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Última atualização: 31/12/2020

Prólogo

"Homeostasia é usado, pelos fisiologistas, para definir a manutenção de condições quase constantes no meio interno. [...] São os meios pelos as diferentes partes do corpo operam em harmonia. É o estado de equilíbrio entre as reações corporais”.


Agosto - 1991


Era manhã de uma sexta feira, quando Cedrico acordou sentindo o peso da irmã mais nova sobre si, abriu um olho tentando acostumar-se com a claridade, mas foi interrompido ao assustar-se com os gritos da garota.
— Minha carta, Ced! Eu vou pra Hogwarts! — Cedrico sentou e cobriu os olhos com as mãos, bufando irritado, mas logo bagunçou os cabelos da irmã e sorriu, fazia algumas semanas que a garota acordava antes de todos para ver se a carta dela havia chegado.
— Você grita mais que uma mandrágora, sabia?
— Ei! Eu vim te contar essa novidade incrível e você ainda me ofende? — a mais nova o olhou indignada arrancando-lhe risos. Sempre dramática. — É sério, Ced, você foi o primeiro que eu contei.
— Não é como se a mamãe e o papai não tivessem ouvido seus berros, . Estou feliz por você, finalmente não vai morrer de saudades de mim durante o ano todo.
— Não sei do que está falando… — fingiu não se lembrar do primeiro ano do irmão em Hogwarts, quando ela chorou dizendo que ele iria se esquecer dela e quis se esconder em um de seus malões.
Os irmãos Cedrico e Diggory eram melhores amigos desde sempre, nunca foram do tipo de irmãos que encrencam e brigam com o outro o tempo inteiro, até porque, Cedrico conhecia o jeito desaforado da irmã, e desarmava ela com seu carinho e gentileza. Mesmo com o irmão longe, mandava cartas e mais cartas, não tinha um dia que ela não falasse para os pais o quanto esperava que as férias ou o natal chegassem, para ver logo o irmão e ouvir tudo o que ele havia aprendido e todas as aventuras dele pelo castelo. E a recíproca era verdadeira, não havia ninguém entre os colegas de Cedrico que não conhecesse , visto que o garoto também falava muito dela.
— Que gritos são esses, o que houve? — Taís Diggory escorou na porta, ainda de camisola, com a mão no peito e ligeiramente assustada. Amos apareceu logo atrás, coçando os olhos. Logo a mulher sentiu pequenos braços rodeando sua cintura e em seguida, pegou o papel que a pequena chacoalhava.
— Prezada Srta. Diggory. Temos o prazer de informar que vossa senhoria tem uma vaga na escola de magia e bruxaria de Hogwarts…
— MINHA GAROTINHA VAI PARA HOGWARTS! — Taís não precisou terminar de ler para que Amos rodopiasse a menina no ar. — Tenho certeza que irá para a Lufa-lufa…
— Papai, eu não acho que… — começou a garota ao ser colocada no chão, mas foi interrompida por um "shh" do pai.
— Nunca subestime o chapéu seletor, querido. Não crie expectativas para não se aborrecer e aborrecê-la também. — Taís disse para o marido antes de abraçar a menina – Parabéns, filha! Estou muito feliz e orgulhosa de você!
— Bobagem… Todos nós fomos, porque ela não iria?
— Eu não consigo imaginar em qual casa cairá… Mas as possibilidades são bem amplas, pai. — Cedrico deu de ombros enquanto sorria. É claro que Amos não iria escutá-los, e criaria todas as expectativas possíveis.


Um - Hogwarts

Setembro - 1991


Os preparativos para o início do ano letivo passaram e logo os Diggory estavam na plataforma 9¾, levando, dessa vez, os dois filhos para embarcar no Expresso de Hogwarts. , metódica e falante que era, repassava pela terceira vez um checklist de seus pertences e materiais com a mãe, que já sentia no peito o aperto de saudade da filha.
— Por mais impossível que pareça por essa sua neurose, se você esquecer algo a mamãe manda pela Bilks, ! — Cedrico disse rindo da mais nova.
— Não acho que esqueci nada. — a garota deu de ombros e ouviu o apito do trem, arregalando os olhos de susto.
— Boa sorte, meu amor, sei que você vai se dar bem em Hogwarts, já estou muito orgulhosa! — Taís disse abraçando a filha e dando um beijo demorado no topo de sua cabeça. – E, por Merlin, não se meta em problemas!
— Tenha um bom ano, . — Amos disse somente, dando um beijo na testa da menina, que sorriu fraco e assentiu.
— Cedrico, cuide da sua irmã! — Taís pediu enquanto o ele riu concordando.
— Ei, eu sei me cuidar, ok? — fez uma careta arrancando risos dos outros três.
— Esse ano o quadribol é seu! — Amos apontou para o filho, que concordou e o abraçou empolgado. Logo o apito soou novamente, apressando os mais novos para entrarem no trem.
— Ei, Diggory! — um garoto magricela de cabelos castanhos claros, beirando um tom loiro e olhos escuros, gritou a algumas cabines de distância dos irmãos, chamando-os com a mão.
se sentia desconfortável, por não conhecer ninguém além de Cedrico, e em partes intrusa, por não conhecer os amigos do irmão, recordava pouco das coisas que o irmão a contava. Sem pensar em outra escolha cabível, a garota decidiu seguir o irmão.
Na cabine estava o castanho/loiro que havia gritado por Cedrico, um garoto de pele escura com cabelos escuros e curtos (e um sorriso bem bonito, diga-se de passagem) e dois garotos ruivos idênticos, que pareciam familiares para a garota.
— Finalmente vamos conhecer pessoalmente a famosa ! — o garoto de cabelos claros estendeu a mão para ela. — Sou Brian Cadwallader, esses são Jadrien Summers, Fred e Jorge Weasley.
— Eu sou o Fred e ele é o Jorge — o garoto, agora apresentado como Fred, explicou antes que questionasse quem era quem, apontando respectivamente para si e para o irmão, sentado em sua frente. — Tá tudo bem, até nossa mãe confunde.
— Weasleys, vocês são quase nossos vizinhos! — verbalizou alto demais quando se lembrou de onde se conheciam, suas bochechas ruborizaram e arrancou risadas dos garotos. — Desculpem, sou , irmã desse idiota aqui, mas acho que vocês já sabem…
— Que ele é idiota ou que é irmã dele? — Jadrien perguntou recebendo um soco no braço de Cedrico, que se sentou perto dele.
— Creio que os dois.
A conversa fluiu e logo os garotos e pareciam ser amigos de anos. A senhora que vendia doces passou e todos aproveitaram para comprar algo.
— Para qual casa acha que vai ? — perguntou Jorge.
— Claro que ela irá pra Lufa-lufa. — Brian disse como se fosse óbvio. riu enquanto separava os feijões por cor, uma mania estranha que a impedia de comer sem organizar antes. Brian parecia até seu pai falando, ela engoliu a seco só de pensar.
— Eu realmente não sei… Não sendo a Sonserina tá bom pra mim. — ela deu de ombros, sabia da fama da casa, não era isso que a influenciava, ela apenas achava que as características dessa não pareciam nada com ela, sabia que se irritaria com as pessoas hostis que Cedrico dizia ter lá.
— Eu aposto que ela vai ser da Grifinória. — Fred disse de forma engraçada por estar com sapos de chocolate na boca. — É a melhor casa!
— Bagman não teria apostado. — Jadrien disse rindo junto com Brian e Cedrico.
— Grifinória melhor casa? Poupe-nos! — Cadwallader gargalhava.
— Acho que vou trocar minhas vestes… — comentou baixo com o irmão, enquanto os outros quatro ainda discutiam, ela não tinha uma casa para defender ainda. O mais velho apenas assentiu.
demorou a achar uma cabine vazia, fechou a porta e as cortinas e se trocou logo, imaginando qualquer um podia entrar ali. Ao sair, deparou-se com uma garota de cabelos castanhos cheios, que também já usava o uniforme, claramente procurando por algo.
— Oi, com licença, está procurando algo? Se quiser posso ajudá-la. — ela chamou a atenção da menina que assentiu com uma expressão simpática. — Sou , Diggory.
— Hermione Granger. — elas apertaram as mãos — Um garoto chamado Neville Longbottom perdeu seu sapo, estou ajudando a procurá-lo, pode vir comigo se quiser. Vou começar a perguntar nas cabines.
— Claro, vamos.
já havia perdido as contas de quantas cabines haviam perguntado, até que escorou no lado direito da porta de uma cabine onde estavam dois garotos, um ruivo, que reconheceu como mais um de seus vizinhos e outro com cabelos escuros, óculos remendados com fita e os olhos verdes mais verdes que já vira na vida. Hermione encostou do lado oposto.
— Sol… — Weasley ia dizendo, quando se deparou com as meninas paradas o encarando, logo encarou de volta confuso, a garota de cabelos volumosos parecia varrer a cabine com os olhos, procurando por algo.
— Alguém viu um sapo? — perguntou — Um menino chamado Neville perdeu o dele.
— Não, ele passou por aqui e já dissemos. — o ruivo respondeu franzindo o cenho.
— Você está fazendo magia? — Hermione perguntou — Essa eu quero ver!
Ele pigarreou sob olhares atentos, parecendo desconfortável e começou.
— Sol, margaridas, amarelo maduro… Muda para amarelo esse rato velho e burro. — nada aconteceu, o rato continuava apagado, dormindo completamente.
— Tem certeza de que isso é um feitiço? — perguntou segurando o riso em respeito ao garoto.
— Parece que não é muito bom, não é? — Hermione disse com um sorriso debochado no rosto, o Weasley olhou para o amigo indignado, esse outro só observava a situação, parecendo confuso. — É claro que eu tentei fazer alguns, e não tive problemas.
A garota se sentou na frente do garoto de cabelos mais escuros e curiosa sentou-se ao seu lado.
— Por exemplo… Oculus reparo! — o garoto retirou seus óculos, que pareciam bem mais ajustados e concertados, olhou chocado para o amigo. — Bem melhor não acha? Nossa você é…
— Harry Potter. — concluiu ao ver a cicatriz em forma de raio, atraindo a atenção do garoto. – Perdão a falta de discrição, eu já ouvi falar sobre você e li sobre também… Sou Diggory.
E então o garoto deu um sorriso tímido e assentiu que a estimulou a sorrir de volta abertamente, ela não dava sorrisos singelos.
— Hermione Granger — a garota se apresentou e então a garota começou a dissertar sobre a chegada de sua carta, sua então, descoberta sobre o mundo bruxo e outros detalhes, quando terminou encarou o ruivo. — E você é?
— Ron Weasley. — disse de boca cheia, Hermione olhou indiferente e murmurou um "prazer", o garoto se virou para — Eu te conheço, você mora perto d’A Toca.
— Sim, me recordo de você também.
— Vão colocar logo suas vestes, eu acho que já estamos chegando. — Hermione levantou e virou-se para Ron — Tem alguma coisa muito estranha no seu nariz, sabia? Bem aqui — apontou fazendo com que o garoto esfregasse o local indicado. — Vamos , temos que encontrar o sapo!
Ao saírem novamente para o corredor, encontrou seu irmão, que provavelmente procurava por ela.
— Vejo que fez uma amiga, achei que tinha se perdido. — Ced disse sorrindo com as mãos na cintura, claramente aliviado por tê-la encontrado, a garota havia saído a cerca de uma hora atrás. Ele já estava preocupado, e os comentários maldosos de que a menina devia ter achado um namoradinho interessante e sumido com ele feitos pelos amigos só colocaram palha na fogueira de angústia de Diggory.
— Me desculpa pela demora, acabei encontrando Mione e ficando sem muita noção de tempo. Um menino perdeu o sapo dele, estamos ajudando. — ela se dirigiu para Hermione — Esse é meu irmão, Cedrico. Cedrico essa é Hermione Granger.
— Prazer em conhecê-la, Hermione — Cedrico sorriu e Hermione pôde notar as semelhanças dele com a irmã. Os cabelos castanhos claros, os olhos acinzentados e o sorriso aberto. Céus, sorrir demais é de família? A garota abanou a cabeça, tentando afastar os pensamentos e sorriu de volta. Os irmãos Diggory tinham isso, de tentar deixar as pessoas o mais confortável possível, os sorrisos abertos eram a maneira mais comum de transparecer isso.
— Igualmente, Cedrico. , creio que rodamos todas as cabines desse lado, Neville procurou do outro, ele já deve ter encontrado. Obrigada pela ajuda.
— Por nada, nos vemos no castelo? — perguntou e a outra assentiu rindo.
— Espero que sejamos colegas de casa!
— Eu também — riu de volta, era boa a sensação de conhecer alguém legal como Mione.
— Faltam uns 30 minutos para chegarmos ao castelo. — Cedrico disse enquanto eles seguiam pelo corredor em busca da cabine onde estavam. — Vocês do primeiro ano seguem com o Hagrid de barco, os outros alunos de carruagem.
— Tudo bem.
Ao verem os irmãos entrarem na cabine os garotos gargalharam, deixando Diggory irritado, mas logo se juntando a eles. Enquanto os olhava com o cenho franzido, sem entender.
— Riam mesmo, Weasleys, ano que vem a irmã de vocês chega, e vai deixar vocês de cabelos em pé! — Cedrico disse somente. E os garotos mudaram de assunto. deu de ombros, desinteressada em entender e sentou-se podendo, enfim, comer os feijõezinhos que havia organizado.

* * *


O trem parou na estação e acenou para o irmão e os meninos, indo na direção do homem grande e barbudo que gritava.
— Alunos do primeiro ano! Primeiro ano aqui! Tudo bem, Harry? — ele sorriu assim que viu o garoto, virou a cabeça um pouco rápido demais e sentiu-se idiota por isso, logo voltando a olhar Hagrid. — Estão todos aqui? Venham comigo.
Os alunos o seguiram pelo caminho que levava a margem do lago e logo se pode ouvir os alunos empolgados vendo pela primeira vez o castelo de longe.
— Só quatro em cada barco! — Hagrid gritou e os alunos seguiam para os barquinhos. sentou-se em um e logo esse foi ocupado por duas garotas e um garoto desconhecidos. Viu Hagrid devolvendo um sapo para um garoto, que julgou ser o tal Neville, sorriu por ele ter enfim encontrado o bendito bicho.
A vista que os poucos minutos no barco lhe proporcionaram era muito mais bela do que havia imaginado quando Cedrico lhe descreveu em seu primeiro ano. Abaixaram a cabeça ao passar pela cortina de hera e logo desembarcaram.
Logo ele os conduzia até uma professora com belas vestes verdes e cabelos negros, que foi apresentada por Hagrid como professora Minerva McGonagall.
— Obrigada, Hagrid. Cuido deles a partir de agora. — eles andaram até uma sala vazia ao lado do saguão. — Bem vindos a Hogwarts. O banquete de abertura vai começar logo, mas antes de irem para suas mesas serão selecionados por casas. A seleção é uma cerimônia importante porque, enquanto estiverem aqui, sua casa será uma espécie de família em Hogwarts. Elas são Grifinória, Lufa-lufa, Corvinal e Sonserina. Cada casa tem sua história honrosa e produziu bruxos e bruxas extraordinários. Os seus acertos renderão pontos a sua casa, enquanto os erros a farão perder. No fim do ano, a casa com mais pontos recebe a Taça das casas, espero que vocês sejam motivo de orgulho para a casa à qual vier a pertencer. A Cerimônia de Seleção acontecerá dentro de alguns minutos na presença de toda a escola, sugiro que se arrumem o melhor que puderem enquanto esperam. Volto quando estivermos prontos para recebê-los, por favor, aguardem em silêncio.
percebeu que os alunos em sua volta tentavam se arrumar como podiam Rony ainda tentava limpar o nariz e Harry tentava ajeitar os cabelos. Ela riu daquilo e voltou sua atenção a suas vestes, as alisando com as mãos tranquilamente. Dentro de alguns minutos a professora Minerva voltou ao salão.
— Vamos andando, a Cerimônia vai começar. Façam fila e me sigam. — notou que Hermione estava ao seu lado e atrás estava Harry.
Ao adentrar o salão, curiosa que era , ela varreu rapidamente o local com os olhos, identificando as mesas e dando um sorriso rápido para o irmão. Olhou também para o teto, suspirando encantada.
— É enfeitiçado para parecer o céu lá fora, li isso em… — Hermione cochichou e a interrompeu, também cochichando.
— Hogwarts: uma história. — completou e as garotas riram entre si. Logo os alunos pararam em frente do banco onde a professora segurava o chapéu seletor que era velho e sujo, logo um rasgo se abriu como uma boca e ele começou a cantar.
sentiu toda a agonia que estava tentando evitar ao olhar para o chapéu. Ela sabia que as chances dela não ir para a casa do irmão e dos pais era grande, nunca achou que se parecesse com os lufanos. Mas lá no fundo, a garota ainda tinha a vontade de despertar no pai o sentimento que ele tinha por Cedrico e não se cansava de falar: orgulho. Para Amos Diggory os feitos de não eram tão exaltados e elogiados como os de seu primogênito, seu garoto. Os alunos e professores aplaudiram a música cantada pelo chapéu, o que tirou a garota de seus devaneios.
— Assim que eu ler os seus nomes no pergaminho, colocarão o chapéu e se sentarão no banquinho para a seleção — Professora Minerva disse correndo os olhos na lista que tinha em mãos. — Ana Abbott!
A garota fez o que foi orientado e depois de uma pausa curta o chapéu declarou:
— Lufa-lufa! — a menina seguiu para a mesa sendo aplaudida.
— Susana Bones!
— Lufa-lufa!
— Terêncio Boot!
— Corvinal! — a mesa à esquerda aplaudiu enquanto o garoto se juntava a eles.
— Hermione Granger! — Mione sentou-se ansiosa no banquinho e alguns minutos depois…
— Grifinória! — anunciou o chapéu, a menina saiu correndo contente para a mesa que a aplaudia.
assistiu a Cerimônia angustiada, mas estava prestando atenção em tudo, como a seleção de Longbottom, que caiu a caminho do banco e foi inclusive, ajudado por ela a se levantar em meio aos risos no salão. Outro ponto que achou inusitado na noite foi à seleção do garoto chamado Draco Malfoy, que mal teve o chapéu encostado em sua cabeça e foi selecionado para a Sonserina.
— Harry Potter.
O burburinho se instalou no salão. "Harry Potter?", "O Harry Potter?", "Aquele que sobreviveu?". O garoto se sentou e o chapéu começou a analisar.
Harry e o chapéu pareciam se comunicar, visto que os olhos dele estavam fechados e ele negava com a cabeça. — Sonserina não… — foi o que conseguiu ouvir baixinho e então ele disse mais algumas coisas ao garoto, que foram inaudíveis para quem aguardava e decretou por fim — Grifinória!
A mesa da Grifinória gritava como se fosse o final de uma copa de quadribol, viu os gêmeos comemorando dizendo que haviam ganhado o Potter. gostava do entusiasmo, então riu ao ver a festa de longe batendo palmas, o que não passou despercebido por Harry, que lhe devolveu um sorriso fraco, parecia legal e foi inevitável não pensar como seria incrível se ela fosse para a mesma casa. A curiosidade durou pouco.
Diggory.
engoliu seco e rumou até o banco, tentando enxugar as mãos suadas nas vestes e logo em seguida sentando-se. Sentiu o chapéu ser colocado em sua cabeça e respirou fundo fechando os olhos.
Uma Diggory diferente… — murmurou o chapéu permanecendo alguns minutos em silêncio. Seis minutos e meio, precisamente falando. Os alunos já comentavam o fato da garota ser uma Empata Chapéu — Certamente tem qualidades que nenhum outro bruxo da sua família tem... Uma mente extraordinária e tem talento, ah se tem. Grifinória seria uma boa opção, mas sua sabedoria, criatividade e ousadia te levarão a grandeza na Corvinal!
A mesa aplaudiu e , ainda meio anestesiada, sorriu fraco e se sentou sendo cumprimentada pelos novos colegas. Ela sabia que a casa era tudo aquilo que ela sempre achou que condizia com sua realidade pessoal, estava feliz e lisonjeada pelas palavras proferidas pelo chapéu em relação a ela. Mas não conseguia deixar de pensar o quanto aquilo pareceria insuficiente para o pai, como tudo sempre era.

Dois - Bolota

Setembro - 1991


se sentia tão ansiosa com o primeiro dia de aula que mal conseguia dormir. Acordou antes das colegas de quarto, se arrumou com calma e ficou lendo o livro de poções que, dentre os materiais, era o que mais lhe chamava atenção. Observou Padma Patil e Mandy Brocklehurst levantarem primeiro, seguidas de Lisa Turpin e Morag MacDougal algum tempo depois.
— Vamos? — perguntou Mandy as outras.
— Lembrem-se do que o monitor disse ontem sobre pegar tudo que for necessário para o dia todo — lembrou Morag — no caso de ficarmos presas e sem materiais por não conseguirmos solucionar o enigma para entrar no salão comunal.
repassou o checklist mental e assentiu, não estava esquecendo nada e juntas as garotas saíram do quarto para o café da manhã.
— Já deu tempo de achar alguém interessante? — perguntou Lisa enquanto se aproximavam do Salão Principal, fazendo as demais rirem e arregalar levemente os olhos.
— Sentei na cabine com Córmaco McLaggen da Grifinória, ele é do segundo ano. Bem gentil e bem bonito, diga-se de passagem. — Morag riu cochichando, acompanhada de Padma.
— E o Ernest Macmillan? — Suspirou Patil — Ele é com certeza o garoto mais bonito do primeiro ano!
— Ouvi algumas veteranas no trem, elas falavam sobre um tal Cedrico da Lufa-lufa, já o viram? Elas diziam como não existe garoto mais bonito em Hogwarts... — riu com o comentário de Mandy visto que, ironicamente, seu irmão se aproximava delas com um sorriso no rosto.
— Bom dia, garotas. — pigarreou, controlando o riso.
— Meninas esse é meu irmão, Cedrico Diggory. Ced, essas são Morag, Padma, Lisa e Mandy. — disse enquanto apontava, Mandy parecia ter comido um dos diabinhos de pimenta, igualmente vermelha faltando apenas a fumaça fumegando da boca e das orelhas. As garotas cumprimentaram Cedrico, Padma parecia querer soltar a risada a qualquer momento.
— Prazer em conhecê-las. Posso falar com você rapidinho, ? — virou-se para a mais nova, que assentiu.
— Vamos nos sentar e guardamos seu lugar, ok? — Morag disse e acenou com a cabeça, as garotas saíram em direção à mesa da Corvinal, deixando os Diggory sozinhos.
— Como você está? Juro que sempre imaginei você na Corvinal, mas não fiquei surpreso, de qualquer forma. — Cedrico disse, fazendo com que a irmã suspirasse. Parte de seu sono havia sido perdido por esse motivo também, sabia que teria que enviar uma carta aos pais.
— Eu gostei da escolha, de verdade. Mas… — ela deu de ombros, não precisou dizer nem mais uma palavra, o irmão compreendia o que sua expressão triste queria dizer.
— Você sabe que o papai vai superar em algum momento... Ele deve estar ansioso esperando sua carta contando sobre tudo.
— Eu só não queria ter que ouvi-lo falar sobre como isso é decepcionante e tentar entender justificando com “defeitos” meus que não me levaram a Lufa-lufa, afinal, até o chapéu falou que sou a droga de uma Diggory diferente. — bufou imitando o chapéu o que fez o mais velho rir e bagunçar seus cabelos.
— Você sabe que não são defeitos e ser diferente não é uma coisa ruim. Papai é péssimo em expressar sentimentos, mas você sabe que ele te ama e tem certeza que será uma bruxa extraordinária, assim como eu e mamãe também temos.
— Eu sei, mas as coisas que ele fala machucam e a expressão… Ah a expressão dele, Ced! A decepção explícita no olhar… — cobriu os olhos com as mãos e abanou a cabeça para os lados.
— Achei que você gostaria de contar isso para eles, então não mencionei nada na carta que escrevi, mas se quiser que eu diga tudo bem também. Seja como for, , você precisa contar logo. Garanto que se sentirá mais leve assim que fizer isso. — ele sorriu tentando reconfortar a menor. — Estou aqui sempre e não pensarei duas vezes em intervir para aliviar as coisas pra você.
sorriu fraco assentindo e abraçou o irmão murmurando um agradecimento. Eles se despediram e logo ela caminhava em direção à mesa da Corvinal, indo de encontro com as colegas.
A mesa do café de Hogwarts era farta, não se lembrava de ter comido tanto assim sem ser no natal ou outras ocasiões especiais, tinham pães, sucos, tortas doces, tortas salgadas. Tudo parecia tão gostoso…
Diggory, nunca me senti tão envergonhada… Por Merlin! — Mandy disse causando risos entre as garotas.
— As garotas do trem realmente não mentiam, se me permite dizer, . — Padma disse suspirando, fazendo Diggory rolar os olhos rindo e com que ela pudesse prosseguir. — Ele é realmente o garoto mais bonito de Hogwarts!
As outras quatro concordaram e ela negou com a cabeça rindo, estava mais que acostumada a ouvir comentários desse tipo relacionados ao irmão. Logo a professora McGonagall passou pelas mesas, entregando os horários.
— A primeira aula é de Defesa Contra as Artes das Trevas, com a Sonserina — Padma fez careta.
— Herbologia e Astronomia são com eles também… — Mandy reclamou.
— Mas pelo menos temos mais aulas com a Lufa-lufa. — lembrou, querendo animar as colegas.
— Temos uma hora e meia até a primeira aula, que tal irmos caminhar um pouco? — perguntou Lisa ao notar que todas haviam terminado de comer. As outras três concordaram agitadas já se levantando.
— Preciso mandar uma carta para os meus pais, encontro com vocês depois. — disse. Então as garotas acenaram e saíram.
tirou um pedaço de pergaminho rasgado e a pena da mochila sem saber por onde começar. Bufou e decidiu não pensar muito, apenas fazer a droga da carta de uma vez.

"Papai e mamãe,

A viagem e minha primeira noite em Hogwarts foram como sempre imaginei: incríveis! É tudo muito encantador, ainda estou conhecendo as coisas aos poucos, mas creio que logo vou saber andar por aqui. Cedrico e os amigos dele me fizeram companhia a maior parte do tempo, e fiz algumas amigas também.
Fui selecionada para a Corvinal, e, por mais que não seja a Lufa-lufa como o esperado, creio que minhas qualidades serão bem exploradas e, bem, o chapéu seletor não comete equívocos. Estou imensamente feliz com a escolha e sei que respeitarão e ficarão felizes também, assim como eu.
Espero que estejam bem, já estou morrendo de saudades!
Afetuosamente,
."

Deu de ombros encarando a carta finalizada, até que não ficou ruim, pensou.
se levantou da mesa e caminhou em direção à saída, quando notou alguém pegando em seu ombro.
— Você anda rápido! — disse Hermione, pegando fôlego.
— Desculpe, Mione — riu ajudando a garota a se recuperar. — Estou indo ao corujal, preciso entregar uma carta para Bilks levar para os meus pais. Quer dizer, pretendo achar o corujal primeiro…
— Ela não veio com as outras corujas na hora do correio? A de Harry não trouxe nada, mas veio piar nos ouvidos dele.
— Eu não a vi.
— Tudo bem, eu sei onde fica. Estudei o mapa, mas caso aconteça algo carrego ele comigo pra tirar as dúvidas. — as garotas sorriram entre si e caminharam juntas por onde Hermione indicava. – Ah, , queria tanto que tivéssemos ficado na mesma casa… Foi por pouco, quase que o chapéu me manda para a Corvinal acredita?
— E eu quase fui pra Grifinória, poxa se tudo tivesse encaixado direitinho estaríamos juntas em uma das casas — riu ao lembrar-se do dilema do chapéu.
— Ainda tem isso! , você é considerada uma Empata Chapéu, sua seleção durou quase seis minutos e meio, isso é raro! Confesso que achei que ele estava em dúvida entre Corvinal e Lufa-lufa, visto que seu irmão é de lá.
— Meu irmão e toda minha família — arfou ao entrarem no corujal. Avistou Bilks e caminhou até ela — Bilks, leve para os meus pais, por favor. Te prometo uns biscoitos assim que voltar, ok? — dito isso a coruja piou baixinho abaixando a cabeça, como se concordasse e voou. As garotas então se colocaram no caminho de volta. — Estou contando a eles por essa carta, papai vai querer surtar, mas estou tentando não pensar nisso.
— Ah, … Eu sinto muito, quando quiser conversar sobre pode contar comigo. — Mione segurou a mão dela, passando-lhe segurança, o que a fez sorrir. Era bom ter alguém, além de Cedrico, para conversar e que lhe fizesse se sentir confiante.
— Obrigada, Mione, de verdade... Você viu que teremos aulas de Transfiguração e Feitiços juntas? – Diggory desconversou, falar sobre aquilo definitivamente não estava nos planos dela.
E logo as garotas estavam conversando sobre suas matérias preferidas e expectativas para as aulas que iriam começar em breve.
O primeiro dia foi cansativo, ainda não estava adaptada a rotina de Hogwarts e correr de uma aula para outra a deixou completamente morta, mas ainda assim, estava satisfeita com seu desempenho no primeiro dia: teve aula de Defesa Contra as Artes das Trevas com a Sonserina, Poções com a Lufa-lufa, Feitiços e Transfiguração com a Grifinória. Ela ainda tinha ganho cinco pontos para a Corvinal por executar a melhor poção para curar furúnculos e mais cinco na aula de Transfiguração, ao responder uma pergunta de Minerva corretamente. Depois do jantar, subiu cedo para o dormitório e dormiu quase no mesmo instante que se deitou.
No dia seguinte, ela foi, novamente, a primeira a acordar e uma hora depois saiu do quarto com Lisa e Morag, Mandy decidiu dormir um pouco mais e Padma já havia saído para encontrar a irmã. Assim que se sentaram para o café as corujas sobrevoaram o salão principal entregando as cartas. quase teve um colapso ao ver Bilks vindo em sua direção, ela ergueu o braço e a coruja gorducha pousou ali, entregando-lhe a carta resposta dos pais. A garota respirou fundo e a coruja bicou seus cabelos carinhosamente, como sempre fazia. concluiu que não tinha pra onde correr e a verdade era uma só: ela era da Corvinal, papai que ature ou surte, reclamar ele com certeza vai, sempre reclama mesmo. Abriu o envelope decidida, mas surpreendeu-se ao encontrar a caligrafia da mãe.

"Minha querida ,
Fico feliz que tenha tudo dado certo, aparentemente você não se esqueceu de nada. Comecei a sentir sua falta desde o momento que entrou no trem, a casa fica bem silenciosa sem você aqui. Não tenho dúvidas que está se saindo incrivelmente bem, logo vai se adaptar a rotina e se sentirá em casa.
Eu sempre soube que a Corvinal era uma forte candidata a ser sua casa, não me surpreendeu a escolha. Estou orgulhosa por você ser você, o chapéu realmente não erra e te colocou onde você irá crescer e se tornar uma bruxa incrivelmente talentosa.
Seu pai surtou, claro. Como imaginávamos… Mas ele supera! Não pense que isso faz com que ele te ame menos, você conhece seu pai, ele é péssimo em expressar seus sentimentos e, bem, às vezes perde a oportunidade de ficar calado. Logo ele esquece isso!
Eu te amo, filha, e não me canso de dizer o quanto você é incrível e especial e o quanto me orgulha. Se cuide e não se esqueça de me mandar notícias!
Com amor,
Mamãe."

Se Amos, com sua incapacidade de expressar seus sentimentos e inconveniência a deixava desconfortável ela não conseguiu se lembrar. Taís, entretanto, expressava os seus sentimentos muito bem, e a fazia se sentir tão amada que mal havia espaço para sentir o contrário.
Ao final da tarde, depois da última aula do dia no horário livre antes do jantar, procurava a biblioteca, havia combinado de fazer a lição de Feitiços com Mione, mas ao passar perto de uma sala vazia, assustou-se ao ver uma coisinha minúscula peluda e preta. Ao aproximar-se, notou que se tratava de um pequeno filhote de cachorro.
— Parece que você se perdeu por aqui… — olhou ao redor. — Vem, vou te tirar daqui antes que alguém malvado te encontre. — segurou o filhote que deu um latido fininho e fraco e abanou o rabinho. — Preciso que fique quieto.
pareceu incerta por alguns instantes, mas decidiu que ir até Hagrid era a melhor coisa a se fazer. Mesmo que nunca tivesse conversado com ele, sabia que ele poderia ajudá-la. Colocou a bolinha de pelos na touca do uniforme e jogou os cabelos para trás para tentar escondê-lo ainda mais. Não poderia arriscar ir atrás de Hermione, então decidiu que conversaria com ela depois. Correu o máximo que pode, chegando à casa de Hagrid afobada batendo na porta.
— Rúbeo! — chamou ouvindo latidos altos.
— Olá, é a , irmã do Cedrico, não é? — perguntou ao atender a porta ela acenou com a cabeça e Hagrid deu passagem para que a corvina entrasse. sorriu e confirmou ainda sem fôlego. — Entre, chegou na hora certa para tomarmos um chá!
— Me chame de , por favor. — sorriu — Eu vim aqui pedir sua ajuda… Estava indo para a biblioteca quando encontrei essa coisinha perto de uma sala vazia — tirou o cachorro do capuz — eu sei que os alunos não podem ter cachorros aqui, não faço ideia de como ele entrou, mas creio que tenha se perdido.
— Olha só! Que coisinha mais fofa! — Hagrid pegou o cãozinho das mãos da mais nova. – Ele deve ter vindo por uma das passagens para Hogsmeade, , acho que ele passou junto com alguém que tenha a usado. Vou verificar isso depois...
— Eu não sei o que fazer, Hagrid! Eu gostaria de ficar com ele, mas não posso cuidar dele no castelo.
— Posso cuidar dele!
— Ah, Hagrid, muito obrigada! Eu juro que ajudo no que for necessário e prometo que venho dar comida, banho se precisar, e brincar com ele também! Muito muito muito obrigada! — a garota pulava e tagarelava fazendo Rúbeo rir com a cena. Ela era uma menina com um coração bondoso e o guarda caça já havia percebido isso.
— Já deu um nome para ele? — ambos observavam a bolinha de pelos explorando a casa e se aproximando de Canino, que era aproximadamente umas cinco vezes maior que o filhote.
— Gosto de Bolota, combina com ele.
— Vamos dar água e comida pro Bolota então, e depois tomaremos o chá!
tomou o chá, mas recusou educadamente os biscoitos por conta do jantar. Bolota e Canino pareciam se conhecer melhor, depois que o filhote já tinha se alimentado de maneira rápida e eufórica, como se tivesse sentido fome por dias. Canino, apesar do tamanho e expressão assustadores, era um cão dócil que adorou receber afagos da corvina. Com a promessa de voltar logo, ela voltou ao castelo, depois de agradecer e abraçar Hagrid.
Ao entrar no salão principal, logo foi puxada pelo braço por uma Hermione preocupada e levemente furiosa.
— Por onde esteve? Fiquei te esperando na biblioteca e você não apareceu.
— Aconteceu um grande imprevisto e eu tive que ir à casa de Hagrid, saí correndo e nem pude te avisar, Mione, me desculpa.
— Imprevisto? Como assim? — ela ergueu uma das sobrancelhas. olhou ao redor incerta, segurando o braço de Hermione.
— Encontrei um filhote de cachorro. — sussurrou entre dentes. — Não podia entrar com ele na biblioteca, então corri pra casa do Hagrid.
— Mas ele estava bem? Ferido? Por Merlin, ! — desesperou-se a garota.
— Ele está bem, Hagrid vai cuidar bem dele. Pensei em voltar lá na sexta feira, temos a tarde toda livre, se quiser podemos ir juntas.
— Eu adoraria!
— Ótimo, combinamos isso depois. Estou faminta! — as garotas riram e então foi sentar-se à mesa da Corvinal. Viu Ced ao longe e acenou para o lufano, que logo sinalizou que gostaria de falar com ela depois, ela acenou com a cabeça e foi colocar seu jantar. Conversou e riu com Terêncio Boot, Antônio Goldstein e as garotas e ao terminar o jantar foi de encontro com o irmão.
, como você está? — Cedrico disse ao abraçá-la — Não te vi o dia inteiro, mamãe me mandou uma carta e disse que te respondeu também.
— Estou com ela aqui, pera ai. — a garota vasculhou a mochila e tirou a carta de lá dando ao irmão. — Mamãe fez com que eu me sentisse muito melhor… Mesmo estando preocupada com a opinião do papai.
— Ela deve ter falado algumas verdades e não deixou o papai falar nada. — Ced riu acompanhado da irmã, ele sabia bem quem a irmã havia puxado. — Fico aliviado que esteja melhor com isso, fiquei preocupado o dia todo.
— Estou bem, Ced, de verdade. Não pretendo ficar sofrendo por antecipação, um dragão por vez.
— Só não se meta em problemas, ok? Vi você correndo com um cachorro no capuz hoje… — Ele sussurrou a última parte cruzando os braços o que fez a corvina arregalar os olhos desesperada.
— Mais alguém viu? Ai, Merlin! Não quero causar problemas, ele estava perdido e eu quis ajudar…
, tá tudo bem — riu o garoto — ele estava bem escondido, eu que presto atenção demais. Fez bem em levá-lo para o Hagrid!
— Não me assuste desse jeito, ridículo! Quase tenho um treco!
Eles conversaram por mais um tempo até dar o horário de se recolher para os salões comunais. A semana passou sem mais surpresas, a rotina ainda exaustiva quando não estava nas aulas estava na biblioteca com Granger, mas logo a sexta-feira chegou com dois objetivos principais para a Diggory: ver Bolota com Hermione às 14h30 e terminar as lições da semana para poder descansar no sábado e no domingo.
Os três horários de História da Magia passaram se arrastando, mesmo sendo uma matéria interessante o professor Binns conseguia a tornar insuportável. fazia as anotações com uma expressão entediada e impaciente, largou a pena por alguns segundos e pode ver alguns colegas da Corvinal e outros alunos da Lufa-lufa adormecidos sobre os livros e pergaminhos, não os julgava, estava quase fazendo o mesmo. Os que estavam acordados ou tinham a mesma expressão que ela ou prestavam atenção nas janelas ou qualquer outra coisa mais interessante e olha, isso não era lá algo complicado de se encontrar.
Depois de recomendar uma leitura sobre a magia na sociedade celta e a realização de um resumo de pelo menos dois pergaminhos a respeito, pode-se ouvir o barulho da sineta que, finalmente, encerrava a aula. Foram audíveis os suspiros de alívio da classe, cortados apenas pelo barulho desses correndo para longe dali.
almoçou e ao terminar, encontrou-se com Hermione para irem à biblioteca. Estudar juntas, aos poucos, se tornava o passatempo preferido delas. Adiantaram algumas matérias e Diggory atingiu seu objetivo de terminar tudo. Às 14h20 as garotas saiam do castelo em direção a casa de Hagrid. Canino não latiu dessa vez, parecia já saber que era .
, não esperava que viesse hoje! Vamos, entrem! — deu passagem para as garotas.
Bolota, que estava num sono pesado após comer, despertou assim que ouviu o nome da garota, correndo em sua direção e pulando em suas pernas. Assim que a corvina o pegou no colo, ele lambeu seu nariz.
— Oi, Bolota! Também senti sua falta — a menina riu, afagando a cabeça peluda do cão. — Hagrid, esta é Hermione Granger.
— Prazer em conhecê-la, Hermione! — o grandão sorriu apertando a mão de Hermione. — Vocês se importam de esperar alguns minutos pelo chá? Harry virá por volta das três horas, aí comemos os biscoitos todos juntos.
— Harry Potter? — perguntou Hermione. – Se ele não se incomodar...
— Sim, o chamei para saber como foi a primeira semana. Harry é um garoto dócil e gentil, não teve muitos amigos na vida, então creio que ele não se importará de tê-las aqui para o chá também. Estou terminando de colocar os biscoitos para assar.
— Tudo bem, Hagrid, podemos esperar sim. Quer ajuda com os biscoitos? — perguntou já erguendo as mangas das vestes.
— Estou apenas colocando as gotas de chocolate, não precisa se preocupar. — Hagrid indicou que ela fosse dar atenção a Bolota e a garota assentiu.
— Ele é realmente muito fofo, ! Fez bem em trazê-lo para o Hagrid, ele é tão pequeno que provavelmente teria se machucado ou morrido de fome. — Mione disse enquanto estava sentada com Bolota no colo acariciando seus pelos pretos e recebeu um sorriso da amiga.
— Ele aprontou muito desde a terça, Hagrid?
— Quis comer meus sapatos com os poucos dentes que tem, se alimentou bem e fez amizade com Canino. Até dormem perto um do outro!
— O Canino é um amor, sabia que se dariam bem. Não é mesmo, amigão? — disse afinando a voz enquanto brincava com Canino. — Obrigada mais uma vez, Hagrid, não sei o que seria de Bolota sem você.
— Eu que te agradeço, , considero Bolota um presente.
Ao ouvir as batidas na porta — minutos depois -, Canino passou por quase a derrubando para latir para o desconhecido (não tão desconhecido assim, provavelmente seria Harry, já que Hagrid estava o esperando).
— Para trás, Canino! Entrem, garotos, fiquem a vontade. — Hagrid deu passagem enquanto ainda segurava Canino. Assim que Harry e Rony entraram, Hagrid soltou o cão, que pulou em Ron e começou a lamber suas orelhas, o que fez os demais presentes rirem.
— Este é o Rony — Harry disse a Hagrid, que arrumava as coisas na mesa. Ele acenou para e Mione, que acenaram a cabeça em resposta.
— Mais um Weasley? Passei metade da vida expulsando seus irmãos da floresta. Venham, meninas, já podemos comer.
, Hermione, Harry e Rony pareceram concordar mesmo sem trocar nenhuma palavra que os biscoitos de Hagrid poderiam, com toda a certeza, quebrar-lhes um dos dentes. Então eles fingiram gostar e começaram a falar sobre a primeira semana de aula. Bolota estava sobre o colo de e Canino descansava a cabeça nas vestes de Harry, babando-as completamente, a garota segurou o riso ao ver a cena. Depois que contou sobre como encontrou Bolota, eles comentaram sobre como a aula com o professor Binns era maçante, como Minerva era inteligente e como a aula de feitiços era interessante, embora engraçada.
— Snape parecia me odiar! — Harry dizia sobre como fora a aula de Poções.
— Ele odeia qualquer aluno que não seja da Sonserina. — Hermione completou e Rony olhou para Harry como quem dissesse “eu te disse!”.
— Acho que nem dos da Sonserina ele gosta tanto assim. — comentou dando de ombros. — Mas, mesmo que ele pareça não gostar de ninguém que respire, achei a aula interessante.
— Você é suspeita, , é ótima em Poções. — Hermione rolou os olhos e riu da amiga. Havia se surpreendido com a garota na biblioteca, ela tinha um conhecimento invejável nesta matéria, ajudando-a a entender o motivo de sua poção de curar furúnculos ter ficado com uma cor diferente do desejado. — Ele não costuma dar pontos assim, ainda mais no primeiro dia... E ele parecia gostar do Malfoy e dos outros alunos da Sonserina, sim.
— Mas vocês — Harry apontou para e Hagrid — não viram a cara que ele me olhou. Parecia realmente me odiar.
— Bobagem! Por que ele o odiaria? — Hagrid disse por vez e mudou de assunto completamente ao perguntar sobre um dos irmãos de Rony. Harry pareceu incomodado e prendeu sua atenção em um pedaço de papel, que logo reconheceu como sendo o jornal.
— Rúbeo! O arrombamento de Gringotes foi no dia do meu aniversário, talvez estivesse acontecendo enquanto estávamos lá! — exclamou o garoto, e dessa vez todos notaram como o homem pareceu querer desconversar. Enquanto Harry relia o papel, Hermione o pegou de sua mão e aproximou-se mais de , para lerem juntas sobre do que se tratava. Assim que terminou de ler, a garota passou o papel para Rony e voltaram a conversar sobre outra coisa. No caminho de volta para o castelo, cheios de biscoitos nos bolsos, pois eram educados demais para recusar, decidiu quebrar o silêncio enquanto andava ao lado de Harry, Hermione e Ron iam mais à frente, quietos.
— Acha que viu algo estranho durante a ida à Gringotes aquele dia?
— Eu não achava que era estranho até ver a reação do Hagrid hoje… — ele comentou — Nós fomos ao cofre dos meus pais, e depois passamos em um cofre que era de assunto e posse extremamente sigilosos para pegar um pacotinho.
— Isso é realmente estranho, pois a notícia falava que o cofre fora esvaziado naquele dia mais cedo. — lembrou e recebeu um aceno de cabeça.
— Eu teimo em pensar que não é uma mera coincidência, mas você viu, , Hagrid pareceu muito estranho!
— Também acho que não seja coincidência, mas até termos provas… — ela tombou a cabeça para o lado e assistiu o garoto assentir — De qualquer forma, se eu souber de algo te aviso.
— Certo, eu também te aviso se tiver novidades. — ele sorriu tímido e ela sorriu em resposta, mas fechou a cara ao parecer lembrar algo. Aquilo preocupou o Potter.
— Ah, e por Merlin, me chame só de . Parece até meus pais! — pediu com uma careta, que fez o garoto rir aliviado.
A Diggory era uma garota legal.

Três - Amigos?

Outubro de 1991


A quinta feira de Halloween havia finalmente chegado, e a festa que ocorreria a noite animava os alunos pela mudança na rotina monótona. não havia conseguido mais informações sobre o caso de Gringotes, assim como Harry. Eles ao menos falaram algo a mais do que “olá” ou “bom dia/tarde/noite”, além dos sorrisos e acenos de cabeça trocados. Hermione também não falava com eles, depois da aventura que ela, Harry, Rony e Neville tiveram à meia noite e por sorte não foram pegos. Entretanto, Granger não perdia a oportunidade de reclamar ou especular sobre o que os garotos deveriam estar aprontando para a Diggory, que, por outro lado apenas ria ou especulava coisas mais absurdas ainda para assustar a amiga.
Naquela manhã acordou no mesmo horário de sempre, mas ao invés de ficar lendo algum livro como sempre fazia, gastou os minutos livres fazendo um penteado no cabelo. Geralmente a garota apelava para coisas práticas como rabo de cavalo, coques, tranças ou simplesmente os deixava soltos, mas optou por torcer e prender a franja deixando os cabelos semi presos e o rosto bem evidente.
Esperou dar 7h30 para acordar as garotas, havia se voluntariado para ajudá-las nisso depois que Padma quase perdera o café em uma manhã, visto que sempre acordava mais cedo e era boa perturbando as garotas para tirá-las da cama. Com o passar dos dias, percebeu que havia se identificado mais com Lisa e Morag, Padma passava algum tempo com elas quando não estava com a irmã e Lilá, já Mandy havia feito amizade com algumas garotas mais velhas e parado, aos poucos de andar com as garotas do dormitório. As garotas conviviam bem e se respeitavam, claro, apenas não eram melhores amigas.
— Ah, , só mais dez minutos… — Patil reclamou, cobrindo a cabeça com o travesseiro.
— Isso, fica mais dez minutinhos deitada e depois fica reclamando que não tem tempo e escolhendo se toma café ou penteia o cabelo. — Diggory disse debochada tirando o travesseiro da colega. — Anda Patil, levanta logo.
— Não sei se te agradeço ou se te odeio! — ela levantou indo se arrumar, andou até a cama de Lisa e antes que falasse algo a garota levantou.
— Já tô indo, bom dia! — Turpin bocejou indo se arrumar também — Adorei o cabelo!
— Obrigada! — ela jogou um beijo no ar e foi até Morag e Mandy.
Depois que todas levantaram, esperou Lisa e Morag se arrumarem para enfim irem para o Salão Principal tomar café. O cheiro de abóbora assada pelos corredores fez com que as três corressem para a mesa da Corvinal, para aproveitarem as delícias típicas que o dia das Bruxas lhes reservavam. As três primeiras aulas do dia seriam de Feitiços, com a Grifinória, então caminhou com as colegas de quarto e com Hermione para a sala de aula.
— Sinto que hoje vocês estão preparados para começar a fazer os objetos voarem. — Professor Flitwick disse depois de cumprimentar a turma. — Vou dividir vocês em duplas para que possam praticar.
O professor separou pelas casas (exceto pelas gêmeas Patil, pois Flitwick achou que seria engraçado deixá-las juntas), então ficou com Antônio Goldstein que era um garoto legal, que conversava com ela direto por ter se tornando amigo de Cedrico. Lisa estava com Mandy e Morag com Terêncio. Hermione havia ficado com Rony, eles estavam sentados à sua esquerda, o que fazia segurar o riso toda vez que olhava para eles, não sabia dizer quem estava mais insatisfeito com aquilo. Harry, que estava sentado ao seu lado direito com Simas Finnigan, parecia notar o mesmo visto que ao olhar para ela, ambos caíram na gargalhada, parando apenas quando o professor se colocou novamente em cima dos livros para dar as instruções.
— Não se esqueçam do movimento com o pulso que praticamos! Gira e sacode e lembrem-se de dizer as palavras corretamente.
e Antônio tentavam, fazendo a pena apenas tremer, o que deixava a garota irritada. Simas parecia igualmente irritado, visto que colocou fogo na pena. Com medo de fazer o mesmo, respirou fundo, tentando manter-se calma.
— Você está dizendo o feitiço errado — ouviu a voz de Hermione e virou-se para observar, procurando salvação na amiga — É leviOsa, não leviosA.
— Diz você então, sabe tudo! — Weasley retrucou impaciente, observou Hermione suspender as mangas e sacudir delicadamente a varinha. Era isso, fez o movimento com pouca sutileza.
— Wingardium leviosa! — e então a pena voou. Voou tão alto que chamou a atenção do professor, que veio correndo eufórico.
— Muito bem! Olhem aqui, Hermione Granger conseguiu! — o professor disse batendo palmas. A corvina sorriu animada para ela, batendo palmas animada, porém sendo mais discreta que o professor.
Depois de muita insistência, a — maldita — pena de chegou a subir um pouco, mas ela ficou tão eufórica que se desconcentrou fazendo-a repousar na mesa novamente. Ao final da aula , Hermione, Lisa e Morag saíram para ir almoçar, mas pararam para esperar Lisa, que tinha esquecido seu livro. Não demorou para que ela voltasse, então as garotas voltaram a caminhar, logo atrás de Harry e Rony.
— Não me admira que ninguém suporte ela — Rony não pareceu notar que havia passado pelas garotas, visto que fizera uma imitação tosca de Granger — Francamente, ela é um pesadelo.
E então Mione passou correndo e esbarrando em Potter, que a olhou assustado, os garotos pararam de andar imediatamente.
— Acho que ela ouviu o que você disse. — disse ele a Weasley, escutava atenta.
— E daí? Ela já deve ter reparado que não tem amigos. — Diggory sentiu o sangue ferver.
— Ela ouviu sim. Se ela notou que não tem amigos? Não sei! Mas com certeza ela notou, assim como todos aqui, que você é um imbecil! — ela disse e então passou dando um tapa na nuca de Weasley voltando a caminhar, dessa vez, indo atrás de Hermione.
não a encontrou, Hermione também não apareceu nas aulas seguintes e ninguém da Grifinória parecia ter visto ela. Ao descer para a festa das bruxas, extremamente preocupada, a garota foi falar com sua última opção que não fossem Potter e Weasley: Parvati.
— Ei! — aproximou-se dela, que andava ao lado da irmã, antes de entrar no Salão Principal. — Você viu a Hermione?
— Ah, vi! Ela estava no banheiro feminino, não parecia nada bem… Mas quando perguntei ela pediu que eu a deixasse em paz. — ela disse, como se aconselhasse a fazer isso. Claro que Diggory não ouviu, e saiu correndo ao gritar um “valeu” — Ela que vá e receba as grosserias da Granger. Bem, pelo menos eu avisei né?
— Cheguei! Ela quem? — Lilá perguntou interrompendo Padma, que começaria a explicar algo. — Granger? Ela sumiu, faltou todas as aulas da tarde…
— Estava falando da Diggory, que veio perguntar por ela. — Patil explicou, despertando a curiosidade de Potter e Weasley, que vinham andando logo atrás. — Encontrei a Granger no banheiro das meninas, chorando. Quando fui perguntar se ela queria ajuda ela só disse para que eu a deixasse em paz. Falei isso pra Diggory agora, mas parece que ela quer receber uma patada, já que foi atrás.
— Elas são amigas, parecia preocupada, talvez ela consiga conversar com a Granger — Padma explicou, finalmente, recebendo um “aaaaaah tá” das outras duas.
Harry e Rony pareceram esquecer de Hermione e assim que entraram no Salão Principal, a decoração estava incrível e eles conseguiam pensar nas comidas que surgiram nas mesas. Foi quando os garotos começaram a se servir que o professor Quirrell entrou correndo aterrorizado.
— Trasgo nas masmorras — ele disse ofegante quando se aproximou da cadeira de Dumbledore e então desmaiou. Os alunos e professores entraram em pânico, só houve silêncio quando Dumbledore disparou algumas bombinhas com a varinha.
— Monitores, levem os alunos de suas casas de volta aos dormitórios imediatamente!
Enquanto Percy indicava o caminho para os alunos Harry parecia confuso.
— Como que um Trasgo entrou? — perguntou a Rony.
— Não sei, dizem que eles são burros… — Rony deu de ombros — Deve ter sido o Pirraça.
— A Hermione e a ! — Harry segurou o braço do amigo enquanto eles passavam por uma muvuca da Lufa-lufa.
— O que?
— Elas não sabem do Trasgo! — Harry disse e Rony suspirou, em dúvida. Uma provavelmente o odiava ainda mais e a outra poderia tranquilamente socar ele a qualquer momento.
— Tá legal — bufou —, mas Percy não pode nos ver.

×××


correu até o banheiro e ao entrar ouviu Hermione fungando do último box.
— Mione? — chamou
— Sai, , quero ficar sozinha!
— Não vou sair, fiquei te procurando um tempão! — esbravejou — Fiquei preocupada, sabia? Mas anotei as coisas da aula de Transfiguração pra você…
— Hm… Obrigada e desculpa por ter te deixado preocupada. — Granger destrancou o box e recebeu um abraço da menor.
— Nunca mais some assim! E não presta atenção no que o ridículo do Weasley diz. Eu sou sua amiga, se ele não consegue lidar com sua inteligência e fica mordido toda vez que você fala ele não merece sua amizade! Nem o Potter merece, acabou com Você-sabe-quem, mas na hora que eu bati no Weasley ficou com aquela cara de bunda e não falou nada para o amigo inútil dele! — Diggory tagarelou irritada.
— Você bateu nele? — Mione perguntou assustada segurando o riso.
— Não soquei como queria ter feito, ainda prezo pela minha permanência aqui... — disse colocando a mão no peito, ultrajada, mas cochichando depois com um sorriso travesso — Mas bati sim, se ele acha que pode sair por aí sendo um otário com minha amiga ele tá muito enganado!
— Às vezes me pergunto por que você não está na Grifinória... — Hermione riu verdadeiramente ao ver a amiga surtada.
— É que eu já sou louca, Mione, não preciso ir pra Grifinória aprender a ser mais ainda. — ela disse rindo junto com Granger — Assim como você não precisou ir pra Corvinal para se tornar inteligente, você já é!
— Está dizendo que estou na Grifinória para aprender a ser louca? — as garotas riram ainda mais.
— Não! Você me entendeu! — limpou as lágrimas de tanto rir — Digo que inteligência não é tudo, existem outras qualidades, como a coragem e a ousadia, que nos ajudam a lidar com a vida. Talvez sejam características que você desenvolverá com o tempo, ou já tem, mas nunca se fizeram presentes.
— Muito obrigada, ! — Granger a abraçou dessa vez.
— Você sabe que pode contar comigo. Agora pelo amor, vamos comer, pois estou faminta… — as garotas levantaram e caminharam em direção à porta, que foi aberta bruscamente por uma criatura enorme e fedida.
— Mione, é um trasgo! — murmurou chorosa. Mione murmurou de volta, elas então andaram de costas até encostarem-se em uma maldita parede. O trasgo começou a avançar para perto delas destruindo as pias com um bastão, Diggory sentiu os olhos encherem de lágrimas e então gritou, assim como Granger. Foi quando a porta foi aberta e elas viram Potter e Weasley jogando algumas torneiras que haviam caído para distraí-lo.
— Ei, cabeça de ervilha! — o trasgo pareceu não sentir a torneira atingi-lo, mas ouviu o grito de Rony e virou-se para encará-lo. Harry correu em volta e tentou puxar Diggory e Granger, que estavam paradas em pânico. Foi então que o trasgo avançou para Rony e Harry pulou, conseguindo abraçar o pescoço da criatura. não sabia se achava Harry corajoso ou idiota. E então Potter enfiou sua varinha no nariz do trasgo, que levantou seu bastão enfurecido.
Rony parecia não saber o que fazer, assim como as garotas que nessa altura, não tinham força nas pernas nem para estarem em pé. Então Weasley gritou o primeiro feitiço que lhe veio em mente.
— Wingardium leviosa! — o bastão subiu no ar e caiu na cabeça do trasgo, que caiu fazendo um enorme barulho.
— Ele está morto? — Hermione perguntou baixinho. Harry se levantou e Rony ainda estava parado, parecendo chocado com o que havia feito.
— Acho que só desmaiou. — ouviu sua voz dizer, não muito diferente da de Hermione.
Harry abaixou e puxou a varinha do nariz do trasgo, murmurando um “eca” ao ver a substância que veio junto.
— Meleca de trasgo — murmurou limpando a varinha nas vestes do trasgo.
Os quatro, ainda assustados, ouviram o barulho de passos e somente ali enxergaram no que haviam se metido. Minerva entrou no banheiro com Filch e Quirrell.
— No que estavam pensando? — nunca havia visto Minerva tão brava. — Poderiam estar mortos! Por que estão fora dos dormitórios?
— A culpa é minha, professora McGonagall. Eles vieram me procurar, sentiu minha falta, Harry enfiou a varinha no nariz dele e Rony o derrubou com o próprio bastão. Achei que podia enfrentá-lo sozinha, pois já li tudo sobre trasgos. Se eles não tivessem me encontrado eu estaria morta…
— Srta. Granger! Que bobagem! — enquanto a professora Minerva dava bronca em Hermione, não pode deixar de notar o professor Quirrell sentado, parecendo assustado e… decepcionado?
Harry e Rony estavam chocados, não esperavam que Hermione fingisse desrespeitar as regras para salvar a pele deles.
— Hermione Granger, a Grifinória vai perder cinco pontos por isso. Estou muito desapontada. Já vocês três tiveram sorte, vão ganhar cada um cinco pontos para sua respectiva casa. Vou informar Dumbledore, voltem para seus salões comunais. Os alunos estão terminando de festejar.
Os quatro saíram dali calados, os três pararam na frente da passagem para a torre da Grifinória e suspirou abraçando Mione.
— Talvez, eles não sejam tão idiotas assim e mereçam uma segunda chance. — cochichou, fazendo a amiga rir baixinho. parou um pouco à frente de Rony e o abraçou também. — Obrigada, Weasley, e me desculpa por mais cedo…
— Tu-tudo bem! — Rony parecia surpreso, não sabia se era pelo contato inesperado ou pelo pedido de desculpas. Não podia negar que pensou que a garota iria lhe bater novamente.
— Obrigada também, Harry. — ela travou quando percebeu o que faria a seguir, mas ficaria estranho se ela abraçasse aos outros dois e ele não. Então Diggory abraçou Potter de uma maneira desajeitada.
— Não há de que… — ele disse baixinho, assustado como Rony.
— Eu, bem, vou pro meu salão comunal… Boa noite! — sorriu acenando e correu o mais rápido que pode para longe dali.
Eles eram amigos agora, mesmo sem ter sido dita nenhuma palavra, afinal, ninguém derruba um trasgo por quem não gosta, não é?

×××

Novembro de 1991


Novembro chegou, trazendo o clima frio e uma animada. Se existia alguém mais animado para fazer aniversário no planeta, essa pessoa era ela. faria doze anos, havia esperado o ano anterior inteirinho para estar em Hogwarts e entrou prestes a fazer doze por conta do período letivo.
Os mais atingidos pela animação eram certamente Cedrico, Hermione, Harry, Rony, Lisa e Morag, que tinham que aturar a contagem regressiva da garota para o dia quatorze.
No sábado, quatro dias antes do aniversário de Diggory, aconteceria o jogo entre Grifinória e Sonserina e os amigos notaram o quanto Potter estava ansioso com aquilo, e claro, cansado pelos treinos puxados de Olívio Wood.
acordou um pouco mais tarde, como em todos os finais de semana. Se dava ao luxo de dormir até às 8h30. A única que já havia levantado era Mandy, que não estava ali e já tinha a cama arrumada. A garota tomou um banho quente e logo depois colocou uma calça jeans, uma blusinha fina de manga comprida, um suéter de lã creme e um casaco cinza. Soltou os cabelos os ajeitando com os dedos, notando as ondas que haviam se formado e então, em solidariedade ao amigo, colocou uma touca vinho.
— Meninas, acordem para não perder o café! — avisou, acordando às quatro colegas antes de sair para encontrar os amigos.
— Hey, ! — Rony gritou assim que avistou a amiga andando mais à frente no corredor.
— Oi, gente, tava indo procurar vocês. — ela sorriu.
— Bonita touca. — Mione elogiou apontando.
— É para torcer pro nosso número 7 aí. — ela piscou rindo com Mione, enquanto observavam um Potter escarlate.
— Logo seremos nós, ! — Rony disse dando um soquinho com as mãos de .
— Que posição quer tentar no futuro? — Harry perguntou a Diggory.
— Artilheira. Ced diz que sou péssima goleira e cega demais para ser apanhadora — fez careta rindo acompanhada dos outros três. Foi quando Snape passou por eles com uma cara feia — sim, mais feia que o habitual — e mancando.
— Fui à sala dos professores depois que voltamos para a sala comunal pedir o livro de volta. — estava com eles quando Snape tomou o livro de quadribol que Harry estava lendo no pátio, ela ainda tentou debater com o professor que acabou tirando pontos dela também. Diggory voltou sua atenção ao que Potter dizia cochichando — Ele não devolveu, mas estava com a perna sangrando e ficou desesperado para que eu saísse logo. Rony e eu achamos que ele tentou ir até o cão de três cabeças, com certeza quer o que ele está guardando. Não duvido que ele tenha deixado o trasgo entrar também.
— Eu não sei, Harry… — murmurou incerta — Ele não seria louco, Dumbledore confia nele.
— Tá vendo? pensa como eu. — Hermione fez careta para Rony, que retribuiu a imitando.
Eles entraram no Salão Principal e foram contagiados pela conversa animada pelo início da temporada de quadribol.
— Encontro vocês no jogo, boa sorte, Potter. — a garota acenou indo para sua mesa. Serviu-se com as salsichas e com um pouco de suco e conversou com alguns colegas. Viu o irmão ao longe conversando com uma garota da Lufa-lufa, que ela não fazia ideia de quem era, mas a Diggory caçula sorriu quando ele acenou na direção da mesa da Corvinal, para ela.
Às onze todos da escola estavam nas arquibancadas, conseguiu se infiltrar quietinha na torcida da Grifinória sentando ao lado dos amigos. Madame Hooch apitou e logo as quinze vassouras estavam no ar.
— A goles foi prontamente rebatida por Angelina Johnson, da Grifinória, ótima artilheira essa menina, bonita também… — Lino Jordan narrava a partida e teve a atenção chamada por Minerva. — Johnson passa para Alícia Spinnet, de volta a Johnson e… Ah, Sonserina tomou a goles, o capitão tomou a goles e saiu correndo. Marcos está vai marcar… Não marcou! Foi impedido pela intervenção excelente do goleiro Olívio.
observava Harry ao longe com o auxílio dos binóculos, sobrevoando o campo sem ter muito o que fazer, enquanto o pomo não era visto.
— Adriano Pucey é bloqueado por Fred ou Jorge Weasley… Enfim, bela jogada do batedor da Grifinória. Johnson tem a posse da goles novamente, o caminho dela está livre, ela desvia de um balaço veloz e as balizas estão logo à sua frente. Vamos, agora Angelina! O goleiro Bletchley mergulha, mas não dá tempo… PONTO PARA A GRIFINÓRIA! — a torcida toda gritou, inclusive o pessoal da Corvinal e da Lufa-lufa, todos odiavam o time da Sonserina.
— Vai mais pra lá… — Hagrid pediu a , que prontamente se apertou, assim como Rony e Mione para que ele pudesse se sentar. — Estava assistindo da minha casa, mas achei que daqui seria mais emocionante, com a multidão... Nada do pomo?
— Não, Harry não teve muito o que fazer até agora.
— Pelo menos não está machucado.
— Potter desvia do balaço, Sonserina tem a posse da goles. Pucey desvia de dois balaços, dos dois Weasley e da artilheira Bell voando para… Espera aí, é o pomo? — o artilheiro da Sonserina deixou a goles cair ao espiar o pomo que havia passado por sua orelha esquerda, recebendo murmúrios da torcida. — Potter mergulha em direção ao pomo, assim como o Higgs…
Assim como Lino e os artilheiros, a torcida também assistia em silêncio a disputa cabeça a cabeça dos apanhadores em direção ao pomo. Até que Potter assumiu a frente e foi bloqueado de propósito por Marcos Flint, quase caindo da vassoura.
— Que ridículo! — Hermione falava.
— ISSO FOI FALTA! — berrou inconformada assim como o resto da torcida. Madame Hooch dirigiu-se a Flint com uma cara nada boa e logo depois deu a Grifinória um lance livre.
— Ele deveria receber um cartão vermelho! — Dino esbravejou.
— Não tem como expulsar um jogador no campo de Quadribol, Dino, não é futebol. — Rony lembrou.
— Mas deveria, ele poderia ter derrubado Harry no ar — foi Hagrid quem disse dessa vez.
— Depois dessa desonestidade óbvia e repugnante… Desculpe, professora. Depois dessa falta clara e revoltante… Ok, professora! Depois que Marcos quase matou Harry, o que pode acontecer com qualquer pessoa, temos uma penalidade a favor da Grifinória, Spinnet bate, para fora. Grifinória ainda está com a posse da goles.
voltou a atenção de volta para Harry, que parecia ter problemas com a vassoura. Ergueu a varinha discretamente e murmurou um “protego”, mas Harry continuava parecer brigar com a vassoura descontrolada. Foi então que a Sonserina marcou e no meio da revolta da torcida da Grifinória tentou lançar novamente o feitiço, sem sucesso. Tinha algo muito errado ali.
— Não sei o que Harry está tentando fazer, mas se eu não entendesse da coisa diria que ele perdeu o controle da vassoura. — Hagrid comentou e então olhou ao redor, notando que outras pessoas também pareciam perceber apontando para o garoto que estava pendurado se segurando apenas com uma mão.
— Será que aconteceu algo quando Marcos o bloqueou? — perguntou Simas e Hagrid imediatamente negou com a cabeça.
— Nada pode interferir com uma vassoura a não ser uma magia negra muito poderosa, nenhum garoto poderia fazer isso com uma Nimbus 2000.
— É por isso que não funciona! — finalmente entendeu e cutucou Hermione agoniada — Estava tentando usar o feitiço Protego, mas não surtia efeito algum. Só pode ser isso, alguém está azarando a vassoura!
Mione arregalou os olhos e pegou o binóculos das mãos da corvina e começou a procurar na multidão.
— O que está fazendo? — perguntou Rony pálido.
— Eu sabia! É o Snape! — Mione entregou o binóculo para e Rony pegou o de Hagrid. Ambos puderam observar o professor, que mantinha os olhos fixos em Potter e murmurava algo sem parar.
— O que vamos fazer? — gemeu Rony angustiado.
— Deixa comigo. — Mione se esgueirou descendo da arquibancada e logo Rony e a perderam de vista. Fred e Jorge tentavam se aproximar, para que, caso Harry caísse, eles conseguissem apanhá-lo, mas a vassoura de Potter parecia subir mais ainda quando alguém chegava perto. Enquanto isso a Sonserina já havia marcado cinco vezes.
— Anda logo, Hermione… — Rony batia os pés, claramente desesperado. apenas sentia um frio percorrer por toda sua espinha, como se sua pressão estivesse caindo. Ela sentiu uma fraqueza e sentou-se na arquibancada. Foi quando na arquibancada da Sonserina, as pessoas próximas a Severo notaram a pequena chama se apoderando em sua capa, o tempo da confusão que aquilo causou foi o suficiente para que Harry conseguisse montar a vassoura novamente.
Pouco tempo depois ele voltava ao chão com as mãos na boca como se fosse vomitar. escondeu o rosto no casaco de Rony que ainda estava em pé, mas não por muito tempo, visto que ele a cutucou dizendo que ela podia olhar.
Diggory nem sabia expressar a felicidade que sentiu quando viu Potter mostrando o pomo no alto, apenas se levantou num pulo. Parecia que seu sangue tinha voltado a circular como um foguete lançado, rápido e de uma só vez. A fraqueza voltou fazendo-a cair sentada, novamente, só que dessa vez Hagrid percebeu e apoiou as costas da garota antes que se desequilibrasse e caísse para trás.
?
×××


— Não é melhor levá-la para a enfermaria? — perguntou Mione sentada ao lado da corvina, que bebia o chá ainda desorientada pelo susto. Eles quatro já estavam no casebre de Hagrid.
— Eu tô bem, foi só minha pressão que caiu. Foi só o susto… — a garota murmurou envergonhada.
O que diabos havia acontecido com ela? Não era o tipo de pessoa que se assusta fácil, havia apenas ficado preocupada com o amigo, assim como Rony, Neville e todos os outros… Por que só ela tinha quase desmaiado?
— Foi o Snape. — Rony disse a Harry. — Nós três vimos, ele estava azarando a vassoura.
— Não pode ser… — Hagrid começou, mas foi interrompido por .
— Tentei conjurar o feitiço Protego, mas não surtiu efeito. Com certeza era algum feitiço avançado, arrisco até que tenha sido magia negra… Nenhum aluno poderia fazer isso.
— Bobagem, por que ele faria algo do tipo? — os amigos se entreolharam.
— Descobri algo… — Harry decidiu falar a verdade — Ele tentou passar pelo cão de três cabeças no dia das bruxas. Levou uma mordida. Achamos que estava tentando roubar o que o cão guarda. — Hagrid derrubou o bule e empalideceu.
— Como vocês sabem do Fofo?
— Fofo? — Rony perguntou inconformado com a ironia do nome da criatura.
— Ele é meu. Comprei-o de um grego no ano passado e o emprestei ao Dumbledore para guardar a… — ele arregalou os olhos como se tivesse se dado conta que estava falando demais e abaixou para pegar os pedaços do bule no chão.
— O que? — perguntaram Harry e ao mesmo tempo.
— Não me perguntem mais nada. É segredo. — Hagrid retrucou de forma impaciente.
— Mas, Hagrid, Snape está tentando roubá-lo! — murmurou irritada, eles estavam apenas tentando ajudar.
— Bobagem! — ele disse novamente — Snape é professor de Hogwarts, não faria isso.
— Então por que ele tentou matar o Harry? — perguntou Hermione, dessa vez. Harry e Rony se entreolharam, finalmente ela e haviam se convencido que eles dois estavam certos.
— Vocês estão enganados! Snape não iria matar um aluno! — Hagrid dizia extremamente convencido. — Escutem bem, vocês quatro estão se metendo em coisas que não são de sua conta. É extremamente perigoso, esqueçam tudo o que sabem sobre Fofo e o que ele guarda, isso só diz respeito ao Professor Dumbledore e Nicolau Flamel!
— Nicolau Flamel? — Harry indagou com a sobrancelha arqueada. Hagrid pareceu irritado por ter dito o nome sem querer, era claramente a informação que faltava.

×××


sentiu braços abraçarem seu pescoço assim que se sentou na mesa da Corvinal, ela sabia que era o irmão e então tombou a cabeça para trás aproveitando a demonstração de carinho. Adorava receber abraços e ser mimada no dia de seu aniversário.
— Finalmente você vai parar de contar os dias! — exclamou Cedrico sorrindo, vendo a irmã cerrar os cílios, indignada. — Parabéns, pirralha, mesmo sendo insuportável eu amo você!
— Você não vive sem mim, Ced! — mostrou-lhe a língua.
— Vem, temos que ir em um lugar. — ele puxou a mão da irmã, quase a erguendo. Cedrico era alto e mil vezes mais forte que a irmã que era baixinha e magrela. se apoiou devidamente e colocou-se de pé seguindo o irmão
— Que inferno Cedrico, Diggory! Eu estou com fome! Papai e mamãe devem ter mandado meus presentes pela Bilks, eu quero veeeeer!
só parou de resmungar quando Hermione, Harry, Rony, Brian, Jadrien, Fred, Jorge, Lisa e Morag surgiram no jardim com um enorme bolo com morangos e muito chocolate gritando “surpresa!”.
— Pedi para que nossos pais enviassem o bolo de chocolate com morango da mamãe que você gosta. — Cedrico explicou, vendo que os olhos grandes e acinzentados da irmã marejaram.
— Vocês não existem! Eu nem imaginava...
— Não tinha nem como esquecer já que você lembrava todo dia, foi o mínimo. — Fred comentou fazendo todos rirem.
— Vocês se acostumam… — Cedrico disse e recebeu um tapa no ombro da caçula.
— Vamos comer! — disse enquanto ria, indo em direção a Lisa que segurava o bolo.
Depois que todos haviam provado o maravilhoso bolo da senhora Diggory e as tortinhas salgadas que haviam pegado da mesa do café da manhã, o pessoal começou a entregar os presentes.
— Mamãe providenciou assim que comentei em uma das cartas sobre a surpresa que faríamos. — Rony explicou entregando um embrulho. — É de nós todos.
abriu o embrulho entusiasmada, se deparando com um lindo cachecol azul celeste, a garota abraçou a peça fofinha e sorriu para os irmãos Weasley.
— Obrigada, meninos, eu amei! Agradeçam a senhora Weasley por mim.
— O próximo é o meu! — Mione entregou a caixinha azul. a abriu e se deparou com uma pulseira linda, que provavelmente tinha sido feita pela amiga. — Fui eu quem fiz, tenho uma igual. Nunca fui de ter amizades e nesses meses você foi tão importante, me ensinou tanta coisa… Ok, isso é extremamente brega falando em voz alta.
— Eu achei incrível! — disse com os olhos marejados abraçando a amiga — Obrigada, Mione!
Brian e Jadrien lhe deram doces que trouxeram da ida a Hogsmeade, Lisa e Morag lhe deram um livro sobre quadribol que ela ainda não tinha. Cedrico entregou a ela o maior embrulho.
— A ideia foi minha, papai e mamãe compraram, então é de todos nós. Tem também as cartas deles, depois você lê. — Cedrico apressou a irmã, logo as aulas do dia iriam começar e ela ainda tinha que levar tudo aquilo para o seu dormitório. quase caiu para trás, mas conteve-se em soltar gritinhos animados ao ver o kit para preparo de poções com ingredientes e instrumentos para fazê-las. Ele sabia que a irmã adorava praticar algumas em seu tempo livre, sempre pegava os utensílios dele.
— Sua irmã tem gostos peculiares… — Brian fez careta ao falar com Cedrico, arrancando risadas de todos.
— Realmente, cara, se meus pais me dessem um kit para poções eu iria chorar e me sentir ofendido… Mas ela amou! — Jorge disse agoniado, apontando para ela com uma careta, dessa vez até riu.
— Vamos, pessoal? — Lisa perguntou olhando a movimentação dos alunos para fora do salão principal.
pegou todos os presentes e ia seguindo os amigos quando ouviu Harry a chamando.
— Ei, ! — ele a alcançou, os amigos foram na frente deixando-os à sós no lugar que ocupavam antes. — Eu não tinha pra quem pedir para comprar um presente, acabei cometendo a burrada de pedir para os gêmeos e… bem… claro que eles iriam fazer alguma graça. Lamento por não ter sido algo mais legal… — Harry coçou a nuca, extremamente vermelho e estendeu a ela uma caixinha de chocolates decorados com formato de coração. arregalou os olhos surpresa, mas riu assim que pegou. Aquilo era constrangedor, e era a cara dos gêmeos Weasley. Eles tinham que tirar uma com a cara do Potter, claro.
— Não, Harry, imagina. — a garota sorria, o que fez com que ele se sentisse mais confortável, ela tinha entendido que não tinha sido a intenção, certo? — Eu entendo, tá tudo bem. Obrigada pela intenção, não se preocupe, eu adoro chocolate!
Eles ficaram se encarando por alguns segundos e depois de um tempo caíram na gargalhada, a cada dia pareciam se entender ainda mais e se tornavam ainda mais amigos.
— Bem, temos que correr pra aula… Ainda tenho que levar isso tudo. Obrigada pelos corações! — ela piscou e saiu rindo deixando para trás um Harry ainda vermelho e querendo se afogar no Lago Negro.
— Não sei se me afogo ou se afogo os Weasley… — respondeu a seus próprios pensamentos enquanto batia com a mão na testa.

Quatro - Quem Diabos é Nicolau Flamel?

Dezembro de 1991


Novembro e dezembro passaram voando com a correria das aulas, treinos e jogos de quadribol (para Harry, no caso) e nos tempos livres uma busca incansável pelo tal Nicolau Flamel na biblioteca.
Harry e Rony pareciam realmente envolvidos na causa, visto que todos os dias estavam lendo livros e mais livros, já para e Hermione aquilo parecia uma questão de honra, pois a Diggory afirmava sempre que podia que aquele nome lhe era familiar, essa sensação de saber e não se lembrar estava a deixando irritada, odiava quando isso acontecia e fazia questão de procurar ainda mais abastecida pela curiosidade, mas principalmente pela força do ódio.
A força do ódio também a guiava nas três aulas de História da Magia durante as manhãs de sexta-feira, por Merlin aquela aula era um saco! A parte boa era ter a tarde inteira livre depois da sessão de tortura.
Assim que o horário terminou, os alunos, como de costume, faltaram voar (certamente o fariam se tivessem vassouras próprias) para fora da sala e não foi exceção, indo diretamente para o Salão Principal, que estava fabuloso. Haviam festões de azevinho e viscos pendurados por todos os lados, além, é claro, de doze enormes árvores de Natal dispostas pelo salão, umas tinham brilhantes cristais de neve e outras eram iluminadas por velas. não via graça em todo o encanto da sociedade pelo Natal, costumava ser indiferente à essa época do ano, mas era a primeira vez que ela via de perto as decorações do Professor Flitwick e da Professora Minerva, que todos os anos, eram tão elogiadas por Cedrico. E então, parada na pomposa porta do salão, Diggory observava a cena com o coração repleto de admiração, certamente, algumas concepções mudaram ali.
Despertando completamente dos devaneios, a corvina caminhou até os amigos, que conversavam com Hagrid em um canto.
— Que tal nos dar uma pista? — rogava Harry a um Hagrid impassível — Nós já lemos o nome dele em algum lugar, você só nos poupará tempo…
— Não digo uma palavra. — sentenciou o guarda caça decidido. Logo ela pode deduzir o assunto.
— Nós vamos descobrir uma hora ou outra, Hagrid. — confirmou uma Diggory confiante, deixando Hagrid aborrecido.
— Vamos, , temos algum tempo antes do almoço. — Hermione segurou o braço da amiga e o quarteto rumou para a biblioteca. A busca se tornava difícil por não saber o que Flamel poderia ter feito para aparecer em um livro e, é claro, pelo tamanho da biblioteca e suas dezenas de milhares de livros. Eles decidiram se separar, Hermione foi verificar uma lista de assuntos e títulos que tinha decidido pesquisar, Rony começou a tirar vários livros aleatoriamente de uma prateleira qualquer, certamente esperando que a sorte estivesse a seu favor ou que um milagre acontecesse, lia um livro sobre os avanços recentes na magia e Harry optou por vagar até a Seção Reservada, o que funcionou por alguns minutos, até que foi pego.
— O que você quer ai, garoto? — Madame Pince contestou com uma cara feia.
— Nada… — e então ela lhe apontou um espanador de penas empoeirado.
— Então é melhor dar o fora daqui, anda! — Harry saiu correndo irritado consigo mesmo por não conseguir pensar em uma boa desculpa rápido o suficiente para se safar, tudo que eles precisavam era de uma longa busca sem serem interrompidos ou vigiados por Madame Pince.
O garoto se escorou em uma das paredes do corredor e cinco minutos depois se reuniu com os amigos, esperançoso de que eles tivessem tido mais sucesso que ele na busca, mas foi como levar um balde de água fria na cabeça quando os três, sem trocar palavra alguma, apenas negaram com a cabeça, colocando-se então a caminho do salão para o almoço.
— Vocês devem continuar a busca enquanto estivermos fora. — Hermione recomendou, recebendo um aceno de cabeça como resposta. Harry e Rony ficariam no castelo durante o feriado.
— Envie Edwiges caso encontrem algo, farei o mesmo com Bilks. — sugeriu a Harry que assentiu.
— Vocês poderiam perguntar aos seus pais sobre Flamel, não haveria perigo, certo? — Rony questionou.
— Não creio que seria de grande serventia, meus pais são dentistas, não saberiam responder. — Mione deu de ombros.
— Mas tem a desculpa perfeita, diga que está curiosa e perturbe eles, como sempre faz. Seus pais e Cedrico certamente não vão desconfiar! — Harry incentivou com um sorriso zombeteiro.
— Ei! — ela riu dando uma cotovelada no amigo. — Se papai não me enxotar de casa por não ter sido selecionada pela Lufa-lufa, com certeza farei isso.
Depois do almoço, foi até o dormitório e terminou de arrumar a mochila que levaria para casa no tempo que lhe restava antes de irem pegar o trem. O caminho de volta para casa foi divertido, ela, Hermione, Jadrien, Brian e Cedrico vieram parte do percurso jogando snap explosivo, a outra parte ela dormiu encostada na janela, extremamente receosa de ver o pai pela primeira vez depois que entrara em Hogwarts.
A única carta que ele enviou em todos esses meses foi a do aniversário dela, não que ele fosse de demonstrar tanto afeto assim, mas a Diggory caçula sentia falta do pai, vê-lo mandando cartas para o irmão e para ela não era horrível.
Assim que desceram na plataforma, e Cedrico logo avistaram a mãe ao longe procurando-os entre a multidão de alunos. Eles se despediram brevemente dos amigos e caminharam até a mulher que os aguardava ansiosa.
! Ced! Ah meus filhos! — a mulher os abraçou de uma só vez, os irmãos se olharam, constrangidos pela demonstração tão escancarada de afeto, mas retribuíram o carinho mesmo envergonhados. — Vamos logo pra casa, preparei batatas recheadas para o jantar.
— E o papai? — Cedrico perguntou enquanto caminhavam para a saída da estação.
— Ficou até mais tarde hoje, problemas no Ministério… — a mãe deu de ombros os guiando até o estacionamento. Os Diggory tinham um carro pequeno para esses tipos de ocasião. O caminho até Ottery St. Catchpole foi tranquilo, comentou brevemente sobre seus meses em Hogwarts e ficou calada pelo resto do trajeto, o que não passou despercebido por Taís e Cedrico.
Não era todo dia que uma tagarela como Diggory ficava calada.
Poucos minutos depois que Amos havia aparatado na sala, os três restantes entraram na casa.
— Meu garoto! — Amos saldou o primogênito com um abraço e tapinhas nas costas. Assim que eles se separaram, a expressão animada do Sr Diggory “murchou”, ele tentou sorrir e ir na direção dela para disfarçar, mas era tarde demais, os olhos da garota já haviam percebido, ela ergueu a mão para que ele parasse.
— É bom vê-lo também, papai. — murmurou somente virando-se para a mãe, os olhos cintilantes — Vou tomar um banho antes do jantar, tá?
— Tudo bem, querida.

×××


Ela não demorou a descer, por mais que quisesse, e encontrou os pais e o irmão entusiasmados em um assunto qualquer enquanto a esperavam para o jantar.
! Estava contando para mamãe e papai como foram os jogos de quadribol até agora…
— O da Grifinória contra Sonserina foi desesperador, mas o da Lufa-lufa contra Corvinal eu consegui assistir em paz e até apreciar a vitória. — ela sorriu ao se sentar na mesa.
— Realmente, Harry Potter é o novo apanhador da Grifinória, pai, ele quase caiu da vassoura, parecia ter perdido o controle dela — Cedrico contava, sentia agonia só de lembrar.
— Perdeu o controle da vassoura? Tem certeza de que ele é bom como você diz, filho? Ora… Se fosse, realmente, isso não teria acontecido. — Amos se servia, a voz carregada de escárnio.
— A vassoura estava sendo azarada, assim até o melhor apanhador do mundo se esfola no chão. — exclamou irritada, só se dando conta do que havia falado quando os outros três a olhavam chocados. — Digo, uns alunos da Sonserina fizeram algumas gracinhas com a vassoura. Harry me contou que a Professora Minerva descobriu depois, ela os puniu e não fez tanto alarde do caso, sabe como é… Eu nem deveria saber disso, então já sabe, né? — ela sorriu amarelo, olhando especificamente para o irmão, em um pedido mudo para que ele ficasse calado, que assentiu ainda chocado.
— Isso é um absurdo! Ora, não conheço um Sonserino que preste… Que barbaridade. — o pai comentava indignado enquanto a garota só concordava com a cabeça, ela achava a fala do pai completamente preconceituosa, mas só queria mudar de assunto e não se enrolar ainda mais na história que contava. — E como é ter aula com o famoso Harry Potter?
— É… Normal? — franziu a testa.
— Potter é um garoto aparentemente humilde. — Cedrico completou.
— Isso é ótimo, seria horrível se ele se vangloriasse por ter acabado com Você-sabe-quem, pois ele perdeu os pais no mesmo dia. — Taís disse pesarosa — Enfim, querida, conte para nós como está sendo as aulas? Sobre os amigos que fez...
— Ah, gosto de todas as aulas, menos a de História da Magia. — ela fez uma careta arrancando risadas da mãe — E meus amigos são legais, eles ajudaram o Ced com a surpresa no meu aniversário e nos divertimos juntos.
passa a maior parte do tempo dela na biblioteca, mãe, mal consigo encontrá-la nos corredores! — Ced sorriu para a irmã, notando que ela estava ficando menos desconfortável.
— E você esperava algo diferente vindo da sua irmã? — perguntou Taís sorrindo para a filha.
— Seria uma das melhores alunas da Lufa-lufa, assim como seu irmão… — Amos comentou sonhador.
— Eu posso ser a melhor onde estou também, pai. — ela suspirou tentando manter o controle — Não que eu precise disso, não preciso provar nada para ninguém, acho perda de tempo.
— Não é perda de tempo, . Você descende dos melhores, e deveria repensar se quiser ter um emprego bom no futuro, para isso tem que estar entre os melhores… Já que não foi para a mesma casa de todos os membros da família, pelo menos faça o melhor que pode onde está. — Amos sentenciou de maneira rude.
— Pode deixar… Vou fazer de tudo para não o envergonhar ainda mais. — ela retorquiu no mesmo tom ao se levantar. — Desculpa, mãe, o jantar está maravilhoso, mas eu perdi a fome.
E tudo que Taís e Cedrico observaram a seguir foi correr pelas escadas e em seguida, o barulho da porta batendo ecoou por toda a casa.
— Amos… — Taís começou com a cara fechada.
— Não começa, ela precisava ouvir algumas verdades. — ele continuou comendo, como se nada tivesse acontecido, sem remorso algum.
— Não, pai, ela não merecia. Você sabe muito bem que ela não tem culpa, não é como se fosse uma escolha dela! — Cedrico havia perdido a paciência também.
— Claro, claro… — ele murmurou de maneira irônica — Não entendo onde foi que erramos com ela, ora, veja só você, foi criado da mesma maneira e não é assim.
— AMOS DIGGORY — Taís gritou enfurecida. — Falar que você os criou da mesma maneira é ridículo… COMPLETAMENTE RIDÍCULO! Talvez tenhamos errado mesmo, nós dois, você por agir de forma COMPLETAMENTE MACHISTA e achar que Cedrico merece mais atenção por ser homem e mais velho e eu por permitir que isso acontecesse. ELA É UMA MENINA, AMOS! Uma menina que cresceu à sombra do irmão, invisível aos olhos do pai se sentindo deslocada! Excluída! SE SENTINDO MENOS AMADA! — a mulher colocou as mãos no rosto e em seguida massageou as têmporas tentando se controlar. — Cedrico, querido, suba para ver como está a sua irmã, já encontro com vocês.
— S-sim, senhora. — poucas vezes na vida o garoto havia presenciado a mãe gritar, ou presenciado uma discussão dos pais, e não podia negar a si mesmo que aquilo o assustava. Ele se levantou correndo na escada, ouvindo a mãe dizer por último.
é uma garota espetacular, se você não tem capacidade para incentivá-la e amá-la, POR FAVOR, NÃO ATRASE A VIDA DELA!
Cedrico sentiu-se inútil ao ver a pequena garota encolhida em sua cama, abraçada com um pelúcio de brinquedo que havia ganhado do pai quando mais nova, soluçando baixinho. Não sabia o que falar, nem o que fazer para que ela parasse de chorar. Sentia-se culpado, era visível a diferença da relação do pai com ele e com ela, mas nunca ouvira aquilo de sua mãe, nunca tinha percebido isso como algo que pudesse atrapalhar o desenvolvimento da irmã. Ele suspirou angustiado, ainda sem saber o que fazer, com medo de que a irmã não o quisesse por perto, afinal, ele era o motivo daquilo tudo também. Mas se sentou na cama, fazendo um carinho nos cabelos da menina.

— Tá tudo bem, Ced, eu não ligo. — ela se sentou e o encarou por alguns segundos, forjou um sorriso e tentou limpar as lágrimas de maneira desesperada.
— Me desculpa… — o irmão começou, com os olhos marejados.
— Isso não é sua culpa, Cedrico, de maneira alguma! Nunca mais pense isso! — ela pediu, chorando ainda mais, já bastava ela chorando ali, não ia aguentar ver o irmão sofrendo com um fardo que não era dele. — Vem cá...
A garota o puxou para um abraço e escondeu o rosto em seu peito.
— Você quer conversar? — ele assistiu a garota negar com a cabeça e deitando na posição anterior. — Quer que eu saia daqui? — novamente ela negou, o lufano deitou ao lado dela e a abraçou novamente em seguida. — Então vou ficar aqui, abraçado com a minha irmãzinha, como nos velhos tempos.
E então ele ouviu uma risada baixinha que o inundou de alívio, por ver que de alguma maneira, havia ajudado a melhorar o humor da irmã, a garota que, antes de qualquer namoradinha em Hogwarts, era a mais importante em sua vida.
Depois de uma discussão ainda mais pesada com o marido, Taís subiu para ver como estavam os filhos, em todos os seus anos como mãe e esposa, prezava por não desautorizar ou brigar com o marido na frente deles, se sentia péssima por ter feito Cedrico presenciar o começo caloroso, ela sabia que ele deveria estar assustado e a filha mais nova desolada. Mas tudo que ela encontrou foi a cena que seu coração precisava para se acalmar, os filhos abraçados e adormecidos, ainda tinha o rosto vermelho e inchado, mas estava com um sorrisinho preso no canto dos lábios.
A mulher sabia que tinha filhos de ouro, amava-os mais até que a si mesma. Com os olhos marejados e com o peito apertado pelos acontecimentos recentes, ela se aproximou cobrindo os dois com uma coberta e fechando a janela. Antes de sair, observou ainda mais a cena, guardando cada detalhe do que parecia ser a calmaria em meio ao caos.
Seus filhos estavam bem, ficariam bem. E se eles ficassem, ela também estaria.

×××



Durante o resto do recesso as coisas ficaram estranhas na casa dos Diggory, aquele fora, com certeza, o Natal mais silencioso que já presenciou. O Sr e a Sra Diggory cultivaram nos filhos algo que eles tinham de sobra: o amor pela música trouxa, todos os anos era quase que uma tradição nos feriados de final de ano a família dançar e cantar junto. Mas não naquele Natal, nem as músicas tocavam para cortar o silêncio constrangedor.
O ápice de interação entre ela e o pai foi quando ela conseguiu realizar uma poção Herbicida para que a mãe usasse no jardim e dois dias depois, conforme o tempo indicado no livro que ela pegara de Cedrico (já que era uma poção ensinada no terceiro ano), as ervas daninhas que incomodavam tanto Taís haviam sumido. A garota saiu correndo até a mãe e o irmão para contar que havia dado certo, o que acabou chamando a atenção de Amos, que lia o profeta diário sentado no sofá. A mãe rasgou inúmeros elogios para a filha, assim como Cedrico.
Depois que o filho deixou escapar que havia tido dificuldades em realizar a poção durantes as aulas e que adoraria que a irmã o ajudasse a entender o que havia feito errado, o único comentário que Amos fez foi um “parabéns filha” com a voz monótona e sem sequer tirar os olhos do jornal, sabia que, por ora, vindo do pai, aquilo era o máximo que iria ter.
Ela também não esqueceu que deveria perguntar aos pais sobre Nicolau Flamel, como havia combinado com os amigos, já que nos livros que eles tinham em casa ela não havia encontrado nada. Durante a noite da véspera de ano novo, quando os Diggory já haviam jantado e esperavam dar meia noite para assistir à queima de fogos no vilarejo trouxa perto dali, decidiu ir ao quarto pegar um dos doces que havia ganhado de Hermione no Natal e optou pelo Sapo de Chocolate. Ela não tinha muito apreço pelas figurinhas, sempre as entregava para o irmão que colecionava, mas ao ver a foto de um Dumbledore com aparência simpática interessou-se em lê-la.
“Alvo Dumbledore, atualmente diretor de Hogwarts. Considerado por muitos o maior bruxo dos tempos modernos. Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado Grindelwald, o bruxo das Trevas, em 1945, por ter descoberto os doze usos do sangue de dragão e por desenvolver um trabalho de alquimia em parceria com Nicolau Flamel. O Professor Dumbledore gosta de música de câmara e boliche.”
quase cuspiu o chocolate que mordia, mas arregalou os olhos e leu a figurinha pelo menos umas três vezes, ainda não acreditando no que via.

×××



A volta para o castelo foi eufórica, assim que mostrou a figurinha para Hermione, as garotas ficaram elétricas com a possibilidade de descobrir o que tanto havia lhes irritado nas últimas semanas. Hermione sabia exatamente o livro que devia procurar, mas havia o deixado no dormitório antes do recesso.
Assim que desceram das carruagens, as garotas correram até o Salão Principal para procurar Harry e Rony, mas eles provavelmente estariam na Torre da Grifinória.
— Como já já é o horário do jantar e eu tenho que ir lá pegar o livro de qualquer jeito, vou até lá, chamo os dois e nos encontramos no corredor.
— Ok, vou me arrumar pro jantar e deixar a mochila no quarto também. — disse ofegante enquanto Mione confirmava com a cabeça e em seguida, ambas correram em direções contrárias para seus respectivos destinos. Tempo depois, ao voltar ao local combinado, os três amigos a esperavam
— Ok, eu só preciso achar… — Mione folheava o livro ansiosamente.
— Certo, eu trouxe a figurinha pra vocês verem. — deu de ombros, entregando-a aos garotos.
— Eu não consigo acreditar… Tenho umas cinco dessas e nunca iria ligar os pontos. — Rony fez careta.
— Aqui! — Mione exclamou — Eu sabia!
— O que? — perguntaram os outros três angustiados.
— Nicolau Flamel é, ao que se sabe, a única pessoa que produziu a Pedra Filosofal… — sussurrou Granger.
— É isso! — exclamou agora dando pulinhos, mas parou quando viu que Rony e Harry olharam para ela e Hermione claramente confusos. — Gente, a Pedra Filosofal… Claro que é isso que Snape está tentando roubar!
— A o que? — os garotos questionaram.
— A Pedra Filosofal pode transformar qualquer metal em ouro e produz o Elixir da Vida, que torna quem o ingere imortal. — explicou brevemente.
— Francamente… Vocês não leem não? — Hermione murmurou inconformada entregando aos dois o livro. — Viram só? É isso que o cachorro deve estar guardando, com certeza Flamel pediu a Dumbledore que a guardasse em segurança, porque são amigos...
— E com certeza Flamel sabia que havia alguém atrás dela, por isso Dumbledore a tirou de Gringotes. — Diggory concluiu o pensamento recebendo um sorriso e um aceno de cabeça da amiga.
— Ser rico e imortal? Não me admira que Snape esteja atrás dela, qualquer um estaria! — Harry exclamou.
— Não me admira que não o tenhamos encontrado em Estudos dos avanços recentes em magia… O cara tem seiscentos e sessenta e cinco anos, se tem uma coisa que não é, é recente! — o comentário de Rony fez os amigos rirem completamente aliviados, finalmente.

×××



Os dias seguintes foram tranquilos, até chegar o sábado do jogo da Grifinória contra a Lufa-lufa. Rony, Mione e haviam bolado um plano para agir caso Snape tentasse algo contra Harry novamente. quase não conseguia disfarçar o receio que sentia de algo acontecer ao garoto e automaticamente lembrava de seu quase desmaio.
Para o alívio do quarteto, Dumbledore decidiu dar o ar da graça no jogo, ao ver a barba prateada iluminada pelo sol Harry quase deu uma gargalhada. Mas, por via das dúvidas, os outros três acordaram de ficar espertos quanto ao professor. se despediu brevemente dos amigos e foi até a arquibancada onde os alunos da Corvinal estavam, visto que era mais próximo de onde Snape iria apitar o jogo.
Para a felicidade dos grifinórios, o jogo não durou muito, menos de cinco minutos foram suficientes para Potter pegar o pomo e então Diggory pode caminhar lentamente, enquanto a multidão se dissipava, para perto de Ron e Mione. Correndo somente quando viu o amigo ruivo acertando o olho de Malfoy e logo em seguida Neville sendo acertado pelos capangas do loiro. Logo os três idiotas saíram correndo antes que fossem pegos.
— Por Merlin, o que houve? — perguntou ofegante para Hermione que olhava para Neville agoniada.
— Malfoy falando merda, eu o dando uma lição e o Neville sendo acertado por um, hm… erro de planejamento. — Rony explicou com uma careta ao olhar o amigo.
— Venham, temos que levá-lo a Madame Pomfrey. — correu em direção ao garoto desacordado, assim como os outros dois.
Depois que Madame Pomfrey os expulsou da enfermaria, assegurando que Neville ficaria bem logo, os três foram ao Salão Principal, para verificar se Harry estava lá. A mesa da Grifinória estava milagrosamente vazia, então a garota não viu problema de se sentar lá por alguns minutos com os outros dois.
— Ei, o que vocês ainda fazem aqui? E cadê o Potter? — Fred saudou cochichando, enquanto tinha os bolsos cheios de guloseimas da cozinha.
— Viemos jantar e procurar por Harry também. — Mione explicou com a sobrancelha arqueada, como se perguntasse o porquê.
— Certo, assim que o encontrarem venham até o salão comunal, Jorge e eu conseguimos algumas coisas na cozinha e vamos dar uma festa. — ele certificou que ninguém estava por perto — Damos um jeito de você entrar e aproveitar conosco, .
— Entrar ela até entra quando falarmos a senha, o problema é não ser dedurada por Percy. — Rony lembrou o irmão, que riu e debochou logo em seguida:
— Você acha mesmo que Percy vai sair do quarto um mês antes dos exames? Ele está trancado no dormitório, só sai na hora das rondas.
— É como todos deveriam estar… Estudando! Logo vêm as provas e... — Hermione revirou os olhos.
— Mione, você sabe que temos que ter equilíbrio, uma noite só não faz mal, precisamos nos divertir também… — cutucou a amiga e olhou para Fred sorrindo — Assim que acharmos o Potter nós vamos, ok?
— Ainda acho que te colocaram na casa errada… — Jorge comentou.
— Claro que não! Sou corvina até o último fio de cabelo! — exclamou com a mão no peito, como se estivesse ofendida.
— Sei… Sei… E está fazendo o que na nossa mesa mesmo?
— Só não te mando ir a merda porque você tem que correr daqui antes que seja pego surrupiando comida! — ela cochichou entredentes para o ruivo que saiu dali correndo e rindo.
— Vai dar problema se te pegarem lá, … — Mione tentou alertar, mas Rony a interrompeu.
— Mione, você esqueceu que Harry tem a capa da invisibilidade? Se alguém aparecer, acha mesmo que ele deixaria ser pega?
— Fica tranquila, Mione, é só dessa vez.
— Vou me lembrar disso, Diggory, talvez agora não tenha utilidade pra jogar isso na sua cara, mas no futuro… — Mione comentou a olhando com um sorriso convencido.
— O que está querendo insi…
— Harry! — Mione exclamou estridente, se livrando de explicar a teoria que tinha formado há alguns dias para a amiga. — Onde é que esteve?
— Vencemos! Você venceu! Nós vencemos! — Rony deu alguns tapinhas nas costas do amigo quando esse se sentou ao seu lado. — Eu deixei o olho do Malfoy roxo e o Neville tentou enfrentar Crabbe e Goyle sozinho! Ele tá na Madame Pomfrey… Desacordado. Mas ela disse que ele vai ficar bem logo, isso que é mostrar pra Sonserina! Todos estão te esperando no salão comunal, estamos dando uma festa, Fred e Jorge roubaram umas coisinhas nas cozinhas, até a vai! — tagarelou Weasley de uma vez só. Harry arregalou os olhos para a Diggory e suspirou.
— Deixem isso pra lá agora, vamos procurar um lugar vazio, vocês precisam ouvir isso…
Os amigos caminharam por um tempo até acharem, certificaram que Pirraça não estava lá e fecharam a porta.
— Tínhamos razão! Ouvi Snape e Quirrell falando sobre a pedra! Snape está tentando obrigar o Quirrell a ajudá-lo a roubar. Snape perguntou a ele se sabia como passar por Fofo e falou sobre as mágicas de araque dele ou algo assim. Imagino que haja outras coisas protegendo a pedra, um monte de feitiços provavelmente. Quirrell deve ter feito um que Snape não sabe o contra feitiço para entrar…
— Então a pedra só está segura enquanto o Quirrell resistir ao Snape? — perguntou Hermione aturdida.
— Isso quer dizer que na terça feira ela terá desaparecido… — Rony concluiu.
— E o que faremos? — perguntou Mione.
— Acho que o melhor é ficar em alerta e correr para avisar Dumbledore caso algo ocorra. Ninguém vai acreditar em quatro crianças sem prova nenhuma… Digo, é a palavra de Harry contra a de um professor! — exclamou alarmada.
— Tem razão… Vamos ficar atentos. — Harry concordou com a garota e em seguida os outros dois amigos também.
— Agora podemos ir? Estou com fome… — Rony sorriu amarelo, enquanto os outros assentiram rindo.
, vai mesmo com a gente? — Potter questionou surpreso, ainda não acreditava que a corvina teria concordado de bom grado quebrar algumas regras.
— Claro, vocês só vão ter que me ajudar a não ser pega!
— Isso é o de menos, depois te deixo no seu salão comunal com a capa e volto. — ele deu de ombros despreocupado, Mione observava a interação que endossava sua teoria, mas não podia negar que ainda estava preocupada com o risco que a amiga se colocaria.
Os quatro caminharam até o quadro da mulher gorda, Rony falou a senha e eles entraram. Todos foram encher um pouco o saco do Potter, então ninguém pareceu notar a presença de ali. A garota olhava para o local abismada, era bonito e aconchegante, mas nunca seria tão bonito quanto a comunal da Corvinal, e então a garota riu baixinho, lembraria de provocar os gêmeos com isso depois.
— O que vocês pensam que estão fazendo? — Percy apareceu assim que ouviu a algazarra de quando todos começaram a jogar Harry pra cima comemorando a vitória, ele olhou todo o salão, parecia que farejava que algo estava errado, então ele fixou os olhos na Diggory que sorriu quando viu que ele vinha em sua direção — O que ela faz aqui? Isso é…
— Você não deveria estar lá em cima estudando? — Fred surgiu tentando distraí-lo.
— Me respondam, o que uma aluna de outra casa faz aqui? — perguntou novamente.
— Ela veio aproveitar a festa, oras… — Jorge respondeu — Nós que convidamos.
— Eu vou chamar a Professora McGonagall agora mesmo. E os outros TODOS PARA CAMA! — e então os outros alunos vaiaram.
— Eu não faria isso se fosse você… — Harry começou — Seria sua palavra contra a nossa.
— Garanto que minhas colegas de quarto também fariam questão de comentar como eu estava lá no dormitório lendo meu livro de transfiguração. E ah, ainda tem Penélope, ela adoraria me fazer um favorzinho, sabe como é, ela e eu somos muito boas guardando os segredos uma da outra… — observou Percy empalidecer quando ela tocou no nome da monitora da Corvinal a qual ele beijava por aí sempre que tinha oportunidade, ele sabia do que ela estava falando.
— Só… Tente não ser pega. — o monitor declarou ainda desorientado.
— Claro, — sorria — vocês me viram aqui gente?
Ela obteve um coro de “não” de todos que estavam ali presentes, não tinha como não adorar ver alguém enfrentar Percy e toda sua arrogância. O monitor bufou e voltou ao dormitório, o que permitiu que a festa continuasse.
— Isso foi… — Fred começou.
— Fantástico! — Jorge completou rindo.
— Sabe como é né? — ela olhou para Fred — Os corvinos sabem aproveitar bem os limões que a vida dá, sempre fazem limonadas maravilhosas.
— Nunca duvidei, — ele ergueu as mãos como se rendesse, arrancando risadas dela.
— Certo, mas que segredo é esse? Adoraria saber pra poder jogar na cara dele assim também! — Rony quem disse, com a boca cheia, olhando a amiga abismado.
— Ah, Ron, como falei pra ele, sou realmente boa guardando segredos. — ela deu de ombros. — E, Harry, pelo amor, vai pegar a capa! Se a Minerva aparece aqui eu não tenho bons argumentos para usar com ela.
A festa seguiu, algumas meninas do quarto ano conseguiram fazer um rádio funcionar e começar a dançar animadas algumas músicas trouxas que faziam sucesso.
Mione e Ron jogavam xadrez de bruxo enquanto comiam alguns salgadinhos, os gêmeos sumiram para fazer sabe-se lá o que, Diggory viu que a melhor opção para se esconder caso desse merda era ficar sentada no parapeito e puxar as cortinas caso alguém entrasse, já que Harry ainda não tinha aparecido com a capa depois de pouco mais de uma hora. Certamente havia sido parado por alguém, afinal, ele era o fucking Potter que pegou o pomo em menos de cinco minutos, era o herói do dia e ela não queria atrapalhar a festa do amigo. Ele merecia o momento de glória.
Começou a tocar “Losing my religion”, uma música que havia sido lançada há alguns meses atrás e que ouviu enquanto estava em casa. Era boa decorando as letras, então aproveitou que estava sozinha e começou a cantarolar baixinho com os olhos fechados.
— I thought that I heard you laughing, I thought that I heard you sing, I think I thought I saw you try… CACETE, POTTER. — a garota berrou assim que abriu os olhos e deu de cara com o amigo, que agora ria da cara dela.
— Vim trazer a capa. — ele sentou do lado dela encarando — Não sabia que gostava de músicas trouxas… E nem que sabia cantar.
— Eu não sei cantar. — ela disse desviando o olhar — E, se tem algo que não consigo apreciar no mundo bruxo são as músicas…
— Sei como é, ouvi algumas e detestei também.
— Os trouxas têm os Beatles, não tem como superar os Beatles! — ela murmurou rindo e acabou se empolgando — Eu e minha família amamos as músicas trouxas, todo natal nós cantamos e dançamos juntos, é ridículo ver, mas eu particularmente amo estar ali passando vergonha junto! — e então o sorriso murchou quando ela lembrou do natal de semanas atrás.
— Tá tudo bem? Quer conversar? — Potter perguntou a olhando de maneira compreensiva.
— É que… Bem, esse Natal não foi como os outros. — não sabia se estava a vontade para falar, mas quando sentiu que choraria e recebeu um afago no ombro, ela entendeu que precisava conversar com alguém. Cedrico até a escutaria, mas se sentiria culpado e definitivamente ela não queria isso.
— A gente pode aproveitar que falta uma hora para as rondas começarem e ir lá fora… Pra você, hm, se sentir mais à vontade se quiser, depois aviso a Mione sobre seu sumiço.
— É melhor, se ela me ver chorando vai surtar. — a garota sorriu fraco e então eles saíram dali.
— O que aconteceu no Natal?
— Foi um pouco antes, para falar a verdade. Papai está bem irritado por eu não ter ido pra Lufa-lufa, como comentei antes. — ele assentiu se lembrando — Nossa relação sempre foi um pouco… Atípica. Ele trata meu irmão como “o garoto dele”, se orgulha e fala de tudo que ele faz, até quando Cedrico está errado ele dá um jeitinho de desconversar. É super carinhoso e atencioso… Mas comigo é como se nada nunca estivesse bom, nunca serei tão boa quanto meu irmão e, bem, não ter ido para a casa que ele, meus avós e todos antecedentes foram, foi mais uma prova de que não sou e nunca serei boa o suficiente como uma Diggory, como meu irmão é, como ele foi e etc. Ele fez um comentário bem desagradável no dia que chegamos para o recesso, mamãe e ele brigaram feio. Até o dia que voltamos eles ainda estavam estranhos um com o outro… Você já pode imaginar como foi o clima do Natal e dos dias seguintes.
— Desculpa, , mas seu pai é um idiota. — Potter exclamou indignado — Ele não conhece a filha que tem, você é uma das pessoas mais inteligentes que conheço e bem, nesse patamar só conheço você e a Mione… Você luta pelo que é certo, é humilde e honesta, bem eu poderia ficar a noite toda aqui falando sobre o quanto você é uma garota in… legal! — ele se tocou que estava falando demais — Você deveria, na próxima oportunidade, tentar mostrar pro seu pai como isso te afeta, ele é seu pai, tem que ser ele quem te apoia em primeiro lugar no mundo. Você já tentou falar isso com ele?
— Eu… Nunca tive coragem. — ela abaixou a cabeça, sentindo as lágrimas caírem — Mas mamãe falou um monte pra ele, nem assim ele demonstrou estar arrependido sobre o que disse. Mal me dirigiu a palavra esses dias todos.
— Acho que sua mãe ou Cedrico não podem falar exatamente como você se sente… Talvez isso tenha mais peso para ele quando você disser.
— Bem… Nunca tinha pensado por esse lado. Vou fazer isso quando vê-lo novamente.
— Agora, por favor, não chora mais! A gente pode voltar lá se você quiser, e dançar e cantar com os outros. Não vai ser como na sua casa, mas se te fizer se sentir melhor é um começo. — ele deu de ombros fazendo-a rir, estavam perto da torre da Corvinal.
— Obrigada, Harry, isso é muito gentil da sua parte, de verdade. — ela o abraçou rapidamente, a musculatura do garoto pareceu se enrijecer de susto e só aí ela notou o que tinha feito, dando um pulo para trás completamente envergonhada — Me desculpa, eu… é… Acho que não vou voltar, vou entrar e bem, pensar sobre tudo que me disse. Obrigada mesmo.
— Tá bom… De nada. B-boa noite então. — Harry coçou a nuca constrangido, céus, ela queria morrer.
— Boa noite Harry, você é um ótimo amigo. — ela frisou, para não parecer que, bem, para que ele não pensasse que ela gostava dele ou algo do tipo. Harry olhava de um lado pro outro acenando a cabeça.
E então ela correu até a entrada, rezando que o enigma da aldrava fosse fácil, já que com a cabeça atribulada não conseguiria pensar muito e corria o risco de dormir do lado de fora. Ela se surpreendeu ao ver que tinham mais uns três alunos lá, parados esperando que alguém viesse para solucionar a questão.
Lascou, se três tentaram e estão fora, vou juntar minhas trouxinhas com eles e dormir aqui. Tomara que algum deles seja conhecido, pelo menos… Ela pensava.
! — reconheceu Terêncio Boot desesperado, e logo ao lado dele estavam Goldstein e Mandy. Bom, pelo menos os três são conhecidos... — Estamos aqui há uns quarenta minutos tentando responder esse inferno!
— Aí céus… Vou tentar. — Diggory massageou as têmporas indo em direção a aldrava.
— O que quando está virado de lado é tudo e quando cortado ao meio não é nada? — questionou a aldrava, imponente como todos os outros dias. pensou por alguns instantes.
— A resposta é o número oito, quando virado ao lado é o símbolo do infinito e quando cortado ao meio é o zero…? — ela sentenciou incerta. Até quando os alunos tinham certeza ainda eram sujeitos a errar.
— Exatamente, muito bem observado! — a aldrava exclamou dando passagem ao salão comunal. respirou aliviada em poder descansar, ou simplesmente surtar de tanta vergonha do que acontecera minutos antes, em sua cama, assim como os outros três.

Cinco - Sonhos

Abril de 1992


Quirrell resistiu. Parecia acabado: estava mais magro e pálido, mas Fofo ainda rosnava na sala do terceiro andar, o que indicava que a pedra estava a salvo. e Mione começaram a surtar e revisar as matérias para os exames, que se aproximavam cada vez mais e acabavam arrastando Rony e Harry para a biblioteca. Logo a Páscoa chegou e inventou uma desculpa relacionada a correria para os exames e os deveres extras para não voltar para casa como Cedrico, que mesmo contrariado, encobriu a irmã.
, me fala três usos do sangue de dragão? — Hermione fazia uma espécie de chamada oral com os amigos.
— É curativo, limpador de fornos e ingrediente para algumas poções. — respondeu empolgada, sob olhares cansados dos dois garotos.
— Certo! — Hermione sorriu para a amiga e dirigiu seu olhar para Rony. — Rony, diga mais três.
— Eu nunca vou me lembrar disso. — o ruivo largou a pena e abaixou a cabeça entediado.
— Hagrid! — exclamou ao ver o gigante atraindo o olhar dos outros três.
— Rúbeo? O que faz na biblioteca? — Rony questionou.
Hagrid os olhou assustado e andou de fininho escondendo algo atrás de si.
— Só estou olhando… — seu tom inseguro logo tornou-se desconfiado — E vocês o que estão aprontando? Ainda estão procurando Nicolau Flamel?
— Ah não… Já descobrimos isso faz tempo! — Rony disse se gabando — Sabemos que o cachorro guarda a Pedra Filos…
— Shhh! Não saiam gritando isso por aí! — Hagrid falava olhando para os lados.
— Queremos perguntar algumas coisas pra você sobre as outras coisas que protegem a Pedra… — Harry começou, mas foi interrompido por Hagrid.
— Shhh! — fez novamente — Venham me ver mais tarde, não que eu vá contar algo, vejam bem, mas não saiam falando disso por aí, estudantes não devem saber disso, vão achar que fui eu quem os contei…
— Tudo bem, Hagrid, nos vemos mais tarde, então. — concordou e o gigante saiu com pressa.
— O que é que ele estava escondendo? — Hermione questionou pensativa.
— Será que tinha algo a ver com a Pedra? — devolveu Harry da mesma forma.
— Vou ver em que sessão ele estava… — Rony sugeriu, havia encontrado a desculpa perfeita para se afastar das incansáveis perguntas de Hermione. Ele voltou alguns minutos depois largando alguns livros na mesa. pegou um, olhando os dizeres “Do ovo ao inferno, guia do guardador de dragões” na capa.
— Dragões? — questionou ela em voz baixa.
— Rúbeo com certeza estava procurando coisas sobre dragões, olhe só esse outro: “Espécies de dragões da Grã-Bretanha e da Irlanda”... — Rony concluiu mostrando os outros livros.
— Rúbeo me disse que sempre quis um dragão na primeira vez que nos vimos… — confidenciou Potter, pensativo.
— Mas isso é ilegal, foi proibido pela Convenção dos Bruxos em 1709, todos sabem disso. Seria difícil os trouxas não repararem dragões sendo criados no quintal, além de ser perigoso domesticá-los. Vocês tinham que ver as queimaduras que Carlinhos recebeu de dragões selvagens na Romênia. — Rony disse, deixando uma Hermione surpresa, o que fez segurar o riso.
— O que será que Rúbeo está armando? — Hermione questionou.

×××


As cortinas da cabana estavam todas fechadas e fazia um calor infernal lá dentro, parte pelo calor natural que fazia aquele dia e parte pela lareira acesa. Bolota veio correndo alegre até a Diggory que fez um lembrete mental de vir mais vezes visitá-lo, a rotina de estudos para os exames estava fazendo-a perder a noção de tempo, precisaria administrar melhor isso.
— Você tá tão grande, carinha! — ele abanava o rabo e dava lambidas na bochecha da garota que ria com o carinho — Eu sei… Também senti sua falta!
Hagrid ofereceu um chá e alguns sanduíches de carne de arminho para os quatro que, apenas recusaram educadamente. Canino e Bolota dormiam com as línguas para fora, e Mione se abanavam discretamente sempre que dava e Rony tinha as bochechas tão vermelhas quanto o cabelo devido a temperatura elevada.
— Então, vocês queriam me perguntar alguma coisa? — Hagrid questionou enquanto colocava a chaleira na pia.
— Queríamos — Harry disse direto — Estivemos pensando se você poderia nos dizer o que protege a Pedra Filosofal além do Fofo.
— Claro que não posso dizer! — o guarda caça respondeu com a cara amarrada — Primeiro que nem eu sei e não diria mesmo que soubesse. Segundo: vocês já sabem demais! Aquela pedra está aqui por um bom motivo, quase foi roubada de Gringotes. Suponho que vocês já chegaram até essa conclusão… Fico até espantado que saibam sobre Fofo!
— Ah, Rúbeo… Talvez você não queira nos dizer, mas você sabe tudo que acontece em Hogwarts. — Hermione falou em um tom lisonjeiro, que funcionou, pois o gigante sorria — Só queríamos saber quem fez o feitiço de proteção, em quem mais Dumbledore confiou além de você, sabe?
Os amigos sorriram para Granger, não podiam negar que a garota era boa de lábia.
— Acho que não faria mal contar isso… Bem, ele pediu Fofo emprestado a mim e depois alguns professores fizeram os feitiços… A professora Sprout, o Flitwick, a professora Minerva — ele enumerava nos dedos — o Quirrell, o próprio Dumbledore também fez algo e… Ah, claro! Esqueci do professor Snape.
— Snape? — perguntou , tentando conter a reação exagerada.
— Vocês não continuam com aquela ideia, né? Como ele roubaria a pedra se ajudou a protegê-la? — Fingindo??? quis responder, mas sabia que Hagrid não escutaria, então apenas soltou um suspiro desanimado.
Na verdade, todos sabiam que deveria ter sido muito fácil, Snape provavelmente sabia dos outros feitiços, mas não sabia como passar por Fofo e nem o contra feitiço da proteção que o professor Quirrell fizera.
— Você é o único que sabe como passar pelo Fofo, né? — Harry perguntou a Hagrid. — E claramente não diria a ninguém, nem mesmo um dos professores certo?
— Somente eu e Dumbledore sabemos — Hagrid sorriu orgulhoso.
— Hagrid ,podemos abrir uma das janelas? — perguntou olhando Rony com compaixão — Mais um pouquinho e Rony vai assar!
— Sinto muito, mas não pode, . — disse somente e olhou para o fogo.
— Rúbeo o que é isso? — aquilo também havia chamado a atenção de Harry.
olhou rapidamente e encarou o ovo negro enorme confusa.
— Ah, isso… Isso é… Ah… — Rúbeo parecia nervoso.
— Onde foi que arranjou isso? — questionou Rony chocado — Isso deve ter custado uma grana.
— Eu ganhei. Na noite passada. Fui até a vila e entrei em um joguinho de cartas com um desconhecido… Ele parecia bem contente por ter se livrado do ovo.
— Mas e quando chocar? — arregalou os olhos enquanto acariciava um Bolota adormecido em seu colo.
— Andei lendo sobre isso… — Hagrid tirou um livro debaixo do travesseiro e o colocou na mesa para que os quatro pudessem ver — Diz para manter o ovo no fogo porque as mães sopram fogo sobre eles, sabe, e que quando chocar é para dar um balde de conhaque com sangue de galinha a cada meia hora. Ah, ainda tem como reconhecer os ovos… E esse é um dragão norueguês. São raros. — Hagrid parecia orgulhoso pelo dever de casa feito com êxito.
— Mas Rúbeo, você mora numa cabana de madeira… — Mione lembrou, mas o gigante parecia não ouvir de tão empolgado que estava ao mexer no fogo.

×××


Poucos dias depois, enquanto terminava o café em uma conversa animada com Lisa e Morag, saiu do salão e encontrou os amigos acenando para ela. Rony parecia eufórico, visto que abanava as mãos com afinco.
— Meninas, encontro vocês na aula de DCAT. — avisou acenando para as amigas, que concordaram e seguiram pelo caminho contrário. — Que desespero é esse, Weasley?
— É sobre isso… — Harry entregou a ela o bilhete que havia recebido de Hagrid, que avisava apenas que o ovo estava furando. Ela deu alguns pulinhos animada.
— Eu queria faltar a aula de Herbologia e ir direto lá para ver… — Rony começou sob um olhar ameaçador de Mione. — Ah, Hermione, quantas vezes na vida vamos presenciar algo do tipo? Não é, ?
Rony sabia que sempre os ajudava a convencer Hermione quando o motivo era plausível. Realmente era, mas o sorriso da garota murchou.
— Vocês não precisam matar aula, tem um intervalo depois… Eu só paro na hora do almoço agora! — murmurou derrotada — Duas aulas de DCAT e uma de Poções, não tenho nem como matar aula dessa vez…
— Além de que, isso vai nos meter em confusão, claro que nada comparado à Rúbeo quando descobrirem o que ele anda fazendo…
— Cala a boca — Harry cochichou entredentes para Hermione e apontou com a cabeça para trás, onde os outros três viram que Malfoy havia parado para ouvir o que eles falavam. o fuzilou com o olhar recebendo em troca apenas um sorrisinho debochado do loiro. Com certeza ele tinha escutado.
— Certo, qualquer coisa encontro com vocês lá na hora do almoço. — avisou aos três, antes de sair correndo para a aula.
Mas é claro que a corvina não conseguiu prestar atenção em uma só palavra que o professor Quirrell proferia sobre pogrebins, fazendo com que perto do início do segundo tempo ela desistisse de permanecer ali. Diggory inventou sobre estar passando mal e pediu para ir ao banheiro, o professor — desesperado com a ideia de a garota ter um piripaque ali mesmo — a dispensou e aconselhou que ela fosse se deitar, ou que procurasse a Madame Pomfrey.
Mentir não era um hábito comum para a Diggory caçula, mas a atitude não a fez sentir remorso. Quirrell não falava nada além do que ela encontraria nos livros depois, então, tudo bem.
Rony estava certo, quantas vezes pode-se presenciar um dragão raro nascendo?
desceu até a cabana de Hagrid tentando não chamar atenção e se camuflou como dava no bolinho de alunos da Grifinória que saía da estufa um.
Não foi difícil encontrar os três amigos desviando em direção oposta ao fluxo, o que a fez correr para alcançá-los.
— Ei! — exclamou um pouco mais alto tentando da melhor maneira possível ser discreta, funcionou, logo Harry a encarou confuso seguido de Rony e Mione — Me esperem!
— Pensei que não podia matar a aula, … — Rony começou.
— O Quirrell estava me irritando, eu não estava sendo produtiva e por mais que seja difícil admitir que você estava certo — ela brincou fazendo o amigo lhe mostrar a língua —, é um acontecimento raro e imperdível! Então vamos logo!
Assim que os quatro bateram na porta, um Hagrid eufórico os conduziu para dentro.
— Está quase furando! Venham! — Hagrid deu passagem permitindo que os quatro pudessem visualizar o ovo quase todo rachado em cima da mesa.
— Que barulhinho engraçado ele faz! — riu baixinho enquanto puxava a cadeira para observar melhor assim como os outros.
— Fica quieta, , vai que assusta ele. — Harry a cutucou. A garota rolou os olhos e apoiou a cabeça nas mãos, ansiosa, instaurando o silêncio que perdurou alguns minutos, mal podia se ouvir as respirações ali até que o barulhinho engraçado se intensificou e o ovo abriu.
O dragão bebê escorregou em cima da mesa, a corvina fez uma careta e percebeu que Mione não estava tão diferente dela. Tinha asas espinhosas e grandes contrastando com o corpinho preto e magricela, um longo focinho, pseudo chifres ainda em formação e os olhos alaranjados.
— Ele não é lindo? — Hagrid perguntou, as crianças se entreolharam e sorriram para o gigante.
Era medonho a princípio, mas ia ficando mais fofo e agradável aos olhos com o tempo.
— É sim… — concordou sorrindo amarelo e mentindo mais uma vez aquela manhã.
O bicho quase mordeu Rúbeo, que tentava a todo custo afagar sua cabeça.
— Olhem só! Ele conhece a mamãe! — exclamou animado cutucando Rony, que apenas concordava com os olhos arregalados e os lábios fechados formando uma linha fina.
— Rúbeo, o quão rápido um dragão desse cresce? — questionou Mione.
Hagrid não respondeu, ao invés disso ficou pálido e correu até a janela apontando-a.
— O que foi? — Harry o seguiu.
— Alguém estava nos espionando pela janela, um garoto! Está voltando para a escola! — Hagrid explicou com a voz tensa.
enrijeceu na cadeira arregalando os olhos enquanto Harry ia até a porta na esperança de ver quem era. Mas a corvina sabia.
— Foi o Malfoy! Com certeza ele me seguiu quando saí da aula!
O sorrisinho prepotente do sonserino durante a semana foi o suficiente para confirmar que a Diggory estava certa. Ela se sentia culpada, por não ter sido cuidadosa o suficiente, mesmo com os amigos (e até mesmo Hagrid) afirmando que ele teria vindo de qualquer forma, afinal, ele já os tinha escutado mais cedo naquele dia, seguir foi só a constatação dos fatos.
Os quatro passaram boa parte dos períodos livres na cabana, tentando arranjar soluções para que o dragão saísse daquilo tudo vivo e Hagrid sem danos.
— Deixe-o ir embora! — Harry pedia pela milionésima vez, tentando convencer o guarda caça.
— Ele é muito pequeninho! Morreria! — Hagrid negava com a cabeça.
— Soltá-lo é a melhor opção agora… — o confortou afagando-lhe os ombros assim que ele se sentou.
Hagrid não respondeu, continuava olhando pesaroso para o dragão, que já havia crescido consideravelmente desde seu nascimento.
— Decidi chamá-lo de Norberto… — confidenciou com os olhos brilhando — Ele sabe quem eu sou, vejam! Norberto! Onde está a mamãe, Norberto?
— Rúbeo, daqui a quinze dias ele será do tamanho da sua casa. — Harry disse alto
— E Draco pode falar com Dumbledore a qualquer momento. — Mione acrescentou vendo Hagrid ficar cada vez mais desconfortável.
— Não posso abandoná-lo… Sei que não posso ficar com ele, mas não posso largá-lo assim…
E então em um olhar compreensivo que lançou a Hagrid ela notou que Harry arregalou levemente os olhos na direção de Rony parecendo afobado.
— Carlinhos!
— Você endoidou também? Sou o Rony, imbecil!
— Não! Carlinhos, seu irmão! Ele não está na Romênia, estudando dragões? Podemos mandar Norberto para que ele cuide.
— Brilhante! — exclamaram Rony e juntos.
— O que acha disso, Rúbeo?
Hagrid concordou, não era como se eles tivessem opções melhores. E então Rony mandou uma coruja para o irmão, consultando-o. A semana seguinte pareceu demorar como meses, mas, quando finalmente a resposta de Carlinhos chegou eles puderam respirar aliviados.
O plano era: levar o dragão até a torre mais alta à meia noite para se livrarem de Norberto e consequentemente de Malfoy.
Mas é claro que as coisas não seriam fáceis assim, Rony levou uma mordida de Norberto e acabou indo para a ala hospitalar com a mão inchada, como se não bastasse, Malfoy inventou que tinha que pegar um livro com Rony para rir dele e, ao levar o livro de poções levou junto a carta de Carlinhos, que lá estava guardada.
A capa da invisibilidade solucionava parte, mas não todos os problemas. Não conseguiria esconder , Harry, Hermione e o caixote de Norberto, que crescia exponencialmente. Então ficou, já que teria que se expor para encontrar Harry no meio do caminho e com Mione eles já sairiam com a capa, se arriscando bem menos.
Por um lado, Harry e Mione conseguiram se livrar de Norberto, mas, por outro, Malfoy não foi detido sozinho ao esperar que Potter aparecesse com o dragão…
Hermione e Harry esqueceram a capa no alto da torre, foram pegos por Filch e ganharam uma detenção.
Assim como Neville, que também foi de brinde ao tentar ajudar os colegas de casa.
×××


Rony adormeceu em um dos sofás na sala comunal da Grifinória e esperava pelos amigos com a capa de Harry no colo (Essa que havia sido devolvida de forma misteriosa na noite anterior). Qualquer sinal de alguém ela sairia correndo dali. A detenção era na Floresta Proibida e mesmo que estivessem com Hagrid, aquilo deixou Weasley e Diggory aflitos.
Potter e Granger entraram correndo, o garoto tentou acordar o amigo adormecido e assim que conseguiu, colocou-se a andar de um lado para o outro tremendo.
— Snape quer a pedra para Voldemort… E Voldemort está na floresta esse tempo todo, atacando unicórnios e bebendo seu sangue para sobreviver.
— Não diga esse nome… — Rony sussurrou agoniado.
— Firenze me salvou, mas não deveria ter feito isso… Fazer isso foi algo como uma interferência no que os planetas anunciaram que aconteceria. Eles devem indicar que Voldemort vai voltar… Agouro acha que Firenze devia ter deixado Voldemort me matar… Isso deve estar nas estrelas também…
— Quer parar de falar esse nome? — Rony disse entredentes.
— O que? Firenze? Agouro? Quem são esses? — questionou confusa logo em seguida.
Harry continuava falando o que havia acontecido a pouco, não se preocupando em explicar, o que era feito por Hermione.
— Harry, todos dizem que você-sabe-quem tinha medo de Dumbledore, com ele por perto você-sabe-quem nunca poderá tocá-lo… — Hermione confortou o amigo, mesmo assustada.
— E bem, pode ser que não seja verdade, os centauros podem estar errados! — continuou, tentando suavizar o clima — Lembra o que a Minerva diz?
— Parece adivinhação, que é o campo mais inexato da magia… — Mione completou, recebendo um aceno de cabeça e um sorriso fraco.
E então Harry permitiu-se acalmar um pouco, o sol já teimava em aparecer quando eles foram se deitar.

×××


A semana dos exames pareceu tomar o foco dos acontecimentos na Floresta Proibida, aliás, tomou o foco de Diggory, Granger e Weasley, Potter parecia em outra galáxia, completamente alheio, nem sabia como havia conseguido realizar as provas e vez ou outra esfregava a cicatriz que ardia.
— Você deveria procurar a Madame Pomfrey… — aconselhou Hermione.
— Não estou doente… Isso parece um aviso, como se o perigo estivesse se aproximando…
— Harry, relaxa. A pedra está segura com Dumbledore aqui, e em todo caso não temos provas contra o Snape. — Rony tranquilizou o amigo.
— Vocês viram a hoje? — Mione desconversou, expondo a preocupação com a amiga.
— Eu a vi saindo da última prova dela, de poções, ela parecia exausta. O Snape deixa qualquer um nervoso durante as provas... — Rony comentou ainda olhando para Harry, que pareceu esquecer-se do assunto anterior por instantes.
Instantes.
— Aonde vai? — perguntou Rony ao ver o amigo dar um salto, ele parecia pálido.
— Lembrei de algo, temos que ver o Hagrid agora! — e então o garoto começou a correr pelo gramado.
— Mas por quê? — Hermione dizia ofegante ao correr para seguir Potter.
— Vocês não acham estranho que o que Hagrid mais queria na vida era um dragão e misteriosamente um estranho aparece com o ovo de um no bolso? Ainda mais quando isso é contra as leis… Que sorte encontrar Rúbeo não? Por que não percebi isso antes?
×××


Cedrico já havia rodado praticamente todas as partes comuns para todos do castelo atrás da irmã quando avistou Harry, Rony e Hermione correndo até o saguão principal.
Por que é que ela não estava com eles?
— EI! — o lufano gritou indo em direção a eles. — Vocês viram a ? Já procurei ela por toda parte.
— Eu a vi mais cedo, saindo da prova. — Rony comentou ofegante, Cedrico olhou para os outros dois que estavam da mesma maneira. E então notou que a cor do rosto de Hermione sumiu. Ele ia perguntar o que estava acontecendo, mas Harry o interrompeu eufórico.
— Ela deve estar no dormitório, Rony disse que ela parecia cansada. Desculpe-nos, Cedrico, mas precisamos falar com Dumbledore agora.
Diggory tentou argumentar, mas eles já haviam corrido. Inclusive Hermione, que parecia preocupada e deixou isso escapar apenas quando estavam bem distantes do lufano.
— Mas e se viu ou ouviu algo que não podia e corre perigo?
— Nós falamos com o diretor e depois vamos verificar se ela está bem, ok? — Harry tentou tranquilizar a amiga.
Claramente em vão.
×××


Naquela tarde após a prova de poções, sentiu-se completamente indisposta, como se sua cabeça quisesse explodir, como se algo a pedisse para deitar. Sabendo que era hora de respeitar os limites de seu corpo, assim ela fez e adormeceu sem muito esforço.

E como se abrisse os olhos, a segunda face fora revelada, os olhos vermelhos e gélidos, as narinas se assemelhavam às de uma cobra e o sorriso sádico ao ver Potter parado ali.
Mas a quem pertencia a primeira face?
Vamos, Potter, me entregue a pedra e una-se a mim. a voz dizia baixo, fraca como se precisasse ser arrastada com muito esforço para ser ouvida.
Nunca! decretou Potter em voz alta escorado em degraus.
Então sua mãe morreu em vão… sussurrou mais uma vez.
O dono do corpo caminhou em direção a Harry de costas para que Voldemort pudesse vê-lo, e ela pode notar o turbante de seda abandonado no chão. Ao longe, no reflexo do espelho a primeira face se tornou visível.
Mate-o!
Sim, senhor milorde… disse a primeira face, virando-se para executar a ordem.

sentiu os cabelos encharcados de suor, assim como suas costas que colavam o tecido fino da camisola. Não teve tempo de controlar sua respiração ofegante, ao acordar, calçou as pantufas e correu, não se importando em ser pega, ou com qualquer outra coisa. Naquele momento, em um súbito, Diggory soube.
Era Quirrell.
Harry Potter corria perigo e ela precisava encontrá-lo. Não precisava de mais nada, ela só sabia.
Era hora do jantar então foi fácil não ser vista correndo em direção ao terceiro andar e ao ver Quirrell caminhando em direção a porta do local que abrigava Fofo, seu sangue ferveu ao saber que poderia evitar tudo aquilo, poderia ela mesma tirar satisfações e contar tudo para Dumbledore.
— Está perdendo o jantar, professor? — Quirrell assustou-se ao ver a garota parada em sua frente apontando a varinha para ele.
— O-o-o que faz aqui, Digg-Diggory? É proibido…
— Sei o que pretende fazer.
— Saia daqui ago-o-ora! Estou lhe dando uma chance de sair daqui sem se meter em pro-problemas...
— Então era você todo esse tempo? Tentando matar Harry Potter a todo custo para trazer Voldemort de volta à vida? — ela ergueu uma sobrancelha o interrompendo. Quirrell sorriu com escárnio.
— Achou que o gaguinho não seria capaz?
— Acabou, Quirrell, Dumbledore saberá e…
— Garota tola! Tente! É sua palavra contra a minha, o que irá fazer?
— Petrif…
Estupefaça! — Quirrell fora mais rápido. A garota voou, caindo desmaiada na escada e rolando por mais alguns degraus abaixo. Não teria tempo de escondê-la, estava com pressa. A garota não era importante, precisava da pedra. Quando alguém a encontrasse ali, já teria a pedra filosofal, isso podia ficar para depois.

×××


Na Torre da Grifinória, o trio chegava repletos de desanimo e um tanto preocupados. Por dois motivos: 1) Dumbledore havia saído e Minerva não acreditou no que eles diziam e 2) Ainda não tinham notícias de , mesmo tendo procurado pelo castelo e tendo perguntado para suas colegas de quarto. Ninguém a tinha visto.
Harry tinha os olhos brilhantes e estava pálido, claramente aterrorizado com o que poderia acontecer.
— Vou sair daqui hoje à noite e tentar pegar a pedra primeiro.
— Você tá maluco? — Rony berrou.
— Você não pode! Ainda mais depois do que a professora Minerva e o Snape disseram… Vai ser expulso! — Mione cochichou indignada.
— E daí? Se o Snape pegar a pedra é trouxer Voldemort de volta à vida! Vocês não ouviram como tudo era na época que ele tentava conquistar o poder? Não vai haver Hogwarts para ser expulso! Acham que ele vai deixar a família de vocês em paz se a Grifinória ganhar a taça das casas? Ganhar ou perder pontos não importa mais agora! Se eu for pego antes de resgatar a pedra vou ter que voltar para os Dursley e esperar que ele me encontre lá. O que adianta? Esperar um pouco mais para morrer? Eu vou entrar naquele alçapão hoje à noite e nada que me disserem vai me impedir ou me fazer mudar de ideia! Ele matou meus pais, lembram? — Harry gritava transtornado. — E se ele pegou a ?
— Você está certo… — Mione disse baixinho.
— Vou usar a capa da invisibilidade, é uma sorte tê-la de volta.
— Mas nós três conseguimos nos esconder nela? — questionou Rony.
— Espera… Nós três?
— Você acha mesmo que vamos deixar você ir sozinho?
— Claro que não! — Mione parecia determinada. — Só é uma pena não estar aqui, tenho certeza de que ela também iria conosco.
— Vamos jantar, vai que ela já está lá… — Rony sugeriu.
Mas ela não estava, o trio esperou o salão principal esvaziar e nada da Diggory mais nova aparecer por ali.

×××


Fred e Jorge analisavam o mapa do maroto em um canto da sala comunal da Grifinória. Já tinham acabado o jantar e pretendiam roubar algumas tortinhas a mais da cozinha, naquela noite, foram os primeiros a sair do salão principal.
Fred analisava o terceiro andar quando avistou o nome de , lembrando-se imediatamente que Cedrico havia procurado por ela o dia todo e que ela não havia aparecido para jantar.
A garota estava parada perto da escada, Fred sinalizou aquilo pro irmão e eles esperaram poucos minutos para ver se ela sairia dali. A garota Diggory, entretanto, permaneceu parada.
— Acha que ela caiu ou sei lá? — questionou Fred.
— Vamos lá ver o que aconteceu. — Jorge sugeriu, e foi rapidamente apoiado pelo irmão. Os gêmeos foram até onde o mapa indicava e encontraram a Diggory desacordada ao pé da escada. Jorge ainda encarava a cena assustado quando levou um cutucão do irmão.
— Vamos, temos que levá-la para a enfermaria AGORA!
Os gêmeos apoiaram os braços da garota em seus ombros e seguiram com ela, o mais rápido que suas pernas permitiam.
— Céus, o que houve? — Madame Pomfrey os recebeu enquanto os direcionava para a maca que deviam colocar .
— Ela estava desmaiada perto da escada. — Jorge explicou.
Enervate! — Madame Pomfrey arriscou, como sempre fazia quando alguém chegava desmaiado, para depois procurar as causas específicas. Para a surpresa de todos na sala, a garota se sentou na cama ofegante e assustada.
— Dumbledore! Harry corre perigo… Quirrell… Voldemort! PRECISO FALAR COM DUMBLEDORE! — a corvina falava palavras desconexas.
— Nós deveríamos chamar o irmão dela? — questionou Fred a Madame Pomfrey, que estava assustada tentando acalmar a garota.
— Chamem a Professora McGonagall, pode estar delirando, mas mesmo assim, não é normal uma aluna receber um estupefaça por aí.
— Isso definitivamente não é normal. — a voz de Dumbledore se fez presente na sala.
— Professor… — murmurava agora com a voz fraca — Harry foi atrás da pedra, Quirrell está lá, tentando trazer você-sabe-quem de volta, eu vi, professor… — os olhos acinzentados da garota estavam marejados, Dumbledore se aproximou ainda mais da maca sob os olhares confusos dos restantes. — Por favor… Acredite em mim, eu vi… Harry está correndo perigo!
E então, antes que Dumbledore pudesse falar qualquer coisa, sentiu a cabeça doer e a sua visão embaçar novamente, até que tudo ficou escuro.

×××


A claridade da janela perto da maca fez com que a garota abrisse os olhos assustada. Ela inspecionou a ala hospitalar e pulou da cama quando notou que Potter estava desacordado na maca ao lado.
— Ele está bem. — Dumbledore se fez presente com a voz calma — Se não fosse a senhorita receio que não teria conseguido chegar a tempo de salvá-lo.
— Mas e o Quirrell? E Rony e Mione?
— Deite-se, senhorita Diggory, e tente se manter calma… — aconselhou o mais velho, que tornou a dizer quando a garota fez o que ele pedia — Ontem à noite, tempo depois que a senhorita me disse aquilo, o senhor Weasley e a senhorita Granger apareceram contando algo parecido. Consegui chegar a tempo, tudo está resolvido.
— Mas o sonho… E por que ele não acordou ainda? — a garota apontava para o amigo preocupada.
— Madame Pomfrey disse que ele pode demorar um pouco para acordar, mas nos garantiu que ele ficará bem. — o professor sorriu — Não pude deixar de notar que a senhorita mencionou um sonho, pode me contar mais sobre isso?
— E-eu não sei como, professor, mas fui me deitar porque não estava me sentindo bem e tive esse sonho, ou pesadelo… Não sei. Tinha um espelho, e o turbante do Quirrell escondia uma espécie de rosto. O rosto de você-sabe-quem dizia pra Harry se juntar a ele, eles discutiam e bem, ele ia pra cima para tentar matar o Potter… Eu sei que pode parecer besteira, e que poderia não ser verdade, mas eu fiquei com medo e com raiva, não pensei direito e… Fui.
— Não parece besteira, senhorita Diggory. A princípio, se não fosse pelo seu sonho, Harry talvez estivesse morto agora. — o professor observou se encolher e abaixar a cabeça. — Esses sonhos podem voltar em algum momento e se isso acontecer, peço que a senhorita me procure imediatamente, tudo bem?
— Tudo bem… Mas o que é isso, professor? Isso vai acontecer de novo?
— Ainda não tenho uma resposta concreta para te dar, minha jovem. Mas devemos ficar atentos… Vou pedir que chamem seu irmão, ele estava bem preocupado com a senhorita. Dormiu aqui e só saiu quando eu pedi.
— Eu… Certo, tudo bem. Mas, professor… — a corvina chamou quando o professor fez menção em sair. — Por favor… Não conte sobre isso do sonho para ninguém.
— Como quiser, senhorita Diggory. Melhoras!

×××


Já era noite quando Cedrico entrou na enfermaria com alguns pratinhos de comida e uma expressão preocupada, que se suavizou assim que viu os olhos grandes da irmã brilhando ao ver o que ele trazia.
— Céus, Ced! Já te falei que você é o melhor irmão do mundo hoje? Eu não aguento mais beber poção Wiggenweld! — a Diggory caçula fez uma careta ao se lembrar do gosto da poção para fortalecer que a Madame Pomfrey lhe entregava de hora em hora desde que ela acordou naquela tarde.
— Anda logo, se a madame Pomfrey vê você comendo esse peixe defumado ela vai te dar mais poções ainda. — ele cochichou para não acordar Potter, que ainda estava apagado na maca ao lado. — É bom te ver acordada, pirralha, me deixou preocupado!
— Foi só um tombinho, Ced, relaxa…
— UM TOM… — o lufano bufou diminuindo o volume da voz — Você foi atacada por um professor, rolou por alguns degraus e está toda machucada… E olha que você prometeu pra mamãe que não ia se meter em problemas.
— Eu fui idiota em achar que podia enfrentar o Quirrell sozinha… — não era uma mentira, porém também não era bem uma verdade, mas não queria que o irmão e os amigos achassem que ela era maluca com essa coisa do sonho. — Eu realmente dei sorte de não ter morrido, você-sabe-quem podia muito bem mandá-lo fazer isso pra me tirar do caminho.
— Que bom que sabe disso… Antecipou meu sermão e me poupou as palavras, obrigado. — Cedrico se sentou na cadeira ao lado da maca roubando um dos peixes do prato que a irmã segurava. fechou os olhos e esperou pacientemente o irmão terminar de mastigar para que ele pudesse falar, era óbvio que o sermão não tinha acabado — Mas é, você foi burra. VOCÊ PODIA TER MORRIDO! TEM NOÇÃO DE COMO EU FIQUEI PREOCUPADO? TE PROCUREI O DIA TODO!
— Shhh! Eu sei, Cedrico! Cala a boca, vai acordar o Harry. — ela ralhou observando o garoto adormecido, alheio a tudo aquilo e cheio de machucados. Cedrico não costumava perder a paciência com frequência, o que fez se sentir mal, ela sabia que ficaria do mesmo jeito se fosse o contrário. Constatar isso fez os olhos dela se encherem d’água. — Me desculpa… Não queria te irritar, eu… Passei muito mal naquela tarde e quando acordei não sei o que deu em mim…
— Vem cá, sua pirralha… — ele abraçou a menina que chorava — Por favor, não se coloque em risco desse jeito nunca mais. Tem noção de como eu ficaria sabendo que algo aconteceu com você e eu nem ao menos sabia para poder te ajudar?
— Eu sei… Ced, por favor, não conta pra mamãe que foi um professor que fez isso comigo… Você sabe como ela vai surtar e querer tirar a gente de Hogwarts e…
— Sim, eu sei. Não conto se você prometer que vai se manter longe de todo esse perigo.
— Prometo ser mais cuidadosa. — ela ergueu o mindinho ainda chorosa, o que fez o irmão encará-la com uma careta — Se não for de dedinho não vale!
O lufano bufou, mas logo riu ao unir o dedo com o da irmã.
— Você tá perdendo uma festança no seu salão comunal, sabe? — mudou de assunto e viu como o olhar de se iluminou mais animado.
— Não… Nós ganhamos? — Cedrico assentiu com um sorriso — EU NÃO ACREDITO QUE ESTOU EM HOGWARTS HÁ UM ANO E JÁ VI MINHA CASA SER CAMPEÃ DE QUADRIBOL!
— Fala baixo e você estava na enfermaria, não viu nada.
— Não importa hahahahaha pelo menos minha casa é campeã — ela mostrou a língua e continuou a rir — Dá vontade né, maninho? Quanto tempo o jogo durou? Mais de cinco minutos?
— Você sabe ser completamente irritante e debochada quando quer Genevieve.
— Ah não! O nome do meio não! Pegou pesado, Ced…
Cedrico gargalhou, finalmente aliviado. Sua irmãzinha estava bem, mas ele não podia fingir que não se sentia responsável pelo que havia acontecido. Ele havia prometido a si mesmo que manteria segura. Porém, mesmo com a promessa feita minutos antes, o Diggory mais velho sabia que as confusões simplesmente procuravam pela irmã caçula.
Mas não se ele desse um jeito de mantê-la longe delas.




Continua...



Nota da autora: Oi para todes! EITA Que capítulo intenso, em? Vim com essa atualização surpresa agradecer por vocês lerem Homeostase. Sou imensamente grata pelos comentários, incentivo e todo amor que recebi nesses últimos meses. E também para avisar que teremos muito mais surtos com essa história em 2021.
As coisas começam a esquentar a partir daqui e acabamos de ter o primeiro sinal claro de algo que remete a profecia (que, para quem não leu, se encontra na oneshot “Homeostase e o Fio Vermelho”), os outros sinais ainda estão subentendidos por aí hahahaha.
Espero que tenham gostado. Dúvidas, teorias, críticas ou surtos que deixam o coração da autora quentinho são bem vindos aqui nos comentários ou no insta também (@juscairp).
Que 2021 seja um ano repleto de coisas boas e um respiro depois de tanto tempo no caos que foi esse 2020 hehehe.
That’s all folks, feliz ano novo!
Com amor,
Ju Scairp.







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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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