouco — responde, omitindo certos detalhes. — Mas até que é simpático.
— Ele é órfão mesmo? — pergunta, curiosa. viu os olhos da amiga brilharem de pura excitação.
— É — respondeu, balançando a cabeça. — Disse a ele que o vi no orfanato enquanto estava em Londres.
— Espera, isso é verdade? — questiona, agora confusa.
— Não — sorriu. — Eu só joguei uma isca e ele mordeu, mas confirmou o que eu já suspeitava.
, você é má! — ouviram exclamar, dando risada.
— A questão é que ele é um garoto solitário e cheio de ódio. Isso pode ser muito bem aproveitado se você souber como utilizar — disse Blossom, enigmática. As duas meninas novamente se entreolharam, um pouco assustadas com a fala da amiga.
— Às vezes você é um pouco macabra, já te disseram isso antes? — indaga, sentando na cama.
— Você não tem ideia — respondeu, deitando-se. — Enfim, boa noite, garotas. Durmam bem.

Naquela noite, dormiu feito bebê. Nunca tinha dormido tão perfeitamente como dessa vez, por isso odiou ter que levantar na manhã seguinte e se esgueirar para dentro do seu uniforme, preparando-se mentalmente para enfrentar o horário do dia.
A primeira aula seria Herbologia, com o professor Herbert Beery, é particularmente insuportável. Suas aulas são monótonas e entediantes, pelo menos é o que Noah diz. Hoje ela tirará a prova limpa. Depois de vestir o uniforme e arrancar suas amigas da cama, as três desceram para o Salão Principal, sentando na mesa da e servindo-se com os pães, bolos e as outras delícias fornecidas pela cozinha de Hogwarts.
— Vai à biblioteca hoje à noite? — questiona, empolgada. a encarou, como se o seu olhar fosse capaz de transformar a amiga em pó. A garota percebeu que havia falado alto demais, sentindo as bochechas pegarem fogo. — Ok, desculpe-me.
— Possivelmente — Blossom respondeu, bebendo o chocolate quente da sua caneca. — Digamos que eu encontrei uma seção interessante, pretendo procurar algo mais tarde.
— Credo, você é um pouco estranha às vezes — comentou, risonha. sorriu muito satisfeita.
— Eu sei que sim, obrigada — devolveu ela, sorridente.
— Mas então, não vai nos dizer o que você tanto procura na biblioteca? — questiona, curiosa.
— Não. Ainda não — responde a moça, despreocupada com a curiosidade das amigas. — Se eu encontrar, talvez. Até lá, bico calado, por gentileza.
As meninas assentiram, em partes um pouco nervosas. pareceu tranquila, como se nada naquele dia pudesse atrapalhar seu bom humor. A garota dos cabelos chamativos levantou, disposta a ter uma boa manhã e muito produtiva. A primeira aula do seu dia é Herbologia, então a jovem Blossom seguiu acompanhada das amigas até à estufa, em completo silêncio, absorvida em pensamentos.
— Bom dia, meus queridos — o homem apareceu, animado. — Sou o professor Herbert Beery e nós iremos aprender sobre uma plantinha muito fascinante conhecida por suas amplas propriedades mágicas. Alguém tem um palpite do que é?
— Com licença, senhor Beery — levantou a mão, chamando atenção dos colegas e do professor. — Esta não seria a planta Ditamno? Ela é conhecida por ser um item indispensável na fabricação da ‘Essência de Ditamno’ e na Poção Wiggenweld.
— Excelente, minha cara. Cinco pontos para a ! Prestem atenção com a planta, ela também é conhecida por liberar vapores inflamáveis — Beery sorriu, entusiasmado.
Todo mundo olhou para o pequeno exemplar que o professor Beery tinha em mãos. aproveitou para fazer um esboço da planta no livro, anotando instruções simplificadas de como utilizar as principais partes da mesma, além de informações adicionais de como preparar a essência de ditamno para curar ferimentos moderados e graves.
— Portanto, se você possuir algum corte superficial, ingerir uma folha de Ditamno cru é uma opção, pois a propriedade curativa da planta irá agir — afirmou o professor, mostrando aos alunos algumas das folhas da planta.
— Interessante, você não acha? — sussurrou, fazendo as suas anotações.
— Demais. Isso é realmente muito útil — Blossom respondeu, terminando de anotar as informações passadas pelo professor. — Professor, é realmente verdade que é possível fabricar uma varinha cujo núcleo é composto de Ditamno?
— Uma pergunta muito interessante, Srta. Blossom — o professor respondeu, levemente surpreso pela questão levantada pela estudante. — E sim, é possível e um tanto quanto raro. As propriedades deste tipo de varinha são desconhecidas.
— Mas supondo que sejam compostas deste núcleo, é possível que a varinha seja inclinada e mais favorável para praticantes de medicina, correto? — insiste ela, olhando diretamente nos olhos do professor.
— Exato. As varinhas deste núcleo são inclináveis para praticantes de medicina, uma vez que são influenciadas pelas propriedades medicinais da planta — responde o homem, ainda entusiasmado.
A sineta tocou, indicando o fim da aula. As meninas juntaram os livros, indo para fora da estufa em direção à sala onde iriam ter Defesa Contra As Artes das Trevas. Foi naquela manhã que, pela primeira vez desde o encontro na biblioteca, encontrou com Tom. Os dois se entreolharam, então a garota levantou e sentou atrás do menino.
— Ansioso, Riddle? — pergunta ela, inclinando-se sobre a mesa.
— Ansioso para quê? — devolve ele, intrigado. Ele obviamente não enganou a garota.
— Eu gosto da forma como você tenta me persuadir, mas precisa melhorar — devolve , sorrindo. — Vai à biblioteca hoje à noite?
— Talvez. Por quê? — murmurou Riddle, um pouco irritado.
— Te vejo mais tarde — afirmou a garota, retornando ao assento.
Tom não sabia com exatidão o que sentia naquele momento. Ele certamente acha interessante a presença da garota ao seu redor, a sua falta de ingenuidade também é atraente. Apenas o seu modo de falar sobre dezenas de assuntos diferentes lhe dá a certeza de que é muito mais inteligente do que aparenta ser, o que lhe deixa um pouco incomodado.
No orfanato ele era obrigado a lidar com valentões, então quando começou a descobrir suas habilidades, mesmo sem saber que era um bruxo, Tom atormentou um por um, incluindo uma garota chamada Amy Benson e um garoto chamado Dennis Bishop, os levando até uma caverna e os atormentando ao ponto de deixá-los traumatizados. Além daquela façanha, ele usou seus poderes para pendurar o coelho de outro órfão nas vigas do orfanato.
Mas claro que todo esse comportamento tinha um motivo. Tom era constantemente abusado pelos colegas, não tinha um amigo e muito menos alguém a quem recorrer em momentos difíceis. Nem mesmo os funcionários de lá eram gentis. O pequeno Riddle teve uma pré infância dura, crescendo com o medo iminente de ser bombardeado devido à guerra, além do tormento que sofria diariamente. A vida no orfanato era um completo pesadelo.
Quando Alvo Dumbledore surgiu, o pequeno havia imaginado que o homem era um médico ou psiquiatra, mas sentiu uma certa compreensão quando este lhe revelou a verdade por trás das suas habilidades. Tom saiu sozinho do orfanato em direção ao Beco Diagonal, recebendo recursos de Hogwarts para comprar seu material; algumas vestes de segunda mão, os livros e a varinha. Sozinho.
entendia perfeitamente como ele se sentia, porque, como a própria havia dito, dinheiro nenhum podia preencher o buraco do seu peito. Ela estava completamente amarga, dominada por um rancor imensurável e cheia de determinação de provar seu valor, independente do custo. Ela enxergou em Tom Riddle a oportunidade perfeita para se vingar. só queria apenas uma única coisa.
Ela queria sentir.

[...]

— Não achei que fosse vir — a voz de Tom atraiu a atenção da garota.
— Eu nunca descumpro com a minha palavra, Riddle — devolveu ela, sorridente. Tom esboçou um sorriso tímido, embora a garota não tivesse flagrado o gesto.
— Eu tenho um pedido — o garoto levanta, indo até ela.
— Diga.
— Pode me ajudar? — questiona ele, pegando-a de surpresa. ponderou por instantes, imaginando o que iria dizer.
— Depende — devolveu a garota. — Quer ajuda com o quê?
— Eu preciso descobrir quem são os meus pais, meu pai, mais precisamente — responde Riddle, um pouco incerto da sua decisão. — Não quero voltar àquele maldito orfanato. Fico enjoado somente de recordar do lugar.
— E por que diabos quer que eu o ajude? — devolve, cruzando os braços. Tom suspirou, notando que deveria dizer tudo ao invés de tentar enganar a garota.
— Você é muito inteligente, . Mais do que eu gostaria de admitir, inclusive — responde, entre outro suspiro. — Não imagino que 1/3 dos estudantes sejam tão espertos assim.
— Gosto do meu ego inflado, mas vá direto ao ponto, Riddle — a garota o corta, impaciente.
— Eu não quero voltar para lá. Eu quero saber quem eu sou, a quem pertenço — confessa o garoto, um pouco trêmulo. — Aquele lugar é horrível. Eu preciso da sua ajuda, .
— Certo — responde ela, levantando da mesa onde estava sentada, andando em direção a ele. — E o que eu ganho com isso?
— Vou ficar te devendo um favor — Riddle afirma, odiando a ideia ao todo.
— O que eu quiser? — provoca, se divertindo com as reações do mesmo.
— Sim.
— Temos um acordo — afirmou a moça, sorrindo novamente.
Riddle se permitiu sorrir, se sentindo feliz por ter encontrado alguém que poderia confiar. Ou talvez seja o caminho que o rapaz deseja seguir. Não sabia o porquê, mas entendia que aquela era a única pessoa que poderia se abrir. Talvez pudesse até mesmo demonstrar suas inseguranças, por mais que odiasse senti-las. A verdade é que Tom não gosta de se abrir, mas, com , ele sabe que é involuntário.
— Você é diferente — murmurou Riddle, atraindo a atenção da garota outra vez. — Não tem nada de comum como os outros.
— O que é comum na sua concepção? — questiona, curiosa. Os olhos cintilam.
— É extraordinária, em todos os sentidos — afirma o menino. — Eu a observei nestes primeiros dias e eu devo admitir, estou impressionado.
— É mesmo, Riddle? — ela o provoca, em um tom sarcástico. — Meu mundo faz mais sentido agora que conquistei a sua atenção.
— Ácida como limão — devolve ele, também em um tom sarcástico. sorriu. — Gosto disso.
— Eu ficaria constrangida, mas como eu não estou aberta a me permitir estar me importando, eu deixo passar — deu de ombro, fazendo Tom sorrir novamente.
— Você tem tanto potencial. Pode fazer coisas absurdamente grandes — afirma ele, demonstrando uma certa intimidade.
— Eu digo o mesmo de você, Riddle — diz, calmamente como sempre. — Aliás, eu gosto dessa imagem de menino frágil. É convincente.
— Como você consegue? — questiona, curioso.
— Os olhos não mentem, Riddle. Eles são a janela da alma, você pode ver o que quiser através dos olhos de alguém... basta apenas interpretar os sinais.
sabia bem como jogar o jogo dele, mas nem por isso iria se deixar levar pela imagem propositalmente criada como parte de algo maior. Tom tinha muito medo da morte, isso é fato. Este medo aumentou quando Dumbledore lhe revelou o destino da sua mãe; se ela era bruxa, não deveria ter morrido. Era o que o garoto pensava. Seu pai? Bem, Tom torcia para que fosse um bruxo importante, por isso precisava de . Duas cabeças certamente pensam melhor que uma, e, no caso dele, a inteligência altíssima da menina pode lhe fornecer muita coisa. Blossom tem mais recursos e, portanto, é uma excelente aliada.
— Sobre o orfanato, eu creio que possamos fazer algo a respeito — anunciou ela, deixando o garoto surpreso.
— O que tem em mente, Blossom? — pergunta Tom, interessado no assunto.
— Eu conheço alguns feitiços, só preciso da varinha de alguém — responde, um tanto quanto misteriosa. — Você sabe o que acontece caso façamos magia fora da escola?
— Dumbledore me disse quando foi me ver no orfanato — respondeu.
— Ótimo. Isso é bom — balançou a cabeça. — Eu tenho algo em mente, mas é muito complexo... preciso ler e praticar, mas até às férias, posso fazer.
— Não vai me dizer o que é? — Tom questiona, curioso.
permaneceu em silêncio, se perguntando se deveria revelar seus planos tão cedo, sem ter a certeza absoluta de que teria a habilidade para executá-lo, mas, tendo em vista que precisa conquistar a confiança de Riddle, ela não hesitou.
— Nós vamos alterar as memórias dos meus pais, meu irmão e a mulher do orfanato. Vamos fazê-los acreditar que você foi adotado.


Capítulo 3
Um Plano Ousado


passou dias vasculhando livros para aperfeiçoar a parte teórica do feitiço, mas não sabia como aplicar a parte prática. Ela compreendia que se tentasse usar em alguém poderia se meter em problemas maiores, as consequências certamente seriam catastróficas. Apenas Riddle sabia do plano absurdamente audacioso da garota, mas, vendo que era a única solução para não voltar ao orfanato, ele topou. As outras duas pessoas disponíveis eram e , mas Blossom não estava disposta a arriscar a vida das duas garotas.

— Você está estranha — afirmou, pegando no meio da refeição. — Está aprontando, não está?
— Estudando — respondeu, desviando o assunto. — Estou passando algum tempo na biblioteca.
— À noite? — foi a vez de dizer algo.
— Digamos que é um horário excelente para ler alguns livros da seção reservada — respondeu Blossom, sorrindo maldosa.
— Então é isso o que tem feito? Entrando na seção reservada? Você é muito maluca — afirmou, totalmente perplexa.
— É apenas por estudos, garanto — mentiu, mas de forma muito convincente.
— Mas você vai nos contar ou pretende nos manter no escuro? — insiste, determinada a arrancar algo da amiga.
— Se eu contar, não vão gostar das consequências — afirma Blossom, um tanto quanto impaciente.
As meninas queriam indagar mais coisas, porém um aglomerado e gritos frenéticos atraíram a atenção de todos do Salão Principal. São os jogadores dos times de Quadribol, os da Grifinória e os da Corvinal. Amanhã terá a primeira partida do ano, então todos os alunos estão ansiosos e nervosos, o que é de se esperar. Isso, contudo, pareceu a oportunidade perfeita para praticar o feitiço.
— Se vocês me dão licença, eu preciso ir — levantou, saindo do Salão antes que pudessem entupi-la com mais questionamentos.
! — exclamou, vendo a amiga ir para longe.
A garota esbarrou com o irmão, mas o ignorou por completo e seguiu em direção à sala de aula de Feitiços. Por sorte, conseguiu encontrar a Professora Fortinbras antes que a própria fosse em direção à sala dos professores, uma vez que a aula dela já havia acabado.
— Com licença, professora — a chamou educadamente, atraindo a atenção da mulher. — Eu estou com uma dúvida.
— No que posso ajudar, senhorita Blossom? — a professora responde, disposta a ajudar uma de suas melhores alunas.
— Eu estive há pouco tempo estudando alguns feitiços avançados, apenas por mera curiosidade, então me deparei com o feitiço da memória — começou usando suas palavras delicadas para persuadir a professora. — Eu gostaria de saber se os meus sentimentos aumentam a intensidade do feitiço.
— Uma boa pergunta, . A resposta é muito variada, não somente o seu sentimento deve ser levado em conta, mas também deve considerar o que você pensa no momento em que pretende executá-lo — responde a professora, calma. — Por exemplo, se você realmente estiver irada e quiser causar danos, então seu feitiço será muito poderoso e os danos causados serão severos. Entretanto, se você apenas quiser alterar uma memória, considerando que não está na intenção de causar danos permanentes, então o feitiço será mais sutil. Você poderá revertê-lo, se for apenas uma alteração, é claro.
— Isso difere do feitiço Obliviate? — indaga, indo mais fundo.
— Sim. O feitiço obliviate tem a função de fazer alguém esquecer algo, portanto a sua complexidade aumenta. Ele não é facilmente reversível, arrisco a dizer que somente outro feitiço poderoso que cause uma dor imensurável pode quebrar o encanto — a professora responde, ingenuamente. — O feitiço de alteração da memória, porém, pode ser facilmente quebrado. Como ele apenas cria memórias falsas, não causa danos mentais. Não exige o uso da dor, seu nível não é tão complexo, mas, neste caso, ambos devem levar sentimentos e pensamentos em consideração.
— Eu entendi. Muito obrigada, professora — a garota agradeceu, sorrindo.
— Espero que seja apenas para fins acadêmicos, senhorita Blossom. Não quero vê-la metida em problemas, entendido?
— É claro, professora — sorriu novamente. — Apenas para fins acadêmicos.

Com as informações necessárias, já tinha absolutamente tudo o que precisava. Ao descer as escadas, indo em direção ao banheiro feminino do segundo andar, ela ouviu algumas conversas das meninas, lideradas por Walburga Black. As garotas conversam animadamente sobre a lenda do castelo, envolvendo algo sobre uma Câmara escondida em seu interior, algo que teria sido feito por Salazar Slytherin. Aquilo certamente lhe causou curiosidade.
— Mas ninguém realmente sabe onde ela está. Não passa de uma mera lenda — Walburga comentou com as amigas, entre risadas. — Dizem que só o Herdeiro de Salazar poderia abri-la.
— Mas você não acha que, se realmente houvesse uma câmara, ela já não teria sido encontrada? — uma das garotas responde, em dúvida.
— Talvez? A questão é que, se Salazar realmente a criou, ela estaria muito bem escondida — Black deu de ombro, ajeitando os cabelos na frente do espelho.
— Isso é fato — a outra garota afirma, ajeitando suas vestes. — Bom, acho melhor irmos, quero ver se encontro Abraxas Malfoy.
escondeu-se em uma das cabines antes que as três a vissem, então esperou que saíssem para que deixasse o local que estava. Ao se certificar de que o banheiro estava vazio, ela aproximou-se das pias, lavando as mãos e o rosto. A ideia é muito arriscada, mas ela está convicta de que consegue executar o feitiço com precisão. Depois de se secar, a jovem Blossom saiu do banheiro, esbarrando acidentalmente com um garoto alto, de cabelos loiros muito claros e um rosto de traços finos, com um queixo levemente pontiagudo.
— Não é muito comum derrubar os outros no chão — murmurou, levantando.
— Mas foi você quem saiu apressada sem nem olhar por onde anda — devolveu o garoto, ajudando a menina. — Sou tão bonito assim para fisgar a sua atenção?
— Sim. Você é o centro do meu universo, sem você nada faria sentido — respondeu ela sarcasticamente, rolando os olhos.
— Ah, então é você a talentosa Blossom — afirmou, sorrindo maldoso. — Ouvi muito de você nos últimos dias, bruxinha.
— E você é Abraxas Malfoy — afirmou, cruzando os braços. — Também tenho ouvido muito de você.
— Me pergunto o que anda fazendo até tarde da noite na biblioteca com Riddle — provocou o loiro, vendo a expressão no rosto da garota mudar.
— E de onde tirou essa conclusão? — devolve, curiosa.
— Meu amigo Nott e eu estávamos andando pelo castelo quando vimos você deixar a biblioteca, seguida por Tom. Ficamos curiosos, então vimos a cena repetir nos dias seguintes... — explicou Malfoy, sorrindo.
— Sabe, Abraxas, a biblioteca pode ser muito útil para quem quer fazer as tarefas escolares sem qualquer interrupção — afirmou, desmanchando o sorriso da cara do garoto. — Se estiver interessado, pode se juntar a nós qualquer dia. É interessante ter companhia para estudos.
— Quem sabe, bruxinha. Quem sabe — Abraxas sorriu galanteador.
— Abraxas! Você está aí! — ouviram outro garoto o chamar. Ele é alto, magro, de cabelos escuros e intensos olhos azuis. — Estive te procurando em todos os cantos!
— Acalme-se, meu amor — Abraxas respondeu, para o desprazer do garoto. — Que modos péssimos são esses, Nott? Não vai cumprimentar minha amiga?
Blossom — o garoto a encarou, com uma leve arrogância no olhar, o qual a menina gostou de sentir.
— Nott — a garota sorriu, tão arrogante quanto ele.
— É impressão minha ou a tensão sexual cresceu depressa? — Abraxas provocou outra vez, risonho.
— Cale a boca — Nott rolou os olhos, para o divertimento de Malfoy. — Vamos indo? Temos compromisso.
— Ah, é — Malfoy suspira, como se tivesse esquecido de algo muito importante. — Tinha me fugido da memória. Até mais, .
— Malfoy — a garota acena com a cabeça. — Nott.
organizou melhor as suas roupas, abarrotadas pela colisão entre ela e Malfoy, então tratou de andar apressada até a biblioteca. Aquele local certamente virou o ponto de encontro entre Blossom e Riddle, mas ela havia se surpreendido ao não o encontrar lá. avistou de longe algo escondido próximo da mesa da seção reservada, onde ela e Tom costumavam ficar durante a noite. A garota se aproximou discreta e pegou o pequeno pedaço de pergaminho, abrindo-o.

“Pátio da Torre do Relógio, no almoço.
Não se atrase, Blossom.
Riddle.”


A garota guardou o pergaminho no bolso, então saiu. Este lugar geralmente não fica muito cheio, o que é perfeito para mais um encontro. desceu as escadas com urgência, encontrando o garoto em um canto, isolado dos demais alunos, acompanhado apenas de um livro, como sempre. Ela se aproximou do menino como se não quisesse nada, então tomou um lugar ao lado dele.
— Descobri — anunciou ela, em tom baixo. — Acho que podemos tentar.
— Você tem certeza? — indaga ele, levemente receoso. deu de ombro.
— Se tudo der certo, meus pais não vão sofrer consequências... aliás, se funcionar com eles, eu posso fazer o mesmo com a Sra. Cole — responde, sentindo excitação. Estava ansiosa para descobrir o quão talentosa ela é — O fundamental é fazer meus pais acreditarem que te adotaram, em seguida, faremos a Sra. Cole acreditar na mesma coisa. Nós iremos para a minha casa, você se livra do orfanato e poderemos descobrir quem é a sua família.
— Você realmente vai fazer isso com os seus pais? — Tom pergunta, demonstrando estar incrédulo.
— Vou. Além do mais, é apenas uma mentira inofensiva. Estamos fazendo isso para um bem maior — a garota deu de ombro, indiferente.
Tom encarou como se estivesse diante de uma criatura magnífica. A garota não estava esboçando nenhum tipo de receio diante do seu plano, e a convicção em seus olhos deixaram claro que ela não hesitaria em fazer conforme o planejado. Riddle ainda não entendia qual o interesse a Blossom mais nova tinha sobre ele, mas, naquele momento, não importava. Ele só não queria ter de voltar ao orfanato durante as férias e, se dependesse da sua mais nova amiga, isso não iria acontecer.
— Amanhã terá uma partida de Quadribol, meu irmão vai jogar. É a melhor oportunidade que temos para testar o quão boa eu sou com feitiços — diz ela, passando longe da humildade. Tom sorriu. — Porém falta alguém que seja idiota demais para aceitar.
— Uma cobaia? Por que não tenta com Abraxas? Vi vocês dois no corredor... ou até mesmo Nott — Riddle responde, sugerindo seus dois “amigos”. — Inclusive acho que posso arranjar isso para você.
— Acho que Malfoy é esperto demais. Tentaremos o Nott primeiro, caso contrário, Abraxas será a segunda opção — concorda, dando de ombro. Ela ponderou mais alguns minutos, imaginando como melhorar o plano. — Mas eu tenho uma ideia melhor.
— E seria? — Riddle questiona.
— Leve o Nott até a entrada da Floresta Proibida. Ele não precisa saber o que faremos, eu estarei esperando vocês por lá — responde, sentando de frente para o menino. — Assim que estiverem lá, eu farei o feitiço. Tudo o que precisamos fazer em seguida é perguntar, ele nem vai imaginar o que aconteceu.
— Excelente ideia — Tom balançou a cabeça, concordando com a menina. — Ninguém notará nossa ausência, então é muito bem pensado.
— Eu vou indo, me avise se der certo — Blossom levantou, se despedido do menino.
A garota saiu rapidamente do pátio, indo direto à sala comunal da . Ela encontrou Sabbath no chão, lambendo as patas, então acariciou o animal, retirando da cômoda um pequeno diário. anotou algumas coisas depressa, guardando-o novamente na gaveta. Ela trocou de roupa, pegou alguns livros e saiu do local, esbarrando novamente com suas amigas. Ela havia agido de forma muito estranha nos dias que passaram, levantando suspeitas de suas duas fiéis seguidoras.
— Garota, por Merlim, o que é que você está fazendo? Está agindo feito uma maluca desconfiada há dias! — exclama, impaciente.
— Você pode, por favor, não chegar sorrateira assim? — pediu, abaixando a varinha. — Eu tenho meus motivos, agradeceria se não ficasse me entupindo de perguntas o tempo inteiro.
, se você está fazendo alguma coisa, que mal há em nos contar? Não confia em nós? — questiona, cruzando os braços. Blossom ficou tentada em responder um nada sutil “não”.
— O problema não é esse — responde ela, impaciente. — Não envolve somente a mim. É algo que envolve mais pessoas do que o necessário.
— Falando assim até parece que está tramando um complô contra o mundo mágico — rolou os olhos, não notando que isso já havia passado pela cabeça da menina.
— Não é nada. Eu disse que estava estudando, e ainda estou, mas não posso fornecer detalhes — Blossom afirma, tentando manter a calma. Ela odiava ser questionada o tempo inteiro. — Porque é como eu disse, não sou a única envolvida.
— Parece que não confia em nós — sussurrou, um pouco triste. respirou fundo diante do comentário.
— Eu vou contar quando eu ter certeza de que funcionou. Satisfeita? — devolveu a garota, suspirando.
— Bem melhor — sorriu, tão satisfeita quanto a garota. — Mas qual é! Não vai nos dar uma pistazinha sequer?
viu que não tinha escapatória, ela precisou ceder às insistências das meninas. Respirou fundo outra vez, olhando para o teto. Blossom olhou para as garotas, notando a ansiedade das mesmas para ouvir o que quer que fosse, então ela percebeu que não precisava necessariamente contar do feitiço.
— Eu estive ocupada esses dias porque... não queria admitir que estava com dificuldade em Defesa Contra As Artes das Trevas — diz, olhando nos olhos das duas garotas. — Então pedi ajuda a Tom. Ele é bom na matéria, então topou me ajudar e por isso estávamos nos encontrando tão tarde. Não queria que ninguém soubesse.
— E por que não nos contou? Podíamos ter ajudado! — exclama, surpresa.
— Exatamente por isso eu não pedi — afirmou a menina, calma. — Não gosto de admitir que sou ruim em algo.
— Ah, ! — deu risada. — Era isso? Todo o mistério porque estava com dificuldades?
— Riddle me ensinou a matéria, então quero ver se a técnica dele vai dar certo — disse, um pouco aliviada por tudo ter funcionado.
— Oh, menos mal — as duas disseram uníssonas.
— Bom, devemos ir, não? Imagine chegar atrasada na aula do Binns — diz, começando a andar pelo corredor.

A aula de História da Magia foi insuportável. não sabia se pegava no sono ou se tentava lançar algum feitiço de azaração nas suas amigas apenas para se divertir, mas o fato é que ela realmente não conseguiu prestar atenção em nada do que o homem estava dizendo. Quando a sineta tocou, indicando o fim da aula, a garota agradeceu imensamente a Merlin, juntando todo o seu material para deixar a sala o mais depressa possível. A cabeça de estava fervorosa diante dos pensamentos e da excitação com a proximidade do grande dia.
O jantar para ela foi rápido. ainda iria até a biblioteca procurar mais alguns feitiços ou qualquer informação útil. Ela viu Tom e desviou o olhar, voltando sua atenção para o seu prato. O Professor Dumbledore também encara ambos com curiosidade, imaginando quais pensamentos passavam por suas cabeças e no que suas ações resultariam. A mente humana é realmente fascinante, mas nada se compara à motivação que o ódio causa.
A família de é poderosa e influente, há muitos anos eles contribuem indiretamente dentro do Ministério, mantendo sempre discrição e uma identidade anônima, o que não impediu alguns bruxos de se envolverem com as artes das trevas. Os pais de e Noah Blossom são adeptos da prática, mas sempre mantendo tudo em segredo. O pai dos irmãos, Harold, é um homem influente e persuasivo, ditando que “não há nada que não seja para o bem maior”, frase que a própria levaria para a vida.
A verdade é que os parentes distantes da garota haviam simpatizado fortemente com os ideais de Gellert Grindelwald. Os próprios pais dos irmãos haviam comparecido a uma das reuniões feitas por Grindelwald, na América. Noah não compartilha dos mesmos ideais de sua família, a prova disso foi ter entrado para a Corvinal, algo que não é muito usual, mas mesmo assim seus pais se orgulham muito do homem que ele está se tornando.
Pensando nas infinitas possibilidades, se retirou e foi direto ao dormitório sem sequer esperar suas amigas. Ela estava com pressa naquela noite, mas, além disso, estava ansiosa. Sua preocupação não é com o erro, porque ela sabe que é boa demais para cometer erros. Na verdade, está com receio de que não exceda as suas expectativas.

Depois de dar o horário, a garota enfim decidiu encontrar com Riddle na biblioteca. Ela levantou, olhando para ver se era a única acordada e, ao se certificar do fato, a Blossom levantou. Enrolou-se no robe preto que havia trago, então deixou o dormitório e a sala comunal, caminhando em passos silenciosos para a biblioteca. Ela realmente não gostaria de encontrar com ninguém, mas o feitiço saiu pela culatra quando deu de cara com Abraxas e Nott, ambos bisbilhotando a entrada da Biblioteca.
— Em que posso ajudá-los, meninos? — questiona, assustando os dois garotos. Abraxas gritou alto com o susto, sendo calado por Nott. — Viu um fantasma. Malfoy?
— Você ficou maluca? Que ideia foi essa de sair assustando os outros por aí? Minha nossa, será que eu fiquei feio com isso? — o garoto se desesperou, para o prazer da menina. Nott rolou os olhos, entediado.
— Eu é quem pergunto de quem foi a incrível ideia de bisbilhotar a biblioteca. Esperam encontrar quem? — Blossom cruza os braços, sorrindo.
— Não é nada — Nott respondeu, entediado. ergueu uma sobrancelha, não convencida.
— Se não é nada, não há motivo para estarem aqui — afirmou ela, ainda sorrindo sarcástica.
— Mas e você, queridinha? Está fazendo o que aqui? — Malfoy questiona, semicerrando os olhos com desconfiança.
— Costumo vir ler quando não consigo dormir. É bom o bastante para você, Malfoy? — cruzou os braços, com o tom de voz sarcástico o bastante para atrair a atenção de Nott outra vez.
— É justo, se quer saber — o menino deu de ombro, convencido pela resposta dada. — Riddle está aí?
— Não sei, estou aqui e não lá — Blossom revirou os olhos, secamente.
— Credo — Abraxas riu, pouco incomodado com a resposta. — Está de mau humor?
— Só quando idiotas me incomodam — respondeu, sorrindo ironicamente.
Abraxas ponderou por instantes para que pudesse formular alguma resposta à altura, mas se calou quando percebeu a quem estava referindo o “idiota”. Os três ouviram barulhos no corredor e perceberam que o grito que Malfoy havia deixado escapar também fora ouvido por mais alguém. Com medo de serem descobertos, os dois rapazes e a menina se esconderam na biblioteca, atrás das últimas estantes, pedindo a Deus que ninguém os encontrasse ali.
— Que tal não gritar feito uma cabra quando estiver espionando alguém, Malfoy? — ouviram a voz rouca de Tom cortar o silêncio, saindo de onde estava.
— Outro que gosta de brincar de fantasma — Abraxas murmurou, rolando os olhos. — Vem cá, Gasparzinho, não te disseram que é feio matar os outros do coração?
— E não te disseram que também é feio bisbilhotar os outros? — Riddle devolveu, sério. Nott respirou fundo, notando que ninguém ali iria admitir de fato o que estavam fazendo fora do dormitório. — Deveriam voltar. Vão pegar vocês aqui, ainda mais agora que provavelmente ouviram Abraxas gritar.
— Tom tem razão — afirmou, entre um suspiro parcialmente desanimado. — Vejo vocês mais tarde.
Ela não queria admitir a ninguém que tinha odiado a interrupção causada por Nott e Abraxas, mas infelizmente não tinha muito o que fazer naquele momento, então achou melhor retornar ao dormitório antes que fosse descoberta por algum monitor ou algum professor. Certamente sua intenção não é atrair a atenção de ninguém, até porque ela odiaria ser o centro das fofocas das garotas. É tudo o que ela não precisa no momento.


Capítulo 4
Um Golpe de Sorte.


Os planos de e Tom mudaram drasticamente quando perceberam que não deveriam arriscar com Nott e Abraxas, portanto, decidiram agir de imediato com os pais da menina. O final do primeiro ano letivo havia sido normal, sem maiores problemas, com exceção de algumas confusões causadas pelas admiradoras de Noah, para o constante aborrecimento da Blossom mais nova.

— Posso saber o motivo dessa ansiedade toda? — Noah questiona a irmã, ignorando os gritos das meninas eufóricas. — Você está agindo estranhamente, diria que até mais que o normal.
— Não é nada. Só quero ir para casa — desconversou, pegando Sabbath no colo.
— Olha, , se eu não te conhecesse bem eu diria que está tramando algo — Noah sorriu maldosamente.
— Por que você não vai se ocupar com Quadribol ou as suas seguidoras ridículas e para de me encher um pouco, sim? — devolveu, impaciente. Noah recuou um pouco, levemente intimidado pelo tom usado.

Os dois desembarcaram na Estação King’s Cross, onde a menina pôde ver Riddle. Seu olhar melancólico encontrou o dela e soube na hora que ele só queria ter outro lugar para ir. Ela respirou fundo, indo até o menino agoniado e um pouco desconcertado, enfim o tocando no ombro. Tom a encarou com urgência, talvez porque estivesse preocupado demais com o seu destino dali em diante, mas algo em lhe transmitiu um pouco de conforto.
— Vai ficar tudo bem — disse ela, tranquilamente.
— Odeio ter que voltar para lá — confessou o garoto, desanimado. olhou na direção dos pais, imaginando se poderia adiantar o seu plano.
— Me espere aqui, Riddle — o ignorou por completo, indo em direção ao seu pai, a quem ela sempre fora mais próxima. — Pai, meu amigo, Tom, ele pode ficar com a gente durante as férias? O orfanato é ruim, as pessoas são cruéis com ele lá... são trouxas.
— Quem é o seu amigo, ? — o pai da garota questionou, curioso. A Blossom mais nova apontou na direção do menino, então lhe lançou uma piscadela rápida e discreta. — Muito bem, traga-o aqui.
nem sabia como reagir, mas obedeceu ao pai, indo até Riddle e o levando até o homem. Os pais da garota analisaram o menino com intriga no olhar; não entendiam o porquê de a filha mais nova haver feito amizade com um simples menino órfão. Na verdade, eles estavam até surpresos de ter feito amizades. A garota é tão reclusa quanto uma concha e dificilmente se abria com eles, então avaliaram a situação com cautela. Havia algo de estranho no ar, mas não iriam deixá-la aborrecida.
— Como se chama, rapaz? — a mãe de questiona, ajeitando os cabelos de Tom.
— Tom Riddle, senhora — respondeu, tímido.
— E você tem onde ficar, Tom? — foi a vez do pai dos irmãos questionar, ao qual o menino respondeu balançando a cabeça. — Pois bem, nos pediu para que deixássemos você ficar conosco durante as férias. Se não houver maiores problemas, poderá ficar.
— A Sra. Cole do Orfanato está me esperando — Riddle responde, chateado. — Ela é um pouco cruel comigo, não sabe que sou bruxo.
— Podemos resolver o problema, venha — o homem estendeu a mão sobre o ombro de Tom.
Os dois se entreolharam, com um sorriso maldoso surgindo nos lábios da menina. Os pais de e Noah conversaram com a mulher do orfanato, dizendo que levariam o jovem Riddle com eles. Os quatro seguiram para a mansão dos Blossom; para e Noah, a imensidão da casa não tinha nenhuma novidade, mas para Tom, aquilo ali era quase como um castelo.
O casarão da família Blossom possui cerca de 15 quartos e 17 banheiros. No andar inferior há duas imensas salas do lado direito, sendo as de jantar e estar, a cozinha, uma biblioteca com prateleiras embutidas nas paredes, sofás e poltronas vitorianos, além de uma lareira de mármore na parede.
Do lado esquerdo do hall de entrada há uma sala de música, com um belíssimo piano preto, uma mesa e namoradeiras também da época vitoriana. O hall de entrada da casa possui um belíssimo tapete branco no chão, lustres de cristal no teto e uma lareira próxima da escada que leva ao andar superior. Além disso, há algumas poltronas pequenas e uma mesa redonda, decorada por um jarro de flores. Todas as janelas possuem cortinas escuras em contraste com os tons da decoração da casa e todas elas estão abertas, mesmo com as lareiras acesas.
— Calcifer! — Agatha, a mãe dos irmãos chamou em alto e em bom tom. Um elfo miúdo e de olhos âmbar surgiu assim que chamado, parando diante de seus donos, atraindo o olhar curioso do pequeno Tom.
— Prepare um dos quartos, o menino Riddle passará as férias conosco.
— Sim, minha senhora — o elfo respondeu, chamando a atenção do garoto que fora seguido por .
Eles subiram as escadas em silêncio, mas, ao chegar ao segundo andar, o silêncio fora rompido pelas perguntas curiosas de Calcifer sobre o primeiro ano da menina em Hogwarts. Naquele momento, Tom compreendeu que não era tão reclusa como ele achava que ela era e, muito diferente da sua mãe, ela trata a criaturinha com muito respeito.
— Calcifer, deixa que eu cuido daqui — sorriu, parando de frente para o elfo e o menino. — Eu gostaria muito de tomar chocolate quente agora e tenho certeza que Tom também. Traga dois para nós, por favor.
— Como quiser, — o elfo disse, antes de estalar os dedos e desaparecer, deixando os dois sozinhos. — Ele é um pouco tagarela se você der corda demais... enfim, esse quarto é ao lado do meu, legal, não? — questionou, abrindo a porta do mesmo para que Tom pudesse ver, o qual ele ficou admirado pelo tamanho. — Gostou?
— É imenso — disse ele, ainda surpreso. Tom deixou suas coisas de lado, indo sentar na cama ao lado da menina. — Bem maior que o meu quarto do orfanato.
— Agora precisamos convencer os meus pais a te adotarem. Vai ser fácil, papai é bem mais fácil de tentar conseguir algo — afirmou, balançando as pernas no ar. — Noah é mais próximo da minha mãe, então eu prefiro não pedir nada a ela, sabe?
— Agora eu entendi quando disse que fortuna é irrelevante — Tom diz, esboçando uma risada tímida. — E também entendi como você consegue estar nos lugares sem ser notada.
— Acho que nós vamos ter umas férias interessantes, você não acha? — muda de assunto, ignorando o que Tom dissera. — Podemos ir à biblioteca ou começar as buscas pela sua família...
— De fato — Riddle balançou a cabeça, afirmando — O que tem lá?
— O jardim, a estufa onde minha mãe pratica alquimia, um chafariz, os hectares e depois disso é só floresta, mas pertence a nós — respondeu a garota, indiferente. — Quer ir conhecer?
— Depois do chocolate, por gentileza — ouviram Calcifer entrar no cômodo com a bandeja cujas canecas mostram vapor do líquido quente.
— Obrigada, Cal — os dois agradeceram, pegando as canecas de porcelana. — Noah saiu?
— Não, senhorita — o elfo respondeu, abaixando a bandeja. — Está com a sua mãe na estufa.
— Ah, sim. Compreendo — balançou a cabeça. — Nós iremos tomar os chocolates e então iremos passear no jardim, talvez iremos demorar para o chá da tarde, então avise a mamãe por mim.
— Como quiser — Calcifer sorriu, antes de desaparecer novamente.
— Chá da tarde? —Tom indaga, curioso.
— É tradição. Todos os dias meus pais tomam chá, é a hora em que costumamos conversar sobre o dia — explicou, soando bastante entediada. — Isso quando meus avós não aparecem por aqui... eles são um tanto quanto rígidos, chega a ser insuportável... mas gosto muito do vovô.
— Nós chegamos na sua casa tem quase 20 minutos e você sequer disse o nome dos seus pais — Tom observou, bebendo o chocolate novamente.
— Harold e Agatha Blossom — respondeu a menina, olhando para o líquido marrom da caneca. — Meu pai trabalha no ministério, mas somente por lazer, mamãe gosta de praticar alquimia, como eu disse, e Noah... bom, ele gosta de ser o centro das atenções ocasionalmente.
—Mas e você, Blossom? — ele questiona novamente, interessado.
— O que tem eu, Tom Riddle? — devolve a pergunta.
— Eu quero saber quem é a verdadeira e não aquela imagem de fachada que eu conheci em Hogwarts — afirmou o menino, olhando direto nos olhos da garota.
— Não há nada de mim para conhecer, Riddle — disse ela, seca. — Eu sou exatamente o que você está vendo, sem mais e sem menos.
Tom assentiu, mas não convencido por completo. Ele sabe que há algo a mais e, mesmo que tente descobrir o que é, não pretende falar nada. O que quer que seja, ela provavelmente vai morrer se dizer uma palavra sequer. A verdade é que Blossom é um mistério completo e, por mais tentador que seja, Tom sabe que nunca vai conseguir entender quem ela realmente é. Apesar de ela ter sido tão amigável, ele ainda não consegue entender o que a motiva a fazer isso. Claro que ela planeja algo, mas tudo permanece um completo desconhecido.

As duas crianças finalizaram então os seus chocolates quentes, indo enfim passear no jardim externo. Não é muito frio, mas o clima está nublado e cinza, exatamente como o humor de . A menina encarou Tom, imaginando que tipo de coisa passa em sua cabeça, o que ele tem medo e o que irrita. Ela sabe que ele é reservado, mas também sabe que pode tirar o que quiser dele se for muito persuasiva. não se importa se é um joguinho absurdo onde o vencedor é aquele que descobrir algo primeiro, não... ela quer muito mais que isso. Ela enxerga muito potencial em Tom, além de uma inteligência absurda digna de um prodígio.
— Aquele dia, na classe do Slughorn — Tom cortou o silêncio. — Quando ele nos colocou de dupla...
— O que tem? — questiona, olhando atentamente para Riddle.
— Você já me observava há dias — afirmou ele, encarando a garota ao seu lado. — Ouvi você comentar com as suas amigas sobre sua família.
— E o que tem de mais nisso? — arqueou a sobrancelha, intrigada.
— Você me escolheu, não? Está planejando alguma coisa e algo em mim atraiu a sua atenção... não é acaso e eu não sou idiota.
— Olhe ao seu redor, Tom. Quantas pessoas não foram cruéis com você apenas por você ser diferente delas? Quantas pessoas não te deixaram de lado por medo do que você faria? — devolve, impaciente. — Sabe esse casarão bem atrás de nós? Ele cheira a mentiras, traição e sabe-se mais o que! Ele não abriga uma família feliz como as pinturas retratam, não... é muito mais que isso. Essa casa foi construída à base de podridão e tudo nela é tóxico, corrosivo feito ácido e sortudo seja quem sair dela sem um mero arranhão!
Tom nunca havia visto perder a paciência como ela perdeu naquele momento. estava furiosa e fora de si, longe de estar usando seu juízo perfeito para raciocinar perfeitamente. Foi então que o garoto notou algo; havia motivos para ela ser reclusa e tão misteriosa e talvez não fossem claros no início, mas, naquele momento, ficou tão nítido quanto cristal. Os pais de certamente haviam feito algo de ruim para ela. Aquele ódio todo tinha uma justificativa.
— O que aconteceu com você? — Riddle questionou, colocando a mão no ombro da garota, chamando sua atenção. — O que eles fizeram?
— Eles, assim como o resto dessa porcaria de humanidade, só pensam em si próprios. Pessoas são cruéis, sedentas por controle e demonstração de força... não ligam se vão pisar em alguém, principalmente aqueles... malditos trouxas cuspiu as palavras, com nojo. — Ninguém se importa com ninguém, Tom. Você quer saber o que fizeram comigo? Eu vou te contar...
“Um dia, numa tarde qualquer, eu estava brincando do lado de fora da casa dos meus avós. Minha mãe havia viajado, bom, isso é o que ela diz. Meu pai estava em uma convenção de bruxos e Noah estava junto dele, já que é o primogênito e filho homem. Eu não tinha interesse naquela baboseira, então fiquei com o vovô. Sempre gostei muito dele, sabe? Sempre me senti muito protegida e acolhida por ele, muito mais do que com os meus próprios pais... enfim, neste dia em particular, como já disse, estava brincando na rua e vi então a mamãe passar...
“E achei estranho, porque ela havia dito que viajaria a negócios. Portanto, eu achei que seria interessante se fosse descobrir o que ela estava fazendo, então eu a segui. Andei algumas quadras até que ela chegasse em uma casa comum, era de um nascido trouxa. Foi então que eu entendi qual era o tipo de negócio que ela estava fazendo. Minha querida mãe estava traindo o meu pai. Claro que eu queria contar a ele, mas sabia que ela faria com que ele não acreditasse. Mesmo assim, eu tentei. Meu pai teve um ataque de fúria, eles brigaram naquela noite e então, ela me puniu severamente. Meu pai parecia sentir um profundo desgosto por mim, e eu estava triste. Eventualmente, ele descobriu o que aconteceu e não tenho ideia do que ele tenha feito com aquele maldito trouxa.
“O casamento dos meus pais está bem diferente, eles sequer se suportam e minha mãe parece me odiar, só estão juntos porque, de alguma forma, meu pai exerce um certo controle sobre ela e sei que a Sra. Agatha Blossom é vaidosa demais para viver sem seus mimos. Eu passei dias e dias remoendo aquele acontecido e entendi que as pessoas são ruins porque querem ser ruins. E elas são egoístas.”
— O que aconteceu com você depois disso? — Tom questiona.
— Minha mãe é devota a Noah e somente a ele, como se minha existência fosse insignificante para ela, o que me é muito útil. Eu a desprezo de todas as formas possíveis e parece que é algo recíproco — ela respondeu, amarga. — Depois que papai descobriu do caso, eu cai em boas graças novamente e, desde então, ele me protege dela.
— É por isso que você tem tanto ódio das pessoas? — indaga, retoricamente.
— Os trouxas precisam pagar por tudo de ruim que fazem conosco, Riddle.
ficou em silêncio por breves instantes.
— Por isso eu escolhi você, Tom. Você é parte da minha nobre causa.

[...]

Tom Riddle não é um menino ruim, claro que não. Ele só é um garoto desconfiado e amargurado, talvez com medo de que seja machucado como aconteceu no orfanato inúmeras vezes, mas algo na jovem lhe transmite uma sensação de segurança que ele nunca havia sentido antes. Ele ainda não sabe dizer se é o excesso de confiança que a garota possui, ou se é a sua presunção e o seu ar de superioridade, mas ela certamente fornece a ele tudo o que ele nunca sentiu antes. E ele gosta.
No orfanato ele não sabia o que era ser acolhido, muito menos tratado de forma amigável. Naquele lugar ruim ele só conhecia os horrores que as pessoas podiam proporcionar. A sua vida era triste e deprimida, até que aconteceu. Seu jeito amigável e sorrateiro foi conquistando Tom aos poucos, se instalando em seu peito e criando raízes. Só haviam três pessoas que conheciam daquela forma, que tiveram a “sorte” de fazer parte do seu círculo social. Tom Riddle é uma dessas pessoas, talvez a mais próxima e íntima da garota.
O primeiro ano havia sido extraordinário, mas algo de inesperado aconteceu. Graças a Noah, a menina havia começado a ganhar uma popularidade particularmente irritante. Ela odiava ser o centro das atenções de Hogwarts e sabia que seu irmão mais velho havia feito aquilo propositalmente apenas para irritá-la, e ele conseguiu.
Em um dia, era apenas uma estudante qualquer, quase invisível entre os corredores do castelo e, no outro, todo mundo queria estar andando com ela. No começo, era constrangedor ter tanta gente prestando atenção em cada movimento seu, mas, com o passar do tempo, aquilo começou a irritá-la. Em um dia, tentando fugir dos outros alunos, se viu forçada a entrar fundo na Floresta Proibida, onde sabia que teria um pouco de paz. Os seguidores ficaram com medo, mas muito encantados com a coragem da menina, e não a seguiram.
Entretanto, naquele instante, a garota percebeu algo que não percebera antes. Aquelas pessoas podiam muito bem ser úteis quando achasse necessário; talvez algumas delas podiam servir os seus propósitos. Ela só precisaria escolher as pessoas certas, mas já tinha algumas em mente. Neste momento entraria Tom Riddle.

— No que tanto pensa, ? — o menino questiona, com o seu olhar curioso.
— Do que você tem medo, Tom? — questiona ela, mudando o assunto.
— Dumbledore me disse que minha mãe morreu, mesmo ela sendo bruxa... se ela era mágica, poderia ter evitado, não? — Riddle responde, com outra pergunta.
— Você tem medo de morrer — afirmou ela, olhando fundo nos olhos do garoto.
— E você, ? Tem medo de quê? — indaga, notando a feição da menina mudar.
— Não sei ainda — respondeu, dando de ombro. — Pretendo descobrir e te conto quando souber.
— Não tem medo de morrer? — Tom insiste, na expectativa de conseguir arrancar algo da menina.
— A morte é um alívio para as almas condenadas. Não deve ser temida, deve ser aceita como parte da jornada que é a vida — respondeu ela, calmamente. — Não tenho medo de morrer, Tom. Tenho medo de viver e ser rejeitada, ou até mesmo esquecida.
— Nós podemos mudar isso, — diz ele, levantando de onde estavam sentados. — Você disse que eu sou parte da sua causa... e eu quero que você seja parte da minha.
— O que você tem em mente, Tom Riddle? — indaga ela, tentada e curiosa.
— Nós dois vamos fazer história, Blossom — o garoto sorriu, maldoso.

Naquela tarde, horas antes do chá com os pais da garota, os dois entraram na biblioteca do pai da menina em busca dos livros sobre Artes das Trevas. retirou um livro volumoso de couro e preto, numa cor já desbotada pelo tempo. O título é Segredos das Artes Mais Negras e é um livro que instrui sobre criações das trevas, como os Inferi. Apenas um bruxo muito talentoso em necromancia seria capaz de criar um Inferius e controlá-lo. Aquilo certamente atraiu a atenção da garota.
— Estive pensando... quem você iria querer para ser seu seguidor? — questiona Tom, abaixando o livro que estava lendo.
— Seguidores em que nível? — Tom devolve.
— Se você fosse o bruxo mais poderoso existente, quem você iria querer para estar ao seu lado e por quê? — repete a menina, calma.
— Abraxas e Nott. São tontos demais para pensarem por conta própria e parecem precisar desesperadamente de um líder — Riddle responde, imaginando como as coisas seriam. — E você.
— Por que eu, Tom? — questiona outra vez, arqueando a sobrancelha.
— Porque...
Antes que Riddle pudesse responder à pergunta, os dois foram chamados por Agatha. Eles deixaram a biblioteca, indo em direção à sala de estar para o chá da tarde. Tom e entraram, notando que Noah, Harold e Agatha estavam os aguardando. Os dois sentaram um ao lado do outro, sendo servidos por Calcifer.
— Então, Tom, Orfanato Wool’s? — Agatha questiona, bebendo delicadamente o líquido da sua xícara.
— Sim, senhora — respondeu ele, imitando o gesto da mulher. — Minha mãe faleceu pouco depois que eu nasci. Disseram que ela trabalhava em um circo, mas o professor Dumbledore me disse que ela era uma bruxa.
— E o seu pai, garoto? — Harold questionou, sério.
— Não sei quem ele é — respondeu, envergonhado.
— Aquele orfanato é horrível, a minha querida amiga, Margaret, mencionou que o tratamento que dão às crianças é péssimo — Agatha comenta com o marido, comendo uma das bolachinhas servidas. — Certamente que possamos fazer algo, não é, querido?
— Adoção? Não faz muito o seu estilo — Noah comentou, recebendo um olhar nada agradável da irmã.
— Está com medo de perder a sua preciosa atenção, Noahzinho? — provoca, com desdém.
— Cale a boca, — murmurou o garoto, irritado.
— Bem, Agatha, você sempre disse que queria ter mais um filho... não vejo por que não — o homem deu de ombro, soando levemente frio.
Tom e se entreolharam como se tudo tivesse dado certo sem nem que ao menos precisassem intervir. Poderia ser o acaso ou apenas sorte, mas eles haviam conseguido exatamente o que queriam. Depois do chá, os dois voltaram para a biblioteca, mesmo sabendo que e Noah iriam descer para as aulas de música. Tom decidiu que ficaria no quarto estudando e lendo os livros que a menina o havia entregado.
Agatha chamou os irmãos cerca de dez minutos depois e, muito a contragosto, a menina desceu as escadas. entrou na sala sendo recebida por olhares nada agradáveis de Noah, olhares que ela ignorou por completo. Seu irmão estava acostumado a ter tudo de mão beijada, mas, no momento em que idealizou o que ela queria, era apenas questão de Noah ser o primeiro da sua lista.


Capítulo 5
Tom Riddle Snr.


1940.

Três anos passaram rápido aos olhos de e Tom Riddle, este que caiu nas graças dos pais da menina e havia sido adotado por eles. Desde o momento em que passou a viver na imensa mansão dos Blossom, a vida do garoto tinha mudado completamente. Ele havia se livrado do orfanato, como prometido pela garota, e agora também lhe devia um favor, coisa que o deixava intrigado. Não sabia quando iria cobrar, muito menos o que seria, mas não estava cheirando muito bem.
No trem de volta a Hogwarts, Tom e estavam sentados no mesmo vagão, acompanhados de e , as companhias inseparáveis da jovem Blossom. Contudo, aquele momento de silêncio da cabine fora interrompido pela chegada brusca de Nott e Abraxas Malfoy, acompanhados de Rosier, Avery e Lestrange.
— Riddle — Abraxas sorriu maldosamente na direção de . — Estávamos te procurando.
, nós vemos você no castelo — murmurou, puxando junto de si, saindo do compartimento, deixando os rapazes entrarem.
— O que foi que deu nelas? — Malfoy questiona, em um tom engraçadinho.
— Talvez porque aqui de repente ficou muito cheio? — devolveu, focada no livro que estava lendo. Avery e Lestrange deram risadinhas da cara de tacho de Abraxas.
— O que querem? — Tom perguntou, cujo semblante é inexpressível.
— Se o colírio dos meus olhos nos der licença... — Abraxas provocou novamente, sentando ao lado da garota, que rolou os olhos, com desdém. — Queria apresentar meus três novos amigos... Lestrange, Avery e Rosier.
— Olá — Riddle os cumprimenta, analisando-os cautelosamente.
e o menino Riddle se entreolharam sugestivos; os cinco meninos encaixavam perfeitamente nos planos idealizados pela menina, complementados pelas ideias mirabolantes do garoto órfão. Ninguém além de , Noah, e sabiam do segredo de Tom e os rumores espalhados por Walburga Black não surtiram tanto efeito, logo fora esquecido. Riddle estava ocupado demais em construir uma imagem perfeita de bom garoto, uma que conquistasse todos os professores de Hogwarts. Segundo , seria muito útil futuramente.
— Querem se juntar a nós? — sugere, deixando o livro de lado para observar bem os meninos. A princípio, os garotos estranharam o convite, mas aceitaram quando Tom dissera que Blossom era confiável.
— O que vocês andaram aprontando? — Nott questiona, desconfiado.
— Deixe de tolice, Nott — Tom desconversou, ainda inexpressivo, porém de uma forma muito convincente. — Está enxergando coisas onde não há.
— Estive pensando... — diz, atraindo a atenção de todos. — Vocês são todos bruxos puro-sangue, certo?
— Acha que eu seria amigo de algum sangue ruim, Blossom? — Nott questiona, com nojo.
— Sangues ruins não merecem os poderes que tem — Avery afirmou, desdenhoso. — Não merecem pisar naquele castelo.
— Somos a raça superior, meu docinho — Abraxas sorri, para o desgosto de Tom. — Não há nada acima de nós.
— Interessante — murmurou a garota, novamente olhando sugestivamente para Riddle. — E se eu dissesse a vocês que Tom e eu temos uma causa?
— Conte-nos mais — Nott e Abraxas disseram juntos, interessados nas palavras da menina.

[...]


Naquele mesmo dia, percebeu que não era necessário um monólogo para convencer o pequeno grupo. Na verdade, o que aqueles garotos precisavam era de alguém que os guiasse na direção certa. Aqueles garotos precisavam de um líder. Nos dias seguintes ela observara o pequeno grupo em torno de Tom, percebendo que diante do menino eles pareciam o bajular, como uma figura imponente. Ela sabia perfeitamente que onde quer que Riddle fosse, os rapazes iriam junto.
— Ansiosa para ir a Hogsmeade? — indaga, agarrando pelo braço e entrelaçando ao dela.
— Talvez — respondeu ela, não tão entusiasmada quanto a amiga.
— Vai nos contar o que tanto faz com Riddle e seus amiguinhos? — questiona, provocativa.
— Nada demais — respondeu, utilizando a mesma feição inexpressiva de Tom.
— É estranho saber que convivemos juntas há três anos e não sabemos absolutamente nada sobre você, afirma, um pouco incomodada. — O que tanto esconde?
— Já disse inúmeras vezes, não há nada que precisam saber sobre mim — desconversou ela. — Vamos, eu pago cervejas amanteigadas.
As duas meninas seguiram tagarelando no ouvido de durante o trajeto inteiro até Hogsmeade. A Blossom mais jovem estava entretida com seus próprios pensamentos, imaginando quais seriam os próximos passos do seu plano. Quando conheceu Tom Riddle, ela já sabia perfeitamente que ele era a peça que faltava e tudo o que havia planejado antes agora tinha a chance de se concretizar. Ela só precisava colocar Tom na direção certa.
, você está aí? — ouviu a chamar, estalando os dedos em frente aos olhos da menina.
— Fisicamente, sim. Mentalmente é discutível — respondeu ela, inexpressivamente, como estava fazendo nos últimos dias.
— Às vezes você é realmente estranha, Blossom — murmurou, rolando os olhos.
—É, tenho ouvido muito disso ultimamente — deu de ombro, indiferente.
A razão pela qual evita em se abrir com as meninas é justamente para que ninguém saiba dos seus planos. Tudo faz parte da imagem que ela construiu de forma tão meticulosa durante os anos que passaram. A verdade é que não quer que ninguém conheça a sua verdadeira face. Não ainda.
As três meninas entraram no famoso Três Vassouras, procurando por uma mesa não muito cheia. Como é a primeira vez que visitam Hogsmeade, ainda não elaboraram com exatidão um tour pelos lugares que querem conhecer, mas sabiam que beber cerveja amanteigada é quase como uma obrigação durante a visita. sentou em um canto que lhe desse vista ampla do salão principal, ao lado de e ; ela ainda estava distante com suas dezenas de pensamentos diferentes, não dando atenção às duas garotas ao seu redor, que não paravam de tagarelar sobre outros estudantes.
Ela viu Noah adentrar o Três Vassouras, acompanhado de várias meninas de faixas etárias diferentes; a Blossom mais nova ainda não entendia como seu irmão mais velho conseguia ser tão seguido, ainda mais por ser um tremendo babaca em suas palavras. o analisou de forma tão cuidadosa que poderia tê-lo incendiado vivo apenas com o olhar faiscante de ódio. sempre detestara o irmão mais velho e odiara toda a atenção que ele recebia sem nem ao menos lutar por ela. Noah Blossom sempre teve tudo o que quis, e isso enfurecia por completo.
Apenas por diversão, murmurou algo e, de repente, na pele pálida de Noah, começaram a surgir vários furúnculos que eram cada vez mais grotescos e nojentos, assustando as garotas, que correram para longe. sorriu maldosa, satisfeita com o trabalho e muito mais ainda quando viu o irmão correr às pressas para longe. e presenciaram o sorriso maldoso de vitória da menina, ficando um pouco sérias em seguida.
— Por que fez isso com o Noah? — questiona, um pouco irritada com a amiga.
— Quem disse que eu fiz algo com ele? — devolveu calmamente.
— É bem óbvio que isso foi coisa sua, Blossom — insiste. sorrira novamente.
— Eu acredito que para realizar um feitiço sem o uso de varinha tem que ser um bruxo excepcional, certo? — diz a menina, soando ingênua. — Para a sorte de Noah, ainda não sei fazer o uso de magia não verbal.
— Se não foi você, quem foi então? — questiona novamente, convencida por .
— Não sei. Talvez alguém que tenha se frustrado com a última partida de Quadribol — responde, bebendo a sua cerveja.

O trio seguiu a sua visita por Hogsmeade, mesmo não estando tão entusiasmada como suas amigas. A verdade é que nem mesmo os furúnculos de Noah foram capazes de satisfazê-la. Ela queria que o ano acabasse o mais rápido possível porque, assim, ela e Tom poderiam ir atrás do pai dele, uma vez que eles já tinham uma boa pista.
Eles vasculharam todo o acervo da escola atrás de algo que os levasse ao pai de Riddle, já que ele não acreditava muito que sua mãe era bruxa. Tom estava ocupando sua mente com as pesquisas, enquanto continuava desvendando livros sobre Artes das Trevas, em busca de mais. Naquele dia, ao voltar para o Castelo, fora chamada para a enfermaria porque, aparentemente, os furúnculos de Noah pioraram ao ponto de romperem em pequenas explosões.
— O que está acontecendo? — questionou, inocentemente. Ela observou a presença do diretor Dippet e do Prof. Slughorn.
— Seu irmão, Noah... ao que parece, alguém o atingiu com a maldição furnunculus — o professor Slughorn diz, olhando para o garoto enfaixado sobre a cama da ala hospitalar.
— E quem faria tal coisa? — ela encara o homem, com a expressão mais inocente que poderia esboçar no momento.
— Esta é a questão, senhorita Blossom — o professor Dippet a responde, calmamente, entre um suspiro. — Ainda não temos ideia de quem está por trás deste infeliz incidente.
— Meus pais já foram alertados? — cruzou os braços, fingindo estar preocupada com o irmão.
— Sim. O diretor despachou uma coruja endereçada aos seus pais no instante em que Noah dera entrada na enfermaria — Slughorn afirmou, tão calmo quanto Dippet.
— Senhor, creio que seria um momento apropriado para usarmos a poção para curar furúnculos. Riddle e eu a fizemos na aula passada, recorda? — encarou o professor, sugestiva. Isso iluminou o rosto do mesmo.
— A melhor poção de cura já feita. Meus dois melhores alunos sempre me surpreendendo! — exclama ele, entusiasmado. — Dê-me um instante, irei chamar por Riddle.
Slughorn deixou a ala hospitalar depressa. O nome de Tom foi chamado e requisitado na mesma ala; o garoto surgiu, acompanhado do professor de poções, embora sem entender o motivo. O homem estava com o frasco da poção em mãos, composta de um líquido verde-claro. Os dois entraram na sala e, assim que o garoto pôs seus olhos sobre e o menino deitado na cama, ele se esforçou ao máximo para não rir.
— E a criação encontra-se com os criadores — Slughorn anuncia, aproximando-se da cama ao lado de Tom.
— Perdoe-me, senhor, mas por que fui chamado? O que aconteceu? — Riddle pergunta, levemente intrigado.
— O irmão da senhorita Blossom foi atacado mais cedo em Hogsmeade. Alguém o atingiu com a maldição furnunculus, mas a situação agravou porque os mesmos furúnculos começaram a se romper — a Madame respondeu, pegando o frasco das mãos de Slughorn. — E graças a poção que fizeram, talvez o menino Noah esteja bem até o fim da semana.
— Entendo — Tom olhou para , com o seu duplo sentido. — Esperamos que a poção seja muito útil.
— E será! — a senhora responde, analisando o conteúdo do frasco. — É realmente uma das melhores poções de cura que já vi.
— Pelo excelente preparo da poção de cura, concedo a vocês dois cinco pontos — Dippet diz, sorrindo. — Estão dispensados.

Ao saírem da ala hospitalar, eles se afastaram o bastante para terem um breve momento de privacidade, onde pudessem conversar a sós. Eles pararam no pátio da torre do relógio e sentaram aos fundos, ouvindo o barulho da fonte.
— Foi você, não? É a sua cara lançar maldições no seu irmão — Tom riu, vendo a menina confirmar.
— Sim, foi — confirmou, rindo. — Mas confesso que não esperava que explodissem.
— Talvez tenha lançado com raiva — deu de ombro.
— É bem possível, mas foi gratificante ver Noah daquela forma. Ele mereceu — afirma, indiferente.
— Escute, estive pensando... não achamos nada do meu pai aqui em Hogwarts... será que vamos encontrá-lo? — Riddle questiona, um tanto quanto inseguro.
— Claro que iremos — garantiu, com um ar determinado. — Nem que passemos as férias de verão inteiras atrás dele!
— Gosto da sua determinação — afirmou ele, sorrindo. — Mas é melhor irmos, vou me encontrar com Nott e Abraxas.
— Ótimo. Irei para a biblioteca — Blossom levantou, se despedindo do menino.

Os dias passaram lentamente, Noah se recuperou bem, mas somente a menção de furúnculos lhe causava pânico; por dias o menino ficou aterrorizado e quase desmaiou quando viu uma planta que também causava furúnculos com o veneno. Na reta final das aulas, a ansiedade dos alunos apenas crescia. e faziam planos de passarem alguns dias juntas e elas queriam incluir nos planos, mas, para o azar das garotas, a menina já tinha seus planos. E suas amigas não estavam inclusas neles.
— O que acha? É perfeito. Meus pais podem falar com os seus — diz, ajeitando suas roupas em seu malão.
— Parece uma boa ideia — afirmou, balançando a cabeça.
— Então estamos combinadas — a menina sorriu, animada. Elas entraram no dormitório, ainda programando suas férias, mas pararam ao ver que estava de saída. — Onde vai?
— Problemas familiares — responde ela, indiferente.
— Escuta, nós estamos planejando passar as férias juntas. Por que não vem conosco? — indaga, barrando a amiga de sair do dormitório.
— Improvável. Tenho que ir visitar meus parentes na França — respondeu ela, um pouco impaciente. — Posso ir agora?
As meninas se entreolharam, deixando passar. A menina foi depressa para a biblioteca, olhando para trás ocasionalmente para verificar se não estava sendo seguida. Alguns dos alunos lhe encaravam como se ela fosse algum tipo de aberração, cochichando entre si e outrora dando risadinhas maldosas. A menina nem ligou, achando todas as provocações irrelevantes.
Ao entrar no local, olhou para todos os lados, procurando por alguém específico. Tom Riddle estava aos fundos, afastado dos demais alunos e ocupado com livros e pergaminhos. Ele estava estudando. A Blossom mais nova chegou de surpresa, dando um leve susto no garoto.
— Já não lhe disseram que é falta de educação chegar assim? — Riddle perguntou, de mau humor.
— Você não é o primeiro — sorriu. — O que está fazendo?
— Pesquisa — responde ele, deixando os livros de lado para encarar a menina. — O que foi? Qual a urgência?
— Estive vasculhando alguns registros estudantis — disse a garota, mais próxima de Tom. — E encontrei algo bastante interessante sobre os Gaunt.
— E? — Tom arqueou a sobrancelha.
— São descendentes diretos de Salazar Slytherin — diz, baixo. — Os últimos membros da família Gaunt são Morfin, Merope e... Marvolo.
— Marvolo? — Tom questionou, surpreso. assentiu.
— Se o que eu suspeito for verdade, você é o descendente do próprio Salazar! — quase exclamou, animada. — O professor Dippet me disse que moram em Little Hangleton. Podemos ir visitá-los depois de irmos atrás do seu pai.
— Você perguntou ao Dippet? Ele não desconfiou?
— Não. Disse a ele que meus pais conhecem os Gaunt mas perderam contato e queriam saber onde moram — deu de ombro, rindo.
— Você é terrivelmente incrível, Blossom.
— Eu sei que sim, Tom Riddle.

O último dia de aula chegou e logo todos os alunos estavam se despedindo na Estação King’s Cross. , Tom e Noah foram direto para casa, mas, diferente dos anos anteriores, Agatha e Harold não estavam ali para acompanhá-los e recebê-los; na verdade, o casal ainda estava de férias pela Europa e só voltariam dentro de uma semana. e Tom ficaram muito satisfeitos com a notícia, isso lhes daria tempo o suficiente para procurar pelo pai do garoto.
— Calcifer — o chamou em um tom de voz alto. O elfo apareceu instantes depois. — Preciso de um favor.
— O que quiser, senhorita.
— Tom e eu estamos procurando por um homem, Riddle é o sobrenome dele — disse. — Quero que vá a Londres e o encontre para nós. Procure perto de Little Hangleton, suponho que será mais fácil.
— Como desejar.
O elfo estalou os dedos e desapareceu. As horas começaram a passar lentamente e cada segundo deixava Tom angustiado e nervoso. Várias perguntas lhe perturbavam naquele momento e todas elas começavam com “e se?”. Não conseguia negar que a ideia estava lhe deixando aterrorizado da cabeça aos pés; tinha medo de que não fosse conforme esperava. Suas expectativas estavam muito altas.
Calcifer retornara por volta das três da tarde e trazia boas notícias consigo. Antes que pudesse descobrir se ele havia encontrado o pai de Tom, Noah requisitou o elfo para algumas coisas que precisava fazer, o que levou mais uma hora e meia. Enquanto esperavam, achou algo muito interessante em um dos livros de seu pai.
— Sabia que existem três maldições imperdoáveis no mundo mágico? Foram classificadas como “imperdoáveis” em 1717, são ferramentas das Artes das Trevas — diz, virando a página do livro.
— Quais são? — Tom perguntou, curioso.
— Avada Kedavra, a maldição da morte; Cruciatus, maldição da tortura; e a Imperius, que controla a vítima e a obriga a fazer o que quiser — Blossom respondeu, lendo sobre azarações. — Dizem que, para lançar a Cruciatus, você precisa desejar causar dor no seu oponente.
— Seus pais realmente gostam disso, não? — Tom perguntou, rindo.
— De fato — afirmou, olhando para ele. A conversa fora interrompida por Calcifer, que entrou na biblioteca pouco depois. — E então, Cal?
— Eu o encontrei, senhorita Blossom — responde o elfo, para a surpresa dos dois, principalmente Tom. — Mora próximo da Família Gaunt, em uma belíssima mansão.
— Nos leve até lá, Cal — pediu, levantando da namoradeira.

Ninguém conseguia descrever a ansiedade que Tom estava sentindo naquele momento. O coração do garoto batia tão forte em seu peito que parecia que iria rasgar e saltar para fora a qualquer instante. De longe os três viram o pai de Tom andar a cavalo acompanhado de outra moça; os dois desfrutavam de uma conversa prazerosa, já que conseguiam ouvir suas risadas. Foi naquele momento que ficou completamente em choque.
— Por Merlin, você se parece demais com ele — sussurrou a menina, surpresa. — O que acha?
— Acho que não estou pronto para isso — murmurou, nervoso.
— Olha, eu vou estar com você o tempo inteiro. Não vou te deixar sozinho, Riddles — diz, chamando-o pelo apelido carinhoso que lhe dera.
— Ok. Acho que podemos fazer isso — levantou, respirando fundo. — Você vem?
— Sempre ao seu lado, Riddle — sorriu a garota, estendendo a mão para ele.
Riddle segurou a mão de com uma segurança que ele ainda não tinha experimentado antes. Sim, ele estava nervoso e não tinha a menor noção de como aquele encontro seria. Os dois caminharam até alcançarem o portão, então acenaram. O homem acenou de volta, descendo do cavalo e indo ao encontro de e Tom.
— Boa tarde. Em que posso ajudá-los? — perguntou, educadamente.
— O senhor é o Riddle? — questionou.
— Tom Riddle — respondeu o homem, olhando para o menino. — E vocês?
— Não acho que seja apropriado manter duas crianças para o lado de fora. Não queremos nada, só precisamos conversar — diz ela, impaciente. O pai de Tom sorriu, abrindo o portão. — Meu nome é Blossom. Este aqui é meu amigo, Tom.
— Prazer. Agora me respondam, o que querem falar? — pergunta o homem, agora um pouco rude.
— Não enxerga a semelhança? Obviamente estamos aqui porque você é o pai dele — respondeu, ríspida. — Coragem a sua deixar seu filho crescer em um orfanato por treze anos e nem sequer saber o que acontece com ele.
— Quem você pensa que é, garotinha? — questiona, irritado. Por instantes, os dois acharam que o pai de Riddle fosse bater em .
— Nem ouse encostar um dedo nela — o menino se pronunciou, audacioso. — E sim, o senhor é o meu pai.
— Tolice. Prestem atenção, não sei quem são vocês dois e, se querem saber, a minha adorável esposa morreu junto da criança. Por favor, saiam.
O jovem Riddle odiou aquele momento com todas as suas forças, por isso não hesitou em soltar a mão da menina e sair andando para longe. Estava furioso e decepcionado; a rejeição nunca havia sido tão dolorosa assim antes. estava tão irritada quanto o garoto, então lançou um olhar furioso na direção do homem, se controlando ao máximo para não o amaldiçoar naquele instante.
— O senhor é um cretino! — gritou, furiosa. — E terá o que merece. Guarde minhas palavras, seu trouxa nojento.
Se o homem soubesse o peso que aquelas palavras causariam em seu futuro, ele jamais teria destratado e o garoto. Ela voltou para junto de Calcifer e do jovem Riddle, que mantinha sua cabeça baixa para evitar que ela visse as lágrimas escorrerem. Blossom não disse nada, na verdade, ela apenas abraçou Tom em silêncio.
— Vai ficar tudo bem, Tom — sussurrou ela, próxima de sua orelha. — Ele vai se arrepender disso.
— Eu vou me tornar o maior bruxo de todos os tempos, . Eu vou me tornar tão poderoso e tão temido que todos irão morrer de medo ao dizer o meu nome — responde o garoto, furioso. — Eu vou me tornar imortal e cada bruxo vai se ajoelhar perante o meu poder. Ninguém vai ousar me desafiar e ninguém será capaz de me derrotar. E quanto a este trouxa nojento? Ele vai ter o que merece.
— Isso, Tom. Deixe a raiva falar por você, sinta-a. Deixe que ela preencha cada parte do seu corpo — o incentiva, encantada. — Use-a, Tom.
— Eu quero você ao meu lado, — ele a encarou, dominado pelo ódio. — Eu quero você comigo, quando nós nos tornarmos os bruxos mais poderosos da história.
— Eu sempre vou estar ao seu lado, Riddle.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Outras Fanfics:
Collide

Nota da beta: Eu adoro e odeio a forma como eu nunca sei o que vai acontecer em seguida kkkkkkk eu fico muito curiosa, meu Deus. E AAAAA É IMPOSSÍVEL DECIFRAR ESSA PERSONAGEM VEI KKKKK sofro tentando entender as poucas coisas que ela deixa passar sobre ela mesma. Tô amandoooooo <3

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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