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Última atualização: 27/07/2020

Prólogo


“Cause I don’t wanna lose you now
(Porque eu não quero perder você agora)
I’m lookin’ right at the other half of me
(Estou olhando bem para a minha outra metade)
The Vacancy that sat in my heart
(O vazio que se instalou em meu coração)
Is a space that now you hold”
(É um espaço que agora você segura)

Justin Timberlake – Mirrors


100 a.C. (Antes de Cristo) – Grécia Antiga

Kalel franziu o cenho e crispou os lábios ao sentir o líquido doce-amargo ficar impregnado em seu paladar. Respirou fundo, esperando ansiosamente sentir alguma diferença em seu corpo, porém não notou nenhuma modificação.
Suspirou de modo frustrado.
Esperava — do fundo de seu coração — que aquela poção realizasse o que lhe fora designado. Possuía completo conhecimento de que Cibele era bem mais recomendada para criar aquele encanto, principalmente por ser filha de quem era e por estar mais acostumada a trabalhar com aquele tipo de feitiçaria.
Porém não podia pedir para que a mulher lhe fizesse uma poção tão poderosa como aquela, quando não tinha o mísero desejo de dividir tal preciosidade com a mesma e sequer queria que Cibele descobrisse seus planos.
Pousou o cálice sobre a mesa — procurando fazer o mínimo barulho para que não acordasse a mulher que dormia do outro lado da tenda — e pegou o punhal de prata de Cibele. Necessitava de alguma confirmação de que o elixir tinha funcionado, e a ideia que passava em sua mente era sua única opção.
Não pensou duas vezes antes de cortar a palma da mão em uma linha horizontal.
Pressionou os lábios — para que nenhum som escapasse de sua boca — ao sentir o latejar causado pelo corte aberto. Observou o sangue manchar a palma de sua mão recém-cortada e o punhal. Retornou o pequeno objeto cortante ao local que pertencia ao sentir o leve ardor em sua pele diminuir.
Limpou o sangue fresco em seu próprio quíton, sem se importar com o fato de que poderia manchar o tecido claro. Tinham coisas mais importantes em jogo do que uma simples peça de roupa.
Sorriu abertamente ao fitar a fina linha reta em sua mão. O corte aberto poucos segundos atrás estava completamente fechado, e o único sinal de que Kalel tinha se cortado era a pequena cicatriz esbranquiçada que reluzia devido à pouca luz presente no local.
Tinha conseguido.
A poção para a imortalidade estava finalizada, e parecia estar funcionando perfeitamente.
Kalel apressou-se para sair da tenda. A lua cheia brilhava no céu, iluminando as poucas cabanas espalhadas por aquele acampamento. Encarou a enorme esfera redonda no céu, que parecia estar poucos centímetros afastada do antigo e amplo salgueiro. Estava na hora de ir, Kalel sabia disso.
Não preocupou-se com o que pensariam ao lhe ver correndo, a única coisa que importava para ele, naquele momento, era encontrar Calista o mais rápido possível. Tinham marcado de se encontrar na saída da cidade, afastados dos olhares curiosos e das ameaças que os cercavam. Iriam fugir naquela noite após se tornarem imortais.
Viveriam por toda a eternidade juntos, desfrutando do amor que nutriam um pelo o outro.
Kalel parou de correr ao observar a estrada de terra a poucos passos à sua frente, tinha chego até a saída da cidade. Permaneceu ali, parado — com o coração batendo a milhas — e encarando atentamente ao seu redor, esperando ansiosamente por Calista. Sabia que sua amada estava receosa, tinha medo de que fossem pegos, mas tinha total noção de que ela não o abandonaria.
Afinal, não existia nada mais puro do que o amor dos dois.
A inclinação da lua mostrava que Calista estava atrasada. Kalel conhecia a jovem extremamente bem para saber que ela não se atrasaria, muito menos em um dia como aquele. O dia em que eles finalmente estariam livres para se amarem sem nenhum empecilho.
Vagou por entre as árvores, seguindo o caminho pelas sombras da noite para que ninguém o enxergasse. Locomoveu-se pelo caminho que lhe era demasiadamente conhecido — devido as diversas vezes que fugia no alto da noite para poder encontrar Calista. Porém, naquela noite, tinha um sentimento desconhecido percorrendo seu corpo conforme se aproximava da morada de seu amor.
Possuía o presságio de que algo estava errado.
Franziu o cenho ao notar todas as velas acesas e a porta de madeira aberta. Mordeu o lábio inferior e respirou fundo, criando coragem para adentrar o local e dissipando de sua mente a preocupação. Porém o aperto em seu peito continuava presente e sua respiração acelerada denunciava o seu nervosismo.
Adentrou o local e estancou poucos passos após cruzar o batente da sala. Sentiu o aperto em seu coração aumentar e todo o sangue parar de circular por seu corpo. Estava em choque ao observar o corpo desfalecido de Calista jogado de qualquer jeito sobre a cadeira.
Saiu do transe apenas quando a mulher virou sutilmente a cabeça em sua direção, deixando um suspiro fraco sair pelos lábios sem cor. Kalel correu em direção ao corpo da amada, tomando-o nos braços com cuidado e abraçando-a conforme se acomodava no chão próximo aonde Calista estava antes.
O corpo de Kalel tremia sutilmente contra o tronco frio de Calista. A respiração fraca e entrecortada da mulher batia contra o peitoral do amado. Os olhos femininos estavam fracos devido a todo o sangue perdido, porém permaneciam fixos na face do homem que ela tanto amava. Sorriu fraco — o máximo que sua condição lhe permitia — e sentiu o gosto metálico por todo seu paladar.
— Você bebeu? — Kalel questionou de modo desesperado ao notar o cálice vazio.
Recebeu como resposta um simples balançar de cabeça em sinal positivo.
— Mas como... — deixou a pergunta morrer no ar ao observar a peônia branca pousada sutilmente em sua direção.
Sabia exatamente o que estava acontecendo.
Aumentou a intensidade do abraço, sentindo os olhos lacrimejarem ao compreender que aquilo tudo era sua culpa. Calista estava morrendo, e a culpabilidade era inteiramente sua. Amaldiçoou a si mesmo mentalmente. Ele estava a perdendo, sabia disto.
Não compreendia como Calista estava morrendo, mesmo após tomar a poção da imortalidade, mas sabia quem tinha feito aquilo com ela. Sentiu a mão trêmula e feminina pousar sutilmente em seu rosto, atraindo sua atenção para a face pálida de sua amada.
— Eu te amo. — Cal falou com dificuldade, o tom de voz não era nada mais do que um simples sussurro.
— Eu te amo. — Kalel repetiu e notou o sorriso fraco nos lábios da amada. — Por toda a eternidade.
Não conteve o choro ao sentir a mão de Calista abandonar seu rosto e a respiração fraca cessar. Deixou que as lágrimas rolassem por sua face, nada mais importava naquele momento, tinha acabado de perder o amor de sua vida. Apoiou o rosto de Calista na curva de seu pescoço e gritou.
Gritou o mais alto que conseguia, sem se importar com a atenção que atrairia.
A mulher que amava estava em seus braços, morta, por sua culpa. O peso em seu coração era enorme. Estava sem Calista, sabia que nunca mais amaria alguém como amou aquela mulher, com todo o seu ser.
Encontrava-se perdido, sem rumo, mas agora estava obrigado a viver por toda a eternidade.

Quíton: peça de vestuário unissex utilizada na época da Grécia Antiga. Era uma túnica, confeccionada por lã ou linho, usada tradicionalmente com um cinto à altura da cintura, preso sobre os ombros com alfinetes ou broches.


Continua...



Nota da autora: Chego nesse site com mais uma long, mas eu não conseguia mais conter a ansiedade de postar Immortalis, já que venho trabalhando nela desde o início de 2019. Eu tive duas enormes inspirações para escrever essa história, a primeira foi Fallen — meu amor desde 2012 — e a segunda foi a novela Espelho da Vida. Eu amo tudo relacionado a vidas passadas, e por isso, não contive a vontade de escrever uma. Espero que vocês gostem dessa estória o mesmo tanto que eu gosto de escrever haha.



Outras Fanfics:
A Week In Bali [Liam Payne – Restritas – Shortfic]
Águas Traiçoeiras [Originais – Restritas – Em Andamento]
Are You The One [Originais – Restritas – Em Andamento]
I’ll Never Let You Fall [Originais – Restritas – Shortfic]
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Temporarily Yours [Liam Payne – Restritas – Em Andamento]
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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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