Finalizada em: 08/12/2015

Capítulo Único

O ônibus entrava pelos portões do Mineirão em meio à euforia de uma multidão verde e amarela. Centenas de brasileiros que chegavam ao estádio naquela tarde e, por uma feliz coincidência, passavam pelo local naquele exato momento, gritavam e balançavam bandeiras cheios de esperança, saudando os representantes da nação brasileira naquela Copa do Mundo tão surpreendente. A Copa do Mundo no Brasil de 2014, carinhosamente apelidada pelos brasileiros de Copa das Copas.
Os passageiros daquele ônibus observavam maravilhados a torcida e, aos poucos, o silêncio presente em todo o caminho do hotel até ali foi se dissipando conforme conversas paralelas e gargalhadas iam preenchendo o ambiente. De repente, eles se viram cantando animados a letra de uma das músicas que, naturalmente, acabaram sendo eleitas como trilha sonora do grupo durante aquele mês.
Jogadores e corpo técnico cantavam e batucavam pelos bancos e janelas do ônibus como tentativa de distração da tensão ocasionada pela semifinal que jogariam em pouco mais de uma hora. Eles enfrentariam a Seleção Alemã, uma das favoritas ao título, e, piorando a situação, Neymar, o maior craque do time, estava fora do campeonato após uma lesão sofrida no jogo anterior, além do capitão Thiago Silva que estava suspenso daquela partida depois de dois cartões amarelos. As expectativas de milhões de brasileiros estavam depositadas no que eles seriam capazes de fazer dentro do campo e eles estavam prontos para enfrentar aquele desafio de cabeça erguida.
Com um leve sorriso nos lábios, a única representante do sexo feminino presente observava a cantoria dos colegas. Apesar de também pertencer àquela equipe, ela não conseguia deixar de lado seus sentimentos de torcedora brasileira. Ela era fanática por futebol desde a infância e completamente apaixonada pela seleção do país em que nasceu.
– Animação, ! O que vai ser da gente sem a torcida da nossa torcedora número um?
O jogador de cabelos cacheados que havia feito companhia a ela durante a viagem até o estádio a cutucou na cintura. Sendo um dos jogadores mais barulhentos daquele time, David Luiz não suportava ver alguém tão calado.
– Estou economizando minha voz pra hora do jogo, cabeludo – ela brincou, chamando-o da forma que havia o apelidado logo que se conheceram. Deu um leve puxão em um dos cachos na cabeça do rapaz.
– Tudo bem, então.
Ele estreitou os olhos em sinal de desconfiança. Deu um tapinha na perna da mulher e se levantou para pegar a mochila no bagageiro. Também pegou a mochila da companheira de viagem e a entregou à dona, recebendo um sorriso de agradecimento. Logo uma fila se formou no corredor e o ônibus foi sendo esvaziado aos poucos.
Encontrando um Mineirão quase lotado, os jogadores brasileiros entraram no campo, ovacionados pela torcida, para realizar o aquecimento prévio à partida, assim como os jogadores alemães já se encontravam fazendo. , junto ao restante da equipe de preparação física, se posicionou na beira do campo, preparada para que seu trabalho de fisioterapeuta fosse solicitado a qualquer instante.
Ela sentia um leve frio na barriga ocasionado pelo nervosismo que, para sua infelicidade, já não estava mais tão relacionado assim ao jogo que estava prestes a começar. Seu motivo de preocupação, naquele momento, tinha nome e sobrenome e estava a encarando intensamente do outro lado do campo. O orgulho a fazia fingir que nada estava a abalando naquele momento, enquanto, na verdade, ela sentia uma vontade quase incontrolável de sair correndo e acabar logo com todo aquele drama. Precisava ocupar a cabeça. Por isso, foi até os jogadores titulares auxiliar no aquecimento.
– Não quero botar lenha na fogueira, mas certo alemão não tira os olhos de você – Marcelo disse se aproximando da fisioterapeuta.
– Eu não ia falar nada, mas é verdade – Dante se juntou aos dois.
Ela soltou um suspiro cansado.
– Não posso fazer nada – deu de ombros.
– Quem está reclamando? Está ótimo assim. Vai que ele se distrai, tropeça, torce o pé e fica de fora do jogo? Um problema a menos pra gente – Marcelo piscou enquanto Dante balançava a cabeça exageradamente, concordando. Tentavam, com aquela brincadeira, arrancar um sorriso de . Ela riu balançando a cabeça negativamente.
– Parem de gracinha, vocês dois. Ou no próximo treino vão dar cem voltas no campo. – brincou e deu tapinhas nas testas do lateral-esquerdo e do zagueiro da Seleção.

Salvo por uma minoria alemã que cantava animadamente, o silêncio reinava no Mineirão. Nenhum brasileiro conseguia acreditar no que havia acabado de presenciar. Para um povo que possuía o futebol como uma paixão passada de geração a geração, doía ver a Seleção sendo eliminada de uma Copa do Mundo. Os sete gols feitos pelos jogadores alemães tornavam a dor ainda mais inconsolável.
O árbitro apitou o final da partida e os jogadores brasileiros desmoronaram, se debulhando em lágrimas. O placar havia terminado em 7 a 1 para a equipe alemã que, assim como todo mundo que havia acompanhado aquela partida, estava surpresa com aquele resultado, mesmo que a alegria de serem finalistas da Copa fosse enorme naquele momento.
, sentada no banco junto aos jogadores suplentes, enterrou o rosto nas mãos. Ela tentava não pensar no aperto no peito ou seria difícil conter as lágrimas. Respirou fundo e se levantou do banco, caminhando lentamente pelo campo. Partia seu coração ver seus amigos tão desanimados. Ao longe, ela observou alguns jogadores tentando consolar Oscar, um dos mais novos do time, que parecia bastante afetado pela derrota. Chegando perto deles, ela passou a mão pelos fios de cabelo do garoto, mas preferiu não dizer nada. Se existia alguma palavra de conforto naquele momento, ela também precisava que alguém a dissesse.
Avistou David Luiz já sem a camisa amarela que havia usado durante o jogo e com uma camisa da Alemanha jogada sobre os ombros. Ele observava, pensativo e com lágrimas escorrendo pelo rosto, a torcida brasileira que se retirava aos poucos do estádio. , então, caminhou até o rapaz e o abraçou sem dizer nada. David enterrou o rosto na curva do pescoço da amiga e pareceu chorar ainda mais. Ela não pôde suportar aquela situação, então deixou um baixo soluço escapar pela garganta. Eles entraram juntos naquela, e sairiam ainda mais unidos.
Enquanto tentava inutilmente secar as lágrimas com as mãos, de olhos fechados, apenas sentiu quando David se afastou e, após alguns segundos, outro par de braços a envolveu em um abraço forte. Mesmo sem uma palavra ser dita, seria impossível ela não saber que aquele peito nu ao qual estava grudada pertencia a .

A fisioterapeuta passou pela zona mista, onde o goleiro brasileiro, Júlio César, era cercado por jornalistas. Abatido, o jogador tentava explicar e se desculpar em nome do time por aquele amargo placar. se sentiu aliviada de sua posição na Seleção não exigir que ela lidasse com a imprensa, pois ela não saberia o que dizer em um momento daqueles. Chegou ao estacionamento do Estádio do Mineirão e logo avistou o ônibus da delegação brasileira, ainda vazio, já que a maioria dos jogadores ainda estava no vestiário tentando assimilar a derrota.
O ônibus alemão, em compensação, já tinha alguns de seus jogadores acomodados nas poltronas. Um grupo que conversava animadamente do lado de fora chamou a atenção de e ela caminhou até eles. Os jogadores se calaram quando notaram a aproximação.
– Olá, Schürrle. Parabéns pela vitória – ela saudou, em um alemão quase sem sotaque, o único daqueles jogadores presentes com quem tinha um pouco mais de intimidade. Haviam se conhecido na festa de aniversário do David Luiz, em Londres, no último mês de abril. Sorriu fracamente para os outros, que retribuíram.
– Oi, . Obrigado. – ele agradeceu, desconcertado. – Sinto muito pela eliminação de vocês.
– Faz parte. Alguém tinha que perder. – ela deu de ombros com um sorriso fraco, tentando disfarçar a tristeza que sentia. – Vocês jogaram muito melhor.
Schürrle sorriu compreensivo e depositou um beijo no topo da cabeça de após abraçá-la de lado.
já entrou no ônibus? – ela perguntou de uma vez o que mais queria saber naquele momento.
– Acho que não. – o jogador olhou pelas janelas do ônibus, em busca de . – Ah, ele vem vindo ali. – apontou para o amigo, que saía tranquilo da zona mista.
Ao ver , ainda de longe, sorriu. Ficou feliz de vê-la ali, possivelmente procurando por ele. Schürrle se despediu e seguiu para dentro do ônibus.
– Parabéns, . – falou, sincera, antes de abraçar o jogador alemão pela segunda vez no dia, depois de semanas sem vê-lo. No campo, após a partida, havia chorado tão intensamente no ombro do alemão que não pôde parabenizá-lo devidamente.
retribuiu o abraço aliviado. Assim que soube que enfrentaria a seleção anfitriã da Copa na semifinal, pensava cheio de insegurança a respeito desse reencontro.
– Como você está? – ele se afastou apenas o suficiente para observar o rosto de .
– Já estive melhor – soltou uma risadinha. – Mas muito feliz de ver você. Estava morrendo de saudades.
– Não mais do que eu – disse com um sorriso travesso nos lábios.
acariciou de leve a bochecha da mulher e, carinhosamente, encostou seus lábios aos dela. Finalmente, tudo voltava a estar bem entre eles.
– Então quer dizer que meu namorado é finalista da Copa? – disse alegre quando eles se distanciaram.
– Parece que sim. – os olhos do jogador brilharam. Além de finalista da Copa, ser chamado novamente de “namorado” por era motivo de muito orgulho. – Você vai, não é?
– Claro que vou. Você acha que eu ia perder uma final de Copa do Mundo na minha cidade natal com meu namorado na disputa? Jamais, .
riu e, ao notar os últimos integrantes da delegação alemã subindo no ônibus, beijou rapidamente os lábios da namorada.
– Tenho que ir. Até domingo.
– Bom voo até a Bahia. – desejou observando-o se afastar, sabendo que eles estariam indo direto para o centro de treinamento da Seleção Alemã. – E me manda uma mensagem quando chegar.
O alemão levantou o polegar, concordando, e mandou um último beijo antes de desaparecer pela porta do ônibus.

Com a mala aberta em cima da cama, separava tudo que precisaria levar na viagem ao Brasil. Há meses ela quase não podia conter a ansiedade pela Copa em seu país que, apesar de toda a polêmica política que havia gerado devido aos gastos exorbitantes, prometia ser um grande evento. Ter o maior evento esportivo do mundo acontecendo em casa e, de quebra, a possibilidade de conquistar o tão sonhado hexacampeonato em territórios brasileiros, para ela, era algo enorme.
De uma vez por todas, era oficial. Ia ter Copa.
Um som de chaves vindo da entrada do apartamento fez um sorriso enorme surgir nos lábios dela. Sem se preocupar em controlar a animação, ela correu para receber o namorado. Pegou de surpresa ao abraçá-lo pelo pescoço e entrelaçar as pernas ao seu redor. Gargalhando, ele imediatamente segurou-a pelas coxas.
– Uau, que recepção – colou os lábios aos dela para iniciar um beijo apaixonado.
– Tenho uma novidade. – ela falou após finalizar o beijo com alguns selinhos e desceu do colo do namorado, que a olhou interessado. – Recebi uma ligação do Brasil mais cedo.
– Uma ligação do Brasil? – perguntou, cada vez mais curioso. – Seus pais?
– Não, da CBF – respondeu, mas, ao notar a confusão de , explicou: – A sigla em português para Confederação Brasileira de Futebol.
– E por que alguém da Confederação Brasileira de Futebol te ligaria? – franziu o cenho, intrigado.
– Me fizeram um convite. – ela mordeu o lábio inferior. Estava louca para saber o que o namorado acharia daquela novidade. Esperava que ficasse tão entusiasmado quanto ela. – Parece que um dos fisioterapeutas da Seleção não vai poder acompanhar o time durante a Copa, não explicaram muito bem o que aconteceu com ele.
– E o que você tem a ver com isso?
Ele já sabia o que a namorada queria dizer com aquilo, mas preferiu se agarrar a um pequeno pontinho de esperança de que pudesse estar errado. Não estava gostando nada daquela história.
– Me convidaram para integrar o grupo de fisioterapeutas da Seleção durante a Copa. Demais, não é? – falou com a alegria estampada no rosto.
– Ah, é? E você aceitou? – questionou cruzando os braços.
O sorriso de murchou ao notar a seriedade de .
– É claro que aceitei, . – ela soltou um suspiro longo. – Você não gostou.
Não havia sido uma pergunta, já que ela conhecia aquele homem suficientemente bem para desvendar suas emoções por mais que ele tentasse as esconder. Coisa que, definitivamente, ele não fazia naquele momento.
. – ele falou em tom repreensivo. – Você não quis ir com a gente. Disse que preferia curtir a Copa como torcedora.
Ele estava indignado. Lembrava-se muito bem de quando, alguns meses antes, se aproveitou dos anos que vestia a camisa da Seleção Alemã para mexer os pauzinhos e tentar colocar a namorada na equipe de fisioterapia. Havia tido seu pedido atendido pela diretoria da Confederação Alemã de Futebol e recusou, sem nem pensar na oferta. Seria uma tortura passar a Copa inteira longe da namorada, já que eles estavam sempre juntos no clube alemão Bayern München, onde ambos trabalhavam.
– Mas agora é diferente, . – ela pronunciou o apelido carinhosamente. Não queria brigar. – Quando você veste a camisa da Alemanha, não sente como se todo o esforço que fez a vida inteira tivesse valido a pena? Então. Pra mim, poder trabalhar com a minha seleção em uma Copa do Mundo vai ser um sonho realizado.
Ele a encarava em silêncio, não sabia o que dizer. Claro que estava orgulhoso de ver o trabalho dela sendo reconhecido. Por outro lado, entretanto, ele não conseguia conter os ciúmes que sentia ao imaginar sua namorada cercada por um monte de homens, muitos dos quais ele mal conhecia. E ainda tinha aquele tal de David Luiz. Mesmo sabendo que o rapaz tinha uma namorada portuguesa, odiava ele estar sempre no pé de , mesmo à distância. Eles eram amiguinhos demais para seu gosto.
– Se você for passar a Copa no meio de um monte de homens, pode esquecer que tem namorado. – ele disse, firme, e deu as costas à namorada.
Boquiaberta, o seguiu pelo apartamento.
– Com a Seleção da Alemanha eu não estaria? E no Bayern também não trabalho só com homens?
– Mas comigo junto é diferente.
. – contou mentalmente até dez para conter a raiva crescente em seu peito. – Eu não sou um cachorrinho que precisa ficar amarrada ao dono pela coleira.
– Eu não disse isso. – virou-se para a namorada, prestes a se explicar, mas foi cortado.
– Tanto faz, minha decisão já está tomada. Se quiser terminar nosso namoro por causa desse machismo ridículo, fique à vontade.
passou pelo namorado, deixando-o sozinho na sala de estar do apartamento em que morava sozinha em Munique, e seguiu para o quarto. Ainda adolescente ela havia jurado a si mesma que não deixaria homem nenhum mandar em sua vida. Em dois dias ela teria que voar para o Brasil e precisava organizar suas coisas.


A voluntária a direcionou para o assento indicado no ingresso e agradeceu pela ajuda. Pedindo licença para os torcedores que já ocupavam seus lugares, ela chegou ao assento que se localizava na fileira mais próxima ao campo. Ela nem acreditava que estava ali para a tão esperada final da Copa do Mundo. Ainda sentia-se decepcionada ao lembrar que sua seleção não estaria ali, disputando o hexacampeonato. Não haviam conseguido nem mesmo a terceira posição jogando contra a Holanda, para amenizar a situação, mas do que adiantava chorar pelo leite derramado?
Encontrou, sentadas próximas a ela, algumas namoradas e esposas de jogadores alemães e as cumprimentou com um aceno. Não tinha muita intimidade com nenhuma delas, muito pelo contrário. Sentia-se, inclusive, deslocada. Elas eram, em sua maioria, modelos e donas de uma beleza tipicamente alemã. Não que não fosse bonita – afinal, ela havia chamado a atenção de logo que se conheceram –, mas ela era uma fisioterapeuta brasileira louca por futebol que havia conseguido uma bolsa para estudar na Alemanha e, com muito empenho, um estágio no maior clube do país. Sentia-se perdida no meio de tantas modelos que nem ao menos entendiam de futebol.
Observou a decoração do campo pronta para receber a cerimônia de encerramento da Copa no estádio que tanto frequentou até a adolescência. Não pôde, também, deixar de notar como o Maracanã estava diferente de como era na última vez em que havia estado ali. As reformas realizadas para a Copa do Mundo haviam deixado o estádio quase irreconhecível.
Após assistir as apresentações da cerimônia de encerramento, as seleções da Alemanha e da Argentina entraram para o aquecimento e logo avistou o namorado. Antes de começar a correr, procurou por ela e acenou alegre ao vê-la. Foi naquele instante que a brasileira se deu conta do que estava prestes a presenciar. Seu namorado dentro de duas horas poderia ser campeão do mundo. O hexa do Brasil teria que esperar mais quatro anos, mas algo tão bom quanto poderia estar prestes a acontecer.

– Ai, , toma cuidado.
falou consigo mesma passando as mãos pelo rosto ao ver o namorado caído no gramado, sendo atendido pela equipe médica. Como estava sendo um dos jogadores mais participativos da Alemanha, levava uma pancada atrás da outra dos argentinos e ela estava morrendo de medo de alguma delas ser séria o bastante para tirá-lo do jogo. Deu uma rápida olhada para o telão e viu, graças ao zoom, que um fio de sangue escorria pelo rosto do jogador, que parecia bastante irritado com o lance que havia ocasionado o machucado. Ficou um tanto preocupada, mas logo notou que ele estava voltando ao jogo, tendo sido devidamente atendido pelos médicos, e se sentiu um pouco mais aliviada.
Como o mundo já esperava, a prorrogação se tornou uma realidade após um jogo duríssimo, onde ambas as equipes deram o melhor de si. O jogo continuou tão complicado quanto antes, porém, no centésimo décimo terceiro minuto de jogo, uma assistência de André Schürrle fez com que a bola chegasse a Mario Götze, que a matou no peito e soltou uma bomba impossível de ser defendida pelo goleiro argentino.
Gol da Alemanha.

Orgulho. Esse era o sentimento que sentia naquele momento, ali no gramado do Maracanã junto aos amigos e familiares dos mais novos campeões do mundo. Seu namorado, o homem da sua vida, um dos melhores jogadores de futebol da atualidade, havia acabado de realizar um sonho. Além disso, ela estava feliz pelo país onde havia conquistado tantas coisas boas ter vencido. Fora o Brasil, Alemanha era o único país que ela gostaria de ver levando a taça da Copa do Mundo para casa.
– Nem acredito que eles conseguiram! – Montana, a namorada canadense de Schürrle, que também havia conhecido na festa de aniversário de David Luiz, exclamou. Estava tão orgulhosa quanto a namorada brasileira de .
As duas haviam se encontrado ali no gramado e estavam assistindo a cerimônia de premiação juntas desde então. Filmaram, cada uma com seu celular, o momento memorável em que o capitão Philipp Lahm levantou a taça.
We are the champions, my friends!
soltou uma alta gargalhada quando se aproximou dela com a medalha de ouro pendurada no pescoço e cantando a famosa música do Queen.
– Meu namorado é campeão do mundo! – ela exclamou, jogando os braços em volta do pescoço dele. – Você merece, meu amor! Parabéns!
Com os braços rodeando a cintura dela, tirou os pés da namorada do chão e deu algumas voltas segurando-a. Ambos gargalhavam. Mesmo que costumassem ser um casal tão discreto, naquele momento eles não se importavam com as pessoas presentes no estádio ou se estavam sendo filmados por alguma câmera e o mundo inteiro estava assistindo àquele momento.
. – chamou, mais seriamente, após colocar a mulher em pé no chão novamente. – Eu não ganhei essa Copa só por mim e pelo meu país. Espero que você esteja se sentindo tão alemã quanto eu nesse momento, porque se eu estou agora todo suado, sujo de grama e com um corte ridículo no rosto... – riu, sendo acompanhado pela namorada. – Pode ter certeza de que foi pra fazer valer a pena todo o apoio que você me deu em todos esses anos. Nas vitórias e nas derrotas, você sempre está do meu lado. E eu espero que continue por muitos e muitos anos, porque é com você que eu quero casar e construir a família mais linda de todas.
Naquela altura, as lágrimas escorriam copiosamente pelo rosto de . Quem se importava com uma sexta estrela bordada na camisa? Ela tinha , o maior prêmio que poderia receber em toda a vida.
– E espero que você me perdoe por não ter te apoiado quando você também esperava que eu apoiasse. – ele continuou. – A gente não precisava ter passado quase um mês brigados e foi tudo culpa minha. Me arrependo tanto...
– Tudo bem. – a brasileira o cortou, enxugando as lágrimas. – Eu fiquei muito chateada, mas já passou.
segurou uma das mãos dela.
– Te prometo que nunca mais vai se repetir. – disse, dando um beijo terno na mão de . – Até troquei camisa com o David Luiz.
A mulher riu, sabendo que para o namorado aquela era uma grande demonstração de respeito. Ele não suportava o jogador brasileiro dos cabelos cacheados.
– Ele me mostrou a camisa. Achei fofo da sua parte. – sorriu. – Agora só falta vocês virarem amigos.
– Vou tentar. – suspirou. Aquilo seria bem difícil.
, o melhor amigo de na seleção, interrompeu a conversa do casal trazendo a tão cobiçada taça da Copa do Mundo e deu um abraço rápido em como cumprimento.
– Parabéns, ! – ela exclamou e deu um beijo na bochecha do rapaz.
– Obrigado, . Parabéns pra você também, já é praticamente alemã. – disse simpático. – Querem tirar uma foto? – perguntou para , mostrando a taça.
– Claro. Tira pra gente.
pegou o celular que havia prendido no cós da bermuda e o entregou ao amigo. Antes de pegar a taça, ele retirou a medalha que carregava e passou-a pela cabeça de .
– Eu te amo. – estalou um selinho nos lábios dela.
– Também te amo, . – sorriu encantada com a medalha de ouro pendurada no próprio pescoço.
Ambos, então, ignorando o protocolo da FIFA que permitia apenas campeões do mundo e chefes de Estado tocarem no troféu, seguraram a taça da Copa do Mundo e abriram enormes sorrisos para registrar naquela foto o momento que seria um dos mais especiais de suas vidas para sempre.




Fim.



Nota da autora: Oi, gente! Fic curtinha, escrita para um Challenge de futebol logo depois da Copa das Copas (saudades!), mas espero que vocês tenham gostado! A história retrata meu sentimento pós-Copa: por um lado deprimida depois de ver o Brasil perder a chance de conquistar o hexa mais uma vez e, por outro, muito feliz de ter visto essa atual Seleção da Alemanha que é só amor ser campeã do mundo. Bastian Schweinsteiger, um dos meus jogadores favoritos, foi uma inspiração mais que especial! Entre no meu grupo do Facebook caso queira conversar sobre fanfics, futebol, jogadores, etc. hahahaha. Beijos!





Outras fanfics:

Back For Good
Bola de Ouro
Tous Ensemble
Unfair Play


Nota da Beta: Eu gostaria de começar dizendo que foi uma honra pra mim betar essa fic que 1) é de futebol, 2) é com o lindo do Basti, meu crush e 3) foi escrita pela Babi. Eu fiquei encantada por essa história assim que comecei a ler e me sinto muito honrada por ter tido a oportunidade de ser a beta responsável por ela. Parabéns pela história, Babi, e que muitas outras venham! Foi uma honra receber a sua história e espero que não seja a última vez que trabalhemos juntas <3.


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