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Última atualização: 30/12/2020

Capítulo 1

Malfoy usava os seus longos cabelos soltos como escudo. O loiro quase branco, herdado do seu pai, era o suficiente para destacar a garota em qualquer ambiente que entrasse. Ela estava em seu quinto ano em Hogwarts, e ainda não tinha se acostumado com os sussurros que a perseguiam.
Todos sabiam que os Malfoy tinha estado ao lado de Lord Voldemort na Guerra Bruxa. Seus pais tinham escapado de Azkaban ao fazer um acordo com o governo. Também contribuiu que a mãe estivesse no colo com ela e o irmão, Draco, ainda nas fraldas.
Mas sabia da verdade: seus pais ainda usavam a marca negra e seu pai estava sempre usando a sua influência como puro sangue para reunir novos bruxos em nome de você-sabe-quem. Draco ainda era muito novo para compreender tudo que acontecia na mansão Malfoy, mas conhecia cada um dos bruxos das trevas que os visitavam.
E era por isso que ela raramente ia para casa no Natal. Já tinha presenciado cenas desagradáveis o suficiente para não querer ficar por perto e, com o tempo, tinha dado vergonhas demais para seus pais para eles a querem por perto no banquete da Festa Anual dos Malfoy.
Por isso que naquele 25 de dezembro, ela estava sozinha na mesa da Sonserina. Seus cabelos a escondendo do resto do mundo enquanto degustava os muffins de café da manhã.
Sem perceber, a garota começou a observar os gêmeos Weasley, sentados na mesa da Grifinória dividindo o café com seu irmão, Rony, e o famoso Harry Potter. Os garotos eram conhecidos por aprontarem as mais diversas pegadinhas em Hogwarts e, por isso, sempre estavam em detenção. Dessa vez, o número de horas de castigo estava tão grande, que eles escolheram ficar em Hogwarts durante as férias de Natal.
Isso e a possibilidade de Sirius Black aparecer.
Todos achavam que o bruxo era perigoso. Primo de Belatrix, a bruxa mão direita de Lord Voldemort. Mas não se lembrava dos pais terem citado o nome de Sirius ao menos uma vez ao longo dos anos. E, desde a notícia que ele tinha escapado de Hogwarts no verão, Lucio e seus amigos apenas se divertiam com as especulações do Profeta Diário.
A garota era contra tudo que sua família representava, mas ainda assim, não parecia se encaixar em nenhum grupo na escola. Porém, ela sentiu que as coisas poderiam mudar quando conheceu Fred e George na sala de Filch.
— Foi você que levou diabretes para o banheiro masculino dos monitores? — Fred perguntou em voz baixa, tentando não chamar a atenção de Madame Noora que com certeza aguardava na porta enquanto Filch fazia a ronda no castelo.
Normalmente, os castigos do zelador envolviam atividades externas e perigosas, porém, naquele dia a neve já tinha chegado em Hogwarts e Fred, George e foram obrigados a se espremerem no pequeno gabinete do zelador.
— Yep. — respondeu sem nenhuma emoção. Seu único arrependimento era ter sido pega antes que os diabretes pudessem arrancar a orelha de Cedrico Diggory. O monitor da Lufa-Lufa era idolatrado na escola, mas sabia que o charme e o brasão da casa influenciavam na imagem de Diggory: um rapaz que estava acostumado namorar quem ele quisesse, e nem sempre aceitava não como resposta.
Após presenciar uma cena entre o monitor e uma aluna do terceiro ano, resolveu fazer algo a respeito. Só se odiava por ter sido pega pelo Professor Lupin antes de soltar o diabrete.
— Olha, coragem. — George estivou a mão por cima de Fred para cumprimentar a garota. — Todo mundo fala bem do Diggory mas sabemos muito bem que o monitor é.
— Exatamente. Não é porque ele é da Lufa-Lufa que ele é um santo. — Fred sorriu para que, pela primeira vez em anos, não sentiu que alguém a estava julgando.
— Ele é um babaca. — Era a primeira frase completa que dirigia para algum colega em Hogwarts em meses. — Estou cansada de como tudo nessa escola parece ser tão preto no branco. As pessoas te julgam pelo seu nome, não por quem você é.
A garota filosofou encarando a parede, sem notar os olhares de Fred e George para ela. Os dois sabiam muito bem do que ela estava falando. Quantas vezes tinham sido colocados em apuros apenas por terem o sobrenome Weasley. Eles amavam a sua família, mas jamais seriam os alunos perfeitos como seus irmãos mais velhos.
Muito menos se interessavam em ter um emprego no ministério como os pais viviam insistindo que seria o futuro deles.
— É , né? — Fred perguntou, recebendo apenas um aceno da loira — Não deixa essas pessoas te atingirem, não. Algo me diz que você é muito maior do que isso tudo.
— Mesmo sendo uma Malfoy. — George completou, sem um traço de ironia em sua voz. Os dois não se importavam qual era o sobrenome da garota, mas pelas atitudes dela, com certeza não tinha nada do irmão mais novo.
Fred abriu o mapa do maroto, buscando encontrar onde Filch estava. O zelador já deveria ter voltado com as chaves para liberá-los para os dormitórios, afinal, já passava do horário do toque de recolher. ficou curiosa com o pergaminho e se esticou tentando ver o que o garoto ao seu lado examinava com tanta cautela.
— O que é isso?
— É um mapa que mostra todas as pessoas que estão nas dependências de Hogwarts. — George respondeu olhando nos olhos da garota. Pela primeira vez, ele estava reparando como os olhos de Malfoy eram verdes. Uma cor intensa e bonita, mas perigosa, quase tanto quanto a garota. — Assim a gente consegue andar pelo castelo sem ser pego. Bem, quase sempre dá certo.
O garoto deu um sorriso lateral que fez a garota sentir algo que nunca tinha sentido. Seria simpatia? Malfoy estava se afeiçoando a alguém?
— Fitch está do outro lado do castelo junto com Madame Noora. Dele ter esquecido a gente aqui de novo. — Fred se levantou, já buscando a marinha para destrancar a porta com um alohomora.
— ‘Pera, como assim esqueceu a gente? — arregalou os olhos. Não era sua primeira vez de castigo, mas era a primeira vez que ela ficava presa no escritório de Fitch.
— Relaxa, princesa, a gente te leva até as masmorras. — George foi atrás de Fred quando o irmão abriu a porta, verificando que de fato não tinha ninguém no corredor.
ainda estava assustada pela coragem dos gêmeos. Como eles, ela não se importava de quebrar uma regra ou outra, o problema era quando isso chegava ao ouvido do seu pai. Na mansão dos Malfoy, Lucio exigia um comportamento rígido de seus filhos. Draco havia aprendido a usar o ego do pai ao seu favor desde muito novo. , por outro lado, era a filha rebelde, que arrumava problemas. E ela sabia que seus pais a ignoravam conquanto que ela não manchasse o nome dos Malfoy.
Porém, ela não ficaria ali sozinha. Era impossível prever a hora que Argo Finch voltaria, talvez apenas na manhã seguinte, e queria sua cama.
— Ok. — Foi tudo que ela respondeu e seguiu os gêmeos Weasley pelos corredores de Hogwarts, encantada como os garotos eram muito, mas nada do que se falava sobre eles na sala comunal da Sonserina.

Naquela manhã de Natal, duas semanas depois do castigo, observava os gêmeos de longe. Estava sozinha na mesa da Sonserina, como sempre acontecia. Sua mãe tinha lhe enviado um colar com o brasão da casa de presente, com certeza escondido de Lucio. Narcisa podia ser submissa ao marido, se esconder atrás da irmã e ter medo de ir contra a sua família, mas ela amava seus filhos e faria tudo para protegê-los.
Por isso, ela sempre admirou e fez de tudo para que a garota tivesse o que queria. O colar era delicado, com a serpente coberta de brilhantes verdes e tinha amado. Ela segurou o colar enquanto olhava a mesa da Grifinória.
Foi então que percebeu que Fred a olhava. Um sorriso surgiu no rosto do rapaz e se viu obrigada a retribuir. Ela viu Fred chamar o irmão e cochichar algo para George, que estava ocupado mordendo um muffin de blueberry.
Alguns minutos depois, viu os gêmeos saindo do salão e ela teve certeza que eles iam aprontar alguma. Então ela olhou para seu prato, agora vazio, e resolveu voltar para o salão comunal. Talvez passar na biblioteca e pegar algum livro de mazoologia e se distrair enquanto passava mais um dia solitário em Hogwarts.
Ela quase se arrependia de não ter ido para casa. Quase.
Ela tirava seus cabelos dos olhos, com a bolsa transversal pesando o seu ombro quando sentiu que alguém puxou seu braço e a empurrou contra a parede em um corretor escuro.
tentou gritar, mas uma mão cobriu sua boca antes que ela pudesse emitir um som.
— Shii… — Fred falou e a garota instantaneamente parou de lutar. — George viu você sozinha e resolvemos te perguntar se não quer dar uma volta com a gente.
A mão de Fred ainda estava em seu rosto, apesar de ter deixado sua boca livre para respirar. sentiu a pele queimar onde o garoto a tocava, e então ela olhou de Fred para George, que estava ao seu lado impedindo sua visão do corredor.
— Mas que porra é essa?
— Calma, princesa. A gente não queria te preocupar, mas estamos no meio de uma missão secreta e, se você quiser, pode fazer parte do nosso time. — George sorriu, observando como a garota era bonita.
olhou para os gêmeos e não precisou pensar nem um segundo antes de responder.
— O que vocês estão aprontando?
Fred e George se entreolharam e sorriram. Talvez fosse mesmo tudo isso que eles tinham imaginado.


Capítulo 2

A sala comunal da Grifinória estava vazia. Poucos alunos passavam Natal em Hogwarts e, os que ficavam, tinham outras atividades a passar a tarde de folga dentro do castelo. Do lado de fora nevava e era possível ouvir secundaristas brincando de guerra de bola de neve. Fred sorriu ao olhar para janela e lembrar de quando ele e George ainda estavam nos primeiros anos na escola. Antes de Harry Potter chegar e transformar os muros seguros em uma aventura a cada ano. Não que os gêmeos reclamassem da emoção e de, às vezes, não serem o centro da atenção.
Não era o caso naquele dia.
— Você acha que ela consegue? — George perguntou, desviando o olhar do dever de Poções que tentava adiantar.
— Ela é a melhor aluna em nosso ano. — Fred sorriu. — Além disso, tenho certeza que ela vai gostar de alegrar um pouco essa escola.
Fred voltou a observar os alunos, pensando na surpresa que eles teriam na noite de Natal. Era raro os gêmeos ficarem na escola. Sua mãe sempre preparava uma festa, os irmãos mais velhos iam para casa e sempre tinha alguma briga que os dois adoravam observar.
Naquele ano Fred não quis ir. Disse para todos que era por causa das horas de detenção, mas eles não estavam tão ocupados assim. George não questionou os motivos do irmão e, como sempre eram um pacote só, escolheu o fazer companhia.
— Eu tenho medo de estarmos lendo errado. — George finalmente expôs seus pensamentos. — Ela é uma Malfoy. Mesmo que faça de tudo para fingir que não.
— George, você viu nos olhos dela quando a paramos no corredor mais cedo. Não havia um traço de vontade de reagir. Ela é o tipo de pessoa altruísta que não quer que nada dê errado para os outros, mas não se importa quando ela é a causa do problema.
— Fred, muito bonito isso que você falou, mas…
— Ela ainda é uma Sonserina. — Fred completou o raciocínio do irmão.
E, por mais que fosse tradição de algumas famílias todos caírem na mesma casa, como a própria família Weasley, Fred sabia que no fim, o Chapéu Seletor escolhia a casa de acordo com os desejos mais profundos do bruxo.
Por algum motivo era da Sonserina. Ela poderia ser altruísta e justiceira o quanto fosse, mas, por baixo de toda aquela maquiagem, o olhar ferino escondia uma personalidade ambiciosa. E tanto Fred quanto George estariam mentindo se dissesse que não estavam curiosos para conhecê-la.



estava na biblioteca lendo um livro sobre o uso do tarô para a arte da adivinhação quando percebeu a pedra esverdeada do seu anel mais clara do que costumava ser. Esse anel estava na família da sua mãe por várias gerações e a lenda dizia que ele mudava de cor quando quem usava encontrasse sua alma gêmea.
Por anos ele manteve um verde escuro, denso, e ela sempre acreditou que a pedra era daquela cor. Tudo era uma lenda. Ela levou a mão até seus olhos e teve certeza que a cor estava um pouco mais clara, mas nada daquilo faria sentido.
— Finalmente te achamos. — se assustou ao ouvir a voz de Fred Weasley enquanto ele e o irmão, George, se sentavam à sua frente.
— Olá! — Ela abaixou sua mão até a mesa e sorriu.
— Está quase na hora. Você quer participar? — George arqueou uma sobrancelha, desafiando a Sonserina.
— Isso vai irritar meus pais e vai causar caos na escola? — Os gêmeos sorriram. — Então estou dentro.
fechou o livro e se levantou, saindo da biblioteca com os gêmeos ao seu lado. Madame Noora passou por eles pelo corredor e começou a miar, sabendo que o trio junto só poderia significar confusão. Eles seguiram pelo corredor que os levava até o salão principal. sabia que estava perto da hora do jantar e que, naquele dia, os elfos domésticos de Hogwarts caprichavam nos quitutes.
— Então, o que vocês pensaram? — A loira prendeu os cabelos em um rabo de cavalo após ajeitar a mochila nas costas.
— Você é boa com feitiços de ilusão, princesa? — George perguntou, mesmo que já soubesse a resposta.
— Eu não vivi 16 anos fugindo de casa nas férias sem ser uma boa ilusionista.
— Ótimos. Prepare sua varinha.
Fred e George abriram as portas do salão e se assustou com a decoração. A árvore de Natal ia até o teto atrás da mesa dos professores. O teto do salão, enfeitiçado para simular o céu, estava estrelado e sentiu alguns flocos de neve tocando sua pele. Só então que ela percebeu que Fred estava com a varinha em mãos. Era ele quem estava causando aquela neve mágica.
sorriu mais ainda e buscou a sua própria varinha. Se juntando aos flocos de neve, criou estrelas cadentes, caindo de um lado a outro do salão.
— Que tal um pouco de música? — Foi a vez de George criar uma melodia que preencheu todo o salão, chamando atenção dos demais alunos. — Vamos.
Ele buscou a mão de e a guiou até onde Harry e Rony estavam. O Weasley mais novo atacava o banquete sem parar, mas viu Harry franziu o cenho quando a garota se aproximou.
— O que ela está fazendo aqui? — Perguntou para George, ao ver a mão do rapaz entrelaçada com a Sonserina.
— É Natal, Harry. Ninguém deve ficar sozinho no Natal. — Fred quem respondeu, se acomodando do outro lado de .
— Não acredito que vocês fizeram isso! — Rony comentou de boca cheia, sentindo a neve em seus cabelos. — Está maravilhoso.
— Não é a Toca, mas ainda é Natal. — Fred respondeu.
— Te garanto que está muito mais bonito do que a Mansão Malfoy nesse momento. Temos uma árvore de Natal, mas nunca nada tão iluminado.
— Princesa, sempre que precisar de uma luz, estaremos aqui. — George piscou para a sonserina que se segurou para não desviar o olhar para o anel no seu indicador.
A garota estava um pouco constrangida de estar na mesa da Grifinória. Por um momento ela agradeceu o irmão ter ido para casa naquele feriado. O clima da mansão Malfoy no Natal era totalmente o oposto daquilo. Ela levou a mão até o pingente em seu pescoço, relembrando do carinho que a mãe sempre teve com eles.
E, pela primeira vez, se permitiu sentir o clima de Natal. Riu das piadas dos gêmeos, degustou do delicioso jantar e até mesmo aceitou a rosa vermelha que Fred conjurou para ela. Naquela noite, a garota era apenas . Era apenas uma estudante de 16 anos aproveitando o que era, verdadeiramente, a magia do Natal.



Ao entrar no seu quarto na masmorra da Sonserina, sentia um calor em seu coração. Lembrou de George lhe chamando de princesa, do beijo em seu rosto que Fred tinha lhe dado ao se despedirem e da sua própria risada. A garota nem sabia que conseguia rir tão naturalmente. Olhou para o anel e com certeza ele estava mudando de cor. Pensou em tudo que já tinha lido sobre almas gêmeas enquanto trocava de roupa, mas decidiu que precisaria fazer uma visita a biblioteca para entender o que estava acontecendo. Ela não se sentia diferente, apesar de saber que estava.
Porém, assim que sentou na sua cama, já vestindo o pijama de manga comprida, encontrou uma carta vermelha em seu travesseiro. Respirou fundo, deixando de lado todo o momento alegre em que tinha vivido, pois sabia muito bem o que aquilo significava.
Trancou a porta e agradeceu que na Sonserina cada um tinha seu quarto individual, mesmo que fosse uma das poucas alunas nas masmorras naquele momento. Sua primeira vontade seria ignorar a carta, porém, ela sabia que aquilo não era opção.
Assim que abriu a cera que prendia o envelope, a voz do seu pai preencheu o aposento.
Druella Malfoy como você ousa perder a Festa de Natal? Seu possível marido estava presente e ansioso em conhecê-la. Isso é um absurdo! E pior, fiquei sabendo que estava andando com Weasleys! Como você pode se afiliar aqueles traidores de sangue? Você é a maior decepção que a Família Malfoy já viu. Espere as férias de verão mocinha. Seu castigo vai vir.
A carta se desintegrou em mil pedacinhos e a garota sentiu os olhos enxerem de lágrimas. Durante toda a sua vida ela escutou sobre casamentos arranjados em famílias puro-sangue. Na integridade que as garotas deveriam ter, comportamentos submissos sob seus parceiros. Enquanto os meninos aprendiam desde cedo a serem autoritários e não demonstrar fraqueza. Ela via o que essa tradição estava transformando o irmão. Estava nos olhos de Draco como, apesar das suas atitudes, ele tinha medo.
E agora ela também estava com medo. nunca aceitou as tradições da sua família e não seria agora que aceitaria. Mas ela tinha medo do que o pai poderia fazer a ela.
Antes de dormir, ela tirou o anel do dedo e observou a pedrinha verde mudar para uma tonalidade mais brilhante, como se as suas estrelas cadentes do Salão Principal tivessem invadido o pequeno objeto. Ela não iria se casar com um bruxo qualquer que o pai escolhesse. Malfoy era muito maior do que tradições familiares.


Capítulo 3

Fazer os deveres de casa era uma das coisas favoritas de . Aprender sobre feitiços diferentes, estudar as simbologias das runas e compreender mais sobre as criaturas mágicas que habitavam o planeta. Por muito tempo, seus livros foram seus melhores amigos em Hogwarts. Agora que os N.O.M.S estavam se aproximando, estava mais entusiasmada para estudar e poder finalmente cursar as aulas avançadas das suas matérias preferidas.
O salão comunal da Sonserina começou a ficar cheio com a chegada no Expresso de Hogwarts. O feriado tinha se encerrado e, com ele, o novo semestre daria início às provas e simulados para os exames. juntou seus pergaminhos, penas e livros com a intenção de estudar no seu quarto. De tudo que ela mais gostava de ser da Sonserina, era o direito de privacidade.
Ela tinha o seu cantinho em Hogwarts, decorado do seu jeito, com seus livros espalhados pelo quarto e a paz que desejava no final de um domingo. Em alguns finais de semana ela nem sequer descia até o Salão Principal. Abastecia seu quarto de guloseimas da cozinha e ficava imersa a seus livros, aprendendo feitiços que não seriam dados em sala de aula e sonhando.
Sonhando pelo dia que carregar o nome Malfoy não seria um fardo. Talvez ela cassasse escondido para mudar seu sobrenome ou simplesmente tingisse o cabelo de outra cor e adotasse um pseudônimo.
E, naquele domingo, ela queria apenas terminar o dever de poções e ir dormir. Mas, assim que rumou para as escadas, ela escurou o irmão lhe chamando.
— ! — Draco estava acompanhado dos seus fiéis escudeiros, outros alunos do seu ano, Vincent Crabbe, Gregory Goyle e Pansy Parkinson. gostava da garota, mas sempre que estava com Draco ela parecia emburrada ou tentando chamar a atenção. tinha vontade de chamar ela para uma conversa sobre como não se deve ir atrás de garotos, mas ela conhecia a influência do irmão, treinado desde pequeno para seguir os passos do pai, sem questionar se algo era certo ou errado.
— Oi, Draco. Como foi o Natal? — Ela abraçou os livros buscando um conforto para as palavras que se formavam na mente do irmão, semelhantes ao berrador que recebera do pai.
— Foi bom. Mamãe ficou chateada que você não foi. — Instintivamente, tocou o colar enviado por Narcisa. Ela sabia tudo que a mãe fazia por ela e seria eternamente grata. — Mas papai ficou bravo. Estavam contando com você para entreter os nossos convidados.
— Que pena. — deu um meio sorriso, ao mesmo tempo querendo conversar com o irmão e com receio de falar na frente dos amigos dele. — Tenho certeza que teremos outras oportunidades.
começou a dar as costas quando Draco se aproximou, segurando seu braço e quase fazendo com que ela deixasse os livros caírem no chão.
— Não. Não terá outra oportunidade porque os Yaxleys desistiram da parceria proposta por meu pai. Eles queriam conhecer a famosa Malfoy, mas sem você em casa a promessa de uma possível união foi desfeita. — Draco falou baixo, próximo da irmã. A sua voz era firme, mas via em seus olhos a raiva. Naquele momento essa raiva era direcionada a ela, mas ela conhecia muito bem o irmão para saber que aquilo não era culpa dela.
Draco deveria ter escutado muito mais do que precisava por ela ter faltado ao Natal. se sentiu mal em ter causado esse sofrimento no irmão. Porém, se ela tivesse ido, ao invés do anel de sua mãe, ela teria um grande diamante no anelar esquerdo. E tudo que ela não queria era trocar o seu anel favorito, herdado da família Rosier, por uma joia vinda de um bruxo que ela não conhecida e aprovado por seu pai.
— Sinto muito. — Foi sincera, olhando nos olhos claros de Draco. — Mas quando for a sua vez de ser prometido a uma bruxa puro sangue que você não conhece, você vai entender meus motivos.
— Diferente de você, eu não preciso que papai me arrume um casamento digno da família Malfoy. Até porque, quem vai carregar o sobrenome da família sou eu, não você.
Draco proferiu aquelas palavras com nada mais além de maldade. Por trás do irmão, viu Pansy Parkinson sorrindo. Todos sabiam que a garota queria os privilégios de ser a escolhida de Draco Malfoy e não pouparia esforços. Mas também sabia que eles eram apenas crianças. Crianças usadas em um jogo de poder que eles nem sequer compreendiam.
Ela segurou o punho do irmão e o afastou dos amigos, o levando até seu quarto e trancando a porta.
— Se eu fosse você tomava cuidado com o que fala. Exatamente por ser o herdeiro Malfoy, suas atitudes têm consequências. — Draco se sentou na cama da irmã, fazendo uma careta para a falta de organização do cômodo. — E antes que Parkinson chegue em casa com o vestido de casamento escolhido, eu espero que você seja mais esperto do que aparenta.
deixou seus livros na escrivaninha e voltou a atenção para Draco. Os dois se encaravam como se tentasse ler a mente um do outro. Nenhum deles tinha conhecimento de legilimência, mas os laços que se construía ao crescer na mesma casa e passar pelos mesmos problemas às vezes poderia ser mais forte do que qualquer magia.
A garota perdeu a paciência e respirou fundo, Draco não ia deixar a sua postura teimosa e, além de tudo, ele era um garoto. A cultura machista em que eles haviam crescido tinha ensinado que, por mais que ela quisesse mostrar a verdade para o irmão, Draco precisaria viver na própria pele coisas que ela tinha sentido em uma idade muito precoce.
prendeu o cabelo em um coque e começou a tirar seus colares na penteadeira enquanto Draco encarava o chão, refletindo sobre o que ele havia escutado. Draco sabia que Parkinson gostava dele, mas ele apenas aturava a garota porque não tinha escolha. Eles eram amigos, mas odiava as investidas nada discretas e se incomodava quando seus amigos falavam sobre. Lucio sempre dizia que era da idade, que em um ano Draco iria se interessar por Pansy da mesma forma que ela gostava dele. Afinal, garotas eram precoces. Mas o garoto sabia de quem ele gostava, e também sabia que a garota jamais olharia para ele.
se sentou ao lado do irmão que ainda encarava o chão. Ela dobrou as mangas do seu suéter e acariciou os ombros do garoto.
— Está tudo bem?
Draco apenas assentiu e virou seu olhar para a irmã, a expressão emburrada de volta às suas feições. então resolveu tocar no assunto que lhe preocupava. Ela suspeitava de quais respostas Draco lhe daria, mas ela precisava tentar.
— Alguma notícia de Black?
— Você sabe que mamãe falou que ele é um traidor de sangue. Não teria coragem de se aproximar de casa. — Draco se afastou, encostando na cabeceira da cama.
— Mas ele ainda é primo da mamãe. Você lê o Profeta Diário e sabe muito bem que papai não acredita em nada que está ali. Sirius Black é perigoso e ninguém sabe a verdade da sua história. — cruzou os braços, ficando de pé. Sua postura autoritária tão próxima da de seu pai assustava Draco. tentava fingir que ela não era uma Malfoy, mas por mais que tentasse, estava no seu sangue as heranças daquela família.
Draco se levantou, ajeitando as vestes e se aproximando da irmã. podia sentir a respiração do garoto. Apesar da diferença de três anos, Draco tinha crescido durante o verão e estava pelo menos cinco centímetros mais alto do que . Ela empinou o nariz para olhar para ele. Toda a arrogância que haviam lhe ensinado desde pequeno. sabia que eventualmente a vida cobraria Draco dessa atitude, e ela tinha medo pelo tombo que o irmão levaria quando enfim acontecesse.
— Se eu fosse você se preocupava com coisas mais importantes do que Black, sis.
— E se eu fosse você se preocupava menos com Harry Potter e mais com o que se passa dentro de casa, little brother.
Draco ficou vermelho de raiva e saiu do quarto emburrado. Assim que abriu a porta, viu Pansy Parkinson mais próxima do dormitório de do que deveria. Ele disparou para fora da sala comunal desejando ficar sozinho, mas escutou Pansy correndo atrás dele.
Mais uma vez ela desejou que pudesse conversar com a garota sobre ir atrás de meninos. Mesmo que esse menino fosse Draco Malfoy.
...

O novo ano começou agitado em Hogwarts. Os boatos que Sirius Black estava próximo da escola se intensificaram, especialmente depois de um grupo de alunos da Corvinal ter escutado gritos vindos da Casa dos Gritos.
O frio de janeiro e a grossa camada de neve não espantou de aproveitar o primeiro passeio a Hogsmeade do ano. Porém, ao contrário dos seus colegas, ela não estava interessada na cerveja amanteigada do Três Vassouras.
O boato sobre Black rondando a escola a deixou curiosa. Ela estava cansada de ser deixada de lado e ser a última a saber da verdade. E, apesar de odiar, era uma Malfoy e ninguém deixava um Malfoy para trás.
Assim, se aproximou da casa, cogitando pular a cerca e descobrir o que estava ali. Mas, antes que ela pudesse avançar, escutou Hermione Granger e Ron Weasley se aproximando.
— Harry, a gente não pode entrar lá. — Hermione dizia em uma voz baixa, mas não o suficiente que a Sonserina não escutasse.
Rapidamente se escondeu, a tempo apenas de ver Harry Potter saindo de debaixo de uma espécie de capa que o deixava invisível? Como isso era possível? Ela lembrava de um conto que leu quando criança, mas não fazia sentido Potter ter essa capa. A não ser…
Antes que ela pudesse completar o raciocínio, escutou outras vozes se aproximando e reconheceu os cabelos loiros do irmão.
— Pansy, você acredita em tudo que lê. Papai falou que Black não é tão perigoso assim. Pelo contrário, ele é a verdadeira vergonha para os Black.
Draco tinha mentido para ela sobre o que ouviu na Mansão Malfoy, mas isso não surpreendeu . Ela sabia que o irmão era leal ao pai e todo o luxo que ele teria direito quando atingisse a maior idade. Mas se Harry também estava atrás de respostas sobre Sirius, ela deveria avisar o trio, sabia que Draco ali só poderia significar problema.
Por sorte, Hermione jogou a capa em cima de Harry novamente também escutando a voz de Malfoy.
— Veja o que temos aqui, um traidor de sangue e a sangue-ruim. O que foi? Sem o Potter por perto vocês não sabem se defender? — Draco falou colocando as mãos no bolso. Seus colegas da Sonserina riram e viu Rony pegar a varinha.
— Não vale a pena, Ron. — Hermione segurou o amigo que fez com que o grupo de Draco risse mais ainda.
— O que foi, Weasley? Vai deixar a sangue-ruim mandar em você? — quis jogar uma bola de neve no irmão por ser tão idiota. Ela já tinha escutado ele falando de Granger pela casa, mesmo que sempre negasse quando ela perguntava. Draco poderia fingir, mas já tivera 13 anos e sabia muito bem que os garotos agiam de forma idiota nessa idade quando gostavam de alguém.
Porém, se Draco pretendia conquistar Hermione a ofendendo dessa forma, ele não iria chegar a lugar nenhum. se distraiu um segundo e viu Weasley com a varinha apontada para o irmão. Ela pensou em intervir. Draco podia ser um panaca, mas ele ainda era seu irmão e tudo que não queria era que ele se machucasse. O pai lhe culparia mesmo que ela nem sequer deveria estar tão perto.
Mas antes que ela decidisse tomar atitude, ouviu Draco gritando e sendo arrastado no chão. Crabbe, Goyle e Pansy começaram a gritar e saíram correndo, deixando Malfoy sozinho.
— Tem fantasmas! Essa casa é mal-assombrada. — Quando enfim Draco conseguiu se levantar, ele saiu correndo atrás dos amigos.
Harry saiu de debaixo da capa e teve que se segurar para não rir. Ela precisava admitir que Harry Potter tinha estilo.
— Harry! — Mione gritou em meio aos risos.
— Malfoy nunca mais vai chegar tão perto da Casa dos Gritos novamente. — Rony comentou.
— Mas você acha que tem algo ali? — Hermione perguntou a Harry, os três se apoiando na cerca.
— Não sei. Mas não acho que seria um lugar proibido à toa. — Harry parecia observar cada detalhe da casa, assim como havia feito mais cedo.
Ela voltou sua atenção para casa escura, caindo aos pedaços. Não havia nenhum sinal de barulho vindo do seu interior e a grossa camada de neve não sinalizava passos nem humanos nem não humanos. esperou o trio ir embora para pular a cerca e andar até a casa. A porta da frente estava trancada, mas havia uma entrada lateral entreaberta que ela conseguiu empurrar.
Com a varinha em mãos ela executou um “lumus” baixo, usando a luz da ponta da varinha para iluminar a sala. Havia restos de comida no chão, mas nada que indicava que alguém estivesse morando ali.
cogitou executar o feitiço do patrono que havia aprendido sozinha quando soube que agora teria dementadores em Hogwarts. Talvez com a magia ela poderia encontrar algo suspeito, mas se lembrou que estava perto do toque de recolher e os dementadores estariam de olho em movimentos estranhos.
— Merda. — Ela xingou quando se lembrou dos dementadores. Desejou poder pedir a Harry a capa de invisibilidade emprestada, mas se o garoto estava usando-a deveria ter um motivo. Talvez Dumbledore houvesse proibido ele de vir a Hogsmeade com a ameaça de Sirius à solta.
riu consigo mesma enquanto seguia por um corredor. Ela demorou a perceber que não caminhava mais sobre a madeira de linóleo da casa. O chão parecia a mesma terra escura encontrada nos jardins de Hogwarts. Ela sentiu o solado da bota enterrar na terra úmida, e xingou quando chutou uma embalagem de chocolate.
Ela se abaixou para pegar a caixinha e achou ter visto uma embalagem parecida no castelo, mas não conseguia se lembrar onde. Ao olhar para frente ela viu uma luz no final do corredor. Sabia que estava andando por muito tempo para continuar da casa dos gritos, mas se surpreendeu quando se viu embaixo do Salgueiro Lutador.
Havia uma passagem secreta que ligava Hogwarts a Casa dos Gritos. Uma passagem que duvidava que alguém conhecesse. Ela não estava em “Hogwarts, uma história”. Havia uma brecha na segurança da escola e ela se perguntou se Dumbledore conhecia esse caminho.
Ela ainda segurava a embalagem de chocolate vazia e suja de terra quando escutou alguém a chamando.
— , você se perdeu no jardim? — Fred e George vinham na direção do castelo vestidos com o uniforme de quadribol da Grifinória e segurando vassouras.
— Oi! Eu não sabia que vocês tinham treino hoje. — Ela teria ficado tanto tempo assim na passagem secreta que Harry voltara de Hogsmeade para o treino?
— E não tinha, Princesa…
— Mas eu e George gostamos de usar o campo vazio de vez em quando. — Fred passou o braço nos ombros da garota que não teve como não sorrir. Só de ter os gêmeos por perto já se sentia diferente.
Toda a ansiedade que sentira pela descoberta se esvaiu, deixando apensa borboletas no estômago pelo braço de Fred que a envolvia. Ela guardou a embalagem no bolso do casaco e fechou a mão no seu anel. Ela queria conferir a cor, curiosa com a teoria que havia elaborado algumas noites atrás, mas não conseguia tirar os olhos dos gêmeos.
— Mas o que você fazia no jardim sozinha, princesa? — George perguntou quando eles chegaram ao castelo.
— Fui a Hogsmeade hoje à tarde e acho que perdi a hora. — Ela deu de ombros. — Acabei de chegar e ia tomar um banho antes do jantar.
— O que você acha de sair para jantar com a gente? — Fred perguntou quando chegaram no corredor em que deveriam se separar.
— Hum, o jantar não é livre para todos no Salão Principal? — franziu o nariz, como sempre curiosa para saber o que os gêmeos iriam aprontar.
— Que nada, princesa. Hoje nós vamos te levar no melhor lugar para se jantar em Hogwarts. — George deu um beijo na bochecha da sonserina antes de se afastar.
— Esteja aqui em uma hora. — Fred falou antes de ir atrás do irmão em direção à sala comunal da Grifinória.
...

trançava seu cabelo de forma compulsiva enquanto andava de um lado para o outro no corredor. O colar com o emblema da Sonserina tinha ganhado mais dois cordões de companhia que batiam no anel da família Rosier, herança da sua mãe pelo lado materno.
O anel exibia uma coloração verde brilhante, mas não havia prestado atenção. Seus olhos estavam fixos na escada que seria caminho de Fred e George até ela.
Depois que se despediram, a garota foi para seu quarto guardar a embalagem de chocolate e checar novamente na sua edição de “Hogwarts, uma história” sobre a passagem para Casa dos Gritos. Ela não estava errada: não existia nenhum registro daquele caminho, muito menos algo que indicasse passagens secretas de Hogwarts para Hogsmeade.
Foi então que ela se lembrou do Mapa do Maroto. Fred e George haviam dito que o mapa mostrava todo mundo que estivesse no território de Hogwarts, e isso incluía as passagens secretas. Ou pelo menos as que os criadores do Mapa conheciam.
Era um tiro no escuro, mas um tiro que ela estava disposta a arriscar.
— Ei, princesa, está pronta para uma noite com Fred e George? — George Weasley usava um suéter verde com um G bordado, marca registrada dos presentes de natal de Molly Weasley.
sorriu para o garoto, deixando que ele a abraçasse. Fred e George eram gêmeos idênticos. Alguns diziam que conseguiam diferenciar um do outro pelo sorriso no rosto constante que Fred exibia ou pelos olhares atentos de George, sempre prestando atenção nos mínimos detalhes à sua volta.
Mas, para , a forma mais fácil de distinguir os dois era pela energia. Enquanto Fred emanava uma vibração eletrizante e intensa, que lhe dava vontade de dizer “sim” para qualquer coisa, George emanava paz. Era como se Fred e George fossem duas faces de uma mesma moeda, dois opostos que formavam um todo. Enquanto Fred era a tempestade, George era a calmaria. No meio daquele abraço, se sentia acolhida, tão aconchegante quanto uma colcha de lã e uma xícara de chocolate quente em uma noite de inverno.
— Ei! Cadê o Fred? — perguntou, olhou em volta à procura dos cabelos ruivos no meio aos alunos que ocupavam o corredor em direção ao Salão Principal.
— Foi para cozinha terminar os preparativos do jantar. — George entrelaçou seus dedos nos de , sentindo o frio do anel em sua palma. — E eu vim te buscar para que você não se perdesse pelo castelo.
sorriu, dando um aperto na mão do garoto e deixando que ele a levasse escada acima. George sentia uma vibração vinda do anel de e, sem ela perceber, desviou seu olhar para o objeto. A pedra antes verde escura agora apresentava um tom mais claro. Emanava um brilho sutil e George se perguntou se aquele objeto seria uma espécie de anel do humor, algo que ele já tinha ouvido o pai contar fascinado, enxergando as pequenas partículas de magia disfarçadas no mundo trouxa.
George a guiou por corredores que nunca tinha ido. Ele subia e descia as escadas, virando em corredores desertos sempre atento aos sinais de Filch ou Madame Noora. sabia que os professores estariam no Salão Principal e que ninguém notaria a falta dela, mas se questionou se Fred e George ausentes no jantar levantaria alguma suspeita por parte do zelador.
— George, como vocês sabem que ninguém vai procurar a gente? — perguntou quando o garoto parou à espreita em um corredor que dava para a Torre de Astronomia.
— Você lembra do Dobby?
— O elfo dos Malfoy? — arregalou os olhos verdes. Ela e Draco tinham escutado as reclamações e agressões de Lúcio quando Harry libertou o elfo doméstico.
— Sim. Ele está trabalhando na cozinha de Hogwarts agora. — George se virou para , os olhos castanhos atentos à expressão de surpresa no rosto dela. Uma mecha dourada cobria a testa da garota, e George não se segurou em levar sua mão e colocá-la atrás da orelha enquanto terminava de contar. — Dobby tem um apreço pelo Harry e sempre se dispõe em servir lanchinhos na sala comunal. Mas nem sempre Harry aceita esses presentes e eu e Fred começamos a aceitar por ele. Não queremos deixar Dobby sentido e não podemos recusar comida, né?
— Eu gostaria de ir vê-lo qualquer dia desses. — sentiu suas bochechas corando pelo leve toque do garoto.
— Te levamos até ele na próxima oportunidade.
George se virou para o corredor agora vazio, e puxou até as escadas que os levariam para Torre da Astronomia.
— Eu sempre achei que a professora Sinistra não saísse da sala de aula.
— Ah, mas ela quase não sai. Porém não estamos indo para a sala de Astronomia.
Eles chegaram ao topo da escada e George empurrou uma porta que dava para uma ampla varanda que nunca tinha percebido. O lugar era um dos pontos mais altos do Castelo e era possível ver até Hogsmeade dali. George soltou a mão da garota para que ela pudesse entrar no lugar secreto favorito dos gêmeos.
— Tarã! — Fred estava parado no centro da sacada, onde ele havia arrumado uma toalha colorida com diversos quitutes preparados na cozinha. Torta de abóbora, chá de maçã, chocolate, queijos, batata frita e cerveja amanteigada, que tinha certeza que era o único item que não vinha dos Elfos de Hogwarts. — E aí, o que achou?
— É… Perfeito. — sorria sem conseguir acreditar. Ela se sentia como em um sonho, Fred e George encobertos por uma névoa fantástica, dois pontos de energia fora da realidade.
Uma brisa fria soprou bagunçando os fios ruivos do cabelo de Fred. deve vontade de arrumá-los, mas apenas observou de longe, nervosa demais para se aproximar do garoto.
— E ainda tem isso aqui. — Fred pegou um prato cheio de panquecas com gotas de chocolate. — Um certo elfo me disse que você gosta de comidas de café da manhã no jantar.
sentiu seus olhos encherem de lágrimas. Durante sua infância, muitas vezes ela tinha apenas Dobby e Draco para brincar. O elfo doméstico sempre cuidou dos irmãos Malfoy e, apesar de odiar a pose que o irmão exibia em Hogwarts, era grata por tudo que Dobby havia feito por eles.
— Ei, o que foi, princesa? — George a abraçou enquanto tentava secar algumas lágrimas teimosas que caíam.
— Vocês devem estar me achando uma idiota, né? — se afastou de George e sorriu. — Dobby sempre cuidou de mim e ainda não consigo acreditar que ele continua cuidando.
Fred e George encaravam a garota sem saber o que fazer. deu um sorriso e se sentou na toalha.
— Vem, gente! Não vamos deixar esse jantar maravilhoso esfriar.
Fred e George sentaram-se ao lado de e começaram a comer em silêncio. nunca viu os gêmeos ficarem tanto tempo calados, mas não estava reclamando da paz criada por eles. Ela levantou o olhar para o céu e ficou feliz por não estar no Salão Principal. O teto enfeitiçado era bonito, mas jamais chegaria aos pés de uma noite de lua cheia à céu aberto.
— Você gosta de Astronomia? — George perguntou, apontando para o colar de Lua e Estrela que usava ao lado do pingente da sua casa.
— Toda a minha família tem o nome por alguma constelação, menos eu. Mamãe deveria ter previsto que eu seria a ovelha negra da família.
— Não fala assim, . — Fred cruzou as pernas antes de colocar uma batata frita na boca. — Ao meu ver, você é a estrela da família.
—É... Seu nome é em homenagem a uma das maiores bruxas da história. Isso precisa contar para algo, não?
— Talvez. — A garota sorriu novamente. Ao lado dos gêmeos era impossível não sorrir.
À luz da lua cheia, os três trocaram ideias sobre feitiços, poções e carreira. concordou com os gêmeos que uma vida presa no ministério seria péssima, mas nada se comparava no casamento arranjado que a esperava.
— Não acredito que ainda fazem isso. — Fred balançava a cabeça indignado com o relato da garota.
— Sério. Meu pai ficou bravo porque não fui no Natal conhecer meu "futuro marido". — Ela fez o sinal de aspas com as mãos, deixando claro que tratava aquele assunto com o maior nível de sarcasmo que pudesse.
— Faz assim, : no dia que seu pai aparecer com o próximo paspalho, você casa com um de nós e ele não vai poder falar nada. — Fred apontou o dedo para ele e o irmão.
— É. Sem dúvidas. — George concordou — E ainda jogamos uma azaração no mané.
— Aham.
gargalhou do plano dos gêmeos. Fred começou a citar azarações enquanto George já pensava em como seria o casamento. apenas observou os dois conversarem enquanto comia aquele jantar com gostinho de infância. Em algum momento, Fred e George começaram a falar do jogo de quadribol que se aproximava e revelou que nunca foi muito fã do esporte.
— Isso é uma agressão a todo mundo bruxo, princesa. — George parecia indignado, mas aquele apelido mais uma vez causou uma bagunça de sensações em .
Sorry not sorry. — Ela deu de ombros, rindo da expressão do garoto.
— Mas você vai assistir ao jogo de Grifinória contra a Corvinal no sábado, né? — Fred perguntou ao levantar as duas sobrancelhas.
— Hum... Não estava planejando não. Meus sábados geralmente passo na biblioteca fazendo os deveres de casa e estudando para ter meu domingo livre.
— Eu não acredito! — Fred cruzou os braços indignado. — George, ela é uma rata de biblioteca.
— Não sou, não! — Foi a vez de cruzar seus braços e fechar a cara.
— É sim, princesa. — George esticou a mão para segurar a dela, fazendo com que a garota se aproximasse mais dele. — Não que isso seja um problema, mas precisamos começar a te mostrar que existe mais de Hogwarts do que a biblioteca e a Torre da Astronomia.
— Você fala aquele mapa que vocês dois tem escondido? — franziu o cenho e apontou o dedo para os dois. Desde o início da noite ela queria dar uma olhada no mapa, porém não queria contar para os gêmeos suas suspeitas.
Ela conhecia Fred e George o suficiente para saber que eles eram curiosos. A investigação que ela estava fazendo para descobrir a verdade sobre Sirius Black poderia ser perigosa e, por mais que ela quisesse a companhia dos amigos, ela jamais os colocaria em risco.
— Bem, não temos mais o mapa, mas temos outras coisas como quadribol...
— Ou nadar no lago! — George sorriu, imaginando e seus cabelos claros molhados.
— Espera, eu achei que isso era proibido.
— Nada é proibido se eles não te pegarem. — Fred piscou para ela e mais uma vez sentiu coisas que não poderia descrever dentro de si.
Ela abaixou o olhar para desviar das írises castanhas do garoto e foi então que viu, pela primeira vez na noite, como seu anel estava claro. O verde ainda estava presente, mas agora ele exibia uma colocação límpida, quase como o verde do alto mar. cobriu o anel com a outra mão, tentando esconder seu brilho.
— Hum, e como vocês planejam não ser pegos se não tem mais o mapa? Aliás, como assim vocês não têm mais?
— Harry precisava mais. — Fred deu de ombros e sabia que tinha mais história ali do que o gêmeo contaria. Tudo bem, Harry Potter não era problema dela.
Ao longe, eles escutaram um uivo. se assustou e olhou no horizonte, tentando entender de onde o barulho vinha. Fred e George olhavam para a Floresta Proibida, mas sabia mais.
Como suspeitava, a Casa dos Gritos estava iluminada. Uma luz fraca, provavelmente de uma vela ou varinha, mas ainda assim havia luz. Ela se viu tentada a pegar o atalho pelo salgueiro de ir investigar, porém não seria naquela noite.
Naquela noite sua atenção era toda de Fred e George que já conversavam animadamente mais uma vez. George puxou a garota para seus braços e se deixou ser abraçada. O calor do corpo de Weasley a aquecia do vento frio que soprava.
Eles perderam a noção do tempo e se assustou quando viu o sol apontando no horizonte.
— Puta que pariu já está amanhecendo! — Ela se levantou assustada, os gêmeos atrás de si. — Preciso passar no meu quarto antes de ir para aula.
— Vamos, a gente te leva. — Com um movimento da varinha Fred fez com que os pratos e a toalha desaparecessem.
Os três saíram pelo corredor silencioso, andando até as masmorras cuidado de todo passo. Fred e George sabiam que aquela era a hora que Snape acordava e nenhum dos três queria pegar uma detenção com o mestre de poções.
— É aqui. — sussurrou, apontando para a entrada da sala comunal da Sonserina. — Obrigada.
Seu sorriso era fraco e ela não conteve um bocejo antes de deixar um beijo na bochecha de cada um dos gêmeos. Ela estava cogitando seriamente mantar a primeira aula para dormir.
— Por nada, princesa. — George colocou as mãos nos bolsos, sorrindo.
— E vemos você no jogo sábado, . — Fred piscou para ela antes de se afastarem.
ainda ficou parada observando os dois irem embora. Entrou na sala comunal silenciosa e foi para seu quarto, apenas querendo sua cama. Ao se deitar, os cabelos loiros espalhados pelo travesseiro, ela esticou a mão que exibia seu famoso anel.
A pedra agora apresentava o verde escuro novamente. O brilho que o anel tinha exibido durante a noite precisava ter um significado. A cor dele começou a mudar quando George se aproximou e ela havia passado horas nos braços do garoto. Seria George Weasley sua alma gêmea?
O cansaço tomou conta do corpo da garota, sem dar tempo para que ela pudesse pensar mais em Fred e George Weasley. E, se ela tivesse ficado acordada por mais alguns minutos, teria escutado o mesmo uivo da noite anterior alguns metros abaixo da sua janela, enquanto uma figura encurvada arrastava os pés, nem humanos nem animal, de volta para Hogwarts.


Capítulo 4

Fred e George estavam sentados na mesa da Grifinória ao lado de Angelina Johnsson e Olívio Wood, capitão do time de quadribol que discutia as últimas jogadas com os gêmeos antes da partida.
— Cadê o Harry? Preciso falar com ele também. — Wood esticou o pescoço procurando pelo garoto com a cicatriz na testa.
— Ele e Rony sempre perdem hora. Já falei para eles colocarem o despertador para meia hora mais cedo, mas não adianta! — Hermione Granger reclamou enquanto se servia de um mingau.
— Eles estão vindo. — Ginny Weasley corou ao ver o irmão e Harry entrando no salão. George fingiu que não viu sua irmã caçula de apenas 12 anos corar por causa de um garoto.
— Bom dia. — Harry, assim como os gêmeos, vestia o moletom do time de quadribol e começou a servir o seu café da manhã enquanto Olívio já voltava a falar de jogadas.
Rony nem sequer falou bom dia antes de atacar a comida, devorando tudo que estava na sua frente. Fred trocou um olhar com George e, por baixo da mesa, executou um feitiço que acrescentou ao suco de laranja do irmão um pouco de sal.
— Eca! — Rony cuspiu, roubando o copo d'água de Hermione para tirar o gosto ruim da boca. — Esses elfos estão cada dia mais desleixados.
— Para de ser estúpido, Ron! — Hermione bateu no garoto com o livro de poções que ela lia em seu colo. — Fred e George todo dia enfeitiçam seu café da manhã e você não percebe! Mas é uma anta mesmo.
Rony olhou para os irmãos que riam ao se cumprimentarem.
— Dez galeões Fred, pode passar pra cá.
— Valeu a pena. — Fred entregou a moeda para o irmão enquanto o Weasley mais novo estava chocado.
— Não acredito que vocês apostaram às minhas custas de novo. — Ron olhou cabisbaixo para seu prato cheio de torradas com geleia, mas, antes de colocá-las na boca, olhou para Hermione que apenas revirou os olhos.
George achava bonitinho como que Ron sempre precisava do aval de Hermione para as coisas mais simples, e ele sabia que era algo totalmente inconsciente dos dois. Rony era inocente demais para o seu próprio bem, mesmo tendo Fred e George como irmãos mais velhos.
— Na verdade a gente apostou quanto tempo levaria até Hermione te defender. Fred achou que ela ficaria calada…
— Mas George disse que não demoraria um mês.
— Certo, crianças, chega de enrolar. Vamos para o campo que a Corvinal não é qualquer adversário. — Olívio Wood se levantou empurrando Harry para que ele se apressasse. Os gêmeos seguiram o restante do time deixando Rony, Hermione e Gina terminarem o café da manhã com calma.
George viu a cabeleira loira de se levantar da mesa da Sonserina e, com o rosto enfiado em um livro, a garota foi andando para a porta do salão principal. O gêmeo disse que tinha esquecido algo na mesa e que os colegas deveriam ir na frente. Fred olhou para o irmão sem entender até que viu . Ele também queria ver a garota, mas sabia que se ficasse para trás também chamaria atenção dos amigos e tudo que eles não precisavam era de um grupo de grifinórios perguntando porque ele e George estavam andando com Malfoy.
Não por enquanto, pelo menos.
George escorou na parede ao lado da porta do salão principal e cruzou os braços. estava distraída com seu livro e nem percebeu na presença do Weasley.
— Você vai cair assim, princesa. — arrepiou ao ouvir a voz de George tão próxima de si.
— Oi, George. — Ela se virou colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.
— Você não esqueceu da sua promessa, né?
— A promessa que você e Fred fizeram por mim? — arqueou as sobrancelhas, desafiando o garoto a convencê-la de ir ao jogo.
— Eu sei que você quer ver a gente jogar. E também sei que você vai torcer pela Grifinória.
riu.
— Jamais! A Taça vai ser da Sonserina esse ano. Tenho certeza que meu irmão vai vencer o Potter.
— É o que veremos, princesa. — George deu um beijo no rosto da garota que sentiu suas bochechas corarem. — Te vejo no campo.
Antes de sair, George colocou um cachecol da Grifinória ao redor do pescoço de . Ela se assustou pela ousadia do garoto, mas internamente apreciou o gesto. Porém, assim que George se afastou, desfez o nó e abraçou o objeto de lã junto ao livro que pretendia passar o dia lendo na biblioteca.
Ela sabia que os alunos da Sonserina falavam. E sabia o quão seu irmão era apegado às tradições da casa. não pretendia devolver o cachecol, mas o reservaria para dias especiais.
Buscou o anel em suas mãos, mas esqueceu que o havia colocado junto ao colar da com o brasão da Sonserina, escondido nas vestes escuras impedindo que seu brilho chamasse atenção. Definitivamente tinha encontrado a sua alma gêmea, e a proximidade de George a fez questionar se seria ele.

O caminho até o campo de quadribol estava lotado de alunos com as cores vermelho e azul. O primeiro jogo do ano sempre atraía uma torcida ansiosa para descobrir quem seriam os novos jogadores do time da sua casa, se aquele jogador que se destacou no ano anterior ainda estava jogando bem e, com todos os placares zerados, todos os alunos sonhavam em conquistar a Taça.
Porém nem todo mundo estava ansioso.
odiava quadribol. A verdade é que ela odiava voar. Uma bruxa com medo de altura era uma das coisas mais patéticas que ela já tinha ouvido, mas essa era ela, Malfoy.
Quando criança, Draco fazia de tudo para convencê-la a brincar com ele. O pai a presenteava com as últimas vassouras disponíveis no mercado, mas nada disso motivara a sair do chão. A sua nota mais baixa no boletim em Hogwarts tinha sido a matéria de voo no primeiro ano. Madame Hooch fez se tudo para que aprendesse a usar a sua vassoura, mas quando conseguiu tirar os pés do chão foi um avanço que nem ela nem a professora esperavam ver.
Mas, desde então. tinha se mantido longe do campo de quadribol. No ano anterior, quando Draco estreou pela Sonserina e Lúcio foi assistir, seu pai lhe obrigou a sentar-se ao seu lado durante a partida. Porém, ela deu um jeito de desaparecer na arquibancada e se esconder na Sala Comunal. Mais tarde, quando ficou sabendo que Draco e Harry haviam sido perseguidos por um balaço enfeitiçado, ela se sentiu mal por não ter estado lá para ajudar o irmão. Ele ficou um mês sem falar com ela depois da humilhação pública que Lúcio o fez passar.
O dia estava ensolarado e o clima não poderia ser melhor para um jogo de quadribol. deixou que todos os alunos entrassem no campo e, ao longe, viu Fred e George com os demais alunos do time da Grifinória rumo ao início da partida. Ela segurou o anel no colar, um hábito que estava se tornando um vício sempre que via os gêmeos.
— Por que mesmo a gente está indo assistir a esse jogo, Draco? — Pansy Parkinson e o grupo de Draco Malfoy eram os últimos a chegarem à arena. estranhou que o irmão teria interesse naquele jogo.
— Chama-se pesquisa de campo. Precisamos aprender com os erros de Potter para poder vencer o próximo jogo.
— Mas, Draco, nenhum de nós está no time além de você. Porque temos que vir também? — Blaise Zambini questionou e se escondeu do grupo já prevendo a explosão do irmão. Assim como Lúcio, Draco odiava ser questionado.
— Só entra e assiste ao jogo!
E assim o pequeno grupo de terceiranistas da Sonserina se acomodaram em meio a torcida, atentos aos jogo que se iniciava. deu a volta no campo e encontrou um lugar vazio na extremidade entre a torcida da Grifinória e a da Corvinal. Não era um dos melhores lugares, mas ela se espremeu entre alguns secundaristas que estava mais interessados nas guloseimas que tinham trazido do que no jogo em si.
— Você não deveria estar procurando Zonobulos, Dilua? — escutou um garoto da Corvinal usar um tom de ironia com uma secundarista corvina. A garota loira usava um óculos colorido em cima da cabeça, o nariz arrebitado e olhar atento não pareceu perceber o sarcasmo na voz do rapaz.
— Zonzóbulos, Belby. — A garota colocou os óculos no rosto olhando para o colega de casa. — E você deveria se cuidar mais. Está cheio deles em sua cabeça.
O garoto fechou a cara enquanto seus colegas riam. podia jurar que escutou alguns deles dizendo que a garota era doida, mas a corvina não pareceu perceber. se sentou ao lado da menina e abriu a boca para alertá-la sobre os colegas, porém antes que ela pudesse dizer algo, sua atenção foi atraída para um estrondo no jogo.
— Essa passou perto! Fred Weasley quase é acertado por um balaço. Por sorte George estava ao seu lado para rebater contra o time da Corvinal. — escutou o comentarista e levantou o olhar para os gêmeos que sobrevoavam o campo.
Instintivamente levou a mão no colar mais uma vez, sem perceber que estava sendo observada pela garota pequena de cabelos loiros e acessórios estranhos.
— Esse é um anel do destino. Poucas unidades ainda existem nas famílias puro sangue. — A voz da garota era aguda e aveludada. A calma que ela transmitia era inexplicável e fez voltar seus olhos para ela.
— Anel do destino? — sabia o que significa seu anel, mas nunca tinha escutado aquele nome.
— Sim. Diz a lenda que nenhuma alma surge sozinha. Duas almas nascem juntas e elas apenas encontrariam o equilíbrio quando se encontrassem. Na época de Merlin, os bruxos descobriram que duas almas gêmeas juntas teriam seus poderes aumentados e, por isso, criaram os anéis do destino. Existiram apenas sete, pois acreditavam que as famílias puras casariam entre si. Porém, o que Merlin e seus aliados não previram, é que essas almas nem sempre são dois bruxos. E, quando a alma gêmea de um bruxo era um trouxa, nada acontecia com os poderes desse bruxo. Com o tempo a comunidade bruxa deixou de acreditar na lenda e os anéis do destino se perderam. Eu nunca achei que fosse encontrar um e muito menos que a lenda fosse verdadeira. — A garota deu de ombros e , boquiaberta, tentava ver sentido em tudo que ela tinha contado.
Ela sabia que esse anel estava na família da sua mãe por séculos, sempre passado de mãe para filha. Narcisa não acreditava no poder real do anel, ou pelo menos pensava que não. Ela não faria nada conscientemente que atrapalhasse os planos de Lúcio Malfoy para a filha.
— Eu acredito que minha alma gêmea está por aí. Mas provavelmente nunca vou encontrá-lo. Ou ela. Almas não tem gênero, não é? — Os olhos azuis da garota encaravam com um sorriso no rosto.
— Como você sabe disso tudo, hum…
— Luna. Luna Lovegood. E você é Malfoy. — apenas assentiu, ainda sem conseguir organizar seus pensamentos. — Existe muito mais do que os livros da biblioteca dizem, sabe?
— Sim… — A Sonserina quase não encontrava sua voz. Ela levou a sua mão novamente ao anel, agora de volta ao verde escuro que exibia naturalmente, apenas pequenos pontos de luz, como uma constelação, eram visíveis. Tinha sido a mesma coisa que George lhe falou na Torre da Astronomia. Talvez ela precisasse mesmo sair mais da biblioteca e estudar magia onde ela acontecida: na vida real.
Enquanto divagava, a Grifinória marcou mais um gol e a torcida vermelha comemorou. Ao longe, viu George acenar para ela, arrancando um sorriso discreto de seus lábios. Os cabelos ruivos balançavam com o vento e a velocidade que ele voava no campo, defendendo balaços e mantendo a atenção para os atacantes da Corvinal.
O time adversário também marcou após Fred se distrair com um balaço teimoso que o perseguiu. O dia estava lindo, e então não estava mais. A torcida silenciou-se, as nuvens escuras tomaram conta do céu e sentiu como se toda a felicidade tivesse ido embora. Ela tentou ver o que estava acontecendo no céu, mas a névoa a impedia de enxergar muita coisa. Via apenas vultos, balaços e Harry Potter caindo do céu em uma velocidade que não deveria fazer uma vassoura.
Fred e George tentaram seguir o garoto que estava em queda livre, mas George, preocupado com Harry, não conseguiu parar a vassoura antes de estatelar no chão.
— Os dementadores invadiram o jogo? — escutou uma aluna do quarto ano perguntar. Seus olhos rapidamente foram do chão onde George e Harry estavam rodeados dos demais jogadores da Grifinória para a arquibancada onde seu irmão e o grupo de sonserinos estavam. A expressão no rosto de Draco era fria, rígida e coerente com o nome Malfoy, porém tinha crescido com o garoto e sabia reconhecer o medo em seus olhos.
Dementadores haviam invadido Hogwarts. Não era uma questão de segurança, mas talvez…
saiu correndo deixando Luna para trás sem entender onde a garota estava indo. Do lado de fora do campo de quadribol procurou por Sirius Black. A única explicação que ela poderia ter para a presença de Dementadores ali era a presença do bruxo que havia fugido de Azkaban. Mas não havia ninguém à vista. Os jardins de Hogwarts estavam vazios e gelados. Ela se abraçou no cachecol da Grifinória que George havia lhe dado.
— George… — Murmurou antes de sair correndo para área hospitalar onde ela sabia que os garotos seriam levados.


Capítulo 5

— Fred! — gritou pelo garoto enquanto corria no corredor atrás do grupo da Grifinória. Sem dois jogadores e com a invasão do campo pelos dementadores, o jogo foi suspenso. De longe conseguia escutar os gritos de Wood e a revolta pelo fim do quadribol.
— Um absurdo colocarem esses seres como guardas de Hogwarts! Aqui é uma escola e não uma prisão.
— Mesmo que se pareça uma às vezes. — George respondeu ao capitão da Grifinória recebendo um high five de Fred.
escutou a voz de Fred responder o irmão, mas a porta da enfermaria foi fechada em sua cara. Ela esticou a mão até a maçaneta, mas, antes que pudesse virar, escutou passos no corredor.
— O que você está fazendo aqui? — Ron Weasley, acompanhado da irmã Gina e da amiga Hermione, gritou antes que pudesse entrar.
A garota tentou pensar em uma desculpa para estar ali. Uma cólica ou que poderia ter torcido o pé correndo com sua bota de salto alto, porém nada parecia uma desculpa convincente. Rony estava de braços cruzados aguardando uma resposta. O garoto havia crescido no último ano e estava mais alto do que a Malfoy e, sem uma boa história, apenas deu as costas abraçada ao cachecol de George e seu livro que finalmente ganharia a atenção que merecia.
— Por que você fez isso? — Hermione perguntou para Ron quando Gina abriu a porta da enfermaria e correu para o lado de Harry e George.
— Ela é uma Malfoy, Hermione. — Ron falou como se fosse tão óbvio quanto o céu azul ou os cabelos oleosos de Severus Snape.
— Você não sabe porque ela estava aqui Rony. Você pode não gostar dos Malfoy, mas poderia estar precisando da Madame Pomfrey e você a assustou.
Fred escutou a conversa e quis rir. não tinha medo de sair escondida pelos corredores de Hogwarts, mas tinha ficado nervosa por causa de Rony? Tinha alguma coisa mal contada nessa história.
— O que aconteceu? — Gina chamou a atenção dos amigos para Harry que estava mais desacordado do que George.
— Eu não sei. — A voz do garoto estava grogue, sentindo dores não apenas no corpo como também em sua mente. Harry já havia sentido isso antes, no Expresso de Hogwarts quando dementadores revistaram o trem. Na ocasião o Professor Lupin estava presente e havia usado um feitiço que o garoto desconhecia.
A porta da enfermaria abriu em um estrondo e os Weasley e Hermione se viraram para ver Dumbledore entrar acompanhado do Professor Lupin e da Professora McGonnagall.
— Harry, o que aconteceu? — McGonnagal perguntou aflita, olhando dos garotos para Madame Pomfrey sem encontrar uma resposta.
— Aqui, garotos. — Lupin deu um pedaço de chocolate para Harry e George, e Potter começou a se sentir melhor imediatamente. — Madame Pomfrey que me desculpe, mas não há remédio melhor contra os efeitos dos dementadores que um pedaço de chocolate.
— Eu tenho mais alguns. — Rony tirou dos bolsos dois sapos de chocolates e algumas barrinhas, distribuindo entre os amigos. Fora Harry, eles não haviam percebido os efeitos das criaturas das trevas até o momento em que morderam o doce.
George se sentou na cama e chegou para o lado, dando espaço para Fred se sentar ao seu lado.
— Como você não conseguiu frear? — Wood perguntou para o seu batedor machucado. Agora que Harry parecia mais alerta, Madame Pomfrey pode examinar o punho de George que havia inchado e latejava.
— Eu não sei. Acho que estava em uma velocidade muito alta tentando alcançar o Harry e não deu tempo de parar. — George deu de ombros. Apesar do incômodo, ele estava orgulhoso de si mesmo. Havia sido corajoso o suficiente para tentar ajudar Potter.
— Parece que seu punho teve uma fratura parcial. Essa poção vai ajudar o osso colar novamente e na segunda você já pode ir para aula.
— Droga. — George reclamou. — Tem certeza que não tem mais nada de errado, Madame Pomfrey?
— Ele pode ter batido a cabeça. — Fred tentou ajudar o irmão, mas recebeu um olhar recriminatório da Professora McGonagall.
— Eu espero ver os dois na minha aula na segunda-feira e com os deveres feitos. O N.O.M.s está chegando e não quero saber de alunos da Grifinória reprovando. — Fred e George deram de ombros enquanto a professora se virava para conversar com Dumbledore.
— E o Harry? — Hermione perguntou para a enfermeira.
— O Harry parece estar reagindo bem ao remédio alternativo do Professor Lupin. Acredito que dentro de uma hora ele já seja liberado.
Com notícias positivas sobre os garotos, o time de quadribol e os professores deixaram Rony, Hermione e Fred cuidando dos enfermos. George quis perguntar a Fred se ele havia visto . No meio da confusão, ele vira a garota sair correndo, mas não fazia ideia de onde tinha ido ou o porquê a pressa. Porém ele sabia que o trio de ouro não se dava bem com o nome Malfoy e, apesar de terem sido amigáveis com a garota no Natal, os gêmeos sabiam que Rony e Harry poderiam fazer perguntas que nenhum dos dois saberia responder.

mexia na sopa na sua frente sem prestar atenção. Ela não estava com fome, mas sabia que se não fosse jantar, perderia a chance de ver Fred e ter notícias de George. Ela quis ir à enfermaria mais cedo, porém assim que se aproximou, viu Harry saindo com os amigos e enfrentar Rony pela segunda vez no dia estava fora de cogitação.
A garota respirou fundo ao olhar para mesa da Grifinória mais uma vez e continuar sem sinal de Fred Weasley. O garoto provavelmente tinha ficado com o irmão na enfermaria e ela pensou nos riscos que teria de ser pega se fosse encontrar com eles fora do horário de visitas.
Por outro lado, ficar sentada em silêncio na mesa da Sonserina a fez lembrar da passagem secreta do Salgueiro Lutador. Entre Fred e George, deveres de casa e suas próprias pesquisas, não havia tido tempo de voltar à passagem secreta. Sua única pista continuava sendo uma embalagem de chocolate que a intrigava e a certeza que aquele lugar não estava ali quando Hogwarts foi fundada.
E, se por um lado ela se sentia aflita pelo acesso desconhecido à escola, por outro ela queria seguir novamente pela passagem e compreender o que era a Casa dos Gritos. Draco acreditava que o lugar era mal assombrado, mas duvidava que fantasmas perderiam tempo em uma casa isolada e abandonada.
— Você ficou sabendo sobre os dementadores no jogo de quadribol? — Um aluno do primeiro ano assustado perguntou para um amigo de cabelos escuros.
— Ouvi dizer que Sirius Black estava rondando o estádio. Papai disse que Dumbledore está ficando gagá e que Hogwarts não é mais tão segura quanto imaginam. — O sonserino deu de ombros e se esticou sobre a mesa para buscar um pão com geleia.
— Acho que se Black de fato tivesse entrado no castelo alguém o teria visto. Ainda mais tão perto do estádio lotado. Ele não seria tão burro.
refletiu por alguns segundos sobre o que o garoto tinha dito. De fato, não fazia sentido os dementadores terem invadido o campo e atacado Harry sem um motivo aparente. Ela resolveu que assim que George saísse da enfermaria ela iria novamente para Casa dos Gritos. Os restos de comida que ela encontrara no local era indício que alguém estava usando-a de esconderijo e ela queria saber quem mais tinha conhecimento da passagem secreta. Pena que Fred e George se desfizeram do Mapa dos Marotos.
A garota se levantou desistindo do jantar pensando no Mapa. Se ele havia sido feito uma vez, porque outros alunos ainda não tinha tentado copiá-lo. E quem seriam os Marotos que foram tão criativos e porque eles não haviam colocando aquela passagem secreta específica no mapa uma vez que tinha tantas outras.
— Você já conseguiu ver o Weasley? — escutou uma voz atrás de si e, quando se virou, era a pequena Luna Lovegood que estava sentada em uma das escadas com uma edição d’O pasquim aberto sob os joelhos e uma caneca com chá na mão. — Eu vi que você foi correndo para a enfermaria após a confusão, mas que Rony não a deixou entrar. Eu gosto dos Weasley, sabe? Gina é da minha turma e ela é uma garota diferente das outras. Mas então, você o viu?
Talvez pela surpresa de ter alguém falando com ela, ou pelo cansaço depois de um dia intenso, se sentou ao lado de Luna e começou a chorar. Depois de altura, chorar era a segunda coisa que Malfoy mais odiava. Não que chorar a fizesse se sentir fraca, mas porque ela odiava demonstrar vulnerabilidade e seus choros geralmente eram ápices de cansaço e ansiedade.
— Ei, calma. Eu tenho certeza que ele está bem. O Harry já foi liberado, não é possível que o Weasley estivesse pior.
— Não. Não é isso. — secou as lágrimas e riu. — Acho que estou só cansada. Não consegui ver o George, mas não tem problema, tenho Transfiguração com eles na segunda cedo. Pelo menos Fred deve aparecer.
Luna assentiu e as duas ficaram em silêncio. A mais nova bebericava seu chá enquanto apenas observava os alunos passarem por elas como se fossem invisíveis.
— Posso ver o anel? — Luna perguntou tentando quebrar o gelo.
— Claro! — ficou o cordão de dentro da sua blusa por cima da cabeça e deixou o anel nas pequenas mãos da garota. Assim que a Malfoy o soltou, o brilho verde que sempre adornava o anel desapareceu, assumindo um tom completamente escuro.
— Hum, então eu ainda não conheci minha alma gêmea. Que pena.
— O que? — franziu o cenho para garota.
— Os anéis do destino mudam de cor somente quando já falamos com a nossa alma gêmea. Pode ser um simples olá ou uma longa conversa, porém a cor só aparece quando tivemos contato com a pessoa. E, quanto mais perto a gente fica, mais brilhante é o anel. Ele já brilhou para você? — Luna arregalou os olhos azuis curiosos ao olhar para . A sonserina aceitou o anel de volta e voltou a guardá-lo dentro da sua veste.
— Hum, não que eu tenha reparado. — Era uma mentira e odiou mentir para garota, porém ela não queria contar suas suspeitas sobre George Weasley para ninguém. Ela não sabia nem mesmo como contaria a ele.
— Que pena. Talvez você apenas tenha esbarrado nele ou nela.
— É. Que pena. — A voz de estava baixa. Ela não queria mais falar sobre anel do destino. — Bem, já está tarde. Vou me deitar. Até mais, Luna.
— Até mais, Malfoy.
subiu as escadas até a sala comunal e se escondeu no seu quarto antes que algum colega quisesse conversar com ela. O livro de Aritmancia estava no criado mudo e ela nem mesmo trocou de roupa antes de voltar a sua leitura. Finalmente em paz no conforto do seu quarto.
Porém, não leu duas páginas antes de escutar batidas na janela. Levantou desconfiada, sem entender porque uma coruja estava voando àquela hora da noite. Abriu a janela para o animalzinho entrar e tinha um pergaminho pequeno preso na perninha. Ao desenrolar, reconheceu a caligrafia, mesmo sem nunca ter visto a letra de George Weasley.
A enfermaria está tão vazia. Por que você não vem me fazer companhia?
G. W.

sentiu borboletas em seu estômago. Olhou para o livro na cama e abriu a porta do seu quarto. O barulho na sala comunal já tinha diminuído, isso significava que os alunos já se preparavam para dormir. Ela sabia o que significaria detenção com Professor Snape se fosse pega fora da cama e, especialmente, se fosse pega na enfermaria na cama de George Weasley. Porém, nunca teve medo de confusão.
Pegou seu casaco e saiu da sala comunal, tomando todos os cuidados até chegar à enfermaria.


Capítulo 6

Sair escondido à noite em Hogwarts parecia uma tarefa difícil. O zelador Filtch e sua gata Madame Noora eram atentos a todos os movimentos noturnos da escola, especialmente depois do ano passado em que alunos foram atacados pelo monstro da Câmera Secreta. até hoje não sabia o que tinha acontecido e quem era o herdeiro de Salazar Sonserina. Tudo que ela sabia era que Harry Potter tinha sido o herói pelo segundo ano consecutivo. Ela não tinha nada contra Harry, mas depois de ver George se machucar para proteger o garoto, começou a se perguntar se Draco não estava certo e as pessoas davam mais valor do que devia ao garoto que sobreviveu.
desceu as escadas com cuidado, os ouvidos atentos a passos ou miados. Ela já tinha até mesmo pensado em uma desculpa caso fosse pega: estava se sentindo enjoada e sua poção de cura havia acabado. Felizmente não havia ninguém em seu caminho e a porta da enfermaria estava destrancada.
— Oi. — Sua voz era baixa ao fechar a porta atrás de si, receosa de que Madame Pomfrey ainda estivesse na ala hospitalar.
— Ei, princesa, achei que você não fosse vir. — George estava deitado na maca a extrema esquerda, o cobertor verde listrado da enfermaria o protegia e, no escuro, seguiu a voz do rapaz até ele.
— Como você está? — Ela se sentou na cadeira ao lado da cama de George, examinando cada pedaço possível do corpo do garoto, ainda receosa que ele tivesse se machucado mais do que parecia.
— Apenas um punho quebrado. Amanhã estou novo de novo. — O sorriso doce do garoto encorajou a se aproximar
— Que bom. — George esticou a mão boa, segurando a mão da garota e a puxando para perto da cama.
— Vem cá. — quis argumentar com receio da Madame Pomfrey ou outra pessoa entrasse na enfermaria. — Se alguém abrir aquela porta eu te cubro e digo que tenho um cachorro escondido.
— Eu sou um cachorro agora? — levantou uma sobrancelha com um sorriso no rosto. Ela se acomodou ao lado de George na cama, resistindo a vontade de passar os dedos em seus cabelos ruivos.
— Nada. Se você fosse um animal, você seria um coiote.
— Coiote? — começou a rir.
— É. Combina com você. — George deu de ombros, levando sua mão boa até o cabelo claro da garota, colocou uma mecha que teimava em cair em seu rosto atrás da orelha.
— Eu nunca pensei em mim mesma como um animal.
— Dizem que quando a gente consegue conjurar nosso patrono, conhecemos o nosso espírito animal. Cada patrono tem uma forma que reflete a alma do bruxo, e alguns acreditam até que essa forma possa mudar quando acontece algo traumático em nossa vida, como ver a morte se um amigo, ou talvez, quando a gente se apaixona…
George deixou aquela palavra no ar, acariciando a bochecha de . Ele não conseguia tirar os olhos dos da garota. A íris verde brilhante, quase tão brilhante quanto a pedra do anel que a garota tinha na mão esquerda dias atrás. Ele quis perguntar sobre o anel, a curiosidade de saber porque ele mudava de cor.
Ele chegou abrir a boca, mas fechou quando viu o cordão de em seu pescoço e pesando por dentro das vestes, um objeto no formato do anel se destacava.
, por outro lado, observava cada detalhe do rosto de George a luz do luar. Todos sabiam que Fred e George eram gêmeos idênticos, nem mesmo sua família conseguia diferenciá-los. Mas conseguia.
George tinha uma expressão mais séria, a pele mais sardenta e os olhos castanho um pouco mais claros. Ou talvez fosse o olhar. A forma que George olhava para a fazia esquecer de todos os motivos pelos quais ela nunca tinha se interessado por um garoto.
O medo de rejeição, a reação da sua família, as fofocas de Hogwarts. No entanto, ali estava ela, na cama de George Weasley na ala hospitalar correndo o risco de ser pega fora da sua sala comunal e precisar se explicar para as pessoas que ela não queria que dessem palpite na sua vida: Dumbledore, Snape e, sobretudo, seu pai.
Mas naquele momento apenas George importava. George que sempre lhe chamava de princesa, mesmo que um tom de ironia estivesse presente, a palavra ainda saía de forma carinhosa. George que ria das suas caretas para Fred e a abraçava sempre que ela se sentia triste. George, que tinha os lábios rosados mais beijáveis que conhecia.
No fim, ela não sabia quem tinha beijado quem. Os lábios do garoto deslizavam sobre os seus, enquanto suas mãos a puxava pela cintura para mais perto dele. levou a mão para os cabelos de George e escutou o garoto gemer quando ela arranhava sua nuca. George se afastou após terminar o beijo com um selinho e nenhum dos dois disse nada.
Palavras não eram suficientes para explicar o que apenas o olhar conseguia entender. se aconchegou nos braços do garoto e George a puxou para mais um beijo. E, se dependesse da garota, ela nunca mais pararia de beijá-lo.
...

estava enroscada nos braços de George que a aquecia. Seus olhos fechados contribuam para que todos os demais sentidos estivessem aguçados. Os carinhos de George em seus cabelos, o cheiro de biscoitos de Natal no seu suéter, o gosto da boca do garoto na sua. nunca se importou com primeiras vezes. Sempre achou que nada disso havia importância e era para garotas que haviam direito de escolha.
Ela estava destinada a casar com um bruxo puro sangue aprovado pelo pai, filho de algum ex-comensal da morte em que teria duas exigências: que ela fosse virgem e que logo lhe desse um herdeiro. George era o oposto de tudo isso, mas, ainda assim, havia sido ele quem lhe roubara o primeiro beijo.
Como se tivesse acontecido dias antes, repassou a cena em sua mente, revivendo cada minutos com detalhes. E, como se George pudesse ler a mente da garota, ele a puxou para outro beijo. Dessa vez mais lento, menos urgente. Apreciando o toque dela em seus braços, a puxando para mais perto como se toda mínima distância fossem quilômetros.
abriu os olhos lentamente, encarando os orbes castanhos do grifinório e o leve sorriso travesso em seus lábios.
— Melhor coisa do mundo eu ter caído da vassoura.
— Você sabe que poderia ter me beijado sem precisar se estatelar no chão, né? — Ela arqueou uma sobrancelha, desafiando o garoto.
— E qual seria a graça nisso? — George levou a mão que não estava machucada para a nuca da garota, a beijando novamente e fazendo sentir pressão em lugares do seu corpo que ela nem sabia que existia.
A garota se afastou, nervosa com aquelas novas sensações desconhecidas. Olhou em volta na enfermaria, com receio de estarem sendo observados, mas o lugar estava vazio. A luz do luar invadia o espaço amplo iluminando detalhes que nunca havia percebido antes.
— Você deveria descansar. — Falou para George sem encarar o garoto.
— Você aqui me descansa, princesa. — A voz dele estava grave, intensa como ela nunca tinha escutado. Ela queria tirar o anel do destino de dentro da blusa e conferir a cor que estava. Porém, sempre que estava perto dos gêmeos o objeto emanava um brilho intenso que a garota não estava afim de explicar. Ela não entendia o que estava acontecendo entre eles, mas com certeza falar de anéis mágicos e almas gêmeas estragaria o clima leve entre eles.
Foi então que viu, quase escondido atrás da perna da mesa de cabeceira, a mesma embalagem de chocolate que havia encontrado na passagem do Salgueiro Lutador.
— De quem é esse chocolate? — olhou para o garoto, apontando para a embalagem no chão. George se esticou tentando ver o que ela mostrava.
— O Professor Lupin trouxe para gente. Segundo ele é o melhor remédio contra os efeitos causados por dementadores.
franziu a testa e forçou sua mente a tentar buscar conexões entre Lupin e a Casa dos Gritos. Ela sabia que o professor tinha sido contemporâneo de Sirius Black na sua época de Hogwarts, mas isso não significava que eles eram amigos.
Porém aquele seria um mistério para outra hora. Talvez uma visita à sala dos troféus ou questionar outro professor que ela sabia que também havia estado na escola na mesma época. Mas naquela noite, deixaria sua paixão por mistérios de lado para se dedicar a um outro tipo de paixão perdida nos lábios de George Weasley.

O sol que entrava pela janela começou a incomodar . Ela abriu os olhos ainda tonta de sono, sem entender bem onde estava. Então sentiu algo macio ao seu lado, e levantou assustada ao ver que havia passado a noite com George.
— Puta que pariu! — George abriu os olhos sem entender porque tinha alguém gritando. — George, quantas horas? Puta merda eu preciso ir para sala comunal.
— Calma, . — O rapaz rapidamente olhou para o grande relógio que ficava do outro lado da enfermaria. — São nem seis horas ainda. Para boa parte do castelo ainda está escuro, a enfermaria é a primeira a ganhar sol de manhã.
Mas, antes que George se levantasse da cama, já tinha aberto a porta da enfermaria em direção à sala comunal. O Weasley ficou encarando a porta, sem conseguir entender o que tinha acabado de acontecer. Ainda demorou pelo menos meia hora até Madame Pomfrey chegasse para liberá-lo.
George foi para o Salão Principal onde Fred, Rony e Harry conversavam sobre o jogo do dia anterior e fizeram festa quando ele mostrou o punho curado.
— O que foi aqueles dementadores no campo? — George perguntou.
— Não faço ideia. — Harry olhou para mesa onde o Professor Lupin estava. Ele só conseguia pensar que precisava aprender como se defender dos dementadores. Por algum motivos as criaturas estavam indo atrás dele e, depois de George também ter sido levado a Ala Hospitalar, não queria que seus amigos corressem risco por causa dele.
— Escutei boatos que Sirius Black estava rondando o estádio. — Gina Weasley estava bebendo seu suco de abóbora observando Potter de longe e não pode evitar de escutar a conversa.
— Ele não seria tão ousado. — Rony retrucou. — Fora que Hogwarts tem diversos feitiços de proteção. Dumbledore não deixaria um assassino entrar no castelo.
— Rony! — Hermione chamou atenção do garoto ao ver que Harry mais uma vez tinha desviado o olhar da conversa. O garoto sabia que Sirius estava envolvido na morte de seus pais, mesmo que eles fossem amigos, e não era algo que ele ainda estivesse pronto para conversar a respeito.
George, por outro lado, também levantou o olhar pelo salão principal. não havia aparecido para o café da manhã e, se ele conhecesse bem a garota, ela passaria o dia escondida na sala comunal da Sonserina. Ele só podia desejar que ela não matasse a aula de transfiguração no dia seguinte.

A sala comunal da Sonserina estava vazia. Já era tarde da noite e seguia sentada na poltrona perto da janela lendo seu livro de Artmancia. O anel do destino em seu dedo exibia uma cor mais clara do que o normal. Um verde quase da cor de grama que fazia ser difícil enxergar os pequenos pontinhos brilhantes, mesmo que ela soubesse que eles estavam ali. O brilho não estava tão intenso, mas algo em sua noite com George tinha mudado a cor do anel permanentemente.
Ela quis ir até a biblioteca procurar algo sobre anéis do destino, mas algo lhe dizia que ela não iria encontrar. Talvez na biblioteca da Mansão Malfoy tivesse algo, mas ainda faltava meses até ela ir para casa.
levantou o olhar do seu livro ao escutar passos no corredor. Draco vestia um pijama azul de manga comprida e segurava o punho que ele havia machucado no início do ano letivo após um ataque do hipogrifo de Hagrid.
— Oi. — Ela disse para o irmão enquanto fechava o livro em seu colo.
— Oi. Eu não estava conseguindo dormir. — Draco se sentou na poltrona ao lado da de . — Você sabe que os N.O.M.s não é só Artmancia e Astronomia, não é?
— Falou o garoto que lê escondido os livros de Alquimia durante as férias.
— Justo. — Draco deu um sorriso sem graça. Ele às vezes se esquecia que o conhecia melhor do que ele desejava. A irmã era a pessoa que sabia todos os seus segredos, mesmo que ele evitasse contá-los. Ela sabia quando ele estava triste, os motivos dos seus acessos de raiva e até mesmo que a fachada que ele exibia para seus colegas em Hogwarts era apenas isso: uma fachada. — Ele pediu para não lhe falar nada, mas papai vai vir para Hogwarts no próximo final de semana.
— Você ainda não desistiu da ideia de punir o coitado do hipogrifo? — exibia um sorriso nos lábios que Draco sabia que era apenas a forma da irmã pegar no seu pé, mas isso não impediu que ele desse uma resposta agressiva.
— O bicho idiota me atacou! — Ele levantou o punho como se quisesse provar um ponto. — Além disso, não está mais em minhas mãos. Papai acionou o conselho e são eles que estão pedindo a punição para Hagrid e que o bicho seja sacrificado.
— Sacrificado? — arregalou os olhos. — Isso é meio radical, não?
— Também acho. Mas não tem nada que eu e você podemos fazer.
Por alguns minutos os irmãos Malfoy ficaram em silêncio. Por muitas vezes a falta de palavras dizia mais do que qualquer diálogo. Os dois tinham crescido aprendendo a ler na entre linhas entre eles, sempre se acobertando e fugindo com medo do pai.
— Enfim, eu só queria te avisar mesmo. Ele provavelmente vai falar com você sobre o casamento de novo e, se eu fosse você, não discutia. Você sabe que eu nunca vou te deixar casar com alguém que papai escolher. — Draco se levantou e deu um leve sorriso para antes de voltar para seu quarto.
ficou parada boquiaberta, sem acreditar no que o irmão tinha acabado de dizer. Talvez, a insistência de Pansy e a rejeição de Hermione esteja mostrando para Draco que a vida que seu pai sempre desejou para eles não é tão perfeita assim.
olhou para o anel uma última vez, sem conseguir disfarçar um sorriso ao lembrar na noite anterior nos braços de George Weasley. Ela precisava saber mais sobre esse anel e qual a relação dele com os Weasley afinal, apesar de algumas famílias os repudiarem, eles ainda eram puro-sangue e um dos sagrado vinte e oito.


Capítulo 7

Não se ouvia nada além da voz de McGonagall durante a aula de Transfiguração. Fred anotava as orientações para o simulado do N.O.M.s que a professora distribuía na sala, sem saber da angústia que o irmão se encontrava. George, por outro lado, estava completamente alheio às orientações da professora, encarando que estava sentada na primeira carteira do outro lado da sala.
Ela não tinha tomado café no salão principal e chegou em cima do horário da aula. O cabelo loiro preso em um rabo de cavalo milimetricamente arrumado e o delineado intensificando mais ainda o seu olhar provava que ela não tinha se atrasado. gostava de se arrumar, mas para uma segunda de manhã ela estava arrumada demais. George sentiu como se estivesse o ignorando de propósito e ele não fazia ideia do motivo. Sair correndo da enfermaria era uma coisa, não procurá-lo e sentar-se do outro lado da sala era outra.
— Sr. Weasley? — A voz de McGonagall assustou George que rezou, em vão, para que a professora estivesse falando com o irmão— George Weasley, o que tem de tão interessante no cabelo da Srta. Malfoy que o senhor não está fazendo o seu simulado?
George franziu o cenho e só então percebeu o pergaminho à sua frente. Olhou para Fred em busca de ajuda e, como sempre, o irmão não o deixou na mão.
— O George ainda está meio tonto, professora. Não é todo dia que ele bate com a cabeça no chão, sabe? Aqui, George, isso é uma pena. — Fred lhe entregou uma das penas mágicas que eles estavam desenvolvendo em segredo e George aceitou.
Talvez ele realmente tivesse batido com a cabeça mais forte do que pensou e estivesse apenas pensando demais sobre um beijo. Ele nunca foi de se apaixonar, claro que tinha sua cota de amassos por Hogwarts, mas nunca ficou tonto por uma garota. Ao menos isso Fred tinha razão: George estava tonto, mas não tinha nada a ver com seu encontro com o chão.

— Ei, o que foi aquilo? — Fred perguntou enquanto os dois subiam as escadas para as masmorras em direção a aula de poções.
— O chão realmente era tão duro assim? — Lino Jordan seguia atrás dos gêmeos e se segurava para não rir.
— Não sei. Se você quiser, a gente pode ir buscar uma vassoura para você testar se o chão é duro. — George deu um meio sorriso carregando ainda mais o sarcasmo presente na sua voz. Lino deu de ombros e se afastou, mas Fred sabia que o irmão apenas usava esse tom de voz quando tinha algo errado.
— George! Sobre o que é isso? E o que a tem a ver com essa sua agressividade? — Fred segurou o ombro do irmão o fazendo parar.
— Nã...
— Eu te conheço desde antes da gente nascer, nem tenta inventar. — Fred levantou o dedo para que George não inventasse uma desculpa. George assentiu e perguntou se Fred queria matar aula. Tudo que ele não precisava agora era ver Snape tirando pontos dos alunos por respirarem em sala de aula. Especialmente porque também fazia essa aula com eles.
Assim que se viraram para descer as escadas George deu de cara com . A garota arregalou os olhos e George abriu a boca para falar algo. Mas, antes que ele conseguisse pensar no que, abaixou a cabeça fechando os olhos e passou por ele, entrando na sala de Snape.
— O que foi isso? — Fred levantou uma sobrancelha, sem entender a reação da garota. Mal ele sabia que George também não fazia ideia do porquê ela estava assim.
Os gêmeos foram para os vestiários de quadribol que, por sorte, estavam vazios. Foi o primeiro lugar que Fred conseguiu pensar onde poderiam conversar em paz. Quando ele deu o mapa do maroto para Harry, achou que já saberia de cor todas as passagens da escola com os anos de uso. Porém, em dias como aquele, sentia falta de simplesmente abrir o mapa e entrar em uma das passagens secretas.
— Então… — Fred perguntou assim que fechou a porta atrás de si.
— Na noite que passei na enfermaria, veio me visitar. — O garoto fez uma pausa enquanto encarava o chão. — E a gente se beijou.
— E? — Fred teve que segurar uma risada. George nem parecia o George que ele conhecia, totalmente de quatro por uma garota por causa de um beijo.
— E que ela está esquisita. Você viu! — George apontou para a porta como se estivesse atrás dela.
— Você não beija melhor do que eu, mas te dou certeza que não deve ter sido tão ruim assim. — Fred cruzou os braços enquanto George revirava os olhos pelo comentário. — Pode ter acontecido alguma outra coisa que a gente não está sabendo.
— Talvez. — George deu de ombros, tentando se convencer que Fred estava certo sobre — Mas e você?
Os gêmeos nunca tiveram ciúmes um do outro. Quase você cresce em uma família tão grande quanto os Weasley, dividir é algo normal. Porém, Fred e George sempre foram sinceros um com o outro, mesmo quando escondiam suas fraquezas com piadas e brincadeiras. Eles tinham começado isso juntos, escolhido para fazer parte de um trio quando antes era apenas uma dupla. Desde o início eles sabiam que em algum momento a garota escolheria um deles mas, por algum motivo, George não conseguia ter certeza se ela já havia feito essa escolha.
— Não seria a primeira vez que a gente dividiria uma garota, George.
— Eu sei, mas é diferente.
— Sim, ela é. E nós dois sabemos que essa escolha não é nossa.
George assentiu. Ele poderia ter sido o primeiro beijo dela, mas isso não significava que o havia escolhido. tinha uma energia diferente. Algo que parecia um imã e atraía tanto George quanto Fred. E eles sabiam que era recíproco. Ela ter fugido deles só confirmava essa suspeita. A garota estava tão confusa com o que estava acontecendo quanto eles. E os gêmeos sabiam muito bem o que se falava sobre pelos corredores de Hogwarts e, mesmo sabendo que mais metade dos boatos eram falsos, isso não impedia que a garota tivesse chegado ao quinto ano com receios.
Fred e George nunca viam acompanhada. A garota estava sempre sozinha, com o nariz dentro de um livro e uma expressão intensa. Fred já tinha escutado alguns sonserinos dizerem que ela raramente saía do seu dormitório e que nem mesmo com o irmão ela era próxima. Outros alunos diziam que era amaldiçoada, por ter nascido enquanto seus pais seguiam você-sabe-quem. George achava graça desses boatos, especialmente depois de ter a garota em seus braços. Magia negra era fácil de reconhecer e não havia um traço de trevas nela. Salvo, talvez, a capacidade que tinha de fazer Fred e George perder a cabeça ao lado dela. George sabia muito bem o que era ter a garota em seus braços e que não seria em uma noite que seria dele.
— Vamos nos prometer então que quem vai decidir é ela. — George reafirmou.
— E que, se ela não quiser decidir, não teremos problemas com isso. — Fred reforçou, sempre ele a propor os acordos ilícitos. George nem sempre aprovava as ideias do irmão quando se tratava de garotas, mas, daquela vez, ele não tinha como dizer não. Assim, os dois fizeram um aperto de mãos como uma promessa que não iriam brigar por causa de uma garota. Mesmo que essa garota fosse Malfoy.
— Fred, eu não sei o que está acontecendo, mas sei que tem mais do que nós dois sabemos. Quando estou com ela é como se o mundo atingisse um equilíbrio cósmico, mas não de um jeito piegas daqueles livros que a mamãe lê. É algo essencialmente mágico.
— Eu estava pensando a mesma coisa, George. — Fred mordeu o lábio, feliz em saber que ele não estava imaginando. — É uma atração, mas não é nada sexual.
— Não é apenas sexual. — George corrigiu. Fred parou por um segundo, olhando o irmão.
— Tá, ok. Não é apenas sexual.
George se lembrou do anel brilhante que usava no dia que foram para Torre da Astronomia, porém disse para si mesmo que havia sido apenas um reflexo. Se havia algo a mais, talvez nem mesmo soubesse.
Ou talvez, fosse exatamente por isso que ela estivesse fugindo. De qualquer forma, ele precisava falar com ela. Ninguém se envolvia com George Weasley e fugia no dia seguinte sem ter um motivo.

Durante a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, não conseguiu tirar da cabeça o que George havia lhe contado. A embalagem de chocolate era do Prof. Lupin. Ou pelo menos, ele poderia saber quem estava comendo doces em uma passagem secreta fora do mapa oficial de Hogwarts.
Ela esperou que todos os alunos saíssem da sala, arrumando os materiais mais devagar que o normal. Novamente ela sentiu o olhar de George sob ela, como ele havia feito em todos os momentos que eles se encontravam desde a segunda-feira.
A verdade era que ela queria conversar com o garoto. Queria repetir os beijos que haviam dado na enfermaria, contar para ele sobre a cor intensa de verde que seu anel agora exibia continuamente. Porém, mesmo com a pista de Luna, ela não havia encontrado nada sobre anéis do destino na biblioteca.
— Srta. Malfoy? Gostaria de fazer alguma pergunta? — Lupin se aproximou da mesa da garota. De perto, pôde ver a cicatriz em seu rosto, uma marca do tempo de da história de um bruxo que havia sobrevivido a guerra.
Ela queria fazer muitas perguntas. Algumas delas sobre seus pais, sobre Sirius Black e como o professor tinha conseguido aquelas cicatrizes. Se ela estivesse certa, a Defesa Contra Artes das Trevas seria a matéria mais importante que eles teriam em Hogwarts. A única matéria que poderia prepará-los de fato para a vida fora da escola.
— Hm... Professor, eu fiquei me perguntando depois do jogo de sábado, por que os dementadores atacariam um aluno? — abriu ainda mais os olhos verdes, entortando a cabeça para o lado, transparecendo a maior inocência que ela poderia.
Lupin estreitou os olhos. Se essa pergunta viesse de qualquer outro aluno, ele apenas seria sincero. Mas, vindo de uma Malfoy, ele jamais poderia subestimá-la. Ele sabia que a garota havia crescido com mais conhecimento de Magia Negra do que ele gostaria que um aluno tivesse. Se surpreendia que ficasse tão quieta em suas aulas.
— Bem... — Lupin entrelaçou as duas mãos na frente do corpo, tentando analisar as intenções por trás do sorriso no rosto da garota. — Os dementadores, assim como bichos papões e poltergeists, são não-seres mágicos. Isso significa que eles são espíritos mágicos que se materializam pelas emoções humanas. A única forma de combater esses seres, é usando feitiços acionados pela emoção oposta a que eles usam. Os dementadores, por exemplo, são atraídos por sentimentos que causam depressão e, ao se aproximarem de uma pessoa, eles são capazes de sugar toda a felicidade. Seu beijo provoca um efeito pior do que a morte, consumindo a alma da sua vítima e deixando seu corpo em um eterno estado vegetativo.
— Mas se eles são tão perigosos, por que Dumbledore optou em usá-los como guardas da escola?
— O Ministério sugeriu. Veja, ... Desde o final da guerra que dementadores são usados como guardas em Askaban, sendo o seu beijo a pena mais alta que um bruxo pode sofrer. Quando Sirius Black escapou dos seus cuidados, esses não-seres criaram uma vingança pessoal em Black. Ninguém nunca antes havia escapado da prisão, especialmente sob seus cuidados.
— E vocês investigaram por que eles estavam no jogo? — mordeu o lábio, tentando se segurar para não perguntar demais mas sem conseguir resistir.
Lupin assentiu, mas se afastou da carteira da garota indo até a sua mesa à frente da sala para buscar sua varinha.
— Eu sei que você vai escutar muitos boatos, especialmente sobre Black. Mas saiba que tudo não passou de um erro. Os demantadores não deveriam estar no campo e, especialmente, não deveriam ter atacado um aluno. — Lupin fez uma pausa antes de se virar para garota. — Você sabe se proteger de um dementador, ?
A garota sacudiu a cabeça, ainda mais curiosa do que antes. Em sua casa era ensinado Magia das Trevas, não como se defender dela. Havia uma sala em sua casa que apenas no ano anterior, já detendo conhecimento sobre se proteger de maldições e azarações, ela teve permissão para entrar. Draco ainda não sabia o que a grande porta de metal no porão da Mansão Malfoy escondia de seus moradores.
Porém, até mesmo Lucio e Narcisa haviam sido contra dementadores em Hogwarts. Criaturas instáveis, perigosas e que não deviam lealdade a ninguém, os tornando ainda mais complexos e tenebrosos de estarem perto de alunos menores de idade.
— O feitiço do patrono. — Lupin continuou sua fala. — Não é um feitiço simples de conjurar, especialmente quando perto de um dementador. Isso porque, para produzir o efeito necessário para se proteger, o bruxo precisa de muita concentração e, sobretudo, de uma memória feliz. Quando bem executado, o patrono assume o formato de um animal, ou criatura mágica, variando de pessoa para pessoa.
— Você poderia me ensinar? — perguntou.
— É um feitiço complexo. Requer muita concentração e dedicação. — A voz de Lupin estava um tom mais baixa do que o usual, segurou a mochila contra o corpo, prevento a resposta que ele lhe daria — E é um feitiço nível N.I.E.M.s de execução. Quem sabe ano que vem?
assentiu, sabendo que não adiantaria insistir.
— Sim, quem sabe ano que vem. Muito obrigada, Professor. — Ela colocou a sua mochila no ombro esquerdo e saiu, apenas para esperar no corredor até que Remo Lupin saísse da sua sala e ela pudesse, enfim, descobrir quem era o novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas e o porquê ele havia mentido para ela sobre o feitiço do Patrono ser apenas para alunos do sexto e sétimo ano.

Já estava escurecendo quando o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas resolveu, enfim, deixar a sua sala de aula. Ao longe, viu Lupin olhar os dois lados do corredor antes de seguir para as escadas que levavam às masmorras. A Malfoy pensou em seguir seu professor, achando suspeito o comportamento dele. Entretanto, ela não teria outra oportunidade de entrar na sala de DCAT tão cedo.
Alohomora. — Com um simples feitiço entrou na sala de aula, agora escura e fria. As velas que iluminavam o amplo salão estavam apagadas e a lua ainda não estava tão alta para iluminar a sala, apesar de ser noite de lua cheia. — Lumos!
O feitiço fez com que a varinha de emitisse um brilho prateado. Fraco para o que ela desejava, mas teria que servir. não perdeu tempo e logo subiu as escadas que davam para os aposentos privados do professor. O lugar era bagunçado. Livros empilhados aparentemente desordenado, vestes escuras jogadas na poltrona e um calendário lunar pendurado na parede.
Nada parecia fora do normal, mas ela sentia como se algo estivesse na sua frente e ainda assim ela não conseguia perceber. Foi até a prateleira de livros e começou a ler os títulos. Nenhum deles parecia fora do lugar, todos de acordo com o cargo do professor, apesar de ela ter notado uma quantidade exagerada de livros sobre criaturas noturnas. Lupin não parecia abordar tantas criaturas assim em sala de aula, mas ele também estava mais interessado em ensinar aos alunos feitiços e azarações de como se defender. E, às vezes, como atacar.
Entretanto, achou estranho que não havia nenhuma cama ou divã onde o professor deveria dormir. A sala parecia mais um escritório do que um aposento. Aconchegante, mas quase como se o Professor Lupin não esperasse ficar tanto tempo em Hogwarts. Talvez ele levasse à sério a história do cargo amaldiçoado e já estivesse planejando outro emprego quando o ano letivo cegasse ao fim. Ou, talvez, ele tivesse outro lugar onde passar suas noites. Ela sabia que alguns professores moravam em Hogsmeade, mas, mesmo assim, permaneciam no castelo durante o ano letivo.
abriu as gavetas da mesa, ainda tentando achar o que estava procurando, mesmo que não soubesse exatamente o que. Em uma das gavetas ela encontrou um estoque de doces. Feijõezinhos de todos os sabores, chocolates ao leite, branco e puro cacau, balas de limão e saquinhos de achocolatado. Lupin sem dúvidas tinha um problema com açúcar, mas isso não significava que era ele quem estava frequentando a passagem do salgueiro lutador.
Porém, quando abriu a próxima gaveta, ela encontrou algo suspeito. Diversos vidros de uma poção arroxeada que no escuro ela não conseguia ver bem o que era.
— Perdeu os sapatos de novo, DiLua? — Uma risada vindo do corredor assustou antes que ela pudesse analisar melhor a poção de Lupin.
Escutou outras vozes e, com receio do professor retornar com a confusão, ela fechou a gaveta e saiu da sala, se esquecendo de fechar a porta do aposento de Lupin. No corredor, encontrou Luna Lovegood sentada no chão, sozinha.
— O que aconteceu? — perguntou para garotinha, que tentava esconder as lágrimas em seus olhos.
— Eu perdi meus sapatos novamente. — Luna esboçou um sorriso, seus olhos azuis brilhando ainda úmidos.
— Luna, aqueles garotos esconderam seus sapatos? — franziu o senho, apontado para o corredor.
— Acho que não. Não me preocupo muito com isso, minhas coisas sempre somem e eventualmente as encontro.
observou a garota ao seu lado. Luna usava um cordão colorido e uma fita perdendo o cabelo em um rabo de cavalo. Ela era muito nova para precisar escutar esse tipo de coisa. sabia muito bem o que era ser excluída dentro da sua própria casa, o lugar em Hogwarts que melhor deveria te receber.
— Vem, vamos jantar. Você senta comigo e esses garotos vão te deixar em paz por um tempo. — estendeu sua mão para Luna que, com relutância, aceitou.
— Por que você está ao me ajudando?
— Porque garotas sempre devem ajudar garotas. — Com um leve sorriso no rosto, Luna aceitou a mão da Malfoy. Juntas andaram até o Salão Principal. — Eu espero que tenha pudim.
— Eu também! — Luna abriu um sorriso para e a deixou conduzir até a mesa da Corvinal, ambas se sentando em um canto mais vazio, recebendo olhares de vários alunos em volta. Em outra noite, poderia ter se incomodado em ser o centro das atenções, mas, naquele dia, ela exibiria seu olhar ferino a qualquer um que se aproximasse de Luna Lovegood.
...
Fred e George comiam em silêncio um mingau de aveia. George ainda estava sonolento pela noite mal dormida. Mais uma noite em que seus pensamentos divagavam mais do que deveria e, quando percebia, o sol já estava nascendo e ele ainda não havia pregado os olhos.
Os gêmeos viram seus colegas da Grifinória levantarem o olhar e fazem silêncio. Fred franziu o cenho ao olhar para a porta do Salão Principal. Acotovelou o irmão ao ver , trajando uma saia curta e botas de salto alto por baixo das vestes da Sonserina, caminhando na direção dos dois. Era a primeira vez que a garota não tinha receio de aparecer ao lado deles.
se sentou entre os gêmeos e, enquanto Fred exibia um sorriso travesso, George estava boquiaberto, tentando entender a mudança repentina de comportamento da garota.
— Eu preciso da ajuda de vocês. — Sem perceber, colocou cada uma de suas mãos nas coxas dos gêmeos. George estava tentando se controlar com a proximidade da garota sem conseguir entender o que a Sonserina falava. Fred, por outro lado, percebeu o estranho silêncio ao redor deles.
— Um segundo. — Fred pediu, se virando para os colegas que ainda os encaravam. — Eu estou com a roupa ao avesso e ninguém me contou?
A mesa da Grifinória aos poucos foi voltando as conversas, fingindo ignorar a Malfoy sentada entre eles. , por sua vez, juntou as mãos em cima da mesa, só então se dando conta do que tinha feito. Ela se esticou para pegar um muffin na mesa, se ocupando mais em destroçar o bolinho do que em comê-lo. Ela sentia o olhar de George nela, mas fazia de tudo para não encarar o garoto diretamente.
— Prontinho, pode falar. — Fred se virou novamente para garota e viu George finalmente se ajeitar no banco, devolvendo a colher para o prato a sua frente.
— Vocês conhecem Luna Lovegood? — tomou cuidado para que sua voz estivesse um tom mais baixo do que o normal.
— Ela está na turma da Gina, não? — George perguntou para Fred.
— Acho que sim. — Fred se virou para a irmã, sentada a alguns lugares de distância. — Gina, você conhece a Lovegood?
Gina assentiu, pedindo licença para alguns alunos do quarto ano para se aproximar dos irmãos. Ao mesmo tempo, Hermione se juntou ao grupo, reclamando da briga que Harry tinha mais uma vez arrumado com Draco na aula do Snape, perdendo pontos para a Grifinória.
— Aquele garoto é muito insolente e... — Quando ela percebeu a presença de a sua frente, travou no meio da frase depois de ter xingado Draco em diversos nomes.
— Pode continuar. Eu provavelmente concordaria com você em boa parte desses adjetivos. — sorriu para Hermione que enfim se calou.
— O que vocês querem saber sobre a Di... A Luna? — Gina perguntou enquanto prendia o cabelo ruivo em um rabo de cavalo.
— Eu escutei alguns garotos ontem pegando no pé dela. Me pareceu que eles estavam escondendo as coisas dela de proposito, mas a garota parece acreditar que é algum tipo de criatura mágica que está brincando com ela...
— Ah sim. Ninguém entende muito bem a Luna. O pai dela é editor d'O Pasquim, e ela parece levar ao pé da letra tudo que sai na revista. — Gina comentou. — Ela é meia doidinha, mas é gente boa. Uma das melhores alunas da turma.
— O que você quer exatamente, princesa? — George não deixou de perceber quando Hermione e Gina se encararam ao escuta-lo usar o apelido que dera a . Sentiu sua orelha começar a queimar, mas, quando os olhos de se viraram para ele, se esqueceu de onde estava e tudo que ele queria era os lábios dela nos seus novamente.
— Eu... Não sei exatamente. Pensei em perguntar se vocês dois não poderiam inventar alguma brincadeira, uma bomba de bosta talvez. Algo que ela pudesse usar para se proteger, mas sem que ela soubesse. Tenho a impressão de que ela não é o tipo de garota que sabe se defender.
— Não mesmo. — Gina comentou mordendo uma torrada com manteiga. — Luna tem o jeitinho dela e está quase sempre sozinha. Mas odeia reagir, geralmente nem percebe quando os alunos implicam com ela. Chega a me dar pena, honestamente.
— Eu também tive esse impressão hum... Gina, não é? — A ruiva assentiu. — Eu já estive no lugar dela quando estava no meu segundo ano e tudo que eu queria era ter tido amigos para me apoiar.
— Eu posso falar com ela. — Gina deu de ombros. — Não somos muitos próximas, mas podemos pensar em algo. Gostei da ideia da bomba de bosta. Adoraria ver alguns meninos levando o que merece na cara.
— Na verdade, eu acho que vocês estão sendo muito simplistas com bombas de bosta. — Fred falou, abrindo a mochila para pegar um pequeno objeto cilíndrico. — Essa é uma caneta espirra tinta. Adaptei um objeto trouxa que papai apreendeu para expelir uma tinta azul em quem tentasse usar.
— Mas como você daria isso a ela? — pegou o objeto das mãos de Fred, tentando entender o que era uma caneta. — Isso me parece tão simples quanto a bomba de bosta.
—Na verdade, ela não precisa nem saber que está com a caneta cuspidora. — George sugeriu o nome, recebendo um sorriso de Fred apoiando a ideia. — Pelo que Fred falou, se a pessoa que não for dona da caneta segurá-la, a tinta escorre. Não é isso?
Fred assentiu e rapidamente devolveu o objeto para o garoto, já se imaginando toda suja de tinta azul. Com a cor clara do cabelo, tinha certeza de que ficaria com ele tingido por algumas semanas caso a caneta cuspidora resolvesse ataca-la.
— Se você colocar a caneta na mochila da Luna...
— Quando alguém for mexer nos pertences dela, ficará coberto de tinta azul. — Fred completou o raciocínio de George.
— Eu já falei que vocês são brilhantes? — deu um beijo na bochecha de Fred e depois de George, errando por pouco os lábios do segundo. — Muito obrigada. Eu quero tentar me aproximar mais dela também, mas não sei como uma secundarista andaria comigo.
— Não se preocupe, . Vou falar com ela também. — Gina sorriu. — Hermione, a gente poderia chamar a Luna para assistir o quadribol com a gente no fim de semana. Ela não vai se sentir tão intimidada com mais garotas por perto.
— Contra quem é o jogo? — perguntou.
— Sonserina. — Fred e George disseram juntos, deixando vermelha por não saber nem quando sua própria casa iria jogar. Então ela se lembrou do aviso de Draco.
— Merda, meu pai vai estar aqui. — A voz de quase falhou, atraindo o olhar dos gêmeos. — Eu não vou poder ir com vocês, garotas. Sinto muito.
— Tudo bem! Cuidamos da Luna por você. — Gina sorriu. Malfoy era totalmente diferente do irmão e ela conseguia ver o que Fred e George viam nela.
— Eu só não entendi uma coisa ainda. — Hermione falou, cruzando os braços e arqueando suas sobrancelhas. — Por que uma Sonserina do quinto ano estaria interessada em ajudar uma secundanista da Corvinal?
mordeu o lábio inferior. Ela tinha os motivos dela. As fragilidades que ela fazia questão de esconder e como ela sabia o que era não poder confiar nos seus próprios colegas de casa. Ter medo de ir para sala comunal todo dia à noite e encontrar seus pertences bagunçados. Escutados sussurros nos banheiros e sempre ser escolhida por último para os trabalhos em grupo. podia assinar Malfoy, mas estava longe de agir como uma das famílias tradicionais. Ela sempre questionou tudo que aprendeu em casa e se lembrava de como o chapéu seletor ficou na dúvida se mandava ela para Corvinal ao invés da Sonserina. Por fim, havia sido o seu receio de Lucio Malfoy que convencera o chapéu a manda-la para Sonserina. Era esse tipo de segredo que ela guardaria consigo mesma para sempre.
— Eu tenho meus motivos. — Ela se levantou, deixando os grifinórios encarando a garota sair do Salão Principal. George olhou para Fred antes de se levantar e ir atrás de , ainda sem ter certeza de que tipo de ajuda ela queria. Para ela, Luna era apenas um reflexo que a própria via de si mesma. E, com Lucio Malfoy chegando a Hogwarts no final de semana, ele se lembrou o que ela havia dito sobre casamento arranjado. Tinha algo a mais acontecendo que, mais uma vez, ela insistia em manter escondido dele.
...

O corredor da sala de poções estava vazio. odiava fazer aulas extras com Snape, mas ele obrigava todos os alunos da Sonserina que se preparavam para o N.O.M.s atenderem ao curso especial. Ele não esperaria menos do que um Ótimo para seus alunos. A aula daquela tarde havia sido exaustiva e estava distraída em seus pensamentos.
A visita do pai a Hogwarts significava que ela teria duas semanas emendadas. Seria obrigada a assistir ao jogo e ela nem mesmo sabia se George já estaria de volta ao campo. Ela esperava que sim. Ver os gêmeos sempre melhorava os piores dos seus dias. tinha certeza de que Lucio chegaria com um novo pretendente. Ela esperava que o rapaz estudasse em Dursmstrang ou alguma outra escola longínqua, com o calendário escolar totalmente diferente do de Hogwarts. Última coisa que ela precisava era de um relacionamento forçado. Já bastava a confusão que ela mesma havia se enfiado entre os gêmeos Weasley. Ela havia beijado George e queria dizer para si mesma que era ele sua alma gêmea afinal, o anel do destino agora estava em uma coloração verde mais intensa. Porém, sempre que olhava para Fred, sentia borboletas no estômago que ela não sabia explicar.
Sua mente vagava tanto, que assustou quando sentiu um braço a puxando pela cintura e, antes que ela pudesse gritar, seus lábios foram tomados pelos lábios familiares de George. Era como se ele tivesse escutado seus pensamentos e em como ela queria ficar com ele de novo. Eles estavam em uma sala escura, talvez a sala de Feitiços, vazia naquele dia. Mas não conseguia raciocinar.
Ela levou as mãos à nuca de George, se aproximando ainda mais do garoto e se permitindo beijá-lo como ela vinha sonhando há dias. O calor que o corpo do garoto emanava era o suficiente para fazer com que esquecesse tudo que ela precisaria enfrentar. Naquele momento só existia Fred... Ops, George. Talvez nem tudo era possível esquecer nos braços de um garoto.
Com uma mão, George segurava a sua cintura com firmeza enquanto a outra mão estava no pescoço de , de vez em quando acariciando sua bochecha com o polegar. aproveitou para levar suas mãos aos cabelos do garoto, sempre macios e deliciosos e acariciar.
George estava sentindo todos os músculos do seu corpo. Ele queria ir além daquele beijo, mas por hora, esse contato precisaria bastar para o desejo que ele sentia.
— O que você está fazendo comigo, princesa? — Ele sussurrou no ouvido dela, mordendo o lóbulo da orelha em seguida. arfou com esse contato, sentindo reflexo do toque entre suas pernas. Sensações novas que ela não fazia ideia de que eram possíveis.
— Eu não sei. — Havia sinceridade em sua voz, mas ainda assim George se afastou. Ele precisava olhar nos olhos verdes de , ter certeza de que ela estava tão perdida quanto ele.
— Isso. Tem algo a mais além da vontade que eu tenho de te sentar em uma dessas mesas e arrancar suas roupas, princesa. — George fez uma afirmação. Naquele ponto não havia espaço para dúvidas.
corou e mordeu o lábio. Nenhum garoto nunca tinha falado com ela dessa forma e, pela primeira vez na vida, ela desejou que George não apenas falasse. Ela apertou seu dedo anelar, feliz do anel escondido por baixo das grossas vestes negras que impediam que o brilho esverdeado iluminasse a sala.
— Eu não sei. Tudo que sei é que sinto uma vontade absurda de ficar ao lado de você — Ela fez uma pausa, olhando nos olhos de George para que ele pudesse ver que ela não estava confusa quando voltou a falar — e de Fred. É algo mais forte do que eu. Maior do que nós três. Mas eu não sei explicar.
George assentiu. Ele segurou a cintura de com mais força. Era claro que ele queria que ela dissesse que ficaria apenas com ele. Que George era quem ela queria. Mas ele sempre soube que ele e Fred eram um pacote só. E, por algum motivo, completava esse pacote.
Ele queria fazer mais perguntas. Descobrir a versão dela para o que estava acontecendo. Mas, ao mesmo tempo, ele tinha medo de que aquela dinâmica mudasse. E, se o que ele teria que fazer para ter em sua vida era saber que ela também queria Fred, ele iria aceitar.
— Não tem problema, princesa. — George puxou novamente para si, colando seus lábios nos dela e a beijando sem pressa. Naquele momento, ela era só dele. E ele iria aproveitar todos esses momentos.




Continua...



Nota da autora: Caso vocês não tenham pegado a referência, o patrono do Fred é um coiote e o do George um macaco. Só para deixar as teorias de vocês ainda mais divertidas. ;) Não deixem de vir falar comigo nas redes sociais! @jbrennelly tanto no Twitter quanto no Instagram. Agora também tenho um grupo no WhatsApp. Só me chamar em alguma dm que te adiciono < 3
Muuitoo obrigada por todos os comentários e incentivo! Eu estou tão feliz pelo pequeno sucesso de Illict Affairs e eu não poderia estar mais grata! E aguardem que ainda tem muito por vir.


Nota da beta: MANO DO CÉU! CALMA QUE O CORAÇÃO TÁ PALPITANDO AQUI! EU QUERO ESSE GEORGE PARA MIM! E você está me fazendo querer o Fred também. Deus pai! Acha coração para isso! Se a fic caminhar para o que eu estou pensando, eu estou amando! SÓ CONTINUA! HAHAHA Da sua amada beta! <3
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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