Contador:
Última atualização: 12/01/2020

Capítulo 1

A aldeia não tinha mudado tanto quanto eu imaginava, as casas continuavam da mesma forma, como se nunca tivessem sido reformadas depois de tantos anos. Porém, uma coisa havia mudado, o rosto de Tsunade estampado no Monumento Hokage. Um sorriso se fez presente em meu rosto e a saudade bateu fortemente em meu peito, não imaginava, até aquele momento, o quanto sentia falta daquele lugar, daquelas pessoas. Os sentimentos que a anos me sufocava e quase apertava meu peito e a vontade de chorar aparecia.
? — Meus pensamentos foram dispersos ao ouvir uma voz bastante conhecida, fazendo o sorriso se abrir, ainda mais, em meu rosto.
— Olá Kurenai. — Eu não consegui dizer mais nada pois, logo senti braços me rodeando em um abraço fazendo-me apertar a mulher.
— Senti saudades. — Disse Kurenai ainda no abraço.
— Pode apostar que não mais que eu. — Larguei-me dela e segurei seu rosto em minhas mãos. — O que tem na água daqui? O tempo passa e você consegue ficar mais linda do que já era.
— Olha só quem fala. — Kurenai respondeu juntando nossas mãos. — Você está maravilhosa.
— O tempo foi muito bom. — Respondi ainda sorrindo. — Como estão as coisas?
? — Uma voz logo interrompeu nós duas.
— Asuma, como vai? — O sorriso que já era grande, parece que aumentou ainda mais com a imagem do homem, me aproximei rapidamente para um abraço apertado, um abraço que transmitia toda saudade que eu sentia.
— Nossa, quanto tempo ein. — Disse Asuma tímido.
— Nem me fale, senti saudades.
— Aposto que sim, a aldeia não é a mesma sem você. — Respondeu ele.
— E eu, definitivamente não sou a mesma sem Konoha. — Um vento bateu em meu rosto e lágrimas estavam sendo seguradas fortemente.
— Vim me encontrar com Kurenai pra um passeio. — Asuma disse segurando a mão da namorada. — Será bem-vinda.
— Eu amaria, de verdade. — Meu coração logo se aqueceu ao perceber aqueles dois juntos. — Mas eu preciso falar com a Tsunade antes de tudo. — Respondi com a felicidade estampada em meu rosto. — Mal cheguei e ela já me quer no hospital.
— Era de se imaginar. — Kurenai respondeu me deixando curiosa.
— Por quê exatamente era de se imaginar? — Questionei.
— Vai saber quando chegar lá. — O sorriso que ela me deu antes de sair atiçou ainda mais minha curiosidade, me fazendo andar ainda mais apressadamente.
O hospital não era muito longe e logo consegui chegar, percebi que nada tinha mudado ali, aquele espaço já me era familiar já que trabalhei aqui muito tempo quando não era enviada em missões. As enfermeiras sorriram ao me reconhecer e, aos poucos, acenei para cada uma que passava. Sentia uma falta gigante de salvar pessoas, ser uma médica ninja sempre foi uma das prioridades na minha vida e a ajuda de Tsunade foi fundamental, eu devia tanto a ela por todas as vezes que me ensinou a me tornar cada vez melhor. Cheguei a porta que foi me informada e abri, sem cerimônia alguma logo vendo a imagem das pessoas se formarem. A primeira foi Tsunade, ela virou-se rapidamente e abriu um grande sorriso ao me ver, ao seu lado Shizune com a mesma expressão de felicidade da Hokage, ao lado da cama dois rostos curiosos sendo um deles o garoto que eu mais ansiava ver, abri um sorriso, mas logo fechei ao ver quem estava deitado na cama. Kakashi parecia calmo, mas percebia-se por seus olhos o espanto de me ver ali, mas ao mesmo tempo a mágoa que me matava e me corroía por dentro.
, que bom que você chegou. — Shizune foi a primeira a se pronunciar me fazendo aproximar logo abraçando-a fortemente.
— Já faz algum tempo não é mesmo? — Tsunade disse me olhando.
— Realmente é muito bom revê-la. — Respondi. — Senhora Hokage.
— Quem é você? — O garoto que permanecia ao lado da cama perguntou, fazendo um sorriso enorme crescer em meu rosto.
— Você é o Naruto não é mesmo? — Perguntei mesmo já sabendo a resposta.
— Você me conhece? — Questionou ele.
— Você cresceu tanto. — Ignorei sua pergunta e me aproximei. — Está tão bonito. — Vi rapidamente uma cor vermelha se apossar de suas bochechas e as segurei em minhas mãos. — Aposto que tem várias garotas atrás de você. — Sorri vendo-o se afastar rapidamente. — Essa moça ao seu lado é sua namora?
— O que? — A garota agora pronunciou bastante irritada.
— Me desculpe. — Disse rapidamente. — Você deve ser a Sakura então.
— Pera um pouco. — Naruto, ainda constrangido, falou. — De onde você me conhece? Nos conhece na verdade.
— Senhora Tsunade me falou sobre a equipe Kakashi. — Respondi prontamente. — Eu te conheço desde sempre Naruto, mas me ausentei nos últimos anos, não se preocupe não sou ninguém relevante para que você precise lembrar. — Sorri tentando acalmar o garoto. — É realmente um prazer revê-lo.
— Não sabia que estava de volta. — A voz de Kakashi me trouxe de volta a realidade e, ao olhá-lo, o meu sorriso se desfez.
— É muito bom revê-lo também Kakashi. — Respondi.
— Eu não disse que era bom vê-la. — Disse grosseiro me fazendo revirar os olhos.
— Não seja rude com ela Kakashi. — Ordenou Tsunade.
— Não tem problema. — Falei rapidamente interrompendo a Hokage. — Eu entendo perfeitamente, nunca pensei que seria recebida somente com sorrisos.
— Ei, quem é você e por quê o Kakashi sensei te odeia? — Perguntou Naruto.
— Naruto, quando você vai parar de ser tão inconveniente? — Disse a garota ao seu lado.
— Meu nome é e a alguns anos saí de Konoha. — Respondi. — E bom, em questão do Kakashi eu não sei o que acontece. A alguns anos atrás posso apostar que ele pularia de felicidade ao me ver. — O olhar irritado que eu recebi me fez ter a certeza de que eu estava fazendo o certo. — Afinal, ficamos juntos por muito tempo pro amor ter acabado fácil assim. — A cara de espanto em todos da sala me fez abrir a maior gargalhada desde que eu cheguei.
— Cala a boca . — Kakashi logo me surpreendeu ao ser o primeiro a falar. — Mas é bom ter sua cara de pau de volta. — Gargalhei ainda mais ao ouvi-lo, de verdade ele me surpreendeu, não esperava por essa.
— Ual, seu senso de humor realmente mudou. — Respondi.
— Ei espera só um minuto. — Sakura interrompeu. — Vocês dois já... é vocês eram... — A garota realmente estava constrangida e não conseguia terminar a frase.
— Ela quer saber se vocês eram namorados. — Naruto mandou na telha fazendo a menina ao seu lado lhe lançar um olhar tão ameaçador que até eu sentiria medo.
— Naruto seu idiota. — Sakura gritou dando um tapa relativamente forte no garoto.
— Sakura o que eu fiz? — Questionou o rapaz alisando o galo enorme que ficou na sua cabeça.
— Chega vocês dois. — Ordenou Tsunade.
— Me desculpe senhora. — Pediu Sakura.
— Vamos sair, Kakashi precisa descansar. — Disse Shizune e logo os dois jovens se despediram do sensei e saíram. Quando eu fui acompanha-los Tsunade me parou no meio do caminho.
— Para onde pensa que vai? — Perguntou irritada.
— Ué, Kakashi não precisa descansar?
— Não seja estúpida. Sua nova missão é cuidar dele. — Respondeu ela com cinismo.
— Mas senhora, tem os melhores médicos da aldeia... — Fui interrompida.
— Não quero saber, é uma ordem. — Finalizou saindo apressada e não me dando o direito de resposta.
— Ela é mesmo uma velha chata e piorou depois de virar Hokage. — Falei comigo mesma, suspirando e voltando meu olhar para o homem deitado na cama.
— Não seja maldosa. — Sabia que ele iria ouvir.
— E você ein? — Comecei sentando na cadeira que estava ao seu lado. — Você está acabado.
— Obrigado. — Respondeu ele ironicamente.
— O que aconteceu com você? — Estava bastante curiosa, fazia tempo que eu não o via daquele jeito.
— O Sharingan. — Suspirou logo ao responder. — Acho que usar o Mangekyo Sharingan acaba comigo.
— Só precisa de mais controle. — Sorri logo entendendo. — O Sharingan é um dos maiores poderes visuais que existe. Você vai melhorar logo, agora que eu fui encarregada de ser sua babá.
— Porque mesmo ela ordenou isso ein? — Ele perguntou cansado relaxando mais em sua cama.
— Talvez ela queira uma reunião de ex colegas? — Respondi sorrindo.
— Sério? — Debochou. — Você definitivamente não consegue levar nada a sério? Parece que eu tô falando com uma versão feminina do Obito.
— Saiba que isso é um elogio. — Falei prontamente. — Acho que você deve dormir um pouco. Vou pegar seu prontuário e dá uma olhadinha no seu quadro. — Saí do quarto e fui pra entrada, aquele seria um longo dia.

Acordei bem cedo naquele dia e, após tomar um banho e um café reforçado, fui direto para o hospital. Eu estava encarregada do Kakashi, mas nem louca eu iria dormir em uma cama desconfortável do hospital. Cheguei e logo me direcionei ao quarto do rapaz, mas antes de entrar eu ouvi uma voz bastante conhecida e que me fez sorrir abertamente, a saudades que eu estava sentindo daquele homem não era brincadeira.
— Tenho certeza que você não está de volta a aldeia só pra me ver, não é? — Ouvi a última frase de Kakashi e entrei de repente.
— Até parece. — Interrompi assustando-os. — Ele voltou só pra me ver, não é mesmo velhote? — Os olhos de Jiraiya brilharam e o sorriso que ele abriu não me deixou outra escolha se não a de andar em sua direção e abraça-lo fortemente demonstrando toda saudade que eu sentia naquele momento.
— Se tem alguém que me faria voltar aqui, pode ter certeza que é você. — Me afastei e sorri para o homem na minha frente. — Cresceu bem ein?
— Eu sou como sua filha, pelo amor de Deus. — O repreendi.
— Você leva tudo pra esse lado. — Acusou ele ainda sorrindo. — Que tipo de homem você acha que eu sou?
— Você não vai querer que eu diga. — Respondi e voltei a me direcionar para Kakashi. — Como se sente hoje?
— Acabado. — Falou simplesmente.
— Você precisa descansar. — Repreendi-o.
— Espere Tsunade chegar que você vai poder dormir Kakashi. — Jiraiya disse atiçando minha curiosidade.
— O que ela vem fazer aqui uma hora dessas? — Realmente ainda era bastante cedo e o fato dela ir ali, definitivamente era algo bastante curioso.
— O capitão da equipe Kakashi vai ser apresentado. — Eu me surpreendi com aquilo. — Afinal a missão precisa de alguém mais experiente com eles. — Eu já estava a par da última missão e das informações que eles obtiveram sobre Orochimaro e o garoto Uchiha.
— Quem é ele? — Olhei pra Kakashi e percebi que ele estava tão ou mais curioso do que eu.
— Nessa missão ele se chamará Yamato. — Respondeu. — Mas vocês irão reconhece-lo. — Logo a porta do quarto é aberta e Tsunade entra juntamente com um homem E Shizune atrás de si.
— Então era sobre esse Yamato que estavam falando? — O homem logo foi reconhecido por nós. — Quanto tempo ein.
— Vou usar Yamato como codinome nessa missão. — Respondeu. — É bom revê-los, principalmente você . — Sorri para o homem vendo Kakashi revirar os olhos.
— Kakashi, já que ele vai comandar sua equipe explique para Yamato com o que ele vai lidar. — Ordenou Tsunade ignorando o momento reencontro.
— O que podemos dizer é o motivo principal dele ser escolhido como substituto do Kakashi. — Disse Jiraiya.
— É sobre o Naruto, não é? — Respondeu ele.
— Exatamente. — Concordou Kakashi. — Você sabe que ele tem o espirito da Kyuubi selado dentro dele. — Yamato concorda.
— Terá vezes que o Chakra vazará do corpo do Naruto e assumirá a forma do espirito da Kyuubi. — Jiraiya seguiu. — Nós temos nos referimos a isso como manto das nove caldas.
— Manto das nove caldas? — Perguntou Yamato tão surpreso quanto eu. — Como é isso? Com que frequência isso costuma acontecer?
— Aconteceu na última missão. — Kakashi começou a explicar atraindo ainda mais minha atenção. — Quando as emoções o dominam, o chakra da Kyuubi começa a aparecer e cobre seu corpo, revelando o manto das nove caldas. — Eu definitivamente estava completamente assustada com aquilo, mas entendi o porquê do Yamato ter sido designado para isso. — Eu consegui suprimir o chakra antes da segunda calda aparecer com o selo que o Mestre Jiraiya me deu. — Suspirou fortemente antes de continuar. — Se eu não tivesse interrompido, sabe-se lá o que poderia ter acontecido.
— Eu entendo. — Olhei para Jiraiya espantada, como assim ele entendia. — É como eu temia.
— A julgar pela forma como o chakra estava formando, a quantidade de caldas vai crescer. — Prosseguiu Kakashi. — E cedo ou tarde serão nove.
— Isso resume tudo. — Eu pensava que não conseguiria me surpreender mais até ouvir a última frase de Jiraiya.
— Como assim? Pelo amor de Deus Jiraiya. — Gritei desesperada. — Quantas caldas você viu?
— Em todos os meus anos de vida eu cheguei perto da morte duas vezes. — Ele falou enquanto tirava o casaco. — A primeira eu quebrei seis costelas, ambos os braços e rompi um punhado de órgãos internos. Isso foi quando eu fui pego fazendo pesquisa em uma pousada termal e a Tsunade me bateu como em um tambor. — Eu estava completamente impressionada e ao olhar para Tsunade percebia o mínimo de arrependimento em seu rosto. Ela finalmente tirou sua blusa e pude ver a grande cicatriz em seu peito. — A segunda vez, foi quando estava treinando com o Naruto e a quarta calda apareceu.
— O que é isso? — Eu estava simplesmente abismada, aquela cicatriz era enorme, ele teve realmente sorte em não ter morrido.
— O número de caldas aumenta de acordo com a raiva dele. — Continuou. — Isso a torna um gatilho. Ele conseguiu manter a consciência até a terceira calda, depois da quarta calda sua mente foi dominada, tudo que restou foi uma fome de destruição. Ele parecia uma versão pequena da Kyuubi.
— Ele chegou a tanto? — Perguntou Kakashi. — Mesmo com o selo do quarto Hokage?
— Não sei o que está causando isso, mas uma coisa é certa. — Prosseguiu. — A formula de selamento parece está enfraquecendo.
— O jutsu de selamento? — Perguntei sem acreditar.
— Difícil de acreditar. — Sabia que Kakashi estava pensando o mesmo que eu.
— Tem mais. — Jiraiya continuou. — Quando o Naruto está envolto no chakra da Kyuubi, eu sei que parece que ele está sendo protegido, mas a verdade é que seu corpo está sendo prejudicado por esse chakra. — Fez uma pausa e suspirou. — Quando a quarta calda apareceu seu corpo sofreu vários ferimentos, ele perdeu o controle e ficou coberto de sangue.
— Isso é horrível. — A muito tempo eu não me sentia daquela forma, meus olhos queriam simplesmente derramar todas as lágrimas possíveis.
— Assim que o manto desapareceu o chakra interior da Kyuubi começou a curar o corpo do Naruto. — Aquilo conseguiu me aliviar um pouco. — Mas se ele continuar nesse ritmo de danos notórios e rápidas recuperações seu corpo pagará por isso e seu tempo de vida diminuirá consideravelmente.
— É por isso que precisamos de você pra essa missão Yamato. — Tsunade disse olhando diretamente para ele. — Afinal você carrega o DNA do primeiro Hokage em seu sangue.
— Você é o único que tem a habilidade de controlar o Jinchuriki agora, está no seu sangue — Complementou Jiraiya. — Por sorte o Naruto também usa o colar do primeiro Hokage. Estamos contando com você.
— Tudo bem, eu vou indo eles devem está me esperando. — Dizendo isso ele saiu do quarto nos deixando sozinhos.
— Senhora? — Chamei vendo Tsunade me olhar. — Deveria me mandar com eles.
— O que? — Kakashi perguntou espantado enquanto a Hokage ainda me observava atentamente.
— Eu sei a Sakura deve ser excelente afinal ela foi treinada por você. — Prossegui com a minha ideia. — Mas se o Naruto realmente fica da forma que o mestre Jiraiya disse, acho que uma médica ninja mais experiente pode ajudar melhor.
— Não se preocupe. — O sorriso que ela me deu foi tão sincero que eu me senti mal por não consegui me tranquilizar. — Tudo o que ela fazer será o suficiente.
— Mas senhora...
— Tsunade tem razão . — Me assustei ao ouvir Jiraiya sério. — Nada do que você fizer fará muita diferença. Não fique tão assustada. — Tentou me acalmar. — Vai ficar tudo bem, Yamato vai pará-lo antes de tudo.
— Bom, eu vou indo também. — Tsunade disse se retirando do quarto.
— Mestre Jiraiya. — Interrompi ao ver que o homem também iria sair. — Acha que tudo vai ficar bem mesmo?
— Eu espero que sim meu bem. — Disse logo saindo e me deixando sozinha com Kakashi.
— Você deveria se acalmar. — Ele ia se levantando, mas logo reclamou de dor me fazendo ir ajuda-lo. — Eu odeio isso.
— Acho que quem tem que se acalmar é você. — Disse seriamente ainda vendo o homem fazer careta ao sentir mais uma pontada de dor. — Você precisa descansar.
— Eu tô cansado de descansar. — Reclamou deitando-se na cama.
— Você prefere ler esses livros idiotas? — Perguntei seriamente vendo seu olhar ir em direção a duas edições de “Jardim dos Amaços”. — Não vou me incomodar, mas eu realmente ficarei ofendida com isso.
— Se for pra você ficar flertando comigo é bom me avisar antes. — Seu suspiro demonstrou sua total frustração. — Porque eu realmente preciso me preparar pra essa conversa.
— Você quer mesmo falar sobre isso? — Não achava que aquele seria um bom momento, mas não iria me opor. — Eu pensei que estava tudo resolvido.
— E estava, você foi embora e eu superei. — Tava escrito na cara dele que ele não tinha superado nada. — A gente terminou e eu continuei minha vida, mas aí você aparece de novo cheia de gracinha na frente das pessoas e faz minha cabeça piorar de vez.
— Essa nunca foi minha intenção. — Eu me sentia mal por despertar aquilo nele.
— Eu sei que não. — Ele olhou diretamente para mim e meu coração acelerou. — Mas eu tenho que saber, o que você espera dessa vez?
— Bom, eu... — Sua pergunta me pegou desprevenida e definitivamente me deixou sem saber o que falar. — Eu voltei, de vez agora.
— O que? — Ele perguntou surpreso.
— Minha missão, foi passada para outra pessoa. — Não queria continuar a conversa porque eu sei onde exatamente aquilo iria chegar.
— Eu sei o que você está pensando — suspirou. — Eu desisti de perguntar sobre essa missão para você.
— Talvez em breve você irá saber. — Sorri pra ele.
— Então você voltou mesmo agora? — Perguntou curioso.
— Gostou disso? Eu posso sumir de novo. — Respondi feliz ao ver que ele sorria.
— Sabe que nada vai voltar a ser como era antes não sabe? — Disse ele voltando a expressão cansada.
— Eu parti o seu coração Kakashi. — Conclui vendo que ele não me olhava mais. — E parti o meu também, eu sabia desde o início que nada seria como era antes, mas independente de tudo, nós ainda conhecemos um ao outro mais do que qualquer pessoa nessa vila. — Sorri.
— Somos amigos afinal. — Vi que por debaixo da máscara ele sorria. — E agora que você voltou, como vai fazer com o Naruto? Vai contar a verdade?
— Minato não queria ele envolvido com o nome do quarto Hokage, ele protegeu e amou esse garoto mais que tudo nessa vida. — Lembrar do meu irmão me trazia tantas lembranças. — Eu me sinto tão mal. O que esse menino deve ter passado não é brincadeira.
— Talvez você deva tentar conhece-lo. — Ele continuou. — Naruto é um idiota, mas é muito gentil e corajoso. Ele sempre está disposto a fazer tudo por um amigo, como ele fez pelo Gaara o Kazekage da aldeia da areia.
— Ele se parece muito com Minato. — Comentei lembrando da imagem do garoto. — Mas o jeito abusado definitivamente é da Kushina. E ele até me lembra o Obito sabe.
— Os dois eram verdadeiros idiotas. — Gargalhei ao ouvir sua última frase concordando fielmente com ela.
— Eu só espero que ele fique bem.


Capítulo 02

Eu via enfermeiras entrar no quarto de Kakashi durante todo o dia, mesmo eu estando sempre ali, as vezes minha presença era simplesmente ignorada, principalmente pela que estava nesse momento o examinando. Ela passava e conversava com o homem como se ele estivesse completamente sozinho e isso me irritava completamente. Eu realmente não entendia o porquê de Tsunade ter me colocado ali se ninguém ligava e principalmente aquela moça.
— Por enquanto ainda terá que se alimentar somente de líquidos tudo bem? — Revirei os olhos ao vê-la sorrindo pro homem na cama.
— Eu entendo. — Respondeu Kakashi logo vendo a mulher se retirar.
Eu realmente estava um pouco cansada, não conseguia dormir direito nos últimos dias e isso estava claro nas olheiras que tomavam conta do meu rosto. Desde que eu voltara não fazia outra coisa senão pensar em tudo, em Naruto e seu problema com o controle da Kyuubi, com meu relacionamento com Kakashi, com a Akatsuki e seus planos e como se não bastasse eu tenho pensado muito no meu irmão nos últimos dias, e isso me trazia uma tristeza enorme. Abri a bolsa que eu havia trago nessa manhã e tirei uma maçã de lá.
— Você e realmente uma pessoa horrível. — Ouvi a voz de Kakashi depois de morder a fruta que eu segurava.
— Qual o problema? — Perguntei sem entender.
— A enfermeira acabou de falar que só posso me alimentar de líquidos e a primeira coisa que você faz é comer na minha frente. — Gargalhei com sua última fala, definitivamente eu não tinha feito aquilo de propósito. Peguei minha bolsa e tirei outra maçã de lá e ofereci para o homem. — Você é surda?
— Não. — Respondi prontamente.
— Não ouviu que não posso comer? — Sorri abertamente para ele o deixando confusa.
— Eu sou uma médica ninja treinada pela própria Godaime* então ficarei bastante ofendida se você achar que eu estou tentando te matar. — Se ele realmente quisesse entrar nessa briga ele iria se arrepender.
— Você é muito dramática. — Ele rapidamente pegou a maçã que eu oferecia, abaixou a máscara e começou a comer. Eu poderia me chatear como fosse, mas aquele homem era um colírio para os meus olhos.
— Por que tá me olhando assim? — Ele perguntou após comer e voltar a colocar a máscara.
— Não é nada demais. — Respondi rapidamente.
— Não é nada demais? — Questionou. — Essa é a desculpa?
— Sabe, Kakashi, você continua um saco. — Tentei mudar de assunto.
— Você não vai mesmo me dizer não é? — Kakashi não era de insistir então aquilo não me surpreendeu nem um pouco.
— Você é tão bonito sabia? — As cantadas baratas sempre quebravam o clima sério e ele sabia disso.
— Você é muito aleatória. — Respondeu prontamente.
— É só que... — Eu estava curiosa sobre o assunto. — Os garotos já te viram sem essa máscara?
— Nunca. — A resposta veio tão rápida, mas não me surpreendeu.
— Típico. — Eu já sabia que a resposta seria essa. — Você é um colírio sem ela, mas tenho que admitir que ela te deixa mais...
— Mais o que? — Perguntou ao ver que eu tinha parado no meio da frase.
— Mais sexy. — Resolvi jogar tudo pro alto e ao vê-lo quase vermelho me deu uma grande satisfação.
— Você vai mesmo flertar comigo? — Questionou fazendo com que eu ficasse envergonhada.
— Vai funcionar? — Tentei entrar na pilha e deixar a vergonha de lado, mas eu sentia a quentura se apossar de meu rosto.
— Na verdade, sim. — O choque foi realmente grande, ou ele estava gostando realmente da situação ou só queria me matar naquele momento. — Você só tem que falar o que quer.
— Você gosta de me constranger não é mesmo? — Perguntei já sabendo da resposta.
— Você que começou. — Acusou ele.
— Arg, eu odeio você. — Vi homem gargalhar e revirei os olhos saindo dali como uma criança que faz birra, ainda ouvindo a risada alta do homem.


Não estava realmente agindo infantilmente de propósito, na verdade eu precisava de um tempo para respirar e colocar minhas ideias no lugar. Os sentimentos estavam vindo de uma vez e meu coração apertava ao lembrar de cada coisa que me atormentava. A Akatsuki estava começando sua missão e não tínhamos muito com o que trabalhar, não sabíamos muito a respeito somente alguns integrantes, como o garoto Itachi Uchiha que ainda bem novo conseguiu aniquilar todo o seu clã e que era considerado um prodígio e definitivamente era, fora a grandeza do seu Sharingan, definitivamente era um dos maiores poderes oculares que já havia visto na vida. Temos também seu parceiro Kisame Hoshigaki um dos Sete Espadachins da Névoa de Kirigakure*, não se pôde ver a extensão do seu poder, mas definitivamente era tão ou até mesmo mais grandioso do que Itachi.
? — Eu estava completamente absorta em meus pensamentos que nem havia percebido as pessoas em minha frente. — Você está de volta então.
— Ei, Gai, como vai? — Sorri ao reconhecer o homem.
— Quanto tempo não é mesmo? — Ele abriu seu grande e brilhante sorriso me fazendo sorrir junto.
— Bastante. — Ele verdadeiramente não tinha mudado nada, continuava o mesmo de sempre.
— Você está ótima. — Sorri ao ver a timidez encontrar seu rosto. Olhei para as outras pessoas que estavam do seu lado e percebi que eles prestavam atentamente atenção na conversa.
— Presumo que esses sejam seus alunos. — Os três logo voltaram seus olhares para mim.
— A sim, esse é o Lee. — Apontou pro garoto que era simplesmente uma réplica sua mais nova. — Essa é a Tenten.
— É um prazer conhecê-los. — Voltei meu olhar para o único garoto que não fora me apresentado. Eu tinha certeza que já havia visto ele em algum lugar.
— Esse é o Neji Hyuga. — Me aproximei do rapaz e olhei fixamente em seus olhos vendo-o logo ficar vermelho.
— Algum problema? — A garota Tenten perguntou, ela definitivamente me mataria com o olhar se pudesse.
— Me desculpe, mas são belos olhos. — Me virei para a garota vendo o ciúme estampado em seu rosto. — Não acha?
— Está falando do Byakugan? — Perguntou o outro garoto, Lee, curioso.
— Definitivamente é um poder incrível não é mesmo? — Olhei para o Hyuga esperando sua resposta, mas ainda encontrei o constrangimento estampado em seu rosto. — Me diga Neji, você não é mais um Chunin, né?
— Neji já é um Jounin. — Prontamente Gai respondeu achando graça da situação.
— Ual, era o que eu esperava do filho do Hizashi. — O espanto na sua cara ao ver que eu sabia sobre o seu pai foi engraçado.
— Conheceu meu pai? — Apesar de ainda se mostrar envergonhado estava curioso.
— O clã Hyuga é bem conhecido. — Me afastei do garoto para faze-lo se acalmar.
— Ora ora , deixe o garoto em paz. — Gai disse ainda sorrindo.
— Me desculpe Neji. — Pedi ao ver que finalmente a cor vermelha sumia de suas bochechas.
— Então quer dizer que veio pra ficar dessa vez? — Perguntou o mais velho.
— Dessa vez sim. — Respondi sorrindo abertamente para o mesmo.
— Então o que acha de sair qualquer dia desses para, sei lá, comer um dango e beber um Shochu? — Aquilo definitivamente tinha me pegado de surpresa, mas eu não esperava outra coisa dele.
— Claro, porque não. — A expressão chocada de Gai me fez querer gargalhar no mesmo instante, mas me segurei.
— Tá falando sério? — Olhei para os outros três que estavam com a mesma expressão surpresa de Gai.
— Moça, tem certeza disso? — Foi a vez de Neji falar.
— Você não vai se arrepender. — Gritou por último Lee me assustando. — Gai sensei é o cara mais legal dessa aldeia.
— Eu não tenho dúvida, Lee. — Não queria constranger o garoto e muito menos Gai então somente concordei com ele. — Eu preciso ir agora, nos falamos depois Gai. — Sorri para o homem que ainda permanecia parado e com a mesma expressão. — Foi um prazer conhece-los, Tenten, Lee e, claro, você Neji.

Sai dali gargalhando ao ver, novamente, a expressão raivosa no rosto da garota. Estava tão na cara que ela gostava do menino Hyuga que eu não conseguia evitar fazer gracinhas. É claro que eu não queria nada romântico, pelo amor de Deus ele era só um garoto e definitivamente não esperava que ela teria tanta raiva assim o que tornou tudo ainda mais engraçado. Aquele encontro tinha melhorado meu humor por completo, encontrar velhos amigos era sempre bom, mas reencontrar amigos como Gai era sem comparação, o homem era o ser humano mais extrovertido que eu já havia visto em toda minha vida, só de olhá-lo já tínhamos vontade de gargalhar. Voltei a andar perdendo-os de vista logo e procurei ao redor a pessoa na qual eu saíra do hospital querendo encontrar, ele não deveria estar tão longe e logo mais avistei seguindo exatamente em minha direção.
— Do que estava rindo? — Perguntou Jiraiya ao parar em minha frente.
— Nada demais. — Comecei a andar vendo o homem logo me acompanhar. — Você é exatamente quem eu estava querendo encontrar, velhote.
— Bom, então vamos ali para conversarmos melhor. — E ele apontou para um pequeno bar ali perto e segurou em meu braço fazendo-me acompanha-lo. Sentamos em uma mesinha e logo um homem veio nos atender. — Uma garrafa de saquê por favor.
— Vai beber uma garrafa inteira? — Perguntei espantada com seu pedido.
— Você está comigo. — O grande sorriso que ele abriu foi realmente tentador, porém não tinha a menor condição daquilo acontecer.
— Eu não vou beber cedo assim. — Repreendi. — Quem você acha que eu sou? Tsunade? — Acusei me referindo a Hokage que com toda certeza nunca negaria aquilo.
— Não seja tão chata. — Começou enchendo dois copos após o garçom trazer as bebidas. — Só uma garrafa não vai fazer mal nenhum, não vamos encher a cara até cair.
— Você é mesmo irritante. — Peguei o copo que ele me oferecia e bebi em um gole só. Senti a bebida passando reto e queimando minha garganta e logo fazendo-me abrir uma careta em resposta.
— Você anda muito fraca. — Ele encheu meu copo novamente e eu rolei os olhos com sua insistência em me embebedar. — Mas vamos ao assunto que nos trouxe aqui, fale o que você quer.
— Eu estava pensando na missão da equipe, Kakashi. — Comecei. — Você conhece o Naruto melhor do que qualquer um, o que acha que vai sair disso?
— Eu não sei, na verdade. — Ele abaixou a cabeça pensativo.
— Acha que o Naruto seria páreo para o Orochimaru? — Eu sabia do que aquele homem era capaz, ele era um dos três lendários Sanins, afinal. — Ou o próprio Sasuke? — Se o garoto Uchiha fosse tão bom quanto seu irmão, Naruto teria mesmo que treinar bastante para, pelo menos, se igualar a força dele.
— Eu não sei, de verdade. — Suspirei e logo ouvi-o continuar. — Mas Naruto é um garoto de outro mundo, esse rapaz moveria céus pra salvar Sasuke das mãos de Orochimaru.
— O que acha de aperfeiçoar o Rasengan? — Perguntei esperançosa. — Sei que o senhor o ajudou a melhorá-lo, mas o que acha de aperfeiçoar a técnica que até mesmo o Yondaime* não conseguiu?
— Bom, eu.... — Sua falta de palavras só deixava uma coisa clara, ele achava que Naruto não conseguiria.
— Acha que ele não vai conseguir? — Perguntei desapontada.
— Na verdade achei uma ótima ideia. — Ouvi aquilo me surpreendeu, eu realmente esperava uma resposta negativa. — Aquele garoto pode não ser um gênio, mas ele tem coragem e muita força de vontade, acredito que ele possa vir a ser maior do que Minato. — Aquilo me deixou surpresa.
— Maior que ele? — Eu estava simplesmente impressionada. Eu sabia que Jiraiya tinha total confiança no Naruto, mas ao ponto de compará-lo ao seu pupilo favorito, isso realmente me deixava sem palavras.
— Definitivamente. — Seus olhos demonstravam a verdade nas palavras que ele dizia. — Naruto tem o sonho de virar Hokage sabia? — Logo meus olhos se encheram de lágrimas. — Ele tinha o mesmo sonho do pai. — Saber que ele prosseguiria os planos dos pais e possuía o mesmo sonho que eles e fez querer chorar na mesma hora. — Ora, não chore, isso só mostra o quanto ele é esforçado e fara tudo que é possível para realizar seu sonho, assim como Minato fez.
— Quem diria que ele iria parecer tanto com os dois não é mesmo? — respirei profundamente segurando o choro. — Mas voltando ao assunto, acha que devemos?
— Tenho certeza que vocês irão conseguir. — Alivie-me ao ver o grande sorriso em seu rosto.
— Vocês? Não vai ajudar? — Perguntei, afinal de contas além de Kakashi ele seria o que mais conhece as habilidades de Naruto.
— Você e o Kakashi serão o suficiente pra isso. Eu preciso resolver outras coisas agora. — Eu sabia do que ele estava falando e o medo se apossou de mim.
— Velhote, você não vai....
— Vai ficar tudo bem, relaxa tá bom. — Nada me despreocuparia naquele momento, eu sabia o que ele iria fazer e sabia o quão perigoso poderia ser, afinal de contas aquela era a minha missão.
— Não é qualquer coisa velhote, a Akatsuki é uma organização criminosa de maior nível. — Eu sabia que cedo ou tarde alguém seria designado para aquilo, mas saber que seria ele deixava tudo ainda mais tenso.
— Que tal voltarmos ao assunto principal? — Ele queria encerrar o assunto e eu não queria pensar na possibilidade dele enfrentando alguém da Akatsuki sozinho então preferi acatar sua vontade.
— Tem outra coisa que eu queria saber uma opinião.
— O que é? — Perguntou ele bastante curioso.
— O que acha do garoto mandado para ir com ele? — Aquele assunto estava martelando na minha cabeça desde o dia que Tsunade me falou. — Sabe que eu não tenho um pingo de confiança naquele Danzo e o mataria se me fosse permitido.
— Você é muito paranoica. — Eu sabia que ele também possuía as mesmas preocupações que eu, mas preferia fingir que não.
— Ele é um garoto da fundação Ambu, criada pelo próprio Danzo, aquele mesmo filho da mãe que era contra o regimento do Sandaime*. — Bradei com ele. — Você lembra que ele era completamente contra o meu irmão também né?
— Você não deve se preocupar com isso. — Falou sério. — Se aquele tal de Sai der bola fora eu tenho certeza que o próprio Naruto cuidará disso.
— Eu espero que sim...


Eu nunca pensei que me cansaria daquele hospital, mas era o sentimento que me preenchia naquele momento. Eu havia chegado a algumas horas e contado tudo o que eu conversara com Jiraiya e ele concordou plenamente comigo, desde o treinamento até minhas desconfianças com o tal Sai. Naquele momento o tédio me dominava, a dor de cabeça devido aos copos de saquê que eu tinha bebido mais cedo já fazia um efeito monstruoso e Kakashi descansava serenamente em seu lugar preenchendo ainda mais o tédio no qual eu me encontrava.
— Por que está tão pensativa? — Ouvir sua voz me despertou quase que imediatamente.
— Pensei que estivesse dormindo. — Olhei para o homem vendo-o bocejar e esticar-se.
— Eu estava, mas senti um cheiro forte de queimado e imaginei que você estaria pensando. — A piada foi sem graça, mas eu amava seu senso de humor, era admirável ver o quanto ele tinha mudado então não conseguir não rir.
— Tenho novidades. — Resolvi começar um papo antes que ele desistisse e voltasse a dormir.
— E quais seriam? — Sua cara desinteressada me fez revirar os olhos, ele era um saco quando queria.
— Fui convidada para um encontro. — A cara dele foi definitivamente impagável, ele se engasgou com a própria saliva e tossia sem para me fazendo gargalhar. — É demais mesmo, não é? Comer de graça com boa companhia.
— E quem seria o felizardo? — De repente o vi completamente interessado, nem parecia o mesmo homem de um minuto atrás.
— Gai. — A resposta fez o homem arregalar completamente seus olhos, definitivamente ele não estava preparado para aquela resposta. — Você parece surpreso.
— Você aceitou? — Ele ignorou completamente minha última fala e focou em somente o que lhe interessava.
— Claro, por que negaria? — Minha afirmativa aumentou ainda mais a surpresa em seu rosto e eu poderia jurar que havia uma pontada de raiva. — Parece que alguém não ficou muito feliz. — Estava brincando com fogo e eu sabia disso.
— Do que está falando? — Definitivamente naquele momento eu entendia a expressão “cutucar a onça com vara curta” porque era o que eu tinha feito. — Você tem o direito de sair com quem quiser.
— Eu sei disso. — Eu comecei a ficar com pena, ele nunca admitiria que estava com ciúmes.
— Sabe que você é dona do próprio umbigo e que eu nunca te impediria de fazer o que quer que fosse. — Sua expressão mudou drasticamente e aquilo acabou comigo. — Apesar de não parecer, eu só quero coisas boas pra você, só quero que você seja feliz, com quem quer que seja.
— Kakashi, eu magoei você e eu tenho a plena convicção disso, mas eu não quero que se repita de novo. — Eu teria que abrir meu coração para ele uma hora ou outra. — Temos que ser sinceros aqui, nada vai ser como era. Fomos amigos antes de tudo acontecer e continuaremos sendo até o fim. — A sinceridade nas minhas palavras era explicita. — Porque temos muita história pra se perder assim tão fácil, não é mesmo?
— Você foi a pessoa que me tirou do fundo do poço que eu me enfiei. — Aquela conversa definitivamente havia criado rumos que eu não gostaria.
— E você foi a minha luz no fim do túnel. — As lágrimas já caiam e molhavam o meu rosto. — A luz que eu pensava que tinha se apagado pra sempre com a morte do meu irmão. Você foi tudo pra mim, foi minha fortaleza e eu ainda tive a audácia e a indelicadeza de quebrar seu coração que eu mesma tinha ajudado a concertar, eu espero do fundo do meu coração que algum dia você possa me perdoar.
— Não precisa de tudo isso. — Ele tentou sentar na cama, mas logo resmungou com a dor que sentiu com o movimento. — Você sabe que tudo está no passado. As coisas evoluem e a gente aprende com tudo o que passou, como isso. — Ele segurou meu pulso enfaixado. — Sempre teremos lembranças que achamos que merecemos lembrar, mas no fundo é só um aprendizado do que a gente viveu. Eu já te perdoei a muito tempo atrás.
— Você evoluiu tanto que me dá ainda mais vontade de fazer parte da sua vida. — Entrelacei suas mãos quentes com as minhas. — É tão bom ver isso, essa evolução é completamente louvável e eu fico tão orgulhosa de você e também muito grata por ter dado esses ensinamentos ao Naruto. Você e o Jiraiya-Sama* são as melhores pessoas que apareceram na vida dele.
— Na verdade, o Naruto mais nos ensina, do que aprende conosco. — Nada me deixou mais feliz do que aquela resposta. — Nunca vi um garoto tão nobre, corajoso e gentil como ele.
— Sabe, talvez ele seja a prova viva de como podemos aprender com o passado. — Ele me puxou pelo braço e me fez sentar em sua cama e, de um jeito desengonçado, me abraçando fazendo com que eu deitasse em seu tronco. Não me lembro quanto tempo passara porque aquilo era o que eu mais sentia falta no mundo.
— Acho que isso foi o que mais eu senti falta. — Ele sussurrou em meu ouvido ainda no abraço me fazendo arrepiar por inteira. — Eu tô feliz que você não precisa mais ir embora.
— Eu tô feliz por não precisar mais ir embora. — O abracei mais forte sentindo ainda mais seu cheiro.
Fechei meus olhos automaticamente. Eu estava completamente esgotada física e psicologicamente e estar ali daquela forma tão íntima, como a muito tempo não ficava, era um convite ao meu cansaço. Eu me lembro apenas de sentir os lábios de Kakashi em um beijo suave em meus cabelos e simplesmente apagar.
Abri meus olhos aos poucos e senti a claridade ardê-los, fechei e abri novamente me acostumando com a forte luz. Virei a cabeça e vi Kakashi acordado com um sorriso sapeca nos lábios e apontando para o outro lado. Quando me virei para ver Jiraiya nos encarava com um sorriso sacana nos lábios.
— Você não tem a mínima vergonha, não? — Perguntou ainda sorrindo. — O homem está hospitalizado, , pelo amor de Deus.
— Do que você está falando? — Eu ainda estava atordoada e não conseguia entender.
— Espero que não tenha rolado nada demais aqui. — Aquele maldito sorriso não saia de seu rosto e logo entendi do que ele falava.
— O que? — Gritei desesperada logo me levantando da cama. — Que tipo de pessoa você acha que eu sou.
— Prefiro não comentar nada. — Respondeu ele prontamente.
— Afinal, o que você tá fazendo aqui velhote? — Tentei mudar logo de assunto.
— Então vamos direto ao ponto? — Percebi em seu olhar o quanto ele estava achando graça daquele momento constrangedor. — Então tudo bem.
— Nos diga, Jiraiya-Sama, o que o trouxe aqui? — Perguntou Kakashi tentando me ajudar.
— Bom, a sua equipe voltou. — Era realmente um alívio, saber que eles já estavam de volta. — Eles lutaram com o Sasuke.
— Eles o que?

*Godaime, Yondaime, Sandaime: Durante o anime legendado esses termos são usados para se referir ao Hokage, é muito difícil eles usarem “Godaime Hokage” por exemplo, eles usam simplesmente o “Godaime” que dublado queria como “Quinto Hokage”. Shodaime – Primeiro Hokage, Nindaime – Segundo Hokage, Sandaime – Terceiro Hokage, Yondaime – Quarto Hokage, Godaime – Quinto Hokage. Os usados aqui se referiam a Tsunade que é a Godaime, Minato que é o Yondaime e Hiruzen Sarutobi que é o Sandaime.
*Kirigakure: É a “vila oculta da névoa” ou a “aldeia da névoa”. Quando for referir as aldeias aqui será sempre seus nomes originais porque acho mais dinâmico, principalmente porque a maior parte do Shippuden é legendado.
*Sufixo Sama: É um título honoríficos japonês e é utilizado para se referir à pessoas importantes ou à alguém que se admira e respeita muito. Nesse caso, traduzinho seria algo como “Senhor Jiraiya” ou “Mestre Jiraiya”


Capítulo 3

O silêncio no quarto era assustador e as últimas palavras de Jiraiya martelavam em nossas cabeças. O Homem nos encarava esperando algum tipo de reação, mas eu realmente estava assustada.
— Eles lutaram com o Sasuke? — A voz de Kakashi finalmente entrou pelos meus ouvidos deliberando meus pensamentos.
— Pois é. — Respondeu o mais velho.
— Mas a missão inicial era...
— A missão inicial era capturar o espião do Sasori, trazê-lo para Konoha e obter informações sobre Orochimaru e Sasuke. — Interrompi Kakashi.
— Sim, mas o espião era um dos maiores subordinados do Orochimaru, seu nome é Kabuto e ele não estava mais sobre o efeito do jutsu do Sasori. — Continuou Jiraiya. — E Orochimaru usou disso para matar Sasori, sem saber que ele já tinha sido morto. — Ele suspirou pesadamente antes de continuar. — As coisas saíram completamente do rumo depois que Naruto o confrontou. Ele se descontrolou e a quarta calda apareceu.
— Então tudo o que tinha pra dar errado realmente deu. — Afirmei recebendo o olhar pesaroso dos dois homens.
— Orochimaru lutou com Naruto e as 4 caldas liberadas e deve ter chegado ao seu limite, pois desapareceu enquanto Yamato tentava controlar o Naruto. — Foi realmente um alívio saber que Yamato tinha conseguido. — Yamato pôs um clone para seguir Orochimaru e acabaram vendo o garoto Sai ir com eles.
— Eu sabia. — Gritei interrompendo-o. — Nunca se deve confiar em alguém que segue aquele Danzo.
— Tenha calma, no final o garoto se virou contra a missão que Danzo lhe deu. — A surpresa era grande, nunca iria imaginar aquilo. — Enfim, nisso acabaram encontrando o esconderijo de Orochimaru e entraram lá dentro, foi quando encontraram com o Sasuke e a luta começou.
— E o que aconteceu? — Kakashi perguntou.
— O Sasuke está muito mais forte agora, aparentemente o Naruto não é páreo para ele. — Aquilo não me surpreendia, Orochimaru poderia ser um lixo, mas ele era um Sanin Lendário afinal e com certeza um mestre competente.
— Entendi. — A voz de Kakashi era cansada.
— Ei, não deixa isso chatear você. — O mais velho tentou acalmá-lo. — Ele não tinha todas as forças por causa dos danos causados pelo chakra da Kyuubi. Enfim.
— Não é isso o que realmente me preocupa. — Olhei pra ele realmente curiosa. — Eu imaginei que o Sasuke estaria mais poderoso, mas é que o Naruto vai ficar doido para treinar cada vez mais depois de perceber em que nível o Sasuke chegou, entendeu? — Sorri porque sua forma de pensar era realmente engraçada.
— Claro que sim. — Respondeu Jiraiya se divertindo.
— Qual a graça? — Kakashi me repreendeu com o olhar.
— Pela forma que você fala, chega a ser engraçado você ter esquematizado todo um treinamento para ele. — Sua cara era impagável naquele momento, mas no fundo eu lhe entendia.
— Vamos nos contentar por eles terem voltado a salvo. — Disse ele ignorando-me totalmente.
— Claro, mas eu gostaria de saber o que aconteceu aqui antes de eu chegar. — A mudança repentina de assunto me fez lembrar das coisas que haviam acontecido antes de eu capotar.
— Por que tá insistindo nisso? — Reclamei. — Não aconteceu nada.
— Você está ficando envergonhada, isso significa algo. — Falou rapidamente.
— Você mesmo disse que eu precisava descansar. — Acusei tentando desviar foco.
— Não disse pra você dormir com o cara. — Ele apontou pra Kakashi que parece que se divertia com o que estava acontecendo ali. — Não que eu esteja reclamando, adoraria ver vocês juntos de novo, mas eu sou como seu pai e tenho que agir como tal.
— Não tá na hora de ir embora? — Perguntei vendo-o gargalhar.
— Você realmente ficou constrangida. — Seu sorriso presunçoso me deixou ainda mais irritada. — Eu gostei disso.
— Você é um velho irritante sabia? — O sorriso em seu rosto aumentou ainda mais.
— A sua sorte é que eu preciso mesmo ir. — Ele aproximou e deixou um beijo na minha bochecha. — Te vejo depois. — Sua saída coincidiu com a entrada de três jovens, dois deles já conhecidos.
Ero-Sennin*? — Essas foram as primeiras palavras de Naruto e as que eu mais precisava ouvir. — O que faz aqui?
— Ero.... Sennin? — A minha gargalhada já deveria estar sendo ouvida fora do hospital. Aquele garoto era um gênio, como eu nunca tinha pensado em um apelido que fazia tão juz ao homem como aquele.
— Naruto, já disse para não me chamar assim. — Ele suspirou ao ver que eu não iria parar de rir tão cedo. — E você. — Apontou pra mim enquanto eu ainda ria alto. — Vamos ter muito que conversar.
— Vamos mesmo, Ero-Sennin. — Respondi com o mesmo sorriso cínico que ele havia me dado poucos minutos antes. Ele revirou os olhos e saiu do quarto sem responder à pergunta do menino.
— Ei, moça. — Naruto parou do meu lado sorrindo, pude perceber um pequeno vermelho em seu rosto e ao ver a cara de Sakura eu já deveria imaginar o que tinha acontecido.
— Ei, Naruto, como vai? — Respondi acompanhando seu sorriso.
— Estamos todos bem, isso o que importa. — Eu sabia que aquilo não era o suficiente para ele, mas fiquei feliz com suas palavras.
— Realmente. — Vi que o menino se voltou para o homem deitado na cama.
— Kakashi sensei, na nossa última missão... — Naruto foi rapidamente interrompido pelo mais velho.
— Eu sei, Jiraiya-Sama me contou tudo. — O suspiro cansativo dele me fez perceber que a conversa seria longa. — Inclusive sobre o Sasuke.
— Estamos sem tempo para trazê-lo de volta. — Bradou o rapaz. — Nesse ritmo iremos perde-lo para sempre. — Sua voz era desesperada. — Mas acontece que como meu poder não posso trazê-lo para casa, o Sasuke ficou forte demais para mim.
— Bom, nesse caso. — Fez uma pausa e olhou fixamente para o menino. — Acho que você vai ter que ficar mais forte ainda.
— O jeito que o Sasuke se desenvolveu tão rápido não me parece natural. — Sakura tomou a palavra. — Eu estava conversando com a Tsunade-sama e ela disse que eles podem estar usando algum jutsu proibido ou medicamento, afinal, o Kabuto está com eles. — Seu nervosismo era claro e o desespero poderia se comparar ao de Naruto.
— Essa é a razão pela qual devemos acelerar nosso próprio crescimento. — Falou Kakashi.
— Mas como iremos fazer isso? — Perguntou a menina de cabelos rosa curiosa.
— Você realmente acha que eu fiquei o tempo todo deitado nessa cama sem fazer nada? — Questionou o sensei.
— Na verdade, sim. — Respondi ouvindo logo a risadinha de Naruto ecoar pelos meus ouvidos.
— A conversa ainda não chegou em você, . — Revirei os olhos ao ouvir o comentário mal educado do homem. — Após analisar tudo, eu tive uma ideia.
— Você? — Ele não ia mesmo levar os créditos do plano sozinho.
— Tá bom, nós tivemos. — Sorri ao vê-lo irritado com minha interrupção. — Mas o que bolamos é mais adequado para o Naruto.
— Talvez a gente deva dizer que só vai funcionar com o Naruto. — Olhei para a outra garota e a percebi pensativa. — Desculpe, Sakura.
— Tudo bem. — Eu sabia que não estava, mas depois a ajudaria de alguma forma.
— Se esse treinamento der certo, Naruto — Kakashi voltou ao assunto —, você vai ficar mais forte que eu.
— Espera um pouco. — O rapaz estava surpreso. — Mais forte que você, Kakashi Sensei?
— Isso mesmo. — Afirmou o mais velho. — Vou ficar com você o tempo inteiro trabalhando. Esse será um treinamento que você nunca viu antes. — Voltou seu olhar para mim e eu sorri. — E você ainda terá a honra de ter seu treinamento supervisionado por ela.
— Por ela? — Seus olhos se voltaram para mim. — O que tem demais? Sem ofensa.
— O nome dela é Namikaze , Naruto. — Vi que Sai e Sakura ficaram completamente surpresos e sua boca aberta demonstrava bastante isso.
— Eu ainda não entendi. — O garoto parecia mais confuso ainda e eu só conseguia sorrir.
— Você é mesmo um idiota. — Bradou Sakura. — Quer ser um Hokage, mas não conhece nem o nome deles?
— O nome deles? — Eu estava com pena já, mas era querer demais que o menino reconhece Minato pelo sobrenome.
— Namikaze era o sobrenome do Yondaime, Naruto. — Respondeu Sai vendo que o menino logo arregalar os olhos em surpresa e voltar a me olhar.
— Tá tudo bem, Naruto. — Sorri para tranquiliza-lo. — Ninguém é obrigado a reconhecer meu irmão pelo sobrenome.
— Seu irmão? — Perguntou o garoto ainda surpreso. — Você é irmã do homem que salvou a aldeia da....
— Isso mesmo. — Interrompi antes dele falar sobre a Kyuubi, sabia que aquilo não trazia boas lembranças para nenhum de nós. — Sabe, Naruto, olhando assim de perto você tem os olhos dele. — Me aproximei do garoto vendo um grande sorriso se abrir em seu rosto.
— Não é grande coisa pra falar a verdade. — Interrompeu-me Kakashi me fazendo olhar ofendida para o mesmo e o vi rir por debaixo da máscara. — Mas vamos voltar ao assunto.
— Tem razão. — Naruto voltou a olhar pro Sensei, mas ainda podia-se ver em sua expressão que ele ainda estava surpreso. — No que vamos trabalhar, Sensei?
— Nós vamos criar um Ninjutsu insuperável só pra você. — Aquilo seria uma longa conversa e como o menino não era dos mais atentos, poderia levar mais tempo do que o necessário. — Um Justsu novinho e mais poderoso que o rasengan. — Esse seria a grande dificuldade, afinal, o rasengan levou muito tempo e tempo era uma coisa que não tínhamos no momento.
— Mas para conseguir esse poder você vai ter de dedicar bastante tempo e esforço. — Continuei a fala de Kakashi. — Não se consegue tanto poder assim em dois dias. — A careta do rapaz me fez comprovar o que eu já imaginava.
— E também não vai ser como aprender um justsu que já existe. — Kakashi prosseguiu. — Ele vai ser ensinado e desdobrado em fases.
— Dedicar muito tempo? — Perguntou Naruto preocupado. — Não ouviu o que eu disse? Não temos tempo, o Sasuke não vai...
— Se você deixar eu terminar. — Kakashi interrompeu o garoto impaciente. — Nós pensamos em um jeito de fazer isso mais rápido.
— Como? — Naruto perguntou já mais esperançoso.
— Bom... — Kakashi foi interrompido pela porta do quarto se abrindo e quatro novas pessoas entrando no quarto. Logo de cara eu pude ver Asuma e atrás dele vinha o que deveria ser sua equipe. Então aquela deveria ser a nova formação “Ino-Shika-Cho”.
— Como está se sentindo, Kakashi? — Perguntou o mais velho ao entrar completamente no quarto sendo seguido por seus alunos.
— Você deveria bater primeiro, Asuma sensei. — Reclamou a única garota do grupo.
— Olha quem tá aqui, o Naruto e a Sakura, parece que a missão de vocês.... — Sua fala foi interrompida ao ver Sai ali, parece que eles já se conheciam e pelo seu olhar não tinha sido de um jeito muito amigável.
— Olá. — Disse Sai ao ver que era o centro das atenções. — Me desculpe por aquele dia, não foi minha intenção irritá-los. — A confusão era expressa em meu rosto, que merda tinha acontecido? — Eu sabia que eu e Naruto seríamos da mesma equipe e só queria testá-lo, sinto muito pelo aborrecimento. — Os outros dois garotos pareciam acreditar, mas eu ainda estava com uma pulga atrás da orelha.
— Por que trouxe a turma toda, Asuma? — Perguntei. — Aqui ainda é um hospital sabia? — Sorri pra o mais velho sendo logo retribuída.
— Tem razão. — Olhou para seus alunos. — Por que vocês não vão indo na frente para a churrascaria? Equipe Kakashi, está convidada se quiser. — Convidou. — Eu preciso conversar com o Kakashi e com a , o churrasco é por minha conta.
— Ei, sensei, espera um pouco. — Naruto falou. — Como fica aquele papo todo do meu treinamento especial sobre o jutsu novo? — Perguntou esperançoso.
— É verdade. — Respondeu Kakashi rapidamente. — Continuamos com isso depois.
— O quê? Depois? Mas estava ficando tão bom. — Bradou Naruto.
— Escute, Naruto, não seja tão impaciente. — Tentei explicar para o rapaz. — Não podemos fazer absolutamente nada enquanto Kakashi ainda estiver hospitalizado, fique tranquilo.
— Tudo bem. — Respondeu ele, já derrotado e saindo do quarto juntamente com os outros deixando somente eu, Kakashi e Asuma, mas tinha uma coisa que eu precisava fazer.
— Me deem um minuto. — Vi Kakashi me reprovar com o olhar.
— Ei, não vá fazer nada de estúpido. — Ordenou ao perceber o que eu faria.
— Relaxa é só uma conversa. — Sai do quarto e encontrei os garotos ainda no corredor. — Sai! — Chamei o rapaz e o vi voltar seu olhar pra mim. — Tem um minuto? — Perguntei vendo logo os outros e o próprio Sai me olharem surpresos. O garoto se aproximou e assim que percebi que o resto do grupo não ouviria a conversa me dispus a falar. — Olha, Sai, eu fico muito feliz e muito agradecida pela ajuda que deu a equipe durante a missão, mas o caso é o seguinte, eu não confio em Danzo Shimura e muito menos nos seus subordinados. — A surpresa nos olhos do rapaz era nítida, mas aquilo não me intimidou nem um pouco. — Da próxima vez que ele quiser certas informações, avise que ele sabe muito bem do que sou capaz e que sei de muita coisa que vai acabar com a marra dele rapidinho. — Suspirei pesadamente antes de retomar minha fala. — Não se meta em problemas por causa daquele homem, Sai, não veja isso como uma ameaça e sim um conselho de alguém que conhece bem o Danzo e sabe do que ele é capaz. — Deixei o garoto para trás e voltei ao quarto já aliviada por ter botado tudo o que eu pensava pra fora.
— Você foi mesmo ameaçar o garoto? — Acusou Kakashi ao me ver entrar.
— Ei, eu não faço esse tipo de coisa. — Defendi-me — Só fui aconselhar, você melhor do que qualquer pessoa deveria estar ao meu lado, afinal, sabe muito bem como aquele homem é.
— Eu não tô contra você, de jeito nenhum, mas você sabe que ele não tem culpa da lavagem cerebral que o Danzo faz nos integrantes da Fundação. — Respondeu.
— Eu sei disso, mas só porque você não caiu no papo furado dele não significa que outros não cairão. — Expliquei. — E pare de agir como se eu tivesse apontado uma kunai na cara dele, foi só uma conversa pacífica. Eu prometo.
— Acho bom mesmo. — Encerrou o assunto olhando para Asuma que estava parado olhando pela janela. — O que foi, Asuma?
— Corre um rumor de que as coisas estão ficando feias fora da aldeia. — Sabia que ele estava falando da Akatsuki, e aquele era um assunto que não me deixava tão confortável assim.
— Eu já imaginava. — Respondeu Kakashi.
— Como o propósito deles são as Bijuus certamente eles virão cedo ou tarde. — Concluiu Asuma. — Eles querem o Naruto.
A conversa foi interrompida pela entrada repentina de um dos alunos do Asuma, pela aparência dele deveria ser um membro do clã Nara.
— Eu estou tão preocupado quanto vocês com a Akatsuki. — Disse ele se aproximando de nós. — Não precisam me deixar de fora.
— Shikamaru... — Asuma tentou falar.
— E o Naruto? — Perguntou interrompendo a fala do seu sensei. — Ele vai ficar bem? E se os caras da Akatsuki catacarem? Nem o Gaara conseguiu...
— Você tem razão, ele não conseguiria. — Falei tentando finalizar o interrogatório e vendo as expressões assustadas de Asuma e Shikamaru.
— Ainda não. — Finalizou Kakashi.

###################


Eu andava em passos lentos juntamente com Shikamaru e Asuma, estávamos indo em direção a churrascaria, eu não aguentava mais ficar trancafiada naquele hospital, eu definitivamente precisava de um tempo daquilo e agradecia mentalmente ao mais velho pelo convite. Minhas costas doíam, meu estômago roncava de fome e o estresse era tanto que eu mataria um se continuasse ali.
— Obrigada pelo convite, Asuma, eu realmente precisava sair um pouco dali. — Agradeci mais uma vez vendo o homem sorrir para mim.
— Tá escrito na sua cara. — Respondeu. — Não se preocupe.
— Você ainda vai pagar, né? — Vi os dois homens gargalharem a minha última frase.
— Ei, não se preocupe com isso tudo bem. — Abri um sorriso enorme, aquelas palavras eram músicas para meus ouvidos.
— Desculpem, mas eu vou pra casa, se divirtam. — Vi Shikamaru se despedir.
— Ei, Shikamaru, mande um abraço pro meu velho amigo Shikaku tá bom, diga que em breve irei visitá-lo. — O garoto parecia assustado ao ver que eu conhecia seu pai, mas logo sorriu concordando e se afastando. Andamos mais um pouco até chegarmos na entrada da churrascaria, ao entrarmos logo avistamos a mesa onde os jovens estavam. Nos aproximamos e vimos caras de espanto acompanhado de sorrisos. Me sentei ao lado de Sakura vendo Asuma sentar logo em minha frente. Os olhares desconfiados dos dois alunos de Asuma me deixaram bastante curiosa.
— Asuma sensei? — Começou a garota loira ainda cautelosa. — Você não estava namorando a Kurenai sensei? — Tive vontade de rir na mesma hora ao ver Asuma se engasgar com o pedaço de carne que acabara de colocar na boca.
— Do que você tá falando, Ino? — Perguntou o mais velho ainda tentando se recuperar.
— E você, -sama — Naruto prosseguiu —, não estava de rolo com o Kakashi sensei? — Agora foi a minha vez de ficar surpresa, aqueles garotos realmente pensavam que tinha alguma coisa a mais ali?
— Que merda vocês estão falando? — Perguntei acusadoramente. — Eu e Asuma somos amigos a anos assim como sou da Kurenai e do Kakashi. — Vi a expressão aliviada se apossar do rosto de todos eles. — Vocês são bem sem noção, hrin?
— Me desculpe por isso. — Pediu Ino. — É que foi um baque vê-lo com a Kurenai sensei, imagina com outra garota. — Gargalhei ao ver, novamente, a expressão assustada de Asuma, já amava seus alunos só por aquilo.
— Não foi nossa intenção chateá-la, -sama. — Pediu o outro garoto.
— Como assim chateá-la, Choji? — Perguntou o sensei ofendido. — E eu?
— Não seja um velho rabugento, Asuma. — Acusei pegando um pedaço de carne na grelha e comendo logo em seguida. — Eu sou a novata, eles não precisam se desculpar com você.
— Então vocês não estão tendo um caso escondido do Kakashi sensei? — Perguntou Naruto curioso.
— Se liga, garoto, quer levar uma porrada? — Gritei vendo-o se encolher rapidamente.
— Foi mal, é só que....
— Você é muito intrometido sabia? — Perguntei me acalmando.
— Eu falo isso pra ela sempre. — Acusou Sakura fazendo o garoto abaixar a cabeça decepcionado.
— Qual é, Sakura-chan.*? — Devolveu o garoto cabisbaixo.
— Ei, -Sama, tem uma coisa que eu queria te perguntar. — Sakura chamou a minha atenção e todos pararam para prestar atenção na conversa. — Esse selo na sua testa é....
— O Byakugou. — Afirmei vendo a garota se assustar com minha resposta. — Você é uma discípula da Hokage não é mesmo, Sakura? — Perguntei vendo a garota afirmar. — Ela deve ter ensinado a você também, não é?
— Sim, mas ainda não consegui. — Respondeu rapidamente. — Quando foi que o selo apareceu? Quanto tempo levou? — Seus questionamentos eram completamente fundados e me fez achar graça porque definitivamente ela estava ansiosa.
— Ei, não se preocupe, Kakashi me disse que você tem um perfeito controle de chakra. — Tentei acalmá-la. — Não deve demorar mais do que eu. — Sorri para tranquiliza-la. — Eu levei um pouco mais de dois anos e ele chegou na hora certa. — Percebi que todos os olhares da mesa estavam vidrados em mim. — Eu estaria morta se não fosse por isso. — Toquei minha testa onde eu sabia que estava o selo.
— É mesmo incrível. — Respondeu ela admirada.
— Sabe, Sakura, quando terminarmos o treinamento do Naruto o que acha de treinarmos juntas? — Perguntei vendo um brilho especial nos olhos da garota.
— Como? — Perguntou Naruto assustado, mas ao mesmo tempo feliz pela amiga.
— Bom, com tudo que está acontecendo acho difícil Tsunade-Sama ter algum tempo. — Sorri. — Não sou tão boa quanto ela, mas eu posso tentar ajudar, qualquer treinamento já vele não é mesmo? — Os olhos da garota brilharam ainda mais e um grande sorriso se apresentava em seu rosto olhei para Naruto e vi o mesmo sorriso, ele realmente gostava daquela garota e estava muito feliz por ela.

#############


Era tão bom finalmente estar em casa, eu não lembrava a quanto tempo, desde que eu cheguei em Konohagakure, eu conseguia ficar sozinha com meus pensamentos. O chá que eu preparava já fervia e rapidamente eu enchi meu copo e bebi sentindo o líquido quente esquentar minha garganta naquela noite fria. Era estranho o silencio, mas era realmente preciso, meus pensamentos foram interrompidos por fracas batidas em minha porta. Levantei lentamente e andei até a porta, abri e encontrei o homem no qual eu não passara um dia sem ver. Kakashi estava escorado na porta e quando me viu logo se apressou em entrar sem qualquer tipo de convite.
— Pode entrar, querido. — A ironia estampada no meu rosto fez o homem revirar os olhos. — Sem ofensa, mas o que faz aqui?
— Eu recebi alta hoje. — A minha expressão confusa fez o homem olhar para o chão. — E você não estava lá.
— Hoje foi meu dia de folga de você. — Sorri ao ver a careta do homem por debaixo da máscara. — Tsunade-Sama me falou que te daria alta e me deu o dia pra descansar.
— Amanhã vamos começar o treinamento do Naruto. — Ouvi ele falar depois de um tempo. — Eu espero você lá não é mesmo?
— Claro, foi o combinado, não é? — Eu estava estranhando, ele nunca iria pessoalmente na minha casa somente me lembrar disso. — O que foi, Kakashi?
— Não é nada. — Vi ele se levantar e andar até a porta. — Até amanhã, então.
— Até amanhã. — Sorri, vendo o homem ainda hesitante saindo. Quando eu estava fechando a porta seu pé logo interrompeu e ele voltou a entrar.
— Quer saber de uma coisa? — Ele bateu a porta atrás de si. — Que se dane.
Rapidamente o homem tirou sua máscara e se aproximou de mim, me agarrou pela cintura juntando nossos corpos e logo senti seus lábios nos meus. Aquela era a sensação mais maravilhosa que eu poderia sentir, a saudade que eu sentia daqueles lábios não era pouco. Passei meu braço ao redor de seu pescoço e logo senti suas mãos descerem para minhas coxas. Em um impulso pulei em seu colo e sentir nossos corpos ainda mais colados, se é que aquilo seria possível. Ele largou minha boca e seus lábios começaram a traçar beijos molhados pelo meu pescoço me fazendo fechar os olhos e gemer baixinho, aquele homem, com certeza, me levaria a loucura. Senti meu corpo ser deitado, com a maior delicadeza do mundo, na cama, eu nem sequer tinha percebido que ele havia alcançado a mesma. Senti seus lábios abandonarem meu pescoço e vi os olhos dele grudarem aos meus, o sorriso estampado em seu rosto mostrava a saudade sem tamanha que ele sentia, assim como eu. Logo seus lábios voltaram grudar nos meus, aquele, definitivamente, seria uma longa e prazerosa noite.

*Ero-Sennin: Traduzindo para a dublagem brasileira significa “Sábio Tarado”
*Sakura-Chan: Emprega-se Chan para demonstrar informalidade, confiança, afinidade ou segurança com outra pessoa. Todo mundo ama o Naruto chamando a Sakura assim hahahahaha


Capítulo 4

Eu estava completamente atrasada, mas não fazia a menor questão de correr. A noite mal dormida já deixava vestígios de que eu estava completamente acabada. Aquele Kakashi era mesmo um idiota, como ele se atrevia a sair cedo, sabendo que iriamos para o mesmo lugar, e não me acordar, só deixando um bilhetinho colado na geladeira. O sono me consumia por inteira, e saber que eu encontraria o “porquê” do meu atraso não me agradava nem um pouco. Eu precisava de chá, ou somente uma garrafa de saquê para acabar logo com o resto de sanidade que eu ainda possuía. O lugar onde seria o treinamento de Naruto não estava longe e eu já conseguia ver uma grande cachoeira implantada no lugar, aquilo era um sinal de que Yamato já havia chegado. Suspirei pesadamente antes de finalmente me aproximar dos três homens que já estavam sobre minha visão.
- Você está péssima. - disse Yamato ao me ver.
- E atrasada. - foi a vez de Kakashi falar, com certa ironia.
- Ei, Oba-chan*, qual é o elemento do seu chakra? - Naruto interrompeu a todos, correndo em minha direção, eu teria respondido se suas palavras não tivessem feito meu coração aquecer de tanta felicidade.
- Oba-chan? - parecia idiota, mas foi a única coisa que eu consegui pronunciar naquele momento, olhei para Kakashi e Yamato e eles observavam tudo atentamente.
- Naruto. - reprovou Kakashi. - Você não tem jeito não é, não tem mesmo respeito por qualquer pessoa.
- Tudo bem. - cortei o homem. - Não tem problema.
- Viu só. - Naruto respondeu com um grande sorriso no rosto e se virou para mim. - E então?
- Bom, é... - eu estava com grandes dificuldades de pronunciar qualquer palavra, aquele garoto não parava de me surpreender a cada momento. - Eu domino mais de um elemento, mas o principal é o Futon*.
- Futon? - os olhos do garoto brilharam no mesmo minuto. - Então temos o mesmo elemento?
- Então vocês já chegaram nessa parte? - perguntei, realmente eles já estavam adiantados.
- Você se atrasou demais. - respondeu Yamato.
- Me desculpem por isso, eu... - não tinha o que falar, na verdade, não tinha muito o que ser dito.
- Não vai dar uma desculpa esfarrapada como o Kakashi-sensei, não é? - eu sabia bem da fama de Kakashi, ele com certeza tinha aprendido aquilo com Obito.
- Eu só dormi demais mesmo. - respondi para o garoto. - Me desculpe, Naruto. – pedi, vendo o sorriso compreensivo dele. - Espero não ter atrapalhado nada.
- Relaxa, estávamos só começando. - Kakashi disse. - Aliás, onde estávamos mesmo, antes de sairmos do caminho?
- Ah, é mesmo. - Naruto voltou-se para seu sensei. - Você disse que sabia um jeito de pular o tempo de treinamento.
- Reduzir, não pular. - o homem parecia realmente cansado da lerdeza de Naruto.
- Tanto faz. - falou o garoto com desdém, deixando o mais velho ainda mais irritado. - Como vamos fazer?
- Nós vamos fazer com kage bunshin*, Naruto. – respondi, antes que Kakashi explodisse com o menino.
- Hã? - a confusão estava estampada em seu rosto.
- Isso mesmo. - prosseguiu Kakashi. - Kage bunshin, esse é o segredo.
- O segredo de quê? - ali eu percebi a dificuldade que teríamos, Naruto poderia ser um gênio na prática, mas a teoria definitivamente não era o seu forte.
- Para reduzir o tempo de treinamento que você vai precisar, Naruto. - respondi.
- Desculpa, mas eu não estou entendendo nada. - completou o garoto.
- Tudo bem, Naruto, preste bem atenção que eu vou tentar te explicar. – prossegui, percebendo que a paciência de Kakashi estava acabando.
- Explica de uma forma simples, por favor. - pediu ele.
- Tudo bem, eu vou tentar. – suspirei, antes de continuar. - Como você sabe, o kage bunshin no jutsu criam cópias físicas de nós mesmos e não meras ilusões, como um jutsu de clonagem normal.
- Eu sei, é claro que eu sei disso. - ele claramente não sabia.
- Ele permite que você se multiplique muitas vezes, mas esse ninjutsu causa um efeito único em seu usuário também. - prossegui. - Kakashi me disse que ele é uma das suas especialidades, então você já deve ter percebido isso.
- Hã? - até Buda perderia a paciência com aquele garoto.
- Quando o jutsu acaba e você reestabelece seu original, tudo que seu clone experimentou fica armazenado no seu banco de memórias. – tentei, vendo, novamente, a cara de desentendimento do menino.
- Eu não pedi para você explicar de uma forma simples? - perguntou.
- Acho que você nunca percebeu, não é mesmo? - afirmei, pois sabia que era verdade.
- Não tenho a mínima ideia do que você está falando. - não achei que aquilo seria tão difícil. Olhei para Kakashi, implorando por ajuda, e ele logo veio ao meu socorro, suspirando, já cansado.
- Tudo bem, Naruto, vamos criar um clone juntos. - o mais velho pediu. - Só um já é suficiente para começar.
- Kage bushin no jutsu. - logo os clones foram criados.
- Agora, vamos nos dividir entre os clones e os originais. - falou Kakashi. - Naruto clone, vem comigo. - e no mesmo momento, os dois clones saíram em direção à floresta, onde não conseguiríamos vê-los ou ouvi-los.
- O que eles estão fazendo? - Naruto perguntou, curioso.
- Espera um pouco. - respondi. - Logo você vai saber. - Esperamos alguns minutos até que o clone de Kakashi explicasse ao clone do Naruto o que eles deveriam fazer. Com certeza ele deveria estar tendo alguns problemas também. Logo, Naruto começou a rir, e ali eu percebi que o justsu já estava desfeito.
- Você sabe o que eles acabaram de fazer? - Kakashi perguntou.
- Eles jogaram pedra papel e tesoura, e você perdeu, Kakashi-sensei. - o sorriso do garoto era o maior que eu já tinha visto. - Você me deve um ramem.
- O que ele pensou, fazendo apostas assim? - Kakashi me perguntou e logo eu ri da sua cara. - Agora você entendeu que a experiência dos nossos clones volta para o nosso corpo original e fazem parte de nós agora?
- Eu sempre fiz os clones aleatoriamente, nunca tinha reparado. - aquilo já era uma grande evolução. - Agora entendi.
- Esse jutsu foi criado para obter informações para coisas do tipo reconhecimento de lugares perigosos, ou infiltração em esconderijos e inimigos. - explicou Kakashi.
- Eu entendi, tudo isso é bem interessante. - respondeu Naruto, com desdém, a explicação do seu sensei. - Mas ainda não entendi como isso pode diminuir o meu tempo de treinamento.
- Relaxa, não se preocupe. - pediu o mais velho. - Eu já iria chegar nisso.
- Eba! - o garoto comemorou, nos deixando completamente perplexos.
- Onde Jiraiya-sama encontrou paciência para ensinar o Rasengan para esse garoto foge do meu entendimento, fala sério. - Kakashi cochichou para mim e Yamato. Eu dei risada, mas logo concordei.
- Tudo bem. - comecei para tentar ajudar Kakashi. – Basicamente, se você fizer o mesmo exercício de treinamento com um kage bushin, você terá duas vezes mais resultados, correto? – perguntei, na esperança do garoto ter mesmo entendido.
- Sim, sim, sim. - seu entusiasmo era mesmo contagiante.
- Explicando melhor, se treinarmos você e seu clone ao mesmo tempo, podemos dividir o seu tempo de treinamento pela metade. – esclareci, percebendo que, aos poucos, ele ia entender. - Com três, levaria somente um terço.
- Três de mim levaria só um terço. - o garoto demonstrava um misto de surpresa e felicidade.
- E mil levaria um milésimo do tempo. - concluiu Kakashi.
- Entendi. - a admiração em seu rosto cresceu.
- Um treinamento que levaria 2 dias para terminar normalmente, poderia ser feito em um dia com dois de você. - continuei com a explicação. - Já um que levaria vinte anos para ser dominado, pode terminar em uma semana com mil clones.
- Agora eu entendi tudo. - seu sorriso era tão contagiante que não tinha como não sorrir junto. - Isso é genial.
- Eu achei que nunca chegaríamos lá. - Kakashi cochichou para Yamato e eu. - Eis o plano, enquanto estivermos treinando para mudar o elemento do seu chakra, usaremos seu clone o tempo inteiro.
- Entendido. - respondeu o rapaz, ainda com um sorriso no rosto. - Ei, vocês me falaram sobre os elementos e que alguns podem dominar mais que um, existe alguém que domine os cinco? – perguntou, curioso.
- Bem, um ninja assim é realmente incrível, mas pode existir sim. - comecei a explicar. – Aliás, aqui em Konoha existiu um homem tão forte ao ponto de dominar os cinco elementos, e acho que você o conheça muito bem, Naruto.
- Eu conheço? - deixei o garoto ainda mais curioso.
- Seu nome era Hiruzen Sarutobi. – concluí, vendo a surpresa estampada na cara do menino. - Sabe quem é?
- Sarutobi? - um sorriso formou-se em seu rosto. - O velhote era mesmo incrível assim?
- Ele não foi o Sandaime Hokage à toa, não é? - sorri junto com ele.
- Mas ele conseguiu ser incrível assim com muito treino e dedicação. - interrompeu Kakashi. - Você está preparado para isso? Treino e dedicação?
- Eu tô super preparado, Kakashi-sensei. – respondeu, com determinação.
- Muito bem, a primeira coisa que você deve fazer é o treinamento para que a mudança de elemento de chakra fique mais forte. - Kakashi iniciou a explicação.
- Está bem. - respondeu o mais novo.
- Segure essa folha entre as palmas de suas mãos e use seu chakra para que a folha se rasgue em duas. – pedi, vendo a sua atenção completamente em mim.
- Deixa comigo. - disse Naruto, animado.
- Espere um instante. - Pediu Kakashi. - Como dissemos antes, você vai fazer esse treinamento usando os kages bushins.
- Quantos clones quer que eu faça? - perguntou.
- Bom, vejamos, um para cada folha. - Kakashi analisava cuidadosamente tudo ao seu redor. - Aquela quantidade ali. - apontou para uma grande árvore e logo Naruto sorriu e criou os clones.
Aquilo me deixou completamente impressionada. Eu sabia que ele tinha uma boa quantidade de chakras, e que dominava completamente aquele jutsu, mas ver de perto era realmente impressionante. Eu preferia mil vezes continuar ali observando Naruto, do que me virar e ter que encarar Kakashi, as imagens da noite anterior rodavam como um filme na minha cabeça.
- ? - a voz de Yamato me despertou. - Tá tudo bem? - tive que virar para encará-lo, e lá estava ele, com aquele maldito olhar fixado em mim.
- Tudo ótimo, desculpe o atraso, eu realmente perdi a hora. – respondi, sorrindo para o homem.
- Você saiu ontem? - perguntou Yamato.
- Não que eu me lembre. - respondi. - Por quê?
- Eu fui atrás de você ontem à noite. - meu coração parou e eu olhei para Kakashi, vendo o mesmo com um sorriso por baixo da máscara. - Bati e você não atendeu, pensei que tinha saído. - imagens da noite anterior voltaram com força.

Flashback

Seus lábios faziam um ótimo trabalho em meu pescoço, me fazendo arrepiar por inteira, eu estava completamente entregue àquele homem. Ele sabia muito bem o que estava fazendo, suas mãos desciam por todo meu corpo, massageando cada parte dele, minhas mãos arranhavam suas costas desnudas cada vez mais forte a cada reação do meu corpo aos seus toques. Seus lábios subiram pelo meu queixo até chegar em meu ouvido.
- Acho que tem alguém na porta. – sussurrou, depositando um beijo molhado atrás do mesmo.
- O quê? - eu não entendia nada porque não queria entender, eu preferia que ele usasse aquela maldita boca no que ele estava fazendo antes.
- Alguém está batendo na sua porta. - foi como se ele tivesse jogado um balde de água fria em cima de mim. Ele realmente estava falando sério?
- Quer que eu vá atender? - perguntei na maior ironia que eu poderia ter naquele momento.
A resposta foi instantânea, seus lábios logo voltaram para os meus.

Flashback off

- Me desculpe. - eu deveria estar da cor de um pimentão. - Eu acho que fui comprar comida.
- Tarde assim? – perguntou, curioso.
- Se era tão tarde assim, por que foi me atormentar? - eu estava irritada e dava para ver claramente em sua cara que ele sabia de alguma coisa.
- Você está mesmo nervosa. - respondeu.
Seu sorriso presunçoso demonstrava claramente que ele sabia de algo, e ao ver Kakashi, eu tive a certeza. Decidi ignorar os dois e observar Naruto, em pouco tempo aquele garoto já estava conseguindo rasgar um pouco da folha. Eu entendi o que Jiraiya-sama disse quando falou que ele era determinado, aquele treinamento demoraria menos tempo do que eu pensava, e aquilo me alegrava completamente, saber que a herança do meu irmão estava evoluindo tão bem, Kushina e Minato deveriam estar muito orgulhosos desse menino. Um deles parou o que estava fazendo e olhou diretamente para mim e veio em minha direção.
- Ei, oba-chan, poderia me dar alguma dica? - pediu com um sorriso enorme. – Afinal, temos o mesmo elemento.
- Você está indo muito bem. - elogiei. - Sabe, eu conheço alguém que pode te ajudar melhor do que eu. - sua atenção foi voltada inteiramente para mim.
- Quem? – perguntou, curioso.
- Ele deve estar agora mesmo jogando uma partida de Shogi. – sorri, vendo que o garoto logo se tocou de quem eu estava falando. - Ele usa uma técnica perfeita para o que você está fazendo, e tenho certeza de que ele não se importaria de te dar algumas dicas.
- Obrigado. - logo ele saiu correndo atrás de Asuma.

###########


Tinha sido um longo dia, o treinamento de Naruto estava muito bom, mas teve que ser interrompido, pois a Godaime o havia passado uma missão, era nítido que ele não gostara nem um pouco, mas nada podia fazer nada. Evitar Kakashi não estava sendo a coisa mais fácil do mundo, mas eu fui bem sucedida. Não tínhamos falado nem uma palavra a respeito da gente e do que tinha acontecido, e eu nem queria. Aproveitei o tempo que tive para finalmente conseguir sair com Gai, o encontro que eu tinha prometido a alguns dias. Tenho que admitir que minha animação para isso era zero, mas eu precisava disso, somente um dia livre de todos os problemas que minha volta trouxe comigo, um momento de diversão com um velho amigo que eu sentia tanta falta quanto dos outros. Terminava de me arrumar quando ouvi alguém bater na minha porta, eu já estava atrasada e ainda apareciam visitas do nada. Suspirei e fui até porta, ao abrir encontrei quem eu menos esperava. Kakashi estava escorado no batente da porta, e ao me ver, um sorriso singelo se abriu em seu rosto.
- Vai sair? - perguntou novamente, invadindo minha casa. - Você está bonita. - eu não esperava por aquilo. - Quando você vai resolver parar de me evitar?
- Por que o questionário? - questionei. – Aliás, obrigada pelo elogio, mas eu já estou de saída.
- Você vai mesmo fingir que nada aconteceu? - ele ignorou completamente a minha fala e se sentou no sofá. - Pensei que a gente tinha resolvido tudo já.
- Resolver? - eu estava realmente indignada. - A gente nem chegou a conversar.
- Por isso eu estou aqui. - ele se sentia tão confortável ali, que deitou no meu sofá, ignorando totalmente o fato de que eu iria sair.
- Você não queria conversar hoje de manhã quando saiu de fininho. – acusei, sabendo que eu não me livraria dele tão cedo.
- Você quer mesmo falar sobre sair de fininho? - ele ia mesmo jogar meu passado na minha cara. - Porque eu posso contar todas as vezes que foi o contrário.
- Você não precisa ficar lembrando das coisas do passado, a gente evolui. – falei, sentido o cansaço que daquela conversa.
- Então vamos falar sobre o agora. - ele se levantou e veio em minha direção.
- Eu adoraria, mas estou sem tempo. - me afastei dele e fui na direção da mesa que estava ao lado do sofá. Peguei a chave e joguei para ele, que segurou com destreza.
- Já estamos nesse nível? - eu conhecia aquele homem melhor do que qualquer pessoa e sabia que ele escondia um sorriso malicioso por baixo da máscara. - Já está compartilhando a chave da sua casa comigo.
- Na verdade, é a chave reserva para você trancar a porta quando sair e jogar por baixo da porta. - vi o seu sorriso presunçoso desaparecer, o que fez com que eu abrisse o meu. - Eu preciso ir, até mais, Bakakashi*. - sai da casa gargalhando, ao ver sua expressão ao apelido que ele não escutava há anos.


Apesar de tudo, estava sendo uma noite bem agradável, Gai era um dos homens mais engraçados, e era tão bom saber as coisas que eu tinha perdido durante todos esses anos fora da vila. A forma que ele falava dos alunos era incrível, principalmente sobre o garoto, Lee, definitivamente ele considerava o garoto um filho, e era uma relação linda de se ver, seus olhos brilhavam ao falar do rapaz.
- E você? – começou, mudando o assunto. - Quantos anos fazem mesmo?
- Não sei, uns três, talvez? - respondi
- Não sentiu falta? – perguntou, curioso.
- Todos os dias. - sorri com as lembranças da saudade que eu sentia de Konoha. - Aqui é minha casa, afinal.
- Só sentiu falta da vila? - eu não sabia onde ele queria chegar com aquilo.
- Eu senti falta de vocês também, se é isso que quer saber, Gai. - sorri para o homem, vendo o sorriso em seu rosto.
- Até do Kakashi? - então era isso que ele queria saber, realmente tocou na ferida.
- Sabe, eu acho que ainda estou muito sóbria para esse assunto. - peguei a garrafa de saquê e enchi meu copo, logo bebendo o líquido de uma vez só, fazendo o homem na minha frente gargalhar.
- Então vocês não se resolveram? - perguntou.
- Defina resolver? - mais uma vez enchi meu copo e bebi todo o líquido de uma vez.
- Você gosta de complicar as coisas, não é mesmo? - disse o homem, pegando um dango do prato. - Passou uma semana sozinha com ele e não conversaram sobre as coisas do passado?
- Não tem o que conversar. - novamente enchi meu copo, eu já sentia a bebida fazer efeito. - O passado é para ficar no passado. - levantei meu copo e, de novo, engoli o líquido, já sem sentir a ardência na garganta. - Mas acho que eu senti a falta dele.
- A falta de quem? - olhei para trás e encontrei Kakashi, Kurenai e Asuma, o qual fez a pergunta.
- O que vocês vieram fazer aqui? - perguntei, mas ao olhar bem para Kakashi eu já sabia a resposta.
- Bom, eu e a Kurenai estávamos atrás de vocês, e o Kakashi disse que podiam estar aqui. - Asuma respondeu. - Podemos? – pediu, apontando para a cadeira ao meu lado.
- Fiquem à vontade. – respondi, vendo todos se acomodarem na mesa. - O que aconteceu?
- Bom, eu e Asuma temos uma coisa para contar. - eu olhei bem para mulher, que eu conhecia muito bem desde criança, e logo me dei conta do que estava acontecendo, meus olhos encheram de lágrimas.
- Espera, vocês estão grávidos? – perguntei, sendo respondida com um sorriso tímido de Asuma e de Kurenai.
- Bom, é. - respondeu a mulher, logo sendo esmagada por meus braços em um abraço apertado.
- Eu estou tão feliz por vocês. - cochichei em seu ouvido, vendo Asuma sendo abraçado por Kakashi e Gai. - E você, vem aqui. - abracei Asuma tão forte quanto Kurenai. - Isso merece uma comemoração. - eu admitia que já estava um pouco alta por causa da bebida. - Mais uma garrafa de saquê, e um chá para grávida, lógico. - todos na mesa riram, mas logo estavam todos me acompanhando.

Tinha sido uma das melhores noites da minha vida, eu tinha me divertido tanto com os amigos que eu sentia tanta falta. A última vez que tinha ido à vila fora durante o exame Chunin, e com todos os acontecimentos, nem tive chance de ter momentos assim com aquelas pessoas. Eu me sentia muito mais leve, até mesmo com a presença de Kakashi, foi um momento tão especial que nem liguei para mais nada. Eu seguia para minha casa com um sorriso enorme estampado no meu rosto, ao abrir a porta minha felicidade foi interrompida por uma confusão.
- Você quer que eu morra do coração? – perguntei, quando percebi Kakashi novamente sentado e relaxado no meu sofá. - Eu deveria saber que você não iria fazer o que eu pedi. – disse, suspirando e indo em direção ao quarto e logo tirando meus sapatos. – Sério, Kakashi, eu estou muito feliz para você vir estragar qualquer coisa. - me virei, vendo que ele me acompanhava e já sentava na minha cama.
- Eu não vim estragar, eu juro. - falou baixo. - Se você quer fingir que nada aconteceu tudo bem, mas eu não vou mesmo fazer isso.
- Eu não quero isso, é só que... - ele me interrompeu, se levantando e se aproximando.
- Não tem problema se você não quiser, mas eu vou falar. - ele segurou minha mão e me puxou em direção à cama, fazendo-me sentar ao seu lado. - Eu quero resolver tudo, de verdade. - seu olhar era tão intenso que eu não conseguia desviar. - Desde sempre eu tenho sentimentos por você, mesmo não demonstrando. Eu fechei meus olhos para qualquer outra garota, inclusive a Rin, porque só existia você para mim, e continua sendo assim. – eu nunca, em toda a minha vida, tinha o ouvido falar aquilo em voz alta. - Quando Obito morreu e você teve coragem para jogar tudo que você sentia por mim, eu me senti completo ao ponto de sonhar com um futuro com você. - ele apertou minhas mãos ainda mais e eu não conseguia dizer nada, não naquele momento. - Quando você foi embora, você partiu me coração, mas eu não tinha o que fazer além de aceitar tudo, e depois que você voltou e me disse que foi para ficar, toda a raiva que eu pensava que sentia se esvaziou completamente.
- Você está mesmo se declarando para mim depois de todos esses anos? - ele não tinha parado nem um minuto, então resolvi interromper.
- Você vai mesmo me atrapalhar nesse momento? – perguntou, indignado. - Cala a boca, deixa eu falar o que eu demorei anos para dizer. Agora eu estou pronto para tentar o que nem se quer conseguimos começar, eu sempre falei que tinha sentimentos por você, mas nunca tive a coragem que você teve ao dizer que me amava, mas agora... - seus olhos transmitiam um brilho tão intenso, na verdade Kakashi era um homem que conseguia transmitir tudo que sentia pelos olhos. - Agora eu admito, eu amo você e não consigo mais me ver em um futuro sem você.
Eu estava sem palavras, ele conseguiu isso de mim, Kakashi nunca tinha falado aquelas palavras, mas eu já sabia o que ele sentia, mesmo assim, ouvir em alto e bom som era incrível. Eu sentia as lágrimas em meu rosto, tudo que ele disse se juntou com o efeito do álcool, aquele dia era definitivamente o melhor dia da minha vida, eu só conseguia sorrir e chorar ao mesmo tempo.
- Uau! - segurei seu rosto em minhas mãos, não desviando nossos olhos em nenhum momento. - Só demorou o quê? Dezesseis anos? – sorri, vendo que ele fazia o mesmo. Desci sua máscara e rapidamente grudei nossos lábios. - Você sabe que eu amo você e que se pudesse eu escolheria viver o resto da minha vida com você. - ele fechou os olhos depois das minhas palavras. - Um dia, você vai saber de tudo que aconteceu nesse tempo, mas agora... - me aproximei do seu ouvido. - Que tal voltarmos à noite anterior? - depositei um beijinho no local e vi os cabelos de sua nuca se arrepiarem.
- Você está bêbada. - ele se afastou, hesitante. - Essa noite vamos dormir.
- Você está mesmo me negando? – perguntei, chocada, mas sentindo meu estômago embrulhado.
- Eu nunca faria isso. – respondeu, com um sorriso divertido. - Mas sua cara não está mesmo boa, parece que vai vomitar a qualquer minuto. - não precisou ele dizer muito mais, eu corri para o banheiro e coloquei para fora tudo que eu tinha bebido e comido naquela noite. - Parece que eu estava certo. - me ajudou a levantar e a me limpar, me acompanhou até a cama e me deitou, logo deitando ao meu lado.
- Eu vou te ver amanhã? – perguntei, sussurrando, pois o sono já me consumia naquele momento.
- Pode apostar que sim. - e seu sorriso foi a última coisa que eu vi antes de apagar.

*Oba-chan: Oba significa tia em Japonês, e o chan é uma forma de tratamento carinhosa, íntima e informal.
*Futon: As transformações da natureza são uma forma avançada de controle do chakra. Ela possui 5 elementos, o Futon que foi falado é o vento, mas temos também o Katon que é fogo, Raiton que é relâmpago, Doton que é terra e o Suiton que é água.
*Kage bunshin no jutsu: Para quem vê dublado isso é o jutso multiclones da sombra, tá bom migas? hahaha

Capítulo 5

Eu estava bastante disposta, o que era realmente incrível. Já fazia algum tempo e Naruto já tinha chegado, ou seja, o treinamento voltaria à todo vapor e com certeza mais fácil. Me espreguicei na cama e percebi que Kakashi não estava ali, mas o barulho vindo da cozinha deixava claro que ele estava na casa. Entrei no banheiro para escovar os dentes antes de encontrá-lo lá. Segui para a cozinha e o encontrei sentado na mesa, tomando um pouco de chá.

— Bom dia. — sentei à sua frente, recebendo um sorriso em resposta.
— Bom dia. — peguei a chaleira em cima da mesa e coloquei um pouco do líquido para mim. — Preparada? Naruto retornou e já me cansou com pedidos sem fim para a retomada do treinamento.
— Vou me atrasar um pouco. — respondi, vendo a surpresa em seu rosto. — Tsunade quer conversar comigo, eu acho que talvez ela irá me passar mais trabalho.
— Vai sair em missão? — Kakashi perguntou, curioso.
— Acho que vai depender bastante das ações da Akatsuki daqui pra frente. — falei, tomando mais um gole do líquido quente. — Eles estão trabalhando bastante nos últimos dias.
— Atacaram algum lugar? — aquele era um assusto que interessava bastante Kakashi.
— Há boatos que eles conseguiram capturar mais uma bijuu, parece que agora foi a duas caudas. — aquilo me assustava, eles, aos poucos, estavam conseguindo realizar seu plano e rapidamente chegariam a Naruto. — Temos que ficar de olho de qualquer forma. Talvez ela me mande com algum grupo de rastreamento, não sei mesmo o que ela quer.
— Não se preocupe, gaste o tempo que precisar. — sorriu e se levantou. — Preciso ir, te encontro depois. — beijou meus lábios rapidamente, subiu a máscara e ia saindo.
— Ei, só uma coisa. — ele voltou seu olhar pra mim. — Você se mudou para cá e eu não estou sabendo?
— Vai reclamar agora? — eu não iria, não mesmo, mas amava pirraçar.
— Não tenho nada contra. — ele revirou os olhos, me fazendo rir.
— Te vejo depois.
Isso estava começando a se tornar rotineiro, Kakashi ficar até tarde comigo e acabar dormindo aqui. Aquilo estava sendo algo interessante, mesmo finalmente admitindo o que finalmente queríamos um com o outro, estávamos indo um pouco rápido, mas eu não me importava nem um pouco e, pelo jeito, nem ele. Sai de meus pensamentos ao me tocar que já devia estar atrasada, corri para me trocar e logo estava de saída para o escritório da Hokage.

############


Já era noite quando fui em direção ao campo de treinamento, Tsunade tinha me prendido com ela por todo o dia, para falar a verdade, nem tempo de comer eu tive direito. Estava cansada, faminta e muito estressada, minhas pernas se moviam sem qualquer vontade, mas de longe já se via a luz da fogueira acesa em frente a uma cachoeira muito maior do que a que eu tinha visto antes, parece que o dia tinha sido bastante produtivo. Me aproximei mais um pouco e encontrei todos calados, se aquecendo com o fogo.
— Você é mesmo a versão feminina do Kakashi sensei, oba-chan. — Naruto acusou ao me ver. — Na verdade, acho que nem o Kakashi sensei tem o dom de se atrasar tanto assim.
— Me desculpe, Naruto, a Hokage realmente me fez de escrava dela hoje. — respondi, me sentando em um dos troncos. — Mas espero te recompensar com isso. — mostrei a sacola com uns espetinhos de carne que eu tinha comprado no caminho e logo o garoto correu e pegou a sacola que eu o estendia.
— Tá tentando me comprar com comida? — perguntou o garoto, desconfiado.
— Funcionou? — respondi com outra pergunta.
— Com certeza sim. — sorriu, abrindo a sacola e logo comendo como se fosse a melhor comida do mundo.
— O que aconteceu? — perguntou Kakashi, sentando do meu lado.
— Nada demais, ela só estava atolada e precisava de alguém pra se atolar com ela, já que Shizune estava pior do que qualquer um, então fiquei com pena e resolvi ajudar. — sorri, encostando minha cabeça em seu ombro, eu estava cansada demais.
— Deveria descansar um pouco. — sussurrou o homem. — Não tem problema, pode ir para casa.
— Relaxa, tá tudo bem. — respondi para tranquilizá-lo. — Como foi hoje?
— Acho que ele está começando a evoluir, não é o mais inteligente, mas eu já desistir de encontrar algum vestígio disso nele. — minha gargalhada chamou a atenção dos outros dois, que se mantinham entretidos na comida que eu havia trago.
— Do que estão rindo? — perguntou Naruto com a boca cheia.
— Do quão mal educado você é quando come. — fiz careta e logo o garoto engoliu, de uma vez, tudo que tinha em sua boca. — Pelo amor de Deus, o que você é menino? Tenha modos!
— Vai querer? — questionou o garoto, pegando mais um espetinho. Mesmo que minha barriga estivesse roncando, ele deveria estar pior que eu.
— Pode ficar, você parece que está morrendo de fome, moleque. — respondi rapidamente.
— Tem certeza? Eu não me importo. — o grande sorriso em seu rosto deixava clara a afirmação em suas palavras.
— Tenho certeza. — afirmei novamente. — Você precisa descansar, por falar nisso, coma e vá se deitar, seu treinamento precisa de você inteiro.
— Você está horrível. — disse Yamato, se aproximando enquanto Naruto voltava para onde estava e comia o resto dos espetinhos de carne.
— Obrigada. — ironizei, pois não precisava que ele dissesse o óbvio.
— Aconteceu algo? — era clara a preocupação em sua voz.
— Não se preocupe, vocês dois parecem meu irmão, eu ein. — caçoei. — Tá tudo bem, eu só estava desacostumada com tanto trabalho.
— E vocês dois? — Yamato perguntou depois que eu, novamente, descansei minha cabeça no ombro de Kakashi.
— Você é muito fofoqueiro, Yamato, sério. — eu tinha certeza que ele estava, mais uma vez, tirando uma com a minha cara, afinal, Kakashi com certeza já tinha falado algo para ele.
— Eu só estou curioso. — se defendeu rapidamente.
— Olha, eu vou deitar, fiquem vocês dois aí conversando como duas velhas fofoqueiras. — encerrei a conversa e sai, ouvindo o riso de Yamato.
Logo encontrei onde estava um pequeno colchonete que, com certeza, era de Kakashi, e me joguei no mesmo. Eu estava tão exausta que nem liguei para o desconforto que aquilo me faria, eu somente deitei e logo senti meu corpo pesar e eu apagar completamente.

Não sabia quanto tempo tinha passado, mas eu abri os olhos e ainda vi o céu completamente escuro. Senti a mão de Kakashi na minha cintura e sua respiração na minha nuca, o que me arrepiava por inteiro. Tentei mais uma vez voltar para meu sono, mas percebi que seria em vão, a insônia havia me atingindo. Tirei a mão de Kakashi da minha cintura bem devagar, na tentativa de não o acordar, me levantei lentamente e olhei ao redor. A fogueira já tinha apagado e eu percebi que o lugar onde deveria ter um corpo dormindo estava todo bagunçado e completamente vazio. Ao olhar para o lado e ver Yamato, logo percebi que deveria ser Naruto, onde aquele garoto havia se metido numa hora daquelas? Ouvi um barulho e olhei em direção à cachoeira e lá enxerguei Naruto, vários Narutos para falar a verdade, não sabia o que ele estava fazendo, mas tinha uma ideia e ele não estava mesmo para brincadeira. Eu ficava muito feliz por ver seu esforço, mas aquilo ainda era muito perigoso, um treinamento tão duro com tantos clones sem a supervisão de Yamato poderia dar muito ruim. Me aproximei devagar, subindo no galho da árvore onde ele estava.
— O que pensa que está fazendo? — o garoto estava tão concentrado que o susto foi grande, se fosse outro momento, eu, com certeza, estaria rindo, mas não era momento para aquilo, eu estava ali para dar a bronca que aquele menino merecia.
— Você tá louca? Quase me matou de susto. — reclamou.
— O que você está fazendo, Naruto? — perguntei novamente. — Você sabe que precisa do Yamato para isso.
— É só que não temos muito tempo. — disse o garoto em um sussurro. — Eu não quero ficar para trás, eu só pensei que se eu desse mais do que eu estou dando, eu poderia salvar o Sasuke mais rápido. — aquilo partiu meu coração, era só um menino querendo salvar um amigo, naquele momento, Naruto parecia uma grande mistura do meu irmão com Jiraiya.
— Você não vai conseguir nada se morrer, Naruto. — aquilo o assustou. — Isso não é um treinamento simples, não vai adiantar nada se você não cuidar de si mesmo, descanso é fundamental.
— Eu não preciso descansar. — respondeu rapidamente, voltando a fazer os clones, me ignorando totalmente.
— Tudo bem, então eu vou te ajudar. — falei, derrotada, sentando no tronco que seus clones não ocupavam. — Só diminua um pouco a quantidade de clones para eu conseguir controlar tudo, tá bem?
— Como vai fazer isso? — perguntou, curioso e alegre ao mesmo tempo.
— Com isso. — tirei um dos selos que Jiraiya havia me dado alguns dias atrás. — Eu entendo que você não quer perder tempo, mas me ajude.
— Você é demais, oba-chan dattebayo! — ele voltou a se concentrar na cachoeira.
Eu ainda estava parada sem saber o que falar, sua última frase me deixou perplexa. Como pode, mesmo sem conhecê-la, ele ter todo jeito de falar da mãe, eu nunca esqueceria do “dattebane” da Kushina e aquilo me dava uma vontade enorme de chorar, não só de saudades, mas também de felicidade por ver como Naruto era uma cópia perfeita de Minato e Kushina. Ele pode ter a aparência completamente igual a do meu irmão, mas com certeza sua alma é como a da mãe. Deixei as lembranças e as poucas lágrimas que escorriam do meus olhos de lado e voltei a focar-me em Naruto e qualquer movimento de que a Kyuubi poderia aparecer, aquela seria uma longa noite.

##############


A noite passou tão rápido que nem percebi, Naruto estava evoluindo cada vez mais. Kakashi e Yamato já estavam de pé e o mais novo já ocupava meu lugar de lidar com o chakra a Kyuubi. Eu havia dormido pouco, mas não estava indisposta, na verdade eu estava bem animada. Não sabia o que poderia acontecer daqui em diante, principalmente relacionado a Akatsuki, eles estavam cada vez mais rápidos e daqui a pouco não duvidaria que chegassem aqui. Estava tão concentrada no treinamento que nem percebi a aproximação de alguém.
. — a voz feminina logo chamou minha atenção.
— Shizune? — perguntei, surpresa ao ver quem era, afinal, era difícil vê-la longe do escritório do Hokage. — O que foi, aconteceu algo?
— Tsunade-sama quer você no escritório dela com urgência. — respondeu rapidamente.
— Aconteceu alguma coisa? — eu estava realmente preocupada, afinal, passei o dia inteiro com ela ontem.
— Eu não sei direito, acho melhor que ela te fale algo. — Kakashi logo avistou a mulher e se aproximou.
— Shizune? — percebi a mesma surpresa que a minha ao vê-la.
— Desculpe roubá-la de você, Kakashi, mas é necessário. — respondeu para o homem.
— Eu tenho que ir, volto assim que der, tá bom? — falei para Kakashi, o vendo logo concordar.
Sai em direção ao escritório da Hokage, acompanhada de Shizune que demonstrava sua clara preocupação, o que me deixava ainda mais apreensiva. Eu estava preocupada, mas já imaginava o que estava por vir, ela com certeza me mandaria em missão, pela cara da mulher ao meu lado, não era por boa causa, alguma coisa muito ruim tinha acontecido.
Não demorou muito e já havíamos chegado na grande torre, subíamos a escada, ainda caladas, e ao abrir a porta percebi que Tsunade não estava sozinha.
— Mandou me chamar, senhora? — perguntei ao ver a mulher voltar seu olhar para mim.
— Sim, preciso de você. — falou rapidamente. — Esse é um dos monges do Templo do fogo, ele veio atrás de ajuda.
— O que aconteceu? — perguntei para o homem.
— Diga a ela. — pediu Tsunade para ele.
— O templo do fogo foi invadido por dois homens com um sobretudo preto com nuvens vermelhas. — então era isso, a Akatsuki atacou um templo repleto de monges. — Mataram muitos, eu não sei ao certo se tiveram muitos outros sobreviventes. — aquilo me surpreendeu, porque, apesar de tudo, eles não eram fracos. — O nosso líder Chiriku foi morto e levado por eles.
— Isso é... — minha fala foi interrompida por Tsunade.
— Você vai atrás deles, junto com a equipe Asuma. — ordenou imediatamente. — Terei uma reunião com alguns Jounnins e chunnins, para mandá-los em grupos.
— Se Asuma está na equipe, acha que eu posso ser útil? — perguntei. — Ele não é o suficiente?
— Estamos falando sobre a Akatsuki. — falou a Hokage. — Se tem alguém mais do que preciso nessa missão, essa pessoa é você.
— Tudo bem. — suspirei, cansada. — Pode me dar um tempo para me preparar?
— Você tem uma hora. — respondeu rapidamente.
— Obrigada. — agradeci.
Sai rapidamente, precisava avisar a Kakashi, Yamato e Naruto e passar em casa para me aprontar. Uma missão daquele nível me deixava um pouco nervosa, não deveria, mas eu estava, como nunca. Pensar que a Akatsuki tinha feito uma chacina em um lugar tão seguro como o templo do fogo era impressionante, somente dois deles fizeram aquilo tudo, imagine toda a organização junto, era realmente de assustar, mas saber que Asuma nos guiaria me acalmava um pouco, afinal, era um dos ninjas mais surpreendentes que eu conhecia.
Cheguei rapidamente no local de treino, vendo Naruto ainda na tentativa de cortar a cachoeira e Kakashi e Yamato o observando.
— Como vão indo? — perguntei, assustando os dois homens.
— Até que bem. — Kakashi respondeu rapidamente. — O que aconteceu?
— Vou ter que sair em missão. — falei, me aproximando ainda mais. — A coisa foi séria.
— O quão séria? — perguntou Yamato, ainda concentrado em Naruto, mas interessado na conversa.
— Do nível Akatsuki. — os dois homens ficaram ainda mais surpresos. — Invadiram o templo do fogo e mataram o líder.
— Por que eles fariam isso? — questionou Kakashi, chocado com a minha revelação.
— Talvez pela recompensa? — deduzi rapidamente. — Eu só sei que a Tsunade me quer junto com o Asuma em sua equipe, eu preciso me preparar, saio em menos de uma hora. — falei — Eu vou falar com o Naruto e já volto.
Suspirei e subi rapidamente na árvore que cortava a cachoeira, auxiliando o garoto no treinamento. Naruto estava tão concentrado que nem percebeu que eu me aproximava.
— Naruto. — chamei, vendo o garoto pular de susto e quase cair, se não fosse por minha ajuda. — Acho que já decorei o verdadeiro, definitivamente é o mais atrapalhado. — brinquei, vendo sua cara de poucos amigos. — Será que posso ter um momento com o original? — pedi, vendo-o se aproximar e deixar seus clones continuarem o treinamento.
— O que foi? — perguntou, curioso.
— Tsunade-sama me mandou em missão, Naruto. — disse de uma vez. — Me desculpe, mas não vou poder ficar aqui por alguns dias.
Tsunade obaa-chan* é mesmo uma estraga prazeres, não é? — respondeu com um grande sorriso em seu rosto, me fazendo rir junto.
— Obaachan? Você não tem mesmo respeito com ninguém, não é, moleque? — dei um soco em seu ombro, o repreendendo, mas no fundo querendo rir.
— Não se preocupe, oba-chan, quando você voltar, eu já vou estar com esse jutsu nas minhas mãos, dattebayo! — falou com um entusiasmo que ainda não tinha visto.
— Se quando eu voltar você já tiver aprendido esse jutsu, eu te pago um ramen do Ichiraku. — os olhos do garoto brilharam e um sorriso ainda maior apareceu em seu rosto.
— Prepare seu bolso, que eu amo ramen, dattebayo. — foi para onde estava antes e voltou ao treinamento de tentar cortar a cachoeira.
Desci do tronco da árvore e fui em direção aos dois homens, me despedi rapidamente deles e segui para casa para pegar algumas coisas e me preparar, afinal, eu não tinha muito tempo.

Ao sair de casa, segui em direção à sala da Hokage novamente, atrás de Asuma, e Tsunade já me esperava.

— Eles já estão te esperando. — respondeu antes que eu perguntasse qualquer coisa.
— Tudo bem. — ia me retirando, mas fui interrompida pela fala da mais velha.
— Tome cuidado. — falou, apreensiva. — Não são qualquer coisa, fique alerta a tudo, confio em você.
— Pode deixar. — sorri com sua preocupação, mas sabia que era necessária, já que nosso inimigo não era qualquer um.

Corri em direção ao prédio que eu tinha visto Asuma, Shikamaru, Kotetsu e Izumo. Eles estavam próximos da casa de Kurenai, imaginava como estava os sentimentos de Asuma naquele momento e aquilo me partiu o coração. Quando saíamos assim, em missões perigosas sem saber se íamos voltar vivos, ainda mais quando se tinha uma mulher grávida te esperando, o coração de Asuma deveria estar quase saindo do peito.
— Tsunade sama disse para esperarmos mais alguém. — ouvi sua voz.
— Acho que sou eu. — respondi, fazendo-os me olharem.
— Então você é o membro extra do nosso time. — afirmou Shikamaru, sorrindo.
— Vocês são privilegiados por me ver em ação. — me gabei, vendo o sorriso de todos. — Já faz bastante tempo, então me deem um voto de confiança.
— Acho que não foi tempo o suficiente para você ter perdido o jeito. — respondeu Asuma prontamente.
— Espero que não. — sorri para o capitão da equipe. — Estou logo atrás de você.

Logo começamos a correr para a saída da aldeia, seria uma longa jornada daqui para o templo do fogo e meu coração se apertava cada vez que nos distanciávamos ainda mais de Konoha. Sempre era difícil sair em missões assim, sem saber se voltaria com vida, isso era o que sempre me deixava apreensiva. Depois da morte de Minato e Kushina, eu não me importava mais, por muito tempo eu me colocava em missões desse tipo sem medo de nada, mas agora eu estava bem com Kakashi e tentando conquistar, aos poucos, a confiança de Naruto, o que me fazia voltar ao medo.

#################


Chegamos ao templo do fogo mais rápido do que eu imaginava, e a imagem que vimos não foi das melhores, tudo estava destruído. Parecia que, na verdade, tinha passado um tsunami por ali, era realmente difícil de olhar. Nos aproximamos ainda mais e vimos um monge, já de idade, vindo em nossa direção.
— Vocês são os ninjas da folha. — afirmou ele. — Eu sou o responsável pelo tempo do fogo. — continuou. — Eu estava afastado por um tempo, mas tive que voltar. — a dor presente em seus olhos era sufocante. — Foi uma visão terrível.
— Pedimos ajuda dos templos vizinhos para recuperar os corpos. — disse um outro monge que o acompanhava.
— E o corpo de Chiriko? — perguntou Asuma.
— Ele sumiu. — respondeu o monge.
— Ainda há uma recompensa de trinta milhões por ele no mercado negro. — falou o mais velho.
— Há cinco postos de trocas nas redondezas. — deduzi rapidamente. — Cada equipe vai para o posto mais próximo.
— Certo. — iriamos sair, porém o líder do templo nos parou.
— Me permita fazer uma oração para vocês? — pediu.
— Será uma honra. — respondeu Asuma e rapidamente fechamos os olhos e abaixamos a cabeça, recebendo a oração do monge. — Prometo que faremos de tudo para trazê-lo de volta.
— Também tome cuidado. — alertou o senhor. — Ainda há uma recompensa pela sua cabeça, Asuma.
— Cinco milhões a mais. — respondeu Asuma, risonho. — Não sei o porquê.
— A única coisa que pode se preocupar com Asuma, é que ele fuma demais. — declarou Shikamaru.
— Obrigada por tudo senhor, faremos o possível para resgatar o corpo de Chiriku. — disse, me despedindo.
— Eu espero que sim, minha filha. — finalizou ele, com um sorriso triste no rosto.

**Tsunade obaa-chan – “Obaa” é avó em japonês, e traduzindo, é como o Naruto chama a nossa querida quinta Hokage “Vovó Tsunade”.

Capítulo 6

As coisas estavam ficando cada vez piores, íamos em direção ao posto de troca mais próximo, totalmente em silêncio, afinal, todos sabíamos o que iríamos enfrentar e o quão perigoso seria. Asuma era o que menos expressava algo, sei o que ele deveria estar sentindo, já que o Chiriku era um grande amigo e essa atitude deixava Shikamaru atento, o garoto era mesmo bastante esperto.
— Asuma, qual sua relação com o tal Chiriku? — perguntou o garoto depois de algum tempo encarando seu sensei.
— Por que a pergunta? — questinou Asuma, sem responder.
— Você não fuma há dois dias. — apontou o rapaz. — E quando um fumante como você larga o vício, é porque tem algo errado.
— Você é um bom observador, Shikamaru. — elogiou o mais velho. — Se você conseguiu me ler tão fácil, eu acho que devo estar ficando manso.
— Quando se joga muito shogi* com alguém, você aprende a ler essa pessoa. — Asuma riu. — Para falar a verdade, eu não te vejo assim desde a morte do Sandaime Hokage.
— Você já deve saber que eu e Chiriku fazíamos parte dos doze guardiões shinobis. — iniciou Asuma, com pesar em sua voz. — Éramos como você e o Choji.
— Te conhecendo, sei que não vai ficar sem fumar por muito tempo. — falou Shikamaru depois de um tempo.
— Você acha que não? — Asuma riu, me fazendo acompanhá-lo. — Talvez isso pode ter sido verdade no passado. — continuou, ainda rindo. — Obrigado pela preocupação, Shikamaru, mas não parei de fumar por causa da morte de Chiriku. — eu já imaginava o porquê daquela decisão. — Aliás, se os membros da Akatsuki conseguiram derrotá-lo, significa que são muito fortes. — mudou o assunto rapidamente. — Não baixem a guarda de vocês.
— Podemos fazer uma pausa? — pedi, afinal, precisava deles atentos.
— O que aconteceu? — Izumo perguntou ao acatar meu pedido junto com os outros.
— Asuma tem razão, não podemos baixar a guarda para esses caras. — respondi. — Preciso que vocês fiquem com isso. — entreguei uma kunai para cada um deles.
— Uma kunai? — perguntou Shikamaru, sem entender.
— Não é qualquer kunai, Shikamaru. — respondeu Asuma, segurando firmemente o objeto em suas mãos. — Não vê o selo. — falou, mostrando o seu cabo. — Então você dominou mesmo esse jutso? — perguntou, me olhando diretamente.
— Não sou tão boa quanto meu irmão, mas eu dou para o gasto. — usar aquela técnica realmente era algo raro. — Eu preciso que usem elas quando for necessário.
— Eu não entendi. — disse um Shikamaru ainda perdido. — Que tipo de técnica é essa?
— Acho que não é hora pra explicações, Shikamaru. — repreendeu Asuma.
— Shikamaru, não se preocupe. — toquei levemente em seu ombro, marcando o selo do Hiraishin e percebendo que Asuma entendeu o que eu fiz. — Eu sou uma ninja médica, treinada diretamente pela Godaime. — comecei. — Ninjas médicos tem três regras distintas. — tentei explicar. — Regra um, ninjas médicos não podem desistir de dar tratamento a seus companheiros enquanto respirarem. — comecei a enumerar. — Regra dois, ninjas médicos não podem de envolver em batalhas. — aquilo assustou completamente o mais novo. — Regra três, ninjas médicos devem ser os últimos do seu esquadrão a morrer. — se ele já estava assustado antes, agora estava dez vezes pior. — Tem mais uma regra, o ninja médico que dominar o Byakugou, pode quebrar todas as regras anteriores. — apontei para o selo em minha testa. — Eu não sou só uma ninja médica, eu sou uma kunoichi de combate com treinamento especial e uma das poucas dominantes da técnica do Hiraishin*. — o nome pareceu acender uma luz para o garoto.
— Então essa é a técnica especial do Yondaime? — perguntou, surpreso. — Agora eu entendi, me desculpe.
— Não tem problema, eu só preciso da atenção de todos na hora de usar isso. — olhei para os outros dois homens que só nos observavam. — Kotetsu, Izumo?
— Entendido. — responderam ao mesmo tempo.
— Tudo bem então, todos prontos? — perguntou Asuma, guardando a kunai.
— Prontos. — respondemos e voltamos a ir em direção ao ponto de troca

############


Não demoramos muito para chegarmos ao lugar, todos estávamos prontamente inquietos e preparados para qualquer movimentação que acontecesse. Asuma não demonstrava, mas era o mais nervoso de todos, afinal de contas, tinha muitas responsabilidades para se meter em algo tão perigoso assim. Eu sentia pena, mas daria tudo de mim e sabia que tudo ficaria bem. Observamos por mais um tempo até ver, finalmente, uma pessoa sair de dentro do estabelecimento, e sabíamos que era um deles, a capa preta com nuvens vermelhas estampadas era a resposta que precisávamos. Ao longe já dava para ver Shikamaru em cima do prédio e Asuma já se preparava para atacar juntamente com Kotetsu e Izumo, enquanto eu daria cobertura, já que ainda não tínhamos visto o seu parceiro.
Logo, Asuma chegou por trás do homem de cabelos brancos e jogou algumas shurikens, que logo foram desviadas pelo mesmo, que jogou uma foice, que ele carregava, em Asuma, que não teve dificuldades em desviar. Shikamaru logo começou a usar o kage mane no jutso* e prender o inimigo, dando a deixa para que Izumo e Kotetsu atacassem, acertando pontos cruciais do homem.
— Muito lento. — falou Shikamaru com um sorriso cínico estampado no rosto.
— Um já foi. — respondeu Asuma.
— Isso dói. — resmungou ele, assustando a todos nós. — Quem são vocês? — perguntou tão calmo que eu realmente me perguntei se eu estaria escutando coisas.
— Como isso é possível? — perguntou Izumo. — Acertamos seus pontos vitais.
— Dá para parar? — pediu o inimigo, já irritado. — Já falei que isso dói.
— Que merda é essa? — soltou Kotetsu, impressionado. — Você é imortal?
— Isso não é óbvio? — respondeu ironicamente, logo voltando seu olhar para Asuma, mais precisamente para o pano preso em sua cintura. — Esse símbolo é dos doze guardiões shinobis, não é? — o sorriso presunçoso em seu rosto demonstrou que ele não precisava de uma resposta. — Eu vou ter que voltar naquele posto fedorento de novo.
— Nós somos de Konohagakure e temos ordens e para capturar ou eliminar qualquer membro da Akatsuki. — começou Asuma, ignorando a ameaça implícita dele. — Já sabemos que vocês andam em dois.
— A ideia original era matar um e capturar o outro. — disse Shikamaru. — Parece que teremos que mudar o plano. — o homem, que ainda permanecia com as espadas enfincadas em seu corpo, começou a rir.
— Parece que esse não é o dia de sorte de vocês. — o sorriso presunçoso permanecia em seu rosto. — Escolheram o cara errado.
— Onde está seu companheiro? — perguntou Asuma.
Nesse momento, não tivemos tempo para qualquer contra ataque, seu parceiro apareceu por trás de Shikamaru, tentando acertá-lo, mas o garoto desviou e desfez, sem querer, o jutsu que prendia o outro enquanto o rapaz ainda fugia do parceiro. Aquela era minha deixa, e rapidamente me juntei a Shikamaru, preparando-me para qualquer ataque, vendo logo Asuma se juntar a nós.
— Izumo e Kotetsu, recuem. — ordenou rapidamente o mais velho e eles logo obedeceram, ficando ao nosso lado.
— Parece que você acertou na loteria, Hidan. — declarou o inimigo que tinha acabado de chegar, olhando diretamente para o pano com o símbolo que Asuma tinha.
— Fica fora disso, Kakuzu. — ordenou o tal Hidan. — Eu pensei que teria três pessoas para o meu ritual, mas ganhei mais um presente. — ele olhou fixamente para mim. — Por que se escondeu por tanto tempo, querida?
— Hidan e Kakuzu? — ignorei totalmente a fala do cara. — Eu já ouvi falar, esse tal de Kakuzu tentou matar o Shodai-sama e foi completamente derrotado. — falei, vendo a confirmação de Asuma.
— Você está mesmo me ignorando? — perguntou Hidan novamente. — Eu ia te dar uma chance, mas já é tarde. — declarou. — Deus Jashin vai adorar os sacrifícios, principalmente a sabichona aí. — apontou em minha direção. — Você vai poder ficar com a recompensa, Kakuzu.
— Tudo bem. — respondeu o comparsa. — Mas tome cuidado, ou você morrerá.
— Cala a boca. — gritou Hidan, logo desenhando um símbolo no chão. — Sabe, eu gostaria que alguém me matasse, mas isso é impossível.
— Eu vou atacar sozinho. — falou Asuma, assustando a todos. — Shikamaru, tente capturar o imortal com sua sombra perfurante, nem que seja por um instante, vou cortar sua cabeça para impedir seus movimentos.
— Isso é muito arriscado. — respondeu Shikamaru. — Não faz seu estilo.
— Eu deveria ir com você. — Izumo ofereceu.
— Vocês não entendem, essa é a única estratégia. — gritou Asuma. — Esses caras com certeza são mais fortes que eu. — falou, se acalmando aos poucos. — Vocês dois, ajudem a contra o outro cara.
— Agora que sabemos a força do inimigo, não seria melhor recuarmos e criarmos uma nova estratégia? — questionou Kotetsu, ainda apavorado com a ideia original de Asuma.
— Você acha mesmo que eles nos deixarão escapar tão facilmente? — perguntou, ironicamente, o líder da equipe. — Se tentarmos fugir, seremos destruídos e Konoha correrá um grande perigo. — mesmo achando seu plano completamente suicida, ele tinha razão, não conseguiríamos escapar, teríamos que lutar agora. — É como uma unidade avançada para passar pelas linhas inimigas, às vezes é preciso ter um movimento corajoso.
— Asuma.... — alertei, vendo o homem sorrir abertamente para mim.
— Não se preocupe. — respondeu ele.
— A escalada de prata não é um papel que se adequa a você. — disse Shikamaru depois de um tempo pensativo, fazendo Asuma rir ainda mais.
— Relaxa. — pediu. — Não vou ser uma peça de sacrifício. — o ar me faltou naquele momento, ele realmente estava pensando nisso? — Afinal, eu tenho vocês comigo.
— Não faça nada estúpido. — pedi, vendo que o homem continuava com um grande sorriso em seu rosto.
— Vocês já terminaram de bolar uma estratégia? — perguntou Hidan, desviando nossa atenção. — Isso dói. — reclamou, tirando as espadas que Izumo e Kotetsu tinham lhe perfurado. — Ser cortado assim dói demais seus imbecis. — resmungou. — Já que vocês não sabem nada sobre dor alheia, enfrentarão a justiça divina.
Ficamos quietos, nos encarando e esperando qualquer ataque do inimigo. Hidan levantou uma das armas e vi Asuma suar frio, esperando o próximo passo dele. Shikamaru se preparou para, novamente, usar sua sombra, e Asuma pegou suas lâminas de chakra e correu em direção a Hidan, que fez o mesmo. Shikamaru começou tentando capturar o inimigo, mas ele era habilidoso e desviava facilmente e voltava a atacar Asuma com a grande foice que ele segurava, mas logo viu o mesmo desviar com maestria e Shikamaru novamente tentou capturá-lo, eu tinha olhos na luta para intervir, se preciso, e não baixar a guarda para o tal Kakuzu.
Asuma continuou indo para cima de Hidan, que o acompanhava atentamente com olhos. Logo o homem avançou e foi interceptado pela foice do outro. Hidan novamente jogou sua arma em direção a Asuma, que desviou enquanto a sombra de Shikamaru permaneceu à procura do inimigo para tentar facilitar as coisas para Asuma. Hidan tentou, de novo, jogar sua foice no seu adversário, mas viu algo mudar e aquilo não impressionou somente a ele.
— Aquela posição de novo. — rosnou ao ver Asuma fazer selos conhecidos por ele, e logo sua foice foi jogada para longe.
— Eu admito que esse é o jutsu do Chiriku. — disse Asuma. — É claro que ele é melhor que eu nisso, mas...
— Hidan, não os subestime. — alertou Kakuzu, que ainda permanecia sem indícios de que se meteria.
— Fica fora disso. — gritou Hidan, irritado. — Cala a boca e fica só olhando.
Novamente, Asuma partiu para cima e jogou shurikens no nukenin* e tentou distraí-lo para que Shikamaru conseguisse usar sua sombra, mas ele desviou mais uma vez.
— Você quase conseguiu, Shikamaru. — elogiei, vendo o garoto continuar em sua missão de captura. — Prestem atenção, o garoto pode precisar de cobertura. — avisei para Kotetsu e Izumo, que permaneciam atentos.
Hidan, mais uma vez, jogou sua grande foice em direção a Asuma, e em um pulo ele desviou bravamente e, outra vez, Shikamaru tentou capturar o inimigo com sua sombra.
— É sempre assim quando se desesperam demais. — disse Hidan desviando-se mais uma vez do justsu do mais novo. — Os incrédulos sempre fogem da morte pelo método mais eficiente e óbvio. — em um pulo, ele caiu atrás de Asuma com as costas viradas para o mesmo.
— Você fala demais enquanto luta. — reclamou seu parceiro.
Shikamaru se apressou para tentar impedir qualquer passo que o oponente poderia fazer, olhou diretamente para Kotetsu e Izumo, que entenderam o que ele queria, e jogaram shirikens no imortal, e logo Asuma, em suas costas, fez o mesmo para deixá-lo encurralado.
— Dessa vez você não tem para onde correr. — exclamou o garoto.
— Então não irei fugir. — falou Hidan, correndo em nossa direção, mas seu alvo, sem dúvidas, era Shikamaru.
— Imortal desgraçado. — xingou o menino.
— Acho que vou ter que cuidar dos mais fracos primeiro. — no minuto seguinte, ele puxou sua foice e continuou vindo em nosso caminho para acertar Shikamaru, logo Izumo e Kotetsu se prepararam para protegê-lo.
— Se você acha mesmo que somos os mais fracos, é mais imbecil do que eu pensava. — grunhi, me pondo em frente de ambos. — Kage bushin no jutsu. — fiz os clones, que se puseram a postos para qualquer ataque que viria.
— Deixa eles em paz. — gritou Asuma logo atrás. — Eu sou seu adversário.
O inimigo se voltou para Asuma e jogou uma kunai em sua direção, que foi rapidamente feita em pedaços pela sua lâmina de chakra, mas o imortal não desistiu e jogou sua foice em cima do homem, que novamente tentou desviar, mas recebeu um pequeno corte em seu rosto. Shikamaru não desistiu e tentou mais uma vez pegá-lo com sua sombra, mas foi em vão, pois, de novo, ele desviou. Hidan pegou sua foice e, com um sorriso que não abandonava seu rosto, lambeu o sangue de Asuma, me assustando. Asuma correu ainda mais e se preparou para usar um de seus jutsus.
Katon: Haisekishō*.
Uma grade fumaça de pólvora foi revestida por cima do inimigo, tampando completamente nossa visão, no minuto seguinte, uma grande explosão. Se aquilo não o matasse, definitivamente, o deixaria bastante machucado. O fogo logo se dispersou, deixando uma nuvem de fumaça que logo desapareceu e pudemos ver Hidan sorrindo, como se não tivesse acabado de explodir. Seu corpo estava estranho, estava completamente preto e branco e em cima do diagrama que ele tinha feito anteriormente.
— Dói, não dói? — perguntou o imortal, ainda rindo. — E então? — ao olhar para Asuma, pudemos ver seu corpo regado de queimaduras, como se o jutsu tivesse sido em cima dele, sua expressão de dor era agonizante e eu já me preparava para ajudá-lo, mas Shikamaru me impediu. — A sentença foi dada. — rosnou Hidan.
— Que merda foi essa? — perguntou Kotetsu.
— O que você acha? — perguntou Hidan para Asuma. — Isso te ajudou a entender a dor que os outros sentem? — o sorriso presunçoso não abandonava o rosto do homem em nenhum minuto. — Você já está amaldiçoado e o ritual vai começar agora. — aquilo assustou a todos e Asuma se afastou um pouco. — Vamos experimentar juntos a dor final.
— Não entendo nada, o que aconteceu com o capitão Asuma? — perguntou Izumo, observando Asuma suspirar de dor.
— O jutsu de fogo acertou o cara da Akatsuki e não ele. — se questionou Kotetsu.
— Não tenho dúvidas, mas parece que ele também foi queimado. — concluiu Izumo.
— Não é possível. — exclamou Shikamaru.
— Está tudo preparado. — declarou Hidan, nos ignorando completamente. — Se prepare, porque isso vai doer bastante.
Asuma pegou sua lâmina e se preparou para o ataque do inimigo, que continuava rindo como se estivesse tudo sob o seu controle, e, naquele momento, parecia mesmo que estava. Vendo que o imortal não daria o primeiro passo, ele correu em sua direção. Hidan sorriu, pegou sua lança e atravessou em sua própria perna. No mesmo segundo, Asuma parou de correr e caiu no chão, com sua perna jorrando sangue. Aquilo nos assustou ainda mais.
— Dói, não é? — Hidan gargalhou. — Isso porque não atingi nem um ponto vital. — o nukenin continuava a sorrir. — Essa dor é surreal, acredite. — ninguém entendia mais nada do que estava acontecendo. — A dor que o outro sente enquanto morre, penetra no meu próprio corpo! — exclamou ele. — Eu atravesso essa dor, transcendendo-a, e a transformo em prazer.
— Capitão Asuma está segurando sua perna esquerda, tem algo estranho. — alertou Izumo.
— É o mesmo ferimento que o inimigo se feriu com a própria lança. — afirmou Kotetsu.
— Mas como? — questionou Izumo.
Nesse momento, estávamos completamente perdidos, sem saber o que poderia ter acontecido, como isso poderia ser possível de alguma forma, o que era esse jutsu estranho. Então, as memórias dos acontecimentos se fizeram presentes e como uma luz eu consegui compreender.
— Eu já entendi. — afirmei, logo recebendo a atenção dos três. — Ele ligou os corpos de ambos, o que acontecer com um acontece com o outro. — prossegui. — Mas acontece, que ele é imortal. — conclui, vendo, novamente, a gargalhada de Hidan.
— Quer se ferir onde desta vez? - perguntou com desdém. — Aqui em cima, ou um pouco em baixo? — ele permanecia sorrindo. — Que tal as duas pernas ao mesmo tempo? O que acha? — ele ia subindo a lança e parou no coração. — Acho que devemos acabar logo com isso, que tal? — vi, ao longe, Asuma suar frio e tentar manter a calma.
— Shikamaru. — chamei o rapaz. — Não vai adiantar atacar com o Kagenui no Jutsu*. — falei, vendo-o concordar. — Detenha os movimentos dele usando o Kage Kubishibari no Jutsu*.
— Tá bom, deixa comigo. — falou o garoto, usando o jutso rapidamente.
— Agora morra! — gritou Hidan, levando a lança que segurava para perfurar diretamente seu próprio coração.
— Acha que eu vou deixar isso acontecer? — retrucou Shikamaru, conseguindo, finalmente, segurar o imortal com sua sombra, o deixando completamente possesso.
— Bom trabalho, Shikamaru. — elogiei.
— Acha que pode me deter? — resmungou Hidan em alto som, tentando, a todo custo, se livrar do jutsu do mais novo enquanto Shikamaru permanecia o segurando, enquanto Asuma se levantava devagar.
— Izumo, quanto tempo desde que pediu reforços? — perguntou Kotetsu.
— Faz uns dez minutos. — respondeu. — Falta pelo menos mais uns vinte para eles chegarem.
— Droga, o que faremos? — questionou. — Se nós o matarmos, o Capitão Asuma também morrerá.
— É preciso matar o próprio adversário para quebrar esse tipo de jutsu. — Izumo analisou. — Mas isso é impossível.
— Cada jutsu tem suas regras. — falei ao ver o desespero dos dois. — Sempre tem um uma falha, temos que ter calma e analisar.
Olhei para Shikamaru e o vi bastante pensativo enquanto ainda fazia força para segurar seu jutso, enquanto Hidan fazia ainda mais pressão para se livrar da sombra que o segurava. O imortal gritou de raiva ao ver que não tinha êxito em sua missão.
— Se isso vai demorar mais, eu vou interferir. — o tal Kakuzu, que estava quieto até agora, resmungou, já se preparando e nos fazendo temer com a possibilidade de enfrentar ambos juntos. — Não posso perder essa recompensa.
— Eu disse para cair fora, Kakuzu. — bradou Hidan, muito irritado. — Eu posso resolver isso.
— Para falar a verdade, na situação que estamos, tivemos sorte que o outro cara não se meteu. — resmungou Izumo, ainda em alerta.
— Precisamos ficar alertas mesmo assim. — orientei. — Não baixem a guarda, ele pode resolver se meter de uma hora para outra.
— Agora é só uma questão de tempo. — disse o tal Kakuzu, olhando para Shikamaru e percebendo que o menino perdia as forças aos poucos.
Eu olhava para Shikamaru e percebia que, mesmo se esforçando, ele não parava de pensar. Eu não poderia baixar minha guarda, precisávamos de uma estratégia mais do que urgente. Minhas lembranças voltaram a tudo que tinha acontecido até agora, o tal julgamento, a maldição, o ritual, os preparativos, o diagrama desenhado no chão, o sangue, a mudança no corpo do inimigo, tudo parecia um enorme emaranhado em minha cabeça, até que uma luz surgiu e me fez perceber que nem tudo estava perdido, que aquele não seria o fim, e ao voltar a encarar Shikamaru percebi que ele tinha encontrado o mesmo que eu.

*Shogi – É o jogo de tabuleiro que o Shikamaru e o Asuma sempre jogam.
*Hiraishin - A Técnica do Deus Voador do Trovão é uma técnica criada pelo Segundo Hokage, Tobirama Senju, que permite ao usuário se transportar para um determinado local marcado, instantaneamente.
*Kage Mane no Jutsu - "Técnica de Imitação das Sombras" é um Ninjutsu do Clã Nara permite ao usuário estender a sua sombra sobre qualquer superfície (até mesmo água), e na medida em que quiser, desde que exista uma área suficiente. Uma vez que entra em contato com a sombra de um alvo, há a junção dos dois e o alvo é obrigado a imitar os movimentos do usuário.
* Nukenin - Literalmente significa "Ninja Fugitivo"; TV Brasileira "Ninja Renegado" são shinobi que deixaram suas aldeias sem a intenção de voltar e que cortaram os laços com esta, muitas vezes porque eles cometeram atos criminosos, ou para conseguir outros ganhos pessoais.
*Katon: Haisekishō - Liberação de Fogo: Pilha Ardente de Cinzas. O usuário expele um fluxo de pólvora infundido com chakra de sua boca, que circunda a região. Como a pólvora é composta inteiramente de cinzas, ela permanece no ar ao redor da vítima como uma nuvem, que pode ser usada como uma cortina de fumaça. Depois de cercar o inimigo com as cinzas, o utilizador pode inflamá-la com um isqueiro colocado sobre os dentes previamente para criar uma faísca, o que resulta em uma violenta explosão, queimando o inimigo.
*Kagenui no Jutsu - Técnica da Costura pelas Sombras. Diferente da Técnica de Imitação pela Sombra, esta técnica permite ao usuário capturar, imobilizar e, ainda, atacar algum alvo.
*Kage Kubishibari no Jutsu - Técnica de Estrangulamento pela Sombra. Depois de estender sua sombra, o usuário faz com que sua sombra se materialize e ganhe força física para conter um alvo e, depois, estrangulá-lo.

Capítulo 7

Aquilo era o que precisávamos, entender o jutsu dele era simplesmente indispensável, era a luz que precisávamos para ganhar aquilo. O jogo tinha virado tão rapidamente que nem eles pensariam que aconteceria, agora era só esperar que o tal Kakuzu não se intrometesse, para que pudéssemos dar um fim no imortal e passar para ele. Virei em direção a Shikamaru e percebi o brilho que iluminava seus olhos, e percebi, naquele instante, que ele tinha sacado a mesma coisa que eu. Ele virou em minha direção e deu o sorriso que eu não tinha visto até agora, definitivamente Asuma tinha razão, aquele garoto era um gênio.
— Descobriram alguma coisa? — perguntou Izumo, nos observando.
— Acho que sim. — respondeu Shikamaru. — Acho que pensamos o mesmo, Kanami-san?
— Dizem que grandes mentes pensam juntas, não é? — sorri, vendo-o fazer o mesmo.
— Estou indo, Asuma. — declarou Shikamaru e começou a realizar seu plano.
Ele tinha sacado exatamente o mesmo que eu, e percebi isso quando ele começou a arrastar seus pés para que Hidan fizesse o mesmo, e logo a expressão do imortal mudou drasticamente. Cada vez que ele arrastava o pé, mais irritado o inimigo ficava, aquilo significava que estava dando certo, tirar ele daquele círculo era crucial para o fim do jutsu.
— O que está fazendo, Shikamaru? — perguntou Kotetsu, curioso.
— Vou tirar aquele louco do desenho estranho no chão. — explicou. — O jutsu da maldição vai acabar se eu fizer isso.
— Como assim? — questionou Kotetsu, ainda sem entender.
— Aquela foice tem três lâminas. — começou a explicação. — Pelo formato, não foi criada para um golpe fatal, mas sim para aumentar o alcance de ataque. — continuou. — Foi criada para causar danos à distância, ou seja, sua tática é apenas ferir seu adversário e ganhar tempo para cumprir seu jutsu letal.
— Então essa é a maldição? — foi a vez de Izumo questionar. — Mas qual a ligação entre o ferimento do inimigo e a maldição?
— Sangue. — respondi sem tirar os olhos de Hidan. — Para criar a ligação entre ele e seu adversário, ele precisa misturar o sangue do adversário no corpo dele. — os dois logo se assustaram.
— Igual quando ele lambeu a lâmina. — concluiu Kotetsu. — Por isso que ao ferir seu oponente, uma gota que seja, ele pode lançar a maldição nele.
— Depois que ele lambeu o sangue, o corpo dele mudou de cor. — Shikamaru voltou a falar. — É uma condição para invocar a maldição, mas isso não é tudo, para invocar a maldição completamente, é preciso de mais uma condição.
— E qual é? — perguntou Izumo.
— Minutos antes, ele se deixou se pegar pelo jutsu katon do Asuma. — foi a minha vez de começar a explicar. — Ele nem hesitou e foi correndo direto para aquele diagrama estranho que ele desenhou no chão e então disse que o ritual iria começar, e que os preparativos estavam prontos. — finalizei com um sorriso. — Podemos supor que o jutsu só termina quando ele estiver dentro daquele desenho.
— Sua desgraçada! — gritou Hidan. — Eu ia te dar um desconto por ser bonitinha, mas eu vou acabar com você. — grunhiu ainda mais raivoso, fazendo meu sorriso aumentar.
— Você fala demais. — respondeu Shikamaru.
— Seu pirralho. — o imortal continuava gritando. — Eu vou acabar com todos vocês, mas primeiro vou matar esse aqui. — olhou para Asuma. — Vou desmembrá-lo, pulverizá-lo e virá-lo do avesso.
— Não vai ter uma próxima vez. — gritou Shikamaru, conseguindo, finalmente tirar Hidan do diagrama. — Ele está fora.
— Isso. — comemorou Asuma. — A maldição foi quebrada?
Nesse momento, Asuma sacou algumas shirikens e jogou em direção a Hidan. Os instrumentos pegaram certeiro na orelha do imortal, cortando uma parte dela, deixando o inimigo ainda mais irritado, parecia que ele explodiria a qualquer momento. Olhamos em direção a Asuma e sua orelha estava intacta, então aquela era a hora que o homem sorria.
— Isso. — Shikamaru comemorou e usou o Kagenui no Jutsu e as sombras perfuraram o corpo de Hidan para segurá-lo ainda mais.
— O quê? — rosnou o homem, inalando puro ódio. — Droga, não consigo me mexer.
— Estou no meu limite. — resmungou Shikamaru. — Não vou conseguir segurar mais por muito tempo.
— Você mandou muito bem, Shikamaru. — elogiou Asuma, logo o homem se levantou e seguiu, mancando, em direção a Hidan.
— Kakuzu, não fique parado aí, me ajude aqui. — pediu Hidan ao ver a aproximação de Asuma. — Faça alguma coisa. — gritou.
Kakuzu continuava observando, e Asuma acelerou antes que o parceiro decidisse sair para ajudar. Pegou mais uma vez sua lâmina e acumulou o chakra de Futon, o mais amolado possível para que conseguisse concluir o que estava prestes a fazer. Rapidamente o homem o usou, com agilidade, em direção a Hidan e, com precisão, arrancou a cabeça do mesmo, surpreendendo a todos.
— Eu disse pra tomar cuidado, não disse? — acusou Kakuzu.
— Espera aí, nós conseguimos. — comemorou Izumo.
Shikamaru logo deu sinais de cansaço, na verdade, o garoto parecia completamente exausto, seu chakra deveria ter se esgotado naquele momento, pois logo desfez seu jutsu e o corpo do imortal caiu inerte no chão. Será mesmo que aquilo tinha acabado? Um já tinha ido, mas e o outro? Se ele resolvesse entrar, eu teria que interferir imediatamente. Asuma demonstrava o quão cansado estava, respirava profundamente, tentando aliviar a pressão. Eu estava preparada para usar o ninjutsu médico ali, mas não sabia o que poderia acontecer se eu me aproximasse, então ao me certificar de que o homem estava mesmo bem, me preparei para qualquer passo que o tal Kakuzu poderia dar.
— Isso. — comemorou Asuma e logo Shikamaru se ajoelhou, completamente exausto.
— Tá tudo bem, Shikamaru? — perguntei, preocupada.
— Sim. — respondeu prontamente. — Ainda temos um problema. — disse, olhando diretamente para Kakuzu. — Um já foi.
— Exato. — afirmou Kotetsu. — Agora só falta mais um.
— Se queria minha ajuda, deveria ter pedido antes. — resmungou Kakuzu.
— Você fez isso de propósito, não foi? — a surpresa foi enorme ao ver que a voz havia saído de Hidan, sua cabeça fora do corpo não significava nada. — Você foi muito lerdo, Kakuzu!
— Você que pediu pra eu não me meter. — respondeu o parceiro do imortal, sem nem ligar. — Você está mesmo em posição de reclamar? — Hidan revirou os olhos e olhou para seu corpo.
— Bom, eu disse pra você esperar. — o sorriso em seu rosto era algo diabólico. — Mas não por estar tentando te desrespeitar ou te fazer de idiota. — prosseguiu. — Esqueça isso e traga meu corpo aqui. — pediu. — Kakuzu... Pode trazer meu corpo aqui? Vamos, amigão.
Sem o menor humor, Kakuzu saiu de onde estava, deixando todos ainda mais alerta, e foi em direção onde Hidan estava. Ninguém sabia o que fazer, qualquer movimento em falso estaríamos ferrados, fora que ainda não sabíamos qual seria o poder do segundo oponente. Kakuzu pegou a cabeça do imortal pelos cabelos.
— O quê... Ei! Espera aí! — reclamou Hidan. — Pensei que tivesse mandado trazer meu corpo até aqui.
— Assim é mais leve. — respondeu o outro sem nem um pingo de remorso.
— Esse é mesmo um problema? — perguntou o imortal, sendo totalmente ignorado. — Você está mesmo me ignorando? — Todos nós ainda não conseguíamos proferir qualquer palavra. — Kakuzu, tá puxando meu cabelo! Isso dói. — continuava reclamando.
— Se você está com tanta dor assim, eu deveria pegar no seu pescoço. — retrucou Kakauzu.
— Seu imbecil. — xingou Hidan. — A dor no meu pescoço não é cócegas, não é um simples machucado, é uma dor torturante.
— Nesse estado, ainda está vivo. — admirou-se Asuma.
— Seu desgraçado, você tem muita coragem. — reclamou Hidan, gritando. — Você cortou minha cabeça, isso dói para caralho.
— Que porra é essa? — Kotetsu questionou enquanto todos ainda permanecíamos perplexos com o que víamos.
— Eu não faço a menor ideia. — respondeu Izumo. — Se continuar assim...
— Ele pode estar vivo, mas é inútil nessas condições. — disse Shikamaru, sorrindo. — Ele não pode se mexer enquanto não estiver ligado ao corpo, ou seja, não pode fazer nenhum jutsu. — continuou. — Ele pode ser imortal, mas não pode fazer nada agora.
— Você tem razão. — falou Izumo.
— Então só restou um inimigo. — Kotetsu falou, olhando diretamente para Kakuzu.
— Isso mesmo. — respondeu.
Não tínhamos mais tempo, mas precisávamos de um pouco mais. Eu deveria recuperar Asuma o mais rápido possível, mas naquele momento, isso se tornava impossível já que não fazíamos ideia do que o tal Kakuzu poderia fazer. Shikamaru tentava se levantar, mas a exaustão o faz cair novamente antes mesmo de conseguir.
— Shikamaru! — exclamou Izumo, preocupado.
— Ele é tão fraco. — resmungou Kakuzu.
No momento seguinte o homem avançou para acertar Asuma, ele deu um chute muito forte em sua perna machucada, fazendo o homem urrar de tanta dor. Em seu próximo movimento, o inimigo usou a maleta que segurava para acertar o rosto do outro com toda a força, o jogando longe e surpreendendo a todos. Asuma caiu de bruços no chão e Kakuzu, logo em seguida, pegou impulso e pulou em suas costas, e com certeza quebrou vários ossos do homem, fazendo sangue jorrar de sua garganta.
— Capitão Asuma! — gritou Izumo ao ver o corpo inerte do mais velho jogado no chão.
Aquela era minha hora, mas não tinha como, aqueles caras estavam muito perto e qualquer movimento que eu fizesse poderia piorar a situação de Asuma, eu precisava urgentemente fazer algo, senão aquilo pioraria muito. Qualquer atitude mal pensada que eu fizesse poderia causar a morte do líder da equipe. Shikamaru tentou mais uma vez levantar-se, mas ele ainda estava exausto depois de seu último jutsu. Enquanto isso, o tal Kakuzu ia em direção do corpo de Hidan e grudava, novamente, a cabeça dele.
— Já que me pediu ajuda, eu irei participar. — ele começou a tirar uma coisa, que parecia com uma linha, e costurava a cabeça do imortal.
— Tudo bem. — respondeu Hidan. — Isso dói. — reclamou mais uma vez.
— Dá para calar a boca? — ordenou Kakuzu.
— O que eles estão armando? — questionou Izumo.
— Acho que deve estar bom. — exclamou Kakuzu, terminando de pregar a cabeça de Hidan.
— Agora está melhor. — respondeu o imortal, virando o pescoço e sorrindo abertamente.
— A cabeça dele. — nenhum de nós conseguíamos acreditar no que tinha acabado de acontecer na nossa frente.
— Ela foi reimplantada. — afirmou Kotetsu.
— Tô inteiro de novo. — o sorriso sádico não saía do rosto do imortal, o que nos preocupava ainda mais.
— Se você continuar se mexendo assim, vai cair de novo. — alertou Kakuzu.
— Você é um pé no saco, Kakuzu. — Hidan respondeu.
— Contra que merda estamos lutando. — essa era pergunta que eu me fazia, eu precisava entrar em ação, mas teria que ter uma brecha para poder partir pra luta.
— Você reclama demais, você não para nunca? — perguntou Kakuzu para seu parceiro. — Parece seu maldito ritual. — continuou, voltando seu olhar para nós. — Cuide do cara que vale a recompensa.
— Pode deixar, eu vou dar o troco. — concordou, olhando para Asuma ainda desacordado no chão. — Afinal, não seria bom violar o mandamento.
— De novo essa merda? — questionou Kakuzu. — Deixa pzra lá, eu cuido dos outros quatro.
— Você é bem confiante se acha que pode enfrentar nós quatro juntos. — falei, vendo o olhar do homem em mim.
— Você fala demais para quem está prestes a morrer. — respondeu ele.
— O que te faz pensar que seremos derrotados? — perguntei, sem esperar resposta. — Tome cuidado com o que fala, ou pode acabar que nem seu amigo, implorando por ajuda.
— Sua desgraçada, eu vou matar você. — gritou Hidan, se preparando para vir em minha direção.
— Não seja idiota, Hidan. — brigou Kakuzu. — Ela conseguiu te irritar tão fácil assim? Sempre soube que você era um fraco.
— Não começa, Kakuzu. — berrou o imortal. — Acaba com essa mulher para que possa juntar os pedaços e jogar de um precipício.
— Você é mesmo um imbecil, seu parceiro tem toda razão. — a minha tática era tentar distraí-lo para pensar em algo, só não sabia que o tal Hidan ia cair na pilha tão facilmente. — Eu tomaria cuidado se eu fosse você, ou vai acabar sem cabeça novamente. — eu consegui deixá-lo mais irritado ainda.
— Kakuzu, faça logo ou eu não vou me conter. — berrou Hidan, completamente irado.
— Que merda você tá fazendo, ? — questionou Izumo.
— Eu estou os distraindo para vocês atacarem, idiotas. — sussurrei, vendo a sua feição mudar rapidamente.
— Izumo! — gritou Kotetsu.
— Pode deixar. — respondeu ele, começando a fazer selos.
— Shikamaru. — corri em direção ao mais novo. — Não consegui te curar completamente agora, mas vai dar para o gasto. — comecei a usar o ninjutsu médico.
— O que vamos fazer com Asuma? — o garoto estava desesperado.
— Se acalme, não podemos partir para cima ainda. — falei. — Não se preocupe, fique aí e deixa tudo comigo.
— Não vá se machucar. — pediu Shikamaru, vendo-me levantar.
— Relaxa. — respondi, começando a analisar tudo.
Suiton: Mizuame Nabara*!
Izumo cuspiu uma água viscosa, mas Kakuzu logo desviou. Kotetsu ativou o chakra em seus pés para andar por cima do líquido sem ser pego por ele, e avançou com sua espada para cima do inimigo, tentando acertá-lo, mas Kakuzu usou um jutsu estranho e algumas linhas saíram de seu pulso, aumentando seu alcance de ataque. A espada desviou e fez uma nuvem de poeira.
— Isso. — comemorou Izumo.
— Deu certo? — questionou Kotetsu, recebendo o olhar de Hidan para ver o que aconteceu. A poeira dissipou e Kakuzu estava em pé, parado ao lado de um grande buraco feito pela espada.
— Imagino que você queria ter me distrair com esse ataque aéreo para criar uma abertura. — Kakuzu iniciou. — Depois fazer um ataque terrestre, coordenando seus movimentos com esse líquido estranho. — a água caia dentro do buraco feito. — Mas acho que foi muito esforço desperdiçado.
— É mesmo? — perguntou Izumo com um sorriso no rosto, me fazendo sorrir também, parece que ele tinha mesmo caído.
— Mas o quê? — questionou Kakuzu, assustado ao ver a espada em suas costas.
— É isso. — gritou Kotetsu, pulando para pegar sua espada. Kakuzu percebeu e logo tentou sair dali, mas estava preso pelo líquido do jutsu de Izumo.
— Antes que eu percebesse. — falou Kakuzu, supreso.
— Isso mesmo, Izumo. — comemorou Kotetsu, correndo em direção a Kakuzu com sua espada. — Você é meu! — gritou.
Ele avança para cima de Kakuzu, mas logo o nukenin usou seu jutsu e desfez as costuras em seus braços, os esticando em direção ao pescoço de Kotetsu e os enrolando junto com sua espada. Izumo se desesperou ao ver as condições do amigo, aquilo não era bom, tínhamos que manter o controle a todo custo. Kakuzu usou sua outra mão para pegar Izumo, mas o homem desviou com maestria e logo em seguida o inimigo tentou o pegar novamente, mas o homem desviou mais uma vez. As linhas que saiam do corpo de Kakuzu começaram a ir ao encontro de Izumo, que cortou com uma kunai, mas logo foi pego e a mão do nukenin que começou a enforcá-lo.
— Que droga. — resmunguei ao ver que os dois tinham sido encurralados.
— Eles são um ótimo desafio. — resmungou Kakuzu para Hidan.
— Bom, parece que o Kakuzu já está acabando. — Hidan voltou a olhar para Asuma, que ainda estava caído, me deixando desesperada. — Acho que vou ter que acabar logo também, antes que eu fique ouvindo que meus rituais não acabam nunca. — ele foi em direção a Asuma e levantou sua lança para matá-lo, eu estava pronta para me meter. — Adeus!
Assim que Hidan aproximou para matar Asuma, ele se levantou com um sorriso no rosto e a lâmina de chakra em sua mão para tentar acertar o imortal, mas ele jogou a sua própria foice, que acertou o ombro do mais velho, que grunhiu de dor. Hidan desviou de seu golpe e sacou novamente sua foice pelas costas do capitão da equipe.
— Asuma! — alertou Shikamaru. — Nas suas costas.

O homem percebeu o imortal e sua arma e rapidamente se abaixou, desviando completamente do ataque do inimigo, vendo a grande foice ser enfincada no meio de Hidan, fazendo Shikamaru respirar aliviado.
— São sempre os mesmos ataques. — disse Asuma, sorrindo, mas logo sua expressão mudou para assustada ao ver Hidan gargalhar e mostrar que tinha voltado para dentro do diagrama.
— Na verdade, não é o mesmo, seu idiota. — gritou o imortal, rindo tão alto que poderia ser escutado de longe.
Asuma começou a sentir algo em seu estômago e eu sabia exatamente o que era, aquele golpe não fora em um órgão letal, mas não demoraria muito. Aquilo me deixava irada, Shikamaru estava exausto, Izumo e Kotetsu sem a menor chance de sair, a única que poderia fazer alguma coisa seria eu, mas qualquer movimento em falso, o tal Hidan acabaria com a vida de Asuma ali mesmo. Shikamaru tentou correr em direção ao seu sensei, mas foi impedido por mais uma queda. Ao mesmo tempo, o mais velho começou a cuspir sangue e a se contorcer de dor.
— Então, está doendo? — perguntou Hidan, com um sorriso sádico no rosto. — E agora? — perfurou ainda mais a foice em seu estômago, vendo Asuma sentir ainda mais dor. — Finalmente. — continuou gargalhando. — Eu finalmente posso saborear essa dor. — pegou sua lança, ainda com um sorriso psicótico no rosto. — A dor de matar você! — Asuma permanecia suspirando de dor.
— Acabou. — declarou Kakuzu.
— Não! — gritou Shikamaru.
No minuto seguinte, tudo pareceu parar, Hidan finalmente perfurou sua lança em seu peito, fazendo Asuma cuspir muito sangue e perder suas forças aos poucos, e foi caindo no chão. Meu coração se partiu em mil pedaços naquele momento, eu não lembrava mais como era aquilo, ver alguém com quem você se importa morrer bem na sua frente. Eu passei por isso, não só uma vez, e sempre pensei que seria a última, mas nesse mundo ninja, eu nunca teria a alegria de não passar por isso de novo. Naquele momento, eu voltava ao dia da morte do Obito, depois, a do meu irmão, e por último, a do Hiruzen. O que tinha de tão comum, era que em nenhuma delas eu consegui salvá-los, em nenhuma delas eu consegui impedir, para que eu servia, afinal? Eu era mesmo alguém necessária?
*Suiton: Mizuame Nabara - Liberação de Água: Captura do Campo de Xarope de Amido. O usuário cospe uma água altamente viscosa e infundida com chakra, visando a uma superfície de amplo alcance. Isto é um fluxo de líquido viscoso, que pode ser usado para formar uma armadilha adesiva que pode inibir a mobilidade de uma pessoa. A pessoa pode efetivamente reduzir a área de atividade do seu inimigo com esta técnica e tem o efeito de ser capaz de tomar o controle completo sobre o campo de batalha.

Capítulo 8

Eu olhava para Shikamaru e sua expressão só me dava mais vontade de chorar, o menino estava arrasado e Kotetsu e Izumo não estavam muito diferentes, todos permaneciam perplexos com o que acabávamos de presenciar. Mas aquela não era hora de se desesperar, não era hora de ficar analisando qualquer coisa que podia ter impedido de dar tudo errado, aquela era a hora de agir, e para isso eu estava preparada.
— Que delícia. — grunhiu Hidan, com seu sorriso sádico.
— Asuma! — gritou Shikamaru, voltando a correr, mas parando ao cair.
— Eu acabei. — disse Hidan, voltando a sua forma normal e tirando a foice de seu corpo. — E você, Kakuzu?
— Só mais um minuto. — respondeu o parceiro, apertando ainda mais o pescoço de Izumo e Kotetsu.
— Desgraçado, você vai pagar por isso! — berrou Shikamaru, se levantando e tentando correr em direção a Hidan, mas foi interrompido por Kakuzu, que jogou Izumo em cima dele, fazendo ambos caírem com força no chão.
— Vocês dois não se mexam. — ordenei ao ver Shikamaru tentar levantar novamente. — Kuchiyose no Jutsu*. — instantaneamente a grande lesma apareceu.
-san? Quanto tempo! — exclamou para mim.
— Katsuyu, preciso que cuide desses dois. — falei, apontando para Shikamaru e Izumo, que estavam impressionados com a grande invocação. — Vocês dois, fiquem de fora, eu resolvo isso.
— Você não pode lutar contra os dois sozinha! — alertou Kotetsu.
— Então a princesa resolveu mostrar para que veio, ein? — falou Hidan. — Não prevejo grande coisa.
— Acho bom você não me subestimar, Hidan. — olhei para o homem que Kakuzu ainda enforcava. — Kotetsu, agora! — gritei, sabendo que o rapaz entenderia rapidamente o que fazer, e assim o fez. Ele conseguiu pegar a kunai que eu o havia dado e jogou em direção a Hidan, que desviou facilmente, fazendo a kunai cair ao lado do corpo de Asuma.
— Se seu plano era esse, sabia que não seria grande coisa. — foi a minha vez de sorrir com sua frase.
— Já disse para não me subestimar, seu imbecil. — no momento seguinte, uma expressão assustada se apossou de seu rosto ao ver que eu aparecera logo atrás dele. Acumulei uma boa quantidade de chakra em meu punho e lhe dei um soco tão forte que o fez se arrastar no chão. — Preciso pegar esse homem emprestado, só um minuto que eu já volto. — segurei Asuma da forma que eu consegui e me transportei nas costas de Shikamaru através do selo que eu tinha feito mais cedo.
— O que foi isso? — perguntou Shikamaru, surpreso.
— Katsuyu, preciso de toda sua atenção aqui. — apontei para o corpo de Asuma. — Izumo, preciso da sua kunai, agora. — ordenei, o vendo me entregar rapidamente.
— Que merda é essa? — reclamou Kakuzu ao ver que eu jogara a kunai nele. — Não vai me acertar com isso.
— Essa não foi minha intenção de verdade. — respondi, logo me transportando para onde a kunai havia caído, ao seu lado, e o soquei com a mesma força que tinha acertado seu parceiro e logo ele caiu, soltando Kotetsu.
— Sua desgraçada! — rugiu Hidan, se levantando com o rosto sangrando. — Eu vou acabar com a sua raça, vou te destroçar e queimar seus pedaços. — ameaçou.
— Achei que você tinha me achado bonitinha, vai mesmo estragar isso? — debochei, vendo-o ficar ainda mais enfurecido.
— Não está na hora de cair na pilha dela, seu imbecil. — respondeu Kakuzu, se levantando, tão machucado quanto Hidan.
— Você tá fudida, garota! — voltou a urrar o imortal, ignorando totalmente seu parceiro. — Para o caralho se você é bonita, vai ficar ainda mais em um caixão.
— Eu vou.... — Shikamaru tentava se levantar.
— Não se meta! — ordenei, vendo o garoto parar no mesmo instante. — Já falei para deixar comigo, não estou de brincadeira, esses caras me deixaram bastante irritada.
— Ei, Kakuzu, fizemos a princesa descer dos saltos. — riu o imortal, mantendo seu olhar em minha direção.
— Vou começar com você, suas piadinhas machistas não me agradam em nada. — ameacei, vendo um sorriso ainda maior em seus lábios.
— Não interrompa, Kakuzu, eu quero ver o que ela tem para oferecer. — falou para seu parceiro.
— Não vá implorar pela ajuda dele depois. — ironizei, vendo sua expressão continuar a mesma.
— Não se preocupe, não vou precisar de muito. — respondeu.
— Não posso te deixar sozinho com ela, Hidan, da última vez que fiz isso, você acabou sem cabeça. — murmurrou Kakuzu.
— Não vai se repetir, Deus Jashin vai amar esse sacrifício. — o sorriso presunçoso não saia de seus lábios.
— Se esse é seu plano, não vai conseguir mesmo, sinto muito. — me preparei novamente.
— Juntos vamos acabar com isso mais rápido. — disse Kakuzu e se preparou para atacar.
Sua mão saiu novamente em minha direção e eu desviei habilmente, tinha que ficar na defensiva até conseguir uma brecha. O tal Hidan não parava de sorrir, e logo pegou sua foice e jogou na minha direção, sem o menor problema me desviei, me transportando novamente em suas costas, pelo selo que eu havia feito quando lhe dera o soco, e tentei acertá-lo de surpresa, fazendo-o se arrastar mais um pouco e ver o sangue jorrar de sua boca. Ele rapidamente a limpou e voltou a correr em minha direção, logo percebi que seu parceiro chegava pelas minhas costas e esperei o momento certo. Quando ambos se aproximaram o suficiente, eu me transportei e os vi acertar os golpes nos seus próprios corpos.
— Sua desgraçada, para com essa merda e me enfrenta de frente à frente. — berrou Hidan ao se recuperar do golpe do seu parceiro enquanto Kakuzu se livrava da sua foice enfincada em sua barriga.
— Deveria ser mais em cima, não acertou o coração. — zombei.
— Você tá tentando brincar com a gente, mas não se esqueça que pode acabar perdendo. — no momento seguinte, Kakuzu apareceu nas minhas costas enfincando a lança de Hidan e atravessando minha barriga.
— Droga. — gritei, eu tinha baixado a guarda, não deveria ter feito isso.
-San. — o grito agora era de Shikamaru, o menino estava assustado.
— Não se aproxime. — berrei ao vê-lo se levantar. — Eu sinto muito, mas você errou.
No momento seguinte, eu apareci em suas costas, enfiando com toda força uma lança em seu coração, era o fim, pelo menos de um. O kage bushin que ele havia acertado logo desapareceu e o homem virou-se, me olhando surpreso. Hidan permanecia no mesmo local, com uma cara ainda mais espantada. Kakuzu tentou me acertar, me pegando completamente desprevenida, afinal, eu tinha a certeza de que havia acertado seu coração. A lança que ele carregava conseguiu me ferir e uma grande dor se apossou de meu corpo, mas sabia que não era o suficiente para me parar.
— Acha que isso me mataria? — perguntou, me vendo tentar estancar o sangue do lugar que ele me acertara.
— Que merda vocês são? — gritei, cansada. Usar o hiraishin dessa forma e ainda dividir parte do meu chakra para Katsuyu conseguir curar Asuma estava acabando comigo, mas se eu parasse ali, a situação iria piorar.
— Não deu para perceber ainda? — Hidan me olhava fixamente, com um sorriso vencedor no rosto.
— Eu tenho certeza de que acertei seu coração. — falei diretamente para Kakuzu.
— Ah, sim, você acabou com meu coração, agora terei que pegar o seu pra substituir. — gritou e veio em minha direção, mas logo me transportei para onde os outros estavam.
— Você está bem, -san? — perguntou Shikamaru, preocupado.
— Vai ficar tudo bem. — respondi com dificuldades. — Continue cuidando de tudo aqui que eu vou continuar ganhando tempo.
— Eu posso ajudar! — exclamou Izumo, tentando se levantar.
— Por favor, não se metam, vocês já fizeram demais. — pedi.
— Mas são dois, e ao que parece, dois imortais. — reclamou Kotetsu. — Você é forte, mas está ferida.
— Precisam recuar agora, levem Asuma para outro lugar que eu vou atrasá-los aqui. — pedi, suspirando pesadamente, mas logo uma nuvem de penas apareceu, assustando a todos, e uma grande invasão de corvos apareceu.
— Que merda é essa? — indagou Hidan. — Acham que podem ganhar da gente com corvos? Eu não nasci ontem! — berrou o homem, tentando inutilmente se livrar dos pássaros.
— Querem tampar a nossa visão. — respondeu Kakuzu.
De repente, Raido apareceu no meio dos corvos e avançava sobre Kakuzu, que se assustou, mas desviava com maestria enquanto Hidan ainda tentava se livrar dos animais. Logo atrás de nós, apareceram os outros dois alunos de Asuma, parece que finalmente a ajuda tinha aparecido.
— Chegamos para ajudar. — exclamou a garota de cabelos loiros ao lado do seu companheiro.
— Levem Shikamaru e Asuma para um lugar seguro. — ordenei, vendo-os logo assentir. — Katsuyu, vá com eles, e vocês também, Izumo, Kotetsu. — pedi para os dois homens. — Eu e Raido vamos distraí-los.
— Certo. — responderam todos, já indo em direção ao telhado, onde logo avistei Aoba, que era quem invocava os inúmeros corvos.
— Então os reforços chegaram. — deduziu Hidan, se afastando dos pássaros junto com Kakuzu. Aoaba criou uma nuvem de fumaça, dispersando os corvos e limitando a visão do inimigo.
— Vocês estão bem? — perguntou Raido, se colocando ao meu lado.
— Não se preocupe. — eu respondi, mas logo me assustei ao ver que Kakuzu havia subido atrás de Asuma. — Cuide desse aqui, eu vou para onde está o outro.
— Não vou desistir da minha recompensa. — exclamou Kakuzu, se aproximando.
— Sinto muito, mas vai ter que desistir sim. — respondi, aparecendo em suas costas e tentando lhe acertar.
Kakuzu desviou por pouco e tentou acertar um soco, mas consegui bloquear rapidamente. Meus movimentos estavam muito mais lentos, e o corte que ele tinha me feito ardia, mas eu não poderia parar naquele momento. Peguei uma das minhas kunais e tentei acertá-lo, em vão, pois ele desviou mais uma vez, mas eu não desistiria, me transportei novamente, mas ele já havia previsto meu movimento e me acertou em cheio.
— Droga. — reclamei, me recompondo. — Tirem Asuma daqui, rápido.
Observei Kakuzu, que havia parado de atacar e estava concentrado em algo, não fazia ideia do que poderia ser, mas parecia que ele estava em contato com alguém. Rapidamente o homem me ignorou e desceu em direção ao seu parceiro, o mandando se calar, já que ele reclamava de algo, o que atiçava ainda mais minha curiosidade.
— Nós voltaremos. — declarou Kakuzu. — Vamos embora, Hidan. — disse, pegando a bandana do imortal.
— Que líder mais cabeça dura. — reclamou Hidan. — Vou amaldiçoá-lo da próxima vez.
— Sensei! — exclamou Ino ao ver Asuma cuspindo sangue.
— Ino, Choji, vamos levá-lo agora. — ordenou Shikamaru.
— Eu já disse, aguentem firme, pois voltaremos. — gritou Hidan para que escutássemos. — Ele já está prestes a morrer. — aquilo havia deixado Shikamaru irritado. — Até mais, perdedores. — dizendo isso, desapareceu juntamente com seu parceiro.
— Choji, Ino, rápido. — pediu Shikamaru, levantando levemente a cabeça de Asuma.
— Não, já chega. — disse Asuma em um sussurro. — Já era, até eu sei disso. — o trio ficou assustado e eu me aproximei devagar. — Vocês também devem aceitar.
— Fique quieto, não fale nada! — reclamou Shikamaru. — -san?
— Katsuyu? — olhei para lesma que estava em cima dos ferimentos de Asuma.
— Eu sinto muito, -san. — respondeu pesadamente, fazendo meu coração se partir.
— Obrigada pela ajuda. — agradeci. — Você já pode ir. — logo que a vi desaparecer, me aproximei de Asuma e tentei fazer algo usando o ninjutso médico, mas ele havia acertado quatro órgãos vitais e infelizmente não tinha mais o que ser feito. O homem sorriu para mim, me fazendo acompanhá-lo e segurar firmemente em sua mão em forma de consolo.
— Agora eu acho que finalmente entendi por que o Sandaime fez... — começou com a voz falha. — O que fez... — um trovão entonou no céu, indicando que cairia um temporal em alguns minutos. — Eu sempre demorei demais. — sua voz quase não saia. — Eu queria dizer minhas últimas palavras... Eu gostaria de dizer para Ino, Choji e Shikamaru. — no mesmo instante eu me levantei e permiti que ele tivesse sua última conversa com seus alunos.
— Sensei, não deveria mais falar. — alertou Choji.
— Choji. — pediu Shikamaru. — Você também, Ino. — o resto de nós somente observávamos a cena com a tristeza estampada em nossos rostos. — Essas são as últimas palavras do Asuma sensei. — o garoto segurava as lágrimas. — Ouçam com atenção.
— Ino... — Asuma começou com a garota.
— Sim. — respondeu.
— Você é muito teimosa, mas é confiável. — a menina começou a chorar. — Tanto o Choji quanto o Shikamaru são atrapalhados, então cuide deles, por favor.
— Sim senhor. — falou, chorando ainda mais.
— E não deixe a Sakura vencê-la. — riu com sua última fala. — Nem no ninjutsu, nem no amor.
— Sim.
— Choji. — olhou para o outro garoto. — Você é um rapaz bondoso que gosta de seus companheiros, e é por isso que você se tornará um shinobi mais forte do que qualquer outra pessoa, tenha mais confiança.
— Certo. — respondeu, chorando tanto quanto Ino.
— E talvez precise fazer uma dieta. — brincou o mais velho.
— Talvez seja impossível, mas eu vou tentar. — prometeu, tentando limpar as lágrimas.
— E Shikamaru. — olhou para o último. — Você é muito perspicaz e tem grandes instintos como shinobi. — elogiou. — Você pode virar hokage, com certeza, mas, bom, você é preguiçoso, então provavelmente iria odiar isso. — começou a tossir mais ainda. — Ah é, o lance do rei... Vou te contar quem é o rei, venha aqui. — pediu e logo Shikamaru se aproximou e Asuma sussurrou em seu ouvido, deixando o garoto surpreso logo depois.
— Asuma, você! — Shikamaru ainda estava assustado. — É por isso...
— Estou contando com você, Shikamaru! — declarou, interrompendo o garoto e olhando para mim. — E você, venha aqui. — pediu e logo me aproximei. — Eu quero muito que você fique dessa vez, eu preciso que você fique dessa vez. — sussurrou enquanto eu apertava sua mão entre as minhas. — Pela Kurenai e pelo Kakashi. — sorri por ele lembrar do amigo naquele momento. — Você é tão boa no que faz, às vezes eu acho que teria sido uma sensei perfeita, principalmente para esses três. — sorri, porque sabia que nunca me compararia com ele. — Mas eu sei que você odiaria, afinal, é muito trabalho, é mais parecida com o Shikamaru do que eu pensava. — seus olhos teimavam em ficar abertos, mas sabia que seria por pouco tempo. — Pode ficar de olho neles para mim?
— Claro. — concordei e ele voltou a olhar para Shikamaru.
— Embora eu tenha parado de fumar, o maço ainda está no meu bolso, eu quero um último cigarro.
Logo Shikamaru atendeu o último pedido do seu sensei, tirou um cigarro do maço e deu para o homem, acendendo-o com o isqueiro. Naquele momento, vimos a última tragada de Asuma. Ino e Choji não se aguentaram e começaram a chorar ainda mais forte, era uma cena que ninguém merecia passar. A chuva começou a cair e foi aumentando rapidamente, eu me levantei, mas logo uma tontura me fez cair novamente, eu estava exausta, meu ferimento estava pior do que eu imaginava, meu chakra estava se esgotando e meu psicológico estava o pior de todos.
-san, tudo bem? — um Aoba preocupado se aproximou, me ajudando a levantar novamente.
— Eu espero que sim. — novamente me aproximei do corpo de Asuma. — Adeus, Asuma. — no momento seguinte tudo escureceu e só consegui ouvir meu nome ser gritado.

########


Eu sentia uma dor tão grande que não conseguia me mover, tentava abrir os olhos, mas a forte luz não me permitia fazer isso com rapidez. Aos poucos, a lucidez me voltou e os meus olhos foram abrindo-se lentamente para se acostumarem com a claridade. Quando finalmente consegui enxergar algo, pude perceber que estava no hospital de Konoha, e ao tentar me mover, percebi o porquê da dor, afinal, eu havia levado um golpe bom, o que, com certeza, me rendeu vários pontos e uma barriga completamente enfaixada. Olhei ao redor e encontrei outra pessoa ali, Naruto dormia em um pequeno estofado que tinha ali, ele trajava uma roupa preta e eu já imaginava o motivo.
— Ei, moleque. — chamei, vendo-o acordar em um susto.
oba-chan, finalmente acordou, ein! — exclamou o rapaz, com um sorriso no rosto.
— Parece que acordei antes de você. — deixei o garoto constrangido.
— Me desculpe por isso. — achei estranha aquela atitude.
— O que aconteceu, Naruto? — perguntei de uma vez.
— Como assim? — tentou desconversar.
— Você tá estranho. — acusei. — Desembucha, garoto.
— Você está bem? — perguntou, preocupado, então era isso, até ele pensou que era meu fim.
— Relaxa, eu vou sobreviver. — falei em um sussurro.
— Não estou falando fisicamente, sabe. — então era aquilo, ele estava simplesmente preocupado com a minha mente.
— Não é a primeira vez que isso acontece, sabe. — respondi, tentando segurar as lágrimas. — Quando a gente sai em missão, tem que estar preparado para tudo, mas às vezes a gente não tá. — eu já derramava algumas lágrimas. — Não tem o que fazer, não é? Eu acabei nessa situação por minha causa.
— Você não deve se culpar tanto, sabia? — a voz de Kakashi se fez presente no quarto e percebi que ele estava ao lado da porta, ouvindo tudo.
— É, eu sei. — finalizei, não queria conversar, então voltei a fechar meus olhos e tentar dormir novamente.
— Os problemas não vão sumir só porque você quer. — retrucou Kakashi.
— Kakashi-sensei. — alertou Naruto.
— Naruto, preciso de alguns minutos com ela. — pediu o mais velho, fazendo o garoto suspirar e sair rapidamente.
— Eu não preciso que eles sumam, eu só quero um pouco de paz. — respondi a sua última fala.
— Você está fazendo de novo, tentando fugir. — acusou Kakashi. — Foi assim quando o Obito morreu, e foi assim quando seu irmão morreu. — se aproximou mais da cama e parou ao meu lado. — Você não precisa carregar um fardo que não é seu.
— Eu não tô tentando fazer isso. — retruquei.
— Mas é claro que está. — exclamou. — Não é sua culpa, nada disso é. — continuou. — Você pode botar isso na sua cabeça e continuar sua vida, ou pode se esconder de novo, é sua escolha.
Logo ele saiu do quarto e me deixou sozinha em pensamentos, eu realmente era assim, sempre fui, tentar carregar um fardo que não era meu, uma culpa que não era minha, não era a primeira vez e sei que não seria a última. A fala de Kakashi foi como uma avalanche de sentimentos que veio de uma vez e conseguiu me afundar ainda mais.

#########


Já era outro dia e eu continuava sozinha, Kakashi não tinha voltado, mas eu sabia que não era por mal, ele só estava dando o tempo que eu precisava. Nesse meio tempo eu tinha recebido a visita de Ino e Choji, que me falaram que Shikamaru não tinha ido para o enterro e que não o viam há algum tempo. Eu queria ir atrás dele, mas o que eu diria, talvez ele também só precisasse do tempo dele. Quando a noite apareceu, senti leves batidas na porta e depois uma figura bem conhecida por mim passar por ali.
— Shikamaru? — perguntei, completamente assustada.
— Ei, -san. — me deu um sorriso triste. — Como você está?
— Eu tô bem. — respondi, pela primeira vez, com sinceridade. — E você?
— Bom, eu tô tentando superar. — respondeu, ainda sorrindo.
— Tem certeza? Ino e Choji estavam preocupados. — questionei.
— Eu tive uma conversa com meu velho. — falou. — Estou bem, eu juro.
— Eu fico muito feliz por isso, Shikamaru. — era realmente bom ver que ele estava sendo sincero.
— Eu vim porque eu queria te falar uma coisa. — mudou de assunto.
— O que foi? — perguntei, curiosa.
— Nós vamos atrás dos dois. — falou rapidamente, me assustando. — Eu, Ino e Choji estamos indo vingar a morte do Asuma.
— Shikamaru, tem certeza disso? — aquilo não era nada bom. — É perigoso.
— Eu já tô preparado para isso. — disse sem pestanejar.
— O que a Tsunade–Sama disse sobre isso? Eu tenho certeza que ela nunca permitiria isso.
— Ela não precisa saber. — respondeu em um sussurro. — Vai ficar tudo bem, eu prometo. — com isso, ele saiu apressado, esbarrando em Kakashi, que entrava no quarto.
— O que aconteceu? — perguntou Kakashi, preocupado ao ver minha cara.
— Eu preciso da sua ajuda, Kakashi! — pedi, ainda digerindo as últimas palavras de Shikamaru.
— O que foi? — questinou, ansioso.
— Shikamaru, vai atrás dos caras da Akatsuki. — Kakashi pareceu tão surpreso quanto eu. — Não vou conseguir impedir, então, por favor, vá com eles. — implorei.
... — ele estava assustado, mas sabia que ele não me negaria aquilo.
— Eu tenho certeza de que se tem alguém que derrotaria aqueles caras, esse alguém é você. — eu já chorava. — Por favor, não cometa o mesmo erro que eu, não os deixe morrer. — pedi no último resíduo de voz.
— Não se preocupe, vai ficar tudo bem. — ele se aproximou, beijando minha testa.
— Só não morra, por favor. — as lágrimas caiam ainda mais só de ter esse pensamento.
— Eu não vou. — sorriu e saiu do quarto imediatamente.

#########


Eu estava no cemitério, em frente ao túmulo de Asuma. Era estranho estar ali novamente e por uma pessoa diferente. Após uma rápida oração, me retirei e fui em direção a um dos túmulos mais conhecidos por mim, me aproximei e li o nome de Minato estampado no meio das lápides dos hokages.
— Ei, Oni-san. — me sentei ali mesmo. — Quanto tempo, não é mesmo? — um vento forte soprou em meu rosto e eu sabia que meu irmão me escutava. — Eu sinto muito por ter demorado tanto tempo para vir depois de voltar, mas sabe, ainda é um pouco difícil conversar com você nessa situação. — sorri abertamente. — Eu sinto sua falta, todos os dias. — as lágrimas já teimavam a cair dos meus olhos, mas eu não me preocupava. — Não tem um dia no qual eu não pense em você e em como você iria amar conhecer seu filho. — eu chorava ainda mais, mas estava feliz por ter uma conversa tão sincera com meu irmão, mesmo depois da sua morte. — Eu te amo demais, espero que você sempre olhe por nós, onde você estiver.
Me levantei me sentindo muito mais leve, conversar com meu irmão sempre me trazia coisas boas e sabia que eu precisava. Conversar com meu irmão me trouxe a paz que meu coração precisava, a paz de saber que tudo ficaria bem, que Kakashi e Naruto voltariam bem.

Especial de Natal

Naruto andava calmamente pela vila, via tudo enfeitado como todos os anos e famílias passeando e brincando pelas longas ruas, ele sorria com isso. Mesmo não tendo com quem passar aquele dia, ele sempre se sentia feliz com aquela data, pois percebia como as pessoas pareciam mais gentis e humildes. O garoto andou em direção ao bom e velho Ichiraku para poder comer seu ramen e voltar para casa, mas assim que chegou, se surpreendeu ao ver Jiraiya e .
— Nem vem com essa, velhote. — ouviu a mulher falar com o homem.
— Não enche, . — respondeu ele, sem nem ligar para a ofensa.
— Ero-Sennin e Oba-chan? O que estão fazendo aqui? — perguntou Naruto, curioso, sentando ao lado da moça.
— Quantas vezes eu vou ter que dizer para não me chamar assim, Naruto? — pediu Jiraiya, já cansado do garoto que acabara de chegar.
— Na verdade, é um belo nome, é bem sua cara. — cutucou a mulher, vendo uma careta se formar no rosto do mais velho.
— Você é muito abusada, sabia? — bradou o homem. — E que merda é essa de oba-chan? Você não tem respeito por ninguém, seu moleque? — apontou Jiraiya, sendo ignorado pelo menino que pedia seu ramen.
— Ela não se importa. — respondeu calmamente.
— Então se ela se incomodasse, você pararia? — questionou o homem.
— Não mesmo. — falou Naruto rapidamente.
— Então do que adianta ela não se incomodar? — aquela conversa iria longe.
— Sério, para com essa merda, velhote. — ralhou a mulher com o mais velho. — Ei, Naruto, o que vai fazer no natal? — perguntou, se virando para o garoto e ignorando completamente Jiraiya.
— Nada demais. — respondeu o garoto. — Comer um ramen e dormir, talvez?
— Que tal ir lá para casa? — convidou a mulher, com um sorriso enorme no rosto, assustando o garoto. — O que foi? — perguntou, preocupada ao ver a expressão do rapaz.
— Nada, é só que... — Naruto não conseguia nem falar de tão emocionado que estava, nunca pensou que passaria essa data com alguém, nos outros anos, passou sozinho ou na companhia do velho Sennin, que ia beber e o deixava sozinho.
— Vamos lá, vai ser legal e eu vou cozinhar. — se levantou com um grande sorriso e abraçou o menino, fazendo-o sorrir junto. — Prometo que você vai gostar.
— Tudo bem. — respondeu, com um sorriso enorme no rosto. — Pode contar comigo.
— Você é demais, Naruto. — falou, animada, deixando um beijo na bochecha do menino e o fazendo se envergonhar. — E você, velhote? — perguntou, se virando para Jiraiya.
— Se tiver uma boa garrafa de saquê, eu não vejo porquê não. — respondeu prontamente.
— E o velho e bom espírito Natalino? — questionou a mulher, ofendida.
— Eu preciso estar bêbado para aturar você e essas suas frescuras. — falou, tentando irritar a garota.
— Pois está desconvidado. — gruniu ela. — O natal é mais do que só encher a cara, tem haver com família e amor, você não pode ter um coração tão duro assim, não é?
— Você tá querendo me convencer de que mesmo? — falou Jiraiya. — Eu já respondi que iria.
— Eu desisto de você, velhote. — resmungou a mulher, vendo o homem levantar.
— Falamos mais depois, tá bom? — respondeu, logo saindo do restaurante e indo atrás de uma mulher que acabara de passar.
— Esse cara não muda mesmo. — falou . — Aqui, Naruto. — ofereceu um vale para o garoto, que acabava de terminar seu ramen. — O jantar é por minha conta. — sorriu e saiu dali, deixando um menino muito feliz para trás.

XXXXXX


Naruto andava lentamente pela cidade, não era enviado para missões há um tempinho e estava bem feliz com isso, pois andava bastante cansado nos últimos dias. Ele ainda pensava no convite de há alguns dias: então ela o considerava da família. Aquilo o deixava tão contente que nem tinha palavras o suficiente para descrever. Queria agradecer o favor e comprar um presente, mas não tinha ideia do que poderia dar para a mulher, queria lhe agradecer, de alguma forma, por ela ser tão gentil com ele. Estava tão distraído que só voltou a si quando sentiu esbarrar em alguém.
— Foi mal aí. — pediu o rapaz para o outro. — Kakashi sensei? — se assustou ao perceber quem era.
— Ei, Naruto, sempre atrapalhado, não é? — falou o mais velho, sorrindo para ele.
— Me desculpe por isso, eu realmente estou um pouco distraído. — respondeu Naruto.
— Qual o problema? — perguntou Kakashi ao ver Naruto pensativo.
— Kakashi sensei, você e a Oba-chan são amigos de longa data, não é? — questionou, vendo o sensei ficar vermelho.
— Pode se dizer que sim. — disse rapidamente o mais velho. — Nos conhecemos há bastante tempo.
— Sabe um bom presente para dar para ela? — pediu o menino, olhando fixamente para o sensei. — Eu não sei bem fazer essas coisas, mas ela foi tão gentil me chamando para passar o Natal com ela, que eu me sinto mal por chegar sem nada.
— Sabe que ela não liga para isso. — respondeu Kakashi, acompanhando o mais novo em sua caminhada. — Ela ficará feliz em ter você, na verdade, ela amava passar esse dia com o Minato, e depois que ele morreu, eu nunca a vi tão animada como esse ano.
— Eu só queria agradecer pelo convite. — o garoto permanecia pensativo, ele não desistiria de encontrar um presente.
— Se quer tanto dar algo, eu indico ser algo que venha do seu coração. — falou Kakashi, vendo que ele não desistiria da ideia. — Ela não se importa com coisas materiais.
— Eu imaginei, mas é realmente difícil. — murmurou o rapaz. — O que você acha, Kakashi sensei?
— Eu não acho nada, se vira, garoto. — respondeu.
— Qual é, Kakashi sensei, não pode me dar nem uma dica? O que ela gosta? — pediu ele mais uma vez. — O que você vai dar?
— Bom, eu... — o homem nunca falaria para o garoto o que realmente estava pensando. — Nada...
— Como nada? — reclamou Naruto. — Você é um péssimo namorado.
— O que você sabe sobre isso, Naruto? — perguntou Kakashi, indignado com o mais novo. — Não somos namorados.
— Não é o que parece quando vejo você saindo de fininho da casa dela toda manhã. — Kakashi ficou vermelho como um pimentão.
— Do que você tá falando? Eu não faço isso. — respondeu o sensei.
— Faz sim. — exclamou Naruto, amando ver o constrangimento do homem. — Ela mora bem perto da minha casa, não venha se fazer de desentendido.
— Você está sendo precipitado, Naruto. — tentou mudar de assunto rapidamente. — Mas voltando ao presente, não precisa ser algo caro.
— Você está tentando mudar de assunto? — continuou, na tentativa de constranger o sensei.
— Sabe, só por causa das suas brincadeiras, vai ficar sem minha ajuda. — falou Kakashi, saindo e deixando o garoto indignado para trás.
— Você não ia ajudar de qualquer forma, não é mesmo. — resmungou Naruto, vendo o sensei se afastar ainda mais.
— Está falando sozinho, moleque? — a voz de Jiraiya assustou o menino.
— Quer me matar, ero-sennin? — gritou Naruto, se recuperando do susto.
— Quem dera ser tão fácil assim, seu idiota! — bradou o lendário sennin, irritado. — O que você está fazendo?
— Nada demais. — respondeu, mas logo voltou a olhar para o homem ao se lembrar de algo. — Ei, velhote, o que você acha que a Oba-chan gostaria de ganhar de presente? Eu queria dar algo, mas não tenho ideia do que ela iria gostar.
— Ela não precisa de presentes, Naruto. — começou ele, seguindo caminho e fazendo o garoto lhe acompanhar. — Na verdade, sua presença já é mais que suficiente para ela, acredite.
— Eu sei, mas eu...
— Não se preocupe com nada, só apareça lá que ela vai ficar mais do que feliz. — falou Jiraiya, interrompendo Naruto e o puxando para um abraço. — Vamos lá, eu vou pagar um ramén para você.

XXXXX


nunca estivera tão animada em tantos anos, afinal, depois de tanto tempo, finalmente comemoraria uma data que amava com pessoas especiais para ela. O cheiro da comida era sinal de que estava tudo pronto, e a ansiedade se apossava de si. A mulher se assustou ao ouvir batidas em sua porta, era cedo demais para alguém já ter chegado, mas não se surpreendeu ao abrir a porta e ver Kakashi com um buquê de flores nas mãos.
— Não tá cedo demais? — perguntou, dando espaço para o homem entrar.
— Aqui, para você. — a mulher ficou surpresa com o ato, mas pegou, sorrindo abertamente para o outro.
— Uau, você me deixou sem palavras. — deixou um beijo no rosto do homem e se virou. — Muito obrigada, são lindas.
— Não tem de quê. — respondeu, tímido.
— Mas por que isso? — perguntou, pegando um vaso e colocando as flores no mesmo. — Não que eu não tenha gostado, na verdade, achei fofo, mas não é bem a sua cara isso.
— Eu só estou sendo gentil. — reclamou.
— Então tá bom. — falou ela, ainda desconfiada.
— Eu queria te perguntar uma coisa. — disse Kakashi, sentando no sofá e sendo acompanhado pela mulher.
— O que foi? — questionou ela, curiosa.
— O Naruto disse que me vê saindo daqui toda manhã. — o jounin começou a falar, tendo a atenção da garota em si. — Ele disse que somos namorados, mas eu disse que não. — olhou para , esperando uma reação negativa, mas a encontrou segurando o riso. — O que você acha disso?
— O que eu acho de que, exatamente? — ela estava brincando com ele, queria ouvir ele sendo direto.
— Você está brincando comigo? — questionou, irritado, fazendo a mulher gargalhar.
— Me desculpa, eu só estou querendo entender direito o que você quer saber. — respondeu, parando aos poucos sua crise de riso.
— Isso não tem graça, eu só estou perguntando sobre essa coisa de namoro. — ele se enrolava cada vez mais nas palavras, fazendo querer rir ainda mais. — A gente tá namorando? — perguntou por fim.
— Eu não sei. — respondeu rapidamente, ainda segurando o riso. — A gente tá?
— Por que você tá perguntando isso para mim? — o homem estava extremamente nervoso e constrangido com o assunto.
— É só uma pergunta, por que tá nervoso por isso? — disse a mulher, com um sorriso enorme. — Se você quer dar um nome ao nosso relacionamento, é só falar.
— Eu só...
— Se você tá tão preocupado com o que o Naruto tá pensando, por que veio falar sobre isso comigo? — interrompeu . — Fala logo o que você quer para acabarmos com essa conversa sem sentido.
— Somos namorados então? — disse Kakashi, finalmente.
— Somos? — perguntou, querendo ouvir o homem parar de questionar e falar de uma vez.
— Você quer?
— Quero o quê? — insistiu, o deixando ainda mais nervoso.
— Namorar comigo. — disse por fim, fazendo a mulher voltar a gargalhar.
— Eu amo isso, de verdade. — se aproximou dele o suficiente para abaixar sua máscara e juntar seus lábios em um beijo. — Somos namorados então? — perguntou, vendo o homem rolar os olhos e a puxar novamente para um beijo, mas logo foram interrompidos por batidas na porta. rapidamente se levantou e foi atender, encontrando Naruto e Jiraiya do outro lado. — Ei, vocês chegaram, vamos entrar. — falou, dando espaço para eles entrarem.
— Cheguei a tempo também então. — gritou Tsunade quando quase fechava a porta. — Trouxe isso. — A mulher ofereceu um litro de saquê para , mas logo pegou de volta. — Mas é melhor eu ficar com ele.
— Eu tentei dizer para ela não ser tão inconveniente, . — falou Shizune, reprovando a atitude da Godaime.
— Não se preocupe com isso, Shizune. — sorriu a mulher. — Vamos começar então?

XXXXX


Naruto estava quieto na sacada do apartamento de , fazia tempo que não se sentia tão bem e tão feliz, olhava Tsunade e Jiraiya bebendo todas, , Kakashi e Shizune jogando um jogo que ele não fazia ideia do qual era, e ali se sentia completo, se sentia plenamente feliz como há tempos não acontecia. Ao olhar para fora, percebeu uma cabeleira rosa se aproximando e sorriu ao ver Sakura ir em direção da residência.
— Ei, Naruto, pode vir aqui um minuto? — gritou a garota ao ver que o menino já tinha lhe visto.
— Tudo bem. — respondeu, indo até a porta e saindo em direção da garota. Chegando aonde ela estava, a encontrou com um enorme sorriso no rosto.
— Obrigada pelas flores, Naruto, é realmente gentil da sua parte. — agradeceu a menina.
— Não tem de quê. — respondeu o rapaz, tímido.
— Eu comprei isso para você. — entregou um embrulho, deixando Naruto surpreso.
— Não precisava se preocupar com nada disso. — falou, pegando o presente e abrindo rapidamente, encontrando um broche de uma flor. — Uma rosa?
— Na verdade, é uma flor de cerejeira*. — Sakura respondeu, fazendo um sorriso enorme se abrir no rosto de Naruto. — Eu sei que muitas vezes eu sou uma pessoa horrível com você, mas eu não tenho nem palavras o suficiente pra descrever o quão importante você é, assim como Sasuke e o Kakashi sensei, vocês são como minha família, e você, Naruto, sempre está comigo, então é uma forma de te dizer que eu sempre vou estar com você também, para sempre.
— Eu.... — o garoto estava sem palavras para declaração repentina da garota.
— Ei, baka, não vai chorar. — ela deu um soco fraco em seu ombro e o puxou para um abraço. — Feliz Natal, Naruto. — sussurrou, sentindo o menino retribuir seu abraço.
— Feliz natal, Sakura-chan. — respondeu, soltando do abraço e vendo o sorriso dela.
— Sakura? — uma outra voz foi ouvida, chamando a atenção dos dois.
— Ei, -san, feliz Natal. — desejou a mais nova, sorrindo.
— Feliz Natal, querida. — falou . — Não quer entrar?
— Não se incomode, eu só vim falar com o Naruto e já estou indo, meus pais estão me esperando. — disse. — Até mais. — se despediu, saindo logo em seguida.
— Ei, vamos entrar? — chamou , abraçando Naruto.
— Você tem um tempo para mim? Eu lembrei de uma coisa. — pediu o rapaz ao entrar com ela dentro da casa.
— Claro, eu também preciso falar com você. — falou, puxando o garoto para a sacada onde ele estava antes.
— Aqui. — Naruto lhe estendeu um embrulho, surpreendendo a mulher. — Não é grande coisa, mas eu queria te agradecer de alguma forma.
— Não precisava de nada, Naruto. — sorriu, abrindo o pacote e encontrando o melhor presente que ela poderia ganhar.
— Foi a foto que tiramos no festival, não sei se você lembra porque você estava pior do que o ero-sennin, mas é uma bela foto. — falou, sorrindo, vendo um brilho especial nos olhos de .
— É perfeita, eu realmente não tenho palavras, Naruto. — ela observava atentamente a foto que haviam tirado no festival de algumas semanas atrás. Na foto estavam ela fazendo careta, enquanto Naruto sorria, Kakashi olhava para ela com uma cara de reprovação, Jiraiya e Tsunade erguiam dois litros de saquê e Sakura ao lado de Naruto ria dos dois enquanto Sai e Yamato estavam assustado com toda situação. Realmente era uma foto perfeita. — Acho que pensamos iguais então. — entregou um pacote, que logo foi aberto pelo menino.
— Isso é... — Naruto ficou sem palavras. Dentro do embrulho, tinha um porta-retrato com uma foto dos dois quando Naruto ainda era um bebê. — Como isso...
— Quando nos vimos pela primeira vez, eu te falei que te conhecia, não é mesmo? — respondeu à pergunta que estava estampada na cara do menino. — O velho Hiruzen tinha bastante trabalho e me dava a missão de cuidar de você às vezes. — um sorriso enorme estava no rosto da mulher. — Eu amo essa foto, espero que você goste tanto quanto... — ela foi interrompida com os braços de Naruto ao seu redor em um abraço que logo foi correspondido.
— Eu adorei, de verdade. — sussurrou o garoto em seu ouvido. — Obrigado por tudo, você realmente é uma pessoa maravilhosa, oba-chan, eu nunca me senti tão bem.
— Feliz Natal, Naruto. — respondeu a mulher, apertando ainda mais o rapaz em seus braços.
— Feliz Natal, oba-chan!

*Flor de cerejeira: Gente, para quem não sabe, o nome da Sakura significa flor de cerejeira, que é uma flor lindíssima, igual a rainha, claramente, pesquisem aí ahahahah



Continua...



Nota da autora: Olá, amores da minha vida, quem é vivo sempre aparece, não é mesmo? HAHAHAH Esse foi um capítulo “filler” de natal, atrasadíssimo, mas o que vale é a intenção, não é mesmo? Então eu queria começar dizendo uma coisa para vocês, eu AMO NaruSaku do fundo da minha alma, seja como casal, como amigos, como irmão, como o que for, para mim eles tem a relação mais bem desenvolvida de toda história de Naruto e eu sou completamente apaixonada, então quem não gosta, é a vida hahahah Depois, queria dizer que eu queria trabalhar um pouquinho a relação familiar aqui, porque, em breve, perderemos um grande membro dessa família, não é mesmo? Então, antes de tudo, terão mimos com o grande Sannin lendário antes dele partir, não é mesmo?
Inclusive, vou escrever sobre esse festival que foi mencionado aí, então me esperem que eu estou preparando muita coisa. Me perdoem de verdade por demorar tanto, eu realmente me desanimei um pouco nesse último mês, mas prometo que vou continuar até o fim, então ME PERDOEM POR SER ASSIM HHAHAHAHAHAHA
Por fim, queria desejar para todas um Feliz Natal atrasadíssimo e um próspero Ano Novo. Que 2021 nos traga momentos melhores que 2020, desejo muita paz e felicidades nesse novo ano, saibam que vocês que me fazem continuar com esse delírio que é Herdeira.
Eu tenho outra história no universo de Naruto então se quiserem ler, fiquem a vontadeGaara - Chronicles
Também tem o grupo no face pra vocês ficarem antenadas Histórias da Mandy
MIL BEIJOS PARA VOCÊS, SUAS LINDAS <3 <3




Outras Fanfics:
Ich Liebe Dich(Futebol - Mario Götze/Shortfic)
Mi Vida(Futebol – Marco Asensio/Shortfic)
Fora de Campo – Especial Copa do Mundo(Futebol - Philippe Coutinho/Shortfic)
Chuva de Arroz (Cantores - Luan Santana/Shortfic)
09.Told you so (Ficstape - Little Mix - LM5)
Gaara - Chronicles (Naruto - Em Andamento)


Nota da beta: Olha, esse Natal aí foi atrasado, mas foi a coisa mais linda! Que incrível ver o Naruto se sentir tão bem assim! Época natalina é tudo nessa vida, amo hahahaha <3 <3

Qualquer erro nessa atualização ou reclamações somente no e-mail.


comments powered by Disqus