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Última atualização: 29/10/2020

Capítulo 1

COLLINS, EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FINALMENTE CHEGOU!

Observei ao meu redor, tentando encontrar a dona da voz familiar que me chamava. Não foi nada difícil para ser sincera, uma vez que Manson segurava uma placa com meu nome. Vê-la pessoalmente tornava tudo tão real.

— Oi — disse, correndo para abraça-la. Sabia que ela não gostava, mas estava tão emocionada por ver minha amiga pessoalmente que não liguei, fazia tanto tempo desde o nosso último encontro. Ela bufou, mas não reclamou, apenas passou as mãos pelas minhas costas e disse que estava contente e por isso não bateria. Eu não liguei, a conhecia o suficiente para saber que suas ameaças não se concretizariam comigo.
— É sério, a minha ficha não caiu até agora. Eu sei que conversamos mil vezes no telefone esse último mês sobre sua vinda, mas é tudo tão diferente com você aqui.

E eu entendia completamente o que ela queria dizer. Acho que nem eu mesma tinha realmente percebido o que significava tudo isso. Toda essa mudança, esse processo de adaptação.

— A minha também não. Eu estava tão ansiosa nesse voo que nem consegui descansar direito! Só pensava em como seria esse ano na nova escola, morando com você, em um novo país… — eu realmente não conseguia parar de pensar se me adaptaria aqui na Austrália. Foi uma escolha super arriscada, ainda que bem planejada e, convenhamos, eu não era a melhor pessoa do mundo com mudanças.

Eu e nos conhecemos através de um grupo de fãs da banda One Direction, há mais ou menos uns três anos. Desde então não paramos mais de conversar. Ela virou minha melhor amiga e fomos uma acompanhando a vida da outra, ela de Sydney e eu de Londres.
Enquanto isso, fomos montando planos para nosso futuro. No começo do segundo ano do ensino médio, decidimos que poderíamos tentar morar juntas após o colegial. E realmente seria uma experiência fantástica dividir o espaço com alguém que eu me sentisse tão conectada. Eu sabia praticamente de todos os acontecimentos da vida de , assim como ela sabia os da minha, logo, não seria uma diferença tão enorme e até economizaríamos na conta de telefone.
Contudo, no final do ano passado, não posso nem descrever qual foi minha surpresa quando meus pais perguntaram se eu queria mesmo mudar de país. Acho que eu berrei muito dizendo que era tudo que eu mais queria e eles me explicaram que confiavam em mim e na minha melhor amiga. Manson viera me visitar algumas vezes, dessa última ficou as férias inteiras em minha casa, e meus pais se apaixonaram pela garota. Após muitas indagações sobre a viagem, se eu não queria esperar terminar o ensino médio e ir para lá quando passasse em alguma faculdade, eu apenas neguei e disse que, se pudesse, me mudaria hoje mesmo. Minha mãe, Lilian, riu e beijou o topo da minha cabeça, pedindo para meu pai ir buscar os papéis no quarto. E eu gritei pela segunda vez no dia ao ver as passagens impressas. Era incrível o quanto eles me conheciam! Explicaram que eu iria morar com durante esse tempo, mas, que se quisesse, estava livre para procurar outro lugar que eles pagavam. Tinha como eles serem mais perfeitos?

— Mas agora que você finalmente chegou, tenho tanta coisa para te contar! — me puxou, enquanto ajudava com as malas. Aparentemente ela realmente tinha muita coisa para contar, afinal, não parou de falar um minuto até chegarmos ao apartamento em que moraríamos. — Está preparada? Esse momento é único! Eu fiz uma cópia da chave para você, pode abrir a porta…
— Eu acho que só agora estou conseguindo acreditar que isso finalmente está acontecendo! — coloquei a chave na fechadura e então a girei, abrindo a porta branca de madeira.

O apartamento era gigante e definitivamente parecia ser confortável. A cozinha era logo à esquerda da entrada, a parede era rústica, feita de tijolos pretos, a mesma cor que eram os armários. Alguns detalhes eram feitos em madeira e vários objetos tinham a tonalidade verde água, dando um charme único. O cômodo era aberto, de forma que a sala e a cozinha acabavam sendo praticamente uma coisa só, tirando pela mesa de jantar redonda que as separavam.
A sala ficava bem no meio do apartamento, onde tinham dois sofás cinza escuro com várias almofadas, mantas e cobertores. Mais à frente tinha a grande televisão, que ficava em cima de um hack, também cinza escuro. Em uma ponta do móvel e do apartamento, onde havia um degrau, ficava a porta da suíte da e acredito que a do outro lado era a da minha. Havia um lavabo perto da cozinha e mais ao lado um quarto onde acredito que seja o closet da casa. Também possuía uma escrivaninha bem rente à janela gigante que iluminava a sala inteira. Aquele lugar era demais! (N/A: Para entenderem melhor a arquitetura do apê, nós nos baseamos totalmente no apartamento da Mônica de Friends)

— Aqui é incrível! Que lugar perfeito! — eu estava maravilhada com o apartamento.
— E você ainda nem viu a melhor parte... — me puxou para a janela que tinha ao lado do closet, a abriu e passou por ela. Fiz o mesmo, abrindo a boca surpresa ao descobrir o terraço que aquele apartamento maravilhoso tinha. — Esse é o meu cantinho, que agora será seu também. Espero que tenha gostado da nossa casa.

Nossa casa. Seria eufemismo dizer que eu estava feliz. A vista era de tirar o fôlego, conseguíamos ver praticamente Austrália inteira dali. Isso porque estava de dia, imagina que belo seria ficar nesse espaço a noite.
Agradeci a garota, expressando o quanto amei aquele lugar. Sentindo o cansaço bater devido ao tempo mal dormido dentro do avião, uma vez que o voo foi demorado, dispensei a pizza que ela disse que pediria para jantar e fui direto ao meu quarto para dormir.
Como disse em uma de nossas várias conversas, ela iria decorar o meu quarto para que, quando eu chegasse, somente tivesse que organizar minhas coisas. E, uau, ela acertou completamente, é absurdo o quão bem conhece meu gosto.
As paredes do quarto eram pintadas em um tom de cinza claro, assim como o tapete gigante de pelos que cobria praticamente todo o piso. Ao lado da porta havia um guarda-roupas branco, combinando com a gaveteira na outra extremidade do quarto e com a penteadeira ao lado, rente à janela. No meio do cômodo estava a cama de casal, que, por sinal, era gigante. Tinham cobertores e almofadas de pelo, alternando nas cores rosa e cinza claro.

— Gostou? Eu ia deixar você dormir, mas lembrei que não tinha visto o quarto ainda… — sorriu ao me ver olhando perplexa com o que ela havia feito. — Eu tentei me basear na foto do seu quarto lá de Londres sabe, cheio de pelos e coisas felpudas…
— Eu amei!!! — pulei nela enquanto falava, a abraçando. Com certeza o fato dela não gostar de demonstrações de afeto físicas como abraços e eu ser a pessoa mais amorosa do mundo era algo que ela ia ter que se acostumar.
— Eu sei, eu sei. Eu sou demais. Agora vou te deixar descansar, quero você bem para o nosso oficial primeiro dia morando juntas — ela sorriu e caminhou para o próprio quarto.

Olhei para minhas malas e pensei no quão cansativo seria organizar a quantidade de roupas no guarda-roupas. Passei reto e dei de ombros, precisava urgentemente de um banho, isso sim. Portanto, segui para o banheiro e ajustei a temperatura para o mais quente possível. A sensação da água batendo na minha pele me proporcionou um alívio absurdo, relaxando meus músculos e me distraindo dos problemas que eu tinha. Sério, não existia nada melhor que tomar um bom banho após um dia cansativo. Desliguei o chuveiro e sequei-me com a toalha rosa, colocando a camisa mais larga que eu trouxe e finalmente deitei naquela cama maravilhosa. Céus, o colchão parecia ser de outro mundo de tão macio. E foi me enrolando entre as cobertas que eu adormeci em menos de dez minutos.

**


Quando acordei, eu não lembrava mais nem meu nome. Sempre tentei apreciar o máximo que podia do que acontecia na minha vida e dormir fazia parte dos meus maiores prazeres. Estive tão ansiosa nessas últimas semanas planejando e imaginando como seria vir para cá que mal tive tempo ou vontade de descansar. Era uma correria entre organizar documentos, me despedir dos meus familiares e amigos e pensar no futuro que a ansiedade me consumia cada vez mais. Somente quando pisei nesse apartamento que meu cérebro me permitiu relaxar.
Lavei o rosto, sentindo-me renovada e, calçando minhas pantufas, caminhei até a porta. estava sentada no sofá mexendo no celular com os fones no ouvido, provavelmente ouvindo música. Sentei ao seu lado, puxando seu cobertor para me cobrir também. Peguei o controle para ligar a televisão, queria ver alguma série.

— Amiga, olha esse menino aqui. O que você acha? — perguntou, virando a tela em minha direção. Estava aberto no Instagram de um tal de @alex_campbell9. Gostava muito desse nome e, enquanto descia a timeline, percebi que a mãe dele também.
— Olha essa foto, não acredito que o nome da irmã dele é Alexa — comentei e rimos. — Mas ele é gatinho para caramba. Quem é?
— Ah, conheci no Tinder. Ele já tá na faculdade, cursa finanças na Universidade de Nova Gales do Sul, fica aqui na capital de Sydney mesmo. Não é longe.
— Hm… Loiro, olho verde, cursando finanças. Tem certeza que ele é o seu tipo? Parece tão… certinho.
, eu tô na seca há tanto tempo que eu não tô nem ligando. E ele foi super fofo comigo, além de que já tem um carro e disse que vem me buscar sexta para sairmos.
— Ei, como assim tá na seca? Você saiu semana passada com um cara! — coloquei o máximo de indignação em minha voz. Se ela estava na seca, então eu tava como?
— Mas foi horrível amiga, eu te contei que ele simplesmente dormiu no cinema. No ci-ne-ma! Primeiro: não era um filme chato — ela começou a enumerar com as mãos. — E segundo: eu nem pretendia assistir aquele filme. Se você tá cansado de tanto trabalhar, é só falar, né? Eu sou compreensiva, poxa…

Não fiz nada além de rir da cara dela, apesar de concordar que foi uma grande mancada desse menino, e desejar uma boa sorte nesse encontro. Voltei minha atenção para a televisão, perguntando o que ela queria assistir, apesar de já saber muito bem.

— Vamos fazer uma maratona de filmes de terror, mas você não tá com fome não? Eu vou pedir pra entregarem uma pizza.

Concordei e disse para que pedisse refrigerante junto. Ela negou e falou que ia pedir um suco, que eu precisava cortar os "venenos" da minha vida. Que hipócrita! Ela comia chocolate quase todo santo dia. E, sendo sincera, eu não sabia como ela ainda aguentava comer pizza sendo que disse que faria o mesmo pedido ontem, mas é uma comida tão deliciosa que eu nem me importei de perguntar. Passados cerca de quarenta minutos, o interfone tocou ao mesmo tempo que o telefone dela.

— Droga, preciso atender, é meu irmão — disse. — Pode descer e buscar a pizza?
— Sem problemas, manda um beijo pro Peter.

Peguei emprestado o roupão preto de dormir que estava pendurado no gancho da parede e saí do apartamento, ajeitando meus cabelos. Esperei o elevador chegar ao 7° andar, onde eu morava, entrando nele. Dei uma rápida olhada no espelho, eu ainda estava com cara de cansada, apesar de saber que muito era pela vestimenta que usava. Mas estava confortável demais para eu me importar. Apertei o botão que me deixaria no térreo e peguei meu celular para responder a mensagem de meus pais. Ainda bem que pensava em tudo e avisou-os que eu estava dormindo, porque com certeza eles iriam me matar por demorar tanto para contar de tudo que estava achando daqui.

— Ei, segura aí — levantei os olhos do ecrã apenas para ver um garoto andando rapidamente em direção ao elevador. Meu deus, ele era lindo. Sua pele era bronzeada e seus cabelos bagunçados eram castanho escuro, assim como seus olhos. Infelizmente, estava tão distraída que não tive tempo o suficiente para reagir e entender o que ele queria dizer. Já era tarde demais quando estiquei o braço para parar o elevador e fiz meu percurso até o térreo sozinha.

Após pegar as pizzas e a garrafa de suco com o entregador, refiz meu caminho até o hall do prédio. Quando ia passar na porta de entrada acabei esbarrando em alguém, droga. Por sorte, não derrubei a comida que levava, mas juro que foi por uma intervenção divina, eu sou péssima carregando várias coisas ao mesmo tempo. Porque sim, duas caixas de pizza e uma sacola pesada são consideradas várias coisas.

— Por acaso é cega também? — e para a minha não tão surpresa, era o garoto do elevador.
— Oi? — ele bufou. Que cara mais grosso!
— Seus pais não te deram educação não? Além de ignorar os outros, ainda fica esbarrando. Não sabe olhar por onde anda, garota!?
— Não é possível… — eu ri indignada. — Olha aqui, pelo jeito que você tá falando comigo, eu nem deveria te dar satisfação, mas como eu sou educada — fiz questão de enfatizar o educada. — Vou te dizer que nem deu tempo de segurar a porta do elevador, vossa majestade, porque eu estava ocupada respondendo me...
— Quer saber? Tanto faz. Me dá licença que eu já estou atrasado o suficiente.

Após me interromper, o garoto continuou seu caminho para fora do prédio enquanto eu o observava indignada. Boa , e é assim que começamos um ótimo primeiro dia aqui. Argh, revirei os olhos e fiz meu caminho de volta ao apartamento em silêncio com minhas bochechas ardendo de raiva.

— Você não vai acreditar no que acabou de acontecer! — disse assim que fechei a porta do apartamento. — Eu tava voltando com as pizzas e esbarrei com um menino lá na entrada, até aí tudo bem…
— NÃO ME FALA QUE AS PIZZAS CAÍRAM… — ela gritou, levantando-se e vindo em minha direção.
— Lógico que não — bufei. — Mas agradeço a preocupação, viu? Eu tô bem sim, não me machucou.
— Ai amiga, desculpa, é que você sabe como eu sou preocupada com minha comida favorita, além de que eu ficaria brava se nossas partes misturassem.

Outro fato sobre Manson: ela era vegetariana há 4 anos e todas as vezes que conversamos e ela ia comer, me explicava que pedia para separarem a parte dela para evitar contaminação cruzada, então entendi sua preocupação. Também me sentiria mal se comprasse algo e nem conseguisse comer. Quando ela pegou as caixas das minha mãos, acompanhei-a para depositar as bebidas em cima da mesa de centro da sala e fui buscar os pratos e copos na cozinha, sem me esquecer de pegar um garfo e faca para a garota. Fresca, eu sei.

— Enfim, deixa eu continuar… Esse garoto que esbarrou em mim tinha me pedido para segurar o elevador antes e eu estava ocupada e não deu tempo, mas ele foi tão grosso comigo lá embaixo sabe? Desnecessário… — contei tudo que acontecera nos momentos anteriores detalhadamente, expressando meu nervosismo. Sério, pra que ser tão idiota assim?
— Tá brincando? Credo, que otário. Totalmente desnecessário falar assim com você, como se fosse obrigação sua segurar o elevador, né? Tem tanta gente sem noção nesse mundo e mesmo assim eu continuo abismada. E você teve um puta azar, a primeira pessoa que conhece no prédio é logo um mal-humorado...

Ela pensou em rir de mim, mas desistiu quando viu minha cara. Peguei um pedaço da minha pizza e comecei a comer, mandando-a dar play logo. Precisava me distrair e não havia nada melhor no mundo que essa companhia enquanto assistia televisão. Garoto idiota.

**


— E aqui fica o ginásio. Teremos aula de Educação Física juntas nas terças e quintas-feiras, o que é ótimo porque eu detesto correr e podemos falar sobre tudo e todos. Tem as outras quadras, que é onde o pessoal joga futebol ou basquete. Tá vendo aquela arquibancada? — ela apontou para a estrutura enorme com diversos degraus, todos azuis. Ficava separado da quadra por uma grade branca. — O pessoal geralmente vai lá embaixo se pegar, ou até pior… Então toma cuidado quando passar — ela riu, o que eu logo presumi que muitos casais fazem questão de visitar esse lugar. Não era ruim, para ser sincera. A visão ficava impossibilitada para quem estivesse na quadra, e se fossem fazer, — e todos sabiam que os jovens iam — que fosse escondido. — Enfim, aquela pequena sala ali é a…

E pus-me a ouvi-la novamente. Ok, deixa eu explicar. resolveu que era uma ótima ideia me acordar 1h30 antes para sairmos mais cedo e fazermos uma tour pela minha escola. Não era ao todo ruim, mas meu humor matutino era péssimo e só Deus sabe como eu me esforcei para levantar da cama e me arrumar a tempo. Talvez sob ameaça, mas deu tudo certo. A sorte era que setembro marcava o final do verão, então ainda estava calor. O azar, no entanto, era a vestimenta que tínhamos que usar. Bermount, o colégio onde estudávamos, exigia que os alunos utilizassem o mesmo uniforme, sendo este no modelo feminino ou masculino. E como o padrão, as meninas eram obrigadas a usar uma saia preta pregueada com duas listras azuis escuro, que combinava com a gravata da mesma cor e com as mesmas listras. A camisa social sempre branca e lisa poderia ter as mangas dobradas até o cotovelo enquanto a meia calça ⅞ deveria ser preta. Não era feio, mas com certeza, desconfortável.
Minha rotina matinal era bem simples: eu lavava o rosto, passava rímel e protetor labial, me trocava, borrifava o perfume no pescoço e nos pulsos, tomava café da manhã e escovava os dentes. Tudo em menos de trinta minutos.
O prédio onde morávamos ficava tão perto da escola que demorou no máximo 15 minutos para chegarmos. E, uau, a estrutura de tijolos era perfeita. Subimos os degraus e adentramos as enormes portas abertas, enquanto eu observava sem parar os corredores perfeitamente brancos praticamente vazios, lotado de armários e com diversas portas que davam acesso às salas de aula. Prestei atenção no máximo possível que falava, maravilhada com tudo. Era enorme! Com certeza eu me perderia várias vezes…
E novamente, distraída, senti meu corpo ir ao chão. Ai, que vergonha. Ouvi uma gargalhada e fuzilei minha amiga com o olhar. Vi uma mão se estender a minha frente e aceitei, levantando-me rapidamente. O garoto que me ajudou era bonito e bem alto. Nossa, só tinha homem bonito nesta cidade? Reparei que seu cabelo era platinado e tinha um tom rosa em algumas partes, quase que imperceptivelmente — provavelmente a cor tivesse desbotado. Seus olhos eram azuis claros e sua boca vermelha realmente me chamava a atenção, uma vez que sua pele era tão branca que parecia pálida.

— Me perdoa, eu não tava prestando atenção, acabei não te vendo… Eu sou tão distraída — comentei, respirando fundo tentando controlar a cor espalhada pelas minhas bochechas.
— Eu quem deveria pedir desculpas, fui eu quem te derrubei. Tava com a cabeça em outro mundo, nem vi vocês passando — o garoto disse, sua voz era gostosa de ouvir.
— Nossa Michael, alguns meses longe desse país e já esqueceu dos amigos? Humildade mandou lembranças, viu amor — Manson respondeu em tom ofendido. Percebi que ela estava brincando com esse tal de Michael, ou seja, provavelmente já tinham uma intimidade.
— Calma gatinha, eu nunca conseguiria esquecer de você. Você sabe que mora no meu coração para sempre. Mas vem cá, você eu não me lembro de já ter te visto — perguntou, direcionando-se a mim. Achei fofo ter perguntado diretamente pra mim, da última vez que encontramos com algum menino que minha amiga conhecia, a pessoa perguntava pra ela sobre mim. Fala sério, não custa nada perguntar pra mim!
— É porque não viu, cabeção. Essa aqui, senhoras e senhores, é a famosa Collins — respondeu por mim, me fazendo pensar para quem ela contou sobre minha vinda.
— Meu Deus, aquela Collins? A de Londres? Caraca, Manson não parava de falar de você um minuto sequer ano passado. Era um " pra cá, pra lá" que eu tava doido pra te conhecer. Muito prazer mesmo, meu nome é Michael Clifford, mas todo mundo me chama de Mike — ótimo, minhas bochechas não poderiam corar mais.

Mas eu me lembrava de Mike, comentou que ele era um ótimo amigo, sempre preocupado com ela e bem cuidadoso. Eles e mais um grupinho saiam quando podiam para aproveitar a cidade e distrair a mente.

— Prazer Mike, pode me chamar de mesmo. Fico contente então que a princesa aqui contou sobre mim, queria tanto conhecer os amigos dela. Ela também me falou muito de você.
— Ah, você nem faz ideia do quanto ela contou. Deixa eu te falar…

E ele falou, muito mesmo. Mike era uma das pessoas mais divertidas que eu conheci. Pelo visto, hoje comecei o dia com o pé direito. Descobri que ele fazia parte do grupo de amigos da e fora passar as férias em Juneau, no Alasca, esquiando com a família. Que ele era tão apaixonado por Skins quanto eu. Que cursaríamos a aula de Matemática juntos, o que era bom, porque eu detestava matemática e ele disse que me ajudaria. E, o melhor de tudo, que tinha uma banda com os amigos.
Sempre achei incrível a ideia de ter uma banda. Meus pais, por outro lado, nem tanto. Por mais abertos que Lilian e Robert fossem, gostariam de me ver priorizando uma carreira profissional que uma artística. O que era uma droga, porque todos comentavam que eu cantava muito bem — tanto que venci quase todos os shows de talento que participei. Mas paciência, sempre existiria um karaokê para que eu pudesse soltar minha voz e ser ouvida.
Conversar com e Mike enquanto eles me davam dicas de "como sobreviver ao inferno que é o ensino médio aqui" — palavras deles — me distraiu tanto que nem percebi quando a escola começou a lotar. Ainda faltavam quinze minutos para o início das aulas quando decidimos sentar e esperar o restante do grupo aparecer. Eu estava tão ansiosa, queria que eles gostassem de mim. Eu era sociável e muito extrovertida, mas não pude evitar morder o lábio e duvidar do que eles pensariam.
Distraída pelos meus próprios pensamentos, fui trazida de volta a realidade quando levantou repentinamente dizendo que o Luke, que eu lembrava ser seu melhor amigo, chegou e saiu praticamente correndo para abraçar ele. Eu e Mike nos entreolhamos, rindo de sua atitude. Poucas coisas deixavam essa garota animada de manhã. Levantei meu olhar, o identificando ao ver seu cabelo loiro — detalhe que comentou em uma de nossas conversas — e, assim como Mike, Luke era alto e bonito. Eu estava começando a desconfiar que era algum tipo padrão desse país, como se todas as crianças nascidas nessa época tivessem de ter beleza. Seus olhos eram azuis e ao lado direito de seu lábio inferior havia uma fina argola preta, o deixando ainda mais atraente. Sempre gostei de piercings.
Senti que estava sendo observada e virei minha cabeça um pouco para o lado, querendo enxergar quem estava ao lado de Luke. E, quando nossos olhos se encontraram, percebi que já o conhecia.
Ah não, não acredito que o idiota do elevador estuda aqui!


Capítulo 2

Vi os lábios do idiota mexerem-se, comentando alguma coisa para , logo após desviar seu olhar do meu e ir cumprimentar a quem se referia com um beijo na bochecha, pouco depois dela ter abraçado Luke, colocando um de seus braços sobre meus ombros.
Ok, eu estava confusa. Primeira informação que eu tinha: o idiota do elevador conhecia minha amiga. Segundo: minha amiga conhecia ele e, o pior, gosta dele. Como disse anteriormente, ela não era de contato físico que considerasse desnecessário. Ou seja, detestava abraços. comentou comigo que se fosse para dar um passe livre, que daria para mim e Luke, por sermos as pessoas mais próximas que ela tem. E mesmo assim, deixou que ele se aproximasse. Provavelmente devido a saudades do tempo de férias.
Argh, droga. Eles estavam andando na minha direção e de Mike. Pensei em pegar meu celular para disfarçar, mas considerei que não queria parecer antissocial ou desinteressada. Apenas desviei meu olhar para minhas mãos, buscando não mexê-las inquietamente.

— Melhor que nunca! Lembra que eu comentei da vinda de , de Londres? Ela chegou esses dias, queria ter chamado vocês para vir no apartamento ver a gente, mas todo mundo decidiu que iria viajar na mesma época — revirou os olhos. Com eles mais perto a cada momento, já conseguia ouvir o que eles estavam conversando, apesar de ter perdido o início. Levantei o olhar e eles estavam na minha frente, sentando-se perto de nós. — E se não ficou claro pra ninguém, essa é a !
— Oi! — sorri, tentando parecer simpática. O frio na barriga aumentava e eu apenas o ignorava, fingindo não saber que o motivo estava bem a minha frente.
Collins, esses são Luke e Calum. — disse e foi indicando respectivamente enquanto falava o nome deles, colocando uma mecha de seu cabelo ruivo atrás da orelha.

Calum era um nome bonito para o estranho idiota bonito. Parecia combinar com ele.

— Sou o Luke, e é um prazer finalmente conhecer a melhor amiga da minha melhor amiga! — Luke se pronunciou, me abraçando. Eu sorri com sua empolgação, retribuindo o abraço de bom grado. Seu perfume estava forte, ainda que fosse muito cheiroso, e seu moletom era confortável. Eu amava abraçar pessoas com roupa de frio.
— Eu digo o mesmo! Tava já na hora, né, eu escutei ela falar de você por anos, fiquei toda ansiosa — respondi, me deixando contagiar por sua alegria. Luke parecia ser do time de pessoas que acordavam de bom humor, o que era até que impressionante. Quase ninguém do meu ciclo de amigos era assim.
— Prazer, . Está gostando da cidade? — oh, por essa eu não esperava. A voz de Calum pareceu quase que um sussurro e me perguntei se ele realmente havia falado comigo. Não sabia se ele era audacioso, se esquecera a nossa discussão no prédio ou se apenas me cumprimentara porque nos apresentou. O que tornava tudo mais estranho e não me fazia ficar confortável. Ainda assim, eu precisava me esforçar para que meu último ano nessa escola fosse bom e nunca me fez mal praticar a política da boa vizinhança.
— Estou sim, apesar de ainda não ter saído para conhecê-la verdadeiramente, é tão linda quando eu esperava. E eu gosto do clima daqui. Londres é muito gelada.
— Huh, eu não conseguiria viver lá nem se quisesse. Não daria uma hora e eu trocaria tudo por um dia ensolarado na praia — comentou, prolongando o assunto. Eu e ela éramos bem parecidas nessa questão, apesar dela amar ainda mais o verão que eu, ambas odiávamos frio. E não, as pessoas não ficam mais bonitas. Eu, pelo menos, ficava com a cara inchada, o nariz vermelho e toda estranha agasalhada.
— Falando em praia, tive que ir visitar os meus avós em Gold Coast nessas férias e aproveitei para passar em Byron Bay, porque que é bem perto. Foi muito bom — Mike contou, explicando que ama visitá-los e gostaria de fazer mais vezes, mas era difícil matar a saudade enquanto estudava. Comentou também que Byron Bay era a praia que havia lá perto, e disse que um dia marcaríamos para eu ir. Ele era tão fofo!
— Mike, você não tinha ido para o Alasca? — minha amiga perguntou, deixando clara a confusão em seu rosto.
— Sério , você tem celular para que se nunca vê as mensagens no grupo? Eu avisei que fui, mas só para passar uma semana. Eu já conhecia lá, estava com saudades e fui em pontos específicos mesmo. Aí depois, voltei para a Austrália e fiz o que disse — Mike finalizou, revirando os olhos para demonstrar descontentamento com minha amiga.

Ela lhe encarou e pediu desculpas, fazendo uma cara fofa, dizendo que estava tão ocupada com minha vinda que mal tivera tempo para checar as redes sociais. Eu confirmei, realmente havia sido isso. Esses últimos tempos foram uma loucura total, não dava para culpá-la por isso. Mike disse que entendeu e estava brincando, então virou-se de lado e encarou Calum.

— E onde você passou suas férias, senhor?
— Ah, eu fui para New York conversar com meus pais… Eles me chamaram, aí tava sem cabeça para conversar — ele parecia desanimado ao contar sobre sua viagem e, aparentemente, todos ali sabiam o motivo. Menos eu. E seria totalmente sem noção perguntar agora o que acontecera, primeiro porque ele já não ia com minha cara, segundo porque eu não queria ser conhecida como a intrometida curiosa.
— Quer falar como foi? — Luke questionou em um tom que parecia ser preocupado. Sua pergunta foi bem feita e direta, sem forçar nada, dando espaço para o amigo.
— Ah, o de sempre, mas dessa vez voltei mais cedo.

Luke assentiu, demonstrando que compreendeu. O clima ficou estranho, com todo mundo se entreolhando. Só Calum que tinha o olhar perdido. Eu queria mais que nunca saber o que era o de sempre, mas tive de fazer uma nota mental para questionar depois.

— E você, Luke? — em uma tentativa de quebrar o silêncio desconfortável, eu questionei, continuando o assunto.
— Ah, eu não fiz nada demais, fiquei aqui mesmo escrevendo — que ele gostava de escrever eu já sabia, havia comentado comigo nas ligações que ele escrevia diversos poemas e ela se orgulhava disso, ao mesmo passo que tinha inveja. era fabulosa escrevendo, mesmo, mas sua maior facilidade e gosto era em criar histórias ou contos.

Conversarmos mais um pouco sobre esse verão, uma vez que eu ainda tive de comentar o que eu fiz — que basicamente foi me preparar para viagem, visto que minhas aulas acabaram em julho e as dele começariam somente em janeiro, eu estive apenas arrumando o que precisava. Pouco tempo depois, Luke disse que o sinal tocaria em pouco tempo e que era melhor irmos para sala, já as aulas começariam e seu professor não era exatamente o que chamariam de amigável. Senti dó dele e torci para eu ter um bom professor.
Tirei o papel que continha minha grade de horário que busquei hoje na secretaria da minha mochila para descobrir quais matérias eu teria hoje.

— A minha primeira aula é gramática e a de vocês? — respondi o questionamento de Mike. Apesar de ter perguntado no geral, olhei diretamente para , torcendo para que estivéssemos cursando juntam
— Merda, a minha é matemática — ela respondeu, bufando. Assim como eu, a australiana não tinha grande facilidade e muito menos afinidade com a matéria.
— Olha, a minha também é gramática. Qual é a sua sala? Eu posso te acompanhar até lá, pra você saber onde fica — ok, podia ser impressão minha, mas eu acho que o idiota do elevador estava sendo simpático e educado…?
— É a 53B — respondi. Se ele estava tentando, não vou perder a oportunidade de ter essa ajuda.
— É a mesma que a minha! Vamos? — disse, dando um sorrisinho de canto. Ele até podia ser idiota, mas era lindo!

Caminhei ao lado de Calum pelos corredores em silêncio, mas o que aconteceu na noite passada fazia com que eu me perguntasse como era a personalidade dele, realmente.

— Espera aí, eu preciso te perguntar uma coisa — eu parei no meio do caminho, fazendo com que o garoto fizesse o mesmo em seguida, me olhando confuso. — Por que foi tão grosso comigo ontem lá no prédio?
— Hm… — ele mexeu no cabelo e mordeu o lábio inferior, parecia receoso. — Eu só estava nervoso e acabei descontando em você, me desculpa. Sei que não foi uma atitude correta, ainda mais que você não teve culpa de nada. Mas é que eu tinha ido visitar meu pai, como eu disse mais cedo, e, hm, nós discutimos. Não sou de perder a cabeça assim, mas estava bravo demais. Também não sabia que iria me encontrar com você de novo, achei que fosse só uma visita no prédio. Não que seja totalmente melhor, mas ao menos eu me sentiria menos mal de ter agido assim — ele respirou fundo. Quando fiz a pergunta, não imaginei que ele responderia dessa forma, se explicando tanto. Tudo bem que ele deveria mesmo me pedir desculpas, porque eu não esqueceria o acontecimento rápido assim, só não esperava. — Mas foi até que bom que isso aconteceu, sabe, te reencontrar aqui. É como se fosse um sinal, uma chance de recomeçarmos. O que acha?

Eu acreditava em sinais, por mais estranhos que eles pudessem ser. E Calum era estranho, ainda que alguém tentasse negar. Qual é, o cara descontou sua frustração em mim por simplesmente não segurar uma porta de elevador e agora aparece onde eu estudo falando sobre recomeços? Doideira. Mas eu acreditava em sinais.

— Tudo bem, foi apenas um mau começo. Só peço que não seja assim comigo novamente por algo que eu não tenho a ver. Mas, enquanto isso, me explica o que você tava fazendo lá? — eu perguntei, tentando assimilar o que aquele garoto fazia no saguão. Sim, eu estava ignorando a resposta mais óbvia e eu sabia disso, muito bem.
— Eu moro lá, tem uns anos. Eu fui morar sozinho, desde que as brigas com meu pai se tornaram mais frequentes. Apesar dele me sustentar, eu sempre tô fazendo o possível para juntar uma grana e conseguir me situar, sabe? Aí depois de uns meses o Mike comentou que precisava de um lugar pra ficar e eu ofereci dividir lá com ele, era até mais fácil — Calum ia explicando conforme andávamos até a sala de aula. Eu necessitava morar com uma amiga agora, mas não consigo imaginar um adolescente vivendo sozinho. Como ele conseguira? Essa era uma pergunta que tentaria me lembrar de perguntar depois. — Então veio o Luke e umas duas semanas depois, o Ash. Tivemos que derrubar uma das paredes, porque o espaço seria bem maior juntando dois apartamentos, e cada um teria seu próprio quarto. Agora vivemos lá mesmo. Bacana, né? — eu concordei com a cabeça quando ele disse isso, um pouco chocada deles terem derrubado a parede. E mais uma vez eu me perguntava como.
— Deve ser incrível morar com os amigos, tô ansiosa em ver como será com a esse ano. Espero que seja muito bom, tô com as expectativas no alto. E aquele dia que a gente se encontrou, você tava no 7°, então a gente mora no mesmo andar? — perguntei após contar sobre o que esperava, aproveitando para sanar uma de minhas curiosidades. E eu não conseguia parar de pensar em como eles fizeram para convencer o síndico a unir dois apartamentos. Quanto de dinheiro eles tinham!?
— Ah, não, eu tive que passar lá para resolver uns assuntos. Eu vivo com os meninos no 10° andar, é perto até — ele respondeu sorrindo. Era perto mesmo. E o sorriso dele era muito bonito, com os dentes brancos perfeitamente alinhados.

Estávamos a alguns passos da sala quando percebi um garoto loiro de cabelos bagunçados, que vinha correndo pelo corredor, praticamente pulando em cima de Calum. Eu congelei no lugar, tentando não fazer cara de surpresa. Aproveitei para observá-lo, percebendo que era bem mais alto que eu — o que, sendo sincera, não era muito difícil de acontecer. Obrigada pais por me compartilharem essa genética de ter 1,58. Apesar de que eu gostava de ser baixa e, se eu precisasse pegar alguma coisa mais alta, poderia pegar uma cadeira ou pedir ajuda para . Incrível como 5cm de diferença eram marcantes porque ela com seu 1,70 alcançava tudo. Enfim, voltando ao bonitão. Percebi que suas madeixas estavam presas por uma bandana preta com alguns detalhes brancos. Era estiloso. Talvez seja porque ele chegou pulando, mas ele tinha a "carinha de criança que ama aprontar".

— Sentiu minha falta, amorzão?! — sua voz era engraçada e ele falava tudo super rápido. Ainda que eu também falasse inglês, nossos sotaques eram diferentes e me esforcei um tanto para entender. Depois disso, ele deu um beijo estralado na bochecha de Calum. Oh ...
— Seria um milagre de ano novo você chegar no horário da aula, Ash!? — ele perguntou, colocando a mão na frente da boca aberta e fingindo surpresa.
— Ah, calma lá, é só uma exceção de primeiro dia! — o tal Ash respondeu, dando uma piscadinha para Calum. — Eu tenho uma reputação a zelar, sabia? — riu e desviou o olhar, notando finalmente minha presença. — Oh, olá querida. Está acompanhando esse lindinho aqui? — apontou para o idiota do elevador quando referiu-se ao lindo. — Porque, se sim, sinto muito, mas esse homem é todinho meu e você é muito bonita para entrar em uma discussão por uma coisa dessas. Tem tanto homem no mundo, posso até te indicar uns, mas é que esse já é meu, sabe — e ficou me encarando seriamente.

Espera aí. O quê?
Minhas bochechas pareciam estar pegando fogo e eu tinha certeza que a vermelhidão seria visível por qualquer um que parasse dois segundos olhando para minha cara. Eu não acredito! Só comigo que essas coisas acontecem? Parabéns , é isso que dá aceitar um convite de alguém que você mal conhece, o namorado dele vem te cobrar. Meu deus, eu acabei de entrar aqui e tinha certeza que esse Ash já me odiava. O jeito que ele me olhava era intimidador e eu tenho noção que abri a boca igual uma otária, nem conseguia responder direito. Merda!
Quando estava disposta a somente ignorar e me esgueirar dentro da sala, ambos os meninos explodiram em risadas. O que estava acontecendo? Observei cada um rapidamente, decidida por encarar Calum — e para minha desculpa: eu o conhecia, óbvio que foi por isso e não por ter achado adorável o modo como seus olhos se fechavam quase que por inteiros enquanto ele ria. Ergui a sobrancelha, esperando uma explicação. Não demorou muito para que ela viesse.

— Eu tava brincando, sim? — quem acabou me respondendo foi Ash e cerrei os olhos enquanto ele falava, tentando entender a situação. — Infelizmente o lindinho tá comprometido com outra. Apesar de eu achar que ele amaria ter meu corpinho, esse é um privilégio que reservo só para algumas — ele fez uma pausa para rir. — Todo ano faço essa brincadeira quando ele tá com alguém que não conheço, ano retrasado apareci no apartamento e ele tava beijando uma menina no sofá e foi perfeito, ela saiu correndo, nem deu tempo de eu terminar de contar — ele explicou, e não pude deixar de rir junto, imaginando a situação. Era uma brincadeira bem boba para alguém da nossa idade e eu não conseguiria imaginar o desespero que essa menina sentiu na hora, mas ainda assim consegui achar um pouco de graça por ele zoar tanto o amigo.

Lembrei-me então que menos de 5 minutos atrás Calum comentou que estava morando com Ash. Acho que ele era o último que faltava para que eu tivesse conhecido os amigos de que moravam em nosso prédio.
Minha recém-descoberta sobre Ash era suas gracinhas, mas não demorei a perceber que ele gostava muito de conversar — arrisco dizer até mais que Mike. Foi me puxando pela mão e colocando sua mochila em uma das cadeiras localizadas entre o meio e fundo da sala, indicando para que eu colocasse a minha na cadeira ao seu lado, contando que queria me conhecer desde que lhe comentou despretensiosamente que eu tinha mandado uma mensagem perguntando se era possível matar meu filho porque queria uma menina e ela não sabia a resposta.
E explicando, eu deixei claro que estava falando do jogo The Sims, mas ela começou a dizer na metade e Ash ficou preocupado que eu fosse realmente ferir uma criança. Depois que ele entendeu que eu não era nenhuma assassina, não deixou de dizer que ainda me achava louca. Tentei me defender, mas realmente é difícil se explicar com uma frase dessas...

— The Sims é um jogo perturbado — Calum comentou. Ele havia sentado atrás de mim e durante minha conversa com Ash apenas ficou encarando. Achei que ele estivesse me julgando. — Tem uma página no Facebook com publicações de dúvidas parecidas com a sua. Na primeira vez que eu vi, me assustei até perceber do que se tratava. É doideira.
— Eu também acho, viu? Nem quero imaginar o que os programadores pensaram enquanto desenvolviam… — eu respondi.

Pouco tempo depois, a professora entrou na sala. A primeira coisa que percebi foi seu cabelo ruivo, era extremamente bonito com os cachos na ponta. Um batom vermelho moldava seu sorriso, combinando com o salto alto em seus pés. Vestia uma calça preta que ia até pouco antes do seu tornozelo e uma camiseta branca. Parecia pouco mais nova que meus pais, então deveria ter pouco mais de 40 anos. Ela conversou animadamente com a classe, afirmando que estava feliz de ter o prazer de dar aula para essa turma novamente. E realmente parecia estar. Após pedir para que eu e um outro menino nos apresentássemos, visto que éramos os únicos que ela não conhecia, deu início a aula.
Seria um longo ano, mas ao menos a primeira aula era interessante.


Capítulo 3

Calum POV.

Eu amava cantar desde pequeno. Além disso, eu também amava tocar baixo. E eu era bom, os clubes sempre lotavam quando eu e os meninos tínhamos apresentação. Eu, Michael e Luke, entramos nessa há dois anos, fazendo covers. Depois de um tempo, conhecemos Ash e ele virou nosso baterista. E eu precisava admitir, que baterista!
Foi muito por conta de sua entrada que fomos nos direcionando melhor. Como éramos bem amadores, nossos instrumentos eram basicamente violão e microfone. Ficávamos intercalando para ver quem tocava em cada noite, revezando entre um tocar e todos cantarem. Violão sempre foi uma grande paixão para nós. Mas só isso não seria o suficiente.
Com o passar do tempo, percebemos que se quiséssemos mesmo fazer a banda ter sucesso, precisaríamos tocar mais. E foi meu amor pelo baixo que me fez insistir em tocá-lo, aperfeiçoando-me mais. Tanto Luke quanto Mike foram para a guitarra, não deixando a desejar em um momento sequer. Desde então, o número de acessos que tínhamos nos vídeos postados no YouTube melhoravam consideravelmente.
Em um dos dias do nosso ensaio, Luke apareceu com uma música que ele mesmo havia escrito. "Out Of My Limit" falava sobre um cara apaixonado há dois anos por uma menina e que nunca tivera coragem o suficiente para se declarar e lhe mostrar o melhor de si por acreditar que ela estava fora do limite dele — bem aquele ditado "muita areia pro seu caminhãozinho" —, mas que por fim superava o medo e tentaria com ela novamente, porque, apesar de não terem um relacionamento, ele não quer mais ser aquele que nunca consegue nada e sempre fica sofrendo. Exatamente como ele se sentia em relação a . Pois é, ele tinha sentimentos por ela há anos já. Estudamos todos juntos desde o ensino fundamental, mas no primeiro ano ela ficou popular pelo lugar — porque, qual é, uma das meninas mais bonitas do ensino médio fazia boxe, o que não era lá um esporte que as meninas da escola curtiam muito e todos esperavam que ela se tornasse líder de torcida — e bem, nós não. Isso a tornava fora do alcance para Luke, e foi exatamente o que o incentivou
Talvez meu amigo fosse meio masoquista.
Mas sua ideia de se aproximar deu certo. Foi inteligente ele ter usado a aula de literatura para começar um diálogo com ela. Ambos eram apaixonados pela matéria e a professora quase sempre passava atividade em dupla. No começo era estranho ver os dois juntos, eu e os meninos zoavamos bastante, dizendo que ele nunca ia conseguir a atenção dela por mais tempo, porque garotas com fama não se apaixonam por meninos medíocres que se reuniam depois das aulas para cantar e gravar músicas. Eu não estava totalmente errado, nunca se apaixonou pelo pobre Luke. Porém, devo confessar que não esperava que ela fosse uma pessoa tão… legal?
A maioria das meninas bonitas quando entram no ensino médio acreditam que podem mandar em tudo e todos. Talvez eu fosse um babaca por pensar assim, mas era o que acontecia na maioria dos casos. Meninas populares ficam com meninos populares, principalmente os jogadores. Então não foi 100% minha culpa por ter julgado mal a menina. Apesar de preferir estar certo, foi bom perceber que errei no meu julgamento com ela. era uma das melhores pessoas que eu conheci na vida, muito engraçada e espontânea e, com certeza, uma ótima confidente. Apesar de não corresponder o amor pelo guitarrista, fez dele seu melhor amigo. Luke no começo dizia que já a tinha superado, mas quem disse que acreditamos? Foi depois de um tempo que ele desistiu de tentar nos enganar — e enganar a si mesmo — e aceitou seus sentimentos. Ele nunca poderia forçá-la a ter um relacionamento que não quisesse, portanto, restava aceitar o que ele tinha. E ele fazia de bom grado.
Resumindo, essa é a história de como começamos, desde produzir covers na garagem da casa de Mike a finalmente tocar algumas músicas próprias em nossa sala de música do prédio que morávamos.
O dono do prédio em que moramos é o meu pai. Eu fiquei com o apartamento só para mim quando ele e minha mãe se mudaram para New York e, como eu tinha que terminar os estudos, eles me deixaram nesse país. E, também por isso, não foi difícil quando pedi para juntarmos dois apartamentos já que meus três amigos morariam comigo e, por algum milagre que eu não sei qual, meus pais adoravam eles.
Apesar do meu progenitor não concordar com a minha escolha em relação à música e querer que eu siga com o negócio da família, ele nos cedeu uma sala naquele prédio que ninguém usava para nada. Atualmente, ela consta isolamento acústico — não incomodar os moradores era uma das principais regras do dono — e nos permite ensaiar até tarde, madrugando caso fosse necessário. Ela realmente é a sala de músicas que parecia ter saído de nossos sonhos. Em seu interior, havia nossos instrumentos, posters e vitrolas de nossas bandas favoritas em todas as paredes, dois sofás que usávamos na antiga garagem de Mike, uma tv com nossos videogames e um frigobar. Ou seja, tudo que precisávamos.

**


[Dois meses depois que chegou]

Haviam muitas coisas que eu amava nessa vida. Cantar, dormir e comer eram, nessa ordem, minhas favoritas. Eu e os meninos estávamos sentando à mesa do refeitório para esperar e para almoçar quando senti meu celular tremer, indicando uma nova mensagem.

Hey babe,
Onde você está?
Estava pensando passarmos um tempo juntos hoje.
O que acha?
xx

- Stacy


A respondi dizendo que tinha ensaio marcado hoje a noite, o que significava que não poderíamos sair, mas que ela estava mais que convidada para nos assistir. Eu já sabia a resposta de Stacy antes mesmo que ela me enviasse. O "não consigo" acompanhado de um emoticon triste e de "você sabe que eu tenho dor de cabeça com música alta, vou aproveitar e ir à academia". Da última vez, a desculpa era que iria estudar para a prova de química e, ainda que ela fosse um ano mais nova que eu, era fácil descobrir que ela sempre pagava outra pessoa para fazer a prova em seu nome.
Se fosse para ser sincero, eu ficava um pouco chateado sim dela evitar ir aos ensaios, mas compreendia que ela não gostava de passar horas com meninos suados tocando instrumentos, então relevava.
As menina chegaram pouco tempo depois, maravilhada que hoje o cardápio contava com batata frita e essa era sua comida favorita. Nós rimos, sabendo que ela estava falando sério mesmo.

— Não acredito que você conseguiu pegar um pedaço do bolo de chocolate! Eu saí correndo da aula porque sabia que hoje dariam e mesmo assim quando cheguei já tinha acabado. Você é muito sortudo! — disse apontando para meu pedaço, visto que ela estava sentada ao meu lado.

Ri e peguei com minha colher um pedaço satisfatório do bolo, levando-a em direção a boca de . Ela me olhou, surpresa, levantando a sobrancelha, e abriu a boca, envolvendo a colher com seus lábios e pegando o pedaço. Ela mastigou de olhos fechados, saboreando o doce, fazendo uma cara de prazer.
Oh.
Meus olhos estavam fixos, vidrados em suas feições. O refeitório estava ficando mais quente? Eu me sentia errado, como se estivesse vendo algo proibido. Sentindo algo proibido. abriu os olhos antes mesmo que eu tivesse a chance de desviar o olhar — sinceramente, eu nem ao menos queria. Ela me encarou de volta, as íris brilhando. Lambeu lentamente seus lábios, limpando os resquícios de chocolate e eu mordi o meu inferior.

— Obrigada, estava com muita vontade.

Sorri e, finalmente, foquei minha atenção no grupo e me inteirei na conversa, que basicamente consistia em descobrir o enigma de como a professora de biologia era um amor de pessoa e conseguia viver casada com o professor de química, chato demais e nem um pouco compreensível.

— Às vezes é aquele ditado, os opostos se atraem, né… — eu comentei, pensando que era difícil que conhecêssemos a personalidade dele quando o convívio era restrito a duas aulas por semana.
— Hmm, falando em opostos… Como você e Stacy estão? — perguntou um pouco mais baixo, para que não chamasse muita atenção do restante. Ela sabia que eu não me sentia muito confortável falando sobre meu relacionamento porque o pessoal não era muito fã da minha namorada.

Nunca foram, na verdade. A gente brigou algumas vezes porque eu lembrava que eles tinham uma percepção errônea de antes também e, dando uma chance de conhecê-la, viraram grandes amigos. Mike e Ash respondiam que Stacy era mimada e ela mesma não se esforçava em querer ser amiga deles. Luke era o mais aberto, conversava tranquilamente com ela e eu sabia que ele era o único deles que Stacy gostava. Me aborrecia que eles pensassem assim, mas também não poderia negar o que era verdade.
Respirei fundo, lembrando do dia que contei para sobre meu namoro.

[Flashback]

Em uma das noites que ensaiávamos, meses atrás, estava ficando tarde e decidimos pedir pizza. Após perder em uma rápida competição de jokenpô, me levantei e fui buscar nossa janta.
Chegando perto da portaria, observei uma menina morena andando de um lado para o outro, falando no celular desenfreadamente. Veja bem, não era do meu feitio prestar atenção em conversa alheia, mas ela estava praticamente gritando, o que me isenta um pouco de ter deixado minha curiosidade falar mais alto e ouvir o que saia. E pelo o que eu entendi, Gregor era o maior babaca que ela conheceu na vida, que nunca mais cairia nos joguinhos dele porque não era otária e que ele deveria esquecer que ela existia. Seja lá o que Gregor tenha feito, estava nítido que não deveria.
Respirei fundo, eu apenas deveria ter pegado aquela pizza e saído mais rápido, os meninos estavam esperando e lidar com eles famintos era complicado.
Mas quando ela desligou o telefone e começou a chorar, não aguentei. Em passos lentos e delicados, fui até o banco em que ela estava sentada, tentando equilibrar a pizza quente em somente um dos braços, utilizando minha outra mão para lhe perguntar se precisava de ajuda.

- Não, eu tô ótima, não tá vendo? Pra que eu ia precisar de ajuda? Eu pareço que preciso? — respondeu, quase gritando comigo. Os olhos verdes vermelhos, brilhando mesmo na noite banhada apenas pela luz do poste e o nariz tão vermelho que somente poderia significar que ela estava chorando há muito tempo.
- Tudo bem então — respondi, sentando-me ao seu lado. Percebi que ela me observava confusa, mas continuei olhando para frente enquanto a brisa noturna refrescava meu rosto. Eu tinha noção que não estava com minha melhor aparência perto daquela garota — horas de ensaio faziam isso — mas ainda não poderia deixá-la sozinha. — É engraçado como nessa época do ano o tempo é quente, né?
- Quê? — ela perguntou, com voz expressando confusão.
- Eu particularmente prefiro calor mesmo, é muito mais confortável usar regata e também traz muita disposição. O que você acha?
- Hm… Eu prefiro frio, mil vezes. Calor só serve para trazer bichos nojentos e fazer as pessoas ficarem feias — ela respondeu, o que me deixou um pouco surpreso.
- Então você me acha feio? — perguntei, olhando diretamente em seus olhos. Foi uma pergunta muito direta, apesar de que eu estava brincando. A vi morder o lábio inferior, enquanto fingia pensar.
- Feio, não… Eu diria que pelo contrário... É que no inverno as pessoas se vestem melhor. E também, é ótimo tempo para se aquecer com calor humano, você sabe... — ela também me encarava. As lágrimas já haviam secado, mas seus olhos ainda brilhavam. Senti uma parte de mim esquentar.

Ela estava flertando? Provavelmente eu estava ficando louco. Não era possível isso. Quer dizer, ok, eu sabia que era irresistível, mas ela estava chorando e gritando com seu ex-namorado há menos de 5 minutos no telefone. E eu seria louco se dissesse que respondi, ainda que indiretamente, o possível flerte.

- Temos ar condicionado onde eu ensaio, acho que a temperatura pode te agradar. Quer ir lá comigo dividir essa pizza de pepperoni com quatro garotos exaustos? Se ficar muito frio, eu posso te esquentar — comentei, sorrindo de lado. Foi um comentário com teor bem malicioso e muito provavelmente eu levaria um fora. Só que eu detestava ver pessoas chateadas, e ela era tão linda, não deveria sofrer por um idiota.

Ao contrário do que eu previ, assim que terminei de falar, a garota lambeu o lábio, olhando-me de cima a baixo. Uau. Definitivamente eu estava quente. Fiquei contente quando sua resposta foi "Por que não? Vamos lá".
E a conduzi desde o banco até o elevador, no qual a conversa não faltou, uma vez que ela me perguntou sobre a banda.

- Vocês devem ser bem famosos, né? Se forem tão talentosos quanto você me diz...
- Até mais, você pode ver um dos nossos shows um dia. Tocamos em pubs, sabe? Então lota bem — fui percebendo sua empolgação quando disse sobre o pub. Não era a maior plateia do mundo, mas eu e os meninos ficávamos realmente felizes. E seria bom se ela realmente fosse nos ouvir.

Quando entrei na sala, a primeira coisa que ouvi foi um comentário reclamando do meu atraso e Ash perguntou se eu fui até a pizzaria produzir a comida. Haha, muito engraçado. Antes que eu sequer pudesse me explicar, os meninos pararam de me criticar quando perceberam que eu estava acompanhado.

- Quem é você? — Mike, com toda delicadeza do mundo, perguntou, observando curiosos.
- Oi, eu sou Stacy — e foi quando ela respondeu que eu me toquei que até agora não sabia qual era seu nome. Boa Calum, é assim mesmo que se interage com as pessoas. — Ele me convidou para comer aqui e conhecer vocês, mas se for atrapalhar, eu posso ir embora…

Após os meninos garantirem que não tinha problema nenhum nela ficar, Stacy foi conhecendo o resto dos meninos e se soltando melhor. Para ser sincero, eu sei que a maior parte das vezes que ela falou algo foi direcionado a mim. E eu não critico, fiz a mesma coisa. Ela era delicada, ainda que extrovertida.
Quando a pizza acabou e decidimos que já estava na hora de voltarmos ao apartamento, garanti a Stacy que a levaria até a porta. Ela não morava lá — o que explicava o motivo de eu não me lembrar dela —, estava morando com a tia temporariamente enquanto a reforma em sua casa não ficava pronta e, como seus pais eram donos de uma marca de roupas famosas, eles viajavam muito para fazer a divulgação. Stacy também me contou que era modelo desde pequena, e que amava desfilar e ser a atenção das pessoas na sala.
Foi no momento que fui desejar uma boa noite que as coisas realmente começaram. Ia beijar sua bochecha quando, ao mesmo tempo, ela virou. O que era para ser um selinho rápido "sem querer" tornou-se em um beijo. Minha língua buscava a sua com precisão, era um beijo gostoso. Eu segurava sua cintura delicadamente — Stacy parecia o tipo de garota que gostava de cuidado.
O beijo daquela noite pode ter acabado, mas nosso relacionamento apenas avançou nos futuros dias.

**


- Vamos completar três meses na semana que vem… — durante o caminho do nosso prédio para o ensaio da banda, estava contando para a história de como conheci a Stacy. Nós tínhamos chamado ela e para nos assistir e, como caímos no tópico "namoro", contei a minha história.
- Que legal! Parabéns! — em minha cabeça, eu abri um belo sorriso agradecendo as palavras de , mas eu sabia que a realidade era diferente e legal seria a última palavra que eu utilizaria para descrever meu relacionamento nesse momento. — Você tá fazendo essa cara... Por que você está fazendo essa cara? — ela questionou enquanto estacionávamos o carro na garagem do prédio.
- Ah, pra ser sincero, não acho que isso vai pra frente. Ela parecia ser uma pessoa bem diferente do que é hoje, sabe? Sem contar que não somos muito parecidos. No começo o lance de “os opostos se atraem” deu muito certo, era bem legal mesmo, mas depois de um tempo vai cansando…
- Acho que posso dizer que sei como é, o meu antigo namoro acabou por isso também. No começo nossas ideias batiam muito uma com a outra, mas parece que com o tempo eu consegui amadurecer o que pensava e ele continuou onde estava. Não teve jeito. Não dá para continuar agindo igual criança agora sabe, logo vamos para a faculdade e já não vai ser fácil, mas eu não posso me dar ao luxo de continuar com alguém que parece que não enxerga o futuro — me respondeu. Era interessante saber que alguém entendia finalmente o que eu estava passando. Já que os meninos não gostaram tanto assim de Stacy, os conselhos deles eram sempre "Termina logo, bobão" e eu estava um pouco cansado. Eu gostava mesmo de Stacy, não queria terminar sem saber que tentei tudo possível.
- Que droga isso, né? Eu queria muito que voltássemos a ser como no começo, quando tinha todo mistério de ir se conhecendo. Mas vocês ficaram muito tempo juntos? Como que foi? — eu queria saber mesmo, talvez assim fosse mais fácil saber o que fazer quando estava nessa situação. Era difícil, mas poderia ser um pouco menos se eu tivesse um apoio.
- Olha, a gente ficou mais de um ano juntos, os primeiros meses foram perfeitos, mas os últimos… Era só briga e ele não mudava o comportamento. Eu sempre achei conversa a chave de tudo, e para isso acontecer os dois lados devem estar dispostos tanto a falar quanto a ouvir — caramba , essa frase foi incrível. Eu não pude deixar de prestar atenção enquanto ela falava. Parecia que a situação ainda conseguia machucá-la um pouco. Também, um ano é muita coisa, eu não sei se teria coragem de terminar depois de tanto tempo juntos.
- É, acho que eu preciso mesmo falar com ela. Quem sabe uma conversa séria não ajuda, né? — eu respondi, olhando para nada em específico. Ouvi concordar com um leve "uhum" e fui ligar o baixo.

[Flashback off]


- É, estamos indo. Não nos vimos muito durante esse mês porque as provas começaram e eu estou estudando muito. Convidei-a para o ensaio de hoje e ela deu outra desculpa tosca para não ir. Eu fico chateado, mas vou fazer o quê se já conversamos sobre e ela ainda age desse jeito… — eu contei, pegando minha bandeja da mesa para depositar no balcão específico para isso. Tínhamos menos tempo para comer que eu gostaria, mas pelo menos nos encontraríamos mais tarde.
- Sinto muito por essa situação. Apesar da diferença de idade entre vocês ser bem pouca, a mentalidade ainda é diferente. Stacy, pelo o que vocês me disseram, sempre teve tudo e todos aos seus pés, então pode ser que ela fique incomodada porque sente que os meninos e a não vão com a cara dela. Dê tempo ao tempo, sempre respeitando o que você sente, lindinho — respondeu, fazendo-me repensar as coisas. Não sei como, mas ela sempre sabia como conversar comigo. Por isso ficamos próximos tão rápido. — Enfim, eu preciso ir correndo para a aula. Nos vemos mais tarde, ok?

Ela beijou minha bochecha, se despedindo e deu um tchau coletivo para nossos amigos. Me despedi de Mike e Luke e fui seguindo em direção a sala onde teria aula de história acompanhado de e Ash.

***


Após todos os instrumentos ligados corretamente, fiquei no aguardo pela checagem da mesa de som. Normalmente não precisávamos mudar quase nada, mas uma vistoria para conferir se o som estava adequado era importante.

- Ok, como hoje o ensaio está tendo abertura ao público, vamos deixar que vocês decidam qual música vamos ensaiar para tocar na festa de sábado — Luke disse, indicando que a quem ele se referia eram apenas as meninas e fazendo-as rir. Eu estava ansioso para a festa. Não era aniversário de ninguém, seria apenas uma House Party que nos contrataram para fazer um pequeno show ao vivo, antes de colocarem a música eletrônica para tocar.
- Hmm… Só uma música, né? — se pronunciou, pensativa. — JÁ SEI! Amiga, qual é aquela que você me enviou o vídeo cantando que eu postei no Reddit e o fórum teve um monte de comentários? — ela perguntou diretamente para . Eu me lembro que várias vezes comentou que amava cantar, mas nunca realmente tinha ouvido sua voz.
- Habits of My Heart, do James Young. Mas você não acha que é muito paradinha para uma festa? — perguntou, apoiando a mão no queixo.
- Não é, o pessoal que precisa aprender a ser mais eclético, eu hein. Se já ficou uma versão perfeita seu cover, imagina o deles — respondeu e foi possível perceber sua amiga ficar um pouco envergonhada pelo elogio.
- Eu amo essa música. , você nunca cantou nada para gente, né? Eu me sinto até mal por te conhecer há tanto tempo e você nunca nos mostrou seu talento. É só a que é especial, é? — Mike disse com a voz mais afetada que poderia fazer, demonstrando genuíno interesse em ouvir as músicas. Eu observei e percebi que ela estava pensando se deveria ou não aceitar cantar com a gente. Uma música em um ensaio, não custa nada…
- Tudo bem então. Eu posso entrar na segunda parte. Vocês conhecem essa música, certo? — concordou, aproveitando para nós questionar. Eu quase respondi que metade do mundo já conhecia essa música, mas agora estava empolgado para tocar e cantar que nem liguei.

Aceitamos a ideia, então Ash foi ligar mais um microfone para utilizar e pegamos nossos celulares para buscar a letra inteira com a melodia. Eu, por exemplo, não sabia a letra por completo, então esse ato foi necessário. Eram esses ensaios que faziam tudo valer a pena, que nos lembravam de onde começamos.
Começamos a tocar a melodia, apenas aguardando para chegar o momento de começar a cantar.

I can't say no
(Eu não posso dizer não)
It's ripping me apart
(Está me rasgando ao meio)

In a dark room
(Em um quarto escuro)
In cold sheets
(Em lençóis frios)
I can't feel
(Eu não consigo sentir)
A damn thing
(Coisa nenhuma)
I lost myself
(Eu me perdi)
Between your legs
(Entre suas pernas)
Your medicine
(Seu medicamento)
Is in my head
(Está na minha cabeça)

You know I'd rather be alone
(Você sabe que eu prefiro ficar só)
But then you call me on the phone
(Mas então você me liga no telefone)
Oh, the habits of my heart
(Todos os hábitos do meu coração)
I can't say no
(Eu não posso dizer não)
It's ripping me apart
(Está me rasgando ao meio)
You get too close
(Você está muito perto)
You make it hard to let you go
(Você torna difícil te deixar ir)


Eu amava cantar. Eu amava tocar. Música era minha vida e eu estava somente conectado com aquele momento. Era isso que importava na minha vida, isso que deixava meus problemas para trás. Enquanto eu e Luke iniciávamos a canção, minha mente nem estava prestando atenção em meu redor.

I tell myself
(Digo a mim mesmo)
I like that
(Que eu gosto disso)
When you tie my hands
(Quando você amarra minhas mãos)
Behind my back
(Nas minhas costas)
You're confident
(Você está confiante)
I'll give you that
(Eu vou te dar isso)
But if you love yourself
(Mas se você ama a si mesma)
You can fuck yourself
(Você pode ir se foder)



Eu poderia dizer que fui drasticamente arrastado para voltar a realidade à força, mas isso seria mentira. Quando essa menina começou a cantar, céus… Que voz linda! Eu parecia estar flutuando, desconectado com tudo, apenas de olhos fechados preso em um mundo onde somente cantando era o que acontecia. Uau, eu não sei ao certo qual foi o momento que eu a subestimei, mas foi uma surpresa totalmente positiva perceber que sua voz era maravilhosa e combinava tanto com a música tanto com nossas vozes.

'Cause I'd rather be alone
(Porque eu prefiro ficar só)
But you're fermented in my bones
(Mas você fermentou em meus ossos)
Oh, the habits of my heart
(Todos os hábitos do meu coração)
I can't say no
(Eu não posso dizer não)
It's ripping me apart
(Está me rasgando ao meio)
You get too close
(Você está muito perto)
You make it hard to let you go
(Você torna difícil te deixar ir)



Era uma linda junção. Aproveitei para voltar a cantar e fez a segunda voz. Eu não sabia que ela tinha tanta experiência com essa parte musical, mas eu estava feliz por ter dado o palpite perfeito, a garota cantava com tanta paixão que dava para sentir a música.

Oh, the habits of my heart
(Todos os hábitos do meu coração)
I can't say no
(Eu não posso dizer não)
It's ripping me apart
(Está me rasgando ao meio)
You get too close
(Você está muito perto)
You make it hard to let you go
(Você torna difícil te deixar ir)

Habits of my heart
(Hábitos do meu coração)
I can't say no
(Eu não posso dizer não)
It's ripping me apart
(Está me rasgando ao meio)
You get too close
(Você está muito perto)


Quando a música acabou, eu abri meus olhos e instantaneamente ouvi o som de palmas. estava deslumbrada no sofá, batendo freneticamente as mãos e dizendo que seríamos a salvação do pop. Eu abri um sorriso grande, coçando o cabelo e elogiando assim que Luke terminou de falar.
Entreolhei os meninos e, cara, nossa conexão era incrível. Eu sabia na hora que eles me encararam de volta que tínhamos pensado a mesma coisa. Assim que eu assenti, demonstrando que havia entendido, limpei a garganta, me preparando para fazer um dos convites que jamais havíamos feito.

, o que acha de cantar essa música com a gente na festa?


Capítulo 4

POV.

— Ai amiga, eu tô muito ansiosa! Essa festa vai ser maravilhosa — comentou, enquanto fazia o delineado. Ao contrário de mim, que optei por me vestir primeiro, ela preferia se maquiar. — Batom vermelho ou roxo escuro?
- Do jeito que você é, nenhum — eu respondi, enquanto vestia a roupa. — Vai passar batom pra manchar na primeira meia hora de festa beijando alguém?
- Ha, ha, muito engraçada você, viu. Vou de vermelho, ridícula — ela respondeu, finalizando sua maquiagem e passando spray para fixar. Caramba, era possível minha amiga ficar feia? — Você sabe onde tá meu vestido? Aquele xadrez vermelho.
- Deixei em cima da sua cama hoje cedo — disse, observando retirar-se do meu quarto para ir buscar sua roupa. Três meses aqui e eu já estava sabendo mais sobre suas próprias coisas que ela.

Tentei manter a calma e respirar fundo, mas eu estava uma pilha de nervos. Eu só podia ser doida, sério. Não acredito que aceitei a proposta dos meninos de cantar em uma festa. Tudo bem que eu já tinha feito isso diversas vezes antes, principalmente quando a festa tinha karaokê, mas eu ao menos conhecia as pessoas da minha antiga escola. Apesar de ter me apresentado para muita gente durante esses meses, ainda estava um pouco receosa. Ok, eu era afinada e ok, minha voz era considerada bonita por muitas pessoas, então era nisso que eu me forçava a pensar o dia todo.
Dois meses que eu frequentava o Colégio Bermount era bastante tempo. Apesar de a minha amiga ter me dito que eu iria amar seu grupinho, eu estive um pouco desconfiada quanto a isso. Vendo agora o quão próxima estou dos meninos, só consigo ficar contente. Nos entendemos tão bem, eu sempre dizia que os amava. Ash era completamente brincalhão, eu não conseguia ficar cinco minutos sem morrer de rir. Mike também era bem engraçado, sempre com um humor maravilhoso durante a manhã. Ele amava cozinhar e eu amava comer, então volta e meia nos reuníamos em algum dos apartamentos para experimentar suas aventuras culinárias. Luke era o mais sério de todos, e olhe lá. Amante fiel de literatura, não tinha como não ser melhor amigo de . Muitas vezes até parecia que eles eram um casal. Comentei isso um dia com ele e vi que suas bochechas coraram e ele gaguejou, tentando disfarçar. Não deu certo, eu descobri rapidamente que ele gostava da menina pouco mais que um amigo deveria gostar. E ele era tão fofo! Realmente seria bom vê-lo com minha amiga, acredito que ele a faria feliz, mas ainda tinha medo de se envolver tão profundamente com alguém, então eu apenas disse a Luke que se ele achasse que ela valia a pena, ele precisava ter muita paciência.
E por último: Calum. Foi absurda a nossa conexão. Acabamos estabelecendo uma boa amizade desde que resolvemos o probleminha do elevador e ele deixou de ser um idiota, foi quando eu descobri que era bem pelo contrário, ele era uma pessoa incrível. Nós tínhamos tanto em comum: amamos calor, pizza é nossa comida favorita, gostamos dos mesmos estilos de séries e vivíamos conversando das coisas mais aleatórias até as mais sérias e, por fim, as mais profundas. Estar com ele era algo tão natural, e isso era demais! Além de , eu nunca havia sentido algo assim com mais ninguém.
Com Calum existia algo a mais. Não poderia negar que o achava atraente, só que a princípio não era nada que realmente tivesse um significado, sabe? Ele era o meu melhor amigo bonito, e só. Mas as coisas começaram a mudar antes que eu me desse conta e pudesse evitar..
A primeira lembrança que tenho de quando comecei a pensar de outra forma, foi três semanas depois que cheguei, quando começamos a ter nossas aulas de educação física juntos. Normalmente as aulas eram separadas, mas o professor dos garotos acabou saindo da escola e resolveram nos juntar enquanto não achavam um substituto. A questão era que eu percebi que durante os alongamentos ele me olhava. Muito.
Na primeira vez, achei estar enganada. Pensei que fosse impressão. Porém, depois de três aulas, eu tive a certeza. Eu acompanhava discretamente seu olhar assim que eu começava a esticar as pernas, eu o via morder o lábio inferior, talvez inconscientemente, no momento que ele tinha visão da minha bunda. Vejamos, eu sabia que tinha sido abençoada e meus quadris eram largos.
E mais, eu sentia seu olhar em meus peitos quando eu tirava a jaqueta e ficava com aquela regata apertada e, acredite, uma mulher sabe quando estão olhando para seus peitos, ainda mais quando é proposital.
O problema de tudo isso é que eu gostava.
Era gostoso ser apreciada por ele. Se fosse qualquer outro, eu ficaria muito puta. Mas com Calum era diferente… Eu queria que ele me notasse, então não facilitava muito e fazia questão de fazer tudo demoradamente.
O pior de tudo era que eu tinha a noção de que o fato dele estar em um compromisso sério era o maior dos problemas. Eu simplesmente esquecia da existência de Stacy quando estávamos juntos e me esforçava ao máximo para que ele me desejasse.
Sim, eu era uma grande hipócrita.
E não era como se o relacionamento deles fosse acabar logo.
Aliás, obviamente, eu também sempre pensava em nosso relacionamento, não queria estragar nossa amizade.
Afinal, amigos não deveriam se desejar dessa forma.
Ok, não estou apaixonada por ele, era muito mais algo… físico. Eu achava Calum gostoso. Desde a primeira vez que o vi tirar a camisa, após um dos ensaios que fui com assistir, e descobri que sua barriga contava com alguns gominhos definidos, não consegui parar de pensar nisso.
E, qual é, ele é baixista! A velocidade que ele mexia os dedos enquanto deslizava em cada corda do baixo era absurda de tão rápida, o que me deixava com vontade de descobrir o que mais eles saberiam fazer rapidamente…
Novamente, um alerta vermelho piscando “Pare” aparecia em minha mente, fazendo-me voltar à vida real e pensar racionalmente. Eu precisava superar esse desejo porque não seria nada saudável para mim e eu não iria trocar uma ótima amizade por momentos embaixo da cama, por mais maravilhosos que eles pudessem ser.
E porque, droga, ele ainda tinha uma namorada!
Enfim, hoje estava fazendo um ótimo trabalho me distraindo, de verdade. Apesar de que eu não sabia o quanto ela queria me distrair e o quanto ela queria se aproveitar da minha habilidade com o babyliss quando pediu para que eu enrolasse o cabelo dela. Mas, de qualquer forma, eu enrolei porque ocupava minha mente.
Estava terminando de passar blush para declarar minha maquiagem como finalizada quando perguntou se poderia ligar para Mike nos encontrar, uma vez que ele nos levaria até o salão.

- Sinceramente, do que adianta tirar a carta se essa droga de carro vive quebrando? — bufou, reclamando pela vigésima vez no dia. — É ruim ficar dependendo dos outros, a gente ainda teve sorte que tem lugar no carro do Mike.
- Pelo menos você tem a carta, né? E eu que nem tirei ainda… — respondi enquanto pegava meu celular. — Acho que esse seu incômodo tá sendo porque hoje o Luke não pode vir te levar, hein…
- Ah, só porque meu melhor amigo resolveu ir a um encontro duplo com o seu melhor amigo antes de a festa começar e me avisou um dia antes da festa que ele tinha combinado há semanas que iria me levar quer dizer que eu estou incomodada? Nahh — ela fez um sinal de "tanto faz" com a mão, mas eu gargalhei com seu comentário passivo/agressivo.

Se viesse com um manual de recomendações, um dos primeiros seria "Não marque ou desmarque compromissos em cima da hora" porque ela realmente se irritava. E segundo a própria, deixar uma amiga na mão para sair como uma garota que ele poderia sair qualquer outro dia, ou até mesmo durante a festa, era como violar uma das principais "leis da amizade". Um pouco dramática, talvez? Mas eu não iria discordar, se Mike não fosse uma ótima pessoa, provavelmente teríamos que pedir um táxi — e só Deus sabe o quão caro é um aos sábados. E, sendo sincera, Calum também pisou na bola em convidá-lo sabendo que não tinha quem nos levar e que eu iria cantar com eles. Foi bem um "se virem".

- Mas enfim, você já decidiu se vai contar para ele hoje, amiga? — minha boca secou quando ouvi essa pergunta. Respirei fundo, tentando acalmar meu coração. Eu sabia que deveria ter contado quando descobri, mas Calum estava tão ansioso e contente com a apresentação de hoje que eu não queria estragar.
- Eu preciso — disse, então. — Stacy e ele mal se viram essa semana, então pelo menos isso… Mas eu vou falar sim, quando o show acabar. Sei que isso vai acabar com a noite, mas melhor que ele continuar num relacionamento assim, né?

assentiu e eu permaneci quieta, pensando em como contar para Calum que sua namorada estava o traindo.
Eu e Stacy nos conhecemos durante a minha segunda semana aqui na Austrália. Segundo Calum, nós já éramos próximos o suficiente para ele nos apresentar e que “alguém do grupo não poderia deixar de conhecer sua namorada” e eu concordava.
Ao contrário de , que sempre tivera uma pé atrás em relação à Stacy, eu havia gostado dela, até porque, naquele momento, não tinham motivos para não gostar. Ela foi super simpática comigo, apesar de que minha melhor amiga dizia que essa simpatia era pura falsidade, o que me fazia sentir sentia muito pior pelas vezes que eu desejei seu namorado.
A princípio, eu defendia a garota e tentava fazer com que a visse de uma forma diferente, sei que ela tinha uma cabeça bem dura para esse tipo de situação. Mas, atualmente, gostaria eu de ter a intuição de . As minhas tentativas acabaram praticamente uma semana depois, quando eu descobri seu segredo. E, veja bem, era um segredo tão podre que me trouxe arrependimento na hora de em algum momento ter ao menos pensado algo bom sobre aquela garota.

[Flashback]

Eu estava perdida. Aquela escola definitivamente era enorme. Eu deveria ter aceitado a ajuda de Ash para me acompanhar. Merda!
Eu sei que nessa altura já deveria ter decorado onde ficam as salas, mas qual é, aquele lugar é enorme!
Eu só queria saber onde era o laboratório de química, mas aparentemente eu acabei parando em uma parte totalmente vazia daquela instituição. Todas as portas do corredor estavam fechadas e as luzes apagadas. Aquilo era muito estranho.
Fui andando em linha reta, tentando refazer o caminho para ver se conseguia ao menos voltar para algum lugar conhecido. Já estava conformada que chegaria atrasada para aula. Foi dando meia volta que escutei uma voz feminina. Aleluia! Segui o som até uma porta no final do corredor, bati uma vez e nada. Bati uma segunda e nada. De duas, uma: ou a pessoa não estava me escutando ou eu estava alucinando com vozes. Girei a maçaneta, tentando sanar minha dúvida, e entrei na sala com esperança que tivesse alguém para me ajudar.
Havia uma garota sentada na mesa e um rapaz em pé bem na sua frente, enquanto os dois se beijavam loucamente. Assim que abri a porta, me senti super burra! Como não tinha pensado que usavam aquela área da escola para isso!?
Antes de conseguir fechar a porta e ignorar o que eu havia visto, o casal parou e a garota olhou para trás.
Oh. Meu. Deus.
Isso não é possível!
Aquela era a… Stacy?
Foi praticamente automático, no mesmo segundo fechei a porta e comecei a andar freneticamente, mesmo não sabendo para onde estava indo. Como eu ia contar isso para o Calum?

- , espera! — eu ouvi Stacy falar. Meu corpo paralisou na mesma hora, e eu me virei, chocada demais para falar tudo que ela merecia ouvir. Que escrota! — Ele… O Calum não pode saber sobre isso, foi uma recaída, sabe? Ele tem a apresentação no sábado, por favor, não conta para ele.

Observando a garota toda corada, comentando sem fôlego e implorando para que eu não contasse ao meu melhor amigo o que ela tinha feito… Era de uma audácia absurda! Como se eu fosse esconder um negócio desses, eu nunca apoiaria uma traição, independente das pessoas ou dos motivos.
Revirando os olhos, eu apenas dei as costas e retornei meu caminho, ignorando completamente Stacy, deixando-a parada na porta com a boca absurdamente vermelha. Minha cabeça ia explodir, eu precisava falar com urgentemente.
Eu odiei admitir, mas Stacy estava certa. Contar isso para Calum agora só iria arruinar sua performance, e eu não poderia deixar aquela desgraçada estragar até sua chance de ganhar mais reconhecimento profissionalmente.
Droga!

[Flashback off]


Teria de ser hoje. Eu não poderia mais ficar adiando contar sobre isso para Calum. Por pior que a situação fosse, ele era tão bom, não merecia continuar em um relacionamento pobre desses. Assim que ficou sabendo sobre o ocorrido, tentou me influenciar para que contasse para ele na hora. Eu expliquei para ela a situação e ela me disse "se você não expor aquela vaca até depois da festa, eu vou, e vai ser do pior jeito". Por isso, teria de ser hoje.
Seria eufemismo dizer que eu estava ignorando Calum durante a semana, eu estava fugindo na cara dura mesmo. Nos víamos durante os ensaios da banda que eu precisava estar e nas aula que tínhamos juntos, mas eu comecei a dar a desculpa que ia sentar mais na frente para prestar mais atenção. Era um inferno, sinceramente. Eu odiava me afastar dele, mas eu não conseguia ser a amiga que ele amava quando estava escondendo um absurdo desses.
Mesmo depois de tudo que aconteceu, Stacy ainda ficava ao lado de Calum como se nada tivesse acontecido. E esse era o problema. Eu simplesmente não conseguia fingir que não tinha visto aquela vaca se atracando com outro cara.
Se normalmente eu era péssima guardando segredos, até mesmo os mais idiotas, imagina esse!? Sem contar que essa situação de ter essa criatura dos Infernos ao nosso lado sempre era um sério agravante para a minha vontade de contar tudo ao meu melhor amigo. Eu não ia esperar mais, estava decidido. Hoje a festa iria render!

**


Calum POV.

O encontro com Stacy não foi o melhor de todos e ainda conseguimos nos atrasar para a festa. Que ótimo! Esse dia estava sendo difícil e eu já não estava com muita paciência. Quando aceitei a ideia de Luke de sairmos para ajudá-lo a “superar” com outra, não imaginei que seria tão massante.
Para início de conversa, Stacy estava estranha demais aquela semana. Qualquer coisa que eu precisava fazer, ela se colocava a frente e fazia por mim. Também não saia do meu lado nunca, e isso era estranho. Nunca a vi tão carinhosa e dependente de mim antes — o que era algo que particularmente eu não gostava tanto e, por isso, acabou me incomodando durante todo o nosso passeio. Tentei conversar com ela sobre isso algumas vezes, perguntar se ela queria conversar, mas não recebia abertura o suficiente, então eu apenas deixei de lado. Talvez eu não estivesse sendo o melhor dos namorados durante esse tempo e ela tenha percebido que não passávamos mais tanto tempo juntos quanto antes.
E eu juro que tentei ser o melhor namorado possível nesse encontro, mas ela era tão banal que eu não conseguia sequer focar no que ela falava. É óbvio que, do jeito que ela era, achou que isso era motivo o suficiente para que a Terceira Guerra Mundial fosse criada, quebrando toda proximidade que ela tentou anteriormente.
Eu precisava me concentrar e pensar na tarde de hoje não estava ajudando muito. Estacionei na primeira vaga que vi e entrei na casa ao lado de Stacy. O local da festa estava todo escuro, sendo iluminado apenas por algumas luzes coloridas. Me dava dor de cabeça, mas era bacana. Olhei o celular e ainda eram 8 p.m. Ótimo, nós subiremos no palco às 8:30 p.m, ainda tinha um tempo para encontrar o pessoal e nos organizarmos.

- Vou procurar as meninas — Stacy se referiu às amigas e simplesmente caminhou até dentro da casa, antes de sumir no meio da multidão. Nem um tchau, nem um “boa sorte”. Caramba.

Olhei ao redor tentando localizar algum rosto conhecido e, bem no meio da aglomeração, reconheci . Ela estava dançando uma música bem animada que eu não sabia o nome. Resolvi me aproximar, mas não sem antes tomar algumas doses de alguma bebida que eu também não sabia o nome no bar, mas era boa.
Dizer que aquela garota não estava linda seria uma grande mentira — e eu não sou um mentiroso.

- CALUM! — abriu o maior sorriso ao me ver, o que me fez ter a mesma reação que ela. Por algum motivo — que eu desconfio ser a aproximação de Stacy, me convidando para fazer tudo com ela —, nesses últimos dias não nos vimos e nem conversamos tanto, eu realmente estava sentindo sua falta e vê-la assim era tudo que eu precisava depois do meu dia extremamente estranho.
- Oi lindinha, sentiu minha falta? — perguntei. No exato momento em que me aproximei mais para abraçá-la, alguém esbarrou nela, fazendo com que seu corpo praticamente caísse em cima do meu. Para evitar a queda, suas mãos apoiaram em meu peito e minhas mãos estavam posicionadas na sua cintura. — Você está bem? — perguntei.
- Aham… — o cheiro de álcool bateu em minha cara, mas não foi ruim. Reconheci que era tequila. Eu gostava dessa bebida com sal e limão, mas ainda não havia tido a oportunidade de provar na festa. — Você tá meio atrasado, não acha? — eu fiz cara de culpado com sua pergunta.
- Desculpa , eu queria mesmo ter passado o dia contigo, mas ficaria chato não comparecer hoje — eu comentei, sendo mais sincero do que esperava. Provavelmente as doses estavam subindo a cabeça. Fiz um carinho em sua cintura, observando seu rosto enquanto isso. Seus olhos azuis eram hipnotizantes.
- Ah, é? E o que teríamos feito hoje então? — ela passou a ponta do dedo indicador pelo meu peito, subindo até estar com a mão em meu pescoço. O que estava acontecendo? Eu estava me sentindo queimar, meus batimentos cardíacos estavam acelerados. Eu mordi o lábio inferior, tentando entender e buscando uma resposta.
- O que você queria fazer? — eu retruquei, sem quebrar nossa conexão visual. Percebi seus olhos brilharem assim que terminei de falar. Pelos longos segundos que se passaram, eu estive aguardando uma resposta, mas antes que eu percebesse, desceu seu olhar e encarou minha boca, lambendo seus próprios lábios.
- Nada que eu também não possa fazer agora… — ela soprou em meu ouvido, arrepiando-me, e virando o rosto para se aproximar do meu. Eu não conseguia parar de encarar aquele pedaço carnudo e rosado que era sua boca. Sabia que minha respiração batia em seu rosto e eu estava eufórico, minha mão em sua cintura apertava sua pele nada delicadamente.

Merda. Três shots de vodka e eu estava daquele jeito, deveria ter recusado o vinho no passeio. Tudo que eu conseguia pensar era em Collins se aproximando de mim. Como será o gosto de vodka com tequila? Eu queria tanto provar…
Ela estava tão próxima. Eu senti sua mão direita encaixar no meu pescoço enquanto a esquerda acariciava meu cabelo. Era um carinho gostoso até ela me arranhar levemente com suas unhas, aí ficou bom para cacete. Eu era capaz de enxergar todos os alertas vermelhos em minha mente, porém, estava fazendo um ótimo trabalho em ignorá-los.
Só mais um pouquinho para frente...

- Que ótimo que vocês estão aqui! — Senti um empurrão no meu ombro e reconheci a voz de Mike. Soltei rapidamente, como se seu corpo estivesse pegando fogo. Meu coração não conseguia se acalmar. — Vamos lá, tá na hora do show! — fomos seguindo-o até às cortinas do palco. Arrisquei olhar para e percebi que ela olhava para frente, sem desviar o olhar do meu companheiro de banda. Respirei fundo, eu precisava me acalmar.

Mas que diabos tinha acontecido?

**


Tantas coisas se passavam pela minha. Tudo que quase havia acontecido me atingiu com força enquanto pegava meu baixo com as mãos suando e coração batendo freneticamente.
Repeti um mantra de "inspira, expira" até conseguir me estabilizar, o que deveria ter sido mil vezes.
Somente quando subi no palco percebi a quantidade de pessoas naquela casa, prestes a nos assistir tocar. Novamente, eu estava eufórico. Fui seguido por Ash, Mike e Luke e cada um se colocou em seu devido lugar, prontos para começar. Eu precisava esquecer tudo e focar apenas nas notas que sairiam do baixo pendurado em meu pescoço. Minha voz precisava estar perfeita.

- Boa noite, pessoal! — Luke cumprimentou a galera, passando toda a animação que tinha para o público — que gritou em resposta, demonstrando que era recíproco. — Nós somos o 5 Seconds Of Summer! Espero que se divirtam e curtam as músicas!

As luzes coloridas se apagaram e, assim que Ash iniciou as batidas, elas voltaram para nos iluminar. Mike foi o primeiro a cantar, incentivando as pessoas que nos assistiam a fazer o mesmo, enquanto pulavam e gritavam o máximo possível. Cara, eu amava isso.

Don't wanna be an American idiot
(Não quero ser um americano idiota)
Don't want a nation under the new media
(Não quero uma nação sob a nova mídia)
And can you hear the sound of hysteria?
(E você pode ouvir o som da histeria?)
The subliminal mind fuck America
(A mente subliminar fode a América)



Quando a primeira música acabou, minha boca secou novamente. Era minha vez de anunciar a participação da garota no palco neste momento, uma vez que os meninos decidiram que seria uma boa ideia. Olhando para a plateia, peguei o microfone e comecei a falar.

- Espero que tenham curtido esse cover — o público gritou, demonstrando que sim. — Ficamos muito felizes! E para cantar a segunda música da noite, queremos convidar uma pessoa que, além de ter uma voz maravilhosa, se tornou muito especial para nós desde que chegou… — enquanto dizia, dei uma olhada para a loira escondida nas cortinas, ainda segurando o meu microfone. — Deem palmas para a incrível… Collins!

Ela subiu no palco timidamente, claramente envergonhada. Foi aí que tudo voltou à minha cabeça como um flash e meu coração acelerou. Qual era o meu problema? Ao contrário do que eu imaginei, ela sequer me olhou. Sorriu para Luke e caminhou pelo palco, parando em frente ao microfone ao meu lado, mostrando-se pronta para iniciarmos a canção.



As pessoas do colégio adoraram a e isso era nítido, assim como a razão do porque gostaram tanto dela. A menina era talentosa, engraçada, graciosa e extremamente sociável. A apresentação foi um sucesso, superou todos os ensaios considerados perfeitos que tivemos.

- Essa é uma música autoral, então espero que gostem! — após ela descer do palco, Luke anunciou nossa última música. — O nome dela é Out Of My Limit.

Back in high school we used to take it slow
(Na época da escola costumávamos ir devagar)
Red lipstick on and high heel stilettos
(Batom vermelho e salto agulha)
Had a job downtown working the servo
(Tinha um emprego no centro da cidade, trabalhando com o servidor)
Had me waiting in line couldn't even let go
(Me deixou esperando, não podia te deixar.)

'cause i never wanna be that guy
(Porque eu nunca quis ser aquele cara)
Who doesn't even get a taste
(Que nem sequer sente o gosto)
No more having to chase
(Sem ter mais que perseguir)
To win that prize
(Para ganhar o prêmio)

You're just a little bit out of my limit
(Você está um pouco fora do meu limite)
It's been two years now you haven't even seen the best of me
(Já fazem dois anos e você ainda não viu o meu melhor)
And in my mind now i've been over this a thousand times
(E na minha mente, eu já passei por isso milhares de vezes)
But it's almost over
(Mas já está quase acabando)
Let's start over
(Vamos começar de novo)

Back in high school we used to make up plans
(Na época da escola costumávamos fazer planos)
Called you up one day to meet split ends
(Te chamei, um dia, para termos fins separados)

'cause i never wanna be that guy
(Porque eu nunca quis ser aquele cara)
Who doesn't even get a taste
(Que nem sequer sente o gosto)
No more having to chase
(Sem ter mais que perseguir)
To win that prize
(Para ganhar o prêmio)

You're just a little bit out of my limit
(Você está um pouco fora do meu limite)
It's been two years now you haven't even seen the best of me
(Já fazem dois anos e você ainda não viu o meu melhor)
And in my mind now i've been over this a thousand times
(E na minha mente, eu já passei por isso milhares de vezes)
But it's almost over
(Mas já está quase acabando)
Let's start over
(Vamos começar de novo)

You're just a little bit out of my limit
(Você está um pouco fora do meu limite)
It's been two years now you haven't even seen the best of me
(Já fazem dois anos e você ainda não viu o meu melhor)
And in my mind now i've been over this a thousand times
(E na minha mente, eu já passei por isso milhares de vezes)
But it's almost over
(Mas já está quase acabando)
Let's start over
(Vamos começar de novo)


- Esperamos que tenham gostado, amamos apresentar para vocês! — Luke disse segurando o microfone. — Acompanhem nosso trabalho pelas redes sociais. Obrigada, gente! — ele agradeceu e ouvimos diversos gritos e aplausos em resposta.

Eu estava muito cansado, mas era tão gratificante cantar que eu poderia realmente viver o restante da minha vida apenas fazendo isso. Essa banda era tudo para mim, desejava todo o sucesso e reconhecimento, sei que os meninos mereciam muito.
Ao descer do palco, percebi que estava atrás das cortinas laterais, nos assistindo bem nos bastidores. Notei que ela estava sozinha, então provavelmente tinha saído agora, visto que não havia saído ao lado da loira em nenhum momento desde que o show começara. Eu sinceramente torcia para que ela tivesse ido buscar água, estava morrendo de sede.
Andei diretamente ao encontro de , eu queria muito dar um abraço em minha melhor amiga para lhe desejar parabéns. Nós tínhamos idade o suficiente para ignorar o que quer que tivesse acontecido antes e eu não queria que nossa amizade ficasse estranha. Ela tinha bebido, eu tinha bebido, eram coisas da vida.
Ok, se em algum minuto eu pensei que somente eu tive essa ideia, percebi segundos depois que não. Luke envolveu a cintura com seus braços, levantando-a e girando-a enquanto ela ria. Um sentimento estranho crescia no meu peito, desde quando eles faziam isso? Desde que nos conhecemos, ela sempre fez questão de me parabenizar primeiro, então isso realmente foi estranho para mim.
Eu poderia sim ter esperado eles terminarem esse momento, mas realmente precisava lavar o rosto — talvez me deixasse lúcido o suficiente para entender tudo o que aconteceu naquele dia. Acho que acordei com o pé esquerdo.
Atravessei a multidão, na qual diversas pessoas fizeram questão de me dar parabéns pela apresentação, eu agradeci a todos sorrindo. Quando encontrei a escada, subi para ver se, finalmente, encontraria o banheiro naquele lugar. Geralmente eu curtia lugares enormes e lotados, só que estava sendo um dia atípico e eu queria descansar.
Percebi que o corredor do segundo andar contava com cinco portas, sendo que duas delas estavam abertas. Cacete, fiquei imaginando para que tudo isso. Decidi andar para a mais próxima, não era possível que uma dessas não fosse me mostrar o cômodo que eu queria ver.
Ela se encontrava levemente encostada, então a abri devagar, estava prestes a entrar quando percebi que não era o banheiro e sim um quarto. Sério, não custava colocar uma placa de identificação quando você vai dar uma festa, né? Foi então que eu reparei que a luz estava acesa. Olhei para frente e reparei duas pessoas se atracando nele, boa, totalmente empata foda.
Mas eu reconhecia aquela roupa. Eu reconhecia aquele cabelo loiro. Eu estava paralisado, o ódio subindo em minhas veias.

- Que porra é essa, Stacy!?


Capítulo 5

— Que porra é essa, Stacy!?

Minha cabeça estava girando. Porra, eu nem havia bebido o suficiente para evitar aquele choque. Eu não estava acreditando naquilo, era demais para mim. Minha namorada estava me traindo!? Porra. Eu sentia minhas veias dilatando e meu rosto esquentando. Se minha boca estava seca antes, agora então parecia que eu estava no deserto do Saara.
Quando cogitei em terminar com Stacy, me senti a pior pessoa do mundo, ainda mais que ela estava se esforçando nesses últimos dias para ficar próxima. Sim, eu tinha reclamado disso, mas ainda não era culpa dela. Agora, o que eu não imaginei é que seria por causa de uma traição e tudo fazia com que sua situação só piorasse.
Assim que me viu parado na porta, empurrou com força o garoto com quem estava se atracando, como se isso fosse mudar alguma coisa.

— Calum?! — obviamente ela não esperava me ver aqui. O que, sinceramente, era idiota já que estávamos na mesma festa. Viemos juntos, inclusive, caso a memória dela seja tão ruim assim. — Não é o que você…
— Sério? Você vai vir pra cima de mim com um “Não é o que você está pensando”? O quão burro você acha que eu sou? — eu disse, respirando tanto para não gritar. Eu me encontrava puto e sem chão, era brincadeira isso?
— Ah, não fala como se não tivesse sido sua culpa! — Stacy respondeu, perdendo todo seu ar de arrependida em questão de segundos. E eu, estático que estava, nem conseguia formular uma frase em minha cabeça. Percebendo minha brecha, ela continuou. — O começo do nosso namoro era maravilhoso, nós tínhamos tudo para ser o melhor casal do mundo! Mas nãããão, você PRECISAVA continuar falando com aquelas vagabundas que você chama de amigas e insistindo que essa história de bandinha de Ensino Médio vai pra frente. Você não cresce! O que custava assumir os negócios do seu pai? A gente ia ter tanto dinheiro! Prefere ser um fracassado na vida? Tudo bem, mas você não vai me afundar com você! — ela quase berrava e sua cara estava vermelha, sem fôlego para continuar falando.

Precisei controlar a respiração por uns 10 segundos antes de responder, primeiro porque ainda estava processando o ocorrido e, segundo, porque eu estava muito querendo socar alguém. Eu não socaria Stacy, apesar dela estar merecendo, mas o escroto que estava quase devorando-a quando eu cheguei ainda estava encostado na parede, claramente apavorado por ter sido flagrado. Fui caminhando em sua direção lentamente.

— Tá fazendo o que aqui ainda? — eu puxei sua camisa pelo colarinho, encarando fixamente seus olhos. Levantei a sobrancelha, puto pra cacete. — Sai daqui agora, ou eu vou te bater tanto que ninguém vai reconhecer mais o seu rosto, porra!

Eu nunca fui uma pessoa agressiva, nem quando mais novo. Minha mãe sempre comentou que eu era muito tranquilo quando criança, minhas tias me amavam e se eu entrei em briga alguma vez, não me lembrava. Mas por mais tranquilo que eu tentasse ser, eu não tolerava gente sem caráter. Não ia ter dó por quem não teve o mínimo de consideração pelos meus sentimentos, queria mais era que fosse para o inferno!
Assim que o garoto saiu do cômodo, percebi que nem seu nome eu sabia. Não recordava de o ter visto no colégio, mas lá era tão grande que seria absurdo se eu conhecesse todo mundo. Talvez fosse uma bênção para ele que eu não soubesse. Talvez fosse para mim, me poupar de ficar procurando-o depois. Pouco importava.

— A culpa é minha que você escolheu me trair? A culpa é minha que você é chata pra caralho e eu nem te aguentava? O começo do nosso relacionamento era ótimo porque eu só queria transar contigo! Mas depois eu me apeguei tanto, se eu não gostasse mesmo, não teria te pedido nessa merda de namoro, Stacy, que pelo visto você só aceitou pensando na grana, né? Se você fosse "só" interesseira, tava ótimo, mas você é uma puta de uma mentirosa, uma escrota que nem ao menos apoiava meu sonho. Caralho, eu te falei que cantar era o amor da minha vida e você me diminui assim? — outra coisa que eu não fazia frequentemente era falar palavrão, mas não havia modo melhor para eu me expressar. — De verdade, eu espero que você vá à merda e pare de xingar com quem eu ando só porque você é infeliz!
— Se eu fosse você, queridinho, eu tomaria muito cuidado em quem você confia, viu…
— Aprendi da pior forma contigo que eu preciso mesmo tomar — eu comentei, apesar de ter ficado muito curioso com o que ela queria dizer.
— Aprendeu comigo porque a estúpida da sua lindinha não teve coragem de te contar, né? Você conheceu a menina há poucos meses, chama pra cantar e acha que ela é mesmo sua melhor amiga? Por acaso passou pela sua cabeça que a sabia que eu estava te traindo? Pois é, e faz tempo já, então não fui só eu quem você acha que te fez de otário! — Stacy explicou debochadamente, rindo de mim e passando pelo meu corpo inerte, mandando um beijinho.

A ficha caiu um minuto depois que ela saiu e tudo começou a fazer sentido: o afastamento de , a aproximação de minha namorada — agora ex —, e o jeito que elas simplesmente me substituíram. A dor em meu peito era crescente, competindo com a raiva para ver quem ganharia. Eu fui enganado pelas duas pessoas que eu mais confiava e isso não iria ficar assim.

POV.

Assim que o show acabou e a música eletrônica voltou a tocar, procurei Calum para dar os parabéns, mas não o encontrava. E eu precisava achá-lo, não apenas para parabenizá-lo, mas sim para, finalmente, lhe contar o que me atormentou durante semanas. Ele precisava saber.
O procurei na pista de dança e nada, então fui para a cozinha da casa — que atualmente era utilizado como bar da festa —, mas também não o encontrei. Bebi quase metade da garrafa de vodka, como se fosse possível beber coragem. Vi Stacy descer do segundo andar e revirei os olhos, será que ela sabia onde ele estava? Seria ridículo perguntar para ela sendo que eu ia justamente contar o que ela tinha feito. Quando prestei mais atenção, percebi que ela parecia estar chorando, apesar de que não estava com uma feição triste, era mais como se estivesse… brava?
Ah não.
Não pensei nem duas vezes antes de subir as escadas em uma velocidade incrível, procurando o que sabia que acharia ali em cima. Ou melhor, quem.
“Quantas pessoas moram aqui?” foi a primeira pergunta que me veio à cabeça quando vi a quantidade de portas que tinham naquele corredor. Ok, vamos pelo óbvio, se todas as portas estão fechadas, vamos na primeira que está aberta. Segui pelo corredor com o coração parecendo que sairia pela boca.
Fui adentrando o quarto e localizei a figura de Calum com a cabeça baixa, sentado na ponta da cama com o rosto entre as mãos. Eu não fui exatamente silenciosa como gostaria de ter sido, então ele levantou a cabeça assim que me ouviu, me fazendo reparar que seu rosto estava extremamente vermelho. Sabia que eles tinham brigado feio.

— Você sabia? — Calum perguntou assim que me sentei ao seu lado na cama com uma devida distância.

Merda, merda, merda.
Não era para ele descobrir assim, que droga. E eu nem podia amaldiçoar Stacy sem me amaldiçoar junto. Ele me olhava atentamente enquanto eu apenas balançava a cabeça em afirmação.
Decepção. Estava estampado em seu rosto a decepção ao me ver confirmar que sabia sobre o que Stacy havia feito. Estava estampado em meu rosto a decepção, assim como a vergonha, de ter escondido esse fato.

— Me perd… — comecei a falar, sendo brutalmente interrompida. Me assustei com sua reação. Ele levantou bruscamente, passando a mão direita pelos seus fios de cabelo.
— Não, não e não! Eu realmente tenho cara de idiota para vocês? Caramba, , eu devo ser mesmo um besta viu, só confio em gente que tá cagando pra mim! Porra, cê era minha melhor amiga! Eu confiei em você demais. Sabe... — ele desabafou e continuou falando, mas eu não estava mais ouvindo. "Era minha melhor amiga" foi o que ele disse e eu não queria acreditar nisso. Eu sei que pisei muito já bola, mas se ele pudesse me ouvir...
— Eu era? — questionei. Deveria ter interrompido seu discurso, mas meus olhos estavam marejados e eu estava enjoada, eu não podia ter perdido meu melhor amigo por um motivo desses, não podia.
— É isso, Collins — nunca ouvi ele me chamar pelo sobrenome sem que estivesse brincando. Ele sabia o quanto me incomodava. — Nem Stacy conseguiu me decepcionar tanto, fui burro em ter te considerado sequer uma amiga!
— Calum, por favor, deixa eu te explicar...
— Você não precisa me explicar mais nada — ele se levantou, minha visão já estava embaçada, mas não queria chorar, queria que ele me ouvisse. — Você não é nada mais pra mim, então pode me esquecer, vai ser bem fácil.

Aguentei até ele sair do quarto, então desabei. Estava tonta e com falta de ar, sem saber se era por conta de suas palavras ou se a bebida contribuía com isso. O que quer que fosse, eu estava horrível e chorando na cama de um desconhecido. Estive me preparando para essa festa por tanto tempo que já sabia que não iria aproveitá-la como queria, sendo que eu gostaria, uma vez que era a primeira em que eu cantava para a escola. Juntando todos os problemas, estava sendo um dia péssimo, só queria parar de sentir essa dor.
me encontrou um tempo depois e assim que me viu correu para me abraçar.

— O que aconteceu? — questionou. — Conseguiu falar com Calum?

Queria ter evitado, mas não deu para conter as lágrimas de voltarem, nem o soluço de aparecer. Chorar não era algo que eu gostava de fazer, pode acreditar, mas não podia fazer nada.
Contei para tudo que ocorreu desde que eu vi Stacy descendo as escadas, tentando detalhar o máximo possível. Apesar de ter acabado de acontecer, as lembranças machucavam muito.

— Ai, amiga, eu realmente sinto muito. Sei que agora não vai adiantar muito do que eu falar, então a gente vai deixar essa conversa para amanhã, quando você estiver com cabeça — a ruiva disse e eu concordei com a cabeça, pensando que foi a melhor ideia que ela teve. No momento, eu só queria apoio. — Mas eu não vou deixar que você fique nesse quarto o resto da noite se acabando de chorar, . Vem cá, eu vou arrumar sua maquiagem e vamos descer, porque o que você está precisando é encher a cara!

E foi exatamente isso que eu fiz, levantei e me preparei para ir beber.

Calum POV.

Assim que saí do quarto tomei uma decisão. Ficaria e aproveitaria a festa — depois de tudo que aconteceu, eu merecia. E foi exatamente isso que eu fiz.
Aparentemente, pensou exatamente a mesma coisa. Eu observei seu nariz e olhos vermelhos, o que deixava claro que ela havia chorado. E aquilo me atingiu de uma forma que eu não imaginei. Apesar disso, preferi ficar longe, eu realmente estava magoado com tudo e tinha um grande motivo. Desviei o olhar durante o resto do tempo, mas foi pensando nisso que tomei a dose que carregava, esperando engolir meus sentimentos juntos. Eu tinha o resto do mês para lamentar minha decepção, o resto da noite eu usaria para esquecer.
Um, dois, três, quatro shots e eu havia perdido a conta. Dancei na pista com várias pessoas que mal consigo lembrar do rosto, cantei as músicas que estavam tocando, bebi de tantos copos que eu mal lembrava meu nome, ainda que eu não conseguisse esquecer o de ambas.
Acredito que após nossa briga, Stacy tenha ido embora com o escroto que ela estava ficando, já que não os vi mais. O que era ótimo, para eles. Porém, sendo franco, era difícil desviar o olhar de , por mais irritado que eu estivesse. Ela estava linda e se divertindo e, caramba, eu havia planejado comemorar nossa apresentação com nossos amigos e agora isso tinha ido por água abaixo.
Olhando, discretamente, mais uma vez para ela, vi que Luke tinha se aproximado e eles conversavam animadamente no canto, perto da parede. Não o tinha visto desde que descemos do palco, portanto, se ele soubesse da confusão, só tinha ouvido o lado dela. Mas do jeito que estavam próximos e rindo, eu duvidava que estivessem falando sobre isso.
Depois de alguns minutos que eles conversavam, o vi puxar pela mão até o segundo andar da casa e aí sim as coisas ficaram estranhas. Eles não iam…?
Ok, imaginar aquilo acontecendo realmente me deixou enjoado. Muito enjoado.
Foi nesse momento que Mike passou ao meu lado e eu, sem perder tempo, o chamei para irmos embora. Não ficaria ali mais um minuto sequer. Mike concordou, dizendo que estava muito louco para ir dirigindo e eu ri, nem lembrava que tinha vindo de carro. Ele informou que ia apenas chamar Ash e mandar mensagem para o resto, avisando que estávamos indo. Fechei um pouco a cara quando ele disse isso e saindo da casa para esperar ao lado de fora, sentado na calçada.
Não demorou muito e os dois saíram pela porta, com Ash falando que chamou um Uber e que ele chegaria em dois minutos. Com certeza, ele era o menos bêbado entre nós.
O caminho foi tranquilo, tirando a parte em que meus pensamentos insistiam em me trair, me fazendo lembrar dos acontecimentos do dia e de subindo as escadas com Luke. Ela sabia que o segundo andar era vazio, ela esteve lá, então por que subiu com ele? Bom, ele disse que queria alguém para o fazer se esquecer de , mas será que sua melhor amiga era a pessoa certa para isso? Quer saber, que se dane. Sinto muito por Luke, se ele resolver se envolver com alguém como ela, mas não é meu problema agora.
Assim que chegamos em nosso apartamento, cada um foi para o seu respectivo quarto. Tudo que eu precisava naquele momento era de um bom e relaxante banho e minha cama. Acredito que eles tenham pensado exatamente a mesma coisa, porque ouvi o barulho de água cair minutos depois. Dei graças que os quartos eram suítes, o que evitava que competíssemos pelo uso do banheiro.
Com certeza, o objeto que eu mais amava no meu quarto era minha cama. Dormir era a melhor coisa do mundo. Agora limpo, deitei minha cabeça no travesseiro e fechei os olhos, me entregando ao breu e esperando o sono me atingir.

***


Quando abri os olhos e a claridade me atingiu, eu quis gritar. Dor de cabeça dos infernos, como que eu esqueci de fechar a janela? Nem sabia que horas eram, mas pelo sol, ainda estava cedo. Que droga, acordar cedo e de ressaca em um domingo, ótimo jeito de terminar o final de semana.
Com essa dor latejante, eu não conseguiria voltar a dormir sem ao menos tomar um remédio. Levantei e fui ao banheiro buscar o comprimido e depois andei até a cozinha encher um copo d'água, uma vez que minha garrafa estava vazia. Hoje a sorte não estava ao meu favor. Lavei o rosto na pia, a água gelada aliviando um pouco do incômodo.
Sentei na cama com os olhos fechados, tentando buscar em minha memória o que aconteceu na noite anterior. Ok, a festa. Vamos lá cérebro, colabore.
Me arrependi de ter desejado lembrar no exato momento que as lembranças foram me atingindo. A descoberta da traição de Stacy, a briga com ela, suas duras palavras, a discussão com , a bebedeira. Sei que muitas pessoas se esquecem do que fizeram antes e enquanto estavam bêbadas, mas eu nunca deixei tanto de ser uma delas. Ficar chateado e ainda assim encher a cara não foi exatamente uma boa ideia porque agora, além de lidar com tudo, eu não aguentava estar com a cabeça latejando.
Só queria que alguém pulasse aqui me falando para sorrir para as câmeras porque era uma pegadinha… O problema da vida é que ela é sua, ou seja, no final das contas é você quem tem que se aguentar, muitas vezes sozinho.
Queria que tudo fosse mentira, uma alucinação. Mas eu sabia que pensar nisso era perder tempo e, o mais rápido que eu enfrentasse a situação, melhor seria para superar. Deitei na cama e tentei dormir, totalmente em vão. Eu já havia acordado por completo.
Pensando um pouco mais racionalmente, talvez eu devesse deixá-la se explicar. Não queria dizer que eu iria perguntar, mas era de meu costume ouvir sempre os dois lados da história, e sentia-me estranho quando não fazia isso. E eu desejava tanto que tivesse uma ótima explicação para tudo, não queria ter sido tão grosso com ela…
Minha barriga roncou, pensei que talvez eu devesse comer alguma fruta para compensar por ontem. Dessa vez quando saí do cômodo, ouvi um barulho no quarto mais próximo ao meu do. Em menos de dez segundos, a porta foi se abrindo e eu parei de andar, me perguntando o que o Luke fazia acordado 8:30 a.m. — porque eu vi o horário no meu celular —, sendo que ele era um dos que mais dormiam.
Minhas dúvidas foram sanadas assim que a porta se abriu por completo e eu vi Luke enrolado na toalha, com o cabelo molhado, denunciando que ele tinha acabado de tomar banho, segurar a porta e conduzir , que estava vestindo apenas com uma blusa branca, até a saída, a guiando com sua mão em suas costas…
Primeiro meu olhar cruzou com o dela e eu vi o exato momento que a surpresa tomou conta de seu rosto. Depois, cruzou com o de Luke e vi quando ele engoliu em seco.
Senti um gosto amargo em minha boca. Não acreditava que eles tinham dormido juntos, era muita sacanagem fazerem isso comigo.
Quer saber? Que se danem as segundas chances, ela estava muito bem sem mim. Luke estava muito bem superando a e ignorando a dor de quem ele dizia ser seu melhor amigo.
Antes que eles pudessem pensar em abrir a boca para falar algo, disparei em passos rápidos até a porta do apartamento, batendo-a com força quando saí.
Eu precisava de um tempo longe dali.


Capítulo 6

POV.
Oito horas antes de Calum sair do próprio apartamento


Eu já estava bem “alegre” quando tomei o sexto shot de tequila e puxei para a pista de dança. Foi no momento certo, porque a música “Are u gonna tell her?” da Tove Lo começou a tocar. E eu amava aquela música. A minha amiga não ficou muito tempo ao meu lado, logo disse que andaria pela casa e voltaria depois. Eu já a conhecia o suficiente para saber que ela não era muito de dançar, achava que era um desnecessário esforço físico, então apenas assenti e continuei a me movimentar no ritmo que escutava.
Eu sabia quando estava bêbada quando três coisas aconteciam. A primeira é quando meus lábios e língua começam a formigar, o que eu havia sentido após o quarto shot. A segunda é quando começava a rir de tudo e todos ao meu redor — coisa que sóbria já não é tão difícil porque eu convivia com pessoas engraçadas —. A terceira é quando eu fico animada.
E com animada eu quero dizer excitada. Muito excitada.

— CALUM! — sorri ao vê-lo. Ele estava com uma calça jeans preta e uma camiseta
— Oi lindinha, sentiu minha falta? — perguntou. Lindinha. Amo quando ele me chama assim.

Ele se aproximou para me abraçar e, quando eu ia dar um passo em sua direção, fui praticamente jogada em cima de Calum. Para evitar a queda, automaticamente minhas mãos apoiaram em seu peito e eu senti que as suas me seguravam firmemente pela cintura.

— Você está bem?
— Aham… — eu respondi, percebendo que havia chegado há muito tempo na festa e que o garoto a minha frente demorou demais para chegar. — Você tá meio atrasado, não acha?
— Desculpa , eu queria mesmo ter passado o dia contigo, mas ficaria chato não comparecer hoje — explicou com cara de culpado, e eu fiquei imaginando que gostaria que ele tivesse mesmo ficado comigo por hoje. Ele começou a fazer um carinho em minha cintura e o local onde ele me segurava queimava com seu toque.
— Ah, é? E o que teríamos feito hoje então? — trilhei um caminho com a minha mão do seu abdômen até o pescoço, aproveitando para passar minhas unhas. Ele mordeu o lábio inferior com minha ação.

Nossa.
Foi naquele momento que eu percebi que tinha atingido o terceiro estágio e me encontrava realmente bêbada.

— O que você queria fazer? — ele retrucou, sem quebrar nossa conexão visual. Eu tentei não baixar meu olhar para a sua boca, mas foi praticamente impossível. Não o respondi, apenas passei a língua em meus lábios e percebi que não precisava falar nada. Ele tinha entendido.

Meu estômago se retorcia e não tinha a ver com a quantidade de álcool que eu ingeri. Seria agora, eu poderia tomar uma atitude e sanar minha vontade de uma vez por todas...

— Nada que eu também não possa fazer agora… — soprei em seu ouvido e o vi se arrepiar. Virei o rosto para se aproximar do meu. Ele encarava minha boca, enquanto apertava minha cintura.

Meu corpo queimava, era como que tivesse um incêndio naquela festa e tudo estivesse completamente quente.
Como alguém conseguia ter esse poder sobre o meu corpo?
Subi a mão esquerda para o seu cabelo, o acariciando e continuei arranhando levemente com as unhas, o que fez ele se aproximar ainda mais. Eu não tinha noção do quanto queria que ele me beijasse, até o momento.
Só mais um pouquinho para frente...

— Que ótimo que vocês estão aqui! — Calum me soltou rapidamente. Puta merda, que susto. Quando olhei para a frente, vi que o dono da voz (e o culpado pelo susto) era Mike. — Vamos lá, tá na hora do show! — rapidamente o seguimos até às cortinas do palco.

Foi quando a minha ficha caiu. O que eu estava fazendo?
Merda, eu estava até com vergonha de olhar para ele agora. E desacreditada que minha primeira apresentação seria bêbada. Pelo menos o susto providenciado por Mike funcionou como um balde de água fria em mim.
Era quase que cômico, quando reparei sobre o que a música que tocava no momento falava. Um agradecimento especial à Tove Lo por esse momento.
Fui andando até , que estava atrás das cortinas, e lembrei que tinham coisas importantes a serem ditas e que eu não deveria ter me aproximado assim dele. Pelo menos não hoje.
Fixei meu olhar em Luke, pois ele foi a primeira pessoa que eu vi, a fim de não prolongar mais essa situação.
Odiava mentir. E odiava ainda mais mentir para ele, então meu coração doeu muito e me fez perceber que eu estava certa em me manter afastada durante esses tempos. Mas eu contaria a ele após o show e, aí sim, voltaríamos a ser amigos e eu poderia consolá-lo. Porque, querendo eu ou não, se tratava sobre ele e sua dor.
Estive tão imersa em pensamentos que só percebi que o show havia começado quando a música American Idiot começou a tocar e Mike a cantar. Novamente foi responsável por me acalmar, me oferecendo um copo d’água e pedindo para que eu respirasse fundo. Tudo bem, eu sabia as letras de cor.
E provei isso, minutos depois, quando Calum me convidou para subir e eu realizei uma das melhores performances de minha vida. O público amava eles e, pelo o que eu percebi, também estava curtindo a minha participação especial, me deixando extremamente feliz por um momento.
Quando a música terminou, agradeci a todos, principalmente aos integrantes da banda, e voltei para os bastidores. A agonia estava tomando conta de meu ser enquanto os meninos continuavam com o show. Eu quase não prestei atenção, somente quando a última música estava quase acabando e anunciou que iria pegar umas garrafas d’água na cozinha para entregar para eles quando saíssem do palco. Ela era maravilhosa demais.
Apesar dela ter dito que voltava o mais rápido possível, acabou não sendo o suficiente. Os meninos agradeceram a plateia e saíram ao som de aplausos. Calum estava me olhando, eu sabia disso. Todo fim de show ele dava um jeito de me abraçar. No começo eu brincava reclamando que ele estava fedendo de suor, mas com o tempo parei de ligar, demonstrando que estava lá para parabenizá-lo sempre.
Porém, incrivelmente, dessa vez quem eu abracei primeiro foi Luke. Ele correspondeu e passou os braços pela minha cintura, tirando-me do chão e me fazendo rodopiar. Ele perguntou o quão bêbada eu estava no meu ouvido e eu ri, respondendo que não o suficiente.
E, de fato, não era o suficiente para a conversa que viria a seguir.

***


Após a briga de e Calum

, novamente, estava correta, beber foi a melhor medida que eu poderia ter tomado. A culpa tinha me preenchido tanto durante essas últimas semanas que eu dei graças a um Santo específico.
O Santo Álcool.
Estava curtindo a festa, bebendo meu milésimo copo e perdido a conta de quanto tempo passei dançando. Só sei que eu já não sentia mais nada além de euforia. A música eletrônica tocava alto e todos meus problemas sumiram. Eu iria aproveitar como se o mundo fosse acabar a qualquer momento.
As luzes coloridas eram engraçadas, elas bagunçavam meus pensamentos. Azul, vermelho, verde e roxo. Era bonitinho, eu deveria comprar uma dessas para meu quarto…
, PRECISO CONTAR UMA COISA — eu estava encostada na parede quando Luke, claramente bêbado, se aproximou. Ele estava praticamente gritando e eu não sabia se era devido ao volume da música que tocava no momento ou porque ele estava bêbado para caramba.
— O quê você quer falar? - perguntei.
— EU ESCREVI A MÚSICA PARA ELA — ele parecia aliviado após dizer isso, mas não fazia sentido nenhum para mim.
— Do que você tá falando, Luke? — questionei, deixando claro que não tinha compreendido.

Então Luke me contou que “Out Of My Limit” era sobre e eu quis me socar por perceber como tudo se encaixava a partir daquele momento. Eu realmente não era a pessoa mais atenciosa de todas.
E foi aí que a melhor ideia se passou pela minha cabeça. Eu gostava de Luke e gostava de , então eu gostaria deles juntos! Era genial! Para colocar o plano Operação Cupido em ação, eu precisava pensar em algo rápido e, se tudo corresse a meu favor, bastaria somente um empurrãozinho.
E eu era boa em empurrar as pessoas.
Descobri isso enquanto atravessava a multidão novamente, dessa vez com Luke ao meu alcance, para subirmos as escadas e pegarmos minha bolsa no segundo andar. Esquecida como sou, deixei no quarto depois da conversa com… Certo alguém que eu não ousaria dizer o nome porque essa noite era minha e estava boa demais para estragar.

— Ah que droga, não consigo achar — eu comentei.
— Você tem certeza que esse foi o último lugar que viu sua bolsa? — Luke questionou ao procurar pela cama do quarto.
— Não tenho certeza se foi aqui mesmo, porque depois de sair do quarto eu fui ao banheiro... Acho que vou lá enquanto você procura aqui, tudo bem? — ele balançou a cabeça, concordando.

A verdade é que eu não havia levado nenhuma bolsa para a festa.
Assim que saí do quarto, desci para encontrar , pensando que o lugar mais provável que a encontraria seria na cozinha, pegando alguma bebida. Cruzei aquele tanto de pessoas pela vigésima vez naquela noite, o que estava começando a me irritar, quando a vi.
E fico contente em dizer que acertei em cheio. estava com uma garrafa de vodca na mão, despejando o líquido em seu copo. Estava na hora, seria agora que meu plano entraria em ação.

— Nossa amiga, o Luke tava certo mesmo — comentei para ela. — Você está muito gata!
, eu saí de casa com você, se eu não estivesse gata eu ficaria triste — respondeu, rindo. Ela também estava bêbada e, curiosamente, nós passávamos por fases muito parecidas. Mas ela ficava com uma libido maior que a minha, incrivelmente.
— É que eu percebi melhor agora que ele me falou que fica impressionado que você está sempre linda — eu me expliquei, tentando jogar verde.
— Ele falou para você que eu estou linda? Hm... — ela respondeu, demonstrando estar pensando naquilo.

Bingo!
Eu estava indo pelo caminho certo, queria que eles resolvessem esse assunto logo. gostava de ficar com as pessoas em festas e eu ainda não a tinha visto com ninguém, o que era um ótimo passo.

— Por algum acaso você sabe onde o Luke está? — ela me perguntou. Nunca segurei tão firme para sorrir, evitando ao máximo mostrar que estava contente.
— Acabei de ver ele subindo as escadas sozinho, deve ter ido para o banheiro ou quarto, sei lá — respondi, pensando que deveria ganhar um prêmio de atriz.
— Obrigada amiga.

Ela saiu, ou praticamente correu, de perto de mim e foi andando em direção ao segundo andar. Mais um ponto para mim, eu deveria comemorar isso com outra bebida...

POV.

Eu queria beijar. Muito. Estive a noite toda bebendo e agora me bateu uma vontade absurda de ficar com alguém.
Vários garotos tentaram se aproximar de mim durante a festa, mas eu recusei dizendo que não estava no clima. E para eles realmente não estava. Já estava quase desistindo de encontrar alguém que chamasse minha atenção quando apareceu.
Assim que escutei o que Luke havia falado, algo em mim despertou. Não sei se foi por conta da bebida, mas eu tive certeza absoluta do que queria fazer. E foi o que me deu coragem suficiente para ir atrás dele.
Sem saber exatamente o que falar ou fazer, subi os degraus como se estivesse em uma maratona. Não eram muitos, então já me encontrava no segundo andar. Ok, quarto, né?
Meu coração batia rapidamente dentro do peito, eu não recordava da última vez que isso tinha acontecido. Passei a mão pelo meu cabelo, tentando me acalmar. Eu poderia fazer isso, certo? Era só entrar e fazer, simples assim.
Eu precisava admitir que achava Luke atraente sim, há tempos. Quando começamos a conversar, eu tinha percebido que o loiro tinha um sorriso perfeito. E ele era tão fofo que chegava a ser irritante o jeito que me dava vontade de beijá-lo. Eu estive com ele quando ele colocou um piercing na boca, o que deixou-o muito mais atraente, diga-se de passagem.
Estivemos juntos em muitas festas e não foram poucas as oportunidades que eu tive de ter trocado alguns amassos com ele. Sim, às vezes a coragem poderia me faltar também. O que sempre me impediu foi nossa amizade. Sabe como é, melhores amigos confundem as coisas e tudo começa a dar errado, não queria isso que isso acontecesse com nós dois.
Mas eu estava lá, parada em frente ao quarto, vendo-o concentrado, parecendo procurar alguma coisa. Respirei fundo e dei duas batidas na madeira da porta ao meu lado, chamando sua atenção. Assim que reparou em minha presença, sorriu.
A cada segundo eu sentia meu nervosismo aumentar mais e mais e parecia que, muito em breve, meu coração sairia pela boca. Era para eu me sentir assim?

— E ai, ruivinha — quando me chamou pelo apelido que apenas ele usava e me olhou do jeito que só ele consegue, Luke reforçou a certeza que eu tinha em estar ali. — Nem tivemos tempo para conversar hoje. Você está linda, sabia?
— Sério? Só isso? — perguntei e mordi o lábio inferior enquanto o analisava de cima a baixo, tentando escolher a palavra certa para como ele estava. Gostoso, sexy, desejável se passavam pela minha cabeça, além de várias outras. — Estou realmente decepcionada.

Fechei a porta e dei cinco passos, diminuindo a distância entre a gente. Foram suficientes para que eu estivesse bem próxima e ficasse parada em sua frente. Eu adorei ter sido elogiada assim que subi, mas eu queria um pouco mais que linda. E queria que ele percebesse isso. Nós não estávamos mais na oitava série.

— Como assim? O que você quer que eu fale? — ele perguntou, confuso. Dei mais dois passos em sua direção, acabando com a distância e colando nossos corpos. Ele transpirava surpresa e incompreensão, o que me deu confiança por ele não ter se afastado.
— Eu quero que você fale que eu estou irresistível hoje. Quero que você diga que não conseguiu tirar os olhos de mim. E mais que isso, eu quero que você… — parei de falar.

Não porque eu quis, mas porque eu fui interrompida. Luke colocou sua mão direita em meu pescoço, aproximando nossos rostos e avançou contra meus lábios antes que completasse a frase. Eu ofeguei e fechei os olhos assim que senti sua boca aveludada na minha. Era bem melhor do que eu esperava.
Não demorou muito até que ele aprofundasse o beijo. Quando nossas línguas se encontraram, eu percebi que aquilo me viciaria.
Suas mãos exploravam meu corpo, sem parar em nenhum instante. Passeavam pela cintura, descendo e fazendo um caminho para minha bunda. No momento que ele apertou, gemi contra sua boca e foi o suficiente para que ele me trouxesse mais para perto. Senti sua excitação no mesmo segundo.
Ele prendeu meu lábio inferior entre os dentes, nos dando uma brecha entre o beijo para respirarmos. Desceu seu rosto para meu pescoço, passando a ponta de seu nariz pela minha clavícula e depositando beijos pela minha pele, mordiscando logo depois. Eu ofeguei na hora que senti sua boca sugando e apertei minhas unhas em seus ombros. Senti minha intimidade pulsar, implorando por atenção. Quando ele afastou o rosto do meu pescoço, abri os olhos pronta para reclamar, mas sua fala veio antes.

— Você é irresistível, ruivinha.

E retornou a me beijar com fervor, com uma força que eu não esperava. Eu estava feliz com o que ele tinha dito, e muito excitada. Sua língua dentro da minha boca contribuía com minha imaginação fértil e me fazia desejar saber onde mais ela poderia ir.
Era um misto de sentimentos, uma explosão que eu estivesse esperando por muito tempo. O beijo de Luke era certeiro, ele não me beijava com delicadeza. Nesse momento, éramos fogo, tentando queimar o outro até que a fumaça predominasse o ambiente.
Comecei a andar para trás, puxando ele comigo. Senti a cama bater em minha perna e, rapidamente, troquei nossas posições. Fui empurrando Luke até que ele estivesse sentado completamente em cima da cama, aproveitando para encaixar minhas pernas ao seu redor. Meu vestido subiu o suficiente para que Luke pudesse, finalmente, sentir minha pele contra suas mãos. Seu toque ardia e eu estava em chamas.

POV.

Então era isso.
Eu estava sozinha desde que desci e tive pela consciência que ficaria assim por um bom tempo, considerando que e Luke não saíram do quarto até o momento e eu duvidava que sairiam tão rápido.
Peguei uma Smirnoff Ice, decidida a ir para o lado de fora da casa, pensando que tomar um pouco de ar fosse me fazer bem. Andei até a parte de trás tranquilamente, onde ficava a piscina e tirei meus sapatos, que já estavam me matando.
Quando estava prestes a me abaixar para sentar, alguém me empurrou e, de repente, duas mãos agarraram minha cintura, me puxando para perto. Ofeguei, surpresa, e tentei conter o choque. Duas vezes na mesma noite, sério?

— Você está bem? — o dono das mãos em minha cintura questionou. Eu não havia notado o quão próxima eu estava daquele cara, conseguia sentir sua respiração em meus cabelos, o que mostrava que ele era mais alto que eu.
— Eu estou bem sim, obrigada — sorri em agradecimento, encarando seus olhos. — O universo me odeia, sabia? Está disposto a me derrubar hoje… Ou talvez sempre, porque eu sou muito desastrada e isso só pode ter uma explicação.
— Talvez o universo esteja disposto a fazer você conhecer novas pessoas. — ele brincou e eu iria discordar, porque eu só tinha conhecido ele até agora naquela festa, o que era incomum porque a bebida sempre me fez conversar com desconhecidos. — A propósito, sou . — Ele sorriu — .

E foi dessa forma que minha noite, até então solitária, mudou. Ou seja, reclamar dá certo.
Sentamos na beira da piscina e começamos a conversar.
era divertido e engraçado. Me elogiou pela apresentação, contou diversas coisas sobre ele e também perguntou outras várias sobre mim, mostrando que estava realmente interessado em cada palavra que eu dizia, porque eu sabia que aquela noite não estava falando muito nada com nada.
Mas rimos muito e ele pareceu compreender minha aleatoriedade.

— Deixa eu te perguntar, o que você está fazendo aqui sozinha? — ele perguntou.
— Eu não tô sozinha, tô com você, duh — bati levemente o polegar contra minha cabeça, demonstrando que sua pergunta era muito boba. Como eu poderia estar sozinha se estávamos conversando? Ai, ai esse

Ele gargalhou enquanto eu o encarava, pensando qual era o motivo para tanta graça. Eu sabia que ele tinha cara de ser doido mesmo.

— Não tô falando de agora, perguntei daquele momento que nos conhecemos — ele explicou, o que fez muito mais sentido. Era mais fácil ele ter perguntado direitinho antes.
— Ah, eu dei uma de cupido e meus amigos devem estar agora ampliando a população desse país… — comentei. Observei a água da piscina, pensando que gostaria de estar com os meninos. Será que eles me odiavam agora porque eu não contei? Ai que droga, eu precisava beber mais, não queria lembrar. — Vem cá, vamos na cozinha beber!

Assim que o convite estava feito, esperei ele se levantar para que me puxasse. explicou que iria apenas ficar na água porque estava dirigindo. Eu disse que era importante mesmo se manter hidratado, por isso estava bebendo muito a noite inteira. Ele replicou falando que eu não estava exatamente me hidratando, mas dei de ombros.
Seguimos pela cozinha juntos e ele pegou outra garrafa de Smirnoff Ice para mim enquanto se servia da água gelada.

— Eu amo essa daqui! Como adivinhou? — perguntei, maravilhada. deveria ser vidente. Ou uma fada. Porque, olhe, ele me salvou de cair na piscina, me tirou do tédio e solidão que eu estaria, me fez gargalhar muitas vezes e agora adivinhava o que eu queria beber.

Definitivamente ele era uma fada.
E, antes que ele respondesse, eu comecei a rir, imaginando-o com asas cor de rosa e uma varinha, voando pela cidade salvando a noite de garotas que estavam sozinhas. Soltando um pózinho mágico que realizava seus desejos. Hmm, eu precisava pensar no que eu pediria. Acho que um pônei. Ou uma cachoeira de chocolate.
Já sei! Um pônei que me levasse a uma cachoeira de chocolate!
Despertei de meus pensamentos assim que ouvi um estalo. Seus dedos estavam na frente de meu rosto, me fazendo retornar a realidade e prestar atenção nele.

, você tá bem? — ele perguntou, parecendo preocupado comigo. Que fofo.
— Melhor que nunca, fadinha. O que você estava falando?
— Eu apenas respondi sua pergunta, disse que imaginei que você fosse querer beber isso porque era o que você estava bebendo antes de trombar em mim e deixar que ela caísse na piscina — ele explicou e tudo fez sentido, eu nem lembrava que a garrafa não estava mais comigo.

Eu o agradeci, comentando que ele era muito perceptível. Ficamos mais um bom tempo conversando quando voltamos para o lado de fora, sentados na beira da piscina. Ele era uma pessoa tão legal, fiquei feliz que nos conhecemos hoje. Não lembrava dele no colégio e, quando o perguntei, ele afirmou que ele estudava na faculdade, estava no primeiro ano, mas estudou em um colégio que era perto e assim acabou conhecendo o pessoal.

— Até que enfim te encontrei, garota!

Reconheci a voz de antes mesmo de encará-la, notando que estava um pouco rouca. Quando olhei para cima, percebi que seu cabelo estava consideravelmente bem mais bagunçado que antes, na pista de dança.

, esses são e Luke — apontei respectivamente para cada um. — E esse é o meu mais novo amigo !

Após se cumprimentarem, elogiou Luke pela banda e então os dois embarcaram em uma conversa super divertida.

— Já que eu estou de carro, vocês não querem uma carona? — nos questionou e riu ao receber como resposta três cabeças balançando positivamente.
— Obrigada. Você realmente é a fadinha da minha noite! — o agradeci. Fala sério, ele realmente havia me ajudado em várias coisas.
— Ei, espera. , você não achou sua bolsa? — Luke perguntou, repentinamente, encarando-me e notando a ausência do objeto. Achei uma graça ele ter lembrado desse detalhe e tentei ao máximo não rir.
— Eu não trouxe bolsa.

Observei o exato momento em que sua cara substituiu o desentendimento pela compreensão, ao mesmo tempo em que se mostrava estar desacreditado, entendendo exatamente o que eu fiz. Mantive minha maior cara de inocência e virei, abrindo a porta do passageiro e entrando no carro de .

***


— Estão entregues! — meu novo amigo comentou, estacionando o carro em frente ao prédio.
— Tchau cara, valeu pela carona! — Luke agradeceu.
— Muito obrigada ! — comentou. — Com certeza vamos marcar uma próxima saída com você.
— Estarei esperando o convite! — ele sorriu. e Luke abriram a porta e então saíram, nos deixando sozinhos dentro do automóvel.
— Você foi incrível essa noite! Obrigada — disse, enquanto o garoto ao meu lado me olhava.
— Você foi mais, pode ter certeza — é, eu realmente não podia negar a beleza de , ainda mais sorrindo daquele jeito. — Nos vemos outro dia?
— Com certeza! Até mais… — me aproximei para dar um beijo em sua bochecha mas o garoto virou o rosto, fazendo com que nossos lábios se encostassem. Um longo selinho. Oh.

Mas foi apenas isso que aconteceu, nada mais.
Percebi que ele me esperou entrar no prédio para ligar novamente o carro e ir embora. Estava contente por tê-lo conhecido.
Assim que entramos no elevador, uma nova ideia veio a minha cabeça e decidi tomar mais uma atitude a favor do casal de amigos que estavam ao meu lado.

— Se vocês quiserem, podem ficar com o apartamento essa noite — disse simplesmente, fazendo me olhar em dúvida. — Luke, me dá a chave do seu — e então eles entenderam que eu dormiria lá. No mesmo instante, o loiro pegou o chaveiro de seu bolso, tirou uma das chaves e me entregou.
— Já sabe, né? Último quarto à direita — ele sorriu e eu concordei. Lógico que eu sabia, eu vivia no apartamento deles.

O elevador parou no 7° e meus amigos saíram, enquanto eu fiquei parada no mesmo lugar.

— Não ousem usar o meu quarto! — eles riram e então as portas fecharam, seguindo para o próximo andar selecionado, o décimo.

Abri a porta de madeira branca e entrei silenciosamente, já que aparentemente todos estavam dormindo. Olhei ao redor e liguei a lanterna do celular, tentando visualizar a decoração do lugar. Aquele apartamento não podia ser mais a cara deles.
O lugar era enorme, afinal, eram dois em um. Mas no caso, a estrutura era um pouco diferente do meu e de . Os móveis da cozinha eram todos feitos em tons escuros, possuindo uma bancada como mesa de jantar. O chão era de um carpete bem claro, as paredes da sala eram pretas e nela haviam dois sofás cinzas, formando um L em frente a grande televisão. Bem ao lado, tinha uma grande mesa de bilhar. Enfim, o apartamento era lindo.
Segui para o corredor, indo até o final e abrindo a porta da direita.
Tirei meus sapatos e fui ao banheiro do quarto. Lavei meu rosto, tirando a maquiagem e então comecei a me despir. Foi quando eu lembrei que não tinha outra roupa para colocar e, obviamente, não dormiria apenas de lingerie.
Andei até o armário de Luke e o abri, escolhendo a camisa mais simples que achei para fazer de pijama. Vesti a camiseta lisa de cor branca, que ia até um pouco mais da metade de minhas coxas. Perfeita.
Deitei em sua cama — extremamente confortável, por sinal — que estava, até então, bem arrumada e me cobri com o cobertor cinza, encostando minha cabeça no travesseiro. Os acontecimentos daquela noite se passaram como uma retrospectiva pela minha cabeça. Eu realmente esperava que os meninos não me odiassem.
E foi com esse último pensamento que adormeci.

***


Acordei com o som de porta fechando. O quarto estava escuro, com alguns raios de sol entrando pela fresta da janela. Abri os olhos com dificuldade, já que minha cabeça latejava de dor.
Olhei em direção ao barulho e vi Luke. De toalha. Estranho. O que ele estava fazendo ali?
Foi então que lembrei onde estava. Mas a pergunta ainda fazia sentido, já que ele poderia muito bem tomar banho lá em casa com . Enfim, peguei meu celular, jogado ao meu lado na cama e desbloqueei a tela. Oito e meia da manhã. Nossa.

— Luke? O que está fazendo aqui tão cedo? — questionei, vendo o garoto praticamente pular de susto.
Droga, . Que susto! — ele segurou com mais força a toalha ao redor de sua cintura.
— Desculpa — dei um sorrisinho. — Foi você que entrou aqui do nada, sabe…
— Tá legal, tá legal. Explicando, eu vim aqui porque as roupas de ontem estavam nojentas, então só vou me trocar e já desço lá de novo — se explicou.
— Ah, entendi… — bocejei. — Bom, já que eu estou acordada e você está aqui, vou ir para o meu quarto.

Me levantei e peguei as roupas da festa, que agora estavam dobradas em cima da mesinha que tinha ao lado da cama.

— Espero que tenha aproveitado a noite. Você sabe que eu não faria isso por qualquer um.
— Valeu, . Eu aproveitei muito bem a noite — ele sorriu de lado. Eca.
— Ok, me poupe dos detalhes! — pedi e ele riu.
— Vamos, eu te acompanho até a porta! — o loiro me guiou até a saída do quarto com uma mão em minhas costas e então abriu a porta, esperando que eu passasse primeiro.

Foi quando a porta à nossa frente se abriu e Calum apareceu. Fiquei surpresa pela situação, mas também por sua vestimenta — ou falta dela —. Ele trincou o maxilar, então olhei para Luke e o vi engolindo em seco.
Será que ele realmente pensou que o Calum acharia que estávamos…
Antes que eu pudesse completar o meu pensamento, Hood passou por nós rapidamente e atravessou o corredor. Ao sair do apartamento, bateu a porta.
Merda!


Capítulo

POV.

Sete dias. Cento e sessenta e oito horas. 10.080 minutos.
Esse era o tempo que não via Calum.
Era a maior quantidade de tempo que ficamos sem nos falar, porque, ainda que não conseguíssemos ver o outro pessoalmente, sempre dávamos um jeito de conversar online.
Tentei conversar com ele um tempo depois, mas não o achei. Era inacreditável que Calum tivesse sumido, mas quando não o vi na escola — tínhamos aula juntos na segunda-feira —, comecei a me preocupar ainda mais. A culpa me consumia desde que acordei na cama de Luke. Quando ele nos viu e foi embora, pensei em correr atrás, mas Luke disse que seria melhor deixá-lo pensar sozinho por um tempo. Concordei, na hora, pensando que quando voltasse para seu apartamento, ele já estaria lá.
Agora, não sei se realmente foi o melhor a se fazer. Voltei horas depois, somente para descobrir que os meninos não faziam ideia de onde ele estava. No dia seguinte foi a mesma coisa, eles diziam que ele aparecia somente para dormir e comer. Criei coragem para ligar e as chamadas iam direto para a caixa postal. Perguntei para se ela achava que nossos amigos estavam bravos comigo e ela logo me tirou essa ideia na cabeça, dizendo que eles jamais ficariam assim porque, apesar de não concordarem também, acabaram entendendo a situação. Eu também não acreditei muito que estivessem, mas estava preocupada demais para descartar as possibilidades.
Estava agoniada, não queria perder meu melhor amigo por um erro meu sem ao menos poder me justificar.
Mas o que eu achava mais estranho nessa história toda era o fato dele ter saído tão bravo quando me viu com Luke. É óbvio que grande parte da sua raiva vinha da nossa briga, mas eu sentia que não era só isso. Quer dizer, ele nos encarou como se fosse capaz de nos fuzilar com o olhar… talvez fosse só impressão...
De qualquer forma, o que me ajudou a manter a calma durante esses dias tinha nome e sobrenome: . Sim, a "fadinha". Não me lembrava de ter passado o meu número na festa, mas fiquei feliz por ele ter me mandado mensagem no dia seguinte em que nos conhecemos. Ele me contou as besteiras que eu o disse durante a festa e deixou claro que, se não fosse por mim, sua noite teria sido um tédio total. O que eu entendia completamente, visto que em certo momento eu também estava sozinha.
Havíamos nos aproximado muito durante essa semana. Ele, inclusive, conhecera Mike e Ash no dia em que veio me buscar para sairmos e, no fim, ainda fez todos os meus amigos irem junto — o que nos rendeu uma boa diversão e uma maravilhosa pizza. Os meninos gostaram dele com tanta facilidade que fiquei até feliz, era uma pessoa muito fácil de se gostar. Tanto que era somente pensar nele que ele parecia surgir magicamente. Avistei o carro preto assim que saí pelos portões do colégio e segui em sua direção, me apoiando na janela aberta, vendo a figura que me era tão familiar naqueles dias.

! - o cumprimentei com um beijo no rosto e ele sorriu, expondo sua arcada dentária que eu chegava a ter inveja de tão branca que era.
— Como você está, ? - ele sabia que Calum não havia dado sinal de vida para mim até o momento e que aquilo estava me consumindo. Achei fofo o fato dele ter se preocupado, era alguém a mais que eu poderia desabafar. Ele não me julgou, mas buscou compreender ambos os lados antes de fazê-lo. Antes de responder, entrei no carro, me sentando ao seu lado no banco do passageiro. Simplesmente amava aquelas caronas para casa, era tão fofo ele passar para me buscar após suas aulas na faculdade.
— Melhor agora — sorri. — Sério. As aulas de hoje foram um saco, eu não aguento o professor de física! Mas enfim, como foi o seu dia? — me aproximei do rádio para trocar de música até perceber que havia ficado em silêncio. O olhei, curiosa para saber o que tinha acontecido e vi a câmera em suas mãos, direcionada a mim. Mostrei a língua e o vi sorrindo atrás do objeto que estava em frente seu rosto. Ele gostou mesmo de tirar fotos minhas.
— O sol está ao seu favor e eu gosto de capturar sua beleza natural — ele explicou, como se já soubesse que eu iria perguntar. Minhas bochechas queimaram, denunciando a vergonha que senti ao escutá-lo. — Mas respondendo sua pergunta, foi tranquilo. Com certeza a melhor parte dele é depois das aulas — deu uma piscadinha. Eu não aguento esse garoto, sério! Senti meu celular tremer, indicando uma nova mensagem.
— A já está chegando! — comentei ao olhar o conteúdo e ele assentiu com a cabeça.

Como ele estava me buscando na escola, aproveitava para levar e os meninos também — pelo motivo óbvio —. Mas naquele dia, os garotos estavam com o carro de Mike, que teve de vir mais cedo hoje resolver uns assuntos, então não iriam com .
Olhei pela janela e vi andando em nossa direção, acenando assim que nos viu. Ela sorriu enquanto entrava no carro, cumprimentando o garoto ao meu lado.

— Vamos fazer o que hoje? — ele perguntou, enquanto olhava as fotos que havia tirado. Me aproximei, tentando vê-las também. Ele realmente sabia fazer aquilo, elas estavam lindas!
— O que acham de assistirmos algum filme ou série? — durante esses dias em que havia me buscado, sempre fazíamos alguma coisa durante a tarde. No primeiro dia fomos tomar sorvete, no segundo fomos andar no parque e assim continuamos por toda a semana.

Na maioria dos dias, Luke também foi. Parte para aproveitar os momentos juntos mas, principalmente, para ficar com . A relação deles estava na mesma desde a festa, ou seja, ainda ficavam, mas escondidos dos outros meninos. Eu gostava muito deles juntos e, querendo admitir ou não, eu sabia que ele a fazia muito bem, então torcia para que se assumissem logo. Enfim, quando estávamos apenas eu e , eles não precisavam esconder, e eles aproveitavam para realmente poder se curtir.

— Eu topo! — foi o primeiro a concordar, já ligando o carro novamente. — Mas qual?
— Ouvi falar de uma série super legal chamada The Society, podíamos ver ela! - deu a ideia. O nome me era familiar, mas não fazia ideia sobre o que era.
— Fala sobre o que, amiga? — questionei, curiosa.

Durante todo o caminho ela foi explicando a história que contaram pra ela. Aparentemente, a história contava a vida de jovens de uma cidadezinha que viajam com a escola e, quando retornaram, descobriram que todo o resto da população desapareceu, fazendo com que eles precisem criar uma sociedade entre eles para conseguir sobreviver. Eu e nos interessamos muito. Logo quando chegamos, fizemos o almoço e, após comermos, nos sentamos em frente à televisão. Luke não demorou muito para tocar a campainha e adentrar nosso apartamento, se sentando ao lado da ruiva enquanto eu dava play no primeiro episódio.

***


POV.

Eram quatro horas da tarde quando terminamos o terceiro episódio da série, uma vez que cada um tem aproximadamente uma hora de duração. Muito tempo, eu estava cansada. Pausamos quando o quarto começou e então o celular de Luke tremeu. Ele desbloqueou a tela e leu a mensagem, como eu estava ao seu lado, podia ver claramente o que estava escrito.

Calum chegou irritado e fedendo a
cigarro, você sabe desde quando ele anda
fumando? Tá infestando o apartamento”

— Mike Wazowski



O contato do Mike estava salvo assim desde que ele teve a ideia de colorir o cabelo de verde. Ficou incrível, aliás, mas foi péssimo que a sessão cinema da semana resolvemos assistir Monstros S.A. e aí já viu…
Ele se irritava muito com o apelido no começo, revirando os olhos e chamando os meninos de "bobos". O tempo foi passamos e ele apenas acostumou.
Enfim, quando li que Calum estava fumando, não consegui acreditar. Que merda ele pensava que estava fazendo? Olhei para Luke e ele estava tão indignado quanto eu, sabia que estava pensando em como isso seria possível, visto que Calum não era exatamente o tipo de pessoa que gostava de fumar, até mesmo em festas.
Dei uma espiada em e e eles pareciam distraídos na cozinha, conversando enquanto enchiam nossos copos de bebida e faziam pipoca para comermos.

, pode fazer o suficiente só pra vocês dois. Eu e Luke temos que subir agora, esquecemos que prometemos ajudar Mike a estudar gramática nesse horário e ele veio cobrar por mensagem — eu inventei, fazendo carinha de triste, enquanto torcia para que não perguntassem nada. Não seria bom para saber agora sobre Calum porque além dela já estar preocupada com ele, era ruim ter que falar disso enquanto estávamos com companhia.

E parecia ser um cara bacana, mesmo. Eu sabia o quão afetada pela falta de contato com Calum minha melhor amiga estava e me deixava preocupada o estado no qual ela se encontrava. Tinha percebido, também, sua falta de apetite, até mesmo em almoços como este de hoje que ela comia pouquíssimo e bem devagar. Então, enquanto fosse capaz de animá-la um pouco durante esse tempo, eu gostava dele.
Puxei Luke pela mão e atravessei a sala, me despedindo deles e dizendo que esperava não demorar tanto. Ainda que eu desejasse que não demorasse muito, sabia que tinha uma longa conversa pela frente e não aceleraria um passo que fosse. Aquela situação já estava insuportável e eu estava tão irritada que cheguei em meu limite.
Apertei o botão do elevador e, enquanto ele não chegava, puxei Luke para um beijo. Seria um dos últimos por enquanto, visto que no apartamento dele somente poderíamos ficar no quarto quando estivesse com a porta fechada. E olhe lá, porque a educação passava um pouco longe nessa hora e quase sempre abriam a porta sem perguntar. Antes não me incomodava, mas também não havia nada que fazíamos que seria atrapalhado por essa ação.
Eu estava gostando de ficar com Luke. Muito. Sempre morri de medo de atrapalhar nossa amizade, porém, era gostoso ter algo com alguém que já conhecia tanto seus piores quanto seus melhores lados. Sim, eu ainda estava apavorada para caramba, mas pela primeira vez na vida estava tentando não planejar tão meticulosamente algo. Enquanto rolasse estava ótimo…
O elevador chegou e não demorou para chegar em seu apartamento. Dei um selinho demorado em Luke e soltamos a mão quando ele virou a chave para abrir a porta. Mike e Ash estavam na sala jogando videogame. Típico. Eu havia explicado para meu amigo no elevador que saí àquela hora para conversar com Calum sobre a situação. Ele me apoiou e disse que torcia para que ele me escutasse, já que estava ignorando a todos nos últimos dias.
Respirei fundo e fui em direção a porta do quarto de quem queria conversar, torcendo para que ele não tivesse trancado. Eu sabia que não adiantaria nada bater na porta e, ainda que ele odiasse que entrassem sem avisar, minha paciência estava no limite.

— QUE MERDA É ESSA QUE AGORA VOCÊ ESTÁ FUMANDO? — perguntei assim que abri a porta e o encontrei deitado na cama. Ok, talvez eu tivesse gritado, mas o problema era dele. Observei-o se sentar instantaneamente, me lançando um olhar raivoso e abismado. Continuei com os braços cruzados, aguardando uma resposta.
— Que merda você tá fazendo aqui pergunto eu, não sabe bater não? — ele respondeu me fazendo respirar fundo, buscando todo ar que o ambiente poderia enfiar em minhas narinas.
— Sei bater sim. Ah, e inclusive, se falar assim comigo outra vez eu vou fazer questão de mostrar para sua cara que eu sei bater muito bem — comentei, no tom mais ameaçador que poderia. Fingi que não vi quando ele revirou os olhos discretamente. — Eu tô te perguntando sério, quando?

Calum passou a mão pelo seu emaranhado de fios que ele chamava de cabelo. Pentear um pouco não fazia mal a ninguém, ele deveria saber.

— Eu não ‘tô fumando, merda. A menina que eu ia ficar hoje fumou enquanto a gente estava conversando — ele soltou, expirando o ar fortemente pelas narinas. — Mas que saco, o povo dessa casa é tudo fofoqueiro! Só queria ficar em paz, caramba!

Tentei organizar meus pensamentos enquanto ele desabafava, com raiva. Alguns segundos quieta e somente trabalhando minha respiração eram o suficiente para que eu repensasse e pudesse escolher como conversaria com esse menino. Eu amava Calum com todo meu coração, mas odiava quando ele tinha esses momentos de descontrole de raiva, querendo ofender os outros. Não era justo, muito pelo contrário. E isso eu não defenderia.
Caminhei calmamente até sua cama, tirando meu chinelo antes de sentar, cruzando minhas pernas. Calum manteve-se quieto durante toda minha organização, com a cara fechada demonstrando não exatamente ansiedade para o que viria, mas também não se opôs — ele sabia que se o fizesse, eu viraria um monstro. E ninguém queria me ver virando um monstro.

— Você não fala direito com ninguém tem uma semana. Sua rotina é acordar, ir para a escola, sair para algum lugar aleatório e depois, quando você bem entender, voltar para casa. Às vezes, tem um “oi” ou “bom dia”. O pessoal tá preocupado com você, muito mesmo, mas ninguém te pressionou para falar ou fazer algo. Em algum momento alguém foi desrespeitoso contigo? A resposta eu já sei que é não, então nem responde isso. Agora quero saber quando foi que você não ficou em paz, hein?

Calum engoliu em seco, parecendo um tanto quanto envergonhado. Pois bem, ele deveria se sentir por agir assim.

— A gente entendeu que tá sendo um momento horrível para você, por isso te deixamos no seu canto pensando em tudo, considerando e digerindo as informações. Mas passou do ponto, Calum! Essa grosseira que você está com os meninos é insuportável, por acaso te desrespeitaram aqui para justificar esse teu comportamento? Novamente, não! Isso sem contar o modo como você tem tratado a essa semana…

Eu sabia que ele explodiria no momento que eu citasse o nome dela, eu mal tive tempo suficiente para terminar minha frase, mas já esperava que ele finalmente se pronunciasse sobre a situação.

— Calma aí, ela não é nenhuma santa também. Porra, , ela sabia! Ela sabia e não me disse! Como eu poderia continuar confiando em alguém que olhou na minha cara e teve a coragem de ocultar uma das informações mais importantes da minha vida? Eu fui feito de otário e, pior ainda, eu fui traído DUAS vezes, inclusive por alguém que dizia ser minha melhor amiga e, no final das contas, é uma grande falsa! — Calum aumentou o tom de voz gradualmente enquanto colocava seu ponto de vista a par, puxando algumas mechas do cabelo entre os dedos.


— Não tiro sua razão em estar puto, nunca disse que estava certa. Pelo contrário, tive uma conversa bem séria com ela no mesmo dia que ela descobriu e depois que você viu, mas para formar uma opinião inteira e poder chamar alguém de falso, o mínimo que você precisa é fazer ouvir a outra pessoa! — ele se calou por um tempo, processando as informações. Esperei o tempo que fosse necessário enquanto ele me encarava. — Se quiser odiá-la pelo resto da sua vida, ao menos tenha a coragem de terminar essa amizade ouvindo tudo que ela tinha a te falar, assim você evita futuros arrependimentos.
<— Amizade… que merda de amizade é essa que esquece que magoou o melhor amigo e tempos depois já está indo dormir com outro? estava cagando para mim! — ele disse, me deixando confusa.

Que história é essa da dormindo com outro? Eu era a melhor amiga dela, com certeza saberia se ela tivesse se aventurado com aquele dia… Nem um beijo eles deram! Mas a fofoca tem pernas e corre muito rápido, olha só…

— Você está doido? Ela nem chegou a beijar alguém no sábado, quem dirá ir além disso. Quem te falou um negócio desses?
— Eu vi, ! Com meus dois olhos! Eu vi exatamente o momento que ela estava de conversinha e puxou Luke para o segundo andar. Não sou burro, sei que eles fizeram. E no dia seguinte, ela ainda estava no quarto dele, porra! Eles transaram perto do MEU quarto no dia que ela brigou comigo, então me responda você o que mais eu tenho que falar com ela!

Eu não deveria rir, Calum estava puto para caramba, falando rápido e ofegante, as lembranças invadindo sua mente o deixando alterado. Ainda assim, não pude evitar. Explodi em gargalhadas antes mesmo que pudesse me repreender por tal. O que um mal-entendido não era capaz de causar, viu? Isso explica então porque ele estava agindo mais como idiota que o normal esperado em uma situação dessas. Minha barriga doía de tanto rir, mas era impossível não lembrar de Luke me dizendo que achava que Calum estava distante desde domingo, mas ele achou que tivesse sido porque ele estava triste pela Stacy.
Quando Calum se levantou, indo em direção a porta e segurou a maçaneta que eu voltei para a realidade e parei de rir antes que ele a abrisse me expulsando.

— Espera! Você confundiu tudo. não dormiu com Luke, nem sábado e nem depois, disso eu posso te garantir com toda certeza do mundo — falei, interrompendo seus movimentos. Ele girou seu corpo e me encarou, como se fosse debochar me pedindo para provar. Eu não queria que ele perguntasse isso, então falei de uma vez por todas. — Eu sei disso porque sou eu quem está dormindo com Luke desde a festa.
O quê?

E pus-me a explicá-lo todo o ocorrido que ele perdera durante a noite e no decorrer da semana enquanto eu estava com seu amigo. O choque em seu rosto era visível e, junto com ele, o alívio de descobrir a verdade sobre a situação. Outro fator que se encontrava presente era a confusão em seu rosto. Bem que eu disse para ouvir tudo antes de tomar conclusões.
Conversamos por um tempo sobre meu novo relacionamento secreto com Luke e, após ele ter me garantido que não contaria a ninguém até que estivéssemos prontos, dei continuidade ao que vim falar.

— Agora vamos ter que chegar no tópico Stacy. Ela foi uma escrota, nojenta e vaca mimada, foi mesmo. Mas não podemos ignorar o fato que você foi babaca com ela também.
— Como? Ela me trai e eu que sou o babaca?!
— Ela te traiu e isso só provou o péssimo caráter que ela tinha, mas se o Mike não tivesse aparecido naquele momento em que você e estavam na pista e quase se beijaram, o que acha teria acontecido? Traição não é só beijo e sexo, Calum. Você estar com alguém desejando outro é uma forma de trair, sim. E, ok entendo que o relacionamento de vocês não tenha sido o melhor de todos, mas sei que desde que a chegou aqui, seu namoro só piorou e o que você sente por ela vai além de amizade — respirei fundo e então o olhei. — Eu acabei de abrir o jogo com você, então quero que abra o jogo comigo. O que você realmente sente por ela?

Calum POV’s

Puta merda.
Quando me fez a pergunta, eu paralisei. Nunca havia parado pra pensar e tentar entender o que eu sentia pela , principalmente depois da briga. No momento em que estávamos quase nos beijando eu senti algo, e não tinha como ignorar. A questão é, eu já estava sentindo isso desde que me aproximei dela e foi só agora que eu percebi isso. Talvez seja por isso que eu tenha ficado tão mal quando descobri que ela não havia me contado sobre Stacy.

— Eu… não sei — foi a única coisa que eu conseguir dizer.
— Você sabe sim, Calum. Melhor que qualquer pessoa, inclusive. Só não quer aceitar isso porque não tem certeza sobre os sentimentos dela em relação a você. É esse o momento de ser sincero.

E eu sabia mesmo.

— É complicado, — respirei fundo — Ela é minha melhor amiga e eu a amo, mas também sinto coisas que um amigo não deveria sentir, e eu tenho plena noção disso — desviei o olhar, focando apenas na parede cinza a minha frente. — Já me peguei várias vezes pensando em como seria beijá-la — e tocá-la, pensei sozinho, não queria dizer isso. — Mas eu não me permitia aceitar esses sentimentos e vontades por estar com Stacy. Acho que no dia da festa eu meio que… esqueci de tentar esconder isso, sabe? Sem contar que eu nunca senti nada parecido por outra pessoa, incluindo a minha ex namorada, e é isso que me deixa assustado.

Eu estava chateado com por não ter me contado, mas depois do que ouvi, eu não conseguia ficar irritado nesse momento. Eu nunca estive tão aberto emocionalmente, o que deu brecha para a raiva se transformar em medo. Medo dos meus sentimentos por ela.

— Eu não acredito que você sente tudo isso e ainda está aqui. Vai lá se resolver com ela! — disso como se fosse óbvio.

E, sendo sincero, era.

POV.

Estávamos na cozinha esperando a pipoca de micro-ondas ficar pronta. Eu estava encostada na bancada, enquanto se apoiava na geladeira ao meu lado. Era divertido passar essas tardes com ele, estávamos nos conhecendo e eu sabia que tinha ganhado um amigo.

— Sabe, eu estava pensando sobre a festa em que nos conhecemos… — eu disse, chamando sua atenção.
— Ah, é? E o que você pensou? — ele me olhou, curioso, com um sorrisinho de canto. Sei que já disse como seu sorriso era bonito, mas nesse momento ele parecia se destacar ainda mais.
— Em como eu tive sorte! Fico feliz de termos nos encontrado, apesar de quase ter te sujado inteiro com a bebida — expliquei e o vi sorrindo abertamente.
— Eu também fico pensando sobre aquele dia… — ele se aproximou, ficando a dois passos de distância de mim. Olhei em seus olhos, querendo saber o que estava passando por sua cabeça. — Fiquei com vontade de fazer algo lá e só não fiz porque sei que não era um bom momento, mas acredito que possa fazer agora.
— O que quer fazer?

Ao vê-lo se aproximando ainda mais, entendi na hora o que seria. Pensei em seus beijos a semana inteira.
Cheguei a acreditar que ele me via apenas como uma amiga por não ter investido nenhuma vez, mas, quando suas mãos seguraram meu rosto e seus lábios encostaram nos meus, tive certeza que não. Fechei os olhos, levando minhas mãos até as dele.
era cavalheiro, então, a princípio, o beijo era delicado. Estávamos apenas curtindo a boca do outro. Sem pressa, os lábios apenas se massageando. Era gostoso. Sua mão desceu para a minha cintura, me puxando e colando nossos corpos. Foi quando nossas línguas se encontraram que um arrepio em meu corpo se fez presente no mesmo segundo. Como resposta, levei minha mão direita para a sua nuca, puxando alguns fios de cabelo.
Com um leve impulso, me sentei na bancada, ficando na mesma altura que . Eu ainda estava com a saia do uniforme quando envolvi sua cintura com as pernas e o puxei ainda mais, passando meus braços ao redor de seu pescoço. Senti-o gemer contra minha boca enquanto empurrava seu corpo contra o meu, fazendo-me sentir não apenas o tecido de sua calça jeans. Oh. Arfei, apertando sua nuca. Os dedos de pareciam queimar minha pele enquanto deslizavam por minha perna, subindo mais e adentrando minha saia.
Separei minha boca da de quando o som da campainha nos atrapalhou.
Sabia que não era já que, por motivos óbvios, ela não precisava tocar antes de entrar. Luke também já era de casa, apenas entrava quando precisava. Ou seja, eu realmente não fazia ideia de quem era.
Frustrada, desci da bancada e passei as mãos pelos fios de cabelos, tentando arrumá-los. Fiz o mesmo com a minha saia e, após respirar fundo — tentando acreditar que isso faria com que minhas bochechas não ficassem tão vermelhas quanto provavelmente estavam —, andei em direção a porta, deixando se… "acalmar" na cozinha, e girei a maçaneta.
Meu coração bateu três vezes mais rápido. Calum estava parado em frente ao meu apartamento. Quando ele olhou fixamente atrás de mim, percebeu que estava lá, percebi que seu olhar endureceu e suas íris escureceram, não era uma feição simpática. Mas não demorou para que seus olhos castanhos me tivessem como alvo novamente.

— Podemos conversar?


Capítulo 8

Calum POV.

Tentei ignorar o cara que estava em sua cozinha, mas minha barriga se revirava de curiosidade. Ele não estava com uniforme da escola, então imaginei que ela o conhecia de outro lugar. Não acredito que quando finalmente decidi conversar, ela já está ocupada. Os minutos aguardando uma resposta sempre são os mais agoniantes.

— Claro! — parecia nervosa e surpresa por me ver ali. O cara que estava na cozinha antes agora estava ao lado dela. Me cumprimentou com um aceno de cabeça e voltou sua atenção a ela.
— Bom, eu vou indo então… — ele sorriu sem mostrar os dentes pra ela, que fez o mesmo e, após lhe dar um beijo na bochecha, perigosamente próximo ao canto de sua boca, ele saiu. Eu travei o maxilar. Por um momento, eu realmente acreditei que eles fossem se beijar.

Nos olhamos por longos segundos antes dela me dar passagem e eu entrar em seu apartamento. Essa semana pareceu uma eternidade, sentia que não ia lá por muito tempo, o que tornava estranho estar neste lugar que já estive tantas vezes. me ofereceu, receosa, um copo d’água que eu recusei educadamente. Se ouvir sua voz era capaz de me deixar em um estado de euforia, conversar com ela me fazia pensar que eu cairia duro a qualquer momento.
Ela caminhou até o sofá e sentou, me acompanhando com o olhar até eu fazer o mesmo. Não demorei para me sentar ao seu lado, controlando minha perna para que ela não ficasse tremendo. Ela me olhava com atenção, quase sem piscar. Pigarreei, limpando a garganta para dar início a uma das conversas mais difíceis que teria na vida e que seria a segunda do dia

— Então… — ela sorriu. Meu peito iria explodir, nunca pensei que dava para sentir falta disso em apenas sete dias.
— Nós ficamos todo esse tempo sem nos falar, porque está sorrindo? — perguntei, tentando fazer graça e acabar com meu nervosismo, apesar dela parecer confortável.
— Você está atrasado uma semana. Mas veio, e é por isso que eu estou sorrindo — ela concluiu seu pensamento, me explicando o motivo. era presunçosa, mas ela não poderia me conhecer mais. E ela me procurou, ligou milhares de vezes e eu nunca estava no apartamento quando ela ia lá. Então somente restou que eu fizesse o contato quando estivesse pronto. Li todas as suas mensagens, ouvi os recados na caixa-postal e ainda assim não parecia suficiente. Dei um sorriso de lado, fechado, mas vi que ela me olhou terna.

Respirei fundo uma última vez, suspirando. Não daria mais para adiar.

— Eu não me lembro de alguma vez ter ficado tão puto na vida. Nem consigo te descrever como foi porque isso seria relembrar e dói, machuca muito. Eu te falei no dia, foi uma traição dupla para mim. Não quis te escutar durante esse tempo porque precisava pensar e refletir sobre tudo, eu tinha tanta certeza das coisas e, do nada, eu perdi tudo ao mesmo tempo. Esses últimos dias foram insuportáveis porque a raiva que senti, não somente por Stacy que, sinceramente, eu não conseguiria nunca perdoar ela, mas o que eu senti com sua atitude deu espaço para a decepção. Pensei em você como alguém que eu poderia contar sempre, e quando eu menos espero e mais preciso, descobrir uma coisa dessas é… sei lá, sabe? É horrível — parei de falar por uns segundos para recuperar o fôlego. — E eu pensei em mil motivos para você não ter me dito e nenhum deles eram justificativa suficiente, então só piorava a situação… Aí conversou comigo, há pouco tempo, na verdade, e me explicou muita coisa, mas eu ainda não ouvi seu lado e não faço ideia do por que você fez o que fez.
Caramba, desabafar era uma maravilha mesmo. Eu sentia minha consciência mil vezes mais leve que antes, e tive certeza que tomei a decisão certa em ter vindo hoje. acabou recebendo minha raiva da situação, portanto, eu estava aberto a ouvir melhor. E, de qualquer forma, ao menos eu havia dito tudo que precisava para . Olhei-a, notando que ela mordia o canto inferior do lábio enquanto me ouvia falar — um gesto que fazia muito quando estava nervosa. Percebendo que eu terminei de dizer o que precisava, ela soube que era a hora de “botar para fora”.

— Eu descobri que ela estava ficando com outra pessoa uma semana antes da festa. Lembro que estava perdida, procurando o laboratório de química e acabei numa parte super vazia da escola, eu nunca tinha ido lá. Escutei uma voz em uma das salas e, quando me aproximei para pedir ajuda, a vi. Ela me viu também. Eu já estava correndo para tentar refazer o caminho de volta para sair de lá, pensando em como eu contaria uma coisa daquelas para você quando ela me chamou — olhava para as próprias mãos e falava como se estivesse revivendo o momento, perdida em suas próprias palavras. Eu só conseguia prestar atenção em cada detalhe da história. — Ela disse que havia sido apenas uma recaída e você ia se apresentar no sábado, então me pediu para não te contar. E eu não ia escutar, eu juro! Nunca concordaria em esconder algo assim de você, Deus, era até absurdo ela fazer um pedido desses. Mas quando lembrei da apresentação, em como você estava animado para aquele dia, dizendo que poderiam ganhar mais reconhecimento… — ela me olhou com um sorriso triste, seus olhos brilhavam. Meu peito apertou, eu também estava prestes a chorar. — Eu não podia estragar aquilo, entende? Eu não podia deixá-la afetar a sua vida assim, ela não merecia nem mesmo a sua tristeza. Aquela foi a semana mais difícil desde que cheguei aqui. Doeu guardar aquilo enquanto você ainda a chamava de amor… — ela se aproximou mais e segurou minhas mãos nas dela, sem quebrar o contato visual. Minha respiração estava descompassada, eu sentia meu coração bater tão rápido. Quando ela notou que não desfiz o contato físico, ela voltou a falar. — Me desculpa, Calum. Do fundo do meu coração. Eu não consigo imaginar o que passou pela sua cabeça quando descobriu tudo, mas eu sei o quanto me machucou saber que não havia sido eu a pessoa que te contou. Eu nunca tive um melhor amigo assim e, quando você disse que eu não era mais nada pra você, eu… — e então seus olhos encheram de lágrimas. Oh merda! Ela respirou fundo, encarando o teto por alguns segundos e continuou. — ...eu não conseguia acreditar que podia ter feito algo para mudar aquele momento. Me desculpa, por favor, eu não quero perder o melhor amigo que eu poderia ter.

Eu realmente não precisei pensar muito quando ela fez esse pedido. Agora, ouvindo suas explicações, foi compreensível e consegui entender tudo. Ela não estava certa e sabia disso, vez nenhuma tentou me convencer disso. O que tentou dizer era que o motivo para que ela fizesse isso era a minha felicidade, as coisas só saíram de seu controle porque o tempo é assim mesmo, ele só acontece.

— Eu te desculpei no momento em que você abriu a porta para mim, lindinha.

Foi o suficiente para que ela me abraçasse com força e começasse a chorar. Eu senti tanta falta dela, essa semana foi o inferno. Me pus a acariciar seus fios loiros e passei uma de minhas mãos por suas costas, confortando-a. Estava tudo bem agora. Voltaríamos a ficar bem.

***


POV’s

— Sério, como vocês arrumam tanta festa para ir? — eu perguntei para enquanto terminava de passar rímel. Minha maquiagem estava simples, uma vez que não iríamos encontrar muitas pessoas. Um dia havia se passado após minha reconciliação com Calum e eles já haviam encontrado algo para fazer.

Observei meu vestido no espelho e gostei do que vi. Estava bonita, então esperava que sair hoje de casa fosse valer a pena.

— Não é uma festa, é só uma socialzinha, amiga. Muito menos gente do que geralmente vai — respondeu enquanto colocava seu vestido preto. Ele se ajustou perfeitamente ao seu corpo e eu não cansava de pensar que minha melhor amiga era linda. — Mas não venha me perguntar, foi Mike quem foi convidado e estamos indo porque, aparentemente, ela deve estar desesperada para ficar com ele porque deixou que ele chamasse quem quisesse. Toma, passa isso aqui.

Ela era tão aleatória que me confundia. Peguei o hidratante labial da mão de e passei, sentindo o cheiro de melancia. Eu simplesmente era apaixonada por ele porque além de deixar a boca macia e hidratada, também deixava com uma cozinha vermelha bem bonita.
Peguei o celular para olhar as horas enquanto esperava que ela terminasse de se arrumar. decidiu que hoje seria um ótimo dia para passar a tarde com Luke já que na festa eles não podiam ficar próximos do jeito que queriam porque o pessoal ainda não sabia desse relacionamento. Eu queria muito que ela assumisse logo seus sentimentos, Luke era um garoto incrível que não merecia ficar por trás das cortinas, mas ainda assim compreendia que seu medo de auto sabotar o que tinham era muito grande. Foi por isso que ela demorou tanto para começar a se arrumar, mas pelo menos não estávamos atrasadas.
Abri minhas mensagens e vi que havia notificação de . Lembrei de seu beijo e suspirei, desejando que ele pudesse me acompanhar hoje, eu tinha estado mesmo com saudades de beijar.

"Aproveite a festa, queria que estivéssemos juntos"
- Fadinha ❤️



Respondi com "igualmente, fadinha". Esse apelido estava assim desde que começamos a trocar mensagens e eu expliquei a loucura que estava minha cabeça no sábado que nos conhecemos e como isso fazia sentido na hora. Lógico que sua reação foi rir e me chamar de doida, então apenas dei de ombros. Ele havia me convidado para sair com alguns de amigos hoje, mas recusei explicando que tinha uma festa marcada com os meninos e que seria muita mancada não ir porque iríamos finalmente comemorar um pouco do sucesso que a banda estava fazendo, visto que da última vez que planejamos fazer isso foi tudo por água abaixo e me rendeu boas lágrimas.
Abri o contato de Calum, perguntando quando poderíamos ir para a garagem. Iríamos nos dividir para ir em dois carros, então ficaria eu, meu amigo e Mike em um e o restante no outro. O importante era quem quer que fosse dirigindo ficasse sóbrio no fim da noite para voltarmos bem — o que eu realmente duvidava que fosse acontecer, mas tudo bem.
Quando ele me respondeu "agora", peguei minha bolsa e chamei para descermos. O elevador não demorou a chegar e logo estávamos no subsolo. Eles já estavam apoiados nos carros, então assim que nos cumprimentamos, entramos nos respectivos carros. Eu sempre perguntava porque eles não compravam um com 7 lugares para não ter que ficar indo aos lugares com os dois e eles apenas responderam que não sabiam. Sério, pensa no tanto de gasolina que iam economizar.
Seguimos pelo caminho todo cantando as músicas da rádio — Calum disse que isso é um esquenta para todas as festas — de forma que nem percebi quando se passou até chegarmos.
Assim que estacionamos em frente à casa da garota e andamos até a porta, percebemos que parecia estar vazia, afinal, estava super escuro ali dentro. Ash não perdeu tempo para zoar Mike dizendo que a menina passou o endereço errado, mas conseguimos escutar uma música tocando ao fundo. Foi então que Emily — a dona da casa — abriu a porta e vimos que a falta de luz era de propósito. Apenas algumas luzes coloridas conseguiam iluminar a sala e as poucas pessoas que estavam ali.
Realmente, aquela não era uma super festa como a última em que fomos, era apenas uma social como disse, por isso, deveria ter umas vinte e cinco pessoas, ou menos, segundo os meninos. O importante é que eram pessoas divertidas e não destruiriam a casa da garota como normalmente acontece.
Emily sorriu quando nos encontrou ali, mas percebi que seu sorriso aumentou assim que viu Mike. Lembrava de tê-la visto na escola algumas vezes. Também, seus cabelos coloridos eram da cor rosa, em tom pastel. Iam até pouco abaixo do ombro e eram maravilhosos, de forma que era impossível não reparar nela.

— Oi, Emy! — meu amigo sorriu para a menina de cabelos coloridos do outro lado da porta.
— Oi gente! Podem entrar! — ela nos deu passagem. Todos, com exceção Mike que ficou para trás conversando com Emily, andamos até chegar na sala da casa, onde tinham várias pessoas.

Olhei para cada rosto ali, tentando reconhecer alguém. Alguns eu já havia visto na escola, mas a maioria eu não fazia sequer ideia de quem eram.

— Vamos buscar alguma bebida? — Calum sussurrou em meu ouvido. Um arrepio percorreu por todo o meu corpo quando senti seu hálito quente pela minha pele. O olhei e acenei com a cabeça.

Estávamos andando em direção a cozinha quando alguém se esbarrou em mim. Quando olhei para cima, tentando enxergar o rosto da pessoa desligada em minha frente, abri a boca em um perfeito “o”. Não acredito!

?! — sorri, confusa. — Você não ia… Oh!

Primeiro ele me olhou de cima a baixo — o que me fez suspirar —, depois me abraçou dizendo que eu estava linda. Rindo contra minha bochecha quando me deu um beijo falando que estava desacreditado de termos recusado o convite um do outro quando, na verdade, íamos para a mesma festa.

— O que a falta de comunicação não faz, hein? Caramba, isso só pode ser destino.— ele ainda estava sorrindo.

Escutei alguém tossindo do meu lado e percebi que assim que parei, Calum havia feito o mesmo.

— Calum! Esse é o . Tava louca para apresentar vocês!
— Ele que estava aquele dia no seu apartamento? Eu lembro… — Calum comentou e eu acenei que sim. — Prazer.

sorriu para ele, dizendo que estava feliz em conhecer o "famoso Calum" e eu ri. Eu realmente havia falado muito sobre ele durante a semana, tadinho.

— Vem, vamos beber! — comentei animada, entrelaçando cada um de meus braços com o dos garotos e andamos em direção a cozinha. Eu conversava com animada e percebi que Calum estava mais quieto, mas imaginei que fosse porque eles apenas não se conheciam. Era só esperar a bebida fazer efeito e torcer para que eles se dessem bem — o que eu acreditava que sim porque eu os adorava.

Voltamos para sala com nossos copos cheios e encontramos o restante do grupo. Todos cumprimentaram normalmente, com Ash dizendo que achava que ele botou um GPS em mim porque estava difícil para nos desgrudamos essa semana. E realmente, na sexta ele esteve em minha casa e no dia seguinte íamos a mesma festa. Ri, chamando-o de stalker e ele me disse para ficar de olhos abertos. Passamos mais um tempo nesse clima até a roda começar a se separar, eu estava no canto conversando com , quando chegou com Calum e começou a reclamar.

— Tem uma menina olhando Luke descaradamente e eu juro que tô quase voando no pescoço dela — delicada como sempre, comentou. Apesar do tom agressivo, ela mantinha a face serena, como se estivesse dizendo qualquer coisa aleatória para nós. — Ok, eu sei que ele pode ficar com quem ele quiser, mas eu tô muito bêbada e ninguém gostaria de me ver puta.

E ela tinha razão, ninguém gostaria mesmo. Eu já havia visto uma vez e com toda certeza faria de tudo para não ver novamente. Não sei como descrever, mas era assustador o jeito que ela surtava. Tentamos acalmá-la, afirmando mil vezes que Luke não ficaria com a garota e era nisso que ela deveria pensar.

Quando percebemos, as pessoas haviam feito uma roda no meio da sala, com uma garrafa bem no centro. Eu e nos olhamos com as sobrancelhas franzidas, não entendendo nada daquilo. É claro que seria mais difícil de entendermos rápido porque estávamos começando a ficar bêbadas, mas isso não vem ao caso.

— O que está acontecendo? — Calum questionou, achando estranho também.

— Eu realmente não se… — foi interrompido por uma voz feminina gritando.
— Vamos jogar verdade ou desafio! — e então tudo fez sentido.
— Vocês vão vir? — questionou e, após Calum balançar a cabeça positivamente, fomos os três nos sentar na roda que só aumentava.

Eu realmente adorava jogos assim, mas estava com medo do que poderia dar. não pensou duas vezes e foi se sentar ao lado de Luke, ou pelo menos tentou. Quando ela se aproximou, uma garota de cabelos escuros se sentou naquele lugar e, no mesmo segundo, a simplesmente parou. Ao ter uma melhor visão da garota — que agora era alvo de um olhar mortal da minha melhor amiga, fiquei indignada com a audácia. Era a mesma que não parava de dar em cima de Luke.
Praticamente todas as pessoas da festa estavam jogando, e aquilo era realmente muito legal. Após explicar que a boca da garrafa seria quem faz a pergunta e a pessoa escolheria quem responderia, Emily foi até o meio da roda e girou a garrafa, iniciando o jogo.
Eu estava super tranquila, pois sabia que seria difícil a garrafa parar em minha direção, já que a roda estava gigante. Todos acompanhavam o objeto girando no centro até ir parando aos poucos, apontando para… é, eu não sabia quem era. Mas sei que a garota escolheu Emily, que preferiu verdade e tomou seu shot.
Outra regra que estava bem clara é que se escolhesse verdade teria que tomar um shot e, se não respondesse, tomaria mais um. E quem escolhesse desafio tomaria dois shots caso não o fizesse. Ótima estratégia, incentivava as pessoas a escolher desafio.

— Ok, hm… — a garota de cabelos escuros pensou um pouco. — Com quantas pessoas você já ficou na vida?

Vi Ash apenas revirar os olhos. E, realmente, se fossem perguntas como aquelas o jogo nem teria graça.

— Sério? A gente não está na 6° série, faz uma pergunta de verdade! — ele comentou debochado e muitas pessoas da roda concordaram. A garota parecia um pouco envergonhada, mas deu de ombros e reformulou.
— Você já transou com o ex de alguma amiga sua, Emy?

As pessoas encaravam Emily nada discretamente, esperando por sua resposta. Não sei o motivo, mas achei difícil que ela já tivesse feito isso. Talvez porque era fofa, não sei mesmo.

— Nunca.

E, olhe lá, eu estava aprendendo a julgar as pessoas. A garrafa girou novamente e a maioria das pessoas ainda assim escolheu verdade. Uma garota escolheu desafio e teve que sentar no colo de quem ela queria ficar naquela noite. Assim que levantou, sentou no colo de outra menina no lado oposto da roda e, ao olhar para trás, elas trocaram um selinho — o que nos fez gritar e aplaudir. Foi muito fofo.
A garrafa parou em uma menina que eu também não conhecia, então ela pareceu pensar por um tempo.

— Luke, verdade ou desafio?

Percebi que ele nem havia prestado atenção na pergunta. Ele estava tão distraído conversando com a menina ao seu lado que mal reparou, mas eu percebi que era a mesma que comentou que estava dando em cima dele. Olhei para minha amiga, temendo por sua reação, e a encontrei com os olhos vidrados neles, a expressão fechada demonstrava o descontentamento e a raiva com a cena. Nem ousei ficar com dó do garoto por ter de enfrentar sua fúria depois porque, sinceramente, ele estava merecendo após toda essa ceninha tosca.

— Ah, desculpa, eu nem percebi. Vou querer verdade! — após perceber que todos ficaram em silêncio, o olhando, Luke pareceu se tocar sobre o que estava acontecendo ao seu redor.
— Então, tem alguém aqui que você gostaria de ficar essa noite?

Olhei para ele ansiosa para saber que resposta ele daria. Eu sabia de seus sentimentos, mas não era porque estávamos jogando que realmente seríamos obrigados a dizer a verdade.

— Sim, tem — ele olhou rápido para antes de responder. Obviamente não era o melhor momento para ser fofo, já que a minha amiga nem sequer estava perto de olhá-lo de volta. Não sei se ele reparou, mas o vimos olhar para baixo após alguns segundos.

A garota que estava conversando com ele deu um sorrisinho ao escutar a resposta do loiro ao seu lado. Ela estava prestes a prestar um papel ridículo ali e, sendo sincera, eu mal conseguia culpá-la. Tudo bem, Luke somente estava conversando, porém a gente precisa se tocar quando as pessoas estão praticamente nos agarrando.
A garrafa girou novamente, parando em direção ao Ashton. Ele deu um sorrisinho maligno para Mike, que arregalou os olhos, provavelmente imaginando o que aquela cabeça estava pensando. Quando o garoto riu discretamente e pôs um sorriso malicioso em seu rosto, comecei a me preocupar com o que seria.

— Verdade ou desafio, Michael? — Ash perguntou, olhando-o sem piscar. Mike respondeu desafio, o que me fazia pensar se ele era corajoso demais ou apenas estúpido o suficiente por não aguentar uma pressão. — Te desafio a beijar a Emily.

Encarei a menina quase que imediatamente e suas bochechas estavam tão rosadas quanto seu cabelo. Apesar de parecer estar envergonhada, encarou Mike na hora, aguardando sua resposta.
Não demorou para que ele se virasse e colocasse uma mão em seu rosto, aproximando-o do seu e selando seus lábios. Os meninos da roda gritavam incentivos ao mesmo tempo que eu, e outras pessoas batíamos palmas. O beijo dos dois foi algo realmente esperado. Sabíamos no momento que ela convidou Mike para vir que ao menos um beijinho ela merecia, mas, caramba, pelo visto ele também estava com muita vontade de fazê-lo.

— Ok casalzinho, já deu. Vamos continuar! — uma das garotas perto comentou sorrindo, dando continuidade ao jogo.

A garrafa foi girada novamente, mostrando que a próxima pessoa a fazer a pergunta era um garoto loiro, ele olhou para todos da roda, mas seu olhar parou no exato segundo em que me viu. Hm, eu não o conhecia, então não fazia ideia do que esperar quando ele me perguntou se eu escolhia Verdade ou Desafio.
Minha resposta veio bem fácil. Eu não gostava de recusar desafios e seu olhar tão fixo no meu me fez pensar que ele não iria propor algo leve. Eu também não estava muito mal para recusar virar um shot, então respondi que queria Verdade e senti o líquido descendo por minha garganta, a queimação me acordando e preparando para responder o que viria em seguida.

— Qual sua posição favorita na cama? — senti os olhares curiosos de todos os caras da roda em mim, enquanto minhas bochechas queimavam — provavelmente nunca ficaram tão vermelhas. Engoli em seco, nervosa. Continuei encarando o garoto que me perguntou, me recusava a ter que olhar para qualquer pessoa que me conhecia naquela festa. Respirando fundo e mantendo em mente que estava entre amigos e que, além de não ver mais muitos dos que estavam ali, todos tiveram que passar por perguntas nesse nível. Até piores.
— Só uma? Hm, deixa eu pensar… — respondi sem quebrar o contato visual, realmente pensando em qual era minha posição favorita, difícil escolher assim, todas tinham algo diferente para acrescentar…
— Caramba, não imaginava que você era assim, tem muita cara de santinha — ele respondeu.

Se eu tentar explicar o que aconteceu naquele momento, eu provavelmente entraria em colapso. Mas enquanto isso, vou botar a culpa na bebida e dizer que estava possuída pelo Espírito do Álcool ou qualquer coisa que me livrasse daquela situação.

— É porque você não me conhece… — respondi, sorrindo de lado. — E, ah, é de quatro.

Eu sentia os olhares como se fossem flechas atravessando minha pele e cheguei a cogitar que minhas bochechas começariam a pegar fogo, devido tamanha queimação. Ainda assim, pisquei o olho direito e virei a garrafa, observando quem seria o próximo a participar do jogo.

Calum POV.

Eu não estava acreditando no que tinha acabado de ouvir. Tudo bem, nunca vi como uma menina delicada — muito pelo contrário, ela parecia um fósforo. Se atiçando um pouquinho ela já tinha demonstrado esse lado, não pude evitar pensar em como seria quando ela começasse a pegar fogo. Quando ela respondeu, só conseguia imaginar como seria botá-la naquela posição, até porque também era a minha favorita.
Droga, eu precisava controlar a minha imaginação e pensar em outra coisa se eu não quisesse passar vergonha.
Foi olhando um pouco além da roda que consegui mudar meu foco, apesar de agora estar irritado. Aqueles garotos mais pareciam canibais observando que outra coisa e eu sabia que eles estavam pensando coisas piores que eu. E lá vinha novamente a respiração para evitar que o ódio subisse por minhas veias.
Ela girou a garrafa novamente e não demorou muito para que as pessoas voltassem a atenção no jogo. Umas quatro rodadas depois, chegou minha vez de ser questionado. Todos os últimos haviam escolhido Desafio e eu estava cansado demais para fazer algo que alguém que eu nem conheço escolheria. Optei por Verdade, esperando que a garota se pronunciasse. Ela estava sentada ao lado da menina que ficou dando em cima de Luke a noite toda, provavelmente eram amigas.

— Qual fantasia sexual que você nunca realizou e morre de vontade? — o sorriso em seu rosto era banhado pela malícia e ela mordeu o lábio, aguardando minha resposta. O problema era que eu realmente gostava de fantasias sexuais, então tive que pensar rapidamente em algo que eu e Stacy não tenhamos feito para responder.
— Usar algemas para ser preso ou prender alguém — respondi, sendo franco e direto. Não ficaria enrolando e, de qualquer forma, era totalmente compreensível. Quem poderia me julgar?

Arrisquei olhar na direção de , apenas para perceber que ela também me encarava. As bochechas coradas deixavam-na com ar gracioso. Ela parecia estar… curiosa? Não sei, talvez eu só estivesse bêbado demais para reparar.
Escutei a voz de pouco tempo depois, percebi que ela faria a pergunta. Prendi o fôlego quando ela escolheu Luke. Olhei novamente para e ela retribuiu o olhar, dessa vez demonstrando que havia pensado exatamente a mesma coisa que eu.
Aquilo só podia dar merda.

— Verdade ou desafio, Luke? — ela não esboçava nenhuma reação, o que tornava tudo mais assustador. Torci para que ele não escolhesse desafio, porque ao menos ficaria tudo bem.
— Desafio.

Ok, ele era mesmo burro. Eu e estávamos estáticos, apenas observando a cena. então abriu um sorriso. Era maldoso e, se eu estava com medo, seria burrice da parte de Luke não estar também.

— Te desafio a ficar com essa menina ao seu lado, que eu não sei o nome — puta merda, ela realmente não estava para brincadeira.
— É Britanny! — a menina, que somente agora descobri seu nome, comentou, virando-se para observar Luke.
— Eu disse que não sabia, e não que queria saber… — respondeu e eu queria saber como era possível alguém mesclar tanta grosseria com sarcasmo na mesma frase e ainda fazer parecer como se estivesse apenas comentando que o céu é azul. Responder assim deveria ser considerado um talento, sério.

Percebi que Britanny apenas ignorou, revirando os olhos. Olhei para Luke, tentando imaginar o que ele faria. Era mais que óbvio que ele estava chocado com aquele desafio, parecendo desacreditado demais que tivesse mesmo proposto algo assim. Bom, ele deveria conhecer mais a melhor amiga que tinha para evitar ficar com essa cara.
Não demorou muito tempo até que ele simplesmente pegasse a garrafa cheia e bebesse o líquido que estava dentro, deixando bem claro que não cumpriria aquilo. E, obviamente, a loira ao seu lado abriu a boca, desacreditada que havia levado um fora daqueles. Péssima noite para ela. O pior de tudo foi que eu nem consegui ficar com dó da situação.
Luke girou a garrafa, olhando-a fixamente. Como se estivesse com um imã, parou virada para o lado de . Seria sua vez de novo. Um garoto até brincou sobre ela ter viciado a garrafa, nos fazendo rir.

, verdade ou desafio?

Meu olhar caiu sobre e ela se encontrava pensativa, calada por um tempo enquanto tomava sua decisão. Desafio então foi escolhido e manteve um sorriso no jogo, quase como se falasse que sabia que a garota não a decepcionaria.

— Te desafio a ficar 7 minutos no paraíso. Você e Calum.


Capítulo 9

Calum POV.

Olhei para surpreso, um pouco em choque com seu desafio. Não sabia se me sentia agradecido ou assustado.
Agradecido porque era óbvio que eu sentia um certo desejo em ficar com a sós, mas assustado por ter a chance de fazer isso agora. Eu realmente não sabia o que aconteceria a partir daquele momento, sem falar que ela poderia recusar e dizer que era uma ideia boba, pois estávamos em uma festa.
Porém, se levantou e me olhou, esperando que eu a acompanhasse. E assim fiz. Caminhamos até o closet da casa, que ficava perto das escadas, e entramos. Era pequeno e apertado, nos deixando realmente próximos um do outro, mal tendo espaço suficiente para sentar.

— Assim que fecharmos a porta, vamos começar a cronometrar. Aproveitem — disse, dando uma piscadinha para mim, sorrindo para e fechando a porta.

Estávamos sozinhos. Realmente sozinhos. Apenas e eu.
Só torcia para que ela não conseguisse ouvir meus batimentos cardíacos, acelerados pelas possibilidades que ficar naquele armário tão colados poderia nos proporcionar. Sentia sua respiração batendo em meu peito.

está muito aleatória essa noite…

falou pouco tempo depois, iniciando uma conversa entre a gente. Nunca fomos de ficar sem assunto, mas a única coisa que eu queria fazer agora era que ela calasse a boca.
Na minha.

— Estava só esperando ela fuzilar Luke e Britanny com o olhar, pronto para ligar para a emergência — lhe respondi porque, sinceramente, o que mais eu poderia fazer?
— Com toda certeza! Foi doido, mas pelo menos o Luke acertou uma. Nem quero imaginar o surto que seria se ele tivesse mesmo beijado essa menina… — ela riu, colocando uma mecha atrás de sua orelha. — Aquele jogo tava bem pesado… Também não imaginava que você curtia aquele tipo de coisa.
— Curtia o quê? — perguntei, distraído, prestando atenção no quão bonita ela estava. As bochechas coradas pela bebida entrando em contraste com o azul de seus olhos, deixavam-na tão linda quanto sempre.
— Prender alguém com algemas…

Algo em mim despertou nessa hora. Comecei a fazer um caminho com a mão direita pelo seu braço. Percebi que ficou arrepiada quando o iniciei por sua mão e subi lentamente até o seu rosto, enquanto minha outra mão segurava firmemente sua cintura. Sua respiração, agora descompassada, batia em meu peito.
Fiz um carinho leve com o polegar, massageando sua pele macia em círculos, observando-a fechar os olhos e aproveitar. Pouco depois, desfiz o caminho e voltei para seu braço, juntando suas mãos e segurando seus pulsos com uma mão só. Com calma e delicadeza, fui levantando-os até estarem completamente esticados acima de sua cabeça.
A luz vermelha que vinha da sala passava pela fresta da porta e iluminava uma pequena parte do lado esquerdo do rosto de . Foi assim que eu percebi quando ela me olhou. Passei meu olhar por suas íris azuis dilatadas e escurecidas, encontrando seus lábios rosados entreabertos. Ela olhou para os meus antes mesmo que eu o fizesse.
Aproveitando meu rosto próximo do seu, passei o nariz pela extensão de seu pescoço, sentindo seu cheiro doce e posicionei minha boca perto o suficiente de seu ouvido.

— Vai me dizer que nunca pensou em como seria estar algemada? — ela estremeceu assim que perguntei e eu tomei a liberdade de começar a passar minha mão, anteriormente posicionada em sua cintura, por suas costas. Estávamos tão próximos… — Nunca teve vontade de fazer algo e não poder? Porque é assim que você se sente quando fica preso…

Fui afastando meu rosto de seu ouvido o suficiente para encará-la e encostando nossas testas. Sussurrar as sensações me possibilitou ver o desejo se acender em seu rosto.
Foi então que quando eu terminei de falar, ficou nas pontas dos pés e encostou nossos lábios, fazendo um choque percorrer por todo o meu corpo. Sua boca macia contra a minha só poderia ser um sonho. Um sonho que eu faria questão de aproveitar.
Não tardei o encontro de nossas línguas, sentindo arrepios em partes que nunca imaginaria sentir. O armário parecia menor que nunca e eu empurrei contra a parede, sugando com vontade sua língua e sentindo o gosto de vodka, tequila e quaisquer que tenham sido o conteúdo dos copos que tomamos se misturarem.
Seus braços tremiam, tentando se desvencilhar de minha mão. Seu esforço de nada adiantava, eu apenas apertava mais forte. Assim que desci um pouco mais minha mão e cheguei em sua bunda, ela parou de se mexer e ofegou. A apertei com vontade, puxando seu lábio inferior enquanto interrompia o beijo.

— Agora você entendeu a sensação gostosa que é não ter controle? — comentei, dando atenção novamente para seu pescoço.

Dessa vez, não esperei que ela tomasse iniciativa. Lambi sua pele, mordiscando-a suavemente. Minha boca inquieta se esfregando contra sua carne só me deixava mais excitado. Na terceira vez que suguei a área, gemeu baixinho.
E foi mais que suficiente para que eu soltasse seus braços e apertasse sua bunda, dessa vez, com ambas as mãos. Não demorei nem um minuto para levantá-la, voltando a atacar seus lábios, como se estivesse faminto há tempos. Certamente, eu estava.
entrelaçou suas pernas por minha cintura e suas mãos puxavam os fios de meu cabelo enquanto nos beijávamos ferozmente. Seu vestido havia subido o suficiente para que ela se esfregasse contra minha intimidade separada somente pelas minhas peças de roupa e sua calcinha úmida. Gemi contra sua boca, implorando por mais. Aquele simples contato estava me deixando louco.
Mas não era o bastante. Eu precisava que ela sentisse o que estava acontecendo. Soltando sua bunda delicadamente, fui passando a mão direita por dentro de seu vestido, traçando um caminho em sua pele desde sua barriga até descer um pouco mais. Com o indicador e polegar, afastei sua calcinha o suficiente para sentir o quão molhada ela estava. Sem prolongar, massageei seu ponto mais sensível e gemeu, me beijando com mais força que nunca. Suas unhas entraram por minha camisa e arranhavam minhas costas.
Eu gostava de dar atenção para aquela parte, mas no momento estava desesperado para ouvir meu nome saindo de sua boca. Deslizei os dedos por sua intimidade totalmente lubrificada, molhando-me por completo. O indicador e o dedo médio foram os primeiros a serem introduzidos. A sentir se contraindo ao meu redor só não me dava tanto prazer quanto observar as expressões de . Ela parou de me beijar para morder o lábio inferior, tentando controlar o volume de seu gemido, o que me serviu apenas de incentivo para fazer movimentos de vai e vem, aumentando gradualmente a velocidade.

— Droga, — sussurrei. Eu estava tão duro por ela.

E ainda assim não era o suficiente. parecia uma droga e eu era o viciado. Eu precisava de mais. Parei os movimentos, retirando ambos os dedos, e ela arfou surpresa, demonstrando estar confusa e brava por eu ter parado.

— Sua boca tem um gosto delicioso, mas queria saber o de outro lugar… — ela gemeu baixo ao entender o que eu queria dizer.

Dei-lhe um selinho enquanto tirava-a de meu colo, deixando que seus pés encostassem no chão novamente. Fui ajoelhando, minha boca salivando, totalmente preparada para experimentar seu sabor e mostrar o porquê daquele jogo ter esse nome. Se dependesse de mim, ela conheceria o paraíso mil vezes.
Encarando seu rosto uma última vez, a vendo morder o lábio, fui me aproximando. A respiração de tão alta era tudo que se ouvia naquele ambiente além da música lá fora. Até que, quando eu estava prestes a afastar a peça de roupa que me impedia de realizar meu plano, ouvi um grito feminino agudo dizendo "O TEMPO ACABOU".
Porra.
Desesperado, abaixei o vestido de enquanto arrumava meu cabelo e me levantava rapidamente, percebendo que ela fazia o mesmo. Lhe dei um breve beijo antes de respirar fundo — pensar em todas as coisas nojentas e estranhas do mundo para ajudar com o meu problema ali de baixo — e esperar que alguém abrisse a porta do cômodo.
Não demorou muito e nos encarava, falando que finalmente poderíamos sair. foi a primeira e eu a segui, caminhando em direção a roda ainda formada para continuar com aquele jogo. Ela girou a garrafa e então se sentou entre e , exatamente como estava antes do nosso desafio.
Eu não conseguia parar de pensar em tudo que aconteceu e isso era um grande problema, porque a minha situação não era a melhor. Necessitava focar em outra coisa, caso contrário, pegaria logo essa garota no colo e levaria ao quarto nesse mesmo momento.

, te desafio a beijar a — foi o que eu precisei ouvir para voltar a prestar atenção ao meu redor. Que merda estava acontecendo?

Olhei para o jogo e observei o garoto que fez esse desafio, lembrando que ele e conversaram desde o início da festa. Presumi que ele sabia que o amigo estava em cima dela esse tempo e precisava de um empurrão, assim como fez comigo.
Tentei não espumar de raiva quando o vi puxando o rosto de , preparando-se para fazer o que eu havia feito pouco tempo atrás. Não foi um beijo rápido e eu sabia que minha cara estava totalmente fechada. Assistir ele enfiando a droga daquela língua em uma boca que era minha não fazia nem dez minutos foi torturante, mas não consegui desviar um minuto sequer. E acredito que esse tenha sido a duração daquele beijo.
voltou para seu lugar sorrindo e abriu um pequeno sorriso de canto. Porra. Ela nem ao menos olhou em minha direção, continuou prestando atenção no jogo.
Dei uma rápida olhada para , recebendo um olhar carinhoso, como se dissesse "sinto muito, tudo vai ficar bem". Não ia, eu estava muito puto. Tudo bem, eu entendi que era complicado para ela negar aquele desafio, apesar de que ela não era obrigada a beijá-lo se não quisesse.
Soube pouco tempo depois que ela não somente queria como também já o tinha feito. Ouvi sussurrar para ela que "estava morrendo de vontade de fazer isso de novo". Foi o ápice. Esperei um minuto e então fingi que estava recebendo uma ligação importante e precisava sair da roda para atender.
A verdade era que eu estava nervoso e puto demais e se ouvisse mais um "a" desse cara, não teria quem me impedisse de cometer um estrago. E eu não queria estragar a festa, Emily era uma garota muito bacana e simpática, não merecia. Então, fui para varanda tomar um ar, não sem antes passar na cozinha.

***


Quase uma garrafa inteira de vodka depois, eu mal sabia quanto tempo havia se passado. A brisa suave daquela noite batendo em meu rosto era aconchegante, enquanto eu permanecia sentado no sofá de dois lugares que tinha naquela área.
Nem toda bebida no mundo seria capaz de fazer minha mente parar de repetir aquelas cenas. Como era possível eu sair de um estado de euforia total para minutos depois lidar com uma decepção e tristeza? Droga, eu mal conhecia o garoto e já o detestava por ter aparecido hoje à noite. Na verdade, o detestava por ter aparecido em sua vida.
Percebi que a porta ao meu lado se abriu e olhei em sua direção automaticamente, curioso para saber quem estaria ali.
Era .
Ela estava com as sobrancelhas franzidas, como se estivesse confusa com alguma coisa, mas assim que me viu, suavizou sua expressão e abriu um lindo sorriso, me fazendo sentir uma leve pontada no coração. Sorri de volta, tentando não pensar em como foi bom tê-la para mim no armário.

— Ah, você está aqui! — ela disse, se aproximando e sentando no lugar livre ao meu lado. — Você sumiu tem bastante tempo, fiquei preocupada. Aconteceu alguma coisa?

Óbvio que aconteceu. Aconteceu tanta coisa, como ela conseguia me perguntar isso tão naturalmente?

— Não, só precisava tomar um ar. Muito quente lá dentro — e realmente ficou em um certo momento, apenas de que eu sabia que era porque eu estava puto.
— Ok… Hm, a gente precisa conversar — parecia que eu tinha levado três tiros quando ela disse isso, ainda que minha expressão continuasse a mesma. Ela já estava querendo falar sobre o armário? Era bom que ela soubesse que eu não tinha condições para lidar com aquilo agora, após o tanto de álcool que eu havia ingerido. Mas ainda assim respirei fundo e esperei que ela falasse.

POV.

O que aconteceu mais cedo foi algo… bom. Muito bom. Quando saímos do armário, minhas pernas pareciam não ter forças. Eu realmente não conseguia explicar o quanto eu gostaria que nós não tivéssemos que ter parado.
Mas paramos. E tudo veio à tona.
Eu não podia simplesmente ignorar que estava lá também e que eu estava sentindo algo por ele.
Não era justo que eu fizesse isso com ele, nem com Calum e muito menos comigo. Então, ser desafiada a beijar foi como um balde d'água fria. Percebendo a gravidade da situação, foi que eu me toquei que Calum tinha acabado de terminar um relacionamento, provavelmente ele estava muito confuso, e eu estava começando um. Não poderia seguir em frente com algo que, por melhor que tivesse sido, só traria prejuízos. Nossa amizade era muito importante para ser estragada assim.
Percebi que Calum parecia estar ansioso. O que, obviamente, era culpa minha, mas eu não conseguiria esperar para conversar com ele. Ainda mais quando ele ficou estranho assim, logo após o que aconteceu naquele armário. E pensar em nossos momentos só tornava tudo pior. Ele não deveria saber usar aquela boca e os dedos tão bem…
Merda. Eu preciso manter o foco, era uma conversa importante.

— Tudo bem… — ele respirou fundo e me olhou. Droga, como eu vou falar isso? — Sobre o que quer conversar?
— O que aconteceu hoje mais cedo… — Calum parecia estar conformado que eu havia tocado nesse assunto e isso me deu confiança para continuar. — Eu gostei muito — ele sorriu de canto, apesar de não demonstrar estar feliz.
— Mas… — ele parecia ler cada pensamento que passava pela minha cabeça, então respirei fundo e comecei a falar. O problema de ter conversas sérias com seu melhor amigo é que ele te conhece tão bem que chega a ser difícil continuar a falar o que ele apenas já sabe.
— Mas não podemos deixar acontecer de novo. Você sabe que isso tudo pode acabar estragando a amizade que temos. E outra coisa…
— Tem o — suas palavras foram como um tapa, eu apenas balancei a cabeça positivamente, confirmando.
— Eu tô gostando dele. Sei que ele gosta de mim também. Não posso deixar que isso se repita, até porque foi uma noite só e nós estávamos muito bêbados, né?
— É — ele sorriu de canto novamente, olhando para suas mãos e voltou seu olhar ao meu. — Eu entendo, lindinha. Espero que ele te faça muito feliz, você merece — sorri, encostando minha cabeça em seu ombro e ele passou seu braço ao meu redor. — Só quero que saiba que eu vou estar sempre do seu lado...
— Obrigada, você é incrível. Também sempre estarei aqui por você.

Ele sorriu fechado, respondendo que sabia disso. Gostaria de dizer que estava me sentindo mais leve por ter conversado com ele, mas não me sentia satisfeita. Talvez tudo fizesse mais sentido amanhã, quando eu estivesse completamente sóbria e pudesse deixar para o passado o que aconteceu nesse dia.
Ficamos mais uns dez minutos naquela mesma posição, até que Calum se levantou e esticou a mão em minha direção. Aceitei de bom grado, me levantando em seguida para voltarmos para a festa.
Entramos e, logo quando fui buscar uma bebida, encontrei com no meio do caminho, que me acompanhou até a cozinha. Estava pensando em como seria investir em nós de agora em diante, era confortável estar com ele. Mal tive tempo de pegar uma garrafa quando me abraçou por trás, me levando para um canto mais vazio daquele cômodo e me deu um beijo.
Um se transformou em dois, que se transformaram em vários. Sua boca acompanhava a minha em um ritmo agradável, relembrando das últimas vezes que estivemos tão próximos assim. Suas mãos estavam ambas posicionadas em minha cintura, carinhosamente me trazendo para mais perto enquanto eu acariciava seus cabelos. Era pura calmaria, seu beijo era acolhedor e eu sabia que poderia continuar com isso por muito tempo.
Escutei alguém pigarreando, o que nos forçou a encerrar o beijo mais cedo que pretendia. me deu selinhos delicados e, ao olhar para o lado, vi Luke com os cabelos bagunçados, a boca inchada e uma vermelhidão no pescoço. Ao mesmo tempo que eu gostaria de rir com a figura a minha frente, me preocupei. Se Luke não foi capaz de beijar a menina na roda, eu sinceramente esperava que tivesse sido minha melhor amiga a responsável pelo estado que o menino se encontrava.

— É… Então, o Mike pediu para avisar que vamos dormir aqui essa noite — ele deu um sorrisinho sem graça, já que obviamente entendeu que eu havia percebido o que ele estava fazendo tempos atrás.
— Por quê? — questionou, confuso.
— Além de ter a questão do Mike e Emily estarem se atracando e não se desgrudarem, acredito que seja por todos nós estarmos bêbados. Não tem a mínima condição de alguém dirigir e eu não quero mais gastar com táxi — Luke riu como se tivesse dito a coisa mais engraçada do mundo e concordou com a cabeça, mostrando que compreendeu.
— Mas e você e a ? Se resolveram? — perguntei, curiosa, e vi suas bochechas ficarem vermelhas no mesmo segundo. Sorri, dando graças de realmente ter sido ela a culpada.
Muito bem, inclusive — ele riu, abrindo um sorriso grande. Eu amava vê-los juntos e depois de hoje esperava que se tocasse, se ela não assumisse logo o que sentia, existiria gente na fila para demonstrar interesse pelo garoto.
— Aqui tem colchão para todo mundo? Ou vamos dormir no chão? — questionei ao me lembrar desse fato. Eu esperava ao menos poder ficar com o sofá, não queria começar o domingo com as costas toda dolorida.
— Ah, esqueci de avisar sobre isso, né — Luke coçou a cabeça, rindo. — Emily disse ter uns colchões extras no quarto de hóspedes. E não vai ter tanta gente dormindo aqui, além dos pais dela terem viajado, então ela e Mike vão ficar no quarto deles porque umas amigas vão dormir no dela. Ash disse que não liga de dormir no sofá, aí eu vou dividir um colchão com na sala. Sobrou um colchão de solteiro e outro de casal, aí vocês escolhem qual vão ficar e avisem o Calum porque eu não o vi mais.

Assenti com a cabeça, agradecendo pela informação. Eu invejava a forma como Luke era capaz de decorar as coisas. Eu já tinha esquecido de onde cada um dormiria na metade de sua frase, só entendi que ele e ficariam juntos e eu teria um colchão. Fiquei feliz por eles, o lado bom de serem melhores amigos e terem até viajado juntos é que ninguém questionava esse tipo de atitude vindo deles.

, quer dormir comigo? Aí o seu amigo fica com o colchão…

Fui surpreendida por essa fala de , não havia cogitado essa possibilidade, mas seria bom poder dormir com ele. Seria a primeira vez que ficaríamos juntos assim e significava um passo a dar na frente dos meus amigos.

— Ok, quero sim — aceitei e Luke saiu andando, dizendo que iria contar para Emily.

***


havia dormido há uns minutos. Estávamos de conchinha no colchão da sala, seu braço me abraçando de lado e era uma posição extremamente confortável. Ainda assim, eu não conseguia ao menos fechar os olhos. O pior que não me era comum ter insônia e estava acostumada a dormir fora de casa, desde quando morava em Londres, meus pais viviam me deixando passar o fim de semana na casa das minhas amigas.
Cansada dessa situação, decidi tomar água para ver se me acalmava um pouco a ponto de conseguir dormir por algumas horas. Então me levantei, com cuidado para não acordar , e fui em direção a cozinha. Sentir o líquido descer por minha garganta realmente me tranquilizou.
Dentro da casa estava abafado, me fazendo querer sair um pouco para respirar. Abrindo devagar e com cuidado a porta da varanda para não fazer barulho e acordar toda casa, pensei que eles iriam se levantar somente à tarde, devido ao horário que fomos nos deitar. O ar fresco contra minha pele me fez suspirar de alívio. Fechei rapidamente a porta para que o restante não ficasse com frio e caminhei até o parapeito, observando o céu estrelado. Era impressionante como aqui ele era mais claro.

— Não conseguiu dormir?
— Meu Deus… — pulei de susto, olhando para trás praticamente desesperada com a mão posicionada sobre meu peito. Realmente não esperava que fosse ter companhia aqui fora.

Após ter respirado várias vezes para me acalmar, andei em direção ao sofá daquela área, sentando-me ali pela segunda vez aquele dia. Era macio e grande o suficiente para caber umas três pessoas sentadas.

— Se eu te cobrasse por todas as vezes que você faz meu coração quase parar, sabe que você iria à falência, não sabe? — avisei, revirando os olhos e fingindo estar cansada disso quando na verdade nem perto de irritada eu estava.

Ele apenas riu, ignorando tudo que eu disse e me puxou para mais perto. Fui de bom grado.

— Alguma coisa está te preocupando? — Calum perguntou, enquanto mexia em meu cabelo. Ele amava fazer isso desde que nos conhecemos.
— Não sei o que é, mas simplesmente não consigo dormir. Acho que estou com um pouco de saudades de casa, não sei — comentei, sendo sincera. Eu falava muito de minha família e amizades de lá com os meninos e contei uma vez que a falta de contato diário com meu pais me deixava com muita saudade. Eles eram muito ocupados, mas sempre davam um jeito de ligar para mim ao menos uma vez por semana.
— Vem cá, loirinha, olha para mim — fiz o que ele disse enquanto suas mãos seguravam as minhas. — Estamos quase no final do ensino médio, ano que vem iremos para a faculdade e eu sei que você está estudando muito para seguir seus sonhos aqui. Pensa assim, não teremos mais aulas no período das férias e próximo do Natal e Ano Novo, então você vai poder aproveitar para rever todo mundo em sua cidade natal e comemorar por passar no curso que quer. Não posso dizer que sei exatamente como é morrer de saudades dos pais, até porque você sabe do meu relacionamento com os meus, mas posso afirmar que nesse momento você pode se permitir sentir, porque você tem sido muito forte de aguentar tudo isso.

Abracei-o sem dizer uma palavra, demonstrando toda a gratidão que sentia por suas palavras. Ele retribuiu e beijou o topo de minha cabeça, sabendo exatamente o que eu gostaria de falar. Eram momentos como esse que eu tinha certeza absoluta que Calum era o melhor amigo do mundo.
Quando nos soltamos, coloquei o foco da conversa para outros assuntos, perguntando qual o motivo dele estar acordado esse horário também, porque ele era uma das pessoas que mais amavam dormir desse mundo. Calum respondeu que estava pensando muito no futuro e isso o afligia nesse momento, mas nada que eu devesse me preocupar.

— Eu estou com frio e um pouco cansada, você não quer entrar? — perguntei e ele levantou segundos depois de concordar, segurando minha mão e me levando pelo caminho que fiz anteriormente para chegar ali.

Não fazia mais ideia de que horas eram, mas sentei-me em seu colchão enquanto ele pegava a coberta e passava em volta de nossos ombros. Ficamos conversando por mais um bom tempo, quase que sussurrando, até ele comentar que estava com dor nas costas e dizer que iria deitar.

— Falando assim até parece que você tem a coluna de um idoso… — eu ri enquanto ele se arrumava no colchão. No momento que ele puxou o cobertor, percebi que seria difícil estarmos os dois aquecidos dessa forma, então me deitei de frente com ele. Era um espaço pequeno, já que era um colchão de solteiro, mas nem por isso deixou de ser aconchegante estar ali.

O tecido agora nos cobria por completo e Calum começou a acariciar minha cabeça. Eu amava seus cafunés. Continuamos a conversa por mais um tempo, eu estava contando como estava ansiosa para o fim do ano chegar e ele respondeu que também. Eu via a boca de Calum se mexer, então eu sabia que ele estava falando, porém não conseguia entender absolutamente nada do que ele dizia. Cansada demais, fechei os olhos e me permiti adormecer.


Capítulo 10

POV.

Senti uma respiração bater em meus rosto e pensei, ainda de olhos fechados, que respirava bem forte. Porém, eu não poderia reclamar, sabia que tinha dormido melhor hoje que em qualquer outro momento desse mês. Ele mal havia se mexido durante a noite - o que me tranquilizava, porque todas as vezes que dormi com , fui socada no mínimo duas vezes. Seu braço ainda estava firme ao meu redor, pressionando nossos corpos.
Realmente não queria levantar, mas precisava saber que horas eram. Não seria exatamente bacana dormir a tarde inteira na casa de uma menina que mal conhecia, apesar de que sabia que muitos fariam isso, principalmente Mike.
Quando finalmente abri os olhos, percebi que estava enganada. Não era a respiração de que senti. Confusa, as memórias da noite passada me atingiram em cerca de dez segundos. Apesar de estar me sentindo mal por não ter dormido ao lado de quem deveria, não estava arrependida em absolutamente nada, afinal, não fizemos nada demais. Conversar com Calum ontem à noite foi realmente muito bom.
Mas não pude evitar de ficar com um peso da consciência, pensando que desperdicei a primeira chance de dormir com e, pior que isso, o deixei sozinho quando foi ele quem me convidou.
De qualquer forma, me levantei e vi que, ao contrário do que eu imaginava, não era nem um pouco tarde. O relógio marcava 11 a.m. e, olhando para o chão e encontrando a maioria dos colchões lotados, eu poderia tranquilamente voltar a dormir. Contudo, o choque inicial havia me tirado totalmente o sono, então fui andando até a cozinha, precisava beber água.

— Bom dia, — Emily me cumprimentou assim que me viu. Ela estava sentada comendo uma maçã enquanto Mike tomava café ao seu lado. — Tem café na garrafa e pão na bancada, tem manteiga e geleia na geladeira, pode pegar!

Sério, ela era muito simpática! Emily nos acolheu muito bem ontem e, mesmo com sua loucura de deixar semi desconhecidos dormirem em sua casa, eu gostei dela. Acredito que se ela e Mike ficassem juntos, seriam um ótimo casal. Mesmo.

— Obrigada, Emy, mas não consigo comer quando acordo. Queria só água mesmo — falei, enquanto pegava um copo e enchia. Bebi tudo rapidamente, tremenda sede que estava. — Você tem enxaguante bucal? Não trouxe escovas de dente…
— Aham, está na pia do banheiro, pode usar.

Agradeci sorrindo e me dirigi ao lugar que ela disse. Detestava acordar e não fazer o mínimo de uma higiene pessoal. Esse era o problema de dormir em algum lugar sem planejar.
Não demorei muito para lavar o rosto e a fazer gargarejo. Suficientemente satisfeita, saí do banheiro para retornar à cozinha e me sentei na cadeira próxima a deles.

— Estava pensando em começar a fazer o almoço daqui a pouco, do que você gosta? — ela me perguntou. Achei uma atitude incrível nos deixar almoçar em sua casa, imaginei que iríamos embora logo, mas queria mesmo conhecê-la melhor.
— Ah, eu não faço questão de nada.
— Do que você não faz questão, ? — virei o pescoço em direção a porta da cozinha assim que ouvi a voz de . Aparentando estar cansada e indisposta, como sempre quando acordava, ela questionou. Já estava acostumada com sua falta de cumprimentos matinais, então apenas dei de ombros.
— Emily disse que vai fazer o almoço e perguntou o que eu queria comer, falei que não ligava — respondi.

Ela concordou com a cabeça, sentando-se ao meu lado.

— Eu te ajudo a cozinhar, Emy! — Ash se prontificou. Ele amava cozinhar, estava ansiosa por esse almoço.
— Eu também posso ajudar! — se voluntariou. Ela também cozinhava e muito bem. Bom, não era à toa que sempre fazia nossas refeições lá em casa. — É até melhor que aí eu preparo o que eu for comer.

Por fim, ficou decidido que o almoço seria lasanha. Pela quantidade de pessoas na casa, eles fariam duas, uma de presunto com mussarela e outra de mussarela com brócolis. Eu me ofereci para cozinhar, mas não curtia muito essas coisas, ainda mais quando era para esse tanto de gente. Felizmente, eles disseram que não precisava.
Na verdade, foi bem mais um “Por que quer cozinhar? Está planejando envenenar alguém?” dos meus amigos, que me fez revirar os olhos e Emily riu, sendo educada.
Conforme Emily, Ashton e faziam o almoço, os meninos foram acordando. Logo, eu, Calum e Mike fazíamos companhia enquanto Luke fazia suco de maracujá. Havíamos colocado uma música para nos animarmos, mas conversamos tanto que nem percebemos quando ela acabou.
Emy era uma pessoa incrível e, mesmo se não desse certo com Mike, eu gostaria de ser sua amiga. Ela era tímida a princípio, como no começo de sua festa, mas com o passar do tempo, ela se soltou e mostrou ser uma pessoa super divertida! Ela adorava fazer piadas e eu ria muito com elas, assim como todos os outros. No final, eu entendia o motivo de Mike estar afim dela e estava feliz por eles.
Não demorou muito e apareceu na cozinha, ao lado de mais algumas pessoas que eu não me lembrava. Ele veio doce me cumprimentar, me dando um selinho após cumprimentar todos que estavam no local com um “Bom dia!” e me abraçou pela cintura, encaixando seu rosto em meu pescoço.

— Dormiu bem, ? Eu capotei como um anjinho…

Sua pergunta me atingiu, será que eu deveria contar a verdade? Talvez mais tarde… não seria legal estragar esse dia por um mal-entendido.
Após mais um tempo, a comida ficou pronta e, com certeza, era uma das melhores lasanhas que eu havia comido na vida! Nem eu sabia que tudo que precisava hoje era uma lasanha com um copo de coca-cola.

— Sério, vocês precisam fazer isso todo dia! — um de seus amigos disse, acredito que seu nome era Jake, e o resto da mesa concordou, elogiando tanto a comida quanto os cozinheiros. — Caraca, eu não fazia ideia que uma lasanha sem carne poderia ficar tão boa!

sorriu, toda feliz com o comentário, agradecendo e dizendo que tinha tanta coisa feita com legumes que era maravilhosa e as pessoas não se davam a chance de provar. Eu concordei com a cabeça, morar com minha amiga havia me aberto o paladar e, sendo sincera, eu acabei por gostar de experimentar alimentos.

— Eu já estou pensando na próxima resenha que podemos fazer! Acho que essa mesma quantidade de pessoas está perfeita — não prestei atenção em quem disse isso, mas tinha considerado a mesma coisa.

Com exceção da menina que ficou no pé de Luke grande parte da noite de ontem — e que felizmente tinha ido embora —, eu adorei quem conheci na festa. Eles eram extremamente divertidos. Era por motivos como esse que resenhas costumavam ser melhores que festas, no último sempre havia alguma discussão. Conversa vai e vem, estava sendo um almoço divertido e leve.

— Ai gente, eu quase esqueci de perguntar. Vocês dormiram bem? — Emily perguntou, demonstrando preocupação. Após a resposta afirmativa de todos, ela continuou. — , Calum, eu só não entendi porque vocês não usaram o colchão de casal, eu ainda emprestei um porque sabia que alguém poderia querer dormir junto...

Ok, cancela a parte do leve. O olhar que recebi de foi o suficiente para perceber que eu havia feito merda. E que ele, claramente, estava puto. Eu sabia que deveria ter contado antes, mas como iria imaginar que aconteceria isso agora?
Percebi que os meus amigos intercalavam o olhar entre eu, Calum e e deve ter sido uma das situações mais embaraçosas que eu poderia ter passado. De alguma forma, a sensação era como se eu tivesse traído . O que é super estranho, já que não namoramos e eu realmente não havia feito nada tão demais.
Ok, tirando o que aconteceu no armário, que eu inclusive tento esquecer de vez para não afetar minha amizade com Calum e meu relacionamento com — que eu não sabia nesse momento qual destino teria. Estávamos realmente indo bem, eu não poderia ter me dado ao luxo de pisar na bola.

— Quando eu passei por lá, vi que vocês estavam tão fofos dormindo abraçados no colchão de solteiro que eu nem quis atrapalhar acordando alguém — ela então deu um sorrisinho.

Alguém poderia me matar ali mesmo.
Eu estava chocada e não sabia como reagir, imagino que Calum também, já que sua expressão não devia estar tão diferente assim da minha.
O pior era que eu sabia que ela não havia feito por mal. Emily mal nos conhecia e não passou tanto tempo na festa para entender que eu e havíamos ficado juntos o restante da noite até que ele dormisse. Então, eu nem poderia culpá-la.
Mas estava indignado e eu poderia afirmar isso com toda a certeza do mundo. Pensando bem, eu também estaria em seu lugar.
Ninguém havia dado uma resposta para Emy e foi assim que ela percebeu o erro que cometeu. Seu olhar de arrependimento veio no mesmo segundo e eu apenas balancei a cabeça, tentando mostrar que estava tudo bem, mesmo não estando.

— Eu fiz torta de mousse de limão, vocês precisam provar! — disse repentinamente, se levantando e indo até a geladeira. — Juro, é a melhor que vocês vão comer na vida.

Quase soltei um suspiro de alívio quando minha amiga iniciou um assunto totalmente aleatório e todos da mesa se mostraram empolgados para comer. Bom, quase todos. Calum estava quieto, eu estava envergonhada e nem sequer me olhou mais, mantendo o olhar fixo em seus talheres.
Quando colocou um pedaço para mim, percebi uma piscada discreta. Ela entendeu que agradeci somente com o olhar.
Porém, nem mesmo comendo aquele pedaço que parecia ser um presente dos céus — era maravilhosa preparando doces — eu conseguia ficar calma. Não sabia o que isso significaria em meu relacionamento com ou em suas opiniões sobre mim. Ainda que falássemos muito diariamente, ele poderia simplesmente me deixar de lado.
Uma meia hora depois, todos havíamos terminado de comer e lavar a louça. Emily nos convidou para ver um filme. Não foi surpresa nenhuma Mike ter aceitado na hora. Apenas três pessoas haviam negado, dizendo precisar ir para casa. Jake, uma das amigas de Emy e . Também não me surpreendeu sua decisão, eu sabia que ele gostaria de apenas ir embora e pensar, mas eu realmente queria que conversássemos.
Menos de um minuto após ir embora, eu disse para que falaria com ele e que não precisava me esperar para assistirem algo. Ela concordou silenciosamente, me desejando boa sorte.
Eu sabia que realmente precisaria.

, espera aí! — tentei correr para alcançá-lo, já que se despediu de mim e saiu praticamente correndo.
— Não, . Eu já me toquei de tudo que está acontecendo — ele se virou em minha direção e então voltou a falar. — Eu acho melhor nos afastarmos.
— Que?! — eu estava em choque, não imaginei que ele desistiria assim tão fácil. — Por que está falando isso?
— É óbvio que o Calum sente algo por você. Eu não sou idiota — explicou, elevando o tom de voz. Era como se ele mesmo precisasse acreditar no que estava falando. — Ele não sabe respeitar o seu espaço nem mesmo quando está acompanhada. Agora, pode ser só da parte dele esses sentimentos, mas e se você começar a gostar tanto quanto ele gosta de você? Eu realmente não quero estar no meio disso porque me afeta também, .
, isso não faz nem sentido. Calum terminou o namoro há pouco tempo, ele não iria começar a gostar de alguém tão rápido. Isso sem falar que somos melhores amigos! É por isso que ele fica tanto comigo — expliquei, sentindo uma necessidade de que ele entendesse. Não acredito que ele estava com ciúmes desse jeito. — E eu gosto mesmo é de você!

Ele ficou quieto por alguns segundos, tentando absorver minhas palavras. Eu só não queria que o que tínhamos acabasse.

— Se você gosta de mim, porque dormiu com ele essa noite? — ele questionou, chateado.

Então eu expliquei todos os acontecimentos da noite passada, excluindo fatos não relevantes e contando que não estava me sentindo bem. Listei tudo que aconteceu e resultou naquilo, que não foi proposital.

— Se eu pudesse voltar no tempo, eu teria dormido com você. Mas eu caí no sono, de forma alguma iria te acordar para conversar sobre coisas bobas — conclui, sendo o mais verdadeira possível.
— Tudo bem, entendi… É só que… Eu já passei por coisas assim com minha ex namorada, não queria passar novamente. E sua proximidade com Calum me incomoda um pouco, sempre parece que ele quer mais… — ele comentou, me deixando pensativa. Eu sabia o que era o mais que ele estava se referindo, mas não poderia contar agora sobre o armário. Foi um enorme deslize de dois bêbados, mas Calum não iria querer continuar nada comigo, disso eu tinha certeza.
— Posso te garantir que ele não sente nada, ok? — me aproximei e dei um selinho em seus lábios. — E eu quero que a gente dê certo…
— Eu também, — ele amoleceu e me puxou para um abraço.

Ficamos assim por um tempinho.

— Vai querer entrar então? — perguntei um pouco depois, curiosa.
— Eu não estou com muita vontade, para ser sincero… você quer muito assistir com o pessoal? A gente podia ir para minha casa, o que acha?
— Ok, vou só entrar para avisar e pegar minhas coisas — sorri, recebendo um beijo na testa.

Entrei novamente na casa, dessa vez bem mais aliviada. Fui em direção a minha melhor amiga, que me encarava preocupada.

— Está tudo bem! — sussurrei ao abraçar ela, o filme já havia começado e não queria atrapalhar. — Mas decidimos ir embora. Quando chegar em casa, me avisa! Eu tô com a chave extra, não se preocupa.
— Ok, cuidado viu! — ela deu um sorriso de canto. Eu sabia o que ela queria dizer com aquilo, mas ignorei e fui embora.

O carro de estava estacionado perto da porta de entrada e ele me aguardava lá dentro. Andei tranquilamente, sentando-me ao seu lado.

— Podemos ir? — ele perguntou e eu afirmei com a cabeça. Gostava de observar a paisagem conforme o carro acelerava. Eu havia ido umas três vezes em seu apartamento. morava sozinho, mas seus pais tinham dinheiro suficiente para que ele morasse em um lugar ainda maior que o meu. Era muito bonito, todo puxado para cores neutras. O cinza era predominante pelo ambiente. Combinava com ele.

Estacionamos o carro e fomos em direção ao elevador do subsolo, clicando no 21°. Sim, ele morava muito alto e eu sempre ficava me perguntando como ele faria para descer se acabasse a energia elétrica. Ainda que ele tivesse me dito das luzes de emergência, eu teria medo de entrar no elevador assim…

— O que acha de assistirmos um filme? — disse se jogando ao meu lado no sofá logo após entrarmos no apartamento.
— Eu gostei dessa ideia… — concordei, deitada em seu colo, enquanto ele passava as mãos pelos meus fios de cabelo. Ele sempre foi carinhoso comigo e eu gostava muito disso, então apenas aproveitei o carinho.

ligou a televisão para escolhermos algum filme juntos. Acabamos assistindo mais um episódio de How I Met Your Mother. Era nossa programação, sempre que tínhamos um tempo para ficarmos juntos e assistir alguma coisa, acabávamos na mesma.
Vinte minutos haviam passado quando eu senti sua mão descer de minha cabeça e fazer caminho até meus seios. os apertou levemente e foi o suficiente para que eu sentisse meus pelos arrepiarem. Eu ainda estava com o vestido da festa, decotado o suficiente para que ele pudesse arriscar adentrar os dedos pela abertura do meu sutiã.
Já havíamos iniciado preliminares algumas vezes, mas ele nunca tinha tocado em nenhuma de minhas intimidades. Deixei com que ele brincasse com meu mamilo por mais um tempo, até atingir um limite e tirar a cabeça de seu colo. Levantei do sofá e ele me encarava surpreso, abriu a boca, muito provavelmente para pedir desculpas. Porém, eu fui mais rápida e sentei em seu colo, tendo noção que meu vestido subiu e minhas pernas estavam totalmente desnudas.
Ele fechou os olhos rapidamente, sorrindo, e me puxou para um beijo. Eu disse uma vez que os beijos de eram delicados e nada mudou até então. Ele segurava minha cabeça como se estivesse segurando uma rosa recém colhida do campo, fazendo-me sentir tão bela quanto. Seus lábios se moviam contra o meu lentamente, acelerando pouco conforme nossas línguas iam se entrelaçando.
Meus batimentos aumentavam enquanto eu me esfregava, praticamente sem pudor, contra sua intimidade. Suas mãos desceram e seguravam a barra de meu vestido, puxando-o até que estivesse fora. A lingerie preta destacava meus seios maravilhosamente e vi a pupila de dilatar conforme ele avaliava meu corpo desnudo. Era injusto que ele ainda tivesse com todas as roupas, eu precisava mudar isso.
Arranhei seu abdômen quando levantei sua camiseta, expondo um peitoral que eu não imaginava ser tão definido. Sua boca foi em direção ao meu pescoço e eu arfei sentindo sua língua molhar minha pele. Eu estava tão quente e meu pescoço não era o único lugar molhado. Sua calça jeans estava me incomodando, então decidi me livrar desse problema. Abaixando o zíper, não demorou até que ele se levantasse o máximo possível para tirar o tecido do corpo.
Aproveitei e continuei em pé, puxando seu pescoço para beijá-lo mais uma vez. desceu os beijos para meu colo, mordiscando levemente. Eu passava as unhas em seu couro cabeludo, demonstrando satisfação.
Eu estava ofegante, sua mão em minha bunda não me deixava esquecer que estava com saudades de ficar assim com ele. Na festa de ontem, fomos os mais respeitosos possíveis, não me sentia muito confortável em ficar com alguém sem parecer promíscua quando perto de meus amigos. Mas agora, em seu apartamento, seríamos apenas nós. Com a respiração pesada, senti ele me puxar para seu colo e eu entrelacei minhas pernas em sua cintura. Pouco tempo depois, ele começou a caminhar em direção ao quarto, sem deixar de me beijar em nenhum momento.
Me colocou delicadamente em sua cama de casal, descendo beijos pelo meu corpo conforme finalmente tirava meu sutiã. Com seu peito nu agora encostava no meu pela primeira vez, fui soltando as pernas de sua cintura para que ele pudesse tirar minha calcinha. Com cuidado, ele a abaixou o tecido até tirá-lo por completo. Sua cueca foi a próxima peça que ele deu atenção. Eu quase conseguia ouvir as batidas de meu coração no momento que ele se afastou, abrindo a cômoda ao lado da cama para pegar o pacote de camisinha. A ansiedade para o que estávamos prestes a fazer me deixava excitada e só olhar para era um ótimo motivo, beijá-lo por tempos no sofá então…
Quando voltou, eu me entreguei por inteiro.


Capítulo 11

Eu tinha voltado há pouco tempo para casa, indo direto tomar banho e me trocar. Detestava ficar tanto tempo com a mesma roupa, foi um alívio poder me sentir totalmente limpa de novo.
Luke estava aqui, ele e estavam vendo algum filme no sofá, mas não prestei atenção suficiente para identificar qual. Ela levantou as sobrancelhas quando me viu entrar com a maquiagem toda borrada, apesar de ter tentado limpar o máximo que pude antes de deixar o apartamento de . Apenas balancei a cabeça e ela voltou a prestar atenção na televisão.
Passei um tempo razoável no banho, terminando coloquei meu roupão e fiquei assim, era confortável para ficar em casa e não estava uma noite quente. Saí do quarto um tempo depois para beber água na cozinha e vi que Luke e se despediam na porta, mordi os lábios sabendo que minha amiga deveria ter pedido para que ele fosse embora e eu sabia muito bem o porquê.
voltou e passou direto por mim, abrindo a geladeira para pegar uma garrafa de vinho ainda lotada. Eu estava observando tudo com curiosidade, tentando entender o que ela estava fazendo. Não deu outra, ela segurou meu pulso e foi atravessando a janela, me puxando para o terraço.

— Me conta como foi!!!! — tínhamos acabado de sentar no sofázinho que tinha ali fora quando finalmente me perguntou sobre a tarde no apartamento de .
— Nós transamos e, hm, foi… delicado — concluí, a fazendo franzir as sobrancelhas.
— Essa não era a palavra que eu esperava ouvir — ela gargalhou, jogando a cabeça para trás e eu a acompanhei.
— Ai amiga, eu sei — disse, me recuperando das risadas. — Mas realmente não tenho outra palavra pra definir.
— Mas isso é um bom sinal? — ela perguntou, curiosa. Eu apenas dei de ombros. Ela já tinha entendido tudo.

Olhei para ela, sabia que a hora era agora. Eu não teria oportunidade melhor para ter essa conversa. Bebendo um longo gole do vinho, me preparei.

— Se eu te contar uma coisa, promete não comentar com mais ninguém? — comentei e ela me olhou com a maior cara de tédio que poderia fazer.
— Eu não acredito que me pediu isso. Vou fingir que você não me perguntou nada porque já sabe que eu não contaria para ninguém — eu ri alto com sua resposta e ela manteve a cara fechada, fingindo me julgar criticamente.
— Então, lembra daquele desafio dos sete minutos no paraíso? — ela me olhou curiosa e balançou a cabeça positivamente. Não tivemos tempo para conversar sobre, mas ela com certeza gostaria de saber de cada detalhe. — Eu eu o Calum meio que… ficamos.
— QUÊ?! — ela gritou, com um sorriso no rosto. — ME. CONTA. TUDO. .
— Ah, você sabe como é… nos beijamos, aí ele me pegou no colo e desceu a mão… — e então eu parei de falar porque a minha amiga havia engasgado com o vinho.

Após se recuperar das tosses, ela me olhou com os olhos arregalados.

— E como foi?!
— Muito... intenso — suspirei, sentindo um arrepio subir pelo meu corpo só de lembrar.
— E vocês dormiram juntos depois, né? Rolou mais alguma coisa nessa hora?
— Eu falei que não podia ficar mais com ele por causa do … — falei baixinho, sabia que ela provavelmente iria surtar.
— Eu não acredito nisso! — me olhou indignada, para dizer o mínimo. Estava quase gritando desde o início dessa parte da conversa e eu sabia que nossos vizinhos logo iriam reclamar. — Você trocou o “muito intenso” por um “delicado”. É sério?! Qual o seu problema, garota?

Olhei pensativa para a cidade em minha frente. Realmente era um bom questionamento.
Mas a questão é que eu gostava de , apesar disso. E eu tinha muito medo de dar uma chance para Calum e estragar a amizade que tínhamos, sem contar que ele havia acabado de terminar, não acho que queira algo com alguém tão cedo.

— Nem eu sei responder essa! Na hora pareceu o mais racional a se fazer — assumi rindo baixinho e peguei a garrafa de vinho da sua mão, tomando um longo gole. Não sabia que precisava tanto desse momento com . — Mas eu tenho medo de estragar tudo, sem contar que agora tem o e hoje não foi ruim, sabe?
— Mas não foi como com o Calum — ela suspirou. Era verdade, infelizmente, eu nem conseguiria negar. — Eu entendo que você não quer estragar sua amizade com ele, mas olha eu e o Luke, está dando tudo certo. Eu realmente não me arrependo de ter dado esse passo com ele e, além de tudo, nós continuamos amigos. É literalmente tudo que eu já tinha só que melhor, se é que você me entende — ela deu uma piscadinha e eu gargalhei.
— Você é uma safada .
— Uma safada coberta de razão! — ri alto da sua resposta.
— Não tenho nem como discordar. Só que não sei o que fazer agora. Mesmo — suspirei. Estava sendo sincera com ela, eu realmente me sentia perdida.

Era difícil porque eu gostava de e sabia que poderíamos ter algo, mas também me decepcionei muito hoje.

— Olha, você já deu uma chance para o , então acho que deveria ir adiante com isso e ver no que dá — ela também olhou para a cidade iluminada. — Às vezes vocês vão ter que falar do que gostam na cama e tentar entrar em um acordo, sabe… O fato dele ser delicado nessas horas pode ser que mude com o tempo. E ele é respeitoso com você, lógico que é o mínimo, mas nem sempre a gente encontra caras assim — ela suspirou, pensativa. — Preciso falar sobre o que eu sinto no meu coração: eu realmente acho que o Calum é o cara. Eu não sou boba, todo mundo vê a troca de olhares entre vocês e como as coisas têm sido. Mas quem vai definir isso é você, . É importante que você faça o que acha que vai ser melhor para o seu futuro.

Eu assenti, agradecendo por suas palavras e dizendo que iria pensar no que fazer, ainda que eu já tivesse quase certeza de como as coisas seriam daqui para frente. Desabafar com tinha sido relaxante e, agora que havíamos colocado as cartas na mesa, nos restava aproveitar a noite e beber o que sobrou da garrafa, apreciando a paisagem.

***


Após dois meses...

[Flashback on]

Em poucos segundos estacionou seu carro e saiu, andando em minha direção. Ao vê-lo, automaticamente sorri.

— Você está linda — ele se aproximou, encostando nossos lábios brevemente.
— Obrigada. Você também está lindo… — retribuiu o sorriso. Em seguida andamos até seu carro e ele abriu a porta para que eu entrasse.

Conversamos durante o caminho até o restaurante, que aparentemente era próximo a minha casa, já que não demorou nem dez minutos para chegarmos. A parte externa do lugar era magnífica, mas a interna com certeza ganhava.
Dei uma olhada ao redor, as mesas lotadas de casais demonstrando paixão. Também, o ambiente em tons vermelhos redobrava essa ideia de ser um ambiente romântico. E eu estava amando aquela noite. A conversa fluía facilmente, era gostoso sair com o porque raramente ficávamos em silêncio.
Não fazia ideia do que jantaríamos, decidiu fazer uma surpresa e disse que me levaria em um restaurante, mas deu a dica de que era um lugar famoso pelo país. Como se mudasse alguma coisa… eu mal havia decorado o nome do supermercado perto de casa, não era fácil viver longe de Londres.
Foi uma grande surpresa chegar aqui e descobrir que iríamos comer fondue. Meus olhos até brilharam na hora. Não conseguiria botar em palavras o quão apaixonada por essa comida eu sou.

— Então, … — ele se virou para mim e então segurou minha mão. — Não nos conhecemos há tanto tempo, mas não precisei de meses para me apaixonar por você.
— Sabe, eu penso exatamente a mesma coisa — sorri, fazendo carinho em sua mão com o polegar. — Gostar de você é tão… fácil. Sou grata por ter te conhecido naquela festa.
— Eu fico feliz por achar isso, porque tenho uma pergunta importante para fazer…

, quer namorar comigo?

Quando me convidou para um encontro, eu não achei estranho, mas também não imaginava que fosse ser pedida em namoro, apesar de esperar que isso fosse acontecer em algum momento.
E para ser sincera, fiquei feliz por não ter demorado mais.

— Sim. Quero! — meu sorriso não poderia ser maior e mais verdadeiro.

Com a mão livre, fiz carinho em seu rosto, aproximando nossos rostos e encostando meus lábios nos seus.

[Flashback off]


havia me pedido em namoro uma semana após minha conversa com e recentemente completamos dois meses. Eu dei uma chance para ele e, sinceramente, estava feliz com a minha decisão. Estávamos crescendo juntos.
De certa forma, repetindo isso direto, eu quase conseguia me convencer.
Nós também havíamos conversado sobre o que me assombrava em relação ao nosso desempenho sexual e, apesar dele ter se esforçado para melhorar na questão de ser muito delicado, era o jeito dele, percebi que não tinha como mudar isso e eu acabei me acostumando ao longo dos dias, ainda mais das noites, que passamos juntos. Acabou se tornando algo que eu gostava nele, era uma experiência diferente para mim, mesmo com a impressão de que faltava algo.
Assim que começamos a namorar, fui conhecer seus pais. Eu estava super nervosa, afinal, só tive sogros uma vez na vida e eles me amavam por me conhecerem desde pequena. Em geral, eu era ótima conversando com adultos e não lembrava de ter sido detestada por algum dos pais de meus amigos, pelo contrário, a maioria me amava e considerava como filha — era o caso dos pais da . No entanto, não posso dizer que a família de havia gostado de mim. Principalmente sua irmã de quatorze anos que deixou claro que não ia com a minha cara desde o momento em que eu pisei naquela casa. Garota mimada.
Pensei que ligaria mais para isso, mas eu também não gostei deles, então não estava realmente me importando com a falta de afeto deles por mim, apesar de tudo. É claro que não percebeu os olhares tortos ou as indiretas para mim durante o jantar. Bom, era isso ou ele fingia não ter reparado no óbvio, eu não poderia dizer exatamente. Não me incomodei tanto nas duas primeiras vezes, mas começou a ficar cansativo depois, ele deveria ao menos dar um toque e me defender, caramba!
A verdade é que sua irmã acreditava que eu era a vilã do seu conto de fadas — já que era uma grande mimada, não canso de repetir — e que estava ali apenas para roubar seu irmão e estragar sua vida. Enfim, uma ideia nada além de ridícula e inaceitável para a idade dela.
Voltando para o assunto principal, também percebi que, ao longo das semanas, acabei me afastando um pouco dos meninos. Eu tinha noção que quando começamos esse namoro, eu teria menos tempo e estava claro que um dos principais motivos era o fato de que eu e saímos ainda mais juntos e isso fazia com que eu não conseguisse ir às festas, ensaios e passeios dos meus amigos nos finais de semana ou fins da tarde. E, para ser sincera, eu sentia muita falta deles.
Isso sem contar que durante esses meses também discutimos várias vezes. Parte era por ele querer minha atenção em todos os momentos e a outra — maior ainda — por causa de Calum. Pois é, desde aquela noite na casa de Emy, ele se demonstrou incomodado na presença dele. E eu já estava cansada disso.
Eu já não via tanto meu melhor amigo e quando conseguia ter um tempo só com ele e os meninos, e eu sempre acabávamos brigando porque ele insistia em achar que todas as ações de Calum tinham segundas intenções por trás. Era um pensamento ridículo e sem sentido.
O pior de tudo era que eu ficava cansada com algumas de suas ações, eu mal conseguia culpar sua irmã por ser tão imatura quando ele também era assim. Lembrei de um episódio que aconteceu um tempo atrás.

[Flashback On]

— Te amo, mãe. Não se preocupa, eu tô bem sim, com saudades só. Fala para o pai que eu o amo também, por favor. Até — o bipe sonoro demonstrava que finalmente minha mãe desligou o telefone. Somente assim, observando a tela de meu celular, percebi que estávamos conversando há quase duas horas. Meu Deus, eu nem percebi que o tempo passou tão rápido! O papo entre nós foi tão agradável e repleto de saudades que mal tive tempo de olhar o relógio.

Eu não tinha contado ainda sobre meu recém-relacionamento, queria aguardar e ver como andaríamos para poder levá-lo para conhecê-los. Sem contar que também seria besteira preocupar meu pai com isso, ele era um tanto quanto protetor e eu não tinha paciência de participar de uma vídeo chamada com ambos e , não ainda.
Abri as mensagens do celular, estava conversando com ele antes dessa ligação, inclusive.

"Oi, voltei amor. Desculpa sumir,
a minha mãe ligou antes e só desligou agora"



Enviei, esperando sua resposta. Trinta minutos depois e nada dele responder, o que era estranho porque sempre respondia muito rápido depois de visualizar. Aguardei mais um tempo e enviei um "tudo bem?". Não deu outra, nem dois minutos após ter chegado minha mensagem em seu celular, ele me respondeu.

",
se você não se importa de falar comigo ou simplesmente não quer,
você pode me dizer?
Sumir sem avisar é falta de educação."
— Bae ❤️



Respirei fundo, tentando entender o que estava acontecendo. Não entendi o que ele queria falar com isso. Óbvio que eu sabia que é chato sumir sem avisar, mas sua reclamação nem ao menos fazia sentido! Eu estava morrendo de saudades de ouvir a voz de minha mãe e ele sabia disso, era injusto se posicionar assim.

"O que você quer dizer? Eu não fiz de propósito,
não sabia que ela iria ligar e me distraí.
Não posso mais conversar com minha mãe?!"



Respondi, indignada. E foi aí que começou, me respondeu falando que eu sempre deixava ele de lado para conversar com meus amigos e isso o magoava, então quando eu o fazia para falar com alguém mais importante, ele ficava nervoso. Suspirei, tentando entender seu lado e falhando mesmo assim. Mas não estava com paciência para essas coisas, então apenas respondi pedindo desculpas e dizendo que não o faria novamente.
E desde então não fiz, eu o avisava sobre praticamente tudo que iria fazer.
Aproveitando que ele dormia rápido, liguei para Calum para contar do ocorrido e, de certa forma, tirar um peso dos meus ombros ao desabafar. Não estávamos conversando tanto pessoalmente, mas sabia que ele seria o único que eu podia conversar sem ser julgada e gostava dos seus conselhos.
Não foi surpresa que viramos a noite no telefone.

[Flashback Off]


Calum definitivamente merecia o título de melhor amigo. Apesar de termos diminuído a frequência com que nos víamos, ele sempre respondia minhas mensagens rapidamente e era paciente comigo no telefone, sempre me dizendo o que era bom ouvir nesses momentos.
Várias foram as madrugadas que viramos na ligação, perdia a noção do tempo conforme eu desabafava sobre meu relacionamento com o e sobre a dor no meu coração. E ele me escutava chorar, horas a fio. Algumas vezes se oferecia para descer e ficar comigo, mas, não sei, eu sentia que não era certo e na maioria das vezes optava por ficar sozinha...

***


Eu me revirei por 2 horas várias vezes na cama, tentando ficar calma e relaxar o suficiente para dormir logo. Eu odiava aquela sensação! Estava tudo errado. Como eu conseguiria dormir assim? Aliás, como ele conseguia dormir tranquilamente assim?
e eu quase sempre passávamos as noites juntos, ou ele vinha para cá ou eu ia para lá. Hoje, era sua vez de vir, então preparei tudo antecipadamente. Como ele avisou que teria que resolver alguns trabalhos da faculdade e chegaria somente a tarde, eu e subimos para almoçar com os meninos e Emily.
Tudo foi maravilhoso, nos divertimos muito e, pouco tempo depois, e Luke desceram para nosso apartamento para que eles fizessem juntos a atividade de literatura e, como estávamos todos ali, eles não conseguiram fazer com atenção. Não sei como o resto do pessoal caiu nessa desculpa, mas entendi o olhar da minha amiga na hora.
Enfim, estava sendo um dia incrível! Eu estava deitada com a cabeça no colo de Calum quando me ligou para avisar que havia chegado e ficou com cara de poucos amigos quando descobriu onde eu estava.
Minha espinha gelou na hora e eu levantei automaticamente. Droga, fiquei tanto tempo sem conversar com ele que nem havia avisado que estava aqui. E ele não gostava que ficasse aqui sozinha com os meninos, mesmo que Emy estivesse junto.
De qualquer maneira, dei tchau para todo mundo e peguei o elevador rapidamente. Encontrei parado no corredor, de braços cruzados, ao lado da minha porta. Minha barriga se contorcia de ansiedade.
Brigamos, óbvio. Ele teve uma crise de ciúmes absurda, foi completamente ridículo. Até que comecei a chorar e expliquei mil vezes que jamais colocaria nosso relacionamento em risco, foi quando ele disse que deveria ir embora porque não aguentava mais discutir comigo pelo meu gênio.
O resto do dia se seguiu horrível, queria ficar sozinha, mas não podia fugir do meu namorado. Então fingi que estava tudo bem.
Mas não estava e aquela noite me mostrou que não poderia fugir da minha consciência. Suspirei fundo e peguei o celular, clicando no mesmo contato que vinha feito ultimamente, pronta para contar o que aconteceu.

" e eu passamos quase 1h brigando no corredor hoje.
Ele disse que não
tem como confiar em mim se eu continuo agindo assim,
depois foi embora."



Nem dois minutos depois meu celular começou a vibrar na minha mão. Não pensei duas vezes antes de atender, sabendo que Calum era maravilhoso e iria me acolher.

"— Me conta o que aconteceu direito, ele é o quê? Rei da Inglaterra?"

Ri levemente, apreciando seu senso de humor. Mas eu estava tão chateada que voltei a chorar enquanto ria, soluçando. Mal conseguia falar alguma coisa, continuei ouvindo a respiração dele do outro lado da ligação. Ouvi ele dizer para eu esperar um pouco que ele estava indo para o elevador e teria de desligar.
Saí do meu quarto e caminhei até a sala, esperando Calum.
Não passou nem cinco minutos e escutei três batidas na porta. Assim que a abri, senti um alívio enorme em vê-lo.

— É de pepperoni — ele deu um sorrisinho de lado.
— Minha favorita! — funguei, sorrindo. Ou tentando.

Dei espaço para ele entrar e então, após pegar uma coberta, fomos para o terraço. Assim que me sentei ao seu lado, Calum passou o braço esquerdo por cima do meu ombro, me abraçando de lado.

— Obrigada por ser meu melhor amigo.

***


Calum havia ido para o seu apartamento de manhã e eu acordei novamente com o interfone tocando, me preparei para descer até a portaria e buscar a encomenda que avisaram estar em meu nome. Eu não havia comprado nada, mas imaginei muito bem quem o fez.
Assim que vi o buquê de flores, me segurei para não revirar os olhos. Apenas o levei para casa.

— Flores dessa vez? Nossa, e eu achei que a caixa em formato de coração com chocolates da semana passada havia sido clichê... — comentou assim que passei pela porta. Eu sabia que ela não gostava de , mas era minha amiga o suficiente para respeitar meu momento e relacionamento, se posicionando em momentos certos e necessários e jamais se intrometendo entre a gente.
— Nem me fale…

Sempre que eu e brigávamos, no dia seguinte chegava algum presente como pedido de desculpas. Já havia virado rotina e as pessoas estavam percebendo, eu estava cansada disso.
De qualquer forma, eu não queria discutir mais, então tudo que pude fazer foi desbloquear meu celular e mandar uma mensagem para ele, agradecendo e confirmando que, sim, estava tudo bem — ainda que eu não tivesse certeza disso.


Capítulo 12

Calum POV.

— Wow… Bendito seja o petróleo que abasteceu o caminhão que carregou o cimento para construir o hospital que você nasceu, hein — comentei assim que abriu a porta de seu apartamento, a fazendo gargalhar até perder o fôlego. Mas estava sendo apenas sincero, ela estava maravilhosa.

Nós estávamos a caminho de um pub onde tocaríamos algumas músicas. O dono do lugar disse que havia visto nossos covers no youtube e achou que seria uma boa ideia. É óbvio que aceitamos na hora, felizes com o crescimento da banda. Eu realmente esperava que o 5 Seconds of Summer ganhasse prestígio a cada dia e, então, poderíamos realizar nossos sonhos e entrar em turnê. Seria, com certeza, um dos melhores momentos da minha vida.

— Você está um gato também, lindinho — ela deu uma piscadinha, me fazendo rir. — Vamos?
— Vamos — respondi, enquanto trancava a porta do apartamento, já que estava na garagem nos esperando junto com Luke, Mike e Ash. Sim, ela se atrasou tanto que tive que subir para buscá-la porque disse que estava com preguiça.

Assim que o elevador parou no subsolo, vi que todos já estavam dentro do carro. E havia apenas um lugar vago.

— Então… — Mike começou, mas o interrompeu.
, você vai no colo de alguém.
— O que aconteceu com o outro carro? — questionou.
— Acabou a gasolina porque o Mike cabeçudo esqueceu de encher! — Ash explicou, o zoando.
— E por que eu quem vou ter que ir no colo de alguém? Você podia ir, né… — comentou, tentando ver se cedia.
— Primeiro: não vou sentar no colo de ninguém daqui, desculpa meninos, mas eu quem desci primeiro e isso me dá direito ao banco da frente, sem questionamentos! — a olhada que ela deu para foi bem um “não vou sentar em ninguém que não seja o Luke”, ainda mais por justo ele estar dirigindo. — E segundo: é mais fácil você ir no colo de um deles do que o contrário.
— Tá legal, vai… — revirou os olhos e me olhou. Ela não precisou falar nada para que eu entendesse, então fiquei com o banco livre e se sentou em meu colo.

Ok, incrível. Ou o mundo me ama ou ele me odeia, não tem meio termo.
Saímos da garagem conversando, eu tinha posto o cinto de segurança por cima de , tentando, de alguma forma, protegê-la de se machucar caso o carro freie ou alguma coisa do tipo. O único problema era que, dessa forma, seu corpo ficava extremamente colado ao meu. Um de meus braços rodeava sua cintura e outro, o do lado da janela, apoiado em sua perna pela falta de espaço de ter três homens sentados no banco de trás.
conectou o celular no rádio e colocou sua playlist no aleatório. Suas escolhas de músicas sempre eram ótimas, então fiquei animado quando começou a tocar Earned It, do The Weeknd. A viagem seria um tanto quanto longa porque o lugar não era muito próximo, seria bom ter algo legal para ouvir.

I'mma care for you
(Vou cuidar de você)
I'mma care for you, you, you, you
(Vou cuidar de você, você, você, você)


A introdução era maravilhosa e comecei a seguir o ritmo da batida com meus dedos na perna da , batucando delicadamente.

You make it look like it's magic
(Você faz parecer que é mágica)
'Cause I see nobody, nobody but you, you, you
(Porque eu não vejo mais ninguém, ninguém além de você, você, você)
I'm never confused, hey, hey
(Nunca fico confuso, hey, hey)
And I'm so used to being used
(E eu estou tão acostumado a ser usado)

So I love when you call unexpected
(Então eu amo quando você liga de surpresa)
'Cause I hate when the moment's expected
(Porque eu odeio quando o momento é previsível)
So I'mma care for you, you, you
(Então vou cuidar de você, você, você)
I'mma care for you, you, you, you, yeah
(Vou cuidar de você, você, você, você, sim)


Quando Luke passou com o carro sobre uma lombada, puxei-a automaticamente e seu corpo colou, como se fosse possível, ainda mais no meu. Quando remexeu-se em meu colo, tentando se ajeitar, apertei sua perna, respirando fundo e tentando-me controlar ao senti-la rebolar, sem ao menos perceber, naquela parte.

'Cause, girl, you're perfect
(Porque, garota, você é perfeita)
You're always worth it
(Você sempre vale a pena)
And you deserve it
(E você merece)
The way you work it
(A maneira como você lida com isso)
'Cause, girl, you earned it
(Pois, garota, você mereceu)
Girl, you earned it, yeah (Garota, você mereceu, yeah)


parou de se mexer no mesmo momento e pude ouvir seu suspiro. Deslizei minha mão livremente, percebendo como seus pelos se arrepiavam conforme eu passava. Sem saber exatamente o que fazia, trilhei um caminho com meus dedos até a barra de seu vestido, e respirei fundo em seu pescoço assim que senti suas pernas se abrirem um pouco. O cheiro de seu perfume me deixava inebriado, seus fios loiros roçavam em seu rosto, me fazendo ter vontade de usar minha mão para afastá-los de seu pescoço e beijar aquela área.

You know our love would be tragic
(Você asbe que nosso amor seria trágico)
So you don't pay it, don't pay it no mind, mind, mind
(Então você nem dá, nem dá atenção, atenção, atenção)


We live with no lies, hey hey
(Nós vivemos sem mentiras, hey hey)
You're my favorite kind of night
(Você é o meu tipo de noite preferido)
So I love when you call unexpected
(Então eu amo quando você liga de surpresa)
'Cause I hate when the moment's expected
(Porque eu odeio quando o momento é previsível)
So I'mma care for you, you, you
(Então vou cuidar de você, você, você)
I'mma care for you, you, you, you, yeah
(Vou cuidar de você, você, você, você, sim)


Estava ocupado demais perdido em minhas ações, para raciocinar qualquer coisa e tirar os dedos de onde estavam. Sendo sincero, eu nem queria. Segurava firmemente sua coxa, meu dedo indicador fazendo círculos em sua parte interna, perigosamente perto do que eu diria ser capaz de me levar ao paraíso. Mordi os lábios, imaginando como seria poder tê-la se apertando contra meus dedos novamente, tal como foi no dia do armário. Lembrando dos gemidos de , foi impossível me controlar. Eu estava vergonhosamente duro e, pior, praticamente rezando para que o carro passasse por outra lombada para que ela pudesse se esfregar em mim.

'Cause, girl, you're perfect
(Porque, garota, você é perfeita)
You're always worth it
(Você sempre vale a pena)
And you deserve it
(E você merece)
The way you work it
(A maneira como você lida com isso)


Como se estive lendo meus pensamentos, se remexeu em meu colo, empinando a bunda e trazendo felicidade consigo, pressionando ainda mais a minha intimidade. Respirei fundo. Não pude evitar levantar meu rosto até seu ouvido e cantar, baixinho, a letra da música.

'Cause, girl, you earned it
(Pois, garota, você mereceu)
Girl, you earned it, yeah
(Garota, você mereceu, yeah)


Ela era, sim, perfeita, e eu sabia o quanto ela merecia. Minha vontade era pedir para que parassem o carro, mandar todos descerem e fazer o que eu mais gostaria neste momento. Mas eu não podia. Precisava me contentar em utilizar de minha mão esquerda para fazer o trabalho de aumentar a minha tensão sexual e excitar enquanto eu, quase que vergonhosamente, não podia descer e invadir sua calcinha como da última vez.

On that lonely night
(Naquela noite solitária)
We said it wouldn't be love
(Nós dissemos que isso não seria amor)
But we felt the rush
(Mas nós sentimos a emoção)
It made us believe it was only us
(E ela nos fez acreditar que foi só nós dois)
Convinced we were broken inside
(Convencidos de que estávamos quebrados por dentro)
Inside
(Por dentro)


Enquanto eu, quase que vergonhosamente, não podia utilizar da mão direita para subir seu vestido e ter certeza do quão molhada estava. Eu só podia imaginar e continuar pressionando minha pélvis contra ela. Minha mão direita não soltava sua cintura, assim como ela, de trinta em trinta segundos - não que eu estivesse contando -, se remexia e me estimulava, sem poder fazer nada mais que isso.

'Cause, girl, you're perfect
(Porque, garota, você é perfeita)
You're always worth it
(Você sempre vale a pena)
And you deserve it
(E você merece)
The way you work it


(A maneira como você lida com isso)
'Cause, girl, you're perfect
(Porque, garota, você é perfeita)
You're always worth it
(Você sempre vale a pena)
I deserve it
(Eu mereço)


Droga, só os céus sabem o quão torturante foi até que o carro estacionasse e eu tentasse o mais rápido possível pensar em qualquer coisa que me distraísse e abaixasse minha ereção. Eu não sabia por quanto tempo mais aguentaria ficar perto de sabendo que meus pensamentos eram errados por ela já estar com alguém. Eu estava fodido e tudo que conseguia pensar era em como queria estar fodendo…

POV.

O que tinha acabado de acontecer naquele carro? Minhas bochechas ardiam, ainda que a brisa suave tocasse meu rosto quando desci. Eu sabia que histórias que começavam falando que um estava sentado no colo do outro no banco de trás do carro terminavam, quase 90% das vezes em tragédia. Mas eu nem conseguia explicar o que foi que aconteceu porque, parando para pensar, como eu colocaria isso em palavras?
Eu não consegui nem o encarar quando desci do carro. Também não olhei para ou para qualquer um de nossos amigos. Fiquei encarando a entrada do pub enquanto controlava a respiração e tentava parar de tremer. Foi tão errado, não deveria ter acontecido e eu muito menos ter gostado. Merda, merda, merda.

— Amiga, vamos? — voltei a realidade quando enroscou seu braço no meu e começou a me puxar para a entrada, esperando atrás dos meninos para que eles conversassem com o segurança e nos deixasse entrar rapidamente. Não era um lugar muito grande, mas com certeza tinham mais de 150 pessoas. Estava animada para ouvi-los tocar.

Quarenta minutos haviam se passado desde que chegamos, e os meninos estavam terminando de se organizar para começarem o show. Eu e estávamos em uma mesa bem em frente ao palco quando Emily chegou.

— Meninas! Me atrasei muito? — Emy questionou após nos cumprimentar.
— Fica tranquila, eles vão começar já já — respondi, tirando minha bolsa de uma das cadeiras que havíamos reservado para ela e para os meninos depois do show.

Não demorou nem dez minutos e algumas luzes se apagaram, focando no palco. A maioria das pessoas se levantaram e aplaudiram quando os meninos se apresentaram. Eu e minhas amigas gritamos todos os elogios possíveis, com a ansiedade nos invadindo.
Eles tocaram American Idiot, Out Of My Limit, The A Team e Teenage Dirtbag, exatamente nessa ordem. Já tínhamos decorado essas músicas de tanto irmos aos ensaios.
De qualquer forma, todos que estavam assistindo cantaram, aplaudiram e gritaram em cada música que eles tocaram. Para ser sincera, não tinha como não fazer isso, eles estavam arrasando!

— A música que vamos cantar agora é nova, eu escrevi recentemente e é a primeira vez que tocamos para o público. O nome dela é Heartbreak Girl, esperamos que gostem — Calum anunciou a próxima e última música do show. Eu não consegui acompanhar os últimos ensaios, então não conhecia essa, mas estava curiosa para ouvir.

Assim que Mike tocou as primeiras notas, Calum começou a cantar.

You called me up
(Você me ligou)
It's like a broken record
(É como um disco quebrado)
Saying that your heart hurts
(Dizendo que seu coração dói)
That you'll never get over him gettin over you
(Que você nunca vai superar ele superando você)
And you end up crying
(E você acaba chorando)
And I end up lying
(E eu acabo mentindo)
Cause I'm just a sucker for anything that you do
(Porque eu sou apenas um otário por qualquer coisa que você faz)


Tinha começado a balançar conforme o ritmo da música na hora que eles começaram a tocar, apaixonada pela melodia e aproveitando ao lado de minhas amigas. A batida era incrível e eu me forcei para prestar atenção na música. Apesar de eu estar acostumada com o sotaque inglês, o australiano era definitivamente mais fácil de entender.

And when phone call finally ends
(E quando a ligação finalmente termina)
You say thanks for being a friend
(Você diz obrigado por ser um amigo)
And we're going in circles again and again
(E nós estamos andando em círculos de novo e de novo)


Abri os olhos imediatamente, olhando para o palco e notando que estava sendo encarada constantemente por Calum.

I dedicate this song to you
(Eu dedico esta canção para você)
The one who never sees the truth
(Aquela que nunca enxerga a verdade)
That I could take away your hurt
(Que eu poderia tirar sua dor)
Heartbreak girl
(Garota com o coração partido)
Hold you tight
(Segurar você apertado)
Straight through daylight
(Na luz do dia)
I'm right here
(Eu estou bem aqui)
When you gonna realise
(Quando você vai perceber)
That I'm your cure, heartbreak girl
(Que eu sou a sua cura, garota do coração partido)



Eu estava paralisada. O que estava acontecendo?

I bite my tongue (Eu mordo minha língua)
But I wanna scream out
(Mas eu quero gritar)
You can be with me now
(Você poderia estar comigo agora)
But I end up telling you what you wanna hear
(Mas eu acabo dizendo o que você quer ouvir)
But you're not ready
(Mas você não está pronta)
And it's so frustrating
(E isso é tão frustrante)
He treats you so bad and I'm so good to you
(Ele te trata tão mal e eu sou tão bom com você)
It's not fair
(Não é justo)



Não, não, não
! Isso não pode estar acontecendo!

And when the phone call finally ends
(E quando a ligação finalmente termina)
You'll say I'll call you tomorrow at 10
(Você diz, eu te ligo amanhã às 10)
I'm stuck in the friend zone again and again
(Eu estou preso na friendzone de novo e de novo)


I dedicate this song to you
(Eu dedico esta canção para você)
The one who never sees the truth
(Aquela que nunca enxerga a verdade)
That I could take away your hurt
(Que eu poderia tirar sua dor)
Heartbreak girl
(Garota com o coração partido)
Hold you tight
(Segurar você apertado)
Straight through daylight
(Na luz do dia)
I'm right here
(Eu estou bem aqui)
When you gonna realise
(Quando você vai perceber)
That I'm your cure, heartbreak girl
(Que eu sou a sua cura, garota do coração partido)


I know someday it's gonna happen
(Eu sei que um dia isso vai acontecer)
And you'll finally forget the day you met him
(Você finalmente vai esquecer o dia em que o conheceu)
Sometimes I'm so close to confession
(Às vezes eu estou tão perto de confessar)
I've gotta get it through your head
(Eu tenho que colocar na sua cabeça)
That you belong with me instead
(Que você pertence a mim)


Céus, tinham tantas coisas passando pela minha cabeça naquele momento. Eu sentia as batidas do meu coração na garganta.

I dedicate this song to you
(Eu dedico esta canção para você)
The one who never sees the truth
(Aquela que nunca enxerga a verdade)
That I could take away your hurt
(Que eu poderia tirar sua dor)
Heartbreak girl
(Garota com o coração partido)
Hold you tight
(Segurar você apertado)
Straight through daylight
(Na luz do dia)
I'm right here
(Eu estou bem aqui)
When you gonna realise
(Quando você vai perceber)
That I'm your cure, heartbreak girl
(Que eu sou a sua cura, garota do coração partido)


Meus olhos não desviavam dos de Calum um segundo sequer.

I dedicate this song to you
(Eu dedico esta canção para você)
The one who never sees the truth
(Aquela que nunca enxerga a verdade)
That I could take away your hurt
(Que eu poderia tirar sua dor)
Heartbreak girl
(Garota com o coração partido)


Respirei fundo, a mensagem tinha sido a mais clara possível. E eu tinha compreendido.

Hold you tight
(Segurar você apertado)
Straight through daylight
(Na luz do dia)
I'm right here
(Eu estou bem aqui)
When you gonna realise
(Quando você vai perceber)
That I'm your cure, heartbreak girl
(Que eu sou a sua cura, garota do coração partido)


Não esperei que eles apresentassem o restante das músicas, nem que agradecessem pela presença de todos. Não esperei que Calum descesse do palco e viesse falar comigo, nem que me puxasse para o banheiro para conversar.
Invés disso, avisei que iria para casa e dei meia volta, caminhando rapidamente até a saída do pub, discando o número do táxi no telefone.
Eu realmente não sabia o que fazer, mas precisava pensar. Precisava ficar longe de Calum. Longe de todo mundo.


Capítulo 13

Calum POV.

Cantei a música com o coração parecendo que sairia pela boca. Seria mentira se dissesse que ao menos tentei desviar o olhar de . Observei todas as suas reações enquanto ela ouvia a canção, desde o primeiro momento no qual ela estava aproveitando até quando, finalmente, sua ficha caiu. Como se estivesse em transe, ficou congelada por quase 1 minuto.
Meus batimentos cardíacos iam a mil e quase tive um ataque quando a vi andando em direção à saída, apesar de ter noção que sua reação não seria uma das melhores, lembrando que ela estava comprometida. Por sorte era a última música que tocaríamos nessa noite, então nos despedimos, agradecendo e descemos do palco.
As meninas vieram nos parabenizar assim que finalizamos o show, recebi os abraços totalmente aéreo, ansioso, querendo sair para ver se estava tomando um ar. As pessoas ao redor também nos aplaudiam e seria má educação sair correndo, por mais que fosse minha vontade, então esperei um pouco.

— Eu preciso falar com a… — tentei completar a frase, mas me interrompeu.
— Calum, a foi pra casa — ela colocou a mão em meu ombro, tentando me confortar. — Acho melhor esperar antes de falar com ela. Você sabe, é muita informação e eu tenho certeza que vocês vão conversar mais tarde. Ela precisa desse tempo.
— Verdade… Mas será que ela ficou…
— Calum, sei que é difícil, mas evita pensar nisso agora. Vamos curtir essa noite e depois vocês resolvem isso. Já aconteceu.
— Tudo bem.

É óbvio que eu não consegui parar de pensar em como ela se sentiu, se foi o certo a se fazer ou até mesmo se isso resolveria algo. Mil pensamentos me invadiam, mas pelo menos os meninos tentaram não tocar no assunto durante toda a noite, assim como e Emily, que sempre tinham algo para falar.
Estava bebendo meu quinto copo de cerveja quando lembrei como tudo isso começou. Ouvir falando sobre seu relacionamento doía, mas como eu poderia criticá-la se deixava que ela me ligasse quase todas as noites? Se era eu quem descia para consolá-la? Seria, no mínimo, hipócrita.
Então, restava somente a ansiedade após encerrarmos a ligação. A vontade de simplesmente descer e falar tudo que sentia na sua cara. Mas eu não podia fazer isso, logo, me restava escrever meus sentimentos.
E foi assim que Heartbreak Girl surgiu, madrugada por madrugada e consegui expressar, de alguma forma, o que precisava gritar. Foi tão fácil de escrever, mas ao mesmo tempo tão sofrido…
Eu queria que entendesse que não era justo. Ela não era obrigada a gostar de mim dessa forma, mas sim que soubesse que eu estaria disponível para mostrá-la como ela deveria ser tratada em um relacionamento, caso quisesse. Não era justo que a tratasse tão mal e, ainda assim, tivesse seu amor.
Sabia que quando mostrasse a letra para os meninos, seria bombardeado de questionamentos. O que me surpreendeu foi o fato de que todos eles já desconfiavam dos meus sentimentos por .
Luke conversava muito com , então foi o primeiro a ter certeza sobre isso, mas Ash e Mike contaram que ficou óbvio no dia em que falamos sobre e eu deixei claro que não gostava dele, apesar de querer ver bem. No fim, os três me ajudaram a criar a melodia e a ter coragem para tocá-la nesse show.
Esses meninos são tudo na minha vida e eu sou eternamente grato pela nossa amizade, assim como pela criação da banda. Mas, mesmo com todo apoio, estava tremendo quando subi no palco. e Emy sabiam sobre a música porque compareceram a um dos ensaios dela, mas não havíamos contado que cantaríamos hoje, não queríamos colocá-las em uma posição delicada com , de ter que ocultar e tudo, ainda mais porque era sua melhor amiga.
Ainda não sabia se essa tinha sido a melhor decisão, se deveria ter esperado mais para contar, mas também não adiantava chorar agora. É como disse, já aconteceu.
De qualquer forma, desliguei o celular e pedi uma cerveja. A noite seria longa e eu não estava a fim de piorar a situação. Todos estavam bebendo também e seria no mínimo ridículo e egoísta estragar uma das noites de apresentação da banda, afinal, os meninos mereciam comemorar.
Já haviam se passado algumas horas e estávamos em uma roda conversando, mas Luke e não estavam presentes. Eles saíram de lá com a desculpa de que iam dançar, mas fazia um tempo desde que isso aconteceu. Não demorou muito para que estranhassem a demora deles.

— Calum, você viu a por aí? — Emy questionou, olhando ao redor para ver se eles não estavam por ali. Neguei com a cabeça.
— Espera aí, aqueles não são… — Mike apontou, trêmulo, para um casal aos beijos em um canto escuro e vazio do pub. — Meu Deus

Virei o rosto para acompanhar seu dedo, tentando enxergar a quem ele se referia. Não demorou muito para e Luke aparecerem em meu campo de visão. Eu sabia, no momento que olhei o canto escuro e vazio, o que estava acontecendo.
O que acontecia era o beijo que eles trocavam, praticamente se engolindo.
E nossos amigos viram.

— Não acredito que depois de dois anos, o Luke finalmente conseguiu… — Ash comentou, surpreso.
— Guerreiro, eu diria — dessa vez foi Mike que respondeu, fazendo com que todos rissem. Eu não podia concordar mais.
— Eles são fofos juntos, desde a minha festa acho que eles formariam um belo casal — Emy disse, tomando mais um gole da cerveja.
— Finalmente né… — eu disse, forçando empolgação na voz e fingindo surpresa.

Era bom que eles aproveitassem mesmo esse tempo agora, porque amanhã teriam que explicar muita coisa para o grupo. E o pior, sóbrios.
De qualquer forma, virei a bebida em minhas mãos e me preparei para pegar outra. Um passo de cada vez e a meta era sobreviver a essa noite desastrosa.

***


POV.

Apertei os lençóis entre meus dedos com força, segurando firme, tentando me concentrar em não gritar e acordar todos daquele prédio. Apesar de que não podia garantir que estava muito preocupada com meus vizinhos, porque eles definitivamente deveriam estar acordados desde que meus gemidos começaram e não pararam.
De qualquer forma, com essa língua maravilhosa, como poderia ligar? A pressão nas minhas coxas era exata, assim como os dedos introduzidos em mim. Ele me chupava com maestria, mordiscando suavemente meu clitóris. Céus, eu não queria que ele parasse nunca.
Eu poderia chegar ao paraíso desse jeito, eu tinha certeza.
Minha bunda ainda ardia pelos tapas que levei anteriormente, provavelmente ficaria totalmente marcada no dia seguinte. Mas, novamente, quem ligava? Acompanhei ele soltar minha pele e subir os dedos pela minha barriga, queimando onde passavam e aplicando pressão. Posicionou a mão em meu seio, rodeando meu mamilo e apertando sem pudor. A dor era deliciosa, na medida certa. Uau, quando foi que havia aprendido a me tocar desse jeito?
Não que fosse ruim, mas por tanto tempo eu falei que faltava certo… fogo na cama, e agora eu me encontrava em combustão, ardendo em chamas prestes a pedir para que ele utilizasse toda a saliva da sua língua para me apagar. Não foi necessário, entretanto. Ele parou de me torturar e voltou a enfiar com força, agilidade e velocidade os dedos dentro de mim, alcançando o mais fundo possível. Ofeguei.
Senti minha barriga se contorcer, e eu pude prever o que vinha. Antes que pudesse cogitar em apertar minhas pernas, ele antecipou meus espasmos e me abriu bem, lambendo com precisão minha entrada, alternando com chupões na força o suficiente para que meu corpo se retraísse. O orgasmo, entretanto, veio rasgando e eu gritei, fechando os olhos e deitando a cabeça para trás.
Abandonando minha intimidade, senti seu corpo se posicionar sobre o meu, apertando meu quadril e mordendo meu pescoço. Suspirei alto, cansada no momento, mas sorri sabendo que a noite seria bem longa se dependesse de mim. Seus lábios encostaram aos meus e foi o beijo mais macio e quente que ele havia me dado, me devorando com tanto fervor que eu nem ao menos reconhecia como aquilo podia estar acontecendo.
Abri os olhos, pronta para inverter a situação e dar-lhe todo prazer dessa vez. Eu gostava muito de ter controle e de ficar por cima, apesar de que todas as posições sexuais disponíveis também me deixavam animadas.
Mas, quando meus olhos se acostumaram a claridade, não era quem havia acabado de me dar a melhor chupada da minha vida.
Era Calum quem sorria ladino em cima de mim, apertando minha cintura sem dó. O olhar escuro, transbordando prazer e luxúria, e a boca vermelha inchada.


***


Acordei em um pulo, tremendo e suando frio. Meu deus. Eu estava perplexa, tentando entender que havia sido apenas um sonho.
Apenas o melhor sonho da minha vida com o melhor orgasmo.
E não foi com meu namorado.
Foi com meu melhor amigo.
Céus, eu precisava resolver essa situação.
Se eu estava ignorando todos os sinais que o universo me dava e achando que conseguiria sair ilesa, meu subconsciente deixou uma mensagem bem clara com esse sonho. Eu precisava conversar urgentemente com .
Por isso, após tomar um banho, mandei uma mensagem o convidando para vir aqui mais tarde. A resposta confirmando veio alguns minutos depois.

“Chego em vinte minutos.”



Caminhei até a cozinha e abri a porta da geladeira, procurando algum doce para comer enquanto e Luke assistiam algum filme de comédia — que desde o começo eu não havia prestado muita atenção, devido a quantidade de coisas que passavam pela minha cabeça. Sim, nós assistíamos muita televisão.
Abri a porta para entrar quando o interfone tocou, reunindo minhas forças para aceitar seu selinho e mandá-lo entrar. Ele foi direto até o sofá e eu respirei fundo, pensando se não deveria ter descido para encontrá-lo lá embaixo. Quando estava prestes a pedir para que fossemos para meu quarto, senti meu celular vibrando e desbloqueei a tela para ver a mensagem.

“Sei que você está me evitando, posso até fingir que nada
aconteceu agora, mas vocês podem subir aqui? Eu e os meninos
pensamos em algo e queríamos conversar com vocês…”
— Lindinho



Respirei fundo, gelada, pensando que era a primeira vez desde o pub que nos veríamos. Tudo bem que isso aconteceu não tem nem um dia, mas estremeci lendo seu nome e pensando que teríamos uma conversa mais cedo.
De qualquer forma, tive que ignorar a mensagem porque precisava conversar com antes. Eu não era nem doida de ir até o apartamento deles levando esse homem após o ocorrido.

— Gente… — falei para os três, que agora me olhavam atentamente. — O Calum pediu para subirmos, os meninos querem conversar com a gente… Vocês podem subir primeiro, daqui a pouco eu vou lá — e Luke concordaram com a cabeça, pausando o filme e já colocando os calçados para sair do apartamento. me olhou, dando forças, e eu agradeci do mesmo jeito, pelo olhar.

Tive a impressão de que me olhou estranho e eu já imaginava que era pelas mensagens que eu trocava com Calum, então apenas esperei meus amigos fecharem a porta, enquanto me preparava para a conversa que teria a seguir.
Respirei fundo e fui em direção ao sofá, me sentando ao lado de .

, te chamei aqui hoje para conversarmos… Esses dias aconteceram algumas coisas que me fizeram pensar sobre nós. — ele me olhou, prestando atenção no que eu dizia. — Você sabe que brigamos sempre, isso me machuca muito e os presentes não vão resolver. Durante esses dois meses eu também me afastei de muitas pessoas importantes pra mim e eu sinto que com você eu não consigo ser… eu mesma. É difícil dizer isso porque te conhecer foi especial e eu gostei muito, mas acredito que devemos terminar.
— Você está terminando comigo por causa de uma briga boba?! — ele questionou, olhando para o chão.
, não é uma briga boba, são várias brigas e razões para eu estar fazendo isso agora — tentei ficar calma. Não era um momento fácil e mesmo assim já imaginava onde ia acabar.
— É ele, não é?
— Para de ser louco… — eu sabia de quem ele estava falando antes mesmo que precisasse explicar.
— Pode falar, você está fazendo isso por causa daquele seu amiguinho escroto — nessa altura, já havia levantado do sofá e me encarava de braços cruzados.
— Olha, eu vou buscar suas coisas. Não vou discutir mais sobre isso, eu já tomei minha decisão e independente de ter a ver com o Calum ou não, nós vamos terminar! — me levantei, esperando que eu não precisasse falar mais nada com e então fui em direção ao meu quarto.

Eu havia separado as coisas de mais cedo, para falar a verdade. Sabia, quando voltei para o apartamento, que teria dificuldades de dormir. Mas após alguns calmantes, imaginei que apagaria direto.
Depois daquele sonho, porém, não tive condições nenhuma de me forçar a voltar a dormir. Até fui ver se estava acordada, mas quando abri a porta e encontrei Luke lá, decidi arrumar minha vida.
E por isso, separei todas as camisetas, moletons e porta retratos que estavam aqui. Alguns presentes, como perfumes, eu não poderia devolver porque ele nem usaria, mas reuni os colares e tirei o anel de namoro da minha mão e coloquei na caixa.
Peguei tudo e levei para a sala sem nem reclamar do peso. No entanto, quando me aproximei para entregá-lo, ele me olhava furioso, segurando meu celular na mão. Seu olhar fez minha espinha gelar.

— Você acha que eu sou um idiota, não é, ? Eu te mandei se afastar desse escroto, mas você continuou saindo com ele! Enquanto eu estava ontem estudando e sentindo muito que não poderia estar contigo, você vai em um show dessa merdinha? Depois tem coragem de dizer que eu sou o culpado pelo nosso término! — ele praticamente gritava, com o rosto vermelho.
— Me dá o meu celular! Você é lunático, . Quem acha que é para definir com quem eu devo sair ou não? Eu fiz o possível para darmos certo! E para de chamá-lo assim.
— Vendo isso agora, tenho certeza que você me traiu!!! Você é a merda de uma vadia mimada e eu ainda te respeitei TODO ESSE TEMPO! E aí você me trai e acha que tem o direito de fazer isso comigo?! — e então ele começou a gritar, gesticulando com as mãos e me ofendendo. Eu nunca senti tanta raiva de alguém assim, e eu sou bem calma.
— O quê? Que merda você tá falando? Estou terminando justamente porque sei que se continuarmos juntos, vou te desrespeitar — disse, me explicando, por mais que ele não merecesse. — Você é LOUCO, ! — ele estava se aproximando cada vez mais, enquanto eu dava passos para trás.

E isso começou a me assustar.

***


Calum POV.

Quando e Luke entraram no apartamento dos meninos, meu peito murchou. Apesar de ter pensado na possibilidade de ainda estar me evitando, estava esperançoso para que ela viesse. Mesmo sem saber se ela gostaria do que diríamos aqui…
explicou que ela estava com lá embaixo e eles estavam conversando. Não pude evitar revirar os olhos ouvindo o nome dele, mas também fiquei chateado por saber que eles estavam se vendo.
Era isso, eu provavelmente havia perdido minha melhor amiga.
Tentando dar de ombros, me acomodei no sofá, esperando que o restante do pessoal fizesse isso. Mas antes mesmo que eles pudessem sentar, Ash começou a fazer piadas.

— O novo casal do momento hein… Como foi a noite?

revirou os olhos e Luke riu baixinho. Chamamos um táxi ontem à noite, pois todos estávamos tão bêbados que seria imprudente tentar dirigir. Porém, quando entramos no elevador, Luke desceu no andar de e eles riram dizendo que ainda bem que não éramos vizinhos “porque a noite seria bem barulhenta”. Do jeito que eles estavam, eu duvidava que eles fossem aguentar mais do que deitar na cama e dormir.
Enfim, graças a essa ceninha, ficou implícito o que fariam. E quando os meninos acordaram, lembravam de tudo da noite anterior e disseram que estavam muito surpresos que ele “finalmente” tomou coragem. Pois é.

— Na verdade… A gente precisa contar algo para vocês… — disse, pensativa.
— Luke, seu burro! Não sai de casa com camisinha, não?! Você é muito sem noção, cara… Já foram na farmácia?! — Mike perguntou, desesperado, e falando sem parar até ficar praticamente sem fôlego.
— Mike, pelo amor de Deus, se acalma, homem! Não é isso! — Luke disse, irritado. Eu, Emy e Ash gargalhamos alto.
— O que é então?

Luke deu mais dois passos e entrelaçou a mão com , e eu soube que eles se assumiriam. Sorri, aguardando.

— Hm, ontem não foi a primeira vez que ficamos.
Eu sabia! Vocês ficaram na minha festa? — Emy perguntou, nem um pouco discreta.
— Uhum… Estamos juntos desde então, por isso Luke mal fica no apartamento de vocês agora, sinto muito. Não queríamos contar antes para ver até onde isso iria, não queríamos acabar deixando a amizade estranha se não desse certo. Mas depois de ontem, fica meio inútil continuar escondendo — disse, explicando resumidamente.
— E eu não ligo de saberem, nosso relacionamento é incrível — Luke disse, beijando a ruiva na bochecha, fazendo-a sorrir.
— Awn, eu estou tão feliz por vocês! — Emy exclamou e os meninos concordaram com a cabeça.
— Sério, depois de dois anos Luke, qual a sensação de ter o que sempre quis, hein? — Ash perguntou. — Vocês são perfeitos juntos, ainda bem que entenderam logo isso. Só fico muito irritado que não confiaram na gente — disse, em tom de brincadeira.

Então ele se levantou e foi abraçar o casal depois de parabenizá-los. Estávamos realmente todos muito felizes por eles, dois de nossos amigos juntos eram motivo de comemoração.

— Pedimos desculpas pela demora em contar. E para sermos honestos, Calum e já sabiam de nós, foi impossível esconder deles — Luke coçou a cabeça para contar, não era a frase mais legal do mundo. — Mas pedimos sigilo total até que definíssemos o que estávamos fazendo.
— Só te perdoo se você me deixar escolher os jogos no Playstation nas quartas — Mike chantageou, brincando, mas sabia que também era sério.
— Fechado, Wazowski — Luke concordou, desistindo de tentar argumentar. — Mas enfim, vamos falar da viagem… — finalizou o assunto e então todos concordaram, lembrando do porquê estávamos aqui.
— Bom, vocês sabem que logo mais teremos as tão esperadas férias né, começam no dia 25 — todos balançaram a cabeça positivamente, enquanto Ash falava. Era praticamente obrigação de todo estudante saber as datas de cabeça, quando finalmente teríamos uma pausa na vida escolar. — Então como vai cair na quinta, tivemos a brilhante ideia de… Viajar! — ele finalizou super animado, coisa que contagiou todos ali.

Era tudo que eu precisava naquele momento. Nem importava para onde, bastava saber que passaria alguns dias ao lado deles para ficar contente. E, sinceramente, eu precisava relaxar. O nervosismo com as provas e todo estresse com as últimas situações estavam acumulas dentro de mim e eu precisava deixar tudo para trás.

— Ok, eu simplesmente amei! Para onde vocês pensaram em ir? — foi a primeira a se pronunciar.
— Eu estou muito animado — Luke comentou — Faz tanto tempo que não viajamos juntos, né? E vai ser a primeira de conosco, incrível!
— Vai ser demais! — Mike o respondeu e eu concordei. Caso ela vá, vai ser ótimo mesmo, mas como as coisas estão agora, tenho minhas dúvidas.
— Então, respondendo a pergunta da , tínhamos pensado no sítio que minha tia tem em Berowra Heights — Mike explicou, fazendo eu, Ash e Luke nos empolgarmos. Aquele sítio era maravilhoso.
— Nós já fomos lá uma vez e é simplesmente incrível! Na época nós não éramos tão próximos, então você acabou não conhecendo. Mas vocês vão amar, eu juro! — Luke completou a explicação e então um celular começou a tocar. Era o da .
— Ah, é a… ? Estranho — ela franziu a testa ao ler quem ligava e então levou o aparelho perto do ouvido. — Amiga? ? O que foi? — ela perguntou novamente. — Gente, tem alguma coisa estranha acontecendo lá. Escutem — ela colocou no viva voz e todos começamos a prestar atenção.
“— Quer saber? Se ele quiser te comer, dane-se também! Só espero que ele goste de restos porque eu comi primeiro!” — ouvimos a voz da gritar.

Na hora, levantei e me aproximei do aparelho, tentando ouvir melhor. Eles estavam brigando?

“— , se afasta…”
“— Ah, e você vai fazer o que?”
“— O que você está pensando?! Não encosta em mim!”


Cinco segundos depois de puro silêncio, ouvimos o som de um tapa. Desesperado, nem percebi o restante do grupo se levantando. Corri na hora, o mais rápido possível, descendo para o apartamento de . Não esperei o elevador chegar, utilizei a escada de incêndio por uma das primeiras vezes na vida, tamanho o desespero.
Não saberia dizer quanto tempo se passou, mas quando dei por mim abri com tudo a porta e puxei pelo colarinho, metendo um dos socos mais bem dados da minha vida em sua cara.
Foi um dos momentos mais satisfatórios em todos esses anos.

***


POV.

— Quer saber? Se ele quiser te comer, dane-se também! Só espero que ele goste de restos, porque eu comi primeiro! — eu já estava encostada na parede, rezando para que nada mais acontecesse. Sentia meu coração batendo cada vez mais rápido.
, se afasta… — pedi.
— Ah, e você vai fazer o que? — ele segurou meu rosto com força, virando para que eu o olhasse.
— O que você está pensando? Não encosta em mim! — estava tão perto e então sem pensar duas vezes, eu levei minha mão em seu rosto. O tapa foi tão forte que eu sentia minha mão queimar, mas pelo menos ele havia se afastado.
— Você me bateu?!

Silêncio.
Ele me olhou com os olhos arregalados por longos segundos. Eu não sabia mais o que fazer. Estava brava e, ao mesmo tempo, com medo.
E então, tudo aconteceu muito rápido.
Em um minuto, cobria o lado direito do rosto com a própria mão, e então no segundo seguinte Calum havia entrado em meu apartamento. Ele agarrou sua camisa pela gola e então lhe deu um soco.
Eu fiquei paralisada.
Minha cabeça iria explodir, eu não conseguia acreditar em tudo que tinha acontecido. Sério, como eu pude ficar tanto tempo aguentando isso? Eu estava em choque, tentando assimilar a situação.
Não tive nem tempo de reagir, simplesmente voou para cima de Calum e eles foram parar no chão. Um começou a socar o outro e eles rolaram, então eu despertei e comecei a gritar. Tanto por ajuda quanto para que parassem.
Os meninos chegaram correndo, muito rapidamente e apartaram a briga com um pouco de dificuldade. Mike e Ash seguravam pelos braços, impedindo que ele avançasse, por mais que ficasse gritando para que o soltassem.

— Tirem ele daqui, vou proibir o porteiro de deixá-lo entrar — se pronunciou. — Se você voltar para infernizar minha amiga, vai se arrepender do dia que me conheceu — disse, encarando-o firmemente. As ameaças de sempre deveriam ser levadas a sério, ainda mais com os contatos que ela tinha…

Os meninos não demoraram em arrastá-lo para fora de nosso apartamento e eu suspirei aliviada. Tentei normalizar a respiração, mas ainda estava preocupada. Calum foi lavar o rosto logo depois.

, você tá bem? Ele encostou em você? — perguntou, me analisando.
— Não, eu quem bati nele. Achei que ele fosse revidar, não sei o que aconteceria se Calum não tivesse chegado… — comentei, pensativa.
— Amiga eu fiquei tão preocupada, vi sua ligação e na hora que ouvimos os berros, saímos correndo. Eu não deveria ter deixado vocês sozinhos.
— Não foi como se soubéssemos o que aconteceria, . E eu nem te liguei, deve ter apertado o botão enquanto balançava meu celular, que imbecil… Eu vou arrancar esse meu dedo podre.

Ouvi barulho de passos e vi Calum saindo do banheiro, bem menos ensanguentado. Sua boca, porém, estava cortada. Assim como sua bochecha e seu supercílio. Senti dó — pelo menos ele não estava com o nariz jorrando sangue como

— Hm, , nós vamos subir um pouco, ok? Vocês precisam conversar — disse, puxando Luke pela mão antes mesmo que tivéssemos a chance de responder.

Eu estava sozinha com Calum. Após todo o ocorrido, nunca imaginei que nossa conversa seria nessas condições. Mas, enfim, melhor arrancar o band-aid de uma vez.

— Vem, vamos pegar gelo — falei para Calum e andei até a cozinha.

Eu vivia em competição constante com para ver quem era a mais distraída, os roxos eram as provas. Por isso, tínhamos uma compressa que deixávamos sempre no freezer.
Peguei-a com cuidado e enrolei em um pano. Adquiri esse costume quando fiz amizade em Londres com uma brasileira que tinha acabado de se mudar, ela disse que preferia morrer a pegar um saco de comida congelada e aplicar diretamente no machucado, “Isso sem contar os dedos queimando” foi o que disse.
Só sei que desde então tenho seguido sua dica e confesso que era bem melhor assim.

— Como você está? — ele questionou assim que me aproximei.
— Apesar de tudo que aconteceu hoje, eu estou bem. Sei que tomei a decisão certa em terminar com ele — Calum concordou com a cabeça, fazendo uma careta ao sentir a compressa encostar em seu corte. — Então... Nós precisamos falar sobre ontem.
, eu fui um idiota em não conversar sobre isso antes e aparecer com uma música. Desculpa — ele disse, me encarando fixamente. Respirei fundo, pensando em como explicar tudo que precisava ser dito.
— Não precisa se desculpar. A música me ajudou a enxergar vários pontos. Eu queria terminar já fazia um tempo, mas quando ouvi você cantando… Não tinha como adiar mais, sabe? Acho que eu só adiei o inevitável — comentei. — Quer dizer, não foi somente por sua causa. Você passava horas no telefone comigo, sabe do que estou falando. Foi tão fácil estar com no começo que eu acabei me acomodando nessa relação, eu o amava. Ainda gosto dele, mas não o suficiente para continuar me deixando de lado. Preciso me priorizar, sabe?

Calum concordou com a cabeça, mostrando que entendeu. Eu o tinha visto torcer o nariz discretamente quando me ouviu falar que gostava de , mas para as coisas funcionarem, eu precisava ser honesta. Até porque minha raiva estava superando esse sentimento.
Como ele continuou quieto, eu aproveitei porque ainda tinha muita coisa para falar.

— Quando você cantou para mim ontem, eu senti coisas que não conseguiria descrever. E repensei nossa relação, você tem sido meu melhor amigo desde que me mudei para esse país, mesmo que nosso começo tenha sido um tanto quanto complicado. Te ver cantando aquilo para mim me abriu os olhos.
, sei que você não é obrigada a me corresponder. Acho que desde o começo eu tive uma queda por você, mas sei lá, não queria arriscar nossa amizade. Mas tinha atingido meu limite, precisava dizer, de alguma forma, e não pensei muito bem antes de expor meus sentimentos ontem… — Calum disse, com a voz cansada e pesarosa. — De qualquer forma, também sinto muito em ter enrolado, só não queria atrapalhar seu relacionamento…

Eu sorri leve, agradecendo mentalmente pela consideração que ele teve por mim, ainda que detestasse . Calum era realmente meu melhor amigo, e eu precisava de transparência.

— Eu só não quero me envolver agora, ok? Acabei de terminar…

Não era completamente verdade. Eu sabia que sentia algo sim por Calum, há algum tempo. Se fosse verdade, não teria tido aquele sonho, que foi a maior confirmação que precisava. Mas também seria injusto fazê-lo me esperar e ficar dando esperanças, superar um namoro era um processo individual e complexo.
Então, ele concordou e nos abraçamos. Estava feliz que nos entendemos, ele significava tudo para mim.
Quando o tempo passou, decidimos que estava na hora de subirmos e vermos logo sobre a viagem que os meninos queriam. Pedi para Calum me explicar previamente, mas ele disse que Mike deveria contar, porque ele daria melhores detalhes, e me puxou até o elevador.


Capítulo 14

Calum POV.

Os últimos meses tinham sido pesados.
Em um dia eu estava dentro do armário realizando um de meus desejos desde que comecei a conversar com e, no outro, ela não falava mais comigo.
Quando ela disse que sua escolha era , eu imaginei quais seriam os impactos em nossos amizade. E, caramba, eu senti tanto sua falta. Sabia que não ia com minha cara e por isso ela havia decidido se afastar. Eu entendia seu lado. Mas, cara, doeu. As tardes com em seu apartamento ou até mesmo no meu, assistindo coisas bobas, as mensagens trocadas no meio da madrugada por conta da insônia e outros momentos nossos que deixaram de existir nesses pouco mais de 30 dias.
Eu também não gostava de e muito menos da forma como ele conseguiu afastá-la de todos nesse tempo. Ela mal tinha tempo direito para conversar com , e eu sabia disso porque a própria havia me dito, reclamando do quanto detestava "esse garoto estúpido e mimado" e do quanto ele estava fazendo mal para . Era difícil vê-la dessa forma e não poder fazer nada.
Ver namorando outro alguém enquanto eu gostava dela era meu inferno particular.
Mas agora ela tinha terminado e um peso havia saído de meu peito, além de um enorme de seu lado. só estava atrapalhando sua vida.

POV.

Quando fiquei sabendo que teríamos férias no meio do ano, me animei com a possibilidade de visitar meus pais antes do planejado. Havíamos deixado passar que o período escolar da Austrália era diferente do de Londres, então pretendia passar bastante tempo lá.
Meus pais avisaram que infelizmente estariam resolvendo algo relacionado ao trabalho justo nessa época e não conseguiriam mudar seus planos. Então, eu conseguiria passar duas semanas com meus amigos e o restante das férias poderia voltar para Londres, matar a saudades dos meus amigos e de meus pais. No fim, seria perfeito!
Enquanto subia no elevador com Calum, me toquei que não havia feito nenhuma viagem com os meninos desde que cheguei. Tudo bem, eu não estava aqui há tanto tempo assim, mas era estranho demais pensar nisso porque parecia que nos conhecíamos há tantos anos quando na verdade eram meses, o que tornava completamente normal o fato de não termos viajado. Agora, então, eu estava super ansiosa por esse evento histórico em nossa amizade.
Assim que passamos pela porta do apartamento, e os meninos nos olharam com uma certa curiosidade, apenas balancei a cabeça positivamente para que todos entendessem que estava tudo bem. Logo estávamos sentados na sala, apenas aguardando Mike explicar sobre a viagem.

— Então, tínhamos pensado em ir para o sítio que minha tia tem em Berowra Heights — Mike explicou, fazendo Ash, Luke e Calum vibrarem. Eu não sabia onde era esse lugar, mas isso não me impediu de continuar sorrindo.
— Nós já fomos lá uma vez e é simplesmente incrível! Na época nós não éramos tão próximos da , então ela acabou não conhecendo. Mas vocês vão amar, eu juro! — Luke completou a explicação.
— Se vocês soubessem o quanto estou ansiosa por isso agora… — comentei, fazendo todos rirem. — Passar esses dias com vocês vai ser muito bom!

concordou comigo, dizendo o quão bom aqueles dias seriam para nós. Sorrimos e terminamos de combinar tudo, com direito a mil listas diferentes para não esquecermos de nada.

— Sabe, eu senti falta de vocês nesses dias… — comentei. Apesar de termos nos visto ontem, eles sabiam do que eu estava falando. Abdiquei tanto para dedicar a que até meu tempo com os meninos fazendo coisas simples e cotidianas havia diminuído.
— Aw, sua fofa! Eu também senti sua falta! — Ash falou apertando as minhas bochechas, enquanto gargalhava. Não demorou muito para Mike pular em cima de nós dois — como em um abraço bem desajeitado — e em seguida Calum, Luke e fizeram o mesmo, praticamente me sufocando.
— Ai, ai… — respirei fundo, após todos saírem de cima e sentarem no sofá novamente. — Mas e agora, como os meus melhores amigos vão me tirar desse fundo de poço que me encontro? — coloquei a mão na testa dramaticamente, os fazendo rir.
— Olha, zinha, se você quiser hoje eu até posso jogar com você aquele jogo de dança… — Mike falou baixinho. No mesmo segundo eu levantei meu olhar até seu rosto, sorrindo.

Assim que cheguei aqui na Austrália e começamos a vir para o apartamento dos meninos constantemente, eu e tivemos a brilhante ideia de comprar um jogo chamado “Just Dance” e, como os meninos tinham o videogame e os controles que precisávamos, fazíamos torneios de duplas para ver quem eram melhores — nesse caso, os melhores dos piores, já que ninguém aqui sabia dançar bem, o que tornava tudo muito melhor e engraçado.
A questão é que Michael nunca gostou muito, na maioria das vezes ele apenas observava e ficava lá no sofá, gargalhando com os tombos que Ash levava.

— É sério?! — Mike realmente sabe como me animar. Ele balançou a cabeça positivamente e então, depois de abraçá-lo, eu pulei do sofá, liguei o aparelho e distribuí os controles para todos eles.

Estava muito feliz por ter amigos como eles ao meu lado.
Nossa noite foi incrível, apesar do término com e toda situação enfrentada. Nós realmente dançamos e rimos muito. Enquanto eu e nos trombávamos, Luke era totalmente descoordenado, Calum se esforçava ao máximo para não se parecer com um boneco de posto — e falhava miseravelmente —, Ash caía em praticamente qualquer passo complicado com os pés e Mike era mole até demais. A única que se salvava ali era Emy que, apesar de ser dura, conseguia fazer todos os passos sem cair ou tropeçar.
Estávamos acabados quando decidimos colocar um filme para assistir — não sem antes tomar um banho. Então eu e minhas amigas fomos para o nosso apartamento, nos arrumamos e voltamos para a sessão cinema.
Quando voltamos, Calum estava no telefone conversando, parecia emburrado. Minutos depois, ele respirou fundo e desligou a ligação. Caminhou até a sala e explicou que estava conversando com os pais dele e que, infelizmente, não poderia ficar conosco no sítio pelo tempo inteiro de férias que teríamos, porque eles viriam para a cidade pouco antes das férias voltarem e gostariam de conversar com ele pessoalmente em casa.
Os pais de Calum tinham uma casa enorme dentro de um apartamento residencial perto daqui, eu nunca havia visitado, mas os meninos disseram que era enorme e muito chique. Imaginava que sim, só de lembrar que eram proprietários do prédio que morávamos e o aluguel não era exatamente barato.

— Ah, não acredito! Primeiro a , agora você? — resmungou, chateada. — Como faremos para comemorar o aniversário de Ash e Luke assim?

Ash fazia aniversário no dia 7 de julho e Luke no dia 16 do mesmo mês, então comemoraríamos os dois durante a viagem, com uma grande festa entre as datas porque eles mereciam algo bem melhor que um bolinho no dia do aniversário. Isso sem contar que poderíamos comemorar também o crescimento da banda, seria ótimo.

— Como assim “primeiro a ”? O que aconteceu? — Ash perguntou.
— Ah, eu tinha dito para vocês que meus pais queriam me ver… Como não é época de férias lá, eles só vão conseguir uma folga depois. Mas eu só vou embora no dia 18, então dá tempo de curtirmos bastante.
— Meus pais vão mandar um carro para me buscar dia 18 também, posso pedir para te deixar no aeroporto. O que acha? — Calum sugeriu e eu sorri, confirmando com a cabeça e agradecendo. Me salvaria de uma viagem de volta sem graça e de gastar tanto dinheiro em um táxi.
— Ok, então vocês não têm desculpa nenhuma para não comparecer em nossa festa — Luke disse.
— Vai ser A festa, anotem! Dia 12 eu não quero nada além da melhor diversão da vida de vocês — Mike complementou, socando a mão de Luke como se estivessem em acordo com aquilo.

Rimos e concordamos, esclarecendo quem não poderia faltar na festa e quem convidaríamos — porque, acredite, era impressionante a quantidade de pessoas que conhecíamos.
Após tudo discutido, demos play no filme. Já estava tarde e, devido ao cansaço, acabamos dormindo no sofá mesmo. Claro que no dia seguinte nos arrependemos profundamente porque acordamos um em cima do outro, cheio de dores.
Tentamos ignorá-las, afinal, teríamos provas naquele mês inteiro e precisávamos ir bem para não termos que lidar com nenhuma recuperação. Não queríamos atrasar a viagem em nenhum dia.

***


Uma semana depois

Calum POV.


Eu tinha terminado a última prova prática, que era a de biologia. Nunca fui o melhor aluno da sala, mas agradeci aos céus por Emily ter pedido para fazer dupla comigo. Desde a festa em sua casa, ela se aproximou bastante do nosso grupo, então era comum passarmos o intervalo e o almoço juntos, além dela ir constantemente ao apartamento. Quando começou a namorar, o grupo acabava se dividindo um pouco, principalmente porque insistia em fazer videochamada no horário de almoço que tínhamos, o que era meio estranho.
Emy agora definitivamente fazia parte do grupo e a cada dia eu gostava mais dela. Era impressionante como ela era ótima em biologia e fez quase tudo sozinha hoje, somente me direcionando para o que deveríamos fazer. Recebemos a nota na hora e eu não fiquei surpreso em ver o 10, ela com certeza merecia.
O refeitório ainda estava vazio quando descemos, logo, não demoramos para pegar uma das mesas mais espaçosas.

— Está ansiosa para a viagem, Emy?
— Muito! Estou quase contando os segundos, faz tanto tempo que não vou para um sítio, meus pais preferem muito mais praia.
— Eu amo praia, acho que gosto de tudo que envolva calor. Mas não tem nem como comparar com piscina, né? Dá pra ir tranquilamente em qualquer horário — eu respondi, imaginando os momentos que teríamos. Virar a noite na piscina seria maravilhoso, ainda mais porque Mike disse que lá tinha aquecedor.
— Ei, e Mike estão vindo. O que ela está segurando?

Forcei meus olhos e tentei enxergar o que tinha dentro do pote enorme que segurava, mas ainda assim não conseguia ver. Dei de ombros, demonstrando que não sabia. Eles chegaram e Mike sentou ao lado de Emy, cumprimentando-a com um beijo.

— Ok, ontem a noite ainda estava meio chateada e eu fiz cookies para animá-la. Sobrou um monte, então eu trouxe para vocês, podem pegar, têm 3 para cada.
— Você é muito mãezona dividindo igualmente — Mike brincou e nós gargalhamos. Com toda certeza, ela era a mãe do grupo. apenas revirou os olhos.
— Vocês são uns animais atacando tudo que vêem, Ash é o pior de todos para doces! Eu nem quero ver como será a viagem, vamos ter que dividir tudinho, até quem vai cozinhar e quem vai limpar — ela disse, pensativa, e eu sabia que era só chegar em casa que ela nos enviaria uma lista no grupo com a escala de nossas obrigações. Sim, ela era organizada nesse nível. Mas eu não podia reclamar, sempre dava certo e dessa forma não brigávamos por achar injusto ficar tudo na responsabilidade de um e ninguém aproveitar direito. — Hm, falando no Ash, eu estou pensando se ele vai aproveitar bem esse feriado, queria que ele curtisse melhor…
— Como assim? Por que ele não aproveitaria? — perguntei, confuso.
— Olha só, eu e Luke estaremos de casal, assim como Emily e Mike, né? acabou de terminar e eu sei que o salvador da pátria vai querer ficar ao lado dela para que ela não fique mal — ela disse a última frase me olhando, era mesmo uma direta para mim e ela nem fez questão de disfarçar.
— Haha, muito engraçadinha — comentei. Eu não pude nem negar, e eu estávamos nos reaproximando nesses dias. Sinceramente, eu estava tão feliz com nossa amizade que não ligaria de passar a viagem toda com ela.
— Se vocês quiserem, eu posso chamar Zoe para ir, ela e Ash têm conversado direto nesses últimos tempos. — Emily propôs.

Zoe era sua melhor amiga, então frequentemente conversávamos também. O que Emy tinha de tímida, Zoe tinha de extrovertida. Chegou e se enturmou na maior facilidade, principalmente com Ash. Os doidos se entendem, sei lá. Também nos conhecemos na noite da festa, quando eu, Ash e Zoe ficamos sem ter muito o que fazer e assim descobrimos o quão divertida ela era. Infelizmente, ela não dormiu lá aquele dia porque tinha marcado almoço com seus avós no domingo, mas o resto da galera a conheceu depois, na escola.

— Emy, eu te amo. Essa ideia é perfeita! Pode chamar sim — disse e tanto Mike quanto eu concordamos, seria uma viagem mais incrível ainda e todos estariam bem confortáveis. — Vai ser nossa surpresinha para ele!

Ela sorriu e Emily concordou, dizendo que iria convidar. Continuamos conversando até que todos chegassem e contassem sobre as provas.

***


Para comemorarmos o último dia de prova, decidimos ir um dia antes da viagem para o cinema. Incrível como sempre deixávamos de lado essa opção e preferíamos assistir filme em casa. quem reclamou que não poderia voltar para sua cidade natal sem ter visto quase cada canto daqui. De qualquer forma, como as provas haviam acabado, concordamos que seria ótimo para todos.
Ash reclamou tanto que ficaria de lado nesse passeio que Emily ficou com tanta dó que convidou Zoe, garantindo que ela e Mike não o deixariam de vela. Eu e ainda iríamos estar ali com eles, então ele não ficaria de modo algum. Quanto à e Luke, ninguém mais se surpreendia — e, sinceramente, se importava — com seus sumiços espontâneos.
Portanto, a ideia inicial era de irmos em dois carros, aproveitando para buscar Emy em sua casa, que garantiu que Zoe também já estaria ali, o que facilitaria muito. A sessão começava às 7 p.m., então nos fez sair de casa pouco mais de uma hora antes, dizendo que era para dar tempo de comprarmos os ingressos e as comidas antes de entrarmos na sala.
Antigamente, eu e os meninos comprávamos somente pipoca com refrigerante, mas insistia que era impossível assistir um filme sem comer um doce. Nem preciso dizer o quanto as meninas concordaram com aquilo.
Enfim, quase todos estávamos dentro do carro no estacionamento, com exceção de uma única pessoa.

— Não dá para ficar esperando, vamos perder essa sessão e é a última da noite! Vamos indo e metade fica esperando a descer — comentou, revirando os olhos para o atraso de sua amiga. Elas discutiam frequentemente sobre isso, principalmente porque detestava se atrasar.
— Ah não, vocês não vão conseguir comprar todas as comidas desse jeito. Você não disse que queria batata frita? Como esperam passar na casa de Emy e ainda comprar tudo a tempo? Precisamos ir juntos — Mike comentou, e era verdade. Somente 4 pessoas para comprar tudo era pouco, além das filas e de pagar pelo cinema, demoraria muito tempo.
— Tudo bem, vão indo. Eu espero a , vou ligar para avisar que a gente se encontra no hall de entrada. Já vou chamando um táxi.

Eles ponderaram por dois segundos até darem de ombro, percebendo que era a melhor alternativa no momento. Após os carros saírem da garagem, peguei o celular e fiz o que disse que faria. pediu desculpas e disse que desceria em, no máximo, 10 minutos.
Dessa vez, incrivelmente, ela foi pontual. Em exatos 9 minutos e 32 segundos vi os cabelos loiros voando devido à brisa de fim de tarde. Sim, eu estive cronometrando.

— Vamos, o táxi chega daqui a pouco — disse, observando-a. — Você está linda, pelo menos justifica o atraso.
— Não estava encontrando minha carteira, por isso demorei tanto para descer — revirou os olhos. — E eu não estou sempre bonita? — disse, em tom de brincadeira.

Mas como sequer ela poderia pensar nessa possibilidade quando eu a achava a pessoa mais exorbitante da Terra? Eu jamais conseguiria imaginar feia, nem mesmo estando desleixada e acordando de ressaca em pleno domingo de manhã.
O táxi chegou e, após indicarmos o caminho para o motorista, disse que estava com altas expectativas para hoje e que iria bater na gente se não gostasse do filme, ainda mais porque escolhemos assistir um de terror. Esse ano estava com grandes lançamentos, então eu ficaria extremamente desapontado se fosse ruim, ainda mais porque os críticos pareciam ter adorado.
Não demorou tanto para chegarmos ao shopping, peguei o dinheiro na carteira e entreguei.

— Muito obrigado. Boa noite e bom filme para vocês, casal — o motorista sorriu. Não posso negar que fiquei surpreso de ter passado a impressão de estarmos juntos, mas também não digo que não era algo bom de se ouvir…

Troquei um rápida olhada com e ri baixinho, agradecendo o senhor pela viagem e desejando-lhe uma boa noite.

— Boa noite e bom trabalho, senhor! — disse, se despedindo do motorista e fechando a porta do carro. — Não vai me dar o braço para entrar no shopping, amor?

Eu travei, cerrando o maxilar. Eu teria um ataque cardíaco ali mesmo, ainda que fosse tão novo e consideravelmente saudável para isso. Ouvir outros sugerindo era uma coisa, mas ter entrando na brincadeira era demais para meu coração.
Rapidamente me recuperando, soltei o ar pela boca e estendi o braço, sentindo o seu cruzar o meu e entramos assim, sem que eu ao menos tivesse a capacidade de responder com alguma piadinha para descontrair. Mas, em compensação, o sorriso em meu rosto explicava muita coisa.
Subindo a escada rolante pude ver a batendo o pé direito repetitivamente no chão, segurando algo na mão que julguei serem os ingressos. Luke estava ao seu lado, provavelmente tentando tranquilizá-la. Em vão.

— Adivinha, não tinham lugares juntos! Que perfeito, né? Tivemos que mandar o pessoal comprar mais comidas porque não vamos conseguir repassar para o outro… — começou a reclamar, bufando chateada. Todos sabíamos como ela ficava quando não seus planos não eram 100% executados.
— Mas ruivinha, não tem problema não. Um balde de pipoca só serve para duas pessoas mesmo, e até parece que você vai ficar chateada de ter mais doce — eu disse, tentando ver o lado positivo da situação. — Ainda faltam 15 minutos para o filme começar, não compensa você dizer onde vamos sentar?

explicou então que os lugares eram bem separados. Na parte superior esquerda, sentaria com Luke. Um pouco mais embaixo, praticamente no meio da sala, eles conseguiram comprar 4 cadeiras na mesma fileira, lado a lado. Ficariam então, nessa ordem definida por minha amiga, Mike, Emily, Zoe e Ash. Ela disse que eles poderiam mudar se quisessem, mas achei que fez sentido e realmente imagino as duas querendo sentar ao lado da outra.
No canto superior, na última fileira de cima, eu sentaria com . disse que como realmente vamos prestar atenção no filme, assim como possivelmente Zoe e Ash, era justo que pegássemos os melhores lugares.
O resto do grupo chegou cinco minutos depois e ela teve que contar novamente seu plano. Assim que todos concordaram, rapidamente entramos na sala.
Apesar do imprevisto, eu não poderia reclamar dos lugares escolhidos. Amava sentar justamente nessa parte. O filme começou e confesso que em apenas meia hora havia me prendido a atenção, era aqueles de terror psicológico, carregado de suspense e, até o momento, o ar na sala estava pesado, com todos respirando fundo e aguardando ansiosamente e, com medo, pelo o que aconteceria.
não levou nem 10 minutos para me abraçar, escondendo sempre o rosto em meu peito quando não gostava da cena. Eu retribui o abraço, segurando-a fortemente para demonstrar que estava ali.
Com o tempo passando, eu fazia carinho nas costas de , sussurrando em seu ouvido que era só um filme e ela poderia relaxar quando ela enfiava a cara em meu pescoço. Sua mão esquerda segurava fortemente a minha durante praticamente todo aquele tempo, suando frio.
Quando soltei-a para pegar um pouco de pipoca, ouvi o grito da personagem principal e automaticamente a mão de apertou minha coxa. Suspirei fundo, tentando não me abalar tanto. Sei que não havia sido sua intenção, mas se ela subisse a mão 3 centímetros, poderia encostar em minha intimidade. Somente o pensamento da possibilidade me fez congelar, que droga!
Antes que eu pudesse alertá-la, ela se escondeu novamente em meu pescoço, de forma que eu sentia sua respiração quente bater contra minha pele, aumentando o problema que eu tinha.
Que situação de merda.

… — sussurrei com a voz rouca, virando a cabeça em sua direção.

Ela me encarou, os olhos azuis tão próximos que dessa vez era minha respiração pesada que batia em sua cara. Por alguns segundos, perdi a fala. Ela estava tão perto…
Me remexendo levemente na cadeira, mordi o lábio antes de falar.

— A sua mão... Você está… Hm, é muito perto, sabe? — disse baixinho, sem ao menos conseguir montar uma frase conexa. Tanto que franziu as sobrancelhas, me encarando antes de descer o olhar para sua mão.

Em momento algum ela havia soltado o aperto, o que me deixava ainda mais nervoso.

Oh, desculpa — disse, iniciando a frase surpresa. Sua exclamação, no entanto, era um dos sons mais sexuais que eu conhecia. Eu me sentia quase envergonhado do quão necessitado eu estava.

Eu imaginava que retiraria logo sua mão, mas qual foi minha surpresa ao vê-la deslizar por minha perna, segurando com a mesma intensidade, até parar pouco mais abaixo.
Seu rosto estava preso na tela, mas ela não parecia agoniada pela cena exibida. Pela primeira vez, não pude identificar exatamente o que estava pensando.
Suspirei, sabendo que essa seria uma longa noite para mim...


Capítulo 15

Ash POV.
Quarta-feira, dia 25 de junho.


Todos ali estavam extremamente ansiosos. Já eram oito horas da noite e estávamos apenas aguardando Emily aparecer com a van para, enfim, guardarmos nossas malas e seguirmos viagem. Seu pai tinha concordado em emprestar a van para que pudéssemos viajar e foi a melhor ideia do mundo, era meio chato termos que nos dividir. Cortava muito da diversão.
e Luke riam de algum vídeo que viam no celular. Sempre achei que eles faziam um casal bonito, estava muito feliz por eles. Enquanto isso, Calum prendia os fios loiros de de vários jeitos diferentes, enquanto ela ria, parada em sua frente. Eu estava ao lado deles, gravando tudo com o meu celular, rindo e observando o topete que meu amigo tentava fazer, dando alguns palpites de vez em quando.
Foi então que Mike apareceu correndo na garagem, com o controle do portão da mão.

— Elas chegaram! — ele havia subido porque precisava ir ao banheiro. Como fazia todas as vezes que viajamos, parecia que a palavra “vamos” ativava algum botão urinário em Mike.

Assim que o portão abriu por completo, Emy entrou dirigindo a van e a estacionando na vaga de embarque e desembarque.

— Oi pessoal! — ela comentou com um sorriso enorme no rosto, enquanto desligava o carro e descia para nos ajudar. — Bom, estamos prontas, podem colocar as mochilas no fundo! — e então uma garota morena também desce e dá a volta no veículo, indo ao nosso encontro.

Reconheci Zoe quando prestei mais atenção. Se no cinema eu tinha achado ela linda, agora eu tinha certeza. Seus olhos azuis se destacavam no meio de seus cabelos castanhos e pele dourada. Franzi a testa, tentando entender o que ela fazia aqui. Será que ela iria para lá? Achei estranho o fato de ninguém ter comentado sobre a ida dela.

— Hey, Zoe. Que bom que decidiu vir! Coloca esse saquinho aí dentro, por favor, os meninos vão guardando as coisas — cumprimentou, passando os salgadinhos e doces que ela comprou para comermos durante o percurso. A viagem levava cerca de uma hora, felizmente era bem perto, eu não curtia passar tanto tempo dentro de um carro.
— Que sorte que conseguimos a van do pai da Emy. Esse tanto de coisa não entraria em um porta-malas normal! — Zoe comentou enquanto ajudava a guardar as compras dos quatro dias em que ficaríamos lá. Nós aproveitamos para passar no mercado aqui em Sydney para não precisarmos sair para comprar coisas por lá. Ideia inteligente do Ash aqui, claro. Vi que faltava uma caixa com as bebidas e fui logo ajudá-la, aproveitando para iniciar algum assunto aleatório. Percebi que Zoe era totalmente extrovertida e tinha o que ela denominava de “gambiarra comunicativa”, que a permitia conversar sobre diversos assuntos.

Mike comentou que iria dirigindo e Emily se prontificou para ir ao seu lado no banco de passageiro. Ela perguntou se Zoe gostaria de ir junto e ela respondeu que não, porque se o carro batesse, ela não seria a primeira a morrer, então iria atrás. Eu ri enquanto Emily olhava indignada para sua amiga.
Terminamos de nos ajeitar e percebi que Luke e ficaram nos primeiros assentos, sendo que esse era virado para o segundo banco, onde e Calum sentariam e, como entraram conversando animadamente, eu sabia que eles não se soltariam. Eu sentei ao lado de Zoe no último banco. Ele era para frente, o que nos impedia de conversar melhor com um vendo o outro. Não liguei muito, estava acostumado e sempre nos divertíamos mesmo assim.
Assim que a van começou a andar, deu play na playlist que ela e criaram. Nunca vi meninas tão viciadas nisso quanto elas. Começamos a cantar — ou melhor, gritar — sem nos importar com nada. O vento da janela aberta batia em nossos cabelos e se embaraçava todo, usava as bandanas para evitar problemas como esse, mas eu estava tão empolgado com a sessão karaokê no carro que nem ligava, seria mais um momento que eu amaria vivenciar com meus amigos.

POV.

Não fazia nem meia hora do começo da viagem e eu já estava amando!
Calum gravava o show que estávamos dando dentro do carro e logo postou em seu twitter, assim como Ash. Era ótimo saber que teríamos uma lembrança dessa viagem, além das nossas memórias.
Após quinze minutos de cantos e músicas, Mike abaixou o volume e começou a puxar assunto, foi então que caímos justamente no dia da festa de Emily.

— A melhor coisa foi àquele verdade ou desafio! — a própria Emy comentou, apoiando sua mão na de Mike, com um sorriso no rosto. Foi a primeira vez que eles ficaram e era fofo saber que desde então eles não pararam.
— Realmente… — Calum sussurrou discretamente em meu ouvido.

Uma palavra.
Ele falou apenas uma palavra, mas tantas lembranças invadiram minha mente. Apenas com aquele gesto meu corpo se arrepiou por inteiro. Virei um pouco meu rosto a fim de olhá-lo. Nossos olhares se encontraram e foi o suficiente para sentir que o estômago sairia pela minha boca.
Sinceramente, sentir isso era um inferno porque sabia muito bem que não podia simplesmente agarrá-lo ali, era bem mais complicado que isso.
Desde aquele sonho, eu vim sendo mentalmente atormentada pela minha consciência. Um lado me dizia que fazia tempo que eu não sentia esse tipo de coisa, ainda mais por Calum. O outro, mais racional, relembrava de nossa amizade e fazia uma lista mental dos contras de continuar pensando assim, além das possíveis desastrosas consequências.
Eu estava lotada de — como não cansava de repetir para mim — tesão acumulado. era bom de cama, mas não o melhor. Tanto que até cheguei a sonhar com a continuação do que Calum e eu fizemos no armário quando terminei meu relacionamento. Eu não queria estragar nossa amizade, mas estava tão sedenta que mal conseguia me reconhecer.

— A melhor coisa foi depois daquele verdade ou desafio, isso sim! — comentou com uma certa malícia na voz, piscando o olho e então ela e Luke riram de sua brincadeira, fazendo todos entenderem exatamente o porquê.
— Eca! — Ash e Mike gritaram ao mesmo tempo, enquanto eu, Calum, Zoe e Emy gargalhávamos. Eu amava tanto esse casal.
— Nossa, eu não quero escutar os gemidos de ninguém durante essa viagem, já estou avisando! — Mike gritou do banco do motorista.
— Mesmo? — escutamos Emy responder, o fazendo dar uma leve apertada no freio, fazendo o carro dar um pequeno solavanco. Minha barriga doía de tanto rir. Conseguia visualizar certinho o rosto vermelho de Mike após aquele comentário.
— Ainda bem que eu não vou ficar com o quarto ao lado do dos casais! — Ash comentou, e eu confirmei com a cabeça, dando um high five a distância com ele.

Na hora em que Mike nos mostrou as fotos do sítio, decidimos nossos quartos. Eram todos no mesmo corredor, duas suítes do lado direito e duas do lado esquerdo. Mesmo que fossem perto uma da outra, era melhor dormir do outro lado do corredor e que no quarto ao lado, separado somente por uma parede. Ficou definido que Luke e dormiriam no primeiro quarto a direita, e Mike e Emily compartilharam o segundo. Enquanto isso, eu e Zoe estaríamos no primeiro quarto à esquerda e Calum e Ash ficariam com o restante. Foi uma divisão justa e eu estava contente, só esperava que Zoe não sujasse nosso quarto porque eu realmente detestava dormir em um lugar que sei que não está totalmente limpo.
Sim, eu tenho esse tipo de problema.

— Mudando um pouco de assunto, podíamos fazer pizza chegando lá, né? Estou morrendo de fome — Luke perguntou.
— Eu sei bem o que você vai comer lá, Luke — Calum o respondeu e levantou a cabeça com os olhos arregalados, enquanto o garoto do meu lado apenas ria.
— Pelo menos ele não está passando vontade e come o que bem quer! — e dito isso, foi a vez de Calum arregalar os olhos, abrindo a boca num “O” perfeito e rir, orgulhosa.

Luke segurava o riso e eu não tinha entendido.
O assunto foi acabando aos poucos e ainda faltavam uns vinte minutos para chegarmos. Luke encostou a cabeça no ombro de e eu sabia que ele iria cochilar. Estava olhando a paisagem, percebendo toda vegetação por onde passávamos, era incrível.
Estive distraída por um tempo, até que a voz de Zoe me trouxesse a realidade.

— Você tem Paciência? Eu amo! Tenho no meu celular também, quer competir quem termina primeiro? — ela sugeriu animada e percebi que estava conversando com Ash.

Olhei para Calum e levantei as sobrancelhas, achando esse papo muito engraçado. Mais que isso, achava hilário que um adolescente fosse tão viciado em Paciência quanto Ash. amava jogar cartas com ele, a ponto de virarem noites jogando.

— Você nunca vai ganhar de mim, meu amor.

Ouvi ele responder, debochado e, assim como Calum, segurei o riso. Isso sim era aleatório, mas que bom que a tinham convidado para vir conosco, era bom ver Ash animado assim e interagindo tanto com alguém. Além de que Zoe era incrível, gostava muito dela.
Voltei a encarar a janela, pensativa e ansiosa.
Assim que passamos pelo portão do sítio, fiquei maravilhada. Era gigante! Muito maior do que parecia. E muito bonito também.
Mike estacionou e logo começamos a organizar nossas coisas. Primeiro deixamos as malas nos quartos, como havíamos dividido e então fomos arrumar as compras na cozinha porque muita coisa precisava ir para a geladeira. Responsabilidade em primeiro lugar.
A porta de entrada da casa dava direto para a grande sala de estar, onde tinham três sofás cinzas que pareciam ser extremamente confortáveis, uma lareira baixa com uma TV em cima. Um pouco mais atrás, ficava a mesa de jantar de madeira comprida com um banco do mesmo material de cada lado. Na parede contrária da porta de entrada, tinha uma porta de correr de vidro. Mike disse que dava para os fundos do sítio, onde tinha um laguinho.
Logo atrás da mesa ficava a cozinha, onde havia uma pequena abertura na parede ao lado da porta, como se fosse uma “janela”, que ligava o cômodo — que era todo rústico e super fofo — com a sala de estar\jantar. Mais ao lado tinha uma porta bem discreta, que levava ao lavabo. Um longo corredor se estendia ao lado, ao longo dele haviam quatro portas, que eram as das suítes.
Entrei na primeira porta a esquerda, que era a suíte em que eu dormiria com Zoe. Ela era feita toda em tons de azul claro, lá havia apenas uma cama de casal, mas nós já sabíamos e não nos incomodávamos em dormir juntas.
A suíte de Calum e Ash era em um amarelo claro; a de e Luke em um verde musgo e, por fim, a de Mike e Emy em diferentes tons de cinza.
Terminando de arrumar o necessário no momento, decidimos estrear a piscina. Não era tão tarde ainda, dava para ficar algumas horas e depois fazer a janta. Já fizemos pizza caseira em outras vezes, então sabíamos o tempo exato de preparo e para assar.
Fui para o quarto me trocar com Zoe e peguei o primeiro biquíni que vi na mala. Era cortininha todo amarelo, eu era apaixonada por ele porque caía muito bem no meu corpo. A garota me ajudou a amarrar atrás e fiz o mesmo com ela.
Peguei os shorts que trouxe para essa ocasião, o mais surrado que eu não me importaria de vestir quando saísse da piscina e coloquei uma toalha nos ombros. Calcei os chinelos e saí do quarto com Zoe. Fomos conversando até chegar na enorme piscina iluminada pelas luzes coloridas.
Os meninos, com exceção de Calum, estavam lá dentro, junto com e Emily. Zoe não demorou para mergulhar e eu tirar o shorts, colocando-o ao lado da mesinha onde Calum, que havia aparecido, deixava sua toalha.
E novamente eu senti seu olhar sob o meu, queimando minha pele.
Meus olhos observavam seu rosto e eu percebi os seus fixos em meu corpo. Não acredito que tenha sido a intenção demonstrar, mas a mordida que deu em seu lábio deixou claro que gostava do que via. Céus, nossos amigos estavam perto, ele não poderia continuar assim se quisesse que eu mantivesse minha saúde mental.

— Calum, , entrem logo, vamos jogar vôlei! — gritou, nos acordando finalmente. Caminhamos lado a lado até a piscina, ansiosos para o jogo. Uma pequena competição não fazia mal a vida de ninguém e eu precisava urgente me desestressar com algo.

Eu tinha um bom pressentimento sobre aqueles dias...


Capítulo 16

Calum POV

Pizza era uma das minhas comidas preferidas, principalmente caseira. Estava morrendo de fome, eram quase 9 p.m. quando o pessoal começou a sair da piscina para tomar banho. Enquanto isso, foram Ash e Emily preparar a massa das pizzas e Mike, Zoe e fazer o recheio.
Aproveitei para me lavar então, já que minha ajuda foi recusada. Não demorei muito, quando voltei eles estavam terminando de rechear a quarta pizza na bancada.

— Caramba, quantas vocês tão fazendo? — perguntei. Ok, éramos esfomeados e estávamos em grande número, mas ainda estava surpreso.
— Cinco! São duas de pepperoni com mussarela, uma de frango com catupiry e outra de milho com mussarela. A última é de chocolate com morango porque todo mundo aqui ama um docinho — disse, empolgada cortando os pedaços do queijo para adicionar na massa.
— Sério, vocês comem muito! Entendi que vocês nem almoçaram direito hoje, mas ainda assim… uau — Zoe disse, impressionada. Ela teria que se acostumar rápido porque realmente gastávamos muito com comida.

A vi começar a cortar os morangos logo quando Mike tirou a segunda fornada e deixou em cima da pia. Ele me pediu para pegar os pratos e arrumar a mesa. O cheiro estava delicioso e eu estava faminto.
Após o jantar, vimos que as bebidas já haviam gelado e decidimos jogar alguma coisa para aproveitar a primeira noite da viagem.
Mike voltou da cozinha com uma jarra ao lado de Emy, que carregava os copinhos de shot. Aparentemente eles fizeram um drink de morango com vodka, e seria exatamente isso que beberíamos. Eles se juntaram a nós e se sentaram.

— O que vamos jogar? — perguntou, com os cabelos ainda molhados devido ao banho, se sentando ao meu lado no tapete da sala com as pernas cruzadas.

Nós havíamos feito uma roda e contando a partir de para a esquerda estavam , Luke, Zoe, Ash, Mike, Emy e eu.

— Eu nunca! — Luke anunciou enchendo os copos, enquanto Zoe distribuía um para cada pessoa. — Vamos falar algumas situações e quem já tiver feito, bebe. Vocês conhecem as regras, não preciso explicar tudo.
— Ok, vamos começar por quem? — Ash questionou, olhando para todos da roda, que ficaram em silêncio. — Então eu vou! Só para começar bem: Eu nunca falsifiquei meus documentos.

Virei meu copo, engolindo o líquido doce que desceu ardendo por minha garganta. O gosto era ótimo, mas esse era o problema. Sabia que quando menos esperasse, estaria embriagado. Quando olhei em minha volta percebi que todos tinham bebido também, inclusive Ash. Nenhuma surpresa.

— Não é à toa que estamos tomando isso aqui agora — apontou para a jarra e riu, sendo seguida por todos. Na verdade, somente eu, Zoe e Emily fizemos 18. Os aniversários de Luke e Ash estavam chegando, mas o dela e do restante era perto do final do ano. Ainda assim, nós bebemos porque que menor de idade nunca falsificou para entrar em alguma balada ou comprar bebida no mercado?

O próximo a falar seria Mike, então olhei para ele, esperando alguma atitude. Dentro do sítio era aquecido e a bebida definitivamente iria nos aquecer muito mais daqui a pouco.

— Tá legal, deixa eu pensar um pouco… — ele ficou em silêncio olhando para as próprias mãos por uns três segundos. — Já sei! Eu nunca fiquei com alguém para conseguir algo.

Olhei diretamente para Ash, já gargalhando. Eu sabia que ele teria de virar e o motivo era engraçado de tão absurdo.

— Você é um cretino, Mike Wazowski. — Ash falou e, após encher seu copo, bebeu novamente, fazendo careta.
— Pode explicar essa história aí, Irwin — Zoe apontou para Ash, que riu, levantando os braços, como se estivesse rendido. Estávamos apenas esperando ele contar a história e, mesmo que eu já tivesse ouvido umas mil vezes, ainda ficava empolgado.
— Bom, todos aqui sabem que eu sou fã do Adam Levine, isso há muito tempo. Quando eu tinha 13 anos, ele anunciou que faria tour e eu fiquei super empolgado, virei a noite com o computador ligado esperando disponibilizarem a venda dos ingressos. Só que justo na hora que começou e tinham três pessoas na minha frente na fila, meu computador desligou e não queria ligar. Consegui acessar o site quase duas horas depois e já tinha esgotado tudo! Todos os setores, sabe a dor que é? — fez uma pausa dramática, respirando fundo, parecendo sofrer com essa memória. — Pois bem, um dia na aula eu ouvi uma menina dizer que tinha conseguido dois ingressos para o show do Adam e eu fiquei muito ansioso. Eu sabia que ela gostava de mim tinha um tempinho, e como ainda faltavam uns meses para ele vir para a Austrália, pensei que seria uma ótima ideia ficar com ela para ver ele cantando…

Nisso, o pessoal já estava rindo e Zoe brincou o chamando de falso e interesseiro. Ser fã de alguém basicamente significava que você passaria. E ele nem tinha chegado na melhor parte ainda.

— Ok, até aí tudo bem. Fiquei uns tempos com ela, louco esperando o tão esperado dia chegar. Quando finalmente chegou, sua irmã mais velha, ela era maior de idade, iria nos levar e acompanhar naquele dia. Parecia que eu ia morrer do coração a qualquer momento. Enfim, chegando lá eu todo esperançoso percebi que o pessoal usava camisa de um mesmo cara, e eu imaginei que tava desatualizado entre os fãs. Pois é, começou a música e assim que terminou o show de abertura, adivinha quem subiu no palco? O Adam, lógico. Mas era a droga do Adam Lambert, não o Adam Levine.

E desatamos em rir. Ash ficou negando com a cabeça, eu sabia que ele nunca superaria esse dia. Ao menos ele tinha aprendido a lição e não usaria alguém para seu benefício.

— Isso tem nome, sabia? — Zoe comentou enquanto ainda se recuperava das risadas.
— Ah é? E qual é? — Ash a olhou, curioso.
— Carma — meu amigo fez uma careta, concordando com a cabeça e Zoe riu novamente.
— Tá, eu faço essa… — chamou a atenção de todos ao se prontificar. Normalmente, ela tinha preguiça de falar. — Hm… eu nunca mandei nudes para a pessoa errada sem querer — ela me olhou com um sorriso de canto, fazendo questão de dar uma piscada. Não acredito!

Ri alto, assim como Mike, Ash e Luke que estavam ao meu lado durante essa época. Virei o shot e então percebi os olhares curiosos de Emy, Zoe e .

— Hm, eu estava trocando fotos e na minha vez de enviar eu não só mandei para a pessoa errada, como postei na história do Snap — as três arregalaram os olhos e colocaram as mãos na boca, surpresas, enquanto , Luke, Michael e Ashton gargalhavam.
— Meu Deus! E o que aconteceu depois? — Emy questionou.
— Eu só percebi uns cinco minutos depois, quando Mike me falou que estava vendo o snap do lado da mãe dele e que aquilo, com certeza, não deveria estar lá — respondi, rindo. Foi constrangedor demais na época, mas agora eu mal ligava. — A maioria das pessoas da nossa escola já viram a foto, mas não posso negar que ela já me trouxe benefícios, se é que vocês me entendem.
— Inacreditável.
— Vocês tinham que ver o desespero dele em ter que aparecer na escola depois disso! — Luke comentou, limpando uma lágrima que escorria em sua bochecha.
— Sério. Foi demais! — eles fizeram mais alguns comentários até Emily tomar a frente do jogo.
— Bom, agora é minha vez! Essa é pra vocês, casal — Emy comentou, apontando para Luke e , que já enchiam seus copos, imaginando o óbvio. — Eu nunca fiquei com o meu melhor amigo/melhor amiga!

Eu já estava quase rindo da cara dos meus amigos por serem alvos quando escutei o que Emily realmente havia falado. Sem pensar olhei para , que também me olhou no mesmo segundo e aí minha ficha caiu.
Aquela troca de olhares não significada nada além de dúvida. Nunca conversamos sobre contar ou não que já ficamos, então não sabíamos o que fazer. e Luke já haviam tomado a bebida deles quando levei o copo até a minha boca e engoli o líquido como resposta. Isso viria à tona um dia, nada melhor que hoje então. E então, após dar um sorrisinho de canto, fez o mesmo.

— EU SABIA! — foi a vez de Emy gritar, ela parecia animada e eu não me surpreendi. Foi ela quem nos viu dormir juntos aquela noite e depois descobriu que supostamente deveria estar com . — Pode ir passando para mim, Zoe.
— Ah, eu não acredito! Droga, achei que seriam os 10 dólares mais fáceis da minha vida. Custava vocês esperarem um pouco mais? — Zoe perguntou, brincalhona. Enquanto isso, tirou dinheiro da capinha do celular e entregou para Emy, que sorriu feliz da vida e explicou que elas apostaram se já tínhamos ficado.
— O QUE?! — Ash gritou, indignado. — Por que eu pareço ser o mais surpreso aqui?!
— Você é lerdo demais, Ash! — Luke disse, e concordamos com a cabeça.
— Eu também não sabia disso… bem que Emy perguntou, mas eu tinha negado. Por que vocês escondem as coisas da gente? Que injusto… — Mike comentou, fingindo estar desapontado conosco. Revirei os olhos brincando.
— Foi uma vez só lá na festa da Emily, quando nos desafiou ficar no armário. Sem contar que estávamos bêbados, então nem contou…

Nem contou?!
O que queria dizer com aquilo? Ela não gostou do momento que tivemos o suficiente para contar? Eu trinquei o maxilar, muito puto. Não acreditava que ela tinha dito isso na frente de todos nossos amigos, mas o pior era saber que ela pensava isso de nosso momento. Me senti rejeitado, sim, quando ela disse que iria deixar isso de lado para dar continuidade ao seu relacionamento de mesmo assim. Agora, saber que ela desconsiderou todo o momento que tivemos? Realmente os sete minutos que eu estive tão próximo do verdadeiro paraíso e ela fazer isso era, para dizer o mínimo, humilhante.
Olhei para e ela mordia o lábio, claramente receosa com a resposta da amiga. Meu olhar demonstrava minha indignação e sei que ela tinha percebido isso porque o seu tentava me tranquilizar. Não funcionou.
A brincadeira continuou por mais um tempo, parecia que o modo automático havia se ativado em mim. Eu bebia quando já tinha feito e ria quando todos o faziam, sem ao menos ter prestado atenção no que estava sendo dito. A frase de penetrou em minha cabeça e se repetia, eu não conseguiria dormir tranquilo sabendo que ela pensava isso.
O tempo foi se passando e finalmente desistiram de continuar jogando. Saí da sala sem comentar com ninguém, precisava de um tempo pensando. Que droga. Sentei na grama, respirando ar puro e refletindo.
Não sei nem quantos minutos se passaram, mas eu precisava fazer algo para mudar a situação. Era injusto que ela resumisse o que tivemos a nada quando para mim foi tudo.
Levantei subitamente assim que a ideia invadiu minha mente. Era isso, eu iria conversar com e seria agora. Não poderia mais esperar.
Dando passos largos até entrar pela porta da sala, vendo que agora estava vazia. Continuei meu caminho, sem parar por um segundo, até o quarto onde ela dormiria. Assim que cheguei, abri a porta de madeira e fechei-a rapidamente, trancando para evitar que alguém entrasse e atrapalhasse esse momento tão importante.
Minhas palavras estavam na ponta da língua, eu estava preparado para falar tudo que precisava. Mas foi quando eu levantei o olhar que esqueci de tudo e minha boca ficou seca.
Nossos olhares se encontraram, mas não consegui prestar atenção no oceano azul que eram os dela. Nem no cabelo dela da cor do sol, tão brilhante quanto ele.
Como poderia fazer isso quando ela estava na minha frente só usando lingerie?

POV.

Assim que o jogo terminou, Calum levantou e saiu da sala praticamente correndo. Eu percebi que ele estava estranho, mas achei que era apenas cansaço, então o deixei em paz.
Como eu não estava com sono ainda, fiquei conversando com o pessoal mais um pouco, até e Luke saírem para ficarem juntos, aproveitando a viagem como casal. Depois disso não demorou muito para que Ash começasse uma partida de videogame contra Emily, eles adoravam jogar.
Na hora que me levantei, Zoe avisou que ainda iria dar uma volta pelo sítio com Ash e que talvez demoraria um pouco. Eles se davam muito bem. Segui sozinha para o nosso quarto.
Encostei a porta e andei até minha mala para pegar o pijama, o separei e deixei em cima da cama. Comecei a me despir e já guardava as roupas assim que eu as tirava. Eu estava apenas de roupas íntimas e, quando me aproximei da cama para pegar o meu short de seda, ouvi o som de alguém entrando no quarto.
Pensei que fosse Zoe, então não liguei, mas estranhei assim que escutei o som da porta sendo trancada porque não tinha necessidade dela fazer isso. Olhei em direção a porta e vi que quem realmente estava parado ali não era Zoe.
Era Calum.

— O q-que está fazendo aqui? — gaguejei, sentindo seu olhar observar cada parte de meu corpo e só então me lembrei como estava.

Praticamente nua.
A vergonha atingiu minhas bochechas facilmente. Sabia que precisava me cobrir. Sabia que era só esticar a mão na cama para me cobrir com o lençol. Porém, eu estava paralisada. Seus olhos castanhos que eu tanto amava pareciam me proibir de sequer pensar nessa possibilidade. Vi o exato momento que eles escureceram e começaram a vagar por mim, me analisando de cima a baixo descaradamente.
Era uma tremenda falta de pudor da parte dele — e eu não poderia estar ligando menos. Meu coração acelerou em três vezes. Mordi os lábios, me sentindo estranhamente bem em ser olhada dessa forma. Desejada. Ficamos nisso por menos de um minuto, quando um botão pareceu ter sido ativado em Calum, ele encarou meus lábios e balançou a cabeça negativamente.
Começou a caminhar em minha direção, fui contando seus passos. Sete. Ele parou e eu percebi que com mais dois ele estaria em minha frente, suficientemente perto para colar seu corpo no meu. Somente esse pensamento me deixava tensa, ansiosa e estática, sem ter o que fazer além de esperar por uma iniciativa.

— Sabe , eu estive pensando… — ele iniciou um diálogo e eu prestei atenção na mesma hora. Sua voz estava um tom mais grave e, céus, eu amava quando ficava assim. Fiz força para não deixar minhas pernas tremerem, tamanha era a influência que ela exercia sobre mim. Somente ouvir meu nome saindo daquela boca daquele jeito era o suficiente para provocar arrepios. — Quando você disse aquilo na sala, que aquele tempo no armário não tinha sido nada para você, sabe, eu acho feio você mentir. Quer dizer, você tem idade suficiente para saber que fazer isso é errado, não acha?
— O quê? Como assim?

Ok, então ele realmente estava estranho na sala e agora eu descobri ter a ver com o que eu disse. Engoli em seco, seu olhar duro me encarava e ele mal parecia piscar. Antes que eu ao menos pudesse pensar algo, ele recomeçou a falar.

— É loirinha, nossos amigos também são grandinhos o suficiente para saberem da verdade… E sabe qual é essa verdade, ? — eu neguei e ele deu um passo. — A verdade é que eu sei que você amou ter minha língua na sua, ter meus dedos em você, te explorando.. Sei que ficou pensando nisso no dia seguinte. Sei que você não conseguiu esquecer. Sei que você me olhava e queria um pouquinho mais daquilo que você teve naquele armário apertado. Sei que ficou imaginando como teria sido se ninguém estivesse contando os segundos. Se ninguém tivesse nos interrompido. Eu sei de tudo isso, .

(Recomendamos que coloque Call Out My Name - The Weeknd para tocar)

Eu era capaz de sentir sua respiração de tão próximos que estávamos. Não conseguia desviar o olhar, estava hipnotizada. O modo como ele falava cada uma de suas palavras, tão convicto de serem certas, acreditando que essas situações realmente ocorreram, teriam me convencido até mesmo se eu não tivesse feito isso. Mas nessa hora, nesse momento íntimo nosso, era impossível negar. Precisava admitir que fiquei sim pensando em tudo que ele disse, até porque eu estava sedenta para me satisfazer.

— E como você sabe disso tudo? — perguntei, quase em um sussurro, sem saber de onde encontrei voz para falar.

Mais um passo.

— Porque foi exatamente assim que eu fiquei. Caramba, , não entendeu que eu não consigo parar de pensar em você? Você está me deixando louco… — Calum desceu o rosto em direção ao meu pescoço, passando suavemente o nariz e me deixando sentir sua respiração contra minha pele. — Eu não sabia que precisava tanto de algo até ter experimentado seu gosto, saber o quão apertada você é — ele continuou falando enquanto mordiscava aquela região. Levantou o rosto e encostou a boca em minha orelha e eu tremi por inteira quando ele completou. — É um inferno te olhar todos os dias e saber que eu posso te fazer se sentir tão bem, te levar aos céus de novo e 7 minutos jamais seriam o suficiente.

Eu tinha plena consciência do quão molhada eu estava. Mal tinha tempo para sentir vergonha de estar excitada nesse nível com as palavras que ele disse porque ainda estava perdida nelas. Totalmente estimulada, o resquício de álcool na veia era outro fator entorpecente para me proporcionar coragem.

— Ah, é? E como você faria isso?
Assim.

Dois segundos.
Dois segundos foi o tempo exato que Calum levou para me responder e abaixar a cabeça, juntando seus lábios nos meus. A saudade diminuía conforme seus lábios se mexiam contra os meus, perfeitamente sincronizados. Suas mãos enroscaram em meu cabelo úmido, puxando meu rosto contra si o máximo possível. Minha respiração estava totalmente descompassada e seu peito roçava em meu sutiã.
Posicionei às mãos em seu pescoço e ele suspirou no momento que o arranhei. Sua língua deslizou pelos meus lábios, uma passagem muda para reencontrar com a minha. Abri quase que na mesma hora, compartilhando dessa mesma urgência e necessidade de aprofundar o beijo. O encontro tão aguardado e eu queria que ele sentisse meu gosto mais uma vez, para nunca esquecer de como era.
Soltando meu rosto, suas mãos desciam arrepiando minha pele nua, aquecendo-me como se estivessem pegando fogo. Ele segurava firmemente minha cintura, em uma possessividade que eu nunca esperei gostar. Mas eu amava. Ter Calum tocando em mim era como um presente dos deuses. Massageando minha pele, ele não demorou em descer para minha bunda.
Eu lembrava de como era sentir suas mãos posicionadas tão certamente, mas nada se comparava ao real. Seu toque era maravilhoso, preciso. Calum sabia como me segurar. Ele não me tratava como se eu fosse frágil e fosse quebrar a qualquer instante, mas sim como se eu fosse indestrutível. Não tardei em levantar as pernas, enroscando-as ao redor de sua cintura. Essa posição tinha se provado maravilhosa na última vez e não decepcionou agora.
Voltando a beijar meu pescoço, senti quando Calum começou a andar comigo no colo. Fui colocada na cama rapidamente, sem delicadeza. Estávamos apressados e não havia tempo para formalidades. O mundo parecia parar a cada vez que ele deslizava a língua para dentro de minha boca, compartilhando comigo de um momento único.

— Se você não se importa, eu vou terminar o que eu comecei aquele dia.

Calum disse quando se afastou e eu ofeguei somente ao ouvi-lo. Eu não tinha objeção alguma, de modo que concordei com a cabeça repetitivamente. Estava zonza demais para tentar falar, anestesiada pelo seu perfume. Pelo seu toque. Por seus beijos. Por tudo.
Sorrindo ladino, ele trilhou um caminho de beijos até meus peitos, tirando meu sutiã e envolvendo meu seio direito com a boca, contornando meu mamilo endurecido com a língua. Ofeguei com a leve mordida que ele deu, sorrindo e afastando a cabeça o suficiente para dar atenção ao outro seio, onde repetiu os movimentos.
Minhas pernas só não estavam se esfregando uma contra a outra porque seu corpo estava no meio, mas eu definitivamente precisava de uma atenção ali. A ansiedade revirava meu estômago, Calum decidiu que passou tempo suficiente se divertindo com meus peitos e retornou ao caminho inicial. Sua boca molhada encostava em minha pele e eu só sabia arfar, ela descia sem pressa, aproveitando todos os segundos. Gemi baixo quando ele beijou minha intimidade por cima da calcinha.
Segurando as laterais, Calum puxava o tecido para baixo, até retirá-lo completamente do meu corpo. Era a primeira vez que ele me observava totalmente nua. Seus olhos escureceram mais que eu poderia imaginar e ele lambeu os lábios. Suspirei, ansiosa.
Mordi minha boca com toda força do mundo, segurando o gemido alto que queria dar. Minhas mãos seguravam seus cabelos, incentivando-o. Sua língua quente em minha intimidade molhada me fazia revirar os olhos, tamanho era o prazer que me proporcionava. O mais simples movimento de deslizar me deixava em chamas, acelerava ainda mais meu peito e me deixava desesperada. Eu precisava de mais.
Calum aproveitou que tinha me aberto o suficiente e soltou minha perna direita, levando sua mão ao meu clitóris, o estímulo era tão gostoso que eu queria gritar. O vi sorrir antes de continuar o trabalho, finalmente me deixando sentir sua língua pressionar minha parte sensível. Meu Deus, ele era incrível fazendo isso. Meu peito subia e descia rapidamente, tentar controlar a respiração era inútil.
O que me restou foi pegar o travesseiro e morder. Mordi como se o mundo estivesse acabando e eu precisasse alertar a todos. Abafei meu maior grito quando ele decidiu que seria uma boa ideia soltar minha perna esquerda e introduzir dois dedos em mim. Foi um ideia genial, eu estava sendo motivada de tantas formas que nunca tinha sido antes. Nem mesmo aquele sonho foi capaz de utilizar tanta imaginação para verificar minha reação. A combinação de seus dedos e sua boca com minha intimidade era de tirar o fôlego, seus movimentos eram sincronizados e o suor escorria por minha cara. Minha mão esquerda ainda segurava o cabelo de Calum, ele não podia parar.

? — ouvi as batidas na porta durante um bom tempo, mas apenas quando escutei a voz de Zoe me chamando que voltei a realidade.

Merda.
Não consegui responder nada de imediato, tinha medo de falar algo e não sair exatamente uma frase. Respirei fundo, tentando me acalmar.

— E-ESPERA AÍ… — gritei para que ela ouvisse e mordi meu lábio inferior na tentativa de sufocar meu gemido. Com certeza minha boca ficaria roxa depois disso, totalmente rachada.

Fui praticamente obrigada a fechar os olhos ao sentir os espasmos que eu tanto esperava tomarem conta de meu corpo. Desci uma de minhas mãos a passei pelos fios castanhos de Calum com firmeza, o que serviu de sinal para que ele aumentasse seus movimentos com a língua, fazendo minhas pernas tremerem.
Com a mão livre agarrei com força o edredom ao meu lado e joguei a cabeça para trás, deixando escapar o nome de Calum em um gemido. Ele não demorou para alcançar minha boca com a sua e, se possível, com mais desejo ainda.
Uau.
Nos afastamos e o vi fechando os olhos no momento em que passei minha mão delicadamente por seu rosto. Ergui minha cabeça para beijá-lo novamente. Céus, eu poderia ficar ali por horas.
Calum voltou a minha intimidade e lambeu-a por completo, o gosto de minha explosão em sua língua, limpando por completo minha intimidade. Eu respirei profundamente, o ar no quarto estava abafado e eu definitivamente teria que tomar banho.
Piscando um olho para mim, Calum se levantou. Ainda com as pernas bambas, fiz o mesmo. Eu precisava destrancar a porta para Zoe. Ajeitei meu cabelo o máximo possível e coloquei rapidamente minha roupa, guardando meu sutiã na mochila.
Observei que Calum tinha se acalmado e estava decente para sair, ignorando o fato do suor em sua pele e as bochechas coradas pela dificuldade de respirar enquanto me chupava. Me deu um beijo, dessa vez rápido, mais uma vez e destrancou a porta.

— Hey Zoe — ele se despediu sorrindo, beijando minha bochecha e saindo do quarto.
— Hey… Hm, os meninos vão jogar bola, acho que você precisa ir lá ou Luke vai ter três surtos porque está em desvantagem — Zoe disse para Calum, que a agradeceu e saiu andando atrás deles. A garota me encarou maliciosamente, balançando a cabeça em afirmação. — As meninas querem fazer uma noite das fofocas, e Emy estão pegando o vinho e os chocolates.

Afirmei com a cabeça, passando a mão pelo pescoço enquanto respirava fundo. Estava nervosa, apesar de também ansiosa para essa madrugada com elas. Sabia que ficaríamos horas conversando, pelo menos a cama de casal era grande e tinha espaço suficiente para que todas ficássemos confortáveis.
Avisei Emy que tomaria um banho rápido, só para me refrescar, e que enquanto isso ela poderia chamar as meninas para virem aqui no quarto. Aproveitava que nenhum dos meninos entraria querendo dormir e acabaria com a noite antes do previsto.
Logo caminhei em direção ao banheiro. Assim que me olhei no espelho, percebi que como imaginava, minhas bochechas estavam extremamente rosadas. Merda.
Meu coração batia tão rápido que era possível escutar as batidas no lugar vazio.
Ignorei isso e abri o chuveiro, me despindo e entrando no box. Tentei ser rápida, então minutos depois já estava me secando.
Saí do banho quase renovada, o sorriso bobo em meu rosto pós orgasmo se manifestava. Eu ainda estava tentando acreditar no que acabara de acontecer. Vesti o pijama e, sem mais demoras, fui encontrar as meninas no quarto. Zoe bebia direto do gargalo de vinho e eu soube na hora que hoje estaríamos sem taças, pelo menos evitava limpar tudo se caísse.
Comi um pouco de pipoca doce enquanto sentava ao lado de , que me ofereceu uma barra de chocolate aerado. Aceitei, feliz de estarmos aqui.

— Ok, quem quer começar a falar? — perguntei, observando-as.
— Não acredito que você vai vir com essas, ! — Zoe comentou, indignada. — Desembucha, pode ir contando o que a Austrália inteira está doida para saber.

Eu ri do modo como ela falou, entrando em um personagem e dando total foco em mim. e Emily me olhavam curiosas, tentando descobrir sobre o que estávamos falando.

— Como assim? — perguntou.
— Há pouco tempo peguei a nossa londrina favorita simplesmente trancada no quarto com o baterista da 5 Seconds Of Summer. Fala se não é a fofoca mais quente do mês? — Zoe continuou com sua brincadeira, fingindo ser jornalista de blogs.
— Do mês? Minha filha, essa é a fofoca do ano! — exclamou. — Tá esperando o que para começar a contar?

Fiquei olhando minhas mãos, nervosa, pensando em como contar o que havia acabado de acontecer. Respirei fundo, mais uma vez, e expliquei com o máximo possível — e adequado — de detalhes que poderia fornecer. Observei a cara de choque de todas as meninas, vendo o sorriso malicioso surgir na cara em cada uma, praticamente ao mesmo tempo. Meu coração acelerava somente de relembrar detalhes.

— Eu te avisei que esse tesão acumulado entre vocês resultaria nisso! — quase gritou, se jogando para cima de mim, agradecendo a Calum por finalmente ter tomado a iniciativa.

Ri e bebi um gole do vinho. Emy disse que era isso que deveria ter apostado com Zoe, porque estava mais que óbvio que não aguentaríamos muito mais tempo sem nada, mesmo que fossemos amigos há um tempo.

— Sério, eu não sei como você aguentou tanto tempo sem isso depois do que aconteceu no armário — disse, pensativa.

Sendo sincera, nem eu sabia a resposta para isso.

— O que aconteceu no armário? — Emy questionou, curiosa. Foi então que expliquei que não tínhamos apenas nos beijado lá dentro, mas sim ido um pouco além…
— Meu Deus do Céu. Eu nem sei o que responder… é muita informação, como você conseguiu viver tranquila? Não te deu o mínimo de vontade de saber como seria a continuação daquilo? — Emy perguntou e a cara que eu fiz respondeu totalmente essa pergunta. Também tratei de contar dos sonhos que tive.

É aquilo né, se eu estava na chuva, que me molhasse por completo logo.

— Ai amiga, eu não quero ser indelicada, mas estou morrendo de vontade de perguntar. Então se você não quiser responder, tudo bem, entendo completamente — Zoe começou a falar, tomando cuidado com as palavras. Eu afirmei que estava tudo bem. — Depois dessa… Experiência com Calum, como mesmo assim você escolheu ficar com ? Assim, ele parecia meio…
— Delicado demais? — completou, revirando os olhos. Já havia se tornado oficial que o jeito que ela descrevia ele era como delicado.
— Isso! Exatamente essa palavra.
— De fato, ele era totalmente delicado. Até irritava, sabe? Conversei sobre isso algumas vezes com ele, mas não deu muito efeito. Acho que por isso meu cérebro ficou tão sobrecarregado né, meu corpo não estava muito satisfeito… Juro, parecia que eu quebraria se ele fizesse um movimento brusco — contei, fazendo careta ao relembrar de como nosso sexo era “parado”.
— Eu até perguntei, uns meses atrás, se ela tinha certeza em trocar o intenso pelo delicado. Agora acho que temos nossa resposta — disse, com a boca lotada de pipoca.

Não existia arrependimento maior que esse na minha vida. Se eu soubesse o quão cansativo, ainda mais emocionalmente, seria me relacionar com , eu nem teria cogitado a ideia.

— É que às vezes tudo que a gente precisa na vida é tranquilidade, né… — Emy comentou, demonstrando entender meu lado e eu agradeci por isso. Era exatamente isso. me transmitia uma paz inicialmente, mas foi um livramento ele ter dado as caras e eu ter conseguido sair desse tormento.
— Bom, eu até queria paz e tudo, mas agora estou em desespero e preciso da ajuda de vocês — Zoe comentou. — Eu e o Ash nos aproximamos muito e ele é maravilhoso, mas confesso que estou morrendo de vontade de saber se essa boquinha beija bem. Preciso de dicas do que fazer!

Todas sorrimos e soltamos um gritinho emocionado, adorávamos Zoe e ela com o Ash seria perfeito! Eles fariam um casal incrível, mas também não imagino que teria problema se ficassem somente na amizade colorida. Eu só queria ver meus amigos felizes.
Passamos um longo tempo conversando sobre isso e dando ideias de como Zoe começaria a investir em Ash, e ela foi anotando tudo no bloco de notas do celular porque, de acordo com ela, havia bebido muito e iria esquecer.
Um tempo depois, Emy virou a conversa para , perguntando como eram as coisas entre ela e Luke porque eles evoluíram muito durante esse meio tempo.
A conversa estava muito tranquila e divertida, era impossível deixar de rir com elas, e foi seguindo assim por horas. Mas, mesmo assim, eu não conseguia parar de pensar em tudo que havia acontecido entre eu e Calum.
E provavelmente, no que aconteceria a partir de agora.


Capítulo 17 (Especial Halloween 2020)

POV.

— Não dá pra confiar em você! Céus, você tinha que fazer somente UMA coisa, Michael, uma! — Gritei, andando de um lado para o outro.
— Eu estava ansioso para a viagem e vocês sabem que eu esqueço as coisas quando fico ansioso! — ele tentou se defender.

Eu tremia da cabeça aos pés, meu rosto ardia e eu tentava controlar as lágrimas que subiam. Me recusava a chorar de ódio, estava desacreditada da situação que passava.

— O que aconteceu, ? — Luke perguntou sonolento enquanto chegava na sala. — Por que vocês estão gritando?
— Seu amigo aqui simplesmente esqueceu de pegar toda decoração da sua festa e do Ash. Tem noção disso? Simplesmente tudo! Foi a única coisa que eu fazia questão de trazer!
, eu não quero tirar sua razão, mas você viu o tanto de coisa que você mandou todo mundo trazer? Até tinta de cabelo tinha naquela lista — Calum disse e pude ver Mike balançando a cabeça em concordância.

Olhei feio em sua direção e massageei minhas têmporas, inspirando por completo o ar, tentando não surtar. Isso não poderia estar acontecendo.

— Eu tive uma ideia! — comentou. Ela provavelmente tentou pensar em mil possibilidades após ver o meu estado atual. — Podemos ir buscar. Não é muito longe daqui e é a única opção para as coisas saírem como planejamos desde o início.

Mordi os lábios indecisa, realmente não havia muito o que fazer além disso, afinal, não tínhamos condição alguma de comprar tudo novamente. Respirei fundo pela décima vez, sentindo que logo desmaiaria, e concordei com a minha amiga.

— Tudo bem então, vamos voltar para buscar as coisas. Quem vai? — Calum questionou, olhando para todos na sala.

Aos poucos, Luke, Ash, Emy e Zoe levantaram as mãos. Mike iria dirigindo - como uma forma de castigo também, é claro - e os outros acompanhariam essa aventura.
Pegamos salgadinhos, chocolates e bastante água para colocar na mochila e minutos depois já estávamos dentro da van, a caminho de Sydney. Por sorte a estrada estava vazia e não demoramos muito para chegar em casa.
Eu até diria que o caminho de volta foi tranquilo também, mas quando estávamos na metade, começou a chover. O problema é que não era uma garoinha e sim uma puta chuva. Nem preciso dizer o quanto detestava chuva. E pior, o vento também estava forte, de tal maneira que em vários momentos Mike precisou parar no acostamento da estrada porque a van estava praticamente sendo levada e a rua molhada não ajudou muito.

— Meu Deus, eu não quero morrer — Ash comentou do banco de trás, ele e Zoe estavam abraçados.
— Isso tudo é culpa do Mike! — Luke resmungou ao meu lado, enquanto segurava minha mão com força.

Eu nunca tive medo de trovões, mas dessa vez eu realmente estava assustada com a situação. Estar em casa e passar por uma dessas era uma coisa, estar dentro de uma van no meio do nada de noite era outra totalmente diferente.

— Gente, não querendo assustar ou fazer vocês me xingarem ainda mais, mas acho que temos um problema… — Mike comentou enquanto parava a van no meio da estrada.
— Merda — Emily xingou. Ela e Mike olhavam para algo na frente do carro e suas expressões com certeza não eram das melhores.
— Fala logo! — pedi, já estava estressada e esse suspense não ajudava em nada. Eu tentei olhar também, mas a chuva estava forte demais e não conseguia enxergar absolutamente nada.
— Eu acho melhor confirmar, esperem aí.
— Mike, toma cuidado! Fica perto da van e não se afasta muito — Emy disse e após Mike concordar com a cabeça, ele saiu da van.
— Mas que porra está acontecendo? — Calum questionou. — Eu vou lá com ele e…
— Não, tá doido?! — segurou seu braço ao tentar se levantar. — Não vai me deixar sozinha!
— Nada vai acontecer, fica calma — ele prometeu e, antes de sair, colocou a capa de chuva que eu entreguei.
— Como você sabia que iria chover? — Zoe me perguntou.
— Ela não sabia, só é doida mesmo e se previne para tudo — Ash respondeu por mim, de modo que eu apenas revirei os olhos e apoiei a cabeça no ombro de Luke.

Longos segundos se passaram desde que Calum e Mike saíram da van e nós já estávamos nervosos com aquilo tudo. Conversamos por um tempo sobre assuntos aleatórios para tentarmos nos distrair quando subitamente as portas se abriram provocando um barulho absurdo.

— Não! — Ash gritou e eu pulei no banco, assustada.

Poucos segundos depois, Calum e Mike entraram na van, diga-se de passagem que estavam ensopados.

— Não o que? — Calum perguntou, passando a mão nos cabelos, tirando um pouco da umidade. — Por que você gritou isso?
— Não sei, me assustei e gritei para não entrarem. Não pensei que fossem vocês — ele se explicou, meio constrangido.
— Ash, por que você acha que seu grito iria impedir que alguém entrasse aqui? Não faz o mínimo sentido — Luke ralhou e eu ri, indignada com a situação.

Todos no carro estavam dessa forma, mas, afinal das contas, esse era o Ash.

— O que aconteceu? — Zoe questionou, nos lembrando o que realmente importava ali.
— Tem uma árvore caída no meio da estrada. Não tem como passarmos e continuarmos o caminho — Mike respondeu, nos olhando.

Ninguém falou nada por alguns segundos, percebendo a merda em que estávamos.

— E o que vamos fazer? — fez a pergunta que todos gostariam de saber.
— Acho que podemos tentar ir por um outro caminho e ver se tem algum lugar para ficarmos até tirarem essa árvore — Emy deu a ideia e logo concordamos.

Não tínhamos outra opção de qualquer forma, então, Mike deu meia volta e seguimos pela única estrada livre à procura de alguma alma viva que pudesse nos direcionar. Os meninos conheciam somente a estrada principal que nos levava de casa para o sítio e do sítio para casa.
As ruas estavam desertas, não havia um único carro ou até mesmo posto de gasolina por perto. Inclusive, tentamos procurar algum estabelecimento aqui por perto, mas nossos celulares estavam sem sinal, então ficamos por conta própria. Ficar sem GPS e sem poder ligar para alguém nessas horas era o meu pesadelo.
Andamos por uns vinte minutos sem encontrar absolutamente nada ou ninguém, enquanto a preocupação apenas aumentava. Foi então que, no fim da estrada, consegui ver uma luz, mas não entendi muito bem o que era.

— Mike! Para o carro ali perto, acho que é um hotel. As luzes estão acesas, vamos pedir direções — Emy disse e todos concordamos.

Conforme Mike foi estacionando, o pessoal avisou que estava morrendo de cansaço. levantou um bom ponto ao dizer que deveríamos tentar nos hospedar durante essa noite porque os meninos pegariam uma gripe muito forte se deixassem a roupa ficar secando no corpo.
O hotel era enorme e bem velho, tinham pelo menos quatro andares e era todo feito de madeira. Apesar disso, parecia forte o suficiente para aguentar esse temporal.
Assim que entramos, percebi que até mesmo a decoração do lugar era antiga, isso sem contar com a porta, que fez um barulho horrível. Outro fator que não deixei de reparar foi o fato de que as luzes não eram fortes o suficiente, então parecia que tudo ali era muito escuro.
O cheiro também não era dos melhores. Muito pelo contrário, o mofo invadia minhas narinas e tudo que eu conseguia pensar era na falta de limpeza daquele lugar. Quer dizer, aquele era somente o hall, nem queria imaginar o estado dos quartos.
Torci o nariz e encarei , que me olhou de volta com um olhar específico. Incrível a capacidade de melhores amigas conversarem pelo olhar. Ela também havia detestado, ainda mais com sua mania absurda de limpeza e organização.

— Boa noite, tem alguém por aqui? — Luke questionou ao nos aproximarmos da bancada da recepção.

Por longos segundos não conseguíamos escutar absolutamente nada, além do barulho de chuva lá fora.

— Será que tem alguém aqui mesmo? — sussurrou, enquanto olhava com atenção para a sala onde estávamos.
— Boa noite! — uma voz totalmente desconhecida surgiu de uma portinha ao nosso lado e então um homem pálido saiu de lá. — Sou Joseph, posso ajudá-los em algo?

Seus cabelos eram escuros, assim como as olheiras em seu rosto claro. Ele vestia um uniforme vermelho de recepcionista e carregava um gatinho preto.

— Hm, na verdade pode sim. Estávamos voltando para o nosso sítio quando uma árvore caiu no meio da estrada, bloqueando o caminho. Precisávamos de um lugar para ficar, então queremos saber se tem algum quarto livre — Calum explicou, dando um sorriso amarelo.
— Claro, claro! Vocês precisam de quantos quartos?

Nos olhamos tentando entender como faríamos as divisões dos quartos e mesmo sem trocar uma palavra, já sabíamos a resposta.

— Quatro!
— Bom, temos dois no quarto andar e dois no segundo — Joseph comentou enquanto pegava quatro chaves nas gavetas. Eu e as meninas nos olhamos com as sobrancelhas franzidas, afinal, aquele lugar parecia vazio, não faz sentido estarmos em andares diferentes.
— Eu tenho só uma pergunta… — Emy começou a falar, chamando a atenção do homem pálido em nossa frente. — Porque vamos ficar em andares diferentes?
— Oh! Alguns quartos estão… — ele parou para pensar na palavra que usaria. — … em reforma graças alguns hóspedes que passaram por aqui.
— Entendi. Obrigada então — Emily agradeceu e pegou as chaves da mão do homem. Ela, Mike, Ash e Zoe ficariam no segundo andar e eu, Luke, e Calum ficaríamos no quarto.

Por ser basicamente uma relíquia, era óbvio que não havia elevador. Suspirei alto observando todos os lances de escada. Ash foi o primeiro a começar a subir e a escada rangeu ao primeiro passo. Encarei Luke em desistência, que me ofereceu um meio sorriso como modo de encorajar. Seria uma longa noite.

POV.

Admito que a caminhada até o quarto andar foi complicada. Primeiro que eram muitos degraus e segundo que eles faziam muito barulho, o que acabava me irritando. Desejamos boa noite para Mike, Ash, Amy e Zoe quando estávamos no 2º andar e continuamos subindo.
Por sorte, nosso quarto era em frente ao de e Luke, então seria fácil falar com eles.
A decoração do quarto era rústica. Piso e cama de madeira — como todo o hotel — e as paredes eram cobertas por um papel de parede antigo, que já estava descolando em algumas partes. Um tapete gigante vermelho se estendia por todo o cômodo, as cortinas e as roupas de cama eram praticamente da mesma estampa e cor. Um pouco estranho, mas ok…
Calum seguiu direto para o banho, afinal ele ainda estava com as roupas molhadas. Eu me sentei na cama e respirei fundo. Claro, a cama era de casal. Era ridículo pensar que eu estava um pouco nervosa em imaginar que teríamos de dormir juntos depois de tantas vezes que fizemos isso.
Porém, depois de o que ele fez ontem, eu não sabia exatamente o que esperar. Mordi o lábio ansiosa, e nada podia fazer além de aguardar. Ok, eu não somente poderia como deveria fazer algo.
Havia um secador pequeno, daqueles para viagem, mas serviria para tentar secar a calça de Calum enquanto ele se banhava. Ao contrário do que eu esperava, a potência do secador era ótima. Não demorou muito para que estivesse completamente seca.
Provavelmente a lição mais valiosa era verificar o tempo antes de sair de casa. E, no caso de chuva, sempre levar uma roupa extra. Bom, nunca se sabe.
Calum não demorou muito no banho, ele apareceu no quarto somente com a toalha enrolada na cintura e mexendo no cabelo. Automaticamente minhas coxas se friccionaram e demorei um pouco mais que o adequado para minha sanidade mental deixar de olhar seu corpo e encarar seu rosto.
Por sorte, ele estava distraído observando o quarto. Limpei a garganta, chamando sua atenção.

— Sequei sua calça. Ia começar a secar sua camiseta agora — informei, entregando-o a peça de roupa.
— Obrigado. Não precisa secar a camiseta, deixa que eu penduro aqui no box. Vou dormir sem camisa, até amanhã seca e vamos embora — ele disse com um sorriso de lado, dando as costas e voltando para o banheiro.

Chequei meu celular e ainda estava sem sinal, inacreditável. Aproveitei para colocar na tomada antes que ficasse sem bateria também.
Eu estava deitada na cama quando Calum saiu do banheiro. Encarei o teto, nervosa. As cenas do dia anterior repetindo na minha mente, meu corpo esquentava somente de lembrar.

— Não acredito que fomos de dormir em uma casa com lareira para um hotel de madeira que pode cair a qualquer momento… — ele comentou enquanto deitava na cama.
— Ah, nem me fala! Se pelo menos tivesse sinal aqui poderíamos estar assistindo algum filme — comentei, suspirando. — Agora não tem nada mais além de dormir.
— É…

Franzi as sobrancelhas e encarei Calum curiosa. Quando o fiz, quase desejei não ter feito. Seus olhos brilhavam enquanto ele me encarava, mordendo o lábio inferior suavemente.
Minha respiração acelerou e eu senti minhas bochechas esquentarem somente pela forma como ele me olhava. Com tanto desejo.

— Na verdade… Acho que tem sim mais uma coisa que podemos fazer além de dormir — ele disse em um quase sussurro.

Eu me rendia por completo por sua voz rouca. A sugestão estava bastante explícita pela forma como seu corpo se aproximou do meu. Sua mão tirou uma mecha de cabelo do meu rosto e se posicionou em minha bochecha, fazendo um leve carinho com o polegar.
Ao contrário do que parecia, a ternura não predominava seu ato. Calum poderia fazer qualquer gesto simples arder com a força de mil fogaréus. Sua pele queimava mais que o sol quando entrava em contato com a minha.
No entanto, eu não tinha medo de me queimar.

— É? O que você sugere?

Calum não respondeu.
Bom, não com palavras. Ele deu um sorriso ladino e inclinou o rosto em direção ao meu. O toque singelo de sua boca contra a minha não durou 5 segundos. Assim que levei minha mão até seus cabelos, Calum aprofundou o beijo, me lembrando como combinávamos nisso.
Minha língua percorria sua boca desesperadamente e ele não demorou para me puxar pela cintura, facilitando para que eu sentasse nele. Suas mãos contra minha bunda faziam com que nossas intimidades se encaixassem na hora. Ele parou de me beijar para tirar minha blusa, beijando meu pescoço.
Não perdi tempo em começar a arranhar suas costas suavemente, apertando principalmente na região dos ombros. Sabia que ele gostava assim porque sempre que nos beijávamos ele me apertava mais dessa forma.
As reações que Calum me provocava eram indescritíveis. Ele não chegava a ser bruto, sabia exatamente o tanto de força a usar. É como dizem, você não sabe o quanto precisava de algo até ter. Eu definitivamente imaginava que ele me proporcionaria essas sensações, mas, oh, nada superava a realidade.
Apertei seu corpo mais contra o meu, sentindo-o estremecer. Ele parou de me beijar e me encarou por alguns segundos. Isso foi suficiente para que eu tomasse coragem e o empurrasse contra a cama. Assim que ele estava completamente deitado, mordisquei seu pescoço.

— Essa noite é sua.

Sentei-me sobre suas coxas e segurei a barra de sua calça com meus dedos. Agradeci silenciosamente por ele não estar usando calça jeans ou cinto. Conforme fui abaixando, encontrei mais dois motivos para agradecer. O primeiro era o fato dele estar sem cueca. O segundo era devido ao seu tamanho.
Quem diz que tamanho não é tudo mentiu.
Ok, é importante que o cara saiba utilizar a mão e a língua, o que Calum definitivamente sabia fazer. Porém, eu sempre gostei de coisas grandes.
Fiz um coque completamente frouxo somente para tirar os fios extras do meu rosto e umedeci os lábios, abaixando a cabeça e me preparando. Nada mais justo que retribuir a sensação que tive na noite anterior.
Foi então que algo aconteceu. Parecia que uma das portas do corredor havia batido, mas não foi uma simples batida. Eu praticamente pulei de susto, realmente foi muito alto, olhei para Calum e ele estava tão assustado quanto eu.

— Será que a e o Luke saíram do quarto? — questionei, esperando muito que a resposta não fosse a que estava em minha cabeça.
— Acho que o som não parecia da porta aqui da frente… — merda.
— Então o que será que… — não consegui terminar minha fala, já que os barulhos de passos no andar de cima estavam extremamente altos. Era como se tivesse alguém correndo de um lado para o outro.
— Eu vou fazer uma pergunta só para confirmar que não estou louco — Calum começou a falar. Ele parecia estar nervoso pelo seu tom de voz. — Nós estamos no último andar, não é?

Foi então que eu entendi. Um silêncio tomou conta do quarto. A porta, depois os passos…

— Vamos chamar e Luke. — disse e Calum apenas concordou. Coloquei minha blusa novamente, ele subiu sua calça e em poucos segundos estávamos em frente a porta do nosso quarto, prontos para abri-la.

Girei a maçaneta e fui abrindo a porta lentamente. Não estava preparada para encarar aquele corredor escuro após os sons que escutamos.
Assim que a abri completamente, encaramos o quarto em nossa frente. Tinham duas pessoas paradas nos olhando. Não tive outra reação a não ser gritar. Muito.
O que fez Calum se assustar e gritar também.

— Cacete, qual o problema de vocês? — Luke comentou, com a mão no peito. — Vocês quase me fizeram morrer de susto agora!
— O que vocês estavam fazendo parados aí?! — questionei, tentando me recuperar.
— Nós escutamos alguns barulhos e decidimos ver se vocês escutaram também… — explicou, claramente apavorada, assim como eu. Ela é uma pessoa cética na maioria das vezes, mas só de estar nesse lugar é o suficiente para assustar qualquer um.
— Nós estávamos fazendo a mesma coisa — Calum comentou. — Vocês escutaram a porta e os…
— Passos no andar de cima? — Luke perguntou e logo balançou a cabeça positivamente, mostrando que haviam escutado também.
— Mas que merda estamos fazendo aqui? — resmungou. — Não acredito que aceitamos passar a noite nesse lugar.
— Será que esses barulhos estão vindos do andar de baixo e o eco faz parecer que são em cima? — Luke questionou, nos fazendo refletir sobre isso.
— Ainda assim não faz sentido. Os quartos do andar de baixo estão vazios, não estão? — comentei e eles concordaram com a cabeça.
— É, meio difícil que esse barulho todo venha por conta do resto da galera — Calum disse, coçando o pescoço.

Eu não estava gostando nada daqui.

— Acho que só tem um jeito de confirmar. Vamos descer e perguntar se eles também estão ouvindo — Calum disse.
— Sério, tem coisa melhor que isso as duas da manhã? — resmungou irritava. Luke abraçou-a pelos ombros e beijou o topo de sua cabeça.

Avisei que iria somente buscar meu celular, caso precise acender a lanterna ou coisa do tipo, e poderíamos ir.

— Ok, vamos?

Zoe POV

— Zoe, tem certeza que deixou seu celular na minha bolsa? Eu não lembro disso — Emily disse assim que abriu a porta do quarto.
— Eu não tenho bolsos nessa calça e não está com o Ash. Queria saber se não tava com você — expliquei. Não o usaria para nada afinal, estávamos sem sinal, mas mesmo assim precisava encontrá-lo. Me sentia vazia sem ele.
— Não, amiga. Será que não está na van? — Emy questionou. Foi então que arregalei os olhos, realmente não havia pensado nessa possibilidade. — Quer ir lá ver?
— Quero sim, amiga. Nossa, eu nem pensei em estar lá. Já estava me desesperando.
— Vou avisar o Mike que já voltamos — ela comentou e após eu concordar com a cabeça, entrou em seu quarto.

Ela disse que explicou para Michael sobre o celular e que iríamos ver se estava no carro, a resposta dele foi apenas que estava tudo bem e que tomaria um banho, já que estava com as roupas molhadas ainda.

— Vamos!

Logo começamos a descer as escadas em direção ao térreo. Ainda estava garoando, mas por sorte Mike estacionou a van próximo o suficiente do hotel. Não demoramos muito para achar o meu celular, ele estava no banco em que eu e Ash ficamos. Suspirei aliviada.
Nada pior que achar que perdeu o celular no fim do mundo.
Quando estávamos voltando e passando pelo primeiro andar, vimos uma senhora carregando algumas sacolas com dificuldade, então sem mesmo pensar duas vezes, nos aproximamos dela.

— Boa noite! Sou Zoe e essa é minha amiga Emily, vamos passar a noite aqui e vimos que a senhora está carregando muitas sacolas. Podemos ajudar? — questionei, chamando a atenção da moça de cabelos grisalhos. Além das compras que ela segurava, também tinham algumas no chão.
— Oh! É um prazer, meninas. Me chamo Dorothy e, se não for incomodá-las, vou aceitar a ajuda sim — a senhora Dorothy sorriu simpática, deixando as sacolas no chão enquanto eu e Emily as pegávamos e ela destrancava a porta do quarto. — Estou agradecida mocinhas, vocês são muito generosas.

Pedimos licença antes de entrar e colocamos a compra em cima do balcão. Ao contrário dos nossos quartos que eram compostos somente por uma cama de casal, um armário e um banheiro, o seu parecia como se fosse um apartamento mesmo.
A decoração era totalmente delicada e antiga, com flores em tons pastéis. Haviam retratos na parede com várias pessoas diferentes, provavelmente de sua família. Reconheci uma foto dela mais nova usando um vestido branco ao lado de um rapaz. Era de seu casamento.

— Obrigada novamente. Sentem-se, deixe-me preparar um chá — ela ofereceu.
— Estamos realmente agradecidas pela proposta, mas está tão tarde, não queremos atrapalhar a senhora — Emy respondeu e eu concordei com a cabeça.
— Bobagem. Faz tanto tempo que não tenho companhia, fico abandonada sozinha nesse hotel… por favor, aceitem esse pedido de uma idosa que quer somente papear.

Sorrimos amarelo, nos entreolhando. Sinceramente, eu gostaria de estar com Ash no momento e tenho certeza que Emy preferia estar com Mike. Mas não faria mal fazer companhia por 10 minutos.
Nos sentamos no sofá confortável de couro e ela se retirou, indo até a cozinha. Como era estilo de cozinha americana, somente havia uma bancada separando-nos. Oferecemos ajuda, mas Dorothy disse que gostava de fazer tudo sozinha. Além disso, ela tinha feito muffins antes de sair e, de acordo com ela, ainda estavam fresquinhos.

— Por que eles são rosa? — perguntei.

Tive a impressão de ouvir uma risada baixa, mas devo ter imaginado.

— Tem um ingrediente secreto, meu bem. Infelizmente não posso te contar, é receita de família — ela sorriu sem mostrar os dentes e depositou a chaleira no meio da mesa.

O cheiro era delicioso. Definitivamente eu adorava chá. Lembrava-me muito da minha avó que sempre me preparava assim que eu voltava das aulas com Emy. Invés de muffins, sua especialidade era bolo de limão. Maravilhoso.
Comentei disso com a senhora Dorothy e ela sorriu lisonjeada, dizendo que amaria que seus netos fossem tão carinhosos quanto nós.
Antes que eu segurasse a xícara, o celular de Emily tocou e, após nos entreolharmos — já que dez minutos atrás estávamos sem sinal, vi o nome de Mike se iluminar na tela. Ela logo se levantou e foi atender.

Calum POV’s

Assim que voltou, começamos a descer as escadas tranquilamente até que as luzes começaram a piscar. Ela parou no lugar e automaticamente segurou minha mão. Eu sabia que ela realmente detestava escuro. Sorri de canto, era bom saber que proporcionava confiança a ela.
Sendo sincero, eu não ligaria de continuar no escuro se estivéssemos sozinhos. Sabia que iria sonhar com o que quase aconteceu no quarto. Foi tão perto…
Nunca amaldiçoei tanto um lugar.
A lâmpada voltou a funcionar. Não se estabilizou, mas pelo menos somente estava falhando. Mesmo com aquela pouca luz, continuamos descendo, sempre ouvindo o barulho das portas e do ranger dos móveis. Bizarro para caramba.
Seria uma longa madrugada.

— Que horas são? — Luke questionou repentinamente. Realmente não fazia sentido perguntar das horas quando estávamos em um hotel estranho e descendo escadas no escuro enquanto as luzes piscam.
— Três da manhã, por quê? — respondeu após olhar em seu celular.
— Ah não! Gente, vamos voltar. É um perigo estarmos em pé esse horário vagando por onde não conhecemos — Luke respondeu, com os olhos arregalados e puxando pela mão.

A ruiva apenas revirou os olhos e bateu de leve em seu ombro.

— Luke é muito supersticioso. Ele acredita mesmo que essa é a hora do diabo, como os filmes dizem — ela explicou.
— Não são somente os filmes que falam isso! Vocês nunca viram os vídeos de atividades sobrenaturais? Sempre deixam um relógio e ele congela nesse horário.
— Luke, se isso fosse real, você não precisaria se importar. Sua cara é tão feia que os demônios achariam que você é um deles — brinquei e levei um soco forte no ombro. Doeu um pouco, mas ri demais da cara que ele fez.

Continuamos descendo mais as escadas, era impressionante como os barulhos não pareciam diminuir em momento algum.
Estávamos passando pelo terceiro andar quando escutamos algumas portas batendo no fim do corredor.

— Deveríamos ir lá? — perguntou. Enquanto isso Luke resmungava sobre filmes de terror e como todos morriam por fazer exatamente o que estávamos fazendo.

balançou a cabeça positivamente e começamos a caminhar até lá. Como o corredor era totalmente escuro, tivemos mesmo que ligar a lanterna dos nossos celulares. Abrimos porta por porta, sendo que todas estavam destrancadas, e confirmamos que não havia realmente nada por lá.
Ao ouvir mais um barulho vindo da última porta, fomos praticamente correndo verificar o que havia acontecido. Antes de que eu pudesse alertar, começou a gritar.

— Socorro! Me solta, demônio! Socorro, alguém me ajuda! — ela gritava desesperada. Um fato engraçado sobre é que quando ela ficava com medo, somente havia duas opções: ou ela congelava ou ela começava a se debater.

Obviamente, foi a segunda que aconteceu.

— Você é louca, garota!? Que isso? — Ash gritou de volta enquanto tentava escapar dos tapas de . Luke e tiveram que intervir e segurá-la até que se acalmasse.
— Céus, me desculpa. Mas também… Olha o jeito que você apareceu aqui! — ela disse, com a mão sobre o peito.
— O que vocês estão fazendo aqui? — questionei. Não fazia sentido, já que seus quartos eram no andar de baixo.
— Seguinte: deu merda — Mike comentou. Ele parecia assustado, quase desesperado. — Zoe perdeu o celular e ela e Emy foram buscar ele lá na van. A parte da merda começou quando elas simplesmente não voltaram mais, então eu chamei Ash e decidimos procurá-las pelo hotel. Já fomos no primeiro andar, no nosso e agora aqui. Falta o quarto.
— No quarto andar elas com certeza não estão, nós descemos de lá agorinha — respondeu e Mike suspirou.
— Merda, merda, merda… Não sei onde procurar mais. Eu estou preocupado, esse hotel é estranho! E já faz muito tempo, não é possível.
— Nem vou falar do que escutamos até aqui então… — Luke resmungou e Mike arregalou os olhos. Eu o olhei, o repreendendo. Ele sabia que Mike era o mais medroso de todo grupo e, sinceramente, eu não estava com sanidade mental para aguentá-lo.

Claro, além do fato dele estar surtando porque sua namorada simplesmente desapareceu.

— O que vocês escutaram até aqui? — Michael perguntou.
— Olha, acho melhor não…
— As portas vivem batendo, escutamos passos no andar de cima do nosso e olha que nós estávamos no último! E…
— Luke! — o interrompi quase gritando. — Vamos só ajudar a achar elas, tudo bem? Sem assustar ainda mais eles.
— Puta merda, esse lugar é muito estranho mesmo. Nós vamos encontrar elas e sair daqui! Prometam pra mim. Sério — ele nos olhou com atenção. Primeiro pensei que era brincadeira, mas depois percebi que era bem sério.
— Nós prometemos, vamos achá-las — disse segurando sua mão e olhando em seus olhos.
— Sim, pode respirar Mike, não aconteceu nada, tenho certeza — assegurou.

Elas eram ótimas em tranquilizá-lo, mas dava para perceber que estavam tremendo de nervosismo. E sabia que iríamos percorrer esse hotel inteiro até encontrá-las.

Ash POV’s

Algumas horas depois…


Eu estava preocupado. Zoe sumiu há muito tempo com Emily e não achá-las me deixava nervoso. Mesmo encontrando o restante do grupo, ainda não conseguia relaxar totalmente. Nenhum de nós conseguia, na verdade.
Dava para ver que eles estavam fazendo grande esforço para nos distrair um pouco. Horas haviam se passado e nada delas. Parecia que tinham evaporado. Não existia ninguém além da gente nesse hotel. Não encontramos nem mesmo o cara que nos entregou as chaves! Era bizarro.
Verificamos todo o perímetro aqui. Elas não estavam no carro, não estavam em nenhum lugar dessa rua deserta. Não estavam escondidas em nenhum dos banheiros ou embaixo das camas dos andares desse prédio.
Ok, tinham várias portas trancadas que tentamos, sem sucesso algum, arrombar. Mas fazia sentido, o recepcionista tinha comentado mesmo sobre isso. Gritamos mil vezes e elas não tinham respondido de modo algum, as luzes estavam totalmente apagadas.

— Não é possível! Estou evitando pensar o pior dessa situação, mas são duas mulheres sozinhas na calada da noite… eu nem me toquei quando Emy disse que iria para o carro, deveria ter pedido para esperarem e ter ido junto — Mike lamentou, desesperado.
— Ei, Mike, o que é isso? Tá doido? Ninguém nunca imaginou que isso aconteceria, ninguém te culpa por algo assim — disse enquanto o abraçava. Mas ela mesma estava com uma voz de choro.
— Respira fundo, ok? Bebe um pouco de água, aqui — Luke ofereceu a garrafinha enquanto fazia carinho nos cabelos avermelhados de . Ela também estava quase chorando de desespero.

Por um segundo, sentei no corredor vazio e encaixei minha cabeça entre as pernas, respirando fundo. Precisava me acalmar antes que surtasse.
Nem dois segundos após o ensurdecedor silêncio que fazíamos, pude ouvir um bipe. Ninguém falou nada, então achei ter imaginado. Quando o segundo bipe aconteceu, Calum se manifestou.

— Mike, seu celular!
— Não acredito! — Mike gritou surpreso. — Está com sinal. Vou ligar para Emily agora.

Suspiramos aliviados, dando graças que nossas chances tinham aumentado.
Porém, quase vi Mike desligar após a terceira ligação que caia na caixa postal direto. insistiu para que ele ligasse novamente e ele o fez, deixando no viva voz.

“Alô?”

Emily POV’s


— Alô?
“Onde você está?!” — Mike perguntou gritando assim que atendi meu celular. — “Zoe está com você?”
— Oi, amor. Estou ótima, e você? — respondi ironicamente, não entendendo seu comportamento.
“Emily, pelo amor de Deus. Não é hora para isso. Onde vocês estão?! Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?”
— Mike, estamos bem. Encontramos o celular da Zoe no carro e, indo para o quarto, encontramos uma senhorinha carregando compras pesadas sozinha. Viemos ajudá-la, logo estamos voltando.
— “Emy, que senhora é essa? Vocês entraram na casa de uma estranha? Me passe o endereço que estamos indo buscá-las agora!”
— Estamos no 1º andar do prédio. Não estou entendendo sua preocupação — eu realmente não estava entendendo nada. Mike nunca gritava comigo no telefone, na verdade ele nunca gritava por nada.
“Não é possível, fomos aí diversas vezes e não havia nada além de quartos vazios e velhos. Onde vocês estão?” — ele repetiu mais uma vez, desesperado. — “As meninas estão quase chorando e eu juro que estou me controlando para não perder a cabeça!”
— Do que você tá falando? Não aguenta meia hora longe de mim? — eu questionei, séria. Ok, esse hotel não era dos mais agradáveis, mas não fazia sentido esse desespero todo.
“Meia hora? Emily, você e Zoe sumiram por mais de três horas! Já passou das 5 horas da manhã, Céus. Estamos tentando arrumar sinal para ligar para vocês tem muito tempo!”

Franzi o cenho confusa e olhei para meu celular. Como assim? Entrei em choque ao perceber realmente o horário que era. Olhei o relógio pendurado na parede de Dorothy e o ponteiro estava indicando serem três da manhã. Havia algo muito errado.

— O relógio aqui congelou. Fica tranquilo, já estamos indo embora. Nos encontramos no nosso quarto, tudo bem? — o tranquilizei e, após ele concordar, desliguei a ligação.

Não acreditava que tínhamos demorado tanto tempo aqui, os meninos estavam surtando com razão. Nem queria imaginar o tamanho do sermão que ouviria de .

— Zoe, está muito tarde, precisamos ir embora. Senhora Dorothy, muito obrigada pelo convite e sinto muito por não conseguirmos provar nada, mas nossos amigos estão desesperados atrás de nós. Ah e aparentemente, seu relógio está com o horário errado.
— Ah querida, ele está marcando exatamente o horário que deveria marcar. — ela respondeu, me deixando ainda mais confusa. — É realmente uma pena, mas antes de irem, tomem o chá! Podemos considerar isso como uma despedida…
— Muito obrigada, mas nós realmente precisamos ir dessa vez. Tenha uma ótima noite — Zoe disse e, assim que começamos a andar em direção a porta, a senhora agarrou o braço da minha amiga, que me olhou totalmente assustada.
— Vocês precisam tomar o chá! São só três minutinhos — Dorothy comentou, falando com uma voz mais rouca que o normal. Ela não parecia mais aquela doce senhora, e sim uma mulher muito estranha, totalmente diferente do que era dez minutos atrás.
— Boa noite, senhora — disse, puxando Zoe comigo e a arrancando dos braços daquela mulher, enquanto ela ainda implorava para tomarmos a droga do chá.
— Mas que porra… — Zoe começou a falar assim que saímos do quarto e percebemos a claridade através da janela. — Quanto tempo ficamos aqui?!

Tive que explicar toda a situação para minha amiga e ela parecia tão chocada quanto eu. Era impossível que todo esse tempo tivesse passado. E como os meninos não nos encontraram se era o único lugar iluminado do corredor?

Luke POV’s

Nunca vi Mike tão emotivo como no momento que vimos Emily e Zoe virando o corredor do segundo andar apressadamente. Ele e Ash levantaram em um pulo e correram para abraçá-las. Suspiramos em uníssono aliviados e beijou meu pescoço, se tranquilizando.

— Por favor, nunca mais ajudem ninguém. Pode ser idoso, criança, sério! — Calum disse brincamos e rimos baixo, a situação havia sido desesperadora.
— Desculpa preocupar tanto vocês assim, o relógio dela realmente congelou. Não vimos que o tempo passou tanto — Emy explicou, parecendo realmente não entender o que aconteceu.
— Foi muito estranho, o relógio dela parou de funcionar exatamente às 3 horas da manhã… — Zoe disse e, na mesma hora, , Calum e me encararam de olhos arregalados. — E quando Emy comentou sobre isso, ela disse que estava no horário que deveria estar. Doida, né?
— Eu avisei! — falei alto encarando os três enquanto cruzava os braços e levantava o queixo, me sentindo vitorioso. — Quem mandou não acreditarem em mim?
— Meu bem, foi só uma coincidência, para com isso — me respondeu e eu revirei os olhos.

Elas começaram a explicar como foi dentro do quarto e como a senhora era.

— Estranho uma senhora carregando compras às duas e meia da manhã, mas tudo bem, né…
— De qualquer forma… acho que já deu por hoje. Vamos pegar nossas coisas e vazar logo daqui — Calum sugeriu e todos concordamos.
— Prefiro esperar dentro da van até retirarem a árvore do caminho que passar mais dois segundos dentro deste hotel — disse, estremecendo.

Não demorou muito até que todos nos encontrássemos novamente a caminho da recepção. Engraçado que durante todas essas horas não havia o mínimo sinal de vida aqui e, do nada, o recepcionista aparecia.

— Caramba, você sempre vem trabalhar esse horário? — Ash perguntou.
— Sim. Como foi a noite de vocês? — ele perguntou sorridente. Estreitei os olhos e preferi nem falar.
— Bem… intensa, por assim dizer — Mike respondeu, dando um sorriso amarelo.
— Que bom… eu acho. A árvore já foi removida de onde vocês disseram — o homem deu de ombros e então terminou o check out. — Obrigado por nos escolher e voltem sempre!
— Oh, antes de irmos, queria perguntar uma coisa! — Emy chamou a atenção de todos nós. — A senhora que mora no primeiro andar está aqui desde quando?

O recepcionista olhou em silêncio para Emily por alguns segundos com as sobrancelhas franzidas.

— Quem? — ele questionou. Ele realmente não parecia ter ideia sobre o que ela estava falando.
— A senhora Dorothy, uma idosa do primeiro andar? Nós ajudamos ela com as compras e ela parecia ser simpática, mas dizia ser muito sozinha — Zoe disse, mais parecendo uma pergunta.
vFoi então que a cara dele fechou e ele apertou os olhos, estranhando e olhando de uma para outra.

— Ela… hm… morreu há trinta anos. Na verdade, foi bem trágica a história que aconteceu com ela… Mas, bom, estupidez tem seus limites.

Eu parei de escutar a voz dele quando disse que ela havia morrido há trinta anos. Eu simplesmente não sabia o que fazer. Olhei para Emily e Zoe e elas estavam pálidas. , Calum, , Mike e Ash não estavam diferentes.
Caralho. Como elas haviam conversado por horas com a porra de uma senhora que morreu?!

— Como ela faleceu? — Ash perguntou.
— Foi ridículo. Ela tinha um filho casado que vivia deixando ela aqui, eles moravam por perto e queriam muito um filho, mas a senhora Dorothy sempre detestou a mulher. Uma vez, quando sua nora estava grávida de três meses, vieram visitá-la durante o café da tarde. Dorothy adorava cozinhar cupcakes, cookies e sempre fazia chá. Ela inclusive sempre me trazia uns. Enfim, esse foi o único dia que ela não me trouxe, ainda bem. Quando o filho subiu com sua nora até o apartamento para beberem, pouco tempo depois o hotel inteiro ouviu um grito estridente. Eu e alguns seguranças subimos correndo, adivinha o que a velha fez? Envenenou a xícara de chá deles, mas acabou se confundindo e bebeu junto — ele deu de ombros.
— E o que aconteceu? Eles morreram?
— Ela e o filho faleceram na hora, nem deu tempo da ambulância chegar. E a nora, coitada, teve um aborto espontâneo pelo susto. Perdeu de vez o marido e o bebê.
— Não acredito! Que horror, tadinha… — disse. — Ela está como agora?
— Morta. Se matou nem dois meses depois. Ela comeu um bolinho com tanto analgésico que ficou até rosa e depois se jogou da janela — ele disse, parecendo nem ligar.

Estávamos todos sem jeito, após uma história dessa seria difícil saber como reagir. Apenas nos despedimos e fomos embora praticamente correndo.
Assim que fechamos a porta da van, ficamos em silêncio por alguns segundos. Ninguém sabia ao certo o que dizer depois daquela descoberta. Emily e Zoe haviam, simplesmente, encontrado com a porra de um espírito! Sem contar que tudo isso explica totalmente o que aconteceu durante a noite. Os passos, as portas batendo…

— Nós podemos só… sair daqui? — pediu e Mike não precisou nem mesmo concordar, o motor já estava ligado e ele pisava no acelerador.
— Eu espero muito que daqui um tempo essa história seja hilária, porque agora eu estou apavorada — Zoe comentou e logo concordou.

Não demorou para chegarmos no ponto onde a árvore havia caído, mas agora a estrada estava livre e finalmente poderíamos voltar para o sítio. Só sei que depois de hoje, não sei se ficaria em qualquer hotel novamente.

— Mike, da próxima vez que você esquecer alguma coisa, eu vou te empurrar do carro em movimento, ok? — disse o olhando ameaçadoramente.

Mike engoliu em seco e concordou com a cabeça. Ri suavemente, mas sem muito humor. Foi a noite mais assustadora da minha vida, sem dúvidas!




Continua...



Nota da autora: Oiii lindinhas, como estão?
Pois é ÓBVIO que não iríamos perder o Especial de Halloween desse site maravilhoso né!! Melhor época do ano, sem dúvidas.
Tentamos intercalar os sustos no capítulo com a personalidade desses personagens, espero que tenham gostado!! É uma pegada de suspense com diversão.
Mas, fala sério, quem aguentaria passar a noite num hotel desses? Sem condição alguma.
Comentem o que acharam! Amamos saber o que estão achando nessa fic.
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Obrigada por lerem.
Até o próximo lindinhas!
Xx.

Nota de beta: Adorei, demais!!! Mais achei graça do que realmente susto, embora tenha me arrepiado com a história da velhinha. Estava jurando que íamos ter um tempinho pro meu casal, mas esses barulhos do corredor... foi bem interessante. Ansiosa pra saber o que vai acontecer agora que a decoração da festa está sã e salva, rsrs.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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