Última atualização: 10/05/2020

Capítulo 41

's POV

Mais um dia, mais um show.
Estávamos exaustos, nada anormal até então.
Mas Harry... Harry não estava agindo normal há vários dias.
Ninguém havia percebido além de mim; o que me levava a pensar, então, que era por minha causa ou no mínimo tinha algo a ver comigo.
Quando conversávamos, ele parecia nervoso ou distante.
Eu não conseguia mais sequer esperá-lo sair do banho para dormirmos juntos - ou até fazermos coisas mais interessantes, que seja.
Eu o sentia me abraçar quando se deitava - geralmente eu já estava cochilando -, mas não reagia mais.
Não o afastava, mas também não o puxava para mais perto.
Não como eu fazia antes.
Era para forçá-lo a falar comigo.
Eu sabia que quando Harry cismava com algo ou mesmo tinha algo o incomodando, ele demorava a falar.
Ele falava, mas demorava.
problema é que, se o negócio era comigo, como é que ele iria falar comigo?!
Resolvi parar de divagar e ir fazer meu chá para dormir, mas para não perder o costume...
- Harry, vai querer chá? - nós acabamos pegando costume de tomarmos juntos, então resolvi perguntar.
Havia vários dias que eu não fazia, estava sentindo falta demais.
- Não, obrigada - meu coração errou uma batida, sentindo falta do substantivo amor que tanto povoava suas frases anteriormente; mas apenas concordei com a cabeça, ainda que ele não visse por estar dentro do boxe do banheiro.
Fui até a pequena cozinha do quarto, me forçando a todo custo a engolir o caroço que havia se instalado na minha garganta.

Quando já estávamos deitados e eu havia acabado de tomar meu chá, simplesmente não conseguia dormir.
Estava com os olhos no teto, ouvindo apenas o barulho do ar condicionado do quarto e da minha respiração.
- Por que você tá assim? - perguntei para ninguém além do vento, sem dúvidas de que Harry já havia dormido há duas décadas.
- Assim como? - sua voz enrouquecida fez meus pelos se eriçarem e meu coração disparou feito louco.
- Desculpa, não... Não era para você ouvir.
- Então de quem você estava falando?
Fiquei quieta, evitando conversa.
Não queria falar com ele.
Eu só queria... Chorar.
Por Deus, há quanto tempo eu não sentia vontade de chorar?!
Engoli o caroço na minha garganta novamente e fechei os olhos quando senti a cama afundar e soube que ele havia levantado.
- ? O que houve? - sua mão tocou meu queixo e eu mordi meu lábio, ficando cada vez mais difícil segurar minhas lágrimas. - Por favor, olha pra mim - ele pediu, mas eu relutei.
Não queria olhar em seus olhos e vê-lo me implorar para falar algo.
Porém, me contrariando, meus olhos se abriram apenas por vontade de ver aqueles olhos cor de céu acima dos meus.
Meu coração jurou ir parar fora do corpo com a intensidade de seu olhar em cima do meu.
- Por favor, me fala o que aconteceu - antes que eu percebesse, as lágrimas estavam correndo pelos lados dos meus olhos e eu solucei.
Tampei o rosto, balançando a cabeça negativamente, me recusando a acreditar que eu estava chorando.
Puta merda...
Quão patética eu era?
- ! - alarmado, Harry me fez parar de balançar a cabeça com as mãos ao lado do meu rosto - Fala comigo!
- Para de mentir pra mim! - exclamei, tirando as mãos do rosto com brutalidade. - Para de fingir que não tá fugindo de mim! PARA! - explodi.
Harry ficou alguns segundos estático olhando para meu rosto, parecendo não entender o por que eu estava tão transtornada.
- Agora não vai falar nada?! - exclamei de novo.
- O que você quer que eu fale?! ... Eu não tô fazendo nada! Tô normal!
Comecei a rir, de tristeza.
Harry mentindo pra mim?
- Por favor... Harry, por favor não mente pra mim. Eu te amo, de verdade, mas não suporto mentiras. Você sabe disso! Eu só quero saber o que está acontecendo pra você estar assim... Estranho...
- Ah - sua expressão se entristeceu - Eu não... Não posso falar. Não ainda. Por favor... Só confia em mim. Em algumas semanas eu juro que você não vai se arrepender.
Algumas semanas…
Isso era o que mais me machucava.
Eu tinha certeza que ele sentia que estava me perdendo.
Ou perdendo o nosso relacionamento, que seja.
Mas ele não fazia nada...
Nada.
Ele não me contava o que estava acontecendo, e de quebra deixava bem claro que tinha a ver comigo.
Eu sinceramente, simplesmente não conseguia imaginar qualquer coisa que fosse para ele ficar daquele jeito e ainda não falar nada comigo.
- Não - murmurei, fraco - Não - um pouco mais alto dessa vez, tirando suas mãos do meu rosto e segurando suas palmas por alguns segundos.
Eu consegui ver nitidamente a tristeza se instalar em seus olhos, mas eu realmente - e infelizmente - não tinha mais alternativas.
- Boa noite - ainda consegui murmurar, me virando para o lado contrário e cobrindo inclusive minha cabeça.
As lágrimas continuaram a descer com força total apesar de eu não emitir sequer um som.
Harry ainda tentou fazer um carinho calmo em meu braço... Me chamar algumas vezes... Mas eu me mantive em silêncio.
Eu lhe dei o que ele precisava: o silêncio.

Três dias.
Três dias sem dormir com Harry, sem sentir o cheiro dele, sem falar com ele.
Ele não havia se manifestado até então.
Não sobre o assunto em questão, pelo menos.
Nos desejávamos bom dia e boa tarde e boa noite e isso era tudo.
Apenas as meninas sabiam com certeza o que exatamente havia acontecido, acabei sendo obrigada a contar para elas uma vez que fui pedir conselho para e elas estavam juntas.
Minhas pequenas anjas me aconselharam a conversar com Fletch e nosso produtor maravilhoso concordou em pedir um quarto separado para mim, ainda que isso estivesse completamente fora dos planos.
Eu já disse que amava aquela gente toda que, mesmo quando eu não queria, cuidavam de mim?
Eu sabia que não era exclusivo: éramos uma família, cuidávamos uns dos outros.
E por isso eu os amava tanto.
E era por causa deles que eu ainda não tinha caído completamente, também.
Eu estava extremamente aérea nos últimos dias, mal notando as pessoas falando comigo e só comparecendo aos ensaios pois estávamos todos juntos e nem se quisesse eu conseguiria fugir daquela gente toda.
Então eu me mantinha quieta, evitando estragar o momento de mais alguém.
- zinha, meu amor! - adivinhem quem chegou sendo todo fofinho e serelepe como sempre?!
Eu nunca havia visto Danny realmente triste, e isso era tão bom... Saber que ao menos alguém ali não era afetado pela maldade do mundo.
- Danny-boy! - saudei, sorrindo pequenino - Como vai?
Eu vou ótimo! Já você... - fez uma careta, e eu soube imediatamente que ele iria fazer um comentário irônico. - Está um zumbizinho, né meu amor?
Dei uma risada fraca, dando de ombros.
- Desde que a equipe consiga me maquiar para o show, vai ficar tudo bem - sorri, tentando disfarçar que dentro de mim tudo estava um caos.
Sabe aquele desenho "divertida mente"?
Justamente, minha cabeça se encontrava como a cabeça do personagem do final do filme, que quando encontra com a garota tudo dentro dele fica alerta.
Só que na minha, tinha papéis para todos os lados e os serzinhos que comandavam meu cérebro tinham ido embora por nada mais fazer sentido; fazia inclusive um barulhinho de grilo.
Comecei a rir, me questionando de onde diabos eu tinha tirado aquela merda.
- Olha, eu sei que eu sou engraçado, mas dessa vez não disse nada. Do que você tá rindo, doida? - dei outra risada, o olhando.
- Ahn, eu só tava pensando que minha mente tá igual aquele filme... Como é que chama... - fiquei alguns segundos em silêncio tentando me lembrar - Ah! Um dia de caos! Já viu?
- Acho que não... Como é? - ele perguntou, confuso.
Danny sendo Danny...
- Bom... O cara é demitido mas quando ele tá prestes a ir embora, sem querer um vírus é liberado no escritório, que fica em quarentena. Mas aí todo mundo começa a se matar - dei uma boa risada. - Dan, é ridículo, juro! É umas mordidas, pauladas, tal de quebrar as coisas na cabeça um do outro... Porém minha cabeça tá do mesmo jeito; acho que entendo o que aquele vírus faz com as pessoas - dei de ombros, suspirando.
- Ei! - chamou minha atenção, me fazendo olhar para ele com a mão em meu queixo. - Eu sei o que tá acontecendo, mas fica calma, viu? Eu tenho certeza que tudo vai se ajeitar, pequena. Relaxa - me deu um beijo na testa e eu amei a sensação de me sentir amada.
Suspirei, fechando meus olhos. Então, sorri e concordei com a cabeça levemente.
Quando abri os olhos, minhas íris pareciam estar sendo chamadas por um ímã: o olhar de Harry.
Ele nos observava e, ao contrário de algumas situações, eu não via ciúmes em suas feições.
Eu via calma.
Não uma calma pacífica de como quando costumávamos ficar juntos, estava mais para uma calma de quem "sabe que está tudo ficando bem".
Mas não tinha nada ficando bem!
Nada!
Suspirei, resmungando, e fechei meus olhos de novo, dessa vez me afundando no abraço de Danny.

Bom, como eu havia dito, nossos shows continuavam.
Desde quando eu e Harry "discutimos", o próximo show seria hoje.
Mais tarde, para ser mais exata.
Implorei para as meninas me deixarem cantar o mínimo possível pois minha cabeça estava péssima e eu estava com medo inclusive de esquecer a letra de alguma música.
Quando subimos no palco, eu finalmente senti algo; estava hiper nervosa por ter que cantar com Harry mesmo depois de dias sem contato direto com ele.
Eu sabia que não teria para onde fugir, teria que ficar ao seu lado e por mais que me doesse admitir, sentia falta daquele contato.
Apesar de estar chateada e querer distância.
Olha, nem pra mim eu faço sentido, ok?
Mas quando entramos no palco, Harry simplesmente não foi para a bateria.
Ele foi para o microfone principal.
E todos pareciam entender o por que, menos eu.
Aliás, todos menos eu e todo o nosso público.
Afinal, Harry cantava bem pouco - quando dava na telha, e quando cantava.
- Oi, meus amores! Como vocês estão? - todos gritaram e o meu sorrisinho cresceu involuntariamente. Ele quase não interagia com o público por ficar na bateria, mas era tão bom fazendo isso... - Olha, hoje eu vou cantar uma música especial para uma pessoa que eu amo - ele disse, e então eu vi o pessoal se ajeitando para entrar no palco. Continuei sem entender mas fiz o mesmo. - Eu deixei ela... Bem, deixei ela chateada comigo e resolvi adiantar a surpresa - eu conseguia sentir o seu sorriso tímido em suas palavras.
Espera.
O quê?
Engoli em seco, meu corpo subitamente travado.
- Eu queria ensaiar a música mais vezes, porque como vocês sabem... Eu não sou o melhor cantando - não interessa! meu pensamento gritou comigo mesma, mas minha boca estava bem fechadinha, obrigada.
- Eu queria chamar meus companheiros aqui no palco para me dar um apoio moral. Pessoal?
Nossos amigos entraram no palco, me levando com eles - eu estava no automático - e todos nós fizemos uma rodinha em volta dele.
- Bom... , presta bem atenção, tá? - todos da platéia gritaram ainda mais alto, somente para fazer coro com as batidas do meu coração acelerado.
Seus olhos não se desgrudavam de mim quando a intro da música começou.
Ah não, ele não ia fazer isso...
Ele vai sim, se prepara!

Meu Deus, eu juro que vou morrer do coração.

Oh, her eyes, her eyes
Make the stars look like they're not shining
Her hair, her hair
Falls perfectly without her trying
She's so beautiful
And I tell her everyday

Yeah, I know, I know
When I compliment her she won't believe me
And it's so, it's so
Sad to think that she don't see what I see
But every time she asks me, do I look okay
I say

When I see your face
There is not a thing that I would change
Cause you're amazing
Just the way you are

And when you smile
The whole world stops and stares for a while
Cause, girl, you're amazing
Just the way you are, hey

Her lips, her lips
I could kiss them all day if she let me
Her laugh, her laugh
She hates but I think it's so sexy
She's so beautiful
And I tell her everyday

Oh, you know, you know
You know I'd never ask you to change
If perfect's what you're searching for
Then just stay the same
So don't even bother asking if you look okay

Eu não conseguia parar de sorrir.
FIlho da mãe!
Ele tinha superado a agonia de cantar, para cantar para mim!
Meu Deus, quando foi que eu mereci esse homem?!
Algumas lágrimas corriam pelas minhas bochechas e agora estava explicado o por que dos maquiadores mal terem me maquiado para esse show.
Quando ele resolveu dar a música por finalizada, eu não consegui resistir e pulei em seu pescoço, beijando seus lábios.
Eu ouvia todo nosso público gritando por causa de nós dois e nunca estive mais feliz.
Separei nosso beijo rapidamente e lhe dei um tapa no peito.
Sua expressão confusa foi adorável.
- Nunca mais me deixe preocupada como fez! Isso não é coisa que se faça! - a risada foi geral, inclusive dos nossos amigos atrás de nós.
- Perdão, namorada - sua boca estava agigantada, com a felicidade estampada em seus sorrisos e seus olhinhos pequenininhos.
- Namorada? Então isso é um pedido oficial?!
- Óbvio! - seus olhos se arregalaram em fingida descrença. - Você acha que eu prepararia esse teatro todo para nada?! A ideia era sair com uma namorada 100% assumida! - exclamou, tirando outra risada de todos.
- Ah, claro, namorado… Perdão! - começamos a rir e nos beijamos de novo.
Eu não estava me aguentando de felicidade.
- Bom - ouvimos uma voz ao microfone e olhamos juntos na direção de Dougie -, já que os pombinhos acabaram de se acertar, podemos começar o show?! - nós rimos e o público foi à loucura, gritando extasiados.
Tá aí outro homem com um charme do cacete: Dougie.
Se eu já não fosse perdidamente apaixonada por Harry, certeza que me apaixonaria pelo sorrisinho cafajeste de Dougie - e se ele já não fosse perdidamente apaixonado por e ela por ele, obviamente.
Fomos todos para nossos lugares e o show transcorreu maravilhosamente bem, nos deixando maravilhados.
- Obrigado! Vocês são incríveis!


Capítulo 42

's POV

Na volta do show, estávamos todos cansados.
Eu fui na van do local do show até o hotel cochilando no ombro de Dougie, com seu cheiro me embalando enquanto ele me abraçava e apoiava sua cabeça na minha.
Acho que nós dois cochilamos.
Harry e estavam extremamente felizes e trocavam beijinhos e sussurros desde que o show acabou.
Eu estava muito feliz por ela, muito mesmo.
Ela não merecia ficar chateada.
era maravilhosa demais para isso.
Quando chegamos à porta do hotel, haviam várias fãs no local e eu sorri.
Adorava aqueles momentos.
Adorava ainda mais o fato de saber que um dia fui eu ali, e adorava saber que nossos fãs sempre nos esperavam na porta pois sabiam que nós passaríamos por ali.
Eu amava de verdade todos eles, era por causa deles que a nossa carreira estava onde estava.
Então, como sempre, comecei a me ajeitar ainda dentro da van - eu sabia que meu cabelo havia cacheado por causa do suor, mas sobre aquilo eu não tinha muito o que pudesse fazer. Então simplesmente passei um brilho que estava na bolsinha de mão na boca, e quando o guardei e olhei se já tinham descido, só estávamos eu e Dougie na van.
Revirei os olhos, dando risada.
- Estava me esperando, amorzinho? - brinquei, o fazendo sorrir enquanto continuava me olhando.
- Óbvio, e te admirando, porque nunca é demais - alfinetou de volta, mas seu sorriso me disse que se pudesse, ele tiraria minhas roupas ao invés de uma simples risada.
- Vamos logo, antes que Fletch venha perguntar se estamos transando! - o recordei da vez que começamos a simplesmente nos pegar na van antes de entrar no hotel e Fletch nos flagrou e, desde então, ele não nos largava mais sozinhos praticamente nunca - ou então vinha zoando até dizer chega.
Dougie deu uma gargalhada, como eu imaginei que faria.
- Aquele dia foi épico!
- Temos definições bem diferentes de épico, claramente! - ri junto com ele, mas abri a porta da van e saí, indo em direção ao corredor que os seguranças faziam com todos os fãs em volta.
Como já planejava, abracei muitas pessoas e tirei fotos com o máximo que consegui, ouvindo-os gritar principalmente por Dougie estar fazendo o mesmo.
Sorri, com ainda mais orgulho, na direção do meu namorado.
Eu vivia ouvindo reclamações de outras fãs sobre como ele raramente parava para dar autógrafos/tirar fotos, e que quando parava mais raramente ainda estava com um sorriso naquela boquinha linda.
- Vocês estão namorando?! - a pergunta da menina que estava na minha frente me pegou de surpresa de um modo que eu dei um pulinho no lugar e um sorriso sem graça. - Que nem a e o Harry?!
- Claro que não! Se essas revistas de fofoca estão dizendo, é óbvio que é tudo mentira! - ri, para tentar disfarçar o desconforto que se instalou no meu peito, e resolvi que aquilo acabava ali.
Mandei beijos para todos e fui para dentro do hotel.
Só então percebi que estava ofegando.
Coloquei a mão no coração e provavelmente eu estava com uma cara de extremamente assustada, pois veio na minha direção correndo.
- O que houve?! Ameaças de novo?! - segurou em meus braços e eu fiz que não com a cabeça. - Então por que você tá com essa cara de que viu um fantasma, meu Deus?
- Ela... Ela perguntou... - eu juro que não sabia de onde havia saído todo aquele nervosismo! - Se nós dois estávamos... Namorando... - eu mal acabei de falar, riu.
- Ah! Então por que você se assustou? Vocês não... - ao olhar em meus olhos, ao realmente olhar para mim, ela percebeu. - Puta merda... - falou no exato segundo em que olhou para trás de mim.
Olhei na mesma direção e Dougie vinha na nossa direção, com uma expressão tão fechada que todo meu corpo se arrepiou - de um modo nada legal.
Mas, ao contrário do que imaginei, ele passou direto.
Sem sequer olhar na minha direção.
Ok...
Eu havia feito merda, né?

"amor?"
"por favor..."
"me responde :("
"sério"
"você sabe que eu não fiz por mal :("
"por favor?"
"por favorzinho?"
"só me faz um favor?"
"não bebe, tá? sabe que te faz mal :("
"te amo :("

Já devia fazer meia hora que eu estava tentando falar com Dougie.
E, simultaneamente, pensava se ele estava chateado comigo por ter negado nosso namoro ou com a garota por ter perguntado.
Provavelmente era comigo; mas eu sabia que, assim como eu, Dougie também era vagamente imprevisível.
De qualquer modo, ele sequer visualizava minhas mensagens no whatsapp, o que era um péssimo sinal.
Alguém bateu na porta e eu tomei um susto, me levantando da cama onde estava sentada em tempo recorde e saindo correndo, torcendo para que fosse ele.
Mas não era.
Abri passagem para sem falar nada, mas não tenho dúvidas de que minha expressão deixou bem claro de que não era ela que eu esperava.
- Ainda não conseguiu falar com ele?
Neguei com a cabeça, voltando a me sentar na cama de cabeça baixa, de olho no celular.
- E eu nem sei o quarto dele! - bufei.
- 305 - ela respondeu prontamente, me fazendo olhá-la de sobrancelha arqueada - Vai me contar o que está acontecendo?
Eu sorri na direção dela, triste.
- Ele me pediu em namoro... Tem alguns dias - sua expressão chocada me fez dar uma risada fraca. - Pois é... Foi a coisa mais linda, sabe?
Ela confirmou com a cabeça, e eu sabia que ela devia imaginar a minha emoção.
- Pois então... Eu acabei de falar que não estamos namorando, então... Acho que você já entendeu, né?
Ela apenas confirmou com a cabeça novamente e se manteve em silêncio, com apenas um carinho reconfortante no meu braço.
- É tão difícil assim entender que eu estava em choque, poxa?! Ele mesmo já fez isso diversas vezes! E... Não sei... Eu não sei! Argh, que saco! - exclamei, jogando o celular atrás de mim na cama, cobrindo meu rosto, com uma vontade filha da mãe de chorar.
- Você pensou na possibilidade dele querer assumir? - perguntou simplesmente e eu fui obrigada a olhá-la.
- Ele queria? - perguntei chocada, já jurando que ela sabia de algo.
- Eu não sei! Mas e se ele não ligasse?! Sabe? A chateação dele pode ser por isso... Por que não?
Fiquei olhando-a, meus olhos enchendo de lágrimas e meu lábio inferior tremendo.
- Eu fiz merda, né? - falei baixinho e ela riu.
- Vai no quarto dele, sua boba! Aposto que lá vocês vão se acertar - ela piscou e eu suspirei, sorrindo um pouco.
- Tá!

Saí correndo tão rápido do quarto que até deixei o celular lá, mas naquele momento aquilo não iria mudar minha vida em nada.
Fui até o final do corredor, onde era sua porta, e bati várias vezes seguidas.
Ouvi uma voz abafada gritar que já estava vindo, bastante irritada, então parei de bater - mas estava nervosa pra cacete, então fiquei me balançando levemente.
Quando a porta se abriu de supetão, eu tomei um susto e dei um pulinho no lugar.
A expressão de Dougie estava fechada e seus olhos avermelhados - me fazendo questionar o por que.
E ele... Puta merda... Ele estava só de toalha!
Claramente ele havia acabado de sair do banho, mas não podia ser só isso...
Aproveitei o momento de tensão para olhar rapidamente em volta de seu quarto... Nada estava fora do seu lugar a não ser... Ah não…
- Você bebeu? - foi mais forte do que eu e então toda a tristeza que eu sentia estava na minha voz. - Dougie...
- Não te devo satisfações, mamãe - murmurou ácido, tensionando fechar a porta.
Por um triz, consegui tocar em seu braço.
Dougie parou.
Ele podia continuar fechando a porta, ao menos para me espantar pelo susto de me machucar, mas não o fez.
Seus olhos se direcionaram à minha mão e então aos meus olhos, me lançando aquele olhar frio como gelo.
Mas instantaneamente, tudo derreteu.
Seus olhos ficaram quentes novamente, afetuosos, emotivos...
Ele suspirou tremulamente e, sem proferir nenhuma palavra, me deu passagem para dentro do quarto.
Eu entrei, o ouvindo fechar a porta e então me virei em sua direção.
Ele tinha virado o corpo na minha direção, mas estava com a cabeça baixa e mordia o lábio inferior.
- Fala logo o que quer pra eu voltar pro banho - resmungou, parecendo se segurar por algum motivo.
- Desculpa - pedi, o fazendo me olhar com surpresa no olhar. - Não sei se foi por isso, mas... Foi por isso? Olha, desculpa! Eu não tenho bola de cristal, tá?
- Do que você tá falando? - a voz de Dougie estava ainda mais estranha, ah então ele queria ouvir todas as palavras?
- A garota que perguntou... Se estávamos namorando... Dougie! Eu só... Sei lá, eu imaginei que você não ia querer que isso fosse a público ainda! - ele estava em silêncio, e aquilo estava me angustiando demais - Fala alguma coisa!
Ele sorriu tristemente.
- Essa é a pior parte - suspirou - Eu queria. Eu normalmente não quereria, mas... Eu quero - usou o presente - Mas... Pelo visto você não quer, né?
- Não! - exclamei assustada, percebendo que foi tudo falta de diálogo - Eu quero! Óbvio que eu quero! - seus olhos grudaram nos meus, claros como água cristalina. - Meu Deus... Que confusão - cocei a testa, vendo-o trocar o peso de pernas desconfortável enquanto ainda me observava, claramente ele não queria falar naquele momento - Eu... Se você quiser, a gente pode conversar outra hora - comecei a ir na direção da porta mas senti sua mão em meu braço.
Toda minha pele se arrepiou e eu suspirei, sentindo mais que tudo falta do seu toque.
Olhei novamente na direção de seu rosto e seus olhos continuavam vermelhos e azuis como o céu em um dia ensolarado.
- Fica - murmurou - Por favor.
Concordei com a cabeça, chegando perto para abraçá-lo e, no que não senti resistência, foi o que fiz.
Soltei a respiração que nem sabia estar prendendo e colei o nariz em sua pele, sentindo o cheiro gostoso de sabonete e o seu cheiro natural.
Sua boca se encostou em minha cabeça e seus braços me circundaram levemente, me fazendo sorrir.
Passei o nariz pela pele do seu peito, subindo até chegar ao seu pescoço e então estacionei por ali.
Senti sua pele se arrepiar levemente em contato com meu hálito e meu sorriso engrandeceu, então dei um beijinho ali e o senti dar um suspiro.
- Eu achei que o meu pedido não tinha significado nada para você - desabafou, me apertando um pouco. - Achei que... Que não queria namorar comigo. Pelo menos, não de verdade.
Me afastei levemente de seu corpo apenas para olhá-lo com o meu melhor olhar de descrença.
- Garoto! - ri, desacreditada. - Significou muito! Mesmo! Só serviu para me fazer me apaixonar ainda mais por você - fiquei na ponta dos pés e lhe dei um selinho, chupei seu lábio e me afastei um pouco. - Te amo, tá?
Seu sorriso se espandiu de um jeito que eu nunca cansaria de admirar.
- Te amo - ele disse, e como sempre, o fracote do meu coração acelerou feito um motor recém-ligado.
Ah, meu pequeno homemzinho inseguro...


Capítulo 43

's POV

Depois de me certificar de que Dougie tinha bebido não mais do que alguns goles do álcool, eu o fiz tomar um banho e resolvemos nos deitar por ali mesmo.
Nossas pernas estavam entrelaçadas e eu fazia um carinho calmo em seus cabelos enquanto observava nossas respirações sincronizarem por si só.
Eu não precisava de mais nada.
- O natal tá chegando - ele murmurou baixinho, seu rosto enterrado no meu peito.
Sua voz me deu um pequeno susto, pois eu jurei que ele já estava dormindo.
- Pois é - sorri para a menção daquele assunto - Vocês comemoram tradicionalmente, né?
- Óbvio! Eu amo o natal! É uma das minhas épocas preferidas - senti seu sorriso na minha pele.
- Ah, é? - em silêncio, eu já considerava procurar um presente para ele muito em breve. - E o que você gosta mais nessa época?
- Os presentes - disse sem hesitar - Não digo... Não necessariamente pelo material, sabe? Mas porque eu gosto de presentear e gosto de quando as pessoas me dão as coisas de coração. Os mais íntimos, no caso - eu sorri enquanto assentia - Bom... Agora tenho algumas pessoas importantes a mais para presentear...
Seu tom brincalhão me fez dar uma risada.
- E eu mais várias! Vou enlouquecer comprando tanto presente!
Dougie riu comigo, me fazendo suspirar e enfiar o nariz em seus cabelos.
Ele tinha um cheiro gostoso de sabonete e perfume caro - além do seu próprio cheiro, aquele que ficava em mim quando estávamos nos amando.
Suspirei, contente de estar ali.
- Vou só perguntar ao Fletch, mas acho que posso postar uma foto nossa... Né? - perguntou baixinho passeando o nariz pela minha pele em forma de carinho.
- Com certeza - sorri e lhe apertei ainda mais, o fazendo rir.

xx

Nós acompanhávamos o surto pelo instagram mesmo, todo mundo comentando letras aleatórias na foto e eu só sabia rir.
- Eu amo doulia meu Deus do céu eu vou morrer - Dougie comentou assustado, arregalando os olhos para mim enquanto eu gargalhava. - ! Não ri! Ela falou que vai morrer!
- Coisa de fã, amor - ri ainda mais da sua expressão indignada e lhe dei um beijo na bochecha.
- Meu Deus, elas são tão fanáticas assim?! - murmurou, como uma espécie de devaneio, enquanto eu não conseguia parar de rir.
- Você não viu nem metade! - exclamei, voltando a fazer carinho em seus cabelos e ele encostou novamente a cabeça em meu peito.
- Você tem um fã-clube? - Dougie perguntou, me fazendo rir, o que ele entendeu como um sim - Me mostra!
- Bom, pro seu azar, eu excluí ele quando nos tornamos oficialmente uma banda pois como eu sabia que a produção ia gerenciar tudo meu... E também não fazia mais sentido manter uma conta que eu não ia poder surtar pelos acontecimentos de verdade - ele fez um muxoxo, o que eu achei fofo. - Pois é, decepcionante.
- Que sem graça - murmurou, me fazendo rir ainda mais - Imagina ter uma namorada fangirl?!
- Ah, vai se ferrar! - ri ainda mais - Eu era louca de verdade!
- Duvido! - ele se aconchegou ainda mais, sua respiração se acalmando.
- Ah, não duvide de mim - murmurei, mesmo sabendo que era para ninguém além do vento, pois Dougie já havia adormecido nos meus braços.
Sorri, me ajeitando e ficando quietinha, sentindo o sono me embalar apenas alguns momentos depois.

xx

Ele me fazia sentir como se eu fosse a coisa mais importante do seu mundo inteiro.
Nossos sorrisos foram preguiçosos e eu suspirei, observando como seus olhos tinham inúmeras nuances de azul e como ele era tão único com mais aquele detalhe.
Havíamos acabado de acordar, e estávamos nos olhando, como se não tivéssemos coisas mais importantes para fazer - e sinceramente eu não via nada mais importante do que aquilo, ali, aquele momento.
Raspei meu nariz no seu, uma forma de carinho que adorávamos compartilhar; e depois lhe dei um beijinho ali.
- E seu pai? - ele perguntou baixinho, me fazendo suspirar.
- Tá estável, graças a Deus e aos médicos - ri ao ver Dougie revirar os olhos. - Que foi, amor? Está com ciúme do doutor... Qual era o nome dele, mesmo? - me fiz desentendida, o fazendo me olhar com os olhos semicerrados.
- Não se faz de sonsa, dona ! - exclamou, começando cócegas na minha barriga, me fazendo gargalhar.

Narrador's POV

A internet tinha virado uma loucura.
Assim como a vida real.
Tinha o dobro (ou seria triplo?) de meninas gritando o nome do shipp dos dois nos portões dos hotéis, assim como milhares de comentários nas fotos dos dois no instagram.
Eles realmente não sabiam que seria daquele jeito.
Mas tudo bem - aquilo só provava que todo o apoio que eles recebiam era muito maior do que qualquer hate que pudessem receber.
E eles recebiam.
Coisas como "solta meu homem" e "você não merece o Dougie" eram apenas uma parte do que eles liam nas redes sociais.
Mas optaram por simplesmente ignorar, pelo bem da saúde mental de ambos.
Afinal, a vida não é sempre um mar de rosas, não é?

**

"Todos na sala de reunião às 7pm, sem atrasos!" - Fletch
"essa foi pra voce danny kkk" - Dougie
"pra você também, Doug" - Tom
"calados vocês são uns poetas" -
"eu devo merecer, não é possível" -
"vocês são chatos assim de nascença ou fizeram curso? me passem o contato pfvr" -
"por que q tão falando de mim que q eu fiz agora jesus" - Danny
"kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk danny te amo namoral" - Harry
"CALEM OS DEDOS E PAREM DE FAZER MEU CELULAR VIBRAR" -

**

- Que história é essa de que eu me atraso? - Danny exclamou assim que chegou à sala de reuniões onde eles estavam, o que significava que ele estava 10 minutos atrasado. Todos se entreolharam e começaram a rir, deixando o garoto confuso.
- Eu SABIA! - exclamou jogada no pufn e com Dougie. - Você tinha que reclamar, não é?! E ainda por cima: atrasado! Danny boy, Danny boy... você só dá mais corda pra gente te zoar!
- Silêncio, seus pestinhas! - Fletch exclamou, apesar de rir. - Ok, agora vamos lá que eu preciso ir jantar com a minha família e elas me matam se faltar a mais alguma refeição em família. - todos riram, finalmente prestando atenção no homem. - Nós temos outro ensaio para a mesma revista que os entitulou de casal, e eles estão desesperados para que vocês aceitem pois - olhou para o casal - vocês se assumiram e bom... Eles querem cobrir isso em primeira mão. Eu disse que não sabia se vocês aceitariam, mas eles insistiram e-
- Por mim tudo bem - Dougie surpreendeu a todos falando primeiro, logo ele sendo o que sempre se mantinha em silêncio em reuniões como aquela. - O que? Eu hein, parem de me encarar assim - reclamou fazendo a todos rirem desacreditados.
- Quem é você e o que a fez com você? Lobotomia? Lavagem cerebral? Qual foi o remedinho que ela te deu?! - Harry não resistiu em zoar, causando gargalhadas em todos, inclusive o casal.
- Eu não fiz nada com ele que ele não quisesse que eu fizesse - fez uma careta engraçada e deu língua para Harry. - E na real, a única coisa que eu acho que contribuí para essa maravilha de homem foi a melhora de humor dele. O Dougie fofinho só estava esperando para sair! - Dougie reclamou mordendo a garota, e os dois acompanharam novamente as risadas.
- Quietos! Meu Deus, vocês não sossegam - Fletch reclamou mas, novamente, estava rindo. - Vocês são muito bobos, mas enfim. Então estão todos de acordo, certo? Posso marcar o ensaio para daqui a... 3 dias?
- Por mim sim - exclamou e todos concordaram junto.
- Ok, então. Dispensados!

xx

- Nããão - um Dougie manhoso ao acordar era tudo o que nunca imaginou que pudesse vivenciar. Não em sua cama de hotel, pelo menos.
E não importava onde eles estivessem, principalmente depois deles terem se assumido, Fletch não precisava mais se preocupar com alugar dois quartos para os dois - e sim apenas um.
- Dougie, amor, vamos - resmungou já de roupa trocada e sacudindo o namorado levemente. - A gente precisa estar na passagem de som em duas horas senão o Fletch arrebenta nossos ouvidos.
- Poxa amor mas falta tanto tempo - Dougie reclamou, fazendo a garota rolar os olhos sabendo que aquela seria uma tentativa de protesto. - E não vira os olhos pra mim!
- Garoto, você- - riu, negando com a cabeça. - Bom, se você realmente quer saber o por que... - ouviu um resmungo do garoto, sabendo que começaria a ouvir um monólogo. - Porque você demora no banho, demora comendo, demora pra acordar, demora pra processar... Então são 15 minutos pra você acordar, uns 20 pro banho, mais- - foi interrompida ao ser puxada para deitar na cama novamente, o que fez ambos rirem.
- Tá tá tá, já entendi - Dougie resmungou roçando o nariz na pele fresca do banho. - Porra, tão cheirosa...
- Isso se chama banho, caro Poynter - não resistiu em alfinetar, fazendo Dougie resmungar algo incompreensível. - Vamos vamos, senão vamos nos atrasar.
- Interessante, eu arrumei uma namorada mandona... - resmungou arrastado, fazendo rir e fazer cócegas leves em sua barriga. - Ai ai, tá bom, tô indo! - ele finalmente exclamou se levantando e indo para o banho.

's POV 6 hours later

- Vamo lá galera, vamo, 3 minutos para vocês entrarem!
Era incrível como, depois de praticamente um ano, eu ainda ficava nervosa no momento exatamente antes de entrar no palco.
Eu nunca teria palavras suficientes para me expressar.
Era uma mistura de euforia, com ansiedade e medo.
Medo de algo dar errado, de eu cair ou até de algo que não dependesse somente de mim para dar certo - porque sempre havia algo que pudesse acontecer, tanto do mais simples quanto ao mais catastrófico.
Então, sim, eu tinha medo dos momentos anteriores aos nossos shows e até mesmo dos momentos durante os shows.
Mas, naquele pré-show em especial, eu estava ansiosa além do meu limite - parecia que eu teria um ataque cardíaco a qualquer momento.
O motivo disso era bem simples: meu pai.
Nada nem ninguém conseguia desfocar completamente minha atenção do celular, onde eu estava colada esperando notícias que viriam de mamãe, sobre os exames que haviam sido feitos e cujos resultados diriam se ele estaria liberado ou não dos tratamentos e das idas constantes ao hospital.
E quando a mensagem chegou - eu não sabia nem o que estava sentindo direito, só sabia que era uma sensação que me fazia sentir como se pudesse explodir a qualquer instante.
Eu sabia que algumas lágrimas silenciosas estavam escorrendo pelas minhas bochechas e sinceramente, não ligava.
Porém, contrariando o meu estado de espírito, eu as limpei e respirei fundo, pondo um sorriso no rosto decidindo deixar para desabafar com meus fãs.
- Prontos?! 1 minuto! - no exato segundo em que Liam disse isso, eu apareci ao lado de Dougie colocando o ponto no ouvido. - Graças! Estava prestes a mandar alguém para te procurar! - ri do garoto desesperado à nossa frente, fazendo Dougie se virar para mim no mesmo instante.
Seu olhar enxergou até o mais profundo da minha alma - até mesmo as coisas que eu gostaria de conseguir esconder dele.
O que nunca seria o caso, provavelmente.
De qualquer modo, apenas seu olhar me perguntou se estava tudo bem, recebendo um aceno em resposta pois Liam já havia berrado de novo e a nova ordem era clara: entrar no palco.
Finalmente, todos nós fomos para nossos respectivos microfones e, tanto para não perder a coragem quanto para deixar sair logo o que estava me sufocando, eu dei algumas batidinhas no meu microfone, sabendo que estava alto naquele momento e fazendo um barulho absurdo apenas para chamar atenção.
- Oi, pessoal, boa noite! - saudei recebendo gritos como resposta, o que me fez rir. - Bom, há alguns minutos eu recebi algumas mensagens bem... motivadoras, se é que posso chamar assim - peguei o microfone e andei pelo palco, torcendo para que isso fizesse com que meu nervosismo se disipasse mais rapidamente. - A minha mãe... ela me disse que meu pai está curado, vocês acreditam nisso?! Curado! - todos gritaram novamente, me fazendo rir ao mesmo tempo que chorava.
Eu estava sentido de tudo, em grande quantidade, e isso só melhorava pelo apoio que estava recebendo.
Quando estava prestes a continuar falando, senti braços fortes à minha volta e então um abraço quente e extremamente confortável.
Era Dougie.
É claro que era Dougie.
Não esperava menos do meu maravilhoso namorado.
E o público foi à loucura, gritando coisas como "lindos", "amo vocês" e "se beijem logo".
Mas logo alguns segundos após, nós dois éramos rodeados por todos os nossos outros colegas de banda, e só então eu percebi que eu estava chorando de felicidade e alívio.
E sorrindo tão grande que simplesmente não conseguia parar.
- Mas - chamei a atenção novamente falando no microfone, fazendo todos os outros se afastarem do abraço grupal. - eu não queria só comemorar. Quero cantar uma música e quero que todos me acompanhem, sim? Vocês a conhecem! - fui na parte de trás do palco e peguei um dos violões deixados ali para imprevistos como aquele, e o liguei no amplificador, apenas testando rapidamente antes de ir me sentar na cadeira que magicamente apareceu por ali.
Recomendo colocar para tocar: Hurt - Christina Aguilera (https://www.youtube.com/watch?v=gnLDdj28RoA)

Seems like it was yesterday
When I saw your face
You told me how proud you were
But I walked away
If only I knew
What I know today
...
I would hold you in my arms
I would take the pain away
Thank you for all you've done
Forgive all your mistakes
There's nothing I wouldn't do
To hear your voice again
Sometimes I wanna call you
But I know you won't be there
...
Some days I feel broke inside
But I wouldn't admit
Sometimes I just wanna hide
'Cause it's you I miss
And it's so hard to say goodbye
When comes to this
...
Would you tell me I was wrong
Would you help me understand
Are you looking down upon me
Are you proud of who I am
...
If I had just one more day
I would tell you how much that I've missed you since you've been away
It's dangerous
It's so out of line
To try and turn back time
...
I'm sorry for
Blaming you
For everything
I just couldn't do
And I've hurt myself
By hurting you

Assim como eu, toda a platéia também chorava a esse ponto - enquanto eu apenas terminava de tocar as últimas notas no piano.
Todos cantaram comigo tão lindamente que não houve como não se emocionar - além do fato da letra dizer muito por si só.
Eu podia não ter perdido meu pai, mas o fato de ter sido quase - e de todas as situações a quais passamos...
Tudo havia sido surrealmente ruim, e eu não desejaria aquela sensação esmagadora de impotência nem mesmo para o meu pior inimigo.
- Foi lindo, pessoal, lindo! - olhei em volta, muitos sorrisos e muitas palmas. - Agora, nós podemos ter essa mesma energia no show?! Aposto que o pessoal, assim como eu, está pronto para arrasar!
Muitos gritos, muita comemoração e muitos olhares entre Dougie e eu - eu finalmente estava na minha segunda casa.
O palco era um dos lugares que me deixava mais confortável, apesar de tudo.
Me fazia esquecer temporariamente que os problemas existiam.
E nunca deixaria de ser daquele modo.


Continua...



Nota da autora: MEUS AMORES POR FAVOR ME PERDOEM PELA DEMORA!! Foi um ano meio merda pra geral, eu sei, mas eu vacilei! E FEIO!
Espero que essa att recheada de emoções os façam não me odiarem mais do que o estritamente necessário haha
E quando vocês menos esperarem eu vou estar vindo com o final da fic, sim?!
Amo vocês! Daqui até o infinito! <3



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