Última atualização:21/02/2020
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Capítulo 1

Era o meu terceiro ano de veterinária, meados de 2013, e eu não fazia idéia do que eu estava fazendo ali, talvez por pressão da sociedade de que se formar na área de saúde é sinônimo de dinheiro e uma vida bem sucedida, ou uma realização pessoal da minha mãe, que sempre sonhou com a profissão mas infelizmente os tempos eram outros e meus avós nunca tiveram condições de bancar tal despesa. Foram três anos bastante difíceis, eu me dedicava cem por cento à faculdade e deixei de lado tudo aquilo que eu mais amava na minha vida: a música. E isso incluía todas as bandas que eu acompanhei desde que era bem novinha, os posters e revistas que eu guardei bem no fundo de uma gaveta qualquer, os CDs e DVDs que um dia ocupavam mais da metade da minha escrivaninha branca, hoje davam espaço a livros e mais livros, sendo esquecidos em uma caixa na garagem dos meus pais.
A única coisa que sobrou na minha vida em relação a música foi um violão velho que foi presente do meu avô antes de falecer dizendo que toda vez que eu me sentisse perdida e confusa que era para eu pegar o violão e dedilhar as poucas notas que ele havia me ensinado em todos os anos que passávamos a tarde com o instrumento nas mãos, quase suplicando para que eu desse dar continuidade à sua maior paixão, interrompida pelos tempos difíceis que vivia com vovó e seus filhos.
Não me permitir de fazer aquilo que amo para poder viver o sonho de outra pessoa parece hipocrisia, já que estudar música também era uma forma de homenagear meu avô, mas era aquilo que eu amava, era aquilo que me inspirava, que me dava forças para abrir meus olhos todas as manhãs com a energia revigorada, para viver um universo paralelo à aquele que eu normalmente vivia, era tudo aquilo que eu precisava.
Com esses pensamentos, me sentei de frente ao notebook para dar início a mais um trabalho complexo relacionado à parasitas em animais de grande porte e os danos que causam aos seres humanos que tem contato à esses. Antes de tudo, conectei meu fone no aparelho e resolvi procurar algumas playlists aleatórias na internet que pudessem me acalmar ao mesmo tempo não me distrair para completar com êxito a pesquisa, foi assim que depois de muitas horas sentada trabalhando naquele projeto que um acorde conhecido começou a soar na minha cabeça. As notas de 22 da Taylor Swift começaram a tamborilar minha mente até que umas vozes estranhas emanaram dos pequenos fones me fazendo estranhar aquele acústico tão esquisito mas tão gostoso de ouvir.

“It feels like a perfect night for breakfast at midnight, to fall in love with strangers”

Foi quando me peguei fechando meu trabalho e indo pesquisar os donos daquelas vozes misteriosas que me fizeram sentir arrepios depois de longos anos sem dar valor a uma banda nova realmente boa e me espantei quando vi quatro meninos na faixa dos dezoito anos no máximo.

“We're happy, free, confused and lonely at the same time. It's miserable and magical, oh yeah. Tonight's the night when we forget about the deadlines, It's time.”

Na mesma hora parece que algum botão foi ativado dentro de mim fazendo com que o meu cérebro parasse de funcionar e deixasse completamente de lado a maturidade que eu demorei a alcançar nos últimos três anos, dando espaço ao meu coração e alma de adolescente vendo aqueles quatro rostos angelicais que eram dignas de um pôster na parede do meu quarto branco e monótono.
— Mas o que é que está acontecendo comigo? - Entrei em um diálogo comigo mesma, rindo dos meus pensamentos. — Meu Deus, eu já tenho quase vinte e um anos, já passei da idade de me apegar à essas coisas.

“I don't know about you but I'm feeling twenty-two. Everything will be alright, if you keep me next to you. You don't know about me but I bet you want to. Everything will be alright, if we just keep dancing like we're twenty-two”

Parecia que aquela música tinha sido feira para mim naquele momento, eu estava fadada a viver uma vida infeliz e com a eterna sensação de “vida dos outros”, presa a um inferno astral, a um looping eterno. A que ponto chegaria a minha vida se eu não acordasse para a minha atual realidade e percebesse que eu não deveria estar ali? Até quando eu agüentaria tanta pressão? Será que eu seria feliz vestida de branco, fazendo plantões longos e cansativos, tendo em mãos a responsabilidade de curar um ser puro e inocente que não é capaz de me falar seu real problema? Eu não acho que estou preparada para tal coisa e nem se serei capaz um dia.
Não sei por quanto tempo eu fiquei ali imersa naqueles pensamentos, aquilo não fazia sentido pra mim de qualquer forma e eu só tinha duas opções: lidar com isso ou correr atrás dos meus sonhos. Coisa que me fez lembrar daqueles quatros rostos, a felicidade estampada nos olhos de cada um em fazer aquilo que mais amavam, e eles eram só quatro pirralhos se eu quisesse comparar nossas idades, mas eles sim tinham a coragem que eu nunca tive e isso me fez invejar a vida deles, a vida em um país muito mais desenvolvido do que o meu, um país onde talvez fosse muito mais fácil de se realizar um sonho do que o meu, um país que não havia os problemas que havia no meu... E foi assim que eu adormeci, um sono profundo e pertubado em que eu pude sentir qual gosto tinha a felicidade e definitivamente não tinha gosto de hospital veterinário.
“It feels like one of those nights , we won't be sleeping. It feels like one of those nights, you look like bad news. I gotta have you”


Capítulo 2

Algumas semanas já tinham se passado desde o dia que eu encontrei aquele cover acústico da Taylor nas vozes dos meninos do e eu me controlei todos os dias para tirar da cabeça aquela idéia maluca de que eu deveria correr atrás dos meus sonhos ou de simplesmente começar a pesquisar a vida desses quatro garotos que me fizeram abrir os olhos para tudo aquilo que eu me forçava a não enxergar.
Era final de ano, final de período, e assim eu concluía o terceiro e penúltimo ano do meu curso, faltando apenas algumas poucas matérias e a conclusão de curso. Aquele final de ano foi particularmente diferente e talvez eu me lembre disso pro resto da minha vida.
Era natal e eu tinha resolvido ficar no prédio onde eu alugava um quarto minúsculo por conta do mal relacionamento que eu havia tendo ultimamente com meus pais, já tinha finalizados todos os trabalhos possíveis que eu tinha na grade de matérias do próximo período tamanho era o meu tédio. Dei uma pesquisada sobre alguns temas que eu poderia abordar para a conclusão de curso e uma rápida olhada nos mentores que eu poderia escolher.
A casa estava vazia, as duas meninas que dividiam a casa comigo tinham optado em ir para a casa passar as festas e as férias com a família, entre elas minha melhor amiga Lindsay.
Lindsay e eu nos conhecemos quando éramos crianças, ela tinha acabado de se mudar para o meu bairro depois do divórcio dos pais. Ela nasceu em Hammersmith, situado na zona 2 de Londres e foi fruto de um relacionamento de poucos anos. Sua mãe foi transferida a trabalho em 1990 mais ou menos, ela e minha mãe eram grandes amigas e trabalhavam juntas em uma empresa japonesa que tinha filiais em todo o mundo, eu nunca fui capaz de entender como minha mãe foi parar lá dentro com o nível de estudo dela, e na verdade a mãe da Lindy só foi transferida porque minha mãe rejeitou a proposta, já que estava começando a planejar o casamento com meu pai na época e ser transferida para outro pais só poderia dar em duas coisas: o adiamento de seu sonho de casar de véu e grinalda se caso corresse tudo bem ou o término com meu pai já que ela não sabia se seria capaz de manter um relacionamento a distância, e segundo ela nenhuma das opções eram aceitáveis, o que ela se arrependeu amargamente alguns anos depois já que seu relacionamento com meu pai começou a andar de mal a pior.
O pai da Lindy era, na época, o gerente dessa filial na Inglaterra e conheceu sua ex mulher em uma das muitas reuniões que freqüentaram juntos e acabaram se apaixonando perdidamente e se casando logo depois, passando à frente dos meus pais, e concebendo a pequena Lindsay.
Nós temos apenas um ano de diferença uma da outra mas o mais engraçado é que fazemos aniversário no mesmo dia, então quando a sua mãe voltou para nosso bairro e nos apresentou, nós achávamos que éramos gêmeas de pais diferentes e nossa amizade cresceu cada dia mais, tendo em conta que nossas mães também eram grandes amigas o que facilitou bastante no nosso convívio.
Apesar de ser um ano mais velha que eu, Lindsay e eu sempre estivemos na mesma sala durante a escola, ela havia perdido um ano estudando português antes de se matricular na escolinha do bairro e foi maravilhoso poder crescer lado a lado à ela, e na faculdade, apesar dos cursos diferentess, optamos por dividir um apartamento a poucos metros do campus e assim conhecemos também a Melissa, que estava desesperada atrás de um quarto perto da faculdade já na primeira semana de aula. Melissa vez ou outra tentava se aproximar mais e entender algum assunto entre Lindsay e eu mas sabia que era uma missão impossível visto que nos conhecemos ainda na infância, então ela simplesmente deixava nosso espaço.
Eu me orgulhava das amigas que eu tinha e elas eram sempre as primeiras a me dizer que eu estava perdendo meu tempo fazendo o que eu estava fazendo.
Preparei um pacotinho de macarrão instantâneo, um copo de refrigerante e me sentei no sofá procurando algum filme ou qualquer coisa que me distraísse tempo suficiente até a hora de dormir, não sei dizer precisamente quanto tempo eu fiquei ali até que me lembrei mais uma vez daquele cover que eu tinha ouvido semanas atrás.
— Quer saber? Eu tô sozinha mesmo, ninguém vai poder me julgar. – Pensei me sentindo patética.
E ali estava eu, procurando, pesquisando, lendo, ouvindo todos os covers possíveis e impossíveis e me apaixonando, a fã que habitava dentro de mim falou mais alto e eu me dei por vencida.
, , e .
Em um outro momento eu pesquisava quais possíveis cursos eu poderia fazer para trabalhar com minha verdadeira vocação e parecia até ridículo mas para trabalhar com música eu deveria simplesmente estudar MÚSICA!
Pesquisando mais a fundo eu descobri que se eu começasse agora mesmo, em três anos eu estaria trabalhando com o que eu gosto, mas três anos pareciam uma eternidade, me formaria com vinte e seis ou vinte e sete anos e sinceramente eu não tinha saco para começar de novo do zero.
Fechei o notebook com um sentimento de impotência, de tristeza, de indignação, eu mesma não conseguia explicar.
Faltava apenas um ano para concluir meu curso de veterinária, eu não poderia e nem queria jogar tudo para o alto mas eu não via futuro naquilo.
Peguei meu violão que estava no canto e comecei a dedilhar algumas notas aleatórias lembrando do que meu avô falava para mim, no quanto eu deveria seguir meus sonhos e não deixar que ninguém diga que eu não sou capaz, algumas lágrimas rolaram enquanto eu subconscientemente dava início ao meu futuro, dava início à uma melodia, um arranjo, uma letra.


Capítulo 3

— Lindy, eu não consigo acreditar! – Era início do primeiro semestre de 2014 quando Lindsay chegou em casa com um envelope com duas passagens para passar nosso aniversário na Inglaterra. Todos os anos seu pai, George, insistia para que a filha o visitasse e conhecesse sua nova família e Lindsay sempre arrumava uma desculpa diferente, há mais de cinco anos que ela se recusava a ir visitar o pai e eu fui surpreendida em saber que eu vou estar presente nesse momento tão singular...
— Ai, , por favor! – Ela quase implorava. — Eu não quero ir sozinha, eu preciso de um apoio. Meu pai se tornou uma pessoa estranha pra mim, eu não lembro mais do seu cheiro, do seu beijo de boa noite, eu não sei mais com quem eu tenho que lidar!
A verdade é que George se casou novamente há dez anos atrás com um homem, Peter, que sempre tratou Lindsay muito bem em todos os anos que ela ia passar feriados ou férias com eles mas ela se afastou quando eles decidiram que era a hora de aumentar a família e entrar com um processo de adoção e então começou a recusar os convites do pai.
— Eu sei, amiga, mas é uma coisa tão pessoal sua e eu não quero atrapalhar. – Rebati tentando ser madura o suficiente, mas a verdade é que eu não estava mais sabendo me conter.
— O meu acordo com meu pai foi esse: eu iria se ele mandasse uma passagem para você porque você é muito mais minha irmã do que Sophie e Alice, , eu não sei como reagir, o que falar, o que fazer... – Ela finalmente deixou escapar. — Eu tenho medo de não conseguir ver toda essa situação calada, de brigar com meu pai ou Peter por algum motivo besta que a criança dentro de mim me faz falar, de ser malvada com as gêmeas porque eu simplesmente não consigo aceitar o fato de que meu pai as escolheu e eu fui apenas um acidente. – Lindsay deu um respiro profundo tentando controlar as lágrimas que a essa altura já molhavam todo o seu rosto, me aproximei dela e abracei o mais forte que eu consegui. Eu não sou a melhor conselheira do mundo e geralmente eu não sei o que fazer quando vejo alguém chorar mas quando se trata de Lindsay alguma coisa dentro de mim me faz ter esse instinto de proteção, eu simplesmente não posso ver minha melhor amiga chorando.
— Lindy, você sabe que eu sempre estarei do seu lado, não sabe? – Ela concordou em silencio. — E eu vou até o inferno com você se for preciso só pra poder segurar sua mão se você precisar de mim, mas por favor não fale mais que o seu pai as escolheu e você foi só o fruto de uma transa sem camisinha. George sempre foi muito bom com você amiga, todos os anos ele insiste que você vá visitá-lo, quando nós conversamos a única coisa que ele quer saber é se você está bem, se você está pronta para visitá-lo, se você o odeia... Amiga, ele é seu pai e ele te ama independente das circunstancias. – Vi Lindsay engolir o choro (e o orgulho) e sorrir de canto, dando seu melhor sorriso forçado.
— Você tem razão, , acho que chegou a hora de eu crescer e dar ponto final aos meus dramas de pré-adolescente rebelde.
Faltava apenas um ano para Lindsay e eu concluirmos a faculdade, por conta disso decidimos adiar a viagem de aniversário e transforma-la em uma viagem de formatura, até porque meus pais não tinham concordado com tal extravagância. O ano que passou parecia se arrastar apesar de estamos super atarefadas com nossas atividades curriculares, eu me dividia entre as aulas, um estágio remunerado que ajudou bastante com as despesas da viagem e os pensamentos em cursar música uma vez que eu voltasse com Lindsay.
Lindsay não tinha a vida assim tão diferente da minha, ela já tinha conseguido um trabalho de meio período em um jornal local, o que a rendeu a possibilidade de pular algumas horas de estágio que faltavam e um salário relativamente bem pago para uma futura recém formada em jornalismo. Nesse período eu ainda consegui achar tempo para venerar minha atual banda favorita, e segredo de estado visto que meus vinte e três anos estavam se aproximando, que a este ponto já tinha lançado sua primeira música de sucesso seguida de um CD novinho em folha para complementar a playlist de covers que eu já estava mais do que cansada de escutar.
Faltando um mês mais ou menos para que eu e Lindsay apresentássemos nosso trabalho final da faculdade, anunciou sua primeira turnê mundial em que nosso amado Brasil vinha sido incluído com muito vigor atendendo todas as minhas orações.
— Ei, Lindy, posso te pedir um favor? – Perguntei receosa vendo minha amiga querendo quebrar toda a casa depois de ter tido o seu TCC recusado pela quarta vez pelo seu mentor nos últimos três meses.
— Fala amiga, se eu puder, claro. – Ela tentou ser paciente mas eu percebi pela sua voz estremecida que ela fez um baita esforço para parecer calma. — Lembra daquela banda que eu falei pra você há mais ou menos um ano e que eu tinha gostado muito? - Vi Lindsay se virar pra mim pela primeira vez depois de horas de guerra contra o notebook e quase pude ver a fumaça saindo do seu nariz ao ouvir o que eu tinha acabado de perguntar.
Nós tínhamos abandonado a vida de fã girl quando entramos na faculdade, mas o principal motivo foi o término de Lindsay com um membro de uma banda do Rio de Janeiro que a fez sair completamente da razão, já que o motivo foi simplesmente: “Não quero te machucar caso eu te traia com alguma menina que for no camarim” — , não me fala que você está pensando seriamente naquilo que eu estou recusando a pensar?!
— Amiga, eles vão fazer um show em São Paulo, é o único show deles no Brasil e é uma semana depois que, teoricamente, vai sair a nossa nota de aprovação! — SUA aprovação, . – Ela me corrigiu nervosa tentando se controlar. — Eu nem sei se vou conseguir concluir essa merda!
— Lindy, eu já comprei os ingressos – menti — E você vai comigo, digamos que pra comemorar o final desses quatro anos intensos, fechando esse ciclo da forma em que ele começou. – Propus, lembrando que exatamente uma semana antes do início das aulas nós fomos ver o show do finado One Direction.
Notei Lindsay que tentava controlar as risadas provavelmente tendo as mesmas lembranças que eu, dos dias que os perseguimos em hotéis, em passeios, que tentamos nos infiltrar com crachás falsos dizendo que fazíamos parte da mídia e quase fomos presas por isso, e todas as artimanhas que havíamos usado nos últimos anos para se aproximar dos nossos ídolos.
E foi com a resposta positiva da minha melhor amiga que eu conclui a compra e fui escrever na nossa lousinha a contagem regressiva.


Capítulo 4

Como prometido eu ajudei a Lindsay todos os dias nas minhas horas vagas a concluir o TCC, visto que o meu já tinha sido concluído e aceito pelos meus mentores, e quando finalmente o e-mail do senhor Salvador chegou anunciando que finalmente Lindsay tinha conseguido, nós respiramos aliviadas. Agora faltava só mais uma semana até a apresentação, e duas para o show que eu estive esperando por um ano, e estaremos livres dessa tortura.
Naquele dia nós resolvemos nos divertir, colocamos nossas melhores roupas e saímos rumo as ruas do Rio de Janeiro procurando um lugar badalado para poder esquecer todo aquele peso que carregamos nas costas por quase quatro anos e que estava perto de nos livrarmos.
Já havíamos perdido a conta de quantas cervejas havíamos bebido, o bar que tínhamos entrado há algumas horas atrás tinha se transformado em um mini show de pop rock, com uma banda local que cantava as músicas mais atuais do momento intercaladas com algumas músicas um pouco mais antigas, quando éramos ainda adolescentes.
Não sei dizer bem quantas músicas eu já tinha reconhecido e cantado em alto e bom tom, orgulhosa de mim mesma por não ter deixado a fã que existia dentro de mim morrer por completo, quando eu ouvi os acordes da primeira música lançada pelo alguns meses atrás. Eu não sei de onde reuni forças mas eu dei meu melhor grito histérico recebendo olhares divertidos de algumas pessoas a minha volta, Lindsay voltava do bar com mais duas cervejas na mão e uma possível transa ao seu encalço enquanto eu só sabia aproveitar aquela música imaginando que em duas semanas eu teria o prazer de ouvir aquela canção da boca dos meninos do .
A música acabou o mais rápido que eu imaginei, só percebi que era a hora de voltar ao mundo real quando ouvi a banda agradecendo o carinho e a energia, Lindsay já estava entregue ao seu mais novo amor de uma noite e eu mexia no celular até sentir alguém se aproximar devagar e chamando minha atenção com uma coçadinha na garganta.
— Oi, eu te vi empolgada na última música e achei que deveria vir conhecer a única pessoa nesse bar que fez essa música do repertório valer a pena. – Um rapaz na casa dos vinte e seis anos chegou já vomitando tudo aquilo que tinha para falar e me fazendo rir da sua honestidade, ele não era o cara mais bonito que eu já tinha visto no mundo mas os seus olhos brilhavam tanto enquanto ele cantava que dava pra sentir o amor que ele tinha por aquilo e por isso ele me pareceu a pessoa mais perfeita do planeta naquele momento. Ele era alto, eu arriscaria uns 1,90m mais ou menos, braços longos e bem definidos, sua camisa larga combinava perfeitamente com a bermuda preta a baixo dos joelhos, seus cabelos bagunçados por conta do show ainda acumulavam gotinhas de suor o que o deixava extremamente sexy, seus lábios avermelhados me faziam querer beijá-lo ali mesmo sem pensar duas vezes.
— Oi, acho que você me pegou, eu realmente não esperava essa música e vocês fizeram minha noite valer a pena. – Disse sincera esperando dar continuidade no assunto, visto que tinha sido abandonada pela minha melhor amiga que não pode ver um ser humano dando mole que parte logo para o ataque. – O rapaz deu o seu melhor sorriso e eu fiquei de boca aberta, seus dentes eram tão brancos que ficavam fluorescentes nas luzes que a esse momento já piscavam no ritmo de uma melodia tecno estranha me fazendo perceber o quanto eclético era aquele lugar.
— Você não sabe o quanto eu fico feliz. O meu nome é Luca, a propósito, muito prazer...?
, o prazer é meu Luca, vocês são realmente bons.
— Obrigado, é muito importante ter o reconhecimento do público depois de tanta dedicação.
Engatamos um assunto bem cabeça sobre música e eu descobri que Luca não só era o vocalista da banda Pastime, que a esse ponto eu tinha acabado de descobrir o nome, mas também recém formado em música e que começaria uma viagem pelo mundo por dois anos em busca de conhecimento na área.
— Eu adoraria estudar música, é o meu sonho mas acabei fazendo veterinária e eu nem sei o porquê mas eu gostaria muito de dar atenção à esse meu lado criativo quando eu voltar de viagem com a minha melhor amiga. – Eu tagarelava sem parar, talvez pela excitação da conversa ou pelo álcool que já começava a me fazer perder um pouco a noção das coisas.
— Uau, você por acaso tem algum defeito? – Luca tocou em uma das minhas mãos fazendo movimentos delicados com o seu polegar naquela região. Ri em resposta já que estava alterada demais para ter qualquer outra reação. — Seria um prazer te ver no nosso próximo show semana que vem, vai ser um show muito importante para nós do Pastime, será que você poderia me dar seu telefone? – Foi direto ao ponto quebrando totalmente meu autocontrole de não agarrá-lo.
— Poxa, seria muito legal Luca, mas semana que vem eu vou a São Paulo a um show que estou esperando há algum tempo. – Respondi sincera, já que era a mais absoluta verdade, eu não poderia estar ali no próximo final de semana já que estaria em São Paulo para o show do .
— Responde pra mim, , você acredita em destino? – Deixei escapar uma gargalhada que tenho certeza que o fez corar depois da sua tentativa falha de flertar comigo. — Então, você acredita? – Ele repetiu.
— Não sei, talvez, por que? – Tentei parecer mais controlada mas não sei se deu muito certo, já que o garoto parado ali na minha frente riu ainda mais alto. — Porque nós vamos abrir o show do em São Paulo e eu imagino que esse é o show que você tem esperado tanto. – Eu faltei cair no chão depois daquela informação, minhas pernas vacilaram e eu senti meu estomago embrulhar. Sério mesmo que a banda dele vai abrir o show de uma banda internacional? Vão ter umas duas mil pessoas ou mais lá, deve ser a sensação mais maravilhosa do mundo. Mas pera ai, se ele está me convidando quer dizer que eu talvez possa entrar no camarim e ter o meu momento tiete?
Luca não esperou pela minha resposta e deu prosseguimento aos seus planos. — Vou supor que isso seja um sim e vou te propor mais uma coisa: você vai ser minha convidada vip e vai assistir ao show todinho do lado do palco.
Eu não lembro bem o que eu respondi mas ter acordado no dia seguinte com uma dor de cabeça infernal e um Luca nu do meu lado me fez ter a certeza que eu tinha aceitado de bom grado aquela proposta.


Capítulo 5

Lindsay e eu esperávamos ansiosamente Luca no aeroporto de Guarulhos em São Paulo, ele havia partido dois dias antes para definir alguns detalhes que faltavam para o que seria o show da vida dele, como ele mesmo diz.
Entramos dentro do carro e eu sentia como se estivesse numa montanha-russa, reviver esses momentos da minha adolescência me fizeram me sentir viva, e claro que a presença de Luca também ajudava bastante.
Depois do episódio em que Luca me propôs essa aventura, dormimos juntos durante os cinco dias que ele permaneceu no Rio antes da viagem e posso dizer que ajudou bastante no meu humor, já que era a semana do TCC e eu estava muito nervosa. Eu passava o dia estudando ou no estágio e a noite Luca andava até minha casa, onde uma Lindsay desesperada nos fazia dar boas gargalhadas.
Sexta-feira antes da apresentação final, Luca me mandou uma mensagem de boa sorte que me fez derreter, ele era muito fofo pra ser real, eu estava curtindo a presença de Luca, nós éramos mais parecidos do que eu tinha imaginado e ele estava quase me convencendo que sim, eu deveria dar continuidade nos estudos e que dessa vez ninguém me impediria de fazer o que eu gosto.
Nós trocamos muito conhecimento a respeito de música, e também na cama já que Luca era um excelente parceiro sexual, e depois de muito relutar eu decidi mostrá-lo algumas músicas que eu fiz durante os últimos anos, juro que pude notar algumas lagrimas entre uma canção ou outra e o fato dele se emocionar superava todos os elogios que ele não fazia questão nenhuma de esconder.
Eu e Lindsay passamos pelo último exame da faculdade com vigor o que só aumentou nossa excitação para o show, minha melhor amiga estava para explodir de felicidade e eu só tinha que agradecer aos céus por tê-la ao meu lado nesse momento, por mais que ela tentasse disfarçar ela ainda era a mesma garotinha fanática por boybands.
Luca fez questão de ajudar a gente também com a hospedagem, apesar da Partime não ser uma banda tão famosa, ela abriria o show de uma das bandas que estavam estourando no momento e isso proporcionava aos meninos algumas regalias como, por exemplo, hospedagem em um hotel maravilhoso a poucos metros da casa de show.
Fiz questão de paga-lo mas ele não aceitou, disse que era nosso presente de formatura, visto que ele chegou tarde demais para nos presentear com os ingressos, em poucos dias eu criei um laço muito grande com Luca, talvez pelos nossos pensamentos caminharem lado a lado ou somente por nos completarmos na cama. Check-in feito, Lindsay e eu seguimos pelo saguão do hotel em direção ao elevador principal, nossos quartos ficavam no oitavo andar, junto com o pessoal da produção de ambas as bandas que estariam presente naquele local, a banda principal ficaria hospedada no décimo e último andar do hotel, onde teriam sua piscina privada, sauna, bar e tudo aquilo que você poderia ou não imaginar, já nossos atuais amiguinhos da Partime estavam no nono andar.
Deixamos nossas coisas no quarto e resolvemos que aproveitaríamos aquele final de semana como se fosse o último final de semana das nossas vidas, uma pré férias antes das férias.
A idéia de que eu estaria num hotel com uma banda famosa me dava calafrios pelo corpo, principalmente uma banda que eu criei uma conexão forte desde quando a descobri em uma playlist qualquer na internet, pensava no que eles poderiam estar fazendo agora, se eles estavam na piscina como Lindsay e eu, se estavam dormindo, como eles seriam? Será que seriam ainda mais lindos pessoalmente? E agora eles já eram mais crescidinhos mas ainda sim mais novos do que eu, o que particularmente era ainda mais excitante, eu sempre fui aquela que preferia os mais novos.
A piscina privada do décimo andar oferecia uma vista privilegiada da piscina para nós meros mortais e tendo em conta que o hotel estava parcialmente vazio, se algum deles se arriscasse de olhar para baixo, bateriam o olho diretamente em mim e na minha melhor amiga, o que não seria assim uma coisa tão negativa.
Eu estava ali a poucas horas e me sentia de novo aquela menininha de dezessete anos que sempre sonhou com esse momento, eu estava tão perto mas tão longe e uma idéia invadiu minha cabeça: tenho que me aproximar deles e eu vou usar o Luca pra isso.
Pode parecer uma idéia absurda e até mesmo escrota mas qual era o problema? Eu já estava ali mesmo, oras!
Me virei de bruços e peguei o telefone ligando para meu amigo colorido, Lindsay ria de mim enquanto eu recitava cada parte do meu plano milimetricamente calculado. Luca estava com o celular desligado, merda.
Insisti ainda algumas vezes antes de desistir de vez me ajeitando novamente na espreguiçadeira e fechando um pouco os olhos por causa do sol, foi ai que meus olhos focaram em um ponto distante, mais precisamente a dez andares sobre minha cabeça, eu reconheci o formato daquele cabelo, eu senti um calor invadir meu corpo e não era culpa do sol, era de dentro para fora, ele estava ali e eu tinha quase certeza que estava olhando para nós.
Talvez ele estivesse admirando a paisagem mas que fã não exagera um pouco nas idéias? Cutuquei Lindsay que abriu os olhos assustadas.
— Lindy, olha bem pra cima e me diz o que você vê.
— Nuvem? Ai meu Deus você acha que vai chover? – Olhei de cara feia para minha amiga e tentei mais uma vez.
— Amiga, olha bem para a cobertura, bem a cima das nossas cabeças e me diz o que você vê! – Lindsay colocou os óculos escuros para se proteger do sol enquanto tentava entender o que eu dizia e olhando pra algum ponto no alto.
— Tem uma... cabeça? – Não tive como não rir dessa vez, é claro que ela tinha amadurecido, eu que não consigo tirar determinadas idéias da minha mente.
— Amiga, aquela é a cabeça que tem tirado meu sono por quase um ano e eu nem sei o motivo, é ele amiga, é o , eu reconheceria o formato dos seus cabelos até mesmo se estivéssemos cinqüenta andares a baixo dele.
Lindsay soltou um gritinho abafado e me olhou, me fazendo soltar outro e mexer as mãos de uma forma bastante exagerada, que qualquer um que nos vissem entenderia de imediato que aquilo era um momento “surtando” por algo.
Eu imaginava se ele conseguiria nos ver e o quanto patética nós poderíamos estar sendo naquele momento, parei imediatamente o ataque que estava tendo e chamei a atenção de Lindsay, éramos adultas e agiríamos como tal.
A cabeça tinha sumido, dando espaço para uma outra silhueta bem diferente e bastante normal para ser reconhecida à dez andares de distância, foi quando meu telefone tocou e eu pude ver que era Luca que estava retornando minhas ligações. — Oi gata, desculpa não atender antes, como você está? – Luca era carioca, me chamar de gata era mais do que normal.
— Oi, tudo bem e você? O que tem feito de tão importante que nem um mergulhinho com suas fãs número um você não veio dar? – Ouvi Luca gargalhar, muitas vozes se misturavam fazendo a ligação parecer impossível de ser ouvida.
— De onde eu estou, eu consigo avistar as duas mulheres mais gatas desse hotel e essa foi uma opinião unânime vinda diretamente do décimo andar, mas tem uma em particular com um biquíni laranja que me deixou excitado até mesmo com toda essa distância. – Olhei pra cima e pude ver Luca que acenava pra gente, eu ri dos seus comentários e acenei de volta, percebendo que novamente a tal cabeça misteriosa voltou a observar a paisagem da piscina do térreo.
— Luca, fala pra mim que esse ai do seu lado não é quem eu estou pensando que é. — Aquele que você não para de falar e elogiar? Não posso falar o nome dele já que ele está do meu lado. – Ri da forma que Luca se referia a .
— Meu Deus você é o cara mais sortudo desse mundo mesmo! Quando você vai pensar que tem uma super fã dele aqui esperando para conhecê-lo? – A esse ponto Lindsay já me reprovava veemente mas Luca sabia da minha quedinha pelo do .
— Bom, eu estava pensando em agora, o que você acha? Chama a Lindy, os seguranças sabem que minhas convidadas estão subindo. – Eu não tive como não gritar contidamente nesse momento, Luca ria da minha reação e Lindsay me olhava apavorada porque não estava entendendo absolutamente nada.
Desliguei o telefone e passei as novas notícias para Lindy, que continuava me dizendo de me conter porque Luca era um bom garoto e não era justo com ele se eu me jogasse pra cima do meu atual ídolo, mas ela também sabia que minha história com Luca jamais teria futuro, pelo menos não pelos próximos dois anos já que ele tem os planos dele e eu os meus e que inclusive quando organizamos esse final de semana ele já sabia meu interesse pelo e disse que no meu lugar faria a mesma coisa.
É claro que eu não esperava de ir pra cama com ele nem nada parecido, eu só imaginava, porque é isso que as fãs fazem.
Ajeitamos nossas coisas e em poucos minutos já estávamos fazendo o caminho para o elevador, quando esse parou no térreo eu pude notar que conhecia aquele rosto que estava saindo dando espaço para nós, era um dos integrantes do , era o melhor amigo de .
deu passagem para nós e nos cumprimentou com um aceno de cabeça, ele tinha os olhos mais que eu já vi nessa vida e eu poderia me perder dentro deles se o seu melhor amigo não me deixasse toda arrepiada em cada palavra que saia daquela boca.
Todos os quatro tinham participações nas músicas, era difícil não se apaixonar por eles mas a voz de era realmente uma coisa que não era desse mundo. Antes da porta se fechar nos permitindo ter nossos ataques de groupie, um braço se enfiou no meio das portas fazendo com que as mesmas se abrissem de novo e nos dando novamente a visão daqueles olhos, daquele rosto, daqueles lábios... Não tinha como não ter pensamentos pervertidos com a figura parada ali na nossa frente. Ele entrou novamente no elevador e nos observou dos pés à cabeça sem nenhum pudor.
— Vocês são as convidadas do Luca? – Ele direcionou a palavra pra gente com aquele sotaque carregado que deixava qualquer mulher de pernas bambas. — Eu sou o , sou o da banda, ouvi falar de vocês e que vocês gostam bastante do nosso trabalho. – Já naquele momento eu agradecia a todos os Santos por ter tido uma educação rigorosa dos meus pais e por todos os anos que passei estudando inglês e conversando com o pai de Lindsay, que finalmente tinham servido pra alguma coisa.
— Eu sou a Lindsay mas pode me chamar de Lindy. – Minha amiga tomou as rédeas da situação quando entendeu que eu estava inerte na minha bolha tentando processar todos os acontecimentos recentes. — E essa é a minha amiga . – Continuou e me dando uma leve cutucada no braço, me tirando finalmente daquele transe.
Eu fui apenas capaz de balançar a cabeça e estender o braço para um aperto de mão típico de um velhinho de cem anos.
O rapaz se apressou em nos cumprimentar entrando finalmente no elevador e apertando o número dez.
Aquilo estava realmente acontecendo?
Foram os minutos mais longos da minha vida, um silencio que deixava uma energia pesada no ar que provavelmente só foi percebido por mim, já que a essa altura Lindsay e engatavam uma conversa sobre o Brasil ou qualquer coisa que não fui mundo capaz de entender.
Durante o percurso o rapaz explicou que tinha decido para buscar a gente, já que não tinham fãs no hotel graças ao cuidado de seus produtores que fizeram questão de enganar cada menina apaixonada a espera de se hospedar no mesmo hotel que a banda e que queria ter tido tempo de dar uma volta nas redondezas do térreo para respirar um pouco e estar um pouco longe de determinados assuntos discutidos na cobertura, porém nós já estávamos mais que prontas para subir então ele não teve outra alternativa além de dar meia volta e nos acompanhar.
De vez em quando eu acenava com a cabeça, dava uma risadinha ou fingia indiferença total por estar ali, eu não queria passar a impressão de fã louca e tentei agir com naturalidade todo o percurso, caindo totalmente da minha nuvem imaginária quando as portas se abriram no décimo andar e um barulho de violão adentrou meus ouvidos.


Capítulo 6

Quando saímos do elevador fui recebida por um Luca histérico e perceptivelmente excitado de estar ali, ele me abraçou e me deu um beijo na testa, o que foi bastante estranho sabendo que há dois dias atrás ele estava com a boca em outra parte do meu corpo. Repetiu o gesto com Lindsay e me deu uma piscadinha, era impressão minha ou ele estava fingindo que realmente nós nunca transamos para me dar a chance de atacar sem que isso me fizesse parecer tão biscate? Agradeci mentalmente a esperteza de Luca e joguei um beijinho no ar pra ele, que riu e fez um sinal bastante afeminado com a mão como quem diz “imagina, amiga.”
à essa altura já estava reunido com os companheiros e amigos de banda pegando um dos instrumentos e se unindo à aquele pequeno show acústico privado.
— Venham, vou apresentar vocês ao resto do pessoal. – Luca nos deu as costas e começou a caminhar em passos lentos até o aglomerado de pessoas sentadas numa espécie de rodinha mal feita. Pude notar que cada um estava com um instrumento diferente nas mãos, entre violões e carrons, eu pude finalmente avistá-lo.
Ele tinha uma toalha ao redor da cintura que com certeza me daria a visão do paraíso se ele estivesse de pé, uma camisa vermelha jogada em um dos ombros. O cabelo bagunçado e molhado, que deixava claro que ele tinha acabado de sair da piscina, o deixavam ainda mais atraente do que o normal.
— Meninos, essas são as minhas amigas e Lindy. – Luca chegou sem cerimônias se aproximando da rodinha fazendo com que todos parassem o que faziam para olhar em nossa direção. – Meninas, esses são o , mas acho que é inútil eu fazer apresentações.
Naquele momento eu não sabia realmente onde enfiar a cara, os meninos da Pastime riam enquanto se levantavam para nos cumprimentar, nós havíamos nos conhecido naquele pub há alguns dias atrás quando conheci Luca, inclusive descobri que o garoto que Lindsay acabou levando pra casa era o rodie dos meninos, estávamos praticamente em família.
Cumprimentamos um por um e demos os primeiros passos em direção à rodinha que continuava ali, mesmo que incompleta, se levantou se vangloriando que ele já nós conhecia, afinal foi ele que nos levou até a cobertura enquanto os outros três meninos apoiavam seus respectivos instrumentos em um canto qualquer onde estivessem seguros e vieram em nossa direção.
Eu já me sentia praticamente a Rainha Elizabeth naquele momento vendo os meus ídolos caminhando até mim para me cumprimentar, mas na verdade depois eu fiquei sabendo que eles só fizeram isso porque nós não fomos capazes de mover nenhum músculo do corpo.
, o , foi o primeiro a nos cumprimentar, sendo seguido por , o e .
Se vocês me perguntarem como realmente foram aqueles míseros segundos, eu não seria capaz de explicar.
Eram muitos anos que eu não sentia aquela sensação de conhecer um ídolo e o fato de estar em um ambiente informal com eles, sem seguranças ou fãs gritando atrás de mim, me fez por um minuto perder a consciência.
Os meninos eram ainda mais bonitos pessoalmente, em trajes de banho e chinelo, sem gel no cabelo, apenas sendo eles mesmos, era uma experiência que eu realmente jamais pensei vivenciar.
Não sei se eu pareci um tanto antipática tentando conter meus ataques e abraçá-los como se não houvesse um amanhã, como todos os M&G que fui na minha vida em que nunca fiquei mais de um minuto perto do meu ídolo, mas eu só pensava em quanto eu era sortuda de estar ali e isso jamais teria acontecido se não fosse por Luca, se ele não tivesse escolhido aquela música para finalizar o show, se não fosse por aquele dia em que não ouvi o cover da Taylor e me aprofundei em conhecer o trabalho dos meninos, era tudo uma coisa que dependia de uma outra , tudo aconteceu tão perfeito mas tão sem sentido que eu poderia ficar aqui por horas tentando explicar aquela sensação.
— Luca me falou que você toca violão muito bem, eu gostaria muito de poder ouvir sua música. – me pegou desprevenida, não sei se ficava com raiva de Luca por ter falado uma coisa minha tão pessoal ou voltava pra dentro do elevador e me trancava lá pra sempre.
— Eu toco por hobby, não sou tão boa quanto vocês. - Respondi sentindo minhas bochechas corarem e um buraco negro começar a se formar sob meus pés me engolindo para Stranger Things.
— Não seja boba, eu te empresto o meu violão e você nos mostra, é sempre bom ouvir coisas novas. – Me encorajou. Lindsay me olhava com dois corações no lugar dos olhos, ela estava tão anestesiada quanto eu, ela sabia o quanto era importante pra mim a música, que seria uma oportunidade única na minha vida e que eu não poderia desperdiçar.
Lindsay me deu um empurrãozinho me fazendo caminhar até a rodinha de cadeiras no meio da cobertura onde ambas bandas estavam sentadas já dando início a uma nova canção.
Pode parecer clichê mas as únicas duas cadeiras vazias eram ao lado esquerdo de e minha amiga que não era boba nem nada sentou na mais distante, ao lado de , me deixando justamente ao lado daquele pedaço de mal caminho semi nu, como se fosse a coisa mais normal do mundo caminhar por ai despido deixando todo aquele abdômen escultural a mostra.
Me sentei despretensiosa ao seu lado esperando que tirasse da cabeça aquela idéia de me fazer tocar e cantar para os meus ídolos do momento, eu não tinha a menor condição de me concentrar.
Entre um música ou outra, algumas piadas e risadas, era tão emocionante estar ali no meio daqueles talentos, eu me senti tão confortável que arrisquei cantarolar algumas canções junto com eles, Luca e sua banda alternavam entre grandes sucessos internacionais à algumas músicas brasileiras que deixavam os garotos do com gostinho de quero mais e foi ai que eu me vi novamente naquela berlinda.
— Então, , parece que você já está um pouco mais familiarizada, por que não mostra para nossos hóspedes do que você é capaz? – Luca tirou fora a pior coisa que ele poderia dizer naquele momento já me entregando seu violão preto que era três vezes maior do que eu. Ri sem graça negando educadamente com a cabeça, ele voltou à sua posição inicial com seu violão e começou a dedilhar uma canção que eu conhecia bem, foi a última canção que eu escrevi há mais ou menos um ano atrás, naquele natal sozinha em casa, me fazendo refletir sobre minha vida e o que eu estava desperdiçando dela.

“There's a lot of things that I may not know, but missing you baby is the only thing I know, I know.
And who am I to say what the future holds, but missing you baby is the only thing I know, I know”


Eu quis chorar lembrando daquele momento e mais ainda por aquela oportunidade que eu ganhei de mão beijada ali no meio de músicos de altíssima qualidade.
Foi quando eu fechei os olhos sentindo a mão de Lindsay em um dos meus ombros sussurrando que eu era capaz e que de qualquer forma era só uma “reunião com os amigos”.
Respirei fundo e dei continuidade à melodia começada por Luca, dando o meu melhor já que era o refrão da música e que falava muito por mim.

“If my heart was paper, I’d fold it, throw it to the wind and just hope it ends up with you.
I signed it with love from me to you, tried to be cool, but my feelings they don't allow me t.o
And all that I ask is that at least you write me back, I'm waiting.
Here's my paper heart, won't you hold it, hold it”


Ali eu já tinha esquecido o real motivo de estar ali, cantei com alma e coração sentindo cada palavra, cada significado, cada expressão...
Vi quando me estendeu um violão me encorajando a continuar, sorri em resposta apreciando sua atitude.

“Said you needed space so I gave you time, a year's gone by and I'm thinking you're still mine, In my mind.
And I've written you this letter like a hundred times, to start a conversation that we should have had that night.
I try”


Nesse momento todos presentes no local com um violão na mão deram continuidade junto comigo e com um Luca orgulho que sorria em minha direção.
Lindsay que conhecia bem a letra se arriscava vez ou outra a nos acompanhar e eu só pensava que queria que alguém estivesse registrando esse momento que ficaria guardado no meu coração até o último suspiro da minha vida.

“Flying through fields over sand hoping one day it will land and ends up with you.
I signed it with love from me to you, I tried to be cool but my feelings they won't allow me to.
And all that I ask is that at least you write me back
I'm waiting”


Ouvi a voz de pela primeira vez durante aquela canção, ele acompanhou o refrão junto comigo tentando não errar nenhuma palavra, nós estávamos sentados muito próximos e vez ou outra o meu braço direito, que dedilhava as cordas de seu violão, encostava em sua pele desnuda me fazendo arrepiar por inteiro. Quando a primeira palavra saiu da boca dele eu não tive outra reação a não ser olhar-lo e me calar, retirando minha insignificância vocal ao ouvir aquela voz rouca quase que próxima ao meu ouvido, me encarando como se não fosse nada de outro mundo o que ele estava fazendo, e realmente não era, mas pra mim era mais do que eu poderia um dia merecer na vida.

“Here's my paper heart I just hope it ends up with you.”


Capítulo 7

Depois de concluir minha música eu fui aplaudida por todos presentes no local, Lindsay se levantou e dava pulinhos histéricos enquanto Luca caminhou em minha direção e me deu um abraço forte, dizendo que estava orgulhoso de mim.
Os meninos do não pouparam elogios e fizeram questão de afirmar mil vezes o quanto eu era talentosa como song writer e como minha voz era delicada e prepotente ao mesmo tempo, meus olhos relutavam em me fazer passar vergonha quando uma lagrima escorreu pelo meu rosto. Não era tristeza, era emoção.
Estávamos já longe da rodinha, na beira da piscina, enquanto uns davam saltos e mortais para dentro da mesma e outros se serviam de algumas bebidas e se deitavam nas espreguiçadeiras.
Lindsay e eu optamos pela segunda opção.
Falava distraidamente com Lindsay quando se sentou na ponta da espreguiçadeira da minha amiga entregando uma cerveja para cada e fazendo um brinde à aquele dia.
Não era nenhuma dúvida que Lindsay olhava como um pedaço de carne mal passada suculenta e eu jurava que da parte dele não era assim tão diferente, já que a cada passo que minha amiga dava eu percebia o garoto a olhar como se a pudesse devorar só com os olhos.
Eles engataram uma conversa sobre a carreira deles e Lindsay se vangloriava de ter acabado de completar o curso de jornalismo e que não via a hora de dar início a sua trajetória.
Resolvi me levantar quando escutei perguntar se Lindsay gostaria de fazer um pequeno tour pelo hotel, já que ele falhou na missão mais cedo, rindo imaginando onde eles dois poderiam parar depois de poucos minutos.
Me aproximei do parapeito da cobertura, deslumbrando a vista privilegiada que talvez eu nunca seria capaz de arcar com meu salário e pude ver, inclusive, quando Lindsay e chegaram ao térreo e se sentaram ao bar da piscina próximos demais para quem tinha acabado de se conhecer, a tensão sexual entre eles era visível e como eles conversavam e riam chegava a ser bonito de se ver. O fato de Lindsay falar o inglês tão carregado quanto ele deixava a mostra, para quem não os conhecia, que eram um casal de turistas aproveitando as férias no Brasil.
Fui puxada para fora dos meus pensamentos quando parou do meu lado olhando para baixo, como havia feito mais cedo, rindo no mesmo instante que percebeu nossos amigos sentados juntos fazendo a mesma coisa que eles faziam antes de descer, o que não fazia o menor sentido.
— Parece que estávamos atrapalhando o casal. – Disse ele em meio um sorriso torto. — Sim, parece que um bar privado não é bom o suficiente quando o bar público no térreo. – Respondi não tirando os olhos da piscina azul turquesa que parecia ainda mais azul vista ali de cima.
Alguns segundos em silencio me fizeram questionar minha resposta, talvez eu deveria ter tentado puxar um assunto? Mas eu sinceramente não fazia idéia do que dizer.
— Eu adoro o som de vocês, em pensar que a primeira vez que os ouvi foi sem querer em uma playlist esquecida na internet. – Disse sem pensar muito, querendo deletar imediatamente aquela frase que tinha acabado de sair da minha boca, parecia que eu estava desmerecendo o trabalho deles. — Quer dizer, eu gostei muito e por isso resolvi adicionar suas músicas na minha playlist principal. – Como se eu tivesse sido a única pessoa no mundo a fazer isso, ele deveria estar me achando patética quando sorriu sem jeito passando a mão pelos cabelos e se virando de frente a cobertura, com as costas apoiadas no parapeito.
— Então temos alguma coisa em comum, sua música é incrível e eu gostaria muito de conhecer outras como aquela. – Ele disse se virando pra mim pela primeira vez. Seus olhos pareciam queimar dentro de suas orbitas de tanto que brilhavam, ele tinha um olhar intenso que fazia qualquer garota ferver por dentro.
— Eu não sou profissional como Luca, sabe, eu aprendi a tocar violão com meu avô e isso virou uma válvula de escape pra mim. – Tentei não me hipnotizar com seu olhar e responder firme como uma adulta responderia.
— Eu também não era profissional, eu escrevia e cantava como hobby até decidir que era isso que eu queria para minha vida. – Ali ele tocou no meu ponto fraco, e não estou falando do meu ponto G... talvez o ponto G da minha vida. — Mas eu não quero falar de mim, quero saber de você. O que você faz? Você canta em bares como Luca? – Ele falou tudo de uma vez antes de dar uma bola golada em sua cerveja.
— Na verdade não. – Engoli a seco antes de continuar. — Eu acabei de me formar em veterinária e na real eu não tenho idéia se é isso que eu quero para meu futuro. – Falei mais pra mim do que pra ele.
— Uau! Você já é formada? Pensei que você tivesse no máximo uns dezenove anos. – riu me fazendo acompanhá-lo, eu sei que aparento ser muito mais nova do que realmente sou mas ele realmente exagerou.
— A verdade é que em alguns meses eu faço vinte e três, comecei a faculdade bem cedo mesmo. – Respondi sincera corando em saber que talvez nossos quase quatro anos de diferença fossem um problema para ele. completaria dezenove anos em dezembro daquele ano e eu vinte e três dois meses depois. — Se eu pudesse te dar um conselho de músico para uma aspirante colega de trabalho, eu investiria nesse seu talento. – Ele realmente me tinha de colega de trabalho? Não sei se me ofendia ou se me sentia lisonjeada de ouvir aquilo vindo dele.
— É muito mais complexo do que você possa imaginar. – Respondi com a maior tranquilidade do mundo, como se não fosse do meu futuro inibido que eu estava mergulhando com a certeza que me afundaria.
— Bom. – Ele olhou para dentro da cobertura que havia as portas de vidro abertas que deixavam centralizado um relógio gigantesco na parede. — Nosso show é só amanhã à noite então direi que temos bastante tempo para você me explicar.
E foi ali que minha amizade com Brad começou, quando me dei por mim mesma eu já estava contando a ele toda minha vida antes da faculdade e explicando o porquê de ter escolhido aquilo e ter deixado de lado meu sonho, contei pra ele dos meus planos pra uma futura segunda faculdade que ainda não sabia se realmente eu teria condições psicológicas e financeiras para arcar visto que meus pais não concordavam. Contei dos planos com Lindsay, que iríamos até a Inglaterra visitar seu pai e dali faríamos um mochilão pela Europa de alguns meses até voltar para o Brasil e decidir o que fazer.
também me contou sobre como chegou até ali e que, na verdade, seus pais gostariam que ele tivesse seguido o caminho deles no meio dos negócios e ele estava quase convencido a tal coisa até que um produtor britânico viu alguns covers dele com seus amigos no YouTube e propôs que investissem na banda.
Ele deixou claro o quanto ele amava o que fazia e só de falar sobre isso o deixava empolgado como uma criança de três anos quando vê o Papai Noel no shopping. Não sei por quantas horas ficamos ali em pé conversando empolgados como se nos conhecêssemos desde sempre, e isso me fez lembrar as noites em claro conversando com Luca no meu quarto sobre nossas paixões depois de uma transa bem dada. Me peguei pensando se Brad seria tão bom na cama quanto eu imaginava, se depois de transar pegaríamos o violão e escrevêssemos qualquer canção de amor sobre nós, ali eu já estava deixando a fã que habitava dentro de mim falar mais alto, mas só nos meus pensamentos.
Era difícil não ter esse tipo de imaginação quando se tratava de , já era difícil antes, imaginem agora conhecendo um lado dele que eu não conhecia.
Vimos quando Lindsay e saíram do elevador que dava para dentro da suíte mas que se perderam durante a saída e voltaram a se juntar a nós quando o sol já estava se pondo e todos estavam sentados ao redor de uma mesa cheia de coisinhas gostosas para beliscar antes da janta.
Eles tinham uma cara sapeca de quem tinha acabado de fazer o que não devia e aquilo só ficou mais claro quando em algum momento repousou o braço, despretensioso, sobre os ombros da minha amiga.
Sorri de canto para Lindsay que emanava felicidade por todos os poros do seu corpo sussurrando um “depois eu te conto” antes de desaparecer de novo com ao seu encalço, me fazendo sentir uma invejinha branca já que eu gostaria muito de estar no lugar dela com na minha cama.
Nos despedimos um pouco antes do jantar, já que os meninos jantariam em um restaurante fora do hotel com os produtores e agentes deles, e ficamos de nos falar quando voltassem.
Luca e a Partime se juntariam a Lindsay e eu no restaurante do hotel, que a reserva tinha sido feita para às nove horas.
Segui com Lindsay para nossa suíte para nos preparar e foi só o tempo de fechar a porta que minha amiga começou a dar pulinhos no meio do quarto dizendo que não acreditava no que tinha acabado de acontecer.
Ela me contou que a convidou para descer com ele porque ele queria ficar perto de outras pessoas, que ele precisava desse tempo sozinho uma vez ou outra, ela não queria atrapalhá-lo mas ele fez questão que ela o acompanhasse.
Depois de algumas cervejas e alguns shots de tequila ele pediu para que ela o mostrasse nosso quarto, segundo ela, ele disse que gostaria de ver as dependências normais do hotel sem todo aquele glamour que insistiam em dar a ele e seus companheiros de banda.
E foi ali, na MINHA cama que eles transaram pela primeira vez.
— NA MINHA CAMA LINDSAY????? – Alterei um pouco a voz fingindo estar indignada com a audácia, mas a verdade é que poderíamos simplesmente mudar os lençóis sem nenhum problema, porém eu conhecia bem minha amiga e ela gostava de um bom drama mexicano.
— Amiga, desculpa, não deu tempo de chegar na minha. – Olhou afetada onde ela deveria, teoricamente, ter a relação que ela quisesse com quem ela quisesse mas que também estava bagunçada. Eles não transaram só na minha cama mas também na dela. — Eu não esperava por isso, ele tem aquela cara de anjinho mas na cama é uma coisa que, uau, não conseguiria encontrar palavras no dicionário para descrever.
Eu tentei disfarçar a risada com uma cara de brava, só que depois de ver os olhinhos brilhantes da minha amiga que me encaravam como se esperasse algum tipo de reprovação, me fez querer rir mais ainda.
Deixei com que ela me contasse tudo nos mais, desnecessários, detalhes enquanto tomava um banho quente e ria da forma em que ela me falava tentando ainda explicar o porque de terem feito toda aquela bagunça no quarto.
A verdade é que eu estava feliz por ela, há muito tempo não via minha amiga feliz e empolgada assim depois de transar com alguém, e sua felicidade era a minha felicidade.
Uma hora depois estávamos devidamente vestidas para nossa noite de gala na companhia de quatro homens incrivelmente lindos que nos esperavam já sentados na mesa.
Luca foi o primeiro a se levantar nos cumprimentando e puxando a cadeira para mim.
Lindsay sentou do lado de Roger, o baterista, seguido por Richard, o baixista e Greg, o guitarrista.
Foi um jantar amigável e divertido, não sabia o quanto os companheiros de banda de Luca eram engraçados, apesar de conhecê-los um pouquinho eu não tinha toda essa intimidade que foi criada depois da nossa tarde na cobertura.
— Então, como foi a conversa com o ilustre, lindo, maravilhoso e talentoso ? – Luca me perguntou tentando imitar minha voz todas as vezes que eu me referia a Brad depois que soube que eles abririam o show do . – Eu ri dando um tapinha em seu braço o fazendo se encolher fingindo dor na região atingida.
— Ele é uma pessoa, hum, normal. – Respondi sem muita emoção e Luca riu alto o suficiente para chamar a atenção de várias pessoas que estavam naquele local.
— Eu não esperava outra coisa, . – Luca me olhou como se quem dissesse “mas é óbvio” e respeitou meu silêncio.
Eu não era uma pessoa que falava tanto, principalmente dos outros, então eu me contive em não dar continuação quando eu queria é saber se eles falaram de mim na minha ausência.
— Eu tinha falado de você pra ele, do episódio no bar e de como você gostava deles, foi por isso que ele olhou pra baixo quando vocês estavam na piscina. – Luca confessou enquanto bebia um gole de vinho. — E ai falei pra ele o quanto você era talentosa e medrosa o suficiente para não mostrar isso pro mundo e ele ficou curioso para te conhecer, parece que posso dizer que minha missão foi concluída com sucesso!
— E agora ele deve me ver como uma fã louca, obrigada.
— Sério que você só ouviu a parte de que eu disse que você gostava da banda dele?
— Não mas preferi ignorar o resto. – Disse divertida com as bochechas coradas.
— Eu adoro como você se envergonha fácil quando está em público. – Luca disse colocando pra trás uma das mexas do meu cabelo que caiam propositalmente pelo meu rosto fora do rabo de cavalo perfeitamente alto e alinhado.
Ele se aproximou de mim para me beijar quando eu vi que atrás dele os meninos da banda retornavam ao hotel depois da janta e subitamente eu me sentei petrificada esperando que ninguém tivesse visto o que tinha acabado de acontecer.
Luca olhou para onde eu olhava antes e entendeu tudo, dando uma risadinha irônica. — Eu não tenho problema em te dividir com ele, desde que essa noite você dê uma passadinha no meu quarto.
Dei um leve beliscão no garoto que se divertia com minha atitude e voltei a interagir com os outros sentados ali ao nosso redor.


Capítulo 8

Já passavam das onze quando Linday, a Partime e eu deixamos o restaurante e fomos rumo ao bar da piscina, Luca não tentou mais me beijar durante o resto da noite mas ele deixou claro que não foi por falta de querer.
Nós meio que engatamos uma conversa sobre o nosso não-relacionamento que foi esclarecedora, a parte o fato de que eu estava caidinha pelo encanto de , em alguns meses Luca e eu já nem estaremos pelo Brasil por longos meses, então era um relacionamento fadado ao termino mais cedo ou mais tarde.
— É, gente, a noite foi muito boa mas eu vou me deitar. – Lindsay disse prontamente após visualizar alguma mensagem no celular com um sorrisinho sacana no rosto.
— Amiga, te vejo mais tarde ou você está indo sem passagem de volta para o décimo andar? – À aquela altura todos nós já sabíamos do rolo que ela engatou com um pouco mais cedo, seria estranho é se ela realmente fosse dormir na cama do lado da minha.
— Se tudo der certo, te vejo amanhã. – Lindsay saiu jogando um beijinho no ar para nós, que soltamos em uníssono um “owwwwwnn” em alto e bom tom.
— Então você vai passar a noite sozinha, gata? – Luca chegou mais perto me fazendo arrepiar, já que eu não poderia ter quem eu queria, não seria nada mal ter o Luca mais uma noite na minha cama.
Não tive tempo de responder, um par de olhos me encarava do outro lado do bar, estendendo a mão com um copo de Whisky ou qualquer outra coisa que eu não era capaz de identificar. Quando Luca viu de quem se tratava, olhou pra mim com um sorriso maléfico e caminhou em direção ao garoto que já estava se levantando para se juntar à nós.
Vi quando Luca se aproximou do garoto e sussurrou alguma coisa em seu ouvido, o fazendo sorrir e olhar pra mim. Aquele sorriso era o que me faltava para me fazer estremecer e sentir minhas pernas vacilarem.
Tinha receio do que Luca tinha falado para , ele não estava tão sóbrio para poder filtrar as palavras mas eu o agradeceria pelos próximos meses pelo empurrãozinho, pois eu não seria capaz de ser tão cara de pau ao ponto de pedir pra ir pra cama com Brad, ao menos não àquela noite.
Luca se virou pra mim acenando e caminhando em direção à recepção do hotel, enquanto Brad veio à minha direção e se sentando na cadeira onde antes tinha o vocalista da Pastime.
— Me deram a missão de ficar de olho em você. – se sentou perigosamente perto de mim, apoiando o copo pela metade na mesa e se virando de uma forma em que nossos rostos ficassem a centímetros de distância.
— Não acha que eu sou grandinha o suficiente para tomar conta de mim mesma? – Rebati tentando parecer calma.
— Acho que não sei te responder isso. – Riu me fazendo acompanhá-lo, sua risada era rouca e forte, e misturada com a minha, parecia a melodia perfeita que faltava para me preencher por completo. — Pra ser sincero eu só desci porque fui expulso do meu quarto, acho que você pode adivinhar o motivo.
A cobertura do décimo andar era composta por dois quartos de casal, porém como os meninos eram em quatro, o hotel providenciou duas camas de solteiro para cada quarto e parece que não tirou a sorte grande em ter que dividir seu espaço com .
— Então acho que hoje é seu dia de sorte. – Disse a ele dando uma piscadinha.
— Isso seria você me convidando para dormir com você? – Ele respondeu sorrateiro me fazendo corar.
— Bom, isso seria eu te dando abrigo já que tenho uma cama sobrando nesse momento. – Levantei meu copo em forma de brinde e ele me acompanhou, bebendo todo aquele liquido marrom de uma só vez e batendo o copo na mesa.
Eu ainda havia meu cálice de vinho pela metade, não seria assim tão inconsequente de virar aquele liquido de uma vez.
Enquanto desfrutava de sua companhia, os meninos que estavam sentados com a gente deixaram a mesa um por um nos deixando ali sozinhos com uma garrafa de vinho pela metade e uma tensão sexual tão forte que se acontecesse um terremoto naquele momento nós não seriamos capazes de sentir.
Já eram quase quatro da manhã quando fomos expulsos do bar, eu caminhava com dificuldade e mantinha minhas sandálias na mão, havia um braço ao redor da minha cintura tentando me ajudar a caminhar mas ele também não estava lá essas coisas e de vez em quando tropeçávamos nos nossos próprios pés tentando chegar até o elevador mais próximo.
Se não soubesse que à essa altura Lindsay e estivessem juntos, arriscaria dizer que éramos os únicos acordados àquela hora. Entramos no elevador rindo e fazendo gesto de silencio um para o outro, mas quando a porta se fechou que parou de rir inesperadamente.
O olhei com um ar de dúvida mas não conseguia controlar minhas risadas, eram mais fortes do que eu, estava encostada em um dos espelhos do elevador quando senti que escorregava lentamente perdendo as forças, mas antes que pudesse atingir o chão, fui surpreendida pelos braços de que me levantaram e me seguraram contra o vidro gelado. Ali eu parei de rir.
Nossos olhares diziam tudo aquilo que não conseguíamos expressar em palavras, olhares esses que gravavam cada detalhe dos nossos rostos, eu podia ver de relance minha expressão no espelho atrás de Brad e era um misto de medo, insegurança, tesão, tudo a ponto de explodir antes dele fixar seu olhar sobre minha boca, prendendo seus lábios contra seus dentes tão forte que pude ver sua boca ficando cada vez mais vermelha, e foi quando ouvimos aquela maldita campainha que avisava que tínhamos chegado ao oitavo andar.
deu dois passos pra trás antes de se virar e sair do elevador, me deixando confusa com tal reação, foram necessários alguns segundos até eu acordar daquele transe e ver a porta se fechando novamente e a impedindo com um dos seus pés, olhando para dentro esperando alguma reação vinda de mim.
Caminhei em passos lentos até ele e o puxei em direção ao meu quarto, abri a porta e esperei que ele entrasse na maior calma do mundo, como se ele não estivesse prestes a me beijar um minuto atrás.
, eu não... – Não esperei que ele terminasse de falar e o beijei. Sem pensar, sem complicações, sem pedidos, eu simplesmente o beijei e, para minha surpresa, fui correspondida.
Nosso beijo parecia um pedido de urgência, era quente, feroz, estabanado... Não sei se era o álcool ou a nossa pressa de consumar o ato. Nossas mãos exploravam cada parte do nossos corpos sem timidez, parecia que elas sempre estiveram ali, pois não foi necessário tanto tempo para descobrir alguns pontos específicos em que arrepios tomavam conta de nós.
Parecia que estávamos nos beijando por horas quando se afastou ofegante, passando as mãos no cabelo em sinal de nervosismo me olhando como se se desculpasse.
— Eu não devia ter feito isso, desculpa . – Ele disse sem mais nem menos tentando alcançar a porta que dava para o corredor do andar.
Eu o segurei por uma das mãos e o olhei me questionando o que tinha acabado de acontecer.
se você sair por essa porta você vai ter que dormir no sofá da suíte de vocês e eu sinceramente quero te ver inteiro para o show de amanhã. – Menti como se fosse só esse o motivo pelo qual eu queria que ele permanecesse ali. Eu queria mais, eu o queria por inteiro e eu sei que não sossegaria enquanto não entendesse a razão pelo qual não fomos adiante.
Ele pareceu pensar duas vezes antes de concordar e sem hesitar se sentou na primeira cama que viu pela frente.
Eu fingi que estava tudo bem e fui até o banheiro tomar um banho e me preparar para dormir, quando me olhei no espelho eu estava em um estado deplorável de embriagues.
Meus olhos estavam pretos pelas manchas do delineador e minha boca borrada pelo batom vermelho que há poucos minutos preenchiam meu lábios, meu rabo de cavalo já não existia mais e era tudo uma bagunça sem nexo, exatamente como minha vida. Balancei a cabeça na tentativa de não pensar nos acontecimentos recentes e entrei no box ligando o chuveiro no frio e deixando a água congelada cair sobre meu corpo nu e quente, mais quente por dentro do que por fora.
Não fiquei mais do que vinte minutos sob a água fria e sai do banheiro enrolada em um roupão branco e fofo deixado ali para os hóspedes.
Vi só de cueca deitado na cama enquanto passava os canais da TV sem nenhuma paciência mas fingi que era uma cena normal, daquelas que a gente vê todo dia, e passei para o armário que ficava bem do lado da televisão, procurando alguma coisa comportada para dormir já que eu deveria dividir o quarto com a pessoa que acabou de me rejeitar.
Senti seus olhos me observando a cada passo meu e quando eu tomei coragem para me virar eu pude ver o desejo nos olhos dele, o mesmo desejo que com certeza estava emanando do meu corpo.
Entrei novamente no banheiro e me troquei, coloquei um short preto de moletom e uma blusa de alcinha da mesma cor, dei mais uma olhada no espelho e fui encarar a noite mais longa da minha vida.
Deitei na cama ao lado desejando boa noite ao garoto que continuava ali intacto apenas repassando pela milésima vez todos os canais da televisão. não me respondeu mas me chamou.
Eu apoiei um dos meus cotovelos na cama o encarando enquanto ele se virava pra mim em sorria sem graça.
— Espero que o Luca não fique com raiva de mim por isso , eu sinto muito por ter deixado me levar pela emoção, o Luca é um cara tão legal e talentoso, eu tenho tantos planos pra ele e sua banda que seria um pecado quebrar essa aliança porque eu fiquei com a namorada dele. – Eu só tive uma reação: gargalhar na cara dele.
Enquanto eu ria sem controlar os barulhos exagerados que saiam da minha boca, ria uma vez ou outra pedindo pra eu parar, olhar pra ele e aceitar suas desculpas mas era impossível simplesmente parar sabendo que nós perdemos mais de meia hora de uns amassos bem dados porque ele achava que eu e Luca éramos um casal.
— Sério? Você acha realmente que se Luca e eu fossemos namorados eu estaria aqui com você e ele sabe-se Deus onde? – Levantei sem esperar uma resposta e me aproximei dele, me ajoelhei na cama onde ele estava sentado com as pernas esticadas e coloquei cada joelho meu de um lado da sua cintura e lentamente fui soltando o peso até estar completamente sentada em cima dele, mais precisamente sobre o seu membro que a esse ponto já estava rígido e pulsante dentro da boxer preta que era a única peça de roupa que ele usava naquele momento. — Deixa eu te contar um segredinho Brad. – Dei ênfase no seu apelido, chegando bem perto de um dos seus ouvidos e mordendo levemente seu lóbulo. — Se eu fosse namorada de alguém, você acha que eu estaria aqui agora bem em cima de você, sussurrando no seu ouvido, quase implorando para que você me foda?
Foi o que bastou para que eu sentisse meu corpo sendo jogado contra a cama, se posicionou bem entre minha pélvis, colocando uma das minhas pernas ao redor de sua cintura e esticando a outra para cima distribuindo beijos e lambidas por toda sua extensão até chegar perto da minha virilha e subir rapidamente encontrando meus lábios.
Dessa vez ele me beijou com mais intensidade porém com mais calma, nossas línguas já tinham se acostumado com aquele ritmo perfeito e desinibido, minha mão explorava suas costas e brincavam com o elástico da sua boxer, fazendo-o soltar alguns gemidos de repreensão quando eu chegava até seu umbigo e subia por todo seu tórax até chegar em seus cabelos, os puxando com a pressão necessária para que ele desse atenção ao meu pescoço e busto.
Lentamente, afastou as alças da minha blusinha fazendo com que deixasse meu ombro completamente a mostra e ia depositando beijos calmos ali, descendo lentamente enquanto suas mãos desciam minha blusa até deixar meus seios nus. Ele lambia com tanta maestria meus mamilos que eu já estava delirando antes da hora, me fazendo soltar gemidinhos baixos, o que o fazia me provocar cada vez mais. revezava entre um seio e outro enquanto uma de suas mãos livres faziam o percurso do meu abdômen até a borda do meu short, o que me fez alçar meu corpo chocando-o contra seu tórax e pressionando minha intimidade em seu membro. Não demorou muito para que seus dedos invadissem a pequena peça de moletom e brincasse com minha intimidade por cima da calcinha, que a esse ponto não poderia estar mais molhada.
Assim que percebeu o quanto eu estava preparada pra ele, ele ergueu seu rosto até o meu e me beijou tranquilamente sem tirar as mãos de onde estava, fazendo movimentos circularem leves e sincronizados naquele botãozinho que estava inchado pedindo por mais.
... – Chamei por ele interrompendo nosso beijo, eu queria mais daquilo, eu precisava muito mais do que leves movimentos por cima da calcinha.
— Fala pra mim , fala o que você quer. – Ele respondeu da forma mais sexy possível e ouvir meu apelido saindo da boca dele daquela forma me fez tirar forças da onde eu não tinha para o virar com minhas pernas e me posicionar bem em cima dele.
Visivelmente ele não esperava por isso, não esperava que eu aproveitasse um momento de fraqueza seu para virar o jogo.
— Eu quero ver você implorar por mais.
Desci meus beijos por seu abdômen olhando fixamente em seus olhos, que brilhavam de tanta luxuria e tesão, até chegar ao seu membro. Depositei alguns beijos e lambidas ali por cima da boxer fazendo com que ele experimentasse aquilo que me fez passar minutos atrás.
se contorcia conforme minha língua quente molhava o tecido preto que não continha mais o volume que crescia dentro e eu fui, calmamente, puxando para baixo sua boxer lambendo toda a área que se expunha para mim.
E de uma só vez, sem dar nenhum aviso, eu coloquei todo seu membro dentro da minha boca sem tirar meus olhos dos seus e pude ver quando ele jogou a cabeça para trás quebrando nosso contato visual. Comecei com movimentos lentos de vai e vem enquanto uma de minhas mãos brincava com seu saco escrotal e ouvia o quanto estava aproveitando aquela situação, até que ele se acomodou novamente na cama, segurando meus cabelos de uma forma violenta e me puxou para cima me beijando mais uma vez.
A mão livre estava procurando sua carteira em algum lugar do criado mudo bem ao nosso lado e quando a achou, pude ouvir o barulho de um pacotinho sendo rasgado rapidamente.
Impedi sua ação quando ele ameaçou colocar a camisinha, o fazendo me olhar desconfiado do meu ato, eu apenas sorri e pequei o preservativo de sua mão. Desci mais uma vez e me acomodei entre suas pernas, nunca desviado meu olhar do seu, suas feições de satisfação a cada movimento meu me deixavam cada vez mais excitada, ansiando por tê-lo por completo dentro de mim.
Coloquei a camisinha na boca e lentamente à apoiei sobre sua glande, lancei meu último olhar a ele e deixei seu membro preencher minha boca, ajeitando a camisinha perfeitamente. Torci internamente a cada segundo pra aquilo dar certo, já que era algo que eu só tinha visto em alguns filmes pornôs na minha solidão de estudante solteira, e foi um sucesso!
Subi novamente até seu pescoço depositando alguns beijos e mordidinhas leves, não queria que ele ficasse marcado, o ouvindo gemer baixo em resposta. Fiquei de pé na sua frente, ainda em cima da cama, e comecei a me livrar das peças que ainda impediam cem por cento nosso contato físico, tentei fazer isso da forma mais sexy possível e posso me atrever a dizer que foi mais um ponto ganho com o garoto ali deitado que prestava atenção em cada pedaço de pele que eu ia deixando à amostra naquele pequeno show de strip-teaser.
Ele fez menção de se levantar e na mesma hora eu abaixei sobre ele fazendo um gesto de negação com minha cabeça seguido de um empurrãozinho em seu peito, ele riu balançando a cabeça e ajeitou melhor os travesseiros que estavam apoiando suas costas, ali eu o tinha completamente entregue a mim.
Peguei seu membro com uma das minhas mãos e encaminhei gentilmente até a minha entrada, sentado calmamente e sentindo aquela explosão de sensações dentro de mim, comecei um movimento de vai e vem calmo e coordenado, alternando em algumas reboladas atrevidas fazendo seu membro chegar no ponto mais profundo dentro de mim, me atingindo como se fosse me rasgar por dentro.
segurou minha bunda com força dando velocidade aos meus movimentos enquanto nossos gemidos se misturavam no ar, sem se importar com quem dormia ao lado ou com quem passava nos corredores, aquilo estava gostoso demais para poder se conter.
Cansado de ser dominado, inverteu nossas posições fazendo com que eu ficasse de quatro na cama, era a vez de eu ser dele.
Antes de me penetrar, pude sentir ele brincando com seu membro na minha entrada, me provocando, me fazendo pedir por mais, gemendo seu nome enquanto implorava para tê-lo dentro de mim.
Então eu senti o impacto dele me penetrando sem mais delongas, estocando forte e intensamente enquanto me dava tapas e apertões na bunda que com certeza ficariam marcados por longos dias.
— É assim que você gosta, ? Quem diria que com essa carinha de santinha você gostava mesmo era de uma foda selvagem. – Antes que eu pudesse responder, puxou forte meus cabelos pra trás me fazendo gemer com a dor prazerosa que aquilo me causou, realmente eu gostava de um sexo mais masoquista do que o tradicional papai e mamãe. Dessa vez foi ponto triplo pra ele.
Eu estava perto de atingir meu orgasmo e ele entendeu perfeitamente, continuou estocando no mesmo ritmo até sentir minhas pernas moles e meu liquido lambuzar ainda mais seu pênis.
— Desculpa, sweetheart, mas eu não estou nem perto de acabar com esse momento. – Ele sussurrou no meu ouvido me fazendo querer ainda mais.
me levantou ainda dentro de mim, segurando forte nos meus seios e beijando meu pescoço, eu tinha dificuldades para ficar em pé e ele pareceu gostar disso. Quando ele saiu de dentro de mim, me virou gentilmente de frente pra ele e passou a mão em meus cabelos, que grudavam em minha testa, suas bochechas estavam mais rosadas do que o normal e seus olhos semicerrados entregavam o seu cansaço, afinal já passavam das de cinco horas da manhã e no dia seguinte ele estaria muito atarefado por conta do show no final da noite.
Ele me deitou com calma e me beijou tranquilamente, não parecia o mesmo de dois minutos atrás arrancando meus cabelos e me deixando marcas roxas no meu traseiro.
— Eu quero sentir mais de você, eu quero ver sua expressão enquanto você geme e chama pelo meu nome. – A única reação que tive foi soltar um gemido abafado antes de sentir a sua língua brincar com meu umbigo e descer até meu clitóris, onde ela parecia dançar com maestria. Seus movimentos intercalavam entre lentos e velozes e eu sentia que realmente estava chegando ao meu segundo orgasmo.
Quando meu corpo começou a querer se contorcer, senti dois dedos me penetrando com voracidade enquanto sua língua continuava com movimentos circulares intensos no lugar perfeito.
Não demorou nem meio minuto para eu gozar novamente chamando pelo seu nome, e continuava me chupando e sugando tudo aquilo que ele podia naquele momento, até que ele levou seus dedos até minha boca e aproximando a sua no exato momento em que eu os chupei, sentindo meu gosto e o seu beijo molhado logo em seguida.
Naquela mesma posição me penetrou mais uma vez, ele em pé do lado de fora da cama e eu com metade do corpo apoiado nela.
Mais alguns minutos e eu pude senti-lo se derramar dentro de mim, junto com um gemido alto cheio de prazer.
Depois de algum tempo se recompondo, caminhou até o banheiro, se limpando e jogando a camisinha fora, eu já me vestia e fazia o mesmo caminho que ele quando o vi voltando para a cama, me limpei rapidamente, arrumei o cabelo, escovei os dentes e entrei novamente no quarto.
Vi ainda nu, deitado na minha cama me olhando com cara de bobo.
— Não sei porque você se vestiu já que daqui há algumas horas você vai estar de novo nua para mim. – Disse enquanto dava dois tapinhas do lado dele.
— Assim fica mais emocionante, você não acha? – Me acomodei ao seu lado, de costas para ele, e o senti se acomodar melhor, me abraçando e me puxando para ainda mais perto.
— Isso a gente vai descobrir amanhã. – Ele riu e me deu um beijo demorado na bochecha, me desejando boa noite.
Eu não conseguia acreditar que eu não só tinha acabado de transar com , mas que ele ainda estava ali: Nu, me abraçando e entrando num sono profundo bem do meu lado.


Capítulo 9

O sol invadia o quarto combinado com um barulho estridente que me fez querer arrancar meus ouvidos, me remexi na cama um pouco desconfortável e notei a presença dele ainda ali, na mesma posição que adormecemos horas atrás.
Levantei com certa dificuldade procurando a origem daquele som e o achei dentro da calça de , seu telefone tocava sem parar. Eu vi a hora e não passavam das dez da manhã, um pouco cedo até mesmo para quem não teve a noite agitada quanto a nossa.
Me aproximei devagar da cama com o telefone ainda na mão, era impossível como ele não acordava com aquele barulho.
? , acorda, seu telefone não para de tocar há horas.
? Que horas são?
— São nove e quarenta, tem alguém tentando desesperadamente te achar.
Ele pegou o telefone olhando quem era que estava interrompendo seu sono e bufou, desligando o telefone e me chamando para ocupar de novo o meu lugar ao seu lado.
, não era nada de importante? Não esquece do show de hoje a noite. – Insisti.
— A única coisa importante agora é você descansar mais um pouquinho porque hoje eu quero café-da-manhã na cama. – Ele disse mordiscando o lóbulo da minha orelha exposta, descendo com beijos pelo meu pescoço e alisando minha barriga sob minha blusa.
— Se você continuar me provocando desse jeito o nosso tempo de descanso vai acabar nesse exato momento. – Já me contorcia e tentava mais contato com ele, senti seu membro rígido tocar minhas nádegas respondendo minha dúvida se voltaríamos a dormir ou se daríamos início ao nosso café-da-manhã.
— Pensando bem, acho que eu estou com fome agora. – Ele abriu minhas pernas ainda naquela posição, colocando uma por cima de sua cintura e adentrando minha calcinha com uma de suas mãos, que já sabia perfeitamente o que fazer.
Gemi ao sentir o contato quente de seus dedos naquela região tão sensível e com muita dificuldade coloquei um braço para trás alcançando seu membro que insistia em crescer cada vez mais. Abaixei minha calcinha com um pouco de dificuldade e imediatamente senti seu membro pedindo passagem e se encaixando na minha entrada, que à essa altura já estava tão lubrificada que parecia que eu já tinha chegado ao orgasmo umas cinco vezes.
Seus movimentos controlados e um pouco preguiçosos me faziam delirar, eu não queria emoção naquele momento, só queria a sensação maravilhosa que ele me proporcionou no dia anterior.
pareceu ler minha mente quando passou um braço sob minha perna e começou a brincar com meu clitóris.
— Eu sei como você gosta que eu te foda, sweetheart, mas tenho certeza que agora não é uma foda louca que você quer, seu corpo já está me dizendo que você não pode agüentar nem mais um minuto.
Era nossa segunda transa e ele já aprendeu tanto assim sobre mim? Luca que me perdoe mas alcançou com mérito seu primeiro lugar no meu ranking.
— Era exatamente isso que eu tinha em mente. – Respondi ofegante enquanto sentia sua respiração ficando cada vez mais pesada entre meus cabelos.
Mais algumas estocadas e chegamos juntos ao clímax, fazendo com que praticamente desmaiasse de sono ainda dentro de mim enquanto se recompunha. Coloquei o despertador para a hora do almoço e adormeci novamente em seus braços, eu queria que a hora de ir embora nunca chegasse, me completava tanto na cama que eu gostaria de repetir mais mil vezes aqueles momentos, momentos esses que estavam com contagem regressiva para terminar.
— AAAAAAAH. – Dessa vez tanto eu quanto pulamos da cama quando ouvimos um grito muito próximo da gente. Lindsay tinha acabado de entrar no quarto se deparando com semi-nu dormindo comigo de conchinha.
— Lindsay, o que tem de errado com você? – Perguntei indignada tentando me acalmar depois de ter perdido dez anos de vida depois daquele susto.
— Nada, eu só achei tão fofo vocês dormindo assim juntos que eu me agitei um pouquinho. – Ela respondeu com a cara mais mal lavada do mundo.
A esse ponto não entendia muita coisa já que falamos em português, dando um pigarro e escondendo a cabeça atrás de mim enquanto me abraçava ainda mais forte.
— Lindsay, sai agora daqui, você teve sua noite de rainha e agora é a minha vez de ter uma manhã de princesa. – Rebati lançando um travesseiro em sua direção.
— Amiga, desculpa acabar com seu conto de fadas mas já são duas da tarde e os meninos estão saindo daqui a meia hora por isso eu vim acordar vocês, eu já tinha passado mais cedo, sabia que vocês estavam aqui, mas não quis atrapalhar, porém agora é questão de vida ou morte porque se não estiver pronto em meia hora eles vão matá-lo!
Eu o chacoalhei vendo-o reclamar mas ele tinha que sair da cama o mais rápido possível se quisesse ter a chance de se apresentar com a banda hoje à noite.
Aproveitei que Lindsay tinha se trancado no banheiro e me virei pra ele, enchendo seu rosto de estalinhos até chegar em seus lábios e depositando um selinho demorado ali.
Senti já a movimentação estranha sob o edredom e quis rir, minha perna estava sobre sua cintura novamente mas agora de frente pra ele, é claro que eu queria mais uma rodada como aquela mais cedo mas infelizmente o tempo não estava ao nosso favor.
você tem que ir agora, você só tem meia hora para poder se aprontar e estar dentro da van. – Ele reclamou pressionando seu membro contra mim, me fazendo morder os lábios com força tentando resistir à aquela tentação. — Se você for bonzinho e não se atrasar eu prometo te recompensar o dobro mais tarde.
Torci para que aquela chantagem fosse boa o suficiente para fazê-lo levantar, sabia que eles ainda dormiriam no hotel depois do show e seria também nossa despedida, já que na tarde seguinte eles já estariam pegando o vôo para seguir em turnê pela América do Norte. Meu coração apertou só de pensar.
Em menos de dois dias ele poderia estar na cama com outra fã fazendo tudo aquilo que fizemos em menos de vinte e quatro horas. Era infantilidade da minha parte, claro, não poderia pensar que por causa de uma transa boa ele me pediria em casamento no dia seguinte.
Infelizmente isso tudo começou e acabou rápido demais.
— Eu vou cobrar. – Ele se levantou já se vestindo e recolhendo seus pertences pelo chão. — Te vejo mais tarde? – Ele me olhou com aquele sorriso que nem se eu quisesse, eu poderia recusar tal oferta.
— Claro, vou estar lá na primeira fila. – Bati palminha com a empolgação e recebi um beijinho no ar em resposta.
Assim que a porta se fechou eu me deitei novamente sentindo o seu cheiro impregnado nas roupas de cama, pensando na sorte e no privilegio que eu tive de me deitar com , mas isso não é tudo, ele não tinha cara de quem fazia certas atrocidades na cama mas me surpreendeu de uma forma que seria ainda mais difícil conseguir desencanar desse cara.
Lindsay saiu do banheiro assim que ouviu a porta ser fechada, me olhando sapeca e esperando alguma coisa sair da minha boca.
— Per-fei-to! – Falei pausadamente provocando risadas na minha amiga, ela sabia que não conseguiria arrancar mais nada de mim sobre a noite -e manhã- maravilhosa que compartilhei com .
Não se passaram nem dez minutos quando senti alguém batendo na porta, eu estava enrolada de novo no roupão e com uma toalha na cabeça, Lindsay havia acabado de passar uma de suas dezenas de máscaras no rosto, de uma colocação amarelada e estranha, e mesmo assim se prontificou em abrir a porta, dando de cara com .
— Não esperava essa recepção, Lindy. – Ele falou divertido quando viu a reação da minha amiga, que tentou fechar a porta de imediato mas foi impedida por um de seus braços.
— Pensei que vocês sairiam do hotel às duas e meia. – Ela respondeu tímida.
— Sim mas se atrasou. – Ele olhou pra mim e eu corei. — Mas já estamos de saída, passei só para avisar que seus nomes estão na lista do M&G, apesar de vocês já conhecerem bem a gente – ele piscou para Lindsay. — A gente se vê lá.
Ele deu um selinho na minha amiga antes de se virar e andar apressadamente até o elevador.
Lindsay fechou a porta suspirando e se escorando na mesma por longos minutos.
— Ai amiga, dá uma dorzinha no coração de saber que ele vai embora amanhã e que eu serei só mais uma fã que passou pela cama dele nessa turnê. – Confessou indignada. — Ele é tão fofo, nunca imaginei que transar com um famoso seria tão difícil de se desapegar.
Eu entendia perfeitamente, eu também fazia parte daquilo. Suspirei um pouco chateada em saber que minha amiga compartilhava comigo os mesmos pensamentos.
— Já que vai ser nossa última noite juntos, temos que fazer valer a pena. Vamos fazê-los lembrar pro resto dessa turnê que nós fomos as melhores na cama deles, vamos fazer a diferença amiga, vamos fazer com que eles pensem na gente por muito tempo depois que isso acabar. – Disse mais pra mim do que pra ela, eu ainda tinha um pinguinho de esperança dentro de mim que aquela noite não seria a última.
Nos arrumamos como se fosse apenas um show qualquer, o gran finale aconteceria só depois que chegássemos ao hotel, eu havia escolhido um macaquinho mostarda que marcava bem minha cintura, deixava os seios bem definidos e caia mais larguinho na parte de baixo e um vans preto, optei em prender a franja para trás de qualquer maneira, deixando o look mais despojado.
Lindsay vestia um conjuntinho de calça e cropped preto bem confortável e no pé um adidas star branco.
Parecíamos realmente duas adolescentes indo encontrar seus ídolos: não muito arrumadas mas arrumadas o suficiente para tentar chamar a atenção.
Luca havia me ligado poucos minutos atrás para saber se precisávamos de alguma coisa e acabou me perguntando sobre como tinha sido minha noite com , ri de constrangimento o fazendo entender rapidamente do que se tratava aquele meu silêncio e ele apenas respondeu que se eu estava feliz então tudo estava perfeito.


Capítulo 10

Normalmente chegaríamos, pelo menos, dez horas antes da abertura dos portões para garantir nosso lugar na primeira fila, mas sabendo que éramos convidadas de ambas as bandas nos demos o luxo de chegar cinco minutos antes dos portões pro M&G se abrirem.
Deveriam ter no mínimo umas cento e cinqüenta pessoas na nossa frente, éramos as últimas e esperávamos que isso causasse alguma reação nos meninos. Me senti um pouco mal em ver toda a ansiedade daquelas meninas ensaiando o que dizer aos meninos justamente como eu costumava fazer, se não fosse pelo fato de que eu já tinha transado com ali presente.
Um misto de nervosismo e ansiedade tomava conta de mim, parece que era a primeira vez que eu os veria, e depois de mais ou menos uma hora fomos direcionadas até onde estavam os meninos, que esperavam pela próxima fã para mais uma sequência de fotos.
Quando fomos para trás de uma espécie de tenta preta, que separavam as fãs da banda, eu sentia as malditas borboletas dentro do meu estomago brincando com a minha sanidade.
O primeiro que apareceu em meu campo de visão foi , que estava distraído demais falando com um dos membros da equipe da banda. e conversavam entre eles e se despedia da fã precedente a nós. Sorri de canto quando alguém chamou a atenção dos meninos para que eles pudessem receber as duas últimas fãs do dia para poder dar prosseguimento ao cronograma.
E foi quando ele se virou que nossos olhares se cruzaram pela primeira vez desde aquela tarde no hotel, pude notar suas bochechas corando assim como a do seu amigo ao notar nossa presença.
Lindsay deu o primeiro passo em direção a eles, cumprimentando primeiro e segurando o riso enquanto fingia que era uma emoção pra ela estar ali conhecendo os meninos. Eu a segui um pouco mais contida porque na minha cabeça aquilo ali sim que significava conhecer um ídolo, era tipo uma apresentação oficial e formal como em qualquer outro M&G..
Logo depois vi Lindsay passando rapidamente por . e até chegar no seu integrante favorito da banda, quase se deixando levar pela emoção quando ameaçou dar um selinho nele e foi prontamente interrompida por um dos seguranças ali presente atento à cada movimento inadequado que poderíamos dar.
Não consegui conter o riso vendo a cara de indignação de reprovando a atitude do segurança.
Eu não culpava aquele homem de dois metros de altura por não saber quem éramos nós -as groupies oficiais daquele show- já que não me lembro de tê-lo visto nas dependências do hotel.
— Pensei que tinha desistido de vir nos conhecer. – sussurrou divertido no meu ouvido quando nos cumprimentamos.
— Você acha realmente que eu perderia a oportunidade de conhecer uma das minhas bandas favoritas? – Respondi me afastando totalmente contra minha vontade e dando um soquinho em um dos seus ombros.
Posamos para a foto como todas as outras meninas que já tinham passado por ali mas, diferente delas, não seguimos para a área reservada ao ingresso do M&G. Assim que passamos pelos meninos, Luca nos esperava com um sorriso largo no rosto e nos guiou até um corredor cheio de portas, que imediatamente eu identifiquei como os camarins já que tinham os nomes das bandas em duas das portas de madeira branca.
— Bem vindas ao backstage meninas. – Disse abrindo uma das portas. O camarim eu poderia descrever como uma sala de espera, era tudo branco e devidamente organizado e limpo, algumas poltronas espalhadas pelo recinto davam um ar aconchegante e tranquilo.
Richard, Greg e Roger haviam uma latinha de cerveja na mão cada um e conversavam sobre algum grupo de groupies que eles já haviam nomeado como “as groupies da Pastime” para aquela noite, não pude evitar de rir quando me dei conta que aquilo era exatamente igual como eu imaginei toda a minha vida. Lindsay se acomodou em uma poltrona próxima aos meninos e não demorou muito para que se envolvesse naquele assunto que poderia parecer um tanto quanto machista se não fosse por estarmos na mesma situação que as meninas de que falavam.
— Então, , fiquei sabendo que no camarim do lado muitas meninas foram recusadas por dois membros específicos da banda. – Luca deu início ao nosso diálogo me fazendo me interessar por aquele assunto.
— Jura? Espero que não tenha sido e . – Sorri para ele levando um tapinha afetado na testa.
— Não sei o que você e Lindy tem para ter feito esses meninos recusarem a quantidade de meninas que chegaram até eles.
— O que eu tenho você conhece muito bem, lindinho.
Antes que Luca pudesse responder, a porta foi aberta por um dos membros da equipe do .
— Vocês são... – Ele desdobrou um pedaço de papel antes de dar prosseguimento à sua pergunta. — Lindsay e ?
O rapaz loiro que aparentava ter mais ou menos a nossa idade, nos olhou curioso esperando uma resposta.
— Vou entender como um sim, sigam-me por favor.
Eu e Lindsay nos entreolhamos querendo segurar o riso enquanto a banda ali presente assoviava e dava gritinhos excitados durante nosso percurso até a porta. — Parece que eu perdi minha fã número um pra um garotinho bem mais novo do que eu. – Luca deu uma piscadinha depois de ter me alfinetado.
— Você sabe que você sempre vai estar em segundo lugar no meu coração. – Brinquei fazendo o garoto me mostrar a língua antes de fechar a porta atrás de nós.
Seguimos o rapaz, que endossava uma camisa preta escrito “ Crew” em letras garrafais entre seus ombros, por pouco mais de cinco metros até que ele parou de frente para uma porta e nos olhou impaciente depois de abrir-la.
— Esperem aqui. – E saiu em passos pesados até sumir completamente de vista. Eu sinceramente esperava que tivesse sido levada para o camarim dos meninos ou que pelo menos eles estivessem ali nos esperando.
Sentamos no grande sofá vermelho, que tomava conta de uma parede inteira, na frente de um espelho que eu desejei imensamente ter na minha casa algum dia e esperamos... o que, nós não fazíamos idéia.
Passaram-se quase vinte minutos e nada, o show da banda de Luca começaria em alguns minutos e eu não queria perder por nada na minha vida.
Aquela espera estava começando a nos incomodar, até que Lindsay resolveu se levantar e observar cada detalhe daquele lugar.
Foi assim que ela pôde notar dois envelopes em cima da penteadeira de vidro sob o espelho.
“Lindsay” e .”
Minha amiga caminhou de volta até o sofá com os envelopes na mão, me entregando aquele que continha meu nome escrito em uma caligrafia perfeita.
Abri rapidamente o pedaço de papel, quase rasgando o que conteúdo dentro dele, achando um bilhete e um crachá escrito “imprensa”.

“Às nossas fãs preferidas, É com muito prazer que informamos que no show de hoje vocês terão uma vista privilegiada do palco, vocês só precisam seguir pelo corredor principal até o final e mostrar esse crachá aos seguranças. Divirtam-se e aproveitem cada segundo. .”


Eu não pude acreditar no que meus olhos estavam lendo, Lindsay me olhava petrificada e eu já esperava o que viria a seguir: Um grito tão agudo que poderia ter rompido cada pedaço de vidro contido naquela sala.
— Sério isso? Será que eu morri e estou sonhando? Meu Deus, ! Me lembra de te agradecer pelo resto da minha vida por ter me apresentado , por ter me convencido a vir à esse show, por ter conhecido o Luca e por ter conseguido essa chance de ouro na minha vida. – Ela falou tudo tão rápido que eu só consegui entender porque eu, basicamente, pensava a mesma coisa.
Colocamos o crachá ao redor do nosso pescoço e saímos da sala nos sentindo as duas mulheres mais poderosas do mundo ao passar pela cortina preta, que separava o corredor principal de um pequeno espaço entre o palco e a grade, onde por muitas vezes nós brigamos com várias meninas para poder ocupar.
Nos posicionamos ali junto com fotógrafos, seguranças e a equipe médica -que ficava responsável pela saúde das meninas que morreriam imprensadas naquela grade fria e suja-.
Eu notei que ainda segurava o envelope na mão e fiz menção de guardá-lo dentro da minha pequena mochila de couro preto, que eu carregava em todos os shows possíveis por ser prática e pequena, quando um pequeno papel caiu de dentro dele.
Não era aquele bilhete que havia também Lindsay, a caligrafia era um pouco relaxada e difícil de ser lida na escuridão daquele lugar, peguei o celular para poder iluminá-lo e demorei a processar aquilo que estava escrito ali.

“Não esqueça que você prometeu que me recompensaria o dobro essa noite por ter sido bonzinho ao me levantar da cama às pressas. Será que depois desse lugar privilegiado que você e sua amiga estão agora eu não mereceria uma recompensa tripla?”


Eu dei uma gargalhada tão alta que fiz com que Lindsay me olhasse espantada e pegasse aquele pequeno pedaço de papel da minha mão tentando ler o conteúdo dele. Ela me olhou com curiosidade antes de entender o significado daquelas palavra e, o mais importante, quem era o remetente.
— Lindy, eu não sei como vou conseguir superar esse cara mais tarde.
— Aproveita agora, amiga, deixa pra pensar no amanhã só amanhã.
Eu concordei com as sábias palavras da minha amiga e notei o lugar ficando ainda mais escuro, era hora do show.
A Pastime entrou no palco já tocando uma de suas músicas autorais, fazendo boa parte do público pular no ritmo da canção.
Eles eram uma banda já bastante reconhecida nacionalmente, rodavam por todo o Brasil fazendo shows e ganhando reconhecimento da mídia e do público, apesar de conhece-los a tão pouco tempo eu tinha um carinho grande por eles, principalmente por Luca já que ficamos bem próximos durante a última semana. Não só por termos dormido juntos, eu na real não via futuro na nossa relação, mas pelo apoio que ele me dava em seguir meus sonhos.
Ainda era difícil de acreditar onde eu estava agora e que isso tudo era graças a ele, que não tinha obrigação nenhuma comigo e muito menos com minha amiga. O show dos meninos durou o equivalente à trinta minutos mais ou menos, o que era normal para os shows de abertura de grandes bandas famosas.
Novamente o lugar ficou com a iluminação mais pesada e algumas músicas aleatórias substituíram o que antes era a voz de Luca, fazendo com que as pessoas presentes no lugar aproveitassem a pausa para descansar e se preparar para a o artista principal da noite.
Poucos minutos depois os meninos, que antes estavam no palco, se juntaram a nós trazendo alguns copos de cerveja na mão para assistir mais de perto o próximo e tão esperado show.
Luca me abraçava empolgado enquanto dizia que foi a melhor apresentação da vida dele, que ele nunca tinha se apresentado para a quantidade de pessoas que estavam ali naquele dia e que logo depois da apresentação, seus números de seguidores nas redes sociais quase que se multiplicaram em poucos minutos.
Eu estava honestamente feliz por ele, ele merecia ganhar o mundo com o seu talento.
Aquele momento foi interrompido pelos gritos histéricos das fãs ali presentes, os meninos entraram no palco um de cada vez, fazendo com que a espera fosse cada vez mais lenta e dolorosa de aguentar.
Os acordes da primeira música foram reconhecidos de imediato por mim, que me fizeram ser levada para outra dimensão pelos próximos setenta ou oitenta minutos. Eu pulava, cantava, vibrava a cada canção e realmente não me importava quem me olhava ou o que pensava sobre aquilo, eu só queria aproveitar e admirar aqueles quatro meninos na minha frente.
Por diversas vezes os meninos da Partime, Lindsay e eu nos abraçávamos em uma corrente de seis pessoas enquanto cantávamos o mais alto que éramos capazes, fazendo os meninos no palco olhar para gente com uma cara engraçada vez ou outra. estava ainda mais gostoso naquele personagem que ele incorporava quando subia aos palcos, ele era um verdadeiro frontman e eu só me orgulhava cada vez mais de ter transado com aquele homem maravilhoso que fazia milhares de menininhas gritarem e suspirarem por ele.
Foi quando Just My Type deu início que eu lembrei daquele bilhete tentador que eu tinha guardado na minha mochilinha, o peguei rapidamente e resolvi que eu deveria mostrar à aquele Deus grego que eu também estava disposta a jogar. Eu tentava dançar da forma mais sexy possível no ritmo daquela melodia esperando com que ele percebesse que eu tinha aceitado a sua proposta.

“Cause I need this more than just a one night stand, need that hone, won’t you hold my hand. Times like these they call of a true romance but she's not ready for that”

Aproveitei que ele desviou o olhar por alguns segundos para onde eu estava com meus amigos e segurei, disfarçadamente, seu bilhetinho entre meus dentes dando uma piscadinha sexy.

“But I, I, I love it. I, I, I love it. Love the way she plays with my head.
She lets me down, then gets me high.
Oh I don't know why she's just my type”


tentou disfarçar uma risadinha quando percebeu minhas intenções durante aquela música.
Eu deslizava lentamente minhas mãos sobre meu corpo enquanto dançava, descaradamente à aquele ponto, percebendo que nossos olhares se encontravam com muito mais freqüência do que há minutos atrás.
Me excitava a cada palavra que saia da sua boca imaginando a noite que nos esperava assim que chegássemos ao hotel.
, se você continuar dançando desse jeito eu não vou conseguir mais me controlar. – Luca sussurro em um dos meus ouvidos envolvendo um de seus braços sobre meus ombros e arrancando de mim uma risada nasalada, seguida por uma cotovelada fraca em suas costelas expostas.
— Ele quer jogar um jogo comigo em que eu sempre saio vitoriosa. – Respondi me desvencilhando de seu meio abraço e dando um beijo estalado em sua bochecha. — Ah, antes que eu me esqueça, obrigada por ter feito desse momento um dos momentos mais incríveis da minha vida. – Agradeci mudando subitamente de assunto.
— Imagina, gata, eu sei o quanto você queria isso e se não fosse por mim, você daria o seu jeito. – E ele tinha razão.
A música chegava ao final quando desviei minha atenção de Luca para continuar minha encenação, vi nos olhando confuso lançando um sorriso tímido à nossa direção sem tirar seus olhos dos meus.

“Oh she's just my type, yeah she's got just what I like
And she's just my type, oh, yeah she's just my type.”


Ele tinha ganho aquela partida nos quarenta e cinco do segundo tempo quando terminou de cantar as últimas estrofes da música, piscando disfarçadamente para mim e desaparecendo do palco graças as luzes que foram apagadas naquele exato momento.
Poucos segundos depois ele reapareceu agradecendo o público ali presente e dando início a mais uma, e última, canção da noite.
Nossos olhares não se cruzaram mais durante aqueles últimos minutos me deixando intrigada, com a sensação de que havia um oponente mais forte do que eu do outro lado do tabuleiro de xadrez.
— Ponto para . – Ouvi Luca dizer claramente se divertindo às minhas custas... e ele estava coberto de razão.


Capítulo 11

As luzes se acenderam e uma salva de palmas preencheram o lugar, dando fim à aquele espetáculo que pareceu durar apenas cinco minutos. Lindsay pulava e batia palmas numa sincronia perfeita e me envolveu em um abraço de urso.
— Foi incrível! – Disse se soltando de mim e indo na direção de Luca, o agradecendo por ter nos trazido até aqui, caso contrário estaríamos sendo massacradas pela multidão que deixava o lugar de uma só vez e saímos do local seguindo os meninos de volta ao corredor dos camarins.
Dessa vez entramos na porta onde era preenchido por grossas letras pretas, onde poucos metros mais a frente um aglomerado de meninas tentava passar pelas cortinas pretas que separavam o corredor do espaço onde o público ficava, sendo impedidas pela segurança reforçada dos meninos, me fazendo sentir pena, já que eu sabia exatamente o que isso significava.
O camarim ainda estava vazio quando chegamos, era muito maior do que aquele da banda de Luca e definitivamente maior do que aquela “sala de espera” que nos jogaram antes do show começar. Engatamos uma conversa animada sobre os shows e o que faríamos quando saíssemos dali.
Apesar de eu ter uma vaga idéia, gostaria de participar da after party organizada pelos meninos em uma famosa balada nas redondezas da arena que estávamos, onde a produção reservou um camarote exclusivo para nós.
Pouco tempo depois, o mesmo rapaz loiro que nos direcionou pelos corredores mais cedo, adentrou no recinto seguido por seis meninas não tão histéricas como aquelas que eu vi de relance no início do corredor. E elas eram a personificação da groupie perfeita: corpos esculturais escondidos por de trás de roupas coladas, cabelos perfeitamente alinhados e maquiagem carregada e intacta, me fazendo me questionar se elas estavam em algum lugar naquele mar de gente.
Elas se uniram a nós e se apresentaram, embora não tivesse dado tanta importância em decorar seus nomes, ouvi bem quando uma delas falava sobre .
Eles já tinham tido algumas noites juntas durante outras turnês e ela estava ali convicta de estar ali para ter um remember com o cara que há poucos minutos atrás estava flertando comigo enquanto estava no palco.
, desencana, você sabe que ela não tem nenhuma chance contra você. deixou claro que vocês vão passar a noite juntos. – Lindsay disse logo depois de ouvir os comentários que ela fazia com as outras meninas, recusando o convite de Greg para que ela se sentasse com ele.
Greg era alto como Luca mas mais musculoso, tinha os cabelos lisos presos em um coque mal feito e uma barba por fazer que o deixava extremamente sexy.
Luca, Roger e Richard já falavam com as outras meninas “disponíveis” e sem mais delongas, alguns arriscavam alguns beijos rápidos entre um assunto ou outro, as demais fizeram uma rodinha afastada de nós e conversavam entre elas, não dando a mínima para o resto do grupo.
Alguns minutos se passaram naquela ânsia de saber se realmente passaria sua última noite ali comigo, os pensamentos estavam me devorando por dentro, tanto que eu não percebi quando a banda chegou no camarim. A única coisa que eu percebi naquele momento foi se aproximando da ruiva que um dia ocupou o espaço que eu tinha ocupado na noite anterior, a cumprimentando com um forte abraço e um beijo próximo demais de sua boca. Já era. Foi tudo o que eu conseguia pensar naquele momento.
Não era ciúmes aquilo que eu estava sentindo, afinal nós transamos só duas vezes e realmente não tínhamos uma “história” como ele tinha com ela, o sentimento principal dentro de mim era decepção, mas decepção comigo mesma por ter criado uma ilusão infantil na minha cabeça depois das poucas horas que estive na companhia dele.
se acomodava em uma poltrona pequena no canto do camarim com Lindsay sentada de lado sobre suas pernas, eles riam e conversavam como se tivessem sido feitos um para o outro. Eu sorri na direção da minha amiga que percebeu meu olhar e sussurrou um “eu sinto muito” inaudível para qualquer outra pessoa que não entendesse o que estava se passando ali.
e conversavam numa rodinha com duas das meninas presentes na sala e Greg se servia do buffet de frutas que estava ali à nossa disposição.
Engoli o orgulho e me aproximei dele, pegando uma maça e me apoiando na bancada cheia de cores e sabores.
— Parece que sobramos nessa bagunça que foi formada aqui. – Disse antes de dar uma mordida na fruta, recebendo uma taça de espumante do menino.
— Então direi que possamos brindar a solidão. – Greg ergueu sua taça me fazendo rir.
— Tim-tim.
Eu sabia que a minha noite “com Greg” não passaria da amizade mas dizer que ele era uma má companhia eu estaria mentindo.
Ele me fazia rir como poucas pessoas conseguiam e aquilo tornou tudo muito mais leve.
continuava conversando com a menina e tinha uma expressão séria no rosto, nossos olhares não se cruzavam desde a penúltima musica que ele cantara no palco, ele nem se quer me cumprimentou quando entrou no camarim.
Entre umas risadas ou outras que ouvíamos esporadicamente, um estalo alto nos fez girar simultaneamente a tempo de ver um sendo encharcado de algum líquido que eu, sinceramente, não sabia descrever o que era, dos pés à cabeça.
A garota se girou em direção a porta em passos pesados e a bateu com tanta força ao sair do local que ninguém teve se quer a coragem de perguntar o que tinha acontecido ali.
tirou a camisa deixando aquelas entradinhas à mostra sob a boxer branca que aparecia à cima do cós da calça e a jogou em um canto qualquer, se virando para mim pela primeira vez depois de longos minutos, porém ainda sem me olhar nos olhos.
— Greg, me desculpe, mas essa noite você vai ter que fazer do jeito antigo se quiser levar alguém para a cama. – Ele dirigiu a palavra ao menino que estava ao meu lado, fazendo todas as pessoas presentes, exceto as groupies, rirem em uníssono.
— É ai que você se engana, amigo, a única pessoa aqui que vai ter que correr atrás de alguém vai ser você. – Greg respondeu passando um dos braços sobre meus ombro e me puxando para mais perto.
Eu petrifiquei sem saber o que falar e toda a sala se girou na direção de esperando alguma resposta do da banda.
Mas não foi preciso, subitamente ouvimos a gargalhada estridente de Greg enquanto se afastava de mim e oferecia uma bebida ao rapaz ali parado.
— Eu sei que ela é sua, garoto, eu nunca faria isso com você. – Ele tocou no copo em que tinha acabado de segurar, fazendo um “tim-tim”, e arrancando mais gargalhadas dos nossos colegas.
— Pensei que eu teria que usar minha força contra você cara e você sabe que doeria mais em mim do que em você. – Ele brincou com Greg antes de se aproximar de mim e me dar um selinho rápido.
Em tudo isso eu só consegui encolher meu corpo de vergonha e sabia que minhas bochechas estavam vermelhas como aquela maça em minha mão, já que eu sentia o lugar queimar cada vez mais.
— Você achou mesmo que eu não viria até você para cobrar sua promessa? - Ele se posicionou entre minhas pernas, já que eu estava sentada em uma bancada vazia em uma das paredes, e depositou um beijo demorado na minha testa, descendo o rosto e encostando o seu nariz no meu, nossas bocas estavam muito próximas quando ele sussurrou baixo e quase inaudível — Eu jamais deixaria você quebrá-la, sweetheart. — Não teria sido um problema pra mim ter que cumpri-la com Greg. – Menti descaradamente arrancando um sorriso seu.
— Você não poderia estar mais enganada. – Ele quebrou o contato entre nossos olhares se acomodando ainda mais entre minhas pernas, eu sentia o volume dentro das suas calças implorando para ser aliviado enquanto nos beijamos pela primeira vez naquela noite.
Quebramos o beijo com alguns selinhos quando nos avisaram gentilmente que estávamos exagerando e que tinham outras pessoas naquela sala, me ajudou a descer da bancada me guiando até perto dos nossos amigos ali presente, ele se sentou no chão apoiado no sofá, e com as pernas um pouco separadas me convidou para me acomodar entre elas.
Estar naquele meio abraço um pouco desajeitado me fez voar por alguns minutos, eu simplesmente não prestava atenção em nada do que acontecia ou do que falavam naquela sala.
Eu estava sentada, de pernas cruzadas, de costas para ele enquanto ele brincava com a pele desnuda do interior das minhas coxas, movimentando lentamente seus dedos até que estivessem próximo demais da minha zona mais sensível e refazendo o caminho de volta até meu joelho, sentia que alguma coisa no meio das minhas pernas começava a dar sinal de vida todas as vezes que seus dedos se afastavam da minha virilha e sinceramente, naquele momento, eu não estava mesmo dando atenção aos planos para a after party que os demais faziam, eu só pensava em chegar no hotel e aliviar toda aquela tensão que ele causava em mim.
Era o último show na América do Sul antes deles partirem para a América do Norte, eu não poderia ser egoísta ao ponto de trancá-lo comigo no quarto de hotel até a hora de seu vôo, sabia o quando aquela after era importante para ele e para todos os meninos de ambas as bandas.
, acho que deixei minha carteira na sala ao lado. – Disse enfiando uma das mão dentro da minha pequena mochila, procurando por algo. — Você poderia me ajudar a procurá-la? – Disse, talvez, perto demais de um dos seus ouvidos, o fazendo arrepiar assim que sentiu meu hálito quente na lateral do seu pescoço, aproveitei e depositei uma mordidinha discreta ali naquela parte.
Sem nem responder, ele se levantou de prontidão quase me fazendo cair pra frente e logo se ofereceu em me ajudar a levantar do chão.
Fizemos menção de sair achando que ninguém daria falta de nós pelos próximos trinta ou quarenta minutos mas fomos parados imediatamente por uma voz conhecida que vinha do fundo do camarim.
— Aonde vocês pensam que vão? A van já está a caminho, saímos em pouco minutos. – , o pai de todos, revolveu se pronunciar nos olhando de cara amarrada.
Ele era, sem dúvidas, o integrante mais responsável da banda e muito politicamente correto na maior parte do tempo.
Tinha sido o único ali dentro a não cair de boca na menina que tentava a qualquer custo arrancar algum beijo dele.
— A deixou cair a carteira dela em algum lugar pelos corredores ou camarins, vamos até o responsável do setor procurar saber se alguém achou. – respondeu convicto demais, me fazendo realmente acreditar no que estaríamos indo fazer, teoricamente.
— Sem meus documentos talvez não me deixem entrar na boate, preciso achá-la, tenho tudo ali dentro. – Disse com a voz afetada de preocupação. — Vocês precisam de ajuda? , quando você viu sua carteira pela última vez? – Luca se levantou dando indícios que viria com nós.
— NÃO! – e eu respondemos, um pouco alto demais, em uníssono assustando o garoto que parou à alguns passos de nós.
— Quer dizer, eu acho que deixei na sala que eu e Lindsay esperamos, podem ir na frente, ao máximo pegamos um taxi até o local da festa.
Olhei para minha amiga que olhava dentro de sua bolsa me olhando confusa logo a seguir, eu tinha deixado com ela minha carteira porque era grande demais para minha mochilinha, era assim tão difícil entender que eu só queria um tempo a sós com ?
— Isso! A gente se vê lá. – disse antes de me puxar pela mão e praticamente correr comigo ao seu encalço até a sala vazia que antes foi cenário de uma das esperas mais longas da minha vida.
Ele me empurrou para dentro já com as mãos embrenhadas nos meus cabelos e trancou a porta atrás de si sorrindo pervertidamente
. — Eu já não estava mais suportando ter você tão perto e não poder fazer nem metade daquilo que eu estava pensando sentada ali no meio de todo mundo. – Disse com uma certa dificuldade, já que minha cabeça estava sendo puxada para trás tamanha força com que puxava meus cabelos.
Ele sorriu satisfeito e uniu nossas bocas numa velocidade que me fez perder um pouco o equilíbrio, a mão que antes estava me provocando aquela dor prazerosa desceu subitamente até minhas costas, me apertando delicadamente aquela região, o que não fazia o menor sentido já que antes ele estava prestes a arrancar meus cabelos fora.
Continuamos com aquele beijo por alguns segundos enquanto nossas mãos já exploravam cada parte exposta do nosso corpo, aproveitei que ainda estava sem sua camisa e deixei alguns leves arranhões em seu peito, descendo e subindo pelas costas até chegar em sua nuca.
separou nossos lábios descendo seus beijos até a curva do meu pescoço, ele apertava com destreza minha bunda, descendo um pouco até me segurar no colo, me fazendo cruzas as pernas em torno a sua cintura, e me levar para a parede mais próxima a nós.
— É da quando te vi no meet and greet que eu não consigo me controlar. – Ele confessou me fazendo soltar uma risadinha nasalada. — E quando você dançou daquele jeito, minha vontade era de encerrar o show pra fazer você pagar por aquilo que você estava me causando.
— Então deu certo? — Sorri da forma mais promiscua que eu podia, erguendo uma sobrancelha e mordendo meu lábio inferior a seguir.
— Girl, you have no idea.
Ele olhou dentro dos meus olhos e com uma de suas mãos começou a desabotoar o meu macaquinho, fazendo mais pressão contra a parede para não me fazer cair.
Ele fez aquilo com tanta calma que eu perdi a paciência, desci de seu colo abrindo subitamente os botões que faltavam.
deu um sorriso de canto enquanto desabotoava sua calça, a jogando pra longe assim que ela caiu sobre seus pés. Seu membro marcava sua boxer branca e eu me perdi com aquela visão, ele aproveitou meu momento de fraqueza para segura-lo com uma de suas mãos e com a mão livre levantou meu queixo fazendo com que eu o olhasse.
— Você pode ficar só olhando se quiser, mas eu tinha outros planos para esse momento. – me procovou apertando ainda mais forte seu pênis ereto sob a boxer.
Umedeci os lábios e me ajoelhei na frente dele, da forma mais submissa possível, abaixando o tecido fino enquanto dava leves mordidinhas ao redor do seu umbigo. Senti arfar quando minha língua tocou sua glande com calma, fazendo movimentos circulares ao redor da mesma e logo em seguida lambendo, de baixo para cima, seu membro que pulsava pedindo por mais.
Me dediquei longos minutos à aquela ação até ser puxada para cima pelo garoto ali presente, que abaixou meu macaquinho com um pouco de pressa e me virou contra a parede fria me fazendo arrepiar por inteiro.
Ele desabotoou meu sutiã com os dentes enquanto acomodava um de seus braços sob uma das minhas pernas, esse garoto tinha talento em exatamente tudo que fazia. Tirei aquela peça com calma e a joguei sobre o sofá vermelho que me parecia muito mais confortável do que aquela parede.
— Daqui a pouco podemos explorar ali também. — Ele respondeu como quem pudesse ler meus pensamentos. — Mas agora, vira para a parede e seja boazinha. Ele desceu sua mão livre até a minha calcinha a puxando para o lado e me penetrando sem aviso.
Ele encaixou calmamente sua glande sobre minha entrada e lentamente foi invadindo meu espaço, me fazendo soltar um gemido cansado, e subitamente tirando toda sua extensão de mim. Ele continuou me provocando daquele modo até desistir de lutar contra sua vontade e aumentou gradativamente os movimentos de vai e vem. Eu gemia contida pelo medo de alguém nos ouvir e aquilo me excitava ainda mais, vez ou outra ele parava para depositar beijos sobre minha coluna me fazendo jogar a cabeça para trás em aprovação.
Poucos segundos depois ele me virou, ainda dentro de mim, me deixando totalmente exposta a ele. Com meus joelhos batendo forte contra a parede a cada investida, ele me fazia gemer cada vez mais alto por sentir que eu estava me aproximando do meu clímax.
Ele saiu de dentro de mim e se agachou um pouco, colocando minhas pernas sobre seu ombro e me levantando numa altura que, se não fosse pelo momento, eu teria gritado de pavor pelo medo de cair. Eu sentia a parede fria atrás de mim contrastando com sua língua quente que me chupava incansavelmente até eu sentir os espasmos tão esperados tomarem conta do meu corpo, fazendo com que eu soltasse todo o meu peso sobre seus ombros. Ele deu mais algumas lambidas na minha intimidade, ainda mais molhada, e me repousou no chão, me puxando até o sofá e se sentando logo em seguida.
Me sentei, de frente para ele, sobre seu pênis e comecei a me mover lentamente, enquanto ele chupava meus seios e sugava delicadamente minhas auréolas, abafando seus gemidos roucos.
Intervalava meus movimentos entre subir e descer, rebolando jogando meu corpo para frente e para trás.
pedia para que eu continuasse naquele ritmo, me ajudando a dar velocidade quando necessário, espalmando suas mãos grandes sobre minhas nádegas. Foi quando eu ouvi seu último, e mais alto, gemido dando indício de que ele também tinha chegado ao fim daquele ciclo.
Me repousei sobre seu peito sentindo as batidas do seu coração em um ritmo frenético enquanto eu procurava me recompor, nossas respirações ofegantes diziam claramente o quanto estávamos satisfeitos naquele momento.
Eu poderia dormir ali, pelo o resto da minha vida, sentindo as carícias delicadas de por toda a extensão das minhas costas, enquanto o cheiro dos seus cabelos e pescoço adentravam minhas narinas.
Olhei para o pequeno relógio que se encontrada em uma mesinha do lado do sofá e me dei conta de que estávamos ali tempo demais, que era hora de ir embora caso quiséssemos aproveitar a noite com nossos amigos.
Não foi preciso dizer nada, seu celular tocou no instante que eu me afastei para informá-lo que era melhor ligar para um taxi o mais rápido possível.
Ele se esticou com um pouco de dificuldade pelo fato de eu ainda estar sentada sobre ele e pegou o aparelho, fiz menção de me levantar mas foi impedida por , que balançava a cabeça em negação.
— James? – Foi a única coisa que ele disse antes de afastar o celular da orelha segurando o riso. A ligação foi finalizada poucos segundos depois e pela expressão divertida de , talvez estivéssemos encrencados.
— Eu gostaria de repetir o que a gente acabou de fazer mas infelizmente precisamos ir embora. – Ele disse calmo enquanto passava seu nariz sobre meu pescoço.
Concordei dando-lhe um selinho e me levantando para ir em busca das minhas roupas.
Cerca de cinco minutos depois, saímos daquela sala com as feições satisfeitas e sorrindo, jogou um dos seus braços sobre meus ombros e caminhando lado a lado achegamos aos fundos da arena, onde um motorista esperava por nós.


Capítulo 12

Durante o percurso até a boate, retornei as ligações de Lindsay explicando que ela deveria me esperar do lado de fora para me entregar meus documentos. A boate não era tão distante da arena, chegamos rapidamente encontrando um lugar bastante movimentado, a fila para entrar chegava quase no final da rua do estabelecimento.
Me questionei sobre minha vestimenta, já que não estava preparada para alongar do show até lá, mas me tranquilizei ao ver meninas com trajes alternativos. estava sentado ao meu lado com um braço sobre meus ombros, passando a mão levemente sobre meus cabelos enquanto me contava distraidamente sobre os planos da banda quando a turnê chegasse ao fim.
— Depois de fazer nosso último show nos Estados Unidos vamos tirar algum tempo de férias, são dois anos que eu não passo as festas de fim de ano com minha família e eu sinto falta disso. – Ele disse um pouco chateado pelo fato de não estar tanto tempo quanto gostaria com seus pais. — Eu também tenho um labrador, o nome dele é Chuck e eu sinto tanta falta dele, Joe nunca me permitiu de levá-lo conosco em uma turnê, ele é um cara legal sabe mas as vezes é duro demais.
Joe era o manager do , o cara que há alguns anos atrás os descobriu casualmente no YouTube.
— Mas é por uma boa causa, como você pensa em andar por ai com um cachorro de mais de vinte quilos pra cima e pra baixo? Não é bom nem para a saúde física e mental dele, . – Tentei não ser tão técnica e não dar explicações demais sobre o assunto, eu só queria confortá-lo de alguma forma pois sabia que aquele momento ali ele estava basicamente desabafando sobre sua vida pessoal.
— Tinha me esquecido que você é uma veterinária e nunca apoiaria que eu levasse meu cachorro dentro de um ônibus por mais de dez horas por dia enquanto nos locomovemos. – Ele riu.
— Não é isso, é que realmente não faz bem pra ele. As mudanças constantes de ambiente, climas diferentes, horas trancado sem poder se exercitar devidamente, os vôos complicados e exaustivos. Ele é um labrador, precisa de um lugar para brincar, correr e queimar energia, um ônibus apertado é de longe o melhor ambiente para ele. – me olhou sério estudando minha expressão. — Que foi? Falei alguma besteira? – Me defendi antes que ele pudesse me atacar.
— Não, pelo contrário. E a propósito, você fica extremamente sexy quando fala desse jeito, me deu vontade de repetir o que a gente acabou de fazer lá no camarim da arena. – Ele disse mordendo meu lábio inferior.
Eu me controlei ao máximo para resistir à tentação de aprofundar um beijo naquele momento, mas não me senti confortável sabendo que há poucos centímetros de nós tinha um senhor de meia idade, que de vez em quando pedia para eu traduzir para que sua filha mais nova era muito fã da banda dele, e perguntando repetidas vezes se ele poderia autografar um pedaço de papel para que ele levasse à menina.
— Quando a gente sair da festa podemos repetir quantas vezes a gente quiser. – Dei um selinho nele e comecei a me endireitar, vendo o senhor estacionar o carro à alguns metros mais à frente.
Antes de descer do carro, fez questão de autografar uma folha que o senhor havia entregado a ele, deu também uma paleta exclusiva da banda que ele tinha dentro da carteira e agradeceu tentando arranhar um “obrigado” em português, deixando uma bela gorjeta ao motorista, que o agradeceu por pelo menos umas quinze vezes.
Assim que saímos do carro, avistamos e Lindsay na entrada da boate, que tentava explicar ao segurança que eles não pretendiam ir embora, que ela só deveria entregar uns documentos à uma amiga que havia esquecido com ela.
Quando me viu, começou a apontar para mim claramente mais alterada do que o normal, fazendo com que o segurança se virasse e desistisse, finalmente, de barrá-los.
— Amiga, nunca mais faça isso, da próxima vez arrume uma desculpa mais plausível. – Ela disse me depositando um beijo na bochecha como sempre fazia quando me via.
— Eu não fiz de propósito, foi a primeira coisa que veio na minha cabeça.
— Não sei porque EU não tive essa idéia antes, estar com o no meio da multidão está me fazendo quase sair do controle! – Ela falou alto demais, efeito do álcool.
— Foi uma das melhores idéias que eu tive nos últimos tempos. – Respondi seguindo as risadas da minha amiga e seguindo em direção à entrada. Os meninos estavam um pouco mais à nossa frente e passaram sem problemas pelo segurança, parando e nos esperando pacientemente.
Lindsay foi a primeira a entrar, seguindo em direção a e entrelaçando seus dedos nos dele antes de seguir para a escada que dava acesso aos camarotes. viu a cena boquiaberto pela atitude do “casal”, me fazendo rir da sua expressão.
Quando me aproximei de , ele fez a mesma coisa que Lindsay tinha acabado de fazer com seu amigo, e foi minha vez de encarar nossas mãos um pouco chocada.
— O que foi? Não é assim que vocês fazem aqui? – Ele disse soltando minha mão de prontidão.
— Não é isso, é que eu acho íntimo demais, rotulado demais, entende?
— Mais íntimo do que eu te pressionando e te chupando contra a parede?
! – Corei com a comparação absurda que ele tinha acabado de fazer, como se fosse natural falar sobre como você acabou de transar em um lugar com várias pessoas em torno. — Não, é só que sei lá, eu acho muito coisa de casal.
— Então por essa noite nós seremos o casal mais quente dessa festa.
Ele entrelaçou novamente nossos dedos e me puxou pelo caminho em que Lindsay e desapareceram segundos atrás.
— Parece que vocês foram à busca ao tesouro para achar essa carteira! – Luca disse assim que nos viu passar pela fita que separava o camarote da escada principal, arrancando risadinhas naqueles que entenderam o que ele quis dizer.
— Pois é, Luca, e você não pode nem imaginar o que eu achei no lugar disso. – Continuei na brincadeira enquanto me servia com um pouco de Champanhe que estava ali à nossa disposição.
acompanhou minha ação e antes que eu pudesse dar a primeira golada no líquido, ele deu um grito no meio das poltronas fazendo todos pararem para observar o garoto.
— Eu queria propor um brinde. – Ele disse, levantando a taça e sendo seguido pelos demais. — Um brinde à essa turnê, à essa noite, aos meus amigos aqui presentes. À Partime que foi incrível e que com certeza eu vou fazer questão de dividir o palco mais vezes, ao Brasil, à essas garotas lindas – Ele disse olhando pra mim e para Lindsay, não dando a mínima atenção às outras garotas que acompanhavam os outros integrantes das bandas. — Ao ,, à Partime e a todos que vieram comemorar com a gente esse último show na América do Sul!
Todos gritavam e assoviavam enquanto as taças eram tocadas no ar, deu uma boa golada no champagne e se virou para mim, me beijando com tranqüilidade me fazendo sentir o seu gosto misturado com o líquido doce e frisante que ele tinha acabado de ingerir.
— Que comece a festa! – Todos gritaram juntos antes de Higher de Eliza and the Bear invadir os alto-falantes.
Lindsay me puxou pela mão e descemos a escada rumo à pista de dança que se encontrava bem no meio da discoteca.
Olhei sobre meus ombros e vi me encarar com um sorriso pervertido no rosto enquanto eu me movia segurando meus cabelos e deslizando as mãos pelo meu corpo.

“But if I'm honest I didn't want it to ever really last this long
(To last this long)
But if you like it, won't fight it at all and maybe we can get along
We can get along...
Let me take you high, let me take you high, let me take you higher”


Alguns olhares ao nosso redor tentavam acompanhar o nosso ritmo, alguns garotos até tentaram chegar mais perto mas foram impedidos por nossos movimentos.
Quando me girei em direção ao camarote, ele não estava mais apoiado na grade, tentei buscar por aqueles olhos , profundos, mas não obtive sucesso. Frustrada, me virei novamente para dar continuidade com a minha amiga, que já estava nos braços de em menos de um minuto que eu tinha me perdido nos meus pensamentos.
Antes de qualquer outro movimento, senti duas mãos se apoiarem sobre meus quadris e um pequeno puxão me fez ir de encontro à aquele abdômen que eu já tinha aprendido a reconhecer sem mesmo ter que olhar.

“I know you think about me
Is it enough to keep you up?
'Cause all you need is a touch
It's ecstasy.”


cantarolou baixo nos meus ouvidos enquanto eu me movia ainda no ritmo dançante da melodia.

“Why won't you let me take you high? Let me take you high
Let me take you higher.”


Me virei para ele cantando a parte mais sexy da música, me movendo conforme as batidas o mais próximo possível de seu corpo.

“I'll give you fever, I'll give you fire.
Let me take you higher
Why won't you let me take you high?
Let me take you high
Let me take you.”


A música terminou mas nós não saímos dos nossos devidos lugares, nos olhávamos com intensidade e parecia que não tinha mais ninguém ao nosso redor, pelo menos pra mim.
Me aproximei mais de prendendo seu lábio inferior entre meus dentes, ele fechou os olhos e soltou o ar todo de uma vez, espalmando a sua mão livre sobre minhas costas e descendo até o meu cox.
Quando o soltei, foi a vez dele de vir em minha direção, ele me beijou de uma forma intensa, calorosa, cheio de desejo, não se importando nem um pouquinho com fato dele ser uma figura pública.
Nossas bocas se descolaram mas nossos corpos não, dançávamos num ritmo perfeito. era um bom dançarino e chegou a me confessar que fez aulas de dança quando era mais novo, respondendo muitas das minhas perguntas, como por exemplo sua mobilidade na cama.
Algumas vezes fomos interrompidos por alguns fãs que chegavam pedindo uma foto com o garoto e ele, sempre muito solícito e gentil, atendeu todos eles, um por um.
— Vou subir, quero me divertir e não trabalhar. – Ele me disse rindo. — Você vem comigo? – Me estendeu uma mão.
— Se não for um problema... – A segurei sentindo seus dedos se entrelaçando nos meus, sentindo que eu poderia flutuar a qualquer momento.
— O único problema é a gente estar no meio de toda essa gente. – Ele piscou, se virando e me puxando com ele.
Já se passava das quatro da manhã, meu corpo começava a pedir arrego enquanto Lindsay dançava sobre uma das mesinhas de madeira do ambiente, toda a Partime já tinha ido embora com suas meninas e eu me perguntava quando seria a nossa hora também.
Vi quando colocou Lindsay sobre um de seus ombros a girando no ar, fazendo minha amiga gargalhar alto enquanto dava soquinhos fracos nas costas do garoto.
Quando ele finalmente a colocou no chão, cochichou alguma coisa em seu ouvido e a vi sorrir sapeca, pegando sua bolsa e se despedindo de nós.
, e conversavam em um canto mais afastado e suas expressões não eram assim tão divertidas, me pareceu injusta aquela reunião sem o , mas eu não tinha idéia do porque estavam assim sérios.
Quando viu que eu os observava, sorriu em minha direção e se despediu dos amigos, veio até mim e perguntou se tudo bem se fossemos embora.
— Eu esperei por essa hora desde que adentramos esse lugar. – Respondi sua pergunta já me levantando e acenando aos meninos.
Saímos do estabelecimento quando o movimento de carros na rua era quase nenhum, chamei um taxi e esperamos ali na calçada até sua chegada.
Eu e já não tínhamos tanto assunto, a maior parte do tempo a gente se beijava freneticamente e ria, aquilo não me incomodava tanto, até porque eu tinha plena convicção de que depois daquela noite nós nunca mais nos cruzaríamos de novo naquela situação. Obviamente eu andaria em outros shows da sua banda, mas me perguntava se eu passaria também outras noites em sua cama.
Chegamos no hotel um pouco depois de receber uma mensagem de Lindsay, dizendo que ela e estavam no nosso quarto, perguntando se teria problema se eu fosse com para a cobertura, ela deixou uma mochila com meus itens pessoais do lado de fora da nossa porta com tudo aquilo que eu precisava para passar a noite lá.
Demos uma rápida passada pelo oitavo andar para que eu pudesse recuperar o objeto e seguimos rumo ao décimo andar.
Devido a hora, as condições física que estávamos e o fato de não estar no meu quarto, me impossibilitaram de fazer tudo aquilo que eu planejei durante a tarde antes do show, mas nada me impediria de improvisar.
Entrei na suíte observando cada detalhe, pensando no que eu poderia fazer para cumprir minha promessa.
, onde fica o banheiro?
— Eu adoro quando você me chama assim, fica muito mais bonito na sua voz do que quando Joe tenta me acordar nos gritos. – Ele me deu um selinho e me mostrou o caminho.
Peguei minha mochila e adentrei o cômodo, vi que tinha uma grande banheira branca com alguns sais de banho e velas ao seu redor, acho que era o universo conspirando ao meu favor.
Sabia muito bem o quanto clichê era aquela cena mas transar numa banheira era uma das coisas que eu ainda não tinha feito na vida.
Olhei para fora da porta vendo se acomodar em uma das espreguiçadeiras com o telefone na mão, então eu teria um pouco de tempo para encher a grande bacia e decorar um pouco o lugar.
Peguei um dos isqueiro que achei em uma das mesas da sala e corri de volta me trancando no banheiro, rezando para que os outros meninos não chegassem tão cedo, visto que provavelmente eu precisaria de uns vinte minutos até que a água chegasse num nível razoavelmente aceitável.
Abri a torneira e comecei a acender algumas velas espalhadas pelo cômodo, abri minha mochila para procurar por uma escova de dentes e encontrei realmente tudo que eu precisava, entre dezenas de camisinhas, uma lingerie que eu não faço idéia de como Lindsay achou e uma espécie de babydoll vermelho que eu tinha plena convicção de que não era meu.
Poucos minutos se passaram quando eu ouvi alguém bater na porta.
, tudo bem ai dentro?
— Sim, tudo bem, resolvi tomar um banho rápido para tirar o suor, já estou indo. – Menti, eu ainda estava vestida da mesma forma em que cheguei.
— Tudo bem, vou tomar banho lá fora e te espero no quarto. – Ele disse já se afastando, eu corri e abri a porta o olhando um pouco ofegante devido o “ susto” que tinha acabado de passar. Ele até poderia tomar um banho, desde que fosse junto comigo naquela banheira.
— Você não estava tomando banho? – Me olhou de cima abaixo e depois deu uma olhada pra dentro do banheiro pela pequena abertura que eu tinha dado ao colocar o rosto para fora, colocando as mãos no rosto e rindo. — Você me enganou direitinho. Ele empurrou a porta vendo as velas acesas, uma luminosidade ambiente, já que eu tinha feito questão de checar o interruptor que reduzia e aumentava a luz, e uma banheira cheia quase pela metade.
— Tcharã?? – Tentei fazer minha melhor cara de surpresa mas não sei se convenci tanto assim.
Como sempre ele vestia só uma boxer, me poupando o trabalho de despi-lo. Me aproximei dele já beijando sua nuca e ele foi me empurrando delicadamente até próximo à banheira, fechando a porta e dando início ao que prometia ser uma noite inesquecível.
Ele começou a abrir meu macaquinho um pouco mais rápido do que antes, depositando beijos no meu pescoço e mordendo o lóbulo da minha orelha.
Nos despimos juntos praticamente e adentramos a banheira, sentindo o choque da água morda nas nossas peles geladas por causa do ar condicionado da suíte, ele se sentou primeiro me puxando para o seu colo, eu já podia sentir o seu membro rígido e me acomodei sem delongas, eu já estava molhada o suficiente para lubrificação perfeita.
Gememos juntos quando sentimos o encaixe de nossas intimidades profundamente, a água me dava uma ardência incomoda mas eu não ousei estragar o clima.
Comecei a me movimentar com calma para provocá-lo, eu sabia que ele reclamaria mais cedo ou mais tarde, e gemia baixo em seu ouvido, vez ou outra depositando alguns beijos naquela região.
Impaciente com aquele jogo, me tirou de cima dele e saiu da banheira, molhando todo o chão sob seus pés, me puxou com calma e me deitou na borda de mármore que parecia ter sido feita justamente para aquele tipo de situação.
O contato com o mármore me fez arrepiar, só não mais do que se posicionando entre minhas pernas para me invadir, agora do jeito dele. Ele fazia movimentos rápidos e eu praticamente gritei seu nome quando senti seus dedos ágeis tocarem meu clitóris, ele fazia tudo aquilo tão sincronizado que não parecia nem real. Eu sentia que não tardaria para chegar no meu limite e continuava cada vez mais rápido me fazendo chegar no orgasmo mais rápido da minha vida.
Mas ele não parou, ele diminuiu os movimentos sorrindo para mim e me fazendo me sentir a mulher mais feliz do mundo. Eu queria recompensá-lo e no final foi ele quem me recompensou.
Me sentei lentamente sobre o mármore, que era ressaltado, me fazendo ficar cara a cara com ele enquanto ele continuava a se movimentar ritmicamente dentro de mim, o abracei e passei minhas unhas com uma força maior do que eu gostaria, fazendo urrar e aumentar os movimentos... então ele gostava de sentir dor durante o sexo?
Eu finquei as unhas ainda mais fortes em sua pele, gemendo o máximo que o limite de horário me permitia, eu gemia o seu nome, dizia o quanto aquilo estava bom, mordia seus lábios aplicando uma força maior do que o normal –e necessária-, e aquilo pareceu ser o combustível perfeito para ele.
— Eu não vou deixar você me enlouquecer, garota. – Ele dizia parando seus movimentos quando sentiu que eu rebolava sobre ele.
— Isso é o que nós vamos ver.
O empurrei para longe de mim e corri até o terraço, onde as estrelas estavam se apagando aos poucos dando passagem aos primeiros raios de sol.
Ele correu atrás de mim me pegando pela cintura no meio do caminho, parando em uma espécie de cama no canto da cobertura.
Era uma cama de pallets, com um colchão grande e macio, os travesseiros coloridos contrastavam na madeira escura dando um toque de modernidade ao lugar.
Ele me jogou sem nenhuma piedade e subiu de joelhos em cima dela, mas eu fui mais rápida e me virei assim que ele fez menção de subir em cima de mim, porém não rápida o suficiente para ficar por cima dele, ele me bloqueou enquanto eu ainda estava de bruços e se acomodou no meio das minhas pernas, as abrindo com um pouco de força e me penetrando, me fazendo empinar um pouco minhas nádegas. Senti sua respiração alta quando ele sentiu o quanto aquela posição me deixava apertada, ele apertava minha bunda com força enquanto se movimentava sobre mim, nós dois gemíamos coisas sem nexo e as vezes eu deixava algumas palavras em português escaparem da minha boca.
Ele colocou um braço sob minha barriga, me levantando, me fazendo ficar de quatro.
— Se a gente continuasse daquele jeito eu não sei se eu aguentaria por mais tanto tempo. — Disse se inclinando sobre mim e passando um dos braços pela minha cintura, tocando novamente no ponto mais sensível do meu corpo enquanto continuava a estocar forte na minha intimidade.
Mais uma vez eu não consegui controlar meu tesão, meus gemidos saiam cada vez mais altos e eu tinha esquecido completamente como falava o inglês, eu devo ter dito todos os palavrões desse mundo na minha língua nativa enquanto revezava entre me masturbar e dar tapas bastante fortes nas minhas nádegas, que certamente deixariam marcas que não sairiam tão cedo.
Ele tocou mais uma vez no meu clitóris e pediu para eu aguentar só mais um pouquinho.
— Continua com o que você estava fazendo antes, , fala mais, fala como se eu entendesse tudo aquilo que sai da sua boca.
Não era o pedido mais normal desse mundo, mas realmente aquilo ME excitava e aparentemente excitava também .
Mais algumas estocadas e eu comecei a sentir minhas pernas vacilarem, ao perceber que eu estava chegando à mais um orgasmo, ele começou a investir ainda mais rápido e mais forte, me fazendo gozar junto com ele.
Senti seu peso cair sobre mim me derrubando na cama, ele tirou seu pênis com cuidado de dentro da minha intimidade e me puxou para ele, eu sentia seu líquido se misturar com o meu e sair do meio das minhas pernas como se fosse uma fonte.
, você toma anticoncepcional?
— Não se preocupe, eu me cuido direitinho.
Ele se apoiou no cotovelo e me olhou, mas foi um olhar diferente, cheio de carinho.
— Sabe, nessa minha vida eu conheci muitas meninas, levei muitas delas para a cama, algumas até mais de uma volta. – Lembrei da groupie no camarim mais cedo e aquilo me deu uma pontada no coração. — Mas eu nunca me descuidei, nunca. Eu sempre estive atento para me prevenir, principalmente pelas doenças que rodam por ai, mas eu não tive esse pensamento hoje quando transamos depois do show, a camisinha estava dentro da minha carteira e eu simplesmente não quis pega-la.
Eu não tinha idéia do que responder, então só o beijei.
O beijei sentindo já o gosto da despedida, sentindo aquele sentimento estranho que não existia há dois dias atrás.
Ele quebrou o beijo e passou a mão pelos meus cabelos levemente e eu pude sentir meus olhos encherem de lágrimas, era tudo o que eu mais desejei no mundo não ter feito.
As lágrimas escapavam sem controle e me abraçou, ele me confortou e me deixou chorar.
Eu não chorava só porque pensava de estar me apaixonando pelo meu ídolo, naquele momento tudo veio à tona.
Toda a minha vida resolveu me dar um tapa na cara enquanto eu estava no momento mais romântico que eu tinha tido com .
— Eu não te conheço bem, , mas você é uma garota especial. Conhecer você ontem foi diferente de todas as meninas que eu conheci até agora, foi natural. – Ele deu um respiro forte antes de continuar. — Você não me forçou a ir para a cama com você, você não chegou aqui ontem se atirando em mim como as outras garotas costumam fazer, você simplesmente chegou e eu tive vontade de te beijar.
— Desde que ouvi falar de vocês eu pensava como seria transar contigo, mas nunca pensei que a gente transaria mais de uma vez e acabasse nesse momento sentimental. – Ri tentando descontrair o assunto, tentando pensar em outra coisa para poder cessar as lágrimas que insistiam em continuar se acumulando nos meus olhos.
Ele riu jogando a cabeça pra trás, ele estava sendo totalmente transparente comigo e aquilo realmente estava sendo difícil de ouvir dando as circunstancias de nossas vidas completamente paralelas.
— Por que você tem que estragar o primeiro momento de sinceridade pós sexo da minha vida? – Ele riu fingindo ter sido afetado pelas minhas palavras.
— Desculpa, é difícil de acreditar no que você está falando, só isso. Mas eu não quero que pense que é um tipo de cobrança ou desconfiança, não sei como te explicar, eu só quero que você se lembre de mim assim, feliz por ter te conhecido.
— Onde eu quero chegar, , é que eu não quero ir embora amanhã e deixar você pensando que você foi só mais uma fã que eu conheci ocasionalmente ou que escolheram para levar no camarim, entende?
— Não se preocupe Brad, eu entendo o que você quer dizer e agradeço pela preocupação, mas eu vou ficar bem, talvez a gente possa se encontrar de novo por aqui na próxima turnê?!. – Suspirei fundo caindo na real de que o dia estava amanhecendo e meu momento feliz acabando.
— Eu estou tão cansado mas não quero dormir, quero ficar acordado conversando contigo e isso nunca me aconteceu antes. Eu quero te conhecer melhor, me orgulhar de falar que fui pra cama com a garota mais inteligente, engraçada, boa de cama e linda do Brasil – Ele disse tocando meu rosto e me dando um longo selinho, me fazendo rir das suas palavras.
— Então vamos pedir alguma coisa pra comer? Eu também quero te conhecer além do que eu li no Wikipédia. – Recebi um sorriso como resposta e nos levantamos indo em direção ao telefone e chamando o serviço de housekeeping do hotel e pedindo nosso café da manhã antecipado, a manhã seria longa.


Capítulo 13

Nossa refeição chegou aproximadamente quarenta minutos depois da ligação, quando o Sol já invadia a suíte e nossos corpos davam indícios claros de cansaço. Durante a espera, tomamos um belo banho quente juntos o que nos levou a um segundo round de um sexo selvagem e intenso, sendo interrompidos apenas quando a campainha tocou indicando que o serviço de quarto havia chegado com a comida. recebeu o funcionário, deixou o trolley em algum lugar da sala e correu de volta ao banheiro para finalizar aquilo que havíamos parado no meio.
Sai do banheiro primeiro que ele, arrumei uma das mesas do terraço que ficava coberta por uma armação de madeira e esperei pelo garoto que saiu da suíte enrolado em uma toalha branca.
— Então, por onde podemos começar? – Perguntei enquanto me servia com um pouco de café.
— Você pode me perguntar aquilo que você quiser, estou disposto a te responder.
— Os meninos, onde estão? - Quis saber visto que eram sete e meia da manhã e ainda estávamos sozinhos na suíte.
— Com tudo que você poderia me perguntar, você pergunta sobre o resto da banda? – Ele riu
— Só curiosidade.
— Quando você me viu conversando com e mais cedo na boate, eu estava pedindo que eles dormissem em outro lugar, eu sabia que estaria com Lindsay então eu os convenci de deixar a suíte toda para nós. – Disse enquanto levava a xícara de café até a boca.
— Sério? Por isso eu não esperava. E onde eles estão agora?
, eu quero saber mais de você e quero que você saiba mais sobre mim mas assim você não está ajudando tanto.
— Ok, ok, você venceu.
— Me conta. – Ele continuou. — Você costuma escrever músicas sempre tão tristes ou também tem alguma coisa mais feliz nesse seu repertório?
Quis rir com sua pergunta mas decidi levar aquilo a sério de uma vez por todas.
— Bom, depende, geralmente eu escrevo aquilo que eu sinto no momento mas isso nem sempre faz sentido as vezes. Paper Heart eu escrevi quando, há um ano atrás, eu tinha dúvidas sobre terminar ou não a faculdade de veterinária e eu acabei misturando isso com minha vida sentimental que não era uma das melhores.
— Coração quebrado?
— Dilacerado. – Rimos juntos e fiquei feliz por ter optado a não se aprofundar sobre aquele assunto. — Não é que suas músicas sejam assim tão diferentes, você passa da perversão ao maior sofrimento do mundo.
— Eu não escrevo sozinho as músicas, , os meninos sempre fazem parte de cada composição e, claro, muitas vezes exageramos na letra.
— Entendo.
— Você é boa, garota, numa próxima oportunidade eu quero conhecer mais esse seu lado. – Ele disse me dando a esperança de que nos veríamos de novo algum dia e eu sinceramente esperava que aquilo fosse verdade.
— Claro, eu adoraria mostrar para um dos meus ídolos as canções que eu fiz durante alguma noite solitária no meu dormitório. – Ele riu me dando um tapinha no ombro.
— Você e Luca, o que vocês são a final? - Ele foi direto, quase cuspi o líquido preto que tinha acabado de colocar na boca antes de começar a tossir descontroladamente. — Não sabia que era assim delicada a situação de vocês, não precisa me falar se não quiser. – Ele pareceu convicto.
— Não é isso, eu só não esperava essa pergunta.
— Então não tem problema você me responder.
— Absolutamente. Como você deve saber, nós nos conhecemos há poucos dias em um dos seus shows no Rio e ele cantou uma das músicas do , eu estava super empolgada para o show de vocês então eu simplesmente me deixei levar. Ele percebeu e veio falar comigo depois do show, então uma coisa levou a outra.
— E vocês chegaram a dormir juntos?
— Eu não perguntei sobre sua vida amorosa, . – Ri o fazendo corar. — Mas sim, nós já dormimos juntos.
— É que eu vi como ele te olha, como te trata, ele é bem protetor com você, inclusive achei que vocês fossem um casal, mesmo sem agir como tal, é clara a química e intimidade de vocês.
— Eu e Luca já tínhamos conversado sobre nós, seria um relacionamento fracassado sabendo que nossos planos são um pouco diferentes pelos próximo anos. – Respondi sincera. — Luca é um bom amigo, um bom ouvinte, um bom conselheiro e decidimos não arruinar a amizade que estamos construindo, que nossa amizade tem chances de florescer mas um relacionamento entre nós está fora de cogitação.
— E quais são seus planos para os próximos anos, ? – Ele decidiu não continuar naquele assunto, eu agradeci mentalmente pois me sentia realmente mal ao falar sobre as pessoas que já transei com um cara que eu tinha acabado de transar.
— Bom, eu e Lindsay estamos indo para Londres daqui a dois meses, no nosso aniversário, para que ela reveja o pai e sua nova família. De lá passaremos pela Irlanda, Alemanha, França e Polônia antes de voltar para casa e decidir se dou continuidade ou não na minha carreira.
— Isso parece bom, um tempo longe de tudo para pensar melhor, eu gostaria de fazer isso.
— E você pode fazer, você disse que a banda vai tirar umas férias depois do final dessa turnê, certo?
— O fato de ser famoso me abre muitas oportunidades para tudo, porém não me da a chance de pegar minha mochila e sair por ai, sempre vai ter alguém para me lembrar de quem eu sou. – Senti pena de , ele era um garoto normal querendo ser normal mas sua vida era agitada demais para isso. — Sabe o que seria legal? – Ele continuou.
— Não, o que seria legal?
— Se a gente se encontrasse durante nossas férias. – Ele disse despreocupado.
— Sério? – Respondi um pouco desacreditada.
— Por que não? Eu moro há três horas de Londres mas valeria a pena. – Ele disse passando uma de suas mãos pelas minhas coxas sob a mesa. Eu realmente não podia acreditar no que meus ouvidos estavam ouvindo. — Isso se você também quiser, é claro. – Ele se afastou de mim se endireitando na cadeira e continuando com seu café-da-manhã, na maior tranquilidade do universo.
— Obvio que eu gostaria de te ver de novo, só não sei se você pode mudar de idéia assim que pegar o vôo para os Estados Unidos em algumas horas. – Respondi divertida mas apreensiva, porque é claro que ele conheceria pessoas diferentes pelos próximos dois meses, talvez a gente pudesse permanecer em contato mas com certeza as coisas mudariam.
— Isso a gente só vai saber se acontecer. – Ele falou com um ar de mistério dando uma mordida em uma torrada. — Mas se depender de mim, nada vai mudar, já você que vai ficar aqui com o Luca... – Ele disse rindo.
— Sério? Você vai fazer mais uns cinco shows, conhecer várias fãs e groupies e você está preocupado com o Luca? – A essa altura estávamos já rindo sabendo que aquilo tudo passava de um grande brincadeira.
— Tantas groupies em todos esses anos e eu nunca tomei café da manhã com nenhuma delas.
— Então isso quer dizer alguma coisa, hein?!
— Sim, quer dizer que você me deixa intrigado e eu estou disposto a saber o motivo disso.
— Talvez porque eu seja tão boa na cama quanto você e isso nos dá uma vantagem grande.
— Isso também.
O resto do café da manhã foi assim, um quiz contínuo com perguntas vez ou outra muito íntimas ou bem idiotas, era engraçado o quanto éramos parecidos. era muito mais maduro do que eu pensei, conversar com ele era fácil e eu não tinha idéia disso enquanto estávamos fora da boate sem assunto nenhum, ali o assunto fluía, a conversa rendia e eu me sentia confortável com isso.
— Aquela menina, no camarim, qual é a de vocês? – Soltei sem pensar duas vezes, estávamos sendo sinceros um com o outro então eu quis aproveitar a oportunidade.
— A Raquel?
— Não sei, a ruiva que foi embora sem mais nem menos.
Ele riu balançando a cabeça, lembrando da cena.
— Ela foi a primeira fã brasileira que eu conheci de verdade, seu pai é dono da casa de show em que fizemos nosso primeiro show aqui. Ela estava no camarim com ele assim que chegamos e, bom, ela era gostosa. – Dei um soquinho nele o fazendo rir. — Depois do show, fomos recebidos pelo seu pai na casa deles, tinham muitos empresários famosos de diversas casas de show do Brasil e aquilo era uma oportunidade de ouro pra gente caso continuássemos com a idéia de incluir o pais nas nossas turnês. – Ele parou de falar e eu continuei com um ponto de interrogação sobre minha cabeça, esperando pela resposta equivalente à minha pergunta. E ele continuou.
— Então nós nos conhecemos, ela parecia ser legal então saímos juntos algumas vezes, ela acompanhou a banda em vários shows pelo continente e sempre se fez presente, digamos, na minha cama. Nós mantemos o contato por todos esses anos mas ela esperava uma relação séria e eu sempre deixei claro que não era aquilo que eu queria então ela enlouquecia e me mandava muitas mensagens todos os dias, me deixando um pouco cansado daquilo.
— Então eu não fui a única garota em que você fez questão de dormir mais de uma vez. – Disse um pouco afetada, já que e Raquel pareciam ter começado a construir alguma coisa, se não fossem os ataques de ciúmes vindo da parte dela.
— Eu não disse que você foi a única que eu fiz questão disso, eu disse que você foi a única que me despertou interesse além do sexo. A Raquel sabia o que fazer porque ela teve tempo de me conhecer e aprender bem os meus gostos peculiares, mas isso só depois de algum tempo, você conseguiu despertar o melhor de mim já na nossa primeira vez.
— Me sinto lisonjeada com essa comparação.
— Você que quis saber, eu só estou te respondendo. – Ele disse dando de ombros.
— Tudo bem.
Ele me contou coisas sobre sua família, como por exemplo um dos últimos natais que ele passou com eles e uma de suas tias caiu da escada enquanto descia para a ceia, tiveram que chamar a ambulância e eles passaram o resto do natal na sala de espera do hospital esperando a cirurgia de emergência que tiveram que fazer nela, porque ela não só caiu mas também quebrou o fêmur.
Eu ria de cada situação engraçada ou constrangedora que ele me contava.
Compartilhávamos o mesmo gosto musical e filmes de época.
Concordamos que cinema sem pipoca não é cinema e que pizza era muito melhor do que lasanha;
Que todos os vinhos tinham o mesmo gosto e que comida com alcoólico não combinava, que nada como um grande copo de refrigerante para acompanhar;
Que Friends era melhor que How I Meet Your Mother e que Ross não traiu a Rachel, apesar de ter sido um babaca e machista a maior parte da série;
Que filmes de guerra nos faziam chorar no final;
Que cachorros eram mais divertidos que os gatos;
Que era tarde ou cedo demais e que não poderíamos mais prolongar aquele momento.
— Vamos deitar, ? Eu estou realmente cansado.
— Eu também, meus olhos estão começando a arder. – Respondi sincera, mas a ardência era também pelas lágrimas que eu tentava controlar.
permanecia deitado fazendo carinho nos meus cabelos, eu me acomodava sobre o seu peito e uma de nossas mãos se mantinham juntas sobre sua barriga, onde eu movimentava meu polegar calmamente sobre.
, posso te contar um segredo?
— Claro, , acho que a esse ponto já não temos nada a esconder um do outro. – Rimos antes de eu dar prosseguimento.
— Eu amo suas mãos. – Ele levantou um pouco a cabeça para olhar para mim, que continuava fixando aquela parte do seu corpo.
— Que?
— Eu amo suas mãos.
— Como assim, , eu não estou entendendo. – Ele ria olhando para a mão que antes tocava meus cabelos.
— Sua mão é grande, seus dedos são longos e ela combina perfeitamente com seu antebraço. – Podia parecer estranho, mas eu sempre tive um fetiche louco por mãos e antebraços.
Eu ouvia rir tentando processar aquilo, tentando entender o que ele tinha de diferente nas mãos.
— Você é estranha e eu adoro isso.
Eu me virei pegando meu celular no criado mudo e eram exatamente nove horas da manhã.
— Posso fazer uma foto?
— Das minha mãos? – Eu ri.
— Não, desse momento, eu quero poder lembrar disso por muito tempo. Ele não respondeu, pegou meu celular e tirou uma foto nossa em que sorriamos para a câmera.
Uma sério, uma fazendo biquinho, uma mostrando sua mão livre enquanto eu ria descontroladamente ao seu lado, uma beijando o topo da minha cabeça e uma me dando um selinho.
Eu sabia que se eu acordasse um dia achando que aquilo tudo tivesse sido um sonho, eu poderia simplesmente abrir a minha galeria de fotos e ter a certeza absoluta que foi tudo real.
, você se importaria se eu dormisse? Eu realmente não consigo mais ficar acordada. – Disse sonolenta lutando contra meus olhos que insistiam em se fechar.
— Se você dormir sem atender minhas necessidades biológicas, , vou ser obrigado a esquecer disso tudo e ligar para Raquel. – Levantei meu rosto com certa dificuldade e minha expressão curiosa o fez soltar uma risada alta. — Eu estou brincando, eu também não consigo mais ficar acordado, a gente resolve isso quando acordar.


Capítulo 14

O despertador tocou ao meio dia, tínhamos dormido umas três horas no máximo e sentíamos nossos corpos doloridos e pesados, eu não queria ter que acordar e dar um fim naquilo mas aquele toque estridente nos fez cair na realidade. Eu beijava o pescoço de e alisava seus braços numa tentativa de fazê-lo acordar de qualquer forma.
, acho que eu não consigo. – Ele riu.
— Quem disse que eu quero alguma coisa? Eu só quero te acordar.
— Você está despertando outra parte do meu corpo mas eu estou exausto demais para dar ouvidos ao meu pênis. – Ele riu colocando uma de minhas mãos sobre seu membro.
— Não se preocupa, eu penso nisso por você.
Escorreguei sob o edredom e abaixei sua boxer, brinquei com sua glande dando leves beijos sobre sua superfície e descendo por todo seu membro até sua base. Subi lambendo toda a extensão de seu pênis até envolve-lo totalmente com a boca, começando meus movimentos leves e controlados até receber alguma resposta do garoto.
, por que você brinca assim comigo? – Minha resposta foi acelerar meus movimentos adicionando uma de minhas mãos, que o masturbava enquanto minha boca fazia o resto do trabalho.
Quando percebi que estava ao ponto de chegar ao clímax, aumentei meus movimentos o máximo que eu podia até sentir seu liquido quente dentro da minha boca. Limpei toda aquela área com vigor e subi de volta até ele, passando a língua sobre meus lábios assim que nossos olhares se cruzaram.
— Hum, um pouco agridoce. – Brinquei enquanto chupava as pontinhas dos meus dedos.
Ele riu me puxando para perto dele e me abraçando.
— Você é incrível, , vou sentir sua falta. – Não esperava ouvir aquilo, eu não tive outra reação a não ser apertar mais ainda meus braços ao seu redor.
— Eu também. Obrigada por compartilhar comigo esses últimos dois dias. Continuamos assim por alguns minutos até ouvir alguém bater na porta.
Era perguntando se podia entrar, pois gostaria de pegar alguns itens pessoais que estavam numa mala pequena entre as camas.
Vesti uma camisa de que estava no criado mudo e ouvi o garoto dizendo que estava tudo bem ele entrar.
— Eu não queria atrapalhar vocês mas o Joe está começando a arrumar as coisas para partimos, cara, você tem que descer para almoçar antes de irmos.
— Tudo bem, me dá dez minutos que vou tomar um banho rápido. – Ele me deu um selinho antes de se levantar, ainda nu, fazendo seu amigo tampar os olhos pedindo que ele se cobrisse.
— Como foi passar a noite no oitavo andar? – Perguntei tentando quebrar o silêncio entre nós.
Apesar de ter conhecido naquele dia no elevador, eu percebi que na verdade ele era bem tímido, se não fosse por Lindsay puxar assunto com ele talvez eles nem tivessem dormido juntos, inclusive eu podia jurar que foi ela que deu a iniciativa com ele.
Suas bochechas coraram antes dele responder.
— Foi muito boa, obrigada , e a sua?
— Não poderia ter sido melhor. Mais uma vez o silencio se instalou e aquilo estava ficando incomodo demais, peguei o celular e decidi escrever uma mensagem à Lindsay quando a mesma adentrou a cabeça no quarto já que a porta estava meio aberta.
Ela me cumprimentou com um beijo na testa e seguiu até , o beijando e o abraçando, dizendo alguma coisa que não fui capaz de entender.
saiu do banheiro devidamente vestido cumprimentando Lindsay e se sentando ao meu lado da cama, eu não podia me levantar visto que eu estava vestida apenas com sua camisa.
— Vamos almoçar, sweetheart?
— Não posso me levantar, . – Apontei com o rosto para meu corpo coberto sob o edredom branco e ele riu, entendendo o real motivo de eu estar ali como se fosse uma estátua.
— Ei, saiam do quarto para que possa se trocar. – Ele disse de uma vez fazendo o casal rir e sair imediatamente pedindo para que eu não demore tanto pois eles precisavam sair do hotel logo.
Corri para o banheiro para fazer minha higiene matinal o mais rápido possível, tomei um banho rápido e me vesti com um vestidinho azul rodado que Lindsay havia colocado na minha mochila e um par de sandálias alpargatas, era aquilo ou eu me atrasaria.
— Desculpa, foi isso que Lindsay colocou na minha mochila. – Disse me desculpando pelos meus trajes.
— Você fica linda de qualquer jeito. – Ele me deu um beijo antes de sairmos em direção ao restaurante.
O maitre responsável pelo restaurante nos acompanhou até a mesa em que Lindsay e nos esperavam conversando animadamente.
Estranhei o fato dos outros meninos não estarem ali.
disse que aquele era um encontro duplo, então os demais saíram das dependências para almoçar e logo voltariam para nos encontrar no bar até a hora de terem que partir.
— Então, estamos aqui agora para falar de uma coisa séria. – deu a iniciativa chamando atenção dos dois à nossa frente que não paravam de falar entre eles.
— Quais são os planos para as férias? – disse animado arrancando sorrisos e uns gritinhos afetados da minha amiga, eu era realmente a única a não saber do porque daquilo.
Apesar de ter me dado uma vaga idéia mais cedo ao dizer que nos encontraríamos assim que eu e Lindsay chegássemos na Inglaterra.
Lindsay puxou uma folha de dentro da bolsa onde havia algumas anotações e eu me perguntava quando eles tiveram tempo de fazer aquilo.
— Nós chegamos no dia três de fevereiro, nosso aniversário é dia seis e seria maravilhoso se vocês pudessem estar presente nesse dia.
— Por que eu não estou entendendo COMO nós chegamos até aqui? – Perguntei confusa e minha amiga apenas riu.
— Amiga, eu e conversamos um pouco e tendo em vista que nós iremos até Londres para visitar meu pai, poderíamos nos encontrar algumas vezes, então ele falou com , que concordou, e agora estamos falando com você.
me olhava meio de lado com um sorriso satisfeito no rosto, quando eles conseguiram organizar isso tudo?
— Eu sabia que vocês já estavam prestes a viajar, Lindsay me disse no camarim depois do show, então falei com Brad e decidimos nos unir vocês nas nossas férias, espero que não seja um problema. – respondeu enquanto bebia um pouco d’agua.
— Então nós conversamos essa manhã no terraço e tudo se encaixou. – disse orgulhoso.
— Eu nem consigo acreditar em tudo que aconteceu nesses dois dias e vocês já estão me pedindo pra raciocinar sobre algo que vai acontecer em dois meses? – Soltei uma risadinha abafada. — Não vejo a hora que chegue logo fevereiro!
Levantamos nossos copos e brindamos aos planos para o futuro.
Normalmente eu tentaria pensar duas vezes antes de me jogar assim de cabeça, ele era meu ídolo, nos conhecemos por apenas dois dias e tudo o que ele fazia era me impressionar mais a cada minuto.
Era rápido demais para fazer determinados planos, mas ninguém pareceu se importar com isso naquela hora.
O almoço passou na velocidade da luz, continuávamos empolgados falando sobre aquela viagem e ninguém mencionou o fato de que em dois meses muita coisa poderia mudar, outras pessoas poderiam aparecer nas nossas vidas, muitos sentimentos estavam em jogo ali e eu tinha medo, medo de cair daquela nuvem que eu estava flutuando e que me levava cada vez mais alto até que a queda seria dura demais para resistir.
Era tudo bom demais pra ser verdade, perfeito demais pra ser verdade, coincidência demais pra ser verdade, parecia tudo ilusão da minha cabeça, uma viagem alucinante que eu estava fazendo e que eu tinha quase plena certeza que não saberia mais voltar pra realidade quando chegasse a hora.

Fomos interrompidos quando e chegaram e se uniram a nós, a Partime já tinha pego o avião em direção ao Rio pois fariam um show naquela mesma noite.
Contamos rapidamente sobre nossos planos, fazendo os meninos rirem dizendo que não acreditavam no que estavam ouvindo, que não podiam acreditar que perderam dois membros da banda assim são facilmente para duas garotas que eles tinham acabado de conhecer, eu sabia que falavam aquilo da boca pra fora para nos alfinetar a cada oportunidade que tivessem, mas no fundo eu sabia que eles tinham razão, isso não tinha chance de dar certo devido às nossas vidas com realidades tão diferentes. Fomos interrompidos por Joe, que até então eu não conhecia, dizendo que era hora de irem embora.
Acompanhei até o décimo andar para pegar suas coisas tentando memorizar cada detalhe e cada segundo daqueles últimos minutos juntos a ele.
Ele brincava com minha mão enquanto seguíamos por toda a extensão do hotel até o ponto de encontro da equipe. — Eu quero que você fique com isso. – Ele tirou da mochila sua blusa que antes cobria meu corpo. – Pra ter um motivo de te ver mais uma vez, essa é uma das minhas blusas preferidas então toma conta dela e me devolva em excelente estado no dia seis de fevereiro, ok?
Eu ri com a sua atitude achando a coisa mais fofa do mundo o que ele tinha acabado de me dizer.
— Achei que fosse pra eu me lembrar de você mas já que é só pra tomar conta dela, pode deixar que não vou te decepcionar.
Ele me abraçou apertado antes de ouvir Joe dizendo que a van os esperavam do lado de fora.
— Se cuida, , não vou esquecer do quanto você me ensinou esses dois dias, acho que eu estou indo embora muito mais adulto do que quando cheguei.
— Você também, , obrigada por ter feito esse momento tão especial, significou muito para mim. – Disse sentindo uma lágrima teimosa rolar pelo meu rosto. Ele passou sua mão suavemente sobre ela e me deu um último beijo.
Mas foi um beijo completamente diferente daqueles que havíamos dado até aquela hora, tinha um pouco de sentimento ali e isso eu com certeza tinha razão, foi um beijo calmo, sem atrevimentos, sem mão boba, sem segundas intenções. Foi um beijo de despedida com um toque de esperança, esperança de poder repetir, esperança de que não era o fim.
Ao lado, Lindsay e se despediam da mesma forma, confirmando que há alguns meses eles estariam de novo um com o outro. Pude ouvir o garoto dizer que nunca tinha conhecido ninguém como ela e que avisaria assim que chegasse, que manteriam contato até o dia que pudessem estar de novo juntos e que depois de cada show ele jurava que ligaria pra ela até eles caírem no sono, pra ela ter certeza que ele não estava com uma groupie qualquer em sua cama.
Aquilo me fez rir, porque Lindsay é extremamente possessiva e ciumenta, me admirou o fato de ter concordado com aquilo mas ele parecia um cachorrinho abandonado se despedindo da minha amiga.
A única coisa que me deixou intrigada, foi o fato de não ter dado meu telefone para , ele se quer fez questão de me pedir e eu fingi que não era importante pedir. Não quis que ele pensasse que eu fosse como Raquel e o cobrasse determinadas coisas, mas eu queria ter tido a certeza que continuaríamos esperando um pelo o outro até o momento em que nos reencontraríamos mais uma vez.
Eu deveria esperar e se o destino continuasse ao meu favor, em sessenta dias estaríamos novamente juntos.
Me despedi de e , que fizeram questão de dizer que se os outros dois iriam ao nosso aniversário, eles iriam juntos com certeza, enfatizaram o quanto gostaram de nos conhecer e que realmente éramos diferentes das outras meninas que eles estavam acostumados a lidar, dizendo inclusive que se nossos casos com os dois outros integrantes não fosse pra frente, que eles não se ofenderiam em ocupar seus lugares.
e os olharam em repreensão antes de nos dar o último abraço e seguirem até a van.
Lindsay e eu fomos até o lado de fora poucos segundos depois que eles saíram, esperando poder dar o ultimo aceno de mãos antes que eles se fossem e foi a cena mais triste da minha vida, parecíamos duas esposas que se despediam de seus maridos quando iam para a guerra, com nossos braços enrolados um nos outros, acenando com a mão livre e tentando impedir com que as lágrimas caíssem.
Os meninos, por sua vez, estavam com os rostos colados no vidro dizendo alguma coisa que não pudemos entender e mandando beijinhos no ar até que a van acelerou e os perdemos de vista.
— Amiga o que eu vou fazer agora sem o ? Ele é tão perfeito pra mim, eu quero casar com ele amanhã, quero ter filhos que sejam lindos como ele, quero poder transar com ele até o último dia da minha vida. – Lindsay chorava como uma criancinha no primeiro dia de escola, fazendo o drama que ela gostava de fazer. Eu queria rir mas eu sabia o quanto ela estava triste, eu também estava na mesma situação só que eu conseguia me controlar muito mais do que ela.
— Fica calma amiga, vocês não tem o número um do outro? Então, vocês podem se falar sempre até o dia de nos reencontrarmos de novo.
— Você mandaria uma mensagem pro em quanto tempo mais ou menos? Daqui há umas três horas, você acha o suficiente?
— Eu não tenho o número dele, não trocamos nossos números. – Respondi abaixando a cabeça, aquilo tinha me deixado bastante chateada.
Minha amiga me olhou com pena e me abraçou, mas disse para que eu não me preocupasse, ela e organizariam tudo direitinho para a viagem, mas aquilo era o que menos me preocupava.
Eu apenas concordei e seguimos em direção ao taxi que já nos esperava para nos levar até o aeroporto.

’s Point of view,

Parecia que tinha um peso dentro de mim me dizendo que aquilo tudo tinha uma razão de ter acontecido. Ver do lado de fora da van acenando fez meu coração parar por alguns instantes e eu gostava daquilo, gostava do sentimento que aquilo me causava.
Enquanto esperávamos o vôo dentro em uma sala privada dentro do aeroporto, peguei meu telefone tentando me distrair com algo que não fosse aquela garota, mas não demorou muito até que eu me peguei pesquisando seu nome no instagram. Ela era do tipo reservada, não usava muito aquela rede social o que me fez ficar ainda mais instigado em saber mais sobre ela e tentar descobrir o porquê dela me causar todos aqueles arrepios todas as vezes que nossas peles se encostavam, foi um tempo curto demais para ter criado um laço são forte com ela, era diferente de tudo aquilo que eu havia sentido no passado e eu me sentia feliz com aquilo.
Ela havia muitas fotos junto à animais diferentes, ela sorria e aparentava estar feliz com aquilo, mas eu sabia que não era assim.
Apesar de amar os animais e ser muito boa no que fazia, não era aquilo que ela queria para a sua vida e ela deixou bem claro isso pra mim, que estava presa naquela realidade por conta de sua família e ela era tão boa que preferia agradá-los do que agradar a si mesma.
Ela não era fútil como as outras meninas que eu era acostumado a conhecer, ela era discreta e sexy ao mesmo tempo, ela era linda com ou sem maquiagem, com os cabelos arrumados ou bagunçados, vestida elegantemente ou simplesmente nua. Ela era maravilhosa do jeito que era, seu coração era grande demais para caber dentro do seu peito, eu queria que ela explorasse o mundo, que experimentasse tudo aquilo que ela seria capaz de conquistar caso não fosse tão insegura.
E eu não era bom o suficiente para ela.
Não queria dar esperanças à aquela garota, eu sabia que minha vida era complicada demais para envolve-la em situações que talvez ela não fosse agüentar, talvez ter feito tantos planos tivesse sido um erro mas eu queria tê-la mais uma vez nos meus braços, queria experimentar a sensação de vê-la depois de tanto tempo e ter certeza que meu corpo reagiria da mesma forma que agora, que arrepios tomassem conta de mim e que a necessidade de tocá-la seria tão grande quanto estava sendo nesse momento.
Sabia que não tinha como entrar em contato com ela se não fosse por aquela rede social, não ter pedido o seu número foi difícil demais para mim mas foi preciso, eu queria poder entender tudo aquilo com calma, não queria me jogar de cabeça como sem ter certeza que aquilo poderia funcionar, tinham sido apenas dois dias, ninguém pode se apaixonar em dois dias, eu não podia ter me apaixonado em dois dias... mas eu tinha me apaixonado por ela e uma parte de mim se recusava a aceitar isso.
Fechei rápido o aplicativo e tentei não pensar mais naquilo, eu teria dois meses para descobrir se meus sentimentos eram verdadeiros ou era só uma atração absurda que eu sentia por ela.
Já dentro do avião, optei por me sentar com , ele era meu conselheiro, não era tão responsável e maduro quando mas em relação aos outros era sempre o melhor a achar saídas e soluções.
Ele sabia que toda vez que eu optava por estar ao seu lado em vôos tão longos, era porque eu havia me metido em problemas e só ele poderia me ajudar a me livrar deles.
também era um bom ouvinte mas agia sempre com a emoção e naquela situação ali com certeza ele me diria para sair daquele avião e ir atrás da garota que estava bagunçando com minha cabeça
— O que foi, cara, você está bem? – Meu amigo me perguntou depois do avião já ter decolado.
— Eu não sei, estou confuso, não sei o que está acontecendo comigo.
— É por causa daquela garota?
— Sim, ela me fez sentir alguma coisa diferente, mas não nos conhecemos o suficiente cara, eu não sei decifrar esse sentimento.
— Ela parece ser uma garota legal. – Ele disse cansado. — Mas é sempre uma fã, sabe o que isso pode causar à sua imagem caso venha a público e as coisas não dêem certo.
— Eu sei, cara, mas com ela foi diferente, nunca me senti assim em relação às meninas que venho conhecido nesse tempo de estrada.
— Você tem que pensar bem, não deixe se levar pelas atitudes de , eu não sei até que ponto essa relação pode dar certo, espera um pouco, conheça-a melhor e ai sim você poderá tomar a decisão que for melhor para vocês, lembre-se que tem um oceano de distância entre vocês dois e talvez depois dessa ida delas à Inglaterra as coisas possam mudar, tanto antes quanto depois. Você sabe que eu te amo cara, você e os meninos são meus melhores amigos e eu jamais me intrometeria nos seus relacionamentos desde que eles sejam saudáveis e não tirem suas cabeças do nosso trabalho.
— Você conversou com sobre isso?
— Eu tentei mas ele continua falando da Lindsay e do quanto ele gostou dela, que ele quer levar o que eles tiveram à diante, quer ser positivo em relação a isso e que caso dê certo, Lindsay tem condições de permanecer na Inglaterra por ter dupla cidadania, coisa que a não tem, o que torna tudo muito mais complicado para vocês. – Ele tinha razão, eu não tinha pensado por esse lado, não era justo nem comigo e nem com ela continuar algo que não teria a menor condição de dar certo, era um obstáculo grande demais para poder correr o risco.
Durante o resto do vôo eu permaneci tenso e imerso em meus pensamentos, aproveitei que meu amigo tinha dormido e peguei um caderno que eu sempre fazia questão de levar comigo, escrevendo as primeiras linhas do que seria a música que mais falaria por mim durante aqueles anos dentro da banda, uma música que remetia tudo aquilo que eu sentia, mas que ficaria só no caderno.
Quase dez horas se passaram até que o avião pousasse no aeroporto de Atlanta, seriam cinco shows durante àquela semana e eu não via a hora de poder voltar para casa e poder ter um tempo para pensar em tudo aquilo que continuava a martelar minha cabeça.
Via sempre o instagram de , queria saber o que ela estava fazendo na minha ausência mas não tinha nenhuma atualização desde o show de São Paulo, a última foto foi com Lindsay e Luca. Vez ou outra perguntava a se ele tinha notícias da menina e ele só me dizia que eu deveria mandar uma mensagem para ela caso eu quisesse conversar com a garota, mas me confortava dizendo que ela estava sempre com Lindsay e que ela estava bem, que não falava de mim para a amiga mesmo quando a mesma perguntava.
Eu consegui conter minha vontade de saber de todas as vezes que abria a janela de mensagens da rede social para escrever uma mensagem a ela. Foram cinco dia de shows, cinco dias de camarins repletos de meninas que ansiavam em estar comigo e eu seria hipócrita em dizer que não dormi com nenhuma delas, afinal, eu não tinha nenhuma relação séria com a garota que tinha deixado no Brasil. No fundo eu queria esquecer, eu queria poder me distrair o máximo possível naquele final de turnê, por muitos dias eu bebi mais do que eu deveria e apagava depois de cada show, tinha dias que eu acordava com uma garota qualquer na cama que eu não lembrava nem de ter perguntado o nome, e no final apenas ela habitava nos meus pensamentos, ela continuava se fazendo presente até mesmo quando não estava. Conheci garotas lindas que eram verdadeiras ninfomaníacas na cama, que me levavam a estados altos de prazer e tesão. Mas no final de cada ato, era nela que eu pensava, era ela que eu queria ali do meu lado, então eu não tinha outra escolha a não ser expulsar as garotas do meu quarto ao me dar conta do que eu tinha acabado de fazer, e ai eu bebia.
Me afundava no álcool para preencher o vazio que eu sentia dentro de mim, a solidão, a saudade...
E foi nesse último dia que eu tomei coragem de escrevê-la, eu não tinha idéia do que falar e provavelmente me arrependeria por isso, mas eu não conseguia mais me controlar e o álcool me desinibia mais, eu não tinha mais nada a perder.

’s Point of view.

Eu não tive mais notícias de desde que ele tinha saído do Brasil. Lindsay e mantiveram contato como haviam prometido e o garoto ligava para ela todos os dias depois de cada show e ficavam horas no telefone, eles estavam levando aquilo numa tranquilidade de dar inveja.
Eu sabia que estava saindo com outras meninas, ouvia quando Lindsay perguntava sobre ele e o garoto respondia com uma voz repleta de tristeza, dizia que ele estava bebendo mais do que deveria e que aquilo estava causando conflitos entre a banda e os produtores, que ele não selecionava com quem dormia e que em um dos cinco dias de show, ele fez questão de levar três meninas para o quarto. E todas as vezes, podia ver as garotas saindo antes do amanhecer, ouvindo um alterado pela bebida batendo a porta e falando sozinho. Que por muitas vezes ele tentou se aproximar do amigo para entender o que estava acontecendo mas o garoto sempre o insultava e o chutava para fora do quarto como se não fossem melhores amigos de uma vida.
Eu me sentia mal, mas me sentia mal também por ele, eu não sabia desse lado de e isso me assustou, no fundo eu esperava que ele entrasse em contato comigo de alguma forma mas a única coisa que ele fazia era perguntar para e eu pedia para que minha amiga não dissesse nada, não queria que ele soubesse que eu sentia sua falta quando claramente ele não sentia a minha.
A semana se passou arrastando apesar de estar ocupada com os preparativos de documentação e tudo mais para a viagem, Lindsay e eu saímos por alguns dias para que eu pudesse me distrair e não pensar em , mas era impossível já que minha amiga sempre achava um jeito de falar sobre e que ela poderia pegar o número de com ele caso eu quisesse. Eu dizia que estava bem e que ela estava exagerando as coisas, que o que tivemos foi ótimo e que tinha acabado no exato momento em que ele deixou as dependências do hotel em que estávamos. Era um domingo, estávamos no pub em que tinha conhecido Luca há algumas semanas atrás esperando a apresentação da Partime acabar para que pudéssemos dar continuidade na nossa noite.
Os meninos, como sempre, foram maravilhosos e eu sentia muito orgulho do meu amigo. Luca partiria para a Tailândia dois dias depois então decidimos fazer uma despedida para ficar na nossa memória para o resto da vida.
Entre shots de vodka e cervejas, nós ficamos no local até sermos convidados a nos retirar por um dos funcionários, então resolvemos estender a despedida até nossa casa, onde Melissa concordou de prontidão, já que havia apenas chegado e me mandado uma mensagem perguntando se poderia se unir a nós.
Melissa já havia comentado comigo sobre seu interesse por Luca, quando eu desabafei com ela sobre em algum dia que eu estava bêbada demais, ela concluiu que Luca estava disponível e que ela poderia tentar investir nele, recebendo meu total apoio.
Seguimos para o apartamento que já estava perfeitamente decorado com algumas bexigas e uma faixa improvisada escrita “Sentiremos sua falta Luca”, Melissa era totalmente precavida para esse tipo de situação, ela mantinha uma gaveta na sua escrivaninha com tudo aquilo que precisava para uma festa surpresa e eu não poderia ter ficado mais feliz com o resultado.
Passavam das seis da manhã quando o pessoal começou a ir embora, eu, Luca, Lindsay e Melissa continuávamos sentados no chão da sala conversando sobre alguma coisa sem sentido e rindo ainda mais por conta disso.
Me levantei e caminhei até cozinha atrás de algo para comer e Luca veio até mim, me assustando quando pulou de trás da porta da geladeira que estava aberta.
, queria te perguntar uma coisa. – Ele foi direto.
— Claro, o que foi?
— A sua amiga, Melissa, acho que ela está dando em cima de mim e eu realmente não me importo em ficar com ela desde que você não se importe.
— Sério? Eu fiquei com o dois dias depois da gente transar, porque você não poderia ficar com Melissa? Pensei que nós havíamos esclarecido nossa relação, Luca.
— Eu sei, , só queria ter certeza que isso não afetaria nossa amizade e nem a sua com ela.
— É claro que não, vem aqui. – O puxei para um abraço o fazendo gargalhar, talvez ele estivesse bêbado demais para se lembrar daquilo mas eu realmente tinha um carinho por ele e queria que ele fosse feliz, ele merecia aquilo. — Eu vou sentir sua falta, Luca, promete que não vai se esquecer de mim?
— Jamais poderia esquecer da minha fã número um.
Ele se afastou pegando meu telefone que estava apoiado na pia da cozinha e posando desajeitadamente para uma foto, me fazendo gargalhar pelo efeito álcool e foi a foto mais bêbada que poderíamos ter feito em toda nossa vida.
— Quando eu ficar famoso de verdade, essa foto vai valer milhões.
— Então é melhor eu me apressar em mostrá-la ao mundo! – Rimos enquanto eu abria o instagram e postava a foto com Luca, eu sentiria tanto sua falta.
Na legenda eu postei a música em que nos fez nos aproximar naquele dia do bar, Last Night era nossa trilha sonora e cairia perfeitamente naquele momento.

“And if tomorrow never comes, we had last night.” – I’m gonna miss you, thanks for being who you are. <3

Luca postou a mesma foto em seu instagram com a mesma parte da música, afinal, aquela era a nossa música e mudou apenas o final: “thanks for being my #1 fan” Sorrimos satisfeitos com aquilo, nossa amizade tinha se tornado algo natural e sincera, eu iria sentir falta das noites em claro conversando com Luca, ele sabia sobre aquela semana triste que eu estava tendo por conta de e procurava sempre me animar de alguma forma, ele tinha se tornado um irmão mais velho pra mim e eu seria eternamente grata a ele por todos aqueles momentos.
Fui puxada para fora dos meus pensamentos quando Luca me mostrou a notificação que havia acabado de chegar no seu celular:

curtiu sua foto”
comentou sua foto: good luck, bro”


Eu gelei, eu não esperava por aquilo, eu não queria que ele pensasse que aquilo tivesse sido de propósito, a música dele na minha foto com Luca, uma música que falava sobre ter feito algo e não se lembrar no dia seguinte, uma música que poderia ter sido a indireta perfeita.
Ali eu percebi, também, que o fato dele não ter entrado em contato comigo não foi por falta de meios de comunicação, ele simplesmente não quis.
Senti meu estomago embrulhando e corri até o banheiro, deixando sair tudo aquilo que me estava fazendo mal junto com as lagrimas que eu contive durante toda aquela semana, não me importava mais no quão vulnerável eu estava naquela situação, era óbvio que tudo aquilo estava me enlouquecendo e que mais cedo ou mais tarde tudo viria à tona.
Lindsay entrou no banheiro preocupada e me vendo naquela situação, me despiu e me colocou sob ao chuveiro frio, me ajudando a tomar um banho antes de me colocar na cama, me fazendo dormir passando as mãos nos meus cabelos enquanto dizia que tudo ficaria bem e que ela estaria sempre comigo.
Me deu um último selinho e ali nós adormecemos.


Capítulo 15

Acordar na manhã seguinte foi difícil demais, minha cabeça latejava e minha garganta queimava por conta do vomito, meus olhos doíam e eu sentia que estavam inchados, eu não tinha idéia do quanto tinha chorado na noite anterior.
Vi Lindsay deitada ao meu lado que dormia tranquilamente, ela tinha passado a noite comigo para se certificar que eu ficaria bem e deve ter dormido num momento qualquer enquanto falava com , já que seu telefone estava ao seu lado perto de um de seus ouvidos. Eu admirava a força de vontade deles dois apesar de me fazer um pouquinho de inveja, afinal nossa situação era bem parecida porém decisões diferentes foram tomadas.
Me levantei com certa dificuldade até o banheiro, tomando um banho rápido e fazendo minha higiene matinal, segui até a cozinha vendo a porta do quarto de Melissa entre aberta e ela na cama acompanhada por Luca, ri baixinho da cena, me lembrando que um dia era eu quem estava em seu lugar, e continuei meu caminho. Encontrei meu telefone jogado no chão ao lado do sofá desligado sem bateria e desisti de usar o aparelho, estava faminta demais para me preocupar com aquilo naquele momento.
Coloquei o celular no carregador e dei início ao meu café-da-manhã enquanto lia uma revista sobre animais de grandes portes, que eu assinava por conta da faculdade, que estava a li mais de uma semana na mesa da cozinha ainda lacrada.
Meu celular ligou pouco tempo antes de eu finalizar a última página e o peguei para ver se tinha alguma mensagem ou ligação importante e me deparei com uma mensagem de script>document.write(Bradlry) no instagram, enviada há seis horas atrás, exatamente quando eu e Luca postamos aquela foto, talvez se eu não tivesse ficado mal e corrido até o banheiro, eu teria visualizado no mesmo momento e temia pelo o que poderia ter pensado sobre aquilo tudo, sentindo novamente as lágrimas invadirem meus olhos. Não que eu devia alguma satisfação a ele, afinal tinha sido ele quem decidiu não me procurar enquanto vivia intensamente os últimos dias de turnê pela América. Respirei fundo antes de poder abrir a mensagem, fazendo as contas de que horas eram quando ele havia decidido me procurar, eram quase quatro horas da manhã lá, o que me fez pensar no porque ele estava no telefone ao invés de estar na cama com uma das dezenas de meninas que ele havia dormido naqueles últimos dias.

“Oi, , como você está? Espero que tudo bem. Beijos, .”

A única coisa em que pensei foi em quanto ele estava sendo idiota, pensei por muito tempo antes de pensar em como responder aquilo sem parecer ter sido afetada pelo seu comportamento ultimamente.
Mas antes mesmo de começar a digitar, outra mensagem me pegou de surpresa.

, você está ai?”

E ele sabia que eu estava, já que estava visualizando suas mensagem naquele exato momento.
Passava do meio dia e ainda era cedo nos Estados Unidos, cerca de nove ou dez horas da manhã dependendo de onde ele estava naquele exato momento, que eu não fazia idéia, já que decidi não acompanhar as notícias relacionadas a eles durante aqueles shows.
Respirei fundo e decidi que não tinha nada de mal em responder, que ignorar talvez só desse a ele o gostinho do meu sofrimento.
“Oi, Brad, eu estou bem obrigada por perguntar e você? Como estão os outros meninos? Espero que vocês estejam se divertindo.”

A mensagem foi visualizada instantaneamente.

“Não consigo dormir, posso te ligar?”

Eu não sabia o que fazer, não sabia se aguentaria conversar com naquele momento. Devo ter demorado muito à responder, porque quando finalmente decidi mandar meu número, a mensagem não foi mais visualizada.
Senti a tristeza me invadir juntamente com as lágrimas grossas que caiam sobre a revista, manchando algumas daquelas páginas.
Alguns minutos se passaram assim: eu, minhas lágrimas e o silêncio, aquilo já havia virado rotina. Mas assim que me levantei, senti meu celular vibrar sobre a mesinha, um número desconhecido estava me ligando e eu sabia que era ele, meu coração acelerou e minhas pernas vacilaram, tive que me sentar antes de responder a chamada de vídeo e contar até dez para tentar controlar as lágrimas que ainda insistiam em querer preencher meus olhos, aceitei a chamada e esperei a estabilidade de conexão.
— Oi. – Ele disse
— Oi , você está bem? – Perguntei tentando passar alguma tranquilidade a ele, ele parecia apreensivo e sua fisionomia parecia cansada, suas olheiras escuras se destacavam em seu viso, aquele semblante triste não condizia ao que eu havia conhecido uma semana atrás, ele parecia destruído.
— Não muito, sinto sua falta. Desculpa por ter sumido, desculpa por não ter te procurado antes. – Ele soltou tudo de uma vez e estava claramente alterado pelo álcool. — Eu precisava de um tempo para pensar, eu pensava que eu não era bom o bastante pra você e que você perceberia isso assim que eu pegasse o avião, eu pensava que não era justo tentar te prender a mim sendo que a possibilidade da gente estar juntos é tão remota mas eu quero tentar porque você vale a pena. Eu queria poder ter te ligado antes, ter conversado com você como fez questão de fazer com a Lindsay, eu queria ter sido sábio , mas tudo o que eu conseguir ser foi fraco. Você me desculpa? – Suas palavras foram como um soco no estomago, caíram sobre mim como um balde de água fria no inverno, meu interior doía, meu coração acelerava cada vez mais.
Se estávamos ali naquela situação foi porque fomos orgulhosos demais para correr atrás do que queríamos.
fica calmo, você não me parece bem, acho melhor termos essa conversa quando você estiver mais tranquilo, mais sóbrio.
— Não ! Eu estou bem, eu juro que estou bem. Eu só precisava te ver, mesmo que por uma tela tão pequena e sem poder te tocar.
O silencio se instalou entre nós, eu não sabia o que responder porque sabia que talvez ele esqueceria de tudo aquilo assim que dormisse e voltasse ao seu estado normal de sobriedade.
— Tudo bem, eu estou aqui. – Foi tudo o que consegui falar.
— Você sente minha falta ? Você parece tão bem, como você consegue? Garota, você mexeu comigo, por que eu não consegui te fazer sentir as mesmas coisas?
— É claro que eu senti sua falta, eu ainda sinto, eu durmo com sua camisa todas as noites mas ela perdeu seu cheiro. – Abaixei um pouco a câmera para mostrá-lo que eu vestia sua camisa. — Eu não estou bem , eu fiquei preocupada com você, a Lindsay me contou o que você tem feito, você não pode se destruir assim.
— É que ainda não me acostumei com sua ausência. Como eu pude sentir tudo isso em tão pouco tempo, , você consegue me explicar?
— Não, eu não consigo, porque não consigo explicar para mim mesma. – Disse sincera e vi que apoiou o celular sobre alguma superfície me deixando na escuridão total, eu chamava por ele sem obter nenhuma resposta mas esperei por alguns segundos antes de pensar em desligar, quando ele voltou com um violão na mão.
— Eu escrevi uma música, posso cantar pra você? – Naquele momento eu já tinha esquecido todo o mal que o seu silencio tinha me causado naquela semana, ele iria tocar uma música de sua autoria pra mim, naquele momento, totalmente bêbado e com a voz preguiçosa.
— Tem certeza que é uma boa idéia? Podemos fazer isso amanhã, acho que você precisa descansar um pouco agora e amanhã conversamos melhor sobre tudo isso.
— Não, eu quero te mostrar agora antes que eu desista.
Assenti e comecei a observá-lo se acomodando na beirada da cama enquanto afinava o instrumento, eu mal conseguia ver seu rosto, ele deixou a câmera posicionada bem em seu tronco desnudo me fazendo fechar os olhos e imaginar as vezes em que eu me acomodei ali antes de dormir, aquelas poucas vezes que significaram tanto para mim. Sua pele quente e macia, seu cheiro e seu toque... como eu sentia falta dele.
Uma melodia(https://www.youtube.com/watch?v=jPCbMdRBw_g) triste começou a ser dedilhada e eu esperava ansiosamente para ouvir o que ele tinha criado durante aqueles dias, se eu não tivesse sentada ali ouvindo aquilo, eu não teria acreditado que tivesse sido real.

“I've had space and time to realize the grass ain't green and I kinda miss my side
Know I shoulda listened when you told me the first time
You won't find another like me
'Cause I'm sat here in my front room with a girl who ain't you
Hopin' and prayin' you're breakin' up with another fool
Who didn't hear the words that I hear on the same loop
You won't find another like me

Maybe I shoulda loved harder
Put up more of a fight
I know I could've been stronger tonight
I look for love, but there's a space inside my mind
Well, I keep on missing you, I keep on missing you
If you've seen enough, know that I'll be right here
Now it's somebody new, I keep on missing you


estava concentrado demais na canção e não percebeu o quanto eu chorava a cada letra que saia de sua boca.

I learned every lesson, no more guessing
No more reasons why I should be reminiscing
Instead of saying how I feel
Instead of running from what's real
'Cause I can't keep all this weight on my shoulders
I can't sleep while my bed's getting colder
Strip it back and underneath, I know
I'm scared you'll find another like me

Maybe I shoulda loved harder
Checked if you were alright
I know I could've seen things in a better light
Now I realize
I look for love, but there's a space inside my mind
Well, I keep on missing you, I keep on missing you
If you've seen enough, know that I'll be right here
Now it's somebody new, I keep on missing you

Ele parou de tocar por alguns instantes e se inclinou um pouco para baixo, olhando para a câmera frontal do celular sorrindo antes de dar prosseguimento.

And even though there was nights We'd fight until it subsides And, God, you know that I tried But I keep on missing you.

Ele cantou as últimas estrofes e voltou a encarar o celular, seus olhos brilhavam mais do que eu poderia me lembrar e ele esperava alguma resposta, eu devia isso a ele.
, é maravilhosa! – Foi tudo o que eu consegui responder antes dele decidir que tinha ido longe demais com aquilo.
— Eu preciso ir, a gente se fala.
E desligou.
Ele simplesmente desligou, me deixando imersa em pensamentos confusos sobre o porquê daquilo agora, ele poderia ter esperado mais ou não ter dito nada, ele me levou ao paraíso e me deixou de novo no purgatório, ele não podia, ele não tinha o direito.




Capítulo 16

’s Point of view.

Acordei por volta das sete da noite quando me sacudia perguntando se eu estava vivo, demorei alguns minutos para me recompor e organizar minhas idéias.
Lembrava de ter falado com mas não sabia se tinha sido um dos muitos sonhos que eu vinha tendo com a garota ou se realmente eu tive contato com com a mesma.
— Cara, você nos deixou preocupado. – Ouvi meu amigo dizer assim que dei os primeiros sinais de vida.
— Não me lembro do que aconteceu noite passada.
me contou, conversando com Lindsay poucas horas atrás, que você ligou para hoje bem cedo e que você tocou uma música pra ela que você escreveu nessa viagem, você se lembra disso? – Rapidamente peguei o telefone que estava na mesinha ao lado e vi que havia uma ligação de aproximadamente dez minutos para um número estrangeiro, adicionei o número aos meus contatos indo na lista do WhatsApp procurar pela pessoa misteriosa, vendo uma foto de ao lado de um cavalo que era três vezes maior que ela, a mesma que eu havia visto dias atrás em seu instagram.
Peguei o caderno dentro da mochila e procurei a canção que poderia ter sido aquela que eu havia tocado, havia escrito pelo menos umas quatro músicas diferentes naqueles últimos dias mas eu tinha certeza absoluta de qual eu havia cantado para a garota.
Entreguei o objeto ao meu amigo e esperei que ele terminasse de ler pacientemente, fazendo algumas expressões de surpresa entre uma frase ou outra.
— Foi isso, , eu me lembro agora.
— Cara, o que você fez? O que está acontecendo contigo?
— Depois de ter expulsado outra menina do quarto eu peguei meu telefone e vi uma publicação de Luca. – Abri a foto que havia salvado, mostrando ao meu amigo. — Olha a legenda, cara, o que será que fizeram ontem que eles não deveriam ter feito? Eu enlouqueci, peguei o telefone e mandei uma mensagem à ela, mas ela deveria estar ocupada demais para me responder, . Eu passei a noite com o telefone na mão esperando que ela ao menos visualizasse minha mensagem, que ao menos me respondesse dizendo que não queria falar comigo depois de eu ter sumido, mas não. Ela é tão boa, cara, que ela estava preocupada comigo, ela quis saber de vocês e se estávamos nos divertindo. – Eu lia as mensagens enquanto explicava ao meu amigo o que havia de fato acontecido. — E então eu pedir para ligar pra ela e ela me atendeu, cara, eu pedi desculpas por tudo aquilo que eu talvez tenha causado à ela e no final eu pedi para mostrá-la uma música e eu tenho certeza que foi essa!
— Calma, , você estava bêbado.
— Eu sei! Mas sei também que eu sinto algo por ela e eu sei que não falei nenhuma bobagem, só que eu fiz uma besteira logo depois, eu desliguei. Eu não consegui olhar pra ela quando ela disse que a música era incrível, eu não consegui olhar pra ela sem lembrar de tudo o que eu fiz para tira-la da minha mente. – Eu começava sentir que poderia chorar a qualquer momento, enquanto meu amigo me olhava surpreso e triste ao mesmo tempo por me ver daquele jeito.
, olha pra mim. – Ele pediu e eu ergui minha cabeça, vendo sua expressão de pena enquanto olhava pra mim. – Vai tomar um banho, você está péssimo, vou trazer alguma coisa pra você comer e ai a gente conversa sobre isso, ok?
— Tudo bem. – Disse indo direção ao banheiro e vendo meu amigo sair fechando a porta atrás de si.
Quando senti a água quente cair sobre mim, eu deslizei pela parede fria até me ajoelhar no chão e deixei que as lágrimas escorressem com força. Eu soluçava, gritava, socava os piso sob mim querendo sentir uma dor ainda maior do que a dor que eu vinha sentindo naquela última semana, eu sentia falta de e não queria admitir isso, não queria admitir que aquela garota havia me conquistado em questão de dias. Vi o sangue jogar pelas minhas mãos quando um pedaço de azulejo foi quebrado, o vermelho tomou conta rapidamente daquele pequeno cubículo branco e senti minhas mãos latejarem, minha visão ficando turva e eu apaguei.
Não fazia idéia de quanto tempo fiquei desmaiado no chão do banheiro, quando acordei eu estava em uma sala branca com alguns fios pendurados pelo meu braço. Meus amigos estavam em pé em um canto do quarto, suas feições eram de preocupação e aguardavam pacientemente que eu acordasse daquele transe em que estava por conta dos medicamentos.
— Ele acordou! – Ouvi alguém dizer antes de ouvir os sons de alguns passos se aproximarem de mim.
— Cara, o que você fez? – estava ao meu lado e eu demorei alguns segundos até conseguir dizer alguma coisa.
— Me desculpem, eu perdi a cabeça.
— Isso nós percebemos, o que tem acontecido com você, cara? Você sabe que pode falar com a gente sobre qualquer coisa. – Foi a vez de se pronunciar.
— Eu tenho feito algumas besteiras, só isso.
ligou para essa manhã. – disse sem cerimônias.
— E por isso você decidiu quebrar sua mão?
— Não, , foi todo o contexto. – Expliquei sem muita paciência tudo aquilo que vinha ocorrendo durante aquela semana.
Há muito tempo eu vinha me entregando ao álcool para saciar minha solidão durante as turnês, mas sempre tive muito cuidado para não transparecer aos meus amigos e fãs que eu não estava bem.
A pressão que eu vinha sentindo sobre meus ombros, a saudade de casa, as horas intermináveis entre uma viagem ou outra, a solidão de ser um astro e não ter ninguém para dividir isso. Foi tudo um conjunto da ópera, não tinha sido apenas por , ela foi apenas a cereja do bolo que faltava para que tudo caísse sobre mim de uma só vez.
Eu amava meu trabalho, eu era feliz em fazer o que fazia, mas depois de dois anos sem férias e sem descanso, eu sentia meu mundo desmoronar aos poucos e eu estava me entregando à aquilo dia após dia.
Não entrei tanto em detalhes, eu não queria falar com ninguém, eu queria pensar em como e porque eu tinha chegado naquele estado. Eu tinha tudo. Eu tinha dinheiro, amigos, uma família que me apoiava, mulheres, luxo, fama... mas eu ainda me sentia sozinho e tentava preencher essa solidão da pior forma possível.
Quando tive alta, segui com os meninos até o hotel em que ficaríamos ainda por aquela noite para descansar antes de seguir para o Reino Unido para nossas merecidas férias.
Eu havia levado muitos pontos em ambas as mãos e por sorte não havia fissurado nenhum osso.
Joe nos pediu para permanecermos nas dependências do hotel aquela noite e descansar, já que sairíamos muito cedo para o aeroporto e a viagem duraria pelo menos nove horas.
Estava entediado demais no meu quarto pensando no que eu tinha feito e que efeito isso tinha causado à , respirei fundo e decidi que era hora de encarar minhas responsabilidades e falar com a garota.

’s Point of view.

Depois de encerrar a ligação, sem mais nem menos, eu passei o dia tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Aquela música parecia mais como uma declaração do que um desabafo, mas tentava não me iludir a tal ponto.
Eu sabia de tudo o que ele havia fazendo naqueles últimos dias, Lindsay me atualizava a cada ligação que fazia a , estava mais do que claro que estava se divertindo ao máximo e que não se importava comigo, as noites em claro que passamos conversando tinham sido apenas para passar o tempo, seu comportamento não condizia com suas palavras e parecia que eu não queria acreditar naquilo.
Naquele dia vi minha amiga tensa com o telefone na mão enquanto digitava mensagens numa velocidade impressionante e eu sabia que isso só acontecia quando ela tinha algum tipo de problema, além disso, não a vi ligar para e aquilo começava a me preocupar. Quando perguntava, ela dizia apenas que ele estava apenas muito ocupado resolvendo alguma coisa para ao último vôo.
Passava da meia noite e eu me arrumava para dormir, peguei o telefone e pensei em ligar para , queria esclarecer o que tinha acontecido naquela manhã mas não tinha tanta coragem assim.
Repousei o aparelho no criado-mudo antes de fechar os olhos e me entregar ao cansaço.
Fui acordada pouco tempo depois com o toque do telefone, me girei na cama tentando alcançar o aparelho tempo suficiente antes que a ligação fosse encerrada mas tinha sido tarde demais, deixei pra lá e não me dei ao trabalho de checar quem tinha sido a pessoa que me acordava àquela hora mas em menos de um minuto o som invadiu novamente meus ouvidos, me fazendo reclamar antes de atender sem checar quem estava decidido a interromper minha noite de sono.
, sou eu, te acordei? – Ele disse antes que eu pudesse dar o “alo” inicial. Me sentei assustada na cama e acendi o abajur mais próximo sorrindo ao ver seu rosto familiar.
— Oi , tudo bem eu ainda não estava dormindo. – Menti tentando disfarçar a voz embargada e abrindo os olhos o máximo que eu pude.
— Legal.
Silêncio. — Aconteceu alguma coisa para você me ligar à essa hora? – Vi que o relógio do celular marcava três e cinqüenta.
— Não, eu só queria falar com você.
— Estou te ouvindo. – Tentei não parecer grossa mas aquela situação estava realmente me dando nos nervos, dois dias a mesma coisa, faltava apenas as inúmeras desculpas, uma música nova e uma ligação desligada na minha cara.
— Primeiro eu gostaria de me desculpar, de novo, por ter sumido essa semana.
— Você já se desculpou ontem, você não deve fazer isso todas as vezes que a gente se falar.
— Não, é sério. Ontem eu tinha bebido demais e não pensava direito no que estava fazendo. – Sua resposta fez com que uma pontada de decepção me atingisse bruscamente. — Digo, eu senti sua falta e ainda sinto, não sei, eu pensei em te procurar antes mas não sabia o que dizer, você está chateada comigo?
— Você sabe que eu não tenho porque estar chateada contigo, nós não somos um casal , você tem direito de fazer o que quiser.
— Você está me chamando de , é lógico que você está irritada. – Eu não agüentei e soltei uma risada, não tinha como me defender daquele argumento.
— Eu não estou chateada com você só estou preocupada. – Menti.
— Eu estava tão cansado de tudo, , mas eu bebia, transava com uma garota qualquer, dormia, acordava para um outro dia e fazia tudo totalmente igual, eu pensava de estar bem, entende? – Eu concordei e deixei que ele continuasse. — Mas ai eu te conheci, eu não precisei me afogar no álcool por dois dias para me sentir mais aliviado, você me deixava tranqüilo, sereno, feliz... Essa semana eu não tive você na minha cama, não tive você esperando por mim depois dos shows e eu fiquei perdido. Foi ai que eu dei conta que eu estava me destruindo antes de te conhecer mas quando eu te conheci eu me senti preenchido.
— Eu, eu... Não sei o que dizer.
— Não precisa, eu só queria te dizer que eu sumi de propósito, eu queria entender os sentimentos que você causou em mim e eu pensava de ter sido só atração momentânea, mas não foi , eu continuo querendo você e você está longe demais pra isso.
— Em dois meses a gente vai poder se ver, se você ainda quiser.
— Mas são ainda dois meses nessa tortura, você não entende?
— É claro que eu entendo mas eu não sei o que dizer ou fazer para mudar isso, são os fatos e eu me acontentei com eles, se você não pode lidar com isso então deveria ter pensado duas vezes antes de me fazer acreditar que você estaria lá quando chegasse a hora.
Ele ficou em silêncio e eu podia ouvir sua respiração pesada.
— O que você quer que eu faça? Eu não posso fazer nada.
— Eu não posso agüentar mais dois meses, , eu quero entender agora o que você despertou em mim.
, por favor, não torne isso mais difícil do que já é. – Fechei os olhos quando senti que as primeiras lágrimas começavam a se formar ali.
— Abra os olhos, , me diga o que você pensa, o que você quer, me fala qualquer coisa que possa me confortar enquanto não posso estar com você.
— O que você fez não é justo, eu fiquei dias pensando o que tinha feito de errado pra você nem sequer pedir meu telefone. Fiquei pensando o porque de você fazer tanta questão em me dizer que nos encontraríamos na Inglaterra, foi você , foi você que colocou coisas na minha cabeça porque eu estava conformada em te dar adeus no dia que você deixou o Brasil. Mas não, você insistiu em dizer que eu era diferente, que fazia questão de me conhecer. Pra que , pra que isso? Por que você simplesmente não fez como sempre faz? Pra que você me ligou ontem falando tudo o que você falou, cantando uma música que eu pensei que tivesse sido escrita pra mim, sobre nós? – Soltei todas as palavras que estavam engasgadas na minha garganta, já não me importava mais se chorava ou não, eu estava nervosa demais para pensar nas consequências.
— EU NÃO SEI, TA LEGAL??? – Ele disse alterado demais. — Eu não sei porque fiz tudo isso e era isso que eu queria descobrir nessa semana.
— Está satisfeito agora?
— Não, porque a única coisa que eu descobri é que eu preciso de você. — Então deveria ter repensado sobre suas atitudes, porque você pensou só em você, você não sabe como foi pra mim toda essa situação.
— Foi por isso que eu te liguei ontem, porque eu não aguentava mais fingir que estava tudo bem quando não estava.
— Eu não sei mais o que dizer, eu não sei o que você quer, você me deixa confusa, eu... não sei.
— Eu quero te ver de novo, , eu preciso te ver de novo pra saber o que eu sinto por você. – Meu coração parece ter parado por alguns segundos e eu não sabia seu desabafo deveria me deixar feliz ou apreensiva, parecia tão perdido quanto eu, mas ele teve a coragem que eu jamais teria tido.
Suspirei profundamente pensando no que responder, eu não tinha uma resposta para aquilo.
— Tudo bem, vamos começar de novo, vamos apagar essa semana da nossa memória e vamos fazer do jeito certo dessa vez.
— Eu queria que fosse fácil assim, eu queria ter a coragem e o coração de mas eu não sou como ele , eu não sou bom pra você.
— Tá vendo? É isso que você faz, você coloca coisas na minha cabeça que me fazem acreditar que eu não fui só uma garota qualquer que você transou e no mesmo instante você me faz duvidar disso.
— Eu não sei mais o que fazer, eu sempre estrago tudo e eu não queria estragar as coisas entre nós, eu gostei do que eu vivi e eu quero experimentar isso de novo.
— Então pare de agir como um idiota.
— Eu juro que vou tentar. – Ele disse cabisbaixo. — Dois meses, certo?
— Sim, dois meses. – Sorri.
— Eu adoro esse seu sorriso.
— E você é o culpado.
— Eu preciso ir, posso te ligar amanhã? – Ele disse quando a porta se abriu e os meninos entraram por ela juntos.
— Oi , sentimos sua falta garota, como você está? – foi o primeiro a se pronunciar seguido pelos outros que me cumprimentavam e perguntavam como andavam as coisas pelo Brasil.
— Estou bem meninos, espero que vocês tenham se divertido durante esses dias.
— E como... A minha parte favorita foi essa noite quando encontrou desmaiado no banheiro depois de socar o azulejo do pavimento. – Ele disse quase não controlando as risadas.
— O QUE?
— Ah, ele não te disse... foi mal. – foi repreendido por que voltava à sua posição inicial de frente para o celular, levantando pela primeira vez uma de suas mãos enfaixada.
o que aconteceu? – Perguntei preocupada.
— Nada , eu estou melhor agora, foram só alguns pontos. – Senti novamente tentando abafar as risadas. — Mas eu vou ficar bem.
— Por favor, se cuida.
— Eu te conto tudo assim que eu puder, boa noite .
— Como preferir, boa noite meninos.
E a ligação foi encerrada.
Mais uma ligação e mais alguns pontos de interrogação e pensamentos que me assombrariam até o próximo contato dele. Tudo o que ele falava me parecia real demais, intenso demais. Um sentimento muito maior do que adoração por meu ídolo começava a se formar dentro de mim. Eu estava me apaixonando por mas não podia imaginar até que ponto aquela paixão me levaria.


Capítulo 17

Por incrível que pareça, e eu mantivemos contato durante os dois meses que se passaram. Ele me confidenciou o real motivo dos seus problemas, o porquê de ter chego à aquele ponto e me prometeu que procuraria ajuda, mesmo insistido que eu era o único remédio que poderia controlá-lo.
Foram inúmeras chamadas de vídeo, mensagens, ligações rápidas... vez ou outra arriscávamos de nos satisfazer entre um vídeo ou outro ou qualquer foto. Relutei um pouco no início, nunca fui uma garota adepta à esse tipo de modernidade, mas com era tudo tão leve e tão fácil que me bastou pouco para ceder às nossas vontades.
Fiz muitas entrevistas de emprego até ser chamada para trabalhar em um haras fora do Rio de Janeiro, especializado em cavalos de raça para competições, porém com o fato de que eu viajaria em poucos dias, não saberiam me dizer se a vaga estaria ainda disponível ao meu retorno.
Aquilo havia me deixado atordoada, cogitei até mesmo cancelar a viagem mas tinha certeza que Lindsay me mataria, sem contar que, apesar de ter ficado feliz, não mediu esforços em transparecer a tristeza de não ter certeza sobre o futuro próximo entre nós dois.
De qualquer forma eu queria vê-lo e uma viagem daquelas seria mais do que merecida depois de todos os anos de sofrimento entre livros e mais livros. Eu queria espairecer, ampliar meus horizontes, não sabia nem mesmo se eu continuaria no ramo da veterinária e me pareceu injusto com meus ex-futuros patrões.
O dia da viagem parecia não chegar nunca, parecia que aqueles meses haviam sessenta dias cada ao invés de trinta e minha ansiedade aumentava a cada dia riscado do calendário.
e eu não tivemos mais nenhum tipo de problema como na semana da turnê nos Estados Unidos, quando o garoto saia para se divertir com os amigos fazia sempre questão de não perder o contato comigo totalmente.
Uma noite ele havia saído com amigos da infância, que eu não conhecia, e me ligou de uma boate qualquer, me apresentando um por um e dizendo que estavam esperando por Lindsay e eu para podermos nos divertir juntos. Eu achava bem fofo da parte dele, ele tentava me incluir no máximo de programas possíveis, até mesmo com a família, dizendo que eu era a garota dos seus sonhos, me fazendo corar toda vez que se referia à mim daquela maneira.
Eu, por outro lado, havia a vida muito mais serena que a sua, havia visitado meus pais algumas vezes mas já era tarde demais no Reino Unido e estava sempre dormindo durante essas visitas. Na verdade foi um alívio, nunca havia apresentado ninguém aos meus pais, além de amigas, meu pai era rígido demais e o fato de não falarem inglês só aumentou meus cuidados.
Basicamente todos os meus dias se resumiam a sair com Lindsay. Fui mais vezes ao shopping em dois meses que em toda minha vida.
— Amiga você PRECISA de lingeries novas. – Dizia Lindsay um pouco alterada demais com todas aquelas peças em renda nas mãos.
— Na verdade não sou muito disso, Lindy, você sabe.
— Mas é para uma ocasião especial, vocês vão se ver depois de dois meses, você está apaixonada por ele e pelo que tudo indica, ele também! – Ela dava pulinhos animados fazendo com que os clientes ali presentes direcionassem os olhares a nós.
Ouvi aquelas palavras em voz alta me dava borboletas no estomago, havia se comportado muito bem durante todos os dias que se passaram desde aquela ligação esclarecedora, eu poderia me esforçar por ele. Ele merecia.
Lindsay havia perdido as contas de quantas lingeries e itens de sexy shop havia preso, eu fui bem mais moderada e resolvi não dar um passo maior que minha perna, não conhecia o suficiente, não sabia dizer o que ele realmente gostava e eu não era nem um pouco boa em ser sexy. Compramos ainda alguns itens para higiene pessoal, algumas roupas, sapatos, presentes para a família de Lindsay e para os meninos.
Chegamos no apartamento por volta das oito da noite, depositamos todas as compras no antigo quarto de Melissa, que havia deixado o loft logo depois de se formar, e partimos decididas a pedir uma pizza.
Enquanto esperávamos o entregador, demos início aos preparativos finais para a viagem, que aconteceria três dias depois, com calma para que não esquecêssemos nada e para que pudéssemos dividir igualmente o peso das malas.
Estávamos animadas, principalmente para rever os meninos, sabia que Lindsay e falavam de uma possível relação entre eles, ela cogitava até mesmo a possibilidade de não voltar comigo e por mais que eu fosse sentir falta da minha melhor amiga, eu dei todo apoio que ela precisava naquele momento.
Mais tarde, naquela noite, recebemos uma ligação de , o que era estranho visto que não era bem aquilo que esperávamos.
— Olá, meninas! – Ele disse animado demais. — Estão prontas??
, faltam só três dias, você não podia esperar por nós para se divertir? – Respondeu Lindsay brincalhona.
— Exatamente, por faltar apenas três dias, nós decidimos fazer uma noite só de garotos antes de perder dois integrantes da banda para vocês pelos próximos... quatro meses? – Foi a vez de aparecer por trás rindo um pouco descontrolado.
— Vocês sabem que não vamos roubá-los de vocês. – Disse antes de ver alguma coisa estranha passar como um vulto por trás dos dois garotos ali na tela do meu celular. — O que está acontecendo por ai? – Disse curiosa e esperei que algum deles virasse a câmera para que pudéssemos “participar” indiretamente daquela reunião.
— Estamos em Amsterdã! – Responderam em grupo, todos os quatro, rindo com algumas bebidas nas mãos e alguns cigarros mal enrolados de erva em outra.
— UAU. – Foi tudo que Lindsay conseguiu dizer quando viu o estado de . Definitivamente ele e eram aqueles que estavam mais alterados.
Ambos estavam sem camisa, mesmo sendo inverno, com os rostos mal maquiados, rindo sem motivo, dançando com algumas meninas que trabalhavam em uma das ruas mais movimentadas de Amsterdã. Sem sapatos, cobertos apenas por uma samba canção preta com folhinhas de maconha coloridas estampadas pelo tecido, pareciam que estavam vivendo o último dia de suas vidas.
— Venham cumprimentar suas namoradas, acho que elas não estão gostando nada disso. – Disse enquanto tragava um baseado.
— Elas não são nossas namoradas! – Disse com um pouco de dificuldade enquanto ria e levantava a mão dando um high fave com , deixando uma Lindsay um tanto nervosa ao meu lado.
Aquilo era verdade e eu não podia julgar, éramos livres para fazer o que bem entendíamos mesmo havendo uma relação, em termos, exclusiva.
— Não ainda!!!! – Foi a vez de se pronunciar diretamente a nós, chegando mais perto da câmera, perto demais para que pudéssemos ver todo o interno de seu nariz antes que ele estabilizasse o celular em mãos. Eu sorri com sua resposta e dei uma cotoveladinha na minha amiga que sorria como uma boba apaixonada imaginando o futuro relacionamento entre eles que eles vinham tanto cogitando.
— Não é verdade, swetheart, que é só uma questão de tempo? – Ele disse sorrindo, aquele sorriso que me deixava de pernas bambas e coração saltando pela boca.
— Gostei de ouvir isso. – Respondi ainda sorrindo.
— Não se preocupem, estamos apenas nos divertindo com nossos melhores amigos. – Disse pegando o telefone de sua mão e mandando um beijo para Lindsay.
— Prestem bem atenção no que vão fazer e voltem vivos, em três dias estamos chegando e em menos de uma semana poderemos matar a saudade. – Ela disse retribuindo o beijo.
— Tchau meninas, façam boa viagem e a gente se vê em breve. – disse pegando o celular das mãos de e desligando prontamente.
Começava a pensar que essa coisa de desligar o telefone na cara das pessoas fosse um costume britânico.
, como você pode estar tão tranqüila? Você viu onde estavam? COMO estavam? Com todas aquelas mulheres de fio dental dançando e nós aqui sem poder fazer nada!
— Eu não estou tranqüila, amiga, eles são solteiros e esse é o ultimo final de semana deles com os meninos antes da nossa chegada, eles merecem se divertir.
— Mas você não tem ciúmes? Como é possível, me ensina a ser controlada assim porque eu estou sur-tan-do!
— É claro que tenho, Lindy. Eu gosto do , gostaria realmente que fosse possível estar com ele, mas depois desses quatro meses não sei como pode ser, eu preciso voltar.
— Eu já te dei uma opção, basta você querer. — Juro que vou pensar, vamos nos focar primeiro na nossa viagem, em estar com os meninos e dessa vez vai ser com tempo, nos conheceremos melhor, conheceremos a vida deles... tenta pegar mais leve com e você vai tê-lo pra sempre, caso contrário isso vai acabar como com seus últimos dez namorados. – Disse recebendo um tapa em reprovação.
Lindsay era possessiva demais, ciumenta, pegajosa, briguenta e isso sempre foi um empecilho em seus relacionamentos, fora que me fez aprender em como não ser esse tipo de namorada.
Nos arrumamos para dormir e nos deitamos na sala, com uma boa comedia romântica, um balde de pipoca e uma garrafa de vinho.
Eles até poderiam estar se divertindo mas nós estávamos exatamente onde gostaríamos de estar, dividindo cada segundo que restava antes das nossas vidas mudarem para sempre.
Não tivemos mais notícias dos meninos durante os dias precedentes à viagem, Lindsay estava uma pilha de nervos por não ter notícias de e se questionava se ele havia desistido de reencontrá-la. Foram dias difíceis tendo que ouvir minha amiga se lamentar das atitudes dos meninos e que eles não deveriam ter feito aquilo se eles quisessem realmente um relacionamento sério conosco. Eu tentava ser mais positiva e pensar que eles não estavam fazendo nada de mais além de aproveitarem as férias ao lado dos amigos, mesmo que um leve ciúme insistia em se fazer presente dentro de mim, porém me agarrava às palavras de e tentava ficar calma, mas a ansiedade dentro de mim não me abandonava de forma alguma.
Saímos do Brasil no dia três de fevereiro, a noite, sem nenhuma pista de que os meninos viriam ao nosso encontro dias depois para nosso aniversário, foram doze horas de vôo ouvindo minha amiga reclamando e se questionando de toda aquela situação, mas ao mesmo tempo feliz de rever o pai depois de tantos anos e que o relacionamento dela com não estragaria esse momento.
Fomos recebidas no aeroporto de Heathrow por George e Peter com uma grade faixa escrita “welcome home” em letras coloridas com as cores da bandeira do Brasil, eles nos acompanharam de carro até a zona em que moravam, passando por alguns pontos turísticos enquanto diziam o quanto estavam felizes de nos verem e que não viam a hora de me mostrar Londres, já que Lindsay estava mais do que acostumada com aquela cidade.
Meus olhos brilhavam a cada monumento em que passávamos, aquela cidade que por muitos anos viveu dentro dos meus sonhos, estava ali com todas as suas cores e graciosidade do jeitinho que eu sempre sonhei.
Tivemos uma janta em família onde as gêmeas de dezesseis anos se juntaram a nós, que fizeram questão em dizer o quanto estavam ansiosas para conhecer a irmã, fiquei feliz em ver como minha amiga reagia à toda aquela situação, das vezes que puxava assunto com o padrasto e com as irmãs a fim de conhecê-los melhor.
Após a janta as meninas decidiram que nos mostrariam a vida noturna de Londres, mesmo sendo menores de idade elas conheciam muitos lugares e fizeram questão de nos fazer uma lista dos pubs e baladas que não podíamos deixar de ir, apesar delas não poderem nos acompanhar, mas aqueles planos poderiam ficar para outro dia. Não havíamos internet no celular pois deveríamos ainda comprar um cartão local para utilizar o celular de forma funcional e não apenas para tirar uma foto a cada segundo, então decidimos entrar em uma cafeteria que ainda estava aberta para usufruir da internet gratuita do local.
Apenas conectadas, entre dezenas de mensagens, pude ver o nome de , que havia me escrito algumas horas mais cedo.

“Oi, , espero que tenham feito uma boa viagem, me avise assim que estiver livre”

Mostrei a mensagem à minha amiga e bloqueei o aparelho.
— O que você pensa que está fazendo? – Lindsay falou alto assustando as irmãs. — Ignorando, ele não resolveu me ignorar por três dias? Pode esperar algumas horas.

“Ei, eu sei que você viu minha mensagem, preciso falar com você.”

Lindsay pegou o celular da minha mão e fez menção de responder, porém uma mensagem muito mais importante em seu celular acabava de chegar, fazendo com que a garota largasse o meu aparelho e vidrasse toda sua atenção no seu.

“Oi, desculpa, estava ocupada. Pode falar.”
“Você está em casa?”
“Não, estou com as meninas em uma cafeteria, por que?”
“Pegue o metro até Westminster Station, você precisa ir à uma festa que está acontecendo lá.”
“Estou com Lindsay e suas irmãs, não posso sair sozinha daqui, não conheço nada.”
, só levante, vá até a estação mais próxima e procure Jubilee line, a cor é cinza, você precisa ir até lá agora!”
“Digamos que eu vá... o que eu devo fazer ao chegar? Assim que sair do café perderei a conexão”
“Nada, tenho uma amiga lá te esperando, ela vai saber te levar até o evento.”
“Isso tudo é estranho , eu nem estou vestida para uma festa, fora que estou cansada da viagem, pode ficar para um outro dia..”
, você está em Londres, deve aproveitar cada segundo, eu iria com você se pudesse, mas pedi para que Frank te acompanhasse, ela é legal, vocês vão se divertir.”
“Quem é Frank?”
“Estudamos juntos alguns anos atrás, ela é alta, ruiva e usa óculos, está com uma touca rosa, é fácil de reconhecê-la.”
“Tudo bem se as meninas forem comigo?”
, a Lindsay deve ter algum tempo com suas irmãs, assim que o evento acabar Frank te levará para casa, confie em mim.”


Mostrei as mensagens à minha amiga que disse que se ele dizia que eu estaria bem e que depois haveria companhia para tornar a casa, que ela confiava nele e que eu deveria fazer o mesmo.

“Tudo bem, Lindsay disse que chego em alguns minutos”
“Perfeito, vou ligar para Frank, divirta-se.”


Estava apreensiva, mas gostaria de viver algo emocionante uma vez na vida. Sempre vivi na minha zona de conforto e tinha razão, eu estava em Londres e deveria aproveitar aquele momento.
Minha amiga resolveu me acompanhar até o destino final juto às suas irmãs, que à aquele ponto dividiam com nós sua internet.
Durante o percurso me contava que e ela marcavam de se encontrar na noite seguinte, que o menino iria até Londres antes do nosso aniversario e se hospedaria em um hotel no centro da cidade e que poderiam fazer tudo aquilo que precisavam fazer.
decidiu não me responder mais, como sempre, dando um mistério maior em toda situação.
Chegamos na estação e rapidamente encontrei a garota que me esperaria ali, como havia dito , ela era muito mais bonita do que eu imaginava e me perguntava se eles já haviam se relacionado, achando tudo aquilo surreal demais.
Me aproximei devagar da garota que falava animadamente no telefone com alguém.
— Oi, você é a Frank? – Ela se virou desligando rapidamente o celular e estendendo uma de suas mãos para mim.
— E você deve ser a , a garota do ? – Confesso que por aquilo eu não esperava, ele tinha se dirigido à mim como sua garota, tentei controlar uma risadinha afetada mas preferi agir com naturalidade.
— Sou eu, essas são Lindsay, Sophie e Alice. – Apresentei as garotas ali presentes e esperei pacientemente que se cumprimentassem.
— Então, vamos? Temos uma festa a curtir, presente de .
Olhei com curiosidade para minha amiga que apenas deu de ombros e disse que andaria um pouco ainda com suas irmãs.
Uma das gêmeas, que identifiquei como Sophie, deixou seu número à amiga de para caso houvesse algum problema e que eu pudesse me comunicar com alguém e nos despedimos logo à seguir, dando início à uma caminhada junto à Frank.
me falou muito de você, disse que está ansioso para te ver.
— Eu também, são dois meses que não nos vemos.
— Ele me contou como tudo aconteceu, parece louco mas achei super romântico o que vocês fizeram. – Disse a menina entre alguns sorrisos.
Precisava admitir, Frank era bem simpática e divertida, conversávamos como se fossemos amigas de uma vida e ela me fez contar como eu e nos conhecemos, segundo ela, ela gostaria de ouvir a outra versão da história.
Atravessamos uma grande ponte e caminhamos ainda por alguns minutos até que eu pudesse avistar a grande roda gigante que se iluminava em azul, era uma das coisas mais lindas que eu havia visto em toda minha vida.
— E é aqui que a gente se separa. – Ela disse.
— Como assim? Não deveria ter uma festa esperando por nós? – Disse confusa.
— Então, terá outra pessoa lá te esperando.
— Outra pessoa? Por que não me falou nada sobre isso?
— Ele gosta de fazer mistério. – Ela disse rindo antes de continuar. — Você só precisa achar a entrada da London Eye, é fácil, tem placas explicando exatamente como você chega até lá.
— E como é essa pessoa que está me esperando?
— Ela está, digamos, muito bem vestida e está com uma sacola grande na mão, com uma roupa especial para você.
— Para essa festa, suponho... – Disse cansada.
— Exatamente! – Frank disse se aproximando de mim e me dando um abraço. — Aproveite a noite, nós nos veremos em breve assim que chegar na cidade, sinto falta do meu amigo e ele me disse que sairemos juntos enquanto ele estiver por aqui.
— Tudo bem, então direi um até breve... foi bom te conhecer.
Ela sorriu, se virou e se afastou, sumindo da minha vista assim que girou em uma pequena rua que havia nas proximidades.
Caminhei em passos lentos até o tal local, não vendo absolutamente ninguém ali, eram oito horas da noite e não fazia idéia de como voltaria para casa e nem de como entrar em contato com as meninas.
Tentei procurar algum lugar aberto ou alguma pessoa que pudesse me ajudar, mas não tinha ninguém no raio de vinte metros de mim.
Insultei com todos os palavrões possíveis que eu conhecia antes de decidir voltar pela mesma rua que vim até achar o metro.
Mas quando me virei, vi uma pessoa parada de costas com uma sacola grande na mão, vestida de terno e uma touca preta na cabeça, me aproximei cuidadosamente receosa de não ser “a minha pessoa”.
— Com licença, você é... – Fui interrompida quando a pessoa se virou para mim e tirou a touca. Era ele.


Capítulo 18

era a pessoa misteriosa que Frank deveria me levar, eu não conseguia mexer nenhum músculo do meu corpo, só o admirava.
Ele vestia um smoking preto, com um colete preto, uma camisa branca e uma gravata borboleta preta. Ele estava mais lindo do que todas as vezes que eu o vi.
— Você vem me dar um abraço ou prefere só ficar olhando? Pode tirar uma foto se quiser. – Ele disse dando aquele sorriso que fazia minhas pernas tremerem.
Eu corri os poucos centímetros que nos separavam e pulei em cima dele, fazendo-o -soltar a bolsa no chão para abraçar minha cintura.
— Eu senti tanto sua falta .
— Eu também senti a sua sweetheart.
Ele me colocou com delicadeza no chão e colou nossos corpos com uma de suas mãos apoiadas em minhas costas, sua mão livre passeava pelo meu cabelo e se aproximava do meu rosto fazendo ali um carinho delicado.
Ele me olhou nos meus olhos e subitamente desceu para a boca, onde a sua começava a se umedecer, ele se aproximou e mordeu meu lábio inferior me fazendo suspirar alto e finalmente me beijou.
Um beijo como aquele no hotel quando nos despedimos, calmo, delicado, aproveitando cada segundo, enquanto minhas mãos faziam um carinho suave em sua nuca.
Quando nos separamos, pegou a grande sacola no chão me entregando, não consegui bem ver o que era e o olhei confusa.
— Vem. – Ele disse me estendendo a mão e adentrando em um local parcialmente escuro. — Esse bar é de Frank, ela me deixou as chaves, agora seja boazinha e vá se trocar.
Sem questionar o garoto, segui para dentro do pequeno estabelecimento a procura de um lugar em que pudesse entender aquele pacote branco dentro da sacola. Assim que achei o banheiro, tirei o envelope que havia uma fita de cetim dourada em torno e o abri, meus olhos se repousaram naquele tecido aveludado e macio e eu sorri, era extremamente elegante.
Um vestido longo marsala, com mangas compridas e bem justo na altura do busto, caindo um pouco mais solto na saia. Ainda dentro do pacote havia um uma caixa fechada que, ao ser aberta, revelou o pep toe preto meia pata, com um fecho delicado em dourado que passava pelos meus tornozelos.
Me olhei no espelho e vi que estava deslumbrante, se não fosse pelo meu rosto sem maquiagem, mas dei graças a Deus de haver sempre na bolsa uma pequena nécessaire com itens básicos em caso de em emergência.
Fazia frio e havia pensado em todos os pequenos detalhes para aquela noite, além do vestido longo com mangas, fui recebida pelo garoto que me esperava pacientemente do lado de fora do bar, com um sobretudo preto e um par de luvas, eu me sentia a própria Kate Middleton com todo aquele tratamento de princesa que o garoto estava me dando.
— Você está linda. – Ele sussurrou ao meu ouvido enquanto me encaminhava lentamente até a entrada da grande roda gigante.
— Obrigada, você também. – Respondi sincera sentindo minhas bochechas corarem. Eu sabia o quando era bonito mas naquele smoking ele ficava ainda mais atraente.
Não tinha ninguém ali além de alguns turistas que estavam ocupados demais em tirar fotos para nos observar. O horário da roda gigante deixava claro que estávamos um pouco atrasados para fazer um giro, caso quiséssemos.
— Vem, .
— Mas está fechado , não podemos entrar.
— Essa é uma das vantagens de ser famoso.
Pude observar uma senhora de meia idade que nos esperava na frente de uma das cabines.
— Olá senhora White. – Ele disse cumprimentando a senhora ali presente. – Essa é a garota que te falei.
, querido, como você cresceu! – Ela o abraçou antes de se virar para mim. – Olá senhorita
, muito prazer, sou a senhora White, fui a mentora de há alguns anos atrás.
— O prazer é meu. – Estendi uma de minhas mãos mas fui puxada para um abraço.
— Nunca vi feliz assim, garota, seja lá o que você tenha feito com ele, apenas continue e cuide bem do meu garotinho. – Ela disse enquanto me abraçava.
Quando nos separamos, pude ver os brilhantes olhos document.write(Bradley) nos encarando e com um sorriso de canto, pegou em uma de minhas mãos e me ajudou a entrar na cabine, dando um outro abraço à gentil senhora, a agradecendo. Ela deu meia volta e foi em direção ao painel de controle, esperando o garoto se juntar à mim e dando partida na grande roda.
Havia uma pequena mesa no canto da cabine, com uma garrafa de champagne, dois cálices e um buquê de flores.
— Elas são para você. – Ele disse estendendo o simples, porém lindo, buquê de girassóis.
— Você lembrou? – Disse sorrindo. Na nossa última noite no Brasil, lembro de ter falado sobre girassóis para , que meus avô costumava dar para minha avó um girassol por semana, que ele mesmo pegava do pé que havia plantado no jardim da casa deles, e quando a planta não dava a flor, ele ia até uma floricultura só para não quebrar a tradição.
Ele dizia que ela era a sua felicidade e nada melhor que um girassol para representar a alegria que ele sentia por tê-la ao seu lado. Quando nasci, meu avô estendeu até mim a tradição, toda semana ao invés de um, vovô colhia dois girassóis.
Eu morei com meus avós até vovô nos deixar e enquanto ele estava vivo, ele fazia questão de trocar o girassol do meu quarto uma vez por semana.
— É claro. A propósito, você sabe o quanto foi difícil achá-los no inverno? – Ele riu enquanto me dava um selinho.
— Posso imaginar. – Disse antes de observá-lo atentamente. Cada linda de expressão de seu rosto parecia milimetricamente desenhada para alcançar a perfeição; Seus olhos eram grandes e sempre se iluminavam mais quando o garoto ficava feliz. Seu sorriso tímido dizia que ele estava nervoso e esse era um dos sorrisos que eu mais amava nele.
Uma música (https://www.youtube.com/watch?v=S_E2EHVxNAE) calma deu início nos alto falantes enquanto subíamos tranquilamente até o ponto mais alto da cidade. Suas mãos faziam o trajeto de toda minha coluna até descansarem sobre meus quadris, eu abracei seu pescoço e apoiei minha cabeça sobre seu peito, sentindo sua respiração ofegante e seu coração acelerado.
Começamos uma dança tranqüila enquanto sentíamos cada nervo dos nossos corpos estremecerem.
— Eu senti falta do seu abraço. – Disse mais para mim do que para ele.
— Eu também, desculpa por ter agido como um idiota.
— Você já pediu desculpas por isso, eu não quero lembrar daqueles sentimentos, só quero aproveitar o tempo contigo, aqui e agora. Sem pensar no depois.
— O depois me preocupa. – Ele respirou cansado. – Hoje estamos aqui mas você vai ter que ir embora mais cedo ou mais tarde, eu vou ter que voltar com as turnês e sinceramente, isso me assusta.
— Eu sei, também tenho medo do que vai acontecer daqui pra frente. – Me afastei de seu peito apenas para olhá-lo nos olhos. — Vamos pensar positivo, ta legal?. – Depositei um selinho nele, que sorriu antes de afastar nossos lábios.
— Eu achei que depois de dois meses eu poderia esquecer aquelas duas noites que tivemos juntos. – Ele sorriu.
— Parece que somos inesquecíveis, baby. – Sorri de volta. — Estou feliz por estar aqui com você e não em alguma festa com alguma amiga sua.
— Não sabia como te trazer até aqui sem dizer que eu estaria te esperando, Frank teve a idéia da festa e se disponibilizou em ajudar.
— Você é incrível, obrigada por isso. – Nos beijamos com um pouco mais de intensidade, sorrindo assim que nossos lábios se separaram.
— Obrigada por confiar em mim e por me dar outra chance.
— Mesmo que eu estivesse com muita raiva de você, não conseguiria resistir aos seus encantos. – Ele riu divertido balançando a cabeça em negação.
— É sério, eu fui um idiota. – Ele beijou a ponta do meu nariz. — Eu quero te mostrar um lado meu que ninguém conhece.
— Eu sei que temos vidas diferentes mas eu quero que dê certo, eu estou mais do que disposta a isso. – Desabafei sincera.
— Você não sabe o quanto é bom ouvir isso, .
— Você não sabe o quanto é bom sentir isso, . – O imitei arrancando alguns sorrisos do garoto.
— Prometo ser mais positivo a partir de hoje.
— É assim que eu gosto. – Sorri.
— Você é a garota mais incrível que eu conheci na minha vida, . – Corei com seu comentário, ele me fazia perder as palavras quando decidia ser romântico.
— Eu fico lisonjeada de ter conseguido conquistar o magnífico , por dentro e por fora. – Pisquei e me acomodei de novo sobre seu peito, estava tudo romântico demais para mudarmos o rumo daquilo, poderíamos deixar para mais tarde as provocações.
Senti o garoto sorrir enquanto apoiava seu queixo delicadamente sobre minha cabeça.
O fato dele ter se lembrados dos girassóis foi algo que me pegou de surpresa, já que eu mesma não me lembraria, se fosse o caso. Se eu já não estivesse tão apaixonada por , arriscaria em dizer que depois daquele dia eu estava totalmente aos seus pés.
Continuamos dançando lentamente ao som de Richard Marx e ouvia cantarolando nos meus ouvidos uma vez ou outra, parecia que era a forma que ele encontrou de me dizer alguma coisa e eu estava entendendo perfeitamente o seu recado.
“I wonder how we can survive this romance
But in the end if I'm with you, I'll take the chance”


Ele disse me olhando nos olhos, acompanhando a canção.

“Oh, can't you see it baby, you've got me going crazy”

Eu respondi seguindo a letra e mordendo seu lábio inferior.
soltou o ar cansado enquanto me pressionava mais contra seu corpo, fazendo com que o volume que começava a se formar dentro de suas calças começasse a ser perceptível.
Agradecia mentalmente ao céus por ser mulher e disfarçar bem minhas necessidades biológicas, principalmente quando se tratava dele.
— Você me deixa louco. – Ele disse enquanto depositava um beijo no meu pescoço, me fazendo dobrá-lo um pouco de lado e deixando minha pele totalmente exposta para . Não era mais capaz de tirar um sorriso bobo do meu rosto, não sabia mais conter a felicidade.
Quando a cabine parou em seu ponto mais alto, me afastou delicadamente e pegou a garrafa de champagne que se encontrava no meio da mesinha improvisada. Ele sorriu abrindo o objeto e enchendo os dois cálices, entregando um a mim.
— Um brinde aos seus, quase, vinte e três anos. – Ele disse erguendo a taça.
O segui sorridente agradecendo e batendo levemente minha taça na sua.
Nos viramos para o grande vidro que nos fazia contemplar a vista maravilhosa da noite de Londres, que era quase tão bonita quanto aqueles grandes olhos que se perdiam naquela imensidão de luzes coloridas abaixo de nós.
— Obrigada por isso, . – Disse enquanto me acomodava em seu peito, que estava exposto graças ao seu braço em torno dos meus ombros.
— Você merece muito mais que isso, , e eu estou disposto a te dar as melhores coisas desse mundo. – O encarei como uma boba apaixonada, não tinha como não babar naquele homem ali ao meu lado. Ele não poderia ser mais perfeito, nem em meus sonhos mais improváveis eu poderia imaginar estar ali com ele.
— Você vai me acostumar mal desse jeito. – Disse rindo antes de me virar totalmente para ele e encarar aqueles olhos cheios de sinceridade.
— Só quero te fazer feliz.
Você me faz feliz. – Enfatizei bem o pronome antes de me aproximar e beijá-lo.
Eu sentia toda sinceridade naquele beijo, um calor fora de época emanava dos nossos corpos cobertos por tantos panos, nossas mãos já não faziam mais cerimônias ao percorrer nossos corpos. Seu toque, que até então, suave foi magicamente trocado por uma intensidade da qual eu me lembrava muito bem o enredo e seu epílogo.
— Eu não quero estragar esse momento mas eu não vejo a hora de te ver sem esse smoking. – Disse quebrando o beijo.
— Ainda vai ter que esperar um pouquinho, sweetheart, por mais que eu esteja louco para rasgar esse seu vestido, ainda tenho alguns planos para essa noite.
— Falando em vestido, como você conseguiu um vestido e um sapato que coubessem tão perfeitamente em mim?
— Tive minhas fontes. – Sorriu vitorioso.
— Espertinho. – Disse dando um tapinha em um de seus ombros.
A roda gigante já estava havia voltado a rodar, chegando ao seu destino final poucos minutos depois. e eu nos focamos em contemplar aquela vista maravilhosa enquanto trocávamos carinhos sinceros e, vez ou outra, cheios de segundas intenções.

’s Point of view.

Antes da viagem com os meninos, organizei nos mínimos detalhes para a noite da chegada de em Londres, queria me redimir por todos os sentimentos ruins que eu vinha proporcionando à garota.
A verdade é que eu não sabia como manter contato com ela sendo que não poderia realmente ter o contato que eu desejava.
Nunca fui bom em me relacionar com pessoas à distância, isso inclui inclusive minha família, muito menos ter algum tipo de relacionamento “exclusivo”.
Todas as vezes que eu ouvia sua voz, via seu rosto cansado nas incontáveis vídeos chamadas ou obtinha alguma foto promiscua, só me deixava com mais vontade de tê-la aos meus braços e mesmo sabendo que era questão de tempo, meu lado egoísta não me deixava em paz.
Muitas vezes eu ligava para a garota no meio da noite, enquanto ela já estava dormindo, simplesmente porque eu precisava, sem pensar no horário ou em seu cansaço. As vezes enchia seu telefone de mensagens até ela me responder brava porque estava ocupada e não podia me dar a devida atenção que eu gostaria naquele momento. Fui praticamente um psicopata em relação à ela durante aqueles dois meses, mas o pensamento de perdê-la me destruía por dentro. Apesar de nunca ter sido um romântico antigo, despertava em mim a vontade de me entregar a isso, a vontade de me envolver sentimentalmente com alguém sem medo de me apaixonar. Ela me fazia ter vontade de deitar no chão da sala vendo um filme sem segundas intenções. Me fazia pensar em passeios românticos e viagens inesquecíveis. Ela tinha me conquistado em tão pouco tempo que a possibilidade disso não dar certo já passava longe dos meus pensamentos.
Com todo o medo, obstáculos e inseguranças, ela me fazia ter vontade de ficar. Lindsay havia me ajudado a escolher o vestido e os sapatos perfeitos para aquela noite, me passando todas as informações necessárias para obter êxito no meu propósito.
Eu gostaria, na verdade, de esperar passar seu aniversário mas não pude controlar minha vontade de estar com a garota até aquele dia, gostaria de começar da melhor forma possível aqueles meses ao seu lado e nada melhor do que um passeio romântico no ponto mais alto da cidade para dar início no que poderia ser meses decisivos para nós.
Sabia que não podia errar, que não podia vacilar nem um segundo sequer. era preciosa demais e eu queria que ela se sentisse como tal. Precisei entrar em contato com a senhora White, que foi responsável por me ensinar todo o trabalho no ponto turístico anos atrás, antes de ganhar a vida como músico, pedindo sua ajuda para completar aquela tarefa.
Ela sempre me tratou como um dos seus netos e sempre deixou claro seu carinho por mim, quando fiz o pedido extravagante esperando uma resposta negativa, a senhora apenas suspirou fundo e disse que não via a hora daquele momento chegar, que ela sabia que cedo ou tarde eu encontraria alguém que me fizesse me sentir completo.
Posso dizer que o pequeno giro na roda gigante foi um sucesso, ver os olhos da garota vidrados na paisagem enquanto sorria e me agradecia, foi ainda mais emocionante do que eu pude imaginar. Por muitas vezes não soube o que dizer, meu coração gritava dentro do meu peito pedindo para que eu o aliviasse de todos aqueles sentimentos reprimidos, porém achei cedo demais jogar sobre ela todas aquelas sensações, sabia que era cedo demais para poder declarar à ela tudo aquilo que eu vinha tentando entender durante os últimos meses.
Pela primeira vez na vida eu deixei meus desejos masculinos de lado para, simplesmente, usufruir de um momento a dois sem nenhum tipo de malícia, e apesar da vontade louca de jogá-la numa cama para saciar minha vontade de tê-la, o fato de apenas poder tocá-la sobre o longo tecido aveludado me rendia o cara mais feliz do planeta.
Saímos da cabine exatos trinta minutos depois de entrar, agradecendo a senhora White e prometendo de visitá-la mais vezes, a senhora de mais de sessenta anos deixou visível sua felicidade em nos ver, desejando as melhores coisas do mundo para nós.
Caminhamos lado a lado por alguns minutos até encontrar a conhecida Ranger Rover preta que nos esperava. Meu motorista, John, nos esperava do lado de fora e se apressou em abrir a porta traseira do carro assim que nos viu nos aproximando.
— Preparada para a segunda parte dessa noite? – Disse ao pé de seu ouvido sentindo a garota se arrepiar com apenas o sopro leve que saia dos meus lábios.
— Ainda tem uma segunda parte? – Ela fingiu estar entediada. — Quando chega a parte em que a gente pode simplesmente tirar a roupa e fazer aquilo que nós dois já não aguentamos mais esperar? – Disse divertida.
— Acredite em mim, só eu sei o quanto está sendo difícil me conter. – Sorri antes de lhe dar um selinho rápido, ouvindo o motorista dar partida no carro em seguida. O percurso de aproximadamente vinte e cinco minutos nos fez chegar alguns minutos atrasados para o espetáculo.
Descemos em frente ao Royal Albert Hall e pude ver seus olhos confusos ao me olhar desconfiada enquanto sorria de lado.
Tirei de um dos bolsos dois ingressos para o show da noite, Elton John faria uma apresentação especial beneficente para arrecadar fundos para o grupo de caridade RSPCA (Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals) onde, anualmente, levantava milhares de libras em prol à animais abandonados e/ou usados como cobaias para industria capitalista.
— Eu não estou acreditando! – Ela disse quase pulando em cima de mim e me dando dezenas de selinhos estalados.
— Acho que eu não poderia ter escolhido evento melhor.
— Elton John e animais, acho que você acertou em cheio.
Eu via o brilho de seus olhos falando por si. Apesar de continuar insistindo que sua escolha de profissão foi obra de sua mãe, ela exalava amor quando se tratava de animais e eu tinha certeza que ela estava atuando na melhor área que ela poderia atuar.
Nossos assentos eram do lado direito to palco, em um pequeno camarote reservado à nós, onde nos dava a visão perfeita de todo o local, que se preenchia de pessoas bem vestidas e que em poucos minutos daria início ao espetáculo.
Ela lia atentamente o panfleto que a nós foi entregue assim que entramos nas dependências do teatro, pude ver algumas lagrimas se formando em seus olhos a medida que o texto explicativo chegava ao final.
— Sei que chorar ou doar algo para esse tipo de evento não vai mudar a situação em que os seres humanos enxergam os animais mas... eles dependem tanto da gente, , não entendo como alguém seja capaz de maltratar seres tão puros.
— Eu sei, . Eu escolhi te trazer aqui porque sei o quanto você se entrega à causa mas se você preferir ir embora nós podemos ir. – Disse ameaçando me levantar, sendo interrompido apenas por sua mão que ela depositava levemente sobre minha cocha.
— Não! Eu quero dizer que um dia eu fiz parte disso. – Ela disse respirando fundo. — Obrigada por me trazer aqui. – Ela encostou levemente a cabeça sobre um dos meus ombros dirigindo sua atenção ao senhor que, agora, fazia um belo e emocionante discurso no centro do palco. Sendo aplaudido de pé pelas centenas de pessoas ali presente e logo depois dando espaço ao ícone do Pop Rock britânico.
Foram quarenta minutos de show que me fizeram arrepiar do início ao fim, era a primeira vez que, eu e , assistíamos Elton John ao vivo e foi uma experiência surreal.
Para um jovem músico, como eu, vivenciar esse tipo de experiência é como um empreendedor assistir um workshop de Mark Zuckberg. É aprendizado, inspiração, objetivo...qualquer coisa positiva que alguém possa tirar disso.
Ao sair das dependências nobres do teatro, uma pequena feira de adoção de animais de pequeno porte dava início no salão de entrada do lugar, onde um aglomerado de pessoas se formava para ter a chance de adotar, e ajudar, os animais ali necessitados de um lar ou de cuidados especiais.
— Podemos ir até lá? – Ela me olhou com aqueles olhos cheios de esperança como se eu a impediria de tal coisa.
— Claro, , mas não vá se ape... – Tarde demais. Pude ver a menina agachada ao lado de um pug idoso que mexia o rabinho com certa dificuldade a cada toque da garota.
Fiquei de longe estudando cada movimento seu, o quanto ela se sentia confortável ao lado de todos aqueles cachorros e gatos descontrolados em busca de atenção, o quanto ela não se importava em estar vestida em um vestido longo e elegante com saltos que eu nem conseguiria imaginar como ela se equilibrava e a quantidade de amor que ela depositava em casa beijo ou carinhos que dava à aqueles seres.
Me aproximei lentamente a fim de relembrá-la que ela não podia ficar com nenhum deles quando ela já estava se levantando com o tal pug em seus braços.
, você sabe que não pode ficar com ele, certo?
— Eu sei mas eu me sinto tão mal em deixá-lo aqui. – Ela disse ajeitando o animal mais confortavelmente enquanto ele já pegava no sono. — Você sabia que o abandonaram porque ele está velho? Ele está doente e a sua antiga família simplesmente o descartou! – Ela disse indignada.
— Eu entendo, mas você não pode levá-lo, . Você está de férias, há muitos compromissos nesses quatro meses. – Pude ver seus olhos se enchendo de lágrima.
— Você tem razão, seria egoísmo meu de qualquer forma. – Ela disse repousando delicadamente o cachorro de volta à sua caminha.
Nisso uma jovem senhora, de aproximadamente quarenta e poucos anos, se aproximou de nós perguntando se havíamos interesse no animal.
Expliquei pacientemente que não era uma opção por conta de nossas vidas corridas e que em alguns meses voltaria para o Brasil e que era uma viagem longa demais para ele.
— Por que vocês não vem nos visitar quando tiverem algum tempinho livre? – Ela disse simpática. — Estamos sempre dispostos a receber novos voluntários, temos muito trabalho a ser feito.
— Sério? – A garota respondeu. — Podemos? – Ela se virou para mim unindo as mãos em forma de suplico.
— Claro, podemos ir quantas vezes você quiser.
— Que bom, será ótimo recebê-los em nossa ONG. – A moça sorriu e nos entregou um cartão de visitas. — Esse é meu número, me chamo Eliza, estarei esperando por vocês. – Disse estendendo a mão em forma de cumprimento e voltando ao seu trabalho.
— Eu já quero poder cancelar todos meus planos só para estar junto à aquela bolinha de pêlos. – Disse animada enquanto gesticulava.
— Mas não os dessa noite, sweetheart, tenho planos melhores para nós dois. – Sorri de canto fazendo a menina corar.
Apoiei um de minhas mãos sobre seus ombros e caminhamos até o carro que estava próximo à entrada.

’s Point of view.

A noite tinha sido maravilhosa, eu estava encantada com nosso passeio na London Eye e assistir Elton John tão de perto foi uma dos momentos mais emocionantes da minha vida.
Havia conhecido Boris, um pug de onze anos com diabetes que havia sido abandonado pela família, eu seria egoísta em levá-lo para casa comigo mas confesso que aqueles olhos pidões não sairíam da minha cabeça por dias, contava as horas para poder ir até o abrigo e vê-lo mais algumas vezes antes de partir.
Dentro do carro, brincava com meus dedos enquanto falava empolgado sobre o show que havíamos acabado de assistir e o quanto aquilo tinha sido inspirador para ele. Vez ou outra se desculpava por não termos levado Boris conosco mas que aquilo sim seria um passo muito grande no nosso “quase relacionamento” , me fazendo rir quando se referia à nós fazendo aspas com as mãos. O caminho, de aproximadamente vinte minutos, passou despercebido por conta de nossas conversas e risadas nada contidas.
Seu motorista era um rapaz um pouco mais velho que eu e, se não fosse por , ele poderia ter sido o cara mais bonito que eu já havia visto na minha vida. Me sentia confortável ali conversando com o rapaz, ele dizia animadamente o quanto gostava do Brasil e que tinha tido a oportunidade de visitar meu pais por diversas vezes, tendo em conta que sua namorada era brasileira.
— Como vocês fazem isso dar certo, cara? – disse se interessando um pouco mais na conversa.
— Nós confiamos um no outro, senhor, estamos juntos há dois anos e eu estou pensando em pedi-la em casamento. – Confessou sorridente.
— Uau! Mas vocês não são muito jovens? Digo, você parece jovem. – Perguntei tentando não ser tão invasiva.
— Não se preocupe. – Ele disse antes de lançar um olhar divertido pelo retrovisor enquanto seus dentes perfeitamente brancos e alinhados faziam menção em permanecer naquele sorriso intrigante. — Sim mas nós nos amamos, sei que é de verdade. Nos vemos algumas vezes por ano mas não é o suficiente, quero poder tê-la do meu lado todos os dias, eu até já comprei o anel. – O rapaz suspirou.
— Nossa, parabéns pela determinação de vocês, é admirável. – Eu disse antes de me ajeitar confortavelmente no banco traseiro sentindo uma leve pontada em meu peito, imaginando se um dia poderia ser e eu vivendo um amor sem fronteiras.
John me contou que sua namorada também é do Rio de Janeiro e que estava no último ano de odontologia, que eles se conheceram num carnaval que ele havia ido passar com os amigos e desde o primeiro dia não se largaram mais.
Algumas vezes o rapaz arriscava falar algumas coisas em português e fiquei admirada no quão bem ele falava minha língua. Apesar de traduzir para , notei o garoto se distraindo ao meu lado enquanto olhava a paisagem passando com rapidez pelas janelas do carro.
— Obrigada John, espero que você e Caroline possam estar juntos de novo em breve. – Disse saindo do carro enquanto o rapaz abria a porta.
— Imagina, foi um prazer conhecê-la senhora , espero que tenham um boa noite.
— O prazer foi meu. – Disse estendendo a mão ao rapaz. — , pode me chamar de . Quando for até minhas terras me avise, será muito bom passar um tempo com você e Caroline.
— Claro senhora... – Ele pigarreou. — . Assim que chegar em casa ligarei para Carol, ela ficará feliz em saber que conheci uma de suas conterrâneas. – Sorri em resposta e me virei para , que havia um sorriso tímido no rosto.
— Boa noite John, pode ir pra casa descansar, entrarei em contato assim que precisar. Por enquanto tire alguns dias de férias.
— Muito obrigada, senhor. – O rapaz entrou no carro e o ligou, mas antes de dar partida foi interrompido pelo garoto ao meu lado.
— John! – Ele praticamente gritou, fazendo o rapaz se assustar e saindo do carro rapidamente o olhando com cara de espanto. — Amanhã te mandarei todas as informações sobre seu vôo.
— Senhor, não estou entendendo. – Ele disse passando levemente uma das mãos sobre a testa.
— Vá encontrar sua garota, cara. – disse sorrindo.
— Como assim? – O garoto parecia realmente perdido.
— Vou entrar em contato com o Joe ainda hoje e pedir para que ele providencie pra você uma passagem, tire algumas semanas de férias. Sei o quanto é ruim estar longe de quem a gente gosta. – Ele disse passando um dos braços sobre meus ombros me puxando para mais perto.
— Eu, eu... não sei o que dizer, como te agradecer. – O garoto dizia feliz.
— Não precisa me agradecer, apenas nos convide para o casamento, ok?
— Claro, senhor, vocês serão os primeiros na lista.
— Não esqueça o anel! – Eu disse animada recebendo um aceno antes de ver o garoto entrar no carro e dar partida. — Foi lindo o seu gesto . – Disse enquanto abraçava o rapaz.
— Quero que ele sinta o que eu estou sentindo nesse momento. – Ele disse beijando o topo da minha cabeça. — Vamos entrar? Porque eu não agüento mais de vontade de te jogar na cama e ouvir você gemer meu nome enquanto implora para que eu não pare de te dar prazer. – Ele disse dando um discreto tapa em minha bunda, me fazendo morder meu lábio inferior.
— Eu esperei por isso a noite inteira, , não vejo a hora de sentir você todo dentro de mim. - Apertei um pouco sua cintura e recebi um sorriso convidativo em troca.
Seria o gran finale da noite e eu mal podia esperar para sentir de novo aquilo que só ele era capaz de me fazer sentir.


Capítulo 19

A escolha de foi o o famoso e elegante Rosewood Hotel London, por fora mantinha a arquitetura clássica como todos os outros monumentos da cidade e por dentro um toque moderno ao antigo clássico deixava o ambiente mais acolhedor.
Parecia um castelo, ou ao menos aquilo que eu achava que um castelo poderia parecer. Passamos rapidamente na recepção onde o garoto cumprimentou um dos funcionários com educação e continuou me guiando até o elevador principal.
Nosso quarto ficava no sétimo, e último, andar do prédio. Ao chegar, abriu a porta e me deu passagem.
— Primeiro as damas. – Sorri e fiz uma referência com a saia do vestido adentrando a suíte.
De cara diria que foi uma escolha, um tanto, peculiar. A decoração marrom escura se contrastava com os detalhes beges e alaranjados, dando um ar muito clássico que não condizia com nossa idade, quis rir do pensamento que acabei tendo como primeira impressão mas me contive em não estragar o momento.
— Te trouxe aqui porque quero que você tenha a completa noção de como nós, britânicos, somos cafonas. – Ele disse rindo.
— É lindo , não é cafona, só um pouco antigo.
A cama king size era, definitivamente, a parte mais acolhedora daquele lugar.
— Quero que você tenha uma experiência totalmente britânica nas terras da Rainha.
— Eu poderia estar até em um hostel com algum quarto compartilhado desde que você estivesse comigo. – Disse sincera me aproximando do garoto que sorria ao ouvir minha resposta.
— Como eu disse, quero te dar as melhores coisas que eu puder. – Ele me beijou genuinamente ocupando totalmente minha mente, me fazendo esquecer que estávamos em um dos hotéis mais caros do pais só para ter uma noite maravilhosa, digna de contos de fada.
Desabotoei calmamente seu paletó, jogando-o em uma poltrona próxima a nós, enquanto suas mãos percorriam minhas costas.
depositava beijos e leves chupões na região do meu pescoço, arrancando de mim leves gemidos de prazer enquanto eu tentava desabotoar seu colete e sua camisa.
Quando senti que o garoto estava com seu abdômen exposto, separei nossos lábios por um segundo para admirar aquela visão. Sua pele macia e levemente corada me deixava sempre hipnotizada. Toquei sua pele quente com cautela e fui deslizando sua camisa por seus braços.
Ele me ajudava a se livrar daquela peça enquanto não perdia o contato com meus olhos, aquele olhar profundo e cheio de desejo fazia meu corpo estremecer de dentro para fora.
Não esperei para desabotoar, também, sua calça, fazendo com que a mesma caísse sobre seus pés e sendo jogada na mesma poltrona que, á aquela altura, nos servia de closet. Sua boxer preta, sempre bem alinhada, iniciava a lutar contra seu membro rígido que insistia em pulsar dentro dela, passei a mão levemente sobre o tecido fazendo com que jogasse a cabeça pra trás e soltasse um respiro pesado, puxando meus cabelos de uma forma um pouco mais violenta, um pedido para que eu continuasse naquela brincadeira. Me ajoelhei na frente do garoto sem cerimônias e o encarei antes de, sem pedir licença, descer sua cueca e começar a me divertir com seu membro.
Ouvi o gemido abafado de assim que coloquei todo seu membro em minha boca, sem tempo para provocações, já que dois meses já tinham sido tempo suficiente para “preliminares”.
— Se você continuar com isso, não vou agüentar por tanto tempo sweetheart. – Ouvi o garoto dizer antes de me puxar para cima.
Sorri satisfeita em saber os efeitos que eu o causava em tão pouco tempo.
Ele me guiou até onde a chamativa king size nos esperava e começou a tirar lentamente o vestido marsala que ainda endossava.
Agradecia mentalmente os conselhos de Lindsay sobre sempre sair de casa preparada, porque nunca se sabe quando encontraremos alguém para levar para casa durante alguma saída.
O conjunto de lingerie, preto rendado, não era bem o que eu gostaria de usar na primeira noite de sexo com depois de dois meses mas estava feliz com a, casual, escolha.
O longo vestido caiu sobre meus pés dando a visão que , mais tarde, descreveria como uma miragem depois de estar dois meses perdido no deserto morrendo de tesão, me fazendo rir descontroladamente com a comparação usada por ele.
Senti a grande cama encostar sobre a parte dianteira das minhas cochas e delicadamente me deitou até sentir minhas costas se acomodarem perfeitamente no centro do móvel.
Ele parou por alguns segundos diante de mim, ainda de pé, observando o que parecia uma famosa escultura renascentista de Donatello à sua frente.
— Eu quase me esqueci do quanto você é gostosa. – Ele disse me fazendo rir, num impulso me levantei e sentei de frente à ele, beijando seu abdômen enquanto minhas mãos trilhavam o caminho entre suas cochas até seu membro ereto. Ele mais uma vez puxou com força meus cabelos antes que eu pudesse abocanhar de uma vez seu pênis me levantando delicadamente até que eu ficasse de joelhos na cama e nossos rostos ficassem alinhados.
me beijou com um pouco de pressa enquanto desabotoava meu sutiã, fazendo a peça delicada voar pelo cômodo em seguida. Ele continuou descendo minha calcinha e brincando com o interno de minhas cochas, vez ou outra dando atenção às minhas nádegas.
Foi quando senti, finalmente, sua mão repousando sobre minha intimidade que separei nossos lábios, soltando um gemido sofrido não tanto satisfeito. O garoto apenas à acariciava e eu precisava de mais. Me empurrou novamente sobre a cama, dobrando meus joelhos quase na altura dos meus ombros e me puxando para ele na beirada do colchão.
Ele se abaixou e sem nenhum aviso prévio passou sua língua sobre toda minha intimidade exposta naquela posição. Entre uma lambida ou outra, ele beijava minha intimidade como se fosse um beijo de língua intenso, colocando a pressão justa nos pontos mais necessitados da minha vagina.
Eu me contorcia enquanto ele fazia pressão sobre meus joelhos, levantando gradativamente minha bunda e deixando apenas minhas costas apoiada no macio edredom branco.
Ele se levantou e brincou com seu membro sobre minha entrada, dando leves batidinhas ali. Àquela altura eu já não me importava mais em controlar os rumores que saiam de minha boca, que saíram ainda mais altos quando senti todo seu membro invadindo meu espaço de uma só vez.
Nossos gemidos se misturavam no ar formando uma melodia perfeita.
Enquanto me estocava, continuava segurando a parte de trás dos meus joelhos antes de apoiá-los sobre seus ombros e subir na cama, ficando cara à cara comigo.
Não sei como ele conseguia me encarar sem piscar enquanto tudo que eu conseguia fazer era fechar os olhos sentindo todo meu corpo formigar de prazer.

’s Point of View.

Ouvir gemendo totalmente entrega a mim era definitivamente minha música preferida. A química que havíamos na cama foi perceptível desde a primeira vez, ainda no Brasil, que tive a garota sob meus domínios. Não existia pintura no mundo que se igualava ao corpo da menina que parecia ter sido desenhado com o propósito de me fazer enlouquecer.
Ela era a personificação das garotas dos meus sonhos.
Não era tão baixa mas chegava na altura dos meus ombros; seus seios eram do tamanho perfeito para serem encaixados graciosamente em minhas mãos, nem tão grandes e nem tão pequenos, apenas perfeitos.
Seus cabelos, levemente ondulados, chegavam até a metade de suas costas e eram do tamanho justo para que eu pudesse emboscar minhas mãos em um rabo de cavalo bagunçado, me possibilitando de puxar sua cabeça para trás nas inúmeras posições que eu poderia me aproveitar da situação. A forma em que ela mexia seus quadris quando caminhava era exatamente como quando ela rebolava sobre mim, sua malemolência era uma coisa de outro mundo e por mais que eu houvesse levado muitas meninas para cama, o que ela fazia era algo só dela.
Mas o que me hipnotizava era sem dúvidas sua bunda. Eu não conseguia resistir às lembranças dela todas as vezes que me masturbei pensando em .
Virei a garota subitamente após essas lembranças, eu queria dar uma olhada melhor naquele músculo que por diversas vezes tomou conta dos meus pensamentos, me deixando com uma vontade absurda de foder aquela bunda.
Não sabia, porém, se era adepta ao sexo anal.
Resisti meus impulsos de tocá-la mais a fundo, me apoiando novamente na entrada de sua intimidade fazendo a garota jogar a cabeça para trás assim que meu membro atingiu a parte mais profunda de si.
... – Ela disse com dificuldade entre um gemido ou outro e eu já estava chegando ao meu limite. Não transava com ninguém desde a ultima semana da turnê, me contentei apenas com minhas mãos nos últimos meses pensando na garota que estava ali de quatro na minha frente.
Sabia que algumas vezes eu exagerava na força dos meus tapas e apertões, porém, todavia, sabia também que adorava sentir aquela ardência.
A garota se levantou ficando de joelhos sobre a cama sem me tirar de dentro dela, arqueou o corpo pedindo por mais contato e puxava meus cabelos em um pedido urgente de um orgasmo.
Passei minha mão sobre sua vagina estimulando aquele pequeno ponto de prazer, me limitando nos movimentos que eram impossíveis de serem feitos pela posição que estávamos. Mas antes de senti-la se derramar sobre meu pênis, sai de dentro dela recebendo um olhar de reprovação sob seus ombros e a joguei na cama, queria vê-la gozando enquanto olhava para mim.
Me encaixei novamente entre suas pernas continuando a estimulá-la cada vez mais rápido, sentindo seu corpo reagindo gradativamente até que ela arqueou o corpo para cima soltando um último e longo gemido antes de relaxar.
Continuei as investidas até sentir os choques tão conhecidos por mim subirem por minhas pernas, chegando até meu pênis e explodindo logo em seguida. Continuei ainda por alguns segundos com os movimentos de vai e vem até que a ultima gota do meu prazer se misturasse com seu suco.
’s Point of view.

Continuamos naquela posição por algum tempo antes de estabilizar totalmente nossas respirações, aqueles dois meses sem sexo haviam contribuído, e muito, para aquela performance um tanto quanto urgente de ambas as partes.
Me acomodei um pouco mais sobre os inúmeros travesseiros que faziam parte da decoração da cama e sorri um pouco tímida, apesar de ser bastante familiarizada com , seu olhar intenso sobre mim ainda me causava um pouco de vergonha.
Ele se juntou a mim me puxando para mais perto antes de nos envolvermos em um abraço cheio de significado. Levemente passava suas mãos pelo meu corpo me causando arrepios em partes que eu jamais havia sentido tal feeling.
— Seria estranho se eu te dissesse que eu poderia ficar no seu abraço pro resto da minha vida sem reclamar? – Disse baixo torcendo para que não assustar . Apesar da nossa aproximação e momentos românticos que havíamos tido mais cedo, não poderia dizer que aquilo tudo significava pra ele o tanto que significava pra mim.
Seus gestos e atitudes condiziam com tal sentimento porém não poderia afirmar com cem por cento de certeza que ele estava apaixonado por mim como eu por ele, talvez fosse apenas um garoto querendo agradar uma garota ou talvez ele realmente estivesse criando algum laço mais forte comigo.
— Não, não seria estranho. – Ele respondeu sorrindo.
, eu poderia ficar no seu abraço pelo resto da vida sem reclamar. – Repeti divertida em forma de confissão, fazendo o menino balançar a cabeça enquanto ria do meu tom dramático.
— Ótimo. – Ele disse. — Porque não tenho intenção de te deixar sair dele. – Ele me apertou mais forte e um choque percorreu toda minha espinha dorsal, eu me sentia protegida com ele e seu abraço era tudo o que eu poderia precisar para ser feliz.
Engajamos uma conversa animada sobre os planos que havíamos feito com Lindsay e pelas próximas semanas antes que os meninos voltassem ao trabalho, riamos de como era inacreditável onde havíamos chegado quando, na verdade, dormimos juntos pela primeira vez sem pretensão nenhuma de dar um ponto continuativo naquilo, pelo menos era o que ele pensava. Eu mentiria se dissesse que não havia interesse em continuar mas preferi não exagerar no sentimentalismo.
Falamos do calor do Brasil e de como ficávamos suados depois do sexo, que era nojento, mas que a vontade de ficarmos abraçados era mais forte do que qualquer líquido salgado sobre nossas peles. Lembramos de agradecer pelo inverno rigoroso no qual nos encontrávamos, achando uma fonte de calor natural em nossos corpos para nos aquecermos.
mais uma vez quis falar sobre a semana consecutiva ao nosso primeiro contato.
— Sei que já te pedi desculpas mas ainda não estou convencido o suficiente sobre você ter aceitado.
— Já disse que você não deve se desculpar por nada, não havíamos prometido nenhum tipo de relacionamento um com o outro. Você estava estressado e queria se divertir, só isso.
— O que eu fiz foi errado.
— Por que?
— Porque eu havia, sim, prometido a você que estaria aqui agora ao seu lado.
— E você está, não está?
— Eu sei... só quero saber como você se sentiu, você apenas disse “você não sabe como eu me senti” – Ele disse afinando um pouco a voz numa tentativa inútil de me imitar. — Mas nunca me disse como você se sentiu. – Não havia pensado numa resposta para aquilo, pensava que aquela situação tivesse ficado para trás e que havíamos “superado” aquela semana maldita.
— Bom... - Comecei procurando a melhor forma em dizer aquilo sem parecer neurótica. — Eu fiquei irritada, ta legal? Eu fiquei triste, decepcionada, confusa, iludida... não sei.
— E...? – Ele dizia interessado demais.
— E eu te odiei por aquilo. – Soltei todo o ar que estava preso em meu pulmão, um alívio havia tomado conta de mim e eu deveria dar mais credibilidade a Lindsay por me dizer sempre que a melhor forma de resolver as coisas é conversando e não fingindo que nada aconteceu.
— Eu também me odiei por aquilo, me culpei durante todos os dias nesses últimos meses.
— Você não deve se culpar por nada, , nós não somos nada, não devemos isso um para o outro.
— Você está se ouvindo, ?
— Não quero que você me entenda mal, nem que escape depois do que vou te dizer. – Disse me virando um pouco mais para ele, que ergueu as sobrancelhas. Poderia descrever sua fisionomia um tanto como assustada, com uma pitada de curiosidade e um toque de apreensão.
— Ok...? – Foi tudo o que ele disse, me fazendo me arrepender subitamente daquilo, mas já que estava ali, não custava nada arriscar.
— Eu sabia muito bem quem você era quando subi naquele elevador até a suíte, eu estava ali por você e por sua banda. – Parei um segundo para observar sua feição, que ainda era a mesma e respirei fundo antes de continuar. — Então é inútil dizer que meus sentimentos pra com não existiam antes daquele dia. Ir para cama com você, pra mim, já era algo que eu esperava e estava conformada de que, se aquilo acontecesse, seria apenas por uma noite.
— Eu já... – O interrompi colocando minha mão livre sobre sua boca.
— Deixa eu continuar. – Disse antes de voltar para minha posição anterior, recebendo um pequeno aceno de cabeça. — O fato de termos transado mais de uma vez, pra mim, não foi nenhum fardo. Eu sonhava com aquilo antes de você se quer imaginar que eu existia. Mas depois eu conheci o verdadeiro e você era muito mais do que eu só lia por ai, minha admiração de fã se transformou em um sentimento mais vivo, entende? – Ele apenas balançou a cabeça em confirmação. — E ai você disse que gostaria de me reencontrar e aquilo mexeu ainda mais comigo, eu fantasiei muitas coisas relacionadas a você e eu esperava que tudo aquilo fosse verdade. Mas foi quando você não me procurou, e tudo que eu sabia de você era o que Lindsay me contava, eu fiquei arrasada de uma forma que eu não podia acreditar. Naquele momento eu já havia planejado nosso casamento e quantos filhos teríamos. – Disse fazendo o garoto gargalhar. — E eu fui obrigada a acordar para a realidade porque sabia que você não se sentia do mesmo jeito.
— Acabou?
— Não!
— Ok, continue.
— Eu odiei você por me fazer me sentir tão idiota, mas a culpa nunca foi sua, fui eu quem criei tudo aquilo sozinha na minha cabeça. Quando você decidiu me ligar e cantou “Missing you” eu achei que você havia escrito aquilo sobre nós e...
— E foi sobre nós. – Ele me interrompeu, se calando assim que o lancei um olhar fulminante por estar cortando meu raciocínio. O fazendo levantar as mãos em forma de redenção.
— E mais uma vez me vi entregue à aqueles sentimentos, mas era consciente de que não havíamos nada para cobrar algo de você, por isso não acho que você me deva desculpas. Todas as semanas que nos falamos desde o final da turnê, eu permaneci sendo sua mesmo inconscientemente, eu não sentia atração por outros caras porque sabia que eles não me dariam o que você me dava, e ainda dá. – Enfatizei. — Os choques pela minha coluna quando você me toca, as borboletas no estomago quando estou perto de você, os arrepios e sensações que eu nunca havia tido antes, só você consegue me fazer sentir. – Respirei fundo mais uma vez, minha boca ficava seca e eu poderia me arrepender daquilo, era minha primeira noite dos quatro meses de férias e, se nada corresse como eu desejava, poderia me livrar dos meus pensamentos torturantes que me assombravam todos os dias. — Eu gosto de você, eu gosto muito de você, e saber que não posso ficar contigo me deixa péssima! Eu ainda espero poder transformar isso que temos em uma relação saudável, mesmo sabendo que as chances são remotas. – Ele continuava me encarando, a testa um pouco franzida e a boca fechada numa linha fina. — Se você quiser eu posso ir embora eu entendo perfeitamente, mas se eu não te dissesse tudo isso agora talvez pudesse ser tarde demais.
— Quanto?
— O que??? – Disse sentindo que alterava um pouco mais meu tom de voz. — Eu praticamente me declarei pra você e você me pergunta alguma coisa que eu nem consigo entender o sentido?!?! – Era esse meu medo, tinha certeza que ele já me achava uma louca de pedra.
— Não, é só uma dúvida. – Ele disse tranqüilo repetindo sua pergunta. — Tarde quanto?
— Não sei . – Disse ríspida e sem paciência. — Talvez depois desses quatro meses se continuarmos nesse ritmo de passeios românticos, momentos românticos, sexo maravilhoso seguindo por conversas divertidas e românticas... talvez seja tarde demais para voltar atrás e eu já esteja completamente apaixonada pelo , vocalista do , que sairá por aquela porta sem mais nem menos pensando que eu fui mais uma fã louca cobrando por um amor platônico sem sentido. E vai ser tarde de mais pra mim. É isso.
O garoto se sentou um pouco mais confortável na cama me encarando como quem estudasse o que havia apenas acabado de escutar. Eu pensava que havia estragado toda, e qualquer, possibilidade de estar com o rapaz durante as férias – ou depois delas.

’s Point of view.

Ouvir tudo aquilo foi, digamos, confortante.
Eu sabia dos meus sentimentos por e tinha certeza que era correspondido porém faltavam as palavras, o esclarecimento, a certeza.
Sentia meu coração ao ponto de sair pela minha boca pelo nervosismo que a garota me fazia sentir enquanto se abria para mim. Eu podia confiar nela mais do que nunca e dizer simplesmente que ela era correspondida mas seria fácil demais.
— Bom, como começar... – Disse fazendo um pouco de mistério.
A garota parada ao meu lado havia a respiração acelerada, dando a entender o enorme esforço que ela teve para poder dizer tudo aquilo que havia dito.
— Eu sabia que você era minha fã, Luca me contou tudo. Já falamos sobre isso, inclusive. – Ela sorriu e enfiou o rosto no meio dos travesseiros me fazendo rir. — E me contou também que você estava ali já com a intenção de me levar pra cama. – Sorri enquanto espalmava as mãos sobre meu peito e piscando rapidamente. — Procurei por você na piscina do hotel porque Luca já havia me falado de você e quando vi sua foto eu simplesmente quis te conhecer. Já te disse que o jeito que você lidou comigo e com a situação me fez ter vontade de te beijar antes mesmo de trocarmos as primeiras palavras naquela varanda. Ali eu percebi que você não era uma fã louca, como você insiste em dizer, porque você não se jogou pra mim como a maioria das garotas fazem. Você me interessou principalmente por isso, . – Disse pegando em uma de suas mãos e entrelaçando na minha. — Sabia que seria fácil dormir com você, não deveria nem me empenhar em tentar, mas tudo aconteceu naturalmente e eu adorei a forma com que levamos aquele momento. Eu me interessei em te conhecer melhor no segundo dia que dormimos juntos porque você me pareceu o tipo de garota que eu poderia me envolver e eu tinha razão, eu me envolvi contigo. Física e emocionalmente. Eu quis tanto ter você que isso me deixou no chão, eu quis entender tudo o que eu estava sentindo e eu cheguei na melhor conclusão possível depois de todas as merdas que eu fiz. – Parei de falar e um silêncio constrangedor tomou conta do quarto.
— E que conclusão é essa ? – Seu olhar era de desespero, ela estava implorando internamente para que eu dissesse exatamente aquilo que ela queria ouvir.
— Que você me deu as melhores noites de sexo da minha vida! – Disse enquanto a sentia tentar se desvencilhar do meu braço, puxando suas mãos imediatamente para perto de seu peito.
— Obrigada... eu acho. – Ela respirou fundo antes de soltar uma risada. — Me sinto tão idiota.
— Por que?
— Porque eu me apaixonei por você! – Ela quase gritou. — E você me fez acabar de confessar isso.
— E qual o problema?
— Nenhum. – Ela disse fazendo menção de se levantar, mas eu bloqueei seu movimento rapidamente me sentando sobre suas pernas sem soltar totalmente meu peso.
— Então antes de ir, a gente pode transar de novo? – Disse ouvindo a menina bufar e tentar sair de baixo de mim. — Calma, eu estou brincando. – Não agüentei encenar por tanto tempo, não seria um bom ator.
, me deixa levantar, por favor.
— Não. – Disse ácido. — E já te pedi para não me chamar assim.
— Que seja. Eu só quero ir embora. – Seu olhar finalmente se encontrou com o meu.
Pude ver as lágrimas começando a serem formadas em seus olhos e meu coração apertou, estava levando longe demais aquilo tudo.
— Você não vai à lugar nenhum, sweetheart, porque eu sou louco por você. – Ela parou de se rebater e a primeira lágrima a traiu, caindo sobre suas bochechas rosadas. — Você é linda, você me encanta, você me faz me sentir o cara mais sortudo do mundo por estar aqui agora. – Disse atropelando as palavras. — Como você caminha, o seu cheiro, o seu gosto... o seu beijo. A forma que você rebola sobre mim e depois parece ser o ser mais frágil desse universo quando me abraça.
.
— Eu não achava possível alguém se apaixonar em tão pouco tempo mas você chegou e mudou tudo.
— Então quer dizer que você também...– Ela disse baixo quase inaudível.
— Que eu estou apaixonado por você? Não ficou claro ainda? – Recebi o seu melhor sorriso como resposta.
Nos beijamos calma e tranquilamente apenas deixando que nossos corpos falassem por si sobre toda aquela conversa.
Dizer em voz alta que tinha me apaixonado por não foi tão difícil quanto pensei. Além de ter me trazido uma paz interior gigante, nós havíamos feito amor pela primeira vez. Não sexo, amor.

’s Point of view.

Por alguns minutos eu tinha esquecido como respirar. O suspense de me tirou totalmente o chão, meu cérebro funcionava como nunca tentando entender todas as demonstrações de carinho enquanto ouvia de sua boca que para ele tinha sido apenas sexo.
Não me importei em deixar as lágrimas caírem sobre meu rosto, já havia arriscado demais e, sinceramente, chorar era um dos meus menores problemas naquele momento.
O odiei por ter me feito acreditar nele durante os meses que se passaram, mas o odiei ainda mais quando pude ouvir sua risada sarcástica antes de dizer com todas as palavras que ele estava apaixonado por mim. Minha vontade de bater no garoto passou no momento que nossas línguas se tocaram e nossos corpos nos levaram para outra dimensão.
O sexo selvagem deu lugar ao sexo cheio de sentimentalismo e significado, talvez o primeiro que realmente houvesse significado alguma coisa para nós.
Eu diria que cheguei no meu ponto mais alto do prazer daquela vez. Apesar de gostar do masoquismo prazeroso, transar apaixonada estava no topo do meu ranking sexual. A forma que ele me tocava e me olhava deveria ter sido roteiro de filme de Hollywood.
Apenas acabamos mais um round de prazer, me pediu permissão para estragar o momento para ligar para seu agente Joe, como havia prometido mais cedo ao garoto que a essa hora estaria em casa arrumando as malas para encontrar sua namorada. Me levantei e fui em direção ao banheiro para tomar um banho enquanto deixava o garoto resolver suas questões -não tão- profissionais. Passei uns bons vinte minutos sob a água quente refletindo em tudo aquilo que havia acontecendo até ali e que, definitivamente, deveria dar uma bronca em Luca, logo depois de agradecer seu excelente trabalho de cupido.
Podia ouvir o garoto ainda falar ao telefone de uma forma mais alterada e tentei enrolar o máximo que pude dentro do cômodo que estava, a fim de dar a privacidade necessária que ele precisava. Infelizmente estava ficando com frio e não tive outra opção além de sair correndo para o quarto, me enfiando rapidamente sob o edredom antes que meus pés congelassem.
fez um sinal com a mão para que eu esperasse só mais algum tempo e se virou em direção à improvisada sala de estar da suíte.
Entediada, procurei minha bolsa pelo cômodo pegando meu celular de dentro dela e me conectando na internet do hotel para dar notícias à Lindsay dizendo que estava bem e que passaria a noite fora.
Mensagem entregue, ainda ausente. Procurei pelo contato de Luca e vi o garoto online, antes de escrever qualquer coisa apertei imediatamente o símbolo de ligação no chat do rapaz e pude ouvir sua voz divertida em menos de trinta segundos.
, como vai minha fã preferida?
— Oi Luca, que saudades! Como vai a vida de mochileiro?
— Se você pudesse apenas imaginar... se eu soubesse que era assim tão bom, já teria caído no mundo muitos anos atrás. – Riu
— Assim você não teria tido o prazer de me conhecer. – Brinquei
— E assim você não teria tido o prazer de dormir com o galã .
— Ha, ha, ha! Muito espirituoso.
— É sério, como vão as coisas entre vocês?
— Bem, estamos juntos agora. Quer dizer, ele está no telefone e eu estou falando contigo.
— Uau, parece que as coisas deram certo para vocês no final, né?
— Houveram alguns problemas mas ele acabou de admitir que está apaixonado por mim. Você acredita? - Soltei uma alta gargalhada junto ao garoto antes de continuar. — está apaixonado por mim!
— Não sei porque isso te espanta, você é uma garota incrível.
— Obrigada Luca. – Minhas bochechas coraram e eu sorri sem graça, agradecendo que Luca não era capaz de me ver naquela situação. — Estou com saudades.
— Eu também, gata. Me mantenha informado de tudo, agora preciso ir que tenho uma tailandesa maravilhosa me esperando, vou te mandar uma foto.
— Tudo bem, não suma.
— Pode deixar. Se cuida, manda um abraço para por mim.
Encerramos a chamada poucos segundos antes de tornar ao quarto.
Sua expressão não era a mais feliz do mundo, totalmente ao contrário de antes dele decidir ligar para o homem responsável pela sua vida profissional.
Ele sentou ao meu lado me dando um selinho rápido e voltando a atenção ao celular.
— Tudo bem? – Arrisquei perguntar, seu rosto preocupado começava a me preocupar e eu não gostava daquilo.
— Mais ou menos.
— Joe não quis conseguir as passagens para John?
— Não é isso. Esse foi o menor dos meus problemas, John pega ao vôo amanhã a noite.
— Então...?
— Só um minuto. – Assenti receosa e curiosa, continuava a ler algo que parecia muito interessante e ele bufava irritado enquanto balançava a cabeça em negação.
O garoto estendeu o aparelho para mim pedindo para que lesse uma tipo de reportagem em um blog conhecido sobre as notícias mais recentes das vidas dos famosos do momento.
Pude ver uma foto de um momento familiar.
e eu enquanto caminhávamos tranquilamente pelas dependências da London Eye até o carro; Uma foto de dentro do teatro enquanto conversávamos tranqüilos trocando risadas sinceras e carícias um tanto quanto promiscuas; Nós dois do lado de fora do carro abraçados enquanto depositava um beijo sobre minha cabeça enquanto encorajava John a encontrar sua namorada.

“Parece que o jovem , vocalista da banda de sucesso , foi fisgado.
O garoto apareceu essa noite, quatro de fevereiro, acompanhado de uma linda jovem de traços marcantes em alguns pontos turísticos de Londres.
Investigamos a fundo quem era a misteriosa garota e descobrimos que é a mesma garota em que manteve um breve romance durante a ultima turnê na America do Sul.
Uma fã brasileira, ( Alcantara, 23) aparece em momentos íntimos com o cantor durante os dois dias em que ele esteve em de passagem por São Paulo.
A jovem, porém, também parecia muito próxima do vocalista da banda brasileira Partime, que abriu o show dos meninos na cidade. Será que ela é uma groupie desesperada para conquistar o primeiro famoso que vê pela frente?”


Algumas fotos de dois meses atrás complementavam o conteúdo da notícia.
Haviam fotos nossas na primeira noite no hotel enquanto nos embebedávamos de vinho antes de subir para o quarto; uma foto minha na área dedicada a imprensa no show de São Paulo abraçada a Luca enquanto o agradecia por ter me proporcionado aquele momento; nós dançando próximos demais na boate no after party e uma última do lado de fora da casa de show enquanto nos beijávamos intensamente aguardando o taxi.

“Mas não é só isso. Logo após a banda seguir para América do Norte, o garoto foi flagrado aos braços de dezenas de meninas diferentes nas cinco cidades em que a banda percorreu antes do fim da turnê. Poderia quase que afirmar que a brasileira não foi o suficiente para satisfazer o desejo intenso de em busca de novas culturas para explorar.”

Fotos de , quase sempre bêbado, mostravam exatamente tudo aquilo que eu procurei não ver durante os meses em que estávamos separados. Apesar de saber bem como tinha sido aquela semana, eu optei por não procurar nada que pudesse me fazer me decepcionar ainda mais com o rapaz.

“Será que a garota é apenas uma figurinha repetida na vida de ou será que dessa vez o rapaz decidiu que a vida não é só álcool e sexo? Conte para nós, atual rei da Grã Betânia. Estamos curiosos sobre esse -não- relacionamento.”

À seguir, comentários disseminando ódio de milhares de garotas espalhadas pelo mundo dizendo que eu era apenas uma groupie qualquer e que ele não deveria se enganar pela minha cara de santa.
Alguns diziam que ele era bonito demais para mim.
Poucos comentários construtivos foram feitos sobre nossas fotos, entre eles pude ver os meninos da banda nos defendendo e dizendo que o advogado deles entraria em contato com a página.
Senti meus olhos queimando e corri para o banheiro buscando processar aquela chuva de informações enquanto minhas lágrimas caiam em um ritmo frenético.
Não era tristeza, nem raiva, mas ver daquele jeito entregue à todas aquelas meninas aparentemente perfeitas me fez questionar o que ele estava buscando em mim.
Ele tinha toda aquela vida regada a luxo e diversão, ficar comigo em um relacionamento sério não poderia ser uma opção a ser cogitada.
Ouvi passos se aproximando da porta e segurei o máximo que pude minha respiração ofegante, tentando me acalmar antes que encarar o par de olhos que vinha causando todo aquele desastre na minha vida.


Capítulo 20

’s Point of view.

Esconder aquilo de não me parecia justo, ela tinha o direito saber onde estava se metendo antes de pensar em dar mais um passo sobre nós.
Ser uma pessoa pública tem suas vantagens, por conta disso pude oferecer à ela uma noite memorável. Porém parecia que eu precisava sempre caminhar sobre um campo minado e aquilo me deixava bem irritado.
Ao falar com Joe, ele me explicou a informação que sua assistente havia recebido minutos atrás e ele fazia muito mais que o papel dele tentando me acalmar, insistindo que processaria tudo e todos que continuassem difamando os membros da banda e as pessoas que nos circundava.
Estava acostumado em ver minhas fotos nas noites em que saia para me divertir mas aquilo nunca havia sido, de fato, um problema. Mas ao ver as fotos com a garota que estava fazendo meu mundo girar sendo mencionada como uma possível groupie em busca de cinco minutos de fama, me fez querer tomar uma atitude muito mais do que coerente.
Joe acionaria o advogado assim que encerrássemos a ligação e me deixaria a par de todas as próximas novidades.
Pude ver ficando pálida à cada foto publicada após cada parágrafo da notícia, não tive tempo nem mesmo de me desculpar antes da garota correr em direção ao banheiro.
Passei as mãos pelos cabelos tentando me acalmar e peguei novamente o telefone discando o número de , que foi aquele que se expôs mais dentre os meninos.
Ele foi aquele que teve mais contato com a garota, depois de mim, pelo fato de sair com Lindsay e me explicou que não pôde se conter em tentar amenizar todos aqueles comentários cheios de veneno sobre .
Ele tentou me acalmar dizendo que ficaria tudo bem e que ela entenderia que aquilo não passava de fofocas quentes para aumentar a popularidade do site em questão. O maior problema foi com as fotos em que eu beijava e me esfregava sem pudor nas meninas que conheci nos Estados Unidos.
sabia do que tinha acontecido mas eu tinha total convicção que ela nunca havia visto aquelas fotos, caso contrário duvidava que ela estaria ali comigo naquele hotel.
Contei ao meu amigo que havíamos conversado poucas horas atrás sobre nós e que não podia estar mais feliz em ter esclarecido nossos sentimentos. apenas se lamentou pela situação e que era para eu ir conversar com a garota, pedindo para que eu tivesse paciência e que o ligasse caso houvesse necessidade.
Caminhei em passos lentos até o banheiro e pude ouvir soluçar baixinho tentando disfarçar seu estado emocional completamente compreensível devido a situação em que se encontrava. Dei uma leve batida na porta e foi questão de segundos ver a maçaneta sendo girada e uma pequena fresta na porta me deu a visão da garota visivelmente abatida.
Ela apenas me encarou enquanto enxugava as lágrimas que insistiam em escorrer por seu rosto, fazendo meu coração parar por um instante. Vê-la chorando não era a idéia que eu tinha em mente para aquele dia, muito menos por minha causa.
, eu não sei o que dizer, eu sinto muito. – Disse me aproximando da garota com um certo receio. Para minha surpresa, ela se jogou em meus braços me abraçando forte enquanto suas lágrimas quentes se perdiam pelo meu peito desnudo.
— Eu, eu... – Mal podia entender suas palavras abafadas pelo meu tórax. Me afastei alguns centímetros dando espaço à garota. — Eu não sou isso que falaram Brad! – Ela disse com dificuldade.
— Eu sei que você não é , falamos sobre isso algumas horas atrás. – Disse tentando arrumar, inutilmente, seus cabelos que caíram sobre seu rosto. — Por favor, para de chorar, eu não suporto ver você assim. Fica calma. – Tentei inutilmente acalmá-la, sentindo a ardência já conhecida por mim começar a tomar conta dos meus olhos.
— Como você quer que eu me acalme? Você viu o que escreveram sobre mim, sobre nós, sobre você?
— Não é algo que eu possa controlar. Eu sou uma figura pública, muitos paparazzi me seguem durante meus dias, , eu sinto muito que você tenha sido afetada por isso. Eu nem sei o que dizer. – Respondi sincero, respirando fundo e a puxando para mais perto.
— Eu realmente não precisava ver o que eu vi.
— Eu sei e já te pedi desculpas mil vezes por isso. Fiz questão de me explicar pra você, fiz questão de que você pudesse entender e eu fiz questão de te provar que eu errei fazendo tudo aquilo que eu fiz em busca de entender algo que estava mais do que claro pra mim. – Disse áspero por conta do nervosismo. — Joe já está entrando em contato com os advogados, , vou fazê-los pagar por terem te machucado. Eu vou pagar por ter te machucado. Por favor, confie em mim, eu nunca mais vou fazer você passar por isso. – Ela olhou pra cima um pouco mais contida e respirou fundo.
— Eu quero que você entenda que o que você fez não me incomoda pois, repito, não tínhamos nada além de incertezas sobre nós.
— Eu me sinto uma merda por isso e acho que nunca vou me perdoar.
— Para! Já deu desse assunto. – Ela disse ríspida. — Não quero mais saber sobre seu passado, quantas meninas você conheceu antes de mim ou o que você fez sobre isso, eu só quero viver o agora.
— É por isso que eu acho que não sou bom pra você, você tem o coração grande demais. – Confessei mais uma vez. — Mas quero ser bom pra você também , vou fazer qualquer coisa que eu puder só pra te ver sorrir.
Depois de muita delonga sobre o que fazer e o que não fazer sobre a tal notícia que veio a tona na noite mais esperada por mim dos últimos tempos, nos deitamos prometendo esquecer aquilo de uma vez por todas e dar início nas nossas vidas sem passados constrangedores ou dolorosos, que viveríamos o momento sem olhar pra trás e planejar tudo aquilo que gostaríamos de viver juntos.
, posso fazer uma coisa louca antes que sigamos em frente depois de tudo isso? – Arrisquei tocar, uma última vez, no assunto que poderia trazer novamente um princípio de “DR” com a garota.
— O que você está querendo dizer com isso?
— Posso?
— Odeio esse seu mistério toda vez que deve me dizer algo. – Ela disse revirando os olhos.
Peguei meu telefone que estava no criado mudo e abri meu instagram. Já que o mundo gostaria de saber quem era a misteriosa garota que, supostamente, havia fisgado meu coração, então eles saberiam.
— Não me odeie por isso.
— Por que eu te odiaria ?
— Boa noite, sweetheart.

’s Point of View.

Eu havia perdoado , eu não queria mais saber sobre aquilo, eu estava exausta. Quando sentia meus olhos pesando e o cansaço tomando conta do meu corpo, fui surpreendida mais uma vez com o garoto tocando naquele assunto tão delicado. Não quis prolongar com aquilo, seja lá o que fosse, poderia esperar pela manhã seguinte.
Fui acordada com o cheiro de café e senti meu estomago embrulhando, não havia comido nada desde a noite anterior, cedo demais para quem não estava acostumada a jantar às sete da noite.
Abri os olhos e me deparei com , apenas de boxer, sentado na minha frente com uma taça de café.
— Bom dia, sweetheart. – Ele disse me entregando a caneca e me dando um selinho. — Vou te levar em casa para que você possa se trocar e vamos comer em um dos meus lugares favoritos de Londres.
— Bom dia, Brad. – Sorri pegando o objeto em sua mão. — Claro, devo colocar novamente um vestido longo e saltos alto? – Brinquei.
— Não, é um lugar simples que eu costumava ir com os meninos no começo da nossa carreira. – Ele respondeu sorrindo. — Ah, antes que eu me esqueça, seu celular não pára de vibrar, acho que você deveria checar suas mensagens. – Ele piscou antes de me entregar o aparelho.
Tomei um bom gole de café antes de olhar para o celular e notei a chuva de notificações no instagram que se misturavam com mensagens de uma Lindsay desesperada. Não queria lidar com as crises da minha amiga àquela hora da manhã, mandaria uma mensagem antes de sair do hotel.
Abri o aplicativo de fotos para ver o que estava acontecendo quando vi milhares de notificações de novos seguidores que não paravam de chegar. Olhei de relance para antes de voltar minha atenção à aquela bagunça sem eira nem beira e vi um nome familiar entre todas aquelas pessoas desconhecidas.
Will Simpson marcou você em uma foto.” O olhei novamente desconfiada e vi o garoto sorrindo enquanto se arrumava.
A foto que tiramos juntos ainda no Brasil, em que ele beijava o topo da minha cabeça, havia sido publicada pelo garoto com uma legenda um tanto quanto apaixonada, me fazendo sorri assim que finalizei o pequeno parágrafo.

“If I could only catch your eye and throw a smile, maybe, I could start to say what's screaming in my mind. You should know that what I want to say could take all night…or my whole life. ;) ♥ - excited to show y’ all what I’ve been working on this winter, are you ready?”

Havia mais de cem mil curtidas e uma faixa de dois mil comentários elogiando a foto, a pessoa e a legenda.
Fãs histéricos sobre o possível relacionamento do cantor.
Fãs histéricos fazendo conspirações sobre a foto.
Fãs histéricos ansiosos pela novidade que estava por vir.
Fãs histéricos.
Me vi naquela situação anos atrás, onde eu fazia parte daquela massa.

— Brad, você tem alguma coisa a me dizer sobre isso? – Perguntei sorrindo, me levantando e indo de encontro ao garoto.
— Só dei a eles o que eles queriam. Espero que você não se importe. – Ele sorriu de canto se levantando e me abraçando firmemente.
— Sinceramente... – Disse com um ar de mistério. — Não me importo em ser rotulada como a namorada de Will Simpson.
— Parabéns, então você acaba de ser promovida à nova Rainha da Grã Betanha. - Parei por um minuto antes de analisar bem o que havia acabado de escutar, estava, subliminarmente, me pedindo em namoro.
— Você está falando sério? – Disse em meio a uma gargalhada. Meu nervosismo geralmente me fazia rir, era a forma que meu corpo encontrava para aliviar a tensão.
— Claro, todo rei tem sua rainha. E você é a minha. – Ele sorriu. — Isso é um problema? – Ele perguntou arqueando as sobrancelhas.
— O único problema é você sendo extremamente sexy nesse smoking, quando tudo o que eu queria era celebrar a minha coroação. – Disse prendendo seu lábio inferior entre meus dentes.
— Pode ter certeza que vamos comemorar em grande estilo sua ascensão, Vostra Majestade. – Ele sorriu antes de aprofundar nosso beijo.
O fato de estar nua me rendeu um bom orgasmo matinal. Devido ao horário, não poderíamos nos entregar tanto aos nossos desejos carnais caso quiséssemos chegar a tempo do café da manhã no local em que havia escolhido.
Antes de sair do quarto, mandei uma mensagem à Lindsay dizendo que passaria para me trocar e que estaria comigo.
Minha amiga tentou entrar em detalhes sobre o que havia acontecido nas últimas dez horas pois ela estava perdida sobre os novos acontecimentos. Me apressei em dizer apenas a verdade: e eu éramos oficialmente um casal.
Não tive tempo de visualizar a resposta da garota, já que já estacionava em frente ao hotel com a Ranger Rover preta já conhecida por mim.
— John deixou o carro antes de ir para o aeroporto. – Ele explicou assim que entrei no carro.
— Então ele foi realmente, uau.
— Claro, , eu também não perderia a oportunidade de visitar minha garota caso ganhasse uma chance. – Ele comentou dando ênfase na expressão.
— Quer dizer que você vai me visitar sempre que puder? – Perguntei animada deixando um sorriso bobo estampar meu rosto.
— Falaremos disso quando chegar a hora, não se preocupe. – e seus mistérios. — Como você vive dizendo, vamos aproveitar o agora. – Ele completou antes de arrancar com o carro e entrar no trânsito da grande cidade.
Demoramos um pouco mais do que deveríamos para chegar na casa do pai de Lindsay, visto que não era capaz de dirigir no centro da cidade. O fato de haver um motorista para tal o deixou completamente desacostumado.
Descemos e fomos em direção à porta, onde uma Lindsay muito animada nos recebeu antes mesmo que eu pudesse tocar a campainha.
— Eu vi o carro estacionar e deduzi que fossem vocês. – Ela me abraçou. — Estou tão feliz por você , quero saber de tudo assim que você tiver um tempinho livre para sua melhor amiga.
— Dramática. Tenho certeza que se fosse você e você demoraria uma vida até me contar tudo.
— Você tem razão, hoje a noite sairemos juntos, não vejo a hora de reencontrá-lo! – Ela desabafou fazendo gestos exagerados com as mãos.
— Vocês vão parar de falar essa língua que eu não sou nem um pouco capaz de entender ou vão me incluir no assunto de vocês? – perguntou se aproximando da minha amiga antes de envolvê-la em um abraço. — Te devo uma. – Disse baixo. Mas alto o suficiente para que eu pudesse ouvir, se virando para mim e dando uma piscadinha.
— Lindsay, com quem voc... – Uma das gêmeas apareceu por trás da minha amiga, não tendo a chance de terminar sua frase antes de ver a figura masculina que passava pela porta da sala de estar. — ? Will Simpson? – Disse espantada antes de gritar pela irmã, Sophie, para que pudesse descer pois ela não acreditaria quem estava ali.
— Alice, Peter está perguntando porque essa gritaria toda.
— É ele!
— Do que você está falando? – Mas antes de obter uma resposta, se virou para nós e sua expressão foi exatamente como aquela de Alice. Seu rosto ficou pálido e sua boca abria e fechava sem emitir algum som.
— Olá garotas. – disse divertido pela reação das meninas.
— Lindsay, o que você falava era ele? – Sophie se pronunciou pela primeira vez se direcionando a nós. Recebendo um aceno de cabeça de minha amiga.
— Então o é... Ball? – Dessa vez foi Alice que perguntava à minha amiga, tentando juntar as peças de um quebra cabeça que Lindsay fez questão de não completar.
— E se incluirmos e , somos o . – disse abrindo os braços com uma expressão de que tudo aquilo era óbvio demais.
— Por quanto tempo ainda você pensava de esperar para nos dizer isso Lindy? – Alice perguntou inconformada.
— Não sei, não sabia que era importante. – Lindsay deu de ombros.
— Sério? – Sophie ergueu as sobrancelhas em sarcasmo antes de perceber que Bradlley acompanhava toda aquela cena tentando segurar a risada.
A verdade é que Sophie e Alice eram grandes fãs da banda e havia dezenas de posters espalhados pelo quarto.
— Podemos tirar uma foto? – Disse Sophie rápido demais para que Alice a impedisse.
— Claro, afinal, somos quase da mesma família. – O garoto disse tirando proveito daquela situação.
— Co... como assim? – Alice parou no meio do caminho.
— Eu e estamos juntos. – Disse me olhando antes de continuar. — é a melhor amiga da Lindsay, irmã de vocês. Lindsay está junto com meu melhor amigo, , o que fazem vocês serem cunhados e consequentemente minhas cunhadas, já que é como um irmão pra mim. – dizia enquanto levantava os dedos como quem estava fazendo uma conta matemática complexa demais para usar apenas o cérebro. Ele estava claramente se divertindo.
— O QUE? – As gêmeas gritaram em uníssono fazendo com que ríssemos de suas expressões.
— Tudo bem garotas. – Me pronunciei pela primeira vez me direcionando ao meu, então, namorado. — Eu vou me trocar, Brad, desço em alguns minutos. – Disse enquanto depositava um selinho em seus lábios.
NO WAY! – Mais uma vez as gêmeas, que pareciam não estar acreditando em tudo aquilo, gritaram fazendo minha amiga revirar os olhos como quem dissesse que aquilo não era nada demais.
— Posso confiar em deixar você aqui sozinho no meio dessas duas meninas histéricas? – Perguntei baixo no ouvido de .
— Eu preferia vir junto com você mas acredito que o pai de Lindsay não aprovaria isso. – Ele disse sapeca antes de concordar e dizer que ficaria bem.
Subi as escadas em tempo recorde e comecei a me desvencilhar do vestido assim que passei pela porta do quarto de hóspedes.
Poucos minutos depois ouvi Lindsay entrando no quarto e me bombardeando de perguntas.
Expliquei detalhadamente o que havia acontecido na noite anterior. Desde o passeio surpresa, que ela já sabia muito bem visto que ajudou a planejar tudo, passando pela situação do namoro a distância de John, contando sobre nossa conversa e chegando ao ponto principal.
— Então ele disse que também estava apaixonado por mim e eu me senti nas nuvens.
— Por essa eu não esperava. – Ela disse recebendo meu olhar de reprovação. — Quer dizer, eu sabia, só não esperava que fosse acontecer tão rápido.
— Uma coisa levou a outra. – Expliquei como havíamos chegado naquele ponto da conversa antes de dar continuação. — Então ele ligou para Joe para providenciar as passagens para John e foi quando ele soube da matéria que haviam publicado no Celebs Now Uk.
— Eu sinto muito pelo o que falaram de você amiga. – Ela disse sincera.
— Mas por um lado foi bom, apesar de ter me sentido uma merda quando vi todas aquelas fotos de nos Estados Unidos.
— Eu imagino, acho que no seu lugar eu não teria ficado nem mais dez minutos ao lado dele.
— Eu pensei em ir embora mas eu sabia de tudo aquilo, não sabia? – Perguntei retoricamente. — E foi minha opção seguir em frente e dar uma chance a nós. Então ele se desculpou pela milésima vez e decidimos não tocar mais naquele assunto. Mas hoje de manhã ele disse que meu telefone não parava de vibrar e disse que eu deveria checar minhas mensagens e foi ai que eu vi nossa foto. – Olhei para minha amiga que tinha uma cara de boba apaixonada enquanto ouvia minha história. Lindsay sempre foi fã de um bom drama amoroso.
— E ai ele te pediu em namoro? Assim, do nada?
— Não. – Disse sorrindo ao me lembrar. — Eu disse que não me importaria em ser rotulada como tal e ele simplesmente me promoveu à “sua rainha” visto que o consideram o “rei da Grã Betanha”.
— Esse foi o pedido de namoro mais estranho que eu ouvi em toda minha vida. – Ela riu.
— Ele não me pediu em namoro, apenas oficializamos nosso relacionamento. De qualquer forma acho que depois do que ele postou no seu instagram ficou bem claro.
— Aquilo sim foi um pisão naquele blog ridículo.
— Confesso que não esperava por aquilo mas eu achei sua atitude tão fofa... – Disse sorrindo fazendo minha amiga soltar um suspiro.
— Desejo tudo de melhor pra vocês, amiga, espero que esse relacionamento traga bons frutos a vocês. – Lindsay disse se aproximando e me envolvendo em um abraço.
— Eu também, eu não poderia estar mais feliz.
Desci as escadas que me levariam até a sala de estar e pude ouvir algumas risadas vindas da cozinha.
Adentrei o cômodo e me deparei com uma cena que me trouxe paz.
George e Peter arrumavam a ilha da cozinha com alguns pratos a mais. O cheiro de café se misturava com o odor dos ovos e bacon que estavam na frigideira sobre o fogão.
ria enquanto conversava distraidamente com o pai de Lindsay sobre algum jogo de golf e parou de falar apenas quando nossos olhares se cruzaram. Sorri ao ver o sorriso que se formava em seus lábios ao me ver passando pela porta da cozinha, batendo sua mão livre sobre a coxa como um convite para que eu me acomodasse junto a ele.
Me sentei sobre suas pernas da maneira mais comportada possível, respeitava aquela casa e as pessoas ali presentes.
repousava sua mão livre delicadamente sobre minha cintura enquanto com a outra, levava a xícara de café à sua boca.
— Tudo bem se tomarmos café da manhã aqui? – Ele perguntou em um tom que apenas eu pudesse ouvir. — O pai de Lindsay insistiu.
— É claro, fico feliz em poder passar um tempo com todos juntos. – Respondi antes de receber uma xícara de Peter.
— Lindsay, quando você vai nos apresentar ? – Alice perguntou fazendo com que minha amiga se engasgasse com o suco.
— Quem é ? – George, seu pai, perguntou um pouco ríspido.
? É... é um amigo de . – Lindsay gaguejou dando a desculpa mais fajuta do mundo.
— E por que deveríamos conhecer o amigo dele? – George ergueu as sobrancelhas e sua expressão era intimidadora. Sabia o quanto era protetor com Lindsay mas não imaginava que chegava à aquele nível.
— Pai, ele é o namorado da Lindsay, também faz parte da banda de . – Alice não deu tempo para que minha amiga pudesse continuar sua história de mentira, fazendo George tossir logo após ouvir a explicação da filha adotiva.
— Ele não é meu namorado, tá legal?
— Mas bem que gostaria, – comentou no meu ouvido me fazendo soltar uma risadinha abafada.
— Nós estamos... estamos nos conhecendo. É isso.
— E quando poderemos conhecê-lo, querida? – Foi a vez de Peter se pronunciar. — Não sei, ainda não nos encontramos.
— Eu posso ligar pra ele se vocês quiserem, em algumas horas ele estará aqui. – se intrometeu fazendo com que Lindsay me olhasse sussurrando algo como “vou matar o seu namorado”
— Seria maravilhoso! – Sophie disse animada.
— Depois podemos chamar os outros e assim teremos uma foto completa com a banda. – Alice continuou enquanto dava um high fave estalado com a irmã.
Rimos daquela ação um tanto quando esperada e demos continuação à nossa primeira refeição do dia.
e haviam se falado logo após o café da manhã, o garoto disse que iria apenas arrumar algumas roupas e chegaria em algumas horas.


Capítulo 21

Durante o café, comentou que gostaria de achar uma casa próxima a casa deles, assim facilitaria nossos encontros diários.George rapidamente entrou em contato com um amigo de infância, que havia uma casa disponível a poucos metros da sua.
Após terminarmos nossa refeição, ajudei na organização da cozinha e ao terminar acompanhei até a casa para poder conhecer o proprietário que disponibilizou, sem nenhum problema, o local para os garotos.
O homem, de aproximadamente quarenta anos, nos recebeu gentilmente e nos mostrou todos os cômodos da casa e tudo que estava à nossa disposição.
Havia dois quartos grandes com banheiro no segundo andar. O primeiro andar dava espaço à uma sala de estar aconchegante, um sofá grande no meio dividia a área de estar com a mesa de jantar e um banheiro um pouco maior do que os da suítes. Um quarto de solteiro completava o lugar e ficava no corredor entre a sala e a cozinha.
A cozinha era composta de grandes móveis pretos e a pedra de mármore, que era usada como ilha, era de uma tonalidade marfim.
Era uma casa normal, seguindo os padrões das típicas casas inglesas.
Nos fundos da casa, um jardim de inverno decorado com poltronas da mesma tonalidade do sofá, uma mesa de centro de madeira e algumas velas aromáticas. Uma grande janela de vidro separava o local do resto do jardim, onde o inverno havia tomado conta do terreno, deixado todas as árvores e plantas sem flores.
O senhor Jackson nos deixou minutos depois nos desejando uma boa estadia.
— Traz suas coisas pra cá? – disse se aproximando de mim por trás, enquanto eu olhava encantada o jardim, envolvendo suas mãos sobre meus quadris e depositando um beijo sobre minha bochecha.
— Mal começamos nosso relacionamento e você já está me chamando para morar com você? – Brinquei virando meu rosto um pouco de lado para observá-lo.
Seu rosto emanava serenidade e seu sorriso falava por si próprio. Ele também estava feliz.
— Assim a gente já treina para quando nos casarmos e termos nossos... quantos filhos mesmo você disse? – Perguntou tirando sarro do que havia confessado a ele no dia anterior.
— Dois. – Respondi entre uma risada.
— Para quando casarmos e termos nossos dois filhos. – Finalizou.
Mostrei a língua pra enquanto franzia o nariz. O garoto apenas me girou de frente para ele e me beijou.
Nosso beijo passou a ser mais calmo do que de costume, com mais emoção, sentimento. Era uma sensação gostosa de conforto.

’s Point of view.

havia chegado logo depois do senhor Jackson liberar a casa para nós.
— E ai, cara. – Disse meu amigo passando pela porta.
Mostrei a casa para ele e decidimos quais quartos ocuparíamos durante as próximas semanas. Talvez não teríamos a devida privacidade que gostaríamos mas já era um bom início, pensava em procurar outro lugar para mim e para mais pro Sul, já que as férias acabariam em alguns dias e havíamos optado por uma gravadora no Reino Unido para os futuros trabalhos da banda, assim poderíamos ter tempo para nossas famílias enquanto trabalhávamos.
— E as meninas? – Ele perguntou se acomodando no grande sofá da sala. — Não vejo a hora de ver a Lindsay.
foi arrumar algumas de suas coisas, ela ficará aqui conosco.
— Uau, vocês estão levando isso realmente a sério, não estão?
— Bom, eu quero passar o máximo de tempo possível com ela então achei que essa seria a melhor solução.
— Será que Lindsay também ficaria aqui? Como uma grande família? – Perguntou rindo.
— Acho que ela com certeza vai passar mais tempo aqui do que na casa dela. – Respondi achando graça da piada que meu amigo havia feito.
— Mas então, eu vi tudo aquilo e logo depois você se pronunciou, você tem certeza disso? – perguntou mudando completamente o rumo da nossa conversa.
— Você sabe como eu me sinto em relação à ela, cara.
— Eu fico feliz por você , apesar de você ter passado minha frente. Você sabe que sou eu o romântico da banda, certo?
— Jamais roubaria seu posto se não tivesse sido necessário.
Meu amigo sorriu de canto balançando a cabeça.
— Você tem razão, foi uma boa jogada.
— E você e Lindsay?
— Agora que você se apressou em fazer aquilo que eu venho pensado há dias... – Ele sorriu. — Não vejo outra saída a não ser seguir seus passos.
— Cara, onde a gente está se metendo? Elas vão embora daqui há quatro meses e como vai ficar tudo isso?
— Pra ser sincero, Lindsay decidiu passar um tempo com seu pai o que facilitará muito nossa relação. – Aquilo havia me pegado um pouco de surpresa. — Ela inclusive já distribuiu alguns currículos enquanto ainda estava no Brasil.
— Wow... – Foi tudo o que conseguir dizer. Parecia que eles estavam muito mais à frente do que e eu. Eles já haviam pensado em tudo.
— Você espera que depois desses meses a apenas vire as costas e vocês sigam em frente por caminhos diferentes? – Aquela era uma boa pergunta.
Não havia pensado, exatamente, como seria tudo depois que suas férias acabassem. Mesmo que ela pudesse ficar, a banda começaria uma nova turnê em breve e nossa relação se transformaria, automaticamente, em um relacionamento a distância.
— Ainda não tive tempo de pensar bem sobre isso.
— Você quer que isso dê certo ? Ou você está fazendo isso apenas para provar alguma coisa para a imprensa?
— É claro que eu quero, só que pra ela não é tão fácil como para Lindsay. – E aquela era a mais pura verdade.
— Nós daremos um jeito nisso. – Ele disse respirando mais pesado. — Apenas pense bem no que você espera da relação de vocês.
Perder não era uma opção a ser cogitada. Pela primeira vez na vida eu me sentia realizado e não precisava de me afogar em álcool para poder saciar meus pensamentos vazios nas noites solitárias que passava em casa.
Continuamos conversando por um bom tempo sobre toda aquela situação antes de passar para o assunto trabalho.
Disse a que estava trabalhando em novas músicas e que gostaria de mostrá-las aos meninos assim que houvesse uma oportunidade.
— Aquilo que você escreveu faz parte de uma dessas canções?
— Sim. – Respondi apreensivo. — Você achou exagerado?
— Cara, aquilo foi lindo! – Meu amigo era sentimental demais. Sabia que ele sempre foi a favor de letras românticas e que apostava fundo nisso.
Demos continuidade ao assunto e logo depois voltamos a falar das meninas.
O dia seguinte, dia seis, seria o aniversário delas e ainda não havíamos idéia de quais eram seus planos.
Decidimos que seria justo fazer exatamente aquilo que as meninas gostariam de fazer, tanto, teríamos ainda outras semanas pela frente para estarmos juntos.
Outros longos minutos se passaram antes de receber uma mensagem de , dizendo que havia arrumado suas coisas e que estava a caminho com Lindsay.
— Elas estão vindo. – Disse a , que apenas suspirou fundo.
A campainha tocou alguns pouco tempo depois, anunciando a chegada das garotas.
fez questão de abrir a porta, sendo atacado por Lindsay antes mesmo de poder dizer oi. Ajudei com suas duas malas gigantes recebendo um selinho como agradecimento.
Estávamos sentados na sala conversando animadamente sobre os planos que havíamos feito ainda no Brasil, sobre os passeios e viagens que as meninas gostariam de realizar enquanto estivéssemos juntos e sobre o aniversario delas que aconteceria no dia seguinte.
— Eu pensei em um jantar em família, são cinco anos que não via meu pai, acho que devo isso a ele. – Lindsay se pronunciou. — Não é como eu houvesse tantos amigos por aqui, então...
— Por mim tudo bem, Lindy, podemos festejar com os meninos depois da janta se não for um problema. – se virou para mim esperando uma resposta.
— Claro, passamos para buscá-las quando estiverem prontas. – Disse .
— Na verdade... – Lindsay o olhou como um cachorrinho que havia acabado de ser abandonado. — Estava pensando que vocês poderiam se unir a nós. – Vi meu amigo ficando vermelho enquanto mexia desconfortavelmente as pernas.
— Estou dentro. – Disse sorrindo, recebendo um olhar de reprovação de .
Ele nunca foi muito bom em conhecer os pais de suas namoradas, sua timidez o fazia ou ficar quieto por todo tempo ou dizer bobagens sem nexo. Consequentemente fazendo com que ele escapasse do relacionamento assim que o encontro acabasse.
— Meu pai não vê a hora de te conhecer. – Comentou Lindsay o olhando carinhosamente.
— Suas irmãs muito menos. – continuou com o raciocínio da amiga arrancando risadas de todos nós.
Depois de muito insistir, convencemos a se unir a nós. Eu poderia imaginar o quanto aquilo tudo seria desconfortante para ele, mas tentei tranqüilizá-lo dizendo que eu estaria ali e que o ajudaria a passar por qualquer coisa.
— Se e quiserem vir também seria maravilhoso. – Lindsay disse. — Afinal eles também fazem parte disso.
Me levantei e caminhei até o jardim, ligando para os meninos para saber quais eram seus planos para o dia seguinte.
Sabia exatamente o que fazer para que as meninas pudessem ter um aniversário inesquecível.

’s Point of view.

Após organizar o quarto que dividiria com pelas próximas semanas, saímos para andar pela cidade.
dirigia dessa vez, já que era bem mais acostumado do que . Sua Jeep Grand Cherokee branca parecia flutuar pelo trânsito enquanto ouvíamos um bom rock dos anos oitenta quase no último volume.
Passamos rapidamente pela Tower Brigde, Buckingham Palace, Trafalgar Square e outros pontos turísticos que o garoto conseguia estacionar o tempo suficiente para que eu conseguisse tirar uma foto e voltar para dentro do carro.
Fomos até o Westfield de Shepherd’s Bush para comprarmos uma pizza, havíamos pensado de ir até o famoso Hyde Park para um improvisado piquenique.
O caminho entre o estacionamento até a pizzaria foi mais longo do que o esperado, visto a quantidade de meninas histéricas que nos paravam pedindo uma foto com os meninos. Algumas até pediram fotos com Lindsay e eu, fazendo os meninos rirem enquanto passavam pelos fotógrafos da vez.
Fui surpreendida por entrelaçando nossas mãos assim que fez a última foto com o grupo de meninas ali presente. Normalmente ele me conduzia com uma de suas mãos sobre meu ombro.
— Eu lembro o que você falou sobre isso na after party. – Ele disse quase inaudível. — Mas parece que não temos mais pra onde fugir.
— Já disse que não me importo de ser considerada como o novo romance do cara mais popular da Inglaterra. – Respondi sorrindo e me aproximando mais do garoto, depositando um beijo no canto de sua boca.
— Não só considerada, sweetheart, não deixei claro o suficiente noite passada? – Ele perguntou com seu melhor tom galanteador.
— Me lembra de te recompensar por isso mais tarde. Porque eu fui a única a receber o prêmio da noite. – Pisquei recebendo um sorriso de lado, um tanto safado.
Por conta do imprevisto das fotos no shopping, adentramos em uma pizzaria no segundo andar o local e nos sentamos em uma mesa um pouco mais reservada, decididos a comer ali mesmo.
Fizemos nossos pedidos e esperamos um pouco menos de trinta minutos. Tempo esse que, mais uma vez, fomos obrigadas a dividir os meninos com os fãs que iniciavam a se acumular ao redor da nossa mesa.
Logo depois da chegada de nossos pedidos, o local teve que ser interditado por faixas amarelas e alguns seguranças, pois as vozes se espalharam e uma multidão se formou do lado de fora do estabelecimento.
— Desculpem por isso, meninas, imaginei que aconteceria mais cedo ou mais tarde mas não esperava essa quantidade de gente. – parecia visivelmente abalado com a situação. — Às vezes eu só gostaria de comer uma pizza com meus amigos sem nenhum tipo de confusão. – Confessou.
— Tudo bem, nós sabíamos onde estávamos nos metendo quando entramos no shopping. – Lindsay disse passando levemente uma mão sobre o rosto do rapaz, que inclinou um pouco o pescoço para o lado sorrindo delicadamente.
— Acho que as próximas notícias nos tablóides serão sobre vocês. – Brinquei a respeito do site de fofoca.
— Na verdade, não tenho a reputação suja como . – O garoto respondeu em meio uma risada atrapalhada.
Aquilo deu um aperto no meu peito. Sabia que o vocalista era considerado o mais mulherengo dos quatro rapazes e eu estava consciente das conseqüências.
— Isso foi antes de conhecer a , agora posso te garantir que sou um outro homem. – respondeu arrancando um suspiro discreto de mim.
— Eu não me importaria também caso você decidisse se declarar pra mim nas redes sociais. – Disse Lindsay olhando para e arrancando risadas de todos nós. O garoto ficou vermelho e balançava a cabeça tentando se acalmar.
— Pega leve com ele amiga, parece que ele vai desmaiar a qualquer momento. – Disse em português, não queria constranger mais o garoto.
— Odeio quando vocês falam entre si nessa língua estranha. – bufou divertido.
— Tem coisas que vocês não podem saber. – Respondi dando de ombros.
— E o que é que não podemos saber? – perguntou nos encarando sério.
— Falávamos que se nada der certo com vocês, ainda temos mais dois de reserva. –Lindsay respondeu rindo, recebendo olhares de reprovação dos meninos. — O que foi? Tenho certeza que e eu ficaríamos lindos juntos. – Completou.
se limitou em dar uma risadinha forçada, arrancando risadas escandalosas de .
— Cara, se eu fosse você me apressava em se assumir com essa garota, ela não parece estar brincando. – disse enquanto tentava controlar suas risadas.
— Vocês são muito malvados. – Me pronunciei defendendo . — Não se preocupa, se ela cair nos braços de você pode me ligar caso precise de alguém para te consolar. – Entrei na brincadeira dando uma piscadinha ao garoto.
— Não ouse a dizer isso, sweetheart, você é minha. – disse depositando um beijo sobre uma de minhas mãos.
— Parece que eu vou acabar ficando sozinho mesmo nessa história. – comentou em um tom dramático.
Comemos entre algumas risadas e assuntos não tão produtivos. Lindsay continuava lançando indiretas -não tão indiretas assim- a , que se controlava para não parecer incomodado com tudo aquilo.
— Preciso ir ao banheiro, já volto. – Lindsay disse se levantando. — Vem comigo, amiga?
— Não, eu estou bem, te espero aqui. – Respondi ao ver me olhando em um pedido mudo para que eu ficasse. Ela apenas deu de ombros e seguiu seu caminho.
— Eu quero pedi-la em namoro, mas quero fazer isso do jeito certo. – Ele confessou.
— Quero fazer isso amanhã durante o jantar quando todos estiverem presentes, o que vocês acham?
— Eu acho que você vai morrer ao pisar naquela casa então não adianta se preocupar. – Disse rindo.
— Ei. – O repreendi dando um empurrão delicado no garoto. — Tenho certeza que vai dar tudo certo. – Disse tentando confortar .
— Eu comprei um colar para ela com minhas iniciais gravadas na parte de trás do pingente. – Ele confessou enquanto abria a pequena caixa preta que havia tirado de um dos seus bolsos. Era um colar de ouro com um pingente “Nó sem fim”, um símbolo budista.
— O que significa? – Perguntou .
— Significa um laço que deseja criar com Lindsay. A harmonia que ele encontrou no universo depois de conhecê-la, inseparabilidade e um longo caminho que ele gostaria de traçar ao seu lado. – Respondi orgulhosa recebendo um sorriso convicto de .
— Como você sabe isso tudo?
— Eu o ajudei a escolher. Ou você acha que só você tem seus aliados?
— Quando? Como vocês fizeram isso?
— Enquanto você estava ocupado demais nos Estados Unidos, eu e mantivemos o contato. Ela me ajudou a escolher o presente ideal para Lindsay.
Senti uma pequena pontada no coração ao lembrar daqueles dias infernais, por mais que tentasse passar uma borracha por cima daquilo, aqueles acontecimentos insistiam em vir à tona constantemente.
escondeu rapidamente a caixinha quando viu minha amiga retornando para a mesa, mudando o rumo da conversa e levando para longe aqueles pensamentos dolorosos.
Tivemos que permanecer algum tempo na pizzaria esperando que a confusão de gente se dissipasse.
Quando conseguirmos sair do local, já passavam das seis da tarde e Londres já se encontrava na escuridão total e o frio fazia as pontas dos meus dedos ficarem roxas.
Durante o caminho até a casa de Lindsay, aquecia minhas mãos com as suas em um leve carinho. Algum tempo depois avistei a casa da garota e um , aparentemente nervoso, passava as mãos pelos cabelos ao estacionar.
— Fica tranqüilo, meu pai não é nenhum carrasco. – Dizia minha amiga acariciando o rosto do garoto.
— Você deveria se preocupar com as irmãs dela, cara, elas sim são assustadoras. – Disse arrancando risadas de nós, menos de seu amigo que parecia ainda mais apreensivo.
— Obrigada, cara, não sei o que faria sem você. – Comentou ironicamente desligando o carro e se juntando a nós ao lado de fora.
Lindsay abriu a porta da casa dando passagem para nós, chamando por seu pai e o resto da família.
Ela se posicionou aos pés da escada com um pouco mais afastado, mas na mesma linha de visão.
Peter foi o primeiro a aparecer, sempre com um sorriso amigável no rosto e cumprimentou o garoto o dando boas vindas. Logo depois as gêmeas desceram correndo e pararam de frente a , olhando para Lindsay como quem pedia permissão para algo. Minha amiga balançou a cabeça fazendo um gesto com a mão, encorajando as meninas a darem um abraço no garoto ali parado como uma estátua.
Nos espalhamos pela sala com a lareira ligada, Peter nos fez um pouco de chocolate quente e logo se juntou a nós.
— Peter, meu pai não está? – Perguntou Lindsay.
— Ele foi até o escritório resolver alguma coisa, querida, chegará na hora do jantar. Vocês jantarão conosco?
Ela nos olhou receosa, recebendo um aceno positivo de nós três. Não havíamos feito nenhum plano para o jantar então ficar ali com todos me parecia uma boa opção.
Com a confirmação, ajudei Peter e as gêmeas a preparar a mesa deixando os três na sala, ouvíamos risadas altas e eles pareciam estar se divertindo. Sorri ao pensar em tudo aquilo, jamais poderia me imaginar naquela situação, com dois dos meus ídolos sentados na sala tomando chocolate quente esperando pela hora da janta.
? – Fui puxada dos meus pensamentos ao notar Sophie próxima a mim, falando algo que eu não havia se quer ouvido.
— Oi, desculpa, não estava prestando atenção. – Apesar do pouco contato com as garotas, aprendi facilmente a identificá-las. Sophie era um pouco mais baixa que Alice e seus cabelos formavam alguns cachos discretos nas pontas, já Alice havia os cabelos completamente lisos e sempre muito bem alinhados.
— Eu perguntei sobre você e , você é tão sortuda! – Ela disse levando as mãos ao peito. — Ele sempre foi meu preferido.
— Eu também me considero sortuda, sabe? – Disse rindo recebendo um sorriso sincero. — Vou te contar um segredo: ele também sempre foi o meu favorito.
Não entraria em detalhes da minha vida com as meninas, era tudo muito recente e, além do mais, não havia toda essa intimidade com elas.
Ela riu afirmando, pela segunda vez, o quão sortuda eu e Lindsay éramos por estarmos saindo com dois dos rockstars mais desejados do Reino Unido.
Quando tudo estava pronto, ouvimos a porta se abrir e corremos até a sala. Onde George cumprimentava como se fossem conhecidos de uma vida.
Caminhei lentamente até o pequeno grupo formado na sala, cumprimentando o pai de Lindsay e voltado para o lado de .
Ouvia as risadas baixas vindas da cozinha, onde três pares de olhos claros observavam George se aproximar de .
— Muito prazer, senhor, me chamo . – Ele disse estendendo uma das mãos.
George o olhou de cima a baixo aumentando o mistério que circundava aquele ambiente, pude quase perceber a energia ficando pesada quando o garoto não ouve nenhum tipo de resposta pelos segundos que se passaram. Mas para a surpresa de todos, George ignorou a mão do garoto e o puxou para um abraço, arrancando suspiros aliviados de todos presentes.
— É um prazer te conhecer, por mais que não me convença toda essa história da minha filha namorar um famoso, pelo menos pela primeira vez em anos ela aceitou morar comigo e sei que boa parte disso é por sua causa. – Ele soltou tudo de uma vez. — Seja bem vindo, espero que possamos nos dar bem.
Eu simplesmente parei de ouvir, minha amiga já tinha se decidido a ficar e não havia me falado nada.
Eu estava feliz por ela. Mas esperava ao menos um pouco de consideração, visto que eu aceitei acompanhá-la e deveríamos, teoricamente, voltarmos juntas.
Dei meu melhor sorriso amarelo e, sem dizer nada, caminhei até a mesa de jantar. estava entre mim e Sophie, que fez questão de se sentar ao lado do garoto. Na nossa frente estavam , Lindsay e Alice. George e Peter se ocupavam das pontas da mesa.
Tentei me esforçar ao máximo a estar presente durante as conversas, porém a maior parte delas era sobre o futuro que Lindsay haveria ali.
George fazia perguntas aleatórias aos meninos sobre a vida nas estradas, sendo reprovado vez ou outra pelas gêmeas, enquanto Peter apenas ria.
Eles eram uma família feliz e tudo que eu podia desejar era que minha amiga também fosse feliz junto a eles, e a . Automaticamente esses pensamentos me levaram ao dia que deveria, mais uma vez, me despedir de e por mais que eu tentasse não sofrer por antecedência, meu cérebro havia decidido me martirizar durante todo aquele jantar.
Saímos da mesa por volta das nove da noite, o jantar havia sido mais longo do que o esperado. Entre uma conversa ou outra, um pedaço de sobremesa e o café para finalizar.
, tudo bem? – perguntou me olhando nos olhos enquanto uma de suas mãos afastavam um pouco meus cabelos do rosto.
— Sim, eu só preciso de um pouco ar, acho que comi demais. – Menti.
— Você é uma péssima mentirosa. – Ele disse rindo.
— Conversamos mais tarde. – Me aproximei depositando um selinho em seus lábios. Voltamos a nos reunir na sala onde diversos jogos de tabuleiro foram organizados ao centro do cômodo.
Nos sentamos no chão e demos início a alguns jogos aleatórios. Foi bem divertido, na verdade, a conexão que havíamos feito uns com os outros durante àquelas partidas nos rendeu boas risadas.
— Meninas, amanhã vocês tem escola, é melhor que vocês subam para dormir. – Disse Peter olhando o relógio. Passavam das onze da noite e não havíamos percebido o tempo passar.
Sem retrucar, as meninas se levantaram se despedindo de nós, dando abraços um pouco mais longos nos meninos e se certificando de que eles estariam ali para nosso aniversário no dia seguinte.
— O que vocês acham de sairmos para tomar uma cerveja? – perguntou tentando iniciar um tipo de conversa entre Lindsay e eu. Desde o ocorrido horas atrás, a garota evitava me encarar ou falar qualquer coisa. Eu conhecia bem minha amiga e sabia que ela havia entendido o motivo pelo qual eu havia fechado a cara durante toda a janta e ela me deveria algumas explicações.
— Por mim tudo bem. – Disse . — Meninas?
— Eu vou subir para me arrumar e vou até vocês, pode ser? – Perguntou Linday dirigindo a palavra a mim pela primeira vez. Conhecia aquele olhar, ela queria conversar comigo.
— Perfeito. – respondeu. — , você vem conosco até a casa, certo?
— Sim, todas minhas coisas já estão lá. – Respondi sorrindo. — Nos vemos mais tarde Lindy.
Nos despedimos de George e Peter e demos inicio a nossa caminhada curta, já que não havia necessidade de mover o carro.


Capítulo 22

’s Point of view.

Apesar de tão pouco tempo, eu havia aprendido a ler muito bem e sabia que algo não estava certo.
Aproveitei que havia entrado em seu quarto e segui a garota até o banheiro da nossa, improvisada, suíte.
A porta estava entreaberta e pude ver a menina debruçada sobre a pia inspirando e expirando de forma pesada. Dei uma batidinha na porta antes de adentrar o cômodo e me postei atrás dela, apoiando meu queixo sobre um dos seus ombros a encarando no espelho.
— Tudo bem? - Perguntei recebendo um aceno de cabeça positivo e um sorriso murcho. — Sei que não está tudo bem , o que aconteceu? – Me afastei dando espaço para que ela se virasse em minha direção.
— É sério. – Ela respirou fundo. — É só que tudo isso... eu imaginava que Lindsay não voltaria comigo mas ela nem se deu ao trabalho de me dizer. – Desabafou.
, vocês são adultas, não acha que isso é colegial demais para esfriar a amizade de vocês?
— Você diz isso porque não entende! – Ela disse alterando a voz, eu tinha tocado em um ponto frágil de e me arrependi profundamente. — A Linday é minha melhor amiga, nós crescemos juntas. Sinceramente não tenho idéia do que fazer sem ela.
— E por que você também não fica? – Perguntei me aproximando com cautela. Ouvindo uma risada sarcástica vindo dela.
— Pelo simples fato de que não posso!
— A gente pode dar um jeito nisso.
— Não existe um jeito . – Quando ela me chamava pelo meu nome eu tinha certeza que não estava em um dos seus melhores humores.
— E se eu achar? Você fica? – Talvez fosse cedo demais para pensar num futuro distante tendo em vista nosso curto relacionamento. Mas de alguma forma me fazia me sentir diferente, tê-la por perto me confortava.
— Eu não sei, não é simples assim. – Ela respondeu um pouco mais calma. Tinha uma tristeza escondida por trás daquele tom.
— Eu sei que não é simples, quero saber se você ficaria se pudesse.
— Levando em consideração meus sentimentos por você, sim, eu ficaria. – Sua resposta aqueceu meu coração, mas por um curto espaço de tempo já que logo depois suas palavras foram como uma adaga me rasgando de dentro pra fora. — Mas sejamos sinceros, , nós mal nos conhecemos. Nosso sexo é bom, estamos bem juntos e tudo mais, mas não sabemos se isso... – Ela disse apontando para nós. — Vai dar certo.
— Certamente “isso” – A imitei. — Não vai dar certo se você continuar sendo tão pessimista. – Fui um pouco mais áspero. Eu havia me declarado e assumi publicamente um relacionamento com ela. Dizer que isso não poderia dar certo seria um tanto quanto egoísta, visto os sacrifícios que estávamos dispostos a fazer para continuarmos juntos.
— Desculpa, eu ajo muito com a razão porque eu devo manter meus pés no chão caso eu não queira me decepcionar no futuro.
— Mais uma vez, você está se ouvindo? – Eu começava a me alterar. — Você só pensa na sua decepção como se eu fosse estragar tudo de uma hora pra outra. – Ela apenas suspirou pesado. — Você acha que eu estou brincando aqui .? Se eu não quisesse ficar com você eu não teria feito um por cento do que eu fiz. Jantares em família? Passeios em plena luz do dia? Passeios românticos? – Eu levantava os dedos enquanto numerava. — Eu nunca levei nenhum dos meus relacionamentos a público .
— Eu não te pedi nada disso , não tente jogar na minha cara agora as coisas que você fez por conta própria. – De uma lado ela tinha razão. Eu havia feito tudo aquilo para agradá-la e tentar me redimir, mas não aceitava a forma em que ela dizia aquilo.
— É sério? Eu fiz tudo pensando em você, disse que faria tudo que estiver ao meu alcance pra fazer isso dar certo, mas parece que você só está sentada esperando o fim da nossa história. – Não esperei por uma resposta, sai do banheiro batendo a porta atrás de mim e indo em direção ao jardim, ouvindo a garota bufar irritada.
Precisava esfriar a cabeça.
Ouvi passos descendo a escada e esperei que fosse ela. Mas era com uma feição preocupada.
— Você ouviu? – Perguntei antes mesmo do garoto passar pela porta de vidro.
— Sim, foi mal cara. Eu entendo a , de certa forma, ela tem muito mais a arriscar do que você.
— Mas isso não da o direito à ela de falar aquelas coisas, .
— Dê um tempo à ela, , é muita informação que ela precisa assimilar.
— Sinceramente, não sei nem se vale a pena. – Disse dando de ombros, não queria falar sobre aquilo. Precisava ficar sozinho para organizar minha mente e toda a bagunça que havia feito nela.

’s Point of view.

Não bastava o clima pesado entre minha amiga e eu, fui capaz de brigar até com , que estava sendo um cavalheiro comigo o tempo todo.
Me arrependia de como havia dito aquelas coisas para ele, mas na hora da raiva eu não sabia filtrar minhas palavras.
Tomei um banho rápido e me arrumei às pressas, Lindsay deveria estar chegando e deveríamos sair. Isso se ainda estivesse com humor para tal coisa.
Coloquei uma meia calça preta transparente, um vestido preto justo no busto e mais rodado na saia. Nos pés havia minha fiel Dr. Martens preta e um sobretudo bege completava o look.
Desci as escadas e encontrei os três me esperando sentados no sofá. não me encarava diretamente nos olhos ao se aproximar de mim.
— Você está linda. – Ele disse um pouco receoso. Seu tom de voz era frio e não se parecia nada com aquele garoto meigo que ele se mostrava ser.
— Obrigada, você também. – Me limitei ao responder. Seus cabelos estavam um pouco bagunçados, como sempre, alguns cachos caiam sobre sua testa e ele poderia ser confundindo facilmente com um anjo. Havia uma grossa jaqueta preta por cima da malha quadriculada, uma calça preta justa e uma bota marrom. Ele estava divino.
Optamos por irmos em dois carros, já que imaginávamos que Lindsay e gostariam de ter um momento a sós e talvez até voltar para casa antes. Eu e daríamos o tempo que eles achassem necessário para acabarem com a tensão sexual que havia entre eles. Era o justo a ser feito.
— Onde iremos? – Perguntei tentando quebrar o gelo.
— Koko, em Camden Town. – Ele respondeu frio.
O silencio era constrangedor demais e eu não sabia como iniciar uma conversa agradável.
Taylor Swift tocava em um volume moderado, me fazendo rir interiormente lembrando da primeira vez que ouvi os meninos. era muito fã dela e cantarolava enquanto tamborilava os dedos no volante.
— Isso me fez lembrar de quando os conheci. – Arrisquei puxar assunto recebendo apenas um “uhum” seco em resposta.
Revirei os olhos e me acomodei melhor no banco do carona.
Os acordes de Back to december (https://www.youtube.com/watch?v=QUwxKWT6m7U) iniciaram e aumentou um pouco mais o volume do rádio.
Parecia que o universo não estava conspirando ao meu favor naquele momento.
Aquela música poderia falar muito sobre nós. Eu o encarava enquanto ele cantava baixo junto com a música e de vez em quando olhava pela janela lateral. Eu podia jurar que algumas lágrimas iniciavam a se formar em seus olhos. Seu nariz estava avermelhado e sua boca um pouco inchada devido a força que ele aplicava em seus dentes enquanto mordia seu lábio inferior.
Eu tinha vontade de beijá-lo ali, naquele momento, sem me importar com o transito que iniciaria a se formar atrás de nós.
E foi com esse pensamento que a luz vermelha de um semáforo se acendeu, nos fazendo parar subitamente. Agradeci aos céus e me aproximei de , que tentava a todo custo se esquivar, puxando a cabeça para trás.
... – O chamei enquanto acariciava sua nuca. Ele desistiu de tentar e me encarou. Seus olhos refletiam a luz vermelha do sinal e davam a impressão de estarem queimando em chamas.

“Your guard is up and I know why, cause the last time you saw me still burns in the back of your mind.
You gave me roses and I left them there to die”


Ele estava com raiva de mim, era nítido, e nem todas as lágrimas que lutavam em não cair amenizavam sua ira.

“So this is me swallowing my pride, standing in front of you saying I'm sorry for that night.
And I go back to December all the time.
It turns out freedom ain't nothing but missin' you, wishing that I realized what I had when you were mine.
And I go back to December, turn around and make it all right I go back to December all the time”


Nos encaramos por segundos que pareciam infinitos, minhas mãos acariciavam seu pescoço e tudo o que ele fazia era fechar os olhos com força e engolir a saliva que parecia se acumular cada vez mais em sua boca.
Quando finalmente ele decidiu me olhar diretamente nos olhos, eu vi a decepção estampada em sua face. Decepção causada por mim e pelas minhas palavras grosseiras. Eu não era uma pessoa que pedia desculpas com freqüência e talvez esse seja o meu maior defeito, mas sabia reconhecer meus erros e sabia que se não tentasse me redimir, talvez eu o perderia por culpa do meu caráter.
Foi uma discussão tão boba, não achei que ele iria levar isso tão a sério, eu estava apenas irritada. Respirei fundo antes de escolher as palavras justas.
Mas era tarde demais, os carros iniciavam a buzinar pedindo passagem e olhou para frente arrancando com a máquina.
Me reacomodei na poltrona e decidi esperar. Esperando que ele pudesse ao menos me ouvir e pensando no que poderia fazer para me redimir.
Continuamos o trajeto enquanto aquela música continuava me massacrando por dentro, ouvindo o sopro fraco do garoto em cada palavra. Sentia a emoção nelas e sentia meu coração acelerando cada vez mais, os olhos ardendo e meu orgulho indo pelo ralo.

“I miss your tan skin, your sweet smile, so good to me, so right.
And how you held me in your arms that September night;
The first time you ever saw me cry, maybe this is wishful thinking.
Probably mindless dreaming
If we loved again, I swear I'd love you right
I'd go back in time and change it but I can't, so if the chain is on your door I understand”


Mais alguns minutos constrangedores e músicas que pareciam ter sido trazidas diretamente do inferno para acabarem comigo, estacionamos no que parecia ser um estacionamento privado da boate.
Avistamos o carro de assim que saímos do carro e fez menção de caminhar até nossos amigos. Antes que ele pudesse dar o segundo passo, parei de frente a ele, que ainda se esquivava de mim, e o abracei.
De início relutou em corresponder meu ato mas não demorou mais que três segundos para eu me sentir sendo levemente pressionada contra ele.
— Por favor, me desculpe, não queria ter dito aquelas coisas. – Disse baixo em seu ouvido.
— A gente conversa depois. – Ele disse frio. — Feliz aniversário. – Me deu um beijo no topo de minha cabeça e se desvencilhou de mim.
Entrelaçamos as mãos e fomos em direção aos nossos amigos que falavam animadamente com e próximos a entrada.
— Meninos! – Me aproximei recebendo um abraço duplo.
— Feliz aniversário meninas. – disse sendo seguido por .
— Obrigada. – Agradecemos juntas, nos entreolhando e rindo timidamente.
— Vamos entrar? – Lindsay disse animada enquanto puxava .
Entramos sem muitos problemas, aparentemente os meninos estavam familiarizados com o local e com os funcionários, soube mais tarde que eles costumavam fazer shows ali antes da fama da banda.
O local parecia um grande teatro, o palco no meio dava espaço a uma banda local de pop rock e nós estávamos em um camarote do lado esquerdo, num nível mais alto.
— Isso me faz lembrar os tempos em que tocávamos aqui, até de graça às vezes. – Comentou olhando para baixo analisando o lugar.
Os meninos sorriram e trocaram algumas palavras enquanto Lindsay estava um pouco mais atrás deles. Fui até minha amiga e a abracei.
— Lindy, me desculpe. – Falei antes mesmo da menina abrir a boca. — Eu imaginava, mas não queria acreditar. Eu estou feliz por você, muito feliz.
— Amiga... – Ela me olhou com aquela cara de mãe preocupada. — Eu já disse que você deveria ficar também e eu te ajudaria com isso.
— Não é simples assim Lindy, eu não me programei pra isso. Tenho meus pais, um possível trabalho quando voltar. Não posso simplesmente abrir mão da minha vida.
— Você pode recomeçar aqui, dê essa chance a você... e a ele. – Ela disse apontando com a cabeça para , que parecia haver os pensamentos longe demais para interagir com os amigos.
— Nós brigamos por isso, eu estou arrasada. Disse coisas que não deveria e agora ele me ignora totalmente. – Desabafei chateada.
— Por que vocês brigaram exatamente? – Expliquei o curto diálogo que havíamos tido algum tempo atrás. Minha amiga apenas ouvia sem dizer uma palavra.
— Então ele ficou assim, distante. – Finalizei.
— Não é pra tanto né, ? Está na cara que ele está louco por você e quer fazer de tudo para que você dê uma chance a vocês, aqui, perto dele.
— Eu vou pensar sobre o que fazer, não é tão fácil, eu vi que é difícil demais conseguir documentação.
— Eu já te falei, casa comigo! – Ela disse divertida.
— Não amiga, eu jamais faria isso. Isso atrapalharia nossas vidas, com certeza, caso nos apaixonássemos futuramente e quiséssemos casar.
— Eu já decidi com quem quero me casar. – Ela disse com um olhar apaixonado enquanto olhava para , que de contrapartida a pegou no flagra e caminhou até nós.
— Não me olha desse jeito. – Ele disse se aproximando dela. — Só me da mais vontade de te levar pra casa e fazer tudo aquilo que eu tenho esperado desde essa tarde.
— Não preciso ficar ouvindo esse tipo de coisa. – Brinquei levando um leve empurrão de minha amiga antes de me distanciar. O casal prontamente se despediu de mim e dos demais e rumaram em direção a saída.
Me acomodei em uma das poltronas que faziam parte da decoração do camarote e fiquei pensando na proposta de Lindsay.
Morar na Inglaterra já havia sido cogitado por nós, mas como eu não havia documentação nem nada que me ligava ao país, Lindsay se propôs em casar comigo para que eu pudesse permanecer legalmente no Reino Unido. Parecia uma boa solução se não fosse por toda a burocracia envolvida para isso, inclusive caso conhecêssemos alguém e decidíssemos formar uma família. Seria estranho demais um divorcio seguido por outro casamento com uma pessoa do sexo oposto.
Peguei meu celular a fim de buscar algumas informações sobre uma possível permanência na Inglaterra e tudo parecia confuso demais, quase impossível. Dificilmente legalizavam um imigrante sem um trabalho no país e dificilmente contratavam sem documentos. Era um looping eterno.
Bloqueei o celular irritada, nem mesmo se eu quisesse seria possível.
— Ei, , tudo bem? – Fui tirada do meu mundo paralelo ao ouvir se sentando ao meu lado e me entregando uma taça de espumante.
— Oi. – Tentei parecer sincera forçando um sorriso. — Tudo bem e você?
— Parece que você não está se divertindo. – Ele disse ignorando completamente minha pergunta. Olhei mais adiante e vi que e conversavam olhando para o palco.
e Lindsay foram embora, vocês estavam afastados então preferi não incomodar.
— Vem, vamos dar uma volta. – Disse se levantando e me puxando com ele.
Pude olhar de relance para que estava atento aos nossos movimentos. Ele havia a mesma expressão de antes, distante de tudo.
Nos afastamos um pouco dos meninos, ainda na área VIP.
— É sério, que aconteceu com vocês? – me perguntou se postando diante de mim.
— Nada de mais, discutimos mais cedo e parece que levou a sério demais nossa conversa.
— Ele me contou . – disse quase que me interrompendo. — Eu vim conversar com você porque pensei que seria interessante você ter uma opinião de fora sobre tudo isso.
Bufei em resposta, não queria que levasse nossos problemas aos meninos. Revirei os olhos e respirei fundo antes de falar o meu lado da história. O expliquei detalhadamente o que havia acontecido e o motivo pelo qual iniciamos nosso pequeno desentendimento. Confessei que estava procurando formas de permanecer e que a idéia de casar com Lindsay começava a me parecer interessante, fazendo o garoto rir.
— Eu sinto muito que tenham que passar por isso.. – Ele disse afagando um dos meus braços com ternura. — Eu conheço há muitos anos, antes mesmo da banda ter início, sabe? – Concordei em resposta. — E eu nunca o vi assim por ninguém, é clichê demais dizer isso mas é verdade. Ele é um dos meus melhores amigos e eu o conheço melhor do que ninguém.
— Eu entendo mas é complicado demais toda essa história. Mesmo que eu fique, mais cedo ou mais tarde vocês vão entrar em turnê de novo, então não faz sentido, entende?
— Claro que entendo. Entenda que a turnê dura alguns meses, sim, mas nós sempre voltamos pra cá para as férias, não é como se vocês pudessem se ver apenas por alguns dias caso a gente vá no Brasil. Aqui é muito mais garantido que vocês possam estar juntos.
— Eu sei, você está certo. – Ele realmente tinha razão. — Eu juro que estou procurando alternativas.
— Eu vou te ajudar com isso, não se preocupe. – Ele disse abrindo um sorriso.
— Não precisa se preocupar, já tenho algumas coisas em mente, preciso apenas confirmar se isso seria uma opção plausível.
— E o que é?
— Alguém já disse que você é muito curioso? – Ri ao ver a expressão indignada do rapaz.
— Eu só quero poder ajudar! – Disse com uma voz afetada.
— Tudo bem. – Contei a ele o que estava planejando e ficou de me acompanhar depois do meu aniversário “em forma de apoio” e porque ele era famoso o suficiente para persuadir qualquer um.
Apesar de ter mais intimidade com , era um bom amigo e ouvinte, era um pouco imaturo para muitas coisas mas seu coração era grande demais, ele sempre fazia tudo que estava à sua disposição para ajudar as pessoas que ele gostava.


Capítulo 23

’s Point of view.

Depois que saímos do carro, tentou se aproximar de mim algumas vezes e por mais que minha vontade fosse apenas estar com ela, meu orgulho não deixava com que meus instintos falassem mais alto.
Eu estava apostando alto no nosso relacionamento e saber que todo meu esforço era em vão, me dava vontade de desistir.
Quando eu decidi que era ela quem eu queria, não medi esforços. Nunca pensei na possibilidade de tudo acabar assim tão rápido. Eu queria fazer dar certo e esperava o mesmo dela.
Pude vê-la conversando com Lindsay um pouco tensa e quando a garota foi embora, vê-la sozinha, um pouco abatida, acabou comigo por dentro. Não foi por maldade não me aproximar, e me pediram para que eu tentasse dar mais tempo a ela e que ali não era o lugar ideal para falar sobre nossos problemas.
A banda de uns amigos tocava e eu, finalmente, me distrai com algo que não fosse . Distração essa que foi arrancada de mim ao ver um dos meus melhores amigos sentando ao seu lado, amigável demais.
Não era ciúmes, só me incomodou aquela cena. Ao vê-lo puxando minha garota pra mais longe só levou mais minha atenção para eles.
— Sério que você está com ciúme do ? - perguntou me tirando dos meus pensamentos.
— É obvio que não, só me pergunto porque eles saíram daqui para conversar. – Apontei os dois um pouco mais afastados enquanto sorriam um para o outro.
— Vou preferir fingir que não estou ouvindo essas suas insinuações. – Meu amigo disse voltando sua atenção ao palco.
— Eu só estou confuso, cara. Parece que ela não quer levar nosso compromisso a diante
— Você só vai saber quando vocês conversarem. Por que você não a chama para dar uma volta pelo centro de Camden? – Ele olhou para o relógio antes de dar prosseguimento. — A essa hora dificilmente alguém vai atrapalhar vocês, principalmente aqui.
Camden Town era uma cidade um pouco ao norte de Londres e a noite era, inclusive, “má” freqüentada. A maioria das pessoas ali estariam chapadas demais para me reconhecer.
— Vou esperar mais um pouco.
— Como quiser.
Voltei minha atenção para o show que estava acontecendo ali, tentava de todas as formas não direcionar meus pensamentos para e muito menos para o que ela esperava de nós.
Algumas músicas se passaram e e ainda estavam afastados de nós, concentrados demais em algum assunto que eu daria qualquer coisa para saber. Confiava em , mas me lembrava perfeitamente do dia em que chegou na nossa suíte acompanhada de Linday e Connor.
Meu amigo havia se interessado por ela e entre uma conversa ou outra confessou que esperaria a oportunidade perfeita para chegar até a garota. Nada foi muito planejado, tudo que aconteceu entre nós foi natural e entendeu perfeitamente, inclusive soube depois por Lindsay que ela já estava interessada em mim.
Não acreditava que ele fosse capaz de tentar alguma coisa com a menina, mas algo dentro de mim não conseguia se controlar.
Decidi me aproximar deles, que pararam subitamente o que estavam falando para me receber. Aquilo me deixou ainda mais complexado. Resolvi passar por cima, eu sabia que mais cedo ou mais tarde se algo ruim tivesse de acontecer, aconteceria.
— E ai. – Disse ao parar na frente dos dois.
— Oi . – Responderam em uníssono.
— Vou deixá-los a sós, vocês precisam conversar. – Meu amigo disse dando um abraço apertado em , dizendo algo que não fui capaz de ouvir devido à música alta que ecoava no local, e recebendo uma resposta positiva da garota.
— Pelo visto você fez uma nova amizade. – Disse erguendo uma das sobrancelhas em tom sarcástico.
— Pelo visto alguém resolveu me notar. – Ela respondeu ríspida.
— Você quer dar uma volta? – Ignorei sua resposta. Se continuássemos nos alfinetando as coisas se complicariam ainda mais. Ela apenas concordou com a cabeça. Caminhamos até onde estávamos antes e a menina recolheu seu sobretudo.
Nos despedimos dos meninos e seguimos em direção à saída.
Caminhamos um pouco em silêncio até a ponte de Camden Lock e paramos bem no meio dela. Fazia frio, a pouca luminosidade amarela fazia o grande lago parecer um céu estrelado.
Me debrucei na ponte olhando para baixo, enquanto apenas parou me observando.
— Você me chamou aqui para fora nesse frio para olhar o lago? – Ela perguntou divertida, claramente tentando quebrar o gelo entre nós.
Me virei respirando fundo, a encarando bem pela primeira vez depois da nossa discussão.
Seu olhar era sereno apesar de emitir claramente que estava chateada. Seus lábios avermelhados, pelo frio, faziam um conjunto perfeito com a ponta do seu nariz.
Seus cabelos mexiam de acordo com o vento e ela tentava se aquecer usando seus braços.
Em um impulso, me aproximei e a abracei como se fosse a última coisa que eu faria na minha vida. Ela tremia e suas pernas vacilavam vez ou outra. Seu cheiro de baunilha adentrou minhas narinas me fazendo inspirar mais forte, eu amava aquele perfume.
... – Chamei sua atenção, a fazendo levantar um pouco a cabeça para me olhar melhor. — A gente precisa conversar.
— Eu sei , mas antes eu gostaria te dizer algumas coisas, me explicar. – Ela disse com dificuldade por conta do frio.
— Vamos para o carro, você está congelando. – Disse passando minhas mãos sobre ela numa tentativa falha de aumentar sua temperatura.
Ela apenas concordou e fizemos o caminho de volta até o estacionamento da Koko. Adentramos no veículo e rapidamente liguei o aquecedor, fazendo a garota soltar um suspiro aliviado enquanto aproximava as mãos do ar quente. Esperei pacientemente que ela se aquecesse antes dela se voltar para mim.
— Então, estava dizendo. – Ela começou. — Eu sinto muito pela forma em que te disse aquelas coisas, eu estava com raiva e acabei descontando em você. Eu não penso que você irá estragar tudo de uma hora pra outra, mas eu tenho medo. Entende?
— Eu te entendo, , mas você me deixa confuso. Ao mesmo tempo que você parece querer estar comigo, parece também que você só está esperando a primeira oportunidade para virar as costas.
— Nós sempre soubemos que eu precisaria ir embora, eu tenho uma vida no Brasil, .
— Você espera que continuemos tendo algo entre nós com toda essa distância?
— Não é impossível. Veja John, dois anos. – Ela disse sorrindo.
— Eu acho que não consigo. – O silencio tomou conta de nós, sentia meus olhos arderem ao ver a expressão da garota, que me olhava confuso.
— Você está colocando um ponto final entre a gente, não é? – Ela perguntou.
— Eu não quero. – Suspirei fundo. — Mas acho que se continuarmos nesse impasse, não chegaremos tão longe. Acho justo esclarecer isso agora do que esperar o tempo passar. Eu gosto de você e sei que sou correspondido, não é justo conosco. – Ela me analisava enquanto cuspia aquelas duras palavras.
— Eu te disse ontem que eu me apaixonei por você, por esse aqui na minha frente, e não me arrependo disso. – se controlava ao máximo para não deixar que as lágrimas tomassem conta de seu rosto. Eu já havia desistido de deixar aquele sentimento me controlar e uma lágrima teimosa escapou quando ouvi mais uma vez seus sentimentos por mim. — Eu disse que levando em considerações meus sentimentos por você, eu ficaria. Não queria dizer nada sem ter certeza mas eu estou procurando por opções, ok?
— O que você quer dizer com isso?
— Que eu estou disposta a ficar se eu puder, só me dê mais algum tempo... – Ela parecia cansada, ela disse como se houvesse o mundo nas costas a ser carregado.
— Não quero te pressionar, . – Respirei fundo.
— Eu sei. – Ela disse passando uma de suas mãos suavemente sobre meu rosto. — Eu quero fazer isso dar certo. – Suas palavras me tranqüilizaram um pouco, mas dizer que eu havia esquecido tudo aquilo seria uma mentira.
— Não quero que você se arrependa de nada, quero que você faça aquilo que achar melhor pra você e eu vou te apoiar qual for sua decisão. – Era verdade. Querer que largasse toda sua vida por mim não parecia, de tudo, justo. Queria que ela tomasse a decisão certa pra ela, mesmo que isso nos levasse ao fim do nosso curto romance.
— O melhor pra mim é estar ao seu lado, . – Ela sorriu. — De qualquer forma Lindsay e eu já havíamos cogitado essa possibilidade, mas você sabe que não é simples assim pra mim.
— Eu adoro você, sweetheart. – Disse me aproximando mais da garota. Passei minhas mãos sobre seus cabelos fazendo um afago delicado e a puxei para mais perto. Recebi um sorriso como resposta antes de nossas bocas se encontrarem e darmos inicio a um beijo.
Quando nos separamos, vi nitidamente a felicidade estampada em seu rosto e aquele sorriso que iluminava meu dia havia tornado.
— Depois da nossa discussão eu tentei me informar sobre o que preciso para conseguir ficar aqui legalmente. – Ela quebrou o silencio. — É quase impossível! Você sabe o que quer dizer pra um imigrante conseguir se legalizar no Reino Unido?
— Você esqueceu que eu sou e consigo tudo o que eu quero? – Disse convencido, arrancando uma risada nasalada da garota.
— Eu odeio quando você fala assim.
— Eu tenho os melhores advogados do país , é só estalar os dedos que eles conseguem tudo o que eu precisar.
— Eu não quero as pessoas pensem que eu estou com você para ter alguma vantagem sobre sua fama.
— Por que você tem que se preocupar com o que vão pensar?
— Porque a vida não é um conto de fadas. – Ela suspirou pesado. — Você viu como reagiram sobre nosso relacionamento? Você leu o que falaram sobre mim naquelas fotos? As pessoas são cruéis e elas não se importam em machucar os outros. – Ela tinha razão, não poderia fechar os olhos para os fatos. Estar com uma pessoa pública requer coragem para suportar determinadas coisas.
— Você era minha fã, , e agora é minha namorada. – Dei ênfase na palavra. — É normal que isso cause um pouco de intriga ao público. – Segurei uma de suas mãos antes de dar prosseguimento. — Você confia em mim?
— É claro, , caso contrário minha vida não estaria essa bagunça. – Ela respondeu sorrindo.
— Então deixa eu te ajudar.
— Me dê mais algum tempo. – Ela repetiu. — Caso eu não consiga aquilo que tenho em mente, nós pensamos nisso juntos.
Suspirei fundo antes de concordar.
Eu já havia algumas idéias sobre como ajudá-la. Mas conhecendo , sabia que ela não desistia fácil de suas idéias, ela deveria chegar ao nível máximo de desespero para poder pedir ajuda a alguém.
Eu daria o tempo que ela achasse necessário para que ela organizasse tudo aquilo que ela havia em mente, mas isso não me impediria de trabalhar por debaixo dos panos.

’s Point of view.

Depois daquela conversa, mais uma vez as coisas entre nós pareciam fluir perfeitamente.
Rodamos por Londres por algum tempo a fim de dar privacidade a Lindsay e Connor.
Passavam das quatro da manhã quando cruzamos a porta da casa que os meninos haviam alugado. O silencio nos dizia que o casal já estava entregue a um sono profundo e seguimos em direção ao nosso quarto.
Naquela noite nós não transamos, nossa conexão foi estabelecida apenas sentimentalmente.
Assim que adentramos a suíte, voltou no carro alegando ter esquecido alguma coisa. Não dei muita importância e segui para o banheiro para me trocar e fazer minha higiene rotineira antes de ir para cama.
Quando entrei no quarto, vi sentado na cama e uma caixa vermelha, que poderia ser maior do que eu, com um grande laço branco, estava bem no meio do cômodo.
— Parabéns sweetheart. – Ele disse se levantando e caminhando em minha direção. Sorri o agradecendo e dando um selinho demorado em seus lábios.
pediu para que eu parasse ao lado do embrulho para fazer uma foto, que logo em seguida foi compartilhada em seu perfil do Instagram com a seguinte legenda:
“happy birthday to the girl that is turning my world upside down ♥”
Mais uma vez ele estava declarando ao mundo o que éramos e aquilo aquecia meu coração.
— Abre, . – Ele disse apressado. — Eu espero que você goste.
Me apressei em desamarrar o grande laço perfeitamente alinhado sobre a tampa da caixa antes de abri-la.
Pude ver uma caixa um pouco menor dentro e o olhei sapeca. Parecia que ele estava testando minha paciência e curiosidade.
Tirei a caixa, não tão, menor de dentro do embrulho e rasguei rapidamente o papel de presente que a envolvia.
Era uma case de violão e era linda. Era de couro preta e bem em cima havia minhas iniciais gravadas com uma patinha de cachorro ao lado. Sorri ao perceber que ele havia pensado em cada detalhe.
Quando a puxei para fora, senti que seu peso não condizia com o objeto e olhei divertida para que apenas sorria vitorioso.
Apoiei a maleta sobre a cama a abrindo a seguir, encontrando um violão Taylor 114ce exatamente como o seu.
Eu tinha certeza que minha expressão de felicidade foi o suficiente para entender que ele havia acertado em cheio. Corri para os braços do garoto o abraçando mais forte que conseguia enquanto agradecia dezenas de vezes pelo presente, que não poderia ter sido mais perfeito.
, eu nem sei como te agradecer.
— Já que você comentou... – Ele se desvencilhou dos meus braços indo novamente para fora do quarto e voltando com uma case como a minha. Se sentou em uma cadeira que ele havia colocado em frente à cama e pediu para que eu me sentasse ali, de frente para ele com o meu mais novo violão.
O violão estava afinado perfeitamente, trabalho que ele teve antes de me presentear, e o som que saia dele era simplesmente incrível. As notas que eu tocava se misturavam com as de formando uma sinfonia perfeita.
— Lembra quando nos conhecemos e você tocou uma música sua? – Ele me questionou.
— Sim, Paper Heart. – É obvio que eu lembrava, tinha escrito aquela música a mais de um ano mas foi sem dúvidas a melhor canção que eu havia escrito em toda minha vida.
então começou a dedilhar algumas notas pedindo para que eu o corrigisse caso ele errasse. Como se fosse possível.
— Eu não lembro muito bem da melodia mas lembro algumas partes. – Ele disse enquanto iniciava a introdução. — Você pode me mostrar? - Sorri envergonhada e respirei fundo antes de dar início.
Nossas vozes se misturavam no ar enquanto nossos dedos habilidosos percorriam o instrumento.
Ouvi quando Connor e Lindsay apareceram pela porta com cara de sono mas não parei o que estava fazendo. O garoto a abraçou por trás enquanto nos escutava e minha amiga, mais uma vez, arriscava a nos seguir.
— Uau, valeu a pena ter me levantado da cama. – Disse Connor se desvencilhando de Lindsay para poder aplaudir nosso pequeno show particular.
— Não queria acordá-los. – Disse tímida.
— Ainda bem que você nos acordou. – Lindsay respondeu rindo.
apenas sorria enquanto continuava a dedilhar alguma melodia.
Nossa mini reunião durou pouco, o sol já estava dando seus primeiros indícios que um novo dia estava para começar e a noite, depois da janta com a família de Lindsay, iríamos nos encontrar com alguns amigos dos meninos para dar início a diversão.
Me deitei ao lado de me encaixando de frente a ele, que por sua vez passou um braço sob meu pescoço e o outro envolveu minha cintura, me puxando para mais perto, como se pudéssemos nos fundir de uma hora para outra e era a sensação mais maravilhosa do mundo.
Adormeci pouco tempo depois de sentir um beijo leve em minha nuca.
— Boa noite sweetheart.
— Boa noite, .


Capítulo 24

Acordei antes de e desci ao ouvir risadas e barulhos de louças no andar de baixo. Lindsay e preparavam o café da manhã e a mesa já estava arrumada para quatro.
Me uni ao casal preparando subitamente um pouco de café, já que havia dormido pouco e minha cabeça faltava explodir.
— Meninas, hoje de manhã recebi uma mensagem de Joe, ele esta em Londres e perguntou se gostaríamos de sair com ele mais tarde. – Disse enquanto quebrava alguns ovos na frigideira.
— Ele está sozinho? – Perguntou Lindsay.
— Sim, ele tem uma reunião hoje à tarde e estará livre pelas cinco horas.
— Por que ele não vem jantar conosco?
— Se não for um problema para seu pai e para a , posso perguntar. – Ele disse desviando o olhar para mim.
— Problema nenhum. – Respondi sorrindo.
— Bom dia amigos. – entrou na cozinha nos cumprimentando. — Bom dia sweetheart. – E me deu um selinho.
— Oi, você dormiu bem?
— Como se fosse possível dormir mal do lado da mulher mais linda desse mundo. – Ele sorriu, aquele sorriso.
— Realmente, dormir com Lindsay é a melhor coisa do mundo. – comentou arrancando algumas risadas de nós.
Durante o café, organizávamos animadamente os preparativos para nosso aniversário. , e Joe chegariam para a janta e depois iríamos até um pub chamado Walkabout, localizado na Temple Station, que nos dava uma visão contemplada da London Eye e Tower Bridge, onde alguns amigos do meninos nos encontrariam mais tarde.
O dia transcorreu normalmente. Na casa de Lindsay as gêmeas ornamentavam o lugar com bexigas rosas e douradas enquanto os meninos haviam indo encontrar com os outros no hotel onde estavam hospedados.
Lindsay e eu saímos logo depois, fomos até o Westfield de Stratford a procura dos looks perfeitos para a noite.
Optamos por dois looks cada, um para o jantar em família e outro para a noite. Foram os presentes de George e Peter.
Fomos paradas por algumas meninas durante as compras que nos reconheceram das fotos publicadas na internet sobre nossos relacionamentos com dois dos membros do . Aquilo parecia não ser verdade, haviam passado apenas dois dias desde que tornou pública nossa relação, já Lindsay e foram flagrados na Koko e foram notícia do mesmo site que havia publicado minhas fotos.
Enquanto voltávamos pra casa, recebi uma ligação de , fazendo uma Lindsay curiosa me interrogar por todo o trajeto.
— Desde quando você guarda segredos de mim ? – Ela disse com ar de indignação. — O que você e estão arrumando?
— Por que você me está bombardeando de perguntas? Você foi a primeira a esconder algo sério, esqueceu?
— Mas é diferente...
— “Mas é diferente...” – Disse imitando sua voz de vítima da situação.
Foram longos quarenta minutos tentando fazer com que Lindsay parasse de me questionar. Desistindo, insatisfeita, apenas quando e adentraram a casa junto com o resto da banda.
Os meninos chegaram com algumas garrafas de bebida e algumas malas, nos cumprimentaram e se direcionaram para os fundos da casa, alegando que deveriam terminar de conversar sobre o novo contrato que fariam como uma nova gravadora.
Lindsay e eu subimos para começar a nos preparar, logo após receber uma visita surpresa das gêmeas que alegavam estarem ali para nos ajudar caso fosse preciso e não porque tinha uma banda famosa nos fundos da casa.
Havia escolhido um vestido de lã caramelo de gola alta e nos pés havia um par de ankle boot pretas.
Deixei meus cabelos soltos a modo que alguns cachos dessem o caimento perfeito dos fios.
Lindsay optou por um jumpsuit verde army, que combinada perfeitamente com um scarpin preto com detalhes prateados.
Quando descemos para encontrar com os meninos para seguir até a casa do pai de Lindsay, estranhamente um silencio cadavérico tomava conta de toda a casa.
, tem uma folha aqui em cima da mesa. – Disse Lindsay pegando o pequeno pedaço de papel e lendo o que estava escrito. — Eles decidiram nos esperar lá com meu pai e os outros. – Demos de ombro e seguimos em direção ao local.
Quando Lindsay abriu a porta, todos os nove presentes na sala se levantaram para nos receber.
As gêmeas mal falaram conosco e voltaram a bajular a banda assim que passamos pela porta de entrada, todos estavam devidamente acomodados na sala esperando que Peter terminasse alguns preparativos para podermos dar início ao jantar. Não demorou muito para que o gentil homem aparecesse anunciando que tudo estava pronto e que podíamos nos acomodar em torno da mesa.
Toda a atmosfera criada ali exalava alegria. Todos conversavam entre si, falamos sobre as nossas carreiras, sobre esporte, política. Algumas piadas e alfinetadas. Muitas risadas.
Eu poderia me dar por satisfeita apenas por ter tido a oportunidade de presenciar aquele momento.
Quando Peter e George tiraram a mesa, as gêmeas trouxeram dois bolos redondos pequenos com as mesmas cores das bexigas e decoração da nossa pequena celebração. Felizmente, ninguém se importou com quem ficaria o primeiro pedaço de bolo, porque Lindsay me confessou mais tarde que não saberia o que fazer naquela situação.
Depois do parabéns, os nossos nove “convidados” decidiram fazer pequenos discursos sobre nós.
George foi o primeiro, agradeceu por nos ter ali naquele momento e que ele estava morrendo de saudade da filha. Que estava feliz por ter me conhecido melhor e que aquele dia seria lembrado para o resto de sua vida.
Peter foi mais breve, nos desejou tudo de melhor no mundo, expressou sua felicidade em rever Lindsay e que tinha adorado me conhecer.
Já as gêmeas levaram o discurso para o lado dos meninos, praticamente ignorando nossos aniversários. Segundo elas, aquele era o melhor dia de suas vidas e que eram gratas por Lindsay e eu namorarmos dois de seus ídolos, arrancando muitas gargalhadas de todos.
Joe preferiu se limitar em nos parabenizar e que também estava feliz por compartilhar aquele momento conosco.
— Bom, há alguns meses atrás essas duas apareceram no hotel em que estávamos hospedados. - Começou , arrancando algumas risadas dos demais. — No início eu até achei que fosse algo passageiro mas quando vi o quanto meus melhores amigos se afeiçoaram à elas, não tive dúvidas das pessoas maravilhosas que eram. Ultimamente tive o prazer de conhecer melhor a e posso dizer, sem sombra de dúvidas, que ela é uma das pessoas mais queridas que eu tive o prazer de conhecer. Não fiquem com ciúmes meninos. – Ele interrompeu o discurso para olhar para os amigos e Lindsay, que apenas sorriram em resposta. — Obrigada por terem aparecido nas nossas vidas e espero que vocês permaneçam nelas, obrigada e por terem escolhido tão bem suas garotas.. – Ele finalizou erguendo a taça de espumante e sendo seguido pelos outros, recebendo aplausos e assovios.
— Acho que já simplificou tudo o que eu penso. – Começou . — Vocês são incríveis. - Ele também ergueu a taça e foi acompanhado por alguns aplausos. deu prosseguimento à aquele pequeno momento sentimental, em uma forma de encorajamento ao amigo que, à aquela altura, enxugava pequenas gotículas de suor que iniciavam a se formar em sua testa.
— Lindsay, você se mostrou uma amiga incrível nesses últimos meses, você me apoiou e me ajudou tanto que eu serei eternamente grato a você. Obrigada pela pessoa maravilhosa que você é. – Ele disse olhando para minha amiga, recebendo um, quase inaudível, “obrigada” vindo da garota. — ... – Ele fez uma pequena pausa enquanto me lançava um dos seus melhores sorrisos. — Obrigada. Obrigada por ter aparecido na minha vida, me mostrando que o amor é o único remédio que pode salvar alguém. Você me salvou de mim mesmo. Seu carinho, seu afeto, sua preocupação, tudo em você me encanta, e eu só posso te agradecer. Foi tudo tão rápido, tão perfeito... Eu quero estar contigo hoje, amanhã, nos seus próximos cem aniversários... eu quero simplesmente estar com você. – Ele piscou. — Eu adoro você, , tenho certeza que o que eu sinto por você é real. – Todos presente bateram palmas e deram gritinhos animados. Eu não tive outra escolha a não ser me levantar e beijá-lo em forma de agradecimento. Suas palavras haviam aquecido meu coração e me dado a plena certeza do quanto ele era importante e especial pra mim, que não teria nada no mundo que eu não fizesse para tê-lo por perto, mesmo que isso significasse abrir mão de uma vida só para estar junto a ele.
Eu sabia de seus sentimentos, eles tinham ficado claro em todas nossas as conversas que havíamos tido, em suas composições recentes e em seus gestos. Eu tinha plena certeza que não estava apenas apaixonada por , eu o amava. Era simples amá-lo, era a coisa mais fácil que eu já havia feito em toda minha vida.
— Boa noite a todos. – Fui puxada dos meus pensamentos ao ouvir a voz de , arrancando risadas de todos nós. — Meu nome é mas acho que vocês já sabem disso. – Ele disse passando uma das mãos sobre seus cabelos e eu não pude deixar de soltar uma gargalhada estrondosa, era nítido seu nervosismo. — Eu poderia ficar horas aqui falando dessas duas meninas e o quanto elas fizeram diferença nas nossas vidas, no geral. – Ele fazia gestos redondos com as mãos. — É uma honra estar aqui hoje comemorando mais um ciclo de suas vidas. Feliz aniversário. – Ele concluiu rapidamente se sentando. o olhou incrédulo e o cutucou.
O garoto se pôs em pé novamente rindo.
— Eu estava brincando. – Não tinha como não achar graça das coisas que ele dizia, George o encarava curioso e Lindsay soltava risadas nasaladas. — É inútil que eu diga mais alguma coisa sobre vocês, meninas, todos os outros disseram tudo aquilo que eu penso. – Ele suspirou fundo antes de dar continuidade. — Não quero repetir as palavras dos meus amigos então vou direto ao ponto. Lindy, você é incrível, é a mulher mais maravilhosa que eu já conheci na minha vida e é por isso que eu quero pedir permissão ao seu pai para ter você como minha namorada. – Ele se direcionou a George, que havia o rosto vermelho. — Até porque eu já sei sua resposta. – Ele piscou e todos nós rimos.
— George, sua filha é muito especial para mim e eu prometo nunca magoá-la. Quero fazer as coisas da forma certa e meus pais sempre me ensinaram que antes de pedir uma garota em namoro, eu deveria vir até seu pai para pedir permissão. Se o senhor não permitir, eu entendo, mas eu tenho certeza que ela vai ficar bem triste– Ele disse apontando para minha amiga e arrancando mais risadas de nós.
George se levantou, olhou para a filha e encarou novamente , que havia a respiração ofegante, parecia que havia corrido a meia maratona.
— Acho que não tenho nada a dizer, parece que vocês já estão decididos e eu só posso apoiá-los. Você me parece um bom garoto, eu gostei de você. – Ele disse dando um tapinha no ombro de . — Bem vindo oficialmente à nossa família garoto, faça minha filha feliz.
Todos se levantaram e aplaudiram o gesto dos dois, que se abraçaram assim que finalizaram seus respectivos discursos. Lindsay havia algumas lágrimas nos olhos e correu para os braços de assim que seu pai abriu espaço para ela.
As gêmeas pulavam de alegria e foram abraçar o casal, apesar de abraçarem muito mais o garoto do que a irmã.
— Amiga, parabéns! – Disse sincera.
— Eu nem acredito!
— Não fala besteira, todos nós sabíamos que só estava esperando o momento certo, ele é certinho demais. – Brinquei.
— Você tem razão. – Ela sorriu e me abraçou. — Estamos oficialmente namorando nossos ídolos! – Sorri em resposta e logo senti se aproximando de nós.
— Vocês não perdem esse costume de falar essa língua estranha que ninguém aqui é capaz de entender? – Ele me abraçou de lado me dando um selinho.
— É questão de tempo para que você aprenda. – Lindsay respondeu e logo também se juntou a nós.
Conversávamos por mais ou menos vinte minutos, antes de sermos interrompidos pelas gêmeas que apareceram simultaneamente na grande janela de vidro que nos separava do jardim, que era coberta por uma cortina azul marinho.
— Prontos? – Sophie perguntou primeiro. Lindsay e eu nos entreolhamos confusas. Alice veio em nossa direção e nos vendou, dizendo que era uma surpresa, dando um mistério maior à toda aquela situação. Após estarmos devidamente vendadas, a garota se postou em meio a nós e pegou em nossas mãos, caminhando em passos lentos até os fundos da casa.
Incrivelmente não chovia naquela noite, uma leve brisa me fez arrepiar antes de sentir meu sobretudo sendo jogado sobre meus ombros já do lado de fora.
Continuamos caminhando às cegas antes de sentir as mãos firmes de Alice que nos fez parar em algum ponto do jardim, sentia a grama fofa sob meus pés. — Quando eu disser três vocês podem tirar as vendas. – Ela disse baixo em nossos ouvidos. Apenas concordamos com um aceno de cabeça e esperamos as próximas ordens.
— Um. – Ela disse baixo. — Dois. – Os milésimos que passavam entre sua contagem pareciam serem infinitos. — Três! Podem tirar as vendas.
Ao tirar as vendas somos surpreendidas pelo trabalho que as meninas tinham tido para decorar todo o lugar. Olhamos ao redor do jardim e vimos decoração perfeita que as meninas haviam feito. Haviam grandes tecidos dourados e rosas sobre nós, fazendo com que uma espécie de tenta nos protegessem do frio. Uma cortina preta nos separava do resto do jardim, onde bexigas da mesma tonalidade dos tecidos no teto formavam um arco perfeito emoldurando o pano escuro.
Olhamos para trás quando ouvimos um barulho de porta sendo aberta, e algumas pessoas que não conhecíamos, invadiram o local.
Algumas pessoas depositavam caixas de presente sobre uma mesa posicionada em um ponto estratégico na entrada do jardim e eu continuava me questionando quem era toda aquela gente.
— Amiga, eu acho que são os familiares dos meninos. – Ela disse baixo em meu ouvindo apontando discretamente para um casal que adentrava o jardim e cumprimentava Peter e George. — Aqueles são os pais de , eu os conheci durante uma vídeo chamada algumas semanas atrás.
— Tá de brincadeira? – Respondi incrédula.
Antes que pudéssemos dizer mais alguma coisa, um barulho de caixa de som sendo ligada chamou nossa atenção novamente para o tecido preto. Uma nuvem de fumaça foi formada cobrindo totalmente o pano por segundos, antes de um palco improvisado aparecer quando tudo voltou a ficar nítido.
As gêmeas apareceram ao nosso lado nos puxando para a frente dos instrumentos nos fazendo rir incrédulas do que haviam preparado em tão pouco tempo. Aquilo explicava as grandes malas que acompanhavam os meninos mais cedo.
— Boa noite a todos! – Ouvi falando ao microfone e olhar para nós. — Obrigada pela presença de vocês, sei que foi em cima da hora mas fico feliz em poder vê-los aqui hoje. – Ele acenou para algumas pessoas que permaneciam atrás de nós. — Espero que vocês aproveitem o show, feliz aniversário meninas. – Ele concluiu e algumas notas conhecidas começaram a invadir o locar.
Os meninos fizeram um show particular para nós que durou bem mais de uma hora e meia, eles tocaram nossas músicas favoritas incluindo aquelas que não faziam mais parte do repertório há muito tempo.
Lindsay, as gêmeas e eu, tomávamos conta da primeira fila enquanto os demais aproveitavam o espetáculo alguns passos mais afastados de nós. E foi entre uma musica e outra que começou com um discurso estranho, me fazendo corar e desejar poder desaparecer naquele exato momento.


Capítulo 25

’s Point of view.

A felicidade no olhar das meninas valia mais do que qualquer dinheiro no mundo. A idéia de Joe nos pegou de surpresa, eu não esperava tal ato vindo dele.
O pequeno show da banda foi nosso presente coletivo à elas. Tivemos que organizar tudo rápido e teve a idéia de convidar nossas famílias, alegando que aquele seria o momento perfeito para que pudessem conhecer as garotas.
George relutou um pouco no início por conta dos vizinhos mas houve o apoio dos amigos ao pedir permissão para uma pequena festa no jardim. As gêmeas pediram para trazer alguns amigos da escola, que eram nossos fãs, que também se uniram a nós. Por ultimo, alguns amigos da banda marcaram presença, já que a festa tinha sido transferida do pub para o jardim da casa de George. Havia pelo menos umas cinquenta pessoas ali, muito mais do que esperávamos, o que me fez lembrar do tempo em que tocávamos em pequenos bares ao redor de Londres.
— Eu gostaria de chamar aqui na frente uma pessoa muito importante pra mim. – Disse olhando para o pequeno público que nos prestigiava. — Nosso primeiro contato foi por causa da música, e eu agradeço muito um colega de profissão que colocou no meu caminho essa mulher linda, talentosa e uma artista incrível. – Olhei para , tirando o microfone do pedestal e me aproximando dela. — Você vai querer me matar por isso, não vai? – Sussurrei ao seu ouvido, longe do microfone, recebendo um aceno positivo como resposta.
Entrelacei meus dedos aos seus e a puxei calmamente até nosso improvisado palco.
— Para quem não a conhece, essa é a , uma das aniversariantes e minha namorada. – Disse envolvendo seus ombros com meu braço livre, recebendo um sorriso tímido da garota e gritos animados dos convidados. Chamei também Lindsay a apresentando, e rapidamente a garota foi de encontro a . — Eu a chamei aqui porque há alguns meses atrás, quando nos conhecemos, ela tocou uma música de sua autoria para nós em uma tarde entre amigos e aquela música era simplesmente maravilhosa. – Me soltei da garota indo em direção aos nossos violões que estavam apoiados na lateral do jardim. — E eu gostaria muito de compartilhá-la com vocês. – Entreguei o violão à garota que me fuzilava com os olhos, sorri para ela a encorajando e dizendo que ela não deveria ter medo. Ela respirou fundo se posicionando entre , Lindsay e eu e se virou para mim.
— Você está pronta? – Disse baixo.
— Não, mas não tenho outra escolha. – Ela sorriu divertida.
Comecei os acordes, já conhecidos por mim, de Paper Heart e fui seguido por , que sorria concentrada olhando para o violão.
Dei início à canção, encorajando a garota, e um pouco antes do refrão parei de cantar para observá-la. Com os olhos fechados, suas mãos habilidosas pareciam flutuar sobre as cordas, sua voz era rouca e havia um tom único. Ela começava a se entregar aos poucos, deixando a timidez por um segundo dentro de um cofre fechado a sete chaves. Sorri me virando para os meninos, que entenderam o recado e entraram no ritmo com seus determinados instrumentos.
subitamente abriu os olhos, incrédula, perguntando inaudível quando havíamos planejado aquilo, na pausa mais longa entre uma estrofe e outra.
Havíamos passado a tarde no hotel em que os meninos estavam, dando vida a música que eu havia gravado pelo telefone na noite anterior, quando pedi para que a tocasse para mim. Fizemos alguns ajustes e rearranjamos a melodia para que , e pudessem participar da canção com seus respectivos instrumentos.
Ficou simplesmente incrível e eu estava orgulhoso do trabalho que havíamos feito.

“There’s a lot of things that I may not know
But missing you baby is the only thing I know, I know.”


Finalizamos a ultima estrofe juntos, apenas nossas vozes e nossos violões faziam parte daquela parte. Parecia que, por um momento, éramos só nós dois. A única coisa que eu via era seu rosto iluminado pela felicidade. O seu sorriso doce, seus olhos cheios de sentimento, suas bochechas coradas e aquela voz que me fazia perder os sentidos.
Me aproximei dela quando a última nota foi tocada, envolvi seus cabelos com minhas mãos e a beijei da forma mais intensa que eu poderia, eu queria fazê-la sentir tudo o que eu estava sentindo através daquele beijo. A felicidade, o orgulho que eu sentia naquele momento e principalmente o amor que ela despertava dentro de mim.
— Obrigada. – Ela disse quando nossas bocas se separaram. Todos aplaudiam nossa performance e nos puxaram de volta para a realidade.
cantou uma música que havia feito para Lindsay logo depois, fazendo a garota se derramar em lágrimas e se jogar em seus braços enquanto dizia que ele era o namorado que ela sempre pediu a Deus.
Agradecemos a todos e finalizamos nossa apresentação, dando espaço para o DJ que já se acomodava por de trás de sua mesa de controle.
Desmontamos rapidamente o pequeno palco e levamos todos os instrumentos para um quartinho que ficava ali no jardim, deixando-os seguros antes de poder aproveitar a festa.
— Feliz aniversário de novo, sweetheart. – Disse me aproximando de , que conversava com as irmãs de Lindsay. Ela deu um pulinho assustada quando sentiu minhas mãos sobre seus quadris.
! O que você faz que não é incrível? – Ela disse envolvendo meu pescoço com seus braços antes de colar nossos lábios. Choques elétricos percorriam meu corpo com o nosso contato. Sorri em resposta e a abracei, tirando-a um pouco do chão e ouvindo as gêmeas suspirarem alto.
— E ai meninas, como foi o show? – Me direcionei às garotas que soltavam gritinhos histéricos enquanto ainda diziam que aquele era o melhor dia da vida delas, se virando em direção aos amigos alegando que nos deixariam a sós.
— Vem, quero te apresentar à algumas pessoas. – Entrelacei meus dedos aos de e segui em direção a um pequeno grupo formado ao redor de uma pequena mesa. Me aproximei cumprimentando meus pais, minha irmã e os pais de . — , esses são meus pais. – Disse abrindo espaço para que pudessem se cumprimentar.
— Muito prazer senhor e senhora . – Ela estendeu sua mão sorrindo timidamente
. — Prazer querida, eu sou Ann-Marie e esse é meu marido Derek. – Minha mãe se aproximou a abraçando, sendo seguida por meu pai.
— Feliz aniversário, é um prazer te conhecer. – Foi a vez de meu pai se aproximar mais. — Eu sou Natalie, irmã mais velha de . Fico feliz de poder te conhecer finalmente.
Todas as devidas apresentações foram feitas, , Lindsay e Natalie dançavam juntas na pista improvisada e vez ou outra o olhar da garota se cruzava com o meu, me fazendo sorrir embasbacado pela sua beleza e por como ela me fazia me sentir.
— Filho! – Minha mãe disse se aproximando e me envolvendo em um abraço. — É tão bom te ver com essa carinha, não lembro da ultima vez que te vi assim tão sonhador. – Sorri em resposta enquanto a mulher seguia me analisando.
— Eu tenho algumas idéias e não vejo a hora de colocá-las em prática. — Sobre a banda?
— Também. – Levei a garrafa de cerveja até a boca ainda encarando a menina que dançava alegremente. — Sobre a banda, sobre mim, sobre a ... – Voltei a encarar minha mãe assim que conclui minha sentença.
— Ela está te fazendo bem, é notável o quanto você está diferente. – Ela levou uma de suas mãos até minhas bochechas, depositando um carinho suave ali.
— Você, mais do que ninguém, sabe que eu estava a ponto de estragar tudo. – Disse recebendo um aceno de cabeça e um olhar cabisbaixo da mulher que havia me dado a vida. — Então ela chegou e as coisas mudaram pra melhor, eu não me sinto mais vazio, entende? – Minha mãe sabia dos obstáculos que eu vinha enfrentando nos últimos meses por conta do cansaço e mesmo não concordando com a maior parte dos meus comportamentos, tentava sempre me entender e estava sempre disposta a enxugar as lágrimas que eu derramava quando ia até minha casa procurando por conforto.
— Eu não poderia estar mais orgulhosa de você. – Ela sorriu pegando minha mão livre. — Nós precisamos ir embora pois a viagem é longa, não suma por favor, sentimos sua falta.
— Pode deixar mãe, antes do início da nova turnê vou visitá-los.
Meu pai e minha irmã se uniram a nós antes de nos despedirmos e veio ao nosso encontro agradecendo a presença dos três.
— Traga sua namorada o quanto antes, quero conhecê-la melhor. – Disse Natalie quase inaudível, me fazendo soltar uma risada nasalada.

’s Point of view.

Os convidados começavam a ir embora aos poucos, o DJ já havia encerrado sua apresentação e apenas uma caixa de música dava vida ao lugar com um volume moderado.
Uma rodinha foi formada pela banda e seus amigos, que riam enquanto relembravam suas peripécias durante a adolescência.
Lindsay e eu ajudávamos as gêmeas a organizar a bagunça que tinha sido formada horas atrás e quando tudo pareceu relativamente em ordem, nos unimos aos garotos sentados ao redor da mesa.
Como era de costume, me sentei de lado sobre as pernas de enquanto uma de suas mãos fazia carícias suaves em meus cabelos.
Todos os meninos ali pareciam estar um pouco alterados demais por conta do álcool, tirando que havia desaparecido com Lindsay, que tentava cuidar dos amigos e que havia desistido de beber há muito tempo, quando começou a sentir os efeitos do álcool.
— Fico feliz de te ver assim tão controlado em relação à bebida .
— Não vejo mais lógica em beber até cair e não me lembrar de mais nada, eu quero poder me lembrar de todos os momentos ao seu lado. – Sorri em resposta e depositei um selinho sobre seus lábios. A única coisa que completaria meu dia era estar no quarto com , sentindo os choques elétricos por meu corpo que só ele era capaz de me dar.
Continuamos ainda por uma hora mais ou menos ali sentados, antes de Joe decidir que era a hora de ir, levando com ele o grupo de meninos que nos faziam companhia. — , me mantenha informado sobre o que você quer fazer, tudo bem? – se virou para mim, estávamos um pouco mais afastados do grupo que se despedia e se acomodava em seus respectivos carros. nos olhou confuso antes de se aproximar.
— Claro, eu te ligo durante a semana. – Respondi abraçando o garoto e o desejando uma boa noite.
se despediu de e logo se uniu a Joe e , que dirigia o carro do agente.
— Por que tanto segredinho entre você e ? – Ele perguntou se aproximando enquanto caminhávamos lentamente até nossa casa.
— Você está com ciúmes por acaso? – Me direcionei a ele abrindo meu mais largo sorriso em provocação.
— É claro que não. – Ele respondeu visivelmente desconfortável enquanto levava uma das mãos até sua nuca, mexendo um pouco nos cachinhos que caiam sobre seu pescoço. Era o típico gesto que ele fazia quando estava nervoso, incomodado ou envergonhado. — É só curiosidade, não precisa me contar se não quiser.
— Então você vai continuar curioso.
— Você é má comigo as vezes.
— Vou te recompensar por isso, eu prometo. – Pisquei e o abracei de lado, recebendo uma risada nasalada em resposta.
Poucos passos depois, adentramos à casa e subimos para nossa suíte. Sabíamos que e Lindsay estavam em casa, suas jaquetas estavam jogadas em um dos sofás no andar de baixo, então tentamos fazer o menos de barulho possível para que o casal não tivesse a intimidade interrompida por nós.
Entrei por último no quarto, fechando a porta com um dos meus pés já que iniciava a trilhar alguns beijos sobre meu pescoço enquanto desabotoava meu sobretudo.
Por não ter trocado de roupa para sair, não tive tempo de colocar a lingerie que estava pensando em usar quando voltasse para casa com o garoto. Antes de começar a puxar meu vestido para cima, segurei em seus punhos negando sua ação.
— Preciso ir ao banheiro, volto em dez minutos. – Disse quebrando nosso beijo e correndo até o cômodo. Tranquei a porta agradeci mentalmente aos céus por haver deixado a lingerie separada na ultima gaveta do armário.
Estava suada por conta da festa então decidi tomar um banho rápido, ouvindo as lamentações de por não ter sido convidado a me acompanhar.
Optei por um conjunto vermelho acetinado com detalhes de renda em preto, que eu queria ter usado na nossa primeira noite juntos. O sutiã de bojo ressaltava meus seios, a calcinha era pequena e havia uma cinta liga que unia a lateral do objeto à uma meia calça sete oitavos.
O peep toe que havia me presenteado cairia perfeitamente bem com o look e não pensei duas vezes antes de pegá-lo na sapateira que preenchia um canto do banheiro.
Me olhei no espelho realçando os cachos que que formavam nas pontas dos meus cabelos com a mão e um pouco de spray que havia deixado ao lado da pia, me fazendo rir por pensar que ele se preocupava mais com seus cabelos do que eu com os meus.
Finalizei com um batom vermelho sangue que dava um pouco mais de volume nos meus lábios finos e respirei fundo.
Me envolvi no hobby preto de cetim que fazia parte do conjunto e destranquei a porta. estava distraído com seu telefone e levou alguns segundos antes de encarar o barulho da porta se abrindo. Bloqueou o aparelho assim que seus olhos percorreram por minhas pernas, cobertas pela meia calça, até meu rosto. Sorrindo ao entender a verdadeira intenção por de trás daquele banho repentino.
Tentei não rir, apesar de estar sentindo uma vergonha surreal por estar vestida daquele jeito, e reuni forças para fazer minha expressão parecer sexy.
Caminhei calmamente até onde o garoto estava sentado e desamarrei, lentamente, o hobby, deixando-o cair sobre meus pés e revelando a lingerie por de baixo do pano.
se posicionou melhor na beirada da cama intercalando seus olhares entre meu corpo e meu rosto, sua boca abria e fechava e sua expressão de quem buscava pelo o que dizer era exatamente o que eu queria.
Me virei de costas deixando minhas nádegas ressaltadas pelo fio dental em evidencia, propositalmente, sabia o quanto o garoto era louco pela aquela parte do meu corpo, e fui até a pequena caixa de som que havia na escrivaninha do quarto.
Coliguei meu celular e dei o play.
Assim que a batida de Pony (https://www.youtube.com/watch?v=iIQfZABPKuA ) preencheu o quarto, me virei para , com os olhos fixos nos dele e me posicionei entre suas pernas.
— Agora é minha vez de fazer um show pra você. – Disse enquanto o puxava pelas mãos, o empurrando contra a cadeira que havia colocado no meio do cômodo e fazendo o garoto sentar deixando os braços largados ao lado do corpo.
— As instruções são simples. – Disse me aproximando de seus lábios. fez menção em me beijar e desviei de seus lábios me direcionando até uma de suas orelhas e mordisquei seu lóbulo. — Você fica ai sentado, sem se mexer. Não pode me tocar, não pode se tocar e muito menos falar.
— Ma... – O interrompi dando um leve tapa em seu rosto, fazendo o garoto soltar uma gargalhada baixa.
— Sem falar, . – Ele acenou com a cabeça e eu continuei dando ritmo aos meus movimentos.

“Sitting here flossing
Peepin' your steelo
Just once if I have the chance
The things I would do to you
You and your body
Every single portion
Send chills up and down your spine
Juices flowing down your thigh”


Passava minhas mãos sobre meu corpo da forma mais sensual que podia sem nunca perder o contato visual com , que, por sua vez, respirava ofegante e mordia os lábios, vez ou outra os umedecendo com a língua, me dando uma vontade absurda de acabar com aquela encenação e atacá-lo.
Caminhava até o encosto da cadeira e cantava alguns trechos da música, sussurrando calmamente em seus ouvidos e vendo sua pele se arrepiando com cada toque discreto que meus lábios davam naquela região.
Voltei para frente da cadeira e passei minhas mãos pelos seus braços ainda cobertos pela grossa malha preta, desci por seu tórax e passei meus dedos pela barra da blusa, puxando-a para cima tranquilamente. se mexia na cadeira inquieto, era nítido o volume que se formava em seu jeans por conta de sua excitação, seu membro pulsava vez ou outra num pedido claro para que fosse libertado daquela prisão e eu tentava não me distrair com aquilo.
Quando ele tentava me tocar, dava tapas em suas mãos e estalava os lábios em negação, o garoto apenas sorria enquanto seus olhos transbordavam luxuria.

If you're horny let's do it
Ride it my pony
My saddle's waiting
Come and jump on it
If you're horny let's do it
Ride it my pony
My saddles waiting
Come and jump on it


Me sentei sobre suas pernas, de costas para , e mexi meus quadris sobre o seu, fazendo o menino prender a respiração por alguns segundos antes de expirar o ar pesado sobre minas costas. Virei minha cabeça e lancei um olhar intenso para o garoto sobre meus ombros, deixando que meus cabelos terminassem de dar o toque final de sedução quando caiam sobre meu rosto.
Em um movimento rápido, e um tanto descoordenado, me virei sobre ele e envolvi seu pescoço com meus braços. Meu quadril se mexia ainda no ritmo da batida e senti suas mãos sendo espalmadas sobre minha bunda, dando um aperto um tanto quanto forte na região, me fazendo sorrir em aprovação. Já havia desistido de apenas provocá-lo, precisava senti-lo.
Mordisquei seu lábio inferior e o ouvi gemer baixo, fechando os olhos, então aproveitei a deixa e aprofundei nosso beijo.
Suas mãos exploravam cada centímetro da minha pele, me dando choques elétricos por onde seus dedos passavam. Quando nos faltou ar, nos afastamos e nos encaramos.
If you're horny let's do it. – Ele disse puxando meu lábio inferior com seus dentes. — Ride it my pony, my saddle's waiting. Come and jump on it. – Cantou junto com a música e me deu um tapa na bunda, me puxando para cima e me jogando sobre a cama.
O olhei sapeca antes de me arrastar um pouco mais para cima, me aconchegando melhor entre os travesseiros.
— Do it. – Disse o puxando pelas calças fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e caísse sobre mim.
Rapidamente procurei pelo botão de seu jeans, abrindo-o e puxando o zíper para baixo. tratou de se livrar da peça e se redirecionou a mim, beijando ferozmente meu colo e descendo beijos mesclados com mordidas para meus seios.
Ele puxou meu sutiã para baixo rapidamente, sem se importar em abri-lo antes, e deu toda atenção necessária aos meus seios.
Sua mão livre desceu pela minha barriga até chegar na cinta liga, que ele soltou facilmente. Desceu os beijos pelo mesmo caminho que sua mão havia feito e abriu um pouco mais minhas pernas, me olhando antes de lamber minha intimidade sobre a calcinha.
Soltei um gemido abafado ao sentir o contato quente sobre minha vagina e sem perceber, arqueei meu corpo em busca de mais contato. Ele apenas afastou o pequeno tecido que cobria a região e começou seus movimentos mais do que sincronizados ali. Tentava controlar meus gemidos ao máximo, já que não estávamos sozinhos em casa, e aquilo só aumentava meu desejo.
Quando sentia que estava prestes a chegar no meu ponto máximo, o puxei pelos cabelos e uni nossas bocas, descendo sua boxer branca e direcionando firmemente seu pênis rígido sobre minha entrada. E quando o senti escorregando para dentro de mim, soltamos nossas respirações pesadas e nos entregamos completamente à aquele momento.
Aquele tinha sido o sexo mais longo que havíamos tido desde que nos conhecemos, havia me rendido bons orgasmos e uma sensação de dever cumprido. Não sei ao certo quando caímos no sono, estávamos exaustos e completamente entregues ao cansaço.
Acordei com o barulho do despertador, havia esquecido de desligá-lo na noite anterior. Senti se remexer ao meu lado e envolver minhas cintura, me puxando para mais perto dele.
Sua respiração pairava sobre minha nuca e sua mão brincava com a pele nua da minha barriga, fazendo círculos invisíveis na região.
— Você pode repetir quando quiser seu showzinho, sweetheart, acho que eu nunca vou cansar de assisti-lo. – Comentou . — Tive sonhos maravilhosos graças a ele.
— Eu tinha que te recompensar de alguma forma. – Sorri sentindo seu membro rígido tocando minhas nádegas.
— Não sei você, mas eu estou louco para relembrar um pouco a noite passada. – Ele riu e levou uma mão sobre minha intimidade.
Ali começava mais um dia sereno e relaxado ao lado de . Sexo matinal viraria nossa rotina mais gostosa, não tinha como começar o dia ao lado do garoto antes de uma pequena demonstração de quanto nossos corpos gritavam um pelo outro. E assim foi nossa semana.
Acordávamos cedo, aproveitávamos o dia, assistíamos filmes e mais filmes na companhia de e Lindsay e encerrávamos nossa jornada no quarto, com horas incansáveis de sexo e conversas aleatórias
. Algumas noites saíamos com , e Joe e acabávamos sendo notícia dos tablóides. Logo após meu aniversário, algumas fotos foram postadas no Instagram dos meninos e inclusive no meu, onde não escondíamos nossas relações e os laços que havíamos criado uns com os outros.
Surpreendentemente muitos dos comentários, que antes destilavam ódio, foram positivos. A partir do momento que os meninos oficializaram nossos namoros e Joe fez questão de reunir os meninos para uma Live na rede social da banda, pararam de fazer especulações sobre nós e grande parte do fandom apoiava os relacionamentos dos meninos com “meninas normais”, como gostavam de nos denominar.
Como dois dos integrantes ainda continuavam solteiros, aquilo deu um tipo de esperança à todas as garotas apaixonadas por eles, que esperavam que o destino também pudesse dar uma força à elas.
Em uma semana os meninos voltariam a se reunir para algumas reuniões e novos projetos, para então poderem decidir sobre a nova turnê da banda.
Era a última quarta-feira de folga que teria. Logo depois do final de semana, na segunda, ele já iria estar a maior parte do tempo ocupado com o trabalho.
Naquela manhã, ele disse que encontraria um amigo que estava na cidade e que voltaria logo depois do almoço, dizendo que assim que voltasse iríamos até a casa de seus pais, pois havia prometido encontrá-los o mais rápido que pudesse antes da turnê, e com a agenda cheia seria difícil conseguir conciliar uma visita com calma à família.
Tomei um banho assim que o garoto saiu pela porta de entrada, arrumei algumas peças de roupas para os dias que ficaríamos em Sutton Coldfield e me sentei no sofá da sala, procurando por algo que pudesse me distrair até o retorno de .
Lindsay e haviam saído para uma pequena viagem até a Escócia, país de origem do garoto, então eu teria tempo suficiente sozinha para organizar bem minhas idéias.
Desde a noite em que e eu havíamos discutido sobre minha possível permanência no país, pesquisei todas as formas possíveis e impossíveis de me legalizar.
havia me aconselhado de procurar um emprego na minha área, já que não existiam tantos veterinários por Londres e se propondo a ajudar-me, já que havia algum conhecimento dentro da RSPCA devido aos eventos de beneficência.
Havia entrado em contato com Eliza algumas vezes, a simpática mulher que havia conhecido no Royal Albert Hall no dia do show beneficente de Elton John, que prometeu que me avisaria caso houvesse novidades sobre alguma possível vaga de emprego para mim.
Quase duas semanas haviam se passado e não havia obtido nenhuma resposta sobre um possível trabalho. Tentei inclusive áreas que eu não fazia idéia de como trabalhar, como em restaurante e bares, por exemplo.
Alguns minutos haviam se passado desde que havia saído, quando meu celular tocou e o nome de anunciava a ligação do garoto.
— Oi , você está com ? – Ele perguntou rapidamente.
— Não, ele saiu para se encontrar com alguém. – Dei de ombros. — Por que, você precisa falar com ele?
— Perfeito. Se arrume que em dez minutos estou passando para te pegar, tenho novidades a respeito do emprego e consegui uma entrevista pra você em uma hora. – Ele disse rápido.
— Uau, eu não sei o que dizer, não esperava por isso.
— Se apresse que já estou chegando , rápido porque foi muito difícil conseguir esse horário.
Me despedi rapidamente do garoto e subi os degraus correndo. Vesti rapidamente uma calça clochard alta rosa bebe, uma camisa preta de bolinha e um scarpin nude de Lindsay que achei no banheiro principal da casa. Era a coisa mais social que eu havia no armário, não imaginava ter uma entrevista de emprego em Londres, muito menos em cima da hora.
Joguei por cima um sobretudo preto que chegava na altura dos meus tornozelos, peguei a bolsa que estava na mesa e segui em direção à porta, sabia que já me esperava pois havia recebido uma ligação do garoto minutos atrás.
Durante o trajeto recebi algumas mensagens de perguntando o que eu e estávamos fazendo, já que algum paparazzi nos fotografou caminhando lado a lado em um bairro mais afastado de Londres. Antes que pudesse responder, o telefone do garoto ao meu lado tocou. Ele riu ao ver o nome do meu namorado no visor e prontamente respondeu, colocando no viva voz.
— Vocês esperam eu sair de casa para dar os passeios de vocês? – disse divertido.
— Não se deixa uma linda mulher em casa sozinha, cara, você já deveria ter aprendido. – Ouvi o garoto rir do outro lado da linha.
— Onde vocês estão? O que estão fazendo?
, não perguntei com quem você iria sair. – Respondi revirando os olhos. Estou apenas passando uma tarde ao lado de um amigo, exatamente como você. – O silencio constrangedor falava por si só enquanto tentava controlar as risadas. — Estou quase terminando de resolver algumas coisas por aqui, podemos nos encontrar em algumas horas, caso vocês queiram minha companhia.
— Você tem que parar de ser tão dramático, as vezes acho que você está na profissão errada. – Disse dando uma risada abafada.
— Engraçacinha. Estou falando sério.
— Nós também estamos indo resolver algumas coisas. – Tentei imitar seu tom de voz, fazendo o garoto ao meu lado desistir de segurar as risadas e deixando escapar uma gargalhada divertida. A risada de era contagiante, não tinha como manter a seriedade ao seu lado.
Ouvi suspirar fundo do outro lado da linha e desistindo daquele argumento. — Quando acabarem, seja lá o que estiverem fazendo, me avisem que venho encontrar vocês.
Nos despedimos e encerramos a ligação. Poucos metros avante, entramos em um grande galpão onde as letras da ONG se faziam presente em todos os cantos.
Ele mandou mensagem para alguém antes de bloquear o celular e desligar o carro.
— Pronta? – Disse se virando em minha direção.
— O que temos a perder, certo?
Algumas fotos de vários artistas com suas devidas assinaturas, eram o destaque de uma das paredes da recepção e entre elas pude ver os garotos ao lado de um senhor alto de uns sessenta anos, que os entregava algum tipo de certificado.
— Esse é o senhor Jackson Brown, o atual presidente da organização. – disse ao reparar que eu olhava para a foto. — Fizemos um show para eles há algum tempo atrás e conseguimos arrecadar centenas de milhares de libras para a fundação, direi que ele nos deve uma.
— Não fazia idéia que o fazia esse tipo de caridade.
— É uma coisa que deixamos em off, não queremos reconhecimento por esse tipo de coisa.
— Acho que eu amo ainda mais vocês depois dessa confissão. - Recebi um sorriso do garoto em resposta. — me levou a um evento no Albert Hall mas não me disse nada sobre fazer parte disso. — É algo que não podemos falar, na verdade, estou te dizendo porque confio em você. – Ele piscou e uma jovem mulher se aproximou de nós. — ! – Ela exclamou vindo em nossa direção, abraçando o garoto com certa intimidade.
— Kate, como você está?
— Muito bem e você? Já faz tempo que não nos falamos, estranhei sua ligação essa manhã. – Observava o diálogo dos dois um pouco mais afastava, mas pude notar o desconforto de ao conversar com a mulher.
— Bom, essa é a , a médica que te falei. – Ele preferiu ignorar a mulher e deu dois passos em minha direção. Estendi a mão me apresentando, recebendo um aperto um tanto quanto fraco da mulher, seu olhar era de dúvida enquanto me olhava dos pés à cabeça e erguia as sobrancelhas em direção a . — Ela é a namorada de . – Ele finalizou. Assim que suas palavras saíram de sua boca, a expressão de Kate se suavizou e ela me olhou simpática pela primeira vez.
— O senhor Brown está em reunião mas os atenderá em breve. Podem se sentar se quiserem. – Ela sorriu antes de se sentar em sua cadeira, voltando sua atenção ao notebook ali aberto.
— Com licença. – Me aproximei. — Eu conheci uma senhora algum tempo atrás, Eliza, ela por acaso está por aqui hoje? – Ela me olhou confusa e checou algo no computador.
— Você gostaria de falar com ela? Ela acabou de sair de uma reunião.
— Se não for incomodo, sim. Obrigada. – Kate pegou o telefone, discando alguns números, e pedindo para que a mulher viesse até a recepção.
Não se passaram cinco minutos e pude ver Eliza passando por uma das portas de vidro, sorrindo em minha direção.
, que surpresa. O que faz por aqui?
— Bom, meu amigo aqui conseguiu uma entrevista para mim com o presidente da ONG e aqui estou eu.
— Que bom, espero que dê tudo certo. Me desculpe por não ter entrado em contato antes, tem sido semanas difíceis. – Ela suspirou. — Resgatamos muitos animais machucados e abandonados nesses últimos dias e está tudo uma loucura.
— Não se preocupe. Eu queria te perguntar do Boris, ele ainda está com vocês?
— O pug?
— Sim, aquele que conheci no último evento de vocês. Queria tento vê-lo...
— Infelizmente ele veio a óbito noite passada, ele estava muito fraco e não respondia mais ao tratamento. – Senti minha garganta secar. Eu havia pensado no cachorro durante os últimos dias, pensando em até mesmo adotá-lo para que ele passasse seus últimos dias em um lar de verdade, caso eu conseguisse permanência no país.
— Não sei o que dizer. – Respondi baixo, sentindo as mãos de me passando algum conforto sobre meus ombros.
— Olha, provavelmente vamos precisar de algumas pessoas na equipe durante as próximas semanas devido ao grande número de animais que chegaram para nós, mas eu infelizmente não decido nada por aqui. Eu pensei em te ligar mas não queria te dar falsas esperanças. – Ela tirou seus óculos antes de continuar. — Já que você conseguiu uma reunião com o senhor Brown, tente usufruir disso ao máximo que puder. – Ela deu um sorriso antes de se despedir de nós e voltar para seus afazeres.
— Quem é Boris? – me olhou confuso.
— Era um pug idoso que estava para adoção, pensei em adotá-lo caso permanecesse aqui. – Respondi sentindo uma pontada no coração.
Foram alguns minutos de espera até que o responsável pela ONG aparecesse. Ele foi diretamente até e as devidas apresentações foram feitas.
O seguimos por dentro dos enormes corredores brancos até uma sala ampla com grandes paredes beges e móveis escuros.
Os dois conversavam sobre um próximo evento com a banda e prometeu que falaria com Joe e que o faria saber o mais rápido possível.
— Então, o que os trazem realmente aqui? – Ele disse se acomodando mais confortavelmente em sua grande cadeira acolchoada, cruzando as mãos sobre a barriga e me encarando.
— Bom, ela é a namorada do . – começou. O senhor arregalou os olhos e deu um sorriso sarcástico. — E é veterinária. Pensei que, talvez, vocês estivessem precisando de alguém na equipe e ela é realmente boa no que faz. – Ele disse sorrindo, convicto do que dizia. Mas a verdade é que não fazia idéia de como ou no que eu trabalhava. Tentava controlar minhas risadas enquanto ouvia o garoto vendendo meu peixe ao gentil senhor que ouvia tudo pacientemente.
— Então você é a garota que andam falando por ai? Que fisgou o coração do nosso pequeno ?
— Eu acho que sim. – Sorri timidamente. Me coligar a como namorada era estranho, ainda não havia me acostumado com a idéia.
— Bom, eu vou ser sincero com vocês... existem muitas fichas e currículos que estamos avaliando, muitos profissionais dedicados e prestigiados. – Ele disse se sentando mais firme e checando algumas pastas sobre a mesa. — O que te destacaria dos demais? – Ele me encarou tirando seus óculos.
— Na verdade, eu não sei te dizer isso, senhor. Eu sou recém formada e tive pouca experiência com animais de pequeno porte. Meus estágios e pequenos trabalhos se resumem basicamente em animais maiores, em fazendas e animais silvestres. – Respirei antes de continuar. — Me formei com mérito entre os três melhores da minha classe em uma das melhores faculdades de Medicina Veterinária do Brasil, tentei fazer o maior número de cursos extracurriculares e workshops que eu pude em diversas áreas e pude trabalhar com grandes profissionais.
— Nós temos nossa ala de animais maiores, tão como silvestres. Temos alguns animais resgatados de circos e zoológicos que requer tratamentos especiais e mais específicos.
— Eu trabalhei no zoológico do Rio de Janeiro, tive muita experiência com animais desabilitados. Principalmente na área neonatal.
— Parece bom. Você tem alguma carta de recomendação?
— Bom... não. Não esperava de ter vindo aqui hoje, me pegou de surpresa. – Rimos em uníssono. — Mas posso conseguir uma hoje mesmo com meus ex mentores e professores.
— Assim que conseguir, me procure. tem meu telefone pessoal, aguardarei suas notícias. – Ele se levantou e o seguimos. — Preciso ir agora pois tenho outra reunião em alguns minutos, me desculpem por não dar a devida atenção à vocês. – Nos cumprimentamos e o homem nos abriu a porta educadamente.
— Senhorita !. – Ele me chamou quando dei os primeiros passos em direção a saída. — A senhorita estaria disponível na próxima semana para fazer uma visita aos animais que poderiam, supostamente, serem encaminhados a você?
— É claro! – Respondi animada.
— Ótimo, deixarei os demais avisados. Nos vemos na segunda. – Ele acenou com a cabeça e fechou a porta.
Sai do grande galpão empolgada, estava esperançosa e não conseguia conter minha empolgação. Agradecia a cada minuto que se passava e mal podia esperar para poder compartilhar com minhas idéias para o futuro.


Capítulo 26

havia ligado para o amigo durante o caminho, perguntando se ele já havia almoçado ou se gostaria de se unir a nós.
Combinaram que nos encontraríamos no restaurante Cipriani, mas antes passaríamos até a casa que estávamos para que eu pudesse pegar nossas bagagens. Uma hora depois, e eu adentrávamos o restaurante e dávamos nossos nomes para a reserva que havia feito.
O garoto ainda não havia chegado mas nos apressamos em nos acomodar e pedir uma garrafa de vinho enquanto esperávamos. Conversávamos animadamente sobre meu possível emprego, sobre as idéias que o garoto havia tendo para a próxima turnê e algumas banalidades que inventávamos na hora.
recebeu uma ligação e se encaminhou para uma parte mais reservada do restaurante, me deixando na mesa esperando por , que já estava mais do que atrasado. Passavam das duas da tarde e a cozinha fecharia em breve.
Peguei o celular para me distrair um pouco, abrindo minhas redes sociais e lendo alguns comentários que faziam em relação ao meu namoro e as especulações sobre meu pequeno “passeio” com mais um integrante da banda. O que causou burburinhos entre as fãs que, antes, apoiavam meu relacionamento. Revirei os olhos com tamanha falta de informações da mídia e continuei rolando o feed.
Foi quando encontrei uma pequena montagem em que eu e caminhávamos juntos em direção a ONG e logo a baixo, que caminhava ao lado de uma mulher que aparentava mais ou menos minha idade, ele havia uma de suas mãos em seus ombros enquanto na mão livre, segurava uma espécie de maleta, que atribui sendo da mulher ao seu lado, já que não havia saído de casa com nada em mãos. Uma outra foto mostrava os dois entrando em uma casa grande, daquelas que parecem ter saído diretamente de um filme aclamado pela mídia. Era branca, havia uns dois ou três andares, um jardim grande na frente com um pequeno caminho em pedras até a porta de entrada, sem cercas e rodeada de pequenos arbustos destruídos pelo inverno.
O carro de estava estacionado na rua, em frente a casa, e eles sorriam enquanto adentravam o lugar.

“Será que o novo casal do Reino Unido já se cansou da exclusividade de estar em um relacionamento? A brasileira e, atual, namorada de Will Simpson foi flagrada pelas ruas afastadas de Londres essa manhã ao lado de Evans. Enquanto o vocalista do caminhava ao lado de Victoria Lancer, que houve um pequeno romance no início da careira, aos arredores de Birmingham. Finalmente parecia que havia tomado jeito, mas me parece que foi apenas mais uma, das muitas, paixões passageiras do garoto.

Engoli a seco e respirei fundo antes de tomar qualquer atitude precipitada. Da mesma forma que eu e éramos amigos, ele também havia amigas e tudo bem.
Mas ele sabia com quem eu estava e eu não fazia idéia de quem era aquela Victoria, não sabia nem que ele havia tido alguma namorada com aquele nome.
Ele estava à quase duas horas de Londres enquanto eu estava procurando um emprego para permanecer no país e facilitar nossa vida.
se sentou novamente ao meu lado e me chamou algumas vezes, me tirando dos meus pensamentos.
, tudo bem? Você está pálida! – Não tive reação alguma além de virar a tela do celular para ele e esperar que ele lesse a notícia.
— O que fazia em Birmingham? – Perguntou baixo, mais pra si mesmo do que para mim.
— Eu também queria saber. – Respondi ríspida. — E com a ex namorada.
— Ele e Victoria estudaram juntos na escola, eu a conheci também quando éramos mais novos. Eles saíram juntos algumas vezes mas não chegaram a ter nada sério, eram apenas amigos confusos com seus sentimentos.
— E daí ? Eu sai para procurar um emprego, passo o dia pensando em formas de ficar aqui e fazer dar certo nosso relacionamento, já que é o que ele tanto insiste em dizer de quer, e ele faz isso? – Falei rápido demais fazendo o garoto me olhar confuso.
— Dizer pra você ficar calma não vai adiantar, vai?
— Não. – Me acomodei melhor na cadeira e respirei fundo. — Não sei o que fazer agora.
— Espera, . Ele está chegando e você pode esclarecer isso. – Revirei os olhos e virei a taça de vinho que estava na mesa, sentindo meu coração sair pela boca e meu corpo todo tremendo.
A mulher era simplesmente maravilhosa, não me espantaria caso me trocasse por ela, só queria que ele tivesse sido sincero e não tivesse armado todo o circo que vinha armando em torno de nós. E foi pensando assim que me levantei sem mais nem menos, peguei minha bolsa e pedi para que não me seguisse.
Sempre tentei levar na boa o que a mídia falava sobre nós, sempre confiei nos sentimentos que havia por mim e bastou uma simples foto para que eu sentisse tudo desmoronar sob meus pés.
O fato dele não me dizer nada pesava muito, ele estava longe de Londres, parecia que havia escapado de propósito para ter a chance da traição perfeita longe dos meus olhos. Infelizmente, ou felizmente, sua vida era vigiada demais para que ele se permitisse a fazer tal coisa as escondidas.
Antes de adentrar o metro, chequei o celular e vi que bombardeava o aparelho de ligações e mensagens, o joguei novamente dentro da bolsa e segui em direção a casa que estava.
Minha cabeça estava a mil e eu pensava que não valeria a pena ouvir as desculpas do garoto, afinal, ele havia me prometido que nunca mais faria nada que pudesse me machucar.
Quase uma hora havia se passado entre minha saída do restaurante e minha entrada na casa. Subi correndo para o segundo andar a fim de arrumar tudo o que eu tinha ali, sentindo as lágrimas começando a escapar dos meus olhos.
Quando me senti cansada o suficiente, peguei o celular mandando uma mensagem para Lindsay, que prontamente me ligou.
, onde você está?
— Em casa, quero ir embora.
— O que você está falando? Você precisa falar com o .
— Parece que a cada dois dias alguma coisa acontece para nos fazer brigar Lindy, eu não quero um relacionamento desses.
— Respira, amiga, ouve o que ele tem pra te falar e depois você faz o que você quiser.
— Você sabe de alguma coisa Lindsay? Por favor, não mente pra mim. – Eu já soluçava enquanto procurava me acalmar.
— Dessa vez não, amiga, sinto muito. Mas ele me mandou algumas mensagens preocupado com você e disse que falaram algumas coisas sobre vocês e que nada daquilo era verdade.
— Me parece estranho demais de qualquer forma Lindsay.
— Amiga, conversa com ele. Me promete?
Antes de dizer qualquer coisa, a porta do quarto foi aberta bruscamente e um suado e nervoso apareceu com a expressão preocupada.
! – Ele disse se aproximando de mim. Estendi uma mão em sinal de negação para ele. Me despedi de Lindsay e disse que entraria em contato com ela mais tarde. Olhei para e sabia que minha expressão de decepção falaria mais do que qualquer palavra que eu vinha buscando em minha mente.
Voltei a arrumar minhas coisas e senti suas mãos sobre meus ombros, me causando choques por todo meu corpo. Fechei os olhos tentando segurar as lágrimas e me virei para ele, que me encarava com o olhar triste.
— Eu sinto muito por como fizeram parecer isso , não é nada daquilo que estão supondo.
— Não precisa ser um gênio pra entender aquelas fotos .
— Mas você não entendeu, assim como eles.
— Então me explique.
— Não posso. – Ele suspirou. — Não agora. – Revirei os olhos expirando todo ar que havia acumulado nos pulmões e me virei novamente para terminar o que havia começado.
— Aonde você vai? – Ele perguntou ao se dar conta realmente do que eu estava fazendo.
— Vou embora, não quero ter que passar por isso outra vez.
— Como assim você vai embora? Vai pra casa do pai da Lindsay?
— Não, vou voltar para minha vida real. Esse faz de conta já deu o que tinha que dar.
— Você não pode ir, , me deixa te explicar o que aconteceu.
— Você disse que não pode, lembra? – Perguntei irônica
— Ela é minha amiga, , estudamos juntos.
— E também namoraram.
— Não namoramos... Quer dizer, não foi assim.
Sorri em forma de deboche pela forma em que ele tentava se explicar, não tinha nada para ser esclarecido ali, estava tudo claro demais.
— Tudo bem. – Respirei fundo o olhando diretamente nos olhos. — Não estamos falando a mesma língua aqui, isso não tem como dar certo de qualquer forma.
— Por que? Por que eu sai para ver uma amiga?
— Não, não é porque você saiu para ver uma amiga. É pelos seus mistérios, seus segredos, as traições que eu estou sujeita a passar por conta do seu comportamento.
— É sério que você prefere acreditar no que falam por ai do que acreditar em mim?
— Talvez.
— Então se for assim, quer dizer que você e também estão em algum tipo de relacionamento?
— O que você está insinuando é inadmissível! – Disse já um pouco alterada pelo nervoso. — Primeiro que ele é um dos seus melhores amigos e pra sua informação ele estava me ajudando a achar um emprego, coisa que você, o mais interessado nisso tudo, não moveu um dedo.
— Você não poderia estar mais enganada. – Ele disse baixo.
— Que seja. – Dei de ombros colocando uma mochila nos ombros e saindo pela porta do quarto.
Tinha a plena convicção que não voltaria para o Brasil assim sem mais nem menos, eu gostaria apenas de ficar sozinha e colocar minhas idéias no lugar. Havia pesquisado alguns destinos interessantes que faria com Lindsay caso não fossem os meninos nas nossas vidas e decidi que seria o momento ideal pra tomar a iniciativa de ser feliz sozinha, eu não precisava de ninguém para apoiar minhas emoções. Eu era tudo aquilo que eu precisava.
, é sério, volta aqui. – me seguiu para fora da casa e me segurou por um dos meus braços, me virando bruscamente para encará-lo.
— Eu quero ficar sozinha agora, não quero pensar em toda essa bagunça que eu venho me metido pra ficar com você.
— Você não vem comigo visitar meus pais?
— E por que eu iria? Não existe nada entre nós, não vejo motivos para enganar mais pessoas nessa história. – Me desvencilhei de suas mãos e caminhei rápido até a estação de metro mais próxima. Não sei se continuou ali ou se foi embora assim que dei as costas, não me permitir olhar para trás.
Havia apenas quatro dias para poder decidir o que fazer. Se voltaria para o Brasil ou se daria uma chance a mim mesma indo à RSPCA e conseguir um emprego que me daria muita credibilidade no futuro. Continuar com ou não, não mudaria o fato de que aquela era uma experiência incrível para mim e que pesaria muito no meu currículo trabalhar para eles.
Peguei o celular e abri no bloco de notas, procurando um lugar próximo mas distante o suficiente de toda aquela merda que estavam jogando sobre mim.
Gostaria de pegar um avião e ir para a França ou Alemanha, mas não havia tempo nem dinheiro suficiente para aproveitar minimamente cada detalhe.
Lembrei que Luca havia me falado sobre Liverpool e que seu primo morava lá, que era para eu e Lindsay entrarmos em contato com ele caso passássemos pela cidade.
Procurei pelo contato do rapaz e imediatamente mandei uma mensagem a ele, dizendo que passaria algumas noites em Liverpool e seria legal ter alguém que me apresentasse a cidade. Fui respondida imediatamente pelo garoto, que disse que me buscaria no local indicado por mim. Optei por ir de ônibus já que era bem mais barato e que me daria boas horas sozinha imersa em meus pensamentos, foram quase seis horas de viagem antes que eu pudesse descer na parada e pudesse encontrar um rosto familiar apoiado em um carro preto.
Não conhecia Andrey, apenas por fotos e algumas vídeo chamadas que Luca fazia quando saíamos juntos , mas ele era muito mais bonito do que parecia.
Ele era mais alto que Luca, seus cabelos eram castanhos e seus cabelos curtos formavam algumas ondas bagunçadas. Seus braços eram longos e formavam um conjunto perfeito com suas mãos, que certamente era a primeira coisa que eu havia reparado no garoto. Seus olhos castanhos ganhavam uma tonalidade esverdeada dependendo da luz e seu sorriso ofuscava qualquer pessoa que ousasse passar por ele, formando duas covinhas em suas bochechas.
— Então é você a famosa .– Ele disse se aproximando, dando um sorriso de canto.
— Eu mesma! – Sorri e estendi uma mão em sua direção.
— O Luca me falou muito sobre você, é um prazer te conhecer pessoalmente. – Ele retribuiu o gesto. — Eu sou Andrey. Deixa que eu te ajudo com isso. – Ele pegou minha mochila, a colocando no porta malas do carro e abrindo a porta do passageiro para mim, se acomodando ao meu lado e dando partida.
Foi um pouco constrangedor, já que não nos conhecíamos, e fizemos um caminho de uns dez minutos em silencio antes de Andrey estacionar na frente de um Pub.
— Você deve estar com fome e eu não tenho nada em casa, você me pegou de surpresa. – Ele disse sorrindo.
— Me desculpe por isso, eu realmente pensei em cima da hora.
— Vem, eles faze o melhor hambúrguer da região.
Nos acomodamos em uma das poucas mesas que faziam parte do arredamento do local e logo fomos atendidos por um garoto chamado Bruno, amigo de Andrey e brasileiro como nós. Fizemos nossos pedidos e tomamos algumas cervejas antes que nossos lanches chegassem para nós.
Conversamos um pouco sobre Luca e ele perguntou como nos conhecemos, me fazendo rir ao lembrar da maneira como tudo aconteceu. Ele também disse que sabia do meu relacionamento com , já que acompanhava a banda por causa do primo, me fazendo relembrar pela primeira vez do motivo pelo qual eu estava ali. Não entrei muito em detalhes sobre o que havia acontecido mas expliquei não estava dando certo entre nós.
Depois de algumas horas e muitas cervejas, senti meu celular vibrando dentro do bolso da minha jaqueta e demorei segundos para achar o aparelho, já que os bolsos eram gigantes e estavam cheios de porcaria. Pedi licença a Andrey antes de me levantar e fui em direção aos banheiros.
— Oiiiii. – Disse um pouco alterada.
, você não me parece bem. – Ouvi rir abafado do outro lado da linha.
— Eu estou bem, só bebi algumas cervejas demais com o estomago vazio, mas já estou me recuperando.
— E onde você está? Passei lá na casa mais cedo e estava tudo trancado, fui até George e ele me disse que você estava saindo da cidade por alguns dias... – Ele fez uma pausa. — Por que não me ligou?
— Você parece minha mãe as vezes. – Disse rindo alto e ouvi um estalo de lábios em reprovação vindo do garoto. — É sério, eu só precisava ficar um pouco sozinha.
— Mas onde você está? Preciso saber caso tenha que ir salvar sua pele.
— Não vai ser preciso, eu juro.
, me fala, vai...
— Eu estou em Liverpool... com um amigo. – Disse baixo.
— Pensei que eu fosse seu único amigo aqui. – Ele disse de forma afetada me fazendo rir ainda mais.
— Ele é primo do Luca, lembra dele? – Ele concordou. — Então, eu vim tentar colocar minha cabeça no lugar, só isso.
— Com o primo do Luca, que você nem conhece direito? Sério?
— Não com ele, mas pelo menos é alguém conhecido e eu precisava de um lugar para ficar essa noite.
não vai gostar nada disso, você sabe.
— E quem ele é para gostar ou não?
— Ele me ligou mais cedo, dizendo que você disse que não existia nada entre vocês... você tem certeza?
— Eu não sei lidar com essas coisas , é tudo difícil demais pelo status dele, muito mais intenso.
— Olha, eu vou te dizer uma coisa que talvez eu não deva, mas não posso ficar de braços cruzados nessa situação.
— Não sei se eu quero saber, é sério, eu preciso entender o que estou sentindo.
— Vamos fazer assim... – Ele parou para pensar por um momento antes de dar prosseguimento. — Você ainda vai na ONG segunda-feira?
— Isso é mais uma coisa que devo pensar.
— Tudo bem, pensa direitinho no que você quer mas não deixe de me dar notícias, ok?
— Ok.
— Então quando você decidir o que quer fazer, nós conversamos, se você quiser.
— É claro. – Suspirei. — Você é um ótimo amigo, , obrigada por me entender.
— Eu adoro você , não quero te ver triste. Não combina com você. — Obrigada. Eu precisava de um dos seus abraços agora, na verdade. – Sorri e ouvi o garoto gargalhar do outro lado da linha.
— Domingo é nosso ultimo dia de férias, caso você torne pra Londres antes eu vou te buscar, combinado?
— Não precisa, eu posso voltar da mesma forma que vim.
— Eu vou te buscar e assim podemos conversar. – Apenas concordei, sabia que não tinha como argumentar com ele. — Me mande noticias, não esqueça.
— Pode deixar...
— Ah! – Ele me interrompeu. — Cuidado com os paparazzi, eles estão em todas as partes.
— Não me importo, talvez seja bom provar do próprio veneno. — , presta atenção no que você faz, por favor, não quero que se arrependa de nada.
— Eu sei me cuidar, não se preocupe. Te ligo amanhã, não conte nada a , por favor.
— Tenho certeza que não vou precisar. – Ele bufou antes de se despedir e desligar.
Voltei à mesa em que Andrey me esperava com outras duas cervejas, fizemos um brinde antes de darmos o primeiro gole e continuamos com os planos de onde ele planejava me levar no dia seguinte.
Era tarde quando chegamos em casa, meu corpo pedia arrego e era difícil manter os olhos abertos. Andrey me levou até meu quarto improvisado e se despediu de mim seguindo para seus aposentos.
Algo dentro de mim me dizia para seguir o garoto, ele era bonito, divertido, simpático e eu não teria nada a perder. Fiz menção de me levantar da beirada da cama e senti uma tonteira forte, me fazendo fechar os olhos e correr para o banheiro. O banheiro era compartilhado então bastou poucos segundos para que Andrey batesse na porta perguntando se estava tudo bem. Disse que me sentia mal por conta do álcool mas que estaria bem no dia seguinte.
E foi exatamente assim.
Os quatro dias que permaneci em Liverpool foram revigorantes, apesar de lembrar constantemente de , tentei ao máximo não me apegar aos sentimentos que sua falta me fazia. Não tive mais noticias suas depois que sai de Londres, nem sabia do amigo, já que o mesmo não atendia suas ligações. Já o imaginava bêbado em alguma parte com algumas garotas em sua cama e aquele pensamento me dava pontadas dentro de mim, a tristeza me consumia e as lágrimas insistiam em cair.
Andrey me levou para conhecer os pontos turísticos da cidade durante o dia e eu não me divertia daquele jeito há muito tempo, ele me lembrava Luca e me fazia me sentir mais perto de casa apesar dos quilômetros de distancia. Durante a noite acabávamos em um bar qualquer bebendo até altas horas da madrugada.
No sábado a noite, minha ultima estadia na cidade, ele me levou até um karaokê que ele costumava freqüentar com os amigos, amigos estes que se uniram a nós depois de finalizar mais uma jornada de trabalho. Todos eram brasileiros e eu não podia estar mais feliz por poder me expressar e compartilhar aqueles momentos com meus conterrâneos. Ligamos para Luca no meio de alguma conversa e o garoto exigiu que me fizessem cantar, alegando, como sempre, que eu era talentosa demais para me esconder nas minhas sombras.
Foi assim que me vi sobre o palco cantando uma música atrás da outra, recebendo aplausos e assovios animados de todos que estavam presente apreciando minha apresentação.
Desci do palco tentando me recompor e bebendo um gole de cerveja, senti meu celular vibrando e pude ver uma mensagem nova de , perguntando onde eu estava exatamente.
“Estou no Woody’s, por que?” – Encarei o celular por alguns minutos esperando algum tipo de resposta, que não obtive. Dei de ombros deixando o aparelho sobre a mesa e continuei prestando atenção nas pessoas que se apresentavam de continuo.
Algumas músicas depois senti alguém tampando meus olhos e ri alto, achando que era Andrey que havia saído para comprar cigarros e que estava de volta. Reclamei em português algumas vezes ouvindo uma risadinha nasalada. Eu conhecia aquela risada. Me virei dando de cara com , que havia uma expressão confusa depois de não entender o que saia da minha boca.
— O que fazem por aqui? – Perguntei cumprimentando os garotos que haviam se unido a nós.
— Estávamos sozinhos, não sabíamos o que fazer e é o ultimo sábado de férias, pensamos que poderíamos nos unir a vocês. – Disse me dando um beijo no topo da cabeça.
— Vem, vou apresentá-los ao resto do pessoal. – Caminhei até a mesa onde haviam cinco garotos sentados, eu não me lembrava o nome deles além de Andrey e apenas fiz uma apresentação general. — Esses são e , esse é Andrey e aqueles são seus amigos. – Dei de ombros.
— Achei que teria ao menos uma menina nesse meio, estou bastante decepcionado. – Comentou um pouco baixo, me fazendo sorrir.
— Parece que sou a mulher mais sortuda do mundo no meio desses homens maravilhosos. – Recebi um olhar de reprovação de .
Os meninos se acomodaram conosco e mais uma rodada de cerveja foi servida. Falávamos alto demais, gargalhávamos e tirávamos sarro das pessoas que subiam no palco para se apresentar. Havia o livro de musicas sobre a mesa, que eu folheava em busca de mais uma canção. Me espantei ao ler um título bem conhecido por mim, mas que não imaginava ser titulo de uma noite de Karaokê em um bar um pouco esquecido no centro de Liverpool.
— Eu tenho mais uma música! – Exclamei me levantando e indo até o DJ, dando meu nome e esperando minha vez.
Os dois garotos me acompanharam e se posicionaram na frente do palco, esperando que me chamassem.
Os acordes de If I Could Fly (https://www.youtube.com/watch?v=5pe65gWJLxI), do One Direction, iniciaram e eu mexia meus pés no ritmo da musica esperando para colocar para fora alguns sentimentos que eu vinha tentando esconder dentro de mim.

If I could fly, I'd be coming right back home to you.
I think I might give up everything, just ask me to
Pay attention I hope that you listen cause I let my guard down
Right now I'm completely defenceless


Fechei meus olhos e deixei com que as palavras saíssem pela minha boca com as devidas emoções que elas relatavam sobre mim.

For your eyes only, I'll show you my heart
For when you're lonely and forget who you are
I'm missing half of me when we're apart
Now you know me, for your eyes only
For your eyes only


Sentia meus olhos ardendo e que a qualquer momento eu poderia vacilar e deixar com que as lágrimas escapassem por eles. Respirei o mais fundo que eu pude antes de dar continuidade. Mas quando abri a boca para soltar a primeira palavra da estrofe, fui interrompida por , que estava ao meu lado com um dos microfones na mão.

I've got scars even though they can't always be seen
And pain gets hard, but now you're here and I don't feel a thing
Pay attention, I hope that you listen cause I let my guard down
Right now I'm completely defenceless


Ele não cantava muito mas sua voz era firme e sutil, me fazendo relembrar o porque de ter me apaixonado por há um tempo atrás, porque todos os membros da banda cantavam e aquilo me deixava simplesmente maravilhada.

For your eyes only, I'll show you my heart
For when you're lonely and forget who you are
I'm missing half of me when we're apart
Now you know me, for your eyes only
For your eyes only


Cantamos juntos o refrão, pegou uma de minhas mãos e me fez girar ao meu redor quase me fazendo cair por estar um pouco alterada pela bebida. ria na primeira fila de frente ao palco enquanto gravava aquela cena e todos no bar pareciam ter parado tudo o que faziam para nos escutar.

I can feel your heart inside of mine, I feel it, I feel it
I'm going out of my mind, I feel it, I feel it
Know that I'm just wasting time
And I
Hope that you don't run from me


Cantamos juntos, bem High School Musical, antes dele dar espaço para que eu terminasse a música sozinha.

For your eyes only, I'll show you my heart
For when you're lonely and forget who you are
I'm missing half for me when we're apart
Now you know me, for your eyes only
For your eyes only, I'll show you my heart


Quando a música chegou ao final, todos do bar se levantaram aplaudindo. sorriu orgulhoso fazendo uma referencia e quando eu reparei melhor no público que nos prestigiava, vi uma câmera tirando algumas fotos do lado de fora, parando imediatamente quando captou minha expressão irritada ao flagrá-lo.
Seriam mais noticias, mais fofocas, mais turbulência e eu não estava preparada para enfrentar aquela chuva de suposições.


Capítulo 27

Acordei cedo naquele domingo, fiz minha higiene matinal e desci para preparar algo para comer. Pouco tempo depois, ouvi Andrey que descia as escadas e passava a mão sobre a barriga, alegando que estava morto de fome.
Comemos em silêncio, nossa ressaca não permitia nada além daquilo, e nos preparamos para encontrar e , que me levariam de volta a Londres depois do almoço.
Durante o caminho decidi checar as redes sociais em busca de alguma especulação sobre os dias que havia passado em Liverpool.
Sites de fofoca postavam notícias sobre mim desde o dia que cheguei à cidade, fotos com Andrey e seus amigos davam espaço a especulações sobre meu término com . Muitos comentários desagradáveis por parte das fãs e muita comoção pelo pobre garoto que foi abandonado pela namorada malvada. Revirava os olhos de acordo com as coisas que eu lia e me sentia inútil por não poder fazer nada para que consertassem aquele desastre.
Entrei no Instagram de que parecia inativo desde a semana anterior, ele não havia apagado nossas fotos, mas em compensação os comentários de ódio deram início a muitas brigas virtuais nas mesmas.
Voltei minha atenção às notícias que antecediam aquele dia e parece que todos os dias alguém resolveu me fotografar e me jogar na jaula para que os leões pudessem devorar minha carne lenta e dolorosamente.

flagrada em Liverpool com um desconhecido após o término com .”
“Garota segue em frente o mais rápido que qualquer um pudesse imaginar.”
“Onde estará ? Parece que o término o deixou recluso por esses dias. Já a menina parece estar aproveitando seus cinco minutos de fama para se exibir para o mundo enquanto passa suas noites regada a bebia e belos garotos.”
“Será que o termino do casal mais falado na Inglaterra teve relação com Evans? Mais uma vez o garoto foi fotografado ao lado da ex de . Dessa vez em Liverpool, onde fizeram um dueto romântico em um Karaokê da cidade, enquanto McVey, um dos integrantes, parecia apoiar a possível relação dos envolvidos.”


Eram cosias absurdas que especulavam sobre mim e sobre os meninos, aquilo estava passando dos limites e eu pensava em diversas formas de poder acabar com tudo aquilo, mas não era tão simples quanto eu imaginava. O que se vê na internet, mesmo que seja deletado minutos depois, fica registrado pra sempre de alguma forma.
Bloqueei o celular e me acomodei melhor no banco do carro, bufando e tamborilando os dedos freneticamente sobre minhas cochas.
Andrey pareceu perceber que algo não estava certo, mas preferiu manter o silencio e me deixar continuar presa em minha bolha de pensamentos.
Assim que descemos do carro encontrando os outros garotos, Andrey se despediu de nós dizendo que foi um prazer enorme nos conhecer e que nos esperaria ali outras vezes.
Decidimos que seguiríamos para Londres o quanto antes, para poder entrar em contato com Joe e com os advogados para que devidas providências fossem tomadas por conta das difamações que andavam fazendo sobre nós. Paramos em um Drive Thru de algum McDonalds que passamos durante o percurso, achamos melhor ficarmos dentro do carro sem dar as caras para outros possíveis paparazzi.
— Falei com hoje de manhã. – quebrou o silêncio sem mais nem menos enquanto esperávamos nossos lanches. Meu coração bateu mais forte e procurei não demonstrar nenhuma reação ao ouvir seu nome.
— Estou preocupado com ele, nunca o vi dessa forma. – Disse . — Será que ele está com raiva de nós por estarmos com a ?
— Não esqueçam que eu estou ouvindo tudo aqui de trás. – Tentei parecer divertida, sem muito sucesso.
— Ele não me responde a dias, cara, tenho certeza que ele está levando a sério toda essa coisa.
— Claro que não, . Ele sabe muito bem como a mídia pode ser persuasiva. – Respondeu o outro garoto antes de se virar para mim. — Você já falou com ele? O que você pensa em fazer quando chegar em Londres?
— Não sei. Ainda não pensei sobre isso. – Inspirei fundo segurando o ar por alguns segundos, aquilo tudo era delicado demais.
— Amanhã você deve ir ao RSPCA, você lembra, não lembra? – Perguntou , fazendo o outro garoto nos olhar em dúvida. — No dia que aconteceu, você sabe o que, fui com até a ONG, cara, consegui uma entrevista pra ela e amanhã ela vai, meio que, fazer um teste para a vaga disponível.
— Isso é demais! sabe disso? – Perguntou .
— Ele sabe que eu tinha ido à uma entrevista de emprego, por isso estava junto com , mas não entrei em detalhes.
O garoto apenas concordou e se virou para atendente que abria a janela para entregar nossos pedidos.
Comemos ali no estacionamento antes de partir pela segunda parte da viagem. Não vi quando chegamos ao nosso destino final, já que dormi logo depois de ter “almoçado”
Lindsay e estavam em casa quando cheguei e fui recebida pela minha amiga com um abraço caloroso assim que cruzei a porta de entrada.
Era estranho estarmos todos reunidos ali sem , era tudo incompleto e aquela situação me incomodava.
— Essa é nossa última noite de folga, caras, estão prontos? – se manifestou ao sentir o clima pesado que se formava no recinto. Poderia afirmar que todos haviam o mesmo pensamento, faltava algo ali.
— Eu sei o que vocês estão pensando e não quero que deixem de aproveitar alguma coisa por minha causa. – Me levantei da poltrona e todos me encararam com expressões tristonhas. — Chamem o amigo de vocês, não é porque terminamos que não podemos manter nossa amizade.
— Tem certeza disso, ? Nós podemos ficar um pouco aqui e depois encontrá-lo. – Disse .
— Não quero ter que fazê-los escolher entre nós, ele é uma parte de vocês e não seria justo. Eu perderia essa batalha. – Sorri fraco sendo acompanhada por algumas risadas nasaladas.
se levantou prontamente indo em direção ao jardim nos fundos da casa, ligando para a parte que faltava nas nossas vidas, principalmente na minha.

’s Point of view.

Foram dias massacrantes sem contato com . Minha família tentava me distrair dos motivos pelo qual ela não estava ali conosco, mas era uma tarefa difícil demais de ser realizada.
Buscava todos os dias por notícias da garota e via o quanto ela parecia estar feliz sem mim. Todas as fotos que eram publicadas nas redes sociais dos sites de fofoca, ela parecia bem.
Sábado à noite, três dias depois de perder contato com , estava sentado de frente ao piano da sala de estar quando meu celular notificou uma mensagem de .

“Estamos com a . Acredite em mim, cara, ela não está bem como aparenta nas fotos.”

Pensei um pouco antes de respondê-lo sem parecer desesperado por notícias.

“Por que, ela falou algo sobre mim?”

Poucos segundos se passaram e eu cliquei no vídeo que havia recebido do meu amigo, dizendo que o vídeo falava por si só.
parecia alterada pela bebida, mas não da forma que eu havia me acostumado a vê-la. Ela havia olheiras profundas e seus cabelos não haviam os cachos soltos nas pontas como sempre. Suas bochechas haviam perdido a cor e seus lábios não eram mais tingidos pelo batom vermelho que ela costumava a usar ao sair.
Ela cantava com os olhos fechados e colocava todos seus sentimentos nas palavras que saiam de sua boca, que tremia claramente, ela segurava as lágrimas e eu reconhecia bem aquele seu estado de fraqueza. Quando se fez presente, ela abriu os olhos e pude ter certeza do que havia pensado, as lágrimas começavam a tomar conta de seus olhos e ela se esforçava para passar despercebida. Típico dela. tentava parecer normal e se divertir, mas eu reconhecia bem a garota que eu amava, sabia que no fundo ela estava se destruindo aos poucos. E eu era o maior culpado de tudo.
Abri o chat da garota a fim de perguntar como ela estava, mas fechei no segundo seguinte quando realizei que não era a pergunta justa a se fazer naquele momento.
aproveitou e me disse que eles voltariam com ela para Londres no dia seguinte e que me deixaria atualizado de qualquer novidade.
Adormeci enquanto terminava a melodia da canção que havia escrito um tempo atrás, que estava fazendo todo sentindo pra mim naquele momento.
Domingo de manhã fui acordado com uma ligação de Joe, que pedia para que eu controlasse as redes sociais e os sites de fofocas do Reino Unido, perguntando se deveria entrar em contato com os mesmos pedindo para que retificassem todas as notícias fajutas sobre todos os envolvidos. Havia perdido longos minutos lendo notícia por notícia e acompanhando a guerra que havia se iniciado em nossas redes sociais.
Bufei irritado e me levantei da cama, indo tomar um banho para que pudesse dar prosseguimento ao meu dia.
Encontrei minha irmã na sala de estar e me sentei ao seu lado, apoiando minha cabeça sobre seus ombros e suspirando alto.
— O que houve?
— O de sempre, Nat. A imprensa que não me dá sossego, os paparazzi que decidiram tornar da vida de um inferno e a falta que eu sinto dela.
— Eu li algumas coisas, , sinto muito. – Ela afagou meus cabelos me fazendo fechar os olhos por alguns segundos, apenas aproveitando do toque familiar da minha irmã.
— Eu não sei o que fazer, não quero perdê-la.
— Até agora eu não entendi o que você fazia com Victoria em Birmingham. – Ela se afastou um pouco me fazendo me endireitar no sofá e encarando seu olhar fulminante em minha direção.
— Você sabe que ela é minha amiga de infância e que não existe nada entre nós.
— Mas por que você foi até ela? Isso que não entendo. Não estou julgando sua amizade, mas consigo entender nesse aspecto, ela está tão às cegas quanto eu.
— Eu não queria falar nada até ter certeza.
— Você pode falar pra mim, , eu sou sua irmã. – Pensei um pouco antes de resolver conversar com Natalie, sabia que ela me entenderia mais do que ninguém.
— Você sabe que os pais da Victoria tem uma agencia imobiliária, certo? – Ela balançou a cabeça em concordância. — E esse ano eu quis ficar perto da minha família enquanto eu trabalho. Nós vamos gravar o próximo CD em uma pequena gravadora entre Birmingham e Londres e eu quis ter um lugar para que eu pudesse ficar com a , ficar perto de vocês e ao mesmo tempo perto da gravadora.
— Isso é incrível !
— Eu recorri a Victoria pois sabia que poderia fazer tudo sob os panos, sem que a informação vazasse. – Bufei zangado. — Mas eu vi como fizeram parecer aquele momento em que ela me mostrava a casa. A tem motivos em não confiar em mim, Nat, mas dessa vez eu não tive culpa.
— Você teve boas intenções, carinha. Você assinou o contrato da casa?
— Ainda não, eu deveria voltar semana que vem mas acho que não vou mais me preocupar com isso.
, olha pra mim. – Minha irmã depositou as mãos sobre minhas bochechas me fazendo encará-la. — Presta atenção. Você vai pegar essa casa, conversar com a e ser muito feliz, você está me entendendo?
— Queria que fosse assim fácil...
— Para de ser tão pessimista.
— Você não sabe o quanto aquela garota é nervosa. – Disse sorrindo, me lembrando das vezes que ela se irritava por tão pouco, antes de cair na real e se envergonhar enquanto se desculpava repetidas vezes.
— Olha esse sorriso bobo, você está apaixonado de verdade por ela, não está?
— Acho que é muito mais do que isso, Nat. Ela me faz me sentir...especial. – Suspirei enquanto um filme passava na minha cabeça.
— Corre atrás dessa garota e case com ela. – Minha irmã disse me fazendo gargalhar.
— Não é pra tanto. – Sorri. — Mas confesso que tenho sonhado com isso.
Continuei ali respondendo todas as perguntas de Natalie sobre . Minha irmã me olhava orgulhosa, enfatizando o quanto estava feliz por me ver tão dedicado à alguém. Me deu conselhos importantes sobre o mundo feminino e, principalmente, por ser mais velha que eu, me fez enxergar muitas coisas que víamos de pontos de vista diferentes.
Fomos interrompidos apenas quando nossa mãe nos avisou que o almoço estava pronto e nos direcionamos até a mesa.
Meus pais foram mais discretos no quesito , já que estava ali por alguns dias entregue na fossa total por conta dela. Meu pai tentava me distrair falando de golf e das mudanças que haviam feito no clube que costumávamos a jogar quando tínhamos algum tempo livre juntos.
Mamãe falava com Natalie sobre o bar da família e a nova decoração, tentando incluir papai e eu, não obtendo muito sucesso.
Havia esquecido um pouco do horário e da razão da minha tristeza, apenas quando ouvi meu telefone tocando da sala, que voltei a realidade. Me levantei apressado para não perder a chamada, algo em mim ainda esperava que recebesse uma ligação de , mas meus olhos murcharam assim que vi que se tratava de .
— E ai cara, você está melhor?
— Não posso dizer que estou bem, mas tentei me distrair o máximo que eu pude. E ai, já chegaram em Londres?
— Por isso te liguei. Você ainda está na casa dos seus pais?
— Sim, não sabia o que fazer de qualquer forma.
— Vem pra cá.
— Mas tem a e não sei se ela quer me ver agora, cara.
— Foi ela quem deu a idéia.
— Ela quer me ver? Sério? – Subi correndo as escadas até meu quarto, jogando algumas peças de roupa dentro da primeira bolsa que vi na minha frente.
— Não foi bem assim que ela falou... Na verdade ela disse que não quer que tenhamos que escolher entre vocês dois já que ela perderia essa batalha. O que não é verdade, porque e ficariam do lado dela. – Ele riu. — Eu ainda estou contigo, cara.
— Não sei se isso é uma tentativa de me acalmar ou...
— Estou brincando, . O que estou dizendo é que ela disse que não é justo não estarmos juntos porque vocês terminaram. – Engoli a seco aquelas palavras. Então o término era real, não havia me dado conta até ouvir claramente aquelas palavras da boca do meu amigo.
— Ah... ela disse isso.
— Cara, só venha para cá. – Ele mudou o tom de voz antes de continuar. — Vocês são orgulhosos demais, já deveriam ter aprendido com esses erros bobos que vocês cometem.
— Ela disse “nosso término”? – Ignorei completamente o que meu amigo dizia, a palavra término ainda martelava minha cabeça e tinha ficado difícil demais de entender algo mais além daquilo.
— Eu desisto. – Ele bufou. — Vem pra cá e tenho certeza que vocês podem resolver isso.
Nos despedimos e eu terminei de pegar algumas coisas que precisaria pelas próximas semanas.
Desci as escadas na mesma velocidade em que subi, me despedindo da minha família antes de correr para o carro e seguir em direção ao meu lugar feliz. Os braços de .

’s Point of view.

Estava trancada em um dos quartos da casa, no que ficou vazio durante nossa estadia. Não conseguia ficar no mesmo quarto em que dividi com nas últimas semanas.
Assim que cheguei de Liverpool e me reuni com meus amigos, subi para poder organizar algumas coisas e achei alguns pertences de espalhados por ali. A cama ainda estava da mesma forma que eu havia deixado três dias atrás, o que provava que o garoto não havia dormido ali. Algumas camisas suas estavam dobradas sobre a escrivaninha. No banheiro ainda tinha seu spray de cabelo, me fazendo soltar um sorriso lembrando da noite em que usei o produto. Sua escova de dentes e alguns itens de perfumaria.
Os travesseiros e edredom exalavam nossos cheiros misturados, que formava um perfume maravilhoso. Andei por todo o cômodo tocando em cada pedacinho de espalhado ali. Foi quando senti que as lágrimas novamente tomavam conta de mim que decidi ficar o mais longe possível de tudo aquilo por enquanto. Peguei algumas roupas limpas e me dirigi para o quarto de solteiro que ficava no primeiro andar.
Estava ali algumas horas talvez, não sentia vontade de socializar com ninguém, apenas meus pensamentos masoquistas se faziam presente e eu havia aprendido a conviver com eles.
Ouvia as risadas vindas da sala e me martirizava por não conseguir estar ali, aproveitando cada minuto ao lado de pessoas tão queridas que me haviam ensinado um novo significado de amizade.
Coloquei meus fones de ouvido e selecionei a playlist mais triste que eu havia no celular, para ajudar que as lágrimas limpassem minha alma de uma vez por todas. Cantarolava de forma baixa cada canção que iniciava e não me importava em soluças vez ou outra, estava tendo meu momento de fossa. Não ouvi quando alguém tentava esmurrar minha porta mas tive a playlist interrompida por uma ligação de Lindsay me pedindo para que eu a deixasse entrar.
Minha amiga já havia me visto chorar e sofrer por alguns amores interrompidos, mas nada se igualaria ao breve romance que havia vivido com .
— Nossa, você está péssima mesmo.
— Obrigada, você sabe como ajudar um amigo. – Disse sorrindo.
Conversei um pouco com Lindsay pela primeira vez em muitos dias, tirei todo o peso que havia sobre meus ombros.
Contei a ela sobre o possível emprego, sobre como foram os dias em Liverpool, sobre Andrey e sobre o término com . Mostrei a ela o que havia sido decisivo para minha decisão, mostrei também as notícias que deram prosseguimento aos dias em que estivemos separados.
Minha amiga afagava meus cabelos e sua expressão era tão triste quanto a minha. Aquela coisa de sermos gêmeas as vezes fazia total sentido, já que compartilhávamos nossos sentimentos sempre que estávamos perto uma da outra. Nossa proximidade era tão grande que às vezes era possível sentir essa conexão através de emoções.
Dividíamos o fone enquanto ainda conversávamos sobre tudo aquilo. Sobre minhas dúvidas de permanecer e apostar no emprego novo ou simplesmente voltar para minha vida real. Lindsay continuava a insistir que e eu deveríamos conversar e esclarecer o que realmente havia acontecido, então eu deveria me apresentar na ONG no dia seguinte e erguer a cabeça para qualquer tipo de obstáculo que a vida insistia em colocar no meio do meu caminho.
Por haver apenas um fone de ouvido, pude ouvir a porta de entrada sendo aberta e fechada logo em seguida. As risadas que eram altas foram substituídas por rumores contidos e alguns estalos de mãos em forma de cumprimento.
Demos um pulo da cama ao ouvir alguém batendo na porta. Olhei de forma desesperada para Lindsay para que não me entregasse e ela apenas concordou com a cabeça. Abrindo a porta rapidamente e saindo por ela.
Respirei fundo me amaldiçoando por não ter continuado no meu quarto antigo que havia um banheiro, segurando a vontade de fazer xixi rezando para que os presentes na sala pudessem ir embora de uma hora para outra.
Meu telefone vibrou e uma mensagem de me fez sair dos meus pensamentos.

chegou, posso chamá-los para ir para algum bar, assim você pode ficar tranqüila.”

Comecei a responder a mensagem mas nada do que eu escrevia parecia ser bom o suficiente. Bufei irritada e joguei o celular no criado mudo.
Me levantei e me olhei no espelho, eu parecia a personificação perfeita da sofreguidão.
Tirei o pijama de flanela e decidi que sairia daquele quarto e encararia qualquer tipo de contato com . Afinal eu ainda era amiga dos meninos e seria egoísta demais abdicar qualquer um de qualquer coisa por conta de um relacionamento fracassado. Fiz uma maquiagem leve a fim de esconder as olheiras e respirei fundo antes de abrir a porta.
Assim que ouviram o barulho vindo do quarto, todos pararam de falar e se direcionaram para onde eu estava. Não haviam feito de propósito, foi apenas uma reação espontânea.
Cumprimentei meus amigos e me sentei ao lado de procurando algum conforto e apoio. Ele me abraçou de lado e sussurrou um “fique tranquila”. Sentia os olhares de sobre mim e eu fugia de qualquer tipo de contato com ele, encarando minhas mãos ou qualquer rumor que não vinha do mesmo.
Percebi que fazia alguns movimentos mudos com a boca e o encarei com uma das sobrancelhas erguida, o fazendo parar imediatamente e soltar uma risada baixa.
, vou buscar algo pra beber, você quer alguma coisa? – Ele perguntou se levantando e deixando aquele espaço um tanto convidativo ao meu lado. Me levantei rapidamente decidida em segui-lo e ele apenas deu de ombros. Pude ouvir os suspiros de lamentação vindos de e senti que poderia ter um ataque de pânico a qualquer momento.
— Até quando você vai fingir que ele não existe?
— Até eu me acostumar com a idéia.
, ele está tentando com todas as forças do mundo em parecer normal, mas você não está ajudando.
— E o que você quer que eu faça? Que eu conte pra ele como foram divertidos os meus dias em Liverpool? Ou pergunte como está o relacionamento dele com a tal Victoria?
— Já disse que ele não tem relacionamento nenhum com ninguém.
— Não é o que pareceu.
— Você é mais difícil do que eu pensei. – Ele disse abrindo uma latinha de cerveja e a entregando para mim, olhando para algum ponto sobre meus ombros e voltando a me encarar segundos depois. — Fica aqui. – Ele disse antes de passar por mim, me fazendo girar na direção em que ele caminhava e encarar aquele par de olhos castanhos que me olhava sob o portal da porta que dividia a sala da cozinha.
Por trás de , gesticulava alguma coisa como “sinto muito, é para o bem de vocês” e saindo do cômodo, fechando a porta e girando a chave que trancava o local.
O ar pareceu ficar mais pesado imediatamente e o fato do perfume de impregnar o cômodo, favoreceu a dificuldade que eu tinha em respirar.
Ele se aproximou mais, mantendo ainda uma distância favorável entre nós e pude sentir meu coração disparando enquanto a vontade de me jogar em seus braços aumentava a cada segundo de silêncio que estávamos nos submetendo.
— Oi. – Sua voz embargada fez com que minhas pernas vacilassem e eu tive que me apoiar com mais força sobre a bancada da cozinha para não cair.
— Oi.
— A gente pode conversar? – Ele perguntou relutante.
— Não acho que temos algo para conversar, . Está tudo bem, eu não quero que isso se torne ainda mais difícil. – Menti.
— Não está tudo bem ! Você precisa abrir os olhos e deixar que, uma vez na sua vida, as coisas não sejam simplesmente como você acha que são.
— Se sua idéia de conversar é me ofender de alguma forma, sugiro que você saia pela mesma porta que entrou. – Apontei para a porta atrás de si.
— Eu não quero ofender ninguém, eu não quero brigar, eu só quero esclarecer.
— Me pareceu claro o suficiente na foto que te vi entrando em uma casa com uma de suas ex namoradas. – Eu soltei e ele riu irônico.
— Victoria não é minha ex namorada. – Ele fez aspas com os dedos. — Ela é uma amiga que estava me fazendo um favor.
— Eu poderia fazer dezenas de piadas com esse seu argumento mas vou preferir ficar quieta. – Ele revirou os olhos e pegou o celular. Abrindo uma conversa qualquer, ignorando o que eu havia acabado de lhe acusar.
— Eu não vou falar mais nada. – Ele disse me entregando o aparelho. — Já que você gosta de ter imagens para trabalhar suas especulações, vou te dar aquilo que você quer.
O nome “Victoria” aparecia no alto da tela me fazendo rir e soltar o ar pelo nariz.
— Isso é algum tipo de brincadeira? – Ergui as sobrancelhas.
— Apenas leia e me diga quando você estiver pronta para me ouvir.
Dei de ombros e voltei minha atenção para o aparelho lendo minuciosamente cada mensagem trocada pelos dois. A primeira mensagem era de alguns dias depois que eu havia chegado em Londres.

“Oi Vic, quanto tempo, como você está? Preciso de sua ajuda.”

Revirei os olhos antes de continuar.
Basicamente eles se atualizaram de suas vidas. disse que estava namorando e que estava se sentindo incrível com aquele sentimento. Me senti boba ao ler seus comentários sobre mim e até uma foto nossa foi anexada ao chat.

“Você ainda trabalha com seu pai?”
Victoria: “Sim, a agência ainda nos rende bons negócios, hahah. Por que?”
“Preciso encontrar uma casa o quanto antes.”
Victoria: “Parece um grande passo. Você tem alguma idéia ou está disposto a ver alguns anúncios?”
“Quero que seja entre Londres e Sutton Coldfield.”
Victoria: “A única localização que eu tenho é Birmingham. Próxima de sua cidade mas um pouco longe de Londres.”
“Birmingham é perfeito. Quando você está livre?
Victoria: “E estou disponível sempre que precisar.”


A conversa continuou por mais alguns dias. Victoria mandava algumas fotos de casas disponíveis e comentava cada uma dela. A casa que haviam flagrado os dois apareceu entre todas as fotos, o que já explicava muitas coisas.
— Por que você não me disse nada?
— Eu não queria dizer até ter certeza. – Ele respondeu suspirando. — Queria resolver tudo antes de voltar ao trabalho e queria te levar até lá enquanto tivéssemos na casa dos meus pais. Foi por isso que fui até Birmingham, não estava indo te trair ou tendo um caso escondido com Victoria.
— E por que ela? Digo, não quero parecer uma garota possessiva e ciumenta, que já aparento ser, mas não entendo.
— Porque eu sabia que com ela não teriam boatos na mídia que eu estava comprando uma casa, qualquer outra agência poderia vender a informação. – Eu estava sem palavras. Havia agido como uma idiota fazendo suposições improváveis por conta do que a imprensa publicava sobre nós. A vergonha me consumia e eu queria apenas achar uma saída para sair correndo dali e evitar a humilhação que eu havia me submetido.
— E-eu, não sei o que dizer. – Gaguejei entregando o celular para , que continuava imóvel esperando alguma reação.
— Você preferiu acreditar em fofocas baratas do que em mim, .
— Pedir desculpas não vai mudar as atitudes que eu tive em relação a isso. – Me separei da bancada que ainda me servia de apoio e caminhei lentamente na direção do garoto que continuava inexpressivo.
— Não, não vai. – Ele disse dando um passo pra trás. — Você fugiu de mim, me fez pensar que você estava bem e feliz com sua decisão. Eu passei dias horríveis , eu me vi perto de me entregar de novo ao álcool e as noites regadas a sexo, onde eu não me importava com as consequências dos meus atos. – Ele gesticulava excessivamente com as mãos. — Você quase me fez esquecer de tudo aquilo que eu venho lutando contra, de todos os demônios que eu venho tentando fugir desde que te conheci. – Suas palavras me atingiam com força, eu sentia meus olhos ardendo e um choque de realidade me fazia acordar naquele momento.
, eu não sei o que dizer! Eu errei, eu me deixei levar por impulsos que eram mais fortes do que minha razão. – Disse um pouco alterada. — Eu pensei que você estava me enganando, sim, eu pensei! Me senti enganada porque enquanto você estava lá com sua ex namorada, eu estava indo atrás do meu passe para ficar aqui com você nessa merda de país! – Tive que parar por alguns segundos para respirar antes de continuar. — Eu estava pensando em nós enquanto, aparentemente, você não estava ligando pra isso. Você não sabe o que eu senti.
— Você também não. – Ele retrucou. — Eu dei provas suficientes pra te provar que eu quis fazer dar certo seja lá o que tivemos e você fez questão de deixar claro, inclusive para meus amigos, que não existe mais nada entre nós.
— Então pra que você veio jogar isso na minha cara? Pra eu me sentir ainda pior? Porque se for isso, você conseguiu.
— Para de jogar a culpa em cima de mim.
— Eu não estou jogando a culpa em você. Eu admiti meu erro , eu estou envergonhada por como eu agi e não sei como me comportar a partir de agora. O que mais você quer que eu diga? Me desculpe por isso, me desculpe por como eu reagi mas tem sido tudo intenso demais e eu não consegui conter meus impulsos.
— Porra ! – Ele passou as mãos pelos cabelos olhando para cima e caminhando em círculos. Evidentemente ele também não sabia como reagir após aquele diálogo. Eu continuava parada o encarando enquanto ele parecia estar tendo uma batalha interna consigo mesmo. Quando seus olhos voltaram para mim, vi que ele estava chorando. Não eram algumas lágrimas teimosas que insistiam em escapar de seus olhos, elas rolavam por seu rosto e sumiam assim que pingavam sobre sua jaqueta jeans. Seu nariz estava avermelhado e seus lábios tremiam.
Me senti impotente.
Queria poder chegar perto e abraçá-lo mas eu não estava tão diferente assim dele. Ao ver sua reação, meu corpo estremeceu e eu acompanhei, de forma contida, a tristeza que emanava de seu corpo. Tive que fazer um esforço gigantesco para emitir algum comando racional para meu cérebro antes de dar passos lentos até , temendo a rejeição do garoto.
Quando estava a poucos centímetros de distância dele, passei minhas mãos sobre seus suas bochechas, a fim de enxugar as lágrimas grossas que continuavam insistindo em cair, ele fechou os olhos com meu toque e levou suas mãos sobre as minhas, dando um leve aperto sobre elas antes de tirá-las do seu rosto. O encarei amedrontada acompanhando o movimento de seus braços. Ele não soltou minhas mãos, em um movimento rápido fui prensada contra seu tórax.
Sentia seu peito subir e descer de forma rápida, enquanto escutava seus soluços perto dos meus ouvidos. Passava minhas mãos sobre suas costas em uma tentativa de confortá-lo, tentando ser forte e deixando que ele pudesse colocar pra fora tudo aquilo que ele vinha segurando por aqueles dias.
Quando ele pareceu se acalmar, ele afastou um pouco seu rosto do meu, ainda me mantendo firme entre seus braços. Me encarou e passou as mãos pelos meus cabelos, seus olhos percorriam toda a extensão do meu rosto e minha vontade de beijá-lo falou mais alto do que eu. Sem pedir permissão, me aproximei dele e uni nossos lábios, depositando ali um selinho longo e tranquilo, que logo deu espaço para que nossas línguas pudessem se tocar para que pudéssemos aprofundar nosso beijo.
O gosto era saudade. Meu corpo todo reagia à aquele toque delicado, sentimentos estavam sendo trocados por aquele gesto e eu sentia meu coração recomeçar a bater nas batidas certas, como o seu.
Nos afastamos delicadamente quando o ar começou a nos fazer falta, ele mantinha os olhos fechados e um pequeno sorriso se formava em seus lábios.
... – O chamei fazendo-o me encarar. — Você quer ser meu namorado? De novo? – Perguntei em meio a um sorriso abafado.
— Só se você me prometer não duvidar mais de mim e me ouvir antes de tirar conclusões precipitadas sobre aquilo que falam sobre nós. – Ele disse ainda depositando um carinho suave sobre meus cabelos.
— Eu prometo.
— E mais uma coisa... – Ele se afastou um pouco mais. — Você precisa parar de andar com , ele ainda pode querer roubar você de mim. – Arregalei meus olhos ao ouvir aquela frase e logo sua risada tomou conta do ambiente. — É brincadeira.
... – Sorri balançando a cabeça.
— Eu quero que você seja minha, sweetheart. – Ele disse roçando seu nariz sobre minha bochecha.
— Eu sou sua desde que nos beijamos pela primeira vez naquele quarto de hotel. Você ainda não fazia idéia disso mas não te culpo. – O abracei de lado e suspirei sentindo seu perfume.
— Você não sabe o quanto eu fico feliz em ouvir isso .
— Eu adoro você . – Ele abriu um sorriso antes de unir novamente nossos lábios. Dessa vez com mais intensidade e desejo. Nossas mãos exploravam nossos corpos e eu sentia que poderia me entregar a ele naquele exato momento, se não fossem nossos amigos na sala ao lado baterem na porta perguntando se estava tudo bem. Sorrimos juntos nos separando e unindo nossas mãos, caminhando até a porta e pedindo para que a abrissem.
— Eu sou louco por você. – Ouvi sua voz rouca poucos segundos antes de aparecer atrás da porta com uma expressão apreensiva, relaxando assim que nos viu juntos.
— Nosso casal está de volta! – Ele gritou arrancando assovios e gritinhos animados de nossos amigos. Eu me sentia em casa. Meu coração estava ali e eu não poderia estar mais decidida.


Capítulo 28

Acordei com o toque do celular, minha cabeça latejava e eu me virei para o criado mudo procurando pelo aparelho. Eram três da manhã. Me levantei correndo assim que vi o nome de Eliza na tela do aparelho.
Sai do quarto às pressas para não acordar e já fui pegando algumas de minhas coisas espalhadas pelo quarto imaginando que tinha alguma emergência acontecendo na ONG para me ligarem àquela hora.
, desculpa se te acordei. – Ela disse antes mesmo de eu dizer qualquer coisa. — Recebemos um chamado em Oxford, uma vaca caiu em uma espécie de poço e está correndo riscos sérios de vida, pois está prenha. Os bombeiros já estão no local para fazer o resgate mas precisávamos de um veterinário especializado e eu não consegui pensar em mais ninguém além de você. – Eliza falava rápido demais e eu quase não fui capaz de assimilar todos os detalhes que ela me dava enquanto me arrumava às pressas. A cidade ficava há uma hora de Birmingham, onde eu estava naquela noite e eu precisava me apressar para chegar a tempo de salvar o animal. Não tinha tempo de pedir um taxi então tive que optar em fazer uma loucura. Peguei as chaves do carro de e adentrei no veículo sem pensar duas vezes. Eu não tinha carteira de motorista e havia dirigido poucas vezes na vida, mas era um caso de vida ou morte e eu não tinha pensado bem nas consequências dos meus atos.
Dirigir já não era a tarefa mais fácil do mundo pra mim, dirigir um carro britânico então tinha entrado na minha lista de coisas mais difíceis de se fazer.
Não dirigi por mais de dois quilômetros e bufei socando o volante. Dei meia volta, com muita dificuldade, e estacionei novamente onde o carro estava antes. Subi as escadas correndo chamando por , que acordou com o susto.
— Eu não queria te acordar mas eu preciso muito de um favor. – Disse ofegante assim que entrei no quarto e o vi já em pé.
— O que houve?
— Eu até tentei fazer isso sozinha mas não consegui, você sabe o quanto é difícil dirigir nessas ruas?
— Você pegou o carro à essa hora? você disse que não sabia dirigir, você pode me dizer o que aconteceu?
— Desculpa, estou nervosa. – Peguei o copo d’água que deixava geralmente ao lado da cama e virei o líquido de uma só vez. — Eliza me ligou e precisam de mim em Oxford, não dá tempo de chamar um taxi , eu preciso de uma carona.
Ele não fez mais perguntas. Se vestiu rapidamente e em poucos minutos estávamos dentro do carro.
— Acho que devo tirar minha habilitação, não posso depender sempre dos outros. Me desculpe por isso. – Quebrei o silencio, me sentia frustrada em ter que pedir ajuda ao meu namorado para atender um chamado de emergência.
— Seria ótimo , eu posso te ajudar com isso. – Ele disse levando uma de suas mãos até minha coxa e depositando um leve carinho na região. — Mas não precisa se desculpar, sweetheart. – Respirei fundo mais uma vez e me calei. Tive sorte de estar em casa naquele dia, caso contrário eu não havia noção de como chegar até ao chamado. Me questionava que tipo de profissional eu era e decidi que no dia seguinte iria procurar uma auto escola para me informar do que eu precisava para dar entrada no processo para conseguir a carteira de motorista. Chegamos em menos de uma hora até o endereço que Eliza havia me passado, por sorte era um bom motorista e não havia transito àquela hora, o que facilitou o trajeto.
— Você pode ir se quiser, talvez eu não volte pra casa hoje. – Me virei para ele assim que o carro foi estacionado.
— Tem certeza? Eu posso te esperar, não tenho nenhum compromisso cedo.
— Você é tão maravilhoso, . – Disse passando uma de minhas mãos sobre sua bochecha, ele fechou os olhos apreciando a carícia e sorriu.
— Qualquer coisa por você, .
— Por que você não vai pra minha casa? Tenho certeza que vamos para a ONG depois do resgate, chegarei o mais rápido que puder.
— Tudo bem, te vejo mais tarde. – Ele me deu um selinho. — Me ligue se precisar. — Obrigada, me desculpe mais uma vez.
— Não se preocupe , até mais. – Sai do carro e vi se afastando lentamente do local.
Estava trabalhando com a RSPCA há mais ou menos cinco meses. havia comprado a casa em Birmingham e eu e Lindsay continuávamos na casa do amigo de George dividindo o aluguel.
Lindsay trabalhava no Daily Mail e estava super feliz com seu trabalho e seu namoro com .
Os meninos trabalhavam em um ritmo frenético após a longa pausa que haviam dado com a banda e nos víamos muito pouco, a turnê do lançamento do novo CD pela Inglaterra estava chegando ao fim e em poucos dias ficaríamos bons meses sem nos vermos. Então quando eu conseguia dois dias consecutivos de folga da ONG, acompanhava em alguns compromissos com a banda ou dormia em sua casa quando ele estava por perto.
Sendo a responsável pelo departamento de animais silvestres e grande porte, muitas vezes me chamavam no meio da noite devido à alguma emergência. Tinha tido sorte, até então, de estar sempre em Londres quando isso acontecia, mas sabia que era questão de tempo até ter que me deslocar de mais longe até a sede.
O resgate foi longo e o dia já estava nascendo quando conseguimos resgatar o animal, que entrou em trabalho de parto assim que conseguimos puxá-lo para a superfície, não resistindo e indo a óbito logo após dar a luz a um lindo bezerro. O filhote, prematuro, foi prontamente atendido pela nossa equipe e transferido para Londres na ambulância veterinária que foi concedida a nós. Por pouco não havíamos perdido também o filhote.
Fiquei no hospital da RSPCA até quase às nove da manhã acompanhando o tratamento do filhote e meu corpo começava a dar os primeiros sinais de fraqueza. Foi quando meu colega, Ethan, chegou me dando o câmbio de turno que fui me trocar para poder ir para casa descansar um pouco antes de voltar ao trabalho.
Assim que pisei do lado de fora do galpão, avistei o conhecido carro preto de parado do outro lado da rua, sorri ao ver o garoto apoiado do lado de fora conversando animadamente com John e fui em direção a eles.
— Oi. – Me aproximei de dando um selinho rápido nele antes de me direcionar a John o cumprimentando. — Oi John, como vão as coisas? Como está Carol e o bebê?
— Tudo ótimo , obrigada por perguntar. – John havia voltado para Londres um pouco antes do voltar ao trabalho, trazendo consigo a noiva e descobrindo logo depois que estavam esperando um filho. Nos conhecemos ainda no aeroporto, já que fez questão de buscá-los. — Carol está ótima, próxima semana saberemos o sexo do bebê, estamos apreensivos. – Ele sorriu tímido.
— Imagino. Qualquer dia desses vou visitá-la, deve ser difícil para ela ficar tanto tempo sozinha. – Respondi sincera.
— Ela ficará muito feliz. – Ele disse abrindo a porta para que e eu pudéssemos entrar.
— E ai, como foi? Deu tudo certo? – Ele perguntou se acomodando ao meu lado. — Eu estou tão cansada... – Suspirei e me aconcheguei em seu peito. — Infelizmente perdemos o paciente, mas conseguimos salvar o filhote que está agora em observação com Ethan.
— Sinto muito . – Senti seus braços me envolvendo com um pouco mais intensidade e seu perfume tomando conta das minhas vias respiratórias, me fazendo suspirar e fechar os olhos.
— Essa é a pior parte desse trabalho. – Confessei.
— Não posso nem imaginar, mas sei que você é uma excelente profissional e eu estou muito orgulhoso de você.
— Obrigada . – Sorri e me afastei um pouco para observá-lo melhor. — Obrigada também por ter me levado até Oxford àquela hora da noite, eu não tenho como ser mais grata por tudo o que você faz por mim.
— Eu disse que faria qualquer coisa por você, não disse? – Ele sorriu e beijou o topo da minha cabeça. — Você está com fome? Quer comer algo antes de ir pra casa?
— Não, tudo bem. Você não tem que ir trabalhar?
— Só mais tarde, tenho a manhã toda livre. Podemos ir pra sua casa e descansar, antes de voltar para a gravadora posso te dar uma carona até o hospital, pode ser?
— Você é simplesmente o homem mais maravilhoso do mundo. – Sorri unindo nossos lábios e agradecendo mentalmente aos céus por ter ganhado na loteria do amor.
Ao chegar em casa a única coisa que consegui fazer foi tomar um banho e ir direto para a cama, onde me esperava devidamente acomodado. Me deitei ao seu lado e foram questões de segundos até eu pegar no sono.

“— Rápido , acho que estou perdendo-o. – Vi o garoto correndo até mim falando agitadamente com alguém no celular.
— Não temos mais tempo , teremos que fazer isso sozinhos.
Eu gritava e chorava ao mesmo tempo, permanecia ao meu lado segurando uma de minhas mãos. A dor era insuportável e eu só desejava que aquilo acabasse o mais rápido possível.
— Você consegue , você é ótima no que faz, tenho certeza que saberá lidar com isso. – Ele me encorajava.
Mais alguns gritos agudos e a sensação de alívio tomou conta de mim. A agitação e tensão deu espaço a um silêncio doloroso.
Olhei para baixo e vi o pequeno filhote morto aos meus pés. Muito sangue e o cordão umbilical que o ligava à mim.
— Mas ele estava vivo , eu juro que estava.
— Não se preocupe com isso, sweetheart, você fez tudo que pôde.
Silêncio.
As lágrimas escapavam dos meus olhos e mais uma vez me direcionei ao pequeno animal caído no chão sem vida. Não era mais o bezerrinho, era uma criança. Era meu filho, nosso filho, que eu não fui capaz de dar a vida.
Olhei para o lado e vi John e Caroline se aproximando, entregando a uma criança enrolada em uma manta verde bebê.
— Parabéns, papai, é um lindo menino. – Ela dizia.
Ela o abraçava e o beijava, enquanto John se aproximava de mim e, piedosamente, alisava meus cabelos.
— Acorda , você precisa acordar agora!”


? Sweetheart? – Ouvi a voz de se aproximando e abri os olhos de supetão. — Você estava gritando, tudo bem?
— E-eu só tive um sonho ruim. Um pesadelo. – Me levantei um pouco passando as mãos pelos meus cabelos, sentindo o suor gelado que emanava da minha pele. Os pesadelos sobre meus longos plantões eram constantes, como se eu começasse a perder a noção da realidade.
— Você está queimando de febre . – encostou as costas de sua mão sobre minha bochecha e sua pele fria me fez arrepiar.
— Tenho que ligar para Eliza, eu não me sinto bem.
— Desde que você começou a trabalhar lá você não tem tido tempo de descansar, você não se alimenta, não dorme bem...
— Eu sei, mas é meu trabalho, não é?
eles te pagam tão pouco, você acha que vale a pena continuar se matando por isso?
— Se eu não fizer isso eu vou precisar ir embora , eles me ajudaram com meus documentos e foram gentis em me oferecer uma vaga na equipe.
— Eles te deram a vaga porque você a conseguiu com mérito, não foi um favor.
Respirei fundo antes de concordar.
Por ser uma ONG, o salário era realmente baixo pela responsabilidade que haviam jogado sobre mim. Todo dinheiro que arrecadávamos com os eventos de beneficência era revertido em alimentação e tratamento não só para a RSPCA mas também para organizações menores ao redor do Reino Unido.
— De qualquer forma, é esse trabalho que me permite continuar aqui e pagar minhas contas , preciso agüentar por mais um pouco até conseguir algo melhor.
— Eu estava pensando... – Ele continuou. — Você desistiu da música? – O olhei curiosa tentando entender onde ele queria chegar. — Quer dizer, você disse que gostaria de estudar música e aqui existem tantas possibilidades de você conseguir fazer uma carreira. Por exemplo, seu namorado tem uma banda. – Ele sorriu e ergueu as sobrancelhas enquanto apontava para si próprio, me fazendo dar uma gargalhada.
— Eu não pensei mais nisso, pra ser sincera, meio que me conformei com aquilo que eu tinha.
— Você erra tanto nesse quesito . – Ele se aproximou e pegou minhas mãos. — Você precisa sair da sua zona de conforto e arriscar mais.
— Queria dizer que você não tem razão mas parece que tudo o que você diz condiz exatamente com minha vida.
— É isso que os namorados fazem. – Ele me deu um selinho e saiu do quarto, dizendo que prepararia algo para comer.
Peguei meu celular ligando para Eliza e avisando que não conseguiria ir para o hospital e logo depois me vi pesquisando as possíveis faculdades que eu poderia fazer em um futuro muito, muito, distante.
Algum tempo depois adentrou o quarto com alguns sanduíches recheados de patê de salmão e alface, alegando que aquilo era tudo o que ele havia conseguido encontrar que beirava o saudável. Mostrei para ele alguns cursos e lugares que eu poderia pensar em estudar e, decidida, disse que começaria a pensar sobre o futuro que eu queria para mim.
passou o resto do dia comigo, avisou aos meninos que eu não estava bem e que ficaria em casa para caso eu precisasse de algo. Ainda era cedo, então fiz algumas ligações para me informar melhor sobre os cursos, valores e tudo o que eu precisava para me organizar caso fosse começar do zero uma nova faculdade.
Enquanto ligava para algumas universidades, estava ao telefone em uma vídeo chamada com os meninos para que acertassem alguma coisa sobre o início da turnê mundial que estava para começar na próxima semana.
— Bom, eu fiz algumas pesquisas. – Disse quando ele entrou novamente no quarto e se sentou ao meu lado. — Cambridge tem um curso muito bom de music business e talvez eu consiga conciliar as aulas com o trabalho, eles tem uma grade bem flexível.
— Acho que você vai ter que largar o seu trabalho caso queira estudar em Cambridge, é muito longe de Londres e Birmingham, são três lados completamente opostos.
— Se eu largar o trabalho não posso arcar com as despesas, , são aproximadamente quatorze mil por ano.
— Bom, eu tenho uma proposta pra você... Duas na verdade.


Capítulo 29

Apesar de sentir meu corpo dolorido, a febre havia passado. me convenceu que seria melhor voltar para Birmingham com ele, assim ele estaria perto caso eu precisasse de alguma coisa.
Estávamos a poucos minutos da gravadora, que ficava no caminho de sua casa e alegou que não poderia me fazer a tal proposta sem o resto da banda, Joe e um dos advogados. Uma reunião de urgência foi convocada pelo garoto enquanto estávamos a caminho.
estacionou no estacionamento do pequeno prédio amarelo e logo estávamos caminhando em direção à sala de reuniões, onde todos os outros já esperavam por nós.
Cumprimentei rapidamente nossos amigos e Joe, e fui apresentada à Nick, o advogado comercial da banda.
— Há muitos meses atrás eu tive essa idéia mas decidi esperar o momento certo antes de te propor um negócio que pode ser benéfico tanto para nós como banda quanto para você, . – se pronunciou olhando para Nick, que subitamente se levantou e começou a distribuir uma pasta para cada um presente na pequena sala. O olhei curiosa e ele sorriu para mim, apoiando uma de suas mãos sobre minha coxa sob a mesa. — Antes de qualquer coisa, , quero que você tenha a mente aberta para isso e que não pense que decidimos isso por que você é minha namorada e amiga dos meninos.
me apresentou uma música há um tempo atrás, de início pensei que tivesse sido uma de suas composições mas ele disse que ela tinha sido composta por uma artista independente que talvez jamais tenha pensado em vender suas composições. – Joe se pronunciou e abriu sua pasta, encorajando o resto de nós a seguir seus movimentos.

“Paper Heart copyright by Alcantara”

Não pude acreditar no que lia assim que abri a primeira página do pequeno amontoado de folhas que estavam a minha frente. Abri e fechei a boca sem emitir nenhum som e apertou mais minha coxa.
— Como eu dizia... – Joe continuou. — A idéia de comprar os direitos autorais da música foi conjunta, , realmente achamos uma música excelente e eu conseguia ver os meninos produzindo-a. Todos nós concordamos que esse seria um bom investimento. – Ele continuou falando e explicando os motivos pelos qual ele gostaria de comprar minha música e apesar das minhas reclamações dizendo que aquilo não era necessário e que eu não tinha nenhuma intenção em ganhar dinheiro sobre aquilo, Joe continuava a insistir que eram negócios e que eu tinha o total direito sobre meu trabalho.
Joe deu espaço para que o advogado lesse e explicasse todo o contrato que haviam feito a fim de me fazer pensar sobre a proposta.
— Alguma pergunta ou objeção? – Nick perguntou no final da leitura.
— Na verdade... eu tenho uma objeção. – Disse respirando fundo e vendo todos se virarem para mim. — Eu não quero ter que “vender” minha música. Se vocês quiserem usá-la, eu ficaria muito honrada, mas não precisamos envolver nenhum tipo de burocracia para tal coisa.
como eu disse antes, são negócios. – Joe era o porta voz da banda e aparentemente tudo o que ele dizia era sacro. — Há algum tempo conversamos sobre começar a trabalhar com compositores independentes, abrindo o mercado de trabalho para novos artistas. Não vejo porque não dar esse espaço a você, você é talentosa garota.
— Quando fizemos o arranjo para seu aniversário eu pensei que aquela poderia ser uma música de sucesso e acho que todos concordam comigo. – se pronunciou me olhando carinhosamente e sendo apoiado pelos amigos.
— Eu preciso pensar.
— Não temos muito tempo, , nós já começamos a divulgar os novos EP’s do novo CD, gostaríamos de incluir sua música antes de concluir o álbum. – Joe disse encarando seu relógio. — Já é tarde, podemos prolongar sua decisão até amanhã, é o máximo que posso esperar.
Eram informações demais e muita coisa estava em jogo. Pensava que se, um dia, meu relacionamento com acabasse, ele teria pra sempre meu nome vinculado à sua banda caso a música fizesse sucesso e seja inclusa nas futuras set list dos shows. Respirei fundo, guardando as folhas dentro da pasta preta e me levantando para me despedir de Joe e Nick.
Os meninos e eu seguimos para casa de , onde Lindsay nos encontraria. Há muito tempo não conseguíamos nos reunir todos os seis juntos, sempre faltava um, e aquela nossa pequena reunião foi suficiente para me dar a energia que eu estava precisando.
Jantamos em um restaurante brasileiro no centro da cidade, onde havia feito a reserva da mesa pedindo total descrição e privacidade. Nos servimos de um belo rodízio de carne enquanto nos distraímos em conversas aleatórias que não envolvia nossos trabalhos.
— Quase ia me esquecendo. – chamou a atenção de todos colocando alguns pequenos envelopes em cima da mesa e chamando um por um, entregando o pequeno pedaço de papel. – John e Carol vão se casar na próxima semana, antes de começarmos a turnê.
— Fico tão feliz por eles! – Lindsay comentou empolgada. — Mas por que assim tão em cima da hora?
— Eles querem casar antes que o bebê nasça. – respondeu sem dar muitas explicações.
O casal passou a freqüentar nossas reuniões quando Carol chegou na cidade, apesar de John trabalhar para , criamos um laço forte com eles. O fato de Carol ter se mudado e logo depois descoberto a gravidez nos aproximou ainda mais. Nas minhas folgas, quando trabalhava, eu procurava ir até a casa da garota para fazer companhia a ela.
— E o meu? – Perguntei baixo quando terminou de distribuir os convites.
— John pediu para que passássemos em sua casa depois do jantar. Ele estava meio nervoso, acho que ele quer que sejamos as testemunhas.
Sorri pensando na felicidade dos meus mais novos amigos e que deveria, sem sombra de dúvidas, ajudar Carol na organização de tudo.
Saímos do restaurante diretamente para casa de John, onde uma Carol feliz e chorosa nos perguntou se aceitaríamos ser seus padrinhos, fazendo todo um discurso pelo qual ela havia nos escolhido.
Ela dizia que se não fosse por , ela não estaria ali naquele momento e que ela seria eternamente grata ao rapaz. Ela agradeceu por eu ter sido tão receptiva e atenciosa com ela e que eu era o mais próximo de família que ela tinha ali depois de John.
Não prolongamos tanto nossa visita, meu corpo voltava a dar sinais claros de fraqueza e decidimos que era melhor voltar para casa para que eu pudesse me repousar.
— Parece que você está fugindo de mim, . – Ele disse se sentando na bancada da ilha da cozinha.
— Não é isso, só estou nervosa.
— Você sabe que pode conversar comigo.
— Eu não sei o que falar, não sei o que fazer, isso tudo me pegou de surpresa. – Desabafei enquanto me apoiava na pia.
— Você só tem que assinar aqueles papéis e vai poder arcar com sua faculdade sem problemas.
— Eu já te disse que não quero ganhar nada sobre sua fama ou seu nome.
— Mas é verdade o que o Joe disse. – Ele retrucou. — Posso te provar, inclusive, que nos últimos meses nós estávamos procurando por compositores independentes.
— Não é justo que eu roube a chance de alguém só porque sou sua namorada.
— Não é “só porque você é minha namorada”. – Ele resmungou fazendo aspas com os dedos. — Você é talentosa, sempre te disse isso.
— Eu não sei, tenho medo de como as fãs da banda vão reagir a isso. – Caminhei até e me acomodei entre suas pernas. — As especulações, fofocas, sabe? Você sabe que eu evito o máximo que eu posso a mídia porque não quero que pensem que estou com você para ter alguma vantagem sobre seu status.
— Já te disse mil vezes para não se preocupar com isso. – Ele disse colocando suas mãos sobre meu pescoço e me fazendo encará-lo. me deu um selinho demorado e sorriu assim que se afastou. — Inclusive, ainda não te fiz a segunda proposta.
... – Tentei repreendê-lo mas fui impedida com um de seus dedos sobre meus lábios em um gesto claro para que eu não continuasse.
— Você falou sobre Cambridge, mas eu te disse o quanto é longe. – Ele começou e pegou o celular em um de seus bolsos. — Porém tem a BIMM Institute que é em Birmingham e você vai estar mais próxima de casa. – Ele me passou o celular para que eu lesse algumas informações sobre a pequena faculdade de música local.
— Eu moro em Londres, não em Birmingham. – Respondi sorrindo enquanto lia sobre o instituto.
— É nesse ponto que eu queria chegar. – Ele disse descendo da bancada de mármore, invertendo nossas posições e chegando perto demais do meu ponto fraco. Ele puxou de leve meus cabelos e pressionou mais seu quadril contra o meu, me fazendo soltar um gemido leve ao sentir seu membro dando sinal de vida aos poucos. — Vem morar comigo? – perguntou baixo enquanto beijava meu pescoço.
— Você está me provocando de propósito, né? – Respondi rindo enquanto jogava a cabeça pra trás, deixando minha pele ainda mais exposta a ele.
— E está funcionando?
— Você sabe jogar sujo quando quer.
— Eu consigo tudo o que eu quero, sweetheart.
— Acha mesmo que você vai me comprar com sexo, ? – Perguntei tentando parecer séria, mas a verdade era que eu quase não conseguia conter minha felicidade.
Eu havia aprendido a ouvir mais meu coração desde a última vez que havíamos brigado pra valer e decidi que não deixaria mais minha insegurança atrapalhar nossas vidas.
— Com sexo talvez não mas com certeza com o melhor oral que você já teve em toda sua vida. – Ele respondeu abaixando minha calça e me empurrando delicadamente até que minhas costas entrasse em contato com o mármore da ilha.
Nosso tempo juntos havia sido reduzido tão drasticamente desde que a banda tinha voltado ao trabalho, que a maior parte do tempo em que transávamos pulávamos as preliminares e aquilo definitivamente me fazia falta.
Gemia alto aproveitando a privacidade que há muito tempo não havíamos. movia sua língua contra minha intimidade majestosamente, ele conhecia melhor do que ninguém meus pontos fracos. Eu estava completamente exposta a ele naquela bancada, deixando tudo mais à sua disposição. Foi quando senti seus dedos brincando na minha entrada e descendo um pouco mais, tocando em um ponto que eu jamais havia sido tocada antes.
Dei um pulinho de susto quando senti seu toque ali e ele automaticamente ergueu sua cabeça para encontrar meu olhar.
— Confia em mim? – Ele perguntou baixo. Concordei e voltou à sua posição anterior.
Senti a ponta de sua língua fazendo um percurso um pouco mais longo que o normal e apesar do receio, a sensação era maravilhosa.
Ele levou novamente sua boca até minha intimidade, alternando entre beijos, chupadas e lambidas, enquanto um de seus dedos se mexia calma e delicadamente naquele lugar que eu sempre tive curiosidade de provar mas nunca havia tido coragem.
Tive a sensação que iria explodir mais cedo ou mais tarde de tanto tesão. estava certo, ele me deu o melhor oral da minha vida.
Ele me provocou sensações que eu jamais havia sentido, parecia de novo uma virgem que provava pela primeira vez o que era um orgasmo.
— Uau. – Foi tudo o que eu consegui dizer assim que se levantou, mordendo os lábios e dando um tapa sapeca em uma das minhas nádegas.
— Eu te disse. – Ele se aproximou e mordiscou meu pescoço. — Posso te dar muito mais se você quiser, sweetheart.
, se você continuar com isso eu vou me mudar agora mesmo. – Resmunguei em meio a sorrisos bobos enquanto embrenhava minhas mãos em seus cabelos.
Sua resposta foi simples, ele me pegou no colo e subiu as escadas com certa dificuldade, me fazendo gargalhar à cada passo em falso que ele ameaçava dar até me jogar sobre a conhecida cama de casal do quarto principal. Minhas mãos percorriam seu corpo com urgência, procurando a forma mais rápida de despi-lo.
Nossos corpos gritavam por contato quando seu membro me invadiu sem pedir permissão.
, você não precisa fazer o que não quiser. – Ouvi sua voz rouca me alertando quando ele parava com seus movimentos até sair completamente de mim.
— Eu quero. – O encorajei. Me levantei devagar e o beijei antes de virar de costas para ele, que gentilmente me posicionou da melhor forma para que pudesse ter o total controle sobre mim.
— Se doer muito você me fala. – disse antes de se posicionar novamente por trás de mim e começar a empurrar bem devagar seu membro em minha cavidade. Mordi os lábios para conter a dor mas um gemido alto saiu pela minha boca assim que sua glande passou por mim, fazendo com que eu puxasse meu quadril para frente. — Podemos tentar outro dia , sem pressa.
— Não! – Quase gritei. — Eu quero tentar agora.
— Você tem que estar relaxada e confortável com isso, não é simplesmente dizer que quer. – Ele me virou com cautela e beijou o topo da minha cabeça. — Não se preocupe, sweetheart, vamos ter muito tempo para fazer tudo aquilo que quisermos.
Assenti sorrindo de canto. Eu sabia que queria que minha primeira vez fosse com e ele, mais uma vez, tinha razão: teríamos ainda muito tempo pela frente.


Capítulo 30

O casamento de John e Carol havia acontecido dois dias antes dos meninos darem início à turnê, a garota estava radiante com seus cinco meses de gestação. Apenas nossos amigos e alguns parentes próximos de John se fizeram presente no pequeno cartório para que o casal pudesse trocar as alianças e juras de amor eterno.
Aceitei ir morar com assim que a turnê mundial do chegasse ao fim, o que me renderia bons quatro ou cinco meses pela frente para organizar todas minhas pendências em Londres, a idéia já não me parecia tão assustadora, tendo em conta que economizaríamos boas horas de viagem toda vez que tivéssemos a chance de estar juntos.
Havia avisado também a Eliza sobre meu afastamento da ONG e, apesar das lamentações, me desejou boa sorte e me assegurou que me recomendaria à algumas clinicas em Birmingham que estavam contratando, me pedindo um pouco de tempo para que achassem outra pessoa para ocupar meu cargo.
Os primeiro mês sem foi o mais difícil, tive que me reacostumar à sua ausência constante, nossas vidas corridas e os fuso horários conturbados nos davam pouquíssimos minutos livres um para o outro.
Antes de toda aquela reviravolta acontecer na minha vida, Eliza havia me convidado à participar de um congresso em Sidney, na Austrália, e por coincidência -ou não- os meninos passariam pela cidade em três, dos sete, dias do evento.
Eu contava os dias e as horas para poder encontrá-lo, tinha ficado totalmente dependente de , no sentido bom da coisa, e me perguntava se o destino se prontificaria sempre em dar um jeitinho de nos aproximar quando estávamos afastados.
— Amiga, dê um abraço bem forte no por mim, eu estou morrendo de saudades do meu biscoitinho. – Lindsay disse emocionada segurando o pingente que o garoto a havia presenteado meses atrás.
— Pode deixar. Te mando uma mensagem assim que chegar. – Me aproximei abraçando minha amiga antes de cruzar o portão de embarque do aeroporto onde Ethan me esperava.
Eliza e o resto da equipe, outros três veterinários, tinham partido um dia antes, Ethan e eu ficamos no hospital terminando de revisar as fichas dos pacientes com os veterinários substitutos para aquela semana.
— Sidney, em mais ou menos vinte horas, aqui vamos nós! – Ethan brincou antes de passar pelo detector de metal.
— Vinte horas e finalmente vou poder abraçar meu namorado. – Comentei também passando pelo detector e me juntando ao garoto, que apenas me olhou balançando a cabeça enquanto sorria.
Ethan era um homem realmente bonito. Tinha vinte e oito anos, cabelos castanho bem claro e os olhos mais azuis que eu já tinha visto em toda minha vida. Algumas sardinhas se destacavam sobre seu nariz e suas bochechas naturalmente rosadas o davam um ar de inocência que não condizia nem um pouco com seu caráter.
Ele era o homem mais mulherengo que eu tive o (des)prazer de conhecer. Nos poucos meses que trabalhamos juntos, eu perdi a conta de quantas estagiarias com os corações quebrados por Ethan vinham até mim pedir conselhos.
Nos acomodamos em uma cafeteria esperando o início do embarque, conversávamos sobre nossos projetos futuros e Ethan confessou que tinha ficado bastante desapontado quando soube que eu estaria para ir embora em poucos meses.
— Você tem certeza disso? – Ele perguntou bebericando um pouco de café. — Digo, você vai abrir mão de um trabalho que você realmente parece gostar.
— Eu quero me arriscar mais. – Confessei. — Descobrir coisas novas, fazer algo que eu amo por mim e não pelos outros.
— Você pode se arriscar comigo, caso queira começar a descobrir coisas novas agora. – Ele ergueu uma sobrancelha me lançando uma piscadinha.
— Desiste Ethan, eu não vou dormir com você.
— Não custava nada tentar, de novo. – Rimos juntos e logo ouvimos o anúncio que o embarque para o nosso vôo começaria naquele exato instante.
Assim que nos conhecemos, Ethan tentou por diversas vezes que eu aceitasse a sair com ele, o que não seria nenhum esforço se não fosse por .
Nossa amizade cresceu conforme os dias iam se passando, o fato de passar mais tempo na companhia de Ethan do que na minha própria casa nos uniu mais do que gostaria.
Apesar de não fazer o tipo ciumento e possessivo, quando se tratava do meu colega de trabalho, sempre levantava a guarda quando saíamos para beber uma cerveja em um pub próximo da clínica depois de algum plantão que dividíamos, o que era raro já que na maioria das vezes um substituía o outro, mas que vinha acontecendo com frequência.
Depois de muita luta convenci a se unir a nós em um happy hour, no início ele parecia relutante mas aos poucos foi se soltando ao ver que Ethan não era uma ameaça.
— Ethan, pode ir na frente, preciso atender essa ligação. – Sai da fila já com a conexão da chamada sendo estabelecida.
Sorri ao ver do outro lado da telinha, que também tinha um sorriso estampado no rosto.
— Só queria te desejar uma boa viagem. – Ele quebrou o silencio.
— Obrigada. – Respondi ainda sorrindo como uma boba apaixonada. — Te vejo no aeroporto?
— Claro, já organizei tudo com Joe, vou estar lá no horário combinado.
— Não vejo a hora , eu sinto tanto sua falta.
— Eu também, sweetheart. – Ele sorriu de lado. — Bom, eu preciso ir, temos a passagem de som agora.
— Tudo bem, eu preciso entrar de qualquer forma.
— Boa viagem, , nos vemos em breve.
— Obrigada, bom show. Mande um beijo para os meninos por mim.
Durante o longo vôo, pensava em como minha vida havia mudado em tão pouco tempo.
Primeiro: ter dormido com um dos meus ídolos; segundo: me envolver romanticamente com ele ao ponto de aceitar dividir o teto com o mesmo; terceiro: Paper Heart tinha sido bem aceita pelos fãs e tinha se tornado o mais novo sucesso da banda.
Em poucos meses iniciaria uma nova etapa importante da minha vida: uma nova faculdade, novos colegas, novas experiências, a vida que eu sempre sonhei e que nunca teria acontecido se não fosse pelo encorajamento que me dava. Apesar dos anos mais novos, havia me mostrado o mundo por uma outra perspectiva, de uma forma que eu nunca tinha me dado conta antes de conhecê-lo. Diria que me ajudara a me achar como pessoa e como profissional, ele me deu o empurrãozinho que eu precisava para colocar minha vida de volta nos trilhos, onde realizações já não eram apenas sonhos perdidos.
Durante o vôo, Ethan e eu revisamos alguns artigos de veterinários renomados que dariam palestra no Workshop mais importante de toda minha vida, fazíamos anotações e discutíamos vez ou outra algum tópico que era de nossos interesses. Meu coração doía em pensar abrir mão da minha profissão, eu aprendi a amar aquilo tanto quanto eu amava a música e cogitava em não abandonar completamente a veterinária. Ethan me deu bons conselhos que com certeza eu levaria em consideração.
O rapaz, nascido a Birmingham, sonhava em ter seu próprio espaço e já tinha começado a pôr em prática alguns projetos que vinha trabalhando ao longo de sua carreira. Seria coincidência demais Ethan estar abrindo uma clínica poucos minutos de onde eu moraria com ? Eu preferia acreditar mais uma vez no destino. O longo vôo finalmente chegava ao fim, nos endireitamos em nossos assentos e esperamos pacientemente para que o avião pousasse no aeroporto de Sidney.
Esperamos bons vinte minutos para que nossas bagagens aparecessem na esteira rolante e pudemos, finalmente, passar pela imigração.
Havíamos toda papelada necessária para comprovar o motivo da nossa visita no país, o controle rigoroso nos questionou diversas vezes sobre o real motivo de estarmos ali a fim de encontrar algum furo na nossa “história”, o que atrasou drasticamente nossa saída pelos portões de desembarque.
Não havia nenhum tipo de contato com desde nossa última ligação, o nervosismo tomava conta de mim quando imaginava que ele poderia ter se cansado de esperar e ido embora, então Ethan me abraçava de lado em forma de apoio emocional. Ele sabia o quanto minha ansiedade falava mais alto que minha razão na maior parte do tempo, tê-lo comigo naquele momento foi crucial para que eu me acalmasse antes que uma crise me atingisse em cheio.
Rolei os olhos pelo saguão do aeroporto assim que cruzamos os portões de desembarque, o grande aglomerado de meninas histerias me davam a confirmação de que ele estava ali. Não pude conter um sorriso tímido com o pensamento.
, tem certeza que ele veio? – Ethan me puxou dos meus pensamentos me fazendo acordar para a realidade. Estávamos bons minutos ali parados e nenhum sinal de ou alguém da equipe dos meninos.
— Ele me prometeu. – Respondi puxando mais forte o ar para meus pulmões enquanto continuava a olhar ao redor em busca de qualquer sinal do garoto.
— Você não acha que seria loucura? Ele é uma pessoa pública, o matariam aqui!
— Preciso tentar usar a internet. – Peguei meu telefone procurando algum sinal de Wi-Fi disponível.
— Senhorita ? – Uma voz masculina se fez presente e eu me virei rapidamente para o homem com uma farda azul marinho que tinha um pequeno pedaço de papel em mãos.
— Sim, sou eu.
— O senhor me pediu para que viesse até você. – Ele disse guardando o pequeno pedaço de papel em um dos bolsos. — Tinham muitos fãs no local e a polícia teve que intervir, o senhor à espera em uma de nossas salas privadas, quando estiver pronta te levarei até o local.
, eu vou chamar um taxi, nos vemos amanhã no congresso, tudo bem?
— Claro, me desculpe não te fazer companhia. – Respondi sincera me aproximando do rapaz e o abraçando. — Obrigada por me ajudar a passar por isso. – Sorri ao me afastar e recebi um sorriso tímido em resposta.
— Não se preocupe, é pra isso que servem os amigos, certo? – Ethan deu uma piscadinha antes de cumprimentar o policial e sumir no meio da multidão.
Respirei fundo tentando conter meu nervosismo e me virei para o policial, que subitamente começou a andar em direção ao interno do aeroporto.
Caminhamos por cinco ou seis minutos, entrando em uma espécie de labirinto, até chegar a uma porta de madeira clara, que foi aberta assim que o homem encostou um tipo de cartão magnético em um dispositivo ao lado do portal.
Assim que a porta foi aberta, encontrei sentado em uma poltrona preta com as pernas cruzadas, que balançavam em um ritmo frenético. Em mãos ele havia um buquê de girassóis.
Ele se levantou rapidamente assim que passei pela porta e corri em sua direção, envolvi seu pescoço enquanto seu braço livre passava por minha cintura. Inspirei profundamente o perfume que exalava de sua nuca e algumas lágrimas teimosas insistiram em cair.
— Meu Deus, eu senti tanta falta do seu abraço! – Foi a única coisa que consegui dizer quando seus braços me puxando para mais perto.
Ele riu e afastou um pouco a cabeça para me encarar, seus olhos transbordavam felicidade e vagavam por todo meu viso, seu sorriso complementava o conjunto da ópera e eu suspirava aliviada por estar ali.
Sem dizer nada, ele se aproximou mais até que nossos narizes se encontrassem, nossas respirações estavam falhas na mesma sincronia. Ele depositou sua mão livre em minha nuca e me puxou para um beijo. Nossas línguas dançavam no mesmo ritmo, nossos corações podiam ser sentidos um pelo outro de tão forte que batiam naquele momento. Foram longos minutos que nossas bocas passaram juntas, nos separamos apenas quando o ar começou a ficar pesado demais para que respirássemos de uma forma normal.
— Eu não quero passar nem mais um dia sem você. – Ele disse com a testa colada na minha.
Sentia as bochechas doerem pelo tamanho e intensidade do meu sorriso, era impossível não sorrir em sua presença.
Nos afastamos quando ouvimos algumas batidas na porta e o mesmo policial, que havia me levado até ali, apareceu perguntando se estávamos prontos para sair. me entregou os girassóis e depositou um beijo no topo da minha cabeça.
— Foi bem mais fácil de encontrá-los aqui. – Comentou enquanto entrelaçava nossos dedos e, com a mão livre, puxava minha mala.
Eu ainda continuava embasbacada com um sorriso de orelha a orelha.
Fomos escoltados até um parte afastada do estacionamento, enquanto grupos e mais grupos de pessoas continuavam a nos seguir. Gritavam, cantavam, muitos flashes eram disparados em nossa direção. apenas sorria em resposta enquanto continuava caminhando tranquilamente ao meu lado.
— Eles não cansam nunca. – Ele pontuou quando entrou no carro preto que nos esperava.
— É claro que não, você tem noção do quanto você é famoso? – Perguntei rindo.
— Eu só queria buscar minha namorada no aeroporto, não é pedir demais.
— E você fez, obrigada por isso.
— Pensei em algo romântico, sabe? – Ele perguntou retoricamente gesticulando um tanto exagerado com as mãos. — Você passando pelo portão de desembarque, eu com um buque de flores. Você corria até mim, pulava em meus braços, o buque caia no chão e a gente se beijava apaixonadamente enquanto alguém olhava para nós nos invejando. – Ele falava rápido demais e mal parava para respirar, eu ria da sua expressão de indignação e ele franzia ainda mais as sobrancelhas.
— Fui escoltada por um policial até uma sala privada, esse era o sonho da minha vida! – Respondi brincalhona e fui seguida por suas risadas.
— É bom te ter por perto, sweetheart, mesmo que por tão pouco tempo. – entrelaçou nossos dedos os encarando antes de voltar seu olhar pra mim.
— É melhor do que nada. – Respondi me aproximando e depositando um selinho em seus lábios.
Ao chegar no hotel, meu corpo pedia um banho bem quente, apesar do verão escaldante de Sidney, e uma cama bem macia que me levasse para outra dimensão.
me acompanhou no banho, o que nos rendeu boas horas na banheira entre brincadeiras, conversas e sexo. Saímos do local apenas quando a água fria nos fez desistir de continuar ali, nossos dedos enrugados e meus olhos se fechando sem minha permissão.
— Você vem no show de hoje? – Ele perguntou se acomodando ao meu lado na grande cama king size.
— Eu quero muito mas não sei se vou conseguir acordar. – Respondi sincera entre um bocejo.
— Tenta? Por favor? É importante pra mim que você esteja lá. – sabia ser convincente quando queria.
— Quantas horas tenho pra dormir?
— Se você quiser dormir agora, umas cinco ou seis. – Ele respondeu pensativo.
— Então te vejo mais tarde. – Ri enquanto beijava a bochecha do garoto, que resmungou divertido antes de me envolver na conchinha mais confortável do mundo.
! Nem acredito que você está aqui! – Ouvi exclamando um pouco alto demais. Ele saiu do elevador, estabanado, empurrando os outros meninos, que reclamavam antes de seguirem o amigo. — Senti sua falta, garota, como vão as coisas?
— Não tem nem três meses que entramos em turnê, cara. – resmungou um pouco mais atrás
— Não posso sentir falta da minha amiga? – respondeu com um tom ofendido antes de me envolver em um abraço.
— Nem fez esse escândalo todo. – disse se aproximando e me cumprimentando.
— Ele só não conseguiu dormir e passou a semana fazendo contagem regressiva. – retrucou arrancando risadas dos amigos e corou.
— Garotos, vamos? A van já está lá fora. – Vi Joe se aproximar do grupo com uma prancheta na mão e o celular na outra. — Oi , você vem com a gente?
— Se não for um problema...
— É claro que não, mas precisamos nos apressar, estamos... oito minutos atrasados. – Ele disse encarando o relógio.
Joe era metódico demais no trabalho, cada minuto desperdiçado fazia o homem enlouquecer.
Na van, os últimos detalhes foram acertados antes dos meninos começarem seu ritual pós show. Algumas latinhas de cerveja foram oferecidas a nós e um brinde por aquele momento foi feito.
perguntava de Lindsay e dizia o quanto sentia falta da namorada, que gostaria de levá-la junto com ele na próxima turnê. Eu ria enquanto ouvia seus planos futuros que envolviam um casamento, ele bancando minha amiga e ela o seguindo com a banda ao redor do mundo.
escutava todo o conto de fadas planejado do amigo e vez ou outra fazia algum comentário sarcástico, deixando vermelho de raiva.
Não entendia o motivo pelo qual os garotos se alfinetavam, era estranho porque eram inseparáveis e nunca haviam tido se quer uma discussão em todos os anos de banda.
— Eles estão trocando farpas ultimamente. – falou baixo para que só eu pudesse escutar. — Desde que você disse que viria. Acho que na verdade ficou ressentido porque não pode ver a Lindsay até o fim da turnê e acaba descontando no .
— Sério? – Respondi atônita. — Se eu soubesse que isso causaria intriga entre vocês eu não viria. Quer dizer, eu viria pra Sidney mas não para o show.
— Claro que não, você é nossa amiga, é namorada do e é mais do que justo que você venha conosco.
— Garotos, estamos chegando. Comecem a juntar suas coisas, estamos atrasados. – Joe gritou ao lado do motorista e rapidamente os meninos se organizaram para saírem da van.
Não assisti a passagem de show dos garotos, estava cansada demais e aquilo me dava ainda algum tempo descanso. Me acomodei em um sofá que fazia parte de um dos camarins e adormeci em questão de minutos.
Fui acordada com os beijos de por toda extensão do meu pescoço e sorri quando me dei conta do efeito que aquilo estava me causando.
, você tem um show em alguns minutos. – Resmunguei enquanto lutava contra minha preguiça.
— Sexo antes do show, uma coisa que eu nunca fiz. – Ouvi sua voz um pouco mais distante e seus dedos ágeis abrirem o zíper do meu jeans. Ri me contorcendo ao sentir o contato dos seus dedos próximos da minha zona erógena mais sensível.
— Sabe, toda vez que eu entro em um camarim eu lembro de você. – Ele comentou subindo novamente até meu pescoço enquanto sua mão adentrava minha calcinha.
Soltei um gemido fraco e me acomodei melhor no sofá. — Você gemendo, se contorcendo toda contra aquela parede... – continuava falando com um ar sedutor, beijando e mordiscando a extensão do meu pescoço enquanto deus dedos brincavam com minha intimidade. — Toda molhada... – Senti dois de seus dedos escorregando para dentro de mim e arfei cravando as unhas em suas costas. — Exatamente como agora.
O puxei para mim e o beijei enquanto tentava despi-lo o mais rápido possível.
Nossas roupas caíram de qualquer forma ao lado do sofá e me apressei em me sentar sobre seu membro, reproduzindo uma das cenas em que estrelamos no camarim do show em São Paulo.
Nossos gemidos abafados se misturavam, o suor escorria sobre nossas peles e eu sentia que estava próxima ao meu ápice. Mais algumas estocadas e senti se derreter dentro de mim, enquanto seus dedos me estimulavam para que eu o acompanhasse logo em seguida.
— Não consigo me cansar disso. – Comentei próxima ao seu ouvido.
— Não consigo me cansar de você. – respondeu. Eu era aquela que imitava sempre suas falas, ele acabou pegando de mim essa mania, me fazendo gargalhar.
Alguém bateu na porta avisando que o show estava para começar e que deveria se juntar ao resto da banda.
Nos enxugamos rapidamente em uma das dezenas de toalhas que formavam uma pilha ao lado do sofá e nos apressamos em nos arrumar.
me beijou rapidamente antes de cruzar a porta de saída e eu me sentei novamente tentando recuperar o fôlego.
, você fica do lado esquerdo do palco, pode ser? – Joe perguntou da porta, assim que os meninos passaram indo em direção as escadas que os levariam até o palco.
Concordei me levantando e o segui pelo corredor branco até os meninos. Parei para cumprimentá-los e desejá-los boa sorte e logo me apressei até chegar ao local em que eu assistiria o grande espetáculo da noite.
Como de costume, os meninos estavam magníficos. Toda oportunidade que tinha, me lançava um beijinho no ar e eu me derretia toda, parecia algo que eu nunca me acostumaria sentir. O frio na barriga, as borboletas no estomago, os arrepios que me faziam entrar em transe...
— Boa noite Sidney! – cumprimentou o público depois das primeiras músicas do line up. A multidão gritava em resposta e eu via o sorriso estampado no rosto dos quatro meninos ali parados.
Os meninos tiveram um pequeno “diálogo” com o público e agradeciam veemente a presença de todos presentes ali.
Reconheci os acordes de Paper Heart dando início e meus olhos se encheram de lágrima, sorriu para mim antes de dar início à canção e fechou os olhos enquanto deixava a música falar por si.
Ouvir todas aquelas pessoas cantando minha música me fez perceber que aquilo era realmente o que eu gostaria de fazer pelo resto da minha vida. Eu cantava baixinho com as mãos no peito, sentindo as batidas do meu coração cada vez mais fortes e a emoção tomando conta de mim.
Aplaudi animadamente a banda quando a canção chegou ao fim e veio até mim e me puxou por uma das mãos, pedindo para que aplaudissem a artista por trás da letra.
O show deu continuidade e eu continuava vibrando a cada melodia, como se fosse a primeira vez que eu os via na minha frente.
Quando os meninos agradeceram o público e cantaram a última música, veio até mim me abraçando pela cintura e me levantando um pouco, enquanto respirava fundo na curva do meu pescoço.
— E ai, o que você achou? – Perguntou me soltando delicadamente.
— Eu acho que o vocalista tem uma quedinha por mim, acredita que ele me mandava beijinhos sempre que podia?
— Ele seria realmente louco se não tivesse se encantado por você. – Ele respondeu sorrindo. — Mas ele não tem chances com você, certo? Você é minha!
— Não me importaria de dar uns amassos nele no backstage. – Retruquei envolvendo seu pescoço e depositando um beijo no canto de sua boca.
— Vocês vão com a gente para a after party não vão? – perguntou logo após sair do palco, interrompendo nosso diálogo.
me encarou como se perguntasse o que eu preferia fazer. A resposta mais óbvia era que eu gostaria de me trancar no quarto com ele até a hora de ir para o congresso no dia seguinte, mas sabia a importância da confraternização dos garotos depois de cada show.
— É claro! Senti falta das festas do .


Capítulo 31

Como de costume, algumas meninas esperavam no corredor do camarim, ansiando pela oportunidade de um contato mais íntimo com os garotos.
Toda aquela situação me incomodava, sabia que no final de cada show a mesma cena se repetia e apesar de confiar em , não pude deixar de ser dominada pelo ciúme.
Os garotos fizeram algumas fotos com o grupo, autografaram CD’s e objetos pessoais das garotas e eu assistia tudo sentada um pouco mais afastada, fingindo interesse no meu celular e ignorando completamente os comentários maldosos direcionados ao meu namorado.
— Oi, você é a , certo? – Uma garota, que aparentava ser pouca coisa mais nova que eu, se aproximou me desvencilhando dos meus pensamentos possessivos.
— Oi, sou eu. – Me limitei em responder ao analisar bem a figura parada na minha frente. Seu cabelo escuro e comprido havia um brilho de dar inveja, seus olhos esverdeados se destacavam em sua pele clara e seus lábios finos cobertos por uma fina camada de gloss a deixavam com um aspecto quase angelical.
— Eu sou a Melannie, muito prazer. – Ela estendeu a mão em minha direção e eu finalmente liguei nome à pessoa.
Há alguns meses atrás, antes da banda dar início com a turnê mundial, havia comentado sobre uma garota nova na equipe de filmagem da banda, ela era uma estagiaria escolhida por Dean, o fotógrafo oficial dos meninos.
— Ah, sim, claro, muito prazer. – Sorri tentando parecer simpática ao meu julgamento interno pela nova integrante da equipe. Ela era bonita demais para estar junto ao meu namorado durante os meses de estrada.
— É muito bom te conhecer finalmente, fala muito de você, me questionava quando finalmente conheceria a famosa garota por trás dos sorrisos bobos dele. Ouvir o apelido de saindo da boca de uma total desconhecida me fez queimar por dentro, sentia um ciúme surreal me consumindo. Parecia que eram íntimos demais ao ponto de conversarem sobre suas vidas pessoais e aquilo me incomodava absurdamente.
Não tive tempo de responder, Joe entrou no camarim interrompendo a pequena reunião ali formada, pedindo para que o grupo de meninas se retirasse para que a banda pudesse deixar as dependências da casa de show.
seguiu o agente para fora enquanto falava ainda com Lindsay pelo telefone, o que era um ritual deles no final de cada show; acompanhou os dois, seguido por uma ruiva um pouco artificial demais pelo meu gosto a seu encalço; entrelaçou nossos dedos me levando com ele para fora e vinha logo atrás com Melannie enquanto conversavam entre eles.
, tudo bem? – perguntou depois de muito tempo de silêncio entre nós, enquanto o resto da equipe parecia se divertir na cobertura do hotel que os meninos estavam hospedados.
— Sim, por que não estaria?
— Além dessa sua resposta arrogante, o seu silencio e sua cara fechada desde que saímos da arena.
— Não é nada, sério.
— Você a pior mentirosa que eu já conheci. – Ele bufou virando o resto da cerveja que havia em mãos e caminhou em direção ao bar improvisado.
Bufei irritada e peguei meu celular para checar a hora, já era tarde e na manhã seguinte eu teria o dia atarefado por conta do workshop.
Rumei decidida para dentro da suíte a fim de tomar um banho e dormir, brigar com depois de tantos meses longe do garoto não fazia parte dos meus planos. Com meu banho finalizado, encontrei sentado na beira da cama com um semblante sério assim que sai do banheiro, respirei fundo já me preparando para o ataque que me esperava vindo da sua parte.
— É sério, o que você tem? – Perguntou cauteloso.
— Já disse que não é nada, eu estou cansada da viagem e amanhã preciso estar cedo no congresso.
— Eu te conheço e sei bem quando algo não está certo, você não esconde bem suas emoções.
— Essa Melannie... o quanto vocês são próximos? – Enfatizei a palavra e obtive um sorriso nasalado como resposta. — Contei alguma piada? – Perguntei erguendo uma sobrancelha.
— Eu imaginava que ela era a razão pelo qual você fechou a cara desde que saímos do camarim, mas queria ouvir de você suas especulações.
— Você acha que eu estou brincando?
, você sabe o que passamos por conta do Ethan, no final você me mostrou que ele não era nada além de um amigo pra você. – se levantou e caminhou em passos lentos em minha direção. — É a mesma coisa entre Melannie e eu, ela é uma boa amiga e uma excelente profissional.
— A diferença é que eu sempre falei do Ethan pra você e fiz questão que vocês se conhecessem, já essa sua amizade repentina com essa garota foi uma novidade pra mim.
— Eu sou louco por você e já te dei provas disso. – Ele disse envolvendo minha cintura e me puxando para mais perto. — Consegue sentir o que você faz comigo só de te ver assim enrolada nesse roupão? – Pressionou mais seu quadril contra o meu e pude sentir sua excitação roçando sem nenhuma delicadeza o pano grosso que dividia nossos corpos. — Eu sei o quanto é difícil pra você poder confiar em mim, já te dei motivos para isso, mas foi há muito tempo atrás, eu falo sério quando digo que não vejo minha vida sem você e é você quem eu quero.
— Não posso ficar com ciúmes do meu namorado rockstar que eu tenho que ficar longe por meses enquanto várias garotas tentam dormir com ele e, pra piorar, que tem um novo membro na equipe que eu mesma dormiria com ela sem pensar duas vezes?
— Se você quiser dormir com a Melannie saiba que terá sérios problemas com . – Ele riu e abaixou um pouco a cabeça.
— Então por você tudo bem se eu der uns pegas nessa garota? – Entrei na brincadeira vendo morder o lábio inferior, provavelmente pensando na cena em que eu acabara de descrever.
Sweetheart, você acha mesmo que ela, ou qualquer outra pessoa, pode te fazer sentir esse arrepio que você está sentindo agora só de ter minha mão em contato com sua pele? – Ele perguntou adentrando a abertura do roupão e arranhando levemente a região recém descoberta da minha barriga. — Ou que vai te fazer ficar assim, toda molhada, tão facilmente? – Sua mão desceu lentamente até minha intimidade, acariciando delicadamente àquela região e me fazendo soltar um suspiro pesado. — Você pode até tentar, mas ninguém vai te foder como eu.
Não foi preciso mais nenhuma palavra entre nós, nossos lábios se encontraram com uma certa urgência e em poucos segundos meu roupão se encontrava sob meus pés. me pegou no colo, me fazendo cruzar as pernas em volta do seu quadril, e me imprensou contra a primeira parede que estava em seu campo de visão.
Seus beijos, famintos por mais, se alternavam entre meus lábios, pescoço e seios, eu gemia contidamente ansiando por mais contato, já que estava ainda perfeitamente vestido. Descruzei as pernas como um pedido para que ele me colocasse no chão e, rapidamente, desabotoei seus jeans surrados e me ajoelhei na sua frente, encarando seu membro ereto pulsando por contato.
Me empenhei ao máximo para dar a ele o prazer suficiente que ele precisava naquele momento, enrolou uma das mãos em meus cabelos enquanto eu o chupava e o encarava da forma mais promiscua que eu podia, vendo sua expressão de contentamento enquanto gemia baixo e jogava a cabeça para trás.
Em um movimento rápido fui puxada para cima e, praticamente, arremessada na cama, enquanto ele terminava de se despir e se unia a mim. Sentia que estava perto de chegar ao meu orgasmo quando saiu de dentro de mim e se colocou entre minhas pernas, me olhando travesso antes de se deliciar com o suco que era expelido do meu íntimo. Um único e alto suspiro foi o suficiente para que o garoto voltasse a me penetrar antes de chegar ao prazer e seu corpo amolecer ao meu lado.
Precisamos de alguns minutos para que pudéssemos recompor nossa respiração ofegante e nos encarássemos antes de cair na risada.
— Às vezes não acredito no poder que você tem sobre meu corpo. – Assumi sincera sentindo o garoto me envolver em um abraço apertado.
— É pedir muito ter você na minha cama todos os dias? – Perguntou quando eu me acomodava em seu peito e sentia seus dedos deslizando calmamente por toda a extensão da minha coluna.
— Alguma força superior já tem sido generosa o suficiente com a gente, não vamos exagerar. – Sorri e ergui um pouco o olhar, encontrando aqueles olhos castanhos intensos que exalavam satisfação.
— Não quero que você se preocupe com fãs, groupies, Melannie... ninguém me faz me sentir assim tão bem quanto você me faz , você é tudo o que eu preciso. – declarou entrelaçando nossas mãos e sorrindo de uma forma meiga que eu nunca havia visto antes.
— E-eu... - Gaguejei ao me dar conta do que estava prestes a confessar, os segundos pareceram infinitos enquanto um filme passava pela minha cabeça e eu me dava conta que estávamos juntos há quase um ano e nenhum dos dois ainda tinha proferido as três palavrinhas mágicas capaz de mudar um relacionamento. — Eu não queria estar em nenhum outro lugar agora e nem daqui há um ou dois anos, não sei, eu estou exatamente onde eu gostaria de estar.
sorriu ainda mais, analisando cada linha de expressão do meu rosto.
— Eu sei que não era isso que você queria dizer...
— Odeio como você consegue me ler tão bem. – Sorri envergonhada me escondendo entre seu pescoço e o travesseiro e ele riu junto comigo. Levantei o rosto e depositei um selinho demorado sobre seus lábios antes de me afastar e encará-lo novamente.
“Eu te amo.” – Dissemos juntos. As risadas tomaram conta novamente do cômodo e balançávamos a cabeça em contradição.
— Eu disse primeiro! – Exclamei.
! Não vale, falamos juntos.
— Mas eu quis dizer antes, só não tive coragem...
— Você não faz idéia de quantas vezes eu falei que te amo na minha cabeça, enquanto você dormia ou enquanto nos encarávamos sem dizer nada. – , em mais um momento de sentimentalismo, confessou sorrindo abobalhado.
— Eu te amo! – Falei mais alto. — Meu Deus, eu te amo tanto!
Eu repetia enquanto enchia seu rosto de beijos e sua risada me fazia sorrir.
Foi naquele dia que eu me entreguei cento por cento a . A primeira vez que eu dei a ele aquilo que faltava para consumarmos com excelência nossa relação.
O medo, a angustia, o pavor, o nervosismo... simplesmente desapareceram no exato momento em que nos declaramos naquele quarto de hotel.
Eu sabia o quanto ele curtia aquele tipo de relação carnal e em uma das nossas conversas, lá em São Paulo ele havia me confessado.

10 meses atrás, São Paulo.

— É sério, você pode me perguntar qualquer coisa. – dizia enquanto nos deliciávamos com os pães de queijo fresquinhos que complementavam nosso café da manhã.
— Promete que você não vai rir?
— Pergunta logo antes que eu desista desse jogo.
— Uma vez eu ouvi dizer uma coisa sobre vocês, Ingleses, e bom, algumas amigas que visitaram a Inglaterra me confirmaram que esse fato é verídico...
, eu estou ficando curioso...
— Ok, ok, eu vou falar... é que eu fico com vergonha, sabe?
— Vergonha? De mim? – Perguntou arqueando as sobrancelhas com uma expressão incrédula. — Acho que você não deveria ter vergonha de mais nada depois do que a gente fez nesses dois dias. – Finalizou e senti minhas bochechas corando.
— Você é um idiota.
— E você fica ainda mais linda com vergonha.
Tentei mudar de assunto mas o rapaz estava irredutível em saber sobre minha pergunta misteriosa.
— Ok, você venceu. – Respirei fundo e tentei não corar outra vez. — Bom, me falaram que vocês são bem aptos ao sexo anal e eu tive amigas que tiveram problemas com alguns garotos por conta disso... é verdade?
— Era essa a pergunta que você não queria fazer? – Ele ria e eu me arrependia profundamente de ter tocado naquele assunto.
— Esquece, vamos..
. — Não, eu quero responder.
— Então...?
— Sim, a maioria das garotas são liberais e, bom, não podemos reclamar.
— Hum...
— E tenho certeza que você está se perguntando se eu já fiz. – Ele afirmou.
— E já?
— Se eu dissesse que não eu mentiria. – Deu de ombros. — E você? Já fez? Não é que vocês brasileiras tenham uma fama diferente da nossa.
! – Dei um tapa em seu ombro fazendo o garoto rir.
— Então, , você já fez sexo anal?
— NÃO! Deve ser a pior sensação do mundo, não sei como tem gente que sente prazer em fazer
. — Se você quiser tentar... – sorriu pervertido e eu revirei os olhos. — Não, obrigada, deixo isso pra vocês masoquistas.
— Tenho certeza que você iria gostar e não me importaria de te apresentar a essa sensação incrível.
— Falando assim parece que você foi o passivo da vez.
— Claro que não! É só que é prazeroso de uma forma diferente, sabe? As meninas costumam gostar.
— Não quero saber sobre sua vida sexual depravada !
— Foi você quem começou
. — Podemos mudar de assunto, não estou nem um pouco confortável com esse.
— Tenho certeza que um dia você vai mudar de idéia e quando você mudar, não deixe de me avisar. – Ele sorriu lançando um beijinho no ar e eu dei língua a ele como resposta.
Se realmente gostaria de me ver futuramente e, hipoteticamente, tivermos um relacionamento, será que ele me cobraria tal coisa? Só a idéia me apavorava e eu tinha certeza que ele deveria se contentar com o que eu estava disposta a, literalmente, dar a ele.


Acordei me sentindo a mulher mais feliz do mundo naquela manhã, dormia serenamente e havia um singelo sorriso nos lábios, fui direto tomar banho e me trocar, em algumas horas dava início a maratona frenética de palestras que preencheria toda minha semana em Sidney.
Fiquei com pena de acordar o garoto que parecia estar em transe e desci para o refeitório para comer alguma coisa antes de chamar o taxi. Me sentei em uma mesa afastada a fim de ter um pouco de tempo para me preparar psicologicamente para os estudos, abri meu notebook e comecei a ler a primeira parte do cronograma da semana. Fui interrompida com uma voz fina que perguntava se poderia se juntar a mim e não pude deixar de sorrir envergonhada para a garota que já fazia menção de se sentar.
— Bom dia ! – Eu jurei para mim mesma que daria uma chance a garota, afinal, além de trabalhar na equipe, começava a se envolver com um dos meus melhores amigos e nada mais justo que eu me aproximasse dela. Porém, ninguém poderia estar feliz as oito da manhã de uma segunda feira.
— Bom dia Melannie, o que faz acordada tão cedo?
— Dean me pediu para explorar alguns pontos turísticos da cidade e fazer o máximo de fotos possíveis, ele quer testar minhas habilidades fora do estúdio ou alguma coisa assim.
— Entendo. Bom, espero que você obtenha excelentes resultados.
— Obrigada, esse trabalho é muito importante pra mim. Trabalhar com o Dean é tipo um sonho e eu quase não acreditei quando fui selecionada.
— Ele é realmente um fotografo de qualidade. – Buscava profundamente algo para dizer ou responder a garota de forma sincera, mas tudo parecia trivial demais, eu realmente não era boa em fazer amizades com o sexo feminino.
— Sim. – Ela se limitou e sorriu, dando início a sua refeição.
O tempo pareceu se arrastar enquanto falávamos sobre a experiência da garota com a banda, eu tentava de todas as formas parecer interessada mas tudo o que conseguia fazer era algum comentário inútil sobre qualquer coisa.
— Então, você e , huh? – Perguntei sem pensar demais. Na verdade eu queria muito saber, dele, o que vinha acontecendo com a garota, mas a oportunidade me pareceu propícia e eu vi ali uma forma de criar algum laço com ela.
— É... – Ela respondeu tímida e notei que um sorriso tímido se formou em seus lábios enquanto ela tentava disfarçar olhando para o prato. — Ele é um garoto legal, estamos nos conhecendo melhor.
— Ele é uma das melhores pessoas que eu conheci na vida, é um dos meus melhores amigos, sabia?
— Eu sei, fala muito de você pra mim, é como se eu já te conhecesse a vida toda. – Sorriu. Minha expressão certamente era de felicidade em saber que ela conhecia minha posição na vida dos meninos. — Bom e tem o e o com sua amiga, Lindsay, certo? Que também me falaram muito bem de você. Assim como e até mesmo Joe, bom... o que dizer, eu sinto como se fosse sua amiga por tabela.
— Parece que você se informou bastante. – Pontuei sorrindo.
— Passamos grande parte do dia juntos, então eu sempre vejo os meninos falando com vocês no telefone ou por mensagens e a gente acaba conversando, foi inclusive assim que me aproximei do . – Ela tagarelava demais mas parecia ser sincera em tudo o que dizia.
— Você parece gostar dele, você sempre sorri quando fala o seu nome.
— Está tão na cara assim? – Melannie tampou o rosto com as mãos tentando controlar a vergonha.
— Se bochechas coradas e sorrisos bobos significam alguma coisa, então sim. – Rimos em uníssono.
— Estamos indo devagar, sabe? Ainda não rolou nada entre a gente mas eu não vejo a hora, parece tão...
— Certo?
— Isso! Parece tão certo. me faz me sentir confortável, feliz, e acho que ele, de alguma forma, também sente algo por mim.
— Prometo que vou me informar sobre isso. – Comentei sentindo, pela primeira vez, sinceridade em minhas palavras.
— Ai, eu tenho medo, cuidado com o que você vai falar.
— Não se preocupe, eu já disse, ele é um dos meus melhores amigos. Ainda não tivemos tempo de conversar mas hoje assim que sair do congresso nós vamos sair um pouco, você deveria vir conosco.
— Jura? Sério, se não for um problema eu adoraria acompanhá-los.
— É claro, esse é meu telefone. – Peguei um pedaço de papel e escrevi meu número. — Me manda uma mensagem mais tarde, assim te deixo informada dos nossos planos, pode ser?
— Obrigada, , você é ainda mais adorável do que eles disseram.
— Imagina. – Fui interrompida com uma vídeo chamada de Ethan. — Desculpa, tenho que responder.
A garota apenas acenou com as mãos e pegou seu próprio celular, gravando meu número e se distraindo com suas coisas pessoais.
, você quer que eu passe para te buscar ou nos vemos diretamente na universidade?
— Nos vemos lá, eu pego um taxi e em vinte minutos chego.
— Tudo bem, não se atrase, Eliza já está estressada demais com a palestra que ela tem que dar e fez questão que toda a equipe esteja presente.
— Não se preocupe, assim que acabar de tomar meu café da manhã eu saio daqui. Desligamos e dei continuidade a conversa que estava tendo com Melannie. Me sentia um pouco mais confortável com a presença da garota e estava curiosa em saber mais sobre ela.
Pouco tempo depois, , e adentraram o restaurante e se acomodaram na mesa em que estava sendo ocupada por Melannie e eu.
— Onde está o outro membro do quarteto fantástico? – A garota perguntou e eu não pude controlar uma risadinha.
está em uma chamada com Lindsay. – Respondeu me dando um selinho assim que se sentou ao meu lado. — Quando começam a conversar você pode esquecer da existência deles.
— Você e não são assim tão diferentes, cara. – Retrucou arrancando algumas risadas do grupo, ele estava completamente certo.
— Bom, que horas você fica livre ? – Perguntou .
— Visto que a namorada é minha, eu que deveria fazer essa pergunta, você não acha? – comentou brincando.
— Desculpa, não dirijo mais a palavra à minha melhor amiga, sua namorada, antes de pedir sua permissão Vostra Majestade.
— Eu senti tanta falta de vocês! – Abracei os dois garotos que ocupavam as cadeiras ao meu lado.
— Sério, eu vi um pub bem interessante no tripadvisor e queria muito conhecer. – virou para nós o celular onde mostrava algumas pesquisas que havia feito recentemente.
— Minha última palestra é às três da tarde, então estarei livre lá pelas cinco. – Respondi checando a planilha de horários no notebook.
— Passamos para buscá-la então, tudo bem? – perguntou me abraçando de lado e me dando um selinho.
— Ótimo. – Respondi e me virei para a garota que parecia petrificada na cadeira. — Melannie, por que não vem com a gente?
— Sério? Não tem problema? Porque eu gostaria muito...
— Claro que não, vai ser muito bom ter sua companhia. – disse interrompendo a garota e corou subitamente, arrancando risadinhas de nós e tentando esconder a vergonha.
— Bom, foi muito bom estar com vocês mas eu preciso ir antes que me atrase. – Me levantei me despedindo de e Melannie antes de me virar para e abraçá-lo apertado. — Você tem muita coisa para me contar. – Sussurrei em seu ouvido e recebi uma piscadinha como resposta.
— Eu te levo, Joe deixou um carro à nossa disposição. – entrelaçou nossos dedos e caminhamos até o estacionamento, onde o motorista que havia me buscado no aeroporto já se encontrava do lado de fora.
— Nunca vou me acostumar com essas regalias. – Comentei divertida ao entrar no carro.
— É melhor ir se acostumando sweetheart, você vai tê-las pro resto da sua vida.
Corei com sua resposta, pensar em ficar pra sempre ao lado de parecia sonhar alto demais, apesar da idéia me dar calafrios e um sentimento maravilhoso crescer dentro de mim só de me imaginar ao lado dele com algumas cópias de nós dois correndo no jardim.
— Eu te amo, .
— Você é maravilhosa, eu te amo sweetheart. – Nossos lábios se encontraram rapidamente antes do motorista entrar no carro e dar partida, nos guiando até meu destino final.


Continua...



Nota da autora: Oiiiii... tava pensando aqui, qual a banda que vocês colocaram como fandom? Matem essa minha curiosidade porfavorzinhoooo.
Tem sido difícil finalizar a fic, confesso que tenho ainda tantas idéias para colocar na história mas to morrendo de medo de ser uma fic de 150 capitulos...
Não esqueçam de comentar, é muito importante ter a opinião dos leitores, dá um gás a mais, sabe?
Espero que vocês estejam curtindo, eu to só amor por esse PP, coisinha mais fofa do mundooo. <3



Eu não escrevo nenhuma dessas fanfics, apenas scripto elas, qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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